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Justiça manda PF investigar a fundo de onde surgiu a foto de panfleto contra Raquel

04/09/2026

Também determina a preservação de dados do site Bastidor.PE.
A decisão acolhe integralmente pedido da Frente Popular, manda portal entregar arquivo original em 48 horas e determina apuração para saber quem produziu e enviou a imagem e se o cartaz realmente existiu ou foi resultado de montagem ou fabricação digital. Agora, vai.

A Justiça Eleitoral

Não foi outra, foi ela quem
determinou que a Polícia Federal aprofunde a investigação sobre a origem da fotografia de um panfleto com ataques à governadora Raquel Teixeira Lyra, publicada inicialmente pelo portal Bastidor.PE. Em decisão proferida hoje sexta-feira (04/09), a juíza eleitoral Anamaria de Farias Borba Lima Silva acolheu integralmente parecer favorável do Ministério Público Eleitoral e deferiu os pedidos apresentados pela Coligação Frente Popular de Pernambuco.

A decisão

Abre uma frente de investigação para esclarecer não apenas quem produziu...

Também determina a preservação de dados do site Bastidor.PE.
A decisão acolhe integralmente pedido da Frente Popular, manda portal entregar arquivo original em 48 horas e determina apuração para saber quem produziu e enviou a imagem e se o cartaz realmente existiu ou foi resultado de montagem ou fabricação digital. Agora, vai.

A Justiça Eleitoral

Não foi outra, foi ela quem
determinou que a Polícia Federal aprofunde a investigação sobre a origem da fotografia de um panfleto com ataques à governadora Raquel Teixeira Lyra, publicada inicialmente pelo portal Bastidor.PE. Em decisão proferida hoje sexta-feira (04/09), a juíza eleitoral Anamaria de Farias Borba Lima Silva acolheu integralmente parecer favorável do Ministério Público Eleitoral e deferiu os pedidos apresentados pela Coligação Frente Popular de Pernambuco.

A decisão

Abre uma frente de investigação para esclarecer não apenas quem produziu e divulgou a fotografia, mas uma questão central para o episódio: se o cartaz chegou efetivamente a existir e ser afixado em espaço público ou se a imagem publicada nas redes foi resultado de edição, montagem, manipulação ou fabricação digital. A PF deverá identificar o autor da fotografia, quando e onde ela foi produzida, quem encaminhou o arquivo ao Bastidor.PE e quais intervenções foram feitas antes da publicação. Também foi determinado exame pericial do arquivo original.

A Frente Popular

Levou à Justiça a informação de que, aparentemente, existiria uma única fotografia originária do material, publicada inicialmente pelo perfil @bastidor.pe no Instagram. A petição também apontou vínculos profissionais entre integrantes do portal e a equipe de comunicação da governadora, destacando a atuação de Léo Malafaia como videomaker da campanha de Raquel Lyra.

Outro ponto considerado pela Justiça

Foram as alterações que, segundo a petição, ocorreram no site Bastidor.PE depois que essas relações vieram a público. De acordo com a decisão, foram relatadas a retirada do nome de Léo Malafaia da relação de autores e a exclusão de matérias anteriormente atribuídas a ele. Para a magistrada, as modificações descritas caracterizam “risco concreto de perecimento ou alteração de elementos probatórios armazenados em ambiente digital”.

Bastidor.PE terá 48 horas para entregar arquivo original

A ordem judicial determina que o Bastidor.PE e seus administradores entreguem à Polícia Federal, em até 48 horas, o arquivo digital original da fotografia publicada em 30 de agosto, em formato nativo e sem conversão, compressão ou qualquer alteração adicional. O portal também terá de fornecer metadados, dados EXIF eventualmente existentes, data e horário de criação, equipamento utilizado, coordenadas geográficas, histórico de modificações e software empregado.

A Justiça

Também quer saber quem produziu, enviou, recebeu, selecionou, editou e publicou a imagem, além do meio pelo qual o arquivo chegou ao portal, incluindo conta, e-mail, telefone, perfil ou usuário remetente. A determinação alcança ainda arquivos intermediários ou derivados utilizados durante a edição e publicação.

Preservar para não sumir

Além da entrega do material, o portal, seus administradores e o provedor de hospedagem deverão preservar registros de acesso, endereços IP, históricos de edição, versões anteriores de páginas alteradas ou excluídas, backups e dados dos usuários responsáveis por inserções, edições ou exclusões. A ordem menciona especificamente os registros relacionados à inclusão ou retirada do nome de Léo Malafaia da lista de autores e conteúdos modificados ou excluídos a partir de 2 de setembro.

Justiça também determina preservação de dados do Instagram

A decisão alcança ainda a Meta, responsável pelo Instagram. A empresa deverá preservar o arquivo original enviado ao perfil @bastidor.pe, data e horário do carregamento, endereços IP, sessões relacionadas à publicação, histórico de edições e exclusões, identificação técnica da conta responsável e outros registros relacionados à postagem.

A juíza

Ressaltou que as medidas têm caráter de preservação e não autorizam, neste momento, acesso indiscriminado a comunicações privadas. Caso a Polícia Federal considere necessária a apreensão e perícia de celulares ou computadores utilizados na produção, recepção, edição ou publicação da fotografia, deverá apresentar novo pedido à Justiça, individualizando pessoas, endereços, equipamentos e dados pretendidos.

Ao fundamentar a decisão,

A magistrada afirmou que a documentação apresentada contém “elementos concretos que justificam a pronta intervenção judicial para preservação das fontes de prova”. Para a Justiça, o fato de o Bastidor.PE ter sido apontado como primeiro veículo a divulgar a fotografia torna necessária a obtenção do arquivo original e a reconstrução da cadeia de recebimento, edição e publicação.

As determinações

Deverão ser cumpridas com urgência. Depois das diligências iniciais, a Polícia Federal terá de encaminhar relatório ao Juízo informando as providências adotadas e se há necessidade de novas medidas investigativas.

Nossa posição

Apoio ao esclarecimento cabal desse nebuloso e envergonhante episódio. Doa a quem doer.






É Findi - Série História de Pernambuco - Quando a tensão virou insurreição - Por Alfredo Cabral de Melo*

04/09/2026

A saída de Maurício de Nassau, em maio de 1644, não resolveu os problemas que vinham se acumulando no Brasil Holandês. A Companhia das Índias Ocidentais precisava recuperar os recursos investidos na conquista, os senhores de engenho continuavam enfrentando dificuldades financeiras e a relação entre os moradores e o governo neerlandês tornava-se cada vez mais difícil. O que havia sido administrado com certa capacidade de negociação durante o governo de Nassau entrou em uma fase de maior tensão depois de sua partida.

Foi nesse ambiente que a ideia de uma insurreição começou a ganhar forma. Não é possível precisar quando ela começou a ser articulada, tampouco identificar com segurança quem teria sido seu primeiro articulador. A historiografia registra diferentes versões sobre a origem do movimento e, como observa José Antônio Gonsalves de Mello, não há fundamento documental suficiente para atribuir sua concepção inicial a uma única pessoa. João Fernandes Vieira e André Vida...

A saída de Maurício de Nassau, em maio de 1644, não resolveu os problemas que vinham se acumulando no Brasil Holandês. A Companhia das Índias Ocidentais precisava recuperar os recursos investidos na conquista, os senhores de engenho continuavam enfrentando dificuldades financeiras e a relação entre os moradores e o governo neerlandês tornava-se cada vez mais difícil. O que havia sido administrado com certa capacidade de negociação durante o governo de Nassau entrou em uma fase de maior tensão depois de sua partida.

Foi nesse ambiente que a ideia de uma insurreição começou a ganhar forma. Não é possível precisar quando ela começou a ser articulada, tampouco identificar com segurança quem teria sido seu primeiro articulador. A historiografia registra diferentes versões sobre a origem do movimento e, como observa José Antônio Gonsalves de Mello, não há fundamento documental suficiente para atribuir sua concepção inicial a uma única pessoa. João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros, entretanto, aparecem entre os principais personagens da articulação que levaria à guerra.

Também não se pode compreender esse processo olhando apenas para Pernambuco. A Bahia desempenhou papel importante nos acontecimentos que antecederam o levante, embora sua participação tenha ocorrido de maneira discreta. Antônio Teles da Silva, governador-geral do Estado do Brasil, manteve contatos com os envolvidos e permitiu o deslocamento de forças que estavam na região do rio Real em direção a Pernambuco. Henrique Dias, que comandava um terço de homens negros, e Filipe Camarão, à frente de forças indígenas, chegaram à região pernambucana nesse contexto. Documento citado na historiografia registra que Henrique Dias marchou do rio Real com seu terço por ordem de Teles da Silva e já se encontrava em Pernambuco em 1º de junho de 1645.

A participação baiana, contudo, precisa ser compreendida dentro da delicada situação política daquele momento. Portugal havia restaurado sua independência em 1640, mas ainda mantinha relações diplomáticas com as Províncias Unidas. Uma intervenção aberta contra os neerlandeses poderia comprometer essas negociações. Por isso, o apoio à insurreição ocorreu de forma velada. A correspondência da época revela que o governo da Bahia procurava apresentar determinados movimentos de tropas como medidas destinadas a conter os revoltosos, enquanto, na prática, homens e recursos eram direcionados para reforçar a resistência em Pernambuco.

A própria documentação permite perceber a dimensão dessa articulação. Em 1645, uma força comandada por Jerônimo Serrão de Paiva partiu da Bahia levando tropas de André Vidal de Negreiros e Martim Soares Moreno. O deslocamento fazia parte de uma operação que pretendia reforçar as forças da restauração e, ao mesmo tempo, preservar a aparência de que Portugal não estava intervindo diretamente na guerra. A manobra acabou provocando forte reação neerlandesa e criou dificuldades diplomáticas para a Coroa portuguesa.

