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Arte Na Política, Tempos Bons - Por Walmir Chagas*

21/08/2026

Havia um tempo em que política vinha com trombone, confete e promessa de cotidiano. O comício não era só discurso; era espetáculo, e aquele espetáculo tinha elenco. Tinha o Véio Mangaba, com seu andar de quem conhecia a cidade inteira pelo som da sandália; tinha o Mané da China, figura torta e direta, capaz de desmontar vernáculos eleitorais com uma só careta; e tinha o tal do Reginaldo Rossi — que, quando pegava o microfone, transformava debate em refrão e prometia até eleição no ritmo do brega. A praça virava novela com intervalo comercial de saudade.



Agora tudo virou folder. A propaganda oficial entrou no ar como se fosse receita de bolo: foto do candidato, logo, slogan pronto pra mastigar. Nas ruas, santinhos: montanhas de papel que mais lembram lixo do que lembrança. Bandeira? Só se for de algum time de amigo invisível. O que antes era conversa acesa, cheia de riso e puxão de orelha, hoje é mensagem engessada — igual a remédio sem bula que ninguém to...

Havia um tempo em que política vinha com trombone, confete e promessa de cotidiano. O comício não era só discurso; era espetáculo, e aquele espetáculo tinha elenco. Tinha o Véio Mangaba, com seu andar de quem conhecia a cidade inteira pelo som da sandália; tinha o Mané da China, figura torta e direta, capaz de desmontar vernáculos eleitorais com uma só careta; e tinha o tal do Reginaldo Rossi — que, quando pegava o microfone, transformava debate em refrão e prometia até eleição no ritmo do brega. A praça virava novela com intervalo comercial de saudade.


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Agora tudo virou folder. A propaganda oficial entrou no ar como se fosse receita de bolo: foto do candidato, logo, slogan pronto pra mastigar. Nas ruas, santinhos: montanhas de papel que mais lembram lixo do que lembrança. Bandeira? Só se for de algum time de amigo invisível. O que antes era conversa acesa, cheia de riso e puxão de orelha, hoje é mensagem engessada — igual a remédio sem bula que ninguém toma.

O engraçado é que a proibição de artista em palanque, ou a burocracia que transforma criatividade em papel timbrado, não resolveu nada; só tirou do povo o remédio que ele sabia melhor digerir. Quando o Véio Mangaba subia na caixa d’água improvisada e começava a falar, o candidato não podia escapar: as verdades vinham com piada, e a piada vinha com memória. Mané da China, com seu "ôxe" torto e olhar de quem já tinha comido muita lorota, fazia o cidadão rir e, no riso, entender. Reginaldo? Ah, o cara fazia até promessa virar samba-enredo — e quando a gente cantava, começava a acreditar, ou pelo menos a discutir entre os vizinhos sobre qual verso era mais furado.

Dizem que showmício era teatro demais. Dizem que o artista vendia a palavra. Mentira. O que se vendia era atenção. O artista dava corpo à ideia; transformava abstrato em cena. Enquanto o candidato falava "programa de governo", o Véio Mangaba mostrava uma fila no posto de saúde, com uma avó segurando receita rasgada. A política deixava de ser estatística e virava assunto de mesa-de-bar. E nisso havia cuidado: a sátira ensinava, a caricatura denunciava, a canção punha no ouvido. Não era mercadoria — era pedagogia de rua.

Hoje, em vez de personagem, tem bandeira sem sentido. Bandeiras com letras que parecem ter sido feitas por quem nunca viu uma tipografia decente, cores que brigam entre si, imagens que não dizem nada. A cidade vira tapete de papel, as calçadas se entopem, e o eleitor passa batido, pé no chão, pensando em outra coisa: "Quem é esse mesmo?" Ninguém lê; ninguém retém; só se faz limpa na praça depois, quando o caminhão de lixo coleta a vergonha impressa.

E o que dizer da proibição de atores? Um absurdo típico de quem pensa política como controle de catálogo.


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Trancam o artista fora do palanque e chamam isso de ordem. Só que, na prática, o que se perde é linguagem. A arte dialoga com as falhas do poder com linguagem popular: trocadilho, graça, exagero. Tirar o palco é tirar o manual de instruções que o povo entende. Resultado: sobram boletins frios e faltam rostos que expliquem como as coisas batem no bolso.

Não estou pedindo que voltem os palhaços com patacoadas. Nem quero bandeira em cada poste. O recado é outro: a política precisa de personagens. Um personagem bem feito — não atorismo barato, mas construção de sentido — põe uma política na boca do povo. A sátira desmonta promessa vazia; a farsa aponta contradição; a conversa dramática mostra o problema sem precisar de jargões. E quando a cidade canta junto, quando a praça ri junto, a memória se forma; e memória é o que faz a gente lembrar na hora de votar.

Tem também o lado comercial — óbvio — de quem transformou showmício em mercadão de votos. Bandas que vinham por cachê, fogueira de brindes, candidato em cima do trio com o dedo em riste. Isso tinha excesso, claro; a linha que separa ato cultural de mercado é fina. Mas trocar o palco pelo panfleto é pior: o panfleto não discute, só exige. Nenhuma anedota, nenhum refrão, nenhuma pergunta que faça o sujeito voltar pra casa e contar a história pro vizinho. O panfleto se joga no chão e vira lixeira que nomeia a própria política: descartável.

Lembro de uma eleição que eu acompanhei — eu, atento como se fosse público de teatro — em que o Véio Mangaba, com um lenço no bolso e uma denúncia na ponta da língua, conseguiu desarmar um candidato que vinha com discurso pronto. O homem riu, o candidato se atrapalhou, e a promessa foi revista. No outro dia, a feira inteira falava nisso. Isso é educação política: a arte vira pergunta pública. Não é espetáculo vazio; é escola de rua.

Por isso proponho um pouco de insolência criativa: que se abra espaço, com regras claras, para quadros que ensinem e provoquem. Que se pague direito aos artistas locais, que se financiem roteiros curtos que expliquem propostas com humor e com peito. Que se troque parte do santinho por rádio de bairro, por microprograma que conte caso. E, por favor, menos bandeira, mais personagem. Menos lixo na calçada, mais história na cabeça.

No fim das contas, pode ser que a política precise mesmo de artista. Não para embelezar mentira, nem para fazer espetáculo vazio. Mas porque o artista tem o dom de transformar promessa em história — e história, meu amigo, é o que gruda na memória. A cidade precisa disso. Ou queremos que nossos filhos aprendam democracia lendo santinho no chão?


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Se os velhos palcos voltarem, que voltem com sabedoria. E se o Véio Mangaba aparecer, que ochemos primeiro, porque o velho não conta história à toa. Ele conta voto, e às vezes, com um punhado de risada e um refrão do Reginaldo, a gente aprende o preço do que promete.


*Walmir Chagas, é multiartista e livre pensador.


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NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - O Fauno Dançante! - Por Ina Melo*

21/08/2026

É sempre nesse Jardim, entre flores e Deuses do Olimpo, que eu gosto de descansar das longas caminhadas que faço nesse cidade da minha paixão! Em todas as épocas que por aqui passei o encantamento continua. A primeira vez, foi numa manhã de Primavera quando a vida me sorria. Embriagada de Paris, deixei o pequeno Hotel da Rue des Ecoles e, leve como uma pluma levada pelo vento, fui parar nos Jardins de Luxemburgo. Indiferente aos passantes nas suas caminhadas matinais, flanava sem rumo e a sensação que tive foi de estar no Olimpo, pois a minha volta, moldados no frio mármore, estavam vários deuses meus conhecidos. Mas, um em especial, despertou a minha atenção naquela manhã primaveril. Era um jovem magro empunhando uma flauta e, não sei se alucinação ou não, ouvi uma música suave e fui ao seu encontro naquele pedestal! Logo estávamos dançando ao som de Vivaldi, numa consagração a Primavera! Desde então, costumo ir visita-lo, pois só assim retorno a um tempo perdido chamado juventude....

É sempre nesse Jardim, entre flores e Deuses do Olimpo, que eu gosto de descansar das longas caminhadas que faço nesse cidade da minha paixão! Em todas as épocas que por aqui passei o encantamento continua. A primeira vez, foi numa manhã de Primavera quando a vida me sorria. Embriagada de Paris, deixei o pequeno Hotel da Rue des Ecoles e, leve como uma pluma levada pelo vento, fui parar nos Jardins de Luxemburgo. Indiferente aos passantes nas suas caminhadas matinais, flanava sem rumo e a sensação que tive foi de estar no Olimpo, pois a minha volta, moldados no frio mármore, estavam vários deuses meus conhecidos. Mas, um em especial, despertou a minha atenção naquela manhã primaveril. Era um jovem magro empunhando uma flauta e, não sei se alucinação ou não, ouvi uma música suave e fui ao seu encontro naquele pedestal! Logo estávamos dançando ao som de Vivaldi, numa consagração a Primavera! Desde então, costumo ir visita-lo, pois só assim retorno a um tempo perdido chamado juventude. Hoje, atravessando o outono invernoso da vida, entre folhas mortas e brumas, vejo-me saindo de uma tela de Monet, para ir ao encontro do Fauno Dançante!


*Ina Melo, é jornalista. Publicou poemas, contos e crônicas na Revista de Cultura do Estado do Ceará e em diversas antologias como "Crônicas e contos inesquecíveis" e "Contistas do Terceiro Milênio". Graduada pela UFPE, com especialização em Antropologia Cultural, faz parte da Academia Internacional de Literatura e Artes. É autora dos livros: "Simone de Beauvoir - Mulher lúcida e livre", "Sonhos em dueto" e, pela Confraria do Vento, "Cartas de Paris". @inamelo2016


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O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

É Findi - Foice e Martelo - Por Marcelo Mário de Melo*

21/08/2026

Faço da foice e martelo
interrogações que exclamam
exclamações que interrogam
cicatrizes que declamam.

Queimo cartilhas mofadas
clareio temor e espanto
recolho frutos saudáveis
e os envolvo num manto.

Ponho no arquivo morto
todo o caldo transitório
datado e localizado
repelente e inglório.

Passando o pente fino
que predomine o presente
em ciranda e mutirão
numa espiral crescente.

Que a foice e o martelo
exclamando e interrogando
lavrem em novas colheitas
semeando agora o quando.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



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Faço da foice e martelo
interrogações que exclamam
exclamações que interrogam
cicatrizes que declamam.

Queimo cartilhas mofadas
clareio temor e espanto
recolho frutos saudáveis
e os envolvo num manto.

Ponho no arquivo morto
todo o caldo transitório
datado e localizado
repelente e inglório.

Passando o pente fino
que predomine o presente
em ciranda e mutirão
numa espiral crescente.

Que a foice e o martelo
exclamando e interrogando
lavrem em novas colheitas
semeando agora o quando.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm


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É Findi - Catarse - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

21/08/2026

Poesia, poesias!
Sois fantasias!?
Fantasmagorias?
Sossegas, me alivia!

Oh! mente vazia:
dual dicotomia,
sofro afasias,
melancolias...



Ah! o dia a dia!
a sós, bizarrias,
dores, arrepios.

