Tracking Ipespe/Abrapel: Flávio cai mas mantém liderança. Lula mostra capacidade de recuperação
17/10/2026
A segunda rodada do Tracking da campanha presidencial realizada pelo Ipespe/Abrapel, faltando pouco mais de uma semana para a eleição, registra movimento favorável ao presidente Lula (PT), com aumento do percentual de votos para ele e redução do percentual de Flávio Bolsonaro (PL).
O trabalho
Apontou que a evolução entre as duas rodadas sugere uma disputa bem mais equilibrada do que a observada na rodada anterior. Flávio mantém a liderança numérica, mas Lula apresenta uma tendência de recuperação que, caso tenha continuidade, poderá alterar o equilíbrio da competição na última semana.
Na intenção de voto estimulada
Conforme o estudo, Flávio recua de 49% para 48%, enquanto Lula se move de 44% para 46%. Nos votos válidos, a distância entre os dois candidatos oscila de 5,4 para 2,4 pontos percentuais (51,2% a 48,8%).
Intensificação das campanhas
Conforme o estudo dos dados ob...
A segunda rodada do Tracking da campanha presidencial realizada pelo Ipespe/Abrapel, faltando pouco mais de uma semana para a eleição, registra movimento favorável ao presidente Lula (PT), com aumento do percentual de votos para ele e redução do percentual de Flávio Bolsonaro (PL).
O trabalho
Apontou que a evolução entre as duas rodadas sugere uma disputa bem mais equilibrada do que a observada na rodada anterior. Flávio mantém a liderança numérica, mas Lula apresenta uma tendência de recuperação que, caso tenha continuidade, poderá alterar o equilíbrio da competição na última semana.
Na intenção de voto estimulada
Conforme o estudo, Flávio recua de 49% para 48%, enquanto Lula se move de 44% para 46%. Nos votos válidos, a distância entre os dois candidatos oscila de 5,4 para 2,4 pontos percentuais (51,2% a 48,8%).
Intensificação das campanhas
Conforme o estudo dos dados obtidos, o estreitamento da margem percentual entre os dois candidatos ocorre em um momento de intensificação da campanha, após as manifestações de rua pró-Lula realizadas em diferentes partes do país, e também da votação do fim da escala 6x1 (no meio do período das entrevistas).
Abstenção
Entre os que declaram máxima possibilidade de comparecimento às urnas, conforme ressalta o relatório Ipespe/Abrapel, Flávio tem quatro pontos de vantagem sobre Lula. Enquanto a ameaça da abstenção segue pairando sobre o desempenho do presidente.
É bom destacar
Que a pesquisa não captou eventual efeito das entrevistas dos candidatos à TV Globo nas últimas quinta-feira (15/10) e sexta-feira (16/10, nem da promulgação da Emenda Constitucional que acabou com a escala 6x1, na manhã de ontem.
Percentuais por gênero
A distribuição do voto apresenta diferenças importantes nos dados demográficos. Em relação ao gênero, entre os homens, Flávio Bolsonaro registra 53% e Lula 41%. Por sua vez, entre as mulheres, Lula alcança 51% e Flávio 43%.
Por idade
Os eleitores de 16 a 34 anos se dividem em 47% para Lula e 46% para Flávio. Já entre os que têm faixa etária entre 35 e 59 anos, Flávio tem 51% e Lula 44%. E entre os que possuem 60 anos ou mais, Lula marca 50% e Flávio 44%.
Faixas de renda
As diferenças no perfil socioeconômico também são nítidas: Lula registra 54% entre famílias com renda de até dois salários mínimos, diante de 40% para Flávio. Nas faixas de dois a cinco salários mínimos, Flávio tem 54% e Lula 41%. Acima de cinco salários, 54% e 40%, respectivamente.
Escolaridade
Entre eleitores que fizeram apenas o ensino fundamental, Lula alcança 51% e Flávio 41%. No ensino médio, Flávio tem 53% e Lula 43%. Entre os que possuem curso superior, Flávio tem 52% e Lula 42%.
Diferenças por região
Regionalmente, o Nordeste concentra uma diferença favorável a Lula (61% a 31%), enquanto Flávio registra 61% no Sul, ante 34% de Lula. No Sudeste, os percentuais são 53% e 43%, e no agregado Norte/Centro-Oeste, 53% e 41%, respectivamente.
Entre evangélicos
Flávio registra 62% e Lula 30%. Entre católicos, Lula tem 49% e Flávio 46%. No grupo de outras religiões, sem religião ou não resposta, Lula soma 56% e Flávio 37%.
Posicionamento ideológico
No posicionamento ideológico, entre os que se declaram independentes (37%), Lula registra 50% e Flávio 42%, com 5% de brancos/nulos e 3% de indecisos. Esse é um recorte particularmente relevante porque os eleitores que se identificam com os campos políticos mais definidos apresentam forte concentração de votos.
Time X time
Entre lulistas, 99% votam em Lula; entre eleitores de esquerda não lulistas, 97%. Entre os de direita não bolsonaristas, 93% votam em Flávio; e entre bolsonaristas, 100%. As bases declaradas de direita não bolsonarista (25%) e bolsonarista (9%) somam 34%, enquanto lulistas (11%) e esquerda não lulista (14%) somam 25%.
Transferência de votos
No cruzamento com o voto declarado no primeiro turno, 97% dos eleitores de Flávio mantêm seu voto e 96% dos eleitores de Lula também o fazem. Entre os que declaram ter votado em Augusto Cury, Flávio aparece com 50% e Lula com 31%; entre os de Ronaldo Caiado, Flávio tem 59% e Lula 18%; e entre os de Renan Santos, Flávio tem 40% e Lula 20%, respectivamente.
Alerta
Esses são percentuais relativos a bases menores, sujeitos a maior variação amostral, e não constituem medida direta de migração individual entre ondas.
TSE referenda, por unanimidade, decisão que determinou à Meta multa de R$ 500 mil/dia, caso interfira na distribuição de conteúdo eleitoral
17/10/2026
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve, por unanimidade, a decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze e determinou que, até o fim do segundo turno das eleições, sob pena de condenação ao pagamento de uma multa diária de R$ 500 mil, a Meta não pode interferir na distribuição de conteúdo político-eleitoral nem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem de Flávio Bolsonaro (PL).
A decisão de Bellizze foi proferida de forma monocrática (individual) em ação protocolada pela campanha do presidente Lula à reeleição, acusando a empresa — responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp — de ter “falhado, de forma reiterada e sistemática, na entrega de postagens da coligação". E foi referendada pelo colegiado da Corte por meio do plenário virtual, na noite desta sexta-feira (16/10).
Argumentos da representação
A representação apresentada pela campanha petista afirmou que comandos para geração de imagens de inteligência artificial não permite...
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve, por unanimidade, a decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze e determinou que, até o fim do segundo turno das eleições, sob pena de condenação ao pagamento de uma multa diária de R$ 500 mil, a Meta não pode interferir na distribuição de conteúdo político-eleitoral nem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem de Flávio Bolsonaro (PL).
A decisão de Bellizze foi proferida de forma monocrática (individual) em ação protocolada pela campanha do presidente Lula à reeleição, acusando a empresa — responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp — de ter “falhado, de forma reiterada e sistemática, na entrega de postagens da coligação". E foi referendada pelo colegiado da Corte por meio do plenário virtual, na noite desta sexta-feira (16/10).
Argumentos da representação
A representação apresentada pela campanha petista afirmou que comandos para geração de imagens de inteligência artificial não permitem a criação de conteúdos sobre Lula. Ainda de acordo com a peça jurídica, a criação de imagens relacionadas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) está liberada. O que sugeriria indício de tratamento desigual na distribuição de conteúdos políticos pela plataforma.
Na decisão do ministro Bellizze, foi determinado que a Meta não aplique a conteúdos políticos-eleitorais relativos a qualquer das candidaturas que disputam o segundo turno medidas de redução de distribuição, de exclusão de recomendação, ou de restrição de busca.
Determinações para equilíbrio das contas
O magistrado também ordenou à empresa que, no prazo de 24 horas, limite a exclusão dos sistemas de recomendação aos perfis oficiais; e desabilite ou restrinja as contas de anúncios das candidaturas. Ainda de acordo com a decisão, a Meta precisa assegurar que a Meta AI (braço da Meta, ferramenta específica para funcionamento como assistente de inteligência artificial gratuito) aplique critério idêntico às candidaturas.
"Considerando que a ferramenta está ao alcance de qualquer usuário do WhatsApp, a dez dias do segundo turno, justifica-se a determinação de que mantenha critério idêntico às duas candidaturas, abstendo-se de gerar peças de propaganda eleitoral favoráveis ou contrárias a qualquer delas, e de que a representada esclareça os critérios empregados", disse o ministro na decisão.
“Medida preventiva”
Bellizze, entretanto, deixou claro que não está comprovado que houve uma manipulação deliberada por parte da Meta e que a medida tem caráter preventivo. Mas destacou que é preciso aprofundar a análise, “porque fatos relevantes ocorrem em ambiente que somente a Meta controla”.
O TSE determinou que a empresa apure 255 perfis e das 1.204 publicações. Em nota, a Meta destacou que a empresa "não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição". Acrescentou que a conta do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a ser suspensa "por engano" e que "incidentes técnicos recentes" afetaram as duas campanhas na internet.
De acordo com o posicionamento da empresa, uma "lacuna" nas "proteções" fez com que a ferramenta de IA elaborasse materiais de campanha que favoreciam o senador e também candidato Flávio Bolsonaro (PL), o que já foi corrigido. "Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos", enfatizou o documento.
TSE atualiza resolução e cria novos critérios para regulamentar propaganda eleitoral principalmente, no WhatsApp
17/10/2026
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovaram, nesta sexta-feira (16/10), por unanimidade, uma atualização da resolução da Corte que regulamenta a propaganda eleitoral. O texto foi elaborado, em conjunto, pelos ministros durante reunião realizada na sede do Tribunal, em Brasília.
Como regra principal, estabelece que canais de WhatsApp precisam ser registrados oficialmente pelos candidatos, desde que tenham sido utilizados recursos de campanha. O acréscimo foi formalizado por meio de Instrução e acrescenta os artigos 33-E, 33-F e 33-G ao Capítulo IV da Resolução, “Dos Conteúdos Político-Eleitorais e da Propaganda Eleitoral na Internet”.
As regras foram atualizadas por dois motivos. Primeiro, a polêmica sobre liminares envolvendo a retirada e retomada do grupo intitulado “Exército de Lula” nos últimos dias. Em segundo lugar, o grande número de representações apresentadas junto ao TSE com pedidos e questionamentos sobre se esse tipo de propaga...
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovaram, nesta sexta-feira (16/10), por unanimidade, uma atualização da resolução da Corte que regulamenta a propaganda eleitoral. O texto foi elaborado, em conjunto, pelos ministros durante reunião realizada na sede do Tribunal, em Brasília.
Como regra principal, estabelece que canais de WhatsApp precisam ser registrados oficialmente pelos candidatos, desde que tenham sido utilizados recursos de campanha. O acréscimo foi formalizado por meio de Instrução e acrescenta os artigos 33-E, 33-F e 33-G ao Capítulo IV da Resolução, “Dos Conteúdos Político-Eleitorais e da Propaganda Eleitoral na Internet”.
