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Entrevista — Analista político Marcelo Tognozzi*: “O Brasil aprisionou a prosperidade”

07/03/2026

O Poder — O senhor lembrou, em um artigo recente, que algo parecido com o que se observa hoje no Brasil foi previsto em 1840. Que previsão foi essa e feita por quem?

Marcelo S. Tognozzi — Em 1840, Alexis de Tocqueville terminou o segundo volume de ‘A Democracia na América’ descrevendo o que seria o Brasilzão de Lula. Falou de uma tirania não violenta, que não prende e não tortura, apenas tutela. Não quebra nem confronta vontades, as amolece. Não destrói, mas impede o progresso. Um poder a manter os cidadãos numa infância perpétua, provendo o suficiente para não se revoltarem e deixando tudo no mesmo lugar. Tocqueville batizou de despotismo suave. No Brasil do século 21, virou política social.

O Poder — Por que o senhor avalia o Brasil dessa forma?

Marcelo S. Tognozzi — Em 2025 o desemprego foi de 5,1%, registrado como o menor da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. O número é real? Depende. A pesquisa não i...

O Poder — O senhor lembrou, em um artigo recente, que algo parecido com o que se observa hoje no Brasil foi previsto em 1840. Que previsão foi essa e feita por quem?

Marcelo S. Tognozzi — Em 1840, Alexis de Tocqueville terminou o segundo volume de ‘A Democracia na América’ descrevendo o que seria o Brasilzão de Lula. Falou de uma tirania não violenta, que não prende e não tortura, apenas tutela. Não quebra nem confronta vontades, as amolece. Não destrói, mas impede o progresso. Um poder a manter os cidadãos numa infância perpétua, provendo o suficiente para não se revoltarem e deixando tudo no mesmo lugar. Tocqueville batizou de despotismo suave. No Brasil do século 21, virou política social.

O Poder — Por que o senhor avalia o Brasil dessa forma?

Marcelo S. Tognozzi — Em 2025 o desemprego foi de 5,1%, registrado como o menor da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. O número é real? Depende. A pesquisa não inclui quem desistiu de procurar emprego ou está entre os beneficiários de programas sociais, mais da metade dos brasileiros. Por baixo desse número pulsa outro terrível: a produtividade do brasileiro está travada há 40 e tantos anos. Dados publicados pelo Portal Poder 360 na sexta-feira (06/03) mostram a realidade nua e crua: nosso trabalhador produz quatro vezes menos do que o americano. Chilenos, uruguaios e argentinos produzem mais que nós. Num ranking de 131 países, o Brasil amarga um medíocre 78º lugar. Está na segunda divisão da estagnação.

O Poder — Poderia detalhar melhor o motivo pelo qual chegou a essa conclusão com dados comparativos?

Marcelo S. Tognozzi -Não se trata de mera tabela do campeonato mundial de produtividade, mas uma longa marcha à ré de 46 anos. Em 1950, a produtividade do trabalhador brasileiro era 24,5% da americana, maior que a de hoje. Em 1980, chegou a 46%. Em 2023, retornamos ao patamar de 1950, ou seja: regredimos 73 anos. Quase 1 século. Voltamos ao Brasil de Dutra, Getúlio e JK. Entre 2010 e 2023, a produtividade por hora trabalhada no Brasil cresceu apenas 0,3% ao ano. Só o agronegócio se salvou, com alta anual de 5,8%. O tal agro rotulado de fascista e atrasado.

O Poder — Mas o país tem um leque de benefícios sociais que ajudam a população a sair da linha da pobreza. Isso não melhora a condição de vida, não pode levar ao aumento da produtividade e, consequentemente, à prosperidade?

Marcelo S. Tognozzi — A profecia de Tocqueville virou realidade por aqui 186 anos depois. Em 2024, o Bolsa Família custou R$ 168,3 bilhões dados a 20,7 milhões de famílias. Deveria ser ajuda temporária até a pessoa largar as muletas do Estado. O Benefício de Prestação Continuada (BPC), de 1 salário-mínimo mensal, custou R$ 75,8 bilhões até julho de 2024. Em 2025 engordou 40% e foi a R$ 119,1 bilhões. Somente o Bolsa Família cresceu 500% nos últimos 20 anos, descontada a inflação. De 2020 até o fim de 2025, o Governo Federal pagou quase R$ 1,6 trilhão em benefícios assistenciais, mais do dobro do PIB da Argentina (US$ 633,27 bilhões em 2024). A pobreza continua sendo ativo político de primeira. O resultado é tocquevilleano: relação entre governante e governado não é representação, mas clientelismo. O benefício vira voto e garante o mandato. O mandato perpetua o benefício. O círculo se fecha e aprisiona a prosperidade. Adeus riqueza.

O Poder — Poderia dar exemplo de outros países que conseguiram virar esse jogo?

Marcelo S. Tognozzi — Um exemplo desbotado de tanto uso, mas que segue válido é a Coreia do Sul, que em 1960 era pobre. Apostou em educação de excelência, indústria de alto valor agregado e exposição à competição internacional. Hoje, sua produtividade a fez rica. O Vietnã vai pelo mesmo caminho. A Irlanda igual. Os governos do PT, entre 2003 e 2016, desprezaram oportunidades reais. O boom das commodities dos anos 2000 injetou muito dinheiro na economia brasileira. Ao invés de transformar a estrutura produtiva do país, como fez a Noruega com o petróleo, gastaram na expansão do consumo, subsídios a indústrias ineficientes via BNDES e assistencialismo. Quando o ciclo das commodities terminou, a recessão de 2014 revelou a fragilidade estrutural escondida debaixo do tapete.

O Poder — O que fez com que o Brasil não tivesse um crescimento maior?

Marcelo S. Tognozzi - O mais revelador desses dados é o aspecto salarial: empregados com carteira assinada tiveram ganhos reais de apenas 6,39% desde 2019. No mesmo período, informais e autônomos viram seus rendimentos subirem entre 25% e 31%. Para quem quer melhorar de vida, melhor ser MEI, Uber ou camelô.

O Poder — Mas isso passa por falta de formação técnica e profissional, não?

Marcelo S. Tognozzi — Sim. No Brasil, a maioria esmagadora da população tem baixa escolaridade, baixa capacidade cognitiva e baixa renda (menos de US$ 500 por mês em média). A cada eleição, a escolha racional de quem depende de um benefício foi votar em quem o mantém. Andamos para trás sem nos darmos conta. É a democracia delegada do cientista político argentino Guillermo O’Donnell: o eleitor entrega poder total ao eleito e a relação entre governante e governado é de tutela, não de representação. Os donos do poder agem como se tivessem direito natural ao governo, como se representar os pobres fosse um mandato permanente. As urnas apenas ratificam.

O Poder — Ao seu ver, o Brasil falhou na educação, então?

Marcelo S. Tognozzi — Não somente isso. O Brasil aprisionou a prosperidade. Escolheu encarcerá-la. Prosperidade é fruto de uma conjunção de fatores do ciclo de riqueza: educação, produtividade e crescimento. Formamos jovens que saem da faculdade sem saber português, incapazes de falar outras línguas e sem conseguir interpretar um texto. Não passariam num ditado. Tremenda pobreza num mundo onde a riqueza passou a ser o conhecimento. Estamos condenados à estagnação num mundo onde os povos se dividem entre prósperos e estagnados. Prosperidade é a riqueza permanente, sustentável (palavrinha muito na moda, mas mal-usada), capaz de gerar mais riqueza e assim sucessivamente. Estagnação é pobreza perene.

O Poder — Quais as grandes consequências dessa “estagnação” citada pelo senhor?

Marcelo S. Tognozzi — Ao retornamos aos patamares de 1950 viramos o refugo da História. Naquela época, o Brasil tinha mais jovens do que velhos, hoje é o contrário. Éramos 52 milhões, hoje somos 213 milhões. O mundo ouvia rádio, TV era um sonho, telefone coisa de rico e os jornais de papel. Sem prosperidade, iremos ao fundo do poço da subserviência aos donos do conhecimento. Se os portugueses seduziram nossos índios com espelhinhos e ferramentas, agora somos seduzidos pelas redes sociais, celulares e carros elétricos dos países prósperos. O texto de Tocqueville de tão realista dá arrepios: “É em vão que se pode encarregar esses mesmos cidadãos, tornados tão dependentes do poder central, de escolher os representantes desse poder. Esse emprego tão importante, não impedirá de perderam pouco a pouco a faculdade de pensar, de sentir e de agir por si mesmos, nem de caírem gradualmente abaixo do nível da humanidade”.

*Marcelo S. Tognozzi é jornalista, consultor e profissional de Relações Inter-Governamentais - RIG.

NR: Entrevista feita a partir de texto publicado no Poder 360

As aventuras de Cacimba 31 —Cacimba e a cidade que proibiu sonhos

07/03/2026

Por Zé da Flauta*

A cidade era organizada demais, pontual demais, silenciosa demais, produtiva demais.

Até que o prefeito anunciou na praça, com voz firme e papel carimbado:
— A partir de hoje, está proibido sonhar em horário impróprio.
O povo riu primeiro. Achou que era brincadeira.

Mas o decreto continuava:
“Sonhos improdutivos causam distração, queda de rendimento e atrasam o progresso.
Todo cidadão flagrado sonhando acordado será multado.”

A cidade não entendeu direito…
até o primeiro guarda abordar um menino parado olhando o céu.

— O que você está fazendo?
— Nada…
— Pensando em quê?
— Em voar.

Multa.

Nos dias seguintes, a coisa ficou séria.[

Uma costureira foi multada por imaginar vestidos que ainda não existiam.
Um pedreiro recebeu advertência por planejar uma casa diferente do padrão.
...

Por Zé da Flauta*

A cidade era organizada demais, pontual demais, silenciosa demais, produtiva demais.

Até que o prefeito anunciou na praça, com voz firme e papel carimbado:
— A partir de hoje, está proibido sonhar em horário impróprio.
O povo riu primeiro. Achou que era brincadeira.

Mas o decreto continuava:
“Sonhos improdutivos causam distração, queda de rendimento e atrasam o progresso.
Todo cidadão flagrado sonhando acordado será multado.”

A cidade não entendeu direito…
até o primeiro guarda abordar um menino parado olhando o céu.

