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É Findi - Dose Dupla de Josué Sena* para este Findi

23/10/2026

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Goiana Sempre Doce


Goianense doçura de longa tradição,
Resultante da cultura da cana,
Que povoa nossa topografia plana,
E do açúcar de usinas que ora inativas são.

Lembro o pirulito e sorvete de rua em Goiana,
E o famoso caldo picado de Chuchu.
Lembro as usinas Maravilhas, Santa Tereza e a destilaria Ubu,
Esta a fabricar a água que a mágoa engana.

Açúcar, na comida, sucos, café e bebida,
Servida em meiota, quartinha e dose.
Cidade como se de mel toda fosse,

Sumo a atenuar amarguras da vida.
Mel do puxa-puxa e do algodão-doce.
Açúcar a elevar taxas de glicose.




Dois poetas e a morte


Pediu o poeta Mário Sá-Carneiro
Latas batendo quando da morte.
Pediu um burro para do ataúde o transporte,
E palhaços e acrobatas no percurso derradeiro.

En...

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Goiana Sempre Doce


Goianense doçura de longa tradição,
Resultante da cultura da cana,
Que povoa nossa topografia plana,
E do açúcar de usinas que ora inativas são.

Lembro o pirulito e sorvete de rua em Goiana,
E o famoso caldo picado de Chuchu.
Lembro as usinas Maravilhas, Santa Tereza e a destilaria Ubu,
Esta a fabricar a água que a mágoa engana.

Açúcar, na comida, sucos, café e bebida,
Servida em meiota, quartinha e dose.
Cidade como se de mel toda fosse,

Sumo a atenuar amarguras da vida.
Mel do puxa-puxa e do algodão-doce.
Açúcar a elevar taxas de glicose.


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Dois poetas e a morte


Pediu o poeta Mário Sá-Carneiro
Latas batendo quando da morte.
Pediu um burro para do ataúde o transporte,
E palhaços e acrobatas no percurso derradeiro.

Encerrou a incrédula vida
Tendo a campa por noiva amada,
O casamento foi a ação suicida,
Entre solitárias paredes realizada.

Há dessemelhança e arranjos,
Nessa obstinação em falecer,
Com a visão de Augusto dos Anjos

Sobre a negra dama do anoitecer.
Mário abraçou Tânatos sem susto.
Dos Anjos, da pneumonia, pagou o lento custo.


*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.


O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

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É Findi - Decifra-me ou te devoro - Crônica - Por Maria Inês Machado*

23/10/2026

Radiadoras anunciam os números da sorte. Quais? Notícias turbulentas.

Relações de benfeitorias grudam nos muros da cidade. Francisco, Joaquim, Palmira, Antônio... Até o Sr. Silva, sem conhecer as letras, curioso, quer saber.

Lá no fim da rua, comício. Fala bonita. Moço colorido fala bonito. Promessas!
Vixe! É noite. Cadê os aplausos?
Os morcegos foram avisados. Os ratos saem em corrida desenfreada. Aplaudem um velho cansado, sem novidades.
Exaustão...
No quintal da cidade, os cordeiros sem pele.
O que houve? Pergunta, inquieta, uma voz.
Falta resposta.
A resposta enigmática surge.
De quem?
Sei lá! Voou e parou aqui.
Não sei! Vi apenas os lobos num processo de tosquia, deixando-os neste estado.
Vixe! Mundo grandão!
Lobos espalhados.

Zé Maraco olhou desconfiado, mas tem resposta:

— Passaram por aqui. Abraços, gritos, gargalhadas. Eita, comício bo...

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Radiadoras anunciam os números da sorte. Quais? Notícias turbulentas.

Relações de benfeitorias grudam nos muros da cidade. Francisco, Joaquim, Palmira, Antônio... Até o Sr. Silva, sem conhecer as letras, curioso, quer saber.

Lá no fim da rua, comício. Fala bonita. Moço colorido fala bonito. Promessas!
Vixe! É noite. Cadê os aplausos?
Os morcegos foram avisados. Os ratos saem em corrida desenfreada. Aplaudem um velho cansado, sem novidades.
Exaustão...
No quintal da cidade, os cordeiros sem pele.
O que houve? Pergunta, inquieta, uma voz.
Falta resposta.
A resposta enigmática surge.
De quem?
Sei lá! Voou e parou aqui.
Não sei! Vi apenas os lobos num processo de tosquia, deixando-os neste estado.
Vixe! Mundo grandão!
Lobos espalhados.

Zé Maraco olhou desconfiado, mas tem resposta:

— Passaram por aqui. Abraços, gritos, gargalhadas. Eita, comício bom! Até dona Josefina, banguela, foi abraçada.
— E a dentadura prometida?
— Sei lá! Deve ter se perdido no esgoto que ronda a sua casa.
— Conversa feia, Astrogildo! Rua de Calçamento, saneamento feito.
— Vixe! Tô vendo, não!
— Cadê os teus óculos de grau? Prometidos e recebidos!
— Sei lá!
— Fica quieto! Quero ouvir o comício.


*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'. @mariainesmachadopsi


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Eu e a psicóloga - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

23/10/2026

Muita é a gratidão!
Eu, filho do sertão,
da Serra dos Matões
e de Olinda por concessão.

Sinto-me honrado,
pelo poema ofertado,
da amiga psicóloga,
com quem bem dialogo:

Desvelo memórias,
descrevo histórias,
revejo as trajetórias.

Eis que saio do escuro,
e de cima do muro:
vejo quão belo é o futuro!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99


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Muita é a gratidão!
Eu, filho do sertão,
da Serra dos Matões
e de Olinda por concessão.

Sinto-me honrado,
pelo poema ofertado,
da amiga psicóloga,
com quem bem dialogo:

Desvelo memórias,
descrevo histórias,
revejo as trajetórias.

