Fuga para o exílio – Manifestantes do 8 de janeiro condenados pelo STF fogem para Argentina e Uruguai
14/05/2024
O que aconteceu
Levantamento feito pelo UOL aponta que ao menos 51 pessoas suspeitas de participarem de atos após as eleições presidenciais de 2022 têm mandados de prisão em aberto ou fugiram após quebrar as tornozeleiras eletrônicas. Entre elas, a reportagem identificou dez pessoas que fugiram para o exterior neste ano pelas fronteiras de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os destinos delas foram a Argentina e o Uruguai.
Maioria de mulheres
Sete dos fugitivos já foram condenados pelo STF a mais de dez anos de prisão por supostamente participarem das manifestações violentas no 8 de janeiro. Seis dos dez fugitivos são mulheres, e a maioria é de e...
O que aconteceu
Levantamento feito pelo UOL aponta que ao menos 51 pessoas suspeitas de participarem de atos após as eleições presidenciais de 2022 têm mandados de prisão em aberto ou fugiram após quebrar as tornozeleiras eletrônicas. Entre elas, a reportagem identificou dez pessoas que fugiram para o exterior neste ano pelas fronteiras de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os destinos delas foram a Argentina e o Uruguai.
Maioria de mulheres
Sete dos fugitivos já foram condenados pelo STF a mais de dez anos de prisão por supostamente participarem das manifestações violentas no 8 de janeiro. Seis dos dez fugitivos são mulheres, e a maioria é de estados do Sul (PR e SC) e do Sudeste (SP e MG). A idade média deles é de 50 anos. O levantamento foi feito com base em registros do STF e CNJ (Conselho Nacional de Justiça), como ordens de prisão, e em entrevistas com parentes, investigadores, amigos e advogados.

Leia outras informações
Polícia da Palavra - Quase um Poema - Por Romero Falcão*
06/09/2026
Cuidado com o que escreve,
fala, compõe.
Não se arrisque: carregue na tinta leve.
Afinal, no modo algodão, nada se expõe.
A polícia da palavra
pode ser sutil,
mas logo se torna hostil
quando o tema toca a patrulha.
Quem não veste a farda,
não empunha o fuzil,
é soldado desertor,
marinheiro sem navio,
qualquer coisa que ameace a estrutura.
A polícia da palavra está atenta.
Cuidado, não se arrisque.
Não transforme a linha em teia de aranha;
prefira o engomado linho
ao espinho que fisga a entranha.
A polícia da palavra
tem tantas tribos,
cada qual defendendo
a moral do próprio umbigo.
Por isso, meu caro artista,
poeta, escritor,
esteja em paz com a polícia da palavra.
Fale do gato, da rosa, do perfume, do beija-flor.
Faça um sone...
Cuidado, cuidado com a polícia da palavra.
Cuidado com o que escreve,
fala, compõe.
Não se arrisque: carregue na tinta leve.
Afinal, no modo algodão, nada se expõe.
A polícia da palavra
pode ser sutil,
mas logo se torna hostil
quando o tema toca a patrulha.
Quem não veste a farda,
não empunha o fuzil,
é soldado desertor,
marinheiro sem navio,
qualquer coisa que ameace a estrutura.
A polícia da palavra está atenta.
Cuidado, não se arrisque.
Não transforme a linha em teia de aranha;
prefira o engomado linho
ao espinho que fisga a entranha.
A polícia da palavra
tem tantas tribos,
cada qual defendendo
a moral do próprio umbigo.
Por isso, meu caro artista,
poeta, escritor,
esteja em paz com a polícia da palavra.
Fale do gato, da rosa, do perfume, do beija-flor.
Faça um soneto de amor.
Nada que polemize,
nada que possa virar clava.
Mas tudo que a pena pede é coragem.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
O chá e o café são nossos - Por Josué Sena*
06/09/2026
O café também.
Todo dia este adoço
E tomo para lidar com o que na vida vem.
O café me anima.
O café nas veias respira
O café inspira
O café dá rima.
A gentil Olivia é prima de Betinha,
Da Inglaterra, a falecida rainha.
De estirpe nobre então nasceu
E apesar de tomar chá,
Com todo ritual que há,
Bebe, feliz, do nosso café plebeu.
*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.
O chá é nosso.
O café também.
Todo dia este adoço
E tomo para lidar com o que na vida vem.
O café me anima.
O café nas veias respira
O café inspira
O café dá rima.
A gentil Olivia é prima de Betinha,
Da Inglaterra, a falecida rainha.
De estirpe nobre então nasceu
E apesar de tomar chá,
Com todo ritual que há,
Bebe, feliz, do nosso café plebeu.
*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.

"Uma Nova Ordem Global - Formação em andamento e a posição do Brasil na construção" - Por Jarbas Beltrão*
06/09/2026
Desde a dissolução dos experimentos autoritários do socialismo marxista, a velha Ordem Global vem assistindo uma nova formação, que irá se sobrepor àquela Ordem pós-segunda guerra mundial.
'Uma Nova Ordem Global'
Quando afirmamos que há em formação uma "Nova Ordem Global", precisamos ter com clareza os atores presentes na batalha pela conquista da hegemonia do processo, sobretudo econômica.
'Os blocos que tentam a hegemonia na Nova Ordem Global'
Na verdade, os atores que se apresentam na corrida pela hegemonia do processo, estão agregados em dois blocos distintos :
a) Bloco Liberal Ocidental que é encabeçado pelos Estados Unidos e seu fiel aliado, o Estado de Israel, acompanhados por um cambaleante conjunto de nações ocidentais ( Europa Ocidental ) e Japão.
O bloco liberal adere a economia de mercado e da livre circulação de mercadorias. Foi sua con...
'Preâmbulo'
Desde a dissolução dos experimentos autoritários do socialismo marxista, a velha Ordem Global vem assistindo uma nova formação, que irá se sobrepor àquela Ordem pós-segunda guerra mundial.
