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Reforma Tributária 56: Letramento Digital e as Barreiras para Implantação do Novo Sistema Tributário - Por Rosa Freitas*

11/03/2026

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Apresentação

A implementação do novo sistema tributário brasileiro, estruturado a partir da Emenda Constitucional n.º 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar n.º 214/2025, inaugura uma nova lógica de relacionamento entre contribuinte e administração tributária. Nesse contexto, a digitalização dos procedimentos fiscais assume papel central, exigindo dos cidadãos habilidades mínimas de interação com plataformas eletrônicas, endereços digitais e sistemas automatizados de comunicação com o Fisco. Contudo, a realidade social brasileira revela um quadro significativo de exclusão digital, especialmente entre idosos, pessoas com baixa escolaridade e moradores de regiões periféricas ou remotas.

O presente texto examina o conceito de letramento digital e discute as barreiras que essa deficiência estrutural pode representar para a efetiva implantação do novo sistema tributário, sobretudo diante das exigências tecnológicas introduzidas pela legislação r...

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Apresentação

A implementação do novo sistema tributário brasileiro, estruturado a partir da Emenda Constitucional n.º 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar n.º 214/2025, inaugura uma nova lógica de relacionamento entre contribuinte e administração tributária. Nesse contexto, a digitalização dos procedimentos fiscais assume papel central, exigindo dos cidadãos habilidades mínimas de interação com plataformas eletrônicas, endereços digitais e sistemas automatizados de comunicação com o Fisco. Contudo, a realidade social brasileira revela um quadro significativo de exclusão digital, especialmente entre idosos, pessoas com baixa escolaridade e moradores de regiões periféricas ou remotas.

O presente texto examina o conceito de letramento digital e discute as barreiras que essa deficiência estrutural pode representar para a efetiva implantação do novo sistema tributário, sobretudo diante das exigências tecnológicas introduzidas pela legislação recente.

A primeira pergunta que se impõe é: o que é letramento digital?

De forma sintética, o letramento digital pode ser compreendido como a capacidade que os indivíduos possuem de utilizar, com relativa autonomia e eficiência, ferramentas e ambientes digitais.

Aquele que não sabe utilizar um telefone celular para além de realizar ligações para contatos previamente cadastrados pode ser considerado, no mínimo, um analfabeto digital. No Brasil, há um contingente significativo de pessoas nessa condição, especialmente entre os idosos, que muitas vezes não conseguem utilizar a internet de maneira autônoma ou segura.

Dados divulgados em 2025 indicam que mais de 20 milhões de brasileiros — cerca de 10,9% da população com 10 anos ou mais — ainda não possuem acesso à internet. O principal motivo apontado por 45,6% dos desconectados é justamente a falta de conhecimento para utilizar essas ferramentas digitais.

Essa exclusão digital afeta de forma desproporcional idosos, pessoas com menor nível de escolaridade e moradores de áreas remotas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país. Outro fator relevante é o acesso precário à internet, que ainda representa um obstáculo significativo para parcela expressiva da população.

Segundo dados divulgados pela CNN Brasil em 2025, os principais motivos da desconexão são:

A) Não saber usar a internet: aproximadamente 9,3 milhões de pessoas;
B) Serviço caro ou falta de necessidade percebida: fatores econômicos e culturais;
C) Desigualdade regional: as regiões Norte e Nordeste apresentam os menores índices de conectividade, com estados como Acre, Amazonas e Pará registrando mais de 20% das residências sem acesso à internet.

O perfil dos desconectados também revela profundas desigualdades sociais. A maioria dessas pessoas não possui ensino fundamental completo ou sequer possui instrução formal. Além disso, o índice de exclusão digital é significativamente maior entre pessoas com 60 anos ou mais.

Embora a maior parte das residências brasileiras (cerca de 92,5%) já possuísse algum tipo de acesso à internet em 2022, a disparidade entre as unidades da federação ainda é elevada. O Distrito Federal apresenta os maiores níveis de conectividade, enquanto diversos estados da região Norte permanecem com índices muito inferiores.

Diante desse cenário, surge uma questão fundamental: como a nova legislação tributária impactará essa parcela significativa da população que enfrenta dificuldades de inserção digital?

De acordo com o art. 59 da Lei Complementar n.º 214/2025, todos os contribuintes deverão possuir um endereço eletrônico para fins tributários, que funcionará como repositório oficial das informações fiscais. Será por meio desse endereço que a administração tributária poderá iniciar procedimentos de fiscalização, realizar comunicações oficiais e efetuar notificações.

Nesse ambiente digital ocorrerão também os procedimentos de apuração tributária e de lançamento assistido, expressão utilizada pela legislação para designar um modelo de fiscalização automatizada e de interação digital entre contribuinte e Fisco.

Outra questão relevante diz respeito ao art. 11 da LC n.º 214/2025, que estabelece regras detalhadas sobre o local onde as operações serão consideradas realizadas para fins de apuração dos tributos sobre o consumo. Nesse contexto, o domicílio tributário assume papel central, pois passa a ser elemento fundamental para a definição do ente federativo competente para arrecadação do imposto.

