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Perfil de Nikolas Ferreira no Instagram continua sem funcionar; equipe usa fanpage não oficial para questionar o que está acontecendo

15/08/2026

Continua apresentando instabilidade o perfil do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) no Instagram, o que tem chamado a atenção dos internautas desde a noite desta sexta-feira (14/08) e manhã deste sábado (15/08). O portal fica indisponível para usuários, sem notícias ou publicações novas. Aparece sem post algum, como se tivesse sofrido um bloqueio.

Por volta de 10h15, o perfil nikolassferreirass 3, considerado uma fanpage não oficial, publicou postagem informando sobre a falta de funcionamento, dizendo que está aguardando respostas e pedindo para as pessoas tentarem acessar este caminho.

A assessoria do deputado, entretanto, limitou-se a detalhar informações sobre sua trajetória política, o fato de ter sido bem votado nas eleições de 2022 e trouxe a seguinte pergunta: “Perseguição? Instagram derrubou perfil oficial de Nikolas Ferreira? Maldade, não vamos nos calar”.



Ainda não explicado

O episódio...

Continua apresentando instabilidade o perfil do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) no Instagram, o que tem chamado a atenção dos internautas desde a noite desta sexta-feira (14/08) e manhã deste sábado (15/08). O portal fica indisponível para usuários, sem notícias ou publicações novas. Aparece sem post algum, como se tivesse sofrido um bloqueio.

Por volta de 10h15, o perfil nikolassferreirass 3, considerado uma fanpage não oficial, publicou postagem informando sobre a falta de funcionamento, dizendo que está aguardando respostas e pedindo para as pessoas tentarem acessar este caminho.

A assessoria do deputado, entretanto, limitou-se a detalhar informações sobre sua trajetória política, o fato de ter sido bem votado nas eleições de 2022 e trouxe a seguinte pergunta: “Perseguição? Instagram derrubou perfil oficial de Nikolas Ferreira? Maldade, não vamos nos calar”.


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Ainda não explicado

O episódio suscitou repercussão nas redes sociais e ainda não foi explicado pela equipe do parlamentar e nem pela área técnica da Meta, responsável pelo Instagram. Além disso, diferente de episódios anteriores ocorridos em 2022, quando houve bloqueios determinados por ordem judicial, não há indicação concreta de censura ou queda definitiva da conta do parlamentar.

Nikolas Ferreira está entre os políticos brasileiros com maior alcance digital: tem cerca de 22 milhões de seguidores. Até o momento, não há confirmação pública sobre a causa da instabilidade ou sobre eventual decisão que tenha sido adotada por parte da plataforma relacionada à conta.

Levantamento da Zeeng

Já foram mencionadas, além de uma possível suspensão ou pane, até mesmo a possibilidade de alguma alteração estratégica na equipe de mídias sociais do deputado.

Em julho passado, levantamento realizado pela empresa Zeeng o apontou como o político mais influente do Brasil no Instagram, com média de 1,47 milhão de interações por publicação.. O estudo analisou 546 mil publicações de 3,1 mil políticos entre janeiro e junho de 2026.

O Poder continua acompanhando a situação do perfil do parlamentar ao longo do dia para atualizar o público.

Saco de gatos - membro da coligação de Lucas Ribeiro pede impugnação da mãe do governador

15/08/2026

Por Flávio Lúcio*

Como se diz lá pelas bandas do Sertão, o clima na coligação governista está de vaca desconhecer bezerro — e com boi, com tudo!

Entendimento não é a linguagem dos partidos que apoiam a reeleição de Lucas Ribeiro e ninguém por lá esconde suas insatisfações com quebras de acordo, vetos e puxadas de tapete que, como fogo de monturo, hão de explodir em algum momento — não agora, porque ser governo tem lá suas vantagens em eleições.

A última que veio a público foi o pedido de impugnação da mãe de Lucas Ribeiro, Daniella Ribeiro, cuja candidatura à suplência de Nabor Wanderley ao Senado foi anunciada algumas horas antes da convenção do Progressistas.

O pedido de impugnação partiu de um candidato a deputado estadual do PSOL, Ulisses Aparecido Barbosa, e expõe uma nova fratura. Vindo de um suposto "aliado", o pedido é um tiro de misericórdia em qualquer pretensão de candidatura de Daniella Ribeiro. Mãe do gover...

Por Flávio Lúcio*

Como se diz lá pelas bandas do Sertão, o clima na coligação governista está de vaca desconhecer bezerro — e com boi, com tudo!

Entendimento não é a linguagem dos partidos que apoiam a reeleição de Lucas Ribeiro e ninguém por lá esconde suas insatisfações com quebras de acordo, vetos e puxadas de tapete que, como fogo de monturo, hão de explodir em algum momento — não agora, porque ser governo tem lá suas vantagens em eleições.

A última que veio a público foi o pedido de impugnação da mãe de Lucas Ribeiro, Daniella Ribeiro, cuja candidatura à suplência de Nabor Wanderley ao Senado foi anunciada algumas horas antes da convenção do Progressistas.

O pedido de impugnação partiu de um candidato a deputado estadual do PSOL, Ulisses Aparecido Barbosa, e expõe uma nova fratura. Vindo de um suposto "aliado", o pedido é um tiro de misericórdia em qualquer pretensão de candidatura de Daniella Ribeiro. Mãe do governador candidato à reeleição, Daniella só poderia disputar a eleição de 2026 para o mesmo cargo que ocupa hoje no Senado. Como ela se registrou como suplente, fica evidente que não se trata do mesmo cargo, cujo postulante é outro, Nabor Wanderley. A Constituição proíbe que parentes consanguíneos em primeiro grau de prefeitos, governadores e presidente da República sejam candidatos, salvo aos cargos eletivos que já ocupam — o tio, Aguinaldo, está liberado, inclusive para suceder o sobrinho, caso Lucas se reeleja governador — Daniella Ribeiro não pode ser candidata à suplência.


*Flávio Lúcio é cientista social. Professor da UFPB. Historiador e doutor em Sociologia.

Radar Estratégico Ativaweb DataLab - Nikolas amanhece fora do ar neste sábado digital

15/08/2026

Por Alek Maracajá*

Brasília, 15 de agosto de 2026

Sábado normalmente é dia de Brasília reduzir o ritmo. A internet aparentemente não recebeu o memorando.

Depois de uma semana em que Flávio Bolsonaro enfrentou uma filiação partidária que afirma não ter realizado, o sábado amanheceu com outro personagem da direita no centro das atenções: Nikolas Ferreira, dono de uma das maiores audiências políticas do Brasil, apareceu com seu principal perfil no Instagram sem foto e sem publicações visíveis.

Pode ser problema técnico?

Pode. Pode ser ação do próprio perfil? Também. Pode ser alguma medida da plataforma? Ainda não sabemos. Mas existe uma certeza: quando faltam informações no digital, a narrativa trabalha em hora extra.

O perfil de Nikolas Ferreira

Reúne aproximadamente 22 milhões de seguidores, apareceu neste sábado sem foto e sem publicações visíveis. Até o...

Por Alek Maracajá*

Brasília, 15 de agosto de 2026

Sábado normalmente é dia de Brasília reduzir o ritmo. A internet aparentemente não recebeu o memorando.

Depois de uma semana em que Flávio Bolsonaro enfrentou uma filiação partidária que afirma não ter realizado, o sábado amanheceu com outro personagem da direita no centro das atenções: Nikolas Ferreira, dono de uma das maiores audiências políticas do Brasil, apareceu com seu principal perfil no Instagram sem foto e sem publicações visíveis.

Pode ser problema técnico?

Pode. Pode ser ação do próprio perfil? Também. Pode ser alguma medida da plataforma? Ainda não sabemos. Mas existe uma certeza: quando faltam informações no digital, a narrativa trabalha em hora extra.

O perfil de Nikolas Ferreira

Reúne aproximadamente 22 milhões de seguidores, apareceu neste sábado sem foto e sem publicações visíveis. Até o momento desta edição, não há uma explicação pública conclusiva que permita determinar tecnicamente a origem do problema.

Detalhe fundamental

Perfis podem apresentar esse comportamento por diferentes razões: instabilidade da plataforma, alteração voluntária do usuário, processos internos de revisão, problemas de sincronização, comprometimento da conta ou outras ocorrências operacionais. Sem manifestação da Meta ou do próprio parlamentar, qualquer diagnóstico definitivo seria especulação.
Politicamente, o vazio já produz efeito.

"No Instagram, desaparecer pode levar alguns segundos. Na política, explicar o desaparecimento pode levar o dia inteiro".

