Entrevista - Antônio Campos anuncia candidatura à prefeitura de Olinda
09/10/2026
Antônio Campos é advogado com especialização em Direito Empresarial e Direito do Entretenimento,
É escritor com diversas obras publicadas (como Pense S.A., O Grande Portal e Viver é Resistir). É o idealizador e curador da Fliporto (Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas) e preside o Instituto Maximiano Campos (IMC). Concorreu à prefeitura em 2016 e 2024, pautando seus debates em temas voltados à segurança pública, revitalização urbana, patrimônio histórico, saúde e geração de emprego. Hoje, sexta-feira, 09/10, ele anunciou sua pré-pré candidatura a prefeito. O Poder foi conversar com ele.
O Poder -Por que o anúncio agora, em meio ao segundo turno da disputa nacional?
Antônio Campos - O meu avô, Miguel Arraes, dizia uma frase muito interessante que serve para esses momentos: "Quem é manco, parte cedo" (risos). É uma forma de mostrar também a minha indignação com o que está acontecendo em Olinda, que passa talvez pelo moment...
Antônio Campos é advogado com especialização em Direito Empresarial e Direito do Entretenimento,
É escritor com diversas obras publicadas (como Pense S.A., O Grande Portal e Viver é Resistir). É o idealizador e curador da Fliporto (Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas) e preside o Instituto Maximiano Campos (IMC). Concorreu à prefeitura em 2016 e 2024, pautando seus debates em temas voltados à segurança pública, revitalização urbana, patrimônio histórico, saúde e geração de emprego. Hoje, sexta-feira, 09/10, ele anunciou sua pré-pré candidatura a prefeito. O Poder foi conversar com ele.
O Poder -Por que o anúncio agora, em meio ao segundo turno da disputa nacional?
Antônio Campos - O meu avô, Miguel Arraes, dizia uma frase muito interessante que serve para esses momentos: "Quem é manco, parte cedo" (risos). É uma forma de mostrar também a minha indignação com o que está acontecendo em Olinda, que passa talvez pelo momento mais difícil de sua existência, sem assistência, sem limpeza, sem o cuidado que o olindense merece. O tempo vai passando e nada muda, só piora. Acredito que ninguém fica satisfeito com o que está vendo na cidade. Locais importantes e polos de cultura, como a biblioteca do Carmo, estão completamente abandonados. Não há uma preocupação com a cultura, com a saúde, com o saneamento. Há obras intermináveis que atrapalham a mobilidade. A cidade, que é patrimônio histórico da humanidade, está passando por uma situação de alerta. Vamos debater e conversar para chegar a um consenso.
O Poder - O senhor tem sonhos ou propostas?
AC - Temos projetos, soluções e, principalmente, temos coragem para mudar isso. Nós vamos cuidar das pessoas".
O Poder - O senhor esta alinhado com o campo político da governadora e com Flávio. A prefeita atual é desse mesmo campo...
AC - Eu realmente anunciei e votei na governadora e em Flávio Bolsonaro. E, no segundo turno, votarei outra vez em Flávio Bolsonaro. Eu não tenho preocupação com isso. Sobre a ligação da prefeita com a governadora, vamos conversar com a governadora no momento oportuno e dialogar com as pessoas que sabem que Olinda não está bem.
O Poder - Usando quais argumentos?
Ac - Temos que ver a cidade de outra forma, e não como está. Olinda precisa ter uma política própria, que olhe para as estruturas na sua totalidade. Somos e estamos em uma zona importante do Estado e precisamos gerar emprego, levando algo diferente do que há hoje para as pessoas. Olinda precisa crescer economicamente. Minha decisão é independente da governadora, mas vamos sentar à mesa e conversar".
O Poder - Estruturalmente o que Antônio Campos pode oferecer a Olinda?
AC - Do ponto de vista estrutural, o que uma possível gestão Antônio Campos pode oferecer ao olindense é segurança, emprego, renda, cultura, lazer, saúde e assistência às pessoas. Vamos reabrir o Cine Olinda, fechado há anos, recuperar espaços culturais e promover outros locais, buscar e gerar recursos no município, programas voltados ao turismo. A segurança é um ponto forte a ser implementado e posto em prática. A valorização dos bairros,
Também será prioridade. Olinda não é só a parte histórica ou o carnaval.
O Poder - E o seu olhar social?
AC - Queremos criar uma assistência voltada às pessoas em situação de rua, dando-lhes um espaço digno para ter comida quente, uma roupa e um lugar para tomar um banho, ao preço simbólico de R$ 1,00. Por que um real? Para estabelecer o princípio de que aquilo tem valor, é apenas para dar o senso de responsabilidade e não ser banalizado. Isso com apoio psicológico e sem discriminar quem quer que seja. Sabemos que é também um caso de saúde pública e será algo que ajudará na reflexão dessas pessoas, auxiliando-as a buscar outra forma de viver".
O Poder - o mar continua avançando. O que a prefeitura pode fazer?
AC - Vamos nos voltar para o avanço do mar, que já está em um momento crítico. Hoje existem técnicas de contenção que podemos implementar para resolver esse caso de grande preocupação para os olindenses.
O Poder - E quanto à segurança, problema eternizado...
AC - A segurança é um ponto crucial que pretendemos resolver, pois todos já cansamos de ver o que está acontecendo na cidade. Vamos para o debate, principalmente com o povo, levar ideias e projetos que são muitos, para realmente solucionar os problemas de emprego, geração de renda e redução de impostos, fazendo algo verdadeiramente transformador na nossa Olinda.
É Findi - Manifesto - Poema - Por Felipe Bezerra*
09/10/2026
Eu sigo imerso no vão do vento,
mas mesmo assim levanto
a voz, o braço e o pensamento.
Contra tudo aquilo que é falso,
contra a deturpação dos fatos,
o maliciosamente afirmado.
Sigo contra quem faz o diabo
na eleição e no mandato,
como já foi dito e ressaltado.
Contra as inverdades reiteradas,
agora judicialmente toleradas,
em conluio escancarado.
Sobre tudo isso penso e reflito.
Mas encontro alívio e regozijo,
na singeleza dos acontecimentos.
Eis o crepúsculo do último mandato
do líder popular corrompido,
que traiu sua gente e seus princípios.
Que se afogou na vaidade do cargo,
no luxo desmedido e no escárnio,
pondo em tudo centenário sigilo.
Bora, já deu. Fora!
Até nunca mais!
Adeus líderes imorais!
Recife, 08 de outubro de 2026.
Eu sigo imerso no vão do vento,
mas mesmo assim levanto
a voz, o braço e o pensamento.
Contra tudo aquilo que é falso,
contra a deturpação dos fatos,
o maliciosamente afirmado.
Sigo contra quem faz o diabo
na eleição e no mandato,
como já foi dito e ressaltado.
Contra as inverdades reiteradas,
agora judicialmente toleradas,
em conluio escancarado.
Sobre tudo isso penso e reflito.
Mas encontro alívio e regozijo,
na singeleza dos acontecimentos.
Eis o crepúsculo do último mandato
do líder popular corrompido,
que traiu sua gente e seus princípios.
Que se afogou na vaidade do cargo,
no luxo desmedido e no escárnio,
pondo em tudo centenário sigilo.
Bora, já deu. Fora!
Até nunca mais!
Adeus líderes imorais!
Recife, 08 de outubro de 2026.
*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza
NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
É Findi - (Des)encontro - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
09/10/2026
Primeiro encontro,
(ou foi desencontro?)
um leve, sutil tocar,
um pequeno andar.
Até tua casa, na praça,
um enlevo, uma graça;
batia meu coração qual
o do beija-flor, volteio igual.
A sós, voltei radiante!
Adolescente, inexperiente,
minh'alma em cântaros!
Sofri rios de prantos,
ex-amor, dor excruciante,
mortífero e vil expediente.
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Primeiro encontro,
(ou foi desencontro?)
um leve, sutil tocar,
um pequeno andar.
Até tua casa, na praça,
um enlevo, uma graça;
batia meu coração qual
o do beija-flor, volteio igual.
A sós, voltei radiante!
Adolescente, inexperiente,
minh'alma em cântaros!
Sofri rios de prantos,
ex-amor, dor excruciante,
mortífero e vil expediente.
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É Findi - Série História de Pernambuco - Quando a guerra ultrapassou Pernambuco - Por Alfredo Cabral de Melo*
09/10/2026
A primeira batalha dos Guararapes, em abril de 1648, foi uma vitória importante para as forças da Restauração, mas não resolveu a guerra. Recife continuava sob domínio holandês, protegido por suas fortificações e pelo acesso ao mar. A Companhia das Índias Ocidentais ainda tinha capacidade de reação, como demonstrou a chegada, em março daquele ano, da armada de Witte de With, trazendo novos soldados e recursos. A partir dali, porém, compreender o que acontecia em Pernambuco exigia olhar para além dos campos de batalha.
A guerra também era discutida em Lisboa, enquanto a Companhia das Índias Ocidentais procurava preservar aquilo que ainda controlava. Portugal precisava sustentar a guerra contra a Espanha e, ao mesmo tempo, lidar com o conflito provocado pela presença holandesa em seus territórios ultramarinos. Em 1648, D. João IV buscava uma solução para o impasse e solicitou pareceres sobre a possibilidade de fazer a paz mediante concessões territoriais aos neerlandeses....
A primeira batalha dos Guararapes, em abril de 1648, foi uma vitória importante para as forças da Restauração, mas não resolveu a guerra. Recife continuava sob domínio holandês, protegido por suas fortificações e pelo acesso ao mar. A Companhia das Índias Ocidentais ainda tinha capacidade de reação, como demonstrou a chegada, em março daquele ano, da armada de Witte de With, trazendo novos soldados e recursos. A partir dali, porém, compreender o que acontecia em Pernambuco exigia olhar para além dos campos de batalha.
A guerra também era discutida em Lisboa, enquanto a Companhia das Índias Ocidentais procurava preservar aquilo que ainda controlava. Portugal precisava sustentar a guerra contra a Espanha e, ao mesmo tempo, lidar com o conflito provocado pela presença holandesa em seus territórios ultramarinos. Em 1648, D. João IV buscava uma solução para o impasse e solicitou pareceres sobre a possibilidade de fazer a paz mediante concessões territoriais aos neerlandeses. Entre os envolvidos nessa discussão estava o padre Antônio Vieira. Sua posição, porém, não foi simples nem permaneceu a mesma ao longo do processo. Inicialmente contrário ao projeto de entrega, Vieira acabou defendendo, no chamado “Papel Forte”, a aceitação do acordo como alternativa diante das dificuldades militares e financeiras enfrentadas por Portugal. O documento, intitulado “Papel a favor da entrega de Pernambuco aos holandeses”, tornou-se um dos registros mais expressivos daquele debate. Sua posição, contudo, não prevaleceu. A questão estava longe de ser simples. De um lado, havia o custo de continuar a guerra; de outro, a importância econômica dos territórios açucareiros e o próprio significado político de abandoná-los.
Essa discussão revela uma dimensão pouco lembrada da Restauração. Enquanto os homens que haviam se levantado contra o domínio holandês continuavam lutando em Pernambuco, a possibilidade de entregar novamente o Nordeste aos neerlandeses era examinada na própria Corte portuguesa. A primeira batalha dos Guararapes, ao contrário de encerrar o problema, contribuiu para modificar o ambiente político em Lisboa. A vitória fortaleceu aqueles que defendiam a continuidade da resistência e dificultou a aceitação das concessões territoriais que estavam sendo negociadas.
A posição de Vieira também ajuda a compreender como as decisões tomadas naquele momento estavam longe de obedecer a uma única lógica. O jesuíta não era, desde o início, um defensor da entrega de Pernambuco. Segundo Evaldo Cabral de Mello, ele chegou a se opor ao projeto e a criticar aqueles que pretendiam fazer concessões aos neerlandeses. Foi diante do agravamento das dificuldades portuguesas e do impasse das negociações que passou a defender a aceitação do tratado, entendendo que Portugal não teria condições de sustentar simultaneamente a guerra contra a Espanha e a disputa com os holandeses.
No Recife, entretanto, a Companhia das Índias Ocidentais não parecia disposta a simplesmente aceitar a situação. A chegada de Witte de With reforçou a capacidade militar neerlandesa e permitiu novas operações. O Recôncavo baiano esteve entre os espaços atingidos por essas ações, mostrando que a disputa não estava limitada ao território imediatamente próximo ao Recife. O domínio das rotas marítimas continuava sendo importante para os holandeses, que ainda tinham condições de movimentar tropas e recursos entre diferentes pontos do litoral.