Entretanto, há ainda uma parcela significativa da população que permanece à margem desse sistema, especialmente aqueles que não apresentam declaração de imposto de renda, o que dificulta a identificação formal de seu domicílio tributário.

Utilidade do DTE

O domínio das ferramentas digitais também será essencial para os segmentos mais vulneráveis da sociedade, especialmente aqueles inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

A legislação prevê a devolução de parte dos tributos incidentes sobre o consumo para famílias de baixa renda, por meio do chamado cashback tributário, previsto no art. 112 da LC n.º 214/2025.

De acordo com esse dispositivo, serão devolvidos aos beneficiários:

I – a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), pela União;
II – o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), pelos Estados, Distrito Federal e Municípios.

O destinatário dessas devoluções será o responsável pela unidade familiar de baixa renda inscrita no CadÚnico, conforme previsto no art. 6º-F da Lei n.º 8.742/1993, desde que atendidos, cumulativamente, os seguintes requisitos:

I – possuir renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo nacional;
II – residir no território nacional;
III – possuir CPF em situação regular.

O sistema prevê ainda que a inclusão dos beneficiários ocorrerá de forma automática, permitindo, contudo, que o cidadão solicite sua exclusão a qualquer tempo.

Nesse ponto específico, a solução operacional foi relativamente simples, uma vez que os beneficiários de programas como Bolsa Família ou Benefício de Prestação Continuada (BPC) poderão receber os valores diretamente em contas vinculadas na Caixa Econômica Federal.

Apesar disso, os municípios enfrentarão um desafio relevante: garantir que o domicílio tributário dos contribuintes esteja corretamente vinculado ao seu território, de modo a assegurar que a parcela do IBS destinada ao ente municipal seja efetivamente arrecadada.

Essa tarefa não se mostra simples.

O Código Tributário Nacional, em seu art. 127, prevê a possibilidade de eleição do domicílio tributário pelo contribuinte, estabelecendo critérios distintos:

I – Pessoas físicas: residência habitual ou centro de atividades;
II – Pessoas jurídicas ou firmas individuais: local da sede ou estabelecimento;
III – Pessoas jurídicas de direito público: qualquer repartição no território do ente tributante.

Caso esses critérios não sejam suficientes, o §1º do dispositivo estabelece que poderá ser considerado o local da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos geradores.

Ainda assim, o §2º do mesmo artigo admite que a administração tributária recuse o domicílio eleito pelo contribuinte, caso essa escolha dificulte ou impeça o exercício da fiscalização.

Na prática, essa recusa demandará procedimentos administrativos, comunicações formais e notificações aos contribuintes, o que pode gerar um volume significativo de processos administrativos.

Além disso, em diversas situações, a definição do domicílio tributário deverá coincidir com o local onde o contribuinte efetivamente utiliza serviços públicos municipais, como saúde, educação ou assistência social, mesmo que ele tenha formalmente escolhido outro endereço fiscal.

Diante desse cenário, parece evidente que a manutenção do vínculo territorial entre moradores e seus municípios de residência é essencial, não apenas para a organização administrativa do sistema tributário, mas também para evitar evasão de receitas decorrentes da distribuição do IBS entre os entes federativos.

Conclusões

1. O letramento digital tornou-se um requisito fundamental para a plena participação do cidadão no novo sistema tributário brasileiro.
2. A exclusão digital ainda atinge milhões de brasileiros, especialmente idosos, pessoas com baixa escolaridade e moradores de regiões periféricas ou remotas.
3. A exigência de um endereço eletrônico tributário, prevista na LC n.º 214/2025, pode criar barreiras adicionais para contribuintes com baixa familiaridade com ferramentas digitais.
4. A operacionalização do cashback tributário para famílias de baixa renda depende da integração entre sistemas digitais e bases de dados sociais, como o CadÚnico.
5. A definição e o controle do domicílio tributário assumem papel estratégico na nova estrutura de repartição do IBS entre os entes federativos.
6. Municípios poderão enfrentar dificuldades para garantir que os contribuintes mantenham seu domicílio tributário vinculado ao território onde efetivamente residem e utilizam serviços públicos.
7. A efetiva implementação da reforma tributária exige políticas públicas complementares voltadas à inclusão digital, educação fiscal e fortalecimento das capacidades administrativas locais.

Referências

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Lei Complementar nº 214, de 2025. Institui normas gerais relativas ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Brasília: Presidência da República, 2025.
BRASIL. Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Dispõe sobre a organização da assistência social e institui o Benefício de Prestação Continuada. Brasília: Presidência da República, 1993.
BRASIL. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Código Tributário Nacional. Brasília: Presidência da República, 1966.
IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Acesso à Internet e à Televisão e Posse de Telefone Móvel Celular para Uso Pessoal. Rio de Janeiro: IBGE, 2025.
CNN BRASIL. Mais de 20 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à internet, aponta pesquisa. São Paulo: CNN Brasil, 2025.


*Rosa Freitas é advogada, doutora em direito e autora de artigos e livros jurídicos, dentre eles 'A nova dogmática da tributação de serviços no Brasil'.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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É Findi - É Assim Que Ela Nasce! Respondendo a Uma Leitora - Crônica - Por, Romero Falcão*

14/03/2026

Uma leitora me pergunta como faço crônica:

— Como surge o tema? Já tem na cabeça o início e o fim?

