Aqui, Leitor, Você Exerce o Contraditório - Crônica, por Romero Falcão*
15/01/2026
Pilar da Democracia
Mais do que liberar opiniões de rodapé, esta mídia digital na qual escrevo oferece um dos pilares robustos da democracia: o contraditório. Aqui, o leitor, a leitora, pode se expressar, produzir seu próprio texto com argumentos, embasamento e dados, refutando o artigo em questão — e não com o fígado das redes sociais.
Voz e Vez
Um exemplo clássico dos últimos dias foi o artigo “O Cruel e Desumano Tratamento a Jair Bolsonaro”, da médica Cristiana Altino, prontamente rebatido pelo texto “Ética Médica de Conveniência”, de autoria do professor Natanael Sarmento. É extremamente importante o debate, o embate no campo das ideias, o...
Pilar da Democracia
Mais do que liberar opiniões de rodapé, esta mídia digital na qual escrevo oferece um dos pilares robustos da democracia: o contraditório. Aqui, o leitor, a leitora, pode se expressar, produzir seu próprio texto com argumentos, embasamento e dados, refutando o artigo em questão — e não com o fígado das redes sociais.
Voz e Vez
Um exemplo clássico dos últimos dias foi o artigo “O Cruel e Desumano Tratamento a Jair Bolsonaro”, da médica Cristiana Altino, prontamente rebatido pelo texto “Ética Médica de Conveniência”, de autoria do professor Natanael Sarmento. É extremamente importante o debate, o embate no campo das ideias, o que este jornal preza, dando voz e vez aos seus leitores para que se manifestem de acordo com sua visão de mundo, desde que de maneira civilizatória.
Ringue Armado
Vivemos num Brasil em que problemas complexos são tratados com a lógica das redes sociais. A sociedade não discute com firmeza e clareza as crises do país; pelo contrário, opta pelo ringue armado, no qual quem grita mais alto e sabe bater leva a melhor. Quando não há como refutar o argumento contrário, ataca-se o argumentador.
Inteligência Natural
Mas aqui, O Poder dá a liberdade, leitor, leitora, de discordar destas minhas linhas, pois a diferença de perspectivas, quando acompanhada de respeito e urbanidade, é o que faz a inteligência natural subir um degrau na escada da humanidade.
*Romero Falcão é um cronista que se arrisca a fazer poema torto.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o livre confronto de ideias e acolhe o contraditório. Todas as pessoas e instituições citadas têm assegurado espaço para suas manifestações.