Sem azo, apropio,
Exangue, frio,
Desfio, desfio!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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Poesia, poesias!
Sois fantasias!?
Fantasmagorias?
Sossegas, me alivia!

Oh! mente vazia:
dual dicotomia,
sofro afasias,
melancolias...


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Ah! o dia a dia!
a sós, bizarrias,
dores, arrepios.

Sem azo, apropio,
Exangue, frio,
Desfio, desfio!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99


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É Findi - Série História de Pernambuco - O Brasil Holandês era maior que Pernambuco? - Por Alfredo Cabral de Melo*

21/08/2026

Enquanto Recife se transformava sob Nassau, a Companhia das Índias Ocidentais controlava territórios muito diferentes entre si. Olhar para além de Pernambuco ajuda a compreender a dimensão, e os limites, daquela conquista.

Quando se fala no Brasil Holandês, é quase inevitável pensar em Pernambuco. Foi aqui que a Companhia das Índias Ocidentais encontrou uma de suas principais bases de atuação, em uma região onde a produção de açúcar tinha enorme importância econômica e onde, durante o governo de Maurício de Nassau, Recife passou por transformações que marcariam a história da cidade.

Mas o domínio neerlandês não terminava em Pernambuco.

A partir da conquista iniciada em 1630, os holandeses avançaram sobre outros territórios do Norte. Paraíba, Rio Grande do Norte, Itamaracá e, posteriormente, áreas mais ao sul e ao norte passaram, em diferentes momentos, a fazer parte da área de atuação da Companhia. O Maranhão foi ocupado em 1641, embora sua...

Enquanto Recife se transformava sob Nassau, a Companhia das Índias Ocidentais controlava territórios muito diferentes entre si. Olhar para além de Pernambuco ajuda a compreender a dimensão, e os limites, daquela conquista.

Quando se fala no Brasil Holandês, é quase inevitável pensar em Pernambuco. Foi aqui que a Companhia das Índias Ocidentais encontrou uma de suas principais bases de atuação, em uma região onde a produção de açúcar tinha enorme importância econômica e onde, durante o governo de Maurício de Nassau, Recife passou por transformações que marcariam a história da cidade.

Mas o domínio neerlandês não terminava em Pernambuco.

A partir da conquista iniciada em 1630, os holandeses avançaram sobre outros territórios do Norte. Paraíba, Rio Grande do Norte, Itamaracá e, posteriormente, áreas mais ao sul e ao norte passaram, em diferentes momentos, a fazer parte da área de atuação da Companhia. O Maranhão foi ocupado em 1641, embora sua experiência sob domínio neerlandês tenha sido breve.

Isso significa que não existiu uma única experiência chamada simplesmente de “Brasil Holandês”. Havia territórios com economias, populações, condições militares e importância estratégica diferentes. A historiografia mais recente tem ampliado justamente o estudo das chamadas Capitanias do Norte, mostrando que a compreensão desse período não pode permanecer restrita ao Recife, mas tendo Pernambuco ao centro.

A importância de Pernambuco não foi casual. A região reunia uma expressiva produção açucareira, engenhos, portos e uma estrutura econômica que interessava diretamente à Companhia.

Depois da conquista, os neerlandeses concentraram sua presença no Recife, que oferecia melhores condições de defesa e acesso ao porto. A produção dos engenhos, entretanto, permanecia espalhada pelo território e dependia do controle de uma área muito mais ampla.

A conquista, portanto, não podia significar apenas ocupar uma cidade. Era necessário controlar caminhos, rios, áreas produtoras, pontos de defesa e populações espalhadas pelo território. Foi nesse processo que outras capitanias passaram a ter importância.

Paraíba: mais que uma extensão de Pernambuco

A Paraíba estava próxima do núcleo pernambucano e possuía uma economia vinculada à produção açucareira. Sua conquista fez parte da expansão territorial neerlandesa nos primeiros anos da ocupação. Ocorre que a experiência paraibana não foi simplesmente uma repetição da pernambucana.

A ocupação de um território não significava automaticamente o controle completo de sua população e de seus espaços rurais. A guerra, as alianças e as resistências continuavam presentes, enquanto a Companhia precisava distribuir homens e recursos por uma área cada vez maior. Assim, novo território significava, portanto, novas necessidades de defesa, abastecimento e administração.

Rio Grande: quando o território também importava

No Rio Grande do Norte, encontramos uma realidade que ajuda a perceber essa diversidade.

Ali, a presença neerlandesa não pode ser compreendida apenas pela lógica dos engenhos. A posição territorial, as comunicações, a circulação e as possibilidades de abastecimento também tinham importância. É justamente essa diversidade que pode desaparecer quando toda a história é contada a partir do Recife.

O Brasil Holandês era uma conquista extensa, mas extensão territorial não significava ocupação homogênea. Ademais, controlar uma fortificação, uma cidade ou um ponto estratégico era diferente de exercer controle efetivo sobre todo o território ao redor e essa diferença seria importante nos anos seguintes.

E o Maranhão? O avanço para o norte mostra até onde chegou à expansão da Companhia.

Em 1641, os neerlandeses ocuparam São Luís, no Maranhão. A presença, porém, foi breve, e os portugueses retomaram a região em 1644, no mesmo ano em que Nassau deixou o governo do Brasil Holandês. Tendo este episódio revelado uma característica importante daquela expansão: conquistar novos territórios significava também assumir novas necessidades de defesa, abastecimento e administração, ou seja, quanto mais extensa era a área alcançada, mais complexa se tornava sua manutenção.


*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo


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É Findi - Depois - Crônica - Por Ana Pottes*

21/08/2026

Impossível resistir à verdade de que nossa única certeza chega devagar. Ela não avisa nem manda recados. Somos pegos por um tênue fio de cabelo no momento do nosso surgir. No trajeto da vida ele vai se alongando e esticando até onde der. Quando toca no limite, retesa forte e, sem qualquer elasticidade ou sustentação, arrebenta. Se parte. Curioso é que, desse jeito, a gente nem se dá conta do tamanho do tempo. No mais das vezes, jogamos fora doces e sagrados minutos por medo, por pura ignorância ou mesmo por vaidades tolas.
O imponderável é o caminho deles a se esvair por entre os nossos dedos. Lembra da ampulheta? Aquele objeto antigo, tal o sinal do infinito que quase nos faz acreditar em nosso poder de recuperar os grãos de areia e, da mesma maneira, o próprio tempo. Afinal, basta virar para se encher novamente. A realidade é diferente, pois os grãos vão se soltando, de pouquinho, e a gente se perde neles, olhando para eles, e os tempos se vão.

É um tanto malu...

Impossível resistir à verdade de que nossa única certeza chega devagar. Ela não avisa nem manda recados. Somos pegos por um tênue fio de cabelo no momento do nosso surgir. No trajeto da vida ele vai se alongando e esticando até onde der. Quando toca no limite, retesa forte e, sem qualquer elasticidade ou sustentação, arrebenta. Se parte. Curioso é que, desse jeito, a gente nem se dá conta do tamanho do tempo. No mais das vezes, jogamos fora doces e sagrados minutos por medo, por pura ignorância ou mesmo por vaidades tolas.
O imponderável é o caminho deles a se esvair por entre os nossos dedos. Lembra da ampulheta? Aquele objeto antigo, tal o sinal do infinito que quase nos faz acreditar em nosso poder de recuperar os grãos de areia e, da mesma maneira, o próprio tempo. Afinal, basta virar para se encher novamente. A realidade é diferente, pois os grãos vão se soltando, de pouquinho, e a gente se perde neles, olhando para eles, e os tempos se vão.

É um tanto maluco esse pensar!

Essa levada temporal implacável me fez lembrar de pessoas amigas com quem não falo há tempos, sem ter porquês. As ligações foram escasseando, os chamados para um programa desaparecendo. Antes, eram presenças constantes e, aos pouquinhos, foram se tornando ausências. Quase a ponto de a memória esquecer os jeitos e trejeitos delas, perdidos lá no fundo do baú das recordações.

Indago: isso é a ausência de amizade? Falta de gostar? Penso que não. Continuo amiga, nutro a mesma admiração de antes, e, às vezes, sinto falta daquele passeio, daquele final de tarde num café, das risadas soltas sobre um fato ou um acontecido, das conversas sobre o dia a dia, da ligação só para saber como as coisas estão. É uma saudade miúda chovendo sobre mim. Mas o rodopio da vida traçou outras trilhas para os nossos pés.

Assim refletindo, eis que surge outra dúvida. E se acontecer de dona Parca chamar para seguir com ela naquele caminho? Aquele do qual nada sabemos tampouco queremos saber. Se o chamado for bem no meio do despencar lentificado da ampulheta, cujo nome é agora, qual lembrança ficará marcada? Qual palavra não falada, presa na garganta? Que abraço e carinho terão permanecido suspensos no ar?

Tanta coisa deixamos em estado de suspensão pelo hábito simples de dizer: “Depois a gente fala”.

Depois?


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes


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É Findi – Meu Amigo Jardineiro - Croniqueta - Por Xico Bizerra*

21/08/2026

Tenho uma pata-de-elefante enfeitando a entrada de minha casinha em Gravatá. Foi presente do meu jardineiro preferido. Ele, agrônomo por formação, gosta de plantas e de música. Cuidou de alguns jardins até se dedicar a sua segunda paixão, montando uma loja de discos que só vendia disco bom. Não adiantava procurar CDs de forrozeiros plastificados ou de sertanejos de araque: na loja do meu amigo não tinha esse tipo de lixo. Samba travestido de pagode, também não. Preconceito? Não sei. Acho que era apenas questão de bom gosto musical. Foi lá onde lancei quase todos os meus discos e livros, encontrando amigos para jogar conversa alma adentro.

Além das plantas e da boa música meu amigo jardineiro também gosta de Poesia. Aliás, com certo orgulho e vaidade, confidenciou-me ser sobrinho-neto de João Cabral de Melo Neto. Como não gostar de Poesia tendo nas veias a correr sangue de tão ilustre Poeta? Mas voltando ao assunto: com a virtualidade do sistema e o surgimento das plataf...

Tenho uma pata-de-elefante enfeitando a entrada de minha casinha em Gravatá. Foi presente do meu jardineiro preferido. Ele, agrônomo por formação, gosta de plantas e de música. Cuidou de alguns jardins até se dedicar a sua segunda paixão, montando uma loja de discos que só vendia disco bom. Não adiantava procurar CDs de forrozeiros plastificados ou de sertanejos de araque: na loja do meu amigo não tinha esse tipo de lixo. Samba travestido de pagode, também não. Preconceito? Não sei. Acho que era apenas questão de bom gosto musical. Foi lá onde lancei quase todos os meus discos e livros, encontrando amigos para jogar conversa alma adentro.

Além das plantas e da boa música meu amigo jardineiro também gosta de Poesia. Aliás, com certo orgulho e vaidade, confidenciou-me ser sobrinho-neto de João Cabral de Melo Neto. Como não gostar de Poesia tendo nas veias a correr sangue de tão ilustre Poeta? Mas voltando ao assunto: com a virtualidade do sistema e o surgimento das plataformas meu amigo viu-se obrigado a fechar sua loja e ir viver dedicado às plantas e ao sossego em meio às orquídeas, jasmins, bromélias e helicônias que com ele e a mulher habitam o apartamento no Espinheiro (até o bairro em que mora faz menção às coisas da natureza).