Eis que saio do escuro,
e de cima do muro:
vejo quão belo é o futuro!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99


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É Findi – Bares do Recife de Ontem - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

23/10/2026

Como se sabe ou é sabido, a palavra “bar” vem da língua inglesa onde significa um ponto de encontro obrigatório, assim como “pub”, que também é originado do idioma saxônico é uma forma sincopada de “public” (público), franqueado a todos. Da balaustrada ou da barra que existe entre o balcão e o cliente é que veio o nome bar propriamente dito.

“Muitos eventos e fatos importantes de uma cidade acontecem nos bares ou “pubs”, eles existem isoladamente ou agregados, às vezes fazendo parte de um hotel, de uma instituição, de um teatro, etc...”

No Recife, foram-se embora os bares mais tradicionais. Fazia gosto ir a eles, dizem os mais antigos, confundiam-se e identificavam-se com os lugares e seus tempos. Por isso marcaram época nesta cidade, influenciando na sai vida e na sua história. Entre eles o “The British Shipchandler” que fechou há pouco era o mais antigo, o pioneiro entre os bares do Recife, sua origem remonta aos anos de 1865, quando foi criado pelo...

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Como se sabe ou é sabido, a palavra “bar” vem da língua inglesa onde significa um ponto de encontro obrigatório, assim como “pub”, que também é originado do idioma saxônico é uma forma sincopada de “public” (público), franqueado a todos. Da balaustrada ou da barra que existe entre o balcão e o cliente é que veio o nome bar propriamente dito.

“Muitos eventos e fatos importantes de uma cidade acontecem nos bares ou “pubs”, eles existem isoladamente ou agregados, às vezes fazendo parte de um hotel, de uma instituição, de um teatro, etc...”

No Recife, foram-se embora os bares mais tradicionais. Fazia gosto ir a eles, dizem os mais antigos, confundiam-se e identificavam-se com os lugares e seus tempos. Por isso marcaram época nesta cidade, influenciando na sai vida e na sua história. Entre eles o “The British Shipchandler” que fechou há pouco era o mais antigo, o pioneiro entre os bares do Recife, sua origem remonta aos anos de 1865, quando foi criado pelo sueco Herman Theodor Ludgren com o objeto de abastecer navios (como o próprio nome diz), depois ele passou a “abastecer,” também, os marujos da nossa “zona” portuária.

Saindo do domínio inglês, pois pertencera antes de fechar a Jack Ayres, estabelecido com a firma Jack Ayres Son Ltda, as instalações do “Shipchandler” foram adquiridas por Valdemar Marinheiro que, mostrando que – “raposa também cria galinha”, deu continuidade as atividades etílicas com um novo estilo brasileiro embora o estabelecimento passasse a se chamar “Bar Internacional”, num ambiente mais simples descrito como a “alma do Valdemar, mas a síntese original permaneceu: a de ser o lugar de Ponto de Encontro de velhos amigos num papo regado a uísque legítimo e mais barato, eleita a bebida oficial do lugar.

Ainda hoje o Bar de Valdemar conserva as mesmas cadeiras de cem anos atrás e o mesmo espírito inglês de reunir os amigos para uma boa conversa, sempre a mesma que povoou a vida de Valdemar Marinheiro. Segundo ele, não dá para viver sem o Bar.

“se eu vendo, um mês depois eu morro”. Acostumado à companhia dos fregueses e relembrando o passado, ele diz “só sentir saudade do tesão que já foi embora”.

Apesar do Bar estar localizado em uma das mais antigas zonas de prostituição do Recife, Valdemar garante que lá as prostitutas não entravam. “Nem na época em que funcionava nos moldes populares. As prostitutas faziam ponto no estabelecimento onde não era permitida a entrada de mulheres, desacompanhadas. Tanto elas quanto os estrangeiros, que costumavam frequentar bares como o “OK”, “Gambrinus”, “Adila´s Palace”, entre outros, situados nas avenidas Marquês de Olinda e Rio Branco.

Seguindo a tradição de acomodar num mesmo espaço as figuras de renome da cidade, no passado se poderiam encontrar os poetas Carlos Pena Filho e Ascenso Ferreira. Silvio Caldas, ao vir ao Recife, não deixava de visitar o Bar.

Outro Bar que funcionou nas décadas de 1940/60 foi o Bar do Chileno que se localizava no início da Rua do Bom Jesus, quase em frente do prédio da Associação Comercial. Era frequentado, principalmente, por marujos e funcionários das Docas, que preferiam a orla portuária, ou seja, os bares e casas de “diversão” da Alfredo Lisboa e adjacências.

Entre as décadas de 1930 a 50 existiu o Cassino Imperial, freqüentado por figurões da cidade. Toalhas de linho, porcelana fina, comida e bebida de primeira. Nela apresentavam-se grandes orquestras e atrações do Sul do País que lotavam o dancing. Localizava-se no antigo prédio depois ocupado pelo Banco do Brasil e hoje, depois de completamente descaracterizado, abriga o Grupo João Santos.

Possuía várias roletas onde o jogo corria solto, aliás, no Recife de antanho os chamados jogos de azar (para a maioria) era muito praticado, no Pina, antes mesmo do Cassino Americano, existiu um outro conhecido como Cassino do Pina aquele local onde se jogava muito, era o Taco de Ouro.

Muitos bares recifenses, no entanto surgiram no período da II Guerra Mundial como foi ocaso do Bar OK, para suprir a demanda dos militares norte-americanos disputados pelos garçons e prostitutas. Esse estabelecimento funcionava no térreo de um prédio da Marques de Olinda sendo que, nos andares superiores, instalavam-se as pensões. Por falar em pensão, cada uma delas tinha a sua cafetina, que aliciavam as jovens vindas principalmente do interior ou de outros estados do Nordeste, quase sempre expulsas de casa por punição paterna. As mulheres mais velhas, com mais “tempo de serviço” iam se afastando da Marques de Olinda onde iniciavam sua “difícil vida fácil” indo para as pensões mais populares, normalmente na famigerada rua da Guia.

A Pensão de Alzira era a mais famosa e naquele tempo até a mais elegante das pensões, a mais fina. Ficava na Vigário Tenório. os quartos cheios de cortinas. As mulheres eram finas e a clientela de alta classe.

