Deputado João Paulo comemora saldo positivo de empregos em Pernambuco
03/04/2024 - Jornal o Poder
Por setores
Em Pernambuco, o resultado foi positivo em dois dos cinco grandes grupos da atividade econômica avaliados. O destaque no estado foi o setor de serviços, que terminou o mês com um saldo de 5.057 vagas. A Construção também teve resultado positivo, com 682 postos criados. Na divisão por municípios, o Recife reuniu o maior saldo do período. Foram 2.639 novas vagas com carteira assinada, o que levou o estoque na capital pernambucana para quase 543 mil postos formais de trabalho. Na sequência dos cinco municípios com maior saldo aparecem Petrolina (+...

Por setores
Em Pernambuco, o resultado foi positivo em dois dos cinco grandes grupos da atividade econômica avaliados. O destaque no estado foi o setor de serviços, que terminou o mês com um saldo de 5.057 vagas. A Construção também teve resultado positivo, com 682 postos criados. Na divisão por municípios, o Recife reuniu o maior saldo do período. Foram 2.639 novas vagas com carteira assinada, o que levou o estoque na capital pernambucana para quase 543 mil postos formais de trabalho. Na sequência dos cinco municípios com maior saldo aparecem Petrolina (+676), Jaboatão dos Guararapes (+535), Garanhuns (+237) e Goiana (+230).

Por sexo e idade
No estado, os novos postos de trabalho foram ocupados, em sua maioria, por pessoas do sexo masculino (+3.158). Pessoas com ensino médio completo foram as principais atendidas (+3.169) com as vagas em Pernambuco. Jovens entre 18 e 24 anos também são o grupo com maior saldo de vagas: +3.427.
Nacional
João Paulo destaca que o Brasil registrou em fevereiro de 2024 uma forte ampliação do mercado formal de trabalho em comparação com janeiro. No segundo mês do ano foram gerados 306.111 postos com carteira assinada. Com os números registrados em janeiro e fevereiro, o Brasil acumula quase meio milhão de novas vagas formais de trabalho e chega a um saldo de 474.614 empregos gerados. " Esses números revelam um trabalho sério e uma política econômica voltada para quem realmente precisa", destaca o deputado.

Leia outras informações
É Findi - Flúvias Efêmeras - Por Poeta Tony Antunes de Palmares*
14/08/2026
Tengo no dengo dobrado,
Tungo no tango de ontem,
Toda tontura entorta-nus.
Vagos vagões da solidão,
Visgos sem adesão,
Vastos vieses de vista,
Vísceras expostas ao leu,
Vírus a decompor as vidas.
Fótons a clarear-se frio,
Fístulas fustigam brechas,
Fossas fissuram lajes,
Febre é fíbula de ossos.
Jaz na mente o vazio do nada,
Joga o destino demente(mente),
Jorge matou o dragão,
Mas não salvou ninguém.
*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras. @poetaprosador_tony_antunes
Tinhas dos bagos bociais,
Tengo no dengo dobrado,
Tungo no tango de ontem,
Toda tontura entorta-nus.
Vagos vagões da solidão,
Visgos sem adesão,
Vastos vieses de vista,
Vísceras expostas ao leu,
Vírus a decompor as vidas.
Fótons a clarear-se frio,
Fístulas fustigam brechas,
Fossas fissuram lajes,
Febre é fíbula de ossos.
Jaz na mente o vazio do nada,
Joga o destino demente(mente),
Jorge matou o dragão,
Mas não salvou ninguém.
*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras. @poetaprosador_tony_antunes

É Findi - Saudades! - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
14/08/2026
das priscas noites de outrora, ao luar!
Quando o alado vento trazia a brisa,
soprando das serras, adormecidos sorrisos!
Saudades do alegre cantar dos ventos,
seu sopro doce e leve e acariciante,
resvalando, sutil, em meu corpo insone,
atiçando a fogueira de meus sonhos!
Se negra a noite, brilhavam as estrelas;
o Cruzeiro do Sul era minha aquarela,
e o firmamento, a minha janela.
Os alvos luares do meu Sertão,
deles mais não usufruo — doce ilusão!
Restos de memórias, asilo, paixão!
