Receita Federal publica editais para negociação de débitos tributários; prazo para adesões vai até 30/10
18/07/2026
O Edital 9 é voltado para pessoas físicas e jurídicas que tenham contraído dívidas de até R$ 50 milhões, enquanto o Edital 10 se destina a débitos em contencioso administrativo ou pendentes de impugnação que não ultrapassem 60 salários mínimos (R$ 97,2 mil).
O que diz cada edital
De acordo com a Receita, o Edital 9 prevê descontos de até 65% do valor total da dívida e até 70% em casos específicos.
O Edital 10, por sua vez, estabelece descontos progressivos: 50% para pagamentos em até 12 parcelas; 40% em até 24 parcelas; 35% em até 36 parcelas; e 30% em até 55 prestações. Nas duas modalidades, os valores máximos das dívidas negociadas são limitados a cada contencioso adm...
O Edital 9 é voltado para pessoas físicas e jurídicas que tenham contraído dívidas de até R$ 50 milhões, enquanto o Edital 10 se destina a débitos em contencioso administrativo ou pendentes de impugnação que não ultrapassem 60 salários mínimos (R$ 97,2 mil).
O que diz cada edital
De acordo com a Receita, o Edital 9 prevê descontos de até 65% do valor total da dívida e até 70% em casos específicos.
O Edital 10, por sua vez, estabelece descontos progressivos: 50% para pagamentos em até 12 parcelas; 40% em até 24 parcelas; 35% em até 36 parcelas; e 30% em até 55 prestações. Nas duas modalidades, os valores máximos das dívidas negociadas são limitados a cada contencioso administrativo.
Regras para adesão
Na prática, a Receita não estabelece um montante mínimo para a adesão às modalidades de negociação, mas fixa um valor mínimo para cada prestação.
O Edital 9 fixa essa parcela em R$ 200 para pessoa física e em R$ 300 para pessoa jurídica. E o Edital 10 determina que o valor mínimo de cada prestação seja de R$ 200.
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Ensaio resposta ao artigo de Tognozzi — Se todos roubam, ninguém rouba, e não é assim, por Jorge Henrique de Freitas Pinho*
18/07/2026
Quando a culpa é repartida entre todos, os verdadeiros responsáveis recebem a absolvição sem julgamento. Li com atenção o artigo "Roubar", de Marcelo S. Tognozzi. A crônica é bem construída, espirituosa e habilidosa no uso da linguagem. Ao conjugar o verbo roubar em suas múltiplas transitividades, o autor percorre a pequena fraude, o golpe digital, o crédito predatório, as apostas, a corrupção política, a grilagem, a venda de decisões judiciais e, finalmente, as eleições. Aparentemente, trata-se de uma denúncia abrangente da degradação brasileira. Todavia, a amplitude esconde uma deficiência essencial: quanto mais o verbo se expande, mais desaparecem os sujeitos concretos da história.
Todos roubam. Rouba o punguista, rouba o banqueiro, rouba o político, rouba o magistrado, rouba o advogado, rouba o Estado e, de alguma forma, rouba também o eleitor. O Brasil inteiro passa a ser representado como uma feira permanente de malandros à...
I. O álibi coletivo
Quando a culpa é repartida entre todos, os verdadeiros responsáveis recebem a absolvição sem julgamento. Li com atenção o artigo "Roubar", de Marcelo S. Tognozzi. A crônica é bem construída, espirituosa e habilidosa no uso da linguagem. Ao conjugar o verbo roubar em suas múltiplas transitividades, o autor percorre a pequena fraude, o golpe digital, o crédito predatório, as apostas, a corrupção política, a grilagem, a venda de decisões judiciais e, finalmente, as eleições. Aparentemente, trata-se de uma denúncia abrangente da degradação brasileira. Todavia, a amplitude esconde uma deficiência essencial: quanto mais o verbo se expande, mais desaparecem os sujeitos concretos da história.
Todos roubam. Rouba o punguista, rouba o banqueiro, rouba o político, rouba o magistrado, rouba o advogado, rouba o Estado e, de alguma forma, rouba também o eleitor. O Brasil inteiro passa a ser representado como uma feira permanente de malandros à procura de otários. A imagem é sedutora porque contém uma parcela de verdade. A disposição humana para o abuso, a fraude e a apropriação do que pertence ao outro não nasceu com nenhum partido.
A linha entre o bem e o mal não separa apenas governos, classes sociais ou ideologias; atravessa também o coração de cada indivíduo. Entretanto, uma verdade antropológica não pode ser utilizada para encobrir uma responsabilidade histórica. Quando todos são apresentados como igualmente culpados, ninguém precisa responder de maneira específica pelo poder que exerceu, pelas instituições que controlou, pelas escolhas que realizou e pelos resultados que produziu. É nesse ponto que a crônica deixa de ser apenas superficial e passa a funcionar, ainda que involuntariamente, como um poderoso álibi político.
II. O verbo e a névoa
A primeira camada do problema está na própria linguagem. O artigo reúne sob o verbo roubar fenômenos de naturezas muito diferentes. O ladrão que subtrai um telefone, o estelionatário que engana um idoso, o empresário que corrompe um agente público, o político que compra apoio parlamentar e a organização criminosa que controla territórios não realizam apenas versões quantitativamente distintas do mesmo comportamento.
Há entre eles diferenças de natureza, de escala e de poder. O pequeno criminoso viola a ordem. A corrupção institucional utiliza a própria ordem para cometer a violação. A facção criminosa vai ainda mais longe: pretende substituir parcialmente a ordem existente por outra, fundada na violência, no medo e na obediência clandestina.
Misturar todas essas realidades numa única sucessão de imagens produz um efeito curioso. A indignação aumenta, mas a compreensão diminui. O leitor termina convencido de que o país está corrompido, porém permanece sem saber quem corrompeu o quê, durante qual período, por quais instrumentos e sob a responsabilidade de quem. O sujeito oculto, que no início era apenas um recurso gramatical, converte-se no principal expediente político do texto. Roubaram. Desviaram. Venderam sentenças. Destruíram as escolhas. Mas quem o fez? A corrupção não é um fenômeno meteorológico. Ela não cai sobre a sociedade como a chuva. Possui agentes, beneficiários, estruturas, cúmplices, métodos e momentos históricos. A história não é escrita apenas por tendências abstratas. Ela possui sujeitos.
III. A história não começou com o PT, mas também não passou ao seu lado
Seria intelectualmente desonesto afirmar que o Partido dos Trabalhadores inventou o patrimonialismo brasileiro, a corrupção política ou o clientelismo. Essas deformações são anteriores à República e atravessaram governos, partidos e regimes. Também seria falso atribuir ao governo federal todos os fracassos da segurança pública. As polícias civis e militares, assim como a maior parte dos estabelecimentos penitenciários, encontram-se sob responsabilidade dos estados. Governadores do PSDB, do MDB, do antigo PFL e de diversas outras legendas tiveram participação direta na construção do desastre. Todavia, reconhecer essa antecedência histórica e essa pluralidade de responsabilidades não significa apagar a posição singular ocupada pelo PT.
O partido chegou ao poder prometendo uma transformação ética. Apresentava-se não apenas como mais uma alternativa administrativa, mas como uma ruptura moral com as práticas tradicionais da política brasileira. Não dizia que administraria melhor o velho sistema; afirmava que o substituiria por uma nova forma de relação entre o Estado e a sociedade. Essa promessa tornou ainda maior a responsabilidade decorrente de seu prolongado exercício do poder.
O mensalão não foi apenas mais um episódio de apropriação individual. O Ministério Público Federal descreveu a existência de núcleos político, publicitário e financeiro relacionados à compra de apoio parlamentar. O Supremo Tribunal Federal, após 53 sessões, condenou 25 pessoas na Ação Penal 470 (mais conhecida como AP do Mensalão). Anos depois, as investigações sobre a Petrobras revelaram mecanismos de corrupção envolvendo agentes públicos, dirigentes empresariais, contratos e distribuição clandestina de recursos. A própria estatal reconheceu-se como vítima e registrou valores bilionários relacionados a ressarcimentos e condenações (no caso que ficou chamado de Petrolão e também de escândalo da Lava Jato)
Pode-se discutir, com absoluta legitimidade, os abusos cometidos por investigadores, procuradores e magistrados. Pode-se reconhecer a parcialidade posteriormente declarada em determinados processos e a anulação de condenações por incompetência do juízo. O respeito ao devido processo legal não é favor concedido ao acusado, mas fundamento da civilização jurídica. Não obstante, os desvios processuais não convertem em fantasia todos os fatos descobertos, nem apagam as condenações, confissões, acordos, devoluções de recursos e provas produzidas em diferentes processos. A segunda volta da espiral conduz, portanto, a uma conclusão mais precisa: o PT não criou os vícios brasileiros, mas governou durante tempo suficiente para ser julgado não apenas por aquilo que encontrou, como também por aquilo que preservou, ampliou ou incorporou ao seu método de poder. Não se trata de culpa exclusiva. Trata-se de responsabilidade central.
