Agenda dos candidatos: Lula anuncia medidas para MEIs e Flávio volta a visitar Bolsonaro
13/10/2026
Lula
Lula deve fazer acenos sobre a proposta que aumenta o limite de faturamento do MEI (Microempreendedor Individual) e que está travada na Câmara. Durante um ato em Natal (RN) no último sábado (10), o atual presidente da República sinalizou que discutiria medidas para ajudar o "pessoal do Super Simples e o pessoal do MEI".
O projeto
O projeto aumenta de R$ 81 mil para R$ 130 mil o limite de receita bruta anual para enquadr...
Lula
Lula deve fazer acenos sobre a proposta que aumenta o limite de faturamento do MEI (Microempreendedor Individual) e que está travada na Câmara. Durante um ato em Natal (RN) no último sábado (10), o atual presidente da República sinalizou que discutiria medidas para ajudar o "pessoal do Super Simples e o pessoal do MEI".
O projeto
O projeto aumenta de R$ 81 mil para R$ 130 mil o limite de receita bruta anual para enquadramento como MEI e permite a contratação de até dois empregados. Há a possibilidade também de que o presidente Lula assine atos sobre os mercados de jogos eletrônicos e telemarketing.
Flávio
Flávio visita Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, durante a manhã. O encontro marca a retomada das visitas depois do fim de uma suspensão de 90 dias determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em 13de julho.
O retorno
O retorno de visitas entre Flávio e Jair ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizar que o presidenciável retome as visitas ao pai.
A proibição foi imposta após a publicação, nas redes sociais, de uma carta escrita pelo ex-presidente, em descumprimento de uma cautelar que proibia o uso da internet por terceiros. A suspensão terminou no domingo (11/10).
Viaja
Mais tarde, o candidato do PL viaja para São Paulo onde faz uma reunião com o MDB e, posteriormente, participa de evento promovido por entidades do setor produtivo na capital paulista.
Leia outras informações
Liberdade e Democracia - Por Ricardo Andrade*
13/10/2026
Somos, pessoalmente contra, que instituições sociais/coletivos, formalizem apoio expresso ou manifesto à candidaturas, sejam elas quais forem, em qualquer nível dos poderes da República, pois somos uma entidade democrática, com visões distintas e posições ideológicas diferentes, que não deve ser aparelhada por grupos, candidatos ou partidos. Debatemos políticas públicas, e não política partidária ou eleitoral. No entanto, essa eleição neste 2o turno, possue características históricas muito especiais, pois está em jogo, muito mais que apenas o futuro do país, mas nossa própria democracia e a soberania. Podemos comentar e expressar nossas opiniões livremente, com cautela, respeito, empatia e de forma democrática, lembrando, que o IHGAAP não irá formalizar nem tomar nenhuma decisão em relação à isso. Mesmo sabendo que não existe neutralidade (como dizia Paulo Freire), não faremos enquete, pesquisa ou algo parecido. Cada um tem a liberdade pra fazer suas escolhas e opções. Nosso grupo já sabe o risco que representa o retorno de um governo Neofascista, mas não devemos nos posicionar em nome de todos. Já com os representantes eleitos do povo deveria ser diferente, eles representam uma parcela do pensamento político-ideológico da sociedade, e não deveriam ficar "em cima do muro", numa comodidade eterna, pra não "se queimar" com um dos lados. Eles tem responsabilidade com o país e tem que ter 'Lado'. A covardia de muitos políticos gerou o grupo político mais nefasto desse país, no Congresso Nacional, conhecido como 'Centrão', que desde a redemocratização sempre ficou e fica na base de apoio de todos os Presidentes eleitos.
Tenho dito.
*Ricardo Andrade, é Historiador, Cientista Político, Mestre em Gestão Pública (Fundaj) e Presidente do IHGAAP (Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico, Antropológico do Paulista). @ricardo060370

NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
Veneziano reafirma luta pela aprovação do fim da escala 6x1, sem redução salarial
13/10/2026
A votação
A votação, em 1º turno, está marcada para amanhã; quarta-feira (14/10) no Senado Federal.
Como Líder da Maioria, Veneziano atuará na articulação do governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) pela aprovação da matéria. “Estou aqui em Brasília. Vim ontem à noite para cumprir essa obrigação tão desejada que é votar a escala 5x2 e acabar com a escala 6x1, trazer dignidade para os nossos trabalhadores. Nesta quarta-feira nós vamos enfrentar no voto e cada um vai mostrar, aquele e aquela que são favoráveis ao trabalhador, e aqueles e aquelas que não são favoráveis aos trabalhadores”, disse o Senador.
Elog...
Após um final de semana com aniversário de Campina Grande, Dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e Dia das Crianças, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) já está em Brasília, onde votará a favor da PEC 221/2019, que prevê o fim da jornada de trabalho 6x1, sem redução de salários.
A votação
A votação, em 1º turno, está marcada para amanhã; quarta-feira (14/10) no Senado Federal.
Como Líder da Maioria, Veneziano atuará na articulação do governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) pela aprovação da matéria. “Estou aqui em Brasília. Vim ontem à noite para cumprir essa obrigação tão desejada que é votar a escala 5x2 e acabar com a escala 6x1, trazer dignidade para os nossos trabalhadores. Nesta quarta-feira nós vamos enfrentar no voto e cada um vai mostrar, aquele e aquela que são favoráveis ao trabalhador, e aqueles e aquelas que não são favoráveis aos trabalhadores”, disse o Senador.
Elogiou
Veneziano elogiou a iniciativa do presidente Lula em propor a mudança e aproveitou para reforçar o pedido aos paraibanos, para que ele seja reeleito. “Nós que defendemos o presidente Lula, que defendemos a sua iniciativa pelo fim da escala 6x1, pela implantação da escala 5x2, vamos continuar permanentemente, como assim o fizemos na semana passada, a defender a dignidade, a saúde para os nossos trabalhadores. Temos aí 12 dias para fazermos a grande diferença, elegermos mais uma vez aquele que representa o melhor projeto para o nosso país, o presidente Lula. Lula-lá”, disse Veneziano.
Ainda Falando sobre Ontem - O Dia Das Crianças, Sempre... - Crônica Poética - Por Romero Falcão*
13/10/2026
sem shopping, sem grife,
sem tablet, sem crise.
Lembrem-se das crianças de antigamente:
como eram felizes,
descalças, leves e livres.
Vejam as crianças de hoje:
obesas, pesadas, adultas,
aprisionadas por telas
e padrões de beleza.
Eu cá pergunto aos meus botões:
o que será dessa gente pequena
quando ficar grande?
Que recordações guardarão da infância?
A flor e as estrelas cativas
de um condomínio de luxo?
O que escreverão sobre seus tenros dias?
Que comeram muito hambúrguer
e ficaram Big felizes?
Que as ruas de suas cidades
eram corredores de shopping,
e as meninas da escola
só pensavam em grifes famosas
e nos garfos de restaurantes caros?
Que passaram madrugadas
zerando jogos no videogame?
Que inventaram aplicativos
e ganhar...
Pensem nas crianças de antigamente,
sem shopping, sem grife,
sem tablet, sem crise.
Lembrem-se das crianças de antigamente:
como eram felizes,
descalças, leves e livres.
