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Xico Bizerra volta a reclamar xexo do governo Raquel

25/07/2026

Dinheiro para pagar, adiantado, os artistas "nacionais" que cobram cachês milionários, não falta. O governo de Raquel Teixeira Lyra ganhou o campeonato brasileiro da primeira divisão de gastos em shows e eventos. Com recursos bem direcionados e os palcos usados como verdadeiros showmícios, burlando descaradamente a legislação eleitoral. Porém...

Os artistas locais sofrem

O grande compositor Xico Bizerra cedeu uma de suas músicas maravilhosas para ser usada como trilha sonora pelo Governo. Só que Xico nunca viu a cor do pequeno cachê. Cansado de esperar, considerando o descaso um desaforo, emitiu mais uma nota de cobrança pública. Registre-se: Xico Bizerra não é o único ser vivente nesse Estado que pode encher a boca e chamar Raquel de xexeira.

A nota

O Governo do Estado - Empetur me deve, há mais de um ano, uma 'mixaria' referente a direito autoral de uma música minha que toca num ambiente do Museu Cais do Ser...

Dinheiro para pagar, adiantado, os artistas "nacionais" que cobram cachês milionários, não falta. O governo de Raquel Teixeira Lyra ganhou o campeonato brasileiro da primeira divisão de gastos em shows e eventos. Com recursos bem direcionados e os palcos usados como verdadeiros showmícios, burlando descaradamente a legislação eleitoral. Porém...

Os artistas locais sofrem

O grande compositor Xico Bizerra cedeu uma de suas músicas maravilhosas para ser usada como trilha sonora pelo Governo. Só que Xico nunca viu a cor do pequeno cachê. Cansado de esperar, considerando o descaso um desaforo, emitiu mais uma nota de cobrança pública. Registre-se: Xico Bizerra não é o único ser vivente nesse Estado que pode encher a boca e chamar Raquel de xexeira.

A nota

O Governo do Estado - Empetur me deve, há mais de um ano, uma 'mixaria' referente a direito autoral de uma música minha que toca num ambiente do Museu Cais do Sertão. Esta grana não me faz falta (graças a Deus) mas reclamo por achar um absurdo o que acontece, um desrespeito com a cultura pernambucana. Fosse eu um Wesley Safadão já teria recebido. Ou se meu pai tivesse uma empresa de ônibus em Caruaru ou meu cônjuge um hospital em Garanhuns ... Desculpe o desabafo, mas não resisti a fazê-lo. Abraço, Xico Bizerra.


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É Findi - Silvio Amorim* nos Apresenta a Série Prédios Ícones de Pernambuco - Theatro Cinema Guarany, em Triunfo/PE - Por Wanessa Campos*

25/07/2026

Impossível o visitante chegar à cidade de Triunfo e olhar apenas uma vez para o imponente prédio localizado em um ponto estratégico na principal praça da cidade, a Praça Carolino Campos. É o charmoso Theatro Cinema Guarany, inaugurado em 1922 em clima festivo,
construído em estilo neoclássico com mão-de-obra local, seguindo a planta original que veio da França em 1919. Os trabalhos foram iniciados no mesmo ano, mas se passaram mais três para o serviço ser concluído.

O Empreendedor

A ideia foi do próspero comerciante e industrial Carolino de Arruda Campos, que bancou toda a obra, e ainda priorizou os trabalhadores da cidade numa tentativa de impedir o êxodo para outros lugares, diante da grave seca que castigava o Sertão. Deu certo.
Hoje, aos 104 anos, o Guarany, como é chamado na cidade, continua imponente testemunhando os acontecimentos da bela Triunfo, e servindo de espaço para festivais de cinema, teatro, encontros e eventos espe...

Impossível o visitante chegar à cidade de Triunfo e olhar apenas uma vez para o imponente prédio localizado em um ponto estratégico na principal praça da cidade, a Praça Carolino Campos. É o charmoso Theatro Cinema Guarany, inaugurado em 1922 em clima festivo,
construído em estilo neoclássico com mão-de-obra local, seguindo a planta original que veio da França em 1919. Os trabalhos foram iniciados no mesmo ano, mas se passaram mais três para o serviço ser concluído.

O Empreendedor

A ideia foi do próspero comerciante e industrial Carolino de Arruda Campos, que bancou toda a obra, e ainda priorizou os trabalhadores da cidade numa tentativa de impedir o êxodo para outros lugares, diante da grave seca que castigava o Sertão. Deu certo.
Hoje, aos 104 anos, o Guarany, como é chamado na cidade, continua imponente testemunhando os acontecimentos da bela Triunfo, e servindo de espaço para festivais de cinema, teatro, encontros e eventos especiais.

Sobrevivência

No entanto, o Guarany enfrentou tempos difíceis após Carolino se ver obrigado a vender o prédio por não ter mais condições de administrá-lo, à Companhia de Melhoramentos Sertão de Pernambuco S/A, em 1937, por 10 contos de réis, moeda da época. Quinze anos depois, o Guarany tinha nova dona: a Província Franciscana Santo Antonio Norte do Brasil. O prédio entou em uma fase conturbada ao ser alugado para finalidades diversas, até enfrentar a decadência, provocando tristeza para os triunfenses, sendo pichado, e conseguindo até ficar feio. O prédio permaneceu praticamente abandonado durante mais de dez anos, até o então prefeito José Rodrigues de Souza pedir o seu tombamento em 1984, à Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco - Fundarpe.

Novos tempos

No ano seguinte, a fundação deferiu o pedido e seguiram-se os trâmites legais, ou seja, pareceres técnicos de arquitetos, do Conselho de Cultura, etc., durante o Governo Roberto Magalhães.
Em 1988 o prédio foi tombado, quatro anos após o pedido, pelo Conselho Estadual de Cultura, por meio do Processo 18/07/1988.
Coube à Fundarpe elaborar o projeto de restauração. Arquitetos especializados cuidaram dessa tarefa. Durante o governo Arraes, o Guarany foi desapropriado por 3 milhões de cruzados, moeda da época, ao então proprietário, o frade franciscano alemão, Afonso Schomake.

Restauração

O teatro entra em uma nova fase, a da restauração, que levou três anos para ser concluída. As novas cores - da terracota ao verde coral - fizeram o prédio ficar bonito outra vez. E o Guarany rejuvenesceu. O governo estadual investiu um milhão e duzentos mil, segundo o Diario Oficial do Estado em 13.4.1922, envolvendo várias empresas.

Reinauguração

A sua “inauguração” aconteceu em 1991 no Governo Jarbas Vasconcelos com aplausos dos triunfenses.

O Guarany e eu

Sou de Triunfo e Carolino Campos era irmão da minha avô materna, Belisa, portanto, sou sobrinha neta do criador do Cine Theatro Guarany. Ainda bem pequena, o teatro já me impressionava, não só pela imponência merecedora, mas pelo índio que existe lá em cima na parte frontal. Não sei explicar o porquê, mas aquele índio me fascinava... ficava muito tempo olhando para ele sem encontrar explicação. E me perguntava: por que o índio, se em Triunfo não existe nenhuma tribo indígena?
Naquele espaço cultural peças eram encenadas por estudantes dos colégios, e eu tinha vontade de subir também naquele palco… mas era muito pequena. Enfim, o tempo passou e eu vim morar no Recife com toda a família , ainda cursando o Primário. Quando ia visitar minha cidade, corria para ver se o índio ainda estava lá.

Destino

O mundo gira e, por um desses acasos que a vida nos traz, estava como assessora jurídica da Fundarpe, e o processo de tombamento veio para mim em 1984. Fiquei duplamente feliz e dei prosseguimento ao processo. O nome Guarany se deve à paixão de Carolino Campos pela Ópera Guarany, de Carlos Gomes.
Dois anos antes do seu centenário, ou seja, em 2020, comuniquei ao prefeito da época, João Batista Rodrigues, que iria contar a história daquele belo local. Escrevi um livro contando toda a história do teatro, e o lançamento não poderia ter sido em um espaço mais simbólico do que o próprio Theatro Cinema Guarany. Tive meu sonho realizado: subir ao palco, não como artista, mas como autora do livro que traz a complexa trajetória quase lendária do Guarany que continua lá, belo e imponente, testemunhando os acontecimentos da cidade há 104 anos.


*Silvio Amorim, foi Diretor da Rede Federal de Educação Tecnológica do MEC. É membro do IAHGP. Foi subchefe da Casa Civil do governador Marco Maciel e secretário de Educação do prefeito Roberto Magalhães. @silvio.amorim.pe

*Wanessa Campos é advogada e jornalista.


NR - Os artigos assinados refletem a opinião dos seus autores.


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É Findi - Ina Melo* nos Presenteia com Dose Dupla

25/07/2026

O Nosso Coração é Francês


Amiga querida.
Sei que hoje estás curtindo a nossa velha e amada Paris, como sempre fazias nas festas do “14 Juillet”. Agora, melhor ainda, pois não precisas te arriscar a subir e descer dos bancos ao largo do desfile, onde jovens soldados franceses faziam bater o teu velho coração. Lembro-me de ti, com uma máquina fotográfica nas mãos, correndo como uma adolescente, sem se dar conta do perigo e do cansaço, pois eras quase uma octogenária.



Lembro-me que, sendo uma fiel amiga, seguia os teus passos, mesmo sabendo que terias problemas! Foi uma bela e cansativa manhã, mesclada de “bleu, blanc, rouge “, tanto na terra como no céu! Lágrimas corriam pela tuas faces, de felicidade e de emoção. A nossa paixão pela “Doce France” era algo de anormal. Paris, para nós, representava tudo de bom que a vida poderia nos ofertar. Perdi as contas das vezes que, sem qualquer pretexto, arrumávamos as malas e íam...