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É Findi - Autoconhecimento / Libertação - Conto Reflexivo, por Maria Inês Machado*
17/01/2026
Retomou antigas leituras, mas sentiu que já não a tocavam como antes. Havia um cansaço silencioso, uma necessidade de renovação — novos livros, novos olhares, novas perguntas.
A praia parecia o lugar ideal para isso.
As ondas iam e vinham, como notas musicais em uma melodia repetitiva e hipnótica. Ainda assim, o encantamento não vinha. Joana sentou-se na areia, entregue ao som do mar e ao próprio vazio.
Dizem que os pombos não falam.
Será?
Um deles aproximou-se com passos calmos, quase solenes.
— Teu semblante está enigmático. O que tens? Saudade de alguém? Sou um pombo-correio… levo mensagens.
Joana sorriu de leve.
— Vim só descansar um pouco. A brisa do mar é refrigério para minha alma.
— O que te oprime? — insistiu o pombo.
— Não sei…
— Então feche os olhos e vasculhe o coração.
Joana percebeu que algo não estava bem.
Retomou antigas leituras, mas sentiu que já não a tocavam como antes. Havia um cansaço silencioso, uma necessidade de renovação — novos livros, novos olhares, novas perguntas.
A praia parecia o lugar ideal para isso.
As ondas iam e vinham, como notas musicais em uma melodia repetitiva e hipnótica. Ainda assim, o encantamento não vinha. Joana sentou-se na areia, entregue ao som do mar e ao próprio vazio.
Dizem que os pombos não falam.
Será?
Um deles aproximou-se com passos calmos, quase solenes.
— Teu semblante está enigmático. O que tens? Saudade de alguém? Sou um pombo-correio… levo mensagens.
Joana sorriu de leve.
— Vim só descansar um pouco. A brisa do mar é refrigério para minha alma.
— O que te oprime? — insistiu o pombo.
— Não sei…
— Então feche os olhos e vasculhe o coração.
Ela obedeceu.
Ao fazê-lo, surpreendeu-se: encontrou a mente em desalinho, pensamentos dispersos, dificuldade de concentração.
— Não basta fechar os olhos — disse o amigo de penas. — É preciso esvaziar a mente. Venha, eu te ajudo.
Joana permaneceu em vigília. Pouco depois, ouviu uma voz suave, como se viesse de dentro:
A viagem interior é uma necessidade fundamental no processo de mudança.
Abrir as gavetas do Eu, reconhecer os excessos acumulados e reciclá-los.
Não é uma viagem fácil. Exige direção, coragem e escolha.
Aonde desejo chegar? Que mudanças desejo realizar?
Não há atalhos.
Primeiro passo: Despertar.
Reconhecer que algo não flui mais é um ato de lucidez.
Segundo passo: Refletir.
Quais amarras me prendem? São externas ou internas?
Terceiro passo: Catalogar.
Identificar investimentos que não deram frutos e aprender com eles.
Quarto passo: Decidir.
Decidir é coragem. Permanecer na estagnação é medo disfarçado.
A vida é feita de ciclos. Permanecer na estação quando o trem já partiu é retrocesso.
Lembre-se: a fênix renasce das cinzas.
E, ao renascer, voa mais alto.
Joana, lentamente, retornou dessa viagem magnífica. Abriu os olhos e olhou para o pombo.
— O que aconteceu? — perguntou.
Ele inclinou a cabeça e respondeu:
— Não sei… as respostas são suas.
Materialize.
*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.

É Findi - Li’vinhos - Poema, por Eduardo Albuquerque*
17/01/2026
Ah! com ambos o poeta se alinha
Numa bela visita a Argentina
Ou mesmo em Portugal, nas vinhas
Jorge Luís Borges lhe ofertará
“Desconstruindo Sofia” você lerá
Na Buenos Aires, Malbec degustará
Em comprazia do escritor singular
Leia “Os Maias”, com vinho do Porto
Eça de Queiroz o aguarda com gosto
Vinho verde à vontade no Douro
Fernando Pessoa e o seu “Desassossego”
Literatura, vinhos na França, é viés
Hugo, Balzac, Dumas, Flaubert
Simone de Beauvoir, Baudelaire
Vinhos e literatura, a seus pés.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.
Um bom livro, um velho vinho
Ah! com ambos o poeta se alinha
Numa bela visita a Argentina
Ou mesmo em Portugal, nas vinhas

Jorge Luís Borges lhe ofertará
“Desconstruindo Sofia” você lerá
Na Buenos Aires, Malbec degustará
Em comprazia do escritor singular

Leia “Os Maias”, com vinho do Porto
Eça de Queiroz o aguarda com gosto
Vinho verde à vontade no Douro
Fernando Pessoa e o seu “Desassossego”

Literatura, vinhos na França, é viés
Hugo, Balzac, Dumas, Flaubert
Simone de Beauvoir, Baudelaire
Vinhos e literatura, a seus pés.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.

É Findi - Diferenças Sob o Sol - Poema - Por, Malude Maciel*
17/01/2026
Como as pessoas,
São únicos,
Diferentes,
Têm suas peculiaridades,
Tal qual
Uma obra de arte.
A vida sempre surpreende,
Em cada esquina
Surpresas
Agradáveis ou não.
Para nós,
Isso é um privilégio.
Que seja assim.
Ninguém aguentaria
A mesmice.
"Nada do que foi será, do jeito que a gente viu há um segundo.
Tudo passa, tudo sempre passará...
Como uma onda no mar..."
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.
Os dias,
Como as pessoas,
São únicos,
Diferentes,
Têm suas peculiaridades,
Tal qual
Uma obra de arte.
A vida sempre surpreende,
Em cada esquina
Surpresas
Agradáveis ou não.
Para nós,
Isso é um privilégio.
Que seja assim.
Ninguém aguentaria
A mesmice.
"Nada do que foi será, do jeito que a gente viu há um segundo.
Tudo passa, tudo sempre passará...
Como uma onda no mar..."
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.

