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Entenda a briga entre Gilmar Mendes e Romeu Zema que chegou ao STJ e pode ter outros desdobramentos

16/05/2026

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou nesta sexta-feira (15/05) o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A PGR foi acionada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news no Supremo, após Gilmar Mendes ter pedido a ele, em 20 de abril passado, que Zema fosse investigado no âmbito do mesmo processo.

O que levou ao pedido foi vídeo reproduzido várias vezes nas redes sociais do ex-governador em que ele faz críticas ao STF, em especial a Mendes e ao ministro Dias Toffoli no contexto do caso do Banco Master. No vídeo, os dois são retratados como fantoches.

Honra e imagem do STF

No pedido, Mendes disse que o conteúdo do vídeo "vilipendia" não apenas a honra e a imagem do Supremo”, assim como a dele. No seu parecer, porém, Gonet negou a solicitação do ministro para incl...

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou nesta sexta-feira (15/05) o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A PGR foi acionada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news no Supremo, após Gilmar Mendes ter pedido a ele, em 20 de abril passado, que Zema fosse investigado no âmbito do mesmo processo.

O que levou ao pedido foi vídeo reproduzido várias vezes nas redes sociais do ex-governador em que ele faz críticas ao STF, em especial a Mendes e ao ministro Dias Toffoli no contexto do caso do Banco Master. No vídeo, os dois são retratados como fantoches.

Honra e imagem do STF

No pedido, Mendes disse que o conteúdo do vídeo "vilipendia" não apenas a honra e a imagem do Supremo”, assim como a dele. No seu parecer, porém, Gonet negou a solicitação do ministro para incluir Zema no inquérito das fake news, mas o indiciou por “proferir imputações falsas” a Mendes — que hoje é decano do Supremo.

O procurador-geral afirmou, no parecer, que o foro para o tema é o Superior Tribunal de Justiça (STJ) porque o crime tem relação com o exercício do cargo — uma vez que Zema teria utilizado perfis públicos associados a sua atuação institucional e política e o ato ocorreu dentro de atuação pública do então governador.

“Excede o admissível”

Para Gonet, a postagem, de fato, “excede o domínio da crítica admissível”. “O conteúdo, sob aparente roupagem humorística, atribui a Gilmar Mendes conduta criminosa, como corrupção passiva, ao retratar solicitação de vantagem indevida em razão da função jurisdicional”, destacou no seu parecer.

"O denunciado não se limitou a formular crítica institucional, paródia política ou inconformismo com decisão judicial. Ao atribuir falsamente ao ministro Gilmar Mendes a prática de corrupção passiva, fez incidir o tipo de calúnia, previsto no artigo 138 do Código Penal, que pune a imputação falsa de fato definido como crime", ressaltou a denúncia da PGR.

“Liberdade de expressão”

Zema, que logo no dia do pedido feito por Gilmar Mendes contra ele, afirmou que o vídeo dizia respeito ao seu direito de exercer liberdade de expressão, afirmou ontem que não vai recuar “um milímetro”. E repetiu o termo "intocáveis" – utilizado na gravação que levou à denúncia.

"Os intocáveis não aceitam críticas. Os intocáveis não aceitam o humor. Os intocáveis não querem prestar contas de seus atos. Os intocáveis se julgam acima dos demais brasileiros. Se estão incomodados com uma sátira, deve ser que a carapuça serviu. Não vou recuar um milímetro", enfatizou.

Em Abril, Zema já tinha afirmado que “o humor é usado para criticar o poder desde que o mundo é mundo” e questionou o fato de ser processado por isso. Mas na avaliação da PGR, esse “humor” extrapolou quando atribuiu ao ministro uma conduta criminosa.

Por que Joaquim Barbosa tem condições reais de disputar a presidência da República? Pelas regras eleitorais, isso é possível?

16/05/2026

A notícia de que Joaquim Barbosa pode ser candidato à presidência da República nas eleições deste ano, divulgada recentemente, suscitou dúvidas entre muita gente, principalmente no Judiciário. Como isso é possível? Ele pode se filiar após o encerramento do prazo eleitoral para filiações partidárias? Acontece que, no caso dele, a opção pode ser aventada porque tudo foi feito desde o final de março e início de abril, mas seguiu em segredo até agora.

Pouco dias antes de se encerrar pela Justiça eleitoral o período de filiação partidária de cidadãos que tenham interesse em ser candidatos a um cargo nas eleições deste ano — que foi 4 de abril --, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) se filiou ao partido Democracia Cristã (DC).

Seria o ‘Plano B’

A estratégia já estava montada desde aquela época como “plano B”. O candidato pela legenda à presidência da República é o ex-ministro e ex-deputado federal por várias legislaturas Aldo...

A notícia de que Joaquim Barbosa pode ser candidato à presidência da República nas eleições deste ano, divulgada recentemente, suscitou dúvidas entre muita gente, principalmente no Judiciário. Como isso é possível? Ele pode se filiar após o encerramento do prazo eleitoral para filiações partidárias? Acontece que, no caso dele, a opção pode ser aventada porque tudo foi feito desde o final de março e início de abril, mas seguiu em segredo até agora.

Pouco dias antes de se encerrar pela Justiça eleitoral o período de filiação partidária de cidadãos que tenham interesse em ser candidatos a um cargo nas eleições deste ano — que foi 4 de abril --, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) se filiou ao partido Democracia Cristã (DC).

Seria o ‘Plano B’

A estratégia já estava montada desde aquela época como “plano B”. O candidato pela legenda à presidência da República é o ex-ministro e ex-deputado federal por várias legislaturas Aldo Rebelo (ex- PCdoB). Mas Barbosa foi visto como uma outra alternativa, caso surgisse alguma necessidade.

Como Rebelo não tem pontuado nas pesquisas de intenção de voto, o DC começou a tocar o seu “plano B” para disputar o Palácio do Planalto. E quando os dirigentes do partido passaram a entrar em contato com outras legendas e postular alianças, o que aconteceu poucos dias atrás, muita gente ficou admirada e questionou se é legalmente possível.

Especialistas em legislação eleitoral afirmam que sim, pelo fato de que ele já estava com sua situação registrada e oficializada no DC. Agora, mais do que a questão regulamentar — que apesar da regularização pode vir a ser contestada por outros pré-candidatos por algum motivo diverso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — entra em campo um outro debate.

Trajetória considerada dúbia

Relator da ação penal do mensalão, Barbosa tem uma trajetória considerada dúbia por muita gente. Ele entrou no STF indicado por Lula. Foi, anos depois, o responsável pela condenação dos principais líderes do PT, incluindo os ex-ministros dos primeiros governos de Lula José Genoíno e José Dirceu.

De temperamento explosivo, colecionou vários desafetos dentro do próprio STF — o que acelerou seu pedido de aposentadoria da Corte — discutiu com advogados e representantes de diversas categorias profissionais. Por fim, surpreendeu o Brasil quatro anos atrás, quando apareceu em vídeos pedindo votos para o mesmo presidente Lula cujos principais assessores condenou e cujo governo ajudou a desgastar.

Não quer falar a respeito, por enquanto

Barbosa ainda não é o pré-candidato oficial do DC. O candidato continua sendo Rebelo, que já deu sinais, segundo pessoas do seu entorno, de não ter interesse em disputar a eleição. Procurado, o ex-ministro também avisou por sua assessoria que não quer se pronunciar a respeito.

Hoje com 71 anos, Joaquim Barbosa ficou durante 11 no STF. Foi o primeiro magistrado negro a conseguir um assento no Supremo. Em 2018, se filiou ao PSB e chegou a aventar uma possibilidade de ser candidato, mas terminou desistindo.

Pautas de seu interesse

Passou a ser tido como uma aposta provável pelo DC por ter como pautas, possíveis medidas que possam reformular o funcionamento do Judiciário, a criação de regras de conduta para ministros do STF e limites para penduricalhos, temas de simpatia dos eleitores diante da crise institucional que abala o STF e muitos dos seus ministros. E assuntos, inclusive, sobre os quais ele sempre falou.

Existe, entre os organizadores do partido, uma expectativa de que, em função desse contexto, Barbosa aceite substituir Rebelo na candidatura, mas pessoas do entorno dele em Brasília são cautelosos e preferem dizer que “tudo ainda está em clima de tratativas”.

Sem tempo de TV

Pesquisas que teriam sido encomendadas pelo DC apontaram a candidatura ao seu nome como positiva por parte dos eleitores, pelo fato de ter saído de uma família pobre e ter subido na vida em função de muito estudo e aprovação em concursos públicos.

A tarefa será difícil do ponto de vista de infraestrutura, uma vez que, por ser pequena, a legenda tem poucos recursos, não tem tempo de TV e nem direito a participar de debates. Mas o presidente da sigla, João Caldas, tem procurado outras siglas para propor alianças e avaliar se, de fato, a candidatura é viável.

Oposição cobra explicações sobre troca de delegado que investigava INSS

16/05/2026

Provocou forte repercussão política a notícia divulgada nesta sexta-feira (15/05) de que a Polícia Federal decidiu substituir o setor que apura as fraudes ocorridas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), descobertas pela ‘Operação Sem Desconto’, para outra área da corporação. A iniciativa resultou na retirada do delegado que vinha atuando no caso, Guilherme Figueiredo Silva, das investigações.

A repercussão não ficou apenas no mundo político. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) — relator do processo sobre o tema na Corte — chamou o comando da PF para uma reunião com urgência para saber o motivo da mudança, no final da tarde de ontem.



