Artigo – O jornalista Ricardo Rodrigues* escarafuncha pormenores do atentado em Moscou
02/04/2024 - Jornal o Poder
Suspeitas
Ora, essas duas informações deveriam ser suficientes para barrar o aparecimento de teorias alternativas sobre o planejamento do atentado. Foram bastante para a maior parte da mídia impressa e eletrônica em todo mundo. Mas, não bastaram para o governo russo e, pasmem, nem para alguns renomados analistas de geo...
Suspeitas
Ora, essas duas informações deveriam ser suficientes para barrar o aparecimento de teorias alternativas sobre o planejamento do atentado. Foram bastante para a maior parte da mídia impressa e eletrônica em todo mundo. Mas, não bastaram para o governo russo e, pasmem, nem para alguns renomados analistas de geopolítica, a exemplo de Pepe, do Pepe Café.
O Kremlin suspeitar do envolvimento da inteligência ucraniana no planejamento do atentado é até compreensível. Afinal, Rússia e Ucrânia estão em plena guerra. Além disso, segundo as forças militares russas, os terroristas foram presos quando tentavam chegar à fronteira com a Ucrânia. Mas por que estariam analistas independentes suspeitando que poderia haver mais jogadas nesse tabuleiro de xadrez do que vem sendo repercutido na imprensa internacional?
Fatos que alimentam dúvidas
Alguns fatos que antecederam o atentado alimentam as dúvidas dos analistas sobre a existência e origem de supostos mandantes. Cabe aqui esmiuçá-los, para melhor compreender as dúvidas que pairam quanto a ter ou não havido participação dissimulada de aparato de inteligência militar de algum país ou países no planejamento de um atentado cuja execução ficaria inteiramente a cargo de operativos do ISIS. Evidências sugerem que o atentado do dia 22 pode ter sido, em realidade, a execução de um Plano B. Como assim?

Alerta da Embaixada
A Embaixada dos Estados Unidos em Moscou divulgou em sua página da internet um alerta de segurança para seus compatriotas relativo antes do atentado. Segundo o alerta, “extremistas tinham um plano iminente de atacar grandes aglomerações em Moscou, incluindo shows (concerts), e cidadãos americanos deveriam evitar aglomerações pelas próximas 48 horas”. Esse alerta da Embaixada foi emitido no dia 7 de março e valeria até o dia 9 de março.
Depreende-se desse alerta que o governo dos Estados Unidos sabia da existência de uma ameaça terrorista a um algum show ou concerto em Moscou, com grande aglomeração. Será que apenas errou a data, já que o atentado aconteceu no dia 22 e não entre os dias 7 e 9 de março? Para o jornal Washington Post, a resposta é sim. Segundo o jornal, a Embaixada avisou sobre o ataque duas semanas antes. Entretanto, para alguns analistas, não é bem assim. O alerta do governo americano tinha uma data de validade bem específica: 9 de março.
O Nacionalista Shaman
Cabe aqui observar que um dos mais populares cantores da atualidade na Rússia tinha um show programado no Teatro Crocus precisamente no dia 9 de março. Refiro-me ao cantor Shaman. Jovem, bonito, e de cabeleira “nevada”, Shaman é, simplesmente, um fenômeno da música popular russa, desfrutando de grande popularidade nas redes sociais. Além de milhões de seguidores, o vídeo de seu mais recente sucesso já foi visto por mais de 45 milhões de fãs. Mais importante, talvez, seja o fato de Shaman ser um fervoroso nacionalista. Sua canção mais festejada é um “rock” intitulado “Sou Russo” (I am Russian).
Ora, um atentado terrorista no show de Shaman causaria um enorme impacto na Rússia, atingindo dois objetivos de uma só vez. Primeiro, amplificaria o número de vítimas, dada a grande popularidade do cantor. Segundo, infligiria uma grande humilhação ao regime de Putin, levando o terror a um local no qual uma multidão de jovens russos celebrava o sentimento nacionalista, embalados no “rock” de Shaman.

Plano B?
O alerta dos americanos certamente levou a segurança do show de Shaman a ser devidamente fortalecida. Isso, pode ter inviabilizado a execução do atentado naquele dia. Uma vez abortado o plano A, partiu-se para um plano B: atacar o mesmo teatro, mesmo sem o Shaman, mas durante um outro show que também atraísse uma grande audiência, mas, sem a segurança do show do Shaman. Isso teria acontecido no dia 22.

Negação Plausível?
Para alguns dos analistas que mencionei, é possível que estejamos diante de um caso de negação plausível por parte dos principais “players” da Guerra da Ucrânia. De acordo com a Wikipedia, o termo, aplicado à política internacional e à espionagem, se refere à habilidade de um importante “player” ou agência de inteligência de transferir a responsabilidade por uma iniciativa, e assim evitar a responsabilização por suas consequências, ao providenciar que uma determinada ação seja executada em seu benefício por um terceiro com o qual não mantém relações ostensivas.
Se é esse o caso ou não, somente o tempo e as investigações das autoridades russas poderão confirmar.
*Ricardo Rodrigues é jornalista e cientista político. Ele escreve sobre temas internacionais.
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A Irresponsabilidade do Velho Político que Quebrou a Todos, mas Enriqueceu Alguns - Por Emanuel Silva*
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Em 2025, as instituições financeiras registraram lucro recorde de US$ 45,8 bilhões, que representa mais do que a soma dos lucros de 15 países latino-americanos.