Foi nesse mesmo ano que outro acontecimento passou a ter importância para aquela disputa. Em agosto de 1648, Salvador Correia de Sá e Benevides reconquistou Luanda, que estava sob controle holandês desde 1641. A expedição partira do Rio de Janeiro e tinha como objetivo recuperar a praça africana. Angola ocupava posição importante dentro da presença portuguesa no Atlântico e sua reconquista representava, portanto, mais do que uma vitória isolada em território africano.
A notícia chegou a Lisboa em 25 de novembro, quando o debate sobre as concessões aos neerlandeses ainda não estava encerrado. Segundo Evaldo Cabral de Mello, a possibilidade de encontrar uma solução negociada havia alimentado algum otimismo na Corte, mas a notícia da reconquista de Luanda contribuiu para dissipá-lo. O acontecimento fortaleceu aqueles que defendiam a continuidade da resistência e tornou ainda mais difícil a aceitação da entrega do Nordeste. Não se trata, portanto, de afirmar que Luanda decidiu o destino de Pernambuco, mas de reconhecer que sua reconquista interferiu no ambiente político em que esse destino estava sendo discutido.
A ligação entre Pernambuco e Angola, aliás, não começou naquele ano. Antes mesmo da reconquista de Luanda, havia projetos portugueses que relacionavam a recuperação de posições nos dois espaços. Salvador Correia de Sá já havia apresentado propostas que envolviam Pernambuco e Angola, sinal de que, para alguns dos homens que pensavam a recuperação do poder português, os dois territórios podiam ser considerados dentro de uma questão estratégica mais ampla. Isso não significa que a batalha dos Guararapes e a operação de Luanda tenham sido partes de uma única campanha. Eram acontecimentos distintos, com objetivos próprios, mas inseridos em uma conjuntura em que Portugal procurava recuperar posições perdidas para os neerlandeses.
A coincidência dos acontecimentos de 1648, entretanto, merece atenção. Em março, Witte de With chegou ao Recife com reforços para as forças holandesas. Em abril, a primeira batalha dos Guararapes terminou com a derrota das tropas neerlandesas. Em agosto, Luanda voltou ao domínio português. Enquanto esses acontecimentos se desenrolavam nos diferentes espaços do conflito, em Lisboa continuava a discussão sobre a possibilidade de alcançar a paz mediante concessões territoriais aos neerlandeses. Eram movimentos distintos, com objetivos próprios, mas que ajudam a compreender a dimensão atlântica de uma disputa que já não podia ser observada apenas a partir de Pernambuco.
Seria precipitado dizer que o domínio holandês estava acabado. Recife permanecia em suas mãos, a Companhia ainda possuía capacidade militar e a guerra continuaria por mais alguns anos. O que se percebe em 1648 é algo menos definitivo, mas talvez mais revelador: a presença neerlandesa começava a ser pressionada em diferentes espaços, enquanto Portugal procurava encontrar meios para recuperar aquilo que havia perdido sem comprometer sua própria capacidade de sobrevivência política.
É nesse sentido que Luanda ganha importância para a história que estamos contando. Sua reconquista não decidiu a guerra de Pernambuco, nem permite afirmar, isoladamente, que a presença holandesa estava condenada. Mas, colocada ao lado de Guararapes, das operações no Nordeste e das discussões diplomáticas em Lisboa, ela ajuda a perceber que a disputa já ultrapassava os limites da capitania e envolvia diferentes pontos do Atlântico.
A Restauração, naquele momento, já não cabia apenas no espaço entre os engenhos e o Recife. Havia uma guerra sendo travada em Pernambuco, uma disputa pelo controle de territórios e rotas do Atlântico e, ao mesmo tempo, uma negociação diplomática que poderia decidir o que Portugal conservaria ou estaria disposto a entregar. O resultado ainda não estava definido.
Talvez seja justamente por isso que 1648 seja um ano tão revelador. Os combates mostravam a capacidade militar das forças da Restauração, enquanto a diplomacia revelava que nem todos em Portugal estavam convencidos de que a guerra deveria continuar a qualquer preço. Do outro lado, os holandeses ainda tinham força para reagir, mas precisavam defender um domínio que começava a ser pressionado em diferentes pontos.
A guerra continuava, mas, naquele momento, já havia ultrapassado Pernambuco.
Fontes de referência:
Evaldo Cabral de Mello, “Antônio Vieira e o negócio do Brasil”, Revista Serrote, nº. 4, Instituto Moreira Salles, julho de 2011.
Evaldo Cabral de Mello, Olinda Restaurada e O Negócio do Brasil.
José Antônio Gonsalves de Mello, Fontes para a História do Brasil Holandês.
Documentação histórica relativa à reconquista de Luanda em 1648 e à atuação de Salvador Correia de Sá e Benevides.
*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo
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É Findi - Série Prédios Ícones de Pernambuco - Hangar do Aeroclube de Pernambuco - Por Silvio Amorim*
09/10/2026
O Aeroclube de Pernambuco teve suas origens no período em que a aviação começava a se consolidar no Recife. Inicialmente, o Aeroclube utilizou áreas do Campo do Ibura, onde a aviação já vinha se desenvolvendo. Com a expansão das instalações aeronáuticas e a implantação do futuro Aeroporto dos Guararapes, o Aeroclube precisou procurar outro espaço e instalou-se no Pina.
Fundação
O Aeroclube de Pernambuco foi fundado oficialmente em 15 de marco de 1940, em sessão no Automóvel Clube de Pernambuco. Além dos sócios fundadores, representantes da sociedade civil. Assis Chateaubriand, jornalista e empresário da comunicação, aparece entre os fundadores do Aeroclube de Pernambuco. Ele foi importante na multiplicação dos aeroclubes no Brasil para formação de pilotos civis e no incentivo a "Campanha Nacional de Aviação" e "Asas para a Juventude".
Naquela época, os hidroaviões eram fundamentais para a aviação comercial porque não precisav...
O Aeroclube de Pernambuco teve suas origens no período em que a aviação começava a se consolidar no Recife. Inicialmente, o Aeroclube utilizou áreas do Campo do Ibura, onde a aviação já vinha se desenvolvendo. Com a expansão das instalações aeronáuticas e a implantação do futuro Aeroporto dos Guararapes, o Aeroclube precisou procurar outro espaço e instalou-se no Pina.
Fundação
O Aeroclube de Pernambuco foi fundado oficialmente em 15 de marco de 1940, em sessão no Automóvel Clube de Pernambuco. Além dos sócios fundadores, representantes da sociedade civil. Assis Chateaubriand, jornalista e empresário da comunicação, aparece entre os fundadores do Aeroclube de Pernambuco. Ele foi importante na multiplicação dos aeroclubes no Brasil para formação de pilotos civis e no incentivo a "Campanha Nacional de Aviação" e "Asas para a Juventude".
Naquela época, os hidroaviões eram fundamentais para a aviação comercial porque não precisavam de pistas terrestres. A Bacia do Pina oferecia uma enorme área de água para pousos e decolagens. Em 7 de março de 1925, o Recife recebeu correspondência transportada por avião no então Campo do Pina, numa época em que a aviação francesa começava a estabelecer ligações aéreas com a Cidade do Recife.
Continuidade
Portanto, existe uma continuidade histórica:
A entidade acabou se estabelecendo no Encanta Moça, em 1943, com área de 11.9 hectares, tendo como finalidade a formação de pilotos civis que poderiam integrar a reserva da Aeronáutica. O hangar de ferro foi doado pelo governo francês. O Brasil estava às vésperas da Segunda Guerra Mundial e havia necessidade de ampliar rapidamente o número de aviadores.
Aqui funcionou durante 73 anos uma escola de formação de pilotos, além de atividades de aero desporto, guarda de aeronaves e apoio à aviação não regular. Em 1945, o Aeroclube era considerado o primeiro do Brasil em número de aviões disponíveis para voo, com 22 aeronaves.
Formação de pilotos
Até o encerramento das atividades, já havia formado aproximadamente 2.000 pilotos, cumprindo uma ação social e educacional.
O Aeroclube se tornou parte da vida social e cultural do Recife. Um espaço de lazer e social que recebia exposições, apresentações de aeromodelismo, curso de paraquedismo, eventos, auto cine drive-in e atividades abertas ao público. A pista, os aviões, os hangares e o manguezal formavam uma paisagem bastante singular.
Em 2013, o terreno foi retomado para a implantação da Via Mangue, parque e conjunto habitacional. Em 15 de março daquele ano, coincidentemente na data de aniversário da fundação do Aeroclube de Pernambuco, as aeronaves foram retiradas e as operações da pista foram interrompidas.
*Silvio Amorim, Brvetou-se piloto no Aeroclube de Pernambuco.
*Silvio Amorim é advogado e orgulhoso ex-aluno interno do Colégio Diocesano de Garanhuns. Faz parte da associação Teatro de Amadores de Pernambuco.
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
É Findi – O Recife - Aspectos históricos e geográficos de uma bela cidade - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*
09/10/2026
Com uma área de aproximadamente 217km2, o Recife está localizado às margens do oceano Atlântico, e possui uma população de 1 546 700 (um milhão, quinhentas e quarenta e seis mil e setecentas pessoas - 2012).
Classificado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística como uma metrópole regional, o Grande Recife tem a área metropolitana de maior densidade populacional da região nordeste e a terceira mais densamente habitada do Brasil, superada apenas por São Paulo e Rio de Janeiro, além de possuir a quarta maior rede urbana do País, em população. É formado por 13 municípios, além do Recife: Abreu e Lima, Araçoiaba, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Igarassu, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Itapissuma, Jaboatão dos Guararapes, Moreno, Olinda, Paulista e São Lourenço da Mata.
A metrópole desempenha um forte papel centralizador em seu estado e todo nordeste, abrigando grande número de sedes regionais e nacionais de instituições e empresas públicas e p...
Com uma área de aproximadamente 217km2, o Recife está localizado às margens do oceano Atlântico, e possui uma população de 1 546 700 (um milhão, quinhentas e quarenta e seis mil e setecentas pessoas - 2012).
Classificado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística como uma metrópole regional, o Grande Recife tem a área metropolitana de maior densidade populacional da região nordeste e a terceira mais densamente habitada do Brasil, superada apenas por São Paulo e Rio de Janeiro, além de possuir a quarta maior rede urbana do País, em população. É formado por 13 municípios, além do Recife: Abreu e Lima, Araçoiaba, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Igarassu, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Itapissuma, Jaboatão dos Guararapes, Moreno, Olinda, Paulista e São Lourenço da Mata.
A metrópole desempenha um forte papel centralizador em seu estado e todo nordeste, abrigando grande número de sedes regionais e nacionais de instituições e empresas públicas e privadas, como o Comando Militar do Nordeste, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, a Superintendência Regional Nordeste da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, a TV Globo Nordeste, a Eletrobras Chesf, a Queiroz Galvão, entre outras, e com uma área de influência que abrange outras capitais, como João Pessoa, Maceió, Natal e Aracaju. Inclui, além da capital pernambucana, mais treze cidades do Grande Recife, concentrando 65% do Produto Interno Bruto estadual.
A cidade do Recife foi eleita por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwid, como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no Mundo. Apenas cinco cidades brasileiras entraram na lista, tendo o Recife recebido a quarta posição, após São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e à frente de Curitiba.
Destaca-se por possuir o maior parque tecnológico do Brasil, o Porto Digital; o maior número de consulados estrangeiros fora do eixo Rio-São Paulo, sendo inclusive a única cidade, com exceção de São Paulo e do Rio de Janeiro, que tem consulado dos Estados Unidos; o mais importante polo médico do Norte-Nordeste; o mais moderno aeroporto do Norte-Nordeste, o Aeroporto Internacional dos Guararapes; o maior Produto Interno Bruto per capita entre as capitais da Região Nordeste do Brasil; uma forte indústria de construção civil: a cidade detém grande número de arranha-céus em comparação a outras capitais do país. O Complexo Industrial de Suape, que abriga, entre outros empreendimentos, o maior estaleiro do hemisfério sul.
Com um grande potencial turístico e forte vocação para os contatos de negócios, frequentemente é escolhida como sede de diversos eventos, como simpósios, jornadas e congressos.
A denominação da cidade d(o) "Recife" provém da palavra "arrecife", grande barreira rochosa de arenito que se estende por toda a sua costa, formando piscinas naturais. O nome da cidade deve ser precedido do artigo definido (o). A regra que estabelece esse procedimento é a mesma utilizada para os municípios e estados da Federação cujas denominações sejam originárias de acidentes geográfico como (o) Rio de Janeiro (a) Bahia (o) Cabo de Santo Agostinho...
