'Ordem global é ocidental'
A História é território que conta com a presença de muitos atores/protagonistas, povos e nações.
Entretanto, quando falamos de História vista como uma "Ordem global", temos a reunião de todos e tudo; trata-se de uma expansão da História ocidental, que faz transferência de seus traços e muito de sua cultura para o restante do Planeta socialmente visível.
Desde a expansão do Império Romano Ocidental até a Ordem global de hoje, ocorreu uma globalização do Ocidente - pode-se dizer, formou-se uma civilização ocidental - Entretanto, sob sua sombra estão "guardadas" outras "ordens" e civilizações.
A História da "Ordem Global" é formada a partir de movimentos, base da civilização, construída até então, e que encontra-se bem claro dentro do processo histórico que resultou na "Civilização global" que temos hoje.
Os movimentos constitutivos desta "Ordem" são adotados pelas nações ou são motivos de combates contrários.
A "Ordem" formada a partir das contribuições voluntárias e/ou involuntárias, é contrariada por forças externas, que chamaríamos de:
1) invasões horizontais; visam a conquista militar e territorial.
2) invasões verticais, são ações internas que desenvolvem combate cultural (moral, tradições, valores etc).
'Construção da "Ordem"'
Esses movimentos constitutivos da 'Ordem' Ocidental, são na verdade os pilares que geraram essa civilização ("Ordem") dominante, e a mesma se apoia, nos seguintes pilares:
A cultura greco-romana, a cultura judaico-cristã e o militarismo germânico- feudal.
O mundo ocidentalizou- se, movimentou-se desde o Império Romano do Ocidente.
Outras civilizações/ culturas, fora da moldura das construções que nos referimos, desapareceram ou foram incorporadas a "Ordem ocidental/global", como também algumas das particularidades "bárbaras", passaram a fazer parte do "corpo dominante global".
Após a Queda do Império Romano Ocidental, surgiu na Europa Ocidental, os Reinos Cristãos, que foi o ordenamento do continente na Idade Média e será base dos futuros Impérios modernos.
'Expansão da "Ordem"
Na idade moderna, a Europa se expandiu, dominou terras asiáticas, americanas, africanas e daí nasceu a "Ordem global cultural cristã" e junto com ela a "Ordem econômica", aí temos com elas uma "Ordem globalizada".
A "Ordem" econômica e cultural, encontra-se na base dessa engenharia histórica, que chamamos de "Ordem global".
Com as "colonizações" modernas uma "Ordem" global, sob liderança das potências mercantilistas Européias, foi tendo sua formação.
Essa "Ordem" se expandiu, mais ainda, e ganhou novos aspectos com o industrialismio, liberalismo/"neocolonialismo" do século 18.
'A "Ordem global" a partir das duas grandes guerras'
Até às duas grandes guerras do século 20, potências imperiais e potências econômicas européias, antes dominantes, perderam suas posições.
Com o pós 2a. guerra mundial, Estados Unidos assumiram a liderança da "Ordem global".
O cenário que alavancou, mais ainda a liderança americana foi a completa destruição da Europa e a implantação do Plano Marshall na Europa Ocidental, que sobre ele apoiou-se a formação do novo mercado e nova "Ordem global".
Segundo, o historiador britânico, Erick Hobsbawn no sua obra, "A era dos extremos", a expansão dos mercados entre final dos anos 1950 até 1980, a economia mundial ,(leia-se ocidental) experimentou anos de expansão dos mercados (investimentos produção/consumo). Transformou muitas economias domésticas nacionais, trazendo-as para o mercado global.
A expansão global ocidental, reduziu índices de miséria, aumentou as classes médias, incorporou diversos territórios/ mercados e sofisticou o trabalho de produção e administração das unidades produtivas com alavancagem pela ciência, tecnologia, serviços e por aí segue.
'A contraposição à 'Ordem' global (ocidental)
Enquanto o novo mercado global era constituído, uma proposta de contraposição aos mercados ocidentais - "capitalismo" - surgiu sob liderança da União Soviética, mas não conseguiu construir uma Ordem econômica global baseada na prosperidade dos mercados - seu Comecom foi um fracasso - das nações e dos indivíduos.
O bloco da União Soviética, financiou a prosperidade da liderança do bloco, que experimentou um desprezo/declínio do consumo civil, porém alimentou a expansão da produção bélica, espacial e das tecnologias ancoradas naqueles segmentos. Além de um espetacular crescimento das agências de informações e espionagem; destaque maior para KGB soviética e outros que seguiram seus passos: Stasi(ex-Alemanha Oriental), Stb (ex-Thecoeslovàquia), Securitate(Romênia) e outras.
