Guerras imperialistas e a psicologia midiática, por Natanael Sarmento*
03/03/2026
Nada é casual
Análises travestidas de erudição que encantam os indiciados afetos das terapêuticas de sofá. Nélson Rodrigues diria “bonitinhas, mas ordinárias”. Sob uma aparência crítica, na verdade reforçam o projeto ideológico imperialista. Retira-se a essência das guerras inter-imperialistas e deita-se e rola-se no sofá do Freud e Lacan, a economia política de Marx, Engels e Lenin ou os escritos de Sun Tzu, Clausewitz e Napoleão não cabem na sessão da terapia.
Os traumas
Os traumas das crises sistêmicas estruturais do capitalismo, das grandes depressões...
Nada é casual
Análises travestidas de erudição que encantam os indiciados afetos das terapêuticas de sofá. Nélson Rodrigues diria “bonitinhas, mas ordinárias”. Sob uma aparência crítica, na verdade reforçam o projeto ideológico imperialista. Retira-se a essência das guerras inter-imperialistas e deita-se e rola-se no sofá do Freud e Lacan, a economia política de Marx, Engels e Lenin ou os escritos de Sun Tzu, Clausewitz e Napoleão não cabem na sessão da terapia.
Os traumas
Os traumas das crises sistêmicas estruturais do capitalismo, das grandes depressões e dos recursos dos monopólios às guerras que lucram com destruições e reconstruções das forças produtivas não entram nessas sessões.
Lentes psicológicas
As ações bélicas findam explicadas essencialmente, e erroneamente, pelos traços de personalidade do Presidente estadunidense. No frigir dos ovos, os distúrbios emocionais do “destemperado” explica as agressões dos Estados Unidos Venezuela, Cuba, Irã, etc. e dita os rumos da política externa imperialista Norte Americana. Mas o “problemático” Trump não governava aquele império nas guerras e ataques contra Coreia, Vietnã, Afeganistão, Líbia, Síria...
Nada de novo no front
A narrativa dos sofás é novidade de museu. Quem não ouviu falar da loucura de Nero e de Hitler? No que tenha isso de verdade, supervalorizar o papel da estrutura mental de um governante individualmente, inda que presumivelmente insensatos, malucos, impulsivos, narcísicos, sádico, etc. diz mais do que esclarece sobre domínios políticos estruturas econômicas e sociais que em última análise definem os "negócios de Estado". Quem governa e como governa, fazer a guerra ou celebrar a paz. Colocar o rei no trono ou colocar a sua cabeça numa bandeja.
Apenas o ego?
O indivíduo, chefes de Estado e líderes, são importantes agentes ativos da história, mas não fazem como querem, como lhe dá na telha. Eles agem dentro de estruturas preexistentes, ao mesmo que expressão dessas estruturas, por elas limitado. Nenhum líder carismático ou maluco pode mudar a história se as condições materiais da economia e da política, da luta de classes, não estiverem amadurecidas. Sem o desenvolvimento imperialista dos EUA, os monopólios capitalistas expansionistas, o complexo industrial-armamentista da maior potência bélica planetária, Donald Trump seria um Napoleão de hospício inofensivo.
Buraco da fechadura
Nosso ponto não de ignorância do papel individual e das questões psicológicas de cada um, é combater o viés rasteiro e amiudado das explicações que abundam sobre as ações dos EUA/ Donald Trump na geopolítica internacional dos dias correntes. Eduardo Galeano sobre a visão amiudada fala do sujeito que explicava a Grande História do universo através da visão de um quarto através do buraco da fechadura. Todavia, não custa espionarmos os diagnósticos do divã do Trump segundo os analistas nacionais e internais tão comentados.
Narcisismo
Trump age como menino malcriado. Sem limites. Tem personalidade narcísica e maldosa. É incapaz de suportar negativas, frustações. Sua agressividade revela sadismo. Os ataques a países ou pessoas que o contrariam são impulsivos, destemperados. É a busca inconsciente da satisfação do “ego”. Da autoimagem de “grande líder vencedor” e sádico que sente prazer no sofrimento do oponente. Em resumo, um Narcíso “do mal”, tipo Coringa do Batman.
Impulsividade
A proverbial “falta de paciência” do Trump decorre da excessiva autoconfiança. Tomada de decisões e ações de Estado açodadas e por instinto (feelling). Inadaptável aos processos protocolares institucionais considerados morosos e desnecessários. Em resumo. Trump tem força, não tem paciência para explicar suas decisões. Primeiro ataca, prefere esmagar e coagir a conversar e convencer. Arquétipo do Hulk dos quadrinhos.
Dólares
Os 3 ataques contra o Irã custaram 80 milhões de dólares. Forças militares dos EUA custam e alimentam bilhões de dólares. Zé do Bolo, ambulante e filósofo do bairro Derby diz que dinheiro não brota de árvores e jaboti não sobe em telhado. Nero, Hitler e Trump possuem traços psicóticos, e daí? Por acaso eles criaram as bases econômicas sociais e políticas imperialistas de Roma século I, Hitler, século XX e EUA, no XXI d.C.?
