Radar do Sábado - Entenda a crise em 20 temas, por Alek Maracajá*
05/09/2026
E estamos aqui. Se a política não descansa, o Radar Ativaweb DataLab dá plantão. Entenda em 20 passos o que acontece no mundo digital
1. Moraes e Vorcaro saíram na frente e Mendonça virou no final
O monitoramento da Ativaweb DataLab mostra Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro concentrando as maiores críticas dentro do núcleo analisado da crise. No movimento oposto, André Mendonça vem recebendo forte defesa e apoio nas redes, especialmente associado à condução das investigações e ao enfrentamento institucional do episódio.
No plenário, a disputa ainda está aberta. No digital, Mendonça está ganhando de goleada.
2. O Master virou crise institucional
O Banco Master deixou de ser apenas uma investigação financeira. O caso avançou sobre Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Ministério Público, Congresso e Presidência...
E estamos aqui. Se a política não descansa, o Radar Ativaweb DataLab dá plantão. Entenda em 20 passos o que acontece no mundo digital
1. Moraes e Vorcaro saíram na frente e Mendonça virou no final
O monitoramento da Ativaweb DataLab mostra Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro concentrando as maiores críticas dentro do núcleo analisado da crise. No movimento oposto, André Mendonça vem recebendo forte defesa e apoio nas redes, especialmente associado à condução das investigações e ao enfrentamento institucional do episódio.
No plenário, a disputa ainda está aberta. No digital, Mendonça está ganhando de goleada.
2. O Master virou crise institucional
O Banco Master deixou de ser apenas uma investigação financeira. O caso avançou sobre Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Ministério Público, Congresso e Presidência da República.
Começou no banco. Hoje já falta pouco para pedirem CPF na entrada de Brasília.
3. Vorcaro é o roteirista da temporada
Daniel Vorcaro deixou de ocupar apenas a posição de investigado. Mensagens, encontros, relações e a possibilidade de novas revelações transformaram o banqueiro em um dos principais personagens políticos da crise.
Toda semana Brasília ganha um protagonista. Vorcaro resolveu renovar contrato.
4. Moraes no olho do furacão
Alexandre de Moraes passou a enfrentar questionamentos públicos e institucionais em torno de sua atuação no caso, ampliando significativamente a pressão reputacional sobre o ministro.
No Supremo, o problema deixou de bater à porta. Entrou, sentou e pediu café.
5. O digital abraçou Mendonça
A atuação de André Mendonça encontrou respaldo importante nas redes. O ambiente digital passou a interpretar o ministro como contraponto dentro da crise, o que aumentou sua defesa e reduziu significativamente a pressão negativa sobre seu nome.
Quando narrativa e percepção se encontram, o algoritmo costuma escolher um lado rápido.
6. O grande "derbi" - STF X STF
A reação de Alexandre de Moraes contra André Mendonça levou o conflito a um patamar pouco comum: ministro do Supremo questionando formalmente a atuação de outro ministro.
Quando o Supremo começa a discutir consigo mesmo, até o grupo de WhatsApp deve ficar silencioso.
7. Fachim virou síndico do prédio
Edson Fachin precisou assumir papel central na administração da crise, cobrando explicações e tentando organizar institucionalmente um conflito que já havia ultrapassado os limites de um único processo.
Toda crise tem um momento em que alguém precisa perguntar: “afinal, o que está acontecendo aqui?”
8. Casa em que falta pão...
Ministros, Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal passaram a ser chamados a esclarecer procedimentos, informações e decisões relacionadas ao caso.
Em Brasília, quando muita gente precisa explicar ao mesmo tempo, normalmente a explicação vira uma nova notícia.
9. A PF foi chamada ao palco principal
A Polícia Federal passou a ocupar posição central na discussão, especialmente sobre produção de relatórios, circulação de informações e procedimentos adotados durante a investigação.
A investigação começou procurando respostas e terminou produzindo novas perguntas.
10. A PGR também entrou na confusão
A Procuradoria-Geral da República passou a integrar diretamente o debate sobre os procedimentos, competências e validade de elementos produzidos na investigação.
Quando STF, PF e PGR aparecem juntos na mesma crise, o café de Brasília passa a ser servido em jarra.
11. Mendonça abraçado pelo mundo digital
André Mendonça também enfrenta questionamentos sobre encontros e decisões relacionados ao caso. A diferença é que, até aqui, esses episódios não produziram o mesmo desgaste digital observado em relação a Moraes.
Nem toda crítica produz o mesmo estrago. No digital, contexto vale quase tanto quanto o fato.
12. Fato novo no STF: O problema é maior que o processo
A questão deixou de ser apenas determinar responsabilidades individuais. O Supremo agora precisa preservar sua própria imagem enquanto administra divergências internas.
É difícil julgar uma crise quando a crise já está dentro da sala de julgamento.
13.Credibilidade sub judice
Independente dos resultados jurídicos, cada decisão tomada pelo STF daqui para frente terá impacto sobre a confiança da sociedade na instituição.
No digital, reputação não espera sentença transitada em julgado.
14. Lula percebeu que não podia mais apenas assistir
O presidente passou a se manifestar defendendo investigação sem blindagem e tentando evitar que a crise institucional seja associada diretamente ao governo.
Quando a fumaça chega ao Planalto, ficar na janela deixa de ser opção.
15. O Congresso sentiu a oportunidade...
Parlamentares passaram a enxergar na crise espaço para cobranças, investigações, propostas e questionamentos sobre o funcionamento do Judiciário.
Crise em Brasília nunca fica sem patrocinador político.
16. Refirma do judiciário volta ao cardápio
O episódio reacendeu discussões sobre limites, governança e funcionamento das instituições judiciais brasileiras.
Brasília adora uma reforma. Principalmente quando ainda ninguém sabe exatamente qual reforma fazer.
17. A oposição sentiu a oportunidade
A crise do STF passou rapidamente a ser incorporada ao discurso de oposição, principalmente nas críticas à Corte, ao sistema político e à condução das investigações.
Quando a narrativa encontra combustível, o algoritmo costuma fornecer o fósforo.
18. E a eleição entrou na sala sem pedir licença
Com a eleição presidencial cada vez mais próxima, decisões, falas e revelações passaram a ser interpretadas também pelo potencial de mobilização eleitoral.
Em ano eleitoral, até despacho judicial acaba ganhando marqueteiro.
19. O digital corre mais rápido que a crise
Enquanto STF, PGR e PF trabalham com prazos, documentos e procedimentos, as redes sociais trabalham em segundos. Narrativas são formadas muito antes de qualquer conclusão formal.
A instituição pede cinco dias. O algoritmo pede cinco minutos.
20. Master criou uma crise no sistema
O principal aprendizado da semana talvez esteja aqui: o que nasceu como investigação envolvendo um banco passou a atingir ministros, STF, PF, PGR, Congresso, governo e eleição presidencial.
Brasília começou a semana discutindo um banco e terminou discutindo o funcionamento das instituições brasileiras. Isso não é mais apenas um caso. É uma crise de sistema.
*Alek Maracajá é o cão chupando manga na área digital no Brasil. Não tem pra ninguém. É CEO da Ativaweb DataLab.
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Episódios entrelaçados - Transplantes de pontes e espíritos, por Gustavo Carvalho*
05/09/2026
As crianças cantavam antes de saber ler.
London Bridge is falling down. A ponte de Londres está caindo. Cantiga de roda, profecia disfarçada. Porque as pontes de Londres sempre caíram: levadas pelo fogo, pelo gelo, pelo peso dos séculos.
Até que uma delas se recusou a morrer.
Precisou apenas mudar de continente.