Esclarecimentos, convocação e reunião de líderes

Além disso, o senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPMI do INSS, enviou um ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, exigindo esclarecimentos sobre o caso e falou em necessidade de “transpar...

Provocou forte repercussão política a notícia divulgada nesta sexta-feira (15/05) de que a Polícia Federal decidiu substituir o setor que apura as fraudes ocorridas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), descobertas pela ‘Operação Sem Desconto’, para outra área da corporação. A iniciativa resultou na retirada do delegado que vinha atuando no caso, Guilherme Figueiredo Silva, das investigações.

A repercussão não ficou apenas no mundo político. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) — relator do processo sobre o tema na Corte — chamou o comando da PF para uma reunião com urgência para saber o motivo da mudança, no final da tarde de ontem.


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Esclarecimentos, convocação e reunião de líderes

Além disso, o senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPMI do INSS, enviou um ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, exigindo esclarecimentos sobre o caso e falou em necessidade de “transparência integral sobre os motivos da substituição”.

O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) pediu a convocação de Rodrigues, para explicar pessoalmente, no Congresso Nacional, o que motivou a mudança. Líderes oposicionistas já informaram que farão uma reunião na próxima segunda-feira (18/05) para discutir a questão e ver outras medidas que podem ser adotadas, tanto na esfera legislativa quanto junto ao Judiciário.

Argumento oficial da PF

As investigações que vinha sendo conduzidas pelo delegado Guilherme Figueiredo Silva tiveram início no final de 2024 e ficaram mais intensas com a deflagração da Operação Sem Desconto, da PF, em abril do ano passado, que constatou descontos ilegais de milhares de aposentados e pensionistas do INSS.

A informação oficial da Polícia Federal é de que o controle das apurações saiu da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da PF (DPrev) e migrou para um grupo que investiga crimes envolvendo políticos com foro no Supremo Tribunal Federal (STF) — Cinq — pelo fato de ter entre os investigados, muitos políticos e autoridades.


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Delegado vinha investigando Lulinha

Só que além de ser um delegado com trajetória elogiada pelos pares e especializado na apuração de fraudes previdenciárias, Guilherme Silva vinha atuando na apuração de suposto envolvimento do filho do presidente Lula,Fábio Luís Lula da Silva, mais conhecido como Lulinha, com o principal responsável pelo esquema, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, chamado de “o careca do INSS”.

A DPrev é subordinada à Coordenação-Geral de Repressão a Crimes Fazendários (CGFaz). Já o Cinq, novo setor responsável pelo caso, fica dentro da Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro (CGRC).


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Possíveis ligações com o Careca do INSS

Em nota, a PF afirmou que a transferência "foi concebida para assegurar maior eficiência e continuidade às investigações" e que "não houve alteração na equipe que conduz as investigações".

Conforme informações divulgadas pelo Portal G1, uma das suspeitas que tem sido apurada pela PF é de que o Careca, que está preso preventivamente desde o ano passado, tenha usado dinheiro desviado do INSS para contratar Lulinha para atuar em sua empresa de cannabis medicinal.

Mudança feita sem alardes

Segundo pessoas que acompanham as investigações sobre os desvios no INSS, a mudança ocorreu há cerca de duas semanas, sem alardes, motivo pelo qual provocou surpresa quando descoberta ontem. Não chegou a ser divulgada oficialmente, apenas por meio de uma portaria.

Além disso, o delegado que saiu, Guilherme Silva, tem conhecimento aprofundado do caso e, como coordenador, tem visão geral de todos os inquéritos.

A Sem Desconto já atingiu ex-dirigentes do INSS, empresários, donos de associações e sindicatos e políticos que foram alvos de mandados de busca e apreensão — como os deputados Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), Gorete Pereira (MDB-CE) e o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Todos negam envolvimento em irregularidades.

— Com Agências de Notícias

Desfile de Lula e filme de Bolsonaro concorrem à pior ideia de todos os tempos. Saiba quem ganha

16/05/2026

Pesquisa e redação equipe O Poder.

Nem vamos criar suspense. Nessa, os Bolsonaro levam o Oscar disparado. Sem tapete vermelho, só verde/amarelo, verde de doença, amarelo de vergonha.

Ideia ruim existe

Costuma-se dizer, principalmente para contemplar aliados sinceros porém amadores, em campanhas eleitorais, que não existem ideias ruins. Existem as que são mais ou menos adequadas às circunstâncias. No geral, é isso mesmo. Porém existem as exceções. Ideias que são ruins na essência. Nascem ruins, prosperam pior, transformam-se em desastre e, as piores das piores, as campeãs de ruindade, transformam-se em tragédias. Exemplo dos dois casos: o desfile de Lula no Carnaval do Rio/2026. Foi péssimo mas acabou escapando rastejando na lama. Mas esse filme Dark sobre Bolsonaro supera tudo. Esse é realmente tragédioso. Nada se aproveita, tudo é negativo.

Por onde começar?

A ideia é ruim, o títu...

Pesquisa e redação equipe O Poder.

Nem vamos criar suspense. Nessa, os Bolsonaro levam o Oscar disparado. Sem tapete vermelho, só verde/amarelo, verde de doença, amarelo de vergonha.

Ideia ruim existe

Costuma-se dizer, principalmente para contemplar aliados sinceros porém amadores, em campanhas eleitorais, que não existem ideias ruins. Existem as que são mais ou menos adequadas às circunstâncias. No geral, é isso mesmo. Porém existem as exceções. Ideias que são ruins na essência. Nascem ruins, prosperam pior, transformam-se em desastre e, as piores das piores, as campeãs de ruindade, transformam-se em tragédias. Exemplo dos dois casos: o desfile de Lula no Carnaval do Rio/2026. Foi péssimo mas acabou escapando rastejando na lama. Mas esse filme Dark sobre Bolsonaro supera tudo. Esse é realmente tragédioso. Nada se aproveita, tudo é negativo.

Por onde começar?

A ideia é ruim, o título, 'Dark Horse', péssimo. É preciso intimidade com o inglês para entender a expressão. Não é "cavalo sombrio" como seria uma tradução literal. Significa, no jargão das corridas de cavalo , "O Azarão". Até em português é ruim.
A produção, nos Estados Unidos, é totalmente sem noção. O roteiro, entre a ficção e o drama, não diz nada. A direção é de Cyrus Nowrasteh (Quem?), que provavelmente nunca botou os pés em Jacarepaguá ou no Lago Sul. O roteiro é de Mário Frias, deputado do PL e da área cultural. Segundo se informa, estreia como roteirista e acumula a produção executiva da obra. Que conta com o surpreendente ator norte-americano Jim Caviezel no papel principal.

Caviezel

É um bom ator, mas azarado. No momento carrega sua cruz, injustiçado e amaldiçoado em Hollywood. Inclusive discriminado pelos magnatas judeus da área, após sua magnífica interpretação de Jesus em 'A Paixão de Cristo', de Mel Gibson. De lá para cá, só cacete no lombo do ator. O filme sobre Bolsonaro iria quebrar a ziquizira. Não deu. Agravou o momento 'dark' do ator.

Patrocínio ou investimento?

Há uma diferença, é verdade. Patrocínio é alguém, pessoa jurídica, geralmente, pagar para associar seu nome ou marca a uma obra ou evento. Investimento, é alguém botar dinheiro com o objetivo de lucrar com a bilheteria. Flávio Bolsonaro tem tentado explicar que Vorcaro, ou o Master, ou outra empresa subsidiária da rede criminosa, eram investidores. Que como não estavam cumprindo o contrato, ele cobrou. Formalmente, tudo certo. O fato do cara cobrado estar prestes a ser preso até justifica a pressa e a ternura da cobrança. Os problemas começam nos detalhes, sempre eles.

O investidor

Não interessa se o interlocutor era inocente ou não das falcatruas de Daniel Vorcaro. Qualquer negócio com o magnata soa, hoje, estranho e suspeito. Principalmente quando é realmente estranho ou suspeito.

O valor

O filme mais assistido no Brasil, sobre Edir Macedo, custou R$ 12 milhões e rendeu de bilheteria R$ 16 milhões. Foi visto por 12,1 milhões de espectadores. O segundo mais visto de todos os tempos foi a comédia 'Minha Mãe é uma peça', 11,6 milhões de espectadores. 'Os 10 Mandamentos, o filme, vem a seguir com 11,3 milhões. Em quarto, 'Tropa de Elite 2', com 10,8 milhões de espectadores. O filme 'Lula, o Filho do Brasil' custou 12 milhões, valor captado junto a empresas e investidores da iniciativa privada. O modelo foi quase o mesmo. A diferença foi o custo. Sim. E o filme "Ainda estou aqui", que ganhou o Oscar ano passado, custou R$ 45 milhões.

Caro até para Hollywood

O filme sobre Bolsonaro custou algo em torno de U$ 26 milhões. Em reais, algo como R$ 130 milhões. Ou seja, mais caro do que a soma dos filmes mais tops produzidos no Brasil em todos os tempos, incluindo o recente sucesso internacional 'O Agente Secreto', que conquistou o mundo custando cerca de 20% que o filme 'Dark Horse'.

Vorcaro

Devia se considerar um Midas para achar que lucraria com investimento tão exótico. Caso o público recorde de 20 milhões de patriotas fosse ao cinema pagando inteira, para contribuir, ainda assim o filme ficaria no vermelho. Logo no vermelho, que ironia.