Guerras & negócios
As guerras não são decididas nem executadas por uma pessoa. Milhões de humanos morrem e ao cabo, alguns poucos lucram com o butim de guerra, com a pirataria. Com conquistas territoriais, recursos minerais, rotas e mercados de exploração econômica.
Imperialismo
O imperialismo contemporâneo da fase superior do capitalismo lucra com a corrida armamentista, com as guerras na destruição e depois na reconstrução das forças produtivas de países devastados. Faturam-se bilhões no complexo tecnológico-armamentista, em cada bomba e míssil lançado, com as morte e a terra arrasada. Depois, a “mão amiga” se estende na “reconstrução” e “ajudas humanitárias” que vão render mais alguns bilhões de dólares.
Contabilidade
80 milhões de pessoas morreram na Segunda Guerra Mundial (1939/1945). Os Custos materiais foram calculados em 4 trilhões de dólares. Na filosofia do ambulante, “doido rasga dinheiro”. Monopólios capitalistas estadunidenses ganharam bilhões com as guerras na Ucrânia, Palestina e agora no Irã. Trump rasga dinheiro?
Plano Marshall
O “Plano de Reconstrução” da Europa destruída pela 2ª Guerra, “ajudou” 16 países. Conta calculada de 100 bilhões, em valores atualizados. Entre os devedores, a Alemães pagou a dívida por mais de trinta anos...
Sádico e pedófilo
Para não falar em tribunais populares e “paredão”, nos contentaríamos em entregar Donald Trump aos cuidados terapêuticos do Dr. Simão Bacamarte ou do analistas de Bagé. Tem traços egocêntricos narcísicos, sádicos, malignos. Mas não rasga dinheiro. É Presidente da potência imperialista que se tornou “dona do mundo” no pós 2ª Guerra do século XX. E que se mostra incapaz de sair do atoleiro da crise decadencial, em face da concorrência da China na geopolítica global. O Tio Sam em bancarrota dispara mísseis. O Tigre asiático avança em silencio na rota da seda.
Encurralado
O uso dos canhões dizia-se, é a última razão dos reis. Na era imperialista a primeira. Incapaz de debelar a crise capitalista iniciada em 2008 as faturas das guerras localizadas não suficientes para os lucros desejados pelas grandes corporações e monopólios. Vivemos o limiar da guerra global mundial nuclear cujos desdobramentos e danos humanos e ambientais são incalculáveis.
Todos perdem?
A tragédia humanitária do genocídio do governo sionista de Israel na Palestina traz mortes e sofrimentos. Mas tem gente lucrando e rindo à toa. Os EUA ganham bilhões na vendas de armas para Israel. Mais de 126 bilhões em armamentos. A estimativa da ONU para reconstrução de Gaza é de 80 bilhões de dólares. Trump revelou plano de investimento na construção de hotéis de luxo na “ótima localização” de Gaza.
Lenine, presente
Lenin, em 1916 escreveu “Imperialismo, a fase superior do Capitalismo”. Ele explica as causas das guerras imperialistas na monopolização da economia (formação de trustes e cartéis) em cinco pontos: 1. Alta concentração de capitais (monopólios, corporações, trustes e cartéis), dominam a vida econômica; 2. Capital financeiro fundido com o industrial e formação da oligarquia financeira; 3. Grande produção e necessidade de exportação – expansão de capitais – além fronteiras nacionais; 4. Partilha do mundo pelas associações monopolistas; 5. Conquistas territoriais e disputa pela exploração pelos grandes monopólios e crescentes conflitos para novos rearranjos e divisões.
Elo fraco
Segundo Lenin, o imperialismo entra em decadência. As potências se tornam rentistas e vivem de exportação de capital e juros, não apenas da exportação de produtos. A fase superior imperialista capitalista é também do seu declínio. A concorrência desigual entre monopólios gera as guerras inter-imperialistas. Tais fissuras abrem caminho às revoluções proletárias e socialistas.
A quem serve o sofá?
Não precisamos desenhar. O jornalismo do divã das guerras não coloca o dedo na ferida e não ameaça o capital. Por isso é tão amplamente difundido e elogiado. E o Lenine citado é o talentoso cantor pernambucano. O original da revolução nem é lembrado. Ou é mais criticado do que conhecido pelos serviçais do capital doutores auriculares.
Natanael Sarmento é escritor e professor. Do Diretório Nacional da Unidade Popular Pelo Socialismo – UP.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Leia outras informações
PF apura falsa mensagem enviada durante voo sobre bomba em avião, que forçou pouso de emergência no Recife
07/03/2026
Segundo informações da Polícia Federal (PF), todos as regras de segurança e investigação imediata foram cumpridas e não foi identificado qualquer risco ou irregularidade. Os passageiros desembarcaram em segurança na capital pernambucana para verificação da aeronave.
Protocolos exigidos
Por meio de nota, a Gol Linhas Aéreas, responsável pelo vôo, informou que "todos protocolos exigidos foram seguidos, com acionamento das equipes de emergência e da Polícia Federal para acompanhamento do desembarque, que aconteceu normalmente".
A empresa também destacou que, após liberação da aero...
Continua repercutindo na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), entre controladores de voos e causando apreensão entre passageiros o caso do avião da Gol que na tarde desta sexta-feira (06/03) estava voando de São Paulo a Fernando de Noronha e precisou fazer um pouso de emergência no Recife, após suspeita de que havia uma bomba na aeronave.
