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O Guarda-Chuva Guarda História - Crônica - Por Romero Falcão*

01/06/2026

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Dentro do ônibus, sacudo o guarda-chuva, retiro o excesso de água. Em vez de colocá-lo na mochila, como sempre faço, caio na burrice de encostá-lo nos pés. Foi tiro e queda — ou melhor, descer e deixá-lo. Já perdi um monte deles, dos invernos da adolescência às tempestades da velhice.

Centro do Recife

Não posso expor os pulmões às pancadas de chuva. Haja vista a onda de pneumonia. Então sigo para o centro do Recife em busca de um bom guarda-chuva.

Forte Pingo Colegial

Antes mesmo de subir no ônibus, ainda na parada, esta crônica ganha as primeiras gotas. O forte pingo colegial sobre a cabeça de um Recife transformado pelo tempo.

Sorvete era no Gêmba. Bolsa de madame na Sloper. Sapato fino na Sapataria Inglesa. Sandália feminina, artesanal, despojada, na Esquisita. Guarda-chuva na Tebas, Leite Bastos — é para lá que vamos, leitor.

Geração Z

Lembro do meu primeiro...

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Dentro do ônibus, sacudo o guarda-chuva, retiro o excesso de água. Em vez de colocá-lo na mochila, como sempre faço, caio na burrice de encostá-lo nos pés. Foi tiro e queda — ou melhor, descer e deixá-lo. Já perdi um monte deles, dos invernos da adolescência às tempestades da velhice.

Centro do Recife

Não posso expor os pulmões às pancadas de chuva. Haja vista a onda de pneumonia. Então sigo para o centro do Recife em busca de um bom guarda-chuva.

Forte Pingo Colegial

Antes mesmo de subir no ônibus, ainda na parada, esta crônica ganha as primeiras gotas. O forte pingo colegial sobre a cabeça de um Recife transformado pelo tempo.

Sorvete era no Gêmba. Bolsa de madame na Sloper. Sapato fino na Sapataria Inglesa. Sandália feminina, artesanal, despojada, na Esquisita. Guarda-chuva na Tebas, Leite Bastos — é para lá que vamos, leitor.

Geração Z

Lembro do meu primeiro guarda-chuva, quando comecei a pegar ônibus para o colégio. Era um preto que amparava minha carne magra de doze anos. Comprado na tradicional Leite Bastos, na Avenida Nossa Senhora do Carmo. Fui com meu pai. Entramos pela Rua Duque de Caxias. Ah, leitor da geração Z, você não imagina o quanto aquela rua vicejava nas décadas de 60, 70.

Camponesa de Vestido Rodado

Logo no início, as saudosas Casas Maias — lustres, material elétrico — e a Poveirinha, dona da melhor cartola do centro. Recordo, na entrada da lanchonete, uma camponesa de vestido rodado num painel de azulejos azuis e brancos.

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Cidade Pujante

O Recife pulsava num comércio radioso. Barbeiros, alfaiates, engraxates, estudantes. A gravata elegante dos bancários e os vestidos bem cortados das senhoras revelavam uma cidade pujante.

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Fantasmas me Encarando

Marcha claudicante, olhos entristecidos — assim caminho hoje pela Rua Duque de Caxias. Agora deserta, feia, esquecida, apagada. Lojas de portas cerradas. A pichação escreve abandono na sepultura. Algumas ainda resistem, exibem manequins nas calçadas — fantasmas me encarando.

Barato e Frágil

Testo um guarda-chuva do camelô. Abro, examino o cabo, a armação, o tecido, as hastes. Barato e frágil. Aguenta um inverno?

Com um em ponto de chuva, o vendedor garante a mercadoria e ainda diz que protege um casal.

— Se brincar, um filho também — tiro onda.

Leite Derramado

Procuro o guarda-chuva que conta história. O guarda-chuva da Leite Bastos. Leite derramado. Fabricado numa época em que as coisas eram feitas para durar.

Volto para casa de mãos vazias e a decadência pesando dentro dos olhos.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

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Leia outras informações

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Seleção viaja para os EUA em avião que foi utilizado pelos Rolling Stones, de mais de R$ 1 bilhão

01/06/2026

A seleção brasileira viaja hoje, segunda-feira, 01/06, para os Estados Unidos, com voo previsto para as 22h00 no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. A delegação da CBF decolará num Boeing 767-300ER, de matrícula ZS-NEX, da companhia sul-africana Aeronexus, avião que atendeu aos Rolling Stones em algumas turnês, entre elas a de comemoração dos 60 anos da banda, em 2022. Avaliada em R$ 1,19 bilhão, a aeronave oferece serviço vip, com 96 assentos de primeira classe, e também já serviu à Seleção, em compromisso das Eliminatórias da Copa do Mundo, em 2023.



Pouso nos EUA

Jogadores e comissão da seleção brasileira pousarão no Aeroporto de Newark na amanhã, terça-feira, 02/06, antes de se alojarem no Centro de Treinamento do New York Red Bulls, na cidade de Morristown, em Nova Jersey. O avião recebeu adesivagem especial com as marcas da Azul Linhas Aéreas, parceira da Confederação Brasileira de Futebol, CBF, na operação.

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A seleção brasileira viaja hoje, segunda-feira, 01/06, para os Estados Unidos, com voo previsto para as 22h00 no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. A delegação da CBF decolará num Boeing 767-300ER, de matrícula ZS-NEX, da companhia sul-africana Aeronexus, avião que atendeu aos Rolling Stones em algumas turnês, entre elas a de comemoração dos 60 anos da banda, em 2022. Avaliada em R$ 1,19 bilhão, a aeronave oferece serviço vip, com 96 assentos de primeira classe, e também já serviu à Seleção, em compromisso das Eliminatórias da Copa do Mundo, em 2023.