'Uma Nova Ordem Global'
Quando afirmamos que há em formação uma "Nova Ordem Global", precisamos ter com clareza os atores presentes na batalha pela conquista da hegemonia do processo, sobretudo econômica.
'Os blocos que tentam a hegemonia na Nova Ordem Global'
Na verdade, os atores que se apresentam na corrida pela hegemonia do processo, estão agregados em dois blocos distintos :
a) Bloco Liberal Ocidental que é encabeçado pelos Estados Unidos e seu fiel aliado, o Estado de Israel, acompanhados por um cambaleante conjunto de nações ocidentais ( Europa Ocidental ) e Japão.

O bloco liberal adere a economia de mercado e da livre circulação de mercadorias. Foi sua constituição desde o Plano Marshall (pós 2a.guerra)
Há nessa economia de mercado, uma hegemonia de grandes grupos corporativos.
b) Bloco russo-chinês- iraniano, conduzido pela China, uma potência científica e tecnológica, seguida por duas nações de economias sancionadas - Rússia e Iran - juntas formam regimes políticos autoritários e economias com diferentes níveis de controle estatal.
Não há como encontrar semelhanças, pelo menos nos países dessa "tripla" aliança, quanto aos modelos de seus paradigmas estatistas. Cada ator tem características próprias.
'A República Popular da China'
A China por sua performance econômica furou o Bloco Ocidental. Sendo membro da OMC (Organização Mundial do Comércio) tem importante papel nas cadeias de suprimentos globais e mantém relações comerciais com aproximadamente 150 nações.
Seu crescimento econômico nos últimos 40 anos, não é uma continuidade da história dinástica do país, muito menos da sua "revolução comunista", mas fruto de uma "invasão econômica" ocidental, em especial Estados Unidos da América
A invasão econômica, tornou-se possível, graças às vantagens que o comunismo chinês oferecia aos grupos que mudassem para o domicílio chinês.
'As opções econômicas no cenário global"
Portanto, neste momento de eleições federais em nosso país, são duas opções de cenário global que o Brasil precisa fazer (já fez) sua escolha. Os presidenciáveis não fazem referências.
Nosso país, enfrenta um cenário interno embaraçado e articulado com a posição do governo atual no tocante a posição a
no cenário global:
'Cenário interno, melhores vias'
Via econômica interna: deve ser voltada para formação de um novo cenário, com valorização de novos empreendedores e micro-empreendimentos.
Deve ser dada prioridade para criação de um clima interno que seja uma porta aberta para chegada de investimentos externos, em especial um nessessário processo de retomada industrial.
Redução do peso do Estado que implica em uma reforma fiscal que enfrente os desafios da excessiva carga de impostos que sufoca cidadãos e empresas.
O poder nacional não deve tratar cidadãos e empresas como meros contribuintes fiscais, mas com as molas de impulso do crescimento econômico, mais que contribuintes do Estado.
O agro-negócio, "um dia desses chamado de fascista pelo governante residente no Planalto" deve ser fortalecido o apoio aqueles empreendimentos agrários, convivendo com a atenção à propriedade rural de pequeno e médio porte (crédito e formação de mercados).
O agronegócio não é território habitado por grandes empreendimentos agrícolas, deve caber de tudo (famílias micros, cooperativas, pequenos, médios e grandes negócios).
'Problemas na educação escolarizada'
Ainda, nesse plano interno, o pais tem de procurar formas de superação dos problemas que ultimamente tem sido enfrentados no terreno da educação escolarizada - formação básica e superior - dominada no plano ideológico-cultural por grupos da extrema esquerda revolucionária e "wokismo cultural". Então, "des...esquerdizar" e "des...wokezar" tornou-se tarefa prioritária, - o negócio pegou e tá feio, deletou-se a livre circulação de idéias.
A questão interna cultural tem provocado incômodos, sobretudo nos meios acadêmicos e nas nossas instituições politicas. Elas estão cheias de uma militância seguidora da revolução gramscista - hegemonia cultural, o novo caminho revolucionário
"Plano externo"
No plano externo deve ocorrer um deslocamento, "em parte", do bloco autoritário.
Sem esquecer que a China é nosso maior parceiro comercial. Trazer a China para condição de parceiro econômico e não controlador do mercado, o que foi construído desde 2.001
'Brasil e China'
O bloco autoritário, com excessão da República Popular da China, não tem uma poupança estatal ou privada que possa ser parceira de um crescimento nacional brasileiro, fundamentado em liberdades econômicas
A China tem como predominância na sua relação com outras economias, caracteristicas, como:
a) Comprador de comodittes, agricolas e minerais.
b) Fornecedor de tecnologias em alguns setores, e em virtude da sua característica exportadora, forma mercados de alguns produtos de maior valor agregado e o "ecommerce", tipo shoppee, All express, em alguns casos com repercussão econômica em alguns reduzidos setores. Isso não pode se perde vista.
c)Investimentos em infraestrutura, sobretudo naqueles investimentos de interesse para expansão das rotas chinesas.
d) Ofertas de créditos financeiros que recebem o "seguro" típico chinês: "perdeu capacidade de pagamento, paga com renúncia de patrimônio nacional".
O Brasil sempre teve abortada sua chance econômica de uma alavancagem mais duradoura.
O agronegócio brasileiro é hoje uma dos maiores produtores de alimentos do mundo, um setor que tem sustentabilidade nos mercados globais.
'Ciclos econômicos globais'
A economia industrial, pós segunda guerra mundial experimentou dois grandes ciclos de crescimento, acompanhando ciclos globalistas: Plano de Metas - governo JK ( 1956/ 1961). Governos militares (Anos 1970 e ciclo dos primeiros anos de 1980).
Nossas escolhas não tem ajudado muito. No plano interno, o Estado transformou-se numa "casa de caridade".