Música, já não existe no formato antigo. Uma pena! Conforta saber que ainda há pessoas sensíveis, que, sem CDs para tocar, se deixam tocar pelos perfumes e cores do verde. Jardineiros que resistem à frieza do asfalto e do cimento, da internets e afins. É a forma que meu amigo jardineiro encontrou para fazer brotar poesia da terra.


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico


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É Findi - Romero Falcão* chegando em Dose Dupla

21/08/2026

Frida Faz Cinco Anos - Poema


Hoje, Frida faz cinco anos.
Não haverá bolo de aniversário,
minha cadela não vestirá saiote,
nem tampouco lacinhos, fitas,
para sair numa ridícula foto.

Hoje, Frida faz cinco anos,
criada feito os cães das antigas
livre das neuroses humanas,
longe das suas feridas.

Hoje, Frida faz cinco anos,
sem a corrente do amor dos homens
que aperta, exige, cobra,
carente com todas as sobras.

Hoje, Frida faz cinco anos,
com seu olhar sempre aceso,
altivo, verde, cortante, de vidro,
caçando lagartixas no quintal,
forçando a borboleta a se esquivar
do seu bote fatal.

Hoje, Frida faz cinco anos,
preservada no seu instinto animal,
pupila intacta de um lobo que me olha
com sua beleza primitiva, ancestral.

Hoje, Frida faz cinco anos.
Não a q...

Frida Faz Cinco Anos - Poema


Hoje, Frida faz cinco anos.
Não haverá bolo de aniversário,
minha cadela não vestirá saiote,
nem tampouco lacinhos, fitas,
para sair numa ridícula foto.

Hoje, Frida faz cinco anos,
criada feito os cães das antigas
livre das neuroses humanas,
longe das suas feridas.

Hoje, Frida faz cinco anos,
sem a corrente do amor dos homens
que aperta, exige, cobra,
carente com todas as sobras.

Hoje, Frida faz cinco anos,
com seu olhar sempre aceso,
altivo, verde, cortante, de vidro,
caçando lagartixas no quintal,
forçando a borboleta a se esquivar
do seu bote fatal.

Hoje, Frida faz cinco anos,
preservada no seu instinto animal,
pupila intacta de um lobo que me olha
com sua beleza primitiva, ancestral.

Hoje, Frida faz cinco anos.
Não a quero pelúcia,
adorno na sala de estar.
Frida, tu és força translúcida,
jamais irei te deformar.

Hoje, Frida faz cinco anos.
Ela não é minha filha,
é meu bicho de estimação.
Jamais irei humanizá-la.
Quero amá-la com toda
a natureza de cão.


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Essa Mudança me Atordoa - Crônica


Li um artigo na Folha de S.Paulo: “Os gatos estão ficando mais mansos ou são as pessoas que estão mudando?”. O questionamento me lembrou uma conversa que tive com uma veterinária. Na época, eu perguntava: será que vão conseguir fazer com os gatos o que estão fazendo com os cães?

Bate Três Vezes na Madeira

Por exemplo: dar-lhes um banho de loja, vesti-los com todas as mazelas e vaidades humanas? Enchê-los de bugigangas que o mercado oferece ao mundo pet? A veterinária bateu três vezes na madeira e disse:

— Deus, tomara que não.

Criador Deslocado

Sempre criei cachorro, desde a infância. Hoje, porém, sou um criador deslocado, talvez até malvisto pela indústria e pelo marketing que alçaram nossos companheiros ao consumismo de luxo. Criam-se “necessidades” — com muitas aspas — para os pets, ou melhor, para os pais dos bichos.


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Vazio Emocional

Não tenho psicologia para criar gato. Mas admiro sua essência, ainda intocada. Não sei até quando resistirão. Eles são confundidos com individualistas, interesseiros, indiferentes, porque não cedem aos seus cuidadores — ou, para usar o politicamente correto, aos seus tutores. Não admitem ser tratados como bebês. Muito menos parecem dispostos a fazer das tripas o coração para tapar o vazio emocional da madame, como fazem os cachorros.

“Milhões de Seguidores”

O artigo citado no primeiro parágrafo diz: “Há cerca de 15 anos, criei uma página no Facebook para minha gata, Sandi. Meus amigos acharam isso estranho. Hoje, contas de redes sociais dedicadas a gatos atraem milhões de seguidores, gatos viajam em mochilas e carrinhos de bebê, e pesquisas mostram consistentemente que a esmagadora maioria dos donos considera seus animais de estimação como parte da família.”

Engajamento nas Redes

Claro que o capitalismo farejou a oportunidade. Salvo engano, existe até carro com a cor do cão caramelo.

É comum, nas novelas, um cachorro passar de braço em braço em várias cenas. Cai muito bem, para efeito de emocionar os convidados, um cãozinho no colo do autor na noite de autógrafos. O livro pode ser ruim, mas a presença do cão é ótima para o merchandising e o engajamento nas redes. Já um gato é bem capaz de se recusar a participar de tal teatro.

“Menos Filhos”

Retiro outro trecho da referida matéria: “Ao longo do último século, o modo de vida de muitas pessoas mudou significativamente. Em grande parte do mundo, as taxas de fertilidade caíram drasticamente, de quase cinco filhos por mulher em 1950 para pouco mais de dois atualmente. As pessoas estão tendo menos filhos, adiando a maternidade e a paternidade, vivendo sozinhas por mais tempo e contando cada vez mais com animais de companhia para suprir necessidades emocionais que antes eram atendidas por relações familiares próximas.”

Visita de Médico

Isso é claramente perceptível. Converso com pessoas que tiveram um ou dois filhos, que já partiram de casa para fazer suas próprias vidas. Cada vez têm menos tempo para visitar os pais. Por sua vez, os netos, quando arrumam um tempinho, fazem visita de médico.

Boia de Salvação

Quem supre o apartamento vazio? Um cachorrinho, um gato. Uma boia de salvação para a solidão.

E, quando morrem, ouve-se:

— Não perdi minha gata. Perdi uma filha.

Perplexo

Soube que já se constroem apartamentos com quarto para o pet, destinados a recém-casados que optaram, em vez de ter uma criança, por ser pais de pet.

A explicação de um jovem chinês, lá na China, deixou-me perplexo:

“Os filhos crescem e depois vão embora, deixam os pais. Já os cães são diferentes: eles ficam com você até a morte.”

Nessa história toda, o que me deixa intrigado é que, cada vez mais, estamos humanizando os animais e desumanizando os homens.

Essa mudança me atordoa.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


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É Findi – O Piqui da Mangaeira - Por Pica-Pau*

21/08/2026

Eu fui na feira
Comprar umas bujinganga
Comprei umbú comprei manga
Jabuticaba e caquí

Fui procurando e ao chegar no fim da feira
Comprei a uma mangaeira uma duzia de piquí

Era uns piquí tão grande,os piquí da mangaeira

Eu perguntei de onde veio esses piquí
Q’eu nunca vi por aqui
Uns piquí tao grande assim

Eita! qui piquí tão grande, veja qui piquí tão grande

Olha qui piquí tão grande
O piqui da mangaeira


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau



O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

Eu fui na feira
Comprar umas bujinganga
Comprei umbú comprei manga
Jabuticaba e caquí

Fui procurando e ao chegar no fim da feira
Comprei a uma mangaeira uma duzia de piquí

Era uns piquí tão grande,os piquí da mangaeira

Eu perguntei de onde veio esses piquí
Q’eu nunca vi por aqui
Uns piquí tao grande assim

Eita! qui piquí tão grande, veja qui piquí tão grande

Olha qui piquí tão grande
O piqui da mangaeira


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau


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É Findi - O CEHM - Crônica - Por Valéria Barbalho*

21/08/2026

A trajetória do Centro de Estudos de História Municipal (CEHM) tem origem no ideal visionário de Luiz Maria de Souza Delgado, cuja dedicação às causas municipais e à valorização da história local lançou as bases de uma iniciativa pioneira em Pernambuco. Após sua atuação inicial, foi seu filho, José Luiz Marques Delgado, quem deu continuidade ao projeto, transformando um sonho em realidade concreta.

Em 1961, no Instituto Histórico de Olinda, Luiz Delgado propôs a criação de uma Associação Intermunicipal de História, com o objetivo de reunir estudiosos e pesquisadores do passado pernambucano residentes em cidades que não possuíam institutos históricos ou entidades semelhantes. Embora a proposta não tenha sido concretizada à época, representou a primeira semente do que viria a ser o CEHM.

Anos depois, em 1968, durante a 41ª reunião do Conselho Estadual de Cultura, foi sugerida a criação de uma Comissão de História Local. Instituída ainda naquele ano, a comiss...

A trajetória do Centro de Estudos de História Municipal (CEHM) tem origem no ideal visionário de Luiz Maria de Souza Delgado, cuja dedicação às causas municipais e à valorização da história local lançou as bases de uma iniciativa pioneira em Pernambuco. Após sua atuação inicial, foi seu filho, José Luiz Marques Delgado, quem deu continuidade ao projeto, transformando um sonho em realidade concreta.

Em 1961, no Instituto Histórico de Olinda, Luiz Delgado propôs a criação de uma Associação Intermunicipal de História, com o objetivo de reunir estudiosos e pesquisadores do passado pernambucano residentes em cidades que não possuíam institutos históricos ou entidades semelhantes. Embora a proposta não tenha sido concretizada à época, representou a primeira semente do que viria a ser o CEHM.

Anos depois, em 1968, durante a 41ª reunião do Conselho Estadual de Cultura, foi sugerida a criação de uma Comissão de História Local. Instituída ainda naquele ano, a comissão passou a se reunir regularmente, promovendo a produção e divulgação de estudos históricos municipais, inclusive por meio da publicação dos “Cadernos de História Local”. Essa iniciativa consolidou o interesse pela historiografia municipal e evidenciou a necessidade de um organismo permanente voltado a essa finalidade.

Com o falecimento de Luiz Maria de Souza Delgado, em 1974, coube a José Luiz Marques Delgado, com apoio de gestores públicos e instituições culturais, dar continuidade ao projeto. Assim, em 14 de agosto de 1976, foi oficialmente criado o Centro de Estudos de História Municipal, vinculado à Fundação Instituto de Administração Municipal (FIAM), com o propósito de apoiar, articular e valorizar os historiadores e cronistas dos municípios pernambucanos.

Desde sua criação, o CEHM assumiu uma missão singular: preservar, sistematizar e divulgar a história municipal, reconhecendo que é nos municípios que se constrói a base da identidade histórica e cultural do Estado. Mais do que um centro de pesquisa, o CEHM tornou-se um elo entre estudiosos locais, promovendo encontros, debates, publicações e ações voltadas à valorização da memória local.

Ao longo de sua trajetória, o Centro desenvolveu diversas atividades, entre as quais se destacam a realização de reuniões periódicas, a promoção de palestras, o apoio a entidades preservacionistas, a participação em eventos culturais e a organização de encontros de historiadores municipais. Também estruturou um relevante acervo documental e incentivou a criação de uma biblioteca especializada, contribuindo significativamente para a pesquisa histórica em Pernambuco.