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Pouso nos EUA

Jogadores e comissão da seleção brasileira pousarão no Aeroporto de Newark na amanhã, terça-feira, 02/06, antes de se alojarem no Centro de Treinamento do New York Red Bulls, na cidade de Morristown, em Nova Jersey. O avião recebeu adesivagem especial com as marcas da Azul Linhas Aéreas, parceira da Confederação Brasileira de Futebol, CBF, na operação.




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"O fim da História" - Por Jarbas Beltrão*

01/06/2026

"O fim da Humanidade"

A humanidade, ao longo de seus milhares de anos de existência, sempre viveu momentos críticos sobretudo quando alguns humanos em determinada época pensavam que, daqueles momentos críticos seguir-se-ia para o "fim do mundo", claro, leia-se o fim da humanidade.

Situações de guerras e epidemias, sempre trouxeram para a humanidade o pensamento que tais situações desafiadoras, colocavam em xeque a continuidade da vida humana, no planeta Terra.

Entretanto, aquelas situações sempre terminaram representando o fim de um ciclo e surgimento de uma nova era.

'A guerra atômica, a destruição em massa'

A situação daquela "idéia de superação" que se viveu até o final da 2a guerra, foi superada com o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki - Japão agosto de 1945 - que provocou a morte de mais de 400 mil humanos, e a eliminação da capacidade produtiva da natureza em alguns dos lo...

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"O fim da Humanidade"

A humanidade, ao longo de seus milhares de anos de existência, sempre viveu momentos críticos sobretudo quando alguns humanos em determinada época pensavam que, daqueles momentos críticos seguir-se-ia para o "fim do mundo", claro, leia-se o fim da humanidade.

Situações de guerras e epidemias, sempre trouxeram para a humanidade o pensamento que tais situações desafiadoras, colocavam em xeque a continuidade da vida humana, no planeta Terra.

Entretanto, aquelas situações sempre terminaram representando o fim de um ciclo e surgimento de uma nova era.

'A guerra atômica, a destruição em massa'

A situação daquela "idéia de superação" que se viveu até o final da 2a guerra, foi superada com o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki - Japão agosto de 1945 - que provocou a morte de mais de 400 mil humanos, e a eliminação da capacidade produtiva da natureza em alguns dos locais atingidos.

A bomba atômica trazia uma novidade, matança em massa em questão de segundos. O perigo agora era outro, colocava-se em risco à vida humana, isto quem estivesse ou não no palco do conflito. Uma nova modalidade de guerra surgira, a guerra atômica.



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Gerações inteiras passaram a temer a guerra, ato contínuo, uso de armas atômicas, morte em massa em questão de segundos. Esse era, quase com exclusividade, o pavor que passou a dominar as mentes dos humanos.

Enquanto isso, outros perigos eram gerados. Perigos que traziam como tema central, a fome. Não aquela fome sazonal, por acidentes naturais, falta de alimentos e por aí segue.

Se o tema era fome, o desafio passou a ser visto de outra forma, a fome não estrutural, como era denunciado pelos declaradamente opositores do sistema econômico "capitalista", de desigual distribuição da riqueza produzida,

O "capitalismo" não atendia a demanda plena por alimentos.
O " capitalismo" estruturalmente não atendia a sustentação da sociedade.
Aquele sistema econômico, gerado a partir do capital, apoiado sobre a propriedade privada, organizado a partir das demandas sociais, que historicamente formou o livre mercado e geração desigualdades era produtor de injustiças.

O mercado, efeito do sistema, é aquele palco, onde atores diversos comparecem num sistema de trocas (compra e venda) e ali satisfazem as diversas necessidades, sonhos, desejos, vaidades, possibilidades e por aí vai. Neste mercado se manifesta a "satânica" desigualdade social.



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'O mercado, consequências'

Mas, uma das consequências da operacionalidade do mercado - sempre em constante mudanças dos anseios e posses dos consumidores - é que geram a busca de inovações científicas e tecnológicas que resultam em lucros, ampliação do capital, novos investimentos, novos gostos, necessidades, novos produtores, novos consumidores.

O mercado se organiza com o formato de uma mola, mas uma mola de desenho piramidal. Os anéis da mola se articulam entre si e vão se estreitando. Sem sua articulação o corpo social não se movimenta, morre.

A estruturação da sociedade, economia, mercado, abriga satisfações e insatisfações, mudanças nessa movimentação nunca deixarão de ocorrer, alguns se mexem dentro da mola de anéis articulados, para cima ou para baixo.

A insatisfação, quanto aos resultados, pode se abrigar em muitas mentes, algumas delas chamadas de socialismo.

Surge aquele socialismo, que apenas formula reparos sobre o que entende por "injusta distribuição da produção", chamado de socialismo idealista ou utópico, no caso desse último, gerado nas mentes de "boa vontade". O socialismo utópico idealizou os falanstérios, comunidades fraternas

No entanto, dentro da mente socialista gestou-se um "vírus" destruidor, então transformou-se de socialismo idealista e/ou utópico, para o formato presunçoso de "socialismo científico".

'O socialismo científico'

Esse socialismo atacava/ataca, os principais pilares da economia, historicamente forjada: "capital", "mercado", "propriedade privada", lucro, todos envolvendo muitas variáveis.

O "socialismo científico" (marxismo- leninismo) que implantou-se a partir da Revolução (golpe) bolchevique de 1917, gestou um sistema que nega os pilares mencionados.

Resultado da fórmula: fome, caos, terror, administrado por um estado terrorista, sob direção de um partido único.

A longo prazo a fórmula do "socialismo científico", faz o efeito de uma bomba atômica, só que de efeito pausado, nas como a bomba atômica, produz destruição. É a fatalidade do equívoco do socialismo/comunismo.

A diversidade do consumo em níveis desiguais, gostos desiguais, sonhos desiguais é a própria razão de ser do mercado, da economia, que seus críticos chamam de "capitalismo".

Aqueles pilares é a própria e natural economia. Se forem eliminados, elimina-se a vida econômica que foram formados ao longo da história.

