
Colégio Contato ano 50 - Uma ideia para sempre
30/08/2025 -
Por José Nivaldo Junior*
11 de agosto é um grande dia para a educação no Brasil. Em 1827, foram fundados os cursos Jurídicos, dando início à educação superior no País. Em 1976, foi criado, no Recife, o Colégio Contato. Uma ideia nova. Uma proposta diferente. Fora do padrão dos tradicionais colégios religiosos. E além do modelo dos "cursinhos" pré vestibular. Fundindo a formação sólida dos colégios tradicionais com a leveza e objetividade dos cursinhos. Em síntese, algo novo. E não apenas na sala de aula. Também, até e principalmente, fora dela. Formando pessoas completas. Dos pontos de vista técnico, humanístico e social, preparadas para a Universidade e a vida.

Papel marcante
O Contato marcou a vida de todos. Os sócios fundadores. Os professores. Os funcionários. Os alunos, claro. Passei dez anos ensinando lá. Ainda ontem, batia pernas no Shopping quando ouvi o grito: "Professor... tá lembrado de mim? Fui seu aluno no Contato... dirigindo-se à esposa: é esse, amor, o melhor professor de história, etc... Foi por acaso uma exceção? uma raridade? Nada disso. Foi a segunda vez no dia. A quarta ou quinta na semana. Foram só dez anos. Encerrei minha carreira no segundo grau no final de 87. E não se passa uma semana que não seja abordado por ex-alunos. E nem tinha tantas turmas assim. A verdade é que tudo no Contato foi marcante. O Contato é para sempre, já falávamos profeticamente no início dos anos 1980.
As pedras fundamentais
Vamos ver se lembro de todos: Zé Ricardo Diniz, Ângelo Melo, Paulo Erlich. José e Manoel Galdino. Raul. Carlos Alberto. Gaudêncio. E completando o time: Arildo, Everaldo e Pedro Nunes. Essas as feras que acrescentaram aos papéis que já exerciam nas salas de aula um projeto educacional que moldaria os novos tempos.

Este artigo
É um registro: este agosto que se encerra, marca o início do ano 50 do Contato. Em agosto do próximo ano, vamos comemorar o cinquentenário. De algo que nos fez felizes e realizados. Construiu amizades e relações sólidas. Distribuiu conhecimento, valores, afetos.
Para mim
Vou dizer duas pequenas coisas de tantas que há para contar. Que revelam a essência do caráter dos sócios do Contato, da sua filosofia, da grandeza dos espíritos. Tinha saído da prisão, mas ainda respondia a processos na Auditoria Militar. Biu Vicente, colega e compadre, que era estrela de primeira grandeza em História, chegou ao início de 1977 querendo mais tempo para a vida acadêmica. Me indicou para substituto. Fui lá. Zé Ricardo, colega de turma na FDR, sabia toda a história. Conversei francamente. Sem muita esperança, confesso. Zé, sem ser de esquerda, era do campo progressista. Mas, entre os sócios, outros tinham opiniões diferentes. Porém, para minha surpresa, fui admitido. E mais: dei minhas aulas e escrevi meus textos, que eles publicavam, sem nunca ter ouvido uma leve advertência, um conselho de "cuidado", nada. No Contato sempre expressei minhas ideias, livremente. A ditadura ficava do lado de fora. Outra coisa marcante, inesquecível, impagável: quando Luiz Montenegro e eu montamos a MMS, o Contato, uma das mais prestigiadas e disputadas marcas do mercado publicitário, nos entregou a sua conta. Ainda em plena ditadura, acrescente-se. Agora, me diga se essa turma não era mesmo diferente, pessoas especiais, agregadores e formadores de gente diferenciada?
PS. Os sobreviventes mantém contato até hoje. Sempre, nas redes sociais. E, pelo menos uma vez por ano, fazemos a nossa comunhão de corpo presente. Para sempre.
*José Nivaldo Junior é advogado, historiador, publicitário especializado em marketing político. Da Academia Pernambucana de Letras. Diretor de O Poder.
