'Poder'
Semana que passou, a cena política brasileira virou de "ponta cabeça". Situações inusitadas, trouxeram, finalmente, à tona o quanto esse discurso político, seco, vazio, esconde verdadeiramente o que está por trás nessas narrativas de "esquerda" e "direita".
Esse negócio "esquerda" x "direita", na verdade é esconderijo para que pessoas se agrupem embaixo de uma nuvem escura e seus verdadeiros interesses pessoais ou de grupos, fiquem sem transparências, na maioria dos casos, o projeto é chegar e manter-se no poder, ter benefícios que a posição possibilita, e obtenção e posterior sustentação nas colunas tanto do público como do privado.
Muitas vezes, e cada vez mais, esses dois setores se relacionam das formas mais promíscuas possíveis.
'Direita atingida'
Pois é, o chamado campo da "direita política", foi e continua sendo, espinafrado, metralhado, e mais grave sua régua de moralidade foi atingida em cheio.
Então, desta forma, o candidato à Presidência da Republica do campo "direitista", que parecia voar em céu de brigadeiro, teve seu vôo sacudido por tempestades.
'Oportunidade para esquerda'
Surge, portanto, uma oportunidade de recomposição do campo da "esquerda" que estava com seu futuro correndo risco de saborear uma derrota eleitoral. Daí perder os benefícios alcançados desde 2001, com o intervalo de 4 anos do ex-presidente "mito" Bolsonaro.
Entretanto, o "mito", demonstrou pouco oxigênio para oferecer resistência aos obstáculos administrativos colocados pela "esquerda" e uma burocracia estatal consolidada.
Sofrendo ataques, o candidato da "direita" - (01 Bolsonaro) - teve de se explicar, explicou-se, até agora, mas muito mal - partindo pra acusar a "esquerda" e uma "direita rebelde" (?) de praticar os mesmos desvios da "esquerda".
O clã formado a partir do "mito", com o desgaste que possa sofrer, além de deixar fugir o retorno ao Planalto, poderá perder a liderança da "direita" política.
Ante uma defesa pífia, o candidato da "direita" - (01 Bolsonaro) - agrupado no tal eixo, também chamado "conservador", numa coletiva de imprensa, saiu, depois das acusações, com este primor, deve satisfazer desinformados: "Eleitores de direita tem que nos ajudar a tirar o PT do poder". É, como dissesse: "só tem eu, então vai eu mesmo".
Aí, perguntamos, o que vem depois do PT, já que parece que o exclusivo objetivo da tal "direita", em seu moço"? É tirar o PT do poder. É, aquela mesma postura da esquerda armada "ALN/VAR" a partir de 1967, tirar a "ditadura militar" ... e depois ... ora, segue, a "ditadura do proletariado", meu caro, Watson, já diria Fernando Gabeira. Tira uma ditadura e vem outra.
" Dinastia famíliar"
Tirado o elefante da sala - o PT - o espaço fica limpo para dar andamento ao projeto do clã, futura dinastia, a ser construída pela família do "mito", junto com seus "puxa-sacos, apaniguados, apadrinhados" e por aí vai.
A dinastia famíliar, ficando livre o processo da construção do poder familiar, a caminhada prossegue. Então, poderá se garantir, se firmar no poder federal, então o restante fica mais fácil.
O que essa nova cena política, coloca sobre nossos olhos é: os discursos que trazem os rótulos do "lulopetismo" e do "Bolsonarismo", empurraram o debate político brasileiro, para o que tem de mais medíocre na história política brasileira. Embutiram dentro dessas narrativas "ideológicas", uma idiotice que ainda predomina no conjunto de regras da política nacional, com crescimento, principalmente, quando a "esquerda" apeou do poder em 2023, ou seja, todos ficam dentro das duas caixas, representantes de nossa dicotomia política, coisa mofadíssima: "esquerda" e "direita".
O empobrecimento do debate político que transcorre pelo país afora, é de tal ordem, que basta acusar um ao outro de "direita" ou "esquerda", e o debate tá encerrado. Acrescenta-se mais alguns penduricalhos, como: fascista, extrema direita, extrema esquerda e segue adiante
''Público x privado"
O candidato da "direita" em questão, membro de uma família clã-embrião de um projeto de uma dinastia famíliar, em construção, o filho, 01 Bolsonaro, - que nunca foi "proeminência ideológica" de coisíssima nenhuma - é acusado de envolvimento numa situação, que não é uma questão de corrupção clássica, aquela da relação de uma personalidade privada com o poder público. Com o primeiro arrancando recursos do segundo. Mas uma relação de promiscuidade com um agente financeiro, mistura de público e privado.
