'Formação dos campos ideológicos opostos'
Grupos políticos identificados como ":esquerda" e "direita" permanecem vendo o mundo dentro da velha moldura que se formou a partir do golpe bolchevique de 1917 na Rússia.
O novo cenário revolucionário foi palco onde foi sendo forjado campos ideológicos chamados: 'burgues' (liberalismo, Europa Ocidental) e do 'proletariado" (ortodoxia marxista).
Essas ideologias tornaram-se escudos onde foram abrigadas as armas de ataque e defesa, num grande conflito cultural, ideológico, diplomático, político, econômico, de dissuasão, denominado de "guerra fria" (no período de 1945-1991).
Esse confronto que continua, a partir de 1989/1991, ganhou novos contornos, novos atores e uma moldura com vários reparos.
A partir do século 21, dois blocos foram sendo conduzidos, usando as ruínas que restaram da "guerra fria":
Oriente: erguido por cima das ruínas do socialismo real (leste europeu e União Soviética) nele foi agregado o bloco islâmico (até agora com dominância Xiita - Iran e grupos terroristas como Hezbolah (Xiita) e grupos menores. Aí, teremos grupos como Hamas, Jihad Islâmica ("palestinos") e iemenitas (Houthis).
Esse bloco tem, uma liderança que aparece de forma bem transparente (República Islâmica do Iran) e outra na "sombra" (República Popular da China). o bloco não herdou o propósito anti-capitalista, mas sim, de destruição da hegemonia Ocidental/norte-americana.
Ocidente: que tenta resgatar aspectos de sua hegemonia, tendo á frente, Estados Unidos e Israel. Esse bloco tem como parte a Europa Ocidental.
A Europa Ocidental, sempre sem fidelidade e constância em relação a agenda ocidental (livre mercado, "capitalismo" , liberdade politico-eleitoral). Historicamente, essa Europa nunca foi tão fiel, aos propósitos ocidentais. Diríamos que antes da 2a. guerra, apenas a Inglaterra mostrou uma certa fidelidade, a partir de Churchill.
Vem ocorrendo na Europa Ocidental uma invasão físico-territorial, além de uma invasão vertical (cultural) que vai destruindo os alicerces do chamado liberalismo surgido com a revolução industrial do Século 18.
'A crítica Austríaca'
A dissolução do " planeta socialista" - queda do Leste europeu e União Soviética (1989/1991) - ficou confirmada a "crítica" ao socialismo marxista, que se propunha/propõe a ser a superação para o que chamam "decadência" do "capitalismo".
A "crítica", qual me refiro, foi elaborada pela Escola Austríaca de Economia (Mises, Hayeck, Mengele).
A "crítica" austríaca ao socialismo marxista expôs a inviabilidade de seu projeto socialista; daí teremos o seguinte resumo daquela Escola : "O socialismo científico é um grande equívoco histórico (materialismo histórico e o seu evolucionismo histórico- social), econômico ( um sistema com ausência de lucro, mercado, propriedade individual, liberdade de empreendimento), sem os quais a economia não funciona/funcionará.
Mises identificou essa inviabilidade, principalmente, e, já nos anos 1930, pela "ausência do cálculo econômico no "socialismo praticado" como um macro-sistema. Ele centrou sua crítica na proposta econômica do "socialismo científico", diferente dos outros socialismos, então reformistas.
O cálculo econômico é o fundamento de importantes itens econômicos: preço, salário, lucros, propriedade, riqueza, pobreza, enfim valores.
Mises ao avaliar a inviabilidade do socialismo marxista, fez a seguinte revelação: quando ocorriam transações econômicas do socialismo real (ele usou como parâmetro, a primeira experiência de economia socialista no mundo): caso da União Soviética.
A economia soviética, vendia, comprava, pagava salários, usava que referências? "Resposta, a referência" eram os valores do mercado ocidental - o mercado "capitalista". Sim mais que valores ditos "capitalistas" são valores econômicos, portanto além de "capitalistas".
A crítica pura do marxismo original ao que chamou de "capitalismo", era uma critica a engrenagem interna do sistema; centrou, portanto, na relação capital x trabalho.
'O capitalismo e os austríacos"
'O "capitalismo" é para Escola austríaca, a própria economia'.
"Capitalismo" é uma engrenagem que não foi formada por caprichos ideológicos, mas, sim, fruto de descobertas e práticas, geradas no próprio processo de formação de uma ordem histórico/econômico/cultural.
O "socialismo marxista" tem sido a mais duradoura das críticas estruturais ao "capitalismo". Mas, o enxerga como uma estrutura de exploração formada por modos de produção que o antecederam. Uma estrutura que pode ser implodida/explodida (por ações internas e externas) e no terreno que fica vazio com a "revolução" se levantará uma "nova economia".
O socialismo marxista derrotou (?)outras tendências socialistas (reformistas e outras "escolas econômicas"), procurou nublar a Escola Austríaca de Megele/Mises/Hayeck, porém Mises, desferiu-lhe um golpe fatal, enquanto crítica estrutural.
'A insistência da ideologia socialista revolucionária'
Todos os fracassos socialistas marxistas contabilizados ao longo da História, não tem sido suficiente para remover de uma vez por todas essa "engenharia de engrenagem" que leva/levou/sempre levará, ao fracasso.
Também, o marxismo, não respondeu ao questionamento posto por Mises: ("E o cálculo econômico socialista"?)
Ao invés da "remoção" dos seus erros, teremos a reinvenção do marxismo e partir para o campo da conquista do Estado, não mais pela Revolução/ditadura do proetariado, mas pela "hegemonia cultural" - Escola de Frankfurt - e até por uma adoção de métodos de uma economia de mercado - caso da China e posteriormente Vietnã.
