É Findi - Série Prédios Ícones de Pernambuco - Hangar do Aeroclube de Pernambuco - Por Silvio Amorim*
09/10/2026
Fundação
O Aeroclube de Pernambuco foi fundado oficialmente em 15 de marco de 1940, em sessão no Automóvel Clube de Pernambuco. Além dos sócios fundadores, representantes da sociedade civil. Assis Chateaubriand, jornalista e empresário da comunicação, aparece entre os fundadores do Aeroclube de Pernambuco. Ele foi importante na multiplicação dos aeroclubes no Brasil para formação de pilotos civis e no incentivo a "Campanha Nacional de Aviação" e "Asas para a Juventude".
Naquela época, os hidroaviões eram fundamentais para a aviação comercial porque não precisav...

Fundação
O Aeroclube de Pernambuco foi fundado oficialmente em 15 de marco de 1940, em sessão no Automóvel Clube de Pernambuco. Além dos sócios fundadores, representantes da sociedade civil. Assis Chateaubriand, jornalista e empresário da comunicação, aparece entre os fundadores do Aeroclube de Pernambuco. Ele foi importante na multiplicação dos aeroclubes no Brasil para formação de pilotos civis e no incentivo a "Campanha Nacional de Aviação" e "Asas para a Juventude".
Naquela época, os hidroaviões eram fundamentais para a aviação comercial porque não precisavam de pistas terrestres. A Bacia do Pina oferecia uma enorme área de água para pousos e decolagens. Em 7 de março de 1925, o Recife recebeu correspondência transportada por avião no então Campo do Pina, numa época em que a aviação francesa começava a estabelecer ligações aéreas com a Cidade do Recife.
Continuidade
Portanto, existe uma continuidade histórica:
A entidade acabou se estabelecendo no Encanta Moça, em 1943, com área de 11.9 hectares, tendo como finalidade a formação de pilotos civis que poderiam integrar a reserva da Aeronáutica. O hangar de ferro foi doado pelo governo francês. O Brasil estava às vésperas da Segunda Guerra Mundial e havia necessidade de ampliar rapidamente o número de aviadores.
Aqui funcionou durante 73 anos uma escola de formação de pilotos, além de atividades de aero desporto, guarda de aeronaves e apoio à aviação não regular. Em 1945, o Aeroclube era considerado o primeiro do Brasil em número de aviões disponíveis para voo, com 22 aeronaves.

Formação de pilotos
Até o encerramento das atividades, já havia formado aproximadamente 2.000 pilotos, cumprindo uma ação social e educacional.
O Aeroclube se tornou parte da vida social e cultural do Recife. Um espaço de lazer e social que recebia exposições, apresentações de aeromodelismo, curso de paraquedismo, eventos, auto cine drive-in e atividades abertas ao público. A pista, os aviões, os hangares e o manguezal formavam uma paisagem bastante singular.
Em 2013, o terreno foi retomado para a implantação da Via Mangue, parque e conjunto habitacional. Em 15 de março daquele ano, coincidentemente na data de aniversário da fundação do Aeroclube de Pernambuco, as aeronaves foram retiradas e as operações da pista foram interrompidas.
*Silvio Amorim, Brvetou-se piloto no Aeroclube de Pernambuco.
*Silvio Amorim é advogado e orgulhoso ex-aluno interno do Colégio Diocesano de Garanhuns. Faz parte da associação Teatro de Amadores de Pernambuco.

O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
Leia outras informações
Entrevista - Antônio Campos anuncia candidatura à prefeitura de Olinda
09/10/2026
É escritor com diversas obras publicadas (como Pense S.A., O Grande Portal e Viver é Resistir). É o idealizador e curador da Fliporto (Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas) e preside o Instituto Maximiano Campos (IMC). Concorreu à prefeitura em 2016 e 2024, pautando seus debates em temas voltados à segurança pública, revitalização urbana, patrimônio histórico, saúde e geração de emprego. Hoje, sexta-feira, 09/10, ele anunciou sua pré-pré candidatura a prefeito. O Poder foi conversar com ele.
O Poder -Por que o anúncio agora, em meio ao segundo turno da disputa nacional?
Antônio Campos - O meu avô, Miguel Arraes, dizia uma frase muito interessante que serve para esses momentos: "Quem é manco, parte cedo" (risos). É uma forma de mostrar também a minha indignação com o que está acontecendo em Olinda, que passa talvez pelo moment...
Antônio Campos é advogado com especialização em Direito Empresarial e Direito do Entretenimento,
É escritor com diversas obras publicadas (como Pense S.A., O Grande Portal e Viver é Resistir). É o idealizador e curador da Fliporto (Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas) e preside o Instituto Maximiano Campos (IMC). Concorreu à prefeitura em 2016 e 2024, pautando seus debates em temas voltados à segurança pública, revitalização urbana, patrimônio histórico, saúde e geração de emprego. Hoje, sexta-feira, 09/10, ele anunciou sua pré-pré candidatura a prefeito. O Poder foi conversar com ele.
O Poder -Por que o anúncio agora, em meio ao segundo turno da disputa nacional?
Antônio Campos - O meu avô, Miguel Arraes, dizia uma frase muito interessante que serve para esses momentos: "Quem é manco, parte cedo" (risos). É uma forma de mostrar também a minha indignação com o que está acontecendo em Olinda, que passa talvez pelo momento mais difícil de sua existência, sem assistência, sem limpeza, sem o cuidado que o olindense merece. O tempo vai passando e nada muda, só piora. Acredito que ninguém fica satisfeito com o que está vendo na cidade. Locais importantes e polos de cultura, como a biblioteca do Carmo, estão completamente abandonados. Não há uma preocupação com a cultura, com a saúde, com o saneamento. Há obras intermináveis que atrapalham a mobilidade. A cidade, que é patrimônio histórico da humanidade, está passando por uma situação de alerta. Vamos debater e conversar para chegar a um consenso.