Recife, 13/08/2026
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
Oh! Como sinto saudades do meu lar,
das priscas noites de outrora, ao luar!
Quando o alado vento trazia a brisa,
soprando das serras, adormecidos sorrisos!
Saudades do alegre cantar dos ventos,
seu sopro doce e leve e acariciante,
resvalando, sutil, em meu corpo insone,
atiçando a fogueira de meus sonhos!

Se negra a noite, brilhavam as estrelas;
o Cruzeiro do Sul era minha aquarela,
e o firmamento, a minha janela.
Os alvos luares do meu Sertão,
deles mais não usufruo — doce ilusão!
Restos de memórias, asilo, paixão!
Recife, 13/08/2026
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99

É Findi - Amor de Guerrilheira - Por Ina Melo*
14/08/2026
Aos dezoito anos, cursando Direito, Suzana decidiu entrar no grupo de Teatro da Facudade, o qual tinha por finalidade, ensinar a arte de viver com personagens e mundos diferentes. Foi daí que nasceram as duas mulheres que a acompanharam pela vida inteira! Vindo de uma tradicional e abastada família, desde cedo começou a lidar com tintas e pincéis, fazendo disso o seu “hobby”. Para surpresa de todos, escolheu fazer direito em vez de Artes Plásticas. Foi uma das primeiras alunas a se interessar pelo grupo teatral da Faculdade. Mas em vez de historinhas de Príncipes e Princesas, as peças eram tiradas dos Mestres da literatura mundial. Foi assim que nasceu a Guerrilheira Perfumada. Ela entregou-se de corpo e alma as lides políticas, fazendo parte dos movimentos contra a Ditadura Militar. Foi aí que teve a sua primeira e louca paixão, das muita viveu na sua longa vida. Rodolfo, com alguns anos a mais, era silencioso e o cabeça do Diretório. Nunca aceitou cargos, mas estava sempre presente. Aquele era o seu último ano. Um dia qualquer, chovia a cântaros e Susana, como sempre, depois das reuniões ia para o Bar dos Artistas, ao lado da Faculdade e lá se juntava aos homens e mulheres, essas consideradas “além do tempo” pois fumavam e bebiam e assim diferiam das moças bem comportadas. Eram quatro mulheres entre os homens. Ali todos se irmanavam, principalmente na subversividade! A tempestade caia forte com raios e trovões. Aos poucos as meninas foram se esgueirando, pois apesar da liberdade, tinham hora para chegar em casa. Susana aproveitou um grande estrondo e fugiu. Quando chegou no ponto do ônibus, as colegas tinham partido e ela toda molhada, esperava que passasse um táxi. Foi aí que ouviu o seu nome.
Reconheceu logo a voz forte e sensual de Rodolfo. Correu e entrou no carro tremendo de frio, pois estava molhada da cabeça aos pés. Sentiu que mãos fortes passavam suavemente pela sua face e cabelos. Foi assim que tiveram a primeira intimidade. Ainda com o carro parado, ele perguntou pra onde ela queria ir, se para sua casa ou para o Paraíso! Então ela o fitou com força e disse: claro, que prefiro o segundo. Saíram pela rua afora, até que chegaram as margens do rio. Quando ele desceu na garagem e abriu a porta como se fosse um cavalheiro de antigamente, foi que ela se deu conta que estava com a blusa de seda em cima da pele dourada. Desceu e caiu nos braços que lhe estavam abertos. Ali mesmo começaram as preliminares do que seria a mais longa noite das suas vidas. Subiram colados no elevador e no último andar entraram no apartamento escuro, iluminado apenas pelos relâmpagos! Depressa, tomaram uma dose de conhaque e foram sentar no grande sofá. Assim nasceu um amor que atravessou o tempo e o oceano. Quando o AI-5 foi promulgado e o Diretório desfeito e os seus membros presos, ela foi posta num avião junto com alguns amigos! Eram andarilhos procurados pelos militares. Passaram mais de um ano vivendo clandestinamente nas grandes Capitais europeias. Claro que ela e Rodolfo ficaram juntos, dessa vez, para conhecimento de todos. Aqueles dez anos foram vivenciados entre o medo e a paixão. Um dia, Rodolfo partiu para a Rússia para conhecer o Comunismo de perto. Assim, entre lágrimas e beijos, puseram a ideologia acima do amor. Quando Susana voltou, era uma mulher segura das suas ações e uma grande pintora! Um ano em Paris dedicado somente as artes plásticas, lhe valeu por uma vida inteira. Continuou firme na sua ideologia, mas dedicou-se inteiramente ao teatro! Foi assim que conheceu
um grande músico e apaixonaram-se. Ela então passou a ser a outra mulher que sempre manteve dentro de si.