IV. Quando o crime deixa de apenas roubar e começa a governar
Há, porém, uma dimensão da degradação brasileira ainda mais grave do que a corrupção tradicional. Nas últimas décadas, o país assistiu à transformação de organizações prisionais em poderes econômicos, territoriais e transnacionais. O Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) existiam antes da chegada do PT à Presidência. A expansão inicial do PCC para fora de São Paulo começou ainda na década de 1990, inclusive como consequência da transferência de presos promovida pelas autoridades paulistas.
A partir de meados dos anos 2000, contudo, intensificou-se o deslocamento de integrantes das redes criminosas do Sudeste para outras regiões, e, em 2010, pesquisadores já identificavam um projeto planejado de expansão em direção ao Paraguai. O Comando Vermelho, por sua vez, estabeleceu conexões e lealdades em vários estados, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. A Secretaria Nacional de Políticas Penais identificou, em seu mapa das organizações criminosas, pelo menos 88 grupos que afetam o sistema prisional brasileiro. O que antes poderia ser descrito como criminalidade regional converteu-se numa vasta rede de facções nacionais e locais.
A mudança não foi apenas quantitativa. O criminoso tradicional pretende furtar bens ou obter lucro ilícito. A facção contemporânea pretende controlar mercados, bairros, comunidades, rotas, prisões e agentes públicos. Determina quem pode circular, trabalhar, vender, construir, utilizar serviços ou permanecer num território.
Ela não se limita a violar a soberania do Estado: exerce uma soberania concorrente. O artigo de Tognozzi descreve inúmeras artes de roubar, mas não percebe suficientemente a transformação mais importante ocorrida diante de nós: o crime brasileiro deixou de ser apenas uma atividade clandestina praticada dentro da sociedade e passou a construir uma sociedade clandestina dentro do próprio Estado.
Essa transformação ocorreu durante o período em que o PT exerceu a hegemonia política nacional. Não decorre daí a conclusão pueril de que o PT criou as facções. Tampouco significa que cada crime cometido pelo PCC ou pelo Comando Vermelho deva ser atribuído ao governo federal. Significa algo mais sério: durante a maior parte do período em que essas organizações se nacionalizaram, internacionalizaram suas rotas, infiltraram a economia formal e conquistaram territórios, o comando político da União esteve nas mãos de governos petistas.
A União possui a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, os mecanismos de inteligência nacional, o controle das fronteiras, a cooperação internacional, os instrumentos de combate à lavagem de dinheiro e a capacidade de coordenar os estados. Quando o crime atravessa fronteiras estaduais, alcança outros países, movimenta bilhões e penetra empresas, bancos, postos de combustível e transportes públicos, já não se pode tratá-lo como simples problema dos governadores. Não foi coincidência meteorológica. Foi um processo histórico ocorrido sob a responsabilidade de quem governava.
V. O diálogo que nunca foi esclarecido
Nesse ponto, a análise alcança sua camada mais delicada. Não há, nas fontes públicas examinadas, prova conclusiva de um pacto formal entre a direção nacional do PT e as principais facções criminosas. Afirmá-lo como fato consumado seria substituir investigação por propaganda. Todavia, também não é intelectualmente honesto fingir que não existem sinais, episódios e aproximações que mereçam esclarecimento. Em interceptação telefônica realizada pela Polícia Federal na Operação Cravada, um integrante do PCC afirmou que a organização mantinha com o PT um "diálogo cabuloso". Ao examinar posteriormente a utilização eleitoral do episódio, o Tribunal Superior Eleitoral reconheceu que a interceptação era real e a gravação autêntica, sem, contudo, emitir juízo sobre a veracidade da afirmação nela contida.
Na mesma época, o promotor Lincoln Gakiya declarou não haver indícios de negociação entre o partido e a facção e observou que o interlocutor não pertencia à sua cúpula. Essas ressalvas impedem que a gravação seja transformada em prova conclusiva de uma aliança institucional. Não eliminam, porém, as perguntas que ela produziu. Quem participava desse diálogo? Em que nível ocorria? Qual era seu conteúdo? Por que um integrante do PCC percebia o PT como interlocutor e a política de segurança adversária como obstáculo? Essas perguntas nunca foram respondidas de maneira satisfatória.
Em junho de 2026, o vereador paulistano Senival Moura, então filiado ao PT e no sexto mandato, foi preso na Operação Última Parada, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A investigação sustenta que ele controlava de maneira informal a empresa de ônibus Transunião, embora não integrasse oficialmente sua direção, e que a companhia teria sido instrumentalizada como estrutura financeira clandestina ligada ao PCC. Houve bloqueio judicial de R$ 194 milhões e de outros bens dos investigados, mas as imputações ainda estão submetidas ao contraditório e ao julgamento.
O episódio possui uma história anterior. Em 2014, o PT expulsou o irmão do vereador por relações atribuídas à facção, mas inocentou Senival no procedimento interno. Ele permaneceu no partido por mais doze anos, acumulando mandatos e influência política, até ser alcançado pela nova operação. Novamente, um caso individual não comprova uma relação institucional de toda a legenda com o crime organizado. Entretanto, quando os episódios se acumulam, a recusa em formular perguntas deixa de ser prudência e começa a parecer conveniência.
Uma relação subterrânea raramente se apresenta mediante contratos assinados entre presidentes partidários e chefes criminosos. Ela pode desenvolver-se por intermediários, diretórios locais, lideranças comunitárias, sindicatos, empresas, associações de familiares de presos, operadores eleitorais e redes econômicas. Pode haver proximidade sem comando central, conveniência sem pacto escrito e proteção indireta sem ordem expressa. O subterrâneo não é aquilo que sabemos existir sem provas. É aquilo cuja presença os sinais nos obrigam a investigar.
VI. Quando o cárcere revela suas preferências
A vitória de Lula em 2022 foi acompanhada por intensa circulação de vídeos atribuídos a comemorações dentro de presídios. Algumas dessas imagens eram antigas ou tiveram o áudio adulterado. Não há necessidade de apoiar uma reflexão séria em material cuja autenticidade possa ser contestada. O dado objetivo é mais eloquente do que os vídeos. Levantamentos jornalísticos realizados com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral e do Conselho Nacional de Justiça, a partir das seções eleitorais instaladas em unidades prisionais e socioeducativas, indicaram que Lula recebeu cerca de 80% dos votos válidos desse universo em 2022, enquanto Jair Bolsonaro obteve aproximadamente 14% a 16%. Os presos com condenação definitiva não votam; o eleitorado era constituído por presos provisórios e adolescentes internados, e somente uma pequena parcela dos que poderiam votar estava efetivamente habilitada.
Essas ressalvas são importantes. Nem todo preso provisório é culpado, nem todo eleitor de uma seção prisional pertence a facção criminosa. A preferência pode ser explicada por fatores sociais, rejeição ao discurso de Bolsonaro, identificação com políticas assistenciais, defesa dos direitos dos presos ou expectativa de tratamento penal menos severo. Todavia, depois de reconhecidas todas essas possibilidades, a desproporção permanece, e ela não pode ser tratada como ruído estatístico. Isoladamente, o resultado nada demonstra sobre relações entre partido e organizações criminosas.
Revela, contudo, uma preferência eleitoral extraordinariamente concentrada num ambiente diretamente submetido às políticas penal e penitenciária. O dado não autoriza uma sentença, mas tampouco precisa ser descartado como irrelevante. Reunido a episódios de outra natureza, ele ajuda a compreender como distintos grupos percebem, a partir de seus próprios interesses e expectativas, os campos políticos em disputa.
VII. Terroristas para o povo, mas não para o direito
O ponto seguinte completa a espiral. Em 28 de maio de 2026, os Estados Unidos designaram o PCC e o Comando Vermelho como Terroristas Globais Especialmente Designados e anunciaram que sua classificação como Organizações Terroristas Estrangeiras entraria em vigor em 5 de junho. O Departamento de Estado justificou a medida pela violência, pela dimensão das organizações e pelos ataques praticados contra policiais, autoridades e civis. O governo Lula reagiu de maneira enfática. Alegou risco à soberania brasileira, possibilidade de interferência estrangeira, prejuízos às relações policiais e efeitos econômicos sobre empresas que, até involuntariamente, mantivessem contato com cadeias infiltradas pelas facções. Esses receios não são imaginários. A classificação norte-americana amplia sanções, responsabilidades e possibilidades de intervenção jurídica extraterritorial.
Lula afirmou, contudo, que PCC e Comando Vermelho são terroristas para as comunidades, para a sociedade e para o povo das periferias. Reconheceu, portanto, a realidade material do terror, mas recusou sua correspondente classificação internacional. A contradição é reveladora. São terroristas quando se descreve o sofrimento do cidadão, mas deixam de sê-lo quando o conceito produz consequências sobre suas finanças, suas redes empresariais e suas relações internacionais.