A sobrevivência do socialismo científico se dá na esfera ideológica, esfera que facilita sua reinvenção/permanência. E construção de "fantasias".
Da teoria crítica da Escola de Frankfurt, dentro do seu ventre saiu a "Cultura Woke", a maior das excrescências filosóficas do mundo moderno.
A cultura Woke trouxe à tona - o que já estava presente no marxismo original - a ideologia da destruição; racismo, feminismo, abortismo, ateísmo moderno, discriminações sexuais, sociais e por aí vai, tudo entendido, pelo marxismo, como fruto da estrutura de classes vigente - o capitalismo.
Ainda tem mentalidade que acredita naquilo surgido com o pensamento originário marxista. A classe operária, sairá de dentro da luta entre capital x trabalho, derrotará o capital e irá sobrepor a economia/sociedade dos oprimidos.
'Desmonte do socialismo real'
Quando desabou em 1989/1991, o Planeta socialista, - leste europeu e União Soviética - com confirmação da "tese austríaca": " O Socialismo é inviável". O que restou do modelo ortodoxo, anacrônico foi, Cuba, Coreia do Norte e outros, que continuaram na insistência do modelo coletivista, estatista, autocrático, controlador, uma espécie de neofascismo terceiro mundista.
'Desvios da China e Vietnã'
China, Vietnã, fizeram radical deslocamento de seus modelos, abandonaram aspectos da estatização e aquele coletivismo ortodoxo.
Coletivismo baseado nas fazendas coletivas, cooperativas de consumo, homogenizacão social anti-mercado, o mesmo que igualdade do consumo, a partir de uma renda igualitária para os cidadãos.
No modelo chinês, até chamado "socialismo de características chinesas", também vietnamita.
A vitória coube as elites partidárias dos PCs, seus Exércitos de Libertação do Povo, tornaram-se quase "multinacionais", comandam a economia e suas corporações de grupos privados.
'Derrota Soviética'
A União Soviética perdeu a oportunidade de trilhar por uma economia de mercado, seus dois maiores organismos burocráticos, como, KGB e PCUS, disputavam os benefícios, abriram pouco espaços para as corporações privadas, resultando na queda do regime.
Gorbachev, com sua Glasnost (política) e sua Perestroika (economia) não impediu o "desastre'.
A Fala de alguns geopolíticos ocidentais,:é de que, na verdade, o desmanche socialista foi algo planejado pela KGB, prá afrouxar a vigilância da Otan e do Ocidente; aquelas burocracias aliadas a uma "cleptocracia" que controlava as estatais
'Elites do comunismo e o modelo comunocapitalista'
As elites marxistas
Como a elite chinesa, principalmente, não queria amargar o fracasso da ortodoxia dos marxistas. A China fez um deslocamento econômico que mergulhou aquela economia em outro cenário.
O Vietnã seguiu os mesmos passos. "Correram para o abraço" da economia de mercado
A República Popular da China, principalmente e de forma agressiva, integrou- se ao mercado capitalista global; seu crescimento passou a depender deste mercado, adotou regras da OCDE, ao mesmo tempo fez o mercado Ocidental depender da sua produção, consumo e de seu lugar nas cadeias de abastecimentos.
A República comunista chinesa, trouxe seus seiscentos milhões de novos consumidores, claro, mais poupadores do que consumidores a se relacionarem com a "ordem global". Enfim, a China, chegou, chegando, integrou-se.
A República popular chinesa a partir do século 21, tornou-se produtor de tecnologia, se alimentando de pirataria extraída do ocidente e tornou-se competidor da maior economia do mundo - Estados Unidos.
O dragão asiático, continuou comunista na política, mudou muitos aspectos da engrenagem econômica, integrou-se ao mercado; indicadores recentes apontam para um crescimento econômico mais tímido, não aquela exuberância de mais de 12% de crescimento an
'Reduzir a velocidade chinesa'
Trump, e sua equipe projeta para China, a 2a. maior economia do mundo, o seguinte: "celar o animal puxar-lhe o cabresto e assim reduzir a velocidade do mesmo".
A China está integrada ao mercado global, não tem mais volta, criou-se dependência de produção, consumo, ciência e tecnologia. Mas, a administração Trump não quer a velocidade que o "animal" estava tendo.
O "animal" apresenta sinais de cansaço. Não tem tanta autonomia que parecia, o "anabolizante energético" vem de fora. O desmonte interno chinês já começa a ser verificado.
Se o setor da construção civil, agora em declínio (85 milhões de imóveis sem ter compradores) foi o filho pródigo do processo de acumulação de capital, agora estamos vendo, o setor automobilístico como a nova estrela. Dez a doze montadoras se espalhando pelo mundo, o Brasil seu grande mercado.
'NEP e a tentativa de superar crise do socialismo soviético'
Com a NEP (Nova política Econômica), o bolchevique Lenin, abriu a guarda para os economia capitalista, mas foi só no plano doméstico.
Já a China, a partir de Deng Shao Ping, o "socialismo" (?) abriga uma economia exportadora industrial, com os grupos econômicos ocidentais mudando domicílio para a terra de Mão TseTubg...
Fica dito.
Partir de degustação de vinho branco Pinot Grigio, casta italiana que está se adaptando em solo chileno.
*Jarbas Beltrão é historiador e professor de História. MBA em Política Estratégia em Defesa e Segurança Nacional. Especialista em Geopolítica Novas Fronteiras Cibernética e IA.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.