Academia (Segunda Parte) - Crônica - Por Romero Falcão*
27/07/2026
Barriga Tanquinho
Meus cambitos engrossaram alguns milímetros. Engrossaram? Ou é ilusão do espelho? Por falar em espelho, paguei com a língua — ou melhor, com a pena. No texto anterior, meti o sarrafo nos garotões de olhos fixos nos espelhos. Não é que estou fazendo o mesmo. Olho-me de lado, de frente, de costas, procurando ver o que ainda não tenho. Imaginando uma barriga tanquinho. Será possível nesta idade? Que coisa ridícula.
Chega de Bobagem
Mas nós, acadêmicos dos ferros, temos um salvo-conduto literário: Clarice Lispector tinha um fascínio pelos espelhos. Escrev...
Barriga Tanquinho
Meus cambitos engrossaram alguns milímetros. Engrossaram? Ou é ilusão do espelho? Por falar em espelho, paguei com a língua — ou melhor, com a pena. No texto anterior, meti o sarrafo nos garotões de olhos fixos nos espelhos. Não é que estou fazendo o mesmo. Olho-me de lado, de frente, de costas, procurando ver o que ainda não tenho. Imaginando uma barriga tanquinho. Será possível nesta idade? Que coisa ridícula.
Chega de Bobagem
Mas nós, acadêmicos dos ferros, temos um salvo-conduto literário: Clarice Lispector tinha um fascínio pelos espelhos. Escreveu até um texto sobre eles. O que existiria além da imagem comprometida pelo superficial? Olha o que ela disse: "Quem olha um espelho conseguindo, ao mesmo tempo, isenção de si mesmo; quem consegue vê-lo sem se ver; quem entende que sua profundidade é ele ser vazio; quem caminha para dentro de seu espaço transparente sem deixar nele o vestígio da própria imagem — então percebeu seu mistério."
Chega de bobagem. Vamos ao essencial do mundo do treino.
Peço Ajuda aos Confrades
Deu trabalho criar intimidade com as máquinas. Regulagem das pernas, altura do banco, posição da cabeça. Puxa alavanca. Ajusta daqui, dali. Peço ajuda aos confrades. Um deles disse:
— Depois da primeira semana, você pega o jeito.
Respondi:
— Que jeito? Estou há um mês aqui.
O homem fez uma cara que parecia dizer, na melhor das hipóteses:
— Coitado... Na certa sofre de algum dano cognitivo.
Tudo Vai Desabar
Mas sinto que estou evoluindo. E me enturmando com a galera. Na esteira ao meu lado, um jovem corre feito louco. A pisada é tão forte que parece que tudo vai desabar.
Pausa para Hidratação
Rapei as economias e comprei uma garrafa decente, capaz de fazer frente às dos meus colegas. Não pega bem carregar uma garrafinha plástica de água mineral. Já não passo vergonha na pausa para hidratação. Estou pegando o jeito.
Indústria do Bumbum
Também confesso que venho estudando a indústria do bumbum: do corte dos tecidos — calças coladíssimas — aos efeitos das máquinas e dos suplementos que prometem definir o músculo mais cobiçado da República.
Toda Discrição é Pouca
A academia me oferece mais do que saúde e boa forma. Ela me abriu um novo universo para explorar a seco, a frio e a fundo. No entanto, tenho receio de que meu apuro observador acabe sendo mal interpretado por algum glúteo avantajado. Deus me livre. Toda discrição é pouca. Afinal, o Estatuto do Idoso não faz milagre.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

Leia outras informações
Prefeitura do Recife - Abertas as inscrições para 200 vagas da CNH Social Recife
27/07/2026
Mudanças
Nesta edição, o programa traz mudanças para ampliar o acesso dos candidatos. Entre as novidades estão a criação de pontuação específica para jovens de 18 a 24 anos, o custeio do exame toxicológico, que passou a ser obrigatório para a primeira habilitação pela legislação Federal, a ampliação do prazo de inscrições para 60 dias e a simplificação do processo para quem já participou da seleção anterior. Esses candidatos poderão apenas co...
As inscrições para as 200 vagas da 3a edição do 'Programa CNH Social Recife' seguem abertas até o dia 22/09. Voltada para pessoas em situação de vulnerabilidade social inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, CadÚnico, a iniciativa oferece gratuitamente a primeira habilitação nas categorias A (moto) e B (carro), além da adição de categoria. O edital foi publicado no Diário Oficial do Município no último sábado, 25/07, e as inscrições devem ser feitas pela plataforma Conecta Recife.
Mudanças
Nesta edição, o programa traz mudanças para ampliar o acesso dos candidatos. Entre as novidades estão a criação de pontuação específica para jovens de 18 a 24 anos, o custeio do exame toxicológico, que passou a ser obrigatório para a primeira habilitação pela legislação Federal, a ampliação do prazo de inscrições para 60 dias e a simplificação do processo para quem já participou da seleção anterior. Esses candidatos poderão apenas confirmar os dados cadastrais e a categoria desejada, sem necessidade de reapresentar documentos já validados, salvo em caso de alteração das informações.