Pode-se sustentar juridicamente que o terrorismo exige motivação política, ideológica, religiosa, racial ou étnica, enquanto as facções buscam prioritariamente o lucro. Essa é uma discussão legítima, mas insuficiente para explicar sozinha a intensidade da reação oficial. Se a distinção jurídica bastasse, seria razoável esperar reação de vigor equivalente contra o próprio domínio territorial que essas organizações já exercem dentro do país. Não foi isso, contudo, que se observou.
Uma organização que controla territórios, intimida populações, paralisa cidades, assassina agentes públicos, impõe normas, infiltra instituições e desafia a soberania estatal já ultrapassou a criminalidade econômica comum. O lucro pode ter sido sua origem. O poder tornou-se sua natureza. Também seria injusto omitir que Lula sancionou, em 24 de março de 2026, o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, instituído pela Lei nº 15.358, denominada Lei Raul Jungmann, que tipificou os crimes de domínio social estruturado e de favorecimento ao domínio social estruturado, agravou penas e fortaleceu instrumentos de enfrentamento patrimonial às
organizações criminosas.
Esse dado impede a caricatura segundo a qual o governo nada faz contra as facções. Entretanto, não elimina a pergunta sobre por que a reação política contra a classificação como terroristas pareceu, em certos momentos, mais vigorosa do que a indignação acumulada contra o próprio domínio territorial exercido por elas. O Brasil não precisa aceitar passivamente a definição imposta por Washington. Pode defender sua soberania e rejeitar intervenções estrangeiras. Mas deveria construir internamente um regime jurídico que produzisse efeitos equivalentes de isolamento financeiro, confisco, inteligência e cooperação internacional. Soberania não significa proteger as facções contra o estrangeiro. Significa demonstrar que somos capazes de derrotá-las por nossas próprias instituições.
VIII. Coincidência, causalidade e convergência
Chegamos, então, ao ponto em que os extremos precisam ser superados. De um lado, seria simplório afirmar que o PT criou o PCC, o Comando Vermelho ou todas as facções brasileiras. Elas possuem origens anteriores, cresceram por múltiplas causas e foram favorecidas por erros de governos estaduais de diferentes partidos, pelo encarceramento desordenado, pela corrupção policial, pelo abandono das fronteiras e pela enorme lucratividade do tráfico internacional. De outro lado, seria igualmente ingênuo tratar como simples coincidência o fato de que essas organizações tenham se nacionalizado, enriquecido e penetrado profundamente na economia e nos territórios durante o longo período de hegemonia petista, sem que o fenômeno tenha sido contido.
Entre a acusação total e a absolvição total existe o dever da inteligência. A hipótese que merece ser examinada não é necessariamente a de uma aliança formal e centralizada. Pode ser uma ecologia de convergências. De um lado, ambientes criminosos percebem vantagem em governos menos comprometidos com o endurecimento penal, mais receptivos ao discurso de organizações ligadas ao sistema penitenciário e resistentes a determinadas formas de classificação e repressão. De outro, em territórios nos quais as facções controlam a circulação, o comércio, os serviços e parte das relações comunitárias, a própria atividade política passa a conviver com redes informais de poder. Essa convivência cria incentivos à acomodação, à mediação indireta e ao silêncio, cuja extensão raramente se torna visível e precisa ser investigada. Isso não significa que a defesa dos direitos humanos favoreça necessariamente o crime. Ao contrário, um Estado civilizado deve proteger a dignidade do preso e, ao mesmo tempo, impedir que ele comande assassinatos, extorsões e mercados ilícitos de dentro da cela.
Garantir direitos não exige entregar os presídios às facções. Combater abusos policiais não exige abandonar a polícia. Reconhecer causas sociais da criminalidade não exige negar a responsabilidade moral do criminoso. A falsa escolha entre direitos humanos e segurança pública foi uma das grandes fraudes intelectuais do debate brasileiro. Um Estado verdadeiramente humano é aquele que protege, antes de tudo, o cidadão honesto, especialmente o pobre, que não possui segurança privada, condomínio fechado nem possibilidade de mudar de bairro. É precisamente nas periferias que o discurso abstrato da tolerância encontra as consequências concretas do medo.
IX. O retorno ao verbo
Ao final da espiral, retornamos ao artigo e ao verbo que lhe dá forma. Sim, rouba-se muito no Brasil: rouba-se o telefone, a aposentadoria, o voto, o imposto, o contrato público e até a sentença. Há, contudo, uma modalidade mais sutil e politicamente mais eficaz de roubo, porque não subtrai apenas bens, direitos ou recursos, mas procura apagar os próprios autores da história: o roubo da responsabilidade. Ele ocorre quando a história é transformada numa sucessão de fatalidades sem autores; quando governos passam a ser apenas espectadores do país que governaram; quando partidos que ocuparam o poder durante décadas apresentam-se como comentaristas das ruínas; e quando a culpa é distribuída por toda a sociedade para que ninguém possa cobrá-la daqueles que possuíam autoridade para agir.
A afirmação de que todos roubam pode parecer radicalmente acusatória. Na realidade, é profundamente absolvitória. Se todos participaram igualmente, desaparecem as diferenças entre o ladrão ocasional e o sistema organizado, entre quem sofreu os efeitos do poder e quem controlou o poder, entre quem herdou um problema e quem teve décadas para enfrentá-lo. A corrupção brasileira não possui uma única origem. A expansão das facções também não possui uma causa exclusiva. Contudo, nenhum exame sério da degradação nacional pode ignorar que o PT comandou o Estado brasileiro durante a maior parte do período em que essas deformações alcançaram nova escala.
Não se pretende atribuir ao PT a responsabilidade por todos os males nacionais, mas exigir que responda pela parcela que efetivamente lhe pertence: pelas promessas que abandonou, pelos vícios que recebeu e não corrigiu, pelos problemas que encontrou ainda limitados e permitiu que se expandissem, pelos sistemas de corrupção revelados durante seus governos, pela incapacidade de conter a transformação das facções em poderes paralelos e pelas zonas de proximidade, diálogo e convergência que permanecem sem esclarecimento satisfatório.
O maior problema do artigo de Tognozzi não está propriamente no que afirma, mas naquilo que sua generalização termina por esconder. O Brasil não precisa apenas aprender a conjugar o verbo roubar; precisa reaprender a conjugar o verbo governar. E quem exerceu o poder durante tanto tempo não pode refugiar-se indefinidamente na terceira pessoa, como se nada tivesse visto, nada pudesse ter feito e nenhuma responsabilidade lhe coubesse.
A degradação nacional possui raízes antigas, muitos cúmplices e diferentes agentes. Todavia, a história não é uma oração sem sujeito: retirar o sujeito da frase não elimina a responsabilidade, apenas procura ocultá-la.
*Jorge Henrique de Freitas Pinho é advogado e ensaísta.
NR - O título foi mudado e as referências bibliográficas retiradas para adequação do texto ao padrão editorial de O Poder.
NR 2- O Poder estimula o livre debate de ideias e acolhe pensamentos divergentes da sua linha editorial. Pessoas e instituições citadas têm assegurado espaço para suas manifestações. Os textos assinados expressam a opinião dos autores.

As aventuras de Cacimba 50 — A linha do horizonte (mistério e assombração), por Zé da Flauta*
18/07/2026
Simão, esbanjando a pose de um cientista, botou os óculos na ponta do nariz e tentava medir as coordenadas com um compasso enferrujado, quase caindo nos buracos de tatu a cada passo.
Já Sebastião, cujo medo de assombração era três vezes maior que o corpo, cismou que cada estalo de galho seco era a alma penada do dono do ouro, vindo cobrar a dívida. Bastava o vento balançar uma folha para o macaquinho dar um guincho e pular direto na cabeça de Cacimba, tapando os olhos do velho com as patinhas trêmulas e quase fazendo o mestre estabacar no chão.
Cacimba guiava o grupo com passos calmos, rindo do aperreio da macacada enquanto...
O mistério começou quando Cacimba comprou uma cabaça velha por dois tostões na feira, jurando que dentro dela havia o mapa de uma botija de ouro enterrada nos arredores de Carnaúba Seca. A expedição partiu na manhã seguinte rumo ao Angico Torto, mas a caça ao tesouro logo virou uma comédia de erros no meio da caatinga.
Simão, esbanjando a pose de um cientista, botou os óculos na ponta do nariz e tentava medir as coordenadas com um compasso enferrujado, quase caindo nos buracos de tatu a cada passo.
Já Sebastião, cujo medo de assombração era três vezes maior que o corpo, cismou que cada estalo de galho seco era a alma penada do dono do ouro, vindo cobrar a dívida. Bastava o vento balançar uma folha para o macaquinho dar um guincho e pular direto na cabeça de Cacimba, tapando os olhos do velho com as patinhas trêmulas e quase fazendo o mestre estabacar no chão.
