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A chibata cantou em Caruaru durante a ditadura. Conheça algumas das vítimas, por Tavares Neto*

30/04/2026

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Durante o regime militar no Brasil, diversos caruaruenses foram presos, torturados, cassados ou punidos sob acusação de ligação com o comunismo ou de participação em movimentos considerados subversivos pelas autoridades da época. Décadas depois, parte desses nomes foi reconhecida oficialmente como vítima de perseguição política e indenizada com base na legislação de reparação aprovada em Pernambuco.

A perigosa bíblia de Abdias

Um dos casos registrados em Caruaru foi o de Abdias Pinheiro da Silva, funcionário público federal da antiga Sucam. Em 1964, ele foi preso e levado ao Recife, onde permaneceu detido por 60 dias, acusado de ser comunista e de integrar o chamado Clube dos Onze, movimento idealizado por Leonel Brizola no período que antecedeu o golpe militar. Segundo relatos da época, durante a prisão nada foi encontrado em sua residência que comprovasse atividade política de esquerda. Em vez de material ideológico, havia apenas exemplares da Bí...

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Durante o regime militar no Brasil, diversos caruaruenses foram presos, torturados, cassados ou punidos sob acusação de ligação com o comunismo ou de participação em movimentos considerados subversivos pelas autoridades da época. Décadas depois, parte desses nomes foi reconhecida oficialmente como vítima de perseguição política e indenizada com base na legislação de reparação aprovada em Pernambuco.

A perigosa bíblia de Abdias

Um dos casos registrados em Caruaru foi o de Abdias Pinheiro da Silva, funcionário público federal da antiga Sucam. Em 1964, ele foi preso e levado ao Recife, onde permaneceu detido por 60 dias, acusado de ser comunista e de integrar o chamado Clube dos Onze, movimento idealizado por Leonel Brizola no período que antecedeu o golpe militar. Segundo relatos da época, durante a prisão nada foi encontrado em sua residência que comprovasse atividade política de esquerda. Em vez de material ideológico, havia apenas exemplares da Bíblia Sagrada. Protestante, Abdias Pinheiro era um homem de fé evangélica, característica que marcou sua trajetória pessoal. Durante o período em que esteve preso em um quartel do Exército, no Recife, pediu para permanecer com uma Bíblia e passou os dias de detenção realizando leituras em voz alta de capítulos e versículos.

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Seguiu em frente

Anos depois, já no período de reorganização política do país, Abdias Pinheiro da Silva filiou-se ao MDB e foi eleito vereador de Caruaru, em 1969. Na Câmara Municipal, chegou a exercer a liderança do governo do então prefeito Anastácio Rodrigues. À época, os vereadores ainda não recebiam subsídios, por determinação da Justiça Eleitoral.
Com a promulgação da Lei Estadual nº 11.773, de 23 de maio de 2000, o Governo de Pernambuco passou a reconhecer e indenizar presos políticos perseguidos durante o regime militar. Abdias Pinheiro da Silva foi um dos beneficiados.

Manoel Messias e Fernando Soares

Outro nome reconhecido foi o de Manoel Messias, preso e torturado em um quartel do Exército em Caruaru. Também recebeu indenização do Estado pelos danos sofridos durante o período de repressão. O cirurgião-dentista Fernando Soares também foi preso em Caruaru, acusado de ligação com o comunismo. A acusação, no entanto, não foi comprovada. Fernando participou do Movimento de Cultura Popular, iniciativa ligada ao governo de Miguel Arraes, de quem era admirador. Posteriormente, também requereu reparação e foi indenizado.

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Cici: cultura era ameaça

O advogado Francisco de Assis Claudino, conhecido como Cici, foi outro caruaruense perseguido durante o regime militar. Preso e torturado em um quartel do Exército em Caruaru, também não teve comprovada qualquer vinculação com o comunismo. Mais tarde, foi reconhecido como perseguido político e indenizado.

