Deputado João Paulo comemora saldo positivo de empregos em Pernambuco
03/04/2024 - Jornal o Poder
Por setores
Em Pernambuco, o resultado foi positivo em dois dos cinco grandes grupos da atividade econômica avaliados. O destaque no estado foi o setor de serviços, que terminou o mês com um saldo de 5.057 vagas. A Construção também teve resultado positivo, com 682 postos criados. Na divisão por municípios, o Recife reuniu o maior saldo do período. Foram 2.639 novas vagas com carteira assinada, o que levou o estoque na capital pernambucana para quase 543 mil postos formais de trabalho. Na sequência dos cinco municípios com maior saldo aparecem Petrolina (+...

Por setores
Em Pernambuco, o resultado foi positivo em dois dos cinco grandes grupos da atividade econômica avaliados. O destaque no estado foi o setor de serviços, que terminou o mês com um saldo de 5.057 vagas. A Construção também teve resultado positivo, com 682 postos criados. Na divisão por municípios, o Recife reuniu o maior saldo do período. Foram 2.639 novas vagas com carteira assinada, o que levou o estoque na capital pernambucana para quase 543 mil postos formais de trabalho. Na sequência dos cinco municípios com maior saldo aparecem Petrolina (+676), Jaboatão dos Guararapes (+535), Garanhuns (+237) e Goiana (+230).

Por sexo e idade
No estado, os novos postos de trabalho foram ocupados, em sua maioria, por pessoas do sexo masculino (+3.158). Pessoas com ensino médio completo foram as principais atendidas (+3.169) com as vagas em Pernambuco. Jovens entre 18 e 24 anos também são o grupo com maior saldo de vagas: +3.427.
Nacional
João Paulo destaca que o Brasil registrou em fevereiro de 2024 uma forte ampliação do mercado formal de trabalho em comparação com janeiro. No segundo mês do ano foram gerados 306.111 postos com carteira assinada. Com os números registrados em janeiro e fevereiro, o Brasil acumula quase meio milhão de novas vagas formais de trabalho e chega a um saldo de 474.614 empregos gerados. " Esses números revelam um trabalho sério e uma política econômica voltada para quem realmente precisa", destaca o deputado.

Leia outras informações
Novidade: E-Título agora poderá ser baixado até final do 2º Turno e emitir várias certidões para os usuários
26/09/2026
Segundo o ministro presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, a infraestrutura aprimorada permitirá a emissão, pelo e-Título, do título de eleitor, certidões eleitorais, justificativa da ausência às urnas e inscrição como mesário voluntário.
Mais serviços em um único ambiente
A nova versão do aplicativo também reúne mais serviços em um único ambiente, como a quitação de débitos por pix ou cartão. A inovação permite que a Justiça Eleitoral se comunique diretamente com o eleitorado por meio de notificações no celular.
“Quanto mais serviços di...
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou uma novidade que vai ajudar muitos brasileiros durante as eleições deste ano. A partir de agora, o aplicativo e-Título poderá ser baixado no dia da votação, tanto no 1º quanto no 2º turno. Além disso, haverá concentração de esforços de técnicos da área de Tecnologia da Informação (TI) para garantir o funcionamento estável do aplicativo.
Segundo o ministro presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, a infraestrutura aprimorada permitirá a emissão, pelo e-Título, do título de eleitor, certidões eleitorais, justificativa da ausência às urnas e inscrição como mesário voluntário.
Mais serviços em um único ambiente
A nova versão do aplicativo também reúne mais serviços em um único ambiente, como a quitação de débitos por pix ou cartão. A inovação permite que a Justiça Eleitoral se comunique diretamente com o eleitorado por meio de notificações no celular.
“Quanto mais serviços digitais oferecemos, maior é a nossa responsabilidade de garantir que eles estejam disponíveis quando o eleitorado deles precisar. Nossa equipe manterá uma sala de prontidão até que se ultimem as eleições no dia 25 de outubro, para que possamos acompanhar de perto o funcionamento do e-Título”, frisou o ministro presidente.
Identificação rápida
“A ideia é concentrar as equipes técnicas e permitir uma rápida identificação de algum eventual problema, uma responsividade maior, tudo no sentido de prover serviço cada vez melhor para a eleitora e para o eleitor brasileiros”, explicou o secretário de Tecnologia da Informação (STI) do TSE, Júlio Valente.
O espaço também contará com profissionais das áreas técnica, de negócio, de suporte, banco de dados e segurança. “Hoje o aplicativo é utilizado por mais de 60 milhões de pessoas, então ele demanda uma equipe que precisa ser rápida e que permita que tenhamos respostas eficientes para conseguir atender o eleitorado”, pontuou a assessora-chefe de Gestão de Identificação (AGI) da Corte, Marília Loyola.
As aventuras de Cacimba 60 — O mistério do apito da meia-noite e o cofrinho da capela, por Zé da Flauta*
26/09/2026
Sem saber para onde correr, o delegado apontou o dedo para o alvo mais fácil: o jovem sacristão, um rapaz simples e de boa índole, que passou a ser olhado de lado pela cidade. A injustiça já estava engatilhada quando Mestre Cacimba resolveu intervir.
— Deixem o menino em paz, disse Cacimba na porta da igreja.
— A verdade não costuma gritar na praça, ela se esconde nas frestas. E para achar o que tá escondido, eu tenho dois ajudantes que não deixam passar nada.
Naquela mesma tarde, Simão entrou na capela silenciosa. Ajeitou os óculos redondos no focinho e sacou a ca...
A capela de Carnaúba Seca andava sob uma nuvem pesada de desconfiança. Toda semana, a arrecadação de moedas destinada às obras do asilo dos velhinhos desaparecia sem deixar rastro. O mistério deixava o povo de cabelo em pé: a porta de maçaranduba continuava trancada por dentro com tranca de ferro, as janelas de sucupira intocadas e o sacrário sem um único arranhão.
Sem saber para onde correr, o delegado apontou o dedo para o alvo mais fácil: o jovem sacristão, um rapaz simples e de boa índole, que passou a ser olhado de lado pela cidade. A injustiça já estava engatilhada quando Mestre Cacimba resolveu intervir.
