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É Findi - Autoconhecimento / Libertação - Conto Reflexivo, por Maria Inês Machado*

17/01/2026

Joana percebeu que algo não estava bem.

Retomou antigas leituras, mas sentiu que já não a tocavam como antes. Havia um cansaço silencioso, uma necessidade de renovação — novos livros, novos olhares, novas perguntas.

A praia parecia o lugar ideal para isso.

As ondas iam e vinham, como notas musicais em uma melodia repetitiva e hipnótica. Ainda assim, o encantamento não vinha. Joana sentou-se na areia, entregue ao som do mar e ao próprio vazio.

Dizem que os pombos não falam.

Será?

Um deles aproximou-se com passos calmos, quase solenes.

— Teu semblante está enigmático. O que tens? Saudade de alguém? Sou um pombo-correio… levo mensagens.

Joana sorriu de leve.

— Vim só descansar um pouco. A brisa do mar é refrigério para minha alma.
— O que te oprime? — insistiu o pombo.
— Não sei…
— Então feche os olhos e vasculhe o coração.

Joana percebeu que algo não estava bem.

Retomou antigas leituras, mas sentiu que já não a tocavam como antes. Havia um cansaço silencioso, uma necessidade de renovação — novos livros, novos olhares, novas perguntas.

A praia parecia o lugar ideal para isso.

As ondas iam e vinham, como notas musicais em uma melodia repetitiva e hipnótica. Ainda assim, o encantamento não vinha. Joana sentou-se na areia, entregue ao som do mar e ao próprio vazio.

Dizem que os pombos não falam.

Será?

Um deles aproximou-se com passos calmos, quase solenes.

— Teu semblante está enigmático. O que tens? Saudade de alguém? Sou um pombo-correio… levo mensagens.

Joana sorriu de leve.

— Vim só descansar um pouco. A brisa do mar é refrigério para minha alma.
— O que te oprime? — insistiu o pombo.
— Não sei…
— Então feche os olhos e vasculhe o coração.

Ela obedeceu.

Ao fazê-lo, surpreendeu-se: encontrou a mente em desalinho, pensamentos dispersos, dificuldade de concentração.

— Não basta fechar os olhos — disse o amigo de penas. — É preciso esvaziar a mente. Venha, eu te ajudo.

Joana permaneceu em vigília. Pouco depois, ouviu uma voz suave, como se viesse de dentro:

A viagem interior é uma necessidade fundamental no processo de mudança.
Abrir as gavetas do Eu, reconhecer os excessos acumulados e reciclá-los.
Não é uma viagem fácil. Exige direção, coragem e escolha.
Aonde desejo chegar? Que mudanças desejo realizar?
Não há atalhos.

Primeiro passo: Despertar.

Reconhecer que algo não flui mais é um ato de lucidez.

Segundo passo: Refletir.

Quais amarras me prendem? São externas ou internas?

Terceiro passo: Catalogar.

Identificar investimentos que não deram frutos e aprender com eles.

Quarto passo: Decidir.

Decidir é coragem. Permanecer na estagnação é medo disfarçado.
A vida é feita de ciclos. Permanecer na estação quando o trem já partiu é retrocesso.

Lembre-se: a fênix renasce das cinzas.

E, ao renascer, voa mais alto.

Joana, lentamente, retornou dessa viagem magnífica. Abriu os olhos e olhou para o pombo.

— O que aconteceu? — perguntou.

Ele inclinou a cabeça e respondeu:

— Não sei… as respostas são suas.

Materialize.


*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.


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É Findi - Li’vinhos - Poema, por Eduardo Albuquerque*

17/01/2026

Um bom livro, um velho vinho
Ah! com ambos o poeta se alinha
Numa bela visita a Argentina
Ou mesmo em Portugal, nas vinhas



Jorge Luís Borges lhe ofertará
“Desconstruindo Sofia” você lerá
Na Buenos Aires, Malbec degustará
Em comprazia do escritor singular



Leia “Os Maias”, com vinho do Porto
Eça de Queiroz o aguarda com gosto
Vinho verde à vontade no Douro
Fernando Pessoa e o seu “Desassossego”



Literatura, vinhos na França, é viés
Hugo, Balzac, Dumas, Flaubert
Simone de Beauvoir, Baudelaire
Vinhos e literatura, a seus pés.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


Um bom livro, um velho vinho
Ah! com ambos o poeta se alinha
Numa bela visita a Argentina
Ou mesmo em Portugal, nas vinhas


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Jorge Luís Borges lhe ofertará
“Desconstruindo Sofia” você lerá
Na Buenos Aires, Malbec degustará
Em comprazia do escritor singular


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Leia “Os Maias”, com vinho do Porto
Eça de Queiroz o aguarda com gosto
Vinho verde à vontade no Douro
Fernando Pessoa e o seu “Desassossego”


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Literatura, vinhos na França, é viés
Hugo, Balzac, Dumas, Flaubert
Simone de Beauvoir, Baudelaire
Vinhos e literatura, a seus pés.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.

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É Findi - Diferenças Sob o Sol - Poema - Por, Malude Maciel*

17/01/2026

Os dias,
Como as pessoas,
São únicos,
Diferentes,
Têm suas peculiaridades,
Tal qual
Uma obra de arte.
A vida sempre surpreende,
Em cada esquina
Surpresas
Agradáveis ou não.
Para nós,
Isso é um privilégio.
Que seja assim.
Ninguém aguentaria
A mesmice.

"Nada do que foi será, do jeito que a gente viu há um segundo.
Tudo passa, tudo sempre passará...
Como uma onda no mar..."


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.


Os dias,
Como as pessoas,
São únicos,
Diferentes,
Têm suas peculiaridades,
Tal qual
Uma obra de arte.
A vida sempre surpreende,
Em cada esquina
Surpresas
Agradáveis ou não.
Para nós,
Isso é um privilégio.
Que seja assim.
Ninguém aguentaria
A mesmice.

"Nada do que foi será, do jeito que a gente viu há um segundo.
Tudo passa, tudo sempre passará...
Como uma onda no mar..."


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.

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É Findi - Vidente, por Felipe Bezerra*

17/01/2026

Talvez daqui a uns anos
- em meses seria obsceno -
mas certamente o Supremo

Salvará o cliente Vorcaro
- amigo estimado e caro -
e o processo será anulado.

Amizade é item raro,
dispensa julgamentos morais
quando envolve parceiros ideais.


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Talvez daqui a uns anos
- em meses seria obsceno -
mas certamente o Supremo

Salvará o cliente Vorcaro
- amigo estimado e caro -
e o processo será anulado.

Amizade é item raro,
dispensa julgamentos morais
quando envolve parceiros ideais.


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Zé Nivaldo* Reverencia Quem Merece

17/01/2026

Ze Paulo
Paulinho,
Paulino,
Cavalcanti, jamais cavalgado
A não ser pelas
rédeas firmes
Controladas pelas mãos, cérebro e coração
Sensíveis e fortes
Da Dra Lectícia.
Que decide porque domina os segredos do mandar.
Zé. O Paulinho.
Tri acadêmico.
O único conhecido na vida e na imortalidade.
Fernando Pessoa?
Redescobrir o óbvio é a genialidade maior.
Quase autobiografia.
Uma quase tudo é uma quase nada.
Que preenche os escaninhos do mundo literário.
Zé Paulo e Maria Lectícia.
Não perfeitos imortais.
Mortais perfeitos.
Acendo um charuto e ergo um brinde
Admiração e respeito.
Amigos que rasgam o peito
E se aninham bem lá dentro. Para a eternidade.


*José Paulo Cavalcanti Filho, Amigo de Zé Nivaldo, Consultor da Unesco e do Banco Mundial. Foi presidente de EBN, do CADE e do Conselho de Comunicação Soci...

Ze Paulo
Paulinho,
Paulino,
Cavalcanti, jamais cavalgado
A não ser pelas
rédeas firmes
Controladas pelas mãos, cérebro e coração
Sensíveis e fortes
Da Dra Lectícia.
Que decide porque domina os segredos do mandar.
Zé. O Paulinho.
Tri acadêmico.
O único conhecido na vida e na imortalidade.
Fernando Pessoa?
Redescobrir o óbvio é a genialidade maior.
Quase autobiografia.
Uma quase tudo é uma quase nada.
Que preenche os escaninhos do mundo literário.
Zé Paulo e Maria Lectícia.
Não perfeitos imortais.
Mortais perfeitos.
Acendo um charuto e ergo um brinde
Admiração e respeito.
Amigos que rasgam o peito
E se aninham bem lá dentro. Para a eternidade.


*José Paulo Cavalcanti Filho, Amigo de Zé Nivaldo, Consultor da Unesco e do Banco Mundial. Foi presidente de EBN, do CADE e do Conselho de Comunicação Social, do Congresso Nacional. Ministro da Justiça. Membro da Comissão Nacional da Verdade. Membro da Academia Pernambucana de Letras. Membro da Academia Brasileira de Letras Membro da Academia Portuguesa de Letras ( Academia de Ciências de Lisboa).

e

*José Nivaldo Júnior é jornalista, historiador, advogado, publicitário, membro da Academia Pernambucana de Letras, diretor-geral de O Poder.

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É Findi - Pelas ruas do meu país - Crônica, por Ana Pottes*

17/01/2026

Um novo janeiro que mal abriu os olhos, já vê fevereiro a chegar, fervendo e frevando.
É festa pagã a inundar as ruas da Veneza Americana.

Há guerreiros espalhados no bairro do Hipódromo, na rua mais bonita do mundo que fica ali, no Recife Antigo, e nas ladeiras que sobem e descem, feito ondas vibrantes na vizinha-irmã Olinda. É Pitombeira no tapete vermelho, pelo mundo afora; é Elefante exaltando as tradições, cantando os coqueirais, o sol e o mar.

Da Zona da Mata, chegam brincantes coloridos, trazendo rosas entre os dentes e lanças com fitas nas cores desse país.

Os acertos de marcha abrem espaço para as pastoras e pastores, com corais afinando vozes, cantando frevos em forma de poemas saudosos, a invadir ruas e calçadas que, por falta de espaço, navegam pelo Capibaribe e inundam o Atlântico.

O Galo canta e encanta seguidores, eletrizando a cidade em milhões de volts.

A Saudade é sentimento em for...

Um novo janeiro que mal abriu os olhos, já vê fevereiro a chegar, fervendo e frevando.
É festa pagã a inundar as ruas da Veneza Americana.

