Na Colômbia, Lula participa de reuniões da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos
21/03/2026
A décima edição da Cúpula da CELAC antecede o encontro do I Fórum de Alto Nível CELAC-África, em que os países latinos se reunirão com nações africanas com as quais compartilham conexões históricas, culturais, sociais e econômicas, resultantes de um passado colonial comum.
Aprofundamento do diálogo
O objetivo dessa aproximação, conforme informações do Itamaraty, é aprofundar o diálogo em temas como desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, energia e coordenação em fóruns multilaterais.
O encontro reúne 33 países da América Latina e do Caribe e funciona como espaço...
A décima edição da Cúpula da CELAC antecede o encontro do I Fórum de Alto Nível CELAC-África, em que os países latinos se reunirão com nações africanas com as quais compartilham conexões históricas, culturais, sociais e econômicas, resultantes de um passado colonial comum.
Aprofundamento do diálogo
O objetivo dessa aproximação, conforme informações do Itamaraty, é aprofundar o diálogo em temas como desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, energia e coordenação em fóruns multilaterais.
O encontro reúne 33 países da América Latina e do Caribe e funciona como espaço de diálogo e articulação política.
Todos os encontros até agora
Segundo informações da Agência Gov, desde o início do atual mandato, o presidente Lula participou de todos os encontros de alto nível da CELAC.
Entre os principais encontros estão: as Cúpulas da CELAC de Buenos Aires (2023), Kingstown (2024) e Tegucigalpa (2025), as duas Cúpulas CELAC-UE, em Bruxelas (2023) e Santa Marta (2025), e o Fórum CELAC-China, em Pequim (2025).
— Com Agências de Notícias
Leia outras informações
Linhas, entrelinhas e imagens do discurso de João Campos
21/03/2026
Entrelinha mestra: A esperança está de volta.
O fato
Você já sabe: ontem, 20/03/26, o prefeito do Recife, João Henrique Campos, assumiu sua pré-candidatura ao Governo do Estado. Um ato corajoso, pois não é fácil abrir mão da gestão de um município como o Recife. Principalmente para enfrentar uma governadora sentada na cadeira, com caneta e máquina nas mãos e disposta a tudo para tentar se manter, como já foi sobejamente demonstrado. João definiu sua decisão como fruto de um desejo coletivo da Frente Popular e de um chamado da população.
Tem lado
João Campos reafirmou o projeto liderado por ele como o palanque local do presidente Lula (PT). Nas entrelinhas, estabeleceu uma diferença com a tentativa de Raquel Teixeira Lyra de repetir a estratégia de acender uma vela a Deus outra ao diabo.
...
Linha mestra de João Campos: “Pernambuco voltará a ser protagonista do Brasil”.
Entrelinha mestra: A esperança está de volta.

O fato
Você já sabe: ontem, 20/03/26, o prefeito do Recife, João Henrique Campos, assumiu sua pré-candidatura ao Governo do Estado. Um ato corajoso, pois não é fácil abrir mão da gestão de um município como o Recife. Principalmente para enfrentar uma governadora sentada na cadeira, com caneta e máquina nas mãos e disposta a tudo para tentar se manter, como já foi sobejamente demonstrado. João definiu sua decisão como fruto de um desejo coletivo da Frente Popular e de um chamado da população.

Tem lado
João Campos reafirmou o projeto liderado por ele como o palanque local do presidente Lula (PT). Nas entrelinhas, estabeleceu uma diferença com a tentativa de Raquel Teixeira Lyra de repetir a estratégia de acender uma vela a Deus outra ao diabo.

Uma caminhada propositiva
Foi o que João prometeu fazer rumo ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual.
“Vocês vão me ver com paz no coração, para fazer uma campanha limpa, bonita, propositiva, altiva, e a Frente Popular vai vencer as eleições. Pernambuco voltará a ser protagonista do Brasil. Nós seremos os campeões do Nordeste, nós teremos a melhor educação pública do país, vamos ter investimento em saúde, e esse time vai representar a esperança, o sonho, o desejo de um estado melhor. Para tudo isso, vamos pedir a proteção de Deus. Que Deus nos abençoe nessa caminhada. Eu só paro no dia 4 de outubro, com a vitória do povo de Pernambuco”, declarou.

Contraste
O trecho acima contém muitas entrelinhas. Raquel Teixeira Lyra aparenta ser uma flor mas é rancorosa e não hesita em jogar, como se diz no futebol, abaixo da linha da cintura. Exemplo maior foi a reiterada tentativa de uso da polícia civil como polícia política, processo que interrompeu a contragosto graças à providencial intervenção do ministro Gilmar Mendes. João tocou sem atacar nos pontos mais vulneráveis do governo. Educação, saúde, violência, apesar da propaganda, tudo piorou. Em termos absolutos ou relativos. O Pernambuco de Raquel não tem um projeto de futuro, uma perspectiva de recuperar o protagonismo perdido pelo Estado. Sem falar nas promessas não cumpridas, na lentidão do governo como um todo e na dificuldade endêmica de tocar os projetos, mesmo com dinheiro sobrando. Tudo isso está nas entrelinhas.

Palavra é para se cumprir
João Campos disse que sempre afirmou que a Frente Popular teria candidato a governador e que é chegado o momento de uma nova etapa nesse processo. “Estou aqui para afirmar que aceito esse convite e serei candidato a governador. Serei governador para fazer com que Pernambuco volte a crescer. Vocês vão ver um candidato que vai andar em todas as cidades de Pernambuco. Vou estar na feira, na porta da escola, vou andar esse estado todo”, afirmou. Nas entrelinhas, assumiu o legado mítico do bisavô, Miguel Arraes. Breve, vamos ver se João Campos também será um acaba-feira, expressão que se usava na época para a correria que a presença de Arraes provocava nas feiras do interior.

Comparação
O prefeito elencou feitos de sua gestão no Recife para demonstrar que, na condução do estado, terá projetos para levar Pernambuco de volta ao protagonismo. Citou a duplicação de vagas de creche na capital, número que já está próximo de ser triplicado, e criticou o fato de o estado ter saído do pódio das melhores redes públicas de educação. João Campos disse ainda que, enquanto requalificou mais de 70 unidades de saúde e está prestes a inaugurar o Hospital da Criança do Recife, o atual governo não fez entregas nessa área ao longo de quatro anos. Política é contraste. Neste trecho João antecipou uma estratégia que tira a adversária do sério. Comparar as gestões e mostrar que, por ano governado, fez muito mais pelo Recife do que Raquel em todo o Estado. Aguardem para conferir.

Pernambuco onde o pernambucano merece
“A gente não pode se contentar com pouco. Pernambuco quer muito mais. Pernambuco pode muito mais. A vida nos cobra a capacidade de agir. Nesses cinco anos e três meses, dediquei minha vida a trabalhar pela cidade, a fazer as coisas com zelo. Então, aqui a gente toma uma decisão coletiva, depois de ter ouvido muita gente dos quatro cantos de Pernambuco. O que nos une é poder construir por Pernambuco um projeto que atenda a expectativa do povo mais sofrido, mais pobre, que nunca teve uma oportunidade de sonhar com a esperança de que amanhã vai ser melhor”.