O seu centro urbano está situado a dois metros acima do nível do mar, segundo levantamento altimétrico realizado pelo Engenheiro Victor Fournié, quando diretor de Obras Públicas, (1874-75) com aferição nos seguintes pontos bases, posteriormente, anotados pelo pesquisador Napoleão Barroso, em ” Cartas Recifenses”:
1. No frontispício da Matriz de N. S.ª da Conceição dos Militares, na Rua Nova – 2,62 m.
2. Matriz de N. S.ª do Rosário dos Pretos - 4,16 m.
3. Igreja da Ordem Terceira de São Francisco Rua do Imperador -2,8m
4. Ginásio Pernambucano – Rua da Aurora – 2,81 m
5. Rua do Riachuelo, na casa n. 677 – 3,54 m seis Av. Conde da Boa Vista – Sobrado n.º 1.242 –3,63m, entre outros.
A hidrografia do Recife é tão importante quanto sua história, não é à toa que ela é chamada de cidade das águas, pois, além de se encontrar praticamente no mar, ela é a foz de dois importantes rios: o Capibaribe e o Beberibe, além desses, segue-se o Tejipió, que chega às terras centrais da cidade, no bojo do Capibaribe. Vejamos, pois, cada um desses rios:
Capibaribe - Rio das Capivaras – Existe divergências quanto ao município onde ele nasce, porém o certo é que tem origem nos confortes da Serra do Jacarará, no olho d’água do gavião e lagoa do angu. Corta vários municípios do agreste e da mata centro de Pernambuco até chegar ao Recife através do bairro da Várzea, de onde sai margeando, e é margeado pelos bairros de Caxangá, Apipucos, Monteiro, Casa Forte, Poço da Panela, Santana, Jaqueira, Torre, Graça, e Madalena, quando bifurca em dois braços, o do lado direito – que segue rumo ao sul e à direita - era chamado antigamente de Rio dos Afogados que vai confundir-se com o Rio Tejipió, lançando suas águas na bacia do Pina. O outro, primitivamente denominado de Rio dos Cedros, corre banhando as localidades dos Coelhos e da Boa Vista, separando-as dos bairros de Santo Antonio e São José até encontrar-se com o Beberibe, na parte de trás do Palácio do Governo.
Beberibe – Tem origem no município de São Lourenço da Mata, no lugar denominado “Cara de Cavalo”, daí segue na direção oeste e vai até a Cova da Onça, de onde deflete para o Poço da Panela, seguindo serpenteando entre os municípios de Olinda e do Recife, passando por Beberibe, Porto da Madeira, Peixinhos e Salgadinho, de onde converge para encontrar-se com o Capibaribe, no ponto que citamos anteriormente.
Tejipió - Nasce um pouco abaixo do bairro a quem deu o nome, na antiga localidade Mamucaia. Corre nas divisas do sul e, prosseguindo, recebe o ribeiro Pacheco, depois que ele adentra as terras dos antigos engenhos Peres, Uchoa e Ibura, passa a receber água do riacho Jiquiá, dai segue serpenteando até Afogados e vai despejar na Bacia do Pina.
Coordenadas Geográficas: Latitude 8º 04' 03'' S e Longitude 34º 55' 00'' W
Limites – O município do Recife se limita: a Leste, com o Oceano Atlântico, ao Norte e Noroeste com Olinda e a Oeste com os Municípios de Camaragibe e São Lourenço da Mata e a Sudeste e Sul, com Jaboatão dos Guararapes.
Conforme preceitua a Lei Municipal n.º 9. 691, de 12 de Março de 1537 foi a data escolhida como a da criação da cidade do Recife, uma vez que o Foral de Duarte Coelho a ele se refere, pela primeira vez, justamente naquele dia.
“Povo” era a sua denominação, com seus casebres, em volta da Ermida de Santelmo, o Santo protetor dos pescadores que, ao se perderem em tenebrosas tempestades, eram por ele guiados, através de um fogo azul. De ermida, a capela passou a Matriz do Corpo Santo da Freguesia de São Frei Pedro Gonçalves, demolida por ocasião dos trabalhos de reforma que “modernizaram” todo o bairro portuário.
Embora também importante, principalmente, sob o ponto de vista econômico, o fluxo de crescimento do Recife no sentido centrípeto (periferia-centro) foi menos marcante que o fluxo centrífugo (centro-periferia), ou seja, a influência financeira e a transposição populacional no sentido rural-urbano foi menos significativa que a dispersão dos moradores, no sentido urbano-rural, não se devendo negar que os núcleos urbanos do Recife brotaram de forma social, religiosa e financeiramente, dispersas e independentes, porém, sempre atrelados político, social e economicamente, aos bairros centrais.
Mesmo equiparando os dois sentidos, o prof.º José Antônio Gonsalves de Melo (O Recife-QUATRO SÉCULOS DE SUA PAISAGEM) pgs. 266/67, trata desse assunto da seguinte forma:
“Assim, a área que viria a ser a do Recife tem um povoamento disperso em vários núcleos: o do porto, já defendido desde o século XVI pelo Forte de São Jorge e, no início do seguinte, pelo do Picão, sobre os arrecifes da barra principal; o da outra banda, na ilha de Antônio Vaz, e o de vários engenhos localizados de um lado e outro do rio, na várzea do Capibaribe: o da Madalena, o da Torre, o de Casa Forte, o do Monteiro, o de Apipucos, e tantos outros. Esses engenhos eram, realmente, núcleos de população, pois contavam cerca de 150 moradores cada um: o senhor de engenho com sua família; os lavradores, que cultivavam pequenas parcelas da área dos canaviais e que formavam uma classe média na hierarquia da sociedade açucareira, também com suas famílias; o capelão; os profissionais das várias atividades, sobretudo industriais do engenho: feitores, mestres de açúcar, banqueiros, escumeiros, purgadores, caixeiros, carreiros, etc... abaixo de todos, os escravos dos serviços doméstico e do campo, é a prova de que esses engenhos constituíram núcleos de população, é que muitos deles vieram a se transformar em bairros.
Após a ocupação holandesa, o Recife desenvolveu-se rapidamente. Até então, a capital de Pernambuco estava em Olinda: a sede da administração da capitania, política, fazendária, jurídica, militar, etc.; os conventos de varias ordens religiosas; o centro do comercio com Portugal e outros países da Europa e com as demais capitanias do Brasil. Com os holandeses todas essas atividades transferem-se para o Recife. Transferem-se e ampliam-se. Os holandeses tinham uma grande tradição urbana e, na grande maioria, se estabeleceram no Recife, de preferência na zona açucareira de Pernambuco. Além disso, as necessidades militares, da administração civil e do comercio, trouxeram para aqui número avultado de holandeses, alemães, franceses, ingleses, escoceses, dinamarqueses, etc., a serviço da Companhia da Índia Ocidental ou sob a jurisdição desta. Um recenseamento feito em 1645 revela que no Recife residiam 8.000 pessoas.
Expulsos os holandeses, tentou-se transferir para Olinda a sede do governo. Mas não se obteve o apoio do Rei, que determinou que o governador e as demais autoridades residissem ali. Na verdade, o Recife oferecia tamanha superioridade locacional, de comodidade e de serviços sobre a antiga capital, que as determinações régias não prevaleceram. E se o Recife só veio a ser oficialmente capital de Pernambuco em 1827, isso decorreu da inércia da burocracia.
Com a expansão da população, no começo do século XVIII, iniciou-se a ocupação da área da Boa Vista, através do aterro que veio a ser a Rua da Imperatriz. Ficava assim incorporado ao perímetro urbano mais um bairro recifense, e a cidade se apresenta, desde então, com sua fisionomia atual, excluindo-se, é claro, os enormes aterros que foram sendo realizados ao longo dos tempos, alguns dos quais deram origem a trechos bem característicos de nossa cidade: todo espaço entre a Rua do Bom Jesus e o Cais do Apolo, todo o terreno entre a antiga Rua das Florentinas e a Rua do Sol, toda a Rua da Aurora e daí para trás, até a Rua do Hospício, etc...
Na segunda metade do século XVIII divulgam-se informações sobre a importância medicinal dos banhos do Rio Capibaribe. Segundo uma noticia da fundação do povoado do Poço da Panela, os médicos do Recife, por volta de 1758, por observações feitas, concluíram que havia no uso de banhos no rio Capibaribe grande vantagem para debelar certa febre epidêmica que desde 1746 aparecera aqui. Com esta descoberta e o gosto da população pelos banhos de rio, as grandes propriedades ribeirinhas começaram a sofrer as primeiras divisões e foram surgindo os sítios ou chácaras recifenses, muitos deles com suas capelas, na sua maioria do século XVIII: a da Sagrada Família, no Chora Menino, a de São José do Manguinho, a dos Aflitos, a da Jaqueira, a do Rosário, etc.”
Já o movimento de ocupação popular da então periferia do Recife só teve início a partir de 1931, quando foi registrada, em cartório, a Liga Mista dos Proprietários da Vila de São Miguel, em Afogados. Dos quarenta e cinco mil mocambos que existiam no Recife, do início dessa década, cerca de doze mil e quinhentos foram demolidos entre 1939/45, esses localizados, principalmente nos mangues das proximidades do futuro Canal Derby/Tacaruna e que iriam permitir, justamente com a dragagem desse último, a drenagem dos alagados do centro da cidade.
É oportuno frisar que, não obstante a derrubada de todos esses mocambos, apenas cerca de cinco mil casas foram construídas para substituí-los e atender à crescente demanda por habitação, fazendo com que o enorme número de excedentes fosse deslocado para as áreas urbanas periféricas que iam surgindo, principalmente nos morros da zona noroeste, dando origem aos atuais bairros do Morro da Conceição, do Alto de Santa Teresinha, do Vasco da Gama, do Alto José Bonifácio, de Nova Descoberta e de outros núcleos de palafitas, nas margens da Rua da Aurora, Ponte do Maduro, dos Coelhos, do Coque, e das Ilhas de Joaneiro, de João de Barros, e do Chié.
Em termos geológicos e geográficos, os bairros centrais da cidade (Recife, Santo Antônio, São José, e também Boa Vista), são o resultado do assoreamento de matérias aluviais transportadas, principalmente, pelos rios Capibaribe e Beberibe e de numerosos aterros realizados pelo homem em diversas épocas e que ainda continuam e, ao que tudo indica, continuarão, estreitando os caminhos fluviais e alargando as ilhas e penínsulas.
A divisão dos bairros surgiu, inicialmente, embora sem delimitar rigorosamente as áreas, com as escolhas religiosas das “FREGUESIAS”, primeiro a de São Frei Pedro Gonçalves, que hoje corresponde ao bairro do Recife, depois as de Santo Antônio, São José e a da Boa Vista, que, com o passar do tempo, foi aumentando, tomando terras de Olinda, assim vieram as freguesias de Santo Amaro, de Afogados, Várzea, Poço da Panela, da Graça, posteriormente, subdividas em muitas outras, como Encruzilhada, Campo Grande, Cordeiro, Pina, e Boa Viagem.
Somente a partir de 1936, com “ O Regulamento da Construção” é que surgiu o primeiro conjunto de normas articuladas e que abrangia os elementos fundamentais de produção da cidade. Este regulamento dividiu o Recife em quatro zonas: a principal, a urbana, a suburbana e a rural, e definiu, para cada uma dessas zonas: usos permitidos, proibidos e tolerados.
Em 1949, o zoneamento atualizava as delimitações das quatro zonas. Essas normas permaneceram vigorando até serem substituídas pela lei de 19 de outubro de 1961, que dividiu o Município do Recife em três setores: urbano, suburbano e rural, cada um, subdividido em zonas e núcleos denominados de acordo com suas utilizações. Do Setor Urbano faziam parte 3 Zonas Comerciais: (ZC1-Centro, ZC2- Encruzilhada, ZC3- Afogados), a Zona Portuária ZP1=Porto, as Zonas Industriais (ZI4-Santo Amaro e parte da ZI5-São José/Cabanga), e a Zona Residencial (ZR2, de uma Zona Portuária (ZP2-aeroporto), uma Zona Comercial (ZC4-Casa Amarela) e três Zonas Industriais (ZI1-Afogados/Mustardinha, parte da ZI3-Casa Amarela e parte da ZI5-Imbiribeira). O Setor Rural abrangia todas as demais localidades.