Sem economia, elimina-se a vida humana, como entendida até hoje.
O consumo representa, poder de comprar, ofertar, poder atender gostos variados de riquezas variadas, vaidades, etc. Sem essas premissas. A História morre.

'Um mundo sem mercado'

Passemos para outro desafio do mundo moderno, o desenvolvimento científico-tecnológico, que gestou a "inteligência artificial". O estágio atual do desenvolvimento tecnológico.

A "inteligência artificial" tende para eliminação do emprego/renda/ trabalho, sem isso o mercado some.

'Eliminação da economia, morre a vida'

Está eliminação da renda reduz o consumo/mercado, encolhem .
Morre, pausadamente a vida econômica, morre a humanidade. Morre a História.

Nos dois casos não é apenas a fome que diretamente representa o desafio para a sobrevivência humana.

Mas a ausência de ceras ocupações econômicas - senão a maioria dessaz ocupações.

Com isso, segue um cenário futuro propício à revolta das turbas, enlouquecidas em busca de renda/ sobrevivência e fuga da fome.



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Formações bárbaras atacarão as elites médias e superiores, para tomar-lhes o que aquelas classes possuem, e assim alcançarem a sobrevivência.

'O futuro sem propriedade, sem mercado'

O cenário futuro de fome, gestou a incoerência dá mentalidade pseudo-científica do Fórum de Davos (Suíça), Agenda 2030.

Segunda a elite de Davos: "no futuro ninguém será dono de nada, mas todos serão felizes". "Para todos uma renda mínima universal". Representa o mesmo que: "sem propriedade privada'; "sem livre mercado/consumo".

Se o Fórum fala num mundo sem propriedade como a humanidade vai buscar prosperidade ?
Também, o Encontro fala em "renda mínima básica/universal". O que acontecerá com o mercado/consumo?

Mercado consumo de forma "de uma mola piramidal" - como dissemos - precisa ter como base a desigualdade, porque a mesma alimenta seu funcionamento que se caracteriza por diversidade.

Ora, "renda mínima/básica universal" é como implodir o mercado, implodir a vida econômica, implodir a História como ela é. Todos, uniformemente, consumiriam sem variações as mesmas ofertas. (proposta do "socialismo cientifico")

'Reação da elite'

Portanto, quando hoje se fala que há uma elite, gastando parte de suas fortunas construindo "bunckeres", estocando suprimentos, não se deve isto, a busca de proteção contra guerra atômica, ou mesmo proteção de uma fome sazonal.

As elites sabem que a rebelião incontrolável das massas, representa um perigo igual ou maior que a destruição atômica.

E a produção sem consumidores, vida sem emprego e renda, consumo uniforme, sinal que o "fim" pode está próximo.

Fim que virá com guerra, fome ou destruição do sistema econômico, não do que chamam "capitalismo".
"Capitalismo" e próprio sistema, que abrigar mudanças e ganhará novas formatações.

As regras econômicas se constituiram historicamente, a partir das comunidades primitivas, formações de ordens econômicas de diversas naturezas.

Essa diversas ordens se encontram num processo de "emulação histórica" até se chegar a esta ordem, onde, hoje, o capital é o fator ordenador dessa vida .

A "engenharia social" é um grande equivoco da mentalidade do socialismo científico. Ele não respeita a voluntariedade humana.


*Jarbas Beltrão é historiador e professor de História. MBA em Política Estratégia em Defesa e Segurança Nacional. Especialista em Geopolítica Novas Fronteiras Cibernética e IA.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Trump garante cessar-fogo e diz que não haverá tropas de Israel em Beirute

01/06/2026

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse hoje, segunda-feira, 01/06, que conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com representantes do Hezbollah. Ele garantiu que um cessar-fogo está em vigor entre as partes no Líbano e que Netanyahu concordou em não mover tropas de Israel em direção a Beirute. Trump disse também hoje que "as conversas seguem, em um ritmo rápido, com a República Islâmica do Irã". Horas antes, ele havia minimizado uma possível interrupção no diálogo para um acordo de paz duradouro.



Trump e Netanyahu

"Tive uma conversa muito produtiva com o primeiro-ministro israelense, Bibi Netanyahu, e não haverá tropas a caminho de Beirute. Quaisquer tropas que estivessem a caminho já foram impedidas de entrar", disse Trump, na sua rede social, a Truth Social.



Trump e Hezbollah

"Da mesma forma, por meio de representantes de alto escalão, tive uma conver...

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O presidente dos EUA, Donald Trump, disse hoje, segunda-feira, 01/06, que conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com representantes do Hezbollah. Ele garantiu que um cessar-fogo está em vigor entre as partes no Líbano e que Netanyahu concordou em não mover tropas de Israel em direção a Beirute. Trump disse também hoje que "as conversas seguem, em um ritmo rápido, com a República Islâmica do Irã". Horas antes, ele havia minimizado uma possível interrupção no diálogo para um acordo de paz duradouro.



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Trump e Netanyahu

"Tive uma conversa muito produtiva com o primeiro-ministro israelense, Bibi Netanyahu, e não haverá tropas a caminho de Beirute. Quaisquer tropas que estivessem a caminho já foram impedidas de entrar", disse Trump, na sua rede social, a Truth Social.



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Trump e Hezbollah

"Da mesma forma, por meio de representantes de alto escalão, tive uma conversa muito boa com o Hezbollah, e eles concordaram que todos os disparos cessarão — que Israel não os atacará e que eles não atacarão Israel", diz o post.

Tensão em Teerã

Mais cedo, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim, Teerã decidiu parar com a troca de mensagens com os mediadores sobre o memorando de entendimento com os EUA após os novos ataques de Israel ao Líbano, inclusive com ordens de evacuação e alertas de bombardeio à capital, Beirute, hoje, 01/06.




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Criança mordida por tubarão em Piedade tem perna amputada no HR

01/06/2026

A criança de 11 anos que foi mordida por um tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, segue internada no Hospital da Restauração, HR, localizado no centro da capital pernambucana. De acordo com o médico-cirurgião Petrus Andrade Lima, o menino passou por cirurgia e precisou amputar a perna esquerda.

