Da Série Mistérios do Aquém: Fugas banalizadas e bandidos com status de asilados – Por Natanael Sarmento*
28/10/2026
Hamlet, o príncipe indignado com a podridão do reino parece um mancebo chorão criado com avó, diante dos crimes da dinastia bolsonarista da Corte brasileira.
Um Partido?
Raios caírem duas vezes, no mesmo lugar, desafiam as probabilidades. Dezenas de raios no mesmo lugar é mistério do aquém. Caso do PL, dos Bolsonaro: 45% da bancada de deputados federais -38 deles- respondem, criminalmente.
Um Bando?
Quadrilha ou bando, tipificado crime no Código Penal (Art. 288) consiste de associação de 3 ou mais pessoas, para fins criminosos.
Foragidos
Os processados, foragidos e condenados por crimes comuns, roubo, furto, estupro, lavagem de dinheiro, corrupção, etc. da extrema direita bolsonarista criam narrativas de “perseguição política” e pedem "asilo político", quando fogem. Desfrut...
Hamlet, o príncipe indignado com a podridão do reino parece um mancebo chorão criado com avó, diante dos crimes da dinastia bolsonarista da Corte brasileira.
Um Partido?
Raios caírem duas vezes, no mesmo lugar, desafiam as probabilidades. Dezenas de raios no mesmo lugar é mistério do aquém. Caso do PL, dos Bolsonaro: 45% da bancada de deputados federais -38 deles- respondem, criminalmente.
Um Bando?
Quadrilha ou bando, tipificado crime no Código Penal (Art. 288) consiste de associação de 3 ou mais pessoas, para fins criminosos.
Foragidos
Os processados, foragidos e condenados por crimes comuns, roubo, furto, estupro, lavagem de dinheiro, corrupção, etc. da extrema direita bolsonarista criam narrativas de “perseguição política” e pedem "asilo político", quando fogem. Desfrutam da impunidade nas praias da Flórida, Espanha... Desmoralizam o Estado democrático com ataques de fora para dentro do país. São albergados por governos fascistas. Afrontam e atacam a soberania brasileira.
Uma lista esclarecedora:
1.Allan dos Santos (2021).
Do bando digital das fake news e milícias digitais. Dos ataques sistemáticos ao Estado Democrático de Direito, incitações de golpes. Prisão preventiva decretada em outubro de 2021. Dos Estados Unidos o foragido emite provocações digitais, zomba dos mandados de prisão do STF.
2.Oswaldo Eustáquio (2023)
Criador de narrativas falsas. Tem sucessivos mandados de prisão por crimes de ameaça, perseguição, incitação ao crime, associação criminosa, ataques ao sistema eleitoral e às instituições democráticas. Integra a rede da desestabilização institucional. É foragido na Espanha.
3.Jair Messias Bolsonaro (2025/26)
Chefe da “famiglia” ex-presidente. Condenado que descumpriu medidas cautelares da Justiça e usou redes digitais para ataques à democracia. Em novembro de 2025 tentou violar a tornozeleira eletrônica numa tentativa de fuga. Pretendia fugir da justiça brasileira via embaixada húngara. Prisão domiciliar revogada. No regime prisional o atleta das motociatas começou a soluçar, alegando a idade avançada, saúde precária, questões humanitárias. Obteve o benefício, cumpre pena de 27 anos em condomínio de luxo. Vislumbrando a vitória do filho 01parou soluços e preparava malas para anistiado ocupar pasta Ministerial, era o plano. Contou com o ovo na galinha. A derrota no 2º turno colocou areia na mutreta programada.
4. Eduardo Bolsonaro
Seguindo a tradição de fujões covardes da linha hereditária, o Deputado federal Eduardo Bolsonaro se escafedeu para os EUA. Sob as asas do fascista Donald Trump conspira contra o Brasil, com parlamentares estrangeiros. Incentivou sanções econômicas e diplomáticas com intenção de enfraquecer as instituições republicanas do Brasil. É condenado a 4 anos de reclusão com prisão decretada, tem nome no Banco Nacional de Mandados de Prisão.
5.Carla Zambelli
A ex-deputada pistoleira de arma nas mãos, essa dama dos cadastros hackeados, é condenada a 10 anos de reclusão. Por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsificação de documentos oficiais (inserção de um falso mandado de prisão contra Ministro do STF). Fugiu do Brasil pela Argentina, Estados Unidos, chegou à Europa. Tem nome no rol da Interpol. É localizada e presa na Itália. Está sob custódia, em processo demorado de extradição, dificultdo pelo governo da direita na Itália.
6.Alexandre Ramagem
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal. Usou a Abin para monitorar adversários e atentar contra a democracia no golpe tentado. Proibido de deixar o país, fugiu para os Estados Unidos em 2025. Tem prisão preventiva decretada e condenação: tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Chegou a ser detido nos EUA, temporariamente, pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). Requereu asilo político naquele país onde se encontra foragido.
7.Silvinei Vasques
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Condenado, pelos bloqueios policiais criminosos para impedir o deslocamento de eleitores em 2022. Empreendeu tentativa de fuga. Foi preso no Paraguai, com documentação falsa. Devolvido ao Brasil, cumpre a pena.
8.Willer Tomaz
Conselheiro dos “negócios da família e outras máfias. O advogado das diligentes ações nos esquemas de descontos ilícitos dos aposentados do INSS e das movimentações financeiras atípicas das apostas virtuais, tem renomada expertise na lavagem de dinheiro. Fugiu para os Estados Unidos, a Terra da Liberdade de todos os bandidos endinheirados do mundo.
Flávio Bolsonaro
O postulante à presidência, senador Flávio Bolsonaro, atolado até o pescoço em denúncias de financiamento irregular, ocultação de bens, lavagem de dinheiro, evasão fiscal e formação de quadrilha, depois que perdeu a eleição em 2º turno de virada, sabedor da perda do fórum privilegiado em janeiro, e da culpa em cartório, escafedeu-se do Brasil em fuga.
Só não via quem não queria ver
Desafiado publicamente no debate da TV pelo Lula desconversou e não apresentou a quebra do sigilo fiscal, bancário e telefônico. Quem não deve não teme, Lula apresentou a sua documentação autorizando a quebra do sigilo.
Ordens Judiciais
O Supremo Tribunal Federal determinou a apreensão de seu passaporte e a proibição de deixar o país, diante de indícios da fuga do Bolsonaro filho 01 derrotado e dos avanços e provas colhidas nas investigações de lavagem de dinheiro, evasão fiscal, formação de quadrilha, uso de estruturas paralelas de apostas e financiamento irregular. O acusado passou o recibo de culpa e escafedeu-se, na calada da noite, no dia 26 de outubro de 2026, para solo estadunidense. Tem pedido de prisão preventiva e de inclusão de seu nome na lista de criminosos soltos da Interpol.
Epílogo
A tragédia histórica se repete como farsa. Prisão no Brasil é para pobres e negros, a justiça é seletiva e classista. Condenados pelo Código Penal dos crimes comuns não são perseguidos políticos, nem o Brasil é ditadura, nos dias correntes. Na Ditadura militar financiada por americanos dos EUA se torturava, sequestrava, matava opositores, sem julgamentos, sem devido processo legal. Dar abrigo a foragidos condenados pela justiça por crimes comuns a pretexto de “status de asilo político” é um embuste retórico de fascista. O Presidente dos EUA em sua prepotência imperialista colonial trata o Brasil com menoscabo, não respeita a nossa autodeterminação, interfere na vida nacional brasileira, indevidamente. É uma vergonha global os EUA, a democracia liberal burguesa que foi modelar para muitos retira a sua máscara na antessala do fascismo, sob o tacão de Trump e caterva.