Custeio e quem participa
O programa custeia todas as etapas do processo de habilitação, incluindo taxas do Detran-PE, exames médicos e psicológicos, exame toxicológico quando exigido, aulas teóricas e práticas, provas e um reteste gratuito em caso de reprovação. Podem participar pessoas com mais de 18 anos, residentes no Recife, inscritas no CadÚnico e que atendam aos requisitos previstos no Código de Trânsito Brasileiro. A seleção considera critérios de vulnerabilidade social, priorizando, entre outros grupos, pessoas negras, indígenas, pessoas com deficiência, mulheres em situação de violência, mulheres chefes de família, trabalhadores por aplicativo, beneficiários do Bolsa Família e pessoas sem vínculo formal de trabalho.
Acordo de Livre Comércio - Lula anuncia grupo de trabalho para acelerar acordo Mercosul e Coreia
27/07/2026
Objetivo
O objetivo do grupo de trabalho é "identificar sensibilidades dos dois lados e evitar que elas sejam um empecilho para a retomada das negociações" de um acordo de livre comércio. "Nesse grupo de trabalho, indiquei meu companheiro, o vice-presidente Geraldo Alckmin, para ser o coordenador do nosso grupo, para fazer com que a nossa relação possa andar mais rápido, e o presidente Lee indicou uma pessoa de confiança dele para facilitar os acordos entre Brasil e Coreia", disse Lula.
Primeira vez no Brasil
O chefe do Executivo também ressaltou a aproximação entre Brasil e o país asiático. "Há 11 anos não recebíamos uma visita de Estado de um presidente da Coreia do Sul. Essa também é a primeira vez que o presidente Lee v...
O presidente Lula anunciou hoje, segunda-feira, 27/07, um grupo de trabalho para acelerar o acordo Mercosul com a Coreia do Sul durante visita do presidente do país, Lee Jae-myung, ao Brasil.
Objetivo
O objetivo do grupo de trabalho é "identificar sensibilidades dos dois lados e evitar que elas sejam um empecilho para a retomada das negociações" de um acordo de livre comércio. "Nesse grupo de trabalho, indiquei meu companheiro, o vice-presidente Geraldo Alckmin, para ser o coordenador do nosso grupo, para fazer com que a nossa relação possa andar mais rápido, e o presidente Lee indicou uma pessoa de confiança dele para facilitar os acordos entre Brasil e Coreia", disse Lula.
Primeira vez no Brasil
O chefe do Executivo também ressaltou a aproximação entre Brasil e o país asiático. "Há 11 anos não recebíamos uma visita de Estado de um presidente da Coreia do Sul. Essa também é a primeira vez que o presidente Lee vem ao Brasil. Janja tem o prazer de apresentar à primeira-dama um pouco da diversidade da cultura brasileira e receber a gentileza com a qual foi recebida em Seul", afirmou. Em fevereiro, Lula viajou à Coreia do Sul para uma reunião com o presidente e empresários. No mesmo mês, os governos anunciaram expansão do comércio e da mineração. A expectativa do Planalto é de que essa seja a última vez que Lula recebe chefes de Estado em Brasília até o fim das eleições de 2026. A única agenda internacional prevista é a viagem aos EUA para participação da Assembleia-Geral da ONU.
Negociações
As negociações para um acordo comercial foram lançadas em 2018 e, após anos de tratativas, voltaram a ganhar fôlego nos últimos meses. A avaliação no Planalto é de que o tarifaço global dos EUA tem incentivado países a firmar novos tratados e diversificar parceiros. (Com a CNN)
Guerra no Oriente Médio - Irã rejeita negociar após fracasso de ataques de Trump
27/07/2026
Versão de Trump
Já o presidente americano disse ao site Axios que "está em conversas muito profundas com o Irã" e que pode tomar "ação militar forte" se não houver avanços. Ele já afirmou isso antes, inclusive na semana passada. "Não [darei] muito tempo. Ou vai rapidamente, ou não vai", completou.
Irã
O porta-voz diplomático do Irã, Esmail Baghaer, também afirmou que seu país irá cessar os ataques retaliatórios contra no Golfo Pérsico enquanto Trump fizer o mesmo. Ainda assim, grupos regionais ligados a Teerã fizeram lançamentos pontuais de drones contra aliados americanos na região, em um aparente teste de estresse.
Apesar de Donald Trump ter suspendido no fim de semana os ataques pontuais ao Irã, após ter sido advertido pela cúpula militar dos Estados Unidos de que a campanha não estava tendo efeito, o governo da teocracia rejeitou hoje, segunda-feira, 27/07, reabrir negociações de paz.
Versão de Trump
Já o presidente americano disse ao site Axios que "está em conversas muito profundas com o Irã" e que pode tomar "ação militar forte" se não houver avanços. Ele já afirmou isso antes, inclusive na semana passada. "Não [darei] muito tempo. Ou vai rapidamente, ou não vai", completou.
