Raquel Teixeira Lyra é obrigada a suspender licitação milionária por indícios de sobrepreço
27/02/2026
O certame
Buscava contratar empresas para manutenção predial da sede da Secretaria de Educação, de escolas, e de instalações onde funcionam as Gerências Regionais de Educação.
"Inconformidades"
A pedido do relator do caso, Rodrigo Novaes, a Gerência de Fiscalização em Licitações de Obras do TCE analisou o caso e entendeu haver procedência parcial na denúncia feita pela empresa Processo Engenharia Ltda., de inconformidades nas planilhas fornecidas pelo governo. É mais uma licitação travada na gestão por suspeitas de graves irregularidades.
(O Poder com informações do Vero Notícias)
O certame
Buscava contratar empresas para manutenção predial da sede da Secretaria de Educação, de escolas, e de instalações onde funcionam as Gerências Regionais de Educação.
"Inconformidades"
A pedido do relator do caso, Rodrigo Novaes, a Gerência de Fiscalização em Licitações de Obras do TCE analisou o caso e entendeu haver procedência parcial na denúncia feita pela empresa Processo Engenharia Ltda., de inconformidades nas planilhas fornecidas pelo governo. É mais uma licitação travada na gestão por suspeitas de graves irregularidades.
(O Poder com informações do Vero Notícias)
Leia outras informações
É Findi - Romero Falcão* e suas Crônicas em Ping-pong
28/02/2026
Sinto falta dos cronistas aguerridos. Dos que escreviam com o aço de um Lima Barreto, a faca Graciliana, a foice de João do Rio. Mas não adianta chorar, esfregar, caro leitor: o gênio não sai mais da garrafa.
Aqui, por exemplo, em Mucambera, a preocupação dos cronistas é escrever sobre o passarinho que se recusa a ser chamado de beija-flor. Sobre o pet que refuga banho de rio, com receio de pegar a doença do caramujo — esquistossomose. Ah! Se o velho Graça soubesse disso, imagino a crônica do dia seguinte.
Deixando de lado minha chatice sessentona, quero moer assunto sobre os confortáveis ônibus da folia, que me impressionaram bastante. O sonho começou quando apanhei um no shopping. Ao subir, deparei-me com um busão novinho, bebê cheirando a leite. O ar-condicionado gelando até a alma do mais quente carnaval.
Acostumado à sofrível frota que fr...
Conforto Sobre Quatro Rodas - Crônica
Sinto falta dos cronistas aguerridos. Dos que escreviam com o aço de um Lima Barreto, a faca Graciliana, a foice de João do Rio. Mas não adianta chorar, esfregar, caro leitor: o gênio não sai mais da garrafa.

Aqui, por exemplo, em Mucambera, a preocupação dos cronistas é escrever sobre o passarinho que se recusa a ser chamado de beija-flor. Sobre o pet que refuga banho de rio, com receio de pegar a doença do caramujo — esquistossomose. Ah! Se o velho Graça soubesse disso, imagino a crônica do dia seguinte.
Deixando de lado minha chatice sessentona, quero moer assunto sobre os confortáveis ônibus da folia, que me impressionaram bastante. O sonho começou quando apanhei um no shopping. Ao subir, deparei-me com um busão novinho, bebê cheirando a leite. O ar-condicionado gelando até a alma do mais quente carnaval.

Acostumado à sofrível frota que frita o passageiro no dia a dia, não hesitei: só pode ser um sonho. No entanto, altas horas da madrugada, voltando do frege — conforto sobre quatro rodas. O coletivo novíssimo, o cronista péssimo, e o ar-condicionado que, num minuto, enxuga meu suor.
Quem me dera se o carnaval durasse o ano inteiro. Abri o olho na escuridão do calor. Faltou luz