Segundo informações da Polícia Federal (PF), todos as regras de segurança e investigação imediata foram cumpridas e não foi identificado qualquer risco ou irregularidade. Os passageiros desembarcaram em segurança na capital pernambucana para verificação da aeronave.
Protocolos exigidos
Por meio de nota, a Gol Linhas Aéreas, responsável pelo vôo, informou que "todos protocolos exigidos foram seguidos, com acionamento das equipes de emergência e da Polícia Federal para acompanhamento do desembarque, que aconteceu normalmente".
A empresa também destacou que, após liberação da aeronave pelas autoridades em solo, garantiu suporte necessário aos passageiros, e explicou que medidas como essas "são necessárias para garantir a segurança de suas operações".
A Aena, empresa que administra o aeroporto do Recife, informou que a aterrissagem não programada transcorreu normalmente e que todos os passageiros desembarcaram em segurança. A Polícia Federal informou que já está investigando a autoria do comunicado.

STF determina entrega de documentos sigilosos à PF e manda investigar vazamento de dados de Vorcaro
07/03/2026
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (06/03), que a presidência do Congresso Nacional entregue imediatamente à Polícia Federal todos os elementos informativos obtidos por meio de quebras de sigilo relacionados à Operação Sem Desconto, em meio físico ou digital, sem que seja mantida qualquer cópia do material.
A decisão também ordenou a instauração de inquérito policial para investigar o suposto vazamento de dados sigilosos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso na terceira fase da Operação Compliance Zero.
Pedido da defesa
A medida atende a requerimento formulado pela defesa de Vorcaro, que denunciou que informações extraídas dos aparelhos celulares do investigado teriam sido “indevidamente encaminhadas para veículos midiáticos” logo após o acesso da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ao mater...
Por Carolina Villela
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (06/03), que a presidência do Congresso Nacional entregue imediatamente à Polícia Federal todos os elementos informativos obtidos por meio de quebras de sigilo relacionados à Operação Sem Desconto, em meio físico ou digital, sem que seja mantida qualquer cópia do material.
A decisão também ordenou a instauração de inquérito policial para investigar o suposto vazamento de dados sigilosos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso na terceira fase da Operação Compliance Zero.
Pedido da defesa
A medida atende a requerimento formulado pela defesa de Vorcaro, que denunciou que informações extraídas dos aparelhos celulares do investigado teriam sido “indevidamente encaminhadas para veículos midiáticos” logo após o acesso da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ao material obtido por quebras de sigilo.
O magistrado acolheu o pedido e determinou que a investigação sobre o vazamento seja instaurada em autos apartados, distribuídos por prevenção ao processo principal.
Compartilhamento restrito
Ao determinar a entrega dos documentos, Mendonça também ordenou que, ao receber o material, a Polícia Federal mantenha sua custódia e compartilhe o conteúdo com a equipe que investiga diretamente os fatos da Operação Compliance Zero (que investiga fraudes cometidas pelo Banco Master no mercado financeiro) e com a própria CPMI do INSS, para que ambas possam utilizá-lo nos limites de suas atribuições constitucionais.
O ministro afirmou que, em nenhum momento anterior, houve qualquer compartilhamento dos elementos informativos colhidos no âmbito das investigações supervisionadas pelo STF com o colegiado parlamentar. Esclareceu que as investigações conduzidas pela PF sob supervisão da Corte e as investigações da CPMI do INSS são distintas, preservam autonomia entre si e contam com fontes de prova totalmente independentes.
Violação de material sigiloso
Ao determinar a abertura do inquérito, o magistrado estabeleceu uma diretriz fundamental para a condução das investigações: a apuração deve mirar exclusivamente aqueles que tinham o dever de guardar o material sigiloso e o violaram — e não os jornalistas que, no exercício legítimo da profissão, tiveram acesso indireto às informações. O ministro destacou que a quebra de sigilo de dados de um investigado não torna as informações públicas, mas, ao contrário, impõe à autoridade que as recebeu a responsabilidade pela manutenção do sigilo.
Ele ressaltou que a condução da investigação deve observar “irrestritamente” a garantia constitucional de preservação do sigilo de fonte, prevista no artigo 5º da Constituição Federal em favor dos jornalistas.
Segundo ressaltou, “a delimitação é imprescindível para preservar os meios adequados ao exercício do papel da imprensa, instituição que considerou ‘essencial à constituição de qualquer modelo de organização estatal que se pretenda estruturado a partir dos ideais democráticos e republicanos’”.
— Por HJur
Confirmada a morte Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “o Sicário de Vorcaro”
07/03/2026
Vorcaro é o dono do Banco Master — liquidado extrajudicialmente em 2025 por operações irregulares e fraudes que ainda estão analisadas e provocaram sério prejuízo no mercado financeiro, que foi transferido ontem de São Paulo para a Penitenciária Federal do Distrito Federal.
Braço direito
Também conhecido como "Sicário" (termo para assassino contratado, pistoleiro ou homicida) de Daniel Vorcaro, Mourão era o braço direito do dono do Banco Master, e tentou suicídio poucas horas depois de ter sido preso na quarta-feira (04/03) em Minas Gerais.