Cacimba guiava o grupo com passos calmos, rindo do aperreio da macacada enquanto abria caminho entre os xique-xiques. Quando pararam para descansar sob a sombra de um juazeiro, Simão ainda girava o compasso no papel amassado, tentando achar a lógica da riqueza fácil.
O velho olhou para o horizonte esturricado e soltou sua sabedoria mansa: "Estão vendo essa linha onde o chão toca o céu? A gente corre atrás dela achando que vai alcançar o fim do mundo, mas ela só serve para fazer a gente andar.

A ganância faz o homem cavar a terra atrás de ouro falso, esquecendo que o verdadeiro mapa da vida não serve para achar onde a riqueza tá escondida, mas para ensinar o caminho que a gente trilha com os amigos."
A busca terminou no final da tarde, num grotão de pedra onde o mapa indicava o X vermelho. Simão apontou o compasso e Sebastião, engolindo o choro de pavor, escondeu-se atrás da perna de Cacimba.
Em vez de um baú de moedas, o que o velho encontrou após afastar uns garranchos foi uma antiga cacimba de pedra, soterrada pelo tempo, mas que ainda guardava no fundo um espelho de água cristalina e fresca.
Cacimba ajoelhou-se, lavou o rosto crestado pelo sol e deu de beber aos dois bichos. A emoção tomou conta do silêncio do sertão: ver a água brotar pura no meio da seca valia mais do que qualquer barra de ouro, e até Sebastião, esquecendo as almas penadas, bateu palminhas e bebeu a água nas conchas das mãos, com os olhinhos brilhando de gratidão.
Com a noite caindo e as estrelas pintando o céu, o grupo pegou o caminho de volta para a vila. Cacimba ajeitou o chapéu de couro na cabeça e deixou a última reflexão para os seus companheiros de jornada:
"O povo passa a vida procurando botija de ouro para mudar de sina, sem perceber que o sertão já esconde suas maiores riquezas na simplicidade de uma fonte de água clara. O maior tesouro que a gente pode desenterrar não enche o bolso de ninguém, mas mata a sede da alma e faz a gente voltar para casa mais rico de paz."

Simão guardou o compasso na caderneta e Sebastião veio o caminho todo cochilando no ombro do mestre, certos de que a caçada tinha sido o maior acerto do ano.
*Zé da Flauta é músico, compositor, filósofo e escritor.

Prédios ícones de Pernambuco 2 — Faculdade de Medicina do Recife, por Luiz de Gonzaga Barreto*
18/07/2026
A primeira turma
Formada por 15 alunos, iniciaram suas atividades em um edifício no qual funcionava também a Escola de Farmácia, situado na rua do Sebo, depois chamada de rua Barão de São Borja, na Boa Vista.
Construção de uma sede
A ideia do Dr. Octavio de Freitas era construir uma sede própria para a sua Faculdade, como ele dizia. Nesse sentido, conseguiu com o governador Sergio Loreto a doação de um terreno no Derby para a sede da instituição. Nesse local existia, em ruínas, o antigo Hotel Inter...
A Faculdade de Medicina do Recife foi criada formalmente em 5 de abril de 1915 quando da realização da primeira reunião da sua congregação, composta por um grupo de médicos liderados pelo Dr. Octavio de Freitas. No entanto, somente começou a funcionar em 16 de julho de 1920, com a Aula Magna proferida pelo Dr. Octávio de Freitas, na condição de catedrático da cadeira de História Natural Médica e diretor da instituição.
A primeira turma
Formada por 15 alunos, iniciaram suas atividades em um edifício no qual funcionava também a Escola de Farmácia, situado na rua do Sebo, depois chamada de rua Barão de São Borja, na Boa Vista.
Construção de uma sede
A ideia do Dr. Octavio de Freitas era construir uma sede própria para a sua Faculdade, como ele dizia. Nesse sentido, conseguiu com o governador Sergio Loreto a doação de um terreno no Derby para a sede da instituição. Nesse local existia, em ruínas, o antigo Hotel Internacional, que pertenceu ao industrial Delmiro Gouveia.
O projeto do prédio foi desenvolvido pelo arquiteto greco-italiano Giacomo Palumbo, que teve uma ampla atuação no Recife, com vários outros trabalhos como o Tribunal de Justiça de Pernambuco e o edifício do Hospital do Centenário, entre outros.
O prédio é uma construção em estilo neoclássico, com ambientes para salas de aulas, laboratórios, biblioteca, salão nobre e áreas administrativas para diretoria e secretarias, em dois andares. A obra foi desenvolvida pela firma J. Brandão & Magalhães.
A pedra fundamental
Foi lançada em 20 de maio de 1925, com a participação de muitas autoridades, entre elas o governador do Estado, o secretário de saúde, o diretor da faculdade, professores, autoridades, alunos e convidados. Houve, inclusive, a solenidade de encerramento com uma urna especial dos discursos proferidos, jornais do dia, diversas moedas correntes no país, sendo a urna colocada em depósito de concreto no solo e fechado com a primeira pedra do edifício.
As despesas com a construção desse prédio foram custeadas com recursos dos professores, doações públicas e privadas e com empréstimos contraídos pela faculdade.
O corpo docente
Foi composto por 31 médicos com o título de Catedrático, escolhidos pelo notório saber em sua área de atuação. Naquele ano de 1925, em 24 de dezembro, houve a formatura da primeira turma do curso de Medicina, colando grau seis médicos.
Inauguração do prédio
Aconteceu em 21 de abril de 1927, pelas 13 horas, como registrou o Dr. Octavio de Freitas, completamente mobiliado, os seus laboratórios com farto material importados da Europa e do Rio de Janeiro.
Desta solenidade participaram autoridades civis, militares e eclesiásticas, diretores de outras faculdades, professores e estudantes, sendo esta reunião presidida pelo governador do Estado, que em seguida concedeu a palavra ao Dr. Octavio de Freitas que proferiu o seu discurso inaugural.
Após a inauguração houve a solenidade de colação de grau da turma de médicos que concluíram o curso em 1926.
Criação da Universidade do Recife
Em 1946 foi criada a Universidade Federal do Recife, com a participação das seguintes unidades de ensino: Faculdade de Direito do Recife, Escola de Engenharia, Faculdade de Medicina do Recife, Escola de Belas Artes e a Faculdade de Filosofia do Recife.
Posteriormente, foi criado o Campus Universitário, no bairro da Várzea, em 1947, sendo ali construída a primeira unidade de ensino, a Faculdade de Medicina, inaugurada pelo presidente da República Juscelino Kubitschek. Em 1958, o curso de Medicina foi transferido do Derby para a Cidade Universitária, hoje designado Campus Joaquim Amazonas.

Destino do prédio
Transferida a Faculdade de Medicina para o campus, o prédio do Derby foi cedido ao recém-criado Colégio Militar do Recife, que ali funcionou entre 1960 e 1979.
Em 1980, em convênio assinado entre a Universidade Federal de Pernambuco e a Academia Pernambucana de Medicina, o prédio da antiga Faculdade de Medicina do Recife foi cedido à Academia, passando essa a funcionar naquele edifício.
Posteriormente, outras instituições culturais foram ali agregadas: Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, Associação dos Ex-alunos da Faculdade de Medicina do Recife, Instituto de Pesquisas e Estudos da Terceira Idade, Instituto Pernambucano de História da Medicina e Museu da Medicina e Academia de Artes e Letras de Pernambuco.
Legado da Faculdade de Medicina
Se em 1925, na primeira turma foram diplomados seis médicos, presentemente, a Faculdade de Medicina já formou mais de vinte e cinco mil médicos, que desenvolvem suas atividades profissionais em todo o país, principalmente no Nordeste.
Hoje o prédio da antiga Faculdade, que é tombado como patrimônio do estado de Pernambuco, está abandonado, depois de um sinistro ocorrido em 26 de abril de 2024, por irresponsabilidade do proprietário do imóvel.
*Luiz de Gonzaga Braga Barreto, médico, é do Instituto Pernambucano de História da Medicina, da Academia Pernambucana de Medicina, da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, do Instituto Arqueológicos Histórico e Geográfico Pernambucano-IAHGP, e da Academia de Artes e Letras de Pernambuco.
Modelo de bons serviços e amor fraterno, Instituto São Vicente de Paulo completa 90 anos de atuação em Campina Grande
18/07/2026
Uma semente plantada há 90 anos que germinou e deu frutos. Virou uma árvore frondosa, um trabalho que começou simples e se transformou em um modelo de serviço e doação em favor dos pobres. Inspirado nos ideais de São Vicente de Paulo, um homem que nasceu em Pouy, na França no longínquo 1581, e que fundou em 1633 a “Companhia das Filhas da Caridade”, essa semente brotou no solo de Campina Grande.
