Será verdade? A justiça só se aplica para quem não tem dinheiro. Um mote instigante para o Rei da Glosa, Nelson Nunes Farias.
02/04/2024 - Jornal o Poder
Como se fosse um templo
Porém só vemos exemplo
Dela sendo maculada
Muitas vezes estrupada
Por esse Brasil inteiro
Vejam o Rio de Janeiro
Que isso muito pratica
"A justiça só se aplica
Para quem não tem dinheiro"
Mote: Ronaldo Barbosa
Como se fosse um templo
Porém só vemos exemplo
Dela sendo maculada
Muitas vezes estrupada
Por esse Brasil inteiro
Vejam o Rio de Janeiro
Que isso muito pratica
"A justiça só se aplica
Para quem não tem dinheiro"
Mote: Ronaldo Barbosa
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Trinta Pauladas - Crônica - Por Romero Falcão*
23/08/2026
— O senhor viu? Bateram num rapaz até matar, por causa de uma bicicleta que ele não roubou.
De início — com tanta força bruta banhando os noticiários — tentei me anestesiar. Mas o troço ficou moendo dentro de mim. Fui checar. Podia ser fake, alguma astúcia da IA.
Foi na Princesinha do Mar — Copacabana —, na Rua Barata Ribeiro, onde morou o gênio Nelson Rodrigues, que o Sapiens se apresentou de modo mais primitivo.
Um suposto ladrão de bicicleta foi escolhido como saco de pancada. Segundo li na imprensa, o rapaz era inocente. Nem sequer reagiu. Permaneceu parado enquanto os agressores o espancavam.
Os leões da cidade — que os leões me perdoem — juntaram-se a outras feras para acabar com a vítima caída, indefesa. Bastava uma paulada. Duas, talvez. Mas li que um deles desferiu trinta golpes de pau.
Sentado no sofá, vendo na televisão as imagens, senti uma angústia...
Minha faxineira comenta a tragédia:
— O senhor viu? Bateram num rapaz até matar, por causa de uma bicicleta que ele não roubou.
De início — com tanta força bruta banhando os noticiários — tentei me anestesiar. Mas o troço ficou moendo dentro de mim. Fui checar. Podia ser fake, alguma astúcia da IA.
Foi na Princesinha do Mar — Copacabana —, na Rua Barata Ribeiro, onde morou o gênio Nelson Rodrigues, que o Sapiens se apresentou de modo mais primitivo.
Um suposto ladrão de bicicleta foi escolhido como saco de pancada. Segundo li na imprensa, o rapaz era inocente. Nem sequer reagiu. Permaneceu parado enquanto os agressores o espancavam.
Os leões da cidade — que os leões me perdoem — juntaram-se a outras feras para acabar com a vítima caída, indefesa. Bastava uma paulada. Duas, talvez. Mas li que um deles desferiu trinta golpes de pau.
Sentado no sofá, vendo na televisão as imagens, senti uma angústia terrível, uma espécie de falta de esperança na humanidade. Por alguns instantes, me coloquei no lugar daquele rapaz.
Trinta pauladas.
Trinta pauladas, meu Deus!
O que explica tamanha ferocidade, capaz de impressionar até os policiais, cujo ofício lhes dá couro grosso para enfrentar o crime? Mas, nessas horas, o humano, profundamente humano, rompe a armadura.
Trinta pauladas.
O pelourinho, a roda, a tortura a céu aberto em Copacabana.
Por que a tortura dá tanto tesão? O que acende o monstro dentro de nós?
Seja esmurrando a esposa dentro do elevador, o filho pequeno no quarto ou o suposto bandido que furtou um celular.
Michel Foucault, em Vigiar e Punir, escreve sobre o suplício e a satisfação do carrasco diante dos gritos e do sofrimento da vítima. O gozo que jorra do castigo.
Mas Cláudio Rafael Landeiro, a vítima da Barata Ribeiro, permaneceu calado enquanto os ossos se partiam.
Recluso no próprio mundo, talvez sem compreender por que a criatura de Deus ora é anjo, ora é demônio.
Trinta pauladas.
Estamos condenados ao ciclo infinito da violência?
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Uma Despedida a Homero Fonseca - Crônica - Por Ricardo Braga*
23/08/2026
Logo colocou as duas mãos sobre a mesa e sorriu, como se nada tivesse acontecido até a chegada ali. Nem arrisquei lhe perguntar se estava tudo bem. Parecia estar.
— Braga, me conta teus planos e como pretendes administrar isso aqui.