É uma polarização ideológica, digna da "guerra fria", está na base das decisões e dos programas dos presidenciáveis.
No plano externo, as opções são também ideológicas. Nada pragmática, nos afastando daquele bloco que construiu o mercado global (Estados Unidos) e fez da República Popular da China a segunda maior economia do mundo. - o mercado global/ Ocidental.
Nossos presidenciáveis (2026), envontram-se bem distante desta compreensão.
Pois é, são desafios , que percebo pouca preocupação por parte dos candidatos e partidos, na corrida presidencial.

Continuamos no pântano, colocado sobretudo depois das experiências do desenvolvimentismo dos governos militares (1964/1985), que trouxe o expansionismo econômico que posteriormente avançou para o estremo oriente (China, Singapura e Vietnã)
Tenho dito
*Jarbas Beltrão é historiador e professor de História da Universidade de Pernambuco - UPE. Mestre em Educação pela UFPB. Especialista (MBA) em Política Estratégia Defesa e Segurança Nacional. (Adesg Famesc).Especialista (MBA) em Geopolítica/Novas Fronteiras/Cibernética e IA. (Adesg/Instituto Venturo)

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Ministério Público pede vistoria judicial e exibição de documentos sobre coleta de lixo em Olinda - Por Antônio Campos*
06/09/2026
O Ministério Público de Pernambuco manifestou-se favoravelmente à realização de uma série de diligências para apurar as condições da coleta de lixo e da execução do contrato de limpeza urbana de Olinda. A manifestação foi apresentada nos autos da Ação Popular nº 0003106-16.2025.8.17.4990, ajuizada pelo advogado Antônio Campos, em tramitação na 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Olinda.
A ação busca, entre outras providências, a regularização dos serviços de coleta de resíduos sólidos urbanos, a apuração da execução do contrato administrativo e de seus aditivos, além da eventual responsabilização dos envolvidos. O processo tem como réus o Município de Olinda, a prefeita Mirella Almeida, a empresa Locar Gestão de Resíduos, o ex-prefeito Lupércio Carlos do Nascimento e Rafael de Oliveira Arruda.
Em seu parecer...
Promotoria também requer informações ao Tribunal de Contas de Pernambuco sobre auditorias e processos relacionados ao contrato de limpeza urbana
O Ministério Público de Pernambuco manifestou-se favoravelmente à realização de uma série de diligências para apurar as condições da coleta de lixo e da execução do contrato de limpeza urbana de Olinda. A manifestação foi apresentada nos autos da Ação Popular nº 0003106-16.2025.8.17.4990, ajuizada pelo advogado Antônio Campos, em tramitação na 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Olinda.
A ação busca, entre outras providências, a regularização dos serviços de coleta de resíduos sólidos urbanos, a apuração da execução do contrato administrativo e de seus aditivos, além da eventual responsabilização dos envolvidos. O processo tem como réus o Município de Olinda, a prefeita Mirella Almeida, a empresa Locar Gestão de Resíduos, o ex-prefeito Lupércio Carlos do Nascimento e Rafael de Oliveira Arruda.
Em seu parecer, o Ministério Público considerou que o processo ainda necessita de uma instrução probatória mais ampla e objetiva antes de uma análise definitiva do mérito. Segundo a Promotoria, a discussão envolve a possível má execução de um serviço público essencial e eventual prejuízo ao erário, circunstâncias que exigem provas oficiais e documentalmente fundamentadas.
MP pede vistoria nas ruas, bairros e pontos turísticos
Um dos principais requerimentos formulados pelo Ministério Público foi a realização de vistoria judicial por Oficial de Justiça em diferentes áreas de Olinda.
Para a Promotoria, a medida é “plenamente oportuna, imparcial e necessária”, porque permitirá uma verificação direta das condições da coleta de lixo em bairros residenciais, vias públicas e pontos turísticos do município. O Oficial de Justiça deverá produzir uma certidão circunstanciada, acompanhada de registros fotográficos, apontando a existência ou não de pontos de acúmulo ou descarte irregular de resíduos.
A intenção é produzir uma prova oficial capaz de permitir ao Judiciário avaliar a situação concreta da limpeza urbana, superando a controvérsia baseada até agora, em grande parte, em reportagens, publicações em redes sociais e outros elementos indiretos.
Contrato, medições, notas fiscais e pagamentos deverão ser apresentados
O Ministério Público também requereu a exibição compulsória de documentos pelo Município de Olinda e pela Locar Gestão de Resíduos, no prazo de dez dias.
Entre os documentos solicitados estão a íntegra do contrato administrativo e seus aditivos, relatórios de medição mensal, quantitativos de resíduos coletados, notas fiscais, ordens e comprovantes de pagamento, além dos registros de sanções administrativas aplicadas à empresa.
Segundo a manifestação ministerial, a documentação é indispensável para verificar a correta liquidação das despesas públicas e a efetividade da fiscalização exercida pelo Município sobre a execução contratual.
A análise poderá permitir a comparação entre aquilo que foi contratado, o serviço efetivamente realizado, as medições apresentadas pela empresa e os pagamentos efetuados pela Prefeitura.
Tribunal de Contas deverá prestar informações
Outro requerimento do Ministério Público foi a expedição de ofício ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco — TCE/PE.
O objetivo é obter informações oficiais sobre a existência de auditorias, inspeções ou processos de controle externo relacionados ao contrato de coleta de lixo de Olinda, com o encaminhamento ao processo dos relatórios eventualmente existentes.
Na conclusão do parecer, a Promotoria pediu expressamente que o TCE informe se existem auditorias, inspeções ou processos referentes ao contrato e envie ao Judiciário os respectivos relatórios.
Antônio Campos pede urgência no cumprimento das diligências
Após a manifestação do Ministério Público, Antônio Campos apresentou nova petição concordando integralmente com o parecer e requerendo que as providências sejam realizadas em caráter de urgência.
