Itamaracá - Crônica
No idioma tupi guarani, a palavra "ita" quer dizer: pedra; e "maracá", algo que produz som, consequentemente, a junção das duas palavras: Itamaracá, significa "pedra que canta".
"Itamaracá é uma ilha encantada, ilha de sonho, de luz, de cor. Pedra que canta o amor..."
Com esses belos versos, na canção de 1987, denominada: "Férias em Itamaracá", o cantor e compositor Reginaldo Rossi, saudou sua terra natal com muito carinho e veracidade, pois a beleza daquele lugar é realmente encantadora.
A Ilha de Itamaracá é um município brasileiro do Estado de Pernambuco, na Região Metropolitana do Recife com área de 67 Km2 separada do continente pelo canal de Santa Cruz, que deu origem ao nome: Pernambuco.
Tempos antigos
Na Feitoria de Itamaracá, o administrador Pero Capico, primeiro Governador das Partes do Brasil, construiu em 1516, o primeiro engenho de açúcar da América portuguesa, além de ser o local mais antigo, continuadamente habitado do Brasil. Itamaracá foi uma das Capitanias originais, posteriormente incorporada à Capitania de Pernambuco.
Os primeiros habitantes seriam náufragos; havendo registros da passagem dos portugueses João Coelho da Porta da Cruz e Duarte Pacheco Pereira, em 1493 e 1498. Em 1526 já havia uma capela dedicada à N.Sra. da Conceição na Vila Velha, localizada à margem esquerda do Canal da Cruz.
A Fortaleza da Santa Cruz de Itamaracá, mais conhecida como Forte Orange, é uma fortificação muito bonita, localizada na Ilha e, atrai muitos visitantes, tendo sua parte parte em pedra do Nordeste do país. Foi edificado em 1631 pelas forças neerlandesas, quando da ocupação dos holandeses; tendo recebido esse nome em homenagem à Casa de Orange Nassau, referente ao Conde João Maurício de Nassau. Após a capitulação holandesa no Recife, em 1654, o forte foi abandonado e ocupado pelas forças portuguesas que ergueram o atual forte.
Belas paisagens
Do alto da Bela Vista, Jaguaribe, tem-se a mais sensacional paisagem da Ilha de Itamaracá. Imagino a admiração dos colonizadores europeus com tão deslumbrante panoramas. Realmente é de tirar o fôlego, pois se tem uma visão da Coroa do Avião, dos braços de mar contornando a área e do colorido da vegetação nativa com variadas nuances de verde, entre coqueiros, cajueiros, bananeiras e diversas outras fruteiras. Belíssimo!
História
Em matéria de História nacional, Itamaracá prima com inúmeros fatos de real relevância, como se pode constatar em Vila Velha, uma das mais antigas do Brasil, datada de 1516, que já foi sede da Antiga Capitania Hereditária e tem uma das igrejas mais antigas do país (1526), possuindo um acervo de histórias e belezas ecológicas. Ali ainda existe a trilha dos holandeses e vestígios arquitetônicos daquela época da colonização.
Outros projetos
Com toda riqueza cultural da Ilha ainda se encontra o Projeto Peixe Boi Marinho, numa luta para preservá-lo e retirá-lo da lista de animais em extinção. Muito interessante uma visita ao local. Outro atrativo é o Espaço Lia de Itamaracá com o circuito da Ciranda, com atividades para os turistas e para o pessoal das vizinhanças (marisqueiras, pescadores, etc.); como também o engenho São João, de 1747 com características arquitetônicas da época. No Pontal da Ilha de Itamaracá ver-se um lindo por do sol, numa bela praia paradisíaca, situada na Praia do Sossego.
Patrimônio Histórico
Tudo isso é um patrimônio histórico pouco conhecido, mas de suma importância, que precisa ser divulgado aos pernambucanos e brasileiros em geral, pois muita gente nem sabe que existe tamanha beleza natural que deve ser mais valorizada.
Deve haver uma preparação para um turismo ordeiro e responsável, tanto nacional como internacional. Essas divisas trazem desenvolvimento e expandem a economia local.
Novidades
Li uma matéria atualizada de que nossa Governadora está investindo nesse setor da Ilha de Itamaracá e acreditamos na sua preocupação em alavancar novos rumos de desenvolvimento ao patrimônio incomparável que merece ser valorizado.
Manhãs de Sol - Crônica
Apesar de ter nascido em 17 de fevereiro, em dias de Carnaval, mais exatamente num sábado de Zé Pereira, como dizia mamãe, nunca fiz jus ao título de foliã, nem apreciava as brincadeiras de rua, com mela-mela, banho de talco, irreverências e doideiras mil. Isso em plena juventude, apenas gostava de apreciar os desfiles das escolas de samba, carros alegóricos e as disputas entre os clubes da cidade: Motoristas em folia, Vassourinhas e Sapateiros, além dos Blocos como o : "Sou eu teu amor", do carnavalesco Cacho de Côco, que passava rapidamente pela rua da Matriz. Também ficava observando o corso, aqueles carros e jeeps enfeitados, passeando na av. principal conduzindo montões de foliões.
Atualmente, porém , só vejo pela televisão e olhe lá.
Em Caruaru
O carnaval quase não existe mais por aqui. Foi transferido pra semana pré carnavalesca, apenas uns grupos isolados, na rua José Condé concentram-se com o nome de: Sucata. Há muita animação, mas em pequena dose. Mesmo porque
criou-se um costume de passar esse período no litoral ou mesmo nas chácaras e sítios.
