Radar Ativaweb DataLab - O que o mundo digital discute nesta quarta-feira Por Alek Maracajá
09/09/2026
Brasília, 9 de setembro de 2026
Brasília acordou com uma constatação desconfortável: a crise não esfriou, apenas aumentou o elenco. O monitoramento da Ativaweb DataLab já acumula 66.076.228 menções, ocorrências e interações digitais, das quais 3.676.228 surgiram somente em 8 de setembro.
Pela primeira vez neste ciclo, André Mendonça passou a concentrar maioria crítica, enquanto Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e Banco Master permanecem no núcleo de maior rejeição. Em resumo: o digital não trocou de alvo apenas abriu espaço para todo mundo.
Enquanto isso, Edson Fachin tenta assumir o papel de árbitro, Lula administra o conflito entre STF e Polícia Federal, o Congresso calcula os custos da crise e a pesquisa Meio/Ideia mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados com 46% no segundo turno. Brasília está dividida sobre quase tudo. O eleitorado resolveu colaborar e também ficou dividido ao meio.
Quando uma crise ultr...
Brasília acordou com uma constatação desconfortável: a crise não esfriou, apenas aumentou o elenco. O monitoramento da Ativaweb DataLab já acumula 66.076.228 menções, ocorrências e interações digitais, das quais 3.676.228 surgiram somente em 8 de setembro.
Pela primeira vez neste ciclo, André Mendonça passou a concentrar maioria crítica, enquanto Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e Banco Master permanecem no núcleo de maior rejeição. Em resumo: o digital não trocou de alvo apenas abriu espaço para todo mundo.
Enquanto isso, Edson Fachin tenta assumir o papel de árbitro, Lula administra o conflito entre STF e Polícia Federal, o Congresso calcula os custos da crise e a pesquisa Meio/Ideia mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados com 46% no segundo turno. Brasília está dividida sobre quase tudo. O eleitorado resolveu colaborar e também ficou dividido ao meio.
Quando uma crise ultrapassa 66 milhões de registros, ela deixa de ser assunto do dia e passa a disputar o rumo político do país.
66 milhões de registros: a crise aumentou o elenco e agora ninguém sai ileso
O monitoramento exclusivo da Ativaweb DataLab identificou 3.676.228 novos registros em 8 de setembro, elevando para 66.076.228 menções, ocorrências e interações digitais o volume acumulado da crise envolvendo STF, Banco Master, Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes, André Mendonça, Polícia Federal, PGR e Executivo.
O principal achado foi a mudança no comportamento da conversa. Pela primeira vez, André Mendonça passou a concentrar maioria crítica: 52,8% de manifestações negativas, contra 33,5% de apoio e 13,7% de conteúdos jornalísticos. Apesar dessa virada, o núcleo Moraes + Vorcaro + Banco Master permanece no patamar mais elevado de rejeição, com 88,4% de críticas.
A discussão também deixou de girar apenas em torno de escândalo, dinheiro e personagens. Termos como poder, competência, autonomia, investigação, plenário, PF, PGR, AGU e Presidência do STF ganharam força, mostrando que a crise agora discute os próprios limites entre as instituições.
“No começo, a nuvem de palavras tinha personagens. Hoje, ela tem instituições inteiras. A crise começou falando de dinheiro; agora fala de poder.”
Chin ganha 72 horas e Brasília perde mais três dias de sossego
Edson Fachin concedeu 72 horas para André Mendonça se manifestar sobre o recurso da AGU contra o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A Advocacia-Geral da União sustenta que nomear e exonerar o comandante da corporação é prerrogativa do presidente da República. Fachin tenta construir uma saída institucional, mas cada movimento abre um novo debate dentro e fora do Supremo.
Fachin pediu 72 horas. O problema é que, no digital, três minutos já são suficientes para nascer outra crise.
Mendonça limita a pf e a crise passa a usar crachá institucional
Além de afastar Andrei Rodrigues, Mendonça restringiu a produção de relatórios e impôs limites à atuação da inteligência da Polícia Federal. A decisão amplia o debate sobre competências, autonomia e controles institucionais. O episódio que começou como disputa investigativa agora envolve diretamente STF, PF, AGU e Presidência da República.
Quando ministro investiga a PF, a PF questiona ministro e o STF precisa arbitrar o próprio STF, o manual institucional já foi parar nos anexos.
Lula quer apagar o incêndio sem entrar na fumaça
A AGU entrou em campo para defender a prerrogativa presidencial e tentar restabelecer o comando da Polícia Federal, enquanto o governo evita transformar a reação jurídica em confronto pessoal com Mendonça. O Planalto sabe que reagir pouco pode transmitir fraqueza, mas reagir demais pode alimentar a tese de interferência e oferecer combustível eleitoral à oposição.