I. A ponte que afundava devagar
A primeira ponte de pedra sobre o Tâmisa começou a nascer em 1176, pelas mãos de um padre construtor chamado Peter de Colechurch. Ele morreu antes de vê-la pronta, em 1205, e foi sepultado na capela erguida sobre a própria obra. O construtor virou fundação. A ponte foi concluída em 1209 e viveu seiscentos anos, carregando casas, lojas e, no portão sul, cabeças de traidores espetadas em lanças. Uma ponte medieval não era travessia. Era cidade suspensa sobre a água.
Em 1831 veio a sucessora. John Rennie a desenhou e também morreu antes da inauguração. O filho,...
Prólogo
As crianças cantavam antes de saber ler.
London Bridge is falling down. A ponte de Londres está caindo. Cantiga de roda, profecia disfarçada. Porque as pontes de Londres sempre caíram: levadas pelo fogo, pelo gelo, pelo peso dos séculos.
Até que uma delas se recusou a morrer.
Precisou apenas mudar de continente.
I. A ponte que afundava devagar
A primeira ponte de pedra sobre o Tâmisa começou a nascer em 1176, pelas mãos de um padre construtor chamado Peter de Colechurch. Ele morreu antes de vê-la pronta, em 1205, e foi sepultado na capela erguida sobre a própria obra. O construtor virou fundação. A ponte foi concluída em 1209 e viveu seiscentos anos, carregando casas, lojas e, no portão sul, cabeças de traidores espetadas em lanças. Uma ponte medieval não era travessia. Era cidade suspensa sobre a água.
Em 1831 veio a sucessora. John Rennie a desenhou e também morreu antes da inauguração. O filho, outro John, terminou a obra do pai. Cinco arcos elegantes de granito. No primeiro de agosto daquele ano, o rei William IV e a rainha Adelaide a atravessaram sob salvas e banquetes.
A ponte era perfeita para um mundo de cavalos.
O mundo, porém, trocou os cavalos por motores. Ônibus, caminhões, multidões. E o granito de Rennie, apoiado no leito macio do Tâmisa, começou a responder do único jeito que o granito sabe: cedendo em silêncio. Cerca de dois centímetros e meio a cada oito anos. O lado leste afundava mais que o oeste. A ponte não estava caindo. Estava se despedindo devagar, com a dignidade das coisas bem construídas.
Em 1967, a City de Londres assinou a sentença. A ponte seria demolida e substituída.
Foi então que Ivan Luckin, membro do conselho municipal, teve uma ideia de vendedor genial. Não venderia uma ponte condenada. Venderia dois mil anos de história, desde os romanos que cruzaram ali o Tâmisa pela primeira vez. Levou o catálogo a Nova York e esperou.
Do outro lado do oceano, Robert P. McCulloch tinha o problema inverso. Fizera fortuna com motosserras e petróleo. Em 1964, fundara Lake Havasu City, uma cidade planejada às margens de um lago artificial do rio Colorado, no deserto do Arizona. Havia ruas, lotes, sol e futuro.
Faltava alma.
Em abril de 1968, McCulloch pagou 2.460.000 dólares pela ponte. Conta-se que fez a conta assim: dobrou o custo estimado da desmontagem e somou mil dólares para cada um dos sessenta anos que teria ao fim da obra. Vaidade com aritmética.
Mais de dez mil blocos de granito foram numerados como peças de um quebra-cabeça transatlântico. Navegaram pelo Canal do Panamá, desembarcaram na Califórnia, cruzaram o deserto em caminhões. No Arizona, a ponte foi remontada sobre um núcleo de concreto, em terra seca. Só depois escavaram um canal por baixo dela.
Em Londres, a ponte atravessava o rio.
No Arizona, trouxeram o rio até a ponte.
Dez de outubro de 1971. O Lord Mayor de Londres cruzou o Atlântico para a reinauguração, e o granito de Rennie voltou a trabalhar, agora sob sol de deserto. Ficou também a lenda: a de que McCulloch pensava ter comprado a Tower Bridge, aquela das torres góticas dos cartões-postais. Ele negou até o fim.
O folclore, como o granito, resiste.
II. A igreja que ficou muda
A segunda história não tem cantiga. Tem silêncio.
Ela nasceu em 1898, no Condado de York, norte da Inglaterra, terra de charnecas, carvão e fé metódica. Seu nome não atravessou o mar. Os registros que chegaram ao Brasil guardaram apenas o essencial: York, 1898, gótico vitoriano. Altar-mor entalhado. Vitrais que transformavam a luz cinzenta do norte inglês em púrpura, âmbar e azul.
Por décadas, ela fez o que as igrejas fazem. Batizados, casamentos, funerais. Uma igreja mede o tempo assim: em água, arroz e flores.
Mas o século vinte esvaziou os bancos. As vilas industriais minguaram, os filhos partiram para as cidades grandes, os hinos foram ficando mais baixos a cada domingo. Um dia, não houve mais domingo. A igreja foi desconsagrada e condenada. Na Inglaterra do pós-guerra, isso tinha nome burocrático e destino previsível: demolição.
Foi quando um olho a viu do Recife.
Em 1939, o menino Ricardo Brennand ganhou um canivete do tio, irmão do pai, que levava o mesmo nome. Nunca mais parou de colecionar. Virou engenheiro, virou industrial, virou o homem que erguia um castelo no antigo Engenho São João, na Várzea, para abrigar armaduras, espadas e a maior coleção de Frans Post do planeta.
E havia a dívida de sangue. Em 1820, um inglês chamado Edward Brennand deixou a Inglaterra e desembarcou na Bahia. Passou pelo Rio de Janeiro. Seguiu para Alagoas. Foram os seus descendentes que fincaram raízes em Pernambuco. Cento e oitenta anos depois, um deles fez a mesma viagem. Não com o corpo. Com um contêiner.
Conta-se, entre os que viveram os bastidores do Instituto, que um dia chegou ao porto uma caixa de aço com praticamente uma igreja desmontada dentro. Altar-mor. Vitrais. Mobiliário gótico.
Pedra por pedra. Vitral por vitral. Memória por memória.
Hoje, quem percorre a Sala dos Cavaleiros do Castelo São João caminha por entre lâminas e elmos até a parede do fundo. E ali, sem aviso, encontra a Inglaterra de 1898. O altar remontado, os vitrais acesos pela luz dos trópicos, a madeira escura que um dia ouviu hinos em Yorkshire.
Diante do altar, Brennand posicionou seus tesouros mais raros: armaduras completas de cavalo e cavaleiro, forjadas por volta de 1515. Aço maximiliano em posição de reverência.
A igreja que perdeu seus paroquianos na Inglaterra ganhou, no Recife, os fiéis mais pontuais do mundo. Uma congregação de aço. Cavaleiros que não envelhecem, não faltam, não duvidam.
A missa nunca termina.
III. O enxerto pegou
Um cirurgião reconheceria o procedimento.
Chama-se transplante: retira-se o órgão de um corpo que morre, transporta-se sob cuidado obsessivo, implanta-se num corpo que precisa. E então se espera o momento decisivo, aquele em que o enxerto pega (quando o tecido transplantado cria raízes no novo corpo e volta a viver).
A ponte e a igreja foram transplantes de pedra.
A doadora foi a mesma: a Inglaterra, que condenou as duas por razões opostas. A ponte morria de excesso, esmagada pelo tráfego de um império. A igreja morria de falta, esvaziada pela partida dos seus.
Os receptores não podiam ser mais diferentes. Um deserto no Arizona, que precisava de alma. Uma mata no Recife, que guardava uma saudade de sangue.