— Me explique, por favor.



Companheiros de Mato

Depois do diálogo pelo zap, vou molhar as plantas. Aponto o jato d'água para a raiz. Planta não bebe água pela folha, planta mata a sede pelo pé. O pé de araçá é de enxerto, tão pequeno e carregado. Na minha infância, meus companheiros de mato. Hoje, quem vê araçá no supermercado?



A Pele é Finíssima

As bananeiras pedem água, quebram o sol e dão deliciosas bananas-maçã. A mangueira é velha, borracha ressecada, preciso desfazer a dobra. O fluxo volta ao normal. Não tenho mãos de jardineiro — a pele é finíssima, macia, faz inveja às mais bem cuidadas dondocas e aos mais caros hidratantes.

Adeus Banana

Agora é a vez da acerola, enfeitada de vermelho. A boca da mangueira na bas...

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Uma leitora me pergunta como faço crônica:

— Como surge o tema? Já tem na cabeça o início e o fim?

— Me explique, por favor.



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Companheiros de Mato

Depois do diálogo pelo zap, vou molhar as plantas. Aponto o jato d'água para a raiz. Planta não bebe água pela folha, planta mata a sede pelo pé. O pé de araçá é de enxerto, tão pequeno e carregado. Na minha infância, meus companheiros de mato. Hoje, quem vê araçá no supermercado?



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A Pele é Finíssima

As bananeiras pedem água, quebram o sol e dão deliciosas bananas-maçã. A mangueira é velha, borracha ressecada, preciso desfazer a dobra. O fluxo volta ao normal. Não tenho mãos de jardineiro — a pele é finíssima, macia, faz inveja às mais bem cuidadas dondocas e aos mais caros hidratantes.

Adeus Banana

Agora é a vez da acerola, enfeitada de vermelho. A boca da mangueira na base do tronco, água à vontade, porque é água de poço. Se fosse esperar pela torneira, adeus banana, araçá, acerola, pitanga e as plantas. Umas simples, outras raras, exóticas.



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Não há Comprovação Científica

O pé de capim-santo perfuma o quintal. O finado pé de jasmim era o número um na escala dos perfumes. Mas coitadinho, foi assassinado pelo olho gordo, pois ficava logo na entrada, junto ao portão. Um dia, amanheceu lindo e cheiroso, depois de receber umas visitas, definhou, secou terrivelmente em poucas horas.Não há comprovação científica de que o olho humano — o tal "cega-pimenta" — mata planta e adoece gente. O mal da moça é de olhado.

Merecia Estudo Aprofundado

Meu pai contava uma história de uma vizinha que pedia para que ninguém mostrasse planta. Ela tinha consciência do olhar venenoso. Bastava olhar, e a planta caía fedendo. Certa vez ceifou a vida de três orquídeas numa única tarde. Meu pai dizia que a vista daquela mulher merecia estudo aprofundado.



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É Calmante e Ensina a Fazer Crônica

Mas o capim-santo resiste, bonito, viçoso — não porque leva santo no nome, e sim por morar no fundo da casa, escondido dos olhares de faca. O chá gelado é saboroso. É calmante e ensina a fazer crônica. É assim que ela nasce, é assim, estimada leitora. É assim.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Almas Gêmeas - Poema - Por, Eduardo Albuquerque*

14/03/2026

Como a bela rosa que floresce
No jardim excelso, exuberante
A vida, a guardiã transcendente
Sempre demonstra, veemente:



A mulher ao homem acresce
Tudo que ele é, ou há de ser
Faça-o, ou não, por merecer
Seu esteio, espelho, sem viés



Lhe aponta, planta, semeia, o conduz
A caminhos que, por si só, seria a cruz
Eis que, ela, mulher, é a parte que lhe foi tomada
Ele, o homem, inteiro, só com ela retornada



Se anela, fecha o ciclo, vida integrada
Assim segue firme, o casal enamorado
Em síntese, a história do homem relatada
As almas gêmeas, unas, enfim, irmanadas.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.



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Como a bela rosa que floresce
No jardim excelso, exuberante
A vida, a guardiã transcendente
Sempre demonstra, veemente:



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A mulher ao homem acresce
Tudo que ele é, ou há de ser
Faça-o, ou não, por merecer
Seu esteio, espelho, sem viés



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Lhe aponta, planta, semeia, o conduz
A caminhos que, por si só, seria a cruz
Eis que, ela, mulher, é a parte que lhe foi tomada
Ele, o homem, inteiro, só com ela retornada



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Se anela, fecha o ciclo, vida integrada
Assim segue firme, o casal enamorado
Em síntese, a história do homem relatada
As almas gêmeas, unas, enfim, irmanadas.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.



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É Findi – Oh Linda, Mulher! - por Carlos Marinho*

14/03/2026

Olinda do Bonfim,
Das ladeiras, das calçadas,
Da Igreja da Sé.



Olinda dos botecos,
Dos artistas, dos letristas,
Dos amantes da vida,
Tu és Olinda Mulher.


*Carlos Marinho, é Médico e Poeta.



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Olinda do Bonfim,
Das ladeiras, das calçadas,
Da Igreja da Sé.



