Da Teoria da Internet Morta à Possível Realidade: Implicações Estratégicas para a Inteligência Artificial, a Soberania Nacional e a Defesa - Por Amadeu Robalinho*
24/07/2026
É fundamental distinguir hipótese de evidência. Até o momento, não há provas de que a internet seja ou venha a ser majoritariamente composta por conteúdo artificial. Contudo, observa-se um crescimento expressivo da produção automatizada de textos, imagens, vídeos e interaçõe...
É fundamental distinguir hipótese de evidência. Até o momento, não há provas de que a internet seja ou venha a ser majoritariamente composta por conteúdo artificial. Contudo, observa-se um crescimento expressivo da produção automatizada de textos, imagens, vídeos e interações digitais, impondo novos desafios à governança da informação, à segurança cibernética, à soberania digital e à defesa nacional.
A transformação do ambiente informacional
A internet foi concebida como um ambiente predominantemente humano. Entretanto, a evolução da computação em nuvem, do aprendizado profundo (Deep Learning) e da Inteligência Artificial modificou profundamente esse paradigma.
Atualmente, sistemas computacionais são capazes de produzir conteúdo em escala industrial, responder automaticamente a usuários, criar perfis virtuais altamente convincentes, desenvolver campanhas coordenadas de influência e alimentar mecanismos de busca com grandes volumes de documentos sintéticos.
O risco estratégico não reside apenas na existência dessas tecnologias, mas na crescente dificuldade em distinguir conteúdos produzidos por pessoas daqueles gerados por máquinas.
Surge, assim, um novo domínio de disputa: o domínio cognitivo, no qual a informação, a percepção e a confiança tornam-se ativos estratégicos de elevado valor.
Inteligência Artificial como multiplicador estratégico
A Inteligência Artificial representa uma das mais significativas revoluções tecnológicas da história contemporânea. Entretanto, sua utilização em larga escala e sem mecanismos adequados de governança pode produzir efeitos colaterais relevantes.
Entre eles destacam-se:
- produção massiva de desinformação;
- manipulação automatizada da opinião pública;
- operações de influência em processos políticos e sociais;
- falsificação de identidades digitais por meio de deepfakes;
- criação de ecossistemas artificiais de informação;
- treinamento de novos modelos de IA com conteúdos produzidos por outras IAs, reduzindo progressivamente a diversidade, a qualidade e a confiabilidade dos dados.
Esse último fenômeno, conhecido na literatura como colapso ou degeneração dos modelos (Model Collapse), é particularmente preocupante, pois pode comprometer a capacidade futura dos sistemas de Inteligência Artificial de representar adequadamente a realidade.
Implicações para a Soberania Nacional
A Soberania ultrapassa o controle do território físico e passa a abranger o domínio das infraestruturas digitais críticas.
Isso inclui o controle:
- da infraestrutura digital;
- dos centros de processamento e armazenamento de dados;
- dos modelos nacionais de Inteligência Artificial;
- das redes de comunicação;
- dos cabos submarinos de telecomunicações;
- das plataformas digitais;
- da produção científica e tecnológica;
- da capacidade nacional de processamento computacional.
Na hipótese de uma internet progressivamente dominada por conteúdo automatizado, Estados excessivamente dependentes de plataformas e tecnologias estrangeiras poderão tornar-se mais vulneráveis à manipulação informacional, à perda de autonomia tecnológica e à influência estratégica exercida por atores estatais e não estatais.
Nesse contexto, a soberania digital consolida-se como dimensão indissociável da soberania nacional.
Impactos para a Defesa Nacional
Os conflitos contemporâneos demonstram que as guerras não são travadas exclusivamente por meios convencionais.
A informação tornou-se um vetor estratégico de poder.
Campanhas automatizadas de influência podem produzir impactos políticos, econômicos e sociais comparáveis aos efeitos de determinadas operações militares, especialmente quando empregadas de forma coordenada em ambientes digitais.
Diante desse cenário, as Forças Armadas, os órgãos de Inteligência e as instituições de Segurança Pública devem ampliar suas capacidades relacionadas à:
- Defesa Cibernética;
- Inteligência de Fontes Abertas (OSINT);
- Contrainteligência;
- Guerra Cognitiva;
- Operações de Informação;
- Proteção de Infraestruturas Críticas.
A capacidade de identificar, monitorar e neutralizar campanhas automatizadas de manipulação informacional tende a representar uma vantagem estratégica crescente no ambiente de segurança internacional.
A necessidade de uma Engenharia da Informação Estratégica
A resposta a esses desafios não consiste em restringir a inovação tecnológica, mas em desenvolver capacidades nacionais capazes de assegurar autonomia, resiliência e competitividade.
Isso requer investimentos em:
- Inteligência Artificial nacional;
- computação de alto desempenho;
- semicondutores;
- armazenamento estratégico de dados;
- criptografia;
- certificação de autenticidade de conteúdos digitais;
- infraestrutura de nuvem soberana;
- formação de especialistas em segurança cibernética, ciência de dados e Inteligência Artificial.
Da mesma forma, universidades, centros de pesquisa, indústria de defesa, setor produtivo e governo devem atuar de forma coordenada para fortalecer a autonomia tecnológica brasileira e reduzir vulnerabilidades estratégicas.
