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Fuzis fantasmas, fábricas clandestinas e a industrialização do crime organizado - Por Amadeu Robalinho*

30/10/2026

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Um novo desafio à soberania, à defesa e à segurança pública.


A Capacidade de fabricação e montagem clandestina de armamentos em território brasileiro, associada ao tráfico internacional de componentes, à falsificação de identificadores e ao emprego de novas tecnologias industriais, revela uma transformação na estrutura logística das organizações criminosas. O enfrentamento dessa ameaça exige inteligência estratégica, autonomia tecnológica, integração institucional e fortalecimento da capacidade de rastreamento do Estado brasileiro.

O Brasil enfrenta uma transformação preocupante na dinâmica do crime organizado. A expansão das estruturas clandestinas de fabricação e montagem de fuzis, a circulação internacional de componentes bélicos e o emprego de tecnologias industriais para a produção ilegal de armamentos demonstram que as organizações criminosas estão desenvolvendo capacidades que ultrapassam o modelo tradicional de aquisição e contraband...

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Um novo desafio à soberania, à defesa e à segurança pública.


A Capacidade de fabricação e montagem clandestina de armamentos em território brasileiro, associada ao tráfico internacional de componentes, à falsificação de identificadores e ao emprego de novas tecnologias industriais, revela uma transformação na estrutura logística das organizações criminosas. O enfrentamento dessa ameaça exige inteligência estratégica, autonomia tecnológica, integração institucional e fortalecimento da capacidade de rastreamento do Estado brasileiro.

O Brasil enfrenta uma transformação preocupante na dinâmica do crime organizado. A expansão das estruturas clandestinas de fabricação e montagem de fuzis, a circulação internacional de componentes bélicos e o emprego de tecnologias industriais para a produção ilegal de armamentos demonstram que as organizações criminosas estão desenvolvendo capacidades que ultrapassam o modelo tradicional de aquisição e contrabando de armas prontas.

O fenômeno representa uma mudança estrutural na logística do crime organizado. Em vez de depender exclusivamente da entrada de armamentos acabados no território nacional, determinadas organizações passaram a desenvolver estruturas próprias de montagem, processamento de componentes e abastecimento, articuladas a fornecedores e conexões internacionais.

Não se trata apenas de um problema policial. Trata-se de uma questão estratégica que envolve controle territorial, fiscalização de fronteiras, inteligência, engenharia, tecnologia, segurança pública e soberania nacional.

A capacidade de produzir, montar, distribuir e recompor arsenais clandestinos introduz uma nova variável no enfrentamento das organizações criminosas: a industrialização do poder de fogo ilegal.

A descoberta de estruturas industriais clandestinas e a escala do problema

Uma das evidências mais expressivas dessa transformação foi apresentada pela Polícia Federal em outubro de 2025, durante uma operação contra uma organização criminosa especializada na fabricação, montagem e comercialização ilegal de armamentos de uso restrito.

A investigação identificou uma estrutura produtiva que havia operado inicialmente em Belo Horizonte, Minas Gerais, e posteriormente transferido suas atividades para Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo.

Segundo informações divulgadas pela TV Brasil, a organização investigada apresentava capacidade estimada de produzir aproximadamente 3.500 fuzis por ano. A estrutura clandestina utilizava componentes importados dos Estados Unidos e da China, associados a atividades de montagem e fabricação realizadas em território brasileiro.

Na operação, foram cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão em diferentes estados. Também foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 40 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.

O dado mais importante não é somente a quantidade potencial de armamentos produzidos, mas a existência de uma estrutura capaz de sustentar uma cadeia de abastecimento relativamente independente, com conexões internacionais, instalações produtivas e distribuição direcionada às organizações criminosas.

Em agosto de 2025, outra ação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Militar de São Paulo, em Americana e Santa Bárbara d'Oeste, identificou instalações, máquinas, ferramentas e moldes utilizados na fabricação ilegal de componentes de armamentos. Foram apreendidas peças em quantidade suficiente para a montagem de aproximadamente 40 fuzis AR-15 em fase de finalização.

Essas ocorrências demonstram que o problema não pode ser compreendido exclusivamente pela quantidade de armas apreendidas. É necessário investigar a capacidade instalada de produção, os fornecedores, os fluxos financeiros, os mecanismos de distribuição e a possibilidade de recomposição dos estoques criminosos.

Fuzis fantasmas e fuzis Frankenstein: a complexidade da identificação

A transformação da cadeia ilegal de armamentos também introduz dificuldades técnicas para a identificação de procedência.

As expressões fuzis fantasmas e fuzis Frankenstein são utilizadas para descrever fenômenos distintos, embora possam coexistir em determinadas situações.

Os chamados fuzis fantasmas estão associados à ausência de identificadores convencionais, à supressão de marcações ou à impossibilidade de estabelecer imediatamente sua trajetória industrial e comercial.

Já a expressão fuzil Frankenstein descreve, de maneira ilustrativa, um armamento composto por elementos de diferentes procedências, reunindo componentes estrangeiros, peças nacionais, partes provenientes de outras armas e materiais inseridos em circuitos de fornecimento legais ou ilegais.

Essa distinção é fundamental para a investigação criminal.

Um armamento sem identificação visível não é necessariamente produto de fabricação clandestina. Da mesma maneira, a presença de componentes estrangeiros em uma arma montada no Brasil não comprova, isoladamente, a origem integral do armamento.

