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É Findi - Jornada - Por Marcelo Mário de Melo*

07/08/2026

Temperamos com sonho
nossos passos andantes
costurando trilhas
entre vaga-lumes e estrelas.

E atritando pedras do caminho
fazemos fogo
para aquecer
a esperança com frio.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



Temperamos com sonho
nossos passos andantes
costurando trilhas
entre vaga-lumes e estrelas.

E atritando pedras do caminho
fazemos fogo
para aquecer
a esperança com frio.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm


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É Findi - A Noite - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

07/08/2026

Temo a noite, eis a hora;
peremptória, ela se anuncia,
imanente, nada a esvazia,
a mim devora, já agora.

Ainda, mesmo tênue penumbra,
me traz angústia deveras profunda,
quando a si própria desnuda;
assim é, pois decerto nada muda.



Inexiste o supérfluo, nela
tudo se anela, afivela;
são injunções, é sina.

Se perpetua, é destino,
O nada luminoso caminho;
no final, estaremos sozinhos.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



Temo a noite, eis a hora;
peremptória, ela se anuncia,
imanente, nada a esvazia,
a mim devora, já agora.

Ainda, mesmo tênue penumbra,
me traz angústia deveras profunda,
quando a si própria desnuda;
assim é, pois decerto nada muda.


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Inexiste o supérfluo, nela
tudo se anela, afivela;
são injunções, é sina.

Se perpetua, é destino,
O nada luminoso caminho;
no final, estaremos sozinhos.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99


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É Findi - Silêncios - Poema - Por Felipe Bezerra*

07/08/2026

Para Melson, Tomás e Guilherme


Estamos de certa forma despertos,
sonâmbulos, em sonho pleno,
suspensos no bolsão de oxigênio,
atravessando o deserto do tempo,
na imensa floresta das circunstâncias,
construindo caminhos incertos,
na esperança da transação perfeita.

Seguindo lideranças suspeitas,
muitas vezes, sorvemos desacertos,
cizânias, censuras e abismos,
em sucessivas sinapses desconexas,
na busca do supremo sentido,
que só se estabelece no próximo,
como ensinou há milênios o Cristo.

É salutar, às vezes, descalçar os sapatos
das ambições desmedidas, desconectar
as imposições desarrazoadas das redes,
para cessar a sensação de urgência.

As sinuosas estradas das escolhas,
nas decisões essenciais da vida,
exigem serenidade e sapiência,
mas também ação exata e precisa.

Se não, pai...

Para Melson, Tomás e Guilherme


Estamos de certa forma despertos,
sonâmbulos, em sonho pleno,
suspensos no bolsão de oxigênio,
atravessando o deserto do tempo,
na imensa floresta das circunstâncias,
construindo caminhos incertos,
na esperança da transação perfeita.

Seguindo lideranças suspeitas,
muitas vezes, sorvemos desacertos,
cizânias, censuras e abismos,
em sucessivas sinapses desconexas,
na busca do supremo sentido,
que só se estabelece no próximo,
como ensinou há milênios o Cristo.

É salutar, às vezes, descalçar os sapatos
das ambições desmedidas, desconectar
as imposições desarrazoadas das redes,
para cessar a sensação de urgência.

As sinuosas estradas das escolhas,
nas decisões essenciais da vida,
exigem serenidade e sapiência,
mas também ação exata e precisa.

Se não, paisagens são sufocadas
por entulhos e desejos supérfluos,
sem volta ao instante específico
da oportunidade lançada ao vento.

Somente quem se encontra consigo
consegue servir aos seus e ao próximo,
sem esperar o imediato regozijo
do materialismo ilusório dos sentidos.

Saibamos aplacar as sedes, sabendo
que as ondas insondáveis do universo
sempre regressam ao ponto de partida,
trazendo, em dobro, a essência emitida.


Recife, 6 de agosto de 2026. Semana de Dia dos Pais.


*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza


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É Findi - Série História de Pernambuco: Quando o Açúcar Entrou na Guerra - Por Alfredo Cabral de Melo*

07/08/2026

Como a crise dos engenhos ajuda a compreender a Restauração Pernambucana


Se os holandeses conquistaram Pernambuco por causa do açúcar, por que tiveram tanta dificuldade para manter a colônia? A resposta começa longe dos campos de batalha. Ela está nos engenhos, que reuniam terras, equipamentos, mão de obra, crédito e comércio, formando o coração da economia pernambucana. Quando essa estrutura foi atingida pela guerra, toda a capitania sentiu seus efeitos.

A destruição de propriedades açucareiras, o abandono de canaviais e as dificuldades para manter a produção afetaram muito mais do que os proprietários. Comerciantes reduziram seus negócios, credores passaram a enfrentar dificuldades para receber e a Companhia das Índias Ocidentais viu comprometida a atividade que justificava o elevado investimento na conquista de Pernambuco. Em uma economia dependente do açúcar, qualquer interrupção da produção repercutia em toda a sociedade.

Os reg...

Como a crise dos engenhos ajuda a compreender a Restauração Pernambucana


Se os holandeses conquistaram Pernambuco por causa do açúcar, por que tiveram tanta dificuldade para manter a colônia? A resposta começa longe dos campos de batalha. Ela está nos engenhos, que reuniam terras, equipamentos, mão de obra, crédito e comércio, formando o coração da economia pernambucana. Quando essa estrutura foi atingida pela guerra, toda a capitania sentiu seus efeitos.

A destruição de propriedades açucareiras, o abandono de canaviais e as dificuldades para manter a produção afetaram muito mais do que os proprietários. Comerciantes reduziram seus negócios, credores passaram a enfrentar dificuldades para receber e a Companhia das Índias Ocidentais viu comprometida a atividade que justificava o elevado investimento na conquista de Pernambuco. Em uma economia dependente do açúcar, qualquer interrupção da produção repercutia em toda a sociedade.

Os registros reunidos por Pereira da Costa, nos Anais Pernambucanos, preservam referências a engenhos atingidos pelos conflitos, confiscos, destruições e mudanças de posse durante a ocupação holandesa. Reunidas a partir de documentos e registros históricos, essas informações revelam que a guerra transformou profundamente a vida econômica da capitania, muito além dos episódios militares que costumam ocupar maior espaço na memória coletiva.

Conquistar Pernambuco, portanto, era apenas parte do desafio. Era preciso manter funcionando uma economia que dependia de estabilidade, crédito, transporte, mão de obra e acesso aos mercados consumidores. A guerra comprometia cada um desses elementos, tornando lenta e difícil a recuperação da produção açucareira.

É nesse contexto que a crise dos engenhos se relaciona com a Restauração Pernambucana. Durante muito tempo, difundiu-se a ideia de que a insurreição teria sido apenas uma reação de senhores de engenho endividados contra os holandeses. A historiografia contemporânea, entretanto, demonstra que essa interpretação é insuficiente. O endividamento de parte da elite açucareira foi um fator importante, mas se somou a questões políticas, religiosas, militares e econômicas que, em conjunto, desgastaram o domínio neerlandês.

Também seria um equívoco reduzir o conflito a uma simples oposição entre portugueses e holandeses. Proprietários permaneceram em suas terras durante a ocupação, comerciantes buscaram preservar seus negócios, financiadores tentavam recuperar seus créditos e autoridades procuravam manter a arrecadação. Em muitos momentos, interesses econômicos aproximaram grupos que, em outras circunstâncias, estariam em lados opostos.

Enquanto isso, o Recife permanecia ligado ao destino da economia açucareira. O açúcar produzido no interior seguia para o porto e, dali, abastecia os mercados europeus. A prosperidade da cidade dependia diretamente dessa circulação, assim como os produtores dependiam da estrutura portuária para escoar sua produção. Campo e porto formavam uma única engrenagem econômica.

Toda essa atividade era sustentada pelo trabalho compulsório de milhares de pessoas escravizadas. A guerra não eliminou essa realidade, mas alterou seu funcionamento, provocando deslocamentos, escassez de mão de obra em determinadas regiões e novas dificuldades para uma economia que dependia da continuidade da produção. A história dos engenhos, portanto, não pode ser compreendida sem reconhecer a centralidade da escravidão na formação da sociedade pernambucana do século XVII.

Quando a Insurreição Pernambucana começou, em 1645, o domínio holandês já enfrentava dificuldades que ultrapassavam o campo militar. A manutenção da colônia tornava-se cada vez mais onerosa, a recuperação econômica avançava de forma limitada e as tensões entre parte da administração neerlandesa e setores da elite local se intensificavam. Esse conjunto de circunstâncias ajuda a compreender por que a expulsão dos holandeses não pode ser explicada apenas pelas vitórias militares. As batalhas foram decisivas, mas ocorreram em um contexto de desgaste econômico e político que também contribuiu para o desfecho da ocupação.

Foi nos engenhos que se produziu a riqueza que tornou Pernambuco uma das regiões mais cobiçadas do Atlântico. Também foi ali que a guerra revelou seus efeitos mais profundos, alterando patrimônios, relações econômicas e a própria organização da sociedade. Compreender essa realidade é perceber que a história do Brasil Holandês começou muito antes das batalhas e continuou muito depois delas.

Nos Anais Pernambucanos

Ao longo dos Anais Pernambucanos, Pereira da Costa reuniu documentos, registros administrativos e notícias que hoje constituem uma das mais importantes compilações sobre a história de Pernambuco. Confrontados com a historiografia contemporânea, esses registros ajudam a compreender como a guerra afetou o cotidiano dos engenhos e da economia açucareira, revelando aspectos que muitas vezes permanecem à margem das narrativas centradas apenas nos grandes acontecimentos militares.

Na próxima semana: quem foi, afinal, Maurício de Nassau? Muito além das pontes e dos palácios, conheceremos o administrador que encontrou uma economia fragilizada pela guerra e precisou conciliar interesses políticos, militares e comerciais para preservar a mais importante colônia da Companhia das Índias Ocidentais nas Américas.


*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo


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É Findi – Os Anjos e as Penas de Araras Coloridas - Crônica - Por Xico Bizerra*

07/08/2026

Quando o primeiro anjo pousou em frente a nossa casa a grama ao redor ficou mais verdinha. Ele aquietou-se ali, perto do pé de manacá e fingiu ser estátua. O melhor dos anjos, quando eles fingem ser estátua, é não resistirem às cócegas no nariz, com penas de araras coloridas. Eles, por um instante, se permitem mexer um pouco, depois se mexem mais e põem-se a rir, mas nem por isso abdicam de ser doces anjos: apenas deixam de ser imóveis esculturas. Passam a ser estátuas alegres, sorridentes querubins.

Que a grama de nossas casas continuem sempre da cor que deve ser e o todo resto desarrumado: a cama, com seus travesseiros fofos, bagunçada. Que as coisas mexidas, sala, varanda, quartos e cozinha, assim permaneçam, desde que o autor das peraltices tenha nome, forma e cheiro de anjo, dos mais celestiais possíveis. Aqui em casa acontecia isto, quando apenas um anjo tomava conta de tudo e promovia a bagunça boa. Ouvi dizer que o nome dele é Bernardo.