A chamada Teoria da Internet Morta permanece, em grande medida, uma hipótese sem comprovação empírica de que a maior parte da internet já seja composta por conteúdo artificial. Todavia, as tecnologias que poderiam produzir um cenário semelhante evoluem em ritmo acelerado.
O verdadeiro desafio estratégico não consiste em determinar se a teoria está correta, mas em compreender que a crescente automação da produção e da circulação de informações está transformando profundamente os ambientes político, econômico, militar e social.
Nesse contexto, a Inteligência Artificial deixa de ser apenas uma ferramenta tecnológica para consolidar-se como um dos principais elementos do Poder Nacional. Nações que desenvolverem capacidade própria para criar, auditar, proteger e governar seus ecossistemas digitais estarão mais bem posicionadas para preservar sua soberania, fortalecer sua defesa e garantir autonomia estratégica diante dos desafios da atualidade.
A Informação confiável transforma-se, assim, em um recurso estratégico tão relevante quanto a energia, a infraestrutura, a capacidade industrial e o poder militar. Preservar sua integridade, autenticidade e confiabilidade será uma das missões mais relevantes dos Estados modernos e uma condição indispensável para a manutenção da soberania nacional em uma sociedade cada vez mais orientada por dados e algoritmos.
*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o livre confronto de ideias e acolhe o contraditório. Todas as pessoas e instituições citadas têm assegurado espaço para suas manifestações.
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É Findi - Aos Netos do Mundo - Por Ricardo Braga*
25/07/2026
Bem nesses dias, surge um Vozinha, então desconhecido do mundo. Em Cabo Verde ele é respeitado e modelo para muitos, não só debaixo dos três paus do gol, também pela transmissão de solidariedade, modéstia e afirmação de valores que parecem esquecidos no futebol mundial, sobretudo nos campos iluminados pelo neocolonialismo.
E...
Tive duas vozinhas maravilhosas e diferentes. Uma era o silêncio comedido, marcado pelo perfil do meu avô; a outra, era expansiva, falava um pouco de francês, tocava piano e de comportamento matriarcal. Mas as duas foram vozinhas no sentido mais explícito da palavra: acolhedoras e profundamente empáticas com seus netos. Conheço pessoas que não tiveram a sorte de pais assim, mas encontraram em sua vozinha o que precisavam para caminhar na vida e vencer obstáculos. Em sociedades originais africanas, as vozinhas são pilares da comunidade, são conselheiras e guardiãs da memória e da ancestralidade, educam crianças sobre respeito e coragem.
Bem nesses dias, surge um Vozinha, então desconhecido do mundo. Em Cabo Verde ele é respeitado e modelo para muitos, não só debaixo dos três paus do gol, também pela transmissão de solidariedade, modéstia e afirmação de valores que parecem esquecidos no futebol mundial, sobretudo nos campos iluminados pelo neocolonialismo.
Estaria cumprindo uma missão atávica das vozinhas pelo mundo, não só da África?
Assisti o 2x2 de Cabo Verde contra a Argentina no tempo regulamentar, e vi no rosto dos hermanos, o medo de perder o brilho final, a pompa de campeões do mundo e os dólares fugindo das suas bolsas. Na face dos negros do outro time, observei o brilho do suor, a determinação de confrontar – sem medo –, um gigante. Quem sabe, pensando na alegria dos que deixaram no seu menor país. Foi necessária uma ansiosa prorrogação para, no finalzinho, um terceiro gol restaurar a festa em toda a Buenos Aires e na cabeça do presidente da FIFA. Imagine perder um player desse, para uma equipe desconhecida de neguinhos, sem futuro no mercado mundial.
Mas a lição está dada a todos os netos do mundo.
*Ricardo Braga, é biólogo, ambientalista e escritor. Autor dos livros de literatura Ecologia do Cotidiano, A Flor Lilás e outros Contos (prêmio Cepe Nacional de Literatura), Sangue Doce e Como as Águas do Rio. @ricardobragaescritor
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É Findi - Pernambuco em Mim - Poema - Por Poeta Tony Antunes de Palmares*
25/07/2026
Onde o sol faz renda no branco do luar;
Meu peito é um rio nordestinante,
Que aprende cantiga sem nunca cansar.
Pernambuco é farol do meu destino,
É o chão onde aprendi a sonhar.
A bandeira tremula feito esperança,
Costurando bordados no céu de anil;
Minha alma pernambuqueia contente,
Feito um abraço que envolve o Brasil.
Quem pisa esse chão nunca vai embora,
Leva esse amor por um fio sutil.
Ô, Pernambuco, bate forte o tambor!
Meu coração virou ponte de flor.
Tem frevo na veia, tem maracatu,
Tem coco, ciranda, perfume de azul.
Se perguntarem de onde eu vim,
Direi sorrindo: Pernambuco mora
[em mim.
Luiz Gonzaga ascendeu a sanfona,
Alceu virou vento cantando no ar;
E Santana soltando sua voz
Fazem a poesia mais longe alcançar.
...