Em 1997, chegou-se, finalmente, à atual divisão dos bairros que teve origem com a lei nº 16.293, de quatro de fevereiro daquele ano, distribuindo a área da cidade em seis Regiões Político-Administrativa (RPAs) que, por sua vez, englobariam os 94 bairros, estabelecidos pelo decreto de 26 de outubro de 1988, da seguinte forma:
A cada RPA corresponde uma sede regional, assim distribuída:
RPA- I_ (onze bairros)
Recife, Santo Antonio, São José, Boa Vista, Santo Amaro, Coelhos, Soledade, Joana Bezerra, Cabanga, Ilha do Leite e Paissandu.
RPA- II_ ( dezoito bairros)
Arruda, Campina do Barreto, Campo Grande, Encruzilhada, Ponto de Parada, Hipódromo, Peixinhos, Rosarinho, Torreão, Água Fria, Bomba do Hemetério, Alto Santa Terezinha, Cajueiro, Fundão, Beberibe, Dois Unidos, Linha do Tiro e Porto da Madeira.
RPA-III_ (vinte e nove bairros)
Aflitos, Alto do Mandu, Sítio Grande, Apipucos, Casa Amarela, Casa Forte, Derby, Dois Irmãos, Espinheiro, Graça, Jaqueira, Monteiro, Parnamirim, Poço da Panela, Tamarineira, Sítio dos Pintos-São Bráz, Alto José Bonifácio, Alto José do Pinho, Mangabeira, Morro da Conceição, Vasco da Gama, Brejo da Guabiraba, Brejo do Beberibe, Córrego do Jenipapo, Guabiraba, Macaxeira, Nova Descoberta, Passarinho e Pau Ferro.
RPA-IV_ (doze bairros)
Cordeiro, Ilha do Retiro, Iputinga, Madalena, Prado, Torre, Zumbi, Engenho do Meio, Torrões, Caxangá, Cidade Universitária e Várzea.
RPA- V_ (dezesseis bairros)
Afogados, Bongi, Mangueira, Mustardinha, San Martin, Areias, Caçote, Estância, Jiquiá, Barro, Coqueiral, Curado, Jardim São Paulo, Sancho, Tejipió, Totó.
RPA- VI- (oito bairros)
Boa Viagem, Pina, Brasília Teimosa, Imbiribeira, IPSEP, Ibura, Jordão e Ibura de Cima.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras e Sócio Benemérito do IAHGP.
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É Findi - A Nossa Infância Querida - Crônica - Por Malude Maciel*
09/10/2026
Penso que todos nós carregamos por toda nossa vida, as lembranças da infância. Queiramos ou não, de quando em vez, temos uns momentos de recordação e, até parece que foi ontem, que vivenciamos alguns fatos. O tempo é implacável mas não consegue apagar da nossa memória, situações boas ou ruins pelas quais passamos, quando crianças. É incrível!
Eu lembro de quase tudo
Lembro da casa onde nasci; de outras onde morei à época.
Lembro do Grupo Escolar Professor Vicente da Silva Monteiro, ainda hoje localizado na rua Júlio de Melo, em Caruaru.
Lembro das professoras, sendo a primeira, dona Severina(Babu); depois, dona Conceição Torres, no Jardim da Infância e todo o primário, estudei com d. Maria Eunice Férrer, minha mestra.
São tantas lembranças
Lembro de papai me levando pela mão até a Escola.
Lembro que mamãe fez um vestido de quadrilha, do mesmo tecido da camisa do meu par e foi um sucesso na fe...
Penso que todos nós carregamos por toda nossa vida, as lembranças da infância. Queiramos ou não, de quando em vez, temos uns momentos de recordação e, até parece que foi ontem, que vivenciamos alguns fatos. O tempo é implacável mas não consegue apagar da nossa memória, situações boas ou ruins pelas quais passamos, quando crianças. É incrível!
Eu lembro de quase tudo
Lembro da casa onde nasci; de outras onde morei à época.
Lembro do Grupo Escolar Professor Vicente da Silva Monteiro, ainda hoje localizado na rua Júlio de Melo, em Caruaru.
Lembro das professoras, sendo a primeira, dona Severina(Babu); depois, dona Conceição Torres, no Jardim da Infância e todo o primário, estudei com d. Maria Eunice Férrer, minha mestra.
São tantas lembranças
Lembro de papai me levando pela mão até a Escola.
Lembro que mamãe fez um vestido de quadrilha, do mesmo tecido da camisa do meu par e foi um sucesso na festa escolar.
Lembro dos coleguinhas e atualmente ainda encontro com alguns, inclusive um que é monsenhor na Igreja Católica e diretor do Colégio Diocesano.
Lembro dos meus patentes, minhas tias, meus primos, e de vovó Olívia, que faleceu quando eu fiz seis anos.
Lembro dos meus irmãos, cúmplices do dia a dia.
Lembro das brincadeiras de rua, pulando corda em plena via pública, fazendo academia, pintando o chão; passando o anel de mão em mão; correndo no folguedo do bicho, do pega e do esconde-esconde. E muitos outros passa tempos.
Saudades
Lembro do bodinho guisado que mamãe preparava, com aquele sabor inigualável.
Lembro de papai me levando ao clube Intermunicipal, onde junto aos colegas bancários, ele jogava a "pelada".
Lembro dos passeios dominicais caminhando pela cidade, sempre de mãos dadas com papai.
E o tempo não para
Lembro do teste de admissão, verdadeiro vestibular, aplicado pela madre Regina, para eu entrar no Colégio Sagrado Coração.
E aí veio a adolescência, depois a juventude, o namoro, a Faculdade, o noivado, o casório, os filhos queridos, e aqui, hoje, só restam as recordações.
Valeu demais
Valeu muito a pena, porque a vida é exatamente assim; ninguém pode fugir dos desígnios de Deus e estou satisfeita com a minha sorte; uma trajetória abençoada.
Tudo passa
O período da infância é passageiro como as demais fases da vida, mas podemos tirar grandes lições, inclusive revivendo-o quando chegam os netos e outra vez nos sentimos crianças.
As responsabilidades dos adultos são estressantes, porém não devemos reclamar, porque cada fase possui peculiaridades inerentes às situações do momento.
Quase tudo é inesquecível.
Vivamos pois, cada instante, intensamente, saboreando as coisas maravilhosas a que tivermos direito.
Importante é: "Viver e não ter vergonha de ser feliz".
Lembranças da boa infância - Poema
Lembro...
Das casas onde nasci e morei
Das ruas onde passei
Da Escola onde estudei
Dos coleguinhas, com quem brinquei
A memória infantil é marcante
Guarda diversos momentos
Imagens, histórias, sentimentos
Coisas de um tempo distante
Mesmo seguindo adiante
A gente nunca esqueceu
É sempre emocionante
Tudo que a gente viveu.
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel
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É Findi - Antonio Carlos Cavalcanti - Por Josué Sena*
09/10/2026
Imagino-me, prezada Aninha, a passar
Em frente à sua casa e de Toinho,
Na Barão de Itamaracá, nosso caminho,
Da academia de ginástica, de ir e voltar.
Nesse cogitar, não encontro o meu amigo,
De bermudas, a vassourar sua calçada,
Justo o hábito dele tão antigo,
E sigo triste sem ver a cena esperada.
Alguém então diz: teu antigo amigo procurador,
Que cuidava do passeio com tanto gosto,
Foi chamado, Subiu de posto.
Foi contratado por Deus Nosso Senhor.
Eis a razão porque dele o risonho rosto,
A Jack Nicholson, o cenário da rua não irá compor.
*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.
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Imagino-me, prezada Aninha, a passar
Em frente à sua casa e de Toinho,
Na Barão de Itamaracá, nosso caminho,
Da academia de ginástica, de ir e voltar.
Nesse cogitar, não encontro o meu amigo,
De bermudas, a vassourar sua calçada,
Justo o hábito dele tão antigo,
E sigo triste sem ver a cena esperada.
Alguém então diz: teu antigo amigo procurador,
Que cuidava do passeio com tanto gosto,
Foi chamado, Subiu de posto.
Foi contratado por Deus Nosso Senhor.
Eis a razão porque dele o risonho rosto,
A Jack Nicholson, o cenário da rua não irá compor.
*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.
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É Findi - Balanço Vazio - Por Victor Sousa Júnior*
09/10/2026
Um chinelo de ponta-cabeça,
Esquecido na pressa da partida.
O eco dos gritos de alegria
Os motivos das risadas infantis
Agora, já distantes, levadas pelos ares
Mas tudo que vejo é um balanço vazio
Um brinquedo sem vida e sem calor
Ali, parado, feito eu aqui parado
Como a querer voltar o tempo
E mergulhar outra vez naqueles dias
Cheios de sonho e magia
E de alegria de viver.
Volta balanço fagueiro,
A mexer pra lá e pra cá
Como o som de tua risada, Malu,
Que começa e não quer mais parar.
*Victor Sousa Júnior, é escritor Caruaruense, hoje radicado em Coimbra, Portugal. Autor de livros infantis.
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
Um chinelo de ponta-cabeça,
Esquecido na pressa da partida.
O eco dos gritos de alegria
Os motivos das risadas infantis
Agora, já distantes, levadas pelos ares
Mas tudo que vejo é um balanço vazio
Um brinquedo sem vida e sem calor
Ali, parado, feito eu aqui parado
Como a querer voltar o tempo
E mergulhar outra vez naqueles dias
Cheios de sonho e magia
E de alegria de viver.
Volta balanço fagueiro,
A mexer pra lá e pra cá
Como o som de tua risada, Malu,
Que começa e não quer mais parar.
*Victor Sousa Júnior, é escritor Caruaruense, hoje radicado em Coimbra, Portugal. Autor de livros infantis.
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É Findi - As Casas de Olinda - Crônica - Por Romero Falcão*
09/10/2026
Estava pela redondeza quando, de repente, decidi rever a rua onde morei da infância à vida adulta. De tempos em tempos, pouso no meu antigo ninho. Cada vez, mais irreconhecível.
Rua Olímpio Ferreira Chaves, Olinda, Casa Caiada. O ano era 1968. Eu tinha quatro anos. Não havia luz elétrica, nem água encanada. Água de carroça. Luz de candeeiro
A rua era tão hospitaleira: vaga-lume cintilando a noite, passarinhos, matagal, barulho de menino jogando bola, empinando papagaio, brincando de esconde-esconde. Tornou-se tão estranha, calada, morta.
Logo no início da rua, o saudoso Bar Ceará virou galeria. Um cajueiro ainda resiste de pé. Fico parado. Ele me olha. Também devo estar irreconhecível.
As casas que me viram criança se transformaram de tal maneira que mal as reconheço.
As fachadas são austeras, muros altos, cercas elétricas, novelos de arames. Faces de presídio. Indiferentes, não sabem quem eu sou, o quanto pise...
Estava pela redondeza quando, de repente, decidi rever a rua onde morei da infância à vida adulta. De tempos em tempos, pouso no meu antigo ninho. Cada vez, mais irreconhecível.
Rua Olímpio Ferreira Chaves, Olinda, Casa Caiada. O ano era 1968. Eu tinha quatro anos. Não havia luz elétrica, nem água encanada. Água de carroça. Luz de candeeiro
A rua era tão hospitaleira: vaga-lume cintilando a noite, passarinhos, matagal, barulho de menino jogando bola, empinando papagaio, brincando de esconde-esconde. Tornou-se tão estranha, calada, morta.
Logo no início da rua, o saudoso Bar Ceará virou galeria. Um cajueiro ainda resiste de pé. Fico parado. Ele me olha. Também devo estar irreconhecível.
As casas que me viram criança se transformaram de tal maneira que mal as reconheço.
As fachadas são austeras, muros altos, cercas elétricas, novelos de arames. Faces de presídio. Indiferentes, não sabem quem eu sou, o quanto pisei nos seus deliciosos quintais, num tempo em que abrigavam meus amigos. Amigos que já se foram, mas se mantém eternos. A casa mais bonita da rua — a casa de Estênio — deu lugar a um prédio enorme, frio, altivez de ferro.
Mais adiante, procuro dona Deolinda, a portuguesa, cuidando das plantas no jardim de sua casa.
Não. Não há mais dona Deolinda.
A casa foi modificada. A pitoresca casinha branca também desapareceu. A casa de seu Jemens tenho dificuldade de localizar, tamanha a metamorfose pela qual a rua passou.
A casa do meu parceiro Zito... Quanta lembrança. Ela cresceu cinco vezes, tão grande e tão solitária. Perdeu a popularidade, cobriu-se de luxo.
Uma casa me pede atenção. Trocamos demorados olhares. Ela me para.
Conserva o mesmo gradil, a testa azulejada, a inclinação original do telhado. Nela, em 1977, morou um rapaz de olhos verdes, Zé Maria, que tocava violão na calçada.