Falou o médico

Em entrevista coletiva na unidade de saúde, o médico também disse que João Lucas Nemezio fraturou uma das mãos e segue intubado, mas o quadro é considerado estável. “Ele já saiu daquele período mais grave que foi da hemorragia, continua intubado em ventilação mecânica. Ele está se mexendo e a proposta é tirarmos a sedação, e se ele acordar bem, tiramos a ventilação mecânica”, afirmou o médico.



Risco de infecção dos ferimentos

Ainda segundo o cirurgião, há risco de infecção dos ferimentos. “A ferida é muito extensa e decorrente de mordida de animal. Toda...

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A criança de 11 anos que foi mordida por um tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, segue internada no Hospital da Restauração, HR, localizado no centro da capital pernambucana. De acordo com o médico-cirurgião Petrus Andrade Lima, o menino passou por cirurgia e precisou amputar a perna esquerda.

Falou o médico

Em entrevista coletiva na unidade de saúde, o médico também disse que João Lucas Nemezio fraturou uma das mãos e segue intubado, mas o quadro é considerado estável. “Ele já saiu daquele período mais grave que foi da hemorragia, continua intubado em ventilação mecânica. Ele está se mexendo e a proposta é tirarmos a sedação, e se ele acordar bem, tiramos a ventilação mecânica”, afirmou o médico.



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Risco de infecção dos ferimentos

Ainda segundo o cirurgião, há risco de infecção dos ferimentos. “A ferida é muito extensa e decorrente de mordida de animal. Toda ferida decorrente de mordida de animal tem alta chance de infecção. Existe o tratamento para essa infecção, exatamente para impedir que a gente tenha mais problemas com essa fratura da mão”. No momento, João Lucas Nemezio está na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) pediátrica do hospital.

Este é o terceiro incidente com tubarão registrado em Pernambuco, em 2026.




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Difusão Prateada - PF quer Daniel Vorcaro na lista da Interpol para rastrear bens no exterior

01/06/2026

A PF quer incluir o nome do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na Difusão Prateada. Diferente da vermelha, de foragidos internacionais, essa é para encontrar bens e imóveis de um investigado que estejam fora do Brasil e são frutos de crime, na avaliação de investigadores. A medida pode esclarecer quantos bens Vorcaro comprou fora do Brasil antes de sua prisão. A investigação já estuda pedir cooperação internacional nos EUA para rastrear valores e trusts em solo norte-americano.

Inclusão na lista

Para que seu nome seja incluído nessa lista, porém, é necessária uma análise da Interpol, a organização internacional de cooperação policial. O procedimento prevê que a Polícia Federal solicite a inclusão, cabendo à entidade avaliar se o pedido atende aos critérios para ser aceito. Se houver o aceite, as polícias de outros países compartilham informações de registros de imóveis, compra de quadros, joias, por exemplo. E endereços de onde os bens estão para posterior...

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A PF quer incluir o nome do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na Difusão Prateada. Diferente da vermelha, de foragidos internacionais, essa é para encontrar bens e imóveis de um investigado que estejam fora do Brasil e são frutos de crime, na avaliação de investigadores. A medida pode esclarecer quantos bens Vorcaro comprou fora do Brasil antes de sua prisão. A investigação já estuda pedir cooperação internacional nos EUA para rastrear valores e trusts em solo norte-americano.

Inclusão na lista

Para que seu nome seja incluído nessa lista, porém, é necessária uma análise da Interpol, a organização internacional de cooperação policial. O procedimento prevê que a Polícia Federal solicite a inclusão, cabendo à entidade avaliar se o pedido atende aos critérios para ser aceito. Se houver o aceite, as polícias de outros países compartilham informações de registros de imóveis, compra de quadros, joias, por exemplo. E endereços de onde os bens estão para posterior bloqueio judicial.



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Difusão Prateada

Quando a Difusão Prateada foi lançada, em janeiro do ano passado, Valdecy Urquiza, secretário-geral da Interpol, afirmou: "Privar criminosos e suas redes dos lucros ilegais é uma das formas mais poderosas de combater o crime organizado transnacional, especialmente considerando que 99% dos bens criminais não são recuperados. Ao focar nos ganhos financeiros, a Interpol trabalha para desmantelar redes criminosas e reduzir seu impacto nas comunidades ao redor do mundo." Já houve, inclusive, conversas entre a Polícia Federal e Urquiza. (Com o Valor Econômico)




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Adeus, Edgar Morin! - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

01/06/2026

O filósofo, sociólogo, humanista,
do cotidiano, do complexo, exegeta,
inigualável nas reflexões do planeta,
o francês-caleidoscópico, universalista:

“Teoria da Complexidade”,
“Educação e Pensamento Complexo”,
“Sociologia, Cinema e Educação”,
“Memórias e Reflexões Finais”.



O cimo da montanha, qual águia, pousa:
analisa, amiúde, tanto o cotidiano difuso,
quanto o imperscrutável porvir, confuso;



o mundo viveu-o, em sua universalidade,
a vida, viveu-a, em sua complexidade,
sobremaneira, compreendeu a desumanidade!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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O filósofo, sociólogo, humanista,
do cotidiano, do complexo, exegeta,
inigualável nas reflexões do planeta,
o francês-caleidoscópico, universalista:

“Teoria da Complexidade”,
“Educação e Pensamento Complexo”,
“Sociologia, Cinema e Educação”,
“Memórias e Reflexões Finais”.



