Parte 1 — O homem que prefere as sombras: Entre a luz e a comodidade
Desde os antigos até hoje, o homem é alertado — por filósofos, pela tradição e pela própria consciência — de que há caminhos que elevam e outros que degradam. Na Grécia, Platão já descrevia homens que preferem sombras à verdade, não por incapacidade de enxergar, mas por recusarem sair da comodidade.
No Brasil, a história parece rodar em círculo, onde se repetem os mesmos atos — roubar, enganar, corromper, manipular, usar o poder não como serviço, mas como instrumento de proveito próprio — muitas vezes acompanhados de uma estranha sensação de superioridade, como se estivessem acima das regras.
Esta categoria de gente má acredita que o prazer imediato seja o ápice da vida, como se tudo terminasse aqui, ignorando que a desordem moral não é um acidente, mas um caminho — e, como todo caminho, leva a um destino.
Não se improvisa uma vida boa: constrói-se — ou perde-se.
Parte 2 — A falsa segurança do tempo: O erro de quem acredita no “depois”
Quem vive no erro, do roubo, da corrupção, do uso do poder não como serviço, mas como instrumento de proveito próprio, vive também na ilusão do tempo, como se sempre houvesse depois, como se fosse possível adiar indefinidamente as consequências.
Estas pessoas más planejam, acumula, buscam sempre mais dinheiro, prazer e poder — e nunca se satisfazem, mesmo quando os anos já avançaram, quando já estão velhos e quase senis. Mas o tempo não sustenta nada; apenas revela.
Bem que Santo Agostinho já reconhecia esse mistério e emitia o aviso: todos experimentam o tempo, mas ninguém o domina.
Ainda assim, estas pessoas más insistem em tratá-lo como aliado, vive como se o fim fosse distante, como se a vida não pudesse ser interrompida a qualquer instante. Mas quando isso acontece, nada do que foi acumulado permanece com quem acumulou. O ser humano é finito, e tudo o que se constrói fora da verdade não resiste ao tempo.
Parte 3 — A ilusão da permanência: O erro que atravessa os séculos
Os faraós do Egito Antigo acreditaram que poderiam levar consigo aquilo que possuíam e durante a vida dominaram, acumularam riquezas e ergueram monumentos como se pudessem prolongar a própria existência, preparando a eternidade como uma extensão da vida terrena. Mas o resultado foi outro: tumbas abertas, riquezas saqueadas, sarcófagos vazios. O que parecia permanência revelou-se ilusão.
Séculos depois, se observa em larga escala a mesma constatação incômoda: nada do que se acumula aqui atravessa o limite da morte. E, ainda assim, os seres humanos desta terra de Vera Cruz ainda teimam em repetir o mesmo erro — sem pirâmides, mas com a mesma pretensão — como se pudesse reter o que, por natureza, é passageiro.
Parte 4 — O fim das desculpas: Quando não há mais narrativa
No fim da vida, não há argumento, não há cargo, não há autoridade, não há justificativa que permaneça — há apenas o desfecho, com o resultado das próprias ações.
São Tomás de Aquino já advertia: o mal não constrói, apenas revela o vazio do que se escolheu ser, de modo que no momento final — inevitável — não se perguntará o que foi dito ou justificado, mas o que foi feito, sobretudo quando ninguém estava olhando. Sem defesa, sem narrativa, sem plateia: apenas você e as suas obras.
Inebriados pelos frutos do roubo, da corrupção e do uso do poder não como serviço, mas como instrumento de proveito próprio, estas pessoas más acreditam que seus erros podem ser sustentados indefinidamente por explicações de autoengano. O pior é que se tornaram degradados pela própria escolha, vivendo fechados em si mesmos, incapazes de sustentar a realidade, a moral e a ética que sempre evitaram.
E as vítimas— silenciosas, esquecidas, muitas vezes desprezadas — clamam por justiça. Não a dos viventes, tantas vezes falha e conveniente, mas a justiça que não se corrompe: a justiça divina.
Porque há um momento em que tudo se revela.
“O louco não é aquele que perdeu a razão. O louco é aquele que perdeu tudo, exceto a razão. Sua mente se move com perfeita lógica, mas gira em um círculo cada vez menor. Sua explicação cobre tudo — exceto a realidade.” — G. K. Chesterton, Ortodoxia
*Emanuel Silva, é Professor e Cronista
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