Há guerreiros espalhados no bairro do Hipódromo, na rua mais bonita do mundo que fica ali, no Recife Antigo, e nas ladeiras que sobem e descem, feito ondas vibrantes na vizinha-irmã Olinda. É Pitombeira no tapete vermelho, pelo mundo afora; é Elefante exaltando as tradições, cantando os coqueirais, o sol e o mar.

Da Zona da Mata, chegam brincantes coloridos, trazendo rosas entre os dentes e lanças com fitas nas cores desse país.

Os acertos de marcha abrem espaço para as pastoras e pastores, com corais afinando vozes, cantando frevos em forma de poemas saudosos, a invadir ruas e calçadas que, por falta de espaço, navegam pelo Capibaribe e inundam o Atlântico.

O Galo canta e encanta seguidores, eletrizando a cidade em milhões de volts.

A Saudade é sentimento em forma de música aos nossos ouvidos, desde Antônio Maria, Capiba, Getúlio, Alcides Vespasiano, Fátima Castro, Júlio Vila Nova, Raphael Marques, Luis Faustino, Hamilton Florentino, Edgar Moraes, Raquel Eduardo, família Chaves, Heleno Ramalho, Edson Rodrigues, Spock e tantos outros mestres. Até essa enxerida aqui, com a ajuda do compositor Ely Madureira, se esgueirou pelos frevos de bloco, fazendo surgir Cordas e Saudade.

No meu país é festa, pois a cultura é ricamente representada por reisados, bois, caboclos de lança, clubes mistos, afoxés, troças, maracatus, blocos de pau e corda, caboclinhos. Todos frevem e fervem, num frege de jogos de pernas, braços, voadoras e danças marcadas por metais, sopros, alfaias, cordas, batuques, cantos e cantorias, a se regozijar até com o cinema brasileiro.

É Carnaval!

Juntos, os Guerreiros do Passo e os Agentes Secretos gritam em plenos pulmões:

Você é meu, Pernambuco!


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem!

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É Findi – O Lavrador de Palavras - Crônica - Por Xico Bizerra*

17/01/2026

... e o homem um dia resolveu plantar palavras: cavou fundo a fenda, escolheu bem as sementes, viu-as germinar e depois regou as letras, adubando-as com vírgulas, pontos, circunflexas interrogações.

Viu nascer sua planta: parido estava o livro, a florescer, vingado.

Colheu parágrafos tantos e os sorveu, regando páginas por ele mesmo plantadas. Não satisfeito, deu-as ao leitor, recomendando as lêsse como se bebe um bom vinho, lenta e pausadamente, acariciando cada linha, abraçando cada parágrafo, cheirando cada caule, respirando cada flor.

Depois, o merecido descanso, da mão, do homem. Pronta, restou sua obra, igual a ele próprio: jardim cheio de flores, de algumas exclamações e de muitas reticências ... até o ponto final. Alguns enxergaram espinhos.

Eles, os há. É da natureza da natureza. E dos livros. Nem só de leveza eles vivem, livros e natureza.

*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.

... e o homem um dia resolveu plantar palavras: cavou fundo a fenda, escolheu bem as sementes, viu-as germinar e depois regou as letras, adubando-as com vírgulas, pontos, circunflexas interrogações.

Viu nascer sua planta: parido estava o livro, a florescer, vingado.

Colheu parágrafos tantos e os sorveu, regando páginas por ele mesmo plantadas. Não satisfeito, deu-as ao leitor, recomendando as lêsse como se bebe um bom vinho, lenta e pausadamente, acariciando cada linha, abraçando cada parágrafo, cheirando cada caule, respirando cada flor.

Depois, o merecido descanso, da mão, do homem. Pronta, restou sua obra, igual a ele próprio: jardim cheio de flores, de algumas exclamações e de muitas reticências ... até o ponto final. Alguns enxergaram espinhos.

Eles, os há. É da natureza da natureza. E dos livros. Nem só de leveza eles vivem, livros e natureza.

*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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É Findi – O amor é cego, Poesia Regional - Por Poeta Pica-Pau*

17/01/2026

Mulher ingrata e fingida
És pior duquê serpente
E te vendo em minha frente
Magoa minha ferida
Todo amor déssa vida
Dei sem tu merecer
E para me entristecer
Saísse com um qualquer
Mas eu confesso mulher
Eu sou maluco por você
Mas eu confesso mulher
Sou doidinho por você

Você nunca mereceu
O amor que eu te dei
Quantas vezes eu perduei
Todo os deslizes teu
Me deixasse igual plebeu
Levando tudo o que eu tinha
Fiquei no sal e na farinha
Bebendo descontrolado
Mas sou doido apaixonado
Pelo o teu amor murrinha
Sou maluco apaixonado
Pelo o teu amor murrinha

Você me decepcionou
Me traiu me iludiu
Dá minha vida sumiu
Que nem o rasto deixou
Minha paz você levou
Ingrata ruim renitente
Quanto é má essa vivente
Que até droga vi uzá
Mas se ela qu...

Mulher ingrata e fingida
És pior duquê serpente
E te vendo em minha frente
Magoa minha ferida
Todo amor déssa vida
Dei sem tu merecer
E para me entristecer
Saísse com um qualquer
Mas eu confesso mulher
Eu sou maluco por você
Mas eu confesso mulher
Sou doidinho por você

Você nunca mereceu
O amor que eu te dei
Quantas vezes eu perduei
Todo os deslizes teu
Me deixasse igual plebeu
Levando tudo o que eu tinha
Fiquei no sal e na farinha
Bebendo descontrolado
Mas sou doido apaixonado
Pelo o teu amor murrinha
Sou maluco apaixonado
Pelo o teu amor murrinha

Você me decepcionou
Me traiu me iludiu
Dá minha vida sumiu
Que nem o rasto deixou
Minha paz você levou
Ingrata ruim renitente
Quanto é má essa vivente
Que até droga vi uzá
Mas se ela quizer voltar
Aceitarei novamente
Se você quiser voltar
Vou te querer novamente


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.

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É Findi – As Sorveterias - por Carlos Bezerra Cavalcanti*

17/01/2026

Pontos 'Chics' de Encontro

Na primeira metade do século passado, as sorveterias caíram no gosto do recifense. O sorvete, deliciosa novidade da época, quando o gelo ainda vinha de fora. As famílias iam-se acostumando a tomá-lo “embora em salas especiais com toda a decência”. De início era a “neve”. Mas a expressão “sorvete” preponderou.

Nas décadas de 40 a 60, esses Pontos de Encontro, estavam bastante identificados com os movimentos das sessões de cinemas, nas saídas do Art Palácio, Trianon, Moderno e São Luís.



Passeios aos Domingos e Feriados

Nos feriados, dias santos e aos domingos, as pessoas desfilavam no Centro da cidade, elegantemente trajadas.
Parecia uma verdadeira passarela da moda. Os homens com paletós, normalmente brancos, chapéus do Panamá e o inseparável guarda-chuvas (sol), em animadas conversas nos cafés e bares centrais.

As mulheres, olhando as vitrinas, prot...

Pontos 'Chics' de Encontro

Na primeira metade do século passado, as sorveterias caíram no gosto do recifense. O sorvete, deliciosa novidade da época, quando o gelo ainda vinha de fora. As famílias iam-se acostumando a tomá-lo “embora em salas especiais com toda a decência”. De início era a “neve”. Mas a expressão “sorvete” preponderou.

Nas décadas de 40 a 60, esses Pontos de Encontro, estavam bastante identificados com os movimentos das sessões de cinemas, nas saídas do Art Palácio, Trianon, Moderno e São Luís.


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Passeios aos Domingos e Feriados

Nos feriados, dias santos e aos domingos, as pessoas desfilavam no Centro da cidade, elegantemente trajadas.
Parecia uma verdadeira passarela da moda. Os homens com paletós, normalmente brancos, chapéus do Panamá e o inseparável guarda-chuvas (sol), em animadas conversas nos cafés e bares centrais.

As mulheres, olhando as vitrinas, protagonizavam verdadeiro espetáculo visual, onde não faltavam as luvas de várias cores e tamanhos e elegantes e variados chapéus.

Após os passeios, ia-se aos cinemas, os filmes, americanos principalmente, e os seriados eram verdadeiros atrativos para as tardes domingueiras. Após as sessões o convite as sorveterias eram irrecusáveis e para lá iam os casais e namorados, os adolescentes, senhoras e algumas crianças levadas pelos pais.

Entre os estabelecimentos, do ramo naqueles idos, destacavam-se as Sorveterias “Gemba”, ”Pérola” , “Botijinha” e a “DUDI”. Vejamos a mais famosa:

Sorveteria Gemba - Sabor Divino

Essa Sorveteria era uma das mais conhecidas e procuradas, nas décadas de 40 e 50. Pertencia ao Japonês Heiji Gemba (Lê-se Guemba), hoje busto e rua em Boa Viagem, a quem se atribuía poderes milagrosos para conseguir o inigualável sabor de seus sorvetes. Funcionou, inicialmente, na Largo da Concórdia, (Praça Joaquim Nabuco) próximo ao Cine Moderno, depois de depredada na II Guerra, reabriu, desta vez para funcionar na Rua da Aurora, próximo ao São Luiz. A sorveteria era o verdadeiro “epílogo” das exibições cinematográficas


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras

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É Findi - Liberdade - Conto, por Romero Falcão*

17/01/2026

Nasceu numa família

Conservadora. Estudara em colégio de freira. Farda completa e bem passada. A calça jeans não podia alterar o tom do azul. Camisa limpa, bolso com o escudo da escola, botões bem pregados.



Maquiagem, Nem Pensar

Até a meia era submetida à inspeção.Antes da aula, a missa. Formação quase militar no pátio. Hasteamento da bandeira ao canto do hino do Estado. Maquiagem, nem pensar. Cigarro no bico era caso de expulsão. O olhar severo dos professores advertia: rir era sinônimo de vadiagem.



A Polícia da Moral e dos Costumes

Sem falar na quantidade de livros que viajavam todos os dias dentro da mochila. O peso fazia parte do aprendizado. Era época sombria: a ditadura dava as cartas e os cortes. A polícia da moral e dos costumes algemava por qualquer coisa que questionasse o regime.

Cadeira Vazia

O pai trabalhava...

Nasceu numa família

Conservadora. Estudara em colégio de freira. Farda completa e bem passada. A calça jeans não podia alterar o tom do azul. Camisa limpa, bolso com o escudo da escola, botões bem pregados.