— O que você está fazendo?
— Nada…
— Pensando em quê?
— Em voar.

Multa.

Nos dias seguintes, a coisa ficou séria.[

Uma costureira foi multada por imaginar vestidos que ainda não existiam.
Um pedreiro recebeu advertência por planejar uma casa diferente do padrão.
Um professor quase perdeu o emprego por incentivar os alunos a “imaginar futuros possíveis”.

A cidade começou a encolher por dentro.

Os olhos ficaram baixos.
As conversas ficaram objetivas.
As noites ficaram sem brilho.

E foi nesse clima que Cacimba chegou.

Chapéu firme, Camisa surrada e os dois macaquinhos atentos.
Simão, um dos macaquinhos cochichou:
— Aqui mataram o impossível.

O outro macaquinho, Sebastião respondeu:
— E quando matam o impossível… sobra o quê?

Cacimba sentiu o ar pesado. Perguntou a um homem na praça:

— E tu… não sonha mais?
O homem olhou para os lados antes de responder:
— Sonho dá multa.

Cacimba sorriu triste.
— Sonho reprimido não desaparece. Ele se transforma.


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Naquela noite, algo estranho começou a acontecer.
Sem sonho durante o dia… a cidade passou a ter pesadelos coletivos. As pessoas acordavam suadas, viam prédios caindo, viaturas voando e relógios perseguindo gente.

O prefeito convocou reunião urgente. — Isso é sabotagem emocional!

Um macaquinho comentou:
— A mente cobra o que o decreto tenta esconder.
O outro completou:
— Sonho é válvula. Sem ele, explode.

Cacimba subiu no coreto da praça: — Sonho não atrapalha produtividade. Sonho orienta direção.

O prefeito retrucou: — Sonho distrai!
Cacimba respondeu: — Não. Sonho revela o que ainda não existe.

Ele tirou o pife da cintura e tocou um som diferente. Não era música de festa, era uma melodia aberta e suspensa.

As pessoas começaram a fechar os olhos. Uma criança sorriu dormindo. Uma mulher viu o mar pela primeira vez dentro da cabeça, um homem imaginou pedir perdão.
O prefeito começou a suar. — Isso é ilegal!
Cacimba abriu os olhos.

Na madrugada seguinte, ninguém teve pesadelo. Teve sonho. E sonho compartilhado.
A cidade acordou diferente. Mais lenta talvez, mas, mais viva.

O prefeito, pressionado pelo próprio medo, revogou o decreto. Disse que era “ajuste técnico”.

Cacimba, antes de ir embora, falou:
— Cidade que não sonha vira máquina.
Máquina não erra…
mas também não cria.

Os macaquinhos bateram as mãos, satisfeitos.
E desde então, naquela cidade, quando alguém pára olhando o horizonte, ninguém pergunta mais:
“O que você está fazendo?”

Perguntam:
“Que sonho está nascendo aí?”

E a produtividade?
Curiosamente… melhorou.

Porque quem sonha constrói melhor.

*Zé da Flauta é músico, compositor, filósofo e escritor.


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Série presidentes da República - Fernando Collor, o “caçador” cassado, por Natanael Sarmento*

07/03/2026

O primeiro presidente eleito pelo voto direto pós-golpe de 1964 Fenando Affonso Collor de Mello nasceu em 1949, no Rio de Janeiro. Herdeiro de bens e tradições políticas da família. Lindolfo Collor o avô foi deputado federal e ministro do Trabalho de Getúlio. Arnon de Mello, o pai, deputado federal, governador de Alagoas e senador biônico da Arena, além de empresário. Seguindo a tradição familiar, Fernando Collor foi Prefeito de Maceió (1980-1982), deputado federal (1983-1987), governador de Alagoas (1987-1989) e empossado presidente da República em 1990.



Chuva de candidaturas

Depois de décadas reprimidas, finalmente ocorreram as eleições presidenciais diretas, em 1979. Choveram candidatos. 22 postulantes: Affonso Camargo (PTB); Afif Domingos (PL); Antonio Pedreira (PPB); Antonio Corrêa (PMB); Aureliano Chaves (PFL); Celso Brandt (PMN); Enéias carneiro (PRONA); Eudes Matar (PLP);; Fernando Gabeira (PV); Leonel Brizola (PDT; Lívia M...

O primeiro presidente eleito pelo voto direto pós-golpe de 1964 Fenando Affonso Collor de Mello nasceu em 1949, no Rio de Janeiro. Herdeiro de bens e tradições políticas da família. Lindolfo Collor o avô foi deputado federal e ministro do Trabalho de Getúlio. Arnon de Mello, o pai, deputado federal, governador de Alagoas e senador biônico da Arena, além de empresário. Seguindo a tradição familiar, Fernando Collor foi Prefeito de Maceió (1980-1982), deputado federal (1983-1987), governador de Alagoas (1987-1989) e empossado presidente da República em 1990.


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Chuva de candidaturas

Depois de décadas reprimidas, finalmente ocorreram as eleições presidenciais diretas, em 1979. Choveram candidatos. 22 postulantes: Affonso Camargo (PTB); Afif Domingos (PL); Antonio Pedreira (PPB); Antonio Corrêa (PMB); Aureliano Chaves (PFL); Celso Brandt (PMN); Enéias carneiro (PRONA); Eudes Matar (PLP);; Fernando Gabeira (PV); Leonel Brizola (PDT; Lívia Maria (PN); Luiz Inácio Lula da Silva (PT); Manoel Affonso de Oliveira Horta (PDC do B); Mário Covas (PSDB); Marronzinho (PSP); Paulo Gontijo (PP); Paulo Maluf (PDS); Roberto Freire (PCB); Ulisses Guimarães ( PMDB) Zamir Teixeira ((PCN) e Fernando Collor (do nanico PRN).

Conjuntura

A conjuntura nacional era de crise econômica e desencanto político. A governança civil de José Sarney atolada em denúncias de corrupção, clientelismo e nepotismo, criava uma cultura de insatisfação e revolta, desejo de mudança.


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Elite

Naquele contexto, a burguesia brasileira temia a liderança do Lula e o crescimento do PT, muito embora distante de programáticas revolucionárias, não estava sob a tutela dos pesos pesados da indústria, bancos, agronegócio e bancos.

Novo?

O jovem governador de Alagoas cabia como luva no projeto neoliberal burguês. Era burguês e típico produto dessa classe, na política. Calhava aos magos do marketing criar uma imagem mítica de moralizador, modernizador e inovador. Somente o pequeno Estado de Alagoas conhecia que se tratava de herdeiro e continuador de uma oligarquia local com todos os vícios que dizia combater: autoritarismo, clientelismo, corrupção e nepotismo. Recorre-se aos ensinamentos de Maquiavel, “em política, nada é o que aparenta”.

Caçador de Marajás

A burguesia criou o mito do “Indiana Collor”, do jovem governador, herói ungido nacionalmente pela grande mídia (Rede Globo, especialmente), apresentado como moralista perseguidor de funcionários públicos privilegiados, dos altos salários dos “marajás”. O marketing da campanha eleitoral de 1889 apresentava o político “novo” e “moderno”.

Ironia

Fernando Collor de Mello, membro de oligarquia alagoana em grande parte pelas deformações e vícios do coronelismo, clientelismo e nepotismo em Alagoas, ironicamente, originário da velha política, vestia-se com a roupa da moralidade republicana de um Cícero e da modernidade de um Mauá.

Eleição

Nenhum dos postulantes obteve a maioria absoluta nas eleições diretas de 1989. As duas coligações mais votadas foram ao segundo turno: Frente Brasil Novo, liderada por Collor (PRN), e Frente Brasil Popular, liderada pelo Lula (PT).

Manipulações

Inauguravam-se os debates ao vivo em redes televisivas e radiofônicas para todo Brasil com alcance de milhões. Os âncoras dos principais canais de TV fantoches puxados pelos cordéis de bastidores levantavam a bola para Collor e deixavam o Lula em bolas divididas. As edições posteriores selecionavam os melhores momentos e a passionalidade em favor do candidato queridinho da elite foi algo “nunca vista na história deste país”. O resultado de tanta manipulação não poderia ser outro. Collor foi eleito com 53% dos votos no 2º turno.

Governança

A governança de Collor na presidência foi breve (março de 1990 a dezembro de 1992) e ao mesmo tempo tumultuada, com medidas drásticas para conter a hiperinflação, desmantelamento neoliberal do Estado e mar de lama da corrupção.

Economia

Pagando a conta dos financiadores da sua campanha, tratou de fazer a “abertura” da economia para o mercado, seguindo o receituário de satanizar o Estado – para congelar salário de funcionários demonizados, sucatear serviços públicos e para facilitar os leilões da pirataria das privatizações. Promoveu o confisco da poupança e congelamento de salários e preços, criou uma nova moeda, rebatizada de Cruzeiro.


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Casa da Dinda

Na imagem externa de economizar dinheiro público, Collor dispensou a residência oficial do Alvorada e ocupou a mansão da família no Largo Norte de 5.000 m², chamada de Casa da Dinda. Mas o gato deixou o rabo de fora. Não tardou e apareceram denúncias e escândalos de corrupção. A reforma da mansão particular custou 2,5 milhões de reais de esquemas fraudulentos com o tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, o PC Farias. Utilizou-se de verbas públicas, R$ 40 mil mensais, para “manutenção” da mansão.

Casa de Vidro

Nem a célebre e literal “Casa de Vidro” de Lina Bardi em São Paulo atraiu mais atenção da imprensa e do público. A residência do jovem casal, foi um luxo, diria Clodovil. Regabofes com comensais influentes, tertúlias com celebridades e reuniões políticas difundidos amplamente como se fossem capítulos de uma seriado de contos de fadas. Sabia-se da marca do destilado escocês preferido do Collor. Do costureiro do modelo do vestido da primeira dama Rosane. A mídia rasa e sensacionalista fazia a festa. A Dinda teve os seus dias de glórias e deslumbrados provincianos. O inquérito policial da “Operação Uruguai” constou o esquema do PC Farias no patrocínio das despesas do casal.