Marcelo Mário de Melo contou cada segundo de cárcere

Entre os casos mais emblemáticos está o de Marcelo Mário de Melo, escritor e jornalista caruaruense, que assumidamente militava no campo da esquerda. Preso durante o regime, brutalmente torturado, passou oito anos, 43 dias e 19 horas detido, parte desse período na Penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá. Marcelo Mário também foi indenizado e atualmente reside no Recife. Marcelo, jornalista, intelectual, autor de versos inesquecíveis, era filho de José Ferreira de Melo, proprietário do antigo Hotel Fortuna, em Caruaru, e de Clarisse Teixeira de Melo, parente pelo lado Teixeira da família da atual governadora de Pernambuco, Raquel Teixeira Lyra. Sua trajetória tornou-se uma das mais conhecidas entre os caruaruenses atingidos pela repressão política. Figura importante no mundo intelectual e política, manteve sempre a coerência, a leveza, a ironia e o bom humor. Um dos seus bordões é " Nunca ultrapasse pela direita".

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Arsênio de pai para filho

Outro nome de destaque foi o do advogado Arsênio Martins Gomes. Após sua morte, a viúva, Maria Luiza de Godoy Bené, solicitou a indenização a que ele tinha direito por perseguição política sofrida durante o regime. O seu filho, Hugo Martins, também militou no campo da esquerda e foi eleito deputado estadual em várias legislaturas, tornando-se um dos nomes de referência da esquerda em Pernambuco.

Celso Rodrigues e Souza Pepeu, homens de letras e ação

Outro nome de relevância política em Caruaru foi o jornalista Celso Rodrigues, vereador por dois mandatos e duas vezes presidente da Câmara Municipal. Celso chegou a disputar a Prefeitura de Caruaru e também foi preso durante o regime, acusado de ligação com o comunismo. A acusação, porém, não foi comprovada. Era conhecido por sua proximidade com o ex-presidente João Goulart.
O jornalista e ex-vereador Souza Pepeu também esteve entre os punidos pelo regime. Quando ainda era suplente de vereador e funcionário do Ministério da Indústria e Comércio, sofreu sanções com base em atos institucionais e, posteriormente, também foi indenizado.

Nem Gilberto Freyre conseguiu livrar Chico do Leite

Entre os políticos de Caruaru atingidos pela repressão, um dos casos mais lembrados é o de Severino Rodrigues Sobrinho, o “Chico do Leite”. Vice-prefeito e vereador, ele foi cassado com base no Ato Institucional nº 5, acusado de ligação com o comunismo. Sua defesa chegou a ser feita publicamente pelo sociólogo Gilberto Freyre, mas a cassação foi mantida. Chico do Leite morreu em 1988, aos 64 anos.

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Outro Abdias, este comunista de carteirinha

O intelectual e comerciante Abdias Bastos Lé, que presidiu o Partido Comunista em Caruaru, também foi indenizado. Figura histórica da militância de esquerda no município, Abdias Lé teve papel importante na reorganização política local após a redemocratização. Foi dele, inclusive, a iniciativa de buscar reparação para Ernesto do Colchão, apontado como um dos comunistas mais antigos de Caruaru, localizado em São Paulo com ajuda de Demóstenes Félix da Silva.

Com a redemocratização e a legalização do Partido Comunista Brasileiro, já no governo José Sarney, Abdias Bastos Lé voltou a reunir militantes e simpatizantes em sua chácara, na localidade de Terra Vermelha, zona rural de Caruaru, em encontros de confraternização e reorganização política.

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Acervo preservado

Seu filho, o empresário Luiz Carlos Lé, preserva parte do acervo histórico e bibliográfico deixado pelo pai. Em reconhecimento à importância de Abdias Bastos Lé para a história política e intelectual de Caruaru, está prevista a instalação de um busto em sua homenagem nas imediações da Catedral, no Centro da cidade, próximo ao local onde funcionou a antiga banca de revistas Yuri Gagarin, na Rua da Matriz, que era de propriedade de Abdias Lé. O espaço tornou-se símbolo de resistência política e cultural em um dos períodos mais tensos da história brasil.

*Tavares Neto é jornalista, radialista e blogueiro em Caruaru, onde atua por décadas.

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Leia outras informações

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É Findi - O Suor que Constrói a Nação - Poema Feito por IA em Homenagem ao Dia do Trabalhador - Por Vida Hare, editoria de O Poder*

30/04/2026

Nas mãos que calam o calo,
E na mente que inventa o amanhã,
Ouvi-se o primeiro estalo
Do sol que desponta na manhã.

Do operário no andaime ao céu,
Ao mestre que ensina o saber,
Cada um cumpre o seu papel,
Fazendo a esperança crescer.

É o campo que brota o sustento,
A fábrica que molda o metal,
O serviço que vence o momento,
No esforço que é universal.