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Maquiagem, Nem Pensar

Até a meia era submetida à inspeção.Antes da aula, a missa. Formação quase militar no pátio. Hasteamento da bandeira ao canto do hino do Estado. Maquiagem, nem pensar. Cigarro no bico era caso de expulsão. O olhar severo dos professores advertia: rir era sinônimo de vadiagem.


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A Polícia da Moral e dos Costumes

Sem falar na quantidade de livros que viajavam todos os dias dentro da mochila. O peso fazia parte do aprendizado. Era época sombria: a ditadura dava as cartas e os cortes. A polícia da moral e dos costumes algemava por qualquer coisa que questionasse o regime.

Cadeira Vazia

O pai trabalhava viajando; às vezes passava uma, duas semanas fora, a cadeira vazia na cabeceira da mesa no café da manhã da família reunida. A mãe cuidava do lar.


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Filosofia de Heráclito

Até que, no primeiro ano científico, Sophia começou a se abrir para o mundo. A Bíblia e os livros didáticos já não davam conta; a literatura sacudira certezas. A filosofia de Heráclito faiscara: “Este mundo não foi feito nem pelos homens nem pelos deuses, mas tem sido um fogo eterno que se acende e se apaga nas mesmas proporções.”

Experiência Instigante

Havia um zum-zum na cidade: um colégio recém-inaugurado abalava as estruturas. Novo não só no nome, mas na forma e no espírito de transmitir conhecimento. Um inusitado jeito de ser aluno, uma experiência instigante de ser professor. De repente, os colégios de padre sofreram forte baixa. A debandada geral para o tal colégio, que se mostrava à frente do tempo e da sala de aula, foi inevitável.

Nem Missa Nem Farda

Mas Sophia só tomou pé da onda quando uma amiga de classe e de confidências foi estudar lá, na sensação do momento.

— Você precisa ver, Sophia.
— O que é que tem demais?
_ Justamente é o que tem de menos
— Não tem missa nem farda. Podemos rir.
— E, para completar a felicidade, apostilas e um caderno de dez matérias.
— Meu Deus, é o paraíso — disse Sophia, num tom angelical.
— É liberdade, é uma calça velha e desbotada — brincou Soraia, lembrando um comercial.
— Eu quero estudar lá — afirmou Sophia.

No entanto, como convencer o pai rigoroso? A transferência parecia impossível. Ele não admitiria: sem farda, sem missa. Ainda por cima, um colégio que não tinha cara de colégio. Afinal, o que seria isso? Ela já previa as indagações do genitor.


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Pulou de Alegria

Então pensou num plano. O irmão mais velho aceitou a parada. Na ausência do pai, por motivos de viagem, o primogênito endossaria a transferência com uma pseudoautorização do velho. A estratégia deu certo. Sophia pulou de alegria. Abraçou o irmão. Sairia da prisão.

Numa Aula de Termologia

Na primeira semana de aula, a diferença era abissal. A descontração contagiante. Era “proibido proibir”. Estudar com leveza tornava até a matéria que ela detestava — física — atraente. Arriscou uma piada numa aula de Termologia e não sofreu censura nem suspensão. Liberdade, liberdade, repetia baixinho.

É Melhor Contar Tudo

Um belo dia, porém, o pai, em vez de voltar na sexta-feira à noite, como de costume, estacionou o carro na calçada de casa numa quarta-feira, no fim da manhã. Pegou Sophia em flagrante, voltando do colégio.

— O que significa isso? Cadê sua farda? Isso são roupas de estudante?
A filha estava de bermuda, maqueada e apostila na mão. A mãe entra em cena:
— É melhor contar tudo.

Já na sala, o pai esbraveja, dá um murro na mesa:
— Não te dei o nome de Sophia — sabedoria — para te ver metida numa zona de colégio!

O Diabo Sabe Ensinar

No outro dia, nada como um dia atrás do outro e um compadre no meio.
— Compadre, não te conto: a minha Sophia se matriculou nesse colégio aí… um tal de…
— Ah, compadre, eu quero é novidade. A minha também está lá. Esse colégio mexeu com a cabeça dos jovens.
— Sangue de Cristo! Será que tem fumaça nisso? — arregalou os olhos.
— Não sei. Só sei que o primeiro lugar, no vestibular , em medicina e em engenharia elétrica foram de lá. Também foi de lá a cabeça raspada numa tal de computação. E não para por aí, não: os melhores times de vôlei e de futebol de salão vestem a camisa desse colégio.


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É, compadre, quando quer, o Diabo sabe ensinar.

Este texto é uma ficção, qualquer semelhança é mera coincidência


*Romero Falcão é um cronista que se arrisca a fazer poema torto.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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Caruaruense - O triste final de um capítulo de ouro do transporte em Pernambuco Por José Nivaldo Junior*

16/01/2026

Toda vez que um ex-cliente morre, um pedacinho do meu coração morre junto. Ainda como empresário iniciante da publicidade, na MMS, junto com Luiz Montenegro, conquistamos grandes clientes com empenho, muita transpiração e, sem modéstia, uma boa dose de inspiração. Chegamos à Caruaruense, então uma promissora empresa de transportes de passageiros, no auge, pelas mãos do atual presidente João Lyra Neto. Sucessor do pioneiro João Lyra Filho, que fundou empresa com dois ou três ônibus pelos anos 1940, a transformou em potência e legou aos filhos, junto com outros patrimônios bilionários. A sucessão na liderança não seguiu os princípios monarquicos. Seu João, O Pioneiro, era grande figura humana, como ser humano, politico e empresário. Tantas vezes elogiado aqui em O Poder, sem que palavras sejam suficientes para fazer justiça à sua grandeza.



A Campanha

A Caruaruense praticamente não fazia propaganda. Concessionária sem concorrência...

Toda vez que um ex-cliente morre, um pedacinho do meu coração morre junto. Ainda como empresário iniciante da publicidade, na MMS, junto com Luiz Montenegro, conquistamos grandes clientes com empenho, muita transpiração e, sem modéstia, uma boa dose de inspiração. Chegamos à Caruaruense, então uma promissora empresa de transportes de passageiros, no auge, pelas mãos do atual presidente João Lyra Neto. Sucessor do pioneiro João Lyra Filho, que fundou empresa com dois ou três ônibus pelos anos 1940, a transformou em potência e legou aos filhos, junto com outros patrimônios bilionários. A sucessão na liderança não seguiu os princípios monarquicos. Seu João, O Pioneiro, era grande figura humana, como ser humano, politico e empresário. Tantas vezes elogiado aqui em O Poder, sem que palavras sejam suficientes para fazer justiça à sua grandeza.


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A Campanha

A Caruaruense praticamente não fazia propaganda. Concessionária sem concorrência de diversas linhas, tinha um público cativo. Aí, apareceu a concorrência do transporte alternativo. E o pedido da campanha publicitária. Criamos, Luiz e eu, um slogan - 'O vai e vem da pontualidade'. E uma campanha vendendo precisão, conforto, segurança. E adicionando um novo serviço, aluguel de ônibus para viagens e excursões. Foi um sucesso total.


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Pitoresco

Um fato bem curioso. Filmamos o comercial em termos realistas. O motorista foi escolhido dentro dos quadros da empresa, o que rendeu cenas bem realistas e emocionantes da interação cuidadosa motorista/passageiros. Maciel era o nome do galã, lembrei neste momento. O curioso: a partir daí, todo mundo só queria alugar excursões com "o motorista da televisão". Até proposta de ágio rolava nas negociações.

Com o tempo

Os irmãos remanescentes foram afastados da gestão. A querida é eterna Mazé Lyra, esteio financeiro da empresa, partiu para a eternidade. Vieram novos tempos. Lembro que certa vez, propusemos a João uma mudança conceitual. Ao invés de uma rodoviária, uma empresa de transportes, inclusive aéreo, ferroviário, urbano, o que mais desse. Alguma coisa deu. Tempos depois soube ds criação da Logo, focada no transporte de cargas. Mas sem detalhes.


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A última conversa

Em tom para-profissional, perguntei sobre a empresa. "Muitas dificuldades" , sintetiza a resposta lacônica. Senti que não estava agradando e mudei de assunto.

Hoje

Com um aperto no peito, ouvi a governadora, sócia ou ex-sócia da rodoviária, não sei ao certo o status atual, anunciar a morte da entidade criada pelo seu avô. Morte acontecida melancolicamente, no seu governo, ao que parece leniente com a empresa da família. Tratamento diferenciado. Fiscalizações não cumpridas. Taxas não pagas. Ônibus com validade vencida, sem segurança, até pneus carecas, ao que dizem, conduzindo milhares de passageiros por dia. Cada um deles , ser humano, desrespeitado no seu direito essencial.

Pergunta que não quer calar

Foi incompetência gerencial? É preciso considerar que no capitalismo, o crescimento é inevitável e os mais fortes engolem os mais fracos. Aconteceram muitas mudanças. A BR 232 duplicada, impactou de modo diverso as empresas com linhas no Sertão e no Agreste, por exemplo. Os passageiros perceberam que as dificuldades levaram a descuidos, a ônibus sucateados, a equipes desmotivadas. Como resultado, os ônibus andavam "batendo", vazios na linguagem popular. Nem a ascensão de Raquel ao cargo máximo do Estado, o o uso da máquina em auto-beneficio, deteve a sangria.
Nesta noite de sexta feira, os caruaruenses sofrem com a situação como se estivessem perdendo um ente querido. Afinal, a rodoviária era um dos símbolos que pareciam eternos da Capital do Agreste. A expressão transtornada da governadora anunciando o fato, que marketing desastrado, data vênia, torna um momento doloroso em algo patético. Seu João, O Pioneiro, não merecia isso. O povo do Agreste, também não.
De minha parte, mesmo distante há mais de 30 anos do atendimento à empresa, lamento que um belo capítulo da minha vida profissional acabe em tamanha trapalhada.

*José Nivaldo é publicitário e diretor de O Poder. Nem por isso escapa à regra: Os textos assinados refletem a opinião dos autores. Todos os citados têm direito âs suas versões.

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A senadora Damares e o tiro pela culatra da CPI do Inss, por Natanael Sarmento*

16/01/2026

Não se pode negar a senadora Damares, evangélica da ala bolsonarista, talento para causar polêmicas nas declarações públicas. Tendo que a senadora não deve falar por si só, das três uma: é assessorada por marqueteiros geniais; por idiotas, ou o andor é ruim e a Santa é pior ainda.