As regras foram atualizadas por dois motivos. Primeiro, a polêmica sobre liminares envolvendo a retirada e retomada do grupo intitulado “Exército de Lula” nos últimos dias. Em segundo lugar, o grande número de representações apresentadas junto ao TSE com pedidos e questionamentos sobre se esse tipo de propaganda é ou não considerada válida pela Justiça Eleitoral.
Critérios de vinculação
A primeira regra para vinculação de um canal a determinada campanha, segundo as novas normas, alcança canais de mensageria instantânea com difusão pública, fóruns online e outras plataformas de terceiros.
Para que haja vinculação, conforme a atualização, basta a ocorrência de um dos critérios a seguir. Eles não são cumulativos e funcionam como indícios de recomendação, colaboração ou controle por parte da campanha. O primeiro critério é “quando o canal é estruturado, mantido ou operado com recursos da campanha, do partido ou da federação, inclusive bens e serviços estimáveis em dinheiro”.
O segundo é quando “utiliza estrutura ou pessoal da campanha, inclusive por meio do intercâmbio habitual de áudios, vídeos, imagens ou roteiros produzidos ou cedidos por ela”. Neste item, o TSE deixa claro que “a mera circulação de conteúdos já difundidos no âmbito da campanha não configura vinculação”.
Outras exigências
Além desses itens também passam a existir os critérios técnico, de divulgação, direcionamento e orientação. Ou seja, é preciso ser observado se o canal se vale de suporte técnico ou tecnológico da campanha; se o link de convite ou o endereço do canal é divulgado nos perfis ou canais oficiais da campanha, para que os usuários adiram ao canal ou recebam seus conteúdos.
E, também, se os seguidores do canal são encaminhados de forma sistemática aos perfis ou canais oficiais da campanha, mediante atuação coordenada; e se a campanha define ou orienta o conteúdo, a frequência de publicação ou as metas do canal.
O que não caracteriza vinculação
Conforme o texto, não configuram vinculação por si só o canal criado por pessoa natural que manifeste apoio político espontâneo, inclusive reproduzindo conteúdos publicamente difundidos pela campanha; menção ou recomendação isolada do canal por candidato.E, ainda, o canal que divulgue participação eventual de candidato em conteúdo produzido a convite do administrador, sem contrapartida ou habitualidade.
Segundo a resolução, o canal enquadrado como vinculado deve ser comunicado à Justiça Eleitoral para registro. Tal enquadramento demanda demonstração por elemento objetivamente verificável e submete o canal às mesmas regras da legislação e da resolução, observadas as particularidades do serviço.
Higidez das informações
Já o último artigo impõe aos responsáveis pelo canal e às campanhas vinculadas o dever de zelar pela licitude dos conteúdos e pela higidez das informações. O canal não pode ser usado para transmitir conteúdo fabricado ou manipulado para difundir fatos inverídicos ou descontextualizados.
Em caso de condutas reiteradas, poderá ser indisponibilizado, sem prejuízo da apuração das responsabilidades.
— Com informações do TSE
A batalha digital: Lula ganha em seguidores, Flávio em engajamento, por Alek Maracajá*
17/10/2026
Radar Estratégico, Edição especial - Brasília, 17 de outubro de 2026
Sem pesquisa nova nesta manhã, a referência segue o Datafolha de 15/10, com Flávio 51% × Lula 49% nos válidos, empate técnico. No Instagram, Lula chega a 17.565.308 seguidores e abre 3.303.380 de vantagem sobre Flávio, a maior da série.
O estudo traz quatro recados
-Lula ampliou a vantagem desde o 1º turno;
-A sabatina dele rendeu o dobro da de Flávio;
-A escala 6x1 virou o tema mais visto da eleição; e
-As duas campanhas jogam com lógicas opostas, volume contra intensidade.
Termômetro Eleitoral no Instagram
Lula: conquistou 934.640novos seguidores em 7 dias (+5,6%*)
Flávio obteve 568.310 novos seguidores em 7 dias (+4,2%).
Desde o 1o turno
Lula ganhou 1.734.200 e Flávio 1.505.216 novos seguidores. Hoje são 17.565.308 de Lula contra 14.261.928 de Flávio. A vantagem de Lula subiu...
Radar Estratégico, Edição especial - Brasília, 17 de outubro de 2026
Sem pesquisa nova nesta manhã, a referência segue o Datafolha de 15/10, com Flávio 51% × Lula 49% nos válidos, empate técnico. No Instagram, Lula chega a 17.565.308 seguidores e abre 3.303.380 de vantagem sobre Flávio, a maior da série.
O estudo traz quatro recados
-Lula ampliou a vantagem desde o 1º turno;
-A sabatina dele rendeu o dobro da de Flávio;
-A escala 6x1 virou o tema mais visto da eleição; e
-As duas campanhas jogam com lógicas opostas, volume contra intensidade.
Termômetro Eleitoral no Instagram
Lula: conquistou 934.640novos seguidores em 7 dias (+5,6%*)
Flávio obteve 568.310 novos seguidores em 7 dias (+4,2%).
Desde o 1o turno
Lula ganhou 1.734.200 e Flávio 1.505.216 novos seguidores. Hoje são 17.565.308 de Lula contra 14.261.928 de Flávio. A vantagem de Lula subiu de 3.074.396 para 3.303.380.
Engajamento
Flávio volta a liderar, com 7,50% e mais de 1 milhão de curtidas médias por post, contra 4,09% e 616 mil de Lula. Nos comentários, Lula lidera: 102 mil por post contra 66 mil.
Aceleração
No dia da sabatina de Lula, quinta, ele ganhou 139.845 seguidores. No dia da sabatina de Flávio, sexta, Flávio ganhou 55.821 e Lula, 115.750.
Leitura
Em gente, quem mais cresceu foi Lula (228.984 a mais desde o 1º turno). Em proporção, Flávio cresceu um pouco mais, 11,80% contra 10,95%, porque parte de uma base menor.
"A eleição digital teve largada de Flávio e reta de Lula. Nas redes, quem tem fôlego vence a corrida longa. Lula acumula seguidor, Flávio acumula curtida. Se like fosse voto, o TSE já teria pedido recontagem de coração" - Alek Maracajá.
Principais movimentos
Desde o primeiro turno, o estudo mostra duas fases. Entre 04 e 07 de outubro, a vantagem de Lula caiu para 2.585.584, com Flávio crescendo até quatro vezes mais rápido. A partir de 7/10, Lula retomou o ritmo e ampliou a diferença em 717.796 seguidores em dez dias, chegando ao recorde de 3.303.380. A onda pós-urna de Flávio foi forte e curta; a de Lula, mais lenta e mais longa.
E nas sabatinas?
Por milhão de seguidores, Lula ganhou cerca de 8,1 mil no dia da sua sabatina e Flávio, 3,9 mil no dele. Os três cortes de Lula somam 28,3 milhões de visualizações, puxados por segurança pública (10,6 milhões). Os de Flávio, 12,6 milhões.
O alerta
O vídeo mais visto de Flávio na semana, com 7,1 milhões, usa o trecho "O senhor não sabia? Eu não sabia", da sabatina de Lula.
Ou seja, no digital, Lula ganhou a sabatina. Flávio ganhou o corte da sabatina de Lula.
Na eleição hiperconectada
A entrevista acaba às 22h e o corte trabalha até o dia 25, sem hora extra.
O mais visto
O post "Fim da escala 6x1, vitória do povo brasileiro" teve 40,5 milhões de visualizações, o mais visto dos dois candidatos. Os quatro posts de Lula sobre o tema somam 61,1 milhões, e os 9 vídeos mais vistos dele na semana, 126,4 milhões, contra 46,0 milhões de Flávio, 2,7 vezes mais. Flávio também tratou do tema na sabatina e teve 6,9 milhões.
Quando o adversário precisa falar do seu tema, a pauta da eleição já tem dono.
A 6x1 acabou na Constituição, mas segue trabalhando seis dias por semana no feed.
Volume X intensidade
Lula publicou 107 vezes na semana, cerca de 8,7 mil novos seguidores por post. Flávio publicou 16, cerca de 35,5 mil por post, quatro vezes mais. Flávio se apoia em aliados com audiência própria, como Nikolas Ferreira e Cleitinho; Lula, em agenda diária, rua e contraste.
Lula ocupa o feed, Flávio ocupa o momento, e os dois disputam os mesmos três campos: 6x1, segurança e cortes.
E
É emoção até a urna.
*Alek Maracajá é
cientista de Dados. CEO da Ativaweb DataLab.
https://www.instagram.com/datalab_ativaweb
As missões deste fim de semana do ‘Exército de Lula’ e da ‘Tropa de Flávio' nas redes sociais
17/10/2026
Este sábado (17/10) é dia de, além de carreatas e forte mobilização nas ruas, articulações das campanhas dos presidenciáveis nas redes sociais. Os canais Exército de Lula e a Tropa do Flávio, convocaram seus apoiadores para disputar espaço nas redes e, em especial, no WhatsApp.
Entre os eleitores do atual presidente, o objetivo é retomar o “verde e amarelo”, cores associadas ao bolsonarismo com o maior número possível de pessoas vestindo roupas em verde e amarelo e fazendo o “L” de Lula. Já a campanha de Flávio quer uma onda de postagens feitas em supermercados com reclamações sobre os preços dos produtos.
Convocação de Janones
A convocação da campanha lulista foi feita pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), criador do canal. Segundo ele, a “missão” é a mais difícil do Exército do Lula até o momento, pois tenta coordenar “4 a 5 milhões de pessoas”. A estratégia, conforme explicou o parlamentar, tem como objetivo ret...
Este sábado (17/10) é dia de, além de carreatas e forte mobilização nas ruas, articulações das campanhas dos presidenciáveis nas redes sociais. Os canais Exército de Lula e a Tropa do Flávio, convocaram seus apoiadores para disputar espaço nas redes e, em especial, no WhatsApp.
Entre os eleitores do atual presidente, o objetivo é retomar o “verde e amarelo”, cores associadas ao bolsonarismo com o maior número possível de pessoas vestindo roupas em verde e amarelo e fazendo o “L” de Lula. Já a campanha de Flávio quer uma onda de postagens feitas em supermercados com reclamações sobre os preços dos produtos.
Convocação de Janones
A convocação da campanha lulista foi feita pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), criador do canal. Segundo ele, a “missão” é a mais difícil do Exército do Lula até o momento, pois tenta coordenar “4 a 5 milhões de pessoas”. A estratégia, conforme explicou o parlamentar, tem como objetivo retirar as cores da bandeira brasileira da associação com a direita.
“Isso traz quem não é do nosso campo. Isso traz aquele eleitor que está ali, indeciso, que está no meio”, declarou Janones. Ele insiste, ainda, para que artistas do campo da esquerda também incentivem seus seguidores a participar.
