'Yalta, o paraíso'
Yalta é cidade localizada ao sul da Península da Criméia, às margens do Mar Negro, Ucrânia.
Yalta, sul da Criméia, tem às suas margens belas praias, e hoje, muitos resorts, sempre com frequência de representantes das elites russas. Ali se encontram as águas mornas, que o Mar Báltico ao norte não possui.
Yalta, sempre foi o lugar de férias da elite czarista russa e depois das elites soviéticas...
Pela Ucrânia, às margens do Rio Volga, há importante via de penetração no território russo, é caminho usado para transportes de petróleo, e comunicações. Por ali, os alemães penetraram em território soviético, com a execução da Operação Barbarossa durante a 2a. GM.
O Rio Volga, é/foi estratégico para se chegar na cidade, cujo batismo que perdurou até a morte do ditador em 1953, foi conhecida como Stalingrado, antes chamava-se, Tsartisyng.
Conquistar e humilhar Stalingrado, era questão de honra para o ditador nazista; afinal, a cidade carregava o nome de seu ex-aliado, agora (1941) inimigo.
Admiração, o líder nazista manteve em relação a Marx e Lenin. Mas, o socialismo internacionalista dos dois, era odiado pelo líder do Partido da Suástica.
Em 2013, o ditador Putin, achou conveniente voltar chamar a cidade de Stalingrado, para a preservação da memória da vitória na "grande guerra patriótica". Hoje é mistura de Volgogrado e Stalingrado.
'Stalingrado e a rendição nazista'
Com a derrota nazista em Stalingrado, somada a derrota no Norte da África - Batalha de El Alamein - os exércitos nazistas passaram, então, a só experimentar derrotas, isto até o final do grande conflito.
Sobre a Batalha de Stalingrado, a mesma ocorreu no ano de 1942, resultado da Operação Barbarossa (nazista) - ruptura da Aliança Soviéticos e Nazistas - a derrota e humilhação nazista teve assinatura da rendição pelo General Von Paulus, contrariando os desígnios de Hitler. As tropas alemãs esgotadas deveriam reagir até alcançar à morte.
A invasão alemã ao território Soviético foi o "ponto de virada" do governo soviético; antes aliado do nazismo.
O Tratado de 1939 - Amizade e Não-agressão - entre Alemanha e União Soviética - rompido pela Alemanha nazista, trouxe a partir de então o ditador Stalin à inclinar-se para o lado dos Aliados Ocidentais - Estados Unidos, Inglaterra e o governo francês no exílio.
'Acordo de Yalta'
Em fevereiro de 1945, ainda transcorria a guerra na Europa e no Pacífico, entretanto, a Alemanha nazista já estava derrotada, quando ocorreu o Acordo de 1945, entre as Lideranças Aliadas.
As lideranças Aliadas: Churchill, Roosevelt e mais o ditador Stalin se reuniram na cidade de Yalta, balneário da Criméia, para pensar o que viria depois daquela verdadeira demolição européia deixada pela 2a. GM.
Na cidade Penínsular, as três lideranças reuniram-se para definir a "Nova Ordem Mundial", que viria com o término do conflito. A Ordem de Yalta, se sustentaria até 1991.
Naquela reunião foi selada a sorte do continente europeu e do mundo.
Churchil foi um pouco escanteado na Reunião pelas duas nações, Estados Unidos e União Soviética. Os destinos do mundo passaram a ser definidos fora do continente europeu - Estados Unidos (América) e União Soviética (Euro-Asia), Roosevelt e Stalin respectivamente.
Já em 1944 um Acordo - Bretton Woods - reconhecia a moeda américana - o Dólar- como meio de troca universal, que colocava a nação americana na dianteira econômica do mundo.
Dianteira americana, já vinha se constituindo antes do conflito.
'A União Soviética beneficiada'
O Acordo de Yalta trouxe o novo mapa geopolítico que dominaria a Ordem Global, repercutindo no continente Euopeu.
Soviéticos ficariam com leste do continente e o Ocidente liberal ficaria com hegemonia americana.
Berlim, a capital do Reich seria divididida entre as quatro forças que combateram na Europa: O mundo liberal - Estados Unidos, Inglaterra a França libertada.- e a União Soviética do lado comunista.
'Reações ao Acordo de Yalta'
Churchil, primeiro ministro britânico reagiu ao Acordo. Na verdade, ele via a fatia dos Soviéticos como concessão perigosa - e na verdade foi - e afirmava, a Europa seria separada por uma "Cortina de Ferro", plataforma para a expansão do totalitarismo que vindo da União Soviética se espalharia pelo mundo.
Churchill afirmava: fazer acordo com ditadores é como fazer "carícias em fera selvagem, com a cabeça dentro da boca do animal".
Churchill queria dar continuidade a guerra dirigindo-se para Moscou. Mas, as tropas estavam exaustas, os gastos com a guerra, já sufocavam a economia e a vida das sociedades democráticas.
Por sua parte, Roosevelt pressionado pelos americanos visava terminar a guerra a qualquer preço. Ainda, a guerra do Pacífico consumia as reservas dos cofres da jovem potência americana.