Aí, dois ou...

Quando o primeiro anjo pousou em frente a nossa casa a grama ao redor ficou mais verdinha. Ele aquietou-se ali, perto do pé de manacá e fingiu ser estátua. O melhor dos anjos, quando eles fingem ser estátua, é não resistirem às cócegas no nariz, com penas de araras coloridas. Eles, por um instante, se permitem mexer um pouco, depois se mexem mais e põem-se a rir, mas nem por isso abdicam de ser doces anjos: apenas deixam de ser imóveis esculturas. Passam a ser estátuas alegres, sorridentes querubins.

Que a grama de nossas casas continuem sempre da cor que deve ser e o todo resto desarrumado: a cama, com seus travesseiros fofos, bagunçada. Que as coisas mexidas, sala, varanda, quartos e cozinha, assim permaneçam, desde que o autor das peraltices tenha nome, forma e cheiro de anjo, dos mais celestiais possíveis. Aqui em casa acontecia isto, quando apenas um anjo tomava conta de tudo e promovia a bagunça boa. Ouvi dizer que o nome dele é Bernardo.

Aí, dois outros anjos se achegaram, ainda muito pequenos, se ajuntando a Bernardo na boa bagunça ... Final de semana, Bernardo, Vinícius e Leonardo, três das maiores invenções de Deus, tomam conta da ‘zona’ em que se transforma nossa casa com a chegada deles. Uma ‘zona’ arretada de boa! Viva a bagunça que eles promovem! Que Deus olhe sempre pelos anjos sorridentes e felizes. Pra que foi inventá-los?


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico


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É Findi - Café com Amizade e Miséria - Crônica - Por Romero Falcão*

07/08/2026

O celular toca, quem é que ainda liga pra alguém? É golpe? Um dia desses ouvi no rádio o especialista: se atender, não fale. Apenas escute, porque podem gravar sua voz e pedir dinheiro pelo Zap aos amigos. Não, não era 171 digital, era um amigo querendo marcar um encontro num mercado para tomarmos o café da manhã. Que coisa rara, raríssima. Pois assim aconteceu.

Muito Ocupados

Numa manhã chuvosa, ele conseguiu tempo entre seus afazeres, a esposa, a filha - menina quase moça - e o gato. Troço inusitado no tempo em que o Zap acolhe todos e todas num retângulo de vidro. E estão todos muito, muito ocupados. Compromisso, compromisso. Abrir mão da esposa, da filha e do gato para dividir uma garrafa de café, um prato de cuscuz e galinha guisada — em vez de tira-gosto e garrafa de cerveja — com este elemento que vos escreve, é fora da cuia.

Cadê o Talão?

Sempre educado, um lord: veio de carro me apanhar. Somos filhos da...

O celular toca, quem é que ainda liga pra alguém? É golpe? Um dia desses ouvi no rádio o especialista: se atender, não fale. Apenas escute, porque podem gravar sua voz e pedir dinheiro pelo Zap aos amigos. Não, não era 171 digital, era um amigo querendo marcar um encontro num mercado para tomarmos o café da manhã. Que coisa rara, raríssima. Pois assim aconteceu.

Muito Ocupados

Numa manhã chuvosa, ele conseguiu tempo entre seus afazeres, a esposa, a filha - menina quase moça - e o gato. Troço inusitado no tempo em que o Zap acolhe todos e todas num retângulo de vidro. E estão todos muito, muito ocupados. Compromisso, compromisso. Abrir mão da esposa, da filha e do gato para dividir uma garrafa de café, um prato de cuscuz e galinha guisada — em vez de tira-gosto e garrafa de cerveja — com este elemento que vos escreve, é fora da cuia.

Cadê o Talão?

Sempre educado, um lord: veio de carro me apanhar. Somos filhos da doçura de 64. Festejo o cabeludo danado, culto, irônico, que curte boa música, cinema, livros. Seguimos para o Mercado da Encruzilhada. Estacionou na zona azul. Cadê o talão? Não, não há mais talão, agora é no aplicativo. Abre o aplicativo. Disse que a esposa tinha deixado uns créditos. Mexe no celular, mexe, mexe — o diabo do crédito aparece, mas como ativá-lo?

Humilhação Diária

Tento ajudar, mas me embaraço. Cai o sinal da internet. Um flanelinha dá a dica: "O bagulho aqui é doido. Ali do outro lado pega melhor". O celular ri dos dois idosos que apanham da tecnologia. Já escrevi neste jornal sobre isso. O imortal da ABL, Ruy Castro, também escreveu na Folha de São Paulo: "A Humilhação Diária". Mexe pra lá, mexe pra cá, até que conseguimos fazer o Pix. O Pix que deixa o Tio Sam zangado.

Cheiro de Infância

Entramos no conhecido Mercado. Água na boca. Sinto-me feito o cão de Pavlov - salivando - condicionado ao sabor do melhor bolinho de bacalhau da capital pernambucana. Caminhamos pelos corredores rodeados de espanador, arupema, rala coco, filtro de barro, hospital das panelas, sapateiro, barras de queijo coalho e manteiga, sacos de feijão, arroz e farinha. Cheiro de infância.

Milagre

Puxamos as cadeiras, pedimos o cardápio — ainda de papel, sem QR code — e o garçom não é um robô. Pedimos cuscuz com galinha guisada. Enquanto esperávamos, enfiamos os smartphones no bolso. Iniciamos a preciosa e escassa conversa olho no olho, escuta atenta, sem a interrupção do algoritmo. Milagre.


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Duas Xícaras de Café

Por três horas, abrimos sorrisos, umedecemos olhos.
Cada qual desbridando feridas, expondo provações. Depois rindo, tirando onda na mais alta ironia. O café vem farto. Travessas de alumínio carregadas de pedaços de galinha mergulhados no molho e cuscuz. Duas xícaras de café. É quentinho, é gostoso. Tudo é agradável quando estamos dentro da nossa confortável bolha.

Vazio Entre os Dentes

Uma pedinte ronda a mesa, como rondam os carros no trânsito, as mesas dos bares, as portas das lojas, das igrejas, as calçadas do sol e da lua. Não olho o rosto dela — por que não me interesso pela sua face? Está ao meu lado, pede comida. Sei que é muito magra, esquálida, muito magra, a ponta dos ossos. Meu Deus! Mas o rosto, o rosto, me recuso a ver os olhos. Vejo a boca, o vazio entre os dentes. O vermelho nos lábios, pequena tisna de vaidade na cara da miséria. O garçom embala a comida. Ela recebe, vai embora fitando-me como se sentisse o que eu sentia.

O Peso da Desigualdade

Despeço-me do meu amigo com um abraço apertado e o peso da desigualdade que assola a cidade, o país e o mundo. Que os deuses da periferia deem uma mãozinha.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


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É Findi - Série Prédios Ícones de Pernambuco - Hospital Pedro II - Por Alex Caminha*

07/08/2026

Hospital Pedro II: História, Renascimento e o Polo Médico do Recife


Poucos monumentos no Brasil sintetizam de forma tão marcante e grandiosa quanto o Hospital Pedro II, no Recife. Erguido no século XIX, o imponente monumento no bairro da Boa Vista não é apenas um marco físico da cidade; é o berço e a própria certidão de nascimento da medicina social e hospitalar moderna em Pernambuco e no Nordeste.

Vanguardismo Arquitetônico e Celeiro da Medicina

O Hospital Pedro II nasceu para ser grande: na estrutura física, na causa a que se destinava e pelos profissionais que a ele se dedicaram. Grande como seu patrono, D. Pedro II — estadista culto, patrono das letras, protetor das artes e entusiasta da ciência e da inovação. Ele exerceu um papel central no apoio ao saber científico e na modernização cultural do país no século XIX.

A história deste hospital é tão longa, rica e pitoresca em detalhes que nem de longe é...

Hospital Pedro II: História, Renascimento e o Polo Médico do Recife


Poucos monumentos no Brasil sintetizam de forma tão marcante e grandiosa quanto o Hospital Pedro II, no Recife. Erguido no século XIX, o imponente monumento no bairro da Boa Vista não é apenas um marco físico da cidade; é o berço e a própria certidão de nascimento da medicina social e hospitalar moderna em Pernambuco e no Nordeste.

Vanguardismo Arquitetônico e Celeiro da Medicina

O Hospital Pedro II nasceu para ser grande: na estrutura física, na causa a que se destinava e pelos profissionais que a ele se dedicaram. Grande como seu patrono, D. Pedro II — estadista culto, patrono das letras, protetor das artes e entusiasta da ciência e da inovação. Ele exerceu um papel central no apoio ao saber científico e na modernização cultural do país no século XIX.

A história deste hospital é tão longa, rica e pitoresca em detalhes que nem de longe é intenção sequer resumi-la, pois seria tarefa impossível. Projetado pelo engenheiro e arquiteto pernambucano José Mamede Alves Ferreira — autor de marcos como o Ginásio Pernambucano, a Casa de Detenção (atual Casa da Cultura), o Cemitério de Santo Amaro e o Teatro de Santa Isabel — o Hospital Pedro II foi inaugurado em 10 de março de 1861, após 14 anos de obras, sob a administração das Irmãs de Caridade da Santa Casa de Misericórdia. Com 22 mil metros quadrados de área construída, foi o primeiro prédio do Estado concebido com destinação exclusivamente hospitalar.

Sua edificação neoclássica, com traços que remetem ao Hospital Lariboisière (1854), em Paris, impressiona pelo estilo imponente, no qual se destacam as marcantes arcadas romanas e o pórtico ornamentado pela figura da Caridade, esculpida em cantaria fina de Lisboa. Esse desenho, rompeu com os velhos modelos claustrofóbicos dos antigos hospitais coloniais ao adotar a tipologia pavilhonar, o primeiro nosocômio construído no Brasil inspirado nos preceitos higienistas do médico francês Jacques-René Tenon, estruturando-se em blocos autônomos e paralelos integrados por galerias abertas. Essa configuração garantia ventilação natural, iluminação abundante, separação dos doentes por sexo, dimensionamento rigoroso do espaço e circulação cruzada de ar, isolando as enfermarias por pátios para extinguir a umidade, conter a propagação de epidemias e assegurar a salubridade, marcando uma verdadeira revolução na arquitetura de saúde no país.

Antes mesmo de sua inauguração, em 22 de dezembro de 1859, o elegante edifício serviu como salão de recepção imperial e foi palco de um pomposo e concorrido baile beneficente oferecido pela Associação Comercial de Pernambuco em homenagem a D. Pedro II e à Imperatriz D. Teresa Cristina. Considerado um dos eventos sociais mais comentados do século XIX no Brasil, o acontecimento reuniu cerca de duas mil pessoas da alta sociedade e foi crucial para angariar fundos e acelerar a conclusão das obras, ocorrida pouco mais de um ano depois.