*Natanael Sarmento é professor e escritor, e integrante do Diretório Nacional da UP. @sarmentonatanael

NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
Leia outras informações
Menos ruim - Flavio recuou de se proclamar presidente
28/10/2026
A errata
Mostra que as divisões no bolsonarismo chegaram aos Estados Unidos. Segundo fontes internacionais de O Poder, a carta foi preparada pela turma de Marco Rubio e ja estava pronta. Flavio apenas referendou.
A proclamação
Provocou forte reação nos altos círculos diplomáticos do governo Trump. Queiram ou não queiram os radicais, o Brasil não é uma republiquei de bananas. Apoiar a oposição, é uma coisa. Confrontar um governo eleito e com apoio popular, outra. Muito diferente.
Pelo sim pelo não
Jogaram água fria na fervura. Melhor assim.
Após a surpreendente carta que lançou nos Estados Unidos, se proclamando o verdadeiro e legítimo presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro divulgou outra versão onde o trecho foi extirpado. No lugar, ele disse ser o verdadeiro líder, o que é uma coisa bem diferente.
A errata
Mostra que as divisões no bolsonarismo chegaram aos Estados Unidos. Segundo fontes internacionais de O Poder, a carta foi preparada pela turma de Marco Rubio e ja estava pronta. Flavio apenas referendou.
A proclamação
Provocou forte reação nos altos círculos diplomáticos do governo Trump. Queiram ou não queiram os radicais, o Brasil não é uma republiquei de bananas. Apoiar a oposição, é uma coisa. Confrontar um governo eleito e com apoio popular, outra. Muito diferente.
Pelo sim pelo não
Jogaram água fria na fervura. Melhor assim.
Carta em que Flávio se diz presidente eleito tinha brasão com 'Brazil' escrito com ‘Z’. Confira as novidades para o seu Papo da Noite
28/10/2026
- Fuga de Flávio: Empresa de jatinho usado por Flávio Bolsonaro é investigada por esquema envolvendo irmã de Milei. De acordo com jornal 'Perfil', Baires Fly, empresa proprietária do avião que transportou senador e sua família para os EUA, é investigada dentro de um processo que apura um suposto esquema de suborno na Agência Nacional de Deficiência. Irmã de Milei foi acusada de integrar esquema.
- Lula quer negociar indicação de Rodrigo Pacheco ao STF com Davi Alcolumbre
Lula deve negociar direto com o presidente do Senad...
Carta golpista em que Flávio se diz presidente eleito tinha brasão com 'Brazil' escrito com ‘Z’ na primeira versão. Como O Poder mostrou a pouco, uma carta do senador Flávio Bolsonaro, PL, e divulgada por seus aliados hoje, quarta-feira, 28/10, na qual ele se declara presidente eleito do Brasil apesar de ter perdido a eleição para Lula, circulou em 2 versões com brasões diferentes da República.
- Fuga de Flávio: Empresa de jatinho usado por Flávio Bolsonaro é investigada por esquema envolvendo irmã de Milei. De acordo com jornal 'Perfil', Baires Fly, empresa proprietária do avião que transportou senador e sua família para os EUA, é investigada dentro de um processo que apura um suposto esquema de suborno na Agência Nacional de Deficiência. Irmã de Milei foi acusada de integrar esquema.

- Lula quer negociar indicação de Rodrigo Pacheco ao STF com Davi Alcolumbre
Lula deve negociar direto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a próxima indicação ao STF. A avaliação de integrantes do governo é que o ideal seria concluir a escolha ainda neste ano, aproveitando a atual composição do Congresso e o momento de reaproximação entre o Planalto e o comando do Senado. A escolha deve ser pelo ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, atualmente ministro do Tribunal de Contas da União, TCU. Para aliados de Lula no Senado, Pacheco ainda reúne boa aceitação da classe política, capaz de reunir os votos necessários para a aprovação no Senado e evitar um novo desgaste entre os Poderes. Para integrantes do governo, o cenário atual oferece condições mais favoráveis para uma negociação. A indicação de Pacheco também tem respaldo de uma ala do Supremo. A relação entre Lula e Alcolumbre foi marcada por atritos depois que o presidente insistiu na indicação de Jorge Messias ao Supremo, contrariando a preferência do senador por Pacheco. O nome de Messias acabou rejeitado pelo Senado, em abril, por 42 votos a 34. Atualmente, o nome dele para a mesma vaga tem sido descartado pelo governo.
- STF, Kassio Nunes Marques dá 10 dias para PGR opinar sobre revisão criminal de Jair Bolsonaro. Defesa do ex-presidente tenta reverter condenação por tentativa de golpe de Estado. Após parecer da Procuradoria-Geral da República, relator poderá analisar o pedido apresentado ao STF.

- Clã Bolsonaro: Nas redes sociais, Carlos Bolsonaro relata pedido de desculpa a Jair em visita: "A gente falhou"
Carlos Bolsonaro, PL, senador eleito por SC e irmão do candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro, PL, afirmou que visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, PL, na manhã de hoje, quarta-feira, 28/10, em meio à fuga de Flávio aos EUA após o resultado do pleito de domingo, 25/10. Em vídeo nas redes sociais, Carlos disse que conversou por duas horas com Jair, que estaria tentando assimilar os últimos acontecimentos. "Ele está forte, sabe que a vida continua, ainda não acabou", relatou. Na gravação, Carlos disse que teria se emocionado durante o encontro e se desculpado com o pai pela derrota do irmão. "Falei: 'Desculpa, pai, a gente falhou'. Ele: 'Negativo, levanta a cabeça, vamos embora'. Ainda no vídeo reforçou que o pai seria um "preso político" dos atos de 8 de Janeiro de 2023 e declarou que continuará a atuar pela liberdade de Jair e pelos outros bolsonaristas que participaram da tentativa de golpe de Estado. "Vamos nessa, pessoal. Um dia de cada vez, não acabou ainda. Vamos tocando a vida, tranquilo. Tenho sorte de ter um pai vivo, que me dá sempre o suporte que eu preciso e, inacreditavelmente, ele que me deu suporte hoje, mais uma vez", finalizou.
- PEC Eleitoral? Câmara dos Deputados irá discutir este ano voto distrital misto para 2034, diz Hugo Motta. Presidente da Câmara reuniu líderes e presidentes de partidos para alinhar PEC para mudar sistema eleitoral com o fim de "puxadores de voto". A proposta pleiteia mudar a forma como são eleitos deputados federais, deputados estaduais e distritais; e vereadores.

- Eleições 2026: Lula pretende fazer pronunciamento na TV sobre quarto mandato até dia 02/11, após 'descansar' a voz
O presidente Lula pretende fazer um pronunciamento em rede de TV nos próximos dias, para falar sobre as eleições e seus planos para o futuro. A ideia é que ele dê recados sobre o que pretende cumprir em seu quarto mandato. A data da fala ainda não foi definida, mas a ideia é que seja antes do feriado de Finados, na próxima segunda-feira, 02/11. Para isso, Lula está "descansando" a voz, que foi afetada pela fase final da campanha eleitoral e pelos discursos que ele fez após confirmada a vitória sobre Flávio Bolsonaro, PL, no domingo, 25/10. Segundo aliados próximos, o presidente tirou esses primeiros dias após a reeleição para uma "descompressão" após uma campanha exaustiva. Ele deve começar a pensar na composição de seu novo governo na semana que vem.
- Dólar tem sessão volátil e fecha estável com noticiário político e exterior no radar. À vista fechou com variação negativa de 0,04%, a R$5,3466.