A KGB teve papel importante no roubo de royalties ocidentais - exemplo maior a fórmula da bomba atômica.
'Contraposição em queda'
Sem suportar a competição com o ocidente-econômico e por outros fatores internos do bloco vermelho, o "planeta socialista", ruiu.
Porém, o recado da Escola Austríaca de Economia ficava claro, uma economia sem cálculo econômico não prospera.
A prosperidade econômica acompanhada da produção cultural (invenções, costumes, inovações, produtos) gera o que chamaríamos do soft power (poder e influência cultural).
Então, o "socialismo marxista" colapsando, morreu economicamente, mas sobreviveu como modelo político e como ideologia.
Ideologia não é ciência, mas esconde o fracasso, com a fantasia de uma retórica odiosa que, resulta em terror, violência e desinformação.
'Sobrevivência chinesa'
A China, sobreviveu, porém, ao colapso da fórmula socialista marxista, integrou-se ao mercado global.
Foi a saída encontrada pela técnico-burocracia do Partido Comunista Chinês, que manteve sua ditadura.
Agora, abrindo-se para os investimentos ocidentais, o Estado/Partido, se abria para os mercados ocidentais, mas teria uma nova tarefa, monitorar os grandes meta-capitalistas que se hospedavam na China.
A hospedagem do "capitalismo" na China, fez da sua economia um prolongamento do mercado Ocidental, da lógica do mesmo - mercadorias, integração nas cadeias e redes de abastecimentos e produções, mercado comprador de commodites diversas, produção científica e tecnológica - que tem liderança americana - ultimamente fragilizada - entretanto, a gestão Trump tenta retomar a hegrmonia, com seu Plano "América grande outra vez".
O crescimento econômico chinês pós final de 1980, acelerado nos anos do século 21, é um crescimento por alavancagem (base de importação de capitais, ciência e tecnologia).
Essa integração ao mercado global gerou inconveniências no interior da China, um mercado interno com identificação com o Ocidente, com classes médias que almejam consumir. XiJiping, vê nisso uma ocidentalizacao perigosa e promove combate, quer a China apenas produzindo para exportação.
O crescimento chinês tem aproximação com o vivido pelo Brasil em período do nosso chamado "milagre econômico" (governo Medici). Estado propulsor do crescimento econômico
A velha dinastia chinesa, com sua prosperidade da Dinastia Ming (a última), não está presente nesta "nova China".
A "nova China" colocou ao chão a "velha China". O PCCh, destruiu valores e tradições antigas e implantou uma nova obediência, novos valores, nova economia (e ao menos impulsionou o crescimento chinês, dentro de uma moldura de integração ao mercado ocidental/global).
O modelo chinês, assim como o vietnamita desmontou a velha lógica do marxismo estatista, inverteu o papel da tirania do Estado socialista/comunista; abriu-se para o metacapitalismo mas manteve sob seu controle
A ordem moral comunista na China é imposta pelo PCCh, que salvou-se do "tsunami" do socialismo real vivido na Europa Oriental, mas o "dragão asiático" começa a amargar, ultimamente, declínio; seu ESTADO pesadão não consegue facilmente, fazê-la superar as crises, que é questão escondida para o mundo.
A economia chinesa decolou com a importação de capitais e produção de pequeno valor agregado até chegar à produção científica e de tecnologias avançadas,
'Mudanças no mercado chinês, não trouxe mudanças na hegemonia econômica'
Rússia e China, visto por um olhar mais apurado não substituirão o mercado global, sob liderança americana, que Trump tenta trazer de volta para os Estados Unidos.
Um sistema econômico baseado numa "equidade social" não prospera - a China e o Vietnã, afastou-se dessa lógica - a lógica de permanência da liberdade individual e da livre iniciativa éo que norteia a vida humana.
O homem individualmente tem como muitos dos seus horizontes de vida a prosperidade cidadã (social, economia, consumo).
O Estado, por si só, não conseguirá contemplar os sonhos do indivíduo.
Claro, que nasceu no espírito dito capitalista no Ocidente, aqueles que negaram a liberdade econômica, que já não tem crença no mercado; são os que se lançam contra suas origens, entretanto retornarão ao "cais do porto" de onde deram partida.
Tenho dito.
Desde o buncker na Serra das Russas - Gravatá.
*Jarbas Beltrão é historiador e professor de História da Universidade de Pernambuco - UPE. Mestre em Educação pela UFPB. Especialista (MBA) em Política Estratégia Defesa e Segurança Nacional. (Adesg Famesc).Especialista (MBA) em Geopolítica/Novas Fronteiras/Cibernética e IA. (Adesg/Instituto Venturo)
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