Valor Sentimental, O Filme - Crônica
Li na imprensa: "Valor Sentimental" (2025/2026), dirigido por Joachim Trier, é um aclamado drama familiar que recebeu 9 indicações ao Oscar 2026, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz (Renate Reinsve) e Melhor Filme Internacional. A obra também acumulou 8 indicações ao Globo de Ouro e 8 ao BAFTA — prestigioso prêmio concedido pela Academia Britânica de Artes Cinematográficas e Televisivas."
Fui conferir a película na tela da minha sala, aboletado no sofá.
Olhar do Garoto
No filme "Ainda Estou Aqui", uma das cenas que me tocou foi quando a família de Rubens Paiva começa a desocupar a casa do Leblon. Os cômodos sendo esvaziados, os móveis subindo no caminhão de mudança. O lar se transformando em vazio. É comovente o olhar do garoto — Marcelo Rubens Paiva — despedindo-se do sobrado. A casa, a rua, o bairro: cabeça, corpo, membro e alma.
Ao iniciar "Valor Sentimental", um sentimento da infância me fisga lá dentro. As cenas de uma casa antiga, juntamente com as primeiras legendas que traduzem do francês:
O Narrador Fosse Um Objeto
"Quando a escola pediu para a personagem Nora escrever uma redação em que o narrador fosse um objeto, ela escolheu a casa da sua família sem hesitar". Nora se perguntava se a casa preferia estar vazia ou iluminada. A casa estava bamba por causa de uma rachadura. O que a casa não suportava, mais do que barulho, era o silêncio."
Estrutura Sem Roupa
Meus olhos em silêncio, a memória buscando — tal qual o filme — a casa que viu o menino crescer, brincar, sofrer com a perda da mãe e escrever redações na escola, que descreviam paredes e pisos inacabados. Uma grande estrutura sem roupa, mas com braços generosos que guardavam o ninho dos Falcões.
A Casa de Casa Caiada
Feito a redação de Nora, no meu abrigo também havia rachaduras e infiltrações. Vistosa por fora, modesta por dentro, a casa de Casa Caiada não existe mais, mas daria um excelente narrador. Afinal, quem não teve uma casa que respirava alegria e tristeza, que testemunhou vitórias, fracassos, luzes e sombras?

Realidade e Arte
"Valor Sentimental" merece todos os prêmios. No drama familiar — mal-estar nas melhores e piores famílias — não há lugar para o surrado vilão e herói, para a dicotomia bem versus mal. Há, sim, realidade e arte na veia. As atrocidades da guerra, a delícia perversa do espírito humano pela crueldade, tortura. Os conflitos e transtornos emocionais entre pais e filhos.
Sem Ser Piegas
Como escreveu Nelson Rodrigues: "A vida como ela é". No entanto, o cineasta Joachim Trier transforma, sem ser piegas, os espinhos da casa — espinha dorsal do filme — numa bela rosa de reconciliação, compaixão e perdão.
*Romero Falcão é um cronista que se arrisca a fazer poema torto.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Eduardo Albuquerque* também Chega Hoje em Dose Dupla
28/02/2026
Ah, os galos...
Suas clarinadas
Nas madrugadas
E eu, danado!
Ficar deitado
Como amava
Tapuerama...
Rede, mortalha
Faz cruviana!
Não me engana
Seu galo sacana!
Galo, seu galo
Fica calado
Perde o embalo!
Adeus, João Adolfo Hansen! - Poema
Grande tristeza, eu registro
Lancinante lamento, e grito
Encantou-se o insigne mentor
O tão versátil, vetusto professor
Estudioso dos mais esmerados
Nos deixou inestimável legado
Gregório de Matos, suas sátiras
Desvendou-as, idiossincrático
Vide a sua obra magistral
“A Sátira e o Engenho ...”
Um desvencilhar sem igual
Da obra do “Boca do Inferno”
De sua sábia lavra, “O ó”
“Grande Se...
Os Galos - Poema
Ah, os galos...
Suas clarinadas
Nas madrugadas
E eu, danado!

Ficar deitado
Como amava
Tapuerama...
Rede, mortalha
Faz cruviana!
Não me engana
Seu galo sacana!

Galo, seu galo
Fica calado
Perde o embalo!

Adeus, João Adolfo Hansen! - Poema
Grande tristeza, eu registro
Lancinante lamento, e grito
Encantou-se o insigne mentor
O tão versátil, vetusto professor
Estudioso dos mais esmerados
Nos deixou inestimável legado
Gregório de Matos, suas sátiras
Desvendou-as, idiossincrático

Vide a sua obra magistral
“A Sátira e o Engenho ...”
Um desvencilhar sem igual
Da obra do “Boca do Inferno”
De sua sábia lavra, “O ó”
“Grande Sertão: veredas”, o maior
Foi desvendado o mito rosiano
João Guimarães Rosa, mor
Literaturas colonial e moderna
O libertário, liberal, libertino
Gregório de Matos e Guerra, poeta
A João Guimarães Rosa, o esteta
Abissalmente ele se aprofunda
Chega mesmo ao fóssil, vai fundo
O estudioso-pesquisador, primevo
Quem o ler, ou conheceu, enlevos

Sua pluralidade intelectual
Sua diversidade cultural ...
Metaforizou complexos conceitos
Racionalizou-os em expeditos excertos.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.