Aqui começa a pimenta do sábado.

Nesta semana, Flávio Bolsonaro enfrentou o episódio da filiação indevida ao partido Missão, situação que chegou a criar um impedimento temporário para o registro de sua candidatura pelo PL.

Sem invasão

O TSE afirmou oficialmente que não houve invasão hacker ao sistema de filiação partidária. Segundo o Tribunal, o registro foi realizado mediante uso indevido da ferramenta por alguém que possuía credenciais da legenda. O caso será investigado.

Agora

Aparece Nikolas, um dos maiores ativos digitais da direita, com seu Instagram aparentemente esvaziado. Não existe evidência, até agora, ligando os dois acontecimentos.Mas redes sociais raramente esperam a conclusão do inquérito para começar a escrever o roteiro.

"Coincidência é uma palavra técnica. Na política digital, às vezes ela vira narrativa antes do café".

O efeito já é político

Esse talvez seja o ponto mais importante deste Radar.
Precisamos separar causa técnica de consequência comunicacional.
Mesmo que se descubra nas próximas horas que o episódio de Nikolas decorreu de uma falha simples da plataforma, isso não elimina o potencial político do acontecimento.

Comunicação política

Funciona sobre três camadas: fato / interpretação / narrativa.
O fato é o perfil estar sem conteúdo visível.
A interpretação dependerá da explicação que surgir. A narrativa dependerá, principalmente, de quem conseguir ocupar primeiro esse espaço de informação.

"Quando uma conta com 22 milhões de seguidores apresenta um problema, deixa de ser apenas suporte técnico e passa a ser assunto político"

Flávio Bolsonaro: como um incidente virou discurso

O episódio envolvendo Flávio Bolsonaro oferece um precedente interessante para compreender o risco narrativo. Após aparecer filiado ao Missão, Flávio reagiu publicamente afirmando ser vítima de uma “armação”. O TSE posteriormente informou que não ocorreu hackeamento da Justiça Eleitoral e determinou investigação sobre o uso indevido das credenciais partidárias.

A controvérsia

Cresceu justamente porque extrapolou a discussão administrativa sobre filiação e passou a tocar em um assunto muito mais sensível: a confiança no sistema eleitoral.

Neste sábado

Novos desdobramentos continuam aparecendo. O partido Missão informou ter localizado dados relativos ao IP utilizado no episódio e encaminhado informações às autoridades.

Ou seja

Tecnicamente, estamos falando de episódios distintos.
Narrativamente, porém, existe espaço para que parte da audiência faça uma associação simples:

“Primeiro mexeram com Flávio. Agora aconteceu alguma coisa com Nikolas.”

Não é necessário que essa conclusão seja verdadeira para que ela circule.

"A internet não exige perícia para construir uma narrativa. Às vezes basta uma sequência de acontecimentos".

Leitura técnica

O episódio de Nikolas merece atenção por quatro razões.

Escala

Estamos falando de um dos maiores ecossistemas políticos individuais do país. Qualquer anomalia em um perfil dessa dimensão possui capacidade natural de gerar repercussão.

Identidade política

Nikolas possui uma audiência altamente conectada à militância conservadora. Isso aumenta a possibilidade de o episódio ser rapidamente interpretado dentro de narrativas políticas preexistentes.

Timing

O problema ocorre poucos dias depois do episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e justamente na largada oficial da disputa eleitoral.

Ausência inicial de informação

Quanto maior o intervalo entre o acontecimento e uma explicação verificável, maior tende a ser o espaço para hipóteses, interpretações, memes, vídeos e teorias.

Essa dinâmica é conhecida na análise de redes:
o vácuo informacional não permanece vazio por muito tempo.

A pergunta do sábado

O Instagram de Nikolas sofreu apenas um problema técnico ou acabou de entregar, involuntariamente, um dos maiores combustíveis narrativos da direita na largada eleitoral?
Ainda é cedo para responder.
Mas certamente não é cedo para acompanhar.

*Alek Maracajá é
CEO da AtivaWeb DataLab | Cientista de Dados. Professor ESPM-SP. Pesquisador UFPB.


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André Gadelha inova de novo: meia noite vai falar

15/08/2026

Ele foi o último a entrar na corrida pelo Senado. Encontrou o terreno ocupado. Mas nem por isso se abateu. Passo a passo, está construindo uma trajetória que pode surpreender. Com jogadas ousadas, um discurso firme e um carisma marcante, vai avançando. Devagar e sempre. Aclamado na convenção do MDB, teve presença marcante.

Hoje

André veicula nas redes sociais uma chamada para sua fala a meia-noite de hoje, hora da largada da campanha eleitoral propriamente dita.

Confira a chamada

Perceba que esse cara é diferente e vai dar o que falar. E meia-noite preste atenção no que ele tem a dizer.

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Ele foi o último a entrar na corrida pelo Senado. Encontrou o terreno ocupado. Mas nem por isso se abateu. Passo a passo, está construindo uma trajetória que pode surpreender. Com jogadas ousadas, um discurso firme e um carisma marcante, vai avançando. Devagar e sempre. Aclamado na convenção do MDB, teve presença marcante.

Hoje

André veicula nas redes sociais uma chamada para sua fala a meia-noite de hoje, hora da largada da campanha eleitoral propriamente dita.

Confira a chamada

Perceba que esse cara é diferente e vai dar o que falar. E meia-noite preste atenção no que ele tem a dizer.






É Findi - Flúvias Efêmeras - Por Poeta Tony Antunes de Palmares*

15/08/2026

Tinhas dos bagos bociais,
Tengo no dengo dobrado,
Tungo no tango de ontem,
Toda tontura entorta-nus.

Vagos vagões da solidão,
Visgos sem adesão,
Vastos vieses de vista,
Vísceras expostas ao leu,
Vírus a decompor as vidas.

Fótons a clarear-se frio,
Fístulas fustigam brechas,
Fossas fissuram lajes,
Febre é fíbula de ossos.

Jaz na mente o vazio do nada,
Joga o destino demente(mente),
Jorge matou o dragão,
Mas não salvou ninguém.


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras. @poetaprosador_tony_antunes



Tinhas dos bagos bociais,
Tengo no dengo dobrado,
Tungo no tango de ontem,
Toda tontura entorta-nus.

Vagos vagões da solidão,
Visgos sem adesão,
Vastos vieses de vista,
Vísceras expostas ao leu,
Vírus a decompor as vidas.

Fótons a clarear-se frio,
Fístulas fustigam brechas,
Fossas fissuram lajes,
Febre é fíbula de ossos.

Jaz na mente o vazio do nada,
Joga o destino demente(mente),
Jorge matou o dragão,
Mas não salvou ninguém.


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras. @poetaprosador_tony_antunes


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É Findi - Saudades! - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

14/08/2026

Oh! Como sinto saudades do meu lar,
das priscas noites de outrora, ao luar!
Quando o alado vento trazia a brisa,
soprando das serras, adormecidos sorrisos!

Saudades do alegre cantar dos ventos,
seu sopro doce e leve e acariciante,
resvalando, sutil, em meu corpo insone,
atiçando a fogueira de meus sonhos!



Se negra a noite, brilhavam as estrelas;
o Cruzeiro do Sul era minha aquarela,
e o firmamento, a minha janela.

Os alvos luares do meu Sertão,
deles mais não usufruo — doce ilusão!
Restos de memórias, asilo, paixão!


Recife, 13/08/2026


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



Oh! Como sinto saudades do meu lar,
das priscas noites de outrora, ao luar!
Quando o alado vento trazia a brisa,
soprando das serras, adormecidos sorrisos!

Saudades do alegre cantar dos ventos,
seu sopro doce e leve e acariciante,
resvalando, sutil, em meu corpo insone,
atiçando a fogueira de meus sonhos!


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Se negra a noite, brilhavam as estrelas;
o Cruzeiro do Sul era minha aquarela,
e o firmamento, a minha janela.

Os alvos luares do meu Sertão,
deles mais não usufruo — doce ilusão!
Restos de memórias, asilo, paixão!