Reflexão que vale a pena: Quem não recebeu do Master?

16/05/2026

Por Emanuel Silva*

A rede alcançou todos os lados. E
a lista é grande. Daniel Vorcaro, o banqueiro do Banco Master, distribuiu patrocínios, contratos, consultorias, cartões "presente", viagens de jatinho, festas e repasses que, para muitos, eram apenas “apoio” ou “parceria estratégica”. Dinheiro não cresce em árvore, como sabe qualquer pessoa com QI acima de 50. E quando jorra assim, generoso e sem pudor, o mau cheiro costuma ser forte.

Direta ou indiretamente

Teve meio mundo da terra Brasilis que tirou sua casquinha. Foi muito democrático abrandando ao cordão encarnado ao cordão azul. Ahh, a grande imprensa, inclusive veículos que hoje posam de indignados, não escapou ilesa. Receberam generosos apoio de um banqueiro sem tradição e que cresceu de forma "esplêndida". Padrão "campeão" nacional como já vimos outras vezes. Muitos integrantes do Executivo, do Legislativo e, pasmem, figuras do Judiciário também apareceram...

Por Emanuel Silva*

A rede alcançou todos os lados. E
a lista é grande. Daniel Vorcaro, o banqueiro do Banco Master, distribuiu patrocínios, contratos, consultorias, cartões "presente", viagens de jatinho, festas e repasses que, para muitos, eram apenas “apoio” ou “parceria estratégica”. Dinheiro não cresce em árvore, como sabe qualquer pessoa com QI acima de 50. E quando jorra assim, generoso e sem pudor, o mau cheiro costuma ser forte.

Direta ou indiretamente

Teve meio mundo da terra Brasilis que tirou sua casquinha. Foi muito democrático abrandando ao cordão encarnado ao cordão azul. Ahh, a grande imprensa, inclusive veículos que hoje posam de indignados, não escapou ilesa. Receberam generosos apoio de um banqueiro sem tradição e que cresceu de forma "esplêndida". Padrão "campeão" nacional como já vimos outras vezes. Muitos integrantes do Executivo, do Legislativo e, pasmem, figuras do Judiciário também apareceram nas planilhas. Era patrocínio, era consultoria, era “defesa de interesses”. Palavras bonitas para o que, no fundo, cheira a graxa. Para ser muito polido

O celular do “Epstein tupiniquim”

Quem tem acesso ao celular do homem vaza seletivamente. Obedecendo a alguém? Com quais interesses? Mensagens, áudios, contatos — tudo vai aparecendo aos poucos, na medida certa, sempre beneficiando um lado ou criando constrangimento seletivo. A lava jato (que tinha na mira a "zelite" nacional) foi implodido pela....lava toga. Seria cômico se não fosse trágico. Melhor parar por aqui para não receber processo, mas o fato é que o método é sempre o mesmo. O material não vem todo de uma vez, nem de forma transparente. Escolhem o que mostrar e quando mostrar. Neste caso, do banqueiro apelidado de “Epstein tupiniquim” nos bastidores de Brasília — pelas festas, pela rede de contatos com poderosos e pelo que pode (ou não) estar guardado naquele aparelho — só pode ser vazado o que interessa, convenientemente, segue em sigilo.

O exemplo que ninguém segue

Certa vez, um grupo de pessoas foi apresentar uma proposta a um gestor de um grande grupo brasileiro que ao menos nunca se ouviu terem se metido em escândalo. O homem era conhecido pela vida ascética e pelo rigor com análise de projetos. Esse era e ainda continua a ser o padrão do grupo. Ouviu calado, olhou os números e fez a pergunta que ninguém esperava: “Vocês sabem realmente quanto isso custa?” E tascou a real: "No Brasil essa proposta é muito difícil de evoluir". No Brasil do “jeitinho”, a forma franca e honesta de tratar negócios deveria ser regra.

Quando o caixa está muito aberto

Poucos param para calcular o que está nos bastidores. O padrão moral, ético, republicano...isso nem pensar.
A realidade é que Vorcaro, um cristão que se deixou seduzir pelo lado obscuro da força, passou a seduzir com facilidade porque encontrou terreno fértil: um país acostumado a misturar o público com o privado, o favor com o negócio. Desafio alguma destas figuras ilustres a arrancar um centavo de Warren Buffett (até mesmo para publicidade) ou de um fundo de investimento internacional sério, apenas com um sorriso, uma promessa e um tapinha nas costas. O resultado costuma ser silêncio ou uma porta fechada na cara. No Master, a porta parecia sempre aberta. E muito aberta.

O Intercept e seus mistérios seletivos

Ah, o Intercept... que só aparece de tempos em tempos, sempre beneficiando um lado. É uma associação sem fins lucrativos, cujo presidente é um americano cujo passado e presente mereciam um filme. Pesquisem o CNPJ e as suas fontes. Se alguém for vasculhar quem financia essa associação, é vespeiro na certa. O Intercept, o mesmo que publicou a vaza toga e depois "sumiu", publicou com destaque as conversas sobre o suposto financiamento milionário do filme sobre ex-presidente via Vorcaro. Material importante, sem dúvida. Mas a mesma lupa não parece tão afiada quando o esquema atravessa outros governos, partidos e poderes. Dúvida? Peça a uma ferramenta na web para fazer a análise de imparcialidade e tendência da referida associação. Parece que a seletividade, mais uma vez, é a marca registrada. Escândalos do INSS... Intercept caladinho ?

O abafamento brasileiro

O que impressiona não é apenas a quantidade de gente envolvida, mas a naturalidade com que se falava em “patrocínio privado para projeto privado”. Apoio a conferências de negócios? Filmes? Contrato para escritório familiar de excelências ? Apoio a campanhas ou a veículos de comunicação da grande mídia? Tudo embalado como coisa normal. A grande imprensa — o Grupo Globo inclusive — e figuras como Luciano Huck entraram no radar e os eventos do Valor Econômico. Metade do Executivo, boa parte do Legislativo e até excelências graudas. Uns receberam mais, outros menos. Alguns juram que era tudo lícito. Outros preferem o silêncio. O fato é que o esquema atravessou governos, partidos e poderes. Corrupção, quando sistêmica, não escolhe bandeira. Ela apenas flui para onde o poder está.
Seria saudável uma mea culpa coletiva. Um “erramos” sincero, sem firula.

Mas no Brasil

Quando o problema fica grande demais vem o abafa, abafa. Tudo vira moeda de troca, e a vida segue. Amanhã outro escândalo ocupa a manchete e o Master vira apenas mais um capítulo na longa novela da impunidade.

Enquanto isso

O cidadão comum, que paga a conta da farra alheia via imposto (quanto mesmo é o imposto da combustível do Uber, do Ônibus ou do Caminhão que transporta o arroz e o feijão ?), a tarifa bancária ou do carnê e inflação disfarçada (quantas gramas diminuiu o pacote de macarrão?), assiste ao espetáculo com a resignação de sempre.

Quem não recebeu do Master?

Eu não recebi, você não recebeu e a grande maioria dos brasileiros não receberam. E há também uma parcela dos integrantes dos três poderes que tiveram o caráter suficiente para dizer não. No fim, na lista dos limpos, os cidadãos comuns, as pessoas de bem são em maior número. Mas somos nós que pagaremos a conta.

E quem recebeu?

Ficará com cara de paisagem, inclusive na grande mídia, posando de fariseu.

E no fim?

Vorcaro sairá e vai terminar em Pizza. Assim como terminou na Lava Jato. Todos livres, leves e soltos.
Infelizmente, casos como esse não surpreendem a mais ninguém.

*Emanuel Silva é professor e articulista.

Nota da Redação - os artigos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o contraditório e acolhe o livre debate de ideias. Todos os citados, pessoas físicas ou jurídicas, têm espaço irrestrito para suas manifestações.


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Diagnóstico de linfoma afasta Zé Dirceu da eleição? Confira

15/05/2026

Ele tem uma historia de vida cinematográfica. E não disputa eleição desde 2002. Internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para avaliações, foi diagnosticado hoje, 15/05, com linfoma.

A notícia

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) foi diagnosticado com um linfoma, segundo informou boletim médico divulgado pelo Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, nesta sexta-feira (15).

Dirceu foi internado no Sírio, no dia 10 de maio, para a realização de exames gerais, que revelaram o diagnóstico de linfoma.

Segundo o hospital, ele se encontra em boas condições clínicas e permanecerá internado para iniciar o tratamento específico. Depois de ter o mandato cassado por envolvimento no mensalão e enfrentar outros problemas jurídicos, Dirceu afastou-se da via eleitoral. Mas continuou como um articulador de proa e uma das figuras mais importantes do PT. Este ano, com mais de 80 anos, anunciou que voltaria a disputar um...

Ele tem uma historia de vida cinematográfica. E não disputa eleição desde 2002. Internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para avaliações, foi diagnosticado hoje, 15/05, com linfoma.

A notícia

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) foi diagnosticado com um linfoma, segundo informou boletim médico divulgado pelo Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, nesta sexta-feira (15).

Dirceu foi internado no Sírio, no dia 10 de maio, para a realização de exames gerais, que revelaram o diagnóstico de linfoma.

Segundo o hospital, ele se encontra em boas condições clínicas e permanecerá internado para iniciar o tratamento específico. Depois de ter o mandato cassado por envolvimento no mensalão e enfrentar outros problemas jurídicos, Dirceu afastou-se da via eleitoral. Mas continuou como um articulador de proa e uma das figuras mais importantes do PT. Este ano, com mais de 80 anos, anunciou que voltaria a disputar um mandato de deputado federal.

