Gol de Letra – Coluna Semanal por Roberto Vieira*- O jogo em Pernambuco
10/06/2024 - Jornal O Poder
Jogo do Bicho
O jogo do bicho é criado em 1892, no Rio de Janeiro, pelo Barão João Batista Viana Drummond, para salvar seu jardim zoológico particular. Localizado no bairro de Vila Isabel, o empreendimento sofre quando a República corta os a...

Jogo do Bicho
O jogo do bicho é criado em 1892, no Rio de Janeiro, pelo Barão João Batista Viana Drummond, para salvar seu jardim zoológico particular. Localizado no bairro de Vila Isabel, o empreendimento sofre quando a República corta os antigos subsídios imperiais aos animais. O negócio do bicho dá tão certo que logo vira febre na capital federal. E, pelo visto, não só por lá. Tanto que, em 1900, o chefe de polícia pernambucano Leopoldo M. de Paula Lins expede circular ao Recife e demais cidades do estado, ordenando cessar o jogo do bicho com prisão dos delinquentes e objetos constitutivos do crime. A ordem do chefe de polícia não resolve o caso. Nas festas juninas de 1900, papelotes intitulados de ‘palpite do dia’ animam os recifenses que pagam 200 réis escolhendo seu bicho nas casas de fogos de artifício. Também faz sucesso o livro ARTES DO DIABO, com dicas para adivinhar o bicho do dia, tipo dormir de pés amarrados.

Felismino e Dantas Barreto
O primeiro grito contra o jogo do bicho em Pernambuco ocorre em 1896. O Senado Federal está prestes a votar a proibição da loteria oficial e os jornais locais já anunciam o jogo do bicho como o grande inimigo que chega da capital federal. Porém, ao mesmo tempo, os jornais também discutem a ironia de se proibir um jogo enquanto não se proíbe a loteria oficial. Pelas ruas do país, cartelas, apostas, bilhetes são oferecidos em grande quantidade. Em 1897, o sargento Candido Pereira de Souza prende Felismino dos Santos Silva que se recusa a parar de vender pules dos animais. Felismino é dos primeiros anotadores recolhidos na Casa de Detenção pelo delito. As prisões vão se sucedendo. E o jogo do bicho é cada vez mais forte. As tirinhas de 200 réis com os bichos ganham o poético nome de ARROZ DOCE. O governador Dantas Barreto começa a fazer vista grossa. O povo gosta e esquece da política. Em 1899 cessam as prisões. Os anotadores do jogo do bicho começam a ser multados.
João Pessoa
João Pessoa era o presidente, hoje seria governador, da Paraíba em 1929, quando inicia violenta caça ao jogo do bicho. O jogo do bicho no estado vizinho deu o pontapé inicial pouco depois de sua chegada em Pernambuco. Uma parte da sociedade e dos jornais, principalmente aqueles ligados a João Pessoa, tece elogios à ação saneadora da moral e bons costumes do mandatário. Um ano depois, João Pessoa cai morto em Recife, assassinado por questões políticas e amorosas. O jogo do bicho prossegue e deixa a República Velha para trás.
Barbosa Lima Sobrinho
Corre o ano de 1949, a Loteria Estadual de Pernambuco foi regulamentada por lei em 22 de dezembro de 1947. Pelo artigo único da lei, 5% de toda jogatina no estado deve ser recolhida ao tesouro federal. Durante o ano de 1948, 6 milhões de cruzeiros escapam do tesouro por absoluta falta de fiscalização e cobrança governamental. Até que em 1949, o governo estadual firma contrato com a Loteria Estadual para correr o jogo do bicho e recolher os impostos. Das 53 casas de apostas do estado, 49 concordam pagar os 5% ao estado, mas 4 das casas, A FAVORITA, MONTE DE OURO, CASA DA FORTUNA e A FEDERAL dizem não. Como estas casas de apostas não pagam os 5%, os prêmios delas se torna muito mais atrativos que os dos demais 49 estabelecimentos. O governador Barbosa Lima Sobrinho diante do impasse e da impossibilidade de fiscalizar o jogo, bate o martelo e decreta o fim do jogo do bicho. Que como sabemos nunca acabou.

