Alerta de Carnaval
Previna-se, proteja-se e respeite para o seu carnaval ser perfeito.
11/02/2024 - Jornal O Poder
O Ministério da Saúde está fazendo uma campanha nacional, alertando para a importancia do respeito, com ênfase no respeito às mulheres (não é não) e estimulando o uso de preservativos e exames sobre doenças sexualmente transmissíveis. E também cuidados para evitar a proliferação da dengue.
O Poder
Participa e apoia a campanha. Nesta página, você encontra a mais completa programação dos eventos em oito Estados, os mais tradicionais polos do diversificado carnaval brasileiro, o mais rico, popular e multicultural do mundo.
Assista ao vídeo
E, não saia de casa sem camisinha no bolso ou na bolsa.
O Ministério da Saúde está fazendo uma campanha nacional, alertando para a importancia do respeito, com ênfase no respeito às mulheres (não é não) e estimulando o uso de preservativos e exames sobre doenças sexualmente transmissíveis. E também cuidados para evitar a proliferação da dengue.
O Poder
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E, não saia de casa sem camisinha no bolso ou na bolsa.
Leia outras informações
É Findi - Jornada - Por Marcelo Mário de Melo*
07/08/2026
nossos passos andantes
costurando trilhas
entre vaga-lumes e estrelas.
E atritando pedras do caminho
fazemos fogo
para aquecer
a esperança com frio.
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm
Temperamos com sonho
nossos passos andantes
costurando trilhas
entre vaga-lumes e estrelas.
E atritando pedras do caminho
fazemos fogo
para aquecer
a esperança com frio.
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm

É Findi - A Noite - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
07/08/2026
peremptória, ela se anuncia,
imanente, nada a esvazia,
a mim devora, já agora.
Ainda, mesmo tênue penumbra,
me traz angústia deveras profunda,
quando a si própria desnuda;
assim é, pois decerto nada muda.
Inexiste o supérfluo, nela
tudo se anela, afivela;
são injunções, é sina.
Se perpetua, é destino,
O nada luminoso caminho;
no final, estaremos sozinhos.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
Temo a noite, eis a hora;
peremptória, ela se anuncia,
imanente, nada a esvazia,
a mim devora, já agora.
Ainda, mesmo tênue penumbra,
me traz angústia deveras profunda,
quando a si própria desnuda;
assim é, pois decerto nada muda.

Inexiste o supérfluo, nela
tudo se anela, afivela;
são injunções, é sina.
Se perpetua, é destino,
O nada luminoso caminho;
no final, estaremos sozinhos.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99

É Findi - Silêncios - Poema - Por Felipe Bezerra*
07/08/2026
Estamos de certa forma despertos,
sonâmbulos, em sonho pleno,
suspensos no bolsão de oxigênio,
atravessando o deserto do tempo,
na imensa floresta das circunstâncias,
construindo caminhos incertos,
na esperança da transação perfeita.
Seguindo lideranças suspeitas,
muitas vezes, sorvemos desacertos,
cizânias, censuras e abismos,
em sucessivas sinapses desconexas,
na busca do supremo sentido,
que só se estabelece no próximo,
como ensinou há milênios o Cristo.
É salutar, às vezes, descalçar os sapatos
das ambições desmedidas, desconectar
as imposições desarrazoadas das redes,
para cessar a sensação de urgência.
As sinuosas estradas das escolhas,
nas decisões essenciais da vida,
exigem serenidade e sapiência,
mas também ação exata e precisa.
Se não, pai...
Para Melson, Tomás e Guilherme
Estamos de certa forma despertos,
sonâmbulos, em sonho pleno,
suspensos no bolsão de oxigênio,
atravessando o deserto do tempo,
na imensa floresta das circunstâncias,
construindo caminhos incertos,
na esperança da transação perfeita.
Seguindo lideranças suspeitas,
muitas vezes, sorvemos desacertos,
cizânias, censuras e abismos,
em sucessivas sinapses desconexas,
na busca do supremo sentido,
que só se estabelece no próximo,
como ensinou há milênios o Cristo.
É salutar, às vezes, descalçar os sapatos
das ambições desmedidas, desconectar
as imposições desarrazoadas das redes,
para cessar a sensação de urgência.
As sinuosas estradas das escolhas,
nas decisões essenciais da vida,
exigem serenidade e sapiência,
mas também ação exata e precisa.
Se não, paisagens são sufocadas
por entulhos e desejos supérfluos,
sem volta ao instante específico
da oportunidade lançada ao vento.
Somente quem se encontra consigo
consegue servir aos seus e ao próximo,
sem esperar o imediato regozijo
do materialismo ilusório dos sentidos.
Saibamos aplacar as sedes, sabendo
que as ondas insondáveis do universo
sempre regressam ao ponto de partida,
trazendo, em dobro, a essência emitida.
Recife, 6 de agosto de 2026. Semana de Dia dos Pais.