No campo editorial, o CEHM desempenhou papel fundamental, destacando-se a publicação da Revista de História Municipal, iniciada em 1977, além de coleções como a Biblioteca Pernambucana de História Municipal, Tempo Municipal, Documentos Históricos Municipais, Cronologia Pernambucana e História da Imprensa de Pernambuco. Essas iniciativas permitiram registrar e disseminar informações essenciais sobre diversos municípios, evitando a perda de um patrimônio histórico que, de outra forma, poderia desaparecer.

Apesar de sua relevância e de cinco décadas de atuação contínua, o CEHM enfrentou — e ainda enfrenta — sérias dificuldades estruturais, especialmente relacionadas à escassez de recursos financeiros e à ausência de políticas públicas permanentes de incentivo. Diversos projetos deixaram de ser executados, e iniciativas importantes foram interrompidas ou limitadas por falta de apoio institucional adequado.

Nesse contexto, torna-se imprescindível destacar a insuficiente colaboração do Estado e de outros órgãos públicos para a manutenção e fortalecimento do Centro. É paradoxal que uma instituição única no Brasil, dedicada à preservação da história municipal e à valorização da identidade cultural pernambucana, não receba o reconhecimento e o suporte compatíveis com sua importância.

A ausência de investimentos contínuos compromete não apenas a expansão das atividades do CEHM, mas também coloca em risco a preservação de um vasto patrimônio imaterial. A história dos municípios — base da formação histórica do próprio Estado — depende diretamente de iniciativas como esta, que atuam de forma descentralizada e próxima às comunidades.


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Valorizar o CEHM é reconhecer que a construção da história de Pernambuco não se dá apenas nos grandes centros, mas sobretudo nas pequenas cidades, nas memórias locais e nos registros produzidos por aqueles que vivenciam o cotidiano de suas comunidades. Ignorar ou negligenciar esse trabalho significa permitir o apagamento progressivo de identidades culturais fundamentais.

Atualmente, o CEHM integra a estrutura da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de Pernambuco, estando vinculado à Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (CONDEPE/FIDEM). Ainda assim, mesmo inserido formalmente na estrutura estatal, o Centro carece de maior visibilidade, reconhecimento e suporte efetivo para cumprir plenamente sua missão.

Diante disso, impõe-se a necessidade urgente de fortalecimento institucional do CEHM, por meio de políticas públicas consistentes, financiamento adequado e valorização de seu papel estratégico. Preservar a história municipal é preservar a própria essência de Pernambuco.

O CEHM não é apenas um centro de estudos: é um guardião da memória, um articulador de saberes e um instrumento fundamental para a construção da identidade cultural do Estado. Seu fortalecimento não deve ser visto como opção, mas como compromisso com a história, a cultura e o futuro de Pernambuco.


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Foto: José Ernani Souto Andrade (Mestrinho), professor Aragão, Napoleão Barroso Braga, Nelson Barbalho, Eleny e Amaury de Barros Correia.


*Valéria Barbalho é filha do escritor e historiador Nelson Barbalho. É médica pediatra, cronista. @valeria.barbalho.5


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É Findi – Santa Cruz Futebol Clube - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

21/08/2026

Dispõe de grande estádio de futebol conhecido nacionalmente como “Mundão do Arruda”, além da sede social que juntos se constituem no maior patrimônio de um clube sócio - esportivo em Pernambuco. O time é conhecido como: “Tricolor do Arruda”, sendo o mais popular do estado. Suas cores inicialmente foram o preto e o branco, só depois, para diferenciar do Flamengo (pernambucano), adotou, também o vermelho, possuindo, portanto, as cores dos seus rivais: Náutico e Esporte, ao mesmo tempo. O símbolo do time é a cobra coral. As suas dependências são exageradamente denominadas de REPÚBLICAS INDEPENDENTES DO ARRUDA.

Possui o 3º Estádio de Futebol particular do Brasil. Foi inaugurado em 4 de junho de 1972, com o jogo sem gols, contra o Flamengo, nessa ocasião o “mais querido” formou com: Detinho; Ferreira; Sapatão; Rivaldo e Cabral (Botinha); Erb e Luciano; Cuíca (Beto), Fernando Santana (Zito), Ramon e Betinho, Técnico Evaristo Macedo, sendo o árbitro da partida Sebastião Rufino...

Dispõe de grande estádio de futebol conhecido nacionalmente como “Mundão do Arruda”, além da sede social que juntos se constituem no maior patrimônio de um clube sócio - esportivo em Pernambuco. O time é conhecido como: “Tricolor do Arruda”, sendo o mais popular do estado. Suas cores inicialmente foram o preto e o branco, só depois, para diferenciar do Flamengo (pernambucano), adotou, também o vermelho, possuindo, portanto, as cores dos seus rivais: Náutico e Esporte, ao mesmo tempo. O símbolo do time é a cobra coral. As suas dependências são exageradamente denominadas de REPÚBLICAS INDEPENDENTES DO ARRUDA.

Possui o 3º Estádio de Futebol particular do Brasil. Foi inaugurado em 4 de junho de 1972, com o jogo sem gols, contra o Flamengo, nessa ocasião o “mais querido” formou com: Detinho; Ferreira; Sapatão; Rivaldo e Cabral (Botinha); Erb e Luciano; Cuíca (Beto), Fernando Santana (Zito), Ramon e Betinho, Técnico Evaristo Macedo, sendo o árbitro da partida Sebastião Rufino Ribeiro.

O Santa Cruz instalou-se no Arruda em 1937, num espaço que era ocupado pelo Centro Esportivo Tabajara. Sua fundação, no entanto, data de 3 de fevereiro de 1914, numa casa da rua da Mangueira nº 2, próxima ao Pátio de Santa Cruz, no bairro da Boa Vista, daí a origem de seu nome. Seu primeiro jogo aconteceu na antiga campina do derby, que venceu de 7x0 e, nesse tempo, era conhecido como: “Time dos Meninos”.
(Texto De 1998)


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras e Sócio Benemérito do IAHGP.


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É Findi - Minha Cidade - Crônica - Por Malude Maciel*

21/08/2026

Sou caruaruense e tenho muito orgulho da minha cidade, muito amor e satisfação em viver num lugar lindo e cheio de coisas boas.

Gosto de falar sobre o que aqui existe para que outras pessoas também apreciem a famosa "Capital do Agreste".

Caruaru é, sem dúvidas, um celeiro de Arte e Cultura, Folclore, Literatura e uma História belíssima de tradição. Basta citar o nome do Mestre Vitalino, que fez do barro a marca registrada do Alto do Moura, e todo o mundo conhece como patrimônio da "Capital do Forró", imortalizada na música de Jorge de Altinho, ou no dizer do historiador Nelson Barbalho, o "país de Caruaru", pela grandeza histórica da nossa terra.

Desta feita mencionarei a Cultura da fé, com os templos religiosos mais visitados.

Aqui há igrejas centenárias, tradições e espaços considerados sagrados com conexão espiritual que os visitantes procuram conhecer tocados pela devoção e pela vontade de aperfeiçoar o conhecimento histór...

Sou caruaruense e tenho muito orgulho da minha cidade, muito amor e satisfação em viver num lugar lindo e cheio de coisas boas.

Gosto de falar sobre o que aqui existe para que outras pessoas também apreciem a famosa "Capital do Agreste".

Caruaru é, sem dúvidas, um celeiro de Arte e Cultura, Folclore, Literatura e uma História belíssima de tradição. Basta citar o nome do Mestre Vitalino, que fez do barro a marca registrada do Alto do Moura, e todo o mundo conhece como patrimônio da "Capital do Forró", imortalizada na música de Jorge de Altinho, ou no dizer do historiador Nelson Barbalho, o "país de Caruaru", pela grandeza histórica da nossa terra.

Desta feita mencionarei a Cultura da fé, com os templos religiosos mais visitados.

Aqui há igrejas centenárias, tradições e espaços considerados sagrados com conexão espiritual que os visitantes procuram conhecer tocados pela devoção e pela vontade de aperfeiçoar o conhecimento histórico do Agreste Pernambucano.

Nasceu aos pés da Conceição

Prá começar, havia a feira em torno do local onde se ergueu a igreja dedicada à Nossa Senhora da Conceição onde existe o marco zero unindo fé e devoção. Como em muitas outras cidades do interior pernambucano, Caruaru surgiu na fazenda chamada Caruru, onde seu proprietário, José Rodrigues de Jesus ergueu um oratório datado de 5 de outubro de 1782. Sucessivas reformas foram feitas e, de capela passou à igreja da Conceição em cujo interior se encontram imagens seculares, tendo um painel pintado pela nossa querida artista plástica, Luísa Maciel, que se viva estivesse completaria agora cem anos de existência.

Igreja do Bom Jesus

Também chamada de igreja de Santa Luzia, por ter a imagem da santa, mártir do século IV e protetora da visão, atraindo devotos fiéis de todos os lugares para reverenciá-la, precisando subir os 365 degraus do Monte, no centro da cidade, com o nome de: Bom Jesus. No interior do templo, que abriu suas portas em 13 de dezembro de 1902, dia de santa Luzia, tendo sido construído por Manoel de Azevedo Pontes e Antônio de Lemos Vasconcelos, lá existem imagens seculares.
Na frente da edificação há uma enorme cruz marcando a bela paisagem, pois do alto tem-se uma excelente visão de Caruaru.

Igreja Catedral de Nossa Senhora das Dores

Está localizada no coração de Caruaru, tornando-se a primeira igreja matriz com a criação da paróquia com o mesmo nome, em 16 de agosto de 1848, sendo um século depois Catedral na criação da Diocese de Caruaru.
Na década de 60 a Catedral original foi demolida e em seu lugar edificou-se a atual, que em 1973 teve as obras finalizadas, com projeto do engenheiro Normando Perboire.

As imagens ali encontradas são do acervo da antiga Catedral, tendo no centro a imagem de Nossa Senhora das Dores que é a padroeira da cidade e da Diocese cujo dia é comemorado em 15 de setembro.

Curiosidades: por trás do altar principal estão sepultados dois bispos da diocese: Dom Augusto de Carvalho e Dom Antônio Soares Costa, porém o primeiro bispo de Caruaru foi: Dom Paulo Hipólito de Souza Libório.

Igreja do Convento dos Capuchinhos

Um bonito lugar de oração é o Convento dos Capuchinhos, em Caruaru, com a imponente Igreja dedicada ao Coração Eucarístico de Jesus, ao seu lado. Foi fundado em 1964, sendo um local de uma comunidade de frades capuchinhos onde reina paz e tranquilidade, propícias ao descanso e reflexão. Mui belos são seus vitrais e imagens no templo.

Há também a Escola Dom Vital, dando à estrutura um caráter educacional.


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O Palácio Episcopal

É uma das edificações mais belas e conhecidas de Caruaru, ficando na Praça Deputado Henrique Pinto, número 99 , no Bairro Nossa Senhora das Dores, bem no centro da cidade, ao lado da Catedral. Popularmente conhecido como: " A Casa do Bispo ", esse palacete passou por muitas modificações e já serviu para algumas funções, tais como: hospital; câmara de vereadores; prefeitura; faculdade; seminário e residência oficial dos bispos diocesanos.

