Inteligência Humana - Crônica - Por Romero Falcão*
19/10/2026
Numa conversa pelo WhatsApp, o professor e poeta Jonadab Mansur — nunca acerto escrever o nome dele — me convida para uma manhã de prosa literária em seu apartamento, na Várzea.
De cima do viaduto, vejo pela janela do carro as marcas do incêndio na UFPE, ocorrido na noite anterior. Paredes pretas pelo pincel do fogo.
O Waze me deixa na porta do poeta.
A portaria, rente à calçada, é de vidro escuro. Não vejo o porteiro. Meu rosto não é reconhecido pela tela junto ao portão de grade. Uma voz pede que o forasteiro se identifique: nome e apartamento para o qual pretende ir.
Digo. Repito. Repito de novo. Acesso negado.
Bato na vidraça.
— Ô de casa!
Até que percebo, feito uma mula, que não há ninguém na guarita. É tudo pantim da tecnologia. Lá dentro, a IH — Inteligência Humana — acompanha minha agonia enquanto tento ligar para o professor.
— Quem o senhor procura?
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Numa conversa pelo WhatsApp, o professor e poeta Jonadab Mansur — nunca acerto escrever o nome dele — me convida para uma manhã de prosa literária em seu apartamento, na Várzea.
De cima do viaduto, vejo pela janela do carro as marcas do incêndio na UFPE, ocorrido na noite anterior. Paredes pretas pelo pincel do fogo.
O Waze me deixa na porta do poeta.
A portaria, rente à calçada, é de vidro escuro. Não vejo o porteiro. Meu rosto não é reconhecido pela tela junto ao portão de grade. Uma voz pede que o forasteiro se identifique: nome e apartamento para o qual pretende ir.
Digo. Repito. Repito de novo. Acesso negado.
Bato na vidraça.
— Ô de casa!
Até que percebo, feito uma mula, que não há ninguém na guarita. É tudo pantim da tecnologia. Lá dentro, a IH — Inteligência Humana — acompanha minha agonia enquanto tento ligar para o professor.
— Quem o senhor procura?
— Jonadab. Tá me esperando.
Depois de confirmar a informação, a senhora abre a porta da prisão.
Ufa!
Apoiado numa bengala, o poeta se recupera de uma cirurgia no joelho. Aperta minha mão com efusividade na sala de estar, tomada pela arte. Quadros, poemas e obras de artistas pernambucanos cobrem as paredes: Tânia Carneiro Leão, Tereza Costa Rego, Brennand. Há poemas de Janice Japiassu, Ângelo Monteiro e Ariano Suassuna.
Fixo o olhar no desenho da filha pequena do professor, assinado por Abelardo da Hora. Sinto-me numa exposição de grandes pernambucanos.
Nas estantes, obras de Nuca, Maria Amélia, Zé do Carmo e Corbiniano. Livros por toda parte. Movimento-me com cuidado para não botar abaixo uma pilha de Eça e Saramago.
Jonadab me apresenta duas poetas argentinas: Alejandra Pizarnik e Alfonsina Storni. Enquanto folheio os poemas, prepara um café.
Gosto do que leio: duro, curto, seco. Taí minha tara, Alejandra Pizarnik. Nunca consegui fazer isso. Digo em voz alta.
Livro no colo, café sem açúcar nem adoçante. De doce, só a companhia de um poeta.
Fecho o livro. Jonadab me mostra suas produções recentes. Depois, vai lá dentro.
Volta com a revista Pernambuco nas mãos. A capa comemora os noventa anos de Angústia, obra de Graciliano Ramos, e da prisão do autor. O poeta sabe que sou tiete do alagoano. Recomenda que eu compre a revista, mas percebe o menino doido pelo brinquedo. Compadece-se.
— Pode levar. Tenho assinatura.
Enquanto houver um poeta, inteligência humana, há esperança.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda
NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores.
Artigo - O STF e as metamorfoses do poder: nem herói, nem vilão, por Og Fernandes*
19/10/2026
"A principal lição que a história do STF nos legou é a de que normas
constitucionais não se sustentam por si sós: são necessárias instituições
e uma sociedade dispostas a impor limites ao poder" (Og Fernandes)
A história do Supremo Tribunal Federal confunde-se com a jornada da República
brasileira, a partir do golpe de Deodoro e companhia, em 1889. Pousar os olhos
sobre a principal Corte de Justiça do País é ver uns poucos anos radiantes de
democracia, cercados de nuvens escuras do autoritarismo. A Corte muito penou até
o céu sem nuvens – ou quase isso – advindo da Constituição de 1988.
Para escrever 'A Corte e o Poder - Constituições de mais e Constitucionalismo de
menos', o professor de Direito Constitucional Luis Henrique Madalena e eu queríamos entender os 135 anos de existência do STF, entremeados os 58 anos sob governos democráticos (de 1946 a 1964 e de 1985 aos
dias de hoje), contra 77 anos s...
"A principal lição que a história do STF nos legou é a de que normas
constitucionais não se sustentam por si sós: são necessárias instituições
e uma sociedade dispostas a impor limites ao poder" (Og Fernandes)
A história do Supremo Tribunal Federal confunde-se com a jornada da República
brasileira, a partir do golpe de Deodoro e companhia, em 1889. Pousar os olhos
sobre a principal Corte de Justiça do País é ver uns poucos anos radiantes de
democracia, cercados de nuvens escuras do autoritarismo. A Corte muito penou até
o céu sem nuvens – ou quase isso – advindo da Constituição de 1988.
Para escrever 'A Corte e o Poder - Constituições de mais e Constitucionalismo de
menos', o professor de Direito Constitucional Luis Henrique Madalena e eu queríamos entender os 135 anos de existência do STF, entremeados os 58 anos sob governos democráticos (de 1946 a 1964 e de 1985 aos
dias de hoje), contra 77 anos sob o signo do autoritarismo.
Acumulamos sete Documentos Constitucionais, sintoma eloquente de que a nossa história é prolífica na
promulgação de textos (“constituições de mais”), mas por vezes escassa na imposição de limites efetivos ao exercício
do mando (“constitucionalismo de menos”).
O Brasil sofreu contínuos solavancos institucionais: os
estados de sítio da República Velha; a Revolução de 1930;
a “fechadura” de 1937; e o autoritarismo de 1964, sob a Guerra Fria. Diante desse
cenário, o STF ocupou posição central e frequentemente controversa. Por isso,
torna-se indispensável olhar para a história sem maniqueísmo. Uma suprema corte
não existe em abstrato nem habita uma torre de marfim. É uma instituição real,
formada por pessoas e condicionada pelas circunstâncias de seu tempo.
Recompor a trajetória do STF é compreender que a Corte não deve ser lida como personagem hagiográfico nem como mera coadjuvante do arbítrio, mas como um corpo de magistrados que oscilou entre a resistência, a acomodação e a reconstrução.
Seja por condescendência do Executivo, a quem não interessava transparecer a
extinção formal do Judiciário, seja pela resiliência de seus integrantes, o STF não
teve de entregar as chaves de portas cerradas ao mandante do dia. Diferentemente do Legislativo, jamais entrou em recesso por motivos políticos. Ponto – e vírgula –para a Corte.
Instalado em 28 de fevereiro de 1891, quatro dias após a promulgação da primeira Constituição republicana, o Supremo nasceu sob o lema do positivismo.
A Corte sofreu vícios de origem: os ministros das primeiras composições foram nomeados
sem aprovação prévia do Senado. Floriano Peixoto chegou a indicar um médico,
Cândido Barata Ribeiro, que atuou por quase um ano até ser recusado pelos
senadores por falta de notável saber jurídico.
Apesar das amarras iniciais, nas páginas da obra que escrevemos desfilam personagens e episódios marcantes. Ruy Barbosa construiu a Doutrina Brasileira do Habeas Corpus no histórico HC nº 300, estendendo as garantias além da liberdade física. Pedro Lessa afirmou-se como o primeiro ministro afrodescendente da Corte. Anos mais tarde, Getúlio Vargas tornou-se o presidente que mais nomeou ministros na história do STF (21 ao todo), período em que a Corte
viveu a dramática rejeição do habeas corpus em favor de Olga Benário – militante comunista grávida –, cuja expulsão para a Alemanha nazista foi autorizada em junho
de 1936.
O cotidiano da Corte também preserva passagens marcantes, como a
sessão de 12 de abril de 1960, na qual os ministros decidiram, por 7 votos a 4,
transferir a sede do Rio de Janeiro para Brasília. No ciclo autoritário pós-1964, a trajetória adquiriu relevo ainda mais dramático.
Nos primeiros anos do regime militar, o STF concedeu habeas corpus a perseguidos políticos destacados, como Mauro Borges, Miguel Arraes e Francisco Julião. O ministro Ribeiro da Costa enfrentou o general Costa e Silva ao repelir tentativas de intervenção na magistratura.
A resposta do poder de exceção foi implacável: o AI-2 elevou a composição a dezesseis ministros; o AI-5 suspendeu o habeas corpus para crimes políticos; e, em 1969, Evandro Lins e Silva, Hermes Lima e Victor Nunes Leal foram aposentados compulsoriamente.
Em protesto, os ministros Gonçalves de
Oliveira e Lafayette de Andrada renunciaram.
Com a Constituição de 1988, o panorama alterou-se profundamente. A nova
Constituição restaurou as liberdades públicas e expandiu a jurisdição constitucional,
multiplicando os instrumentos de controle concentrado e alçando o Supremo à
condição de árbitro dos grandes conflitos nacionais.
Essa reconstituição dos fatos
contemporâneos no livro resulta também de entrevistas exclusivas que realizamos
com personalidades cruciais da redemocratização, como o presidente José Sarney,
os ministros Nelson Jobim, Francisco Rezek, Gilmar Mendes e Nilson Naves, e o
procurador-geral Aristides Junqueira – cujos depoimentos trazem revelações
inéditas de bastidores.
As controvérsias contemporâneas sobre o alcance, o protagonismo ou a
autocontenção da jurisdição constitucional parecem, à primeira vista, produto do
tempo presente.
Vistas em perspectiva histórica, contudo, revelam-se desdobramentos de dilemas seculares: a tensão entre Executivo e Judiciário, a busca por independência e a necessidade de preservar a legitimidade da toga perante a sociedade.
A principal lição que a história do STF nos legou é a de que normas constitucionais
não se sustentam por si sós: são necessárias instituições e uma sociedade dispostas a impor limites ao poder.
O livro evita a hagiografia e o julgamento sumário, lembrando que independência judicial não se concede: foi conquistada, perdida e reconquistada. Num tempo em que o Supremo ocupa o centro do debate nacional, revisitar essa história é condição para compreender o presente. Restará ao leitor exercitar um cardápio de compreensões em que o prato principal é a história do nosso país.
Serviço
Obra: 'A Corte e o Poder - Constituições de mais e Constitucionalismo de
menos';
Autores: Og Fernandes e Luis Henrique Madalena;
Data: 10 de novembro, às
19h;
Local: Superior Tribunal de Justiça (STJ), Brasília-DF.