Irã
O porta-voz diplomático do Irã, Esmail Baghaer, também afirmou que seu país irá cessar os ataques retaliatórios contra no Golfo Pérsico enquanto Trump fizer o mesmo. Ainda assim, grupos regionais ligados a Teerã fizeram lançamentos pontuais de drones contra aliados americanos na região, em um aparente teste de estresse.
Governador de Buenos Aires critica falas de Milei na convenção do PL: "vergonha alheia"
27/07/2026
Discurso de Milei
No discurso, o presidente argentino chamou Moraes, que impediu que Milei visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro, de "lixo careca", e o presidente Lula de "presidiário". As falas fizeram o Itamaraty convocar o embaixador em Buenos Aires, em ato de protesto.
Governador de Buenos Aires
"Assistimos com constrangimento ao presidente Milei ofender e insultar o governo brasileiro, seu presidente e toda uma nação. Da província de Buenos Aires, reafirmamos que a Argentina respeita as nações irmãs e está comprometida com a integração regi...
O governador de Buenos Aires, na Argentina, Axel Kicillof, criticou o discurso que o presidente argentino, Javier Milei, fez durante a convenção do PL em São Paulo no fim de semana. Kicillof chamou de "vergonha alheia" as falas de Milei, que criticou o governo brasileiro e o ministro do Supremo Tribunal Federal, STF, Alexandre de Moraes.

Discurso de Milei
No discurso, o presidente argentino chamou Moraes, que impediu que Milei visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro, de "lixo careca", e o presidente Lula de "presidiário". As falas fizeram o Itamaraty convocar o embaixador em Buenos Aires, em ato de protesto.

Governador de Buenos Aires
"Assistimos com constrangimento ao presidente Milei ofender e insultar o governo brasileiro, seu presidente e toda uma nação. Da província de Buenos Aires, reafirmamos que a Argentina respeita as nações irmãs e está comprometida com a integração regional", escreveu Kicillof em suas redes sociais. O governador portenho — um dos principais opositores políticos de Milei e ex-ministro da Economia durante o governo da ex-presidente Cristina Kirchner — disse ainda que ligou para o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira. Kicillof afirmou ter transmitido ao chanceler brasileiro que "Milei não representa o sentimento do povo argentino". "O Brasil é o nosso principal parceiro comercial. Com essas provocações, Milei coloca em risco investimentos, exportações, milhares de empregos e os interesses da Argentina — tudo isso para apoiar um candidato a mando de Trump. A relação com o Brasil exige responsabilidade, não provocação", escreveu ele.

Itamaraty
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve se reunir hoje, 27/07, com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, a prestar esclarecimentos sobre a relação entre os dois países. A medida ocorre após discurso do presidente argentino Javier Milei na convenção do PL, no sábado, 25/07. Ontem, 26/07, o governo brasileiro decidiu chamar Bitelli para consultas em Brasília. O embaixador chegou em solo brasileiro na manhã de hoje. Além disso, o Itamaraty também convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para "transmitir a repulsa" do governo brasileiro e cobrar explicações sobre a atuação de Milei em território nacional.
"Milagre (econômico ) em Fátima, Portugal" - Por Jarbas Beltrão*
27/07/2026
No dia 14/09/2025, em razão de minha viagem com destino ao leste europeu, fiz uma parada em Lisboa, seguindo de Lisboa para a cidade de Fátima.
Por dois dias me hospedei com minha esposa num simpático Hotel denominado Santo Antônio de Pádua. No restaurante do Hotel, fiz todas as refeições por dois dias. Bom serviço, climatização de boa condição, boa culinária e excelentes vinhos, tudo com preços acessíveis
Pela quarta vez estive em Fátima, a última foi em 2023. Verificamos que a cidade tem sempre nos surpreendido com seu crescimento econômico, mesmo com uma situação nacional portuguesa, nada boa.
'Exemplo de Fátima'
Fátima é um exemplo de cidade com vida econômica ancorada e inspirada em vocação local.
É, principalmente no turismo religioso, que encontra-se o eixo da economia da cidade, irradiando seu crescimento para toda a região que possui proximidades da cid...
'Lisboa - Fátima'
No dia 14/09/2025, em razão de minha viagem com destino ao leste europeu, fiz uma parada em Lisboa, seguindo de Lisboa para a cidade de Fátima.
Por dois dias me hospedei com minha esposa num simpático Hotel denominado Santo Antônio de Pádua. No restaurante do Hotel, fiz todas as refeições por dois dias. Bom serviço, climatização de boa condição, boa culinária e excelentes vinhos, tudo com preços acessíveis
Pela quarta vez estive em Fátima, a última foi em 2023. Verificamos que a cidade tem sempre nos surpreendido com seu crescimento econômico, mesmo com uma situação nacional portuguesa, nada boa.
'Exemplo de Fátima'
Fátima é um exemplo de cidade com vida econômica ancorada e inspirada em vocação local.
É, principalmente no turismo religioso, que encontra-se o eixo da economia da cidade, irradiando seu crescimento para toda a região que possui proximidades da cidade.
É um testemunho de que crescimento econômico, não tem de ser fenômeno estimulado ou planejado pelo Estado.