Mas voltemos aos Bares: nessa época existiam ainda, cada um com sua característica: o “Silver Star”, o “Texas Bar”, freqüentado por vários intelectuais, políticos e jornalistas, o “Escandinávia”, na Alfredo Lisboa, o “Vitória”, na Rua da Moeda, o “Cubano” que depois passou a ser o “Tropical”, o “Duas Américas”, o “Buraco da Onça”, o “Bar da Charque”, o ‘Flamengo”, o “Bar da Cuia”, o “Astória”, o “Lambreta”, o “Para Todos”, o “Califórnia”, o “Lanche Porto”, o “Ibiá”, o “Rosa Amarela”, na Cobertura do Jornal do Commercio, o “Phoeniz” , na Rua da Palma e, mais recentemente, o “Black Tie” e o “Tony´s Drinks”, ambos na Marques de Olinda.

Na Avenida Alfredo Lisboa, nas imediações do Armazém 11, dois bares seguem o mesmo estilo, um teve origem do outro, são: O Scoth Blar ll0e o Bar do 28 ambos l0servem uísque bom, de 0lgosto e de preço, porém o primeiro deles l0l0foi o “Schot Bar”, pouca gente sabe que 0l“28” era o número da plaqueta do carregador 0lde malas no cais do porto, Sr. Antônio 0lCandido que fundou o 0l0“Schot” no entanto , o pessoal quando resolvia 0l00ir ao estabelecimento costumava dizer: vamos l0ao bar do “28”. Atualmente o Sr. Cândido l0é o dono do Bar 28 e seu filho, José Antônio l0lCardoso é o 0l00proprietário do Schot l0Bar.

Os bares como vimos têm de "per si" as suas características e por elas são procurados, um de características bem peculiares era o “Bar do Espanhol” criado no início apenas para receber alguns amigos e convidados destes. Pertenceu ao Espanhol José Pontes e funcionava na Rua da Aurora, residência do proprietário, onde posteriormente funcionou o Restaurante “Buraco de Otília”, antiga cozinheira do espanhol que, por sua vez, fora garçom do Grande Hotel.

Posteriormente, motivado pelos dotes culinários de sua esposa e conterrânea, José Pontes abriu um Bar que servia não somente pratos espanhóis como da terra que o acolheu. O estabelecimento chamava-se então de Porta Larga e ficava na Camboa do Carmo, onde depois funcionou o Galo d´ouro. Tempos depois, já conhecido como “Bar do Espanhol”, passou a funcionar na Rua do Lima e aí, com a frequência costumeira de alguns artistas da Rádio Clube e depois do Jornal do Commercio localizadas nas proximidades, surgiram os violões, os cantores e as cantoras que ali se reuniam prolongando as tarde de sábado, com um almoço de comida típica regado a boas bebidas. Tempos depois o Bar foi para a av. Cruz Cabugá e aí viveu seus últimos dias, até o falecimento do Sr. Joel Pontes.

Outros Bares também marcaram época no Recife como aqueles dois do Parque Treze de Maio – O Torre de Londres e a Cabana. O primeiro era um misto de Bar e Restaurante que pertenceu a Júlio Jesun de Carvalho, o Julinho, ponta esquerda do América, na década de 1950 e que foi proprietário da Rádio Veneza.

A torre era excêntrica e dava um ar aristocrático ao Parque Treze de Maio, lembrava sua similar na Capital Inglesa. Funcionava com uma clientela um pouco diferente de sua vizinha, a “Cabana”, que foi fundada por Evanildo Coelho. Situava-se por trás da atual Câmara Municipal do Recife, depois pertenceu ao Sr. Mário Gouveia. Era frequentada, principalmente, por estudantes da vizinha Faculdade de Direito e viveu seus melhores dias na época da Festa da Mocidade.

Ainda no final dos anos 1950 e por toda a década de 60 existiram no Recife alguns bares que deixaram suas marcas como o “Brama Chopp”, localizado no térreo do edifício Seguradora, voltado para a Dantas Barreto, com suas cadeiras e mesas na calçada, no estilo do Savoy- esse – foi, sem dúvidas o mais famoso do Recife. Surgiu em 1º de Julho de 1944, em pleno movimento dos americanos aqui estabelecidos com a Quarta Frota, durante a Segunda Grande Guerra. A época, portanto era mais do que oportuna para a criação de um Bar de sua natureza, ali bem pertinho do Edifício dos Bancários, quartel General dos Ianques. Na época, as notícias de derrotas dos nazistas eram efusivamente festejadas pincipalmente pelos Estudantes Universitários.

No Dia da queda da Ditadura de Getúlio, o proprietário Manuel Álvares fez servir champanhe e vinho por conta da casa. “Mas frequentador do Savoy que se preza vais mesmo é de chope” sublinha o Jornalista Edilbertot Coutinho. Naquela ocasião, tudo de cambulhada (os mais velhos contam) valia qualquer coisa e se as mesas do bar contassem, teríamos então que se (sic) acrescentar muitas histórias à crônica do Savoy. Discursos e urras prolongados comemoravam o término de uma época repressiva...



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Os grupos boêmios intelectualizados da calçada do Savoy já não mais existem (1977), porém a tradição cultural do bar, na medida do possível, continua a ser preservada por Joaquim Esteves Pereira, para isso, ele criou na sobreloja o canto do Poeta. Nas paredes, além dos versos de Pena, Mauro Mota e Eugênio Coimbra Júnior, belas fotos do Recife antigo, por Edmont Dansot”.

_ Esteves comprou o Bar Savoy, em 1970, aos irmãos Simões, que o mantiveram por algum tempo. Posteriormente eles se dividiram: um abriu o “Café Nicola”, que tinha grande frequência, principalmente às segundas-feiras, para os comentários e checagem das apostas dos jogos de futebol do domingo. O outro fundou o Bar Irapuru, no térreo do Hotel Guararapes.

Porém o Bar Savoy seguiu, indelével, sua trajetória no tempo, viajando na “Nau Boêmia”, sobre um mar de saudades.

