A polêmica continua - Natanael Sarmento* provoca: Imagino se Jarbas Beltrão não tivesse sido torturado
06/04/2026
Segue
Que sentiu a “necessidade” de revelar que foi torturado no DOI-CODI e preso da Ilha das Flores (RJ) em 1971, nos tempos da juventude estudantil: “Na Tijuca sofri torturas psicológicas e físicas”. Diz que tinha tudo para ser seguidor do marxismo – que nunca foi – mas estudou economia e história e hoje segue h...
Segue
Que sentiu a “necessidade” de revelar que foi torturado no DOI-CODI e preso da Ilha das Flores (RJ) em 1971, nos tempos da juventude estudantil: “Na Tijuca sofri torturas psicológicas e físicas”. Diz que tinha tudo para ser seguidor do marxismo – que nunca foi – mas estudou economia e história e hoje segue historiadores e escritores “ex-esquerda”
(cita vários deles). No seu estranho acolhimento o professor passa a desclassificar a minhas crítica como “partidárias” e ideológicas” – como se alguma narrativa histórica não tivesse ideologia. Em socorro a sua cantilena anticomunista traz personagens como Aldo Rabelo (ex-PC do B) e o escritor George Orwell ex-filiado do Partido Operário inglês, que avançaram pela mudança da esquerda para a direita. Dois renegados – no sentido exato de negação do passado e de mudança de lado, exemplos para ele. Cada um faz suas escolhas.

Não surpreende
Não surpreende revelações de torturas e prisões do jovens estudantes nos anos 1970 do terror doutrina de Estado. A ditadura causou muita dor e sofrimento para milhares de brasileiros. O hoje idoso Jarbas Beltrão confessa o seu experimento de prisão e torturas passados na juventude, registro insuspeito.
Surpreende
Surpreende-nos a sua narrativa apologética da ditadura. Travestida de “neutralidade acadêmica”. Do professor experiente que estudou economia e a história brasileira. Ora, desde primeiro quartel do século passado a Escola de Frankfurt colocou abaixo a Torre de Babel enganadora da “neutralidade” declarada pelos intelectuais tradicionais, conservadores, liberais e fascistas, da estratégia da “legitimação” do sistema dominante.
Anticomunismo
A narrativa de direita do professor Jarbas segue a doutrina de Segurança Nacional da Esg – Escola Superior de Guerra. Doutrina anticomunista forjada na Escola de Guerra dos Estados Unidos e continuada pelos vassalos entreguistas do Brasil.
Agitação
Sobre a conjuntura instável pré 1964 ele se refere ao ambiente conturbado, a indecisão, a agitação, fala quase tudo. Mas oculta o papel dos EUA na criação/fermentação/ampliação dessa instabilidade visando condições propícias para promover o golpe militar e destituir Jango Presidente não confiável para os interesses do Império Norte-Americano. O historiador esqueceu as maletas de dólares que financiaram a conspiração abertamente articulada na Embaixada estadunidense. Esquece os agentes da CIA, financiamentos dos Ipês, - Institutos de Pesquisa Social, Ibad. Não menciona a Operação Brother Sam – deslocamento da frota naval norte-americana à costa brasileira para assegurar vitória dos golpistas. Amnésia completa sobre os instrutores de tortura da Cia e financiamentos dos empresários para grupos terroristas como a Oban liderada pelo sicário Delegado Fleury. Esquece de registrar os centros de torturas como a “Casa da Vovó” de onde o aprisionado só saía morto ou “cachorro” colaborador.

Saída institucional ou golpe?
Nos subterfúgios ideológicos do professor o golpe da deposição de João Goulart ante os tanques nas ruas ele denomina de saída institucional em virtude da “declaração de vacância” do cargo Presidencial no Congresso. Será o Benedito?
Desenvolvimento?
Jarbas que “odeia a ortodoxia marxista” e como pensador que se diz além dos partidos afirma que os anos do regime militar levaram o país ao desenvolvimento - “5ª economia global”. Esquece de dizer como e para quem. Para ocultar o mar de lama da corrupção e da concentração de riqueza na burguesia. Das contas secretas na suíça. Da entrega das riquezas minerais e estratégicas às companhias estrangeiras. Da alienação da soberania nacional. Do endividamento e submissão ao Banco Mundial e FMI. Sem dizer que de 1964 a 1985 a Dívida Externa aumentou mais de 30 vezes, saltando de 3,2 bilhões de dólares para 100 bilhões, dos 15% do PIB para 54% .
Corrupção
Na fábula de 1964 “Prá Frente Brasil” não se menciona o “Caixa 2” e a corrupção dos empresários e militares. Nem a brutal repressão a quem denunciava, enfrentado os perigos. Das roubalheiras faraônicas quais obras do porte de Itaipu, Transamazônica, Ponte Rio Niterói. De falcatruas da Paulipetro, Capemi, Grupo Delfim, Coroa-Brastel, Light, entre outras. Quem sabe, nada disso houve, nem a Ditadura no Brasil, tudo é produto da odiada ideologia marxista-ortodoxa?
