
É Findi – Bairro do Espinheiro, por Carlos Bezerra Cavalcanti*
30/08/2025 -
Grande parte da área que corresponde hoje ao bairro do Espinheiro, era conhecida como Matinha, uma vegetação relativamente densa onde não faltavam os espinheiros.
Localização:Começa no cruzamento da Av. Agamenon Magalhães com a Av. Norte, segue por esta avenida até o encontro com a João de Barros por onde deflete à esquerda até atingir a Conselheiro Portela, seguindo por esta até o encontro da Rua Santo Elias, onde deflete novamente à esquerda até atingir a Rua do Espinheiro, deflete à direita seguindo por esta rua, cruza a Rua Amélia e segue até a Rosa e Silva, deflete à esquerda ao encontro da Rua da Hora, atingindo a Rua São Salvador, daí atinge a Av. Agamenon Magalhães deflete à esquerda e prossegue por esta avenida até o ponto inicial.
Surgimento
Por um anúncio de 17 de Dezembro de 1836, veiculado no Diário de Pernambuco, em que se vendia um sítio indo pela Estrada de João de Barros, defronte ao Beco do Espinheiro, com uma pequena casa de taipa, se tem notícia da origem do nome dessa localidade, primitivamente chamada, como vimos, de Matinha e depois “Beco do Espinheiro”. A mesma dedução também pode ser feita sobre o tempo de existência desse povoado, notando-se que o mesmo ainda não existia, nos idos de 1836.
Estrada de João de Barros
A antiga estrada, hoje Av. João de Barros, recebeu todo o apoio e dedicação do ferreiro João de Barros Correia, casado com uma descendente de Jerônimo de Albuquerque que foi de grande importância para a localidade, atualmente entrecortada por aquele logradouro, que tem seu nome, por imposição da própria comunidade da área.
Começou a Valorizar
O bairro do Espinheiro teve sua valorização em termos urbanos e residenciais a partir dos loteamentos dos sítios, bastante freqüentes, nas áreas periféricas do Recife de outrora.
Nas primeiras décadas do século passado, a localidade, ainda bucólica, representava um dos mais importantes Bairros Recifenses onde começavam a se multiplicar os casarões da classe média alta, daquela época.
O médico Rostand Paraiso, foi uma das privilegiadas pessoas que residiu nesse aprazível bairro e a ele se refere, em artigo publicado no “Jornal do Commercio”, Caminhos Percorridos, da seguinte forma:
“Ginásio Leão XIII, no Espinheiro, Av. João de Barros, por onde transitava, na década de 40, o bonito e prateado, Bonde Zeppelin, que serviu o bairro do Espinheiro e fazia ponto terminal na esquina da Conselheiro Portela, com a Carneiro Vilela, onde o motorneiro descia e invertia o sentido da banana, aguardava alguns minutos e recomeçava o trajeto em linha única até o fim da Rua da Hora onde, invariavelmente, já se encontrava, à sua espera, outro bonde que se revezava com ele no atendimento à população do elitizado subúrbio. No ponto havia um relógio na parede, ao qual o motorneiro, sem qualquer pressa, Por estar dentro do horário, dava corda, registrando o momento de sua passagem. Era ali onde a linha de mão única que era, se tornava dupla e era ainda o motorneiro que usando uma alavanca, guardada no próprio bonde, deslocava a “ agulha” do trilho, permitindo, assim que o bonde, penetrasse no desvio”.
Nesses idos já existia, vindo até início da década de 50, o Cine Espinheirense, que se localizava na Rua 48, tendo uma entrada secundária através da Avenida João de Barros
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras
