Equívocos sobre a Revolução de 1817 serão esclarecidos hoje na APL
09/03/2026
Por José Nivaldo Junior*
Na sexta-feira passada, 06/03/26, Pernambuco comemorou, com feriado e cerimônia político-militar burocrática, a denominada Data Magna. Criada por proposição da então deputada estadual Terezinha Nunes em 2017, no bicentenário do importantíssimo movimento denominado Revolução Pernambucana de 1817. A intenção da deputada foi a melhor possível. Infelizmente, não houve a subsequente adoção de uma política de governo para esclarecer a população em geral e especialmente os alunos das redes pública e privada sobre o significado do feriado. Assim, 99% das pessoas goza de um merecido descanso sem saber porque. O pior é a persistência de alguns equívocos sobre o movimento que comprometem a compreensão do que ocorreu, do seu sentido, da sua importância. E essa ignorância permeia os órgãos oficiais, as mais altas autoridades, praticamente a totalidade do stablisment intelectual brasileiro, especialmente os produtores de narrativas oficiais do Centro...
Na sexta-feira passada, 06/03/26, Pernambuco comemorou, com feriado e cerimônia político-militar burocrática, a denominada Data Magna. Criada por proposição da então deputada estadual Terezinha Nunes em 2017, no bicentenário do importantíssimo movimento denominado Revolução Pernambucana de 1817. A intenção da deputada foi a melhor possível. Infelizmente, não houve a subsequente adoção de uma política de governo para esclarecer a população em geral e especialmente os alunos das redes pública e privada sobre o significado do feriado. Assim, 99% das pessoas goza de um merecido descanso sem saber porque. O pior é a persistência de alguns equívocos sobre o movimento que comprometem a compreensão do que ocorreu, do seu sentido, da sua importância. E essa ignorância permeia os órgãos oficiais, as mais altas autoridades, praticamente a totalidade do stablisment intelectual brasileiro, especialmente os produtores de narrativas oficiais do Centro-Sul do país.
Hoje
A longa caminhada para restabelecer algumas verdades ganha um capítulo especial com a conferência do historiador George Cabral, hoje, segunda-feira 9/03/26, às 15h, na Academia Pernambucana de Letras - APL. George é uma das estrelas mais brilhantes da constelação dos historiadores brasileiros atuais. Pós-doutor, professor da UFPE, pesquisador do CNPq e autor de diversas obras de referência, é presidente do centenário Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano , Iahgp e integrante da própria APL. Sua palestra e o debate subsequente, tradição da Casa, deverão lançar luzes contra o preconceito e a ignorância.

Preconceitos remanescentes
Pelo menos três distorções graves sobre 1817 devem ser combatidas sempre na tentativa de corrigi-las. A primeira e mais grave não é apenas distorção, é erro grosseiro de compreensão da própria História do Brasil. Costumam chamar 1817 de movimento anti-colonial, quando dois anos antes, em 1815, o Brasil deixou de ser colônia de Portugal e foi elevado à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves. Isso se aprende ainda no ensino fundamental mas muitos escritores e intelectuais renomados, além de políticos, naturalmente, continuam ignorando fato de tamanha relevância. Além do mais, a sede do Reino Unido, a capital, ficava no Rio de Janeiro. Como falar em movimento anti-colonial?
A segunda, diz respeito ao separatismo. Insistem que a Revolução queria se separar do Brasil. Não é verdade. O movimento era contra o absolutismo, em sintonia com o republicanismo dos Estados Unidos, da América Latina e com os movimentos liberais europeus. Queria transformar o Brasil em República. A bandeira, que começou com uma estrela (PE) ganhou mais duas (PB e RN) e a proposta era agregar as das demais províncias, à medida que fossem aderindo à República.
O terceiro grande equívoco diz respeito à escravidão. Dizem os historiadores sulistas, seguidos por macaqueadores provincianos, que o movimento não incluía a abolição da escravatura. Falso. Começou decretando a liberdade dos escravos que se alistar-se nas forças armadas revolucionárias e iniciou a abolição gradativamente da escravidão. Com as naturais resistências da maioria dos senhores de engenho. Proposta inabalável, que dividiu o comando revolucionário e facilitou o seu esmagamento em 75 dias.
Tem muito mais
Por ora, fiquemos por aqui. Não sei que abordagem o professor George Cabral fará na sua palestra, que, antecipo, será brilhante, como sempre. E, espero, terá debate. Uma oportunidade a mais para que o sentido da Data Magna, que como registrado acima, ainda não chegou à sociedade, alcance mais alguns formadores de opinião, professores, multiplicadores naturais de verdades escondidas e propositadamente distorcidas. Para quem não conhece, a APL fica na Avenida Rui Barbosa, no Recife. Entrada e estacionamento gratuito pela Avenida Malaquias, logo após a AABB. E, lembrando, começa 15h. A APL tem tradição de pontualidade.
*José Nivaldo Junior é comunicador, Mestre em História, ex-professor da UFPE, diretor do Jornal O Poder.
