O Nosso Coração é Francês


Amiga querida.
Sei que hoje estás curtindo a nossa velha e amada Paris, como sempre fazias nas festas do “14 Juillet”. Agora, melhor ainda, pois não precisas te arriscar a subir e descer dos bancos ao largo do desfile, onde jovens soldados franceses faziam bater o teu velho coração. Lembro-me de ti, com uma máquina fotográfica nas mãos, correndo como uma adolescente, sem se dar conta do perigo e do cansaço, pois eras quase uma octogenária.


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Lembro-me que, sendo uma fiel amiga, seguia os teus passos, mesmo sabendo que terias problemas! Foi uma bela e cansativa manhã, mesclada de “bleu, blanc, rouge “, tanto na terra como no céu! Lágrimas corriam pela tuas faces, de felicidade e de emoção. A nossa paixão pela “Doce France” era algo de anormal. Paris, para nós, representava tudo de bom que a vida poderia nos ofertar. Perdi as contas das vezes que, sem qualquer pretexto, arrumávamos as malas e íamos flanar por suas ruas e avenidas. A amizade tem dessas coisas. Éramos totalmente diferentes uma da outra, não só pela idade, como pela maneira de pensar e encarar a vida. Muitas vezes pensei que eu era a mulher que desejavas ser, mas não tinhas coragem. Para mim, só importava o momento, enquanto tu vivias numa couraça de deveres e moralidade, mesmo que não tivesses de dar satisfação da tua vida para ninguém. Eras livre de grilhões e dona do teu nariz, apesar de seres presa às convenções sociais. Por isso, Paris era o teu “Sanghri-la”, onde podias respirar o ar da liberdade. Apesar de tudo, quem te policiava era tu mesma, pois nunca saísses do teu padrão de vida, mesma estando aqui. Sei que vias em mim a jovem e irreverente mulher, aquela outra face da moeda que gostarias de ser. Quantas e quantas vezes, sentadas nos Cafés, rindo e conversando em torno de uma borbulhante taça de champanhe, tu te levantavas e dizia. Vamos embora. Autoritária como um general, te fazias obedecer. Por mim, pouco me importava, pois a cidade era nossa, fosse em que lugar estivéssemos. Mas voltemos ao dia hoje, razão pela qual te escrevo. Entrando no túnel do tempo, nos vemos sentada no “La Coupolle”, fervilhante de franceses, barulhentos e alegres, bem diferentes daqueles circunspectos cidadãos do dia a dia. A nossa frente um “Plateau des Uitres” e uma garrafa de vinho Sancerre, o meu preferido. As nossas conversas não tinham pé e nem cabeça. Tanto falávamos do ontem, por conta das histórias ali vividas, como da irreverência do mundo atual, quando discordávamos politicamente de todo o sistema, comigo sempre na contramão. Parece incrível, como cabeças tão diferentes tivessem almas tão apaixonadas por Paris! Essa cidade, foi o elo que nos uniu desde a primeira vez que nos conhecemos. A partir daí, vivíamos de e para ela. Das viagens que fizemos juntas, foi essa do 14 Juillet, a que mais nos marcou. Parecias que estavas te despedindo de Paris. Querias participar de tudo. Implorei que do restaurante fôssemos para o Hotel, ali pertinho, onde poderias descansar um pouco. Claro. Recusaste e lá fomos nós para a Bastille, onde uma multidão dançava de mãos dadas, todos alegres e felizes! Tu, com as faces coradas, olhos brilhantes, passavas dos braços de um para o outro. Eu observava e não eras a circunspecta senhora, que estava ali rodopiando a minha frente e sim uma jovem feliz! Ainda lembrando daquele dia, jantamos num pequeno Bristo, perto da grande dama de ferro e lá ficamos a esperar pelo magnífico espetáculo dos fogos de artifício. Que noite memorável! Pena, que tenha terminado no Hospital de Cochon, onde tive que te levar, pois o teu velho coração não suportou a avalanche de emoções! Graças a Deus, foi só um susto! No outro dia, estávamos a rir das nossas loucuras parisienses, nos prometendo que, bem velhinhas, num Dia Nacional da França, estaríamos sentadas, bebendo o doce néctar dos deuses e brindando pela nossa irrefreável paixão por essa cidade de sonhos e ilusões.


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Claudine e o “14 Juillet”


Entrei no túnel do tempo e fui rever a minha tresloucada amiga Claudine, justamente na mais alegre festa dos franceses, quando eles comemoram a “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Nesse dia, a cidade de Paris se transforma num grande palco! Em todos os lugares, vemos bandeiras “bleu, blanc, rouge” colorindo as praças e avenidas. A euforia popular é grande! Parece até que eles se transmudam em borboletas coloridas alegres e pululantes. Depois de perambular pela Champs Elysees, entrei num Bistrô para tomar uma taça de vinho. Eu, a mulher moderna de hoje, despertei alguns olhares curiosos nos cavalheiros de fraque e cartola e nas jovens melindrosas, com vestes esvoaçantes e muitos colares no pescoço. Esperei um pouco e nada de encontrar a velha companheira! Foi então que resolvi ir até a Praça da Bastilha, onde o povo se misturava com os visitantes e de mãos dadas, formavam uma só Nação! As orquestras tocavam em vários pontos as músicas do momento. De repente, fui enlaçada por um respeitável senhor, de longos cabelos brancos presos num discreto coque. Pelo seu rosto crestado pelo sol, vi logo que não era parisiense. As longas e belas mãos eram jovens e firmes e os olhos, azuis iguais ao céu do verão que nos iluminava. Ele, também me pareceu, vinha do mesmo lugar que eu.


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Rodopiamos por algum tempo no meio da euforia que tomou conta de nós! Eu tinha certeza que encontraria Claudine a qualquer momento e não sabia como explicar ao desconhecido. Assim, sugeri que fôssemos a um Bistrô perto da Torre para aguardar a queima dos fogos de artifício. Quando chegamos, tudo era uma festa. Logo reconheci entre as animadas melindrosas a esfuziante mulher dançando sozinha, enquanto os demais a aplaudiam freneticamente. Claro que chamávamos a atenção pela sobriedade das nossas vestes! Ele, usando uma camisa preta de mangas compridas e calças da mesma cor o que realçava mais ainda a sua cabeleireira branca. Quando a música parou e ela me viu, correu para me abraçar. Rodopiamos como duas crianças e ela sapecou um beijo na minha boca. Todos aplaudiram. Fez o mesmo com o desconhecido que me acompanhava, abraçando-o pelo pescoço e beijando-o longamente. A partir daquele instante vivenciamos uma grande e animada noite regada a vinhos, música e carícias. Entre nós, não havia aquela possessividade tão comum aos casais. Ali, ninguém era de ninguém e eu, me acostumei a ficar na retarguarda sempre que estava com Claudine. Com as taças de champanhe nas mãos brindamos a grande data nacional francesa com a mesma euforia da passagem do ano, tudo sem grandes esperanças no futuro, pois a guerra estava cada vez mais próxima e a meta de todos, era viver o instante, o momento. Esquecíamos o ontem e não pensávamos no amanhã. Saímos os três abraçados margeando o Sena. Beijos e afagos foram trocados entre nós. As últimas gotas de luz caiam sobre as plácidas águas do rio e dos nossos olhos lágrimas de felicidade. Chegamos ao Hotel e sorridente, Claudine nos abraçou dizendo que tivéssemos uma grande e inesquecível noite de amor! Saltitante disse sorrindo. Amanhã espero vocês no La Coupolle para continuar curtindo a vida. “Vive la France”


*Ina Melo, é jornalista. Publicou poemas, contos e crônicas na Revista de Cultura do Estado do Ceará e em diversas antologias como "Crônicas e contos inesquecíveis" e "Contistas do Terceiro Milênio". Graduada pela UFPE, com especialização em Antropologia Cultural, faz parte da Academia Internacional de Literatura e Artes. É autora dos livros: "Simone de Beauvoir - Mulher lúcida e livre", "Sonhos em dueto" e, pela Confraria do Vento, "Cartas de Paris". @inamelo2016


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É Findi - Adeus, Renato Machado! - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

25/07/2026

Quatro décadas de jornalista,
audaz em inúmeras entrevistas;
destacou-se no Brasil e exterior,
de muitos louvores, merecedor.

Completastes com brio a missão,
na tua trajetória, as tuas paixões:
música clássica, vinhos, profissão,
elegância, discrição, educação.



Fostes testemunha da História:
Malvinas, Chernobil, Charlie Hebdo;
fizeram parte de tuas memórias.

Agora vais deveras descansar:
estarás em Paz no teu novo Lar,
saudades, Renato Machado!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



Quatro décadas de jornalista,
audaz em inúmeras entrevistas;
destacou-se no Brasil e exterior,
de muitos louvores, merecedor.

Completastes com brio a missão,
na tua trajetória, as tuas paixões:
música clássica, vinhos, profissão,
elegância, discrição, educação.


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Fostes testemunha da História:
Malvinas, Chernobil, Charlie Hebdo;
fizeram parte de tuas memórias.

Agora vais deveras descansar:
estarás em Paz no teu novo Lar,
saudades, Renato Machado!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99


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É Findi - No Beco dos Cachorros - Fábula - Por Romero Falcão*

25/07/2026

O guabiru passeia rente aos pés de um mendigo enrolado num pano imundo. Um cão cor de mostarda observa a cena. A lua cheia clareia a madrugada no Beco dos Cachorros.

Um reduto de cães de rua rebeldes que se nega a virar pets. Os animais levantam a bandeira do cão raiz, enfrentando as dificuldades de viver sem teto nem comida certa: catando lixo, debaixo de chuva e sol, escapando dos carros nas movimentadas avenidas.