Na manifestação, o autor sustenta que a situação da coleta de resíduos é dinâmica e que eventual demora pode dificultar a produção da prova, já que pontos de lixo podem ser posteriormente removidos e as condições existentes nas ruas podem ser alteradas.
Campos pediu que a vistoria contemple diferentes regiões de Olinda, com identificação dos bairros, vias e logradouros, registros fotográficos e descrição das condições de limpeza encontradas pelo Oficial de Justiça.
Também requereu que Município e Locar apresentem, além do contrato e dos pagamentos, relatórios de fiscalização, ordens de serviço, notificações, multas, processos administrativos sancionatórios e documentos relativos a eventuais glosas.
Ao final, o autor pede que, produzidas essas provas oficiais, o Judiciário reanalise imediatamente o pedido de tutela de urgência destinado à regularização do serviço de coleta de resíduos sólidos em Olinda.
*Antônio Campos, Curador Geral da Fliporto, advogado, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras e da ABI - Associação Brasileira de Imprensa. @antoniocampos.adv
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder respeita a diversidade de ideias e a liberdade de pensamento e publica textos mesmo discordando do seu conteúdo e da sua forma.
Lula defende soberania do país e diz que convidará Trump para “fazer um pix e testar eficiência do sistema brasileiro”
05/09/2026
Lula também afirmou que, se reeleito, vai querer que o Brasil tenha sua própria inteligência artificial (IA). “Agora nós vamos querer dominar essa história de Inteligência Artificial. Eu não quero ficar dependendo da China nem dos Estados Unidos. Nós queremos Inteligência Artificial em português”, frisou.
81ª Assembleia da ONU
O petista discursará na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU em 22 de setembro., ocasião em que sua equipe se articula para que consiga ter um encontro a portas fechadas com o presidente norte-americano.
Lula, que cumpre agenda políti...
Durante ato político realizado neste sábado (05/09) em São José do Rio Preto (SP), o presidente Lula disse que o presidente norte-americano, Donald Trump, deveria fazer um pix, para ver como a ferramenta é eficiente. A ironia de Lula aconteceu enquanto ele reclamou dos constantes ataques dos EUA e fez uma defesa da importância da soberania do país.
Lula também afirmou que, se reeleito, vai querer que o Brasil tenha sua própria inteligência artificial (IA). “Agora nós vamos querer dominar essa história de Inteligência Artificial. Eu não quero ficar dependendo da China nem dos Estados Unidos. Nós queremos Inteligência Artificial em português”, frisou.
81ª Assembleia da ONU
O petista discursará na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU em 22 de setembro., ocasião em que sua equipe se articula para que consiga ter um encontro a portas fechadas com o presidente norte-americano.
Lula, que cumpre agenda política em São Paulo ao longo do dia, também participou de vários atos ao lado do candidato petista ao governo do estado, seu ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad.
Ele, porém, evitou mencionar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Também não falou na crise institucional que atinge a principal Corte do Judiciário brasileiro.
— Com Agências de Notícias
Flávio visita ex-assessor e diz que não esquece dos “presos políticos do país”, numa referência ao pai e demais condenados por tentativa de golpe
05/09/2026
Flávio chegou acompanhado por apoiadores que ficaram do lado de fora da unidade prisional. A expectativa é de que a visita dure cerca de uma hora e meia. Embora a assessoria do candidato tenha classificado a agenda como “estritamente pessoal e sem caráter eleitoral”, ele viajou até Ponta Grossa acompanhado por vários aliados políticos.
Autorização de Moraes
A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela execução da pena de Martins.
Acompanharam o senador o advogado Jeffrey Chiquini, que defende o ex-assessor; o senador e candidato ao...
Em meio a uma chuva que cai sobre o Paraná desde a madrugada deste sábado (05/09), o candidato à presidência da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, foi até o município de Ponta Grossa, no interior do estado para visitar o ex-assessor Filipe Martins, que está preso na Cadeia Pública Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa (PR).
Flávio chegou acompanhado por apoiadores que ficaram do lado de fora da unidade prisional. A expectativa é de que a visita dure cerca de uma hora e meia. Embora a assessoria do candidato tenha classificado a agenda como “estritamente pessoal e sem caráter eleitoral”, ele viajou até Ponta Grossa acompanhado por vários aliados políticos.
Autorização de Moraes
A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela execução da pena de Martins.
Acompanharam o senador o advogado Jeffrey Chiquini, que defende o ex-assessor; o senador e candidato ao governo do Paraná, Sérgio Moro; o candidato ao Senado Filipe Barros; a prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt; os candidatos a deputado federal Ricardo Arruda e Rosângela Moro; e os candidatos a deputado estadual Ricardo Zampieri e Jessicão.
Ao final, o advogado de Martins, Jeffrey Chiquini, afirmou que a presença do candidato representou um gesto de defesa dos condenados no processo que apurou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo ele, a defesa dos chamados “presos políticos” será uma das prioridades de Flávio Bolsonaro caso ele seja eleito presidente.
O que representou a visita
“Os presos políticos não estão esquecidos. É isso que representa isso hoje”, frisou Chiquini. Para o advogado, a visita consistiu em “uma manifestação em defesa de pessoas que, em sua avaliação, foram submetidas a condenações injustas e a violações das garantias previstas na Constituição”.
Chiquini ainda citou o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que “o presidente Bolsonaro não está esquecido”, em referência ao processo que também resultou na condenação do ex-chefe do Executivo.
A visita a Martins é a única agenda pública de Flávio Bolsonaro prevista para este fim de semana. O candidato deve retomar compromissos políticos na segunda-feira (07/09), feriado da Independência do Brasil. Para a data, Flávio convocou uma mobilização com aliados na Avenida Paulista, em São Paulo.