É Findi – O Construtor - Por Fernando Tavares*
28/02/2026
escrevendo em poucas linhas.
Ganhos e danos
estão ocultos nas entrelinhas.
Em curto texto
em um contexto
o surreal comigo
o tempo todo
não me deixa ser inteiro.
Sou um simples passageiro
no espaço e na hora.
Fico preso no agora.
Sendo simples sonho
simples pulsão
ou mera quimera
mera paixão.
*Fernando Tavares é Médico psiquiatra; Psicólogo Clínico; Escritor e Poeta. Já publicou 04 livros de poemas. Membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.
Construo o próprio absurdo
escrevendo em poucas linhas.
Ganhos e danos
estão ocultos nas entrelinhas.
Em curto texto
em um contexto
o surreal comigo
o tempo todo
não me deixa ser inteiro.
Sou um simples passageiro
no espaço e na hora.
Fico preso no agora.
Sendo simples sonho
simples pulsão
ou mera quimera
mera paixão.
*Fernando Tavares é Médico psiquiatra; Psicólogo Clínico; Escritor e Poeta. Já publicou 04 livros de poemas. Membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.

É Findi – Xico Bizerra* Chega Dobrado feito Tapioca
28/02/2026
O universo político de Gonzaga era incolor, totalmente desprovido de matiz ideológico. Discutível, dizem alguns. Não importa muito diante de seu baião, sua música, seu talento, uma bandeira desfraldada acima de qualquer regime dominante à sua época. Amizades e compromissos por ele assumidos durante a ditadura devem ser atribuídos à inconsistência de sua formação política e à vontade de, através de apoios pontuais, trazer ao seu chão progressos por ele desejados. Conseguiu. Nunca misturei essas querelas tão pequenas com a grandeza artística do Rei. Nem acho que se deva misturar. São coisas distintas, a meu modesto ver.
Transportando para os dias atuais, diante da imensidão da obra poética e literária de Chico Buarque, é de se perguntar: seu conceito diminui ou cresce ante o posicionamento político por ele adotado?
Nem uma coisa nem outra. Lógico que não se pode desprezar a c...
Seu Francisco e Seu Luiz, Seu Luiz e Seu Francisco - Crônica
O universo político de Gonzaga era incolor, totalmente desprovido de matiz ideológico. Discutível, dizem alguns. Não importa muito diante de seu baião, sua música, seu talento, uma bandeira desfraldada acima de qualquer regime dominante à sua época. Amizades e compromissos por ele assumidos durante a ditadura devem ser atribuídos à inconsistência de sua formação política e à vontade de, através de apoios pontuais, trazer ao seu chão progressos por ele desejados. Conseguiu. Nunca misturei essas querelas tão pequenas com a grandeza artística do Rei. Nem acho que se deva misturar. São coisas distintas, a meu modesto ver.
Transportando para os dias atuais, diante da imensidão da obra poética e literária de Chico Buarque, é de se perguntar: seu conceito diminui ou cresce ante o posicionamento político por ele adotado?
Nem uma coisa nem outra. Lógico que não se pode desprezar a convicção ideológica do Buarque, homem de esquerda, defensor consciente e intransigente de pautas favoráveis ao povo brasileiro. Mas pouco importa a cor de seu coração partidário. Ele, por sua obra, é imenso e muito maior que qualquer discrepância de princípios. Como imenso seria se outra preferência tivesse seu poético coração. Francisco e Luiz, cabeças e pensamentos talvez conflitantes, diferentes entre si, são imensamente iguais no talento.
Viva Chico, Viva Luiz, corações semelhantes, talentos similares"

