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Análise - Pesquisas e apostas, a matemática da esperança (II)

16/10/2026

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A nove dias da eleição, o favorito continua o mesmo, mas a vantagem encolheu. O que isso significa, e o que ainda pode mudar?
Na noite de 4 de outubro, o painel do TSE parou de oscilar. Flávio Bolsonaro, 47,03%. Lula, 45,16%. Menos de dois pontos de diferença, pouco mais de dois milhões de votos, e nenhum dos dois com a metade mais um. O Brasil foi dormir sabendo que haveria segundo turno e acordou, na segunda-feira, fazendo uma pergunta diferente da que fazia na véspera. Antes era “quem vai para o segundo turno?”. Agora é “quem vai ganhar?”.
Essa pergunta tem duas respostas que não se confundem, e confundi-las é o erro mais comum. Uma é a resposta da intenção de voto: quantos por cento cada um tem. A outra é a resposta da chance: qual a probabilidade de cada um vencer. Cinquenta e dois por cento de intenção não são cinquenta e dois por cento de chance. Dependendo do tamanho da vantagem e do tempo que falta, 52% dos votos podem significar 70% de chance, ou 90%. É disso q...

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A nove dias da eleição, o favorito continua o mesmo, mas a vantagem encolheu. O que isso significa, e o que ainda pode mudar?
Na noite de 4 de outubro, o painel do TSE parou de oscilar. Flávio Bolsonaro, 47,03%. Lula, 45,16%. Menos de dois pontos de diferença, pouco mais de dois milhões de votos, e nenhum dos dois com a metade mais um. O Brasil foi dormir sabendo que haveria segundo turno e acordou, na segunda-feira, fazendo uma pergunta diferente da que fazia na véspera. Antes era “quem vai para o segundo turno?”. Agora é “quem vai ganhar?”.
Essa pergunta tem duas respostas que não se confundem, e confundi-las é o erro mais comum. Uma é a resposta da intenção de voto: quantos por cento cada um tem. A outra é a resposta da chance: qual a probabilidade de cada um vencer. Cinquenta e dois por cento de intenção não são cinquenta e dois por cento de chance. Dependendo do tamanho da vantagem e do tempo que falta, 52% dos votos podem significar 70% de chance, ou 90%. É disso que trata este artigo. Uma análise para quem está disposto a ir mais fundo no caldeirão fervente deste segundo turno. Para quem nao está disposto a mergulhar no assunto, pode ficar por aqui mesmo. O 'lead' acima já foi uma contribuição.

O que significa três em quatro

Imagine o engenheiro que avisa que uma demolição tem 75% de chance de dar certo. Ninguém entende que ele garantiu o resultado. Três em cada quatro clientes saem bem; um não sai. E o cliente não sabe de antemão em qual grupo vai estar. É exatamente assim com uma eleição.
Quando as contas dizem que Flávio Bolsonaro tem perto de 77% de chance de vencer no dia 25, estão dizendo que, se esta eleição pudesse ser disputada cem vezes nas condições de hoje, ele venceria perto de 77 e perderia perto de 23. Ele é o favorito. Não é o vencedor.

De onde vem o número?

De dois ingredientes. O primeiro é a vantagem média nas pesquisas, hoje entre dois e quatro pontos nos votos válidos, conforme o peso que se dá a cada instituto. O segundo é o erro que as pesquisas costumam cometer, somado ao que ainda pode acontecer em nove dias. Esse segundo ingrediente vale perto de quatro pontos. Uma vantagem de três pontos, com uma incerteza de quatro, dá cerca de três em quatro. Na semana passada, com seis pontos de vantagem, a conta passava de 90%. Se a vantagem chegar a zero, vira cara ou coroa.
Três pontos parecem pouco, e são cada vez menos. Em uma eleição com cerca de 119 milhões de votos válidos, três pontos ainda são mais de três milhões e meio de votos. Mas essa vantagem encolheu cerca de um terço em uma semana.

As pesquisas, uma a uma, e a balança

Desde o 1º turno, os institutos foram a campo mais de uma vez, e a fotografia mudou. Para não misturar retratos de momentos diferentes, entram aqui só as pesquisas mais recentes de cada instituto, divulgadas de 13 a 16 de outubro. São sete. Todas dão Flávio à frente ou empatado, por margens que vão de zero a dez pontos.
Mas pesquisa não se soma como feijão. Uma leitura séria faz o que a ciência faz quando junta vários estudos em um só: dá a cada um um peso proporcional à sua confiabilidade. A régua é uma só, e não tem torcida: quem errou menos no 1º turno pesa mais. Quem errou quatro pontos pesa um quarto de quem errou um. Para que um único acerto não decida tudo, nenhum instituto conta como se tivesse errado menos de um ponto. A BTG/Nexus, sem resultado de 1º turno na comparação, recebe o peso mediano. E a Palver, que divulga a intenção total, entra com os seus 50 a 49 convertidos em votos válidos.

7 institutos avaliados

A média simples dos sete dá Flávio 51,5% a 48,5%, vantagem de 2,9 pontos. A média ponderada pelo acerto sobe para 52% a 48%, quatro pontos, puxada pela Gerp. Mas há um detalhe revelador: os dois institutos que mais acertaram o 1º turno agora discordam. O Gerp, com campo até 12 de outubro, dá dez pontos de vantagem a Flávio; a Futura, com campo até 15, dá 1,6. Tirando o Gerp e mantendo a mesma régua, a média cai para 50,9% a 49,1%, vantagem de 1,7 ponto. A vantagem real de Flávio está, portanto, entre 1,7 e 4 pontos.

Traduzido em chance

Entre 66% e 84%, perto de 77% no meio do caminho.
A tendência da semana aponta numa direção só. Todos os institutos que repetiram a pesquisa depois do 1º turno mostraram a diferença diminuindo. O PoderData foi de seis pontos de vantagem para Flávio, no dia 8, ao empate, no dia 16. O Datafolha foi de quatro para dois. A Futura, de 3,6 para 1,6.
Há um detalhe que pesa do outro lado. No 1º turno, quase todos os institutos ficaram abaixo do resultado de Flávio, e nenhum ficou acima. Os grandes, Datafolha e Quaest, subestimaram o senador em mais de três pontos. Se o padrão se repetir no dia 25, a vantagem real de Flávio é maior do que a que as pesquisas mostram. Se não se repetir, os números valem pelo que são.