O que são linfomas

São um tipo de câncer do sistema linfático — uma rede de vasos e gânglios que integra o sistema imunológico e tem conexão com o sistema circulatório. O tratamento do linfoma não exige repouso absoluto ou afastamento permanente. Durante as sessões de quimioterapia ou radioterapia (que duram em média seis meses), a fadiga é comum, exigindo pausas para descanso, mas manter atividades físicas leves orientadas pela equipe médica e seguir a rotina de trabalho são práticas recomendadas e possíveis.

O acompanhamento

E as adaptações devem seguir algumas diretrizes. O cansaço é um dos efeitos colaterais mais frequentes. A orientação médica é descansar antes de atingir a exaustão, priorizando pequenas pausas ao longo do dia ao invés de longos períodos de repouso no leito Contrariando a ideia de repouso total, exercícios leves (como caminhadas) são frequentemente indicados pelos especialistas para reduzir a fadiga e melhorar os níveis de energia.

Rotina profissional

Pacientes em tratamento geralmente conseguem continuar trabalhando, embora ajustes de jornada ou de função possam ser necessários dependendo do grau de exaustão e do risco de infecção. Em fases onde a imunidade está mais baixa, o repouso é importante para a recuperação. O médico pode recomendar evitar aglomerações e locais com risco de contágio. Ao término das terapias, o foco muda para a remissão e o acompanhamento médico com check-ups regulares (geralmente a cada 3 a 6 meses nos primeiros anos). A expectativa é o retorno gradual a uma vida normal e ativa, sem a necessidade de repouso contínuo.

A candidatura

É até possível mas não é mais provável.

(O Poder com o G1 e a IA Google).

É Findi - Cactos - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

15/05/2026

Em viver, insisto:
no pedregulho,
entre lajedos.

Sou persistente:
sempre transmuto,
jamais me anulo.

Sou resiliente:
qual o vaqueiro,
caatingueiros.



Estou presente:
mandacaru,
xique-xique.

Secas enfrento:
sou dos sertões,
me chamo cactos.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99Eu



Em viver, insisto:
no pedregulho,
entre lajedos.

Sou persistente:
sempre transmuto,
jamais me anulo.

Sou resiliente:
qual o vaqueiro,
caatingueiros.


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Estou presente:
mandacaru,
xique-xique.

Secas enfrento:
sou dos sertões,
me chamo cactos.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99Eu


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É Findi - Conversa de Calçada - Crônica - Por Ana Pottes*

15/05/2026

Cheguei há pouco de um passeio pela Encruzilhada do jeito que fazia há tempos. Sem hora nem pressa de buscar comida nas mercearias, barracas, mercado ou supermercados. Olhei a reforma daquele prédio de esquina com a Av. Norte. De tanto descuido, pedia socorro. No térreo, lojas — duas delas guardam muitas décadas. Os andares superiores foram bonitas residências. Parei. Pensei no tanto de vida que já foi vivida entre aquelas paredes. Agora pintadas, recuperadas, prontas a abrigar outros sonhos.

Enquanto olhava e me deixava levar pelo fio das ideias, fui acordada pelo bom dia de um senhor que saía. Falei da minha satisfação em ver o prédio recuperado. Sorrindo, disse que outros proprietários, animados com o resultado, vão iniciar trabalhos de benfeitoria nos seus edifícios. Gostei do que ouvi.

Conversamos um pouco sobre o abandono dos prédios e do esvaziamento de um comércio que já foi palpitante: movelarias, a Lobrás, lojas de variedades, uma padaria que f...

Cheguei há pouco de um passeio pela Encruzilhada do jeito que fazia há tempos. Sem hora nem pressa de buscar comida nas mercearias, barracas, mercado ou supermercados. Olhei a reforma daquele prédio de esquina com a Av. Norte. De tanto descuido, pedia socorro. No térreo, lojas — duas delas guardam muitas décadas. Os andares superiores foram bonitas residências. Parei. Pensei no tanto de vida que já foi vivida entre aquelas paredes. Agora pintadas, recuperadas, prontas a abrigar outros sonhos.

Enquanto olhava e me deixava levar pelo fio das ideias, fui acordada pelo bom dia de um senhor que saía. Falei da minha satisfação em ver o prédio recuperado. Sorrindo, disse que outros proprietários, animados com o resultado, vão iniciar trabalhos de benfeitoria nos seus edifícios. Gostei do que ouvi.

Conversamos um pouco sobre o abandono dos prédios e do esvaziamento de um comércio que já foi palpitante: movelarias, a Lobrás, lojas de variedades, uma padaria que fazia bolos e pães saborosos e, no período junino, nos brindava com um delicioso pé-de-moleque. Um mercado imenso, transformado em Balaio e que agora é igreja, e uma sorveteria a fazer a festa dos adolescentes, crianças e casais enamorados.
Alguns estabelecimentos resistiram ao tempo, como a Lavanderia e Tinturaria Brasileira, fundada em 1938, e o restaurante Tepan, que acolheu muitas farras de universitários nos anos 80.

Impossível deixar de recordar tempos áureos das ruas do Recife: Nova, Imperatriz, Duque de Caxias. Ou do bairro da minha infância e adolescência, com os cinemas Albatroz e Rivoli, sempre um convite para as matinês dominicais. Das lojas Pernambucanas e Casas José Araújo com seus comerciais envolventes. Quem não lembra de Dalvanira? Da Senhora da Conceição? Só quem é do tempo da Xuxa, creio.

Retorno das minhas lembranças e aporto no bairro de hoje que carrega, na história passada, o posto de um comércio de peso. Ali, próximo à parada dos ônibus, fincada bem na praça, diante de um mercado nascido em 1924 e recentemente ressuscitado após um doloroso incêndio, ainda se avista a Banca do Poeta. E pensar que ali pertinho havia um monumento ao Jahú, desmontado e destruído para dar passagem aos automóveis. Ainda bem que o Museu da Cidade do Recife guardou um pouco dessa lembrança.

Meu companheiro de conversa já segue para o Mercado e me despeço com um suspiro. Sigo meu caminho. A gente merece um espaço cuidado para viver. Sim.


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


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É Findi – No Embalo do Sonho - Por Poeta Pica-Pau*

15/05/2026

A tardezinha
Quando o sol pede descanso
Os reflexos dos raios beijam o chão
Na varanda
A cabocla apaixonada comada
E a passarada
Entoando uma canção

Na varanda a cabocla apaixonada e a passarada
Entoando uma canção

A lua chega
Com ela a calmaria
No ar da brisa
Paixão que rodopia
E a morena
Sempre respirando amor
Aquecedor
Para uma noite fria

E a morena sempre respirando amor aquecedor para uma noite fria

Uma casinha
Singela ao pé da serra
O vento sopra
Formando a ventania
E lá do bosque
Vem a cantiga das Águas
Onde deságua
O deus da harmonia

E lá do bosque vem a cantiga das águas onde deságua o Deus da harmonia

O grilo trina
Pela fresta da parede
E numa rede
Vendo o tempo embalar
A madrugada
Anuncia um novo dia...

A tardezinha
Quando o sol pede descanso
Os reflexos dos raios beijam o chão
Na varanda
A cabocla apaixonada comada
E a passarada
Entoando uma canção

Na varanda a cabocla apaixonada e a passarada
Entoando uma canção

A lua chega
Com ela a calmaria
No ar da brisa
Paixão que rodopia
E a morena
Sempre respirando amor
Aquecedor
Para uma noite fria

E a morena sempre respirando amor aquecedor para uma noite fria

Uma casinha
Singela ao pé da serra
O vento sopra
Formando a ventania
E lá do bosque
Vem a cantiga das Águas
Onde deságua
O deus da harmonia

E lá do bosque vem a cantiga das águas onde deságua o Deus da harmonia

O grilo trina
Pela fresta da parede
E numa rede
Vendo o tempo embalar
A madrugada
Anuncia um novo dia
É mais um dia
Pra gente poder sonhar

A madrugada anuncia um novo dia é mais um dia pra gente poder sonhar


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


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É Findi – Minha Alma é Brisa Eterna – Croniqueta, por Xico Bizerra*

15/05/2026

Ante tudo de ruim que se nos apresenta na música e na literatura, sempre é tempo de se ouvir ou de se informar com o que presta. Tenho mania de bem selecionar o que escuto e o que leio, respeitando, claro, gostos diversos do meu. Esta semana reli, pela enésima vez, MINHA ALMA ESTÁ EM BRISA, texto atribuído a Mário de Andrade, mas referido por alguns como de autoria de Ricardo Gondim. Pouco importa quem escreveu, tão bela a reflexão que o autor - seja ele quem for, faz sobre maturidade, a eterna busca pela essência da vida e o tempo cada vez menor a nossa frente, a cada girar rápido dos ponteiros.

O tempo é inexorável, implacável e nos iguala uns aos outros. Como o Autor, convenci-me que tenho menos tempo para viver a partir daqui do que o que eu vivi até agora. Metaforicamente, e parafraseando o Escritor, eu me sinto como aquela criança que ganhou um pacote de doces: o primeiro devorei-o com prazer, mas quando percebi que havia poucos, comecei a saboreá-los lentamente....

