"Preâmbulo"
A compreensão de que, só o Estado é o impulsionador do nosso crescimento econômico, dominou nossa política e economia desde os anos 1930, a nossa mentalidade, seja "direita", seja "esquerda", desconsidera o empreendedorismo como importante saída para nossa decolagem econômica".
"O planejamento estatal"
A chegada dos revolucionários tenentistas a partir de 1930, com a "revolução de outubro", inicia o traçado de um novo rumo para economia e política brasileira.
O novo traçado lança seu vôo a partir do "Estado Novo" (1937) de Getúlio Vargas, inaugurando uma nova era econômica e política
Quanto a nova era econômica, passou a depositar no Estado as responsabilidades (exclusivas) de indução do crescimento econômico.
Até neste ano de 2026, continuamos patinando num modelo econômico gerido pelo "Estado" que transforma/transformou em servos desde elites, classes médias e até os trabalhadores.
Todos de uma forma ou de outra, aguardam os acenos dos controladores do Estado para o que lhes será oferecido como benefícios.
A era Varguista, colocou com a criação de uma indústria de base, a exclusividade do único caminho de crescimento econômico - o Estado.
'Economia brasileira e os ciclos econômicos globalistas"
A indústria de base, surgida na era varguista, estimulou a chegada dos investimentos estrangeiros; essa chegada também foi fruto de uma expansão dos "ciclos econômicos globalistas".
O Plano de Metas (1956/1961) governo JK e Governos Militares (1970/1984), foram momentos que o capital internacional trouxe completa mudança no desenho econômico brasileiro. Mas esses ciclos não tiveram continuidade quanto à adoção por nossas plataformas econômicas.
O último dos ciclos globalistas - governos militares - foi interrompido e as atenções do capital Ocidental voltou-se para a República Popular da China.
'O Brasil e o mercado global'
Durante os governos militares a entrada de capitais ocidentais, pressionou transformações no nosso desenho econômico; passamos do além 40° lugar para o 7° e com a formação de um complexo conjunto industrial, científico e tecnológico.
O Brasil tornou-se importante referência na economia de mercado sob liderança dos Estados Unidos e compartilhado pela Europa Ocidental.
Estados Unidos tinha uma clara opção pela economia de livre trocas no mercado, que fez inclusive seu "soft power" sobre outras nações do globo.
Europa Ocidental, reconstruida pelo Plano Marshal, teve uma economia de mercado, porém com as cores de um modelo distributivista - Social democracia - que nos dias atuais, já é dado por esgotado.
O modelo da social-democracia, do "Estado de bem-estar social europeu, hoje, existe apenas nas mentes dos desinformados, ou com aqueles que desconectam produção da distribuição de riquezas, e até mesmo os que encaram a "economia não como ciência, mas como ideologia".
'O descolamento do Brasil do bloco de livre mercado'
O descolamento do Brasil de membro importante da economia de mercado ocidental, para aproximação com o bloco estatista anti-ocidental, teve início com o primeiro mandato do Partido dos Trabalhadores (2001/ 2004); "surfamos" na onda das "comodittes" de ferro para a República Popular da China.
'Comodittes do minério de ferro e a China'
O primeiro mandato petista, foi o inicio da relação do Brasil com o "dragão asiático" geradora do afastamento do Brasil com o mercado Ocidental.
Naquela altura o próprio Ocidente, também já sofria o impacto que ajudava a desmoronar um mercado de unidade duvidosa.
A viagem, do Brasil, para essa nova plataforma, não foi interrompido, teve um maior ou menor grau nos últimos 25 anos; a viagem prosseguiu/prossegue seu destino; que seria uma confirmação de nosso país como exportador de comodittes agrícolas e minerais.
Brasil, torna-se refém de um planejamento para tornar-se território de investimentos do capitalismo de Estado da China - comunocapitalismo - no tocante a investimentos de empresas estatais chinesas, compra de empresas estatais ou mistas brasileiras pelo capital estatal chinês.
Não fica só por aí, o capital chinês é grande comprador de nossos projetos do agro-negócio, e de terras promissoras de nosso território.
Estrutura de transportes, comunicações, estruturas de saneamento, capitais financeiros são outras áreas de investimentos da China.
Investimento em empresas de bens de consumo duráveis tecnologia e automobilista, são os novos filões do comunocapitalismo vermelho-amarelo.
Esses investimentos importam em muitas vantagens, para distenssionar as pressões da falta de ocupação no mercado chinês, exporta-se trabalhadores; esses altamente "disciplinados" e sem preocupações de direitos trabalhistas ou mesmo com jornadas de trabalho: 6 por 1 ou 5 por 2.
O namoro Brasil/China, foi se tornando mais íntimo com o desprezo que os capitais norte-americanos dispensaram ao sub-continente latino-americano, voltando seus olhares para quem oferecia mais vantagens: República Popular da China e República Popular Democrática do Vietnã.
"Governo anterior"
O governo que antecedeu ao atual governo petista (2018/ 2021), declarou-se anti-comunista, mas não anti- China.
Afinal, não dava prá se declarar anti-China, já naquela altura nosso maior parceiro comercial; o mandatário, "anti-comunista" de "verniz guerra fria" afirmava: "queremos que a China, continue comprando produtos do Brasil, mas não deixaremos que compre o Brasil"; só que avançaram na compra do Brasil.
'Brasil no eixo anti-ocidental'
O Brasil com a retomada do governo pelo Partido dos Trabalhadores, foi se consolidando como membro do eixo liderado pela China; com a China chega os aliados, "a tira colo" de seu bloco - Rússia, Iran.
O eixo sob comando do PCCh, é, até agora uma espécie de "aliança islamocomunista; Islamo da República Islâmica do Iran, comunista de uma Rússia e China, que não estão inspirados na velha moldura da tal Revolução Proletária de 1917 (golpe bolchevique), mas, sim, anti-ocidental, anti-mercado livre - segundo o próprio dirigente chinês Xi Jiping (Secretario geral do PCCh, Presidente da República Popular da China, Presidente do Birô Político da República Comunista e Chefe do Estado Maior das Forcas Armadas e do Exército Nacional de Libertação; ganhou até de Gobi - Joseh Stalin - o seminarista georgiano.
Pois é, e essa a moldura parcial do xadrez geopolítico e o lugar do Brasil dentro dele.
Praticamente, todas eleições presidenciais brasileiras ocorreram dentro deste tabuleiro.
Em outubro de 2026, teremos mais uma eleição, mas os presidenciáveis, não avançaram muito na compreensão desse cenário.
Pretendo nos nossos próximos encontro trazer uma fotografia das eleições de 2018, 2022, 2026. Parcial e limitada, claro, não sou nenhum "mago" do conhecimento da nossa história contemporânea.
Tenho dito
Já com livro no "forno", Editora Amanhecer.
"Desconstrução de narrativas - textos de história contemporânea".
*Jarbas Beltrão é historiador e professor de História da Universidade de Pernambuco - UPE. Mestre em Educação pela UFPB. Especialista (MBA) em Política Estratégia Defesa e Segurança Nacional. (Adesg Famesc).Especialista (MBA) em Geopolítica/Novas Fronteiras/Cibernética e IA. (Adesg/Instituto Venturo)
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.