O dinheiro que opina

Enquanto os institutos batiam de porta em porta e discavam telefones, outra pesquisa corria, sem questionário e sem entrevistador. Chama-se Polymarket, uma bolsa de apostas sobre acontecimentos. Apostadores do mundo inteiro compram, por alguns centavos de dólar, um contrato que paga um dólar se Flávio vencer, ou outro que paga um dólar se Lula vencer. O preço do contrato vira a probabilidade que os apostadores atribuem a cada um.
Na noite de 12 de outubro, o contrato de Flávio custava 87,8 centavos, e o de Lula, 12,5. Cento e oitenta milhões de dólares já passaram por esse mercado. O Kalshi, a casa americana regulada pelo governo dos Estados Unidos, marcava 88% para o senador. E há um mercado paralelo, só para a margem de vitória: o cenário mais negociado é Flávio por 4 a 8 pontos, com quase metade das apostas; Lula vencendo por menos de 4 pontos fica com 10%. Essas cotações, porém, são de antes das pesquisas desta semana.

O curioso

Esse número, 87 ou 88%, era quase idêntico ao que a balança das pesquisas mostrava naquele dia. Não é coincidência, e tampouco é confirmação. O apostador em Singapura ou em Miami lê as mesmas pesquisas que você. Ele só acrescenta uma coisa que o entrevistado do Datafolha não acrescenta: dinheiro.

Pesquisa e aposta: parentes que não são gêmeos

As semelhanças são evidentes. As duas tentam prever o mesmo resultado, as duas se alimentam das mesmas informações públicas e, nesta eleição, as duas apontam para o mesmo favorito com a mesma convicção.

As diferenças

São mais importantes.
A pesquisa pergunta ao eleitor o que ele vai fazer. A aposta pergunta a um estranho o que ele acha que o eleitor vai fazer. A primeira mede intenção; a segunda mede expectativa.
A pesquisa tem margem de erro conhecida e um vício conhecido: nas últimas três eleições, subestimou a direita. A aposta não tem margem de erro, mas tem vícios próprios: poucos apostadores grandes conseguem mexer no preço, e a multidão que aposta, estrangeira, jovem e ligada ao mundo das criptomoedas, não se parece com o eleitor de Petrolina ou de Caruaru.

Mais diferenças

A pesquisa demora. O campo leva três ou quatro dias, e o número sai depois. A aposta reage em minutos. Quando o Datafolha divulgou sua primeira pesquisa de segundo turno, o contrato de Flávio subiu dois pontos logo em seguida.
E há a diferença que mais interessa ao leitor: o histórico. Em 2024, os mercados de apostas deram Donald Trump como favorito quando as pesquisas falavam em empate, e acertaram. Em 2016, deram cerca de 80% para Hillary Clinton e para a permanência do Reino Unido na Europa, e erraram as duas. O dinheiro enxerga longe, mas também fica cego quando toda a torcida aposta no mesmo cavalo.

Os fantasmas de 2014 e 2022

Toda eleição brasileira carrega assombrações. As duas que rondam este segundo turno têm nome e data.
A primeira é de 2014. Em 9 de outubro daquele ano, o Datafolha publicou Aécio Neves com 51% dos votos válidos contra 49% de Dilma Rousseff. Dezessete dias depois, Dilma venceu com 51,6%. O favorito das pesquisas de outubro perdeu em outubro. Quem hoje garante que três pontos são intransponíveis esquece que dois pontos a favor viraram três contra em pouco mais de duas semanas.
A segunda é de 2022. Na véspera do segundo turno, o Datafolha dava Lula 52 x 48. Lula venceu com 50,9%. A vantagem que as pesquisas mostravam encolheu na urna, dessa vez contra o próprio Lula. Jair Bolsonaro, que terminara o 1º turno sete pontos acima do que as pesquisas previam, chegou a menos de dois pontos da reeleição.
Os dois fantasmas ensinam a mesma lição, cada um por um lado: as pesquisas erram, e nem sempre na mesma direção. Por isso a balança dá favoritismo, e não certeza.

Nove dias

O que pode mudar até o dia 25? Pouca coisa, e tudo.
Pouca coisa, porque o eleitor brasileiro já decidiu. Na Gerp, 94% dizem ter voto definido; na Palver, 81% dizem que nada os faria mudar de candidato. Os vídeos que correm pelos grupos de WhatsApp, verdadeiros ou falsos, convencem quase sempre quem já estava convencido. Houve vandalismo na saída do ato de Lula na Paulista, no domingo 11, confirmado pela Polícia Militar: portas e grades quebradas na estação Consolação, pichações, tumulto. Houve também vídeos de uma suposta invocação satânica e de uma militante consumindo droga no mesmo ato, e os dois eram de outros lugares e outras datas, como mostrou a Agência Lupa. Do outro lado, uma deputada eleita culpou bolsonaristas pelo incêndio da UFPE e apagou o post sem apresentar prova. Cada bolha recebe a sua ração de indignação diária, e o placar se mexe devagar.
E tudo, porque o que move eleição em reta final não é vídeo, é fato.

O mundo real como critério

Um debate desastroso, uma denúncia com documento, uma frase que o candidato não consegue desdizer. O caso do Banco Master já roçou os dois: há áudios de Flávio negociando 134 milhões de reais com o banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre o pai, que ele chama de patrocínio, e há o relato do mesmo Vorcaro sobre 30 milhões por fora para um filme sobre Lula, que a Polícia Federal descartou por falta de provas. Nenhum dos dois tem condenação. Qualquer um dos dois pode virar manchete até o dia 25.