- Flávio nos EUA: Deputados democratas criticam governo Trump por conceder visto a Flávio e família
Deputados democratas dos EUA criticaram o governo Trump pela decisão de conceder vistos a Flávio Bolsonaro, PL, derrotado na eleição presidencial brasileira, e cobraram explicações sobre a possível participação da administração na saída do congressistra do Brasil. As manifestações ocorreram após uma autoridade do Departamento de Estado confirmar, ontem, 27/10, que o governo americano concederá vistos ao senador e família. Os democratas da Comissão de Relações Exteriores americana também criticaram a decisão, traçando um paralelo entre o tratamento oferecido ao senador e as restrições impostas pela administração americana a pessoas que buscam proteção contra conflitos armados. "Não há asilo para pessoas que fogem da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio estende o tapete vermelho para Bolsonaro", escreveu o perfil oficial dos democratas do colegiado, em referência ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. "Aparentemente, fugir da violência não é suficiente para se qualificar. Negar resultados eleitorais, sim", acrescentou a publicação, feita hoje, quarta-feira, 28/10. O deputado Joaquin Castro, do Texas, ironizou a decisão do governo americano. "Perder uma eleição não é motivo para asilo". Em publicação nas redes sociais, Castro afirmou que o governo Trump está oferecendo abrigo ao senador brasileiro, investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. "O governo Trump deve explicações ao Congresso sobre seu papel em ajudar Bolsonaro a fugir do Brasil em violação à legislação brasileira", escreveu o parlamentar.
- Outro deputado democrata, Shri Thanedar, de Michigan, acusou Flávio de tentar escapar de investigações no Brasil após perder a disputa contra o presidente Lula, PT. "Depois de perder uma eleição, em vez de enfrentar as acusações pendentes de fraude e corrupção, Bolsonaro está fugindo do Brasil", escreveu Thanedar. "Rubio poderia barrar Bolsonaro como um fugitivo internacional, mas duvido que tenha coragem", afirmou.
- The New York Times: Morre aos 92 anos juiz que conduzia caso de Maduro em NY. Magistrado federal também supervisionou processos decorrentes dos atentados de 11 de Setembro.
- Tragédia na Espanha: Líderes europeus expressam condolências às vítimas após acidente na Espanha. Representantes de Portugal, França, Itália e União Europeia lamentaram episódio em Toledo e ofereceram ajuda. Ao menos 68 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em acidente com trem de alta velocidade.

- Eleições em Israel: Partido de Netanyahu acusa grupos árabes de fraudar eleições em Israel sem apresentar provas
O Likud, partido do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou os partidos árabes de fraudarem as eleições do país que ocorreram ontem, terça-feira, 27/10. Segundo a denúncia, as siglas operaram compra de votos, intimidação de eleitores e manipulação de cédulas. Não foram apresentadas provas. O partido pede que a Justiça investigue a atuação dos grupos políticos e suas atuações na última campanha, segundo o jornal "The Jerusalem Post". A acusação ocorre após os partidos árabes conseguirem votações sem precedentes no país, conquistando de 17 a 18 das 120 cadeiras do parlamento israelense. Foram as primeiras eleições no país após o atentado de 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza. O Likud anunciou que entregará centenas de depoimentos e provas à polícia israelense, ao serviço de inteligência interna do país e ao Comitê Central Eleitoral. A legenda afirma ter identificado irregularidades em seções eleitorais de comunidades árabes. Entre as supostas irregularidades citadas pelo partido estão: Milhares de envelopes com dinheiro junto a cédulas de votação para o Ra'am, partido árabe-israelense; Ameaças e agressões contra integrantes de comissões eleitorais; Entrada simultânea de vários eleitores nas cabines de votação; Uso de identidades duplicadas. O Likud pediu que a polícia investigue o que classificou como roubo das eleições e responsabilizem os envolvidos.
Os EUA preparam um golpe contra vitória de Lula. Flávio se proclama presidente legítimo do Brasil
28/10/2026
Confira
A análise do nosso diretor José Nivaldo Junior.
E a carta de Flávio Bolsonaro.
A carta
Inicialmente na carta, Flávio Bolsonaro, agradece ao Presidente Milei, da Argentina: "pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país."
Cita de perseguição política a Jair Bolsonaro
"Não era minha intenção deixar minha pát...
O que está por trás da fuga de Flávio Bolsonaro começa aos poucos a ficar claro. O desejo do governo Trump de não aceitar o resultado e bancar uma alternativa ilegítima ao maior governo de esquerda democrática do mundo. A fuga de Flavio ja estava preparada antes do resultado. Em nenhum momento, Trump reconheceu a vitoria de Lula. Agora, Flávio se proclamar o vitorioso e "presidente legítimo". Aí, tem.
Confira
A análise do nosso diretor José Nivaldo Junior.
E a carta de Flávio Bolsonaro.
A carta
Inicialmente na carta, Flávio Bolsonaro, agradece ao Presidente Milei, da Argentina: "pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país."
Cita de perseguição política a Jair Bolsonaro
"Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista."
Agradece a Trump
"Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil."
Se compara a Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, María Corina Machado
"Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime. Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática."
À Comunidade Internacional
"À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal."
Fala aos eleitores
"Não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista. Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar."
Modelo de gestão de São Lourenço da Mata destacada por Ednaldo Moura em visita a Lucca Labanca
28/10/2026
Êxito
Durante o encontro, foram abordadas experiências exitosas da administração municipal, especialmente na área da saúde, que vêm ampliando o acesso da população aos serviços públicos e fortalecendo a assistência oferecida não apenas aos moradores de São Lourenço, mas também a cidadãos de municípios vizinhos.
Maternidade
Um dos exemplos é a maternidade do Hospital e Maternidade Petronila Campos, referência na assistência materno-infantil na região. De 2023 até agosto de 2026, cerca de 1.200 partos realizados na unidade são de mulheres residentes em Camaragibe, demonstrando a importância do equipamento público para além dos li...
O ex-candidato a deputado estadual Ednaldo Moura (PSB), importante liderança política de Camaragibe, município vizinho a São Lourenço da Mata, visitou o prefeito em exercício Lucca Labanca (PSB) para conhecer de perto o modelo de gestão desenvolvido pela Prefeitura de São Lourenço da Mata.
Êxito
Durante o encontro, foram abordadas experiências exitosas da administração municipal, especialmente na área da saúde, que vêm ampliando o acesso da população aos serviços públicos e fortalecendo a assistência oferecida não apenas aos moradores de São Lourenço, mas também a cidadãos de municípios vizinhos.
Maternidade
Um dos exemplos é a maternidade do Hospital e Maternidade Petronila Campos, referência na assistência materno-infantil na região. De 2023 até agosto de 2026, cerca de 1.200 partos realizados na unidade são de mulheres residentes em Camaragibe, demonstrando a importância do equipamento público para além dos limites territoriais do município.
Gestão eficiente
Para Lucca Labanca, os resultados alcançados por São Lourenço da Mata demonstram que uma gestão eficiente pode servir de referência para outras cidades.
Modelo
“São Lourenço da Mata é um modelo de gestão para Camaragibe e para toda a região. O trabalho que estamos desenvolvendo, especialmente na saúde, mostra que é possível oferecer serviços de qualidade e ampliar o acesso da população. A maternidade do Petronila Campos é um exemplo disso, recebendo mulheres de Camaragibe e garantindo assistência às mães e aos bebês”, destacou o prefeito em exercício.
Flávio Bolsonaro entrou nos EUA com registro humanitário e 1 ano de permanência
28/10/2026
Permanência de 1 ano
Segundo os registros da alfândega americana, Flávio e sua família poderão permanecer no país inicialmente até 27 de outubro de 2027. Ou seja, pelo período de um ano. O senador teria usado seu documento italiano. A esposa e as filhas de Flávio, por sua vez, viajaram...