Ante tudo de ruim que se nos apresenta na música e na literatura, sempre é tempo de se ouvir ou de se informar com o que presta. Tenho mania de bem selecionar o que escuto e o que leio, respeitando, claro, gostos diversos do meu. Esta semana reli, pela enésima vez, MINHA ALMA ESTÁ EM BRISA, texto atribuído a Mário de Andrade, mas referido por alguns como de autoria de Ricardo Gondim. Pouco importa quem escreveu, tão bela a reflexão que o autor - seja ele quem for, faz sobre maturidade, a eterna busca pela essência da vida e o tempo cada vez menor a nossa frente, a cada girar rápido dos ponteiros.

O tempo é inexorável, implacável e nos iguala uns aos outros. Como o Autor, convenci-me que tenho menos tempo para viver a partir daqui do que o que eu vivi até agora. Metaforicamente, e parafraseando o Escritor, eu me sinto como aquela criança que ganhou um pacote de doces: o primeiro devorei-o com prazer, mas quando percebi que havia poucos, comecei a saboreá-los lentamente. Hoje, meus doces, como-os de forma regrada pois sei perto estarem de acabar: aproveito-os, um a um, como se os últimos fossem. E são. Com eles, delicio-me, sem choros ou lamentos, por deles não precisar: prefiro o sorriso, de canto a canto, de orelha a orelha, ao invés do pranto.

No mais, agradecer ao pernilongo por me fazer lembrar que, apesar das rugas e dos embranquecidos cabelos, meu corpo ainda é desejado (ainda que por aquele inseto tão mal recebido em nossas casas). Aliás, com o tempo, aprendi a não me achar feio ao acordar, de manhã, cedo: hoje, acordo depois do meio dia, em paz e certo do dever cumprido e da vida bem vivida. E salve os pernilongos!


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico


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É Findi - Marcelo Mário de Melo* chega esta semana em Duas Doses

15/05/2026

É Assim


O lavrador falou
que para aumentar a colheita
teria de construir mais canteiros
ampliar o terreno
o chão
a base.

Se apenas plantasse mais
no mesmo espaço
iria saturar
amofinar
e colher menos que antes.

O militante perguntou
se isto se aplicaria à política
na luta pelos direitos do povo.
Ele respondeu que não sabia
mas na agricultura era assim.


Laços


Laço de pegar o boi
laço de vestido novo
laço de enfeitar cabelo
laço de enganar o povo.

Laço de amor nascendo
laço que mais nada inova
laço que se está testando
laço que passou na prova.

Laço de trilha comum
laço de festa e de dança
laço de fel e desdita
laço nó cego na trança.

Laço de andar na linha
laço...

É Assim


O lavrador falou
que para aumentar a colheita
teria de construir mais canteiros
ampliar o terreno
o chão
a base.

Se apenas plantasse mais
no mesmo espaço
iria saturar
amofinar
e colher menos que antes.

O militante perguntou
se isto se aplicaria à política
na luta pelos direitos do povo.
Ele respondeu que não sabia
mas na agricultura era assim.


Laços


Laço de pegar o boi
laço de vestido novo
laço de enfeitar cabelo
laço de enganar o povo.

Laço de amor nascendo
laço que mais nada inova
laço que se está testando
laço que passou na prova.

Laço de trilha comum
laço de festa e de dança
laço de fel e desdita
laço nó cego na trança.

Laço de andar na linha
laço de sair da raia
laço de barba e bigode
laço de baton e saia.

Laço curto laço longo
laço certo laço errado
laço doce laço azedo
laço de agressão e agrado.

Laço abismo laço ponte
laço não e laço sim
laço de ódio e inveja
laço de Abel e Cain.

Laço leve de envolver
laço de castrar o gado
laço de gravata nova
e laço de enforcado.

Há muitos laços na vida
é preciso divisar:
um é laço de florir
outro é de desmatar.

Há laços fantasiados
que escondem seus intentos
brilho pluma e purpurina
no cinza dos sofrimentos.

Laços a subtrair
laços a multiplicar
laços que a gente deseja
laços a se evitar.

Laços laçadas enlaces
todo tempo a laçarar.
Enlace e desenlace
é ciência a estudar.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm


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É Findi – Faculdade de Direito - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

15/05/2026

O primeiro Curso Jurídico do Brasil, juntamente com o de São Paulo, foi a Escola de Direito de Olinda, que funcionou no Mosteiro de São Bento da antiga capital de Pernambuco.

Posteriormente, o Curso passou a funcionar no Bairro da Boa Vista, mais precisamente na Praça Adolpho Cirne, onde o prédio foi edificado, a partir de 1889 (pedra fundamental) o majestoso edifício da Faculdade de Direito que ocupa uma área de três mil e seiscentos metros quadrados, no centro de um belo jardim, segundo o Engenheiro Civil e Bacharel em Direito, Antônio de Almeida Pernambuco, construtor da obra, já o arquiteto Andreo de Pietro, em sua trabalho “O Palácio da Faculdade”, assim se reporta a esse prédio:

“ Tudo aqui é no estilo clássico, nobre, dignificado e completo nas proporções as mais harmoniosas, obedece esse edifício ao estilo palladio...”



O projeto do prédio é do arquiteto francês Gustave Varin.

O Curso de Direito, ao...

O primeiro Curso Jurídico do Brasil, juntamente com o de São Paulo, foi a Escola de Direito de Olinda, que funcionou no Mosteiro de São Bento da antiga capital de Pernambuco.

Posteriormente, o Curso passou a funcionar no Bairro da Boa Vista, mais precisamente na Praça Adolpho Cirne, onde o prédio foi edificado, a partir de 1889 (pedra fundamental) o majestoso edifício da Faculdade de Direito que ocupa uma área de três mil e seiscentos metros quadrados, no centro de um belo jardim, segundo o Engenheiro Civil e Bacharel em Direito, Antônio de Almeida Pernambuco, construtor da obra, já o arquiteto Andreo de Pietro, em sua trabalho “O Palácio da Faculdade”, assim se reporta a esse prédio:

“ Tudo aqui é no estilo clássico, nobre, dignificado e completo nas proporções as mais harmoniosas, obedece esse edifício ao estilo palladio...”


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O projeto do prédio é do arquiteto francês Gustave Varin.

O Curso de Direito, ao se transferir para o Recife, em 1854, se instalou no casarão particular da Rua do Hospício, esquina com a Rua do Príncipe, onde hoje se acha o prédio que serve de “hall” de entrada para o Hospital Geral do Exército. Daí passou para o antigo Colégio dos Jesuítas, no ano de 1882, para, em 1911, se instalar na atual sede.

Foi nessa Faculdade que floresceu em 1860/80 o movimento intelectual, poético crítico, conhecido como Escola do Recife, liderado pelo sergipano Tobias Barreto de Menezes. Dela fizeram parte outras relevantes figuras do mundo intelectual da época como: Sílvio Romero, Artur Orlando, Clóvis Beviláqua, Capistrano de Abreu, Graça Aranha, Martins Júnior, Phaelante da Câmara, Urbano Santos, Abelardo Lobo, Vitoriano Palhares, José Higino, Araripe Júnior e Gumercino Bessa.


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras


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É Findi - Quarenta e Quatro Anos - Crônica - Por Malude Maciel*

15/05/2026

No próximo dia 18 de maio a cidade de Caruaru estará completando 169 anos. Eu era criança no seu centenário e lembro da imensa festa do comércio local em sua homenagem, com palco ao lado da igreja da Conceição, onde a cantora Ângela Maria fez o maior sucesso. Foi um estrondosa comemoração. Na mesma data, também a Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras - ACACCIL, estará aniversariando, serão seus quarenta e quatro anos de fundação.

Uma data célebre

Relativamente jovem, a ACACCIL funciona na Rua XV de novembro, 215, no centro de Caruaru e tem como presidente o acadêmico Paulo Muniz Lopes, já reeleito para seu terceiro mandato. Porém, em 1982, quando iniciou suas atividades literárias, culturais e artísticas, funcionou numa sede provisória no Centro de Cultura "Luísa Maciel" na BR 232-Km 131 depois de longo período de reuniões e decisões de cinco pessoas altamente capazes, determinadas e abnegadas que muito batalharam pra ver o grande sonho...

No próximo dia 18 de maio a cidade de Caruaru estará completando 169 anos. Eu era criança no seu centenário e lembro da imensa festa do comércio local em sua homenagem, com palco ao lado da igreja da Conceição, onde a cantora Ângela Maria fez o maior sucesso. Foi um estrondosa comemoração. Na mesma data, também a Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras - ACACCIL, estará aniversariando, serão seus quarenta e quatro anos de fundação.

Uma data célebre

Relativamente jovem, a ACACCIL funciona na Rua XV de novembro, 215, no centro de Caruaru e tem como presidente o acadêmico Paulo Muniz Lopes, já reeleito para seu terceiro mandato. Porém, em 1982, quando iniciou suas atividades literárias, culturais e artísticas, funcionou numa sede provisória no Centro de Cultura "Luísa Maciel" na BR 232-Km 131 depois de longo período de reuniões e decisões de cinco pessoas altamente capazes, determinadas e abnegadas que muito batalharam pra ver o grande sonho realizado.
Essas personalidades marcaram época e foram pioneiras naquele empreendimento de sucesso. Foram chamadas de visionárias, porque viram um futuro antes do tempo, tiveram uma visão privilegiada de algo além e porque não só sonharam alto e grande, mas trabalharam arduamente pela sua realização quando muitos não acreditaram.