McCulloch comprou por vaidade e visão: queria dar história a uma cidade sem passado. Brennand comprou por memória e pertencimento: queria devolver o passado à história da própria família.
Os dois enxertos pegaram.
A cantiga, afinal, estava errada. London Bridge is not falling down: ela atravessa, firme, um canal de águas azuis no deserto americano, e turistas a fotografam sem saber que pisam em 1831. E a igreja de York não emudeceu: canta em pedra, todos os dias, para cavaleiros de aço, sob o sol da Várzea.
Ricardo Brennand partiu em abril de 2020, levado pelo vírus que parou o mundo. As pedras que ele salvou continuam de pé.
É o que as pedras fazem pelos homens que as amam.
Ficam.
Agradecimento à Sra. Sônia Ribeiro, do Instituto Ricardo Brennand, que engrandeceu este relato com preciosos detalhes que de outra forma não estariam disponíveis.
*Gustavo Carvalho, MD, PhD, MSc, MBA
& Amigo Intelligence (Claude AI)
Cirurgião Geral. Professor Associado de Cirurgia Geral da Universidade de Pernambuco (UPE).
Pioneiro da minilaparoscopia sem clipes, SLS EXCELL Award (EUA, 2022).
Consultor de Inteligência Artificial da Amigo Tech.
Recife, setembro de 2026.
PL aprovado sobre combustíveis é mais segurança para o setor e para o consumidor
05/09/2026
Para o setor de distribuição
A aprovação representa um avanço no combate ao mercado ilegal e no fortalecimento da integridade da cadeia de abastecimento. O furto, o roubo e a posterior comercialização de combustíveis de origem ilícita prejudicam a concorrência, aumentam os riscos operacionais e de segurança e afetam empresas que atuam regularmente e cumprem as normas aplicáveis ao mercado.
O consumidor
Também é diretamente beneficiado pelo fortalecimento desse combate. Uma cadeia de combustíveis mais segura e protegida contra a atuação criminosa reduz riscos de acidentes e de desabastecimento e contribui para impedir que produtos de origem ilícita ingressem no mercado. Ao combater essas...
O Senado aprovou, esta semana, o Projeto de Lei (PL) 1.482/2019, que reforça a proteção à cadeia de abastecimento, ao mercado regular e aos consumidores. O próximo passo, para o projeto virar lei, é a sancão do presidente Lula.
Para o setor de distribuição
A aprovação representa um avanço no combate ao mercado ilegal e no fortalecimento da integridade da cadeia de abastecimento. O furto, o roubo e a posterior comercialização de combustíveis de origem ilícita prejudicam a concorrência, aumentam os riscos operacionais e de segurança e afetam empresas que atuam regularmente e cumprem as normas aplicáveis ao mercado.
O consumidor
Também é diretamente beneficiado pelo fortalecimento desse combate. Uma cadeia de combustíveis mais segura e protegida contra a atuação criminosa reduz riscos de acidentes e de desabastecimento e contribui para impedir que produtos de origem ilícita ingressem no mercado. Ao combater essas práticas, a legislação reforça a segurança e a confiabilidade do abastecimento.
Preocupação antiga
O enfrentamento ao furto de combustíveis em instalações e dutos não é uma preocupação recente no Legislativo. Em 2017, a então senadora Simone Tebet apresentou o PLS 182/2017, que buscava tipificar os crimes de furto, roubo e receptação de combustíveis retirados de estabelecimentos de produção, instalações de armazenamento e dutos.

A proposta
Foi aprovada pela CCJ do Senado naquele ano e encaminhada à Câmara dos Deputados, onde passou a tramitar como PL 8455/2017. Anos depois, o próprio PL 1482/2019 chegou a tramitar apensado à matéria, evidenciando a continuidade do debate no Congresso sobre a necessidade de uma resposta penal mais específica para esse tipo de crime.

Autor
De autoria do deputado federal Juninho do Pneu (RJ), o PL 1482/2019 passou, no Senado, pelas comissões de Serviços de Infraestrutura (CI), Segurança Pública (CSP) e Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). No Plenário, foram aprovados o projeto e as emendas de redação apresentadas durante sua tramitação. Com a aprovação definitiva pelo Congresso Nacional, a matéria segue agora para sanção presidencial.
Entrevista — “Não adianta dizer que a luz do Sol é o melhor desinfetante. Temos um poder acima de qualquer poder”, analisa Marcelo S. Tognozzi* sobre a crise no STF
05/09/2026
Segundo Tognozzi, “se Executivo e Legislativo abrem mão do poder, o Supremo (chefe do Judiciário) ocupa. E é isso o que tem acontecido em sua avaliação. Nesta entrevista, além de analisar a crise institucional, o jornalista também avalia o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a quem considera “alguém que não apenas gosta e deseja o poder, mas sabe exercê-lo ocupando a pista toda”.
O Poder — A última semana foi de muita repercussão e crise em vários setores. em função das informações sobre ligações entre o ministro Alexandre de Moraes (do STF) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Como o senhor avalia tud...
Para o jornalista e analista político Marcelo S. Tognozzi, profundo estudioso da política brasileira e responsável pela cobertura de alguns dos principais episódios políticos do país, o Brasil nunca viveu uma situação semelhante à que tem sido observada nos últimos tempos, com o Poder Judiciário sendo analisado como “acima dos demais poderes da República”.
Segundo Tognozzi, “se Executivo e Legislativo abrem mão do poder, o Supremo (chefe do Judiciário) ocupa. E é isso o que tem acontecido em sua avaliação. Nesta entrevista, além de analisar a crise institucional, o jornalista também avalia o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a quem considera “alguém que não apenas gosta e deseja o poder, mas sabe exercê-lo ocupando a pista toda”.
O Poder — A última semana foi de muita repercussão e crise em vários setores. em função das informações sobre ligações entre o ministro Alexandre de Moraes (do STF) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Como o senhor avalia tudo o que está acontecendo?
Marcelo Tognozzi — O país nunca viveu situação semelhante e, por isso, a dificuldade de lidar com a realidade. Estamos mergulhados na pior crise institucional da nossa História de 526 anos. O poder mudou de mãos. A democracia representativa, tal como conhecemos, perdeu o efeito prático e o governo é exercido por aqueles que não têm, nunca tiveram e não precisam de votos.
A prática cotidiana do poder nos últimos anos tem sido submissão total ao Supremo Tribunal Federal pelo Executivo e Judiciário. A governabilidade de Lula tem como fonte primária de poder não o Congresso, mas as togas do Supremo. Quando o Congresso decide contra o governo, a judicialização é a solução. Ulysses Guimarães dizia não existir vazio de poder. Nele, todos os espaços são preenchidos por quem tem mais competência ou por estar no lugar certo e na hora certa. Se Executivo e Legislativo abrem mão do poder, o Supremo ocupa.
O Poder — Podemos compreender, então, por esse seu entendimento, que dentre as togas do STF, o principal poder está com Moraes?
Marcelo Tognozzi — O ministro Alexandre de Moraes manda muito, gostemos ou não, pelos seus méritos e capacidade ímpar de exercício de poder, diante da incapacidade ampla, geral e irrestrita dos seus adversários – e até aliados. O ministro Alexandre tem a virtude de Maquiavel, alguém que não apenas gosta e deseja o poder, mas sabe exercê-lo ocupando a pista toda. Não importa se isso é bom ou ruim. É real.