*Og Fernandes é ministro do STF.
NR - Publicado originalmente no Blog do Fausto Macedo/Estadão. Republicação autorizada pelo autor.
Da Série Mistérios do Aquém: Um dramaturgo executado na peça pregada pela história – Por Natanael Sarmento*
19/10/2026
O mais importante dramaturgo do império português no século XVIII foi Antônio José da Silva, "o Judeu". Ele nasceu no Rio de Janeiro, em 1708. Família de cristãos-novos - obrigados à conversão católica, filho de João Mendes, advogado e poeta e Lourença, família de convertidos prósperos, letrados, raros naquele Brasil colonial oitocentista.
Mudança forçada
A mudança da família do Rio para Portugal em 1712 foi forçada. A mãe foi denunciada à Inquisição por práticas judaicas e enviada à Lisboa, para o tribunal secular.
Formatura e dramaturgia
O filho Antônio José cursou Direito em Coimbra (1721 e 1725), todavia ganhou notoriedade na dramaturgia.
Teatro
Autor teatral de sucesso nas "Óperas dos Bonecos", peças cômico-satíricas com marionetes de madeira, lotava o principal Teatro do Bairro Alto, em Lisboa.
Inovador
Suas peças juntavam a mitologi...
O mais importante dramaturgo do império português no século XVIII foi Antônio José da Silva, "o Judeu". Ele nasceu no Rio de Janeiro, em 1708. Família de cristãos-novos - obrigados à conversão católica, filho de João Mendes, advogado e poeta e Lourença, família de convertidos prósperos, letrados, raros naquele Brasil colonial oitocentista.
Mudança forçada
A mudança da família do Rio para Portugal em 1712 foi forçada. A mãe foi denunciada à Inquisição por práticas judaicas e enviada à Lisboa, para o tribunal secular.
Formatura e dramaturgia
O filho Antônio José cursou Direito em Coimbra (1721 e 1725), todavia ganhou notoriedade na dramaturgia.
Teatro
Autor teatral de sucesso nas "Óperas dos Bonecos", peças cômico-satíricas com marionetes de madeira, lotava o principal Teatro do Bairro Alto, em Lisboa.
Inovador
Suas peças juntavam a mitologia clássica com sátira social e crítica de costumes. Fustigava a moralidade hipócrita dos perdulários e corruptos do poder, realeza, clero e aristocracia lusitana.
Na mira
O sucesso popular de comédias e sátiras como: Vida do Grande Dom Quixote de La Mancha e do Gordo Sancho Pança; Esopaida ou Vida de Esopo; Os Variados Efeitos da Amorosa Camuflagem e Guerras do Alecrim e da Mangerona – incomodava os donos do poder e esses Deuses do aquém não o perdoaram.
Primeiro Processo -1726
Na primeira prisão de Antonio decretada pelo Santo Ofício por “prática de judaísmo” ele contava com 21 anos. E escapo fedendo, como diz o vulgo.
Tortura e abjuração
Para sobreviver, Antônio José, sob torturas, confessou as acusações e estava tão debilitado que mal conseguiu assinar a confissão. Abjurou. Em Auto de Fé, pagou suas penas espirituais e os seus bens – sempre eles- foram todos confiscados. É libertado, desfalcado física, moral e materialmente.
Segundo Processo - 1737
No auge da fama literária, em 1737, logo após o nascimento da filha, é preso à ordem da Inquisição juntamente com a esposa e a mãe, pelas “práticas e rituais judaicas, jejum, sabbat...
Relapso
Como havia sido processado em 1726, era reincidente, enquadrava-se, juridicamente no relapso canônico. Para a doutrina do Santo Ofício um incorrigível, cuja pena a ser executada pelo “braço secular da justiça” era a capital, O dramaturgo foi executado em 19 de outubro de 1739.
Quanta misericórdia!
Antonio obteve o benefício da "misericórdia do garrote”. Morrer garroteado antes de ser levado à fogueira. Concedido por declarar querer morrer na fé católica. Numa demonstração de "clemência" teve o privilégio de primeiro ser estrangulado no garrote. Somente depois o cadáver foi queimado na fogueira para restarem apenas as cinzas do pecador.
Ironia histórica
No Teatro do Bairro, uma de suas peças era apresentada e ovacionada, na mesma hora da execução, sem que o respeitável público soubesse, a obra se eternizava e o autor partia a poucas ruas de distância.
Sátira social
A peça encenada, sátira político-social de recriação do mito grego de Faetonte - filho do deus Sol, Helios. O filhote topetudo insistia em pilotar a carruagem de fogo do pai. Mas era incompetente e incapaz de controlar os cavalos divinos. Se aproxima demais da Terra, em temerária ameaça de destruição da terra no fogo. Para salvação do mundo, Zeus atingiu o jovem petulante com um raio e o fulmina mortalmente.
Crítica política
O enredo da peça usava o mito como alegoria para criticar a o absolutismo aristocrático do reinado de Dom João V. A arrogância do poder. Ironizava a vaidade e a ambição desmedida, o nepotismo. Antonio fulminava a incompetência do jovem pretensioso. Ele queria governar com poderes de Consul romano, sem capacidade alguma, e arrastaria a sociedade ao caos e ao precipício.
Lições da história
A mestra Clio (deusa da história) parece não ter aprendizes. Ou serem eles relapsos ou com dificuldades cognitivas. Distraídos ou incapazes de aprender suas lições.
Qualquer semelhança
O Brasil amargurou mais de duas décadas de ditadura militar, desemprego, carestia, inflação, corrupção, violência desmedida: censura, sequestros, torturas, exílios e assassinatos. Nesta campanha eleitoral tem fascista filhote de apologista da ditadura que condecorou torturadores, processado por diversos crimes, que é candidato a presidente e tem eleitores e seguidores.
“Adeus, pátria e família” – Barão de Itararé
O tipo conspirou contra o Brasil a taxação de produtos nacionais prejudicando a economia, defende o trabalho por hora e para ganhar votos diz-se favorável ao fim da escala 6/1 enquanto conspira com empresários para revogar a lei aprovada de redução da jornada para 5/2; é sócio de milicianos e banqueiros defraudadores, participa de orgias e usa a religião e o discurso moralizante, em nome “Deus, pátria e família”. Seu candidato a vice-presidente de chapa é processado por pedofilia, é unha e carne com o estelionatário Vorcaro, tem a prerrogativa de contar com apoio da grande mídia e da Faria Lima, porque nada acontece por acaso. Como diz o outro, se não pode matar a cobra, não a pise, que ela só pica pés descalços, ou se preferir, “cria corvos e eles te arrancarão os olhos.”
Declaração de voto
Contra o fascismo, pela independência nacional e a favor dos mais pobres, votarei no 2º turno em Lula 13. Meu compromisso cidadão e amor ao Brasil é muito maior que todas as minhas reservas críticas ao petismo do Lula. Prostrar-se na derrota de uma batalha é apanágio de covardes, unamos forças e lutemos até a vitória final, lutemos mais e melhor, com o povo nas ruas e o voto nas urnas.
*Natanael Sarmento é professor e escritor, e integrante do Diretório Nacional da UP. @sarmentonatanael
NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
Alerta Eleitoral - O “Jogo das Datas” na Reforma Tributária e os Riscos para o Caixa das Empresas - Por Rosa Freitas*
19/10/2026
Anterioridade tributária, calendário eleitoral, definição de alíquotas e insegurança jurídica: por que o tempo das decisões fiscais pode afetar o planejamento empresarial?
Você sabia que a diferença de um dia na publicação de uma norma tributária pode influenciar a data em que determinada majoração de tributo poderá começar a ser cobrada?
Com a implementação da Reforma Tributária, instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada, entre outras normas, pela Lei Complementar nº 214/2025, o ambiente empresarial brasileiro enfrenta o desafio de acompanhar não apenas as mudanças na estrutura dos tributos, mas também os prazos constitucionais, as regulamentações e as exigências operacionais decorrentes do novo sistema.
Nesse contexto, o calendário legislativo e as negociações políticas podem ampliar a incerteza sobre a aplicação de determinadas regras. Para as empresas, o problema ultrapassa a discussão jurídica: envolve fluxo de c...
Anterioridade tributária, calendário eleitoral, definição de alíquotas e insegurança jurídica: por que o tempo das decisões fiscais pode afetar o planejamento empresarial?
Você sabia que a diferença de um dia na publicação de uma norma tributária pode influenciar a data em que determinada majoração de tributo poderá começar a ser cobrada?
Com a implementação da Reforma Tributária, instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada, entre outras normas, pela Lei Complementar nº 214/2025, o ambiente empresarial brasileiro enfrenta o desafio de acompanhar não apenas as mudanças na estrutura dos tributos, mas também os prazos constitucionais, as regulamentações e as exigências operacionais decorrentes do novo sistema.
Nesse contexto, o calendário legislativo e as negociações políticas podem ampliar a incerteza sobre a aplicação de determinadas regras. Para as empresas, o problema ultrapassa a discussão jurídica: envolve fluxo de caixa, formação de preços, contratos, sistemas de emissão de documentos fiscais e planejamento tributário.
A questão central é compreender como funcionam as anterioridades constitucionais, quais são as particularidades da CBS e do Imposto Seletivo e de que maneira decisões tomadas próximo ao encerramento do exercício podem repercutir sobre a atividade econômica.
1. O Relógio Constitucional: Anterioridade Anual e Noventena
A Constituição Federal estabelece limitações temporais ao poder de tributar. Essas garantias buscam impedir que determinados tributos sejam instituídos ou majorados de maneira inesperada, assegurando ao contribuinte um período mínimo para se adaptar às novas exigências.
Duas regras merecem atenção especial.
Anterioridade anual: prevista no art. 150, III, “b”, da Constituição Federal, impede, ressalvadas as exceções constitucionais, a cobrança de tributo no mesmo exercício financeiro em que tenha sido publicada a lei que o instituiu ou aumentou. Quando aplicável, exige a passagem para o exercício financeiro seguinte.
Anterioridade nonagesimal: prevista no art. 150, III, “c”, da Constituição Federal, impede, observadas as exceções aplicáveis, a cobrança antes de decorridos 90 dias da publicação da norma que instituiu ou majorou o tributo.
Quando as duas anterioridades são exigidas cumulativamente, a cobrança somente pode ocorrer depois de cumpridos ambos os prazos.
Por que o dia 2 de outubro merece atenção?
Para uma norma publicada em determinado ano produzir efeitos tributários a partir de 1º de janeiro do ano seguinte, quando sujeita simultaneamente às anterioridades anual e nonagesimal, a publicação precisa ocorrer com antecedência suficiente para que os 90 dias tenham transcorrido até essa data.
Em uma contagem ordinária, 2 de outubro é a data-limite usualmente utilizada como referência, considerando-se a contagem do prazo a partir do dia seguinte à publicação. A verificação concreta, entretanto, exige conferir a data efetiva da publicação e as regras jurídicas aplicáveis.