Primeiro de Maio, memória,
De lutas, conquistas e união,
Pois quem faz a nossa história
É quem trabalha de coração.

Que o descanso seja merecido,
Que o direito seja o norte e a luz,
Pois todo valor é erguido
Pelo braço que a vida conduz.

Viva aquele que planta a semente,
E aquele que a engrenagem faz girar,
Pois o progresso da gente
Vem do brio de quem sabe lutar.


*Vida Hare, editoria de O Poder, e a IA prepararam um p...

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Nas mãos que calam o calo,
E na mente que inventa o amanhã,
Ouvi-se o primeiro estalo
Do sol que desponta na manhã.

Do operário no andaime ao céu,
Ao mestre que ensina o saber,
Cada um cumpre o seu papel,
Fazendo a esperança crescer.

É o campo que brota o sustento,
A fábrica que molda o metal,
O serviço que vence o momento,
No esforço que é universal.

Primeiro de Maio, memória,
De lutas, conquistas e união,
Pois quem faz a nossa história
É quem trabalha de coração.

Que o descanso seja merecido,
Que o direito seja o norte e a luz,
Pois todo valor é erguido
Pelo braço que a vida conduz.

Viva aquele que planta a semente,
E aquele que a engrenagem faz girar,
Pois o progresso da gente
Vem do brio de quem sabe lutar.


*Vida Hare, editoria de O Poder, e a IA prepararam um poema que celebra a força, a história e a dignidade de quem constrói o Brasil todos os dias, desde o campo até a cidade.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o livre confronto de ideias e acolhe o contraditório. Todas as pessoas e instituições citadas têm assegurado espaço para suas manifestações.



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É Findi - Herança - Poema - Por Ana Pottes*

30/04/2026

Sei não pra que isso,
se o ar continua ferindo
narizes de perdigueiros.

Pra que tanta vontade,
se nas filas ninguém vê
dias iguais, repetidos?

Indago se é pra ir
buscar o quê?
A carroça me serve —
foi de pai, que se foi.
Faz tempo, nem lembro.

Puxo.
Empurro.

Pobre.
Preto.
Analfabeto.
Burro sem rabo.

Sigo...


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem!


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Sei não pra que isso,
se o ar continua ferindo
narizes de perdigueiros.

Pra que tanta vontade,
se nas filas ninguém vê
dias iguais, repetidos?

Indago se é pra ir
buscar o quê?
A carroça me serve —
foi de pai, que se foi.
Faz tempo, nem lembro.

Puxo.
Empurro.

Pobre.
Preto.
Analfabeto.
Burro sem rabo.

Sigo...


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem!


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Trabalhador versus Empregador - Poema em Homenagem ao Dia do Trabalho - Por Eduardo Albuquerque*

30/04/2026

Do trabalhador, se cobra em excesso:
muito, muito menos, se lhe oferece
por quaisquer tarefas, em contraparte;
nessas relações, elo fraco, só se parte.

É cambalacho, puro melaço, um feio trato
se faz, às vezes, com o desditoso empregado
quase sempre pelas necessidades encurralado:
ele acuado, sem opções, cede ao patronato.



Esse, por seu lado, tem a riqueza como missão.
Faz-se necessária uma estratégia equilibrada,
que permeie um acordo, digno de louvor.

Essa fricção, tal embate, entre trabalhador
versus patrão, deve, pois, ser mediada
salomonicamente, eis a melhor solução!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Do trabalhador, se cobra em excesso:
muito, muito menos, se lhe oferece
por quaisquer tarefas, em contraparte;
nessas relações, elo fraco, só se parte.

É cambalacho, puro melaço, um feio trato
se faz, às vezes, com o desditoso empregado
quase sempre pelas necessidades encurralado:
ele acuado, sem opções, cede ao patronato.



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Esse, por seu lado, tem a riqueza como missão.
Faz-se necessária uma estratégia equilibrada,
que permeie um acordo, digno de louvor.

Essa fricção, tal embate, entre trabalhador
versus patrão, deve, pois, ser mediada
salomonicamente, eis a melhor solução!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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É Findi – Jornais de Ontem – Croniqueta, por Xico Bizerra*

30/04/2026

Esta semana bateu uma saudade danada dos jornais de antigamente. Daqueles que às vezes até sujava as nossas mãos com a mistura de tinta e cola, mas que emanava um odor que agradava meu olfato. Jornal, eu amava pelo cheiro, acho. Como faz falta aquele emaranhado de letras a nos encantar com as notícias do dia anterior, sem a velocidade da internet dos dias de hoje. Era grande o prazer de folhear, uma a uma, as páginas e colunas de um tablóide, isso desde os tempos de O PASQUIM e do OPINIÃO, sem falar da Folha de São Paulo, da qual fui assinante e do JORNAL DOS SPORTS, com suas folhas cor-de-rosa (nunca consegui entender o porquê daquela cor). Hoje, não mais existem jornais de papel.