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Olinda dos botecos,
Dos artistas, dos letristas,
Dos amantes da vida,
Tu és Olinda Mulher.


*Carlos Marinho, é Médico e Poeta.



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É Findi - “Oxe, Boy, it's Nordeste!". Traduzindo Nordestinidades - Artigo, por Valéria Barbalho*

14/03/2026

Conversando sobre o filme “O Agente Secreto” com a minha amiga e professora de crochê, Cacau, ela me falou que leu um artigo sobre as dificuldades que os tradutores tiveram para legendar o filme em inglês, para que os gringos entendessem. A tradução de expressões como "raparigueiro”, "mambembe", "dor de corno" ou "pirraça” deu um trabalho arretado! Foi aí que lembrei de um artigo escrito pelo meu pai, no final dos anos 60, cheio desses regionalismos. Pensei em enviar o texto para ver se o pessoal é também capaz de traduzir essas nordestinidades todas. Desafio lançado!

Ôxe, Boy, it's Nordeste!

Ao remexer os recortes de jornais antigos guardados pelo meu pai, Nelson Barbalho, encontrei um artigo publicado em 1º de maio de 1968, na coluna “Ôxe, Boy, it's Nordeste!”, que ele assinou durante anos no jornal Vanguarda, de Caruaru. Apaixonado pela nossa cultura, naquela seção semanal ele falava sobre causos e coisas nordestinas. Na introdução do texto ele e...

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Conversando sobre o filme “O Agente Secreto” com a minha amiga e professora de crochê, Cacau, ela me falou que leu um artigo sobre as dificuldades que os tradutores tiveram para legendar o filme em inglês, para que os gringos entendessem. A tradução de expressões como "raparigueiro”, "mambembe", "dor de corno" ou "pirraça” deu um trabalho arretado! Foi aí que lembrei de um artigo escrito pelo meu pai, no final dos anos 60, cheio desses regionalismos. Pensei em enviar o texto para ver se o pessoal é também capaz de traduzir essas nordestinidades todas. Desafio lançado!

Ôxe, Boy, it's Nordeste!

Ao remexer os recortes de jornais antigos guardados pelo meu pai, Nelson Barbalho, encontrei um artigo publicado em 1º de maio de 1968, na coluna “Ôxe, Boy, it's Nordeste!”, que ele assinou durante anos no jornal Vanguarda, de Caruaru. Apaixonado pela nossa cultura, naquela seção semanal ele falava sobre causos e coisas nordestinas. Na introdução do texto ele explica que na Capital do Agreste e em toda cidade do interior nordestino que se preza, existem palavras e expressões típicas “com muito ranço de nordestinidade e pouco, ou nada, entendida pelos pracianos do Sul, que conhecem e valorizam mais o idioma dos estranjas que o nosso”.

Ele exemplifica vários destes termos, dos quais selecionei os seguintes: “ Quando uma mulher dá a luz a uma criança, o marido afirma: a patroa descansou, a mulher se aliviou, lá em casa vai ter cachimbo / Se o sujeito morre, diz-se que ele zuzou, encostou o cardan na cerca, afulerou-se, lascou-se, tá com Jeso, bateu a caçuleta / Quem se casa, se enforca, se amarra, foi pro rol dos homens sérios, vai saber o preço da feira, atolou o carro, fez gosto à moça / Quem é posudo, tem um rei na barriga, é um besta chato; pensa que não morre ou engoliu um cabo de vassoura / Quem é glutão: é um esmeril, um garfo e tanto, um cavalo na mesa / Bêbado é cobra de farmácia, irmão de copo, pé de cana, touceira, seu cachacinha, destilaria ambulante / Polícia é meganha ou a justa / Soldado é louro, praça, milico, macaco / Cadeia é a 108, a gaiola do sol quadrado ou, em Caruaru, o palácio do pé do monte / Motorista burro é munheca de pau / Rua de brabo é cemitério / Coisa excelente é a gota de boa / Deus é o mais maior, o lá de riba ou o pai de nos todos / São Pedro é o homem da chuva ou o chaveiro do céu / Mulher que trai o marido: rapa a canela do trouxa, enfeita a testa do ota com biliro de vaca, costura pra fora ou acha coisa na feira / Filme de far-west é fita de cobói, documentário é natural e filme de amor é drama / Tórax é caixa dos peitos / Nuca é toitiço / Pulmão é bofe / Cabeça é quengo / Gogó é o pomo de adão / Joelho é a bolacha da perna / Doença é malina / Remédio é meizinha ou um preparado / Tuberculoso é doente do bofe, tubebe, tísico, fraco do peito / Mau hálito é bafo de onça / Dança vagabunda é rala bucho, fuá, forró / Conversa mole é breboto ou miolo de pote / Muito barulho é zuadeira ou furdunço / Repreensão é rela, carão, esbregue / Homem sem inteligência é jumento, broco, tapado / Mulher feia é canhão ou bofe / Mulher bonita é pitéu / Donzela é moça / Moça velha é caritó, barricão, vitalina / Moça jovem, é malassombro (assim, junto) / Moça precavida é sonsa, misteriosa / Quando um negócio rende, dá pra Biu e quando acaba, deu pro mundo”.