Nasci no terreiro do vento ligeiro,
Onde o sol faz renda no branco do luar;
Meu peito é um rio nordestinante,
Que aprende cantiga sem nunca cansar.
Pernambuco é farol do meu destino,
É o chão onde aprendi a sonhar.
A bandeira tremula feito esperança,
Costurando bordados no céu de anil;
Minha alma pernambuqueia contente,
Feito um abraço que envolve o Brasil.
Quem pisa esse chão nunca vai embora,
Leva esse amor por um fio sutil.
Ô, Pernambuco, bate forte o tambor!
Meu coração virou ponte de flor.
Tem frevo na veia, tem maracatu,
Tem coco, ciranda, perfume de azul.
Se perguntarem de onde eu vim,
Direi sorrindo: Pernambuco mora
[em mim.
Luiz Gonzaga ascendeu a sanfona,
Alceu virou vento cantando no ar;
E Santana soltando sua voz
Fazem a poesia mais longe alcançar.
Meu sorriso gonzagueia saudades,
Como um passarinho querendo voltar.
Poeta Pica-pau planta estrelas,
Vital Corrêa faz o verso florir;
Admmauro Gommes acende o silêncio,
Feito uma lua querendo sorrir.
Minha palavra versolumeia,
E faz o sertão inteiro florir.
Quando o pífano chama Caruaru,
Até o vento começa a dançar;
Lampião relampeja na memória,
Maria Bonita ensina a amar.
Xaxado, xote, baião e alegria,
Ninguém consegue esse povo parar.
Ô, Pernambuco, meu sonho maior!
És meu poema, meu canto, meu amor.
Sou nordestino de alma e verdade,
Filho da fé e da liberdade.
Enquanto houver um céu azul anil,
Cantarei teu nome por todo o Brasil.
*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras. @poetaprosador_tony_antunes
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É Findi - A Onça da Esperança - Por Marcelo Mário de Melo*
25/07/2026
a Esperança no ataque
em vez de esperar o lance
pega a bola dá o saque
entoa o grito de alerta
toca corneta e atabaque.
Afia as garras e parte
removendo entulho e tralha
ferrugem mofo zinhavre
lacuna trava e falha
coloca véus e vestidos
arranca trapo e mortalha.
A Esperança agora
atiça o amanhecer
vai a campo e observa
o que faz esmorecer
os descaminhos nas mentes
e nos modos de fazer.
Para o sonho avançar
é preciso trilha certa
semente sã e cuidado
janela ampla e aberta
o sol da veracidade
aceno e grito de alerta.
A Esperança é uma malha
feita em ampla tecelagem
uma colcha de retalhos
de persistência e coragem
juntando peça por peça
em gesto ação e linguagem.
A onça da Esperança
depende assim dess...
Entrando em corpo de onça
a Esperança no ataque
em vez de esperar o lance
pega a bola dá o saque
entoa o grito de alerta
toca corneta e atabaque.
Afia as garras e parte
removendo entulho e tralha
ferrugem mofo zinhavre
lacuna trava e falha
coloca véus e vestidos
arranca trapo e mortalha.
A Esperança agora
atiça o amanhecer
vai a campo e observa
o que faz esmorecer
os descaminhos nas mentes
e nos modos de fazer.
Para o sonho avançar
é preciso trilha certa
semente sã e cuidado
janela ampla e aberta
o sol da veracidade
aceno e grito de alerta.
A Esperança é uma malha
feita em ampla tecelagem
uma colcha de retalhos
de persistência e coragem
juntando peça por peça
em gesto ação e linguagem.
A onça da Esperança
depende assim desses fios
por isso ela observa
nascentes brotos pavios
o mar querendo saber
se correm certos os rios.
A força da Esperança
se constrói na pedra dura
no olho desamarrado
no combate à impostura
na peneira onde se lavam
o erro e a amargura.
Ela não é menininha
princesa em conto de fada
madame ou cortesã
inocente namorada
mas mulher experiente
subterrânea e alada.
A Esperança exigente
quer ver o ponto no nó
alicerces e estacas
a mistura a massa o pó
a ferramenta afiada
quem afia e a pedra-mó.
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm

É Findi – O Poeta Pica-Pau* chegando em Dose Dupla
25/07/2026
O caboclo quando envelhece
Precisa agradecer
O que a vida lhe oferece,
Se caso ele padece
A doença vem afetar
Procure se consultar
Vá depressa ao doutor
Porque para qualquer dor
Tem remédio pra curar
Mas se esse se encostar
Dizendo está sem jeito
A dor começa no peito
Vai até o calcanhar
Começa se lamentar
Com tudo fica zangado
Nada é do seu agrado
No fogo não tem nem cinza
Fica um velho ranzinza
Vivendo só no passado
Palmares: o Sabor da Cultura
Se fosse pra transformar
Palmares em uma comida
Dentro da gastronomia
Um belo prato eu fazia
pra reinar pra toda vida
O sabor que ia ter
Pela sustança que dá
Colocaria um cartaz
Pelas redes sociais
Para o mundo apreciar
...