— Deixem o menino em paz, disse Cacimba na porta da igreja.
— A verdade não costuma gritar na praça, ela se esconde nas frestas. E para achar o que tá escondido, eu tenho dois ajudantes que não deixam passar nada.
Naquela mesma tarde, Simão entrou na capela silenciosa. Ajeitou os óculos redondos no focinho e sacou a caderneta. Inspecionou o chão de tijolo queimado polegada por polegada até parar perto do altar. Com a ponta do lápis, apontou para uma mancha quase imperceptível de graxa e fuligem no parapeito da janela do alto. Anotou a altura, o diâmetro da marca e fez um desenho minucioso.
Ao lado dele, Sebastião não usava os olhos, mas os ouvidos. Com a cabeça inclinada, o macaquinho escutava o ranger das madeiras e o vento soprar pelas paredes de taipa.
Na calada da noite, a equipe ficou de tocaia. Perto da meia-noite, o apito do trem de carga ecoou ao longe, fazendo a estrutura de madeira da igreja tremer de leve. Foi nesse exato momento que Sebastião deu um pulo. Com seu ouvido apurado de tocador de triângulo, ele percebeu um som diferente: um arranhar abafado vindo de uma pequena falha na alvenaria, bem acima do altar.
Com a agilidade de um raio, Sebastião escalou os caibros do telhado e descobriu o truque: alguém do lado de fora havia introduzido um furão adestrado por um buraco secreto na parede. O bicho descia com um pequeno ímã de alto-falante preso ao pescoço, "pescando" as moedas metálicas de dentro da caixa sem precisar arrombar nada!
Do lado de fora, no escuro do beco, o feitor da obra do asilo recolhia o bicho e o saco cheinho de moedas. Antes que o vigarista desse o primeiro passo para fugir, Sebastião deu uma batida seca e retumbante no triângulo! O som ecoou na noite feito um trovão, fazendo o sujeito dar um pulo de susto e deixar cair a lanterna.
Simão saltou do telhado direto no ombro do feitor, agarrando a linha de seda usada para guiar o animal, enquanto Mestre Cacimba e o delegado saíam da penumbra.
— A conta não bate para o seu lado, doutor — disse Cacimba, enquanto Simão mostrava a caderneta aberta. As anotações de data, hora e o tipo de graxa encontrado na janela batiam perfeitamente com a oficina do feitor.
O sacristão foi inocentado sob os aplausos emocionado do povo. Como punição e lição de vida, o feitor foi condenado a trabalhar de graça na reforma do asilo até o último tijolo ser assentado.
No fim da tarde, o povo celebrou na praça. Simão ganhou um lápis novo de presente para continuar suas anotações, e Sebastião fez a festa acompanhando o pífano de Mestre Cacimba no seu triângulo bem afinado, garantindo que em Carnaúba Seca a justiça sempre encontra o seu tom.
*Zé da Flauta é músico, compositor, filósofo e escritor.

Executivos das três esferas de poder, PF e Justiça eleitoral concluem últimas etapas de plano estratégico para as Eleições 2026
26/09/2026
Por óbvio, muitas ações programas podem passar por alterações, a depender dos acontecimentos observados nos próximos dias, mas o plano geral, segundo os coordenadores, já está totalmente estruturado. O objetivo é garantir votações tranquilas tanto no próximo dia 4 de outubro, como no dia 25, quando será realizado o segundo turno do pleito.
Na reunião, que contou com cerca de 253 integrantes (realizada de forma remota), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que “a democracia se fortalece quando a cidadã e o cidadão têm assegurado o dire...
Representantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, de instituições da sociedade civil empenhadas no fortalecimento da democracia, de governos estaduais e municipais e da Polícia Federal realizaram, nesta sexta-feira (25/09) a última reunião para concluir, nos próximos dias, toda a estrutura de segurança dentro da atuação conjunta com vistas às eleições.
Por óbvio, muitas ações programas podem passar por alterações, a depender dos acontecimentos observados nos próximos dias, mas o plano geral, segundo os coordenadores, já está totalmente estruturado. O objetivo é garantir votações tranquilas tanto no próximo dia 4 de outubro, como no dia 25, quando será realizado o segundo turno do pleito.
Na reunião, que contou com cerca de 253 integrantes (realizada de forma remota), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que “a democracia se fortalece quando a cidadã e o cidadão têm assegurado o direito de participar da vida pública em um ambiente de liberdade, respeito e segurança”.
Enfrentamento dos crimes eleitorais
Ao reconhecer e agradecer a atuação da Polícia Federal nas Eleições 2026, Nunes Marques destacou a relevância desse trabalho de planejamento para o país.
Especialmente na definição das ações de segurança, no enfrentamento dos crimes eleitorais, no combate às diversas formas de violência e na preservação das condições necessárias para que o processo eleitoral “transcorra com normalidade, segurança e pleno respeito à Constituição e às leis da República”.
Como de praxe, a reunião é realizada sempre uma semana antes das eleições, como parte da preparação para o pleito. E como aconteceu em eleições anteriores, contou com a participação de profissionais que atuam em diferentes etapas.
Planejamento operacional
Desde o planejamento operacional de segurança para o dia da votação até a apuração de crimes eleitorais, cibernéticos e de ódio, além de ações de análise, inteligência e enfrentamento do crime organizado no contexto eleitoral.
O encontro contou com a presença do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues; o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Dennis Cali; superintendentes regionais da PF; bem como delegadas e delegados Regionais de Polícia Judiciária (DRPJs), responsáveis pela coordenação do Planejamento Operacional nos estados.
Delegados e delegadas de todo o país
Participaram, também, delegadas e delegados Federais que atuam na apuração dos crimes eleitorais, a cargo das Delegacias de Defesa Institucional (DELINSTs), nas Superintendências Regionais da PF, e das Delegacias Descentralizadas; delegadas e delegados das Delegacias de Repressão a Crimes Cibernéticos (DELECIBERs).
