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É Findi de Carnaval - E Claro que hoje Romero Falcão* viria em Dose Dupla, e ainda viu o Galo Voar...

14/02/2026

Eu Vi o Galo, e Ele Voou no Recife - Poema


Vai passarinho
faz ninho no coração recifense
O caranguejo cerebral de Chico Since
Também poderia voar
feito o Boi voador sobre a ponte

Imagina bicho de asa
na manhã de carnaval
O Galo da Madrugada tal qual
o galo de João Cabral
Levanta alegria
rasga o frevo nas alturas
Tece o sábado de Zé Pereira



Todos os anos é o mesmo bordão: o Galo da Madrugada está assim, assado...


A cabeça tá bonita, mas o corpo é de pinto. O bico tá bonito, mas os pés... Enfim, tirando os pets que agradam a todo mundo. Nem Jesus Cristo agradou. Imagina o Galo do sábado de Zé Pereira? Pela outra margem da discussão, pergunto aos meus sofríveis botões: por que não nos inspiramos na tecnologia usada no desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro? E o nosso Galo deixaria de ser uma estátu...

Eu Vi o Galo, e Ele Voou no Recife - Poema


Vai passarinho
faz ninho no coração recifense
O caranguejo cerebral de Chico Since
Também poderia voar
feito o Boi voador sobre a ponte

Imagina bicho de asa
na manhã de carnaval
O Galo da Madrugada tal qual
o galo de João Cabral
Levanta alegria
rasga o frevo nas alturas
Tece o sábado de Zé Pereira


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Todos os anos é o mesmo bordão: o Galo da Madrugada está assim, assado...


A cabeça tá bonita, mas o corpo é de pinto. O bico tá bonito, mas os pés... Enfim, tirando os pets que agradam a todo mundo. Nem Jesus Cristo agradou. Imagina o Galo do sábado de Zé Pereira? Pela outra margem da discussão, pergunto aos meus sofríveis botões: por que não nos inspiramos na tecnologia usada no desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro? E o nosso Galo deixaria de ser uma estátua, ganharia movimento, abriria as asas, giraria sobre a ponte. E até soltaria o canto feito o galo de João Cabral, no belíssimo poema "Tecendo a Manhã" .


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Vamos Para o Amantes? - Crônica


Já brinquei muito carnaval, levado pelos hormônios da idade, pulando na festa da carne. Olinda — os melhores carnavais de rua que marcaram minha memória — início da década de 80.

Coice da Mula

Eu ia no embalo da fuzarca. Meu corpo, inflexível para a dança, até ensaiava uns passos de frevo. Depois da batida de limão — muito mais álcool que limão — o diabo dava o coice da mula.

Embora não houvesse o “Não é Não”, nunca fui adepto do beijo roubado, mediante forçação de barra ou grave cachaça. Apesar de terrivelmente feio, aprendi desde cedo a seduzir pelo sorriso, pela graça e ironia.

Nem Cara Nem Alma

Certa vez, um escritor me perguntou se eu gostava de carnaval. Respondi que sim. Ele devolveu: “Tem cara, não”.

Quem sabe, numa sessão de psicanálise, eu descobriria que não tenho cara nem alma de carnavalesco. Nem a fantasia esconderia o folião aguado, contido.

Velhote 'Nutella'

O que acontece é que, hoje, não tenho mais disposição para o sol escaldante, o calor do Saara, o empurra-empurra da massa. Camarote também não me apraz. Transporte é outra guerra. Acho que virei um velhote 'Nutella'.

Por Que Tenho Que Brilhar?

Pegar um carro de aplicativo nos dias de folia é troça desgastante. Nem vou falar de faca, bala e soco. Sim, eu sei, pode ser a velhice chegando. E por que não posso assumir isso? Por que tenho que brilhar, continuar brilhando?


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Fernando Pessoa

A estrela maior, Fernando Pessoa, escreveu num poema: “Tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo, tenho dó delas...”. E continua: “Não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas?”.

Música da Moda

Talvez seja isso. Tenho cansado das coisas: do brilho do carnaval, do cintilante e tedioso futebol, da música da moda iluminada pelo farol do mercado.

Uma amiga me chama no Zap: “Vamos para o Amantes?”. Deduzi tratar-se de um bloco. Quem já se viu um pernambucano não conhecer o Amantes da Glória?


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Ver o Povo Gostar de Carnaval

Em 2024, participei pela primeira vez do bloco “Nem Sempre Lili Toca Flauta”. Não toquei a tal flauta, mas escrevi uma crônica cheia de vigor, confete e serpentina.
Na sexta década de vida, percebo uma escrita que gosta de ver o povo gostar de carnaval.


*Romero Falcão é um cronista que se arrisca a fazer poema torto.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


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É Findi de Carnaval - O Carnaval Bonito que Resiste, no Recife Antigo - Por, Francisco Dacal*

14/02/2026

O Carnaval é uma ancestralidade viva que não se limita a uma simples manifestação
popular. Em verdade, cumulativamente, ele carrega história, cultura, alegria, estética,
musicalidade, comicidade e a criação de personagens tiradas da realidade.

Com o passar do tempo, a cidade do Recife tornou-se um excepcional palco ao ar livre para
o Carnaval, com características próprias, tendo o seu centenário Frevo, aqui nascido, eclético
e contagiante ritmo musical, como base e referência, ao lado da cidade-irmã, Olinda.

Entre o final dos anos de 1990 e o início do século XXI, com a revitalização do portuário
Bairro do Recife, berço colonial, os clubes de Blocos Líricos encontraram nele o espaço ideal
para fazerem uma festa adequada, capaz de exaltar as belezas que possuem. Deu certo. Na
época, acompanhamos essa transformação com a presença da turma do Bairro do Espinheiro,
admiradora da Festa de Momo e da modali...

O Carnaval é uma ancestralidade viva que não se limita a uma simples manifestação
popular. Em verdade, cumulativamente, ele carrega história, cultura, alegria, estética,
musicalidade, comicidade e a criação de personagens tiradas da realidade.

Com o passar do tempo, a cidade do Recife tornou-se um excepcional palco ao ar livre para
o Carnaval, com características próprias, tendo o seu centenário Frevo, aqui nascido, eclético
e contagiante ritmo musical, como base e referência, ao lado da cidade-irmã, Olinda.

Entre o final dos anos de 1990 e o início do século XXI, com a revitalização do portuário
Bairro do Recife, berço colonial, os clubes de Blocos Líricos encontraram nele o espaço ideal
para fazerem uma festa adequada, capaz de exaltar as belezas que possuem. Deu certo. Na
época, acompanhamos essa transformação com a presença da turma do Bairro do Espinheiro,
admiradora da Festa de Momo e da modalidade carnavalesca.

Com o protagonismo dos Blocos Líricos, a Ilha do Recife Antigo cultiva o carnaval dos
sonhos, autêntico, dos belos blocos e das belas canções, das fantasias, das brincadeiras e das
amizades. É o que vemos hoje, em conjunto com outras modalidades carnavalescas
tradicionais, em harmonia com as suas ruas históricas que, como escreveu Cervantes em uma
novela, [...] ”só com os nomes cobram autoridade sobre todos os nomes das de outras cidades
do mundo”: a do Apolo, a da Moeda, a do Bom Jesus, a da Alfândega, a da Guia, a do Brum,
a Madre de Deus e a do Moinho. Ao falar delas, não podemos deixar de citar as acessórias
praças: a do Arsenal, a do Marco Zero, a Tiradentes e a da Comunidade Luso-Brasileira;
pontos vitais das valiosas vias, reminiscências da grandeza da Cidade Lendária.

Este carnaval de 2026 tem algo de especial, por ser o primeiro do segundo quarto (2/4) do
Século XXI. Tal celebração crescerá em alegria, e o momento do país é bom, e nos faz pensar
no futuro, em estarmos preparados para outros carnavais, “que assim seja”... E nesse
momento, há dois fatos relevantes associados que intensificarão a aguardada festa de Baco.


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O primeiro é a comemoração do aniversário de 80 anos de Alceu Valença, já em linha,
prestes a acontecer (1º de julho). O músico, compositor e cantor Alceu Valença foi, pelo
desempenho individual, o principal impulsionador do Carnaval no Recife Antigo. Há vários
anos, o autor de Anunciação realiza, na costeira estação do Marco Zero, com o apoio de
primorosa equipe musical e artística, a apoteose do Carnaval, no último dia da festa,
subliminarmente na passagem para a quarta-feira de cinzas, com um magnífico espetáculo ao
vivo, em parceria com uma multidão de pessoas que não arredam o pé da folia em todos os
instantes da madrugada... são frevos magistrais, num estilo pessoal frenético, em cujo
repertório também não faltam o maracatu, o caboclinho e o Hino de Pernambuco.