Pronto e preparado
Fazendo referências aos exemplos de seu bisavô, Miguel Arraes (1916-2005), e seu pai, Eduardo Campos (1965-2014), o pré-candidato disse que foi testado por perdas precoces e pela necessidade de tomar decisões sobre o futuro de uma cidade no momento mais desafiador da história recente, durante a pandemia de Covid-19. “Passei a vida me preparando para este momento. Meu sentimento é de que tudo isso faz sentido e de que eu estou pronto para ser governador de Pernambuco”. Nas entrelinhas, Raquel Teixeira Lyra governa Pernambuco com uma equipe medíocre, travada, sem autonomia, usando os mesmos métodos e estratégias de quando governava Caruaru, com todo o respeito pela cidade, berço de grandes gestores. Mas não dá para governar Pernambuco agindo como prefeita do interior. Repetindo: com equipe, métodos e atitudes longe da dimensão que Pernambuco merece.
E
Essa é a leitura antecipada do que vai ser tratado na campanha. Com o discurso, João repetiu o que tinha feito durante a semana: assumiu o protagonismo da campanha e passou a ditar o ritmo e a temática do debate. É o jogo sendo jogado, com muita bola ainda para rolar.

Governo do Estado inaugura terceira creche das 250 prometidas
21/03/2026
A governadora Raquel Teixeira Lyra se comprometeu a entregar 250 creches até o final de 2026, em etapas. Significaria gerar 60 mil novas vagas. A creche de Itamaracá representa 330 vagas. As creches são construídas em parcerias com os municípios e seguem dois modelos, com 5 ou 10 salas de aula.
Ato
A cerimônia de entrega foi comandada pela governadora Raquel Teixeira Lyra. que declarou estar feliz por entregar mais uma creche, "São 250 creches que estão sendo construídas ou licitadas. A gente entrega o equipamento mobiliado, paga pelo funcionamento por um ano e garante a todas as mães de Itamaracá que não tinham onde deixar seus filhos, o direito de trabalhar”, disse ela.
“Aqui, a crianç...
Igarassu, em dezembro de 2025, foi a primeira. Depois, Caruaru, em fevereiro de 2026. Ontem (sexta-feira, 21/03), foi a vez de Itamaracá, cidade localizada na ilha com o mesmo nome, na Região Metropolitana do Recife.
A governadora Raquel Teixeira Lyra se comprometeu a entregar 250 creches até o final de 2026, em etapas. Significaria gerar 60 mil novas vagas. A creche de Itamaracá representa 330 vagas. As creches são construídas em parcerias com os municípios e seguem dois modelos, com 5 ou 10 salas de aula.

Ato
A cerimônia de entrega foi comandada pela governadora Raquel Teixeira Lyra. que declarou estar feliz por entregar mais uma creche, "São 250 creches que estão sendo construídas ou licitadas. A gente entrega o equipamento mobiliado, paga pelo funcionamento por um ano e garante a todas as mães de Itamaracá que não tinham onde deixar seus filhos, o direito de trabalhar”, disse ela.
“Aqui, a criança tem cinco refeições por dia, aprendendo a ler e escrever na idade certa, tornando-se um adolescente que consegue ter uma vida escolar e uma autonomia muito melhor", acrescentou. O equipamento recebeu o nome de José Mário Medeiros Bezerra Neto. A vice-governadora Priscilla Krause Branco e o senador Fernando Dueire estavam presentes, bem como deputados da base governista e integrantes da administração estadual.

Recapeou
Ainda em Itamaracá a governadora inaugurou um recapeamento de cerca de 4,7 km na PE 001, que dá acesso ao forte Orange. A agenda da governadora prosseguiu por outras duas cidades na Mata Norte do Estado. Em Goiana, a governadora inaugurou uma nova sede para a Gerência Regionaç de Saúde (Geres), anunciou uma futura escola técnica e uma nova rodovia a ser implantada.
Em Vicência, entregou 12 casas, quatro ônibus escolares e visitou uma creche com a construção iniciada.
Fotos: Miva Filho

As aventuras de Cacimba 33 —Cacimba e o homem que nunca errava, por Zé da Flauta*
21/03/2026
Nunca.
Se dizia que ia chover, chovia. Se dizia que não prestava, não prestava. Se opinava, virava sentença. Ninguém discutia com ele, não porque ele estivesse sempre certo…
mas porque ele nunca admitia estar errado.
— Eu não erro, dizia, com a calma de quem acredita no próprio eco.
E o povo, com o tempo, foi deixando. Evitar confronto é mais fácil que enfrentar convicção endurecida.
Foi nesse cenário que Cacimba chegou. Chapéu de couro, camisa lavada no rio, os dois macaquinhos atentos.
Um cochichou:
— Esse aí não escuta nem vento.
O outro respondeu:
— Quem não escuta, um dia fala sozinho.
Cacimba sentou ao lado de Evaristo na praça.
— Me disseram que tu nunca erra.
Evaristo respondeu seco:
— Disseram certo.
— E como sa...
Naquela cidade, todo mundo conhecia Seu Evaristo. Era o homem que nunca errava.
Nunca.
Se dizia que ia chover, chovia. Se dizia que não prestava, não prestava. Se opinava, virava sentença. Ninguém discutia com ele, não porque ele estivesse sempre certo…
mas porque ele nunca admitia estar errado.
— Eu não erro, dizia, com a calma de quem acredita no próprio eco.
E o povo, com o tempo, foi deixando. Evitar confronto é mais fácil que enfrentar convicção endurecida.
Foi nesse cenário que Cacimba chegou. Chapéu de couro, camisa lavada no rio, os dois macaquinhos atentos.
Um cochichou:
— Esse aí não escuta nem vento.
O outro respondeu:
— Quem não escuta, um dia fala sozinho.