Vejam as crianças de hoje:
obesas, pesadas, adultas,
aprisionadas por telas
e padrões de beleza.
Eu cá pergunto aos meus botões:
o que será dessa gente pequena
quando ficar grande?
Que recordações guardarão da infância?
A flor e as estrelas cativas
de um condomínio de luxo?
O que escreverão sobre seus tenros dias?
Que comeram muito hambúrguer
e ficaram Big felizes?
Que as ruas de suas cidades
eram corredores de shopping,
e as meninas da escola
só pensavam em grifes famosas
e nos garfos de restaurantes caros?
Que passaram madrugadas
zerando jogos no videogame?
Que inventaram aplicativos
e ganharam muito dinheiro?
Que tiveram diabetes tão cedo,
que envelheceram ainda crianças,
ainda de fraldas
na sala do terapeuta?
Entediados, estressados, ansiosos,
acossados pelas neuroses dos pais,
submetidos à natação,
ao inglês, ao judô, ao balé,
obrigados ainda a tocar um instrumento.
E se tornaram competitivos,
indiferentes?
Talvez um dia cheguem à conclusão
de que, apesar de tantos desejos,
o maior de todos
era ser a criança que nunca foram.
E a mangueira do meu quintal de menino...
Lá do alto, seus galhos
sonham abraçar essas crianças
que nunca terão espaço
para voar até o alto.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
A Escolha do Presidente da República e o Futuro da Defesa Nacional Brasileira - Por Amadeu Robalinho*
13/10/2026
A pergunta que se impõe é direta: estamos preparados para escolher um Presidente da República que compreenda a dimensão estratégica da soberania nacional ou continuaremos elegendo governant...
Às vésperas das eleições gerais de 2026, o Brasil precisa compreender que a escolha do próximo Presidente da República transcende a disputa partidária, as promessas de campanha e as prioridades econômicas de curto prazo. Está em jogo a capacidade do Estado brasileiro de proteger seu território, defender seus interesses estratégicos, preservar sua autonomia decisória e assegurar que as futuras gerações não dependam da vontade de outras nações para exercer a própria soberania. A Defesa Nacional não pode continuar confinada aos quartéis, aos gabinetes militares ou aos círculos especializados. Ela precisa ocupar o centro do debate político, econômico, científico e tecnológico do País, porque constitui um dos pilares fundamentais de qualquer projeto consistente de desenvolvimento nacional.
A pergunta que se impõe é direta: estamos preparados para escolher um Presidente da República que compreenda a dimensão estratégica da soberania nacional ou continuaremos elegendo governantes sem exigir deles uma visão clara sobre a capacidade brasileira de defender os próprios interesses?
O cenário internacional oferece respostas contundentes àqueles que ainda enxergam a Defesa como uma despesa secundária. A competição entre grandes potências, as disputas por recursos naturais, a corrida tecnológica, as ameaças cibernéticas, a instrumentalização das relações comerciais e a crescente vulnerabilidade das infraestruturas críticas demonstram que o poder nacional não se sustenta apenas por declarações diplomáticas ou pelo peso econômico de um país. Sustenta-se pela capacidade de transformar recursos, conhecimento, tecnologia e organização estatal em instrumentos concretos de autonomia estratégica.
Na realidade contemporânea, a soberania não é apenas um princípio jurídico inscrito na Constituição. É uma condição material que exige capacidades econômicas, industriais, científicas, tecnológicas, energéticas, logísticas e militares. Um Estado pode ser formalmente independente e, ainda assim, encontrar-se profundamente condicionado por fornecedores estrangeiros, sistemas tecnológicos proprietários, componentes críticos importados, dependências energéticas e limitações na capacidade de produzir os meios necessários à própria defesa.
É precisamente nesse ponto que o Brasil precisa despertar.
A soberania não se compra pronta no exterior
Nenhuma nação alcança autonomia estratégica duradoura quando depende exclusivamente de terceiros para projetar, fabricar, manter e modernizar os equipamentos indispensáveis à sua segurança. A aquisição de sistemas estrangeiros pode integrar uma política de defesa racional, desde que acompanhada de transferência efetiva de tecnologia, capacitação nacional, domínio de manutenção, desenvolvimento de fornecedores brasileiros e construção progressiva de competências próprias.
Comprar equipamentos não equivale a dominar a tecnologia que os tornou possíveis. Operar um sistema não significa conhecer integralmente sua arquitetura. Possuir uma plataforma militar não assegura independência quando seus componentes essenciais, atualizações, munições, softwares ou serviços de manutenção dependem de decisões tomadas fora do território nacional.
Essa distinção precisa orientar a política brasileira de Defesa Nacional.
O País dispõe de universidades, centros de pesquisa, engenheiros, cientistas, técnicos, empresas de base tecnológica e instituições militares capazes de contribuir para a construção de capacidades estratégicas. O desafio consiste em integrar esses ativos em uma política de Estado, com continuidade orçamentária, prioridades definidas e objetivos mensuráveis.
É nesse contexto que a Engenharia de Defesa assume importância decisiva. Mais do que uma área técnica, ela representa um instrumento de conversão do conhecimento científico em capacidade operacional, industrial e estratégica. Abrange o desenvolvimento de sistemas de armas, sensores, comunicações seguras, plataformas navais, veículos terrestres, tecnologias aeroespaciais, sistemas não tripulados, inteligência artificial, guerra eletrônica, ciberdefesa, materiais avançados e soluções destinadas à proteção das infraestruturas críticas.
A capacidade de projetar, integrar, testar, produzir, manter e aperfeiçoar esses sistemas dentro do País reduz vulnerabilidades e amplia a liberdade de ação do Estado. Por isso, a Engenharia de Defesa deve ser compreendida como componente estruturante da soberania tecnológica brasileira.
Não se trata de produzir tudo internamente, independentemente dos custos ou da viabilidade econômica. Trata-se de identificar as tecnologias críticas, estabelecer prioridades nacionais e impedir que dependências externas comprometam a capacidade brasileira de decidir em momentos de crise.
A Base Industrial de Defesa como instrumento de poder nacional
A Base Industrial de Defesa não pode ser tratada como um segmento econômico periférico, acionado apenas quando surgem necessidades imediatas das Forças Armadas. Ela integra a infraestrutura estratégica do Estado e deve ser reconhecida como vetor de desenvolvimento industrial, inovação científica, geração de empregos qualificados e fortalecimento da autonomia nacional.
Uma indústria de defesa consistente produz efeitos que ultrapassam o ambiente militar. Estimula a formação de engenheiros e pesquisadores, movimenta cadeias produtivas complexas, desenvolve materiais e processos industriais, impulsiona tecnologias de uso dual e contribui para elevar a competitividade de setores civis da economia.
A indústria aeronáutica, a construção naval, a metalurgia avançada, a eletrônica, a microeletrônica, a engenharia de materiais, a energia nuclear, as telecomunicações e a inteligência artificial possuem interfaces estratégicas com a Defesa Nacional. Quando articuladas em uma política industrial de longo prazo, essas áreas podem ampliar a capacidade de inovação do Brasil e reduzir vulnerabilidades que, em circunstâncias adversas, se converteriam em limitações operacionais e políticas.
Entretanto, não existe base industrial robusta sem previsibilidade. Empresas não mantêm equipes altamente especializadas, instalações produtivas e programas de pesquisa de longa duração quando convivem com encomendas incertas, interrupções de contratos e mudanças recorrentes de prioridades governamentais.