Recife, 13/08/2026


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99


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É Findi - Amor de Guerrilheira - Por Ina Melo*

14/08/2026

Aos dezoito anos, cursando Direito, Suzana decidiu entrar no grupo de Teatro da Facudade, o qual tinha por finalidade, ensinar a arte de viver com personagens e mundos diferentes. Foi daí que nasceram as duas mulheres que a acompanharam pela vida inteira! Vindo de uma tradicional e abastada família, desde cedo começou a lidar com tintas e pincéis, fazendo disso o seu “hobby”. Para surpresa de todos, escolheu fazer direito em vez de Artes Plásticas. Foi uma das primeiras alunas a se interessar pelo grupo teatral da Faculdade. Mas em vez de historinhas de Príncipes e Princesas, as peças eram tiradas dos Mestres da literatura mundial. Foi assim que nasceu a Guerrilheira Perfumada. Ela entregou-se de corpo e alma as lides políticas, fazendo parte dos movimentos contra a Ditadura Militar. Foi aí que teve a sua primeira e louca paixão, das muita viveu na sua longa vida. Rodolfo, com alguns anos a mais, era silencioso e o cabeça do Diretório. Nunca aceitou cargos, mas estava sempre presente....

Aos dezoito anos, cursando Direito, Suzana decidiu entrar no grupo de Teatro da Facudade, o qual tinha por finalidade, ensinar a arte de viver com personagens e mundos diferentes. Foi daí que nasceram as duas mulheres que a acompanharam pela vida inteira! Vindo de uma tradicional e abastada família, desde cedo começou a lidar com tintas e pincéis, fazendo disso o seu “hobby”. Para surpresa de todos, escolheu fazer direito em vez de Artes Plásticas. Foi uma das primeiras alunas a se interessar pelo grupo teatral da Faculdade. Mas em vez de historinhas de Príncipes e Princesas, as peças eram tiradas dos Mestres da literatura mundial. Foi assim que nasceu a Guerrilheira Perfumada. Ela entregou-se de corpo e alma as lides políticas, fazendo parte dos movimentos contra a Ditadura Militar. Foi aí que teve a sua primeira e louca paixão, das muita viveu na sua longa vida. Rodolfo, com alguns anos a mais, era silencioso e o cabeça do Diretório. Nunca aceitou cargos, mas estava sempre presente. Aquele era o seu último ano. Um dia qualquer, chovia a cântaros e Susana, como sempre, depois das reuniões ia para o Bar dos Artistas, ao lado da Faculdade e lá se juntava aos homens e mulheres, essas consideradas “além do tempo” pois fumavam e bebiam e assim diferiam das moças bem comportadas. Eram quatro mulheres entre os homens. Ali todos se irmanavam, principalmente na subversividade! A tempestade caia forte com raios e trovões. Aos poucos as meninas foram se esgueirando, pois apesar da liberdade, tinham hora para chegar em casa. Susana aproveitou um grande estrondo e fugiu. Quando chegou no ponto do ônibus, as colegas tinham partido e ela toda molhada, esperava que passasse um táxi. Foi aí que ouviu o seu nome.

Reconheceu logo a voz forte e sensual de Rodolfo. Correu e entrou no carro tremendo de frio, pois estava molhada da cabeça aos pés. Sentiu que mãos fortes passavam suavemente pela sua face e cabelos. Foi assim que tiveram a primeira intimidade. Ainda com o carro parado, ele perguntou pra onde ela queria ir, se para sua casa ou para o Paraíso! Então ela o fitou com força e disse: claro, que prefiro o segundo. Saíram pela rua afora, até que chegaram as margens do rio. Quando ele desceu na garagem e abriu a porta como se fosse um cavalheiro de antigamente, foi que ela se deu conta que estava com a blusa de seda em cima da pele dourada. Desceu e caiu nos braços que lhe estavam abertos. Ali mesmo começaram as preliminares do que seria a mais longa noite das suas vidas. Subiram colados no elevador e no último andar entraram no apartamento escuro, iluminado apenas pelos relâmpagos! Depressa, tomaram uma dose de conhaque e foram sentar no grande sofá. Assim nasceu um amor que atravessou o tempo e o oceano. Quando o AI-5 foi promulgado e o Diretório desfeito e os seus membros presos, ela foi posta num avião junto com alguns amigos! Eram andarilhos procurados pelos militares. Passaram mais de um ano vivendo clandestinamente nas grandes Capitais europeias. Claro que ela e Rodolfo ficaram juntos, dessa vez, para conhecimento de todos. Aqueles dez anos foram vivenciados entre o medo e a paixão. Um dia, Rodolfo partiu para a Rússia para conhecer o Comunismo de perto. Assim, entre lágrimas e beijos, puseram a ideologia acima do amor. Quando Susana voltou, era uma mulher segura das suas ações e uma grande pintora! Um ano em Paris dedicado somente as artes plásticas, lhe valeu por uma vida inteira. Continuou firme na sua ideologia, mas dedicou-se inteiramente ao teatro! Foi assim que conheceu
um grande músico e apaixonaram-se. Ela então passou a ser a outra mulher que sempre manteve dentro de si.

Casou, teve filhos e manteve uma vida delicada a pintura, considerada forte e quase sempre “subversiva”. A família e os amigos sempre a questionavam como seria possível viver em mundos tão diferentes. Ela rindo respondia:

- o amor tem várias faces!

Depois de quase três décadas, voltou a ficar só, sendo que dessa vez foi aquela rival tão temida. A morte! Passando do meio século, caminhava para o entardecer da vida. Retomou suas atividades no Teatro e voltou a militar na política, essa a sua verdadeira paixão que, por amor deixara de lado. Numa das apresentações, eis que vê no palco, um velho conhecido da Faculdade. Recebeu-o emocionada e aceitou o convite para um reencontro com a turma, hoje todos sessentões. O ano era de eleições gerais e o País continuava dividido entre a Direita e a esquerda. Os tempos passaram mais tudo continuava como antes. Feliz por reencontrar os amigos, quando os abraçou sentiu que nada mudara, uns com alguns fios prateados e outros levemente calvos. Das mulheres, só ela seguiu rumo diferente. As outras três continuavam firmes e seguras lutando por um mundo melhor. Nessa noite todos entraram no túnel do tempo e encheram a cara de caipirinha e cerveja. Ainda bem, pensou. Nada mudara. Era quase madrugada quando Rodolfo chegou. A cabeça de Susana deu uma reviravolta ao vê-lo quase o mesmo homem do passado. Apenas a calvice estava mais acentuada e os cabelos prateados. Os olhares se cruzaram e ela sentiu as pernas tremerem como naquela noite de chuvas! Todo o álcool ingerido sumiu como num passe de mágica! As mãos se apertaram e o calor que lhe percorreu o corpo foi como se ontem voltasse depois de algumas décadas. As faces vermelhas de ambos, os denunciaram. A turma então, batendo palmas disse: beija! beija! beija! E foi assim que o amor e a paixão tomaram conta dos dois para sempre! Quem vai primeiro ninguém sabe, mas juntos eles vivem um novo Shangri-la! 08/2026


*Ina Melo, é jornalista. Publicou poemas, contos e crônicas na Revista de Cultura do Estado do Ceará e em diversas antologias como "Crônicas e contos inesquecíveis" e "Contistas do Terceiro Milênio". Graduada pela UFPE, com especialização em Antropologia Cultural, faz parte da Academia Internacional de Literatura e Artes. É autora dos livros: "Simone de Beauvoir - Mulher lúcida e livre", "Sonhos em dueto" e, pela Confraria do Vento, "Cartas de Paris". @inamelo2016


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É Findi - Série Prédios Ícones de Pernambuco - Igreja dos Santos Cosme e Damião - Por Severino Ninho*

14/08/2026

A povoação de Igarassu, com início em 1535, surgiu no alto das colinas, seguindo o modelo português de planejamento urbano, com foco no relevo acidentado e lógica na defesa militar. Dentre as primeiras construções do povoamento, destaca-se a igreja dos Santos Cosme e Damião, prestes a completar cinco séculos, sendo considerada o templo religioso mais antigo ainda em funcionamento no Brasil.

Localizada no outeiro do Largo dos Santos Cosme e Damião, de estilo maneirista, a singela capela, atual Matriz dos Santos Cosme e Damião, foi erguida por ordem do militar português Capitão Afonso Gonçalves, em agradecimento a sucessos militares no confronto com os Caetés. Objeto de várias reformas, a capela dos Santos Cosme e Damião só viria a adquirir sua característica atual no século XVIII.

Arquitetura

Com influência barroca em seu interior, a igreja tem fachada simples, com torre e nave únicas, dois altares laterais e o altar-mor, sendo palco...

A povoação de Igarassu, com início em 1535, surgiu no alto das colinas, seguindo o modelo português de planejamento urbano, com foco no relevo acidentado e lógica na defesa militar. Dentre as primeiras construções do povoamento, destaca-se a igreja dos Santos Cosme e Damião, prestes a completar cinco séculos, sendo considerada o templo religioso mais antigo ainda em funcionamento no Brasil.