O artigo agradou tanto aos leitores que, a pedidos, seu Nelson, escreveu outras vezes sobre o mesmo tema, citando mais expressões. Foram tantos registros que, pacientemente, ele datilografou tudo com a sua Remington, organizando assim, o Dicionário de Nordestinidades, um volumoso livro ainda inédito. Pretendo publicá-lo para que todos, conhecendo esta nossa maneira inusitada de falar, também possam exclamar com orgulho: “Oxe, Boy, it's Nordeste!".


*Valéria Barbalho é filha do escritor e historiador Nelson Barbalho. É médica pediatra, cronista.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Do Sítio Para O Mundo, Crônica, por AJ Fontes*

14/03/2026

Aqui no sítio, a gente ouve, com facilidade, o zumbido de uma abelha ou o bater das asas de um beija-flor a qualquer hora do dia ou da noite.

Foi assim que, durante uma conversa noturna via WhatsApp, com minha mulher, ouvi um miado fino vindo da varanda. Encontrei uma miniatura de tigre embaixo da janela.

Apenas abri a porta e ele já entrou, farejou os móveis da sala, utensílios da cozinha, roupas no quarto e banheiro. Sentado dentro do box do banheiro, olhou para mim. Entendi e atendi o pedido de um pires de leite que foi consumido com avidez. Saciado, sentou e se lambeu ao tempo que buscava algo em torno. Às pressas provi o lugar com uma tampa de caixa recheada da mistura de farinha e fubá de cuscuz. O instinto entendeu. Depois, dormiu.

Na manhã seguinte, fomos ao veterinário. Confirmado se tratar de um macho, batizei: Jung. Lembrei do antagonista peludo que vive no apartamento do Recife.

No ambiente de liberdade contida e...

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Aqui no sítio, a gente ouve, com facilidade, o zumbido de uma abelha ou o bater das asas de um beija-flor a qualquer hora do dia ou da noite.

Foi assim que, durante uma conversa noturna via WhatsApp, com minha mulher, ouvi um miado fino vindo da varanda. Encontrei uma miniatura de tigre embaixo da janela.

Apenas abri a porta e ele já entrou, farejou os móveis da sala, utensílios da cozinha, roupas no quarto e banheiro. Sentado dentro do box do banheiro, olhou para mim. Entendi e atendi o pedido de um pires de leite que foi consumido com avidez. Saciado, sentou e se lambeu ao tempo que buscava algo em torno. Às pressas provi o lugar com uma tampa de caixa recheada da mistura de farinha e fubá de cuscuz. O instinto entendeu. Depois, dormiu.

Na manhã seguinte, fomos ao veterinário. Confirmado se tratar de um macho, batizei: Jung. Lembrei do antagonista peludo que vive no apartamento do Recife.

No ambiente de liberdade contida e vigiada do quintal se deu o encontro com os demais habitantes da casa. Algumas patadas para cá e latidos para lá, cheiros e lambidas ajudaram no reconhecimento. A aproximação se deu ao longo desses mais de dois anos de convivência.

Vemos que o mesmo não ocorre com os da mesma espécie.

Embora Freud e Félix tenham sido encontrados também no sítio, estão desde pequenos na cidade e, creio que por falta de habilidade dos tutores, as visitas ao sítio ganharam mais um componente negativo para a dupla. Pois é, o pequenino Jung não conseguiu, de imediato, a amizade dos irmãos de espécie.

Fico imaginando quais os motivos que levaram a essa situação. Seria por falta de contato físico ou por não comungarem dos mesmos hábitos diários? Tento me afastar dos sentimentos xenofóbicos ou de posse.
Mas ao observar as tentativas de aproximação, mesmo atrapalhadas, de Jung quando dá patadas ou dentadas em Félix que se afasta sob o olhar superior de Freud, ressoa na minha cabeça frases: o que estou fazendo nesse lugar? Quem esse pirralho pensa que é? Esse povo vem, não sei de onde e nem quer brincar. Quem eles pensam que são?

Essas observações inevitavelmente me fazem pensar no comportamento humano. Alguns subjugam multidões e as fazem seguir seu pensamento, mesmo que contrário a tudo o que compõe suas próprias vidas. Acontecimentos de nossa história mostram que essa maneira enviesada não se sustenta. Ao contrário, Constantino conseguiu unir um reino, fazendo com que todos se ouvissem.

Após muitas guerras, conseguimos organizar um lugar onde todos os povos que vivem no planeta possam ser ouvidos. Depois de décadas de atuação, a Organização das Nações Unidas se mantém apesar do uso de algumas no sentido de submeter outras aos seus interesses explícitos ou não. Um lugar onde um pode falar e ser ouvido por todos; onde as diferenças de como viver podem ser discutidas.

Nosso planeta está cheio de necessidades e excessos e temos um lugar onde podemos nos sentar, conversar e decidir a melhor maneira de equilibrá-los. Onde não houver alimento que outros saciem; onde não houver saúde que outros sanem. Nós podemos tudo, em todos os lugares e a todos os tempos. Basta conversar: falar e ouvir.

Após tantos embates, de tantos altos e baixos é de se pensar que já somos capazes de evitar os desatinos de alguns indivíduos, eternos adolescentes. Certo é que assim levaremos a humanidade ao patamar seguinte de nossa evolução.

Dois anos depois, na última visita dos felinos recifenses, Freud e Jung estavam curtindo um fim de tarde no jardim. Deitados lado a lado no gramado, sentiam a brisa nas carinhas sorridentes.


*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’.



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É Findi – Religioso Sem Religião, Crônica, por Xico Bizerra*

14/03/2026

Conheço um cara de origem extremamente católica, criado dentro dos mais rigorosos preceitos da Igreja Católica Apostólica Romana, de família totalmente dedicada aos princípios religiosos. Criança, não perdia uma missa aos domingos. Foi coroinha e depois, para satisfazer a vontade da mãe que queria vê-lo Padre, ingressou no seminário. Nas duas atividades permaneceu por apenas 6 meses. Isso tudo juntado talvez seja o responsável por ele hoje detestar as igrejas, todas elas, não importa, evitando até botar os pés em suas calçadas.

Sua Fé é muito mais intensa: é íntima, é uma parceria com a natureza e com os valores do bem, é o perseguir a filosofia e os ensinamentos de Francisco, aquele de Assis, um Santo de e da Verdade que pregava a caridade como obrigação humana. É o fazer o bem sem olhar a quem e nunca desejar o mal ao semelhante.

A religião desse cara se sustenta em três pilares: a importância da família, a serenidade da música e a liturgia da palavra....

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Conheço um cara de origem extremamente católica, criado dentro dos mais rigorosos preceitos da Igreja Católica Apostólica Romana, de família totalmente dedicada aos princípios religiosos. Criança, não perdia uma missa aos domingos. Foi coroinha e depois, para satisfazer a vontade da mãe que queria vê-lo Padre, ingressou no seminário. Nas duas atividades permaneceu por apenas 6 meses. Isso tudo juntado talvez seja o responsável por ele hoje detestar as igrejas, todas elas, não importa, evitando até botar os pés em suas calçadas.

Sua Fé é muito mais intensa: é íntima, é uma parceria com a natureza e com os valores do bem, é o perseguir a filosofia e os ensinamentos de Francisco, aquele de Assis, um Santo de e da Verdade que pregava a caridade como obrigação humana. É o fazer o bem sem olhar a quem e nunca desejar o mal ao semelhante.

A religião desse cara se sustenta em três pilares: a importância da família, a serenidade da música e a liturgia da palavra. E assim tem sido ao longo de sua vida. Nunca sentiu falta de altares e de estátuas, de homilias e de religiosos, de dogmas e outras enganações. Santos, estão lá por merecimento, não para atender ou intermediar pedidos de nós, terrenos errantes. Por isso, não lhes ‘enche o saco’. Sacerdotes, alguns ele até admira, como João Paulo II e um ou outro Lancelotti dos tempos atuais, bem diferentes dos Padres e Freis cantores.

E assim segue, religioso a seu modo, temente a um ser superior, um Deus em que acredita, e fazendo o que acha que deve ser feito, respeitando o próximo, em primeiro lugar. Esse é um cara do bem. Modéstia à parte, dá para desconfiar de quem estou falando?


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.



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É Findi – Rua da Concórdia - por Carlos Bezerra Cavalcanti*

14/03/2026

O Nome Surgiu de Uma Discórdia

Localizada no Bairro de São José, sua denominação primitiva era Rua do Fernandes, em homenagem ao ourives José Fernandes, que construiu o primeiro arruado, depois, o carpinteiro Manoel José ali edificou novas residências e sentiu-se com o direito de ter o seu nome na rua. Houve uma querela que se refletiu na Câmara Municipal, de onde veio a solução conciliatória: Rua da Concórdia.

Centro Da Alegria Nos Folguedos Populares

No Carnaval era a rua mais alegre do Recife, por onde passavam os principais blocos, com belas fantasias e suas excelentes orquestras (Bloco das Flores, Vassourinhas, Pás Douradas e, o mais festejado: Batutas de São José). Nas festas juninas, todas as casas tinham fogueiras em sua frente e, em muitas delas, se dançavam “quadrilhas”. Nas noites de Lua, costumeiramente, tínhamos serenatas... flertes... namoros... o prestígio da Rua da Concórdia começou a cair quando deixou de ser...

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O Nome Surgiu de Uma Discórdia

Localizada no Bairro de São José, sua denominação primitiva era Rua do Fernandes, em homenagem ao ourives José Fernandes, que construiu o primeiro arruado, depois, o carpinteiro Manoel José ali edificou novas residências e sentiu-se com o direito de ter o seu nome na rua. Houve uma querela que se refletiu na Câmara Municipal, de onde veio a solução conciliatória: Rua da Concórdia.

Centro Da Alegria Nos Folguedos Populares

No Carnaval era a rua mais alegre do Recife, por onde passavam os principais blocos, com belas fantasias e suas excelentes orquestras (Bloco das Flores, Vassourinhas, Pás Douradas e, o mais festejado: Batutas de São José). Nas festas juninas, todas as casas tinham fogueiras em sua frente e, em muitas delas, se dançavam “quadrilhas”. Nas noites de Lua, costumeiramente, tínhamos serenatas... flertes... namoros... o prestígio da Rua da Concórdia começou a cair quando deixou de ser residencial. O comércio descaracterizou-a, expulsando seus velhos moradores. O “tiro de misericórdia" veio com a reforma urbana do bairro.