De suas lembranças mais tangíveis, algumas podem ainda ser vistas em suas paredes registrando um passado presente, mas impossível de ser revivido, a mais famosa delas é, sem dívidas, a de Carlos Pena Filho:

Na Avenida Guararapes
O Recife vem marchando
O Bairro de Santo Antonio
Tanto se foi transformando
Que, agora, às cinco da tarde
Mais se assemelha a um festim
Nas mesas do Bar Savoy
O refrão tem sido assim
São trinta copos de chope
São trinta homens sentados
Trezentos desejos presos
Trinta mil sonhos frustrados.


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras e Sócio Benemérito do IAHGP.


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É Findi - Série Prédios Ícones de Pernambuco - Câmara Municipal do Recife - Por Silvio Amorim*

23/10/2026

Um prédio com o DNA do Ensino. Na Rua Princesa Isabel, ao lado do Parque Treze de Maio, no bairro da Boa Vista, ergue-se um dos edifícios mais representativos da história política do Recife. De linhas arquitetônicas ecléticas e presença marcante na paisagem urbana, a construção que hoje abriga a Câmara Municipal do Recife possui uma trajetória anterior à sua destinação ao Poder Legislativo. Antes de receber vereadores e sediar debates sobre os rumos da capital pernambucana, o imóvel foi concebido para servir à educação.
Inaugurado em 1920, o prédio foi construído para abrigar a Escola Normal Oficial de Pernambuco, instituição dedicada à formação de professores. Sua presença naquele trecho da cidade acompanha um período de expansão dos equipamentos públicos e de consolidação da Boa Vista como área de atividades educacionais, culturais e administrativas.
A Escola Normal contribuiu para a formação de gerações de educadores e para a organização do ensino em Pernambuco. A cons...

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Um prédio com o DNA do Ensino. Na Rua Princesa Isabel, ao lado do Parque Treze de Maio, no bairro da Boa Vista, ergue-se um dos edifícios mais representativos da história política do Recife. De linhas arquitetônicas ecléticas e presença marcante na paisagem urbana, a construção que hoje abriga a Câmara Municipal do Recife possui uma trajetória anterior à sua destinação ao Poder Legislativo. Antes de receber vereadores e sediar debates sobre os rumos da capital pernambucana, o imóvel foi concebido para servir à educação.
Inaugurado em 1920, o prédio foi construído para abrigar a Escola Normal Oficial de Pernambuco, instituição dedicada à formação de professores. Sua presença naquele trecho da cidade acompanha um período de expansão dos equipamentos públicos e de consolidação da Boa Vista como área de atividades educacionais, culturais e administrativas.
A Escola Normal contribuiu para a formação de gerações de educadores e para a organização do ensino em Pernambuco. A construção também integrou o processo de urbanização do entorno do Parque Treze de Maio, cuja implantação acompanhou as transformações da área central do Recife na primeira metade do século XX.
Em 1962, começaram as providências para a transferência da Câmara Municipal para o local. O vereador Liberato Costa Junior participou ativamente da conquista desse espaço para a Câmara. No ano seguinte, as novas instalações do Legislativo foram oficialmente inauguradas, durante a Prefeitura de Arthur Lima Cavalcanti.

A origem da Câmara: o nascimento de uma vila

A história da Câmara Municipal do Recife é muito mais antiga do que a do edifício que atualmente a abriga. Suas origens remontam ao período colonial, quando a organização administrativa das povoações brasileiras seguia as instituições e as normas da Coroa portuguesa. Em 15 de fevereiro de 1710, por determinação régia, o Recife foi elevado à categoria de vila e instalou sua Câmara Municipal. A criação do governo local representava um passo importante na afirmação política do povoado, cuja atividade comercial e portuária já lhe conferia crescente relevância econômica. Na estrutura administrativa portuguesa, as câmaras exerciam atribuições que iam além das funções legislativas atuais. Participavam da administração cotidiana, cuidavam do abastecimento, das posturas, da organização dos espaços públicos e de outros interesses da comunidade, dentro dos limites do sistema colonial.
A instalação da Câmara ocorreu em meio a fortes disputas entre os recifenses e os grupos dominantes de Olinda. A elevação do Recife à condição de vila contrariava interesses estabelecidos e acirrou rivalidades que culminaram em episódios de violência.
Em 17 de novembro de 1710, adversários da nova vila invadiram o Recife, derrubaram o pelourinho e atacaram a sede do Legislativo, interrompendo suas atividades. Documentos e registros foram destruídos, e vereadores sofreram agressões.
A crise prolongou-se até 1711, quando a ordem foi restabelecida e a estrutura administrativa da vila começou a ser recomposta. Em novembro daquele ano, o pelourinho foi reconstituído nas proximidades da antiga Igreja do Corpo Santo, marco da área portuária. Desde o início, portanto, a trajetória da Câmara esteve ligada às disputas pelo poder, à autonomia local e ao reconhecimento político do Recife.

De instituição colonial a representação democrática

Ao longo dos séculos, a Câmara atravessou profundas mudanças políticas e institucionais. A Independência do Brasil, em 1822, a organização do Império, a Proclamação da República, em 1889, e as sucessivas alterações constitucionais modificaram as atribuições dos municípios e a composição de seus órgãos de governo. Com a República, as estruturas administrativas municipais foram reorganizadas, e a instituição recifense passou por mudanças de denominação, funcionamento e prerrogativas.
O século XX foi particularmente difícil para o Poder Legislativo municipal. Em períodos autoritários, a autonomia das câmaras foi restringida e suas atividades, interrompidas.

