Serra Verde: Quando a Mineração de Terras Raras Deixa de Ser Negócio e Passa a Ser Questão de Soberania Nacional - Por Amadeu Robalinho*
28/08/2026
Por Amadeu Robalinho Dantas da Gama Neto
Análise de Soberania Nacional, Defesa, Estratégia e Engenharia de Soberania Estratégica
Há negócios que podem ser avaliados simplesmente pela lógica financeira.
E há negócios que precisam ser compreendidos pela lógica do poder.
A aquisição da Serra Verde, proprietária do projeto Pela Ema, em Minaçu, Goiás, pela norte-americana USA Rare Earth, pertence claramente à segunda categoria.
A operação foi estruturada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões e envolve a transferência de 100% da Serra Verde para a companhia norte-americana. Mais importante que o valor financeiro é aquilo que está por trás da operação, a disputa internacional pelo controle das cadeias de suprimento de terras raras e minerais críticos.
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Por Amadeu Robalinho Dantas da Gama Neto
Análise de Soberania Nacional, Defesa, Estratégia e Engenharia de Soberania Estratégica
Há negócios que podem ser avaliados simplesmente pela lógica financeira.
E há negócios que precisam ser compreendidos pela lógica do poder.
A aquisição da Serra Verde, proprietária do projeto Pela Ema, em Minaçu, Goiás, pela norte-americana USA Rare Earth, pertence claramente à segunda categoria.
A operação foi estruturada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões e envolve a transferência de 100% da Serra Verde para a companhia norte-americana. Mais importante que o valor financeiro é aquilo que está por trás da operação, a disputa internacional pelo controle das cadeias de suprimento de terras raras e minerais críticos.
Não estamos diante apenas de uma mina.
Estamos diante de um ativo tecnológico, industrial e militar de valor estratégico.
O negócio e a atualização necessária
É necessário corrigir uma informação importante frequentemente divulgada sobre essa operação.
O investimento de US$ 750 milhões realizado pelo governo dos Estados Unidos, por intermédio do Departamento de Guerra, não corresponde simplesmente à compra direta da Serra Verde. O valor integra uma estrutura financeira mais ampla de aproximadamente US$ 1,55 bilhão destinada à consolidação de uma cadeia estratégica de terras raras.
Essa estrutura inclui o investimento governamental de US$ 750 milhões, um compromisso de compra de aproximadamente US$ 300 milhões da produção futura da Serra Verde e cerca de US$ 500 milhões em financiamento privado para viabilizar a operação.
Portanto, a interpretação correta é que os Estados Unidos estão estruturando uma plataforma estratégica de abastecimento de minerais críticos, utilizando a Serra Verde como um dos principais ativos dessa arquitetura industrial e geopolítica.
O minério que virou instrumento de poder
As terras raras ocupam uma posição singular na economia contemporânea.
São utilizadas na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, motores elétricos, equipamentos eletrônicos, sistemas de geração de energia e tecnologias indispensáveis à indústria de defesa.
Neodímio, praseodímio, disprósio e térbio deixaram de representar apenas elementos químicos.
Hoje representam capacidade industrial, autonomia tecnológica e poder estratégico.
Os Estados Unidos compreenderam essa realidade ao investir diretamente na construção de cadeias de suprimento independentes do domínio chinês.
A Serra Verde passa, portanto, a integrar uma estratégia muito maior do que a mineração brasileira.
Ela passa a ocupar posição relevante na segurança econômica e industrial norte-americana.
A China continua no centro da disputa
Durante décadas, a China construiu uma posição dominante no processamento e na transformação industrial das terras raras.
Não basta extrair o minério.
É necessário dominar as etapas de separação, refino, metalização, fabricação de ligas e produção de ímãs permanentes.
É justamente nessas etapas que reside o maior valor tecnológico.
Os Estados Unidos procuram construir uma cadeia alternativa, capaz de reduzir vulnerabilidades estratégicas e assegurar fornecimento para suas indústrias civis e militares.
É nesse contexto que Minaçu ganha importância mundial.
O Brasil possui o recurso, mas precisa dominar a cadeia
Possuir reservas minerais não significa possuir soberania tecnológica.
A verdadeira soberania mineral depende da capacidade nacional de transformar recursos naturais em produtos de elevado valor agregado.
A cadeia estratégica começa na jazida e termina nos sistemas tecnológicos.
Jazida, mineração, beneficiamento, separação, óxidos, metais, ligas, ímãs, motores, sensores e sistemas de defesa fazem parte de uma mesma arquitetura industrial.
Se o Brasil permanecer apenas na condição de fornecedor de matéria-prima, continuará importando produtos fabricados com recursos extraídos de seu próprio território.
Esse é um dos maiores desafios estratégicos nacionais.
A dimensão da defesa nacional
A indústria de defesa moderna depende profundamente dos minerais críticos.
Radares, aeronaves, mísseis, sistemas de orientação, plataformas navais, veículos militares, sensores e equipamentos eletrônicos incorporam materiais produzidos a partir das terras raras.
Por essa razão, grandes potências passaram a considerar esses minerais como componentes de sua infraestrutura de segurança nacional.
A mineração deixou de ser apenas atividade econômica.
Transformou-se em instrumento de projeção de poder.
A posição brasileira
O governo federal descartou uma intervenção direta na venda da Serra Verde.
A decisão baseia-se na compreensão de que a operação ocorre dentro das regras jurídicas e empresariais vigentes, preservando a segurança jurídica dos investimentos.
O CADE também arquivou o procedimento relacionado à operação por entender que não havia obrigatoriedade de notificação prévia conforme os critérios legais aplicáveis.
Contudo, uma questão jurídica encerrada não significa uma discussão estratégica concluída.