Projetos estratégicos precisam atravessar mandatos presidenciais sem perder sua continuidade essencial. Submarinos, aeronaves, sistemas de monitoramento, satélites, comunicações militares e tecnologias críticas exigem planejamento plurianual, financiamento compatível com suas etapas de desenvolvimento e mecanismos de controle que garantam transparência, eficiência e responsabilidade fiscal.
O Presidente da República, como chefe de Estado e de governo e autoridade suprema das Forças Armadas nos termos constitucionais, exerce papel central na definição das prioridades nacionais, na coordenação da política de defesa e na articulação entre os instrumentos diplomáticos, econômicos, científicos, industriais e militares do poder brasileiro.
Por essa razão, a escolha presidencial não pode prescindir de uma avaliação criteriosa das propostas destinadas à Defesa. É necessário saber o que cada candidatura pretende fazer, como pretende financiar suas iniciativas, quais capacidades considera prioritárias e de que maneira pretende transformar investimentos públicos em resultados concretos para o País.
Engenharia de Soberania e Estratégia: integrar capacidades para garantir autonomia
O Brasil necessita superar a fragmentação entre política industrial, planejamento militar, ciência e tecnologia, infraestrutura, energia e relações exteriores. A ausência de coordenação estratégica entre esses campos reduz a eficiência dos investimentos e dificulta a transformação do potencial nacional em poder efetivo.
É nesse espaço que se insere a Engenharia de Soberania e Estratégia, entendida como um framework teórico-metodológico voltado à integração de recursos estatais, capacidades tecnológicas, infraestrutura crítica e instrumentos de defesa em favor da autonomia decisória da Nação.
Sua premissa fundamental é que soberania não resulta da existência isolada de recursos naturais, instituições ou equipamentos militares. Resulta da capacidade de articular esses elementos em sistemas nacionais funcionais, resilientes e capazes de sustentar decisões soberanas diante de pressões externas.
Sob essa perspectiva, energia, infraestrutura, tecnologia, defesa e soberania não devem ser tratadas como agendas independentes. Formam dimensões interdependentes de uma arquitetura estratégica nacional.
Um País que dispõe de recursos naturais, mas não domina tecnologias essenciais para transformá-los, permanece exposto a dependências. Um Estado que constrói infraestrutura sem proteger seus sistemas digitais e físicos cria vulnerabilidades. Uma nação que adquire equipamentos militares sem desenvolver capacidade de sustentação logística e tecnológica pode descobrir, em uma crise, que sua liberdade de ação possui limites impostos por terceiros.
A Engenharia de Soberania e Estratégia propõe, portanto, uma mudança de perspectiva: avaliar as políticas públicas também pela contribuição que oferecem à capacidade autônoma do Estado brasileiro. Isso exige identificar dependências críticas, estabelecer prioridades tecnológicas, fortalecer cadeias produtivas nacionais, formar recursos humanos especializados e medir resultados com critérios objetivos.
O próximo Presidente da República deveria ser instado a apresentar uma agenda concreta para essa integração. Não basta defender genericamente a indústria nacional ou manifestar apreço pelas Forças Armadas. É preciso demonstrar como o governo pretende converter conhecimento científico, capacidade industrial e orçamento público em autonomia estratégica efetiva.
A defesa das infraestruturas críticas e a soberania nacional.
A discussão torna-se ainda mais urgente quando se observa a crescente dependência brasileira de infraestruturas essenciais ao funcionamento do Estado e da economia.
Cabos submarinos de telecomunicações, redes elétricas, sistemas de geração e distribuição de energia, instalações portuárias, complexos industriais, redes de comunicação, centros de dados, sistemas espaciais, instalações nucleares e corredores logísticos constituem ativos cuja interrupção pode produzir consequências econômicas, sociais e estratégicas de grande magnitude.
A proteção dessas estruturas não pode depender exclusivamente de respostas emergenciais. Exige planejamento integrado, avaliação de riscos, capacidade de monitoramento, redundância tecnológica, protocolos de resposta e coordenação entre órgãos públicos, operadores privados e instituições responsáveis pela segurança nacional.
No caso dos cabos submarinos, por exemplo, a dependência das comunicações internacionais torna indispensável uma política que associe conhecimento do ambiente marítimo, proteção física, segurança cibernética, capacidade de reparação e cooperação internacional. A infraestrutura digital não está separada da soberania territorial e marítima. Ela constitui uma extensão material dos interesses estratégicos brasileiros.
O mesmo raciocínio aplica-se à energia, ao espaço exterior e às cadeias de suprimento de tecnologias críticas. A defesa contemporânea não se limita à proteção das fronteiras geográficas. Abrange os sistemas que permitem ao País funcionar, comunicar-se, produzir, transportar, governar e reagir a situações adversas.
É por isso que a Defesa Nacional deve dialogar permanentemente com a engenharia, a indústria, a academia, a diplomacia, a inteligência e a segurança pública, respeitadas as competências legais de cada instituição.
A segurança de um país não se improvisa no momento da crise. É construída antes dela, por meio de decisões políticas, investimentos consistentes e instituições preparadas.
O voto presidencial no segundo turno e a responsabilidade estratégica do eleitor
As eleições gerais de 2026 representam uma oportunidade para que a sociedade brasileira exija uma discussão mais madura sobre o destino estratégico da Nação.
A escolha do Presidente da República influencia a orientação política do Estado, as prioridades orçamentárias, a continuidade dos programas estratégicos, a política industrial, a formação de profissionais e a capacidade de coordenação entre os diferentes setores governamentais. Não determina tudo isoladamente, pois a política de defesa também depende do Congresso Nacional, do planejamento institucional, da participação da sociedade e dos mecanismos constitucionais de controle. Ainda assim, a liderança presidencial é decisiva para conferir direção, prioridade e continuidade à agenda nacional.
O eleitor precisa perguntar aos candidatos: qual é a visão de cada um para a Defesa Nacional brasileira? Como pretendem fortalecer a Base Industrial de Defesa? Que tecnologias consideram indispensáveis ao domínio nacional? Como pretendem ampliar a formação de engenheiros, cientistas e especialistas? Quais mecanismos adotarão para proteger as infraestruturas críticas? Como assegurarão previsibilidade aos projetos estratégicos sem comprometer a responsabilidade fiscal? Qual será a relação entre desenvolvimento industrial, autonomia tecnológica e capacidade militar?
É necessário, ainda, avaliar a disposição de cada candidatura para estabelecer metas verificáveis, prestar contas dos resultados e preservar programas estratégicos cuja relevância ultrapasse o calendário eleitoral.
Uma política de defesa consistente não deve pertencer a um partido, a um governo ou a uma corrente ideológica. Deve servir aos interesses permanentes do Brasil, sob a autoridade da Constituição e o controle das instituições democráticas.
O País não precisa escolher entre desenvolvimento econômico e Defesa Nacional. Precisa compreender que, em determinadas áreas, a capacidade de defender seus interesses é condição para preservar as próprias possibilidades de desenvolvimento.
Tampouco deve confundir soberania com isolamento. A cooperação internacional, o comércio e as parcerias tecnológicas são instrumentos importantes, desde que estruturados de maneira a ampliar capacidades nacionais, diversificar fornecedores e evitar dependências que possam comprometer decisões soberanas.