— Com Agências de Notícias
As aventuras de Cacimba 57 — Cacimba e a Justiça de Carnaúba Seca, por Zé da Flauta*
05/09/2026
Queriam se pirar da cidade na calada da noite, com as malas recheadas de notas. Tinham metido a mão no cofre e roubado uma parte gorda do salário dos servidores municipais. A população estava numa revolta de dar medo, com o estômago vazio e o peito cheio de raiva.
O prefeito, raposa velha, não perdeu tempo. Usou o resto do dinheiro público para contratar uma junta de advogados engravatados da capital. Chegaram de carro preto, pasta de couro debaixo do braço e um linguajar bonito feito trava-língua, prontos para inventar mil desculpas e livrar a cara dos dois gatunos.
Sem dinheiro para pagar doutor de anel no dedo, o povo do sertão só tinha um nome na cabeça. Foram bater no rancho humilde de Cacimba:
— Mestre Cacimba,...
O tempo em Carnaúba Seca andava quente, e não era só por causa do sol do meio-dia. A notícia correu feito rastro de pólvora na poeira da feira: o filho do prefeito e o gerente do Banco do Povo tinham sido pegos no pulo!
Queriam se pirar da cidade na calada da noite, com as malas recheadas de notas. Tinham metido a mão no cofre e roubado uma parte gorda do salário dos servidores municipais. A população estava numa revolta de dar medo, com o estômago vazio e o peito cheio de raiva.
O prefeito, raposa velha, não perdeu tempo. Usou o resto do dinheiro público para contratar uma junta de advogados engravatados da capital. Chegaram de carro preto, pasta de couro debaixo do braço e um linguajar bonito feito trava-língua, prontos para inventar mil desculpas e livrar a cara dos dois gatunos.
Sem dinheiro para pagar doutor de anel no dedo, o povo do sertão só tinha um nome na cabeça. Foram bater no rancho humilde de Cacimba:
— Mestre Cacimba, ajude a gente! Se esses doutores falarem bonito, a gente perde o ganho do mês e passa fome! — pediu um feirante, com o chapéu na mão.
Cacimba olhou para a tristeza daquela gente, ajeitou o chapéu de couro na cabeça e disse:
— Pois vamos. A verdade não precisa de palavra difícil, só precisa de clareza.
No dia do julgamento improvisado na delegacia, o clima azedou. Os advogados da capital começaram o show, soltando termos em latim, parágrafos e doutrinas para tentar provar que o dinheiro nas malas era "recurso sob custódia temporária".
Mas quando os doutores apontavam os dedos anelados, esbarravam nos dois companheiros de Cacimba.

Os advogados, já bufando de raiva, tentavam bater boca com os bichos:
— Tirem esses macacos daqui! Isso é um insulto à Corte! Não há amparo jurídico na palhaçada desses animais! — gritava o chefe da banca, batendo a pasta na mesa.
Simão, de óculos na ponta do nariz, nem piscava. Folheava a caderneta, batia o dedinho exatamente no livro de caixa e mostrava a diferença de cada centavo roubado, fazendo o advogado se engasgar nas próprias palavras.
Sebastião, por sua vez, subiu na cadeira do doutor, pegou o código de leis, abriu na página do crime de peculato e deu uma batida seca com o triângulo na orelha do homem, desmascarando a mentira na frente de todo mundo.
Os advogados tentavam gritar, tentavam contra-argumentar, mas iam ficando vermelhos, desconcertados e gaguejando diante das provas escancaradas pelos macaquinhos.
Vendo os doutores sem chão, Mestre Cacimba deu um passo à frente. O silêncio na sala foi tão fundo que dava para ouvir o vento lá fora. Ele tirou o chapéu de couro, colocou sobre o peito e olhou nos olhos daqueles homens engomados:
— Os doutores estudaram anos nos livros grossos da capital para aprender a transformar a mentira em flor. Mas o saber de vocês esqueceu do principal: o pão que tá nessa mala não é número em papel, é o suor do gari que limpa a poeira da praça, é a marmita da professora que ensina as crianças a ler, é o remédio do velhinho da feira. Vocês usam o latim para cobrir a vergonha de quem rouba o fraco, mas a justiça não mora no anel de doutor. A justiça mora na verdade. E contra a verdade do trabalho desse povo, o livro de vocês é só folha seca que o vento do sertão carrega!
A fala de Cacimba bateu no peito dos advogados feito um golpe de machado. Os doutores da capital empalideceram, perderam o rumo da prosa e baixaram a cabeça, completamente fracos e sem ter o que responder diante de tamanha grandeza e emoção.
O juiz de paz bateu o martelo no mesmo instante. O Banco do Povo teve que abrir as portas de emergência e devolver, centavo por centavo, o salário roubado de cada trabalhador. Carnaúba Seca voltou a sorrir, e a noite na praça virou uma festa só!
*Zé da Flauta é músico, compositor, filósofo e escritor.

ONU aprova resolução sobre novo mapa-múndi, para reduzir distorções surgidas ao longo do tempo
05/09/2026
A discussão envolve principalmente a projeção de Mercator, criada no século 16 pelo cartógrafo Gerardus Mercator para facilitar a navegação marítima. O modelo se tornou uma das representações mais conhecidas do planeta e ainda aparece em mapas, materiais educacionais e ferramentas digitais.
Um dos pontos a ser considerado é que não existe uma maneira de transformar perfeitamente uma superfície esférica, como a Terra, em uma superfície plana, como uma folha de papel ou uma tela. Toda projeção cartográfica precisa fazer algum tipo de distorção, que pode afetar o tamanho, a forma ou a localização das regiões.
Linha do Equador
...
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução que incentiva a adoção de uma nova forma de representar o mapa-múndi. A proposta, aprovada por 164 votos, busca reduzir as distorções no tamanho dos continentes causadas por projeções cartográficas utilizadas há séculos.