Além de coordenadores das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), forças-tarefas permanentes criadas pelo MJSP, em cooperação com órgãos estaduais e federais, para atuar de forma coordenada contra o crime organizado; e chefes de Inteligência da Polícia Federal.
Desafios próprios a cada eleição
Segundo o presidente do TSE, cada eleição apresenta desafios próprios e o próximo pleito não será diferente. “Todos estamos vivendo em um período de profundas transformações tecnológicas, marcado pela crescente popularização da inteligência artificial e por novas dinâmicas de produção e circulação da informação”, frisou.
“São avanços que trazem benefícios inegáveis à sociedade, mas que também impõem às instituições públicas o permanente desafio de acompanhar as mudanças e atuar de forma coordenada para proteger a integridade do processo eleitoral”, afirmou o ministro.
— Por HJur
Números do exterior surpreendem nestas eleições: 1 milhão de brasileiros vão votar de 134 países
26/09/2026
De todos os números que surpreendem nestas eleições, um dos que mais chama a atenção é referente à quantidade de brasileiros que estão no exterior e se cadastraram para votar para presidente. São quase 1 milhão de pessoas ou, mais precisamente, 918.876 eleitores distribuídos por 134 países.
Apesar de, percentualmente, esse número corresponder a pouco mais de 0,5% do total de cerca de 158,7 milhões de eleitores do país, avaliadores políticos internacionais apontam para uma reafirmação do sentimento de brasilidade dessas pessoas. E, também, a vontade de participarem do destino do Brasil, onde nasceram.
Número que só aumenta
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Justiça eleitoral, o eleitorado no exterior vem crescendo ano a ano. Entre 2010 e 2026, o aumento foi de 358%. Em 2010, eram cerca de 210 mil os eleitores habilitados residentes fora do Brasil. Eem 2014, e...
Da redação
De todos os números que surpreendem nestas eleições, um dos que mais chama a atenção é referente à quantidade de brasileiros que estão no exterior e se cadastraram para votar para presidente. São quase 1 milhão de pessoas ou, mais precisamente, 918.876 eleitores distribuídos por 134 países.
Apesar de, percentualmente, esse número corresponder a pouco mais de 0,5% do total de cerca de 158,7 milhões de eleitores do país, avaliadores políticos internacionais apontam para uma reafirmação do sentimento de brasilidade dessas pessoas. E, também, a vontade de participarem do destino do Brasil, onde nasceram.
Número que só aumenta
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Justiça eleitoral, o eleitorado no exterior vem crescendo ano a ano. Entre 2010 e 2026, o aumento foi de 358%. Em 2010, eram cerca de 210 mil os eleitores habilitados residentes fora do Brasil. Eem 2014, esse contingente subiu para 354 mil; em 2018, chegou a 500 mil; e, em 2022, a quase 700 mil, subindo a cerca de mais 300 mil pessoas este ano.
Para a eleição de 2026, o Itamaraty, em conjunto com organizações internacionais e o próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se mobilizaram para a instalação de seções eleitorais em 186 cidades no exterior. Tais locais funcionarão, principalmente, em consulados e embaixadas brasileiras, mas também poderão ser montados em escolas, hotéis e outros espaços.
Mulheres e solteiros são prioridade
Segundo apontam as estatísticas, as mulheres representam 57% do eleitorado brasileiro no exterior, enquanto os homens somam 43%. Entre o estado civil, os solteiros são maioria, com 52%, seguidos pelos casados, com 42%; divorciados, 6%; e viúvos, 1%. O cadastro eleitoral registra ainda 6.614 pessoas com deficiência, o equivalente a 0,72% desse eleitorado.
Quanto à escolaridade, 38% dos eleitores residentes no exterior têm ensino superior completo, o maior percentual entre os níveis de instrução. Os que concluíram o ensino médio são 29%, enquanto os com ensino superior incompleto somam 13%. Na sequência aparecem os que têm ensino médio incompleto, com 10%; ensino fundamental completo, com 5%; ensino fundamental incompleto, com 3%; e os que apenas sabem ler e escrever, com 1%.
EUA, Portugal e Japão
Entre os países com mais eleitores brasileiros no cadastro estão Estados Unidos, com 265,4 mil; Portugal, com 134,7 mil; Japão, com 88,3 mil; Canadá, com 46,4 mil; e Alemanha, com 41,5 mil. O maior grupo etário é formado por eleitores de 40 a 44 anos, seguido pelas faixas de 45 a 49 anos e de 35 a 39 anos.
Eleitores que estiverem no exterior no dia da votação e não comparecerem às urnas poderão justificar a ausência em uma das mesas receptoras de votos instaladas fora do país ou pelo aplicativo e-Título. Segundo o TSE, não haverá mesas exclusivas para justificativa, e o procedimento presencial poderá ser feito apenas nas mesas que funcionarem com urna eletrônica.
— Com Agência Brasil
TV Record desmascara - Raquel Teixeira Lyra diz que é contra bets. Mentira - Tem patrocínio e parceria para operar "Gabinete do Ódio
26/09/2026
Amanhã
Amisadai Andrade dá novos detalhes sobre esquema de ataques a João Campos e diz que, além dos pagamentos por meio de verbas de publicidade do governo do Estado, também recebe sem registro legal, em dinheiro vivo, pelos serviços. Outro braço da estrutura envolve pagamentos por pix, feitos pela advogada de uma...
Confira: Em novo vídeo, suposto operador do “gabinete do ódio” de Raquel Teixeira Lyra relata como funcionam pagamentos do esquema: “a gente já recebeu até em caixa de charuto”. Incrível. E nos últimos dias, a governadora jurou de pés juntos que "sempre" foi contra bets e "nunca aceitaria patrocínio de bets". Mentira. Supostamente, tinha parceria com a Aposta Ganha, que pagava o assim denominado 'Gabinete do Ódio". E sem supostamente, porque essa está mais do que provada, os ônibus do Grande Recife tráfego com propagandas autorizadas pelo primo André Teixeira. Além do patrocínio do São João de Caruaru. Haja paciência com tanta mentira.