Mortos e desaparecidos
No longo artigo seletivo exaltar os feitos do regime “potência global” esqueceu de mencionar 434 mortos e desparecidos vítimas.
Nada de novo
Mudanças de lados, voluntárias, coagidas, ou compradas existiram e existirão na luta de classes da história humana e do Brasil. Cooptações e infiltrações abundam na história do Brasil. Cabo Anselmo foi agente da Cia infiltrado na esquerda e causou muitas mortes, na chacina da Granja de São Bento, em Pernambuco, inclusive. O agente “Vinícius” da cúpula do PCB foi preso e passou a colaborar com o Exército, 10 dirigentes do CC do PCB foram assassinados. A ditadura usou em propaganda em rádios e televisões várias declarações de Arrependidos” e publicou “cartas” dos “arrependidos”, traidores e renegados. Os exemplos escolhidos pelos comunistas são outros, daqueles que derrotaram os torturadores e o Estado, morreram sem delatar seus companheiros e não renegaram suas convicções. Dos que sobreviveram, resistiram às torturas, permanecem na luta. Cada um escolhe as suas referências.
Ilustração?
Fica clara a tentativa de legitimar o argumento de suposto amadurecimento intelectual decorrente de “evolução” na troca do campo da esquerda marxista pelo campo conservador ou fascista no artigo do Prof. Jarbas. Ele ilustra com seus exemplos, destacamos dois: Aldo Rabelo, ex-dirigente do PC do B, hoje bolsonarista e o escritor George Orwell, ex-filiado do Partido Operário Marxista inglês. Dois intelectuais que ao seu ver amadureceram e cresceram na mudança da esquerda para a direita.
Vejamos
Aldo Rabelo foi destacado dirigente do PC do B. Atualmente é alinhado com a direita e o bolsonarismo. Para a direita avançou e cresceu. Para a esquerda, apequenou-se e corrompeu-se.
George Orwell não ficou famoso nem rico pela militância no POUM – Partido Operário de Unificação Marxista. Ganhou fama mundial na mudança, no coro do anticomunismo. Sua viúva daria ainda notoriedade ao livro e ganharia mais dinheiro, inclusive do caixa da CIA na filmagem de “animação” da obra “Revolução dos Bichos”. O Programa da Guerra Cultural da CIA financiou mundo afora edições de livros, revistas e jornais, exposições de arte, congressos, cooptou intelectuais. É preciso desenhar?
Sem ocultações
Os comunistas não ocultam o que pensam, não usam cortinas de fumaças ou ciladas ideológicas de manipulações. Temos convicção da superioridade material e moral do socialismo e da defesa dos trabalhadores os verdadeiros produtores de todas as riquezas e explorados pelos capitalistas burgueses.
Engano
O professor Jarbas diz que a esquerda na bolha domina a narrativa da “versão única” de 1964. Predomina nas universidades brasileiras. Desde quando a ideologia dos explorados e oprimidos do Brasil predomina nos templos acadêmicos brasileiros? Será que o ilustre professor considera a classe operária dominante dos meios econômicos, do mercado, da política estatal, mídias e aparatos ideológicos da burguesia? Predomina a alienação acrítica. O pensamento crítico é minoritário. Cada vez mais raro, sobretudo, o marxismo-leninismo. Esse “espectro do comunismo” é fantasma dos fascistas e saudosistas do golpismo de 1964.
Passando a régua
1964 foi golpe empresarial-militar de natureza entreguista, antinacional e antipopular. Representou enorme retrocesso ao país na construção de desigualdades sociais e regionais, da concentração de capital. Uma das mais distorcidas distribuições de riqueza em escala global. 1964 ampliou a dependência, banalizou o terror de Estado e a cultura do anticomunismo de “combate ao inimigo interno” Made in Usa.
É fácil defender a ditadura e os fascistas, na democracia é fácil debater às claras. Difícil é ser comunista e/ou humanista nas ditaduras. A de 1964 infernizou-nos por 21 anos, vade-retro, Satanás! Ditadura nunca mais.
*Natanael Sarmento é professor e escritor. Do diretório nacional da Unidade Popular Pelo Socialismo -UP.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o contraditório e acolhe o livre e respeitoso debate de ideias.