Desatei a falar sobre como encarava a presidência do órgão ambiental do estado, discurso que já havia quase decorado, de tanto reprisar nos últimos dias. Ele, atento; eu, falando.
— Arretado! – Disse, satisfeito, sem anotar uma palavra.
Foi a entrevista mais curta que dei na vida: uma só pergunta, uma só resposta e uma interjeição.
Provoquei:
— Tá lembrado das duas ou três vezes...
Ele chegou esbaforido, a transpiração atravessava a camisa. Sentou-se, colocou a pequena bolsa de couro na cadeira ao lado e pediu água, que, aliás, já estava chegando em uma bandeja. Era de praxe ao receber visita naquela sala. Bebeu como quem toma um calmante. Dispensou o café.
Logo colocou as duas mãos sobre a mesa e sorriu, como se nada tivesse acontecido até a chegada ali. Nem arrisquei lhe perguntar se estava tudo bem. Parecia estar.
— Braga, me conta teus planos e como pretendes administrar isso aqui.
Desatei a falar sobre como encarava a presidência do órgão ambiental do estado, discurso que já havia quase decorado, de tanto reprisar nos últimos dias. Ele, atento; eu, falando.
— Arretado! – Disse, satisfeito, sem anotar uma palavra.
Foi a entrevista mais curta que dei na vida: uma só pergunta, uma só resposta e uma interjeição.
Provoquei:
— Tá lembrado das duas ou três vezes que nos encontramos na Livro 7?
— Aquilo é o centro cultural do Recife. Tarcísio é um caboclo bom, veio do interior pra ativar a cena literária de Pernambuco.
Desatamos a conversar sobre esses assuntos gerais, que de certa forma tinham sido vividos por um ou por outro.
No dia seguinte, o Jornal do Commercio trazia uma reportagem de meia página, fiel ao que eu dissera, até na empolgação.
Descobri ali o jornalista e escritor de ouvido apurado e bom entendedor de contexto.
Trinta anos depois — há alguns dias — vou ao lançamento do seu último livro: Jornais em guerra. Um catatau de 340 páginas de pesquisa sistemática e minuciosa sobre a imprensa no período da Confederação do Equador. Coisa tão séria e profunda, daquele mesmo autor que há alguns anos narrou a vida de Tarcísio em livro e que escreveu coisas tão leves, como o pitoresco Roliúde e o curioso Viagem ao planeta dos boatos.
O companheiro Homero Fonseca não estava lá, só os editores e amigos. O câncer já avançara ao nível terminal.
Hoje, enquanto concluo a escrita, o homem dos jornais, das livrarias, da cena cultural e das conversas inteligentes, se despede no Morada da Paz.
Recife 23 de agosto de 2026
*Ricardo Braga, é biólogo, ambientalista e escritor. Autor dos livros de literatura Ecologia do Cotidiano, A Flor Lilás e outros Contos (prêmio Cepe Nacional de Literatura), Sangue Doce e Como as Águas do Rio. @ricardobragaescritor

Cabo Eleitoral - Por Pica-Pau*
23/08/2026
Pra governo federal
Me deram as credenciais
Pra ser cabo eleitoral
Peguei um par de espora
Saí por aí a fora
Montado num animal
Todo canto q'eu chegasse
Antes de me apresentar
O caboclo dava um grito
É de Lula? Pode entrar
Se não for pode ir a bosta
Pique a mula dê meia volta
Nem pense em se aproximar
Pra todo lugar q'eu fosse
Era esse o palavreado
Eu só fiz passar vergonha
Uma tristeza medonha
Sem obter resultado
E daquele dia pra cá
Li da receita a bula
E também pergunto
É de Lula?
Porque se for pode entrar
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Resolvi fazer campanha
Pra governo federal
Me deram as credenciais
Pra ser cabo eleitoral
Peguei um par de espora
Saí por aí a fora
Montado num animal
Todo canto q'eu chegasse
Antes de me apresentar
O caboclo dava um grito
É de Lula? Pode entrar
Se não for pode ir a bosta
Pique a mula dê meia volta
Nem pense em se aproximar
Pra todo lugar q'eu fosse
Era esse o palavreado
Eu só fiz passar vergonha
Uma tristeza medonha
Sem obter resultado
E daquele dia pra cá
Li da receita a bula
E também pergunto
É de Lula?