Enquanto essas articulações aconteciam, em Pernambuco o movimento ganhava forma própria. João Fernandes Vieira, que já possuía posição econômica e social de destaque na capitania, assumiu papel de liderança ao lado de André Vidal de Negreiros. Não se tratava, portanto, de uma revolta surgida de maneira repentina. Havia descontentamentos acumulados, contatos entre diferentes grupos e preparação militar, enquanto as autoridades neerlandesas recebiam informações sobre a possibilidade de uma rebelião.

Em maio de 1645, na Várzea do Capibaribe, ocorreu um dos primeiros atos formais conhecidos da insurreição. João Fernandes Vieira e Antônio Cavalcanti participaram da organização das forças e da distribuição de postos militares. O documento produzido naquela ocasião utilizava uma linguagem que combinava referências religiosas e políticas e registrava a disposição de enfrentar o domínio neerlandês. Pouco depois, em junho, o movimento passou à luta aberta.

A partir daí, a situação mudou completamente. O que vinha sendo preparado por meio de contatos, deslocamentos e articulações passou a exigir homens, armas, alimentos e organização militar. A reação neerlandesa também se intensificou, e o conflito que começara como uma revolta localizada rapidamente ganhou dimensão mais ampla.

É importante, porém, não antecipar para 1645 uma interpretação que só seria construída posteriormente. A ideia de que diferentes grupos da população teriam se unido desde o início em torno de um sentimento nacional, tal como essa história seria contada em épocas posteriores, simplifica uma realidade muito mais complexa. Havia portugueses, moradores da terra, senhores de engenho, soldados, indígenas, negros escravizados e libertos, mas suas razões para participar do conflito não eram necessariamente as mesmas.

É justamente essa diversidade que ajuda a compreender a guerra que começava. Alguns chegaram ao conflito por suas relações com os senhores de engenho; outros, por vínculos militares ou políticos; havia ainda aqueles que buscavam recuperar posições perdidas ou escapar de situações de dependência. Entre indígenas e negros, as escolhas também não foram uniformes, e algumas delas envolveram interesses próprios, experiências anteriores de violência, alianças e expectativas de liberdade.

A insurreição, portanto, havia deixado de ser apenas uma questão entre a Companhia das Índias Ocidentais e os grandes proprietários de Pernambuco. A guerra começava a envolver homens de diferentes origens e condições, cada qual carregando suas próprias razões para escolher um lado.

E é justamente aí que surge uma pergunta que a história tradicional nem sempre enfrentou: o que levou indígenas, negros, escravizados e libertos a participar dessa guerra, e por que alguns deles lutaram pelos portugueses enquanto outros permaneceram ao lado dos neerlandeses?


*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo


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É Findi - Série Prédios Ícones de Pernambuco - Igreja de Santa Isabel, Rainha de Portugal - Por Prof. José Ricardo de Souza*

04/09/2026

Quem entra na Igreja de Santa Isabel, na avenida Floriano Peixoto, no centro da cidade do Paulista (região metropolitana do Recife), é envolto numa esfera com muitas camadas, que vão além da religiosidade católica. A edificação eclética que mistura estilos romano, neoclássico e neogótico, construída com a técnica dos tijolos aparentes, que aliás caracteriza também o conjunto conhecido como casario da família Lundgren, que fica bem próximo à Igreja de Santa Isabel, é um convite ao passado do período fabril da cidade, quando a Companhia de Tecidos Paulista (C.T.P.) empregava centenas de pessoas num dos complexos têxteis mais bem sucedidos da história econômica de Pernambuco no século passado.

Doação do terreno

Onde hoje se encontra o templo deveria ser construído o sindicato dos tecelões que trabalhavam nas fábricas da C.P.T., mas o Coronel Frederico Lundgren interveio junto ao Arcebispo Dom Miguel de Lima Valverde, que por sua vez, fez o pedido de do...

Quem entra na Igreja de Santa Isabel, na avenida Floriano Peixoto, no centro da cidade do Paulista (região metropolitana do Recife), é envolto numa esfera com muitas camadas, que vão além da religiosidade católica. A edificação eclética que mistura estilos romano, neoclássico e neogótico, construída com a técnica dos tijolos aparentes, que aliás caracteriza também o conjunto conhecido como casario da família Lundgren, que fica bem próximo à Igreja de Santa Isabel, é um convite ao passado do período fabril da cidade, quando a Companhia de Tecidos Paulista (C.T.P.) empregava centenas de pessoas num dos complexos têxteis mais bem sucedidos da história econômica de Pernambuco no século passado.

Doação do terreno

Onde hoje se encontra o templo deveria ser construído o sindicato dos tecelões que trabalhavam nas fábricas da C.P.T., mas o Coronel Frederico Lundgren interveio junto ao Arcebispo Dom Miguel de Lima Valverde, que por sua vez, fez o pedido de doação do terreno para Agamenon Magalhães, então governador de Pernambuco. A ideia era desarticular o movimento operário dos tecelões, já que o sindicato ficaria praticamente na entrada da fábrica Arthur. Agamenon doou outro terreno para a construção do sindicato e foi homenageado com o nome da praça principal que fica em frente à Igreja de Santa Isabel.

A Igreja de Santa Isabel foi construída pelos irmãos Lundgren em homenagem à matriarca da família, Dona Elizabeth Lundgren. A Igreja primeiro foi nomeada como Igreja de Santa Elizabeth Regina, porém, como não existe santa católica com este nome, o templo foi dedicado a Santa Isabel, rainha de Portugal. A pedra fundamental da Igreja foi lançada no dia 13 de janeiro de 1946 com a presença do Arcebispo Dom Miguel de Lima Valverde em visita pastoral à Paróquia de Nossa Senhora dos Prazeres.

Arquitetura

O principal templo católico da cidade tem 60 metros de altura, possui três portas e uma única torre sineira no centro do seu frontão, duas tribunas e um coro, nave única e arcadas com janelas em vitrais. Seu altar-mor é simples, ladeado por dois altares laterais. No altar do arco-cruzeiro se vê a inscrição: Santa Elisabeth Regina. A pintura de fundo dos altares é do artista plástico Hildebrando Eugênio, que também é autor da bandeira da cidade do Paulista. As imagens que fazem parte desses altares são doações de comerciantes, operários, devotos e da família Lundgren. As janelas, originalmente em vitrais, foram restauradas, em 1988 pelo Padre Geraldo Leite, S.C.J, e atualmente foram substituídas por basculantes. As portas da Igreja são de responsabilidade dos operários marceneiros da Fábrica Arthur Lundgren.

Sua inauguração ocorreu em 29 de junho de 1950 com procissão e missa concelebrada pelo bispo arquidiocesano. Após a inauguração, a família Lundgren repassou o templo para a administração da Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres, tendo como administrador o Padre Norberto Verholvew. Naquele ano a doação fora registrada no Cartório da cidade, porém o registro da doação não pode ser mais encontrado no Cartório Municipal.

Em 17 de novembro de 2016, os Lundgren decidiram entregar a igreja à Arquidiocese de Olinda e Recife, num empréstimo gratuito, por meio de um contrato de comodato, conferindo à cúria a responsabilidade de administrar o monumento católico, por um período de dois mil anos. O ato aconteceu no Palácio dos Manguinhos, sede da AOR, no bairro das Graças, no Recife. O contrato foi assinado pelos principais representantes das duas partes, o então arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, e o patriarca da família, Nilson Lundgren.

Memória

Nela também repousam os restos mortais dos principais membros da família Lundgren, além do crânio do padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro, heroi da Revolução Pernambucana de 1817, que foi sepultado em 29 de outubro de 2001 num túmulo à esquerda de quem entra na igreja. A sepultura dele é lacrada por uma placa de granito. Do lado esquerdo fica uma placa de bronze, contando a história da luta do religioso, e, no lado direito, um brasão em bronze com representações das Armas e Honras do Estado de Pernambuco, feito pelo escultor Jobson Figueiredo.

Tombamento

Em 2018 a edificação religiosa foi tombada pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) e escolhida como o cartão-postal da cidade numa consulta popular realizada em 2008, pelo Movimento Pró-Museu, que realizou dois abraços em torno da Igreja, em 2013 e 2014, para pressionar o Conselho Estadual de Cultura a realizar o tombamento.

Durante sessenta anos a Igreja de Santa Isabel ficou sendo a sede provisória da Paróquia de Nossa Senhora dos Prazeres de Maranguape, até 27 de janeiro de 2019, quando foi criada a sétima paróquia paulistense: a de Santa Isabel Rainha de Portugal, formada por cinco comunidades: Paulista Centro (sede paroquial), Nobre, Maranguape I, Jardim Maranguape e Jaguaribe. Seu primeiro pároco foi o Padre Adriano Chagas. A paróquia faz parte do Vicariato Paulista da Arquidiocese de Olinda e Recife, e tem como atual pároco o Padre Douglas Severo de Moraes e como Vigário Paroquial o Padre Ricardo Paulo Luiz.

Os paulistenses guardam boas memórias das milhares de cerimônias religiosas realizadas nesta igreja, que vão dos batizados, aos casamentos, passando pelas missas de sétimo dia, até mesmo atos festivos como as missas em ação de graças das escolas locais. Sempre nas quartas-feiras, ao meio-dia, centenas de fieis se concentram para a missa da hora da graça, muito frequentada por pessoas que buscam na fé um alívio, conforto e resignação para suas dores e sofrimentos. Como se trata de uma edificação com 76 anos de construção, a Igreja de Santa Isabel demanda serviços de manutenção e preservação, que são custeadas com dízimos e contribuições dos fieis.

Santa Isabel Rainha de Portugal foi acolhida como co-padroeira do município do Paulista, por meio do Projeto de Lei nº 061/2022, de autoria do vereador Raul Silva (a padroeira é Nossa Senhora dos Prazeres de Maranguape). O mesmo edil conseguiu aprovar por unanimidade na Casa de Torres Galvão em 17 de agosto deste ano, exatamente no dia nacional do patrimônio histórico, o Projeto de Lei nº 146/2026, que oficializa a Igreja Matriz de Santa Isabel Rainha de Portugal como Patrimônio Histórico, Cultural e Material do município do Paulista.