Chegadas e Partidas - Croniqueta
Ele habita, como ave silenciosa e solitária, os céus do Porto em que acontecem chegadas e partidas. Assiste a alegrias e tristezas, lágrimas e sorrisos, 'adeuses' chorosos e bem-vindos apertos de mãos. É testemunha da bênção sentida da mãe que vê seu filho partir para outros chãos, sem nenhuma certeza da volta. Da mesma forma testemunha o abraço apertado do pai no filho pródigo que ao seu lar retorna. Do alto, sente o cheiro da saudade e se embriaga com o sabor dos sonhos bons que mora em cada um dos corações dos que por ali transitam, para buscar ou para deixar esperanças, desejos e vontades. No olho lacrimejado de alguém ele percebe um brilho diferente do que se observa no olho de quem mantém um sorriso que vai de canto a canto do rosto. É o riso e o pranto desenhando o momento de cada um. Ao final, destino definido, a vida seguirá e outras chegadas e partidas acontecerão no porto da vida. Do alto, como ave solitária e silenciosa, ele a tudo assiste. Lágrimas e sorrisos se sucederão e um Deus silencioso vela por nós.
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – Xereta - Por Poeta Pica-Pau*
28/02/2026
Segue sem saber chegar
Esquece da própria estrada
E vive pra xeretar
Não planta, não colhe nada
Mas insiste em opinar
Enquanto sigo meu rumo
Com fé no meu caminhar
Mesmo com pedra na estrada
Não deixo de semear
Porque quem planta em silêncio
Tem história pra contar
Não ligo pra falatório
Não quero nem escutar
Quem vive pra falar dos outros
Nunca pode se encontrar
Pois quem tem esse destino
Vive no desatino
Não sabe onde quer chegar
<'video'>
*E tem mais...*
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.
Quem vigia meus passos
Segue sem saber chegar
Esquece da própria estrada
E vive pra xeretar
Não planta, não colhe nada
Mas insiste em opinar
Enquanto sigo meu rumo
Com fé no meu caminhar
Mesmo com pedra na estrada
Não deixo de semear
Porque quem planta em silêncio
Tem história pra contar
Não ligo pra falatório
Não quero nem escutar
Quem vive pra falar dos outros
Nunca pode se encontrar
Pois quem tem esse destino
Vive no desatino
Não sabe onde quer chegar
*E tem mais...*
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.