Casou, teve filhos e manteve uma vida delicada a pintura, considerada forte e quase sempre “subversiva”. A família e os amigos sempre a questionavam como seria possível viver em mundos tão diferentes. Ela rindo respondia:
- o amor tem várias faces!
Depois de quase três décadas, voltou a ficar só, sendo que dessa vez foi aquela rival tão temida. A morte! Passando do meio século, caminhava para o entardecer da vida. Retomou suas atividades no Teatro e voltou a militar na política, essa a sua verdadeira paixão que, por amor deixara de lado. Numa das apresentações, eis que vê no palco, um velho conhecido da Faculdade. Recebeu-o emocionada e aceitou o convite para um reencontro com a turma, hoje todos sessentões. O ano era de eleições gerais e o País continuava dividido entre a Direita e a esquerda. Os tempos passaram mais tudo continuava como antes. Feliz por reencontrar os amigos, quando os abraçou sentiu que nada mudara, uns com alguns fios prateados e outros levemente calvos. Das mulheres, só ela seguiu rumo diferente. As outras três continuavam firmes e seguras lutando por um mundo melhor. Nessa noite todos entraram no túnel do tempo e encheram a cara de caipirinha e cerveja. Ainda bem, pensou. Nada mudara. Era quase madrugada quando Rodolfo chegou. A cabeça de Susana deu uma reviravolta ao vê-lo quase o mesmo homem do passado. Apenas a calvice estava mais acentuada e os cabelos prateados. Os olhares se cruzaram e ela sentiu as pernas tremerem como naquela noite de chuvas! Todo o álcool ingerido sumiu como num passe de mágica! As mãos se apertaram e o calor que lhe percorreu o corpo foi como se ontem voltasse depois de algumas décadas. As faces vermelhas de ambos, os denunciaram. A turma então, batendo palmas disse: beija! beija! beija! E foi assim que o amor e a paixão tomaram conta dos dois para sempre! Quem vai primeiro ninguém sabe, mas juntos eles vivem um novo Shangri-la! 08/2026
*Ina Melo, é jornalista. Publicou poemas, contos e crônicas na Revista de Cultura do Estado do Ceará e em diversas antologias como "Crônicas e contos inesquecíveis" e "Contistas do Terceiro Milênio". Graduada pela UFPE, com especialização em Antropologia Cultural, faz parte da Academia Internacional de Literatura e Artes. É autora dos livros: "Simone de Beauvoir - Mulher lúcida e livre", "Sonhos em dueto" e, pela Confraria do Vento, "Cartas de Paris". @inamelo2016

É Findi - Série Prédios Ícones de Pernambuco - Igreja dos Santos Cosme e Damião - Por Severino Ninho*
14/08/2026
Localizada no outeiro do Largo dos Santos Cosme e Damião, de estilo maneirista, a singela capela, atual Matriz dos Santos Cosme e Damião, foi erguida por ordem do militar português Capitão Afonso Gonçalves, em agradecimento a sucessos militares no confronto com os Caetés. Objeto de várias reformas, a capela dos Santos Cosme e Damião só viria a adquirir sua característica atual no século XVIII.
Arquitetura
Com influência barroca em seu interior, a igreja tem fachada simples, com torre e nave únicas, dois altares laterais e o altar-mor, sendo palco...
A povoação de Igarassu, com início em 1535, surgiu no alto das colinas, seguindo o modelo português de planejamento urbano, com foco no relevo acidentado e lógica na defesa militar. Dentre as primeiras construções do povoamento, destaca-se a igreja dos Santos Cosme e Damião, prestes a completar cinco séculos, sendo considerada o templo religioso mais antigo ainda em funcionamento no Brasil.