O Poder - O senhor tem sonhos ou propostas?
AC - Temos projetos, soluções e, principalmente, temos coragem para mudar isso. Nós vamos cuidar das pessoas".
O Poder - O senhor esta alinhado com o campo político da governadora e com Flávio. A prefeita atual é desse mesmo campo...
AC - Eu realmente anunciei e votei na governadora e em Flávio Bolsonaro. E, no segundo turno, votarei outra vez em Flávio Bolsonaro. Eu não tenho preocupação com isso. Sobre a ligação da prefeita com a governadora, vamos conversar com a governadora no momento oportuno e dialogar com as pessoas que sabem que Olinda não está bem.
O Poder - Usando quais argumentos?
Ac - Temos que ver a cidade de outra forma, e não como está. Olinda precisa ter uma política própria, que olhe para as estruturas na sua totalidade. Somos e estamos em uma zona importante do Estado e precisamos gerar emprego, levando algo diferente do que há hoje para as pessoas. Olinda precisa crescer economicamente. Minha decisão é independente da governadora, mas vamos sentar à mesa e conversar".
O Poder - Estruturalmente o que Antônio Campos pode oferecer a Olinda?
AC - Do ponto de vista estrutural, o que uma possível gestão Antônio Campos pode oferecer ao olindense é segurança, emprego, renda, cultura, lazer, saúde e assistência às pessoas. Vamos reabrir o Cine Olinda, fechado há anos, recuperar espaços culturais e promover outros locais, buscar e gerar recursos no município, programas voltados ao turismo. A segurança é um ponto forte a ser implementado e posto em prática. A valorização dos bairros,
Também será prioridade. Olinda não é só a parte histórica ou o carnaval.
O Poder - E o seu olhar social?
AC - Queremos criar uma assistência voltada às pessoas em situação de rua, dando-lhes um espaço digno para ter comida quente, uma roupa e um lugar para tomar um banho, ao preço simbólico de R$ 1,00. Por que um real? Para estabelecer o princípio de que aquilo tem valor, é apenas para dar o senso de responsabilidade e não ser banalizado. Isso com apoio psicológico e sem discriminar quem quer que seja. Sabemos que é também um caso de saúde pública e será algo que ajudará na reflexão dessas pessoas, auxiliando-as a buscar outra forma de viver".
O Poder - o mar continua avançando. O que a prefeitura pode fazer?
AC - Vamos nos voltar para o avanço do mar, que já está em um momento crítico. Hoje existem técnicas de contenção que podemos implementar para resolver esse caso de grande preocupação para os olindenses.
O Poder - E quanto à segurança, problema eternizado...
AC - A segurança é um ponto crucial que pretendemos resolver, pois todos já cansamos de ver o que está acontecendo na cidade. Vamos para o debate, principalmente com o povo, levar ideias e projetos que são muitos, para realmente solucionar os problemas de emprego, geração de renda e redução de impostos, fazendo algo verdadeiramente transformador na nossa Olinda.

É Findi - Manifesto - Poema - Por Felipe Bezerra*
09/10/2026
mas mesmo assim levanto
a voz, o braço e o pensamento.
Contra tudo aquilo que é falso,
contra a deturpação dos fatos,
o maliciosamente afirmado.
Sigo contra quem faz o diabo
na eleição e no mandato,
como já foi dito e ressaltado.
Contra as inverdades reiteradas,
agora judicialmente toleradas,
em conluio escancarado.
Sobre tudo isso penso e reflito.
Mas encontro alívio e regozijo,
na singeleza dos acontecimentos.
Eis o crepúsculo do último mandato
do líder popular corrompido,
que traiu sua gente e seus princípios.
Que se afogou na vaidade do cargo,
no luxo desmedido e no escárnio,
pondo em tudo centenário sigilo.
Bora, já deu. Fora!
Até nunca mais!
Adeus líderes imorais!
Recife, 08 de outubro de 2026.
Eu sigo imerso no vão do vento,
mas mesmo assim levanto
a voz, o braço e o pensamento.
Contra tudo aquilo que é falso,
contra a deturpação dos fatos,
o maliciosamente afirmado.
Sigo contra quem faz o diabo
na eleição e no mandato,
como já foi dito e ressaltado.
Contra as inverdades reiteradas,
agora judicialmente toleradas,
em conluio escancarado.
Sobre tudo isso penso e reflito.
Mas encontro alívio e regozijo,
na singeleza dos acontecimentos.
Eis o crepúsculo do último mandato
do líder popular corrompido,
que traiu sua gente e seus princípios.
Que se afogou na vaidade do cargo,
no luxo desmedido e no escárnio,
pondo em tudo centenário sigilo.
Bora, já deu. Fora!
Até nunca mais!
Adeus líderes imorais!
Recife, 08 de outubro de 2026.
*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza
NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
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É Findi - (Des)encontro - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
09/10/2026
(ou foi desencontro?)
um leve, sutil tocar,
um pequeno andar.
Até tua casa, na praça,
um enlevo, uma graça;
batia meu coração qual
o do beija-flor, volteio igual.
A sós, voltei radiante!
Adolescente, inexperiente,
minh'alma em cântaros!
Sofri rios de prantos,
ex-amor, dor excruciante,
mortífero e vil expediente.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
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Primeiro encontro,
(ou foi desencontro?)
um leve, sutil tocar,
um pequeno andar.
Até tua casa, na praça,
um enlevo, uma graça;
batia meu coração qual
o do beija-flor, volteio igual.
A sós, voltei radiante!
Adolescente, inexperiente,
minh'alma em cântaros!

Sofri rios de prantos,
ex-amor, dor excruciante,
mortífero e vil expediente.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99