O debate sobre soberania começa exatamente onde termina a análise puramente concorrencial.
Engenharia de Soberania Estratégica
É nesse ponto que surge o conceito de Engenharia de Soberania Estratégica.
Uma nação soberana não é apenas aquela que possui recursos naturais.
É aquela capaz de conhecer, desenvolver, produzir, manter e substituir tecnologias essenciais à sua independência estratégica.
Para isso, o Brasil precisa estruturar uma política nacional baseada em cinco pilares fundamentais.
Soberania geológica, conhecimento integral das reservas nacionais.
Soberania mineral, capacidade de mineração e beneficiamento.
Soberania tecnológica, domínio da separação, refino e metalurgia avançada.
Soberania industrial, fabricação nacional de ímãs, motores e componentes.
Soberania de defesa, integração dos minerais críticos à Base Industrial de Defesa.
Somente assim os recursos minerais poderão transformar-se em poder nacional.
O paradoxo de Minaçu
Minaçu encontra-se diante de uma oportunidade histórica.
O município abriga um dos mais importantes projetos de terras raras do Ocidente e passa a integrar diretamente a disputa geopolítica entre grandes potências.
O paradoxo brasileiro é evidente.
Possuímos o recurso estratégico, mas ainda buscamos consolidar a capacidade industrial necessária para dominar toda a cadeia tecnológica.
A grande pergunta não é quem comprou a mina.
A verdadeira pergunta é qual será o papel do Brasil na economia estratégica das terras raras nas próximas décadas.
Conclusão
A aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth deve ser interpretada como um marco da nova geopolítica dos minerais críticos.
Não se trata apenas de uma operação empresarial de US$ 2,8 bilhões.
Trata-se da incorporação de um ativo mineral brasileiro a uma estratégia internacional de segurança econômica, indústria avançada e defesa nacional.
O desafio brasileiro não está necessariamente em impedir investimentos estrangeiros.
O verdadeiro desafio consiste em garantir que esses investimentos produzam desenvolvimento científico, industrial, tecnológico e estratégico dentro do território nacional.
Soberania não significa isolamento.
Soberania significa capacidade.
Capacidade de transformar riqueza mineral em conhecimento, conhecimento em tecnologia e tecnologia em poder nacional.
Essa é a verdadeira lição estratégica de Minaçu.
*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho
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Leia outras informações
Exclusivo - Nas cordas após revelações de Amisadai, Raquel tenta acionar Polícia Civil para criar fato novo político
28/08/2026
A notícia exclusiva
Pressionada pelas sucessivas revelações atribuídas a Amisadai Andrade sobre a existência e o funcionamento de uma suposta estrutura de ataques a adversários políticos, a governadora Raquel Lyra estaria buscando uma reação capaz de mudar o centro do debate público. A informação que circula nos bastidores é de que setores da Polícia Civil de Pernambuco estariam se movimentando para realizar buscas e...
O Poder é sempre bem informado, nessa área. Nossas fontes principais, as paredes do Palácio das Princesas, não falham. Informações apontam para possível ofensiva da Polícia Civil, que estariam sendo organizadas na correria contra páginas e influenciadores críticos à governadora. A operação esta encontrando fortes resistências no interior da própria corporação. E eventual investigação de crimes eleitorais está sujeita às competências definidas pela legislação e à atuação da Polícia Federal. Nenhuma policia estadual pode se meter nisso.
A notícia exclusiva
Pressionada pelas sucessivas revelações atribuídas a Amisadai Andrade sobre a existência e o funcionamento de uma suposta estrutura de ataques a adversários políticos, a governadora Raquel Lyra estaria buscando uma reação capaz de mudar o centro do debate público. A informação que circula nos bastidores é de que setores da Polícia Civil de Pernambuco estariam se movimentando para realizar buscas e apreensões envolvendo páginas e influenciadores conhecidos por fazer críticas à gestão estadual.
A eventual ofensiva
Chama atenção não apenas pelo momento político em que ocorreria, mas principalmente pela necessidade de observar os limites legais de competência de cada instituição. Caso as diligências estejam relacionadas diretamente à disputa eleitoral ou à apuração de crimes eleitorais, a atuação investigativa deve respeitar as atribuições da Polícia Federal e o controle da Justiça Eleitoral. Qualquer medida de busca e apreensão, além disso, depende de fundamentação e autorização judicial.
O movimento
Caso confirmado, ocorreria justamente quando Raquel enfrenta uma das situações politicamente mais delicadas de sua campanha. As declarações atribuídas a Amisadai passaram a alimentar questionamentos sobre sua relação com uma suposta rede digital dedicada a atacar adversários. Reportagens recentes também trouxeram novos elementos sobre encontros e circulação do personagem em ambientes ligados ao Governo do Estado.
Nesse contexto
Uma operação contra vozes críticas ao governo inevitavelmente seria submetida a forte escrutínio público. Mais do que o conteúdo das investigações, entrariam em discussão a origem das apurações, sua fundamentação jurídica, a autoridade responsável e, sobretudo, se existe alguma interferência política sobre a atuação da Polícia Civil.
A questão central
É simples: investigação policial não pode funcionar como instrumento de reação a uma crise política nem como mecanismo para produzir uma nova agenda eleitoral. Se houver indícios concretos de crimes, eles devem ser apurados pelas autoridades competentes, dentro da lei, com independência e controle judicial. Se não houver, qualquer tentativa de mobilizar a estrutura estatal contra críticos da governadora poderá abrir uma crise ainda maior do que aquela que se pretendia superar.