Probabilidade não é destino

No fim da tarde de 25 de outubro, a partir das cinco, o painel do TSE voltará a oscilar e, duas ou três horas depois, vai parar. Os três em quatro e o um em quatro vão desaparecer, e no lugar deles ficará um número só, sem decimais de dúvida.
Até lá, o que se pode dizer com honestidade é isto: Flávio Bolsonaro segue favorito, pelas pesquisas, pela balança que as pondera e pelo dinheiro que apostava nelas, mas perdeu terreno nesta semana. Lula é o azarão, mas é um político que já viu, em 2014, a sua candidata virar um jogo parecido com este.
Quem tem 77% não tem o direito de dormir tranquilo. Quem tem 23% não tem o direito de desistir. Nas urnas, como na vida, a probabilidade é um conselho, não uma sentença. Os cem por cento só existem no domingo à noite.

Fontes: TSE; Placar das Pesquisas (erros do 1º turno); Gerp, Futura, Palver, BTG/Nexus, PoderData/Aya, Datafolha e Quaest (pesquisas divulgadas de 13 a 16 de outubro); Agência Lupa; Poder360; Polymarket; Kalshi.

(O Poder, com mentoria de leitor, especialista em interpretação de dados e IA, que adota o pseudônimo jocoso de Claude Tal e Qual).

Leia outras informações

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É Findi - Tributo a Jomard - Carlos Eduardo Amaral*

16/10/2026

Vi Jomard Muniz de Britto pela primeira ao adentrar aleatoriamente o auditório Evaldo Coutinho, no segundo andar do Centro de Comunicação e Artes da UFPE, em algum evento sobre Fernando Pessoa. Isso foi em 1998 ou 1999, não recordo mais. Fiquei impressionado pela declamação performática de um poema, com timbre de voz sério, dicção perfeita e entrega total.

Na mesma época, viria a deparar com ele no hall da agência do Banco do Brasil da Sete de Setembro, na Boa Vista, às voltas com os caixas eletrônicos: “Minha mãezinha do céu”, exclamava, perdido com não sei o quê. Também me vem à mente — na mesma agência, mas em outra ocasião — a imagem do professor Esman Dias, falecido em 2015.

A partir do ano 2000, quando eu estava com 19 para 20 anos de idade, passei a frequentar a casa-ateliê do artista plástico Raul Córdula e sua esposa Maria Amélia, na ladeira da Prefeitura de Olinda (R. Quinze de Novembro). Tal convívio nasceu por conta da minha recém-amizade com C...

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Vi Jomard Muniz de Britto pela primeira ao adentrar aleatoriamente o auditório Evaldo Coutinho, no segundo andar do Centro de Comunicação e Artes da UFPE, em algum evento sobre Fernando Pessoa. Isso foi em 1998 ou 1999, não recordo mais. Fiquei impressionado pela declamação performática de um poema, com timbre de voz sério, dicção perfeita e entrega total.

Na mesma época, viria a deparar com ele no hall da agência do Banco do Brasil da Sete de Setembro, na Boa Vista, às voltas com os caixas eletrônicos: “Minha mãezinha do céu”, exclamava, perdido com não sei o quê. Também me vem à mente — na mesma agência, mas em outra ocasião — a imagem do professor Esman Dias, falecido em 2015.

A partir do ano 2000, quando eu estava com 19 para 20 anos de idade, passei a frequentar a casa-ateliê do artista plástico Raul Córdula e sua esposa Maria Amélia, na ladeira da Prefeitura de Olinda (R. Quinze de Novembro). Tal convívio nasceu por conta da minha recém-amizade com Cláudio, filho do casal.

Dentre outras tantas personalidades que frequentavam a casa, especialmente no período de Carnaval, e que conheci de relance, reencontrei aquela figura e lhe relatei que assistira à performance no CAC. Foi quando Jomard me disse que se tratava de um “atentado poético” e Raul me mostrou o CD Pop filosofia.

Em eventos diversos por aí, desde então, travei novamente contato com Jomard. Devo ter em meus arquivos dois ou três de seus “atentados poéticos” impressos, que agora passam a ser relíquia. Jomard até fez parte da plateia de uma palestra que dei em no Teatro Apolo, há mais de uma década e meia e cujo tema não recordo.

Lembro apenas que comentei algo sobre música armorial e ele fez uma pergunta, ao final das falas minhas e dos demais convidados. Respondi de forma natural e percebi que ele ficou pensativo, processando. Não sabia das querelas dele com Ariano e Gilberto. Hoje sei que algo o incomodava nessa propaganda construída em torno do Movimento Armorial, porém Jomard deve ter percebido que eu me preocupava, em primeiro lugar, com o objeto artístico, não com o discurso institucional.

Na segunda metade da década passada, causou frisson sua aparição no Instagram, embora eu duvidasse que fosse ele mesmo a gerenciar o perfil. Eu e um amigo jornalista, hoje residente em São Paulo, o encontramos na antiga Livraria Cultura do Recife Antigo e lhe lançamos a dúvida: eu apostando no “não” e Josias, meu amigo, no “sim”. Indagamos: “É você?”.

“Claro”, ele respondeu, para felicidade de Josias (“Olha aí!”). Não esbocei esgar de derrota e me voltei para Jomard, que retomou a palavra: “Claro que não!”. Ri por último e Jomard explicou que isso era coisa de Luci Alcântara, grande amiga dele e diretora do documentário JMB, o famigerado.

Hoje admiro Gilberto, Ariano e Jomard: um pela vivacidade da escrita; o segundo, pela competência literária; o último, pelo espírito anárquico autêntico. Cheguei a escrever meu próprio “atentado poético” em 2015, em homenagem a ele. Mantenho-o até o momento impublicado, porque destoa das minhas vozes líricas, por emular a dele, tão díspar das influências outras que recebi.

Finalizo meu tributo com um poema de Esman Dias, a quem mencionei mais acima, intitulado Acta est fabula:




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Morre o poeta.


Morre, com ele, toda a luz do mundo:
o espaço do seu rosto, o mar profundo,
a aurora e um pôr-do-sol escandaloso.