O senador Flávio Bolsonaro, PL, e sua família entraram nos Estados Unidos, na manhã de hoje, 28/10, com autorização de permanência temporária por motivos “humanitários”, mostram registros da alfândega americana. Segundo os dados, Flávio, a esposa dele, Fernanda, e as duas filhas adolescentes receberam autorização de entrada na categoria “DT”, que permite a entrada temporária sob liberdade condicional (parole) e pode ser concedida em situações humanitárias urgentes. A mesma categoria de autorização foi utilizada, por exemplo, para permitir a entrada de refugiados ucranianos nos EUA, nos últimos anos, após a deflagração da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Permanência de 1 ano
Segundo os registros da alfândega americana, Flávio e sua família poderão permanecer no país inicialmente até 27 de outubro de 2027. Ou seja, pelo período de um ano. O senador teria usado seu documento italiano. A esposa e as filhas de Flávio, por sua vez, viajaram com passaportes brasileiros. Apenas Flávio foi obrigado pela Justiça brasileira a entregar o passaporte. O restante da família não está sujeita à mesma restrição, uma vez que não está sob investigação.
Senado - Para garantir reeleição, Alcolumbre negocia acordo com Arthur Lira
28/10/2026
Papel de Lira
As negociações ganharam impulso ontem, terça-feira, 27/10, quando a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou apoio à recondução de Alcolumbre. A manifestação representa...
A tentativa de Davi Alcolumbre, União, de permanecer na Presidência do Senado em 2027 passa por uma negociação política com Arthur Lira, PP, ex-presidente da Câmara dos Deputados e senador eleito por Alagoas. A articulação prevê que Lira ajude a conquistar votos de parlamentares do centro e da direita em troca de apoio a uma eventual candidatura sua ao comando da Casa em 2029. Segundo informações, Alcolumbre considera Lira um aliado estratégico para superar resistências dentro do PP e entre senadores ligados ao bolsonarismo. A possibilidade de um acordo sucessório permitiria ao atual presidente ampliar sua base de sustentação e, simultaneamente, abrir caminho para que o ex-presidente da Câmara dispute o cargo posteriormente.

Papel de Lira
As negociações ganharam impulso ontem, terça-feira, 27/10, quando a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou apoio à recondução de Alcolumbre. A manifestação representa um avanço para Alcolumbre, mas não elimina as divergências entre integrantes da direita sobre a continuidade de sua gestão. O senador eleito Guilherme Derrite, PP, por exemplo, declarou que não pretende votar em Alcolumbre e defendeu a construção de uma candidatura única da oposição. Entre os nomes mencionados por Derrite estão Rogério Marinho, PL, e Tereza Cristina, PP. Diante desse cenário, a participação de Lira é vista como uma oportunidade de aproximar o atual presidente do Senado de setores que ainda resistem à sua candidatura. Arthur Lira mantém influência sobre parlamentares de diferentes partidos e possui experiência na construção de acordos envolvendo governo e oposição. Apesar de Lira ter declarado apoio a Flávio Bolsonaro, PL, na disputa presidencial, sua participação nas negociações não é descartada por integrantes do governo. A avaliação entre aliados de Alcolumbre é de que o peso político do senador eleito e sua capacidade de interlocução podem contribuir para a construção de um entendimento mais amplo. Arthur Lira mantém relações políticas com nomes importantes do PT, incluindo o presidente nacional do partido, Edinho Silva, o líder do governo na Câmara, José Guimarães, e a ministra Gleisi Hoffmann.
Apoio de Lula
O presidente Lula também apoia a permanência de Alcolumbre no comando do Senado. Esse posicionamento é considerado importante para a formação de uma maioria capaz de garantir a reeleição do parlamentar em fevereiro de 2027. (Com CNN e Brasil 247)
Jair Bolsonaro pede visita de presidente do PL após fuga de Flávio
28/10/2026
PL
Após a fuga, o presidente do PL chegou a realizar uma reunião em...
O ex-presidente Jair Bolsonaro, PL, pediu, hoje, quarta-feira, 28/10, autorização ao STF para receber visita do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O pedido se dá um dia após o senador Flávio Bolsonaro, PL, filho do ex-presidente, fugir do Brasil. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em razão da condenação por tentativa de golpe de Estado. Por isso, todas as visitas, com exceção de advogados e familiares diretos, precisam ser previamente aprovadas pelo ministro Alexandre de Moraes. Também cabe ao ministro decidir a data do encontro, que pode ser às quartas-feiras ou sábados, conforme as regras da reclusão. No último domingo, 25/10, Flávio perdeu a disputa pelo Palácio do Planalto para o presidente Lula, PT. No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, proibiu o senador de deixar o país e determinou que ele entregasse todos os seus passaportes.

PL
Após a fuga, o presidente do PL chegou a realizar uma reunião emergencial com lideranças estaduais do partido para afinar o discurso e definir os rumos da sigla. No início da noite de ontem, terça-feira, 27/10, o senador Rogério Marinho, PL, atual líder da oposição no Senado, disse que o núcleo duro da campanha presidencial não foi comunicada sobre a fuga. Marinho, que coordenou a campanha, afirmou estar "surpreso" com a notícia. Com a fuga do senador, foi aberta uma disputa pela liderança da oposição e da direita no Brasil. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Republicanos, é visto por aliados da família Bolsonaro e pelo Centrão como o nome mais bem posicionado para ocupar esse espaço.

Miami
Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no STF sob a suspeita de lavagem de dinheiro. Caso tivesse sido eleito presidente, as apurações seriam paralisadas. Na decisão, Moraes argumentou que o irmão do senador, Eduardo Bolsonaro, PL, já estaria dizendo publicamente que Flávio deveria deixar o país caso perdesse as eleições. Na terça-feira, 27/10, o senador não cumpriu a decisão de entregar os passaportes e deixou o Brasil por meio da Argentina. Em um avião particular, decolou para Miami, nos EUA, onde chegou na manhã de hoje, 28/10. (Com a CNN)
Peguem o Dicionário - Crônica - Por Romero Falcão*
28/10/2026
“Nos Estados Unidos dos anos 1950, durante o Macarthismo, profissionais foram demitidos e incluídos em listas de boicote por suspeitas de ligação com o comunismo. Artistas, intelectuais e funcionários públicos tiveram suas carreiras afetadas por suas convicções políticas, reais ou atribuídas. No Brasil de 2026, a circulação de listas de boicote a estabelecimentos comerciais e declarações de empresários que afirmam não contratar ou demitir funcionários por suas preferências ideológicas levantam questões de cunho jurídico dessas práticas.”
Não vou me ater às consequências jurídicas para quem prega, nas redes sociais, essa estúpida campanha: “Demita um petista”.
Cordão do Ressentimento
Traço aqui algumas modestas linhas sobre a sociedade de 2026. Falo de uma parcela expressiva que ergue o livro preto, invoca Deu...
Hoje, passando os olhos pelo Estadão, deparei-me com a coluna de Alice Ferraz, que começa assim:
“Nos Estados Unidos dos anos 1950, durante o Macarthismo, profissionais foram demitidos e incluídos em listas de boicote por suspeitas de ligação com o comunismo. Artistas, intelectuais e funcionários públicos tiveram suas carreiras afetadas por suas convicções políticas, reais ou atribuídas. No Brasil de 2026, a circulação de listas de boicote a estabelecimentos comerciais e declarações de empresários que afirmam não contratar ou demitir funcionários por suas preferências ideológicas levantam questões de cunho jurídico dessas práticas.”
Não vou me ater às consequências jurídicas para quem prega, nas redes sociais, essa estúpida campanha: “Demita um petista”.

Cordão do Ressentimento
Traço aqui algumas modestas linhas sobre a sociedade de 2026. Falo de uma parcela expressiva que ergue o livro preto, invoca Deus e a família e faz desse tripé os alicerces de sua moral, enquanto engrossa o cordão do ressentimento nas redes sociais para defender a demissão da faxineira, a troca de barbeiro, negar auxílio aos miseráveis. Tudo isso, desde que a faxineira, o barbeiro e os miseráveis tenham votado no PT.