Collor versus Collor

As denúncias públicas de Pedro Collor, irmão do presidente, sobre o esquema de corrupção Collor/ PC Farias tiveram efeito devastador, em 1992. Na refrega fraterna aparecem vendas de influência e lavagem de dinheiro. O telhado de vidro da Casa da Dinda desaba junto com o governo.

Elba

A efeméride do Fiat Elba, carro popular comprado com dinheiro do esquema de desvios, entrou na crônica da corrupção e virou símbolo da lama no fundo do poço.

Crise

A população reagiu com grandes mobilizações e protestos, de Norte a Sul do Brasil. A grande mídia não mais podia encobrir ou proteger o “caçador de Marajá” que ela ajudou a forjar.

Caras-pintadas

A juventude teve papel destacado nas mobilizações de ruas e na pressão popular que levaram o Congresso Nacional, pressionado, a pautar o pedido de impeachment. Os jovens “caras pintadas” – assim chamados porque pintavam os rostos com tintas verde-amarelo e preto (luto). Na véspera da votação do impedimento em 1992, Collor renunciou ao mandato, mas essa manobra não adiantou. Teve os direitos políticos cassados por oito anos.


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Contumácia

Depois de cumprir a punição dos oito anos sem poder eleger e ou ser eleito, Collor retornou à política em seu estado, Alagoas, e se elegeu senador. E voltou a confundir a fazenda pública com a privada e a ser punido e cassado, mais uma vez.

Condenação

Aos 75 anos Fernando Collor cumpre a condenação de oito anos e dez meses originalmente decretada em regime fechado. O Judiciário permutou para “prisão domiciliar”.

Vitória da fraude?

Podemos chamar de cumprimento de pena viver num apartamento de cobertura com 600 m², piscina privativa, bar, à beira mar de Maceió, onde a brisa abunda? Este simulacro de “prisão” nababesca reafirma privilégios de classe. Envergonha o sistema Judicial com seu caráter elitista e capitalista de organizador dos interesses da burguesia. Reproduz a imoral distinção social entre ricos e pobres, usando dois pesos e duas medidas para condenados reincidentes.

*Natanael Sarmento é professor e escritor. Do diretório nacional do partido Unidade Popular Pelo Socialismo -UP.


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Adeus, Neil Sedaka!, por Eduardo Albuquerque

07/03/2026

Quem não dançou... bailou
Apreciou sua voz ... tenor
Sua mestria ... compositor
Suas músicas mil ... cantou

“Laughter in the Rain”, “The Diary”
“Breaking Up Is Hard To Do”, “Oh! Carol”
“Love Will Key Us Togather”, “Calendar Girl”
“Land Do Rock and Roll”, “Bad Blood”

Éramos todos jovens ... então
Anos 50, 60, 70 ... singelos
Agora frequentes ... adeuses

Brilhastes aqui ... estrela
No Céu continuarás ... deus
E nós, a sós, dores ... solidão!

*Eduardo Albuquerque é poeta, cronista e escritor



Quem não dançou... bailou
Apreciou sua voz ... tenor
Sua mestria ... compositor
Suas músicas mil ... cantou

“Laughter in the Rain”, “The Diary”
“Breaking Up Is Hard To Do”, “Oh! Carol”
“Love Will Key Us Togather”, “Calendar Girl”
“Land Do Rock and Roll”, “Bad Blood”

Éramos todos jovens ... então
Anos 50, 60, 70 ... singelos
Agora frequentes ... adeuses

Brilhastes aqui ... estrela
No Céu continuarás ... deus
E nós, a sós, dores ... solidão!

*Eduardo Albuquerque é poeta, cronista e escritor


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Terceira guerra mundial já está aí, com novas estratégias tecnológicas e geopolíticas

07/03/2026

Por Redação de O Poder

O mundo já vive a terceira guerra mundial. Enquanto esse medo nas décadas de 1970 e 1980 era provocado pela chamada “guerra fria”, observada entre as principais potências antes da dissolução da União Soviética, agora o mundo vive literalmente uma “guerra quente”, com todos os equipamentos e avanços tecnológicos de que dispõe. Isso já acontece há quatro anos, desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia e a ampliação do conflito tem sido objeto de alerta por historiadores, diplomatas e autoridades de várias entidades, diante dos ataques observados em várias regiões nos últimos meses.

De um lado, Rússia e Ucrânia travam uma guerra iniciada em 2022 que, apesar das várias tentativas de negociação, continua sem sinais de que esteja perto de acabar. De outro, estão as guerras no Oriente Médio, com a mais recente interferência militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Aliás, os EUA estão investindo milita...

Por Redação de O Poder

O mundo já vive a terceira guerra mundial. Enquanto esse medo nas décadas de 1970 e 1980 era provocado pela chamada “guerra fria”, observada entre as principais potências antes da dissolução da União Soviética, agora o mundo vive literalmente uma “guerra quente”, com todos os equipamentos e avanços tecnológicos de que dispõe. Isso já acontece há quatro anos, desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia e a ampliação do conflito tem sido objeto de alerta por historiadores, diplomatas e autoridades de várias entidades, diante dos ataques observados em várias regiões nos últimos meses.

De um lado, Rússia e Ucrânia travam uma guerra iniciada em 2022 que, apesar das várias tentativas de negociação, continua sem sinais de que esteja perto de acabar. De outro, estão as guerras no Oriente Médio, com a mais recente interferência militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Aliás, os EUA estão investindo militarmente tanto nesse lado do mundo como também na América Latina, como aconteceu em janeiro, na Venezuela, com a retirada à força de Nicolás Maduro, então presidente daquele país, e seu envio direto para uma prisão em Nova Iorque.

Investidas de Israel

Enquanto isso, Israel, com os confrontos intermináveis na Faixa de Gaza, está sendo um agente de disseminação de conflitos em toda a área do Oriente Médio com o argumento de que, ao se envolver nos ataques dos EUA ao Irã, está contribuindo para exterminar grupos como o Hezbollah e o Hammas, há anos considerados inimigos do governo israelense.

A Rússia, por sua vez, embora mais contida, está ajudando o Irã. E a China, embora tentando manter uma postura diplomática, já deixa transparecer, por meio dos seus representantes, incômodos com as ações do presidente norte-americano Donald Trump em relação ao petróleo da Venezuela e do Irã.


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Grandes abastecedores

Venezuela e Irã são os dois grandes abastecedores de petróleo da China. A subida do preço do petróleo em 30% no mercado internacional, apenas esta semana, é um fator que desestabiliza a economia de muitos países, inclusive da China.

Como se não bastasse tudo isso, outros países também estão em tensão. Um dos exemplos é o Paquistão, que declarou "guerra aberta" ao governo Talibã do Afeganistão em fevereiro passado, após uma escalada intensa de confrontos fronteiriços e ataques mútuos.

Avanço cada dia maior

A terceira Guerra Mundial, portanto, já é uma realidade. E conta com a diferença de vir a ter aspectos totalmente novos. A guerra fria nunca escalou para um conflito militar total e direto entre as duas superpotências mundiais da sua época (EUA e URSS), o que teria resultado em uma guerra nuclear. Pode-se até dizer que "esquentou" em várias frentes indiretas, mas sem seguir adiante.

Já agora, os episódios observados desde 2022 apontam para cada vez mais possibilidade de um conflito mundial.


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Fase crítica

As notícias mais recentes de agências internacionais indicam que a guerra no Oriente Médio entrou em uma fase crítica nos últimos dias, com o avanço de operações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e o Líbano.

Dentre os principais desdobramentos, foram e continuam sendo observados ataques em grande escala, atingindo milhares de alvos. E, em segundo lugar, piorou o cenário, o anúncio, por parte de Israel, de que estão sendo intensificados bombardeios em Teerã e Beirute (capitais, respectivamente, do Irã e do Líbano). Há, também, registros de avanços terrestres em áreas estratégicas do Líbano.

A agência iraniana IRNA reportou mais de 1.000 mortes (civis e militares), e a ONU estima que mais de 100.000 pessoas já fugiram da capital iraniana. O conflito está desestabilizando internamente outros países da região e gerando impactos mundiais das mais diversas formas.


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Desculpas do Irã aos países vizinhos

Neste sábado (07/03), por volta de 10h (horário de Brasília) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que o Irã pediu desculpas aos seus vizinhos no Oriente Médio, prometendo que não os atacaria mais.

"Hoje, o Irã será duramente atingido! Áreas e grupos de pessoas que não eram considerados alvos até este momento estão sob séria consideração para destruição completa e morte certa, devido ao mau comportamento do Irã", escreveu Trump em seu perfil no Truth Social (sua rede social particular).

"O Irã não é mais o ‘valentão do Oriente Médio’, mas sim 'o perdedor do Oriente Médio', e continuará sendo por muitas décadas até se render ou, mais provavelmente, entrar em colapso total!", completou o presidente norte-americano.

"Essa promessa [do Irã aos países vizinhos] só foi feita por causa do ataque implacável dos EUA e de Israel. Eles buscavam dominar e governar o Oriente Médio. É a primeira vez em milhares de anos que o Irã perde para os países vizinhos do Oriente Médio", acrescentou ele.

Rendição incondicional é “sonho”

Mais cedo, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que as exigências do governo americano de que o país se renda incondicionalmente é “um sonho que eles deveriam levar para o túmulo". Mas o líder iraniano, de fato, pediu desculpas pelos ataques do Irã a países da região. Pezeshkian afirmou que os ataques seriam interrompidos e sugeriu que foram causados por falhas de comunicação dentro das fileiras.

— Com informações de Agências Internacionais de Notícias


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Academia Pernambucana de Letras realiza, segunda (9), solenidade para celebrar os 209 anos da Revolução de 1817

07/03/2026

As comemorações pelos 209 anos da Revolução de 1817 prosseguem na próxima semana. A Academia Pernambucana de Letras (APL) realiza, segunda-feira (09/03), uma solenidade para celebrar o evento, que contará com palestra do acadêmico George Cabral.

A cerimônia está sendo organizada pela presidente da entidade, Margarida Cantarelli. Professor e historiador, George Félix Cabral de Souza é o atual ocupante da cadeira número 11 da APL. Ele foi eleito em 30 de novembro de 2021, sucedendo o professor Roque de Barros Laraia.

História política de PE

George Cabral é reconhecido por suas pesquisas sobre o Brasil holandês e a história política de Pernambuco. Ele é professor associado do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), doutor em História pela Universidade de Salamanca (Espanha) e atual presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco (IAHGP).