Não é o Estado que detém a iniciativa ou a "batuta" do crescimento econômico. Ele entra como facilitador da vida econômica. Como necessária ancoragem de apoio aos empreendimentos.
Ao Estado, cabe construções da infra-estrutura, autovias, ferrovias, abastecimento d'água, energia elétrica, saneamento, indústrias de base; isto quando necessário, além de segurança pública e outras garantias.
Em muitas situações a iniciativa privada supre tais iniciativas de infra-estrutura, casos da Inglaterra e Estados Unidos.
A cidade de Fátima, nasceu / desenvolve-se com uma revelação religiosa, a partir da aparição de Nossa Senhora para três crianças campesinas, e ali revelou segredos proféticos que atingiriam toda Humanidade.
'Fátima e as peregrinações'
A fé cristã em especial dos Católicos, transformou a cidade em local obrigatório de peregrinações de várias nacionalidades, com adorações, e agradecimentos de graças alcançadas pr fiéis, principamente Católicos romanos.
Também, pra Fátima, seguem fiéis em busca do alcançe de milagres e auxílios de Nossa Senhora de Fátima.

Fiéis de todo mundo procuram aquele destino, e até os não-cristãos fiéis de outros credos bem os que se revelan ateus.
'Efeitos da demanda por Fátima'
A demanda pela cidade é a razão para o surgimento de uma infinidade de iniciativas econômicas de diversas dimensões e categorias, que geraram e geram surgimento de diversos empreendimentos, como: Hotéis, restaurantes, lojas de souveniers, agências de turismo, empresas de transportes, manutenções de empreendimentos públicos e privados, comércio, indústrias e artesanato etc.
Fátima tem setores de sua economia onde se manifesta o "lasser faire / lasser lasser", com grande evidência.
Em qualquer economia onde se cultue a liberdade, essa fórmula sempre será praticada, com mais ou com menos energia empreendedora.
'Irradiação da liberdade econômica'
Diante da possibilidade de sustentação de famílias, as mesmas ficam radicadas naquela "urbe"; são os grupos que farão parte de empreendimentos ligados ao fornecimento e abastecimentos vários e serviços de manutenção.
Surgem empresas de atendimentos para a população local, saúde, educação, segurança privada, mercados, lazer e por aí vai.
'O mercado é um jardim econômico"
É da forma que aqui apresento que, nasce e floresce a economia; um "jardim" com diversos produtos e mercados domésticos que florescem.
Mercados com diversas/desiguais camadas; comprova- se desta forma que "desigualdade não é uma falha do sistema, desigualdade é o aviso que, o sistema está funcionando".
Dentro desse sistema existem canais de mobilidade social, daí prosperidade social ou perdas de lugares na hierarquia.
O mercado é um mosaico de diferentes cores e cortes; defender um homogenizacão é defender seu fim - propósito do socialismo coletivista estatizante - é defender o "reset civilizacional".
Portanto, dentro dos empreendimentos nascem hierarquias de ocupações/empregos, trabalhos e camadas sociais de diferentes posições e rendas,
De acordo com suas diferentes posições naquela hierarquia de trabalho, surgem diferentes e desiguais formas de consumo, gerando outras formas de trabalho. Muitas se afastam das formas originais e tradicionais.
'Formação de uma Ordem econômica'
Assim se formam as ordens econômicas, elas muitas vezes vão incorporando outras ordens, formando uma ordem econômica que fará parte de uma organização superior, a "Ordem nacional e global.
É o fenômeno econômico descrito por Frederich Hayeck em sua obra: "Erros fatais do Socialismo" .

Na originalidade a economia é uma construção carregada de espontaneidade da ação humana, tentar transformá-la em algo que só se mexe com a mão do planejador "Estado /Partido aí sim, é leva-la ao caos - como tem sido levada pelos experimentos estatizantes.
Planificar a retirada da "injustiça" (?) ("falha do sistema") substituindo-a por uma "igualdade social artificial" é destruir a civilização.
Fica dito
*Jarbas Beltrão é historiador e professor de História da Universidade de Pernambuco - UPE. Mestre em Educação pela UFPB. Especialista (MBA) em Política Estratégia Defesa e Segurança Nacional. (Adesg Famesc).Especialista (MBA) em Geopolítica/Novas Fronteiras/Cibernética e IA. (Adesg/Instituto Venturo)

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Fortalecer as Medidas Protetivas também significa preservar sua finalidade. - Alfredo Cabral de Melo*
27/07/2026
A efetividade desse sistema depende da resposta rápida do Estado, mas também da permanente observância da finalidade para a qual esses mecanismos foram concebidos.
Em conflitos familiares de alta litigiosidade, especialmente aqueles que envolvem guarda, convivência e dissolução da sociedade conjugal, podem surgir alegações que exigem do Poder Judiciário uma análise técnica, criteriosa e individualizada. Isso não significa colocar em dúvida a palavra da vítima ou relativizar a gravidade da violência doméstica. Significa reconhecer que toda decisão judicial deve ser construída a partir das provas produzidas e orientada pelo...