Amanhã
Amisadai Andrade dá novos detalhes sobre esquema de ataques a João Campos e diz que, além dos pagamentos por meio de verbas de publicidade do governo do Estado, também recebe sem registro legal, em dinheiro vivo, pelos serviços. Outro braço da estrutura envolve pagamentos por pix, feitos pela advogada de uma bet, para comentários contra Campos na internet.
A notícia
Em reportagem a ser exibida em rede nacional neste domingo (27/09) pela TV Record, Amisadai Andrade da Silva - tido como operador de um esquema de ataques na internet, e que seria financiado com dinheiro público do governo de Pernambuco na gestão Raquel Lyra (PSD) - relata detalhes de como funciona a estrutura dedicada a, na palavras dele, “desidratar” o ex-prefeito do Recife e candidato ao governo João Campos (PSB). Nomeado pela própria governadora em 2025, e exonerado no último dia 26 de agosto, em caráter de urgência, menos de 12 horas após a denúncia da Rede Record sobre o “gabinete do ódio” dentro do Palácio, Amisadai confessa receber pagamentos sem nota fiscal por serviços. “A gente já recebeu até em caixa de charuto”, diz.
Olha só
“A gente tem os parceiros que batem em João (Campos). Tem uma estrutura de jornalistas, uma equipe que constrói conteúdo.”, relata ele. No vídeo, Amisadai está na companhia dos dois sócios da Portal Comunicação e Marketing, José Roberto Júnior e Rodolfo Costa. Apesar de se dizer desligado da empresa (que é dona do site Portal de Prefeitura, dedicado à difusão de ataques a adversários de Raquel Lyra), o servidor da Caixa Econômica Federal, e que estava cedido ao governo, se apresenta como um integrante da Portal Comunicação.
No vídeo
Rodolfo Costa relata que “tem relação” com dezenas de parceiros e perfis para “colabs” (post em parceria entre perfis do Instagram).
Amisadai
Também relata como se dá o esquema de distribuição dos conteúdos de ataque entre os perfis “parceiros” dos sócios da Portal Comunicação. “Dependendo do tipo de conteúdo que você coloque, se é um conteúdo que é viral, você tem parceria com uns oito perfis”.
Repercussão
O caso do “gabinete do ódio” de Raquel Lyra ganhou destaque nacional após matéria publicada no último dia 25 de agosto, também pela Rede Record. Nela, Amisadai revela ter sido chamado para o Palácio do Campo das Princesas pela governadora Raquel Teixeira Lyra para, nas palavras dele, comandar uma estrutura digital dedicada a “desidratar” João Campos na internet. O esquema teria sido “encomendado” ainda em 2024, quando Campos foi reeleito prefeito do Recife com votação histórica de 78% - a maior vitória já registrada na capital.
Pra fora de mentirinha
Tentando esconder o gato mas deixando o rato de fora,
Amisadai foi exonerado por Raquel Teixeira Lyra na manhã do dia 26 de agosto, menos de 12 horas após a exibição da matéria pela Record. Nesse mesmo dia, após a governadora negar qualquer contato com o servidor, o portal Metrópoles divulgou documentos oficiais do Palácio do Campo das Princesas que mostram entradas de Amisadai para reuniões no local.
Bet financia Raquel
Na reportagem a ser exibida pela Record neste domingo, uma testemunha relata que uma bet do município de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, realizava os pagamentos e cobrava “engajamento” contra Campos e a favor da governadora Raquel Lyra (PSD). Funcionários da Aposta Ganha, casa de apostas sediada no reduto eleitoral de Raquel e que tem vínculos estreitos com a Prefeitura de Caruaru há pelo menos cinco anos, recrutavam as pessoas e comandavam os grupos - um esquema que começou em 2024.
Tudo falso
“Raquel não estava tendo muito engajamento nas redes sociais e aí o grupo era meio que pra isso, para a gente estar engajando. Ela chegou a fazer sorteios de um valor de R$ 50 para os comentários melhores, para incentivar as meninas a estarem comentando”, diz a jovem.
Ela conta que
Pagamentos eram feitos por meio de pix, de R$ 75 por pacote de comentários em perfis do Instagram. Os links das postagens eram distribuídos para que as pessoas comentassem. E, tão logo era dado o “visto”, uma das administradoras do grupo, Maria Eduarda Lucena - que no Linkedin se apresenta como advogada da bet Aposta Ganha - fazia o pagamento. Um dos administradores da bet, Alex Galindo, também estava no grupo de Whatsapp destinado aos ataques. O esquema começou a funcionar em 2024, pouco antes da eleição para prefeito do Recife, quando João Campos despontava com robusta vantagem - tendo sido eleito com 78% dos votos, a maior vitória da história da capital.
O objetivo
Era “desidratar”, com dois anos de antecedência, o provável adversário de Raquel no pleito de 2026. A operação segue ativa até os dias de hoje.
Quem pagava
"Era Eduarda Lucena, ela fazia via pix. E numa data certa para o pessoal que tava no grupo. Era R$ 75 e era só por comentários. Tipo assim, se você não comentasse em todas as publicações, ou em quase todas, não recebia”, continua. “O grupo é de Eduarda Lucena e era ela quem mandava as postagens, o que era pra comentar, o que era pra se basear no comentário que ela dizia, e ela é de Caruaru. Ela trabalha com a agência Prospect. Ela se apresentou através desse grupo da agência Prospect. No começo ela fez o convite para entrar no grupo de eventos. E depois, através do grupo de eventos, foi que veio o convite para o outro grupo relacionado a política”.
O braço das bets
No esquema de manipulação digital contra João Campos foi revelado pelo Portal Metrópoles, no último dia 9. Segundo a testemunha ouvida pela reportagem, Maria Eduarda Lucena Freire, conhecida como Duda Lucena, administrava o “Grupo Engajamento”. Para a tarefa de recrutar pessoas para os grupos de Whatsapp, Duda Lucena não informava o vínculo com a Aposta Ganha, e sim com a empresa Prosp3cct, que realiza eventos como festas e shows na área de Caruaru, Gravatá e no Litoral Sul.