Localizada no outeiro do Largo dos Santos Cosme e Damião, de estilo maneirista, a singela capela, atual Matriz dos Santos Cosme e Damião, foi erguida por ordem do militar português Capitão Afonso Gonçalves, em agradecimento a sucessos militares no confronto com os Caetés. Objeto de várias reformas, a capela dos Santos Cosme e Damião só viria a adquirir sua característica atual no século XVIII.
Arquitetura
Com influência barroca em seu interior, a igreja tem fachada simples, com torre e nave únicas, dois altares laterais e o altar-mor, sendo palco anualmente no mês de setembro da festa dos padroeiros da cidade, os Santos Mártires Cosme e Damião.
É patrimônio nacional e estadual, protegido, respectivamente, pelo Decreto-lei 25/37 e pela Lei 7.970/1979.
*Severino Ninho de Souza Silva é advogado, formado pela Faculdade de Direito do Recife. Foi prefeito de Igarassu, secretário de Estado, vereador e deputado federal. Atualmente é Controlador-geral do Município de Igarassu. É membro da Academia de Cultura e Letras de Igarassu.

É Findi - Ingredientes - Por Marcelo Mário de Melo*
14/08/2026
arte de raposa
casco de tartaruga
pulo de gato.
Caldo de crítica
sumo de humor
pó de poesia.
Sal
pimenta
bolinhas de gude
fura-pneu
coquetel-molotov
pedra de David.
Olho na estrela
sinal à esquerda
bandeira vermelha
canto e ciranda.
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm
Voo de águia
arte de raposa
casco de tartaruga
pulo de gato.
Caldo de crítica
sumo de humor
pó de poesia.
Sal
pimenta
bolinhas de gude
fura-pneu
coquetel-molotov
pedra de David.
Olho na estrela
sinal à esquerda
bandeira vermelha
canto e ciranda.
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm

É Findi - Bela Viagem - Conto - Por AJ Fontes*
14/08/2026
No meio de toda livralhada a janela aberta parece uma pintura de um artista famoso carregada de folhas brilhantes que balançam devagar com o vento e enche o escritório com o cheirinho bom das rosas do jardim.
Enfiado na poltrona, lendo histórias de espadas ensanguentadas em alguma guerra entre Portugal e Holanda, arregalo os olhos seguindo o beija-flor que aparece na frente da página. Sigo as piruetas: para cima, para baixo, para um lado e... zummm.
Voa pela janela, esconde por traz da folha de onde surge um raio do sol. Uma bola de luz branca entra na minha cabeça e em um rebuliço toma conta do pescoço, desce pel...
Toda manhã, sentado na poltrona, folheio um livro escolhido de uma das estantes encostadas nas paredes, recheadas até o teto de volumes grossos como a bíblia, finos como uma folha de papel; de lombadas vermelhas, amarelas, pretas. Leio os que alcanço. Vovô diz que os outros, no alto, vou ler quando crescer e tiver cabeça para entender.
No meio de toda livralhada a janela aberta parece uma pintura de um artista famoso carregada de folhas brilhantes que balançam devagar com o vento e enche o escritório com o cheirinho bom das rosas do jardim.
Enfiado na poltrona, lendo histórias de espadas ensanguentadas em alguma guerra entre Portugal e Holanda, arregalo os olhos seguindo o beija-flor que aparece na frente da página. Sigo as piruetas: para cima, para baixo, para um lado e... zummm.
Voa pela janela, esconde por traz da folha de onde surge um raio do sol. Uma bola de luz branca entra na minha cabeça e em um rebuliço toma conta do pescoço, desce pelo peito, braços, barriga, pernas.
Um estalo seco, e os pelos do corpo arrepiam. Flutuando naquela imensidão branca não ouço o vento, nem o coração. Mergulho entre bolas transparentes azuis, vermelhas, amarelas faiscantes e logo segue alguma coisa parecida com a aurora boreal. Sou envolvido por ondas verdes, laranjas, roxas, amarelas que interferem nas bolas que, por sua vez, inflam chegando a uma explosão: branca e silenciosa.
Não viajo mais. Eu flutuo. Só. Quieto.