Viva Bem
O caboclo quando envelhece
Precisa agradecer
O que a vida lhe oferece,
Se caso ele padece
A doença vem afetar
Procure se consultar
Vá depressa ao doutor
Porque para qualquer dor
Tem remédio pra curar
Mas se esse se encostar
Dizendo está sem jeito
A dor começa no peito
Vai até o calcanhar
Começa se lamentar
Com tudo fica zangado
Nada é do seu agrado
No fogo não tem nem cinza
Fica um velho ranzinza
Vivendo só no passado

Palmares: o Sabor da Cultura
Se fosse pra transformar
Palmares em uma comida
Dentro da gastronomia
Um belo prato eu fazia
pra reinar pra toda vida
O sabor que ia ter
Pela sustança que dá
Colocaria um cartaz
Pelas redes sociais
Para o mundo apreciar
Pegava a arte e cultura
Trazia pra culinária
Uma dose de teatro
Pitada de artesanato
Era a receita diária
Fazia uma sobremesa
Usando caldo de cana
Misturava a macaxeira
Com abacaxi da ribeira
E dosava com banana
As águas do rio Una
Eu botava pra ferver
Deixava cem por cento
De massa, sal e fermento
Para o comércio crescer
Trazia do agricultor
Batata, inhame, cará
Coco verde, melancia
Botava num tacho e fazia
Um caldo de incentivar
E saía por aí
Com uma receita de fato
Sem alimentar pigarro
Trazia na bagagem barro
Pra mesa do artesanato
Fazia até outra receita
Com a maior precisão
Bem parecida com essa
Que não ficasse em promessa
Ou só imaginação
Botava em uma panela
Um tiquinho de bem-querer
Um soro racional
Raiz de espanta-mal
E uma dose de prazer
E você que é turista
Ao chegar em nossa área
Não é um caso de briga
Mas te pegava pela barriga
Com a nossa culinária
Depois ia te mostrar
As belezas naturais
Riquezas do Engenho Paul
A Barragem Serro Azul
E as fontes minerais
Você ia se embelezar
Com as belezas em geral
As praças e seus atrativos
E o complexo esportivo
É um lindo cartão-postal
Vem conhecer a sulanca
Na festa do forrómares
Muitos bares pra te servir
Muito vai se divertir
Na cidade de Palmares
Vem pra pré do carnaval
Os blocos acompanhar
Venha ser uma puara
Quando toda cidade para
Pra ver o bloco passar
Na flora você vai ver
Pau-ferro, jacarandá
Maçaranduba, ipê
Louro-amarelo e você
Vai ver até jatobá
Vem ver patrimônio histórico
Que tem aqui nesse solo
Estação ferroviária
E a visita necessária
Aí Cine Teatro Apolo
Se caso você quiser
Na cidade pernoitar
Tem pousada e restaurante
Tudo chique e elegante
Para você repousar
Então que venha o mundo
Se misturar a nossa gente
Que nós iremos servir
Na xícara, interagir
Um chazinho e café quente
Trazia os bacamarteiros
Pra ver pipoco zoar
Um grupo de capoeira
Com sua dança faceira
Dando cangapé no ar
Convidava músicos e poetas
Pra fazer um festival
Com Ascenso na memória
Íamos fazer história
Inclusive o Pica Pau
E em letras garrafais
Anunciava um lembrete
Com uma razão somente
De convidar toda gente
pra degustar o banquete
Pegue o cardápio e comece
A esse prato admirar
Com um môlhinho de pimenta
A receita é suculenta
Para o mundo degustar
Palmares está bem alí
Com seu valor e cacife
Vá passar um fim de semana
Na mata sul pernambucana
A 120 , km do Recife,
Parabenizo Palmares
Por adotar essa postura
E a gestão envolvida
Dando forças, dando vida
E tempero pra cultura
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau

É Findi – Série: Boêmios que Marcaram Época no Recife Noturno - Hugo da Peixa - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*
25/07/2026
Dentre tantos boêmios Recife, o que mais se sobressaía por suas peraltices, foi sem dúvidas, Hugo Gonçalves Ferreira, carinhosamente, Hugo da Peixa.
... Convém ressaltar que esses boêmios não faziam parte da onda de “nouveau riche” ; não, muito pelo contrario, todos foram de boa origem, Hugo, por exemplo, é oriundo da alta aristocracia canavieira, filho de usineiro.
Hugo seria o “boêmio total” criativo de índole pacífica, bonachão, solidário, um bon vivant. Se as vezes era levado a certas bravatas, o fazia sempre por insinuações de terceiros, nunca por iniciativa própria.
Na atmosfera social em que viveu; severa, terrível, inquisitiva, ele, desligado de todo convencionalismo, deixara-se ficar, airosamente, horas a fio na calçada do Maxime no Pina degustando sua teutônia, bem geladinha.
Certa feita, foi terminar uma farra em Salvador, uns seis acompanhantes, todos...
Hoje falaremos sobre Hugo da Peixa
Dentre tantos boêmios Recife, o que mais se sobressaía por suas peraltices, foi sem dúvidas, Hugo Gonçalves Ferreira, carinhosamente, Hugo da Peixa.
... Convém ressaltar que esses boêmios não faziam parte da onda de “nouveau riche” ; não, muito pelo contrario, todos foram de boa origem, Hugo, por exemplo, é oriundo da alta aristocracia canavieira, filho de usineiro.