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O segundo fato é o filme O Agente Secreto, do cineasta recifense Kleber Mendonça Filho,
lançado com sucesso em meados de 2025. A repercussão da qualidade da película foi
reconhecida com a conquista de diversos prêmios em festivais internacionais, em diversas
categorias, e ratificada com a indicação à láurea mais significativa, o Oscar, em quatro
categorias (Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e
Melhor Direção de Elenco (Escalação). O resultado final do Oscar será conhecido no dia 15
de março, no evento oficial em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Mas o que queremos destacar é a febre em torno do O Agente Secreto, nesse período momesco,
em razão de ele ter sido filmado, ambientado, na cidade do Recife, remetendo ao ano de 1972,
com cenas nas regiões centrais e históricas, algumas delas em lugares onde o nosso carnaval
acontece. Uma cena icônica é a de uma orquestra arrastando um bloco com o Frevo de Rua Cabelo de Fogo,
do Maestro Nunes, com foliões e folionas dançando. Em outra cena, o ator protagonista, Wagner Moura,
o “Marcelo” / “Armando”, aparece com uma camiseta amarela do Bloco Pitombeira dos Quatro Cantos,
de Olinda. Como consequência disso, o que estamos vendo no cotidiano recifense, aos milhares, é
o uso disseminado da camiseta da Pitombeira e a formação de irreverentes quadros cômicos com
personagens do filme em ação; situações que indicam serem as mais marcantes no meio desse carnaval,
sátiras não vão faltar.


*Agora é cair na folia, iniciando com bons Frevos de Rua:*

Último Dia (Levino Ferreira). Lágrimas de Folião (Levino Ferreira). Mordido (Alcides Leão).
Duas Épocas (Edson Rodrigues). Vassourinhas (Matias da Rocha e Joana Batista Ramos).
Cabelo de Fogo (Maestro Nunes). Freio a Óleo (José Menezes). Nino, o pernambuquinho (Maestro Duda).
Gostosão (Nelson Ferreira)...


*E deliciar-se com os Frevos de Blocos Líricos:*

- Batutas de São José… Deixe o frevo rolar / Que eu só quero saber / Se você vai ficar / Ai,
meu bem, sem você / Ah não há carnaval / Vamos cair no passo / E a vida gozar. (João Santiago).

- Serpentina Partida… Você, vestida de alegria / E eu da tristeza no salão / Mas ainda vai
chegar um dia / Em que vou reinar no seu cordão. (Maximiano Campos - Arthur Lima Cavalcanti).

- Flabelo das Ilusões… Vê! O meu Recife se enfeitou demais / Olha! Até o rio parou de
correr / Só pra ver meu bloco de recordações / Com um flabelo feito de ilusões / Me
levando de volta pra você. (Heleno Ramalho).

- Recife Manhã de Sol… Vejo o Recife prateado / À luz da lua que surgiu / Há um poema
aos namorados / No céu e nas águas dos rios. (J. Michiles).

- Panorama de Folião… Vem, meu bem / Alegria que o frevo contém / É a do meu coração /
Vem pegar no meu braço / Vamos cair no passo sem alteração. (Luiz de França).

- Último Regresso… É lindo ver o dia amanhecer / Ouvir ao longe pastorinhas mil /
Dizendo bem, que o Recife tem / O carnaval melhor do meu Brasil. (Getúlio Cavalcanti).


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Evoé!


*Francisco Dacal, é Administrador De Empresas (UFPE), Da Asociación De Cervantistas (ES), Da
Asociación Internacional De Lectores Y Coleccionistas De Don Quijote (MX), Autor do Livro “Sonho Impossível – O Recife E Cervantes”. f.dacal@hotmail.com


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É Findi de Carnaval - Eduardo Albuquerque* também vem em Dose Dupla comemorar a Folia

14/02/2026

Carnaval 26 - Poema


Alô, alô! ei meu povo!
Olha eu aqui de novo!
No “Bicho Maluco Beleza”
Agarradinho nela, a minha tigresa

Nas ladeiras, ondas de Olinda
Sempre alegre, sempre sorrindo
Dessa vez não estou sozinho
Frevo eu e minha moreninha



Vamos p’ra todos os cantos
Nos embriagar nos encantos
Na minha “Olinda sem igual”



Desfilar nos “Quatro Cantos”
Só namorando, namorando
Na linda Rainha dos Carnavais!



Galo da Madrugada - Poema


As águas serenas do Capibaribe
Altivas deslizam pelo Recife
Ei-las, testemunhas sazonais
Dos Zé Pereira, dos carnavais

Dos milhares de alegres foliões a frevar
Vêm da Sérgio Loreto, do Cinco Pontas
Do São José, Rua do Sol, Guararapes
Até a vetusta Duarte Coelho alcançar

Carnaval 26 - Poema


Alô, alô! ei meu povo!
Olha eu aqui de novo!
No “Bicho Maluco Beleza”
Agarradinho nela, a minha tigresa

Nas ladeiras, ondas de Olinda
Sempre alegre, sempre sorrindo
Dessa vez não estou sozinho
Frevo eu e minha moreninha


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Vamos p’ra todos os cantos
Nos embriagar nos encantos
Na minha “Olinda sem igual”


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Desfilar nos “Quatro Cantos”
Só namorando, namorando
Na linda Rainha dos Carnavais!


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Galo da Madrugada - Poema


As águas serenas do Capibaribe
Altivas deslizam pelo Recife
Ei-las, testemunhas sazonais
Dos Zé Pereira, dos carnavais

Dos milhares de alegres foliões a frevar
Vêm da Sérgio Loreto, do Cinco Pontas
Do São José, Rua do Sol, Guararapes
Até a vetusta Duarte Coelho alcançar


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No Recife tudo houve, há, haverá
Outrora já viu até boi sobre si voar
Agora chegou a vez do galo voo alçar
Da sua empertigada postura abdicar

Do Pernambuco para todo o Mundo
Ao Brasil oficial e ao real, profundo
O Galo da Madrugada ao povo traz
Esperanças, sonhos, e muita Paz!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


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É Findi - Sempre Ele - Crônica, por Ana Pottes*

14/02/2026

Em uma crôniqueta de beleza singular, no Findi da semana passada, Xico Bizerra indaga se ainda existem relógios de corda, aqueles com mecanismos de complexas roldanas que giram em sentidos opostos. Recordei, então, o meu prazer em usar um relógio automático pela primeira vez; era só balançar o braço e, no movimento das horas, as horas eram alimentadas.

O progresso, correndo mais do que o tempo, em corrida insana, sendo as cordas e o automatismo jogados na poeira do esquecimento e substituídos por tecnologias de ponta.

Isso me faz lembrar os rádios que acompanharam a minha infância, inundando as horas com músicas da estação Tamandaré ou aquela novela: Jerônimo, o herói do Sertão. Eram alimentados por válvulas de múltiplos tamanhos, que, acesas, pareciam as luzes de um palco. Era só fechar os olhos e imaginar.

Lembro de um, acho que da marca ABC, já cansado de guerra, resolveu queimar a válvula em uma parte da trama envolvendo grande tensão, i...

Em uma crôniqueta de beleza singular, no Findi da semana passada, Xico Bizerra indaga se ainda existem relógios de corda, aqueles com mecanismos de complexas roldanas que giram em sentidos opostos. Recordei, então, o meu prazer em usar um relógio automático pela primeira vez; era só balançar o braço e, no movimento das horas, as horas eram alimentadas.

O progresso, correndo mais do que o tempo, em corrida insana, sendo as cordas e o automatismo jogados na poeira do esquecimento e substituídos por tecnologias de ponta.

Isso me faz lembrar os rádios que acompanharam a minha infância, inundando as horas com músicas da estação Tamandaré ou aquela novela: Jerônimo, o herói do Sertão. Eram alimentados por válvulas de múltiplos tamanhos, que, acesas, pareciam as luzes de um palco. Era só fechar os olhos e imaginar.

Lembro de um, acho que da marca ABC, já cansado de guerra, resolveu queimar a válvula em uma parte da trama envolvendo grande tensão, imaginem só! Levou tantos safanões para voltar a funcionar... Sem sucesso.

Acreditávamos que eram válvulas frouxas mas, era o fim do tempo de vida daquele ABC.

Sempre o tempo: a fechar ciclos, marcar recomeços, apontar saídas, descortinar verdades, aplacar dores e despertar desejos. Ele, marcado por relógios, fatiado em pequenas porções e somado em pedaços que medimos a cada ano, para no final reconhecer que, efêmero, plantou saudade.


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem!


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


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É Findi - Gibis e Figurinhas - Soneto de Homenagem, por Josué Sena*

14/02/2026

Goiana. Ah! Os prazerosos gibis,
As revistas em quadrinhos.
Da leitura, incentivavam os caminhos,
No tempo jovem que vivi,

As usadas, já referi num poema,
O ponto de venda e trocas das revistas,
Junto ao Nácar, o saudoso cinema,
Bazar dessas mercadorias tão benquistas.

Assim a nossa riqueza,
Contava-se em revistas e figurinhas,
Elas punham a boa mesa

Do imaginário. Quanto mais se tinha,
Mais se aproximava da proeza
De ser um magnata, como Tio Patinhas.