Tenho medo do homem de bem
Fiquei chocado, constrangido, ao ver nas redes sociais tamanho anticristianismo. Pelo visto, há fartura de igreja na cabeça de milhões e milhões de criaturas, mas falta uma migalha de humanidade.
Me olho no espelho — com minúscula e próclise —, prostrado, antes de escrever este texto. Como demitir minha faxineira porque votou em Bolsonaro, Lula ou cravou zero, zero, na urna? Eu teria que incendiar todos os livros de direitos humanos. Firmar um pacto com o Diabo. Tornar-me um ser execrável. E mais que isso, assassinar minha consciência.
Constrangimento
Peguem o dicionário. Vamos fazer como minha professora do primário. Vamos aprender a escrever cem vezes a palavra constrangimento.
Constrangimento, constrangimento, constrangimento...
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
Defesa Nacional, Orçamento e Soberania Tecnológica - Por Amadeu Robalinho*
28/10/2026
O Ciclo governamental de 2027 a 2030 colocará à prova a capacidade do Brasil de converter planejamento orçamentário, encomendas públicas e desenvolvimento tecnológico em autonomia estratégica, fortalecimento da Base Industrial de Defesa e prontidão operacional das Forças Armadas.
A continuidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva, conforme o resultado eleitoral, recoloca no centro do debate nacional uma questão que ultrapassa as disputas partidárias: qual será a capacidade efetiva do Estado brasileiro de financiar, desenvolver e sustentar os meios necessários à defesa de seu território, de suas infraestruturas críticas e de seus interesses estratégicos?
Para responder a essa pergunta, é necessário compreender que a Defesa Nacional não se resume à aquisição de equipamentos militares, à realização de exercícios operacionais ou à divulgação d...
O Desafio de Transformar Investimentos em Capacidade Industrial e Poder Militar
O Ciclo governamental de 2027 a 2030 colocará à prova a capacidade do Brasil de converter planejamento orçamentário, encomendas públicas e desenvolvimento tecnológico em autonomia estratégica, fortalecimento da Base Industrial de Defesa e prontidão operacional das Forças Armadas.
A continuidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva, conforme o resultado eleitoral, recoloca no centro do debate nacional uma questão que ultrapassa as disputas partidárias: qual será a capacidade efetiva do Estado brasileiro de financiar, desenvolver e sustentar os meios necessários à defesa de seu território, de suas infraestruturas críticas e de seus interesses estratégicos?
Para responder a essa pergunta, é necessário compreender que a Defesa Nacional não se resume à aquisição de equipamentos militares, à realização de exercícios operacionais ou à divulgação de investimentos anunciados. Ela depende de uma arquitetura permanente de capacidades, sustentada por orçamento previsível, engenharia, ciência, tecnologia, infraestrutura industrial, recursos humanos especializados e continuidade administrativa.
Sob a perspectiva da Engenharia de Soberania e Estratégia, o problema central consiste em transformar recursos econômicos e institucionais em capacidades nacionais duradouras. Isso significa estabelecer uma relação funcional entre a base material do Estado, sua infraestrutura, o domínio tecnológico, a capacidade de dissuasão e a preservação de sua liberdade de decisão.
Nesse contexto, o período de 2027 a 2030 será decisivo para avaliar se os instrumentos de planejamento e financiamento disponíveis conseguirão sustentar os programas estratégicos das Forças Armadas e ampliar a participação da indústria brasileira no desenvolvimento de sistemas complexos. A resposta não estará apenas nos discursos oficiais, mas nos números aprovados pelo Congresso Nacional, nos contratos firmados, nos desembolsos realizados, nas entregas industriais e nas capacidades efetivamente incorporadas.
O orçamento de Defesa como instrumento de soberania
O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, encaminhado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional, prevê aproximadamente R$ 7,4 trilhões em despesas federais totais, incluindo o refinanciamento da dívida pública. Para o conjunto das despesas primárias, a proposta estabelece um limite de aproximadamente R$ 2,576 trilhões. Trata-se, contudo, de uma proposta orçamentária sujeita à tramitação legislativa, e não de uma autorização definitiva de execução de todas as despesas previstas. "https://www.gov.br/planejamento/pt-br/assuntos/orcamento/orcamentos-anuais/2027/ploa-2027" (https://www.gov.br/planejamento/pt-br/assuntos/orcamento/orcamentos-anuais/2027/ploa-2027)
A dimensão global do orçamento não deve obscurecer a questão fundamental: quanto será destinado à formação de capacidades estratégicas e em que condições os recursos estarão disponíveis ao longo do exercício financeiro?
A estrutura das contas públicas impõe uma competição permanente por espaço fiscal. Despesas obrigatórias, encargos financeiros, políticas sociais, infraestrutura e demais responsabilidades do Estado condicionam a margem de decisão sobre novos investimentos. Por isso, a Defesa Nacional necessita de planejamento compatível com a duração de seus programas, evitando que projetos de longo prazo dependam exclusivamente da disponibilidade financeira de cada exercício.
Segundo dados divulgados sobre o PLOA 2027, a proposta contempla aproximadamente R$ 12,7 bilhões em investimentos para a área de Defesa, crescimento expressivo em relação aos R$ 7,95 bilhões previstos para 2026. Esse montante constitui uma referência relevante para a análise da política de reaparelhamento militar, mas precisa ser acompanhado durante a tramitação orçamentária e a execução financeira. "https://www.revistabid.com.br/noticias/orcamento-de-2027-preve-salto-nos-investimentos-em-defesa-e-amplia-espaco-para-a-industria-nacional"
A diferença entre o orçamento total da Defesa e os recursos destinados a investimentos é essencial. A manutenção de pessoal, os encargos, o funcionamento das organizações militares e as despesas operacionais consomem parcela significativa dos recursos disponíveis. Já os investimentos em equipamentos, instalações e desenvolvimento de capacidades precisam financiar não apenas a aquisição inicial, mas também a infraestrutura de apoio e a sustentação dos sistemas durante sua vida útil.
Um orçamento militar robusto não pode ser medido somente pelo valor nominal anunciado. É necessário examinar sua composição, a evolução dos valores reais, o cronograma de desembolsos, os compromissos plurianuais e a proporção efetivamente aplicada em programas estratégicos. Também é indispensável distinguir dotação autorizada, empenho, liquidação e pagamento, etapas diferentes do processo de execução da despesa pública.
Para a indústria de Defesa, essa distinção tem consequências concretas. A ausência de regularidade nos pagamentos pode comprometer o fluxo de caixa das empresas, interromper a aquisição de componentes, desorganizar a cadeia de fornecedores e provocar a perda de profissionais altamente especializados. Em projetos de elevada complexidade tecnológica, a descontinuidade pode resultar em custos adicionais que ultrapassam a economia fiscal momentânea.
O planejamento orçamentário, portanto, precisa ser tratado como parte da infraestrutura de soberania. Sem previsibilidade financeira, não há segurança suficiente para investimentos industriais de longo prazo, expansão da capacidade produtiva ou formação continuada de engenheiros, pesquisadores e técnicos.
Os R$ 5 bilhões e os limites do mecanismo fiscal para a Defesa
A Lei Complementar nº 221, de 18 de novembro de 2025, instituiu um mecanismo específico para determinadas despesas de capital relacionadas a projetos estratégicos de Defesa Nacional. A legislação estabeleceu limites para a exclusão dessas despesas do cálculo da meta de resultado primário e do limite de despesas aplicável, considerando o menor valor entre a dotação pertinente do Novo PAC no Ministério da Defesa e R$ 5 bilhões por exercício, observadas as regras legais e os dispositivos específicos de cada ano. "https://www2.camara.leg.br/legin/fed/leicom/2025/leicomplementar-221-18-novembro-2025-798304-publicacaooriginal-177037-pl.html"
O instrumento representa uma possibilidade de ampliar o espaço fiscal para investimentos estratégicos, mas não deve ser interpretado como uma transferência automática de R$ 5 bilhões para as Forças Armadas ou para as empresas da Base Industrial de Defesa.