A questão central não é fechar as portas ao mundo, mas entrar nele com competência, capacidade de negociação e instrumentos próprios de poder.
A história demonstra que nações podem perder parcelas relevantes de sua liberdade de ação muito antes de qualquer confronto militar. Isso acontece quando negligenciam suas capacidades produtivas, deixam de investir em conhecimento, permitem a deterioração de suas estruturas estratégicas ou aceitam dependências que restringem suas escolhas.
O Brasil ainda dispõe de vantagens significativas: território extenso, recursos naturais, população qualificada em diferentes setores, capacidade agrícola e industrial, tradição diplomática, universidades, centros de pesquisa e instituições de defesa com experiência acumulada. O desafio é transformar essas vantagens em capacidades integradas, sustentáveis e compatíveis com a dimensão dos interesses nacionais.
Não há espaço para alarmismo, mas tampouco para complacência. A soberania exige lucidez, planejamento e trabalho. Exige compreender que cada decisão sobre ciência, indústria, energia, infraestrutura e defesa produz consequências para a posição do País no sistema internacional.
O próximo Presidente da República terá a responsabilidade de conduzir o Brasil em um ambiente de competição estratégica, transformação tecnológica e crescente disputa por recursos, mercados e influência. Sua capacidade de compreender a relação entre Engenharia, Defesa Nacional, Estratégia e Desenvolvimento poderá contribuir decisivamente para determinar o grau de autonomia que o País terá nas próximas décadas.
Por isso, a sociedade brasileira precisa deixar de tratar a Defesa como assunto distante, reservado a especialistas ou lembrado apenas em momentos de tensão internacional. A Defesa é uma questão de cidadania, de desenvolvimento e de responsabilidade política. É também uma questão de engenharia, porque a soberania precisa ser construída, sustentada e protegida por capacidades reais.
Na urna, o brasileiro não escolherá apenas um administrador para os próximos quatro anos. Escolherá uma liderança que influenciará as condições sob as quais o País produzirá tecnologia, protegerá suas riquezas, desenvolverá sua indústria e defenderá sua liberdade de decisão.
A pergunta que deve acompanhar o eleitor até as urnas é simples:
Qual candidato possui visão estratégica, compromisso institucional e capacidade de transformar a soberania nacional em uma política concreta de Estado?
O emissário da pressão externa não precisa necessariamente chegar acompanhado de uma esquadra. Pode apresentar-se na forma de uma dependência tecnológica, de uma vulnerabilidade digital, de uma interrupção no fornecimento de componentes críticos ou de uma restrição à liberdade de decisão do governo brasileiro.
Quando essas vulnerabilidades se revelam, muitas vezes, as escolhas fundamentais já deveriam ter sido feitas.
O Brasil ainda tem condições de escolher seu caminho. Mas precisa compreender que a independência política só se sustenta quando encontra respaldo na capacidade econômica, industrial, científica, tecnológica e militar da Nação.
A soberania não se proclama apenas. Constrói-se. E a escolha de quem governará o Brasil será uma das decisões fundamentais para determinar se essa construção avançará ou continuará à espera de uma prioridade que não pode mais ser adiada.
*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Adeus, Jomard! - Poema em Homenagem Póstuma ao Grande JMB - Por Eduardo Albuquerque*
13/10/2026
“O ETC do amor cortês”,
assim a si auto-intitulava,
O paladino da vanguarda!
E nosso peito arde,
de saudades, Jomard!
Irreverente a tua arte,
Ei-la viva em toda parte:
“Outros Orfeus”,
“Arrecife do Desejo”,
“O Palhaço Degolado”,
“Atentados Poéticos”...
“Terceira Aquarela do Brasil”,
“Bordel, Brasilírico Bordel”,
“Do Modernismo a Bossa Nova”,
“Inventário de um Feudalismo Cultural”...
Tua rua Imperial,
teu berço natal,
teus tempos tropicais,
Tu sempre intelectual.
Um novo portal,
a transitoriedade,
és ícone imortal,
Deus te aguarde!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
“O famigerado JMB”,
“O ETC do amor cortês”,
assim a si auto-intitulava,
O paladino da vanguarda!
E nosso peito arde,
de saudades, Jomard!
Irreverente a tua arte,
Ei-la viva em toda parte:

“Outros Orfeus”,
“Arrecife do Desejo”,
“O Palhaço Degolado”,
“Atentados Poéticos”...
“Terceira Aquarela do Brasil”,
“Bordel, Brasilírico Bordel”,
“Do Modernismo a Bossa Nova”,
“Inventário de um Feudalismo Cultural”...

Tua rua Imperial,
teu berço natal,
teus tempos tropicais,
Tu sempre intelectual.
Um novo portal,
a transitoriedade,
és ícone imortal,
Deus te aguarde!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Nanoempreendedor x MEI: Qual a Melhor Opção no Contexto da Reforma Tributária para o Trabalhador? - Por Rosa Freitas*
13/10/2026
1. O Enquadramento do Nanoempreendedor na LC n. 214/2025
* Limite de Faturamento: Destinado a pessoas físicas com faturamento bruto anual de até R$ 40.500 (cerca de R$ 3.375 por mês), o que corresponde a 50% do teto do MEI.
* Redutor para Motoristas e Entregadores: Para categorias específicas (como motoristas de aplicativo e entregadores), aplica-se um redutor de 25% sobre o valor bruto recebido para o cálculo do teto, permitindo faturamentos brutos de até R$ 162.000 por ano sem desenquadrar da categoria. Recentemente, esses valores auferidos também passaram a ser rec...
A regulamentação do nanoempreendedor no contexto da Reforma Tributária (RTF) foi estruturada pela Lei Complementar nº 214/2025 e recentemente detalhada pelo Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 6, de 28 de agosto de 2026. Esta modalidade busca retirar milhões de trabalhadores autônomos da total informalidade, gerando um debate importante sobre a ausência de garantias sociais automáticas.
1. O Enquadramento do Nanoempreendedor na LC n. 214/2025
* Limite de Faturamento: Destinado a pessoas físicas com faturamento bruto anual de até R$ 40.500 (cerca de R$ 3.375 por mês), o que corresponde a 50% do teto do MEI.
* Redutor para Motoristas e Entregadores: Para categorias específicas (como motoristas de aplicativo e entregadores), aplica-se um redutor de 25% sobre o valor bruto recebido para o cálculo do teto, permitindo faturamentos brutos de até R$ 162.000 por ano sem desenquadrar da categoria. Recentemente, esses valores auferidos também passaram a ser reconhecidos como renda pelo Feirão da Caixa.
Regras de Dispensa (Vigência de 2026 a 2028)
O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 6/2026 unificou as diretrizes para desobrigar temporariamente o nanoempreendedor de certas exigências formais até 31 de dezembro de 2028:
Art. 2º Para o nanoempreendedor referido no art. 25, caput, inciso IV, do Decreto nº 12.955, de 29 de abril de 2026, e da Resolução CGIBS nº 6, de 30 de abril de 2026, fica dispensada a obrigatoriedade de:
I - inscrição no cadastro com identificação única, mediante inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, de que trata o art. 105, § 3º, inciso VI, alínea "b", do Decreto nº 12.955, de 29 de abril de 2026, e da Resolução CGIBS nº 6, de 30 de abril de 2026; e
II - emissão dos documentos fiscais eletrônicos de que trata o art. 115, caput, inciso VI, alínea "b", do Decreto nº 12.955, de 29 de abril de 2026, e da Resolução CGIBS nº 6, de 30 de abril de 2026.