Morre o poeta e morre o Ocidente.
E o Oriente. E os pontos cardeais.
Morrem as estrelas. Morre o firmamento.
Morrem as sombras do pântano e o arvoredo.
Todos os santos, todos os escribas,
os dias da semana, a quarta-feira.

E o próprio tempo, imóvel, que agoniza:
foi-se o olhar que no relógio via
a marcha, alegre e triste, dos ponteiros.

Morre o poeta.
Morre a alegria.
Morre tudo que flui: morre a poesia.

Morre o poeta.
E morre o mundo inteiro.


*Carlos Eduardo Amaral é jornalista, escritor e crítico musical


O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.



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É Findi - Ah! Os brinquedos... - Poema homenageando o Dia da Criança - Por Eduardo Albuquerque*

16/10/2026

Pobre menino, menino diferente,
sem brinquedos e tão ausente;
não me são, porém, indiferentes...
Ó tempos deveras imprevidentes!

Cadê os brinquedos da gente?
nunca os tivemos presentes;
apenas viviam na mente,
na criatividade, recorrentes.



O tempo se esvai, não sentes?
A vida é tal qual rio corrente,
sequer deixa singela semente.

Pobre menino, pingo de gente,
da Humanidade, indigente;
é-me tua dor assaz pungente.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99


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Pobre menino, menino diferente,
sem brinquedos e tão ausente;
não me são, porém, indiferentes...
Ó tempos deveras imprevidentes!

Cadê os brinquedos da gente?
nunca os tivemos presentes;
apenas viviam na mente,
na criatividade, recorrentes.



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O tempo se esvai, não sentes?
A vida é tal qual rio corrente,
sequer deixa singela semente.

Pobre menino, pingo de gente,
da Humanidade, indigente;
é-me tua dor assaz pungente.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99


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É Findi - Série História de Pernambuco - Quando a vitória não bastava - Por Alfredo Cabral de Melo*

16/10/2026

A segunda batalha dos Guararapes, em fevereiro de 1649, deixou uma imagem difícil de ignorar. Pela segunda vez, as forças da Restauração haviam derrotado um grande contingente neerlandês. O domínio holandês sobre boa parte do interior de Pernambuco estava cada vez mais limitado, enquanto Recife permanecia como o principal núcleo de sua presença. Seria razoável imaginar que a guerra estivesse terminando. Mas não foi isso que aconteceu.

Recife continuava fortificado, abastecido pelo mar e protegido por uma estrutura militar que não poderia ser vencida apenas com novas vitórias em campo aberto. Os restauradores haviam demonstrado sua capacidade de combater e vencer, mas ainda precisavam encontrar uma maneira de transformar essas vitórias em domínio efetivo sobre a praça que sustentava a presença neerlandesa.

A guerra começava, assim, a exigir outros recursos. Em março daquele mesmo ano, foi criada a Companhia Geral do Comércio do Brasil, sob o governo de D. J...

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A segunda batalha dos Guararapes, em fevereiro de 1649, deixou uma imagem difícil de ignorar. Pela segunda vez, as forças da Restauração haviam derrotado um grande contingente neerlandês. O domínio holandês sobre boa parte do interior de Pernambuco estava cada vez mais limitado, enquanto Recife permanecia como o principal núcleo de sua presença. Seria razoável imaginar que a guerra estivesse terminando. Mas não foi isso que aconteceu.

Recife continuava fortificado, abastecido pelo mar e protegido por uma estrutura militar que não poderia ser vencida apenas com novas vitórias em campo aberto. Os restauradores haviam demonstrado sua capacidade de combater e vencer, mas ainda precisavam encontrar uma maneira de transformar essas vitórias em domínio efetivo sobre a praça que sustentava a presença neerlandesa.

A guerra começava, assim, a exigir outros recursos. Em março daquele mesmo ano, foi criada a Companhia Geral do Comércio do Brasil, sob o governo de D. João IV. A nova companhia tinha interesses comerciais, mas também nasceu em uma conjuntura de guerra e de disputa pelo controle das rotas atlânticas. A organização do transporte e a proteção da navegação passaram a ter importância cada vez maior para a sustentação da luta.

Não era uma questão meramente econômica. Homens, armas, munições, alimentos e mercadorias precisavam circular, e a capacidade de manter essa circulação podia decidir o destino de uma praça sitiada. Recife ainda possuía uma vantagem fundamental: o mar. Enquanto os neerlandeses conseguissem manter comunicação com o exterior, a cidade continuaria tendo condições de resistir.

Por isso, depois de Guararapes, a guerra não se resumiu a uma sucessão de grandes batalhas. Continuaram as operações militares, as dificuldades de abastecimento e as disputas pelo controle das comunicações. O conflito permanecia vivo, mas começava a depender cada vez mais de fatores que não apareciam necessariamente no campo de batalha.

Evaldo Cabral de Mello ajuda a compreender essa mudança. Ao tratar da produção, do comércio e da navegação entre 1645 e 1654, ele mostra como a guerra afetou a circulação entre Pernambuco e o Reino e como a capacidade neerlandesa de receber socorro dependia das condições do Atlântico. A partir de 1652, a Primeira Guerra Anglo-Neerlandesa passou a dificultar as comunicações marítimas das Províncias Unidas, criando circunstâncias mais favoráveis aos restauradores.

Isso ajuda a explicar por que a Restauração não pode ser entendida apenas a partir de Pernambuco. A reconquista de Luanda, em 1648, havia mostrado que portugueses e neerlandeses disputavam posições em diferentes pontos do Atlântico. Não se tratava de uma única campanha militar, conduzida de maneira uniforme em todos esses lugares, mas de conflitos que se relacionavam dentro de um espaço marítimo muito mais amplo.