Mais tarde, a partir de 1920, impulsionada pela visão do Dr. Octávio de Freitas, a nobre estrutura passou a abrigar a Faculdade de Medicina do Recife, ocasião em que o Pedro II assumiu formalmente o papel de hospital-escola. Durante seis décadas — atuando como Hospital das Clínicas até 1982 — foi centro de excelência e vanguarda na formação médica pernambucana e nordestina, sendo pioneiro em diversos procedimentos, como a primeira cirurgia sob anestesia geral no estado (inicialmente com éter e, posteriormente, com clorofórmio), a primeira cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea do Norte-Nordeste, as primeiras hemodiálises no estado e as primeiras cirurgias complexas de grande porte de Pernambuco e da região.

Grandes expoentes da medicina regional integraram o corpo clínico deste renomado hospital — verdadeiro templo de formação de elites médicas. Ao moldar gerações de mestres, clínicos e cirurgiões que definiram a prática sanitária no estado, a instituição colocou-se na vanguarda da medicina brasileira na segunda metade do século XX.

O Longo Deserto de 28 Anos e a Visão de Antônio Carlos Figueira

A transferência das atividades acadêmicas para o novo Hospital das Clínicas, em 1982, inaugurou um capítulo crítico de incertezas. Teve início um deserto assistencial de 28 anos, período em que a edificação secular enfrentou a degradação, o risco de perda patrimonial e até propostas descabidas de conversão em centro comercial. O salão imperial onde dançaram nobres viu a poeira e o esquecimento ameaçarem sua vocação original.

Durante essa fase, o Pedro II foi parcialmente ocupado por repartições públicas: abrigou o Museu da Medicina e, na gestão de Cyro de Andrade Lima como Secretário Estadual de Saúde, sediou a estrutura administrativa da I Regional de Saúde, além de acolher o Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (NESC) da Fiocruz.

A paralisia assistencial à população só foi rompida graças à liderança arrojada, visionária e decisiva do médico e gestor Antônio Carlos Figueira. À frente do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), e demonstrando uma capacidade ímpar de pactuação e governança, ele identificava a restauração não como um mero resgate saudosista, mas como um ato de responsabilidade pública e sanitária.

No final de dezembro de 2006, mediante pactuação com a Santa Casa de Misericórdia, interveniência da Cúria Metropolitana e sob a regência arquitetônica de Jorge Passos, Figueira comandou um ousado Projeto de Restauro e Modernização do Hospital Pedro II para resgatar sua finalidade secular original. Iniciado em março de 2007, o empreendimento contou com apoio financeiro dos governos federal, estadual e municipal, de empresas privadas e de doações individuais e de apoios diversos.

A muitos, a decisão de Antônio Carlos parecia utópica. No entanto, em agosto de 2010, após três anos e meio de um trabalho exaustivo e minucioso, o IMIP devolveu à sociedade um monumento vivo, renascido e harmonizado: a mais emblemática estrutura médica já construída em Pernambuco, com sua importância histórica preservada e sua arquitetura resgatada fielmente em suas linhas originais.

O Hospital Pedro II nasceu, por assim dizer, sob o signo da filantropia. Antes mesmo de acolher o primeiro enfermo, o edifício já havia servido para mobilizar a sociedade em proveito da saúde pública. Cento e cinquenta anos depois, quando Antônio Carlos Figueira liderou sua restauração e o devolveu à assistência e ao ensino médico, retomou-se o seu ciclo histórico: o prédio secular que nascera como uma esperança para a medicina pernambucana voltou a cumprir exatamente a missão para a qual fora concebido — uma semiótica particularmente expressiva no cuidar de pessoas.

Com seu ressurgimento e integração ao Complexo Hospitalar do IMIP, o Pedro II uniu a tradição de sua fundação à inovação da medicina moderna — em uma recuperação definitivamente indissociável da figura de Antônio Carlos Figueira. Equipado com um avançado parque tecnológico, modernos recursos e ambientes humanizados, o restaurado hospital foi reaberto integrando serviços de saúde de alta complexidade, espaços culturais e áreas acadêmicas. Assim, ao ofertar serviços avançados — como transplantes, radioterapia e ensino médico —, reafirmou sua vocação ao continuar formando profissionais competentes e assistindo de modo eficiente à comunidade, fortalecendo o Recife como o segundo maior polo médico do Brasil e devolvendo a dignidade ao berço da medicina pernambucana e nordestina.

Tutela Patrimonial e a Coragem da Continuidade

Por iniciativa do IMIP, a preservação do edifício foi chancelada por seu tombamento pelo Conselho Estadual de Cultura/Fundarpe em 2008, além de seu enquadramento como Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico-Cultural (ZEPH 18).

Contudo, a complexa restauração do prédio monumental foi apenas o seu primeiro enfrentamento; o segundo, permanente e igualmente árduo, é a sua manutenção diária. É preciso enaltecer com vigor as gestões sustentáveis do IMIP sucessoras a Antônio Carlos Figueira. Mesmo diante dos elevados custos operacionais de um imóvel histórico tombado e das recorrentes restrições orçamentárias da saúde pública, o IMIP tem mantido com coragem e rigor a excelência dos serviços estratégicos ali prestados, inclusive com a importante participação da sociedade pernambucana e apoios diversos. Manter as portas do Hospital Pedro II abertas à comunidade usuária do SUS é um triunfo contínuo do patrimônio, da ciência e da cidadania.

Há um simbolismo particularmente forte nesse episódio: ao assumir a recuperação do Hospital Pedro II, Antônio Carlos Figueira não apenas restaurou um prédio histórico; ele reconectou duas tradições da medicina pernambucana. O edifício que havia formado gerações de médicos voltou a ser um hospital-escola, agora integrado ao IMIP. Assim, um patrimônio do século XIX passou a servir à formação dos profissionais de saúde do século XXI, preservando sua memória e renovando sua missão. Esse resgate representa um dos legados mais duradouros de Antônio Carlos Figueira para a medicina, o ensino e o patrimônio histórico de Pernambuco.

Um Laço Indissolúvel com o Pedro II

Minha história com o Hospital Pedro II é marcada pelo afeto, pela memória, pelo compromisso com a saúde pública e pela defesa da vida. Vi de perto a grandiosidade daquele templo da medicina nos meus tempos de estudante e, anos mais tarde, convivi com o desconforto à distância ao testemunhar o seu sensível "período cinza" de semiabandono e inércia de finalidade.

No entanto, o destino me reservou o privilégio de participar da gestão do IMIP no momento exato em que resgatamos a sua dignidade. Participar e ser testemunha do seu admirável restauro e modernização foi mais do que a integração a um enorme desafio institucional; foi um reencontro com as minhas raízes e história. Afinal, ver o gigante renascer não foi apenas restaurar o passado, mas devolver o futuro à saúde do nosso povo.

Mais um ato de amor do IMIP a Pernambuco. E, parodiando o padre jesuíta Antônio Vieira: "Nós somos o que fazemos. O que não fazemos não existe. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos, apenas duramos". Podemos dizer: o IMIP fez e faz. O Pedro II está vivo e pulsante.


*Alex Caminha, é médico, formado pela UFPE, é Chefe de Gabinete da Superintendência Geral do IMIP.


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É Findi – Clube Internacional do Recife - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

07/08/2026

Fundado em 17 de julho de 1885 no primeiro andar da casa nº 11 do antigo Largo do Corpo Santo, no bairro do Recife.

Transferiu-se no final do século retrasado para a Rua da Aurora nº 265, vindo em 1938 para a sua atual sede da Madalena.

O Clube é dos mais tradicionais da cidade. Promoveu, durante várias décadas, principalmente na primeira metade deste século, grandiosos bailes e animadas festas carnavalescas todos os dias do período do mesmo exceto na Segunda-feira, que era reservada para a matinê da gurizada, “Os demais clubes, entre eles o Sport e o Náutico, faziam também animados carnavais, alguns com manhãs de sol, mas perdendo em quantidade e principalmente em elitismo para o Internacional. Os Encontros de Brotos eram muito concorridos, o "Maitre" Catolé chefiava o atendimento dos garçons e a festa fechava a semana, por sua vez, lá nos Aflitos, tínhamos uma bela exibição do Náutico, com Nado, Bita, Ivan, Salomão e Lala.


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Fundado em 17 de julho de 1885 no primeiro andar da casa nº 11 do antigo Largo do Corpo Santo, no bairro do Recife.

Transferiu-se no final do século retrasado para a Rua da Aurora nº 265, vindo em 1938 para a sua atual sede da Madalena.

O Clube é dos mais tradicionais da cidade. Promoveu, durante várias décadas, principalmente na primeira metade deste século, grandiosos bailes e animadas festas carnavalescas todos os dias do período do mesmo exceto na Segunda-feira, que era reservada para a matinê da gurizada, “Os demais clubes, entre eles o Sport e o Náutico, faziam também animados carnavais, alguns com manhãs de sol, mas perdendo em quantidade e principalmente em elitismo para o Internacional. Os Encontros de Brotos eram muito concorridos, o "Maitre" Catolé chefiava o atendimento dos garçons e a festa fechava a semana, por sua vez, lá nos Aflitos, tínhamos uma bela exibição do Náutico, com Nado, Bita, Ivan, Salomão e Lala.


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras.


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É Findi - Malude Maciel* Chega Hoje em Dose Tripla

07/08/2026

Regresso Triunfante - Crônica


O mês de julho terminou com mais uma aventura, começando agosto, bem a gosto.

Voltando à cidade de Triunfo, no Sertão pernambucano, tive a feliz oportunidade de realizar diversos passeios esplêndidos e rever pontos turísticos importantes que não via há anos, apesar de que, minha mãe nasceu ali, no "Oásis do Sertão", embora tenha vivido em Calumbi, antes denominada: São Serafim. De qualquer forma esse vínculo sentimental permanece bem presente, apesar de tudo isso estar num passado distante.

Conhecimento nunca é demais

Para quem não conhece, aconselho visitar aquela bela e aprazível cidade pois, é um lugar muitíssimo agradável e interessante e o turismo está acelerado naquela região, com serviços específicos e mapas dos pontos principais a serem vistos com sucesso. Por exemplo: o Theatro Guarany; Sociedade Triunfense de Cultura; Pátio de eventos maestro Madureira; convento São Boa...

Regresso Triunfante - Crônica


O mês de julho terminou com mais uma aventura, começando agosto, bem a gosto.

Voltando à cidade de Triunfo, no Sertão pernambucano, tive a feliz oportunidade de realizar diversos passeios esplêndidos e rever pontos turísticos importantes que não via há anos, apesar de que, minha mãe nasceu ali, no "Oásis do Sertão", embora tenha vivido em Calumbi, antes denominada: São Serafim. De qualquer forma esse vínculo sentimental permanece bem presente, apesar de tudo isso estar num passado distante.