Mais que um ato de servir e se doar, gastando-se em favor do semelhante, a obra de São Vicente fez florescer a mensagem do amor em sua plenitude, exalando o agradável perfume da alegria, conforme o maior dos mandamentos ensinado por Jesus Cristo. Edificado às margens do açude velho, o Instituto São Vicente de Paulo completa este ano, 90 anos de presença em Campina Grande.
São nove décadas de serviço aos pobres, atuando preferencialmente, em favor dos idosos e crianças. Atualmente a casa abriga 74 idosos e dá assistência...
Por Severino Lopes*
Uma semente plantada há 90 anos que germinou e deu frutos. Virou uma árvore frondosa, um trabalho que começou simples e se transformou em um modelo de serviço e doação em favor dos pobres. Inspirado nos ideais de São Vicente de Paulo, um homem que nasceu em Pouy, na França no longínquo 1581, e que fundou em 1633 a “Companhia das Filhas da Caridade”, essa semente brotou no solo de Campina Grande.
Mais que um ato de servir e se doar, gastando-se em favor do semelhante, a obra de São Vicente fez florescer a mensagem do amor em sua plenitude, exalando o agradável perfume da alegria, conforme o maior dos mandamentos ensinado por Jesus Cristo. Edificado às margens do açude velho, o Instituto São Vicente de Paulo completa este ano, 90 anos de presença em Campina Grande.
São nove décadas de serviço aos pobres, atuando preferencialmente, em favor dos idosos e crianças. Atualmente a casa abriga 74 idosos e dá assistência educacional a mais de 600 crianças que estudam no ensino fundamental do primeiro ao quinto ano.

Programação especial
Para marcar a data, as Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, hoje constituídas por sete Freiras, sendo elas, as Irmãs, Bernadete, Joilma, Daiana, Ester, Luciene, Ericleid e Rosário, elaboraram uma programação especial. O Jubileu conta com uma semana de atividades com músicas, orações, homenagens e quermesses, culminando com a Missa Solene — a ser presidida pelo bispo diocesano Dom Dulcênio Fontes de Matos, no dia 14 de agosto.
Como gesto concreto para marcar o ano do Jubileu, as Irmãs pretendem restaurar o telhado da Instituição de Longa Permanência para Idoso que se encontra com a estrutura comprometida e gasta pela ação do tempo. Para isso, lançaram uma campanha que tem como ponto alto o sorteio de uma moto. Todo valor arrecadado será destinado para a reforma do telhado. As Irmãs têm aproveitado as semanas que antecedem as festividades para pedir à comunidade que ajude adquirindo a rifa. O valor é simbólico, mas o gesto garantirá mais dignidade aos idosos assistidos pela instituição.
“O povo de Campina Grande tem sempre um grande coração e contribui. Temos muitos benfeitores. Eu digo sempre que essa obra é de Deus, e por isso está em pé e já dura tantos anos” disse a irmã Daiana Bruna Nunes de Araújo Duarte.
74 idosos
Atualmente a instituição está em sua capacidade máxima abrigando 74 idosos, sendo desse total 45 mulheres e 29 homens. Alguns deles sem aposentadoria que dependem exclusivamente de doações dos benfeitores, como alimentos e produtos de limpeza e higiene. O cuidado é integral e envolve desde o zelo como a preocupação com a saúde e o bem estar dos idosos.
“É um trabalho amplo. É garantir saúde, alimentação, atenção, escuta e, acima de tudo, presenças. É um compromisso contínuo com a dignidade de quem já viveu tantas histórias. Por trás de cada rotina existe uma equipe dedicada, e uma missão que não para todos os dias, sem exceção” destacou a Irmã Daiana.

A assistência
A irmã Joilma Azevêdo, uma das responsáveis por cuidar de todos eles e elas, a assistência aos idosos é mantida graças à ajuda da população, que se solidariza e realiza doações periódicas ao instituto. Irmã Joilma lembra que a partir do momento que a família, um vizinho ou até mesmo uma determinação judicial coloca algum idoso na responsabilidade da instituição, o Instituto assume a obrigação de dar o melhor para cuidar deles.
“Só conseguimos fazer isso porque graças a Deus contamos com pessoas que sempre nos ajudam fazendo doações. Por mais simples que elas sejam, vão ter sempre uma utilidade muito importante para nós”, disse ela.
A irmã Joilma reforça que os gestos de doação, permitem que os idosos enfrentem a velhice com mais conforto. A instituição conta com uma equipe de cuidadores, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, médicos, fisioterapeutas e psicólogos que prestam serviços voluntários para atender os idosos. Mesmo com todos esses cuidados, a irmã destaca a importância de familiares e desconhecidos reservarem parte do seu tempo para dar um pouco de atenção a eles.
Irmã Bernadete
Entre tantas histórias que brotam em São Vicente de Paulo, se encontra a da Irmã Bernadete Rodrigues. Testemunha ocular do seu tempo, há mais de 50 anos, ela vive e respira no instituto, se doando em favor dos idosos. Sempre lutou para garantir o melhor para todos. Um tratamento digno. Este ano, completou 60 anos de vida religiosa dedicada aos pobres. Teve uma bela celebração. E recebeu flores das mãos de algumas idosas, simbolizando as tantas pétalas que ela já doou aos mais carentes.
A irmã Bernadete Rodrigues, natural de Afogados da Ingazeira (PE) é outra religiosa que se destaca. Ela estudou artes industriais e também cursou teologia. Há mais de meio século é a responsável pelo Instituto São Vicente de Paulo, atuando como diretora há mais de duas décadas. O olhar sereno, os passos lentos, traduzem toda uma vida de doação. As decisões são sempre firmes em favor do bem das pessoas assistidas pelo instituto. Se amar é servir, ela é um dos modelos dessa virtude.
O espaço da Gameleira é o preferido dos idosos. Praticamente todos os dias eles frequentam o local. Aos domingos, permanecem por mais tempo. Sentados nos bancos ou nas cadeiras de roda, com olhos atentos, ficam no local durante horas. Nem percebem o tempo passar. Nas manhãs de domingo, a emissora de rádio toca músicas de Roberto Carlos. O programa do “rei” em uma emissora da cidade, é imperdível. Faz aflorar memórias perdidas no tempo. Lembranças de um passado que não volta mais.

As muitas histórias
Alguns estão acompanhados de visitas que trocam conversas. Muitas histórias. Outros estão sozinhos em silêncio. Apenas olhando o tempo e contemplando o que passa em sua volta. Até se arriscam a puxar conversa com as visitas. Mas as vezes interagem pouco.
Construído para abrigar e melhorar a qualidade do acolhimento aos idosos atendidos pela instituição, o Espaço Gameleira é o local onde aos domingos, alguns idosos cortam o cabelo, enquanto os fiéis chegam para a Missa das 10h30, celebrada na Capela próxima.
Nos corredores da Instituição de Longa Permanência para Idoso, a rotina é a mesma todos os dias. Sempre bem tratados. O zelo e o cuidado das Irmãs, impressiona. O tratamento é digno. Mas apesar do aconchego das Irmãs, é visível a tristeza de alguns à espera de visita. Principalmente dos filhos e filhas. As rugas no rosto, os passos lentos, a voz mansa e calma, são marcas do tempo. Implacável. Sentado nas cadeiras de balanço, ou caminhando lentamente, alguns idosos olham para o alto como se estivessem parados no tempo. Os rostos se cruzam. Olhares distantes destoam os sorrisos nos lábios e revelam uma melancolia escondida.
A vida de Marleide
Marleide Rodrigues é uma delas. Ela já está no Instituto há quatro anos. Nasceu em Recife e veio para Campina Grande em 1984. Garante que é feliz na Instituição. O sorriso, apesar de tímido, expressa o sentimento de gratidão. José Soares da Silva é sempre sério. Conversa pouco. Mas nas poucas palavras que fala, lembra de seus familiares e da vida na juventude no bairro de Vila Cabral de Santa Terezinha.
Já o senhor José Barbosa da Silva, que durante anos morou no Monte Santo, gosta de conversar. Fala de música, de trabalho e de outros assuntos que a memória alcança. Está sempre no mesmo lugar todos os domingos.
A chegada em 1936
A história da chegada das Filhas da Caridade em Campina Grande e a construção do Instituto começou no dia 15 de agosto de 1936 quando dom Moisés Sizenando Coelho, Arcebispo da Paraíba, encarregou as religiosas que viessem assumir a sua direção. As Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo é uma congregação fundada em 1633 pelo padre francês, Vicente de Paulo, que dedicou sua vida às obras de caridade.