— Se os humanos conseguem viver feito bicho pelas ruas, por que nós não conseguimos? Se o homem não tem piedade do homem, por que devemos aceitar seu amor em troca da nossa humanização? — late alto o líder da cachorrada, Bala Ferro, perante ouvidos e faros atentos no Beco dos Cachorros.

— Mas, Bala Ferro, não seja radical. Há humanos de coração bom. Se são cruéis com eles mesmos e amorosos conosco, que seja assim. Quem sabe o Deus deles faça de nós instrumentos para tentar modificá-los? — questiona a cachorra Piaba.

...

O guabiru passeia rente aos pés de um mendigo enrolado num pano imundo. Um cão cor de mostarda observa a cena. A lua cheia clareia a madrugada no Beco dos Cachorros.

Um reduto de cães de rua rebeldes que se nega a virar pets. Os animais levantam a bandeira do cão raiz, enfrentando as dificuldades de viver sem teto nem comida certa: catando lixo, debaixo de chuva e sol, escapando dos carros nas movimentadas avenidas.

— Se os humanos conseguem viver feito bicho pelas ruas, por que nós não conseguimos? Se o homem não tem piedade do homem, por que devemos aceitar seu amor em troca da nossa humanização? — late alto o líder da cachorrada, Bala Ferro, perante ouvidos e faros atentos no Beco dos Cachorros.

— Mas, Bala Ferro, não seja radical. Há humanos de coração bom. Se são cruéis com eles mesmos e amorosos conosco, que seja assim. Quem sabe o Deus deles faça de nós instrumentos para tentar modificá-los? — questiona a cachorra Piaba.

— Chega de filosofar, Piaba. Daqui a pouco você vai querer mudar de nome, transformar-se em Patrícia e, mais adiante, em Patricinha. É assim que a metamorfose começa, e ninguém sabe como termina — diz Bala Ferro, de cara feia.

Na reunião daquela noite de vento quente, Querosene pede a palavra.

— Eu sempre concordei com o nosso guia, Bala Ferro, mas acho que está na hora de sermos mais inteligentes. Não permitir que os humanos tirem tudo de nós, mas também tirar uma casquinha do conforto de uma cobertura. Já que agora os vira-latas têm vez no mundo carente das madames.

— O que custa fazer companhia a uma vovozinha esquecida por filhos e netos ou ajudar no tratamento da moça de dezoito anos que só vive trancada dentro do quarto, desde que nos ofereçam do bom e do melhor? Deixar uma socialite nos vestir de grife, presentear-nos com uma coleira de ouro. Qual o sacrifício nisso? Afinal, depois que aquilo virar um tédio insuportável, a gente cai fora.

Um dos participantes, após levantar a pata para uma mijada, pergunta:

— Querosene, cadê a fidelidade canina? Lembre-se de que as madames cobram até as últimas consequências. E não é fácil fugir do décimo quinto andar. Uma prisão, ainda que de luxo, pode custar um preço alto. Outro dia ouvi no rádio de Louro da Barraca: um cão cometeu suicídio. Jogou-se de uma torre num bairro chique.

Querosene sacode o rabo, abre a boca, mostra a língua. Aproveita a chegada de um carrapato para encher de sangue a cabeça do medo.

No calor dos focinhos, a comunidade está dividida: uns do lado de Bala Ferro; outros entre Piaba e Querosene. Chegou a hora da eleição. Cada qual mostrará seu programa de governo.

Bala Ferro endurece. Os bichos ficam de orelha em pé.

— Quem votar em mim, fique certo de que modificarei o Código Animal:

O cão que habitar um prédio e receber nome de gente será banido do Beco dos Cachorros.

O cão que usar roupa, deitar em cama ou calçar sapato terá uma pata amputada. A pena será agravada se as vestes forem de marca. Nesse caso, duas patas serão arrancadas.

O cão que frequentar shopping, festa de aniversário, comer à mesa ou dormir na cama entre um casal de humanos será condenado à pena de morte.

Nesse instante, alvoroço, uma tropa de cães late feroz e eufórica. Bate palmas, grita:

— Esse me representa!
— Muito bem! É assim que se faz com cachorro vagabundo que quer virar gente! — berra Carabina, um cão velho e doente.

Então é a vez de Piaba propor sua agenda de governo.

— Cachorros e cachorras deste sagrado Beco, todas e todos sabem do meu instinto conciliador. Manter uma boa convivência com o animal humano é ganho para os dois lados. Isso não mata um cão de raiva. O que mata é mordida por mordida, rosnado por rosnado. Além do mais, cães de fé, o Deus dos homens nos delegou uma missão: resgatar a humanidade perdida do homem pelo homem. Sabem o que é isso?


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A turma de Bala Ferro começa a vaiar.

— Tira essa cadela daí! — rosna Carabina.

Os simpatizantes de Piaba rebatem:

— Respeitem uma fêmea e o Deus dos humanos, bando de cachorros!

É a vez de Querosene expor suas ideias.

— Dona Piaba falou bonito, mas esqueceu de dizer que o Deus dos homens quer ver a gente bem: livre de pulgas e carrapatos, tomando banho com xampu e sabonete antissarna. E, se merecermos de verdade, num carrão com motorista. Não seria justo darmos os nervos, a saúde psíquica, para o melhoramento da natureza humana e continuarmos de patas vazias.

Um dos correligionários encosta a boca na orelha de Querosene e cochicha:

— E cachorro tem fé?
— Em época de eleição, Deus é cão. E fecha essa boca, porra! — diz Querosene, quase mordendo.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


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É Findi – Apreciaremos a Dose Dupla de Xico Bizerra*

25/07/2026

Ensacadores de Bufas - Croniconto


O dia estrebuchando e Zeca de Dôra a enfiar bufa em saco de feira, com toda a displicência que a tarefa exige. Do franzido da testa aos alicerces do calcanhar, uma fome danada e seu pensamento só se endereçando para o bode posto à mesa, prontinho para matar quem estava lhe matando. Língua chocalhando no céu da boca sem ter com quem conversar. Era um Julho em agonia, já quase virando Agosto.

Eis que chega a visita da amiga Maria José Bezerra Carneiro Leão, Mariinha de Zé Camelo (seu nome mais parecia um jardim zoológico), exímia na arte do nada fazer e também enfiadora de bufa, aposentada como Zeca. Resolveram espalhar a perna e dar uma andada pelo sítio.

E foram, andando e jogando conversa fora. Afinal de contas era um tempo em que as ventosidades caladas, também conhecidas por peidos silenciosos, podiam ser tranquilamente expelidas e enfiadas num saco de feira sem o risco de um assaltante q...

Ensacadores de Bufas - Croniconto


O dia estrebuchando e Zeca de Dôra a enfiar bufa em saco de feira, com toda a displicência que a tarefa exige. Do franzido da testa aos alicerces do calcanhar, uma fome danada e seu pensamento só se endereçando para o bode posto à mesa, prontinho para matar quem estava lhe matando. Língua chocalhando no céu da boca sem ter com quem conversar. Era um Julho em agonia, já quase virando Agosto.

Eis que chega a visita da amiga Maria José Bezerra Carneiro Leão, Mariinha de Zé Camelo (seu nome mais parecia um jardim zoológico), exímia na arte do nada fazer e também enfiadora de bufa, aposentada como Zeca. Resolveram espalhar a perna e dar uma andada pelo sítio.

E foram, andando e jogando conversa fora. Afinal de contas era um tempo em que as ventosidades caladas, também conhecidas por peidos silenciosos, podiam ser tranquilamente expelidas e enfiadas num saco de feira sem o risco de um assaltante que as levasse. Sim, porque hoje em dia até isto se rouba na falta de um celular ou de uma carteira recheada de cédulas e cartões. Ladrões de bufas é o que são.

E aí, tão boa a conversa virou que a lua, descompromissada com as nuvens, deu-lhes a dica de que o ponteiro do relógio já cortejava as 11 horas da noite.

- E o bode?, pergunta Mariinha.
- Isso lá é hora de comer bode, sô! Amanhã nóis come – combinou Zeca.

De barrigas ocas foram dormir com seus sacos de feira repletos de bufas.


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O Pavão e o Espanador - Croniqueta


O espanador estava ali, jogado a um canto, empoeirado. Cumprira sua missão diária de espanar o pó, a poeira, o sujo. Ninguém sequer olhava para ele. Antes, enquanto penas do pavão bonito, a ave imodesta julgava-se a maior e tratava mal as outras aves, por não serem tão belas quanto. Não imaginava, em seus desvarios, que também a beleza pode ser passageira, que a boniteza das cores pode ser efêmera se não tratada com a dignidade e com o respeito que merecem seus pares.

Depreciou o galo, por não ter toda a sua boniteza colorida. Achava que o capote, em seu branco e preto nada colorido, só agradava a meia dúzia de outros capotes que lhe cercavam e lhe dedicavam amizade. Fazia-se belo para o mundo esquecendo sua origem humilde e tratava com arrogância quem dele discordasse. Pobre pavão. Hoje é apenas um espanador, sujo, que se limita a tentar limpar a sujeira por ele mesmo deixada.

O capote, em preto e branco, continua no terreiro, alegrando os companheiros do sem-cor. E o galo canta todas as manhãs.


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico


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É Findi - Premissas do Amor - Conto - Por Maria Inês Machado*

25/07/2026

Anos 60. A alegria do carnaval pulsava pelas ruas. O terraço da casa de Malu tornava-se pequeno para acomodar todos os que buscavam o melhor lugar para assistir ao desfile dos maracatus. Serpentinas coloriam o ar e o lança-perfume, que ainda não era proibido, chegava aos espectadores em meio aos risos e às brincadeiras respeitosas dos passistas.