Pernambuco estava inserido nesse mundo. O açúcar continuava sendo produzido e comercializado, os navios continuavam sendo necessários e os caminhos marítimos permaneciam fundamentais. A própria criação da Companhia Geral do Comércio revela a preocupação da Coroa em reorganizar o tráfego com o Brasil e protegê-lo em uma conjuntura marcada pela guerra e pelos riscos à navegação. Estudos posteriores mostram que, a partir de 1649, o sistema de comboios passou a ganhar importância na carreira do Brasil.

José Antônio Gonsalves de Mello e Evaldo Cabral de Mello permitem acompanhar essa transformação por perspectivas complementares. A documentação reunida por José Antônio revela a dimensão militar, administrativa e econômica do conflito. Evaldo amplia o campo de observação e mostra que a guerra não pode ser explicada apenas pela sucessão dos combates. Havia interesses econômicos, decisões tomadas em Lisboa, dificuldades de navegação e uma disputa internacional que continuava interferindo no destino de Pernambuco.

Isso também ajuda a entender por que a segunda vitória de Guararapes não produziu imediatamente a expulsão dos neerlandeses. Vencer um exército em campo aberto era uma coisa. Tomar uma cidade fortificada, cortar suas comunicações e impedir que recebesse auxílio era outra, muito mais complexa.

Aos poucos, portanto, as condições começaram a mudar. A guerra continuava, mas o equilíbrio já não era o mesmo de alguns anos antes. Os neerlandeses permaneciam no Recife, porém dependiam cada vez mais da capacidade de manter aberta uma ligação marítima com o exterior. Para os restauradores, a questão passou a ser como transformar a pressão acumulada durante anos em um cerco capaz de levar a cidade à rendição.

A Restauração havia chegado a um momento em que a vitória militar, sozinha, já não bastava. Era preciso controlar os caminhos por onde chegavam os recursos, limitar a capacidade de resistência do Recife e fazer com que o tempo passasse a trabalhar contra aqueles que ainda ocupavam a cidade.

A guerra, que começara nos engenhos e se espalhara pelos campos de Pernambuco, aproximava-se finalmente do lugar onde a presença neerlandesa ainda encontrava sua maior força: o Recife.


Bibliografia utilizada


FREITAS, Gustavo de. A Companhia Geral do Comércio do Brasil (1649-1720). Revista de História, São Paulo, v. 2, n. 6, p. 307-328, 1951. DOI: 10.11606/issn.2316-9141.v2i6p307-328. Portal de Revistas da USP

MELLO, Evaldo Cabral de. Olinda restaurada: guerra e açúcar no Nordeste, 1630-1654. 3. ed. São Paulo: Editora 34, 2007.

MELLO, Evaldo Cabral de. O negócio do Brasil: Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641-1669. Rio de Janeiro: Topbooks, 1998.

MELLO, José Antônio Gonsalves de (org.). Fontes para a história do Brasil holandês. Recife: Parque Histórico Nacional dos Guararapes; MEC/SPHAN/Fundação Pró-Memória, 1981-1985. 2 v.
SILVA, José Justino de Andrade e. Collecção chronologica da legislação portugueza. Lisboa: Imprensa de F. X. de Souza, [s.d.], v. 7. A documentação relativa à instituição e ao decreto de aprovação da Companhia Geral do Comércio do Brasil é referenciada pela historiografia a partir desse conjunto legislativo.

BRASIL. Fundação Biblioteca Nacional. Países Baixos: fontes para a história do Brasil holandês nos arquivos neerlandeses (1623-1655). Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, [s.d.].

COSTA, Leonor Freire. O transporte no Atlântico e a Companhia Geral do Comércio do Brasil (1580-1663). Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 2002. 2 v. A obra é indicada na bibliografia especializada sobre a Companhia e o transporte atlântico. SciELO


*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo


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É Findi – Quem USA - Por Iraquitan Palmares*

16/10/2026

USA a África
USA às Américas
USA o mundo
Como quintal
USA do mundo
O capital

Capital
Humano
Intelectual
USA sobretudo
O vil metal

USA governos
USA sociedades
USA guerras
Como brincadeiras
Jogos de xadrez

USA
E como USA

Rasga do peito
A porra dessa blusa
Arranca esse troço
D'alma!

Não vá
Na onda
Da mídia e tal

Sugiro-te
Com amor
Te lambuza
E dê um foda-se
Para tudo que
For te USA

Agora use
Tua inteligência
Tua raça
Tua crença
Teu pertencimento

Mira no
Teu futuro
E acredite:
Juntos somos
Mais que
Massa de manobra

Do contrário
Pede a benção
A quem te USA


*...

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USA a África
USA às Américas
USA o mundo
Como quintal
USA do mundo
O capital

Capital
Humano
Intelectual
USA sobretudo
O vil metal

USA governos
USA sociedades
USA guerras
Como brincadeiras
Jogos de xadrez

USA
E como USA

Rasga do peito
A porra dessa blusa
Arranca esse troço
D'alma!

Não vá
Na onda
Da mídia e tal

Sugiro-te
Com amor
Te lambuza
E dê um foda-se
Para tudo que
For te USA

Agora use
Tua inteligência
Tua raça
Tua crença
Teu pertencimento

Mira no
Teu futuro
E acredite:
Juntos somos
Mais que
Massa de manobra

Do contrário
Pede a benção
A quem te USA


*Iraquitan Palmares, pernambucano de Palmares radicado na região metropolitana de Brasília-DF há 21 anos, poeta, teatrólogo atuando como ator e professor de teatro no Grupo Cultural Obará no DF, com oito livros publicados e com três no prelo para publicação. @iraquitanoliveirada


NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.


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É Findi - Recados das Urnas - Crônica - Por Malude Maciel*

16/10/2026

Basta sensibilidade e atenção políticas para compreender os recados das urnas eleitorais. Sim; os cidadãos estão fazendo o dever de casa exemplarmente, dando seu parecer da melhor forma, quando sabem que disso depende seu futuro.

Há pouco tempo atrás e atualmente

Antes, eram os votos de cabresto, em troca de dentaduras ou favores; uma vergonha! Agora, está havendo conscientização, apesar de que ainda fica muito a desejar para se ter uma verdadeira Democracia.