Conhecimento nunca é demais

Para quem não conhece, aconselho visitar aquela bela e aprazível cidade pois, é um lugar muitíssimo agradável e interessante e o turismo está acelerado naquela região, com serviços específicos e mapas dos pontos principais a serem vistos com sucesso. Por exemplo: o Theatro Guarany; Sociedade Triunfense de Cultura; Pátio de eventos maestro Madureira; convento São Boa Ventura; Centro Histórico; igreja São Luiz Gonzaga; igreja matriz Nossa Senhora das Dores; Museu do Cangaço; Centro Criativo da Cultura; pedalinho do lago; e muito mais.
Ficamos no hotel do SESC (centro de turismo e lazer), ao qual parabenizo pela excelência no acolhimento, espaço, alimentação e atendimento. De lá, usamos o teleférico e atravessamos sobre o lago João Barbosa Sitônio até o Polo Gastronômico e de Animação, do outro lado da cidade. Uma beleza!

O Pico do Papagaio

Constitui o ponto mais elevado do Estado de Pernambuco e fomos olhar; como também a "furna dos holandeses" que habitaram o tal lugar depois da expulsão dos mesmos do Recife na Insurreição Pernambucana em 1654, quando muitos escaparam pelo Sertão.

Engenhos

O famoso engenho São Pedro, onde se fabrica cachaça, rapaduras batidas e alfinim, é parada obrigatória e ver o "pôr do sol" depois do banho na Cachoeira do Pinga é algo imperdível.
Ainda estivemos no Parque das Esculturas onde se harmonizam: Arte, Natureza, História e Profecias bíblicas, tendo a presença do artista plástico Beto, fazendo as explanações.

Local de abrigo de Lampião

A chamada Casa Grande das Almas é uma propriedade localizada entre Pernambuco e Paraíba, pertencia à família Thomázio de um juiz com muitas posses e ali se refugiava Rei do Cangaço com seus cabras ao derredor, existindo um sótão para seu descanso.

Clima maravilhoso

Triunfo tem um clima ameno, muita água e vegetação verdejante, nem parece que se está no Sertão. As ruas são acidentadas, ladeirosas e pedregosas e os muros das residências, tanto no centro como na zona rural foram feitos com pedras, num trabalho organizado e bonito; existem muitas cachoeiras, poços, lagoas e água corrente sempre, apesar da altura.

Caretas

O símbolo da cidade é o chamado: "Careta", um tipo característico dos antigos carnavais quando jovens da sociedade adotaram fantasia, usando máscaras e relhos para não serem reconhecidos e esse personagem ficou como referência e figura maior do folclore de Triunfo.

O nome da cidade

O nome Triunfo veio devido à vitória conseguida perante a cidade de Flores, a quem pertencia como Sítio Baixa Verde que tornou-se uma importante feira, criando desavenças e daí a disputa da qual houve a separação e o triunfo em si.


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Ainda os Pets ou Amor à primeira vista - Poema


Um dia ele vira e late
E pode até virar uma lata
Mas, não é um vira-lata
É um cão de raça nobre
Bonito e charmoso
Com pelo lindo, maravilhoso
Volta do pet banhado e cheiroso
É elegante, educado e carinhoso
Muito sensível e esperto
Admirado e amado
Companheiro e brincalhão
Quando fica sozinho
É uma tristeza só
Ao meu retorno
A alegria não tem tamanho
Eu até nem gostava de cão
Fui conquistado
E estou encantado, apaixonado.
"Eu não sou cachorro, não".


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Época da pandemia - Usar ou não usar a máscara, eis a questão


Nossos lábios buscavam um colorido
Vermelho, lilás, cintilantes batons
Sorrisos lindos como arco-íris
Palavras ecoando em diversos sons

Com máscaras horrendas escondendo faces
Por causa de um vírus, ocultando rostos
Femininos desejos de fazer mil artes
No entanto, presos em reais desgostos

Período difícil por dois longos anos
Doenças, mortes, tremendos sofrimentos
Não foram poucos nossos desenganos
Encarando mil coisas nesses desalentos

Porém, tudo está passando agora
Com Deus, esperança num feliz futuro
Sem máscaras, vivemos outra hora
Melhor tempo, alegre e seguro.


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel


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É Findi - O Passado Cria Vida Num Romance Histórico - Por Ricardo Braga*

07/08/2026

Romance histórico é um gênero literário relativamente recente, sobretudo se considerarmos a idade da literatura escrita, que nasce muito antes da imprensa de Guttenberg no Século XV, quando, a partir daí, foi possível a reprodução em massa de livros.

Pode se dizer que este gênero literário surge somente no Século XIX, empreendendo uma nova narrativa da História, utilizando a abordagem ficcional. Nela, personagens criados dialogam com personagens históricos no contexto temporal e de cenários, no qual efetivamente os fatos aconteceram. Ou seja, por meio do romance histórico é possível conhecer o contexto social, econômico, político, ideológico e até ecológico do período abordado. Isto sem precisar usar a linguagem obrigatoriamente mais ajustada dos historiadores, com datas e precisões documentais.

A criação de público

Identifico no romance histórico a possibilidade de estimular o leitor a conhecer a História a partir do prazer literário...

Romance histórico é um gênero literário relativamente recente, sobretudo se considerarmos a idade da literatura escrita, que nasce muito antes da imprensa de Guttenberg no Século XV, quando, a partir daí, foi possível a reprodução em massa de livros.

Pode se dizer que este gênero literário surge somente no Século XIX, empreendendo uma nova narrativa da História, utilizando a abordagem ficcional. Nela, personagens criados dialogam com personagens históricos no contexto temporal e de cenários, no qual efetivamente os fatos aconteceram. Ou seja, por meio do romance histórico é possível conhecer o contexto social, econômico, político, ideológico e até ecológico do período abordado. Isto sem precisar usar a linguagem obrigatoriamente mais ajustada dos historiadores, com datas e precisões documentais.

A criação de público

Identifico no romance histórico a possibilidade de estimular o leitor a conhecer a História a partir do prazer literário, uma maneira eficiente de popularizá-la, criando conexão com um público mais amplo, que possa aprender a dialogar com temas tão caros à formação da sociedade, sem o afastamento protocolar, comum de ser visto quando se abre um livro acadêmico.

Esta é uma oportunidade que parece estar despertando alguns escritores da atualidade, o que considero muito positiva. O romance como referência para a formação de leitores, tanto em educação literária quanto em educação histórica.

Entendo que para isso é importante respeitar o perfil dos personagens históricos e os fatos efetivamente comprovados (ou, se for o caso, até de questionar os não assentados em bases sólidas), fazendo com que na trama criada as cenas e personagens fictícios sejam influenciados ou marcados pelos eventos reais, e não o contrário.


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Assim, o passado cria vida, em dramas, emoções e licenças poéticas.

Lançamento oportuno

No próximo dia 13 de agosto lançarei o romance histórico “Amor em Tempos de Revolução”, na Academia Pernambucana de Letras às 19 horas. O romance trata da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador. Três acadêmicos da APL comentarão a obra, publicada pela Editora Cubzac.


*Ricardo Braga, é biólogo, ambientalista e escritor. Autor dos livros de literatura Ecologia do Cotidiano, A Flor Lilás e outros Contos (prêmio Cepe Nacional de Literatura), Sangue Doce e Como as Águas do Rio. @ricardobragaescritor


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É Findi - As cartas que não escrevi! - Por Ina Melo*

07/08/2026

Ah! Foram tantas as cartas que não escrevi nessa minha longa existência. Elas estão assim amontoadas, dentro dos envelopes e até com selos, mas faltou-me os destinatários, que assim como os sonhos, a gente deixa passar levados por flocos de nuvens. Muitas delas para um amor inexistente, mas que o coração teimou em fazê-lo real. Algumas, cheias de mágoas, para pessoas amadas que me feriram e que o bom senso me fez esquecer. Outras bem malcriadas, agressivas até que, num momento de raiva desejei mandar e desisti. Muitas dessas missivas eu as enviei para os meus queridos que partiram para a longa viagem sem volta, que todos faremos um dia. São as cartas uma prova de amor, amizade, raiva e remorsos e que todos nós deveríamos escrever, como uma válvula de escape. Um desabafo que muitas vezes ao serem lidas, são mal interpretadas ou abençoadas, dependendo do que está escrito nelas. Nesse amontoado de letras derramadas sobre o papel, eu muitas e muitas vezes pude encarar a pessoa verdadeira q...

Ah! Foram tantas as cartas que não escrevi nessa minha longa existência. Elas estão assim amontoadas, dentro dos envelopes e até com selos, mas faltou-me os destinatários, que assim como os sonhos, a gente deixa passar levados por flocos de nuvens. Muitas delas para um amor inexistente, mas que o coração teimou em fazê-lo real. Algumas, cheias de mágoas, para pessoas amadas que me feriram e que o bom senso me fez esquecer. Outras bem malcriadas, agressivas até que, num momento de raiva desejei mandar e desisti. Muitas dessas missivas eu as enviei para os meus queridos que partiram para a longa viagem sem volta, que todos faremos um dia. São as cartas uma prova de amor, amizade, raiva e remorsos e que todos nós deveríamos escrever, como uma válvula de escape. Um desabafo que muitas vezes ao serem lidas, são mal interpretadas ou abençoadas, dependendo do que está escrito nelas. Nesse amontoado de letras derramadas sobre o papel, eu muitas e muitas vezes pude encarar a pessoa verdadeira que sou. Algumas manchadas com lágrimas de dor ou saudades, outras como um hino à felicidade. Ah! As cartas de amor! Diz a canção "quem as não fez?" Se mentirosas ou verdadeiras, quem as recebeu e não atingiu a plenitude da felicidade? Quem? Apesar da vida ser um livro aberto para nós mesmos, existem coisas que queremos esconder, portanto nada melhor do que fixar no papel, guardar e quando a memória começar a apagar as lembranças, termos num velho baú, mesmos com letras esmaecidas aqueles sonhos loucos que nunca pudemos realizar, mas que ousamos pensar. Cartas são retratos de uma vida que guardamos ou que alguém guarda para nós. Hoje ao reler as muitas que escrevi e que não enviei,  simplesmente faço uma viagem ao passado com a certeza de que não serei julgada por amar ou magoar aqueles que me querem bem. E as que enviei, peço perdão, se usei palavras duras e amargas ou aquelas que na hora pensei seriam sinceras, quando desnudei minhas paixões e invadi os sentimentos dos destinatários. Hoje,  passando os olhos cansados por esses envelopes marcados pelo tempo, eu me reencontro nas mil faces da mulher sonhadora e apaixonada pela vida que sou através das cartas que não escrevi!