Porque se for pode entrar
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Eleições 2026 - Flávio cancela presença na inauguração da Casa Bolsonaro
23/08/2026
Sem justificativa
Localizada na Avenida Presidente Vargas, no Jardim América, a Casa Bolsonaro é um comitê político de apoio aos aliados e candidatos do PL. O evento estava agendado para às 9h30. O partido não justificou o cancelamento de sua presença. Sem Flávio, a inauguração contou com a presença do vereador Camilo Calandreli. De acordo com o site oficial do candidato, após o cancelamento da agenda em Ribeirão Preto, ele não tem compromissos marcados para este domingo.
O candidato Flávio Bolsonaro cancelou a agenda que iria cumprir em Ribeirão Preto, SP, na manhã de hoje, domingo, 23/08. Flávio esteve em Barretos ontem, sábado, participando da Festa do Peão, e compareceria em Ribeirão para a inauguração da Casa Bolsonaro.
Sem justificativa
Localizada na Avenida Presidente Vargas, no Jardim América, a Casa Bolsonaro é um comitê político de apoio aos aliados e candidatos do PL. O evento estava agendado para às 9h30. O partido não justificou o cancelamento de sua presença. Sem Flávio, a inauguração contou com a presença do vereador Camilo Calandreli. De acordo com o site oficial do candidato, após o cancelamento da agenda em Ribeirão Preto, ele não tem compromissos marcados para este domingo.
Flopou pra valer - Raquel cancela agenda em Terezinha por falta de público
23/08/2026
Tava anunciado
Conforme divulgado nas redes sociais, Raquel faria uma caminhada na feira, em contato direto com um público não controlado. Temendo ser recebida com protestos, como já vem ocorrendo em algumas agendas, a governadora preferiu fazer um ato em Nova Descoberta, na Zona Norte do Recife, cercada apenas pela militância de vereadores, que não podem ser hostis com os candidatos defendidos por seus grupos.
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A governadora Raquel Teixeira Lyra, PSD, era esperada em uma caminhada em Terezinha, no Agreste Meridional, na manhã de hoje, domingo, 23/08. A baixa adesão do público, porém, levou o estafe da candidata à reeleição a reavaliar a participação dela, cancelando a agenda.
Tava anunciado
Conforme divulgado nas redes sociais, Raquel faria uma caminhada na feira, em contato direto com um público não controlado. Temendo ser recebida com protestos, como já vem ocorrendo em algumas agendas, a governadora preferiu fazer um ato em Nova Descoberta, na Zona Norte do Recife, cercada apenas pela militância de vereadores, que não podem ser hostis com os candidatos defendidos por seus grupos.
Transportes Urbanos (Recife) - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*
23/08/2026
O meio de transporte mais comum nos primórdios da vida urbana no Recife, tendo em vista, principalmente, suas características hidrográficas, foi o transporte fluvial.
A própria água potável, como vimos, durante muito tempo foi conduzida em canoas.
Se verificarmos, ainda hoje, a localização dos antigos casarões ribeirinhos vemos que suas fachadas são voltadas para o rio.
Nas gravuras do Recife do século XIX, podem os vislumbrar naquelas que retratos cenas dos caminhos fluviais, uma grande quantidade e diversidade de meios de locomoção aquáticos, que transportavam não apenas passageiros, mas também animais e coisas inclusive móveis e utensílios.
Antigamente
Segundo Pereira da Costa (Anais Pernambucanos, vol. VI, pág. 448): “ Foi no ano de 1785 que apareceu em Pernambuco a primeira carruagem, embora esse meio de locomoção tenha sido idealizado na Fran...
Um passeio no Tempo de nossos avós
O meio de transporte mais comum nos primórdios da vida urbana no Recife, tendo em vista, principalmente, suas características hidrográficas, foi o transporte fluvial.
A própria água potável, como vimos, durante muito tempo foi conduzida em canoas.
Se verificarmos, ainda hoje, a localização dos antigos casarões ribeirinhos vemos que suas fachadas são voltadas para o rio.
Nas gravuras do Recife do século XIX, podem os vislumbrar naquelas que retratos cenas dos caminhos fluviais, uma grande quantidade e diversidade de meios de locomoção aquáticos, que transportavam não apenas passageiros, mas também animais e coisas inclusive móveis e utensílios.
Antigamente
Segundo Pereira da Costa (Anais Pernambucanos, vol. VI, pág. 448): “ Foi no ano de 1785 que apareceu em Pernambuco a primeira carruagem, embora esse meio de locomoção tenha sido idealizado na França, já no século XVII.