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É Findi - Série História de Pernambuco - Quando a guerra ultrapassou Pernambuco - Por Alfredo Cabral de Melo*
09/10/2026
A guerra também era discutida em Lisboa, enquanto a Companhia das Índias Ocidentais procurava preservar aquilo que ainda controlava. Portugal precisava sustentar a guerra contra a Espanha e, ao mesmo tempo, lidar com o conflito provocado pela presença holandesa em seus territórios ultramarinos. Em 1648, D. João IV buscava uma solução para o impasse e solicitou pareceres sobre a possibilidade de fazer a paz mediante concessões territoriais aos neerlandeses....
A primeira batalha dos Guararapes, em abril de 1648, foi uma vitória importante para as forças da Restauração, mas não resolveu a guerra. Recife continuava sob domínio holandês, protegido por suas fortificações e pelo acesso ao mar. A Companhia das Índias Ocidentais ainda tinha capacidade de reação, como demonstrou a chegada, em março daquele ano, da armada de Witte de With, trazendo novos soldados e recursos. A partir dali, porém, compreender o que acontecia em Pernambuco exigia olhar para além dos campos de batalha.
A guerra também era discutida em Lisboa, enquanto a Companhia das Índias Ocidentais procurava preservar aquilo que ainda controlava. Portugal precisava sustentar a guerra contra a Espanha e, ao mesmo tempo, lidar com o conflito provocado pela presença holandesa em seus territórios ultramarinos. Em 1648, D. João IV buscava uma solução para o impasse e solicitou pareceres sobre a possibilidade de fazer a paz mediante concessões territoriais aos neerlandeses. Entre os envolvidos nessa discussão estava o padre Antônio Vieira. Sua posição, porém, não foi simples nem permaneceu a mesma ao longo do processo. Inicialmente contrário ao projeto de entrega, Vieira acabou defendendo, no chamado “Papel Forte”, a aceitação do acordo como alternativa diante das dificuldades militares e financeiras enfrentadas por Portugal. O documento, intitulado “Papel a favor da entrega de Pernambuco aos holandeses”, tornou-se um dos registros mais expressivos daquele debate. Sua posição, contudo, não prevaleceu. A questão estava longe de ser simples. De um lado, havia o custo de continuar a guerra; de outro, a importância econômica dos territórios açucareiros e o próprio significado político de abandoná-los.
Essa discussão revela uma dimensão pouco lembrada da Restauração. Enquanto os homens que haviam se levantado contra o domínio holandês continuavam lutando em Pernambuco, a possibilidade de entregar novamente o Nordeste aos neerlandeses era examinada na própria Corte portuguesa. A primeira batalha dos Guararapes, ao contrário de encerrar o problema, contribuiu para modificar o ambiente político em Lisboa. A vitória fortaleceu aqueles que defendiam a continuidade da resistência e dificultou a aceitação das concessões territoriais que estavam sendo negociadas.
A posição de Vieira também ajuda a compreender como as decisões tomadas naquele momento estavam longe de obedecer a uma única lógica. O jesuíta não era, desde o início, um defensor da entrega de Pernambuco. Segundo Evaldo Cabral de Mello, ele chegou a se opor ao projeto e a criticar aqueles que pretendiam fazer concessões aos neerlandeses. Foi diante do agravamento das dificuldades portuguesas e do impasse das negociações que passou a defender a aceitação do tratado, entendendo que Portugal não teria condições de sustentar simultaneamente a guerra contra a Espanha e a disputa com os holandeses.
No Recife, entretanto, a Companhia das Índias Ocidentais não parecia disposta a simplesmente aceitar a situação. A chegada de Witte de With reforçou a capacidade militar neerlandesa e permitiu novas operações. O Recôncavo baiano esteve entre os espaços atingidos por essas ações, mostrando que a disputa não estava limitada ao território imediatamente próximo ao Recife. O domínio das rotas marítimas continuava sendo importante para os holandeses, que ainda tinham condições de movimentar tropas e recursos entre diferentes pontos do litoral.
Foi nesse mesmo ano que outro acontecimento passou a ter importância para aquela disputa. Em agosto de 1648, Salvador Correia de Sá e Benevides reconquistou Luanda, que estava sob controle holandês desde 1641. A expedição partira do Rio de Janeiro e tinha como objetivo recuperar a praça africana. Angola ocupava posição importante dentro da presença portuguesa no Atlântico e sua reconquista representava, portanto, mais do que uma vitória isolada em território africano.
A notícia chegou a Lisboa em 25 de novembro, quando o debate sobre as concessões aos neerlandeses ainda não estava encerrado. Segundo Evaldo Cabral de Mello, a possibilidade de encontrar uma solução negociada havia alimentado algum otimismo na Corte, mas a notícia da reconquista de Luanda contribuiu para dissipá-lo. O acontecimento fortaleceu aqueles que defendiam a continuidade da resistência e tornou ainda mais difícil a aceitação da entrega do Nordeste. Não se trata, portanto, de afirmar que Luanda decidiu o destino de Pernambuco, mas de reconhecer que sua reconquista interferiu no ambiente político em que esse destino estava sendo discutido.
A ligação entre Pernambuco e Angola, aliás, não começou naquele ano. Antes mesmo da reconquista de Luanda, havia projetos portugueses que relacionavam a recuperação de posições nos dois espaços. Salvador Correia de Sá já havia apresentado propostas que envolviam Pernambuco e Angola, sinal de que, para alguns dos homens que pensavam a recuperação do poder português, os dois territórios podiam ser considerados dentro de uma questão estratégica mais ampla. Isso não significa que a batalha dos Guararapes e a operação de Luanda tenham sido partes de uma única campanha. Eram acontecimentos distintos, com objetivos próprios, mas inseridos em uma conjuntura em que Portugal procurava recuperar posições perdidas para os neerlandeses.
A coincidência dos acontecimentos de 1648, entretanto, merece atenção. Em março, Witte de With chegou ao Recife com reforços para as forças holandesas. Em abril, a primeira batalha dos Guararapes terminou com a derrota das tropas neerlandesas. Em agosto, Luanda voltou ao domínio português. Enquanto esses acontecimentos se desenrolavam nos diferentes espaços do conflito, em Lisboa continuava a discussão sobre a possibilidade de alcançar a paz mediante concessões territoriais aos neerlandeses. Eram movimentos distintos, com objetivos próprios, mas que ajudam a compreender a dimensão atlântica de uma disputa que já não podia ser observada apenas a partir de Pernambuco.
Seria precipitado dizer que o domínio holandês estava acabado. Recife permanecia em suas mãos, a Companhia ainda possuía capacidade militar e a guerra continuaria por mais alguns anos. O que se percebe em 1648 é algo menos definitivo, mas talvez mais revelador: a presença neerlandesa começava a ser pressionada em diferentes espaços, enquanto Portugal procurava encontrar meios para recuperar aquilo que havia perdido sem comprometer sua própria capacidade de sobrevivência política.
É nesse sentido que Luanda ganha importância para a história que estamos contando. Sua reconquista não decidiu a guerra de Pernambuco, nem permite afirmar, isoladamente, que a presença holandesa estava condenada. Mas, colocada ao lado de Guararapes, das operações no Nordeste e das discussões diplomáticas em Lisboa, ela ajuda a perceber que a disputa já ultrapassava os limites da capitania e envolvia diferentes pontos do Atlântico.
A Restauração, naquele momento, já não cabia apenas no espaço entre os engenhos e o Recife. Havia uma guerra sendo travada em Pernambuco, uma disputa pelo controle de territórios e rotas do Atlântico e, ao mesmo tempo, uma negociação diplomática que poderia decidir o que Portugal conservaria ou estaria disposto a entregar. O resultado ainda não estava definido.
Talvez seja justamente por isso que 1648 seja um ano tão revelador. Os combates mostravam a capacidade militar das forças da Restauração, enquanto a diplomacia revelava que nem todos em Portugal estavam convencidos de que a guerra deveria continuar a qualquer preço. Do outro lado, os holandeses ainda tinham força para reagir, mas precisavam defender um domínio que começava a ser pressionado em diferentes pontos.
A guerra continuava, mas, naquele momento, já havia ultrapassado Pernambuco.
Fontes de referência:
Evaldo Cabral de Mello, “Antônio Vieira e o negócio do Brasil”, Revista Serrote, nº. 4, Instituto Moreira Salles, julho de 2011.
Evaldo Cabral de Mello, Olinda Restaurada e O Negócio do Brasil.
José Antônio Gonsalves de Mello, Fontes para a História do Brasil Holandês.
Documentação histórica relativa à reconquista de Luanda em 1648 e à atuação de Salvador Correia de Sá e Benevides.
*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo

O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
É Findi – O Recife - Aspectos históricos e geográficos de uma bela cidade - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*
09/10/2026
Classificado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística como uma metrópole regional, o Grande Recife tem a área metropolitana de maior densidade populacional da região nordeste e a terceira mais densamente habitada do Brasil, superada apenas por São Paulo e Rio de Janeiro, além de possuir a quarta maior rede urbana do País, em população. É formado por 13 municípios, além do Recife: Abreu e Lima, Araçoiaba, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Igarassu, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Itapissuma, Jaboatão dos Guararapes, Moreno, Olinda, Paulista e São Lourenço da Mata.
A metrópole desempenha um forte papel centralizador em seu estado e todo nordeste, abrigando grande número de sedes regionais e nacionais de instituições e empresas públicas e p...
Com uma área de aproximadamente 217km2, o Recife está localizado às margens do oceano Atlântico, e possui uma população de 1 546 700 (um milhão, quinhentas e quarenta e seis mil e setecentas pessoas - 2012).
Classificado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística como uma metrópole regional, o Grande Recife tem a área metropolitana de maior densidade populacional da região nordeste e a terceira mais densamente habitada do Brasil, superada apenas por São Paulo e Rio de Janeiro, além de possuir a quarta maior rede urbana do País, em população. É formado por 13 municípios, além do Recife: Abreu e Lima, Araçoiaba, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Igarassu, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Itapissuma, Jaboatão dos Guararapes, Moreno, Olinda, Paulista e São Lourenço da Mata.
A metrópole desempenha um forte papel centralizador em seu estado e todo nordeste, abrigando grande número de sedes regionais e nacionais de instituições e empresas públicas e privadas, como o Comando Militar do Nordeste, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, a Superintendência Regional Nordeste da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, a TV Globo Nordeste, a Eletrobras Chesf, a Queiroz Galvão, entre outras, e com uma área de influência que abrange outras capitais, como João Pessoa, Maceió, Natal e Aracaju. Inclui, além da capital pernambucana, mais treze cidades do Grande Recife, concentrando 65% do Produto Interno Bruto estadual.