Frases memoráveis

São recorrentes as declarações estúpidas da senadora evangélica, até Deus duvidaria, não fossem divulgadas amplamente na imprensa.

Zoofilia

A moralista e zelosa, focada em questões sexuais por razões que talvez Freud explique, alardeou, sem comprovação, notícia de “turistas que vão a hotéis de fachada para transar com animais”. O popular diz que o coice da égua não afasta o jumento. Mas tal aberração calhava comprovação e abertura da competente ação criminal. Ou imputação de denunciação caluniosa. Ficou no dito pelo não dito, da proverbial amnésia nacional.

Jesus da goiabeira

Cir...

Não se pode negar a senadora Damares, evangélica da ala bolsonarista, talento para causar polêmicas nas declarações públicas. Tendo que a senadora não deve falar por si só, das três uma: é assessorada por marqueteiros geniais; por idiotas, ou o andor é ruim e a Santa é pior ainda.

Frases memoráveis

São recorrentes as declarações estúpidas da senadora evangélica, até Deus duvidaria, não fossem divulgadas amplamente na imprensa.

Zoofilia

A moralista e zelosa, focada em questões sexuais por razões que talvez Freud explique, alardeou, sem comprovação, notícia de “turistas que vão a hotéis de fachada para transar com animais”. O popular diz que o coice da égua não afasta o jumento. Mas tal aberração calhava comprovação e abertura da competente ação criminal. Ou imputação de denunciação caluniosa. Ficou no dito pelo não dito, da proverbial amnésia nacional.

Jesus da goiabeira

Circula em vídeo, para os incréus, a declaração da Damares, segundo a qual, aos dez anos, ela pensava em se suicidar e foi salva por ter visto Jesus num pé de goiabeira. Jesus lindo, caminhou em sua direção, subiu na árvore, foi a sua salvação. Desde então, a devota evangélica recorre à terapia de “subir” numa goiabeira em momentos turbulentos da sua vida. Não é piada.

Meninos e meninas

No discurso de posse do Ministério da “Família e dos Direitos Humanos” (2019), abordou a questão de gênero com sutileza da pata do cavalo de Atila: “menino veste azul e menina veste rosa”. Precisou dar explicações sobre a “metáfora” da ferradura.

Papel da mulher

No manual de direitos humanos da Ministra a “mulher nasce para ser mãe e infelizmente tem que ir para o mercado de trabalho”. A declaração dispensa comentários. A lógica, não. Até prova em contrário Damares é mulher e no senado federal ou ministério ela amamenta ou cumpre outro papel de mãe destinado à mulheres segundo sua concepção.

Crianças e sexo oral

Em encontro de evangélicos da Ilha de Marajó (2022), sem apresentar provas, volta a fazer denúncias capazes de aterrorizar o Marques de Sade. Afirmou que crianças insulares não tinham dentes porque arrancados para a prática do sexo oral. O ditado popular diz que Deus dá nozes a quem não tem dentes, mas o Mpf pediu explicações à Ministra. Mais uma vez, vigorou a lei do esquecimento.


Só Jesus salva!

“A Cpi Identificou grandes igrejas e pastores no esquema de fraudes do Inss”, afirmou Damares numa entrevista ao Sbt. Os templos sagrados tremeram. O pastor Malafaia, com pudores de vestais da moralidade exigia da declarante as provas de tais acusações. Pois deste feita, as provas foram dadas, com todas as letras.

Redes sociais

Fustigada pelo Malafaia, Damares divulgou em redes sociais nomes e sobrenomes de igrejas e pastores: Adoração Church, Assembleia de Deus Ministério do Renovo, Ministério Deus é Fiel Church, Igreja Evangélica Campo de Anatote. Serão convidados a comparecer à Cpi para esclarecimentos: André Machado Valadão, César Bellucci do Nascimento, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes, ademais de pedido de quebra do bancário do Valadão.


Cpi do Inss

Se a instalação da Cpi que partiu do PL e foi requerida pela bombástica Damares visava jogar farinha no ventilador do governo Lula, por boatos de participação de familiares do presidente no esquema de corrupção, foi um tiro que saiu pela culatra. Pois até o momento a farinha não chegou ao Planalto. Curiosamente, nota-se o repentino desinteresse da grande mídia pelo tema. O mesmo não diga da direita bolsonarista que tem azia com tanta farinha azeda. Dezoito correligionários presos, por enquanto. Há “carecas” de cabelo em pé, Brasil afora, nas buscas da PF. Na esteira do inferno austral, o escândalo das cotas parlamentares apanhou o líder do PL pastor Sóstenes no milagre de esquecer quase meio milhão em saco plástico de flet alugado. Tem razão o outro que traduz e atualiza, jocosamente, o “time is Money” de Benjamin Franklin como “templo é dinheiro”.

*Natanael Sarmento é professor e escritor. Do Diretório Nacional da Unidade Popular Pelo Socialismo – UP.

NR - Os textos assinados refletem a opinião dos autores. Citados ou discordantes têm espaço garantido para suas determinações.

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Pressionada por denúncias, Rodoviária Logo/Caruaruense encerra atividades

16/01/2026

Semana turbulenta. Na quarta-feira, 14/01, o site Metrópoles levantou uma série de acusações contra a governadora Raquel Lyra e o seu pai, empresário entre outros setores do ramo rodoviário, o ex-governador João Lyra Neto.
Entre as acusações, a principal era de ônibus circulando há três anos sem inspeção, sem pagar taxas ao órgão competente e colocando em risco diário milhares de passageiros. O Poder anunciou que no mesmo dia publicaria o posicionamento da empresa, "após o retorno e em combinação com a governadora". A resposta não veio, O Poder aguardou com paciência.

Hoje

A governadora em pessoa veio a público para, visivelmente nervosa e incomodada, tentar justificar o caso. Falou como sócia da empresa, que foi, filha e governadora (Confira Vídeo). O Poder procurou mais uma vez a direção da Logo Caruaruense, nome atual da empresa, recebeu a seguinte nota que republicamos abaixo sem alteração nem comentários.


NOTA...

Semana turbulenta. Na quarta-feira, 14/01, o site Metrópoles levantou uma série de acusações contra a governadora Raquel Lyra e o seu pai, empresário entre outros setores do ramo rodoviário, o ex-governador João Lyra Neto.
Entre as acusações, a principal era de ônibus circulando há três anos sem inspeção, sem pagar taxas ao órgão competente e colocando em risco diário milhares de passageiros. O Poder anunciou que no mesmo dia publicaria o posicionamento da empresa, "após o retorno e em combinação com a governadora". A resposta não veio, O Poder aguardou com paciência.

Hoje

A governadora em pessoa veio a público para, visivelmente nervosa e incomodada, tentar justificar o caso. Falou como sócia da empresa, que foi, filha e governadora (Confira Vídeo). O Poder procurou mais uma vez a direção da Logo Caruaruense, nome atual da empresa, recebeu a seguinte nota que republicamos abaixo sem alteração nem comentários.


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NOTA OFICIAL
Rodoviária Caruaruense comunica o encerramento de suas atividades

Após mais de seis décadas de existência e de serviços prestados a Pernambuco, a Rodoviária Logo Caruaruense informa o encerramento definitivo de suas atividades. A decisão foi comunicada nesta sexta (16) aos seus colaboradores, durante reunião, na sua sede, em Caruaru. A empresa expressa profundo respeito e gratidão pelos anos de dedicação e compromisso de toda a equipe e assegura que todos os funcionários receberão integralmente seus direitos trabalhistas e que efetuará o pagamento de tributos.

A Logo, sucessora da Caruaruense, informa, ainda, que já comunicou formalmente a decisão à Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI) e que está procedendo com a entrega de todas as linhas atualmente operadas.

A decisão pelo fechamento decorre do grave desequilíbrio econômico-financeiro da operação e por dificuldades conjunturais há muito enfrentadas pelo setor e potencializada após a pandemia.

Fundada em novembro de 1959, a Rodoviária Caruaruense nasceu em um momento decisivo para o desenvolvimento de Caruaru e da região. Criada pelos empresários Abdias Vescenslau da Silva, Edécio Francisco de Melo e José Victor de Albuquerque, e posteriormente adquirida por João Lyra Filho, a empresa fez parte da história de milhares de pessoas, conectando cidades e contribuindo de forma significativa para o crescimento econômico e social da região.

A empresa reafirma seu agradecimento aos milhares de usuários que transportou ao longo de mais de sessenta anos em atividades e aos parceiros de caminhada. A história da Rodoviária Caruaruense permanece como um legado de trabalho, dedicação e serviço ao povo do Agreste e de Pernambuco.

Confira

A seguir o vídeo da governadora, capturado no Blog de Ricardo Antunes






Para a Cadela Iara - Poema, por Romero Falcão*

16/01/2026

Cão honrado,
servidora a servir a sociedade.
Destemida, a cadela Iara,
luz rara no Corpo de Bombeiros.

Numa missão a caminho de Bacabal
sofreu uma torção gástrica.
Por mais que a tropa tentou
ela não resistiu, saiu deste mundo.

Cão policial, cão-guia, bombeiro,
dedicado, responsável, incorruptível.
Quem dera o homem pudesse
atingir o instinto fiel, amigo.


*Romero Falcão é um cronista que se arrisca a fazer poema torto.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


Cão honrado,
servidora a servir a sociedade.
Destemida, a cadela Iara,
luz rara no Corpo de Bombeiros.

Numa missão a caminho de Bacabal
sofreu uma torção gástrica.
Por mais que a tropa tentou
ela não resistiu, saiu deste mundo.

Cão policial, cão-guia, bombeiro,
dedicado, responsável, incorruptível.
Quem dera o homem pudesse
atingir o instinto fiel, amigo.


*Romero Falcão é um cronista que se arrisca a fazer poema torto.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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Teatro Apolo apresenta espetáculo Hamlet no Circo

16/01/2026

O Teatro Apolo apresenta no próximo domingo (18/01), às 16h30, o espetáculo “Hamlet no Circo”, dentro do 32º Janeiro de Grandes Espetáculos.

O texto

O texto é de autoria do escritor, Moisés Monteiro de Melo Neto e direção de José Francisco Filho. O espetáculo contará com a participação de muitos palhaços e humor.

O Poder

O Teatro Apolo apresenta no próximo domingo (18/01), às 16h30, o espetáculo “Hamlet no Circo”, dentro do 32º Janeiro de Grandes Espetáculos.

