imagem noticia

É Findi - Únicos - Poema - Por Felipe Bezerra*

06/11/2026

imagem noticia
Eu, você e os filhos
somos firme laço
de poeira estelar,
amor espesso e poesia,
que, com cuidado, guia
nossas vidas e passos.

Assim construímos
o sonho do carbono
dançando sobre átomos,
sinapses e alegrias,
frutos do sopro invisível
e do divino compasso.

Por isso, ao tocarmos
o férreo cheiro da pedra,
que caiu da atmosfera,
semeamos a sinestesia
do jardim-universo,
em nosso inigualável espaço.


*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza



NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores.


O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

imagem noticia
Eu, você e os filhos
somos firme laço
de poeira estelar,
amor espesso e poesia,
que, com cuidado, guia
nossas vidas e passos.

Assim construímos
o sonho do carbono
dançando sobre átomos,
sinapses e alegrias,
frutos do sopro invisível
e do divino compasso.

Por isso, ao tocarmos
o férreo cheiro da pedra,
que caiu da atmosfera,
semeamos a sinestesia
do jardim-universo,
em nosso inigualável espaço.


*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza

imagem2


NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores.


O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

Leia outras informações

imagem noticia

É Findi - A Pisada Certa - Crônica - Por Ana Pottes*

06/11/2026

Já faz uns bons dias que ando cuidando do meu calcanhar para caminhar sem tropeços mais severos pelos caminhos da vida. Não sei como se deu o fato, só sei que, após uma aula de pilates, entre alongamentos, pontes e outros movimentos, o calcanhar gritou.

Seu Aquiles, sensível que é, solicitou atenção completa. Fiz ouvidos moucos e continuei tentando a pisada certa.

Entretanto, passada uma semana, senti uma fisgada na coluna vertebral e, em análise profunda diante do espelho, me dei conta de um quadril reclamante.

Corre em boca miúda a conversa de não se 'sessentar' sem dores. E, como já estou bem sentada nos 'enta', do alto do meu orgulho pensava: que história! É só cuidar bem de manter o corpo saudável e em dia.

O problema foi não ter prestado atenção nos movimentos dos dias e que o dia havia mudado e agora, bem datado, apontava para dores doídas e doidas.

A clínica ortopédica foi o alvo de uma visita de emergê...

imagem noticia

Já faz uns bons dias que ando cuidando do meu calcanhar para caminhar sem tropeços mais severos pelos caminhos da vida. Não sei como se deu o fato, só sei que, após uma aula de pilates, entre alongamentos, pontes e outros movimentos, o calcanhar gritou.

Seu Aquiles, sensível que é, solicitou atenção completa. Fiz ouvidos moucos e continuei tentando a pisada certa.

Entretanto, passada uma semana, senti uma fisgada na coluna vertebral e, em análise profunda diante do espelho, me dei conta de um quadril reclamante.

Corre em boca miúda a conversa de não se 'sessentar' sem dores. E, como já estou bem sentada nos 'enta', do alto do meu orgulho pensava: que história! É só cuidar bem de manter o corpo saudável e em dia.

O problema foi não ter prestado atenção nos movimentos dos dias e que o dia havia mudado e agora, bem datado, apontava para dores doídas e doidas.

A clínica ortopédica foi o alvo de uma visita de emergência, sem contudo dar conta do processo. Diminuiu, confesso, mas na semana seguinte lá estava eu, de novo, na sala de espera, para consultar o meu pé com um doutor que também é habitante deste universo datado.

Aqui devo agradecer aos céus tal sintonia entre as idades, pois, seguindo o manual hipocrático, a avaliação teve início: apalpa, observa, solicita que caminhe, conversa e indaga sobre o que ando fazendo, olha a imagem na tela do computador e dá o veredito: sessões de fisioterapia.

Saí acreditando no processo milagroso e já se vão dez sessões com uma profissional competente, minha conhecida de outras eras doloridas. A dor tão doída de lá atrás, agora aparece como uma sombra acompanhando meus passos e pensamentos.

O mês de outubro se foi, repleto de novidades e grandes movimentos. Hoje, passado o furor daqueles dias, chego a pensar ter sido escolhida pelos mistérios do além para que enviasse uma mensagem de peso a um certo presidenciável.

Afinal, o calcanhar de Aquiles dolorido foi o do meu pé direito.


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes



imagem 2




O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.




imagem noticia

É Findi - Velha Casa - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

06/11/2026

Quantos sonhos esquecidos
Velha casa, hoje perdida
Quantas vidas, aqui vividas
Saudosa memória, guardada

Nobre em outros tempos
À distância já se impunha
O viajante era testemunha
Do respeitoso espaço-tempo



Se em paz se achegasse
Agasalhava qual doce lar
O estranho que passava

A família que ali morava
Não distinguia a classe
Daqueles que ia abrigar.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

imagem noticia

Quantos sonhos esquecidos
Velha casa, hoje perdida
Quantas vidas, aqui vividas
Saudosa memória, guardada

Nobre em outros tempos
À distância já se impunha
O viajante era testemunha
Do respeitoso espaço-tempo



imagem 2




Se em paz se achegasse
Agasalhava qual doce lar
O estranho que passava

A família que ali morava
Não distinguia a classe
Daqueles que ia abrigar.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



imagem 3




O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.




imagem noticia

É Findi – Faz um 'L' - Por Poeta Pica-Pau*

06/11/2026

Dez milhões de eleitores
Fizeram a diferença
Bora Lula, vira Lula
Esse é o grito de guerra
De quem usa a consciência

Bora Lula, vira Lula
O gigante acordou
Entre a noite e o dia
Acordou a juventude
O idoso que não se ilude
E viva a democracia

Faz um L
Porque o L é lutar por liberdade
Faz um L
Porque o L conquistou o mundo inteiro
Faz um L companheiro
Faz um L, faz um L
Lula da Silva é patriota, é brasileiro
Lula da Silva é patriota, é brasileiro

Faz um L aí!


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau


NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.