Primitivamente, porém, como informa o autor do Diálogo das grandezas do Brasil: “pelos anos de 1616, as mulheres de classe social elevada quando iam fora caminhavam em ombros dos escravos metidas dentro de uma rede, não usando cadeira ou palanquim, como na Índia, porque a rede é excelente para se andar nela por caminhos”.
Os homens, por sua, como disse Varnhagen, trajavam veludos, damascos e sedas, e despendiam briosamente em cavalos de alto preço, com selas e gibões das mesmas sedas das roupas, e ricamente ajaezados, só faltando para o completo luxo de hoje as carruagens, que em Olinda e outras terras do Brasil não tinham ainda entrado.
Já em meados do século XVII eram muitas as berlindas e palanquins, chamadas depois de cadeirinhas de arruar, assim tratada por Mário Sette:

Cadeirinhas de arruar
“Cadeirinha de arruar misto de recato e ostentação, transitando às vezes pela Conde da Boa Vista, ou indo até Fora de Portas tão raras a princípio! Não era para quem queria, mas para quem podia. Um pouco de mistério e muito de vaidade. Distinguiam na cidade os seus donos. As senhoras de relevo social, moradoras, dos sobrados de azulejos, por cima dos trapiches ou das lojas dos maridos, ou já nos sítios de casas apalacetadas dos arrabaldes, possuíam as suas com ornatos de talha, com estojos de gorgorão, com portinholas desenhadas, conduzidas por escravos em parelhas de igual altura, negros bonitões e robustos, trajando libres de cores berrantes e bonés de oleado que o jornal anunciava como “novidade de Paris”.
Apareciam novos modelos: de cúpula dourada, com pontinhas de alto-relevo, grades, arreias de marroquim, e que se tornou um auge de bom gosto, provida de vidros. Vidraças! Que luxo! Não se temia mais a poeira das varreduras nem os chuviscos imprevistos. Sobre tudo ia-se ali dentro, à vontade, vendo-se tudo, sem recear a indiscrição de uma mão afoita ousando atirar uma flor, ou um escritinho, se não mesmo o furtar de um beijo. Cadeirinhas douradas, “de caisão”, das mais suntuosas e pouco vistas, evocando as em que passeavam as fidalgas parisienses, de cadeiras empoadas. Bom mesmo era atravessar a cidade numa delas, protegida por vidros, apreciando o movimento, olhando as lojas, descendo na igreja ou na costureira.”
As carruagens
A primeira carruagem chegada em Pernambuco, tudo indica, foi a que pertenceu ao bispo diocesano Dom Frei Diogo de Jesus Jardim que a trouxe de Lisboa para seu uso.
Em 1817, segundo Pereira da Costa (ob.. cit.), havia no Recife seis carruagem sendo os seus respectivos donos: o Governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, o Bispo Diocesano D. Frei Antonio de São José Bastos, o Intendente da Marinha Cândido José de Siqueira, o Marechal José Roberto Pereira da Silva, o Advogado José Luís de Mendonça e o nosso cronista Dr. Francisco de Soares Meriz Procurador da Fazenda Real em Olinda, que de todos aqueles foi o primeiro na época, que usou carruagem no Recife. É desse tempo, portanto, que vem a vulgarização do seu uso em Pernambuco.”
Os Primeiros ônibus
Em 1841, sugiram os primeiros ônibus, não os modernos coletivos de hoje; dava-se esse nome às diligências, as grandes carruagens. Podia-se chegar, partindo do largo da antiga Matriz de Santo Antonio, a Manguinho, Casa Forte, Monteiro e Apipucos. Várias pessoas exploraram e muitos lucraram com esse rendoso negócio, destacando-se entre eles Thomas Soyle, daí o nome “Ônibus de Soyle”. Esses veículos tiveram sua utilidade e foram muito usados até a chegada dos chamados “bondes de burros” que posteriormente, ao receberem iluminação interna fora chamados de “eletroburros”.
Esse meio de transporte marcou época no Recife. O Escritório da empresa que explorava o serviço, assim como as baias dos muares se localizavam na Travessa do Brum, próximo a Casa Agra, e o povo então chamava, jocosamente, o local de Academia do Agra.
As Maxambombas
Mediante contrato assinado em 19 de março de 1870, entre o Presidente da Província e o Sr. José Henrique, concessionário, obrigando-se esse ao “estabelecimento de um sistema de carris de ferro que nos termos da lei provincial nº 879, de 26 de junho de 1866, ligue a Capital desta Província com seus subúrbios, para os quais não estejam já estabelecidos os trilhos urbanos, chamados “maxambombas.
