'Reação'
Não poderia deixar passar em branco. Me sinto na obrigação de apresentar publicamente minha reação em relação ao artigo editado pelo "O Poder" com título de: "Academias e escolas cívico-militares correias de transmissão do fascismo" (De 19/06/2206) cuja o autor sempre tem trazido colaboração para este jornal Digital. Doravante irei identificá-lo como 'professor'.
Conheci o 'professor', em questão, na minha época de docente de colégios e cursos nos anos 1970/1980; sei que ele fez mestrado e doutorado em Ciência Política, pela UFPE.
Apresento meus respeitos por sua pessoa, mas o mesmo não posso dizer das idéias que ele revela, na sua matéria, editada no jornal "O Poder".
O 'professor' desenvolve um texto, que não se afasta em momento algum da sua crença ideológica, que considero "anos luz" distante da realidade.
A crença ideológica do 'professor' é o marxismo-leninismo, que ele já revelou ter adotado, e se apresenta como dirigente de uma entidade que defende a implantação do socialismo (socialismo científico) no Brasil.
Socialismo que já fez muitos estragos aos povos e países, ao longo da História, sempre fracassando enquanto regime político e econômico.
O socialismo marxista se apoia em promessas de justiça e igualitarismo social; que já tive oportunidade de afirmar a partir de estudos/revelações da "escola austríaca de economia" que, aquela "engenharia social" é impossível de se realizar, mas, que sobrevive no âmbito do campo ideológico, onde a "ciência" tão decantada pelos mesmos marxistas, não tem vez.
Gorbachev, o último dos "czares soviéticos", tentou salvar o sistema que só conseguia satisfazer os anseios de sua delirante e cleoptocrática elite estatal/partidária, ou seja, construiu uma potência bélica e espacial, sem nenhum compromisso com uma sociedade de demandas comuns a qualquer sociedade, isto é, atender uma agenda de consumo de bens e serviços para sobrevivência e outras satisfações humanas.
Gorbachev, convidou o economista da "Escola Austríaca", Frederick Hayeck, para avaliar e buscar saídas para a crise soviética, o prêmio nobel de economia Hayeck, estudou e posteriormente informou ao dirigente comunista o resultado de seus estudos, como um diagnóstico para o último dos "czares soviéticos": "o socialismo é impossível de ser praticado enquanto sistema econômico. Senhor Gorbatchev desmonte essa engenharia". Eu chamaria de "geringonça".
0 'professor' no seu artigo mostrou fidelidade a sua escolha ideológica e, não a realidade histórica do passado e do presente; e mostra que não se libertou da "prisão cognitiva", que só enxerga o mundo como: A luta entre "explorados e exploradores" ...meu Deus, tende misericórdia. Demonstrando pouca preocupação com a "verdade histórica"; o 'professor' descamba para a construção de um cenário divorciado da realidade.
'A unção da classe operária'
O texto do 'professor' é uma confissão de fidelidade, a esse negócio de "visão classista", o indivíduo é enchotado do seu direito de pensar como ser individual, e se encaixa na classe social dos trabalhadores ou dos burgueses
Embora, o 'professor' seja pertencente as camadas de uma classe média, ele fala em nome de uma classe de proletários fabris, com imagens que vamos encontrar no século 19.
Classe fabril (operária), ungida por Marx, como aquela estrela que brilhará com sua luz, em direção ao futuro feliz da humanidade - o comunismo.
O proletário do século 19, era o que chamaríamos de "operário de chão de fábrica", todos reunidos num galpão trabalhando entre 14/16 horas dia a dia, dentro de um galpão, tomado pela fumaça dos fornos alimentados por pedras de carvão mineral.
Numa sala à frente em pequena espaço elevado, um homem gordo de cartola, fumando seu charuto caribenho, degustando seu Whisky escocês caro, usando seu terno de "brim ou casemira inglêsa, fiscalizava o trabalho dos explorados. Um vidro dessa sala superior, separava o burguês do galpão da produção, e o protegia da fumaça poluidora e do barulho das máquinas. Ainda é o cenário visto pela ortodoxia marxista. Alguns dirão, isto mudou, o cenário é moderno, mas a exploração continua a mesma
'Divórcio da realidade'
O divórcio da realidade é característica de quem abraçou/abraça a ideologia revolucionária, no caso o "marxismo leninismo/revolução socialista-comunista".