"Informamos que o quadro clínico de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão evoluiu a óbito, que foi legalmente declarado às 18h55, após enc...
A defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, assessor do empresário Daniel Vorcaro, que foi preso com ele essa semana na terceira etapa da Operação Compliance Zero, confirmou a morte do cliente no final da noite desta sexta-feira (06/03).
Vorcaro é o dono do Banco Master — liquidado extrajudicialmente em 2025 por operações irregulares e fraudes que ainda estão analisadas e provocaram sério prejuízo no mercado financeiro, que foi transferido ontem de São Paulo para a Penitenciária Federal do Distrito Federal.
Braço direito
Também conhecido como "Sicário" (termo para assassino contratado, pistoleiro ou homicida) de Daniel Vorcaro, Mourão era o braço direito do dono do Banco Master, e tentou suicídio poucas horas depois de ter sido preso na quarta-feira (04/03) em Minas Gerais.
"Informamos que o quadro clínico de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão evoluiu a óbito, que foi legalmente declarado às 18h55, após encerramento do protocolo de morte encefálica", afirmou, por meio de uma nota, o advogado Robson Lucas. Mourão foi encontrado desacordado na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF), em Belo Horizonte. Imagens das câmeras mostram que ele utilizou a camisa para tentar tirar a própria vida.

Intimidações e informações sigilosas
O assessor era investigado por ser um dos contratados diretamente por Daniel Vorcaro em diversas ocasiões para a "execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”, conforme diz a decisão que determinou sua prisão provisória.
As investigações apontam que ele agia como interlocutor direto do banqueiro e coordenava ações do núcleo de intimidação. As investigações da Polícia Federal também constataram que ele atuou na obtenção de informações sigilosas, no monitoramento de pessoas, além de pressionar jornalistas e ex-funcionários de Vorcaro.
— Com Agência de Notícias
4º BPE comemora 76 anos de existência com solenidade especial e homenagens
07/03/2026
O 4º Batalhão é subordinado ao Comando Militar do Nordeste (CMNE) e especializado em operações de Pernambuco, incluindo escoltas e segurança de autoridades, entre outras atividades. É responsável também pela realização da incorporação anual de soldados para o Serviço Militar Obrigatório, realizando treinamentos técnicos e táticos, como instrução de tiro e de controle de distúrbios. Além disso, lá têm sido aplicados diversos cursos de formação de Polícia do Exército para oficiais e sargentos, ao longo dos anos.
Força ativa no NE
Pelo desempenho e destaque que possui no Exército Brasileiro, o b...
O 4º Batalhão de Polícia do Exército (4º BPE) comemorou 76 anos esta semana. Mais conhecido como Batalhão João Fernandes Vieira, a unidade militar é sediada em Recife-PE (mais precisamente na Br 232, Km 6, no Curado) e tem ampla atuação ao longo desse período em apoio a operações militares diversas e na garantia da lei e da ordem.
O 4º Batalhão é subordinado ao Comando Militar do Nordeste (CMNE) e especializado em operações de Pernambuco, incluindo escoltas e segurança de autoridades, entre outras atividades. É responsável também pela realização da incorporação anual de soldados para o Serviço Militar Obrigatório, realizando treinamentos técnicos e táticos, como instrução de tiro e de controle de distúrbios. Além disso, lá têm sido aplicados diversos cursos de formação de Polícia do Exército para oficiais e sargentos, ao longo dos anos.

Força ativa no NE
Pelo desempenho e destaque que possui no Exército Brasileiro, o batalhão é considerado uma força ativa voltada para a disciplina e a prontidão operacional na região do Nordeste brasileiro.
A cerimônia dos 76 anos do BPE foi comemorada na última quinta-feira (05/06) e destacada pelo primeiro-tenente R2 Dennis Richard Mocock, que chegou a ser homenageado na ocasião com um diploma de amigo do batalhão.
“Segunda casa”
“Foi a unidade onde servi de 1978 à 1985 e que considero como a minha segunda casa. Na ocasião, com muito orgulho fui agraciado”, afirmou o primeiro-tenente. “Ao final da solenidade, quando do desfile da tropa em continência ao Comandante do CMNE, tive a honra e o privilégio de, depois de mais de quarenta anos, poder comandar um grupamento daquela tropa de elite, formado por veteranos, ex-integrantes do batalhão”, acrescentou Mocock.

Aniversário da Revolução Pernambucana de 1817
07/03/2026
Num dia como esta sexta-feira, 6 de março, há 209 anos começava em Pernambuco mais uma revolta contra o poder colonial. Cansados dos altos impostos para sustentar a corte no Rio de Janeiro, os liberais pernambucanos se rebelaram.
O estopim do movimento foi quando José de Barros Lima, o Leão Coroado, matou a golpes de espada o brigadeiro Manoel Joaquim Barbosa de Castro encarregado de prendê-lo a mando do governador Caetano Pinto Montenegro (que a população local dizia que era Caetano no nome, pinto na coragem, monte na altura e negro nas ações). A articulação da revolta vinha sendo gestada nas lojas maçônicas e também no Seminário de Olinda (por isso o nome de Revolta dos Padres).