Segundo o contrato assinado, “o assentamento da linha de carris deveria ter começado no Largo do arsenal de Marinha e atravessado as pontes Sete de Setembro (Maurício de Nassau) e da Boa Vista terminava na passagem da Madalena, ramificando-se nos pontos que mais convinham para os Afogados, Fernandes Vieira e Santo Amaro, passando este último para a Ponte Santa Isabel. Os detalhes das ruas e estradas por onde a linha deveria passar, era escolhido pelo presidente da Província, ouvida a Câmara Municipal e mais repartições competentes.
Já em 1871, era inaugurada aos 14 de maio a linha de via férrea que ligava o Recife a Olinda. Da Encruzilhada partia um ramal que chegava a Beberibe, depois estas linhas se multiplicaram.
Os Bondes
Em 1914 foi implantado o serviço de bondes elétricos no Recife sob a responsabilidade da firma inglesa PernambucoTramways Power Cmpany. Eram, pelo menos no início, exemplo de eficiência e pontualidade levando essa competência às populações mais afastadas do centro urbano do Recife.
Mas como se dizia antigamente: “tudo é passageiro – menos o cobrador e o motorneiro”, os bondes também passaram, seus tempos áureos se foram. Chegaram mesmo a ser grandes “veículos” também de propaganda, concorrendo com o rádio e os jornais, afinal, transitavam por toda a parte e levavam vistosos anúncios, destacando-se entre eles os de remédios, fortificantes, pastas de dente, brilhantinas, salões de beleza, confecções. Além de avisos de festas e outros eventos.
Entre os produtos anunciados tínhamos: Guaraná Fratelli Vita, Água Iglesa Granada, Água Rabelo, Bromil, Elixir de Nogueira, Elixir Sanativo, Emulsão de Scott, Mitigal, Pílulas de Reuuter, Elixir 914, Óleo de Fígado de Bacalhau, Phimatosan, Pílulas de Vida do Dr. Ross, entre outros. Sem esquecer a Brilhantina Coty, Sabonete Dorly, os Cigarros das Fábricas Lafayete e Caxias, os mais baratos, principalmente: “Pirilau”, “Está na Hora”, “Flores de Caxias” e “Boa Idéia”.
Muitos desses produtos, como informa Alves da Mota no céu No Tempo do bonde elétrico - “eram oferecidos em forma de versos e quadrinhas como esta:
Veja ilustre passageiro,
o belo tipo faceiro
que o Sr. tem do seu lado.
Mas, no entanto, acredite,
quase morreu de bronquite
- Salvou-o o Rhum Creosotado”.

Enfim os ônibus
Até o início dos anos de 1940, o Recife tinha um invejável serviço de transportes urbanos, figurando, juntamente com a cidade de Porto alegre, como uma das mais bem servidas do Brasil.
No entanto, após a Segunda Guerra Mundial, com o declínio dos serviços ingleses, destronados pelos americanos no contexto mundial, o bonde perdeu sua hegemonia para o transporte coletivo rodoviário, a nova cultura de transportes coletivos que oferecia como solução ao crescimento das cidades às flexibilidades do sistema de ônibus; faz com que o Governo Estadual resolva estimular a criação de uma empresa deste gênero e conceder-lhe a exploração de todas as linhas não servidas pelos bondes, constituía-se então a “Pernambuco Autoviária Ltda”, dotada de uma frota de veículos de excelente qualidade e equipada até com radiofonia, para controle operacional.
Os elogios antes afeitos aos bondes eram prioridades hoje dos ônibus – os que servem os arrabaldes somente agora têm uma organização regular e prestimosa; os da Autoviária Pernambucana (...) Da Autoviária até agora só há elogios a favor, até por haver vulgarizado no Recife o hábito polido e inteligente das filas”.
No entanto, assim como o sistema de bondes elétricos a Autoviária, de forma muito mais efêmera, também decaiu.
Em 1953, foi feita uma grande reforma administrativa na estrutura administrativa municipal, surgido com ela a Inspetoria de Serviços Públicos.
Por essa época começaram a aparecer os exploradores das chamadas lotações, logo apelidadas de “sputiniks”, pois fazia das ruas da cidade verdadeiro “espaço sideral”, trafegando literalmente “lotadas”.
Em 1957, era criada, através da lei municipal, a Companhia de Transportes Urbanos (CTU) que passou a operar com o sistema de “Trólebus”, em 1960, e que logo ficaram famosos como “Ônibus Elétricos”.