Cacimba sentou ao lado de Evaristo na praça.
— Me disseram que tu nunca erra.
Evaristo respondeu seco:
— Disseram certo.
— E como sabe?
— Porque nunca estive errado.
Cacimba sorriu leve.
— E quem confirmou isso?
— Eu mesmo.
Os macaquinhos trocaram olhares.
— Autorização própria…
— Perigo grande.
Naquela tarde, o sol bateu torto na parede da igreja, e foi aí que começou. A sombra de Evaristo, projetada no chão, se mexeu… mas não como ele.
Quando ele cruzou os braços, a sombra descruzou. Quando ele virou à direita, a sombra hesitou. E quando ele disse:
— Eu estou certo.
A sombra balançou a cabeça negativamente. O povo começou a perceber. Um menino apontou: — Olha!
Evaristo virou rápido.
— Que é isso?
Cacimba respondeu:
— Tua sombra resolveu conversar.
O homem riu nervoso.
— Sombra não fala.
A sombra respondeu.
Não com voz… mas com gesto.
Ela ergueu o dedo como quem corrige. Evaristo tentou ignorar.
— Isso é ilusão.
A sombra cruzou os braços.
Contrariando.
O macaquinho Simão cochichou:
— Primeira discordância da vida dele.
E o sebastião completou:
— E veio de dentro.
Nos dias seguintes, a coisa piorou. A sombra discordava de tudo.
Ele dizia “sim”, ela dizia “não”. Ele apontava, ela recuava. Ele afirmava, ela negava.
O homem começou a se irritar.
— Eu estou certo! A sombra, firme, negava. Até que, numa tarde quente, ele gritou:
— Então diga onde eu errei!
A sombra parou. E apontou… para ele mesmo.
Silêncio pesado. O povo ficou quieto.
Cacimba falou baixo:
— Quem nunca erra… nunca aprende.
Evaristo respirou fundo. Pela primeira vez, hesitou.
— E se eu tiver errado?
A sombra… concordou.
O macaquinho Simão disse:
— Olha aí…
O outro macaquinho sorriu:
— Começou.
Cacimba completou:
— Errar não diminui ninguém. Só quebra a ilusão de grandeza.
Evaristo sentou. O corpo parecia mais leve.
— Então eu passei a vida toda…
Cacimba interrompeu:
— Defendendo uma ideia de si mesmo.
A sombra voltou ao lugar. Agora alinhada, sem conflito, mas não porque concordava sempre… e sim porque agora… era escutada. E dizem que, desde aquele dia, Seu Evaristo mudou. Não virou sábio, mas aprendiz. E quando alguém hoje na cidade diz:
— Eu nunca erro.
Sempre aparece alguém sorrindo e respondendo:
— Cuidado…
até tua sombra pode discordar.
*José da Flauta é músico, compositor, filósofo e escritor.