É Findi - Vidente, por Felipe Bezerra*
17/01/2026
- em meses seria obsceno -
mas certamente o Supremo
Salvará o cliente Vorcaro
- amigo estimado e caro -
e o processo será anulado.
Amizade é item raro,
dispensa julgamentos morais
quando envolve parceiros ideais.
*Felipe Bezerra, advogado e poeta.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Talvez daqui a uns anos
- em meses seria obsceno -
mas certamente o Supremo
Salvará o cliente Vorcaro
- amigo estimado e caro -
e o processo será anulado.
Amizade é item raro,
dispensa julgamentos morais
quando envolve parceiros ideais.
*Felipe Bezerra, advogado e poeta.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
É Findi - Zé Nivaldo* Reverencia Quem Merece
17/01/2026
Paulinho,
Paulino,
Cavalcanti, jamais cavalgado
A não ser pelas
rédeas firmes
Controladas pelas mãos, cérebro e coração
Sensíveis e fortes
Da Dra Lectícia.
Que decide porque domina os segredos do mandar.
Zé. O Paulinho.
Tri acadêmico.
O único conhecido na vida e na imortalidade.
Fernando Pessoa?
Redescobrir o óbvio é a genialidade maior.
Quase autobiografia.
Uma quase tudo é uma quase nada.
Que preenche os escaninhos do mundo literário.
Zé Paulo e Maria Lectícia.
Não perfeitos imortais.
Mortais perfeitos.
Acendo um charuto e ergo um brinde
Admiração e respeito.
Amigos que rasgam o peito
E se aninham bem lá dentro. Para a eternidade.
*José Paulo Cavalcanti Filho, Amigo de Zé Nivaldo, Consultor da Unesco e do Banco Mundial. Foi presidente de EBN, do CADE e do Conselho de Comunicação Soci...
Ze Paulo
Paulinho,
Paulino,
Cavalcanti, jamais cavalgado
A não ser pelas
rédeas firmes
Controladas pelas mãos, cérebro e coração
Sensíveis e fortes
Da Dra Lectícia.
Que decide porque domina os segredos do mandar.
Zé. O Paulinho.
Tri acadêmico.
O único conhecido na vida e na imortalidade.
Fernando Pessoa?
Redescobrir o óbvio é a genialidade maior.
Quase autobiografia.
Uma quase tudo é uma quase nada.
Que preenche os escaninhos do mundo literário.
Zé Paulo e Maria Lectícia.
Não perfeitos imortais.
Mortais perfeitos.
Acendo um charuto e ergo um brinde
Admiração e respeito.
Amigos que rasgam o peito
E se aninham bem lá dentro. Para a eternidade.
*José Paulo Cavalcanti Filho, Amigo de Zé Nivaldo, Consultor da Unesco e do Banco Mundial. Foi presidente de EBN, do CADE e do Conselho de Comunicação Social, do Congresso Nacional. Ministro da Justiça. Membro da Comissão Nacional da Verdade. Membro da Academia Pernambucana de Letras. Membro da Academia Brasileira de Letras Membro da Academia Portuguesa de Letras ( Academia de Ciências de Lisboa).
e
*José Nivaldo Júnior é jornalista, historiador, advogado, publicitário, membro da Academia Pernambucana de Letras, diretor-geral de O Poder.