Se a publicação ocorrer em 3 de outubro, os 90 dias, em regra, não estarão completos em 1º de janeiro. Consequentemente, se ambas as anterioridades forem aplicáveis, a cobrança não poderá começar nessa data.
É importante destacar que esse prazo não constitui uma regra universal para todos os tributos. A conclusão depende do tributo envolvido, da natureza da alteração legislativa e das exceções constitucionais pertinentes.
A data de publicação pode ser decisiva para o planejamento tributário, mas não basta, isoladamente, para determinar o início da cobrança.
2. A Neutralidade Fiscal e o Controle das Alíquotas de Referência
A Reforma Tributária foi estruturada com mecanismos destinados a orientar a transição para o novo modelo de tributação do consumo e a evitar que a substituição dos tributos resulte em aumento ou redução deliberada da arrecadação agregada em relação aos parâmetros legalmente estabelecidos.
Essa diretriz está relacionada à neutralidade arrecadatória da reforma e aos mecanismos constitucionais de fixação e revisão das alíquotas de referência.
Entretanto, é necessário fazer uma distinção: a neutralidade arrecadatória não significa que cada empresa, setor econômico ou contribuinte pagará exatamente o mesmo valor de tributos antes e depois da reforma.
A distribuição da carga tributária pode mudar conforme a atividade econômica, a estrutura de custos, o regime de apuração, a possibilidade de apropriação de créditos, os tratamentos diferenciados e as características das operações realizadas.
A definição das alíquotas de referência envolve estimativas, avaliações técnicas e deliberações institucionais, de acordo com as competências estabelecidas na Constituição e na legislação complementar.
Em linhas gerais, esse processo compreende:
• Estimativas e informações fiscais: a Receita Federal e os órgãos competentes produzem informações e avaliações necessárias à implementação do novo sistema, conforme suas atribuições legais.
• Avaliação e controle institucional: o Tribunal de Contas da União exerce as competências de fiscalização e controle que lhe são atribuídas, inclusive no acompanhamento dos aspectos fiscais pertinentes à reforma.
• Fixação das alíquotas de referência: o Senado Federal exerce as competências constitucionais relacionadas à fixação dessas alíquotas, observados os procedimentos e instrumentos normativos previstos na legislação.
Esse fluxo não deve ser interpretado como uma sequência administrativa única e invariável para todas as decisões. As competências e os procedimentos específicos dependem da espécie de alíquota, da etapa da transição e da norma aplicável.
Para as empresas, a consequência é objetiva: acompanhar a publicação das normas e a consolidação dos parâmetros oficiais é indispensável para projetar corretamente a tributação das operações.
3. O Novo e o Antigo Sistema: Cbs, Ipi e Imposto Seletivo
A Reforma Tributária promove uma transformação estrutural na tributação brasileira sobre o consumo, com a introdução da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto Seletivo (IS), além de mudanças relevantes na disciplina do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços
De competência federal, a CBS substitui as contribuições ao PIS e à Cofins.
Em relação à anterioridade, aplica-se, em regra, a noventena prevista no art. 195, § 6º, da Constituição Federal, sem exigência de anterioridade anual. Assim, a instituição ou majoração deve respeitar o prazo constitucional de 90 dias, observadas as disposições aplicáveis ao caso concreto.
IPI — Imposto sobre Produtos Industrializados
A Reforma prevê a redução a zero das alíquotas do IPI, ressalvadas as hipóteses constitucionais, especialmente as relacionadas à preservação da competitividade da Zona Franca de Manaus.
A aplicação concreta depende dos produtos abrangidos e da legislação pertinente. As alterações relativas ao IPI devem ser analisadas de acordo com as regras constitucionais específicas e com o cronograma de implementação da reforma.
IS — Imposto Seletivo
De competência federal, o Imposto Seletivo incide sobre bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, conforme os critérios constitucionais e legais.
Sua finalidade é predominantemente extrafiscal, embora também produza efeitos arrecadatórios. A instituição ou majoração deve observar o regime constitucional de anterioridade aplicável.
O Imposto Seletivo não gera créditos nos moldes da não cumulatividade da CBS. Sua incidência conjunta com outros tributos deve ser examinada conforme a legislação, sem presumir uma proibição geral de toda e qualquer tributação simultânea.
A distinção entre esses tributos é fundamental para o planejamento empresarial. Cada um possui características próprias, e a análise da data de início da cobrança exige verificar a legislação específica, as regras constitucionais e o cronograma de implementação.
4. Calendário Eleitoral, Segundo Turno e Decisões Tributárias
A tramitação de normas fiscais pode sofrer influência do calendário político. Em períodos eleitorais, propostas relacionadas à tributação de combustíveis, veículos, bebidas, atividades econômicas e regimes diferenciados podem gerar disputas entre governo, Congresso Nacional, setores produtivos e grupos de interesse.
Três fatores merecem atenção.
1. Custo político das decisões fiscais
Alterações tributárias que afetam preços, margens empresariais e renda disponível podem provocar desgaste político. Esse cenário pode influenciar a prioridade conferida a determinadas matérias legislativas.
2. Negociações entre os atores institucionais
A aprovação de medidas tributárias depende de articulações políticas, construção de maiorias e negociação de interesses. Em ano eleitoral, essas negociações podem se tornar mais complexas.
3. Risco de concentração das decisões no fim do ano
Quando matérias relevantes são adiadas, a regulamentação e a publicação de atos podem ficar concentradas no último trimestre. Isso reduz o tempo disponível para que contribuintes, contadores, advogados e empresas avaliem as mudanças e adaptem seus procedimentos.
É necessário, porém, distinguir análise de risco de afirmação factual. O calendário eleitoral pode influenciar o processo decisório, mas não permite concluir, sem evidências específicas, que o governo esteja deliberadamente adiando normas para contornar a anterioridade ou que todas as decisões tributárias dependam do segundo turno.
O problema jurídico surge quando uma norma é publicada e sua produção de efeitos não respeita os prazos constitucionais aplicáveis.
5. Insegurança Jurídica e Riscos para o Caixa das Empresas
A combinação entre alterações legislativas, regulamentação progressiva e necessidade de adaptação tecnológica exige atenção especial do setor privado.
Contencioso tributário e risco de cobranças antecipadas
Quando uma lei institui ou majora tributo sem respeitar a anterioridade aplicável, o contribuinte pode questionar judicialmente a exigência.
A possibilidade de obter uma medida liminar, contudo, depende dos requisitos processuais e da demonstração dos fundamentos jurídicos no caso concreto. Não se deve presumir que toda publicação tardia produzirá automaticamente decisões favoráveis aos contribuintes.
A prevenção começa com a análise antecipada das normas e dos seus efeitos temporais.
Sistemas ERP, NF-e e parametrização fiscal
A implementação da reforma exige adaptação dos sistemas de gestão empresarial, emissão de documentos fiscais, motores de cálculo e controles internos.
A depender da atividade, também será necessário revisar cadastros, classificação de operações, regras de apropriação de créditos, contratos e procedimentos financeiros.
Mudanças normativas divulgadas com pouca antecedência podem elevar o risco de inconsistências, recolhimentos incorretos, retrabalho e autuações.
Formação de preços e planejamento orçamentário
A incerteza sobre alíquotas, créditos e regras de transição dificulta a projeção de margens e a negociação de contratos de médio e longo prazo.
Empresas que não revisarem suas premissas de cálculo poderão enfrentar diferenças entre o custo tributário projetado e aquele efetivamente aplicável às operações.
O impacto não será necessariamente uniforme: empresas com diferentes estruturas de custos, cadeias de fornecedores e possibilidades de crédito poderão experimentar efeitos distintos.
Contratos e fluxo de caixa
Contratos de fornecimento continuado, prestação de serviços, locação e operações de longo prazo merecem atenção especial.
É recomendável avaliar cláusulas de revisão de preços, repartição de encargos tributários, reequilíbrio econômico-financeiro quando juridicamente cabível e procedimentos para adequação dos documentos fiscais.
A análise deve considerar o regime tributário de cada parte, a natureza da operação e a distribuição contratual dos riscos.
6. Como as Empresas podem Se Preparar
Diante desse cenário, a melhor estratégia não é aguardar a definição de todas as regras para iniciar a preparação. É construir um processo contínuo de acompanhamento e revisão.
Entre as principais medidas recomendadas estão:
1. Monitorar a legislação: acompanhar leis, atos regulamentares, resoluções e orientações oficiais sobre CBS, IPI e Imposto Seletivo.
2. Validar as datas de exigibilidade: verificar a data de publicação de cada norma e as anterioridades aplicáveis antes de incorporar novas cobranças ao planejamento.
3. Simular cenários tributários: elaborar projeções com diferentes premissas de alíquotas, créditos e custos operacionais.
4. Revisar sistemas fiscais: mapear as adaptações necessárias nos ERPs, nas rotinas de emissão de NF-e e nos controles de apuração.
5. Reexaminar contratos: identificar cláusulas que possam exigir revisão diante de alterações tributárias legalmente relevantes.
6. Integrar as áreas da empresa: aproximar os setores jurídico, tributário, contábil, financeiro, comercial e de tecnologia.
7. Documentar as decisões: registrar as premissas utilizadas nas simulações, as normas consultadas e as providências adotadas, facilitando auditorias e a defesa de posições fiscais.
O objetivo é transformar a adaptação à reforma em uma atividade de gestão de riscos, e não em uma reação emergencial a cada publicação normativa.
7. Conclusão: Sete Pontos para Fixação
1. Anterioridade é garantia constitucional. A cobrança de determinados tributos deve respeitar os prazos anual e nonagesimal, conforme o regime aplicável.
2. O dia 2 de outubro é uma referência, não uma regra universal. Quando ambas as anterioridades são exigidas, a publicação precisa ocorrer com antecedência suficiente para que os 90 dias sejam cumpridos até 1º de janeiro.
3. A CBS possui regime temporal próprio. Como contribuição social, submete-se à noventena pertinente, sem exigência de anterioridade anual, observadas as regras constitucionais aplicáveis.
4. IPI e Imposto Seletivo exigem análise específica. A redução das alíquotas do IPI e a instituição ou majoração do Imposto Seletivo devem ser avaliadas de acordo com as disposições constitucionais e legais pertinentes.
5. Neutralidade arrecadatória não significa carga individual invariável. A reforma contempla mecanismos de calibração da arrecadação, mas os efeitos sobre cada empresa podem variar significativamente.
6. O calendário político pode aumentar a incerteza, mas não substitui a análise jurídica. A influência das eleições sobre as decisões fiscais deve ser demonstrada em cada situação, sem presumir intenções governamentais.
7. Planejamento tributário também é proteção do caixa. Monitoramento legislativo, simulações financeiras, revisão contratual e adequação dos sistemas são medidas essenciais para reduzir riscos na transição.
Mensagem Final
A Reforma Tributária não representa apenas uma mudança na estrutura dos tributos. Ela exige uma nova forma de planejar operações, contratos, preços e fluxo de caixa.
O calendário legislativo importa. A data de publicação importa. Os prazos constitucionais importam. Mas a segurança jurídica depende, sobretudo, da correta interpretação das normas e da preparação antecipada dos contribuintes.