Nota fiscal e foto de produtos
Já na Tropa do Flávio, a chamada foi feita pelo deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), em áudio publicado no canal. “Começou um movimento hoje, para que, no final de semana, você vá ao supermercado, tire uma fotinha da sua nota fiscal, da sua compra, e coloque no seu Instagram: ‘está tudo caro’”, orientou o parlamentar.
“Conto com vocês para poder mostrar a realidade que, durante todo esse tempo, o Lula prometeu picanha e, além de não ter chegado, deixou tudo mais caro”, anunciou Nikolas.
Reclamações de preços
Pouco antes da chamada, o deputado federal e senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO), também em áudio, comentou que o período de maior desgaste para o presidente Lula nas redes foi quando ocorreu uma enxurrada de postagens reclamando dos preços.
“Lembrem-se, o povo comum, aqueles que não são antenados na política, eles só querem viver, eles só querem ir ao supermercado comprar comida para suas famílias, e esse povo não está conseguindo fazer isso”, afirmou.
Carreatas
Além das redes, em várias capitais como Brasília, Recife, João Pessoa, Curitiba e Porto Alegre estão sendo organizadas carreatas espontâneas entre os eleitores dos dois presidenciáveis ao longo do dia pelos centros de tais cidades.
Eventos, reuniões internas e preparação para o debate deste domingo (18): as agendas dos presidenciáveis
17/10/2026
Faltando oito dias para o segundo turno das eleições presidenciais, os candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) seguem com suas agendas neste sábado (17/10).
O presidente Lula programou o dia para reuniões em reservado com coordenadores de campanhas, políticos e apoiadores, sem compromissos públicos. Já o senador Flávio, participará de atos em Vitória (ES) e Salvador (BA).
A luta continua grande por parte dos dois lados para conquistar votos para o próximo dia 25, principalmente, pelo grande número de abstenções observado no primeiro turno do pleito — mais de 3 milhões de pessoas que optaram por não ir às urnas e, se mudarem de ideia agora, farão a diferença no resultado.
Debate neste domingo
Os dois candidatos confirmaram presença no primeiro debate organizado para eles, pela TV Bandeirantes, programado para se realizar neste domingo (18/10), às 20h.
Aguardado com expectativa, pelo fato de ambos te...
Faltando oito dias para o segundo turno das eleições presidenciais, os candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) seguem com suas agendas neste sábado (17/10).
O presidente Lula programou o dia para reuniões em reservado com coordenadores de campanhas, políticos e apoiadores, sem compromissos públicos. Já o senador Flávio, participará de atos em Vitória (ES) e Salvador (BA).
A luta continua grande por parte dos dois lados para conquistar votos para o próximo dia 25, principalmente, pelo grande número de abstenções observado no primeiro turno do pleito — mais de 3 milhões de pessoas que optaram por não ir às urnas e, se mudarem de ideia agora, farão a diferença no resultado.
Debate neste domingo
Os dois candidatos confirmaram presença no primeiro debate organizado para eles, pela TV Bandeirantes, programado para se realizar neste domingo (18/10), às 20h.
Aguardado com expectativa, pelo fato de ambos terem se recusado a participar de debates durante o primeiro turno, o da Band debate já recebeu pedido de emissoras para ser transmitido em outros países, dentre os quais Portugal e na Venezuela.
Sabatinas
Na última quinta-feira (15/10) o presidente Lula foi sabatinado pela TV Globo, durante entrevista para a jornalista Renata Lo Prete. Nesta sexta-feira (16/10), foi a vez do senador Flávio Bolsonaro ser entrevistado por Lo Prete.
O debate entre os dois candidatos pela Globo será na próxima sexta-feira, dia 23 de outubro (dois dias antes da população ir às urnas).
Flávio massacrou Renata Lo Prete na Globo. Até que...
17/10/2026
A Rede Globo tem uma tradição de fazer perguntas inconvenientes e encurralar candidatos nas tradicionais sabatinas dos candidatos, notadamente nas campanhas presidenciais. Anteontem, quinta-feira foi a vez de Lula. O presidente saiu-se bem. A entrevistadora não trouxe nenhuma novidade, Lula escapou bem das perguntas menos fáceis, evitou o confronto. Manteve a disputa no centro do ringue, ninguém foi para as cordas. Resultado: empate por pontos. 9 X 9 no placar, segundo o escore de O Poder.
Flávio
Seguiu estratégia diferente. Partiu para o ataque como melhor defesa. E encurralou a entrevistadora. A cada ataque, um contra-ataque fulminante. Exemplo maior: confrontado com acusações já admitidas por ele do financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida do pai Jair Bolsonaro, pelo banco Master, de Daniel Vorcaro, Flávio contra-atacou veloz. Citou patrocínios milionários do Master à própria Globo, a Luciano Huck, além das relações promíscuas de Vorcar...
A Rede Globo tem uma tradição de fazer perguntas inconvenientes e encurralar candidatos nas tradicionais sabatinas dos candidatos, notadamente nas campanhas presidenciais. Anteontem, quinta-feira foi a vez de Lula. O presidente saiu-se bem. A entrevistadora não trouxe nenhuma novidade, Lula escapou bem das perguntas menos fáceis, evitou o confronto. Manteve a disputa no centro do ringue, ninguém foi para as cordas. Resultado: empate por pontos. 9 X 9 no placar, segundo o escore de O Poder.
Flávio
Seguiu estratégia diferente. Partiu para o ataque como melhor defesa. E encurralou a entrevistadora. A cada ataque, um contra-ataque fulminante. Exemplo maior: confrontado com acusações já admitidas por ele do financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida do pai Jair Bolsonaro, pelo banco Master, de Daniel Vorcaro, Flávio contra-atacou veloz. Citou patrocínios milionários do Master à própria Globo, a Luciano Huck, além das relações promíscuas de Vorcaro com um diretor global. Sem chance de defesa: a própria Globo havia demitido o diretor no dia anterior. Por esse motivo.
Renata
Ainda na linguagem do boxe, foi à lona. A contagem foi aberta duas vezes. A apresentadora interrompeu a entrevista para apresentar duas notas consecutivas da emissora, tentando se explicar. Momento nunca visto na história das entrevistas televisivas no Brasil. Caso superado na trajetória dos confrontos políticos globais apenas uma vez. Quando, lá atrás, Cid Moreira, então voz e cara do JN, teve que ler uma extensa nota de Leonel Brizola determinada pela justiça para reparar mentiras da emissora. Corrigir fake news, na linguagem de hoje em dia.
O troco
A disputa seguia com ampla vantagem de Flávio, algo como 10 X 4 na contagem de pontos de O Poder. Foi aí que Renata encaixou o golpe que fez Flávio beijar a lona. A pergunta foi sobre o apoio de Flávio à mudança na lei do desarmamento. O Senador propõe que os códigos de rastreabilidade de munições, hoje obrigatório, sejam suprimidos. Renata perguntou porque ele defende isso. O candidato foi lá, veio cá, tentou fugir, nada. Lona. Levantou grogue. Acabou dizendo que trata-se de "um detalhezinho". Não convenceu a seu ninguém. Ficou a impressão de sintonia com facções criminosas.
E
Flávio foi visivelmente pego de surpresa. Falha gritante na preparação para a entrevista. E uma resposta satisfatória nem é tão difícil assim. Aliás, bastava dar um Google com a pergunta certa.
Placar
Venceu Renata por nocaute técnico.
(Análise exclusiva equipe Jornal O Poder)
É Findi - Tributo a Jomard - Carlos Eduardo Amaral*
16/10/2026
Vi Jomard Muniz de Britto pela primeira ao adentrar aleatoriamente o auditório Evaldo Coutinho, no segundo andar do Centro de Comunicação e Artes da UFPE, em algum evento sobre Fernando Pessoa. Isso foi em 1998 ou 1999, não recordo mais. Fiquei impressionado pela declamação performática de um poema, com timbre de voz sério, dicção perfeita e entrega total.
Na mesma época, viria a deparar com ele no hall da agência do Banco do Brasil da Sete de Setembro, na Boa Vista, às voltas com os caixas eletrônicos: “Minha mãezinha do céu”, exclamava, perdido com não sei o quê. Também me vem à mente — na mesma agência, mas em outra ocasião — a imagem do professor Esman Dias, falecido em 2015.
A partir do ano 2000, quando eu estava com 19 para 20 anos de idade, passei a frequentar a casa-ateliê do artista plástico Raul Córdula e sua esposa Maria Amélia, na ladeira da Prefeitura de Olinda (R. Quinze de Novembro). Tal convívio nasceu por conta da minha recém-amizade com C...
Vi Jomard Muniz de Britto pela primeira ao adentrar aleatoriamente o auditório Evaldo Coutinho, no segundo andar do Centro de Comunicação e Artes da UFPE, em algum evento sobre Fernando Pessoa. Isso foi em 1998 ou 1999, não recordo mais. Fiquei impressionado pela declamação performática de um poema, com timbre de voz sério, dicção perfeita e entrega total.
Na mesma época, viria a deparar com ele no hall da agência do Banco do Brasil da Sete de Setembro, na Boa Vista, às voltas com os caixas eletrônicos: “Minha mãezinha do céu”, exclamava, perdido com não sei o quê. Também me vem à mente — na mesma agência, mas em outra ocasião — a imagem do professor Esman Dias, falecido em 2015.
A partir do ano 2000, quando eu estava com 19 para 20 anos de idade, passei a frequentar a casa-ateliê do artista plástico Raul Córdula e sua esposa Maria Amélia, na ladeira da Prefeitura de Olinda (R. Quinze de Novembro). Tal convívio nasceu por conta da minha recém-amizade com Cláudio, filho do casal.
Dentre outras tantas personalidades que frequentavam a casa, especialmente no período de Carnaval, e que conheci de relance, reencontrei aquela figura e lhe relatei que assistira à performance no CAC. Foi quando Jomard me disse que se tratava de um “atentado poético” e Raul me mostrou o CD Pop filosofia.
Em eventos diversos por aí, desde então, travei novamente contato com Jomard. Devo ter em meus arquivos dois ou três de seus “atentados poéticos” impressos, que agora passam a ser relíquia. Jomard até fez parte da plateia de uma palestra que dei em no Teatro Apolo, há mais de uma década e meia e cujo tema não recordo.
Lembro apenas que comentei algo sobre música armorial e ele fez uma pergunta, ao final das falas minhas e dos demais convidados. Respondi de forma natural e percebi que ele ficou pensativo, processando. Não sabia das querelas dele com Ariano e Gilberto. Hoje sei que algo o incomodava nessa propaganda construída em torno do Movimento Armorial, porém Jomard deve ter percebido que eu me preocupava, em primeiro lugar, com o objeto artístico, não com o discurso institucional.
Na segunda metade da década passada, causou frisson sua aparição no Instagram, embora eu duvidasse que fosse ele mesmo a gerenciar o perfil. Eu e um amigo jornalista, hoje residente em São Paulo, o encontramos na antiga Livraria Cultura do Recife Antigo e lhe lançamos a dúvida: eu apostando no “não” e Josias, meu amigo, no “sim”. Indagamos: “É você?”.