Naquele ano, quatro das Irmãs aqui chegaram, tendo à frente Irmã Galzy e Irmã Marta - francesas de origem - e também as Irmãs Ana Maria e Lucy, ambas brasileiras. Todas falecidas. Como não foi possível dispor de alojamento para as irmãs de caridade, dado a precariedade do prédio, elas foram recebidas pela direção da Casa de Caridade Padre Ibiapina, onde moravam algumas moças religiosas.
Prédio atual
Melhoradas as condições, as Irmãs passaram a residir no atual prédio, que na época contava com 20 idosos. Enxergando na educação o futuro de muitas crianças, as Irmãs fundaram em 1938 o Externato São José, dedicado à educação das crianças com baixa renda, uma escola que contava com o convênio da prefeitura e do governo estadual. E que atende ainda hoje 570 crianças.
Em 1940 foi fundada a Associação das Senhoras da Caridade (hoje Voluntárias da Caridade) que se juntaram às Irmãs para oferecer grande reforço na assistência aos idosos abandonados e aos demais trabalhos dessa obra. No início, era um grupo de mais de 60 senhoras da sociedade, que viram no trabalho, uma forma de amar. Somente em 1963, precisamente no dia 3 de fevereiro, a instituição passou a se chamar Instituto São Vicente de Paulo.
Idosos e crianças
Sob o mesmo teto abrigam-se crianças e anciãos, os dois extremos da vida humana, diversas nas suas aspirações e nas suas características, mas unidos na mesma forma de pessoa humana, carente e sofredora. A retribuição vem em cada sorriso nos rostos sofridos e gastos pela ação implacável do tempo.
Gestos de gratidão, transmitidos de forma natural e incontida, na simplicidade de que encontrou um refúgio para viver uma das mais delicadas etapas da vida onde o cuidado é indispensável. E onde o amor se materializa por meio de gestos concretos.
*Severino Lopes é editor regional de O Poder

Quem quer pedir autorização para voto em trânsito este ano precisa ficar alerta: prazo começa nesta segunda (20)
18/07/2026
E apesar de ter um tempo hábil para isso, é bom os interessados se adiantarem, porque o período vai até 20 de agosto sem direito a prorrogação, conforme informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Via autoatendimento ou no cartório
O pedido para voto em trânsito pode ser feito tanto por meio do autoatendimento eleitoral, disponível no site do TSE, ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral. Esse tipo de voto permite a transferência do cidadão para outro município, desde que seja capital ou cidade com mais de 100 mil eleitores.
Se o local informado estiver dentro do mesmo estado do domicílio eleitora...
As eleições estão mais próximas do que parecem. Por incrível que pareça, a partir da próxima segunda-feira (20/07) estará aberto o prazo para que eleitoras e eleitores que estiverem fora do domicílio eleitoral no dia do pleito possam solicitar a alteração temporária do local de votação para votar em trânsito.
E apesar de ter um tempo hábil para isso, é bom os interessados se adiantarem, porque o período vai até 20 de agosto sem direito a prorrogação, conforme informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Via autoatendimento ou no cartório
O pedido para voto em trânsito pode ser feito tanto por meio do autoatendimento eleitoral, disponível no site do TSE, ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral. Esse tipo de voto permite a transferência do cidadão para outro município, desde que seja capital ou cidade com mais de 100 mil eleitores.
Se o local informado estiver dentro do mesmo estado do domicílio eleitoral, a pessoa poderá votar para todos os cargos em disputa. Caso contrário, será habilitada votação somente para presidente da República.
Outros grupos
Além das pessoas em trânsito no território nacional, a legislação também prevê a possibilidade de transferência temporária do local de votação para outros grupos. Entre eles, estão pessoas presas provisoriamente, adolescentes em unidades de internação, militares e agentes de segurança pública que estiverem em serviço no dia das eleições, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.
Bem como indígenas, quilombolas, integrantes de comunidades tradicionais, residentes de assentamentos rurais, integrantes da Justiça Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral em serviço, além de pessoas em situação de rua.
Nos casos de presas e presos provisórios, adolescentes em unidades de internação, militares, agentes de segurança pública e integrantes da Justiça Eleitoral, a solicitação será feita pelos órgãos responsáveis, que deverão encaminhar os formulários ou as listagens com os nomes das eleitoras e eleitores aptos à habilitação.
Mesários e convocados
As pessoas que vão atuar diretamente na organização das eleições, também têm direito a solicitar a transferência temporária do local de votação, mas técnicos do TSE alertam que o prazo para fazer isso é outro.
Até 28 de agosto poderão habilitar-se para votar em seção ou local diverso daquele de origem as mesárias, mesários, pessoas convocadas para prestar apoio logístico e aquelas designadas para atuar nos testes de integridade das urnas eletrônicas.
Além de agentes penitenciários, policiais penais e servidores de estabelecimentos penais ou de unidades de internação de adolescentes custodiados, desde que estejam em serviço no dia da votação.
Direito para todos
A medida tem como objetivo garantir que todos possam exercer o direito ao voto mesmo quando estiverem desempenhando atividades indispensáveis à realização das eleições em local diferente daquele em que estão inscritos.
Vale lembrar, entretanto, que o voto em trânsito não pode ser solicitado para eleitores com domicílio eleitoral no Brasil que estiverem viajando para o exterior. Neste caso, os eleitores brasileiros que programam viagens mas querem exercer o direito à cidadania precisam organizar as agendas.
— Com informações do TSE
Gol histórico de Pelé feito em 1959 é recriado com inteligência artificial
18/07/2026
O projeto recriou o lendário lance e agora integra a coleção permanente do Museu Pelé, em Santos (SP). A iniciativa foi apresentada em vídeo divulgado pelo Google no qual foram reunidos historiadores, familiares, ex-jogadores, pesquisadores, cineastas e especialistas em inteligência artificial para dar vida a um dos momentos mais emblemáticos da história do futebol — registrado apenas em uma fotografia e em relatos de testemunhas.
Juventus e Santos
A partida entre Juventus e Santos ocorreu antes da existência de transmissões televisivas regulares no Brasil, razão pela qual não há imagens ori...
Por meio de um projeto desenvolvido em parceria com o Google Gemini o lendário gol da Rua Javari, de 1959, considerado pelo próprio Pelé, Rei do Futebol, como o mais bonito de sua carreira, finalmente ganhou uma reconstrução visual. Isso, graças à combinação entre inteligência artificial, pesquisa histórica e tecnologias de captura de movimento.
O projeto recriou o lendário lance e agora integra a coleção permanente do Museu Pelé, em Santos (SP). A iniciativa foi apresentada em vídeo divulgado pelo Google no qual foram reunidos historiadores, familiares, ex-jogadores, pesquisadores, cineastas e especialistas em inteligência artificial para dar vida a um dos momentos mais emblemáticos da história do futebol — registrado apenas em uma fotografia e em relatos de testemunhas.
Juventus e Santos
A partida entre Juventus e Santos ocorreu antes da existência de transmissões televisivas regulares no Brasil, razão pela qual não há imagens originais do lance. Embora Pelé tenha marcado mais de mil gols ao longo da carreira, ele sempre apontava aquele anotado contra o Juventus como o mais espetacular de todos.
O lance ocorreu quando o atacante ainda não havia completado 20 anos e rapidamente se transformou em uma das maiores lendas do futebol mundial. Segundo os relatos preservados ao longo das décadas, a jogada começou com Jair, que tocou para Dorval avançar pela direita. O cruzamento encontrou Pelé na entrada da área. A partir daí, o camisa 10 executou uma sequência extraordinária de dribles.
Primeiro, aplicou um chapéu em Homero. Em seguida, repetiu o movimento sobre Clóvis. Logo depois, superou Julinho com mais um chapéu. Na sequência, deixou o goleiro Mão de Onça fora da jogada antes de completar para as redes. Testemunhas afirmam que a bola sequer tocou o chão durante toda a sequência.
Reconstrução de cada detalhe
Como não existia gravação do jogo, a equipe responsável precisou reconstruir cada detalhe com base em fotografias, depoimentos de quem presenciou a partida e pesquisas sobre o estádio, a cidade e os costumes da época.
Os produtores destacam que o objetivo foi recriar o momento com o máximo de fidelidade histórica, preservando o legado do Rei do Futebol. Para isso, foi necessário estudar desde a aparência da Mooca em 1959 até as roupas usadas pelos torcedores presentes no estádio.
Também foram recriados os uniformes, o gramado, o ambiente da Rua Javari e até a bola de couro utilizada naquele período, muito mais pesada do que as atuais, especialmente em dias chuvosos.
IA com técnicas de captura
A reconstrução utilizou recursos de inteligência artificial do Gemini Omni, além de técnicas de captura de movimento. A produção contou com atores e atletas que reproduziram os movimentos da jogada, posteriormente refinados por modelos treinados para transferir os gestos com precisão.
Os desenvolvedores explicam que a proposta não era criar uma versão fictícia do gol, mas reconstruí-lo respeitando rigorosamente os relatos históricos disponíveis. Segundo a equipe, um dos maiores desafios foi garantir autenticidade aos pequenos detalhes, considerados essenciais para representar corretamente um momento tão marcante da história do esporte.