A discussão envolve principalmente a projeção de Mercator, criada no século 16 pelo cartógrafo Gerardus Mercator para facilitar a navegação marítima. O modelo se tornou uma das representações mais conhecidas do planeta e ainda aparece em mapas, materiais educacionais e ferramentas digitais.
Um dos pontos a ser considerado é que não existe uma maneira de transformar perfeitamente uma superfície esférica, como a Terra, em uma superfície plana, como uma folha de papel ou uma tela. Toda projeção cartográfica precisa fazer algum tipo de distorção, que pode afetar o tamanho, a forma ou a localização das regiões.
Linha do Equador
Na projeção de Mercator, a distorção aumenta à medida que uma região se afasta da linha do Equador. Assim, áreas próximas aos pólos aparecem maiores do que realmente são, enquanto regiões próximas ao Equador parecem proporcionalmente menores.
É por isso que a África, por exemplo, pode parecer ter dimensões semelhantes às da Groenlândia, embora o continente africano seja cerca de 14 vezes maior. Até a aprovação do novo modelo pela ONU, haviam duas versões mais disseminadas de mapa-múndi: a projeção de Mercator (a mais comum e mais conhecida) e a projeção de Gall-Peters. Cada uma tinha escalas próprias.
Plano prático de navegação
Criada em 1569, a projeção de Mercator foi desenvolvida para resolver um problema prático da navegação. Ela permite que os navegadores mantenham determinadas direções no mapa de acordo com a bússola, o que ajudou a explicar sua ampla utilização ao longo dos séculos.
Para conseguir isso, porém, o modelo distorce progressivamente o tamanho das regiões conforme elas se afastam do Equador. Os meridianos, que na realidade se encontram nos polos, aparecem como linhas paralelas e igualmente espaçadas no mapa. Por isso, a projeção de Gall-Peters surgiu como uma alternativa que prioriza a representação proporcional do tamanho das áreas. Ela foi desenhada originalmente pelo escocês James Gall, em 1855, e difundida décadas depois pelo historiador alemão Arno Peters.
Proporções próximas das reais
Nesse modelo, os continentes aparecem com proporções de área mais próximas das reais. A principal diferença visual em relação à Mercator é que regiões que pareciam relativamente grandes no mapa tradicional, como a Europa, passam a ocupar uma área menor, enquanto a África aparece significativamente maior.
Isso não significa, porém, que Gall-Peters seja uma representação perfeita do planeta. Assim como qualquer projeção, ela é uma tentativa de representar uma superfície curva em uma superfície plana e, portanto, envolve outras distorções.
Conforme informaram cientistas, para além disso, a diferença entre os mapas não significa que haja um "certo" e o outro "errado". As projeções são maneiras diferentes de representar a superfície curva da Terra em um plano, e cada uma prioriza determinadas características.
Uso didático e para comunicação
A proposta também parte da ideia de que os mapas não servem apenas para localizar países e continentes. Eles são usados em escolas, materiais didáticos, meios de comunicação, documentos oficiais e ferramentas digitais e, por isso, ajudam a formar a imagem que as pessoas têm das dimensões e da posição das diferentes regiões do mundo.
Segundo a resolução, as distorções podem ter efeitos cognitivos, educacionais, culturais e até geopolíticos. A mudança defendida pela ONU busca, portanto, incentivar uma representação mais próxima das dimensões reais dos territórios.
A aprovação da ONU não significa que o mapa de Mercator deixará de ser usado imediatamente. A resolução funciona como um incentivo para que governos, organizações internacionais e outras instituições considerem projeções diferentes e mais adequadas para representar o tamanho das massas de terra.
Forma de representação das dimensões
Ou seja, a mudança nada tem a ver com uma mudança no tamanho real dos continentes — eles continuam exatamente como são. O que muda é a forma como suas dimensões são representadas em um mapa plano.
É justamente essa diferença que está no centro da discussão: não há um único mapa capaz de reproduzir perfeitamente uma Terra esférica em uma folha ou tela. A escolha de uma projeção determina quais características serão preservadas e quais serão distorcidas.
— Com Agências de Notícias
Instituto Capiba integra evento do IAHGP no próximo sábado (12) com palestra sobre vida e obra do compositor pernambucano
05/09/2026
O bate-papo será realizado no próximo sábado (12/09) a partir das 10h, com participação de Amaro Filho, diretor do Instituto Capiba (IC). Acesso Gratuito. O evento terá acesso gratuito.
Valor histórico e cultural
“Será uma honra conversar num local de tanto valor histórico e cultural como o IAHGP. Contribuir com um pouco do que venho pesquisando sobre a história de Capiba para o público do Instituto”, afirmou Amaro Filho.
“A primeira vez que entrei na instituição foi pra pesquisar sobre as heroínas de Tejucupapo - Goiana. Fui recebido pelo professor Antônio G...
O Instituto Capiba, que completou um ano de fundação em julho passado e tem como lema a preservação e difusão do legado do compositor Capiba, participará do Ciclo de Palestras de uma das instituições mais respeitadas do Brasil, o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), situado na Rua do Hospício, 130, Boa Vista, Recife.
O bate-papo será realizado no próximo sábado (12/09) a partir das 10h, com participação de Amaro Filho, diretor do Instituto Capiba (IC). Acesso Gratuito. O evento terá acesso gratuito.

Valor histórico e cultural
“Será uma honra conversar num local de tanto valor histórico e cultural como o IAHGP. Contribuir com um pouco do que venho pesquisando sobre a história de Capiba para o público do Instituto”, afirmou Amaro Filho.
“A primeira vez que entrei na instituição foi pra pesquisar sobre as heroínas de Tejucupapo - Goiana. Fui recebido pelo professor Antônio Gonçalves de Melo, que, de cor, pegou uma revista do Instituto e me apontou o texto escrito pelo jornalista Mário Melo, contando a façanha daquelas corajosas mulheres. Evoé!”, acrescentou o palestrante.