Até que chego aos quatro duplex.
Ali foi a minha casa.
As grandes vidraças, os pilares, os tijolos aparentes, a fachada imponente que enganava quem a conhecia só por fora.
Por dentro, pobre natureza interior.
Na memória, continuam vivos o piso de cimento furado, as paredes nuas, as infiltrações dos invernos, a radiosa alegria dos verões. O quarto, a cama, meu colchão de capim.
O pé de goiaba, o flamboyant, as plantas de mamãe rebentam no fundo da alma.
Inventam outras formas de crescimento e floração
No final da rua, era a cocheira do mítico sargento Mário e seu majestoso cavalo Bola de Ouro. Também havia vacaria. Copo de leite no peito da vaca.
Agora, máquinas trabalham, alargando tudo, devorando a geografia da minha infância.
Caminho. Não vejo ninguém.
Nem um pé de gente.
Apenas uma rua esquisita, observando um estrangeiro.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda
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É Findi – O Filho da Filha de Dona Dulce - Declaração de Amor - Por Xico Bizerra*
09/10/2026
Neto, a maior invenção de Deus, é filho lambuzado de doçura
Mariana dorme o sono de recém-mãe. Dona Dulce, eu e o pai Clécio sorrimos. Era Outubro, um final de tarde, dia 7. Deus amanheceu inspirado e inventou Bernardo. Ele dorme o sono da vida, mas já enternecendo meus dias futuros. Seu sono inocente é um acalanto para um homem, cabelos algodoados, que descobriu, em 2013, a ventura de ser avô do filho da filha de dona Dulce.
E ele, em seu berço primeiro, olha para mim, como que a balbuciar a meus ouvidos a palavra Amor, deixando escapar na ternura de seus olhinhos a canção de Paz por que tanto lutei. Fez-me sentir na pele o amanhecer do dia ao preparar os meus milhares de colos e braços para recebê-lo, enquanto começavam a surgir as notas da canção que pensei criar e que o desassossego da vida só permitiria compor os primeiros acordes algum tempo depois.
Bê continua a inspirar um avô cada dia mais apaixonado...
Neto, a maior invenção de Deus, é filho lambuzado de doçura
Mariana dorme o sono de recém-mãe. Dona Dulce, eu e o pai Clécio sorrimos. Era Outubro, um final de tarde, dia 7. Deus amanheceu inspirado e inventou Bernardo. Ele dorme o sono da vida, mas já enternecendo meus dias futuros. Seu sono inocente é um acalanto para um homem, cabelos algodoados, que descobriu, em 2013, a ventura de ser avô do filho da filha de dona Dulce.
E ele, em seu berço primeiro, olha para mim, como que a balbuciar a meus ouvidos a palavra Amor, deixando escapar na ternura de seus olhinhos a canção de Paz por que tanto lutei. Fez-me sentir na pele o amanhecer do dia ao preparar os meus milhares de colos e braços para recebê-lo, enquanto começavam a surgir as notas da canção que pensei criar e que o desassossego da vida só permitiria compor os primeiros acordes algum tempo depois.
Bê continua a inspirar um avô cada dia mais apaixonado. São 4.750 dias e ele continua enfeitando meu viver. Como não me plantar num inverno de alegrias para florar risos nesse meu olhar de avô? Salve Bernardo, que me dá a alegria de tê-lo como neto. Feliz 13 anos, meu amiguinho/amigão, meu imenso companheiro. São tantos dias emanando cheiros no meu pé de alegrias. E ele hoje, no jardim da felicidade, crescido e florado, já está carregado de bons frutos. Que assim continue! Que a vida lhe sorria, sempre. Parabéns, Bernardo! Beijos mil!
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico
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É Findi - Segundo Turno - Por Marcelo Mário de Melo*
09/10/2026
Vamos alargar os passos
alongar os braços
ampliar apelos.
Tela a tela
rua a rua
porta a porta.
Em turnos
diurnos e noturnos.
Vamos impedir
a nuvem cinza
e afirmar
a luz do sol
a luz da lua
a luz do L.
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm
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NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
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Vamos alargar os passos
alongar os braços
ampliar apelos.
Tela a tela
rua a rua
porta a porta.
Em turnos
diurnos e noturnos.
Vamos impedir
a nuvem cinza
e afirmar
a luz do sol
a luz da lua
a luz do L.
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm
NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
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É Findi – Iraquitan Palmares* em Dose Dupla
09/10/2026
Miopia Política
O míope
Político
Enxerga mal
Só fala besteiras
Pensa ter a razão
De tudo
Acha
Que é dono
Da verdade absoluta
Dispara asneiras
Para todos os lados
Parece
Uma catástrofe
Destrói em minutos
O que a história
Construiu em anos
A fio
O imbecil
Ainda pousa
De bom moço
E cavalga em sua
Própria vaidade
Atropela a história
Emporcalha o jogo
Jogado
Deixa
Destroços
Por onde passa
O idiota segue
Achando que
É aplaudido
Iludido pelo
Próprio orgulho
Verdadeiro
Embrulho de
Presepadas
O míope
Acredita
Enxergar...
Miopia Política
O míope
Político
Enxerga mal
Só fala besteiras
Pensa ter a razão
De tudo
Acha
Que é dono
Da verdade absoluta
Dispara asneiras
Para todos os lados
Parece
Uma catástrofe
Destrói em minutos
O que a história
Construiu em anos
A fio
O imbecil
Ainda pousa
De bom moço
E cavalga em sua
Própria vaidade
Atropela a história
Emporcalha o jogo
Jogado
Deixa
Destroços
Por onde passa
O idiota segue
Achando que
É aplaudido
Iludido pelo
Próprio orgulho
Verdadeiro
Embrulho de
Presepadas
O míope
Acredita
Enxergar tudo
No afã de
Satisfazer seu
Superego
Coitado
Avisem-no
Ele tá cego
Elo abissal
O sentido
De um abraço
No abraço não
Recebido
Abismo!
Abismo!...
Fosso
Que separa
A solidão
Do amor
Constrói vala
Na alma
Entorpecida
Na retranca
Não destranca
Marcas que
Deveriam ir
Sucumbe-se
A esperança
E o
Abraço?
Bastaria
Como afago
Ao coração
Que empena
E pena
E pena
Distância
Do bem-querer
Minh'alma
Desarrumada
Casa do meu ser
Em destroços
Juízo bagunçado
Rumo sem rumo
Sem prumo
No porvir
Sentido
Dum abraço
Acolhe a alma
E o amor?
Ah!
O amor
É você
Desfilando em
Meu coração
Fazendo folia
Em meus
Pensamentos!
*Iraquitan Palmares, pernambucano de Palmares erradicado na região metropolitana de Brasília-DF há 21 anos, poeta, teatrólogo atuando como ator e professor de teatro no Grupo Cultural Obará no DF, com oito livros publicados e com três no prelo para publicação. @iraquitanoliveirada
NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
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Sidney Nicéas lança no Recife, livro com 52 crônicas sobre a atuação da equipe médica de Odi Veiga nas ambulâncias dos estádios pernambucanos
09/10/2026
Uma leitura que emociona, surpreende e revela um lado do futebol que poucos conhecem e merecem ser contados, No próximo dia 24 de outubro, o escritor Sidney Nicéa, estará lançando no Recife o livro "Entre Cobras, Leões e Timbus - Narrativas de uma mulher, como uma Fênix, à frente das ambulâncias nos estádios de Futebol".
O lançamento
O lançamento será feito a partir das 15h na AABB Recife, na avenida Dr Malaquias, 2024, Graças.
52 crônicas
A obra foi lançada recentemente no Rio e em São Paulo e vem ganhando a mídia do país. O livro traz 52 crônicas sobre a atuação da equipe médica de Odi Veiga nas ambulâncias dos estádios pernambucanos, há 26 anos.
Curiosidades
Curiosidades, fatos inusitados, os problemas sociais que se refletem no futebol, o ecossistema de saúde voltado pro maior esporte do planeta, são retratados nas crônicas.
O livro reúne episódios emo...
Uma leitura que emociona, surpreende e revela um lado do futebol que poucos conhecem e merecem ser contados, No próximo dia 24 de outubro, o escritor Sidney Nicéa, estará lançando no Recife o livro "Entre Cobras, Leões e Timbus - Narrativas de uma mulher, como uma Fênix, à frente das ambulâncias nos estádios de Futebol".
O lançamento
O lançamento será feito a partir das 15h na AABB Recife, na avenida Dr Malaquias, 2024, Graças.
52 crônicas
A obra foi lançada recentemente no Rio e em São Paulo e vem ganhando a mídia do país. O livro traz 52 crônicas sobre a atuação da equipe médica de Odi Veiga nas ambulâncias dos estádios pernambucanos, há 26 anos.
Curiosidades
Curiosidades, fatos inusitados, os problemas sociais que se refletem no futebol, o ecossistema de saúde voltado pro maior esporte do planeta, são retratados nas crônicas.
O livro reúne episódios emocionantes, trágicos e inusitados presenciados por Odi e sua equipe na beira do gramado.
O Poder
A Máquina de Pressão do Agreste: O Peso Revolucionário de Zabumba Caruaru (1972), por Zé da Flauta*
09/10/2026
Quando o vinil de estreia da Banda de Pífanos de Caruaru, lançado sob o título Bandinha de Pífano / Zabumba Caruaru pela CBS em 1972, bateu na agulha, o Brasil urbano descobriu algo que o interior de Pernambuco já sabia há décadas: a música de pífano não é apenas contemplativa, ela é uma rocha rítmica de um impacto demolidor.
Por trás da aparente simplicidade técnica dos sopros de taboca, o que aquele LP registrou para a eternidade foi uma verdadeira parede de som, onde a percussão atua com a fúria, o peso e a precisão das melhores cozinhas do rock e da música afro-diaspórica mundial.
Telepatia
A primeira grande lição do disco está no casamento perfeito entre a matemática dos intervalos e a urgência da execução. Os pífanos de taquara executam linhas harmónicas em terças e sextas paralelas com uma afinação microtonal afiada que corta o ar como uma lâmina. Temas virtuosos como "Briga do Cachorro Com a Onça" e "Dobrandinho" mostram que a melodi...
Quando o vinil de estreia da Banda de Pífanos de Caruaru, lançado sob o título Bandinha de Pífano / Zabumba Caruaru pela CBS em 1972, bateu na agulha, o Brasil urbano descobriu algo que o interior de Pernambuco já sabia há décadas: a música de pífano não é apenas contemplativa, ela é uma rocha rítmica de um impacto demolidor.
Por trás da aparente simplicidade técnica dos sopros de taboca, o que aquele LP registrou para a eternidade foi uma verdadeira parede de som, onde a percussão atua com a fúria, o peso e a precisão das melhores cozinhas do rock e da música afro-diaspórica mundial.
Telepatia
A primeira grande lição do disco está no casamento perfeito entre a matemática dos intervalos e a urgência da execução. Os pífanos de taquara executam linhas harmónicas em terças e sextas paralelas com uma afinação microtonal afiada que corta o ar como uma lâmina. Temas virtuosos como "Briga do Cachorro Com a Onça" e "Dobrandinho" mostram que a melodia nordestina não precisa de concessões ornamentais; ela avança com intervalos certeiros, frases secas e uma comunicação quase telepática entre os sopradores, antecipando o que muito arranjador moderno levaria anos para sistematizar nas pautas acadêmicas.
Rolo compressor
Contudo, é no andar de baixo da banda que reside o motor avassalador da gravação. A seção percussiva, o surdo/tarol de caixa alta, os pratos estalados de mão, o contra surdo pesado e a zabumba grave e pontuada, funcionam como uma engrenagem implacável.
Não há sobra, não há vacilo no tempo; a afinação dos couros entrega uma massa de graves que preenche a sala do estúdio e estremece os alto-falantes. É uma percussão de ataque, feita para arrebanhar multidões em feiras e procissões, transmitindo uma sensação de pancada limpa e dinâmica que impressiona até os produtores mais exigentes.
Matriz estética
Mais do que uma relíquia da cultura popular, Zabumba Caruaru tornou-se uma matriz estética incontornável. A vibração crua contida naquele vinil contaminou diretamente a MPB de vanguarda dos anos 70 e foi a faísca fundamental para a cena pernambucana dos anos 90. Décadas após o seu lançamento, ouvir essa gravação no volume máximo continua a ser uma experiência de impacto físico: uma prova viva de que a autêntica força do peso, do balanço e da porrada sonora sempre esteve enraizada no coração do Agreste.