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O cimo da montanha, qual águia, pousa:
analisa, amiúde, tanto o cotidiano difuso,
quanto o imperscrutável porvir, confuso;



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o mundo viveu-o, em sua universalidade,
a vida, viveu-a, em sua complexidade,
sobremaneira, compreendeu a desumanidade!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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Evolução ou Mutilação?- O deserto cultural da sociedade , por Zé da Flauta*

01/06/2026

Ver o ser humano moderno transformar a convivência em uma engrenagem burocrática nos força a encarar se estamos apenas evoluindo ou caminhando para o pior. Antigamente, os laços brotavam do nada: um papo furado no balcão do café ou um riso compartilhado na praça de forma espontânea. Hoje, nos isolamos com fones de ouvido e telas brilhantes, trocando o calor do imprevisto pela conveniência fria do controle tecnológico. Não se trata de uma mera transição de costumes, mas da perda da nossa própria humanidade, onde até universidades precisam ensinar adultos a conversar.

Mutilação

Essa escassez de conexões reais expõe uma fratura na existência, onde o esvaziamento dos espaços públicos é maquiado pelo eco estéril de curtidas virtuais. Substituímos a presença física pelo isolamento doméstico e pelo apego aos bichos, usando o afeto controlado para evitar o risco de sermos rejeitados por outra pessoa. O convívio deixou de ser a estrutura do cotidiano e virou...

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Ver o ser humano moderno transformar a convivência em uma engrenagem burocrática nos força a encarar se estamos apenas evoluindo ou caminhando para o pior. Antigamente, os laços brotavam do nada: um papo furado no balcão do café ou um riso compartilhado na praça de forma espontânea. Hoje, nos isolamos com fones de ouvido e telas brilhantes, trocando o calor do imprevisto pela conveniência fria do controle tecnológico. Não se trata de uma mera transição de costumes, mas da perda da nossa própria humanidade, onde até universidades precisam ensinar adultos a conversar.

Mutilação

Essa escassez de conexões reais expõe uma fratura na existência, onde o esvaziamento dos espaços públicos é maquiado pelo eco estéril de curtidas virtuais. Substituímos a presença física pelo isolamento doméstico e pelo apego aos bichos, usando o afeto controlado para evitar o risco de sermos rejeitados por outra pessoa. O convívio deixou de ser a estrutura do cotidiano e virou um artigo de luxo que só acontece se sobrar tempo na planilha de metas. Se o progresso nos afasta do abraço, ele deixa de ser evolução e passa a ser uma mutilação silenciosa da nossa alma.

Arrependimento

O silêncio que se instala nas mesas individuais esconde um peso devastador, uma dor que rói o peito e agride o corpo tanto quanto o vício de fumar quinze cigarros por dia. O eco mais pungente desse vazio surge no desabafo daqueles que chegam ao fim da jornada e choram, com os olhos marejados e o coração partido, pelo distanciamento dos velhos companheiros. É o arrependimento tardio de quem percebeu, tarde demais na penumbra de um quarto de hospital, que passou a vida acumulando cifrões, mas permitiu que o tempo engolisse os únicos braços que poderiam confortá-los na despedida.

Sentido

A felicidade duradoura não se constrói em gabinetes isolados; o segredo de uma vida saudável está na solidez dos relacionamentos próximos, no olho no olho que cura. A verdadeira amizade exige o sacrifício do cultivo diário: o perdão sincero, o telefonema inesperado na madrugada e a coragem de gastar o tempo sem pressa. No fim das contas, a jornada só ganha sentido quando temos com quem dividir o peso dos dias e a beleza do horizonte, mantendo acesos os laços que nos salvam de morrer sozinhos no deserto que nós mesmos criamos.

Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista



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A Camisa 10, por Roberto Vieira

01/06/2026

Neymar será pela quarta vez o camisa 10 da seleção igualando Pelé (58/62/66/70). Camisa com número em Copa só existe desde a Copa de 1950 quando Jair Rosa Pinto foi camisa 10 em todos os jogos menos um - Ademir Menezes vestiu esse número em um dos jogos. Tudo porque todo time ia do 1 ao 11. Fim de papo.

Pinga

O craque Pinga que era abstêmio, estou faltando sério, foi o 10 na Copa de 1954, quando a camisa 10 era de Puskas mas não queria dizer muita coisa.

Pelé

O Rei foi 10 em 58 por questão alfabética. Edson era o décimo em ordem alfabética na seleção. Porém, com Pelé, o 10 virou mitologia. Curiosamente, o mentor de Pelé no Santos era o velho Jair Rosa Pinto, o 10 de 50. Lembra?

Craque

A camisa 10 após 1958 virou coisa muito importante. O melhor do time era o 10. E foi assim com Rivelino e Zico. Depois com Rivaldo e Neymar. Apesar do 14 de Cruyff e do 5 de Beckenbauer. Talvez p...

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Neymar será pela quarta vez o camisa 10 da seleção igualando Pelé (58/62/66/70). Camisa com número em Copa só existe desde a Copa de 1950 quando Jair Rosa Pinto foi camisa 10 em todos os jogos menos um - Ademir Menezes vestiu esse número em um dos jogos. Tudo porque todo time ia do 1 ao 11. Fim de papo.

Pinga

O craque Pinga que era abstêmio, estou faltando sério, foi o 10 na Copa de 1954, quando a camisa 10 era de Puskas mas não queria dizer muita coisa.

Pelé

O Rei foi 10 em 58 por questão alfabética. Edson era o décimo em ordem alfabética na seleção. Porém, com Pelé, o 10 virou mitologia. Curiosamente, o mentor de Pelé no Santos era o velho Jair Rosa Pinto, o 10 de 50. Lembra?

Craque

A camisa 10 após 1958 virou coisa muito importante. O melhor do time era o 10. E foi assim com Rivelino e Zico. Depois com Rivaldo e Neymar. Apesar do 14 de Cruyff e do 5 de Beckenbauer. Talvez porque Maradona foi 10 também. E Messi.

Pernambuco

Pernambuco viu número em camisa pela primeira vez, contou-me Mestre Lucídio, na excursão do Vasco da Gama de Ademir e Heleno de Freitas ao Recife em 1949. Tem fotos nos jornais da época. Eram números mixurucas. Tentativa brasileira de se adequar aos ingleses que usavam número desde 1933, na final da Copa da Inglaterra. Ou desde os anos 1920, aleatoriamente, com Chelsea e Arsenal. Reza lenda, o América carioca usou mais cedo também, copiando os suditos britânicos.