Homenagem dupla: ‘Livro do Nordeste II’, a ser lançado quinta-feira (26), homenageia 200 anos do Diário de Pernambuco e os 100 anos da publicação de Gilberto Freyre
21/03/2026
Legado permanente
Em 1925, por ocasião do primeiro centenário do Diário de Pernambuco, decidiu-se que as respectivas comemorações não se limitassem a festas, banquetes e exposições, mas que deixassem um legado permanente. Um livro que, como notou Edson Nery da Fonseca, foi a primeira obra pluridisciplinar e transregional publicada no Brasil. Tratava-se do ‘Livro do Nordeste’, coletânea de artigos de alguns dos mais representativos intelectuais da época, não somente de Pernambuco, reunidos sob a batuta do jovem Gil...
Os pernambucanos e recifenses serão contemplados no próximo dia 26 com o lançamento do ‘Livro do Nordeste II’. A publicação, já considerada histórica, tanto pelo tema como pela relevância dos seus autores, comemora e homenageia ao mesmo tempo os 200 anos do jornal Diário de Pernambuco e o ‘Livro do Nordeste I’, de Gilberto Freyre. Foi organizada pelo diplomata e historiador André Heráclio do Rêgo e pelo jornalista e arqueólogo Múcio Aguiar
Legado permanente
Em 1925, por ocasião do primeiro centenário do Diário de Pernambuco, decidiu-se que as respectivas comemorações não se limitassem a festas, banquetes e exposições, mas que deixassem um legado permanente. Um livro que, como notou Edson Nery da Fonseca, foi a primeira obra pluridisciplinar e transregional publicada no Brasil. Tratava-se do ‘Livro do Nordeste’, coletânea de artigos de alguns dos mais representativos intelectuais da época, não somente de Pernambuco, reunidos sob a batuta do jovem Gilberto Freyre.
Mauro Mota observou, anos depois, que esse livro teria sido o “manifesto a priori” do movimento regionalista. Para Oliveira Lima, um dos seus ilustres colaboradores, era o Livro do Nordeste “um repositório suculento de informações de todo o gênero acerca do século abrangido pela atividade” do Diário de Pernambuco, no qual se encontrava “o perfume da tradição de que soube impregná-lo o seu organizador, o senhor Gilberto Freyre”.
Reconstituição
Essas são apreciações relativas ao Livro do Nordeste de 1925, mas que se podem aplicar à maravilha à presente edição do Livro do Nordeste II, de 2025. E isso porque o presente volume nada mais é do que uma tentativa de reconstituição da trajetória do Diário de Pernambuco nos seus 200 anos – nos 100 anos tratados pelo primeiro Livro do Nordeste, mas sobretudo nos 100 anos que vão de 1925 a 2025.
E para tanto buscou-se, a exemplo e em emulação do próprio Gilberto Freyre, textos de intelectuais renomados e representativos, não somente de Pernambuco, mas também do Brasil e inclusive de Portugal, que propiciassem o aggiornamento daquela edição histórica de 1925.
Três entidades
O Livro do Nordeste II também é uma homenagem ao primeiro Livro do Nordeste, ao seu organizador e aos seus autores. Nesse sentido, o presente volume gira em torno de três “entidades”, que o perpassam em quase todos os seus textos, e a quem ele é dedicado.
Em primeiro lugar, o Diário de Pernambuco, órgão de imprensa mais antigo em circulação no hemisfério sul e nos países de língua portuguesa, que este ano comemora o seu bicentenário. Em segundo lugar, Gilberto Freyre, o mestre de Apipucos, que dispensa apresentações, e que comemora os seus 125 anos. E em terceiro, last but not least, o Nordeste, conceito cuja primeira consagração talvez tenha sido a provocada pelo livro que leva seu nome, e que hoje em dia é a expressão dos anseios de uma das regiões mais essencialmente brasileiras, aquela na qual a própria brasilidade nasceu.
É em torno dessas três entidades, e desses três eixos, que o nosso livro gira, com umas poucas incursões internacionalistas, ao longo de vinte ensaios — um para cada dez anos da trajetória do Diário — escritos por gente que entende dos respectivos temas. E, por isso mesmo, o livro se inicia com o artigo “O centenário de um diário americano”, de Manuel de Oliveira Lima, o único que não foi originalmente escrito para a presente ocasião, pois foi publicado no jornal argentino La Prensa, em 28 de fevereiro de 1926.
Como se trata de artigo com um profundo perfume de ineditismo, pois que aparentemente jazia esquecido nas hemerotecas há quase cem anos, pode ser considerado um quase original. Trata-se do resumo e comentário do próprio Livro do Nordeste, publicado na forma de artigo laudatório de Oliveira Lima ao centenário do Diário de Pernambuco, em que ele destaca os artigos do mestre português Fidelino de Figueiredo, seu grande amigo, sobre a língua portuguesa e sobre a cooperação entre Brasil e Portugal, e o de Gilberto Freyre, seu “quase” discípulo, sobre a vida social no Nordeste, em que o futuro mestre de Apipucos avança algumas das ideias seminais de sua obra.
Espaço de liberdade
Outro segredo da juventude centenária, agora bicentenária, do Diário de Pernambuco é revelado por Margarida Cantarelli no segundo ensaio desta coletânea, intitulado “Diário de Pernambuco: um jornal como espaço de liberdade”.
O tema da liberdade é enfatizado também no terceiro artigo da coletânea, de autoria de Marcos Galindo, intitulado “O Diário de Pernambuco: um legado e sua relevância histórica”. Com efeito, o Diário, embora nascido como simples jornal de anúncios, cedo passou a se preocupar com os ideais de liberdade; foi assim que realizou cobertura ampla da Revolução Praieira, em 1848 e 1849, e, desde a década de 1850 declarou-se antiescravista.
O quarto ensaio, é intitulado “Um século de jornalismo em Pernambuco”, de autoria de Múcio Aguiar. Trata-se de texto que retoma o artigo “Um século de jornalismo em Pernambuco”, de Manuel Caetano, publicado no Livro do Nordeste de 1925, e que defende a salvaguarda do legado cultural e histórico de periódicos com mais de cem anos de circulação impressa em Portugal e no Brasil, do qual a joia da coroa é o Diário de Pernambuco, mais antigo em circulação contínua, voltamos a afirmar, no hemisfério sul e em países de língua portuguesa. Ele se soma a 54 outros jornais de Portugal e do Brasil com essa característica.
Patrimônio nacional
Outra singularidade relativa ao Diário é a de que o Brasil foi o primeiro país a reconhecer o acervo de um órgão de imprensa, o próprio, como patrimônio nacional, estadual e municipal. Essa entidade tão múltipla é, desse modo, o jornal que mais representa a identidade pernambucana, mas sem deixar de pôr em relevo o Nordeste e destacar o Brasil. Não se trata apenas de um periódico, mas de um conjunto de obras literárias e sociais que contam a História e a evolução de Pernambuco, do Nordeste e do Brasil, constituindo, para alguns — como de resto o jornalismo como um todo —, a maior escola literária do Brasil.
O quinto artigo da coletânea, de autoria de Mario Helio Gomes, é intitulado “Um século de vida literária em Pernambuco”, que retoma, em alguma medida, o artigo da edição de 1925, com o mesmo título, de autoria de França Pereira. Em interessante ensaio que se propõe a fazer uma História literária sem mencionar os seus personagens, o autor comenta que, em 1925, ano do primeiro Livro do Nordeste, a vida literária em Pernambuco girava em torno de um debate entre os velhos e os novos; e que os mais modernos e inovadores poderiam então ser taxados de reacionários e passadistas, porque fixavam-se com gosto nos valores clássicos, tradicionais e regionais.
Suplemento literário
O tema da importância do Diário na divulgação da vida literária pernambucana tem continuidade no sexto ensaio da coletânea, dedicado ao “Suplemento literário do Diário de Pernambuco”, de autoria de Marcus Prado. Nele se trata do Suplemento Literário, também chamado Panorama Literário, que foi a primeira iniciativa, na imprensa diária do Brasil, de suplemento dedicado à literatura, por iniciativa de Assis Chateaubriand e a cargo inicialmente de Aníbal Fernandes, no início da década de 1940.
Neste suplemento concentravam-se, em um só caderno, contribuições que apareciam dispersas em outros jornais do grupo de Chateaubriand, de gente como Tristão de Ataíde, Sérgio Milliet, Lúcia Miguel Pereira, Otto Maria Carpeaux, Gilberto Amado e Gilberto Freyre. A segunda fase do suplemento, que durou de 1947 a 1959, esteve a cargo de Mauro Mota, Tadeu Rocha e Édson Régis, e se concentrou na valorização da gente local e no incentivo aos novos talentos, contando com artigos de João Cabral de Melo Neto, Jorge de Lima, Ariano Suassuna, Joaquim Cardozo, Aloísio Magalhães, Evaldo Cabral de Mello, Barbosa Lima Sobrinho, Lêdo Ivo, Austregésilo de Athayde e Raquel de Queiroz, entre outros. E a terceira e última fase iniciou-se em 1962, sob a liderança de César Leal, e com foco em notícias de livros e em questões culturais da atualidade.
“Mãos gigantes”
O sétimo ensaio, de autoria de Marcelo Arruda Firmo da Silva, e que se intitula “Memórias de mãos gigantes”. O autor trata na verdade de dois personagens: de Gilberto Freyre visto por um seu grande intérprete, Edson Nery da Fonseca, ligados os dois à cultura universal, mas absolutamente integrados e radicados no Brasil. No olhar de Nery, Freyre possuía todo um conhecimento e uma amplitude de visão capazes de influenciar e de exercer carisma e sedução sobre vários artistas e intelectuais, a começar pelo próprio Edson Nery. Influência, diga-se de passagem, salutar, exercida por meio do dom da amizade, nos seus contemporâneos, entre os quais, além de Freyre, destacam-se José Lins do Rêgo e Jorge Amado, entre outros.
O mestre de Apipucos, em suas relações com o jornalismo e sobretudo com o Diário de Pernambuco, é também o tema do oitavo ensaio, de autoria de André Heráclio do Rêgo e intitulado “Gilberto Freyre e o Diário de Pernambuco”.
Nesse sentido, ele sempre fez o elogio da leitura de jornais, não só os do dia, mas também os antigos, no que era uma declaração de afeto, mas sobretudo a expressão dos seus sentimentos a respeito do jornalismo sob uma dupla perspectiva, a de produtor de material jornalístico e a de pesquisador desse mesmo material.
Relação intensa
O relacionamento do mestre de Apipucos com o Diário de Pernambuco era tão intenso quanto a sua relação com a sua cidade natal, o Recife, e com a sua vizinha, Olinda, tema do nono ensaio da coletânea, também de autoria de André Heráclio do Rêgo e intitulado “Gilberto Freyre, o Recife e Olinda nas páginas do Diário de Pernambuco”. Com efeito, o escritor e poeta pernambucano Mauro Mota certa feita comentou que não haveria “uma relação mais íntima entre um homem e uma cidade como esta, entre Gilberto Freyre e o Recife”.
O décimo ensaio tem por tema também Gilberto Freyre, desta feita na companhia de outro ícone da cultura brasileira, e se intitula “Dois personagens na cultura brasileira: Gilberto Freyre e Ariano Suassuna”. Seu autor, ademais dos méritos próprios, credencia-se para a tarefa por questões genealógicas.
Trata-se de Gilberto Freyre Neto, neto do outro Gilberto, como é óbvio, mas também sobrinho, e não é todo mundo que o sabe, de Ariano Suassuna. O neto e sobrinho escreve sobre dois dos maiores personagens que o Nordeste já ofereceu ao Brasil: o avô dedicado à civilização do açúcar, o tio à civilização do couro e à pecuária. Cada um deles criou seu próprio imaginário e sua própria mitologia. Gilberto Freyre e Ariano Suassuna são opostos complementares que nos explicam, dois cavaleiros andantes que tornam o Recife a mais cervantina das cidades brasileiras.
Valores nacionais
O décimo primeiro artigo, de autoria de Lincoln de Abreu Penna, trata de outro grande personagem, também jornalista, Barbosa Lima Sobrinho, e se intitula “O vigor das convicções: Barbosa Lima Sobrinho, um nacionalista”. Trata deste ardoroso nacionalista, entusiasta da defesa dos recursos e valores nacionais e do regime republicano; um “repúblico”, aquele que só deseja o bem público, cuja trincheira jornalística de décadas foi o Jornal do Brasil.
“Um século de relações internacionais”, sob a responsabilidade do historiador e diplomata Manuel de Oliveira Lima. Com esse mesmo título, a que se acresceu a expressão “1925–2025”, a presente edição apresenta o artigo do também diplomata e cientista social Paulo Roberto de Almeida.
Com efeito, cem anos depois da avaliação positiva de Oliveira Lima sobre a diplomacia do Império e a do início da República, as fronteiras já não constituem um problema diplomático: os problemas atuais são outros, sobretudo no que concerne ao recuo do multilateralismo instaurado pela ONU em 1945. Sob o aspecto regional, a diplomacia brasileira da atualidade não pretende sustentar qualquer hegemonia no Prata, mas promover e liderar a formação de um espaço econômico integrado na América do Sul. Entre 1925 e 2025 o Brasil venceu o atraso agrícola e se industrializou, mas recentemente voltou à condição primordial de produtor de commodities, ainda que com grande modernização.
Cooperação para o desenvolvimento
O ensaio seguinte, de autoria de João Palmeiro, e intitulado “Memória do mundo”, retoma de certa forma o artigo de 1925 do também português Fidelino de Figueiredo sobre “Um século de relações luso-brasileiras”; mas coloca uma certa ênfase na questão do Nordeste como plataforma maior da cooperação para o desenvolvimento, sustentado numa língua única e flexível.
Nesse sentido, a cooperação cultural entre Portugal e Brasil no século XX girou em torno da língua portuguesa, que Camões contribuiu para que se tornasse uma estrutura global, promotora do desenvolvimento e do bem-estar econômico, e cujo papel digital revela-se uma ferramenta eficaz na promoção de negócios, no desenvolvimento científico e na inovação.
Só a cooperação cultural pode sustentar a continuidade e o crescimento da língua portuguesa, que se expande não somente pelo crescimento demográfico, mas também pelo aperfeiçoamento contínuo de dispositivos tecnológicos e de conteúdos virtuais. Tem assim a possibilidade de evoluir para uma efetiva língua de comunicação global, o que constitui uma grande oportunidade para a cooperação luso-brasileira nos seus vários setores.
Dom Pedro II
O décimo quarto ensaio, de autoria de Paulo Henrique Fontes Cadena e intitulado “O Nordeste de Dom Pedro II” retoma um dos três eixos fundamentais desta coletânea e soma, aos dois primeiros, o Diário de Pernambuco e Gilberto Freyre, o terceiro, relativo ao Nordeste.
O tema do Nordeste continua no ensaio seguinte, o décimo quinto, de autoria de José Nivaldo Junior e intitulado “1925–2025 — um século de política no Nordeste”, que narra circunstanciadamente a evolução política nordestina desde o fim da República Velha até a atualidade, bem como faz prognósticos para o futuro.
Santos do Nordeste
O décimo sexto ensaio, de autoria de Carlos André Silva de Moura, trata de outro aspecto da nordestinidade: o dos santos do Nordeste, tais como descritos nas páginas do Diário de Pernambuco. Nesse sentido, Gilberto Freyre demonstrou a importância da aproximação entre as religiões e a cultura na sociedade brasileira, especialmente no caso do catolicismo, que foi o cimento de nossa unidade. A proposta do artigo é analisar a presença de “santos” no Diário de Pernambuco, não só os oficialmente reconhecidos pela Igreja Católica, mas também aqueles legitimados pela voz popular.
Os santos do Nordeste, escolhidos pela legitimidade dos fiéis, com a bênção ou não da Igreja Católica, são os seguintes: padre Inácio da Silva Rolim, padre José Antônio Maria Ibiapina, frei Caetano de Messina, dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, padre Cícero Romão Batista, Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo, frei Damião de Bozzano, Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes — a santa Dulce dos Pobres —, irmã Adélia Teixeira de Carvalho, Benigna Cândida da Silva e dom Hélder Câmara.
Todos eles são personagens que foram sacralizados pelos fiéis sem os procedimentos formais ou antes da conclusão de um processo de beatificação e canonização conduzido pela hierarquia da Igreja Católica, por representarem um modelo de catolicismo adequado ao espaço em que viviam.
Além desses, foram sacralizados e adquiriram fama de santidade indivíduos que sofreram mortes trágicas, ou seja, mártires, como Alfredinho, Helena, a moça do quilômetro setenta, a Menina Sem Nome etc.
Uma das explicações para esse fenômeno indica que o Brasil, por não ter tido por muito tempo um santo para chamar de seu, estabelecido pela Igreja Católica, viu essa função ser preenchida por devoções oriundas do povo, como explica o Diário de 5 de novembro de 1973. Tais devoções devem ser compreendidas a partir dos aspectos históricos, sociais, econômicos e de representação da cultura.
Secas e desertificação
O décimo sétimo ensaio, de autoria de Gustavo Maia Gomes e intitulado “Secas e desertificação”, também tem o Nordeste como pano de fundo e retoma, de certa forma, o artigo de 1925 intitulado “As secas do Nordeste (1825–1925)”, de autoria de Tomás Pompeu Sobrinho. Num texto irônico e interessante, o autor se propõe a analisar a seca e, em menor medida, a desertificação do Nordeste a partir das páginas do Diário de Pernambuco. Nesse contexto, a 17 primeira menção à seca como substantivo ocorreu em 1845, na condição de estiagem prolongada causando fome e morte de gente e de gado e destruição de lavouras.
Sabores nordestinos
O ensaio seguinte, denominado “Sabores do Nordeste” e de autoria de Maria Lecticia Monteiro Cavalcanti, propicia-nos uma viagem pelo Nordeste e seus sabores. Mas, antes disso, a autora nos informa que, para Gilberto Freyre, a arte da cozinha é a mais brasileira das nossas artes, aquela que mais revela o gênio da raça, como dizia Eça de Queirós. E que Lévi-Strauss definiu o grau de civilização dos povos a partir dos hábitos alimentares — do cru para o cozido.
Segundo ela, o alimento se converte em linguagem e ganha um valor próprio, como parte da memória social. É nesse contexto que se inserem os sabores do Agreste, do Sertão e da Zona da Mata. Os dois primeiros, semelhantes. O terceiro, diferente, tendo por base o açúcar. Observe--se, sobre esta última macrorregião, que nas casas-grandes dos engenhos surgiu uma das mais importantes doçarias do mundo, pela comunicação entre o cristal do açúcar, o sabor selvagem das frutas tropicais e o alimento básico dos índios, a mandioca.
Novos mascates
O décimo nono artigo, de autoria de Bernardo Peixoto e intitulado “Os novos mascates”, retoma em certa medida o artigo de Samuel Hardman para o Livro do Nordeste de 1925, com o título “Cem anos de agricultura e pecuária no Nordeste”. Trata-se de amplo estudo sobre a evolução econômica nordestina entre 1925 e 2025, com ênfase no setor terciário, que é o constituído pelos “novos mascates”.
Com efeito, os comerciantes do Nordeste sempre foram protagonistas, desde a Guerra dos Mascates e a Sabinada, mas o setor terciário somente assumiu o papel preponderante no Nordeste como resposta à decadência da indústria e da agropecuária. E isso porque o Nordeste sempre soube reinventar-se, principalmente neste setor terciário, o do comércio e serviços, que adquiriram no correr dos anos um peso cada vez maior.
Hub logístico
A coletânea se encerra com o vigésimo ensaio, de autoria de Thales Cavalcanti Castro e Maria Vitoria Claudino e dedicado ao “Complexo Industrial Portuário de Suape: o hub logístico do Nordeste brasileiro”. Esse complexo é o porto público mais estratégico do Nordeste, e está 18 entre os dez portos públicos do Brasil com melhores opções de comércio marítimo e maior representatividade comercial.
É o sexto atracadouro que mais movimenta carga no Brasil e possui uma infraestrutura diferenciada, moderna e diversificada. Contribui para o crescimento econômico de Pernambuco, mas também da região e do Brasil.
Tema importante nesse sentido é o da internacionalização dos negócios, fundamental para o fortalecimento da economia pernambucana, para a promoção de benefícios sociais e comerciais para a população, para a modernização da infraestrutura e para a garantia do desenvolvimento sustentável da região.
SERVIÇO:
Livro do Nordeste II
Lançamento dia 26/03/2026 – às 19 horas
Local: Associação da Imprensa de Pernambuco
Av. Conde da Boa Vista 1424 – Boa Vista, Recife
Valor R$ 150,00
Informações: 3090-3431
E-mail: aip@aip.org.br