Leia outras informações
Bandeira Vermelha: o Inmet divulga alertas de chuva intensa para 39 municípios de Pernambuco
06/04/2026
Bandeira vermelha, laranja e amarela
O risco de severidade Grande Perigo, ou bandeira vermelha, acontece quando a previsão indica chuva superior a 60 mm/h ou acima de 100 mm/dia, com possibilidade de alagamentos e transbordamento de rios. Além da vermelha, o Inmet também “estendeu” a bandeira laranja, que indica o risco de Perigo, para parte da Região Metropolitana e zonas da mata, o Agreste e parte do Sertão. A bandeira laranja indica possibilidade de chuva entre 30 a 60 mm/h ou 50 a 100 mm/dia. O restante do estado, parte do Sertão, segundo o Inmet, pode ter chuva entre 20 a 30 mm/h ou até 50 mm/dia, na bandeira amarela.
O Inmet, Instituto Nacional de Meteorologia, publicou hoje, segunda-feira, 06/04, três alertas de risco de chuva intensa para Pernambuco. 39 municípios estão com Grande Perigo, nível mais severo de classificação. Conforme o Inmet, os municípios fazem parte da Região Metropolitana, Zona da Mata Norte e Zona da Mata Sul.
Bandeira vermelha, laranja e amarela
O risco de severidade Grande Perigo, ou bandeira vermelha, acontece quando a previsão indica chuva superior a 60 mm/h ou acima de 100 mm/dia, com possibilidade de alagamentos e transbordamento de rios. Além da vermelha, o Inmet também “estendeu” a bandeira laranja, que indica o risco de Perigo, para parte da Região Metropolitana e zonas da mata, o Agreste e parte do Sertão. A bandeira laranja indica possibilidade de chuva entre 30 a 60 mm/h ou 50 a 100 mm/dia. O restante do estado, parte do Sertão, segundo o Inmet, pode ter chuva entre 20 a 30 mm/h ou até 50 mm/dia, na bandeira amarela.

O alerta de Grande Perigo
Abreu e Lima, Água Preta, Aliança, Araçoiaba, Barreiros, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Carpina, Chã de Alegria, Condado, Escada, Ferreiros, Gameleira, Glória do Goitá, Goiana, Igarassu, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Itambé, Itapissuma, Itaquitinga, Jaboatão dos Guararapes, Lagoa de Itaenga, Moreno, Nazaré da Mata, Olinda, Paudalho, Paulista, Pombos, Primavera, Recife, Ribeirão, Rio Formoso, São José da Coroa Grande, São Lourenço da Mata, Sirinhaém, Tamandaré, Tracunhaém, e Vitória de Santo Antão.
BC impôs sigilo de oito anos sob documentos da liquidação do Banco Master
06/04/2026
Demais argumentos
Outro argumento utilizado pelo BC foi que a divulgação dos documentos pode comprometer atividades de inteligência em andamento, como as de investigação e fiscalização relacionadas à prevenção ou repressão de infrações financeiras. Sendo assim, os documentos sobre a liquidação extrajudicial do Master ficarão em sigilo até novembro de 2033.
Liquidação e Nota
O BC decretou a liquidação da instituição de Daniel Vorcaro em novembro de 2025. A...
O Banco Central impôs um sigilo de 8 anos sobre os documentos relacionados à decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master. As informações foram obtidas pela Lei de Acesso à Informação. Segundo o BC, a divulgação imediata dos documentos contraria o “interesse público na preservação da estabilidade financeira, econômica e monetária do país”. A imposição do sigilo se deu em novembro de 2025 pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo.
Demais argumentos
Outro argumento utilizado pelo BC foi que a divulgação dos documentos pode comprometer atividades de inteligência em andamento, como as de investigação e fiscalização relacionadas à prevenção ou repressão de infrações financeiras. Sendo assim, os documentos sobre a liquidação extrajudicial do Master ficarão em sigilo até novembro de 2033.

Liquidação e Nota
O BC decretou a liquidação da instituição de Daniel Vorcaro em novembro de 2025. Alegou “grave crise de liquidez” e “graves violações” às regras do Sistema Financeiro Nacional. Em nota, afirmou que a “decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do Conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”.
Tensão no Oriente Médio continua: Irã e EUA rejeitam proposta de cessar-fogo apresentada hoje
06/04/2026
"A Operação Fúria Épica continua"
"Esta é uma das muitas ideias e o presidente não a aprovou. A Operação Fúria Épica continua", disse um funcionário da Casa Branca à Agence France-Presse, observando que Trump tem uma entrevista coletiva marcada para às 14h00, horário de Brasília.
Irã também rejeita trégua temporária
A agência de notícias estatal iraniana Irna afirmou que a proposta de trégua temporária também foi rejeitada pelo Irã. "O Irã transmitiu ao Paquistão sua resposta à proposta americana para encerrar a guerra", disse a Irna. "Nessa resposta - divi...
Os EUA e o Irã rejeitaram hoje, segunda-feira, 06/04, a proposta de mediadores para um acordo de cessar-fogo de 45 dias. A Casa Branca afirmou que o presidente americano Donald Trump recebeu a proposta, mas "não a aprovou". A proposta de cessar-fogo foi apresentada por mediadores do Paquistão, Egito e Turquia, segundo o site de notícias Axios.