Seven

Curiosamente, na velha Albion, bom mesmo era o 7. Tudo por causa do espetacular Stanley Matthews, do não menos genial George Best e do razoável Keegan. Além daquele rapaz simpático chamado David Beckham. Imaginem se Garrincha tivesse nascido em Liverpool... 7 ia ser colocado na Union Jack.

Roberto Vieira é médico e cronista



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Quando a soberania atravessa o oceano carregada de cocaína PCC, Comando Vermelho e o momento em que um problema nacional atravessa fronteiras; por Jorge Henrique de Freitas Pinho*

01/06/2026

A soberania permanece íntegra enquanto um país consegue administrar suas próprias consequências. Quando as consequências atravessam fronteiras, a soberania passa a ser disputada por quem sofre os efeitos.

Existe uma frase que marcou gerações de estudantes brasileiros nas antigas aulas de Moral e Cívica: o direito de um termina onde começa o direito do outro.

Embora simples, ela encerra uma das ideias mais profundas da vida em sociedade. Liberdade nunca significou ausência de limites. Significou responsabilidade pelos efeitos produzidos por nossas escolhas.

Enquanto as consequências permanecem sob nosso controle, a autonomia conserva sua legitimidade. No instante em que passam a atingir terceiros, surge inevitavelmente uma nova relação de direitos, deveres e responsabilidades.

O mesmo princípio que orienta a convivência entre indivíduos ajuda a compreender um dos dilemas centrais da geopolítica contemporânea.

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A soberania permanece íntegra enquanto um país consegue administrar suas próprias consequências. Quando as consequências atravessam fronteiras, a soberania passa a ser disputada por quem sofre os efeitos.

Existe uma frase que marcou gerações de estudantes brasileiros nas antigas aulas de Moral e Cívica: o direito de um termina onde começa o direito do outro.

Embora simples, ela encerra uma das ideias mais profundas da vida em sociedade. Liberdade nunca significou ausência de limites. Significou responsabilidade pelos efeitos produzidos por nossas escolhas.

Enquanto as consequências permanecem sob nosso controle, a autonomia conserva sua legitimidade. No instante em que passam a atingir terceiros, surge inevitavelmente uma nova relação de direitos, deveres e responsabilidades.

O mesmo princípio que orienta a convivência entre indivíduos ajuda a compreender um dos dilemas centrais da geopolítica contemporânea.


A soberania

A soberania dos Estados repousa sobre lógica semelhante. Ela permanece sólida enquanto um país consegue administrar as consequências produzidas dentro de suas próprias fronteiras.

O problema surge quando essas consequências atravessam oceanos, alcançam outras sociedades e passam a afetar interesses que já não pertencem apenas ao país de origem.

É sob essa perspectiva que a controvérsia envolvendo PCC, Comando Vermelho, Estados Unidos e Europa será examinada neste ensaio.

Quase uma tonelada de cocaína escondida em carregamentos de açúcar atravessa o Atlântico e é apreendida no Porto de Leixões, em Portugal.

À primeira vista, trata-se apenas de mais uma operação policial bem-sucedida. Uma notícia entre tantas outras que diariamente atravessam os noticiários internacionais.

Contudo, certos acontecimentos possuem uma capacidade singular: revelam muito mais do que aparentam. Funcionam como uma pequena fissura através da qual se torna possível enxergar a estrutura inteira.

O que desembarcou naquele porto português não foi apenas cocaína. O que chegou à Europa foi a demonstração concreta de uma capacidade logística sofisticada, capaz de integrar produtores, operadores financeiros, transportadores, empresas de fachada e distribuidores espalhados por diferentes continentes.

O que atravessou o oceano não foi simplesmente uma mercadoria ilícita. Foi a manifestação concreta de uma rede criminosa capaz de operar muito além das fronteiras nacionais.

Ao longo das últimas semanas, grande parte do debate público concentrou-se na reação americana. Discutiram-se as decisões de Washington, as declarações de Marco Rubio, as respostas diplomáticas de Brasília, os riscos à soberania nacional e as consequências jurídicas da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas globais.

Todas essas questões seriam efetivamente relevantes em outro cenário.

Entretanto, a centralidade conferida à reação acabou obscurecendo uma pergunta mais profunda: o que aconteceu para que organizações criminosas nascidas dentro do sistema prisional brasileiro passassem a ser percebidas por uma potência global como uma questão de segurança internacional?

Antes de discutir o que os Estados Unidos decidiram fazer, convém compreender o que aconteceu para que organizações criminosas nascidas dentro do sistema prisional brasileiro passassem a ser percebidas por uma potência global como uma questão de segurança internacional.

Essa pergunta nos conduz ao acontecimento histórico que está na origem da atual controvérsia.

Durante décadas, grande parte da sociedade brasileira acostumou-se a imaginar essas organizações como fenômenos essencialmente locais.

A imagem predominante era a do traficante armado ocupando uma favela, do líder encarcerado comandando atividades ilícitas a partir de um presídio ou de grupos disputando territórios específicos dentro das fronteiras nacionais.

Hoje, essa imagem já não corresponde à realidade. O PCC e o Comando Vermelho continuam utilizando violência, continuam recrutando soldados e continuam exercendo controle territorial. Contudo, sua importância estratégica deixou de residir apenas nesses elementos.

Ao longo dos anos, transformaram-se em estruturas capazes de operar cadeias logísticas internacionais, movimentar recursos por intermédio de mecanismos financeiros sofisticados e estabelecer conexões simultâneas em diferentes continentes.

A reação americana é consequência dessa transformação. A mutação do fenômeno é a causa.

A compreensão desse processo exige um retorno à própria natureza do conceito de soberania.

Desde a consolidação da ordem política moderna, especialmente após a Paz de Westfália, os Estados legitimaram sua existência mediante uma promessa fundamental.