O corpo muda. Não a forma, mas me sinto mais leve. Sinto, mas parece que desapareço. Invisível? Os contornos existem. Vejo quando passo a mão na frente dos olhos.
Prendo a respiração novamente quando surgem as folhas verdes na janela; as paredes, os livros, a poltrona. Mas, não vejo. Na verdade, eu tenho certeza de que estão no lugar, que estou sentado e o livro na mesinha do lado, apenas não preciso ver ou tocar, cheirar, ouvir para saber que estão aqui.
Que sonho legal! Um sonho? Ai! O beliscão no braço dói. Encho os pulmões de ar quando inspiro e percebo ele passar pela garganta, seguindo até os pulmões.
Menino invisível! Será? Dou um giro no corpo e vejo tudo invisível. Engraçado, estou no meio do nada e sei de tudo: sei onde estou, sei do livro ao lado, dos fios de algodão do tapete.
A luz entra pela janela e se espalha. Não vem do sol. É uma luz difusa.
Acho que já tenho cabeça para entender os livros das prateleiras mais altas da estante. Inclusive, uso palavras e maneira de falar idênticas às de vovô. A história da Terra acontecida até hoje e indo adiante, chegando ao ano de 2975, não são novidade para mim. Refiro-me ao ano para me situar temporalmente, da forma que fazemos agora quando nos encontramos em um determinado espaço e um determinado tempo.
Escolho um tema: o desenvolvimento biológico do humano, as conquistas; o Bóson de Higgs, a “partícula de Deus”. Só sei que sei.
Ultrapassando o atual, percebo as mudanças biológicas nos levar ao estágio quando o corpo físico será “invisível”. Este, será um estágio anterior ao espalhamento energético, quando não mais haverá a singularidade chamada de indivíduo.
Relaxo, descanso os braços, sinto a poltrona.
- Paulinho! Cadê você?
Abro os olhos, vejo o livro na mesinha, a janela e o raio do sol aparecendo no balanço da folha lá fora.
- Vai ou não vai jogar?
Suspiro e sorrio quando o beija-flor pousa no meu ombro, encosta o bico no meu rosto e voa pela janela.
Pela primeira vez fui o herói da partida. Fiz todos os gols e driblei os melhores do time da rua de trás da nossa. Puxa!
Algo mudou. Acho que eu vejo as coisas diferentes. Até consigo entender uma frase de um dos livros do alto.
Ninguém entra duas vezes no mesmo rio.
*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes

É Findi - Os Leiteiros - Crônica - Por Malude Maciel*
14/08/2026
Assim, de quando em vez, aparece doença que o ser humano vai driblando sem os recursos necessários pois, as vacinas nem sempre estão prontas ao combate das epidemias.
São muitas as mudanças dos costumes
Pensando nisso, recordo dos leiteiros que entregavam, diariamente nas residências, o...
Bem recentemente, mais precisamente em 2021, vivemos a crise do coronavírus que foi um verdadeiro horror, uma feroz batalha contra uma doença que trouxe novidades para as quais a medicina não estava preparada e nós, leigos, lutamos de todas as formas, pra escapar da pandemia que ceifou inúmeras vidas prematuramente. Tivemos a obrigação, mais do que nunca, de redobrar a limpeza geral em nossas casas, onde ficamos reclusos, sem saber o que fazer. Isso me fez lembrar o ano de 1956, quando tivemos por aqui a chamada: gripe asiática que também fez suas vítimas fatais. Mesmo sendo uma criança fui acometida da mesma e todos nós sofremos muito com a maldita.
Assim, de quando em vez, aparece doença que o ser humano vai driblando sem os recursos necessários pois, as vacinas nem sempre estão prontas ao combate das epidemias.
São muitas as mudanças dos costumes
Pensando nisso, recordo dos leiteiros que entregavam, diariamente nas residências, o leite de vaca vindo das fazendas circunvizinhas. Eles chegavam nos jumentos, transportando baldes com o produto nas cangalhas dos animais e gritavam às portas: "olha o leite!"
As donas de casa ou serviçais, corriam com uma vasilha pra recolher a preciosidade que, apesar de ser fervido posteriormente, esse leite ficava muito a desejar em higienização.