Especial

A Igreja Matriz de Santa Isabel também faz parte da lista dos Imóveis Especiais de Preservação (IEPs) desde o ano de 2006, além de ser o principal cartão postal da cidade, e um dos primeiros patrimônios históricos a serem citados pelos paulistenses quando perguntados sobre qual é a edificação que melhor lembra a cidade. As visitações à igreja podem ser feitas, sempre no horário comercial, das segundas aos sábados, e a entrada é gratuita.


*Prof. José Ricardo de Souza, da rede pública estadual de ensino, historiador, e escritor. Membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP), sócio honorário do Instituto Arqueológico, Histórico, Geográfico Pernambucano (IAHGP) e fundador do Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico, Antropológico da Cidade do Paulista (IHGAAP). Criador do projeto Muita História pra Contar. @josericardope01


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É Findi - Assim Eram... - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

04/09/2026

Tempos das quitandas...
‘da velha caderneta’,
a dita ‘capa preta’;
tempos da confiança!

Também as ditas bodegas...
‘da pronta entrega’;
boas eram as conversas,
ao doce sabor das balas!



Ou as chamadas vendas...
‘fio do bigode não é lenda’;
quase tudo ia pra balança,
quão boas essas lembranças!

Ou se dizia mercearias....
‘havia de tudo um pouco’;
ali das notícias se sabia, vinham pela boca do povo!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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Tempos das quitandas...
‘da velha caderneta’,
a dita ‘capa preta’;
tempos da confiança!

Também as ditas bodegas...
‘da pronta entrega’;
boas eram as conversas,
ao doce sabor das balas!


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Ou as chamadas vendas...
‘fio do bigode não é lenda’;
quase tudo ia pra balança,
quão boas essas lembranças!

Ou se dizia mercearias....
‘havia de tudo um pouco’;
ali das notícias se sabia, vinham pela boca do povo!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99


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É Findi - A teimosia de Existir - Crônica - Por Ana Pottes*

04/09/2026

E no corre dos dias e meses deste ano, agosto se despediu entregando a setembro as cores da vida. Os ipês ganharam tintas, a rosa-do-deserto se pintou florida e aquela bromélia resolveu acordar tal qual o lírio-da-paz. A primavera entrou pelas manhãs de setembro em uma expressão de boas energias, trazendo a teimosia de existir.

Nesse clima, o mês lança o convite de um olhar para os lados: em nosso entorno, à nossa frente ou por aquele espelho deformado a nos conduzir ao passado. Circular a atenção para desprender a luz que pulsa e vibra, a pedir renovação dentro de nós.

É. A vida é colorida e, sendo assim, tinge os dias com seus diversos tons: há alguns pintados em cores vibrantes, outros são esmaecidos e uns, nem tanto assim. Os primeiros nos seduzem, enquanto os assim-assim tendem a escurecer o olhar a ponto de encobrir as belezas das pinturas que existem. Mas elas permanecem ali, mesmo nos momentos mais sombrios.

Certo mesmo é que, em a...

E no corre dos dias e meses deste ano, agosto se despediu entregando a setembro as cores da vida. Os ipês ganharam tintas, a rosa-do-deserto se pintou florida e aquela bromélia resolveu acordar tal qual o lírio-da-paz. A primavera entrou pelas manhãs de setembro em uma expressão de boas energias, trazendo a teimosia de existir.

Nesse clima, o mês lança o convite de um olhar para os lados: em nosso entorno, à nossa frente ou por aquele espelho deformado a nos conduzir ao passado. Circular a atenção para desprender a luz que pulsa e vibra, a pedir renovação dentro de nós.

É. A vida é colorida e, sendo assim, tinge os dias com seus diversos tons: há alguns pintados em cores vibrantes, outros são esmaecidos e uns, nem tanto assim. Os primeiros nos seduzem, enquanto os assim-assim tendem a escurecer o olhar a ponto de encobrir as belezas das pinturas que existem. Mas elas permanecem ali, mesmo nos momentos mais sombrios.

Certo mesmo é que, em alguns períodos, é necessário alguém por perto com uma lanterna na mão para um apoio. O Setembro Amarelo ressalta a importância das lanternas para os dias mais escuros e, o facho necessário para iluminar o breu da vida é a palavra. Falar sobre os males, as dores, os achares esquisitos e que se tornaram incompreensíveis, é a maneira mais eficiente para deixar fluir as novas cores.

Uma pessoa amiga com uma boa escuta é o início do processo. Depois, levar sua palavra para aquele profissional que sabe não só receber, como o amigo, mas com o acesso ao adubo certo para fazer brotar as novas sementes. Os profissionais da saúde mental, psicólogos e psiquiatras, utilizam e tratam a palavra que lhes é entregue, através de uma escuta silente. E, tal qual jardineiros eficazes, ajudam a compreender os apoios adequados para revolver a terra seca, arrancar ervas daninhas e matinhos teimosos, colocar o melhor adubo e dar o melhor tratamento ao terreno do existir, para o ressurgir das rosas e lírios-da-paz no nosso jardim.

Pois é. A vida necessita de cuidados constantes e o ato de viver é um eterno processo a nos pedir teimosia e coragem desassombrada.


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes


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É Findi - Prosa Poética para a Lua! - Por Ina Melo*

04/09/2026

O homem solitário, esperava a bela e misteriosa mulher vestida de nuvens para fazer amor, lembrando de quantas e quantas vezes ela o tinha enganado, prometendo vir e sumia para outros céus distantes, deixando-o triste. A Lua, certa da louca paixão que seu corpo branco, divino,sem alma e coração inspirava, queria apenas brincar com o mortal que por ela se apaixonasse. Lá de cima, revestida numa couraça de gelo, tentava as pobres criaturas que ousassem algo mais do que vê-la distante e indiferente aos sentimentos dos sonhadores! Nessa noite porém, o poeta jurou possuí-la, nem que, em troca ficasse indiferente a todas as mulheres do mundo. E assim aconteceu. Estava ele numa praia deserta a deriva, embriagado de vinho e desejo, quando viu surgir à sua frente uma nuvem de prata transparente. Esfregou os olhos e fixando o que pensava ser apenas um sonho, deixou-se levar pelas mãos geladas da mulher. Enquanto seguiam por uma estrada iluminada o toque das peles fez despertar a sua força vi...

O homem solitário, esperava a bela e misteriosa mulher vestida de nuvens para fazer amor, lembrando de quantas e quantas vezes ela o tinha enganado, prometendo vir e sumia para outros céus distantes, deixando-o triste. A Lua, certa da louca paixão que seu corpo branco, divino,sem alma e coração inspirava, queria apenas brincar com o mortal que por ela se apaixonasse. Lá de cima, revestida numa couraça de gelo, tentava as pobres criaturas que ousassem algo mais do que vê-la distante e indiferente aos sentimentos dos sonhadores! Nessa noite porém, o poeta jurou possuí-la, nem que, em troca ficasse indiferente a todas as mulheres do mundo. E assim aconteceu. Estava ele numa praia deserta a deriva, embriagado de vinho e desejo, quando viu surgir à sua frente uma nuvem de prata transparente. Esfregou os olhos e fixando o que pensava ser apenas um sonho, deixou-se levar pelas mãos geladas da mulher. Enquanto seguiam por uma estrada iluminada o toque das peles fez despertar a sua força viril. Avermelhou, mesmo sabendo não ser visto por ninguém.

Continuou se deixando levar para o abismo, do qual talvez, nunca mais voltasse. A estrada era longa e sem obstáculos. As estrelas agrupadas os guiavam para o infinito. Ela, a mulher radiante e fria, tão cobiçada pelos homens da terra o seguia indiferente. De repente tudo mudou. A fantasia transformou-a numa fogosa fêmea deixando-se cavalgar pelo ardente cavalheiro que a atingiu no âmago do seu ser, gelado e indiferente. Raios romperam no céu e ela a indiferente, se abriu deixando-o mergulhar nos seus mistérios. Depois de várias idas e vindas um grito ecoou no silêncio da noite. Assim, o homem solitário despertou a fêmea escondida que existia naquela lua fria, branca e misteriosa. Ina Melo. 04/021


*Ina Melo, é jornalista. Publicou poemas, contos e crônicas na Revista de Cultura do Estado do Ceará e em diversas antologias como "Crônicas e contos inesquecíveis" e "Contistas do Terceiro Milênio". Graduada pela UFPE, com especialização em Antropologia Cultural, faz parte da Academia Internacional de Literatura e Artes. É autora dos livros: "Simone de Beauvoir - Mulher lúcida e livre", "Sonhos em dueto" e, pela Confraria do Vento, "Cartas de Paris". @inamelo2016


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É Findi - Poema em Dose Dupla - Por Felipe Bezerra*

04/09/2026

Imorais


Impedido ninguém é mais,
mesmo sendo suspeitos principais
das investigações,
a exemplo de Gonet e Moraes.

O país não aguenta mais,
tanta desfaçatez,
escárnio, manobras ilegais
e violações constitucionais.

Sangram o Supremo,
o Ministério Público,
o Senado e outras
instituições nacionais.

A omissão dos bons
é tão perversa,
ou mais abjeta,
que os investigados pecados capitais.

Basta! Não mais!


Em Suma


Teori tinha nada que ir a Paraty;
nem o hacker ver os nudes da Sra. Temer.

Agora tá essa suruba espalhada por aí,
e muitos ainda têm o que temer.


*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza


O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. At...

Imorais


Impedido ninguém é mais,
mesmo sendo suspeitos principais
das investigações,
a exemplo de Gonet e Moraes.

O país não aguenta mais,
tanta desfaçatez,
escárnio, manobras ilegais
e violações constitucionais.