É Findi - Belinha e Orelha: A face do Amor e da Crueldade - Conto, por Maria Inês Machado*
28/02/2026
Fazer a limpeza da cantina, que coordenava com outras voluntárias, tinha sabor de alegria. Não se queixava do serviço. O cheiro de eucalipto no chão parecia renovar a disposição para as atividades. Aprendera a fazer coxinhas e folheados, e os bolos de rotina eram apreciados pelos fregueses que chegavam à noite para o lanche habitual. O trabalho no Bem era a sua meta, e os contratempos áridos eram amortecidos pela perseverança. Chegara ao serviço na instituição muito jovem, porém soubera administrar as adversidades com sabedoria.
Era um dia comum...
Estela parecia não registrar a aspereza do momento. O seu nome, na instituição à qual era integrada, chamava-se trabalho. Embora fosse voluntária, sem as cédulas do mundo, o amor que a envolvia não tinha dimensão. Organizar as dependências da instituição causava-lhe alegria. Ali, o canteiro que precisava de água, e as plantas agradeciam. A vassoura fora do lugar parecia sorrir com o cuidado de guardá-la no armário.
Fazer a limpeza da cantina, que coordenava com outras voluntárias, tinha sabor de alegria. Não se queixava do serviço. O cheiro de eucalipto no chão parecia renovar a disposição para as atividades. Aprendera a fazer coxinhas e folheados, e os bolos de rotina eram apreciados pelos fregueses que chegavam à noite para o lanche habitual. O trabalho no Bem era a sua meta, e os contratempos áridos eram amortecidos pela perseverança. Chegara ao serviço na instituição muito jovem, porém soubera administrar as adversidades com sabedoria.
Era um dia comum, desses que começam sem anúncio de mudança. Estela abriu a lanchonete, organizou o que precisava e limpou o interior com o zelo de sempre. Quando levou a vassoura para a área externa, encontrou Belinha ali, como se aquele chão também fosse casa.
Belinha, uma cachorrinha de rua acolhida pelos moradores. Vira-lata, sim, mas havia nela uma elegância quieta, de quem não pede licença e, ainda assim, não invade. O pelo branco, mesmo marcado pela vida ao relento, tinha maciez inesperada, quase sedosa, como se a manhã a tivesse penteado com cuidado. A graciosidade vinha junto: um jeito leve de ocupar o espaço, o andar discreto, a doçura que não precisava de pedigree para ser reconhecida.
Estela se aproximou com a vassoura e falou baixo, como quem pede mais do que ordena.
Belinha, dá um passinho para a calçada? Só um pouquinho, eu vou varrer aqui.
Belinha não se mexeu. Deitou-se devagar, inclinou a cabeça para o lado e olhou, sem atender ao pedido. Parecia entender cada sílaba e, ao mesmo tempo, decidir permanecer no local. O rabinho balançava, manso e constante, e, naquele gesto, havia uma resposta inteira: confiança, charme, o não que era também convite.
Estela parou. A vassoura perdeu a autoridade.
Não era teimosia, cheiro de pertencimento. A pretensão da limpeza acabou cedendo ao que realmente importava. Ajoelhou-se, passou a mão no dorso de Belinha e sentiu, entre os dedos, a suavidade do pelo branco, quente de sol e de vida. Belinha fechou os olhos, entregue. O carinho selou um pacto silencioso, desses que a gente não assina, mas cumpre.
Desde então, a cachorrinha passou a ocupar lugar definitivo no coração de Estela. Ao chegar à instituição, quase sempre a encontrava. A recepção vinha em alegria contida, em voltinhas apressadas, em olhares fiéis. Era amizade sincera entre humano e animal, e isso bastava. Porque o amor pelos animais, quando é verdadeiro, não precisa de justificativa; ele simplesmente acontece, vem de um lugar antigo da alma.
Com o tempo, circunstâncias adversas à vontade de Estela levaram-na ao afastamento dos trabalhos voluntários da instituição. Não foi uma despedida simples. Algumas partidas exigem que a gente processe por dentro, não em papéis, mas no coração e na alma: reorganizar afetos, aceitar ausências, trabalhar o perdão, carregar lembranças como quem carrega água nas mãos.
Morte de Orelha. Recordações de Belinha.
A notícia chegou, semelhante a uma lâmina atravessando a manhã: Orelha estava morto.
Ao recordar o fato do indefeso animal, maltratado por adolescentes, a lembrança de Belinha foi revivida. Amparada na simplicidade de um bairro simples, crianças, adolescentes, adultos e idosos abraçaram Belinha com o amor que a simplicidade revela. Tinha liberdade para circular nas redondezas, sem maltratos ou hostilidades, mas com cuidado e muito amor. O mesmo amor que envolvia Orelha na atenção e no carinho dos moradores locais.
No mesmo bairro onde se cultivava afeto como quem rega trigo, cresceram também ervas daninhas, invisíveis, silenciosas, até se tornarem veneno. Orelha desconhecia a maldade humana. Aceito e cuidado por mãos generosas, era indefeso e não conhecia a dimensão da perversidade que pode fluir de almas violentas.
O cachorrinho de Florianópolis, vítima de maus-tratos cometidos por adolescentes, tornou-se uma ferida coletiva. Seu nome atravessou conversas, indignações e silêncios. Orelha passou a representar aquilo que preferimos não ver e, ainda assim, precisamos encarar: a violência como sintoma de uma falha maior, humana, moral e social.
Porque há coisas que o dinheiro compra, e há coisas que ele jamais alcança. Nenhuma viagem, nenhum conforto, nenhuma vitrine conseguem amaciar a maldade. O que corrige a perversidade não é luxo, mas educação, limites e responsabilidade. Valores nascem no lar e se testam na rua, na maneira pela qual alguém trata o que é menor, frágil e indefeso.
Foi impossível não pensar em Orelha.
Estela não precisava de detalhes para sentir o peso. Bastava saber que um animal, que só tinha o próprio corpo por defesa, foi reduzido a alvo. Bastava imaginar o medo e lembrar, por contraste, do olhar confiado de Belinha. Orelha deixou marcas na mente e no coração das pessoas, marcas que o tempo não apaga, porque lembram uma pergunta incômoda: que tipo de gente estamos formando?
Ao acariciar Belinha, sentindo a maciez branca sob a palma da mão, a serenidade no gesto e a graça sem esforço, a nobre senhora entendia que amar um animal também é um ato de resistência. Um cuidado pequeno, mas civilizatório. O sim dado à ternura, quando o mundo insiste em oferecer o contrário.
Belinha era a prova de que o afeto encontra abrigo.
Orelha, a lembrança de que a crueldade precisa ser enfrentada com educação, justiça e consciência.
E os dois, cada um à sua maneira, ensinaram o mesmo: a medida da nossa humanidade aparece, muitas vezes, no modo como tratamos quem não pode se defender.
*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.

É Findi - Entre Ponteiros, Crônica, por AJ Fontes*
28/02/2026
Manter o equilíbrio no fio do presente nos afasta do passado e aproxima do futuro, entre tiques e taques. É o que fazemos nesse átimo que leva a corda do Relógio de Chico e traz o movimento do braço de Ana. É o momento que imprime uma transformação em cada um de nós. Nele, mantemos ou modificamos o caminho seguido em outro: novo e desconhecido. Bom? Não saberemos até vivenciá-lo. Creio ser este, o instante de total ausência, quando a corda do Relógio acaba, quando é necessário balançar o pulso ou girar o pino.
*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’.
Puxa vida! É um tal de puxar tempo para cá e para lá. Chico Bezerra, Ana Pottes e eu mesmo. Passamos o tempo falando do próprio, fazendo-o passar, levando nossas histórias para cantos sem conta.
Manter o equilíbrio no fio do presente nos afasta do passado e aproxima do futuro, entre tiques e taques. É o que fazemos nesse átimo que leva a corda do Relógio de Chico e traz o movimento do braço de Ana. É o momento que imprime uma transformação em cada um de nós. Nele, mantemos ou modificamos o caminho seguido em outro: novo e desconhecido. Bom? Não saberemos até vivenciá-lo. Creio ser este, o instante de total ausência, quando a corda do Relógio acaba, quando é necessário balançar o pulso ou girar o pino.
*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’.