Já havia entrega a domicílio
Tudo era precário naquele trabalho, nenhum critério nem as prudências necessárias contra transmissão de doenças. Nem os patrões nem empregados possuíam educação e orientações a respeito desse fator. E, ainda havia os desonestos que colocavam água, até suja, nos tambores para levar vantagem na quantidade vendida. Sabe-se como é, em todo tempo e lugar houve corrupção.
Enfim a fiscalização
Quando chegou a vigilância sanitária com a fiscalização acirrada devido à epidemia, foi um deus nos acuda! Um rebuliço total. Pernas pra que te quero? Era gente correndo, se escondendo, deixando de fazer as entregas e consequentemente, famílias privadas do leitinho das crianças.
Observação
Muitas ocasiões, víamos, da janela, fiscais derramarem na rua, litros e mais litros de água branca, o chamado: leite batizado, por não passar no teste. Fazia pena porque era um desperdício, mas como haviam falsificado, era justo que acontecesse, sendo a freguesia prejudicada. Mesmo numa grita feroz.
Atualmente
Os jovens não sabem o que seja um leiteiro com um animal relinchando logo cedo, toda manhã, à porta dos clientes, o que era até uma distração para a criançada.
O leite, hoje, é vendido empacotado em saquinhos plásticos, nos mercados, como também em caixinhas de papelão, embora não se saiba das origens de armazenamento e da química usada para duração. Além do leite em pó, industrializado.
Corremos o mesmo risco.
Superação
A pandemia passou. Foram mortes e sofrimentos aos milhares em todo o mundo. Mas, as sequelas ficaram e muita gente sofre as consequências. Todas as forças do bem procuram amenizar os prejuízos de ordens diversas: físicas, materiais, mentais, espirituais, emocionais, financeiras, etc.
O universo pede ajuda ao seu Criador. Ele, com certeza, atenderá as nossas preces.
E, a vida continua.
Assim caminha a humanidade.
Profa. Sinhazinha
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel

É Findi - Série História de Pernambuco - Maurício de Nassau: entre a Companhia e Pernambuco - Por Alfredo Cabral de Melo*
14/08/2026
Quando Maurício de Nassau chegou ao Recife, em 1637, não encontrou uma terra à espera de um novo governante. Encontrou uma conquista em guerra, uma economia açucareira debilitada e uma sociedade que os holandeses precisavam governar. Sua missão estava ligada à consolidação do domínio da Companhia das Índias Ocidentais e à recuperação de uma economia indispensável à própria sobrevivência do projeto colonial.
Era preciso, portanto, fazer a conquista funcionar. Mas a realidade que Nassau encontrou exigia mais do que a simples retomada da produção dos engenhos. Era necessário administrar proprietários locais, organizar a defesa, garantir o abastecimento, restabelecer a circulação de mercadorias e dar ao Recife condições para exercer o papel de centro político e comerc...
Enviado para consolidar o domínio holandês, Nassau encontrou uma capitania marcada pela guerra e acabou protagonizando um período de profundas transformações administrativas, urbanas e culturais.
Quando Maurício de Nassau chegou ao Recife, em 1637, não encontrou uma terra à espera de um novo governante. Encontrou uma conquista em guerra, uma economia açucareira debilitada e uma sociedade que os holandeses precisavam governar. Sua missão estava ligada à consolidação do domínio da Companhia das Índias Ocidentais e à recuperação de uma economia indispensável à própria sobrevivência do projeto colonial.
Era preciso, portanto, fazer a conquista funcionar. Mas a realidade que Nassau encontrou exigia mais do que a simples retomada da produção dos engenhos. Era necessário administrar proprietários locais, organizar a defesa, garantir o abastecimento, restabelecer a circulação de mercadorias e dar ao Recife condições para exercer o papel de centro político e comercial da colônia.
É nesse ponto que começa a singularidade de seu governo. Nassau não deixou de ser um administrador de uma empresa colonial, nem os interesses da Companhia desapareceram. Mas, ao tentar consolidar o domínio neerlandês, promoveu ou apoiou transformações que ultrapassaram a dimensão imediata da produção açucareira.