Sangram o Supremo,
o Ministério Público,
o Senado e outras
instituições nacionais.

A omissão dos bons
é tão perversa,
ou mais abjeta,
que os investigados pecados capitais.

Basta! Não mais!


Em Suma


Teori tinha nada que ir a Paraty;
nem o hacker ver os nudes da Sra. Temer.

Agora tá essa suruba espalhada por aí,
e muitos ainda têm o que temer.


*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza


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É Findi – Vale do Catimbau - Croniqueta - Por Xico Bizerra*

04/09/2026

Eu vi o Vale do Catimbau e é verdade tudo o que dele se diz. Visto de cima e de tão longe nada parece tão intensamente verde como é. Do alto, o cinza azulado (ou o azul acinzentado, como queiram) domina o horizonte visual, composto de pedra, mato e muito silêncio. Durante todo o tempo a Paz ali faz morada. Permanente. Ao final do dia, um resquício de luz aparta-se do ocaso deixando uma réstia de vida naquele lugar tão belo quanto isolado. E o vale dorme, aproveita o não-barulho e se ornamenta com toda a pouca claridade que ainda lhe chega, como em reverência pela beleza do lugar. Dia seguinte, o azul acinzentado (ou o cinza azulado, como queiram) volta a encantar tantos outros que, como eu, descobriram o lindo Vale, no meio do Agreste, beirando o Sertão.

Vê-lo, vale a pena. Se vale! Lindo Vale!


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico



O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclus...

Eu vi o Vale do Catimbau e é verdade tudo o que dele se diz. Visto de cima e de tão longe nada parece tão intensamente verde como é. Do alto, o cinza azulado (ou o azul acinzentado, como queiram) domina o horizonte visual, composto de pedra, mato e muito silêncio. Durante todo o tempo a Paz ali faz morada. Permanente. Ao final do dia, um resquício de luz aparta-se do ocaso deixando uma réstia de vida naquele lugar tão belo quanto isolado. E o vale dorme, aproveita o não-barulho e se ornamenta com toda a pouca claridade que ainda lhe chega, como em reverência pela beleza do lugar. Dia seguinte, o azul acinzentado (ou o cinza azulado, como queiram) volta a encantar tantos outros que, como eu, descobriram o lindo Vale, no meio do Agreste, beirando o Sertão.

Vê-lo, vale a pena. Se vale! Lindo Vale!


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico


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É Findi – Sport Clube do Recife - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

04/09/2026

Finalizando a série sobre os Clubes Sociais da cidade tratamos hoje do Sport que constitui-se numa das mais importantes entidades esportivas do Brasil, com um invejável patrimônio distribuído pelos doze hectares de sua Vila Olímpica.

Dotado de infra-estrutura adequada às necessidades do seu quadro associativo, o clube dispõe de ampla e moderna sede social, utilizada principalmente nas festas carnavalescas. Restaurante de luxo; estádio de futebol com capacidade para mais de cinquenta mil pessoas; dois ginásios cobertos; quadras de tênis e de patinação; gigantesco parque aquático; apart-hotel, com estrutura de três estrelas; colégio de 1º grau com oitocentos alunos; garagem de remo e estaleiro móvel, que fabrica barcos para diversos estados do país. Tem como símbolo um leão. Seu lema é “casá casá” e as cores, vermelha e preta.

É o mais antigo clube de futebol de Pernambuco e o maior detentor de títulos estaduais, 40 (2014), sendo o campeão brasileiro de...

Finalizando a série sobre os Clubes Sociais da cidade tratamos hoje do Sport que constitui-se numa das mais importantes entidades esportivas do Brasil, com um invejável patrimônio distribuído pelos doze hectares de sua Vila Olímpica.

Dotado de infra-estrutura adequada às necessidades do seu quadro associativo, o clube dispõe de ampla e moderna sede social, utilizada principalmente nas festas carnavalescas. Restaurante de luxo; estádio de futebol com capacidade para mais de cinquenta mil pessoas; dois ginásios cobertos; quadras de tênis e de patinação; gigantesco parque aquático; apart-hotel, com estrutura de três estrelas; colégio de 1º grau com oitocentos alunos; garagem de remo e estaleiro móvel, que fabrica barcos para diversos estados do país. Tem como símbolo um leão. Seu lema é “casá casá” e as cores, vermelha e preta.

É o mais antigo clube de futebol de Pernambuco e o maior detentor de títulos estaduais, 40 (2014), sendo o campeão brasileiro de 1987.

*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras e Sócio Benemérito do IAHGP.


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É Findi - Catarina de Bragança e o Chá - Por Josué Sena*

04/09/2026

Se alguém disser Catarina de França
Ou homônima inglesa no século XVII, decerto erra.
Foi a lusa Catarina de Bragança,
Rainha consorte da Inglaterra

(Falam, e anoto, da distância,
Dos séculos que a História encerra),
Figura relevante na mudança
Ou inovação de hábito daquela terra.

Entre eles o que hoje se diz tão inglês,
O consumo do chá, que gerou o ritual das cinco,
Seguido ali com tanto afinco.

O uso do chá que na corte bretã fez
A rainha em cuja historia os olhos finco,
Portanto tem um tanto de viés português.


Em 1662, Catarina de Bragança, princesa portuguesa, casou-se com o rei Charles II e tornou-se rainha da Inglaterra. Acostumada a beber chá, Catarina levou esse hábito para a corte britânica, ajudando a popularizar a bebida entre a aristocracia.

Portugal já mantinha fortes relações comerciais com a China por meio de Macau...

Se alguém disser Catarina de França
Ou homônima inglesa no século XVII, decerto erra.
Foi a lusa Catarina de Bragança,
Rainha consorte da Inglaterra

(Falam, e anoto, da distância,
Dos séculos que a História encerra),
Figura relevante na mudança
Ou inovação de hábito daquela terra.

Entre eles o que hoje se diz tão inglês,
O consumo do chá, que gerou o ritual das cinco,
Seguido ali com tanto afinco.

O uso do chá que na corte bretã fez
A rainha em cuja historia os olhos finco,
Portanto tem um tanto de viés português.


Em 1662, Catarina de Bragança, princesa portuguesa, casou-se com o rei Charles II e tornou-se rainha da Inglaterra. Acostumada a beber chá, Catarina levou esse hábito para a corte britânica, ajudando a popularizar a bebida entre a aristocracia.

Portugal já mantinha fortes relações comerciais com a China por meio de Macau, o que facilitava o acesso ao chá.

Mas o tradicional “chá das cinco” só surgiu muito depois. Em 1840, a duquesa de Bedford, Anna Maria Russell, começou a tomar chá com pequenos lanches no final da tarde para aliviar a fome entre as refeições.

O costume se espalhou e acabou se tornando um dos maiores símbolos da cultura britânica.

Assim, antes de o chá virar tradição inglesa, ele já fazia parte dos hábitos de uma princesa portuguesa.


*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.


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É Findi – Marli, Meu Cachorro Menino - Por Pica-Pau*

04/09/2026

Para Pedro Sales e Marli


Não era um simples cachorro, era um companheiro, amigo.
Parecia um menino em forma de cachorro.
Um cachorro menino tão inteligente que entendia quando eu estava carente de companhia.
Seu olhar fixo mostrava preocupação, e começava a fazer traquinagem para me incentivar e me fazer sorrir.
Assim era Marli, meu cachorro menino.

Para aumentar sua euforia bastava gritar: "Olha o pão!"
Pronto! Era tudo o que ele queria, pois era seu lanche preferido.
Sem falar em dia de chuva, que era aí que ele mostrava que realmente era um cachorro menino.
Me lembrava bem os meninos do interior: correndo, brincando, se lameando enquanto durasse a chuva.

Tinha uma audição bem aguçada.
Metros além da nossa casa ele conhecia a buzina do meu carro,
e ficava numa ansiedade capaz de derrubar o portão, sabendo que eu estava chegando.

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Para Pedro Sales e Marli


Não era um simples cachorro, era um companheiro, amigo.
Parecia um menino em forma de cachorro.
Um cachorro menino tão inteligente que entendia quando eu estava carente de companhia.
Seu olhar fixo mostrava preocupação, e começava a fazer traquinagem para me incentivar e me fazer sorrir.
Assim era Marli, meu cachorro menino.

Para aumentar sua euforia bastava gritar: "Olha o pão!"
Pronto! Era tudo o que ele queria, pois era seu lanche preferido.
Sem falar em dia de chuva, que era aí que ele mostrava que realmente era um cachorro menino.
Me lembrava bem os meninos do interior: correndo, brincando, se lameando enquanto durasse a chuva.

Tinha uma audição bem aguçada.
Metros além da nossa casa ele conhecia a buzina do meu carro,
e ficava numa ansiedade capaz de derrubar o portão, sabendo que eu estava chegando.

Isso era Marli.
Meu cachorro menino que, desde sua chegada — especificamente no dia vinte e nove de julho de 2021 — só me trouxe alegrias, apesar das travessuras.
Coisas de cachorro brincalhão. Tudo era maravilhoso.
Me apeguei demais a Marli, como já falei: era meu companheiro, amigo.

Mas diz um ditado popular: "Tudo que é bom dura pouco",
e "tudo que existe tem fim".
É aí que vem a parte triste da história.
Meu Marli começou a ficar triste, sem apresentar mais aquela disposição que tinha.
Preocupado, levei ao veterinário, mas era uma doença rara.
E antes que descobrisse, meu Marli se foi.

E no dia vinte e seis de março de 2026,
acabou-se minha alegria.
Meu cachorro menino me deixou,
ainda suspirando nos meus braços.

Se foi Marli, meu companheiro, meu amigo.
Marli não era meu cachorro, era meu menino.