A cidade do Recife foi eleita por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwid, como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no Mundo. Apenas cinco cidades brasileiras entraram na lista, tendo o Recife recebido a quarta posição, após São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e à frente de Curitiba.
Destaca-se por possuir o maior parque tecnológico do Brasil, o Porto Digital; o maior número de consulados estrangeiros fora do eixo Rio-São Paulo, sendo inclusive a única cidade, com exceção de São Paulo e do Rio de Janeiro, que tem consulado dos Estados Unidos; o mais importante polo médico do Norte-Nordeste; o mais moderno aeroporto do Norte-Nordeste, o Aeroporto Internacional dos Guararapes; o maior Produto Interno Bruto per capita entre as capitais da Região Nordeste do Brasil; uma forte indústria de construção civil: a cidade detém grande número de arranha-céus em comparação a outras capitais do país. O Complexo Industrial de Suape, que abriga, entre outros empreendimentos, o maior estaleiro do hemisfério sul.
Com um grande potencial turístico e forte vocação para os contatos de negócios, frequentemente é escolhida como sede de diversos eventos, como simpósios, jornadas e congressos.
A denominação da cidade d(o) "Recife" provém da palavra "arrecife", grande barreira rochosa de arenito que se estende por toda a sua costa, formando piscinas naturais. O nome da cidade deve ser precedido do artigo definido (o). A regra que estabelece esse procedimento é a mesma utilizada para os municípios e estados da Federação cujas denominações sejam originárias de acidentes geográfico como (o) Rio de Janeiro (a) Bahia (o) Cabo de Santo Agostinho...
O seu centro urbano está situado a dois metros acima do nível do mar, segundo levantamento altimétrico realizado pelo Engenheiro Victor Fournié, quando diretor de Obras Públicas, (1874-75) com aferição nos seguintes pontos bases, posteriormente, anotados pelo pesquisador Napoleão Barroso, em ” Cartas Recifenses”:
1. No frontispício da Matriz de N. S.ª da Conceição dos Militares, na Rua Nova – 2,62 m.
2. Matriz de N. S.ª do Rosário dos Pretos - 4,16 m.
3. Igreja da Ordem Terceira de São Francisco Rua do Imperador -2,8m
4. Ginásio Pernambucano – Rua da Aurora – 2,81 m
5. Rua do Riachuelo, na casa n. 677 – 3,54 m seis Av. Conde da Boa Vista – Sobrado n.º 1.242 –3,63m, entre outros.
A hidrografia do Recife é tão importante quanto sua história, não é à toa que ela é chamada de cidade das águas, pois, além de se encontrar praticamente no mar, ela é a foz de dois importantes rios: o Capibaribe e o Beberibe, além desses, segue-se o Tejipió, que chega às terras centrais da cidade, no bojo do Capibaribe. Vejamos, pois, cada um desses rios:
Capibaribe - Rio das Capivaras – Existe divergências quanto ao município onde ele nasce, porém o certo é que tem origem nos confortes da Serra do Jacarará, no olho d’água do gavião e lagoa do angu. Corta vários municípios do agreste e da mata centro de Pernambuco até chegar ao Recife através do bairro da Várzea, de onde sai margeando, e é margeado pelos bairros de Caxangá, Apipucos, Monteiro, Casa Forte, Poço da Panela, Santana, Jaqueira, Torre, Graça, e Madalena, quando bifurca em dois braços, o do lado direito – que segue rumo ao sul e à direita - era chamado antigamente de Rio dos Afogados que vai confundir-se com o Rio Tejipió, lançando suas águas na bacia do Pina. O outro, primitivamente denominado de Rio dos Cedros, corre banhando as localidades dos Coelhos e da Boa Vista, separando-as dos bairros de Santo Antonio e São José até encontrar-se com o Beberibe, na parte de trás do Palácio do Governo.
Beberibe – Tem origem no município de São Lourenço da Mata, no lugar denominado “Cara de Cavalo”, daí segue na direção oeste e vai até a Cova da Onça, de onde deflete para o Poço da Panela, seguindo serpenteando entre os municípios de Olinda e do Recife, passando por Beberibe, Porto da Madeira, Peixinhos e Salgadinho, de onde converge para encontrar-se com o Capibaribe, no ponto que citamos anteriormente.
Tejipió - Nasce um pouco abaixo do bairro a quem deu o nome, na antiga localidade Mamucaia. Corre nas divisas do sul e, prosseguindo, recebe o ribeiro Pacheco, depois que ele adentra as terras dos antigos engenhos Peres, Uchoa e Ibura, passa a receber água do riacho Jiquiá, dai segue serpenteando até Afogados e vai despejar na Bacia do Pina.
Coordenadas Geográficas: Latitude 8º 04' 03'' S e Longitude 34º 55' 00'' W
Limites – O município do Recife se limita: a Leste, com o Oceano Atlântico, ao Norte e Noroeste com Olinda e a Oeste com os Municípios de Camaragibe e São Lourenço da Mata e a Sudeste e Sul, com Jaboatão dos Guararapes.
Conforme preceitua a Lei Municipal n.º 9. 691, de 12 de Março de 1537 foi a data escolhida como a da criação da cidade do Recife, uma vez que o Foral de Duarte Coelho a ele se refere, pela primeira vez, justamente naquele dia.
“Povo” era a sua denominação, com seus casebres, em volta da Ermida de Santelmo, o Santo protetor dos pescadores que, ao se perderem em tenebrosas tempestades, eram por ele guiados, através de um fogo azul. De ermida, a capela passou a Matriz do Corpo Santo da Freguesia de São Frei Pedro Gonçalves, demolida por ocasião dos trabalhos de reforma que “modernizaram” todo o bairro portuário.
Embora também importante, principalmente, sob o ponto de vista econômico, o fluxo de crescimento do Recife no sentido centrípeto (periferia-centro) foi menos marcante que o fluxo centrífugo (centro-periferia), ou seja, a influência financeira e a transposição populacional no sentido rural-urbano foi menos significativa que a dispersão dos moradores, no sentido urbano-rural, não se devendo negar que os núcleos urbanos do Recife brotaram de forma social, religiosa e financeiramente, dispersas e independentes, porém, sempre atrelados político, social e economicamente, aos bairros centrais.
Mesmo equiparando os dois sentidos, o prof.º José Antônio Gonsalves de Melo (O Recife-QUATRO SÉCULOS DE SUA PAISAGEM) pgs. 266/67, trata desse assunto da seguinte forma:
“Assim, a área que viria a ser a do Recife tem um povoamento disperso em vários núcleos: o do porto, já defendido desde o século XVI pelo Forte de São Jorge e, no início do seguinte, pelo do Picão, sobre os arrecifes da barra principal; o da outra banda, na ilha de Antônio Vaz, e o de vários engenhos localizados de um lado e outro do rio, na várzea do Capibaribe: o da Madalena, o da Torre, o de Casa Forte, o do Monteiro, o de Apipucos, e tantos outros. Esses engenhos eram, realmente, núcleos de população, pois contavam cerca de 150 moradores cada um: o senhor de engenho com sua família; os lavradores, que cultivavam pequenas parcelas da área dos canaviais e que formavam uma classe média na hierarquia da sociedade açucareira, também com suas famílias; o capelão; os profissionais das várias atividades, sobretudo industriais do engenho: feitores, mestres de açúcar, banqueiros, escumeiros, purgadores, caixeiros, carreiros, etc... abaixo de todos, os escravos dos serviços doméstico e do campo, é a prova de que esses engenhos constituíram núcleos de população, é que muitos deles vieram a se transformar em bairros.
Após a ocupação holandesa, o Recife desenvolveu-se rapidamente. Até então, a capital de Pernambuco estava em Olinda: a sede da administração da capitania, política, fazendária, jurídica, militar, etc.; os conventos de varias ordens religiosas; o centro do comercio com Portugal e outros países da Europa e com as demais capitanias do Brasil. Com os holandeses todas essas atividades transferem-se para o Recife. Transferem-se e ampliam-se. Os holandeses tinham uma grande tradição urbana e, na grande maioria, se estabeleceram no Recife, de preferência na zona açucareira de Pernambuco. Além disso, as necessidades militares, da administração civil e do comercio, trouxeram para aqui número avultado de holandeses, alemães, franceses, ingleses, escoceses, dinamarqueses, etc., a serviço da Companhia da Índia Ocidental ou sob a jurisdição desta. Um recenseamento feito em 1645 revela que no Recife residiam 8.000 pessoas.
Expulsos os holandeses, tentou-se transferir para Olinda a sede do governo. Mas não se obteve o apoio do Rei, que determinou que o governador e as demais autoridades residissem ali. Na verdade, o Recife oferecia tamanha superioridade locacional, de comodidade e de serviços sobre a antiga capital, que as determinações régias não prevaleceram. E se o Recife só veio a ser oficialmente capital de Pernambuco em 1827, isso decorreu da inércia da burocracia.
Com a expansão da população, no começo do século XVIII, iniciou-se a ocupação da área da Boa Vista, através do aterro que veio a ser a Rua da Imperatriz. Ficava assim incorporado ao perímetro urbano mais um bairro recifense, e a cidade se apresenta, desde então, com sua fisionomia atual, excluindo-se, é claro, os enormes aterros que foram sendo realizados ao longo dos tempos, alguns dos quais deram origem a trechos bem característicos de nossa cidade: todo espaço entre a Rua do Bom Jesus e o Cais do Apolo, todo o terreno entre a antiga Rua das Florentinas e a Rua do Sol, toda a Rua da Aurora e daí para trás, até a Rua do Hospício, etc...
Na segunda metade do século XVIII divulgam-se informações sobre a importância medicinal dos banhos do Rio Capibaribe. Segundo uma noticia da fundação do povoado do Poço da Panela, os médicos do Recife, por volta de 1758, por observações feitas, concluíram que havia no uso de banhos no rio Capibaribe grande vantagem para debelar certa febre epidêmica que desde 1746 aparecera aqui. Com esta descoberta e o gosto da população pelos banhos de rio, as grandes propriedades ribeirinhas começaram a sofrer as primeiras divisões e foram surgindo os sítios ou chácaras recifenses, muitos deles com suas capelas, na sua maioria do século XVIII: a da Sagrada Família, no Chora Menino, a de São José do Manguinho, a dos Aflitos, a da Jaqueira, a do Rosário, etc.”
Já o movimento de ocupação popular da então periferia do Recife só teve início a partir de 1931, quando foi registrada, em cartório, a Liga Mista dos Proprietários da Vila de São Miguel, em Afogados. Dos quarenta e cinco mil mocambos que existiam no Recife, do início dessa década, cerca de doze mil e quinhentos foram demolidos entre 1939/45, esses localizados, principalmente nos mangues das proximidades do futuro Canal Derby/Tacaruna e que iriam permitir, justamente com a dragagem desse último, a drenagem dos alagados do centro da cidade.
É oportuno frisar que, não obstante a derrubada de todos esses mocambos, apenas cerca de cinco mil casas foram construídas para substituí-los e atender à crescente demanda por habitação, fazendo com que o enorme número de excedentes fosse deslocado para as áreas urbanas periféricas que iam surgindo, principalmente nos morros da zona noroeste, dando origem aos atuais bairros do Morro da Conceição, do Alto de Santa Teresinha, do Vasco da Gama, do Alto José Bonifácio, de Nova Descoberta e de outros núcleos de palafitas, nas margens da Rua da Aurora, Ponte do Maduro, dos Coelhos, do Coque, e das Ilhas de Joaneiro, de João de Barros, e do Chié.
Em termos geológicos e geográficos, os bairros centrais da cidade (Recife, Santo Antônio, São José, e também Boa Vista), são o resultado do assoreamento de matérias aluviais transportadas, principalmente, pelos rios Capibaribe e Beberibe e de numerosos aterros realizados pelo homem em diversas épocas e que ainda continuam e, ao que tudo indica, continuarão, estreitando os caminhos fluviais e alargando as ilhas e penínsulas.
A divisão dos bairros surgiu, inicialmente, embora sem delimitar rigorosamente as áreas, com as escolhas religiosas das “FREGUESIAS”, primeiro a de São Frei Pedro Gonçalves, que hoje corresponde ao bairro do Recife, depois as de Santo Antônio, São José e a da Boa Vista, que, com o passar do tempo, foi aumentando, tomando terras de Olinda, assim vieram as freguesias de Santo Amaro, de Afogados, Várzea, Poço da Panela, da Graça, posteriormente, subdividas em muitas outras, como Encruzilhada, Campo Grande, Cordeiro, Pina, e Boa Viagem.
Somente a partir de 1936, com “ O Regulamento da Construção” é que surgiu o primeiro conjunto de normas articuladas e que abrangia os elementos fundamentais de produção da cidade. Este regulamento dividiu o Recife em quatro zonas: a principal, a urbana, a suburbana e a rural, e definiu, para cada uma dessas zonas: usos permitidos, proibidos e tolerados.
Em 1949, o zoneamento atualizava as delimitações das quatro zonas. Essas normas permaneceram vigorando até serem substituídas pela lei de 19 de outubro de 1961, que dividiu o Município do Recife em três setores: urbano, suburbano e rural, cada um, subdividido em zonas e núcleos denominados de acordo com suas utilizações. Do Setor Urbano faziam parte 3 Zonas Comerciais: (ZC1-Centro, ZC2- Encruzilhada, ZC3- Afogados), a Zona Portuária ZP1=Porto, as Zonas Industriais (ZI4-Santo Amaro e parte da ZI5-São José/Cabanga), e a Zona Residencial (ZR2, de uma Zona Portuária (ZP2-aeroporto), uma Zona Comercial (ZC4-Casa Amarela) e três Zonas Industriais (ZI1-Afogados/Mustardinha, parte da ZI3-Casa Amarela e parte da ZI5-Imbiribeira). O Setor Rural abrangia todas as demais localidades.
Em 1997, chegou-se, finalmente, à atual divisão dos bairros que teve origem com a lei nº 16.293, de quatro de fevereiro daquele ano, distribuindo a área da cidade em seis Regiões Político-Administrativa (RPAs) que, por sua vez, englobariam os 94 bairros, estabelecidos pelo decreto de 26 de outubro de 1988, da seguinte forma:
A cada RPA corresponde uma sede regional, assim distribuída:
RPA- I_ (onze bairros)
Recife, Santo Antonio, São José, Boa Vista, Santo Amaro, Coelhos, Soledade, Joana Bezerra, Cabanga, Ilha do Leite e Paissandu.
RPA- II_ ( dezoito bairros)
Arruda, Campina do Barreto, Campo Grande, Encruzilhada, Ponto de Parada, Hipódromo, Peixinhos, Rosarinho, Torreão, Água Fria, Bomba do Hemetério, Alto Santa Terezinha, Cajueiro, Fundão, Beberibe, Dois Unidos, Linha do Tiro e Porto da Madeira.
RPA-III_ (vinte e nove bairros)
Aflitos, Alto do Mandu, Sítio Grande, Apipucos, Casa Amarela, Casa Forte, Derby, Dois Irmãos, Espinheiro, Graça, Jaqueira, Monteiro, Parnamirim, Poço da Panela, Tamarineira, Sítio dos Pintos-São Bráz, Alto José Bonifácio, Alto José do Pinho, Mangabeira, Morro da Conceição, Vasco da Gama, Brejo da Guabiraba, Brejo do Beberibe, Córrego do Jenipapo, Guabiraba, Macaxeira, Nova Descoberta, Passarinho e Pau Ferro.
RPA-IV_ (doze bairros)
Cordeiro, Ilha do Retiro, Iputinga, Madalena, Prado, Torre, Zumbi, Engenho do Meio, Torrões, Caxangá, Cidade Universitária e Várzea.
RPA- V_ (dezesseis bairros)
Afogados, Bongi, Mangueira, Mustardinha, San Martin, Areias, Caçote, Estância, Jiquiá, Barro, Coqueiral, Curado, Jardim São Paulo, Sancho, Tejipió, Totó.
RPA- VI- (oito bairros)
Boa Viagem, Pina, Brasília Teimosa, Imbiribeira, IPSEP, Ibura, Jordão e Ibura de Cima.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras e Sócio Benemérito do IAHGP.