Os ratos de internet
É como se chamam as pessoas “contratadas” para comentar em favor de Raquel Lyra e contra João Campos. Elas eram recrutadas em grupos de divulgação destes eventos. Alex Galindo, um dos administradores da Aposta Ganha, também é sócio-proprietário da Prosp3cct. Em seus perfis do Linkedin, ambos são, respectivamente, Diretor de Operações (COO, de Chief Operating Officer), e advogada da “bet” caruaruense.
Amiguinhos?
Galindo também aparece em uma foto ao lado do primo, braço-direito e ex-secretário de Raquel Teixeira Lyra, de nkme André Teixeira Filho, no Instagram deste último. No post, Teixeira refere-se à organização da festa privada Gonzagão, que acontece em Caruaru. “Mais um ano fazendo o que a gente ama”, diz o primo de Raquel, hoje coordenador da sua campanha.
Investigação
No dia 27 de agosto, os advogados da Frente Popular de Pernambuco entraram, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o que consideram abusos políticos e econômicos por parte da atual gestão do governo do Estado. Entre eles, o uso da estrutura digital para atacar João Campos. Além disso, o corpo jurídico da coligação também realizou denúncias ao Ministério Público Estadual (MPPE), Controladoria Geral da União (CGU), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministério Público Eleitoral (MPE).
“Brasileiros, na santa ignorância eleitoral, continuam votando sem entender quem ganha, quanto ganha e como ganha”, afirma o analista Marcelo Tognozzi*
26/09/2026
Foi o canto do cisne daquele político que vivera intensamente o Brasil desde os anos 1920. Apoiara a revolução de 1930 e rompera com Getúlio Vargas em 1943, signatário do Manifesto do Mineiros, expondo dura contradição: o Brasil lutava na 2ª Guerra contra a ditadura nazista e não poderia seguir no regime ditatorial do Estado Novo, instaurado em 1937. Pouco mais de 20 anos depois, romperia com o regime militar, por ele apoiado em 1964. Ficou anos a fio longe da política, voltando ao Congresso octogenário, eleito em 1986...
Era quarta-feira, 2 de março de 1988 em Brasília. O senador Afonso Arinos (1905-1990), 82 anos, sobe na tribuna e defende a emenda do voto aos 16 anos. “Sou o constituinte mais idoso defendendo o direito dos mais jovens”, iniciou Arinos, argumentando a favor da emenda proposta pelo deputado gaúcho Hermes Zaneti e os mineiros Paulo Delgado e Aécio Neves. Arinos convenceu o plenário a aprovar o voto facultativo para os maiores de 16 anos e os menores de 18.
Foi o canto do cisne daquele político que vivera intensamente o Brasil desde os anos 1920. Apoiara a revolução de 1930 e rompera com Getúlio Vargas em 1943, signatário do Manifesto do Mineiros, expondo dura contradição: o Brasil lutava na 2ª Guerra contra a ditadura nazista e não poderia seguir no regime ditatorial do Estado Novo, instaurado em 1937. Pouco mais de 20 anos depois, romperia com o regime militar, por ele apoiado em 1964. Ficou anos a fio longe da política, voltando ao Congresso octogenário, eleito em 1986 pelo PFL do Rio de Janeiro.
Lei antirracismo
Arinos já entrara para a História com sua lei antirracismo. Agora, não fora autor, mas condutor da aprovação do direito de voto aos 16 anos. Passadas quase 4 décadas da promulgação da Constituição, os eleitores mais jovens – e também os mais velhos – desconhecem as regras da eleição e como funciona de fato nosso sistema eleitoral.
Se alguém vai votar aos 16 anos, deveria aprender aos 14, 15 as regras da lei eleitoral, como os votos são contados e qual o papel dos vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e do presidente da República. Nada disso acontece. Ninguém aprende a votar na escola. E ainda dizem que o brasileiro não sabe votar e esquece em quem votou.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), gasta fortunas em propaganda incentivando o eleitor ir às urnas, minorias a se candidatarem ou defendendo a importância do voto para a democracia. Mas tem sido incapaz de incentivar que se ensine ao eleitor como nosso sistema eleitoral funciona de verdade.
Diferença entre quociente eleitoral e partidário
Não existe voto consciente se a grande maioria dos eleitores não sabe o que é quociente eleitoral, quociente partidário, médias, sobras ou para onde vão os votos brancos e nulos.
Quando o eleitor for encarar a urna semana que vem, dia 4 de outubro, estará votando em 5 eleições diferentes: deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente. Dessas, 3 são eleições majoritárias e outras 2 proporcionais. A diferença é que na majoritária vence quem conseguir mais votos e nas proporcionais a contagem é um pouco diferente. Cada eleição é apurada separadamente e, por isso, quando votamos para presidente e deixamos de votar para deputado, a abstenção será maior ou menor de um cargo para outro.
É justamente na eleição proporcional que mora a bilionária economia da política brasileira, cuja principal moeda é a cadeira de deputado federal. A lei atual prevê que os partidos com maior bancada de deputados federais terão mais dinheiro do fundo eleitoral e do fundo partidário. Depois que a eleição passou a ser financiada com dinheiro público, a disputa eleitoral mira estes fundos.
Valor dos fundos partidários
Neste ano, o fundo partidário, dinheiro para o dia a dia dos partidos, chegou a R$ 1,43 bilhão. O fundo eleitoral distribuiu para esta eleição nada menos que R$ 4.9 bilhões, divididos entre 30 legendas. O PL recebeu a maior fatia (R$ 881,7 milhões), seguido do PT (R$ 615,4 milhões) e do União Brasil (R$ 526,2 milhões), somando 40% do total.
Como o PL conseguiu quase R$ 1 bilhão? A resposta está na contagem de votos da eleição proporcional. Ficou com a maior bancada na Câmara nas eleições de 2022. A maioria absoluta do eleitorado nunca aprendeu na escola o que é e como se calcula os quocientes eleitoral e partidário, justamente onde começa a distribuição dos votos e do dinheiro. A primeira conta a fazer é essa.