O evento será realizado na...

As comemorações pelos 209 anos da Revolução de 1817 prosseguem na próxima semana. A Academia Pernambucana de Letras (APL) realiza, segunda-feira (09/03), uma solenidade para celebrar o evento, que contará com palestra do acadêmico George Cabral.

A cerimônia está sendo organizada pela presidente da entidade, Margarida Cantarelli. Professor e historiador, George Félix Cabral de Souza é o atual ocupante da cadeira número 11 da APL. Ele foi eleito em 30 de novembro de 2021, sucedendo o professor Roque de Barros Laraia.

História política de PE

George Cabral é reconhecido por suas pesquisas sobre o Brasil holandês e a história política de Pernambuco. Ele é professor associado do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), doutor em História pela Universidade de Salamanca (Espanha) e atual presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco (IAHGP).

O evento será realizado na sede da Academia, a partir das 15h. A APL localiza-se na Avenida Rui Barbosa, no Bairro das Graças, em Recife. Contará, além da presença dos acadêmicos, com professores, jornalistas, intelectuais e políticos diversos do estado.

Protagonista de história que levou à lei de combate à violência contra mulheres, Maria da Penha afirma que é preciso mais para efetivar, de fato, a legislação

07/03/2026

A farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, símbolo internacional de luta contra a violência doméstica — cuja experiência pessoal levou à criação da Lei Maria da Penha, de combate à violência doméstica contra mulheres — afirmou, durante um balanço sobre os 20 anos da legislação (a serem completados este ano) e às vésperas do Dia Internacional da Mulher, neste domingo (08/03), que a legislação não precisa ser somente celebrada, mas efetivada de fato.

Durante sua fala, realizada numa palestra em Brasília, esta semana, a farmacêutica questionou o público: "Você já ouviu algum homem dizer que vive aterrorizado, temendo os ataques da mulher, que foi abusado sexualmente por ela ou 'pisa em ovos' para não despertar sua ira? Eu nunca ouvi".

De acordo com ela, a trajetória marcada pela busca por justiça, após ter sido vítima de duas tentativas de feminicídio, que a deixaram numa cadeira de rodas para o resto da vida, foi fortalecida pelos movimentos de...

A farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, símbolo internacional de luta contra a violência doméstica — cuja experiência pessoal levou à criação da Lei Maria da Penha, de combate à violência doméstica contra mulheres — afirmou, durante um balanço sobre os 20 anos da legislação (a serem completados este ano) e às vésperas do Dia Internacional da Mulher, neste domingo (08/03), que a legislação não precisa ser somente celebrada, mas efetivada de fato.

Durante sua fala, realizada numa palestra em Brasília, esta semana, a farmacêutica questionou o público: "Você já ouviu algum homem dizer que vive aterrorizado, temendo os ataques da mulher, que foi abusado sexualmente por ela ou 'pisa em ovos' para não despertar sua ira? Eu nunca ouvi".

De acordo com ela, a trajetória marcada pela busca por justiça, após ter sido vítima de duas tentativas de feminicídio, que a deixaram numa cadeira de rodas para o resto da vida, foi fortalecida pelos movimentos de mulheres. "Foi a atuação desses movimentos que me salvou, me deu proteção e me orientou", frisou.

Acesso à informação

Segundo Maria da Penha, apesar da lei servir hoje como referência internacional nas regras que combatem a violência contra mulheres, o acesso à informação representa, atualmente, um dos principais avanços da legislação, possibilitando, por exemplo, maior conscientização acerca dos ciclos de violência e mais denúncias.

Mesmo assim, ela alertou para a falta ampliação do alcance da lei com vistas a municípios mais afastados em todo o país. "Embora as grandes cidades frequentemente possuam recursos, é preciso garantir que as mulheres, em suas diversas realidades, tenham acesso a locais onde possam receber apoio, orientação e encaminhamento adequado", avaliou.

Essa mesma ampliação, acentuou Maria da Penha, vale para mulheres trans, negras e indígenas, cujo acesso também é dificultado. "A Lei vale para todas nós", reforçou, lembrando que todos, governos e sistemas de Justiça, precisam estar cientes disso

Falhas do sistema de Justiça

A ativista direcionou críticas e reflexões ao sistema de Justiça brasileiro. Afirmou que em relação aos casos de violência contra a mulher é preciso, sempre, ter o Poder Judiciário sensibilizado, o que em sua avaliação nem sempre acontece.

“Geralmente, muitos homens deste Poder não são sensíveis. Vimos, recentemente, coisas absurdas", afirmou, fazendo referência ao caso da decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que absolveu um suspeito de 35 anos da condenação por estupro de uma menina de 12, em fevereiro passado.

Violência patrimonial

A violência patrimonial, de acordo com Maria da Penha, é outra barreira invisível para o empreendedorismo feminino. "Às vezes, uma mulher não sai da situação de violência porque não tem como sustentar a família sozinha. Ela ajuda o marido a construir o patrimônio e, no final, ele não quer repartir o que ela ajudou a criar", exemplificou.

De acordo com ela, o sucesso nos negócios é a chave para o rompimento desses ciclos. "Mulheres são boas empreendedoras", afirmou, ao destacar o fortalecimento do empreendedorismo feminino como ferramenta de autonomia para as mulheres, de forma a ficarem independentes dos seus agressores.

Depressão com fake news

A farmacêutica também ressaltou que, apesar dos avanços institucionais, ainda enfrenta tentativas de deslegitimação nas redes sociais e confessou que chegou a ficar até deprimida em função disso.

"A partir de 2021, minha história e a legitimidade da lei foram colocadas em xeque por fake news. Entrei em depressão e tive medo de sair de casa", desabafou, acrescentando que hoje vive sob proteção do Estado devido às ameaças constantes que recebe.

Ações educativas

A farmacêutica passou por tudo isso, mesmo tendo uma organização bem sucedida, o Instituto Maria da Penha, criado em 2009, que promove ações educativas, palestras, workshops, pesquisas e capacitação.

Recentemente, o instituto ampliou o entendimento acerca da lei, unindo diferentes grupos sociais em torno do combate à violência de gênero, cuja solução definitiva exige educação preventiva e a presença de mulheres em todas as instâncias de poder.

Hoje, a organização desenvolve projetos como a “Lei Maria da Penha em Cordel” e a "Prateleira Maria da Penha", focados em levar informação didática a escolas e empresas. "A luta se tornou coletiva. E a educação é primordial para a desconstrução do machismo na sociedade", enfatizou.

— Com informações do Sebrae e do Correio Braziliense

Operações coordenadas resultam em prisões de 5,2 mil suspeitos de violência contra mulheres e meninas no país

07/03/2026

Duas operações deflagradas nas últimas semanas, por ocasião do chamado Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio — acordo firmado entre Executivo, Legislativo e Judiciário — tiveram seus primeiros resultados divulgados neste sábado (07/03), véspera do Dia Internacional da Mulher. E levaram à prisão, em poucos dias de 5.238 homens suspeitos de crimes relacionados á violência contra mulheres e meninas em todo o país.

As operações, realizadas de forma coordenada, foram: Operação Mulher Segura, conduzida em parceria com as Secretarias de Segurança Pública dos estados, e Operação Alerta Lilás, realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Políticas de prevenção

Conforme informações dos órgãos responsáveis, o objetivo do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, é fortalecer políticas de prevenção, ampliar a proteção às vítimas e garantir a responsabilização de agressores.

Duas operações deflagradas nas últimas semanas, por ocasião do chamado Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio — acordo firmado entre Executivo, Legislativo e Judiciário — tiveram seus primeiros resultados divulgados neste sábado (07/03), véspera do Dia Internacional da Mulher. E levaram à prisão, em poucos dias de 5.238 homens suspeitos de crimes relacionados á violência contra mulheres e meninas em todo o país.

As operações, realizadas de forma coordenada, foram: Operação Mulher Segura, conduzida em parceria com as Secretarias de Segurança Pública dos estados, e Operação Alerta Lilás, realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Políticas de prevenção

Conforme informações dos órgãos responsáveis, o objetivo do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, é fortalecer políticas de prevenção, ampliar a proteção às vítimas e garantir a responsabilização de agressores.

Na Operação Mulher Segura, realizada entre 19 de fevereiro e 5 de março, foram realizadas, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, 4.936 detenções no período — 3.199 em flagrante e 1.737 decorrentes de mandados de prisão ou de descumprimento de medidas protetivas de urgência.

Agentes e viaturas

Durante os 15 dias de mobilização, a ação contou com 38.564 agentes de segurança e 14.796 viaturas, alcançando 2.050 municípios brasileiros. Nesse intervalo, foram realizadas 42.339 diligências, acompanhadas de 18.002 medidas protetivas de urgência e prestado atendimento a 24.337 vítimas.

A operação também incluiu ações de prevenção e conscientização. Ao todo, foram promovidas 1.802 campanhas educativas que alcançaram cerca de 2,2 milhões de pessoas, com foco no enfrentamento à violência de gênero.



Para ampliar a capacidade operacional dos estados, o Ministério da Justiça destinou aproximadamente R$ 2,6 milhões para o pagamento de diárias de policiais envolvidos nas atividades. A iniciativa integra o Projeto Vulnerabilizados Institucionalmente Protegidos e Seguros (VIPS), estratégia voltada à proteção de grupos vulneráveis.

Paralelamente, a Polícia Rodoviária Federal realizou a Operação Alerta Lilás, considerada a maior ação da história da corporação voltada especificamente à proteção de mulheres. Entre 9 de fevereiro e 5 de março, a PRF intensificou operações de inteligência e fiscalização em rodovias federais e áreas de atuação da corporação em todo o país.


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Flagrantes e cumprimento de mandados

Como resultado, foram registradas 302 ocorrências relacionadas a crimes de violência contra a mulher, com prisões em flagrante ou cumprimento de mandados judiciais. Desse total, 119 casos — cerca de 39,4% — tiveram participação direta da atividade de inteligência da corporação, enquanto 183 prisões (60,6%) ocorreram a partir de flagrantes realizados por equipes operacionais.

As duas operações integram o plano de trabalho apresentado pelo Comitê Interinstitucional de Gestão do pacto nacional de enfrentamento ao feminicídio.