*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza

É Findi - Série História de Pernambuco: Quando o Açúcar Entrou na Guerra - Por Alfredo Cabral de Melo*
07/08/2026
Se os holandeses conquistaram Pernambuco por causa do açúcar, por que tiveram tanta dificuldade para manter a colônia? A resposta começa longe dos campos de batalha. Ela está nos engenhos, que reuniam terras, equipamentos, mão de obra, crédito e comércio, formando o coração da economia pernambucana. Quando essa estrutura foi atingida pela guerra, toda a capitania sentiu seus efeitos.
A destruição de propriedades açucareiras, o abandono de canaviais e as dificuldades para manter a produção afetaram muito mais do que os proprietários. Comerciantes reduziram seus negócios, credores passaram a enfrentar dificuldades para receber e a Companhia das Índias Ocidentais viu comprometida a atividade que justificava o elevado investimento na conquista de Pernambuco. Em uma economia dependente do açúcar, qualquer interrupção da produção repercutia em toda a sociedade.
Os reg...
Como a crise dos engenhos ajuda a compreender a Restauração Pernambucana
Se os holandeses conquistaram Pernambuco por causa do açúcar, por que tiveram tanta dificuldade para manter a colônia? A resposta começa longe dos campos de batalha. Ela está nos engenhos, que reuniam terras, equipamentos, mão de obra, crédito e comércio, formando o coração da economia pernambucana. Quando essa estrutura foi atingida pela guerra, toda a capitania sentiu seus efeitos.
A destruição de propriedades açucareiras, o abandono de canaviais e as dificuldades para manter a produção afetaram muito mais do que os proprietários. Comerciantes reduziram seus negócios, credores passaram a enfrentar dificuldades para receber e a Companhia das Índias Ocidentais viu comprometida a atividade que justificava o elevado investimento na conquista de Pernambuco. Em uma economia dependente do açúcar, qualquer interrupção da produção repercutia em toda a sociedade.
Os registros reunidos por Pereira da Costa, nos Anais Pernambucanos, preservam referências a engenhos atingidos pelos conflitos, confiscos, destruições e mudanças de posse durante a ocupação holandesa. Reunidas a partir de documentos e registros históricos, essas informações revelam que a guerra transformou profundamente a vida econômica da capitania, muito além dos episódios militares que costumam ocupar maior espaço na memória coletiva.
Conquistar Pernambuco, portanto, era apenas parte do desafio. Era preciso manter funcionando uma economia que dependia de estabilidade, crédito, transporte, mão de obra e acesso aos mercados consumidores. A guerra comprometia cada um desses elementos, tornando lenta e difícil a recuperação da produção açucareira.
É nesse contexto que a crise dos engenhos se relaciona com a Restauração Pernambucana. Durante muito tempo, difundiu-se a ideia de que a insurreição teria sido apenas uma reação de senhores de engenho endividados contra os holandeses. A historiografia contemporânea, entretanto, demonstra que essa interpretação é insuficiente. O endividamento de parte da elite açucareira foi um fator importante, mas se somou a questões políticas, religiosas, militares e econômicas que, em conjunto, desgastaram o domínio neerlandês.
Também seria um equívoco reduzir o conflito a uma simples oposição entre portugueses e holandeses. Proprietários permaneceram em suas terras durante a ocupação, comerciantes buscaram preservar seus negócios, financiadores tentavam recuperar seus créditos e autoridades procuravam manter a arrecadação. Em muitos momentos, interesses econômicos aproximaram grupos que, em outras circunstâncias, estariam em lados opostos.
Enquanto isso, o Recife permanecia ligado ao destino da economia açucareira. O açúcar produzido no interior seguia para o porto e, dali, abastecia os mercados europeus. A prosperidade da cidade dependia diretamente dessa circulação, assim como os produtores dependiam da estrutura portuária para escoar sua produção. Campo e porto formavam uma única engrenagem econômica.
Toda essa atividade era sustentada pelo trabalho compulsório de milhares de pessoas escravizadas. A guerra não eliminou essa realidade, mas alterou seu funcionamento, provocando deslocamentos, escassez de mão de obra em determinadas regiões e novas dificuldades para uma economia que dependia da continuidade da produção. A história dos engenhos, portanto, não pode ser compreendida sem reconhecer a centralidade da escravidão na formação da sociedade pernambucana do século XVII.
Quando a Insurreição Pernambucana começou, em 1645, o domínio holandês já enfrentava dificuldades que ultrapassavam o campo militar. A manutenção da colônia tornava-se cada vez mais onerosa, a recuperação econômica avançava de forma limitada e as tensões entre parte da administração neerlandesa e setores da elite local se intensificavam. Esse conjunto de circunstâncias ajuda a compreender por que a expulsão dos holandeses não pode ser explicada apenas pelas vitórias militares. As batalhas foram decisivas, mas ocorreram em um contexto de desgaste econômico e político que também contribuiu para o desfecho da ocupação.
Foi nos engenhos que se produziu a riqueza que tornou Pernambuco uma das regiões mais cobiçadas do Atlântico. Também foi ali que a guerra revelou seus efeitos mais profundos, alterando patrimônios, relações econômicas e a própria organização da sociedade. Compreender essa realidade é perceber que a história do Brasil Holandês começou muito antes das batalhas e continuou muito depois delas.