“Claro”, ele respondeu, para felicidade de Josias (“Olha aí!”). Não esbocei esgar de derrota e me voltei para Jomard, que retomou a palavra: “Claro que não!”. Ri por último e Jomard explicou que isso era coisa de Luci Alcântara, grande amiga dele e diretora do documentário JMB, o famigerado.
Hoje admiro Gilberto, Ariano e Jomard: um pela vivacidade da escrita; o segundo, pela competência literária; o último, pelo espírito anárquico autêntico. Cheguei a escrever meu próprio “atentado poético” em 2015, em homenagem a ele. Mantenho-o até o momento impublicado, porque destoa das minhas vozes líricas, por emular a dele, tão díspar das influências outras que recebi.
Finalizo meu tributo com um poema de Esman Dias, a quem mencionei mais acima, intitulado Acta est fabula:
Morre o poeta.
Morre, com ele, toda a luz do mundo:
o espaço do seu rosto, o mar profundo,
a aurora e um pôr-do-sol escandaloso.
Morre o poeta e morre o Ocidente.
E o Oriente. E os pontos cardeais.
Morrem as estrelas. Morre o firmamento.
Morrem as sombras do pântano e o arvoredo.
Todos os santos, todos os escribas,
os dias da semana, a quarta-feira.
E o próprio tempo, imóvel, que agoniza:
foi-se o olhar que no relógio via
a marcha, alegre e triste, dos ponteiros.
Morre o poeta.
Morre a alegria.
Morre tudo que flui: morre a poesia.
Morre o poeta.
E morre o mundo inteiro.
*Carlos Eduardo Amaral é jornalista, escritor e crítico musical
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
É Findi - Ah! Os brinquedos... - Poema homenageando o Dia da Criança - Por Eduardo Albuquerque*
16/10/2026
Pobre menino, menino diferente,
sem brinquedos e tão ausente;
não me são, porém, indiferentes...
Ó tempos deveras imprevidentes!
Cadê os brinquedos da gente?
nunca os tivemos presentes;
apenas viviam na mente,
na criatividade, recorrentes.
O tempo se esvai, não sentes?
A vida é tal qual rio corrente,
sequer deixa singela semente.
Pobre menino, pingo de gente,
da Humanidade, indigente;
é-me tua dor assaz pungente.
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Pobre menino, menino diferente,
sem brinquedos e tão ausente;
não me são, porém, indiferentes...
Ó tempos deveras imprevidentes!
Cadê os brinquedos da gente?
nunca os tivemos presentes;
apenas viviam na mente,
na criatividade, recorrentes.
O tempo se esvai, não sentes?
A vida é tal qual rio corrente,
sequer deixa singela semente.
Pobre menino, pingo de gente,
da Humanidade, indigente;
é-me tua dor assaz pungente.
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É Findi - Série História de Pernambuco - Quando a vitória não bastava - Por Alfredo Cabral de Melo*
16/10/2026
A segunda batalha dos Guararapes, em fevereiro de 1649, deixou uma imagem difícil de ignorar. Pela segunda vez, as forças da Restauração haviam derrotado um grande contingente neerlandês. O domínio holandês sobre boa parte do interior de Pernambuco estava cada vez mais limitado, enquanto Recife permanecia como o principal núcleo de sua presença. Seria razoável imaginar que a guerra estivesse terminando. Mas não foi isso que aconteceu.
Recife continuava fortificado, abastecido pelo mar e protegido por uma estrutura militar que não poderia ser vencida apenas com novas vitórias em campo aberto. Os restauradores haviam demonstrado sua capacidade de combater e vencer, mas ainda precisavam encontrar uma maneira de transformar essas vitórias em domínio efetivo sobre a praça que sustentava a presença neerlandesa.
A guerra começava, assim, a exigir outros recursos. Em março daquele mesmo ano, foi criada a Companhia Geral do Comércio do Brasil, sob o governo de D. J...
A segunda batalha dos Guararapes, em fevereiro de 1649, deixou uma imagem difícil de ignorar. Pela segunda vez, as forças da Restauração haviam derrotado um grande contingente neerlandês. O domínio holandês sobre boa parte do interior de Pernambuco estava cada vez mais limitado, enquanto Recife permanecia como o principal núcleo de sua presença. Seria razoável imaginar que a guerra estivesse terminando. Mas não foi isso que aconteceu.
Recife continuava fortificado, abastecido pelo mar e protegido por uma estrutura militar que não poderia ser vencida apenas com novas vitórias em campo aberto. Os restauradores haviam demonstrado sua capacidade de combater e vencer, mas ainda precisavam encontrar uma maneira de transformar essas vitórias em domínio efetivo sobre a praça que sustentava a presença neerlandesa.
A guerra começava, assim, a exigir outros recursos. Em março daquele mesmo ano, foi criada a Companhia Geral do Comércio do Brasil, sob o governo de D. João IV. A nova companhia tinha interesses comerciais, mas também nasceu em uma conjuntura de guerra e de disputa pelo controle das rotas atlânticas. A organização do transporte e a proteção da navegação passaram a ter importância cada vez maior para a sustentação da luta.
Não era uma questão meramente econômica. Homens, armas, munições, alimentos e mercadorias precisavam circular, e a capacidade de manter essa circulação podia decidir o destino de uma praça sitiada. Recife ainda possuía uma vantagem fundamental: o mar. Enquanto os neerlandeses conseguissem manter comunicação com o exterior, a cidade continuaria tendo condições de resistir.
Por isso, depois de Guararapes, a guerra não se resumiu a uma sucessão de grandes batalhas. Continuaram as operações militares, as dificuldades de abastecimento e as disputas pelo controle das comunicações. O conflito permanecia vivo, mas começava a depender cada vez mais de fatores que não apareciam necessariamente no campo de batalha.
Evaldo Cabral de Mello ajuda a compreender essa mudança. Ao tratar da produção, do comércio e da navegação entre 1645 e 1654, ele mostra como a guerra afetou a circulação entre Pernambuco e o Reino e como a capacidade neerlandesa de receber socorro dependia das condições do Atlântico. A partir de 1652, a Primeira Guerra Anglo-Neerlandesa passou a dificultar as comunicações marítimas das Províncias Unidas, criando circunstâncias mais favoráveis aos restauradores.
Isso ajuda a explicar por que a Restauração não pode ser entendida apenas a partir de Pernambuco. A reconquista de Luanda, em 1648, havia mostrado que portugueses e neerlandeses disputavam posições em diferentes pontos do Atlântico. Não se tratava de uma única campanha militar, conduzida de maneira uniforme em todos esses lugares, mas de conflitos que se relacionavam dentro de um espaço marítimo muito mais amplo.
Pernambuco estava inserido nesse mundo. O açúcar continuava sendo produzido e comercializado, os navios continuavam sendo necessários e os caminhos marítimos permaneciam fundamentais. A própria criação da Companhia Geral do Comércio revela a preocupação da Coroa em reorganizar o tráfego com o Brasil e protegê-lo em uma conjuntura marcada pela guerra e pelos riscos à navegação. Estudos posteriores mostram que, a partir de 1649, o sistema de comboios passou a ganhar importância na carreira do Brasil.
José Antônio Gonsalves de Mello e Evaldo Cabral de Mello permitem acompanhar essa transformação por perspectivas complementares. A documentação reunida por José Antônio revela a dimensão militar, administrativa e econômica do conflito. Evaldo amplia o campo de observação e mostra que a guerra não pode ser explicada apenas pela sucessão dos combates. Havia interesses econômicos, decisões tomadas em Lisboa, dificuldades de navegação e uma disputa internacional que continuava interferindo no destino de Pernambuco.
Isso também ajuda a entender por que a segunda vitória de Guararapes não produziu imediatamente a expulsão dos neerlandeses. Vencer um exército em campo aberto era uma coisa. Tomar uma cidade fortificada, cortar suas comunicações e impedir que recebesse auxílio era outra, muito mais complexa.
Aos poucos, portanto, as condições começaram a mudar. A guerra continuava, mas o equilíbrio já não era o mesmo de alguns anos antes. Os neerlandeses permaneciam no Recife, porém dependiam cada vez mais da capacidade de manter aberta uma ligação marítima com o exterior. Para os restauradores, a questão passou a ser como transformar a pressão acumulada durante anos em um cerco capaz de levar a cidade à rendição.
A Restauração havia chegado a um momento em que a vitória militar, sozinha, já não bastava. Era preciso controlar os caminhos por onde chegavam os recursos, limitar a capacidade de resistência do Recife e fazer com que o tempo passasse a trabalhar contra aqueles que ainda ocupavam a cidade.
A guerra, que começara nos engenhos e se espalhara pelos campos de Pernambuco, aproximava-se finalmente do lugar onde a presença neerlandesa ainda encontrava sua maior força: o Recife.
Bibliografia utilizada
FREITAS, Gustavo de. A Companhia Geral do Comércio do Brasil (1649-1720). Revista de História, São Paulo, v. 2, n. 6, p. 307-328, 1951. DOI: 10.11606/issn.2316-9141.v2i6p307-328. Portal de Revistas da USP
MELLO, Evaldo Cabral de. Olinda restaurada: guerra e açúcar no Nordeste, 1630-1654. 3. ed. São Paulo: Editora 34, 2007.
MELLO, Evaldo Cabral de. O negócio do Brasil: Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641-1669. Rio de Janeiro: Topbooks, 1998.
MELLO, José Antônio Gonsalves de (org.). Fontes para a história do Brasil holandês. Recife: Parque Histórico Nacional dos Guararapes; MEC/SPHAN/Fundação Pró-Memória, 1981-1985. 2 v.
SILVA, José Justino de Andrade e. Collecção chronologica da legislação portugueza. Lisboa: Imprensa de F. X. de Souza, [s.d.], v. 7. A documentação relativa à instituição e ao decreto de aprovação da Companhia Geral do Comércio do Brasil é referenciada pela historiografia a partir desse conjunto legislativo.
BRASIL. Fundação Biblioteca Nacional. Países Baixos: fontes para a história do Brasil holandês nos arquivos neerlandeses (1623-1655). Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, [s.d.].
COSTA, Leonor Freire. O transporte no Atlântico e a Companhia Geral do Comércio do Brasil (1580-1663). Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 2002. 2 v. A obra é indicada na bibliografia especializada sobre a Companhia e o transporte atlântico. SciELO
*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo
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É Findi – Quem USA - Por Iraquitan Palmares*
16/10/2026
USA a África
USA às Américas
USA o mundo
Como quintal
USA do mundo
O capital
Capital
Humano
Intelectual
USA sobretudo
O vil metal
USA governos
USA sociedades
USA guerras
Como brincadeiras
Jogos de xadrez
USA
E como USA
Rasga do peito
A porra dessa blusa
Arranca esse troço
D'alma!
Não vá
Na onda
Da mídia e tal
Sugiro-te
Com amor
Te lambuza
E dê um foda-se
Para tudo que
For te USA
Agora use
Tua inteligência
Tua raça
Tua crença
Teu pertencimento
Mira no
Teu futuro
E acredite:
Juntos somos
Mais que
Massa de manobra
Do contrário
Pede a benção
A quem te USA
*...