*Ina Melo, é jornalista. Publicou poemas, contos e crônicas na Revista de Cultura do Estado do Ceará e em diversas antologias como "Crônicas e contos inesquecíveis" e "Contistas do Terceiro Milênio". Graduada pela UFPE, com especialização em Antropologia Cultural, faz parte da Academia Internacional de Literatura e Artes. É autora dos livros: "Simone de Beauvoir - Mulher lúcida e livre", "Sonhos em dueto" e, pela Confraria do Vento, "Cartas de Paris". @inamelo2016


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É Findi - Entre o Passado e o Presente - Crônica - Por Ana Pottes*

07/08/2026

Em tempos de IA a vida parece mais simples.
Ontem, um amigo enviou uma foto daquelas retiradas de um rolo da kodak, que passava mais de quinze dias para chegar às nossas mãos.

Estávamos juntos, um grupo de professores de uma instituição de ensino superior que não existe mais.

Éramos outras pessoas. Nossos pensamentos passeavam por preocupações que hoje podem parecer tolas, simples, ou mesmo encantadoras. Mas estávamos ali.

Confesso não lembrar daquele momento. Entretanto, receber aquela foto, registro de um instante passado, me fez relembrar um pedacinho de vida difícil de esquecer e gostoso de rememorar. Saudades. Boas lembranças. Riso solto. Amores e afagos genuínos de um tempo bom.

Conversar com um amigo pedia ligações, realizadas em telefones fixos ou nos orelhões. E se fosse amigo do peito, a gente ia à casa dele. Para o abraço de apoio. Para o abraço de saudade.

Se terras e mares nos afastavam, e...

Em tempos de IA a vida parece mais simples.
Ontem, um amigo enviou uma foto daquelas retiradas de um rolo da kodak, que passava mais de quinze dias para chegar às nossas mãos.

Estávamos juntos, um grupo de professores de uma instituição de ensino superior que não existe mais.

Éramos outras pessoas. Nossos pensamentos passeavam por preocupações que hoje podem parecer tolas, simples, ou mesmo encantadoras. Mas estávamos ali.

Confesso não lembrar daquele momento. Entretanto, receber aquela foto, registro de um instante passado, me fez relembrar um pedacinho de vida difícil de esquecer e gostoso de rememorar. Saudades. Boas lembranças. Riso solto. Amores e afagos genuínos de um tempo bom.

Conversar com um amigo pedia ligações, realizadas em telefones fixos ou nos orelhões. E se fosse amigo do peito, a gente ia à casa dele. Para o abraço de apoio. Para o abraço de saudade.

Se terras e mares nos afastavam, escrevíamos contando as alegrias e desenganos passados. Não existiam e-mails, que hoje caíram em desuso. As ideias, pensadas e escritas, levadas pelas mãos do carteiro, nosso conhecido. Quando as trocas de mensagens eram contínuas, batia à nossa porta com um sorriso nos olhos e a esperada carta na mão. Para notícias e casos urgentes, a pedida da vez, telegramas, cifrados e rápidos.

Os aniversários, lembrados e relembrados, não pelo aplicativo facebook. A gente guardava a data na memória. Os números de telefone nós sabíamos de cor e se fosse da pessoa especial. Ah! Sem possibilidade de cair no buraco sem fundo do esquecimento. Memórias analógicas do nosso cérebro.

Naquela foto não havia celulares. Estávamos inteiros. Conversar era diferente de teclar. Bem diferente de abrir o WhatsApp e dar bom dia, enviar um emoji ou um Tik Tok engraçado sem nem saber como o outro se encontra naquele instante. Responder a uma indagação e no instante seguinte, nem lembrar do que teclou, em uma interação imediatista e utilitária.

Tempos intensos, de relações construídas dia após dia, conversadas e trabalhadas para durar. Amigos que permanecem juntos e mesmo estando em lugares distantes, são presentes sem a instantaneidade ou a pretensão de habitar o mesmo quadrado.

Minhas recordações estão repletas de abraços, afagos, olhares que serviam de apoio. De conhecimento das dificuldades e alegrias, partilhadas com amigos. Esses não eram numerosos. Não geravam curtidas ou likes. Às vezes cabiam nos dedos das mãos. Essas sim, geradoras de afetos e aconchegos. Bons amigos. Bons amores. Bons momentos.

Retornei à foto que, embora carregada de lembranças vivas, estava com as cores mortas sob a ação do tempo.

Em uma intervenção modernista, entreguei o antigo passado ao novo futuro e solicitei que revivessem as imagens, seus rostos e seus olhares. E uma foto com cores novas me foi devolvida.

Então, dei a mão à palmatória do futuro e reconheci o moderno.

Obrigada, IA.


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes


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O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

É Findi - Meio século de CEHM - Condepe / Fidem - Crônica - Por Valéria Barbalho*

07/08/2026

Nesse mês de agosto de 2026, o Centro de Estudos de História Municipal - Condepe / Fidem está completando 50 anos. Meio século de uma grande família que reúne grandes historiadores dos diversos municípios pernambucanos. Meio século de amizades, reuniões, viagens, histórias diversas, causos contados, livros e revistas publicados. É muito tempo! Os fundadores do "Centro", como carinhosamente o chamamos, já não estão entre nós, mas tenho certeza que, lá no "céu dos historiadores de Pernambuco", a turma deve estar preparando belos artigos para serem publicados na "Revista do CEHM Celestial 50 anos". Entre eles, o meu pai Nelson Barbalho, que já está "do outro lado da cerca", como ele mesmo diria, desde 22 de outubro de 1993.

Apaixonado pelo Centro, Seu Nelson não perdia uma reunião. Considerava o CEHM a sua segunda casa, sua segunda família Graças à sua participação nesse grupo, ele, juntamente com os confrades José Aragão Bezerra Cavalcanti, Luiz Wilson de Sá Ferraz, Olímpi...

Nesse mês de agosto de 2026, o Centro de Estudos de História Municipal - Condepe / Fidem está completando 50 anos. Meio século de uma grande família que reúne grandes historiadores dos diversos municípios pernambucanos. Meio século de amizades, reuniões, viagens, histórias diversas, causos contados, livros e revistas publicados. É muito tempo! Os fundadores do "Centro", como carinhosamente o chamamos, já não estão entre nós, mas tenho certeza que, lá no "céu dos historiadores de Pernambuco", a turma deve estar preparando belos artigos para serem publicados na "Revista do CEHM Celestial 50 anos". Entre eles, o meu pai Nelson Barbalho, que já está "do outro lado da cerca", como ele mesmo diria, desde 22 de outubro de 1993.

Apaixonado pelo Centro, Seu Nelson não perdia uma reunião. Considerava o CEHM a sua segunda casa, sua segunda família Graças à sua participação nesse grupo, ele, juntamente com os confrades José Aragão Bezerra Cavalcanti, Luiz Wilson de Sá Ferraz, Olímpio Bonald da Cunha Pedrosa e Potiguar Figueiredo Matos, foram admitidos, pelo Governador Gustavo Krause, na Ordem do Mérito dos Guararapes, no Quadro de Graduados Efetivos, Categoria Suplementar, no grau de Cavaleiro. Nessa mesma solenidade, o Centro de Estudos de História Municipal, foi admitido na Ordem do Mérito dos Guararapes, no Quadro de Graduados Especiais. Com orgulho tenho o Diploma e a Medalha, guardados no acervo do meu pai no Instituto Histórico de Caruaru (IHC). Afinal, foi Seu Nelson o primeiro caruaruense a receber tal honraria. O segundo foi Fernando Lyra, no tempo em que foi Ministro.

Foi também graças ao Centro que meu pai publicou grande parte da sua obra. Vários de seus livros fazem parte da coleção Tempo Municipal, assim como os 23 volumes da Cronologia Pernambucana, coleção criada só para ele. Sei muitas histórias interessantes sobre os grandes amigos do meu pai que ele conheceu no CEHM. O Dr. Luiz Wilson foi um deles. Como eram vizinhos de prédios (ele morava na Av. Boa Viagem e nós, na Rua dos Navegantes), quase todas as noites, após o jantar, se encontravam para conversar e trocar idéias sobre livros que logo eram publicados pelo CEHM. Muita coisa boa saiu desses encontros.

Outro grande amigo do meu pai foi Renan Pimenta. Foi ele que apelidou as histórias e estórias contadas nas reuniões do Centro, pelo confrade Nelson de “Nelseanas” (daí veio o nome da coluna que meu pai manteve durante anos no jornal Vanguarda, que foram compiladas em um livro ainda inédito). O Professor José Aragão, de Vitória de Santo Antão, também era outro parceiro seu. O mais recente livro que editei do meu pai - Municípios Pernambucanos - tem o prefácio escrito por esse grande amigo. Infelizmente o “Municipios Pernambucanos” não foi editado pelo Centro, pois o convênio para publicação dos livros dos associados e das Revistas do CEHM, pela CEPE, foi suspenso. Espero que temporariamente, para que todos associados que já têm livros prontos, importantes para a história de Pernambuco, voltem a ser editados e a Biblioteca do CEHM fique mais enriquecida.

Eu mesma ainda tenho 8 volumes da Cronologia Pernambucana para serem editados para completar a coleção, pois são 30 volumes. Sem apoio, fica difícil publicar qualquer livro hoje em dia no Brasil. Outro problema atual da nossa querida família CEHM é a falta de uma sede física. Já nos mudamos, nos últimos anos, várias vezes e cada mudança nos entristece, pois perdem-se muitas coisas. Uma sede fixa seria um presente de aniversário maravilhoso. Um local que tivesse um espaço amplo, acolhedor, que coubesse a Galeria dos Historiadores Municipais, nossa Biblioteca e uma sala de reuniões confortável. Seria um salão bonito, onde ficariam expostas as fotos e a biografias dos saudosos membros que já se encantaram.

Eu não pertencia ao Centro, mas na ausência do meu pai e a convite do querido Miguel, passei a frequentar as reuniões e me apaixonei pela turma, principalmente a nova geração da família CEHM, que meu pai nem chegou a conhecer. Atualmente são meus grandes amigos / irmãos que recebi de presente graças a Seu Nelson. Como toda família, nas tradicionais festas nos confraternizamos e comemoramos os aniversários de todos, mesmo que pelo WhatsApp. No Natal / Ano Novo, Páscoa e nas festas juninas levamos muitos bolos e doces típicos da época e de cada município. Afinal, escrever sobre história é importante, mas se confraternizar com os amigos historiadores e ganhar uns quilinhos também faz parte da vida.

Viva os 50 anos do Centro de Estudos de História Municipal! Viva todos os que compõem essa grande família! Viva os confrades que já estão no céu! Tomara que o Centro, mesmo com todas as dificuldades, sobreviva mais 50 anos, mais 50 e assim por diante. Siiiiim, viva Miguel Meira, o nosso eterno e querido presidente, que se aposentou compulsoriamente, pois completou 75 anos, mas continua como nosso grande Baluarte, frequentando todas as reuniões e eventos ligados ao CEHM. Parabéns, Miguel, pela sua garra! Parabéns, Pernambuco, por ter um grupo de elite que estuda e divulga, através dos seus livros, as histórias dos seus municípios! Parabéns, jovens historiadores da nossa grande família por não deixarem, junto com Miguel, o CEHM morrer!