Yves Ribeiro: lealdade a um projeto na terceira geração. Confira o vídeo
21/03/2026
No seu centro histórico estão situados monumentos do início da colonização. Essa carga histórica contagiou o menino pobre, que catava mariscos nos mangues. Quando decidiu entrar na política, carregava a dimensão da história e um arraigado compromisso social.
Vida exemplar
Sua vida pública com mais de 50 anos, é recheada de pioneirismo, conquistas e ações para melhorar a vida das pessoas, de todas as idades. Muitos dos seus projetos inovadores foram premiados no Brasil e no Exterior.
Yves foi por duas vezes prefeito de Igarassu, duas vezes prefeito de Itapissuma e foi prefeito de Paulista três vezes. Conquistou o...
O nome completo é Yves Ribeiro de Albuquerque. Nasceu em 10/09/1948, no emblemático município de Igarassu, no litoral norte da Região Metropolitana do Recife. Igarassu é um dos primeiros núcleos de povoamento do Brasil. A cidade abriga o templo católico mais antigo do país: a Igreja dos Santos Cosme e Damião.
No seu centro histórico estão situados monumentos do início da colonização. Essa carga histórica contagiou o menino pobre, que catava mariscos nos mangues. Quando decidiu entrar na política, carregava a dimensão da história e um arraigado compromisso social.
Vida exemplar
Sua vida pública com mais de 50 anos, é recheada de pioneirismo, conquistas e ações para melhorar a vida das pessoas, de todas as idades. Muitos dos seus projetos inovadores foram premiados no Brasil e no Exterior.
Yves foi por duas vezes prefeito de Igarassu, duas vezes prefeito de Itapissuma e foi prefeito de Paulista três vezes. Conquistou o título de político brasileiro com o maior número de mandatos executivos em sequência.
Coerência
Yves militou ao longo de mais de meio século no campo da esquerda, tendo mantido sintonia com Miguel Arraes e Eduardo Campos, no PSB.
Agora, está integrado de corpo e alma ao projeto de João Campos, legítimo continuador dos princípios que, desde o final dos anos 1950. norteiam o projeto da Frente Popular.
Confira o vídeo.
Vera Reichert expõe "Sobre Águas" no Museu do Estado de Pernambuco
21/03/2026
Com a curadoria e produção de André Venzon, a exposição reúne mais de 100 obras e propõe um mergulho poético e sensorial nas múltiplas dimensões da água — elemento central na pesquisa artística de Vera Reichert ao longo de mais de três décadas.
A artista constrói uma poética singular que transita entre fotografia, vídeo, instalação, pintura e escultura, revelando a água como matéria estética, símbolo de memória e reflexão sobre o futuro do planeta.
Diferentes biomas e paisagens
Após itinerar por São Paulo, Brasília e Porto Alegre, “Sobre Águas” chega ao Recife ampliando o diál...
A artista visual Vera Reichert, do Rio Grande do Sul,inaugura na Semana Mundial da Água, a exposição “Sobre Águas” no Museu do Estado de Pernambuco (MEPE). A mostra será aberta para convidados no dia 26 de março, às 19h, e segue para visitação pública de 27 de março a 3 de maio de 2026, no primeiro piso (Espaço Cícero Dias), com entrada gratuita.
Com a curadoria e produção de André Venzon, a exposição reúne mais de 100 obras e propõe um mergulho poético e sensorial nas múltiplas dimensões da água — elemento central na pesquisa artística de Vera Reichert ao longo de mais de três décadas.
A artista constrói uma poética singular que transita entre fotografia, vídeo, instalação, pintura e escultura, revelando a água como matéria estética, símbolo de memória e reflexão sobre o futuro do planeta.
Diferentes biomas e paisagens
Após itinerar por São Paulo, Brasília e Porto Alegre, “Sobre Águas” chega ao Recife ampliando o diálogo com diferentes biomas e paisagens brasileiras. A mostra apresenta fotografias subaquáticas que capturam jogos de luz e cor em universos raros; superfícies de lagoas transformadas em composições circulares; escotilhas espelhadas que evocam a experiência do mergulho; além de instalações que tensionam a relação entre abundância e escassez.
Ao longo de mais de três décadas de investigação artística, Vera Reichert desenvolve uma pesquisa consistente e sensível sobre a presença da água na paisagem e na memória. Sua produção articula arte e natureza, ciência e sensibilidade, revelando um olhar atento às transformações ambientais e às relações entre corpo, território e tempo.