*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.



Goiana. Ah! Os prazerosos gibis,
As revistas em quadrinhos.
Da leitura, incentivavam os caminhos,
No tempo jovem que vivi,

As usadas, já referi num poema,
O ponto de venda e trocas das revistas,
Junto ao Nácar, o saudoso cinema,
Bazar dessas mercadorias tão benquistas.

Assim a nossa riqueza,
Contava-se em revistas e figurinhas,
Elas punham a boa mesa

Do imaginário. Quanto mais se tinha,
Mais se aproximava da proeza
De ser um magnata, como Tio Patinhas.


*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.


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É Findi de Carnaval - Abafo no Carnaval do País de Caruaru - Crônica, por Valéria Barbalho*

14/02/2026

Fui ao Recife Antigo conhecer o Paço do Frevo. Entre várias informações sobre esse ritmo, li, num criativo painel, o significado de "abafo": modalidade de frevo de rua, também conhecido como "frevo de encontro", caracterizado pelo predomínio dos metais. Chama-se "abafo" quando, na rua, um bloco tem o propósito de abafar o som que vem da orquestra de outro.

Lembrei, então, de um causo que aconteceu durante o Carnaval de 1934, na Capital do Forró. Naquela época, o foco da animação era na Rua da Matriz, onde os blocos se esmeravam nos seus desfiles. Havia disputas acirradas entre as agremiações e algumas eram inimigas ferrenhas. Entre estas, os clubes Vassouras e Toureiros eram os rivais mais famosos. Nesse ano, Seu Júlio, pai de Pedro e Emiliano do Trombone, compôs um frevo sensacional chamado "Edialeda", em homenagem à filha de Mané d'Ana Branca, conhecido valentão da turma.



Quando o Maestro Samuel, da banda Nova Euterpe e, também, da orques...

Fui ao Recife Antigo conhecer o Paço do Frevo. Entre várias informações sobre esse ritmo, li, num criativo painel, o significado de "abafo": modalidade de frevo de rua, também conhecido como "frevo de encontro", caracterizado pelo predomínio dos metais. Chama-se "abafo" quando, na rua, um bloco tem o propósito de abafar o som que vem da orquestra de outro.

Lembrei, então, de um causo que aconteceu durante o Carnaval de 1934, na Capital do Forró. Naquela época, o foco da animação era na Rua da Matriz, onde os blocos se esmeravam nos seus desfiles. Havia disputas acirradas entre as agremiações e algumas eram inimigas ferrenhas. Entre estas, os clubes Vassouras e Toureiros eram os rivais mais famosos. Nesse ano, Seu Júlio, pai de Pedro e Emiliano do Trombone, compôs um frevo sensacional chamado "Edialeda", em homenagem à filha de Mané d'Ana Branca, conhecido valentão da turma.


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Quando o Maestro Samuel, da banda Nova Euterpe e, também, da orquestra do Vassouras, ouviu esse frevo, ficou encantado. Quis transformá-lo em hino do clube, desde que ele fizesse algumas modificações na melodia. Pediu autorização ao seu autor e fez as mudanças. O frevo ficou tão agressivo que, ao ouvi-lo, o barbeiro Noé Caetano exclamou: ‘Isso é coivara!'

O apelido pegou e Edialeda trocou de nome. Assim, ao som de "Coivara", Vassouras arrastou os foliões pela Rua da Matriz. Depois do desfile oficial, era costume o clube sair, frevando, para visitar algum dos seus benfeitores. Nesse dia, foram homenagear um sócio que morava na Rua Amarela. Dirigiram-se à Vigário Freire e, de lá, seguiriam para o local escolhido, quando alguém avisou que o programa deveria ser suspenso para evitar conflito, pois Toureiros estava por aquela região. Diógenes Vasconcelos, presidente do Vassouras, quis suspender a visita, visto que, seu irmão, o delegado Diomedes, tinha pedido para que todas as agremiações da cidade desfilassem em paz. Porém, Mané d'Ana Branca, vassoureiro roxo, que adorava confusão, ficou atiçando os colegas para que o encontro acontecesse.

O diretor, que também estava doido para provocar o inimigo com seu novo frevo, acabou concordando. Seguiram, então, pela Baixinha de Capitão Ioiô e logo se confrontaram com Toureiros, que estava tinindo, com a orquestra afinadíssima, tocando Fogão, conhecido como o maior "abafo". Os músicos do Vassouras não se intimidaram. Danaram-se a tocar Coivara com todo gás. Eita zoadeira! Fogão versus Coivara, guerra de barulhos: músicos se encarando, instrumentos duelando, passistas e estandartes se batendo. O povo se acabando de dançar e os músicos de tocar. Haja pernas e pulmões! O Carnaval era ali, naquele instante.

O boato do fuzuê chegou à Rua da Matriz e todo mundo correu para a Baixinha querendo ver essa peleja. As horas passavam e ninguém se rendia. Chamaram o delegado. Este, diplomaticamente, para não prejudicar nem proteger o clube do seu irmão, tentou argumentar com os grupos, sugerindo que cada um seguisse em direções opostas. Sem acordo! Fez outras propostas. Nada! Lá para as tantas, depois de muita conversa, ele convenceu Mané d'Ana, representante do Vassouras, e Zé Tranca Ruas, junto com Modesto Guarda, ambos provocadores do Toureiros, a "desarmar" os músicos de cada clube, um a um e simultaneamente. E foi o que aconteceu. Tiraram, ao mesmo tempo, um instrumento do Vassouras e um do Toureiros, depois outro de cada banda, até os últimos, os trombones. Assim, os dois clubes pararam, na mesma hora e ninguém foi "abafado" naquele memorável Carnaval do País de Caruaru. Evoé!


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Toureiros em Folia - 1932 - Acervo do Instituto Histórico de Caruaru.


*Valéria Barbalho é médica pediatra, cronista e filha do escritor e historiador caruaruense Nelson Barbalho.


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É Findi de Carnaval – O Galo da Madrugada - por Carlos Bezerra Cavalcanti*

14/02/2026

Começou, despretensiosamente, com um grupo de amantes do Carnaval, na sua maioria de moradores do bairro de São José, assim como batutas e outros grupos carnavalescos daquele tradicional bairro Recifense.

Uma Turma de Foliões

O grupo, tendo à Frente o baluarte Enéas Freire, surgiu, no dia 24 de Janeiro de 1978,assim, estava criado o Clube de Máscaras Galo da Madrugada.

No Carnaval

Naquele mesmo ano, o Galo saiu às ruas pela primeira vez: com cerca de 75 “almas penadas” - era a fantasia do Clube – percorreu as ruas do Bairro, com seus sacos de confetes e serpentinas, acompanhadas por uma orquestra de frevo composta por 22 músicos.

A Noite dos Estandartes

No Carnaval do ano seguinte o Galo realizou a 1ª Noite dos Estandartes, Para oficializar o seu Estandarte criado por Mauro Freire, um de seus fundadores, foi promovido um baile no Clube Português, na mesma ocasião era apresen...

Começou, despretensiosamente, com um grupo de amantes do Carnaval, na sua maioria de moradores do bairro de São José, assim como batutas e outros grupos carnavalescos daquele tradicional bairro Recifense.

Uma Turma de Foliões

O grupo, tendo à Frente o baluarte Enéas Freire, surgiu, no dia 24 de Janeiro de 1978,assim, estava criado o Clube de Máscaras Galo da Madrugada.

No Carnaval

Naquele mesmo ano, o Galo saiu às ruas pela primeira vez: com cerca de 75 “almas penadas” - era a fantasia do Clube – percorreu as ruas do Bairro, com seus sacos de confetes e serpentinas, acompanhadas por uma orquestra de frevo composta por 22 músicos.

A Noite dos Estandartes

No Carnaval do ano seguinte o Galo realizou a 1ª Noite dos Estandartes, Para oficializar o seu Estandarte criado por Mauro Freire, um de seus fundadores, foi promovido um baile no Clube Português, na mesma ocasião era apresentado o seu hino, criado por José Mário Chaves.

A Turma Aumentou, em 1981, a multidão passou para mais de 1.500 pessoas. Nesse mesmo ano, o Galo cria o desfile de fantasia de papel na Praia de Boa Viagem, daí para ser o recordista mundial de adeptos, mais de um milhão, foi só uma questão de tempo. (com base em informações do Clube).


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras


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É Findi – Os Pica Paus - Por Poeta Pica-Pau*

14/02/2026

Assim como os pica paus
Eu também não sei cantar
Mas o Dom me ajudou
E a natureza mandou
Eu nos versos gorjeiar

Porque sou um pica pau
Dos outros bem diferente
Eles são bons na madeira
Eu não tenho bicadeira
Me arrisco no repente

Pica pau bica a madeira
Com a maior garantia
Porque tem bico afiado
Já o meu é aparado
Só sei bicar poesia

Pica paus voam bem alto
Já que não sei voar
Pego o lápis o papel
E voou que chego no céu
No modo de improvisar


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.