Em troca da obediência às leis e da renúncia à violência privada, os cidadãos receberiam segurança, estabilidade e proteção.

Com isso o Estado torna-se o detentor legítimo da força porque assume a responsabilidade de impedir que outras forças ocupem esse espaço.

Por essa razão, soberania nunca foi apenas um conceito jurídico. Sempre foi uma realidade concreta sustentada pela capacidade efetiva de administrar as consequências produzidas dentro das próprias fronteiras.

Enquanto um Estado consegue controlar seus problemas, sua soberania raramente é questionada. O desafio surge quando esses problemas passam a produzir efeitos relevantes além do espaço nacional.

A partir desse instante ocorre uma mudança silenciosa, mas decisiva. O fenômeno continua nascendo dentro de determinadas fronteiras, porém suas consequências já não permanecem confinadas a elas.

Quando passam a afetar mercados, rotas comerciais, sistemas financeiros e estruturas de segurança de outras nações, a questão deixa de ser apenas doméstica. A geografia do problema se amplia e seu alcance político se transforma.

A discussão já não pertence exclusivamente ao país onde tudo começou, porque suas consequências passaram a integrar a realidade de terceiros.

É exatamente isso que estamos observando. O mundo contemporâneo tornou-se uma rede. A globalização reduziu distâncias, integrou mercados, conectou sistemas financeiros e criou cadeias logísticas de alcance planetário.

A mesma infraestrutura que transporta alimentos transporta drogas. Os mesmos mecanismos que permitem a circulação legítima de mercadorias podem ser utilizados para atividades ilícitas.

As organizações criminosas compreenderam rapidamente essa lógica. Perceberam que o verdadeiro poder não estava apenas no controle da produção ou da distribuição local, mas no domínio das conexões.

Nesse sentido, o Atlântico não desapareceu fisicamente, mas politicamente.

A distância entre Santos, Lisboa, Roterdã ou Miami já não pode ser medida apenas em quilômetros. Deve ser medida em conectividade logística. Quando uma organização criminosa alcança essa compreensão, deixa de ser um problema localizado e passa a integrar a própria dinâmica do sistema internacional.

É por essa razão que a apreensão ocorrida em Portugal possui significado muito maior do que uma simples operação policial. Ela representa a materialização de uma realidade que há muito vinha se formando silenciosamente.

Essa transformação ajuda a compreender a divergência entre Brasília e Washington. O governo brasileiro continua enquadrando o fenômeno prioritariamente dentro da esfera da segurança pública.

Sob essa perspectiva, trata-se de organizações criminosas que devem ser enfrentadas por polícias, sistemas penitenciários e instituições judiciais nacionais.

Os Estados Unidos observam a questão por outro ângulo. Mais do que a origem dessas organizações, interessa-lhes a extensão de seus efeitos. À medida que suas atividades passaram a conectar diferentes continentes e a produzir impactos que alcançam mercados, sistemas financeiros e estruturas de segurança fora do Brasil, a percepção do fenômeno também se transformou.

A própria justificativa apresentada por Washington parte exatamente desse raciocínio. A classificação anunciada por Marco Rubio não tem por base apenas a violência exercida dentro do território brasileiro. Apoia-se na avaliação de que as redes do PCC e do Comando Vermelho ultrapassaram as fronteiras nacionais e passaram a integrar circuitos internacionais de tráfico, lavagem de dinheiro e abastecimento de mercados ilícitos que alcançam diferentes regiões do mundo, inclusive os próprios Estados Unidos.

Quando uma potência passa a perceber que os efeitos de determinado fenômeno já chegam ao interior de sua própria esfera de segurança, a discussão deixa de ser apenas sobre a origem do problema. Passa a ser sobre suas consequências.

A partir desse raciocínio, a classificação como ameaça à segurança nacional americana torna-se compreensível, independentemente de concordarmos ou não com ela.

A discussão torna-se ainda mais interessante quando observamos os instrumentos efetivamente utilizados pelas grandes potências contemporâneas.

A imaginação popular continua associando poder internacional a porta-aviões, tropas e mísseis.

O século XXI funciona de maneira distinta. O poder mais eficaz tornou-se silencioso. Quando uma organização é enquadrada em determinadas categorias jurídicas internacionais, o primeiro impacto relevante não ocorre no campo militar.

O impacto ocorre nos fluxos financeiros. Contas passam a ser monitoradas, intermediários tornam-se vulneráveis, empresas reavaliam relações comerciais e instituições financeiras ampliam mecanismos de controle.

O objetivo não consiste em ocupar territórios, mas em aumentar os custos de funcionamento da rede.

Dinheiro é o oxigênio dessas estruturas.

Além disso, sem circulação segura de recursos, a mobilidade diminui, a influência enfraquece e a capacidade de expansão torna-se
mais limitada.

É justamente por isso que a reação brasileira não pode ser compreendida apenas como uma divergência jurídica.

Por outro lado, existe uma dimensão simbólica e política mais profunda. Quando uma potência afirma que determinadas organizações deixaram de representar apenas um problema doméstico e passaram a constituir uma ameaça internacional, ela está emitindo uma mensagem sobre a natureza do fenômeno.

Nenhum Estado erra por defender sua soberania. O erro ocorre quando a defesa da soberania se transforma em prioridade superior ao enfrentamento das estruturas que corroem, na prática, a própria soberania que se pretende proteger.

Ao acompanhar parte da cobertura jornalística sobre o tema, chamou-me a atenção outro aspecto da controvérsia.

Em muitos momentos, a discussão concentrou-se quase exclusivamente nos riscos produzidos pela reação americana. Debateram-se soberania, extraterritorialidade, ingerência externa e ampliação do poder de Washington. São temas legítimos. Merecem atenção. Entretanto, a hierarquia das preocupações também importa.

Em determinado momento discutia-se o risco de corrupção de militares que eventualmente viessem a participar mais intensamente do enfrentamento ao narcotráfico. Em outro, o aumento do preço da cocaína surgia como consequência digna de preocupação. Não me chamou a atenção o mérito dessas observações.

