'Uma onda crescente'
Crescem as manifestações de antisemitismo, misturado ao antisionismo, anti-Estado de Israel em todo o mundo.
Com as diversas facetas, a onda se espalha pelo mundo , e a "onda" vai chegando no Brasil, com todo direito a incorporar as confusões verificadas na guerra cultural da atualidade.
Fenômeno europeu dos mais distantes tempos da História, o anti-semitismo vai se aprimorando e, chega ao século 21 da era Cristã, como mais um ingrediente da guerra cultural.
O Ocidente sempre conviveu com esses sentimentos, de anti-semitismo com graus diferentes/ desiguais, em diversos momentos históricos. Não poderia ser surpresa assistir esses fatos invadirem nosso pais.
'Europa e judeus'
Na Alemanha nazista, como em toda Europa, esses sentimentos atingiram todo continente
Em especial, na Europa centro-oriental, abrigo dos grupos de judeus asquenases ou asquenasitas - os grupos de judeus que experimentaram novas "diásporas", e, teve como palcos historicos os séculos da antiguidade e medievais.
'O ódio não nasceu com o nazismo'
Relatos históricos em nossas escolas , colocam o nazismo alemão, como o fomentador de situações que gestaram, o palco de violências que levaram judeus aos "guetos", campos de concentração, trabalhos forçados e extermínio às comunidades.
Não foi com o nazismo que surgiram
esses sentimentos preconceituosos aos judeus. O fanatismo da "suástica" surgiu numa onda pós-1a guerra mundial, que por outro lado apoiou-se em sentimentos que vieram de tempos bem distantes, podendo ter localização até na antiguidade e idade média.
'Diásporas, isolamentos e sobrevivência'
As 'diásporas judáicas" foram abrindo lugares físicos e econômicos onde as comunidades perseguidas/ discriminadas
foram sendo abrigadas, além do isolamento, buscaram modos de vida que as afastaram mais ainda da maioria das populações européias
e, então, desenvolvendo seus modos de sobrevivência nos negócios comerciais e financeiros desde tempos remotos.
A busca das estratégias de sobrevivência, não evitou a mistura com outros grupos étnicos, mas muitos sobreviventes preservaram seus traços culturais, preservação aprendidas/ ensinadas com as guerras da antiguidade e tempos medievais. Guerras promovidas pela Babilônia ou os invasores romanos na Palestina.
'Guerras'
As guerras que foram. promovidas contra os grupos judeus palestinos, respondem pela destruição em duas ocasiões do Templo de Jerusalém (guerras babilônicas e romanas).
Quando visitei Israel fui ao Muro das Lamentações, naquele lugar de orações para cristãos e judeus, também islâmicos - este últimos realizam cerimônias estranhas de apedrejamento das ruinas, em momento onde só eles podem frequentar o local, sempre no horário da tarde - ali, diante daquela ruina, contemplamos à nossa frente o que restou do "Templo de Jerusalém", destruído e reconstruído na capital espiritual do mundo judáico-cristão.
'Modernidade e os judeus'
'Os tempos da modernidade herdaram o ódio em relação a comunidade judáica'
Vem de longe os conflitos do judaismo com as comunidades primitivas cristãs.
Cristãos de tempos remotos, não aceitavam/aceitam, a idéia bíblica do "judeu como o povo escolhido".
Para os cristãos, "povo escolhido" era/é, o povo da "Igreja de Cristo", a partir da sua chegada como, "Messias Salvador" .
Com os novos sentimentos cristãos a estamos diante de situação conflituosa e prosperou o que teólogos denominam de uma "teologia de substituição"; rejeição do preceito teológico judáico - "povo israelita como o povo escolhido pelo criador"
Somados esses sentimentos e ancorados na "teologia da substituição" do "povo escolhido" podemos acrescentar outras idéias/sentimentos/ preconceitos, como fundamentos religiosos/econômicos/filosóficos, muitos gerados por muita desinformação/ contra-informação, como, na verdade um dos fundamentos de discriminação aos judeus.
Já sabemos o que aconteceu no século 20, em relação aos grupos de judeus europeus - asquenases - discriminações, terror e morte
'Facetas histórico- contemporâneas do anti-semitismo'
Na Rússia czarista judeus foram jogados em guetos, "putchs"; por condenação, após o atentado, que teria levado à morte o Czar Alexandre II.
Na época do atentado, alguns judeus faziam parte de uma organização secreta terrorista anarco-socialista conhecida por "Vontade do povo"
Perseguidos e presos nos "putchs" - copiados posteriormente pelos gulags soviéticos e campos de concentração nazistas - lá eram submetidos a exaustivas jornadas de trabalho, tortura, humilhações e mortes.