Brincalhão, guardião, travesso, inteligente.
Assim era meu cachorro menino


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau


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É Findi - Malude Maciel* vem com suas Crônicas em Dose Dupla

04/09/2026

Recados Das Urnas - Crônica

Basta boa vontade, sensibilidade e atenção políticas para compreender os recados das urnas eleitorais. Sim; os cidadãos estão fazendo o dever de casa e procurando dar seu parecer da melhor forma, quando são conscientes de que do resultado dos pleitos depende o futuro de toda uma Nação e, consequentemente, de cada um em particular.

Há pouco tempo

Antes, eram os votos de cabresto, em troca de dentaduras ou favores, e isso era vergonhoso demais; agora está havendo uma tímida conscientização, pois ainda fica muito a desejar para atingirmos uma plena Democracia, num país cheio de manobras eleitoreiras que não visam o bem comum, mas tão somente a vitória de alguns candidatos sem escrúpulos. É preciso muito cuidado e o eleitorado ainda continua ludibriado.

O cidadão faz o que pode

Na última eleição vimos a olho nu, muitos recados, não expressos, mas, teclados, como manda...

Recados Das Urnas - Crônica

Basta boa vontade, sensibilidade e atenção políticas para compreender os recados das urnas eleitorais. Sim; os cidadãos estão fazendo o dever de casa e procurando dar seu parecer da melhor forma, quando são conscientes de que do resultado dos pleitos depende o futuro de toda uma Nação e, consequentemente, de cada um em particular.

Há pouco tempo

Antes, eram os votos de cabresto, em troca de dentaduras ou favores, e isso era vergonhoso demais; agora está havendo uma tímida conscientização, pois ainda fica muito a desejar para atingirmos uma plena Democracia, num país cheio de manobras eleitoreiras que não visam o bem comum, mas tão somente a vitória de alguns candidatos sem escrúpulos. É preciso muito cuidado e o eleitorado ainda continua ludibriado.

O cidadão faz o que pode

Na última eleição vimos a olho nu, muitos recados, não expressos, mas, teclados, como manda o figurino das urnas eletrônicas, infelizmente sem comprovantes. Ou seja, o povo mostrou que não deseja certos tipos de normas, candidatos, nem partidos sem qualificação. Aliás, é importante frisar que o número de siglas no Brasil é impressionante e assustador, além de desnecessários; servem mais para confundir do que para esclarecer as pessoas que se esforçam por acertar na sua escolha, o que fica difícil. Talvez seja por interesse nas verbas que os partidos recebem para a Campanha e outros conchavos, assim as filiações crescem assustadoramente.
Duas vertentes seria o suficiente para um pleito legítimo e consciente, ajudava o indivíduo a definir melhor seu voto.

Legislação

A Legislação eleitoral brasileira bem que poderia ajustar alguns pontos essenciais que prejudicam a legitimidade dos escrutínios ao longo dos tempos, porém essas providências são tão remotas que talvez "morram os burros e quem os tange", permanecendo como está pra ver como é que fica.
Nem por isso poderemos deixar de cobrar para que nossos representantes na Câmara e no Senado, juntamente com o STF, façam mudanças significativas, como por exemplo: a impressão do voto para conferência e outros aperfeiçoamento no sistema eleitoral.

Obrigatoriedade

O voto, no Brasil, é obrigatório por Lei, mas na prática, tornou-se facultativo pela facilidade de justificar a ausência do eleitor nos pontos de votação e pelo descaso que o mesmo está demonstrando ao processo eletivo. Muita gente se abstém dessa obrigação por puro inconformismo com os postulantes, as urnas eletrônicas que causam desconfiança e o sistema ultrapassado das campanhas sem promessa séria e programa de governo. Muitos candidatos apenas criticam uns aos outros e não apresentam nada de renovação.

Dessa pra melhor

O sinal é claro que algo está precisando de ajustes, de diálogos francos, de maneira satisfatória. Alguém tem que ceder. O povo cansou da mesmice, das mesmas caras, mesmos discursos e promessas vãs. Se o número de votos nulos e brancos é maior do que os válidos, há necessidade premente de nova eleição, outras chapas e Legislação vigente dando respaldo à essas possibilidades. Isso é avanço, novidades a serem apresentadas e aprovadas. Ninguém quer mais simplesmente cumprir seu dever, mas votando em quem não merece. Se não agrada, não vota e pronto; sem correr o risco de ajudar a quem quer que seja.

Quem pode ser candidato

Outro questionamento é o fato de que não existe critério para alguém postular um cargo público, coisa que para se assumir quaisquer vagas na área privada precisa de triagem, provas de títulos, alfabetização, moral ilibada, etc. Se o aspirante ao cargo estiver respondendo na Justiça, será logo descartado. Imagine num Executivo e Legislativo que conduzirão destinos de cidadãos por quatro ou mais anos.

Ninguém merece

O descontentamento com os políticos em geral, é público e notório; um ou outro faz por merecer a confiança dos cidadãos de bem. Muitas vezes, as opções não agradam e "pra não perder o voto", termina-se elegendo o menos ruim nas disputas e depois vem as consequências desastrosas nas administrações e o mesmo povo tem que engolir, por anos, os desgovernos.
Também o caso de reeleição é outro ponto a discutir e tomar posições. Da maneira como está, muitos se perpetuam nos cargos como se fossem proprietários.

A Lei

Para que aja mudanças, primeiramente tem que se mudar as Leis e o Colégio Eleitoral tomar as frentes e isso fica muito difícil porque não depende de nós, pobres mortais, que não vemos interesse dos legisladores, pois eles estão muito bem, obrigado.

É isso

Surgem opiniões e sugestões de quem se preocupa com aperfeiçoamento nos quadros políticos, pois a Política vive intrínseca ao cotidiano de todos nós. Não podemos simplesmente fechar os olhos em conformação. Temos que reclamar do mal feito e isto é um direito nosso, porque até o que está bom poderá ficar melhor. Cada cidadão deve opinar, criticar ou apoiar, enfim, dar seu palpite para que as coisas sejam melhoradas. Isso é engajamento social e muito salutar. Porém, cabe às autoridades, ler e estudar as expressões da sociedade, daqueles que pagam seus salários e os colocam em seus postos a fim de realizar sua vontade, como de direito.

Tudo passa

E nessas particularidades são conhecidos os grandes estadistas ou apenas os poderosos da vez .


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Floristas - Crônica


Muita gente denominava a Rua Tobias Barreto, em Caruaru, como sendo : rua das flores, porque era lá que se vendia todo tipo de flor e, as flores, com seu aroma e sua beleza, tomavam conta de toda uma via pública, que parecia um enorme jardim. Essa artéria também era conhecida como: Cafundó.
As pessoas se encantavam em meio às diversas cores, espécies e cheiros. Eram: gladíolos, carinho de mãe, dálias, copos de leite, monsenhor, etc. E também folhas ornamentais, tais como: avencas, mimos e folhagem em geral.

Fazendo parte da tradicional feira

Eram inúmeras as barracas dos floristas que ali acampavam literalmente, negociando quase por toda a semana, fazendo do local seu habitat, interrompendo o trânsito de carros. Nas sextas-feiras e sábados eram os melhores dias devido à vendagem que aumentavam consideravelmente e nisso os interessados permaneciam com famílias inteiras, vivendo e convivendo numa vizinhança como se estivessem em suas próprias moradias. Os fatos corriqueiros, como também os acidentais, eram compartilhados com simplicidade e solidariedade impressionantes.

Improviso

Podia-se observar indivíduos jogando damas, cartas, dominó, gamão, etc. escutando rádio, acompanhando futebol, etc. mulheres pintando unhas, comprando Avon, enfim, esperando os fregueses e aproveitando o tempo para seus afazeres diários. Eram homens, mulheres, crianças, jovens e velhos, todos juntos. Ora sorrindo, falando alto, conversando, contando histórias, onde tudo era comunicado.

O peru

Existia a figura do "peru"; aquele que vem de fora e fica encostado, somente apreciando o jogo e dando palpites. Muitas vezes, xingado pelos jogadores oficiais.
Quando alguém sentia fome, ia buscar comida em algum lugar barzinho nas imediações ou pegava sua marmita trazida de casa, arranjando um lugarzinho conveniente pra degustar seu almoço ou lanche, sem nenhuma cerimônia.
Os pequenos eram mantidos ao alcance, alimentados com mamadeiras ou copinhos de sucos e os maiorezinhos tinham direito ao prático e tradicional sanduíche americano. Quem quisesse dormir, arranchava-se embaixo de algum toldo, numa cama improvisada.

Aja água

Interessante era verificar como todos os floristas aguavam constantemente suas flores para que elas não murchassem e se mostrassem sempre frescas e viçosas, catando as folhas ressecadas e decorando seus tabuleiros com ramalhetes bonitos para atrair os compradores, recebendo encomendas diversas.

Na hora H

No momento em que o cliente aparecia, mostrando-se interessado, os vendedores agitavam -se escolhendo determinada espécie de flor, de acordo com a finalidade, se para coroas fúnebres, buquês de noivas e outros eventos. Aconselhavam sobre a quantidade necessária e providenciavam a melhor forma de transportar a mercadoria sem danificá-la, por ser muito frágil. Embrulhando em jornais usados e amarrando com cordões, barbantes, fitas, laços, fazendo quaisquer negócios pra satisfazer a clientela.

Destaque

Entre aquelas figuras folclóricas de floristas que trabalhavam naquele ofício, naquela rua, antes da mudança da feira para o Parque 18 de maio, em 1992, no primeiro mandato do prefeito João Lyra Neto, em Caruaru, havia gente que, por seu temperamento e espontaneidade tornava-se populares, conhecidas, líderes, fazendo parte da paisagem. Posso citar uma senhora por nome de Terezinha que era a mais procurada pelo seu dom de resolver quais situações.
Em todo setor de trabalho, estudo ou demais atividades, há naturalmente destaques; ali, entre a turma que vendia flores, não era diferente. Terezinha comandava o grupo com habilidade. Inclusive, na época de eleições, ela liderava como cabo eleitoral e fazia campanha com entusiasmo.
Eu, de dentro do meu estabelecimento comercial, não ficava alheia ao que se passava lá fora, sabendo que aquele movimento não favorecia as lojas varejistas, mas achava graça nos acontecimentos.