Foi então que Malu ouviu a voz da mãe.
— Filha, venha aqui um instante.
Ao entrar na sala, encontrou dona Luiza séria, embora afetuosa.
— Vamos arrumar a mala. Seu pai já está esperando na garagem. Você vai estudar em colégio interno.
Malu arregalou os olhos.
— Mãe... assim, de repente? O que aconteceu?

Com calma, dona Luiza explicou os motivos da decisão. A menina ouviu tudo em silêncio. Não discutiu. Apenas aceitou. Tinha apenas doze anos e aprendera, desde cedo, que obedecer aos pais fazia parte da vida.

O colégio ficava em cidade serrana.

Durante...

Anos 60. A alegria do carnaval pulsava pelas ruas. O terraço da casa de Malu tornava-se pequeno para acomodar todos os que buscavam o melhor lugar para assistir ao desfile dos maracatus. Serpentinas coloriam o ar e o lança-perfume, que ainda não era proibido, chegava aos espectadores em meio aos risos e às brincadeiras respeitosas dos passistas.

Foi então que Malu ouviu a voz da mãe.
— Filha, venha aqui um instante.
Ao entrar na sala, encontrou dona Luiza séria, embora afetuosa.
— Vamos arrumar a mala. Seu pai já está esperando na garagem. Você vai estudar em colégio interno.
Malu arregalou os olhos.
— Mãe... assim, de repente? O que aconteceu?

Com calma, dona Luiza explicou os motivos da decisão. A menina ouviu tudo em silêncio. Não discutiu. Apenas aceitou. Tinha apenas doze anos e aprendera, desde cedo, que obedecer aos pais fazia parte da vida.

O colégio ficava em cidade serrana.

Durante a viagem, seu Pedro procurava amenizar a tristeza da filha. Apontava a vegetação, as montanhas cobertas de verde, as flores às margens da estrada. Tentava transformar a despedida em passeio.

Mas havia paisagens que Malu já não conseguia enxergar.

Ao chegarem, foram recebidos pela irmã Zenaide, responsável pelas atividades diárias.
As lágrimas insistiam em não cair. Permaneciam presas no coração.

Enquanto acompanhava a freira pelas amplas dependências do internato, seu Pedro mostrava entusiasmo.
— Veja o clima é agradável... Olhe esses jardins... Aqui você vai ficar muito bem.

Malu apenas observava, indiferente.

Na memória ainda desfilavam os maracatus, as serpentinas e os abraços apressados das amigas, despedidas sem tempo para perguntas.

Antes de partir, o pai a abraçou demoradamente.

— Filha, fomos informados de que as saídas acontecem apenas uma vez por semestre. Mas haverá dias de visita para a família. Este lugar é um pedacinho do céu. Repare nas flores, nas árvores... Tudo aqui inspira paz.
Dona Luiza completou:
— Está vendo aquela imagem de Nossa Senhora da Conceição, no fim do corredor? Sempre que sentir saudade, lembre-se dos nossos terços em família.

As palavras dos pais eram carregadas de carinho.
Mas a saudade já havia chegado antes delas.
Aos doze anos, o mundo de Malu ainda era feito de sonhos, brincadeiras e liberdade. No íntimo, seu coração escrevia uma história diferente daquela que os adultos imaginavam.
Suas tias também haviam estudado naquele internato. Para a família, era uma tradição. Para Malu, recomeço inesperado.

A irmã Zenaide explicou a rotina:

— As demais alunas chegarão na próxima semana. Enquanto isso, seu horário flexível. As primeiras orações acontecem cedo, ao toque da sirene. Depois teremos a missa com o capelão. Em seguida, café da manhã, estudos, biblioteca, almoço, recreação, terço na capela às cinco da tarde e recolhimento às oito da noite.
Também mostrou a piscina, os banheiros, o refeitório, a biblioteca, os jardins e cada dependência do colégio.
Era uma escola grande, mas acolhedora.
Existem dores que nenhuma palavra consegue traduzir.
Parece que o vocabulário humano, por mais rico que seja, nunca alcança certos sentimentos.
Há tristezas que apenas o coração registra.
Dias depois, o internato ganhou vida com a chegada das novas alunas.
As aulas começaram.
Na primeira reunião, todas foram organizadas em filas para ouvir a madre superiora.
Após as boas-vindas, veio a leitura do regimento interno.
As regras eram rígidas.
Três advertências significavam a suspensão das visitas familiares. Qualquer ato de indisciplina, individual ou coletivo, resultaria em castigos proporcionais à falta cometida.
Na convivência em grupo, aprenderam rapidamente que assumir erro era também gesto de respeito para com todas as colegas.
Foi nesse ambiente que nasceu uma amizade inseparável.
Malu, Joana e Cíntia.
Amigas. Confidentes. Cúmplices.
Joana tinha quinze anos e carregava uma história diferente.
Era a única filha mulher entre quatro irmãos. Seu pai, fazendeiro viúvo, a havia colocado no internato para afastá-la de Manoel.
Castigo pelo namoro proibido, idas à fazenda foram suspensas.
Recebia apenas as visitas do pai.
Certo dia, aproximou-se das amigas segurando um envelope cuidadosamente dobrado.

— Malu, preciso da sua ajuda. Vou lhe dar o endereço da loja de Manoel. Leve esta carta para ele.

Sem fazer perguntas, Malu aceitou a missão.
Dias depois, retornou das férias trazendo a resposta.
Assim que reconheceu a letra no envelope, Joana sentiu o coração acelerar.
Leu cada palavra lentamente.
Depois reuniu as amigas.

— Manoel quer me encontrar. Não vou perder essa oportunidade. Marieta, minha amiga externa, que mora na cidade, colocará minha carta no correio. Agora preciso da ajuda de vocês.

Com serenidade, explicou o plano.
Malu e Cíntia permaneceriam próximas à entrada interna do auditório, observando qualquer movimentação das freiras.
Se alguém se aproximasse, bastava um sinal.
As portas do auditório davam acesso ao jardim externo.
Seria ali, protegido pela sombra das árvores e pelo silêncio da tarde, que Manoel aguardaria.
Naquele internato, as sirenes marcavam o início das orações, das aulas, das refeições e do recolhimento.
Mas existia outra sirene.
Aquela que ninguém conseguia calar.
A sirene do amor que acorda o coração e vence o medo.
E ela falava mais alto do que qualquer regra.
A coragem de Malu e Cíntia transformou amizade em lealdade.
Graças às duas, outros encontros aconteceram.
Breves. Discretos. Porém suficientes para fortalecerem sentimentos que a distância, os muros do internato e a vigilância constante conseguiram apagar.
O tempo, realizou aquilo que a imposição jamais conseguiu.
O fazendeiro compreendeu que não existia muro alto o bastante para separar dois corações apaixonados.
Resistir tornou-se inútil.
Restou-lhe aceitar o que amor já havia decidido.
Os anos passaram.
A notícia espalhou-se rapidamente pela cidade.
Joana e Manoel iriam se casar.
A cerimônia foi celebrada com toda a imponência das tradicionais famílias de fazendeiros da época.
A igreja Ornamentada. Belos arranjos florais.
Parentes, amigos e autoridades prestigiaram a celebração.
A festa atravessou a madrugada entre música, fartura e alegria.
Entre os convidados estavam Malu e Cíntia.
Quando viram os noivos diante do altar, trocaram sorrisos silenciosos.
Sabiam que, muito antes das assinaturas no livro de registro do casamento, aquela união já havia sido registrada nas páginas do coração pela coragem, amizade e fidelidade de três jovens que acreditaram no amor.

Porque, quando o amor é verdadeiro, sempre encontra caminhos férteis para florescer.


*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'. @mariainesmachadopsi


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


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É Findi - Angústia - Poema - Por Ana Pottes*

25/07/2026

Que se fechem
Todas as portas
Janelas...
Todas as frestas.

Nada de luz
Brilho
Matiz
Ou cores que alegrem.

Quero o breu.
O negrume
Do vazio
Da angústia...

Desejo a escuridão.
O frio
Da solidão.
O nada.


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes



Que se fechem
Todas as portas
Janelas...
Todas as frestas.

Nada de luz
Brilho
Matiz
Ou cores que alegrem.

Quero o breu.
O negrume
Do vazio
Da angústia...

Desejo a escuridão.
O frio
Da solidão.
O nada.


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes


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É Findi - Felipe Bezerra* vem trazendo Dois Poemas

25/07/2026

A Viagem - Poema


Na sela, sobre o dorso
do meu cavalo de raça,
com a rédea, eu domo o tempo,
transitando do passo para a marcha,
avanço no perfeito compasso
de tríplice apoio, encantador.

O tempo é potro que não se amansa
com ansiedade e violência,
mas com alívio e pressão na dose exata,
para não desequilibrar a sua dança,
na velocidade rápida e intensa,
da cavalgada sobre a existência.

Seguimos a dissociação do universo,
sangrando a velha estrada da Via Láctea,
onde a poeira estelar deixa seu rastro,
de magia, encanto e esplendor,
sabendo que é mais leve nossa jornada
na sela do mangalarga marchador.

É certo que ao final da cavalgada,
a onça castanha nunca se atrasa,
traz consigo a inevitável sentença,
sem distinção de raça ou cor,
seja em palácio, casebre ou praça,
a...

A Viagem - Poema


Na sela, sobre o dorso
do meu cavalo de raça,
com a rédea, eu domo o tempo,
transitando do passo para a marcha,
avanço no perfeito compasso
de tríplice apoio, encantador.

O tempo é potro que não se amansa
com ansiedade e violência,
mas com alívio e pressão na dose exata,
para não desequilibrar a sua dança,
na velocidade rápida e intensa,
da cavalgada sobre a existência.