USA a África
USA às Américas
USA o mundo
Como quintal
USA do mundo
O capital
Capital
Humano
Intelectual
USA sobretudo
O vil metal
USA governos
USA sociedades
USA guerras
Como brincadeiras
Jogos de xadrez
USA
E como USA
Rasga do peito
A porra dessa blusa
Arranca esse troço
D'alma!
Não vá
Na onda
Da mídia e tal
Sugiro-te
Com amor
Te lambuza
E dê um foda-se
Para tudo que
For te USA
Agora use
Tua inteligência
Tua raça
Tua crença
Teu pertencimento
Mira no
Teu futuro
E acredite:
Juntos somos
Mais que
Massa de manobra
Do contrário
Pede a benção
A quem te USA
*Iraquitan Palmares, pernambucano de Palmares radicado na região metropolitana de Brasília-DF há 21 anos, poeta, teatrólogo atuando como ator e professor de teatro no Grupo Cultural Obará no DF, com oito livros publicados e com três no prelo para publicação. @iraquitanoliveirada
NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
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É Findi - Recados das Urnas - Crônica - Por Malude Maciel*
16/10/2026
Basta sensibilidade e atenção políticas para compreender os recados das urnas eleitorais. Sim; os cidadãos estão fazendo o dever de casa exemplarmente, dando seu parecer da melhor forma, quando sabem que disso depende seu futuro.
Há pouco tempo atrás e atualmente
Antes, eram os votos de cabresto, em troca de dentaduras ou favores; uma vergonha! Agora, está havendo conscientização, apesar de que ainda fica muito a desejar para se ter uma verdadeira Democracia.
Urnas eletrônicas
Nesse último pleito vimos a olho nu, recado não impresso, mas teclado, como manda o figurino das urnas. Ou seja, o povo mostrou escancaradamente que não aceita certos tipos de candidatos nem partidos sem qualificação. Aliás, o número de siglas no Brasil é impressionante: partidos de mais, desnecessariamente; servem mais pra confundir do que para esclarecer o eleitor. Talvez por interesse na verba que cada um recebe, às nossas custas, para a campanha...
Basta sensibilidade e atenção políticas para compreender os recados das urnas eleitorais. Sim; os cidadãos estão fazendo o dever de casa exemplarmente, dando seu parecer da melhor forma, quando sabem que disso depende seu futuro.
Há pouco tempo atrás e atualmente
Antes, eram os votos de cabresto, em troca de dentaduras ou favores; uma vergonha! Agora, está havendo conscientização, apesar de que ainda fica muito a desejar para se ter uma verdadeira Democracia.
Urnas eletrônicas
Nesse último pleito vimos a olho nu, recado não impresso, mas teclado, como manda o figurino das urnas. Ou seja, o povo mostrou escancaradamente que não aceita certos tipos de candidatos nem partidos sem qualificação. Aliás, o número de siglas no Brasil é impressionante: partidos de mais, desnecessariamente; servem mais pra confundir do que para esclarecer o eleitor. Talvez por interesse na verba que cada um recebe, às nossas custas, para a campanha as filiações crescem assustadoramente e alguém está ganhando com isso, menos o eleitorado. Duas vertentes é o suficiente pra um pleito legítimo e consciente.
Tribunal eleitoral
A Legislação bem que poderia ajustar alguns pontos desatualizados e prejudiciais ao longo do tempo, porém essas providências são tão remotas que: "morrem os burros e quem os tangem". Nem por isso poderemos deixar de cobrar dos representantes do povo na Câmara e no Senado, pressões ao STF a fazer mudanças cabíveis, como a impressão dos votos para conferência, como manda nossa Constituição.
Dever cívico
O voto no Brasil é obrigatório por lei, mas na prática tornou-se facultativo pela facilidade de justificar a ausência do cidadão aos pontos de votação e uma multa insignificante quando não comparece. Mesmo com um resultado expressivo, muita gente se absteve dessa obrigação por inconformismo com os postulantes, desconfiança das urnas eletrônicas ou das apurações e do sistema ultrapassado. Assim, ainda houve grande registro de abstenção e isto constitui um sinal bem claro de que algo está precisando de ser ajustado, à maneira satisfatória do eleitor atento.
O povo cansou da mesmice, das mesmas caras e dos mesmos discursos e principalmente de promessas vãs.
Se o número de votos nulos ou brancos for maior do que os válidos, há necessidade de nova eleição, outras chapas e a Legislação vigente dando respaldo à essas possibilidades. Isto é importante pois, ninguém quer simplesmente eleger o menos ruim.
Outro questionamento
É o fato de que não existe critério para alguém postular um cargo eletivo, especialmente os mais relevantes do país, coisa que para se assumir quaisquer vagas em outras áreas é necessária triagem: provas de títulos, alfabetização, moral ilibada e até concurso. Se o candidato estiver com ficha suja, respondendo na Justiça, será logo descartado. Muito bem. Imagine para o Executivo e Legislativo, que conduzirão os destinos de toda uma Nação... No Judiciário também deveria ser apenas por concurso.
Mas, para que essas coisas aconteçam primeiramente haveria uma Lei especificando cada caso e, infelizmente não há interesse dos legisladores nem vontade política.
Também o caso de reeleição é outro ponto a ser considerado e tomadas posições. Da maneira que está, muitos se perpetuam nos cargos como se fossem seu dono, algo vitalício.
São muitas as sugestões
É isso. Surgem inúmeras opiniões de quem se preocupa com o aperfeiçoamento do sistema político e dos cargos políticos, pois a Política vive intrínseca ao nosso cotidiano. Não podemos simplesmente fechar os olhos em confirmação ou reclamar sobre o leite derramado, porque mesmo o que estiver bom poderá ficar melhor para nossa qualidade de vida.
Cada indivíduo deve opinar, criticar quando necessário, e dar seu palpite para que as coisas sejam melhoradas sempre. Isto se chama engajamento social próprio do nosso sistema de governo.
E votação outra vez
Melhor seria se tudo tivesse se resolvido no primeiro turno, todavia surge outro escrutínio no segundo turno e vamos nós, exercer nosso direito de votar , escolhendo nosso presidente da República, cargo máximo da federação.
O povo irá às urnas a fim de realizar sua vontade, como de direito.
Que sejamos abençoados por Deus para que tudo seja decidido dentro de um processo honesto e sério, como merecemos.
Cabe às autoridades constituídas primar pela correção deste sufrágio eleitoral.
Nessas particularidades, são conhecidos os grandes estadistas ou apenas os poderosos da vez.
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel
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É Findi - Romero Falcão* chegando em Dose Dupla
16/10/2026
A Flor da Vergonha - Crônica Poética
Entre dois turnos, o medo.
O voto é secreto,
mas o túmulo pode ser de Carrara.
Sei que você, homem comum ou artista,
tem receio de se manifestar:
família, amigos, patrocínio, seguidores
podem minguar.
Até ontem, tive medo de perder
meus quatro seguidores.
Mas hoje, no meu jardim, a flor da vergonha
me intimou a ler A Flor e a Náusea,
de Drummond.
A democracia rompeu a corrente
e, ainda assim, pode acorrentar o voto
e chamar isso de liberdade.
O voto é secreto, eu sei,
mas o túnel se estreita num aperto de mão.
E tudo o que se exige da gente, agora,
é a coragem de Guimarães Rosa
e o pendão de Lula à luz do sol.
Duas Estrelas Cintilando na Escuridão - Crônica
Papéis Principais
Nas nov...
A Flor da Vergonha - Crônica Poética
Entre dois turnos, o medo.
O voto é secreto,
mas o túmulo pode ser de Carrara.
Sei que você, homem comum ou artista,
tem receio de se manifestar:
família, amigos, patrocínio, seguidores
podem minguar.
Até ontem, tive medo de perder
meus quatro seguidores.
Mas hoje, no meu jardim, a flor da vergonha
me intimou a ler A Flor e a Náusea,
de Drummond.
A democracia rompeu a corrente
e, ainda assim, pode acorrentar o voto
e chamar isso de liberdade.
O voto é secreto, eu sei,
mas o túnel se estreita num aperto de mão.
E tudo o que se exige da gente, agora,
é a coragem de Guimarães Rosa
e o pendão de Lula à luz do sol.
Duas Estrelas Cintilando na Escuridão - Crônica
Papéis Principais
Nas novelas do século passado e da primeira década deste, os personagens negros se reduziam a escravos, motoristas, babás, empregados domésticos. Mas tais personagens foram pendurados no museu da televisão. Hoje, atores negros ocupam papéis principais e posições de destaque na telinha: galãs, empresários, médicos, autoridades. Axé!
Nos Altos Cargos da República
Nas instituições, porém, o buraco da agulha permanece estreito. Na história do STF, a toga de Joaquim Barbosa foi uma exceção a cobrir a pele negra. Nos tribunais, no Congresso, nos altos cargos da República, a presença negra ainda é mínima.
Visibilidade Nacional
Nestas eleições, dois jovens negros alcançaram votações surpreendentes. Perdoem minha ignorância: só agora tomei conhecimento das trajetórias de Jones Manoel, pernambucano, e Ana Elisa Santos Silva, mineira. Os dois ganharam visibilidade nacional no horário nobre da televisão.
Concha Convexa
A trajetória de Jones Manoel mostra o quanto a educação pode ser revolucionária. Negro, pobre, filho de empregada doméstica e de pai pedreiro, criado na favela da Borborema, no Recife, ele chega à concha convexa de Oscar Niemeyer. Escritor e formado em História, entra para a história. Que no rastro do pernambucano surjam muitos outros Jones!
Superação de Barreiras
Não entro na ideologia, na foice e no martelo do historiador. Celebro seu mérito: a superação de barreiras, preconceitos e dos percalços da pobreza mais dura.
Primeira Mulher Negra
Da mesma lavra de luz e luta, a mineira Ana Elisa Santos Silva, de 21 anos, estudante de Direito, pobre e filha de mãe solo, também faz história. Segundo declarou, é a primeira mulher negra de sua idade, em duzentos anos, a conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados. Numa votação arrebatadora, recebeu mais de meio milhão de votos dos mineiros.
Cintilando Na Escuridão
Os dois ocupam as páginas dos jornais e as telas da televisão, sob os holofotes da imprensa de todo o país.
Duas estrelas cintilando na escuridão.
A essa altura, os celulares dos dois não param de tocar.
Mas lá nas alturas, Deus tá vendo. Castro Alves também.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda
NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
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É Findi – A Dona do Sim - Croniqueta - Por Xico Bizerra*
16/10/2026
Dia desses Tico marcou encontro com Teco, esbarraram-se na sala do meu juízo. Foi quando resolvi escrever esta croniqueta. Desculpem vocês, a culpa é dos neurônios travessos que costumam brincar na parte superior do meu corpo, pouco abaixo dos meus embranquecidos cabelos.
O sim era a única palavra que Estefânia aprendera a dizer quando lhe pediam algo. Desde a mais tenra idade, sempre sim, sempre assim. Foi criada consentindo e desconhecia a não-confirmação, fosse do que fosse: só existia essa palavra em seu parco dicionário. Em casa, na escola, em seus dias, tardes e noites.