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É Findi - A Nossa Infância Querida - Crônica - Por Malude Maciel*
09/10/2026
Eu lembro de quase tudo
Lembro da casa onde nasci; de outras onde morei à época.
Lembro do Grupo Escolar Professor Vicente da Silva Monteiro, ainda hoje localizado na rua Júlio de Melo, em Caruaru.
Lembro das professoras, sendo a primeira, dona Severina(Babu); depois, dona Conceição Torres, no Jardim da Infância e todo o primário, estudei com d. Maria Eunice Férrer, minha mestra.
São tantas lembranças
Lembro de papai me levando pela mão até a Escola.
Lembro que mamãe fez um vestido de quadrilha, do mesmo tecido da camisa do meu par e foi um sucesso na fe...
Penso que todos nós carregamos por toda nossa vida, as lembranças da infância. Queiramos ou não, de quando em vez, temos uns momentos de recordação e, até parece que foi ontem, que vivenciamos alguns fatos. O tempo é implacável mas não consegue apagar da nossa memória, situações boas ou ruins pelas quais passamos, quando crianças. É incrível!
Eu lembro de quase tudo
Lembro da casa onde nasci; de outras onde morei à época.
Lembro do Grupo Escolar Professor Vicente da Silva Monteiro, ainda hoje localizado na rua Júlio de Melo, em Caruaru.
Lembro das professoras, sendo a primeira, dona Severina(Babu); depois, dona Conceição Torres, no Jardim da Infância e todo o primário, estudei com d. Maria Eunice Férrer, minha mestra.
São tantas lembranças
Lembro de papai me levando pela mão até a Escola.
Lembro que mamãe fez um vestido de quadrilha, do mesmo tecido da camisa do meu par e foi um sucesso na festa escolar.
Lembro dos coleguinhas e atualmente ainda encontro com alguns, inclusive um que é monsenhor na Igreja Católica e diretor do Colégio Diocesano.
Lembro dos meus patentes, minhas tias, meus primos, e de vovó Olívia, que faleceu quando eu fiz seis anos.
Lembro dos meus irmãos, cúmplices do dia a dia.
Lembro das brincadeiras de rua, pulando corda em plena via pública, fazendo academia, pintando o chão; passando o anel de mão em mão; correndo no folguedo do bicho, do pega e do esconde-esconde. E muitos outros passa tempos.
Saudades
Lembro do bodinho guisado que mamãe preparava, com aquele sabor inigualável.
Lembro de papai me levando ao clube Intermunicipal, onde junto aos colegas bancários, ele jogava a "pelada".
Lembro dos passeios dominicais caminhando pela cidade, sempre de mãos dadas com papai.
E o tempo não para
Lembro do teste de admissão, verdadeiro vestibular, aplicado pela madre Regina, para eu entrar no Colégio Sagrado Coração.
E aí veio a adolescência, depois a juventude, o namoro, a Faculdade, o noivado, o casório, os filhos queridos, e aqui, hoje, só restam as recordações.
Valeu demais
Valeu muito a pena, porque a vida é exatamente assim; ninguém pode fugir dos desígnios de Deus e estou satisfeita com a minha sorte; uma trajetória abençoada.
Tudo passa
O período da infância é passageiro como as demais fases da vida, mas podemos tirar grandes lições, inclusive revivendo-o quando chegam os netos e outra vez nos sentimos crianças.
As responsabilidades dos adultos são estressantes, porém não devemos reclamar, porque cada fase possui peculiaridades inerentes às situações do momento.
Quase tudo é inesquecível.
Vivamos pois, cada instante, intensamente, saboreando as coisas maravilhosas a que tivermos direito.
Importante é: "Viver e não ter vergonha de ser feliz".
Lembranças da boa infância - Poema
Lembro...
Das casas onde nasci e morei
Das ruas onde passei
Da Escola onde estudei
Dos coleguinhas, com quem brinquei
A memória infantil é marcante
Guarda diversos momentos
Imagens, histórias, sentimentos
Coisas de um tempo distante
Mesmo seguindo adiante
A gente nunca esqueceu
É sempre emocionante
Tudo que a gente viveu.
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel

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É Findi - Antonio Carlos Cavalcanti - Por Josué Sena*
09/10/2026
Em frente à sua casa e de Toinho,
Na Barão de Itamaracá, nosso caminho,
Da academia de ginástica, de ir e voltar.
Nesse cogitar, não encontro o meu amigo,
De bermudas, a vassourar sua calçada,
Justo o hábito dele tão antigo,
E sigo triste sem ver a cena esperada.
Alguém então diz: teu antigo amigo procurador,
Que cuidava do passeio com tanto gosto,
Foi chamado, Subiu de posto.
Foi contratado por Deus Nosso Senhor.
Eis a razão porque dele o risonho rosto,
A Jack Nicholson, o cenário da rua não irá compor.
*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.
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Imagino-me, prezada Aninha, a passar
Em frente à sua casa e de Toinho,
Na Barão de Itamaracá, nosso caminho,
Da academia de ginástica, de ir e voltar.
Nesse cogitar, não encontro o meu amigo,
De bermudas, a vassourar sua calçada,
Justo o hábito dele tão antigo,
E sigo triste sem ver a cena esperada.
Alguém então diz: teu antigo amigo procurador,
Que cuidava do passeio com tanto gosto,
Foi chamado, Subiu de posto.

Foi contratado por Deus Nosso Senhor.
Eis a razão porque dele o risonho rosto,
A Jack Nicholson, o cenário da rua não irá compor.
*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.

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É Findi - Balanço Vazio - Por Victor Sousa Júnior*
09/10/2026
Esquecido na pressa da partida.
O eco dos gritos de alegria
Os motivos das risadas infantis
Agora, já distantes, levadas pelos ares
Mas tudo que vejo é um balanço vazio
Um brinquedo sem vida e sem calor
Ali, parado, feito eu aqui parado
Como a querer voltar o tempo
E mergulhar outra vez naqueles dias
Cheios de sonho e magia
E de alegria de viver.
Volta balanço fagueiro,
A mexer pra lá e pra cá
Como o som de tua risada, Malu,
Que começa e não quer mais parar.
*Victor Sousa Júnior, é escritor Caruaruense, hoje radicado em Coimbra, Portugal. Autor de livros infantis.
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
Um chinelo de ponta-cabeça,
Esquecido na pressa da partida.
O eco dos gritos de alegria
Os motivos das risadas infantis
Agora, já distantes, levadas pelos ares
Mas tudo que vejo é um balanço vazio
Um brinquedo sem vida e sem calor
Ali, parado, feito eu aqui parado
Como a querer voltar o tempo
E mergulhar outra vez naqueles dias
Cheios de sonho e magia
E de alegria de viver.
Volta balanço fagueiro,
A mexer pra lá e pra cá
Como o som de tua risada, Malu,
Que começa e não quer mais parar.
*Victor Sousa Júnior, é escritor Caruaruense, hoje radicado em Coimbra, Portugal. Autor de livros infantis.