O Recife é talvez o exemplo mais visível. Durante seu governo, a Ilha de Antônio Vaz recebeu um novo núcleo urbano, a Cidade Maurícia, associado a um projeto de ocupação que envolveu ruas, edifícios, pontes e espaços de administração. Foram construídos os palácios de Vrijburg e da Boa Vista, enquanto pontes passaram a ligar áreas que dependiam de deslocamentos mais difíceis. A reorganização urbana respondia, ao mesmo tempo, às necessidades de circulação, habitação, administração e afirmação do poder neerlandês.
Não se tratava, portanto, simplesmente de embelezar a cidade. Recife precisava funcionar melhor para uma colônia que pretendia ser economicamente viável. A urbanização fazia parte da própria organização do poder.
Mas talvez nenhuma dimensão do período tenha deixado uma marca tão duradoura quanto a produção de conhecimento e imagens sobre o Brasil. Nassau trouxe consigo artistas, naturalistas, cartógrafos, engenheiros e outros especialistas. Frans Post registrou paisagens, construções e cenas do território; Albert Eckhout produziu imagens de habitantes, animais e plantas; Georg Marcgrave e Willem Piso dedicaram-se à observação e descrição da natureza. A Biblioteca Nacional identifica nesse conjunto uma produção cartográfica e iconográfica excepcional para o período.
Pernambuco passou, assim, a ser observado e representado de maneira sistemática. As imagens produzidas durante o período contribuíram para formar, na Europa, uma das primeiras representações visuais amplas da paisagem e da sociedade do Brasil. Não eram registros neutros ou fotografias antecipadas, mas, eram obras produzidas a partir do olhar, dos conhecimentos e dos interesses de seu tempo. Ainda assim, constituem uma documentação extraordinária sobre aquele mundo colonial.
Essa dimensão cultural, entretanto, não deve fazer esquecer a realidade sobre a qual o governo de Nassau estava assentado. A economia continuava dependente da produção açucareira e do trabalho escravizado. A própria expansão neerlandesa para Angola esteve relacionada à necessidade de garantir mão de obra para os engenhos, aspecto que Evaldo Cabral de Mello destaca ao analisar a experiência nassoviana.
Também havia limites políticos e econômicos. Nassau governava em nome da Companhia das Índias Ocidentais, e os interesses de um administrador que precisava estabilizar a colônia nem sempre coincidiam perfeitamente com os interesses de uma companhia comercial interessada em resultados. Sua administração, por isso, deve ser entendida dentro dessa tensão: era preciso recuperar Pernambuco, mas também fazê-lo produzir e remunerar o investimento realizado na conquista.
É justamente por isso que sua passagem pelo Brasil não pode ser resumida nem à imagem do administrador visionário que teria transformado Pernambuco, nem à de um simples funcionário da Companhia. Nassau chegou com uma missão definida. Ao exercê-la, porém, encontrou uma sociedade complexa e participou de uma experiência que deixou marcas na administração, na paisagem urbana, na produção artística e no conhecimento sobre o território.
Quando deixou Pernambuco, em 1644, a conquista holandesa ainda estava longe de representar um projeto consolidado. A recuperação da economia não havia apagado as dificuldades acumuladas desde a invasão e, como observa Evaldo Cabral de Mello, nem mesmo durante o período de maior expansão sob Nassau a produção açucareira alcançou o nível existente antes de 1630.
O legado de Nassau, portanto, é maior e mais contraditório do que a imagem tradicional das pontes, dos palácios e das pinturas. Ele foi um administrador de uma potência colonial, responsável por uma ocupação militar e econômica, mas também esteve à frente de um período em que Pernambuco foi urbanizado, estudado, cartografado e representado de uma maneira inédita.
Talvez seja justamente essa combinação que explique a permanência de Nassau na memória pernambucana. Ele não transformou Pernambuco sozinho, nem a ocupação holandesa se resumiu a ele. Mas, durante os sete anos de seu governo, a conquista deixou de ser apenas uma guerra pela posse do açúcar e passou a produzir também uma experiência urbana, artística e científica que continuaria a ser lembrada muito depois da saída dos holandeses.
Na próxima semana: a experiência de Nassau chegou ao fim, mas os problemas que ele tentou administrar permaneceram. O que aconteceu depois de sua partida e por que a relação entre os senhores de engenho e a Companhia das Índias Ocidentais se tornou cada vez mais difícil? A resposta nos aproxima do início da Restauração Pernambucana.