Uma cidade que se presa tem uma Academia de Letras

O grupo era seleto e formado por dois professores, um advogado, um odontólogo e uma artista plástica: Amaro Matias Silva, Mário Menezes, Walter Augusto de Andrade, Emmanuel Leite e Luísa Cavalcanti Maciel.
É certo que a ideia inicial havia sido lançada anos antes, pelo professor folclorista, Aleixo Leite Filho e, naquele momento estava tomando forma, concretizando-se a ferro e fogo nas mãos do quinteto incontestável dos sócios-fundadores, fiéis escudeiros que lutaram bravamente pelo objetivo principal e conseguiram êxito.

Histórico

Não foi fácil aquela tarefa extraordinária; reuniões e mais reuniões, sempre na residência da única mulher daquele grupo de fundadores: a pintora Luísa Maciel, que não media esforços em prol de tal empreendimento de real importância para a Capital do Agreste que deveria crescer mais e, que dera ao mundo cultural e literário as figuras eminentes dos seus filhos ilustres: Austregésilo de Athayde, Álvaro Lins e José Condé que há época participavam da Academia Brasileira de Letras e brilhavam no cenário intelectual de todo o país e do exterior para orgulho de seus conterrâneos especialmente daqueles expoentes que se inspiravam em tais exemplos de bravura, inteligência e capacidade. O árduo trabalho daquele grupo, coeso e decidido, chegava à exaustão, examinando as inúmeras dificuldades que deveriam ser superadas para que, numa cidade do interior pernambucano existisse uma réplica da Academia maior do país, com suas quarenta Cadeiras e Patronos.
Até parecia impossível mas o tempo, a garra e a vitória mostraram que valeu muito a pena não vacilar e lutar por aquele ideal de toda uma comunidade, ansiosa pelo seu desenvolvimento nas áreas das Letras, Artes e da Ciência.

Primeiro presidente

Após todos os acertos, a primeira presidência coube ao Prof. Mário Menezes (também advogado), tendo como Secretária a tão vibrante colaboradora, pintora de renome, Luísa Cavalcanti Maciel e, naquela mesma data (18.5.82), foi aprovado o Estatuto que ainda hoje, rege os destinos da nossa querida ACACCIL, cuja trajetória sempre foi eminente até os dias atuais e, já em 25 de fevereiro de 1983, quando foi realizada a sua terceira Assembleia Geral, foi deliberada a solicitação de uma sede, um local próprio e permanente, aberto ao público, para reuniões e demais eventos que se fizessem necessários, ao Sr. Prefeito Municipal, Dr. José Queiroz de Lima, o que veio a se concretizar em 18 de maio de 1988 com a inauguração da atual sede, que recebeu o nome de: "Casa Geminiano Campos" na gestão do acadêmico Ivan Brandão.
Ademais, no dia 13 de abril de 1983, a quarta Assembleia Geral aprovou os seguintes nomes, como titulares das Cadeiras instituídas: Hermógenes Dias; Monsenhor Bernardino de Carvalho (que dá nome à biblioteca); Demóstenes Veras; Azael Leitão; Aguinaldo Fagundes; Onildo Almeida; Nelson Barbalho; Janduhy Filizola, Aureliano Alves; Carlos Toscano de Carvalho; Luiz Garcia da Silva; Ivan Brandão; Agostinho Batista; Arary Marrocos Pascoal e Artur Tabosa.

Atualidade

A Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras - ACACCIL vive uma fase maravilhosa de envolvimento social com a sociedade e os estudantes, tendo assinado parceria com a ASCES, intensificando seus trabalhos e permanecendo de portas abertas para receber, tantos os visitantes como os habitantes de nossa "terrinha santa" para juntos compartilharmos as programações anuais e tantos valores de nossa gente, nosso torrão natal que devemos amar e respeitar com muito fervor, preservando sua História.
Sabe-se que um povo sem memória histórica, sem culto aí passado, não tem futuro. Assim, temos uma linda história de conquista, talento e perseverança pois, a esperança não é somente sonho, é uma maneira de transformar sonhos em realidade.


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel


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É Findi - Romero Falcão* esta Semana Vem em Dose Dupla

15/05/2026

As Pessoas se Preocupam - Crônicas


O casal estica o lençol sobre a espuma molhada, ajeita os travesseiros, tenta fazer do ponto de ônibus um lar.

São seis horas da manhã. Dia chuvoso no Recife. Caminho na diagonal à Praça do Derby. A praça do peixe-boi da minha infância. A parada de ônibus é coberta por uma larga estrutura que abriga pombos, cães e moradores de rua. Tudo junto e misturado.

É chocante. Luto para que meus olhos não normalizem tal cena degradante. É imperativo se indignar. Acostumar-se, tornar-se indiferente à miséria que mora nos centros urbanos, é escarrar na cruz.

Observo o amontoado de pedaços de espumas encharcados pela chuva. Quatro cachorros dividem com as famílias a moradia fria, indigna. Nesse instante, longe dos gráficos, planilhas, estatísticas, a desigualdade social pesa, fere, sangra.



Uma bicicletinha encostada, feito um anjo de ferro rosa, me olhando: va...

As Pessoas se Preocupam - Crônicas


O casal estica o lençol sobre a espuma molhada, ajeita os travesseiros, tenta fazer do ponto de ônibus um lar.

São seis horas da manhã. Dia chuvoso no Recife. Caminho na diagonal à Praça do Derby. A praça do peixe-boi da minha infância. A parada de ônibus é coberta por uma larga estrutura que abriga pombos, cães e moradores de rua. Tudo junto e misturado.

É chocante. Luto para que meus olhos não normalizem tal cena degradante. É imperativo se indignar. Acostumar-se, tornar-se indiferente à miséria que mora nos centros urbanos, é escarrar na cruz.

Observo o amontoado de pedaços de espumas encharcados pela chuva. Quatro cachorros dividem com as famílias a moradia fria, indigna. Nesse instante, longe dos gráficos, planilhas, estatísticas, a desigualdade social pesa, fere, sangra.


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Uma bicicletinha encostada, feito um anjo de ferro rosa, me olhando: vai, escreve, incomoda, mas não perde a esperança.

Uma mulher mais afastada dos demais dorme feito morta, enrolada num pano. Chego a pensar que os transeuntes vão tropeçar no seu tórax. Gente pra lá e pra cá. A mulher passa despercebida.

Os pombos circulam, marcham rente aos colchões que servem de cama para dois cachorros num sono tranquilo.

— Como é o nome dos cachorros? — pergunto.
— Aquele é Negão, o outro é Scubi, e os dois ali são Princesa e Coronel — responde a mulher.

— Eles são bem tratados — afirmo.
— Ah, são. A gente recebe doação, ração.
— As pessoas se preocupam com os bichinhos — arremata a senhora.


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— As pessoas se preocupam com os bichos — repito.
— As pessoas se preocupam com os bichos, né isso?

— Graças a Deus, moço — diz, resignada.

Tomo meu ônibus repetindo em voz alta:
As pessoas se preocupam com os bichos.
As pessoas se preocupam com os bichos.
As pessoas se preocupam com os bichos...

E só meu paroxismo ouviu.


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Suave - Poema


"Andam monstros sombrios pela estrada e, pela estrada, entre esses monstros ando"
— Augusto dos Anjos

Ela me pede um poema suave
como se eu soubesse poema fazer.
Não sabe da minha fraca bagagem,
do terceiro olho que foge sem nada antever

Ela diz que sou ferro ferido
quando escrevo flor cheirando a metal.
Não há perdão pra quem faz do ouvido
um bruto sentido, sem sangue nem sal.

Ela pede letra que não incomode,
verso amoroso de ler, gostar, sentir,
reza rimada, bem confortável,
nada que sufoque o verbo sorrir.

Ela me quer feito cão de madame
um tatame pra deitar, rolar e servir.
Mas escrever é ver urtiga na rosa
expelir a prosa que ninguém quer ouvir.

Ela quer casa arrumada,
clara, limpa, feliz.
Mas a vida não é moça enfeitada
é papa de sangue na boca dos fuzis.

Ela insiste num verso ameno
Mas escrever não é semear o ventre.
Escrever é pontada no nervo.
O nervo que o cadáver ainda sente

Ela pede um poema cacho de uva
Mas a palavra é Cabralina
A palavra é bala que fere e cura


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


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É Findi - Charco - Poema - Por Felipe Bezerra*

15/05/2026

Talvez eu não devesse
evidenciar as crateras e
os profundos abismos
que habitam secretamente,
nos invernos, minha'lma,
invariavelmente encharcada,
de culpa, revolta e lágrimas,
e que sangra, no escuro, desolada,
lamentando os anos não vividos
pela pobre criança anônima,
que virou estatística,
após o estrondo e o espasmo,
que morreu sufocada,
com suas vias aéreas enterradas,
por lama, hipocrisia e cobiça,
de súbito tragada à eternidade
pela barreira involuntária,
sabendo que sua infância
foi inocentemente sepultada
pela ambição desmedida,
de gerações de mandatários,
da cidade desalmada,
erguida sobre estuário,
até que novas águas
tragam velhas tempestades
e sufrágios no calendário,
comprados e corrompidos,
com distribuição de benefícios,
a repetição da tragédia no bairro,
renovando a...