Linguagens diversas
Transitando por diferentes linguagens — pintura, fotografia, vídeo, instalação e escultura — a artista constrói narrativas visuais que capturam a fluidez, a transparência e a força simbólica da água.
Sua obra não se limita à representação da paisagem, mas propõe uma experiência imersiva, na qual o espectador é convidado a perceber a água como elemento vital, matéria em constante mutação e metáfora das dinâmicas da própria existência.
Destaques e curta-metragem
Entre os destaques estão a instalação “Colunas D’água”, que dialoga com as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul — estado de origem da artista —, e “Últimas Gotas”, composta por 30 torneiras com gotas de cristal, criando uma metáfora visual sobre a urgência da preservação dos recursos hídricos. Integra ainda a exposição o curta-metragem “Sete mares e uma paixão”, exibido pelo Canal Arte1, além de obras em backlight e esculturas espelhadas que ampliam a experiência imersiva do público.
Acompanhada do catálogo “Sobre Águas” (Editora Pubblicato), com distribuição gratuita durante o período expositivo, a mostra reafirma a arte como espaço de contemplação, sensibilização e consciência ambiental.
Ao receber “Sobre Águas”, o Museu do Estado de Pernambuco reforça seu compromisso com exposições que articulam arte contemporânea, reflexão social e sustentabilidade, convidando o público a reconhecer a água não apenas como recurso natural, mas como elemento vital, simbólico e unificador.
Serviço
Exposição: “Sobre Águas”
Artista: Vera Reichert
Curadoria: André Venzon
Abertura para convidados: 26 de março de 2026, às 19h
Visitação: 27 de março a 3 de maio de 2026
Local: Museu do Estado de Pernambuco – MEPE