"A Operação Fúria Épica continua"
"Esta é uma das muitas ideias e o presidente não a aprovou. A Operação Fúria Épica continua", disse um funcionário da Casa Branca à Agence France-Presse, observando que Trump tem uma entrevista coletiva marcada para às 14h00, horário de Brasília.
Irã também rejeita trégua temporária
A agência de notícias estatal iraniana Irna afirmou que a proposta de trégua temporária também foi rejeitada pelo Irã. "O Irã transmitiu ao Paquistão sua resposta à proposta americana para encerrar a guerra", disse a Irna. "Nessa resposta - dividida em dez pontos - o Irã rejeitou um cessar-fogo e insiste na necessidade de um fim definitivo ao conflito."
Prazo para bombardeios
Trump estabeleceu um prazo até as 21h00, horário de Brasília, de amanhã, terça-feira, 07/04, antes de bombardear a infraestrutura iraniana. Um porta-voz do Exército do Irã, por sua vez, afirmou, nesta segunda-feira, que o país continuará a guerra enquanto as autoridades políticas "considerarem apropriado".
João Campos deixa a Prefeitura do Recife aprovado por 75 por cento da população
06/04/2026
Estratos
A aprovação do ex-prefeito se mantém majoritária em todos os estratos analisados pela pesquisa. O levantamento aponta que 78% das mulheres ouvidas aprovam a gestão, enquanto 71% dos homens endossam. Quando se analisa por faixa etária, o ex-prefeito é mais bem avaliado pelo grupo populacional entre 16 a 34 anos, alcançando 78% de aprovação; seguido pela população 60 anos ou mais, com 75%; e entre 3...
A notícia: o ex-prefeito do Recife, João Campos, encerrou a gestão à frente da Prefeitura do Recife com 75% de aprovação pela população, segundo levantamento realizado pelo instituto Realtime Big Data, divulgado hoje, segunda-feira (06/04) pela TV Guararapes/Record. O resultado consolida a elevada avaliação do socialista, que renunciou ao mandato na semana passada para concorrer ao Governo de Pernambuco na eleição deste ano. De acordo com o estudo, 24% dos entrevistados desaprovam a gestão, enquanto 1% não soube ou não respondeu.

Estratos
A aprovação do ex-prefeito se mantém majoritária em todos os estratos analisados pela pesquisa. O levantamento aponta que 78% das mulheres ouvidas aprovam a gestão, enquanto 71% dos homens endossam. Quando se analisa por faixa etária, o ex-prefeito é mais bem avaliado pelo grupo populacional entre 16 a 34 anos, alcançando 78% de aprovação; seguido pela população 60 anos ou mais, com 75%; e entre 35 a 59 anos, com 73%.
Por renda
Já quando se observa por renda, a maior aprovação foi entre quem disse receber até 2 salários mínimos, com 78% aprovam; seguido por quem declarou ganhar de 2 a 5 salários mínimos, com 74%; e mais de 5 salários mínimos, 70%.
Metodologia
O levantamento foi realizado entre os dias 1º e 4 de abril, ouvindo 1.200 pessoas do Recife. A pesquisa apresenta margem de erro de 3 pontos percentuais, para mais ou menos, e nível de confiança de 95%.
FALE, Fale e Fale — Mesmo Quando Mandarem Calar - Por, Emanuel Silva*
06/04/2026
Com base nesses fragmentos, o Ministério Público do Estado de São Paulo propôs ação civil pública com pedido de R$ 4 milhões por danos morais coletivos contra Monark. Ocorre que, quando se faz aquilo que deveria ser o mínimo — assistir, ler, compreender — o quadro muda. O próprio interlocutor repudiou expressamente o nazismo e discutia, ainda que de forma imprecisa, os limites da atuação estatal sobre o discurso.
Ou seja: não era sobre o que foi dito. Era sobre como se quis interpretar.
A controvérsia, portanto, nunca foi fática. Foi interpretativa....
Em fevereiro de 2022, durante um episódio de podcast com mais de quatro horas de duração com o apresentador — sim, o apresentador — Monark, um debate sobre os limites da liberdade de expressão foi reduzido a poucos segundos de recorte. E, como já virou método (e método perigoso), o recorte virou verdade, e a verdade virou acusação: apologia ao nazismo, discurso de ódio, incitação.
Com base nesses fragmentos, o Ministério Público do Estado de São Paulo propôs ação civil pública com pedido de R$ 4 milhões por danos morais coletivos contra Monark. Ocorre que, quando se faz aquilo que deveria ser o mínimo — assistir, ler, compreender — o quadro muda. O próprio interlocutor repudiou expressamente o nazismo e discutia, ainda que de forma imprecisa, os limites da atuação estatal sobre o discurso.