No novo sistema tributário, acompanhar o tempo da legislação será tão importante quanto compreender o conteúdo da lei.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 17 out. 2026.
BRASIL. Emenda Constitucional nº 132, de 20 de dezembro de 2023. Altera o Sistema Tributário Nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 2023.
BRASIL. Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025. Institui o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo (IS); cria o Comitê Gestor do IBS e altera a legislação tributária. Brasília, DF: Presidência da República, 2025.
CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional tributário. 35. ed. São Paulo: JusPodivm, 2024.
CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 30. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019.
MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Reforma tributária comentada e comparada: Emenda Constitucional 132, de 20 de dezembro de 2023. Barueri, SP: Atlas, 2024.
PAULSEN, Leandro. Reforma tributária: o sistema tributário nacional após a EC 132/2023 e a LC 214/2025. São Paulo: Thomson Reuters, 2025.
*Profa. Rosa Freitas, é Doutora em Direito e pelo PPGD/UFPE, servidora pública, com 20 anos de experiência nas áreas pública e privada, Pós-Graduada em Transição Energética e novos Negócios pela PUC-PR, autora de livros e artigos jurídicos, dentre "A nova dogmáticada da tributação de serviçosno Brasil" pela Editora Ponto a Ponto. @profa.dra.rosafreitas e Advrosafreitas@gmail.com
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o livre confronto de ideias e acolhe o contraditório. Todas as pessoas e instituições citadas têm assegurado espaço para suas manifestações.
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Dólar, Metal e o Frevo do Cassino Americano, por Zé da Flauta*
19/10/2026
Naqueles primeiros anos da década de quarenta, o Recife foi arrancado do seu torpor açucareiro e atirado de cabeça num caldeirão de dólares, motores e arranjos de metais. A chegada maciça dos yankees na "Capital do Atlântico Sul" transformou a quietude do Capibaribe num alvoroço cosmopolita.
O céu do Ibura virou um formigueiro de asas prateadas, o porto foi rasgado para dar passagem a cruzadores de guerra, e a cidade descobriu que a modernidade vinha embrulhada em papel de chiclete, garrafas de Coca-Cola, maços de Chesterfield, Camel e Philip Morris, e uma inflação de arrastar o preço do feijão para as nuvens.
Choque cultural
O epicentro desse delírio tropical batia com mais força no Cassino Americano, fincado nas areias do Pina. Ali, enquanto a brisa do mar trazia o cheiro de maresia e de gasolina de aviação, a elite recifense e os oficiais americanos dividiam a mesma roleta e a mesma pista de dança. Mas para além das apostas, o ver...
Naqueles primeiros anos da década de quarenta, o Recife foi arrancado do seu torpor açucareiro e atirado de cabeça num caldeirão de dólares, motores e arranjos de metais. A chegada maciça dos yankees na "Capital do Atlântico Sul" transformou a quietude do Capibaribe num alvoroço cosmopolita.
O céu do Ibura virou um formigueiro de asas prateadas, o porto foi rasgado para dar passagem a cruzadores de guerra, e a cidade descobriu que a modernidade vinha embrulhada em papel de chiclete, garrafas de Coca-Cola, maços de Chesterfield, Camel e Philip Morris, e uma inflação de arrastar o preço do feijão para as nuvens.
Choque cultural
O epicentro desse delírio tropical batia com mais força no Cassino Americano, fincado nas areias do Pina. Ali, enquanto a brisa do mar trazia o cheiro de maresia e de gasolina de aviação, a elite recifense e os oficiais americanos dividiam a mesma roleta e a mesma pista de dança. Mas para além das apostas, o verdadeiro choque de civilizações aconteceu na música.
O ouvido do pernambucano, acostumado ao terno de sopros das marchas e ao frevo de rua mais primitivo, viu-se subitamente inundado pela sofisticação das big bands. O swing de Glenn Miller, as harmonias arrojadas do bebop de Dizzy Gillespie e a virtuosidade do jazz americano invadiram os salões do Pina e os inferninhos do Recife Antigo, redefinindo o padrão de exigência dos nossos arranjadores e instrumentistas.
Refino
Para os músicos da terra, aquela presença foi uma escola acelerada de alta regência e instrumentação. O frevo, que até então mantinha uma estrutura puramente marcha-ranchista e de banda de música de interior, absorveu o impacto como uma esponja.
As orquestras locais, formadas por maestros visionários e sopros de ouro, passaram a incorporar as síncopas do jazz, as aberturas de vozes dos naipes de saxofones e os riffs agressivos dos trombones e trompetes americanos. O embate entre o swing gringo e o frevo de rua refinou a linguagem da música pernambucana: a pau-e-corda deu lugar à imponência dos metais pesados, criando a base harmoniosa e vertiginosa das grandes orquestras de frevo de abafo que hoje conhecemos.
Revolução escrita
Quando os jipes finalmente foram embora em 1945 e a base militar silenciou, o Recife acordou numa ressaca monumental. Sobraram os maços de cigarro esmagados na areia do Pina e o olhar perdido de quem viu o espetáculo acabar. O Cassino apagou suas luzes, mas nas pautas dos nossos maestros a revolução já estava escrita. Os americanos recolheram suas bandeiras, mas deixaram para trás o veneno do jazz injetado nas veias do frevo, provando que, quando o metal nordestino encontra a síncopa universal, a música da gente fica eterna.
Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista
Adeus, Benito di Paula! - Poema Por Eduardo Albuquerque*
19/10/2026
Não há mais tua doce companhia,
calou-se para sempre tua melodia,
tua voz, o som do piano, brios
fez-se silencioso o palco, vazio
“Mulher Brasileira”, “Tudo Está no seu Lugar”,
“Retalhos de Cetim”, “Não Precisa me Perdoar”,
“Do Jeito que a Vida Quer”, “Vai Ficar na Saudade”,
“Charles Brown”, “Se Não For por Amor”.
A si dizia ser “sambeiro”, “pianeiro”.
Suave era o teu cantar, intenso, inteiro...
Ah! Come eu curti, como eu amei...
Emudeceu o romântico do samba,
a icônica voz, tua voz de bamba.
Enfim “meu caçula, meu André, cheguei”!
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Não há mais tua doce companhia,
calou-se para sempre tua melodia,
tua voz, o som do piano, brios
fez-se silencioso o palco, vazio
“Mulher Brasileira”, “Tudo Está no seu Lugar”,
“Retalhos de Cetim”, “Não Precisa me Perdoar”,
“Do Jeito que a Vida Quer”, “Vai Ficar na Saudade”,
“Charles Brown”, “Se Não For por Amor”.
A si dizia ser “sambeiro”, “pianeiro”.
Suave era o teu cantar, intenso, inteiro...
Ah! Come eu curti, como eu amei...
Emudeceu o romântico do samba,
a icônica voz, tua voz de bamba.
Enfim “meu caçula, meu André, cheguei”!
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Seleção Brasileira de Médicos, por Roberto Vieira*
19/10/2026
Domingo foi o Dia do Médico, o profissional responsável pela saúde. O Brasil sempre foi celeiro de médicos espetaculares desde a chegada do primeiro deles, Guilherme Piso, em Pernambuco, com a frota do Conde Maurício de Nassau. Fazer uma seleção de tantos craques é tarefa ingrata, mas vale pela homenagem.
Defesa
São Lucas, goleiro de homens e de almas, simplesmente é milagroso. Santo e intelectual, Lucas conheceu Jesus através de Maria. Titular sem reserva. A defesa, com o genial Ivo Pitanguy na direita, tem na zaga dois mitos pernambucanos: Jorge Lobo e Clóvis Paiva. Jogariam em qualquer seleção brasileira. Amaury na esquerda organiza o time como organizou a medicina da sua época.
Meio-campo
Figueira é um volante nível Beckenbauer. Grande mastologista, grande alma, salvou a vida de minha mãe. Do seu lado, o memorialista Pedro Nava tabela com o deus da Oftalmologia nacional, Hilton Rocha. Jogam por música. ...
Domingo foi o Dia do Médico, o profissional responsável pela saúde. O Brasil sempre foi celeiro de médicos espetaculares desde a chegada do primeiro deles, Guilherme Piso, em Pernambuco, com a frota do Conde Maurício de Nassau. Fazer uma seleção de tantos craques é tarefa ingrata, mas vale pela homenagem.
Defesa
São Lucas, goleiro de homens e de almas, simplesmente é milagroso. Santo e intelectual, Lucas conheceu Jesus através de Maria. Titular sem reserva. A defesa, com o genial Ivo Pitanguy na direita, tem na zaga dois mitos pernambucanos: Jorge Lobo e Clóvis Paiva. Jogariam em qualquer seleção brasileira. Amaury na esquerda organiza o time como organizou a medicina da sua época.
Meio-campo
Figueira é um volante nível Beckenbauer. Grande mastologista, grande alma, salvou a vida de minha mãe. Do seu lado, o memorialista Pedro Nava tabela com o deus da Oftalmologia nacional, Hilton Rocha. Jogam por música.
Ataque
Zerbini transformou a cardiologia brasileira nos anos 1960. Taco a taco nos transplantes com Barnard. O presidente JK concluiu seu curso com muito esforço, especializou-se na França, lutou nas guerras brasileiras dos anos 1930 e construiu Brasília. Tá bom? Se não estiver, converse com o multilinguista Guimarães Rosa.
Medicina
A medicina brasileira sofreu ataques medievais nas últimas décadas. Com suas faculdades sucateadas, assistiu a profissionais trazidos do exterior em regime escravagista para compensar a falta de organização dos nossos governantes. Sobreviveu a dezenas de escolas inauguradas sem as mínimas condições para a formação adequada dos médicos. Porém, o bom médico continua trazendo consigo o sentimento mais próximo de Jesus na humanidade: amar ao próximo como a si mesmo.
*Roberto Vieira é médico e cronista
Lula e Veneziano: a lealdade que virou voto e conquistas para os trabalhadores, por Flávio Lúcio*
19/10/2026
Reeleito senador pela Paraíba no dia 4, Veneziano Vital chega ao segundo turno da eleição presidencial com um capital político que poucos, individualmente, conseguiram acumular antes e depois da eleição.
Aliado histórico
Aliado histórico, Veneziano foi premiado duplamente por sua lealdade ao projeto político que hoje governa o Brasil: pelo próprio Lula, que, na reta final campanha, gravou em vídeo em reconhecimento e pediu a recondução de Veneziano ao Senado. Fez isso com poucos ou, dito de maneira direta, aos que tinham sua confiança e eram necessários para o futuro governo.
Ressaltou
Lula ressaltou que poucas vezes teve um senador com relação tão honesta e comprometida, e que a continuação Veneziano no Senado lhe daria mais tranquilidade para governar. Um gesto de reconhecimento a quem, nos últimos quatro anos, foi um dos principais defensores das pautas de Lula no Congresso.
O prêmio<...
Reeleito senador pela Paraíba no dia 4, Veneziano Vital chega ao segundo turno da eleição presidencial com um capital político que poucos, individualmente, conseguiram acumular antes e depois da eleição.