Foto - Turma da Velha Guarda do CEHM - Da direita pra esquerda: fila 1: não sei quem é essa moça, em seguida: José Aragão Bezerra Cavalcanti, Nelson de Siqueira Barbalho. Na fila 2: Potyguar Matos, Manuel Correia de Andrade, Rui de Ayres Bello. Na fila 3: (atrás de Potyguar) Eliezer da Costa Figueiroa, Luiz Wilson de Sá Ferraz, …(não lembro o nome), junto é Amaury de Barros Correia, o próximo está escondido atrás da cabeça de Nelson, parece ser José Florêncio Neto. Em seguida (junto do fio do ar condicionado, de paletó, é o padre Petronilo Pedrosa. Na fila seguinte, atrás de Luiz Wilson, é Raul Aquino, e ao lado dele, Orlando Parahym. Esses são os possíveis de identificação!


*Valéria Barbalho é filha do escritor e historiador Nelson Barbalho. É médica pediatra, cronista. @valeria.barbalho.5


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O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

Antes do Cristo, a recusa de Isabel - A história não contada do Corcovado, por Zé da Flauta*

07/08/2026

O brasileiro tem uma vocação quase irresistível para erguer pedestais. Quando a história nos presenteia com um feito de peso, a primeira reação do país é procurar um mármore bem alto, chamar o escultor e preparar o metal para imortalizar o herói da vez. O problema é que, no topo das nossas montanhas, o vento da vaidade costuma soprar forte.

A construção do Cristo Redentor no topo do Corcovado, hoje um dos cartões-postais mais famosos do planeta, esconde, no entanto, uma aula rara de engenharia política, desapego e sabedoria que começou bem antes do primeiro saco de cimento subir o morro.

Rigor de gestão

Tudo começou em 1859, quando um padre francês olhou para a imponência do Corcovado e teve um estalo: ali devia morar um monumento sagrado. Entusiasmado, bateu na porta de Dom Pedro II. O Imperador, porém, era um sujeito cartesiano, com a cabeça fincada na sobriedade de quem geria um Império imenso. Pedro II olhou para a proposta, fez...

O brasileiro tem uma vocação quase irresistível para erguer pedestais. Quando a história nos presenteia com um feito de peso, a primeira reação do país é procurar um mármore bem alto, chamar o escultor e preparar o metal para imortalizar o herói da vez. O problema é que, no topo das nossas montanhas, o vento da vaidade costuma soprar forte.

A construção do Cristo Redentor no topo do Corcovado, hoje um dos cartões-postais mais famosos do planeta, esconde, no entanto, uma aula rara de engenharia política, desapego e sabedoria que começou bem antes do primeiro saco de cimento subir o morro.

Rigor de gestão

Tudo começou em 1859, quando um padre francês olhou para a imponência do Corcovado e teve um estalo: ali devia morar um monumento sagrado. Entusiasmado, bateu na porta de Dom Pedro II. O Imperador, porém, era um sujeito cartesiano, com a cabeça fincada na sobriedade de quem geria um Império imenso. Pedro II olhou para a proposta, fez as contas de cabeça e declinou.

Não por falta de fé, mas por rigor de gestão: dinheiro público, na visão do velho Monarca, servia para abrir estradas, erguer escolas e pagar a burocracia do Estado, não para financiar devoções em topo de morro. A recusa do pai foi o primeiro freio na tentação do espetáculo.

Aula de grandeza

Três décadas se passaram e veio maio de 1888. Com a canetada da Lei Áurea, o país veio abaixo em festa. Os abolicionistas e a elite carioca, em êxtase, acharam que haviam encontrado a santa perfeita para o topo do Corcovado. A ideia era cristalina: erguer uma estátua colossal da Princesa Isabel, coroando-a com o título de "A Redentora". Qualquer mortal com uma nesga de vaidade teria encomendado o terno para a inauguração. Mas Isabel, numa aula de grandeza que raro se vê em gabinetes, recusou o pedestal.

Declarou que o único Redentor do homem era Cristo e que, se quisessem erguer algo lá no alto, que fosse para Ele. A filha, assim como o pai, disse "não" à vaidade — ele por pragmático, ela por pura humildade.

Ironia poética

O desfecho dessa história é de uma ironia poética fascinante. O monumento mais famoso do Brasil não nasceu do tesouro imperial nem do ego de uma governante, mas da persistência do próprio povo que, décadas mais tarde, tirou do bolso as moedas para erguer o Cristo de braços abertos.

Olhar para o alto do Corcovado hoje é lembrar que o poder de verdade não precisa de estátua própria para deixar rastro. As maiores lições da nossa história não estão gravadas no bronze dos homens que se achavam gigantes, mas no gesto discreto daqueles que souberam a hora exata de descer do pedestal.

Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista


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Da Série Mistério do Aquém: o cio da cadela fascista e o soluço dos mitos - Por Natanael Sarmento*

07/08/2026

O “patriota” da direita fascista contemporânea do Brasil, é antes de tudo, um incompreendido. Ele destila nos palanques e púlpitos discursos de intolerância religiosa, homofobia, todo cardápio do ódio conservador mais reacionário da direita fascista. Avocam fantasmas do AI-5, saúdam carrascos e psicopatas tipo coronel Brilhante Ustra, condecoram traficantes, pedem a restauração da ditadura militar que deixou mais de 400 mortos e desaparecidos políticos reconhecidos oficialmente, sem contar milhares de camponeses e indígenas. Exigem o fechamento do Supremo, tentam a três por quatro quebrar a ordem Constitucional e atacar as instituições republicanas. São afeitos às armas e posam de valentões nas redes sociais e conspiratas das bolhas golpistas para o público da mesma laia.

Só que não

Toda valentia se borra, e não é com 2 soldados para fechar o STF. Basta a Polícia Federal bater à porta do condomínio de luxo para o leão das redes sociais virar um rat...

O “patriota” da direita fascista contemporânea do Brasil, é antes de tudo, um incompreendido. Ele destila nos palanques e púlpitos discursos de intolerância religiosa, homofobia, todo cardápio do ódio conservador mais reacionário da direita fascista. Avocam fantasmas do AI-5, saúdam carrascos e psicopatas tipo coronel Brilhante Ustra, condecoram traficantes, pedem a restauração da ditadura militar que deixou mais de 400 mortos e desaparecidos políticos reconhecidos oficialmente, sem contar milhares de camponeses e indígenas. Exigem o fechamento do Supremo, tentam a três por quatro quebrar a ordem Constitucional e atacar as instituições republicanas. São afeitos às armas e posam de valentões nas redes sociais e conspiratas das bolhas golpistas para o público da mesma laia.

Só que não

Toda valentia se borra, e não é com 2 soldados para fechar o STF. Basta a Polícia Federal bater à porta do condomínio de luxo para o leão das redes sociais virar um rato trêmulo, cair em prantos, suplicar o perdão da "anistia ampla e irrestrita".

Metamorfose

Lembramos do livro de Franz Kafka o pesadelo do tipo que acorda transformado num inseto monstruoso, rejeitado por todos tem morte solitária na sua desumanização. Na metamorfose dos fascistas brasileiros machos alfas e terroristas desumanizados, ao contrário, se transformam na conveniência em pessoas sensíveis, tementes a Deus, pais de famílias coitadinhos, vítima de " perseguição do sistema", da “ditadura”. Curiosamente os defensores da volta da ditadura quando julgados – com direito a defesa – e condenados, cumprem pena, se dizem vítimas da ditadura. Defender a ditadura na democracia é fácil. Defender a democracia na ditadura causava, morte, tortura, banimento.

Parece que foi ontem

A apoteose da barbárie dos insanos da horda fascista do 8 de janeiro de 2023. Espetáculo de civismo da cavalaria verde-amarela marchando sobre à Praça dos Três Poderes, depredando as sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto. Da malta de desordeiros concentrados em frente de quartéis com a participação ou conivência de seus comandantes, financiado por empresários. Para a defesa da ordem e dos bons costumes, naturalmente, saqueiam a Capital, devastam obras de arte, depredaram patrimônio histórico e urinaram nos gabinetes. Esperavam que a baderna da quartelada colocassem o derrotado nas urnas na cadeira de presidente com poderes de ditadores dos tempos do regime militar repudiado pela maioria da nação.

Deu ruim

Quando a marcha dos alucinados falhou na Esplanada, veio à tona a requintada engenharia do outro crime cabeludo. Do “Plano Punhal Verde e Amarelo", quanta originalidade. Do patriotismo sublime e cristão de assassinar o presidente eleito, seu vice e ministros da Suprema Corte. O método de execução incluía venenos químicos, aparatos explosivos e armamento de alta precisão digno de infantaria pesada.

O eterno cio golpista

Brecht é cirúrgico quando adverte que “a cadela do fascismo está sempre no cio” Nem bem sentou a poeira – e ainda há processos do 8 de janeiro em andamento – os aliados e fascistas da mesma laia, entre lágrimas de jacaré e choros de carpideiras pagas nos velórios, levantam a bandeira da “anistia” para os golpistas e terroristas, em nome da “pacificação”. A nação se pacifica com golpistas e terroristas respondendo na forma da lei brasileira por seus atos criminosos, e não na impunidade travestida de “pacificação”.

Operação Rede Interrompida

A tragédia nunca descansa e a cadela fascista está sempre pronta para parir suas monstruosidades. Esta semana foi deflagrada a Operação Rede Interrompida. Contra o crime contra o Estado democrático de direito continuado. Com ramificações operacionais em Brasília, Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. A PF desbaratou células terrorista planejavam explodir os prédios destinados aos debates presidenciais para assassinar a chapa e incinerar a concorrência.

“Patriota” que rima com idiota

A coerência conceitual desse “patriotismo” singular é medida pela lucidez de desfilar no Sete de Setembro enrolados na bandeira dos Estados Unidos. Ou correr para Washington conspirar com congressistas estrangeiros, implorando por sanções econômicas, taxações e retaliações diplomáticas contra o próprio Brasil.

Fé de mais

Tudo isso apoiado com uso indevida da fá religiosa. Na engrenagem da teologia da prosperidade do "Meu Dízimo, Minha Vida" dos mercadores do sagrado. Dos estelionatários espirituais ungidos à riqueza material na Terra “arredondada” dos bilionários da revista Forbes. Da Bancada da Bíblia no Congresso, empunhando o slogan "Deus acima de tudo" a blindar propinas do orçamento secreto e fraudar licitações em nome do Altíssimo. Ao lado da truculenta Bancada da Bala, dos autoproclamados "cidadãos de bem" defensores dos valores da família tradicional. Sem pejo, ou contradição moral como faz o filho do mito com o seu vice-presidente de chapa. A bíblia e Deus servindo de cortina de fumaça do falso moralismo e pacifismo de corruptos, estupradores, traficantes e contrabandistas.