Talvez eu não devesse
evidenciar as crateras e
os profundos abismos
que habitam secretamente,
nos invernos, minha'lma,
invariavelmente encharcada,
de culpa, revolta e lágrimas,
e que sangra, no escuro, desolada,
lamentando os anos não vividos
pela pobre criança anônima,
que virou estatística,
após o estrondo e o espasmo,
que morreu sufocada,
com suas vias aéreas enterradas,
por lama, hipocrisia e cobiça,
de súbito tragada à eternidade
pela barreira involuntária,
sabendo que sua infância
foi inocentemente sepultada
pela ambição desmedida,
de gerações de mandatários,
da cidade desalmada,
erguida sobre estuário,
até que novas águas
tragam velhas tempestades
e sufrágios no calendário,
comprados e corrompidos,
com distribuição de benefícios,
a repetição da tragédia no bairro,
renovando as estatísticas,
enquanto eu e meus filhos
dormimos, tranquilos,
seguros e bem alimentados,
em nossa casa alta,
tão perto e tão distante
dos morros despedaçados,
vistos no horizonte,
de nossa confortável sala.


*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

PE: Museu do Estado tem muitas atrações na Semana Nacional dos Museus. Confira

15/05/2026

O Museu do Estado de Pernambuco participa da 24ª Semana Nacional dos Museus com uma programação ampla e gratuita, reunindo exposições, oficinas, visitas mediadas, lançamento literário e show musical. A iniciativa integra a mobilização nacional promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus e reafirma o papel dos museus como espaços de diálogo, diversidade cultural, acessibilidade e preservação da memória. Acontecerá entre os dias 19 e 22 de maio.

Árvore da Palavra

Durante o período
o público poderá visitar quatro exposições em cartaz no museu. Entre elas, “Árvore da Palavra”, da fotógrafa e artista Roberta Guimarães, com curadoria de Joana D’Arc Lima, que apresenta uma pesquisa inspirada nas tradicionais árvores africanas da palavra, espaços simbólicos de escuta, encontros e convivência comunitária.

Renda e renascença

A exposição “Lagarta Richelieu: Agreste em Linhas e Lacês”, da multiartista Lenice Queiro...

O Museu do Estado de Pernambuco participa da 24ª Semana Nacional dos Museus com uma programação ampla e gratuita, reunindo exposições, oficinas, visitas mediadas, lançamento literário e show musical. A iniciativa integra a mobilização nacional promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus e reafirma o papel dos museus como espaços de diálogo, diversidade cultural, acessibilidade e preservação da memória. Acontecerá entre os dias 19 e 22 de maio.

Árvore da Palavra

Durante o período
o público poderá visitar quatro exposições em cartaz no museu. Entre elas, “Árvore da Palavra”, da fotógrafa e artista Roberta Guimarães, com curadoria de Joana D’Arc Lima, que apresenta uma pesquisa inspirada nas tradicionais árvores africanas da palavra, espaços simbólicos de escuta, encontros e convivência comunitária.

Renda e renascença

A exposição “Lagarta Richelieu: Agreste em Linhas e Lacês”, da multiartista Lenice Queiroga, revela o universo da renda renascença no agreste pernambucano e paraibano por meio de fotografias, instalações, projeções e recursos de acessibilidade.

História de Pernambuco

Também seguem abertas ao público as exposições de longa duração “Pernambuco Território e Patrimônio de um Povo”, organizada pelos curadores Raul Lody e Renato Athias, abordando a formação histórica e cultural de Pernambuco.

Visitas temáticas

Durante a Semana, entre os dias 19 e 22 de maio, o Educativo do museu promoverá visitas mediadas temáticas, incentivando reflexões sobre diversidade cultural, encontros de saberes e resistências presentes nos acervos do MEPE.

Livro infantil

No dia 21 de maio, às 14h, acontece o lançamento do livro “O Mistério das Duas Cabeças”, da escritora Karina Galindo. Voltada ao público infantil e infantojuvenil, a obra aborda temas como inclusão, inteligência emocional e autoconhecimento, com versões acessíveis em audiobook com audiodescrição, ebook acessível, braile e Libras.

Oficina

Ainda no dia 21, das 9h às 16h, a fotógrafa Roberta Guimarães ministra a Oficina Árvore da Palavra, apresentando técnicas fotográficas artesanais como antotipia, fitotipia e cianotipia, propondo uma reconexão entre arte, natureza e contemplação.

Saberes indígenas

No dia 22 de maio, das 13h às 16h, o especialista em plantas e diretor do Centro de Medicina Fulni-ô, José Xicê de Sá, conduz a oficina “Saberes Indígenas, Plantas, Substâncias e Transformação da Palavra”, trazendo reflexões sobre espiritualidade, medicina da floresta e saberes indígenas.

Show de Lepê traz matrizes africanas

Encerrando a programação, no dia 23 de maio, às 15h, o cantor, poeta e compositor Lepê Correia apresenta o show de lançamento do álbum “Canto do Reencanto”, acompanhado pelo Grupo Afro-Musical Kandala Etu. O espetáculo destaca a força das matrizes africanas na cultura brasileira por meio da música e da poesia de resistência ancestral.

A programação

É gratuita e aberta ao público, com algumas atividades mediante inscrição prévia e vagas limitadas.

Serviço

Evento: 24a Semana Nacional dos Museus

Local: Museu do Estado de Pernambuco

Local: Av. Rui Barbosa- 960 - Graças

Horário do Museu: 2a-feira feclado para o público.
De terça às sextas feira horário de 9h às 17h e Sábados e domingos de 14h às 17.


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O banquete dos interesses e a dança das máscaras, por Zé da Flauta

15/05/2026

O "amigo da onça" em ano eleitoral é uma figura quase folclórica, aquele sujeito que te abraça com a força de uma jiboia e o sorriso de um tubarão, sempre de olho em qual naco do poder ele pode abocanhar. É uma verdadeira comédia de costumes observar como o apoio político se tornou uma mercadoria de troca rápida, onde a lealdade dura exatamente o tempo de um depósito ou de uma promessa de cargo no gabinete.

O humor da situação reside na cara de pau dos interesseiros de plantão, que juram amor eterno à causa enquanto já costuram o apoio ao adversário nos fundos de algum restaurante caro, provando que, na política, o "vale tudo" não é apenas uma regra, mas o esporte nacional preferido dos hipócritas.

Pé no chão

Essa farsa das amizades e os falsos apoios revelam uma crise existencial profunda, onde a ética foi substituída por planilhas de conveniência em gabinetes isolados do mundo real.

Vivemos o paradoxo de uma era hip...

O "amigo da onça" em ano eleitoral é uma figura quase folclórica, aquele sujeito que te abraça com a força de uma jiboia e o sorriso de um tubarão, sempre de olho em qual naco do poder ele pode abocanhar. É uma verdadeira comédia de costumes observar como o apoio político se tornou uma mercadoria de troca rápida, onde a lealdade dura exatamente o tempo de um depósito ou de uma promessa de cargo no gabinete.

O humor da situação reside na cara de pau dos interesseiros de plantão, que juram amor eterno à causa enquanto já costuram o apoio ao adversário nos fundos de algum restaurante caro, provando que, na política, o "vale tudo" não é apenas uma regra, mas o esporte nacional preferido dos hipócritas.

Pé no chão

Essa farsa das amizades e os falsos apoios revelam uma crise existencial profunda, onde a ética foi substituída por planilhas de conveniência em gabinetes isolados do mundo real.

Vivemos o paradoxo de uma era hiperconectada onde a conexão humana real foi sacrificada no altar da utilidade imediata, transformando aliados em meros degraus para uma ascensão vazia. Se a verdade antes era um farol, hoje ela é tratada por certos grupos como uma plastilina, moldada conforme o desespero do momento para manter o controle de uma narrativa que já não convence quem sente o "pé no chão" da realidade.

Decepção

Há uma emoção amarga em perceber o desespero de certas alas que, ao sentirem o chão tremer sob seus pés, apelam para a pressão e a mordaça contra o povo que resolveu despertar. Dói ver a hipocrisia de quem discursa sobre democracia enquanto tenta silenciar as vozes orgânicas que brotam das redes e das esquinas, revelando que o medo de perder o púlpito sagrado é maior que qualquer convicção.

A decepção com os falsos apoios é o pão que o cidadão honesto amassa diariamente, mas é justamente essa dor que tempera a resistência de quem decidiu não arredar o pé de uma nação livre e soberana.

O amigo da onça

Refletindo sobre esse turbilhão, percebemos que a espontaneidade que vem de baixo é o único antídoto contra o veneno da hipocrisia que escorre dos gabinetes. A disputa eleitoral de 2026 escancara que as amizades de conveniência e os apoios comprados são castelos de areia diante da maré de um povo que parou de ser apenas espectador.

No fim das contas, o "amigo da onça" pode até ganhar um cargo, mas perde a alma; e o Brasil, cansado de roteiros fabricados em estúdios fechados, segue escrevendo sua própria história com a tinta da verdade, ignorando os "doutores" que já não sabem ler os sinais do tempo.

Até a próxima!
Zé da Flauta é compositor e cronista


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Campinense é declarado Patrimônio Histórico, Cultural Material e Imaterial da Paraíba

15/05/2026

“Sangue, nervo e coração”. Campeão do Nordeste, e tendo conquistado 22 títulos do Campeonato Paraibano, e único hexacampeão do Estado, o Campinense foi declarado como Patrimônio Histórico, Cultural Material e Imaterial da Paraíba. A lei nº 14.411, de 12 de maio de 2026, de autoria do deputado estadual Dr. Romualdo (PCdoB), foi assinada pelo governador Lucas Ribeiro (PP) e publicada no Diário Oficial do Estado.