Flores são sempre bem vindas

Seu perfume e sua diversidade de cores e belezas muito nos cativam.
Um viva às flores!


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel


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É Findi - A Praça do Sebo Faz 45 Anos - Crônica - Por Romero Falcão*

04/09/2026

Pequeno, de calça curta, eu via meu irmão mais velho chegar em casa com sacolas de livros usados, comprados de um homem cujo nome eu só conseguia pronunciar: Melqueque.

Na adolescência, descobri que o homem era o lendário livreiro Melquisedec.

Mais taludo, meu irmão me apresentou a Pedroamérico — outra fera no ramo dos livros de segunda mão.

Pois bem: em 29 de agosto de 1981, nascia a Praça do Sebo — nome de fantasia. O oficial é Praça Liêdo Maranhão.

Reduto de Cultura

Naquela época, era um importante reduto de cultura, onde se reuniam escritores, poetas e intelectuais. Pedroamérico e o velho Melque se estabeleceram em um dos boxes, sortidos de raros exemplares. Não lembro se os dois estiveram ali ao mesmo tempo ou se um sucedeu o outro.



A Praça da Roda, como alguns a chamavam, localizada no bairro de Santo Antônio, por trás da Avenida Guararapes, logo se notabilizou por ser...

Pequeno, de calça curta, eu via meu irmão mais velho chegar em casa com sacolas de livros usados, comprados de um homem cujo nome eu só conseguia pronunciar: Melqueque.

Na adolescência, descobri que o homem era o lendário livreiro Melquisedec.

Mais taludo, meu irmão me apresentou a Pedroamérico — outra fera no ramo dos livros de segunda mão.

Pois bem: em 29 de agosto de 1981, nascia a Praça do Sebo — nome de fantasia. O oficial é Praça Liêdo Maranhão.

Reduto de Cultura

Naquela época, era um importante reduto de cultura, onde se reuniam escritores, poetas e intelectuais. Pedroamérico e o velho Melque se estabeleceram em um dos boxes, sortidos de raros exemplares. Não lembro se os dois estiveram ali ao mesmo tempo ou se um sucedeu o outro.


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A Praça da Roda, como alguns a chamavam, localizada no bairro de Santo Antônio, por trás da Avenida Guararapes, logo se notabilizou por ser um espaço único no país: uma praça dedicada à comercialização de livros usados.

Aos 18 anos, descobri que aquele homem de pedra, sentado na praça, lendo, era o poeta Mauro Mota.

Voltando a Melquisedeque

Tive a honra de tomar um banho de cultura com aquele sebista autodidata. Quando estava de bom humor, o velho Melqui falava dos clássicos como se fossem amigos íntimos, tamanha a preciosidade dos detalhes. E contava as odisseias para conseguir uma raridade.

Salvo engano, chegou a ser entrevistado por Jô Soares. Era uma figura fantástica. Sabia com precisão a origem dos habitantes de cada prateleira.

Pilhas de Livros

Perto de partir para as páginas de outro mundo, ficava calado, sentado entre pilhas de livros. Talvez a paciência já estivesse esgotada diante da curiosidade dos clientes.


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Decadência

A Praça do Sebo teve seu auge nos anos 80. Com o esvaziamento do centro do Recife, perdeu freguesia, entrou em decadência e sobreviveu, por algum tempo, sobretudo com a venda de livros didáticos.

Mas, no aniversário de 45 anos, parece escrever uma nova página: a do renascimento do centro da cidade.

Comemoração

Soube que, na comemoração, agora em agosto, houve atrações culturais e a presença de artistas, poetas e escritores celebrando aquele espaço mítico. Soube também que a praça está se reinventando: além dos livros literários e didáticos, há discos de vinil, mangás e gibis.

Que as novas gerações descubram o afeto pelo centro do Recife.







E que a Praça do Sebo, aos 45 anos, volte a ser um círculo de um novo centro de gravidade.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


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É Findi - O Novo Livro De M.M.M. - Por Marcelo Mário de Melo*

04/09/2026

Nessa publicação, Marcelo Mário de Melo trata de doença, velhice e morte, entrelaçando três fios poético-humorísticos: humórbido, geronthumor e humortuário. Foi escrito a partir da sua experiência de “idoso canceroso”, como se autodenomina, passando por cirurgia, internamentos, atendimentos de emergência, quimioterapia e transfusão de sangue. Esta parte é retratada no capítulo “A Família Hospitalar”, onde despontam, entre outros, os personagens Hospitalino, Enfermeirosa, Doentílio, Edemário, Dr. Especialino, Cancerino e Eutanásio.

Que “boa idade” que nada

O capítulo que trata do envelhecimento denuncia o que se considera a cretinice de se chamar velhice de “boa idade”, que, na verdade, é o ingresso no “corredor da morte”, a ser encarado com naturalidade, tomando-se a metáfora da folha verde (juventude), que amarela (maturidade), resseca (velhice) e cai na morte.

Prazeres da vida

Mas essa consciência não é trata...

Nessa publicação, Marcelo Mário de Melo trata de doença, velhice e morte, entrelaçando três fios poético-humorísticos: humórbido, geronthumor e humortuário. Foi escrito a partir da sua experiência de “idoso canceroso”, como se autodenomina, passando por cirurgia, internamentos, atendimentos de emergência, quimioterapia e transfusão de sangue. Esta parte é retratada no capítulo “A Família Hospitalar”, onde despontam, entre outros, os personagens Hospitalino, Enfermeirosa, Doentílio, Edemário, Dr. Especialino, Cancerino e Eutanásio.

Que “boa idade” que nada

O capítulo que trata do envelhecimento denuncia o que se considera a cretinice de se chamar velhice de “boa idade”, que, na verdade, é o ingresso no “corredor da morte”, a ser encarado com naturalidade, tomando-se a metáfora da folha verde (juventude), que amarela (maturidade), resseca (velhice) e cai na morte.

Prazeres da vida

Mas essa consciência não é tratada por Marcelo com tintas acinzentadas e depressivas. Pelo contrário. Com 82 anos, colocando-se no estágio da folha seca, e cavalgando na pulsão de vida, ele se empenha e estimula os “companheiros velhinhos”, a fazerem tudo o que podem para alongar o “corredor”, desfrutando ao máximo dos prazeres da vida, segundo as suas forças. Um capítulo é composto de poemas estimulantes a “amigos na doença” e em memória de outros que se foram.

Gravidade e denúncia

Em Mazelas da Pandemia, os poemas assumem um tom de gravidade e denúncia, quando se referem aos sacrifícios e à mortandade resultantes do descaso do governo Bolsonaro. Mas retomam o fio humorístico ao desenhar situações cômicas geradas pelos exageros da hipocondria.

Depressão e resistência

Em ‘Pirologia” são tratados a depressão, o TDAH, a psicanálise e a função psicoterapêutica da poesia, enfatizada no poema Pronto Socorro Poético. Em “AtraVersando, os poemas são marcados pela exaltação à vida, à resistência e ao prazer de viver, incluindo-se a criação de uma vacina:


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Humoril


É vacina autogerada
imune e renovada
a cada respiração.

O seu efeito marcante
é ser muralha diante
do vírus da depressão.

Vamos pois nos vacinar
o humoril injetar
na treva pôr o clarão.

O humor na nossa vida
é uma boa medida
ao alcance da mão.


Uma curiosidade do livro é ter o prefácio escrito por um médico-escritor, José Rubem de Alcântara Bonfim, e três posfácios da lavra de médicos: Djalma Agripino, médico-escritor, Abel Menezes e Wilsom Freire, médicos-poetas.


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O Acaso


Aos ventos acasuinos
estamos todos entregues
sem meteorologia.

Nas nuvens em que se escondem
eles são donos do tempo
e nunca se anunciam.

Irrompem e alteram rotas
gratificam e aniquilam
em lavras de mel e sangue.

Quem rega em religião
chama-os pelo batismo
de Providência Divina.

Os ateus nos seus recantos
abrem e fecham os braços
jogando o jogo da sorte.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm


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O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

Hugo Motta e Nabor entre os três mais rejeitados

04/09/2026

A pesquisa Atlas/Intel publicada na noite de ontem, quinta-feira 03/09/26, revela os melhores e também os piores políticos da Paraíba considerando a imagem positiva X negativa. No Z 3, expressão do futebol para indicar os piores times, aparece uma combinação rara: pai e filho entre os três mais rejeitados.

Não é surpresa

Hugo Motta, filho de Nabor, atual presidente da Câmara dos Deputados, é considerado em pesquisas o segundo político mais odiado do Brasil. Só perde para Davi Alcolumbre, presidente do Senado.

Na Paraíba,

Não tem para ninguém: Hugo Motta é quem tem a imagem mais deficitária. Positiva, 11%. Negativa, 78%. Saldo negativo de 67%. Em seguida vêm Renan Santos, também com 11 de positiva, 64 de negativa, saldo negativo de 53 pontos. Nabor completa o pódio dos piores com 15% de imagem Positiva e 58% de negativa, saldo negativo de 43%.



Metodologia

A pe...

A pesquisa Atlas/Intel publicada na noite de ontem, quinta-feira 03/09/26, revela os melhores e também os piores políticos da Paraíba considerando a imagem positiva X negativa. No Z 3, expressão do futebol para indicar os piores times, aparece uma combinação rara: pai e filho entre os três mais rejeitados.

Não é surpresa

Hugo Motta, filho de Nabor, atual presidente da Câmara dos Deputados, é considerado em pesquisas o segundo político mais odiado do Brasil. Só perde para Davi Alcolumbre, presidente do Senado.