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras



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É Findi – Faça Melhor Que O Meu - Por Poeta Pica-Pau*

14/03/2026

Você diz ser bam, bam, bam
No mundo da poesia
Faz tudo e até cria
O orvalho da manhã
É veneno do Butantã
É poeta que venceu
Até para zebedeu
Maior campeão da praça
Só quero que você faça
Verso melhor que o meu

Você conhece a métrica
Só falta desenvolver
Abbaaccddc
Para a rima poética
É só seguir a estética
Ajustando o que perdeu
Pra o mote que já nasceu
ser espalhado na praça
Só quero que você faça
Verso melhor que o meu

Eu sei brincar com a rima
Jogando na linha certa
Para não deixar deserta
Vou embaixo vou encima
Mudo o tempo mudo o clima
Boto sol onde choveu
Dou vida a quem perdeu
A fé a crença e a graça
Só quero que você faça
Verso melhor que o meu


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.



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Você diz ser bam, bam, bam
No mundo da poesia
Faz tudo e até cria
O orvalho da manhã
É veneno do Butantã
É poeta que venceu
Até para zebedeu
Maior campeão da praça
Só quero que você faça
Verso melhor que o meu

Você conhece a métrica
Só falta desenvolver
Abbaaccddc
Para a rima poética
É só seguir a estética
Ajustando o que perdeu
Pra o mote que já nasceu
ser espalhado na praça
Só quero que você faça
Verso melhor que o meu

Eu sei brincar com a rima
Jogando na linha certa
Para não deixar deserta
Vou embaixo vou encima
Mudo o tempo mudo o clima
Boto sol onde choveu
Dou vida a quem perdeu
A fé a crença e a graça
Só quero que você faça
Verso melhor que o meu


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.



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É Findi - Malude Maciel* Mais Uma Vez Dando Salto Triplo

14/03/2026

Mulher Múltiplas Facetas - Poema


Mulher, mãe, esposa, irmã, companheira,
Sua imagem nos leva pela vida inteira
Desde o nascimento,
Até a hora derradeira.

Ser forte e seguro o homem quer,
Mas, diz o ditado popular:
"Ao lado de um grande homem,
há sempre uma grande mulher".

Uma mulher, fiel e amiga,
É uma flor singela,
Feliz quem encontra
Essa deusa bela.



As marisqueiras - Crônica


Para nós que gostamos de escrever, é sempre um prazer registrar as ocorrências cotidianas, mesmo que estejamos em férias. Há uma saudável mania de anotações pra nossas crônicas com vontade de compartilhar o que nossos olhos vêem e os sentimentos acham interessante. Se uma só pessoa aproveitar as transmissões, já valeu bastante a pena.

D. Pedro II

Outro dia, terminei a leitura do diário imperi...

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Mulher Múltiplas Facetas - Poema


Mulher, mãe, esposa, irmã, companheira,
Sua imagem nos leva pela vida inteira
Desde o nascimento,
Até a hora derradeira.

Ser forte e seguro o homem quer,
Mas, diz o ditado popular:
"Ao lado de um grande homem,
há sempre uma grande mulher".

Uma mulher, fiel e amiga,
É uma flor singela,
Feliz quem encontra
Essa deusa bela.



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As marisqueiras - Crônica


Para nós que gostamos de escrever, é sempre um prazer registrar as ocorrências cotidianas, mesmo que estejamos em férias. Há uma saudável mania de anotações pra nossas crônicas com vontade de compartilhar o que nossos olhos vêem e os sentimentos acham interessante. Se uma só pessoa aproveitar as transmissões, já valeu bastante a pena.

D. Pedro II

Outro dia, terminei a leitura do diário imperial do nosso imperador Dom Pedro II que possuía o dom da escrita em alto estilo e por isso deixou-nos sua marca, e maneira de viver. É uma preciosidade observar as coisas pelo olhar de outrem.
Sem fazer comparações, conhecemos muitas pessoas que têm o hábito de guardar memórias e até mesmo contar oralmente suas histórias que são apreciadas, constituindo uma mão dupla em satisfação.

Férias

Estivemos gozando as maravilhas das lindas praias no nosso litoral, usufruindo das benesses de um mar de águas claras e tranquilas que podem servir até de remédio para nosso organismo, física e mentalmente. E, o Nordeste é repleto de excelentes praias com o sol todo dia, sendo local preferido por turistas de mundo todo (vimos gente da Argentina, Alemanha, do Sul do Brasil, Minas, etc. Mas, ninguém da nossa cor, a não ser funcionários. Um ponto pra refletir, num país tão miscigenado como este).

Maragogi

Tem as mais belas praias mundiais, como: Peroba; Ponta de Mangue; Xaréu; Barra Grande; Antunes; Burgalhau; Camacho; Maragogi; Dourado e São Bento. Todas com solo calcário que purifica as águas mornas e límpidas, constando uma extensa barreira de corais, onde a visitação é permitida apenas em alguns pontos e em número limitado de pessoas, por dia. Sendo preciso observar os horários e a movimentação da maré para fazer os passeios de barco ou catamarã, com segurança, às piscinas naturais.