O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer...

imagem noticia

Dez milhões de eleitores
Fizeram a diferença
Bora Lula, vira Lula
Esse é o grito de guerra
De quem usa a consciência

Bora Lula, vira Lula
O gigante acordou
Entre a noite e o dia
Acordou a juventude
O idoso que não se ilude
E viva a democracia

Faz um L
Porque o L é lutar por liberdade
Faz um L
Porque o L conquistou o mundo inteiro
Faz um L companheiro
Faz um L, faz um L
Lula da Silva é patriota, é brasileiro
Lula da Silva é patriota, é brasileiro

Faz um L aí!


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau


NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.


O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.




imagem noticia

É Findi – Sonho de Dois Chicos - Crôniqueta - Por Xico Bizerra*

06/11/2026

Eram dois Chicos. Um, o Braçim, tinha esse complemento no nome por referência ao pai, que num acidente de ônibus teve amputado seu braço direito. Dele herdou o apelido e o gosto pelo jogo. Nunca houve nas redondezas da rua Francisco Parreão e áreas adjacentes, bairro de Nazaré, em Fortaleza, um craque igual a ele, artilheiro nato. Tudo bem que seus dotes de artilheiro se deviam, em grande parte, às assistências, como se diz hoje, que lhe proporcionava o outro Chico, o Cabecinha. Afinal de contas, ser 'garçom' no futebol é fundamental para a consecução do gol. Sonhavam, os dois, em ser jogadores de futebol. Inteligente, Cabecinha fazia jus ao apelido pela circunferência exagerada de sua cabeça.

O hábil e oportunista Braçim era um Ronaldinho Gaúcho nordestino, um Messi caboclo e, por que não dizer? um Pelé cabeça chata. Um Mestre na arte do drible, perito no saber fazer gol. Azar o de Zagalo que não o descobriu a tempo de levá-lo ao México, em 70. Sorte de Tostão.
...

imagem noticia

Eram dois Chicos. Um, o Braçim, tinha esse complemento no nome por referência ao pai, que num acidente de ônibus teve amputado seu braço direito. Dele herdou o apelido e o gosto pelo jogo. Nunca houve nas redondezas da rua Francisco Parreão e áreas adjacentes, bairro de Nazaré, em Fortaleza, um craque igual a ele, artilheiro nato. Tudo bem que seus dotes de artilheiro se deviam, em grande parte, às assistências, como se diz hoje, que lhe proporcionava o outro Chico, o Cabecinha. Afinal de contas, ser 'garçom' no futebol é fundamental para a consecução do gol. Sonhavam, os dois, em ser jogadores de futebol. Inteligente, Cabecinha fazia jus ao apelido pela circunferência exagerada de sua cabeça.

O hábil e oportunista Braçim era um Ronaldinho Gaúcho nordestino, um Messi caboclo e, por que não dizer? um Pelé cabeça chata. Um Mestre na arte do drible, perito no saber fazer gol. Azar o de Zagalo que não o descobriu a tempo de levá-lo ao México, em 70. Sorte de Tostão.

E assim foi até que surgiu para Braçim a oportunidade de ir para a ‘peneira’ do Calouros do Ar, que disputava o campeonato cearense. Convocado, convocou o outro Chico para acompanhá-lo. Foram, os dois Chicos. Desabituados a jogar de chuteiras, fracassaram. Foram dispensados. Ainda tentaram a sorte no time do colégio em que estudavam, o Piamarta, disputante da segunda divisão cearense. O Treinador Pompeu, italiano grosso que só papel de embrulhar prego, mão gostou do que viu e também dispensou os dois. Bem que futebol poderia ser jogado de pés descalços ...

De Braçim não se teve mais notícias. Do outro Chico, o Cabecinha, diz-se que foi embora para o Recife, passou a chamar-se Xico com ‘X’, substituiu o apelido pelo sobrenome real, Bizerra, e hoje faz músicas e escreve crônicas semanais, remoendo lembranças de um tempo em que sonhar era possível. Quem lhe ouve ou lê talvez preferisse que ele tivesse dado certo como jogador de futebol ...


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico



imagem 2




O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.




imagem noticia

É Findi – Os Cinemas do Recife - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

06/11/2026

O teatro foi quem mais contribuiu para a divulgação da “Sétima Arte”.


No principal Teatro de Pernambuco, o portentoso Santa Isabel, a partir de 1895, passaram a funcionar as companhias itinerantes, como, por exemplo a “Cinematográfico Herver” procedente de Paris, que já em meados de 1908, fazia sua terceira apresentação na Veneza Brasileira. Exibia algumas fitas como o onipresente e indefectível “Paixão de Cristo” e os flagrantes da Exposição Nacional do Rio de Janeiro, conforme consta na obra “Clã do Açúcar”, de Lemos Filho, 1960.

As sessões de Cinema foram, por várias décadas, no Recife um dos “Pontos de Encontro” mais importantes, responsáveis por românticos namoros tanto reais, nas salas, e redondezas como irreais, nas telas.

Os reais eram continuados nas sorveterias e nos parques. Os irreais, através de revistas e de notícias holiwoodianas das “Mocinhas”e principalmente, dos galãs: Rodolfo Valentino, Glabel, Tony Kurtis e...

imagem noticia

O teatro foi quem mais contribuiu para a divulgação da “Sétima Arte”.


No principal Teatro de Pernambuco, o portentoso Santa Isabel, a partir de 1895, passaram a funcionar as companhias itinerantes, como, por exemplo a “Cinematográfico Herver” procedente de Paris, que já em meados de 1908, fazia sua terceira apresentação na Veneza Brasileira. Exibia algumas fitas como o onipresente e indefectível “Paixão de Cristo” e os flagrantes da Exposição Nacional do Rio de Janeiro, conforme consta na obra “Clã do Açúcar”, de Lemos Filho, 1960.

As sessões de Cinema foram, por várias décadas, no Recife um dos “Pontos de Encontro” mais importantes, responsáveis por românticos namoros tanto reais, nas salas, e redondezas como irreais, nas telas.

Os reais eram continuados nas sorveterias e nos parques. Os irreais, através de revistas e de notícias holiwoodianas das “Mocinhas”e principalmente, dos galãs: Rodolfo Valentino, Glabel, Tony Kurtis e Elvis Presley, entre outros.