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De 2016 para cá, a inadimplência explodiu. Em 2016 tínhamos 59 milhões de inadimplentes e foi subindo com mai...
A irresponsabilidade fiscal do governo atual quebrou milhões de brasileiros, mas enriqueceu generosamente os bancos.
Em 2025, as instituições financeiras registraram lucro recorde de US$ 45,8 bilhões, que representa mais do que a soma dos lucros de 15 países latino-americanos.
Mas, de outro lado, no mesmo período, a Serasa apontou 83,7 milhões de inadimplentes em junho de 2026, atingindo 51% da população adulta.
Não foi azar. Foi escolha.
O Governo Lula faz gastos descontrolados, promove rombo fiscal e juros altos para financiar a farra e criaram o ambiente perfeito: bancos felizes, povo quebrado. Afinal, falência e caos econômico não interfere na democracia (contém alta dose de ironia – coisa que está ficando perigosa no Brasil atual).
Os Números da Devastação Deliberada
De 2016 para cá, a inadimplência explodiu. Em 2016 tínhamos 59 milhões de inadimplentes e foi subindo com maior velocidade a partir de 2022, chegando a 83,7 milhões de negativados (+38,1%) em 2025. Sim. O Brasil conta com 51 % da população adulta INADIMPLENTE.
O valor da dívida saltou de 348 bilhões em 2016 para 539 bilhões em 2025, sendo que a dívida por média por pessoa passou de R$ 5.880 em 2016 para R$ 6.598 em 2025.
Ou seja, o volume de dívidas cresceu 43,6%, o valor total (real) subiu 54,9% e a dívida média por pessoa aumentou 12,2%. Mulheres lideram o ranking. Idosos acima de 60 anos dobraram a participação. Quase metade dos devedores vive com até um salário-mínimo.
Essa tragédia tem autor, nome e sobrenome. A política fiscal irresponsável promovida pelo atual governo com despesas elevadas, dívida pública crescente e manutenção de juros altos transferiu riqueza dos trabalhadores para o sistema financeiro. Sim, o outrora pai dos pobres, se tornou a fada madrinha dos sonhos dos banqueiros.
A Escolha Criminosa
O velho político e sua troupe escolheram deliberadamente o lado dos bancos. Priorizaram gastos eleitoreiros e alianças com o mercado financeiro em vez de conter o descontrole das contas públicas.
O resultado é previsível: spreads bancários gordos, lucros históricos e uma população afogada em rotativo, cheque especial e nome sujo no Serasa.
Programas como Desenrola I, II ...e em breve V servem apenas de cortina de fumaça. A inadimplência volta a bater recordes porque a causa raiz, o desequilíbrio fiscal — nunca foi enfrentada. É crueldade institucionalizada.
O Drama Final
Enquanto acionista e executivos de bancos, inclusive alguns que se dizem socialistas e promovem bondades, brindam com champagne aos US$ 45,8 bilhões de lucro, milhões de brasileiros choram em silêncio: contas atrasadas, crédito negado, sono perdido e futuro roubado. São pais, mães e avós transformados em estatísticas de inadimplência pela irresponsabilidade de quem prometeu ser “pai dos pobres”.
O velho político quebrou a todos, mas enriqueceu alguns.
Essa é a verdadeira face do Brasil atual: um banquete para banqueiros e migalhas de sofrimento para o povo.
A história cobrará esse crime econômico com juros compostos, e as vítimas já estão pagando.
Há alguma possibilidade de retorno?
Com a irresponsabilidade reinando...nunca !
*Emanuel Silva, é Professor e Cronista.

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder respeita a diversidade de ideias e a liberdade de pensamento e publica textos mesmo discordando do seu conteúdo e da sua forma.
Guardiões de Ilusões: das virtudes da farda às farsas – Por Natanael Sarmento*
29/07/2026
Amigo da Onça
A narrativa oficial gosta de pintar o nascimento da República como um ato heroico de refundação nacional. Esquece-se, porém, de mencionar que o grande parteiro do novo regime foi um General do Exército Imperial — elevado, prestigiado e amigo íntimo do próprio Imperador Dom Pedro II....
Se a história do Brasil fosse uma peça de teatro, os militares estariam no centro da ribalta a declamar versos sobre honra, lealdade e sacrifício. Mas no enredo da história os atores tropeçam e agem de forma burlesca, diametralmente, opostos à narrativa. Vende-se à sociedade imagem de garbosos oficiais ilibados, sentinelas inabaláveis da legalidade e protetores da família. Mas a tinta dessa opereta se borra na aquarela de ironias na qual é cor recorrente a da traição em vez da lealdade, a quebra da hierarquia em vez do respeito à normalidade constitucional. O galante guardião da farda engomada tem histórico de esporear a Constituição e trotar sobre a Nação.
Amigo da Onça
A narrativa oficial gosta de pintar o nascimento da República como um ato heroico de refundação nacional. Esquece-se, porém, de mencionar que o grande parteiro do novo regime foi um General do Exército Imperial — elevado, prestigiado e amigo íntimo do próprio Imperador Dom Pedro II. O clássico "amigo da onça" provou respeito a hierarquia e sua lealdade sacrossantos, quando os humores do quartel falaram mais alto e despachou o amigo Imperador deposto no primeiro navio rumo ao exílio.