Teimoso que sou, comprei até um minicomputador exclusivamente para exercitar meu vício diário, minha leitura matutina antes de abandonar a rede rumo ao café da manhã. Não é a mesma coisa, definitivamente. Livros, também, com seus cheiros peculiares, estão por desaparecer. Quem nunca sentiu o...

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Esta semana bateu uma saudade danada dos jornais de antigamente. Daqueles que às vezes até sujava as nossas mãos com a mistura de tinta e cola, mas que emanava um odor que agradava meu olfato. Jornal, eu amava pelo cheiro, acho. Como faz falta aquele emaranhado de letras a nos encantar com as notícias do dia anterior, sem a velocidade da internet dos dias de hoje. Era grande o prazer de folhear, uma a uma, as páginas e colunas de um tablóide, isso desde os tempos de O PASQUIM e do OPINIÃO, sem falar da Folha de São Paulo, da qual fui assinante e do JORNAL DOS SPORTS, com suas folhas cor-de-rosa (nunca consegui entender o porquê daquela cor). Hoje, não mais existem jornais de papel.

Teimoso que sou, comprei até um minicomputador exclusivamente para exercitar meu vício diário, minha leitura matutina antes de abandonar a rede rumo ao café da manhã. Não é a mesma coisa, definitivamente. Livros, também, com seus cheiros peculiares, estão por desaparecer. Quem nunca sentiu o cheiro de um livro, que atire a primeira página. Até as livrarias estão sumindo, já não as vemos como antigamente. Em seu lugar, igrejas evangélicas e farmácias, experts em explorar nossas parcas economias. Acho que estou ficando velho com essa saudade besta que sinto dos livros e jornais.

Também sinto saudades dos CDs, das capas, dos seus encartes, das letras ali inseridas, do nome de quem fez as músicas e de quem as tocou. Aliás, para ser sincero, detesto essas tais de plataformas virtuais. Estou ultrapassado, tanto quanto os jornais de antigamente. Espero a manchete estampada na primeira página do jornal que leio no tablete: estarão de volta os jornais impressos, a partir de amanhã. Quando será o amanhã? Quero lê-los ouvindo o último CD do meu cantor preferido.


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.


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É Findi - Duv(Idoso), poema, por Felipe Bezerra*

30/04/2026

Realidade atroz.
Quem de nós,
nos dias atuais,
ainda se importa
com regras gramaticais,
esse luxo extremo,
se a Constituição foi morta
pelas mãos do Supremo?


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


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Realidade atroz.
Quem de nós,
nos dias atuais,
ainda se importa
com regras gramaticais,
esse luxo extremo,
se a Constituição foi morta
pelas mãos do Supremo?


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


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É Findi - A Escala do Sol - Conto para o Dia do Trabalho - Por Romero Falcão*

30/04/2026

Mara pulou da cama, jogou água no rosto. Nem deu chuveiro. Engoliu um pão com ovo e meia xícara de café da noite passada. É preciso correr para o ponto de ônibus. Quem sabe tem sorte: um banco vazio às cinco da manhã. Que nada — ela se espreme no meio de corpos que também saíram sem banho.



Durante o longo percurso, pensa na vida... que vida?

— É isso, vou passar o resto dos meus dias naquela linha de montagem, vestindo, aprontando carro, enquanto não tenho tempo nem para o batom. Até para mijar é sufoco. O luxo suga a última gota. Quanto tempo sem abrir um livro, sem um copo de cultura. Qual o propósito, significado de apertar botão, calibrar braço de robô?

Mas você tem emprego, sua idiota, agradeça aos céus. E, além do mais, livro não bota feijão na mesa. Cultura não cultiva arroz.

Desce do ônibus carregando o fantasma do desemprego. Trabalhar é preciso, viver não é preciso.

Palé está de...