É Findi - O que é o amor sem a cólera? - Crônica - Por AJ Fontes*
28/08/2026
Mergulhei nessa onda de malfeitos contra a sociedade. Trocas de bombas tecnológicas, dores no ciático e pensei na condição do amigo que não vejo faz tempo e o que acontece com o filho que mora longe.
Emerjo desse mar de aflições e pelejas mais ou menos próximas arfando em busca de alívio para a mente e para o enrijecer dos músculos. O desafogo se apresenta no sorriso da companheira ao falar de um momento nosso; no abraço suado daquele filho no meio de uma brincadeira; na conversa sobre livros com o amigo desaparecido.
Assim, alimentado pela endorfina e outras “inas”, participo das conversas com o vizinho sobre o amigo de quatro patas que resolveu aliviar a bexiga no vaso da nossa plantinha predileta na porta do apartamento; também ouço os comen...
Pela manhã, um comentarista de rádio falou sobre o amor e comecei a pensar na atenção que reservamos a esse assunto. Passei o dia ouvindo, lendo e vendo notícias, mas apenas aquela com o mote do amor.
Mergulhei nessa onda de malfeitos contra a sociedade. Trocas de bombas tecnológicas, dores no ciático e pensei na condição do amigo que não vejo faz tempo e o que acontece com o filho que mora longe.
Emerjo desse mar de aflições e pelejas mais ou menos próximas arfando em busca de alívio para a mente e para o enrijecer dos músculos. O desafogo se apresenta no sorriso da companheira ao falar de um momento nosso; no abraço suado daquele filho no meio de uma brincadeira; na conversa sobre livros com o amigo desaparecido.
Assim, alimentado pela endorfina e outras “inas”, participo das conversas com o vizinho sobre o amigo de quatro patas que resolveu aliviar a bexiga no vaso da nossa plantinha predileta na porta do apartamento; também ouço os comentários sobre a invasão de um país do outro lado do mundo onde ocorrem mortes sem conta.
Como seriam os meus dias sem essas contrariedades? Será que teria um excesso de “inas” no organismo? Nem sei da necessidade de tantas e o que faria com tanta coisa boa em mim. Talvez ocorram para contrariarem os aborrecimentos.
Com o excedente poderia sair por aí, espalhando frases como: o amor é lindo ou fazendo o bem sem olhar a quem. Mas aparece uma muriçoca e me pica, ou recebo a notícia da morte de um amigo ou parente querido, e aí, fico aborrecido, triste.
A danada da muriçoca e as más notícias, ou os sentimentos que trazem, me levam à busca de novas doses que me façam, como diz Gonzaguinha: não ter a vergonha de ser feliz.
O reabastecimento desses químicos valiosos me torna capaz de passar por atribulações futuras e me faz prosseguir na busca da eterna felicidade – se é que ela existe!
*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes

É Findi - Meiguices - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
28/08/2026
céleres viagens,
de flor em flor:
paisagens!
No azul celestial,
são cintilantes,
quais cristais,
diamantes.
Circulares rodopios,
paradas marginais,
volteios.
São vivas romarias,
devaneios jamais,
enleios!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
Voos de beija-flores,
céleres viagens,
de flor em flor:
paisagens!
No azul celestial,
são cintilantes,
quais cristais,
diamantes.

Circulares rodopios,
paradas marginais,
volteios.
São vivas romarias,
devaneios jamais,
enleios!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99

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É Findi - Série Prédios Ícones de Pernambuco - Colégio Diocesano de Garanhuns - Por Silvio Amorim*
28/08/2026
Foi nesse Colégio em que tive uma das grandes experiências da minha vida. Interno ao longo de três anos, onde fiz o "admissão", primeiro e segundo ano ginasial.
Fundado em 1915, sob a responsabilidade da Diocese de Garanhuns, fez história através dos seus sete diretores, centenas de professores, colaboradores e milhares de alunos e ex-alunos.
Referências
Entre esses, um destaque especial ao Monsenhor Adelmar da Mota Valença, o mais longevo diretor, que marcou época pelo seu carisma e compromisso social, autoridade moral e ética perante sua comunidade e, principalmente, diante dos alunos internos e externos.
Referências do magistério que são lembrados até hoje: Levino Epaminondas de França, Almira Valença, Maria José Ferrei...
O Colégio Diocesano de Garanhuns faz parte de um remanescente e seleto grupo de instituições de ensino que visa ao conhecimento aliado à formação integral do aluno: humana, cívica e, por sua origem, religiosa.
Foi nesse Colégio em que tive uma das grandes experiências da minha vida. Interno ao longo de três anos, onde fiz o "admissão", primeiro e segundo ano ginasial.
Fundado em 1915, sob a responsabilidade da Diocese de Garanhuns, fez história através dos seus sete diretores, centenas de professores, colaboradores e milhares de alunos e ex-alunos.
Referências
Entre esses, um destaque especial ao Monsenhor Adelmar da Mota Valença, o mais longevo diretor, que marcou época pelo seu carisma e compromisso social, autoridade moral e ética perante sua comunidade e, principalmente, diante dos alunos internos e externos.
Referências do magistério que são lembrados até hoje: Levino Epaminondas de França, Almira Valença, Maria José Ferreira, Luzinete Laporte. Instrutores:
Carlos Lins, Fernando Berenguer e João de Barros, dentre tantos outros marcados pela dedicação.
Centenário
O Colégio Diocesano de Garanhuns pontifica durante mais de 100 anos em uma das cidades mais agradáveis de Pernambuco, não só pelo excelente clima, como também pelo seu povo acolhedor, que recebeu milhares de estudantes de outras localidades. Poderíamos, assim, dizer que Garanhuns não é só a "Suíça Pernambucana", mas também a nossa "Coimbra". Durante mais de cinquenta anos, o Colégio Diocesano de Garanhuns, chamado carinhosamente de Diocesano, manteve o sistema de internato. Ora, alunos para quem os pais buscavam um melhor ensino para os filhos.