O Cinema teve nos “Animatógrafos”, um de seus ancestrais. As primeiras salas de projeção das películas cinematográficas no Recife, surgiram, por volta de 1909, com as inaugurações na Rua Nova dos três primeiros:

O Royal, o Pathe e o Vitória.

Conforme declara Edvaldo Arrelio em “Recife de ontem e de hoje”- "Embora houvesse boa doze de ceticismo por parte do povo, quanto ao sucesso da sétima arte entre nós, meses depois da inauguração do “Pathe”, o primeiro cinema permanente do Recife, foi inaugurado também na Rua Barão da Vitória, hoje Nova, o Cinema Royal e logo após surgiu o Cine Vitória, destinado a um público menos exigente.

Cineteatro-Helvética

Misto de Teatro, Café Concerto e Bar-Restaurante, foi inaugurado em 26 de junho de 1910. Localizava-se no prédio número 50 da Rua da Imperatriz e era propriedade de “Girot & Cia”.

Local dos mais “chics” e bem freqüentados da época, durante a primeira metade do século, testemunho de grande acontecimentos sociais e políticos como o atentado seguido de morte do Jornalista Trajano Chacon, durante a Companha Dautista X Rosista, em 1913.

No final da tarde de 9 de janeiro de 1920, sofreu um grandioso incêndio que causou sérios danos ao estabelecimento.

Após as necessárias reformas foi reaberto. Por volta de 1928 era o Cineteatro novamente restaurado e entregue ao público, com pomposa festa, exibindo na oportunidade o filme “The Big Parade”de King Vedor.

Finalmente em 24 de março de 1930 era essa casa transformada no “Cemegal” um centro de diversões. O Helvética, com modificações em suas atividades, funcionou até o início da década de 60.

Cine Polytheama

Inaugurado em 25 de outubro de 1911 era dirigido por Eustórgio Vanderley. Se localizava na Rua Barão de São Borja. Em 1932, quando já pertencia a Empresa Severiano Ribeiro, inaugurou seu aparelho sonoro, o Kenetophone.



imagem 2




Cine Moderno

Inaugurado em 15 de maio de 1913, na Praça da Concórdia, depois Praça Joaquim Nabuco, pertenceu inicialmente ao Coronel Agostinho Bezerra Cavalcanti (homônimo do herói da Confederação do Equador) e a Carneiro da Cunha. No começo funcionava apenas como Teatro, depois como Cineteatro, em 1915 instalou o Kinetophone ou a máquina falante, como era popularmente conhecida.

Em 1933 o Moderno pertencia à firma Fernandes Marques & Cia (Cinearte VII – 1933, pág. 37) segundo o Sr. Alcides Pimentel, antigo representante da U.F.A no Nordeste, possivelmente o 2º proprietário desse estabelecimento foi a firma Libório & Risdel quando surgiu a edição do “Moderno Jornal”.

Nos anos 20, o Moderno passava para as mãos de novos proprietários. Alfredo e Tancredo Bandeira. Nessa ocasião, mais precisamente em dezenove de julho, o Moderno realizava o primeiro espetáculo cinematográfico, promovido pelo “The Noving Picture Exibition of Bristish Industries”.

Em 1929, houve um desentendimento entre Bandeira e Alfredo, tendo o segundo se afastado para tentar (e conseguiu) o arrendamento do Teatro do Parque, por um período de 25 anos (Fonte Diário de Pernambuco de 12/04/1929).

Em 1930, após um breve período de desativação é reintegrado em 17 de junho, e, nessa ocasião foi exibido, pela primeira vez, um filme sonoro “Folies 1929”.

Em 1934, esse cinema foi arrendado a Luiz Severiano Ribeiro.

Cine Ideal

Era situado no Pátio do Terço, nº 61, Bairro de São José, pertencia a Manoel S. Ramos, foi inaugurado em 15 de novembro de 1915.
Esse cinema tinha uma peculiaridade interessante, possuía 1ª classe, com 250 assentos e 2ª classe com 217.

Em 1930, pertencia ao Sr. Álvaro Ferreira Leite. Foi o primeiro cinema de classe popular a aparelhar-se para a exibição de filmes sonoros, o que ocorreu em julho de 1930 com o filme “Inocentes em Paris”.

Cinema do Parque

Sobre essa casa de diversões tratamos, quando dissertamos sobre os Teatros no Recife. Essa abordagem, no entanto, é feita sob o ponto de vista cinematográfico.
Inaugurado em 24 de novembr
o de 1921, localizado como vimos na Rua do Hospício nº 81.
A sua festa de inauguração angariou fundos para construção de uma maternidade.
Em 1929 era reformado pela empresa Luiz Severiano Ribeiro a quem passou a pertencer.

É um dos mais antigos do Recife, sendo contemporâneo ao Helvética na Rua da Imperatriz e ao Royal e o Pathe, da Rua Nova.
A edição do Jornal Pequeno de 22 de fevereiro de 1930, notícia o grande sucesso alcançado pelo Parque com a sincronização às canções do filme “Volga Volga”, com uma eletrola Victor. Esta eletrola segundo Fernando Spencer era do modelo igual ao do Cine Polyteama que substituiu, definitivamente a orquestra controlada.

Cine Glória

Das salas de projeção, esta era sem dúvidas, a mais popular e tradicional, entre os cinemas do centro do Recife. Famoso pelas suas sessões da tarde tinha seu público bastante influência pelos freqüentadores do Mercado de São José e da Praça D. Vital.

Foi inaugurado em 4 de setembro de 1926 com a exibição do filme “Flores Mulheres e Perfumes”, possuía 233 lugares.

Localizado na Rua Direita, 123/127, Bairro de São José, com sua frente voltada para a Praça D. Vital, teve seu edifício tombado em 28.02.83 pelo Patrimônio Histórico Estadual, através do Decreto Estadual.

Em 1990 já sob a administração da filha de seu fundador, Maria José Ferreira Leite, era quase um empreendimento familiar, mantendo tradições há muito desaparecidas como o “programa duplo”, a exibição de fitas de gosto popular à preferência de espectadores locais.