'O "Heartland" passou a ser soviético'
Na teoria geopolítica, o "Heartland" - o coração do globo, ficou com os comunistas - no crntro-leste europeu, as futuras Repúblicas socialstas - o miocárdio deste coração era Yalta, na Criméia.
O General americano Patton, morto num acidente banal num acampamento dos Aliados fez voz com Churchill. O General anti-comunista ferrenho, impetuoso afirmara: "vencemos o inimigo errado, o nazismo não era o inimigo da vez, sigamos para apanhá-lo em Moscou".
Mas, sem volta, o Acordo de Yalta estava definido, e a História pós-Yalta, seguiu os passos até 1991.
'O fim do Acordo de Yalta'
Queda da União Soviética, antes disso das ditaduras socialistas, caíram como um castelo de cartas, a partir de 1989.
A queda do Muro de Berlim significava a ruína do Planeta Socialista Europeu.
Quando a URSS, dissolveu-se, com o ato de Gorbachev, em dezembro de 1991, o socialismo real sumiu por um sopro; a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, as suas 15 Repúblicas, pelos menos teoricamente "ganharam soberanias".
O paraíso dourado do futuro da humanidade já não mais existia Desmentia-se aquela arrogância de Leonid Brejnev - "o socialismo já está consolidado", mas confirmava-se a avaliação do economista da Escola Austríaca Frederich Hayeck, prêmio Nobel de Economia, O socialismo é inviável, ele parte de bases falsas, rejeita a espontaneidade e liberdade econômica, e acredita que só Planos estatais provocam alavancagem econômica.
Enfim, o erro fatal da teoria coletivista comunista perdera terreno.
A teoria dos Planos econômicos coletivistas, olha a História como sucessão de engrenagens dos modos de produção ficara "sem chão".
'As duas Europas'
O mundo pós2a GM, durante período de 1945- 1991, foi dominado por permanente clima de tensão com pintura de um conflito mundial nuclear. Uma Ordem bipolar definia o destino das nações.
O Ocidente sob comando de uma economia de mercado de direção norte-americana através de um Plano de recuperação-econômica-Plano Marshall - trazia de volta as democracias europeia, países receberam ajudas econômicas e foi formado um mercado de circulação de variadas mercadorias de consumo. Bens de uso pessoal, domésticos consistiam na economia liberal européia - Americam Way of Life. Países como: Portugal, Itália, Alemanha Federal, França, Inglaterra, Noruega, Dinamarca, Holanda, Suíça, foram beneficiados com o Plano Econômico
O Plano Marshal foi a base para construção de um mercado livre.
Paralelo ao Plano Econômico, as elites ocidentais pensaram numa Organização de Defesa Militar, nasceu daí a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Defesa contra aquela expansão totalitária vinda de Moscou.
A Europa Leste sob comando da União Soviética. Aí dentro coube as Repúblicas Socialistas, denominadas
Democracias Populares. Polônia, Tchecoesloquia, Hungria, Bulgária, Romênia. Iuguslávia, Albânia e Alemanha Democrática.
O lado leste adotou modelo econômico centralizado (estatizado) e estrutura política sob controle de um Partido Único. Parou no tempo. Modelo burocrático esgotou; e desmanchou-se 1889/1991...
O Leste europeu criou um Estado distanciado da Sociedade. Resultado paralisia econômica e ditaduras terroristas.
A partir de 1989, as ditaduras foram caindo embora permaneçam ranços. Estive em set/out de 2025 na República Tcheca, visitei a cidade de Brnoi, ainda preserva um ar cinza do comunismo.
'A Novissima Ordem Mundial'
A partir 1991 com o desmonte do "Planeta socialista', a Ordem torna-se unipolar, com a hegemonia Norte americana. Porém, desde os últimos anos de 1980, uma nova potência vai surgindo no extremo Oriente - a República Popular da China - um mix de ditadura comunista e economia de mercado - (socialismo de características chinesas). Uma economia de mercado, não doméstico, sob controle da burocracia estatal/ partidária.
Com a China, então fruto da ambição da economia de mercado ocidental, cumpriu-se as "profecias" do economista Shumpter - "capital persegue seu máximo lucro". Essa otimização de ganhos, a partir de 1980 migra para o extremo oriente comunista: China, Vietnã, Laos, Cambodja. Aí Kissinger, Nixon deram um empurrãozinho para o "Ocidente ser traído".
Tenho Dito.
Desde minha Gravatá, com degustação de uma boa dose de Old Par, on The Rocks.
*Jarbas Beltrão é Historiador, professor de História da UPE. Mestre em Educação pela UFPB. MBA em Política Estratégia Defesa e Segurança pela Adesg e Faculdade Metropolitana São Carlos/SP. Vinculado ao MBA em Geopolítica e Novas Fronteiras, Cibernética e Inteligência Artificial pela Adesg (Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra) e Instituto Venturo. Membro associado Academy Ventury de Política e Estratégia.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.