O transporte rodoviário é cada vez mais explorado no Recife, na contramão do ontem e da coerência, o transporte fluvial é sempre tergiversado, os rios só servem para receber dejetos e esquecimento por parte das autoridades municipais e estadual. Exemplos como os de Veneza, Paris e Amsterdã, passam despercebidos pelas autoridades que teima em dar, literalmente, as costas ao nosso potencial aquático e “engarrafam”, cada vez mais, as ruas e avenidas, deixando para as “garrafas” e outros entulhos, o aprazível trânsito fluvial.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras.

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Hoje a partir das 15h00, Ivan Moraes inaugura Comitê 50 - Na Casa Marielle Franco
23/08/2026
Casa Marielle Franco
O espaço funcionará na Casa Marielle Franco, localizada na Rua Feliciano Gomes, 134, no bairro do Derby, no Recife. A atividade deve reunir militantes, candidatos e candidatas da coligação, apoiadores e pessoas que desejam se somar à campanha.
A programação conta com atividades artísticas, oficinas, formações e adevivaço.
A abertura do Comitê 50 será mais um momento de mobilização da campanha de Ivan Moraes, que pretende ampliar o diálogo com a população pernambucana e apresentar as propostas da Frente Pernambuco de Luta para o estado.
Serviço:
Abertura do Comitê 50 – Ivan Moraes
Quando: Domingo, 23/08
Hora: a partir das 15h00
Onde: Casa Marielle Franco (Rua Feliciano Gomes, 134, Derby, Recife-PE...
Dando continuidade à programação de campanha, Ivan Moraes fará hoje, domingo, 23/08, a partir das 15h00, a inauguração do Comitê 50.
Casa Marielle Franco
O espaço funcionará na Casa Marielle Franco, localizada na Rua Feliciano Gomes, 134, no bairro do Derby, no Recife. A atividade deve reunir militantes, candidatos e candidatas da coligação, apoiadores e pessoas que desejam se somar à campanha.
A programação conta com atividades artísticas, oficinas, formações e adevivaço.
A abertura do Comitê 50 será mais um momento de mobilização da campanha de Ivan Moraes, que pretende ampliar o diálogo com a população pernambucana e apresentar as propostas da Frente Pernambuco de Luta para o estado.
Serviço:
Abertura do Comitê 50 – Ivan Moraes
Quando: Domingo, 23/08
Hora: a partir das 15h00
Onde: Casa Marielle Franco (Rua Feliciano Gomes, 134, Derby, Recife-PE)
Silvio Costa Filho, ao lado do prefeito Elton Martins, recebe o apoio da população de Águas Belas
23/08/2026
Durante o encontro, Silvio Costa Filho destacou a importância da parceria com o prefeito e agradeceu o carinho recebido pela população.
“Recebo esse apoio com muita gratidão. Quero agradecer ao povo de Águas Belas e ao prefeito Dr. Elton Martins pela confiança. Esse abraço da população aumenta ainda mais a nossa responsabilidade de trabalhar pelo município e por Pernambuco”, afirmou Silvio.
No ato de apoio, o prefeito Dr. Elton Martins ressaltou a capacidade d...
Em uma grande demonstração de força, o ex-ministro de Lula e candidato à reeleição como deputado federal, Silvio Costa Filho participou, neste sábado, ao lado do prefeito Dr. Elton Martins, do ato de apresentação da chapa proporcional que disputará as eleições com o apoio de Águas Belas. O evento reuniu dezenas de apoiadores e consolidou o palanque formado por Silvio Costa Filho para deputado federal, Bruno Marques para deputado estadual e Humberto Costa para o Senado.
Durante o encontro, Silvio Costa Filho destacou a importância da parceria com o prefeito e agradeceu o carinho recebido pela população.
“Recebo esse apoio com muita gratidão. Quero agradecer ao povo de Águas Belas e ao prefeito Dr. Elton Martins pela confiança. Esse abraço da população aumenta ainda mais a nossa responsabilidade de trabalhar pelo município e por Pernambuco”, afirmou Silvio.

No ato de apoio, o prefeito Dr. Elton Martins ressaltou a capacidade de trabalho de Silvio, que resultou num conjunto de investimentos no município como obras de asfalto e do futuro hospital regional da cidade.
"O ministro Silvio tem um conjunto de obras na nossa cidade e o povo de Águas Belas saberá reconhecer em outubro. Somos muito gratos por tudo que Silvio fez pela nossa cidade", disse Elton.