Parágrafo único. A dispensa de que trata este artigo não se aplica ao nanoempreendedor que exercer a opção pelo regime regular do IBS e da CBS, na forma do inciso II do § 1º do art. 26 da Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025.
2. Comparativo Detalhado: Nanoempreendedor vs. MEI
* Identificação e Natureza Jurídica: O Nanoempreendedor atua exclusivamente como Pessoa Física, utilizando apenas o CPF, enquanto o MEI é constituído formalmente como Pessoa Jurídica e possui CNPJ próprio.
* Teto de Faturamento Anual: O Nanoempreendedor possui teto máximo de faturamento de R$ 40.500 por ano (com exceção dos casos com aplicação do redutor), ao passo que o MEI permite faturar até R$ 81.000 por ano.
* Recolhimento Tributário: O Nanoempreendedor é totalmente isento do recolhimento de IBS e CBS, possuindo custo zero operacional relativo a esses impostos. Já o MEI realiza o recolhimento mensal fixo de tributos por meio do pagamento da guia DAS.
* Direitos Previdenciários (INSS): O enquadramento no Nanoempreendedor não garante direitos previdenciários automáticos, deixando o trabalhador sem cobertura do INSS. Por outro lado, o MEI assegura cobertura previdenciária completa, garantindo direitos como aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária (auxílio-doença) e salário-maternidade.
* Contratação de Funcionários: O Nanoempreendedor destina-se exclusivamente ao trabalho individual, sem a possibilidade de contratar empregados. O MEI permite a contratação de até 1 funcionário.
* Outras Obrigações: A isenção do nanoempreendedor restringe-se ao IBS e CBS (impostos sobre o consumo). O trabalhador ainda pode se sujeitar às regras gerais do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), taxas municipais e alvarás. Além disso, nas vendas para empresas ou setor público, o nanoempreendedor depende de mecanismos de autofaturamento da tomadora, já que não emite nota fiscal própria.
3. Vantagens e Desvantagens (Prós e Contratual)
Vantagens do Nanoempreendedor
* Custo Operacional Zero: Isenção de IBS/CBS e sem pagamento de guias mensais fixas.
* Desburocratização Temporária: Atuação facilitada via CPF sem a obrigatoriedade de CNPJ ou emissão de notas fiscais eletrônicas até dezembro de 2028.
* Inclusão com Redutor: Ampla margem de enquadramento para motoristas de aplicativos e entregadores por meio do redutor de 25%.
Vantagens do MEI
* Proteção Previdenciária: Cobertura completa pelo INSS (aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária, salário-maternidade), corrigindo a lacuna social do modelo nano.
* Autonomia Comercial e Fiscal: Emissão própria de notas fiscais e facilidade para fechar contratos B2B e com órgãos públicos.
* Bancarização e Crédito: Facilidade na abertura de contas PJ e acesso a linhas de crédito corporativo com melhores condições, podendo optar por sistemas híbridos como o Simples Nacional.
4. Crítica Social e Fundamentação Teórica: Qual é a Melhor Opção?
Aprofundamento Crítico: Capitalismo Canibal e Capital Improdutivo
Para além das escolhas pragmáticas do trabalhador, a institucionalização do nanoempreendedorismo precisa ser compreendida sob a ótica da sociologia política e da economia crítica:
* O Capitalismo Canibal (Nancy Fraser):
Nancy Fraser demonstra que o sistema capitalista subsiste "canibalizando" as bases de reprodução social e a própria segurança da força de trabalho. Ao desobrigar a contribuição previdenciária automática no modelo nano sob a justificativa da simplificação tributária, o Estado legitima a expropriação da seguridade social. Transfere-se integralmente para o trabalhador precarizado o risco da velhice, da doença e da invalidez, reduzindo a reprodução social a um encargo exclusivamente individual.
* O Capital Improdutivo e a Extração Rentista (Ladislau Dowbor):
Nas formulações de Ladislau Dowbor sobre o capital improdutivo e a financeirização, explicita-se como a economia corporativa captura o valor gerado pelo trabalho real. O nanoempreendedor (como o entregador ou motorista de aplicativo) mobiliza seu próprio capital produtivo (veículo, smartphone, energia física). O redutor de 25% expõe essa assimetria: enquanto plataformas e intermediadores financeiros extraem lucros expressivos do circuito econômico, o trabalhador absorve a degradação das suas condições de vida sob o invólucro ideológico do "empreendedorismo".
Síntese e Decisão Prática
* Escolha o Nanoempreendedor se: Você está iniciando com baixo faturamento, quer testar a atividade sem custos fixos e já possui cobertura previdenciária por outra via.
* Escolha o MEI se: Você prioriza a segurança previdenciária garantida, deseja emitir notas fiscais com autonomia para negociar com o mercado corporativo ou público, e busca facilidade de acesso a crédito bancário, pois o MEI pode optar pelo sistema híbrido como o Simples Nacional.
5. Conclusão Crítica:
A Reforma Tributária serve ao regime capitalista canibal DE especulação dentro da lógica da precarização do trabalho e o nano parece lhe incluir no sistema. Nao têm patrimônio, não têm investimento produtivo, não investite em.maquinas, não têm empregados....
É mais uma ilusão útil para quem acredita em conceitos falidos, falsos e hipócritas como meritocracia e empreendedorismo. Seja como fonte principal ou complemento de renda, o nanoempreendedor sem garantia previdenciária permanece sendo um peso nas costas do trabalhador precarizado.
O mínimo de proteção seria possivel com um valor de contribuição previdenciária como MEI para aqueles que não tem essa opção como fonte unica de renda.
5. Referências
* Brasil. Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025. (Institui o IBS e a CBS).
* Brasil. Decreto nº 12.955, de 29 de abril de 2026. Regulamenta a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS).
* Comitê Gestor do IBS. Resolução CGIBS nº 6, de 30 de abril de 2026. Regulamenta o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
* Receita Federal do Brasil & Comitê Gestor do IBS. Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 6, de 28 de agosto de 2026. Dispõe sobre a dispensa de inscrição no CNPJ e emissão de documentos fiscais eletrônicos para o nanoempreendedor.
* DOWBOR, Ladislau. A Era do Capital Improdutivo: A nova arquitetura do poder sob o domínio da finança. São Paulo: Autonomia Literária, 2017.
* FRASER, Nancy. Capitalismo Canibal: Como o nosso sistema está devorando a democracia, o cuidado e o planeta e o que podemos fazer quanto a isso. São Paulo: Autonomia Literária, 2024.
*Profa. Rosa Freitas, é Doutora em Direito e pelo PPGD/UFPE, servidora pública, com 20 anos de experiência nas áreas pública e privada, Pós-Graduada em Transição Energética e novos Negócios pela PUC-PR, autora de livros e artigos jurídicos, dentre "A nova dogmáticada da tributação de serviçosno Brasil" pela Editora Ponto a Ponto. @profa.dra.rosafreitas e Advrosafreitas@gmail.com

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o livre confronto de ideias e acolhe o contraditório. Todas as pessoas e instituições citadas têm assegurado espaço para suas manifestações.