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É Findi - As Casas de Olinda - Crônica - Por Romero Falcão*
09/10/2026
Rua Olímpio Ferreira Chaves, Olinda, Casa Caiada. O ano era 1968. Eu tinha quatro anos. Não havia luz elétrica, nem água encanada. Água de carroça. Luz de candeeiro
A rua era tão hospitaleira: vaga-lume cintilando a noite, passarinhos, matagal, barulho de menino jogando bola, empinando papagaio, brincando de esconde-esconde. Tornou-se tão estranha, calada, morta.
Logo no início da rua, o saudoso Bar Ceará virou galeria. Um cajueiro ainda resiste de pé. Fico parado. Ele me olha. Também devo estar irreconhecível.
As casas que me viram criança se transformaram de tal maneira que mal as reconheço.
As fachadas são austeras, muros altos, cercas elétricas, novelos de arames. Faces de presídio. Indiferentes, não sabem quem eu sou, o quanto pise...
Estava pela redondeza quando, de repente, decidi rever a rua onde morei da infância à vida adulta. De tempos em tempos, pouso no meu antigo ninho. Cada vez, mais irreconhecível.
Rua Olímpio Ferreira Chaves, Olinda, Casa Caiada. O ano era 1968. Eu tinha quatro anos. Não havia luz elétrica, nem água encanada. Água de carroça. Luz de candeeiro
A rua era tão hospitaleira: vaga-lume cintilando a noite, passarinhos, matagal, barulho de menino jogando bola, empinando papagaio, brincando de esconde-esconde. Tornou-se tão estranha, calada, morta.
Logo no início da rua, o saudoso Bar Ceará virou galeria. Um cajueiro ainda resiste de pé. Fico parado. Ele me olha. Também devo estar irreconhecível.
As casas que me viram criança se transformaram de tal maneira que mal as reconheço.
As fachadas são austeras, muros altos, cercas elétricas, novelos de arames. Faces de presídio. Indiferentes, não sabem quem eu sou, o quanto pisei nos seus deliciosos quintais, num tempo em que abrigavam meus amigos. Amigos que já se foram, mas se mantém eternos. A casa mais bonita da rua — a casa de Estênio — deu lugar a um prédio enorme, frio, altivez de ferro.
Mais adiante, procuro dona Deolinda, a portuguesa, cuidando das plantas no jardim de sua casa.
Não. Não há mais dona Deolinda.

A casa foi modificada. A pitoresca casinha branca também desapareceu. A casa de seu Jemens tenho dificuldade de localizar, tamanha a metamorfose pela qual a rua passou.
A casa do meu parceiro Zito... Quanta lembrança. Ela cresceu cinco vezes, tão grande e tão solitária. Perdeu a popularidade, cobriu-se de luxo.
Uma casa me pede atenção. Trocamos demorados olhares. Ela me para.
Conserva o mesmo gradil, a testa azulejada, a inclinação original do telhado. Nela, em 1977, morou um rapaz de olhos verdes, Zé Maria, que tocava violão na calçada.
Até que chego aos quatro duplex.
Ali foi a minha casa.
As grandes vidraças, os pilares, os tijolos aparentes, a fachada imponente que enganava quem a conhecia só por fora.
Por dentro, pobre natureza interior.
Na memória, continuam vivos o piso de cimento furado, as paredes nuas, as infiltrações dos invernos, a radiosa alegria dos verões. O quarto, a cama, meu colchão de capim.
O pé de goiaba, o flamboyant, as plantas de mamãe rebentam no fundo da alma.
Inventam outras formas de crescimento e floração
No final da rua, era a cocheira do mítico sargento Mário e seu majestoso cavalo Bola de Ouro. Também havia vacaria. Copo de leite no peito da vaca.
Agora, máquinas trabalham, alargando tudo, devorando a geografia da minha infância.

Caminho. Não vejo ninguém.
Nem um pé de gente.
Apenas uma rua esquisita, observando um estrangeiro.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

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É Findi – O Filho da Filha de Dona Dulce - Declaração de Amor - Por Xico Bizerra*
09/10/2026
Mariana dorme o sono de recém-mãe. Dona Dulce, eu e o pai Clécio sorrimos. Era Outubro, um final de tarde, dia 7. Deus amanheceu inspirado e inventou Bernardo. Ele dorme o sono da vida, mas já enternecendo meus dias futuros. Seu sono inocente é um acalanto para um homem, cabelos algodoados, que descobriu, em 2013, a ventura de ser avô do filho da filha de dona Dulce.
E ele, em seu berço primeiro, olha para mim, como que a balbuciar a meus ouvidos a palavra Amor, deixando escapar na ternura de seus olhinhos a canção de Paz por que tanto lutei. Fez-me sentir na pele o amanhecer do dia ao preparar os meus milhares de colos e braços para recebê-lo, enquanto começavam a surgir as notas da canção que pensei criar e que o desassossego da vida só permitiria compor os primeiros acordes algum tempo depois.
Bê continua a inspirar um avô cada dia mais apaixonado...
Neto, a maior invenção de Deus, é filho lambuzado de doçura
Mariana dorme o sono de recém-mãe. Dona Dulce, eu e o pai Clécio sorrimos. Era Outubro, um final de tarde, dia 7. Deus amanheceu inspirado e inventou Bernardo. Ele dorme o sono da vida, mas já enternecendo meus dias futuros. Seu sono inocente é um acalanto para um homem, cabelos algodoados, que descobriu, em 2013, a ventura de ser avô do filho da filha de dona Dulce.
E ele, em seu berço primeiro, olha para mim, como que a balbuciar a meus ouvidos a palavra Amor, deixando escapar na ternura de seus olhinhos a canção de Paz por que tanto lutei. Fez-me sentir na pele o amanhecer do dia ao preparar os meus milhares de colos e braços para recebê-lo, enquanto começavam a surgir as notas da canção que pensei criar e que o desassossego da vida só permitiria compor os primeiros acordes algum tempo depois.

Bê continua a inspirar um avô cada dia mais apaixonado. São 4.750 dias e ele continua enfeitando meu viver. Como não me plantar num inverno de alegrias para florar risos nesse meu olhar de avô? Salve Bernardo, que me dá a alegria de tê-lo como neto. Feliz 13 anos, meu amiguinho/amigão, meu imenso companheiro. São tantos dias emanando cheiros no meu pé de alegrias. E ele hoje, no jardim da felicidade, crescido e florado, já está carregado de bons frutos. Que assim continue! Que a vida lhe sorria, sempre. Parabéns, Bernardo! Beijos mil!
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico

O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.