Ou seja: não era sobre o que foi dito. Era sobre como se quis interpretar.

A controvérsia, portanto, nunca foi fática. Foi interpretativa. E se deu em um ambiente já conhecido:
investigações que se prolongam, decisões que se expandem, contornos que se movem — um cenário que muitos, com alguma propriedade, chamam de kafkiano. Nesse contexto, vieram bloqueios, perda de plataformas, desgaste reputacional severo e, ao final, o previsível: o comunicador deixou o país. Não por decisão formal, claro — hoje não se faz mais assim —, mas por inviabilização prática. Um exílio moderno. Sem papel timbrado, mas com efeito idêntico. O Brasil conhece bem esse roteiro. Só atualizou o figurino.

FALE 1 — A defesa: quando o direito é levado a sério (mesmo que doa)
Quando o caso ficou tóxico, muitos fizeram o que se espera: nada. Ou quase nada. Um silêncio estratégico, elegante, institucional… e profundamente seletivo.
Mas houve quem entrasse.
Dois movimentos assumiram a causa quando ela já não rendia aplauso: a Free Speech Union Brasil, fundada em 1º de dezembro de 2025 e estruturada em março de 2026 como parte de uma rede internacional dedicada à liberdade de expressão, e a FALE – Frente de Advogados pela Liberdade de Expressão, formada por advogados brasileiros que decidiram — veja só — aplicar o direito.
A defesa foi conduzida por:
Hugo Freitas Reis — OAB/MG 198.279
Hugo Leonardo Chaves Huf Soares — OAB/BA 42.719
Humberto Filipe Pinheiro Pedrosa — OAB/AM 13.037
Rodrigo Pellegrino de Azevedo — OAB/PE 12.049
E aqui um detalhe que não é pequeno: dois desses advogados são do Nordeste — um da Bahia e outro de Pernambuco. Em um tema nacional, sensível e espinhoso, a resposta técnica veio também de onde muitos não costumam olhar primeiro, mas deveriam.
Mais do que nomes, foi postura. Defender o direito de expressão mesmo quando o cliente é impopular. Enquanto há quem trate prerrogativas como instrumento de afinidade — aplicando rigor aos adversários e compreensão aos aliados —, esse grupo fez algo quase subversivo: aplicou o princípio.
Sem “veja bem”. Sem filtro. Sem conveniência.
E isso, no Brasil de hoje, convenhamos, não é trivial. É raro. E, em certa medida, é arriscado.
FALE 2 — O erro central: quando o recorte substitui o raciocínio
A acusação partiu de trechos isolados. A defesa fez algo mais trabalhoso: reconstruiu o contexto.
A peça de contestação demonstra vícios processuais relevantes — nulidade de citação, afronta ao devido processo legal —, mas o ponto mais forte é outro: interpretação.
Aplicando o critério do “sentido objetivo da manifestação”, consolidado na jurisprudência constitucional alemã, a defesa evidencia algo básico: não se julga fala por fragmento. O sentido não está no recorte — está no conjunto, na sequência, na lógica e na forma como um observador razoável compreende aquilo.
Quando esse método é aplicado, a conclusão é simples (e incômoda para quem já tinha decidido antes): não houve promoção de ideologia. Houve debate. Mal feito? Talvez. Mas ainda assim, debate.
A acusação, ao ignorar isso, errou. Tecnicamente.
Mas o recorte tem uma vantagem irresistível: ele simplifica. E, quando simplifica, muitas vezes condena antes mesmo de pensar.
FALE 3 — A história (que não repete, mas rima… e insiste)
Nada disso é exatamente novo.
O Brasil já viveu momentos em que falar era, no mínimo, inconveniente. E nesses momentos sempre houve dois tipos de postura: os que se afastam e os que entram.
Sobral Pinto entrou. Católico, defendeu comunistas. Não por concordar, mas por entender que o direito não é seletivo. Não escolhia causas pela simpatia — escolhia pelo princípio. Simples assim. E difícil por isso mesmo.
Hoje, não há suspensão formal de direitos. Mas há algo mais sutil: mecanismos que isolam, pressionam, desgastam até afastar. A forma é moderna. O efeito, nem tanto.
E, no meio disso tudo, consolidou-se uma expressão curiosa — quase um princípio paralelo: o “veja bem”. A liberdade é garantida — veja bem. A censura é proibida — veja bem. O direito existe — veja bem… desde que.
O problema é que o “veja bem” não está na Constituição. É uma espécie de cláusula informal de exceção.
E exceções, quando repetidas, deixam de ser exceção. Viram regra.
FALE 4 — O desfecho (formal) e a pergunta (real)
Depois de quase dois anos, o próprio Ministério Público reconheceu a improcedência da tese acusatória.
Do ponto de vista jurídico, houve correção. Do ponto de vista real, o dano já estava feito. O afastamento já havia ocorrido. O precedente ficou.