O que precisa ser dito, o dono do Banco, que saiu distribuindo dinheiro pra todo mundo que quisesse, tava disposto a comprar tudo quanto fosse, "direita" ou "esquerda", nada ideológico. Só não comprova quem não estava a venda, espécie bem rara dentro da fauna dos políticos.
O envolvimento, a busca de recursos privados - não tão privados - é fruto de uma relação deletéria desses dois setores, muito evidente nos tempos atuais.
Na pós-modernidade, mais recentemente, aumentou o ritmo da sedução entre os mesmos. Fundos de investimentos, Ongs, fundações, sociedades abertas (George Soros, que o diga) são espécies recentes que se fazem presentes no setor financeiro, onde vigora a regra de "ninguém e de ninguém", vale todo tipo de traição. O privado existe por alimentar-se das tetas do Estado. Os agentes do Estado, vão buscar mais alimentos na produção econômica, financeira do privado "deus e o diabo, em aliança contra o povo".
Estamos num momento histórico em que se pode dar expansão ao que pensou Frederick Bastiat, em "A lei", quem chega à qualquer poder do Estado - executivo, legislativo e judiciário, quer perpetuar-se como beneficiado, então, pretende arrancar as vantagens do "tesouro público", mas agora e no caso em questão, do candidato da "direita", beneficiar-se, reproduzindo-se o quanto for possível na posição de mamadores das "tetas do Estado", agora também da relação promíscua " público" , "privado".
A Open Society, Rockfeller Fundation, Usaid e outros, são exemplos das "News organizations" , que são personalidades privadas, mas sobrevivem com recursos públicos.
O Banco "misericordioso", suscitado como financiador de cultura - é mais que um banco, chamam de "organização deletéria - foi procurado pelo candidato filho O1, para financiar o filme biográfico do chefe da clã e "ex-presidente".
O chefe do clã encontra-se preso por razão de uma fictícia acusação de "golpe de estado". O mesmo amarga problemas sérios em sua saúde, originados de um atentado sofrido, quando candidato presidencial.
O atentado é mais um dos muitos que ocorrem no continente, sempre executado por grupo de uma "esquerda" intolerante.
'O Banco, mais que banco'
O Banco, em questão, conseguiu num tempo de 10 anos tornar-se uma poderosa instituição financeira, cresceu acoplado numa rede cleoptocrática, onde não se sabe onde estão delimitados, os territórios "público" ou "privado".
O "mote" da corrupção é o financiamento do filme holiwwodyano com a temática biográfica do ex-presidente Jair Bolsonaro, o chefe da família.
O tamanho dos recursos, inicialmente, falou-se de 125(?)milhões, depois em 60(?) milhões. Em qualquer situação, um "p*to" de um recurso que daria para uns dez filmes. É aí onde mora a questão.
A questão é reveladora de uma relação de promiscuidade entre entes políticos e uma rede de corrupção pública e privada
O candidato, dito da "direita", encontra-se envolvido numa teia, com dificuldades prá sair. Sua posição e explicações vazias, atingiram aos que tinham esperanças de sair desses anos de governo populista de esquerda.
Agora, é fato mais que notório, o "esquerdo lulopetismo" no poder deverá extrair muitos ganhos, ganha oxigênio já que andava em baixa.
A tal" direita" sai fissurada, a tal "esquerda" ganha condições de (re)construir a unidade fragilizada.
A história é cruel aos ingênuos que alimentam fé na "esquerda" ou "direita". Na verdade são posições que se completam, também ninguém sabe lá que "m*rdas" são essas.
Bem nem mesmo na Assembleia Constituinte Francesa as coisas estavam tão claras, a não ser em relação ao lado que sentavam quando. chegavam na Assembleia.
Aa direita conservadora a esquerda jacobina revolucionária. A primeira manutenção dos privilégios, a segunda derramamento de sangue, como arma pra acabar com o que consideravam privilégios, porém no fim os mais humildes formaram a maioria dos executados
Fica dito
*Jarbas Beltrão é Historiador, professor de História da UPE. Mestre em Educação pela UFPB. MBA em Política Estratégia Defesa e Segurança pela Adesg e Faculdade Metropolitana São Carlos/SP. Vinculado ao MBA em Geopolítica e Novas Fronteiras, Cibernética e Inteligência Artificial pela Adesg (Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra) e Instituto Venturo. Membro associado Academy Ventury de Política e Estratégia.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o livre confronto de ideias e acolhe o contraditório. Todas as pessoas e instituições citadas têm assegurado espaço para suas manifestações.