O texto

O texto é de autoria do escritor, Moisés Monteiro de Melo Neto e direção de José Francisco Filho. O espetáculo contará com a participação de muitos palhaços e humor.

O Poder

O Recife que imprimia no escuro - Ideias não pedem licença, por Zé da Flauta

16/01/2026

Houve um tempo em que imprimir era um ato de coragem no Recife. No século XIX, antes da tal liberdade de imprensa virar artigo bonito em lei, a palavra precisava se esconder para sobreviver. As tipografias clandestinas funcionavam em porões abafados, fundos de armazém, casas emprestadas por amigos que fingiam não saber de nada. O barulho da prensa era disfarçado como se fosse móvel sendo arrastado ou ferramenta de trabalho comum. Não se imprimia só papel, imprimia-se risco. Cada página que saía era uma pequena rebelião dobrada em quatro.

Crime

Os panfletos não tinham assinatura. Não por modéstia, mas por sobrevivência. Circulavam de mão em mão, lidos em voz baixa, comentados em cochicho, guardados dentro da roupa como quem carrega algo proibido. Eram textos curtos, diretos, inflamáveis. Ideias perigosas demais para circular à luz do dia: críticas ao poder, denúncias de abusos, sonhos de liberdade. A palavra, ali, não era opinião, era prova de crime....

Houve um tempo em que imprimir era um ato de coragem no Recife. No século XIX, antes da tal liberdade de imprensa virar artigo bonito em lei, a palavra precisava se esconder para sobreviver. As tipografias clandestinas funcionavam em porões abafados, fundos de armazém, casas emprestadas por amigos que fingiam não saber de nada. O barulho da prensa era disfarçado como se fosse móvel sendo arrastado ou ferramenta de trabalho comum. Não se imprimia só papel, imprimia-se risco. Cada página que saía era uma pequena rebelião dobrada em quatro.

Crime

Os panfletos não tinham assinatura. Não por modéstia, mas por sobrevivência. Circulavam de mão em mão, lidos em voz baixa, comentados em cochicho, guardados dentro da roupa como quem carrega algo proibido. Eram textos curtos, diretos, inflamáveis. Ideias perigosas demais para circular à luz do dia: críticas ao poder, denúncias de abusos, sonhos de liberdade. A palavra, ali, não era opinião, era prova de crime. Pensar diferente dava cadeia. Escrever, então, era quase uma sentença antecipada.

Wi-Fi da rebeldia

Há um humor amargo nisso tudo. Hoje se reclama de censura quando um post cai ou um comentário recebe resposta atravessada. Naquele tempo, uma frase mal impressa podia custar o exílio, a prisão, o desaparecimento social. E mesmo assim escreviam. Porque havia algo mais forte que o medo: a convicção de que ideias não aceitam silêncio imposto. A tipografia clandestina era o Wi-Fi da rebeldia, lenta, suja de tinta, perigosa, mas insistente. Cada letra composta à mão era um “não” dito ao poder.

Caminhos

Essas máquinas escondidas nos ensinam muito. A palavra só vira crime quando ameaça estruturas frágeis. Regimes seguros de si não temem papel e tinta. O Recife daquele tempo entendeu cedo que liberdade não nasce pronta, ela é impressa, rasgada, reimpressa, passada adiante. Hoje, quando a palavra volta a incomodar, quando ideias são novamente tratadas como perigo, vale lembrar: já houve um tempo em que pensar era clandestino. E ainda assim, alguém ligou a prensa. Porque nenhuma sociedade que tenta calar a palavra consegue impedir que ela encontre outro caminho para falar.

Até a próxima!
Zé da Flauta é cronista e compositor

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Ética médica em tempos de trincheira, por Jorge Henrique de Freitas Pinho*

16/01/2026

Quando a polarização tenta colonizar o cuidado

A civilização começa quando o cuidado resiste à vingança.

1. Introdução — quando o cuidado deixa de ser silencioso

A ética médica sempre pertenceu a uma zona anterior à disputa. Antes do Estado, da ideologia e da linguagem política, o cuidado surgiu como resposta imediata ao sofrimento humano. O corpo ferido e a dor concreta impunham um silêncio ético que suspendia julgamentos, identidades e culpas. Cuidar não era concordar. Era reconhecer um limite civilizacional.

Esse silêncio, porém, vem sendo rompido.

A polarização esquerda-direita deixou de ser apenas um conflito de ideias para se tornar uma gramática moral totalizante. Ela já não organiza apenas o debate público ou a leitura da história, mas pretende colonizar campos que lhe eram estranhos, exigindo que tudo escolha lado, inclusive a ética. Nesse ambiente, a medicina começa a ser pressionada a justificar não a...

Quando a polarização tenta colonizar o cuidado

A civilização começa quando o cuidado resiste à vingança.

1. Introdução — quando o cuidado deixa de ser silencioso

A ética médica sempre pertenceu a uma zona anterior à disputa. Antes do Estado, da ideologia e da linguagem política, o cuidado surgiu como resposta imediata ao sofrimento humano. O corpo ferido e a dor concreta impunham um silêncio ético que suspendia julgamentos, identidades e culpas. Cuidar não era concordar. Era reconhecer um limite civilizacional.

Esse silêncio, porém, vem sendo rompido.

A polarização esquerda-direita deixou de ser apenas um conflito de ideias para se tornar uma gramática moral totalizante. Ela já não organiza apenas o debate público ou a leitura da história, mas pretende colonizar campos que lhe eram estranhos, exigindo que tudo escolha lado, inclusive a ética. Nesse ambiente, a medicina começa a ser pressionada a justificar não apenas como cuida, mas por que cuida, e a quem concede dignidade.

Quando isso ocorre, a ética deixa de ser fundamento e passa a ser instrumento.
A medicina, que deveria operar como espaço de suspensão da disputa, passa a ser observada por tribunais simbólicos que perguntam menos pela condição clínica do paciente e mais por sua identidade política, seu histórico público ou sua utilidade narrativa. O cuidado torna-se ruidoso, vigiado e moralmente administrado.

Esse deslocamento não é trivial. Ele sinaliza uma inflexão profunda: quando a ética médica precisa perguntar quem é o paciente antes de decidir como tratá-lo, algo essencial já foi perdido. Substitui-se a pergunta sobre o sofrimento pela pergunta sobre a filiação. E toda vez que isso acontece, a civilização se afasta um passo da ética e se aproxima, ainda que bem-intencionada, da barbárie.

2. A ética antes da política: o nascimento civilizacional do cuidado

A ética médica não nasce da política. Ela a antecede. Surge no ponto exato em que a vida humana se apresenta frágil demais para ser tratada como meio, argumento ou exemplo. Antes que existissem Estados, partidos ou programas ideológicos, já havia o gesto elementar de cuidar, não como ato de concordância moral, mas como reconhecimento de um limite que nenhuma causa pode atravessar sem se desfigurar.

Esse dado é frequentemente esquecido porque a política moderna se habituou a falar em nome de tudo. Mas há esferas que não lhe pertencem. O corpo doente é uma delas. Nele, a abstração cede lugar à urgência, e a biografia moral perde centralidade diante da evidência do sofrimento. A ética médica nasce exatamente dessa suspensão provisória do juízo, desse intervalo em que a pergunta não é quem o outro foi, mas o que a condição humana exige naquele instante.

Por isso, a tentativa de submeter o cuidado a critérios ideológicos representa uma inversão grave. Quando a política passa a determinar os contornos da compaixão, a ética deixa de ser princípio e se converte em extensão do poder. O cuidado deixa de ser resposta ao sofrimento e passa a funcionar como validação simbólica de pertencimento.
Não se trata de negar a existência do conflito político nem de idealizar a neutralidade. Trata-se de reconhecer que há um patamar anterior ao conflito, sem o qual nenhuma sociedade se sustenta. A ética médica ocupa esse patamar. Ela não absolve, não condena, não legitima nem combate. Ela cuida.

Quando essa ordem se inverte, quando a política reivindica precedência sobre a ética, o que se perde não é apenas a integridade da medicina, mas o próprio sentido de civilização. Pois toda civilização começa quando aceita que há limites que nem mesmo as causas mais justas estão autorizadas a ultrapassar.

3. Polarização e colonização moral: quando tudo vira identidade

A polarização contemporânea já não opera apenas como divergência política. Ela se tornou uma lógica de ocupação total do mundo. Tudo passa a ser interpretado como sinal de pertencimento ou traição, e nenhuma esfera permanece imune à exigência de alinhamento. Ideias, gestos, silêncios e até princípios passam a ser lidos não pelo que são, mas pelo lado que supostamente favorecem.

Nesse ambiente, a ética deixa de funcionar como critério e passa a operar como marcador identitário.

A política, quando absolutizada, não tolera zonas neutras. Ela transforma valores em bandeiras e virtudes em instrumentos de disputa. O que antes era princípio torna-se senha; o que era limite converte-se em arma simbólica. A moral já não orienta a ação, apenas legitima o grupo. E aquilo que não se deixa capturar por essa lógica é imediatamente suspeito.

É assim que o cuidado, por natureza silencioso e anterior à disputa, passa a ser interpretado como gesto político. Tratar alguém deixa de ser um dever ético para se tornar uma declaração ideológica. A compaixão é escrutinada, vigiada e, em certos casos, denunciada como cumplicidade. Não importa mais o sofrimento concreto, mas o lugar simbólico que o sofredor ocupa no tabuleiro moral do momento.

Esse processo é corrosivo porque dissolve a distinção entre princípios universais e estratégias de poder. Quando tudo vira identidade, nada mais é verdadeiramente ético. Há apenas escolhas tribais disfarçadas de virtude. A humanidade deixa de ser um dado comum e passa a ser um atributo concedido ou retirado conforme a narrativa dominante.

A colonização moral operada pela polarização não empobrece apenas o debate público. Ela rebaixa a própria ideia de ética, transformando-a em extensão da trincheira. E toda vez que isso ocorre, o humano deixa de ser o ponto de partida e passa a ser apenas mais um recurso disponível na disputa pelo sentido.

4. Quando o chicote muda de mão: o poder moral e a tentação da impiedade

A história ensina que a crueldade não pertence a uma ideologia específica, mas a uma disposição humana que emerge sempre que o poder se acredita moralmente absolvido. Ainda assim, há um traço recorrente nos movimentos que se apresentam como portadores do bem: quando deixam a condição de crítica e assumem posições de autoridade, tendem a ser mais severos, pois já não se veem apenas como governantes, mas como agentes de correção do mundo.

