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Hugo Motta negociou emendas para beneficiar o Master, diz celular de Vorcaro

26/09/2026

É um poço sem fundo. Novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro sugerem que Hugo Motta negociou com o banqueiro a apresentação de emenda ao PL do Carbono para beneficiar o Master.

Os diálogos

Reforçam a denúncia feita por Renan Calheiros em maio deste ano, durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Detalhes

Em 19 de novembro de 2024, Vorcaro pediu para encontrar-se pessoalmente com Motta, que encaminhou a ele o substitutivo do PL do Carbono, com emenda ao artigo 56, obrigando seguradoras, previdência complementar, capitalização e resseguradores a destinar 0,5% de suas reservas técnicas para a compra de créditos de carbono.



Claro, como não, irmão?

“Consegue encontrar mais tarde hoje”, escreveu Vorcaro. “Sim”, respondeu Motta. “Pegando o texto aqui para te mandar.” O presidente da Câmara, então, encaminha ao banqueiro mensagens da...

É um poço sem fundo. Novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro sugerem que Hugo Motta negociou com o banqueiro a apresentação de emenda ao PL do Carbono para beneficiar o Master.

Os diálogos

Reforçam a denúncia feita por Renan Calheiros em maio deste ano, durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Detalhes

Em 19 de novembro de 2024, Vorcaro pediu para encontrar-se pessoalmente com Motta, que encaminhou a ele o substitutivo do PL do Carbono, com emenda ao artigo 56, obrigando seguradoras, previdência complementar, capitalização e resseguradores a destinar 0,5% de suas reservas técnicas para a compra de créditos de carbono.


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Claro, como não, irmão?

“Consegue encontrar mais tarde hoje”, escreveu Vorcaro. “Sim”, respondeu Motta. “Pegando o texto aqui para te mandar.” O presidente da Câmara, então, encaminha ao banqueiro mensagens da assessoria e o texto do substitutivo, aprovado naquele mesmo dia.

É pouco?

Para aqueles que têm o banditismo na alma, nada pega.
Para as pessoas de bem, é mais uma face desse escândalo hediondo. Os efeitos dessas negociatas master são claros hoje na campanha eleitoral paraibana.

Os diálogos

Evidenciam o interesse direto do banqueiro no tema e o tratamento diferenciado por parte de Motta.
A aprovação do texto impactou os balanços do Master, inflando artificialmente o patrimônio de fundos ligados a projetos de carbono — fundo Jade (Golden Green) e New Jade 2 (Global Carbon), administrados pela Reag.

O negócio, porém

Sofreu um revés após as investigações sobre o banqueiro. O STF decidiu, em maio, tornar o artigo inconstitucional, a partir de uma ADI protocolada pela CNSeg e sob relatoria de Flávio Dino.

Negócios em família

As novas mensagens do celular de Vorcaro também enfraquecem a versão de Motta no episódio do empréstimo de R$ 22 milhões do Master para uma empresa de sua cunhada. As conversas são de março de 2024, quando o deputado era líder do Republicanos – ele seria eleito presidente da Câmara no ano seguinte.

Em 9 de março

Ele envia ao banqueiro uma longa mensagem sobre o negócio envolvendo a compra de um terreno de uma fábrica de cimento em João Pessoa (PB).


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Conversa de amigos

“Boa noite, amigo! Td bem? Desculpa incomodar no sábado, estou aqui reunido com o pessoal para finalizar a negociação de compra da área aqui de JP. Conforme falamos, já temos os documentos assinados passando a empresa para minha cunhada. Ela iniciou a negociação com a Adriana, mas acredito que ela não tá sabendo do formato da sociedade que ficou combinado. Quando puder me orienta como devemos proceder pq o prazo é curto para saldar com a Intercement. Abs!”

E segue

Puxou uma pena, vem o galinheiro.

Raquel Teixeira Lyra estava presente e fez que não viu agressão de aliado contra Roberta Arraes

26/09/2026

A deputada estadual de Pernambuco pelo partido PP (Progressistas), Roberta Arraes, é candidata à reeleição. O partido é aliadíssimo de Raquel. Mas nem isso, sensibilizou a governadora, que tem o dom de ter uma posição diferente para cada circunstância. Essa: o suposto agressor, o ex-prefeito Raimundo Pimentel, vota e faz campanha para Raquel. A agredida, também. Raquel assistiu a tudo. E, ficou calada, ou seja...calada.

Raimundo

Classifica a denúncia da deputada de fake-news. Diz que ela provocou uma situação durante a visita eleitoral a um equipamento público, o que, aliás, é vedado por lei. As contradições na declaração do próprio Raimundo depõem contra ele. O Poder assegura ao ex-prefeito o mais amplo espaço para sua versão.

O Diário de Pernambuco

Soltou um vídeo, hoje, mostrando que a governadora Raquel Teixeira Lyra ignorou um relato de agressão feito a uma deputada no exercício do mandato e candidata à r...

A deputada estadual de Pernambuco pelo partido PP (Progressistas), Roberta Arraes, é candidata à reeleição. O partido é aliadíssimo de Raquel. Mas nem isso, sensibilizou a governadora, que tem o dom de ter uma posição diferente para cada circunstância. Essa: o suposto agressor, o ex-prefeito Raimundo Pimentel, vota e faz campanha para Raquel. A agredida, também. Raquel assistiu a tudo. E, ficou calada, ou seja...calada.

Raimundo

Classifica a denúncia da deputada de fake-news. Diz que ela provocou uma situação durante a visita eleitoral a um equipamento público, o que, aliás, é vedado por lei. As contradições na declaração do próprio Raimundo depõem contra ele. O Poder assegura ao ex-prefeito o mais amplo espaço para sua versão.

O Diário de Pernambuco

Soltou um vídeo, hoje, mostrando que a governadora Raquel Teixeira Lyra ignorou um relato de agressão feito a uma deputada no exercício do mandato e candidata à reeleição. O mais grave é que ela presenciou. O agressor seria o principal aliado político dela na região. Se Raimundo tem razão, por uma questão de justiça, devia ser defendido por Raquel. Se não tem, devia ser acusado. Ficar em cima do muro em mais uma questão envolvendo uma mulher agredida, bom, os leitores julguem.

A governadora

Sempre tão pronta a se proclamar a 'Defensora das Mulheres' calou o bico. Parece até que não foi testemunha. Atitude muito conveniente mas que só depõe contra ela.

E João Campos?

Independente do partido de Roberta ser aliado e ter um senador na chapa da governadora, João Campos declarou apoio incondicional à deputada agredida.






Lula diz que tomou “atitude drástica” com proibição de bets porque tais apostas vivaram “desgraça na vida das pessoas”

26/09/2026

Um dia depois de anunciar uma Medida Provisória (MP) proibindo apostas de quota fixa no país, as chamadas bets, e o chamado "Jogo do Tigrinho", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, neste sábado (26/09), que admite ter tomado uma “atitude muito drástica”, mas assim fez porque as apostas viraram “desgraça na vida das pessoas pobres”.

Lula participou de caminhada de campanha na Zona Leste de São Paulo hoje pela manhã, e justificou a iniciativa contando histórias de pessoas que tiraram a vida por causa de endividamentos provocados por causa do jogo.

Histórias de endividados

“Ontem tomei uma atitude muito drástica. Sei que aqui no meio tem gente endividada com bets. Porque as bets virou uma desgraça na vida das pessoas pobres. As pessoas se endividam. Filho joga escondido da mãe. Pai gasta às vezes dinheiro da alimentação das crianças pra tentar ganhar mais e perde. E vai tomando dinheiro emprestado, vai devendo e devendo. Conheci...

Um dia depois de anunciar uma Medida Provisória (MP) proibindo apostas de quota fixa no país, as chamadas bets, e o chamado "Jogo do Tigrinho", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, neste sábado (26/09), que admite ter tomado uma “atitude muito drástica”, mas assim fez porque as apostas viraram “desgraça na vida das pessoas pobres”.

Lula participou de caminhada de campanha na Zona Leste de São Paulo hoje pela manhã, e justificou a iniciativa contando histórias de pessoas que tiraram a vida por causa de endividamentos provocados por causa do jogo.

Histórias de endividados

“Ontem tomei uma atitude muito drástica. Sei que aqui no meio tem gente endividada com bets. Porque as bets virou uma desgraça na vida das pessoas pobres. As pessoas se endividam. Filho joga escondido da mãe. Pai gasta às vezes dinheiro da alimentação das crianças pra tentar ganhar mais e perde. E vai tomando dinheiro emprestado, vai devendo e devendo. Conheci gente de 26 anos que se enforcou. Mulher que se matou”, afirmou.

“Por isso fiz uma Medida Provisória acabando com as bets no Brasil. Quem quiser ganhar dinheiro, que arrume um jeito honesto de ganhar. Não matando o povo pobre e endividando o povo pobre. Ninguém fica rico apostando em bet. Quem fica rico é o dono da bet, o povo fica cada vez mais pobre” , destacou.

PL estabelece penas para quem explorar ou divulgar bets

A MP que formalizou a proibição foi assinada por Lula na noite de ontem, faltando nove dias das eleições. O presidente também enviou ao Congresso um Projeto de Lei (PL) que estabelece penas para quem explorar, operar ou divulgar as chamadas bets.

"Foi uma decisão necessária. As bets são como o câncer, ou a gente tira o tumor ou o tumor vai matar a gente. [...] Foi muita briga, foi muita discussão, foi muito vamos fazer aquilo, faz tudo, faz nada, faz pela metade. Não, já que tem que fazer, vamos fazer o que tem que ser feito”, disse o presidente.

Resgate de saldos remanescentes

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a partir desta sexta, "não se pode colocar mais dinheiro nos sites de apostas do país. Os sites ficarão disponíveis para as pessoas, para os apostadores, fazerem o resgate do saldo remanescente até as 23h59 do dia 5 de outubro". "A partir da publicação dessa MP, as contas onde as plataformas de apostas recebem os aportes dos apostadores não podem admitir mais nenhum novo aporte”. explicou.

Segundo o ministro, os apostadores terão até às 23:59 do dia 5 de outubro para retirar voluntariamente o dinheiro disponível nessas plataformas. Caso não consigam retirar, os bancos que operam para bets farão a devolução entre os dias 9 e 14 de outubro. As bets, por sua vez, terão entre os dias 7 e 8 de outubro para informar aos bancos que operam os valores que estão nas contas.

De advertências a multas

Conforme estabelece a MP, as sanções aos que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso de pessoas jurídicas. A Medida Provisória prevê a retirada de todas as peças e ações de publicidade, propaganda e marketing de bets, tanto em meios físicos como digitais, até às 23:59 do dia 5 de outubro. O mesmo prazo será dado para a retirada de marcas oriundas de contratos de patrocínio.

Além disso, o Governo Federal anunciou que haverá um reforço na estrutura do Ministério da Justiça. Será criada uma nova coordenação na Polícia Federal dedicada à recuperação de ativos e lavagem de dinheiro e uma estrutura com o mesmo propósito na Secretaria de Direitos Digitais (Sedigi).

— Com Agências de Notícias

Flávio Bolsonaro critica MP que acaba com bets e promete, se eleito, fazer mudanças em creches, na saúde e na educação

26/09/2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL), presidenciável considerado principal adversário do presidente Lula nas eleições, afirmou neste sábado (26/09, durante evento de campanha em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, que considerou a Medida Provisória assinada na noite de ontem por Lula um gesto de quem está “desesperado com o resultado das urnas”.

Já nesta sexta-feira, Flávio havia criticado a decisão do presidente de acabar com as bets no país. Ele chamou a medida provisória de “estelionato eleitoral" e "solução fajuta" para a resolução do problema de endividamento dos brasileiros.