A nova República instaurada pelos pernambucanos tinha uma lei orgânica, que na prática, era um projeto de Constituição, liberdade religiosa, bandeira (a mesma que é usada até hoje, mudando apenas o número de estrelas, três na orig...
Por José Ricardo de Souza*
Num dia como esta sexta-feira, 6 de março, há 209 anos começava em Pernambuco mais uma revolta contra o poder colonial. Cansados dos altos impostos para sustentar a corte no Rio de Janeiro, os liberais pernambucanos se rebelaram.
O estopim do movimento foi quando José de Barros Lima, o Leão Coroado, matou a golpes de espada o brigadeiro Manoel Joaquim Barbosa de Castro encarregado de prendê-lo a mando do governador Caetano Pinto Montenegro (que a população local dizia que era Caetano no nome, pinto na coragem, monte na altura e negro nas ações). A articulação da revolta vinha sendo gestada nas lojas maçônicas e também no Seminário de Olinda (por isso o nome de Revolta dos Padres).
A nova República instaurada pelos pernambucanos tinha uma lei orgânica, que na prática, era um projeto de Constituição, liberdade religiosa, bandeira (a mesma que é usada até hoje, mudando apenas o número de estrelas, três na original) e forte sentimento de regionalidade. Basta lembrar que nas missas as hóstias de trigo foram substituídas por hóstias de mandioca e o vinho por aguardente. Os revolucionários pretendiam até mesmo ir à ilha de Santa Helena e libertar Napoleão Bonaparte.
Contradições fragilizaram movimento
As contradições entre libertar os escravos ou manter a estrutura escravista que sustentava os engenhos fragilizou o movimento. Sem o apoio dos grandes senhores de engenho, a revolta foi facilmente sufocada pelas tropas leais ao governo joanino, com centenas de prisões e dezenas de condenados à morte. O Leão do Norte mesmo assim ressurgiria mais vezes: na Convenção de Beberibe (1821), na Confederação do Equador (1824) e na Revolução Praieira (1848-1849).
Em 27 de fevereiro de 1917 o governador Manoel Borba transformou a bandeira da Revolução de 1817 no pavilhão do Estado, por sugestão do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico de Pernambuco. Quando completou seu centenário em 1917 foi decretado feriado nacional e emitido um selo comemorativo pela passagem da data.
Para sempre na memória
No dia 2 de abril de 2007, Eduardo Campos, então governador de Pernambuco, decretou que esta data seria o dia da Bandeira de Pernambuco. E, finalmente, em 18 de dezembro de 2007, a Assembleia Legislativa de Pernambuco aprovou o projeto de lei determinado que o seis de março passasse a ser considerado a Data Magna do Estado.
O ano de 1817 ficará para sempre na memória dos pernambucanos e de seus guerreiros, lembrados em ruas, cidades e prédios públicos: Domingos José Martins, José de Barros Lima, Gervásio Pires, Frei Miguelinho, Padre Roma, Padre João Ribeiro, e é claro o ícone maior do Estado, Frei do Amor Divino Rabelo Caneca, o nosso Frei Caneca! Viva Pernambuco! Viva o Leão do Norte!
*O autor é historiador, professor da rede pública estadual e escritor. Membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP) e do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP). Criador do projeto Muita História pra Contar.
NR - Os intertítulos foram inseridos ao texto à revelia do autor para se adequarem ao padrão gráfico de O Poder, sem comprometimento do conteúdo

Náutico e Sport decidem neste domingo (8) o título do campeonato pernambucano
07/03/2026
Vai ter grito de campeão. E taça erguida nos Aflitos. A última batalha. De um lado, o Leão tenta levantar o 46º troféu estadual. Do outro, o Timbu busca a 25ª conquista. Após o eletrizante 3 x 3 na partida de ida na Ilha do Retiro, Náutico e Sport decidem neste domingo (08/03), às 18h, nos Aflitos, o título do Campeonato Pernambucano.
Times completos
Força máxima. Para a decisão do Campeonato Pernambucano, no próximo domingo, os técnicos Hélio Silva e Guilherme dos Anjos poderão repetir a mesma equipe em duas partidas seguidas.
Nem lesões nem jogadores suspensos
Sem problemas de novas lesões ou jogadores suspensos, os treinadores terão à disposição todos os 11 jogadores que começaram o jogo de ida, no empate por 3 a 3, na Ilha do Retiro.
Pode igualar
Na Náutico, o técnico com uma longa carreira vitoriosa, Hélio dos An...
Por Severino Lopes*
Vai ter grito de campeão. E taça erguida nos Aflitos. A última batalha. De um lado, o Leão tenta levantar o 46º troféu estadual. Do outro, o Timbu busca a 25ª conquista. Após o eletrizante 3 x 3 na partida de ida na Ilha do Retiro, Náutico e Sport decidem neste domingo (08/03), às 18h, nos Aflitos, o título do Campeonato Pernambucano.
Times completos
Força máxima. Para a decisão do Campeonato Pernambucano, no próximo domingo, os técnicos Hélio Silva e Guilherme dos Anjos poderão repetir a mesma equipe em duas partidas seguidas.