Seguimos a dissociação do universo,
sangrando a velha estrada da Via Láctea,
onde a poeira estelar deixa seu rastro,
de magia, encanto e esplendor,
sabendo que é mais leve nossa jornada
na sela do mangalarga marchador.

É certo que ao final da cavalgada,
a onça castanha nunca se atrasa,
traz consigo a inevitável sentença,
sem distinção de raça ou cor,
seja em palácio, casebre ou praça,
a vida é passeio, que acaba em dor.

Aos que permanecem, é seguir a marcha,
respeitando exemplo de quem já foi,
pois, nessa viagem, é tudo rápido,
não se deixa nada para depois,
com a certeza que não existe acaso:
tudo é propósito de nosso Senhor!


O Mundo e o Verso - Poema


A Pedro e Bruno Pragana

Tenho sempre esquecido
de largar as áridas correntes,
às margens do rio da vida.

Nos ombros, o peso e o brilho,
para que não seja esquecida
a chama d'Arte, pedra divina.

A luminosidade do fogo
ressoará sobre o tempo,
tornando-o inútil tentativa.


*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza


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É Findi - Aos Netos do Mundo - Por Ricardo Braga*

25/07/2026

Tive duas vozinhas maravilhosas e diferentes. Uma era o silêncio comedido, marcado pelo perfil do meu avô; a outra, era expansiva, falava um pouco de francês, tocava piano e de comportamento matriarcal. Mas as duas foram vozinhas no sentido mais explícito da palavra: acolhedoras e profundamente empáticas com seus netos. Conheço pessoas que não tiveram a sorte de pais assim, mas encontraram em sua vozinha o que precisavam para caminhar na vida e vencer obstáculos. Em sociedades originais africanas, as vozinhas são pilares da comunidade, são conselheiras e guardiãs da memória e da ancestralidade, educam crianças sobre respeito e coragem.

Bem nesses dias, surge um Vozinha, então desconhecido do mundo. Em Cabo Verde ele é respeitado e modelo para muitos, não só debaixo dos três paus do gol, também pela transmissão de solidariedade, modéstia e afirmação de valores que parecem esquecidos no futebol mundial, sobretudo nos campos iluminados pelo neocolonialismo.

<...

Tive duas vozinhas maravilhosas e diferentes. Uma era o silêncio comedido, marcado pelo perfil do meu avô; a outra, era expansiva, falava um pouco de francês, tocava piano e de comportamento matriarcal. Mas as duas foram vozinhas no sentido mais explícito da palavra: acolhedoras e profundamente empáticas com seus netos. Conheço pessoas que não tiveram a sorte de pais assim, mas encontraram em sua vozinha o que precisavam para caminhar na vida e vencer obstáculos. Em sociedades originais africanas, as vozinhas são pilares da comunidade, são conselheiras e guardiãs da memória e da ancestralidade, educam crianças sobre respeito e coragem.

Bem nesses dias, surge um Vozinha, então desconhecido do mundo. Em Cabo Verde ele é respeitado e modelo para muitos, não só debaixo dos três paus do gol, também pela transmissão de solidariedade, modéstia e afirmação de valores que parecem esquecidos no futebol mundial, sobretudo nos campos iluminados pelo neocolonialismo.

Estaria cumprindo uma missão atávica das vozinhas pelo mundo, não só da África?

Assisti o 2x2 de Cabo Verde contra a Argentina no tempo regulamentar, e vi no rosto dos hermanos, o medo de perder o brilho final, a pompa de campeões do mundo e os dólares fugindo das suas bolsas. Na face dos negros do outro time, observei o brilho do suor, a determinação de confrontar – sem medo –, um gigante. Quem sabe, pensando na alegria dos que deixaram no seu menor país. Foi necessária uma ansiosa prorrogação para, no finalzinho, um terceiro gol restaurar a festa em toda a Buenos Aires e na cabeça do presidente da FIFA. Imagine perder um player desse, para uma equipe desconhecida de neguinhos, sem futuro no mercado mundial.
Mas a lição está dada a todos os netos do mundo.


*Ricardo Braga, é biólogo, ambientalista e escritor. Autor dos livros de literatura Ecologia do Cotidiano, A Flor Lilás e outros Contos (prêmio Cepe Nacional de Literatura), Sangue Doce e Como as Águas do Rio. @ricardobragaescritor


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


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É Findi - Pernambuco em Mim - Poema - Por Poeta Tony Antunes de Palmares*

25/07/2026

Nasci no terreiro do vento ligeiro,
Onde o sol faz renda no branco do luar;
Meu peito é um rio nordestinante,
Que aprende cantiga sem nunca cansar.
Pernambuco é farol do meu destino,
É o chão onde aprendi a sonhar.

A bandeira tremula feito esperança,
Costurando bordados no céu de anil;
Minha alma pernambuqueia contente,
Feito um abraço que envolve o Brasil.
Quem pisa esse chão nunca vai embora,
Leva esse amor por um fio sutil.

Ô, Pernambuco, bate forte o tambor!
Meu coração virou ponte de flor.
Tem frevo na veia, tem maracatu,
Tem coco, ciranda, perfume de azul.
Se perguntarem de onde eu vim,
Direi sorrindo: Pernambuco mora
[em mim.

Luiz Gonzaga ascendeu a sanfona,
Alceu virou vento cantando no ar;
E Santana soltando sua voz
Fazem a poesia mais longe alcançar.
...

Nasci no terreiro do vento ligeiro,
Onde o sol faz renda no branco do luar;
Meu peito é um rio nordestinante,
Que aprende cantiga sem nunca cansar.
Pernambuco é farol do meu destino,
É o chão onde aprendi a sonhar.

A bandeira tremula feito esperança,
Costurando bordados no céu de anil;
Minha alma pernambuqueia contente,
Feito um abraço que envolve o Brasil.
Quem pisa esse chão nunca vai embora,
Leva esse amor por um fio sutil.

Ô, Pernambuco, bate forte o tambor!
Meu coração virou ponte de flor.
Tem frevo na veia, tem maracatu,
Tem coco, ciranda, perfume de azul.
Se perguntarem de onde eu vim,
Direi sorrindo: Pernambuco mora
[em mim.

Luiz Gonzaga ascendeu a sanfona,
Alceu virou vento cantando no ar;
E Santana soltando sua voz
Fazem a poesia mais longe alcançar.
Meu sorriso gonzagueia saudades,
Como um passarinho querendo voltar.

Poeta Pica-pau planta estrelas,
Vital Corrêa faz o verso florir;
Admmauro Gommes acende o silêncio,
Feito uma lua querendo sorrir.
Minha palavra versolumeia,
E faz o sertão inteiro florir.

Quando o pífano chama Caruaru,
Até o vento começa a dançar;
Lampião relampeja na memória,
Maria Bonita ensina a amar.
Xaxado, xote, baião e alegria,
Ninguém consegue esse povo parar.

Ô, Pernambuco, meu sonho maior!
És meu poema, meu canto, meu amor.
Sou nordestino de alma e verdade,
Filho da fé e da liberdade.
Enquanto houver um céu azul anil,
Cantarei teu nome por todo o Brasil.


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras. @poetaprosador_tony_antunes


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É Findi - A Onça da Esperança - Por Marcelo Mário de Melo*

25/07/2026

Entrando em corpo de onça
a Esperança no ataque
em vez de esperar o lance
pega a bola dá o saque
entoa o grito de alerta
toca corneta e atabaque.

Afia as garras e parte
removendo entulho e tralha
ferrugem mofo zinhavre
lacuna trava e falha
coloca véus e vestidos
arranca trapo e mortalha.

A Esperança agora
atiça o amanhecer
vai a campo e observa
o que faz esmorecer
os descaminhos nas mentes
e nos modos de fazer.

Para o sonho avançar
é preciso trilha certa
semente sã e cuidado
janela ampla e aberta
o sol da veracidade
aceno e grito de alerta.

A Esperança é uma malha
feita em ampla tecelagem
uma colcha de retalhos
de persistência e coragem
juntando peça por peça
em gesto ação e linguagem.

A onça da Esperança
depende assim dess...

Entrando em corpo de onça
a Esperança no ataque
em vez de esperar o lance
pega a bola dá o saque
entoa o grito de alerta
toca corneta e atabaque.

Afia as garras e parte
removendo entulho e tralha
ferrugem mofo zinhavre
lacuna trava e falha
coloca véus e vestidos
arranca trapo e mortalha.

A Esperança agora
atiça o amanhecer
vai a campo e observa
o que faz esmorecer
os descaminhos nas mentes
e nos modos de fazer.

Para o sonho avançar
é preciso trilha certa
semente sã e cuidado
janela ampla e aberta
o sol da veracidade
aceno e grito de alerta.

A Esperança é uma malha
feita em ampla tecelagem
uma colcha de retalhos
de persistência e coragem
juntando peça por peça
em gesto ação e linguagem.

A onça da Esperança
depende assim desses fios
por isso ela observa
nascentes brotos pavios
o mar querendo saber
se correm certos os rios.

A força da Esperança
se constrói na pedra dura
no olho desamarrado
no combate à impostura
na peneira onde se lavam
o erro e a amargura.

Ela não é menininha
princesa em conto de fada
madame ou cortesã
inocente namorada
mas mulher experiente
subterrânea e alada.