O tombamento do Cinema Glória, segundo equipe de exame técnica da FUNDARPE, visou garantir a permanência daquela antiga Casa de exibição do Recife, ameaçada de extinção, como ocorreu com 32 cinemas da cidade nos últimos 25 anos.

A partir do início do ano de 1922 funcionavam no Recife os seguintes cinemas:

• Parque – Rua do Hospício;
• Moderno – Praça Joaquim Nabuco;
• Helvética – Rua da Imperatriz;
• Royal – Rua Nova com dois salões: Salão das Rosas e Salão Chrsysonthemos.
• Polythema – Rua Barão de São Borja;
• Ideal – Largo do Terço;
• São José – Largo de São José.

Em 2 de novembro de 1932, a Revista Cinearte divulgava a existência de 15 cinemas a saber:

- Glória, São José, Parque, Moderno, Royal, Polytheama, Espinheirense, Encruzilhada, Pina, Central, Real, São Paulo, Casa Forte e Ideal, todos sonoros.

No entanto, começaram a surgir novos cinemas, principalmente no centro do Recife.



imagem 3




Art Palácio

Inaugurado em 16 de maio de 1940, de propriedade de Hugo Sorrentei, localizado na rua da Palma, durante sua inauguração se fizeram presentes o governador Agamenon Magalhães e o Prefeito Novais Filho. Nessa ocasião foi exibido o filme “Noites Anadaluzes” da U.F.A, cinema Alemão.

Lamentavelmente, no entanto, a exemplo de tantos outros, essa casa de projeção fechou, no ano de 1993.

Trianon

Inaugurado cinco anos depois do seu vizinho, o ART-PALÁCIO, localizado no início da Avenida Guararapes, teve como primeiro proprietário o mesmo Hugo Sorrentino.

Durante as últimas décadas de sua existência era, justamente com o Art-Palácio, os únicos cinemas de primeira linha, que não pertenciam ao grupo Severiano Ribeiro.

Atualmente se cogita a construção de um “Shopping Center”, utilizando-se todo o prédio onde funcionava essa tradicional sala de projeção.

São Luís

Operando desde 6 de setembro de 1952 no térreo do edifício Duarte Coelho, na esquina da Rua da Aurora, com a Conde da Boa Vista, onde outrora existiu o Templo dos Ingleses.

Constitui-se na maior sala de projeção do Recife, com 1.400 poltronas.

Dos mais belos e majestosos cinemas de nossa capital é de propriedade do grupo Severiano Ribeiro.

Até o início da década de sessenta, era obrigatório o uso de paletó entre os seus freqüentadores.

Em suas dependências funcionava em meados da década de 60, 0 cinema de Arte, que exibia uma sessão com filmes de alto nível, nos sábados pela manhã, bastante freqüentada por estudantes adolescentes.

Surgiram mais recentemente três cinemas no centro do Recife.

O Cine Veneza, instalado num grande prédio da Rua do Hospício, 333. Também pertence ao grupo de Luiz Severiano Ribeiro, foi inaugurado em 15 de dezembro de 1970 com o filme “Aeroporto”, constitui-a num dos mais luxuosos e bem aparelhado do Recife, possuia 800 poltronas estofadas.



imagem 4




Posteriormente foram inaugurados mais dois, ambos na esquina da Rua do Hospício com a Avenida Visconde de Suassuna, são o RITZ e o ASTOR.

Segundo informações colhidas em Recife de Ontem e de Hoje, de Edvaldo Arlego, diante do sucesso do cinema, o Recife se aventurou à empresa cinematográfica, criando o “Círculo do Recife”, quando várias produções locais foram realizadas e algumas delas chegaram a impressionar pela sua qualidade, como foi o caso do filme "A Filha do Advogado”, estreado por Jota Soares, que se tornou a figura mais expressiva de nossa cinematografia.

“Com o advento da TV e mais aproximadamente com o vídeo cassete as casas exibidoras sofreram grande abalo, chegando a acabar a maioria dos cinemas de bairro. Assim, fecharam suas portas os cinemas: Real, Torre, Modelo, na Madalena; Dicui, no Monteiro; Eden, Encruzilhada; Espinheirense e Recife, na Encruzilhada; Beberibe no Bairro do mesmo nome; Rivoli, Casa Amarela; Luan, em Casa Forte; Império em Água Fria; Vera Cruz em Campo Grande; Coliseu na Tamarineira; Eldorado e Pathe, em Afogados; Cordeiro, Caxangá, Brasil e Iputinga, na Avenida Caxangá; Boa Vista, Politeama e Soledade na Boa Vista; São José e Ideal, no bairro de São José, Guararapes em Areias; Santo Amaro no bairro do mesmo nome e ainda o Olímpia, o Ipojuca, o Pompéia 06 High Life e o Panteon, entre outros. Mas, como Fênix a ressurgir das próprias cinzas, os exibidores adaptaram suas casas às novas condições criando salas menores, reduzindo o custo operacional de investimentos e com isso o cinema vem se revigorando, para o bem dos aficionados da “ sétima arte”" (a.ob. cits.). (Neste capítulo recebemos valiosas informações de Fernando Spencer).


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras e Sócio Benemérito do IAHGP.



imagem 5




O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.




imagem noticia

É Findi - Lendo o Poeta Romero Falcão* - Um Diálogo de Poemas - Por Josué Sena*

06/11/2026

Parabéns Romero Falcão.
Então, se me permites opinião, escreves
Porque nada deves
Ao dever e à paixão.

Escreves porque tens talento
Para a lira abraçar
E não cabe desperdiçar
O criativo momento.

Escreves porque vês longe
E tens altos sonhos.
Porque talvez te sintas monge

Do credo na escrita que anuncias.
Vê. Para ler o que escreves, ponho
Atentas e fraternas minha prosa e poesia.



O que Sou o que Sei


Não cometerei agora a proeza
De afirmar quem realmente sou,
Se até me falta a certeza
Das incertezas em que vou.