Período difícil para o Legislativo Municipal

Durante o governo de Getúlio Vargas, as câmaras municipais foram fechadas em 1937, no contexto da implantação do Estado Novo. No Recife, a instituição havia retomado suas atividades em 1936, mas voltou a ser atingida pela ruptura democrática de novembro daquele ano. Mas com a redemocratização e a Constituição de 1946, o Legislativo municipal voltou a funcionar. Entretanto, a recuperação das liberdades políticas não impediu novas perseguições. Em 1948, a Lei Federal nº 211 determinou a cassação dos mandatos de parlamentares acusados de ligações com o comunismo ou o socialismo. Entre os vereadores atingidos no Recife estavam Carlos Duarte e Júlia Santiago. Naquele período, a Câmara funcionava no Edifício Alfredo Fernandes, na Avenida Barbosa Lima, no Bairro do Recife. O local ficou conhecido como Câmara da Rua da Guia. A transferência para o prédio da antiga Escola Normal, em 1963, inaugurou uma nova etapa. Pouco depois, o golpe militar de 1964 voltou a impor restrições à vida política brasileira. A Câmara do Recife não foi fechada naquele momento, mas vereadores e representantes de correntes de oposição sofreram perseguições e cassações. Essa trajetória mostra que a existência do parlamento municipal depende de condições políticas capazes de assegurar liberdade de expressão, participação popular e autonomia institucional.

A Casa de José Mariano

A Câmara Municipal do Recife é tradicionalmente conhecida como Casa de José Mariano, em homenagem a José Mariano Carneiro da Cunha, importante abolicionista e figura da vida política pernambucana.
Seu nome remete ao período em que a luta contra a escravidão e a defesa de direitos mobilizavam diferentes setores da sociedade. A homenagem associa a instituição a um personagem ligado a transformações sociais decisivas para Pernambuco.
O edifício da Rua Princesa Isabel acrescenta outra dimensão a essa trajetória. Antes de receber os representantes eleitos, foi espaço de formação de professores. Sua história reúne, portanto, duas funções públicas fundamentais: educar e representar.

A Câmara e o desenvolvimento da cidade

Como Poder Legislativo municipal, a Câmara elabora e aprova leis de interesse local, discute e vota o orçamento, fiscaliza os atos do Executivo e acompanha a aplicação dos recursos públicos. Nesse espaço são debatidas questões diretamente relacionadas à vida da população, como mobilidade urbana, patrimônio histórico, educação, saúde, habitação, ordenamento urbano, proteção ambiental, acessibilidade e qualidade dos serviços públicos. Essas decisões influenciam a forma como o Recife cresce, enfrenta desigualdades e planeja seu futuro. A fiscalização exige que a administração pública preste contas, justifique suas escolhas e demonstre como os recursos arrecadados são utilizados. Já a representação depende do diálogo com bairros, comunidades e diferentes segmentos sociais, cujas demandas devem chegar às discussões legislativas.

Nossa participacão na Constituinte Municipal, na Lei Orgânica do Recife e no Plano Diretor da Cidade do Recife

A Constituição Federal de 1988 fortaleceu a autonomia municipal no sistema federativo brasileiro. Nesse contexto, a Lei Orgânica do Município do Recife, promulgada em 1990, tornou-se instrumento fundamental para a organização política e administrativa da capital. A Câmara participa desse sistema como espaço de debate, deliberação e controle, contribuindo para o equilíbrio entre os Poderes e para a defesa do interesse público. Nesse período tive a oportunidade de ser eleito pelo voto livre dos recifenses. Foi um período muito importante. Duas pecas importantes teriam de ser elaboradas e que definiriam o ordenamento, o planejamento e o futuro urbanístico do Recife, onde foram criados instrumentos que dariam segurança para um desenvolvimento ordenado e socialmente justo.
O Recife elegeu uma bancada que deu conta desse importante trabalho. Foi uma Câmara muito representativa. Todos setores da sociedade estavam presentes. Políticos importantes voltaram as urnas para participar daquele momento, como o ex-governador Gustavo Krause e dois ex prefeitos, Liberato Costa Junior e Augusto Lucena. Muitos desses participantes prosseguiram na política ocupando importantes espaços no Município, no Estado e Pais. Penso que vale a pena recordar esses participantes: José Neves, presidente da Comissão da Lei Orgânica do Recife e Gustavo Krause, relator; Silvio Amorim, relator do Plano Diretor da Cidade do Recife; André de Paula; André Campos; Fred Oliveira; Augusto Costa; Rafael de Menezes; Augusto Lucena; Byron Sarinho; Carlos Eduardo Cadoca; Homero Lacerda; João Braga; João Paulo; Liberato Costa Junior; Geralda Farias; Miguel Batista; Rivaldo Allain Teixeira; Romario Dias; Waldemar Borges; Otavio Augusto; Aristófanes de Andrade; Paulo Rubens Santiago; Renildo Calheiros; Romildo Gomes; Vicente André Gomes; Newton Carneiro Filho; Eclésio Meneses; Claudio Borba; Sergio Magalhaes; Alpheu Cesse; Jose Carolino; Antônio Santana; Mauro Godoy; Murilo Mendonca e Waldomiro Ferreira da Silva

Patrimônio histórico e responsabilidade com o futuro

O prédio que abriga a Câmara integra o patrimônio arquitetônico do Recife e reúne referências da história da educação e da política pernambucanas. A história da Câmara Municipal do Recife acompanha a trajetória da capital pernambucana. Nascida no período colonial, atingida por conflitos, submetida a interrupções autoritárias e reconstruída em momentos de abertura política, a instituição participou das mudanças que transformaram o Recife. Uma cidade que conhece sua história compreende melhor o presente e se prepara com mais consciência para construir o futuro.


*Silvio Amorim é advogado, foi Vereador e Secretário de Educação do Recife. É membro do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano - IAHGP.


O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder.



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É Findi – Recordação - Por Poeta Pica-Pau*

23/10/2026

Composição do poeta Pica-pau, gravação Suno


Pra recordar o tempo do passado
Escavaquei no fundo de um borná
Encontrei nele uma baladeira
Que costumava com ela passarinhar
Encontrei a pena de um Tiziu
Umas sementes de mamona que serviu
De munição na hora de ir caçar

Encontrei em um baú empoeirado
A minha cartilha do ABC
Aí lembrei da primeira professora
Aquela que me ensinou a ler
Entre castigos e palmatória
O ensino mostrou o meu destino
Naquele tempo eu menino
Hoje adulto recordando minha história

Vi uma foto tirada lá na escola
E a bandeira do Brasil nela estampada
Essa era a primeira identidade
Era amor de verdade
Pela nossa pátria amada

Revi uma foto desbotada
Que o tempo com o tempo maltratou
Nela meus pais e meus irmãos
Resultado de um fotógrafo que pa...