Urnas eletrônicas

Nesse último pleito vimos a olho nu, recado não impresso, mas teclado, como manda o figurino das urnas. Ou seja, o povo mostrou escancaradamente que não aceita certos tipos de candidatos nem partidos sem qualificação. Aliás, o número de siglas no Brasil é impressionante: partidos de mais, desnecessariamente; servem mais pra confundir do que para esclarecer o eleitor. Talvez por interesse na verba que cada um recebe, às nossas custas, para a campanha...

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Basta sensibilidade e atenção políticas para compreender os recados das urnas eleitorais. Sim; os cidadãos estão fazendo o dever de casa exemplarmente, dando seu parecer da melhor forma, quando sabem que disso depende seu futuro.

Há pouco tempo atrás e atualmente

Antes, eram os votos de cabresto, em troca de dentaduras ou favores; uma vergonha! Agora, está havendo conscientização, apesar de que ainda fica muito a desejar para se ter uma verdadeira Democracia.

Urnas eletrônicas

Nesse último pleito vimos a olho nu, recado não impresso, mas teclado, como manda o figurino das urnas. Ou seja, o povo mostrou escancaradamente que não aceita certos tipos de candidatos nem partidos sem qualificação. Aliás, o número de siglas no Brasil é impressionante: partidos de mais, desnecessariamente; servem mais pra confundir do que para esclarecer o eleitor. Talvez por interesse na verba que cada um recebe, às nossas custas, para a campanha as filiações crescem assustadoramente e alguém está ganhando com isso, menos o eleitorado. Duas vertentes é o suficiente pra um pleito legítimo e consciente.

Tribunal eleitoral

A Legislação bem que poderia ajustar alguns pontos desatualizados e prejudiciais ao longo do tempo, porém essas providências são tão remotas que: "morrem os burros e quem os tangem". Nem por isso poderemos deixar de cobrar dos representantes do povo na Câmara e no Senado, pressões ao STF a fazer mudanças cabíveis, como a impressão dos votos para conferência, como manda nossa Constituição.

Dever cívico

O voto no Brasil é obrigatório por lei, mas na prática tornou-se facultativo pela facilidade de justificar a ausência do cidadão aos pontos de votação e uma multa insignificante quando não comparece. Mesmo com um resultado expressivo, muita gente se absteve dessa obrigação por inconformismo com os postulantes, desconfiança das urnas eletrônicas ou das apurações e do sistema ultrapassado. Assim, ainda houve grande registro de abstenção e isto constitui um sinal bem claro de que algo está precisando de ser ajustado, à maneira satisfatória do eleitor atento.

O povo cansou da mesmice, das mesmas caras e dos mesmos discursos e principalmente de promessas vãs.
Se o número de votos nulos ou brancos for maior do que os válidos, há necessidade de nova eleição, outras chapas e a Legislação vigente dando respaldo à essas possibilidades. Isto é importante pois, ninguém quer simplesmente eleger o menos ruim.

Outro questionamento

É o fato de que não existe critério para alguém postular um cargo eletivo, especialmente os mais relevantes do país, coisa que para se assumir quaisquer vagas em outras áreas é necessária triagem: provas de títulos, alfabetização, moral ilibada e até concurso. Se o candidato estiver com ficha suja, respondendo na Justiça, será logo descartado. Muito bem. Imagine para o Executivo e Legislativo, que conduzirão os destinos de toda uma Nação... No Judiciário também deveria ser apenas por concurso.

Mas, para que essas coisas aconteçam primeiramente haveria uma Lei especificando cada caso e, infelizmente não há interesse dos legisladores nem vontade política.

Também o caso de reeleição é outro ponto a ser considerado e tomadas posições. Da maneira que está, muitos se perpetuam nos cargos como se fossem seu dono, algo vitalício.

São muitas as sugestões

É isso. Surgem inúmeras opiniões de quem se preocupa com o aperfeiçoamento do sistema político e dos cargos políticos, pois a Política vive intrínseca ao nosso cotidiano. Não podemos simplesmente fechar os olhos em confirmação ou reclamar sobre o leite derramado, porque mesmo o que estiver bom poderá ficar melhor para nossa qualidade de vida.

Cada indivíduo deve opinar, criticar quando necessário, e dar seu palpite para que as coisas sejam melhoradas sempre. Isto se chama engajamento social próprio do nosso sistema de governo.

E votação outra vez

Melhor seria se tudo tivesse se resolvido no primeiro turno, todavia surge outro escrutínio no segundo turno e vamos nós, exercer nosso direito de votar , escolhendo nosso presidente da República, cargo máximo da federação.

O povo irá às urnas a fim de realizar sua vontade, como de direito.

Que sejamos abençoados por Deus para que tudo seja decidido dentro de um processo honesto e sério, como merecemos.
Cabe às autoridades constituídas primar pela correção deste sufrágio eleitoral.

Nessas particularidades, são conhecidos os grandes estadistas ou apenas os poderosos da vez.


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel


NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.


O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.



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É Findi - Romero Falcão* chegando em Dose Dupla

16/10/2026

A Flor da Vergonha - Crônica Poética


Entre dois turnos, o medo.
O voto é secreto,
mas o túmulo pode ser de Carrara.

Sei que você, homem comum ou artista,
tem receio de se manifestar:
família, amigos, patrocínio, seguidores
podem minguar.

Até ontem, tive medo de perder
meus quatro seguidores.

Mas hoje, no meu jardim, a flor da vergonha
me intimou a ler A Flor e a Náusea,
de Drummond.

A democracia rompeu a corrente
e, ainda assim, pode acorrentar o voto
e chamar isso de liberdade.

O voto é secreto, eu sei,
mas o túnel se estreita num aperto de mão.
E tudo o que se exige da gente, agora,
é a coragem de Guimarães Rosa
e o pendão de Lula à luz do sol.



Duas Estrelas Cintilando na Escuridão - Crônica

Papéis Principais

Nas nov...

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A Flor da Vergonha - Crônica Poética


Entre dois turnos, o medo.
O voto é secreto,
mas o túmulo pode ser de Carrara.