Sei, socraticamente, que não sei,
Assim não afirmo se estou,
Se fui poeta ou se serei
Ou alguém assim me notou.

Reconheço que faço verso,
Com a pressa de todo dia,
Mas a voz com quem converso

Não fala co...

imagem noticia

Parabéns Romero Falcão.
Então, se me permites opinião, escreves
Porque nada deves
Ao dever e à paixão.

Escreves porque tens talento
Para a lira abraçar
E não cabe desperdiçar
O criativo momento.

Escreves porque vês longe
E tens altos sonhos.
Porque talvez te sintas monge

Do credo na escrita que anuncias.
Vê. Para ler o que escreves, ponho
Atentas e fraternas minha prosa e poesia.



imagem 2




O que Sou o que Sei


Não cometerei agora a proeza
De afirmar quem realmente sou,
Se até me falta a certeza
Das incertezas em que vou.

Sei, socraticamente, que não sei,
Assim não afirmo se estou,
Se fui poeta ou se serei
Ou alguém assim me notou.

Reconheço que faço verso,
Com a pressa de todo dia,
Mas a voz com quem converso

Não fala com minha melancolia.
Então, do trivial, vejo-me diverso,
Não sendo incomum todavia.



imagem 3




Digressões “hamletianas”


Sei, inspiração, que deveras não amas
A realeza nem o príncipe Hamlet,
Pelos erros que a ingenuidade comete
Frente, do destino, às tramas.

Sei que no ambiente do palácio
De Elsinore, na Dinamarca,
Onde tantos fios cortou Átropos, a Parca,
Preferes o comportamento de Horácio.

Sei que bem adotas quando mergulhada,
O que o manual de sobrevivência diz.
Sei que teu vigor não combina

Com Ofélia, a semilouca infeliz,
E não terias a trágica sina
De uma inerme e inútil afogada.


Horácio é o grande amigo e confidente do príncipe Hamlet. É um homem sensato, fiel e equilibrado, que acompanha Hamlet durante os acontecimentos trágicos da peça.
Diferentemente de outros personagens, não demonstra ambição pelo poder, necessidade de reconhecimento ou desejo de protagonismo.



*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.


O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.




imagem noticia

É Findi - Escrevo - Poema - Por Romero Falcão*

06/11/2026

Por que escrevo todos os dias?
Ora, com a obrigação dos casados
Ora, com o sexo selvagem dos amantes

Por que escrevo todos os dias?
um sacerdócio do ócio
ofício sem garantia

Por que escrevo todos os dias?
trem que me bate
num ataque à ferrovia

Por que escrevo todos os dias?
porque meus grandes defeitos
são estreitos de uma casa vazia


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores.


O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

imagem noticia

Por que escrevo todos os dias?
Ora, com a obrigação dos casados
Ora, com o sexo selvagem dos amantes

Por que escrevo todos os dias?
um sacerdócio do ócio
ofício sem garantia

Por que escrevo todos os dias?
trem que me bate
num ataque à ferrovia

Por que escrevo todos os dias?
porque meus grandes defeitos
são estreitos de uma casa vazia


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores.


O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.




imagem noticia

Movimento pela reativação do Festival de Frevo da Cidade do Recife - Por Ricardo Andrade*

06/11/2026

Reunião no Paço do Frevo, ontem, convocada pela Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura, ao lado do Movimento pela reativação do Festival de Frevo da Cidade do Recife. Mário Jarbas da FCCR(Fundação de Cultura), Márcia Souto(secretária executiva da Secretaria de Cultura) e Luciana Félix(Gestora do Paço do Frevo) apresentaram o edital do último festival, o de 2018.

Ricardo Andrade

Segundo o cantor/compositor Ricardo Andrade, "essa escuta pública, a segunda realizada, marca não apenas a retomada do Festival, mas seu formato e caráter plural, democrático e contemporâneo, feito por muitas mãos, mentes e corações".



Secretária Milu Megale

Após intenso debate, a Secretária Milu Megale coordenou o processo e alguns consensos foram definidos através do voto dos presentes. O edital será formulado e lançado para 2027, uma conquista, fruto de uma mobilização e articulação, com mais de 2 anos.

imagem noticia

Reunião no Paço do Frevo, ontem, convocada pela Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura, ao lado do Movimento pela reativação do Festival de Frevo da Cidade do Recife. Mário Jarbas da FCCR(Fundação de Cultura), Márcia Souto(secretária executiva da Secretaria de Cultura) e Luciana Félix(Gestora do Paço do Frevo) apresentaram o edital do último festival, o de 2018.

Ricardo Andrade

Segundo o cantor/compositor Ricardo Andrade, "essa escuta pública, a segunda realizada, marca não apenas a retomada do Festival, mas seu formato e caráter plural, democrático e contemporâneo, feito por muitas mãos, mentes e corações".



imagem 2




Secretária Milu Megale

Após intenso debate, a Secretária Milu Megale coordenou o processo e alguns consensos foram definidos através do voto dos presentes. O edital será formulado e lançado para 2027, uma conquista, fruto de uma mobilização e articulação, com mais de 2 anos.



imagem 3




Presentes

Estiveram presentes, dentre outros, nomes como, Getúlio Cavalcanti, Nena Queiroga, Romero Ferro, Rominho(Som da Terra), Dudu (Quinteto Violado), Carlos Brasil, Luiz Fernando Poeta, Júnior Vieira, Valéria Moraes(Coral Edgar Moraes) os Maestros Marco César e Lúcio Sócrates, Kátia Calheiros, Carlos Dantas, Carlinhos Montarroios, Fátima de Castro, e a produtora Michelle Michillles.


*Ricardo Andrade, é Historiador, Mestre em Gestão Pública (Fundaj) e Presidente do IHGAAP (Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico, Antropológico do Paulista). @ricardo060370



imagem 4




NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




imagem noticia

Pernambucano José Delano Está Pronto para sua Segunda Luta no UFC - Por Daniel Cipó*

06/11/2026

O intrépido lutador recifense José Delano, de 30 anos, está mais do que preparado para sua segunda participação no maior evento de artes marciais mistas do mundo, o todo-poderoso Ultimate Fighting Championship, UFC. A programação será realizada neste próximo sábado, 07/11, no ginásio Meta Apex, em Las Vegas, Nevada, nos Estados Unidos.