Quociente eleitoral: divide-se o total de votos válidos (sem brancos e nulos) pelo número de cadeiras. Por exemplo: 20.000 ÷ 5 = 4.000. O resultado mostra quantos votos são necessários para conseguir uma vaga. Quociente partidário: divide-se a votação de cada partido pelo quociente eleitoral, desprezando a fração. Resultado: vamos saber quantas vagas terá cada partido.
Primeiro, sabemos quantos votos são necessários para o partido conquistar uma vaga de deputado. Depois, o quociente partidário revela quantas vagas caberá a cada partido. É uma regra antiga, de 150 anos, criada pelo jurista belga Victor D’Hondt. Em pleno século 21 o Brasil segue contando votos como no século 19.
Com a IA ficou mais fácil
Antigamente a gente fazia as contas na munheca mesmo, mas com ajuda da inteligência artificial ficou fácil. Se o eleitor colocar na IA do Google o número de votos válidos e pedir para calcular os quocientes, o resultado aparecerá rápido, incluindo as famosas médias e sobras. Uma vez que a regra do jogo fica transparente para o eleitor, ele começa a entender por que votou no Zezinho para deputado, mas quem acabou eleito foi o Chiquinho. E qual partido sairá da eleição com mais dinheiro.
Este sistema favorece partidos com puxadores de votos. Depois que eles atingem a votação necessária para a eleição de deputado, os votos restantes são distribuídos pelos demais candidatos do partido. Foi assim que Enéas Carneiro, do Prona, conquistou sua cadeira de deputado por São Paulo, em 2002, com 1,57 milhão de votos. Trouxe com ele mais 5 deputados, incluindo Vanderlei Assis com seus 275 votos.
Afonso Arinos garantiu aos brasileiros mais jovens o direito ao voto, mas quem veio depois dele pecou por omissão ao deixar a cidadania de lado e não incluir o voto no currículo escolar. Não adianta ter direito e não saber exercê-lo. Os brasileiros, na sua santa ignorância eleitoral, continuam votando sem entender quem ganha, quanto ganha e como ganha. É o voto veneno e precisa acabar.
*Marcelo S. Tognozzi é jornalista e consultor. Uma das principais referências da imprensa brasileira contemporânea.
NR - Autorizada a postagem do artigo, originalmente publicado no Poder360. O título foi mudado e os intertítulos inseridos à revelia do autor.
Bolsonaro X Bolsonaro: Gilson manda preparar material de Flávio " já que PL não fez"
26/09/2026
O Podemos é controlado em Pernambuco pelos irmãos Marcelo e Gustavo Gouveia, também candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente.
Os adesivos
Às turras com o PL, sem perder oportunidade de alfinetar o partido, Gilson mandou confeccionar adesivos com a foto do senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente pelo PL. O ex-ministro explicou que fez questão de não colocar sua foto.
“Apenas coloquei meu número bem pequeno, por uma questão jurídica”, frisou, ao acrescentar que o material está disponível no seu comitê de campanha, localizado na Herculano Bandeira 766, bairro do Pina. E rebateu ao seu jeito: “Não dá para esperar, faltando tão pouco tempo para a elei...
O ex-ministro do Turismo do governo Jair Bolsonaro, Gilson Machado Neto, se desentendeu com o PL local. Ele aderiu ao Podemos, junto com o filho, Gilson Machado Filho. Gilson pai é candidato a deputado federal. O filho, candidato a deputado estadual.
O Podemos é controlado em Pernambuco pelos irmãos Marcelo e Gustavo Gouveia, também candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente.
Os adesivos
Às turras com o PL, sem perder oportunidade de alfinetar o partido, Gilson mandou confeccionar adesivos com a foto do senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente pelo PL. O ex-ministro explicou que fez questão de não colocar sua foto.
“Apenas coloquei meu número bem pequeno, por uma questão jurídica”, frisou, ao acrescentar que o material está disponível no seu comitê de campanha, localizado na Herculano Bandeira 766, bairro do Pina. E rebateu ao seu jeito: “Não dá para esperar, faltando tão pouco tempo para a eleição. Já que o PL não fez, eu fiz”.
Veja abaixo, o vídeo do candidato.
Ricardo Coutinho: compra de apoios é estratégia para tentar desmontar campanha de Veneziano
26/09/2026
Em entrevista concedida à imprensa de Guarabira, Ricardo Coutinho fez uma denúncia que merece ser ouvida com atenção. Quando o ex-governador afirma que a “compra de apoios” por parte de setores da política paraibana está “escancarada” e “normalizada”, não está descrevendo um fenômeno abstrato ou hipotético, mas uma prática que é realizada à luz do dia, sem pudor algum. São prefeitos e prefeitas que migram de um bloco político para outro não por convicção ou identidade programática.
“Eu acho isso um escândalo. Um escândalo na cara de todo mundo. Não é possível que a compra das pessoas na política seja feita de uma maneira tão aberta, tão normalizada, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.”
O diagnóstico da financeirização da política é, por si só, um problema que deveria preocupar os agentes políticos e a própria Justiça eleitoral, mas, sobretudo, aqueles que se preocupam com a vitalidade da nossa democraci...
Por Flávio Lúcio*
Em entrevista concedida à imprensa de Guarabira, Ricardo Coutinho fez uma denúncia que merece ser ouvida com atenção. Quando o ex-governador afirma que a “compra de apoios” por parte de setores da política paraibana está “escancarada” e “normalizada”, não está descrevendo um fenômeno abstrato ou hipotético, mas uma prática que é realizada à luz do dia, sem pudor algum. São prefeitos e prefeitas que migram de um bloco político para outro não por convicção ou identidade programática.
“Eu acho isso um escândalo. Um escândalo na cara de todo mundo. Não é possível que a compra das pessoas na política seja feita de uma maneira tão aberta, tão normalizada, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.”
O diagnóstico da financeirização da política é, por si só, um problema que deveria preocupar os agentes políticos e a própria Justiça eleitoral, mas, sobretudo, aqueles que se preocupam com a vitalidade da nossa democracia, tão duramente atacada nos últimos anos. Afinal, quando o dinheiro de campanha se torna o principal — ou o único — critério de alinhamento político, o que restará da representação popular? Que mudança o Brasil poderá promover?