Violência de gênero

O documento estabelece uma série de medidas voltadas ao combate à violência de gênero, incluindo mutirões nacionais para cumprimento de mandados de prisão contra agressores e o fortalecimento da rede de acolhimento às vítimas.

Entre as ações previstas também estão a aceleração da concessão e do monitoramento de medidas protetivas de urgência, maior integração entre órgãos de segurança pública e do sistema de justiça e iniciativas educativas voltadas à prevenção da violência contra mulheres.
— Com Agências de Notícias


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PF apura falsa mensagem enviada durante voo sobre bomba em avião, que forçou pouso de emergência no Recife

07/03/2026

Continua repercutindo na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), entre controladores de voos e causando apreensão entre passageiros o caso do avião da Gol que na tarde desta sexta-feira (06/03) estava voando de São Paulo a Fernando de Noronha e precisou fazer um pouso de emergência no Recife, após suspeita de que havia uma bomba na aeronave.

Segundo informações da Polícia Federal (PF), todos as regras de segurança e investigação imediata foram cumpridas e não foi identificado qualquer risco ou irregularidade. Os passageiros desembarcaram em segurança na capital pernambucana para verificação da aeronave.

Protocolos exigidos

Por meio de nota, a Gol Linhas Aéreas, responsável pelo vôo, informou que "todos protocolos exigidos foram seguidos, com acionamento das equipes de emergência e da Polícia Federal para acompanhamento do desembarque, que aconteceu normalmente".

A empresa também destacou que, após liberação da aero...

Continua repercutindo na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), entre controladores de voos e causando apreensão entre passageiros o caso do avião da Gol que na tarde desta sexta-feira (06/03) estava voando de São Paulo a Fernando de Noronha e precisou fazer um pouso de emergência no Recife, após suspeita de que havia uma bomba na aeronave.

Segundo informações da Polícia Federal (PF), todos as regras de segurança e investigação imediata foram cumpridas e não foi identificado qualquer risco ou irregularidade. Os passageiros desembarcaram em segurança na capital pernambucana para verificação da aeronave.

Protocolos exigidos

Por meio de nota, a Gol Linhas Aéreas, responsável pelo vôo, informou que "todos protocolos exigidos foram seguidos, com acionamento das equipes de emergência e da Polícia Federal para acompanhamento do desembarque, que aconteceu normalmente".

A empresa também destacou que, após liberação da aeronave pelas autoridades em solo, garantiu suporte necessário aos passageiros, e explicou que medidas como essas "são necessárias para garantir a segurança de suas operações".

A Aena, empresa que administra o aeroporto do Recife, informou que a aterrissagem não programada transcorreu normalmente e que todos os passageiros desembarcaram em segurança. A Polícia Federal informou que já está investigando a autoria do comunicado.


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STF determina entrega de documentos sigilosos à PF e manda investigar vazamento de dados de Vorcaro

07/03/2026

Por Carolina Villela

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (06/03), que a presidência do Congresso Nacional entregue imediatamente à Polícia Federal todos os elementos informativos obtidos por meio de quebras de sigilo relacionados à Operação Sem Desconto, em meio físico ou digital, sem que seja mantida qualquer cópia do material.

A decisão também ordenou a instauração de inquérito policial para investigar o suposto vazamento de dados sigilosos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso na terceira fase da Operação Compliance Zero.


Pedido da defesa

A medida atende a requerimento formulado pela defesa de Vorcaro, que denunciou que informações extraídas dos aparelhos celulares do investigado teriam sido “indevidamente encaminhadas para veículos midiáticos” logo após o acesso da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ao mater...

Por Carolina Villela

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (06/03), que a presidência do Congresso Nacional entregue imediatamente à Polícia Federal todos os elementos informativos obtidos por meio de quebras de sigilo relacionados à Operação Sem Desconto, em meio físico ou digital, sem que seja mantida qualquer cópia do material.

A decisão também ordenou a instauração de inquérito policial para investigar o suposto vazamento de dados sigilosos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso na terceira fase da Operação Compliance Zero.


Pedido da defesa

A medida atende a requerimento formulado pela defesa de Vorcaro, que denunciou que informações extraídas dos aparelhos celulares do investigado teriam sido “indevidamente encaminhadas para veículos midiáticos” logo após o acesso da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ao material obtido por quebras de sigilo.

O magistrado acolheu o pedido e determinou que a investigação sobre o vazamento seja instaurada em autos apartados, distribuídos por prevenção ao processo principal.

Compartilhamento restrito

Ao determinar a entrega dos documentos, Mendonça também ordenou que, ao receber o material, a Polícia Federal mantenha sua custódia e compartilhe o conteúdo com a equipe que investiga diretamente os fatos da Operação Compliance Zero (que investiga fraudes cometidas pelo Banco Master no mercado financeiro) e com a própria CPMI do INSS, para que ambas possam utilizá-lo nos limites de suas atribuições constitucionais.

O ministro afirmou que, em nenhum momento anterior, houve qualquer compartilhamento dos elementos informativos colhidos no âmbito das investigações supervisionadas pelo STF com o colegiado parlamentar. Esclareceu que as investigações conduzidas pela PF sob supervisão da Corte e as investigações da CPMI do INSS são distintas, preservam autonomia entre si e contam com fontes de prova totalmente independentes.

Violação de material sigiloso

Ao determinar a abertura do inquérito, o magistrado estabeleceu uma diretriz fundamental para a condução das investigações: a apuração deve mirar exclusivamente aqueles que tinham o dever de guardar o material sigiloso e o violaram — e não os jornalistas que, no exercício legítimo da profissão, tiveram acesso indireto às informações. O ministro destacou que a quebra de sigilo de dados de um investigado não torna as informações públicas, mas, ao contrário, impõe à autoridade que as recebeu a responsabilidade pela manutenção do sigilo.

Ele ressaltou que a condução da investigação deve observar “irrestritamente” a garantia constitucional de preservação do sigilo de fonte, prevista no artigo 5º da Constituição Federal em favor dos jornalistas.

Segundo ressaltou, “a delimitação é imprescindível para preservar os meios adequados ao exercício do papel da imprensa, instituição que considerou ‘essencial à constituição de qualquer modelo de organização estatal que se pretenda estruturado a partir dos ideais democráticos e republicanos’”.

— Por HJur

Confirmada a morte Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “o Sicário de Vorcaro”

07/03/2026

A defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, assessor do empresário Daniel Vorcaro, que foi preso com ele essa semana na terceira etapa da Operação Compliance Zero, confirmou a morte do cliente no final da noite desta sexta-feira (06/03).

Vorcaro é o dono do Banco Master — liquidado extrajudicialmente em 2025 por operações irregulares e fraudes que ainda estão analisadas e provocaram sério prejuízo no mercado financeiro, que foi transferido ontem de São Paulo para a Penitenciária Federal do Distrito Federal.

Braço direito

Também conhecido como "Sicário" (termo para assassino contratado, pistoleiro ou homicida) de Daniel Vorcaro, Mourão era o braço direito do dono do Banco Master, e tentou suicídio poucas horas depois de ter sido preso na quarta-feira (04/03) em Minas Gerais.

"Informamos que o quadro clínico de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão evoluiu a óbito, que foi legalmente declarado às 18h55, após enc...

A defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, assessor do empresário Daniel Vorcaro, que foi preso com ele essa semana na terceira etapa da Operação Compliance Zero, confirmou a morte do cliente no final da noite desta sexta-feira (06/03).

Vorcaro é o dono do Banco Master — liquidado extrajudicialmente em 2025 por operações irregulares e fraudes que ainda estão analisadas e provocaram sério prejuízo no mercado financeiro, que foi transferido ontem de São Paulo para a Penitenciária Federal do Distrito Federal.

Braço direito

Também conhecido como "Sicário" (termo para assassino contratado, pistoleiro ou homicida) de Daniel Vorcaro, Mourão era o braço direito do dono do Banco Master, e tentou suicídio poucas horas depois de ter sido preso na quarta-feira (04/03) em Minas Gerais.

"Informamos que o quadro clínico de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão evoluiu a óbito, que foi legalmente declarado às 18h55, após encerramento do protocolo de morte encefálica", afirmou, por meio de uma nota, o advogado Robson Lucas. Mourão foi encontrado desacordado na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF), em Belo Horizonte. Imagens das câmeras mostram que ele utilizou a camisa para tentar tirar a própria vida.


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Intimidações e informações sigilosas

O assessor era investigado por ser um dos contratados diretamente por Daniel Vorcaro em diversas ocasiões para a "execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”, conforme diz a decisão que determinou sua prisão provisória.

As investigações apontam que ele agia como interlocutor direto do banqueiro e coordenava ações do núcleo de intimidação. As investigações da Polícia Federal também constataram que ele atuou na obtenção de informações sigilosas, no monitoramento de pessoas, além de pressionar jornalistas e ex-funcionários de Vorcaro.

— Com Agência de Notícias

4º BPE comemora 76 anos de existência com solenidade especial e homenagens

07/03/2026

O 4º Batalhão de Polícia do Exército (4º BPE) comemorou 76 anos esta semana. Mais conhecido como Batalhão João Fernandes Vieira, a unidade militar é sediada em Recife-PE (mais precisamente na Br 232, Km 6, no Curado) e tem ampla atuação ao longo desse período em apoio a operações militares diversas e na garantia da lei e da ordem.

O 4º Batalhão é subordinado ao Comando Militar do Nordeste (CMNE) e especializado em operações de Pernambuco, incluindo escoltas e segurança de autoridades, entre outras atividades. É responsável também pela realização da incorporação anual de soldados para o Serviço Militar Obrigatório, realizando treinamentos técnicos e táticos, como instrução de tiro e de controle de distúrbios. Além disso, lá têm sido aplicados diversos cursos de formação de Polícia do Exército para oficiais e sargentos, ao longo dos anos.



Força ativa no NE

Pelo desempenho e destaque que possui no Exército Brasileiro, o b...

O 4º Batalhão de Polícia do Exército (4º BPE) comemorou 76 anos esta semana. Mais conhecido como Batalhão João Fernandes Vieira, a unidade militar é sediada em Recife-PE (mais precisamente na Br 232, Km 6, no Curado) e tem ampla atuação ao longo desse período em apoio a operações militares diversas e na garantia da lei e da ordem.