Pacificação do fuzil
O mito dos defensores da ordem, pacificadores e garantidores da paz social é tão autêntico quanto whisky paraguaio. Sob as ordens do "Marechal de Ferro", Floriano Peixoto, a resposta aos conflitos sociais como Canudos e a Guerra do Contestado não foi a mediação, mas o fuzilamento de famílias inteiras, sertanejos e camponeses desarmados varridos do mapa, na paz dos cemitérios.
Honra
Do compromisso inviolável de respeitar a Constituição e a palavra dada. Só que não. Na Revolta da Chibata e os levantes da Armada, a retórica do diálogo serviu apenas como anestésico. O Governo do Marechal Hermes da Fonseca assinou acordo, dar anistia e a suspender os castigos corporais dos marujos, mas tão logo os insurgentes entregaram as armas a "palavra dada" evaporou, a anistia foi a prisão, banimento e o confinamento de marinheiros nas masmorras da Ilha das Cobras. Para subalternos o rigor da lei; para coturnos altos o direito de esquecer as promessas e palavras.
Alquimistas
No mito são guardiões da Constituição e da vontade popular, na prática engenheiros de conspirações.
Anos trinta
Na missão de "salvadores do país" amarraram os cavalos no obelisco do Catete, depuseram o Presidente Washington Luís, impediram a posse do presidente eleito, Júlio Prestes.
“Plano Cohen”
A pirotecnia política atingia o ápice da criatividade em 1937 com a confecção do famoso Plano Cohen. Os generais Pedro Aurélio de Góis e Olímpio Mourão Filho da que falsificam documento atribuindo aos comunistas um plano macabro de assassinatos e saques. Conspiração de gabinete para servir de pretexto perfeito ao golpe de Estado de Getúlio Vargas e instauração do Estado Novo em 1937, com o aval dessa cúpula militar de lobos travestidos de cordeiros.
Anos quarenta
O mito dos defensores da democracia e da soberania do barco levado na correnteza dos ventos da Casa Branca volta a ruir sob os pés- de –barro. Em 1945, os mesmos generais que sustentaram a ditadura do Estado Novo subitamente despertaram para os encantos da redemocratização. O motivo? O alinhamento geopolítico com os Estados Unidos pós-Segunda Guerra. Em um estalar de dedos, a farda despejou Vargas do poder em nome da "liberdade". O legalismo militar revelou-se, assim, uma camaleônica ferramenta: se o vento sopra do Norte, troca-se a casaca autoritária pelo figurino democrático, sem o menor rubor facial. O se troca a democracia pela ditadura, ditadura conforme os tufões do Norte.
Legalistas, mas nem tanto...
No “respeito” às urnas e à cadeia de comando sucederam-se motins e conspirações voadoras, não era Céu de brigadeiro, nem o Mar de águas claras. A legalidade constitucional costurada com linha fina.
Anos cinquenta
Nos anos 1950, a FAB setores das Forças Armadas decidiram que a democracia só valia quando o resultado agradava aos quartéis. Contra o governo eleito de Juscelino Kubitschek, deflagraram-se os motins de Jacareacanga (1956) e Aragarças (1959). JK precisou esmerilar a Fazenda na compra do Porta-Aviões Minas Gerais para pacificar a caserna e terminar o seu mandato em paz, no brasileiríssimo suborno da legalidade.
Anos sessenta
A sanha golpista desceu ao subsolo na tentativa de impedir a posse de João Goulart em 1961 e na formulação da famigerada "Operação Mosquito", que visava derrubar o avião presidencial. A ordem e a disciplina deveras flexíveis contra a vontade do eleitor nos manuais militares.
1964 e a mala de Dólares
O golpe antinacional e antipopular de 1964 deixou lições para história, retirou máscaras de lealdade. O lendário "dispositivo militar legalista" virou pó em poucas horas. Revelou a teia de traições pessoais e políticas. O caso do General Amauri Kruel é emblemático: legalista até a véspera e padrinho de casamento de Jango, mudou de lado sem piscar. Relato de Coronel presente na Comissão da Verdade em São Paulo explica esse mistério do aquém da mudança da noite para o dia: uma mala de dinheiro repassada por empresários ao General que decidiu mudar de lado e comandar o 2º Exército na marcha para o Rio.
A imoralidade das torturas e assassinatos políticos
O mito da proteção da família brasileira e elevados valores cristãos não resiste a foto do assassinato de Wladimir Herzog enforcado na prisão. No abismo entre a propaganda e a realidade. Nas salas de tortura do regime de "proteção da família brasileira". Das centenas de opositores “desaparecidos”, nos tribunais do terrorismo de Estado. Crueldade que não poupou gestantes e crianças. Do silêncio dos cemitérios clandestinos.
“Milagre Econômico”
No mito de gestores austeros, técnicos, de reputação ilibada que tanto falta na corrupção da vida dos paisanos como se referem aos civis, daria um longa-metragem.
As obras megalomaníacas dos rombos e roubos bilionários em proporções faraônicas de estradas e pontes nunca dantes navegadas desabam no peso do endividamento externo e dos grandes escândalos acobertados pela censura do regime ditatorial: — Transamazônica, Ponte Rio-Niterói, Itaipu, dos contratos superfaturados que os pescadores de águas turvas das grandes empreiteiras e das altas esferas do regime agradecem. Sucessão de escândalos, Light, Coroa-Brastel, muita fritura e pouca carne nesse pastel que termina em pizza.
Nada de bom?