Ele é o símbolo desta troca de poder a que o país assistiu como se fosse a coisa mais normal do mundo. Quando o ministro André Mendonça fez o que deveria ser feito, dando ao respeitável público conhecimento das relações de Daniel Vorcaro com a nobliarquia judiciária, os barões da mídia espernearam, pediram a renúncia de Moraes, vocalizando o que boa parte da elite pensa sobre risco econômico e segurança jurídica. Os mesmos que, nos últimos anos, fizeram vista grossa para todo tipo de imprudência constitucional. Devem ter feito as contas e imaginado que, tirando Moraes, o ministro Nunes Marques, o próximo na linha sucessória, seria mais ameno e palatável. Mas Nunes Marques tem muito o que fazer no TSE. Não se meterá em conspirações contra Moraes.
O Poder — Como o senhor analisa essa intimidade que tem havido por parte de Moraes e outros ministros, de atuarem como interlocutores entre os chefes do Executivo Federal e do Legislativo?
Marcelo Tognozzi — Quando um ministro do Supremo manda o presidente do Senado se entender com o presidente da República convocando ambos para jantar na sua casa, é porque a democracia representativa faliu e o novo poder que aí está representa a si mesmo. Independente de quem vencer a eleição, isso dificilmente mudará. Este poder tem a força e a coerção. Castrou as Forças Armadas, que a ele se entregaram docilmente depois do 8 de janeiro. Os generais saíram do palco da política e entraram os juízes.
O Poder — O senhor acredita que esse poder do ministro Alexandre de Moraes pode estar próximo de acabar?
Marcelo Tognozzi — É incrível a ingenuidade de certos jornalistas e analistas políticos, imaginando que Alexandre de Moraes, o homem forte do novo poder, possa ser defenestrado do Supremo com voto de minerva da ministra Carmen Lúcia. Moraes é próximo da ministra, a ponto de ter prefaciado o livro ‘Princípio Constitucional da Solidariedade’, por ela lançado no ano passado. No dia 21 de agosto, Carmen e Moraes participaram de debate na Faculdade de Direito da USP sobre o último livro da ministra ‘Pela Mão do Povo: Voto e Democracia no Brasil’, escrito em parceria com a historiadora Heloisa Starling e Nayara Correa Henriques Pinto. Moraes é catedrático da cadeira de Direito Eleitoral da USP.
O ministro tem como característica sempre dobrar a aposta. Ele jamais recua e nunca perdeu um embate, desde que chegou ao palco nacional da política em 12 de maio de 2016, ao ser empossado ministro da Justiça pelo presidente Temer. Aos 57 anos, o sagitariano Moraes, nascido em 13 de dezembro de 1968, deve assumir a presidência do Supremo dentro de um ano. Basta olhar para o passado recente e entender o tamanho da hipertrofia do ministro. Ele não se intimidará com editoriais e esperneios. Como vem fazendo há dez anos, engolirá cada inimigo.
O Poder — Então, podemos ter a certeza de que seus gestos e personalidade já o fazem um dos nomes mais poderosos dos últimos tempos no país. O senhor acha isso também?
Marcelo Tognozzi — Faz tempo que o Brasil não assistia à chegada ao poder de alguém com tanto apetite para exercê-lo, como Getúlio Vargas depois do golpe de 1937 e o incontrolável Costa e Silva no governo militar. Nenhum deles usava toga. Esta é a grande novidade. Juízes como Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes, além da sólida formação intelectual, o que os coloca há anos-luz da maioria dos políticos, foram cevados na luta política, aprenderam a ocupar seus espaços enfrentando os piores obstáculos.
Foi assim com Gilmar na Lava Jato, Dino na política maranhense e Moraes durante o governo Bolsonaro. Erra quem imagina poder intimidá-los com gritos, editoriais, denúncias ou pequenas multidões. De agora em diante, os ministros do Supremo serão indicados pelos próprios ministros do Supremo. Isso nada tem a ver com ideologia, mas puro pragmatismo de quem manda.
O Poder — E como fica a posição do ministro André Mendonça, do mesmo STF, nessa história, segundo sua avaliação?
Marcelo Tognozzi — O ministro André Mendonça tem vivido esta realidade na própria pele, como passou com Joaquim Barbosa. A pressão sobre ele é gigante. Viu Moraes liderar a rejeição ao seu amigo Jorge Messias e entrou para o inquérito das fake news, criado em 2019 e definido por Gilmar Mendes como instrumento usado pela Corte para se defender de críticas. Agora sabemos que este instrumento pode ser usado contra ministros rebeldes.
A reação do presidente [do STF] Edson Fachin foi no mínimo amena. O Senado de Davi Alcolumbre faz cara de paisagem e o presidente Lula escolheu discurso ensaboado, pura espuma. O vazio de poder produz vazio de estadistas, de gente capaz de contornar as crises. Esta ausência significa a ausência de solução. É o óbvio ululante de Nelson Rodrigues.
O Poder — Há esperanças de vermos essa crise institucional do Judiciário ser resolvida em pouco tempo?
Marcelo Tognozzi — Não adianta dizer que a luz do Sol é o melhor desinfetante e que tudo deve vir à tona. Já veio e nada aconteceu, porque vivemos um momento inédito, cuja superação depende de sabedoria, criatividade e ousadia. Moraes não devolverá o poder entregue a ele pela Faria Lima, a esquerda, centro e parte da direita. Irá exercê-lo com toda energia e todas as prerrogativas. Talvez o Brasil tenha de esperar sentado que cada um cumpra o seu dever. Esta é a realidade: temos um poder acima de qualquer poder.
*Marcelo S. Tognozzi é uma referência na imprensa brasileira contemporânea. Jornalista, consultor e profissional de Relações Inter-Governamentais - RIG. Entrevista feita a partir de texto dele publicado no Portal Poder 360.
Silvio Costa Filho e Sileno Guedes cumprem agenda conjunta pela Mata Norte e recebem apoio da população rumo à reeleição
05/09/2026
A passagem da dupla pela região reforçou a força política de Silvio Costa Filho e Sileno Guedes na Mata Norte e mostrou a capacidade de articulação dos dois parlamentares junto às lideranças políticas e à população. Nos três municípios, a agenda foi marcada por manifestações de apoio, demonstrações de carinho e uma forte presença popular, sinalizando a consolidação de uma base política cada vez mais ampla na região.
Lideranças e apoiadores
Em Macaparana, Silvio Costa Filho esteve com o ex-candidato a prefe...
O ex-ministro de Portos e Aeroportos de Lula e deputado federal candidato à reeleição, Silvio Costa Filho (Republicanos), juntamente com o candidato a reeleição como deputado estadual, Sileno Guedes (PSB), cumpriram agenda conjunta na Mata Norte do estado neste final de semana. Em visita a lideranças dos municípios de Macaparana, Nazaré da Mata e Condado, Costa Filho e Guedes receberam o carinho e apoio da população.
A passagem da dupla pela região reforçou a força política de Silvio Costa Filho e Sileno Guedes na Mata Norte e mostrou a capacidade de articulação dos dois parlamentares junto às lideranças políticas e à população. Nos três municípios, a agenda foi marcada por manifestações de apoio, demonstrações de carinho e uma forte presença popular, sinalizando a consolidação de uma base política cada vez mais ampla na região.

Lideranças e apoiadores
Em Macaparana, Silvio Costa Filho esteve com o ex-candidato a prefeito e ex-vereador Abidoral e o ex-vereador Fillipe, além de integrantes do seu grupo político. O encontro reuniu lideranças locais e apoiadores, em uma demonstração de força do grupo que vem construindo uma atuação conjunta em defesa de investimentos e ações para o município e toda a Mata Norte.