Aliado histórico
Aliado histórico, Veneziano foi premiado duplamente por sua lealdade ao projeto político que hoje governa o Brasil: pelo próprio Lula, que, na reta final campanha, gravou em vídeo em reconhecimento e pediu a recondução de Veneziano ao Senado. Fez isso com poucos ou, dito de maneira direta, aos que tinham sua confiança e eram necessários para o futuro governo.
Ressaltou
Lula ressaltou que poucas vezes teve um senador com relação tão honesta e comprometida, e que a continuação Veneziano no Senado lhe daria mais tranquilidade para governar. Um gesto de reconhecimento a quem, nos últimos quatro anos, foi um dos principais defensores das pautas de Lula no Congresso.
O prêmio
O prêmio mais importante, porém, veio do povo paraibano, que resistiu às seduções de uma das mais poderosas articulações reunidas em torno de um candidato, algo jamais visto na história das eleições na Paraíba. O Davi venceu o Golias.
Retribuiu
Veneziano retribuiu nas duas semanas seguintes a Lula e ao povo paraibano e brasileiro se colocando no centro de uma das votações mais simbólicas do Senado nos últimos anos. No debate que levou à aprovação da escala 5×2 e da jornada de trabalho de 40 horas, mudança de alcance histórico num mundo marcado por retrocessos civiliztórios, a firmeza de Veneziano na defesa das propostas deu razão à opção de Lula. E do povo paraibano.
Como integrante da CCJ, Veneziano votaria pela troca da escala 6×1 pela 5×2, posição que, segundo disse não era de ocasião, mas parte de sua trajetória como político. E defendeu que o Senado aprovasse o texto como veio da Câmara, ao lado da mudança na jornada de trabalho de 44 para 40 horas, cuja transição vai durar em 14 meses.
CCJ
Na CCJ, 36 emendas foram rejeitadas para que o texto não voltasse à Câmara. Sem mudanças no mérito, a PEC seguia direto ao Plenário. No último dia 14, o Plenário aprovou a PEC 221/2019 em dois turnos, com 75 votos a favor e apenas um contra. Em seguida, foi sancionada e começa a valer a partir do próximo ano.
Alerta
Veneziano fez outro alerta aos trabalhadores: a proposta só ficaria de pé caso Lula fosse reeleito, pois num eventual governo de Flávio Bolsonaro o modelo que deve prevalecer é da remuneração por hora trabalhada, bem como a flexibilização de todos os direitos trabalhistas.
Tinham razão
Lula e o povo tinham razão em escolherem Veneziano. Na hora do vamos ver, ambos sabiam que podiam contar com com um defensor de uma agenda cara aos trabalhadores e à nação brasileira.
*Flavio Lúcio é cientista político, doutor em sociologia, historiador, professor da UFPB.
Os diagnósticos e projeções de Lavareda no podcast de amanhã
19/10/2026
No podcast Direto de Brasília de amanhã, faltando quatro dias para o confronto final entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o cientista político Antônio Lavareda fará prognósticos e avaliações sobre a eleição presidencial em segundo turno. Um dos melhores e mais conhecidos especialistas em pesquisas eleitorais, Lavareda também fará uma análise dos levantamentos realizados pelos mais variados institutos nacionais.
Mestre em Sociologia
Sociólogo, jornalista e advogado, Lavareda é mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Presidente do Conselho Científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), é professor colaborador da pós-graduação em Ciência Política da UFPE e presidente de honra da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel).
Experiência
Com e...
No podcast Direto de Brasília de amanhã, faltando quatro dias para o confronto final entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o cientista político Antônio Lavareda fará prognósticos e avaliações sobre a eleição presidencial em segundo turno. Um dos melhores e mais conhecidos especialistas em pesquisas eleitorais, Lavareda também fará uma análise dos levantamentos realizados pelos mais variados institutos nacionais.
Mestre em Sociologia
Sociólogo, jornalista e advogado, Lavareda é mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Presidente do Conselho Científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), é professor colaborador da pós-graduação em Ciência Política da UFPE e presidente de honra da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel).
Experiência
Com experiência na análise de cenários políticos e no planejamento de campanhas eleitorais, Lavareda também se dedica ao estudo do comportamento do eleitor e da influência das emoções nas decisões de voto. É autor de obras como Democracia nas Urnas e Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais, além de pioneiro no Brasil na aplicação de estudos de neuropolítica às campanhas eleitorais.
Vai ao ar
O Direto de Brasília vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, e mais 165 emissoras de rádio no Nordeste.
Retransmitem a Rede Nordeste de Rádio, a Rede Mais Rádios, da Paraíba; a Rede ANC, no Ceará; a revista Mais Nordeste, em Fortaleza; e a TV LW, em Arcoverde.
Parceiros
Entram como parceiros na mídia institucional a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
Blog do Magno
Benito de Paula, por Josué Sena*
19/10/2026
Ponha Euterpe veste de cetim,
Bordada de negros retalhos,
Por quem de face de fios grisalhos,
Da longa vida e carreira teve fim.
Soe em cadência lenta o tamborim.
E assim lento o talentoso piano,
Por na musica popular esse dano,
E os fãs digam: ai de mim!
Pois faleceu o artista Benito,
Que também é de Paula.
Compositor de melodioso rito,
Que muito de amor, saudade e ilusão fala.
A missão na terra termina. Paciência!
O céu requer sua ilustre presença.
*Josué Sena é desembargador do TJPE e poeta
Ponha Euterpe veste de cetim,
Bordada de negros retalhos,
Por quem de face de fios grisalhos,
Da longa vida e carreira teve fim.
Soe em cadência lenta o tamborim.
E assim lento o talentoso piano,
Por na musica popular esse dano,
E os fãs digam: ai de mim!
Pois faleceu o artista Benito,
Que também é de Paula.
Compositor de melodioso rito,
Que muito de amor, saudade e ilusão fala.
A missão na terra termina. Paciência!
O céu requer sua ilustre presença.
*Josué Sena é desembargador do TJPE e poeta
Depois de João Gomes, Flávio José se declara a Lula nas redes sociais
19/10/2026
“O filho do dono”. O cantor Flávio José, um dos grandes nomes da música nordestina e natural de Monteiro, no Cariri paraibano, começou a demonstrar publicamente sua admiração e apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo (18), a uma semana da eleição.
Compartilhar
Conhecido por seu perfil discreto, o artista passou a compartilhar publicações nas redes sociais que indicam sua preferência política. Além de repostar conteúdos de campanha de Lula e de apoiadores do presidente, Flávio José compartilhou neste domingo uma publicação com uma música conhecida em sua voz, acompanhada de imagens de Lula balançando a bandeira do Brasil e de cenas dos atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Inclinação política
Mesmo não tendo feito uma declaração direta, as publicações do cantor nesta reta final do segundo turno deixam evidente sua incli...
“O filho do dono”. O cantor Flávio José, um dos grandes nomes da música nordestina e natural de Monteiro, no Cariri paraibano, começou a demonstrar publicamente sua admiração e apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo (18), a uma semana da eleição.
Compartilhar
Conhecido por seu perfil discreto, o artista passou a compartilhar publicações nas redes sociais que indicam sua preferência política. Além de repostar conteúdos de campanha de Lula e de apoiadores do presidente, Flávio José compartilhou neste domingo uma publicação com uma música conhecida em sua voz, acompanhada de imagens de Lula balançando a bandeira do Brasil e de cenas dos atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Inclinação política
Mesmo não tendo feito uma declaração direta, as publicações do cantor nesta reta final do segundo turno deixam evidente sua inclinação política em favor de Lula.
Sua filha, Lara Amélia, já havia declarado apoio ao presidente desde o início da campanha e mantém uma atuação ativa nas redes sociais em defesa do atual presidente.
João Gomes
O cantor João Gomes declarou ser “a favor da democracia” durante um show realizado no sábado (17.out.2026) em Londrina, no Paraná. Apesar de não citar nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), o público reagiu fazendo o gesto do “L”, associado ao petista.
Pressão
A manifestação veio em um momento de pressão nas redes sociais para que o artista revelasse seu posicionamento político no 2º turno das eleições presidenciais de 2026, a ser realizado em 25 de outubro.
O Poder
Abrava participa de discussão internacional sobre caminhos para a transição de energia rumo a uma economia de baixo carbono
19/10/2026
A discussão de caminhos práticos para a transição de energia rumo a uma economia de baixo carbono foi o principal tema do Climate Week NYC, realizado em Nova York, que teve como uma das entidades brasileiras participantes a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), por meio do presidente do seu conselho de administração, Leonardo Cozac.
O evento, este ano foi organizado pelo Climate Group e realizado de forma paralela à Assembleia Geral da ONU. Teve como foco a discussão de caminhos práticos para a transição rumo a uma economia de baixo carbono.
Os pontos de destaque abordados foram o tema Healthy indoor air in schools (qualidade do ar interno Saudável nas escolas), seguida de reunião sobre o lançamento da Comissão Global para Ação, que se propõe a ser um comitê, grupo de trabalho ou organização internacional composto por líderes e especialistas de vários países.
Quadro de...
A discussão de caminhos práticos para a transição de energia rumo a uma economia de baixo carbono foi o principal tema do Climate Week NYC, realizado em Nova York, que teve como uma das entidades brasileiras participantes a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), por meio do presidente do seu conselho de administração, Leonardo Cozac.
O evento, este ano foi organizado pelo Climate Group e realizado de forma paralela à Assembleia Geral da ONU. Teve como foco a discussão de caminhos práticos para a transição rumo a uma economia de baixo carbono.
Os pontos de destaque abordados foram o tema Healthy indoor air in schools (qualidade do ar interno Saudável nas escolas), seguida de reunião sobre o lançamento da Comissão Global para Ação, que se propõe a ser um comitê, grupo de trabalho ou organização internacional composto por líderes e especialistas de vários países.
Quadro de ação global
Durante a reunião da comissão, foi lançado oficialmente o Global Framework for Action ou “Quadro de Ação Global”, que descreve um guia estratégico internacional com diretrizes, metas e pilares para que governos, empresas e a sociedade civil do mundo inteiro trabalhem juntos em prol de objetivos como: a qualidade do ar interno (Saúde Pública) (1); e a questão da biodiversidade e alimentação (2).
No tocante à qualidade do ar interno, o documento estabelece nove pilares principais para transformar as políticas públicas e os mercados de construção, visando tornar a circulação de ar limpo em ambientes fechados uma norma mundial.
Painéis e debates do Climate Week
Os painéis e debates do Climate Week foram divididos em eixos cruciais como finanças sustentáveis, tecnologia e inteligência artificial aplicadas ao clima, transporte, eletrificação e a valorização da natureza nas políticas públicas.
Foram realizados mais de mil encontros e palestras espalhados por toda a cidade, reunindo líderes empresariais, políticos, investidores e ativistas. Dentre os quais, por parte de instituições do Brasil, além da Abrava, também representantes do Instituto Clima e Sociedade (iCS).