Preparação

Delano fez mais uma vez a preparação no Rio de Janeiro, na equipe Brazilian Top Team, sob a supervisão do ex-campeão do UFC Murilo Bustamante.

Treinador

Na viagem, terá como treinador o carioca Vitor Pimenta, que já lutou MMA em Recife contra o pernambucano Rafaello "Tractor" em 2007. Também integra a equipe seu fisioterapeuta de longa data, Felipe Maia.

O combate

Com cartel de 17 vitórias e 3 derrotas, Delano enfrentará Murtazali Magomedov, de 27 anos, do Quirguistão, que soma 11 vitórias e nenhuma derrota. A disputa será na categori...

imagem noticia

O intrépido lutador recifense José Delano, de 30 anos, está mais do que preparado para sua segunda participação no maior evento de artes marciais mistas do mundo, o todo-poderoso Ultimate Fighting Championship, UFC. A programação será realizada neste próximo sábado, 07/11, no ginásio Meta Apex, em Las Vegas, Nevada, nos Estados Unidos.

Preparação

Delano fez mais uma vez a preparação no Rio de Janeiro, na equipe Brazilian Top Team, sob a supervisão do ex-campeão do UFC Murilo Bustamante.

Treinador

Na viagem, terá como treinador o carioca Vitor Pimenta, que já lutou MMA em Recife contra o pernambucano Rafaello "Tractor" em 2007. Também integra a equipe seu fisioterapeuta de longa data, Felipe Maia.

O combate

Com cartel de 17 vitórias e 3 derrotas, Delano enfrentará Murtazali Magomedov, de 27 anos, do Quirguistão, que soma 11 vitórias e nenhuma derrota. A disputa será na categoria peso leve, até 70kg.

Ambos vêm de vitória e farão sua segunda apresentação no octógono mais famoso do mundo.



imagem 2




Programação do UFC Las Vegas 124

Na luta principal, o brasileiro Johnny Walker encara Waldo Cortes-Acosta, da República Dominicana, pela categoria dos pesos-pesados.

O evento contará ainda com uma participação maciça de brasileiros.


Onde assistir?

Para acompanhar o evento, basta ter uma assinatura da Paramount+ e selecionar a transmissão do UFC Las Vegas 124, que começará às 18h, com o card principal previsto para as 22h.


Confira o card completo:


Lutas principais


Waldo Cortes-Acosta vs. Johnny Walker
Tatiana Suarez vs. Virna Jandiroba
Davey Grant vs. Elijah Smith
Billy Elekana vs. Lucas Fernando
Priscila Cachoeira vs. Nina Nikolija Miloševi?
Mitch Raposo vs. Marcos Degli


Lutas preliminares


Keiichiro Nakamura vs. Ollie Schmid
Gabriel Lorenço vs. Thomas Petersen
Karine Silva vs. Gabriella Fernandes
JOSÉ DELANO vs. Murtazali Magomedov
Austin Bashi vs. Carlos Calderon
Mantas Kondratavi?ius vs. Andre Petroski
Ko Seok-hyeon vs. Wellington Turman
Jonny Parsons vs. José Henrique Souza


*Daniel Cipó, é professor de artes marciais e colaborador de O Poder. Comanda o Cipó Studio, um espaço focado em treinamento de alta performance para lutas como Muay Thai, Kickboxing, Boxe e MMA.



imagem 3




NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




imagem noticia

Estados Unidos: O Aproveitamento do Patrimônio Militar Estratégico, a Cultura de Defesa e a Transferência de Armas Históricas ao Mercado Civil - Por Amadeu Robalinho*

06/11/2026

Uma análise sobre o Civilian Marksmanship Program (CMP), a preservação do patrimônio militar, a formação esportiva e a relação entre sociedade, Estado e capacidade estratégica norte-americana.


A gestão dos recursos militares de uma nação não termina necessariamente quando determinado equipamento deixa de atender às necessidades operacionais de suas Forças Armadas. Em determinadas circunstâncias, o patrimônio militar excedente pode adquirir uma nova função econômica, histórica, educacional e institucional, desde que submetido a critérios legais, controles administrativos e mecanismos de segurança. É nesse contexto que se insere o Civilian Marksmanship Program (CMP), iniciativa norte-americana que estabelece uma conexão singular entre os estoques militares dos Estados Unidos, o colecionismo histórico, o tiro esportivo e a participação da sociedade civil em atividades relacionadas à cultura de defesa.

A iniciativa merece uma análise que ultrapasse a d...

imagem noticia

Uma análise sobre o Civilian Marksmanship Program (CMP), a preservação do patrimônio militar, a formação esportiva e a relação entre sociedade, Estado e capacidade estratégica norte-americana.


A gestão dos recursos militares de uma nação não termina necessariamente quando determinado equipamento deixa de atender às necessidades operacionais de suas Forças Armadas. Em determinadas circunstâncias, o patrimônio militar excedente pode adquirir uma nova função econômica, histórica, educacional e institucional, desde que submetido a critérios legais, controles administrativos e mecanismos de segurança. É nesse contexto que se insere o Civilian Marksmanship Program (CMP), iniciativa norte-americana que estabelece uma conexão singular entre os estoques militares dos Estados Unidos, o colecionismo histórico, o tiro esportivo e a participação da sociedade civil em atividades relacionadas à cultura de defesa.

A iniciativa merece uma análise que ultrapasse a dimensão comercial. O que está em discussão não é simplesmente a venda de armamentos que deixaram de integrar os inventários militares, mas um modelo de administração de patrimônio público que preserva a memória material das Forças Armadas, promove atividades de formação esportiva e mantém uma estrutura institucional voltada à segurança e à prática responsável do tiro.

A Origem do CMP e a cultura de defesa Norte-americana

Criado a partir de uma iniciativa institucional de 1903, durante o governo do presidente Theodore Roosevelt, o programa surgiu com o propósito de promover a prática do tiro com armas de fogo, desenvolver a capacidade de pontaria da população e incentivar competições nacionais.