A efetivação dos recursos depende das dotações orçamentárias, do enquadramento dos projetos, dos procedimentos administrativos, da disponibilidade financeira e do cumprimento das exigências legais. O valor máximo previsto na norma não se confunde com o montante efetivamente autorizado, empenhado, pago ou incorporado aos programas militares.
A legislação também estabelece que os projetos contemplados devem contribuir para o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa. Esse requisito é estrategicamente relevante porque vincula o instrumento fiscal à geração de capacidade produtiva e tecnológica nacional, em vez de restringi-lo à simples aquisição de equipamentos acabados.
Entretanto, a eficácia do mecanismo dependerá de sua aplicação prática. Será necessário verificar quais projetos serão ?beneficiados, quanto será efetivamente executado, quais empresas participarão e quais resultados industriais serão alcançados. A análise deverá considerar a evolução dos contratos, a nacionalização de componentes críticos, a participação de fornecedores brasileiros e o desenvolvimento de competências tecnológicas.
O desafio do próximo ciclo governamental será transformar a possibilidade jurídica de investimento em um fluxo financeiro previsível, capaz de sustentar projetos sem criar dependência de liberações episódicas ou decisões administrativas tardias.
Base Industrial de Defesa: muito além da compra de equipamentos
A Base Industrial de Defesa constitui um componente estruturante da capacidade do Estado de desenvolver, produzir, integrar, manter e modernizar os sistemas empregados na proteção dos interesses nacionais. Sua importância não se limita ao fornecimento de armamentos às Forças Armadas.
Ela envolve empresas de engenharia, estaleiros, fabricantes de aeronaves, integradores de sistemas eletrônicos, desenvolvedores de software, centros de pesquisa, universidades, laboratórios, fornecedores de materiais especiais e organizações responsáveis por ensaios, certificação e manutenção.
Essa rede industrial contribui para a formação de capital humano, a geração de empregos qualificados, a difusão de tecnologias e a ampliação da capacidade de inovação. Também pode produzir efeitos sobre setores civis, especialmente em áreas como materiais avançados, automação, inteligência artificial, comunicações, sensores, energia, robótica e sistemas de controle.
Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que as autorizações brasileiras de exportação de produtos de Defesa superaram US$ 3,4 bilhões em 2025, com crescimento de 91,3% em relação a 2024. O resultado demonstra a dimensão comercial alcançada pelo setor, mas deve ser interpretado com precisão: autorizações de exportação não correspondem necessariamente a vendas integralmente entregues, receitas recebidas ou contratos concluídos. "https://www.gov.br/mdic/pt-br/composicao/sdic/dial/aeroespacial-defesa-e-nuclear/setor-de-defesa"
O dado reforça a importância de uma política industrial capaz de combinar demanda doméstica, financiamento à inovação e acesso a mercados externos. Entretanto, exportar mais não elimina a necessidade de assegurar o atendimento às próprias necessidades militares brasileiras.
Uma indústria orientada exclusivamente por encomendas descontínuas corre o risco de perder escala produtiva, reduzir investimentos em pesquisa e depender de contratos externos para preservar suas atividades. Por outro lado, encomendas nacionais sem critérios de desempenho, competição, produtividade e transferência efetiva de tecnologia podem gerar custos elevados sem produzir autonomia proporcional.
A solução exige planejamento integrado entre o Ministério da Defesa, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, as agências de fomento, as empresas públicas e privadas e as instituições científicas.
Nesse sentido, a chamada pública do Programa Mais Inovação, conduzida pela Finep, disponibilizou R$ 300 milhões para projetos de inovação relacionados à Base Industrial de Defesa. O instrumento pode contribuir para o desenvolvimento de produtos e processos, mas seus resultados devem ser medidos pela seleção efetiva dos projetos, contratação, liberação dos recursos, conclusão das etapas de pesquisa e incorporação das tecnologias desenvolvidas. "https://www.finep.gov.br/w/finep-analisa-propostas-de-inova%C3%A7%C3%A3o-para-a-defesa-nacional-com-alto-potencial-de-aplica%C3%A7%C3%A3o-civil"
A questão central é fazer com que o investimento público produza conhecimento acumulado, propriedade intelectual, fornecedores nacionais competitivos e capacidade de evolução tecnológica. O objetivo não deve ser apenas fabricar mais, mas ampliar o domínio sobre as tecnologias que determinam o desempenho, a disponibilidade e a independência operacional dos sistemas militares.
Embraer, Gripen e KC-390: engenharia, transferência tecnológica e escala industrial
O setor aeroespacial brasileiro demonstra como a continuidade dos programas pode sustentar competências industriais de elevada complexidade. A participação nacional no programa F-39 Gripen envolve atividades de engenharia, produção, integração e formação de profissionais, enquanto o KC-390 Millennium representa uma capacidade brasileira de desenvolver e fabricar uma aeronave militar de transporte com potencial de emprego internacional.
O valor estratégico desses programas não pode ser reduzido ao número de aeronaves adquiridas. É necessário avaliar a participação da engenharia nacional, o acesso ao conhecimento técnico, a capacidade de manutenção, a disponibilidade de componentes, a autonomia para modernizações e a sustentabilidade da cadeia de fornecedores.
No caso do Gripen, a produção realizada no Brasil constitui uma oportunidade de ampliar competências industriais e de engenharia. Entretanto, a produção local, por si só, não significa domínio integral de todas as tecnologias, componentes e sistemas envolvidos. A autonomia precisa ser avaliada de maneira desagregada, identificando quais conhecimentos foram transferidos, quais atividades são executadas no país e quais dependem de fornecedores externos.
O mesmo raciocínio se aplica ao KC-390. A continuidade de encomendas, a abertura de mercados de exportação e o desenvolvimento de fornecedores nacionais podem fortalecer a escala produtiva e a capacidade de inovação. Ao mesmo tempo, a disponibilidade operacional exige recursos para treinamento, peças de reposição, manutenção, infraestrutura e atualização dos sistemas.
A política de Defesa deve, portanto, considerar a relação entre aquisição, capacidade produtiva, evolução tecnológica e sustentação. Contratos previsíveis podem favorecer investimentos industriais, desde que acompanhados de metas verificáveis, compromissos financeiros compatíveis e mecanismos de avaliação dos resultados.
Avibras e SIATT: a importância de preservar competências críticas
O desenvolvimento de sistemas de mísseis, foguetes, guiagem, controle, sensores e integração eletrônica representa uma dimensão sensível da autonomia tecnológica. Nesses segmentos, a dependência externa pode limitar a capacidade de manutenção, atualização e reposição em situações de restrição comercial ou de crise internacional.
A situação da Avibras ilustra a importância de distinguir reconhecimento institucional, retomada industrial e sustentabilidade econômica. O credenciamento como Empresa Estratégica de Defesa, conforme informado na matéria de referência, é relevante para a posição institucional da companhia, mas não comprova, isoladamente, recuperação financeira definitiva ou estabilidade de suas operações.
A avaliação deve considerar contratos efetivos, capacidade de produção, regularidade dos pagamentos, situação dos trabalhadores, acesso a financiamento, cumprimento dos cronogramas e preservação do conhecimento técnico. Uma empresa estratégica somente poderá contribuir de maneira sustentável para a Defesa Nacional se dispuser de condições para transformar suas competências em produtos confiáveis, entregáveis e passíveis de manutenção.
Empresas como a SIATT também integram o ecossistema de desenvolvimento de sistemas estratégicos. O fortalecimento desse segmento exige investimentos em eletrônica, software embarcado, sensores, navegação, processamento de sinais, integração de plataformas e ensaios de validação.