Ora, alunos cujos pais já tinham esgotado as possibilidades da boa convivência com os livros e a disciplina (até hoje não sei onde me classificaram).
Solidários
Vinham estudantes de várias partes de Pernambuco e estados vizinhos e de diversas camadas sociais e econômicas.
Conviviam diuturnamente, dormindo em três grandes dormitórios, tomando café da manhã com mungunzá, assistindo às aulas, almoçando, fazendo bancas de estudos, jantando, eventualmente em pé, pagando castigo ou recreando na área e na quadra. Eram, aproximadamente, duzentos filhos de comerciantes, comerciários, industriais, operários, governador e outros servidores públicos, índios, profissionais liberais, parlamentares, trabalhadores rurais, agricultores, jornalistas, promotores, juízes e apenados, esses os de que me lembro.
Diferença
Era uma vivência e convivência educadora para a vida, de que tive a oportunidade de usufruir durante três anos, depois de haver passado quase um ano interno no Colégio Cristo Rei, em Pesqueira. Muitas histórias, parcerias e amizades foram consolidadas por aqueles que tiveram a oportunidade de participar dessa grande "aventura" de crescimento para tornarem-se pessoas melhores.
Por se tratar o Diocesano de Garanhuns de uma das poucas instituições culturais centenárias do estado de Pernambuco e com grandes serviços prestados à educação, ser seu ex-aluno faz a diferença.
Reencontro
A repercussão do Diocesano em nossa Região foi exponencial. Durante esses mais de 100 anos, considerando que a educação, como política pública, não foi prioridade no país, a participação das ordens religiosas assumiu dimensões gigantescas, minimizando a ausência estatal.
Essas escolas mantiveram o ideal da educação e da formação integral de parte da juventude, formando uma bela salada social, cultural e econômica. Por tudo isso, vida longa ao nosso "Gynásio" de Garanhuns. E aos que por lá passaram, lembramos que 12 de outubro será sempre uma data memorável, será o dia do nosso grande reencontro, sempre lá, na antiga Praça da Bandeira, hoje Praça
Monsenhor Adelmar da Mota Valença.
*Silvio Amorim é advogado e orgulhoso ex-aluno interno do Colégio Diocesano de Garanhuns. Faz parte da associação Teatro de Amadores de Pernambuco.

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É Findi - Série História de Pernambuco - Depois de Nassau: quando o equilíbrio começou a se romper - Por Alfredo Cabral de Melo*
28/08/2026
Quando Maurício de Nassau deixou Pernambuco, em maio de 1644, não terminou apenas um período de governo. Encerrava-se também uma experiência administrativa que havia procurado conciliar interesses bastante diferentes dentro da conquista neerlandesa.
Como vimos no artigo anterior, Pernambuco ocupava posição central em uma estrutura que ultrapassava seus limites. A Companhia das Índias Ocidentais dependia da produção açucareira, dos engenhos e do comércio para sustentar sua presença no Brasil, enquanto os proprietários precisavam de crédito, de trabalhadores escravizados e de condições que lhes permitissem manter a produção. Entre esses interesses estavam comerciantes, credores, administradores e outros grupos ligados, de diferentes maneiras, à economia açucareira.
Nassau govern...
A saída de Nassau não criou os problemas do domínio neerlandês, mas marcou uma nova etapa para uma administração que já enfrentava dificuldades econômicas e políticas.
Quando Maurício de Nassau deixou Pernambuco, em maio de 1644, não terminou apenas um período de governo. Encerrava-se também uma experiência administrativa que havia procurado conciliar interesses bastante diferentes dentro da conquista neerlandesa.
Como vimos no artigo anterior, Pernambuco ocupava posição central em uma estrutura que ultrapassava seus limites. A Companhia das Índias Ocidentais dependia da produção açucareira, dos engenhos e do comércio para sustentar sua presença no Brasil, enquanto os proprietários precisavam de crédito, de trabalhadores escravizados e de condições que lhes permitissem manter a produção. Entre esses interesses estavam comerciantes, credores, administradores e outros grupos ligados, de diferentes maneiras, à economia açucareira.
Nassau governou dentro dessa realidade. Sua administração procurou organizar a conquista e estabelecer relações com os moradores, mas não eliminou as dificuldades que já existiam. Por isso, sua saída não deve ser vista como o momento em que todos os problemas começaram. Ela marcou, antes, uma mudança na maneira como essas dificuldades seriam enfrentadas.
Uma economia que já carregava problemas
O açúcar continuava sendo uma das principais fontes de riqueza da região, mas sua produção exigia muito mais do que terras adequadas ao cultivo da cana. Um engenho dependia de equipamentos, animais, trabalhadores escravizados, abastecimento e, sobretudo, recursos para manter toda essa estrutura funcionando.
O crédito fazia parte dessa engrenagem. Os proprietários assumiam compromissos para produzir, enquanto comerciantes e credores esperavam receber de volta os valores emprestados ou adiantados. Quando a produção não correspondia às expectativas ou as condições do comércio se tornavam desfavoráveis, o endividamento podia se agravar.
Essa situação já era conhecida durante o governo de Nassau. Documentos reunidos por José Antônio Gonsalves de Mello registram negociações envolvendo dívidas de senhores de engenho e acordos destinados a preservar propriedades e sua capacidade produtiva. A questão, portanto, não era simplesmente cobrar ou deixar de cobrar. A Companhia precisava recuperar seus recursos sem comprometer uma estrutura econômica da qual ela própria dependia.