Já em Nazaré da Mata, Silvio esteve no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, entidade liderada pelo ex-candidato a prefeito Pereira. O encontro contou com a participação de lideranças e trabalhadores rurais, que destacaram a importância da atuação de Silvio Costa Filho e Sileno Guedes em pautas voltadas para a agricultura familiar e desenvolvimento econômico e social da região.
Confiança nos parlamentares
A agenda foi encerrada em Condado, onde Silvio e Sileno estiveram com o ex-prefeito Cassiano e seu grupo político. Mais uma vez, a recepção popular chamou atenção, com apoiadores demonstrando confiança no trabalho dos dois parlamentares e disposição para caminhar junto no projeto de reeleição.
A presença de Silvio Costa Filho e Sileno Guedes nos três municípios também reforçou uma estratégia política de ampliação da presença dos dois mandatos na Mata Norte. Ao agradecer as manifestações de apoio recebidas durante a passagem pela região, Silvio Costa Filho destacou que pretende continuar trabalhando para garantir novos investimentos e oportunidades para os municípios da Mata Norte.

“Investimentos e obras”
“Quero agradecer de coração todo o carinho e o apoio que recebemos durante essa agenda pela Mata Norte. Tenho um compromisso muito grande com essa região e vou continuar trabalhando, ao lado das nossas lideranças, para trazer investimentos, obras e ações que contribuam para o desenvolvimento de toda a Mata Norte”, enfatizou o ex-ministro.
“Nosso trabalho não vai parar. Vamos seguir buscando recursos e fazendo a ponte com o Governo Federal para transformar as demandas da população em realizações”, acrescentou Silvio Costa Filho.
Com uma agenda que reuniu lideranças tradicionais, representantes de grupos políticos e a população, Silvio Costa Filho e Sileno Guedes deixaram a Mata Norte com uma demonstração clara de força política e de apoio ao projeto de reeleição. A movimentação nos três municípios reforça o peso da região na estratégia eleitoral dos dois parlamentares e evidencia a construção de uma frente política cada vez mais robusta em torno de seus nomes.
*Fotos: Wesley D'Almeida
Começou a contagem regressiva: TSE lacra e põe na sua sala cofre todos os sistemas responsáveis pelas eleições 2026
05/09/2026
A assinatura digital marca uma nova etapa do processo eleitoral: a partir desse momento, os sistemas não podem mais ser alterados, e mecanismos de segurança passam a assegurar a autenticidade e a integridade das versões lacradas.
Data importante
A formalização foi feita durante solenidade realizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e marca uma data importante rumo ao pleito. Durante o evento, conforme explicou o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, foram realizadas tanto as assinaturas digitais do arquivo que reúne os resumos digitais dos sistemas el...
Agora o tempo é de contagem regressiva. A Justiça eleitoral lacrou e assinou digitalmente, nesta sexta-feira (04/09), todos os sistemas responsáveis pelas eleições gerais de 2026. Significa dizer que os programas a serem utilizados no pleito, bem como os mecanismos de segurança do sistema eletrônico de votação foram todos examinados, reexaminados, concluídos e lacrados.
A assinatura digital marca uma nova etapa do processo eleitoral: a partir desse momento, os sistemas não podem mais ser alterados, e mecanismos de segurança passam a assegurar a autenticidade e a integridade das versões lacradas.
Data importante
A formalização foi feita durante solenidade realizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e marca uma data importante rumo ao pleito. Durante o evento, conforme explicou o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, foram realizadas tanto as assinaturas digitais do arquivo que reúne os resumos digitais dos sistemas eleitorais, como as identificações únicas que permitem atestar a autenticidade dos programas desenvolvidos pela Justiça Eleitoral.
Em seguida, as mídias contendo os sistemas foram acondicionadas em envelopes lacrados e armazenadas na Sala Cofre do TSE. Ao destacar a importância do procedimento, Nunes Marques afirmou que a segurança das eleições é “resultado da combinação de diferentes mecanismos de proteção, controles independentes e ampla possibilidade de fiscalização”.
“Este ato assegura que a tecnologia empregada para a manifestação da vontade popular permaneça transparente, segura e auditável durante todo o processo eleitoral”, ressaltou ele.
Acompanhamento continua
“A Justiça Eleitoral mantém portas abertas para o acompanhamento de todas as etapas do voto eletrônico, em razão da plena confiança de que o escrutínio público e das instituições é pressuposto válido do próprio sistema eletrônico de votação”, frisou o magistrado, ao ressaltar que “a Justiça eleitoral não escolhe vencedores”.
“No dia 4 de outubro deste ano, quando a urna for ligada, registraremos de forma fidedigna e segura as aspirações de um país inteiro. Esse é o sentido maior do nosso trabalho. A Justiça Eleitoral não escolhe vencedores, não interfere na escolha popular e não possui preferência por candidaturas. Nossa paixão é a democracia, nossa missão é cumprir a Constituição e o nosso dever é garantir a vontade soberana do povo brasileiro”, disse o presidente da Corte.
40 oportunidades de auditoria
Conforme informações do Tribunal, o ciclo eleitoral brasileiro, realizado a cada dois anos, prevê 40 oportunidades de auditoria e fiscalização, que permitem às entidades fiscalizadoras e à sociedade acompanhar diferentes etapas do processo eleitoral. Os códigos-fonte permaneceram disponíveis para inspeção pelas entidades fiscalizadoras ao longo do ciclo eleitoral e que os sistemas assinados são exatamente aqueles que estiveram abertos à análise.
Ao todo, oito entidades inspecionaram os códigos-fonte: União Brasil, Senado Federal, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Sociedade Brasileira de Computação (SBC), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Partido Verde (PV), Ministério Público Federal (MPF) e Controladoria-Geral da União (CGU).
A partir da lacração, as versões assinadas passam a servir de referência para as próximas etapas de fiscalização. As identificações únicas dos sistemas também são publicadas no Portal do TSE, permitindo verificar se os programas utilizados durante o processo eleitoral correspondem aos que foram inspecionados e lacrados.
— Com informações do TSE
TSE conclui painel com o perfil de todos os eleitores aptos a votar: são 158,7 milhões de brasileiros, saiba aqui as características de cada grupo
05/09/2026
Agora se sabe com certeza: 158,7 milhões de pessoas, entre eleitoras e eleitores estão aptos a votar para escolher presidente da República, governador, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital (neste último caso, se estiver no Distrito Federal) no pleito deste ano. Os dados ajudam a retratar o perfil do eleitorado em diferentes recortes, como gênero, idade, escolaridade, biometria, nome social, eleitorado no exterior e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. O eleit...
Está totalmente concluído o painel com estatísticas sobre as Eleições Gerais de 2026, conforme divulgou na noite desta sexta-feira (04/09) o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A demora para conclusão do levantamento se dá, tradicionalmente, porque passado o prazo para a coleta de todas as informações, a parte técnica da Corte precisa de um tempo para acrescentar dados que chegam dos tribunais regionais provenientes de municípios dos rincões do país, o chamado Brasil profundo.
Agora se sabe com certeza: 158,7 milhões de pessoas, entre eleitoras e eleitores estão aptos a votar para escolher presidente da República, governador, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital (neste último caso, se estiver no Distrito Federal) no pleito deste ano. Os dados ajudam a retratar o perfil do eleitorado em diferentes recortes, como gênero, idade, escolaridade, biometria, nome social, eleitorado no exterior e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. O eleitorado brasileiro, conforme destaca o painel, está distribuído em 5.571 municípios, além de 186 cidades no exterior. A votação ocorrerá em 517.206 seções eleitorais, organizadas em 2.641 zonas eleitorais.