A Lei Maria da Penha representa uma das maiores conquistas do Direito brasileiro na proteção das mulheres em situação de violência doméstica e familiar. As medidas protetivas de urgência, por sua natureza preventiva, constituem instrumentos indispensáveis para interromper ciclos de violência e assegurar a tutela de direitos fundamentais.
A efetividade desse sistema depende da resposta rápida do Estado, mas também da permanente observância da finalidade para a qual esses mecanismos foram concebidos.
Em conflitos familiares de alta litigiosidade, especialmente aqueles que envolvem guarda, convivência e dissolução da sociedade conjugal, podem surgir alegações que exigem do Poder Judiciário uma análise técnica, criteriosa e individualizada. Isso não significa colocar em dúvida a palavra da vítima ou relativizar a gravidade da violência doméstica. Significa reconhecer que toda decisão judicial deve ser construída a partir das provas produzidas e orientada pelo devido processo legal.
Quando se fala em eventuais desvios de finalidade na utilização das medidas protetivas, trata-se de hipóteses excepcionais, cuja demonstração exige cautela e fundamentação consistente. O reconhecimento dessa possibilidade não enfraquece a Lei Maria da Penha; ao contrário, contribui para preservar sua legitimidade e sua credibilidade institucional.
Em um Estado Democrático de Direito, proteção às vítimas, segurança jurídica e garantias fundamentais não são valores concorrentes. São princípios que se complementam e que devem orientar a atuação do sistema de justiça na busca por soluções que conciliem efetividade, responsabilidade e respeito à dignidade da pessoa humana.
Fortalecer a Lei Maria da Penha é garantir que suas medidas protetivas continuem cumprindo sua missão constitucional: proteger quem efetivamente necessita, com celeridade, sensibilidade e rigor jurídico.
*Alfredo Cabral de Melo, Advogado, Parecerista, Especialista em Direito de Família e Sucessões, Direito Civil e Processo Civil, Membro da ISFL - International Society of Family Law, Membro da Comissão de Direito Eleitoral - OAB/PE, Membro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/PE, Criador e apresentador do Podcast Jurídico - "Cláusula Aberta" pelo YouTube (Link: http://www.youtube.com/@clausulaaberta). @alfredo.cabral.de.melo

A vida real não cabe no papel - A ilusão de moldar o homem por decreto, por Zé da Flauta
27/07/2026
Do alto de suas torres de marfim, burocratas e doutrinadores passam a vida rabiscando decretos, tabelando a economia e inventando "novos homens" como quem desenha plantas de edifícios que jamais habitarão. Acreditam, na sua soberba tecnocrática, que a sociedade é uma imensa massa de modelar à espera de um sopro divino vindo de cima. Só esquecem um detalhe fundamental: o papel aceita qualquer bobagem, mas o chão da vida cobra a conta de cada linha mal traçada.
Donos do plano
Quando a ordem vem de cima para baixo, sem pedir licença à cultura, à história e à natureza de quem vive na ponta, o desastre é questão de tempo. A vida real tem um temperamento arisco que não se deixa enquadrar em estatísticas frias ou planilhas de gabinete.
Há uma arrogância histórica que habita os gabinetes acarpetados e as mentes dos engenheiros sociais de ocasião: a ilusão de que o mundo pode ser reduzido a um plano perfeito desenhado numa folha de papel.
Do alto de suas torres de marfim, burocratas e doutrinadores passam a vida rabiscando decretos, tabelando a economia e inventando "novos homens" como quem desenha plantas de edifícios que jamais habitarão. Acreditam, na sua soberba tecnocrática, que a sociedade é uma imensa massa de modelar à espera de um sopro divino vindo de cima. Só esquecem um detalhe fundamental: o papel aceita qualquer bobagem, mas o chão da vida cobra a conta de cada linha mal traçada.
Donos do plano
Quando a ordem vem de cima para baixo, sem pedir licença à cultura, à história e à natureza de quem vive na ponta, o desastre é questão de tempo. A vida real tem um temperamento arisco que não se deixa enquadrar em estatísticas frias ou planilhas de gabinete.
O burocrata não sabe o preço do pão no balcão da padaria, não entendem a dor do comerciante que mata um leão por dia e muito menos o valor do suor de quem produz. Na tentativa de impor uma utopia geométrica sobre uma realidade viva e imperfeita, os "donos do plano" acabam criando monstros: a escassez vira norma, a liberdade vira ameaça e o cidadão comum é tratado como um mero detalhe atrapalhando a perfeição do projeto.
O legítimo e duradouro
O resultado desse divórcio entre o papel e o chão é sempre a violência. Como a realidade teima em não se curvar ao dogma escrito no Diário Oficial, quem está no topo nunca admite o erro da teoria; prefere culpar a realidade. Dobram a aposta, aumentam a fiscalização, criam novas proibições e tentam dobrar o povo na marra. Foi assim em todas as grandes tiranias da história e continua sendo assim nas pequenas tiranias do cotidiano moderno.