Hugo seria o “boêmio total” criativo de índole pacífica, bonachão, solidário, um bon vivant. Se as vezes era levado a certas bravatas, o fazia sempre por insinuações de terceiros, nunca por iniciativa própria.
Na atmosfera social em que viveu; severa, terrível, inquisitiva, ele, desligado de todo convencionalismo, deixara-se ficar, airosamente, horas a fio na calçada do Maxime no Pina degustando sua teutônia, bem geladinha.
Certa feita, foi terminar uma farra em Salvador, uns seis acompanhantes, todos por sua conta, hospedagem, comida, bebidas e... dinheiro; naturalmente, no melhor da festa faltou-lhe numerário, imediatamente, vendeu o Packard de luxo e despachou o motorista para o Recife para trazer mais dinheiro e outro carro.
Hugo herdou duas usinas que foram consumidas por suas farras perdulárias. Dizem que nas suas contas os garçons incluíam até a data do ano, mesmo recebendo regias gorjetas.
Outra bravata que se conta sobre Hugo da Peixa aconteceu durante as concorridas festas no Clube Internacional do Recife, ele compareceu com algumas "garotas" da Zona querendo entrar, alguns diretores do Clube não deixaram. Hugo, vc não pode entrar com essas mulheres "suspeitas" então ele, em alto e bom som, respondeu: Suspeitas são essas que estão aí dentro, essas aqui são putas mesmo! Carlos Bezerra Cavalcanti
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras.

É Findi - Malude Maciel* chegando com Duas Crônicas
25/07/2026
Outra eleição já se aproxima.
Nunca simpatizei com essa maneira de votarmos através de urnas eletrônicas.
Depois de apertarmos aqueles botões, adeus! O voto desaparece a passo de mágica. Nem que se quisesse revê-lo haveria solução; são impossíveis quaisquer circunstâncias nesse sentido. Após a tecla: Confirmado, ser acionada, nada mais se pode provar, nem mesmo em emergências circunstanciais.
Computação
Os entendidos na ciência da computação sabem tudinho sobre o manejo dessas máquinas e, aqueles que criaram tal programa estão aptos a mexer naqueles projetos. O que para nós outros representa dificuldade, para os autores há facilidade incrível. Como cidadã, questiono a segurança dessas urnas, apesar das afirmações ao contrário, mas é um direito pensar desigual. Acredito que ataques de hackers deixam-nas vulneráveis. Não há como conferir coisa alguma e na contagem sai apenas resultado n...
Urnas Eletrônicas - Crônica
Outra eleição já se aproxima.
Nunca simpatizei com essa maneira de votarmos através de urnas eletrônicas.
Depois de apertarmos aqueles botões, adeus! O voto desaparece a passo de mágica. Nem que se quisesse revê-lo haveria solução; são impossíveis quaisquer circunstâncias nesse sentido. Após a tecla: Confirmado, ser acionada, nada mais se pode provar, nem mesmo em emergências circunstanciais.
Computação
Os entendidos na ciência da computação sabem tudinho sobre o manejo dessas máquinas e, aqueles que criaram tal programa estão aptos a mexer naqueles projetos. O que para nós outros representa dificuldade, para os autores há facilidade incrível. Como cidadã, questiono a segurança dessas urnas, apesar das afirmações ao contrário, mas é um direito pensar desigual. Acredito que ataques de hackers deixam-nas vulneráveis. Não há como conferir coisa alguma e na contagem sai apenas resultado numérico.
Não estou sozinha
Coincidentemente, vi um trabalho da Comissão e Justiça debatendo a segurança do sistema eletrônico de votação no Brasil e ali o advogado, Dr. Filipe Marcelo Gimenez, Procurador em Mato Grosso do Sul, deu seu parecer pela Associação Pátria Brasil, mostrando as irregularidades referentes ao uso da urna eletrônica em várias eleições, inclusive nessa última.
Ele considerou a tal máquina uma "arapuca", disse que nosso povo vem sendo enganado e que estamos vivendo uma inversão de valores, pois a ferramenta é que deve servir à Ordem Jurídica e não ao inverso, como está acontecendo. À luz da Lei, há um crime de prevaricação, de omissão, porque um dos pilares da República está sendo quebrado e também nossa Democracia e cidadania vêm sendo violadas e desrespeitadas com esse tipo de votação às escuras. Disse ele.
Não aprovado
Há indignação e a Lei deve ser cumprida, sendo um ato jurídico o exercício do voto, que é secreto para dar liberdade de escolha do cidadão, mas o ato seguinte desse processo eleitoral, que é a apuração, é um ato administrativo e deve ser público. Tem que haver publicidade na contagem de votos quando todos os participantes podem acompanhar o procedimento.
Eletronicamente
Com esse sistema de urnas eletrônicas, a conferência não tem sido possível, por mais de vinte anos e, a fiscalização precisa ser exercida sem demora. Uma lentidão injustificável quanto ao parecer do Ministro Gilmar Mendes que protela decisões de cumprimento da norma, não deve ser tolerada.