Cassinos
A Segunda Grande Guerra trouxe ao Recife tropas norte-americanas e cassinos. O Cassino Americano foi instalado no Pina e permitia apenas a presença de norte-americanos no recinto, mas mulheres brasileiras devidamente cadastradas poderiam também o frequentar. O fato não diminuiu a animosidade dos rapazes pernambucanos com os galanteadores estrangeiros, fato que ocasionou muita briga pelas ruas da cidade. Na esteira do Cassino Americano, o luxuoso Grande Hotel instalou outro famoso estabelecimento para apostas e shows na capital pernambucana. O cassino do Grande Hotel fez sucesso até que o presidente Gaspar Dutra mandasse fechar os cassinos pelo Brasil. Pelo menos oficialmente.
O bicho no futebol pernambucano
Logo após o título estadual de 1958, os jogadores do Sport, comandados pelo uruguaio Carlos Morel, reclamam o não pagamento do bicho pelo título aos dirigentes. Adelmar da Costa Carvalho, presidente do Sport rebate dizendo que não havia prometido bicho pelo título, mas que concordaram com pagamento de bicho pelas vitórias no campeonato. Somente isso. O bicho era um prêmio criado pelos dirigentes do futebol carioca nos anos 1920, quando ainda reinava pretenso amadorismo no futebol brasileiro. Cada animal representava uma quantia paga aos atletas após as vitórias. A premiação fez escola no futebol brasileiro e ganha as manchetes pernambucanas no final dos anos 1950 e anos 1960. De repente, tudo era bicho nas quatro linhas do gramado
Nilo Coelho
No dia 6 de janeiro de 1970, o governador Nilo Coelho acordou e disse que não ia ter mais jogo do bicho em Pernambuco. Nilo mandou a polícia fechar todas as bancas e a polícia com o poder do governo militar nas mãos obedeceu. Muita gente duvidava daquilo dar certo, cerca de 50 mil pessoas estavam desempregadas no estado do dia para a noite não era brincadeira, mas durante meses, Nilo Coelho foi o primeiro governante estadual a experimentar um gostinho de vitória - tanto que a loteria estadual triplicou seu faturamento. Nilo só não contava com um detalhe. O vizinho estado da Paraíba não proibiu o jogo do bicho e os pernambucanos começaram a fazer sua fezinha por aquelas bandas. Na esteira das medidas de Nilo Coelho, o ministro Delfim Neto anuncia a Loteria Esportiva no dia 25 de março de 1970. No embalo da Copa de 70, com a paixão do futebol rivalizando com a paixão pelo jogo do bicho no século XX, muito bicheiro sentiu faltar seu chão. Até que jogo do bicho e futebol também se deram as mãos com bicheiros botando dinheiro nos clubes de futebol.
Bets
Hoje, Bets são os novos bicheiros do futebol, com uma diferença. O governo Lula agiu mais rápido que Venceslau Brás em 1892. Taxou as Bets. Virou sócio da dinheirama. Porque quando se tem alguém que não se pode vencer, muito melhor é jogarmos no time dela. Para quem só curte apostas, tudo bem. Para quem ama o futebol, mais uma pulga atrás da orelha. Ou não. Porque desde que algum ser humano praticou esporte em nosso planeta pela primeira vez, outros seres humanos apostam no resultado. Em Pernambuco, no Brasil e no mundo. Mudança mesmo, tivemos apenas em nossa maneira social e política de encararmos o jogo. Até o final dos anos 1960, jogar era uma atividade que atentava contra a moral e os bons costumes. Hoje, o jogo é atividade socialmente aceita. Paga impostos. Gera receitas. Como proclamava o político francês George Pompidou, existem três maneiras de a pessoa se arruinar na vida. A mais agradável é com mulheres; a mais rápida, com o jogo; e a mais segura, com a economia. Parece que os governos compreenderam bem essa mensagem e fizeram sua fezinha.
Autor
*Roberto Vieira é médico e cronista
Leia outras informações
O Brasil Perdeu, Foi? Por Romero Falcão*
06/07/2026
Foi, foi, foi. O Brasil perdeu para a Noruega? Perdeu. E são vinte e quatro anos perdendo sem aprender com a derrota. Esse é o pior placar.
Vi meus vizinhos se preparando, vestidos de verde e amarelo, carregando grades de cerveja. A parentada reunida para a grande farra. Vi comentaristas empolgados, risonhos, seguros num três a zero para o Brasil.
A poucos minutos da partida, diziam que o jogador norueguês tinha cintura dura; seria fácil driblar os grandalhões. Feito Jairzinho entortou o italiano Facchetti, em 70?
Ledo engano. Baixaram a crista depois de Haaland — preciso — acabar com a festa. Chora, Brasil.
Mas amanhã será outro dia e nada mudará: os ônibus continuarão espremendo o povo e alimentando de tinta a pena deste...
Foi, não foi, foi, foi, não foi. Assim era a cantiga dos sapos nas lagoas de Olinda, no inverno de 1970, quando a Canarinha conquistou o tricampeonato, com um escrete de raça, garra e emoção.
Foi, foi, foi. O Brasil perdeu para a Noruega? Perdeu. E são vinte e quatro anos perdendo sem aprender com a derrota. Esse é o pior placar.
Vi meus vizinhos se preparando, vestidos de verde e amarelo, carregando grades de cerveja. A parentada reunida para a grande farra. Vi comentaristas empolgados, risonhos, seguros num três a zero para o Brasil.
A poucos minutos da partida, diziam que o jogador norueguês tinha cintura dura; seria fácil driblar os grandalhões. Feito Jairzinho entortou o italiano Facchetti, em 70?
Ledo engano. Baixaram a crista depois de Haaland — preciso — acabar com a festa. Chora, Brasil.
Mas amanhã será outro dia e nada mudará: os ônibus continuarão espremendo o povo e alimentando de tinta a pena deste cronista. A política soltando gases podres. A polarização marcando gol de placa. O padre celebrando a missa. A mosca rondando o velório. A galera renovando esperança para 2030. Vai, Brasil!
Quem sabe, em vez da dancinha, aprenderemos a remar.
*Romero Falcão é cronista de nomeada.