Nos Anais Pernambucanos
Ao longo dos Anais Pernambucanos, Pereira da Costa reuniu documentos, registros administrativos e notícias que hoje constituem uma das mais importantes compilações sobre a história de Pernambuco. Confrontados com a historiografia contemporânea, esses registros ajudam a compreender como a guerra afetou o cotidiano dos engenhos e da economia açucareira, revelando aspectos que muitas vezes permanecem à margem das narrativas centradas apenas nos grandes acontecimentos militares.
Na próxima semana: quem foi, afinal, Maurício de Nassau? Muito além das pontes e dos palácios, conheceremos o administrador que encontrou uma economia fragilizada pela guerra e precisou conciliar interesses políticos, militares e comerciais para preservar a mais importante colônia da Companhia das Índias Ocidentais nas Américas.
*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo

É Findi – Os Anjos e as Penas de Araras Coloridas - Crônica - Por Xico Bizerra*
07/08/2026
Que a grama de nossas casas continuem sempre da cor que deve ser e o todo resto desarrumado: a cama, com seus travesseiros fofos, bagunçada. Que as coisas mexidas, sala, varanda, quartos e cozinha, assim permaneçam, desde que o autor das peraltices tenha nome, forma e cheiro de anjo, dos mais celestiais possíveis. Aqui em casa acontecia isto, quando apenas um anjo tomava conta de tudo e promovia a bagunça boa. Ouvi dizer que o nome dele é Bernardo.
Aí, dois ou...
Quando o primeiro anjo pousou em frente a nossa casa a grama ao redor ficou mais verdinha. Ele aquietou-se ali, perto do pé de manacá e fingiu ser estátua. O melhor dos anjos, quando eles fingem ser estátua, é não resistirem às cócegas no nariz, com penas de araras coloridas. Eles, por um instante, se permitem mexer um pouco, depois se mexem mais e põem-se a rir, mas nem por isso abdicam de ser doces anjos: apenas deixam de ser imóveis esculturas. Passam a ser estátuas alegres, sorridentes querubins.
Que a grama de nossas casas continuem sempre da cor que deve ser e o todo resto desarrumado: a cama, com seus travesseiros fofos, bagunçada. Que as coisas mexidas, sala, varanda, quartos e cozinha, assim permaneçam, desde que o autor das peraltices tenha nome, forma e cheiro de anjo, dos mais celestiais possíveis. Aqui em casa acontecia isto, quando apenas um anjo tomava conta de tudo e promovia a bagunça boa. Ouvi dizer que o nome dele é Bernardo.
Aí, dois outros anjos se achegaram, ainda muito pequenos, se ajuntando a Bernardo na boa bagunça ... Final de semana, Bernardo, Vinícius e Leonardo, três das maiores invenções de Deus, tomam conta da ‘zona’ em que se transforma nossa casa com a chegada deles. Uma ‘zona’ arretada de boa! Viva a bagunça que eles promovem! Que Deus olhe sempre pelos anjos sorridentes e felizes. Pra que foi inventá-los?
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico

É Findi - Café com Amizade e Miséria - Crônica - Por Romero Falcão*
07/08/2026
Muito Ocupados
Numa manhã chuvosa, ele conseguiu tempo entre seus afazeres, a esposa, a filha - menina quase moça - e o gato. Troço inusitado no tempo em que o Zap acolhe todos e todas num retângulo de vidro. E estão todos muito, muito ocupados. Compromisso, compromisso. Abrir mão da esposa, da filha e do gato para dividir uma garrafa de café, um prato de cuscuz e galinha guisada — em vez de tira-gosto e garrafa de cerveja — com este elemento que vos escreve, é fora da cuia.
Cadê o Talão?
Sempre educado, um lord: veio de carro me apanhar. Somos filhos da...
O celular toca, quem é que ainda liga pra alguém? É golpe? Um dia desses ouvi no rádio o especialista: se atender, não fale. Apenas escute, porque podem gravar sua voz e pedir dinheiro pelo Zap aos amigos. Não, não era 171 digital, era um amigo querendo marcar um encontro num mercado para tomarmos o café da manhã. Que coisa rara, raríssima. Pois assim aconteceu.
Muito Ocupados
Numa manhã chuvosa, ele conseguiu tempo entre seus afazeres, a esposa, a filha - menina quase moça - e o gato. Troço inusitado no tempo em que o Zap acolhe todos e todas num retângulo de vidro. E estão todos muito, muito ocupados. Compromisso, compromisso. Abrir mão da esposa, da filha e do gato para dividir uma garrafa de café, um prato de cuscuz e galinha guisada — em vez de tira-gosto e garrafa de cerveja — com este elemento que vos escreve, é fora da cuia.
Cadê o Talão?