O ingênuo eleitorado
A grande maioria de indivíduos votantes não tem conhecimento dessa fraude, porém quem tem formação jurídica sabe perfeitamente dessa irregularidade. Urge que o Tribunal Superior Eleitoral cobre a vigência da Lei: "Será impresso o voto..." Se a apuração de votos numa eleição nacional não for um ato público, será nula ou anulada; não pode haver contagem de votos em segredo. É um direito do cidadão que está sendo violado, uma fraude, pois no BU só consta o total. Não se pode continuar aceitando esse engôdo.
Urge que o Tribunal Superior Eleitoral tome as providências a fim de que a Lei seja respeitada.

Histórias Verídicas - Crônica
As histórias que a vida nos conta são interessantes e memoráveis, o inconsciente grava para sempre os pormenores e, de vez em quando, chega aquela memória como se tivesse acontecido naquele instante, pois o subconsciente está no presente o tempo todo. Há lembranças de fatos que vivenciamos ou ouvimos dizer que carregamos por toda a existência.
Comigo essas coisas foram marcantes porque meus pais costumavam contar ocorrências de suas próprias vidas, nas conversas cotidianas, principalmente meu pai. Ele, às vezes, repetia tais depoimentos, e nós, com mentes férteis, assimilávamos, com detalhes, tais relatos.
Registros fiéis
Ainda hoje, depois de tantos anos, sou capaz de relembrar de alguns fatos que me foram contados com fidelidade por quem exercia uma autoridade paternal e constituía a figura mais emblemática no meu psiquismo infantil. São muitas narrativas guardadas, mas irei me deter numa simples recordação que hoje me veio à baila.
Fatos expostos
Na época, o jovem casal (papai e mamãe), recém- asados, tendo apenas a primogênita, que era eu, residíamos na rua Dr. José Mariano, em Caruaru, e ali pertinho havia a rua Júlio de Melo onde era localizado o Grupo Escolar Prof. Vicente Monteiro (onde depois vim a estudar o curso primário), com um enorme terreno em frente, onde atualmente existe a Praça das crianças, tendo ao lado a Fábrica de caroá, hoje Espaço Cultural Tancredo Neves. Era o local escolhido e propício para a armação de companhias circenses que visitavam a cidade.
Contaram-me que numa certa vez a família foi ver um tal Circo (daqueles feitos de lona), que teria se instalado no determinado local, tendo antes percorrido as artérias adjacentes na sua propaganda chamativa de público com palhaços dançando e cantando: "hoje tem espetáculo? Tem sim, senhor " e isso havia despertado o interesse dos meus genitores que me levaram no colo, como bebê que eu era.
Mascotes do circo
À época ainda eram utilizados vários animais nas apresentações circenses e, como tal, alguns deles figuravam em suas jaulas e correntes, bem à vista dos curiosos. O mais destacado era um casal de elefantes e nesse pormenor fica o suspense do fato curioso.
Não sei o porquê do domador inventar de separar o macho da fêmea naquela ocasião, mas um estava a alguns metros de distância, cada qual acorrentado supondo-se segurança.
A multidão
O povo, na curiosidade e confiando nos cuidados do pessoal do circo, ficava o mais próximo possível, admirando não somente os elefantes, mas também os leões, as zebras, os cavalos, etc. Meus pais se achavam numa calçada aproximada, observando o movimento.
Eis que de repente, houve um alvoroço total e as pessoas corriam, desencontradas, como num: "salve-se quem puder", deixando uma interrogação no ar e algumas afirmativas apavorantes, dando conta de que o elefante macho estava solto, quebrara as amarras e seguia livremente sem controle. A grita foi geral!
Correria
Meu pai, apavorado, tomando conta da esposa e da filha pequena, correu em busca de abrigo numa residência próxima, até que os ânimos esfriaram e se pôde saber, na verdade, o que se passou.
Constatação
Após o grande susto, constataram que o elefante não gostando da separação imposta à sua parceira, simplesmente cortou a frágil atadura e saiu, tranquilo, para o lado da companheira. Talvez uma coisa banal, no entanto, quem poderia saber o que aquele gigantesco animal seria capaz de aprontar, diante de uma multidão de estranhos?
Pernas, pra que lhes quero?
Vamos em frente que atrás vem gente.
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Motivos - Por Josué Sena*
25/07/2026
Vão pelos motivos de Bandeira e que já sei.
Os que de Maracangalha tomam a estrada,
Têm as razões que também direi.
Uns esperam as benesses do rei.
Camas fofas e bem preparadas,
Segundo ditames da acolhedora lei
Para dormir com as mulheres desejadas.
Já os dos rumos de Maracangalha,
São andejos vocacionados, portanto.
Protegidos do Sol por chapéus de Palha,
Vestidos de liformes brancos, Buscam sonhados cantos,
Para idílios longe dos olhos de Anália,
Que não gosta de andar tanto.
*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.
Os que vão ansiosos para Pasárgada,
Vão pelos motivos de Bandeira e que já sei.
Os que de Maracangalha tomam a estrada,
Têm as razões que também direi.
Uns esperam as benesses do rei.
Camas fofas e bem preparadas,
Segundo ditames da acolhedora lei
Para dormir com as mulheres desejadas.