Bagaços de um fracasso, por Xico Bizerra*
06/07/2026
*Xico Bizerra é poeta, escritor, compositor e gênio da raça nas horas vagas.
Alguns dos relógios de Neymar não foram devidamente polidos. E o tatuador oficial da seleção perdeu o vôo para os Estados Unidos, assim como o cabeleireiro de Rafinha. O treinador italiano arretou-se com o barraqueiro da esquina que lhe mandou chicletes sabor Tutti Fruti ao invés dos de Hortelã. A Virgínia 'tava influenciando para a Rede Globo e o Vini viu nada. Todos esqueceram que Halland estava em campo ... Ainda bem que eu não gastei $ 7.000 com o ingresso de menor valor para ver os remadores da Escandinávia ...
*Xico Bizerra é poeta, escritor, compositor e gênio da raça nas horas vagas.

Água no chope. Elegia ao futebol brasileiro, por Josué Sena*
06/07/2026
Tristeza brasileira
Frustração e mágoa
Guarde-se a bela bandeira.
O tema de pouco serve,
A alegrar-me o dia
Compromete a verve
Que me alimenta a poesia.
Rema a torcida da Noruega,
Ao ritmo de ruidosos tambores
A deusa da vitória se nega
A sorrir para nossas cores.
Alguém diz, (ainda analiso): “faltou entrega
Ou talento aos nossos jogadores!”
*Josué Sena é desembargador e poeta.
No chope deu água
Tristeza brasileira
Frustração e mágoa
Guarde-se a bela bandeira.
O tema de pouco serve,
A alegrar-me o dia
Compromete a verve
Que me alimenta a poesia.
Rema a torcida da Noruega,
Ao ritmo de ruidosos tambores
A deusa da vitória se nega
A sorrir para nossas cores.
Alguém diz, (ainda analiso): “faltou entrega
Ou talento aos nossos jogadores!”
*Josué Sena é desembargador e poeta.