Bandinha de Pifano - Zabumba Caruaru (Full Album)
Esta gravação histórica do álbum de 1972 permite ouvir na íntegra a pressão sonora, a precisão do pífano e o peso avassalador da percussão da Zabumba Caruaru.
Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista
Seleção Eleições 2026, por Roberto Vieira*
09/10/2026
Ano de Copa do Mundo de futebol e de eleições brasileiras. Acontece desde 1994. Em 32 anos de coincidências, a esquerda venceu em todas as oportunidades, exceto em 2018. Agora, em 2026, a história parece repetir 2018.
Defesa
Flávio Bolsonaro é o goleiro da seleção. Venceu Lula na disputa pela camisa 1. O que não é pouca coisa. Muitos diziam ser Lula o novo Lula Monstrinho, ídolo do líder petista nos anos 1960. Raquel Lyra e Sérgio Moro se impõem nas laterais, para espanto de muitos. A zaga com Tarcísio e Nikolas é a melhor dupla do país. Eleita por dezenas de milhões de torcedores.
Meio-campo
Michelle Bolsonaro é atleta de Cristo, como Baltasar e Kaká. Ela se comunica por sinais com seus companheiros de time. Superou um bate-boca com o goleiro do time, briga de boleiro. Cleitinho tem o biotipo de Carlos Drummond na adolescência e sotaque do Nerso da Capitinga, tudo com a astúcia de um Tancredo enganosamente simpl...
Ano de Copa do Mundo de futebol e de eleições brasileiras. Acontece desde 1994. Em 32 anos de coincidências, a esquerda venceu em todas as oportunidades, exceto em 2018. Agora, em 2026, a história parece repetir 2018.
Defesa
Flávio Bolsonaro é o goleiro da seleção. Venceu Lula na disputa pela camisa 1. O que não é pouca coisa. Muitos diziam ser Lula o novo Lula Monstrinho, ídolo do líder petista nos anos 1960. Raquel Lyra e Sérgio Moro se impõem nas laterais, para espanto de muitos. A zaga com Tarcísio e Nikolas é a melhor dupla do país. Eleita por dezenas de milhões de torcedores.
Meio-campo
Michelle Bolsonaro é atleta de Cristo, como Baltasar e Kaká. Ela se comunica por sinais com seus companheiros de time. Superou um bate-boca com o goleiro do time, briga de boleiro. Cleitinho tem o biotipo de Carlos Drummond na adolescência e sotaque do Nerso da Capitinga, tudo com a astúcia de um Tancredo enganosamente simplório. O camisa 10 é o PL de olho na onda azul deste continente, o novo maior partido do país.
Ataque
André Mendonça não é Lamine Yamal, nunca será. Ele é cartesiano como o antigo Julinho Botelho ou Mbappé. Mas sem ele na direita, até mesmo a convocação de Dallagnol seria impensável. Pela outra extrema, Jair Bolsonaro está preso e incomunicável. Não se sabe como aparece em campo e leva esse time à vitória. É o craque invisível. Odiado e amado por milhões, só não adianta fingir que não existe.
Final
Eleição tem um pouco de futebol. O aplauso e a consagração, muitas vezes são véspera do fracasso. Basta essa seleção perder o próximo capítulo. Então, o craque vira perna de pau. O vilão se torna herói. Até o dia 25 de outubro, os craques são esses. Mas o futuro... só quem viver, verá.
Roberto Vieira é médico e cronista
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos autores.
Regularização Fundiária e Usucapião Especial Urbano: Guia Estratégico e Prático - Por Rosa Freitas*
09/10/2026
A regularização fundiária e a usucapião urbana são instrumentos essenciais para transformar a posse informal em propriedade formal e plena, garantindo segurança jurídica, dignidade e desenvolvimento socioeconômico para cidades e famílias.
1. Importância e Benefícios da Regularização
A formalização de imóveis urbanos vai muito além da obtenção de um documento; ela destrava o potencial econômico e social do patrimônio imobiliário.
• Segurança Jurídica: Proteção contra despejos, garantia da posse legal e preservação do direito à herança para as próximas gerações.
• Acesso a Crédito e Financiamentos: Com a matrícula individualizada em cartório, o imóvel torna-se garantia real para empréstimos bancários (como financiamentos para construção, reforma ou aquisição de bens).
• Valorização Imobiliária: Imóveis regulares chegam a valer 30% a 50% a mais no mercado formal, facilitando negociações de compra, venda e locação.
• Integraç...
A regularização fundiária e a usucapião urbana são instrumentos essenciais para transformar a posse informal em propriedade formal e plena, garantindo segurança jurídica, dignidade e desenvolvimento socioeconômico para cidades e famílias.
1. Importância e Benefícios da Regularização
A formalização de imóveis urbanos vai muito além da obtenção de um documento; ela destrava o potencial econômico e social do patrimônio imobiliário.
• Segurança Jurídica: Proteção contra despejos, garantia da posse legal e preservação do direito à herança para as próximas gerações.
• Acesso a Crédito e Financiamentos: Com a matrícula individualizada em cartório, o imóvel torna-se garantia real para empréstimos bancários (como financiamentos para construção, reforma ou aquisição de bens).
• Valorização Imobiliária: Imóveis regulares chegam a valer 30% a 50% a mais no mercado formal, facilitando negociações de compra, venda e locação.
• Integração Urbana e Melhorias: Facilita a chegada de investimentos públicos em infraestrutura básica (saneamento, pavimentação, iluminação, coleta de regular de lixo) e serviços postais.
2. Tipos de Usucapião Urbana e Modalidades
A usucapião é a aquisição da propriedade pela posse prolongada, mansa e pacífica. No âmbito urbano, destacam-se as seguintes modalidades:
• Especial Urbana (Individual): Requer posse mansa, pacífica e ininterrupta por 5 anos de área urbana de até 250 m^2, utilizando o imóvel para moradia própria ou da família, desde que o possuidor não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
• Especial Coletiva: Aplicada a áreas urbanas superiores a 250 m^2, ocupadas por população de baixa renda para sua moradia por mais de 5 anos, onde os autores não possam ser identificados individualmente. A fração ideal é calculada de forma igualitária para cada possuidor.
• Ordinária: Exige posse contínua por 10 anos, exercida com justo título (ex: contrato de compra e venda) e boa-fé. O prazo cai para 5 anos se houver aquisição onerosa baseada em registro cancelado e houver investimento de interesse social/econômico no local.
• Extraordinária: Não exige título nem boa-fé. O prazo de posse ininterrupta é de 15 anos, reduzindo-se para 10 anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel sua moradia habitual ou realizado obras/serviços de caráter produtivo.
• Familiar (por Abandono do Lar): Voltada para o cônjuge ou companheiro que permanece no imóvel residencial de até 250 m^2 por 2 anos ininterruptos, após o abandono voluntário do lar pelo ex-cônjuge, exercendo posse exclusiva e sem possuir outro imóvel.
• "Hereditária" (Transmissão da Posse / Accessio Possessionis): Na prática jurídica, é a possibilidade de somar o tempo de posse dos antecessores (como herdeiros ou antecessores legítimos) ao seu próprio tempo, preenchendo os requisitos temporais exigidos para qualquer modalidade de usucapião.
3. Caminhos de Regularização: Judicial vs. Extrajudicial
• Via Judicial: Processo tradicional perante o Poder Judiciário, indispensável quando há litígio (contestação de herdeiros ou confrontantes), intervenção de incapazes ou quando a via administrativa encontra barreiras intransponíveis. Costuma ser mais demorada devido à sobrecarga dos tribunais.
• Via Extrajudicial (Diretamente em Cartório): Regulamentada pelo art. 216-A da Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015/75), é realizada diretamente no Cartório de Registro de Imóveis competente. Vantagens: Maior agilidade e desoneração do Judiciário, exigindo a assistência de advogado ou defensor público, além de ata notarial lavrada por tabelião, planta e memorial descritivo assinados por profissional habilitado.
4. Facilitações Recentes e Instrumentos de Apoio
Nos últimos anos, o arcabouço normativo brasileiro (especialmente impulsionado pela REURB - Lei nº 13.465/2017 e atualizações subsequentes) trouxe desburocratizações significativas para acelerar a regularização:
• Registro com Contrato de Compra e Venda / Justo Título: Instrumentos particulares antigos ou compromissos de compra e venda sem formalização cartorária passaram a ser amplamente aproveitados como base documental para fundamentar pedidos de usucapião extrajudicial ou reconhecimento de direito real.
• Dispensa de "Habite-se" Rigoroso: Em muitos procedimentos de regularização fundiária urbana de interesse social (REURB-S) ou regularizações simplificadas, a ausência de habite-se municipal não impede o registro da construção consolidada, priorizando-se a segurança da edificação e a realidade fática.
• Direito de Laje (Lei nº 13.434/2017): Permite a abertura de matrícula própria e desmembramento dos pavimentos superiores (construções sobrepostas, como "puxadinhos" ou andares verticais independentes), viabilizando que o proprietário da laje superior tenha seu próprio registro imobiliário, IPTU individualizado e acesso a financiamentos para reformas e ampliações de forma autônoma.
5. Relação com Obras Públicas e Intervenções Urbanísticas
A regularização fundiária e a execução de obras públicas caminham lado a lado no planejamento e na transformação das cidades:
• Desapropriação e Implantação de Infraestrutura: A Administração Pública pode utilizar institutos de desapropriação e regularização integrada para abrir vias, implantar redes de saneamento, praças e equipamentos comunitários em áreas informais.
• Valorização do Espaço Urbano: A realização de obras públicas de saneamento e pavimentação em áreas regularizadas eleva o padrão de salubridade, reduz vulnerabilidades climáticas e impulsiona a economia local.
• Segurança para Desapropriações Justas: Áreas regularizadas garantem que, em caso de futuras intervenções públicas necessárias, os verdadeiros proprietários recebam as indenizações justas devidas por lei.
6. Conclusão: 7 Pontos fundamentais
1. Transformação Social: A regularização fundiária converte a mera posse em propriedade formal, garantindo dignidade e cidadania.
2. Segurança e Herança: Protege o cidadão contra remoções arbitrárias e assegura a transmissão legal do patrimônio familiar.
3. Desenvolvimento Econômico: Abre portas para o crédito bancário, financiamentos imobiliários e expressiva valorização comercial dos imóveis.
4. Diversidade de Caminhos: Oferece múltiplas modalidades de usucapião (urbana, coletiva, familiar, ordinária e extraordinária) adaptadas a cada realidade fática.
5. Desburocratização Cartorária: A via extrajudicial e o uso de instrumentos como contratos de compra e venda e o direito de laje tornaram os processos muito mais céleres.
6. Parceria com o Poder Público: A integração com obras públicas e programas municipais viabiliza a chegada de infraestrutura urbana de qualidade às comunidades.
7. Sustentabilidade Urbana: Promove cidades mais integradas, organizadas e juridicamente seguras para as presentes e futuras gerações.
7. Referências Normativas
• Constituição Federal de 1988: Artigos 182 e 183 (Política Urbana e Usucapião Especial Urbana).
• Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002): Artigos referentes à posse, propriedade e modalidades de usucapião (Ordinária e Extraordinária).
• Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015/1973): Artigo 216-A (Usucapião Extrajudicial).
• Lei da REURB (Lei nº 13.465/2017): Dispõe sobre a Regularização Fundiária Urbana no Brasil.
• Marco do Direito de Laje (Lei nº 13.434/2017): Inclusão do direito real de laje no Código Civil.
Rosa Freitas é Doutora em Direito e pelo PPGD/UFPE, servidora pública, com 20 anos de experiência nas áreas pública e privada, Pós-Graduada em Transição Energética e novos Negócios pela PUC-PR, autora de livros e artigos jurídicos, dentre '"A nova dogmáticada da tributação de serviçosno Brasil" pela Editora Ponto a Ponto.
*Profa. Rosa Freitas, é Advogada – Direito Tributário e Direito de Energia - Consultoria Jurídica e Regulatória. @profa.dra.rosafreitas e Advrosafreitas@gmail.com
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o livre confronto de ideias e acolhe o contraditório. Todas as pessoas e instituições citadas têm assegurado espaço para suas manifestações.
O Mínimo como Mandato: Uma Reflexão nas Eleições Gerais de 2026 - Por Amadeu Robalinho*
09/10/2026
Enquanto a política vender sobrevivência como conquista, o povo vai agradecer pelo mínimo em vez de cobrar pelo máximo.
A frase acima pode parecer, à primeira vista, apenas uma provocação política. Mas ela encerra uma questão muito mais profunda sobre a relação entre Estado, sociedade e cidadania.