Esse equilíbrio era difícil e não desapareceu com a saída de Nassau.
O que mudou depois de 1644?
A administração que sucedeu a Nassau encontrou uma situação que exigia respostas. A Companhia das Índias Ocidentais havia realizado uma conquista dispendiosa e precisava recuperar seus investimentos, enquanto muitos moradores estavam profundamente envolvidos em relações de crédito e endividamento.
O problema estava justamente nessa dependência mútua. Para a Companhia, era necessário obter receitas e recuperar créditos. Para os proprietários, qualquer cobrança que comprometesse suas terras, seus equipamentos ou sua capacidade de produzir poderia tornar ainda mais difícil o pagamento das próprias dívidas.
Não se tratava, portanto, de uma simples oposição entre holandeses e portugueses. As relações econômicas haviam aproximado pessoas de origens e interesses diferentes, e alguns moradores haviam permanecido em Pernambuco durante o domínio neerlandês, negociando com a nova administração. Outros, entretanto, continuavam ligados à ordem política portuguesa ou mantinham razões para se opor ao domínio da Companhia.
Essa diversidade é importante porque ajuda a compreender por que a Restauração Pernambucana não pode ser explicada por uma única causa.
João Fernandes Vieira e a complexidade das relações
A trajetória de João Fernandes Vieira é particularmente reveladora desse ambiente. Sua relação com o domínio neerlandês não pode ser compreendida apenas pela posição que assumiria posteriormente na Insurreição.
Antes de se tornar uma das principais figuras da Restauração, Vieira esteve inserido na vida econômica do Pernambuco neerlandês e manteve relações de negócios e de crédito. A documentação reunida por Gonsalves de Mello permite acompanhar parte dessas relações e perceber como interesses econômicos e posições políticas podiam mudar ao longo do tempo.
Sua trajetória ajuda também a evitar uma interpretação simplificada, segundo a qual os moradores teriam permanecido, desde o início da ocupação, divididos em dois grupos perfeitamente definidos. A realidade era mais móvel. Havia aproximações, negócios, conflitos e mudanças de posição, determinadas pelas circunstâncias e pelos interesses envolvidos.
A futura revolta, portanto, não nasceu de uma sociedade que estivesse simplesmente esperando o momento de expulsar os neerlandeses.
Nassau não era a solução para tudo
É nesse ponto que a imagem de Nassau precisa ser observada com algum cuidado.
Seu governo foi marcado por iniciativas importantes na administração do território, na organização do Recife e nas relações com diferentes setores da sociedade. Isso, porém, não significa que tenha resolvido os problemas econômicos e políticos que estavam na base da presença neerlandesa.
As próprias negociações relacionadas às dívidas dos engenhos demonstram que essas dificuldades permaneciam. Nassau podia administrar conflitos, negociar interesses e procurar preservar a produção, mas governava dentro das limitações impostas pela Companhia das Índias Ocidentais e pelas circunstâncias da própria conquista.
Sua saída, portanto, não criou a crise. Retirou do cenário uma forma de administrá-la que, apesar de suas limitações, havia procurado conciliar interesses diferentes.
É justamente por isso que 1644 merece atenção. O ano não representa uma ruptura absoluta entre duas histórias diferentes, mas uma mudança de etapa dentro de um processo que já vinha se desenvolvendo.
Da dificuldade econômica à tensão política
Nos meses que antecederam a Insurreição, questões econômicas passaram a se encontrar cada vez mais com questões políticas. A cobrança de dívidas, a situação dos engenhos e os interesses da Companhia não estavam separados das disputas pelo controle do território e das lealdades políticas.
Ainda assim, seria precipitado afirmar que o endividamento dos senhores de engenho provocou, sozinho, a Restauração. A guerra que começaria em 1645 envolveu outros fatores e outros grupos, e sua duração demonstra que não se tratava apenas de uma reação de devedores contra credores.
O que podemos perceber é que a economia ajudou a formar o ambiente no qual a crise política se desenvolveu. Quando relações que dependiam de negociação começaram a se tornar mais difíceis, diminuiu também o espaço para acomodar interesses divergentes.
É nesse ambiente que Pernambuco se aproximou de 1645.
A questão já não era somente como manter os engenhos funcionando, recuperar dívidas ou administrar uma conquista. Aos poucos, tornou-se necessário discutir quem teria autoridade para continuar governando aquele território e em que condições essa autoridade seria aceita pelos seus moradores.
É a partir dessa mudança que podemos compreender melhor o que aconteceria.
*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo

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É Findi - Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras - ACACCIL - Crônica - Por Malude Maciel*
28/08/2026
De quando em vez, torna-se imprescindível remexer o passado em busca da origem das coisas, da nossa indentidade, numa curiosidade benéfica de saber como algo começou, quando e como foram os primeiros passos, tendo explicações e dando um mergulho na História, tal qual um garimpeiro procurando preciosidades ou como um arqueólogo decifrando evidências num quebra-cabeça de peças raras encontradas, encaixando os achados para formar um mosaico perfeito, pelo prazer de reconstituir, resgatar acontecimentos históricos importantes. Isto é fascinante!
A Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras - ACACCIL, que este ano completou 44 anos de existência, funciona à Rua XV de Novembro, 215, no centro da cidade de Caruaru, tendo sido fundada em 18 de maio de 1982 (data aniversária da cidade), em sede provisória do Centro de Cultura Popular Luísa Maciel, BR 232-Km...
"A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás mas, deve ser vivida, olhando-se para frente."