É nesse ponto que a polarização contemporânea revela sua face mais perigosa.

Parte significativa da esquerda atual não opera apenas como força política, mas como instância moral superior. Não se limita a disputar projetos ou ideias; pretende definir quem é digno de voz, de cuidado e, em certos casos, de humanidade. Quando esse campo passa a influenciar instituições, discursos e mecanismos de legitimação simbólica, a punição deixa de ser apenas jurídica ou política e assume caráter pedagógico: não se corrige a conduta, expurga-se o sujeito; não se julga o ato, neutraliza-se o símbolo.

Esse processo se agrava porque a impiedade se apresenta sob linguagem virtuosa. A perseguição é chamada de zelo democrático. A exclusão, de defesa da humanidade. A negação de direitos, de proteção do bem comum. O indivíduo concreto desaparece, substituído pela figura abstrata do inimigo moral que precisa ser contido para que a narrativa permaneça intacta.

Quando essa lógica invade a ética médica, o risco se multiplica. O cuidado passa a ser condicionado não apenas por critérios técnicos, mas por juízos morais totalizantes. O paciente deixa de ser alguém que sofre e passa a representar aquilo que deve ser combatido. O sofrimento perde seu poder de suspender o ódio. E a medicina, que deveria ser último reduto do humano, converte-se em extensão da disputa.

Reconhecer

Não se trata de absolver abusos cometidos por outros campos ideológicos nem de recorrer a simetrias fáceis. Trata-se de reconhecer um dado recorrente da experiência histórica: o poder que se acredita moralmente puro tende a ser mais impiedoso, porque não admite limites. Quando o chicote muda de mão acompanhado da convicção de superioridade ética, a violência já não se reconhece como tal. Ela se chama justiça.

E toda vez que isso ocorre, a ética deixa de proteger o humano para servir à causa. A barbárie, então, não se anuncia com brutalidade explícita, mas com intenções nobres, linguagem elevada e a certeza tranquila de que tudo o que se faz, por mais duro que seja, é feito em nome do bem.

5. A falácia da ética condicionada: quando a dignidade se torna prêmio

Há um ponto em que a ética deixa de ser ética sem que isso seja imediatamente percebido. Ocorre quando ela passa a depender de condições externas ao próprio princípio que afirma defender. Quando a dignidade humana já não é reconhecida como dado ontológico, mas concedida como recompensa simbólica, a ética se transforma em instrumento de gestão moral.

Essa é a falácia da ética condicionada.

Segundo essa lógica, não basta ser humano para merecer cuidado. É preciso antes preencher requisitos implícitos: aderir à narrativa correta, ocupar o lugar certo no mapa moral do tempo, não representar aquilo que a causa definiu como intolerável. O sofrimento deixa de ser critério suficiente. A dor passa a ser filtrada por juízos prévios. E a compaixão, antes de se manifestar, pede autorização à ideologia.

O problema dessa operação não está apenas em sua injustiça, mas em sua incoerência profunda. Uma ética que seleciona destinatários já não é ética; é estratégia. Direitos que dependem de alinhamento deixam de ser direitos e se convertem em favores revogáveis. O humano, então, perde sua centralidade e passa a valer apenas enquanto confirma a narrativa dominante.

Essa falácia costuma se apresentar sob linguagem elevada. Fala-se em responsabilidade histórica, em proteção da democracia, em defesa de valores maiores. Mas o mecanismo é sempre o mesmo: substituir o princípio pelo critério, o universal pelo circunstancial, a dignidade pelo merecimento. A ética deixa de limitar o poder e passa a justificá-lo.

Quando esse raciocínio alcança a ética médica, suas consequências são particularmente graves. O cuidado, que deveria ser resposta imediata ao sofrimento, passa a ser avaliado à luz de considerações morais externas à prática médica. O paciente já não é visto apenas como alguém que necessita de atenção, mas como alguém que precisa ser julgado antes de ser tratado. O silêncio ético que protegia o cuidado é rompido por uma triagem simbólica.

A dignidade humana, porém, não admite adjetivos nem condicionantes sem se autodestruir. Ou ela vale para todos, inclusive para aqueles que nos repugnam, ou não vale como princípio. Toda vez que se aceita relativizá-la em nome de uma causa, abre-se a porta para que outras causas façam o mesmo. E, nesse ponto, a ética já não protege o humano; apenas organiza a exclusão com aparência de virtude.

6. Entre o tribunal da opinião e o silêncio do cuidado: o último reduto do humano

O médico contemporâneo passou a atuar sob dupla pressão. De um lado, a exigência técnica, que permanece inegociável. De outro, um tribunal difuso, informal e implacável, formado pela opinião pública militante, pelas redes sociais e por narrativas morais que julgam não apenas o resultado do cuidado, mas a intenção atribuída a quem cuida. Nesse ambiente, tratar deixa de ser um gesto profissional e passa a ser interpretado como tomada de posição.

Essa mudança é profunda e perigosa.

A medicina sempre operou em um espaço de contenção simbólica. Ali, o juízo moral era suspenso em favor da urgência humana. O sofrimento funcionava como limite intransponível. Hoje, porém, esse limite vem sendo corroído. O cuidado é observado, vigiado e reinterpretado à luz de disputas que lhe são externas. Pergunta-se menos se o tratamento é adequado e mais se ele é moralmente aceitável dentro da narrativa dominante.

Quando isso acontece, o médico deixa de ser guardião do cuidado e passa a ser réu potencial. A ética, em vez de protegê-lo, é instrumentalizada para constrangê-lo. O silêncio necessário à prática médica cede lugar ao ruído do julgamento permanente. E o corpo do paciente, que deveria ser centro, transforma-se em campo simbólico de disputa.

É nesse ponto que a ética sem adjetivos se revela como último reduto do humano. Não uma ética neutra, mas uma ética consciente de seus limites. Não uma ética indiferente, mas uma ética que se recusa a servir como arma. O cuidado não absolve, não legitima, não endossa. Ele apenas cuida. E exatamente por isso sustenta a civilização.

Quando a medicina aceita ser colonizada pelo tribunal da opinião, ela abdica de sua função mais alta. Quando resiste, preserva algo que vai além da técnica: preserva a ideia de que há esferas da vida humana que não podem ser submetidas à lógica da vingança moral sem que tudo o mais se perca.

Essa tensão não é apenas médica. Ela é civilizacional. Pois a maneira como uma sociedade trata aqueles que considera indignos revela não sua força, mas seus limites. E é a partir desse ponto que se impõe a pergunta final: o que ainda estamos dispostos a preservar quando tudo exige alinhamento, julgamento e punição?

7. Conclusão — onde a ética ainda resiste

A ética médica permanece como um dos últimos espaços onde a civilização pode se reconhecer sem máscaras. Não porque seja perfeita, mas porque impõe limites. Ela lembra que há sofrimentos que não admitem juízo, dores que não pedem autorização ideológica e cuidados que não podem ser negociados em nome de causas, por mais nobres que se apresentem.

Quando a polarização tenta colonizar o cuidado, o que está em jogo não é apenas a prática médica, mas a própria ideia de humanidade compartilhada. Uma sociedade que pergunta quem o paciente é antes de decidir como tratá-lo já iniciou um processo silencioso de desumanização. Pode chamá-lo de zelo democrático, responsabilidade histórica ou justiça simbólica. O efeito, porém, é sempre o mesmo: a dignidade deixa de ser princípio e passa a ser exceção.

A ética, quando verdadeira, não escolhe lados. Escolhe limites. Não absolve nem condena. Suspende. Protege. Resiste. É precisamente essa resistência que a torna incômoda em tempos de trincheira, pois ela lembra que nem tudo pode ser reduzido a narrativa, identidade ou punição exemplar.

Defender uma ética médica sem adjetivos não é neutralidade covarde. É compromisso civilizacional. É afirmar que, mesmo quando o mundo exige alinhamento, ainda há espaços onde o humano deve permanecer anterior à política. Se esses espaços forem perdidos, não será a medicina a adoecer primeiro. Será a própria sociedade, que já não saberá distinguir justiça de vingança, nem cuidado de poder.

7. Pós-escrito — quando a narrativa substitui a humanidade

O ensaio que antecede trata de princípios. O Pós-escrito trata de fatos e de personagens.

Este Pós-escrito opta deliberadamente por nomear personagens públicos. Não por personalismo, nem por ajuste de contas, mas por uma razão histórica elementar: a ética se manifesta em fatos concretos, praticados por agentes reais, em contextos determinados. Textos que recusam os nomes em nome de uma abstração excessiva condenam o leitor futuro à arqueologia interpretativa e enfraquecem o próprio juízo moral que pretendem sustentar.

A história não se escreve apenas com estruturas. Escreve-se com homens.
Durante a pandemia, um recorte específico de um discurso do então presidente Jair Bolsonaro, retirado de seu contexto e repetido exaustivamente, foi convertido em prova moral definitiva de desumanidade. Esse fragmento passou a operar não como documento histórico, mas como sentença simbólica. A partir dele, construiu-se uma narrativa impermeável a fatos posteriores, revisões, nuances ou correções.

Pouco importou que vacinas tenham sido posteriormente disponibilizadas à população, que políticas públicas tenham sido implementadas ou que hoje esteja comprovado que parte da grande imprensa inflou, manipulou ou tratou números de mortos como instrumento político, como se a totalidade das consequências pudesse ser imputada pessoalmente ao governo. A narrativa já havia cumprido sua função central: desumanizar o personagem. E, uma vez desumanizado, tudo se torna permitido.
Esse método revela seus efeitos no presente.

Hoje, Jair Bolsonaro encontra-se preso, idoso e com histórico médico amplamente conhecido. A postergação de seu direito a tratamento médico adequado vem sendo tratada por parte significativa da opinião pública com indiferença, ironia ou aprovação explícita. Tal postura encontra respaldo institucional em decisões e condutas associadas ao ministro Alexandre de Moraes, que não esconde a lógica exemplar de sua atuação penal: não apenas punir, mas demonstrar poder, produzir temor e oferecer o corpo do réu como advertência simbólica.

Esse comportamento deveria causar indignação universal. Mas não causa.
O contraste moral torna-se ainda mais evidente quando se observa a assimetria de reações. Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma queda recente e bateu a cabeça, não houve, salvo exceções marginais, ironia, escárnio ou desejo de morte por parte dos veículos e vozes associadas à direita. Houve silêncio respeitoso e reconhecimento da fragilidade humana. O corpo ferido voltou a ser limite.
O mesmo não ocorreu em sentido inverso.