Nem lesões nem jogadores suspensos
Sem problemas de novas lesões ou jogadores suspensos, os treinadores terão à disposição todos os 11 jogadores que começaram o jogo de ida, no empate por 3 a 3, na Ilha do Retiro.
Pode igualar
Na Náutico, o técnico com uma longa carreira vitoriosa, Hélio dos Anjos pode igualar outro treinador multi vencedor caso seja campeão com o Timbu na final contra o Sport.

Força máxima
Ele deve mandar começar o jogo com a força máxima. Para a finalíssima contra o Sport, o zagueiro Matheus Silva, titular em seis jogos, voltou a ficar à disposição após se recuperar de uma torção no tornozelo, mas deve ficar como opção no banco de reservas. Dessa forma, caso opte por repetir a escalação do primeiro jogo, o Náutico entraria em campo para decidir o Estadual com: Muriel, Arnaldo, Wanderson, Igor Fernandes e Yuri; Samuel, Wenderson e Dodô; Júnior Todinho, Paulo Sérgio e Vinícius.
O Leão
No Sport, o técnico Roger Silva também terá força máxima. O Leão deve começar a decisão com Thiago Couto; Augusto Pucci, Benevenuto, Ramon e Felipinho; Zé Gabriel, Pedro Martins e Marlon; Iury Castilho, Barletta e Zé Roberto.
Retrospecto favorável
Náutico e Sport decidem o Pernambucano no estádio dos Aflitos pela oitava vez. E o retrospecto é favorável ao Timbu quando a última partida da decisão é no Eládio de Barros Carvalho, casa da equipe alvirrubra.

A última decisão
A última decisão entre os clubes com o jogo final nos Aflitos foi em 2021, quando o Timbu venceu o Leão nos pênaltis e ficou com a taça.
As conquistas
Além de 2021, o Náutico também levantou a taça nos Aflitos diante do Sport em 1951, 1963, 1966 e 1968 - neste último ano, o Timbu foi hexa. O Sport, por sua vez, levantou a taça ao vencer as finais de 1955 e 1975 no estádio.
Quebra de tabu
O Sport também vai tentar quebrar um tabu, já que não vence o Naútico há quase dois anos. A última vez que o Sport venceu o Náutico foi em 3 de março de 2024, em jogo de ida das finais do Estadual. Na ocasião, o Leão aplicou o placar de 2 a 0 no estádio dos Aflitos. Os gols foram marcados pelo zagueiro e capitão Rafael Thyere e pelo atacante Gustavo Coutinho.
O último capítulo
Neste domingo, os dois times voltam a se enfrentar no capítulo final do campeonato. Na partida de ida, o Leão marcou Iury Castilho duas vezes e Yago Felipe. O Timbu fez com Paulo Sérgio, Wanderson e Marcelo Benevenuto, contra. Os artilheiros estarão em campo na última batalha que culminará com o campeão. Quem vencer é campeão direto, enquanto um novo empate leva a decisão para os pênaltis.
O homem do apito
A final do Campeonato Pernambucano terá o mesmo árbitro da decisão do ano passado. Pelo segundo ano consecutivo, a responsabilidade de comandar a decisão será do mineiro Paulo Cesar Zanovelli, do quadro da Fifa. Ano passado ele esteve presente na final entre Sport e Retrô, vencida pelos rubro-negros, nos pênaltis.
*Severino Lopes é editor regional de O Poder

Dia Internacional da Mulher - Crônica, por Maria Inês Machado*
07/03/2026
Mês de março, me dei conta de algo curioso. Durante muito tempo classificaram as mulheres de musa, mãe, santa, pecadora. Era sempre uma moldura pronta, esperando apenas que cada uma de nós entrasse nela.
Raramente nos perguntaram quem queríamos ser.
Ainda assim, as mulheres aprenderam a construir asas. Não dessas que aparecem em histórias de fantasia, mas das que nascem da coragem de levantar todos os dias e seguir em frente. Asas feitas de trabalho, de silêncio suportado, de resiliência, de falas inteligentes, de resistência que ninguém vê.
Mas toda vez que uma mulher tenta voar um pouco mais alto, parece que surgem lâminas no caminho. Elas aparecem de forma explícita ou camuflada, disfarçadas em comentários, em desigualdades que muitos fingem não perceber, em violências que ainda insistem em existir.
Feminicídio. Violência doméstica. Desigualdade salarial. Preconceito.
Não são episódios i...
Dia 8 de Março
Mês de março, me dei conta de algo curioso. Durante muito tempo classificaram as mulheres de musa, mãe, santa, pecadora. Era sempre uma moldura pronta, esperando apenas que cada uma de nós entrasse nela.
Raramente nos perguntaram quem queríamos ser.
Ainda assim, as mulheres aprenderam a construir asas. Não dessas que aparecem em histórias de fantasia, mas das que nascem da coragem de levantar todos os dias e seguir em frente. Asas feitas de trabalho, de silêncio suportado, de resiliência, de falas inteligentes, de resistência que ninguém vê.
Mas toda vez que uma mulher tenta voar um pouco mais alto, parece que surgem lâminas no caminho. Elas aparecem de forma explícita ou camuflada, disfarçadas em comentários, em desigualdades que muitos fingem não perceber, em violências que ainda insistem em existir.