Assim como os pica paus
Eu também não sei cantar
Mas o Dom me ajudou
E a natureza mandou
Eu nos versos gorjeiar

Porque sou um pica pau
Dos outros bem diferente
Eles são bons na madeira
Eu não tenho bicadeira
Me arrisco no repente

Pica pau bica a madeira
Com a maior garantia
Porque tem bico afiado
Já o meu é aparado
Só sei bicar poesia

Pica paus voam bem alto
Já que não sei voar
Pego o lápis o papel
E voou que chego no céu
No modo de improvisar


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.


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É Findi de Carnaval – E Agora, Carlos? - Crônica - Por Xico Bizerra*

14/02/2026

No carnaval, Carlos esqueceu a verdade e rendeu-se à ilusão do carnaval, no que fez muito bem. Escondeu num lugar bem secreto a chave que nenhuma porta abre e engoliu em seco a palavra doce que nunca pronuncia. Apenas sentou-se na esquina do mundo esperando a utopia. A vida de fantasia, embora fugaz, é bem menos doída, sabia Carlos. Dói menos ver quase nada no bolso se há uma colombina a lhe alegrar o coração; é menos dolorida a barriga vazia se há uma esperançazinha qualquer a azular-lhe a alma. Fez muito bem Carlos em não ter ido para Minas em busca de sua lavra de ouro, de seu terno de vidro. Ficou por aqui, ladeiras e pontes a receber seus pés e suor porque a vida tem todo dia e aquela alegria só acontece três ou quatro dias por ano e vale a pena pensar que o riso seja a verdade, ainda que não. Aquilo tudo era festa, era carnaval, era folia. Isto, apenas a vida. A fantasia, qualquer que fosse, para Carlos sempre foi muito melhor que a realidade. Assim era feliz Carlos, por três ou...

No carnaval, Carlos esqueceu a verdade e rendeu-se à ilusão do carnaval, no que fez muito bem. Escondeu num lugar bem secreto a chave que nenhuma porta abre e engoliu em seco a palavra doce que nunca pronuncia. Apenas sentou-se na esquina do mundo esperando a utopia. A vida de fantasia, embora fugaz, é bem menos doída, sabia Carlos. Dói menos ver quase nada no bolso se há uma colombina a lhe alegrar o coração; é menos dolorida a barriga vazia se há uma esperançazinha qualquer a azular-lhe a alma. Fez muito bem Carlos em não ter ido para Minas em busca de sua lavra de ouro, de seu terno de vidro. Ficou por aqui, ladeiras e pontes a receber seus pés e suor porque a vida tem todo dia e aquela alegria só acontece três ou quatro dias por ano e vale a pena pensar que o riso seja a verdade, ainda que não. Aquilo tudo era festa, era carnaval, era folia. Isto, apenas a vida. A fantasia, qualquer que fosse, para Carlos sempre foi muito melhor que a realidade. Assim era feliz Carlos, por três ou quatro dias até a vida quarta-feirar-se e Carlos voltar a ser Carlos. Num é não, seu Drummond? Evoé!.


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


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É Findi - Malude Maciel* em Dose Dupla Esta Semana

14/02/2026

Fiel espelho meu - Poema


Não gosto mais de espelhos
estão todos contra mim
as imagens que eles mostram
creio que não sou assim.

Espero que estejam mentindo
mas, fiéis eles sempre são
refletem exatamente
o que somos externamente
e esse é o X da questão

Pois, a velhice chega amargamente
alterando nossos traços joviais
sem dó, vai mostrando cicatrizes
nos espelhos dos dias atuais

E, ficamos sem razão,
não há enganos
A queríamos ter o vigor dos anos
a beleza e os sorrisos triviais
que a tantos cativou

Mas, infelizmente o tempo passou
e agora os espelhos
não têm mais serventia
porque a vida ensinou
que nossa maior beleza
se encontra no interior.


Seja feita sua vontade - Poema livre


O ser humano <...

Fiel espelho meu - Poema


Não gosto mais de espelhos
estão todos contra mim
as imagens que eles mostram
creio que não sou assim.

Espero que estejam mentindo
mas, fiéis eles sempre são
refletem exatamente
o que somos externamente
e esse é o X da questão

Pois, a velhice chega amargamente
alterando nossos traços joviais
sem dó, vai mostrando cicatrizes
nos espelhos dos dias atuais

E, ficamos sem razão,
não há enganos
A queríamos ter o vigor dos anos
a beleza e os sorrisos triviais
que a tantos cativou

Mas, infelizmente o tempo passou
e agora os espelhos
não têm mais serventia
porque a vida ensinou
que nossa maior beleza
se encontra no interior.


Seja feita sua vontade - Poema livre


O ser humano
gosta de que tudo na vida
seja como ele quer

Tem imaginação fértil
acha que as coisas sigam
segundo sua idealização

Cria um padrão,
uma meta
e pensa que nada
deve fugir ao seu controle

Fica frustrado,
impaciente,
quando algo sai
dos seus planos

Mera ilusão
porque somos todos
apenas coadjuvantes
o roteiro já está estabelecido

O mundo continuará
girando
apesar de nós


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


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É Findi - O Bosque, poema, por Felipe Bezerra*

14/02/2026

Por que cantam as cigarras
se há tempos não há graça,
se vem à mata a escuridão,
e o senhor tempo espaça
as manhãs de meu coração?

Porque nada é só desgraça,
nem a noite, que se disfarça
ao bailar com a Lua, a valsa,
sobre o mar, em que se encaixa,
como tu fazes com perfeição.

Em tua selva o corpo imerso,
mapa de voluntário regresso,
eis minha sentença e apelação,
fonte insaciável do reconvexo,
sou réu confesso na tua prisão!

*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Por que cantam as cigarras
se há tempos não há graça,
se vem à mata a escuridão,
e o senhor tempo espaça
as manhãs de meu coração?

Porque nada é só desgraça,
nem a noite, que se disfarça
ao bailar com a Lua, a valsa,
sobre o mar, em que se encaixa,
como tu fazes com perfeição.

Em tua selva o corpo imerso,
mapa de voluntário regresso,
eis minha sentença e apelação,
fonte insaciável do reconvexo,
sou réu confesso na tua prisão!

*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

O preço da alegria - Quem paga a conta?, por Zé da Flauta

13/02/2026

Todo ano surge o tribunal moral do confete. Alguém aponta o dedo e pergunta, com ar de superioridade contábil, por que gastar milhões numa festa enquanto falta remédio no posto de saúde. A pergunta parece virtuosa, mas muitas vezes vem carregada de uma hipocrisia conveniente. Quem a faz raramente questiona com a mesma veemência os milhões gastos em publicidade oficial, em cargos inúteis ou em obras eleitoreiras que nunca terminam. O problema, ao que parece, não é o dinheiro público. É o dinheiro público quando vira povo feliz.

Manobra

Dizer que o povo faz Carnaval de graça é ignorar que ninguém vive de aplauso. Há músicos, técnicos, costureiras, montadores, vendedores ambulantes, gente que trabalha meses para que a festa aconteça. O investimento público não paga só trio elétrico e palco iluminado. Ele ativa uma cadeia produtiva que sustenta milhares de famílias. Cancelar o Carnaval não transforma automaticamente esse dinheiro em leito hospitalar. Or...

Todo ano surge o tribunal moral do confete. Alguém aponta o dedo e pergunta, com ar de superioridade contábil, por que gastar milhões numa festa enquanto falta remédio no posto de saúde. A pergunta parece virtuosa, mas muitas vezes vem carregada de uma hipocrisia conveniente. Quem a faz raramente questiona com a mesma veemência os milhões gastos em publicidade oficial, em cargos inúteis ou em obras eleitoreiras que nunca terminam. O problema, ao que parece, não é o dinheiro público. É o dinheiro público quando vira povo feliz.

Manobra

Dizer que o povo faz Carnaval de graça é ignorar que ninguém vive de aplauso. Há músicos, técnicos, costureiras, montadores, vendedores ambulantes, gente que trabalha meses para que a festa aconteça. O investimento público não paga só trio elétrico e palco iluminado. Ele ativa uma cadeia produtiva que sustenta milhares de famílias. Cancelar o Carnaval não transforma automaticamente esse dinheiro em leito hospitalar. Orçamento não é mágica. Mas usar a saúde como argumento para demonizar a cultura é uma manobra emocional eficiente.

Distorção

Isso não significa que tudo esteja certo. Há contratos inflados, palcos superfaturados, artistas privilegiados por proximidade política, marketing disfarçado de política cultural. Quando o Carnaval vira palanque e selfie oficial, a crítica é justa e necessária. O que não dá é fingir que o problema é a festa em si. O problema é gestão ruim, transparência seletiva e prioridades distorcidas. Se o dinheiro é mal aplicado, a culpa não é do tambor.

