Por Severino Lopes*
A Copa do Mundo está chegando e com ela, o tradicional álbum de figurinhas com todas as seleções que vão disputar o mundial. Mais do que uma coleção, o álbum da Copa continua funcionando como um ritual afetivo que atravessa gerações. Abrir pacotinhos, trocar repetidas e completar páginas segue despertando memórias de infância em milhões de brasileiros.
O álbum de figurinhas oficial da Copa do Mundo FIFA 2026, lançado pela Panini, virou uma febre absoluta na Paraíba. Em Campina Grande, colecionadores de todas as idades estão movimentando bancas de jornal, livrarias e pontos oficiais espalhados pela cidade para completar a maior coleção da história dos mundiais.
Com pacotes vendidos a R$ 7, o custo para completar o álbum pode ultrapassar R$ 1 mil. Bancas de revistas, livrarias, parques e shoppings prepararam espaços exclusivos para receber os colecionadores. Um dos pontos tradicionais para a compra do álbum e dos pacotes de figurinhas é a Banca do Orlando, localizada na Praça da Bandeira, em frente ao prédio dos Correios e Telégrafos.
Grande procura
Desde o lançamento do álbum a procura tem sido grande. Esta semana O Poder percorreu algumas das bancas de revista existentes na cidade e atestou a procura frenética pelo álbum e pelas figurinhas. Na Banca do Orlando, a correria pelo álbum aumentou nos últimos dias com a proximidade da Copa. O proprietário do espaço, José Orlando Dantas, já perdeu a conta da quantidade de álbuns que já vendeu. Superou expectativas
Em 20 dias de venda, a procura pelo álbum superou as expectativas, conforme destacou Pedro Henrique da Silva Dantas, filho de seu Orlando. No final da manhã, a procura aumenta quando os estudantes estão voltando para casa e antes, passam na banca. O mesmo movimento tem sido registrado na banca de Suane Barbosa Dantas, filha de José Orlando Dantas, que herdou do pai, a paixão pelo trabalho.
Ao lado da banca do Orlando, na Banca Revistalândia, a procura é semelhante. O proprietário Davi Silva Luna, disse que mesmo com outros estabelecimentos tendo colocado o álbum à venda, o momento este ano tem surpreendido. “E isso, apesar de termos grandes concorrentes no mundo digital de grandes magazines” ressaltou. Todos os públicos, segundo ele, compram o álbum. Uma tradição que passa de pai para filho e de avô para neto.
O prazer de colecionar
A maioria, segundo Davi, está comprando o álbum pelo prazer de colecionar, independente de torcer ou não pela Seleção Brasileira. Davi Silva Luna, que herdou a banca do pai Jessé Souza Luna, no ramo desde a década de 1970, contou que cresceu no balcão entre jornais e revistas. Em todas as Copas ele sempre vendeu o álbum de figurinhas, sendo que este ano, a “febre dos colecionadores” tem surpreendido.
O lançamento do Álbum da Copa e o divertimento de trocas de figurinhas virou um trabalho temporário para Junior Salviano. Ele instalou uma banca para atrair os colecionadores no centro da cidade. E não se arrepende. Contou que a procura tem sido intensa, principalmente por figuras dos jogadores da Seleção Brasileira. “É uma tradição e este ano não tem sido diferente. A procura maior é por figuras da Seleção. A gente percebe que os campinenses estão animados e confiantes na Seleção Brasileira. No momento estão faltando figurinhas” revelou.
No shopping
Em um shopping da cidade, um espaço foi reservado para a venda do álbum e a troca de figurinhas. E o movimento tem sido intenso, com pessoas de todas as idades procurando as figuras para completar o álbum e chegar na Copa com todos os jogadores colados em suas respectivas seleções.
As figurinhas espalhadas na mesa com olhares atentos dos colecionadores, revelam que o clima é de Copa e que a tradição de colecionar o álbum foi mantida. Encontrar uma das figuras dos jogadores convocados por Carlo Ancelotti, é um tesouro. Neymar ainda não está disponível. O jogador do Santos, não veio na tiragem inicial do álbum da Copa do Mundo 2026 da Panini, mas deve ganhar uma figurinha oficial.
O colecionador
Mateus Soares é um colecionador antigo do álbum da Copa. Desde 2022, que ele sempre coleciona. Tem os álbuns do Catar (2022) e agora do Canadá, México e Estados Unidos (2026).
Morador de Pocinhos, no Agreste paraibano, ele encontrou outros colecionadores no espaço da livraria, na tarde da última quinta-feira (21/05), apenas para trocar as figurinhas. O Poder acompanhou o encontro. Ele conta que ainda está tentando completar a página da Seleção Brasileira. Falta muito. Preferencialmente, Mateus Soares que encontrar a foto do goleiro Alisson. Também estava em busca de Vinicius Junior. Essa conseguiu.
“É um momento descontraído essa troca de figurinhas. Eu queria muito encontrar a foto de Alisson. Até agora não encontrei. A de Vini Junior eu consegui trocar” contou. O estudante Caio Oliveira, morador de Campina Grande também está tentando fechar a página com os jogadores da Seleção Brasileira. Já tem quase todos. Só falta o goleiro Alisson. Em meio a busca pelas figurinhas que não são repetidas, a troca seguiu durante parte da tarde com outros colecionadores.
Sucesso também no Recife
A troca de figurinhas da edição 2026 do tradicional álbum da Copa do Mundo reúne colecionadores em diferentes estabelecimentos do Grande Recife para "negociar" jogadores das seleções participantes. O custo para completar o álbum é caro, a dinâmica que muitos pais tem feito é pedir ajuda dos avós e tios e amigos.
No bairro do Derby, área central do Recife, o proprietário da Banca Zapp, Jesus Junior, promove há 20 anos encontros entre colecionadores. Atualmente, o destaque é o álbum da Copa do Mundo, mas ele afirma que as trocas acontecem durante todo o ano.
A enfermeira Livia Araújo Sena Reis conta que o filho, Heitor Sena Reis, de 12 anos, também está completando o álbum pela segunda vez. Segundo ela, além da interação entre as crianças, a atividade desperta o interesse pelos países participantes e pelos jogadores.
Maior álbum da história das Copas
Considerado o maior álbum da história das Copas, o modelo deste ano reúne 980 cromos - quase 300 a mais do que na edição anterior - acompanhando a expansão do Mundial para 48 seleções. O tamanho da coleção transformou o álbum em um dos assuntos mais comentados entre fãs de futebol, colecionadores e até adultos nostálgicos que voltaram a comprar figurinhas após anos longe do hábito.
*Severino Lopes é editor regional de O Poder