Com o projeto arquitetônico de José Piffer e construção de Ernesto Terreri foi construído no começo do século XX. Em 1922 foi ampliado pelo prefeito Henrique Dias, ficando como está atualmente.

Guarda em suas dependências um acervo de arte sacra, sendo aberto à visitação pública.

Aqui, cada templo guarda histórias que tocam o coração e revelam a alma de um povo.


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel


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É Findi - Econômico - Poema - Por Felipe Bezerra*

21/08/2026

A inutilidade
do verso eu prefiro
à brutalidade
do capital de giro


*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza


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A inutilidade
do verso eu prefiro
à brutalidade
do capital de giro


*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza


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É Findi - Série Prédios Ícones de Pernambuco - Teatro Valdemar de Oliveira - Por Silvio Amorim*

21/08/2026

Uma ferida aberta na Praça Osvaldo Cruz: a degradação do Teatro Valdemar de Oliveira. O Teatro é propriedade da associação Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), instituição sem fins lucrativos, com 85 anos, mantida por 22 sócios abnegados, que se manteve das suas produções, ocupando um lugar fundamental na história cultural de Pernambuco e do Brasil. Trata-se de um dos grupos teatrais de atuação contínua mais antigos do país e um dos principais responsáveis pela modernização do teatro pernambucano.

Durante décadas, o Teatro foi um dos principais palcos da produção cultural pernambucana, acolhendo espetáculos, cursos, ensaios e atividades de formação artística.

O Teatro pede socorro

A situação atual do Teatro Valdemar de Oliveira é bastante preocupante. O espaço encerrou suas atividades nos últimos anos por contingencias que fugiram da normalidade: exigências (justas) do Corpo de Bombeiros que reduziram a pauta do Teatro e a redução...

Uma ferida aberta na Praça Osvaldo Cruz: a degradação do Teatro Valdemar de Oliveira. O Teatro é propriedade da associação Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), instituição sem fins lucrativos, com 85 anos, mantida por 22 sócios abnegados, que se manteve das suas produções, ocupando um lugar fundamental na história cultural de Pernambuco e do Brasil. Trata-se de um dos grupos teatrais de atuação contínua mais antigos do país e um dos principais responsáveis pela modernização do teatro pernambucano.

Durante décadas, o Teatro foi um dos principais palcos da produção cultural pernambucana, acolhendo espetáculos, cursos, ensaios e atividades de formação artística.

O Teatro pede socorro

A situação atual do Teatro Valdemar de Oliveira é bastante preocupante. O espaço encerrou suas atividades nos últimos anos por contingencias que fugiram da normalidade: exigências (justas) do Corpo de Bombeiros que reduziram a pauta do Teatro e a redução de espectadores (cadeiras) na plateia, seguido do fechamento pela pandemia. Não se teve mais folego para manter os custos mínimos e vigilância do prédio do Teatro, mesmo com o esforço e contribuição dos sócios, pessoas de classe média, para manter o prédio e seus equipamentos com o Teatro fechado. Aí passou a sofrer com invasões, furtos e deterioração estrutural. Em fevereiro de 2024, um incêndio atingiu o prédio, destruindo parte significativa de sua estrutura. Atualmente se encontra em estado avançado de degradação.

Decisão

A intenção do TAP é doar o Teatro Valdemar de Oliveira a Prefeitura do Recife ou ao Governo do Estado para que recupere o Teatro e transforme em uma escola para formar profissionais de teatro em várias áreas, de atores a cenógrafos, iluminadores, etc.


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A saga do TAP

O TAP foi fundado em 1941, no Recife, pelo médico, escritor, músico e teatrólogo pernambucano Valdemar de Oliveira, inicialmente denominado grupo Gente Nossa, organizado pelo teatrólogo Samuel Campelo.
A primeira montagem do TAP ocorreu em 4 de abril de 1941, com a peça “Knock ou O Triunfo da Medicina”, interpretada por médicos e suas esposas. Na época, a participação de mulheres no teatro ainda enfrentava preconceitos sociais, tornando a iniciativa bastante inovadora para a sociedade recifense.
Ao longo de mais de oito décadas, o TAP montou espetáculos; revelou atores, diretores e técnicos; promoveu a renovação estética do teatro pernambucano; realizou excursões por diversas cidades brasileiras; contribuiu para a profissionalização das artes cênicas em Pernambuco.

Entre os espetáculos de destaque estão: Vestido de Noiva, A Casa de Bernarda Alba, Um Sábado em 30, Nossa Cidade, entre centenas de produções. A montagem de Nossa Cidade, em 1949, dirigida por Ziembinski, tornou-se um marco do teatro pernambucano por introduzir soluções cênicas modernas no palco do Recife.

Em 1971, o TAP inaugurou sua própria sede, localizada na Praça Oswaldo Cruz, na Boa Vista, no Recife. Após a morte de Valdemar de Oliveira, em 1977, o espaço passou a se chamar Teatro Valdemar de Oliveira.
Seria muito injusto com Pernambuco todo esse trabalho e essa memória desaparecer.


*Silvio Amorim é advogado. Faz parte da associação Teatro de Amadores de Pernambuco.


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É Findi - Carnavalhando Reminiscências - Por Lília Gondim*

21/08/2026

Nas minhas mais remotas lembranças estão os alegres dias da folia de momo, que vivi de diferentes formas, sempre com o espírito de fantasia e relaxamento. Apenas nos anos da pandemia provocada pelo corona vírus foi diferente: faltou o clima, o som da rua, o riso das pessoas, o galo atravessado no meio da ponte e o brilho dos enfeites na cidade.

Na infância, morei numa rua sem calçamento, de um só quarteirão, em olinda, no bairro novo. Éramos cerca de trinta crianças distribuídas entre doze casas, cinco de um lado e sete do outro. Os pais, todos amigos; algumas famílias estão lá até hoje. O carnaval era para mim o frevo, que tocava o dia todo nos rádios das casas, enquanto nós, crianças, de manhã cedo até a hora do almoço, corríamos na rua, molhando-nos uns aos outros. Encharcados, invadíamos qualquer jardim onde houvesse uma torneira para reabastecer nossas bisnagas plásticas e coloridas. Na avenida getúlio vargas, crianças mais afoitas surpreendiam passageiros desavisa...

Nas minhas mais remotas lembranças estão os alegres dias da folia de momo, que vivi de diferentes formas, sempre com o espírito de fantasia e relaxamento. Apenas nos anos da pandemia provocada pelo corona vírus foi diferente: faltou o clima, o som da rua, o riso das pessoas, o galo atravessado no meio da ponte e o brilho dos enfeites na cidade.

Na infância, morei numa rua sem calçamento, de um só quarteirão, em olinda, no bairro novo. Éramos cerca de trinta crianças distribuídas entre doze casas, cinco de um lado e sete do outro. Os pais, todos amigos; algumas famílias estão lá até hoje. O carnaval era para mim o frevo, que tocava o dia todo nos rádios das casas, enquanto nós, crianças, de manhã cedo até a hora do almoço, corríamos na rua, molhando-nos uns aos outros. Encharcados, invadíamos qualquer jardim onde houvesse uma torneira para reabastecer nossas bisnagas plásticas e coloridas. Na avenida getúlio vargas, crianças mais afoitas surpreendiam passageiros desavisados, jogando água pelas janelas dos ônibus. Quem não quisesse ou não pudesse se molhar, que não viesse para a rua!

Enquanto guerreávamos no molha-molha, os adultos afastavam os móveis da sala de suas casas, penduravam máscaras de papel e serpentinas nas paredes e no teto, espalhavam confetes pelo chão, preparando a folia da tarde. Então era a vez da festa que entrava pela noite, da dança, do frevo e dos pulos de alegria. Nós circulávamos por esses salões. Os adultos faziam roda de cadeiras nas calçadas, logo de tardinha, apreciando nossas brincadeiras, conversando, bebendo e, de vez em quando, entrando para dançar.

E lá se ia, de um canto ao outro da calçada, aquela trupe de ciganos, bailarinas, piratas, marinheiros, tirolesas, espanholas, caubóis, índios, pequenos brincantes de um carnaval do tamanho da rua. Seguíamos, correndo, de casa em casa. Era um entra e sai sem fim.

A impressão que me ficou é que, no carnaval, tudo era diferente, tudo mudava, até as refeições: não recordo de nenhum intragável prato de sopa nos sendo enfiado goela abaixo nos dias da festa. Só lembro que beliscávamos deliciosos sanduíches e guloseimas que nos ofereciam em qualquer das casas.

E o frevo rolava nos rádios e radiolas; de qualquer parte da rua ouvia-se: “maria, ô maria me responde já, maria onde está a minha fantasia...” ou “...quem vai pra farol, é o bonde de olinda!” ou “...tinha um coqueiro ao lado que coitado de saudades, já morreu...”

Mas também havia o medo e as correrias com o coração acelerado até saltarmos o muro de alguma casa e nos sentirmos protegidos, quando na semana pré-carnavalesca, fugíamos dos “caboclinhos”, ouvindo atrás de nós o toc-toc de suas preacas de madeira. Para eles, que apenas fingiam nos perseguir, aquilo não passava de um pouco de diversão, na árdua tarefa de recolher, porta a porta, uma ajuda financeira para colocar a tribo na rua nos dias festivos.

Havia um terror todo particular, muito meu: era o medo que minha mãe saísse atrás da la ursa de seu joão da vacaria, ou da troça pano velho e nunca mais voltasse. Ela, muito carnavalesca, sumia atrás dos blocos, dançando como se fosse viver naquela fantasia o resto da vida. E eu só relaxava quando ela chegava, suada e suja da poeira da rua.

Os mais animados foliões da rua francisco figueiroa, onde morávamos, eram o casal dona nadir e seu zenias calado. Na frente da casa deles, geralmente, a turma mais velha se reunia. Seu zenias trabalhava na coca cola, e usava no dia a dia um jipe da empresa, mas, nos carnavais, conseguia trocá-lo por uma camionete. Quando já éramos adolescentes, eles nos levavam nessa camionete - a todos nós - para a matinê do clube internacional do recife.

Dona nadir se encarregava de confeccionar as fantasias de grupo, e lá íamos pulando perigosamente na carroceria da camionete, enfeitados, lindos, leves e completamente soltos. As meninas levavam, a tiracolo, um saquinho de filó cheio de confetes coloridos; nos olhos, a imprescindível máscara de plástico transparente e, nas mãos, um lança perfume metálico rodouro. Ô cheirinho inesquecível! No bom sentido, claro, pois não passava pela cabeça de ninguém ainda, tomar porre de lança.

Éramos incansáveis! Dançávamos no clube até o final da festa, mas a diversão não terminava ali. Era só chegar em casa, trocar a fantasia por uma roupa, a mais confortável e velha possível, subir na camionete de seu zenias e sair de novo para o melhor do carnaval, que o tempo, a maldade e a falta de educação destruíram - o corso.