É Findi – O Zeppelin - por Carlos Bezerra Cavalcanti*
28/02/2026
Em 22 de maio de 1930, o Recife teve o privilégio de receber o primeiro pouso do dirigível Zeppelin, no hemisfério sul.
A Torre de Atracação
Como testemunha tangível, a torre de atracação, uma estrutura piramidal em treliças de ferro, com altura de 19 metros, a única do mundo que ainda se encontra “plantada”, está lá, no local inicial, atual Bairro do Jiquiá.
Instalações Apropriadas
Os passageiros eram recepcionados em instalações apropriadas, um pavilhão para 100 pessoas, dotado de bar, sala de imprensa, cozinha, refeitório, dormitório de tripulantes, estação de rádio, etc. Um fato surpreendente para todo o Brasil e, principalmente, para o nordestino que cantava o sucesso de Jackson do Pandeiro: "Eu vou pra lua, eu vou morá lá, vou no meu Sputinik no campo do Jiquiá". Em 1937, com o incêndio do dirigível “Hindemburg”, em Nova Jersey...
Recife Pioneiro
Em 22 de maio de 1930, o Recife teve o privilégio de receber o primeiro pouso do dirigível Zeppelin, no hemisfério sul.

A Torre de Atracação
Como testemunha tangível, a torre de atracação, uma estrutura piramidal em treliças de ferro, com altura de 19 metros, a única do mundo que ainda se encontra “plantada”, está lá, no local inicial, atual Bairro do Jiquiá.
Instalações Apropriadas
Os passageiros eram recepcionados em instalações apropriadas, um pavilhão para 100 pessoas, dotado de bar, sala de imprensa, cozinha, refeitório, dormitório de tripulantes, estação de rádio, etc. Um fato surpreendente para todo o Brasil e, principalmente, para o nordestino que cantava o sucesso de Jackson do Pandeiro: "Eu vou pra lua, eu vou morá lá, vou no meu Sputinik no campo do Jiquiá". Em 1937, com o incêndio do dirigível “Hindemburg”, em Nova Jersey, a festa acabou.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras

É Findi - O Salto Triplo de Malude Maciel*
28/02/2026
Lembro que nos programas de Sílvio Santos, um dos maiores comunicadores do Brasil, era utilizado um slogan que celebrava a brasilidade das coisas, enfatizando a Cultura nacional. Com uma frase curta, de grande efeito e fácil de gravar e compreender, era enaltecido o que pertence ao país: "É coisa nossa".
Isso era musicado, cantado, repetido e transmitido ao vivo, fazendo um coro que o público vibrava, porque o patriotismo é inerente aos nativos.
Várias homenagens
Às vezes, o carnaval era mencionado, outras vezes, o futebol, e assim por diante... sempre finalizando com a mensagen: "É coisa nossa".
Gosto não se discute
Acompanhando o raciocínio, também gosto de conhecer lugares diferentes por esse rincão afora. É gratificante acrescentar conhecimento do que existe além da fronteira doméstica.
Nesses dias, fomos visitar o parque...
Crônica - É Coisa Nossa
Lembro que nos programas de Sílvio Santos, um dos maiores comunicadores do Brasil, era utilizado um slogan que celebrava a brasilidade das coisas, enfatizando a Cultura nacional. Com uma frase curta, de grande efeito e fácil de gravar e compreender, era enaltecido o que pertence ao país: "É coisa nossa".
Isso era musicado, cantado, repetido e transmitido ao vivo, fazendo um coro que o público vibrava, porque o patriotismo é inerente aos nativos.
Várias homenagens
Às vezes, o carnaval era mencionado, outras vezes, o futebol, e assim por diante... sempre finalizando com a mensagen: "É coisa nossa".
Gosto não se discute
Acompanhando o raciocínio, também gosto de conhecer lugares diferentes por esse rincão afora. É gratificante acrescentar conhecimento do que existe além da fronteira doméstica.