E fica também a pergunta — talvez a única que importa: a liberdade de expressão será um direito de todos ou um privilégio condicionado ao conteúdo?
Porque, no momento em que entra o “veja bem”, o critério deixa de ser jurídico.
Passa a ser quem pode falar — e quem deve ser silenciado.
E isso, a história já mostrou — com ditadura, sem ditadura, com decreto ou sem — nunca termina bem.
Ao final, um registro necessário: parabéns aos advogados da FALE Hugo Freitas Reis, Hugo Leonardo Chaves Huf Soares, Humberto Filipe Pinheiro Pedrosa e Rodrigo Pellegrino de Azevedo, por quem nutro especial admiração. Enquanto muitos ficaram no confortável “veja bem”, vocês foram fazer bem — o direito. Falem e ajude os outros a Falerem
*Emanuel Silva, é Professor e Cronista
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Artemis está na Lua e perto de recorde histórico de distância
06/04/2026
Recorde
O novo recorde vai ultrapassar ultrapassa os 248.655 milhas (cerca de 400.171 quilômetros) de distância da Terra, alcançados pelos astronautas da Apollo 13 durante uma trajetória de retorno após uma falha na missão lunar.
Espera
A Nasa espera que os homens pisem novamente na Lua, repetindo o feito da missão Apollo. O objetivo é que isso seja realizado novamente na Artemis até 2030. No entanto, para que isso aconteça é necessário uma série de testes e missões anteriores, como o envio dos astronautas ao espaço na Artemis II.
O Poder
Um feito historico. A missão Artemis II deve atingir, na tarde de hoje, segunda-feira (06/04), o recorde de maior distância já percorrida por seres humanos no espaço, superando a marca estabelecida pela Apollo 13 em 1970.
Recorde
O novo recorde vai ultrapassar ultrapassa os 248.655 milhas (cerca de 400.171 quilômetros) de distância da Terra, alcançados pelos astronautas da Apollo 13 durante uma trajetória de retorno após uma falha na missão lunar.
Espera
A Nasa espera que os homens pisem novamente na Lua, repetindo o feito da missão Apollo. O objetivo é que isso seja realizado novamente na Artemis até 2030. No entanto, para que isso aconteça é necessário uma série de testes e missões anteriores, como o envio dos astronautas ao espaço na Artemis II.
O Poder
Mundo Complexo - Crônica - Por, Romero Falcão.*
06/04/2026
— Senhor, é coado, filtrado, expresso, descafeinado?
E não para:
— Macchiato, cappuccino, gelado?
— Por todos os santos, eu só quero um cafezinho — respondo.
Dirijo-me ao caixa. Vem outro rosário:
— É cartão? Crédito? Débito? Pix?
Tive vontade de dizer: é cheque. Mas disse: dinheiro.
— É trocado?
— Não, senhora. É pegado.
São vinte reais.
— Então aguarde, vou tentar trocar.
E sai.
Aguardo pacientemente.
Penso em pegar uma praia.
Surge um especialista:
— Cuidado com o protetor solar. Dependendo da idade e da pele, use fator tal.
— Atenção à blusa UV. Observe a qualidade.
— Óculos pirata pode pirar seus olhos. Também não esqueça de pesquisar...
Entro numa cafeteria. Peço um simples cafezinho. A funcionária no balcão dispara:
— Senhor, é coado, filtrado, expresso, descafeinado?
E não para:
— Macchiato, cappuccino, gelado?
— Por todos os santos, eu só quero um cafezinho — respondo.
Dirijo-me ao caixa. Vem outro rosário:
— É cartão? Crédito? Débito? Pix?
Tive vontade de dizer: é cheque. Mas disse: dinheiro.
— É trocado?
— Não, senhora. É pegado.
São vinte reais.
— Então aguarde, vou tentar trocar.
E sai.
Aguardo pacientemente.
Penso em pegar uma praia.
Surge um especialista:
— Cuidado com o protetor solar. Dependendo da idade e da pele, use fator tal.
— Atenção à blusa UV. Observe a qualidade.
— Óculos pirata pode pirar seus olhos. Também não esqueça de pesquisar os locais apropriados para banho.
Jesus!
Entro em parafuso. Penso em coletar água salgada para análise.
Depois de tudo checado, lá vou eu, carregando uma garrafa d’água para hidratação.
No carnaval, não é diferente.
É preciso ligar a televisão para saber o que comer antes de cair na folia. O especialista reaparece:
— Comidas leves, do tipo tal.
— Roupas de tecido tal, cor tal.
— Protetor conforme o tipo de pele.
— Calçado com solado adequado, amortecimento, ventilação.
Agora mesmo, enquanto escrevo esta crônica, a televisão ensina como comer chocolate na Páscoa.