Já os dos rumos de Maracangalha,
São andejos vocacionados, portanto.
Protegidos do Sol por chapéus de Palha,
Vestidos de liformes brancos, Buscam sonhados cantos,
Para idílios longe dos olhos de Anália,
Que não gosta de andar tanto.
*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.

Prefeito Elton Martins e deputado Silvio Costa Filho anunciam hospital para Águas Belas
25/07/2026
Alta complexidade
O Hospital Municipal de Águas Belas foi projetado para atender à crescente demanda por serviços de média complexidade na cidade e região, ampliando o acesso da população a atendimentos especializados, urgência e emergência 24 horas, exames de imagem e laboratoriais, centro obstétrico, centro cirúrgico e internação hospitalar.
A unidade
Contará com 52 leitos de internamento, distribuídos entre enfermarias masculina, feminina, pediátrica, maternidade e ala psiquiátrica, além de dois centros cirúrgicos e obstétrico humanizado, laboratório de análises clínicas estruturado e atendimento ambulatorial em...
O prefeito de Águas Belas, Elton Martins e o deputado federal, Silvio Costa Filho, anunciaram, ontem sexta-feira, 24/07, a construção de um hospital avaliado em R$ 22 milhões. O equipamento, que será erguido no município, foi inserido nas obras do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Alta complexidade
O Hospital Municipal de Águas Belas foi projetado para atender à crescente demanda por serviços de média complexidade na cidade e região, ampliando o acesso da população a atendimentos especializados, urgência e emergência 24 horas, exames de imagem e laboratoriais, centro obstétrico, centro cirúrgico e internação hospitalar.
A unidade
Contará com 52 leitos de internamento, distribuídos entre enfermarias masculina, feminina, pediátrica, maternidade e ala psiquiátrica, além de dois centros cirúrgicos e obstétrico humanizado, laboratório de análises clínicas estruturado e atendimento ambulatorial em diversas especialidades.
Fala Silvinho
"Falamos com o nosso presidente Lula e conseguimos empenhar o Hospital de Águas Belas no valor de R$ 22 milhões. A unidade foi incluída no Novo PAC, um sonho antigo da população e, sob a liderança do prefeito Elton, vamos conseguir fazer em Águas Belas. Essa unidade será fundamental para garantir mais qualidade de vida a população", disse Silvio Costa Filho.
Fala o prefeito
O novo empreendimento será construído num espaço adquirido e com recursos da prefeitura.
"Gostaria de agradecer ao presidente Lula, o empenho do deputado Silvio e o ministro Padilha. Estamos realizando um sonho dos moradores do município. Não tenho dúvida que ficará na história de Águas Belas", disse Elton.
Foto: Wesley D'Almeida
Edson Vieira diz que Agreste quer Miguel Coelho para o Senado na chapa de Raquel
25/07/2026
Segundo o parlamentar
Miguel Coelho construiu uma trajetória marcada por resultados, capacidade de gestão e diálogo com todas as regiões do estado, características que fortalecem sua candidatura ao Senado.
Testado e aprovado
"Tenho defendido o nome de Miguel porque ele já mostrou sua competência como deputado estadual e, principalmente, como prefeito de Petrolina, onde realizou uma transformação reconhecida por toda Pernambuco. É um líder preparado, conhece a realidade do nosso estado, tem uma relação muito próxima c...
O deputado estadual Edson Vieira (Podemos) voltou a defender o nome do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, para disputar uma vaga no Senado Federal na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD). Um dos principais representantes políticos do Polo de Confecções na Assembleia Legislativa, Edson tem reafirmado que Miguel reúne as credenciais necessárias para representar Pernambuco no Congresso Nacional.
Segundo o parlamentar
Miguel Coelho construiu uma trajetória marcada por resultados, capacidade de gestão e diálogo com todas as regiões do estado, características que fortalecem sua candidatura ao Senado.
Testado e aprovado
"Tenho defendido o nome de Miguel porque ele já mostrou sua competência como deputado estadual e, principalmente, como prefeito de Petrolina, onde realizou uma transformação reconhecida por toda Pernambuco. É um líder preparado, conhece a realidade do nosso estado, tem uma relação muito próxima com o Agreste e, especialmente, com o Polo de Confecções Tenho certeza de que Pernambuco ganhará um grande senador. Miguel, conte com o apoio do nosso Agreste", afirmou Edson Vieira.
As aventuras de Cacimba -51
25/07/2026
Zé da Flauta
Carnaúba Seca acordou sob o pavor do ronco pesado de três jipes abertos que rasgaram a poeira da entrada da vila, carregados de forasteiros armados até os dentes.
O chefe, um sujeito de suíças, cara fechada e olhar de quem já matou sem dó, tinha a reputação de ser intolerante a qualquer controvérsia e ninguém, absolutamente ninguém, ousava duvidar de sua palavra. Sem dar um bom-dia, a cambada cercou a casa do prefeito e abriu fogo para o alto, cobrando aos gritos uma dívida antiga de campanha.