— Com Agências de Notícias

Polícia Federal fará maior operação voltada para segurança dos candidatos à presidência de todos os tempos
18/07/2026
A proteção será disponibilizada após a homologação das candidaturas pelas convenções partidárias e dependerá de solicitação formal de cada campanha. A iniciativa segue as normas constitucionais e a legislação que atribui à Polícia Federal a responsabilidade pela segurança dos candidatos à Presidência.
Atendimento simultâneo
Conforme informações de diretores da corporação e de secretários do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o planejamento da PF foi elaborado para atender simultaneamente até...
A Polícia Federal (PF) está concluindo a montagem de ampla estrutura de segurança para garantir a proteção dos candidatos à Presidência da República durante as eleições deste ano. A operação, que poderá ser iniciada ainda neste mês de julho, prevê o emprego de até 458 agentes especializados, bem como veículos blindados, equipamentos de alta tecnologia e um investimento estimado em R$ 95 milhões, conforme dados do Executivo.
A proteção será disponibilizada após a homologação das candidaturas pelas convenções partidárias e dependerá de solicitação formal de cada campanha. A iniciativa segue as normas constitucionais e a legislação que atribui à Polícia Federal a responsabilidade pela segurança dos candidatos à Presidência.

Atendimento simultâneo
Conforme informações de diretores da corporação e de secretários do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o planejamento da PF foi elaborado para atender simultaneamente até dez candidaturas presidenciais — cenário considerado suficiente para contemplar o número esperado de concorrentes na disputa pelo Palácio do Planalto.
Cada candidato contará com um esquema próprio de segurança, desenvolvido a partir de uma análise técnica de risco. Serão considerados fatores como ameaças anteriores, perfil de exposição pública, locais de campanha, deslocamentos e características específicas das regiões onde ocorrerão os eventos eleitorais.
Segundo esse planejamento, não haverá um modelo único de proteção. Cada esquema será adaptado às necessidades identificadas pela equipe técnica da PF. Antes de cada compromisso de campanha, equipes precursoras realizarão inspeções nos locais onde ocorrerão comícios, caminhadas, reuniões e demais agendas dos candidatos.
Parceria com outras forças
Esses grupos atuarão em conjunto com as forças de segurança estaduais e municipais para definir rotas, identificar riscos e organizar medidas preventivas, buscando garantir a proteção sem interferir na dinâmica das atividades eleitorais. O plano elaborado prevê o emprego de uma série de equipamentos tecnológicos destinados.
Entre os recursos a serem disponibilizados estão veículos blindados, sistemas de reconhecimento facial, monitoramento digital de ameaças, equipamentos antidrone, kits para identificação de explosivos e materiais destinados à vistoria antibomba.

Sala Nacional
Além disso, a coorporação ativará a partir da próxima segunda-feira (20/07), em Brasília, a chamada Sala Nacional de Comando e Controle, montada especialmente para esse período de eleições.
O espaço funcionará como núcleo estratégico da operação, responsável por acompanhar em tempo real os deslocamentos das equipes, prestar apoio logístico, coordenar informações de inteligência e manter comunicação permanente com os agentes destacados em todo o país. A legislação que estabelece esse preparo por parte da corporação deixa claro: todos os candidatos terão acesso ao mesmo protocolo institucional de segurança. As medidas, entretanto, serão definidas individualmente conforme critérios técnicos de avaliação de risco, preservando o princípio da isonomia e mantendo sob sigilo informações operacionais que possam comprometer a eficácia da proteção.
Desde abril, representantes da Polícia Federal vêm mantendo diálogo com partidos políticos e pré-candidatos para apresentar o funcionamento do programa de segurança e esclarecer dúvidas sobre sua utilização. Embora a proteção esteja disponível após a homologação das candidaturas, a adesão ao esquema será voluntária. Campanhas que inicialmente optarem por não utilizar o serviço poderão solicitar posteriormente a inclusão no programa, desde que cumpram os requisitos legais previstos.

Leis, decretos e portarias
A proteção de candidatos à Presidência é prevista pela Constituição Federal e regulamentada por um conjunto de normas, entre elas a Lei nº 7.474/1986, o Decreto nº 6.381/2008 e a Portaria nº 493/1998 do Ministério da Justiça.
Essas regras estabelecem que a atuação da Polícia Federal depende da formalização da candidatura e da solicitação oficial da campanha eleitoral, garantindo respaldo jurídico para a implementação do esquema especial de segurança durante o processo eleitoral de 2026.
— Com informações do Ministério da Justiça e Agências de Notícias
Ucrânia coordena ataque de drones à Rússia neste sábado (18) e conflito entre os dois países segue sem sinal de paz
18/07/2026
Por sua vez, ataques russos contra a Ucrânia também deixaram hoje um morto e 13 feridos. As investidas foram confirmadas pelos presidentes dos dois países, Volodymyr Zelensky (da Ucrânia) e Vladimir Putin (da Rússia).
Os bombardeios ucranianos também provocaram um incêndio em um depósito de petróleo na região de Moscou e levaram à evacuação de uma maternidade.O ataque mais grave ocorreu na cidade de Kotovsk, na região de Tambov, cerca de 475 quilômetros ao sudeste de Moscou.
Comércio russo
...
O conflito Ucrânia x Rússia apresenta novos sinais de continuidade e ampliação, apesar das tentativas de acordo de paz entre os dois países articuladas por líderes mundiais diversos. A Ucrânia coordenou uma série de ataques de drones contra centros logísticos na Rússia, na madrugada deste sábado (18/07), o que, conforme informações iniciais de agências internacionais de notícias, deixaram pelo menos oito mortos e mais de 60 pessoas feridas.
Por sua vez, ataques russos contra a Ucrânia também deixaram hoje um morto e 13 feridos. As investidas foram confirmadas pelos presidentes dos dois países, Volodymyr Zelensky (da Ucrânia) e Vladimir Putin (da Rússia).
Os bombardeios ucranianos também provocaram um incêndio em um depósito de petróleo na região de Moscou e levaram à evacuação de uma maternidade.O ataque mais grave ocorreu na cidade de Kotovsk, na região de Tambov, cerca de 475 quilômetros ao sudeste de Moscou.
Comércio russo
Segundo o governador regional, Evgueni Pervishov, drones atingiram um centro logístico da Wildberries, maior empresa de comércio eletrônico da Rússia. O governador afirmou que 28 drones foram abatidos antes de atingir seus alvos e disse que, caso tivessem conseguido passar pelas defesas aéreas, o número de vítimas civis poderia ter sido ainda maior.
O prefeito de Moscou, Sergey Sobyanin, afirmou que mais de 370 drones foram lançados contra a região da capital durante a noite. Segundo ele, 64 aeronaves não tripuladas foram destruídas enquanto se aproximavam da cidade.

Áreas de produção de drones
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky disse que o país tomou a iniciativa porque os locais atingidos eram áreas que abasteciam a produção de drones usados pela Rússia contra a Ucrânia.
Zelensky afirmou que o interesse das forças ucranianas com os ataques foi atingir duas grandes instalações logísticas nas regiões de Moscou e Tambov. Segundo ele, os centros eram usados para fornecer componentes destinados à fabricação de drones e equipamentos de navegação utilizados pelas forças russas.
Logística estratégica
A Ucrânia intensificou nos últimos meses os ataques de longo alcance contra o território russo, concentrando-se principalmente em infraestrutura logística e energética considerada estratégica para o esforço de guerra de Moscou.
A guerra entre Rússia e Ucrânia começou em fevereiro de 2022, após a invasão russa do território ucraniano, e segue marcada por ataques de drones e mísseis de ambos os lados da fronteira.
— Com informações das agências Reuters e France Press (AFP)
Fumaça de incêndios florestais no Canadá piora ainda mais qualidade do ar nos EUA
18/07/2026
As equipes técnicas já estão se preparando para manter os atletas adaptados à má qualidade do ar, mas independentemente do campeonato, alertas de condições de risco devem permanecer em vigor em uma grande faixa do país, embora exista a possibilidade de melhora temporária com a previsão de tempestades em áreas afetadas até o final do documento (19/07).
Incêndios continuam ativos
As condições de fumaça não devem cessar no curto prazo, pois os incêndios continuam ativos, informou o meteorologista do Serviço Nacional de Meteorologia em Maryland, Bob Oravec. Os incêndios florestais atingem a região de Ontário, no Canadá, e a Bou...
Apesar do mundo inteiro estar de olho nos jogos finais da Copa do Mundo nos Estados Unidos ao longo do fim de semana, milhões de pessoas nos Estados dos Grandes Lagos, do Nordeste e do Médio Atlântico do país enfrentam, neste sábado (18/07), mais um dia de qualidade do ar inadequada devido a incêndios florestais.