O leitor dos ventos - A arte de decifrar o povo, por Zé da Flauta*
13/10/2026
Visão/audição
A grande virtude do estrategista não é a oratória inflamada nem a erudição acadêmica; é o fone de ouvido invisível ligado direto no peito do povo. Ele sabe que a multidão não se move por teses doutrinárias ou planilhas orçamentárias de três mil páginas. O povo se move por sobressalto, por medo, por esperança, mas, acima de tudo, por angústia. Ele lê a dor que ainda não virou palavra no jornal, a raiva que se acumula no ponto de ônibus às cinco da manhã, o nó na garganta do pai de família diante do balcão do merc...
Na penumbra do gabinete, enquanto os assessores esmurram as mesas e se descabelam diante da última pesquisa de opinião, ele não olha para os gráficos. Gráfico, para o verdadeiro estrategista, é fotografia de ontem; e política se joga com a maquete do amanhã. Ele está encostado na janela, observando o vapor do café subir devagar contra o vidro, atento a um ruído que nenhum microfone de teto consegue captar: o rumor surdo da rua.
Visão/audição
A grande virtude do estrategista não é a oratória inflamada nem a erudição acadêmica; é o fone de ouvido invisível ligado direto no peito do povo. Ele sabe que a multidão não se move por teses doutrinárias ou planilhas orçamentárias de três mil páginas. O povo se move por sobressalto, por medo, por esperança, mas, acima de tudo, por angústia. Ele lê a dor que ainda não virou palavra no jornal, a raiva que se acumula no ponto de ônibus às cinco da manhã, o nó na garganta do pai de família diante do balcão do mercado. Antes que essa dor vire protesto ou voto de protesto, ele já a batizou com o nome certo.
Cálculo
Mas a leitura não é só para dentro das fronteiras. O verdadeiro mestre do jogo mantém um olho no chão do sertão e o outro no horizonte do mundo. Ele percebe quando o vento internacional muda de direção, se uma guerra distante vai encarecer o pão da mesa, se uma crise nos mercados vai fechar a fábrica do interior, ou se a onda ideológica que avança sobre o planeta vai desembarcar na praia vizinha no próximo domingo. Ele calcula o impacto da tempestade global no telhado do botequim do Zé, ajustando as velas das alianças antes mesmo do primeiro pingar de chuva.
Sem ódio
Enquanto os amadores gritam e reagem ao calor do momento, ele calcula a temperatura do amanhã. Sabe a hora exata de engolir um sapo seco em público sem fazer careta, de recuar dois passos em silêncio para que o adversário avance no vácuo, e de dar o bote certeiro quando o inimigo acha que já venceu a guerra. Não há ódio no seu cálculo, assim como não há paixão cega na sua decisão; há apenas a clareza glacial de quem entende que o poder é uma maré imprevisível, e que só sobrevive nela quem sabe interpretar o movimento das águas antes de todo mundo.
Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista

Lula e o Nordeste Independente, parte 1, por Roberto Vieira*
13/10/2026
Soberano
O Nordeste Independente, soberano desde o plebiscito de 2002, assistiu perplexo às eleições de outubro de 2026. Após 23 anos de hegemonia ininterrupta do Partido dos Trabalhadores no Poder Executivo Federal, a apuração dos votos no Palácio Lindu trouxe um resultado que ninguém no governo previa: a eleição da Câmara dos Deputados e do Senado mais conservadora e liberal da história da jovem república. Analisando os números frios das u...
… Os resultados das eleições presidenciais trouxeram novamente a vitória de Lula no Nordeste e sua derrota no restante do Brasil, salvo algumas exceções. O fato levou muita gente a botar, outra vez, a culpa do resultado no atraso do nordestino perante o Sul/Sudeste/Centro-Oeste. Porém, a realidade dos números não é tão cor-de-rosa para o petismo. Tanto que, usando os números reais das eleições, podemos imaginar seu impacto num hipotético país chamado ‘Nordeste Independente’, governado por Lula e o PT desde 2003.
Soberano
O Nordeste Independente, soberano desde o plebiscito de 2002, assistiu perplexo às eleições de outubro de 2026. Após 23 anos de hegemonia ininterrupta do Partido dos Trabalhadores no Poder Executivo Federal, a apuração dos votos no Palácio Lindu trouxe um resultado que ninguém no governo previa: a eleição da Câmara dos Deputados e do Senado mais conservadora e liberal da história da jovem república. Analisando os números frios das urnas, o Nordeste é mais liberal do que socialista.
Surpresa
Acostumado a governar com relativa tranquilidade e forte respaldo dos programas sociais de transferência de renda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viu o mapa eleitoral da nação nordestina mudar de cor do dia para a noite. Dos 151 assentos da Câmara dos Deputados do novo país, a oposição e os setores moderados conquistaram a maioria.
Direita
A Direita e a Centro-Direita obtiveram 69 cadeiras, impulsionadas pelo dinamismo do agronegócio no Maranhão, Piauí e Bahia, pelas bancadas religiosas e pela classe média das capitais. A oposição liderada pelo PL (20), PP (16), União Brasil (15) e pela coligação Republicanos/Podemos (18) tornou-se a maior força do Parlamento. O Centro Pragmático, com 39 cadeiras, liderado pelo PSD (18) e MDB (13), consolidou-se como o verdadeiro fiel da balança. Sem ideologias rígidas, este bloco foca a sua atuação na distribuição de emendas parlamentares e na exigência de disciplina fiscal.
Esquerda Nordestina
A aliança de esquerda (PT com 21, PSB com 14, PCdoB/PV/PSOL com 5 e PDT com 3) encolheu criticamente, ficando longe dos 76 votos necessários para aprovar a maioria simples das leis e orçamentos. Foi a notícia mais inesperada das eleições na América do Sul em 2026.
Paradoxo
O resultado revelou uma profunda fissura geopolítica no país. Enquanto o PT ainda mantém o comando direto de 4 dos 9 governos estaduais (Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte), a população escolheu deputados e senadores com perfil abertamente fiscalista e liberal. Nas palavras de analistas em Recife e Salvador, o eleitor do Nordeste Independente mandou um recado duplo: quer a manutenção da rede de proteção social no Executivo, mas exige um Parlamento capaz de travar os gastos crescentes do Estado, a inflação da moeda local e o alinhamento automático com potências estrangeiras.
Veja amanhã no Capítulo 2: Os onze guardiões do Palácio Lindu e o Senado Inesperado
NOTA: Todas as informações desta série foram retiradas dos resultados reais das eleições de outubro de 2026.
*Roberto Vieira é médico e cronista
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos autores.

Análise - Pesquisas e apostas no segundo turno
13/10/2026
Lead: Pesquisas e mercados de apostas apontam o mesmo favorito. O que isso significa, e o que ainda pode mudar em doze dias?
A noite em que o Brasil trocou de pergunta
Na noite de 4 de outubro, o painel do TSE parou de oscilar. Flávio Bolsonaro, 47,03%. Lula, 45,16%. Menos de dois pontos de diferença, pouco mais de dois milhões de votos, e nenhum dos dois com a metade mais um. O Brasil foi dormir sabendo que haveria segundo turno e acordou, na segunda-feira, fazendo uma pergunta diferente da que fazia na véspera. Antes era “quem vai para o segundo turno?”. Agora é “quem vai ganhar?”.