Naquele período, os Estados Unidos compreendiam que a formação de uma cultura de familiaridade responsável com determinados conhecimentos militares também poderia integrar uma política mais ampla de preparação da sociedade. A iniciativa estava relacionada ao desenvolvimento do treinamento civil, à educação esportiva e à valorização de competências individuais.

Inicialmente administrado no âmbito do governo federal, o programa permaneceu sob responsabilidade do Departamento da Guerra e, posteriormente, do Departamento do Exército.

Em 1996, ocorreu uma transformação institucional relevante: o Congresso norte-americano estabeleceu uma entidade privada sem fins lucrativos para assumir a administração do CMP. Embora sua origem esteja diretamente vinculada ao Estado, a organização atual não constitui departamento ou agência governamental, possuindo atribuições definidas pela legislação federal.

Essa transição demonstra uma característica importante do modelo norte-americano: a possibilidade de estruturar organizações civis com atribuições legalmente estabelecidas para administrar determinados programas de interesse público.

Patrimônio Militar: quando o excedente adquire uma nova função Estratégica

Um dos aspectos mais interessantes do CMP está na destinação dos armamentos excedentes das Forças Armadas norte-americanas.

Equipamentos que fizeram parte da história operacional do Exército podem ser transferidos para o programa, submetidos a procedimentos de inspeção e, quando autorizados, disponibilizados a cidadãos que atendam aos requisitos legais.

Nesse contexto, destacam-se as pistolas M1911 e M1911A1, plataformas que possuem importância histórica na evolução do armamento individual das Forças Armadas dos Estados Unidos.

As vendas dessas pistolas pelo CMP começaram em 2018, mediante autorização legislativa específica. Em 2025, o programa retomou a comercialização e promoveu eventos presenciais que reuniram centenas de exemplares, inclusive unidades de produção histórica e peças com numerações de série consecutivas.

A relevância desse processo não está apenas no interesse comercial dos colecionadores. Existe também uma dimensão de preservação do patrimônio histórico-militar, na qual equipamentos que participaram de diferentes períodos da trajetória norte-americana deixam de representar somente ativos armazenados e passam a integrar coleções particulares, instituições e acervos históricos.

Sob a perspectiva da administração pública, o aproveitamento de materiais excedentes pode contribuir para reduzir custos de armazenamento e manutenção, além de estabelecer mecanismos de destinação patrimonial. Entretanto, essa política exige rastreabilidade, fiscalização e observância rigorosa da legislação.

O M14 e a próxima etapa do programa

A próxima iniciativa anunciada pelo CMP amplia o interesse estratégico e histórico do programa.

O organismo informou que pretende iniciar, em janeiro de 2027, a comercialização de exemplares excedentes do fuzil M14, após autorização específica e procedimentos de modificação permanente para impedir seu funcionamento em regime automático, mantendo exclusivamente a operação semiautomática.

O M14 ocupa posição importante na história militar norte-americana. Desenvolvido no contexto da Guerra Fria, tornou-se um dos símbolos da transição tecnológica dos armamentos individuais utilizados pelo Exército dos Estados Unidos.

Sua trajetória está associada à evolução dos conceitos de emprego de armamento individual, padronização logística e modernização das forças terrestres.

A eventual disponibilização desses exemplares ao mercado civil, portanto, possui significado que ultrapassa a dimensão da comercialização. Representa também a preservação de um capítulo da história industrial e militar dos Estados Unidos.

É importante destacar que a conversão permanente dos exemplares destinados ao mercado civil constitui uma exigência de segurança e conformidade legal, não devendo ser confundida com a simples transferência de armamentos operacionais em sua configuração militar original.

O CMP também informou sobre a identificação de 2.027 espingardas excedentes para transferência, incluindo unidades Mossberg 500 e Winchester Model 1897, esta última historicamente associada ao emprego militar norte-americano.

A Relação entre a sociedade civil, esporte, cultura e Defesa Nacional

A experiência do CMP permite observar uma particularidade da cultura institucional norte-americana: a existência de mecanismos que aproximam determinadas atividades civis de conhecimentos tradicionalmente associados ao universo militar.

Entretanto, é necessário estabelecer uma distinção conceitual. A prática esportiva do tiro não equivale à formação de efetivos militares, tampouco substitui os programas oficiais de treinamento, mobilização e preparação das Forças Armadas.

O que o modelo proporciona é uma estrutura de incentivo à segurança, à disciplina, à formação esportiva, à preservação histórica e à participação de jovens em competições regulamentadas.

Os recursos obtidos com as atividades comerciais contribuem para financiar programas educacionais, competições, bolsas de estudo e iniciativas de formação.

Dessa maneira, o programa articula três dimensões institucionais:

A primeira é patrimonial, relacionada ao aproveitamento e à preservação de equipamentos militares excedentes.

A segunda é educacional, vinculada à formação esportiva, à segurança e ao desenvolvimento de competências.

A terceira é econômica, representada pela utilização de receitas provenientes das atividades comerciais para sustentar as finalidades institucionais da organização.

Esse arranjo demonstra como uma política pública historicamente vinculada à estrutura militar pode adquirir continuidade por meio de uma organização civil legalmente constituída.

Controle institucional e responsabilidade na destinação dos armamentos

A transferência de armamentos militares para o mercado civil exige controles compatíveis com a natureza dos equipamentos.

Nos Estados Unidos, a aquisição de armas disponibilizadas pelo CMP está sujeita a critérios de elegibilidade, comprovação documental, exigências de idade e cidadania, além das verificações de antecedentes aplicáveis, incluindo os procedimentos relacionados ao National Instant Criminal Background Check System (NICS).

O Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização vinculado ao Congresso norte-americano, examinou aspectos da gestão e das transferências de armamentos ao programa.

Em relatório publicado em 2019, o órgão registrou que mais de 700 mil armas excedentes haviam sido transferidas pelo Exército ao CMP desde 1996.