As equipes técnicas já estão se preparando para manter os atletas adaptados à má qualidade do ar, mas independentemente do campeonato, alertas de condições de risco devem permanecer em vigor em uma grande faixa do país, embora exista a possibilidade de melhora temporária com a previsão de tempestades em áreas afetadas até o final do documento (19/07).
Incêndios continuam ativos
As condições de fumaça não devem cessar no curto prazo, pois os incêndios continuam ativos, informou o meteorologista do Serviço Nacional de Meteorologia em Maryland, Bob Oravec. Os incêndios florestais atingem a região de Ontário, no Canadá, e a Boundary Waters Canoe Area Wilderness, em Minnesota, que autoridades norte-americanas fecharam para o combate ao fogo.
De acordo com Oravec, a fumaça deve persistir por pelo menos uma semana, e o impacto nas diferentes regiões dependerá diretamente da direção dos ventos. Nesta sexta-feira (17/07), comunidades em Minnesota, Illinois e Michigan, incluindo Detroit, registraram novamente os menores índices de qualidade do ar em termos mundiais, segundo o IQAir, site de monitoramento de poluição atmosférica.
O aumento dos incêndios nas florestas canadenses é atribuído a fatores climáticos. Em resposta à fumaça, o presidente dos EUA Donald Trump, publicou uma mensagem em uma rede social, na qual atribuiu a situação à gestão florestal do Canadá e ameaçou impor tarifas adicionais ao País vizinho.
— Com Estadão e Agências Internacionais de Notícias
Imperdível - As muitas artes de roubar em todos os tempos do verbo, por Marcelo S. Tognozzi*
18/07/2026
Este verbo tão conjugado, pode ser bitransitivo, quando tem dois objetos, tanto direto quanto indireto. É o caso do falsário surripiando algo ou de alguém, enganando o otário com a ilusão do ganho fácil, papéis na Bolsa, aplicações milagrosas, rendimentos gordos, pesados, obscenos, de um dinheiro que vai e não volta. Mas se roubar for transitivo indireto, é porque o freguês está sendo roubado na balança ou no preço. Agora, se o ladrão já está roubando, então o roubar é intransitivo.
Faunas e floras
As q...
Roubar é verbo transitivo direto, mas tem suas maleabilidades, porque, afinal, o roubo pode ser praticado de formas distintas. Vale a criatividade. O verbo vai se esgueirando pela gramática, como o ladrão com o bolso recheado de joias saindo à francesa de uma festa chique. Ou o punguista, que após bater a carteira do cavalheiro no metrô, desliza até a porta do vagão da frente, ganha a plataforma, a escada rolante e, finalmente, a rua.
Este verbo tão conjugado, pode ser bitransitivo, quando tem dois objetos, tanto direto quanto indireto. É o caso do falsário surripiando algo ou de alguém, enganando o otário com a ilusão do ganho fácil, papéis na Bolsa, aplicações milagrosas, rendimentos gordos, pesados, obscenos, de um dinheiro que vai e não volta. Mas se roubar for transitivo indireto, é porque o freguês está sendo roubado na balança ou no preço. Agora, se o ladrão já está roubando, então o roubar é intransitivo.
Faunas e floras
As qualidades do roubo são de uma multiplicidade capaz de deixar qualquer um de queixo caído. No Brasil, se rouba pela internet, pelo aplicativo, e os golpes são cada vez mais incríveis. A mulher de 37 anos se fazendo passar por uma criança de 12. São muitas faunas e floras daquilo que se convencionou chamar de gatunagem, surrupio, furto, desfalque, desvio, ladroagem, saqueio, rapinagem, latrocínio, esbulho, assalto, golpe, subtração, expropriação, pilhagem, tantos nomes para um verbo camaleão, escorregadio, uma enguia ensaboada difícil de segurar.
O Brasil é o país do roubo criativo, intuitivo, escolado com graduação e pós-graduação. O banqueiro inteligente monta um produto descolado capaz de seduzir a classe média ávida por lucros fáceis. Ganha apoio da mídia, anuncia, muitos sujeitos, uns bem vivos, alguns ocultos, outros simples, muitos compostos, se encontram no objeto direto: quem rouba, rouba algo, pois há sempre alguém disponível para ser enganado pelos artistas da rapinagem sofisticada.
Dos velhos às apostas online
Há os velhos, estes insaciáveis objetos do desejo daqueles mestres da arte de furtar e transformar empréstimos consignados em ilusão de riqueza, pois a aposentaria sai dos cofres do Tesouro e os velhos que as recebem precisam de atenção. Virá uma bolada no primeiro mês, e depois descontos até o fim do que resta da vida. Não tem mais remédio, supermercado, feira, nem agrado para os netos. Nesta técnica precisa e cirúrgica, o dono do consignado vira sócio do Estado, que paga o velho pobre, mas também desconta sem dó nem piedade os juros e o principal, garantindo ao dono da máquina de emprestar seu quinhão.
Há roubos de apostas, inundando celulares, tablets e computadores. O influencer, a louraça belzebu ou o artista da novela levam o apostador pela mão e ele se entrega a tigrinhos, betinhos, leõezinhos e outros bichos sanguessugas. Bolsa família não pode! Pode sim, meu pai. A gente paga com o cartão e o que era para ser comida, vira alimento de bet. O ladrão rouba teu celular na rua. Outro arranca com os dentes o anel emperrado nos dedos gordos da mulher. Depois se encontram no bar para uma cervejinha, uma aposta no tigrinho e segue o baile.
Cada época com seu golpe
Roubou, roube, roubará. Ao longo de mais de 500 anos de evolução permanente, cada época com seu golpe, cada personagem no seu melhor estilo. Golpe da mulher vinda de longe para casar e precisa do dinheiro da passagem, do frango congelado recheado de água, do paco, do bilhete de loteria, do terreno fantasma, pirâmide, ouro de tolo, carro bichado, mulher que era homem, a lábia ensaiada, treinada, a habilidade do convencimento aplicada caso a caso.
Arte de roubar na política, a emenda que não se emenda, a eleição na cidade onde votam até os mortos e os vivos são mais do dobro do eleitorado registrado. A arte de transformar voto em dinheiro, dinheiro em voto. O melhor sempre vence. Isso não é e nem nunca será gatunagem, golpe ou roubança. É o estado da arte a ser admirado, jamais condenado. Afinal, em quantos países do mundo temos riqueza sendo acumulada todos os dias fruto de pequenos, médios, grandes ou colossais golpes? O roubo tem de pagar imposto, porque se não pagar, aí sim vai dar cadeia, vira devedor contumaz.
Vendas de todo tipo
A grilagem sobrevive aqui como nos tempos de Jean-Jacques Rousseau, para quem o verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que cercou um terreno, declarou ser seu e encontrou gente suficientemente trouxa para acreditar nele. Passados 248 anos da morte do filósofo, seguem os grileiros cercando terrenos e vendendo estas terras para quem sonha com seu pedacinho de chão, seja em Brasília ou no sertão.
Vendemos também sentenças, absolvições ou condenações. Há mercado para tudo, seja rico ou seja pobre, cada qual com sua medida, justiça seja feita. Há juízes, promotores e desembargadores à venda. Uns entregam, outros nem tanto. Soltar ou prender é uma questão de negócios. Vejam bem, temos delegados, agentes, comissários, todo um corpo técnico de talento a toda prova. E os advogados tão preparados, ativos, corporativos e seus honoráveis honorários.
Se o roubo é intransitivo, transitivo direto, bitransitivo ou transitivo indireto, não importa. O que importa é executar com refino, arte e precisão. Há dinheiro de sobra e quando não sobra, produz-se um desconto na conta ou aplica-se o conto do vigário, porque vivemos num país onde há sempre um otário à espera de um malandro para depená-lo.
Direito de escolha roubado
Vamos para as urnas em outubro, porque são o remédio capaz de manter tudo como está. Umas eleições que nunca foram tão pobres, tão feias e tão vigiadas. Neste país roubaram o direito de escolhermos o melhor. Nos resta escolher o menos pior, mas esta escolha só nos divide mais, porque o que é menos pior para uma banda é muito pior para a outra.
Roubar, verbo tão flexível, camaleônico de tanta transitividade e intransitividade, independente do objeto ser direto ou indireto, há sempre um sujeito, oculto ou não, pronto para pôr em prática a sofisticada técnica da rapinagem, ladroagem, gatunagem ou como queiram chamar a profissão que nestas terras se tornou mais antiga que a praticada pelas moças injustamente acusadas de parir aqueles que dela sobrevivem.
*Marcelo S. Tognozzi é jornalista e consultor. Uma das principais referências da imprensa brasileira contemporânea.
NR - Autorizada a postagem do artigo, originalmente publicado no Poder360. O título foi mudado e os intertítulos inseridos à revelia do autor.