A Esperança exigente
quer ver o ponto no nó
alicerces e estacas
a mistura a massa o pó
a ferramenta afiada
quem afia e a pedra-mó.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm


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É Findi – O Poeta Pica-Pau* chegando em Dose Dupla

25/07/2026

Viva Bem

O caboclo quando envelhece
Precisa agradecer
O que a vida lhe oferece,
Se caso ele padece
A doença vem afetar
Procure se consultar
Vá depressa ao doutor
Porque para qualquer dor
Tem remédio pra curar

Mas se esse se encostar
Dizendo está sem jeito
A dor começa no peito
Vai até o calcanhar
Começa se lamentar
Com tudo fica zangado
Nada é do seu agrado
No fogo não tem nem cinza
Fica um velho ranzinza
Vivendo só no passado




Palmares: o Sabor da Cultura


Se fosse pra transformar
Palmares em uma comida
Dentro da gastronomia
Um belo prato eu fazia
pra reinar pra toda vida

O sabor que ia ter
Pela sustança que dá
Colocaria um cartaz
Pelas redes sociais
Para o mundo apreciar
...

Viva Bem

O caboclo quando envelhece
Precisa agradecer
O que a vida lhe oferece,
Se caso ele padece
A doença vem afetar
Procure se consultar
Vá depressa ao doutor
Porque para qualquer dor
Tem remédio pra curar

Mas se esse se encostar
Dizendo está sem jeito
A dor começa no peito
Vai até o calcanhar
Começa se lamentar
Com tudo fica zangado
Nada é do seu agrado
No fogo não tem nem cinza
Fica um velho ranzinza
Vivendo só no passado



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Palmares: o Sabor da Cultura


Se fosse pra transformar
Palmares em uma comida
Dentro da gastronomia
Um belo prato eu fazia
pra reinar pra toda vida

O sabor que ia ter
Pela sustança que dá
Colocaria um cartaz
Pelas redes sociais
Para o mundo apreciar

Pegava a arte e cultura
Trazia pra culinária
Uma dose de teatro
Pitada de artesanato
Era a receita diária

Fazia uma sobremesa
Usando caldo de cana
Misturava a macaxeira
Com abacaxi da ribeira
E dosava com banana

As águas do rio Una
Eu botava pra ferver
Deixava cem por cento
De massa, sal e fermento
Para o comércio crescer

Trazia do agricultor
Batata, inhame, cará
Coco verde, melancia
Botava num tacho e fazia
Um caldo de incentivar

E saía por aí
Com uma receita de fato
Sem alimentar pigarro
Trazia na bagagem barro
Pra mesa do artesanato

Fazia até outra receita
Com a maior precisão
Bem parecida com essa
Que não ficasse em promessa
Ou só imaginação

Botava em uma panela
Um tiquinho de bem-querer
Um soro racional
Raiz de espanta-mal
E uma dose de prazer

E você que é turista
Ao chegar em nossa área
Não é um caso de briga
Mas te pegava pela barriga
Com a nossa culinária

Depois ia te mostrar
As belezas naturais
Riquezas do Engenho Paul
A Barragem Serro Azul
E as fontes minerais

Você ia se embelezar
Com as belezas em geral
As praças e seus atrativos
E o complexo esportivo
É um lindo cartão-postal

Vem conhecer a sulanca
Na festa do forrómares
Muitos bares pra te servir
Muito vai se divertir
Na cidade de Palmares

Vem pra pré do carnaval
Os blocos acompanhar
Venha ser uma puara
Quando toda cidade para
Pra ver o bloco passar

Na flora você vai ver
Pau-ferro, jacarandá
Maçaranduba, ipê
Louro-amarelo e você
Vai ver até jatobá

Vem ver patrimônio histórico
Que tem aqui nesse solo
Estação ferroviária
E a visita necessária
Aí Cine Teatro Apolo

Se caso você quiser
Na cidade pernoitar
Tem pousada e restaurante
Tudo chique e elegante
Para você repousar

Então que venha o mundo
Se misturar a nossa gente
Que nós iremos servir
Na xícara, interagir
Um chazinho e café quente

Trazia os bacamarteiros
Pra ver pipoco zoar
Um grupo de capoeira
Com sua dança faceira
Dando cangapé no ar

Convidava músicos e poetas
Pra fazer um festival
Com Ascenso na memória
Íamos fazer história
Inclusive o Pica Pau

E em letras garrafais
Anunciava um lembrete
Com uma razão somente
De convidar toda gente
pra degustar o banquete

Pegue o cardápio e comece
A esse prato admirar
Com um môlhinho de pimenta
A receita é suculenta
Para o mundo degustar

Palmares está bem alí
Com seu valor e cacife
Vá passar um fim de semana
Na mata sul pernambucana
A 120 , km do Recife,

Parabenizo Palmares
Por adotar essa postura
E a gestão envolvida
Dando forças, dando vida
E tempero pra cultura


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau


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É Findi – Série: Boêmios que Marcaram Época no Recife Noturno - Hugo da Peixa - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

25/07/2026

Hoje falaremos sobre Hugo da Peixa


Dentre tantos boêmios Recife, o que mais se sobressaía por suas peraltices, foi sem dúvidas, Hugo Gonçalves Ferreira, carinhosamente, Hugo da Peixa.

... Convém ressaltar que esses boêmios não faziam parte da onda de “nouveau riche” ; não, muito pelo contrario, todos foram de boa origem, Hugo, por exemplo, é oriundo da alta aristocracia canavieira, filho de usineiro.

Hugo seria o “boêmio total” criativo de índole pacífica, bonachão, solidário, um bon vivant. Se as vezes era levado a certas bravatas, o fazia sempre por insinuações de terceiros, nunca por iniciativa própria.

Na atmosfera social em que viveu; severa, terrível, inquisitiva, ele, desligado de todo convencionalismo, deixara-se ficar, airosamente, horas a fio na calçada do Maxime no Pina degustando sua teutônia, bem geladinha.

Certa feita, foi terminar uma farra em Salvador, uns seis acompanhantes, todos...

Hoje falaremos sobre Hugo da Peixa


Dentre tantos boêmios Recife, o que mais se sobressaía por suas peraltices, foi sem dúvidas, Hugo Gonçalves Ferreira, carinhosamente, Hugo da Peixa.

... Convém ressaltar que esses boêmios não faziam parte da onda de “nouveau riche” ; não, muito pelo contrario, todos foram de boa origem, Hugo, por exemplo, é oriundo da alta aristocracia canavieira, filho de usineiro.

Hugo seria o “boêmio total” criativo de índole pacífica, bonachão, solidário, um bon vivant. Se as vezes era levado a certas bravatas, o fazia sempre por insinuações de terceiros, nunca por iniciativa própria.

Na atmosfera social em que viveu; severa, terrível, inquisitiva, ele, desligado de todo convencionalismo, deixara-se ficar, airosamente, horas a fio na calçada do Maxime no Pina degustando sua teutônia, bem geladinha.

Certa feita, foi terminar uma farra em Salvador, uns seis acompanhantes, todos por sua conta, hospedagem, comida, bebidas e... dinheiro; naturalmente, no melhor da festa faltou-lhe numerário, imediatamente, vendeu o Packard de luxo e despachou o motorista para o Recife para trazer mais dinheiro e outro carro.

Hugo herdou duas usinas que foram consumidas por suas farras perdulárias. Dizem que nas suas contas os garçons incluíam até a data do ano, mesmo recebendo regias gorjetas.

Outra bravata que se conta sobre Hugo da Peixa aconteceu durante as concorridas festas no Clube Internacional do Recife, ele compareceu com algumas "garotas" da Zona querendo entrar, alguns diretores do Clube não deixaram. Hugo, vc não pode entrar com essas mulheres "suspeitas" então ele, em alto e bom som, respondeu: Suspeitas são essas que estão aí dentro, essas aqui são putas mesmo! Carlos Bezerra Cavalcanti


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras.


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É Findi - Malude Maciel* chegando com Duas Crônicas

25/07/2026

Urnas Eletrônicas - Crônica


Outra eleição já se aproxima.
Nunca simpatizei com essa maneira de votarmos através de urnas eletrônicas.
Depois de apertarmos aqueles botões, adeus! O voto desaparece a passo de mágica. Nem que se quisesse revê-lo haveria solução; são impossíveis quaisquer circunstâncias nesse sentido. Após a tecla: Confirmado, ser acionada, nada mais se pode provar, nem mesmo em emergências circunstanciais.

Computação

Os entendidos na ciência da computação sabem tudinho sobre o manejo dessas máquinas e, aqueles que criaram tal programa estão aptos a mexer naqueles projetos. O que para nós outros representa dificuldade, para os autores há facilidade incrível. Como cidadã, questiono a segurança dessas urnas, apesar das afirmações ao contrário, mas é um direito pensar desigual. Acredito que ataques de hackers deixam-nas vulneráveis. Não há como conferir coisa alguma e na contagem sai apenas resultado n...

Urnas Eletrônicas - Crônica


Outra eleição já se aproxima.
Nunca simpatizei com essa maneira de votarmos através de urnas eletrônicas.
Depois de apertarmos aqueles botões, adeus! O voto desaparece a passo de mágica. Nem que se quisesse revê-lo haveria solução; são impossíveis quaisquer circunstâncias nesse sentido. Após a tecla: Confirmado, ser acionada, nada mais se pode provar, nem mesmo em emergências circunstanciais.

Computação

Os entendidos na ciência da computação sabem tudinho sobre o manejo dessas máquinas e, aqueles que criaram tal programa estão aptos a mexer naqueles projetos. O que para nós outros representa dificuldade, para os autores há facilidade incrível. Como cidadã, questiono a segurança dessas urnas, apesar das afirmações ao contrário, mas é um direito pensar desigual. Acredito que ataques de hackers deixam-nas vulneráveis. Não há como conferir coisa alguma e na contagem sai apenas resultado numérico.