A preservação de competências críticas deve ser tratada como questão de interesse nacional, sem dispensar critérios de viabilidade econômica, governança, transparência e controle público quando houver recursos estatais envolvidos. O Estado precisa avaliar não apenas o custo imediato de uma encomenda, mas também os efeitos de longo prazo sobre a capacidade tecnológica e industrial brasileira.
Marinha do Brasil: construção naval, submarinos e domínio tecnológico
A dimensão marítima da soberania brasileira exige capacidade de monitorar, proteger e defender espaços marítimos de interesse estratégico, rotas comerciais, instalações portuárias, recursos energéticos e infraestruturas submarinas. Essa missão depende de meios navais, aeronaves, sistemas de vigilância, comunicações seguras, logística e integração entre diferentes sensores e centros de comando.
A construção das fragatas da Classe Tamandaré representa uma oportunidade de fortalecer a engenharia naval, a integração de sistemas e a participação de fornecedores brasileiros em um programa militar de elevada complexidade. A incorporação da primeira fragata, a F200, em abril de 2026, constitui um marco do programa, mas a continuidade das demais embarcações e a sustentação dos navios exigem recursos adicionais ao longo do ciclo de vida.
Um navio de guerra não se resume ao casco. Sua capacidade operacional depende da integração de propulsão, geração e distribuição de energia, sensores, comunicações, sistemas de combate, armamentos, controle de avarias e logística de manutenção. O domínio dessas interfaces é parte essencial da competência industrial e da autonomia operacional.
O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) e o Programa Nuclear da Marinha possuem relevância ainda maior pela complexidade e duração de suas atividades. A construção de submarinos, a formação de equipes especializadas e o desenvolvimento de competências associadas à propulsão nuclear demandam continuidade institucional, infraestrutura industrial, rigor técnico e investimentos plurianuais.
O objetivo estratégico não é apenas concluir plataformas. É preservar a capacidade nacional de projetar, construir, operar, manter e modernizar sistemas navais, dentro dos limites tecnológicos, industriais e financeiros de cada programa.
A interrupção de investimentos em determinadas fases pode comprometer cadeias de fornecimento, elevar custos de retomada e dispersar profissionais cuja formação exige anos de experiência. Por isso, o planejamento deve abranger todo o ciclo de vida, desde a concepção e a construção até a operação, a modernização e o descarte seguro dos meios.
Exército Brasileiro: fronteiras, mobilidade e sistemas integrados
A modernização terrestre envolve capacidades que vão além da aquisição de blindados e sistemas de artilharia. A proteção das fronteiras, a mobilidade das tropas e a capacidade de resposta dependem de uma rede integrada de sensores, comunicações, centros de comando, processamento de informações e apoio logístico.
O SISFRON, o sistema ASTROS e os programas de modernização das forças blindadas exemplificam diferentes necessidades tecnológicas do Exército Brasileiro. O monitoramento de fronteiras exige integração de dados e disponibilidade de equipamentos em áreas extensas; os sistemas de artilharia demandam precisão, manutenção e integração operacional; e as viaturas blindadas dependem de motores, transmissões, eletrônica embarcada, proteção, peças de reposição e suporte técnico.
A aquisição de um equipamento representa apenas uma etapa da geração de capacidade militar. Sua contribuição efetiva depende de treinamento, doutrina, infraestrutura, disponibilidade logística e integração com os demais meios da Força.
O SISFRON, por exemplo, deve ser avaliado pela capacidade de ampliar a consciência situacional e apoiar decisões operacionais, e não somente pela quantidade de sensores ou trechos implantados. Da mesma forma, a modernização das forças blindadas precisa ser acompanhada por indicadores de disponibilidade, manutenção, mobilidade e custo de sustentação.
A participação da indústria nacional nesses programas pode ampliar a autonomia de manutenção e modernização, desde que os contratos contemplem efetiva transferência de conhecimento, acesso a informações técnicas necessárias e capacidade de produção de componentes críticos.
Tecnologia, inteligência artificial e infraestrutura crítica
A soberania tecnológica do século XXI depende da capacidade de controlar ou sustentar tecnologias essenciais ao funcionamento do Estado. Isso inclui semicondutores, sensores, sistemas de comunicação, criptografia, inteligência artificial, computação de alto desempenho, cibersegurança, materiais avançados e sistemas de navegação.
A dependência de fornecedores estrangeiros não é, por si só, incompatível com a soberania. Nenhuma economia domina isoladamente todas as tecnologias contemporâneas. O problema surge quando uma dependência crítica compromete a manutenção, a atualização, a disponibilidade ou o emprego de um sistema essencial.
A política industrial de Defesa precisa identificar essas vulnerabilidades e estabelecer prioridades de nacionalização seletiva, cooperação internacional, diversificação de fornecedores e desenvolvimento próprio. O critério deve ser a relevância estratégica da tecnologia, seu impacto operacional, o custo de domínio nacional e o risco associado à interrupção do fornecimento.
A inteligência artificial pode contribuir para análise de dados, manutenção preditiva, planejamento logístico, vigilância, apoio à decisão e integração de informações. Entretanto, sua adoção exige infraestrutura computacional, dados confiáveis, profissionais qualificados, segurança cibernética e mecanismos de validação. A simples aquisição de software não assegura independência tecnológica nem confiabilidade operacional.
Também merece atenção a proteção das infraestruturas críticas, incluindo cabos submarinos de telecomunicações, redes elétricas, instalações portuárias, sistemas de abastecimento, centros de dados e estruturas energéticas. A resiliência desses ativos depende de engenharia, monitoramento, redundância, planos de contingência e coordenação entre agentes públicos e privados.
Sob a perspectiva da Engenharia de Soberania e Estratégia, a infraestrutura crítica deve ser compreendida como parte da base material do poder nacional. Sua interrupção pode produzir efeitos econômicos, operacionais e institucionais que ultrapassam o setor diretamente atingido.
A integração entre Defesa, indústria, ciência, energia e infraestrutura constitui, portanto, uma condição para reduzir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de decisão do Estado em cenários de crise.
Previsibilidade contratual e planejamento plurianual
Os programas estratégicos de Defesa possuem horizontes temporais que frequentemente ultrapassam um mandato presidencial. Por essa razão, sua continuidade não pode depender exclusivamente das prioridades conjunturais de cada governo.
A previsibilidade contratual é importante para que as empresas dimensionem suas instalações, contratem profissionais, adquiram equipamentos e desenvolvam fornecedores. Para o Estado, permite organizar os desembolsos, acompanhar os riscos e estabelecer metas de entrega compatíveis com as necessidades operacionais.
Isso não significa eliminar a fiscalização ou assegurar contratos independentemente de desempenho. Ao contrário, a continuidade deve estar associada à governança, à transparência possível, ao cumprimento das obrigações, à avaliação de custos e à demonstração de resultados.
É necessário distinguir contratos anunciados de contratos assinados, valores contratados de pagamentos realizados e equipamentos entregues de sistemas plenamente disponíveis. Essa disciplina analítica é indispensável para que a sociedade avalie a efetividade dos investimentos.
Também se deve evitar que a previsibilidade se transforme em dependência de um único fornecedor ou em proteção permanente a empresas sem capacidade de cumprir suas obrigações. A política pública precisa conciliar estabilidade da demanda, competição adequada, segurança tecnológica e responsabilidade na aplicação dos recursos.
A construção de capacidades nacionais exige continuidade, mas também avaliação permanente de resultados e correção de rumos quando necessário.
O que deverá ser acompanhado entre 2027 e 2030
O acompanhamento da política de Defesa deverá começar pela tramitação do orçamento de 2027 e pela identificação dos recursos efetivamente destinados aos programas estratégicos. Em seguida, será necessário verificar a execução financeira, os contratos celebrados, a regularidade dos pagamentos e o cumprimento dos cronogramas industriais.