Sei que você, homem comum ou artista,
tem receio de se manifestar:
família, amigos, patrocínio, seguidores
podem minguar.

Até ontem, tive medo de perder
meus quatro seguidores.

Mas hoje, no meu jardim, a flor da vergonha
me intimou a ler A Flor e a Náusea,
de Drummond.

A democracia rompeu a corrente
e, ainda assim, pode acorrentar o voto
e chamar isso de liberdade.

O voto é secreto, eu sei,
mas o túnel se estreita num aperto de mão.
E tudo o que se exige da gente, agora,
é a coragem de Guimarães Rosa
e o pendão de Lula à luz do sol.



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Duas Estrelas Cintilando na Escuridão - Crônica

Papéis Principais

Nas novelas do século passado e da primeira década deste, os personagens negros se reduziam a escravos, motoristas, babás, empregados domésticos. Mas tais personagens foram pendurados no museu da televisão. Hoje, atores negros ocupam papéis principais e posições de destaque na telinha: galãs, empresários, médicos, autoridades. Axé!

Nos Altos Cargos da República

Nas instituições, porém, o buraco da agulha permanece estreito. Na história do STF, a toga de Joaquim Barbosa foi uma exceção a cobrir a pele negra. Nos tribunais, no Congresso, nos altos cargos da República, a presença negra ainda é mínima.

Visibilidade Nacional

Nestas eleições, dois jovens negros alcançaram votações surpreendentes. Perdoem minha ignorância: só agora tomei conhecimento das trajetórias de Jones Manoel, pernambucano, e Ana Elisa Santos Silva, mineira. Os dois ganharam visibilidade nacional no horário nobre da televisão.



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Concha Convexa

A trajetória de Jones Manoel mostra o quanto a educação pode ser revolucionária. Negro, pobre, filho de empregada doméstica e de pai pedreiro, criado na favela da Borborema, no Recife, ele chega à concha convexa de Oscar Niemeyer. Escritor e formado em História, entra para a história. Que no rastro do pernambucano surjam muitos outros Jones!

Superação de Barreiras

Não entro na ideologia, na foice e no martelo do historiador. Celebro seu mérito: a superação de barreiras, preconceitos e dos percalços da pobreza mais dura.



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Primeira Mulher Negra

Da mesma lavra de luz e luta, a mineira Ana Elisa Santos Silva, de 21 anos, estudante de Direito, pobre e filha de mãe solo, também faz história. Segundo declarou, é a primeira mulher negra de sua idade, em duzentos anos, a conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados. Numa votação arrebatadora, recebeu mais de meio milhão de votos dos mineiros.

Cintilando Na Escuridão

Os dois ocupam as páginas dos jornais e as telas da televisão, sob os holofotes da imprensa de todo o país.

Duas estrelas cintilando na escuridão.

A essa altura, os celulares dos dois não param de tocar.

Mas lá nas alturas, Deus tá vendo. Castro Alves também.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


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É Findi – A Dona do Sim - Croniqueta - Por Xico Bizerra*

16/10/2026

Dia desses Tico marcou encontro com Teco, esbarraram-se na sala do meu juízo. Foi quando resolvi escrever esta croniqueta. Desculpem vocês, a culpa é dos neurônios travessos que costumam brincar na parte superior do meu corpo, pouco abaixo dos meus embranquecidos cabelos.

O sim era a única palavra que Estefânia aprendera a dizer quando lhe pediam algo. Desde a mais tenra idade, sempre sim, sempre assim. Foi criada consentindo e desconhecia a não-confirmação, fosse do que fosse: só existia essa palavra em seu parco dicionário. Em casa, na escola, em seus dias, tardes e noites.

Desde cedo, quando sua mãe lhe levava à igreja e ela, sem nenhuma vontade de ir, ia sempre. À contragosto, seguia com a mãe e até comungava, por exigência dela. Mocinha, mesmo sem querer, disse sim à proposta de namoro do filho do Coronel, que tinha as piores das intenções com aquele namoro concordado.

Tantos sins disse na vida sem nunca ter aprendido a dizer não que...

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Dia desses Tico marcou encontro com Teco, esbarraram-se na sala do meu juízo. Foi quando resolvi escrever esta croniqueta. Desculpem vocês, a culpa é dos neurônios travessos que costumam brincar na parte superior do meu corpo, pouco abaixo dos meus embranquecidos cabelos.

O sim era a única palavra que Estefânia aprendera a dizer quando lhe pediam algo. Desde a mais tenra idade, sempre sim, sempre assim. Foi criada consentindo e desconhecia a não-confirmação, fosse do que fosse: só existia essa palavra em seu parco dicionário. Em casa, na escola, em seus dias, tardes e noites.

Desde cedo, quando sua mãe lhe levava à igreja e ela, sem nenhuma vontade de ir, ia sempre. À contragosto, seguia com a mãe e até comungava, por exigência dela. Mocinha, mesmo sem querer, disse sim à proposta de namoro do filho do Coronel, que tinha as piores das intenções com aquele namoro concordado.

Tantos sins disse na vida sem nunca ter aprendido a dizer não que se tornou escrava do consentimento. O do altar foi apenas um começo de vários outros que se seguiriam, atestado de conformismo firmado com a conveniência.

Quando aprendeu a dizer não já era tarde: o de acordo tantas vezes dito e repetido não lhe permitiu definir, a seu favor, os desejos e vontades no plebiscito do destino. Escrava da não identidade, da aceitação incondicional, Estefânia nunca foi feliz. Aceitou tudo e facilitou a vida de muitos, complicando a sua própria. E assim se foi, sem identidade, postura de aceitação incondicional, escrava do sim, tantas vezes desejosa do não. Pobre Estefânia.