Esquece-se que tudo o que é legítimo, sólido e duradouro na história humana não nasceu de uma canetada autoritária, mas de baixo para cima: na confiança do aperto de mão, no comércio honesto, no respeito mútuo e na sabedoria acumulada pelas gerações.
O vento da realidade
A grande tragédia do nosso tempo é continuar entregando o destino de quem trabalha duro nas mãos daqueles que só conhecem o mundo através da tinta dos relatórios. Nenhuma teoria, por mais bonita que pareça no papel, tem o direito de triturar o brio do indivíduo ou a vocação de um povo.
Enquanto o mundo continuar acreditando que a felicidade e a ordem podem ser decretadas por quem nunca pisou no barro da existência, continuaremos assistindo ao mesmo espetáculo triste: catedrais de papel rindo do povo, até que o primeiro vento forte da realidade as derrube.
Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista

"Paulista Centenária" - Por Ricardo Andrade*
27/07/2026
Prof. Francisco Cunha
Nessa palestra de Francisco Cunha, no dia 30, às 15h no Auditório da Uninassau, comemoraremos os 21 anos do Movimento Pró-Museu. Vale salientar que o Prof. Francisco Cunha, possui larga experiência, no que tange ao planejamento,...
"Paulista Centenária" é um espaço-tempo, uma plataforma de debates, sugestões e propostas, visando contribuir com o planejamento a médio e longo prazo, da cidade do Paulista, face ao seu centenário(1935/2035), que se avizinha. Numa iniciativa do Movimento Pró-Museu, que completa 21 anos em julho de 2026, e com o apoio do IHGAAP (Instituto Histórico, Geográfico, Arquitetônico, Antropológico do Paulista), da TGI, da Revista AlgoMais, e da Uninassau, receberemos a exposição do Arquiteto e Urbanista, Francisco Cunha, que irá abordar sobre o tema, "PLANEJAMENTO URBANO DE LONGO PRAZO, uma necessidade urgente". O evento ocorrerá no Auditório da Uninassau/Paulista, no dia 30 de junho, às 15h00.

Prof. Francisco Cunha
Nessa palestra de Francisco Cunha, no dia 30, às 15h no Auditório da Uninassau, comemoraremos os 21 anos do Movimento Pró-Museu. Vale salientar que o Prof. Francisco Cunha, possui larga experiência, no que tange ao planejamento, formulação, implementação, monitoramento etc no ciclo das políticas públicas, e suas práticas e perspectivas inovadoras.

*Ricardo Andrade, é Historiador, Mestre em Gestão Pública (Fundaj) e Presidente do IHGAAP (Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico, Antropológico do Paulista). @ricardo060370

Buchada e Trump, por Roberto Vieira*
27/07/2026
Essa barreira informal foi quebrada em 1940 por Franklin D. Roosevelt (FDR). O contexto extraordinário que justificou essa quebra de tradição foi a dupla crise global: a Grande Depressão econômica interna e a ascensão do nazifascismo que culminou na Segunda Guerra Mundial.
Getúlio Vargas
A manifestação oficial do governo brasileiro, expressa nos telegramas trocados entre os presidentes, traduziu a reeleição de Roosevelt como um triunfo da estabilidade hemisférica e da Política de Boa Vizinhança.
Para Vargas, que go...
A discussão sobre um eventual terceiro mandato de Donald Trump reacendeu o debate político e constitucional nos Estados Unidos. Até meados do século XX, a limitação de dois mandatos não era uma regra escrita na Constituição, mas sim uma forte tradição política inaugurada por George Washington, que recusou concorrer a um terceiro mandato em 1797 para evitar qualquer semelhança com o poder monárquico.
Essa barreira informal foi quebrada em 1940 por Franklin D. Roosevelt (FDR). O contexto extraordinário que justificou essa quebra de tradição foi a dupla crise global: a Grande Depressão econômica interna e a ascensão do nazifascismo que culminou na Segunda Guerra Mundial.
Getúlio Vargas
A manifestação oficial do governo brasileiro, expressa nos telegramas trocados entre os presidentes, traduziu a reeleição de Roosevelt como um triunfo da estabilidade hemisférica e da Política de Boa Vizinhança.
Para Vargas, que governava o Brasil sob o Estado Novo, a continuidade de Roosevelt simbolizava uma aliança estratégica fundamental para a segurança e a coesão das Américas frente às ameaças externas, reforçando laços de cooperação mútua em um momento em que a ordem mundial cambaleava.
Assis Chateaubriand
Em suas análises na imprensa, Chateaubriand encarou o terceiro mandato sob a ótica de um "imperativo categórico e absoluto do momento". Para ele, embora a quebra da tradição washingtoniana ferisse a disciplina democrática clássica, o colapso da França e a ameaça global a justificavam plenamente.
Chateaubriand argumentava que o eleitorado americano agiu impulsionado por uma necessidade suprema de defesa da civilização, enxergando em Roosevelt não uma ameaça ditatorial, mas sim o timoneiro indispensável para salvar as democracias do Ocidente da barbárie totalitária.
