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O Tempo implacável e a idade das pessoas: A perigosa fenda de 2030, por Emanuel Silva*

30/08/2025 -

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Na mitologia grega, Kronos é o titã do tempo, frio e invencível, que não se curva a leis ou coroas. Sua única regra é a passagem inevitável dos anos.

Hoje, sua presença ecoa até em prateleiras de farmácias, com dermocosméticos que levam seu nome e prometem milagres contra o envelhecimento. Mas, por trás das fórmulas sofisticadas, permanece a verdade inalterável: nada detém o tempo.

Os sinais da idade são implacáveis — não há botox, tintura ou técnica capaz de esconder indefinidamente os quilômetros rodados:

• Aos 80 anos, o corpo perde firmeza, a memória se torna seletiva e a rotina se reduz.

• Aos 90 anos, até os mais resistentes enfrentam fragilidade e dependência.

• Aos 100 anos, a vida se torna exceção estatística, mantida mais pela graça que pela força.

É nesse horizonte que se projeta a fenda do poder em 2030: o tempo cobrando sua conta até daqueles que se julgavam imunes a ele.



Kronos 7 x 0 Executivo

Até 2030, Kronos terá consumado sua revolução silenciosa no centro do poder Executivo. Aqueles que se julgavam eternos descobrirão, diante do espelho, que até os mais poderosos se tornam frágeis quando o calendário pesa. O que parecia sólido e inabalável será apenas areia escorrendo na ampulheta.
Por muito tempo se alimentou a ilusão de que as maiores lideranças seriam poupadas. Fiéis escudeiros e aduladores propagavam a fantasia de que eram figuras eternas, imunes ao calendário. Mas era apenas falácia, engodo e autonegação: Kronos não esquece, apenas espera.

Vejamos as idades que terão os ex-presidentes em 2030

E desejemos a todos longos anos de vida:
• José Sarney – 100 anos
• Fernando Henrique Cardoso – 99 anos
• Michel Temer – 90 anos
• Luiz Inácio Lula da Silva – 85 anos
• Dilma Rousseff – 83 anos
• Fernando Collor de Mello – 81 anos
• Jair Bolsonaro – 75 anos

Mas é evidente

Uma fenda enorme está prestes a se abrir e será inevitavelmente ocupada por outros. Uns chegarão preparados, outros improvisados; uns legítimos, outros oportunistas. Porque a política, assim como a natureza, não suporta o vazio.

O Supremo não consegue parar o tempo?

As excelências das mais altas cortes também estão submetidas às mesmas leis biológicas. Primeiro vem a aposentadoria compulsória, aos 75 anos — e, depois dela, a sequência inevitável da vida que alcança a todos: envelhecimento, fragilidade e finitude.
A vitaliciedade dos cargos pode dar a sensação de permanência, mas não suspende o curso natural do tempo. O calendário não pede licença, nem se curva a prerrogativas.

Assim, cabe reconhecer

Os dias passam para todos, e também aos juízes se deseja o mesmo que a qualquer homem ou mulher — longos anos de vida, com sabedoria e serenidade.

O Legislativo

A hora passa mais rápido
No Parlamento, a marcha do tempo é ainda mais visível. Legislaturas se sucedem, gerações se alternam, nomes surgem e desaparecem. Deputados e senadores entram cheios de vigor e, em poucos anos, já se percebem transformados pela passagem do calendário.
Também a eles, como a todos, se deseja que seus dias sejam plenos de sentido, e que cada mandato seja vivido com a consciência de que a vida pública é breve — e que só permanece o que é construído com retidão e justiça.

O lembrete dos sábios e santos

São Tomás de Aquino nos recorda:
“A eternidade é a medida do ser permanente; o tempo, a do movimento. A primeira existe toda simultaneamente; o tempo, ao contrário, se estende em anterioridade e posterioridade.”
(Suma Teológica, I, q.10, a.4, corpus)
Assim, o tempo é criatura de Deus, destinado a medir os seres sujeitos à mudança, ao nascer e ao morrer. A eternidade, porém, é própria de Deus: sem princípio, sem fim, sem sucessão. Quem confunde as duas dimensões esquece que tudo o que é humano — impérios, governos, riquezas e glórias — está condenado à dissolução, porque vive no regime do tempo e não na eternidade.

A Escritura

Confirma essa verdade ao lembrar os limites da vida:

• “Setenta anos é o total de nossa vida, os mais fortes chegam aos oitenta. A maior parte deles, sofrimento e vaidade, porque o tempo passa depressa e desaparecemos.” (Sl 89, 10 — Bíblia Ave Maria)

Epílogo

A fenda de 2030
Chegar ao início da próxima década será, para muitos, uma efeméride incontornável. Não se trata apenas de virar o calendário, mas de reconhecer que tudo passa: homens e governos, tribunais e parlamentos, discursos e glórias.

Quem alcança oitenta, noventa ou cem anos não vence o tempo — apenas recebe de Deus o dom de ter vivido, e a oportunidade de transformar cada dia em gratidão, sabedoria e esperança. Pois a verdadeira vitória não está em prolongar os dias, mas em descobrir, neles, o caminho que conduz à eternidade.
E aqui fica a lição de humildade para todos — poderosos ou simples cidadãos: a marcha do tempo é a mesma para todos, e ninguém escapa de sua medida.

*Emanuel Silva é professor e cronista.

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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