Não estou sozinha

Coincidentemente, vi um trabalho da Comissão e Justiça debatendo a segurança do sistema eletrônico de votação no Brasil e ali o advogado, Dr. Filipe Marcelo Gimenez, Procurador em Mato Grosso do Sul, deu seu parecer pela Associação Pátria Brasil, mostrando as irregularidades referentes ao uso da urna eletrônica em várias eleições, inclusive nessa última.
Ele considerou a tal máquina uma "arapuca", disse que nosso povo vem sendo enganado e que estamos vivendo uma inversão de valores, pois a ferramenta é que deve servir à Ordem Jurídica e não ao inverso, como está acontecendo. À luz da Lei, há um crime de prevaricação, de omissão, porque um dos pilares da República está sendo quebrado e também nossa Democracia e cidadania vêm sendo violadas e desrespeitadas com esse tipo de votação às escuras. Disse ele.

Não aprovado

Há indignação e a Lei deve ser cumprida, sendo um ato jurídico o exercício do voto, que é secreto para dar liberdade de escolha do cidadão, mas o ato seguinte desse processo eleitoral, que é a apuração, é um ato administrativo e deve ser público. Tem que haver publicidade na contagem de votos quando todos os participantes podem acompanhar o procedimento.

Eletronicamente

Com esse sistema de urnas eletrônicas, a conferência não tem sido possível, por mais de vinte anos e, a fiscalização precisa ser exercida sem demora. Uma lentidão injustificável quanto ao parecer do Ministro Gilmar Mendes que protela decisões de cumprimento da norma, não deve ser tolerada.

O ingênuo eleitorado

A grande maioria de indivíduos votantes não tem conhecimento dessa fraude, porém quem tem formação jurídica sabe perfeitamente dessa irregularidade. Urge que o Tribunal Superior Eleitoral cobre a vigência da Lei: "Será impresso o voto..." Se a apuração de votos numa eleição nacional não for um ato público, será nula ou anulada; não pode haver contagem de votos em segredo. É um direito do cidadão que está sendo violado, uma fraude, pois no BU só consta o total. Não se pode continuar aceitando esse engôdo.
Urge que o Tribunal Superior Eleitoral tome as providências a fim de que a Lei seja respeitada.


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Histórias Verídicas - Crônica


As histórias que a vida nos conta são interessantes e memoráveis, o inconsciente grava para sempre os pormenores e, de vez em quando, chega aquela memória como se tivesse acontecido naquele instante, pois o subconsciente está no presente o tempo todo. Há lembranças de fatos que vivenciamos ou ouvimos dizer que carregamos por toda a existência.
Comigo essas coisas foram marcantes porque meus pais costumavam contar ocorrências de suas próprias vidas, nas conversas cotidianas, principalmente meu pai. Ele, às vezes, repetia tais depoimentos, e nós, com mentes férteis, assimilávamos, com detalhes, tais relatos.

Registros fiéis

Ainda hoje, depois de tantos anos, sou capaz de relembrar de alguns fatos que me foram contados com fidelidade por quem exercia uma autoridade paternal e constituía a figura mais emblemática no meu psiquismo infantil. São muitas narrativas guardadas, mas irei me deter numa simples recordação que hoje me veio à baila.

Fatos expostos

Na época, o jovem casal (papai e mamãe), recém- asados, tendo apenas a primogênita, que era eu, residíamos na rua Dr. José Mariano, em Caruaru, e ali pertinho havia a rua Júlio de Melo onde era localizado o Grupo Escolar Prof. Vicente Monteiro (onde depois vim a estudar o curso primário), com um enorme terreno em frente, onde atualmente existe a Praça das crianças, tendo ao lado a Fábrica de caroá, hoje Espaço Cultural Tancredo Neves. Era o local escolhido e propício para a armação de companhias circenses que visitavam a cidade.
Contaram-me que numa certa vez a família foi ver um tal Circo (daqueles feitos de lona), que teria se instalado no determinado local, tendo antes percorrido as artérias adjacentes na sua propaganda chamativa de público com palhaços dançando e cantando: "hoje tem espetáculo? Tem sim, senhor " e isso havia despertado o interesse dos meus genitores que me levaram no colo, como bebê que eu era.

Mascotes do circo

À época ainda eram utilizados vários animais nas apresentações circenses e, como tal, alguns deles figuravam em suas jaulas e correntes, bem à vista dos curiosos. O mais destacado era um casal de elefantes e nesse pormenor fica o suspense do fato curioso.
Não sei o porquê do domador inventar de separar o macho da fêmea naquela ocasião, mas um estava a alguns metros de distância, cada qual acorrentado supondo-se segurança.

A multidão

O povo, na curiosidade e confiando nos cuidados do pessoal do circo, ficava o mais próximo possível, admirando não somente os elefantes, mas também os leões, as zebras, os cavalos, etc. Meus pais se achavam numa calçada aproximada, observando o movimento.
Eis que de repente, houve um alvoroço total e as pessoas corriam, desencontradas, como num: "salve-se quem puder", deixando uma interrogação no ar e algumas afirmativas apavorantes, dando conta de que o elefante macho estava solto, quebrara as amarras e seguia livremente sem controle. A grita foi geral!

Correria

Meu pai, apavorado, tomando conta da esposa e da filha pequena, correu em busca de abrigo numa residência próxima, até que os ânimos esfriaram e se pôde saber, na verdade, o que se passou.

Constatação

Após o grande susto, constataram que o elefante não gostando da separação imposta à sua parceira, simplesmente cortou a frágil atadura e saiu, tranquilo, para o lado da companheira. Talvez uma coisa banal, no entanto, quem poderia saber o que aquele gigantesco animal seria capaz de aprontar, diante de uma multidão de estranhos?
Pernas, pra que lhes quero?
Vamos em frente que atrás vem gente.


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


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É Findi - Motivos - Por Josué Sena*

25/07/2026

Os que vão ansiosos para Pasárgada,
Vão pelos motivos de Bandeira e que já sei.
Os que de Maracangalha tomam a estrada,
Têm as razões que também direi.

Uns esperam as benesses do rei.
Camas fofas e bem preparadas,
Segundo ditames da acolhedora lei
Para dormir com as mulheres desejadas.

Já os dos rumos de Maracangalha,
São andejos vocacionados, portanto.
Protegidos do Sol por chapéus de Palha,

Vestidos de liformes brancos, Buscam sonhados cantos,
Para idílios longe dos olhos de Anália,
Que não gosta de andar tanto.


*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.



Os que vão ansiosos para Pasárgada,
Vão pelos motivos de Bandeira e que já sei.
Os que de Maracangalha tomam a estrada,
Têm as razões que também direi.

Uns esperam as benesses do rei.
Camas fofas e bem preparadas,
Segundo ditames da acolhedora lei
Para dormir com as mulheres desejadas.

Já os dos rumos de Maracangalha,
São andejos vocacionados, portanto.
Protegidos do Sol por chapéus de Palha,

Vestidos de liformes brancos, Buscam sonhados cantos,
Para idílios longe dos olhos de Anália,
Que não gosta de andar tanto.


*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.


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Prefeito Elton Martins e deputado Silvio Costa Filho anunciam hospital para Águas Belas

25/07/2026

O prefeito de Águas Belas, Elton Martins e o deputado federal, Silvio Costa Filho, anunciaram, ontem sexta-feira, 24/07, a construção de um hospital avaliado em R$ 22 milhões. O equipamento, que será erguido no município, foi inserido nas obras do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Alta complexidade

O Hospital Municipal de Águas Belas foi projetado para atender à crescente demanda por serviços de média complexidade na cidade e região, ampliando o acesso da população a atendimentos especializados, urgência e emergência 24 horas, exames de imagem e laboratoriais, centro obstétrico, centro cirúrgico e internação hospitalar.

A unidade

Contará com 52 leitos de internamento, distribuídos entre enfermarias masculina, feminina, pediátrica, maternidade e ala psiquiátrica, além de dois centros cirúrgicos e obstétrico humanizado, laboratório de análises clínicas estruturado e atendimento ambulatorial em...

O prefeito de Águas Belas, Elton Martins e o deputado federal, Silvio Costa Filho, anunciaram, ontem sexta-feira, 24/07, a construção de um hospital avaliado em R$ 22 milhões. O equipamento, que será erguido no município, foi inserido nas obras do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Alta complexidade

O Hospital Municipal de Águas Belas foi projetado para atender à crescente demanda por serviços de média complexidade na cidade e região, ampliando o acesso da população a atendimentos especializados, urgência e emergência 24 horas, exames de imagem e laboratoriais, centro obstétrico, centro cirúrgico e internação hospitalar.

A unidade

Contará com 52 leitos de internamento, distribuídos entre enfermarias masculina, feminina, pediátrica, maternidade e ala psiquiátrica, além de dois centros cirúrgicos e obstétrico humanizado, laboratório de análises clínicas estruturado e atendimento ambulatorial em diversas especialidades.

Fala Silvinho

"Falamos com o nosso presidente Lula e conseguimos empenhar o Hospital de Águas Belas no valor de R$ 22 milhões. A unidade foi incluída no Novo PAC, um sonho antigo da população e, sob a liderança do prefeito Elton, vamos conseguir fazer em Águas Belas. Essa unidade será fundamental para garantir mais qualidade de vida a população", disse Silvio Costa Filho.

Fala o prefeito

O novo empreendimento será construído num espaço adquirido e com recursos da prefeitura.
"Gostaria de agradecer ao presidente Lula, o empenho do deputado Silvio e o ministro Padilha. Estamos realizando um sonho dos moradores do município. Não tenho dúvida que ficará na história de Águas Belas", disse Elton.

Foto: Wesley D'Almeida

Edson Vieira diz que Agreste quer Miguel Coelho para o Senado na chapa de Raquel

25/07/2026

O deputado estadual Edson Vieira (Podemos) voltou a defender o nome do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, para disputar uma vaga no Senado Federal na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD). Um dos principais representantes políticos do Polo de Confecções na Assembleia Legislativa, Edson tem reafirmado que Miguel reúne as credenciais necessárias para representar Pernambuco no Congresso Nacional.