Nas eleições gerais de 4 de outubro de 2026, o Brasil escolherá presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Não se trata, portanto, de uma eleição limitada à administração cotidiana das cidades. O que estará em disputa é a direção política, econômica, institucional e estratégica do País para os próximos anos.
É nesse contexto que precisamos discutir uma questão que ultrapassa governos e partidos: qual é o tamanho daquilo que o cidadão brasileiro deve exigir do Estado?
Quando o voto encolhe o horizonte.
Eleger um presidente, governador, senador ou deputado não significa si...
Enquanto a política vender sobrevivência como conquista, o povo vai agradecer pelo mínimo em vez de cobrar pelo máximo.
A frase acima pode parecer, à primeira vista, apenas uma provocação política. Mas ela encerra uma questão muito mais profunda sobre a relação entre Estado, sociedade e cidadania.
Nas eleições gerais de 4 de outubro de 2026, o Brasil escolherá presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Não se trata, portanto, de uma eleição limitada à administração cotidiana das cidades. O que estará em disputa é a direção política, econômica, institucional e estratégica do País para os próximos anos.
É nesse contexto que precisamos discutir uma questão que ultrapassa governos e partidos: qual é o tamanho daquilo que o cidadão brasileiro deve exigir do Estado?
Quando o voto encolhe o horizonte.
Eleger um presidente, governador, senador ou deputado não significa simplesmente escolher quem entregará uma obra, concederá um benefício ou anunciará uma medida emergencial.
Significa escolher representantes que participarão de decisões capazes de afetar a estrutura tributária, o orçamento público, a educação, a saúde, a segurança, a infraestrutura, a política industrial, a energia, a defesa nacional, a ciência, a tecnologia e a própria capacidade estratégica do Estado brasileiro.
Quando o eleitor é levado a avaliar um governo exclusivamente pelo benefício imediato que recebeu, existe o risco de reduzir a dimensão do mandato político.
O benefício emergencial pode ser necessário. A transferência de renda pode ser necessária. A obra pública pode ser necessária. O atendimento de uma necessidade imediata pode ser indispensável.
Mas nenhuma dessas ações deveria representar o limite da ambição nacional.
O Estado não pode transformar a superação da emergência em substituto para a construção de um futuro.
Uma sociedade que passa a considerar excepcional aquilo que deveria ser básico corre o risco de inverter sua própria escala de prioridades. O cidadão deixa de perguntar quanto o Estado pode construir e passa a agradecer simplesmente porque alguma coisa foi entregue.
É nesse ponto que o mínimo pode transformar-se em mandato.
A Política da Escassez.
Existe uma dinâmica política que pode surgir quando a precariedade se torna normalizada.
Primeiro, problemas estruturais permanecem durante décadas. Depois, governos apresentam medidas pontuais para amenizar suas consequências. Em seguida, essas medidas são transformadas em símbolos de realização administrativa. Finalmente, aquilo que deveria ser apenas uma etapa da política pública passa a ser apresentado como conquista extraordinária.
O problema não está necessariamente na existência dessas políticas. Muitas delas são legítimas e indispensáveis.
O problema aparece quando a emergência passa a substituir a estratégia.
Uma nação não pode estabelecer como horizonte permanente apenas a redução da pobreza, sem discutir a geração de riqueza. Não pode limitar sua política industrial à manutenção de estruturas existentes, sem buscar autonomia tecnológica. Não pode tratar infraestrutura como simples reparação de danos, quando deveria concebê-la como instrumento de desenvolvimento e soberania.
Da mesma forma, não pode discutir segurança pública apenas depois que a violência se instala, nem discutir energia somente quando surge uma crise de abastecimento.
O Estado estratégico trabalha antes da crise.
O Brasil tem de começar a pensar grande.
As Eleições gerais de 2026 deveriam ser também uma oportunidade para discutir qual projeto de País pretendemos construir.
Que política industrial será adotada?
Qual será o papel da ciência e da tecnologia no desenvolvimento nacional?
Como o Brasil pretende ampliar sua infraestrutura crítica?
Qual será o futuro da matriz energética?
Como proteger ativos estratégicos, sistemas de comunicação, redes de energia, portos, ferrovias, sistemas de abastecimento e cabos submarinos?
Qual será o nível de investimento em defesa nacional?
Como enfrentar organizações criminosas que ultrapassam fronteiras estaduais e assumem características cada vez mais complexas?
Como transformar educação em capacidade produtiva, tecnológica e científica?
Essas perguntas não pertencem a um único governo ou a um único partido. Pertencem ao Estado brasileiro.
E é justamente por isso que o debate eleitoral não deveria se limitar à disputa entre nomes.
Soberania também é ter sabedoria e liberdade para escolher.
Não existe soberania plena quando uma nação não possui capacidade suficiente para produzir, proteger, pesquisar, inovar e decidir.
Soberania não é apenas possuir território.
É possuir capacidade energética.
É possuir infraestrutura.
É possuir indústria.
É possuir conhecimento científico.
É dominar tecnologias críticas.
É proteger suas comunicações.
É garantir segurança à população.
É possuir capacidade de defesa.
É conseguir tomar decisões estratégicas sem depender permanentemente de capacidades externas.
Por isso, a discussão sobre desenvolvimento não pode ser separada da discussão sobre soberania.
Um País que apenas administra suas carências pode sobreviver.
Um País que desenvolve capacidades estratégicas pode transformar sua realidade.
O Voto é um contrato de administação.
O voto não deveria ser entendido apenas como uma escolha de pessoas.
É também uma escolha sobre prioridades.
O Eleitor pode perguntar ao candidato quanto será destinado a determinada política pública, mas também precisa perguntar qual problema estrutural aquela política pretende resolver.
Pode perguntar quanto será investido, mas também deve perguntar qual capacidade nacional será construída.
Pode perguntar qual benefício será entregue, mas também deve perguntar qual será o resultado daqui a dez ou vinte anos.
Essa mudança de perspectiva é fundamental.
Porque uma nação não se constrói apenas com respostas para as emergências do presente. Constrói-se com planejamento, conhecimento, infraestrutura, tecnologia, educação, energia, segurança e capacidade estratégica.
Não se trata de pedir menos. Trata-se de exigir mais.
A grande questão das eleições gerais de 2026 não deveria ser apenas quem promete entregar mais benefícios.
Deveria ser também qual projeto de Estado pretende construir capacidades permanentes.
O Cidadão brasileiro não deve ser tratado apenas como beneficiário de políticas públicas. É titular de direitos e integrante de uma sociedade que financia o Estado e possui o direito de exigir resultados.
O mínimo pode ser necessário para garantir dignidade.
Mas o mínimo não pode ser transformado em teto de expectativa nacional.
Uma democracia madura não deve ensinar o cidadão a agradecer indefinidamente pela sobrevivência. Deve criar condições para que ele possa exigir desenvolvimento, segurança, educação, saúde, infraestrutura, oportunidades e prosperidade.
O Brasil possui território, população, recursos naturais, capacidade científica, indústria, universidades, forças de segurança, Forças Armadas e uma posição geopolítica singular.
A questão fundamental é transformar esses ativos em capacidade nacional.
É nesse ponto que o debate eleitoral precisa alcançar uma dimensão maior.
Não se trata apenas de escolher quem administrará o Estado.
Trata-se de decidir qual Estado queremos construir.
Porque uma nação que aceita o mínimo como destino corre o risco de transformar a exceção em regra.
E uma nação que compreende sua própria capacidade pode começar a exigir do Estado não apenas a administração da escassez, mas a construção das condições necessárias para a abundância, o desenvolvimento e a soberania.
Em outubro de 2026, o Brasil escolherá seus representantes.
Mas, muito além disso, terá a oportunidade de decidir qual será o tamanho de sua própria ambição nacional.
*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
O Ódio que Cheira a Ignorância - Crônica Poética - Por Walmir Chagas*
09/10/2026
Há um cheiro ruim no ar. Não é esgoto, não é lixo acumulado na esquina. É o fedor do medo. O medo que os poderosos da ultra direita têm de um povo que lê, que pensa, que questiona. Porque povo que estuda é povo que não se curva. Povo que conhece sua história não aceita ser tratado como gado. E é exatamente isso que eles querem: gado. Gado que vota, gado que trabalha, gado que cala.
Para essa gente, tudo que cheire a cultura é suspeito. Teatro é doutrinação. Cinema é propaganda. Universidade é ninho de comunistas. Arte é desperdício de tempo. Já ouviram dizer que “ensino de artes nas escolas é uma perda de tempo”. Já ouviram dizer que “as universidades são centros de doutrinação ideológica”. Essas frases poderiam ter saído da boca de Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler. Mas saíram de boca de gente que se diz cristã, que se diz patriota.
O fascismo sempre teve ódio da cultura. Os nazistas queimaram livros. Fecharam teatros. Perseguiram artistas. O q...
Há um cheiro ruim no ar. Não é esgoto, não é lixo acumulado na esquina. É o fedor do medo. O medo que os poderosos da ultra direita têm de um povo que lê, que pensa, que questiona. Porque povo que estuda é povo que não se curva. Povo que conhece sua história não aceita ser tratado como gado. E é exatamente isso que eles querem: gado. Gado que vota, gado que trabalha, gado que cala.
Para essa gente, tudo que cheire a cultura é suspeito. Teatro é doutrinação. Cinema é propaganda. Universidade é ninho de comunistas. Arte é desperdício de tempo. Já ouviram dizer que “ensino de artes nas escolas é uma perda de tempo”. Já ouviram dizer que “as universidades são centros de doutrinação ideológica”. Essas frases poderiam ter saído da boca de Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler. Mas saíram de boca de gente que se diz cristã, que se diz patriota.
O fascismo sempre teve ódio da cultura. Os nazistas queimaram livros. Fecharam teatros. Perseguiram artistas. O que vemos hoje no Brasil não é diferente. É a mesma lógica. A mesma estratégia. Manter o povo na ignorância para que ele não perceba que está sendo roubado, humilhado, explorado.
Nas últimas semanas, vimos candidatos da extrema direita invadindo universidades. Apagando murais. Ameaçando estudantes. Dizendo que vão “acabar com essa palhaçada”. Que vão “fechar essas fábricas de doutrinamento”. O alvo? As ciências humanas. Filosofia. Sociologia. História. Artes. Porque é exatamente nessas áreas que se ensina a pensar. A questionar. A não aceitar mentiras como verdade.
Um candidato a deputado federal, Wilker Leão, invadiu o Instituto de Artes da Universidade de Brasília e apagou manifestações artísticas dos estudantes. Disse que aquilo era “lixo”. Que aquilo era “doutrinação”. Os estudantes tiveram que repintar o muro. Mas o muro não é o importante. O importante é a mensagem: eles têm medo da arte. Têm medo da criatividade. Têm medo de um povo que sabe se expressar.
Enquanto atacam a cultura brasileira, esses mesmos poderosos se curvam aos Estados Unidos. Tudo que vem de lá é bom. Tudo que vem daqui é suspeito. Querem privatizar a Petrobras. Querem entregar o pré-sal. Querem transformar o Brasil em um quintal dos EUA. Enquanto isso, o povo continua pobre. Continua sem saúde. Continua sem educação. Mas eles estão felizes. Porque o importante não é o Brasil. O importante é agradar o patrão lá de cima.
Bolsonaro representa exatamente isso. As forças do atraso. Da mentira. Da subserviência. Durante seu governo, o orçamento da educação foi sangrado. Universidades foram sucateadas. Professores foram perseguidos. A cultura foi tratada como inimiga. E o resultado? Um país mais ignorante. Mais dividido. Mais fácil de manipular.
Do outro lado, temos Lula. E com ele, as forças progressistas. Que acreditam na educação como direito. Na cultura como expressão de um povo. Na universidade como espaço de pensamento crítico. Durante seu governo, os recursos para universidades e institutos federais foram recompostos. O ensino em tempo integral foi retomado. A cultura voltou a ser valorizada.
Não é perfeito. Não é o fim da história. Mas é a direção certa. Porque um país que investe em educação é um país que investe no futuro. Um país que valoriza a cultura é um país que valoriza sua alma. Um país que respeita suas universidades é um país que respeita o pensamento.
De um lado, as forças do progresso. Que querem um país soberano. Que querem um povo educado. Que querem uma cultura viva. Do outro, as forças do atraso. Que querem um país subserviente. Que querem um povo ignorante. Que querem uma cultura morta.
A escolha é clara. Ou somos um país que pensa. Ou somos um país que obedece. Ou somos um país que cria. Ou somos um país que copia. Ou somos um país que lê. Ou somos um país que cala.