O 4º Batalhão é subordinado ao Comando Militar do Nordeste (CMNE) e especializado em operações de Pernambuco, incluindo escoltas e segurança de autoridades, entre outras atividades. É responsável também pela realização da incorporação anual de soldados para o Serviço Militar Obrigatório, realizando treinamentos técnicos e táticos, como instrução de tiro e de controle de distúrbios. Além disso, lá têm sido aplicados diversos cursos de formação de Polícia do Exército para oficiais e sargentos, ao longo dos anos.


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Força ativa no NE

Pelo desempenho e destaque que possui no Exército Brasileiro, o batalhão é considerado uma força ativa voltada para a disciplina e a prontidão operacional na região do Nordeste brasileiro.

A cerimônia dos 76 anos do BPE foi comemorada na última quinta-feira (05/06) e destacada pelo primeiro-tenente R2 Dennis Richard Mocock, que chegou a ser homenageado na ocasião com um diploma de amigo do batalhão.

“Segunda casa”

“Foi a unidade onde servi de 1978 à 1985 e que considero como a minha segunda casa. Na ocasião, com muito orgulho fui agraciado”, afirmou o primeiro-tenente. “Ao final da solenidade, quando do desfile da tropa em continência ao Comandante do CMNE, tive a honra e o privilégio de, depois de mais de quarenta anos, poder comandar um grupamento daquela tropa de elite, formado por veteranos, ex-integrantes do batalhão”, acrescentou Mocock.


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Aniversário da Revolução Pernambucana de 1817

07/03/2026

Por José Ricardo de Souza*

Num dia como esta sexta-feira, 6 de março, há 209 anos começava em Pernambuco mais uma revolta contra o poder colonial. Cansados dos altos impostos para sustentar a corte no Rio de Janeiro, os liberais pernambucanos se rebelaram.

O estopim do movimento foi quando José de Barros Lima, o Leão Coroado, matou a golpes de espada o brigadeiro Manoel Joaquim Barbosa de Castro encarregado de prendê-lo a mando do governador Caetano Pinto Montenegro (que a população local dizia que era Caetano no nome, pinto na coragem, monte na altura e negro nas ações). A articulação da revolta vinha sendo gestada nas lojas maçônicas e também no Seminário de Olinda (por isso o nome de Revolta dos Padres).

A nova República instaurada pelos pernambucanos tinha uma lei orgânica, que na prática, era um projeto de Constituição, liberdade religiosa, bandeira (a mesma que é usada até hoje, mudando apenas o número de estrelas, três na orig...

Por José Ricardo de Souza*

Num dia como esta sexta-feira, 6 de março, há 209 anos começava em Pernambuco mais uma revolta contra o poder colonial. Cansados dos altos impostos para sustentar a corte no Rio de Janeiro, os liberais pernambucanos se rebelaram.

O estopim do movimento foi quando José de Barros Lima, o Leão Coroado, matou a golpes de espada o brigadeiro Manoel Joaquim Barbosa de Castro encarregado de prendê-lo a mando do governador Caetano Pinto Montenegro (que a população local dizia que era Caetano no nome, pinto na coragem, monte na altura e negro nas ações). A articulação da revolta vinha sendo gestada nas lojas maçônicas e também no Seminário de Olinda (por isso o nome de Revolta dos Padres).

A nova República instaurada pelos pernambucanos tinha uma lei orgânica, que na prática, era um projeto de Constituição, liberdade religiosa, bandeira (a mesma que é usada até hoje, mudando apenas o número de estrelas, três na original) e forte sentimento de regionalidade. Basta lembrar que nas missas as hóstias de trigo foram substituídas por hóstias de mandioca e o vinho por aguardente. Os revolucionários pretendiam até mesmo ir à ilha de Santa Helena e libertar Napoleão Bonaparte.

Contradições fragilizaram movimento

As contradições entre libertar os escravos ou manter a estrutura escravista que sustentava os engenhos fragilizou o movimento. Sem o apoio dos grandes senhores de engenho, a revolta foi facilmente sufocada pelas tropas leais ao governo joanino, com centenas de prisões e dezenas de condenados à morte. O Leão do Norte mesmo assim ressurgiria mais vezes: na Convenção de Beberibe (1821), na Confederação do Equador (1824) e na Revolução Praieira (1848-1849).

Em 27 de fevereiro de 1917 o governador Manoel Borba transformou a bandeira da Revolução de 1817 no pavilhão do Estado, por sugestão do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico de Pernambuco. Quando completou seu centenário em 1917 foi decretado feriado nacional e emitido um selo comemorativo pela passagem da data.

Para sempre na memória

No dia 2 de abril de 2007, Eduardo Campos, então governador de Pernambuco, decretou que esta data seria o dia da Bandeira de Pernambuco. E, finalmente, em 18 de dezembro de 2007, a Assembleia Legislativa de Pernambuco aprovou o projeto de lei determinado que o seis de março passasse a ser considerado a Data Magna do Estado.

O ano de 1817 ficará para sempre na memória dos pernambucanos e de seus guerreiros, lembrados em ruas, cidades e prédios públicos: Domingos José Martins, José de Barros Lima, Gervásio Pires, Frei Miguelinho, Padre Roma, Padre João Ribeiro, e é claro o ícone maior do Estado, Frei do Amor Divino Rabelo Caneca, o nosso Frei Caneca! Viva Pernambuco! Viva o Leão do Norte!

*O autor é historiador, professor da rede pública estadual e escritor. Membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP) e do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP). Criador do projeto Muita História pra Contar.

NR - Os intertítulos foram inseridos ao texto à revelia do autor para se adequarem ao padrão gráfico de O Poder, sem comprometimento do conteúdo


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Náutico e Sport decidem neste domingo (8) o título do campeonato pernambucano

07/03/2026

Por Severino Lopes*

Vai ter grito de campeão. E taça erguida nos Aflitos. A última batalha. De um lado, o Leão tenta levantar o 46º troféu estadual. Do outro, o Timbu busca a 25ª conquista. Após o eletrizante 3 x 3 na partida de ida na Ilha do Retiro, Náutico e Sport decidem neste domingo (08/03), às 18h, nos Aflitos, o título do Campeonato Pernambucano.

Times completos

Força máxima. Para a decisão do Campeonato Pernambucano, no próximo domingo, os técnicos Hélio Silva e Guilherme dos Anjos poderão repetir a mesma equipe em duas partidas seguidas.



Nem lesões nem jogadores suspensos

Sem problemas de novas lesões ou jogadores suspensos, os treinadores terão à disposição todos os 11 jogadores que começaram o jogo de ida, no empate por 3 a 3, na Ilha do Retiro.

Pode igualar

Na Náutico, o técnico com uma longa carreira vitoriosa, Hélio dos An...

Por Severino Lopes*

Vai ter grito de campeão. E taça erguida nos Aflitos. A última batalha. De um lado, o Leão tenta levantar o 46º troféu estadual. Do outro, o Timbu busca a 25ª conquista. Após o eletrizante 3 x 3 na partida de ida na Ilha do Retiro, Náutico e Sport decidem neste domingo (08/03), às 18h, nos Aflitos, o título do Campeonato Pernambucano.

Times completos

Força máxima. Para a decisão do Campeonato Pernambucano, no próximo domingo, os técnicos Hélio Silva e Guilherme dos Anjos poderão repetir a mesma equipe em duas partidas seguidas.


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Nem lesões nem jogadores suspensos

Sem problemas de novas lesões ou jogadores suspensos, os treinadores terão à disposição todos os 11 jogadores que começaram o jogo de ida, no empate por 3 a 3, na Ilha do Retiro.

Pode igualar

Na Náutico, o técnico com uma longa carreira vitoriosa, Hélio dos Anjos pode igualar outro treinador multi vencedor caso seja campeão com o Timbu na final contra o Sport.


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Força máxima

Ele deve mandar começar o jogo com a força máxima. Para a finalíssima contra o Sport, o zagueiro Matheus Silva, titular em seis jogos, voltou a ficar à disposição após se recuperar de uma torção no tornozelo, mas deve ficar como opção no banco de reservas. Dessa forma, caso opte por repetir a escalação do primeiro jogo, o Náutico entraria em campo para decidir o Estadual com: Muriel, Arnaldo, Wanderson, Igor Fernandes e Yuri; Samuel, Wenderson e Dodô; Júnior Todinho, Paulo Sérgio e Vinícius.

O Leão

No Sport, o técnico Roger Silva também terá força máxima. O Leão deve começar a decisão com Thiago Couto; Augusto Pucci, Benevenuto, Ramon e Felipinho; Zé Gabriel, Pedro Martins e Marlon; Iury Castilho, Barletta e Zé Roberto.

Retrospecto favorável

Náutico e Sport decidem o Pernambucano no estádio dos Aflitos pela oitava vez. E o retrospecto é favorável ao Timbu quando a última partida da decisão é no Eládio de Barros Carvalho, casa da equipe alvirrubra.


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A última decisão

A última decisão entre os clubes com o jogo final nos Aflitos foi em 2021, quando o Timbu venceu o Leão nos pênaltis e ficou com a taça.

As conquistas

Além de 2021, o Náutico também levantou a taça nos Aflitos diante do Sport em 1951, 1963, 1966 e 1968 - neste último ano, o Timbu foi hexa. O Sport, por sua vez, levantou a taça ao vencer as finais de 1955 e 1975 no estádio.

Quebra de tabu

O Sport também vai tentar quebrar um tabu, já que não vence o Naútico há quase dois anos. A última vez que o Sport venceu o Náutico foi em 3 de março de 2024, em jogo de ida das finais do Estadual. Na ocasião, o Leão aplicou o placar de 2 a 0 no estádio dos Aflitos. Os gols foram marcados pelo zagueiro e capitão Rafael Thyere e pelo atacante Gustavo Coutinho.

O último capítulo

Neste domingo, os dois times voltam a se enfrentar no capítulo final do campeonato. Na partida de ida, o Leão marcou Iury Castilho duas vezes e Yago Felipe. O Timbu fez com Paulo Sérgio, Wanderson e Marcelo Benevenuto, contra. Os artilheiros estarão em campo na última batalha que culminará com o campeão. Quem vencer é campeão direto, enquanto um novo empate leva a decisão para os pênaltis.