De bom foi o fim do ciclo militar. Mas deixou o legado: centenas de mortos e desaparecidos, inflação galopante, submissão ao FMI, s depósitos “secretos” nas contas suíças, soberania alienada aos banqueiros internacionais e conta alta para o cidadão pagar. Calha o ditado popular: "falam como anjos, se comportam como diabos". Já passou da hora de o Brasil revisar a sua história e não aceitar ameaças e retaliações dos EUA ou viúvas das casernas, se grito adiantasse porco não morria.
*Natanael Sarmento é professor e escritor, e integrante do Diretório Nacional da UP. @sarmentonatanael

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos autores.
A Arquitetura Oculta da Defesa: Como a Guerra Invisível entre Israel e Irã Redefine a Soberania no Oriente Médio - Por Amadeu Robalinho*
29/07/2026
A Concepção clássica de Soberania Nacional, historicamente fundamentada na integridade territorial e na inviolabilidade das fronteiras, encontra-se em profunda transformação. A capacidade de um Estado preservar sua autonomia estratégica passou a depender, em igual ou maior medida, do domínio da informação, da inteligência, da tecnologia, da resiliência cibernética e da proteção de suas infraestruturas críticas.
O Oriente Médio representa hoje o principal laboratório dessa nova realidade. O confronto entre Israel e Irã deixou de ser apenas uma disputa regional para tornar-se um dos mais sofisticados exemplos contemporâneos de guerra híbrida, caracterizada pela integração entre operações militares convencionais, inteligência estratégica, ataques cibernéticos, sabotagem econômica, campanhas de influência, guerra eletrônica e operações clandestinas conduzidas além das fronteiras nacionais.
Nesse ambiente operacional, a defesa deixa de...
Jerusalém
A Concepção clássica de Soberania Nacional, historicamente fundamentada na integridade territorial e na inviolabilidade das fronteiras, encontra-se em profunda transformação. A capacidade de um Estado preservar sua autonomia estratégica passou a depender, em igual ou maior medida, do domínio da informação, da inteligência, da tecnologia, da resiliência cibernética e da proteção de suas infraestruturas críticas.
O Oriente Médio representa hoje o principal laboratório dessa nova realidade. O confronto entre Israel e Irã deixou de ser apenas uma disputa regional para tornar-se um dos mais sofisticados exemplos contemporâneos de guerra híbrida, caracterizada pela integração entre operações militares convencionais, inteligência estratégica, ataques cibernéticos, sabotagem econômica, campanhas de influência, guerra eletrônica e operações clandestinas conduzidas além das fronteiras nacionais.
Nesse ambiente operacional, a defesa deixa de ser exclusivamente reativa. Ela passa a ser construída sobre a capacidade permanente de antecipar ameaças antes que estas adquiram capacidade efetiva de produzir danos estratégicos.
Sob essa perspectiva, a doutrina israelense de segurança nacional consolidou uma arquitetura baseada na prevenção, na superioridade informacional e na ação cirúrgica. O Mossad, em estreita coordenação com a Inteligência Militar (Aman), o Shin Bet e as Forças de Defesa de Israel (IDF), tornou-se um dos principais instrumentos dessa estratégia, cuja finalidade central consiste em retardar ou neutralizar capacidades consideradas existenciais para a segurança israelense, particularmente aquelas relacionadas ao desenvolvimento nuclear, aos programas de mísseis balísticos e ao emprego crescente de veículos aéreos não tripulados pelo Irã.
Entretanto, compreender esse conflito exclusivamente pela ótica bilateral constitui um erro analítico. A rivalidade entre Israel e Irã insere-se em um contexto mais amplo de reorganização da ordem internacional.
Os Estados Unidos permanecem como o principal sustentáculo militar, tecnológico e diplomático de Israel, ao mesmo tempo em que Rússia e China ampliam gradativamente seus vínculos estratégicos com Teerã. Moscou identifica no Irã um parceiro relevante para limitar a influência ocidental no Oriente Médio, enquanto Pequim enxerga na estabilidade energética da região um componente essencial de sua estratégia econômica global e da Iniciativa Cinturão e Rota.
Essa convergência transforma o Oriente Médio em um espaço onde interesses regionais e disputas entre grandes potências passam a coexistir, elevando significativamente a complexidade do ambiente estratégico.
No campo operacional, o Irã estruturou, ao longo das últimas décadas, uma estratégia de defesa indireta baseada na projeção de poder por intermédio de organizações aliadas. Hezbollah, grupos armados iraquianos, Houthis e outras forças alinhadas compõem aquilo que diversos centros internacionais de estudos estratégicos descrevem como uma arquitetura descentralizada de dissuasão, concebida para ampliar o custo político e militar de qualquer ofensiva direta contra o território iraniano.
Essa configuração obrigou Israel a adaptar profundamente seus métodos de inteligência.
Se anteriormente o foco recaía predominantemente sobre capacidades militares convencionais, atualmente a prioridade deslocou-se para a identificação e interrupção das cadeias financeiras, tecnológicas, logísticas e informacionais que sustentam essas organizações.
Nesse contexto, operações de Inteligência Humana (HUMINT), Inteligência de Sinais (SIGINT), Inteligência por Imagens (IMINT), Inteligência de Fontes Abertas (OSINT) e Inteligência de Medições e Assinaturas (MASINT) passaram a operar de forma integrada por meio de sistemas de inteligência artificial capazes de realizar fusão de dados em tempo quase real.