Sempre educado, um lord: veio de carro me apanhar. Somos filhos da doçura de 64. Festejo o cabeludo danado, culto, irônico, que curte boa música, cinema, livros. Seguimos para o Mercado da Encruzilhada. Estacionou na zona azul. Cadê o talão? Não, não há mais talão, agora é no aplicativo. Abre o aplicativo. Disse que a esposa tinha deixado uns créditos. Mexe no celular, mexe, mexe — o diabo do crédito aparece, mas como ativá-lo?
Humilhação Diária
Tento ajudar, mas me embaraço. Cai o sinal da internet. Um flanelinha dá a dica: "O bagulho aqui é doido. Ali do outro lado pega melhor". O celular ri dos dois idosos que apanham da tecnologia. Já escrevi neste jornal sobre isso. O imortal da ABL, Ruy Castro, também escreveu na Folha de São Paulo: "A Humilhação Diária". Mexe pra lá, mexe pra cá, até que conseguimos fazer o Pix. O Pix que deixa o Tio Sam zangado.
Cheiro de Infância
Entramos no conhecido Mercado. Água na boca. Sinto-me feito o cão de Pavlov - salivando - condicionado ao sabor do melhor bolinho de bacalhau da capital pernambucana. Caminhamos pelos corredores rodeados de espanador, arupema, rala coco, filtro de barro, hospital das panelas, sapateiro, barras de queijo coalho e manteiga, sacos de feijão, arroz e farinha. Cheiro de infância.
Milagre
Puxamos as cadeiras, pedimos o cardápio — ainda de papel, sem QR code — e o garçom não é um robô. Pedimos cuscuz com galinha guisada. Enquanto esperávamos, enfiamos os smartphones no bolso. Iniciamos a preciosa e escassa conversa olho no olho, escuta atenta, sem a interrupção do algoritmo. Milagre.

Duas Xícaras de Café
Por três horas, abrimos sorrisos, umedecemos olhos.
Cada qual desbridando feridas, expondo provações. Depois rindo, tirando onda na mais alta ironia. O café vem farto. Travessas de alumínio carregadas de pedaços de galinha mergulhados no molho e cuscuz. Duas xícaras de café. É quentinho, é gostoso. Tudo é agradável quando estamos dentro da nossa confortável bolha.
Vazio Entre os Dentes
Uma pedinte ronda a mesa, como rondam os carros no trânsito, as mesas dos bares, as portas das lojas, das igrejas, as calçadas do sol e da lua. Não olho o rosto dela — por que não me interesso pela sua face? Está ao meu lado, pede comida. Sei que é muito magra, esquálida, muito magra, a ponta dos ossos. Meu Deus! Mas o rosto, o rosto, me recuso a ver os olhos. Vejo a boca, o vazio entre os dentes. O vermelho nos lábios, pequena tisna de vaidade na cara da miséria. O garçom embala a comida. Ela recebe, vai embora fitando-me como se sentisse o que eu sentia.
O Peso da Desigualdade
Despeço-me do meu amigo com um abraço apertado e o peso da desigualdade que assola a cidade, o país e o mundo. Que os deuses da periferia deem uma mãozinha.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

É Findi - Série Prédios Ícones de Pernambuco - Hospital Pedro II - Por Alex Caminha*
07/08/2026
Poucos monumentos no Brasil sintetizam de forma tão marcante e grandiosa quanto o Hospital Pedro II, no Recife. Erguido no século XIX, o imponente monumento no bairro da Boa Vista não é apenas um marco físico da cidade; é o berço e a própria certidão de nascimento da medicina social e hospitalar moderna em Pernambuco e no Nordeste.
Vanguardismo Arquitetônico e Celeiro da Medicina
O Hospital Pedro II nasceu para ser grande: na estrutura física, na causa a que se destinava e pelos profissionais que a ele se dedicaram. Grande como seu patrono, D. Pedro II — estadista culto, patrono das letras, protetor das artes e entusiasta da ciência e da inovação. Ele exerceu um papel central no apoio ao saber científico e na modernização cultural do país no século XIX.
A história deste hospital é tão longa, rica e pitoresca em detalhes que nem de longe é...
Hospital Pedro II: História, Renascimento e o Polo Médico do Recife
Poucos monumentos no Brasil sintetizam de forma tão marcante e grandiosa quanto o Hospital Pedro II, no Recife. Erguido no século XIX, o imponente monumento no bairro da Boa Vista não é apenas um marco físico da cidade; é o berço e a própria certidão de nascimento da medicina social e hospitalar moderna em Pernambuco e no Nordeste.
Vanguardismo Arquitetônico e Celeiro da Medicina
O Hospital Pedro II nasceu para ser grande: na estrutura física, na causa a que se destinava e pelos profissionais que a ele se dedicaram. Grande como seu patrono, D. Pedro II — estadista culto, patrono das letras, protetor das artes e entusiasta da ciência e da inovação. Ele exerceu um papel central no apoio ao saber científico e na modernização cultural do país no século XIX.