Lula tenta administrar a crise com uma mão no governo, outra na campanha e nenhuma disponível para segurar o extintor.
46 % a 46%: até a urna prendeu a respiração
A pesquisa Meio/Ideia aponta Lula e Flávio Bolsonaro empatados com 46% no segundo turno. No primeiro turno, Lula aparece com 38,4%, enquanto Flávio registra 37,3%. O resultado confirma uma eleição polarizada, estreita e vulnerável a qualquer nova crise econômica, política, judicial ou digital.
Quando os dois candidatos chegam a 46%, a margem deixa de ser apenas estatística e passa a ser emocional.
SRF entrou na eleição sem precisar pedir registro
A atuação de Mendonça passou a ser interpretada por setores do governo como movimento com impacto eleitoral, enquanto a oposição tenta apresentá-lo como contraponto institucional. Alexandre de Moraes permanece como principal alvo das críticas, e o Supremo, que deveria funcionar como árbitro, tornou-se personagem central da narrativa eleitoral.
A Corte não aparece na cédula, mas já ocupa espaço de candidato, adversário e tema de campanha.
Alcolumbre descobre que ficar parado também produz movimento
Pressionado pelos desdobramentos do confronto no STF e pelas cobranças relacionadas a pedidos contra Alexandre de Moraes, Davi Alcolumbre resiste a colocar formalmente o Senado dentro da crise. O cálculo é delicado: agir pode incendiar a relação entre os Poderes; não agir pode elevar seu próprio custo político e eleitoral.
Alcolumbre escolheu o modo silencioso, mas Brasília aumentou o volume.
A sociedade civil entra em campo e Fachin recebe mais uma conta
Empresários, juristas e personalidades lançaram manifesto cobrando apuração sobre os episódios envolvendo o STF. A mobilização amplia a pressão por transparência e demonstra que o conflito ultrapassou as disputas internas: passou a atingir a percepção pública sobre a legitimidade e a capacidade de autorregulação da Corte.
Quando a cobrança sai dos corredores de Brasília e ganha assinaturas fora deles, o problema já deixou de ser apenas interno.
Pesquisa acende o alerta sobre a confiança no supremo
Levantamento Meio/Ideia aponta que, para a maioria dos entrevistados, ministros do STF decidem mais por interesses do que pela lei. Independentemente do mérito jurídico de cada processo, a percepção de parcialidade produz um problema institucional profundo: decisões podem ser publicadas rapidamente, mas confiança pública não se reconstrói por despacho.
Tribunal decide com votos; instituição sobrevive com confiança.
Presidenciáveis já gastaram r$ 74 milhões e a fatura nem chegou ao segundo turno
As campanhas presidenciais já declararam aproximadamente R$ 74 milhões em despesas com publicidade, estratégia digital, viagens, voos e serviços jurídicos. Começa agora o prazo para candidatos, partidos, federações e coligações apresentarem à Justiça Eleitoral a prestação parcial das contas de campanha.
O voto continua gratuito para o eleitor, mas convencer o eleitor nunca custou tão caro.
Leitura estratégica Ativaweb Datalab
A crise entrou em uma nova etapa. Já não se discute somente quem tem razão dentro de cada processo, mas quem consegue controlar a percepção pública sobre o conflito. Mendonça conquistou centralidade, Moraes continua associado ao maior volume de críticas, Fachin tenta recuperar o comando institucional e Lula passou a sofrer o custo político de uma disputa que formalmente não começou no governo.
A mudança de sentimento sobre Mendonça é especialmente relevante. Até então, o ministro aparecia como principal beneficiário digital do confronto, com elevado volume de apoio. Ao registrar 52,8% de críticas, o ambiente mostra que o desgaste começou a se distribuir entre os personagens. Isso não significa que Moraes e o núcleo do Banco Master tenham sido poupados: com 88,4% de críticas, continuam no centro da rejeição.
Ao mesmo tempo, o empate de 46% a 46% entre Lula e Flávio demonstra que não existe gordura eleitoral suficiente para absorver sucessivos desgastes. Qualquer episódio capaz de organizar medo, indignação, identificação ou sentimento de injustiça pode interferir diretamente na disputa.
No digital, origem explica a intenção. Circulação revela o impacto.
Alek Maracajá é Ceo da Ativaweb DataLab. Cientista de dados. Professor ESPM-SP. Pesquisador UFPB