Essa arquitetura tecnológica permite identificar padrões de comportamento, antecipar movimentações logísticas, localizar instalações estratégicas, rastrear fluxos financeiros e monitorar cadeias de suprimentos com níveis de precisão anteriormente inalcançáveis.
A consequência é uma transformação profunda da própria natureza da guerra.
As operações militares deixam de buscar exclusivamente a destruição física do adversário para concentrar-se na degradação progressiva de sua capacidade decisória. A informação converte-se em arma estratégica; o sigilo, em ativo operacional; e a superioridade cognitiva, em fator determinante de vitória.
Paralelamente, desenvolve-se uma intensa disputa pela preservação das principais rotas energéticas do planeta.
O Estreito de Ormuz permanece como um dos corredores marítimos mais sensíveis da economia internacional. Qualquer ameaça à sua navegabilidade repercute imediatamente sobre mercados financeiros, cadeias globais de suprimentos, preços da energia e planejamento estratégico das grandes economias industriais.
Por essa razão, a estabilidade do Golfo Pérsico transcende os interesses regionais e passa a integrar diretamente a agenda de segurança internacional.
No plano diplomático, a percepção do Irã como ameaça comum estimulou uma aproximação gradual entre Israel e diversos países árabes, movimento intensificado após os Acordos de Abraão. Embora persistam divergências históricas e políticas, observa-se o desenvolvimento de mecanismos discretos de cooperação em inteligência, defesa aérea, segurança marítima e combate ao terrorismo.
Essa arquitetura regional demonstra que as alianças contemporâneas são cada vez menos determinadas por afinidades ideológicas e cada vez mais orientadas por interesses estratégicos convergentes.
Todavia, reduzir o confronto à dimensão militar seria insuficiente.
O verdadeiro centro de gravidade dessa disputa reside na capacidade dos Estados de integrar ciência, tecnologia, indústria, inteligência e poder político em uma única arquitetura nacional de defesa.
É nesse ponto que emerge um dos principais desafios estratégicos do século XXI.
A soberania nacional deixa de representar apenas o exercício da autoridade sobre determinado território. Ela passa a expressar a capacidade permanente de produzir conhecimento estratégico, desenvolver autonomia tecnológica, proteger infraestruturas críticas, assegurar independência industrial e preservar superioridade decisória diante de ameaças cada vez mais difusas e invisíveis.
A guerra contemporânea já não começa quando o primeiro míssil é lançado.
Ela tem início muito antes, nos laboratórios de pesquisa, nos centros de inteligência, nas redes digitais, nos sistemas financeiros, nos satélites, nas cadeias globais de suprimentos e na disputa silenciosa pelo controle da informação.
Nesse novo paradigma, a soberania nacional transforma-se, acima de tudo, em uma engenharia integrada do conhecimento, da tecnologia e da antecipação estratégica.
O papel dos Estados Unidos na nova arquitetura estratégica
Os Estados Unidos permanecem como o principal garantidor do equilíbrio estratégico no Oriente Médio. Muito além do apoio histórico a Israel, Washington estrutura sua presença regional como parte de uma estratégia global destinada a preservar a liberdade de navegação, assegurar o fluxo energético internacional, conter a proliferação nuclear e impedir que potências revisionistas ampliem sua influência sobre uma das regiões mais sensíveis do planeta.
A política norte-americana para o Oriente Médio deixou de ser orientada exclusivamente pelo combate ao terrorismo para incorporar uma lógica de competição sistêmica entre grandes potências. Nesse contexto, a contenção do Irã tornou-se apenas um dos componentes de uma estratégia mais abrangente, voltada também para limitar a crescente projeção geopolítica da China e da Rússia na região.
Pequim consolidou-se como o maior comprador do petróleo iraniano, ampliou investimentos em infraestrutura por meio da Iniciativa Cinturão e Rota e fortaleceu sua presença diplomática ao intermediar a reaproximação entre Arábia Saudita e Irã. Moscou, por sua vez, aprofundou sua cooperação militar com Teerã, especialmente após o início da guerra na Ucrânia, intensificando intercâmbios tecnológicos, logísticos e industriais que reforçam a capacidade estratégica de ambos os países.
Diante desse cenário, os Estados Unidos vêm reforçando sua postura de dissuasão integrada. A manutenção de grupos de ataque centrados em porta-aviões, sistemas de defesa antimísseis, bases militares distribuídas pelo Golfo e uma extensa rede de cooperação em inteligência com Israel e parceiros árabes demonstra que Washington busca impedir qualquer alteração significativa no equilíbrio regional que possa comprometer seus interesses estratégicos globais.
Essa arquitetura de segurança ultrapassa a defesa do território israelense. Ela representa um mecanismo de preservação da credibilidade internacional dos Estados Unidos perante seus aliados, sinalizando que ataques contra parceiros estratégicos produzem consequências políticas, econômicas e militares capazes de transcender o próprio Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, Washington procura administrar um delicado equilíbrio entre firmeza estratégica e contenção da escalada militar. O objetivo consiste em impedir que confrontos regionais evoluam para um conflito direto envolvendo grandes potências, cenário que poderia comprometer cadeias globais de suprimentos, ampliar a instabilidade nos mercados energéticos e gerar impactos econômicos de alcance mundial.
*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho
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O grito de alerta que ninguém entendeu, por Claudemir Gomes*
29/07/2026
Por que o Recife teria 3 num grupo de 20?