É Findi - Pelas ruas do meu país - Crônica, por Ana Pottes*
17/01/2026
É festa pagã a inundar as ruas da Veneza Americana.
Há guerreiros espalhados no bairro do Hipódromo, na rua mais bonita do mundo que fica ali, no Recife Antigo, e nas ladeiras que sobem e descem, feito ondas vibrantes na vizinha-irmã Olinda. É Pitombeira no tapete vermelho, pelo mundo afora; é Elefante exaltando as tradições, cantando os coqueirais, o sol e o mar.
Da Zona da Mata, chegam brincantes coloridos, trazendo rosas entre os dentes e lanças com fitas nas cores desse país.
Os acertos de marcha abrem espaço para as pastoras e pastores, com corais afinando vozes, cantando frevos em forma de poemas saudosos, a invadir ruas e calçadas que, por falta de espaço, navegam pelo Capibaribe e inundam o Atlântico.
O Galo canta e encanta seguidores, eletrizando a cidade em milhões de volts.
A Saudade é sentimento em for...
Um novo janeiro que mal abriu os olhos, já vê fevereiro a chegar, fervendo e frevando.
É festa pagã a inundar as ruas da Veneza Americana.
Há guerreiros espalhados no bairro do Hipódromo, na rua mais bonita do mundo que fica ali, no Recife Antigo, e nas ladeiras que sobem e descem, feito ondas vibrantes na vizinha-irmã Olinda. É Pitombeira no tapete vermelho, pelo mundo afora; é Elefante exaltando as tradições, cantando os coqueirais, o sol e o mar.
Da Zona da Mata, chegam brincantes coloridos, trazendo rosas entre os dentes e lanças com fitas nas cores desse país.
Os acertos de marcha abrem espaço para as pastoras e pastores, com corais afinando vozes, cantando frevos em forma de poemas saudosos, a invadir ruas e calçadas que, por falta de espaço, navegam pelo Capibaribe e inundam o Atlântico.
O Galo canta e encanta seguidores, eletrizando a cidade em milhões de volts.
A Saudade é sentimento em forma de música aos nossos ouvidos, desde Antônio Maria, Capiba, Getúlio, Alcides Vespasiano, Fátima Castro, Júlio Vila Nova, Raphael Marques, Luis Faustino, Hamilton Florentino, Edgar Moraes, Raquel Eduardo, família Chaves, Heleno Ramalho, Edson Rodrigues, Spock e tantos outros mestres. Até essa enxerida aqui, com a ajuda do compositor Ely Madureira, se esgueirou pelos frevos de bloco, fazendo surgir Cordas e Saudade.
No meu país é festa, pois a cultura é ricamente representada por reisados, bois, caboclos de lança, clubes mistos, afoxés, troças, maracatus, blocos de pau e corda, caboclinhos. Todos frevem e fervem, num frege de jogos de pernas, braços, voadoras e danças marcadas por metais, sopros, alfaias, cordas, batuques, cantos e cantorias, a se regozijar até com o cinema brasileiro.
É Carnaval!
Juntos, os Guerreiros do Passo e os Agentes Secretos gritam em plenos pulmões:
Você é meu, Pernambuco!
*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem!