Capiba menino, rapaz e homem
Conforme informações dos organizadores do evento, a proposta é de uma conversa sobre Lourenço da Fonseca Barbosa, nome original de Capiba, mostrando detalhes sobre o menino, o rapaz e o homem, para além do Capiba que deixou uma obra muito maior do que o frevo.
“Vamos falar sobre o Capiba filho, irmão, amigo e compositor de valsas, maracatus, choros, cirandas, foxtrotes, música erudita e sacra, além de suas parcerias com poetas como Carlos Pena Filho, Castro Alves, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Esther Sterenberg, entre outros”, explicou o diretor do IC.

Músicas e partituras
Durante o encontro, será apresentada também a primeira intervenção realizada no Acervo de Capiba, voltada à preservação de suas partituras. Os trabalhos foram desenvolvidos em um laboratório adaptado para a conservação de mais de 100 músicas e 600 partituras, em parceria com o IAHGP.
Segundo Amaro Filho, a palestra pretende apresentar ao público pernambucano um lado pouco conhecido de Capiba, cuja obra ultrapassa as fronteiras de Pernambuco e alcança uma dimensão nacional. “Foi um compositor que se dedicou a ser um pernambucano conhecido e reconhecido em sua terra, mas que, pela força de seu legado, tornou-se uma referência da cultura brasileira”, informou.
Sobre o IAHGP
O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) foi fundado em 1862. É o instituto histórico estadual mais antigo do Brasil. Funciona ininterruptamente desde sua fundação e se constituiu em um referencial nacional e internacional.
Seus acervos — biblioteca, arquivo e museu — e sua revista representam uma fonte inesgotável para pesquisadores de diversas áreas do conhecimento. Autêntica casa de Pernambuco, o IAHGP é um baluarte na defesa da história e da cultura do povo pernambucano.
Serviço:
Palestra: Capiba – trajetória e patrimonialização do seu Acervo
Local: Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP)
Endereço: Rua do Hospício, 130, Boa Vista, Recife.
Acesso Gratuito
Contato:
Amaro Filho
Instituto Capiba
81 – 988719261 - amarofilho4@gmail.com
Episódios entrelaçados - Transplantes de pontes e espíritos, por Gustavo Carvalho*
05/09/2026
As crianças cantavam antes de saber ler.
London Bridge is falling down. A ponte de Londres está caindo. Cantiga de roda, profecia disfarçada. Porque as pontes de Londres sempre caíram: levadas pelo fogo, pelo gelo, pelo peso dos séculos.
Até que uma delas se recusou a morrer.
Precisou apenas mudar de continente.
I. A ponte que afundava devagar
A primeira ponte de pedra sobre o Tâmisa começou a nascer em 1176, pelas mãos de um padre construtor chamado Peter de Colechurch. Ele morreu antes de vê-la pronta, em 1205, e foi sepultado na capela erguida sobre a própria obra. O construtor virou fundação. A ponte foi concluída em 1209 e viveu seiscentos anos, carregando casas, lojas e, no portão sul, cabeças de traidores espetadas em lanças. Uma ponte medieval não era travessia. Era cidade suspensa sobre a água.
Em 1831 veio a sucessora. John Rennie a desenhou e também morreu antes da inauguração. O filho,...
Prólogo
As crianças cantavam antes de saber ler.
London Bridge is falling down. A ponte de Londres está caindo. Cantiga de roda, profecia disfarçada. Porque as pontes de Londres sempre caíram: levadas pelo fogo, pelo gelo, pelo peso dos séculos.
Até que uma delas se recusou a morrer.
Precisou apenas mudar de continente.
I. A ponte que afundava devagar
A primeira ponte de pedra sobre o Tâmisa começou a nascer em 1176, pelas mãos de um padre construtor chamado Peter de Colechurch. Ele morreu antes de vê-la pronta, em 1205, e foi sepultado na capela erguida sobre a própria obra. O construtor virou fundação. A ponte foi concluída em 1209 e viveu seiscentos anos, carregando casas, lojas e, no portão sul, cabeças de traidores espetadas em lanças. Uma ponte medieval não era travessia. Era cidade suspensa sobre a água.
Em 1831 veio a sucessora. John Rennie a desenhou e também morreu antes da inauguração. O filho, outro John, terminou a obra do pai. Cinco arcos elegantes de granito. No primeiro de agosto daquele ano, o rei William IV e a rainha Adelaide a atravessaram sob salvas e banquetes.
A ponte era perfeita para um mundo de cavalos.
O mundo, porém, trocou os cavalos por motores. Ônibus, caminhões, multidões. E o granito de Rennie, apoiado no leito macio do Tâmisa, começou a responder do único jeito que o granito sabe: cedendo em silêncio. Cerca de dois centímetros e meio a cada oito anos. O lado leste afundava mais que o oeste. A ponte não estava caindo. Estava se despedindo devagar, com a dignidade das coisas bem construídas.
Em 1967, a City de Londres assinou a sentença. A ponte seria demolida e substituída.
Foi então que Ivan Luckin, membro do conselho municipal, teve uma ideia de vendedor genial. Não venderia uma ponte condenada. Venderia dois mil anos de história, desde os romanos que cruzaram ali o Tâmisa pela primeira vez. Levou o catálogo a Nova York e esperou.
Do outro lado do oceano, Robert P. McCulloch tinha o problema inverso. Fizera fortuna com motosserras e petróleo. Em 1964, fundara Lake Havasu City, uma cidade planejada às margens de um lago artificial do rio Colorado, no deserto do Arizona. Havia ruas, lotes, sol e futuro.
Faltava alma.