O relatório Global Study on Firearms Trafficking, publicado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), estabelece justamente a importância de diferenciar armas fabricadas ilegalmente, armas com marcações removidas ou alteradas e armas cuja origem ilícita ainda não foi conclusivamente determinada.

O organismo internacional também define o rastreamento como o acompanhamento sistemático das armas de fogo e, quando possível, de seus componentes, desde a fabricação até os registros de aquisição e circulação, para auxiliar as autoridades na identificação de desvios, fabricação ilícita e tráfico internacional.

Portanto, a investigação moderna não pode se limitar à leitura de uma inscrição ou à identificação de uma marca comercial. Precisa reconstruir a trajetória do material, identificar seus vínculos industriais e estabelecer a origem dos diferentes componentes.

A nova fronteira tecnológica: impressão 3D e manufatura clandestina

Outro aspecto que merece atenção especial é a incorporação de tecnologias de manufatura avançada às estruturas criminosas.

Em agosto de 2025, a Polícia Federal identificou, no Rio de Janeiro, um laboratório clandestino destinado à fabricação e montagem de componentes de armamentos mediante utilização de impressoras 3D.

Em agosto de 2026, a própria Polícia Federal divulgou uma nova fase de investigação sobre o tráfico internacional de componentes para fuzis, após identificar encomendas internacionais suspeitas provenientes dos Estados Unidos. A investigação deu continuidade à apuração iniciada em 2025, quando o laboratório clandestino havia sido desativado.

Esse cenário merece uma análise estratégica mais profunda.

A manufatura aditiva, popularmente conhecida como impressão 3D, representa uma transformação importante nos processos industriais contemporâneos. Seu emprego legítimo alcança setores como engenharia, medicina, indústria aeroespacial, automotiva e defesa.

Entretanto, como ocorre com outras tecnologias de uso dual, sua utilização fora dos controles legais pode introduzir novas dificuldades para a fiscalização e a investigação criminal.

A questão não é demonizar a tecnologia, mas compreender como o acesso a equipamentos industriais, materiais, projetos digitais e componentes pode ser explorado por redes criminosas.

O avanço da manufatura digital exige que as instituições de segurança desenvolvam conhecimento técnico compatível com a evolução dos meios utilizados pelas organizações criminosas.

A inteligência precisa acompanhar a transformação tecnológica do adversário.

O crime organizado como cadeia logística transnacional

A industrialização clandestina do armamento demonstra que as organizações criminosas precisam ser analisadas também como estruturas logísticas e financeiras.

O abastecimento pode envolver diferentes dimensões:

Tráfico internacional: circulação de armamentos completos, peças e componentes entre países de origem, trânsito e destino.

Desvio de cadeias legais: introdução irregular de produtos e componentes originalmente comercializados em circuitos autorizados.

Fabricação e montagem clandestinas: utilização de estruturas produtivas não autorizadas para fabricação, processamento e montagem de armamentos.

Falsificação e adulteração: comprometimento dos mecanismos de identificação e rastreabilidade dos produtos bélicos.

Financiamento e distribuição: estruturas econômicas responsáveis pela aquisição de materiais, manutenção das instalações, transporte e comercialização ilegal.

Essas dimensões podem operar de maneira integrada, permitindo que uma organização criminosa diversifique fornecedores e mantenha sua capacidade de abastecimento mesmo diante de operações policiais e apreensões.

É nesse ponto que a investigação precisa ultrapassar a identificação do indivíduo que porta o armamento.

O objetivo estratégico deve alcançar os financiadores, intermediários, fornecedores, estruturas produtivas, responsáveis pela distribuição e conexões internacionais.

A apreensão de um fuzil representa um resultado operacional. A desarticulação da cadeia que permite sua fabricação, aquisição e reposição representa um resultado estratégico.

Inteligência e rastreabilidade: o Estado precisa conhecer a origem de cada armamento

O Brasil dispõe de instrumentos legais e institucionais para o enfrentamento dessa ameaça.

O Decreto nº 5.941, de 26 de outubro de 2006, promulgou o Protocolo contra a Fabricação e o Tráfico Ilícito de Armas de Fogo, suas Peças, Componentes e Munições, complementar à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional.

O instrumento estabelece compromissos relacionados à marcação, manutenção de registros, rastreamento e cooperação internacional.

Entre seus princípios estão a identificação das armas de fogo por marcações distintivas, a conservação de informações que permitam localizar sua origem e a cooperação entre os países para investigar a fabricação e o tráfico ilícitos.

No âmbito nacional, a Polícia Federal possui atribuições específicas de rastreamento de armas de fogo, munições, acessórios, explosivos e respectivos componentes, inclusive por meio do Centro Nacional de Rastreamento de Armas.

A estrutura institucional demonstra que o rastreamento não é uma atividade acessória, mas uma ferramenta de inteligência e investigação destinada a identificar a trajetória dos materiais e os pontos de desvio para o mercado ilegal.

Em outubro de 2026, o Ministério da Justiça e Segurança Pública também divulgou informações sobre a Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas, Munições, Acessórios e Explosivos (Renarme), iniciativa voltada à articulação institucional e ao compartilhamento de informações e inteligência, com participação de órgãos federais e forças estaduais.

A proposta fortalece a interlocução entre instituições, a identificação de armamentos apreendidos e o cruzamento de informações sobre procedência, registros e possíveis desvios.

O desafio agora é transformar esses instrumentos em uma arquitetura nacional de inteligência efetivamente integrada, com capacidade de produzir conhecimento em tempo oportuno e subsidiar operações coordenadas.