Para Coutinho, o resultado desse processo é a corrosão da democracia. Um prefeito que age assim não está expressando um projeto para seu município: está colocando à venda sua própria liderança política e, por extensão, a vontade e a autonomia do povo que diz representar. E se isso fala sobre quem se coloca à venda, o que dizer de quem está do outro lado do balcão, do comprador? Afinal, existe corrupto sem corruptor?
E Ricardo dá nome aos bois.
“Não venham tentar me convencer que isso acontece por conta dos belos olhos de algum candidato (…) Está claro que isso é articulado por Nabor [ Nabor Wanderley, candidato a senador e pai do atual presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta] e por João Azevêdo [ex-governador da Paraíba, e também candidato ao Senado].”
O ataque dos dois é deliberado e tem alvo: a candidatura de Veneziano Vital, que é, lembro eu, o único candidato a senador que pede voto para Lula sem nenhum constrangimento.
Segundo Ricardo,
“Isso acontece porque o jogo da política está cada vez mais financeirizado. A política e a Democracia estão correndo um gravíssimo risco. Em função exatamente da financeirização da campanha, do dinheiro na campanha. Porque hoje as pessoas não têm mais vergonha. Está claro que existe uma estratégia de tentar desmontar a campanha do senador Veneziano.”
A declaração de Ricardo Coutinho reforça, com a autoridade de quem já governou a Paraíba, aquilo que já vínhamos observando e denunciando por aqui. Até então, essa prática era denunciada, sobretudo, por quem se considerava diretamente prejudicado por ela: o próprio Veneziano Vital, que, ao longo de seu mandato como senador, conquistou apoios por meio de seu trabalho político.
As palavras de Ricardo ganham, portanto, um alcance ainda maior, por se tratar de uma liderança de peso que também participa de jogo e sofre suas consequências, pois depende, assim como Veneziano, do voto de opinião, livre e independente.
Dimensão simbólica
Por fim, há uma dimensão simbólica na denúncia: Coutinho fala em “perda de vergonha” desses prefeitos e prefeitas em mudar de posição em plena campanha e, nos casos mais recentes, às vésperas da eleição. Isso é resultado de uma prática que foi se tornando tão corriqueira que começou a se normalizar. Embora a venda e a compra de apoios fosse uma prática que, mesmo quando conhecida, costumava pelo menos ser feita sem muito alarde.
O que RC descreve é justamente a perda dessa discrição. Agora, não há nenhum pudor em aparecer publicamente ao lado de um candidato, com foto e registro em rede social e, no dia seguinte, ao lado do adversário a quem antes era recusado o apoio. A mudança deixou de ser às escondidas, feita de maneira envergonhada, para se tornar aberta ao comentário público.
Anomalia
A substituição progressiva do critério ideológico ou programático por um critério puramente financeiro na formação de alianças municipais é uma anomalia do nosso sistema eleitoral, um sintoma de como o jogo das alianças e da obtenção de apoio político vem sendo feito, cada vez mais desprovido de alinhamentos programáticos – um candidato a deputado do PT posou ao lado de Nabor Wanderley para anunciar seu apoio ao genitor de Hugo Motta, mesmo o partido apoiando publicamente Veneziano Vital. Isso seria possível duas décadas atrás?
Quando a manutenção do apoio político depende menos de um projeto que se destina a beneficiar a população, e mais de recursos disponibilizados aos agentes políticos individualmente, a consequência é também o esvaziamento sentido de próprio “apoio político”: para o povo, que não é bobo, deixa de ser adesão para passar a ser transação, renovável a cada oferta de quem se dispõe a participar desse jogo.
E Veneziano se recusou a participar dele, por isso, denuncia a prática.
*Flavio Lúcio. Cientista social. Doutor em Sociologia

“Proibição das bets é uma vitória dos brasileiros”, afirma advogado Antônio Campos
26/09/2026
Assinada na noite de ontem, a MP impede a realização apostas de quota fixa em todo o território nacional, tanto em meios físicos quanto virtuais. A regra alcança apostas esportivas e jogos online, inclusive plataformas sediadas no exterior que atendam a apostadores no Brasil.
Hora das ações indenizatórias
Segundo afirmou Campos, a medida “é uma vitória dos brasileiros”. Segundo o advogado, ‘chegou a hora das ações indenizatórias e similares para devolver os valores aos prejudicados”.
“Desde o início, estive na luta contra as bets e os tigrinhos, que destruíram a vida de muitos brasileiros e brasileiras e p...
O advogado e escritor Antônio Campos, que sempre se manifestou contrário às apostas e jogos online no Brasil, as famosas “bets”, comemorou a assinatura, nesta sexta-feira (25/09), pelo presidente Lula, da Medida Provisória (MP) que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade dessas apostas no país.
Assinada na noite de ontem, a MP impede a realização apostas de quota fixa em todo o território nacional, tanto em meios físicos quanto virtuais. A regra alcança apostas esportivas e jogos online, inclusive plataformas sediadas no exterior que atendam a apostadores no Brasil.
Hora das ações indenizatórias
Segundo afirmou Campos, a medida “é uma vitória dos brasileiros”. Segundo o advogado, ‘chegou a hora das ações indenizatórias e similares para devolver os valores aos prejudicados”.
“Desde o início, estive na luta contra as bets e os tigrinhos, que destruíram a vida de muitos brasileiros e brasileiras e prejudicaram muitas famílias”, declarou.
Ação popular preventa
Sou autor da ação popular preventa , ou seja, pioneira, que pedia a proibição das bets ou a equiparação da publicidade, similar à legislação contra o fumo, que tramita na Justiça Federal de Brasília”, informou ainda Campos.
O advogado ressaltou também que tais apostas online consistem em “um jogo ilusório em que o jogador não tinha qualquer chance de ganhar”. “Agora chegou o momento de pedir a restituição dos valores e a indenização dos prejudicados”, frisou. “Não às bets. Não aos tigrinhos. Viva os brasileiros”, acrescentou ele.