Chamou-me a atenção a direção para a qual apontavam. O foco parecia deslocar-se continuamente para os desconfortos produzidos pelo combate enquanto a expansão das próprias organizações criminosas permanecia em segundo plano.

A preocupação concentrava-se nos custos de enfrentar o problema quando o verdadeiro espanto deveria residir na dimensão alcançada pelo problema que passou a exigir enfrentamento.

Existe uma antiga sabedoria popular segundo a qual devemos colocar as barbas de molho quando a casa do vizinho pega fogo. A força dessa imagem não reside no medo. Reside na atenção. Reside na capacidade de reconhecer sinais antes que se transformem em crises irreversíveis.

Quando organizações criminosas brasileiras passam a operar em múltiplos continentes, quando governos estrangeiros mobilizam instrumentos extraordinários para enfrentá-las e quando o problema deixa de ser apenas brasileiro para ingressar definitivamente no campo da segurança internacional, a primeira pergunta não deveria ser apenas sobre a natureza da reação. Deveria ser também sobre a dimensão do fenômeno que tornou essa reação possível.

No final, toda discussão sobre soberania retorna à mesma questão que acompanha a humanidade desde as primeiras cidades e os primeiros impérios. Quem governa efetivamente a realidade? Os governos podem formular narrativas.

Os diplomatas podem redigir comunicados. As instituições podem reivindicar autoridade. Mas é sempre a realidade que produz o julgamento definitivo.

E a realidade parece estar dizendo algo que já não pode ser ignorado: quando as consequências atravessam o oceano, a soberania deixa de ser apenas um direito. Torna-se também uma responsabilidade. E toda responsabilidade, cedo ou tarde, acaba sendo medida pelos fatos.

(*) O autor é advogado, Procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas

NR - Os textos assinados expressam a opiniões dos seus autores. Pessoas ou instituições
Intuições citadas tem espaço garantido para suas versões.



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Livro do Nordeste II será lançado amanhã em Brasília

01/06/2026

O livro

Busca atualizar o histórico Livro do Nordeste, organizado por Gilberto Freyre, passando pelos 100 anos tratados no primeiro Livro, mas focando, especialmente, no período que vai de 1925 a 2025. Para isso, foram convidados intelectuais renomados não só de Pernambuco, mas também de outros estados do Brasil e de Portugal.

O Diário de Pernambuco

Completou 100 anos em novembro de 1925. Durante as comemorações, o sociólogo Gilberto Freyre organizou o Livro da Nordeste para marcar a data com uma obra inédita e referencial. O intuito era discutir histórica, antropológica e sociologicamente a cultura, geografia e economia da região.

Marco do regionalismo

Com textos feitos especialmente para o livro, como a Evocação do Recife, de Manuel Bandeira, a publicação passou a ser apontada por jornalistas e escritores, a exemplo de Mauro Mota, como um marco que funcionaria como um "manifesto a priori d...

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O livro

Busca atualizar o histórico Livro do Nordeste, organizado por Gilberto Freyre, passando pelos 100 anos tratados no primeiro Livro, mas focando, especialmente, no período que vai de 1925 a 2025. Para isso, foram convidados intelectuais renomados não só de Pernambuco, mas também de outros estados do Brasil e de Portugal.

O Diário de Pernambuco

Completou 100 anos em novembro de 1925. Durante as comemorações, o sociólogo Gilberto Freyre organizou o Livro da Nordeste para marcar a data com uma obra inédita e referencial. O intuito era discutir histórica, antropológica e sociologicamente a cultura, geografia e economia da região.

Marco do regionalismo

Com textos feitos especialmente para o livro, como a Evocação do Recife, de Manuel Bandeira, a publicação passou a ser apontada por jornalistas e escritores, a exemplo de Mauro Mota, como um marco que funcionaria como um "manifesto a priori do Movimento Regionalista".

Continuidade

Ideia tão boa quanto a primeira, foi essa, agora, de retomar e atualizar o projeto. Se a obra coordenada por Gilberto Freire oferecia uma retrospectiva dos primeiros cem anos do DP e plantou as sementes do futuro, agora esse titulo inspira o lançamento do Livro do Nordeste II, organizado pelo diplomata e historiador André Heráclio do Rêgo e pelo jornalista e arqueólogo Múcio Aguiar. Desta vez, o volume busca reconstituir a trajetória do Diário de Pernambuco nos seus 200 anos, transcorridos no último dia 7 de novembro, passado.

A nova obra

Busca atualizar o histórico Livro do Nordeste, organizado por Gilberto Freyre, passando pelos 100 anos tratados no primeiro Livro, mas focando, especialmente, no período que vai de 1925 a 2025. Para isso, foram convidados intelectuais renomados não só de Pernambuco, mas também de outros estados do Brasil e de Portugal.

Capítulos

O trabalho se inicia com o artigo 'O centenário de um diário americano', de Manuel de Oliveira Lima, publicado no jornal argentino La Prensa, em 28 fevereiro de 1926. Trata-se da resenha do próprio Livro, na forma de artigo laudatório, escrito pelo grande intelectual Oliveira Lima, comentando o livro. O restante dos textos são todos inéditos, assinados pelos próprios co-autores e por intelectuais renomados da atualidade da lusofonia. São eles Margarida Cantarelli e Maria Lecticia Monteiro Cavalcanti, respectivamente presidente e vice da Academia Pernambucana de Letras (APL), Gilberto Freyre Neto, Marcos Galindo, Mario Helio Gomes (integrante da APL) Marcus Prado, Lincoln de Abreu Penna, João Palmeiro, Carlos André Silva de Moura, Gustavo Maia Gomes, Bernardo Peixoto, Padre Marcelo Arruda Firmo, Paulo Roberto de Almeida, Paulo Henrique Fontes Cadena, José Nivaldo Junior (também da APL), Thales Castro e Maria Vitória Claudino, além dos próprios organizadores.




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