Moeda política

Talvez a pergunta incômoda seja outra. Por que a alegria popular incomoda tanto? Por que se tolera o desperdício silencioso, mas se revolta com a rua cheia de gente dançando? Uma sociedade que só investe em concreto e nunca em cultura constrói prédios, mas não constrói identidade. O debate sério não é cortar o Carnaval para salvar o hospital. É impedir que tanto o Carnaval quanto o hospital sejam usados como moeda política. Alegria não é luxo. Luxo é a incompetência travestida de moralidade.

Até a próxima!
Zé da Flauta é compositor e cronista


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Inmet emite alertas de chuvas para Pernambuco na sexta e no sábado; veja tendência para o Carnaval

13/02/2026

Será um carnaval molhado. Com previsão de chuva. O Carnaval em Pernambuco deve ser com chuva, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que emitiu um alerta amarelo, são esperadas precipitações intensas ao longo do dia.

Tendência

Até o domingo (15/02), a tendência é de manutenção das pancadas no litoral, no Grande Recife, na Zona da Mata e no Agreste. Apesar disso, o sol pode aparecer ao longo do dia e a chuva deve cair de forma mais leve. Já na segunda (16/02) e na terça-feira (17/02), a tendência indica predomínio de sol, mas os meteorologistas ressaltam que a previsão pode sofrer alterações.

O comunicado

O comunicado emitido hoje, sexta-feira (13/02), é válido para a Região Metropolitana do Recife (RMR), Zona da Mata, Agreste e Sertão, e prevê chuvas de até 50 milímetros.

O alerta amarelo se estende para estados de outras regiões do Brasil, como Pará, Ceará, Amapá, Alagoas, Rio Gra...

Será um carnaval molhado. Com previsão de chuva. O Carnaval em Pernambuco deve ser com chuva, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que emitiu um alerta amarelo, são esperadas precipitações intensas ao longo do dia.

Tendência

Até o domingo (15/02), a tendência é de manutenção das pancadas no litoral, no Grande Recife, na Zona da Mata e no Agreste. Apesar disso, o sol pode aparecer ao longo do dia e a chuva deve cair de forma mais leve. Já na segunda (16/02) e na terça-feira (17/02), a tendência indica predomínio de sol, mas os meteorologistas ressaltam que a previsão pode sofrer alterações.

O comunicado

O comunicado emitido hoje, sexta-feira (13/02), é válido para a Região Metropolitana do Recife (RMR), Zona da Mata, Agreste e Sertão, e prevê chuvas de até 50 milímetros.

O alerta amarelo se estende para estados de outras regiões do Brasil, como Pará, Ceará, Amapá, Alagoas, Rio Grande do Norte, Piauí, Tocantins e Mato Grosso.

Além da previsão para esta hoje, sexta-feira (13/02), o Inmet também emitiu um comunicado indicando acumulado de chuva para este Sábado de Zé Pereira (14), na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata.

O alerta

O alerta é válido também para toda a faixa litorânea da Paraíba, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, e parte da Bahia.

Apac aponta tendência de chuva
A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) atualizou a tendência de chuvas para o estado nos próximos dias, durante o Carnaval.

Sábado de Zé Pereira

Para amanhã, Sábado de Zé Pereira (14/02), a tendência indica precipitação fraca a moderada na Mata Norte, RMR, Mata Sul, Agreste, Sertão de Pernambuco e Sertão do São Francisco.

Domingo

No Domingo de Carnaval (15/02), a tendência é de chuva fraca na Mata Norte, RMR, Mata Sul, Agreste e Sertão do São Francisco, enquanto no Sertão de Pernambuco a previsão é de fraca a moderada.

SL
O Poder


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Foliões no Recife frevam no mesmo tapete vermelho de Cannes com Guerreiros do Passo, do filme ‘O Agente Secreto”

13/02/2026

Frevo, dança e cinema. A abertura do Carnaval do Recife ganhou uma cena digna de cinema. O grupo de frevo Guerreiros do Passo, que participou do filme "O Agente Secreto" e foi à Cannes em 2025 para o festival internacional de cinema, dançou no mesmo tapete vermelho usado na França. A arte uniu os dois países na saída do tradicional Clube Carnavalesco Escuta Levino.

Surpresa

Para o presidente do grupo de frevo, Eduardo Araújo, foi uma surpresa o tamanho da repercussão após a participação do grupo na divulgação e cenas do filme.

O elogio do cônsul

Serge Gas, cônsul geral da França no Recife, elogiou o Guerreiros do Passo, grupo que foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Recife em 2025. "Eles contribuem para fortalecer os laços culturais entre o Brasil e a França", pontuou.

O Poder

Frevo, dança e cinema. A abertura do Carnaval do Recife ganhou uma cena digna de cinema. O grupo de frevo Guerreiros do Passo, que participou do filme "O Agente Secreto" e foi à Cannes em 2025 para o festival internacional de cinema, dançou no mesmo tapete vermelho usado na França. A arte uniu os dois países na saída do tradicional Clube Carnavalesco Escuta Levino.

Surpresa

Para o presidente do grupo de frevo, Eduardo Araújo, foi uma surpresa o tamanho da repercussão após a participação do grupo na divulgação e cenas do filme.

O elogio do cônsul

Serge Gas, cônsul geral da França no Recife, elogiou o Guerreiros do Passo, grupo que foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Recife em 2025. "Eles contribuem para fortalecer os laços culturais entre o Brasil e a França", pontuou.

O Poder

Ensaio - Deuses, Homens e Ateus, por José Ricardo de Souza*

13/02/2026

Quando alguém diz: "eu acredito em Deus", a primeira indagação que faço é: "a qual deus ela se refere?" Estaria ela falando de Iawvé, de Jesus Cristo ou de Alá, as principais divindades das três grandes religiões abraâmicas monoteístas? Ou se reportando a Buda (que nem é um deus propriamente dito, assim como o Budismo não é uma religião), a Vishnu, a Ganesh, a Shiva, a Brahma, algumas das divindades do panteão asiático? Ou seria uma lembrança dos deuses do passado como Ísis, Seth e Osíris dos egípcios, Zeus, Atena e Poseidon dos gregos; Júpiter, Minerva e Netuno dos romanos; Odin, Thor e Loki dos nórdicos; Quetzalcoalt dos Astecas, etc...? (a lista é bem mais extensa, cite apenas alguns dos deuses desses povos). Será que essa menção é estendida aos deuses cultuados pelas populações indígenas e afro-brasileiras também? Assim chegamos ao primeiro ponto, que é a existência de várias divindades que foram e/ou são cultuadas por povos diferentes em épocas e culturas diversas.

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Quando alguém diz: "eu acredito em Deus", a primeira indagação que faço é: "a qual deus ela se refere?" Estaria ela falando de Iawvé, de Jesus Cristo ou de Alá, as principais divindades das três grandes religiões abraâmicas monoteístas? Ou se reportando a Buda (que nem é um deus propriamente dito, assim como o Budismo não é uma religião), a Vishnu, a Ganesh, a Shiva, a Brahma, algumas das divindades do panteão asiático? Ou seria uma lembrança dos deuses do passado como Ísis, Seth e Osíris dos egípcios, Zeus, Atena e Poseidon dos gregos; Júpiter, Minerva e Netuno dos romanos; Odin, Thor e Loki dos nórdicos; Quetzalcoalt dos Astecas, etc...? (a lista é bem mais extensa, cite apenas alguns dos deuses desses povos). Será que essa menção é estendida aos deuses cultuados pelas populações indígenas e afro-brasileiras também? Assim chegamos ao primeiro ponto, que é a existência de várias divindades que foram e/ou são cultuadas por povos diferentes em épocas e culturas diversas.


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A transcendência

O fenômeno religioso é muito mais cultural do que teológico. E mesmo assim não sustenta a ideia da existência da divindade, expressa apenas o desejo dos seres humanos de lidarem com a chamada transcendência, essa relação com o sagrado, que media nossa existência em questões existenciais como a doença, o sofrimento e a morte; ambos reflexos da condição humana, mas que em busca de sentidos e significados, o ser humano historicamente buscou uma explicação além do racional, e encontra isso no campo mítico. Religiões e religiosidades são expressões de natureza mítica, pontuadas em crenças que se explicam a partir da fé, da crença, materializada em símbolos ou espaços do sagrado. Como fenômenos sujeitos à temporalidade e à cultura devem ser entendidas também sob o crivo das ciências humanas e sociais, como a História, a Antropologia, a Sociologia (sem esquecer da Filosofia, claro).