A virada tecnológica: engenharia, ciência forense e inteligência artificial

O enfrentamento das estruturas clandestinas exige investimentos permanentes em ciência, tecnologia e inovação.

A identificação de armamentos com marcações suprimidas ou adulteradas demanda conhecimentos especializados em engenharia de materiais, metalurgia, química forense, metrologia, balística e análise laboratorial.

O Brasil precisa ampliar sua capacidade de investigação científica, desenvolvendo e incorporando tecnologias que permitam identificar características industriais, recuperar informações de identificação quando tecnicamente possível e correlacionar vestígios de diferentes ocorrências.

Nesse contexto, algumas prioridades estratégicas merecem atenção:

1. Inteligência artificial aplicada à investigação balística

Ampliação de sistemas automatizados de comparação de vestígios balísticos, correlação de ocorrências e identificação de padrões que auxiliem a investigação de conexões entre diferentes crimes.

2. Engenharia forense e caracterização de materiais

Fortalecimento dos laboratórios especializados na análise de materiais, características construtivas, processos industriais e identificadores de armamentos.

3. Rastreabilidade e identificação tecnológica

Aprimoramento dos sistemas de marcação, registros digitais e mecanismos de identificação individual, com avaliação científica de soluções de microgravação e outras tecnologias de identificação resistentes à adulteração.

4. Integração de bancos de dados

Interoperabilidade entre informações policiais, periciais, administrativas e de fiscalização, com controles de acesso, segurança da informação e respeito às competências institucionais.

5. Inteligência financeira e patrimonial

Identificação dos recursos econômicos que sustentam as instalações clandestinas, aquisição de componentes, importações fraudulentas e redes de distribuição.

6. Cooperação internacional

Ampliação do intercâmbio de informações entre autoridades brasileiras e estrangeiras, especialmente nos países de origem e trânsito de componentes utilizados no abastecimento ilegal.

A tecnologia, entretanto, precisa estar associada a protocolos periciais, capacitação profissional, investimentos em infraestrutura laboratorial e integração institucional. A inteligência artificial não substitui a perícia, assim como a aquisição de equipamentos não substitui a capacidade humana de interpretar informações e produzir conhecimento.

Soberania Nacional, Defesa e controle estratégico do território

Sob a perspectiva da Defesa Nacional, a industrialização clandestina de armamentos revela uma vulnerabilidade que precisa ser compreendida em sua dimensão territorial, tecnológica e institucional.

A soberania de um Estado não se limita à existência de fronteiras geográficas reconhecidas. Pressupõe capacidade efetiva de exercer autoridade sobre seu território, fiscalizar fluxos de materiais, proteger infraestruturas críticas e impedir que organizações paralelas estabeleçam estruturas capazes de desafiar o poder público.

O tráfico internacional de armamentos exige atenção às fronteiras terrestres, marítimas, fluviais e aéreas, aos portos, aeroportos, instalações logísticas e aos mecanismos de fiscalização de importações.

Nesse contexto, a integração entre Polícia Federal, Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal, forças estaduais, órgãos de fiscalização de produtos controlados e instituições de Defesa assume importância estratégica.

Também é necessário fortalecer os mecanismos de cooperação internacional, uma vez que a investigação de cadeias transnacionais depende de informações sobre fabricantes, distribuidores, importadores, exportadores, intermediários e rotas de circulação.

O UNODC destaca que o enfrentamento da fabricação e do tráfico ilícitos de armas exige intercâmbio de informações, cooperação judicial, assistência técnica e compartilhamento de conhecimentos científicos e tecnológicos entre os Estados.

É importante estabelecer uma distinção institucional: o enfrentamento da criminalidade organizada é atribuição dos órgãos competentes de segurança pública e investigação criminal, enquanto a Defesa Nacional possui responsabilidades próprias na proteção do Estado, da soberania e dos interesses nacionais. A cooperação entre essas estruturas deve ocorrer dentro dos respectivos marcos constitucionais e legais.

Engenharia de Soberania e Estratégia: construir capacidade estatal para enfrentar ameaças complexas

Sob a perspectiva da Engenharia de Soberania e Estratégia, o fenômeno das fábricas clandestinas de armamentos deve ser interpretado como um problema de arquitetura de capacidades nacionais.

O Estado precisa transformar dados dispersos em informação qualificada, informação em inteligência, inteligência em decisão e decisão em capacidade operacional.

Essa transformação exige a articulação de cinco dimensões fundamentais:

Inteligência: identificar redes criminosas, fornecedores, financiadores, conexões transnacionais e padrões de abastecimento.

Engenharia: desenvolver competências nacionais em caracterização de materiais, identificação forense e rastreabilidade de produtos bélicos.

Tecnologia: incorporar inteligência artificial, análise de dados, sistemas de informação e tecnologias de investigação.

Defesa e Segurança: fortalecer o controle territorial, a fiscalização de produtos controlados e a cooperação entre instituições.

Soberania: ampliar a autonomia científica, tecnológica e institucional do Brasil, reduzindo vulnerabilidades estratégicas.

O objetivo não deve ser simplesmente aumentar os números de apreensões, embora elas sejam indispensáveis. O objetivo superior é reduzir a capacidade de reprodução do sistema criminoso.

Isso significa atingir suas estruturas de financiamento, aquisição, fabricação, montagem, distribuição e reposição.

É a diferença entre combater manifestações isoladas da violência e desarticular a infraestrutura que permite sua continuidade.