O evento
O evento reforçou o peso político da aliança e demonstrou que Águas Belas iniciou a campanha com um dos maiores atos de mobilização popular já registrados no município, fortalecendo a chapa do prefeito Elton com Silvio Costa Filho, Bruno Marques e Humberto Costa.
Adeus Homero Fonseca. Mais um dos ótimos que se vai
22/08/2026
Neste mundo tem gente ruim, gente que se faz de boa e gente que é boa mesmo. Homero Fonseca não era apenas gente boa, era dos melhores entre os melhores. Um dos ótimos. A impressão que tenho é que convivemos, ora mais ora menos, desde sempre. Compartilhamos redações, ele general, eu soldado raso, militâncias, sonhos, camaradagem, farras e, pasmem, divergências. Uma específica: ambos estudávamos e discutíamos o tema "boatos". Ambos vivemos o fenômeno do "estouro de Tapacurá". Homero escreveu um livro maravilhoso, 'Viagem ao Planeta dos Boatos'. Só que interpretou a nascente do caudal que não houve mas causou o maior transtorno de todos os tempos no Recife, como intencional. Eu entendia e entendo que foi uma espécie de "combustão espontânea". Divergimos nisso irremediavelmente, até que a morte separou Homero dos entes queridos e da humanidade. Neste sábado, 26/08. Homero abandonou esse mundo, enfim derrotado pelo câncer apos luta f...
Por José Nivaldo Junior*
Neste mundo tem gente ruim, gente que se faz de boa e gente que é boa mesmo. Homero Fonseca não era apenas gente boa, era dos melhores entre os melhores. Um dos ótimos. A impressão que tenho é que convivemos, ora mais ora menos, desde sempre. Compartilhamos redações, ele general, eu soldado raso, militâncias, sonhos, camaradagem, farras e, pasmem, divergências. Uma específica: ambos estudávamos e discutíamos o tema "boatos". Ambos vivemos o fenômeno do "estouro de Tapacurá". Homero escreveu um livro maravilhoso, 'Viagem ao Planeta dos Boatos'. Só que interpretou a nascente do caudal que não houve mas causou o maior transtorno de todos os tempos no Recife, como intencional. Eu entendia e entendo que foi uma espécie de "combustão espontânea". Divergimos nisso irremediavelmente, até que a morte separou Homero dos entes queridos e da humanidade. Neste sábado, 26/08. Homero abandonou esse mundo, enfim derrotado pelo câncer apos luta feroz e corajosa. Partiu para a eternidade como um ser humano vitorioso, que deixou um precioso legado para as próximas gerações.

No Jornalismo
Fez de um tudo. De foca a diretor. Em veículos locais e nacionais. Bom colega, chefe ainda melhor. Repórter sempre, visionário nos melhores momentos.
Os livros
Homero, jornalista como hoje não mais existem, era um escritor primoroso. O último livro, lançado pelos amigos há pouco tempo, ainda não li. O favoritíssimo continua, diaparado, sendo 'Roliúde'. Um romance magnífico que interage o cinema norte-americano com os saltimbancos de feira do interior do Nordeste nos anos 1940. Coisa de gênio.

Invejável
Alguém já disse
que Homero misturava nos seus romances realismo mágico e memória histórica. De acordo com o blog de Taís Paranhos, “Seu legado agora se transforma em referência permanente para quem busca compreender a força literária do Nordeste”. Disse bem.
A blogueira
Lembra também a escrita dele, sempre carregada de símbolos, mitos e personagens que atravessam eras, consolidando uma identidade literária singular. “A morte do autor encerra um ciclo, mas abre espaço para que sua obra seja revisitada com a profundidade que merece. Pernambuco perde um de seus grandes narradores, mas ganha um nome eterno na literatura brasileira.” disse tudo, de novo.
Roliúde
Concordo com quem disse que o grande destaque da carreira de Homero como escritor está 'Roliúde: Um romance picaresco aventuroso e cinematográfico'. A obra, de 2011, chegou ser adaptada para o teatro. Narra as aventuras de Bibiu, um “Ulisses nordestino” na década de 1940, que viaja pelo interior contando enredos de clássicos do cinema hollywoodiano e brasileiro. Ler ou reler essa obra-prima, cuja capa da primeira edição repete o famoso letreiro da meca do cinema adaptado ao nordestinês, é a maior homenagem que o leitor pode prestar a esse modesto e doce, porém grandioso autor épico de Pernambuco.
O velório
Acontecerá hoje, domingo, 23/08, das 12h às 18h, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista. Adeus, amigo.