Energia renovável
Uma das prioridades observada entre os painelistas foi o alerta para que seja acelerada a eletrificação limpa, de forma a triplicar a capacidade global de produção de energia renovável até 2030. O que, conforme destacaram participantes e líderes mundiais presentes ao evento, precisa estar dentro das estratégias de governos e empresas.
Os participantes também defenderam a necessidade de construir sistemas energéticos mais seguros, resilientes e acessíveis, assentes no aumento da produção de eletricidade renovável e no reforço das redes elétricas.
Foram ressaltadas, ainda, questões como as condições necessárias para aumentar o investimento em novas indústrias, incluindo políticas públicas, reformas dos mercados, expansão das redes elétricas, armazenamento de energia e processos de licenciamento. A Climate Week NYC 2026 teve como lema: “Energia. Impacto. Ação”.
O detalhe que vai decidir a eleição domingo
19/10/2026
Fácil identificar: a abstenção. Os analistas do debate de ontem na Band, pelo menos os que assisti, estão se apegando ao suposto convencimento por parte dos candidatos de uma figura inexistente no mercado eleitoral: o eleitor indeciso. Essa figura, simplesmente, não existe. É só olhar as pesquisas, de todos os institutos.
Indeciso decidido
Os números das pesquisas, somando indecisos, não sabe, não opinou, sequer alcançam uma média de 8%. Matematicamente falando, nenhum deles vai comparecer. Todos já decidiram. No 1o turno,
a abstenção chegou a 21,08% do eleitorado. Também foram registrados 2,2 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de nulos, quase 6 milhões no total. Brancos e nulos, como se sabe, não entram na contagem dos votos válidos e não beneficiam nenhum candidato. São eleitores obrigados a comparecer e que permanecem "indecisos" mesmo depois de votar.
Em 2022
Tomando como referência o segundo...
Fácil identificar: a abstenção. Os analistas do debate de ontem na Band, pelo menos os que assisti, estão se apegando ao suposto convencimento por parte dos candidatos de uma figura inexistente no mercado eleitoral: o eleitor indeciso. Essa figura, simplesmente, não existe. É só olhar as pesquisas, de todos os institutos.
Indeciso decidido
Os números das pesquisas, somando indecisos, não sabe, não opinou, sequer alcançam uma média de 8%. Matematicamente falando, nenhum deles vai comparecer. Todos já decidiram. No 1o turno,
a abstenção chegou a 21,08% do eleitorado. Também foram registrados 2,2 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de nulos, quase 6 milhões no total. Brancos e nulos, como se sabe, não entram na contagem dos votos válidos e não beneficiam nenhum candidato. São eleitores obrigados a comparecer e que permanecem "indecisos" mesmo depois de votar.
Em 2022
Tomando como referência o segundo turno de quatro anos atrás, a abstenção caiu para 20,59%. A diferença de comparecimento foi de apenas 0,36 ponto percentual para menos. Se movimento semelhante ocorrer em 2026, a abstenção no segundo turno cairia dos atuais 21,07% para aproximadamente 20,71%. Ou seja, somando-se ausentes, brancos e nulos, deixariam de votar três vezes a quantidade de eleitores tidos como "indecisos" pelos analistas de plantão. Isso nao é análise, é enchimento de linguiça e exercício de ficção eleitoral.
Quem vai ganhar?
Quer saber a resposta? Localize de onde vai sair a abstenção. Geograficamente. Por perfil do eleitor. Por intenção declarada de votos nas pesquisas eleitorais. Difícil? Sem dúvida. Alô, institutos de levantamento de opinião.
A seguir
Confira a opinião do nosso diretor José Nivaldo Junior, profissional de marketing politico desde 1978.
Foto: Flávio e Lula de gravatas trocadas, agência Brasil)
(José Nivaldo Junior e equipe O Poder, com dados do TSE)
Pesquisa DataTrends - Flávio três pontos à frente. Nordeste segura Lula
19/10/2026
Mais um instituto pernambucano começa a marcar presença no cenário nacional. Pesquisa DataTrends, realizada entre os dias 15 e 17 de outubro, aponta vantagem de três pontos percentuais para Flávio Bolsonaro. A desaprovação ao governo Lula chega a 52%.
A notícia
A nova pesquisa nacional do Instituto DataTrends, realizada entre os dias 15 e 17 de outubro, aponta o candidato Flávio Bolsonaro à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial. Considerando os votos válidos, Flávio aparece com 51,5% das intenções de voto, enquanto Lula registra 48,5%. A diferença é de três pontos percentuais. No cenário que considera o conjunto dos entrevistados, Flávio Bolsonaro tem 49%, contra 46% de Lula. Outros 4% afirmaram que pretendem votar em branco ou nulo, enquanto 1% não soube ou não respondeu.
A vantagem
Está dentro da margem de erro de 2,19 pontos percentuais, para ma...
Mais um instituto pernambucano começa a marcar presença no cenário nacional. Pesquisa DataTrends, realizada entre os dias 15 e 17 de outubro, aponta vantagem de três pontos percentuais para Flávio Bolsonaro. A desaprovação ao governo Lula chega a 52%.
A notícia
A nova pesquisa nacional do Instituto DataTrends, realizada entre os dias 15 e 17 de outubro, aponta o candidato Flávio Bolsonaro à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial. Considerando os votos válidos, Flávio aparece com 51,5% das intenções de voto, enquanto Lula registra 48,5%. A diferença é de três pontos percentuais. No cenário que considera o conjunto dos entrevistados, Flávio Bolsonaro tem 49%, contra 46% de Lula. Outros 4% afirmaram que pretendem votar em branco ou nulo, enquanto 1% não soube ou não respondeu.
A vantagem
Está dentro da margem de erro de 2,19 pontos percentuais, para mais ou para menos, indicando um cenário de disputa acirrada na reta final da campanha.
Disparidades regionais
O levantamento
revela diferenças expressivas no comportamento eleitoral das cinco regiões brasileiras. O Nordeste permanece como principal reduto de Lula, que alcança 68% das intenções de voto, contra 28% de Flávio Bolsonaro. Nas demais regiões, entretanto, o candidato da oposição aparece à frente. No Sudeste, Flávio registra 55%, contra 39% de Lula. No Sul, a vantagem é de 59% a 35%, enquanto no Centro-Oeste o placar chega a 63% a 27%. Na região Norte, Flávio Bolsonaro aparece com 50%, diante de 42% do presidente. Os números demonstram que a expressiva vantagem de Lula no Nordeste é contraposta pelo desempenho do adversário nas outras quatro regiões do país, especialmente no Sul e no Centro-Oeste.
Segmentos sociais
A pesquisa também identifica diferenças relevantes entre os segmentos sociais. Entre os eleitores de 16 a 24 anos, Flávio Bolsonaro registra 59% das intenções de voto, contra 34% de Lula. Já entre os brasileiros com 60 anos ou mais, o presidente lidera com 54%, diante de 42% do adversário. No eleitorado masculino, Flávio aparece com 52%, contra 43% de Lula, enquanto entre as mulheres o presidente registra 48%, ante 46% do candidato da oposição.
A escolaridade
Também influencia o comportamento eleitoral: entre os entrevistados com ensino superior, Flávio alcança 60%, enquanto Lula soma 32%. Por outro lado, entre aqueles com ensino fundamental, o presidente lidera por 52% a 44%. Os resultados apontam para uma divisão do eleitorado marcada por diferenças geracionais, educacionais e regionais.
Governo desaprovado
Outro indicador importante do levantamento é a avaliação do governo federal. Segundo o DataTrends, 52% dos brasileiros desaprovam a administração do presidente Lula, enquanto 46% aprovam e 2% não souberam responder. Na avaliação qualitativa, 13% classificam a gestão como ótima, 19% como boa, 30% como regular, 20% como ruim e 17% como péssima. A desaprovação é especialmente elevada entre os eleitores de 16 a 24 anos, atingindo 62%, e entre aqueles com ensino superior, chegando a 64%. Regionalmente, o Nordeste apresenta o melhor desempenho do governo, com 72% de aprovação, enquanto no Centro-Oeste a desaprovação alcança 66%, no Sul 65% e no Sudeste 60%. Os indicadores mostram que a disputa presidencial acontece em um ambiente de forte polarização e avaliação predominantemente negativa da administração federal.
Metodologia
A pesquisa DataTrends foi realizada entre os dias 15 e 17 de outubro de 2026, com 2.000 eleitores de todas as 27 unidades da Federação, por meio de entrevistas telefônicas automatizadas. O levantamento apresenta margem de erro estimada de 2,19 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04454/2026, com divulgação prevista para 19 de outubro.
PF investiga vazamento de informações sigilosas por ex-servidor do STJ
19/10/2026
A PF (Polícia Federal) realiza hoje, segunda-feira (19/10) operação que mira possível violação de sigilo funcional por então servidor do STJ (Superior Tribunal de Justiça), suspeito de facilitar o acesso a informações de processos em tramitação na Corte.
Mandados
Policiais federais cumprem um mandado de busca e apreensão, expedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal), no Distrito Federal.
Apura
A Operação Linceu apura possíveis crimes de violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outras tipificações que a serem identificadas.
A PF (Polícia Federal) realiza hoje, segunda-feira (19/10) operação que mira possível violação de sigilo funcional por então servidor do STJ (Superior Tribunal de Justiça), suspeito de facilitar o acesso a informações de processos em tramitação na Corte.
Mandados
Policiais federais cumprem um mandado de busca e apreensão, expedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal), no Distrito Federal.
Apura
A Operação Linceu apura possíveis crimes de violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outras tipificações que a serem identificadas.
Mais pesquisas: AtlasIntel dá Flávio 2 pontos na frente. PoderData, 4 pontos
19/10/2026
Começo de semana animado. Repercussões do debate e pesquisas para dar e vender.
Flávio tem h51,1% dos votos válidos; Lula, 48,9% no 2º turno, segundo o AtlasIntel/Bloomberg.
O levantamento entrevistou 4.998 eleitores, por meio de recrutamento digital, entre os dias 13 e 18 de outubro. A margem de erro é de 1 ponto percentual.
PoderData
O Instituto divulgou nesta segunda-feira (19/10) uma nova pesquisa para a disputa de presidente da República no segundo turno das eleições 2026. Flávio Bolsonaro (PL) tem 52% das intenções de voto e Lula (PT) 48%. A margem de erro do levantamento é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos. A pesquisa foi realizada de 16 a 18 de outubro, com 3.000 entrevistas e margem de erro de 1,8 ponto percentual. A diferença entre Flávio e Lula, portanto, está além da margem de erro do levantamento.
Começo de semana animado. Repercussões do debate e pesquisas para dar e vender.
Flávio tem h51,1% dos votos válidos; Lula, 48,9% no 2º turno, segundo o AtlasIntel/Bloomberg.
O levantamento entrevistou 4.998 eleitores, por meio de recrutamento digital, entre os dias 13 e 18 de outubro. A margem de erro é de 1 ponto percentual.