Nesses dias, fomos visitar o parque aquático: Sundown Park, localizado no município pernambucano de Saloá, inserido no Planalto da Borborema e, considerei excelente passeio. Local de clima ameno, cercado pela bacia hidrográfica do rio Ipanema e grande variedade de plantas, sem dúvida é muito agradável, especialmente para a criançada. O terreno é acidentado, com altos e baixos na passagem de uma atividade pra outra, dificultando a locomoção de idosos, mas há bastante opções às diversas faixas etárias.
Uma construção primorosa
No meio do nada, edificaram uma colossal arquitetura de entretenimento que vem agradando demais, pois está sempre cheio de pessoas em busca de aventuras, no entanto não sentimos o ambiente superlotado porque os grupos de espalham buscando suas preferências.
Dinossauros
Carregando o título de: melhor parque aquático do país, onde parece ser verão todos os dias, aquele espaço de diversão consta de uma área denominada: "Reino dos dinossauros", encontrando-se ali, imagens perfeitas desse tipo de animais existentes nos primórdios, com características ambientais próprias e áudios bilíngues explicando a respeito. Sendo muito interessante e propício para fotos.
Demais diversões
Há divertimento garantido para toda a família: várias piscinas, aquecidas ou não, e também com ondas; passeio em bóias no rio lento; banho de balde gigante; tubos de escorregar nas águas, em vários tamanhos e alturas, etc. Fica até difícil enumerar, mas precisamos registrar que há estrutura de banheiros, sanitários, armários de guardar pertences, praça de alimentação e sobretudo, muita limpeza e cuidados.
Aprovado com restrição
Apenas uma coisa eu mudaria: o título deveria ser em português, dando prioridade ao idioma local, sim; uma maravilha que ficaria marcada como 'coisa nossa', sem carregar imitação americana e muito estrangeirismo.
Porém, infelizmente, muita gente valoriza mais as coisas de fora.
Orgulho
Do contrário, poderíamos dizer: o Parque aquático de Saloá é 'coisa nossa'!