A história deste hospital é tão longa, rica e pitoresca em detalhes que nem de longe é intenção sequer resumi-la, pois seria tarefa impossível. Projetado pelo engenheiro e arquiteto pernambucano José Mamede Alves Ferreira — autor de marcos como o Ginásio Pernambucano, a Casa de Detenção (atual Casa da Cultura), o Cemitério de Santo Amaro e o Teatro de Santa Isabel — o Hospital Pedro II foi inaugurado em 10 de março de 1861, após 14 anos de obras, sob a administração das Irmãs de Caridade da Santa Casa de Misericórdia. Com 22 mil metros quadrados de área construída, foi o primeiro prédio do Estado concebido com destinação exclusivamente hospitalar.
Sua edificação neoclássica, com traços que remetem ao Hospital Lariboisière (1854), em Paris, impressiona pelo estilo imponente, no qual se destacam as marcantes arcadas romanas e o pórtico ornamentado pela figura da Caridade, esculpida em cantaria fina de Lisboa. Esse desenho, rompeu com os velhos modelos claustrofóbicos dos antigos hospitais coloniais ao adotar a tipologia pavilhonar, o primeiro nosocômio construído no Brasil inspirado nos preceitos higienistas do médico francês Jacques-René Tenon, estruturando-se em blocos autônomos e paralelos integrados por galerias abertas. Essa configuração garantia ventilação natural, iluminação abundante, separação dos doentes por sexo, dimensionamento rigoroso do espaço e circulação cruzada de ar, isolando as enfermarias por pátios para extinguir a umidade, conter a propagação de epidemias e assegurar a salubridade, marcando uma verdadeira revolução na arquitetura de saúde no país.
Antes mesmo de sua inauguração, em 22 de dezembro de 1859, o elegante edifício serviu como salão de recepção imperial e foi palco de um pomposo e concorrido baile beneficente oferecido pela Associação Comercial de Pernambuco em homenagem a D. Pedro II e à Imperatriz D. Teresa Cristina. Considerado um dos eventos sociais mais comentados do século XIX no Brasil, o acontecimento reuniu cerca de duas mil pessoas da alta sociedade e foi crucial para angariar fundos e acelerar a conclusão das obras, ocorrida pouco mais de um ano depois.
Mais tarde, a partir de 1920, impulsionada pela visão do Dr. Octávio de Freitas, a nobre estrutura passou a abrigar a Faculdade de Medicina do Recife, ocasião em que o Pedro II assumiu formalmente o papel de hospital-escola. Durante seis décadas — atuando como Hospital das Clínicas até 1982 — foi centro de excelência e vanguarda na formação médica pernambucana e nordestina, sendo pioneiro em diversos procedimentos, como a primeira cirurgia sob anestesia geral no estado (inicialmente com éter e, posteriormente, com clorofórmio), a primeira cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea do Norte-Nordeste, as primeiras hemodiálises no estado e as primeiras cirurgias complexas de grande porte de Pernambuco e da região.
Grandes expoentes da medicina regional integraram o corpo clínico deste renomado hospital — verdadeiro templo de formação de elites médicas. Ao moldar gerações de mestres, clínicos e cirurgiões que definiram a prática sanitária no estado, a instituição colocou-se na vanguarda da medicina brasileira na segunda metade do século XX.
O Longo Deserto de 28 Anos e a Visão de Antônio Carlos Figueira
A transferência das atividades acadêmicas para o novo Hospital das Clínicas, em 1982, inaugurou um capítulo crítico de incertezas. Teve início um deserto assistencial de 28 anos, período em que a edificação secular enfrentou a degradação, o risco de perda patrimonial e até propostas descabidas de conversão em centro comercial. O salão imperial onde dançaram nobres viu a poeira e o esquecimento ameaçarem sua vocação original.
Durante essa fase, o Pedro II foi parcialmente ocupado por repartições públicas: abrigou o Museu da Medicina e, na gestão de Cyro de Andrade Lima como Secretário Estadual de Saúde, sediou a estrutura administrativa da I Regional de Saúde, além de acolher o Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (NESC) da Fiocruz.
A paralisia assistencial à população só foi rompida graças à liderança arrojada, visionária e decisiva do médico e gestor Antônio Carlos Figueira. À frente do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), e demonstrando uma capacidade ímpar de pactuação e governança, ele identificava a restauração não como um mero resgate saudosista, mas como um ato de responsabilidade pública e sanitária.
No final de dezembro de 2006, mediante pactuação com a Santa Casa de Misericórdia, interveniência da Cúria Metropolitana e sob a regência arquitetônica de Jorge Passos, Figueira comandou um ousado Projeto de Restauro e Modernização do Hospital Pedro II para resgatar sua finalidade secular original. Iniciado em março de 2007, o empreendimento contou com apoio financeiro dos governos federal, estadual e municipal, de empresas privadas e de doações individuais e de apoios diversos.
A muitos, a decisão de Antônio Carlos parecia utópica. No entanto, em agosto de 2010, após três anos e meio de um trabalho exaustivo e minucioso, o IMIP devolveu à sociedade um monumento vivo, renascido e harmonizado: a mais emblemática estrutura médica já construída em Pernambuco, com sua importância histórica preservada e sua arquitetura resgatada fielmente em suas linhas originais.