De quando em vez, torna-se imprescindível remexer o passado em busca da origem das coisas, da nossa indentidade, numa curiosidade benéfica de saber como algo começou, quando e como foram os primeiros passos, tendo explicações e dando um mergulho na História, tal qual um garimpeiro procurando preciosidades ou como um arqueólogo decifrando evidências num quebra-cabeça de peças raras encontradas, encaixando os achados para formar um mosaico perfeito, pelo prazer de reconstituir, resgatar acontecimentos históricos importantes. Isto é fascinante!
A Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras - ACACCIL, que este ano completou 44 anos de existência, funciona à Rua XV de Novembro, 215, no centro da cidade de Caruaru, tendo sido fundada em 18 de maio de 1982 (data aniversária da cidade), em sede provisória do Centro de Cultura Popular Luísa Maciel, BR 232-Km 131 depois de muito trabalho de cinco pessoas altamente capazes e determinadas que por longo período, lutaram para ver seu sonho realizado. Estas personalidades que marcaram época e foram pioneiras naquele empreendimento de sucesso, foram chamadas de "visionárias" porque viam o futuro, tinham uma visão privilegiada de algo além e pensaram grande, sonharam alto pois, muitos não acreditavam que seu sonho se tornasse realidade. Era um grupo seleto e abnegado, formado por três professores e advogados: Amaro Matias Silva; Mário Menezes e Walter Augusto de Andrade; um odontólogo: Emmanuel de Souza Leite e uma artista plástica: Luísa Cavalcanti Maciel.
Antes
É certo que a ideia inicial havia sido lançada alguns anos atrás, pelo professor e folclorista Aleixo Leite Filho e, naquele momento estava tomando forma, concretizando-se a ferro e fogo nas mãos do quinteto incontestável dos sócios acadêmicos fundadores, fiéis escudeiros, que permaneceram atuantes e fortes como colunas de mármore esculpidas pelo destino até a morte, pela vontade divina e soberana de Deus, que tudo pode e faz como Ele quer. Atualmente, todos eles já partiram para a eternidade deixando seu legado incomum e valioso para toda uma comunidade.
Tarefa árdua
Como se sabe, não foi um trabalho fácil; havia reuniões e mais reuniões, sempre na residência da pintora e artista plástica, Luísa Maciel, única mulher no grupo, a qual não media esforços em prol de tal empreendimento de real importância para a Capital do Agreste que deveria crescer mais e, já dera ao mundo artístico, Cultural e Literário as figuras eminentes de seus filhos: Austregésilo de Attayde, os irmãos Condé , Álvaro Lins, Limeira Tejo, Nelson Barbalho, Mestre Vitalino, etc. alguns deles à época já participavam da Academia Brasileira de Letras e brilhavam no cenário intelectual de todo país e do exterior para orgulho de seus conterrâneos e daqueles visionários que se inspiravam em tais exemplos de bravura, inteligência e capacidade.
O árduo trabalho daquele grupo, coeso e decidido chegava à exaustão, examinando as inúmeras dificuldades que deveriam ser superadas para que, em uma cidade do interior pernambucano, existisse uma réplica da academia maior do Brasil. Até parecia, algumas vezes, impossível, mas o tempo e a vitória mostraram que valeu a pena não vacilar e lutar por aquele ideal de toda uma população ansiosa pelo seu desenvolvimento no mundo das Artes, das Letras e da Ciência.
Primeiro Presidente
Após todos os acertos, a primeira presidência coube ao advogado e professor Mário Menezes, também Diretor da Faculdade de Filosofia de Caruaru - FAFICA, tendo como Secretária, a tão vibrante colaboradora, pintora de renome, Luísa Maciel, que faria centenário de nascimento neste ano. Naquela mesma data foi aprovado o Estatuto que ainda hoje rege os destinos de nossa querida ACACCIL, cuja trajetória sempre foi eminente até os dias atuais e, já em 25 de fevereiro de 1983, quando foi realizada a sua terceira Assembleia Geral, foi deliberada a solicitação de uma sede, um local permanente, aberto ao público, para os demais eventos e reuniões que se fizessem necessários, ao então Prefeito do Município de Caruaru, Dr. José Queiroz de Lima, o que veio a se concretizar em 18 de maio de 1988, com a inauguração da atual sede, que recebeu o título de: "Casa Geminiano Campos", em homenagem ao médico que residiu no local; o fato aconteceu na gestão do acadêmico Ivan Brandão. Ademais, no dia 13 de abril de 1983, a quarta Assembleia Geral aprovou os seguintes nomes como titulares das Cadeiras instituídas: Kermógenes Dias; Monsenhor Bernardino de Carvalho; Demóstenes Veras; Azael Leitão; Aguinaldo Fagundes; Onildo Almeida; Nelson Barbalho; Janduhy Filizola; Aureliano Alves; Carlos Alberto Toscano de Carvalho; Luiz Garcia da Silva; Ivan Brandão; Agostinho Batista; Arary Marrocos e Artur Tabosa porém, somente a acadêmica Arary permanece entre nós.
Presidentes
Até o presente estiveram presidência desta importante instituição os seguintes acadêmicos: O primeiro Presidente na gestão 18.5.82-84 Mário Menezes; segundo: Amaro Matias; terceiro: Ivan Brandão; quarto: Carlos Toscano; quinto: outra vez Ivan Brandão; sexto: outra vez Amaro Matias; sétimo: Antônio Cláudio Pedrosa (na época diretor do Colégio Municipal; oitavo: Luiz Garcia; nono: Argemiro Pascoal; décimo: outra vez Argemiro Pascoal; décimo primeiro: Ernesto Queiroz Jr. ; décimo segundo: Arary Marrocos; décimo segundo: Walter Andrade; décimo terceiro: outra vez Walter Andrade; décimo quarto: Onildo Almeida; décimo quinto: outra vez Onildo Almeida; décimo sexto: Maria de Lourdes Sousa Maciel (Malude); décimo sétimo: outra vez Arary Marrocos; décimo oitavo: Agildo Galdino Ferreira; sendo reeleito para o novo biênio mas, sofreu acometimento da pandemia do corona vírus e renunciou em favor do seu vice: José Severino do Carmo; décimo nono: Paulo Muniz Lopes que permanece no cargo atualmente, tendo sido reeleito para sua terceira gestão, sendo o mesmo, Reitor da Asces-Unita.