Vai ter grito de campeão: Botafogo-PB e Sousa disputam batalha final do 116º Campeonato Paraibano, por Severino Lopes*
21/03/2026
O duelo
O último e decisivo duelo entre Belo e Dinossauro será disputado hoje, sábado (22/03), às 16h45 no estádio Almeidão. Apenas um deles erguerá a taça, dará a volta olímpica e soltará o grito de campeão da 116ª edição da competição.
O primeiro jogo
No último confronto disputado no último domingo (15/03), no Estádio Marizão, no Sertão paraibano, o Botafogo saiu na frente, e venceu de virada por 2 x 1, conquistando uma vantagem para o jogo de volta.
34 títulos
Em campo estarão 34 títulos estaduais, sendo 30 conquistados...
A batalha final com VAR e arbitragem da Fifa. O último capítulo de uma competição iniciada em janeiro com 10 clubes, que após o apito final, consagrará o grande campeão e novo detentor da hegemonia do futebol paraibano. Pelo terceiro ano seguido, tendo como palco o estádio O Almeidão, em João Pessoa, Botafogo-PB e Sousa decidem o título do campeonato.
O duelo
O último e decisivo duelo entre Belo e Dinossauro será disputado hoje, sábado (22/03), às 16h45 no estádio Almeidão. Apenas um deles erguerá a taça, dará a volta olímpica e soltará o grito de campeão da 116ª edição da competição.
O primeiro jogo
No último confronto disputado no último domingo (15/03), no Estádio Marizão, no Sertão paraibano, o Botafogo saiu na frente, e venceu de virada por 2 x 1, conquistando uma vantagem para o jogo de volta.
34 títulos
Em campo estarão 34 títulos estaduais, sendo 30 conquistados pelo Botafogo, maior vencedor da competição, e quatro pelo Sousa, em 1994, 2009, 2024 e 2025.
O Botafogo-PB
O Botafogo-PB levou a melhor nos primeiros 90 minutos da final e volta a ter a oportunidade de decidir o título diante de sua torcida. Para esse jogo, o Belo deve entrar em campo com a força máxima. Um dos destaques do alvinegro é o meia Nenê que aos 44 anos, vive a expectativa de voltar a conquistar um título estadual após 10 temporadas. O último troféu do jogador neste tipo de competição foi em 2016, quando atuava pelo Vasco.
Jejum pessoal
Além de quebrar seu jejum pessoal, Nenê pode ajudar o Botafogo-PB a voltar a levantar um troféu. A última vez que o clube foi campeão estadual foi na temporada 2019, quando bateu o Campinense na decisão.
Joga por um empate
Com boa participação de Nenê, o Botafogo-PB venceu o jogo de ida do Paraibano por 2 a 1 contra o Sousa, fora de casa. Com o resultado, o Alvinegro da Estrela Vermelha joga por um empate no jogo de volta para ficar com o troféu.
O Sousa
Atual bicampeão estadual, o Dino entra em campo pressionado. E com estatísticas desfavoráveis. A equipe jurássica precisa reverter o placar fora de casa para conquistar o terceiro título consecutivo, em um cenário que não tem sido comum nas últimas edições da competição.
Desafio
Após a derrota em casa, o Dino precisa vencer por pelo menos um gol de diferença para levar a decisão para os pênaltis. Se vencer por dois gols de diferença, sagra-se campeão.
Não vence
O problema é que o Dinossauro não vence o Belo no Estádio Almeidão desde a temporada de 2010, há 16 anos. O último triunfo do time sertanejo contra o Alvinegro da Estrela Vermelha em João Pessoa aconteceu no dia 28 de fevereiro de 2010, em jogo válido pela 8ª rodada do Campeonato Paraibano. Com dois gols de Manu e um de Evandro, a equipe sertaneja venceu por 3 a 2. Edmundo anotou os dois gols do Belo no confronto.
Outro tabu
E tem outro tabu a ser quebrado: a última vez que uma equipe conseguiu virar uma final após sair atrás no jogo de ida foi em 2018. Na ocasião, o Botafogo-PB perdeu por 1 a 0 para o Campinense, no Amigão, mas no jogo de volta, no Almeidão, venceu por 2 a 0 e ficou com o título estadual. Desde então, nenhuma decisão teve virada no placar agregado.
Dois títulos no Almeidão
Apesar de não conseguir vencer o Botafogo-PB no Almeidão há 16 anos, o estádio foi palco dos dois títulos estaduais recentes do Dino em cima do Belo. Em 2024, a conquista veio nos pênaltis, após um empate em 1 a 1 no tempo normal. Já em 2025, o time sertanejo venceu o jogo de ida por 1 a 0, no Marizão, e levantou o troféu após empatar em 1 a 1 na partida de volta.

O artilheiro de volta
Precisando de gols, o técnico Alessandro Telles vive a expectativa de ganhar um reforço importante para a decisão. O atacante Luís Henrique, artilheiro do time no Paraibano com quatro gols, está recuperado de uma lesão e pode entrar em campo.
Retrospecto
O Dino também confia no retrospecto em decisões. Nas duas últimas finais, o time sertanejo foi campeão contra o Botafogo-PB no Almeidão. A diferença é que na atual temporada o Sousa precisará buscar o resultado para ficar com o título.

Árbitro Fifa
A partida mais importante do campeonato requer um árbitro experiente. O árbitro Wilton Pereira Sampaio (Fifa-GO) será o responsável por comandar a partida, que também contará com o VAR.
Prováveis escalações:
Botafogo-PB: Luiz Daniel, Erik, Yan Souto, Igor Morais e Bull; Igor Maduro, Dudu Nardini e Jhonata Varela; Nenê, Rodolfo e Felipe Azevedo. Técnico: Lisca.
Sousa: Moisés Freitas, Iranilson, Hebert, Marcelo Duarte e Gilmar Lourenço; Nathan e Diego Viana; Felipe Jacaré, Veraldo, Bambam e Kiko. Técnico: Alessandro Telles.