Após eliminação da Copa, Brasil busca respostas para o próximo ciclo, confira essa e outras manchetes da manhã
06/07/2026
Seguirá em frente
No comando, o técnico Carlo Ancelotti seguirá à frente da equipe, já que renovou seu contrato até a próxima Copa. Ele terá a responsabilidade de dar chance para jogadores que estão pedindo passagem, além de resolver lacunas que foram visíveis neste Mundial.
- Com argumentos da indústria e do agro, Brasil vai aos EUA tentar barrar tarifaço de Trump
Tentativa para conter a guerra comercial. Começam hoje, segunda-feira (06/07 as audiências...
Uma eliminação precoce que acabou com o sonho do hexa. Dolorida. Uma das piores campanhas da seleção. E que culminou com um vexame histórico. E a decepção estampada no rosto dos brasileiros. Afinal, de quem é a culpa? Com a queda da Seleção na Copa de 2026, o torcedor brasileiro sentiu o gosto amargo de mais um Mundial sem títulos. Agora, é hora de juntar os cacos e pensar no próximo ciclo visando a edição 2030.

Seguirá em frente
No comando, o técnico Carlo Ancelotti seguirá à frente da equipe, já que renovou seu contrato até a próxima Copa. Ele terá a responsabilidade de dar chance para jogadores que estão pedindo passagem, além de resolver lacunas que foram visíveis neste Mundial.

- Com argumentos da indústria e do agro, Brasil vai aos EUA tentar barrar tarifaço de Trump

Tentativa para conter a guerra comercial. Começam hoje, segunda-feira (06/07 as audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), etapa considerada decisiva na investigação comercial americana que propõe uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

Audiências
As audiências fazem parte do processo, baseado na Seção 301 da legislação comercial americana, e permitem que empresas, associações, governos e outras partes interessadas apresentem seus argumentos antes da decisão final dos Estados Unidos.

- Tarifaço: nos EUA, Flávio busca barrar discurso de soberania de Lula, diz Metrópolis

O pré-candidato à Presidência da República e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) será uma das testemunhas na audiência pública para discutir uma investigação que pode culminar em uma taxação de 25% pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros hoje, segunda-feira (06/07). O Brasil é acusado de práticas “irrazoáveis”.
Investigação
A possibilidade de taxação decorre de uma investigação realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Flávio Bolsonaro anunciou que fará um discurso contra as taxas, mas para impedir que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fature politicamente, ou seja, avance com o discurso de soberania.

-Tribunais descumprem decisão do STF sobre penduricalhos e pagam salários de até R$ 495
Ao menos sete tribunais estaduais burlaram a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que restringiu os penduricalhos e pagaram a magistrados salários acima dos limites estabelecidos pela corte. O descumprimento ocorreu com base em resolução do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), órgãos de controle do Judiciário e do Ministério Público.
Recebeu
Segundo a Folha, uma juíza do Distrito Federal F recebeu R$ 495 mil após aposentadoria, maior salário registrado em maio

- Número de mortos em terremotos na Venezuela sobe para 3.342
Os terremotos que abalaram a Venezuela em 24 de junho provocaram a morte de pelo menos 3.342 pessoas, informou o governo venezuelano ontem, domingo (05/07). Segundo os números oficiais, o duplo terremoto que mergulhou o País no luto também deixou 16.740 feridos.

O balanço
O balanço anterior, de sábado (04/07), indicava 2.954 mortos e 16.592 feridos, especialmente em La Guaira, Estado vizinho a Caracas que foi devastado pelos tremores. Mais de 150 corpos de vítimas dos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 foram enterrados sem identificação, constataram jornalistas da AFP.
- Segunda-feira, 06 de julho. O amanhecer do primeiro dia de nossas vidas, após a dolorida e vexatória eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo 2026. O brasileiro amanheceu triste e enxugando as lágrimas do trágico fim da Canarinha no Mundial. Na política e na economia, a expectativa para ver se o Brasil vai lograr êxito na tentativa de barrar tarifaço de Trump. Mas o assunto mesmo é a eliminação precoce do Brasil da 23 Copa do Mundo. Vamos conferir as primeiras quentes do dia:
- Empresas vão aos EUA hoje tentar barrar tarifaço
- A economista que tenta entender a insatisfação dos brasileiros sob Lula: 'Redes sociais criam desejos de consumo para além do crescimento da renda' analisa BBC News
-Apenas três pré-candidatos ao Planalto já anunciaram vice
-Fifa anula suspensão de atacante dos EUA e Trump comemora
-Ex-mulher do goleiro Bruno é encontrada após três dias e está internada
-Trump oferece ajuda a Putin para acabar com a guerra entre Ucrânia e Rússia
-Trump se vangloria da própria trapaça e da FIFA contra a moralidade no futebol
-Tragédia na Venezuela: equipes internacionais buscam sobreviventes de terremoto histórico