No fim, tudo se resume a isso: medo. Medo de um povo que sabe. Medo de um povo que lê. Medo de um povo que pensa. Porque povo que sabe não aceita ser enganado. Povo que lê não aceita ser manipulado. Povo que pensa não aceita ser tratado como gado.
E é por isso que eles atacam a cultura. É por isso que atacam a educação. É por isso que atacam as universidades. Porque sabem que um povo que estuda é um povo que se liberta. E isso, eles não podem permitir.
Mas nós podemos permitir. Nós devemos permitir. Porque um país sem cultura é um país sem alma. Um país sem educação é um país sem futuro. Um país sem pensamento crítico é um país sem liberdade.
E é aqui que entramos nós. Os que acreditam na cultura. Os que acreditam na educação. Os que acreditam no pensamento. Somos a resistência. Somos o antídoto. Somos o futuro.
Porque enquanto houver um teatro aberto. Enquanto houver um livro sendo lido. Enquanto houver uma universidade de pé. Enquanto houver um professor ensinando. Enquanto houver um artista criando. Enquanto houver um estudante questionando. Enquanto houver um povo pensando.
Enquanto houver isso, eles não venceram. Enquanto houver isso, a liberdade respira. Enquanto houver isso, o futuro é nosso.
Há outro cheiro no ar. Não é o fedor do medo. É o aroma da esperança. É o cheiro de um país que está acordando. De um povo que está abrindo os olhos. De uma nação que está dizendo: basta.
Basta de ignorância. Basta de subserviência. Basta de medo. Queremos educação. Queremos cultura. Queremos liberdade. Queremos pensar. Queremos criar. Queremos ser.
E é por isso que lutamos. Não por um partido. Não por um candidato. Mas por um país. Um país que acredita no seu povo. Um país que investe no seu futuro. Um país que respeita sua cultura. Um país que valoriza sua educação. Um país que pensa.
No fim, tudo se resume a uma palavra: liberdade. Liberdade para pensar. Liberdade para criar. Liberdade para ser. E é isso que eles querem nos tirar. É isso que querem nos roubar. É isso que querem nos negar.
Mas nós não vamos deixar. Porque um povo que sabe sua história não aceita ser apagado. Um povo que conhece sua cultura não aceita ser silenciado. Um povo que pensa não aceita ser calado.
Somos a resistência. Somos a esperança. Somos o futuro. E enquanto houver um livro sendo lido. Enquanto houver um teatro aberto. Enquanto houver uma universidade de pé. Enquanto houver um povo pensando.
Nós venceremos. Porque a ignorância pode até tentar nos calar. Mas a liberdade sempre encontrará uma voz. E essa voz será a nossa.
*Walmir Chagas, é multiartista e livre pensador.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
"Eleições e sinuca de bico para metacapitalistas e esquerdoglobalistas" - Por Jarbas Beltrão*
09/10/2026
Eleições realizadas, apurações concluídas. Resultados, como em qualquer Democracia, questionados. Já são vários os questionamentos, o mais polêmico, diz respeito à escolha presidencial, ou seja, apoiadores do candidato de oposição e o candidato à reeleição.
Questionamentos "cabulosos". Os eleitores têm seus votos seguidos para a urna e posterior apuração de maneira uniforme. Deputado estadual, deputado federal, senadores, governador e presidente da República.
Diz os questionamentos, a contagem teria de seguir uniforme prá todos os cargos. Só que em certo momento, a contagem seguia a trajetória normal, porém o cargo para presidente parou.
Se a contagem seguia regular e a do cargo de presidente foi paralisada, como se explica o fenômeno. Isto teria acontecido quando a apuração alcançara dois terços e o candidato da "oposição", chamado de "direita" se aproximava dos "perigosos" cinquenta por cento.
Enquanto isso, o candidato di...
Eleições realizadas, apurações concluídas. Resultados, como em qualquer Democracia, questionados. Já são vários os questionamentos, o mais polêmico, diz respeito à escolha presidencial, ou seja, apoiadores do candidato de oposição e o candidato à reeleição.
Questionamentos "cabulosos". Os eleitores têm seus votos seguidos para a urna e posterior apuração de maneira uniforme. Deputado estadual, deputado federal, senadores, governador e presidente da República.
Diz os questionamentos, a contagem teria de seguir uniforme prá todos os cargos. Só que em certo momento, a contagem seguia a trajetória normal, porém o cargo para presidente parou.
Se a contagem seguia regular e a do cargo de presidente foi paralisada, como se explica o fenômeno. Isto teria acontecido quando a apuração alcançara dois terços e o candidato da "oposição", chamado de "direita" se aproximava dos "perigosos" cinquenta por cento.
Enquanto isso, o candidato dito da "esquerda" que tentava a reeleição ficava em quarenta e dois por cento. A '"prisão de ventre" das urnas, que não era total, mas só para o cargo de presidente, já alcançava incômodos 45 minutos. Entretanto; desengasgou, soltou o gás orgânico, que impedia a passagem de um "bolo fecal" represado.
Após a superação do impasse, as urnas passaram a funcionar plenamente. Porém para desespero dos que apoiavam o candidato da "direita", que tinha seu candidato na frente frente da corrida, observavam com muita surpresa, eventos, como: quem estava na frente apresentava, agora, uma pequena queda, quem estava na perda, apresentava uma pequena subida.
A partir, da liberação do engasgo, a coisa foi se equilibrando e o resultado apurado passou a apontar para um segundo turno. Segundo turno já visto pelos dois lados como um resultado apenas adiado.
Enquanto isso, na 2a. feira dia 05 de outubro os mercados de investimentos e o câmbio se manifestavam.
A Bolsa de Valores que havia "patinado", nos últimos meses, entre 170 mil até 185 mil pontos, acordou. Acordou de um sono que parecia que iria ficar por muito mais tempo.
Pois é, neste dia seguinte, a Bolsa foi além da casa dos 207 mil pontos, mostrando que os investidores de todos os tamanhos eram dominados pelo medo; medo de perda de investimentos aplicados. O índice Ibovespa que com muita dificuldade alcançava 1,0%, alcancançou inacreditáveis 7,5%.
Ultrapassaram a barreira e o fluxo de capitais ressurgiu com força nesta 2a.feira, e analistas de finanças já falam em fechamento anual superior a 230 mil pontos.
O "dólar" e o "euro" em queda. Começaram à entrar, a chegar. O "dólar" pressionado pra baixo, subordinado ao aumento de oferta da moeda. Diria a turma da "canhota", são uns reacionários. Nisso, foi ficando transparente que, uma certa turma da Faria Lima, passou a desacreditar no atual governo, mas metacapitalistas e globalistas tão ainda se segurando no barco, mas com salva-vidas no corpo.
De repente, o país Brasil, poderá se afastar do globalismo metacapitalista da "Turma de Davos" e do "Clube de Bildeberg" e o Bloco russo-chines-iraniano, pensando como sair, se for o caso, de uma provável "sinuca de bico".
Fica o recado.
*Jarbas Beltrão é historiador e professor de História da Universidade de Pernambuco - UPE. Mestre em Educação pela UFPB. Especialista (MBA) em Política Estratégia Defesa e Segurança Nacional. (Adesg Famesc).Especialista (MBA) em Geopolítica/Novas Fronteiras/Cibernética e IA. (Adesg/Instituto Venturo)
NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
Entrevista - Antônio Campos anuncia candidatura à prefeitura de Olinda
09/10/2026
Antônio Campos é advogado com especialização em Direito Empresarial e Direito do Entretenimento,
É escritor com diversas obras publicadas (como Pense S.A., O Grande Portal e Viver é Resistir). É o idealizador e curador da Fliporto (Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas) e preside o Instituto Maximiano Campos (IMC). Concorreu à prefeitura em 2016 e 2024, pautando seus debates em temas voltados à segurança pública, revitalização urbana, patrimônio histórico, saúde e geração de emprego. Hoje, sexta-feira, 09/10, ele anunciou sua pré-pré candidatura a prefeito. O Poder foi conversar com ele.
O Poder -Por que o anúncio agora, em meio ao segundo turno da disputa nacional?
Antônio Campos - O meu avô, Miguel Arraes, dizia uma frase muito interessante que serve para esses momentos: "Quem é manco, parte cedo" (risos). É uma forma de mostrar também a minha indignação com o que está acontecendo em Olinda, que passa talvez pelo moment...
Antônio Campos é advogado com especialização em Direito Empresarial e Direito do Entretenimento,
É escritor com diversas obras publicadas (como Pense S.A., O Grande Portal e Viver é Resistir). É o idealizador e curador da Fliporto (Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas) e preside o Instituto Maximiano Campos (IMC). Concorreu à prefeitura em 2016 e 2024, pautando seus debates em temas voltados à segurança pública, revitalização urbana, patrimônio histórico, saúde e geração de emprego. Hoje, sexta-feira, 09/10, ele anunciou sua pré-pré candidatura a prefeito. O Poder foi conversar com ele.
O Poder -Por que o anúncio agora, em meio ao segundo turno da disputa nacional?
Antônio Campos - O meu avô, Miguel Arraes, dizia uma frase muito interessante que serve para esses momentos: "Quem é manco, parte cedo" (risos). É uma forma de mostrar também a minha indignação com o que está acontecendo em Olinda, que passa talvez pelo momento mais difícil de sua existência, sem assistência, sem limpeza, sem o cuidado que o olindense merece. O tempo vai passando e nada muda, só piora. Acredito que ninguém fica satisfeito com o que está vendo na cidade. Locais importantes e polos de cultura, como a biblioteca do Carmo, estão completamente abandonados. Não há uma preocupação com a cultura, com a saúde, com o saneamento. Há obras intermináveis que atrapalham a mobilidade. A cidade, que é patrimônio histórico da humanidade, está passando por uma situação de alerta. Vamos debater e conversar para chegar a um consenso.
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O Poder - O senhor tem sonhos ou propostas?
AC - Temos projetos, soluções e, principalmente, temos coragem para mudar isso. Nós vamos cuidar das pessoas".
O Poder - O senhor esta alinhado com o campo político da governadora e com Flávio. A prefeita atual é desse mesmo campo...
AC - Eu realmente anunciei e votei na governadora e em Flávio Bolsonaro. E, no segundo turno, votarei outra vez em Flávio Bolsonaro. Eu não tenho preocupação com isso. Sobre a ligação da prefeita com a governadora, vamos conversar com a governadora no momento oportuno e dialogar com as pessoas que sabem que Olinda não está bem.
O Poder - Usando quais argumentos?
Ac - Temos que ver a cidade de outra forma, e não como está. Olinda precisa ter uma política própria, que olhe para as estruturas na sua totalidade. Somos e estamos em uma zona importante do Estado e precisamos gerar emprego, levando algo diferente do que há hoje para as pessoas. Olinda precisa crescer economicamente. Minha decisão é independente da governadora, mas vamos sentar à mesa e conversar".
O Poder - Estruturalmente o que Antônio Campos pode oferecer a Olinda?
AC - Do ponto de vista estrutural, o que uma possível gestão Antônio Campos pode oferecer ao olindense é segurança, emprego, renda, cultura, lazer, saúde e assistência às pessoas. Vamos reabrir o Cine Olinda, fechado há anos, recuperar espaços culturais e promover outros locais, buscar e gerar recursos no município, programas voltados ao turismo. A segurança é um ponto forte a ser implementado e posto em prática. A valorização dos bairros,
Também será prioridade. Olinda não é só a parte histórica ou o carnaval.
O Poder - E o seu olhar social?
AC - Queremos criar uma assistência voltada às pessoas em situação de rua, dando-lhes um espaço digno para ter comida quente, uma roupa e um lugar para tomar um banho, ao preço simbólico de R$ 1,00. Por que um real? Para estabelecer o princípio de que aquilo tem valor, é apenas para dar o senso de responsabilidade e não ser banalizado. Isso com apoio psicológico e sem discriminar quem quer que seja. Sabemos que é também um caso de saúde pública e será algo que ajudará na reflexão dessas pessoas, auxiliando-as a buscar outra forma de viver".
O Poder - o mar continua avançando. O que a prefeitura pode fazer?
AC - Vamos nos voltar para o avanço do mar, que já está em um momento crítico. Hoje existem técnicas de contenção que podemos implementar para resolver esse caso de grande preocupação para os olindenses.
O Poder - E quanto à segurança, problema eternizado...
AC - A segurança é um ponto crucial que pretendemos resolver, pois todos já cansamos de ver o que está acontecendo na cidade. Vamos para o debate, principalmente com o povo, levar ideias e projetos que são muitos, para realmente solucionar os problemas de emprego, geração de renda e redução de impostos, fazendo algo verdadeiramente transformador na nossa Olinda.
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