Inovação sociológica

Enfim, a extrema-direita brasileira tem o mérito de inventar uma nova categoria sociológica: o descaramento absoluto. Defendem o direito inviolável de planejar atentados a bomba, conspirar contra a soberania, rasgar a Constituição, saquear os cofres públicos no orçamento secreto. Mas na hora da onça beber água, quando apanhados pelo sistema policial-judicial começam a soluçar, a chorar copiosamente, ter crises nervosas, nas fraldas borradas da inocência exigem abraços, tréguas e anistia. Mas o picadeiro do teatro do absurdo já passou da hora de fechar as cortinas. Sem anistia para golpistas. E ditadura nunca mais.


*Natanael Sarmento é professor e escritor, e integrante do Diretório Nacional da UP. @sarmentonatanael


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NR - Os textos assinados expressam a opinião dos autores.

Eita, a coisa não está fácil: até o Plim-Plim está anunciando o JN nos outdoors? - Crônica - Por Emanuel Silva*

07/08/2026

Saí de casa hoje e, em quase toda esquina, lá estavam os dois âncoras do Jornal Nacional, sorrindo e dando tchauzinho nos painéis eletrônicos espalhados pela cidade (os novos outdoors). Abri e fechei os olhos.

— Como é? Jornal Nacional, da Globo, fazendo propaganda do próprio Jornal Nacional?

Eita, que a situação deve estar complicada.
Antigamente, o JN não precisava avisar que existia. Quando começava o inconfundível “plim-plim” e entrava aquela música solene, o Brasil já sabia que era hora de olhar para a televisão. A família diminuía a conversa, alguém aumentava o volume e até quem estava na cozinha perguntava:

— O que foi que aconteceu?

Parece, aparenta, que o telejornal mais famoso do país teve que sair da bancada, ocupar o semáforo e lembrar ao cidadão:

— Ei, psiu ! À noite ainda tem Jornal Nacional, viu?

Só faltou colocar uma seta: “Audiência, entre aqui.”

Quando o JN...

Saí de casa hoje e, em quase toda esquina, lá estavam os dois âncoras do Jornal Nacional, sorrindo e dando tchauzinho nos painéis eletrônicos espalhados pela cidade (os novos outdoors). Abri e fechei os olhos.

— Como é? Jornal Nacional, da Globo, fazendo propaganda do próprio Jornal Nacional?

Eita, que a situação deve estar complicada.
Antigamente, o JN não precisava avisar que existia. Quando começava o inconfundível “plim-plim” e entrava aquela música solene, o Brasil já sabia que era hora de olhar para a televisão. A família diminuía a conversa, alguém aumentava o volume e até quem estava na cozinha perguntava:

— O que foi que aconteceu?

Parece, aparenta, que o telejornal mais famoso do país teve que sair da bancada, ocupar o semáforo e lembrar ao cidadão:

— Ei, psiu ! À noite ainda tem Jornal Nacional, viu?

Só faltou colocar uma seta: “Audiência, entre aqui.”

Quando o JN era quase obrigatório

Houve um tempo, pouco mais de 30 anos, que o Jornal Nacional não procurava audiência. Era a audiência que já estava esperando por ele.

Em 1989, o programa registrava cerca de 60 pontos na Grande São Paulo. Em 1994, ainda alcançava 45 pontos. Em 2004, manteve média próxima dos 42 pontos. Já em 2025, a média ficou em torno de 22,3 pontos — aproximadamente metade do público obtido duas décadas antes.

Certamente que o JN continua líder e ainda reúne uma audiência que quase nenhum outro programa consegue alcançar. Mas deixou de ser aquela espécie de praça pública obrigatória onde o país inteiro se encontrava no mesmo horário.

O imperador continua sentado no trono. A diferença é que agora precisou instalar outdoors pela cidade para informar onde fica o palácio.

Não deixa de ser curioso: o telejornal que durante décadas anunciou praticamente tudo o que acontecia no Brasil agora precisa anunciar a si próprio.

Audiência menor, anunciante mais desconfiado

Menos audiência não significa necessariamente o desaparecimento imediato da receita, mas aumenta a pressão comercial. É preciso oferecer mais formatos, combinar televisão com portal, streaming, redes sociais e outras plataformas para convencer o anunciante de que ainda vale a pena colocar dinheiro no intervalo.

Deve estar funcionando mais ou menos assim:

— Comprando três comerciais no JN, o senhor leva dois stories, uma postagem, um vídeo no Globoplay e um tchauzinho dos apresentadores no outdoor.

E o anunciante também não está vivendo exatamente um conto de fadas.

Hoje, dia 06 de agosto, o Magazine Luiza, por exemplo, registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 1,8 milhão obtido no mesmo período de 2025. A receita líquida também recuou 2,6%, enquanto as vendas do comércio eletrônico caíram 11,9%.

Eita, prejuízo no gigante de varejo ! E nos pequenos (só a misericórdia)

Mas, na propaganda oficial e da turma do Pix, está tudo lindo: o comércio sorrindo, o consumidor comprando, o empresário investindo e o dinheiro circulando alegremente.

Lindo, lindo de morrer, isso sim ! E morre de susto, provavelmente.

O último que sair apaga a televisão

O problema do JN não é apenas uma fase ruim. A perda de audiência é estrutural na TV aberta e por consequência no JN.

Hoje, os telejornais disputam atenção com portais, podcasts, influenciadores, redes sociais e jornalistas que abriram os próprios canais de notícias. Alguns montaram uma bancada na sala de casa, colocaram uma estante de livros atrás, compraram um microfone e passaram a concorrer diretamente com uma emissora que levou décadas para construir sua estrutura.

Há também o desgaste da credibilidade. Durante muitos anos, setores da esquerda acusaram a Globo de manipulação. Depois, parte da direita passou a fazer a mesma acusação. Pois bem, o JN conseguiu uma façanha rara: ser considerado tendencioso pelos dois lados, muitas vezes no mesmo dia.

Restou um público fiel, formado principalmente por pessoas mais velhas, ainda acostumadas ao ritual da televisão aberta. Os mais jovens não esperam nem o jornal começar. Quando a notícia chega à bancada, eles já receberam a informação no celular, assistiram ao vídeo, viram três comentários, dois desmentidos, sete memes e uma briga nos comentários.

O Jornal Nacional continua dando “boa-noite”.

Mas uma parcela crescente da população responde:

— Boa-noite nada. Eu já vi isso à tarde no WhatsApp.

Eita, a coisa realmente não está fácil.

O Plim-Plim saiu da televisão e foi para o outdoor procurar audiência.

Desse jeito, o próximo passo será encontrar os âncoras batendo de porta em porta:

— Boa-noite. O senhor teria alguns minutos para ouvir a palavra da televisão aberta?


*Emanuel Silva, é Professor e Cronista.


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NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder respeita a diversidade de ideias e a liberdade de pensamento e publica textos mesmo discordando do seu conteúdo e da sua forma.

A Reconstrução Do Poder Naval Brasileiro - Por Amadeu Robalinho*

07/08/2026

Entre A Soberania Marítima, A Dissuasão Estratégica E Os Desafios Da Continuidade


A modernização da Marinha do Brasil representa um dos mais relevantes projetos estratégicos conduzidos pelo Estado brasileiro nas últimas décadas. A conclusão da etapa convencional do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), com a incorporação do submarino Almirante Karam (S-BR 4), consolida a capacidade nacional de construir submarinos de alta complexidade em território brasileiro. Paralelamente, o desenvolvimento do submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto e a ampliação da Base Industrial de Defesa demonstram que o fortalecimento do Poder Naval transcende a dimensão militar, alcançando os campos científico, tecnológico, industrial e geopolítico. Este artigo analisa os avanços obtidos, os desafios ainda existentes e a importância estratégica da continuidade dos investimentos para a proteção da soberania marítima brasileira.

A incorporação do submarino...

Entre A Soberania Marítima, A Dissuasão Estratégica E Os Desafios Da Continuidade


A modernização da Marinha do Brasil representa um dos mais relevantes projetos estratégicos conduzidos pelo Estado brasileiro nas últimas décadas. A conclusão da etapa convencional do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), com a incorporação do submarino Almirante Karam (S-BR 4), consolida a capacidade nacional de construir submarinos de alta complexidade em território brasileiro. Paralelamente, o desenvolvimento do submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto e a ampliação da Base Industrial de Defesa demonstram que o fortalecimento do Poder Naval transcende a dimensão militar, alcançando os campos científico, tecnológico, industrial e geopolítico. Este artigo analisa os avanços obtidos, os desafios ainda existentes e a importância estratégica da continuidade dos investimentos para a proteção da soberania marítima brasileira.

A incorporação do submarino Almirante Karam (S-BR 4) representará um dos acontecimentos mais significativos da história recente da Defesa Nacional. Sua entrada em operação concluirá a etapa convencional do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), consolidando uma força composta por quatro modernos submarinos convencionais construídos em território nacional.

Mais do que a entrega de um novo meio naval, esse marco simboliza a consolidação de uma política estratégica de Estado, iniciada em 2008, destinada a ampliar a capacidade de dissuasão do País, fortalecer a Base Industrial de Defesa e reduzir a dependência tecnológica externa em um dos setores mais sensíveis da soberania nacional.

Ao dominar a construção de submarinos convencionais em seu próprio território, o Brasil passa a integrar o restrito grupo de países capazes de desenvolver sistemas navais de elevada complexidade tecnológica, demonstrando que investimentos contínuos em ciência, engenharia e inovação constituem instrumentos essenciais para a construção do Poder Nacional.

A Experiência Acumulada Como Fundamento Da Modernização

O PROSUB não foi concebido sobre bases improvisadas.

Durante mais de três décadas, a capacidade submarina brasileira foi sustentada pelos submarinos da Classe Tupi, derivados do projeto alemão IKL-209, posteriormente complementados pelo submarino Tikuna, concebido com significativa participação da engenharia nacional.

Esses meios navais desempenharam papel decisivo na preservação da capacidade operacional da Marinha do Brasil. Além do emprego militar propriamente dito, possibilitaram a formação de sucessivas gerações de submarinistas, consolidaram doutrinas de emprego, aperfeiçoaram processos logísticos e desenvolveram conhecimento técnico indispensável para a construção da atual geração de submarinos.

A renovação da frota representa, portanto, uma transição tecnológica cuidadosamente planejada, preservando o patrimônio humano acumulado ao longo de décadas de operação.

O Complexo Naval De Itaguaí: Um Ativo Estratégico Nacional

Entre os principais legados do PROSUB destaca-se a criação do Complexo Naval de Itaguaí, localizado no Estado do Rio de Janeiro.