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Mara pulou da cama, jogou água no rosto. Nem deu chuveiro. Engoliu um pão com ovo e meia xícara de café da noite passada. É preciso correr para o ponto de ônibus. Quem sabe tem sorte: um banco vazio às cinco da manhã. Que nada — ela se espreme no meio de corpos que também saíram sem banho.



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Durante o longo percurso, pensa na vida... que vida?

— É isso, vou passar o resto dos meus dias naquela linha de montagem, vestindo, aprontando carro, enquanto não tenho tempo nem para o batom. Até para mijar é sufoco. O luxo suga a última gota. Quanto tempo sem abrir um livro, sem um copo de cultura. Qual o propósito, significado de apertar botão, calibrar braço de robô?

Mas você tem emprego, sua idiota, agradeça aos céus. E, além do mais, livro não bota feijão na mesa. Cultura não cultiva arroz.

Desce do ônibus carregando o fantasma do desemprego. Trabalhar é preciso, viver não é preciso.

Palé está desempregado, se vira fazendo bicos. Há duas semanas não arruma nada. Então botou a enxada no ombro, na esperança de levar pão para três filhos no barraco e o quarto na barriga da companheira. De repente, Deus ajuda a quem trabalha. Um senhor num carrão, fita Palé e a enxada.

— Ô, moreno, tenho dois terrenos cheios de mato, quer limpar?

— Agora mesmo, doutor.
— Entra aí. Tá vendo? É moleza. Numa manhã você dá conta. Pago cinquenta reais.

— Doutor, é muito pouco. O mato está alto e os terrenos são grandes, vou levar uns três dias.

— Tá maluco, é? Nem parece que precisa de dinheiro.
Palé bate em retirada, com o sol no espinhaço e a barriga chorando.



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Enquanto enrola o volante, fazendo a volta, o senhor pensa, indignado: vai, vai, vai ganhar a tua Mesada Social, vagabundo.

Mas eis que surge um paletó chique, microfone na mão, preparando-se para subir no palanque:

— Senhoras e senhores, atenção, tenho um projeto para a nação. Vou revolucionar a CLT, que se chamará FFF. Força, Fé e Foco. A escala do sol. Só os fortes entenderão.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.


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É Findi – A Lancha da C.T.U. - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

30/04/2026

A vinda dessa embarcação para a “Veneza Americana” foi uma das poucas tentativas do Governo de valorizar o potencial aquático do Recife e que, por falta de maior empenho ou até de cultura, não deu certo.

Sobre ela temos importantes dados colhidos em “Recife do Corpo Santo”, pág. 303, baseados em informações fornecidas aos jornalistas pelo então presidente daquela companhia, General Viriato de Medeiros:

“A CTU (Companhia de Transportes Urbanos) acabara de adquirir na Holanda uma embarcação a motor com capacidade para oitenta e seis pessoas, destinada ao transporte de passageiros no Capibaribe. A lancha será embarcada em dois de outubro (ou seja embarcou anteontem), devendo chagar a Pernambuco dentro de dez dias. A embarcação tipo “Amsterdã”, fabricada nos estaleiros J. H. Bergman tem dezesseis metros de comprimento por quatro de largura. Seu calado é de cinquenta e oito centímetros, linha d’águas de um metro e setenta centímetros, pesa vinte toneladas e...

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A vinda dessa embarcação para a “Veneza Americana” foi uma das poucas tentativas do Governo de valorizar o potencial aquático do Recife e que, por falta de maior empenho ou até de cultura, não deu certo.

Sobre ela temos importantes dados colhidos em “Recife do Corpo Santo”, pág. 303, baseados em informações fornecidas aos jornalistas pelo então presidente daquela companhia, General Viriato de Medeiros:

“A CTU (Companhia de Transportes Urbanos) acabara de adquirir na Holanda uma embarcação a motor com capacidade para oitenta e seis pessoas, destinada ao transporte de passageiros no Capibaribe. A lancha será embarcada em dois de outubro (ou seja embarcou anteontem), devendo chagar a Pernambuco dentro de dez dias. A embarcação tipo “Amsterdã”, fabricada nos estaleiros J. H. Bergman tem dezesseis metros de comprimento por quatro de largura. Seu calado é de cinquenta e oito centímetros, linha d’águas de um metro e setenta centímetros, pesa vinte toneladas e desenvolve uma velocidade de dezoito nós horários” — o barco seria o primeiro de uma série de outros a serem adquiridos pela CTU no referido país, dentro do programa destinado a facilitar o transporte de passageiros aos diferentes pontos da cidade. “As informações prestadas pelo general Viriato de Medeiros adiantam ainda que o primeiro barco vai fazer o transporte de Brasília Teimosa para a Praça 17, e que o seu custo foi de 25.000,00 dólares, mas que com as despesas de fretes e impostos, subirá a 30.000,00 dólares. Como uma defesa prévia contra os pensamentos de alguns derrotistas, as informações explicam porque o barco ou barcos foram comprados na Holanda, em vez de fabricados no Brasil, explicações justas e convincentes visto que nossos estaleiros, preocupados com o programa de construção naval, não puderam atender às solicitações da CTU. Adianta, ainda a informação que “ a lancha adquirida poderá ser empregada também, como turismo e servirá para passeios aos domingos e feriados”, pois se trata de uma embarcação das mais modernas que se conhece no gênero, com visão panorâmica e foi adquirida através de facilidades proporcionadas pelo City Bank do Recife.”



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Em tempos não muito distantes, quase em frente ao pequeno cais, onde atracava aquela lancha e onde hoje temos o prédio da Procuradoria Geral do Estado


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras


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É Findi – 1º de Maio — Mãos que Constroem o Mundo - Por Poeta Pica-Pau*

30/04/2026

No nascer do sol, já há passos na estrada,
Mãos calejadas, de luta marcada.
O suor que escorre jamais é em vão,
É semente viva brotando no chão.

Cada ofício carrega um valor,
Do simples gesto ao grande labor.
Há dignidade em todo fazer,
Há força imensa em não desistir e viver.

O trabalhador ergue cidades inteiras,
Constrói pontes, caminhos e beiras.
No campo, na fábrica, no lar ou na rua,
Há sempre uma história que o tempo perpetua.

Que neste dia se faça memória
De quem transforma a vida em vitória.
Que nunca falte respeito e pão
A quem move o mundo com o coração.

Pois todo trabalho, grande ou pequeno,
É fio que tece o futuro sereno.
E em cada jornada, com fé e valor,
Nasce um amanhã cheio de esplendor

Feliz Dia , dia do Trabalhador!


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.


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No nascer do sol, já há passos na estrada,
Mãos calejadas, de luta marcada.
O suor que escorre jamais é em vão,
É semente viva brotando no chão.

Cada ofício carrega um valor,
Do simples gesto ao grande labor.
Há dignidade em todo fazer,
Há força imensa em não desistir e viver.

O trabalhador ergue cidades inteiras,
Constrói pontes, caminhos e beiras.
No campo, na fábrica, no lar ou na rua,
Há sempre uma história que o tempo perpetua.

Que neste dia se faça memória
De quem transforma a vida em vitória.
Que nunca falte respeito e pão
A quem move o mundo com o coração.

Pois todo trabalho, grande ou pequeno,
É fio que tece o futuro sereno.
E em cada jornada, com fé e valor,
Nasce um amanhã cheio de esplendor

Feliz Dia , dia do Trabalhador!


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.

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Entenda por que Raquel Teixeira Lyra não consegue passar segurança

30/04/2026

A segurança pública em Pernambuco tornou-se, na gestão de Raquel Teixeira Lyra, um exercício de estética política. As cerimônias grandiosas na Arena Pernambuco, repletas de fardas novas, drones e discursos entusiastas, tentam vender a imagem de um estado sob controle. No entanto, ao retirar a maquiagem do marketing oficial, o que se revela é uma estrutura que ainda luta contra um déficit histórico e uma violência que não se resolve apenas com fotos em eventos de formatura. Para o cidadão que espera o ônibus no subúrbio do Recife ou para o agricultor no Sertão, o espetáculo de armamentos na capital não se traduz em tranquilidade.

Novo espetáculo hoje na Arena Pernambuco

A governadora tem feito das posses de novos policiais militares (como os mais de 2 mil recém-formados em abril de 2026) verdadeiros eventos de campanha. Mas a matemática da segurança é cruel e não aceita apenas "novas tropas":
Apesar das sucessivas formaturas, Pernambuco ainda...

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A segurança pública em Pernambuco tornou-se, na gestão de Raquel Teixeira Lyra, um exercício de estética política. As cerimônias grandiosas na Arena Pernambuco, repletas de fardas novas, drones e discursos entusiastas, tentam vender a imagem de um estado sob controle. No entanto, ao retirar a maquiagem do marketing oficial, o que se revela é uma estrutura que ainda luta contra um déficit histórico e uma violência que não se resolve apenas com fotos em eventos de formatura. Para o cidadão que espera o ônibus no subúrbio do Recife ou para o agricultor no Sertão, o espetáculo de armamentos na capital não se traduz em tranquilidade.