Segunda-feira, logo após o empate (1x1) do Sport com o Cuiabá, na Ilha do Retiro, o sétimo contabilizado pelo time rubro-negro em onze partidas disputadas como mandante, o leonino Fred Borba, em postagem feita no X, sintetizou toda a sua angústia com a frase: “Cada dia mais quero fazer logo 45 pontos”. A pontuação a qual ele se refere é a margem que livra os clubes do rebaixamento na S...
O acadêmico, José Nivaldo Jr., tricolor de corpo e alma, surpreendeu a todos quando declarou que, “Pernambuco não tem condições de manter três clubes na Série A do Brasileiro”. A declaração foi dada na época em que o Campeonato Nacional ganhou a configuração de 20 times. Ninguém lhe poupou críticas. Afinal, o Estado tinha três representantes na Primeira Divisão: Sport, Náutico e Santa Cruz. O raciocínio lógico do publicitário e cientista político se baseia no modelo europeu “onde raríssimas cidades têm mais de um time grande”.
Por que o Recife teria 3 num grupo de 20?
Segunda-feira, logo após o empate (1x1) do Sport com o Cuiabá, na Ilha do Retiro, o sétimo contabilizado pelo time rubro-negro em onze partidas disputadas como mandante, o leonino Fred Borba, em postagem feita no X, sintetizou toda a sua angústia com a frase: “Cada dia mais quero fazer logo 45 pontos”. A pontuação a qual ele se refere é a margem que livra os clubes do rebaixamento na Série B do Brasileiro.
O destino se mostra mais cruel do que o previsto, anos atrás, pelo mestre José Nivaldo Jr. O futebol pernambucano não tem nenhum representante na Série A. Nos últimos 20 anos, o Sport, clube mais estruturado do Recife, disputou 12 edições da Primeira Divisão Nacional, e 8 edições da Segunda Divisão. Há 13 anos o Náutico não disputa uma edição da Série A. Sua última passagem pela elite do futebol brasileiro foi em 2013. Em duas décadas – 2007 a 2026 – os alvirrubros estiveram presentes em cinco edições da Série A; dez edições da Série B e cinco da Série C. O Santa Cruz perdeu toda a musculatura e status de clube grande. O Tricolor do Arruda, que em 2024 não disputou nenhuma competição nacional, passou pela Série A apenas uma vez (2016), nos últimos 20 anos, período em que habitou a Série B quatro vezes; disputou oito edições da Série C e seis edições da Série D. Os números atestam a desidratação catastrófica do futebol da Nova Roma.
De repente, me pergunto: 20 anos é muito tempo? Talvez! Para os clubes pernambucanos, que foram transformados em centros de treinamentos de gestores, o tempo não urge tanto quanto deveria. Entra o seis, sai meia dúzia. Nada se transforma. Pede-se ajuda aos “universitários” de outras regiões. Na cartilha que eles rezam, a frase: “Só sei que nada sei!”. Mudança de tropa. O tempo acabou. Chegou a vez da turma da internet. Vamos investir em IA para enganar a torcida. Entreguem as chaves para os técnicos! Não, coloque o comando nas mãos dos executivos. Os clubes precisam de uma estrutura profissional.
Socorro! Chamem o SAMU. Não! Eu disse: chamem a SAF!
Os impactos negativos de 20 anos sem norte apequenaram os clubes, mas não acordaram os sócios e torcedores. Poucos entenderam o grito de alerta dado pelo sábio José Nivaldo Jr. E a Série A ficou difícil para um; pouco provável para dois é impossível para três.
*Claudemir Gomes é um dos mais respeitados cronistas esportivos do Brasil. Colunista da Folha de Pernambuco, onde este artigo foi originalmente publicado na edição de hoje, 29/07/26.

Obras de fachada de Raquel Teixeira Lyra fazem vítimas: teto da restauração desaba sobre paciente
29/07/2026
Dessa vez, atingindo uma paciente recem- operada. Que precisou voltar às pressas para o bloco cirúrgico, para salvar a vida.
A notícia
O blog do Magno noticiou: Era para ser o início da recuperação. Mas, minutos depois de deixar o centro cirúrgico, uma paciente do Hospital da Restauração (HR), no Recife, viveu um novo trauma. Parte do teto da Sala de Recuperação Anestésica do bloco cirúrgico desabou justamente sobre o leito onde ela se recuperava de uma cirurgia vascular. Segundo relatos de funcionários da unidade, a paciente foi atingida pelos destroços e precisou retornar ao bloc...
Domingo passado, foram uma mãe e um bebê que correram risco de morte porque a governadora estava usando a UTI aérea transformada em transporte VIP. Para o seu conforto e o da sua comitiva, em pré-campanha pelo sertão. Hoje, uma denuncia recorrente quase virou tragédia. Como Raquel dá prioridade às obras de fachada, mais um teto desabou no Hospital da Restauração.
Dessa vez, atingindo uma paciente recem- operada. Que precisou voltar às pressas para o bloco cirúrgico, para salvar a vida.
A notícia
O blog do Magno noticiou: Era para ser o início da recuperação. Mas, minutos depois de deixar o centro cirúrgico, uma paciente do Hospital da Restauração (HR), no Recife, viveu um novo trauma. Parte do teto da Sala de Recuperação Anestésica do bloco cirúrgico desabou justamente sobre o leito onde ela se recuperava de uma cirurgia vascular. Segundo relatos de funcionários da unidade, a paciente foi atingida pelos destroços e precisou retornar ao bloco cirúrgico em decorrência do incidente.

