Prefácio - O Antigo Egito
 

 

Lá estava ele debruçado sobre um livro no chão de seu quarto numa bela e quente tarde de verão. Lia aquelas palavras com intensidade e curiosidade de um verdadeiro historiador. O Antigo Egito, ahh… isso sim era história para ele. Era Agosto e fazia muito calor em sua pequena e pacata cidade no interior do estado de New York, Estados Unidos. Neste momento Gilbert não estava com vontade de brincar junto com seus amigos no rio em que costumavam nadar todos os verões, tinha coisas melhores para fazer.
O ano era 1923, um ano depois do descobrimento arqueológico do século eles diziam. Faziam 8 meses em que se ouviu falar pela primeira vez de Tutankamon, o faraó que proporcionou aos arqueólogos a maior descoberta feita no Egito até então. Foi a descoberta egípcia que mais tesouros trouxera, junto com boatos sobre maldições e múmias que andavam, isso fazia com que o interesse pela cultura egípcia fosse despertado em todo o mundo .
Gilbert Madison tinha 10 anos e desde que seu tio Ben visitou sua família há dois meses atrás, não sabia que a leitura podia ser algo tão divertido como sair com seus amigos para nadar.
Seu tio era um destacado importador de artefatos europeus, que importava de tudo um pouco. O produto com que se podia ganhar mais dinheiro no momento, era o produto que Tio Ben importava. Eles chegaram numa manhã como qualquer outra. Gilbert estava ansioso com a chegada de seu tio, pois na última visita que este fizera, ele recebera um presente que tornou o seu brinquedo mais precioso. Não que Gilbert tivesse qualquer sentimento especial pelo objeto que lhe haviam dado, porém todos o meninos da redondeza ficavam impressionados toda vez em que Gilbert o tirava do esconderijo secreto.
O esconderijo secreto, na verdade era só uma pequena caixa que Gilbert mantinha embaixo de sua cama. Gilbert era um menino franzino e não era visto como o valentão dos arredores, nem mesmo por seus amigos. O que poderia fazer o pequeno Gilbert tão popular ?
Um estranho boneco feito de barro, que seu tio importava de algum pequeno país que ele não conseguia lembrar. Isso não era constrangimento algum para Gilbert pois para seus amigos ele sempre dissera que pertencera a uma primitiva tribo africana, que com o auxílio de sua imaginação se tornava cada vez mais real.

mantinha embaixo de sua cama. Gilbert era um menino franzino e não era visto como o valentão dos arredores, nem mesmo por seus amigos. O que poderia fazer o pequeno Gilbert tão popular?
Um estranho boneco feito de barro, que seu tio importava de algum pequeno país que ele não conseguia lembrar. Isso não era constrangimento algum para Gilbert pois para seus amigos ele sempre dissera que pertencera a uma primitiva tribo africana, que com o auxílio de sua imaginação se tornava cada vez mais real.

- Pigmeus Canibais. Dizia Gilbert, e os olhos se arregalavam ansiosos esperando para ver o tal boneco. O boneco fazia muito sucesso ao ser mostrado e com algumas estórias que Gilbert havia inventado, sobre como seu tio o adquiriu e sobre a perigosa tribo, sua popularidade entre os garotos da redondeza estava assegurada.

Quando a tão esperada visita chegou, Gilbert não sabia o que fazer para agradar o tio. Sua mãe, a melhor anfitriã já vista por ele, cuidava de todos os detalhes, ao mesmo tempo em que conversava com sua tia discutindo como estavam todos na família. Seu pai convidara seu tio para apreciar a nova biblioteca. Sendo um Advogado de grande tradição na cidade sempre desejou ter uma, mas só agora depois de 20 anos exercendo a profissão pudera se dar a esse luxo. Tio Ben olhava para todos aqueles velhos livros sobre leis que jamais sabia que existiam até então, com um interesse falso. Percebendo isso, o pai de Gilbert convida o irmão para se juntarem às esposas que conversavam na sala de estar.

- Sempre se pode ganhar mais alguns dólares para poder gastar com as namoradas. Dizia Tio Ben enquanto sua esposa sorria de forma artificial, como se houvesse escutado aquela piada muitas vezes e concluía o episódio com um já ensaiado tapa no braço do marido. O jovem casal ainda não tinha filhos, Gilbert adorava isso pois dessa forma eles não esqueciam seu presente.
Gilbert extremamente ansioso observava seus tios conversando e esperava o novo presente que lhe traria ainda mais prestígio entre seus amigos. E então o esperado momento chegou: Tio Ben tira da mala um pacote de forma retangular que Gilbert pensou ser uma caixa contendo algum tipo de jogo. Mas, grande foi sua surpresa quando do pacote apareceu um livro. A princípio Gilbert ficou decepcionado com tal presente, mas quando o segurou nas mãos seus olhos brilharam e um grande sorriso pode ser visto em seu rosto.

O Antigo Egito, esse era o nome do livro que fascinava o menino mais do que qualquer boneco de barro. Desde a descoberta da câmara mortuária do Faraó Tutankhamon, vários livros haviam sido escritos a respeito do que se sabia sobre o Antigo Egito, mas Gilbert nunca tivera segurado um deles nas mãos. Aquele exemplar continha desenhos interessantes e incríveis histórias sobre Deuses todo-poderosos, meio humanos e meio animais.
A partir dali, aquele livro passou a ser o seu novo tesouro; não fazia sucesso com seus amigos como o presente anterior porém se tornou seu bem mais valioso. Tanto que tomou o lugar do boneco no “esconderijo secreto”.



Levantando-se do chão Gilbert pegou o livro e o guardou com muito cuidado na velha caixa embaixo da cama. Foi até a cozinha, aproveitando que sua mãe não estava lá, pegou um par de colheres e uma pequena escova. E lá foi ele mais uma vez em direção a um pequeno campo que havia distante alguns metros de sua casa. Campo este onde muitas vezes no decorrer da infância brincou fazendo pequenas escavações, encenando cada vez o descobrimento de um artefato que o levaria a maior de todas descobertas.

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