Localizada no outeiro do Largo dos Santos Cosme e Damião, de estilo maneirista, a singela capela, atual Matriz dos Santos Cosme e Damião, foi erguida por ordem do militar português Capitão Afonso Gonçalves, em agradecimento a sucessos militares no confronto com os Caetés. Objeto de várias reformas, a capela dos Santos Cosme e Damião só viria a adquirir sua característica atual no século XVIII.

Arquitetura

Com influência barroca em seu interior, a igreja tem fachada simples, com torre e nave únicas, dois altares laterais e o altar-mor, sendo palco anualmente no mês de setembro da festa dos padroeiros da cidade, os Santos Mártires Cosme e Damião.

É patrimônio nacional e estadual, protegido, respectivamente, pelo Decreto-lei 25/37 e pela Lei 7.970/1979.


*Severino Ninho de Souza Silva é advogado, formado pela Faculdade de Direito do Recife. Foi prefeito de Igarassu, secretário de Estado, vereador e deputado federal. Atualmente é Controlador-geral do Município de Igarassu. É membro da Academia de Cultura e Letras de Igarassu.


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É Findi - Ingredientes - Por Marcelo Mário de Melo*

14/08/2026

Voo de águia
arte de raposa
casco de tartaruga
pulo de gato.

Caldo de crítica
sumo de humor
pó de poesia.

Sal
pimenta
bolinhas de gude
fura-pneu
coquetel-molotov
pedra de David.

Olho na estrela
sinal à esquerda
bandeira vermelha
canto e ciranda.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



Voo de águia
arte de raposa
casco de tartaruga
pulo de gato.

Caldo de crítica
sumo de humor
pó de poesia.

Sal
pimenta
bolinhas de gude
fura-pneu
coquetel-molotov
pedra de David.

Olho na estrela
sinal à esquerda
bandeira vermelha
canto e ciranda.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm


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É Findi - Bela Viagem - Conto - Por AJ Fontes*

14/08/2026

Toda manhã, sentado na poltrona, folheio um livro escolhido de uma das estantes encostadas nas paredes, recheadas até o teto de volumes grossos como a bíblia, finos como uma folha de papel; de lombadas vermelhas, amarelas, pretas. Leio os que alcanço. Vovô diz que os outros, no alto, vou ler quando crescer e tiver cabeça para entender.

No meio de toda livralhada a janela aberta parece uma pintura de um artista famoso carregada de folhas brilhantes que balançam devagar com o vento e enche o escritório com o cheirinho bom das rosas do jardim.
Enfiado na poltrona, lendo histórias de espadas ensanguentadas em alguma guerra entre Portugal e Holanda, arregalo os olhos seguindo o beija-flor que aparece na frente da página. Sigo as piruetas: para cima, para baixo, para um lado e... zummm.

Voa pela janela, esconde por traz da folha de onde surge um raio do sol. Uma bola de luz branca entra na minha cabeça e em um rebuliço toma conta do pescoço, desce pel...

Toda manhã, sentado na poltrona, folheio um livro escolhido de uma das estantes encostadas nas paredes, recheadas até o teto de volumes grossos como a bíblia, finos como uma folha de papel; de lombadas vermelhas, amarelas, pretas. Leio os que alcanço. Vovô diz que os outros, no alto, vou ler quando crescer e tiver cabeça para entender.

No meio de toda livralhada a janela aberta parece uma pintura de um artista famoso carregada de folhas brilhantes que balançam devagar com o vento e enche o escritório com o cheirinho bom das rosas do jardim.
Enfiado na poltrona, lendo histórias de espadas ensanguentadas em alguma guerra entre Portugal e Holanda, arregalo os olhos seguindo o beija-flor que aparece na frente da página. Sigo as piruetas: para cima, para baixo, para um lado e... zummm.

Voa pela janela, esconde por traz da folha de onde surge um raio do sol. Uma bola de luz branca entra na minha cabeça e em um rebuliço toma conta do pescoço, desce pelo peito, braços, barriga, pernas.

Um estalo seco, e os pelos do corpo arrepiam. Flutuando naquela imensidão branca não ouço o vento, nem o coração. Mergulho entre bolas transparentes azuis, vermelhas, amarelas faiscantes e logo segue alguma coisa parecida com a aurora boreal. Sou envolvido por ondas verdes, laranjas, roxas, amarelas que interferem nas bolas que, por sua vez, inflam chegando a uma explosão: branca e silenciosa.

Não viajo mais. Eu flutuo. Só. Quieto.

O corpo muda. Não a forma, mas me sinto mais leve. Sinto, mas parece que desapareço. Invisível? Os contornos existem. Vejo quando passo a mão na frente dos olhos.

Prendo a respiração novamente quando surgem as folhas verdes na janela; as paredes, os livros, a poltrona. Mas, não vejo. Na verdade, eu tenho certeza de que estão no lugar, que estou sentado e o livro na mesinha do lado, apenas não preciso ver ou tocar, cheirar, ouvir para saber que estão aqui.

Que sonho legal! Um sonho? Ai! O beliscão no braço dói. Encho os pulmões de ar quando inspiro e percebo ele passar pela garganta, seguindo até os pulmões.

Menino invisível! Será? Dou um giro no corpo e vejo tudo invisível. Engraçado, estou no meio do nada e sei de tudo: sei onde estou, sei do livro ao lado, dos fios de algodão do tapete.

A luz entra pela janela e se espalha. Não vem do sol. É uma luz difusa.

Acho que já tenho cabeça para entender os livros das prateleiras mais altas da estante. Inclusive, uso palavras e maneira de falar idênticas às de vovô. A história da Terra acontecida até hoje e indo adiante, chegando ao ano de 2975, não são novidade para mim. Refiro-me ao ano para me situar temporalmente, da forma que fazemos agora quando nos encontramos em um determinado espaço e um determinado tempo.

Escolho um tema: o desenvolvimento biológico do humano, as conquistas; o Bóson de Higgs, a “partícula de Deus”. Só sei que sei.

Ultrapassando o atual, percebo as mudanças biológicas nos levar ao estágio quando o corpo físico será “invisível”. Este, será um estágio anterior ao espalhamento energético, quando não mais haverá a singularidade chamada de indivíduo.

Relaxo, descanso os braços, sinto a poltrona.

- Paulinho! Cadê você?

Abro os olhos, vejo o livro na mesinha, a janela e o raio do sol aparecendo no balanço da folha lá fora.

- Vai ou não vai jogar?

Suspiro e sorrio quando o beija-flor pousa no meu ombro, encosta o bico no meu rosto e voa pela janela.
Pela primeira vez fui o herói da partida. Fiz todos os gols e driblei os melhores do time da rua de trás da nossa. Puxa!

Algo mudou. Acho que eu vejo as coisas diferentes. Até consigo entender uma frase de um dos livros do alto.

Ninguém entra duas vezes no mesmo rio.


*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes


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É Findi - Os Leiteiros - Crônica - Por Malude Maciel*

14/08/2026

Bem recentemente, mais precisamente em 2021, vivemos a crise do coronavírus que foi um verdadeiro horror, uma feroz batalha contra uma doença que trouxe novidades para as quais a medicina não estava preparada e nós, leigos, lutamos de todas as formas, pra escapar da pandemia que ceifou inúmeras vidas prematuramente. Tivemos a obrigação, mais do que nunca, de redobrar a limpeza geral em nossas casas, onde ficamos reclusos, sem saber o que fazer. Isso me fez lembrar o ano de 1956, quando tivemos por aqui a chamada: gripe asiática que também fez suas vítimas fatais. Mesmo sendo uma criança fui acometida da mesma e todos nós sofremos muito com a maldita.

Assim, de quando em vez, aparece doença que o ser humano vai driblando sem os recursos necessários pois, as vacinas nem sempre estão prontas ao combate das epidemias.

São muitas as mudanças dos costumes

Pensando nisso, recordo dos leiteiros que entregavam, diariamente nas residências, o...

Bem recentemente, mais precisamente em 2021, vivemos a crise do coronavírus que foi um verdadeiro horror, uma feroz batalha contra uma doença que trouxe novidades para as quais a medicina não estava preparada e nós, leigos, lutamos de todas as formas, pra escapar da pandemia que ceifou inúmeras vidas prematuramente. Tivemos a obrigação, mais do que nunca, de redobrar a limpeza geral em nossas casas, onde ficamos reclusos, sem saber o que fazer. Isso me fez lembrar o ano de 1956, quando tivemos por aqui a chamada: gripe asiática que também fez suas vítimas fatais. Mesmo sendo uma criança fui acometida da mesma e todos nós sofremos muito com a maldita.