Aumento de 2,3 milhões de eleitores
Em comparação com a última eleição geral, houve aumento de 2,3 milhões de eleitoras e eleitores aptos a votar, uma alta de 1,4%. Em 2022, eram 156,4 milhões. No exterior, 918.876 pessoas estão habilitadas a votar em 2026, número que representa pouco mais de meio por cento do eleitorado nacional.
As mulheres seguem como maioria entre os eleitores brasileiros. São 83,8 milhões de eleitoras, contra 74,8 milhões de homens. A cada dez pessoas aptas a votar, pouco mais de cinco são mulheres (52,81% do total). A Justiça Eleitoral também registra as pessoas que optaram pelo uso do nome social, aquele pelo qual preferem ser identificadas. Em 2026, 38.472 eleitoras e eleitores votarão com esse registro.

Maiores colégios eleitorais
O estado de São Paulo continua sendo o maior colégio eleitoral do país, com 34 milhões de eleitoras e eleitores — mais de um em cada cinco votantes brasileiros (21,61%). Na sequência aparecem os estados de Minas Gerais, com 16,3 milhões, e do Rio de Janeiro, com 12,8 milhões.
Juntos, os três estados concentram quase 40% do eleitorado nacional. Por outro lado, os três menores colégios eleitorais estão na região Norte. Roraima tem 401 mil eleitores; Acre, 614 mil; e Amapá, 577 mil. Somados, os estados reúnem cerca de 1% do eleitorado brasileiro. Entre as regiões, o Sudeste concentra a maior parcela, com 42% do eleitorado nacional. O Nordeste vem em seguida, com 27,58%, seguido por Sul (14,48%), Norte (8,31%) e Centro-Oeste (7,6%).
Sozinho, o município de São Paulo concentra 9,1 milhões de eleitores, o maior número entre as cidades brasileiras. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (4,9 milhões), Brasília (2,2 milhões), Belo Horizonte (1,96 milhão) e Salvador (1,95 milhão). Na outra ponta, os menores colégios eleitorais estão em Borá (SP), com 1.094 eleitores; Araguainha (MT), com 1.236; Serra da Saudade (MG), com 1.287; e Engenho Velho (RS), com 1.181.

Jovens e idosos
No Brasil, o voto é facultativo para jovens de 16 e 17 anos, pessoas com 70 anos ou mais e analfabetos. Nas Eleições 2026, 1,6 milhão de jovens de 16 e 17 anos poderão votar. Entre as eleitoras e os eleitores com mais de 70 anos, o total chega a quase 17 milhões, mais de um em cada dez eleitores aptos a votar. Na comparação com 2022, esse grupo cresceu 15,75%.
A faixa de 40 a 44 anos reúne o maior número de eleitoras e eleitores, quase 16 milhões. É o grupo etário votante mais numeroso do país, seguido pelas pessoas de 45 a 49 anos (15,27 milhões) e de 35 a 39 anos (15,26 milhões). A biometria já está cadastrada para 141.301.540 eleitoras e eleitores. Isso significa que quase nove em cada dez pessoas aptas a votar têm identificação biométrica. Outros 17,4 milhões ainda não têm o cadastro. O avanço é significativo em relação às eleições anteriores. Em 2022, 75,51% do eleitorado tinha biometria cadastrada. Em 2026, o índice chegou a 89,01%.
Recorte por grau de instrução
No recorte por grau de instrução, o grupo mais numeroso é o de pessoas com ensino médio completo: 44,2 milhões. Na sequência, estão os eleitores com ensino fundamental incompleto (33,6 milhões), ensino médio incompleto (28,8 milhões) e ensino superior completo (18 milhões).
Nas Eleições 2026, 1,97 milhão de eleitoras e eleitores declararam ter algum tipo de deficiência ou mobilidade reduzida. O grupo inclui 951.656 mulheres, 1.018.428 homens e 23.336 pessoas sem informação de gênero no cadastro. Esses eleitores podem votar em seções com acessibilidade e receber atendimento adequado às condições informadas à Justiça Eleitoral.
— Com informações do TSE

Conheça a agenda de campanha programada para os presidenciáveis neste sábado (5)
05/09/2026
A tendência é de que Lula permaneça no estado até este domingo (06/09) quando retornará a Brasília para participar, segunda-feira, do desfile oficial do Dia da Pátria em Brasília. Mais uma vez, desde 2023, a expectativa é de realização de um desfile discreto, com a participação de representantes das Forças Armadas e estudantes de escolas públicas. De forma institucional e sem qualquer conotação política.
Riquezas brasileiras
O presidente, porém, já gravou o seu pronunciamento à nação a ser feito na noite de domingo, no qual usará o 7 de Setembro para defender a soberania nacional e a democracia do país.
O discurso, como é de praxe, s...
O sábado (05/09) prossegue com a movimentação dos principais candidatos à Presidência da República. O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, participa de um evento em São José do Rio Preto, em São Paulo, ao lado do seu vice-presidente e também candidato à reeleição, Geraldo Alckmin.
A tendência é de que Lula permaneça no estado até este domingo (06/09) quando retornará a Brasília para participar, segunda-feira, do desfile oficial do Dia da Pátria em Brasília. Mais uma vez, desde 2023, a expectativa é de realização de um desfile discreto, com a participação de representantes das Forças Armadas e estudantes de escolas públicas. De forma institucional e sem qualquer conotação política.
Riquezas brasileiras
O presidente, porém, já gravou o seu pronunciamento à nação a ser feito na noite de domingo, no qual usará o 7 de Setembro para defender a soberania nacional e a democracia do país.
O discurso, como é de praxe, será transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão e tende a destacar, conforme informações repassadas pela Secretaria de Comunicação do Governo Federal, a defesa de riquezas brasileiras, como terras raras, petróleo, água doce e a Amazônia.
Visita a blogueiro
O senador Flávio Bolsonaro (PL), que figura em segundo lugar nas intenções de voto das pesquisas eleitorais, passará o sábado no Paraná. O ponto alto da sua visita ao estado é a ida ao município de Ponta Grossa onde visitará o blogueiro Filipe Martins, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por integrar um dos núcleos considerados responsáveis por tentativa de golpe de estado em 2023.
Martins, que sempre foi ligado à família Bolsonaro, cumpre pena na Cadeia Pública de Ponta Grossa Hildebrando de Souza - R. João Gualberto, s/n - Colonia Dona Luiza.E Flávio conseguiu autorização para visitá-lo às 13h. Depois seguirá por encontros com lideranças políticas no estado.
O candidato Renan Santos (Missão) está em Fortaleza (CE). Ele concederá entrevista coletiva às 19h na Avenida da Abolição, em Meireles, quando falará sobre suas propostas de governo para os jornalistas e às 20h participará da convenção estadual, no mesmo local.
Cooperativas e caminhada
Ronaldo Caiado (PSD) estará durante todo o dia no Rio Grande do Sul. Seu dia começou com uma reunião na Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul. Em seguida ele segue roteiro que contempla visita no Pavilhão Agricultura Familiar, almoço na Federação da Agricultura do RS (Farsul), visita à área de máquinas agrícolas e participação da prova final do 45º prêmio Freio de Ouro, da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC).
Augusto Cury (Avante) participa, em Araçatuba (SP), do evento de lançamento de campanha com apoiadores no Kabana Eventos, localizado na rua Quinze de Novembro, 160 - no centro do município. Ao meio dia, o candidato fará uma caminhada pelo camelódromo Luiz Carlos Rister e Calçadão Marechal Deodoro e Princesa Isabel, na mesma cidade.
O candidato Romeu Zema (Novo) foi o único que não divulgou agenda pública para este sábado.