Na Paraíba,

Não tem para ninguém: Hugo Motta é quem tem a imagem mais deficitária. Positiva, 11%. Negativa, 78%. Saldo negativo de 67%. Em seguida vêm Renan Santos, também com 11 de positiva, 64 de negativa, saldo negativo de 53 pontos. Nabor completa o pódio dos piores com 15% de imagem Positiva e 58% de negativa, saldo negativo de 43%.


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Metodologia

A pesquisa AtlasIntel ouviu 1.207 eleitores na Paraíba entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04083/2026.


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King Crimson - O marco zero do caos progressivo, por Zé da Flauta*

04/09/2026

Existem capas de disco que decoram a prateleira e existem imagens que cravam as garras na nossa retina para nunca mais sair. Aquele rosto vermelho, disforme e sufocado, com olhos arregalados de puro pavor e uma boca escancarada num grito silencioso, não é apenas a embalagem de In the Court of the Crimson King, é a fotografia da mente humana no exato instante em que percebe a insanidade do próprio mundo.

Quando o álbum chegou às lojas em 1969, sem o nome da banda ou título gravados na capa, ele não pedia licença para entrar na sala. Ele arrombava a porta.

Experimentação e fúria

O choque visual do artista Barry Godber preparava o ouvinte para a tempestade técnica que viria pela frente. Para quem vive de música, ouvir a abertura com "21st Century Schizoid Man" é uma experiência quase física: a distorção vocal rasgada, os metais agressivos e aquela seção de jazz-fusion onde guitarra, saxofone e bateria correm em um uníssono vertiginoso,...

Existem capas de disco que decoram a prateleira e existem imagens que cravam as garras na nossa retina para nunca mais sair. Aquele rosto vermelho, disforme e sufocado, com olhos arregalados de puro pavor e uma boca escancarada num grito silencioso, não é apenas a embalagem de In the Court of the Crimson King, é a fotografia da mente humana no exato instante em que percebe a insanidade do próprio mundo.

Quando o álbum chegou às lojas em 1969, sem o nome da banda ou título gravados na capa, ele não pedia licença para entrar na sala. Ele arrombava a porta.

Experimentação e fúria

O choque visual do artista Barry Godber preparava o ouvinte para a tempestade técnica que viria pela frente. Para quem vive de música, ouvir a abertura com "21st Century Schizoid Man" é uma experiência quase física: a distorção vocal rasgada, os metais agressivos e aquela seção de jazz-fusion onde guitarra, saxofone e bateria correm em um uníssono vertiginoso, como se estivessem prestes a despencar de um penhasco.

Era o rock rasgando o próprio peito para dar lugar à erudição, à experimentação e à fúria de uma geração assombrada pela Guerra do Vietnã e pelo medo da bomba atômica.

Fim da inocência

No entanto, o verdadeiro gênio do King Crimson residia no contraste. Do caos mais ensurdecedor, a agulha desliza para a doçura pastoral de "I Talk to the Wind", com suas flautas serenas e vocais quase sussurrados, apenas para em seguida erguer o monumento trágico de "Epitaph".

O Mellotron, com suas camadas orquestrais melancólicas e imperfeitas, desenhava o cenário perfeito para uma poesia que não envelhece um único dia: "Confusion will be my epitaph" (A confusão será o meu epitáfio). Ali, a banda declarava o fim da inocência dos anos sessenta e inaugurava o rock progressivo sem nenhuma pretensão vazia, mas com uma densidade dramática avassaladora.

Como a vida

Mais de cinco décadas depois, a obra de Robert Fripp e seus companheiros continua soando como uma profecia que se cumpre todas as manhãs. O homem esquizofrênico do século XXI não é mais uma caricatura pintada em aquarela; ele somos nós, tentando equilibrar a sanidade entre a velocidade das máquinas e o ruído do cotidiano. In the Court of the Crimson King permanece como o marco zero de um novo som porque teve a coragem de ser tudo ao mesmo tempo: erudito e selvagem, poético e aterrorizante, exatamente como a própria vida.

Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista


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Wolney Queiroz anuncia fim da fila do INSS e destaca esforço do governo para garantir benefícios aos brasileiros

04/09/2026

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, anunciou que o Governo Federal conseguiu zerar a fila de pedidos por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), alcançando uma das principais metas estabelecidas para a pasta desde que assumiu o ministério, em maio de 2025.



Presente

Ao tomar posse, Wolney recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a missão de recuperar a credibilidade da Previdência Social e do INSS. Entre os principais desafios estava justamente reduzir o tempo de espera dos brasileiros que aguardavam a análise de seus requerimentos.

Resultado

Para alcançar o resultado, o Ministério da Previdência e o INSS adotaram uma série de medidas, entre elas a nomeação de novos servidores, a implementação do teleatendimento para perícias médicas, a ampliação da perícia médica documental, o pagamento de bônus por produtividade aos servidores e a realização de mutirões...

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, anunciou que o Governo Federal conseguiu zerar a fila de pedidos por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), alcançando uma das principais metas estabelecidas para a pasta desde que assumiu o ministério, em maio de 2025.


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Presente

Ao tomar posse, Wolney recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a missão de recuperar a credibilidade da Previdência Social e do INSS. Entre os principais desafios estava justamente reduzir o tempo de espera dos brasileiros que aguardavam a análise de seus requerimentos.

Resultado

Para alcançar o resultado, o Ministério da Previdência e o INSS adotaram uma série de medidas, entre elas a nomeação de novos servidores, a implementação do teleatendimento para perícias médicas, a ampliação da perícia médica documental, o pagamento de bônus por produtividade aos servidores e a realização de mutirões aos fins de semana para acelerar a análise dos pedidos.

Ações


O conjunto de ações permitiu ampliar a capacidade de atendimento e dar maior agilidade à concessão dos benefícios, especialmente para cidadãos que aguardavam uma resposta do INSS.


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Lembrou

Emocionado ao comentar o resultado, Wolney lembrou que chegou ao ministério sem ser um especialista na área previdenciária, mas afirmou que a experiência à frente da pasta transformou sua relação com a Previdência Social.


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“Eu era um deputado federal. Mas, quando conheci a grandiosidade da Previdência Social, eu me tornei um ativista, um apaixonado, um defensor desse gigante gentil que é a Previdência Social. Porque me fez ver que, quando nós acertamos, milhões de pessoas se beneficiam. Quando nós avançamos, milhões de pessoas mudam suas vidas. Quando a Previdência Social ganha, ganha o povo brasileiro”, ressaltou o ministro.


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Veneziano é o politico mais admirado da Paraíba, revela pesquisa

04/09/2026

A pesquisa Atlas/Intel divulgada na noite de ontem, 03/09/26, traz a relação dos políticos com melhor imagem na PB. O campeão é o presidente Lula. 54% dos entrevistados consideram sua imagem positiva. Logo em seguida, aparece Veneziano, atual candidato à reeleição ao Senado, tem 53% de imagem positiva. Em terceiro, João Azevêdo, que também disputa o Senado, tem 50%. Lucas Ribeiro, que disputa a reeleicao como governador, aparece com 48%. Ricardo Coutinho, com 41%. Efraim Filho (40%) Cícero Lucena (36%) e Jair Bolsonaro (34%) completam o G 8 dos mais admirados.



Saldo

Veneziano é o campeoníssimo quando se compara a imagem positiva com a negativa. O saldo de Veneziano é de 19 pontos. O de Lula, 13 pontos percentuais. E o de João Azevêdo, 11 pontos percentuais. Lucas Ribeiro também apresenta 11 pontos de saldo entre imagem positiva e negativa.



Daí por diante

Nenhum político ava...

A pesquisa Atlas/Intel divulgada na noite de ontem, 03/09/26, traz a relação dos políticos com melhor imagem na PB. O campeão é o presidente Lula. 54% dos entrevistados consideram sua imagem positiva. Logo em seguida, aparece Veneziano, atual candidato à reeleição ao Senado, tem 53% de imagem positiva. Em terceiro, João Azevêdo, que também disputa o Senado, tem 50%. Lucas Ribeiro, que disputa a reeleicao como governador, aparece com 48%. Ricardo Coutinho, com 41%. Efraim Filho (40%) Cícero Lucena (36%) e Jair Bolsonaro (34%) completam o G 8 dos mais admirados.


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Saldo

Veneziano é o campeoníssimo quando se compara a imagem positiva com a negativa. O saldo de Veneziano é de 19 pontos. O de Lula, 13 pontos percentuais. E o de João Azevêdo, 11 pontos percentuais. Lucas Ribeiro também apresenta 11 pontos de saldo entre imagem positiva e negativa.


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Daí por diante

Nenhum político avaliado apresenta saldo positivo todos os demais ficam no vermelho, uns mais, outros menos. Alguns, apresentam imagem negativa avassaladora. Jair Bolsonaro, que tem 34% de imagem azul, aparece com 63% de reprovação, com saldo negativo de 29 pontos.

Os mais rejeitados

Vamos comentar na próxima matéria.

Metodologia

A pesquisa AtlasIntel ouviu 1.207 eleitores na Paraíba entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04083/2026.

Parabéns Paulista - Cidade das Chaminés - Por José Ricardo de Souza*

04/09/2026

E assim chegamos aos 91 anos de emancipação política da cidade do Paulista, região metropolitanas do Recife, que entrou para a História como a Cidade das Chaminés e dos Eucaliptos, que infelizmente não fazem mais parte da paisagem local, degradada por anos de desmatamentos e aterros. Do antigo Engenho de Gonçalo Mendes Leitão construído por volta de 1550 onde hoje é o bairro de Paratibe aos grandes empreendimentos imobiliários da ACLF em 2026, passando período têxtil fabril da família Lundgren e da Companhia de Tecidos Paulista, sem esquecer é claro do passado colonial da cidade, que foi o cenário da morte e sepultamento do padre João Ribeiro de Melo Pessoa Montenegro em maio de 1817, Paulista tem muita História para Contar.