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Ateísmo, ateísmos

Outro ponto que julgo pertinente nesse debate é sobre a negação da divindade, popularmente chamada de ateísmo. A princípio é bom destacar que não existe "ateísmo" (assim como não existe "religião" no singular), mas sim várias expressões do pensamento ateísta, que é tão diverso quanto o pensamento religioso. O ateísmo de Richard Dawkins não é o mesmo de Stephen Hawking, que não é o mesmo de Marx ou de Nietzsche, só para citar alguns exemplos. Negar a existência de uma divindade e de tudo o que a ela se refere é apenas o ponto de partida para estes teóricos. Lembrando que diferentemente dos ateus, temos os chamados agnósticos, que também não acreditam, mas dizem não ser possível comprovar empiricamente a não existência da divindade, por isso preferem ficar na cômoda situação do "talvez".


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Permanência na caverna

Num país de maioria religiosa, como é o caso do Brasil, existe um preconceito muito grande em relação às pessoas ateias, maior do que se imagina. Eu sempre digo que é mais fácil hoje "sair do armário" (expressão usada para quem assume a homoafetividade) do que "sair da caverna" (numa clara alusão ao mito da caverna de Platão). Um candidato que se declara homoafetivo poderia até chegar a ser presidente da República, mas um ateu declarado jamais chegaria a este cargo no Brasil. O discurso antiateísta é reforçado com frases sutis (assim como outras mazelas como o racismo também o são) do tipo "é impossível viver sem deus", "matou porque não tem deus no coração", "isso é um degenerado porque não tem fé", etc... Discurso esse reforçado pela própria mídia, principalmente nos programas policialescos. Além, é claro de condenarem os ateus ao inferno! Coisa que nem ateus acreditam que exista!


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Afinal, o que querem os ateus?

Se você pensou que eles pretendem o fim de sua religião, você decididamente não sabe nada sobre ateísmo! Aos ateus, não importa em quem ou no que você acredita, contanto que você esteja feliz e satisfeito com as respostas que encontrou para responder aos dilemas de sua existência. Ateus honestos não se preocupam em atacar ou macular religiões e religiosidades. Agora se tem um ponto do qual eles não abrem mão é sobre a laicidade do Estado. A laicidade é a separação entre Religião e Estado, cujas origens remontam ao pensamento iluminista que norteou a Revolução Francesa de 1789, sendo um dos princípios basilares do republicanismo e, portanto, do Estado Democrático de Direito.


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O Estado laico

Ao contrário do que pregam alguns religiosos mal intencionados ou desonestos mesmo, defende a liberdade religiosa e a preservação dos seus locais de culto e de suas liturgias. É diferente do Estado antirreligioso que proíbe, persegue e restringe as expressões do Sagrado em seu meio. Embora alguns veem a laicidade como uma inimiga ou entrave para o desenvolvimento das religiões, ela é muito mais útil e necessária do que se imagina, principalmente num país marcado pela diversidade religiosa. Historicamente falando, já vimos que a simbiose entre Estado e Religião nunca deu certo, principalmente para as camadas mais baixas da pirâmide social. Exemplos não faltam: os faraós egípcios, os imperadores romanos, o cesaropapismo, a Igreja Católica medieval, a Inquisição, etc.

As religiões e religiosidades

Devem ser entendidas como construções meramente históricas e culturais. Ninguém nasce judeu, cristão ou muçulmano (só para citar as três maiores do monoteísmo), mas se torna judeu, cristão e muçulmano a partir de suas experiências cotidianas mediadas pela cultura adotada pelo grupo social a qual pertencem. A fé e as crenças atribuem sentidos e significados que respondem às inquietações existenciais, e são importantes nesse aspecto porque precisamos servem como sustentação psicológica para lidar com temas dilacerantes como dores e perdas. Religiosos, arreligiosos, ateus e agnósticos precisam aprender a conviver pacificamente, cada qual respeitando o espaço do outro.


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Respeito recíproco

A minha descrença (sou ateu e não escondo isso) não me dá o direito de ofender a sua crença. Assim como a sua crença não te dá o direito de ofender a minha descrença. Ambos temos a obrigação moral e ética de respeitar as posições divergentes e procurar na convergência (sim, existem pontos comuns que ateus e religiosos concordam, como por exemplo nas discussões sobre ética) o que podemos estabelecer dentro de um diálogo interreligioso pautado nas experiências dessa relação entre profano e sagrado. Como se pode perceber temos muito o que aprender e ensinar quando deixamos nossa arrogância e soberba intelectuais de lado e deixamo-nos levar pela curiosidade e pelo encanto com o conhecimento que a fé ou a descrença do outro podem proporcionar.

Entre o mito e a razão

Não temos respostas para tudo, nem certezas do nada, mas continuamos buscando entre o céu e a terra os porquês que provocam nosso raciocínio há milênios de existência. Caminhamos entre o mito e a razão, entre o dilema da vida e a dúvida do pós-morte, entre elementos que julgamos tão fortes quanto nossas crenças: ar, água, fogo, terra. Os deuses do passado viraram mitologia no presente, e os deuses do presente, o que virarão no futuro? Guimarães Rosa tinha razão quando escreveu em seu célebre Grandes Sertões: Veredas: "Reza é que sara da loucura"? São tantas questões que se somam aquela que me fez escrever este artigo: "Deus existe?" A qual respondo que, enquanto historiador, não me atenho a existência ou não da divindade, deixando este dilema para os teólogos. A eles cabe se debruçar sobre este tema. Ao meu olhar, de estudioso das ciências humanas e sociais, me interessa como os seres humanos agiram, sentiram, pensaram, e quais relações sociais, políticas, econômicas e culturais estabeleceram entre si baseando-se em suas crenças.

*O autor é historiador, professor da rede pública estadual de ensino, escritor e criador do projeto Muita História pra Contar. Quem quiser seguir nas principais redes sociais o perfil é @josericardope01


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O Brasil como Laboratório do amanhã: a Mistura Que Salva o Mundo

13/02/2026

Por Meraldo Zisman*

Esqueça a ideia de que o Carnaval é apenas uma pausa na realidade; ele é, na verdade, o nosso laboratório mais avançado de humanidade. Enquanto o mundo se fecha em laboratórios de silício, o Brasil ocupa o asfalto para testar a nossa capacidade de coexistir. Passamos o ano inteiro sitiados pela pressa e pelas telas, mas, quando a rua chama, o Brasil deixa de ser uma ideia abstrata para virar presença física. É o milagre do corpo que encosta, da voz que se funde e de um riso que não cabe em apartamentos. Nesse espelho sem filtros, o que era duro amolece e o isolado aparece. Ali, a gente se vê como realmente é: bonito e ferido, generoso e desconfiado, mas, acima de tudo, visceralmente vivo.

Refletor da vida

Nesta experiência coletiva, a coragem e a vulnerabilidade saem do esconderijo. É a coragem de ocupar o espaço sem pedir desculpas e a vulnerabilidade de rir e chorar ao mesmo tempo, reorganizando o peito en...

Por Meraldo Zisman*

Esqueça a ideia de que o Carnaval é apenas uma pausa na realidade; ele é, na verdade, o nosso laboratório mais avançado de humanidade. Enquanto o mundo se fecha em laboratórios de silício, o Brasil ocupa o asfalto para testar a nossa capacidade de coexistir. Passamos o ano inteiro sitiados pela pressa e pelas telas, mas, quando a rua chama, o Brasil deixa de ser uma ideia abstrata para virar presença física. É o milagre do corpo que encosta, da voz que se funde e de um riso que não cabe em apartamentos. Nesse espelho sem filtros, o que era duro amolece e o isolado aparece. Ali, a gente se vê como realmente é: bonito e ferido, generoso e desconfiado, mas, acima de tudo, visceralmente vivo.

Refletor da vida

Nesta experiência coletiva, a coragem e a vulnerabilidade saem do esconderijo. É a coragem de ocupar o espaço sem pedir desculpas e a vulnerabilidade de rir e chorar ao mesmo tempo, reorganizando o peito enquanto o surdo bate. O Carnaval funciona como um refletor que ilumina nossas luzes e nossas sombras — a violência e a desigualdade que o país precisa encarar para amadurecer. No aperto do bloco, o brasileiro desenvolve uma ética profunda que o resto do planeta ainda busca: o limite no "com licença", o cuidado com o mais frágil e a consciência de que liberdade não é licença para ferir. A rua vira aula, e o único mestre é o outro.

Tecnologia social

Enquanto o mundo se retrai em algoritmos frios e se fragmenta em muros de intolerância, o Brasil exercita no asfalto a tecnologia social mais avançada que existe: a nossa mistura. Essa capacidade única de converter o caos em harmonia e a diferença em beleza é a solução real para os conflitos globais que o século exige. O Homem do Futuro terá alma brasileira porque ele é o único capaz de habitar a diversidade sem precisar aniquilá-la; ele domina a maestria de ser rede sem virar pedra. Esse novo humano não emergirá das máquinas, mas do calor do encontro e da coragem de entender que a vida é um acontecimento coletivo.

A vanguarda da vanguarda

O brasileiro é a vanguarda de uma humanidade que, apesar de todas as feridas, escolhe o abraço como destino e a alegria como a maior das resistências.

*Meraldo Zisman é médico psicoterapeuta.