Convidando
Um breve resumo da história da ACADEMIA Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras que continua atuando dignamente , de portas abertas para receber, tanto os visitantes como os habitantes de nossa "Terrinha Santa"para juntos compartilharmos as programações anuais, abraçando os valores literários de nossa gente, nosso torrão natal que devemos amar e respeitar com muito fervor.
Sabe-se que um povo sem memória histórica, sem culto ao passado, não tem futuro. Assim, temos uma bela história de conquista, talento e perseverança pois, a esperança não é um sonho, é uma maneira de transforma sonhos em realidade.
ACACCIL cátedra número 15 - patronesse: Professora Sinhazinha.
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel

O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
É Findi – Um Homem Nu - Croniqueta - Por Xico Bizerra*
28/08/2026
Sozinho, perdido, abraçou o vazio e lhe ofereceu o braço. De mãos dadas, ele e o vazio, saem em busca da lua e de um clarão, de um infinito longínquo, cada vez mais longe de Deus. Em pouco tempo encontrarão, ermos, o nada além dos céus, a solidão das galáxias distantes e inalcançáveis. E o homem nu assim permanecerá até que o dia vista sua roupa e cumpra sua missão de abrigar os homens nus que por aqui vagueiam ...
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico
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Nem Deus, nem Diabo, nem estrela, nem breu. Apenas um homem, nu, se esconde na rua, na escuridão de um dia que amanheceu sem sol. Na noite, num caminho só de ida, o homem nu vagueou buscando a si mesmo. Não se encontrou.
Sozinho, perdido, abraçou o vazio e lhe ofereceu o braço. De mãos dadas, ele e o vazio, saem em busca da lua e de um clarão, de um infinito longínquo, cada vez mais longe de Deus. Em pouco tempo encontrarão, ermos, o nada além dos céus, a solidão das galáxias distantes e inalcançáveis. E o homem nu assim permanecerá até que o dia vista sua roupa e cumpra sua missão de abrigar os homens nus que por aqui vagueiam ...
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico

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É Findi - Pelo Outro Lado da Margem - Crônica - Por Romero Falcão*
28/08/2026
É comum conversar com as pessoas e ouvir:
— Faz muito tempo que não vou ao centro do Recife. Fazer o quê por entre ruas inseguras, fedendo a mijo?
Rua do Hospício
Quando muito, a classe média — média? — dá um pulo no carnaval ou no Recife Antigo, nos fins de semana. Uma amiga me disse que fazia anos que não passava pela Rua do Hospício.
Vagabundo
Pela outra margem do rio, tiro um ou dois dias do mês — durante a semana — para perambular pela cidade vazia. Vagabundo, sem propósito, meta ou GPS.
Livros nos Sebos
Enquanto uma massa humana abandonava o Marrocos em direção a Ceuta, eu caminhava tranquilo pela Rua do Corredor do Bispo. Enquanto, na Ucrânia, drones explodiam soldados, eu folheava livros nos sebos.
Cão sem Plumas
O que se pode fazer com essa sorte — longe da guerra? O que se pode...
"O pensamento delira o mundo" - Deleuze.
É comum conversar com as pessoas e ouvir:
— Faz muito tempo que não vou ao centro do Recife. Fazer o quê por entre ruas inseguras, fedendo a mijo?
Rua do Hospício
Quando muito, a classe média — média? — dá um pulo no carnaval ou no Recife Antigo, nos fins de semana. Uma amiga me disse que fazia anos que não passava pela Rua do Hospício.
Vagabundo
Pela outra margem do rio, tiro um ou dois dias do mês — durante a semana — para perambular pela cidade vazia. Vagabundo, sem propósito, meta ou GPS.
Livros nos Sebos
Enquanto uma massa humana abandonava o Marrocos em direção a Ceuta, eu caminhava tranquilo pela Rua do Corredor do Bispo. Enquanto, na Ucrânia, drones explodiam soldados, eu folheava livros nos sebos.
Cão sem Plumas
O que se pode fazer com essa sorte — longe da guerra? O que se pode fazer desta cidade? Escrever uma crônica, forçar um devaneio, fingir preocupação social, observar o rio e só ver rio ou o Cão sem Plumas, de João Cabral? Comprar uma bermuda para hibernar na gaveta? Evitar olhar os moradores de rua- ninguém olha para eles de verdade-? Voltar para casa arrependido de ter vindo?
O que se faz, afinal?
Entro numa igreja. Fazia tempo que não dobrava os joelhos sob uma grande nave — a da Igreja da Penha. Mais do que a metafísica, o que me enche os olhos é a arte dos templos.
Deus, Tomara!
Estou agora ao lado do Mercado de São José. A igreja foi restaurada; o mercado está em processo de revitalização. Ouvi dizer alguma coisa parecida com o Mercadão de São Paulo, com mezanino e tudo. Deus, tomara!
Papa de Sagu
Vagueio pelo entorno. Sinto saudade do lambe-lambe, com seu tripé, paletó e a cabeça escondida sob um pano preto, capturando fotografias. Vejo-me menino, levado pelo meu pai aos sábados, carregando sacola de feira, melando a boca de papa de sagu.