Novo espetáculo hoje na Arena Pernambuco

A governadora tem feito das posses de novos policiais militares (como os mais de 2 mil recém-formados em abril de 2026) verdadeiros eventos de campanha. Mas a matemática da segurança é cruel e não aceita apenas "novas tropas":
Apesar das sucessivas formaturas, Pernambuco ainda convive com um déficit de efetivo que ultrapassa os 35%. O que a propaganda chama de "reforço histórico" é, na verdade, uma tentativa tardia de estancar a sangria de anos de aposentadorias e saídas sem reposição.

Cobertor Curto

Como apontado por parlamentares e especialistas, muitas vezes o novo efetivo serve apenas para preencher lacunas de unidades que já operavam no limite. Inaugurar batalhões ou patrulhas sem um aumento real e líquido do número de agentes é "trocar seis por meia dúzia", desguarnecendo uma área para fingir presença em outra.
Armamentos modernos em estruturas sucateadas. O anúncio de compras de helicópteros, fuzis e drones gera imagens impactantes para as redes sociais, mas ignora a base do sistema.

Delegacias Fantasmas

Enquanto se gasta milhões em equipamentos de ponta, há denúncias, inclusive na Assembleia Legislativa, de licitações milionárias para mobiliar unidades que sequer foram concluídas ou que funcionam em condições precárias.
A segurança moderna exige investigação e inteligência. O foco excessivo na "exposição da tropa" remete a um modelo de policiamento ostensivo que, embora necessário para a sensação de segurança, pouco faz para desmantelar as facções que controlam o tráfico de drogas e elevam os índices de homicídios no estado.




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Daniela prometeu ao PT/PB fidelidade eterna a Lula e traiu na primeira oportunidade

30/04/2026

O PT, todos sabem, é um partido complexo, com alas, grupos e respeito a instâncias internas. Dentro dessa perspectiva, a senadora Daniela Ribeiro, com DNA direitista que remonta ao antigo e super reacionário "grupo Ribeiro da Varzea", seduziu a presidente do PT /PB para apoiar o filho, Lucas Ribeiro(PP) ao governo da PB. Com juras de fidelidade eterna ao projeto de Lula e, claro, gordas benesses através de cargos no governo estadual e outros penduricalhos. E assim se desenhou a estranha aliança no Estado, casamento de Jacaré e cobra d'água.

Porém

No primeiro teste de fogo, que foi a votação, ontem, 29/04, do indicado de Lula, Jorge Messias, para uma vaga no STF, a senadora mostrou a sua verdadeira natureza. Não apenas traiu a indicação de Lula, votando contra. Se agarrou aos abraços e beijos (literalmente) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Naquele momento, o inimigo número 1 do presidente.

Situação constrangedora...

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O PT, todos sabem, é um partido complexo, com alas, grupos e respeito a instâncias internas. Dentro dessa perspectiva, a senadora Daniela Ribeiro, com DNA direitista que remonta ao antigo e super reacionário "grupo Ribeiro da Varzea", seduziu a presidente do PT /PB para apoiar o filho, Lucas Ribeiro(PP) ao governo da PB. Com juras de fidelidade eterna ao projeto de Lula e, claro, gordas benesses através de cargos no governo estadual e outros penduricalhos. E assim se desenhou a estranha aliança no Estado, casamento de Jacaré e cobra d'água.

Porém

No primeiro teste de fogo, que foi a votação, ontem, 29/04, do indicado de Lula, Jorge Messias, para uma vaga no STF, a senadora mostrou a sua verdadeira natureza. Não apenas traiu a indicação de Lula, votando contra. Se agarrou aos abraços e beijos (literalmente) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Naquele momento, o inimigo número 1 do presidente.

Situação constrangedora

A reação no partido local foi durissima. A presidente teve que enfrentar o descontentamento da base, um manifesto de figuras importantes e até desistência de candidatura a deputado. A expectativa é se tudo vai ficar por isso mesmo ou se o constrangimento monumental vai provocar uma mudança na decisão de apoio a Lucas. Que no primeiro teste se mostrou totalmente equivocada.




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