Considerações finais: o desafio não é apenas apreender fuzis, mas interromper a capacidade de produzi-los

O avanço das fábricas clandestinas, a circulação internacional de componentes e o emprego de tecnologias de manufatura avançada demonstram que o crime organizado está incorporando características de sistemas produtivos e logísticos cada vez mais complexos.

A resposta brasileira precisa acompanhar essa transformação.

Não basta conhecer o armamento encontrado em uma operação policial. É necessário reconstruir sua trajetória, identificar a origem de seus componentes, compreender sua cadeia de fornecimento e alcançar as estruturas responsáveis por sua produção e distribuição.

Não basta apreender o produto acabado. É necessário identificar os meios que permitem sua reposição.

Não basta reagir à violência. É necessário antecipar os movimentos das organizações criminosas, produzir inteligência e interromper suas capacidades logísticas, financeiras e industriais.

O Brasil precisa investir em inteligência, engenharia, ciência forense, tecnologia e cooperação internacional. Precisa fortalecer seus laboratórios, integrar seus bancos de dados e desenvolver capacidades próprias de investigação e rastreabilidade.

A segurança pública contemporânea não pode permanecer limitada a uma lógica exclusivamente reativa quando as organizações criminosas demonstram capacidade de adaptação tecnológica, diversificação de fornecedores e organização industrial.

A Soberania Nacional também se expressa na capacidade de o Estado conhecer, controlar e proteger os fluxos de materiais, tecnologias e recursos que atravessam seu território.

O verdadeiro desafio estratégico não está apenas em contabilizar quantos fuzis estão nas mãos do crime organizado, mas em identificar quem os fornece, quem financia sua produção, onde são montados, como são distribuídos e qual estrutura garante a recomposição desses arsenais.

É nessa cadeia que a inteligência brasileira precisa concentrar seus esforços.

É nessa capacidade que o Estado precisa investir.

E é nesse campo que Engenharia, Defesa, Estratégia, Inteligência e Soberania Nacional precisam atuar de forma integrada.

A soberania de uma nação também se mede pela sua capacidade de impedir que estruturas criminosas desenvolvam, dentro de seu território, poderes industriais, logísticos e bélicos paralelos ao Estado.


*Amadeu Robalinho, é Pesquisador independente e autor interdisciplinar, associado à Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN), Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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Instituto Dom Hélder Câmara terá programação especial na Fliporto

30/10/2026

A 21ª Festa Literária Internacional de Pernambuco – Fliporto 2026, que acontece de 12 a 15 de novembro, no Recife, contará com a participação especial do Instituto Dom Helder Camara (IDHeC), que apresentará uma programação cultural, literária e reflexiva dedicada à vida, à obra e ao legado de um dos maiores símbolos brasileiros da defesa dos direitos humanos, da justiça social e da cultura da paz.

A iniciativa

Integra o projeto “Fliporto nas Fronteiras – Dom Helder, o Pensador e Filósofo da Paz”, ampliando os espaços de realização da festa e estabelecendo um diálogo entre literatura, espiritualidade, filosofia, memória histórica e compromisso social.

A participação do Instituto

Representa um encontro entre duas importantes expressões da cultura pernambucana: a Fliporto, que há 21 edições promove a literatura e o intercâmbio de ideias, e o legado de Dom Helder Camara, cuja trajetória ultrapassou as fronteiras naci...

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A 21ª Festa Literária Internacional de Pernambuco – Fliporto 2026, que acontece de 12 a 15 de novembro, no Recife, contará com a participação especial do Instituto Dom Helder Camara (IDHeC), que apresentará uma programação cultural, literária e reflexiva dedicada à vida, à obra e ao legado de um dos maiores símbolos brasileiros da defesa dos direitos humanos, da justiça social e da cultura da paz.

A iniciativa

Integra o projeto “Fliporto nas Fronteiras – Dom Helder, o Pensador e Filósofo da Paz”, ampliando os espaços de realização da festa e estabelecendo um diálogo entre literatura, espiritualidade, filosofia, memória histórica e compromisso social.

A participação do Instituto

Representa um encontro entre duas importantes expressões da cultura pernambucana: a Fliporto, que há 21 edições promove a literatura e o intercâmbio de ideias, e o legado de Dom Helder Camara, cuja trajetória ultrapassou as fronteiras nacionais e permanece como referência universal de humanismo, solidariedade e defesa da dignidade humana.

A programação especial

Será realizada nos dias 12 e 13 de novembro, com atividades no Memorial Dom Helder Camara, e no dia 15, com uma mesa literária no Gabinete Português de Leitura.
Literatura, com o tema pensamento e cultura da paz.
Na quinta-feira, 12 de novembro, o público poderá visitar o Memorial Dom Helder Camara, das 8h30 às 17h30. Às 16h, haverá uma acolhida cultural com Junior Aguiar, que declamará textos e poemas de Dom Helder.
Às 16h20, será realizado o minicurso “Na Marcha das Ideias: Dom Helder Camara, pensador e filósofo da paz inquieta”, conduzido por Filipe Xavier, do Centro de Documentação Dom Helder Camara (CeDoHC/IDHeC).

A atividade

Propõe uma reflexão sobre a atualidade do pensamento de Dom Helder, especialmente sua concepção de uma paz inseparável da justiça, da dignidade humana e da transformação social.
O encerramento contará com orquestra de frevo e bloco de carnaval, aproximando a reflexão humanista das expressões populares da cultura pernambucana.
Na sexta-feira, 13 de novembro, a programação prossegue com visitação ao Memorial e o sarau cultural “Andar às Voltas com o Belo é Andar às Voltas com Deus”.
A partir das 16h, Junior Aguiar realizará novas declamações de textos e poemas de Dom Helder. Às 16h30, haverá apresentação da Literatrupe e, às 17h, participação de Cylene Araújo. O encerramento está previsto para as 18h.