Feminicídio. Violência doméstica. Desigualdade salarial. Preconceito.
Não são episódios isolados, conforme querem fazer parecer. São marcas de uma estrutura que se construiu ao longo do tempo.
E ainda assim, as mulheres continuam.
Talvez porque a força feminina nunca tenha sido exatamente aquilo que muitos imaginaram. Não está em jogos de sedução nem em papéis moldados pelo olhar alheio. Está na capacidade de sustentar vidas, famílias, comunidades inteiras, muitas vezes sem reconhecimento.
Se o mundo tivesse uma voz, arrisco dizer que ela seria feminina. Não pela ideia superficial que tantas vezes associam às mulheres, mas pela firmeza silenciosa de quem sustenta muito mais do que aparece.
Dia Internacional da Mulher. Muita gente oferece flores, e elas são bonitas, claro. Mas talvez o que mais se precise não sejam flores.
Talvez o que realmente importa seja coragem para romper o silêncio, fortalecer quem precisa de proteção e, principalmente, desmontar preconceitos que ainda parecem naturais demais.
A mulher não é vitrine. Vitrines exibem e trocam conforme a moda.
A mulher não é tendência.
A mulher é base, sustentação, enfim fundamento.
E talvez o verdadeiro sentido deste dia esteja justamente nisso: lembrar que não se trata de uma celebração passageira, mas de compromisso, respeito. Extinção de foco distorcido.
Asas já existem. Inquebrantáveis.
E as lâminas...
*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.

Mulher - Poema - Por, Romero Falcão*
07/03/2026
És mais bela e graciosa
do que todas as rosas.
És espinho mais perfurante
que o jardim enalteceu.
És a mais pungente alegria
que o riso conheceu.
Mulher
o beijo delicado e cheiroso
na bruta face do homem.
Mulher,
tua luminosa arquitetura
a sustentar a grosseira natureza humana.
Tudo ruiria se não fosse o apoio das tuas mãos,
tudo entardeceria se não fosse a claridade do teu olhar.
Mulheres
dóceis, generosas, brilhantes, belas, temperamentais, loucas, exatas, práticas,
sofisticadas, arrogantes, dissimuladas, adúlteras, malandras, balzaquianas, safadas,
maliciosas, melindrosas, gananciosas, cultas, selvagens,
lógicas, complexas, misteriosas, exóticas.
por todas elas
os homens se acham, sonham, enlouquecem,
m...
Dia 8 de Março - O Dia Internacional da Mulher
És mais bela e graciosa
do que todas as rosas.
És espinho mais perfurante
que o jardim enalteceu.
És a mais pungente alegria
que o riso conheceu.
Mulher
o beijo delicado e cheiroso
na bruta face do homem.
Mulher,
tua luminosa arquitetura
a sustentar a grosseira natureza humana.
Tudo ruiria se não fosse o apoio das tuas mãos,
tudo entardeceria se não fosse a claridade do teu olhar.
Mulheres
dóceis, generosas, brilhantes, belas, temperamentais, loucas, exatas, práticas,
sofisticadas, arrogantes, dissimuladas, adúlteras, malandras, balzaquianas, safadas,
maliciosas, melindrosas, gananciosas, cultas, selvagens,
lógicas, complexas, misteriosas, exóticas.
por todas elas
os homens se acham, sonham, enlouquecem,
mergulham no vício e na fúria,
machucam-se, masturbam-se, desgraçam-se,
abrem caminhos, chocam-se com todos os medos,
criam força, coragem e fraqueza, viram todas as mesas,
debruçam-se na varanda da solidão, provam da dor do abandono,
povoam paraíso e inferno,
erguem-se, constroem labirintos, fogem, debandam, retornam,
recolhem-se, acolhem-se dentro da feminina carne
mas poucos, pouquíssimos,
penetram fundo na misteriosa e transcendente existência de uma mulher.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
É Findi - O Salvador, por Ana Pottes*
07/03/2026
Os rapazes longe, não se dão conta do que nos envolvem, preocupados com os controles que recaem sobre eles.
Uma das amigas está em uma fila que anda rápido. A nossa estagnou: Uma jovem de olho repuxado, cabelo liso e voz gasguita abre malas para retirar coisas, enquanto esbraveja para duas outras. Isso nos prende com umas cinco pessoas a nossa frente.
O barulho das máquinas engolidoras de malas, as vozes imperativas, quase em gritos, das fiscais que se apoiam em palavras incompreensíveis para nós, tomam o ambiente e pesam sobre os nossos ombr...
A esteira rola carregando casacos, sapatos, maletas, bolsas e passaportes que vão sendo engolidos por um buraco negro, por trás de uma cortina de tiras de borracha preta. Do lado de cá, eu e três amigas seguimos na fila das mulheres enquanto os rapazes estão em outra. Nos sentimos isoladas e inseguras. Eu, por falar mal o inglês e sem nada compreender da língua local. Uma situação, no mínimo, vexatória.
Os rapazes longe, não se dão conta do que nos envolvem, preocupados com os controles que recaem sobre eles.
Uma das amigas está em uma fila que anda rápido. A nossa estagnou: Uma jovem de olho repuxado, cabelo liso e voz gasguita abre malas para retirar coisas, enquanto esbraveja para duas outras. Isso nos prende com umas cinco pessoas a nossa frente.
