'Incompetência administrativa'
A derrota eleitoral da "esquerda brasileira" em 2019, pode ser colocada na conta da incompetência administrativa de um grupo político, que desde 2001 governava/governa (intervalo com Bolsonaro) à República.
A vitória da chamada "direita" com Jair Bolsonaro - um deputado do baixo clero, frágil formação intelectual, adepto do militarismo desenvolvimentista, anti-comunista de velho padrão - se deu bem a partir da propaganda de ser "capitão" da reserva não remunerada, escondendo que renunciara ao Exército, fazendo a troca pela carreira política.
Com Bolsonaro a campanha eleitoral, incitou um "fetiche popular" de crença na 'moralidade' dos militares.
Daí, o deputado Bolsonaro entrou na disputa presidencial, no espaço onde já predominava a descrença em relação à "esquerda".
A "esquerda" esteve/continua presente desde a "abertura democrática" pós 1988, sob controle do Partido dos Trabalhadores, eixo do poder "esquerdista" no Brasil de hoje.
O Partido dos Trabalhadores é composto por uma salada de opções políticas: comunistas, socialistas, social-democratas, social-liberais, neofascistas, cristãos progressistas e oportunistas de toda espécie.
Por fim uma intelectualidade acadêmica neomarxista inspirados nos ensinamentos da Escola de Frankfurt - os marxistas de "blazer".
"O Partido dos Trabalhadores"
O PT é o partido herdeiro de uma "esquerda" armada radical, defensora da conquista do poder pela violência armada, defensora da via cubana da revolução - apesar de ganhar protagonismo de participação na luta eleitoral parlamentar.
E o prolongamento daquela "esquerda" nascida da "diáspora" do "Partidão", com grupos, como: Ação de Libertacão Nacional (ALN - Carlos Marighela), Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR - Mário Alves), Vanguarda Popular Revolucionária (VPR, dissidência da ALN, comandada por Clemente, ex- marido de Dilma Roussef), Vanguarda Armada Revolucionária (VAR , depois chega uma variação, chamada VAR - Palmares - de Lamarca) e outros grupelhos.
Além de uma "esquerda" marxista revolucionária e acadêmica, destaca-se como componentes do PT, lideranças sindicais e centrais sindicais, CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), Juventudes Católicas (JEC, JUC, JAC), Ação Popular, Ação Popular Marxista Leninista do Brasil.
'Repressões no fim'
Ainda, no "período militar", em Pernambuco, houve uma tentativa de resistência às repressões do regime militar; então, preparava-se a chegada de um movimento de "extrema esquerda", nascido em Minas Gerais - alguns militantes chegam em Pernambuco - fugidos da repressão violenta dos anos 1970 .
O grupo carregava a sigla de Molipo (Movimento de Libertação Popular) e planejava novas ações violentas e armadas, visando aquisição de recursos financeiros para o que chamavam de "revolução brasileira".
Neste momento (2a. metade dos anos 1970) a esquerda armada já vivia seus últimos suspiros.
O Molipo em Pernambuco foi desbaratado por ações de grupos comandados pelo conhecido delegado, célebre por comandar ações violentas, Sérgio Fleury, à partir de rastreamentos feito pelo agente duplo José Anselmo (Cabo Anselmo, Baiano, Daniel), ex-representante do Brasil no Congresso da "Olas" (Organização Latino-Americana de Solidariedade) junto com Carlos Marighela, realizado em Havana-Cuba.
A ação repressora contra o movimento da esquerda armada culminou na morte de militantes, reunidos num sítio no município do Paulista, região metropolitana do Recife.
O desmanche do Molipo, portanto, ocorreu quando o sistema repressivo já estava vivendo seus últimos momentos.
'Estrutura repressiva'
A estrutura repressiva, na verdade, foi montada com surgimento de órgãos: Oban, Doi-Codi, grupos que eram um mistura, de legalidade e ilegalidade. Militares e civis (policiais e até empresários).
Os grupos repressores, mais violentos foram organizados após o sequestro do embaixador americano Charle Burke
Elbrick em 1969 - sequestradores seguiram planejamento de um pequeno grupo esquerdo-terrorista denominado, Movimento Revolucionário Oito de Outubro - MR-8 ( Dissidência de Niterói).
O embaixador Elbrick era um bonachão, ganhou com sua simpatia, alguns de seus sequestradores, na convivência no cativeiro. Diz, Luis Mir, jornalista espanhol, que essa simpatia teria poupado o diplomata de um justiçamento, que foi planejado para executa-lo pelos sequestradores
"Diáspora do Partidão"
A "esquerda" armada foi resultada da dispersão saída do PCB, à partir da sua escolha pela via parlamentar para chegada ao poder, com base na opção pela coexistência pacífica de Nikita Krushev, secretário Geral do PCUS.
Depois das derrotas de 1935 e 1964, o PCB, reconhecia seus fracassos e a pouca força para enfrentar os grupos que controlavam o Estado Brasileiro.
Em 1935, o PCB - seguindo determinação da Internacional Comunista - promoveu uma quartelada (Rio de Janeiro, Recife e Natal) a Intentona (Inssurreição) Comunista com comando central do búlgaro Dimitrov, o homem forte da 3a. Internacional Comunista.
Em 1964, o golpe civil-militar se deu como prevenção para um golpe de esquerda em andamento (vide: "1964, O Elo Perdido" - baseado nos Arquivos da Stb da Thecoeslovàquia; também o livro: "A Revolução Impossível: Esquerda Armada no Brasil" de Luis Mir - jornalista espanhol.
'A coexistência pacífica e os novos rumos revolucionários'
O caminho ditado pela política de coexistência pacífica do PCUS, decolada a partir de1962 com Krushev, após "crise dos mísseis" de Cuba. preparou um caminho, que é pouco mencionado pelos pesquisadores da "esquerda marxista brasileira", além de "certa censura"(patrulhamento ideológico) da esquerda nos meios acadêmicos.