O Hospital Pedro II nasceu, por assim dizer, sob o signo da filantropia. Antes mesmo de acolher o primeiro enfermo, o edifício já havia servido para mobilizar a sociedade em proveito da saúde pública. Cento e cinquenta anos depois, quando Antônio Carlos Figueira liderou sua restauração e o devolveu à assistência e ao ensino médico, retomou-se o seu ciclo histórico: o prédio secular que nascera como uma esperança para a medicina pernambucana voltou a cumprir exatamente a missão para a qual fora concebido — uma semiótica particularmente expressiva no cuidar de pessoas.
Com seu ressurgimento e integração ao Complexo Hospitalar do IMIP, o Pedro II uniu a tradição de sua fundação à inovação da medicina moderna — em uma recuperação definitivamente indissociável da figura de Antônio Carlos Figueira. Equipado com um avançado parque tecnológico, modernos recursos e ambientes humanizados, o restaurado hospital foi reaberto integrando serviços de saúde de alta complexidade, espaços culturais e áreas acadêmicas. Assim, ao ofertar serviços avançados — como transplantes, radioterapia e ensino médico —, reafirmou sua vocação ao continuar formando profissionais competentes e assistindo de modo eficiente à comunidade, fortalecendo o Recife como o segundo maior polo médico do Brasil e devolvendo a dignidade ao berço da medicina pernambucana e nordestina.
Tutela Patrimonial e a Coragem da Continuidade
Por iniciativa do IMIP, a preservação do edifício foi chancelada por seu tombamento pelo Conselho Estadual de Cultura/Fundarpe em 2008, além de seu enquadramento como Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico-Cultural (ZEPH 18).
Contudo, a complexa restauração do prédio monumental foi apenas o seu primeiro enfrentamento; o segundo, permanente e igualmente árduo, é a sua manutenção diária. É preciso enaltecer com vigor as gestões sustentáveis do IMIP sucessoras a Antônio Carlos Figueira. Mesmo diante dos elevados custos operacionais de um imóvel histórico tombado e das recorrentes restrições orçamentárias da saúde pública, o IMIP tem mantido com coragem e rigor a excelência dos serviços estratégicos ali prestados, inclusive com a importante participação da sociedade pernambucana e apoios diversos. Manter as portas do Hospital Pedro II abertas à comunidade usuária do SUS é um triunfo contínuo do patrimônio, da ciência e da cidadania.
Há um simbolismo particularmente forte nesse episódio: ao assumir a recuperação do Hospital Pedro II, Antônio Carlos Figueira não apenas restaurou um prédio histórico; ele reconectou duas tradições da medicina pernambucana. O edifício que havia formado gerações de médicos voltou a ser um hospital-escola, agora integrado ao IMIP. Assim, um patrimônio do século XIX passou a servir à formação dos profissionais de saúde do século XXI, preservando sua memória e renovando sua missão. Esse resgate representa um dos legados mais duradouros de Antônio Carlos Figueira para a medicina, o ensino e o patrimônio histórico de Pernambuco.
Um Laço Indissolúvel com o Pedro II
Minha história com o Hospital Pedro II é marcada pelo afeto, pela memória, pelo compromisso com a saúde pública e pela defesa da vida. Vi de perto a grandiosidade daquele templo da medicina nos meus tempos de estudante e, anos mais tarde, convivi com o desconforto à distância ao testemunhar o seu sensível "período cinza" de semiabandono e inércia de finalidade.
No entanto, o destino me reservou o privilégio de participar da gestão do IMIP no momento exato em que resgatamos a sua dignidade. Participar e ser testemunha do seu admirável restauro e modernização foi mais do que a integração a um enorme desafio institucional; foi um reencontro com as minhas raízes e história. Afinal, ver o gigante renascer não foi apenas restaurar o passado, mas devolver o futuro à saúde do nosso povo.
Mais um ato de amor do IMIP a Pernambuco. E, parodiando o padre jesuíta Antônio Vieira: "Nós somos o que fazemos. O que não fazemos não existe. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos, apenas duramos". Podemos dizer: o IMIP fez e faz. O Pedro II está vivo e pulsante.
*Alex Caminha, é médico, formado pela UFPE, é Chefe de Gabinete da Superintendência Geral do IMIP.

É Findi – Clube Internacional do Recife - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*
07/08/2026
Transferiu-se no final do século retrasado para a Rua da Aurora nº 265, vindo em 1938 para a sua atual sede da Madalena.
O Clube é dos mais tradicionais da cidade. Promoveu, durante várias décadas, principalmente na primeira metade deste século, grandiosos bailes e animadas festas carnavalescas todos os dias do período do mesmo exceto na Segunda-feira, que era reservada para a matinê da gurizada, “Os demais clubes, entre eles o Sport e o Náutico, faziam também animados carnavais, alguns com manhãs de sol, mas perdendo em quantidade e principalmente em elitismo para o Internacional. Os Encontros de Brotos eram muito concorridos, o "Maitre" Catolé chefiava o atendimento dos garçons e a festa fechava a semana, por sua vez, lá nos Aflitos, tínhamos uma bela exibição do Náutico, com Nado, Bita, Ivan, Salomão e Lala.