Porque o Brasil precisa rever o negócio das bets, sem considerá-las contribuintes ou agente econômico, mas como elemento de saúde pública nacional
26/09/2026
O presidente Lula voltou de Nova Iorque, onde participou da abertura da Assembleia Geral da ONU, com a agenda de seu gabinete para tratar da questão das bets. Demorou. Lula da Silva deveria ter definido uma nova posição de seu governo em junho, quando a questão escalou como problema de saúde pública. Mas, certamente, não quis enfrentar a questão quando as bets se apresentaram com as grandes patrocinadoras da Copa do Mundo de 2026.
De fato, talvez não fosse adequado partir para o enfrentamento — que deve partir na penúltima semana da campanha eleitoral — devido à pressão dos diversos grupos de interessados que, agora, se sabe, vão desde deputados e senadores até clubes de futebol, onde as bets já patrocinaram 15 das 20 participantes da Série A, embora não sejam as maiores responsáveis pelas verbas arrecadadas pelos participantes.
Tomar uma decisão
Mas o presidente não tem como fu...
Por Fernando Castilho*
O presidente Lula voltou de Nova Iorque, onde participou da abertura da Assembleia Geral da ONU, com a agenda de seu gabinete para tratar da questão das bets. Demorou. Lula da Silva deveria ter definido uma nova posição de seu governo em junho, quando a questão escalou como problema de saúde pública. Mas, certamente, não quis enfrentar a questão quando as bets se apresentaram com as grandes patrocinadoras da Copa do Mundo de 2026.
De fato, talvez não fosse adequado partir para o enfrentamento — que deve partir na penúltima semana da campanha eleitoral — devido à pressão dos diversos grupos de interessados que, agora, se sabe, vão desde deputados e senadores até clubes de futebol, onde as bets já patrocinaram 15 das 20 participantes da Série A, embora não sejam as maiores responsáveis pelas verbas arrecadadas pelos participantes.
Tomar uma decisão
Mas o presidente não tem como fugir de uma decisão. Lula assinou uma MP que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o território nacional, tanto em meios físicos quanto virtuais. A regra alcança apostas esportivas e jogos online, inclusive plataformas sediadas no exterior que atendam a apostadores no Brasil.
Embora o faça como ato de campanha eleitoral, a pressão social chegou a um ponto em que o Estado brasileiro precisa rever a legislação aprovada em 2023 e que, como se constatou, abriu completamente o mercado sem qualquer salvaguarda.
Na verdade, a lei nº 14.790/2023 é um exemplo internacional de como um país não abordar a questão das apostas esportivas, por não abranger proteções mínimas. Isso vai desde a publicidade sem restrições até a falta de proteção ao acesso dos apostadores, e só recentemente o próprio Ministério da Fazenda introduziu advertências nas telas sobre os riscos de jogar nas plataformas.
MP corretiva
O governo sabe que uma Medida Provisória, embora possa ter aplicação imediata, não terá tramitação tranqüila no Congresso, especialmente no final de uma legislatura. Mas poderá ser um gesto importante.
É uma forma do próprio governo Lula tentar corrigir o equívoco na proposta de aprovação de uma legislação que, sabe-se agora, não previu eleitos na sociedade brasileira a despeito de farta literatura internacional. O governo sabe agora que deu ouvidos aos empresários que valorizam a tributação sem considerar o deslocamento de recursos dentro da economia e os riscos junto à população de baixa renda, embora a classe média também aposte.
Liberou geral
É importante observar na questão das bets como o setor teve autorização para operar legalmente sem qualquer restrição. O caso brasileiro é um modelo de como não fazer porque o governo (sem conhecer o assunto profundamente e muito menos os impactos na população de outros países) se comportou de forma ingênua e irresponsável socialmente.
A Lei das Bets nº 14.790 foi sancionada pelo presidente Lula em 29 de dezembro de 2023. Durante todo o ano de 2024, as empresas se regularizaram e começaram uma ocupação de espaço publicitário que simplesmente eliminou todo o conjunto de patrocinadores tradicionais. E virou instrumento de disputa de cidades para abrigar bets, como foi o caso do Recife, que reduziu a tributação das empresas de 5% para 2% e, em 2025, recebeu de ISS R$ 74,6 milhões, devendo receber em 2026 o mesmo valor. Ou seja, quase 150 milhões em dois anos.
Arrecadação
Segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), em 2025 o governo arrecadou R$ 9,95 bilhões com as casas de apostas, sobre uma alíquota de 12% sobre a receita bruta de jogos, a GGR (Gross Gaming Revenue), além do pagamento do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins.
O potencial contributivo, porém, está a bilhões de reais da transferência de recursos da economia. Segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio apresentado ao próprio Lula, de janeiro de 2023 a março de 2026, os gastos chegaram perto de R$ 700 bilhões, sendo que no ano passado esses gastos foram de R$ 320 bilhões.
Risco à saúde
Mas nenhum desses números tem maior impacto do que os efeitos da ludopatia nas famílias. E as mulheres são as que estão sofrendo mais, pois são atraídas pelos jogos e sofrem o impacto da perda de renda de seus maridos quando eles perdem o controle sobre o jogo.
Segundo a pesquisa “Mulheres & Bets”, 42% das entrevistadas afirmam que apostam ou já apostaram em plataformas online, enquanto outras 12% não apostam, mas têm alguém da família que aposta.
Ataque às mulheres
O impacto pode ser ainda mais relevante porque, entre as mulheres que apostam, 21,5% apontam a busca por renda extra como principal motivação, enquanto 19% dizem apostar pela expectativa de ganhar dinheiro rapidamente. O levantamento também mostra que 72% dos apostadores têm filhos.
Os números do CNC e de pesquisas como as “Mulheres & Bets” ajudaram o governo a mudar sua posição. Não é mais uma questão de arrecadação. As bets se tornaram um problema social e público.
*Fernando Castilho é jornalista, colunista econômico do JC, onde este artigo foi originalmente publicado no dia 23/09.
NR - O texto foi atualizado apenas no trecho referente à publicação da MP, que foi assinada nesta sexta-feira (25/09).
