Crônica de domingo, 9 de agosto de 2026: Comemoração Dupla - Por Antônio Campos
09/08/2026
Sempre foi assim. Quando o dia não coincidia, a distância entre o dia dos pais e o aniversário de papai era de no máximo dois dias. “Quero dois presentes, nada de dar um só melhorzinho”, ele dizia rindo e a gente, criança ainda, corria para fazer um desenho, escrever uns versinhos.
Hoje é dia dos pais, amanhã meu paizinho fará 114 anos, onde quer que ele esteja. Meu presente foi especial este ano, valeu por muitos. Levei à Fundação Casa de Jorge Amado, no último dia da Flipelô, seu amigo querido, o poeta Carlos Pena Filho. Vieram do Recife trazendo a poesia, o amigo e sua trágica morte aos 31 anos Antônio Campos e Mário Hélio Gomes. Na nossa Festa do Livro, que na sua décima edição teve Myriam Fraga como homenageada, foi a poesia baiana, com seus braços abertos, recebendo a poesia pernambucana, dizendo: Você é de paz, pode entrar.
Foi lindo, nem sei como contar. Aliás, não conto, o deslumbramento ficou para quem assistiu, plateia cheia. Não posso, no entan...
Hoje é dia dos pais, amanhã meu paizinho fará 114 anos, onde quer que ele esteja. Meu presente foi especial este ano, valeu por muitos. Levei à Fundação Casa de Jorge Amado, no último dia da Flipelô, seu amigo querido, o poeta Carlos Pena Filho. Vieram do Recife trazendo a poesia, o amigo e sua trágica morte aos 31 anos Antônio Campos e Mário Hélio Gomes. Na nossa Festa do Livro, que na sua décima edição teve Myriam Fraga como homenageada, foi a poesia baiana, com seus braços abertos, recebendo a poesia pernambucana, dizendo: Você é de paz, pode entrar.
Foi lindo, nem sei como contar. Aliás, não conto, o deslumbramento ficou para quem assistiu, plateia cheia. Não posso, no entanto, deixar de repetir aqui que Carlos foi meu amigo pessoal, eu menina de 8 anos, ele o grande e jovem poeta. Para ele fiz meu primeiro e único poema da vida – Para Carlos Pena uma pluma, para uma pomba uma pena –, em resposta aos belíssimos versos que recebi dele – Só para Paloma esse verso é feito, pois só ela entende um verso desfeito – honra e orgulho.
Homenageio meu paizinho transcrevendo o trecho, escolhido por Antônio Campos, do que escreveu ao saber da morte de seu amigo Carlinhos.
“Porque eras simples como o pão e profundo como a água do rio, estavas plantado no chão de tua gente como certas plantas trepadeiras aparentemente frágeis, porém mais resistentes e permanentes que as grandes árvores. Eras a rosa e o musgo, a fruta sumarenta e o cacto de espinhos. Tua flor tinha riso e sangue, levavas nos ombros de toda fragilidade a dor e esperança de teu povo, sua solidão, o cangaço e a multidão no frevo. Foste tão tua gente que muito tempo vai passar antes que surja outro poeta assim, para ser tão amado por seu povo.
Eras frágil de carne e osso, tão leve na balança, um vento mais forte podia te arrastar como uma folha de árvore ou um pedaço roto de poema. Por isso, talvez, sempre me deste a ideia de um anjo por amor perdido nas ruas do Recife. mas como eras denso de vida por dentro, como eras tão homem e tão povo, tão pernambucano e universal!”
Meu pai querido, eu te amo. Carlinhos entrou na nossa casa, Ângela Fraga o trouxe com Antônio e Mário Hélio. O presente que posso dar a você, não dois, mas um imenso, é cuidar do seu legado que dá sentido à minha vida.
Bom domingo a todos. E viva Myriam Fraga! Viva Carlos Pena Filho! Viva a Poesia! E viva meu pai, que escreveu poesia em prosa por toda a sua vida!
*Antônio Campos, é Advogado e empreendedor cultural. Da Academia Pernambucana de Letras. Filho do grande escritor Maximiano Campos. @antoniocampos.adv