Essa pergunta
Tem duas respostas que não se confundem. Confundi-las é o erro mais comum de quem lê jornal, inclusive de quem escreve nele. Uma é a resposta da intenção de voto: quantos por cento cada um tem. A outra é a resposta da chance: qual a probabilidade de cada um vencer. Cinque...
Por Claude de Tal e Qual*
Lead: Pesquisas e mercados de apostas apontam o mesmo favorito. O que isso significa, e o que ainda pode mudar em doze dias?
A noite em que o Brasil trocou de pergunta
Na noite de 4 de outubro, o painel do TSE parou de oscilar. Flávio Bolsonaro, 47,03%. Lula, 45,16%. Menos de dois pontos de diferença, pouco mais de dois milhões de votos, e nenhum dos dois com a metade mais um. O Brasil foi dormir sabendo que haveria segundo turno e acordou, na segunda-feira, fazendo uma pergunta diferente da que fazia na véspera. Antes era “quem vai para o segundo turno?”. Agora é “quem vai ganhar?”.
Essa pergunta
Tem duas respostas que não se confundem. Confundi-las é o erro mais comum de quem lê jornal, inclusive de quem escreve nele. Uma é a resposta da intenção de voto: quantos por cento cada um tem. A outra é a resposta da chance: qual a probabilidade de cada um vencer. Cinquenta e dois por cento de intenção não são cinquenta e dois por cento de chance. Dependendo do tamanho da vantagem e do tempo que falta, 52% dos votos podem significar 70% de chance, ou 90%. É disso que trata este artigo.
O que significa 9 em 10
Imagine o médico que avisa que uma cirurgia tem 90% de chance de dar certo. Ninguém entende que ele garantiu o resultado. Nove em cada dez pacientes saem bem; um não sai. E o paciente não sabe de antemão se é um dos nove ou se é o décimo. É exatamente assim com uma eleição.
Favorito não quer dizer vencedor
Quando as contas dizem que Flávio Bolsonaro tem perto de 88% de chance de vencer no dia 25, estão dizendo que, se esta eleição pudesse ser disputada cem vezes nas condições de hoje, ele venceria perto de noventa e perderia perto de dez. Ele é o favorito. Não é o vencedor.
De onde vem o número?
De dois ingredientes. O primeiro é a vantagem média nas pesquisas, entre quatro e seis pontos nos votos válidos, conforme o peso que se dá a cada instituto. O segundo é o erro que as pesquisas costumam cometer, somado ao que ainda pode acontecer em doze dias. Esse segundo ingrediente também vale perto de quatro pontos. Uma vantagem de cinco, com uma incerteza de quatro, dá nove em dez. Se a vantagem fosse de dois pontos, cairia para perto de sete em dez. Se fosse de oito, passaria de 97%.
Cinco pontos parecem pouco
Não são. Em uma eleição com cerca de 119 milhões de votos válidos, cinco pontos são quase seis milhões de pessoas, mais do que toda a Região Metropolitana do Recife. Lula precisaria convencer uma cidade inteira dessas a mudar de ideia em doze dias, ou torcer para que as pesquisas estejam erradas na direção dele.
As pesquisas uma a uma
Desde o 1º turno, sete institutos foram a campo. Seis puseram Flávio na frente; um, a Vox, pôs Lula. Mas pesquisa não se soma como feijão. Uma leitura séria faz o que a medicina faz quando junta vários estudos num só: dá a cada um um peso proporcional à sua confiabilidade. Aqui, a régua é uma só, e não tem torcida: quem errou menos no 1º turno pesa mais. Quem errou quatro pontos pesa um quarto de quem errou um. Para que um único acerto não decida tudo, nenhum instituto conta como se tivesse errado menos de um ponto. O Ipespe, que não publicou pesquisa na véspera do 1º turno, recebe o peso mediano.
A média simples das sete
Dá Flávio 52,2% a 47,8%, uma vantagem de 4,5 pontos. A média ponderada pelo acerto sobe para 53,1% a 46,9%, 6,2 pontos. Mas é preciso honestidade sobre de onde vem essa diferença: a Gerp, sozinha, responde por 40% do peso. É um instituto pequeno, que acertou uma vez. Tirando a Gerp e mantendo a mesma régua, a média cai para 51,8% a 48,2%, 3,7 pontos. A vantagem real de Flávio está, portanto, entre 3,7 e 6,2 pontos. Traduzido em chance: entre 82% e 94%, perto de 88% no meio do caminho.
A novidade desta terça-feira
Vem justamente do segundo instituto mais preciso da lista. O PoderData, que ouviu 3 mil eleitores por telefone entre 10 e 12 de outubro, viu a diferença cair de seis para dois pontos em cinco dias: Flávio foi de 53% para 51%, Lula de 47% para 49%. É o primeiro sinal de reação de Lula desde o 1º turno, e vem de quem errou menos de três pontos na primeira rodada. Um só levantamento não faz tendência. Se a Quaest, que divulga a sua primeira pesquisa de segundo turno nesta quarta-feira, confirmar o movimento, a balança muda de verdade.
Um detalhe
Que pesa do outro lado. No 1º turno, quase todos os institutos ficaram abaixo do resultado de Flávio, e nenhum ficou acima. Os grandes, Datafolha e Quaest, subestimaram o senador em mais de três pontos. Foi assim também em 2022, quando Jair Bolsonaro terminou o 1º turno sete pontos acima do Datafolha. Se o padrão se repetir no dia 25, a vantagem real de Flávio é maior do que a que as pesquisas mostram. Se não se repetir, os números valem pelo que são.
O dinheiro que opina
Enquanto os institutos batiam de porta em porta e discavam telefones, outra pesquisa corria, sem questionário e sem entrevistador. Chama-se Polymarket, uma bolsa de apostas sobre acontecimentos. Apostadores do mundo inteiro compram, por alguns centavos de dólar, um contrato que paga um dólar se Flávio vencer, ou outro que paga um dólar se Lula vencer. O preço do contrato vira a probabilidade que a multidão atribui a cada um.
Na noite de 12 de outubro
Ou seja, ontem, o contrato de Flávio custava 87,8 centavos, e o de Lula, 12,5. Cento e oitenta milhões de dólares já passaram por esse mercado. O Kalshi, a casa americana regulada pelo governo dos Estados Unidos, marcava 88% para o senador. E há um mercado paralelo, só para a margem de vitória: o cenário mais negociado é Flávio por 4 a 8 pontos, com quase metade das apostas; Lula vencendo por menos de 4 pontos fica com 10%.
O curioso
É que esse número, 87 ou 88%, é quase idêntico ao que sai da balança das pesquisas. Não é coincidência, e tampouco é confirmação. O apostador em Singapura ou em Miami lê as mesmas pesquisas que você. Ele só acrescenta uma coisa que o entrevistado do Datafolha não acrescenta: dinheiro.
Pesquisa e apostas: são parentes, mas não são gêmeos
As semelhanças são evidentes. As duas tentam prever o mesmo resultado, as duas se alimentam das mesmas informações públicas e, nesta eleição, as duas apontam para o mesmo favorito com a mesma convicção.