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Acampamento digital: estudo da Ativaweb DataLab mostra a invasão bolsonarista nos perfis de Trump

30/10/2026

Brasília, 30 de outubro de 2026.

A Ativaweb DataLab analisou 1.234.989 menções nas redes da Meta, entre comentários e curtidas, com destaque para o Instagram, e identificou uma onda de apoiadores de Flávio Bolsonaro ocupando os perfis de Donald Trump, com pedidos de socorro, intervenção e captura de Lula. O movimento começou depois da derrota no segundo turno e da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Na verdade, a conduta bolsonarists repete o roteiro de 2022, quando apoiadores de Jair Bolsonaro acamparam diante dos quartéis.

Acampamento digital

"Em 2022 o pedido de intervenção batia na porta do quartel. Em 2026 ele bate no perfil de um chefe de Estado estrangeiro. O acampamento saiu da calçada e foi para a palma da mão", afirma Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab.

O estudo

Mostra que um em cada três comentários pede que Trump "salve" o Brasil e que um terço da narrativa é escr...

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Brasília, 30 de outubro de 2026.

A Ativaweb DataLab analisou 1.234.989 menções nas redes da Meta, entre comentários e curtidas, com destaque para o Instagram, e identificou uma onda de apoiadores de Flávio Bolsonaro ocupando os perfis de Donald Trump, com pedidos de socorro, intervenção e captura de Lula. O movimento começou depois da derrota no segundo turno e da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Na verdade, a conduta bolsonarists repete o roteiro de 2022, quando apoiadores de Jair Bolsonaro acamparam diante dos quartéis.

Acampamento digital

"Em 2022 o pedido de intervenção batia na porta do quartel. Em 2026 ele bate no perfil de um chefe de Estado estrangeiro. O acampamento saiu da calçada e foi para a palma da mão", afirma Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab.

O estudo

Mostra que um em cada três comentários pede que Trump "salve" o Brasil e que um terço da narrativa é escrita em inglês, para ser lida pelo destinatário. Também identifica fórmulas replicadas, como "Lula disse que você não tem coragem de vir buscar ele", perfis rotulados pela própria plataforma como gerados por IA e uma concentração de curtidas em poucas contas. "Ninguém ali está conversando com Trump. Estão fazendo uma contagem pública de cabeças, e a curtida virou o voto que eles sentem que perderam na urna", diz Maracajá.

E mais

"A desinformação mais eficiente não inventa o fato. Ela sequestra um fato verdadeiro, como a prorrogação do horário de votação, e entrega uma conclusão que os números não autorizam", complementa.



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É Findi - Prédios Ícones de Pernambuco: Primeiro Santuário de Nossa Senhora de Fátima no Mundo - Alberto Salazar*

30/10/2026

Igreja do Colégio Nóbrega


As ordens religiosas católicas surgiram a partir do século VI, sendo considerada a primeira, a dos Beneditinos. Quase todas as ordens que foram sendo constituídas, além de formarem seus religiosos, abriram-se, depois, à formação religiosa e educacional áqueles que não se identificavam para o sacerdócio e/ou a vida monacal.

No Brasil, várias dessas ordens vieram ainda no século XVI. Em Pernambuco, foram os Carmelitas, Franciscanos, Oratorianos (recoletos de São Felipe Néri), Dominicanos, Beneditinos e Jesuítas. Essas ordens muito contribuíram para a evangelização do nativo, na formação sacerdotal e na educação de leigos.

Das ordens citadas, a dos Jesuítas, Companhia de Jesus, criada por Inácio de Loyola, um militar espanhol, foi uma das mais ativas. Eles atuavam em quase todos os rincões do Brasil. Fundaram grandes missões e aldeamentos, onde uma igreja, capela ou oratório era o centro social e religio...

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Igreja do Colégio Nóbrega


As ordens religiosas católicas surgiram a partir do século VI, sendo considerada a primeira, a dos Beneditinos. Quase todas as ordens que foram sendo constituídas, além de formarem seus religiosos, abriram-se, depois, à formação religiosa e educacional áqueles que não se identificavam para o sacerdócio e/ou a vida monacal.

No Brasil, várias dessas ordens vieram ainda no século XVI. Em Pernambuco, foram os Carmelitas, Franciscanos, Oratorianos (recoletos de São Felipe Néri), Dominicanos, Beneditinos e Jesuítas. Essas ordens muito contribuíram para a evangelização do nativo, na formação sacerdotal e na educação de leigos.

Das ordens citadas, a dos Jesuítas, Companhia de Jesus, criada por Inácio de Loyola, um militar espanhol, foi uma das mais ativas. Eles atuavam em quase todos os rincões do Brasil. Fundaram grandes missões e aldeamentos, onde uma igreja, capela ou oratório era o centro social e religioso da comunidade. Destacaram-se entre os primeiros jesuítas, Padre Manoel da Nóbrega, José de Anchieta e Padre Antônio Vieira.

Em meados do século XVIII, o Marquês de Pombal expulsou a Ordem de Portugal e de suas colônias. No século XIX a ordem volta ao Brasil, mas a questão religiosa do segundo reinado fez com que os Jesuítas, mais uma vez, deixassem o Brasil. Já no século XX, com o fim da monarquia em Portugal, muitos Jesuítas migraram para o Brasil e aqui, em Pernambuco, fundaram o colégio Nóbrega.