Segundo o parlamentar

Miguel Coelho construiu uma trajetória marcada por resultados, capacidade de gestão e diálogo com todas as regiões do estado, características que fortalecem sua candidatura ao Senado.

Testado e aprovado

"Tenho defendido o nome de Miguel porque ele já mostrou sua competência como deputado estadual e, principalmente, como prefeito de Petrolina, onde realizou uma transformação reconhecida por toda Pernambuco. É um líder preparado, conhece a realidade do nosso estado, tem uma relação muito próxima c...

O deputado estadual Edson Vieira (Podemos) voltou a defender o nome do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, para disputar uma vaga no Senado Federal na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD). Um dos principais representantes políticos do Polo de Confecções na Assembleia Legislativa, Edson tem reafirmado que Miguel reúne as credenciais necessárias para representar Pernambuco no Congresso Nacional.

Segundo o parlamentar

Miguel Coelho construiu uma trajetória marcada por resultados, capacidade de gestão e diálogo com todas as regiões do estado, características que fortalecem sua candidatura ao Senado.

Testado e aprovado

"Tenho defendido o nome de Miguel porque ele já mostrou sua competência como deputado estadual e, principalmente, como prefeito de Petrolina, onde realizou uma transformação reconhecida por toda Pernambuco. É um líder preparado, conhece a realidade do nosso estado, tem uma relação muito próxima com o Agreste e, especialmente, com o Polo de Confecções Tenho certeza de que Pernambuco ganhará um grande senador. Miguel, conte com o apoio do nosso Agreste", afirmou Edson Vieira.

As aventuras de Cacimba -51

25/07/2026

O nó da cidade trancada na mira dos jagunços

Zé da Flauta

Carnaúba Seca acordou sob o pavor do ronco pesado de três jipes abertos que rasgaram a poeira da entrada da vila, carregados de forasteiros armados até os dentes.

O chefe, um sujeito de suíças, cara fechada e olhar de quem já matou sem dó, tinha a reputação de ser intolerante a qualquer controvérsia e ninguém, absolutamente ninguém, ousava duvidar de sua palavra. Sem dar um bom-dia, a cambada cercou a casa do prefeito e abriu fogo para o alto, cobrando aos gritos uma dívida antiga de campanha.

O povo correu para se trancar em casa, batendo ferrolhos e espiando pelas frestas das janelas. Começou então uma romaria de autoridades tentando negociar o fim do cerco: entrava o padre rezando terço, o delegado tremendo a perna e o gerente do banco com uma pasta vazia sob o braço.

Todos saíam brancos de medo, ameaçados de morte pelo jagunço furios...

O nó da cidade trancada na mira dos jagunços

Zé da Flauta

Carnaúba Seca acordou sob o pavor do ronco pesado de três jipes abertos que rasgaram a poeira da entrada da vila, carregados de forasteiros armados até os dentes.

O chefe, um sujeito de suíças, cara fechada e olhar de quem já matou sem dó, tinha a reputação de ser intolerante a qualquer controvérsia e ninguém, absolutamente ninguém, ousava duvidar de sua palavra. Sem dar um bom-dia, a cambada cercou a casa do prefeito e abriu fogo para o alto, cobrando aos gritos uma dívida antiga de campanha.

O povo correu para se trancar em casa, batendo ferrolhos e espiando pelas frestas das janelas. Começou então uma romaria de autoridades tentando negociar o fim do cerco: entrava o padre rezando terço, o delegado tremendo a perna e o gerente do banco com uma pasta vazia sob o braço.

Todos saíam brancos de medo, ameaçados de morte pelo jagunço furioso que cuspia ofensas. A tensão parecia que ia explodir a vila a qualquer segundo, até que Cacimba, ajeitando o chapéu de couro, colocou Simão no ombro esquerdo, Sebastião no direito e atravessou a praça em silêncio, furando o bloqueio dos jagunços como quem vai comprar pão, sob o olhar espantado de uma cidade inteira.

Ao cruzar a porta da sala principal, Cacimba encontrou o prefeito encolhido atrás da mesa e o chefe dos forasteiros, de dedo no gatilho e fumaça saindo pelas orelhas. O jagunço olhou para o mestre e seus macaquinhos com desprezo total, soltando uma risada seca e cruel.
"O mestre da pife resolveu trazer sua tropa de comédia para a guerra?", zombou ele, apontando a espingarda para os bichos.

"Eu não respeito farda nem batina, muito menos esses dois macacos sujos. Eu vou meter bala nessa cabeça dura e usar o couro deles para fazer coldre!"

A ameaça foi fria e definitiva, e um silêncio de morte tomou conta da sala. Cacimba, sentindo o suor frio escorrer pelas costas, manteve a calma e, com a voz firme, mas cheia de súplica, implorou:

"Meu capitão, eu sei que a fúria da guerra não dá tempo para os bichos, mas eu lhe peço, em nome de Deus, dê uma última chance para esses dois. Eles não são apenas macacos, são os olhos e o coração que a sua raiva não o deixa ver. Deixe que eles façam seu trabalho, e se ao final do dia o nó não se desatar, o senhor pode fazer o que bem entender com todos nós."

O jagunço, confuso com a convicção do velho, cuspiu no chão e grunhiu: "Um minuto. Se eu não gostar do que vir, os três morrem."

O desafio estava lançado, e a vida de todos dependia da atuação desesperada dos macaquinhos sob a mira da espingarda. Cacimba, suando, deixou que seus companheiros tentassem a cartada final.


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Simão, o símbolo da pura razão, ajeitou os óculos na ponta do nariz com as mãos trêmulas e, de forma metódica e insistente, sacou sua caderneta e começou a refazer as contas do débito, confrontando os números do jagunço com faturas, recibos e a lógica matemática pura, demonstrando que a dívida já havia sido paga e que o homem estava sendo injusto.

Enquanto isso, Sebastião, a emoção em carne e osso, se empenhava ainda mais na tarefa de amolecer o coração daquele homem rude, chorando mansinho, imitando a dor das mães e crianças trancadas dentro de casa, implorando por misericórdia com gestos e expressões genuínas.

O chefe, diante de dois argumentos poderosos e desesperados, baixou a arma. Cacimba arrematou com voz firme:

"A justiça que se cobra derramando o sangue dos inocentes vira maldição no bolso de quem recebe. Se a razão prova que a dívida está paga e o coração mostra o sofrimento da vila, não há motivo para continuar essa guerra.

" O prefeito aceitou assinar o recibo de quitação calculado por Simão, e o chefe do bando, comovido com o abraço que Sebastião lhe deu na saída, ordenou que seus homens guardassem as armas e dessem partida nos jipes para ir embora em paz.

Quando as portas das casas se abriram e o povo voltou para a praça sem saber como o milagre tinha acontecido, Cacimba já estava sentado no alpendre, soprando uma nota suave no seu pífano.

Olhando para os dois bichos ao seu lado, o velho deixou a última lição do causo para quem quisesse ouvir:

"A ignorância do homem constrói muros e aponta armas, mas a solução de qualquer nó cego na vida exige duas coisas que andam juntas: a razão para enxergar a verdade dos fatos e a emoção para sentir a dor do outro. Sem o equilíbrio das duas, a gente só produz barulho; com elas, até o coração mais duro vira terreno de paz."

E assim, Carnaúba Seca dormiu aliviada, sabendo que a sabedoria do mestre e seus dois macaquinhos valiam mais do que um exército inteiro.


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Veneziano participa nos 328 anos de Pombal - Prefeito agradece a recursos para a cidade

25/07/2026

O Senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) participou, na noite de ontem, sexta-feira (24/07), da festa em comemoração aos 328 anos de fundação da cidade de Pombal, no sertão do estado. Veneziano foi recebido pelo prefeito Galego da Gavel, vereadores, auxiliares da gestão e pela população em geral.



Durante o evento

O prefeito aproveitou para agradecer a Veneziano os recursos destinados ao município, que proporcionaram obras importantes, como pavimentações, investimentos em saúde, a rotatória da cidade, dentre outras. “Pombal está de braços abertos para receber o Senador, por tudo o que ele tem destinado a esta cidade; e a gente só tem a comemorar”, ressaltou o prefeito.



Veneziano

Agradeceu a acolhida e reafirmou seu compromisso com Pombal e a gestão municipal. “Vim aqui para saudar a população e o meu amigo Galego da Gavel, pessoa com que eu tenho uma relação, não apenas política,...

O Senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) participou, na noite de ontem, sexta-feira (24/07), da festa em comemoração aos 328 anos de fundação da cidade de Pombal, no sertão do estado. Veneziano foi recebido pelo prefeito Galego da Gavel, vereadores, auxiliares da gestão e pela população em geral.


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Durante o evento

O prefeito aproveitou para agradecer a Veneziano os recursos destinados ao município, que proporcionaram obras importantes, como pavimentações, investimentos em saúde, a rotatória da cidade, dentre outras. “Pombal está de braços abertos para receber o Senador, por tudo o que ele tem destinado a esta cidade; e a gente só tem a comemorar”, ressaltou o prefeito.


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Veneziano

Agradeceu a acolhida e reafirmou seu compromisso com Pombal e a gestão municipal. “Vim aqui para saudar a população e o meu amigo Galego da Gavel, pessoa com que eu tenho uma relação, não apenas política, mas de amizade, companheirismo, carinho, franqueza e parceria, traços da personalidade do Galego; e aproveito aqui para reiterar nossa parceria e continuar a fazer por esta competente gestão”, disse Veneziano.


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