*José Nivaldo Junior é da Academia Pernambucana de Letras. Diretor de O Poder.
Sem Lula e Flávio, Band realiza neste domingo (23) primeiro debate com os candidatos à presidência
22/08/2026
Outro nome que não estará na bancada é o do empresário Pablo Marçal (PRTB), mas neste caso, porque ele foi impedido pela Justiça eleitoral. Marçal se cadastrou como candidato mas como é alvo de um processo que o mantém inelegível, até ser avaliado recurso apresentado por seus advogados de defesa, está proibido de fazer campanha política.
Nomes confirmados
Estão confirmadas, no entanto, as participações de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). A Band decidiu manter o formato originalm...
Está tudo pronto para a realização do primeiro debate da corrida presidencial, a ser realizado neste domingo (23/8), às 20h, nos estúdios da Band, em São Paulo. Ou melhor, quase tudo, porque apesar de terem sido convidados todos os candidatos à presidência da República nestas eleições, as equipes do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) avisaram que nenhum dos dois participará do evento.
Outro nome que não estará na bancada é o do empresário Pablo Marçal (PRTB), mas neste caso, porque ele foi impedido pela Justiça eleitoral. Marçal se cadastrou como candidato mas como é alvo de um processo que o mantém inelegível, até ser avaliado recurso apresentado por seus advogados de defesa, está proibido de fazer campanha política.
Nomes confirmados
Estão confirmadas, no entanto, as participações de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). A Band decidiu manter o formato originalmente previsto e deixará vazios os púlpitos reservados aos candidatos ausentes.
A cobertura da emissora terá início às 19h na internet, acompanhando a chegada dos presidenciáveis. Na televisão, a programação começa às 19h30, enquanto o debate está marcado para as 20h. BandNews, rádios do grupo e um pool formado por TV Cultura, TV Gazeta, Jovem Pan e Estadão também participarão da transmissão.
Três blocos
Conforme informaram neste sábado (22/08) os organizadores, o programa será dividido em três grandes blocos, incluindo duas etapas de confronto direto entre os candidatos. O debate será comandado pelos jornalistas Eduardo Oinegue e Adriana Araújo, com participação de outros profissionais da emissora. Em determinados momentos, os candidatos poderão circular pelo estúdio e confrontar os adversários sem mediação.
A assessoria do PT informou que a decisão de Lula de não participar faz parte da estratégia adotada pela campanha do presidente para os debates do primeiro turno. A avaliação é de que o presidente ficaria mais exposto a ataques dos adversários em um confronto sem equilíbrio político.
Críticas do PT
A campanha de Lula também questionou a participação de Renan Santos e Romeu Zema, argumentando que suas legendas não teriam presença obrigatória assegurada pela legislação eleitoral.
E colocou a possibilidade de que tais debates sirvam como plataforma para candidatos com menor intenção de voto, além da produção de episódios e cortes de vídeo capazes de ganhar grande repercussão nas redes sociais. Mas a expectativa é de que o presidente vá aos debates a serem programados para o segundo turno do pleito.
Flávio adota mesma linha
A mesma estratégia foi adotada pelo senador Flávio Bolsonaro. Sua equipe de campanha condicionou a presença dele nos debates do primeiro turno à participação de Lula. Sem o petista no estúdio, seus estrategistas avaliam que o candidato do PL poderia se tornar o principal alvo de adversários como Caiado, Zema e Renan, que disputam espaços dentro do eleitorado de direita.
Com isso, o primeiro grande confronto televisivo da campanha terá um cenário diferente do inicialmente esperado. Sem o embate direto entre Lula e Flávio, os quatro candidatos confirmados terão uma vitrine nacional para ampliar sua visibilidade, criticar a polarização e tentar se apresentar ao eleitorado como alternativa aos dois principais polos da disputa.
Regras foram negociadas
A emissora estabeleceu previamente regras negociadas com as campanhas. O formato prevê um minuto para a formulação das perguntas e quatro minutos administrados pelos próprios candidatos para resposta e eventual tréplica, buscando reduzir o engessamento do programa e permitir confrontos mais espontâneos.
Paralelamente, uma nova disputa chegou ao TSE. O partido Democracia Cristã (DC) pediu a inclusão de sua candidata, Clariana Barão, no debate. A legenda argumentou que a ausência de mulheres no encontro e os convites feitos a candidatos cuja participação não seria obrigatória configurariam tratamento desigual. Ainda não houve posição a respeito por parte do Tribunal até o fim da tarde deste sábado.
— Com Agências de Notícias