Recordação
Meu pai era sócio do Comércio Futebol Clube, onde havia bailes carnavalescos com as cores do time, como também as manhãs de sol, tudo com o título: "Vermelho e Branco" e só participava quem usasse as cores: vermelha e branca. O Clube do Comércio, que não existe mais, rivalizava com o Clube Intermunicipal pra saber quem tinha mais frequentadores no Carnaval e, na última manhã de sol, quando era a despedida, saía a turma de cada clube pra se encontrar no centro da cidade, cada qual com sua bandeira e a orquestra tocando e arrastando os foliões eufóricos, demonstrando raça e querendo ser o melhor. Desse cortejo, quase um duelo, eu nunca participei, pois papai não consentia.
Mas, numa dessas festas matinais, fui com meu noivo e minha irmãzinha nos seus dez anos de idade, servindo do que se chamava de: "vela". E, no meio da multidão, eis que a menina escapa e desaparece entre as pessoas no salão. Nós não nos perturbamos por instantes, dançando animadamente, porém ela se apavorou e não teve dúvidas, foi ao palco e falou para o locutor que estava perdida e ele fez aquele anúncio no microfone.
De repente nossos nomes estavam no ar em alto e bom som, o que corremos pra resgatar a maninha.
Acho que foi das poucas vezes que brinquei num Carnaval.
Estou entre aqueles que preferem uma praia tranquila, de preferência, Peroba, com aquele lindo mar.
Minhas Galinhas
Lá no sítio criamos algumas galinhas. Não são muitas mas, nos divertimos com elas e também as netas menores fazem a festa, gostam do movimento entre galo, galinhas e pintinhos, além dos ovos pra pegar. Até guinés, ou seja, galinhas D'Angola, fazem parte do galinhaço.
Embora, geralmente, não se dê muita importância àqueles bichinhos, acho-os simpáticos e interessantes, basta um pouco de observação e começamos a admirá-los.
Meu esposo é apaixonado pelo sítio e sempre está inventando alguma coisa pra fazer naquela pequena faixa de terra; ora faz um açude e dedica-se a peixes, incluindo pescarias nos finais de semanas, ora planta fruteiras e fica esperando os frutos tão almejados e assim vai passando o tempo.
Ele achou por bem manter uma galinhada, ciscando por ali, naquele alvoroço próprio das aves, cantando, cacarejando após a postura do ovo e até nas brigas entre si, emitindo seus característicos sons.
Chocadeiras
Há galinhas que são poedeiras, outras não, mas temos encontrado ninhos com vários ovos que escondem nos buracos do terreno, a fim de chocarem, porém muitas vezes nós colhemos para saborear no café da manhã, pois ovo de capoeira, como é chamado, tem valor nutritivo maior.
No entanto, já tivemos ninhadas de pintinhos lindos e, vale a pena prestar atenção aos cuidados daquelas "mães"com seus filhotes.
Outro dia, nós, humanos, tentamos ajudar um pintinho no galinheiro e a reação da galinha foi impressionante em defesa da cria. Nem imaginava que galinhas voassem tão alto e fossem tão defensivas.
O umbuzeiro
No centro da propriedade, existe um umbuzeiro grande e bonito. Na safra ele fica coberto de umbus.
Qual não foi minha surpresa ver que, à noitinha, as galinhas, seguindo o galo, sobem bem alto, pra dormir apoiadas nos galhos e folhas daquela árvore. Foi colocada uma escada ali, e elas vão pelos degraus com a maior naturalidade.
Galinhas D'Angola
Em menor número nessa comunidade galinácea, as galinhas d'angola são totalmente diferentes das demais, outro tipo, outra raça, outra maneira de viver.
Primeiramente, chamam a atenção devido às suas penas, pintadas com bolinhas brancas em fundo preto, seguindo a moda francesa de "poás", o que por si só é singular e até elegante. Todas iguais e sempre juntas, não se misturam com as demais, até o "corococó" é característico das aves especiais. Apenas o clã permanece unido.
Diz a História que na corte brasileira, apreciavam ter nos cardápios as galinhas d'angola que eram trazidas para abastecer as cozinhas reais. Nunca comi tal iguaria, pois tenho pena de sacrificar as penosas.
Também sabemos que a famosa praia pernambucana de Porto de Galinhas, tem esse nome porque, ao ser abolida a escravidão os portugueses ainda traziam navios negreiros, clandestinamente, atracando na praia, davam um sinal dizendo que chegou galinha d'angola.
História pessoal
Sobre guinés, merece um capítulo a parte, pois no meu tempo de criança, ganhei uma guiné, do meu avô paterno, mas mamãe não me deixou criar em casa e quase morri de chorar.
Novatas
Certa vez, soltamos galinhas novas no sítio e, houve um tumulto incrível e quase as novatas foram rejeitadas, mas depois do maior "bate-bicos", o atrito passou e cada grupinho foi se formando e se firmando pra seu lado.
O galo
Não é o da madrugada, mas era o único no terreiro. Grande, bonitão, cantava que era um primor. Mantinha uma pose de rei e dono do pedaço. Fazia questão de demonstrar sua autonomia.
Depois, cresceu um franguinho e já estava competindo com o todo poderoso, causando muita briga entre os dois, até que mandamos o figurão para a panela.
Conclusão: ninguém é insubstituível
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.
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