PoderData
O Instituto divulgou nesta segunda-feira (19/10) uma nova pesquisa para a disputa de presidente da República no segundo turno das eleições 2026. Flávio Bolsonaro (PL) tem 52% das intenções de voto e Lula (PT) 48%. A margem de erro do levantamento é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos. A pesquisa foi realizada de 16 a 18 de outubro, com 3.000 entrevistas e margem de erro de 1,8 ponto percentual. A diferença entre Flávio e Lula, portanto, está além da margem de erro do levantamento.
Flávio e Lula são orientados a mudar postura no último debate
19/10/2026
Os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram orientados a reavaliar postura e estratégia para o último debate do segundo turno, marcado para sexta-feira (23/10), da TV Globo.
Avaliação
A avaliação tanto da campanha bolsonarista como petista é de que os dois candidatos cometeram equívocos e perderam oportunidades no embate promovido nesse domingo (18/10) pela TV Bandeirantes.
Dialogar
Também foi avaliado que nenhum dos dois conseguiu dialogar com o eleitorado indeciso e moderado, que definirá a eleição presidencial deste ano. A conclusão foi apontada por pesquisas informais feitas em redes sociais e com grupos de eleitores.
Menos evasivo
O diagnóstico na campanha bolsonarista foi de que Flávio precisa ser menos evasivo e mais claro nas respostas. Além disso, a estratégia de gesticular atrás do adversário não foi consenso no grupo do s...
Os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram orientados a reavaliar postura e estratégia para o último debate do segundo turno, marcado para sexta-feira (23/10), da TV Globo.
Avaliação
A avaliação tanto da campanha bolsonarista como petista é de que os dois candidatos cometeram equívocos e perderam oportunidades no embate promovido nesse domingo (18/10) pela TV Bandeirantes.
Dialogar
Também foi avaliado que nenhum dos dois conseguiu dialogar com o eleitorado indeciso e moderado, que definirá a eleição presidencial deste ano. A conclusão foi apontada por pesquisas informais feitas em redes sociais e com grupos de eleitores.
Menos evasivo
O diagnóstico na campanha bolsonarista foi de que Flávio precisa ser menos evasivo e mais claro nas respostas. Além disso, a estratégia de gesticular atrás do adversário não foi consenso no grupo do senador.
A estratégia
Para observadores de direita, a estratégia passa uma imagem de arrogância e desrespeito, o que costuma ser refutado pelas eleitoras, fiéis da balança no segundo turno.
Não aproveitou
Já a campanha petista considera que Lula não aproveitou bem o tempo das respostas e focou em propostas de pouco apelo popular, como a exploração de terras raras ou universidade para povos originários.
Além disso, no início do debate televisivo, a avaliação foi de que o petista não conseguia pautar a discussão, caindo nas provocações do adversário e perdendo tempo em respondê-las.
Diagnóstico
O diagnóstico final foi de que o debate foi vazio de propostas e agressivo na forma. E que os dois candidatos devem passar por novos treinamentos na tentativa de corrigir falhas.
Menos agressivo
O debate da Rede Globo costuma ser menos agressivo que os demais pelo formato, que privilegia perguntas temáticas e menos embates diretos.
Com CNN
Concursos em Pernambuco têm mais de 3,8 mil vagas e salários de até R$ 13 mil
19/10/2026
O sonho do emprego público. Concursos públicos e seleções simplificadas com inscrições abertas em Pernambuco oferecem, ao menos, 3.828 vagas. As oportunidades são destinadas a candidatos com escolaridade de níveis fundamental, médio, técnico e superior. Os salários pode chegar até R$ 13 mil.
Destaques
Entre os destaques, estão os concursos para a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil, que oferecem salários de até R$ 13 mil. Várias prefeituras também estão com seleções abertas.
Prefeitura de Trindade
Inscrições até segunda-feira (19);
353 vagas de nível médio, técnico e superior em diversos cargos;
Salário de até R$ 6,6 mil;
Orquestra Sinfônica e Banda Sinfônica do Recife
Inscrições até 28 de outubro;
45 vagas de nível médio e superior para músicos de diversos instrumentos;
Salário de até R$ 5,5 mil;
Universidade de Pernambuco (UPE)
Inscri...
O sonho do emprego público. Concursos públicos e seleções simplificadas com inscrições abertas em Pernambuco oferecem, ao menos, 3.828 vagas. As oportunidades são destinadas a candidatos com escolaridade de níveis fundamental, médio, técnico e superior. Os salários pode chegar até R$ 13 mil.
Destaques
Entre os destaques, estão os concursos para a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil, que oferecem salários de até R$ 13 mil. Várias prefeituras também estão com seleções abertas.
Prefeitura de Trindade
Inscrições até segunda-feira (19);
353 vagas de nível médio, técnico e superior em diversos cargos;
Salário de até R$ 6,6 mil;
Orquestra Sinfônica e Banda Sinfônica do Recife
Inscrições até 28 de outubro;
45 vagas de nível médio e superior para músicos de diversos instrumentos;
Salário de até R$ 5,5 mil;
Universidade de Pernambuco (UPE)
Inscrições até 2 de novembro;
2 vagas de nível superior para advogados;
Salário de R$ 4.165,25;
Polícia Militar
Inscrições até 5 de novembro;
1.320 vagas de nível médio e superior;
Salário de até R$ 12.937,33;
Corpo de Bombeiros
Inscrições até 5 de novembro;
570 vagas de nível médio e superior;
Salário de até R$ 12.937,33;
Prefeitura de Goiana
Inscrições até 17 de novembro;
166 vagas de nível médio, técnico e superior;
Salário de até R$ 8.926,43;
Prefeitura de Ferreiros
Inscrições até 19 de novembro;
57 vagas de nível fundamental, médio e superior;
Salário de até R$ 4.179,47;
Polícia Civil
Inscrições até 16 de dezembro;
1.315 vagas de nível médio, técnico e superior em diversos cargos;
Salário de até R$ 13,5 mil;
O Poder
Paraíba tem mais de 400 vagas abertas em concursos e seleção, e salários de até 15 mil
19/10/2026
Oportunidades de emprego no começa da semana. E com bons salários. A Paraíba tem 9 editais de concursos públicos e processo seletivo com vagas abertas neste mês de outubro. São 403 oportunidades em diferentes áreas. Os salários podem chegar até 15 mil.
Os certames
Os certames pela Prefeitura de Poço Dantas, Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE-PB); e prefeituras de Coxixola,, Areia, Guarabira, São José do Sabugi, Água Branca, Pedra Lavrada e Itapororoca.
Confira detalhes:
Concurso da Prefeitura de Poço Dantas
Vagas: 84
Nível: básico, médio, técnico e superior
Salário: R$ 1.621 a R$ 15 mil
Inscrições: de 8 de setembro a 20 de outubro
Provas objetivas: 22 de novembro
Resultado final: 30 de dezembro
Concurso da Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE-PB)
Vagas: 20
Nível: médio e superior
Salário: de R$ 4.042,50 até...
Oportunidades de emprego no começa da semana. E com bons salários. A Paraíba tem 9 editais de concursos públicos e processo seletivo com vagas abertas neste mês de outubro. São 403 oportunidades em diferentes áreas. Os salários podem chegar até 15 mil.
Os certames
Os certames pela Prefeitura de Poço Dantas, Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE-PB); e prefeituras de Coxixola,, Areia, Guarabira, São José do Sabugi, Água Branca, Pedra Lavrada e Itapororoca.
Confira detalhes:
Concurso da Prefeitura de Poço Dantas
Vagas: 84
Nível: básico, médio, técnico e superior
Salário: R$ 1.621 a R$ 15 mil
Inscrições: de 8 de setembro a 20 de outubro
Provas objetivas: 22 de novembro
Resultado final: 30 de dezembro
Concurso da Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE-PB)
Vagas: 20
Nível: médio e superior
Salário: de R$ 4.042,50 até R$ 5.197,50
Inscrições: de 28 de setembro até 13 de novembro
Provas objetivas: 28 de fevereiro de 2027
Resultado final: 18 de agosto de 2027
Concurso da Prefeitura de Coxixola
Vagas: 24
Nível: fundamental, médio/técnico e superior
Salário: R$ 1.621 a R$ 5 mil
Inscrições: 10 de setembro a 12 de novembro
Provas objetivas: 29 de novembro
Resultado final: 17 de fevereiro de 2027
Concurso da Prefeitura de Areia
Vagas: 195
Nível: médio, técnico e superior
Salário: R$ 1.621,00 a R$ 4.782,72
Inscrições: 10 de setembro a 1° de novembro
Provas objetivas: 22 de novembro
Resultado final: 18 de dezembro
Concurso da Câmara de Guarabira
Vagas: 5
Nível: fundamental, médio e superior
Salário: de R$ 1.696,99 a R$ 3.354,70
Inscrições: de 21 de outubro a 22 de novembro
Taxa: de R$ 75 a R$ 115
Provas objetivas: 14 de fevereiro de 2027
Resultado final: 12 de março de 2027
Concurso da Prefeitura de São José do Sabugi
Vagas: 48
Nível: fundamental, médio, técnico e superior
Salário: R$ 1.621 a R$ 3.242
Inscrições: 5 de outubro a 7 de novembro
Provas objetivas: 13 de dezembro
Resultado final: 2 de fevereiro de 2027
Concurso da Prefeitura de Água Branca
Vagas: 24
Nível: médio e superior
Prazo de inscrição: de 6 de outubro a 6 de novembro
Taxa de inscrição: de R$ 78,90 para os cargos de nível médio e R$ 104,80 para os de nível superior
Provas objetivas: 22 de novembro
Resultado final: 23 de março de 2027 (29 de dezembro para o concurso de Guarda Civil)
Seleção da Prefeitura de Pedra Lavrada
Vagas: 3 (agente comunitário de saúde e agente de combate às endemias)
Nível: médio
Salário: conforme piso nacional
Inscrições: de 16 a 23 de outubro
Taxa de inscrição: R$ 50
Provas objetivas: 8 de novembro
Resultado final: 15 de dezembro
Itapororoca - As inscrições para o concurso público da Prefeitura de Itapororoca, na Zona da Mata da Paraíba, começam nesta segunda-feira (19) e seguem até 20 de novembro.
O certame oferece 175 vagas imediatas, além de cadastro de reserva, para candidatos com níveis fundamental, médio, técnico e superior. Os salários variam de R$ 1.621 a R$ 10 mil.
O Poder
Outra visão do debate, mesmo resultado - Zero a Zero na Band
19/10/2026
O leitor enviou, O Poder publica.
Flávio ganhou a pauta, Lula ganhou a postura, e os indecisos ganharam uma noite de sono perdida. Confira a abordagem.
Um debate presidencial
Tem uma única medida de sucesso: o voto. Não importa quem fez a melhor piada, quem acertou a frase mais compartilhável ou quem conseguiu tirar o adversário do sério. Importa quem saiu do estúdio com mais eleitores do que entrou.
Por essa régua, o primeiro debate do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, na Band, no domingo (18/10), terminou como certos Clássicos dos Clássicos no Recife: noventa minutos de reclamação com o juiz, muita catimba, nenhum chute a gol. Zero a zero. E a torcida foi para casa rouca e sem ter visto o jogo.