Assim, de quando em vez, aparece doença que o ser humano vai driblando sem os recursos necessários pois, as vacinas nem sempre estão prontas ao combate das epidemias.

São muitas as mudanças dos costumes

Pensando nisso, recordo dos leiteiros que entregavam, diariamente nas residências, o leite de vaca vindo das fazendas circunvizinhas. Eles chegavam nos jumentos, transportando baldes com o produto nas cangalhas dos animais e gritavam às portas: "olha o leite!"
As donas de casa ou serviçais, corriam com uma vasilha pra recolher a preciosidade que, apesar de ser fervido posteriormente, esse leite ficava muito a desejar em higienização.

Já havia entrega a domicílio

Tudo era precário naquele trabalho, nenhum critério nem as prudências necessárias contra transmissão de doenças. Nem os patrões nem empregados possuíam educação e orientações a respeito desse fator. E, ainda havia os desonestos que colocavam água, até suja, nos tambores para levar vantagem na quantidade vendida. Sabe-se como é, em todo tempo e lugar houve corrupção.

Enfim a fiscalização

Quando chegou a vigilância sanitária com a fiscalização acirrada devido à epidemia, foi um deus nos acuda! Um rebuliço total. Pernas pra que te quero? Era gente correndo, se escondendo, deixando de fazer as entregas e consequentemente, famílias privadas do leitinho das crianças.

Observação

Muitas ocasiões, víamos, da janela, fiscais derramarem na rua, litros e mais litros de água branca, o chamado: leite batizado, por não passar no teste. Fazia pena porque era um desperdício, mas como haviam falsificado, era justo que acontecesse, sendo a freguesia prejudicada. Mesmo numa grita feroz.

Atualmente

Os jovens não sabem o que seja um leiteiro com um animal relinchando logo cedo, toda manhã, à porta dos clientes, o que era até uma distração para a criançada.
O leite, hoje, é vendido empacotado em saquinhos plásticos, nos mercados, como também em caixinhas de papelão, embora não se saiba das origens de armazenamento e da química usada para duração. Além do leite em pó, industrializado.
Corremos o mesmo risco.

Superação

A pandemia passou. Foram mortes e sofrimentos aos milhares em todo o mundo. Mas, as sequelas ficaram e muita gente sofre as consequências. Todas as forças do bem procuram amenizar os prejuízos de ordens diversas: físicas, materiais, mentais, espirituais, emocionais, financeiras, etc.
O universo pede ajuda ao seu Criador. Ele, com certeza, atenderá as nossas preces.

E, a vida continua.
Assim caminha a humanidade.


Profa. Sinhazinha


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel


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É Findi - Série História de Pernambuco - Maurício de Nassau: entre a Companhia e Pernambuco - Por Alfredo Cabral de Melo*

14/08/2026

Enviado para consolidar o domínio holandês, Nassau encontrou uma capitania marcada pela guerra e acabou protagonizando um período de profundas transformações administrativas, urbanas e culturais.

Quando Maurício de Nassau chegou ao Recife, em 1637, não encontrou uma terra à espera de um novo governante. Encontrou uma conquista em guerra, uma economia açucareira debilitada e uma sociedade que os holandeses precisavam governar. Sua missão estava ligada à consolidação do domínio da Companhia das Índias Ocidentais e à recuperação de uma economia indispensável à própria sobrevivência do projeto colonial.

Era preciso, portanto, fazer a conquista funcionar. Mas a realidade que Nassau encontrou exigia mais do que a simples retomada da produção dos engenhos. Era necessário administrar proprietários locais, organizar a defesa, garantir o abastecimento, restabelecer a circulação de mercadorias e dar ao Recife condições para exercer o papel de centro político e comerc...

Enviado para consolidar o domínio holandês, Nassau encontrou uma capitania marcada pela guerra e acabou protagonizando um período de profundas transformações administrativas, urbanas e culturais.

Quando Maurício de Nassau chegou ao Recife, em 1637, não encontrou uma terra à espera de um novo governante. Encontrou uma conquista em guerra, uma economia açucareira debilitada e uma sociedade que os holandeses precisavam governar. Sua missão estava ligada à consolidação do domínio da Companhia das Índias Ocidentais e à recuperação de uma economia indispensável à própria sobrevivência do projeto colonial.

Era preciso, portanto, fazer a conquista funcionar. Mas a realidade que Nassau encontrou exigia mais do que a simples retomada da produção dos engenhos. Era necessário administrar proprietários locais, organizar a defesa, garantir o abastecimento, restabelecer a circulação de mercadorias e dar ao Recife condições para exercer o papel de centro político e comercial da colônia.

É nesse ponto que começa a singularidade de seu governo. Nassau não deixou de ser um administrador de uma empresa colonial, nem os interesses da Companhia desapareceram. Mas, ao tentar consolidar o domínio neerlandês, promoveu ou apoiou transformações que ultrapassaram a dimensão imediata da produção açucareira.

O Recife é talvez o exemplo mais visível. Durante seu governo, a Ilha de Antônio Vaz recebeu um novo núcleo urbano, a Cidade Maurícia, associado a um projeto de ocupação que envolveu ruas, edifícios, pontes e espaços de administração. Foram construídos os palácios de Vrijburg e da Boa Vista, enquanto pontes passaram a ligar áreas que dependiam de deslocamentos mais difíceis. A reorganização urbana respondia, ao mesmo tempo, às necessidades de circulação, habitação, administração e afirmação do poder neerlandês.

Não se tratava, portanto, simplesmente de embelezar a cidade. Recife precisava funcionar melhor para uma colônia que pretendia ser economicamente viável. A urbanização fazia parte da própria organização do poder.

Mas talvez nenhuma dimensão do período tenha deixado uma marca tão duradoura quanto a produção de conhecimento e imagens sobre o Brasil. Nassau trouxe consigo artistas, naturalistas, cartógrafos, engenheiros e outros especialistas. Frans Post registrou paisagens, construções e cenas do território; Albert Eckhout produziu imagens de habitantes, animais e plantas; Georg Marcgrave e Willem Piso dedicaram-se à observação e descrição da natureza. A Biblioteca Nacional identifica nesse conjunto uma produção cartográfica e iconográfica excepcional para o período.

Pernambuco passou, assim, a ser observado e representado de maneira sistemática. As imagens produzidas durante o período contribuíram para formar, na Europa, uma das primeiras representações visuais amplas da paisagem e da sociedade do Brasil. Não eram registros neutros ou fotografias antecipadas, mas, eram obras produzidas a partir do olhar, dos conhecimentos e dos interesses de seu tempo. Ainda assim, constituem uma documentação extraordinária sobre aquele mundo colonial.

Essa dimensão cultural, entretanto, não deve fazer esquecer a realidade sobre a qual o governo de Nassau estava assentado. A economia continuava dependente da produção açucareira e do trabalho escravizado. A própria expansão neerlandesa para Angola esteve relacionada à necessidade de garantir mão de obra para os engenhos, aspecto que Evaldo Cabral de Mello destaca ao analisar a experiência nassoviana.

Também havia limites políticos e econômicos. Nassau governava em nome da Companhia das Índias Ocidentais, e os interesses de um administrador que precisava estabilizar a colônia nem sempre coincidiam perfeitamente com os interesses de uma companhia comercial interessada em resultados. Sua administração, por isso, deve ser entendida dentro dessa tensão: era preciso recuperar Pernambuco, mas também fazê-lo produzir e remunerar o investimento realizado na conquista.

É justamente por isso que sua passagem pelo Brasil não pode ser resumida nem à imagem do administrador visionário que teria transformado Pernambuco, nem à de um simples funcionário da Companhia. Nassau chegou com uma missão definida. Ao exercê-la, porém, encontrou uma sociedade complexa e participou de uma experiência que deixou marcas na administração, na paisagem urbana, na produção artística e no conhecimento sobre o território.

Quando deixou Pernambuco, em 1644, a conquista holandesa ainda estava longe de representar um projeto consolidado. A recuperação da economia não havia apagado as dificuldades acumuladas desde a invasão e, como observa Evaldo Cabral de Mello, nem mesmo durante o período de maior expansão sob Nassau a produção açucareira alcançou o nível existente antes de 1630.

O legado de Nassau, portanto, é maior e mais contraditório do que a imagem tradicional das pontes, dos palácios e das pinturas. Ele foi um administrador de uma potência colonial, responsável por uma ocupação militar e econômica, mas também esteve à frente de um período em que Pernambuco foi urbanizado, estudado, cartografado e representado de uma maneira inédita.