Esse número demonstra a dimensão histórica e administrativa do programa, mas também evidencia a importância de mecanismos permanentes de controle, auditoria, rastreabilidade e prestação de contas.

A destinação de equipamentos militares não pode ser tratada como uma operação comercial convencional. Trata-se de patrimônio originado em estruturas financiadas pelo contribuinte e que, portanto, deve obedecer a critérios de legalidade, transparência e interesse público.

O Que o Brasil pode aprender com a experiência Norte-americana?

A experiência dos Estados Unidos oferece elementos relevantes para uma reflexão brasileira sobre gestão de patrimônio militar, preservação histórica e fortalecimento da cultura de defesa.

O Brasil possui uma trajetória expressiva na fabricação e utilização de armamentos, equipamentos militares e sistemas de defesa. Entretanto, a gestão do ciclo de vida desses materiais exige políticas permanentes que contemplem aquisição, operação, modernização, manutenção, desativação e destinação final.

A Base Industrial de Defesa brasileira não deve ser analisada exclusivamente pela capacidade de produzir novos equipamentos. Também é necessário considerar a gestão dos ativos existentes, a preservação da memória tecnológica nacional e a capacidade de transformar conhecimento acumulado em desenvolvimento institucional.

Nesse sentido, algumas possibilidades merecem reflexão:

A estruturação de políticas mais abrangentes de preservação do patrimônio histórico-militar, com participação de museus, instituições de pesquisa e organizações especializadas.

O desenvolvimento de mecanismos transparentes de gestão e destinação de equipamentos desativados, respeitando as restrições legais e os requisitos de segurança.

O fortalecimento de programas de formação esportiva regulamentada, educação para a segurança e valorização da história militar.

A ampliação da integração entre instituições militares, universidades, centros tecnológicos e organizações civis para preservar conhecimentos relacionados à engenharia, à indústria e à evolução dos sistemas de defesa.

Naturalmente, qualquer eventual adaptação brasileira dependeria de legislação própria, das competências das autoridades responsáveis e das particularidades constitucionais e administrativas do País. O modelo norte-americano não pode ser simplesmente reproduzido, mas estudado criticamente.

Soberania Nacional Estratégica: a importância da gestão do patrimônio de Defesa

Sob a perspectiva da Engenharia de Soberania e Estratégia, a experiência do Civilian Marksmanship Program demonstra que a capacidade estratégica de uma nação também depende da forma como administra seus recursos materiais, tecnológicos e institucionais ao longo do tempo.

Soberania não significa apenas possuir Forças Armadas, desenvolver armamentos ou manter estoques estratégicos. Significa também construir instituições capazes de preservar conhecimento, administrar recursos, manter capacidade tecnológica e estabelecer relações juridicamente seguras entre o Estado e a sociedade.

Os Estados Unidos apresentam, nesse caso, uma estrutura histórica que conecta patrimônio militar, organização civil, formação esportiva e preservação de equipamentos.

O aspecto central não está na simples disponibilização de armas ao cidadão, mas na existência de um programa institucionalizado, com origem legislativa, objetivos definidos e mecanismos específicos de controle.

A questão estratégica que emerge dessa experiência é a seguinte: como transformar recursos públicos que perderam sua função operacional original em instrumentos de preservação histórica, desenvolvimento educacional e sustentabilidade institucional?

Essa é uma reflexão particularmente relevante para países que pretendem fortalecer sua autonomia tecnológica e consolidar uma política de defesa de longo prazo.

A defesa nacional não se constrói exclusivamente com novos sistemas de armas. Ela também depende da inteligência administrativa, da preservação da capacidade industrial, da gestão responsável dos recursos públicos e da continuidade das instituições.

A soberania de uma nação também se revela na maneira como ela administra, preserva e transforma o patrimônio construído ao longo de sua história.


Fontes de referência:


- Civilian Marksmanship Program (CMP): https://thecmp.org/about/
- CMP, anúncio sobre os fuzis M14: https://thecmp.org/l/m14-announcement/
- CMP, atualização institucional de setembro de 2026: https://thecmp.org/chairman-ceo-update-fall-2026/
- Government Accountability Office (GAO), relatório GAO-19-287: https://www.gao.gov/products/gao-19-287
- The Gun Trade, reportagem de Pedro Pligher, publicada em 1º de novembro de 2026: https://www.theguntrade.com.br/internacional/armas-historicas-eua-cmp-1911-m14/


Nota editorial:

A matéria trata o CMP como um instrumento de gestão patrimonial e formação esportiva, sem confundir essas atribuições com mobilização militar ou preparação operacional das Forças Armadas. O eixo central é a relação entre patrimônio, sociedade, instituições e soberania nacional.


*Amadeu Robalinho, é Pesquisador independente e autor interdisciplinar, associado à Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN), Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




Confira mais

a

Telefone/Whatsapp

Brasília

(61) 99667-4410

Recife

(81) 99967-9957

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nosso site.
Ao utilizar nosso site e suas ferramentas, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Jornal O Poder - Política de Privacidade

Esta política estabelece como ocorre o tratamento dos dados pessoais dos visitantes dos sites dos projetos gerenciados pela Jornal O Poder.

As informações coletadas de usuários ao preencher formulários inclusos neste site serão utilizadas apenas para fins de comunicação de nossas ações.

O presente site utiliza a tecnologia de cookies, através dos quais não é possível identificar diretamente o usuário. Entretanto, a partir deles é possível saber informações mais generalizadas, como geolocalização, navegador utilizado e se o acesso é por desktop ou mobile, além de identificar outras informações sobre hábitos de navegação.

O usuário tem direito a obter, em relação aos dados tratados pelo nosso site, a qualquer momento, a confirmação do armazenamento desses dados.

O consentimento do usuário titular dos dados será fornecido através do próprio site e seus formulários preenchidos.

De acordo com os termos estabelecidos nesta política, a Jornal O Poder não divulgará dados pessoais.

Com o objetivo de garantir maior proteção das informações pessoais que estão no banco de dados, a Jornal O Poder implementa medidas contra ameaças físicas e técnicas, a fim de proteger todas as informações pessoais para evitar uso e divulgação não autorizados.

fechar