Quando Jair Bolsonaro sofreu uma tentativa de assassinato em 2018, publicamente documentada, o próprio Lula afirmou tratar-se de fingimento. A violência física foi dissolvida em cinismo narrativo. A dor foi deslegitimada. O corpo deixou de ser limite e passou a ser instrumento retórico. O mesmo padrão reaparece quando quedas, enfermidades ou fragilidades do adversário são tratadas com sarcasmo por jornalistas, comentaristas e formadores de opinião alinhados ao campo moral dominante.

Aqui não se trata de santificar Bolsonaro nem de demonizar Lula. Trata-se de registrar uma diferença objetiva de postura diante do sofrimento físico do adversário político. Esse é um critério ético simples e implacável. Quem preserva o silêncio respeitoso diante da vulnerabilidade humana mantém fidelidade ao princípio. Quem responde com ironia revela que a ética já foi substituída pela narrativa.

O ponto central, contudo, não é nenhum desses nomes isoladamente. É o precedente histórico que eles ajudam a revelar.

Quando a humanidade deixa de ser princípio e passa a depender da posição política do indivíduo, ninguém está protegido. Hoje o método recai sobre Jair Bolsonaro. Amanhã, poderá recair sobre qualquer outro cidadão que ocupe o lugar errado no momento errado, diante de uma composição específica do Supremo Tribunal Federal que confunde justiça com pedagogia do medo.

A história

A história mostra que a desumanização não começa com a violência explícita. Ela começa com a suspensão seletiva da empatia, com a crença confortável de que “desta vez é diferente”, com a ideia de que o sofrimento do outro é exceção justificável.

Quando uma sociedade aceita que alguém seja tratado de forma desumana porque “merece”, ela já abriu mão do critério que a protegia. E quando percebe, tarde demais, descobre que a ética que deixou de defender não era um favor ao adversário político, mas a última garantia de si mesma.

(*) O autor é advogado, Procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas.

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


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Folha corrida do dono da TV Norte Paraíba não lhe dá condições morais de criticar

16/01/2026

O empresário e líder do Grupo Norte de Comunicação, Sérgio Roberto Melo Bringel,
Dono da TV Norte Paraíba tem histórico de corrupção e já foi preso pela PF
O empresário e líder do Grupo Norte de Comunicação, Sérgio Roberto Melo Bringel, chegou a ser preso em uma das fases da Operação 'Maus Caminhos' por desvio de verbas da saúde pública do Amazonas,. Alem disso, é alvo de diversas denúncias relacionadas a corrupção, lavagem de dinheiro e manipulação midiática.

Acusou

Em dezembro de 2024, o grupo oficializou a compra de quatro emissoras na Paraíba: a TV Manaíra e a TV Borborema, além da Rádio Borborema e da Rádio FM O Norte, expandindo sua atuação para o Nordeste. A transação, realizada com a família Pinheiro Koren de Lima, proprietária da Hapvida, foi divulgada pelo jornal O Globo em janeiro de 2025.

Denúncias

Em 2021, o portal de notícias Laranjeiras News, do Amazonas, acusou o empresário do setor...

O empresário e líder do Grupo Norte de Comunicação, Sérgio Roberto Melo Bringel,
Dono da TV Norte Paraíba tem histórico de corrupção e já foi preso pela PF
O empresário e líder do Grupo Norte de Comunicação, Sérgio Roberto Melo Bringel, chegou a ser preso em uma das fases da Operação 'Maus Caminhos' por desvio de verbas da saúde pública do Amazonas,. Alem disso, é alvo de diversas denúncias relacionadas a corrupção, lavagem de dinheiro e manipulação midiática.

Acusou

Em dezembro de 2024, o grupo oficializou a compra de quatro emissoras na Paraíba: a TV Manaíra e a TV Borborema, além da Rádio Borborema e da Rádio FM O Norte, expandindo sua atuação para o Nordeste. A transação, realizada com a família Pinheiro Koren de Lima, proprietária da Hapvida, foi divulgada pelo jornal O Globo em janeiro de 2025.

Denúncias

Em 2021, o portal de notícias Laranjeiras News, do Amazonas, acusou o empresário do setor de saúde e proprietário de afiliadas do SBT em diversas cidades do país, de usar a Norte TV, antiga TV Em Tempo, afiliada do SBT em Manaus, para garantir proteção na mídia e “extorquir empresários e governos que afrontarem suas incursões gananciosas por dinheiro, sobretudo o público". O caso teria ocorrido na implantação de aterro sanitário que seria gerido pela empresa Norte Ambiental, que é de propriedade de Bringel.

Publicou

Em 2020, o mesmo portal publicou que o empresário estaria tentando desestabilizar o Governo do Amazonas após articular a ida do repórter Roberto Cabrini para verificar a situação da saúde no estado. O movimento teria sido feito com o objetivo de negociar com o Governo do Estado um valor maior da verba de publicidade.

Aparece

Em reportagem publicada pelo Metrópoles, em abril de 2020, Bringel aparece como o dono de uma empresa contratada pelo Governo do Distrito Federal para gerir 197 leitos do hospital de campanha erguido no Estádio Mané Garrincha, através do Hospital e Serviços de Assistência Social sem Alojamento Ltda, cujo nome fantasia é Hospital Domiciliar do Brasil.

Paladino

Agora, o empresário se arvora de paladino da moralidade e reincide na prática de jornalismo marrom, atacando políticos sérios e honestos com acusações cavilosas.

Com portal de notícias Laranjeiras News
que chegou a ser preso em uma das fases da Operação Maus Caminhos por desvio de verbas da saúde pública do Amazonas, é alvo de diversas denúncias relacionadas à corrupção, lavagem de dinheiro e manipulação midiática.

Acusou

Em dezembro de 2024, o grupo oficializou a compra de quatro emissoras na Paraíba: a TV Manaíra e a TV Borborema, além da Rádio Borborema e da Rádio FM O Norte, expandindo sua atuação para o Nordeste. A transação, realizada com a família Pinheiro Koren de Lima, proprietária da Hapvida, foi divulgada pelo jornal O Globo em janeiro de 2025.

Denúncias

Em 2021, o portal de notícias Laranjeiras News, do Amazonas, acusou o empresário do setor de saúde e proprietário de afiliadas do SBT em diversas cidades do país, de usar a Norte TV, antiga TV Em Tempo, afiliada do SBT em Manaus, para garantir proteção na mídia e “extorquir empresários e governos que afrontarem suas incursões gananciosas por dinheiro, sobretudo o público", em um caso de implantação de aterro sanitário que seria gerido pela empresa Norte Ambiental, que é de propriedade de Bringel.

Publicou

Em 2020, o mesmo portal publicou que o empresário estaria tentando desestabilizar o Governo do Amazonas após articular a ida do repórter Roberto Cabrini para verificar a situação da saúde no estado. O movimento teria sido feito com o objetivo de negociar com o Governo do Estado um valor maior da verba de publicidade.

Aparece

Em reportagem publicada pelo Metrópoles, em abril de 2020, Bringel aparece como o dono de uma empresa contratada pelo Governo do Distrito Federal para gerir 197 leitos do hospital de campanha erguido no Estádio Mané Garrincha, através do Hospital e Serviços de Assistência Social sem Alojamento Ltda, cujo nome fantasia é Hospital Domiciliar do Brasil.

Com portal de notícias Laranjeiras News

Prévias no Recife e em Olinda têm bailes da Trinca de Ás e do John Travolta, Calunguinha na Folia 

16/01/2026

O clima é de folia. Ruas coloridas. Salões enfeitados. Bonecos gigantes desfilando. E muita animação. As prévias de carnaval ganham força no início do ano como preparação para a folia de fevereiro. No Recife e em Olinda, blocos de rua, bailes e eventos carnavalescos movimentam a programação cultural do fim de semana.

Destaques

Entre os destaques da programação estão os blocos de rua em Olinda, as prévias fechadas, como o Baile Vermelho e Verde, da Troça Carnavalesca Mista Trinca de Ás; o Baile Azul e Branco, da Troça John Travolta; e o Fique na Sombra.



Sábado (17/01)
Calunguinha na Folia (prévia infantil do Homem da Meia-Noite): a partir das 14h, no pátio do Bonsucesso.
Abduzidos: concentração a partir das 15h30, em frente ao brechó Gata da Ladeira, na Ladeira da Misericórdia.
Bloco da Sopa: concentração a partir das 16h, na Rua de São João, 345, Amparo.
Meia Noite eu te Conto: concen...

O clima é de folia. Ruas coloridas. Salões enfeitados. Bonecos gigantes desfilando. E muita animação. As prévias de carnaval ganham força no início do ano como preparação para a folia de fevereiro. No Recife e em Olinda, blocos de rua, bailes e eventos carnavalescos movimentam a programação cultural do fim de semana.

Destaques

Entre os destaques da programação estão os blocos de rua em Olinda, as prévias fechadas, como o Baile Vermelho e Verde, da Troça Carnavalesca Mista Trinca de Ás; o Baile Azul e Branco, da Troça John Travolta; e o Fique na Sombra.


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Sábado (17/01)
Calunguinha na Folia (prévia infantil do Homem da Meia-Noite): a partir das 14h, no pátio do Bonsucesso.
Abduzidos: concentração a partir das 15h30, em frente ao brechó Gata da Ladeira, na Ladeira da Misericórdia.
Bloco da Sopa: concentração a partir das 16h, na Rua de São João, 345, Amparo.
Meia Noite eu te Conto: concentração a partir das 16h, na Rua de São Bento, 239, Carmo.