O homem do apito

A final do Campeonato Pernambucano terá o mesmo árbitro da decisão do ano passado. Pelo segundo ano consecutivo, a responsabilidade de comandar a decisão será do mineiro Paulo Cesar Zanovelli, do quadro da Fifa. Ano passado ele esteve presente na final entre Sport e Retrô, vencida pelos rubro-negros, nos pênaltis.

*Severino Lopes é editor regional de O Poder


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Dia Internacional da Mulher - Crônica, por Maria Inês Machado*

07/03/2026

Dia 8 de Março

Mês de março, me dei conta de algo curioso. Durante muito tempo classificaram as mulheres de musa, mãe, santa, pecadora. Era sempre uma moldura pronta, esperando apenas que cada uma de nós entrasse nela.
Raramente nos perguntaram quem queríamos ser.

Ainda assim, as mulheres aprenderam a construir asas. Não dessas que aparecem em histórias de fantasia, mas das que nascem da coragem de levantar todos os dias e seguir em frente. Asas feitas de trabalho, de silêncio suportado, de resiliência, de falas inteligentes, de resistência que ninguém vê.

Mas toda vez que uma mulher tenta voar um pouco mais alto, parece que surgem lâminas no caminho. Elas aparecem de forma explícita ou camuflada, disfarçadas em comentários, em desigualdades que muitos fingem não perceber, em violências que ainda insistem em existir.

Feminicídio. Violência doméstica. Desigualdade salarial. Preconceito.

Não são episódios i...

Dia 8 de Março

Mês de março, me dei conta de algo curioso. Durante muito tempo classificaram as mulheres de musa, mãe, santa, pecadora. Era sempre uma moldura pronta, esperando apenas que cada uma de nós entrasse nela.
Raramente nos perguntaram quem queríamos ser.

Ainda assim, as mulheres aprenderam a construir asas. Não dessas que aparecem em histórias de fantasia, mas das que nascem da coragem de levantar todos os dias e seguir em frente. Asas feitas de trabalho, de silêncio suportado, de resiliência, de falas inteligentes, de resistência que ninguém vê.

Mas toda vez que uma mulher tenta voar um pouco mais alto, parece que surgem lâminas no caminho. Elas aparecem de forma explícita ou camuflada, disfarçadas em comentários, em desigualdades que muitos fingem não perceber, em violências que ainda insistem em existir.

Feminicídio. Violência doméstica. Desigualdade salarial. Preconceito.

Não são episódios isolados, conforme querem fazer parecer. São marcas de uma estrutura que se construiu ao longo do tempo.

E ainda assim, as mulheres continuam.

Talvez porque a força feminina nunca tenha sido exatamente aquilo que muitos imaginaram. Não está em jogos de sedução nem em papéis moldados pelo olhar alheio. Está na capacidade de sustentar vidas, famílias, comunidades inteiras, muitas vezes sem reconhecimento.

Se o mundo tivesse uma voz, arrisco dizer que ela seria feminina. Não pela ideia superficial que tantas vezes associam às mulheres, mas pela firmeza silenciosa de quem sustenta muito mais do que aparece.

Dia Internacional da Mulher. Muita gente oferece flores, e elas são bonitas, claro. Mas talvez o que mais se precise não sejam flores.

Talvez o que realmente importa seja coragem para romper o silêncio, fortalecer quem precisa de proteção e, principalmente, desmontar preconceitos que ainda parecem naturais demais.

A mulher não é vitrine. Vitrines exibem e trocam conforme a moda.
A mulher não é tendência.
A mulher é base, sustentação, enfim fundamento.

E talvez o verdadeiro sentido deste dia esteja justamente nisso: lembrar que não se trata de uma celebração passageira, mas de compromisso, respeito. Extinção de foco distorcido.

Asas já existem. Inquebrantáveis.

E as lâminas...

*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.


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Mulher - Poema - Por, Romero Falcão*

07/03/2026

Dia 8 de Março - O Dia Internacional da Mulher

És mais bela e graciosa
do que todas as rosas.
És espinho mais perfurante
que o jardim enalteceu.
És a mais pungente alegria
que o riso conheceu.

Mulher

o beijo delicado e cheiroso
na bruta face do homem.
Mulher,
tua luminosa arquitetura
a sustentar a grosseira natureza humana.
Tudo ruiria se não fosse o apoio das tuas mãos,
tudo entardeceria se não fosse a claridade do teu olhar.

Mulheres

dóceis, generosas, brilhantes, belas, temperamentais, loucas, exatas, práticas,
sofisticadas, arrogantes, dissimuladas, adúlteras, malandras, balzaquianas, safadas,
maliciosas, melindrosas, gananciosas, cultas, selvagens,
lógicas, complexas, misteriosas, exóticas.

por todas elas

os homens se acham, sonham, enlouquecem,
m...

Dia 8 de Março - O Dia Internacional da Mulher

És mais bela e graciosa
do que todas as rosas.
És espinho mais perfurante
que o jardim enalteceu.
És a mais pungente alegria
que o riso conheceu.

Mulher

o beijo delicado e cheiroso
na bruta face do homem.
Mulher,
tua luminosa arquitetura
a sustentar a grosseira natureza humana.
Tudo ruiria se não fosse o apoio das tuas mãos,
tudo entardeceria se não fosse a claridade do teu olhar.

Mulheres

dóceis, generosas, brilhantes, belas, temperamentais, loucas, exatas, práticas,
sofisticadas, arrogantes, dissimuladas, adúlteras, malandras, balzaquianas, safadas,
maliciosas, melindrosas, gananciosas, cultas, selvagens,
lógicas, complexas, misteriosas, exóticas.

por todas elas

os homens se acham, sonham, enlouquecem,
mergulham no vício e na fúria,
machucam-se, masturbam-se, desgraçam-se,
abrem caminhos, chocam-se com todos os medos,

criam força, coragem e fraqueza, viram todas as mesas,
debruçam-se na varanda da solidão, provam da dor do abandono,
povoam paraíso e inferno,
erguem-se, constroem labirintos, fogem, debandam, retornam,
recolhem-se, acolhem-se dentro da feminina carne
mas poucos, pouquíssimos,
penetram fundo na misteriosa e transcendente existência de uma mulher.

*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.


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NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - O Salvador, por Ana Pottes*

07/03/2026

A esteira rola carregando casacos, sapatos, maletas, bolsas e passaportes que vão sendo engolidos por um buraco negro, por trás de uma cortina de tiras de borracha preta. Do lado de cá, eu e três amigas seguimos na fila das mulheres enquanto os rapazes estão em outra. Nos sentimos isoladas e inseguras. Eu, por falar mal o inglês e sem nada compreender da língua local. Uma situação, no mínimo, vexatória.

Os rapazes longe, não se dão conta do que nos envolvem, preocupados com os controles que recaem sobre eles.

Uma das amigas está em uma fila que anda rápido. A nossa estagnou: Uma jovem de olho repuxado, cabelo liso e voz gasguita abre malas para retirar coisas, enquanto esbraveja para duas outras. Isso nos prende com umas cinco pessoas a nossa frente.

O barulho das máquinas engolidoras de malas, as vozes imperativas, quase em gritos, das fiscais que se apoiam em palavras incompreensíveis para nós, tomam o ambiente e pesam sobre os nossos ombr...

A esteira rola carregando casacos, sapatos, maletas, bolsas e passaportes que vão sendo engolidos por um buraco negro, por trás de uma cortina de tiras de borracha preta. Do lado de cá, eu e três amigas seguimos na fila das mulheres enquanto os rapazes estão em outra. Nos sentimos isoladas e inseguras. Eu, por falar mal o inglês e sem nada compreender da língua local. Uma situação, no mínimo, vexatória.

Os rapazes longe, não se dão conta do que nos envolvem, preocupados com os controles que recaem sobre eles.

Uma das amigas está em uma fila que anda rápido. A nossa estagnou: Uma jovem de olho repuxado, cabelo liso e voz gasguita abre malas para retirar coisas, enquanto esbraveja para duas outras. Isso nos prende com umas cinco pessoas a nossa frente.

O barulho das máquinas engolidoras de malas, as vozes imperativas, quase em gritos, das fiscais que se apoiam em palavras incompreensíveis para nós, tomam o ambiente e pesam sobre os nossos ombros viajantes. Um cheiro de suor se mistura com o de perfume vazando das malas abertas. Reclamo da garota que está segurando a fila:
Absurdo! Não sabe o que é e o que não é permitido?

O espaço é estreito e pequeno para tanta gente. Tenho a sensação de que estou na Coreia, China ou outro desses países, pela concentração de orientais por metro quadrado. A fiscal deixa o posto e tudo para novamente. Um século transcorre. Nosso desejo é passar rápido pela sala de tortura. A mulher-fiscal retorna morosa, a bebericar um cafezinho.

Bolas! Estamos cansados e a alfândega? Ainda!

Nisso percebo Maria, que na outra fila, segue para o detector de metais, mas fica retida na fiscal e está, de olhar fixo, com os músculos da face em tensão, lhe fazendo perguntas incompreensíveis, em tom impositivo. Aflita, olho para as amigas e, num átimo, gritamos em coro:

Abdul... Abdul... Abdul...

Na fila dos homens, os rapazes, até então preocupados com seus passos, indagam de olhos arregalados: o que houve? O que aconteceu?

Pânico entre todos do grupo e aos berros pedimos: chamem Abdul! e apontamos para Maria, retida pela mulher-fiscal.

No aeroporto da cidade do Cairo, eu e mais doze pessoas procuramos pelo nosso receptivo, que fala bem português e decifra hieróglifos, falados e escritos. Abdul, nosso salvador.

Maria retida pela fiscal, repete com voz trêmula, embargada pelo nervosismo: vou para Recife. Me deixe passar. Vou para casa. Moro no Recife.
O aperreio aumenta com a ausência do receptivo. Estamos sem poder ajudar, sem ultrapassar a máquina, proibidas de chegar próximo à Maria e, sem entender o que era indagado, só nos resta gritar: Abdul...Abdul...Abdul...a plenos pulmões.