As teses do respeitável 'professor' (suas "teses", não merecem a minima consideração, a não ser como testemunho de grau de sanidade mental), é um desfile de ofensas às idéias e instituições que estão do lado contrário ao que ele pensa; o que é a marca do ideal revolucionário moderno/contemporâneo, desde a Revolução Francesa (republicanismo Jacobinista) até chegar ao socialismo científico, revolucionário dos bolcheviques).
Sempre procurando um tom marcado por agressividade, o 'professor', carrega na sua mente um cenário histórico, que só serve para justificar seu "aprisionamento cognitivo", nenhum compromisso com a verdade histórica.
"Prisão cognitiva" gera bolhas de verdades construídas pelas mentes revolucionárias, que foi, e, é, marca por uma cultura que dominou gerações, formadas sob a orientação materialista de que: "a 'história' tem uma determinada trajetória e que vai culminar no futuro comunista, que necessita da intervenção revolucionária do proletariado"
'O fascismo como ofensa'
As idéias do artigo do 'professor' com a denominação: "Academias e escolas cívico-militares correias de transmissão do fascismo", é um material de confirmação de uma "doença juvenil (não infantil ) do esquerdismo", perigoso esquerdismo que já fez/faz/fará muitos estragos nas mentes de muitas gerações
O fascismo, empregado pelo 'professor', é uma repetição de acusações da "esquerda" em toda parte do mundo, e, já é palavra de um dicionário de ofensas pessoais ,e, também daqueles que não querem manter um debate franco, aberto, democrático, ou não se sentem com preparo intelectual para um debate sincero e consistente.
Diz nosso 'professor':
"O fascismo é a ditadura mais extremada dos monopólios capitalistas. Ditadura exercida pelos serviçais mais reacionários da direita e da burguesia. Não é mera contingência histórica da Itália de Mussolini".
Trata-se de simples/simplista retórica, sem fundamento histórico, se apresenta só com rotulações e com muito ódio, "classista" (?), porém de uma pessoa que não enxergou a vida, como ela é.
Desconhece até que Mussolini, o líder fascista italiano, foi leitor de quase toda obra de Karl Marx e tornou-se a seu modo um seguidor de Marx.
O 'professor' usando o "modus pensante' do marxismo ortodoxo, também da "ciência stalinista", retirou o fascismo daquele palco que lhe deu origem, ou seja, o burburinho de idéias e movimentos sindicalistas, socialistas, anarquistas, revolucionárias, nacionalistas, do final do século 19, algumas delas já vinham se desenvolvendo na segunda metade 18. Jogou-as no colo de uma fantasiosa "burguesia contemporânea, monolítica e exploradora dos trabalhadores. O que se encontra em qualquer mentalidade simplista de marxistas revolucionários, inspirados na "genialidade de Stalin".
'Ruinas da intelctualidade nazista e sua "diáspora". '
Segundo o 'professor', a nação potência americana "albergou", após a segunda guerra mundial, cientistas que ajudaram a produzir armamentos de destruição em massa, bomba atômica, usados pelos Estados Unidos para o exercício de sua "dominação imperialista" .
É verdade 'professor', muitas mentes foram usadas pela nação americana na sua produção científica e tecnológica, e de armas de dissuasão, principalmente depois do lançamento de bombas atômicas em solo japonês; mas a União Soviética fez o mesmo, e levou fábricas inteiras da Alemanha Oriental, para seu território.
A União Soviética, tinha uma importante e numerosa indústria de armamentos, blindados e aviação militar, antes da eclosão da segunda guerra , porém, indústria para atender demandas civis, "nota zero", só muita produção bélica no pré-2a.guerra e depois.
A União Soviética, ajudou a armar o Exército nazista.
O 'professor' diz que o engenheiro alemão/nazista/SS, responsável pelo projeto da bomba V2 do nazismo foi a base do projeto da "Nasa". Terá sido uma das bases, mas o destino do projeto "Nasa" foi diferente e diversificado, e muitíssimo além de apenas interesses bélicos.
A "Nasa" trouxe e tem trazido realizações científicas que tem beneficiado e muito a humanidade: satélites, avanços nas comunicacões, tecnologias de orientações em viagens aéreas e terrestres, naves espaciais e por aí segue.