É Findi – O Lavrador de Palavras - Crônica - Por Xico Bizerra*
17/01/2026
Viu nascer sua planta: parido estava o livro, a florescer, vingado.
Colheu parágrafos tantos e os sorveu, regando páginas por ele mesmo plantadas. Não satisfeito, deu-as ao leitor, recomendando as lêsse como se bebe um bom vinho, lenta e pausadamente, acariciando cada linha, abraçando cada parágrafo, cheirando cada caule, respirando cada flor.
Depois, o merecido descanso, da mão, do homem. Pronta, restou sua obra, igual a ele próprio: jardim cheio de flores, de algumas exclamações e de muitas reticências ... até o ponto final. Alguns enxergaram espinhos.
Eles, os há. É da natureza da natureza. E dos livros. Nem só de leveza eles vivem, livros e natureza.
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.
... e o homem um dia resolveu plantar palavras: cavou fundo a fenda, escolheu bem as sementes, viu-as germinar e depois regou as letras, adubando-as com vírgulas, pontos, circunflexas interrogações.
Viu nascer sua planta: parido estava o livro, a florescer, vingado.
Colheu parágrafos tantos e os sorveu, regando páginas por ele mesmo plantadas. Não satisfeito, deu-as ao leitor, recomendando as lêsse como se bebe um bom vinho, lenta e pausadamente, acariciando cada linha, abraçando cada parágrafo, cheirando cada caule, respirando cada flor.
Depois, o merecido descanso, da mão, do homem. Pronta, restou sua obra, igual a ele próprio: jardim cheio de flores, de algumas exclamações e de muitas reticências ... até o ponto final. Alguns enxergaram espinhos.
Eles, os há. É da natureza da natureza. E dos livros. Nem só de leveza eles vivem, livros e natureza.
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – O amor é cego, Poesia Regional - Por Poeta Pica-Pau*
17/01/2026
És pior duquê serpente
E te vendo em minha frente
Magoa minha ferida
Todo amor déssa vida
Dei sem tu merecer
E para me entristecer
Saísse com um qualquer
Mas eu confesso mulher
Eu sou maluco por você
Mas eu confesso mulher
Sou doidinho por você
Você nunca mereceu
O amor que eu te dei
Quantas vezes eu perduei
Todo os deslizes teu
Me deixasse igual plebeu
Levando tudo o que eu tinha
Fiquei no sal e na farinha
Bebendo descontrolado
Mas sou doido apaixonado
Pelo o teu amor murrinha
Sou maluco apaixonado
Pelo o teu amor murrinha
Você me decepcionou
Me traiu me iludiu
Dá minha vida sumiu
Que nem o rasto deixou
Minha paz você levou
Ingrata ruim renitente
Quanto é má essa vivente
Que até droga vi uzá
Mas se ela qu...
Mulher ingrata e fingida
És pior duquê serpente
E te vendo em minha frente
Magoa minha ferida
Todo amor déssa vida
Dei sem tu merecer
E para me entristecer
Saísse com um qualquer
Mas eu confesso mulher
Eu sou maluco por você
Mas eu confesso mulher
Sou doidinho por você
Você nunca mereceu
O amor que eu te dei
Quantas vezes eu perduei
Todo os deslizes teu
Me deixasse igual plebeu
Levando tudo o que eu tinha
Fiquei no sal e na farinha
Bebendo descontrolado
Mas sou doido apaixonado
Pelo o teu amor murrinha
Sou maluco apaixonado
Pelo o teu amor murrinha
Você me decepcionou
Me traiu me iludiu
Dá minha vida sumiu
Que nem o rasto deixou
Minha paz você levou
Ingrata ruim renitente
Quanto é má essa vivente
Que até droga vi uzá
Mas se ela quizer voltar
Aceitarei novamente
Se você quiser voltar
Vou te querer novamente
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.

É Findi – As Sorveterias - por Carlos Bezerra Cavalcanti*
17/01/2026
Na primeira metade do século passado, as sorveterias caíram no gosto do recifense. O sorvete, deliciosa novidade da época, quando o gelo ainda vinha de fora. As famílias iam-se acostumando a tomá-lo “embora em salas especiais com toda a decência”. De início era a “neve”. Mas a expressão “sorvete” preponderou.
Nas décadas de 40 a 60, esses Pontos de Encontro, estavam bastante identificados com os movimentos das sessões de cinemas, nas saídas do Art Palácio, Trianon, Moderno e São Luís.
Passeios aos Domingos e Feriados
Nos feriados, dias santos e aos domingos, as pessoas desfilavam no Centro da cidade, elegantemente trajadas.
Parecia uma verdadeira passarela da moda. Os homens com paletós, normalmente brancos, chapéus do Panamá e o inseparável guarda-chuvas (sol), em animadas conversas nos cafés e bares centrais.
As mulheres, olhando as vitrinas, prot...
Pontos 'Chics' de Encontro
Na primeira metade do século passado, as sorveterias caíram no gosto do recifense. O sorvete, deliciosa novidade da época, quando o gelo ainda vinha de fora. As famílias iam-se acostumando a tomá-lo “embora em salas especiais com toda a decência”. De início era a “neve”. Mas a expressão “sorvete” preponderou.
Nas décadas de 40 a 60, esses Pontos de Encontro, estavam bastante identificados com os movimentos das sessões de cinemas, nas saídas do Art Palácio, Trianon, Moderno e São Luís.

