Medo, receio, insegurança e precaução. Um escândalo que pode provocar uma trégua no estremecido relacionamento entre o Congresso Nacional e o governo. Em ano eleitoral, parece que a ordem é “fugir” de polêmicas e confusões para não ter surpresas nas urnas. O eleitor pode não perdoar. Por isso, nada de elevar a temperatura. Já chega de tanta tensão. A política de “paz e amor” será posta em prática. Pelo menos até as eleições.
Clima cordial. Será?
Pelo menos é o que deixou transparecer alguns líderes na retomada dos trabalhos legislativos. Isso mesmo. O início dos trabalhos legislativos ontem, segunda-feira (02/020), em Brasília, foi marcado por um clima cordial, com direito a sorrisos e cumprimentos efusivos do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), para ministros do governo Lula.
Clima zen
Nos bastidores, governistas e integrantes da oposição avaliaram, após a leitura das mensagens de Alcolumbre e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que a relação com o governo poderá ter um ‘clima zen’ em 2026, com a pauta do País. O motivo seria o medo do Master que deve provocar um recuo coletivo.
Desconforto
Esse clima de paz surgiu em meio a a temas que causam desconforto entre os dois Poderes, como a votação do veto da Dosimetria, a indicação de Jorge Messias para o STF e os textos da PEC da Segurança e do PL Antifacção. Com os ambientes de Executivo e Legislativo contaminados pelo escândalo do banco Master, o embate tende a arrefecer.
E o banco?
O tema do banco de Daniel Vorcaro também deve dominar a reunião de líderes de hoje, terça (03/020 após o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolar um requerimento para instaurar uma CPI que investigue as irregularidades do Master. Mas, no atual clima, CPI vira discurso, porque não há vontade real da maioria para investigar em ano eleitoral.
E a mensagem do presidente Lula
Como de costume, o presidente da República mandou mensagem que foi lida pelo primeiro-secretário da Câmara. Lula fez um balanço do último ano, citou o crescimento do PIB, o dólar e o desemprego em queda, lembrou o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump e elogiou o Congresso.
Prioridades
Na mensagem, o presidente Lula destacou as prioridades do governo para 2026. Entre elas, estão: o fim da escala seis por um de trabalho, a regulação do trabalho por aplicativos, a medida provisória Gás do Povo e o acordo Mercosul-União Europeia. E pautas contra a violência: a proposta de emenda à Constituição da segurança pública, o projeto antifacção e o Pacto Nacional Contra o Feminicídio.
Repasses de emendas
O presidente da Câmara disse que pretende discutir o projeto da escala seis por um logo após o carnaval e citou a votação de projetos de interesse do governo. Ele defendeu o poder do Congresso de destinar recursos públicos por meio das emendas parlamentares. Irregularidades e falta de transparência nas emendas são alvo de ações no STF e resultaram na suspensão de repasses pelo ministro Flávio Dino.
Paz
O presidente do Senado disse que o país precisa de diálogo e defendeu a paz entre os Poderes. Paz que, segundo ele, não será sinônimo de omissão.
Nada de reforma
Os discursos de Alcolumbre e Motta e a mensagem do presidente Lula não trataram da reforma administrativa, que prevê medidas como o fim dos supersalários no serviço público. Nem citaram o caso do Banco Master ou a votação de vetos presidenciais, entre eles ao projeto da dosimetria, que reduzia penas de condenados pelos ataques de 8 de janeiro.
Gastos administrativos da máquina pública atingem maior valor em 9 anos em 2025
Os gastos administrativos para manter a máquina pública funcionando somaram R$ 72,7 bilhões em 2025, atingindo o maior patamar em nove anos. Estourar o limite é sempre uma preocupação. E a população fica na bronca.
Os números
Os números, que são Secretaria do Tesouro Nacional, foram corrigidos pela inflação para permitir uma comparação. A série histórica tem início em 2011.
Mostram
Os dados mostram que as despesas com o funcionamento da máquina pública ficaram acima de R$ 70 bilhões por ano nas gestões da petista Dilma Rousseff, entre 2011 e meados de 2016 - quando sofreu o impeachment.
Lula envia acordo comercial Mercosul-UE para o Congresso Nacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou nesta segunda-feira (2) o envio do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) para o Congresso Nacional. O despacho foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).
Precisam aprovar
Os parlamentares brasileiros precisam aprovar o tratado para que ele possa entrar em vigor, o que deve ocorrer ao longo das próximas semanas em votações tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.
Estabelece
O acordo estabelece a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 720 milhões de habitantes. Ele foi assinado por representantes dos dois lados no último dia 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai.
Pelos termos do que foi aprovado, o tratado comercial prevê a eliminação de tarifas alfandegárias sobre a maior parte dos bens e serviços produzidos entre os dois blocos.
Zerará tarifas
O Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. Já União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.
Assinatura formal
Apesar da assinatura formal entre os dois blocos, a internalização do acordo precisa ser feita pelos congressos nacionais de cada um dos países do Mercosul, bem como do Parlamento Europeu.
Análise
No caso dos europeus, no entanto, o encaminhamento do acordo para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), em decisão ocorrida há duas semanas, travou o texto e pode atrasar em até dois anos essa etapa final.
Expectativa
A expectativa do governo brasileiro é de que a aprovação pelo Congresso Nacional ajude a pressionar o avanço do acordo por parte do Parlamento Europeu.
Já é manhã de terça-feira. E todas as manhãs a imprensa sempre traz alguma novidade. Às vezes, temas frios. Gelados. Requentados. Outros quentes. Vejamos:
- Depósitos dos Master no BC somavam menos de 1% do exigido no dia da liquidação
- Gastos administrativos da máquina pública atingem maior valor em 9 anos em 2025
- Cármen Lúcia anuncia proposta para atuação de juízes eleitorais
- Fachin anuncia Código de Ética do STF sob a relatoria de Cármen Lúcia
- "O Brasil tem encontro marcado com sua melhoria institucional", diz Fachin
- Por domiciliar a Bolsonaro, Michelle e Valdemar pedem para aliados reduzirem ataques ao STF
-Presidentes da Câmara e do Senado defendem poder de parlamentares escolherem destino das emendas
Severino Lopes
O Poder