Para que serve um debate
Um debate serve para duas coisas. A primeira é fazer o eleitor do adversário duvidar. A segunda, muito mais importante a uma semana da eleição, é conquistar os indecisos...
O leitor enviou, O Poder publica.
Flávio ganhou a pauta, Lula ganhou a postura, e os indecisos ganharam uma noite de sono perdida. Confira a abordagem.
Um debate presidencial
Tem uma única medida de sucesso: o voto. Não importa quem fez a melhor piada, quem acertou a frase mais compartilhável ou quem conseguiu tirar o adversário do sério. Importa quem saiu do estúdio com mais eleitores do que entrou.
Por essa régua, o primeiro debate do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, na Band, no domingo (18/10), terminou como certos Clássicos dos Clássicos no Recife: noventa minutos de reclamação com o juiz, muita catimba, nenhum chute a gol. Zero a zero. E a torcida foi para casa rouca e sem ter visto o jogo.
Para que serve um debate
Um debate serve para duas coisas. A primeira é fazer o eleitor do adversário duvidar. A segunda, muito mais importante a uma semana da eleição, é conquistar os indecisos, essa espécie rara e disputada, que numa eleição apertada decide quem sobe a rampa.
São poucos. Na pesquisa Palver da semana passada, 81% dos eleitores disseram que nada os faria mudar de candidato. Ou seja, quase todo mundo que ligou a televisão no domingo já sabia em quem ia votar e estava ali como quem assiste à final do campeonato: para torcer, não para escolher.
O indeciso
Foi justamente o único com quem ninguém conversou.
Quem esperava ouvir sobre hospital, escola e emprego recebeu um curso intensivo de apelidos. Lula chamou Flávio de "malandro carioca" e disse que o adversário mentia. Flávio pediu que Lula escrevesse a palavra "corrupto" e disse que o presidente fora eleito por "aclamação nos presídios". Lula desafiou o senador a abrir os sigilos bancário e telefônico das duas famílias; Flávio respondeu com acusações sobre o filho do presidente. Na segurança, um cobrou o rastreamento de balas, o outro, o controle das fronteiras, e as balas e as fronteiras continuaram onde estavam.
Propostas concretas, com número, prazo e de onde vem o dinheiro, foram tão raras quanto um pênalti bem batido em clássico nervoso.
A outra arena
Se no palco o placar ficou em zero a zero, na plateia o jogo foi mais animado. Do lado de Lula, sentou-se uma verdadeira bancada de aliados derrotados nas urnas de outubro: Fernando Haddad, que perdeu o governo de São Paulo; João Campos, que perdeu o de Pernambuco; Simone Tebet e Marina Silva, que ficaram sem as vagas paulistas no Senado. Os maldosos dirão que uma vitória de Lula seria, antes de tudo, um programa de combate ao desemprego dos derrotados.
Do lado de Flávio, a primeira fila reunia Sérgio Moro, recém-eleito governador do Paraná, e Deltan Dallagnol, de camiseta com os dizeres "Eu prendi o Lula", além de Pablo Marçal, que ajudou a preparar o candidato. Os maldosos do outro lado dirão que Flávio levou ao estúdio a força-tarefa da Lava Jato e um coach para o intervalo.
A plateia
Gritos, aplausos e gargalhadas interromperam os dois candidatos. A mediadora Adriana Araújo precisou pedir silêncio mais de uma vez, lembrar que a plateia não fazia parte do debate e pedir a Flávio que parasse de circular atrás de Lula enquanto o presidente falava. Foi, de longe, a parte mais movimentada da noite. Com um detalhe que resume tudo: ali, ninguém estava indeciso.
Os checadores fizeram hora extra
Se informação errada desse voto, o resultado seria empate técnico. Flávio disse que as viagens de Lula e da primeira-dama custaram R$ 7 bilhões; a Folha mostrou que esse é o gasto de viagens de todo o governo federal, do presidente ao último servidor em missão. O Aos Fatos classificou como falsa a afirmação de que a criminalidade explodiu no país.
Lula não ficou atrás. Disse que Jair Bolsonaro "mentia 11 vezes por dia", quando a contagem do próprio Aos Fatos chegou a 4,58 declarações falsas ou distorcidas por dia: muita coisa, mas menos da metade do que o presidente anunciou. E afirmou que Flávio "pegou" R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, quando o que está documentado é o pedido desse valor e o pagamento de pelo menos R$ 60 milhões.
Os dois também acertaram. É verdade, por exemplo, que Flávio, então deputado estadual, foi o único a votar contra a ampliação da licença-maternidade no Rio, em 2009. E é verdade que os dois ganham o mesmo salário, talvez a única coisa em que concordaram a noite inteira.
Quem ganhou o quê
O torcedor de Flávio tem motivo para comemorar. Os cientistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil concluíram que o senador se saiu melhor ao dominar os temas e tirar o presidente do sério. Colunistas de O Globo também viram desempenho ligeiramente superior de Flávio.
O torcedor de Lula também tem. Em grupos focais acompanhados pelo UOL, a agressividade de Flávio assustou os indecisos, e o momento de maior interesse da noite foi o desafio de Lula para a abertura dos sigilos. Mas o mesmo grupo achou o presidente destreinado para o confronto e preso às provocações.
Cada lado saiu, portanto, com a sua medalha de participação. Ganhar a pauta e ganhar a postura são vitórias honrosas. Nenhuma delas é voto.
O que realmente importa
O dado mais revelador veio do lugar menos esperado. Uma pesquisa qualitativa encomendada pela própria campanha do PT concluiu que o debate não foi suficiente para mudar a intenção de voto dos indecisos. Lula foi mais bem avaliado nos grupos, mas a maioria continuou em dúvida e manifestou desejo de mudança. Ou seja: o PT pagou para descobrir que ninguém mudou de ideia, e ainda ouviu de brinde que muita gente quer mudança.
Os analistas ouvidos pela BBC foram na mesma direção: o debate teve baixo impacto sobre os indecisos e pode até ter ampliado a abstenção e o voto nulo. Quem estava em dúvida no domingo à tarde continuou em dúvida na segunda de manhã, só que com mais sono.
O grande vencedor da noite
Talvez tenha sido o controle remoto.
Perda de tempo
Na minha modesta opinião, o debate foi uma perda de tempo para quem participou e para quem assistiu. Os candidatos gastaram uma noite inteira, a uma semana da eleição, para repetir aos próprios eleitores o que eles já sabiam de cor. E o eleitor que ligou a televisão em busca de uma razão para escolher foi dormir sem ela.
Resta uma chance
Na sexta-feira (23/10), a TV Globo promove o último encontro antes da votação, para uma plateia muito maior. Quem quiser o voto do indeciso terá de fazer o que ninguém fez no domingo: parar de falar com o próprio espelho e começar a falar com ele. Caso contrário, teremos mais um zero a zero, e dessa vez sem prorrogação.
Fontes: Poder360; Folha de S.Paulo; Aos Fatos; BBC News Brasil; O Globo; UOL; Metrópoles; CNN Brasil; Exame; Palver.
(Por Claude de Tal e Qual, pseudônimo de leitor que trabalha com análise de dados e IA)
Inteligência Humana - Crônica - Por Romero Falcão*
19/10/2026
Numa conversa pelo WhatsApp, o professor e poeta Jonadab Mansur — nunca acerto escrever o nome dele — me convida para uma manhã de prosa literária em seu apartamento, na Várzea.
De cima do viaduto, vejo pela janela do carro as marcas do incêndio na UFPE, ocorrido na noite anterior. Paredes pretas pelo pincel do fogo.
O Waze me deixa na porta do poeta.
A portaria, rente à calçada, é de vidro escuro. Não vejo o porteiro. Meu rosto não é reconhecido pela tela junto ao portão de grade. Uma voz pede que o forasteiro se identifique: nome e apartamento para o qual pretende ir.
Digo. Repito. Repito de novo. Acesso negado.
Bato na vidraça.
— Ô de casa!
Até que percebo, feito uma mula, que não há ninguém na guarita. É tudo pantim da tecnologia. Lá dentro, a IH — Inteligência Humana — acompanha minha agonia enquanto tento ligar para o professor.
— Quem o senhor procura?
<...
Numa conversa pelo WhatsApp, o professor e poeta Jonadab Mansur — nunca acerto escrever o nome dele — me convida para uma manhã de prosa literária em seu apartamento, na Várzea.
De cima do viaduto, vejo pela janela do carro as marcas do incêndio na UFPE, ocorrido na noite anterior. Paredes pretas pelo pincel do fogo.
O Waze me deixa na porta do poeta.
A portaria, rente à calçada, é de vidro escuro. Não vejo o porteiro. Meu rosto não é reconhecido pela tela junto ao portão de grade. Uma voz pede que o forasteiro se identifique: nome e apartamento para o qual pretende ir.
Digo. Repito. Repito de novo. Acesso negado.
Bato na vidraça.
— Ô de casa!
Até que percebo, feito uma mula, que não há ninguém na guarita. É tudo pantim da tecnologia. Lá dentro, a IH — Inteligência Humana — acompanha minha agonia enquanto tento ligar para o professor.
— Quem o senhor procura?
— Jonadab. Tá me esperando.
Depois de confirmar a informação, a senhora abre a porta da prisão.
<'img2'>
Ufa!
Apoiado numa bengala, o poeta se recupera de uma cirurgia no joelho. Aperta minha mão com efusividade na sala de estar, tomada pela arte. Quadros, poemas e obras de artistas pernambucanos cobrem as paredes: Tânia Carneiro Leão, Tereza Costa Rego, Brennand. Há poemas de Janice Japiassu, Ângelo Monteiro e Ariano Suassuna.
Fixo o olhar no desenho da filha pequena do professor, assinado por Abelardo da Hora. Sinto-me numa exposição de grandes pernambucanos.
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Nas estantes, obras de Nuca, Maria Amélia, Zé do Carmo e Corbiniano. Livros por toda parte. Movimento-me com cuidado para não botar abaixo uma pilha de Eça e Saramago.
Jonadab me apresenta duas poetas argentinas: Alejandra Pizarnik e Alfonsina Storni. Enquanto folheio os poemas, prepara um café.
Gosto do que leio: duro, curto, seco. Taí minha tara, Alejandra Pizarnik. Nunca consegui fazer isso. Digo em voz alta.
Livro no colo, café sem açúcar nem adoçante. De doce, só a companhia de um poeta.
Fecho o livro. Jonadab me mostra suas produções recentes. Depois, vai lá dentro.
Volta com a revista Pernambuco nas mãos. A capa comemora os noventa anos de Angústia, obra de Graciliano Ramos, e da prisão do autor. O poeta sabe que sou tiete do alagoano. Recomenda que eu compre a revista, mas percebe o menino doido pelo brinquedo. Compadece-se.
— Pode levar. Tenho assinatura.
Enquanto houver um poeta, inteligência humana, há esperança.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda
NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores.
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