...
Fundado em 17 de julho de 1885 no primeiro andar da casa nº 11 do antigo Largo do Corpo Santo, no bairro do Recife.
Transferiu-se no final do século retrasado para a Rua da Aurora nº 265, vindo em 1938 para a sua atual sede da Madalena.
O Clube é dos mais tradicionais da cidade. Promoveu, durante várias décadas, principalmente na primeira metade deste século, grandiosos bailes e animadas festas carnavalescas todos os dias do período do mesmo exceto na Segunda-feira, que era reservada para a matinê da gurizada, “Os demais clubes, entre eles o Sport e o Náutico, faziam também animados carnavais, alguns com manhãs de sol, mas perdendo em quantidade e principalmente em elitismo para o Internacional. Os Encontros de Brotos eram muito concorridos, o "Maitre" Catolé chefiava o atendimento dos garçons e a festa fechava a semana, por sua vez, lá nos Aflitos, tínhamos uma bela exibição do Náutico, com Nado, Bita, Ivan, Salomão e Lala.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras.

É Findi - Malude Maciel* Chega Hoje em Dose Tripla
07/08/2026
O mês de julho terminou com mais uma aventura, começando agosto, bem a gosto.
Voltando à cidade de Triunfo, no Sertão pernambucano, tive a feliz oportunidade de realizar diversos passeios esplêndidos e rever pontos turísticos importantes que não via há anos, apesar de que, minha mãe nasceu ali, no "Oásis do Sertão", embora tenha vivido em Calumbi, antes denominada: São Serafim. De qualquer forma esse vínculo sentimental permanece bem presente, apesar de tudo isso estar num passado distante.
Conhecimento nunca é demais
Para quem não conhece, aconselho visitar aquela bela e aprazível cidade pois, é um lugar muitíssimo agradável e interessante e o turismo está acelerado naquela região, com serviços específicos e mapas dos pontos principais a serem vistos com sucesso. Por exemplo: o Theatro Guarany; Sociedade Triunfense de Cultura; Pátio de eventos maestro Madureira; convento São Boa...
Regresso Triunfante - Crônica
O mês de julho terminou com mais uma aventura, começando agosto, bem a gosto.
Voltando à cidade de Triunfo, no Sertão pernambucano, tive a feliz oportunidade de realizar diversos passeios esplêndidos e rever pontos turísticos importantes que não via há anos, apesar de que, minha mãe nasceu ali, no "Oásis do Sertão", embora tenha vivido em Calumbi, antes denominada: São Serafim. De qualquer forma esse vínculo sentimental permanece bem presente, apesar de tudo isso estar num passado distante.
Conhecimento nunca é demais
Para quem não conhece, aconselho visitar aquela bela e aprazível cidade pois, é um lugar muitíssimo agradável e interessante e o turismo está acelerado naquela região, com serviços específicos e mapas dos pontos principais a serem vistos com sucesso. Por exemplo: o Theatro Guarany; Sociedade Triunfense de Cultura; Pátio de eventos maestro Madureira; convento São Boa Ventura; Centro Histórico; igreja São Luiz Gonzaga; igreja matriz Nossa Senhora das Dores; Museu do Cangaço; Centro Criativo da Cultura; pedalinho do lago; e muito mais.
Ficamos no hotel do SESC (centro de turismo e lazer), ao qual parabenizo pela excelência no acolhimento, espaço, alimentação e atendimento. De lá, usamos o teleférico e atravessamos sobre o lago João Barbosa Sitônio até o Polo Gastronômico e de Animação, do outro lado da cidade. Uma beleza!
O Pico do Papagaio
Constitui o ponto mais elevado do Estado de Pernambuco e fomos olhar; como também a "furna dos holandeses" que habitaram o tal lugar depois da expulsão dos mesmos do Recife na Insurreição Pernambucana em 1654, quando muitos escaparam pelo Sertão.
Engenhos
O famoso engenho São Pedro, onde se fabrica cachaça, rapaduras batidas e alfinim, é parada obrigatória e ver o "pôr do sol" depois do banho na Cachoeira do Pinga é algo imperdível.
Ainda estivemos no Parque das Esculturas onde se harmonizam: Arte, Natureza, História e Profecias bíblicas, tendo a presença do artista plástico Beto, fazendo as explanações.
Local de abrigo de Lampião
A chamada Casa Grande das Almas é uma propriedade localizada entre Pernambuco e Paraíba, pertencia à família Thomázio de um juiz com muitas posses e ali se refugiava Rei do Cangaço com seus cabras ao derredor, existindo um sótão para seu descanso.
Clima maravilhoso
Triunfo tem um clima ameno, muita água e vegetação verdejante, nem parece que se está no Sertão. As ruas são acidentadas, ladeirosas e pedregosas e os muros das residências, tanto no centro como na zona rural foram feitos com pedras, num trabalho organizado e bonito; existem muitas cachoeiras, poços, lagoas e água corrente sempre, apesar da altura.