Projetado para construir submarinos convencionais e preparar a infraestrutura destinada ao futuro submarino de propulsão nuclear, o complexo consolidou-se como um dos mais importantes ativos estratégicos da Base Industrial de Defesa brasileira.

Sua relevância ultrapassa o âmbito estritamente militar.

O empreendimento promove a geração de empregos altamente qualificados, impulsiona a indústria nacional, fortalece a engenharia de alta complexidade e amplia a autonomia tecnológica do País.

Sob a perspectiva estratégica, Itaguaí representa a transformação do Brasil de mero importador de sistemas navais em produtor de tecnologia militar sofisticada, ampliando, inclusive, o potencial de inserção internacional da indústria nacional de defesa.

A Parceria Estratégica Com A França

O PROSUB originou-se do Acordo de Cooperação Estratégica firmado entre Brasil e França em 2008.

Nesse contexto, coube à empresa francesa Naval Group a transferência de tecnologia necessária para a construção dos submarinos convencionais derivados da Classe Scorpène, bem como o apoio técnico para implantação da infraestrutura industrial.

Entretanto, o desenvolvimento da propulsão nuclear permaneceu integralmente sob responsabilidade brasileira.

Essa decisão decorre da natureza altamente sensível da tecnologia nuclear naval, cujo domínio constitui patrimônio estratégico que nenhuma potência transfere integralmente a outro Estado.

Consequentemente, o Brasil assumiu o desenvolvimento autônomo do reator destinado ao submarino Álvaro Alberto, preservando sua independência tecnológica em um dos segmentos mais sofisticados da engenharia mundial.

Essa divisão de responsabilidades explica a evolução mais acelerada da etapa convencional do PROSUB, enquanto a fase nuclear depende exclusivamente da capacidade científica, tecnológica e industrial nacional.

O Submarino Nuclear Álvaro Alberto

Embora a conclusão da etapa convencional constitua uma conquista histórica, o objetivo estratégico central do PROSUB permanece a construção do submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto.

Sua futura incorporação colocará o Brasil entre o reduzido grupo de nações capazes de operar esse tipo de meio naval.

Ao contrário dos submarinos convencionais, cuja autonomia depende da recarga periódica das baterias, os submarinos nucleares podem permanecer submersos por longos períodos, limitados essencialmente pelas condições fisiológicas da tripulação e pela disponibilidade de suprimentos.

Essa característica amplia significativamente a capacidade de patrulhamento oceânico, dificulta a detecção por forças adversárias e fortalece o poder de dissuasão estratégica.

Para um país responsável pela proteção da Amazônia Azul, das rotas marítimas, das plataformas do pré-sal e da infraestrutura submarina crítica, essa capacidade possui elevado valor estratégico.

Todavia, a elevada complexidade tecnológica do empreendimento provocou sucessivos adiamentos no cronograma, deslocando sua previsão de incorporação para aproximadamente 2038.

Mais do que um atraso administrativo, trata-se de um desafio científico e tecnológico comparável aos maiores programas estratégicos conduzidos pelas principais potências militares.

O Reator Nuclear: O Núcleo Tecnológico Do Programa

O maior desafio do submarino nuclear não reside na construção do casco, mas no desenvolvimento do sistema de propulsão nuclear.

Para alcançar essa capacidade, o Brasil precisou dominar praticamente todas as etapas do ciclo tecnológico relacionado à utilização do combustível nuclear, incluindo enriquecimento de urânio, fabricação de elementos combustíveis, desenvolvimento de materiais especiais, sistemas de controle, segurança nuclear e integração da planta de propulsão ao ambiente naval.

Grande parte dessas atividades concentra-se no Centro Experimental de Aramar, localizado em Iperó, no Estado de São Paulo, onde são conduzidos os testes do protótipo terrestre do futuro reator naval.

Somente após a validação completa dessa instalação será possível integrar o sistema ao submarino.

A elevada complexidade técnica dessa etapa explica a ampliação dos prazos do programa.

Na engenharia nuclear, o rigor científico constitui requisito absoluto.

A aceleração de cronogramas jamais pode comprometer os padrões de segurança, confiabilidade e desempenho exigidos para sistemas estratégicos desta natureza.


*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Daqui a pouco, 15 horas, TV 15 PB quente no ar

07/08/2026

A TV 15 PB, canal no YouTube para acompanhar a campanha eleitoral com informações, notícias, videocasts, coberturas, debates e muito mais está esquentando as baterias. Hoje, sexta-feira, 07/08, a partir das 15 h, a TV 15 apresenta um resumo/giro de entrevistas da cobertura da Convenção dos Líderes.
Inscreva-se no canal. Participe. E viva passo a passo essa caminhada vitoriosa.

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A TV 15 PB, canal no YouTube para acompanhar a campanha eleitoral com informações, notícias, videocasts, coberturas, debates e muito mais está esquentando as baterias. Hoje, sexta-feira, 07/08, a partir das 15 h, a TV 15 apresenta um resumo/giro de entrevistas da cobertura da Convenção dos Líderes.
Inscreva-se no canal. Participe. E viva passo a passo essa caminhada vitoriosa.






Miguel Ricardo apoia Silvinho e Mário Ricardo em Igarassu

07/08/2026

Em um ato político marcado por forte mobilização popular, o ex-ministro de Lula, deputado federal Silvio Costa Filho, e o ex-prefeito e deputado estadual Mário Ricardo oficializaram, em Igarassu, a dobradinha para as eleições, com Silvio na disputa por uma vaga na Câmara Federal e Mário Ricardo como candidato a deputado estadual. O evento reuniu lideranças políticas, apoiadores e representantes de diversos segmentos da sociedade, reforçando a força do grupo na Região Metropolitana do Recife.

A aliança conta com o apoio do ex-candidato a prefeito de Igarassu e secretário do Recife, Miguel Ricardo, que destacou a importância da união em torno de um projeto voltado para o desenvolvimento do município e de Pernambuco.

Com a parceria, Silvio e Mário seguem ampliando suas presenças na Região Metropolitana, consolidando apoios e fortalecendo o projeto de reeleição.

Durante o encontro, Silvio Costa Filho agradeceu a recepção da população e reafirmo...

Em um ato político marcado por forte mobilização popular, o ex-ministro de Lula, deputado federal Silvio Costa Filho, e o ex-prefeito e deputado estadual Mário Ricardo oficializaram, em Igarassu, a dobradinha para as eleições, com Silvio na disputa por uma vaga na Câmara Federal e Mário Ricardo como candidato a deputado estadual. O evento reuniu lideranças políticas, apoiadores e representantes de diversos segmentos da sociedade, reforçando a força do grupo na Região Metropolitana do Recife.

A aliança conta com o apoio do ex-candidato a prefeito de Igarassu e secretário do Recife, Miguel Ricardo, que destacou a importância da união em torno de um projeto voltado para o desenvolvimento do município e de Pernambuco.

Com a parceria, Silvio e Mário seguem ampliando suas presenças na Região Metropolitana, consolidando apoios e fortalecendo o projeto de reeleição.

Durante o encontro, Silvio Costa Filho agradeceu a recepção da população e reafirmou o compromisso de continuar trabalhando por investimentos para o município.

"Quero agradecer ao povo de Igarassu pelo carinho e pela confiança, além do apoio de Mário Ricardo e de Miguel Ricardo. Vamos trabalhar muito juntos para garantir investimentos, gerar oportunidades e melhorar cada vez mais a vida da população de Igarassu. Esse é um compromisso que renovo com muito entusiasmo", disse Silvio.

Mário Ricardo também ressaltou a parceria com Silvio Costa Filho e destacou os resultados conquistados para o município.

"Sou muito grato a Silvio Costa Filho por todo o apoio e pelos investimentos que ajudaram no desenvolvimento de Igarassu. Essa parceria continuará firme para que possamos trazer ainda mais ações e benefícios para nossa cidade. Silvio foi um grande aliado quando eu fui prefeito de Igarassu. Trouxe muitas obras para nossa cidade. Para mim, é um privilégio dividir essa caminhada junto com você Silvio", disse Mário.

Já Miguel Ricardo afirmou que a união representa um novo momento para o município e relembrou o período em que Mário administrou a cidade.

"Silvio e Mário são representantes de Igarassu que têm serviço prestado à nossa cidade. Tivemos a oportunidade de caminhar pelos quatro cantos do município há dois anos e vamos levar a esperança a Igarassu. Deu saudade do tempo em que Mário administrou a cidade com o apoio de Silvio. Foram tempos áureos para Igarassu. Esse é o time da esperança", ressaltou Miguel.

O evento contou com expressiva participação popular, demonstrando o fortalecimento da dobradinha e evidencia o crescimento do projeto político de Silvio Costa Filho e Mário Ricardo, que seguem ampliando alianças e recebendo o apoio de importantes lideranças políticas na Região Metropolitana do Recife e em outras regiões do estado, fortalecendo suas campanhas para a reeleição.

Foto: Wesley D'Almeida

Dino aciona PF para investigar 'emendas PIX' após auditoria do TCU apontar prejuízo de R$ 55,4 milhões e fraudes

07/08/2026

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na manhã de hoje sexta-feira (07/08) que a Polícia Federal (PF) analise a existência de indícios de crimes na execução das chamadas "emendas PIX", de transferências especiais.

A decisão

A decisão se fundamentou em um relatório técnico do Tribunal de Contas da União (TCU), enviado ao STF em 31 de julho de 2026, que aponta graves irregularidades e danos ao erário.

Na decisão, Dino destacou que, apesar de medidas anteriores para aumentar a transparência, os dados atuais revelam a "persistência de um estado de inconstitucionalidade".

Determinou

O ministro determinou que o diretor-geral da PF priorize a análise dos casos onde o TCU já identificou prejuízos diretos aos cofres públicos .

Transferências analisadas

A decisão cita que o Plano Especial de Auditoria do TCU fiscalizou 100 transferências es...

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na manhã de hoje sexta-feira (07/08) que a Polícia Federal (PF) analise a existência de indícios de crimes na execução das chamadas "emendas PIX", de transferências especiais.

A decisão

A decisão se fundamentou em um relatório técnico do Tribunal de Contas da União (TCU), enviado ao STF em 31 de julho de 2026, que aponta graves irregularidades e danos ao erário.

Na decisão, Dino destacou que, apesar de medidas anteriores para aumentar a transparência, os dados atuais revelam a "persistência de um estado de inconstitucionalidade".

Determinou

O ministro determinou que o diretor-geral da PF priorize a análise dos casos onde o TCU já identificou prejuízos diretos aos cofres públicos .

Transferências analisadas

A decisão cita que o Plano Especial de Auditoria do TCU fiscalizou 100 transferências especiais destinadas a 74 entes federados entre 2020 e 2024, totalizando R$ 198,1 milhões em recursos fiscalizados.

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