Talvez seja justamente essa combinação que explique a permanência de Nassau na memória pernambucana. Ele não transformou Pernambuco sozinho, nem a ocupação holandesa se resumiu a ele. Mas, durante os sete anos de seu governo, a conquista deixou de ser apenas uma guerra pela posse do açúcar e passou a produzir também uma experiência urbana, artística e científica que continuaria a ser lembrada muito depois da saída dos holandeses.



Na próxima semana: a experiência de Nassau chegou ao fim, mas os problemas que ele tentou administrar permaneceram. O que aconteceu depois de sua partida e por que a relação entre os senhores de engenho e a Companhia das Índias Ocidentais se tornou cada vez mais difícil? A resposta nos aproxima do início da Restauração Pernambucana.



*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo


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É Findi – Cem Formiguinhas - Croniqueta - Por Xico Bizerra*

14/08/2026

Sonhei com Manoel de Barros
À beira de um formigueiro,
Num domingo alvissareiro:
Foi conversa sem esparros.
No lugar não tinha carros.
Um caminho das antigas,
Avenida das formigas,
Distante das coisas más,
Longe dos tamanduás,
Sem formicidas ou brigas

Se ainda espaço houver nessa estrada de areia branquinha darei boas vindas às cem formiguinhas que se achegam para passear por onde passeia o sol, o vento e a lua. No mesmo lugar por onde passa a luz vou ter todo o cuidado de desviar de cada uma delas, alegrantes passeadoras, para não lhes machucar. Elas, algumas com folhas em suas bocas, andarão a passos lentos junto às flores do meu jardim. A lhes fazer companhia, borboletas com suas mil e uma cores para alegrar todos os caminhos. Tamanduás, longe, sonham delirantes sonhos, pesadelos terríveis, por distantes que estão do formigueiro, formicidas que são. Deus salve as inofensivas formiguinhas!


Sonhei com Manoel de Barros
À beira de um formigueiro,
Num domingo alvissareiro:
Foi conversa sem esparros.
No lugar não tinha carros.
Um caminho das antigas,
Avenida das formigas,
Distante das coisas más,
Longe dos tamanduás,
Sem formicidas ou brigas

Se ainda espaço houver nessa estrada de areia branquinha darei boas vindas às cem formiguinhas que se achegam para passear por onde passeia o sol, o vento e a lua. No mesmo lugar por onde passa a luz vou ter todo o cuidado de desviar de cada uma delas, alegrantes passeadoras, para não lhes machucar. Elas, algumas com folhas em suas bocas, andarão a passos lentos junto às flores do meu jardim. A lhes fazer companhia, borboletas com suas mil e uma cores para alegrar todos os caminhos. Tamanduás, longe, sonham delirantes sonhos, pesadelos terríveis, por distantes que estão do formigueiro, formicidas que são. Deus salve as inofensivas formiguinhas!


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico


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É Findi – Clube Português do Recife - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

14/08/2026

Conforme dados fornecidos por aquela entidade social em documento subscrito pelo então Presidente Carlos Alberto Costa, o estreitamento das relações das comunidades brasileira e portuguesa motivou, em boa hora, a criação de um grande Clube.

Assim no dia 14 de dezembro de 1934, às 20:30 horas, com a ilustre presença do interventor Carlos de Lima Cavalcanti, nasceu essa Entidade cujo o nome não poderia ser outro: Clube Português do Recife trazendo as cores da Bandeira Lusitana, verde e vermelha.

Hoje o Clube Português encontra-se entre os maiores instituições Sociais do País, participando, com brilhantismo singular, das festividades juninas e carnavalescas e revivendo as tradições portuguesas e nordestinas, que a cada ano se tornam maiores em alegria e frequência.

Rivalizava com o Clube Internacional nas festas Carnavalescas chegando a suplantá-lo a partir da década de 1970, tendo como festejo mais marcante o Baile Municipal, forçando o...

Conforme dados fornecidos por aquela entidade social em documento subscrito pelo então Presidente Carlos Alberto Costa, o estreitamento das relações das comunidades brasileira e portuguesa motivou, em boa hora, a criação de um grande Clube.

Assim no dia 14 de dezembro de 1934, às 20:30 horas, com a ilustre presença do interventor Carlos de Lima Cavalcanti, nasceu essa Entidade cujo o nome não poderia ser outro: Clube Português do Recife trazendo as cores da Bandeira Lusitana, verde e vermelha.

Hoje o Clube Português encontra-se entre os maiores instituições Sociais do País, participando, com brilhantismo singular, das festividades juninas e carnavalescas e revivendo as tradições portuguesas e nordestinas, que a cada ano se tornam maiores em alegria e frequência.

Rivalizava com o Clube Internacional nas festas Carnavalescas chegando a suplantá-lo a partir da década de 1970, tendo como festejo mais marcante o Baile Municipal, forçando o seu rival a protagonizar o não menos famoso "Bal Masquê" ao representar a Colônia Lusitana em Pernambuco deixou famosa, também, as suas atividades esportivas com destaque para o Hóquei em Patins e Natação.


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras e Sócio Benemérito do IAHGP.


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É Findi - Marco Antônio no Funeral de César: o poder da palavra segundo Shakespeare. - Por Antônio Campos*

14/08/2026

A palavra mostrou que também pode mudar o curso da História.


Há discursos que explicam uma época. Outros conseguem mudá-la. Entre os mais célebres da literatura ocidental está a oração fúnebre de Marco Antônio diante do corpo de Júlio César, imortalizada por William Shakespeare em Júlio César.

César havia sido assassinado por um grupo de senadores, entre eles Brutus, que justificavam o crime afirmando que ele se tornara ambicioso e ameaçava a liberdade de Roma. Marco Antônio, amigo de César, recebe permissão para falar durante os funerais. E é justamente nesse momento que Shakespeare constrói uma das mais extraordinárias demonstrações do poder político da palavra.

Marco Antônio começa aparentemente submetido aos vencedores:

“Amigos, romanos, compatriotas, ouvi-me. Vim para enterrar César, não para exaltá-lo.”

Logo depois, pronuncia uma das frases mais conhecidas:

“O mal que os homens fazem...

A palavra mostrou que também pode mudar o curso da História.


Há discursos que explicam uma época. Outros conseguem mudá-la. Entre os mais célebres da literatura ocidental está a oração fúnebre de Marco Antônio diante do corpo de Júlio César, imortalizada por William Shakespeare em Júlio César.

César havia sido assassinado por um grupo de senadores, entre eles Brutus, que justificavam o crime afirmando que ele se tornara ambicioso e ameaçava a liberdade de Roma. Marco Antônio, amigo de César, recebe permissão para falar durante os funerais. E é justamente nesse momento que Shakespeare constrói uma das mais extraordinárias demonstrações do poder político da palavra.

Marco Antônio começa aparentemente submetido aos vencedores:

“Amigos, romanos, compatriotas, ouvi-me. Vim para enterrar César, não para exaltá-lo.”

Logo depois, pronuncia uma das frases mais conhecidas:

“O mal que os homens fazem sobrevive depois deles; o bem é quase sempre enterrado com seus ossos. Assim seja com César.”

A genialidade do discurso está no fato de que Marco Antônio não inicia atacando frontalmente Brutus ou os conspiradores. Ao contrário: aparenta aceitar a versão deles. Repete, quase ironicamente, que “Brutus é um homem honrado”.

E continua:

“O nobre Brutus lhes disse que César era ambicioso. Se isso é verdade, foi uma falta grave, e gravemente César respondeu por ela.”

Mas, pouco a pouco, Marco Antônio desmonta a acusação.

Ele lembra ao povo que César era seu amigo, “leal e justo”. Recorda os feitos de César em benefício de Roma. Mostra suas feridas. Evoca sua generosidade. Faz os romanos se perguntarem: se César era realmente tão ambicioso, por que suas ações demonstravam tantas vezes o contrário?

Então volta à frase:

“Mas Brutus disse que era ambicioso. E Brutus é um homem honrado.”

A repetição transforma o elogio em acusação.

Quanto mais Marco Antônio chama Brutus de “honrado”, mais o povo começa a desconfiar da honra dos assassinos de César.

É uma extraordinária lição de retórica.

Marco Antônio não ordena que o povo se revolte. Não precisa fazê-lo. Ele conduz a multidão até a conclusão que deseja. Substitui a acusação direta pela dúvida, a violência verbal pela ironia, e o argumento abstrato pela emoção diante do corpo assassinado de César.

Quando termina, Roma já não é a mesma.