Passeios aos Domingos e Feriados
Nos feriados, dias santos e aos domingos, as pessoas desfilavam no Centro da cidade, elegantemente trajadas.
Parecia uma verdadeira passarela da moda. Os homens com paletós, normalmente brancos, chapéus do Panamá e o inseparável guarda-chuvas (sol), em animadas conversas nos cafés e bares centrais.
As mulheres, olhando as vitrinas, protagonizavam verdadeiro espetáculo visual, onde não faltavam as luvas de várias cores e tamanhos e elegantes e variados chapéus.
Após os passeios, ia-se aos cinemas, os filmes, americanos principalmente, e os seriados eram verdadeiros atrativos para as tardes domingueiras. Após as sessões o convite as sorveterias eram irrecusáveis e para lá iam os casais e namorados, os adolescentes, senhoras e algumas crianças levadas pelos pais.
Entre os estabelecimentos, do ramo naqueles idos, destacavam-se as Sorveterias “Gemba”, ”Pérola” , “Botijinha” e a “DUDI”. Vejamos a mais famosa:
Sorveteria Gemba - Sabor Divino
Essa Sorveteria era uma das mais conhecidas e procuradas, nas décadas de 40 e 50. Pertencia ao Japonês Heiji Gemba (Lê-se Guemba), hoje busto e rua em Boa Viagem, a quem se atribuía poderes milagrosos para conseguir o inigualável sabor de seus sorvetes. Funcionou, inicialmente, na Largo da Concórdia, (Praça Joaquim Nabuco) próximo ao Cine Moderno, depois de depredada na II Guerra, reabriu, desta vez para funcionar na Rua da Aurora, próximo ao São Luiz. A sorveteria era o verdadeiro “epílogo” das exibições cinematográficas
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras

É Findi - Liberdade - Conto, por Romero Falcão*
17/01/2026
Conservadora. Estudara em colégio de freira. Farda completa e bem passada. A calça jeans não podia alterar o tom do azul. Camisa limpa, bolso com o escudo da escola, botões bem pregados.
Maquiagem, Nem Pensar
Até a meia era submetida à inspeção.Antes da aula, a missa. Formação quase militar no pátio. Hasteamento da bandeira ao canto do hino do Estado. Maquiagem, nem pensar. Cigarro no bico era caso de expulsão. O olhar severo dos professores advertia: rir era sinônimo de vadiagem.
A Polícia da Moral e dos Costumes
Sem falar na quantidade de livros que viajavam todos os dias dentro da mochila. O peso fazia parte do aprendizado. Era época sombria: a ditadura dava as cartas e os cortes. A polícia da moral e dos costumes algemava por qualquer coisa que questionasse o regime.
Cadeira Vazia
O pai trabalhava...
Nasceu numa família
Conservadora. Estudara em colégio de freira. Farda completa e bem passada. A calça jeans não podia alterar o tom do azul. Camisa limpa, bolso com o escudo da escola, botões bem pregados.

Maquiagem, Nem Pensar
Até a meia era submetida à inspeção.Antes da aula, a missa. Formação quase militar no pátio. Hasteamento da bandeira ao canto do hino do Estado. Maquiagem, nem pensar. Cigarro no bico era caso de expulsão. O olhar severo dos professores advertia: rir era sinônimo de vadiagem.

A Polícia da Moral e dos Costumes
Sem falar na quantidade de livros que viajavam todos os dias dentro da mochila. O peso fazia parte do aprendizado. Era época sombria: a ditadura dava as cartas e os cortes. A polícia da moral e dos costumes algemava por qualquer coisa que questionasse o regime.
Cadeira Vazia
O pai trabalhava viajando; às vezes passava uma, duas semanas fora, a cadeira vazia na cabeceira da mesa no café da manhã da família reunida. A mãe cuidava do lar.