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Composição do poeta Pica-pau, gravação Suno


Pra recordar o tempo do passado
Escavaquei no fundo de um borná
Encontrei nele uma baladeira
Que costumava com ela passarinhar
Encontrei a pena de um Tiziu
Umas sementes de mamona que serviu
De munição na hora de ir caçar

Encontrei em um baú empoeirado
A minha cartilha do ABC
Aí lembrei da primeira professora
Aquela que me ensinou a ler
Entre castigos e palmatória
O ensino mostrou o meu destino
Naquele tempo eu menino
Hoje adulto recordando minha história

Vi uma foto tirada lá na escola
E a bandeira do Brasil nela estampada
Essa era a primeira identidade
Era amor de verdade
Pela nossa pátria amada

Revi uma foto desbotada
Que o tempo com o tempo maltratou
Nela meus pais e meus irmãos
Resultado de um fotógrafo que passou
Essa foto é a única herança
Que ganhei ainda quando criança
Presente que no presente ficou

Essa foto é a única herança
Que ganhei ainda quando criança
Presente que no presente ficou
Presente que no presente ficou


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau


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É Findi – Estrelas: Milhões e Bilhões Delas - Croniqueta - Por Xico Bizerra*

23/10/2026

As estrelas, são milhões e bilhões, bilhões e milhões, as estrelas. Elas barroam umas nas outras até que se dão as mãos e dançam uma ciranda, alegres e felizes. E aí até a Lua entra na dança, bela e cintilante. Ainda cedo, aproveitando os últimos raios do sol, deixam-se refletir com sua luz e resplandecem junto às estrelinhas menores. Aí, é quando o céu se clareia de lua e a terra fica feliz com tanta beleza. Depois, finda a noite, as estrelinhas dormem, descansando para o recomeço do logo mais. É quando a estrela maior, dona do dia, mais uma vez surgirá no horizonte anunciando a manhã que se achega com todo o seu fulgor. É a dança dos astros, coreografia das estrelas num cenário de Deus. Logo mais meu chão será salpicado de milhões e bilhões de estrelas, bilhões e milhões delas. Serão benvindas.


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico


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As estrelas, são milhões e bilhões, bilhões e milhões, as estrelas. Elas barroam umas nas outras até que se dão as mãos e dançam uma ciranda, alegres e felizes. E aí até a Lua entra na dança, bela e cintilante. Ainda cedo, aproveitando os últimos raios do sol, deixam-se refletir com sua luz e resplandecem junto às estrelinhas menores. Aí, é quando o céu se clareia de lua e a terra fica feliz com tanta beleza. Depois, finda a noite, as estrelinhas dormem, descansando para o recomeço do logo mais. É quando a estrela maior, dona do dia, mais uma vez surgirá no horizonte anunciando a manhã que se achega com todo o seu fulgor. É a dança dos astros, coreografia das estrelas num cenário de Deus. Logo mais meu chão será salpicado de milhões e bilhões de estrelas, bilhões e milhões delas. Serão benvindas.


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico


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É Findi - Que Ela Nunca Saiba - Crônica - Por Romero Falcão*

23/10/2026

“A cadela do fascismo está sempre no cio.” — Bertolt Brecht.


Frida, minha cadela, está no cio, mas, até agora, não deu sinais de latidos fascistas. Amém. Tem dado um trabalho danado. Solteira, sem namorido, se vira como pode. Pela brecha do portão, solta seus feromônios. A cachorrada faz ponto, agita-se na calçada. Frida tem sangue de pitbull e vira-lata, mas não dá para qualquer um, mesmo nesses dias de agonia.

O cio, porém, não abalou sua valentia nem a perseguição implacável a tudo que voa: mosca, pombo, passarinho, avião e pipa. É impressionante sua concentração para abocanhar uma mosca no ar. Fica imóvel, olhos no alto, acompanhando a trajetória do inseto. Aguarda a aproximação. A mosca pousa num móvel. Frida se prepara, arma-se feito onça. Avança num rastejar baixo. Para. A mosca levanta voo. Já era. A cadela vai buscá-la a um metro de altura.

Voltando à cachorrada, Frida tem seu preferido, uma paquera que batizei de Bra...

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“A cadela do fascismo está sempre no cio.” — Bertolt Brecht.


Frida, minha cadela, está no cio, mas, até agora, não deu sinais de latidos fascistas. Amém. Tem dado um trabalho danado. Solteira, sem namorido, se vira como pode. Pela brecha do portão, solta seus feromônios. A cachorrada faz ponto, agita-se na calçada. Frida tem sangue de pitbull e vira-lata, mas não dá para qualquer um, mesmo nesses dias de agonia.

O cio, porém, não abalou sua valentia nem a perseguição implacável a tudo que voa: mosca, pombo, passarinho, avião e pipa. É impressionante sua concentração para abocanhar uma mosca no ar. Fica imóvel, olhos no alto, acompanhando a trajetória do inseto. Aguarda a aproximação. A mosca pousa num móvel. Frida se prepara, arma-se feito onça. Avança num rastejar baixo. Para. A mosca levanta voo. Já era. A cadela vai buscá-la a um metro de altura.

Voltando à cachorrada, Frida tem seu preferido, uma paquera que batizei de Branquinho. Cachorro de rua — perdão, cão de comunidade. Como é difícil papagaio velho aprender fala nova!

Já tentaram trancá-lo num apartamento, fazer dele um pet, mas Branquinho é arredio aos novos tempos. Não quer casa, motorista, roupa lavada. Só quer rua, liberdade.