Em abril de 1968, McCulloch pagou 2.460.000 dólares pela ponte. Conta-se que fez a conta assim: dobrou o custo estimado da desmontagem e somou mil dólares para cada um dos sessenta anos que teria ao fim da obra. Vaidade com aritmética.
Mais de dez mil blocos de granito foram numerados como peças de um quebra-cabeça transatlântico. Navegaram pelo Canal do Panamá, desembarcaram na Califórnia, cruzaram o deserto em caminhões. No Arizona, a ponte foi remontada sobre um núcleo de concreto, em terra seca. Só depois escavaram um canal por baixo dela.
Em Londres, a ponte atravessava o rio.
No Arizona, trouxeram o rio até a ponte.
Dez de outubro de 1971. O Lord Mayor de Londres cruzou o Atlântico para a reinauguração, e o granito de Rennie voltou a trabalhar, agora sob sol de deserto. Ficou também a lenda: a de que McCulloch pensava ter comprado a Tower Bridge, aquela das torres góticas dos cartões-postais. Ele negou até o fim.
O folclore, como o granito, resiste.
II. A igreja que ficou muda
A segunda história não tem cantiga. Tem silêncio.
Ela nasceu em 1898, no Condado de York, norte da Inglaterra, terra de charnecas, carvão e fé metódica. Seu nome não atravessou o mar. Os registros que chegaram ao Brasil guardaram apenas o essencial: York, 1898, gótico vitoriano. Altar-mor entalhado. Vitrais que transformavam a luz cinzenta do norte inglês em púrpura, âmbar e azul.
Por décadas, ela fez o que as igrejas fazem. Batizados, casamentos, funerais. Uma igreja mede o tempo assim: em água, arroz e flores.
Mas o século vinte esvaziou os bancos. As vilas industriais minguaram, os filhos partiram para as cidades grandes, os hinos foram ficando mais baixos a cada domingo. Um dia, não houve mais domingo. A igreja foi desconsagrada e condenada. Na Inglaterra do pós-guerra, isso tinha nome burocrático e destino previsível: demolição.
Foi quando um olho a viu do Recife.
Em 1939, o menino Ricardo Brennand ganhou um canivete do tio, irmão do pai, que levava o mesmo nome. Nunca mais parou de colecionar. Virou engenheiro, virou industrial, virou o homem que erguia um castelo no antigo Engenho São João, na Várzea, para abrigar armaduras, espadas e a maior coleção de Frans Post do planeta.
E havia a dívida de sangue. Em 1820, um inglês chamado Edward Brennand deixou a Inglaterra e desembarcou na Bahia. Passou pelo Rio de Janeiro. Seguiu para Alagoas. Foram os seus descendentes que fincaram raízes em Pernambuco. Cento e oitenta anos depois, um deles fez a mesma viagem. Não com o corpo. Com um contêiner.
Conta-se, entre os que viveram os bastidores do Instituto, que um dia chegou ao porto uma caixa de aço com praticamente uma igreja desmontada dentro. Altar-mor. Vitrais. Mobiliário gótico.
Pedra por pedra. Vitral por vitral. Memória por memória.
Hoje, quem percorre a Sala dos Cavaleiros do Castelo São João caminha por entre lâminas e elmos até a parede do fundo. E ali, sem aviso, encontra a Inglaterra de 1898. O altar remontado, os vitrais acesos pela luz dos trópicos, a madeira escura que um dia ouviu hinos em Yorkshire.
Diante do altar, Brennand posicionou seus tesouros mais raros: armaduras completas de cavalo e cavaleiro, forjadas por volta de 1515. Aço maximiliano em posição de reverência.
A igreja que perdeu seus paroquianos na Inglaterra ganhou, no Recife, os fiéis mais pontuais do mundo. Uma congregação de aço. Cavaleiros que não envelhecem, não faltam, não duvidam.
A missa nunca termina.
III. O enxerto pegou
Um cirurgião reconheceria o procedimento.
Chama-se transplante: retira-se o órgão de um corpo que morre, transporta-se sob cuidado obsessivo, implanta-se num corpo que precisa. E então se espera o momento decisivo, aquele em que o enxerto pega (quando o tecido transplantado cria raízes no novo corpo e volta a viver).
A ponte e a igreja foram transplantes de pedra.
A doadora foi a mesma: a Inglaterra, que condenou as duas por razões opostas. A ponte morria de excesso, esmagada pelo tráfego de um império. A igreja morria de falta, esvaziada pela partida dos seus.
Os receptores não podiam ser mais diferentes. Um deserto no Arizona, que precisava de alma. Uma mata no Recife, que guardava uma saudade de sangue.
McCulloch comprou por vaidade e visão: queria dar história a uma cidade sem passado. Brennand comprou por memória e pertencimento: queria devolver o passado à história da própria família.
Os dois enxertos pegaram.
A cantiga, afinal, estava errada. London Bridge is not falling down: ela atravessa, firme, um canal de águas azuis no deserto americano, e turistas a fotografam sem saber que pisam em 1831. E a igreja de York não emudeceu: canta em pedra, todos os dias, para cavaleiros de aço, sob o sol da Várzea.
Ricardo Brennand partiu em abril de 2020, levado pelo vírus que parou o mundo. As pedras que ele salvou continuam de pé.
É o que as pedras fazem pelos homens que as amam.
Ficam.
Agradecimento à Sra. Sônia Ribeiro, do Instituto Ricardo Brennand, que engrandeceu este relato com preciosos detalhes que de outra forma não estariam disponíveis.
*Gustavo Carvalho, MD, PhD, MSc, MBA
& Amigo Intelligence (Claude AI)
Cirurgião Geral. Professor Associado de Cirurgia Geral da Universidade de Pernambuco (UPE).
Pioneiro da minilaparoscopia sem clipes, SLS EXCELL Award (EUA, 2022).
Consultor de Inteligência Artificial da Amigo Tech.
Recife, setembro de 2026.