O homem que aparentemente havia subido à tribuna apenas para enterrar um amigo havia transformado um funeral em um acontecimento político.

O povo, antes inclinado a aceitar as justificativas do Senado, volta-se contra os conspiradores.

Shakespeare compreendeu profundamente algo que permanece atual: o poder não está apenas nas armas, nas instituições ou nos cargos. O poder também pertence a quem consegue construir a narrativa que ficará na memória das pessoas.

Por isso, tantos séculos depois, a frase continua impressionante:

“O mal que os homens fazem sobrevive depois deles; o bem é quase sempre enterrado com seus ossos.”

Talvez a grande vitória de Marco Antônio, na obra de Shakespeare, tenha sido exatamente impedir que o bem que via em César fosse enterrado juntamente com seus ossos.

E, naquele momento, a palavra mostrou que também pode mudar o curso da História.

13/08/2026


*Antônio Campos, Curador Geral da Fliporto, advogado, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras e da ABI - Associação Brasileira de Imprensa. @antoniocampos.adv


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NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Lixo Alegre - Crônica - Por Romero Falcão*

14/08/2026

No ônibus — meu laboratório literário —, por ofício, costumo estudar os passageiros. Um homem magro, cara de gato triste, barba fedorenta, divide o banco comigo. Penso em levantar, mas, no conforto, arruíno minha pena.

De repente, uma catinga violenta invade o ônibus, multiplicada à enésima potência pela barba da criatura. Uma mulher de carnes volumosas sobe o vestido, tapa o nariz. Outros abanam com o que podem: mão, bolsa, sombrinha fechada. Ninguém sabe de onde vem a carniça. Tento checar.

Cerca de um quilômetro adiante, decifro o enigma fétido: um caminhão de lixo parado. Os garis carregam sacos pretos como defuntos apodrecidos. O coletivo ultrapassa o caminhão. Todo mundo aliviado.

Ufa!

Menos o cronista, que precisa fazer crônica para o jornal. As imagens dos garis me acompanham como se um deles estivesse sentado ao meu lado.



De farda laranja e largo sorriso no rosto.

Isto me...

No ônibus — meu laboratório literário —, por ofício, costumo estudar os passageiros. Um homem magro, cara de gato triste, barba fedorenta, divide o banco comigo. Penso em levantar, mas, no conforto, arruíno minha pena.

De repente, uma catinga violenta invade o ônibus, multiplicada à enésima potência pela barba da criatura. Uma mulher de carnes volumosas sobe o vestido, tapa o nariz. Outros abanam com o que podem: mão, bolsa, sombrinha fechada. Ninguém sabe de onde vem a carniça. Tento checar.

Cerca de um quilômetro adiante, decifro o enigma fétido: um caminhão de lixo parado. Os garis carregam sacos pretos como defuntos apodrecidos. O coletivo ultrapassa o caminhão. Todo mundo aliviado.

Ufa!

Menos o cronista, que precisa fazer crônica para o jornal. As imagens dos garis me acompanham como se um deles estivesse sentado ao meu lado.


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De farda laranja e largo sorriso no rosto.

Isto me inquieta: a alegria dos garis. Num trabalho pouco rentável, passam parte do dia — e um bocado da vida — pendurados nos caminhões. Subindo e descendo. Recolhendo nossa porcaria.

E, à noite, o amor encardido no odor que não sai.

A dura labuta não é reconhecida. Seus rostos são invisíveis, assim como seus nomes. Mas basta pararem um dia para as moscas nos convencerem da importância daqueles braços suados, sob sol e chuva.

Quando boto o lixo na calçada e coincide com a passagem do caminhão, ofereço água e uns trocados, que eles juntam na caixinha da cabine. Alguns são pálidos, perdem a cor e a saúde num serviço tão inglório.

E voltam à alegria.

Brincam entre si. Tiram onda. Apesar de amigos íntimos do lixo, nos ensinam que é possível sorrir, pintar, escrever. Mesmo dentro dos abismos que a vida nos obriga a atravessar.

Uma lição que não se encontra nos mais notáveis tratados de psicologia.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


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Casa Saúde e Maternidade de Garanhuns, de Jorge Branco, envia sua versão

14/08/2026

O Jornal O Poder recebeu nota de posicionamento da unidade hospitalar objeto de noticiário. Segue a nota, Ipsis Litters

Posicionamento

A Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro vem a público prestar esclarecimentos sobre o Relatório da Auditoria nº 20.034, conduzida pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS), e reafirmar seu compromisso com a transparência, a qualidade da assistência e a população de Garanhuns e da região.

Há 55 anos, a instituição integra a rede complementar do Sistema Único de Saúde (SUS), prestando atendimento hospitalar à população de Garanhuns e de municípios vizinhos. Ao longo de sua trajetória, sempre pautou sua atuação pelo compromisso com a assistência à saúde, pela transparência e pelo cumprimento das normas que regem a prestação de serviços ao SUS. Nesse período, a Casa de Saúde manteve os mesmos critérios e procedimentos de contratualização adotados para os demais presta...

O Jornal O Poder recebeu nota de posicionamento da unidade hospitalar objeto de noticiário. Segue a nota, Ipsis Litters

Posicionamento

A Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro vem a público prestar esclarecimentos sobre o Relatório da Auditoria nº 20.034, conduzida pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS), e reafirmar seu compromisso com a transparência, a qualidade da assistência e a população de Garanhuns e da região.

Há 55 anos, a instituição integra a rede complementar do Sistema Único de Saúde (SUS), prestando atendimento hospitalar à população de Garanhuns e de municípios vizinhos. Ao longo de sua trajetória, sempre pautou sua atuação pelo compromisso com a assistência à saúde, pela transparência e pelo cumprimento das normas que regem a prestação de serviços ao SUS. Nesse período, a Casa de Saúde manteve os mesmos critérios e procedimentos de contratualização adotados para os demais prestadores da rede complementar, independentemente da administração pública em exercício ou da composição societária da instituição.

Os valores objeto de apontamento no relatório final correspondem a aproximadamente 1% do total de recursos auditados no período. A maior parte dos questionamentos está relacionada à codificação administrativa atribuída a procedimentos cirúrgicos oncológicos efetivamente realizados e à interpretação dos critérios utilizados para seu enquadramento.

Com relação ao serviço de hemodiálise, a auditoria apontou ausência de comprovação documental em 90 sessões, diante de aproximadamente 135 mil sessões realizadas pela Casa de Saúde no período analisado. A instituição esclarece que a ausência pontual de uma assinatura ou de determinado registro em um documento específico não significa, necessariamente, que o atendimento não tenha sido realizado. Trata-se de uma inconsistência de natureza documental que deve ser analisada em conjunto com os demais registros assistenciais disponíveis.

A Casa de Saúde ressalta, ainda, que parte dos pacientes cujas sessões foram apontadas no relatório como pendentes de comprovação documental permanece em tratamento de hemodiálise na instituição, informação que pode ser verificada nos próprios registros assistenciais da unidade. O dado reforça que os apontamentos documentais não podem ser interpretados, isoladamente, como evidência de que os atendimentos não tenham ocorrido.

Em relação aos procedimentos cirúrgicos oncológicos, a Casa de Saúde informa que encaminhou à auditoria a documentação médica correspondente aos procedimentos questionados. Segundo a instituição, as divergências identificadas são, em sua maior parte, de natureza formal e estão relacionadas ao preenchimento de campos específicos de determinados documentos, e não à ausência de registros capazes de demonstrar a realização dos procedimentos.

A instituição também esclarece que, em determinados casos, a análise considerou o documento no qual foi identificada a inconsistência formal, sem considerar de forma conjunta outros registros que integram o mesmo prontuário, como relatórios cirúrgicos, laudos anatomopatológicos e boletins de anestesia. Esses documentos constituem elementos adicionais de comprovação da realização dos procedimentos.

Outro ponto de divergência está relacionado à codificação administrativa atribuída a cirurgias oncológicas efetivamente realizadas. Nesses casos, a Casa de Saúde entende que os procedimentos foram devidamente executados e que a documentação médica correspondente demonstra sua adequação, razão pela qual irá apresentar os esclarecimentos e os documentos pertinentes pelas vias administrativas cabíveis.

A Casa de Saúde discorda das conclusões apresentadas e entende que os procedimentos questionados devem ser analisados também à luz da indicação clínica e da documentação médica correspondente. A definição da técnica cirúrgica e da via de acesso adequada a cada paciente é uma decisão de natureza técnico-assistencial, tomada pelo médico responsável de acordo com as condições clínicas e as particularidades de cada caso.