Desde cedo, quando sua mãe lhe levava à igreja e ela, sem nenhuma vontade de ir, ia sempre. À contragosto, seguia com a mãe e até comungava, por exigência dela. Mocinha, mesmo sem querer, disse sim à proposta de namoro do filho do Coronel, que tinha as piores das intenções com aquele namoro concordado.
Tantos sins disse na vida sem nunca ter aprendido a dizer não que...
Dia desses Tico marcou encontro com Teco, esbarraram-se na sala do meu juízo. Foi quando resolvi escrever esta croniqueta. Desculpem vocês, a culpa é dos neurônios travessos que costumam brincar na parte superior do meu corpo, pouco abaixo dos meus embranquecidos cabelos.
O sim era a única palavra que Estefânia aprendera a dizer quando lhe pediam algo. Desde a mais tenra idade, sempre sim, sempre assim. Foi criada consentindo e desconhecia a não-confirmação, fosse do que fosse: só existia essa palavra em seu parco dicionário. Em casa, na escola, em seus dias, tardes e noites.
Desde cedo, quando sua mãe lhe levava à igreja e ela, sem nenhuma vontade de ir, ia sempre. À contragosto, seguia com a mãe e até comungava, por exigência dela. Mocinha, mesmo sem querer, disse sim à proposta de namoro do filho do Coronel, que tinha as piores das intenções com aquele namoro concordado.
Tantos sins disse na vida sem nunca ter aprendido a dizer não que se tornou escrava do consentimento. O do altar foi apenas um começo de vários outros que se seguiriam, atestado de conformismo firmado com a conveniência.
Quando aprendeu a dizer não já era tarde: o de acordo tantas vezes dito e repetido não lhe permitiu definir, a seu favor, os desejos e vontades no plebiscito do destino. Escrava da não identidade, da aceitação incondicional, Estefânia nunca foi feliz. Aceitou tudo e facilitou a vida de muitos, complicando a sua própria. E assim se foi, sem identidade, postura de aceitação incondicional, escrava do sim, tantas vezes desejosa do não. Pobre Estefânia.
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico
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É Findi – Caboclo do Nordeste - Por Poeta Pica-Pau*
16/10/2026
O matuto caboclo do Nordeste
Que se orgulha em ser um nordestino
É um forte guerreiro no destino
É um bravo arigó cabra da peste
Sendo ele do Sertão ou do Agreste greste
Da mata seja Sul ou seja Norte
Defende as raízes até a morte
Cultua com amor a natureza
Ama a cultura com grandeza
Permitindo que a arte lhe transporte
Permitindo que a arte lhe transporte
Ama a cultura com grandeza
Cultua com amor a natureza
Defende as raízes até a morte
Da mata seja Sul ou seja Norte
Sendo ele do Sertão ou do Agreste
É um bravo arigó cabra da peste
É um forte guerreiro no destino
Que se orgulha em ser um nordestino
O matuto caboclo do Nordeste
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acess...
O matuto caboclo do Nordeste
Que se orgulha em ser um nordestino
É um forte guerreiro no destino
É um bravo arigó cabra da peste
Sendo ele do Sertão ou do Agreste greste
Da mata seja Sul ou seja Norte
Defende as raízes até a morte
Cultua com amor a natureza
Ama a cultura com grandeza
Permitindo que a arte lhe transporte
Permitindo que a arte lhe transporte
Ama a cultura com grandeza
Cultua com amor a natureza
Defende as raízes até a morte
Da mata seja Sul ou seja Norte
Sendo ele do Sertão ou do Agreste
É um bravo arigó cabra da peste
É um forte guerreiro no destino
Que se orgulha em ser um nordestino
O matuto caboclo do Nordeste
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau
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É Findi - Dose Dupla de Josué Sena* para este Findi
16/10/2026
Por que a pressa?
Afinal por que tanta pressa?
Meditem com prazer o passo.
Pois o mundo sempre recomeça
E o porvir nunca é escasso.
Devagar com a louça e o andor.
Devagar com o trem ou a caleça.
Conforme nosso segundo imperador,
Devagar é que se chega depressa.
No seguir, há viagens externas.
Viagem ao interior de si.
Exercitemos a mente e as pernas,
Da vida, pelos diferentes caminhos.
Depois, degustando de chegada os vinhos,
Digamos: amigos, o mundo eu conheci.
A palavra caleça, que significa um tipo de carruagem puxada por cavalos, pronuncia-se com o “ê” aberto? Na verdade, o som é parecido com ca-LÉ-ça, com a sílaba LÉ mais forte.
Verso feito de água
Meu poema é também feito de água,
Vezes límpida, vezes um tanto turva,
De trajetória reta, o...
Por que a pressa?
Afinal por que tanta pressa?
Meditem com prazer o passo.
Pois o mundo sempre recomeça
E o porvir nunca é escasso.
Devagar com a louça e o andor.
Devagar com o trem ou a caleça.
Conforme nosso segundo imperador,
Devagar é que se chega depressa.
No seguir, há viagens externas.
Viagem ao interior de si.
Exercitemos a mente e as pernas,
Da vida, pelos diferentes caminhos.
Depois, degustando de chegada os vinhos,
Digamos: amigos, o mundo eu conheci.
A palavra caleça, que significa um tipo de carruagem puxada por cavalos, pronuncia-se com o “ê” aberto? Na verdade, o som é parecido com ca-LÉ-ça, com a sílaba LÉ mais forte.
Verso feito de água
Meu poema é também feito de água,
Vezes límpida, vezes um tanto turva,
De trajetória reta, ou em curva.
Dele a escorrer riso, vezes mágoa.
Vezes tem um ar de douto.
Num viés de saudade e melancolia,
Imagético, vezes adota a ousadia
De interagir com metáforas de Mia Couto.
Meu texto, um tanto formal, estabelece elo,
Não raro, com moderno enredo.
Decerto anseia ir ao prelo,
Mas dele tem intenso medo,
Amargura-se, diz estar ainda cedo,
E sem refino parnasiano para ser belo.
*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
Um abraço para Josafá, que enfrenta a maior dor do mundo
16/10/2026
Por José Nivaldo Junior
Soube pelo blog do Magno, confirmei em belo post solidário de Mendonça Filho. O prefeito de São Caetano, PE, Josafá Almeida, passa neste momento, juntamente com a família, pela maior dor que o mundo colocou no caminho de um pai: perder um filho na flor, na exuberância, na beleza dos seus 19 anos. Golpe inesperado e profundo, com o viés doloroso de acidente automobilístico.
Relação respeitosa
Não posso me arvorar de amigo pessoal de Jeová. Acompanho de perto há tempo a trajetória da família. Participei de diversas jornadas eleitorais, sempre trabalhando para o lado divergente. No meio das diferenças de interesses, construímos uma relação formal, respeitosa, sempre com um toque de simpatia pessoal que Josafá exala. Talvez por isso, a dor do momento bata no meu peito como uma martelada. Josafá não merece. Nenhum pai merece passar por uma provação deste tamanho.
Força, muita força
Por José Nivaldo Junior
Soube pelo blog do Magno, confirmei em belo post solidário de Mendonça Filho. O prefeito de São Caetano, PE, Josafá Almeida, passa neste momento, juntamente com a família, pela maior dor que o mundo colocou no caminho de um pai: perder um filho na flor, na exuberância, na beleza dos seus 19 anos. Golpe inesperado e profundo, com o viés doloroso de acidente automobilístico.
Relação respeitosa
Não posso me arvorar de amigo pessoal de Jeová. Acompanho de perto há tempo a trajetória da família. Participei de diversas jornadas eleitorais, sempre trabalhando para o lado divergente. No meio das diferenças de interesses, construímos uma relação formal, respeitosa, sempre com um toque de simpatia pessoal que Josafá exala. Talvez por isso, a dor do momento bata no meu peito como uma martelada. Josafá não merece. Nenhum pai merece passar por uma provação deste tamanho.
Força, muita força
É só o que há para dizer nessas circunstâncias. Força para Josafá. Muita força para a família e os amigos. Se conheci Josafá Neto, não lembro. Dele fica a imagem de um presente que virou dor e um futuro que não aconteceu. E uma luz que vai brilhar para sempre, como estrela no firmamento.
Análise - Pesquisas e apostas, a matemática da esperança (II)
16/10/2026
A nove dias da eleição, o favorito continua o mesmo, mas a vantagem encolheu. O que isso significa, e o que ainda pode mudar?
Na noite de 4 de outubro, o painel do TSE parou de oscilar. Flávio Bolsonaro, 47,03%. Lula, 45,16%. Menos de dois pontos de diferença, pouco mais de dois milhões de votos, e nenhum dos dois com a metade mais um. O Brasil foi dormir sabendo que haveria segundo turno e acordou, na segunda-feira, fazendo uma pergunta diferente da que fazia na véspera. Antes era “quem vai para o segundo turno?”. Agora é “quem vai ganhar?”.
Essa pergunta tem duas respostas que não se confundem, e confundi-las é o erro mais comum. Uma é a resposta da intenção de voto: quantos por cento cada um tem. A outra é a resposta da chance: qual a probabilidade de cada um vencer. Cinquenta e dois por cento de intenção não são cinquenta e dois por cento de chance. Dependendo do tamanho da vantagem e do tempo que falta, 52% dos votos podem significar 70% de chance, ou 90%. É disso q...
A nove dias da eleição, o favorito continua o mesmo, mas a vantagem encolheu. O que isso significa, e o que ainda pode mudar?
Na noite de 4 de outubro, o painel do TSE parou de oscilar. Flávio Bolsonaro, 47,03%. Lula, 45,16%. Menos de dois pontos de diferença, pouco mais de dois milhões de votos, e nenhum dos dois com a metade mais um. O Brasil foi dormir sabendo que haveria segundo turno e acordou, na segunda-feira, fazendo uma pergunta diferente da que fazia na véspera. Antes era “quem vai para o segundo turno?”. Agora é “quem vai ganhar?”.
Essa pergunta tem duas respostas que não se confundem, e confundi-las é o erro mais comum. Uma é a resposta da intenção de voto: quantos por cento cada um tem. A outra é a resposta da chance: qual a probabilidade de cada um vencer. Cinquenta e dois por cento de intenção não são cinquenta e dois por cento de chance. Dependendo do tamanho da vantagem e do tempo que falta, 52% dos votos podem significar 70% de chance, ou 90%. É disso que trata este artigo. Uma análise para quem está disposto a ir mais fundo no caldeirão fervente deste segundo turno. Para quem nao está disposto a mergulhar no assunto, pode ficar por aqui mesmo. O 'lead' acima já foi uma contribuição.
O que significa três em quatro
Imagine o engenheiro que avisa que uma demolição tem 75% de chance de dar certo. Ninguém entende que ele garantiu o resultado. Três em cada quatro clientes saem bem; um não sai. E o cliente não sabe de antemão em qual grupo vai estar. É exatamente assim com uma eleição.
Quando as contas dizem que Flávio Bolsonaro tem perto de 77% de chance de vencer no dia 25, estão dizendo que, se esta eleição pudesse ser disputada cem vezes nas condições de hoje, ele venceria perto de 77 e perderia perto de 23. Ele é o favorito. Não é o vencedor.