Em 13 de maio de 1917, no povoado de Fátima, na Leiria, três crianças, Lúcia Santos, 10 anos e seus primos, Francisco Marto, 9 anos e Jacinta Marto, 6 anos, estavam pastorando seu rebanho quando viram um clarão sobre uma árvore na entrada da cova da Iria e ali avistaram um brilho intenso e se depararam com uma moça que dizia se chamar Maria, e convida-os a rezarem juntos. Antes de ir embora, pediu que as crianças transmitissem uma mensagem ao povo, pedindo orações, penitências e conversão à fé católica. Essas aparições sucederam-se por mais seis vezes, sendo a última em 13 de outubro de 1917.

A devoção à Santa atraiu milhares de pessoas para visitarem o local das aparições,a cova da Iria. Só após investigações canônicas ocorridas em 1935 foi que se permitiu, oficialmente, o culto de Nossa Senhora de Fátima.

Os Jesuítas portugueses que aqui encontravam-se deram início a construção do Santuário em 1932, e foi concluído e inaugurado em 8 de setembro de 1935.

O arquiteto francês Georges Munier projetou a obra em estilo neogótico, em formato de cruz latina, utilizando na sua volumetria arcos ogivais góticos, também conhecidos como “parábolas” canônicas. Dada a magnitude do templo, o prazo de execução foi curto, sendo possível graças ao advento da tecnologia do concreto armado, tanto para moldagem dos arcos quanto para execução das marquises que contornam o templo externamente, da metade da nave e passando por trás do altar.

Destacam-se ainda a verticalidade acentuada da fachada, com torre única e o uso de vazados em concreto, numa similitude com o cobogó, elemento construtivo criado por engenheiros pernambucanos. A imagem da santa, medindo três metros de altura, foi criação do artista português Antônio da Paz.

Quando da inauguração, muito foi a repercussão positiva ne imprensa, que destacava “merece especial registro a recente inauguração do majestoso templo de Nossa Senhora de Fátima...., julgamos ser essa a primeira igreja que se ergue no mundo sob invocação da Virgem, com o título Nossa Senhora do Rosário de Fátima como se apresentou aos pastorinhos.... seus construtores.... foram de rara perícia em modelar em cimento armado uma obra moderníssima... de cunho artístico e consoante às leis litúrgicas e aspirações da igreja. A nossa capital vê assim, enriquecido seu patrimônio com tamanho monumento religioso, erguido pelos beneméritos padres jesuítas que se podem considerar introdutores da moderna arquitetura religiosa no Brasil.”

A colônia portuguesa local muito contribuiu financeiramente para o custeio da obra. A imprensa, à época, assim exaltou: “os portugueses foram decisivos.... conseguiram levantar recursos e ajudar os Jesuítas. Levaram a ideia adiante por isso essa igreja deve muito à colônia portuguesa em relação a tudo que foi feito.”

Neste templo está sepultado o Padre José Aparício da Silva, jesuíta português confessor da Irmã Lúcia, uma das pastorinhas, nascido em Aljustrel, na Beira em Portugal, em 14 de fevereiro de 1879 e falecido nesta cidade em 21 de maio de 1966.

Em 15 de março de 2010 o governador Eduardo Campos assinou o decreto de tombamento do templo, tendo sido inscrito como bem do Patrimônio Cultural Imaterial e Material dos Pernambucanos, e em 14 de outubro de 2026 o prefeito do Recife, Vitor Marques, sancionou a lei que institui o dia de Nossa Senhora de Fátima no calendário oficial de eventos do Recife.

Minha relação com o Santuário é hereditária e devocional, pois meu pai e seus irmãos foram alunos do Nóbrega, e mais, o meu pai, já dentista, teve muitos padres ou irmãos da Ordem como pacientes, tendo, inclusive, na sua missa de 7º dia, em 14 de fevereiro de 1995, realizada na igreja, a concelebração da mesma pelo bispo e mais de vinte padres, muitos deles jesuítas e ex pacientes.

Meu pai contava lembrar-se da construção do templo e de sua inauguração. Meus irmãos mais velhos também foram alunos do Nóbrega, e eu e meu irmão mais novo fomos alunos do Colégio Padre Abranches, também da ordem Jesuíta.

No nosso lar rezava-se o mês de maio, em todas as noites o terço e a ladainha, bem como na casa da minha sogra. No dia 13 de maio dos anos 1960 e início dos anos 1970, minha mãe organizava uma pequena procissão que saía da nossa casa na rua Gervásio Pires e contornava o quadrilátero formado pela rua dos Palmares, Sossego ou 13 de maio, Suassuna e fechando novamente na Gervásio Pires. A procissão era acompanhada por vizinhos, tias e primos, que vinham de outros bairros. Com o progresso, o centro da cidade se expandiu e as casas antes residenciais passaram a receber escritórios e consultórios.

Minha devoção à Nossa Senhora de Fátima permanece até hoje, e continuamos rezando o mês de maio.


*Alberto Salazar, é Engenheiro Civil, Membro do IAHGP.



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O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.




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É Findi - Esquinas - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

30/10/2026

Em cada esquina,
o que me fascina,
qual será a sina,
caminho, o destino.

O futuro é incerto,
sabe-se isso é certo,
sem dúvidas decerto,
é realidade concreta.



Por isso não me apresso,
meu passo tal o faço,
é assim, é assado.

