É Findi de Carnaval - E Claro que hoje Romero Falcão* viria em Dose Dupla, e ainda viu o Galo Voar...
14/02/2026
Eu Vi o Galo, e Ele Voou no Recife - Poema
Vai passarinho
faz ninho no coração recifense
O caranguejo cerebral de Chico Since
Também poderia voar
feito o Boi voador sobre a ponte
Imagina bicho de asa
na manhã de carnaval
O Galo da Madrugada tal qual
o galo de João Cabral
Levanta alegria
rasga o frevo nas alturas
Tece o sábado de Zé Pereira
Todos os anos é o mesmo bordão: o Galo da Madrugada está assim, assado...
A cabeça tá bonita, mas o corpo é de pinto. O bico tá bonito, mas os pés... Enfim, tirando os pets que agradam a todo mundo. Nem Jesus Cristo agradou. Imagina o Galo do sábado de Zé Pereira? Pela outra margem da discussão, pergunto aos meus sofríveis botões: por que não nos inspiramos na tecnologia usada no desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro? E o nosso Galo deixaria de ser uma estátu...
Vai passarinho
faz ninho no coração recifense
O caranguejo cerebral de Chico Since
Também poderia voar
feito o Boi voador sobre a ponte
Imagina bicho de asa
na manhã de carnaval
O Galo da Madrugada tal qual
o galo de João Cabral
Levanta alegria
rasga o frevo nas alturas
Tece o sábado de Zé Pereira

Todos os anos é o mesmo bordão: o Galo da Madrugada está assim, assado...
A cabeça tá bonita, mas o corpo é de pinto. O bico tá bonito, mas os pés... Enfim, tirando os pets que agradam a todo mundo. Nem Jesus Cristo agradou. Imagina o Galo do sábado de Zé Pereira? Pela outra margem da discussão, pergunto aos meus sofríveis botões: por que não nos inspiramos na tecnologia usada no desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro? E o nosso Galo deixaria de ser uma estátua, ganharia movimento, abriria as asas, giraria sobre a ponte. E até soltaria o canto feito o galo de João Cabral, no belíssimo poema "Tecendo a Manhã" .

Vamos Para o Amantes? - Crônica
Já brinquei muito carnaval, levado pelos hormônios da idade, pulando na festa da carne. Olinda — os melhores carnavais de rua que marcaram minha memória — início da década de 80.
Coice da Mula
Eu ia no embalo da fuzarca. Meu corpo, inflexível para a dança, até ensaiava uns passos de frevo. Depois da batida de limão — muito mais álcool que limão — o diabo dava o coice da mula.
Embora não houvesse o “Não é Não”, nunca fui adepto do beijo roubado, mediante forçação de barra ou grave cachaça. Apesar de terrivelmente feio, aprendi desde cedo a seduzir pelo sorriso, pela graça e ironia.
Nem Cara Nem Alma
Certa vez, um escritor me perguntou se eu gostava de carnaval. Respondi que sim. Ele devolveu: “Tem cara, não”.
Quem sabe, numa sessão de psicanálise, eu descobriria que não tenho cara nem alma de carnavalesco. Nem a fantasia esconderia o folião aguado, contido.
Velhote 'Nutella'
O que acontece é que, hoje, não tenho mais disposição para o sol escaldante, o calor do Saara, o empurra-empurra da massa. Camarote também não me apraz. Transporte é outra guerra. Acho que virei um velhote 'Nutella'.
Por Que Tenho Que Brilhar?
Pegar um carro de aplicativo nos dias de folia é troça desgastante. Nem vou falar de faca, bala e soco. Sim, eu sei, pode ser a velhice chegando. E por que não posso assumir isso? Por que tenho que brilhar, continuar brilhando?

Fernando Pessoa
A estrela maior, Fernando Pessoa, escreveu num poema: “Tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo, tenho dó delas...”. E continua: “Não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas?”.
Música da Moda
Talvez seja isso. Tenho cansado das coisas: do brilho do carnaval, do cintilante e tedioso futebol, da música da moda iluminada pelo farol do mercado.
Uma amiga me chama no Zap: “Vamos para o Amantes?”. Deduzi tratar-se de um bloco. Quem já se viu um pernambucano não conhecer o Amantes da Glória?

Ver o Povo Gostar de Carnaval
Em 2024, participei pela primeira vez do bloco “Nem Sempre Lili Toca Flauta”. Não toquei a tal flauta, mas escrevi uma crônica cheia de vigor, confete e serpentina.
Na sexta década de vida, percebo uma escrita que gosta de ver o povo gostar de carnaval.
*Romero Falcão é um cronista que se arrisca a fazer poema torto.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




