Crônica - Entre a Cruz e a Espada
Elas ainda estão por toda parte.
Talvez, agora mais do que nunca.
Basta você estacionar, obrigatoriamente, num sinal de trânsito, fica logo rodeado por crianças carentes, pedindo dinheiro. Chegando bem à janela do seu carro, com semblantes de tristeza e miséria, dizendo que estão com fome. Quem tem fome, tem pressa. Qual o coração que pode resistir a tamanho clamor? Especialmente coração de mãe, mulher que, queira ou não, é bem mais sensível e quer dar jeito em tudo.
Apesar dos Conselhos
Esse fato é gravíssimo, mas é uma faca de dois gumes, ou seja, você fica entre a cruz e a espada, pois se de um lado existe a pedagogia esclarecendo que não devemos contribuir, com moedas, viciando inocentes a pedir, induzindo-os à mendicância que poderá acompanhá-los pela vida afora, por outro lado, constatamos a penúria e necessidade urgente que envolvem aquela criançada.
Para sermos bonzinhos e libertarmos nossas consciências, cedemos ao impulso natural de ajudar, de alguma forma e aí, ficamos naquela de nos sentir culpados, pelo futuro daqueles entes humanos ( futuro este que talvez nem consigam ter). Fica uma angústia ao pensar no que fazer, embora a solução não seja exatamente essa.
Problema social
Está longe de ser solucionado esse dilema por vários motivos e o pior é que os menores continuam nas ruas, apesar das normas, dos papéis assinados pelas autoridades.
Situação complicada
Não é fácil encarar a situação, pois sabemos que o hábito faz o monge e, a atitude repetida durante toda a infância, dificilmente se modificará na vida adulta, justamente porque numa época de formação da personalidade e, sem educação adequada, sem trato, nem alimentação, muito menos carinho e direcionamento correto, inevitavelmente, estão sendo criados novos delinquentes até que o mal seja arrancado pena raíz, não dando o peixe, mas ensinando a pescar.
Responsabilidade
Os governantes têm responsabilidade, sim. Precisam dedicar-se à educação básica porque a cada dia o problema se agrava. Os meios de comunicação, cumprindo seu dever, denunciam exploração sexual de crianças nesse país e não se pode fechar os olhos, banalizando tal situação deplorável.
Cidadão
Ao cidadão comum cabe avaliar, questionar, cobrar soluções para o assunto, como estou fazendo agora, afinal, estamos numa Democracia. Observar os resultados do funcionamento das instituições que se dizem atuantes em sanar tais problemas, no entanto, cada um de nós se depara com os mesmos erros sem soluções, anos a fio, entram governantes, saem outros e nada muda realmente.
O que fazer?
Ficamos apavorados, tanto pelos menores, permanecendo ao léu, quanto pela sociedade, ameaçada de tanta vulnerabilidade a que se expõe cotidianamente.
Eu mesma já fui surpreendida por três garotões que se diziam com fome e era verdade, mas me fizeram um medo terrível, diante de tanta violência que encontramos passo a passo. Dar uma esmola, com certeza não resolve nada.
Tem sido um eterno dilema para as pessoas de bem, cristãs que se preocupam querem praticar a caridade, porém ficam desnorteadas, pois têm consciência que somente a partir do poder governamental essa coisa poderá melhorar, mas na verdade, ao invés de haver interesse primordial em sanar tais chagas da sociedade, os gestores se envolvem nas corrupções, falcatruas e infidelidades gerais, causando descrença tão profunda que tira o ânimo de todo e qualquer indivíduo íntegro e pensante deste planeta.
Uma vergonha
Enquanto estamos preocupados com esses desafios do dia a dia da população, os nossos representantes nas altas cúpulas, se engalfinham entre si, com denúncias e mais denúncias, mentiras e mais mentiras, CPIs que terminam em pizza, etc. Infelizmente não se vê os culpados pelos roubos nas cadeias, devolvendo o dinheiro roubado pra ser empregado em soluções pela vida.
"Não vos conformeis com as mazelas do mundo. Permaneceis puros, fortes, fiéis e seguros nos caminhos de Deus".
Poema - Utopia
Felicidade!
Doce ilusão
Que move o mundo
Em cada coração
Há desejo profundo
De possuir tal entidade
Prendê- la nos braços
De verdade
Pela eternidade
Ninguém consegue
Essa façanha
Por todo tempo,
Íntima e passageira,
Inebriante,
Sedutora,
Inconstante,
Conquistada por instante,
Sonhada e amada
Dissipa-se inadvertidamente
Pra outra vez
E sempre
Ser desejada.
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Entregue obras de asfalto na cidade de Areia, executadas com recursos destinados por Veneziano
27/02/2026
A obra
A obra teve cerca de R$ 2 milhões investidos, através de recursos destinados pelo Senador paraibano. Segundo a prefeita de Areia, Dra. Silvia, a estrada ligando o distrito de Muquem à estrada principal, no distrito de Chã do Jardim, era uma antiga reivindicação da comunidade local.
“É momento de agradecer esta importante parceria que temos em Areia com o Senador Veneziano, que tem rendido obras importantes para a nossa cidade, como está aqui”, afirmou a Prefeita. “Um dos melhores momentos da vida política é quando a gente entrega resultados, vê o trabalho acontecer e melhorar a vida das pessoas, como está acontecendo aqui hoje”, destacou o deputado Estadual Anderson Monteiro, que também participou da entrega.
O Senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) participou na manhã de hoje, sexta-feira (27/07) da entrega de mais de 3 quilômetros de asfalto na cidade de Areia, no brejo paraibano.

A obra
A obra teve cerca de R$ 2 milhões investidos, através de recursos destinados pelo Senador paraibano. Segundo a prefeita de Areia, Dra. Silvia, a estrada ligando o distrito de Muquem à estrada principal, no distrito de Chã do Jardim, era uma antiga reivindicação da comunidade local.
“É momento de agradecer esta importante parceria que temos em Areia com o Senador Veneziano, que tem rendido obras importantes para a nossa cidade, como está aqui”, afirmou a Prefeita. “Um dos melhores momentos da vida política é quando a gente entrega resultados, vê o trabalho acontecer e melhorar a vida das pessoas, como está acontecendo aqui hoje”, destacou o deputado Estadual Anderson Monteiro, que também participou da entrega.

Renovou compromisso
Ao participar do evento, o senador Veneziano destacou a importância da obra e reafirmou o seu compromisso em continuar destinando recursos para o município, como tem feito em outras cidades paraibanas.

“Que dia de grandes alegrias e emoções estamos vivendo hoje aqui em Areia, porque ações como essa melhoram a vida das pessoas. São centenas de famílias que desfrutarão dessa nova realidade, quase dois milhões de recursos demandados por Silvinha e Anderson, e hoje estamos aqui a entregar essa obra maravilhosa, graças a essa gestão séria, eficiente e que entrega realmente os benefícios que a população precisa”, destacou Veneziano.