E no futebol? Lágrimas dos brasileiros com o fim do sonho do hexa. Uma das piores participações da Seleção Brasileira em Copa do Mundo. Eliminação precoce. E futuro incerto. Agora o tempo é de renovação. Um novo ciclo que começa. Já a Inglaterra sofreu, mas superou o México e segue viva na Copa: Vamos conferir as novidades do Mundial com ampla repercussão do fiasco da Seleção Brasileira:
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- Inglaterra segura pressão, bate o México no Azteca e vai às quartas da Copa
Eles seriam os nossos adversários. A Inglaterra superou o México por 3 a 2 na noite de ontem domingo (05/07), no Estádio Azteca, e garantiu sua vaga nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026.

Encaram
Agora, os ingleses encaram a Noruega, que venceu o Brasil pelo placar de 2 a 1. O duelo acontece no próximo sábado (11/06), às 18h (de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami.Já a Seleção Mexicana, encerra sua campanha nas oitavas, fase que já alcançou em outras sete oportunidades.

- Brasil será favorito na Copa de 2030, mas terá de largar a prepotência e a arrogância, diz Mauro Beting
-O que esperar do Brasil para o próximo ciclo após eliminação na Copa 2026
-Última Copa de Neymar marca o fim da "era 7x1" na Seleção Brasileira
-Com Haaland "carrasco", Noruega vence e Brasil deixa a Copa do Mundo
-Ancelotti explica por que Vini Jr não cobrou pênalti em Brasil e Noruega
-Brasil perde de 2 a 1 da Noruega e dá adeus melancólico ao sonho do hexa
-Haaland se manifesta após vitória da Noruega sobre o Brasil
“Tentei, tentei. Agora acabou! Comecei aqui. Acabei aqui!” Derrotado, Neymar diz adeus à Seleção. Ancelotti montará ‘novo’ Brasil sem Neymar
-Tristeza, nova aventura, renovação, Endrick e Neymar: o que Ancelotti falou durante 12 minutos após a eliminação do Brasil

Por enquanto é isso. Muita coisa deve acontecer ao longo deste 6 de julho. Que seja um dia produtivo, apesar da decepção dos brasileiros com a Seleção. A vida segue. Vai começar a campanha eleitoral. Continuem acompanhando O Poder. Bom dia a todos.

Severino Lopes
Não deu, Brasil. Adeus, Neymar. Viva Haaland.
05/07/2026
Neymar
Entrou no segundo tempo, fora de forma e sem ritmo de jogo. Cumpriu a missão de converter o segundo pênalti da partida e fazer o chamado "gol de honra".
Ancelotti
Sem preconceito, Mister. Além de servir de escudo para a direção da CBF, não disse a que veio.
Haaland
25 anos. Artilheiro do Manchester City, um dos melhores times do mundo. Neste momento, um dos três artilheiros da Copa, com sete gols. Empatado com Messi e Mbappé. E segue na disputa. Vem muita emoção por ai. Pena que os brasileiros estejam fora, justo nesta hora.
O Brasil
Hora nenhuma da copa jogou um futebol para encantar. Sem um jogador de referência. Só Vini Jr brilhou. É muito pouco para p...
Sem julgamentos, nesta hora. Mas time que perde pênalti e desperdiça gol feito em partida mata-mata na Copa do Mundo, não pode reclamar de nada.

Neymar
Entrou no segundo tempo, fora de forma e sem ritmo de jogo. Cumpriu a missão de converter o segundo pênalti da partida e fazer o chamado "gol de honra".
Ancelotti
Sem preconceito, Mister. Além de servir de escudo para a direção da CBF, não disse a que veio.