A esquerda discutia um projeto para o Brasil - até 1935 - daí deu origem à uma intelectualidade marxista não revolucionária, que se estendeu até os anos 1980, como: Caio Prado Jr. , Nelson Werneck Sodré, Leandro Konder, Maurício Konder, Leôncio Basbaun, e outros ditos de origens "pequeno- burguesas".
A partir do período de 1964 em diante, o "projeto Brasil" é abandonado por grupos da militância intelectual.
A "nova mentalidade" passa a ser centrada, nos "caminhos da chegada ao poder", tornando- se exclusividade, a via da hegemonia cultural. Uma "névoa" passou a "esconder", além de ser esquecido, o que viria após a conquista do poder.
Estava, portanto, aberto o rumo para o esquerdismo, extremismo, terrorismo e o futuro hoje atual, o 'wokismo' (anti-tudo que tem o cheiro de "burguesia"). As armas: sexo, drogas, violência e rock'roll.
'Fissuras no bloco monolítico comunista'
O fato é que a política de degelo internacional dos comunistas soviético-socialista e aceitação da luta parlamentar pelo "Partidão", não teria sido apenas uma simples fissura do movimento revolucionário marxista, mas sim, o início do fim daquele movimento, sua unidade e a revelação da sua insustentabilidade econômica e política, que culminou com desmanche do " planeta vermelho" em 1989/1991.
Foi processo, certamente, demorado, mas o desague chegou, com a queda do Muro de Berlim e Dissolução da União Soviética.
O processo permanece em andamento com as viradas econômica da República Popular da China, República Popular do Vietnã e nos dias de hoje, a "jogada de toalha" de Cuba e a queda de Maduro na Venezuela (embora o regime continue de pé).
O desmanche vermelho-soviético veio dentro de um processo originado com desmantelamento da 3a. Internacional Comunista, acionado por Joseph Stalin desde os anos 1930/1940/1950.
'Perda da liderança soviética e novas lideranças'
Então, Cuba e o PCChinês esforçaram-se para assumir liderança comunista global, claro que a China, com muito mais condições.
Desde de 1962, o racha maior do "Partidão" veio com criação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB - sigla esquisita) que tentou se firmar como continuador da liderança do PCB.
Aquela postura parlamentar do "Partidão' atacada pelos grupos armados radicais todos de matriz Cubana e o PCdoB, linha chinesa.
Derrotados no campo militar (guerrilha urbana e rural- Araguaia) parte da esquerda ortodoxa retorna ao velho berço comunista, "Partidão", que se desmancha por completo a partir de 1991.
Antes dos anos do regime civil militar (1964/1985) o PCdoB, já optara pela via armada para chegar ao poder e iniciou a guerrilha do Araguaia (Norte e Centro-Oeste) ainda no final dos anos 1960, e ,é desmantelada entre 1973/1975. Mas, ressalte-se, que antes de 1964, o partido já iniciará a preparação da guerrilha, tendo como lugar o Estado do Pará.
Hoje o PCdoB, participa das contendas eleitorais parlamentares, mas seu Estatuto admite como caminho para o socialismo, a luta armada - guerra popular do campo para a cidade.
'Uma nova esquerda partidária'
Com o fracasso do projeto socialista na Europa Oriental, a "esquerda" global com apoio de elites políticas e econômicas globais e "Deep State" (nacionais e globais), aprovaram para a América Latina, a criação do Foro de São Paulo , que fez retornar para a liderança política, hoje, esfacelada Cuba.
No final dos anos 1990 e ao longo dos anos 2000, a "esquerda" transferiu seu "gabinete de conspirações" para o Foro de São Paulo, inclusive com participação de alas do Partido Democrata (Americano) e do arquimilionário George Soros - que aumentou mais ainda sua fortuna familiar com sua "Open Society" (cérebro de muitas Ong's).O filho de George, Alexander Soros, esteve em 2025, visitando o Brasil
'Fracasso do socialismo real'
O fracasso do socialismo real, as atrocidades sob responsabilidades de Stalin, Mao, Fidel, Pol Pot, e ditadores do leste europeu, gerou o deslocamento de posições da velha intelectualidade marxista, tornando o marxismo, em apenas moldura teórica para explicar o mundo.
Surge na crise do pensamento marxista revolucionário, a propagação das teses dos teóricos da Escola de Franckfurt, que teriam transferido a teoria revolucionária do chão da fábrica para a teoria crítico-social das salas de ar-condicionado.
As teorias dos pensadores da Escola de Franckfurt, representam a base da "nova esquerda" pós-moderna, que hoje seus efeitos se apresenta, como o que se chama de "cultura Woke"
A "cultura Woke" é o apontamento de como se deve construir a nova Ordem, moral/Cultural, principalmente, o caminho deve ser: "destruir tradições/instituições de todo tipo".
Tudo deve ser colocado ao chão. É , apenas, por outras vias, o que os revolucionários tentaram desde o século 18 - Jacobinistas, Bolchevistas, Maoistas e a turma do Khmer Veomelho do Cambodja.
O caos é o que se quer, sobre as ruínas será erguido o novo mundo. E, o mundo caótico está aí colocado para que todos possam ver, é o que se quer
Fica dito.
*Jarbas Beltrão é historiador e professor de História da Universidade de Pernambuco - UPE. Mestre em Educação pela UFPB. Especialista (MBA) em Política Estratégia Defesa e Segurança Nacional. (Adesg Famesc).Especialista (MBA) em Geopolítica/Novas Fronteiras/Cibernética e IA. (Adesg/Instituto Venturo)
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.