Nem Carnaval, Nem Futebol — Somos o País da Corrupção - Por, Emanuel Silva*

13/02/2026

O relatório do Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2025, divulgado pela Transparência Internacional em 10 de fevereiro de 2026, confirmou um diagnóstico incômodo:

o Brasil permanece preso a um patamar estruturalmente baixo de integridade percebida no setor público.
Em uma escala de 0 a 100, o país registrou 35 pontos e manteve-se na 107ª posição entre 182 países, repetindo praticamente o pior desempenho de sua série histórica recente.



O contraste é evidente. Enquanto países considerados mais íntegros — como Dinamarca, Finlândia e Cingapura — alcançam pontuações superiores a 80 pontos, o Brasil aparece próximo de nações com percepção elevada de corrupção, entre elas Argélia, Laos, Malawi, Nepal e Serra Leoa. Até mesmo a Argentina apresenta pontuação ligeiramente superior ao do Brasil.

A manutenção do país na mesma faixa de pontuação indica que mudanças políticas ou administrativas recentes não foram suficientes para...

O relatório do Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2025, divulgado pela Transparência Internacional em 10 de fevereiro de 2026, confirmou um diagnóstico incômodo:

o Brasil permanece preso a um patamar estruturalmente baixo de integridade percebida no setor público.
Em uma escala de 0 a 100, o país registrou 35 pontos e manteve-se na 107ª posição entre 182 países, repetindo praticamente o pior desempenho de sua série histórica recente.


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O contraste é evidente. Enquanto países considerados mais íntegros — como Dinamarca, Finlândia e Cingapura — alcançam pontuações superiores a 80 pontos, o Brasil aparece próximo de nações com percepção elevada de corrupção, entre elas Argélia, Laos, Malawi, Nepal e Serra Leoa. Até mesmo a Argentina apresenta pontuação ligeiramente superior ao do Brasil.

A manutenção do país na mesma faixa de pontuação indica que mudanças políticas ou administrativas recentes não foram suficientes para alterar, de forma perceptível, os padrões internacionais de governança, transparência e controle do setor público brasileiro.


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O aumento da corrupção: números só pioram

Quando se observa a trajetória comparável do Índice de Percepção da Corrupção (IPC) desde 2012, o padrão torna-se mais nítido:

• 2012–2014: a posição do Brasil em relação ao mundo já era muito desfavorável, com pontuações em torno de 43 pontos, embora esse tenha sido o menor nível de corrupção percebida dentro do período de publicação do IPC.
• 2015–2017: este período marca o início da deterioração na percepção de corrupção no Brasil, com queda para a faixa de 37 a 40 pontos.
• 2018–2022: a corrupção percebida se consolida em um patamar baixo, entre 35 e 38 pontos, sem qualquer recuperação sustentada.
• 2023: ocorre nova piora, com recuo para 36 pontos.
• 2024: o Brasil registra o pior resultado da série histórica, com 34 pontos e queda relevante na
posição global.
• 2025: há leve variação para 35 pontos, estatisticamente insuficiente para indicar melhora, mantendo o país no mesmo nível crítico de corrupção percebida, próximo ao de nações como Sri Lanka, que recentemente enfrentou forte instabilidade social associada a escândalos de corrupção governamental.


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Do ponto de vista técnico, a leitura é inequívoca: há mais de uma década o Brasil não consegue recuperar, de forma consistente, os níveis de integridade percebida no setor público, revelando um processo prolongado de deterioração seguido de estagnação.

A corrupção em 2025: fatores estruturais do baixo desempenho e de enfraquecimento da Democracia

A Retrospectiva Brasil 2025, também publicada pela Transparência Internacional, aponta elementos qualitativos que ajudam a explicar essa permanência em níveis baixos:

• Opacidade orçamentária e fragilidade de mecanismos de controle no uso de recursos públicos.
• Crescimento da influência do crime organizado sobre políticas e contratos estatais.
• Conflitos institucionais e questionamentos sobre imparcialidade em todas as instâncias de poder, inclusive no judiciário
• Ampliação de instrumentos políticos com baixa transparência, reduzindo controle social efetivo.
Esses fatores não medem apenas escândalos isolados, mas revelam fragilidades sistêmicas de governança, que impactam diretamente a percepção internacional de integridade. O pior é que o nível de corrupção do Brasil desde a década passada nos aproxima mais dos regimes não democráticos, os quais tem nível de corrupção em média de 32 pontos (o Brasil tem 35). Ou seja, estamos distantes de um Democracia Deficitária (que alcança em média 47 pontos).

Entre a cultura da festa e a cultura da corrupção

O Brasil construiu sua identidade simbólica sobre a alegria coletiva, o futebol e a celebração.
Mas, silenciosamente, consolidou outra normalidade: a convivência com níveis elevados de corrupção percebida.

A leitura técnica do IPC revela que o problema não é episódico nem partidário — é estrutural, persistente e institucional. E seus efeitos são concretos: menos confiança, menos investimento, menor eficiência estatal e menos recursos para saúde, educação e segurança.

Por isso, a questão central já não é por que caímos no ranking, nem por que não conseguimos subir.
A pergunta incômoda é outra: em que momento deixamos de nos indignar com a corrupção e passamos a tratá-la como parte inevitável do cotidiano?

Quando o roubo sistemático de recursos públicos se torna previsível e tolerado, o problema deixa de ser apenas político. Torna-se moral e civilizatório.


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Porque onde a corrupção se impõe como regra, não desaparece apenas o dinheiro público, desaparece o próprio sentido de vida coletiva fundada na lei, na confiança e na responsabilidade comum. Parece que inclusive já nem somos uma democracia, como destaca os índices de corrupção quando analisados por tipo de regime.


*Emanuel Silva, é Professor e Cronista


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.


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Mano e Andréa Medeiros abrem folia em Jaboatão

13/02/2026

A primeira noite do Carnaval da Gente 2026, promovido pela Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes em parceria com o Governo do Estado por meio do projeto Pernambuco Meu País, levou música, alegria e muita animação ao Centro da cidade, ontem, quinta-feira (12/02).

Marcou

O evento marcou o início da programação festiva no polo e funcionou como um grande esquenta para a abertura oficial do Carnaval, que acontece hoje, sexta-feira (13/02), dando sequência à festa até a próxima terça-feira.

A cantora

A abertura da noite ficou por conta da cantora jaboatonense Alessandra Vieira, a Xuxinha, que subiu ao palco celebrando 25 anos de carreira. Com um repertório eclético, passeando por diversos ritmos, a artista colocou o público para dançar e cantar junto logo nas primeiras horas da noite.

Destacou

O prefeito Mano Medeiros destacou que o esquenta demonstrou a força da cultura e o envo...

A primeira noite do Carnaval da Gente 2026, promovido pela Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes em parceria com o Governo do Estado por meio do projeto Pernambuco Meu País, levou música, alegria e muita animação ao Centro da cidade, ontem, quinta-feira (12/02).

Marcou

O evento marcou o início da programação festiva no polo e funcionou como um grande esquenta para a abertura oficial do Carnaval, que acontece hoje, sexta-feira (13/02), dando sequência à festa até a próxima terça-feira.

A cantora

A abertura da noite ficou por conta da cantora jaboatonense Alessandra Vieira, a Xuxinha, que subiu ao palco celebrando 25 anos de carreira. Com um repertório eclético, passeando por diversos ritmos, a artista colocou o público para dançar e cantar junto logo nas primeiras horas da noite.

Destacou

O prefeito Mano Medeiros destacou que o esquenta demonstrou a força da cultura e o envolvimento da população com a festa. “Começamos com o pé direito, mostrando que o Carnaval da Gente é feito para valorizar nossos artistas, fortalecer a cultura popular e movimentar a economia local. É uma festa pensada para o povo, com organização, segurança e muita alegria”, afirmou.

Ressaltou

A gestora do Programa de Políticas Públicas Sociais (PPS), Andréa Medeiros, ressaltou o caráter acolhedor da programação. “Preparamos cada detalhe para que as famílias possam participar com tranquilidade. O Carnaval é um momento de celebração, de encontro e que fortalece ainda mais o sentimento de pertencimento, é o Carnaval da Gente. Ver o Centro repleto de pessoas tão animadas já nessa primeira noite é muito gratificante”, destacou.

Importância

Emocionada por participar do início da programação carnavalesca no município, Xuxinha falou sobre a importância do momento.

“Eu já fiz outras festas aqui em Jaboatão, mas viver esse momento no Carnaval da Gente é diferente. Meu coração está muito feliz e muito grato. Quero agradecer à Prefeitura e a toda equipe que trabalha para fazer essa festa linda acontecer”, afirmou a artista, que segue com agenda intensa durante todo o período momesco.

Molejo

Na sequência, o grupo carioca Molejo trouxe ao público um verdadeiro resgate dos grandes sucessos que marcaram gerações ao longo de mais de três décadas de carreira. Hits consagrados embalaram foliões de diferentes idades, transformando o Centro em um grande palco de celebração popular.