Domingo (18/01)
Bloco da Sopinha (prévia infantil do Bloco da Sopa): concentração a partir das 9h, na Rua de São João, 345, Amparo.
Batuques de Pernambuco: concentração a partir das 15h, na Praça do Carmo


Baile Vermelho e Verde


A prévia da Troça Carnavalesca Mista Trinca de Ás, presente no carnaval de Olinda desde 1985, vai reunir foliões em uma festa no Sítio Histórico. A celebração mantém a tradição da agremiação que desfila oficialmente no sábado de Zé Pereira.
Baile Vermelho e Verde
Sábado (17/01), a partir das 14h
Mansão da Matuta: Rua do Bonfim, 82, Carmo - Olinda


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Fique na Sombra

O Bloco Fique na Sombra retorna em 2026 mantendo a alegria e a tradição que marcam sua história. A prévia acontece no Sítio Histórico de Olinda, com apresentações da Orquestra do Maestro Oséas, Samba de Garagem e Samba de Leno Simpatia.
Fique na Sombra
Sábado (17/01), a partir das 14h
Casa Solar do Amparo: Rua de São João, 350, Largo do Amparo - Olinda

Baile Azul e Branco
O Baile Azul e Branco marca o 37º aniversário da Troça Carnavalesca Mista John Travolta. A programação traz apresentações de Simples Olhar, Dayanne, Balanço Black, DJ Zalma e a Orquestra do Maestro Oséas.
Baile Azul e Branco
Domingo (18/01), a partir das 11h
Clube Atlântico de Olinda: Avenida Sigismundo Gonçalves, 1002, Carmo - Olinda

Manhã de Sol do Bloco da Saudade


O evento Manhã de Sol, do tradicional Bloco da Saudade, no Recife, contará com a apresentação da banda de frevo elétrica Quero Ver Quem Vai e a orquestra e coral da agremiação animando o público durante o intervalo.
Manhã de Sol do Bloco da Saudade
Domingo (18/01), a partir das 12h
Associação Atlética Banco do Brasil (AABB): Avenida Doutor Malaquias, 204, Graças - Recife

O Poder

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Campeonato Paraibano começa neste final de semana com 10 clubes buscando título

16/01/2026

 
 
A bola vai rolar para a 116ª edição do Campeonato Paraibano. Após reformulação de equipes, treinamentos e jogos amistosos na pré-temporada, o Campeonato Paraibano enfim, vai começar. Principal competição esportiva da Paraíba, o Campeonato Paraibano 2026 segue o formato das últimas edições e contará com 10 clubes que buscarão o sonhado título.


 
Os clubes

Vão disputar o estadual este ano, o Atlético-PB, Botafogo-PB, Campinense, Confiança-PB, Esporte de Patos, Nacional de Patos, Pombal, Serra Branca, Sousa e Treze. Eles representam a Capital, o Agreste, Cariri e o Sertão.
 


Atual campeão

O Sousa é o atual campeão, mas os demais vão tentar evitar o tricampeonato consecutivo do Dinossauro.
 
Formato

O formato é o mesmo do ano passado, ou seja, todo mundo joga contra todo mundo em turno único. A primeira fase terá nove rodadas. Os qua...

 
 
A bola vai rolar para a 116ª edição do Campeonato Paraibano. Após reformulação de equipes, treinamentos e jogos amistosos na pré-temporada, o Campeonato Paraibano enfim, vai começar. Principal competição esportiva da Paraíba, o Campeonato Paraibano 2026 segue o formato das últimas edições e contará com 10 clubes que buscarão o sonhado título.


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Os clubes

Vão disputar o estadual este ano, o Atlético-PB, Botafogo-PB, Campinense, Confiança-PB, Esporte de Patos, Nacional de Patos, Pombal, Serra Branca, Sousa e Treze. Eles representam a Capital, o Agreste, Cariri e o Sertão.
 

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Atual campeão

O Sousa é o atual campeão, mas os demais vão tentar evitar o tricampeonato consecutivo do Dinossauro.
 
Formato

O formato é o mesmo do ano passado, ou seja, todo mundo joga contra todo mundo em turno único. A primeira fase terá nove rodadas. Os quatro melhores colocados da primeira fase disputam as semifinais em cruzamento olímpico, em partidas de ida e volta. O primeiro pega o quarto, enquanto o segundo encara o terceiro. Os melhores no mata-mata jogam a final novamente em partidas de ida e volta.


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O campeão e vice estarão garantidos na Copa do Brasil e Copa do Nordeste, enquanto o vencedor da Copa Paraíba herdará a terceira vaga para 2027.
 
O Atlético -PB
 
Um dos representantes do Sertão na competição, o Atlético de Cajazeiras está de volta a elite do futebol paraibano após a queda para a Segundona em 2024. O Trovão Azul ficou com o vice-campeonato da 2ª divisão estadual, mas garantiu o acesso. O clube sertanejo espera contar com a força da torcida para cravar a permanência na elite da Paraíba. O elenco é formado por jogadores desconhecidos, mas que prometem surpreender no Estadual.
 
Botafogo-PB

Maior vencedor da competição com 30 títulos, o Botafogo-PB chega pressionado para mais uma edição do Campeonato Paraibano. O Belo vive um jejum de seis anos sem conquistar a competição e este ano vai tentar mudar essa escrita. Nas últimas duas edições, o Alvinegro da Estrela Vermelha bateu na trave e foi vice-campeão para o Sousa.
 
SAF

Diferentemente de 2025, o clube já tem a SAF incorporada de forma completa, tanto que tem realizado melhorias na Maravilha do Contorno e conta com um investimento milionário para a temporada de 2026. Para a disputa, a projeção é de que a folha salarial da equipe seja maior do que R$ 1.1 milhão.
 
O “medalhão” Nenê

Para conquistar a hegemonia do futebol paraibano, o Botafogo contratou o experiente jogador Nenê que foi recebido com festa pela torcida. Nenê acumula passagens por clubes como Santos, Vasco, Fluminense e São Paulo. No futebol internacional, defendeu Mallorca, Alavés, Mônaco, PSG, West Ham e Al-Gharafa, do Catar.
 
Expectativa

Anunciado oficialmente no último final de semana, o atleta de 44 anos assinou contrato de um ano com o Alvinegro da Estrela Vermelha e é tratado pela cúpula botafoguense como a cereja do bolo do planejamento para a temporada de 2026.
 
Após a chegada de Nenê, o torcedor do Botafogo-PB agora está ansioso para saber quando será a estreia do novo camisa 10 do Belo. No entanto, o clube mantém cautela ao falar do assunto. De acordo com o diretor da SAF do Alvinegro da Estrela Vermelha, Marco Félix, ainda não há uma previsão para o primeiro jogo do jogador de 44 anos.
 
Nesta temporada, o Botafogo-PB terá pela frente o Campeonato Paraibano, a Copa do Nordeste, a Copa do Brasil e a Série C do Campeonato Brasileiro.
 
Campinense
 
Segundo maior campeão com 22 títulos, o Campinense chega para mais uma temporada com apenas nove jogos. E precisando chegar na final para conquistar a vaga para a Copa do Brasil e  Copa do Nordeste em 2026, bem como, garantir a vaga na Série D. Essa tem sido a tônica das últimas temporadas.
 
Reformulou o elenco

Por isso, a Raposa do Rubro-Negro reformou todo o elenco, e contratou  Evaristo Piza para comandar a equipe. O treinador tem passagens memoráveis pelo Botafogo (PB),  um dos principais rivais do clube. O técnico, inclusive, foi campeão estadual em 2019. Sob o comando do treinador, o time de Campina Grande espera voltar a conquistar vagas em competições nacionais.

Pré-temporada proveitosa

A pré-temporada do Campinense iniciou no dia 17 de novembro e, nesse período, equipe disputou seis amistosos, sendo quatro vitórias, um empate e uma derrota. 
Ao longo da preparação, o Campinense venceu os selecionados de Massaranduba e Queimadas, o Retrô e o ABC, jogando em Campina Grande e empatou com o América de Natal. A única derrota foi em outro amistoso contra o Elefante, no Frasqueirão, pelo placar de 1 a 0.
 
 
Confiança
 
O Confiança-PB está de volta à elite do Campeonato Paraibano. E o Bicho Papão chega com status de atual campeão da segundona, conquistando um título após 28 anos. No entanto, para o estadual, o clube de Sapé chega para brigar pela permanência na competição.
 
Nacional de Patos
 
Outro representante do Sertão, o Nacional de Patos vem de uma temporada frustrada no Campeonato Paraibano. Em 2025, o Naça contou com um elenco estrelado, com nomes como Kieza, Derley e Rogério, que retornou para 2026, mas que pouco foi efetivo. Reformulado, o clube vai em busca de uma vaga na 2ª fase do estadual.
 
O Pombal
 
O Pombal chega para mais uma temporada com apenas o Campeonato Paraibano em disputa. Para buscar a manutenção na competição, o Carcará contratou o técnico Marcel Santos, que manteve a equipe na elite do estadual, na 7ª colocação. Para a esta edição do estadual, o clube vai contar com a força da sua cidade no Estádio Pereirão, em Pombal.


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Serra Branca
 
Sensação do Estadual em 2025 e com calendário recheado este ano, o Serra Branca chega para o Campeonato Paraibano 2026 após uma temporada produtiva. É que o Carcará garantiu vaga na Série D do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil pela primeira vez em sua história. Agora, o clube quer alçar voos mais altos no estadual, após parar na semifinal pelas duas últimas edições consecutivas.
 
Sousa
 
O atual bicampeão paraibano não teve um segundo semestre de 2025 tão brilhante quanto o início da temporada. Contudo, o Sousa tem um calendário recheado para esta temporada, com Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Série D do Campeonato Brasileiro. Quando o assunto é o estadual, o Dino vai buscar defender o título e buscar o tri.
 
Treze
 
Com 17 títulos, o Treze chega para 2026 tentando esquecer  o ano do centenário frustrado na temporada passada. O Galo também não fez um bom campeonato, e conquistou  a vaga para a Série D do Campeonato Brasileiro apenas após a publicação do Ranking Nacional de Clubes da CBF. Fora das quatro linhas, o Alvinegro ainda passa pelo processo de recuperação judicial. Por isso, buscando ter um ano de mais alegrias do que frustrações, o clube contratou o técnico Roberto Fernandes, que é bastante consolidado no cenário nordestino.
 
Jogos de abertura
 
O jogo de abertura será entre Sousa e Confiança, às 17h, no Estádio Marizão. Além de marcar o início do campeonato, o confronto também será válido pela Recopa Paraibana 2026, reunindo o campeão estadual de 2025 e o vencedor da Segunda Divisão do mesmo ano.
Mais jogos

Ainda na primeira rodada, o Campinense enfrenta o Atlético de Cajazeiras às 17h no Amigão. A rodada será encerrada no domingo (18), com Nacional x Pombal, em Patos, e Serra Branca x Treze, em Campina Grande, enquanto o Botafogo-PB joga contra o Esporte no Frasqueirão.
O Campeonato Paraibano vai se estender até o mês de março.
 
Severino Lopes
O Poder

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