Carros, jipes, camionetes, e até caminhões, lotados de foliões, percorrendo as ruas estreitas do centro do recife numa alegria contagiante, sempre ao som do frevo. Eita coisa boa! Voltávamos para casa molhados, os cabelos grudados de uma mistura de água, cera cardeal, talco, confete e maizena; imundos, mas risonhos e felizes. Esse era o momento em que os paqueras mais corajosos se aproximavam, mandavam beijos, agarravam nossas mãos, furtivamente, correndo ao lado da camionete; os mais audaciosos até subiam, por alguns momentos, no para-choque.

Pela alegria que vivi nos carnavais da minha infância é que considero o carnaval uma festa eminentemente de rua. As únicas vezes que brinquei o carnaval em clubes fechados, foi na época das matinês do internacional.
Já adulta e moradora da cidade alta de olinda, nossa casa sempre esteve repleta de amigos desde a sexta-feira à noite; eu adorava me fantasiar, usar muito brilho e circular pelas ladeiras com minha sombrinha, me esbaldando ao som do frevo. Mesmo dançando desde pequena, como todo “bom pernambucano”, aprendi a técnica de dançar o frevo e me tornei passista depois de vários anos de aulas com mestre nascimento do passo e com a professora ana miranda, no balé popular do recife. Por falar nela, certa vez, em seu aniversário, presenteei-a com um brinco que eram duas minúsculas sombrinhas, acompanhado desses versos em redondilha maior:

passa-passa no frevo
Você me obriga a fazer
“passa-passa” com sombrinha,
passando embaixo dos pés,
na frente e por trás da espinha,
pela curva dos joelhos,
por debaixo dos pentelhos...
Mas meu presente é gentil,
aceite este desafio,
e tem que ter muita raça
pra fazer um “passa-passa”
sem pular feito uma ovelha:
Pegue essas duas sombrinhas,
passe por dentro da orelha!

Curtia muito, nos meses de janeiro, montar turmas e dar aulas de frevo para quem quisesse aprender a fazer o passo. Uma grande amiga, companhia inesquecível nesses carnavais, era isa ferreira. Certa vez nos fantasiamos de nega maluca (acho que hoje, politicamente corretas, nem teríamos nos fantasiado assim).

Saímos pelas ladeiras da cidade, cada uma com um bambolê, “tirando onda” com as pessoas que, dificilmente nos identificavam. A certa altura, na rua de são bento, encontramos com um político, que na ocasião era secretário estadual de habitação. De imediato, o cercamos com os bambolês e começamos a pular e a gritar “eu quero uma casa, eu quero uma casa!” Foi juntando gente, as pessoas começaram a gritar junto conosco pedindo uma casa, e saímos de fininho deixando a confusão rolar. Até hoje ele não sabe que fomos nós. Em outro carnaval mandamos fazer duas burrinhas lindas, com corpo de balaio coberto de chita e cabeça de papel machê, e passávamos o dia pela rua vivendo aquela fantasia em plena e veloz cavalgada carnavalesca, freando as burrinhas bem em cima das pessoas. Aprontávamos muito e adorávamos essas presepadas!

Até o final dos anos 90, eram maravilhosos os carnavais olindenses, brincávamos à vontade e não havia violência. Depois, com a invasão descontrolada e desrespeitosa de grupos de jovens agressivos e alheios ao significado dos blocos, troças e clubes, tudo foi se descaracterizando.

A partir daí, passei a alugar minha casa, que ficava no centro do carnaval de olinda e, fora algumas prévias imperdíveis, limitei-me às saídas de rua do bloco eu quero mais onde, além de brincante, fui flabelista e coralista por muitos anos. O bloco circulava no carnaval por quase todos os palcos do recife, além de fazer seus ensaios de rua todas as quintas-feiras, a partir do mês de janeiro, no pátio de são pedro, no recife. É fantástica a sensação de cantar para uma multidão de foliões, passar para eles essa energia poderosa do carnaval, que os leva a imitar os gestos que você faz, rir com o sorriso que você distribui, cantar com a música que você canta, dançar porque você dança, brilhar com o brilho que você espalha e esquecer as dores com a felicidade que você irradia.

De uns tempos para cá, meu marido e eu brincamos apenas no sábado anterior à semana pré-carnavalesca na troça pisando na jaca e na quarta feira, antes do carnaval, no bloco paraquedista real. Depois, praia até a quarta-feira. A pousada onde ficamos, se enfeita de cores e brilhos para o período de momo, toca frevos o dia todo e eu, mesmo na praia, não dispenso meus enfeites e arranjos de cabeça carnavalescos. Creio que fiz um lugarzinho dentro da minha alma onde residem, o carnaval e o frevo. E acredito ser muito verdadeira a afirmação de fernando pessoa: “o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem; por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis!”

Evoé!


*Lília Gondim, é economista, funcionária pública estadual aposentada, escreve contos, crônicas e poemas.


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Toritama amplia políticas públicas e se destaca na defesa e valorização das mulheres

21/08/2026

Município fortalece, desde 2017, a rede de proteção, atendimento e promoção da autonomia feminina

Toritama, no Agreste de Pernambuco, vem construindo uma rede cada vez mais estruturada de políticas públicas voltadas à defesa, proteção e valorização das mulheres. Desde 2017, o município ampliou iniciativas de enfrentamento à violência, atendimento especializado, saúde, empreendedorismo, qualificação profissional e promoção da autonomia feminina.

Entre os principais avanços está a implantação do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM), inaugurado em 2022, durante a gestão do então prefeito Edilson Tavares (PP). O equipamento oferece acolhimento humanizado às mulheres em situação de violência, com atendimento psicológico e social, além de orientação e encaminhamento jurídico.

Outro marco foi a implantação da Patrulha Maria da Penha, entregue em 2021, também durante a gestão de Edilson Tavares. A iniciativa passou a integrar a...

Município fortalece, desde 2017, a rede de proteção, atendimento e promoção da autonomia feminina

Toritama, no Agreste de Pernambuco, vem construindo uma rede cada vez mais estruturada de políticas públicas voltadas à defesa, proteção e valorização das mulheres. Desde 2017, o município ampliou iniciativas de enfrentamento à violência, atendimento especializado, saúde, empreendedorismo, qualificação profissional e promoção da autonomia feminina.

Entre os principais avanços está a implantação do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM), inaugurado em 2022, durante a gestão do então prefeito Edilson Tavares (PP). O equipamento oferece acolhimento humanizado às mulheres em situação de violência, com atendimento psicológico e social, além de orientação e encaminhamento jurídico.

Outro marco foi a implantação da Patrulha Maria da Penha, entregue em 2021, também durante a gestão de Edilson Tavares. A iniciativa passou a integrar a rede de proteção às mulheres vítimas de violência, reforçando o acompanhamento e a segurança de quem possui medidas protetivas.

A política municipal ganhou ainda mais estrutura com a criação da Secretaria Municipal da Mulher, responsável por concentrar ações de promoção da igualdade de gênero, empoderamento feminino, prevenção e enfrentamento à violência, além da garantia dos direitos das mulheres.

Atualmente, a pasta é comandada pela secretária Fernanda Florêncio, que vem conduzindo ações voltadas às toritamenses. Entre elas está o Movimenta Mulher, iniciativa que promove atividades de saúde, bem-estar e convivência, além de ações de qualificação e incentivo à autonomia feminina.

A rede também incorporou novas iniciativas de prevenção e enfrentamento à violência, como o Maria da Penha Vai à Escola, o Lares Sem Violência e atividades educativas e de conscientização. As ações fortalecem o trabalho integrado entre diferentes setores do município.

Em 2025, a Secretaria da Mulher realizou o 5º Encontro de Combate à Violência contra a Mulher, reunindo representantes do poder público e instituições que integram a rede de proteção.

O reconhecimento desse trabalho veio novamente em 2026, quando Toritama recebeu, pela segunda vez, o Prêmio Prefeitura Amiga da Mulher, concedido pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A primeira conquista ocorreu em 2023. A premiação reconhece municípios que desenvolvem políticas públicas voltadas à proteção, autonomia e valorização das mulheres.

Na edição de 2026, foram considerados aspectos como saúde, segurança, empreendedorismo e inclusão social. Entre os projetos destacados estavam o CEAM, o Movimenta Mulher e as ações de qualificação profissional.

Para o atual prefeito Sérgio Colin (PP), a continuidade dessas políticas integra um projeto de desenvolvimento para o município. A gestão mantém e amplia iniciativas voltadas às mulheres, com a Secretaria Municipal da Mulher atuando diretamente na construção e execução das políticas públicas.

Maurício Rands diz que desenvolvimento precisa chegar mais ao Sertão

21/08/2026

O Candidato a deputado federal, Maurício Rands, coloca a conclusão de adutoras e ampliação de investimentos sociais entre prioridades para o interior do Estado de Pernambuco.
Candidato a deputado federal, Maurício Rands defendeu uma maior descentralização dos investimentos públicos em Pernambuco e colocou as obras de infraestrutura hídrica entre as prioridades para o desenvolvimento do Sertão. Para ele, reduzir as desigualdades regionais exige combinar investimentos em abastecimento de água com políticas de educação e proteção social.

Rands

Afirmou que pretende atuar em Brasília pela destinação de recursos para obras hídricas, incluindo a conclusão de adutoras, além da ampliação de investimentos em creches, escolas e equipamentos sociais no interior. “Nós não teremos um Pernambuco desenvolvido se não houver um olhar especial para o Sertão. Quero usar este poder para realmente fazer com que o desenvolvimento não fique concentrado apenas na c...

O Candidato a deputado federal, Maurício Rands, coloca a conclusão de adutoras e ampliação de investimentos sociais entre prioridades para o interior do Estado de Pernambuco.
Candidato a deputado federal, Maurício Rands defendeu uma maior descentralização dos investimentos públicos em Pernambuco e colocou as obras de infraestrutura hídrica entre as prioridades para o desenvolvimento do Sertão. Para ele, reduzir as desigualdades regionais exige combinar investimentos em abastecimento de água com políticas de educação e proteção social.

Rands

Afirmou que pretende atuar em Brasília pela destinação de recursos para obras hídricas, incluindo a conclusão de adutoras, além da ampliação de investimentos em creches, escolas e equipamentos sociais no interior. “Nós não teremos um Pernambuco desenvolvido se não houver um olhar especial para o Sertão. Quero usar este poder para realmente fazer com que o desenvolvimento não fique concentrado apenas na capital”, afirmou.

Experiência

Ex-deputado federal por três mandatos e ex-líder do governo Lula na Câmara, Rands considera que sua experiência de articulação no Congresso pode ser utilizada para ampliar a presença de Pernambuco nas decisões sobre investimentos federais. “Todas as vezes que eu vou para o Sertão fico muito motivado e cada vez mais comprometido a, como deputado federal, usar o poder de articulação que vou ter perante o presidente Lula. Eu já fui líder do presidente Lula na Câmara dos Deputados e tenho certeza de que, nesse meu quarto mandato, vou poder fazer ainda mais por Pernambuco”, disse.

Atender necessidades

Para Rands, a interiorização do desenvolvimento deve combinar infraestrutura e políticas sociais, com atenção às diferentes necessidades das regiões pernambucanas e maior capacidade de articulação entre União, Estado e municípios.