Pontos turísticos

Alguns pontos turísticos mais apreciados pelos visitantes: piscinas naturais; caminho de Moisés; santuário do peixe-boi; mosteiro de São Bento (ruínas); várzea do Una e Praia grande, já em São José da Coroa Grande, PE. como também o Zoológico Ecopark, em Barra Grande.
Nesse local está a maior unidade de conservação costeira do país, desde Tamandaré, no litoral Sul pernambucano até Maceió, capital do Estado de Alagoas, sendo área de preservação ambiental, respeitando a cultura local e estimulando o turismo consciente e sustentável.
Sem dúvidas, é um pedaço do paraíso terrestre, com pé na areia, sol na pele e cheiro bom de água salgada.

As marisqueiras

Sabemos que devido às fases da lua, o mar fica variável, com maré alta ou baixa. Nessas ocasiões surgem as "marisqueiras" que são mulheres pescadoras ou seja, catam mariscos na areia fofa, com as próprias mãos. Esses mariscos são conhecidos como: sururu, caramujos, búzios ou caracóis e são utilizados na culinária praieira, com muito sucesso, pois são muito saborosos ao molho de cocos que também são encontrados fartamente na região.

É isso aí. Como diz a canção na voz da divina Clara Nunes: " É água do mar... é maré cheia...na areia, a areia... é água do mar".



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Ilhas Virgens do Caribe - Poema


Mares lindos,
Águas mornas, espumantes,
Movimentos rituais,
Leva e traz,
Energia.

Oceano verde ou,
Azul turqueza,
Alegria.

Cores caribenhas,
Sons e cheiro das ondas,
Poesia.

Pela mão do vento,
Surge paraíso terrestre,
Tropical.

Pura natureza,
Labirinto de corais,
Marinhos animais,
Espírito latino.

Brisa, sol, areia,
Fina e branca,
Exemplar.
Imensa beleza de
Céu e mar.


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Pernambuco no Mapa de Napoleão - A França e o açúcar, por Zé da Flauta

13/03/2026

No começo do século XIX, enquanto a Europa ardia nas guerras do imperador Napoleão Bonaparte, Pernambuco parecia longe demais para entrar naquele tabuleiro. Mas os estrategistas franceses tinham olhos grandes para o mundo, e os mapas do Atlântico estavam sempre abertos sobre as mesas de guerra. Açúcar, portos profundos, posição estratégica no oceano, tudo isso fazia de Pernambuco uma joia distante no mapa das ambições europeias. O Recife ainda era uma cidade colonial, mas para quem olhava de Paris ele aparecia como uma chave do Atlântico.

Mapas

Dizem que oficiais franceses estudaram as rotas do litoral brasileiro com atenção quase científica. Correntes marítimas, ventos, fortificações portuguesas e movimento dos navios eram analisados como quem prepara uma jogada de xadrez. Pernambuco surgia nos papéis como um porto ideal para apoiar operações no Atlântico Sul. Não era exatamente um plano imediato de invasão, mas era uma ideia que circulava nas conv...

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No começo do século XIX, enquanto a Europa ardia nas guerras do imperador Napoleão Bonaparte, Pernambuco parecia longe demais para entrar naquele tabuleiro. Mas os estrategistas franceses tinham olhos grandes para o mundo, e os mapas do Atlântico estavam sempre abertos sobre as mesas de guerra. Açúcar, portos profundos, posição estratégica no oceano, tudo isso fazia de Pernambuco uma joia distante no mapa das ambições europeias. O Recife ainda era uma cidade colonial, mas para quem olhava de Paris ele aparecia como uma chave do Atlântico.

Mapas

Dizem que oficiais franceses estudaram as rotas do litoral brasileiro com atenção quase científica. Correntes marítimas, ventos, fortificações portuguesas e movimento dos navios eram analisados como quem prepara uma jogada de xadrez. Pernambuco surgia nos papéis como um porto ideal para apoiar operações no Atlântico Sul. Não era exatamente um plano imediato de invasão, mas era uma ideia que circulava nas conversas militares, aquela espécie de possibilidade que fica guardada na gaveta do futuro.

Destino

O curioso é imaginar como a história poderia ter tomado outro rumo. Se os ventos da política europeia tivessem soprado diferente, talvez navios franceses tivessem aparecido no horizonte do Recife trazendo soldados, bandeiras e novos decretos imperiais. A cidade que já tinha sido portuguesa e holandesa poderia, por alguns anos, ter ouvido o idioma francês ecoando nas ruas do porto.

Imaginação

Mas, nada disso aconteceu, o plano ficou apenas nos mapas e nos pensamentos estratégicos de um imperador que queria redesenhar o mundo. Mas essa pequena sombra de possibilidade nos lembra uma coisa curiosa sobre a história, ela é feita tanto do que aconteceu quanto do que quase aconteceu. E às vezes o destino de uma cidade inteira depende apenas de uma decisão tomada numa mesa distante, diante de um mapa aberto sobre o mar.

Até a próxima!
Zé da Flauta é compositor e cronista



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