De onde vem o número?
De dois ingredientes. O primeiro é a vantagem média nas pesquisas, hoje entre dois e quatro pontos nos votos válidos, conforme o peso que se dá a cada instituto. O segundo é o erro que as pesquisas costumam cometer, somado ao que ainda pode acontecer em nove dias. Esse segundo ingrediente vale perto de quatro pontos. Uma vantagem de três pontos, com uma incerteza de quatro, dá cerca de três em quatro. Na semana passada, com seis pontos de vantagem, a conta passava de 90%. Se a vantagem chegar a zero, vira cara ou coroa.
Três pontos parecem pouco, e são cada vez menos. Em uma eleição com cerca de 119 milhões de votos válidos, três pontos ainda são mais de três milhões e meio de votos. Mas essa vantagem encolheu cerca de um terço em uma semana.
As pesquisas, uma a uma, e a balança
Desde o 1º turno, os institutos foram a campo mais de uma vez, e a fotografia mudou. Para não misturar retratos de momentos diferentes, entram aqui só as pesquisas mais recentes de cada instituto, divulgadas de 13 a 16 de outubro. São sete. Todas dão Flávio à frente ou empatado, por margens que vão de zero a dez pontos.
Mas pesquisa não se soma como feijão. Uma leitura séria faz o que a ciência faz quando junta vários estudos em um só: dá a cada um um peso proporcional à sua confiabilidade. A régua é uma só, e não tem torcida: quem errou menos no 1º turno pesa mais. Quem errou quatro pontos pesa um quarto de quem errou um. Para que um único acerto não decida tudo, nenhum instituto conta como se tivesse errado menos de um ponto. A BTG/Nexus, sem resultado de 1º turno na comparação, recebe o peso mediano. E a Palver, que divulga a intenção total, entra com os seus 50 a 49 convertidos em votos válidos.
7 institutos avaliados
A média simples dos sete dá Flávio 51,5% a 48,5%, vantagem de 2,9 pontos. A média ponderada pelo acerto sobe para 52% a 48%, quatro pontos, puxada pela Gerp. Mas há um detalhe revelador: os dois institutos que mais acertaram o 1º turno agora discordam. O Gerp, com campo até 12 de outubro, dá dez pontos de vantagem a Flávio; a Futura, com campo até 15, dá 1,6. Tirando o Gerp e mantendo a mesma régua, a média cai para 50,9% a 49,1%, vantagem de 1,7 ponto. A vantagem real de Flávio está, portanto, entre 1,7 e 4 pontos.
Traduzido em chance
Entre 66% e 84%, perto de 77% no meio do caminho.
A tendência da semana aponta numa direção só. Todos os institutos que repetiram a pesquisa depois do 1º turno mostraram a diferença diminuindo. O PoderData foi de seis pontos de vantagem para Flávio, no dia 8, ao empate, no dia 16. O Datafolha foi de quatro para dois. A Futura, de 3,6 para 1,6.
Há um detalhe que pesa do outro lado. No 1º turno, quase todos os institutos ficaram abaixo do resultado de Flávio, e nenhum ficou acima. Os grandes, Datafolha e Quaest, subestimaram o senador em mais de três pontos. Se o padrão se repetir no dia 25, a vantagem real de Flávio é maior do que a que as pesquisas mostram. Se não se repetir, os números valem pelo que são.
O dinheiro que opina
Enquanto os institutos batiam de porta em porta e discavam telefones, outra pesquisa corria, sem questionário e sem entrevistador. Chama-se Polymarket, uma bolsa de apostas sobre acontecimentos. Apostadores do mundo inteiro compram, por alguns centavos de dólar, um contrato que paga um dólar se Flávio vencer, ou outro que paga um dólar se Lula vencer. O preço do contrato vira a probabilidade que os apostadores atribuem a cada um.
Na noite de 12 de outubro, o contrato de Flávio custava 87,8 centavos, e o de Lula, 12,5. Cento e oitenta milhões de dólares já passaram por esse mercado. O Kalshi, a casa americana regulada pelo governo dos Estados Unidos, marcava 88% para o senador. E há um mercado paralelo, só para a margem de vitória: o cenário mais negociado é Flávio por 4 a 8 pontos, com quase metade das apostas; Lula vencendo por menos de 4 pontos fica com 10%. Essas cotações, porém, são de antes das pesquisas desta semana.
O curioso
Esse número, 87 ou 88%, era quase idêntico ao que a balança das pesquisas mostrava naquele dia. Não é coincidência, e tampouco é confirmação. O apostador em Singapura ou em Miami lê as mesmas pesquisas que você. Ele só acrescenta uma coisa que o entrevistado do Datafolha não acrescenta: dinheiro.
Pesquisa e aposta: parentes que não são gêmeos
As semelhanças são evidentes. As duas tentam prever o mesmo resultado, as duas se alimentam das mesmas informações públicas e, nesta eleição, as duas apontam para o mesmo favorito com a mesma convicção.
As diferenças
São mais importantes.
A pesquisa pergunta ao eleitor o que ele vai fazer. A aposta pergunta a um estranho o que ele acha que o eleitor vai fazer. A primeira mede intenção; a segunda mede expectativa.
A pesquisa tem margem de erro conhecida e um vício conhecido: nas últimas três eleições, subestimou a direita. A aposta não tem margem de erro, mas tem vícios próprios: poucos apostadores grandes conseguem mexer no preço, e a multidão que aposta, estrangeira, jovem e ligada ao mundo das criptomoedas, não se parece com o eleitor de Petrolina ou de Caruaru.
Mais diferenças
A pesquisa demora. O campo leva três ou quatro dias, e o número sai depois. A aposta reage em minutos. Quando o Datafolha divulgou sua primeira pesquisa de segundo turno, o contrato de Flávio subiu dois pontos logo em seguida.
E há a diferença que mais interessa ao leitor: o histórico. Em 2024, os mercados de apostas deram Donald Trump como favorito quando as pesquisas falavam em empate, e acertaram. Em 2016, deram cerca de 80% para Hillary Clinton e para a permanência do Reino Unido na Europa, e erraram as duas. O dinheiro enxerga longe, mas também fica cego quando toda a torcida aposta no mesmo cavalo.
Os fantasmas de 2014 e 2022
Toda eleição brasileira carrega assombrações. As duas que rondam este segundo turno têm nome e data.
A primeira é de 2014. Em 9 de outubro daquele ano, o Datafolha publicou Aécio Neves com 51% dos votos válidos contra 49% de Dilma Rousseff. Dezessete dias depois, Dilma venceu com 51,6%. O favorito das pesquisas de outubro perdeu em outubro. Quem hoje garante que três pontos são intransponíveis esquece que dois pontos a favor viraram três contra em pouco mais de duas semanas.
A segunda é de 2022. Na véspera do segundo turno, o Datafolha dava Lula 52 x 48. Lula venceu com 50,9%. A vantagem que as pesquisas mostravam encolheu na urna, dessa vez contra o próprio Lula. Jair Bolsonaro, que terminara o 1º turno sete pontos acima do que as pesquisas previam, chegou a menos de dois pontos da reeleição.
Os dois fantasmas ensinam a mesma lição, cada um por um lado: as pesquisas erram, e nem sempre na mesma direção. Por isso a balança dá favoritismo, e não certeza.
Nove dias
O que pode mudar até o dia 25? Pouca coisa, e tudo.
Pouca coisa, porque o eleitor brasileiro já decidiu. Na Gerp, 94% dizem ter voto definido; na Palver, 81% dizem que nada os faria mudar de candidato. Os vídeos que correm pelos grupos de WhatsApp, verdadeiros ou falsos, convencem quase sempre quem já estava convencido. Houve vandalismo na saída do ato de Lula na Paulista, no domingo 11, confirmado pela Polícia Militar: portas e grades quebradas na estação Consolação, pichações, tumulto. Houve também vídeos de uma suposta invocação satânica e de uma militante consumindo droga no mesmo ato, e os dois eram de outros lugares e outras datas, como mostrou a Agência Lupa. Do outro lado, uma deputada eleita culpou bolsonaristas pelo incêndio da UFPE e apagou o post sem apresentar prova. Cada bolha recebe a sua ração de indignação diária, e o placar se mexe devagar.
E tudo, porque o que move eleição em reta final não é vídeo, é fato.
O mundo real como critério
Um debate desastroso, uma denúncia com documento, uma frase que o candidato não consegue desdizer. O caso do Banco Master já roçou os dois: há áudios de Flávio negociando 134 milhões de reais com o banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre o pai, que ele chama de patrocínio, e há o relato do mesmo Vorcaro sobre 30 milhões por fora para um filme sobre Lula, que a Polícia Federal descartou por falta de provas. Nenhum dos dois tem condenação. Qualquer um dos dois pode virar manchete até o dia 25.
Probabilidade não é destino
No fim da tarde de 25 de outubro, a partir das cinco, o painel do TSE voltará a oscilar e, duas ou três horas depois, vai parar. Os três em quatro e o um em quatro vão desaparecer, e no lugar deles ficará um número só, sem decimais de dúvida.
Até lá, o que se pode dizer com honestidade é isto: Flávio Bolsonaro segue favorito, pelas pesquisas, pela balança que as pondera e pelo dinheiro que apostava nelas, mas perdeu terreno nesta semana. Lula é o azarão, mas é um político que já viu, em 2014, a sua candidata virar um jogo parecido com este.
Quem tem 77% não tem o direito de dormir tranquilo. Quem tem 23% não tem o direito de desistir. Nas urnas, como na vida, a probabilidade é um conselho, não uma sentença. Os cem por cento só existem no domingo à noite.
Fontes: TSE; Placar das Pesquisas (erros do 1º turno); Gerp, Futura, Palver, BTG/Nexus, PoderData/Aya, Datafolha e Quaest (pesquisas divulgadas de 13 a 16 de outubro); Agência Lupa; Poder360; Polymarket; Kalshi.
(O Poder, com mentoria de leitor, especialista em interpretação de dados e IA, que adota o pseudônimo jocoso de Claude Tal e Qual).
Estudo usado pelo PT projeta vitória de Lula por 4 pontos
16/10/2026
Além das sempre nebulosas 'pesquisas internas' um outro elemento entra em cena na dinâmica da propaganda eleitoral: os 'estudos internos'. Esses, pelo menos por enquanto, com pé e cabeça. O PT/PB está divulgando uma projeção de vitória de Lula por aproximadamente 4 pontos, baseado na evolução dos números do Instituto PoderData/AYA nos últimos oito dias.
Criatividade
O 'estudo' em pauta utiliza como base as pesquisas PoderData/AYA. O Instituto, já em pleno segundo turno, registrou uma vantagem de 6 pontos para Flávio - 53 a 47, em 08/10, uma semana atrás. De lá para cá, 51 X 49, em 13/10 e finalmente empate numérico de 50 X 50, hoje, quinta-feira, 16/10. Em oito dias Lula recuperou, segundo o Instituto, nada menos que seis pontos.
Projeção
Texto interno obtido com exclusividade por O Poder argumenta que,
caso as tendências mantiverem esse perfil de evolução, Lula ganha com 52,1 X 47,9 do...