Vené entrega: mais R$ cinco milhões para robô cirúrgico

21/08/2026

Beneficiário: o Hospital da FAP, em Campina Grande. O Senador e candidato à reeleição ao Senado Federal Veneziano Vital do Rêgo (MDB) continua fazendo entregas importantes para os paraibanos. Hoje, sexta-feira (21/08) ele confirmou ao presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Assistencial da Paraíba - FAP, Derlópidas Neves, a destinação de emenda no valor de R$ 5 milhões para a aquisição de um Robô Cirúrgico. Foi durante solenidade de assinatura de convênio com a Caixa Econômica Federal, ocorrida no próprio hospital.



Agora, sai

Através da parceria com a CEF, a FAP vai adquirir o Robô Cirúrgico EDGE, avaliado em cerca de R$ 10 milhões. Com os recursos garantidos por Veneziano, a FAP vai poder abater 50% do valor do financiamento.




"A formalização desta parceria representa um marco histórico para a FAP e para a saúde pública da Paraíba, viabilizando a incorporação de tecnologia de alta...

Beneficiário: o Hospital da FAP, em Campina Grande. O Senador e candidato à reeleição ao Senado Federal Veneziano Vital do Rêgo (MDB) continua fazendo entregas importantes para os paraibanos. Hoje, sexta-feira (21/08) ele confirmou ao presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Assistencial da Paraíba - FAP, Derlópidas Neves, a destinação de emenda no valor de R$ 5 milhões para a aquisição de um Robô Cirúrgico. Foi durante solenidade de assinatura de convênio com a Caixa Econômica Federal, ocorrida no próprio hospital.


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Agora, sai

Através da parceria com a CEF, a FAP vai adquirir o Robô Cirúrgico EDGE, avaliado em cerca de R$ 10 milhões. Com os recursos garantidos por Veneziano, a FAP vai poder abater 50% do valor do financiamento.


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"A formalização desta parceria representa um marco histórico para a FAP e para a saúde pública da Paraíba, viabilizando a incorporação de tecnologia de alta precisão à assistência hospitalar”, afirmou Derlópidas, ao agradecer a Veneziano mais esta ação em favor do hospital. O presidente citou outras entregas que o Senador já viabilizou, a exemplo do Acelerador Linear Halcyon de última geração, em operação dezembro de 2025. O equipamento custou R$ 8 milhões e foi financiado por emendas parlamentares de Veneziano e da ex-senadora Nilda Gondim.


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"Aquietai-vos o coração, Daniella", por Flávio Lúcio*

21/08/2026

Daniella Ribeiro, candidata à suplência de Nabor Wanderley, perdeu a linha e fez ataques ao Senador e candidato à reeleição, Veneziano Vital. Em um discurso exaltado, a senadora foi muito além da crítica política e partiu para o ataque pessoal quando chamou o colega de Senado de “mentiroso”, “falso” e “fake”.

Motivo banal

Mãe do atual governador e candidato à reeleição, Lucas Ribeiro, e irmã do deputado federal Aguinaldo Ribeiro, Daniella atacou Veneziano por um motivo banal — e, por isso mesmo, revelador do estado de espírito da campanha governista. Afinal, as pesquisas mostram ampla vantagem do “Cabeludo” na Paraíba, principalmente em Campina Grande, justamente onde o discurso foi proferido.

Distância

Segundo pesquisa Data Ranking, divulgada no último dia 10, Veneziano Vital lidera com folga a preferência do eleitorado campinense para o Senado. No voto consolidado — resultado da soma da primeira com a segunda o...

Daniella Ribeiro, candidata à suplência de Nabor Wanderley, perdeu a linha e fez ataques ao Senador e candidato à reeleição, Veneziano Vital. Em um discurso exaltado, a senadora foi muito além da crítica política e partiu para o ataque pessoal quando chamou o colega de Senado de “mentiroso”, “falso” e “fake”.

Motivo banal

Mãe do atual governador e candidato à reeleição, Lucas Ribeiro, e irmã do deputado federal Aguinaldo Ribeiro, Daniella atacou Veneziano por um motivo banal — e, por isso mesmo, revelador do estado de espírito da campanha governista. Afinal, as pesquisas mostram ampla vantagem do “Cabeludo” na Paraíba, principalmente em Campina Grande, justamente onde o discurso foi proferido.

Distância

Segundo pesquisa Data Ranking, divulgada no último dia 10, Veneziano Vital lidera com folga a preferência do eleitorado campinense para o Senado. No voto consolidado — resultado da soma da primeira com a segunda opção, já que o eleitor vota em dois candidatos ao Senado —, Veneziano alcança 58,3%. Enquanto isso, Nabor Wanderley, o candidato apoiado por Daniella, pela máquina do governo e pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, seu filho, não chega aos 4%: tem apenas 3,5%.

Esses números

Talvez ajudem a explicar o comportamento agressivo da atual senadora em cima do palanque. Os ataques de Daniella Ribeiro a Veneziano Vital foram despropositados e constituem, portanto, um erro político. Provavelmente, a atual senadora não calculou os efeitos eleitorais do gesto.

O senador das entregas

Ora, se há algo de palpável e que se espalha não apenas por Campina Grande, mas por toda a Paraíba, são as obras e os serviços resultantes do trabalho parlamentar e da capacidade de aprovar e liberar recursos, de Veneziano Vital como Senador. E o eleitorado reconhecer esse trabalho. Não por acaso, o “Cabeludo” aparece em todo estado entre os dois candidatos que lideram as pesquisas para o Senado, muito distante de Nabor Wanderley, como acontece em Campina Grande.

Mais distâncias

Ao partir para a agressão pessoal, Daniella pode ter produzido justamente o efeito contrário ao pretendido: em vez de atingir Veneziano, chamou a atenção para o trabalho de Veneziano quanto para a enorme distância que, neste momento, separa o senador do candidato de sua chapa. E, porque não, para a palidez e ineficiência do seu próprio mandato.

Se avexe não...

A única resposta de Veneziano é reveladora de sua personalidade pacata e, sobretudo, bem educada, que até os adversários reconhecem. Em resposta a uma postagem no Instagram que registra em video os ataques, o senador se limitou a escrever: “Aquetai-vos o coração”.

E

Nada mais disse por ser desnecessário.

*Flávio Lúcio é cientista político, professor de História na UFPB e doutor em sociologia.


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Nova Decisão Americana Eleva a Energia Nuclear como Tecnologia de Segurança Nacional, Soberania, Defesa e Estratégia - Por Amadeu Robalinho*

21/08/2026

A Decisão dos Estados Unidos de reposicionar a energia nuclear no âmbito das tecnologias de segurança nacional representa mais do que uma alteração de classificação administrativa ou terminológica. Trata-se de uma mudança de perspectiva estratégica, capaz de produzir efeitos sobre políticas de defesa, planejamento tecnológico, infraestrutura crítica, indústria, ciência, energia e, principalmente, sobre a capacidade de um Estado preservar sua autonomia diante de um sistema internacional cada vez mais marcado pela competição tecnológica entre grandes potências.

A questão central não está apenas na produção de eletricidade por meio de reatores nucleares. O verdadeiro elemento estratégico está no domínio do conhecimento, dos materiais, dos processos industriais, do ciclo do combustível, da engenharia especializada, da capacidade de projetar e construir reatores, dos sistemas de controle, da propulsão nuclear e da infraestrutura necessária para sustentar, por décadas, uma cad...

A Decisão dos Estados Unidos de reposicionar a energia nuclear no âmbito das tecnologias de segurança nacional representa mais do que uma alteração de classificação administrativa ou terminológica. Trata-se de uma mudança de perspectiva estratégica, capaz de produzir efeitos sobre políticas de defesa, planejamento tecnológico, infraestrutura crítica, indústria, ciência, energia e, principalmente, sobre a capacidade de um Estado preservar sua autonomia diante de um sistema internacional cada vez mais marcado pela competição tecnológica entre grandes potências.

A questão central não está apenas na produção de eletricidade por meio de reatores nucleares. O verdadeiro elemento estratégico está no domínio do conhecimento, dos materiais, dos processos industriais, do ciclo do combustível, da engenharia especializada, da capacidade de projetar e construir reatores, dos sistemas de controle, da propulsão nuclear e da infraestrutura necessária para sustentar, por décadas, uma cadeia tecnológica de elevada complexidade.

Em outras palavras, quando uma potência passa a considerar a energia nuclear como tecnologia de segurança nacional, o átomo deixa de ser percebido exclusivamente como instrumento energético e passa a ser compreendido como componente de poder nacional.

Essa distinção é fundamental para compreender o atual ambiente estratégico.

A tecnologia como instrumento de poder nacional

Durante décadas, parte importante do debate internacional sobre energia nuclear esteve concentrada em questões ambientais, segurança operacional, geração de eletricidade e redução das emissões de carbono. Esses aspectos continuam relevantes, mas não esgotam o significado estratégico da tecnologia nuclear.

Para um Estado, dominar tecnologias críticas significa reduzir vulnerabilidades externas.

Essa lógica pode ser observada em diferentes setores. Um país que depende integralmente de semicondutores estrangeiros possui uma vulnerabilidade. Um país que depende de sistemas espaciais de terceiros possui outra. Uma nação que não controla sua infraestrutura energética estratégica também está sujeita a limitações. O mesmo raciocínio se aplica à tecnologia nuclear.

O domínio nuclear reúne ciência, engenharia, indústria, mineração, metalurgia, materiais especiais, eletrônica, automação, computação, segurança, logística e formação de recursos humanos altamente especializados. Portanto, sua importância ultrapassa a própria usina nuclear.

É justamente nesse ponto que energia e defesa começam a convergir.

Uma sociedade moderna depende de energia contínua para manter hospitais, sistemas de comunicação, centros de dados, instalações militares, sistemas de comando e controle, portos, ferrovias, indústria pesada, abastecimento de água e infraestrutura crítica. A interrupção prolongada desses sistemas pode produzir efeitos estratégicos comparáveis aos de outras formas de ataque contra a infraestrutura nacional.

Assim, segurança energética passa a integrar a própria arquitetura da segurança nacional.

A nova fronteira da competição tecnológica

A incorporação da energia nuclear ao conjunto de tecnologias consideradas estratégicas pelos Estados Unidos deve ser compreendida dentro de uma transformação mais ampla da ordem internacional.

A competição entre Estados deixou de ocorrer exclusivamente no campo militar convencional. Hoje, a superioridade estratégica também depende da capacidade de produzir semicondutores, dominar inteligência artificial, desenvolver sistemas autônomos, operar no espaço, controlar cadeias industriais críticas, desenvolver novos materiais e garantir fontes energéticas resilientes.

Nesse ambiente, a energia nuclear adquire uma característica singular.

Ela pode atuar simultaneamente como instrumento de desenvolvimento econômico, componente de segurança energética, vetor de inovação industrial e elemento de capacidade militar.

Essa multiplicidade explica por que a tecnologia nuclear permanece associada às grandes estratégias nacionais.