O barulho das máquinas engolidoras de malas, as vozes imperativas, quase em gritos, das fiscais que se apoiam em palavras incompreensíveis para nós, tomam o ambiente e pesam sobre os nossos ombros viajantes. Um cheiro de suor se mistura com o de perfume vazando das malas abertas. Reclamo da garota que está segurando a fila:
Absurdo! Não sabe o que é e o que não é permitido?
O espaço é estreito e pequeno para tanta gente. Tenho a sensação de que estou na Coreia, China ou outro desses países, pela concentração de orientais por metro quadrado. A fiscal deixa o posto e tudo para novamente. Um século transcorre. Nosso desejo é passar rápido pela sala de tortura. A mulher-fiscal retorna morosa, a bebericar um cafezinho.
Bolas! Estamos cansados e a alfândega? Ainda!
Nisso percebo Maria, que na outra fila, segue para o detector de metais, mas fica retida na fiscal e está, de olhar fixo, com os músculos da face em tensão, lhe fazendo perguntas incompreensíveis, em tom impositivo. Aflita, olho para as amigas e, num átimo, gritamos em coro:
Abdul... Abdul... Abdul...
Na fila dos homens, os rapazes, até então preocupados com seus passos, indagam de olhos arregalados: o que houve? O que aconteceu?
Pânico entre todos do grupo e aos berros pedimos: chamem Abdul! e apontamos para Maria, retida pela mulher-fiscal.
No aeroporto da cidade do Cairo, eu e mais doze pessoas procuramos pelo nosso receptivo, que fala bem português e decifra hieróglifos, falados e escritos. Abdul, nosso salvador.
Maria retida pela fiscal, repete com voz trêmula, embargada pelo nervosismo: vou para Recife. Me deixe passar. Vou para casa. Moro no Recife.
O aperreio aumenta com a ausência do receptivo. Estamos sem poder ajudar, sem ultrapassar a máquina, proibidas de chegar próximo à Maria e, sem entender o que era indagado, só nos resta gritar: Abdul...Abdul...Abdul...a plenos pulmões.
O medo de Maria ser retirada da nossa vista e levada sabe Alá para onde, aumenta a cada segundo.
Quando a figura esguia, de tez clara, vestindo seus trinta e poucos anos em uma camisa branca chega junto da mulher-fiscal, nos acalmamos. Explica o que é necessário fazer e Maria segue, não para Recife, mas para a fase seguinte da câmara de torturas. Respiramos aliviadas, enquanto retiramos sapatos, tênis, casacos, bolsas, óculos, relógios, cintos e quem sabe até marcapassos e jogamos tudo para ser engolido pela máquina faminta.
Do outro lado, a busca pelos pertences é outra luta. Achei um pé do meu tênis entre os objetos de outra viajante, que me entrega com um “sorry”. Atrás do meu sorriso forçado se vê a irritação tensa e cansada.
Ultrapassada as trincheiras com tudo e todos salvos, comentando uns com os outros os fatos ocorridos, seguimos para o embarque ao ritmo de risadas relaxadas. Um dos rapazes tem a ideia de contar os presentes. Um, dois, três, ... doze. Doze? Somos treze. Quem falta? Alguém grita: Cadê Sônia? Sôniiiiiaaaaaa!!!!!! Abdul corre sobre seus passos. Vamos perder o voo! vamos perder o voo! E o grupo em coro: Sôniiiiiaaaaaaaa!!!!!
Uma réstia de sol entra pelas cortinas e o barulho daquelas máquinas famintas vão se assemelhando ao som abafado de um ar-condicionado que há meses pede substituição. Sinto o pijama grudado na pele, me revolvo entre os lençóis, procuro o travesseiro ainda tateando, abro os olhos e identifico um lugar seguro. Espicho braços, pernas e respiro aliviada.
*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem!

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
É Findi – O Jumento e o Computador, por Xico Bizerra*
07/03/2026
Sou sertão. Sertão que já pariu tanta poesia e verso e continua a inspirar quem conhece o sagrado terreno dessas terras. E daí saem cantigas e prosas a motivar os cabras e as cabrochas carentes de um abraço ou cafuné. É um tocador de fole numa esquina qualquer, um cego de feira ou um cantador versejando palavras, um poeta inspirado que bebe no bar a cachaça da alegria e tira gosto com pedaços de saudade, e assim mantém a claridade divina das coisas do interior, que não saem do nosso interior. Feliz de quem, como eu, teve a ventura de desabrochar no sertão e conhecer a luz do sol debaixo de um céu azul, que só se vê por lá. Anjos e Deuses haverão de cuidar sempre desse pedaço de chão. Chão em que vive o jumento amigo, injustiçado quando a ele se concede a falta de compreensão que lhe é culturalmente atribuída. Por isso, faço questão de destacar meu apreço pelo animal e a antipatia natural que tenho pelas ‘modernagens’ cibernéticas. Vai ver o problema é do USB – Usuário Super Burro. Viva o Sertão, o jumento e dane-se a máquina de fazer doido chamada computador, com seus imeios, zaps e facebooks.
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.