Padrão de referência

Na área da saúde, Flávio afirmou que pretende levar ao Sistema Único de Saúde (SUS) um padrão semelhante ao de hospitais privados de referência. “A saúde vai ser padrão Einstein. Eu to trazendo para ser ministro da saúde o diretor do melhor hospital do Brasil, que é o Albert Einstein. Vamos ter padrão Einstein no SUS porque você merece...

O senador Flávio Bolsonaro (PL), presidenciável considerado principal adversário do presidente Lula nas eleições, afirmou neste sábado (26/09, durante evento de campanha em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, que considerou a Medida Provisória assinada na noite de ontem por Lula um gesto de quem está “desesperado com o resultado das urnas”.

Já nesta sexta-feira, Flávio havia criticado a decisão do presidente de acabar com as bets no país. Ele chamou a medida provisória de “estelionato eleitoral" e "solução fajuta" para a resolução do problema de endividamento dos brasileiros.

Padrão de referência

Na área da saúde, Flávio afirmou que pretende levar ao Sistema Único de Saúde (SUS) um padrão semelhante ao de hospitais privados de referência. “A saúde vai ser padrão Einstein. Eu to trazendo para ser ministro da saúde o diretor do melhor hospital do Brasil, que é o Albert Einstein. Vamos ter padrão Einstein no SUS porque você merece quando precisar", enfatizou.

Ao lado do candidato ao governo do Rio pelo PL, Douglas Ruas, Flávio também prometeu adotar medidas de endurecimento na segurança pública. Você vão ver o presidente Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa no filho dele. E nos próximos 4 anos, eu e o Douglas vamos declarar guerra aos narcoterroristas do Comando Vermelho, PCC e milícias”. frisou.

O senador prometeu, ainda, reduzir a maioridade penal para 16 anos e criar programas voltados à proteção e à autonomia financeira das mulheres. “A gente vai proteger as mulheres de verdade. Vamos fazer o maior programa de proteção as mulheres e o maior programa de autonomia financeira.", destacou.

Sistema de voucher

Em relação a creches, ele afirmou que pretende criar um sistema de voucher para famílias que não conseguirem vaga na rede pública terem como colocar os filhos na rede particular. E reduzir impostos sobre a folha de pagamento, de modo a criar um programa voltado à entrada de jovens no mercado de trabalho. Na sequência, afirmou que pretende reduzir a carga tributária sobre os salários.

"E vou falar mais, trabalhadores e comerciantes que estão aqui me ouvindo, eu vou meter tesouraço nos impostos. Ninguém aguenta pagar tanto imposto mais. Vou reduzir o imposto sobre a folha de pagamento, porque o seu salário vai ficar mais com você do que com o governo porque você merece", acentuou.

Novidade: E-Título agora poderá ser baixado até final do 2º Turno e emitir várias certidões para os usuários

26/09/2026

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou uma novidade que vai ajudar muitos brasileiros durante as eleições deste ano. A partir de agora, o aplicativo e-Título poderá ser baixado no dia da votação, tanto no 1º quanto no 2º turno. Além disso, haverá concentração de esforços de técnicos da área de Tecnologia da Informação (TI) para garantir o funcionamento estável do aplicativo.

Segundo o ministro presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, a infraestrutura aprimorada permitirá a emissão, pelo e-Título, do título de eleitor, certidões eleitorais, justificativa da ausência às urnas e inscrição como mesário voluntário.

Mais serviços em um único ambiente

A nova versão do aplicativo também reúne mais serviços em um único ambiente, como a quitação de débitos por pix ou cartão. A inovação permite que a Justiça Eleitoral se comunique diretamente com o eleitorado por meio de notificações no celular.

“Quanto mais serviços di...

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou uma novidade que vai ajudar muitos brasileiros durante as eleições deste ano. A partir de agora, o aplicativo e-Título poderá ser baixado no dia da votação, tanto no 1º quanto no 2º turno. Além disso, haverá concentração de esforços de técnicos da área de Tecnologia da Informação (TI) para garantir o funcionamento estável do aplicativo.

Segundo o ministro presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, a infraestrutura aprimorada permitirá a emissão, pelo e-Título, do título de eleitor, certidões eleitorais, justificativa da ausência às urnas e inscrição como mesário voluntário.

Mais serviços em um único ambiente

A nova versão do aplicativo também reúne mais serviços em um único ambiente, como a quitação de débitos por pix ou cartão. A inovação permite que a Justiça Eleitoral se comunique diretamente com o eleitorado por meio de notificações no celular.

“Quanto mais serviços digitais oferecemos, maior é a nossa responsabilidade de garantir que eles estejam disponíveis quando o eleitorado deles precisar. Nossa equipe manterá uma sala de prontidão até que se ultimem as eleições no dia 25 de outubro, para que possamos acompanhar de perto o funcionamento do e-Título”, frisou o ministro presidente.

Identificação rápida

“A ideia é concentrar as equipes técnicas e permitir uma rápida identificação de algum eventual problema, uma responsividade maior, tudo no sentido de prover serviço cada vez melhor para a eleitora e para o eleitor brasileiros”, explicou o secretário de Tecnologia da Informação (STI) do TSE, Júlio Valente.

O espaço também contará com profissionais das áreas técnica, de negócio, de suporte, banco de dados e segurança. “Hoje o aplicativo é utilizado por mais de 60 milhões de pessoas, então ele demanda uma equipe que precisa ser rápida e que permita que tenhamos respostas eficientes para conseguir atender o eleitorado”, pontuou a assessora-chefe de Gestão de Identificação (AGI) da Corte, Marília Loyola.

As aventuras de Cacimba 60 — O mistério do apito da meia-noite e o cofrinho da capela, por Zé da Flauta*

26/09/2026

A capela de Carnaúba Seca andava sob uma nuvem pesada de desconfiança. Toda semana, a arrecadação de moedas destinada às obras do asilo dos velhinhos desaparecia sem deixar rastro. O mistério deixava o povo de cabelo em pé: a porta de maçaranduba continuava trancada por dentro com tranca de ferro, as janelas de sucupira intocadas e o sacrário sem um único arranhão.

Sem saber para onde correr, o delegado apontou o dedo para o alvo mais fácil: o jovem sacristão, um rapaz simples e de boa índole, que passou a ser olhado de lado pela cidade. A injustiça já estava engatilhada quando Mestre Cacimba resolveu intervir.

— Deixem o menino em paz, disse Cacimba na porta da igreja.

— A verdade não costuma gritar na praça, ela se esconde nas frestas. E para achar o que tá escondido, eu tenho dois ajudantes que não deixam passar nada.



Naquela mesma tarde, Simão entrou na capela silenciosa. Ajeitou os óculos redondos no foci...

A capela de Carnaúba Seca andava sob uma nuvem pesada de desconfiança. Toda semana, a arrecadação de moedas destinada às obras do asilo dos velhinhos desaparecia sem deixar rastro. O mistério deixava o povo de cabelo em pé: a porta de maçaranduba continuava trancada por dentro com tranca de ferro, as janelas de sucupira intocadas e o sacrário sem um único arranhão.

Sem saber para onde correr, o delegado apontou o dedo para o alvo mais fácil: o jovem sacristão, um rapaz simples e de boa índole, que passou a ser olhado de lado pela cidade. A injustiça já estava engatilhada quando Mestre Cacimba resolveu intervir.

— Deixem o menino em paz, disse Cacimba na porta da igreja.

— A verdade não costuma gritar na praça, ela se esconde nas frestas. E para achar o que tá escondido, eu tenho dois ajudantes que não deixam passar nada.


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Naquela mesma tarde, Simão entrou na capela silenciosa. Ajeitou os óculos redondos no focinho e sacou a caderneta. Inspecionou o chão de tijolo queimado polegada por polegada até parar perto do altar. Com a ponta do lápis, apontou para uma mancha quase imperceptível de graxa e fuligem no parapeito da janela do alto. Anotou a altura, o diâmetro da marca e fez um desenho minucioso.

Ao lado dele, Sebastião não usava os olhos, mas os ouvidos. Com a cabeça inclinada, o macaquinho escutava o ranger das madeiras e o vento soprar pelas paredes de taipa.

Na calada da noite, a equipe ficou de tocaia. Perto da meia-noite, o apito do trem de carga ecoou ao longe, fazendo a estrutura de madeira da igreja tremer de leve. Foi nesse exato momento que Sebastião deu um pulo. Com seu ouvido apurado de tocador de triângulo, ele percebeu um som diferente: um arranhar abafado vindo de uma pequena falha na alvenaria, bem acima do altar.

Com a agilidade de um raio, Sebastião escalou os caibros do telhado e descobriu o truque: alguém do lado de fora havia introduzido um furão adestrado por um buraco secreto na parede. O bicho descia com um pequeno ímã de alto-falante preso ao pescoço, "pescando" as moedas metálicas de dentro da caixa sem precisar arrombar nada!

Do lado de fora, no escuro do beco, o feitor da obra do asilo recolhia o bicho e o saco cheinho de moedas. Antes que o vigarista desse o primeiro passo para fugir, Sebastião deu uma batida seca e retumbante no triângulo! O som ecoou na noite feito um trovão, fazendo o sujeito dar um pulo de susto e deixar cair a lanterna.

Simão saltou do telhado direto no ombro do feitor, agarrando a linha de seda usada para guiar o animal, enquanto Mestre Cacimba e o delegado saíam da penumbra.

— A conta não bate para o seu lado, doutor — disse Cacimba, enquanto Simão mostrava a caderneta aberta. As anotações de data, hora e o tipo de graxa encontrado na janela batiam perfeitamente com a oficina do feitor.

O sacristão foi inocentado sob os aplausos emocionado do povo. Como punição e lição de vida, o feitor foi condenado a trabalhar de graça na reforma do asilo até o último tijolo ser assentado.

No fim da tarde, o povo celebrou na praça. Simão ganhou um lápis novo de presente para continuar suas anotações, e Sebastião fez a festa acompanhando o pífano de Mestre Cacimba no seu triângulo bem afinado, garantindo que em Carnaúba Seca a justiça sempre encontra o seu tom.

*Zé da Flauta é músico, compositor, filósofo e escritor.


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Executivos das três esferas de poder, PF e Justiça eleitoral concluem últimas etapas de plano estratégico para as Eleições 2026

26/09/2026

Representantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, de instituições da sociedade civil empenhadas no fortalecimento da democracia, de governos estaduais e municipais e da Polícia Federal realizaram, nesta sexta-feira (25/09) a última reunião para concluir, nos próximos dias, toda a estrutura de segurança dentro da atuação conjunta com vistas às eleições.

Por óbvio, muitas ações programas podem passar por alterações, a depender dos acontecimentos observados nos próximos dias, mas o plano geral, segundo os coordenadores, já está totalmente estruturado. O objetivo é garantir votações tranquilas tanto no próximo dia 4 de outubro, como no dia 25, quando será realizado o segundo turno do pleito.

Na reunião, que contou com cerca de 253 integrantes (realizada de forma remota), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que “a democracia se fortalece quando a cidadã e o cidadão têm assegurado o dire...

Representantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, de instituições da sociedade civil empenhadas no fortalecimento da democracia, de governos estaduais e municipais e da Polícia Federal realizaram, nesta sexta-feira (25/09) a última reunião para concluir, nos próximos dias, toda a estrutura de segurança dentro da atuação conjunta com vistas às eleições.

Por óbvio, muitas ações programas podem passar por alterações, a depender dos acontecimentos observados nos próximos dias, mas o plano geral, segundo os coordenadores, já está totalmente estruturado. O objetivo é garantir votações tranquilas tanto no próximo dia 4 de outubro, como no dia 25, quando será realizado o segundo turno do pleito.