Buraco e destroços
Imagens registradas no local mostram um grande buraco aberto no forro, pedaços de gesso espalhados pelo chão e profissionais trabalhando para retirar os destroços enquanto o atendimento seguia na unidade. O caso aumenta a preocupação com as condições estruturais do maior hospital de urgência e emergência de Pernambuco. E não é um episódio isolado.
Pelo contrário
É algo recorrente. Uma marca desse, digamos, governo, que quer administrar brincando nas redes sociais.
Hugo Motta deu aval para Valdemar desviar 119 milhões de emendas
29/07/2026
A investigação
Segundo a investigação, encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, a atuação ocorria com a participação de servidores da Casa, e sob a ciência do Presidente da Câmara Hugo Motta.
Negou
O presidente da Câmara, Hugo Motta, negou irregularidades e criticou o bloqueio de bens determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Documentos e planilhas internas citavam as iniciais "VCN" para mascarar o verdadeiro autor dos pedidos de verba.
Mais suspeita
Desde o começo da investigação, a PF suspeita que Presidência da Câmara deu aval para desvios de emendas.
A investigação da Polícia Fe...
A Polícia Federal investiga se a cúpula da Câmara deu aval para o direcionamento de emendas, e Valdemar Costa Neto como suspeito de indicar R$ 119 milhões. Segundo a PF, o presidente da Casa, o deputado Hugo Motta deu aval para Valdemar desviar 119 milhões de emendas.
A investigação
Segundo a investigação, encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, a atuação ocorria com a participação de servidores da Casa, e sob a ciência do Presidente da Câmara Hugo Motta.
Negou
O presidente da Câmara, Hugo Motta, negou irregularidades e criticou o bloqueio de bens determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Documentos e planilhas internas citavam as iniciais "VCN" para mascarar o verdadeiro autor dos pedidos de verba.
Mais suspeita
Desde o começo da investigação, a PF suspeita que Presidência da Câmara deu aval para desvios de emendas.
A investigação da Polícia Federal que resultou no bloqueio de R$ 6,1 milhões atribuídos ao ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG) diz que a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", teria "pleno aval" da Presidência da Câmara dos Deputados para "promover desvios de emendas" em favor do ex-presidente da Casa.
Bloqueio
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG), por suspeita de desvio de emendas parlamentares.
O Poder
Lula determina que Brasil “baixe a poeira” sobre Milei
29/07/2026
Receio
O receio do brasileiro, conforme interlocutores do Planalto, é de que escalar a crise política possa gerar consequências econômicas e comerciais, prejudicando o setor produtivo nacional.
Ressaltado
Em conversas reservadas, Lula tem ressaltado que o recado já foi dado e que a convocação do embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, já foi uma resposta à altura às críticas do argentino.
Diagnóstico
Além disso, o diagnóstico é de que responder a Milei na mesma moeda seria embarcar na estratégia política do argentino, apequenando o governo brasileiro e o próprio Lula.
O Poder
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que o governo brasileiro “baixe a poeira” sobre o embate ideológico com o argentino Javier Milei.
Receio
O receio do brasileiro, conforme interlocutores do Planalto, é de que escalar a crise política possa gerar consequências econômicas e comerciais, prejudicando o setor produtivo nacional.
Ressaltado
Em conversas reservadas, Lula tem ressaltado que o recado já foi dado e que a convocação do embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, já foi uma resposta à altura às críticas do argentino.
Diagnóstico
Além disso, o diagnóstico é de que responder a Milei na mesma moeda seria embarcar na estratégia política do argentino, apequenando o governo brasileiro e o próprio Lula.
O Poder
FGTS: 138 milhões de trabalhadores receberão R$ 13 bilhões de lucros
29/07/2026
O valor
O valor corresponde a 89% do lucro de R$ 14,65 bilhões registrado no exercício. Ao todo, cerca de 138,2 milhões de trabalhadores e trabalhadoras serão beneficiados pela distribuição.
De forma proporcional
Segundo a proposta aprovada pelo colegiado, o crédito será feito de forma proporcional ao saldo existente em cada conta vinculada em 31 de dezembro de 2025.
Os recursos
Os recursos serão creditados nas contas vinculadas do FGTS até 31 de agosto, conforme prevê a legislação.
Terão direito
Terão direito ao recebimento os trabalhadores que possuíam saldo positivo em contas do fundo em 31 de dezembro de 2025, incluindo contas ativas e inativas.
O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou a distribuição de R$ 13,04 bilhões aos trabalhadores referentes ao resultado positivo obtido pelo fundo em 2025.
O valor
O valor corresponde a 89% do lucro de R$ 14,65 bilhões registrado no exercício. Ao todo, cerca de 138,2 milhões de trabalhadores e trabalhadoras serão beneficiados pela distribuição.
De forma proporcional
Segundo a proposta aprovada pelo colegiado, o crédito será feito de forma proporcional ao saldo existente em cada conta vinculada em 31 de dezembro de 2025.
Os recursos
Os recursos serão creditados nas contas vinculadas do FGTS até 31 de agosto, conforme prevê a legislação.