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico


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É Findi – Caboclo do Nordeste - Por Poeta Pica-Pau*

16/10/2026

O matuto caboclo do Nordeste
Que se orgulha em ser um nordestino
É um forte guerreiro no destino
É um bravo arigó cabra da peste
Sendo ele do Sertão ou do Agreste greste
Da mata seja Sul ou seja Norte
Defende as raízes até a morte
Cultua com amor a natureza
Ama a cultura com grandeza
Permitindo que a arte lhe transporte

Permitindo que a arte lhe transporte
Ama a cultura com grandeza
Cultua com amor a natureza
Defende as raízes até a morte
Da mata seja Sul ou seja Norte
Sendo ele do Sertão ou do Agreste
É um bravo arigó cabra da peste
É um forte guerreiro no destino
Que se orgulha em ser um nordestino
O matuto caboclo do Nordeste

*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau


O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acess...

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O matuto caboclo do Nordeste
Que se orgulha em ser um nordestino
É um forte guerreiro no destino
É um bravo arigó cabra da peste
Sendo ele do Sertão ou do Agreste greste
Da mata seja Sul ou seja Norte
Defende as raízes até a morte
Cultua com amor a natureza
Ama a cultura com grandeza
Permitindo que a arte lhe transporte

Permitindo que a arte lhe transporte
Ama a cultura com grandeza
Cultua com amor a natureza
Defende as raízes até a morte
Da mata seja Sul ou seja Norte
Sendo ele do Sertão ou do Agreste
É um bravo arigó cabra da peste
É um forte guerreiro no destino
Que se orgulha em ser um nordestino
O matuto caboclo do Nordeste

*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau


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É Findi - Dose Dupla de Josué Sena* para este Findi

16/10/2026

Por que a pressa?


Afinal por que tanta pressa?
Meditem com prazer o passo.
Pois o mundo sempre recomeça
E o porvir nunca é escasso.

Devagar com a louça e o andor.
Devagar com o trem ou a caleça.
Conforme nosso segundo imperador,
Devagar é que se chega depressa.

No seguir, há viagens externas.
Viagem ao interior de si.
Exercitemos a mente e as pernas,

Da vida, pelos diferentes caminhos.
Depois, degustando de chegada os vinhos,
Digamos: amigos, o mundo eu conheci.


A palavra caleça, que significa um tipo de carruagem puxada por cavalos, pronuncia-se com o “ê” aberto? Na verdade, o som é parecido com ca-LÉ-ça, com a sílaba LÉ mais forte.



Verso feito de água


Meu poema é também feito de água,
Vezes límpida, vezes um tanto turva,
De trajetória reta, o...

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Por que a pressa?


Afinal por que tanta pressa?
Meditem com prazer o passo.
Pois o mundo sempre recomeça
E o porvir nunca é escasso.

Devagar com a louça e o andor.
Devagar com o trem ou a caleça.
Conforme nosso segundo imperador,
Devagar é que se chega depressa.

No seguir, há viagens externas.
Viagem ao interior de si.
Exercitemos a mente e as pernas,

Da vida, pelos diferentes caminhos.
Depois, degustando de chegada os vinhos,
Digamos: amigos, o mundo eu conheci.


A palavra caleça, que significa um tipo de carruagem puxada por cavalos, pronuncia-se com o “ê” aberto? Na verdade, o som é parecido com ca-LÉ-ça, com a sílaba LÉ mais forte.



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Verso feito de água


Meu poema é também feito de água,
Vezes límpida, vezes um tanto turva,
De trajetória reta, ou em curva.
Dele a escorrer riso, vezes mágoa.

Vezes tem um ar de douto.
Num viés de saudade e melancolia,
Imagético, vezes adota a ousadia
De interagir com metáforas de Mia Couto.

Meu texto, um tanto formal, estabelece elo,
Não raro, com moderno enredo.
Decerto anseia ir ao prelo,

Mas dele tem intenso medo,
Amargura-se, diz estar ainda cedo,
E sem refino parnasiano para ser belo.


*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.


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Um abraço para Josafá, que enfrenta a maior dor do mundo

16/10/2026

Por José Nivaldo Junior

Soube pelo blog do Magno, confirmei em belo post solidário de Mendonça Filho. O prefeito de São Caetano, PE, Josafá Almeida, passa neste momento, juntamente com a família, pela maior dor que o mundo colocou no caminho de um pai: perder um filho na flor, na exuberância, na beleza dos seus 19 anos. Golpe inesperado e profundo, com o viés doloroso de acidente automobilístico.

Relação respeitosa

Não posso me arvorar de amigo pessoal de Jeová. Acompanho de perto há tempo a trajetória da família. Participei de diversas jornadas eleitorais, sempre trabalhando para o lado divergente. No meio das diferenças de interesses, construímos uma relação formal, respeitosa, sempre com um toque de simpatia pessoal que Josafá exala. Talvez por isso, a dor do momento bata no meu peito como uma martelada. Josafá não merece. Nenhum pai merece passar por uma provação deste tamanho.

Força, muita força

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Por José Nivaldo Junior

Soube pelo blog do Magno, confirmei em belo post solidário de Mendonça Filho. O prefeito de São Caetano, PE, Josafá Almeida, passa neste momento, juntamente com a família, pela maior dor que o mundo colocou no caminho de um pai: perder um filho na flor, na exuberância, na beleza dos seus 19 anos. Golpe inesperado e profundo, com o viés doloroso de acidente automobilístico.

Relação respeitosa

Não posso me arvorar de amigo pessoal de Jeová. Acompanho de perto há tempo a trajetória da família. Participei de diversas jornadas eleitorais, sempre trabalhando para o lado divergente. No meio das diferenças de interesses, construímos uma relação formal, respeitosa, sempre com um toque de simpatia pessoal que Josafá exala. Talvez por isso, a dor do momento bata no meu peito como uma martelada. Josafá não merece. Nenhum pai merece passar por uma provação deste tamanho.

Força, muita força

É só o que há para dizer nessas circunstâncias. Força para Josafá. Muita força para a família e os amigos. Se conheci Josafá Neto, não lembro. Dele fica a imagem de um presente que virou dor e um futuro que não aconteceu. E uma luz que vai brilhar para sempre, como estrela no firmamento.




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