O desenvolvimento de reatores avançados, sistemas nucleares compactos, tecnologias de fusão, propulsão nuclear espacial e materiais capazes de suportar elevados níveis de temperatura e radiação não constitui apenas uma agenda científica. Trata-se de uma disputa pelo domínio de tecnologias que poderão determinar a liberdade de ação dos Estados nas próximas décadas.

Microrredes nucleares e a resiliência da infraestrutura crítica

Um dos aspectos mais relevantes dessa mudança de perspectiva está na possibilidade de utilização de reatores avançados em microrredes destinadas a instalações críticas.

A importância estratégica desse conceito é evidente.

Uma instalação militar, um centro de comando, uma unidade industrial estratégica ou uma infraestrutura de comunicações não pode depender exclusivamente de uma rede elétrica vulnerável a falhas sistêmicas, ataques cibernéticos, sabotagem, eventos climáticos extremos ou interrupções na cadeia de abastecimento de combustíveis.

A geração nuclear, especialmente quando associada a sistemas avançados e estruturas de microrrede, pode oferecer elevado grau de continuidade operacional.

Isso significa que o reator deixa de ser apenas uma máquina de geração de energia e passa a integrar a arquitetura de resiliência do Estado.

Em uma situação de crise, a capacidade de manter energia disponível para sistemas essenciais pode significar a diferença entre preservar e perder a capacidade de comando, produção e resposta.

Sob a ótica da Estratégia Marítima, essa questão ganha ainda maior relevância. Portos, arsenais, bases navais, estaleiros, sistemas de controle de tráfego marítimo, instalações de abastecimento e complexos industriais dependem de energia confiável. A vulnerabilidade energética de uma infraestrutura marítima pode comprometer toda uma cadeia logística e, consequentemente, reduzir a capacidade de emprego do Poder Naval.

Propulsão nuclear e liberdade de ação estratégica

No campo naval, a relação entre energia nuclear e poder estratégico é ainda mais evidente.

A propulsão nuclear não deve ser analisada apenas como uma alternativa tecnológica ao combustível convencional. Ela altera determinadas características operacionais dos meios navais, permitindo elevada autonomia energética e maior permanência no mar, características particularmente relevantes para submarinos de propulsão nuclear.

Por essa razão, o domínio da propulsão nuclear naval representa muito mais do que uma conquista de engenharia.

Representa domínio tecnológico aplicado diretamente à capacidade militar.

A experiência internacional demonstra que os países que dominam essa tecnologia possuem capacidades diferenciadas de operação submarina e projeção de poder. Entretanto, reproduzir esse resultado exige uma base industrial, científica e tecnológica muito ampla.

Não basta construir o submarino.

É necessário dominar o reator, o combustível, os materiais, os sistemas de controle, a segurança nuclear, a manutenção, a cadeia de fornecedores, a formação de pessoal e os processos industriais associados.

A verdadeira soberania tecnológica está no domínio do conjunto.

O caso brasileiro: soberania não se improvisa

É nesse ponto que a realidade brasileira merece atenção especial.

O Brasil possui características que conferem ao país uma posição singular no cenário nuclear internacional. Possui recursos minerais relevantes, experiência acumulada no ciclo do combustível nuclear, capacidade de enriquecimento de urânio e uma trajetória própria de desenvolvimento tecnológico.

Além disso, o país desenvolve o Programa Nuclear da Marinha e busca alcançar a capacidade de propulsão nuclear naval por meio do projeto do submarino de propulsão nuclear brasileiro.

Essa trajetória não deve ser observada exclusivamente sob a perspectiva militar.

Ela representa também uma política de desenvolvimento tecnológico de longo prazo.

O domínio de tecnologias nucleares exige continuidade institucional. Exige universidades, centros de pesquisa, indústria, profissionais qualificados, capacidade de fabricação, infraestrutura laboratorial, regulamentação eficiente e planejamento estatal.

Não existe soberania nuclear instantânea.

Existe soberania construída ao longo de décadas.

Nesse sentido, qualquer política brasileira voltada ao setor nuclear deveria ser analisada como política de Estado, e não como programa sujeito às oscilações conjunturais de governos.

O ciclo do combustível como elemento de soberania

Há ainda uma dimensão frequentemente esquecida no debate público: possuir urânio não significa necessariamente possuir autonomia nuclear.

A soberania está associada à capacidade de transformar o recurso mineral em capacidade tecnológica.

Mineração, conversão, enriquecimento, fabricação de combustível, utilização em reatores e gerenciamento do ciclo nuclear constituem etapas distintas.

O país que domina apenas uma parte dessa cadeia permanece vulnerável nas demais.

Por isso, o domínio do ciclo do combustível nuclear deve ser compreendido como patrimônio tecnológico estratégico.

A questão não é simplesmente possuir uma matéria-prima. É possuir conhecimento, instalações, equipamentos, profissionais e capacidade industrial suficientes para transformar esse recurso em energia, conhecimento científico e capacidade estratégica.

Essa distinção é essencial para uma política nacional de soberania tecnológica.

Energia, indústria e defesa formam um mesmo sistema

O setor nuclear também produz efeitos sobre a indústria nacional.

Projetos nucleares exigem engenharia de alta precisão, metalurgia avançada, materiais especiais, sistemas eletrônicos, automação, controle de qualidade, fabricação pesada e elevada capacidade de certificação.

Consequentemente, investimentos nucleares podem funcionar como indutores de desenvolvimento tecnológico em diversos setores.

A mesma indústria capaz de fabricar componentes para sistemas nucleares pode ampliar competências aplicáveis à indústria naval, aeroespacial, energética e de defesa.

Esse é um dos motivos pelos quais a política nuclear deve ser pensada de forma integrada.

Energia nuclear, indústria de defesa, engenharia naval, ciência de materiais, infraestrutura energética e soberania tecnológica não são compartimentos isolados.

Fazem parte de um mesmo sistema nacional de capacidades.

A dimensão marítima da soberania

Para um país com a dimensão territorial e marítima do Brasil, essa discussão possui importância ainda maior.

O Brasil possui uma extensa costa, grande área marítima sob jurisdição nacional e importantes estruturas portuárias, energéticas e industriais associadas ao mar.

A Amazônia Azul não é apenas uma expressão geopolítica. Ela representa um espaço estratégico que reúne recursos naturais, rotas comerciais, infraestrutura energética, biodiversidade, atividades econômicas e interesses de segurança nacional.

A proteção desse espaço depende de capacidade de vigilância, presença, mobilidade, inteligência e dissuasão.

Nesse contexto, a capacidade de operar submarinos de propulsão nuclear constitui um elemento de grande relevância para o Poder Naval brasileiro.

Mas existe uma dimensão ainda mais profunda.

O desenvolvimento do submarino nuclear pode funcionar como um grande projeto mobilizador da indústria nacional, estimulando competências que ultrapassam os limites da própria Marinha.

É nesse sentido que programas estratégicos devem ser avaliados.

Não apenas pelo equipamento que entregam, mas pelo conjunto de capacidades tecnológicas que deixam como legado para o país.

A lição estratégica da reclassificação americana

A principal mensagem da mudança americana talvez não esteja na classificação formal da energia nuclear, mas na compreensão de que determinadas tecnologias precisam ser tratadas como ativos estratégicos permanentes.

Quando uma tecnologia é considerada essencial à segurança nacional, sua proteção deixa de depender exclusivamente da lógica de mercado.

O Estado passa a observar sua cadeia produtiva, seus fornecedores, seus centros de pesquisa, sua propriedade intelectual, seus profissionais, seus materiais críticos e suas vulnerabilidades.

Essa é uma lição importante para o Brasil.

Uma política de soberania tecnológica não significa isolamento.

Significa capacidade de escolher.

Um país tecnologicamente soberano pode cooperar, importar, estabelecer acordos e participar de cadeias internacionais. A diferença é que não depende integralmente de terceiros para preservar suas capacidades essenciais.

Cooperação é instrumento de soberania quando fortalece capacidades próprias.

Dependência é vulnerabilidade quando elimina a capacidade nacional de escolha.

O retorno da lógica de missão

A história da tecnologia estratégica demonstra que grandes avanços frequentemente surgem quando o Estado estabelece objetivos nacionais claros e mobiliza recursos científicos, industriais e financeiros para alcançá-los.

Foi assim em diferentes momentos do desenvolvimento nuclear, espacial, aeronáutico e militar.

A chamada lógica de missão possui uma característica fundamental: transforma conhecimento científico em objetivo estratégico.

Não se trata apenas de pesquisar.

Trata-se de pesquisar para dominar uma capacidade.

Essa diferença é decisiva.

Para o Brasil, a construção de uma agenda nacional de tecnologias estratégicas deveria considerar projetos de longo prazo capazes de integrar universidades, Forças Armadas, empresas, centros de pesquisa e indústria.

O objetivo não deveria ser simplesmente adquirir equipamentos.

Deveria ser construir competências.

Soberania é capacidade de decidir

A grande questão colocada pela transformação da energia nuclear em tecnologia de segurança nacional é, portanto, mais ampla do que a própria energia.

Ela diz respeito à capacidade de uma nação controlar os instrumentos necessários para decidir seu próprio futuro.

Soberania não significa possuir tudo.

Significa não permitir que aquilo que é essencial à sobrevivência, à segurança e ao desenvolvimento nacional esteja inteiramente submetido à vontade de terceiros.

Nesse sentido, energia nuclear, inteligência artificial, semicondutores, espaço, materiais avançados, engenharia naval, defesa cibernética e sistemas autônomos fazem parte de uma mesma equação estratégica.

São tecnologias que determinam liberdade de ação.

O Brasil possui recursos naturais, território, população, universidades, indústria e uma base científica capaz de sustentar projetos ambiciosos. O desafio está em transformar essas vantagens em capacidades permanentes.

A mudança de orientação dos Estados Unidos deve servir, portanto, como sinal de alerta e oportunidade de reflexão.

As grandes potências estão reorganizando suas estratégias em torno do domínio tecnológico.

O século XXI será marcado não apenas pela posse de recursos, mas pela capacidade de transformar recursos em conhecimento, conhecimento em tecnologia, tecnologia em indústria e indústria em poder nacional.

No campo nuclear, essa equação é particularmente evidente.

Quem domina o átomo domina uma parcela significativa de sua própria autonomia energética e tecnológica. Quem domina também sua aplicação naval, espacial e industrial amplia sua liberdade de ação estratégica.

Por isso, a questão nuclear brasileira não deve ser reduzida a uma discussão sobre eletricidade, custos ou meio ambiente.

Ela deve ser compreendida dentro de uma agenda maior de Defesa Nacional, Estratégia Marítima, soberania tecnológica e desenvolvimento industrial.

A soberania de uma nação não é declarada.

É construída.

E, no século XXI, será construída também nos laboratórios, nos centros de pesquisa, nos estaleiros, nas instalações industriais, nas universidades e nos reatores onde se encontram algumas das tecnologias que definirão a distribuição de poder das próximas décadas.

O átomo, portanto, volta a ocupar o lugar que historicamente sempre teve na geopolítica: não apenas como fonte de energia, mas como expressão concentrada de ciência, indústria, capacidade militar e soberania nacional.


*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho


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