*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo

É Findi – Cem Formiguinhas - Croniqueta - Por Xico Bizerra*
14/08/2026
À beira de um formigueiro,
Num domingo alvissareiro:
Foi conversa sem esparros.
No lugar não tinha carros.
Um caminho das antigas,
Avenida das formigas,
Distante das coisas más,
Longe dos tamanduás,
Sem formicidas ou brigas
Se ainda espaço houver nessa estrada de areia branquinha darei boas vindas às cem formiguinhas que se achegam para passear por onde passeia o sol, o vento e a lua. No mesmo lugar por onde passa a luz vou ter todo o cuidado de desviar de cada uma delas, alegrantes passeadoras, para não lhes machucar. Elas, algumas com folhas em suas bocas, andarão a passos lentos junto às flores do meu jardim. A lhes fazer companhia, borboletas com suas mil e uma cores para alegrar todos os caminhos. Tamanduás, longe, sonham delirantes sonhos, pesadelos terríveis, por distantes que estão do formigueiro, formicidas que são. Deus salve as inofensivas formiguinhas!
Sonhei com Manoel de Barros
À beira de um formigueiro,
Num domingo alvissareiro:
Foi conversa sem esparros.
No lugar não tinha carros.
Um caminho das antigas,
Avenida das formigas,
Distante das coisas más,
Longe dos tamanduás,
Sem formicidas ou brigas
Se ainda espaço houver nessa estrada de areia branquinha darei boas vindas às cem formiguinhas que se achegam para passear por onde passeia o sol, o vento e a lua. No mesmo lugar por onde passa a luz vou ter todo o cuidado de desviar de cada uma delas, alegrantes passeadoras, para não lhes machucar. Elas, algumas com folhas em suas bocas, andarão a passos lentos junto às flores do meu jardim. A lhes fazer companhia, borboletas com suas mil e uma cores para alegrar todos os caminhos. Tamanduás, longe, sonham delirantes sonhos, pesadelos terríveis, por distantes que estão do formigueiro, formicidas que são. Deus salve as inofensivas formiguinhas!
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico

É Findi – Clube Português do Recife - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*
14/08/2026
Assim no dia 14 de dezembro de 1934, às 20:30 horas, com a ilustre presença do interventor Carlos de Lima Cavalcanti, nasceu essa Entidade cujo o nome não poderia ser outro: Clube Português do Recife trazendo as cores da Bandeira Lusitana, verde e vermelha.
Hoje o Clube Português encontra-se entre os maiores instituições Sociais do País, participando, com brilhantismo singular, das festividades juninas e carnavalescas e revivendo as tradições portuguesas e nordestinas, que a cada ano se tornam maiores em alegria e frequência.
Rivalizava com o Clube Internacional nas festas Carnavalescas chegando a suplantá-lo a partir da década de 1970, tendo como festejo mais marcante o Baile Municipal, forçando o...
Conforme dados fornecidos por aquela entidade social em documento subscrito pelo então Presidente Carlos Alberto Costa, o estreitamento das relações das comunidades brasileira e portuguesa motivou, em boa hora, a criação de um grande Clube.
Assim no dia 14 de dezembro de 1934, às 20:30 horas, com a ilustre presença do interventor Carlos de Lima Cavalcanti, nasceu essa Entidade cujo o nome não poderia ser outro: Clube Português do Recife trazendo as cores da Bandeira Lusitana, verde e vermelha.
Hoje o Clube Português encontra-se entre os maiores instituições Sociais do País, participando, com brilhantismo singular, das festividades juninas e carnavalescas e revivendo as tradições portuguesas e nordestinas, que a cada ano se tornam maiores em alegria e frequência.
Rivalizava com o Clube Internacional nas festas Carnavalescas chegando a suplantá-lo a partir da década de 1970, tendo como festejo mais marcante o Baile Municipal, forçando o seu rival a protagonizar o não menos famoso "Bal Masquê" ao representar a Colônia Lusitana em Pernambuco deixou famosa, também, as suas atividades esportivas com destaque para o Hóquei em Patins e Natação.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras e Sócio Benemérito do IAHGP.