Na reunião, que contou com cerca de 253 integrantes (realizada de forma remota), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que “a democracia se fortalece quando a cidadã e o cidadão têm assegurado o direito de participar da vida pública em um ambiente de liberdade, respeito e segurança”.

Enfrentamento dos crimes eleitorais

Ao reconhecer e agradecer a atuação da Polícia Federal nas Eleições 2026, Nunes Marques destacou a relevância desse trabalho de planejamento para o país.

Especialmente na definição das ações de segurança, no enfrentamento dos crimes eleitorais, no combate às diversas formas de violência e na preservação das condições necessárias para que o processo eleitoral “transcorra com normalidade, segurança e pleno respeito à Constituição e às leis da República”.

Como de praxe, a reunião é realizada sempre uma semana antes das eleições, como parte da preparação para o pleito. E como aconteceu em eleições anteriores, contou com a participação de profissionais que atuam em diferentes etapas.

Planejamento operacional

Desde o planejamento operacional de segurança para o dia da votação até a apuração de crimes eleitorais, cibernéticos e de ódio, além de ações de análise, inteligência e enfrentamento do crime organizado no contexto eleitoral.

O encontro contou com a presença do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues; o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Dennis Cali; superintendentes regionais da PF; bem como delegadas e delegados Regionais de Polícia Judiciária (DRPJs), responsáveis pela coordenação do Planejamento Operacional nos estados.

Delegados e delegadas de todo o país

Participaram, também, delegadas e delegados Federais que atuam na apuração dos crimes eleitorais, a cargo das Delegacias de Defesa Institucional (DELINSTs), nas Superintendências Regionais da PF, e das Delegacias Descentralizadas; delegadas e delegados das Delegacias de Repressão a Crimes Cibernéticos (DELECIBERs).

Além de coordenadores das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), forças-tarefas permanentes criadas pelo MJSP, em cooperação com órgãos estaduais e federais, para atuar de forma coordenada contra o crime organizado; e chefes de Inteligência da Polícia Federal.

Desafios próprios a cada eleição

Segundo o presidente do TSE, cada eleição apresenta desafios próprios e o próximo pleito não será diferente. “Todos estamos vivendo em um período de profundas transformações tecnológicas, marcado pela crescente popularização da inteligência artificial e por novas dinâmicas de produção e circulação da informação”, frisou.

“São avanços que trazem benefícios inegáveis à sociedade, mas que também impõem às instituições públicas o permanente desafio de acompanhar as mudanças e atuar de forma coordenada para proteger a integridade do processo eleitoral”, afirmou o ministro.

— Por HJur

Números do exterior surpreendem nestas eleições: 1 milhão de brasileiros vão votar de 134 países

26/09/2026

Da redação

De todos os números que surpreendem nestas eleições, um dos que mais chama a atenção é referente à quantidade de brasileiros que estão no exterior e se cadastraram para votar para presidente. São quase 1 milhão de pessoas ou, mais precisamente, 918.876 eleitores distribuídos por 134 países.

Apesar de, percentualmente, esse número corresponder a pouco mais de 0,5% do total de cerca de 158,7 milhões de eleitores do país, avaliadores políticos internacionais apontam para uma reafirmação do sentimento de brasilidade dessas pessoas. E, também, a vontade de participarem do destino do Brasil, onde nasceram.

Número que só aumenta

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Justiça eleitoral, o eleitorado no exterior vem crescendo ano a ano. Entre 2010 e 2026, o aumento foi de 358%. Em 2010, eram cerca de 210 mil os eleitores habilitados residentes fora do Brasil. Eem 2014, e...

Da redação

De todos os números que surpreendem nestas eleições, um dos que mais chama a atenção é referente à quantidade de brasileiros que estão no exterior e se cadastraram para votar para presidente. São quase 1 milhão de pessoas ou, mais precisamente, 918.876 eleitores distribuídos por 134 países.

Apesar de, percentualmente, esse número corresponder a pouco mais de 0,5% do total de cerca de 158,7 milhões de eleitores do país, avaliadores políticos internacionais apontam para uma reafirmação do sentimento de brasilidade dessas pessoas. E, também, a vontade de participarem do destino do Brasil, onde nasceram.

Número que só aumenta

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Justiça eleitoral, o eleitorado no exterior vem crescendo ano a ano. Entre 2010 e 2026, o aumento foi de 358%. Em 2010, eram cerca de 210 mil os eleitores habilitados residentes fora do Brasil. Eem 2014, esse contingente subiu para 354 mil; em 2018, chegou a 500 mil; e, em 2022, a quase 700 mil, subindo a cerca de mais 300 mil pessoas este ano.

Para a eleição de 2026, o Itamaraty, em conjunto com organizações internacionais e o próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se mobilizaram para a instalação de seções eleitorais em 186 cidades no exterior. Tais locais funcionarão, principalmente, em consulados e embaixadas brasileiras, mas também poderão ser montados em escolas, hotéis e outros espaços.

Mulheres e solteiros são prioridade

Segundo apontam as estatísticas, as mulheres representam 57% do eleitorado brasileiro no exterior, enquanto os homens somam 43%. Entre o estado civil, os solteiros são maioria, com 52%, seguidos pelos casados, com 42%; divorciados, 6%; e viúvos, 1%. O cadastro eleitoral registra ainda 6.614 pessoas com deficiência, o equivalente a 0,72% desse eleitorado.

Quanto à escolaridade, 38% dos eleitores residentes no exterior têm ensino superior completo, o maior percentual entre os níveis de instrução. Os que concluíram o ensino médio são 29%, enquanto os com ensino superior incompleto somam 13%. Na sequência aparecem os que têm ensino médio incompleto, com 10%; ensino fundamental completo, com 5%; ensino fundamental incompleto, com 3%; e os que apenas sabem ler e escrever, com 1%.

EUA, Portugal e Japão

Entre os países com mais eleitores brasileiros no cadastro estão Estados Unidos, com 265,4 mil; Portugal, com 134,7 mil; Japão, com 88,3 mil; Canadá, com 46,4 mil; e Alemanha, com 41,5 mil. O maior grupo etário é formado por eleitores de 40 a 44 anos, seguido pelas faixas de 45 a 49 anos e de 35 a 39 anos.

Eleitores que estiverem no exterior no dia da votação e não comparecerem às urnas poderão justificar a ausência em uma das mesas receptoras de votos instaladas fora do país ou pelo aplicativo e-Título. Segundo o TSE, não haverá mesas exclusivas para justificativa, e o procedimento presencial poderá ser feito apenas nas mesas que funcionarem com urna eletrônica.

— Com Agência Brasil

TV Record desmascara - Raquel Teixeira Lyra diz que é contra bets. Mentira - Tem patrocínio e parceria para operar "Gabinete do Ódio

26/09/2026

Confira: Em novo vídeo, suposto operador do “gabinete do ódio” de Raquel Teixeira Lyra relata como funcionam pagamentos do esquema: “a gente já recebeu até em caixa de charuto”. Incrível. E nos últimos dias, a governadora jurou de pés juntos que "sempre" foi contra bets e "nunca aceitaria patrocínio de bets". Mentira. Supostamente, tinha parceria com a Aposta Ganha, que pagava o assim denominado 'Gabinete do Ódio". E sem supostamente, porque essa está mais do que provada, os ônibus do Grande Recife tráfego com propagandas autorizadas pelo primo André Teixeira. Além do patrocínio do São João de Caruaru. Haja paciência com tanta mentira.

Amanhã

Amisadai Andrade dá novos detalhes sobre esquema de ataques a João Campos e diz que, além dos pagamentos por meio de verbas de publicidade do governo do Estado, também recebe sem registro legal, em dinheiro vivo, pelos serviços. Outro braço da estrutura envolve pagamentos por pix, feitos pela advogada de uma...

Confira: Em novo vídeo, suposto operador do “gabinete do ódio” de Raquel Teixeira Lyra relata como funcionam pagamentos do esquema: “a gente já recebeu até em caixa de charuto”. Incrível. E nos últimos dias, a governadora jurou de pés juntos que "sempre" foi contra bets e "nunca aceitaria patrocínio de bets". Mentira. Supostamente, tinha parceria com a Aposta Ganha, que pagava o assim denominado 'Gabinete do Ódio". E sem supostamente, porque essa está mais do que provada, os ônibus do Grande Recife tráfego com propagandas autorizadas pelo primo André Teixeira. Além do patrocínio do São João de Caruaru. Haja paciência com tanta mentira.

Amanhã

Amisadai Andrade dá novos detalhes sobre esquema de ataques a João Campos e diz que, além dos pagamentos por meio de verbas de publicidade do governo do Estado, também recebe sem registro legal, em dinheiro vivo, pelos serviços. Outro braço da estrutura envolve pagamentos por pix, feitos pela advogada de uma bet, para comentários contra Campos na internet.

A notícia

Em reportagem a ser exibida em rede nacional neste domingo (27/09) pela TV Record, Amisadai Andrade da Silva - tido como operador de um esquema de ataques na internet, e que seria financiado com dinheiro público do governo de Pernambuco na gestão Raquel Lyra (PSD) - relata detalhes de como funciona a estrutura dedicada a, na palavras dele, “desidratar” o ex-prefeito do Recife e candidato ao governo João Campos (PSB). Nomeado pela própria governadora em 2025, e exonerado no último dia 26 de agosto, em caráter de urgência, menos de 12 horas após a denúncia da Rede Record sobre o “gabinete do ódio” dentro do Palácio, Amisadai confessa receber pagamentos sem nota fiscal por serviços. “A gente já recebeu até em caixa de charuto”, diz.

Olha só

“A gente tem os parceiros que batem em João (Campos). Tem uma estrutura de jornalistas, uma equipe que constrói conteúdo.”, relata ele. No vídeo, Amisadai está na companhia dos dois sócios da Portal Comunicação e Marketing, José Roberto Júnior e Rodolfo Costa. Apesar de se dizer desligado da empresa (que é dona do site Portal de Prefeitura, dedicado à difusão de ataques a adversários de Raquel Lyra), o servidor da Caixa Econômica Federal, e que estava cedido ao governo, se apresenta como um integrante da Portal Comunicação.

No vídeo

Rodolfo Costa relata que “tem relação” com dezenas de parceiros e perfis para “colabs” (post em parceria entre perfis do Instagram).

Amisadai

Também relata como se dá o esquema de distribuição dos conteúdos de ataque entre os perfis “parceiros” dos sócios da Portal Comunicação. “Dependendo do tipo de conteúdo que você coloque, se é um conteúdo que é viral, você tem parceria com uns oito perfis”.

Repercussão

O caso do “gabinete do ódio” de Raquel Lyra ganhou destaque nacional após matéria publicada no último dia 25 de agosto, também pela Rede Record. Nela, Amisadai revela ter sido chamado para o Palácio do Campo das Princesas pela governadora Raquel Teixeira Lyra para, nas palavras dele, comandar uma estrutura digital dedicada a “desidratar” João Campos na internet. O esquema teria sido “encomendado” ainda em 2024, quando Campos foi reeleito prefeito do Recife com votação histórica de 78% - a maior vitória já registrada na capital.

Pra fora de mentirinha

Tentando esconder o gato mas deixando o rato de fora,
Amisadai foi exonerado por Raquel Teixeira Lyra na manhã do dia 26 de agosto, menos de 12 horas após a exibição da matéria pela Record. Nesse mesmo dia, após a governadora negar qualquer contato com o servidor, o portal Metrópoles divulgou documentos oficiais do Palácio do Campo das Princesas que mostram entradas de Amisadai para reuniões no local.

Bet financia Raquel

Na reportagem a ser exibida pela Record neste domingo, uma testemunha relata que uma bet do município de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, realizava os pagamentos e cobrava “engajamento” contra Campos e a favor da governadora Raquel Lyra (PSD). Funcionários da Aposta Ganha, casa de apostas sediada no reduto eleitoral de Raquel e que tem vínculos estreitos com a Prefeitura de Caruaru há pelo menos cinco anos, recrutavam as pessoas e comandavam os grupos - um esquema que começou em 2024.