Raquel visita MST e tenta esconder encontro dos bolsonaristas
05/09/2026
A Governadora Raquel Teixeira Lyra participou de ato no Assentamento Normandia, onde firmou compromissos para apoiar pautas no MST. Até ai, nada estranho. O que chama a atenção é que a visita não ganhou espaço em seus canais oficiais. A campanha da governadora tentou esconder ou minimizar o encontro. Justo na semana em que o vice de Flávio Bolsonaro declarou apoio a Raquel e disse que ela é a opção para derrotar Lula e a esquerda, a candidata continua querendo agradar a Deus e ao diabo nesta terra do sol.
A notícia
Raquel Teixeira Lyra esteve ontem, sexta-feira (04/09) no Assentamento Normandia, em Caruaru, uma das principais referências do MST em Pernambuco e no Brasil. Foi recebida por integrantes do movimento, participou do ato e até assinou um termo de compromisso com pautas da agricultura familiar e da reforma agrária.
A visita
Raquel vai ao MST, em Caruaru, e esconde encontro das redes
A Governadora Raquel Teixeira Lyra participou de ato no Assentamento Normandia, onde firmou compromissos para apoiar pautas no MST. Até ai, nada estranho. O que chama a atenção é que a visita não ganhou espaço em seus canais oficiais. A campanha da governadora tentou esconder ou minimizar o encontro. Justo na semana em que o vice de Flávio Bolsonaro declarou apoio a Raquel e disse que ela é a opção para derrotar Lula e a esquerda, a candidata continua querendo agradar a Deus e ao diabo nesta terra do sol.
A notícia
Raquel Teixeira Lyra esteve ontem, sexta-feira (04/09) no Assentamento Normandia, em Caruaru, uma das principais referências do MST em Pernambuco e no Brasil. Foi recebida por integrantes do movimento, participou do ato e até assinou um termo de compromisso com pautas da agricultura familiar e da reforma agrária.
A visita
Ficou fora das redes da governadora. Os vídeos publicados pelo Blog Cenário mostram Raquel cercada por militantes, recebendo produtos do assentamento e participando do encerramento ao som de seu próprio jingle de campanha. Nada disso apareceu, até a manhã de hoje, sábado (05/09), nos canais usados pela candidata para divulgar sua agenda.
Raquel Teixeira
Tenta manter distância da polarização nacional, embora hoje tenha ao seu lado nomes importantes da direita e do bolsonarismo em Pernambuco. Nos últimos dias, Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro, declarou apoio à governadora e disse que ela representa a melhor opção para “derrotar o PT e o PSB” no Estado. Gilson Machado, Clarissa Tércio, Mendonça Filho, Anderson Ferreira, e outras referências do bolsonarismo no Estado. também estão no campo de apoio à sua reeleição.
No Normandia
O cenário era outro. Raquel foi recebida por Jaime Amorim, da coordenação nacional do MST e pai da deputada Rosa Amorim (PT), hoje no palanque adversário. Assinou compromisso com o movimento e ouviu seu jingle tocar no encerramento.
A agenda
Aconteceu. Foi registrada. Teve foto, vídeo e ato público. Só não entrou nas redes de Raquel. Gata escondida com o rabo de fora.
Justiça manda PF investigar a fundo de onde surgiu a foto de panfleto contra Raquel
04/09/2026
A decisão acolhe integralmente pedido da Frente Popular, manda portal entregar arquivo original em 48 horas e determina apuração para saber quem produziu e enviou a imagem e se o cartaz realmente existiu ou foi resultado de montagem ou fabricação digital. Agora, vai.
A Justiça Eleitoral
Não foi outra, foi ela quem
determinou que a Polícia Federal aprofunde a investigação sobre a origem da fotografia de um panfleto com ataques à governadora Raquel Teixeira Lyra, publicada inicialmente pelo portal Bastidor.PE. Em decisão proferida hoje sexta-feira (04/09), a juíza eleitoral Anamaria de Farias Borba Lima Silva acolheu integralmente parecer favorável do Ministério Público Eleitoral e deferiu os pedidos apresentados pela Coligação Frente Popular de Pernambuco.
A decisão
Abre uma frente de investigação para esclarecer não apenas quem produziu...
Também determina a preservação de dados do site Bastidor.PE.
A decisão acolhe integralmente pedido da Frente Popular, manda portal entregar arquivo original em 48 horas e determina apuração para saber quem produziu e enviou a imagem e se o cartaz realmente existiu ou foi resultado de montagem ou fabricação digital. Agora, vai.
A Justiça Eleitoral
Não foi outra, foi ela quem
determinou que a Polícia Federal aprofunde a investigação sobre a origem da fotografia de um panfleto com ataques à governadora Raquel Teixeira Lyra, publicada inicialmente pelo portal Bastidor.PE. Em decisão proferida hoje sexta-feira (04/09), a juíza eleitoral Anamaria de Farias Borba Lima Silva acolheu integralmente parecer favorável do Ministério Público Eleitoral e deferiu os pedidos apresentados pela Coligação Frente Popular de Pernambuco.
A decisão
Abre uma frente de investigação para esclarecer não apenas quem produziu e divulgou a fotografia, mas uma questão central para o episódio: se o cartaz chegou efetivamente a existir e ser afixado em espaço público ou se a imagem publicada nas redes foi resultado de edição, montagem, manipulação ou fabricação digital. A PF deverá identificar o autor da fotografia, quando e onde ela foi produzida, quem encaminhou o arquivo ao Bastidor.PE e quais intervenções foram feitas antes da publicação. Também foi determinado exame pericial do arquivo original.
A Frente Popular
Levou à Justiça a informação de que, aparentemente, existiria uma única fotografia originária do material, publicada inicialmente pelo perfil @bastidor.pe no Instagram. A petição também apontou vínculos profissionais entre integrantes do portal e a equipe de comunicação da governadora, destacando a atuação de Léo Malafaia como videomaker da campanha de Raquel Lyra.
Outro ponto considerado pela Justiça
Foram as alterações que, segundo a petição, ocorreram no site Bastidor.PE depois que essas relações vieram a público. De acordo com a decisão, foram relatadas a retirada do nome de Léo Malafaia da relação de autores e a exclusão de matérias anteriormente atribuídas a ele. Para a magistrada, as modificações descritas caracterizam “risco concreto de perecimento ou alteração de elementos probatórios armazenados em ambiente digital”.
Bastidor.PE terá 48 horas para entregar arquivo original
A ordem judicial determina que o Bastidor.PE e seus administradores entreguem à Polícia Federal, em até 48 horas, o arquivo digital original da fotografia publicada em 30 de agosto, em formato nativo e sem conversão, compressão ou qualquer alteração adicional. O portal também terá de fornecer metadados, dados EXIF eventualmente existentes, data e horário de criação, equipamento utilizado, coordenadas geográficas, histórico de modificações e software empregado.
A Justiça
Também quer saber quem produziu, enviou, recebeu, selecionou, editou e publicou a imagem, além do meio pelo qual o arquivo chegou ao portal, incluindo conta, e-mail, telefone, perfil ou usuário remetente. A determinação alcança ainda arquivos intermediários ou derivados utilizados durante a edição e publicação.
Preservar para não sumir
Além da entrega do material, o portal, seus administradores e o provedor de hospedagem deverão preservar registros de acesso, endereços IP, históricos de edição, versões anteriores de páginas alteradas ou excluídas, backups e dados dos usuários responsáveis por inserções, edições ou exclusões. A ordem menciona especificamente os registros relacionados à inclusão ou retirada do nome de Léo Malafaia da lista de autores e conteúdos modificados ou excluídos a partir de 2 de setembro.