Caretas
O símbolo da cidade é o chamado: "Careta", um tipo característico dos antigos carnavais quando jovens da sociedade adotaram fantasia, usando máscaras e relhos para não serem reconhecidos e esse personagem ficou como referência e figura maior do folclore de Triunfo.
O nome da cidade
O nome Triunfo veio devido à vitória conseguida perante a cidade de Flores, a quem pertencia como Sítio Baixa Verde que tornou-se uma importante feira, criando desavenças e daí a disputa da qual houve a separação e o triunfo em si.

Ainda os Pets ou Amor à primeira vista - Poema
Um dia ele vira e late
E pode até virar uma lata
Mas, não é um vira-lata
É um cão de raça nobre
Bonito e charmoso
Com pelo lindo, maravilhoso
Volta do pet banhado e cheiroso
É elegante, educado e carinhoso
Muito sensível e esperto
Admirado e amado
Companheiro e brincalhão
Quando fica sozinho
É uma tristeza só
Ao meu retorno
A alegria não tem tamanho
Eu até nem gostava de cão
Fui conquistado
E estou encantado, apaixonado.
"Eu não sou cachorro, não".

Época da pandemia - Usar ou não usar a máscara, eis a questão
Nossos lábios buscavam um colorido
Vermelho, lilás, cintilantes batons
Sorrisos lindos como arco-íris
Palavras ecoando em diversos sons
Com máscaras horrendas escondendo faces
Por causa de um vírus, ocultando rostos
Femininos desejos de fazer mil artes
No entanto, presos em reais desgostos
Período difícil por dois longos anos
Doenças, mortes, tremendos sofrimentos
Não foram poucos nossos desenganos
Encarando mil coisas nesses desalentos
Porém, tudo está passando agora
Com Deus, esperança num feliz futuro
Sem máscaras, vivemos outra hora
Melhor tempo, alegre e seguro.
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel

É Findi - O Passado Cria Vida Num Romance Histórico - Por Ricardo Braga*
07/08/2026
Pode se dizer que este gênero literário surge somente no Século XIX, empreendendo uma nova narrativa da História, utilizando a abordagem ficcional. Nela, personagens criados dialogam com personagens históricos no contexto temporal e de cenários, no qual efetivamente os fatos aconteceram. Ou seja, por meio do romance histórico é possível conhecer o contexto social, econômico, político, ideológico e até ecológico do período abordado. Isto sem precisar usar a linguagem obrigatoriamente mais ajustada dos historiadores, com datas e precisões documentais.
A criação de público
Identifico no romance histórico a possibilidade de estimular o leitor a conhecer a História a partir do prazer literário...
Romance histórico é um gênero literário relativamente recente, sobretudo se considerarmos a idade da literatura escrita, que nasce muito antes da imprensa de Guttenberg no Século XV, quando, a partir daí, foi possível a reprodução em massa de livros.
Pode se dizer que este gênero literário surge somente no Século XIX, empreendendo uma nova narrativa da História, utilizando a abordagem ficcional. Nela, personagens criados dialogam com personagens históricos no contexto temporal e de cenários, no qual efetivamente os fatos aconteceram. Ou seja, por meio do romance histórico é possível conhecer o contexto social, econômico, político, ideológico e até ecológico do período abordado. Isto sem precisar usar a linguagem obrigatoriamente mais ajustada dos historiadores, com datas e precisões documentais.
A criação de público
Identifico no romance histórico a possibilidade de estimular o leitor a conhecer a História a partir do prazer literário, uma maneira eficiente de popularizá-la, criando conexão com um público mais amplo, que possa aprender a dialogar com temas tão caros à formação da sociedade, sem o afastamento protocolar, comum de ser visto quando se abre um livro acadêmico.
Esta é uma oportunidade que parece estar despertando alguns escritores da atualidade, o que considero muito positiva. O romance como referência para a formação de leitores, tanto em educação literária quanto em educação histórica.
Entendo que para isso é importante respeitar o perfil dos personagens históricos e os fatos efetivamente comprovados (ou, se for o caso, até de questionar os não assentados em bases sólidas), fazendo com que na trama criada as cenas e personagens fictícios sejam influenciados ou marcados pelos eventos reais, e não o contrário.

Assim, o passado cria vida, em dramas, emoções e licenças poéticas.
Lançamento oportuno
No próximo dia 13 de agosto lançarei o romance histórico “Amor em Tempos de Revolução”, na Academia Pernambucana de Letras às 19 horas. O romance trata da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador. Três acadêmicos da APL comentarão a obra, publicada pela Editora Cubzac.
*Ricardo Braga, é biólogo, ambientalista e escritor. Autor dos livros de literatura Ecologia do Cotidiano, A Flor Lilás e outros Contos (prêmio Cepe Nacional de Literatura), Sangue Doce e Como as Águas do Rio. @ricardobragaescritor