Tudo falso

“Raquel não estava tendo muito engajamento nas redes sociais e aí o grupo era meio que pra isso, para a gente estar engajando. Ela chegou a fazer sorteios de um valor de R$ 50 para os comentários melhores, para incentivar as meninas a estarem comentando”, diz a jovem.

Ela conta que

Pagamentos eram feitos por meio de pix, de R$ 75 por pacote de comentários em perfis do Instagram. Os links das postagens eram distribuídos para que as pessoas comentassem. E, tão logo era dado o “visto”, uma das administradoras do grupo, Maria Eduarda Lucena - que no Linkedin se apresenta como advogada da bet Aposta Ganha - fazia o pagamento. Um dos administradores da bet, Alex Galindo, também estava no grupo de Whatsapp destinado aos ataques. O esquema começou a funcionar em 2024, pouco antes da eleição para prefeito do Recife, quando João Campos despontava com robusta vantagem - tendo sido eleito com 78% dos votos, a maior vitória da história da capital.

O objetivo

Era “desidratar”, com dois anos de antecedência, o provável adversário de Raquel no pleito de 2026. A operação segue ativa até os dias de hoje.

Quem pagava

"Era Eduarda Lucena, ela fazia via pix. E numa data certa para o pessoal que tava no grupo. Era R$ 75 e era só por comentários. Tipo assim, se você não comentasse em todas as publicações, ou em quase todas, não recebia”, continua. “O grupo é de Eduarda Lucena e era ela quem mandava as postagens, o que era pra comentar, o que era pra se basear no comentário que ela dizia, e ela é de Caruaru. Ela trabalha com a agência Prospect. Ela se apresentou através desse grupo da agência Prospect. No começo ela fez o convite para entrar no grupo de eventos. E depois, através do grupo de eventos, foi que veio o convite para o outro grupo relacionado a política”.

O braço das bets

No esquema de manipulação digital contra João Campos foi revelado pelo Portal Metrópoles, no último dia 9. Segundo a testemunha ouvida pela reportagem, Maria Eduarda Lucena Freire, conhecida como Duda Lucena, administrava o “Grupo Engajamento”. Para a tarefa de recrutar pessoas para os grupos de Whatsapp, Duda Lucena não informava o vínculo com a Aposta Ganha, e sim com a empresa Prosp3cct, que realiza eventos como festas e shows na área de Caruaru, Gravatá e no Litoral Sul.

Os ratos de internet

É como se chamam as pessoas “contratadas” para comentar em favor de Raquel Lyra e contra João Campos. Elas eram recrutadas em grupos de divulgação destes eventos. Alex Galindo, um dos administradores da Aposta Ganha, também é sócio-proprietário da Prosp3cct. Em seus perfis do Linkedin, ambos são, respectivamente, Diretor de Operações (COO, de Chief Operating Officer), e advogada da “bet” caruaruense.

Amiguinhos?

Galindo também aparece em uma foto ao lado do primo, braço-direito e ex-secretário de Raquel Teixeira Lyra, de nkme André Teixeira Filho, no Instagram deste último. No post, Teixeira refere-se à organização da festa privada Gonzagão, que acontece em Caruaru. “Mais um ano fazendo o que a gente ama”, diz o primo de Raquel, hoje coordenador da sua campanha.

Investigação

No dia 27 de agosto, os advogados da Frente Popular de Pernambuco entraram, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o que consideram abusos políticos e econômicos por parte da atual gestão do governo do Estado. Entre eles, o uso da estrutura digital para atacar João Campos. Além disso, o corpo jurídico da coligação também realizou denúncias ao Ministério Público Estadual (MPPE), Controladoria Geral da União (CGU), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministério Público Eleitoral (MPE).






“Brasileiros, na santa ignorância eleitoral, continuam votando sem entender quem ganha, quanto ganha e como ganha”, afirma o analista Marcelo Tognozzi*

26/09/2026

Era quarta-feira, 2 de março de 1988 em Brasília. O senador Afonso Arinos (1905-1990), 82 anos, sobe na tribuna e defende a emenda do voto aos 16 anos. “Sou o constituinte mais idoso defendendo o direito dos mais jovens”, iniciou Arinos, argumentando a favor da emenda proposta pelo deputado gaúcho Hermes Zaneti e os mineiros Paulo Delgado e Aécio Neves. Arinos convenceu o plenário a aprovar o voto facultativo para os maiores de 16 anos e os menores de 18.

Foi o canto do cisne daquele político que vivera intensamente o Brasil desde os anos 1920. Apoiara a revolução de 1930 e rompera com Getúlio Vargas em 1943, signatário do Manifesto do Mineiros, expondo dura contradição: o Brasil lutava na 2ª Guerra contra a ditadura nazista e não poderia seguir no regime ditatorial do Estado Novo, instaurado em 1937. Pouco mais de 20 anos depois, romperia com o regime militar, por ele apoiado em 1964. Ficou anos a fio longe da política, voltando ao Congresso octogenário, eleito em 1986...

Era quarta-feira, 2 de março de 1988 em Brasília. O senador Afonso Arinos (1905-1990), 82 anos, sobe na tribuna e defende a emenda do voto aos 16 anos. “Sou o constituinte mais idoso defendendo o direito dos mais jovens”, iniciou Arinos, argumentando a favor da emenda proposta pelo deputado gaúcho Hermes Zaneti e os mineiros Paulo Delgado e Aécio Neves. Arinos convenceu o plenário a aprovar o voto facultativo para os maiores de 16 anos e os menores de 18.

Foi o canto do cisne daquele político que vivera intensamente o Brasil desde os anos 1920. Apoiara a revolução de 1930 e rompera com Getúlio Vargas em 1943, signatário do Manifesto do Mineiros, expondo dura contradição: o Brasil lutava na 2ª Guerra contra a ditadura nazista e não poderia seguir no regime ditatorial do Estado Novo, instaurado em 1937. Pouco mais de 20 anos depois, romperia com o regime militar, por ele apoiado em 1964. Ficou anos a fio longe da política, voltando ao Congresso octogenário, eleito em 1986 pelo PFL do Rio de Janeiro.

Lei antirracismo

Arinos já entrara para a História com sua lei antirracismo. Agora, não fora autor, mas condutor da aprovação do direito de voto aos 16 anos. Passadas quase 4 décadas da promulgação da Constituição, os eleitores mais jovens – e também os mais velhos – desconhecem as regras da eleição e como funciona de fato nosso sistema eleitoral.

Se alguém vai votar aos 16 anos, deveria aprender aos 14, 15 as regras da lei eleitoral, como os votos são contados e qual o papel dos vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e do presidente da República. Nada disso acontece. Ninguém aprende a votar na escola. E ainda dizem que o brasileiro não sabe votar e esquece em quem votou.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), gasta fortunas em propaganda incentivando o eleitor ir às urnas, minorias a se candidatarem ou defendendo a importância do voto para a democracia. Mas tem sido incapaz de incentivar que se ensine ao eleitor como nosso sistema eleitoral funciona de verdade.

Diferença entre quociente eleitoral e partidário

Não existe voto consciente se a grande maioria dos eleitores não sabe o que é quociente eleitoral, quociente partidário, médias, sobras ou para onde vão os votos brancos e nulos.

Quando o eleitor for encarar a urna semana que vem, dia 4 de outubro, estará votando em 5 eleições diferentes: deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente. Dessas, 3 são eleições majoritárias e outras 2 proporcionais. A diferença é que na majoritária vence quem conseguir mais votos e nas proporcionais a contagem é um pouco diferente. Cada eleição é apurada separadamente e, por isso, quando votamos para presidente e deixamos de votar para deputado, a abstenção será maior ou menor de um cargo para outro.

É justamente na eleição proporcional que mora a bilionária economia da política brasileira, cuja principal moeda é a cadeira de deputado federal. A lei atual prevê que os partidos com maior bancada de deputados federais terão mais dinheiro do fundo eleitoral e do fundo partidário. Depois que a eleição passou a ser financiada com dinheiro público, a disputa eleitoral mira estes fundos.

Valor dos fundos partidários

Neste ano, o fundo partidário, dinheiro para o dia a dia dos partidos, chegou a R$ 1,43 bilhão. O fundo eleitoral distribuiu para esta eleição nada menos que R$ 4.9 bilhões, divididos entre 30 legendas. O PL recebeu a maior fatia (R$ 881,7 milhões), seguido do PT (R$ 615,4 milhões) e do União Brasil (R$ 526,2 milhões), somando 40% do total.

Como o PL conseguiu quase R$ 1 bilhão? A resposta está na contagem de votos da eleição proporcional. Ficou com a maior bancada na Câmara nas eleições de 2022. A maioria absoluta do eleitorado nunca aprendeu na escola o que é e como se calcula os quocientes eleitoral e partidário, justamente onde começa a distribuição dos votos e do dinheiro. A primeira conta a fazer é essa.

Quociente eleitoral: divide-se o total de votos válidos (sem brancos e nulos) pelo número de cadeiras. Por exemplo: 20.000 ÷ 5 = 4.000. O resultado mostra quantos votos são necessários para conseguir uma vaga. Quociente partidário: divide-se a votação de cada partido pelo quociente eleitoral, desprezando a fração. Resultado: vamos saber quantas vagas terá cada partido.

Primeiro, sabemos quantos votos são necessários para o partido conquistar uma vaga de deputado. Depois, o quociente partidário revela quantas vagas caberá a cada partido. É uma regra antiga, de 150 anos, criada pelo jurista belga Victor D’Hondt. Em pleno século 21 o Brasil segue contando votos como no século 19.

Com a IA ficou mais fácil

Antigamente a gente fazia as contas na munheca mesmo, mas com ajuda da inteligência artificial ficou fácil. Se o eleitor colocar na IA do Google o número de votos válidos e pedir para calcular os quocientes, o resultado aparecerá rápido, incluindo as famosas médias e sobras. Uma vez que a regra do jogo fica transparente para o eleitor, ele começa a entender por que votou no Zezinho para deputado, mas quem acabou eleito foi o Chiquinho. E qual partido sairá da eleição com mais dinheiro.

Este sistema favorece partidos com puxadores de votos. Depois que eles atingem a votação necessária para a eleição de deputado, os votos restantes são distribuídos pelos demais candidatos do partido. Foi assim que Enéas Carneiro, do Prona, conquistou sua cadeira de deputado por São Paulo, em 2002, com 1,57 milhão de votos. Trouxe com ele mais 5 deputados, incluindo Vanderlei Assis com seus 275 votos.

Afonso Arinos garantiu aos brasileiros mais jovens o direito ao voto, mas quem veio depois dele pecou por omissão ao deixar a cidadania de lado e não incluir o voto no currículo escolar. Não adianta ter direito e não saber exercê-lo. Os brasileiros, na sua santa ignorância eleitoral, continuam votando sem entender quem ganha, quanto ganha e como ganha. É o voto veneno e precisa acabar.

*Marcelo S. Tognozzi é jornalista e consultor. Uma das principais referências da imprensa brasileira contemporânea.
NR - Autorizada a postagem do artigo, originalmente publicado no Poder360. O título foi mudado e os intertítulos inseridos à revelia do autor.

Bolsonaro X Bolsonaro: Gilson manda preparar material de Flávio " já que PL não fez"

26/09/2026

O ex-ministro do Turismo do governo Jair Bolsonaro, Gilson Machado Neto, se desentendeu com o PL local. Ele aderiu ao Podemos, junto com o filho, Gilson Machado Filho. Gilson pai é candidato a deputado federal. O filho, candidato a deputado estadual.