Em ritmo de compasso,
a cada esquina dada,
ei-lo, o único espaço.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

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Em cada esquina,
o que me fascina,
qual será a sina,
caminho, o destino.

O futuro é incerto,
sabe-se isso é certo,
sem dúvidas decerto,
é realidade concreta.



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Por isso não me apresso,
meu passo tal o faço,
é assim, é assado.

Em ritmo de compasso,
a cada esquina dada,
ei-lo, o único espaço.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.




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É Findi - A Lenda - Poema - Por Felipe Bezerra*

30/10/2026

Louvo a língua de quem diz,
cuspindo a verdade real,
que não somos mais um país,
mas apenas um esgoto moral,
após o pleito presidencial.


Recife, 29 de outubro de 2026.


*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza


NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.


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Louvo a língua de quem diz,
cuspindo a verdade real,
que não somos mais um país,
mas apenas um esgoto moral,
após o pleito presidencial.


Recife, 29 de outubro de 2026.


*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza


NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.


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É Findi - "José" - Por Josué Sena*

30/10/2026

Do poema de Drummond, "José”,
O que, em glosa, há de se dizer,
Diante da densidade com que ele é,
Ao encarar a decadência do ser?

Alguém Sentiu angústia igual?
Alguém assim, tão José, de fato existe,
Alguém assim descreveu em que consiste
A situação de perplexidade tal?

Tudo perder, o futuro, a mulher, ter chaves,
No entanto, não possuir casas?
Diante desses e outros existenciais entraves,

Que acicatam ao modo de brasas,
Como fazer poesia com longas asas,
E veementes tons agudos e graves?


*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.



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Do poema de Drummond, "José”,
O que, em glosa, há de se dizer,
Diante da densidade com que ele é,
Ao encarar a decadência do ser?

Alguém Sentiu angústia igual?
Alguém assim, tão José, de fato existe,
Alguém assim descreveu em que consiste
A situação de perplexidade tal?

Tudo perder, o futuro, a mulher, ter chaves,
No entanto, não possuir casas?
Diante desses e outros existenciais entraves,

Que acicatam ao modo de brasas,
Como fazer poesia com longas asas,
E veementes tons agudos e graves?


*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.



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É Findi - Lançamento do ‘Contraponto’ - Livro dos nossos AJ Fontes* e Ana Pottes*

30/10/2026

Um diálogo entre a crônica e a poesia


Desde antes da primeira troca de olhares, a escrita já fazia parte de nossas vidas. Em algum momento passou a ser uma atividade compartilhada que preenche boa parte dos dias. Lemos, ouvimos e falamos ao outro sobre os textos produzidos.

Coluna ‘É FINDI’

O JORNAL O PODER chegou ao nosso conhecimento, há três anos em meio às conversas com amigos trazidos pelas atividades literárias que nos apresentavam. Carinhosamente acolhidos por Vida e Zé Nivaldo vimos a oportunidade de publicar periodicamente. Decidimos apresentar, um a cada semana, crônicas, contos e poemas na coluna ‘É FINDI’.

‘Contraponto’

No início de 2026 nos demos conta da coleção de textos que dispúnhamos. Foi quando resolvemos selecionar alguns deles, analisamos o modo de disposição que entendemos ser o melhor, convidamos amigos queridos para nos apresentar, escolhemos uma editora, e ho...

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Um diálogo entre a crônica e a poesia


Desde antes da primeira troca de olhares, a escrita já fazia parte de nossas vidas. Em algum momento passou a ser uma atividade compartilhada que preenche boa parte dos dias. Lemos, ouvimos e falamos ao outro sobre os textos produzidos.

Coluna ‘É FINDI’

O JORNAL O PODER chegou ao nosso conhecimento, há três anos em meio às conversas com amigos trazidos pelas atividades literárias que nos apresentavam. Carinhosamente acolhidos por Vida e Zé Nivaldo vimos a oportunidade de publicar periodicamente. Decidimos apresentar, um a cada semana, crônicas, contos e poemas na coluna ‘É FINDI’.

‘Contraponto’

No início de 2026 nos demos conta da coleção de textos que dispúnhamos. Foi quando resolvemos selecionar alguns deles, analisamos o modo de disposição que entendemos ser o melhor, convidamos amigos queridos para nos apresentar, escolhemos uma editora, e hoje apresentamos o nosso ‘Contraponto’. Ele é a nossa visão de uma conversa entre a crônica e o poema.

Convite

Nessa terça-feira, dia 03/11, no Furdunço Café e Cultura (Rua Gildo Neto, 92 - Tamarineira), esperamos os amigos à partir das 18h00, para a chegada do nosso ‘Contraponto’.


*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes



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É Findi - Malude Maciel* Chegando em Dose Dupla

30/10/2026

Trovas


Viver não é só trabalhar
É saber qual é sua paixão
Sendo bom o tempo gastar
Com coisas do coração

Sabemos como é bom amar
Ter a alma leve e pura
Esquecer e perdoar
Desafetos com ternura

No mundo onde falta amor
Temos a luz da criança
Sua pureza e valor
É da paz a esperança.



Perdas e Ganhos


A palavra "perder" é verbo
Difícil de conjugar
Mesmo querendo ser forte
Custa muito assimilar
Aceitar uma derrota
Não é bom de degustar

Em qualquer competição
Sempre um perde e outro ganha
O perdedor sai chorando
Noutro há alegria tamanha

Em todo jogo há risco
Isto é muito natural
Tem que se estar preparado
Para o resultado final

Porém, existem outras perdas
De...