As diferenças são mais importantes
A pesquisa pergunta ao eleitor o que ele vai fazer. A aposta pergunta a um estranho o que ele acha que o eleitor vai fazer. A primeira mede intenção; a segunda mede expectativa.
A pesquisa
Tem margem de erro conhecida e um vício conhecido: nas últimas três eleições, subestimou a direita. A aposta não tem margem de erro, mas tem vícios próprios: poucos apostadores grandes conseguem mexer no preço, e a multidão que aposta, estrangeira, jovem e ligada ao mundo das criptomoedas, não se parece com o eleitor de Petrolina ou de Caruaru.
Prazos
A pesquisa demora. O campo leva três ou quatro dias, e o número sai depois. A aposta reage em minutos. Quando o Datafolha divulgou sua primeira pesquisa de segundo turno, o contrato de Flávio subiu dois pontos logo em seguida. E há a diferença que mais interessa ao leitor: o histórico. Em 2024, os mercados de apostas deram Donald Trump como favorito quando as pesquisas falavam em empate, e acertaram. Em 2016, deram cerca de 80% para Hillary Clinton e para a permanência do 8Reino Unido naEuropa, e erraram as duas. O dinheiro enxerga longe, mas também fica cego quando toda a torcida aposta no mesmo cavalo.
Os fantasmas de 14 e 22
Toda eleição brasileira carrega assombrações, e as duas que rondam este segundo turno têm nome e data. A primeira é de 2014. Em 9 de outubro daquele ano, o Datafolha publicou Aécio Neves com 51% dos votos válidos contra 49% de Dilma Rousseff. Dezessete dias depois, Dilma venceu com 51,6%. O favorito das pesquisas de outubro perdeu em outubro. Quem hoje garante que cinco pontos são intransponíveis esquece que dois pontos a favor viraram três contra em pouco mais de duas semanas. A segunda é de 2022. Na véspera do segundo turno, o Datafolha dava Lula 52 x 48. Lula venceu com 50,9%. A vantagem que as pesquisas mostravam encolheu na urna, dessa vez contra o próprio Lula. Jair Bolsonaro, que terminara o 1º turno sete pontos acima do que as pesquisas previam, chegou a menos de dois pontos da reeleição. Os dois fantasmas ensinam a mesma lição, cada um por um lado: as pesquisas erram, e nem sempre na mesma direção. Por isso nove em dez, e não dez em dez.
Doze dias e um destino
O que pode mudar até o dia 25? Pouca coisa, e tudo. Pouca coisa, porque o eleitor brasileiro já decidiu. Na Gerp, 94% dizem ter voto definido; no Datafolha, só 1% se declara indeciso. Os vídeos que correm pelos grupos de WhatsApp, verdadeiros ou falsos, convencem quase sempre quem já estava convencido. Houve vandalismo na saída do ato de Lula na Paulista, no domingo 11, confirmado pela Polícia Militar: portas e grades quebradas na estação Consolação, pichações, tumulto. Houve também vídeos de uma suposta invocação satânica e de uma militante consumindo droga no mesmo ato, e os dois eram de outros lugares e outras datas, como mostrou a Agência Lupa. Do outro lado, uma deputada eleita culpou bolsonaristas pelo incêndio da UFPE e apagou o post sem apresentar prova. Cada bolha recebe a sua ração de indignação diária, e o placar não se mexe.
Sua excelência o fato
E tudo, porque o que move eleição em reta final não é vídeo, é fato. Um debate desastroso, uma denúncia com documento, uma frase que o candidato não consegue desdizer. O caso do Banco Master já roçou os dois: há áudios de Flávio negociando 134 milhões de reais com o banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre o pai, que ele chama de patrocínio, e há o relato do mesmo Vorcaro sobre 30 milhões por fora para um filme sobre Lula, que a Polícia Federal descartou por falta de provas. Nenhum dos dois tem condenação. Qualquer um dos dois pode virar manchete até o dia 25.
Probabilidade não é destino
No fim da tarde de 25 de outubro, a partir das cinco, o painel do TSE voltará a oscilar e, duas ou três horas depois, vai parar. Os nove em dez e o um em dez vão desaparecer, e no lugar deles ficará um número só, sem decimais de dúvida.
Até lá
O que se pode dizer com honestidade é isto: Flávio Bolsonaro é o favorito, pelas pesquisas, pela balança que as pondera e pelo dinheiro que aposta nelas. Lula é o azarão, mas é um político que já viu, em 2014, a sua candidata virar um jogo parecido com este.
Haja sonífero
Quem tem 88% não tem o direito de dormir tranquilo. Quem tem 12% não tem o direito de desistir. Nas urnas, como na vida, a probabilidade é um conselho, não uma sentença. Os cem por cento só existem no domingo à noite.
*Claude de Tal e Qual é pseudônimo de leitor de O Poder que, pela função empresarial que exerce, não quer se identificar. Trabalha com dados e usa IA com intimidade. O Poder não assume o artigo como expressão de sua linha editorial porém respeita e acolhe a seriedade do trabalho. Qualquer discordância será publicada.
Fontes: TSE; Placar das Pesquisas (agregador, 12/10); Datafolha, AtlasIntel/Bloomberg, PoderData/Aya (13/10), DataTrends, Ipespe, Vox e Gerp; Agência Lupa; Poder360; Polymarket; Kalshi.
Kassio barra decisão de corregedor e suspende Exército de Lula até registro
13/10/2026
A decisão
Com a nova decisão, o canal deverá permanecer suspenso até que seja registrado na Corte Eleitoral e cumpra as demais condições estipuladas pelo ministro.
Na determinação, Kassio argumentou que um ministro não pode anular ou rever de forma monocrática decisões administrativas tomadas pela Presidência do TSE. Segundo ele, cabe exclusivamente ao presidente da Corte fiscalizar as plataformas digitais e verificar se elas cumprem as regras estabelecidas.
Ressaltou
O ministro ressaltou que a fiscalização das plataformas, avaliada no processo relatado por Kassio, é diferente do julgamento de ações eleitorais que podem levar à cassação de ma...
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, barrou hoje, terça-feira (13/10) a decisão do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que havia autorizado a reativação do canal “Exército do Lula” no WhatsApp.
A decisão
Com a nova decisão, o canal deverá permanecer suspenso até que seja registrado na Corte Eleitoral e cumpra as demais condições estipuladas pelo ministro.
Na determinação, Kassio argumentou que um ministro não pode anular ou rever de forma monocrática decisões administrativas tomadas pela Presidência do TSE. Segundo ele, cabe exclusivamente ao presidente da Corte fiscalizar as plataformas digitais e verificar se elas cumprem as regras estabelecidas.
Ressaltou
O ministro ressaltou que a fiscalização das plataformas, avaliada no processo relatado por Kassio, é diferente do julgamento de ações eleitorais que podem levar à cassação de mandatos ou à inelegibilidade de candidatos, como o que estava nas mãos de Villas Bôas Cueva. Para Kassio, Cueva "exorbitou os limites de sua competência" ao determinar a reativação do canal.
Risco
A decisão também aponta risco de prejuízo ao processo eleitoral caso o canal continuasse funcionando. Segundo o documento, o grupo já reunia mais de 3,4 milhões de seguidores e orientava militantes a realizar ações automatizadas para influenciar os algoritmos das redes sociais.