Austregésilo de Athayde:
Em artigo publicado com o título "O meu voto em Roosevelt", o pensador pernambucano reconheceu o melindre constitucional de se romper com a longa tradição de limitar a presidência a dois mandatos.
No entanto, Athayde sustentou que a gravidade do momento histórico superava os formalismos institucionais ordinários. Para ele, a soberania popular manifestada nas urnas legitimava a escolha, pois cabia ao povo americano decidir quem melhor o representava para enfrentar os perigos monumentais que rondavam a liberdade global, consolidando Roosevelt como o guardião necessário da ordem jurídica internacional.
Buchada
Enquanto o mundo acompanhava a reeleição histórica de Franklin D. Roosevelt para o terceiro mandato nos Estados Unidos, o Recife vivia o clima de preparação para o Campeonato Brasileiro de Seleções de 1940. Nas páginas do Diário de Pernambuco, registrou-se um animado treino noturno no campo dos Aflitos, promovido pela Federação Pernambucana de Desportos.
Colocou
O ensaio colocou frente a frente a equipe formada por jogadores amadores e o selecionado de profissionais. Sob o comando técnico de Oswaldo Salsa, os amadores — com Buchada no gol, Periquito no meio e os jovens Orlando Pingo de Ouro e Ademir Menezes no ataque — venceram os profissionais por 4 a 2 no primeiro tempo, período em que souberam da eleição de Roosevelt nos Estados Unidos.
Foi quando Salsa tirou Buchada do gol e os profissionais viraram o jogo para 11 a 4. O artilheiro Chemp não perdeu a piada e gritou para Salsa: "Em Buchada e Roosevelt não se mexe, Professor!". Resta saber se para nosso leitor Trump é Roosevelt ou Buchada...
*Roberto Vieira é médico e cronista

A América do Sul Deixou de Ser uma Zona de Paz: A Guerra Híbrida Já Está Entre Nós - Por Amadeu Robalinho*
27/07/2026
A história demonstra exatamente o contrário.
Nenhuma região dotada de abundância energética, riqueza mineral, capacidade alimentar, biodiversidade estratégica e posição geográfica privilegiada permaneceu indefinidamente à margem da competição entre potências. O século XXI apenas substituiu os instrumentos de disputa. Onde antes predominavam exércitos, esquadras e bombardeios, hoje predominam inteligência estratégica, guerra cibernétic...
Durante décadas, a classe dirigente latino-americana sustentou a confortável premissa de que a América do Sul permaneceria distante das grandes disputas estratégicas internacionais. Essa percepção, construída após o encerramento das rivalidades interestatais que marcaram parte do século XX e reforçada pela relativa ausência de guerras convencionais entre as principais nações da região, alimentou a falsa convicção de que o subcontinente estaria naturalmente protegido das profundas transformações do ambiente geopolítico global.
A história demonstra exatamente o contrário.
Nenhuma região dotada de abundância energética, riqueza mineral, capacidade alimentar, biodiversidade estratégica e posição geográfica privilegiada permaneceu indefinidamente à margem da competição entre potências. O século XXI apenas substituiu os instrumentos de disputa. Onde antes predominavam exércitos, esquadras e bombardeios, hoje predominam inteligência estratégica, guerra cibernética, coerção econômica, controle tecnológico, influência informacional, espionagem industrial e disputa por cadeias globais de suprimentos.
A guerra mudou de forma, mas jamais deixou de existir.
Essa transformação constitui um dos fundamentos daquilo que proponho como Engenharia de Soberania e Estratégia: uma abordagem segundo a qual a soberania nacional não pode mais ser compreendida apenas como conceito jurídico ou político. Ela deve ser concebida como um sistema complexo de engenharia institucional, tecnológica, econômica, militar e social, cujo objetivo é garantir a capacidade permanente de uma nação preservar sua autonomia diante de pressões externas.
Sob essa perspectiva, a soberania deixa de ser um estado de direito para tornar-se uma capacidade operacional.
A Guerra Híbrida representa precisamente o ambiente em que essa engenharia passa a ser testada.
Os conflitos contemporâneos são planejados para evitar o custo político de uma guerra convencional. Em vez da ocupação territorial imediata, busca-se enfraquecer gradativamente os pilares do Poder Nacional. Ataques cibernéticos contra infraestruturas críticas, campanhas massivas de desinformação, espionagem tecnológica, manipulação financeira, sanções econômicas, disputas pelo domínio de semicondutores, inteligência artificial, satélites e minerais estratégicos passaram a integrar o repertório permanente da competição internacional.
Os acontecimentos observados nas últimas décadas evidenciam essa transformação. Ataques a redes elétricas, sabotagens contra infraestruturas energéticas, interferências em processos políticos por meio do ambiente digital, restrições tecnológicas entre grandes potências e a crescente disputa por minerais críticos demonstram que o centro de gravidade da guerra deslocou-se para os sistemas que sustentam o funcionamento do Estado moderno.
Nesse contexto, a América do Sul deixou definitivamente de ocupar posição periférica.