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Trovas


Viver não é só trabalhar
É saber qual é sua paixão
Sendo bom o tempo gastar
Com coisas do coração

Sabemos como é bom amar
Ter a alma leve e pura
Esquecer e perdoar
Desafetos com ternura

No mundo onde falta amor
Temos a luz da criança
Sua pureza e valor
É da paz a esperança.



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Perdas e Ganhos


A palavra "perder" é verbo
Difícil de conjugar
Mesmo querendo ser forte
Custa muito assimilar
Aceitar uma derrota
Não é bom de degustar

Em qualquer competição
Sempre um perde e outro ganha
O perdedor sai chorando
Noutro há alegria tamanha

Em todo jogo há risco
Isto é muito natural
Tem que se estar preparado
Para o resultado final

Porém, existem outras perdas
De cunho particular
Perdem-se: pessoas, coisas, afetos
Nem tudo dá pra guardar

Que nunca se perca a esperança
A vergonha e a coragem de viver
Com o restante a gente vence
No que tem que acontecer.


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel



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É Findi – Alguns Fatos Relevantes Acontecidos no Recife - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

30/10/2026

30 Março de 1595 - O Pirata e Comerciante Inglês James de Lancaster invade o Recife e por aqui permanece por algumas semanas saqueando e cometendo outras arbitrariedades.

13 de agosto de 1636 - Criação do Primeiro Serviço de Extinção de Incêndios das Américas - Cia. dos Brandtmeester. No mesmo ano, no período holandês no Brasil, tivemos: A Primeira Assembleia Legislativa na América Latina, e o Primeiro Farol do Litoral Brasileiro.


28 de outubro de 1811 – Terremoto no Recife.

3 de março de 1895 - Assassinato do Dr. José Maria – Jornalista da Oposição.

17 de janeiro de1910 - Morte de José Maria.

8 de junho de 1912 - Morte do líder popular Dr. José Mariano.

11 de Agosto de 1913 - Assassinato do Jornalista da Oposição Trajano Chacon.



5 de junho de1922 – Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul Gago Coutinho e Sacadura Cabral.

22 de março de 193...

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30 Março de 1595 - O Pirata e Comerciante Inglês James de Lancaster invade o Recife e por aqui permanece por algumas semanas saqueando e cometendo outras arbitrariedades.

13 de agosto de 1636 - Criação do Primeiro Serviço de Extinção de Incêndios das Américas - Cia. dos Brandtmeester. No mesmo ano, no período holandês no Brasil, tivemos: A Primeira Assembleia Legislativa na América Latina, e o Primeiro Farol do Litoral Brasileiro.


28 de outubro de 1811 – Terremoto no Recife.

3 de março de 1895 - Assassinato do Dr. José Maria – Jornalista da Oposição.

17 de janeiro de1910 - Morte de José Maria.

8 de junho de 1912 - Morte do líder popular Dr. José Mariano.

11 de Agosto de 1913 - Assassinato do Jornalista da Oposição Trajano Chacon.



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5 de junho de1922 – Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul Gago Coutinho e Sacadura Cabral.

22 de março de 1930 – 1º Pouso do Dirigível Zeppelin no Continente Americano.

26 de julho de1930 – Assassinato de João Pessoa - Estopim da Revolução de Trinta.

3 de março de 1945 - Assassinato de Democrinho, líder estudantil.

17 de julho de 1956 - Desabamento do prédio da Loja 4 e 400.

25 de janeiro de 1961 – Capitão Galvão, opositor de Salazar, Sequestra o Navio Santa Maria, trazendo-o para o Recife.

20 de julho de1975 – Boato do Tapacurá.

12 de maio de 1985 – Incêndio no Navio Jatobá - Participação Heroica do Prático Nelcy da Silva Campos.


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras e Sócio Benemérito do IAHGP.



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É Findi - Quase um Poema - Por Romero Falcão*

30/10/2026

o que é um poema?
hoje, é qualquer coisa?

um esconde-esconde
entre o visível e o invisível?

em que estado
o poema alcança o poeta?
quando está despido
das vestes bestiais:
comer, beber, dormir,
transar?

o poema tem força,
faísca, fascínio?
encara a escuridão,
o raio, o rio, o riso?

o poema apodrece
na primeira esquina
ou é imperecível ao tempo?

onde habita o poema?
o que ele come?
mora no pássaro tão leve
que explode
e se alimenta do ódio do homem?

o que fica
depois de ler um poema?
ele persiste, pesa, fere
ou vira anúncio de jornal?

o que seria um poema?
a beleza do estorvo,
ternura vigarista
de paletó e gravata?

isto aqui seria quase um poema
se não fosse
uma cabeça de cobra e imaginação pequena

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o que é um poema?
hoje, é qualquer coisa?

um esconde-esconde
entre o visível e o invisível?

em que estado
o poema alcança o poeta?
quando está despido
das vestes bestiais:
comer, beber, dormir,
transar?

o poema tem força,
faísca, fascínio?
encara a escuridão,
o raio, o rio, o riso?

o poema apodrece
na primeira esquina
ou é imperecível ao tempo?

onde habita o poema?
o que ele come?
mora no pássaro tão leve
que explode
e se alimenta do ódio do homem?

o que fica
depois de ler um poema?
ele persiste, pesa, fere
ou vira anúncio de jornal?

o que seria um poema?
a beleza do estorvo,
ternura vigarista
de paletó e gravata?

isto aqui seria quase um poema
se não fosse
uma cabeça de cobra e imaginação pequena


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda



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