O Podemos é controlado em Pernambuco pelos irmãos Marcelo e Gustavo Gouveia, também candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente.

Os adesivos

Às turras com o PL, sem perder oportunidade de alfinetar o partido, Gilson mandou confeccionar adesivos com a foto do senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente pelo PL. O ex-ministro explicou que fez questão de não colocar sua foto.

“Apenas coloquei meu número bem pequeno, por uma questão jurídica”, frisou, ao acrescentar que o material está disponível no seu comitê de campanha, localizado na Herculano Bandeira 766, bairro do Pina. E rebateu ao seu jeito: “Não dá para esperar, faltando tão pouco tempo para a elei...

O ex-ministro do Turismo do governo Jair Bolsonaro, Gilson Machado Neto, se desentendeu com o PL local. Ele aderiu ao Podemos, junto com o filho, Gilson Machado Filho. Gilson pai é candidato a deputado federal. O filho, candidato a deputado estadual.

O Podemos é controlado em Pernambuco pelos irmãos Marcelo e Gustavo Gouveia, também candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente.

Os adesivos

Às turras com o PL, sem perder oportunidade de alfinetar o partido, Gilson mandou confeccionar adesivos com a foto do senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente pelo PL. O ex-ministro explicou que fez questão de não colocar sua foto.

“Apenas coloquei meu número bem pequeno, por uma questão jurídica”, frisou, ao acrescentar que o material está disponível no seu comitê de campanha, localizado na Herculano Bandeira 766, bairro do Pina. E rebateu ao seu jeito: “Não dá para esperar, faltando tão pouco tempo para a eleição. Já que o PL não fez, eu fiz”.

Veja abaixo, o vídeo do candidato.






Ricardo Coutinho: compra de apoios é estratégia para tentar desmontar campanha de Veneziano

26/09/2026

Por Flávio Lúcio*

Em entrevista concedida à imprensa de Guarabira, Ricardo Coutinho fez uma denúncia que merece ser ouvida com atenção. Quando o ex-governador afirma que a “compra de apoios” por parte de setores da política paraibana está “escancarada” e “normalizada”, não está descrevendo um fenômeno abstrato ou hipotético, mas uma prática que é realizada à luz do dia, sem pudor algum. São prefeitos e prefeitas que migram de um bloco político para outro não por convicção ou identidade programática.

“Eu acho isso um escândalo. Um escândalo na cara de todo mundo. Não é possível que a compra das pessoas na política seja feita de uma maneira tão aberta, tão normalizada, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.”

O diagnóstico da financeirização da política é, por si só, um problema que deveria preocupar os agentes políticos e a própria Justiça eleitoral, mas, sobretudo, aqueles que se preocupam com a vitalidade da nossa democraci...

Por Flávio Lúcio*

Em entrevista concedida à imprensa de Guarabira, Ricardo Coutinho fez uma denúncia que merece ser ouvida com atenção. Quando o ex-governador afirma que a “compra de apoios” por parte de setores da política paraibana está “escancarada” e “normalizada”, não está descrevendo um fenômeno abstrato ou hipotético, mas uma prática que é realizada à luz do dia, sem pudor algum. São prefeitos e prefeitas que migram de um bloco político para outro não por convicção ou identidade programática.

“Eu acho isso um escândalo. Um escândalo na cara de todo mundo. Não é possível que a compra das pessoas na política seja feita de uma maneira tão aberta, tão normalizada, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.”

O diagnóstico da financeirização da política é, por si só, um problema que deveria preocupar os agentes políticos e a própria Justiça eleitoral, mas, sobretudo, aqueles que se preocupam com a vitalidade da nossa democracia, tão duramente atacada nos últimos anos. Afinal, quando o dinheiro de campanha se torna o principal — ou o único — critério de alinhamento político, o que restará da representação popular? Que mudança o Brasil poderá promover?

Para Coutinho, o resultado desse processo é a corrosão da democracia. Um prefeito que age assim não está expressando um projeto para seu município: está colocando à venda sua própria liderança política e, por extensão, a vontade e a autonomia do povo que diz representar. E se isso fala sobre quem se coloca à venda, o que dizer de quem está do outro lado do balcão, do comprador? Afinal, existe corrupto sem corruptor?

E Ricardo dá nome aos bois.

“Não venham tentar me convencer que isso acontece por conta dos belos olhos de algum candidato (…) Está claro que isso é articulado por Nabor [ Nabor Wanderley, candidato a senador e pai do atual presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta] e por João Azevêdo [ex-governador da Paraíba, e também candidato ao Senado].”

O ataque dos dois é deliberado e tem alvo: a candidatura de Veneziano Vital, que é, lembro eu, o único candidato a senador que pede voto para Lula sem nenhum constrangimento.

Segundo Ricardo,

“Isso acontece porque o jogo da política está cada vez mais financeirizado. A política e a Democracia estão correndo um gravíssimo risco. Em função exatamente da financeirização da campanha, do dinheiro na campanha. Porque hoje as pessoas não têm mais vergonha. Está claro que existe uma estratégia de tentar desmontar a campanha do senador Veneziano.”

A declaração de Ricardo Coutinho reforça, com a autoridade de quem já governou a Paraíba, aquilo que já vínhamos observando e denunciando por aqui. Até então, essa prática era denunciada, sobretudo, por quem se considerava diretamente prejudicado por ela: o próprio Veneziano Vital, que, ao longo de seu mandato como senador, conquistou apoios por meio de seu trabalho político.

As palavras de Ricardo ganham, portanto, um alcance ainda maior, por se tratar de uma liderança de peso que também participa de jogo e sofre suas consequências, pois depende, assim como Veneziano, do voto de opinião, livre e independente.

Dimensão simbólica

Por fim, há uma dimensão simbólica na denúncia: Coutinho fala em “perda de vergonha” desses prefeitos e prefeitas em mudar de posição em plena campanha e, nos casos mais recentes, às vésperas da eleição. Isso é resultado de uma prática que foi se tornando tão corriqueira que começou a se normalizar. Embora a venda e a compra de apoios fosse uma prática que, mesmo quando conhecida, costumava pelo menos ser feita sem muito alarde.

O que RC descreve é justamente a perda dessa discrição. Agora, não há nenhum pudor em aparecer publicamente ao lado de um candidato, com foto e registro em rede social e, no dia seguinte, ao lado do adversário a quem antes era recusado o apoio. A mudança deixou de ser às escondidas, feita de maneira envergonhada, para se tornar aberta ao comentário público.

Anomalia

A substituição progressiva do critério ideológico ou programático por um critério puramente financeiro na formação de alianças municipais é uma anomalia do nosso sistema eleitoral, um sintoma de como o jogo das alianças e da obtenção de apoio político vem sendo feito, cada vez mais desprovido de alinhamentos programáticos – um candidato a deputado do PT posou ao lado de Nabor Wanderley para anunciar seu apoio ao genitor de Hugo Motta, mesmo o partido apoiando publicamente Veneziano Vital. Isso seria possível duas décadas atrás?

Quando a manutenção do apoio político depende menos de um projeto que se destina a beneficiar a população, e mais de recursos disponibilizados aos agentes políticos individualmente, a consequência é também o esvaziamento sentido de próprio “apoio político”: para o povo, que não é bobo, deixa de ser adesão para passar a ser transação, renovável a cada oferta de quem se dispõe a participar desse jogo.

E Veneziano se recusou a participar dele, por isso, denuncia a prática.

*Flavio Lúcio. Cientista social. Doutor em Sociologia


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“Proibição das bets é uma vitória dos brasileiros”, afirma advogado Antônio Campos

26/09/2026

O advogado e escritor Antônio Campos, que sempre se manifestou contrário às apostas e jogos online no Brasil, as famosas “bets”, comemorou a assinatura, nesta sexta-feira (25/09), pelo presidente Lula, da Medida Provisória (MP) que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade dessas apostas no país.

Assinada na noite de ontem, a MP impede a realização apostas de quota fixa em todo o território nacional, tanto em meios físicos quanto virtuais. A regra alcança apostas esportivas e jogos online, inclusive plataformas sediadas no exterior que atendam a apostadores no Brasil.

Hora das ações indenizatórias

Segundo afirmou Campos, a medida “é uma vitória dos brasileiros”. Segundo o advogado, ‘chegou a hora das ações indenizatórias e similares para devolver os valores aos prejudicados”.

“Desde o início, estive na luta contra as bets e os tigrinhos, que destruíram a vida de muitos brasileiros e brasileiras e p...

O advogado e escritor Antônio Campos, que sempre se manifestou contrário às apostas e jogos online no Brasil, as famosas “bets”, comemorou a assinatura, nesta sexta-feira (25/09), pelo presidente Lula, da Medida Provisória (MP) que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade dessas apostas no país.

Assinada na noite de ontem, a MP impede a realização apostas de quota fixa em todo o território nacional, tanto em meios físicos quanto virtuais. A regra alcança apostas esportivas e jogos online, inclusive plataformas sediadas no exterior que atendam a apostadores no Brasil.

Hora das ações indenizatórias

Segundo afirmou Campos, a medida “é uma vitória dos brasileiros”. Segundo o advogado, ‘chegou a hora das ações indenizatórias e similares para devolver os valores aos prejudicados”.

“Desde o início, estive na luta contra as bets e os tigrinhos, que destruíram a vida de muitos brasileiros e brasileiras e prejudicaram muitas famílias”, declarou.

Ação popular preventa

Sou autor da ação popular preventa , ou seja, pioneira, que pedia a proibição das bets ou a equiparação da publicidade, similar à legislação contra o fumo, que tramita na Justiça Federal de Brasília”, informou ainda Campos.

O advogado ressaltou também que tais apostas online consistem em “um jogo ilusório em que o jogador não tinha qualquer chance de ganhar”. “Agora chegou o momento de pedir a restituição dos valores e a indenização dos prejudicados”, frisou. “Não às bets. Não aos tigrinhos. Viva os brasileiros”, acrescentou ele.

Porque o Brasil precisa rever o negócio das bets, sem considerá-las contribuintes ou agente econômico, mas como elemento de saúde pública nacional

26/09/2026

Por Fernando Castilho*


O presidente Lula voltou de Nova Iorque, onde participou da abertura da Assembleia Geral da ONU, com a agenda de seu gabinete para tratar da questão das bets. Demorou. Lula da Silva deveria ter definido uma nova posição de seu governo em junho, quando a questão escalou como problema de saúde pública. Mas, certamente, não quis enfrentar a questão quando as bets se apresentaram com as grandes patrocinadoras da Copa do Mundo de 2026.

De fato, talvez não fosse adequado partir para o enfrentamento — que deve partir na penúltima semana da campanha eleitoral — devido à pressão dos diversos grupos de interessados que, agora, se sabe, vão desde deputados e senadores até clubes de futebol, onde as bets já patrocinaram 15 das 20 participantes da Série A, embora não sejam as maiores responsáveis pelas verbas arrecadadas pelos participantes.

Tomar uma decisão

Mas o presidente não tem como fu...

Por Fernando Castilho*


O presidente Lula voltou de Nova Iorque, onde participou da abertura da Assembleia Geral da ONU, com a agenda de seu gabinete para tratar da questão das bets. Demorou. Lula da Silva deveria ter definido uma nova posição de seu governo em junho, quando a questão escalou como problema de saúde pública. Mas, certamente, não quis enfrentar a questão quando as bets se apresentaram com as grandes patrocinadoras da Copa do Mundo de 2026.

De fato, talvez não fosse adequado partir para o enfrentamento — que deve partir na penúltima semana da campanha eleitoral — devido à pressão dos diversos grupos de interessados que, agora, se sabe, vão desde deputados e senadores até clubes de futebol, onde as bets já patrocinaram 15 das 20 participantes da Série A, embora não sejam as maiores responsáveis pelas verbas arrecadadas pelos participantes.