Justiça também determina preservação de dados do Instagram
A decisão alcança ainda a Meta, responsável pelo Instagram. A empresa deverá preservar o arquivo original enviado ao perfil @bastidor.pe, data e horário do carregamento, endereços IP, sessões relacionadas à publicação, histórico de edições e exclusões, identificação técnica da conta responsável e outros registros relacionados à postagem.
A juíza
Ressaltou que as medidas têm caráter de preservação e não autorizam, neste momento, acesso indiscriminado a comunicações privadas. Caso a Polícia Federal considere necessária a apreensão e perícia de celulares ou computadores utilizados na produção, recepção, edição ou publicação da fotografia, deverá apresentar novo pedido à Justiça, individualizando pessoas, endereços, equipamentos e dados pretendidos.
Ao fundamentar a decisão,
A magistrada afirmou que a documentação apresentada contém “elementos concretos que justificam a pronta intervenção judicial para preservação das fontes de prova”. Para a Justiça, o fato de o Bastidor.PE ter sido apontado como primeiro veículo a divulgar a fotografia torna necessária a obtenção do arquivo original e a reconstrução da cadeia de recebimento, edição e publicação.
As determinações
Deverão ser cumpridas com urgência. Depois das diligências iniciais, a Polícia Federal terá de encaminhar relatório ao Juízo informando as providências adotadas e se há necessidade de novas medidas investigativas.
Nossa posição
Apoio ao esclarecimento cabal desse nebuloso e envergonhante episódio. Doa a quem doer.
É Findi - Série História de Pernambuco - Quando a tensão virou insurreição - Por Alfredo Cabral de Melo*
04/09/2026
Foi nesse ambiente que a ideia de uma insurreição começou a ganhar forma. Não é possível precisar quando ela começou a ser articulada, tampouco identificar com segurança quem teria sido seu primeiro articulador. A historiografia registra diferentes versões sobre a origem do movimento e, como observa José Antônio Gonsalves de Mello, não há fundamento documental suficiente para atribuir sua concepção inicial a uma única pessoa. João Fernandes Vieira e André Vida...
A saída de Maurício de Nassau, em maio de 1644, não resolveu os problemas que vinham se acumulando no Brasil Holandês. A Companhia das Índias Ocidentais precisava recuperar os recursos investidos na conquista, os senhores de engenho continuavam enfrentando dificuldades financeiras e a relação entre os moradores e o governo neerlandês tornava-se cada vez mais difícil. O que havia sido administrado com certa capacidade de negociação durante o governo de Nassau entrou em uma fase de maior tensão depois de sua partida.
Foi nesse ambiente que a ideia de uma insurreição começou a ganhar forma. Não é possível precisar quando ela começou a ser articulada, tampouco identificar com segurança quem teria sido seu primeiro articulador. A historiografia registra diferentes versões sobre a origem do movimento e, como observa José Antônio Gonsalves de Mello, não há fundamento documental suficiente para atribuir sua concepção inicial a uma única pessoa. João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros, entretanto, aparecem entre os principais personagens da articulação que levaria à guerra.
Também não se pode compreender esse processo olhando apenas para Pernambuco. A Bahia desempenhou papel importante nos acontecimentos que antecederam o levante, embora sua participação tenha ocorrido de maneira discreta. Antônio Teles da Silva, governador-geral do Estado do Brasil, manteve contatos com os envolvidos e permitiu o deslocamento de forças que estavam na região do rio Real em direção a Pernambuco. Henrique Dias, que comandava um terço de homens negros, e Filipe Camarão, à frente de forças indígenas, chegaram à região pernambucana nesse contexto. Documento citado na historiografia registra que Henrique Dias marchou do rio Real com seu terço por ordem de Teles da Silva e já se encontrava em Pernambuco em 1º de junho de 1645.
A participação baiana, contudo, precisa ser compreendida dentro da delicada situação política daquele momento. Portugal havia restaurado sua independência em 1640, mas ainda mantinha relações diplomáticas com as Províncias Unidas. Uma intervenção aberta contra os neerlandeses poderia comprometer essas negociações. Por isso, o apoio à insurreição ocorreu de forma velada. A correspondência da época revela que o governo da Bahia procurava apresentar determinados movimentos de tropas como medidas destinadas a conter os revoltosos, enquanto, na prática, homens e recursos eram direcionados para reforçar a resistência em Pernambuco.
A própria documentação permite perceber a dimensão dessa articulação. Em 1645, uma força comandada por Jerônimo Serrão de Paiva partiu da Bahia levando tropas de André Vidal de Negreiros e Martim Soares Moreno. O deslocamento fazia parte de uma operação que pretendia reforçar as forças da restauração e, ao mesmo tempo, preservar a aparência de que Portugal não estava intervindo diretamente na guerra. A manobra acabou provocando forte reação neerlandesa e criou dificuldades diplomáticas para a Coroa portuguesa.
Enquanto essas articulações aconteciam, em Pernambuco o movimento ganhava forma própria. João Fernandes Vieira, que já possuía posição econômica e social de destaque na capitania, assumiu papel de liderança ao lado de André Vidal de Negreiros. Não se tratava, portanto, de uma revolta surgida de maneira repentina. Havia descontentamentos acumulados, contatos entre diferentes grupos e preparação militar, enquanto as autoridades neerlandesas recebiam informações sobre a possibilidade de uma rebelião.
Em maio de 1645, na Várzea do Capibaribe, ocorreu um dos primeiros atos formais conhecidos da insurreição. João Fernandes Vieira e Antônio Cavalcanti participaram da organização das forças e da distribuição de postos militares. O documento produzido naquela ocasião utilizava uma linguagem que combinava referências religiosas e políticas e registrava a disposição de enfrentar o domínio neerlandês. Pouco depois, em junho, o movimento passou à luta aberta.
A partir daí, a situação mudou completamente. O que vinha sendo preparado por meio de contatos, deslocamentos e articulações passou a exigir homens, armas, alimentos e organização militar. A reação neerlandesa também se intensificou, e o conflito que começara como uma revolta localizada rapidamente ganhou dimensão mais ampla.
É importante, porém, não antecipar para 1645 uma interpretação que só seria construída posteriormente. A ideia de que diferentes grupos da população teriam se unido desde o início em torno de um sentimento nacional, tal como essa história seria contada em épocas posteriores, simplifica uma realidade muito mais complexa. Havia portugueses, moradores da terra, senhores de engenho, soldados, indígenas, negros escravizados e libertos, mas suas razões para participar do conflito não eram necessariamente as mesmas.
É justamente essa diversidade que ajuda a compreender a guerra que começava. Alguns chegaram ao conflito por suas relações com os senhores de engenho; outros, por vínculos militares ou políticos; havia ainda aqueles que buscavam recuperar posições perdidas ou escapar de situações de dependência. Entre indígenas e negros, as escolhas também não foram uniformes, e algumas delas envolveram interesses próprios, experiências anteriores de violência, alianças e expectativas de liberdade.
A insurreição, portanto, havia deixado de ser apenas uma questão entre a Companhia das Índias Ocidentais e os grandes proprietários de Pernambuco. A guerra começava a envolver homens de diferentes origens e condições, cada qual carregando suas próprias razões para escolher um lado.
E é justamente aí que surge uma pergunta que a história tradicional nem sempre enfrentou: o que levou indígenas, negros, escravizados e libertos a participar dessa guerra, e por que alguns deles lutaram pelos portugueses enquanto outros permaneceram ao lado dos neerlandeses?
*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo

O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.