A polícia secretário czarista, para alimentar o ódio russo aos judeus divulgou um documento falso - Protocolo dos Sábios de Sião- que denunciava uma conspiração judáico- maçônica, para dominar e escravizar a humanidade, começando pelo Ocidente. Ferramenta de mais ódio.
Nas terras germânicas difundia-se o mito, o "povo germânico era o escolhido, e não havia lugar para dois povos preferidos pelo criador".
Reformadores religiosos germânicos defendiam a eliminação de judeus.
Anos seguidos, após a primeira guerra mundial, o delírio nazista via os judeus como traidores da Alemanha, criadores do capitalismo e comumismo. Isto tornou-se uma das bases filosóficas daquela ideologia fanática
O nazismo programou um genocídio em massa em níveis inacreditáveis e satânicos, até chegar a "solução final" , para além de campos de concentração e trabalhos forçados.
Como mão de obra escrava esses grupos judeus foram a base de muitos setores da economia agrícola e industrial na Alemanha hitlerista. O mundo fechou os olhos, até que a "barbárie da solução final" quando chegou para conhecimento da humanidade, após a assinatura da Paz em 1945.
'As ações antisemitas, hoje'
Hoje estamos assistindo a uma campanha de narrativas que tende a desconsiderar a História, ressurgem delírios antisemitas em todas as partes. Então, temos um criminoso estímulo a uma discriminação aos judeus, aí mistura-se, com o já foi dito: anti-sionismo, anti-judaísmo, anti-Israel.
No Brasil tem crescido esta loucura, a começar pela saida do nosso pais de nação aliada aos sentimentos de condenação ao Holocausto ocorrido na 2a. guerra (1939- 1945).
As nossas Universidades assistem "turbas universitárias" em perseguições aos judeus, israelenses e apoiadores das vítimas.
Como testemunha desse neonazismo, presentes em nossas terras, tivemos fatos recentes, como:
1. Um deputado federal sugeriu que consumidores não procurassem lojas de judeus/israelenses.
2. Um bar no bairro carioca da Lapa - cidade do Rio de Janeiro - fixou uma placa: "judeus e americanos não são bem vindos". O bar foi multado. Um jornalista/influêncer veio em defesa do estabelecimento, afirmando que o mesmo estaria sofrendo "perseguição do lobby sionista e imperialista. Recomendou que clientes procurassem o estabelecimento".
3. A pequena cidade litorânea da Bahia, Itacaré, tradicionalmente recebe jovens turistas israelenses. Os visitantes passaram a sofrer perseguições, então evadiram- se da cidade, trazendo prejuízos incalculáveis para: hotéis, pousadas, bares, restaurantes, comércio, produção de souvenieres etc.
Esses sentimentos gerados pela desinformação avançam no mundo, produzindo as mais delirantes idéias de um suposto genicidio praticado por Israel em Gaza, onde um grupo terrorista se escuda na população civil para se proteger
'Minha visita à Auschwitz'
Estive em outubro de 2025 no Leste Europeu, visitei a próspera Polônia, fui conhecer o complexo Auschwitz- Birkenau ( vizinhanças da Varsóvia reconstituída), aquele inferno saí de lá completamente sem fé nas possibilidades humanas, mas Deus me inspirou com sua força divina a prosseguir na minha intenção em viver.
Permanece na minha memória aquelas imagens resultados de delirantes mentes causadoras dos nais hediondos crimes contra a humanidade.
'Lembranças'
Por tudo isto, é importante lembrar a semana de 12 a 19 de abril, dedicado à lembrança de dor às vítimas do Holocausto nazista.
Fala-se que é ato de lembrança para que a humanidade não mais esqueça aquela carnificina.
Em Auschwitz, quando desta minha visita, nossa guia informou que uma urna com cinzas humanas estava sendo retirada, a razão era, grupos visitantes cuspiam na urna.
Como falar em esquecimento ?
Ora, tenho dito, a História
é mestra da denúncia, mas é frágil em relação a conquista de bons discípulos, de conquistas dos corações e mentes.
Hoje, estamos mais uma vez assistindo ao crescimento do totalitarismo, com esre crescimento chega o anti-semitismo, com novas e velhas facetas
Fica dito.
*Jarbas Beltrão é Historiador, professor de História da UPE. Mestre em Educação pela UFPB. MBA em Política Estratégia Defesa e Segurança pela Adesg e Faculdade Metropolitana São Carlos/SP. Vinculado ao MBA em Geopolítica e Novas Fronteiras, Cibernética e Inteligência Artificial pela Adesg (Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra) e Instituto Venturo. Membro associado Academy Ventury de Política e Estratégia.
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