Terão direito
Terão direito ao recebimento os trabalhadores que possuíam saldo positivo em contas do fundo em 31 de dezembro de 2025, incluindo contas ativas e inativas.
O Poder
Versão ampliada do disco homônimo de Petrônio Lorena será lançado em agosto nas plataformas digitais
29/07/2026
Versão ampliada
Versão ampliada do disco homônimo lançado em estúdio, em 2021, o novo trabalho nasceu de um momento improvável, que foi uma live transmitida pelo YouTube durante a pandemia de covid-19.
Interpretação
A apresentação revelou interpretações espontâneas e uma qualidade de áudio tão marcante que o registro acabou se transformando em disco. “Como o áudio da live e a interpretação das canções ficaram com uma excelente qualidade, veio a necessidade de aproveitar o momento espontâneo do som para remixar e remasterizar algumas das canções que foram executadas”, explica Fernando S., produtor musical responsável pelo projeto.
...
Seis canções remixadas e remasterizadas; trabalho atravessa o rock psicodélico, as raízes nordestinas e letras de forte conteúdo político e poético. No dia 31 de julho, chega às plataformas digitais o EP Mergulho Ao Vivo, de Petrônio e as Criaturas.

Versão ampliada
Versão ampliada do disco homônimo lançado em estúdio, em 2021, o novo trabalho nasceu de um momento improvável, que foi uma live transmitida pelo YouTube durante a pandemia de covid-19.

Interpretação
A apresentação revelou interpretações espontâneas e uma qualidade de áudio tão marcante que o registro acabou se transformando em disco. “Como o áudio da live e a interpretação das canções ficaram com uma excelente qualidade, veio a necessidade de aproveitar o momento espontâneo do som para remixar e remasterizar algumas das canções que foram executadas”, explica Fernando S., produtor musical responsável pelo projeto.

Visceralidade das performances
Para Petrônio, o fator decisivo para o lançamento foi a visceralidade das performances. “Talvez porque estivéssemos no claustro da pandemia. O importante é que o registro afirma a pujança do repertório”, afirma o compositor.

O resultado
O resultado é um EP de sonoridade orgânica, construído a partir do diálogo entre a voz metálica de Petrônio Lorena e o violão de 12 cordas de Rama Om — multi-instrumentista, arranjadora e compositora que integra as Criaturas desde 2016. Com passagens por violão de 8 cordas, violino, guitarra, viola de 12 cordas, djeridu, gaita e marimba, Rama acentua o lado jazzístico da banda e cria uma textura que ultrapassa as expectativas de um registro ao vivo convencional.
O repertório
O repertório navega por territórios distintos, unidos pela identidade que define Petrônio e as Criaturas: o rock psicodélico com sotaque nordestino.
Rock cru e visceral
Troglodita é um rock cru e visceral, uma revolta contra comportamentos violentos estimulados por ideologias de orientação fascista em diversas camadas da sociedade brasileira. Já Os Olhos Secos de Biu, inspirada no poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, é uma das primeiras composições de Petrônio, escrita em 1995. A faixa trata da acomodação de grupos sociais explorados pelas grandes corporações político-familiares do interior do Brasil.

Leveza
Com mais leveza, Voador e Desenhos de Nuvens conduzem o ouvinte por percursos interiores do compositor, baseados em lembranças da infância em Serra Talhada, sua cidade natal, no sertão pernambucano.
As duas canções também integram projetos cinematográficos de Petrônio: Desenhos de Nuvens faz parte da trilha de O Silêncio da Noite é que tem sido testemunha das minhas amarguras (2016), enquanto Voador integra Nascente, longa-metragem atualmente em produção. Ambos os filmes são dirigidos por Petrônio Lorena.
Parceria
Parceria com Juba Pires, trombonista da Orquestra Voadora, Cogumelo Secular surpreende ao apresentar personagens como um casal de duendes e um saci de três pernas. Por trás da aparência lúdica, a canção abriga uma letra de forte teor anti-imperialista, embalada por uma musicalidade de raiz celta em interpretação psicodélica.

Encerrando
Encerrando o EP, Chão de Caramelo é uma parceria com o compositor carioca Jeff Chagas. Escrita em 1998 e já gravada pela banda carioca Balaio, a faixa fecha o trabalho da mesma maneira que abre os shows de Petrônio e as Criaturas: como um ritual de chegada.
Revisitar
Sobre revisitar composições de diferentes períodos de sua trajetória, Petrônio reflete: “Os sentimentos permanecem, alguns a gente guarda e outros ficam sempre à vitrine. Acho que é isso que acontece quando a gente revisita a obra. É uma forma também de se ter uma dimensão do que o conjunto da obra representa.”
Sobre Petrônio Lorena
Petrônio Lorena é músico e cineasta. Paralelamente à trajetória com Petrônio e as Criaturas, desenvolve, desde 2004, uma carreira consolidada no cinema autoral como diretor e roteirista, com foco no documentário antropológico de linguagem experimental.

Composições
Suas composições e temas instrumentais integram projetos audiovisuais premiados no Brasil e no exterior, entre eles os longas-metragens O Silêncio da Noite é que tem sido testemunha das minhas amarguras (2016) e Sapato 36 (2021), ambos dirigidos por ele; Paterno (2025), de Marcelo Lordello; Flutuantes (2012), de Rodrigo Savastano; La Cama, da diretora argentina Mónica Lairana; e a série Ovos da Raposa (2019), de Valdir Oliveira.
O Poder