Tem dias em que o encontro na frente da padaria, do supermercado. Outras vezes, caminha pela praia, solitário. Entra no mar, nada, sacode o pelo molhado. Gosta de tirar uma soneca debaixo de um carro. Perito na travessia por entre motos enlouquecidas. À noite, desaparece. Dizem que já o viram na porta de uma gafieira.

Frida está de castigo enquanto dura o cio. Passear, nem pensar. Não pode nem de longe namorar Branquinho. Ela se revolta, olha-me fundo, como se dissesse: "ou me solta para eu matar quem está me matando ou perco o juízo e levanto uma bandeira".

Que ela nunca saiba que tenho um Falcão no sobrenome.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores.


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Às Vésperas das Eleições 2026 - TSE atende a campanha de Lula e barra suspensão de canal 'Exército do Lula'

23/10/2026

O ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, atendeu hoje, sexta-feira, 23/10 a campanha do presidente Lula, PT, e barrou a suspensão do canal 'Exército do Lula', no WhatsApp. Mais cedo, a campanha de Lula havia entrado com um pedido ao TSE para tentar impedir uma nova suspensão do canal, pois havia temos, nos bastidores, de que Kassio Nunes Marques, presidentdo tribunal, voltasse a derrubar o grupo. O canal aberto e conduzido pelo deputado federal André Janones, Rede, alcançou hoje, sexta-feira, 23/10, 9 milhões de seguidores. Janones afirmou hoje, no canal 'Exército do Lula', que o TSE poderia suspender o 'Exército do Lula'.



Nunes Marques e Flávio

O mandado de segurança contestava decisões tomadas pela presidência da corte, sob o comando de Kassio Nunes Marques, que fixaram prazos de 24 horas para as plataformas digitais apresentarem pareceres técnicos sobre o funcionamento do veículo. A equipe petista acusou o senador Flávio Bo...

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O ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, atendeu hoje, sexta-feira, 23/10 a campanha do presidente Lula, PT, e barrou a suspensão do canal 'Exército do Lula', no WhatsApp. Mais cedo, a campanha de Lula havia entrado com um pedido ao TSE para tentar impedir uma nova suspensão do canal, pois havia temos, nos bastidores, de que Kassio Nunes Marques, presidentdo tribunal, voltasse a derrubar o grupo. O canal aberto e conduzido pelo deputado federal André Janones, Rede, alcançou hoje, sexta-feira, 23/10, 9 milhões de seguidores. Janones afirmou hoje, no canal 'Exército do Lula', que o TSE poderia suspender o 'Exército do Lula'.



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Nunes Marques e Flávio

O mandado de segurança contestava decisões tomadas pela presidência da corte, sob o comando de Kassio Nunes Marques, que fixaram prazos de 24 horas para as plataformas digitais apresentarem pareceres técnicos sobre o funcionamento do veículo. A equipe petista acusou o senador Flávio Bolsonaro, PL, de promover litigância predatória ao abrir frentes judiciais repetitivas sobre o mesmo tema com o objetivo de forçar uma sanção às vésperas da votação. A interlocutores, no entanto, Kassio Nunes Marques vinha afirmando que se trata de uma narrativa de blindagem, acrescentando que todos estão submetidos à lei. Ao mesmo tempo, o magistrado pontua ainda não ter recebido informações da Meta a respeito do tema.




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Lançamento do Livro “Ponto De Vista” e da Revista Virtual de Literatura Novo Horizonte - Edições Novo Horizonte

23/10/2026

Na próxima sexta-feira, dia 30/10, às 17h00, na Livraria do Jardim as Edições Novo Horizonte lançará o livro “Ponto de Vista” do escritor e acadêmico, Antônio Neto e a Revista Virtual de Literatura Novo Horizonte organizada pela jornalista e professora, Raphaela Nicácio, reunindo 27 escritores com trabalhos em diversos gêneros literários, em prosa verso.

Literatura Novo Horizonte

A Revista Virtual de Literatura Novo Horizonte trata-se de um projeto das Edições Novo Horizonte que surge como mais um espaço de divulgação para autores pernambucanos, agora, ampliando o alcance através da internet. São 27 escritores que participam do primeiro número: Ana Prosini, Antônio Neto, Carlos Jales, Carlos Albuquerque, Danyella Vitória, Eduardo Gomes, Fabrícia Gomes, Fernando Tavares, Heitor Bezerra de Brito, Iêdo de Oliveira Paes, Iracy Leite, Jonadab Mansur, Leny Amorim, Lourdes Nicácio, Márcia Matos, Maria de Lourdes Hortas, Maria Nilza da Conceição Lima, Mari...

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Na próxima sexta-feira, dia 30/10, às 17h00, na Livraria do Jardim as Edições Novo Horizonte lançará o livro “Ponto de Vista” do escritor e acadêmico, Antônio Neto e a Revista Virtual de Literatura Novo Horizonte organizada pela jornalista e professora, Raphaela Nicácio, reunindo 27 escritores com trabalhos em diversos gêneros literários, em prosa verso.

Literatura Novo Horizonte

A Revista Virtual de Literatura Novo Horizonte trata-se de um projeto das Edições Novo Horizonte que surge como mais um espaço de divulgação para autores pernambucanos, agora, ampliando o alcance através da internet. São 27 escritores que participam do primeiro número: Ana Prosini, Antônio Neto, Carlos Jales, Carlos Albuquerque, Danyella Vitória, Eduardo Gomes, Fabrícia Gomes, Fernando Tavares, Heitor Bezerra de Brito, Iêdo de Oliveira Paes, Iracy Leite, Jonadab Mansur, Leny Amorim, Lourdes Nicácio, Márcia Matos, Maria de Lourdes Hortas, Maria Nilza da Conceição Lima, Maria Arilena Borba Soares Coutinho, Moisés da Paixão, Moisés Monteiro de Melo Neto, Ricardo Moreira (Testão), Raphaela Nicácio, Rosângela Ferraz, Spencer Hartmann Júnior, Socorro Costa, Telma Brilhante, Turmalina da Rocha Teles. O site da Revista Virtual de Literatura Novo Horizonte funcionará no seguinte endereço, a partir do dia do lançamento: www.revistanovohorizonte.com .