A fundação

Fundado em 12 de abril de 1915, o clube teve, em razão de seu valor histórico e representatividade para a sociedade, o reconhecimento material, enquanto a expressão da identidade esportiva e cultural da comunidade como imaterial, a partir do conjunto de práticas, tradições, eventos e manifestações culturais e esportivas.

O futebol profissional

A transição para o futebol profissional se deu nos anos 1950, quando o clube decidiu investir na modalidade e rapidamente se destacou. Desde então, o Cam...

“Sangue, nervo e coração”. Campeão do Nordeste, e tendo conquistado 22 títulos do Campeonato Paraibano, e único hexacampeão do Estado, o Campinense foi declarado como Patrimônio Histórico, Cultural Material e Imaterial da Paraíba. A lei nº 14.411, de 12 de maio de 2026, de autoria do deputado estadual Dr. Romualdo (PCdoB), foi assinada pelo governador Lucas Ribeiro (PP) e publicada no Diário Oficial do Estado.

A fundação

Fundado em 12 de abril de 1915, o clube teve, em razão de seu valor histórico e representatividade para a sociedade, o reconhecimento material, enquanto a expressão da identidade esportiva e cultural da comunidade como imaterial, a partir do conjunto de práticas, tradições, eventos e manifestações culturais e esportivas.

O futebol profissional

A transição para o futebol profissional se deu nos anos 1950, quando o clube decidiu investir na modalidade e rapidamente se destacou. Desde então, o Campinense construiu uma trajetória marcada por rivalidades históricas, principalmente com o Treze, seu maior adversário local, e por momentos memoráveis que encheram de orgulho sua apaixonada torcida.


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Os títulos

Ao longo de sua história, o Campinense conquistou títulos importantes. No Campeonato Paraibano, o clube soma 22. Entre os mais marcantes está a sequência de seis títulos estaduais consecutivos entre 1960 e 1965 — um recorde que permanece inalterado até os dias atuais.

Marco

Outro grande marco da trajetória do clube foi a conquista da Copa do Nordeste em 2013, quando superou gigantes da região e levantou o troféu inédito, escrevendo seu nome de forma definitiva na história do futebol nordestino. O título trouxe visibilidade nacional ao clube e projetou seus atletas e a cidade de Campina Grande.

Principais conquistas



Entre as principais conquistas da Raposa estão, a Copa do Nordeste (2013), 22 Campeonatos Paraibanos (1960, 1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1967, 1971, 1972, 1973, 1974, 1979, 1980, 1991, 1993, 2004, 2008, 2012, 2015, 2016, 2021, 2022), duas Copas Paraíba (1973, 2006) e seis Torneios Início (1964, 1966, 1973, 1975, 1977 e 1980).

2026

Este ano, o Rubro-Negro chegou à semifinal do estadual, mas acabou ficando fora da decisão após perder para o Sousa nas cobranças de pênaltis. Apesar disso, a Raposa garantiu uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro de 2027, depois de ficar fora das últimas duas edições e na atual temporada.

111 anos

Uma trajetória de conquistas, vitórias e decepções. O Campinense Clube, completou em 2026, 111 ano de existência, comemorando apenas conquistas do passado. No entanto, o clube segue sua jornada centenária, alimentado pela força de sua torcida e pelo orgulho de seu passado glorioso.

Severino Lopes
O Poder


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Dino abre investigação sobre suposto envio de emendas a filme de Bolsonaro

15/05/2026

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu hoje, sexta-feira (15/05) abrir um processo para investigar supostos direcionamentos de emendas parlamentares para projetos culturais, entre eles, o filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a decisão, a nova investigação deverá tramitar sob sigilo.

A denúncia

No início deste ano, a deputada federal Tabata Amaral enviou denúncia ao STF, alegando que emendas parlamentares poderiam estar sendo usadas para marketing eleitoral e para financiar o filme sobre o ex-presidente.

Segundo a deputada, existe um grupo de empresas que, embora tenham nomes diferentes, funcionam como uma única organização, compartilhando o mesmo endereço, a mesma infrasterutura e a mesma dona.

Afirmou

Ela afirma que um grupo de deputados do PL teria enviado R$ 2,6 milhões por meio de "emendas pix" a uma dessas empresas e, em seguida, co...

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu hoje, sexta-feira (15/05) abrir um processo para investigar supostos direcionamentos de emendas parlamentares para projetos culturais, entre eles, o filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a decisão, a nova investigação deverá tramitar sob sigilo.

A denúncia

No início deste ano, a deputada federal Tabata Amaral enviou denúncia ao STF, alegando que emendas parlamentares poderiam estar sendo usadas para marketing eleitoral e para financiar o filme sobre o ex-presidente.

Segundo a deputada, existe um grupo de empresas que, embora tenham nomes diferentes, funcionam como uma única organização, compartilhando o mesmo endereço, a mesma infrasterutura e a mesma dona.

Afirmou

Ela afirma que um grupo de deputados do PL teria enviado R$ 2,6 milhões por meio de "emendas pix" a uma dessas empresas e, em seguida, contratado serviços de marketing eleitoral de outras companhias pertencentes ao mesmo grupo.

Os parlamentares

Entre os parlamentares citados como autores dessas emendas estão Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon. Mário Frias também teria feito aportes a uma outra empresa do grupo e, depois, contratado serviços de campanha eleitoral de outra companhia relacionada.

A produtora

De acordo com Tabata, a produtora do filme sobre Bolsonaro é uma dessas empresas.
O documento elaborado pela deputada foi anexado no processo que já tramita há anos e trata sobre a necessidade de transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares. Ao receber a denúncia, Dino pediu que a Câmara dos Deputados e três deputados do PL se manifestassem.

Foto: Antônio Augusto/STF

Carta Para Maradona - Crônica - Por Romero Falcão*

15/05/2026

Meu caro Maradona, como vão as coisas aí no céu? Aqui nos campos da Terra, estamos a poucos dias de mais uma Copa do Mundo. O atual futebol é puro marasmo. Procura-se vontade de torcer. Produto raro no mercado das quatro linhas.

Tanto na Arena Quanto na Urna

"A pátria de chuteira" virou apática pátria descalça. Ah, antes que esqueça, também há eleição no Brasil. Do mesmo modo, vontade de votar ninguém tem. Pense numa bola murcha tanto na arena quanto na urna.

Mata no Peito

Vontade mesmo é o tesão pela guerra. Quase uma distração de videogame. Quanta gana no lançamento preciso dos mísseis que atingem velhos e crianças como se fossem tufos de capim. E um troço chamado drone: a tecnologia para no ar, mata no peito e dispara bomba lá do alto. São as jogadas das célebres estrelas severas e sombrias.

Camisas Dez de Todos os Tempos

Diz a lenda que Pelé parou uma guerra, mas agora a s...

Meu caro Maradona, como vão as coisas aí no céu? Aqui nos campos da Terra, estamos a poucos dias de mais uma Copa do Mundo. O atual futebol é puro marasmo. Procura-se vontade de torcer. Produto raro no mercado das quatro linhas.

Tanto na Arena Quanto na Urna

"A pátria de chuteira" virou apática pátria descalça. Ah, antes que esqueça, também há eleição no Brasil. Do mesmo modo, vontade de votar ninguém tem. Pense numa bola murcha tanto na arena quanto na urna.

Mata no Peito

Vontade mesmo é o tesão pela guerra. Quase uma distração de videogame. Quanta gana no lançamento preciso dos mísseis que atingem velhos e crianças como se fossem tufos de capim. E um troço chamado drone: a tecnologia para no ar, mata no peito e dispara bomba lá do alto. São as jogadas das célebres estrelas severas e sombrias.

Camisas Dez de Todos os Tempos

Diz a lenda que Pelé parou uma guerra, mas agora a sede de destruição é tanta que nem os dez maiores camisas dez de todos os tempos seriam capazes de meter a bola de fogo na cruzeta do gelo. Lá onde a coruja nunca mais quer dormir.

O Talento Despenca

Mas o que quero mesmo é falar do nosso pobre futebol. Enquanto aumenta o preparo físico dos atletas, o talento despenca. É um corre-corre num festival de trombadas. Meu caro Dieguito, o Jô Soares mandava o técnico Telê Santana botar ponta. "Bota ponta, Telê". Na seleção de 2026, nem sei o que se pode botar.


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O Tédio se Instala

É como um livro em que o tédio se instala já na primeira página. Quantas Copas sem um Zidane, Figo, Van Basten, Cruyff, Lothar Matthäus, Falcão, Zico, Ronaldinho, Romário? E mais uma vez a Itália está fora do mundial. Logo a Itália, onde você fez dos gramados uma Capela Sístina.

Bandeirinha Agitada

Pelos maus-tratos com a pelota, talvez nunca mais vejamos uma Copa do Mundo de verdade. Mas a telona se esforça. E por ofício, sempre criará "craques" para dar de comer a uma bandeirinha agitada de alegria.

Viajar Por Aí

O couro procura os gênios. Sim, e te procurou, ainda menino, em Villa Fiorito — periferia de Buenos Aires. Mas a bola deve estar envergonhada de rodar, viajar por aí, e só encontrar pé de pau. O negócio tá de um jeito que só mesmo "com a mão de Deus".


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E acredite, a melhor torcida é o silêncio de um estádio vazio.

Aquele abraço.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


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