Tomar uma decisão

Mas o presidente não tem como fugir de uma decisão. Lula assinou uma MP que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o território nacional, tanto em meios físicos quanto virtuais. A regra alcança apostas esportivas e jogos online, inclusive plataformas sediadas no exterior que atendam a apostadores no Brasil.

Embora o faça como ato de campanha eleitoral, a pressão social chegou a um ponto em que o Estado brasileiro precisa rever a legislação aprovada em 2023 e que, como se constatou, abriu completamente o mercado sem qualquer salvaguarda.

Na verdade, a lei nº 14.790/2023 é um exemplo internacional de como um país não abordar a questão das apostas esportivas, por não abranger proteções mínimas. Isso vai desde a publicidade sem restrições até a falta de proteção ao acesso dos apostadores, e só recentemente o próprio Ministério da Fazenda introduziu advertências nas telas sobre os riscos de jogar nas plataformas.

MP corretiva

O governo sabe que uma Medida Provisória, embora possa ter aplicação imediata, não terá tramitação tranqüila no Congresso, especialmente no final de uma legislatura. Mas poderá ser um gesto importante.

É uma forma do próprio governo Lula tentar corrigir o equívoco na proposta de aprovação de uma legislação que, sabe-se agora, não previu eleitos na sociedade brasileira a despeito de farta literatura internacional. O governo sabe agora que deu ouvidos aos empresários que valorizam a tributação sem considerar o deslocamento de recursos dentro da economia e os riscos junto à população de baixa renda, embora a classe média também aposte.

Liberou geral

É importante observar na questão das bets como o setor teve autorização para operar legalmente sem qualquer restrição. O caso brasileiro é um modelo de como não fazer porque o governo (sem conhecer o assunto profundamente e muito menos os impactos na população de outros países) se comportou de forma ingênua e irresponsável socialmente.

A Lei das Bets nº 14.790 foi sancionada pelo presidente Lula em 29 de dezembro de 2023. Durante todo o ano de 2024, as empresas se regularizaram e começaram uma ocupação de espaço publicitário que simplesmente eliminou todo o conjunto de patrocinadores tradicionais. E virou instrumento de disputa de cidades para abrigar bets, como foi o caso do Recife, que reduziu a tributação das empresas de 5% para 2% e, em 2025, recebeu de ISS R$ 74,6 milhões, devendo receber em 2026 o mesmo valor. Ou seja, quase 150 milhões em dois anos.

Arrecadação

Segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), em 2025 o governo arrecadou R$ 9,95 bilhões com as casas de apostas, sobre uma alíquota de 12% sobre a receita bruta de jogos, a GGR (Gross Gaming Revenue), além do pagamento do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins.

O potencial contributivo, porém, está a bilhões de reais da transferência de recursos da economia. Segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio apresentado ao próprio Lula, de janeiro de 2023 a março de 2026, os gastos chegaram perto de R$ 700 bilhões, sendo que no ano passado esses gastos foram de R$ 320 bilhões.

Risco à saúde

Mas nenhum desses números tem maior impacto do que os efeitos da ludopatia nas famílias. E as mulheres são as que estão sofrendo mais, pois são atraídas pelos jogos e sofrem o impacto da perda de renda de seus maridos quando eles perdem o controle sobre o jogo.

Segundo a pesquisa “Mulheres & Bets”, 42% das entrevistadas afirmam que apostam ou já apostaram em plataformas online, enquanto outras 12% não apostam, mas têm alguém da família que aposta.

Ataque às mulheres

O impacto pode ser ainda mais relevante porque, entre as mulheres que apostam, 21,5% apontam a busca por renda extra como principal motivação, enquanto 19% dizem apostar pela expectativa de ganhar dinheiro rapidamente. O levantamento também mostra que 72% dos apostadores têm filhos.

Os números do CNC e de pesquisas como as “Mulheres & Bets” ajudaram o governo a mudar sua posição. Não é mais uma questão de arrecadação. As bets se tornaram um problema social e público.

*Fernando Castilho é jornalista, colunista econômico do JC, onde este artigo foi originalmente publicado no dia 23/09.
NR - O texto foi atualizado apenas no trecho referente à publicação da MP, que foi assinada nesta sexta-feira (25/09).


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Trabalhadores portuários declaram apoio à reeleição de Silvio Costa Filho

26/09/2026

O ex-ministro de Portos e Aeroportos de Lula e deputado federal Silvio Costa Filho (Republicanos), candidato à reeleição, recebeu um importante gesto nesta reta final de campanha. Em reconhecimento ao trabalho desenvolvido em favor do setor portuário brasileiro, sobretudo dos trabalhadores, durante sua passagem pelo ministério Silvio foi homenageado e teve confirmado o apoio dos sindicatos dos Conferentes de Carga e Descarga de Pernambuco e dos Estivadores à sua reeleição.

O encontro aconteceu nesta sexta-feira (25/09), quando o presidente do Sindicato dos Estivadores de Pernambuco (Sindestiva-PE), Josias Martins, um dos representantes do grupo afirmou que são muitas coisas para agradecer ao ex-ministro.

“Um dos exemplos é a criação do Fórum Nacional dos Trabalhadores Portuários, que abriu o diálogo entre o governo e os trabalhadores, assim como a construção do substitutivo negociado para buscar um entendimento em torno do Projeto de Lei 733/2025 [referen...

O ex-ministro de Portos e Aeroportos de Lula e deputado federal Silvio Costa Filho (Republicanos), candidato à reeleição, recebeu um importante gesto nesta reta final de campanha. Em reconhecimento ao trabalho desenvolvido em favor do setor portuário brasileiro, sobretudo dos trabalhadores, durante sua passagem pelo ministério Silvio foi homenageado e teve confirmado o apoio dos sindicatos dos Conferentes de Carga e Descarga de Pernambuco e dos Estivadores à sua reeleição.

O encontro aconteceu nesta sexta-feira (25/09), quando o presidente do Sindicato dos Estivadores de Pernambuco (Sindestiva-PE), Josias Martins, um dos representantes do grupo afirmou que são muitas coisas para agradecer ao ex-ministro.

“Um dos exemplos é a criação do Fórum Nacional dos Trabalhadores Portuários, que abriu o diálogo entre o governo e os trabalhadores, assim como a construção do substitutivo negociado para buscar um entendimento em torno do Projeto de Lei 733/2025 [referente ao novo marco trabalhista dos portos]”, destacou.

Luta por investimentos para o Estado

Martins disse que eles fizeram questão de ir até o deputado para agradecer pessoalmente “por tudo o que ele fez e dizer que vamos apoiá-lo na reeleição”.

“Silvio é uma pessoa que lutou pelo estado. Muitos investimentos para o Porto do Recife e Suape vieram por conta do ministro. Ele atuou para construir um substitutivo ao PL 733/2025. E para que a proposta avance na Câmara, precisamos elegê-lo deputado outra vez”, complementou, também, o presidente do Sindicato dos Conferentes, Fernando Marcelo.

Criação de fórum permanente

Durante sua passagem pelo Ministério de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho se destacou por ter atuado para fortalecer o setor portuário brasileiro, buscando promover o desenvolvimento sem deixar ninguém de lado. Para isso, abriu de forma inédita o diálogo com os trabalhadores ao criar o Fórum Permanente dos Trabalhadores Portuários, com o objetivo de discutir políticas para o fortalecimento do setor e da categoria.

Ainda no ministério, ele articulou reuniões entre as federações de trabalhadores e entidades patronais para avançar na construção do substitutivo ao PL 733/2025, que trata do novo marco trabalhista dos portos.

Regras de negociação coletiva

Na ocasião, foi construído um memorando de entendimento entre as partes, envolvendo certificação profissional, critérios para contratação, definição das atividades portuárias e regras de negociação coletiva. Atualmente, o projeto está em apreciação na Câmara dos Deputados.

“Quero parabenizar o trabalho de todos vocês em favor dos trabalhadores e trabalhadoras do setor portuário de Pernambuco. Dizer da alegria de podermos estar juntos nessa caminhada. Ao lado do futuro governador João Campos e do presidente Lula, esperamos que possamos trabalhar muito nos próximos anos pelo fortalecimento do setor, que é fundamental para o desenvolvimento econômico e social de Pernambuco e do Brasil”, agradeceu Silvio.

— Foto de Wesley D'Almeida

Presidenciáveis participam de atividades de campanha em cinco estados neste fim de semana

26/09/2026

Da Redação

Faltando poucos dias para o primeiro turno das eleições, os candidatos à Presidência da República têm agendas neste fim de semana que incluem caminhadas, comícios, entrevistas e encontros com apoiadores em diferentes cidades. As atividades de campanha estão previstas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Paraná.

O presidente Lula (PT) participa de uma caminhada, durante a manhã deste sádo (26/09), intitulada ‘Brasil Pronto pra Mais’, em São Miguel, na zona leste de São Paulo (SP). Depois, Lula tem reunião com assessores e, neste domingo (27/09), ele pretende participar da gravação de vídeos e descansar um pouco, sem agenda pública prevista.

Moto-carreatas e entrevistas

O senador Flávio Bolsonaro (PL) estará em duas moto-carreatas no Rio de Janeiro (RJ). A primeira, pela manhã, em São João de Meriti. O trajeto inclui passagem pela Praça da Matriz e termina no bairro Vila Tira...

Da Redação

Faltando poucos dias para o primeiro turno das eleições, os candidatos à Presidência da República têm agendas neste fim de semana que incluem caminhadas, comícios, entrevistas e encontros com apoiadores em diferentes cidades. As atividades de campanha estão previstas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Paraná.

O presidente Lula (PT) participa de uma caminhada, durante a manhã deste sádo (26/09), intitulada ‘Brasil Pronto pra Mais’, em São Miguel, na zona leste de São Paulo (SP). Depois, Lula tem reunião com assessores e, neste domingo (27/09), ele pretende participar da gravação de vídeos e descansar um pouco, sem agenda pública prevista.

Moto-carreatas e entrevistas

O senador Flávio Bolsonaro (PL) estará em duas moto-carreatas no Rio de Janeiro (RJ). A primeira, pela manhã, em São João de Meriti. O trajeto inclui passagem pela Praça da Matriz e termina no bairro Vila Tiradentes. A segunda, terá inicio a partir das 15h, e está programada para se realizar em Jacarepaguá, na capital fluminense.

Romeu Zema (Novo) confirmou presença em atos de campanha em cidades do Sul de Minas. Pela manhã de hoje, ele concede entrevista para o portal Terra do Mandu em Pouso Alegre e depois se encontra com apoiadores na cidade. Às 12h, Zema faz caminhada nos comércios de Varginha e almoça com apoiadores. No início da tarde concede entrevista ao vivo para a rádio Itatiaia de Varginha.

Ronaldo Caiado (PSD) sai, durante a manhã, em carreata no percurso entre as cidades de Luziânia e Cristalina. Às 13h30, ele participa de caminhada em Valparaíso de Goiás e às 18h30 se encontra com lideranças e apoiadores em Águas Lindas de Goiás, município no entorno do Distrito Federal.

Encontros com apoiadores e debates

Augusto Cury (Avante) cumpre hoje agenda de campanha em Salvador (BA), das 10h às 13h. Ele articipa de caminhada pela pacificação pelo Pelourinho e pela Feira do Empreendedor. Às 16h30, inicia agenda de campanha em Caeté (MG). De lá, participa de caminhada pela pacificação até a Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso. Não há previsão de agenda pública do candidato no domingo.

Renan Santos (Missão), terá hoje No sábado, encontros com apoiadores em Minas Gerais. em Divinópolis e em Belo Horizonte. E neste domingo, participa de encontro com apoiadores em Salvador (BA), às 16h.