A mente original de Von Braun, não foi muito além do V2, enquanto produção para destruição, porém foi base para novas e revolucionárias invenções no Ocidente.
Prosseguindo, nosso 'professor', afirma ,que o General alemão Franz Galder teria sido o inspirador das Academias militares pelo Ocidente.
Ora, essas Academias transformaram-se em centros de Estudos militares - não só militares - que são fundamentais para estudos de realidade nacionais e de pesquisa também permitiram a produção de mentalidades da Segurança Nacional, inerentes a qualquer Estado ou país.
A Alemanha foi berço de muitas das teorias de Defesa e Segurança Nacional e da Geopolítica - econômica e militar - que temos hoje. Daí citamos, Frederick Ratzel, o pai da Geopolítica. Temos também Karl Haushofer, e o grande inspirador das estratégias de guerra Clausevitz (germano- prussiano).
'Casamento União Soviética e Alemanha'
A União Soviética foi centro de fornecimento de armas à Alemanha nazista, e de grãos para alimentar a população na Alemannha nazista.
Armou a Alemanha, isso é omitido (ou desconhecido) pelo 'professor'. Porém, a União Soviética não evitou, bem depois o ataque militar nazista em seu território (Operação Barbarossa - 1941).
Nos anos anos 1930 e precisamente em 1939, o Tratado Molotov- Ribentrop, o Tratado de Amizade e não-agressão, os Protocolos secretos que permitiram a divisão/agressão à Polônia - invadida pelas tropas nazistas e o Exército Vermelho em setembro de 1939, esses tratados, confirmaram a Amizade do comunismo e nazismo.
A amizade dos dois regimes totalitários (comunismo e nazismo) permitiu para o lado Oriental polonês que o Exército Vermelho, realizasse a invasão sovietica; no momento em que ocorre a invasão do território no polonês, efetuou-se o criminoso "Massacre da floresta Katyn" que provocou a morte por fuzilamento de mais de 25 mil poloneses (militares, trabalhadores do campo e cidade, professores, cientistas e intelectuais), pelos comunistas.
(Prof. Jarbas em frente ao monumento em Homenagem as 25 mil vítimas do Massacre da Floresta de Katin. Foto tirada em 2025, Varsovia, Polônia.)
Até a chegada da era Gorbachev, a União Soviética, negou o massacre da floresta de Katyn, colocou a responsabilidade na conta dos seus aliados (aliados até setembro de1939) os criminosos nazistas.
Com os últimos suspiros do governo da glasnost/ perestroika, Gorbachev reconheceu a culpa soviética, comprometendo-se a pagar indenização aos poloneses.
A abertura dos "Arquivos secretos de Moscou" permitiu a revelação do crime comunista.
'A Escola Superior de Guerra e as escolas civico-militares, visão do 'professor'. '
O 'professor' ao abordar sobre a Escola Superior de Guerra, afirma, o que é verdadeiro: "a mesma tem como objetivo declarado preparar militares e civis com funções diretivas, lideranças, em planejamento e assessoramento superior, com foco estratégico na segurança, defesa e desenvolvimento nacional" , depois o 'professor' afirma, de maneira pouco modesta, que:
"é propósito para inglês ver.
Logo depois o 'professor' desfere acusações (não críticas), à ESG, acusando a Instituição de ser "uma correia de transmissão da ideologia do alinhamento automático aos Estados Unidos, e da doutrina anticomunista".
Militares e civis 'intelectuais orgânicos' são ali formados e cooptados sob a batuta do império do Norte", digno de um panfleto de organização comunista.
No plano econômico,segundo o 'professor' , a Escola defende o liberalismo absoluto e abertura do mercado, leia-se o entreguísmo. Das riquezas nacionais. No plano político o alinhamento à geopolítica estadunidense na guerra ao comunismo e deslumbramento pelo capitalismo do “american way of life”.
Linguagem caracterista do "extremismo de esquerda".
O 'professor' joga pedra na ESG, não reconhece ser importante nosso mais importante Centro de estudos estratégicos de Estado, Segurança/Defesa Nacional base de produção de conhecimentos militares e civis para elaboração de projetos nacionais com seu sistema ESG/Adesg.