Além das sempre nebulosas 'pesquisas internas' um outro elemento entra em cena na dinâmica da propaganda eleitoral: os 'estudos internos'. Esses, pelo menos por enquanto, com pé e cabeça. O PT/PB está divulgando uma projeção de vitória de Lula por aproximadamente 4 pontos, baseado na evolução dos números do Instituto PoderData/AYA nos últimos oito dias.
Criatividade
O 'estudo' em pauta utiliza como base as pesquisas PoderData/AYA. O Instituto, já em pleno segundo turno, registrou uma vantagem de 6 pontos para Flávio - 53 a 47, em 08/10, uma semana atrás. De lá para cá, 51 X 49, em 13/10 e finalmente empate numérico de 50 X 50, hoje, quinta-feira, 16/10. Em oito dias Lula recuperou, segundo o Instituto, nada menos que seis pontos.
Projeção
Texto interno obtido com exclusividade por O Poder argumenta que,
caso as tendências mantiverem esse perfil de evolução, Lula ganha com 52,1 X 47,9 do adversário. Isso, repetindo, caso se mantenha a tendência de movimentação nas intenções de voto captadas até agora pelo instituto.
Especulação
Não são dados, são projeções. Não é técnica, é propaganda. Mas que é instigante, lá isso, é.
Diz ainda o documento
"Acreditamos que podemos ter um fim de semana com mobilização, debate e fatos que podem acelerar a curva. Acontecendo isso, o resultado pode ser ainda melhor".
A conferir
NR - O Poder garante espaço para contestações e projeções internas de partidários das duas candidaturas, desde que contenham argumentos e/ou lastro factual.
A Catedral Prateada: Quando o Rock Aprendeu a Falar em Bits, por Zé da Flauta*
16/10/2026
Existe um momento preciso em que o século XX trocou o chiado de agulha pelo silêncio sepulcral do laser. Esse instante atende pelo nome de Brothers in Arms, lançado pelo Dire Straits em 1985. O disco não foi apenas um álbum de rock; foi o batismo de fogo da música digital e o atestado de óbito adiantado do bolachão de vinil na prateleira de quem queria se passar por moderno.
Na capa, suspenso num céu azul de nuvens impecáveis, flutua o corpo prateado da guitarra ressonadora National Style O de Mark Knopfler. Olhar para aquela imagem era quase uma experiência religiosa ou um delírio espacial. Mas a verdadeira revolução não estava só na capa; estava estampada com orgulho de engenheiro no rodapé: "A Full Digital Recording".
Delírio
Knopfler e o produtor Neil Dorfsman empacotaram as malas e se mandaram para os estúdios AIR, encravados na ilha caribenha de Montserrat, para gravar o álbum numa lendária mesa digital Sony de 24 pistas. Enqua...
Existe um momento preciso em que o século XX trocou o chiado de agulha pelo silêncio sepulcral do laser. Esse instante atende pelo nome de Brothers in Arms, lançado pelo Dire Straits em 1985. O disco não foi apenas um álbum de rock; foi o batismo de fogo da música digital e o atestado de óbito adiantado do bolachão de vinil na prateleira de quem queria se passar por moderno.
Na capa, suspenso num céu azul de nuvens impecáveis, flutua o corpo prateado da guitarra ressonadora National Style O de Mark Knopfler. Olhar para aquela imagem era quase uma experiência religiosa ou um delírio espacial. Mas a verdadeira revolução não estava só na capa; estava estampada com orgulho de engenheiro no rodapé: "A Full Digital Recording".
Delírio
Knopfler e o produtor Neil Dorfsman empacotaram as malas e se mandaram para os estúdios AIR, encravados na ilha caribenha de Montserrat, para gravar o álbum numa lendária mesa digital Sony de 24 pistas. Enquanto o mundo analógico rilhava os dentes tentando entender o que era aquele troço de "código binário", um bando de sujeitos de faixa na cabeça usava a tecnologia mais fria do planeta para gravar algumas das melodias mais viscerais, quentes e humanas da história da música.
Sucesso
O álbum virou um fenômeno comercial acassapante. Foi o primeiro Compact Disc (CD) da história a ultrapassar a barreira de um milhão de cópias vendidas. Tornou-se um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos no Reino Unido e um titã absoluto do rock global. O sujeito nos anos 80 não comprava um aparelho de CD para ouvir música; ele comprava o aparelho para ouvir o solo de "Money for Nothing" e o ruído da palhetada sem palheta de Knopfler estalando na caixa de som do quarto sem nenhum chiado de fundo. É na faixa-título, "Brothers in Arms", que o CD vira oração.
Inspirada no absurdo trágico da Guerra das Malvinas, a guitarra de Knopfler chora em notas pausadas, quase sussurradas, lembrando que no meio da fumaça da batalha e da poeira dos séculos, o soldado do outro lado da trincheira é só mais um coitado longe de casa.
Carne e osso
É essa a grande beleza de Brothers in Arms, ele usou o ápice do cálculo matemático dos bits para nos entregar um espelho límpido sobre a dor, o absurdo e a fraternidade humana. Um disco feito de metal, gravado em laser, mas com alma de carne, osso e saudade.
A tecnologia muda o formato da mídia e limpa o ruído do fundo, mas quando a luz do quarto se apaga, o que nos faz chorar ainda é a mesma velha nota triste soprada do peito de quem sabe o valor do silêncio.
Até a próxima!
Zé da Flauta é compositor e cronista*
Tracking Ipespe/Abrapel: Flávio cai mas mantém liderança. Lula mostra capacidade de recuperação
17/10/2026
A segunda rodada do Tracking da campanha presidencial realizada pelo Ipespe/Abrapel, faltando pouco mais de uma semana para a eleição, registra movimento favorável ao presidente Lula (PT), com aumento do percentual de votos para ele e redução do percentual de Flávio Bolsonaro (PL).
O trabalho
Apontou que a evolução entre as duas rodadas sugere uma disputa bem mais equilibrada do que a observada na rodada anterior. Flávio mantém a liderança numérica, mas Lula apresenta uma tendência de recuperação que, caso tenha continuidade, poderá alterar o equilíbrio da competição na última semana.
Na intenção de voto estimulada
Conforme o estudo, Flávio recua de 49% para 48%, enquanto Lula se move de 44% para 46%. Nos votos válidos, a distância entre os dois candidatos oscila de 5,4 para 2,4 pontos percentuais (51,2% a 48,8%).
Intensificação das campanhas
Conforme o estudo dos dados ob...
A segunda rodada do Tracking da campanha presidencial realizada pelo Ipespe/Abrapel, faltando pouco mais de uma semana para a eleição, registra movimento favorável ao presidente Lula (PT), com aumento do percentual de votos para ele e redução do percentual de Flávio Bolsonaro (PL).
O trabalho
Apontou que a evolução entre as duas rodadas sugere uma disputa bem mais equilibrada do que a observada na rodada anterior. Flávio mantém a liderança numérica, mas Lula apresenta uma tendência de recuperação que, caso tenha continuidade, poderá alterar o equilíbrio da competição na última semana.
Na intenção de voto estimulada
Conforme o estudo, Flávio recua de 49% para 48%, enquanto Lula se move de 44% para 46%. Nos votos válidos, a distância entre os dois candidatos oscila de 5,4 para 2,4 pontos percentuais (51,2% a 48,8%).
Intensificação das campanhas
Conforme o estudo dos dados obtidos, o estreitamento da margem percentual entre os dois candidatos ocorre em um momento de intensificação da campanha, após as manifestações de rua pró-Lula realizadas em diferentes partes do país, e também da votação do fim da escala 6x1 (no meio do período das entrevistas).
Abstenção
Entre os que declaram máxima possibilidade de comparecimento às urnas, conforme ressalta o relatório Ipespe/Abrapel, Flávio tem quatro pontos de vantagem sobre Lula. Enquanto a ameaça da abstenção segue pairando sobre o desempenho do presidente.
É bom destacar
Que a pesquisa não captou eventual efeito das entrevistas dos candidatos à TV Globo nas últimas quinta-feira (15/10) e sexta-feira (16/10, nem da promulgação da Emenda Constitucional que acabou com a escala 6x1, na manhã de ontem.
Percentuais por gênero
A distribuição do voto apresenta diferenças importantes nos dados demográficos. Em relação ao gênero, entre os homens, Flávio Bolsonaro registra 53% e Lula 41%. Por sua vez, entre as mulheres, Lula alcança 51% e Flávio 43%.
Por idade
Os eleitores de 16 a 34 anos se dividem em 47% para Lula e 46% para Flávio. Já entre os que têm faixa etária entre 35 e 59 anos, Flávio tem 51% e Lula 44%. E entre os que possuem 60 anos ou mais, Lula marca 50% e Flávio 44%.
Faixas de renda
As diferenças no perfil socioeconômico também são nítidas: Lula registra 54% entre famílias com renda de até dois salários mínimos, diante de 40% para Flávio. Nas faixas de dois a cinco salários mínimos, Flávio tem 54% e Lula 41%. Acima de cinco salários, 54% e 40%, respectivamente.
Escolaridade
Entre eleitores que fizeram apenas o ensino fundamental, Lula alcança 51% e Flávio 41%. No ensino médio, Flávio tem 53% e Lula 43%. Entre os que possuem curso superior, Flávio tem 52% e Lula 42%.
Diferenças por região
Regionalmente, o Nordeste concentra uma diferença favorável a Lula (61% a 31%), enquanto Flávio registra 61% no Sul, ante 34% de Lula. No Sudeste, os percentuais são 53% e 43%, e no agregado Norte/Centro-Oeste, 53% e 41%, respectivamente.
Entre evangélicos
Flávio registra 62% e Lula 30%. Entre católicos, Lula tem 49% e Flávio 46%. No grupo de outras religiões, sem religião ou não resposta, Lula soma 56% e Flávio 37%.
Posicionamento ideológico
No posicionamento ideológico, entre os que se declaram independentes (37%), Lula registra 50% e Flávio 42%, com 5% de brancos/nulos e 3% de indecisos. Esse é um recorte particularmente relevante porque os eleitores que se identificam com os campos políticos mais definidos apresentam forte concentração de votos.
Time X time
Entre lulistas, 99% votam em Lula; entre eleitores de esquerda não lulistas, 97%. Entre os de direita não bolsonaristas, 93% votam em Flávio; e entre bolsonaristas, 100%. As bases declaradas de direita não bolsonarista (25%) e bolsonarista (9%) somam 34%, enquanto lulistas (11%) e esquerda não lulista (14%) somam 25%.
Transferência de votos
No cruzamento com o voto declarado no primeiro turno, 97% dos eleitores de Flávio mantêm seu voto e 96% dos eleitores de Lula também o fazem. Entre os que declaram ter votado em Augusto Cury, Flávio aparece com 50% e Lula com 31%; entre os de Ronaldo Caiado, Flávio tem 59% e Lula 18%; e entre os de Renan Santos, Flávio tem 40% e Lula 20%, respectivamente.
Alerta
Esses são percentuais relativos a bases menores, sujeitos a maior variação amostral, e não constituem medida direta de migração individual entre ondas.
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