Jibóia
Também me vem, com nitidez, o homem da mala que guardava uma jiboia e, quando não estava na Dantas Barreto, estirava o bicho no Largo de São José.
Peixe Elétrico
O peixe elétrico também fazia sucesso na calçada, diante do medo dos meninos que exploravam, pela primeira vez, o velho Recife.
Saio do delírio do século passado e volto às ruas insípidas, mortas.

Miragem
Mas alguma coisa acontece no coração da esperança quando estico os passos e vejo, ainda de longe, feito miragem, o magnífico prédio do Liceu de Artes e Ofícios restaurado.
Quanto mais me aproximo, mais olho para ele. Todo. De ponta a ponta.
Remoçado
Como me doía ver uma arquitetura daquela tão debilitada, abandonada na Praça da República, aos pés do Teatro Santa Isabel. Agora está belo, remoçado, vivo. As escadas, o gradil, o arco das janelas. O brilho da tinta fresca.
Ressuscite
Há poucos dias, li neste periódico que os carros voltarão a fazer o sangue circular pela Rua da Imperatriz. Quem sabe o santo ajude e o sobrado onde morou Clarice Lispector, na Praça Maciel Pinheiro, ressuscite com uma nova cidade.
Quem poderá tirar o delírio do meu Recife?
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

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É Findi – Clube Náutico Capibaribe - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*
28/08/2026
Por proposta do remador João Alfarra, foi criado, em fins do ano de 1898, no antigo Largo do Corpo Santo, nas imediações do atual Marco Zero, o Clube Náutico Capibaribe, ainda com o nome de “Recreio Fluvial”. O seu registro, no entanto, só viria ocorrer em 7 de abril de 1901, data oficial de criação do clube, que nessa época passou a ocupar a casa nº 1 do Cais José Mariano, sua primeira sede, com o objetivo único da prática do elitizado remo, daí, o seu nome e seu escudo: dois remos cruzados. Sua segunda sede foi na rua da Aurora, próximo ao cinema São Luís, na esquina da Rua Clube Náutico. Depois a garagem de seus barcos foi transferida para as atuais instalações, na mesma rua, ao lado do seu rival, o Clube de Remo Almirante Barroso.
Só em 1906 é que o NÁUTICO, com um time basicamente de ingleses, começou a prática de futebol, vindo a ser campeão pernambucano, pela primeira vez, vinte e oito anos depois, em 1934, já na fase...
Tratamos, agora, do Náutico:
Por proposta do remador João Alfarra, foi criado, em fins do ano de 1898, no antigo Largo do Corpo Santo, nas imediações do atual Marco Zero, o Clube Náutico Capibaribe, ainda com o nome de “Recreio Fluvial”. O seu registro, no entanto, só viria ocorrer em 7 de abril de 1901, data oficial de criação do clube, que nessa época passou a ocupar a casa nº 1 do Cais José Mariano, sua primeira sede, com o objetivo único da prática do elitizado remo, daí, o seu nome e seu escudo: dois remos cruzados. Sua segunda sede foi na rua da Aurora, próximo ao cinema São Luís, na esquina da Rua Clube Náutico. Depois a garagem de seus barcos foi transferida para as atuais instalações, na mesma rua, ao lado do seu rival, o Clube de Remo Almirante Barroso.
Só em 1906 é que o NÁUTICO, com um time basicamente de ingleses, começou a prática de futebol, vindo a ser campeão pernambucano, pela primeira vez, vinte e oito anos depois, em 1934, já na fase de profissionalismo.
Suas cores são o vermelho e branco, o símbolo, o timbu e o hino o famoso Come e Dorme que destaca o grito de guerra : N. A. U. T. I. C. O.
Na década de 60, chegou ao inigualável título de hexa-campeão do futebol pernambucano. Dispunha, nessa ocasião, de uma brilhante equipe composta por grandes pebolistas como os irmãos Bita e Nado, Salomão, Ivan, Lula e Lala, entre outros, que chegaram ao vice-campeonato brasileiro, em plena era Pelé, tendo vencido o Santos, dentro da Vila Belmiro, pelo placar de 5x3, com Bita marcando 3 tentos no goleiro Gilmar.
A sede social e o estádio de futebol estão situados na mesma área onde uma placa registra na entrada das instalações:
A pedra fundamental da nova sede foi lançada em 7 de abril de 1950 e inaugurada três anos depois, com grande empenho de um de seus principais baluartes, o empresário Eládio de Barros Carvalho.
O carnaval do Clube Náutico é um dos mais tradicionais do Recife, com seus fabulosos bailes noturnos e matinês em sua sede social, onde se destacava, na década de 60, nas sextas-feiras, as famosas tertúlias, semelhantes aos encontros de brotos aos domingos, no Clube Internacional.

O Clube tem como evento tradicional o maracatu, depois Bloco Timbu Coroado que existe desde 1929. Começou quando um grupo de remadores saiam da garagem de remo para brincar pela rua da Aurora. Conta a lenda que eles deixavam o remo de lado, no período momesco e matavam timbus que apareciam aos montes nas cercanias da garagem, para fazer “tira gosto” da cachaça carnavalesca.
O bloco foi crescendo, passou a desfilar pelas ruas que circundam a sede social do clube e se tornou atração oficial do carnaval do Recife. Anualmente são escolhidos o rei e a rainha do timbu coroado.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras e Sócio Benemérito do IAHGP.

O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
É Findi - Altitude - Por Marcelo Mário de Melo*
28/08/2026
Morro
Morro.
O Morro
da saudade
é muito alto
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
Morro
Morro
Morro.
O Morro
da saudade
é muito alto
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm

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