O especialista alerta:
— Observe a porcentagem de cacau. Nunca menos de 25%.
— Há também o melhor horário para botar o coelhinho para dentro.
— Antes, forre o bucho com determinado alimento.

E por aí afora.
Não duvido ligar a tela grande e:
— Atentar para a procedência da madeira do caixão de defunto. O revestimento interno, o acabamento do tecido.
— Importante conferir as medidas, se são compatíveis com os órgãos de fiscalização.
Muito importante: verifique se a morte não é fake. Você pode ter caído num golpe e estar vivo.
— Enfim, tenha uma boa acomodação.
Mundo complexo. Complexo até pra morrer.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Temos Um Problema - Crônica, por AJ Fontes*
06/04/2026
De passagem, um dos quatro viajantes flutua surpreso. Isso não deveria estar aqui. Alô Houston. Algo não está funcionando. Pessoal, a gente precisa botar a mão na massa.
Uma mulher e três homens devidamente paramentados iniciaram a operação “conserto do vaso sanitário”.
A essa altura da viagem, estão tranquilos por terem suas privacidades orgânicas preservadas. Enquanto escrevo se aproximam do destino: lua.
É impressionante a quantidade de dinheiro utilizado para poucos usufruirem de hábitos higiênicos em um ambiente que, na usualidade de nossos dias terráqueos, é considerado anormal. Não me imagino sentado em uma privada a suspirar enquanto relaxo, cuidando para não sair boiando, sendo perseguido por um corpo não tão estranho.
...
Um cilindro marrom, pequeno, vagueia meio ao nada, entre as paredes metálicas repletas de artefatos desenhados e construídos exclusivamente para esse lugar a um custo perto de duzentos milhões de reais.
De passagem, um dos quatro viajantes flutua surpreso. Isso não deveria estar aqui. Alô Houston. Algo não está funcionando. Pessoal, a gente precisa botar a mão na massa.
Uma mulher e três homens devidamente paramentados iniciaram a operação “conserto do vaso sanitário”.
A essa altura da viagem, estão tranquilos por terem suas privacidades orgânicas preservadas. Enquanto escrevo se aproximam do destino: lua.
É impressionante a quantidade de dinheiro utilizado para poucos usufruirem de hábitos higiênicos em um ambiente que, na usualidade de nossos dias terráqueos, é considerado anormal. Não me imagino sentado em uma privada a suspirar enquanto relaxo, cuidando para não sair boiando, sendo perseguido por um corpo não tão estranho.
Sinto-me assombrado com a naturalidade na utilização de tanto dinheiro em algo tão inusitado, enquanto milhares de humanos, na terra, não usam o buraco nos fundos do quintal por não terem por quê. Não é cômico; antes, é trágico. Essas pessoas morrem por falta de alimento.
Isso ocorre em paralelo a uma guerra. Milhares de bombas detonadas matam um tanto de pessoas além das famintas.
Fazendo uma conta simples, pode-se verificar a possibilidade de matar a fome de todos e sobrar comida desviando o gasto na confecção e manutenção desses banheiros espaciais e bombas teleguiadas.
Óbvio. Esse pensamento passa na cabeça de muitos e eles relatam diariamente, de alguma forma, em alguma língua. É evidente a necessidade de agir para, ao menos, reduzir, o morticínio a se normalizar dia a dia. É normal analisar o número de crianças mortas por desnutrição, analisar o número de vítimas de doenças; a quantidade de corpos sem vida por acidentes ou contados sob escombros de moradias, escolas e hospitais, atingidos por bombas tecnologicamente avançadas e ensinadas a matar apenas o chefe adversário do outro chefe.
Somo aqui palavras aos que sentem e se contrapõem a esse estado — imposto por poucos, suportados por tantos.
Terra, temos um problema.
*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

PERNAMBUCANO JOSÉ DELANO ESTRÉIA COM VITÓRIA NO UFC
06/04/2026
PRIMEIRO ROUND
Delano escorregou um pouco na lona do octógono, e não conseguiu conectar muitos golpes, mas mesmo assim manteve alguma superioridade, já machucando o polonês no rosto com socos precisos, e não sofreu nenhum perigo.
SEGUNDO ROUND
José começou golpeando mais forte, obrigando o polonês a tentar derrubar para controlar a luta, mas sua excelente defesa de quedas frustrou o europeu, obtendo a vitória neste assalto também, com total superioridade.
TERCEIRO ROUND
Ruchala sentia-se perdido sem conseguir conectar golpes em pé nem colocar o brasileiro para baixo, e, visivelmente frustrado, acabou perdendo 1 ponto por falta ao evitar ser derrubado por Delano agarrando-se com as duas mãos na grade. Na frente nos pontos, esta fa...
O intrépido recifense de 29 anos iniciou sua trajetória no maior evento de MMA do mundo com uma vitória unânime por pontos, com 29x27, 30x26 e 29x27.