Quem vai dar o grito de campeão
Atual campeão paraibano, o Sousa busca o tricampeonato e o tetra da história. Já o Belo busca o 31º título de sua história. Após os 90 minutos, um dos dois vai levantar a taça, dar a volta olímpica e soltar o grito de campeão.
*Severino Lopes é editor regional de O Poder

Mais de 40 mil pessoas se preparam para a 25ª Caminhada Penitencial da diocese de Campina Grande, por Severino Lopes*
21/03/2026
Expectativa
A expectativa é de que centenas de fiéis participem do percurso, que já se consolidou como uma das principais manifestações religiosas do período na região, que acontece sempre no 5º Domingo da Quaresma.
O trajeto
Pelo 25º ano seguido, os fiéis sairão da Catedral Nossa Senhora da Conceição, no Centro, e seguirão até o Convento de Santo Antônio, em Ipuarana, Lagoa Seca — um percurso de 11 quilômetros. A chegada está prevista para às 8h30, quando será celebrada missa presidida pelo bispo diocesano dom Dulcênio Fontes de Matos.
Grupos e caravanas
O bispo conv...
Fé, oração, devoção e penitência. Em clima quaresmal, a 25ª Caminhada Penitencial da diocese de Campina Grande (PB) programada para ser realizada neste domingo (22/03), a partir das 6h, deve bater recorde de participantes. Mais de 40 mil pessoas de todas as paróquias da Diocese são esperadas para o evento.
Expectativa
A expectativa é de que centenas de fiéis participem do percurso, que já se consolidou como uma das principais manifestações religiosas do período na região, que acontece sempre no 5º Domingo da Quaresma.
O trajeto
Pelo 25º ano seguido, os fiéis sairão da Catedral Nossa Senhora da Conceição, no Centro, e seguirão até o Convento de Santo Antônio, em Ipuarana, Lagoa Seca — um percurso de 11 quilômetros. A chegada está prevista para às 8h30, quando será celebrada missa presidida pelo bispo diocesano dom Dulcênio Fontes de Matos.
Grupos e caravanas
O bispo convidou os fiéis a participarem em comunidade, organizando-se em grupos, caravanas, com familiares, amigos e paroquianos, para que o gesto seja expressão de união e testemunho cristão.
“A caminhada é um momento especial de preparação para a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. É uma oportunidade única de viver intensamente a penitência e espiritualidade quaresmal", conclamou dom Dulcênio.
Expressão de fé
Considerada expressão de fé, a caminhada penitencial é uma das maiores manifestações religiosas da Diocese de Campina Grande, realizada no período da Quaresma.
*Severino Lopes é editor regional de O Poder

Balanço positivo marca 32ª Convenção Coletiva de Trabalho da Fruticultura Irrigada no sertão de PE
21/03/2026
Durante os trabalhos, as lideranças das entidades sindicais, patronal e laboral de Petrolina, Santa Maria da Boa Vista, Cabrobó, Lagoa Grande e Belém do São Francisco, aprovaram ainda 90 cláusulas econômicas e sociais com pautas dos três mil produtores e mais de 50 mil trabalhadores rurais do sertão pernambucano.
Avanços substanciais para a fruticultura
Segundo o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR), Jailson Lira, as negociações, que iniciaram no último mês de janeiro deste ano, foram muito positivas e prometem avanços substanciais para a fruticultura irrigada na região em 2026.
...
Um novo piso salarial para os trabalhadores rurais de R$ 1.664,00 e a criação de uma comissão paritária que vai discutir e encaminhar propostas das classes patronal e laboral. Estes foram os principais avanços da 32ª Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da Fruticultura Irrigada no sertão de Pernambuco.
Durante os trabalhos, as lideranças das entidades sindicais, patronal e laboral de Petrolina, Santa Maria da Boa Vista, Cabrobó, Lagoa Grande e Belém do São Francisco, aprovaram ainda 90 cláusulas econômicas e sociais com pautas dos três mil produtores e mais de 50 mil trabalhadores rurais do sertão pernambucano.

Avanços substanciais para a fruticultura
Segundo o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR), Jailson Lira, as negociações, que iniciaram no último mês de janeiro deste ano, foram muito positivas e prometem avanços substanciais para a fruticultura irrigada na região em 2026.
“No clima de respeito mútuo, tivemos discussões produtivas que promoveram mais dinamismo e modernidade nas negociações das cláusulas, possibilitando a obtenção de resultados favoráveis para ambas as partes, a exemplo do aumento salarial dos trabalhadores em mais de 7%”, ressaltou.
Diálogo aberto e mais acordos
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Petrolina (STTAR), Maria Joelma, também considerou muito positiva a 32ª Convenção Coletiva. “Construímos um diálogo mais aberto e chegamos a acordos que certamente vão trazer melhores condições de trabalho e desenvolvimento para o Vale do São Francisco”, concluiu.

Dois anos depois, PGR denuncia ex-ministro Silvio Almeida por importunação sexual contra sua então colega Anielle Franco
21/03/2026
Almeida foi exonerado pelo governo após a divulgação das denúncias feitas para a ONG Me Too, em 2024. Anielle prestou depoimento no mesmo ano sobre o caso. Conforme informou a defesa do ex-ministro, ele ainda não foi notificado e que vai aguardar para se manifestar. Ao longo da investigação, Almeida negou as acusações.
Indícios respaldam relato de Anielle
A denúncia foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, cuja avaliação concluiu que há indícios que respaldam o relato da ministra Anielle Franco. Um dos depoimentos colhidos no caso foi o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Em entrevi...
A Procuradoria-Geral da República denunciou formalmente o ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio de Almeida, por importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial Anielle Franco. O processo, que corre sob sigilo, é conduzido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Almeida foi exonerado pelo governo após a divulgação das denúncias feitas para a ONG Me Too, em 2024. Anielle prestou depoimento no mesmo ano sobre o caso. Conforme informou a defesa do ex-ministro, ele ainda não foi notificado e que vai aguardar para se manifestar. Ao longo da investigação, Almeida negou as acusações.
Indícios respaldam relato de Anielle
A denúncia foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, cuja avaliação concluiu que há indícios que respaldam o relato da ministra Anielle Franco. Um dos depoimentos colhidos no caso foi o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Em entrevista sobre o caso, em 2024, Anielle contou que demorou para fazer as denúncias porque jamais esperava passar pelo episódio.
“Durou alguns meses, assim, mais de ano, na verdade. Começa com falas e cantadas mal postas, eu diria. E vai escalando para um desrespeito pelo qual eu também não esperava. Até situações que nenhuma mulher precisa passar, merece passar ou deveria passar", destacou ela, na ocasião.