Além da ESG, ser importante, centro de formação de cérebros da Geopolítica, caso de intelectuais como, Meira Matos, Golbery do Couto e Silva, Terezinha de Castro e outros; além do sistema ESG/Adesg, ser promotor de inúmeros cursos centrados em estudos de Estado, Estratégias, Geopolítica, Cibernética, Economia Nacional e Internacional e outros.
A partir de afirmações do 'professor', percebe- se que ele vê o mundo como um confronto entre Estados Unidos e mundo comunista; fora dessa paisagem, ele não admite, comunismo, o mocinho e liberalismo dos Estados Unidos, o vilão.
'Comunismo mocinho, liberalismo vilão'
A postura de idéias do 'professor' pode ser facilmente encontrada também em lideranças estudantis secundaristas ou dos cursos de graduação universitária que temos por aí, com estudante não admitindo "vozes contrárias": "recua fascista," agressões a professores, e dirigentes.
No caso nos Estados Unidos, temos testemunhado atentados a vida dos opositores.
No nosso país já tá se chegando a este estágio avançado, com ameaças de morte aos que discordam das teses esquerdopatas
O 'professor', confirmando seu credo ideológico afirma que o Exército Vermelho, teve o mais importante papel na derrota aos nazistas.
Desconhece, o que hoje, tá revelado com a abertura dos Arquivos Secretos de Moscou (hoje fechados para muitos temas pelo ditador Putin).
A União Soviética, ajudou a Alemanha nazista com armas, alimentou a população alemã com grãos. Era aliada nazista até 1941, porém com a "Operação Barbarossa" (invasão nazista às terras da União Soviética, resultando na ocupação da Bessarábia na Romênia, Stalingrado, ex-Leningrado e Moscou), o lugar do governo stalinista mudou e aproximou-se das forças aliadas democráticas ocidentais (Estados Unidos e Inglaterra ).
Com a Operação Barbarossa, o ditador Stalin, passou de aliado nazista a inimigo.
Mãos dadas até 1941; a partir de então Stalin, chamou "sua" guerra, de "Guerra Patriótica", convocou seu povo para enfrentamento aos inimigos alemães. Defender o socialismo, não dava prá mobilizar uma população, que já começara a desacreditar nas promessas que não se cumpriam do socialismo da justiça social.
"Guerra Patriótica sovietica" foi a guerra da "pátria soviética" contra o invasor alemão, não foi guerra em defesa da Democracia, da liberdade, vista por Churchill, Franklin Roosevelt, ou mesmo do bloqueado general americano Patton, que com a rendição nazista, afirmaria: " "vencemos um inimigo, que não era o da vez, sigamos para Moscou".
As Forças aliadas, Churchill , General Montgomery, Eisenhower estavam juntamente com suas tropas exaustos, ignoraram o alerta/ convocação, de Patton, chegara a hora de parar .
'Escolas cívico- militar"
Quanto as escolas cívico-militares que o 'professor' entende, também como "correia de transmissão do fascismo" é um modelo de escola, que seria um esforço de restauração de sentimentos perdidos nos últimos tempos nos modelos dominante da "escola de hoje". A proposta para essas escolas, seus revalorização da família, religião, disciplina, ordem, oral, pátria e por ai vai. Ora estrutura basilar de uma nação, mas odiada por quem quer sua desintegração, esquerda marxista e cultura Woke.
Na verdade não tinha necessidade de carregar essa denominação
Seria minha voz e meus sentimentos, sabendo que o 'professor', não conseguirá responder fora de "seu quadrado ideológico", ele não e indivíduo, ele e "classe trabalhadora".
Então seguirão as ofensas "classistas", e as fantasias ideológicas... fazer o quê?
Em defesa da verdade histórica
*Jarbas Beltrão é historiador e professor de História da Universidade de Pernambuco - UPE. Mestre em Educação pela UFPB. Especialista (MBA) em Política Estratégia Defesa e Segurança Nacional. (Adesg Famesc).Especialista (MBA) em Geopolítica/Novas Fronteiras/Cibernética e IA. (Adesg/Instituto Venturo)
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o livre confronto de ideias e acolhe o contraditório. Todas as pessoas e instituições citadas têm assegurado espaço para suas manifestações.