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“Ponto de Vista”

O livro “Ponto de Vista” traz uma coletânea de textos de autoria do escritor Antônio Neto publicados em jornais, revistas, antologias, especialmente como colaborador do projeto de Literatura Novo Horizonte das Edições Novo Horizonte, em que sempre foi assinante da coluna Ponto de Vista. “Vale conferir os textos que seguem como contribuições necessárias aos leitores de todas as idades: O Sertão, do Nordeste Brasileiro, O Nordeste tem valor, A história do cangaço merece ser reescrita, 100 Anos de Lourival Batista, Sotaques brasileiros, Origem da palavra cangaço, Mandacaru – riqueza do sertão, Solidônio Leite - um sertanejo universal, O menino e o rio, Um conto que contei para minha neta Germana, entre outros que bem definem seu prestígio como autor múltiplo”, afirma prefaciadora do livro a escritora e professora, Lourdes Nicácio e Silva.

Autor Antônio Neto

Antônio Neto é pernambucano de Serra Talhada. Graduado em Engenharia Civil e Pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho pela UFPE. engenheiro civil, auditor fiscal, escritor, poeta, genealogista, trovador, cordelista, dicionarista e biógrafo. É membro da Academia Serratalhadense de Letras, da Academia Recifense de Letras e da União Brasileira de Escritores-UBE-PE. Autor de vários livros publicados. Participou de diversas antologias, entre elas: Um Grito pelo Capibaribe e O Planeta Feito Quintal. Antônio lançou o primeiro “Dicionário do Engenheiro Civil no Brasil”. Colunista da Revista de Literatura Novo Horizonte, redator e editor do Informativo Literário Correio do Pajeú.


Serviço

Lançamento do Livro “Ponto De Vista” e a Revista Virtual de Literatura Novo Horizonte
Quando:sexta-feira, dia 30/10
Hora: às 17h00
Onde: Livraria do Jardim (Av. Manoel Borba, 292, Boa Vista, Recife-PE)



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As mãos que curam e a alma que eterna a nossa música, por Zé da Flauta*

23/10/2026

Há homens que passam pela vida deixando rastros; outros, como Luiz Guimarães, deixam alicerces. Em um mundo onde a memória costuma ser tragada pela poeira do tempo, Luiz escolheu ser guardião. Com a delicadeza de quem conhece o mistério da vida humana pela medicina e a precisão do mestre que domina as oitavas do piano, ele dedicou sua existência a uma das missões mais nobres que um pernambucano pode abraçar: não deixar a nossa alma musical morrer.

Pedindo passagem

Diante do teclado, o toque de Luiz Guimarães não é apenas técnica; é afeição desmedida. O mesmo homem que escutou o compasso pausado do coração de seus pacientes usou os próprios ouvidos para capturar a pulsação vertiginosa do frevo, a elegância sutil da bossa e a riqueza instrumental que faz de Pernambuco um território sagrado do som. Quando sua mão repousa sobre as teclas pretas e brancas, não é só o pianista que fala, é a história inteira de um povo que pede passagem.


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Há homens que passam pela vida deixando rastros; outros, como Luiz Guimarães, deixam alicerces. Em um mundo onde a memória costuma ser tragada pela poeira do tempo, Luiz escolheu ser guardião. Com a delicadeza de quem conhece o mistério da vida humana pela medicina e a precisão do mestre que domina as oitavas do piano, ele dedicou sua existência a uma das missões mais nobres que um pernambucano pode abraçar: não deixar a nossa alma musical morrer.

Pedindo passagem

Diante do teclado, o toque de Luiz Guimarães não é apenas técnica; é afeição desmedida. O mesmo homem que escutou o compasso pausado do coração de seus pacientes usou os próprios ouvidos para capturar a pulsação vertiginosa do frevo, a elegância sutil da bossa e a riqueza instrumental que faz de Pernambuco um território sagrado do som. Quando sua mão repousa sobre as teclas pretas e brancas, não é só o pianista que fala, é a história inteira de um povo que pede passagem.

Caçador de relíquias

Mas o tamanho de Luiz Guimarães transborda a pauta de suas próprias composições. Onde a maioria se contentaria em brilhar nos palcos, ele olhou para trás e viu o silêncio que ameaçava grandes mestres, partituras esquecidas e arranjos históricos. Virou produtor, caçador de relíquias e curador do nosso patrimônio. Luiz colocou o coração e a vida na produção fonográfica, resgatando e imortalizando dezenas de discos cruciais para a nossa cultura.

Memória

Foi pelas suas mãos, pelo seu empenho obstinado e pela sua visão de futuro que obras antológicas saíram das sombras para ganhar o registro digital definitivo. Ao lado do Mestre Duda e de grandes orquestras, Luiz viabilizou projetos monumentais como as coleções de Frevos de Rua, onde dezenas de frevos históricos foram gravados com o rigor, a riqueza e a fidelidade estética que só um mestre compenetrado saberia exigir.

Registrou o frevo de bloco com o perfume da saudade, abriu portas para a sofisticação instrumental de grupos como o SaGrama e deu dignidade documental a repertórios que, sem o seu gesto generoso, corriam o risco de virar apenas vento nas calçadas do Recife. Luiz Guimarães provou que salvar a memória de um povo é um ato de amor tão vital quanto salvar uma vida.

Missão

Enquanto houver um trompete rasgando o ar na curva do Bairro do Recife, uma madeira estalando no passo do frevo ou um piano dedilhando uma marcha de saudade na calada da noite, a presença de Luiz estará ali. Silencioso, elegante, eterno, sorrindo ao fundo do estúdio e sabendo que a sua missão foi cumprida com a mais absoluta beleza. Se a cultura de uma terra é o seu bem mais precioso, o que seria do nosso amanhã sem homens como Luiz Guimarães, que gastaram a vida para que o som da nossa gente nunca deixasse de tocar?

Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista



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