O povo correu para se trancar em casa, batendo ferrolhos e espiando pelas frestas das janelas. Começou então uma romaria de autoridades tentando negociar o fim do cerco: entrava o padre rezando terço, o delegado tremendo a perna e o gerente do banco com uma pasta vazia sob o braço.
Todos saíam brancos de medo, ameaçados de morte pelo jagunço furios...
O nó da cidade trancada na mira dos jagunços
Zé da Flauta
Carnaúba Seca acordou sob o pavor do ronco pesado de três jipes abertos que rasgaram a poeira da entrada da vila, carregados de forasteiros armados até os dentes.
O chefe, um sujeito de suíças, cara fechada e olhar de quem já matou sem dó, tinha a reputação de ser intolerante a qualquer controvérsia e ninguém, absolutamente ninguém, ousava duvidar de sua palavra. Sem dar um bom-dia, a cambada cercou a casa do prefeito e abriu fogo para o alto, cobrando aos gritos uma dívida antiga de campanha.
O povo correu para se trancar em casa, batendo ferrolhos e espiando pelas frestas das janelas. Começou então uma romaria de autoridades tentando negociar o fim do cerco: entrava o padre rezando terço, o delegado tremendo a perna e o gerente do banco com uma pasta vazia sob o braço.
Todos saíam brancos de medo, ameaçados de morte pelo jagunço furioso que cuspia ofensas. A tensão parecia que ia explodir a vila a qualquer segundo, até que Cacimba, ajeitando o chapéu de couro, colocou Simão no ombro esquerdo, Sebastião no direito e atravessou a praça em silêncio, furando o bloqueio dos jagunços como quem vai comprar pão, sob o olhar espantado de uma cidade inteira.
Ao cruzar a porta da sala principal, Cacimba encontrou o prefeito encolhido atrás da mesa e o chefe dos forasteiros, de dedo no gatilho e fumaça saindo pelas orelhas. O jagunço olhou para o mestre e seus macaquinhos com desprezo total, soltando uma risada seca e cruel.
"O mestre da pife resolveu trazer sua tropa de comédia para a guerra?", zombou ele, apontando a espingarda para os bichos.
"Eu não respeito farda nem batina, muito menos esses dois macacos sujos. Eu vou meter bala nessa cabeça dura e usar o couro deles para fazer coldre!"
A ameaça foi fria e definitiva, e um silêncio de morte tomou conta da sala. Cacimba, sentindo o suor frio escorrer pelas costas, manteve a calma e, com a voz firme, mas cheia de súplica, implorou:
"Meu capitão, eu sei que a fúria da guerra não dá tempo para os bichos, mas eu lhe peço, em nome de Deus, dê uma última chance para esses dois. Eles não são apenas macacos, são os olhos e o coração que a sua raiva não o deixa ver. Deixe que eles façam seu trabalho, e se ao final do dia o nó não se desatar, o senhor pode fazer o que bem entender com todos nós."
O jagunço, confuso com a convicção do velho, cuspiu no chão e grunhiu: "Um minuto. Se eu não gostar do que vir, os três morrem."
O desafio estava lançado, e a vida de todos dependia da atuação desesperada dos macaquinhos sob a mira da espingarda. Cacimba, suando, deixou que seus companheiros tentassem a cartada final.

Simão, o símbolo da pura razão, ajeitou os óculos na ponta do nariz com as mãos trêmulas e, de forma metódica e insistente, sacou sua caderneta e começou a refazer as contas do débito, confrontando os números do jagunço com faturas, recibos e a lógica matemática pura, demonstrando que a dívida já havia sido paga e que o homem estava sendo injusto.
Enquanto isso, Sebastião, a emoção em carne e osso, se empenhava ainda mais na tarefa de amolecer o coração daquele homem rude, chorando mansinho, imitando a dor das mães e crianças trancadas dentro de casa, implorando por misericórdia com gestos e expressões genuínas.
O chefe, diante de dois argumentos poderosos e desesperados, baixou a arma. Cacimba arrematou com voz firme:
"A justiça que se cobra derramando o sangue dos inocentes vira maldição no bolso de quem recebe. Se a razão prova que a dívida está paga e o coração mostra o sofrimento da vila, não há motivo para continuar essa guerra.
" O prefeito aceitou assinar o recibo de quitação calculado por Simão, e o chefe do bando, comovido com o abraço que Sebastião lhe deu na saída, ordenou que seus homens guardassem as armas e dessem partida nos jipes para ir embora em paz.
Quando as portas das casas se abriram e o povo voltou para a praça sem saber como o milagre tinha acontecido, Cacimba já estava sentado no alpendre, soprando uma nota suave no seu pífano.
Olhando para os dois bichos ao seu lado, o velho deixou a última lição do causo para quem quisesse ouvir:
"A ignorância do homem constrói muros e aponta armas, mas a solução de qualquer nó cego na vida exige duas coisas que andam juntas: a razão para enxergar a verdade dos fatos e a emoção para sentir a dor do outro. Sem o equilíbrio das duas, a gente só produz barulho; com elas, até o coração mais duro vira terreno de paz."
E assim, Carnaúba Seca dormiu aliviada, sabendo que a sabedoria do mestre e seus dois macaquinhos valiam mais do que um exército inteiro.