Outro indicador será a participação da indústria nacional nos programas, considerando não apenas a montagem local, mas o desenvolvimento de engenharia, a produção de componentes, o domínio de processos críticos e a capacidade de manutenção e modernização.
No campo tecnológico, merecem atenção os recursos aplicados em pesquisa e desenvolvimento, os projetos concluídos, a formação de profissionais, a propriedade intelectual gerada e a capacidade de converter resultados científicos em sistemas operacionais.
Na dimensão militar, os indicadores devem contemplar disponibilidade de equipamentos, treinamento, logística, integração de sistemas e prontidão operacional. No campo econômico, devem ser examinados a evolução das exportações efetivamente realizadas, a sustentabilidade das empresas, a diversificação dos mercados e o fortalecimento das cadeias de fornecedores.
Finalmente, o mecanismo fiscal estabelecido pela Lei Complementar nº 221/2025 deve ser avaliado pela execução concreta dos investimentos enquadrados, e não apenas pelo limite nominal previsto na legislação.
Esses indicadores permitirão distinguir intenção política, autorização orçamentária, execução industrial e resultado estratégico. São dimensões relacionadas, mas não equivalentes.
Engenharia de Soberania e Estratégia: a conversão de recursos em poder nacional
A Defesa Nacional precisa ser compreendida como um sistema integrado de capacidades. O orçamento financia os programas; a indústria transforma recursos em produtos e serviços; a ciência e a engenharia desenvolvem conhecimentos e soluções; a infraestrutura sustenta a produção e a operação; e as Forças Armadas convertem esses meios em capacidade de dissuasão e defesa.
Quando esses elementos não funcionam de maneira coordenada, o Estado corre o risco de gastar sem acumular competências proporcionais, adquirir sistemas sem assegurar sua sustentação ou manter programas cuja execução financeira não acompanha suas necessidades técnicas.
A Engenharia de Soberania e Estratégia propõe justamente analisar essa relação entre recursos, infraestrutura, tecnologia, defesa e autonomia decisória. Nessa abordagem, o investimento público deve ser examinado não apenas pelo valor aplicado, mas pela capacidade nacional que deixa como resultado.
A pergunta fundamental não é somente quanto o Brasil destinará à Defesa, mas quais competências serão desenvolvidas, quais vulnerabilidades serão reduzidas, quais cadeias produtivas serão preservadas e quais capacidades estarão disponíveis para responder a situações reais de interesse nacional.
O desenvolvimento de uma Base Industrial de Defesa competitiva exige demanda previsível, financiamento adequado, pesquisa científica, formação profissional e integração entre os setores público e privado. Exige, igualmente, responsabilidade fiscal, fiscalização, metas verificáveis e avaliação permanente dos resultados.
O Brasil dispõe de empresas, instituições de pesquisa, profissionais e programas capazes de contribuir para essa transformação. O desafio está em articular esses ativos dentro de uma política de Estado que sobreviva aos ciclos eleitorais e seja orientada por prioridades estratégicas claramente definidas.
A continuidade governamental poderá favorecer a execução de programas já iniciados, mas não substitui a necessidade de decisões orçamentárias, contratos sustentáveis e resultados mensuráveis. Da mesma forma, a existência de instrumentos legais de financiamento não garante, isoladamente, a geração de autonomia tecnológica.
Entre 2027 e 2030, a medida concreta do avanço brasileiro estará na capacidade de transformar previsão orçamentária em investimento executado, investimento em engenharia e produção, produção em disponibilidade operacional e conhecimento em autonomia estratégica.
A Soberania não se estabelece apenas pela declaração de objetivos. Ela se constrói pela capacidade de projetar, produzir, manter, proteger e aperfeiçoar os sistemas dos quais dependem a segurança e o desenvolvimento nacional.
Em última análise, a Base Industrial de Defesa não deve ser tratada somente como um setor fornecedor das Forças Armadas, mas como parte da infraestrutura tecnológica e produtiva do Estado. Sua consolidação representa um instrumento de desenvolvimento, de resiliência econômica e de liberdade de decisão.
É nesse ponto que orçamento, engenharia, tecnologia e estratégia se encontram. A capacidade de financiar e sustentar os meios de Defesa ao longo do tempo será um dos indicadores mais relevantes para avaliar se o Brasil está convertendo seus recursos e conhecimentos em poder nacional efetivo.
*Amadeu Robalinho, é Pesquisador independente e autor interdisciplinar, associado à Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN), Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
O Arquiteto do Império e a Aposta que Redesenhou o Recife, por Zé da Flauta
28/10/2026
Diplomacia
Quando assumiu a Regência Única do Império em 1837, o cenário era desolador. O Brasil fervilhava sob o fogo das revoltas provinciais, e a autoridade central corria o risco de virar mera ficção jurídica. Foi sob a bandeira do "Regresso" conservador que Araújo Lima desenhou o modelo que pacificaria a nação. Ele criou o Colégio Pedro II, fundou o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e, mais tarde, presidi...
Há homens que parecem esculpidos para os momentos em que a história treme nas bases. Na conturbada formação do Brasil Império, nenhum nome encarnou com tanta lucidez a ideia de Estado quanto o pernambucano Pedro de Araújo Lima, o Marquês de Olinda. Nascido no chão dos engenhos da terra dos altos coqueiros, ele foi muito mais do que um político influente: tornou-se o grande fiador da estabilidade nacional, o mestre da conciliação nos bastidores e o homem de pulso firme que impediu o país de se despedaçar em repúblicas caóticas.
Diplomacia
Quando assumiu a Regência Única do Império em 1837, o cenário era desolador. O Brasil fervilhava sob o fogo das revoltas provinciais, e a autoridade central corria o risco de virar mera ficção jurídica. Foi sob a bandeira do "Regresso" conservador que Araújo Lima desenhou o modelo que pacificaria a nação. Ele criou o Colégio Pedro II, fundou o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e, mais tarde, presidiu o Conselho de Ministros por quatro vezes ao longo do Segundo Reinado.
Diante das tempestades diplomáticas com a Inglaterra ou da eclosão da Guerra do Paraguai, a presença solene do Marquês de Olinda bastava para impor a ordem e manter a altivez da soberania brasileira.
Nomeação
Mas o olhar do estrategista nunca deixou de se voltar para a sua terra natal. Consciente de que controlar Pernambuco era vital para o equilíbrio do Império, Araújo Lima fez, em 1837, uma de suas jogadas políticas mais brilhantes e certeiras: nomeou o jovem militar e aristocrata Francisco do Rego Barros, o futuro Conde da Boa Vista, para a presidência da Província. Não se tratava de um mero arranjo de gabinete entre grandes famílias, mas da escolha cirúrgica do homem certo para o momento exato.
Revolução
O resultado dessa aposta ecoa até hoje nas calçadas do Recife. Respaldado pelo poder e pelo orçamento do Regente no Rio de Janeiro, Rego Barros governou de 1837 a 1844 e promoveu uma verdadeira revolução urbanística na capital pernambucana. Trouxe engenheiros franceses do porte de Louis Léger Vauthier, aterrou pântanos, rasgou caminhos e ergueu monumentos fundamentais como o Teatro de Santa Isabel, a Ponte da Boa Vista e o Palácio do Governo.
A visão de Estado do Marquês de Olinda na Corte deu o suporte institucional necessário para que a ousadia do Conde da Boa Vista vestisse o Recife com a elegância das capitais europeias.
Visão
Pedro de Araújo Lima provou que a verdadeira política não se faz com bravatas efêmeras, mas com a capacidade de enxergar longe e apostar nas pessoas certas. Ao unir a frieza do cálculo institucional no Rio de Janeiro ao sopro de modernidade no Recife, o Marquês de Olinda legou ao país a sua própria unidade e à sua terra a alma de uma metrópole monumental.
Até a próxima!
Zé da Flauta é compositor e cronista