Destacou

O vocalista Andrezinho destacou o carinho do público jaboatonense, cidade onde o grupo vem realizando apresentações desde a semana passada. “Jaboatão tem uma energia especial. A gente já vinha sentindo isso nos shows anteriores e hoje foi mais uma noite incrível. É muito bom ver famílias inteiras cantando músicas que atravessaram gerações. Isso é o que faz o Molejo continuar na estrada”, afirmou.

Bloco

A festa ficou ainda melhor quando o Bloco Galinha Azul, que veio percorrendo as ruas do Centro, se incorporou ao show do Molejo unindo música e público numa dobradinha que deu mais cor e energia ao início do Carnaval no Jaboatão.

Com a abertura oficial prevista para esta sexta-feira (13/02), a expectativa é de que milhares de foliões continuem ocupando o polo do Centro e os demais espaços da programação, consolidando o Carnaval da Gente como uma das maiores festas populares do município.

Lula cumpre agenda no Grande Recife e confirma presença no Galo da Madrugada

13/02/2026

O presidente Lula (PT) chega a Pernambuco hoje, sexta-feira (13/02) e cumpre agenda no Grande Recife até amanhã, sábado (14/02).

Agenda

O primeiro compromisso é uma visita a uma fábrica de medicamentos no Complexo Industrial Portuário de Suape, no Cabo de Santo Agostinho. No dia seguinte, ele acompanha o desfile do Galo da Madrugada, no Recife.

A chegada

O avião presidencial tem previsão de chegar ao Aeroporto Internacional do Recife por volta das 15h. De lá, a comitiva parte para o Porto de Suape, onde Lula faz uma visita às novas instalações expandidas da fábrica do Aché Laboratórios Farmacêuticos.

Presidente no carnaval

Amanhã, sábado (14/020, Lula vai acompanhar o desfile do Galo da Madrugada. Será a primeira vez que um presidente do Brasil, em exercício, vai estar presente no desfile do maior bloco de carnaval do mundo.

Participou

O...

O presidente Lula (PT) chega a Pernambuco hoje, sexta-feira (13/02) e cumpre agenda no Grande Recife até amanhã, sábado (14/02).

Agenda

O primeiro compromisso é uma visita a uma fábrica de medicamentos no Complexo Industrial Portuário de Suape, no Cabo de Santo Agostinho. No dia seguinte, ele acompanha o desfile do Galo da Madrugada, no Recife.

A chegada

O avião presidencial tem previsão de chegar ao Aeroporto Internacional do Recife por volta das 15h. De lá, a comitiva parte para o Porto de Suape, onde Lula faz uma visita às novas instalações expandidas da fábrica do Aché Laboratórios Farmacêuticos.

Presidente no carnaval

Amanhã, sábado (14/020, Lula vai acompanhar o desfile do Galo da Madrugada. Será a primeira vez que um presidente do Brasil, em exercício, vai estar presente no desfile do maior bloco de carnaval do mundo.

Participou

O político já participou do Galo da Madrugada em 2000, dois anos antes de ser eleito pela primeira vez para presidir o país. A expectativa é que Lula assista ao desfile num camarote de patrocinadores do bloco. Essa será a primeira agenda de um carnaval agitado para o presidente.

Salvador

Ainda no Sábado de Zé Pereira, o petista segue para Salvador para assistir à saída do bloco de carnaval Trio da Cultura, da cantora e ministra da Cultura, Margareth Menezes. Na capital baiana, o presidente é esperado no Circuito Campo Grande e deve acompanhar a folia no camarote oficial do estado, governado por Jerônimo Rodrigues (PT).

Galo da Madrugada deve arrastar mais de 2 milhões de pessoas ao som de 30 trios elétricos

13/02/2026

Por Severino Lopes

Uma tradição que já dura anos. Quando o sol nascer na Veneza brasileira, milhões de foliões já estarão prontos para mais uma festa. No Sábado de Zé Pereira (14/02), o Recife amanhece ao som dos clarins que anunciam o Galo da Madrugada. O desfile que anuncia oficialmente a chegada do carnaval em Recife, começa às 9h, na Praça Sérgio Loreto, no bairro de São José, e arrasta milhares de foliões pelas ruas do Centro da capital. São 48 anos de história e 46 carnavais.



30 trios

Com tema "Frevo no Planeta Galo", o maior bloco de carnaval do mundo sai às ruas neste sábado com 30 trios elétricos, seis carros alegóricos e atrações especiais como Elba Ramalho, Chico César, Roberta Miranda, Priscila Senna e Raphaela Santos - esta última estreante no bloco.


Atrações

Entre as principais atrações para o desfile deste ano também estão Almir Rouche, André Rio,...

Por Severino Lopes

Uma tradição que já dura anos. Quando o sol nascer na Veneza brasileira, milhões de foliões já estarão prontos para mais uma festa. No Sábado de Zé Pereira (14/02), o Recife amanhece ao som dos clarins que anunciam o Galo da Madrugada. O desfile que anuncia oficialmente a chegada do carnaval em Recife, começa às 9h, na Praça Sérgio Loreto, no bairro de São José, e arrasta milhares de foliões pelas ruas do Centro da capital. São 48 anos de história e 46 carnavais.


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30 trios

Com tema "Frevo no Planeta Galo", o maior bloco de carnaval do mundo sai às ruas neste sábado com 30 trios elétricos, seis carros alegóricos e atrações especiais como Elba Ramalho, Chico César, Roberta Miranda, Priscila Senna e Raphaela Santos - esta última estreante no bloco.


Atrações

Entre as principais atrações para o desfile deste ano também estão Almir Rouche, André Rio, Nena Queiroga, Geraldinho Lins, Gustavo Travassos, Nonô Germano, Michelle Melo, além dos maestros Spok e Forró.

Uma boa ideia

De acordo com o presidente do bloco, Rômulo Menezes, a ideia é ajudar na conscientização. "O foco é na preservação do meio ambiente, especialmente na redução de produção de gás carbônico", afirmou.
O percurso do bloco é de 6,5 quilômetros, e a saída ocorre às 9h, do Forte das Cinco Pontas. Pura energia.

Estátua gigante do galo

Todos os anos, uma estátua gigante de um galo colorido - maior símbolo do bloco - é montada na Ponte Duarte Coelho, no centro do Recife, dias antes do evento.
A montagem

Pela primeira vez, a montagem do Galo Gigante, que reina todos os anos no carnaval do Recife, foi concluída diretamente com a ajuda dos súditos. Esta semana, centenas de foliões e moradores da capital pernambucana se uniram em cortejo para levar o coração da alegoria, última peça que faltava para a estrutura ficar pronta.


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Homenagem

Este ano o Galo presta homenagem ao ex-arcebispo do Recife Dom Helder. Por isso, o coração que vai aparecer "por fora" do peito da alegoria, é uma referência ao arcebispo emérito de Olinda e Recife Dom Helder Câmara, homenageado da alegoria deste ano, que tem como tema "Galo Folião Fraterno". A peça é uma cocriação dos artistas Leopoldo Nóbrega, responsável pelo design do Galo gigante, e Júlio Gonçalves.

Outro homenageado

O homenageado do desfile de 2026 é o músico Marcelo Melo, fundador do grupo Quinteto Violado. O artista virá no carro abre-alas do Galo.
"Estamos há mais de 20 anos em trio. Sou o único remanescente da formação original do Quinteto Violado e estou completando 80 anos. É uma grande alegria e eu agradeço de coração", afirmou o homenageado.

Ampliar

Segundo os organizadores, em 2026, o Galo pretende ampliar o espaço para a inclusão. Trezentos foliões com deficiência vão participar da abertura do desfile, ao lado do carro abre-alas.

Segurança

De acordo com a agremiação, para o desfile deste ano está mobilizado um efetivo de 2,5 mil seguranças privados e 200 diretores de apoio aos 30 trios e alegorias. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e das polícias Civil e Militar também estarão presentes, além de Guarda Municipal e outros órgãos.

Ônibus

Para quem vai curtir a festa, o planejamento do transporte é parte essencial do roteiro. Dá para chegar ao Galo da Madrugada de ônibus, Expresso da Folia, táxi, transporte por aplicativo ou carro.


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A criação

O Galo da Madrugada é um bloco carnavalesco de rua criado em 1978 com o objetivo de reviver e fortalecer a tradição do Carnaval recifense, então pouco presente nas festas populares da cidade. A ideia inicial reuniu cerca de 75 foliões pelas ruas do bairro de São José, trazendo música, fantasia e alegria às ruas. Ao longo das décadas, o bloco cresceu de forma impressionante, e em algumas edições já levou mais de 2,5 milhões de foliões às ruas de Recife em um único sábado de Carnaval.

Reforça

Mais do que festa e frevo, o Galo reforça este ano uma mensagem clara de preservação do meio ambiente, aliando cultura, sustentabilidade, inclusão social e geração de renda em um dos maiores eventos populares do Brasil.

O Poder


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