A região reúne características que historicamente atraem interesses estratégicos internacionais. Concentra aproximadamente um terço da água doce superficial do planeta, enormes reservas minerais, gigantesca capacidade agroalimentar, petróleo em águas profundas, biodiversidade singular e posição geográfica privilegiada entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
O Brasil ocupa posição absolutamente central nesse tabuleiro.
A Amazônia representa um ativo ambiental e estratégico de dimensão continental. O Atlântico Sul conecta rotas marítimas indispensáveis ao comércio internacional. A Amazônia Azul protege recursos energéticos, pesqueiros e minerais de elevado valor econômico. O pré-sal consolidou o Brasil entre os maiores produtores mundiais de petróleo offshore. O nióbio, as terras raras, o grafite e outros minerais críticos tornaram-se componentes indispensáveis para as tecnologias que definirão a supremacia industrial e militar das próximas décadas.
Sob a ótica da Engenharia de Soberania e Estratégia, tais recursos não representam apenas riqueza econômica. Constituem componentes estruturais da capacidade nacional de decisão independente.
Ao longo da História, nenhuma potência ascendeu sem controlar simultaneamente energia, tecnologia, logística, indústria e capacidade militar. Da mesma forma, nenhuma nação perdeu relevância internacional exclusivamente em razão de derrotas militares; em regra, a perda da soberania inicia-se pelo enfraquecimento de suas estruturas produtivas, científicas, tecnológicas e institucionais.
É precisamente esse processo que torna a Guerra Híbrida particularmente perigosa.
Paralelamente, a expansão das organizações criminosas transnacionais adiciona um fator de instabilidade raramente observado em períodos anteriores. O narcotráfico, a mineração ilegal, o contrabando de armas, os crimes ambientais e as sofisticadas redes internacionais de lavagem de dinheiro passaram a explorar as fragilidades estatais e a desafiar diretamente a autoridade pública em diferentes regiões da América do Sul.
Embora não existam elementos que permitam afirmar uma coordenação sistemática entre essas organizações e governos estrangeiros, é inegável que sua atuação amplia vulnerabilidades internas que podem ser exploradas por diferentes atores em contextos de competição estratégica.
Sob a perspectiva da Engenharia de Soberania e Estratégia, segurança pública e defesa nacional deixam de constituir sistemas independentes. Tornam-se componentes de uma única arquitetura destinada à preservação do Poder Nacional.
O mesmo ocorre com infraestrutura crítica.
Redes elétricas, sistemas financeiros, refinarias, portos, aeroportos, hidrovias, telecomunicações, cabos submarinos, centros de processamento de dados, satélites e cadeias logísticas passaram a constituir verdadeiros objetivos estratégicos permanentes.
Uma nação pode permanecer formalmente em paz e, simultaneamente, sofrer perdas econômicas, tecnológicas, institucionais e políticas equivalentes às produzidas por uma guerra convencional.
É exatamente esse o paradigma do século XXI.
Nesse ambiente, soberania deixa de ser retórica constitucional para converter-se em capacidade concreta de antecipação, adaptação e resposta.
A Engenharia de Soberania e Estratégia propõe justamente essa mudança de paradigma. Em vez de compreender Defesa Nacional apenas como responsabilidade das Forças Armadas, ou Segurança Pública apenas como atribuição policial, essa abordagem integra defesa, inteligência, indústria, ciência, engenharia, infraestrutura, segurança pública, diplomacia, logística e inovação tecnológica em um único sistema estratégico voltado à preservação da autonomia nacional.
As guerras futuras dificilmente começarão com tropas cruzando fronteiras.
Elas poderão iniciar-se pela paralisação de portos, pela interrupção de sistemas financeiros, pela manipulação da informação, pelo comprometimento de cadeias produtivas, por ataques cibernéticos, pela dependência tecnológica ou pela incapacidade industrial de responder rapidamente a crises internacionais.
A pergunta estratégica, portanto, não é se a América do Sul será afetada pela crescente competição entre potências. Os movimentos observados nas últimas décadas indicam que essa competição já alcançou a região sob diferentes formas.
A verdadeira questão consiste em saber se o Brasil será capaz de construir um projeto nacional de longo prazo capaz de fortalecer sua resiliência institucional, tecnológica, industrial e militar antes que essas pressões atinjam níveis incompatíveis com a preservação de sua autonomia estratégica.
As nações que compreenderem essa realidade investirão em ciência, engenharia, indústria de defesa, inteligência, infraestrutura crítica e inovação tecnológica como instrumentos de soberania.
As que permanecerem presas aos paradigmas do século XX descobrirão, talvez tarde demais, que a guerra do século XXI não começa quando o primeiro disparo é efetuado. Ela começa quando uma nação perde, silenciosamente, a capacidade de decidir o próprio destino.
É precisamente nesse ponto que a Engenharia de Soberania e Estratégia se apresenta não apenas como uma formulação teórica, mas como uma proposta de interpretação integrada do Poder Nacional, concebida para responder aos desafios de um ambiente internacional em que a competição permanente substituiu a paz aparente, e a capacidade de resistir tornou-se o principal indicador da verdadeira soberania.
*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho
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