Por sua vez, Hertz Dias (PSTU) participa, às 18h, de debate presidencial, transmitido ao vivo pelos podcasts Kritikê e Três Irmãos, além da rádio My News. No domingo, às 18h30, ele participa do lançamento do livro Programa Revolucionário para o Brasil & Análise do Brasil Contemporâneo, em Brasília (DF).

Programas de TV e comícios

Rui Costa Pimenta (PCO) estará durante a manhã no programa Análise Política da Semana, transmitido pela Causa Operária TV, com análise da conjuntura nacional e internacional e perguntas do público. Já às 18h participa de debate presidencial, transmitido ao vivo pelos podcasts Kritikê e Três Irmãos, além da rádio My News. No domingo, às 11h, o candidato participa de ato de encerramento de campanha em São Paulo (SP).

Samara Martins (UP) estará em comício no Centro de São Paulo (SP) durante toda a manhã, na Estação da Luz. Às 18h participa de debate presidencial, transmitido ao vivo pelos podcasts Kritikê e Três Irmãos, além da rádio My News. Não há agenda pública da sua campanha divulgada para o domingo.

Wilson Grassi (Democrata) concede entrevista às 12h aos canais SBT e SBT News. Às 18h, participa do debate com candidatos à presidência da República promovido pelos podcasts Kritikê e 3 Irmãos, além do canal My News.

Panfletagem e confraternização

Clariana Barão (DC) também confirmou presença em debate, neste sábado, com candidatos à Presidência da República, às 18h, promovido pelos podcasts Kritikê, Três irmãos e MyNews. Edmilson Costa (PCB) dedicará a manhã de hoje a panfletagem no Centro de Curitiba (PR), com início previsto para as 10h30. Ao meio-dia, ele almoça com a militância. Às 14h30, participa de roda de conversa na Livraria Vertov, no bairro Mercês.

Às 17h, participa de atividade de imprensa e produção de materiais. Às 18h, confirmou presença em confraternização do Bloco Vermelho, na Escadaria das Ruínas de São Francisco. E neste domingo (27/09), estará, às 19h, em debate sobre soberania nacional e luta anti-imperialista, a ser realizado em Maringá (PR).

Resumo do dia: quem vota em Lula vota em João

25/09/2026

Pernambuco viveu nesta sexta-feira (25/09) um dos dias mais marcantes da história das campanhas eleitorais. O Centro do Recife recebeu uma multidão incalculável, formada por gente vinda de todos os cantos do estado, do Sertão ao litoral, passando pelo Agreste, pela Mata Norte, pela Mata Sul e pela Região Metropolitana, além da própria capital.

Força popular

As imagens são impressionantes.
Foi um retrato da diversidade e da força política de um povo que se fez presente em peso, ocupando cada trecho do percurso entre o Cais de Santa Rita e o Marco Zero.



O presidente

Luiz Inácio Lula da Silva caminhou e esteve no carro ao lado de João Campos durante todo o trajeto, em meio ao povo, sem qualquer distância protocolar. A caminhada reuniu, ao redor dos dois, uma quantidade de pessoas impossível de mensurar, e que testemunhas descrevem como a maior concentração popular já vista durante disputa ele...

Pernambuco viveu nesta sexta-feira (25/09) um dos dias mais marcantes da história das campanhas eleitorais. O Centro do Recife recebeu uma multidão incalculável, formada por gente vinda de todos os cantos do estado, do Sertão ao litoral, passando pelo Agreste, pela Mata Norte, pela Mata Sul e pela Região Metropolitana, além da própria capital.

Força popular

As imagens são impressionantes.
Foi um retrato da diversidade e da força política de um povo que se fez presente em peso, ocupando cada trecho do percurso entre o Cais de Santa Rita e o Marco Zero.


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O presidente

Luiz Inácio Lula da Silva caminhou e esteve no carro ao lado de João Campos durante todo o trajeto, em meio ao povo, sem qualquer distância protocolar. A caminhada reuniu, ao redor dos dois, uma quantidade de pessoas impossível de mensurar, e que testemunhas descrevem como a maior concentração popular já vista durante disputa eleitoral em Pernambuco.

Chapa completa. E fechada

Ao lado da dupla, também esteve presente a chapa completa, tanto majoritária quanto proporcional, reforçando o tamanho e a organização do grupo político que sustenta a candidatura. A presença conjunta de todos os nomes da chapa em um mesmo ato demonstrou coesão e alinhamento em torno de um projeto único para o estado.


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João é Lula, Lula é João

Mais do que um ato de campanha, o dia de hoje consolidou uma mensagem clara para o eleitorado pernambucano: quem vota em Lula vota em João. A imagem dos dois lado a lado, cercados por uma multidão de todas as regiões do estado, tornou essa associação concreta, visível e difícil de ser ignorada. Em um momento especial, Lula falou que João seria eleito com o voto das mulheres de Pernambuco e as mulheres responderam cantando seu nome.

Fica registrado

Que Pernambuco testemunhou hoje um marco desta eleição, um dia em que a união entre o presidente da República e o candidato ao governo do estado ganhou forma nas ruas, diante de um público incalculável. Lula e João em Pernambuco, são um só.


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Morreu o Luquel

Quem esta com Lula e Raquel, sofreu a maior derrota. Todos desautorizado pela voz de Lula, na rua, a usarem seu nome fora do projeto Lula/João. Quem tá nessa linha e tentou se infiltrar, foi escorraçado pela massa. Venceu a coerência e a unidade. Quem não entender a mensagem, bom, não entendeu. Fazer o que, nesses casos?

Por TonyLucas, chefe de reportagem de O Poder.






É Findi - A barreira invisível. - Crônica - Por AJ Fontes*

25/09/2026

Depois das quatro da tarde, bate um friozinho gostoso no sítio. O sol ainda clareia, mas a gente sente que árvores e bichos começam a se aconchegarem. Tudo fica mais lento e bate uma leseira. É o início do fim do dia.

O torpor não me deixou entender de imediato, mas peguei no tranco e percebi o som frenético e surdo de asas.

Era um beija-flor.

Ele acertou na única porta aberta no momento, atravessou a sala e bateu no janelão alto da cozinha.

Àquela hora ele buscava o néctar das flores a fim de saciar a necessidade de acumular energia para voar e voar para buscar mais néctar.

Nada diferente de outros animais. Por exemplo, Jung.

O gato, só gato, não o estudioso de mentes e almas. Embora dormisse no escritório, colocou-se na posição que lhe cabia. Não importava se já tinha saciado a fome com boa ração oferecida em um recipiente lavado diariamente e de uso exclusivo. Não importava se tinha um lugar c...

Depois das quatro da tarde, bate um friozinho gostoso no sítio. O sol ainda clareia, mas a gente sente que árvores e bichos começam a se aconchegarem. Tudo fica mais lento e bate uma leseira. É o início do fim do dia.

O torpor não me deixou entender de imediato, mas peguei no tranco e percebi o som frenético e surdo de asas.

Era um beija-flor.

Ele acertou na única porta aberta no momento, atravessou a sala e bateu no janelão alto da cozinha.

Àquela hora ele buscava o néctar das flores a fim de saciar a necessidade de acumular energia para voar e voar para buscar mais néctar.

Nada diferente de outros animais. Por exemplo, Jung.

O gato, só gato, não o estudioso de mentes e almas. Embora dormisse no escritório, colocou-se na posição que lhe cabia. Não importava se já tinha saciado a fome com boa ração oferecida em um recipiente lavado diariamente e de uso exclusivo. Não importava se tinha um lugar confortável e seguro e um humano com quem brincava e satisfazia suas vontades.

Com sofreguidão, o pequeno batia no vidro, atravessava o vão até o janelão da sala e repetia o processo. As árvores e tudo que conhecia estavam lá. Ele via, mas a barreira invisível não deixava sair.

O caçador pulava para cima da geladeira, dos móveis. Pulava no ar com as garras prontas enquanto eu afastava a presa jogando a toalha de enxugar pratos, a camisa ou qualquer pano que estivesse ao meu alcance.

Sai Jung! Não Jung!

Ele voava para um lado, o gato corria e eu atrás. Ficamos nesse vai e vem até que resolvi trancar o bichano no banheiro.

Sem a ameaça imediata, abri janelas e portas, acendi as luzes da varanda e enxotei o pássaro na tentativa de levá-lo para fora. Creio que cansado do esforço, pousou em uma linha de madeira da coberta. O miado desesperado vindo da prisão temporária, levou o estressado a retomar as tentativas de atravessar uma das janelas.

O sol já avermelhava os contornos dos morros e todos nós estávamos calados e quietos, a ponto de pensar que o pequeno conseguira encontrar a saída. Resolvi abrir a porta do banheiro e me encaminhei para o sofá, cansado.

Foi quando ouvi um guincho estridente.

Jung, solta!

O gato estava agarrado ao beiral do janelão com o beija-flor na boca. Corri, subi em um banco segurei o predador e levei para o chão. Não me atrevi a tirar da boca a presa que guinchava desesperada, apenas ordenei: solte, solte!

Ao invés disso, seguiu para o jardim. Ele caminhava agachado, procurando um lugar seguro para consumar o mando instintivo. Segui e o segurei pelo couro da “nuca”. Balancei e repeti a ordem. Atendeu ou não suportou o movimento, não sei. O certo foi ver o pequeno voar e desaparecer rapidamente.

Acalentei o amigo que ficou sem entender, buscando no ar pelo regalo gastronômico. Afaguei sua cabeça e o convidei a comer alguma coisa.
Ele me seguiu até o comedor onde renovei a ração escolhida por mim e aprovada por ele. Parecia deliciosa.

Fui para o sofá onde me deixei relaxar.

A luz da lua já se anunciava quando me peguei pensando.

Estou pronto para suceder o Secretário-Geral da ONU.


*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes


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O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

É Findi - Os ventos fortes de agosto em Atenas, capital de todos os Deuses - Por Ina Melo*

25/09/2026

Os ventos fortes de agosto rugiam e derrubavam tudo o que encontravam pela frente. Chuvas desciam como lágrimas de dor pelas vidraças, deixando a noite fria e triste. No apartamento silencioso, um homem fumava placidamente um cigarro. Vestia um robe de chambre azul marinho. De pé junto à janela via a chuva cair e, como num espelho, dos seus olhos gotas d’água escorriam pela face. Ele não sabia porque chorava. Talvez o silêncio da madrugada o tornasse melancólico. No escuro da sala, com o rosto colado à vidraça, presenciava o espetáculo da natureza. O mar furioso batia nos arrecifes, espalhando nuvens brancas de espuma na areia da praia. Sob a luz bruxuleante, as águas tornavam-se amarelas. As estrelas tinham se recolhido, cobertas pelo manto escuro da noite. A rua vazia e os prédios com alguns pontos de luz nas janelas não sentiam a presença da tempestade. Nenhum ruído a não ser o barulho dos ventos perturbando o silêncio da noite. Ainda assim, ele não podia dormir e começou a lembrar...

Os ventos fortes de agosto rugiam e derrubavam tudo o que encontravam pela frente. Chuvas desciam como lágrimas de dor pelas vidraças, deixando a noite fria e triste. No apartamento silencioso, um homem fumava placidamente um cigarro. Vestia um robe de chambre azul marinho. De pé junto à janela via a chuva cair e, como num espelho, dos seus olhos gotas d’água escorriam pela face. Ele não sabia porque chorava. Talvez o silêncio da madrugada o tornasse melancólico. No escuro da sala, com o rosto colado à vidraça, presenciava o espetáculo da natureza. O mar furioso batia nos arrecifes, espalhando nuvens brancas de espuma na areia da praia. Sob a luz bruxuleante, as águas tornavam-se amarelas. As estrelas tinham se recolhido, cobertas pelo manto escuro da noite. A rua vazia e os prédios com alguns pontos de luz nas janelas não sentiam a presença da tempestade. Nenhum ruído a não ser o barulho dos ventos perturbando o silêncio da noite. Ainda assim, ele não podia dormir e começou a lembrar da última vez que enfrentrara uma tempestade.