Filosofia de Heráclito
Até que, no primeiro ano científico, Sophia começou a se abrir para o mundo. A Bíblia e os livros didáticos já não davam conta; a literatura sacudira certezas. A filosofia de Heráclito faiscara: “Este mundo não foi feito nem pelos homens nem pelos deuses, mas tem sido um fogo eterno que se acende e se apaga nas mesmas proporções.”
Experiência Instigante
Havia um zum-zum na cidade: um colégio recém-inaugurado abalava as estruturas. Novo não só no nome, mas na forma e no espírito de transmitir conhecimento. Um inusitado jeito de ser aluno, uma experiência instigante de ser professor. De repente, os colégios de padre sofreram forte baixa. A debandada geral para o tal colégio, que se mostrava à frente do tempo e da sala de aula, foi inevitável.
Nem Missa Nem Farda
Mas Sophia só tomou pé da onda quando uma amiga de classe e de confidências foi estudar lá, na sensação do momento.
— Você precisa ver, Sophia.
— O que é que tem demais?
_ Justamente é o que tem de menos
— Não tem missa nem farda. Podemos rir.
— E, para completar a felicidade, apostilas e um caderno de dez matérias.
— Meu Deus, é o paraíso — disse Sophia, num tom angelical.
— É liberdade, é uma calça velha e desbotada — brincou Soraia, lembrando um comercial.
— Eu quero estudar lá — afirmou Sophia.
No entanto, como convencer o pai rigoroso? A transferência parecia impossível. Ele não admitiria: sem farda, sem missa. Ainda por cima, um colégio que não tinha cara de colégio. Afinal, o que seria isso? Ela já previa as indagações do genitor.

Pulou de Alegria
Então pensou num plano. O irmão mais velho aceitou a parada. Na ausência do pai, por motivos de viagem, o primogênito endossaria a transferência com uma pseudoautorização do velho. A estratégia deu certo. Sophia pulou de alegria. Abraçou o irmão. Sairia da prisão.
Numa Aula de Termologia
Na primeira semana de aula, a diferença era abissal. A descontração contagiante. Era “proibido proibir”. Estudar com leveza tornava até a matéria que ela detestava — física — atraente. Arriscou uma piada numa aula de Termologia e não sofreu censura nem suspensão. Liberdade, liberdade, repetia baixinho.
É Melhor Contar Tudo
Um belo dia, porém, o pai, em vez de voltar na sexta-feira à noite, como de costume, estacionou o carro na calçada de casa numa quarta-feira, no fim da manhã. Pegou Sophia em flagrante, voltando do colégio.
— O que significa isso? Cadê sua farda? Isso são roupas de estudante?
A filha estava de bermuda, maqueada e apostila na mão. A mãe entra em cena:
— É melhor contar tudo.
Já na sala, o pai esbraveja, dá um murro na mesa:
— Não te dei o nome de Sophia — sabedoria — para te ver metida numa zona de colégio!
O Diabo Sabe Ensinar
No outro dia, nada como um dia atrás do outro e um compadre no meio.
— Compadre, não te conto: a minha Sophia se matriculou nesse colégio aí… um tal de…
— Ah, compadre, eu quero é novidade. A minha também está lá. Esse colégio mexeu com a cabeça dos jovens.
— Sangue de Cristo! Será que tem fumaça nisso? — arregalou os olhos.
— Não sei. Só sei que o primeiro lugar, no vestibular , em medicina e em engenharia elétrica foram de lá. Também foi de lá a cabeça raspada numa tal de computação. E não para por aí, não: os melhores times de vôlei e de futebol de salão vestem a camisa desse colégio.

É, compadre, quando quer, o Diabo sabe ensinar.
Este texto é uma ficção, qualquer semelhança é mera coincidência
*Romero Falcão é um cronista que se arrisca a fazer poema torto.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