O medo de Maria ser retirada da nossa vista e levada sabe Alá para onde, aumenta a cada segundo.

Quando a figura esguia, de tez clara, vestindo seus trinta e poucos anos em uma camisa branca chega junto da mulher-fiscal, nos acalmamos. Explica o que é necessário fazer e Maria segue, não para Recife, mas para a fase seguinte da câmara de torturas. Respiramos aliviadas, enquanto retiramos sapatos, tênis, casacos, bolsas, óculos, relógios, cintos e quem sabe até marcapassos e jogamos tudo para ser engolido pela máquina faminta.

Do outro lado, a busca pelos pertences é outra luta. Achei um pé do meu tênis entre os objetos de outra viajante, que me entrega com um “sorry”. Atrás do meu sorriso forçado se vê a irritação tensa e cansada.

Ultrapassada as trincheiras com tudo e todos salvos, comentando uns com os outros os fatos ocorridos, seguimos para o embarque ao ritmo de risadas relaxadas. Um dos rapazes tem a ideia de contar os presentes. Um, dois, três, ... doze. Doze? Somos treze. Quem falta? Alguém grita: Cadê Sônia? Sôniiiiiaaaaaa!!!!!! Abdul corre sobre seus passos. Vamos perder o voo! vamos perder o voo! E o grupo em coro: Sôniiiiiaaaaaaaa!!!!!

Uma réstia de sol entra pelas cortinas e o barulho daquelas máquinas famintas vão se assemelhando ao som abafado de um ar-condicionado que há meses pede substituição. Sinto o pijama grudado na pele, me revolvo entre os lençóis, procuro o travesseiro ainda tateando, abro os olhos e identifico um lugar seguro. Espicho braços, pernas e respiro aliviada.

*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem!


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NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – O Jumento e o Computador, por Xico Bizerra*

07/03/2026

Sou sertão. Sertão que já pariu tanta poesia e verso e continua a inspirar quem conhece o sagrado terreno dessas terras. E daí saem cantigas e prosas a motivar os cabras e as cabrochas carentes de um abraço ou cafuné. É um tocador de fole numa esquina qualquer, um cego de feira ou um cantador versejando palavras, um poeta inspirado que bebe no bar a cachaça da alegria e tira gosto com pedaços de saudade, e assim mantém a claridade divina das coisas do interior, que não saem do nosso interior. Feliz de quem, como eu, teve a ventura de desabrochar no sertão e conhecer a luz do sol debaixo de um céu azul, que só se vê por lá. Anjos e Deuses haverão de cuidar sempre desse pedaço de chão. Chão em que vive o jumento amigo, injustiçado quando a ele se concede a falta de compreensão que lhe é culturalmente atribuída. Por isso, faço questão de destacar meu apreço pelo animal e a antipatia natural que tenho pelas ‘modernagens’ cibernéticas. Vai ver o problema é do USB – Usuário Super Burro. Viva...

Sou sertão. Sertão que já pariu tanta poesia e verso e continua a inspirar quem conhece o sagrado terreno dessas terras. E daí saem cantigas e prosas a motivar os cabras e as cabrochas carentes de um abraço ou cafuné. É um tocador de fole numa esquina qualquer, um cego de feira ou um cantador versejando palavras, um poeta inspirado que bebe no bar a cachaça da alegria e tira gosto com pedaços de saudade, e assim mantém a claridade divina das coisas do interior, que não saem do nosso interior. Feliz de quem, como eu, teve a ventura de desabrochar no sertão e conhecer a luz do sol debaixo de um céu azul, que só se vê por lá. Anjos e Deuses haverão de cuidar sempre desse pedaço de chão. Chão em que vive o jumento amigo, injustiçado quando a ele se concede a falta de compreensão que lhe é culturalmente atribuída. Por isso, faço questão de destacar meu apreço pelo animal e a antipatia natural que tenho pelas ‘modernagens’ cibernéticas. Vai ver o problema é do USB – Usuário Super Burro. Viva o Sertão, o jumento e dane-se a máquina de fazer doido chamada computador, com seus imeios, zaps e facebooks.

*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.


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NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – As Galerias do Maltado - por Carlos Bezerra Cavalcanti*

07/03/2026

Reminiscente dos anos vinte do século passado, quando foi criada pelo cubano Fidélio Lago "As Galerias" como é conhecida essa casa de lanches madrugadora, serve o mais famoso maltado da cidade do Recife. Localizou-se, durante muitos anos, desde 1928 até a década de 1990, entre as Avenidas Marquês de Olinda e Rio Branco, num prédio que funcionou como depósito da Pernambuco Tramways. Depois, mais recentemente, o estabelecimento foi transferido para o início da Rua do Bom Jesus.

A Casa notabilizou-se por ficar à noite e à madrugada, funcionando com um número considerável de fregueses, que entravam e saíam pelas suas portas largas, uma do lado, na Av. Rio Branco, e a outra na Marquês de Olinda.

O maltado e o bolo de chocolate polvilhado de amendoim, apelidado de pó de serra, lhe deram fama até hoje.
Outra opção das Galerias, que ajudou a torná-la mais conhecida, principalmente, entre os jovens daquela época, era a gasosa, o refrigerante da década de qua...

Reminiscente dos anos vinte do século passado, quando foi criada pelo cubano Fidélio Lago "As Galerias" como é conhecida essa casa de lanches madrugadora, serve o mais famoso maltado da cidade do Recife. Localizou-se, durante muitos anos, desde 1928 até a década de 1990, entre as Avenidas Marquês de Olinda e Rio Branco, num prédio que funcionou como depósito da Pernambuco Tramways. Depois, mais recentemente, o estabelecimento foi transferido para o início da Rua do Bom Jesus.

A Casa notabilizou-se por ficar à noite e à madrugada, funcionando com um número considerável de fregueses, que entravam e saíam pelas suas portas largas, uma do lado, na Av. Rio Branco, e a outra na Marquês de Olinda.

O maltado e o bolo de chocolate polvilhado de amendoim, apelidado de pó de serra, lhe deram fama até hoje.
Outra opção das Galerias, que ajudou a torná-la mais conhecida, principalmente, entre os jovens daquela época, era a gasosa, o refrigerante da década de quarenta, preparada na frente do freguês, essências de morango, groselha, framboesa e guaraná, sem falar na famosa vitamina de banana, servida com sorvetes de vários sabores.


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Desde 1955 esta casa comercial está sob a responsabilidade do filho de Fidélio, Antônio Gomes

*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras


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É Findi - Três Idiomas - Conto - Por, Romero Falcão*

07/03/2026

Eu, um neófito na feitiçaria da escrita, e um comparsa — de extensa ficha literária, que escreve para jornal e tem vários livros na praça — conversávamos sobre o universo pet. Falar, e sobretudo escrever, a respeito desse tema de maneira crítica é perder um amigo, um amor, um leitor. Cria aversão, repulsa. Por experiência própria, sei que o terreno é pantanoso.

Calado, Olhando para os Pés

Voltando ao elemento que escreve para jornal, relato minhas impressões de ontem à tarde, quando entrei num pet shop. Ele me escuta calado, olhando para os pés.

— Sabe, fui até lá tentar arranjar um capítulo. Uso a velha estratégia: mexo nas mercadorias, finjo procurar marca de ração, lançamento do último brinquedo, um crematório estiloso. Provoco a moça do outro lado do balcão:

— Tem coleira cravejada de diamante?
— Diamante não, mas de ouro 18 o senhor encontra numa loja especializada em joias para pets.
Me belisco. Não,...

Eu, um neófito na feitiçaria da escrita, e um comparsa — de extensa ficha literária, que escreve para jornal e tem vários livros na praça — conversávamos sobre o universo pet. Falar, e sobretudo escrever, a respeito desse tema de maneira crítica é perder um amigo, um amor, um leitor. Cria aversão, repulsa. Por experiência própria, sei que o terreno é pantanoso.

Calado, Olhando para os Pés

Voltando ao elemento que escreve para jornal, relato minhas impressões de ontem à tarde, quando entrei num pet shop. Ele me escuta calado, olhando para os pés.

— Sabe, fui até lá tentar arranjar um capítulo. Uso a velha estratégia: mexo nas mercadorias, finjo procurar marca de ração, lançamento do último brinquedo, um crematório estiloso. Provoco a moça do outro lado do balcão:

— Tem coleira cravejada de diamante?
— Diamante não, mas de ouro 18 o senhor encontra numa loja especializada em joias para pets.
Me belisco. Não, não estou sonhando.


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Momentos de Pobreza Criativa

Uma dondoca me “acalma” — com muitas aspas — ao adentrar o estabelecimento. Pelo menos elas — as dondocas — têm me salvado em momentos de pobreza criativa. Pois bem: a moça bonita, bem-vestida, de aparência respeitável, fala do pet como se fosse a melhor raça que o Altíssimo criou.

Também tem Cara de Dondoca

Eu compreendo o desencanto pela raça humana — guerras, feminicídio, sacanagem dos parceiros e parentes, carência, solidão. Ao passo que o pet não trai, não abandona; é fiel, companheiro na doença, na pobreza, na morte; está sempre à disposição, fazendo festa, feliz, abanando o rabinho vinte e quatro horas. A propósito, o pet no braço da dondoca também tem cara de dondoca — e já deixou de ser animal há muito tempo — será matriculado numa escola chique. Aprenderá a latir em três idiomas.


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O Bicho de Manuel Bandeira

Do outro lado da pista, pela vidraça, observo uma criança de rua farejando lixo — o “bicho” de Manuel Bandeira continua atual. O mais grave, o sintoma preocupante, para mim, é que tudo corre normalmente. Não há indignação. Um texto sequer na mídia, blogs, jornais, redes sociais. Nada, nada. Tudo anestesiado.

Pergunto ao escritor:

— Não atormenta tua pena essa realidade?
— Sim, claro, abomino essa inversão de valores.
— Então por que não senta ao teclado com toda a contundência, entre o primeiro parágrafo e o ponto final?

— Aí você me queima.

E ficou nisso. Sim, eu sei: ele não escreverá uma linha. Talvez a lucidez dele seja de ouro, e a minha, de lata.

Tenho medo de tomar o lugar de fala dos pets.

*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.


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Este texto é uma ficção; qualquer semelhança é mera coincidência.

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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