A instituição ressalta, ainda, que jamais orientou ou interferiu na decisão técnico-científica dos médicos que atuam em seu corpo clínico, preservando a autonomia profissional necessária à adequada assistência aos pacientes.

Diante dos apontamentos apresentados, a Casa de Saúde apresentará, pelas vias administrativas cabíveis, os esclarecimentos e a documentação médica pertinente, que demonstram a adequação dos procedimentos realizados e fundamentam a posição da instituição em relação aos pontos questionados.

A Casa de Saúde reafirma seu compromisso com a transparência, com o Sistema Único de Saúde e, sobretudo, com a população que atende há mais de cinco décadas.

Nota da Redação - O Poder adota a posição de dar espaço a pessoas e instituições citadas nas suas matérias, sem qualquer interferência no material recebido.

Brizola citado por Veneziano ao enaltecer apoio do PDT à sua reeleição ao Senado e a Cícero

14/08/2026

O Senador e pré-candidato à reeleição ao Senado Federal Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) agradeceu ao presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o apoio do partido à sua reeleição para o Senado e à pré-candidatura de Cícero Lucena, MDB, ao Governo da Paraíba, formalizado durante ato ocorrido hoje, sexta-feira, 14/08, em João Pessoa. “O maior beneficiado é o estado da Paraíba, porque você nos dá uma robustez maior na busca desta grande conquista que será poder ter Cícero como nosso governador”.



Brizola

Veneziano lembrou que sua relação com o PDT vem de 1989, quando votou para presidente da República no então candidato do partido, Leonel Brizola. “São relações de 1989, quando, por convencimento pessoal, e já antes, de formação doutrinária e política, eu tinha afinidade com uma das maiores referências e que continua sendo uma das maiores referências políticas, pelos princípios e postulados que ele sempre defendeu de forma muito peculiar,...

O Senador e pré-candidato à reeleição ao Senado Federal Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) agradeceu ao presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o apoio do partido à sua reeleição para o Senado e à pré-candidatura de Cícero Lucena, MDB, ao Governo da Paraíba, formalizado durante ato ocorrido hoje, sexta-feira, 14/08, em João Pessoa. “O maior beneficiado é o estado da Paraíba, porque você nos dá uma robustez maior na busca desta grande conquista que será poder ter Cícero como nosso governador”.


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Brizola

Veneziano lembrou que sua relação com o PDT vem de 1989, quando votou para presidente da República no então candidato do partido, Leonel Brizola. “São relações de 1989, quando, por convencimento pessoal, e já antes, de formação doutrinária e política, eu tinha afinidade com uma das maiores referências e que continua sendo uma das maiores referências políticas, pelos princípios e postulados que ele sempre defendeu de forma muito peculiar, e tão peculiar que sofreu tantas perseguições, mas nunca deixando de ser aquilo que nos inspirava e que continua a nos inspirar, que é o governador, presidente Leonel de Moura Brizola, nosso engenheiro”.


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Primeiro voto

Ele lembrou que, na época do seu primeiro voto, era estudante de Direito e tinha seu carro todo coberto por adesivos de Brizola. “Em 1989, quando nós voltamos a ter a oportunidade de nos encontrarmos com as urnas, eu votei em Brizola. Eu era estudante de Direito. Foi meu primeiro voto, efetivamente. E no 2º turno votei, todos nós aqui votamos, evidentemente, no presidente Lula. E de lá pra cá temos nos repetindo. São relações que foram se fortalecendo ao longo dos anos”.


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Mais apoio para Vené - Atual prefeito de Cabedelo fechado com a reeleição

14/08/2026

O prefeito de Cabedelo, Evilásio Cavalcanti (Avante), declarou oficialmente hoje, sexta-feira (14/08), apoio à reeleição do senador Veneziano Vital (MDB). Veneziano conta com o apoio de Lula e marcha firme rumo ao retorno ao Senado, onde brilhou na defesa de teses da interesse da população e ocupou a vice-presidência. Veneziano trabalhou por todos os municípios e é campeão absoluto de emendas democráticas e transparentes para a Paraíba

Confira o vídeo

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O prefeito de Cabedelo, Evilásio Cavalcanti (Avante), declarou oficialmente hoje, sexta-feira (14/08), apoio à reeleição do senador Veneziano Vital (MDB). Veneziano conta com o apoio de Lula e marcha firme rumo ao retorno ao Senado, onde brilhou na defesa de teses da interesse da população e ocupou a vice-presidência. Veneziano trabalhou por todos os municípios e é campeão absoluto de emendas democráticas e transparentes para a Paraíba

Confira o vídeo






O estadista e o aventureiro - O fardo do berço contra a farra da urna, por Zé da Flauta*

14/08/2026

Há uma diferença abissal entre quem nasce com o compromisso de cuidar de uma casa e quem invade a sala apenas para fazer festa antes que a polícia chegue. Na tradição da coroa, a chefia de Estado não é um prêmio de loteria nem um troféu de vaidade, é um fardo que se carrega desde o berço.

O futuro imperador passa a infância e a juventude debruçado sobre livros de história, mapas de diplomacia e dicionários de vários idiomas, aprendendo nos mínimos detalhes a arte solene de representar uma nação. Quando assume o trono, sabe exatamente a distinção entre a imagem permanente do país e as brigas passageiras do dia a dia. Para cuidar da política miúda, das finanças e dos atritos do parlamento, existe o chefe de governo, o primeiro-ministro, criando uma engrenagem onde o estadista pensa nas próximas gerações enquanto o político administra o presente.

Papéis invertidos

No modelo republicano, no entanto, resolveu-se juntar as duas coroas numa...

Há uma diferença abissal entre quem nasce com o compromisso de cuidar de uma casa e quem invade a sala apenas para fazer festa antes que a polícia chegue. Na tradição da coroa, a chefia de Estado não é um prêmio de loteria nem um troféu de vaidade, é um fardo que se carrega desde o berço.

O futuro imperador passa a infância e a juventude debruçado sobre livros de história, mapas de diplomacia e dicionários de vários idiomas, aprendendo nos mínimos detalhes a arte solene de representar uma nação. Quando assume o trono, sabe exatamente a distinção entre a imagem permanente do país e as brigas passageiras do dia a dia. Para cuidar da política miúda, das finanças e dos atritos do parlamento, existe o chefe de governo, o primeiro-ministro, criando uma engrenagem onde o estadista pensa nas próximas gerações enquanto o político administra o presente.

Papéis invertidos

No modelo republicano, no entanto, resolveu-se juntar as duas coroas numa cabeça só, sem exigir do candidato sequer a leitura de um folheto de cordel. Pelo contrário, no circo do sistema eleitoral contemporâneo, a ignorância ostentada virou quase um ativo de campanha, um orgulho torto de quem se vende como "povo" para justificar o despreparo.
O chefe de Estado e o chefe de governo agora habitam o mesmo terno de ocasião, eleito não pela capacidade de visão de longo prazo, mas pela habilidade de prometer o impossível em trinta segundos de propaganda na televisão. Trocamos a sobriedade de quem estudou a vida inteira para servir ao Estado pela audácia de quem passou a vida estudando como servir-se dele.

Bagunça crônica

Ao longo de cento e trinta e sete anos de experiência republicana, o resultado dessa troca de guarda está estampado nos livros de história e na memória do bolso do brasileiro. Acumulamos uma coleção vexatória de golpes de Estado, ditaduras de ocasião, constituições rasgadas e uma sucessão interminável de moedas que viraram poeira diante da inflação.

O tal "progresso", tão bonito na faixa estampada no pano da nossa bandeira, caminha a passos de cágado, frequentemente atropelado pelos escândalos da semana. A estabilidade institucional que levou décadas para ser lapidada no século XIX deu lugar a uma bagunça crônica onde as regras do jogo mudam ao sabor do humor de quem está com a caneta no gabinete.

Demagogia

A grande tragédia dessa escolha é que a República brasileira acabou encontrando sua verdadeira harmonia não com os anseios da população, mas com a corrupção e com o calendário eleitoral.
O horizonte de um presidente raramente ultrapassa a margem dos quatro anos; seu projeto de país não é deixar um legado para os netos dos seus cidadãos, mas garantir a reeleição ou a sucessão do seu grupo político na próxima curva da urna. Enquanto a monarquia olhava para o mapa do século seguinte com a responsabilidade de quem tem nome a zelar na história, a nossa República vive no improviso do próximo orçamento secreto e do próximo acerto de contas de bastidor, provando que o barato da demagogia sai caríssimo para a nação.

Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista


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