PRIMEIRO ROUND
Delano escorregou um pouco na lona do octógono, e não conseguiu conectar muitos golpes, mas mesmo assim manteve alguma superioridade, já machucando o polonês no rosto com socos precisos, e não sofreu nenhum perigo.
SEGUNDO ROUND
José começou golpeando mais forte, obrigando o polonês a tentar derrubar para controlar a luta, mas sua excelente defesa de quedas frustrou o europeu, obtendo a vitória neste assalto também, com total superioridade.
TERCEIRO ROUND
Ruchala sentia-se perdido sem conseguir conectar golpes em pé nem colocar o brasileiro para baixo, e, visivelmente frustrado, acabou perdendo 1 ponto por falta ao evitar ser derrubado por Delano agarrando-se com as duas mãos na grade. Na frente nos pontos, esta falta selou a vitória pernambucana no UFC Fight Night,em Las Vegas.
REPERCUSSÃO
Sua excelente vitória foi comemorada pelos narradores e comentaristas, e celebrada por veículos especializados no EUA e Brasil. O resultado do aplicativo Verdict, usado globalmente como parâmetro para o desempenho dos competidores, deu também vitória unânime para o brasileiro, que agora tem 17 vitórias e 3 derrotas no MMA profissional.
PERNAMBUCO DE VOLTA AO UFC
A última luta de um pernambucano no UFC foi em 2023, com a derrota de Raphael Assunção frente a Davey Grant, marcando sua aposentadoria após várias cirurgias corretivas para lesões ao longo da carreira, na sua saga no bilionário evento norte-americano.
PERNAMBUCANA TAMBÉM VENCE
Dione Barbosa, radicada nos EUA, venceu a também brasileira Melissa Gatto por pontos, e avança na categoria peso mosca, com um cartel agora de 9 vitórias e 4 derrotas no MMA profissional.

Memória impressa do mangue - O avô teimoso que ainda conta a história de Recife, por Zé da Flauta
06/04/2026
Grito
O Diário de Pernambuco não foi só tinta e papel: foi o grito da razão num mundo de boatos de boca e...
Imagine um tipógrafo pernambucano chamado Antonino José de Miranda Falcão, em novembro de 1825, suando a camisa numa prensa manual na Rua da Praia, no Recife, que ainda nem sonhava em ser capital oficial. Ele lança o primeiro número do Diário de Pernambuco, um folhetinho miúdo, 24,5 por 19 cm, cheio de anúncios de leilões, achados e perdidos, e, sim, até de “escravos fugidos” (porque a história não vem com filtro de Instagram). O Brasil tinha só três anos de Império, o mangue ainda invadia as ruas, e ali estava o cara imprimindo o que viria a ser o jornal mais antigo em circulação da América Latina. Humor à parte, dá pra rir da ironia: o “primeiro” jornal que resistiu até hoje nasceu como um caderno de classificados, enquanto o resto do país mal sabia soletrar . Antonino deve ter rido sozinho ao pensar que aquele papelzinho ia sobreviver a tudo.
Grito
O Diário de Pernambuco não foi só tinta e papel: foi o grito da razão num mundo de boatos de boca em boca. Na era das revoluções, Praieira, abolição, República, ele se tornou o espelho torto da alma pernambucana, onde ideias iluministas se misturavam com o cheiro de cachaça e mangue. Mas o que ele realmente fez foi provar que a palavra impressa, mesmo frágil, é mais forte que baionetas e decretos. Nasceu para informar, mas acabou filosofando sem querer: o que é a verdade senão uma edição diária que se corrige a cada amanhecer?
Avô teimoso
Quantos pernambucanos já acordaram com o Diário debaixo do braço, sentindo o coração apertar ao ler sobre enchentes que afogam o Recife ou sobre vitórias que fazem o sangue ferver de orgulho? Eu me emociono só de imaginar os tipógrafos de 1888 dando cinco dias de folga para celebrar a Lei Áurea. É como se o jornal fosse um avô teimoso que viu netos nascerem, guerras passarem e ainda insiste em contar a história com o mesmo tom rouco de quem sobreviveu a tudo.
Eternidade
Num mundo onde algoritmos engolem notícias e o amanhã parece impresso em pixels, o Diário de Pernambuco nos lembra que circular não é só sobreviver, é resistir com dignidade. Vamos deixar a imprensa virar relíquia ou vamos reinventá-la com o mesmo fogo que Antonino acendeu naquela prensa? Em Recife, onde o mangue e o asfalto se abraçam, o jornal nos ensina que a verdadeira eternidade não está na duração, mas na capacidade de continuar contando a história, com humor, com dor, com esperança. Porque, no fim das contas, todo grande jornal é um ato de amor teimoso pela cidade que o pariu.
Até a próxima!
Zé da Flauta é compositor e cronista