Paulista, cujo nome remete a Manoel de Moraes Alves Navarro, um bandeirante paulista caçador de índigenas que veio para o nordeste com Bartolomeu Bueno para combater o Quilombo dos Palmares, e que aqui se estabeleceu comprando dos herdeiros o Engenho...

E assim chegamos aos 91 anos de emancipação política da cidade do Paulista, região metropolitanas do Recife, que entrou para a História como a Cidade das Chaminés e dos Eucaliptos, que infelizmente não fazem mais parte da paisagem local, degradada por anos de desmatamentos e aterros. Do antigo Engenho de Gonçalo Mendes Leitão construído por volta de 1550 onde hoje é o bairro de Paratibe aos grandes empreendimentos imobiliários da ACLF em 2026, passando período têxtil fabril da família Lundgren e da Companhia de Tecidos Paulista, sem esquecer é claro do passado colonial da cidade, que foi o cenário da morte e sepultamento do padre João Ribeiro de Melo Pessoa Montenegro em maio de 1817, Paulista tem muita História para Contar.

Paulista, cujo nome remete a Manoel de Moraes Alves Navarro, um bandeirante paulista caçador de índigenas que veio para o nordeste com Bartolomeu Bueno para combater o Quilombo dos Palmares, e que aqui se estabeleceu comprando dos herdeiros o Engenho Paratibe de Baixo e parte das terras de Maranguape, e que acabou sendo a referência espacial quando se dizia: "vou para o engenho do paulista" ou "vim do engenho só paulista".


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Impossível não mencionar a mudança ocorrida na cidade nos primeiros anos do século XX com a chegada da família Lundgren e a construção das três fábricas - Velha, Aurora, Arthur - que formaram o maior complexo têxtil da história econômica de Pernambuco, chegando a empregar mais de 40000 pessoas, mudando a geografia da cidade com as vilas operárias: Nobre, Aurora, Roseira, Corte Largo, Catolé, Alto do Sumaré (onde moravam os funcionários mais graduados da C.T.P., em sua maioria estrangeiros, predominantemente alemães).

Até hoje a paisagem local guarda patrimônios históricos do passado recente fabril como o conjunto do casario da família Lundgren (Casa Grande e Jardim do Coronel), a Igreja de Santa Isabel Rainha de Portugal (que chegou a ser escolhida em votação como sendo o principal cartão postal da cidade), o antigo prédio do Chalé Ii (atual delagacia de polícia da cidade), o prédio do Sindicato dos Tecelões e a Policlínica Torres Galvão.


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Da Paulista do passado a Paulista do presente vemos muitos desafios para a Paulista do futuro, que aliás completará seu centenário em 2035. A cidade cresce, ou melhor, "incha" a olhos vistos com a acelerada especulação imobiliária com seus edifícios e Torres verticalizadas no centro, na Aurora, na Roseira, e mais recentemente na Mata do Frio, com mega empreendimentos previstos para a próxima década.

Aumento da demanda por serviços públicos, como saneamento, abastecimento de água e fornecimento de energia elétrica, fora a questão da mobilidade urbana, serão pendências de um modelo de desenvolvimento urbano que, no momento, ainda não dialoga com sustentabilidade, equilíbrio ambiental e bem-estar social da maioria da população. Serão os próximos problemas que entrarão na pauta dos paulistenses nos próximos anos, seja pelo poder público ou pela sociedade civil organizada.


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A Paulista de 91 anos completos hoje, dia 4 de setembro de 2026, carece de projetos concretos e de ações imediatas para prover seus habitantes, e quiçá futuros habitantes, de condições habitáveis compatíveis com uma cidade que cresce aceleradamente e vem despontando como um dos maiores centros urbanos de Pernambuco nos próximos anos.

Independente de partidarismos ou preferências eleitorais (ou eleitoreiras), a cidade precisa melhorar a qualidade de seus representantes nos poderes públicos, quer seja na Casa de Torres Galvão, que é a nossa Câmara Municipal, quer seja no executivo local. E isso é um dever que deve estar na agenda política dos eleitores paulistenses.

Viva Paulista. Salve salve a cidade das Chaminés que me acolheu ainda adolescente com 12 anos nos primórdios de Maranguape I, que me viu crescer, se tornar professor e historiador, e que hoje lança sobre minha pessoa laços de pertencimento, memória afetiva e sobretudo vontade de defender seu riquíssimo patrimônio histórico, artístico e cultural.


*José Ricardo de Souza, é professor da rede pública estadual de ensino, historiador e escritor. Membro da ALAP, IAHGP, IHGAAP e UBE-Paulista. Criador do Projeto Muita História pra Contar. @josericardope01


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NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Da Série Mistérios do Aquém: A Mineração Ecológica – Por Natanael Sarmento*

04/09/2026

Nesta primeira semana de setembro de 2026, o Congresso nacional aprovou em regime de urgência o Projeto de Lei 2.780/2024 sobre “Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos”. Traz normas sobre a cadeia produtiva das terras raras, lítio, níquel, cobalto e outros insumos de alta tecnologia. O mistério disso, é rapidez, o açodamento, da aprovação. Não vamos falar do silêncio da mídia e escassez de debates, do quase desconhecimento do “respeitável público”, para não gastar vela com defunto ruim.

Lobby

Os capital – extrativo, financeiro, industrial, comercial e agronegócio – ordinariamente, controla os governos sejam as pastoras do cordão azul ou encarnado, ou do punhal verde-amarelo. A burguesia define as urgências e os “interesses nacionais”. Decide os esquecimentos. O que deve ser enterrado.

Passando na cara

Lembramos que faz 38 anos da promulgada a Constituição Federal/88.Até hoje o CN não votou a taxaç...

Nesta primeira semana de setembro de 2026, o Congresso nacional aprovou em regime de urgência o Projeto de Lei 2.780/2024 sobre “Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos”. Traz normas sobre a cadeia produtiva das terras raras, lítio, níquel, cobalto e outros insumos de alta tecnologia. O mistério disso, é rapidez, o açodamento, da aprovação. Não vamos falar do silêncio da mídia e escassez de debates, do quase desconhecimento do “respeitável público”, para não gastar vela com defunto ruim.

Lobby

Os capital – extrativo, financeiro, industrial, comercial e agronegócio – ordinariamente, controla os governos sejam as pastoras do cordão azul ou encarnado, ou do punhal verde-amarelo. A burguesia define as urgências e os “interesses nacionais”. Decide os esquecimentos. O que deve ser enterrado.

Passando na cara

Lembramos que faz 38 anos da promulgada a Constituição Federal/88.Até hoje o CN não votou a taxação das grandes fortunas (Art.153 VII); tampouco votou a Proteção do Trabalhador por Despedida Arbitrária (Art. 7, I), a Proteção do desempregado face à Automação, (Art. 7, XXVIII) dentre outras “caveiras de burro” engavetadas.

Na mina

O lobby das mineradoras assegura a exploração das riquezas naturais do país. Garante incentivos de R$ 7 bilhões, legalmente, “para projetos de pesquisa, processamento e refino de minerais”. Nesse Toré bilionário índios vão dançar a dança dos rios poluídos e floresta devastada.

Órgão Regulador

Os conciliadores sustentam que a lei criou o “Conselho Nacional de Mineração Crítico e Estratégico”, órgão regulatório de “fiscalização” e “controle”. Mais um biombo que não faz bem uma coisa, nem outra, como ANS e CFE nos quais as raposas privadas tomam conta do galinheiro público. Nada de novo. No século XIX, Karl Marx já afirmava que no capitalismo o “Estado é o comitê dos interesses e negócios da burguesia”.

Retórica oficial

Na narrativa oficial não existe farra das mineradoras no Brasil, mas avanço à "transição ecológica verde". A política de "flexibilidade sustentável” garimpa o terreno do progresso social" e da soberania do Brasil, é o salto do futuro. O neodímio virou a panaceia energética da salvação da pátria! Calhava um jingle de campanha: "extrair minérios radioativos sem poluir, o futuro do mundo é aqui!".

Na real

Historicamente, a atividade mineral brasileira é predadora. Nas peneiradas das terras raras passarão cascalhos e também o tório e o urânio. Minérios radioativos tóxicos. Causadores de doenças graves nas regiões de exploração por toda parte do mundo onde ocorre a extração.

Salto para o nada

Chamar de "nacionalização" das terras é piada, esquizofrenia, ou manipulação ideológica. Nacionalizar patrimônio público não é carimbar na lei a entrega de bandeja ao capital privado dos recursos minerais estratégicos para exploradores daqui e de alhures que visam obtenção de lucros fabulosos, e poucos brasileiros se locupletam enquanto a maioria... deixo à imaginação do fino leitor completar a ideia.

Nacionalização é outra coisa

O partido Unidade Popular pelo Socialismo - UP defende a nacionalização das riquezas minerais, o poder popular e socialista. Significa o domínio integral sobre as riquezas nacionais do solo e subsolo, com a gestão e extração estatal dirigida pela classe trabalhadora. Os bens comuns de todo povo, devem ser, estratégica e planejadamente, utilizados para financiar serviços públicos de saúde, educação, habitação, obras de infraestrutura, industrialização e elevação das condições materiais e culturais de todo povo e não privilégio de mia dúzia de bilionários.

Teatro da política

No grande palco da política burguesa, dos bailes de máscaras, uns se trajam de anjo e santos, outros de guardiões, outros de salvadores da pátria, em vestes e fantasias baratas. Mas o preço alto da peça da vida é altíssimo. Quem sempre paga o preço é o povo pobre e trabalhador. Como dizem os combatentes sociais do MLB – Movimento de Luta de Bairros e Favelas - das ocupações urbanas por moradia digna: “só o povo, salva o povo”.


*Natanael Sarmento é professor e escritor, e integrante do Diretório Nacional da UP. @sarmentonatanael


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NR - Os textos assinados expressam a opinião dos autores.

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