Estava numa viagem de negócios a Europa e aproveitou o fim de semana para visitar Atenas, capital de todos os Deuses. Quando chegou deixou seus pertences no Hotel e fez o que todo turista faz. Tomou um táxi e foi ao Parthernon render homenagem aos poderosos habitantes do Olimpo. Ao chegar ao pé da famosa montanha, viu pessoas descendo apressadas. Não se importou. Começou a subida. Um vento forte fustigava o seu rosto. Lá em cima sentiu-se pequeno ante a grandeza do templo. O mar de um azul forte contrastava com o céu escuro, prenunciando uma forte tempestade. Respirava o ar com força, como se quisesse retornar a um mundo mágico e distante. De repente ouviu o ribombar de um trovão e viu ao longe raios romperem-se sobre o mar. Foi então que se deu conta da tempestade. Logo mais ela chegaria. Fechou o sobretudo e apressou-se a descer as legendarias escadarias. Os trovões bramiam e uma chuva grossa começou a cair.

Pensou: acho que os deuses não gostaram da minha visita. Falava em voz alta que sumia ante os estampidos da natureza. O mundo escureceu. Não via nem o céu e nem o mar. Estava mergulhado nas trevas. Desceu correndo perseguido pelas pesadas chuvas. Foi assim que, aos pés do monte sagrado, encontrou a sua deusa. Ela também tinha escolhido aquela manhã para visitar o Templo e fora apanhada pela fúria dos seus antecessores. Foi um encontro diferente de todos os outros que tivera até então. Eles se chocaram, pois caminhavam com as mãos na testa, protegendo o rosto da chuva. Segurando-a pelo braço, evitou que caíssem num monte de pedras e ervas daninhas. Enormes olhos verdes molhados pela chuva deixaram-no atordoado. A fragilidade do corpo, os lábios trêmulos e os cabelos em desalinho, fizeram a mulher parecer uma pequena Circe. No seu pensamento ela não podia ser real. Abraçados foram se refugiar num dos pequenos restaurantes que circundavam o famoso Monte. Ali chegando, tomaram uma bebida forte e pediram um táxi. Segurando-lhe as mãos, apertou-as fortemente, como se assim lhe prometesse proteção contra a fúria dos deuses. Foram mais de três horas de fortes trovoadas. Ate hoje ele não sabe como conseguiram chegar ao Hotel. A cidade estava inundada e as águas corriam barrentas pelas ruas de Atenas. Agora, vendo pela vidraça a chuva caindo, sentiu saudades de um corpo sob os lençóis. Dormindo, ela parecia um ser irreal, no entanto, quando fizeram amor, transformou-se numa fúria ávida de prazer e luxúria. Amaram-se intensamente nos dias que passaram na Grécia. Passearam, visitaram Museus, renderam culto ao deus Eros e a Vênus e navegaram se amando pelos mares azuis cheios de lendas. Depois disso, ele e sua deusa nunca mais se encontraram. Passados tantos anos, agora o seu coração batia forte e lágrimas corriam dos seus olhos. Voltou para a cama e foi ao encontro da saudade! Julho/2004



*Ina Melo, é jornalista. Publicou poemas, contos e crônicas na Revista de Cultura do Estado do Ceará e em diversas antologias como "Crônicas e contos inesquecíveis" e "Contistas do Terceiro Milênio". Graduada pela UFPE, com especialização em Antropologia Cultural, faz parte da Academia Internacional de Literatura e Artes. É autora dos livros: "Simone de Beauvoir - Mulher lúcida e livre", "Sonhos em dueto" e, pela Confraria do Vento, "Cartas de Paris". @inamelo2016


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É Findi - Série História de Pernambuco - Quando a Guerra Ganhou Reforços - Por Alfredo Cabral de Melo*

25/09/2026

A vitória do Monte das Tabocas, havia mostrado que a insurreição pernambucana podia enfrentar as tropas da Companhia das Índias Ocidentais. Mas os homens que haviam vencido aquela batalha ainda necessitavam de armas, munições, soldados e de uma estrutura capaz de sustentar a campanha por mais tempo.

Enquanto João Fernandes Vieira permanecia à frente das tropas que haviam combatido em Tabocas, outro movimento já acontecia no sul da capitania. André Vidal de Negreiros e Martim Soares Moreno haviam desembarcado em Tamandaré no final de julho, vindos da Bahia com homens, armas e munições. Não se tratava, portanto, de uma força que chegava depois da batalha de Tabocas. Ela já estava em Pernambuco quando o combate aconteceu e começava a atuar em outra frente.

A presença dessas tropas fazia parte das articulações que vinham sendo conduzidas entre a Bahia e Pernambuco. Vidal não era um recém-chegado àquele conflito. Tinha experiência militar desde os primeiros ano...

A vitória do Monte das Tabocas, havia mostrado que a insurreição pernambucana podia enfrentar as tropas da Companhia das Índias Ocidentais. Mas os homens que haviam vencido aquela batalha ainda necessitavam de armas, munições, soldados e de uma estrutura capaz de sustentar a campanha por mais tempo.

Enquanto João Fernandes Vieira permanecia à frente das tropas que haviam combatido em Tabocas, outro movimento já acontecia no sul da capitania. André Vidal de Negreiros e Martim Soares Moreno haviam desembarcado em Tamandaré no final de julho, vindos da Bahia com homens, armas e munições. Não se tratava, portanto, de uma força que chegava depois da batalha de Tabocas. Ela já estava em Pernambuco quando o combate aconteceu e começava a atuar em outra frente.

A presença dessas tropas fazia parte das articulações que vinham sendo conduzidas entre a Bahia e Pernambuco. Vidal não era um recém-chegado àquele conflito. Tinha experiência militar desde os primeiros anos da ocupação neerlandesa e já participara da resistência anterior. Agora retornava à capitania à frente do seu próprio terço, acompanhado por Martim Soares Moreno, trazendo homens que poderiam dar à revolta uma capacidade militar maior do que aquela existente nos primeiros meses do levante.

A primeira movimentação importante ocorreu em direção a Sirinhaém. Vidal e Moreno cercaram a praça e, depois de várias negociações, conseguiram sua rendição em agosto. A conquista ampliava o espaço controlado pelas forças da restauração e criava possibilidades para as operações no sul. Documentos preservados nos arquivos da antiga Companhia das Índias Ocidentais registram a correspondência trocada por Vidal, Moreno e os comandantes neerlandeses durante aqueles dias.

Enquanto isso, no Recife e em seus arredores, as tropas neerlandesas procuravam reorganizar-se depois da derrota de Tabocas. O coronel Hendrick Van Haus reuniu seus homens e recuou em direção à região da Várzea. O engenho Casa Forte, então ligado à propriedade de Anna Paes e situado às margens do Capibaribe, acabou servindo de ponto de concentração para essas tropas.

A permanência naquele local, entretanto, deixava a tropa exposta à aproximação dos revoltosos. Ao mesmo tempo, a movimentação de Vidal e Moreno pelo sul aproximava forças que até então atuavam em frentes diferentes. Foi nesse momento que a situação começou a mudar.


Depois de Tabocas, os homens da restauração já não se limitavam a resistir às tropas que saíam do Recife. Começavam a ocupar posições, tomar fortificações e procurar caminhos para enfraquecer o domínio neerlandês sobre o interior. A presença de Vidal acrescentava a esse movimento uma força militar mais organizada e experiente.

Nos dias que antecederam o combate de Casa Forte, as tropas de Vidal e Vieira acabaram se aproximando. Na noite de 16 de agosto, Vidal decidiu marchar em direção às tropas de Van Haus. Nas proximidades da Várzea, chegou a notícia de que o comandante neerlandês estava instalado no engenho Casa Forte.

Pouco antes do amanhecer, a marcha foi retomada. Depois de atravessar o Capibaribe, os homens encontraram a tropa neerlandesa, que teve tempo para recolher-se à casa do engenho. O combate começou ali e durou algumas horas. A resistência terminou quando os neerlandeses perceberam que a posição poderia ser incendiada.

A batalha de 17 de agosto não teve as mesmas características de Tabocas. No Monte das Tabocas, o terreno havia sido utilizado para preparar emboscadas e surpreender uma tropa em movimento. Em Casa Forte, os neerlandeses estavam concentrados dentro da casa do engenho, enquanto as tropas da restauração cercavam a posição.

Entre os homens que participaram do combate estavam João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Filipe Camarão. A documentação e as narrativas posteriores registram também a presença de Antônio Dias Cardoso, cuja experiência militar havia sido importante em Tabocas. A composição dessas tropas mostra novamente que a revolta reunia homens de diferentes origens e trajetórias.

A rendição trouxe um resultado importante. Centenas de homens da tropa neerlandesa foram feitos prisioneiros, entre eles o próprio Van Haus. O número exato dos combatentes e das baixas varia conforme as fontes utilizadas, razão pela qual é mais coerente não os assegurar. O que não oferece dúvida é que a derrota foi significativa e que a posição neerlandesa no interior ficou ainda mais enfraquecida.

Casa Forte também teve uma dimensão humana que não pode ser ignorada. Antes do combate, soldados neerlandeses haviam prendido mulheres ligadas a famílias dos principais líderes da revolta e as levado para o engenho. Entre elas estava Ana Bezerra, sogra de João Fernandes Vieira. A notícia da prisão chegou às tropas da restauração e aparece nas narrativas da batalha relacionada ao avanço sobre o engenho.

É importante, entretanto, não reduzir o combate a um episódio de resgate. Casa Forte ocorreu dentro de uma movimentação militar mais ampla. A tomada de Sirinhaém, a presença das tropas vindas da Bahia, a derrota de Tabocas e a marcha em direção ao Recife faziam parte de uma transformação que já estava em curso. A revolta começava a deixar de ser uma ação localizada e adquiria capacidade para atuar em diferentes pontos do território.

Depois da vitória, essa mudança ficou ainda mais evidente. Vieira permaneceu nas proximidades do Recife, mantendo a pressão sobre a praça, enquanto Vidal seguiu para o sul com parte de suas tropas. A guerra começava a se dividir em diferentes frentes, e o domínio neerlandês sobre o interior de Pernambuco sofria novos abalos.

É nesse ponto que a narrativa de Francisco Manuel de Melo ganha interesse. Escrita poucos anos depois dos acontecimentos, sua Epanáfora Triunfante, que pertence a uma tradição narrativa que procurava registrar os sucessos da restauração portuguesa. Seu relato não deve ser lido como testemunho de quem esteve presente nos combates, mas ajuda a perceber como aquela guerra começou a ser apresentada muito cedo como uma sequência de vitórias das armas portuguesas.

Quando confrontada com a documentação e com a análise posterior de historiadores como Evaldo Cabral de Mello e José Antônio Gonsalves de Mello, a obra se torna ainda mais útil. Ela permite observar não apenas os acontecimentos, mas também a maneira como eles começaram a ser narrados poucos anos depois de terem ocorrido.
Tabocas havia mostrado que os homens da revolta podiam vencer. Casa Forte revelou que essa capacidade podia ser acompanhada por uma movimentação militar mais ampla, envolvendo tropas vindas da Bahia, forças locais e diferentes comandantes. O Recife continuava nas mãos dos neerlandeses, mas o espaço que o cercava começava a mudar.

A guerra, porém, ainda estava longe de terminar. Depois de duas grandes e importantes vitórias, surgia uma nova questão. Como manter a pressão sobre o Recife e transformar o controle progressivo do interior em uma ameaça real ao principal centro do poder neerlandês?


*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo


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