Haaland
25 anos. Artilheiro do Manchester City, um dos melhores times do mundo. Neste momento, um dos três artilheiros da Copa, com sete gols. Empatado com Messi e Mbappé. E segue na disputa. Vem muita emoção por ai. Pena que os brasileiros estejam fora, justo nesta hora.
O Brasil
Hora nenhuma da copa jogou um futebol para encantar. Sem um jogador de referência. Só Vini Jr brilhou. É muito pouco para pretender um título. Ou mesmo uma quarta de final. Comparando com outras seleções, saiu na hora que deveria sair pelo futebol apresentado.
A Noruega
Está jogando um futebol de primeira linha. Um grande time começa com um grande goleiro e tem um artilheiro que resolve. A Noruega tem os dois. Pode surpreender.
As barcas
A do Brasil afundou, melancólicamente. A da Noruega continua em busca de mares nunca antes navegados.
E agora?
Em 2030 tem mais.
Adeus, querido Wal. Uma vida de coragem e lutas, sempre do lado do povo
04/07/2026
Nota de pesar
É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Waldemar Borges, uma das figuras mais íntegras, coerentes e dedicadas da história política recente de Pernambuco. Wal, como era conhecido, partiu na tarde deste sábado (04 de julho de 2026), aos 67 anos, após lutar bravamente contra um câncer, deixando uma lacuna irreparável na vida pública e, acima de tudo, no seio de nossa família.
Nascido em 10 de julho de 1958, Waldemar Borges dedicou toda a sua vida a uma trajetória marcada pela coerência, correção, firmeza, compromisso social e, acima de tudo, por uma imensa capacidade de diálogo. Seus quase 40 anos de trajetória pública, dos quais 32 exercendo mandatos conferidos pelo povo, foram desempenhados com reconhecida decência, consolidando-o c...
A família do deputado estadual Waldemar Borges, um dos mais coerentes, corajosos e ilibados guerreiros da causa popular, amitiu, na tarde deste sábado, 04/07/26 a nota a seguir.
Nota de pesar
É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Waldemar Borges, uma das figuras mais íntegras, coerentes e dedicadas da história política recente de Pernambuco. Wal, como era conhecido, partiu na tarde deste sábado (04 de julho de 2026), aos 67 anos, após lutar bravamente contra um câncer, deixando uma lacuna irreparável na vida pública e, acima de tudo, no seio de nossa família.
Nascido em 10 de julho de 1958, Waldemar Borges dedicou toda a sua vida a uma trajetória marcada pela coerência, correção, firmeza, compromisso social e, acima de tudo, por uma imensa capacidade de diálogo. Seus quase 40 anos de trajetória pública, dos quais 32 exercendo mandatos conferidos pelo povo, foram desempenhados com reconhecida decência, consolidando-o como um dos melhores representantes da boa política — aquela elevada, transformadora e voltada para a coletividade. A política como ela deve ser.
Para além do homem público exemplar, guardaremos para sempre a lembrança do marido e pai amoroso, cuja generosidade e retidão continuam a ser o nosso orgulho e o nosso maior norte. Sua história e seu legado permanecem vivos em nossos corações e como um farol para as próximas gerações.
Com profunda dor e saudade,
Luciana Santos (esposa)
Walzinho, Mariana e Luana (filhos)
Velório
Até a elaboração desta matéria, local e hora ainda não estavam definidos.
Um artigo de Wal
Um dos recentes textos de Wal, um combatente até o último suspiro, com bandeira e lado, publicado com muita honra por O Poder.
https://www.jornalopoder.com.br/noticias/29537/opiniao-a-historia-ensina-por-waldemar-borges
Chapa unida - Cícero, Veneziano e André Gadelha participam de atividades no sertão paraibano
04/07/2026
Em Itaporanga
Cícero, Veneziano e o deputado estadual e também pré-candidato ao Senado André Gadelha fizeram uma visita ao comércio e ao Mercado Público da cidade, acompanhados do vereador Hélio do Bar, do suplente Márcio Rodão e de outras lideranças locais. Também participaram da visita o vereador de João Pessoa, João Corujinha; e o ex-prefeito de Monte Horebe e pré-candidato a deputado estadual, Marcos Eron.
Diamante
De Itaporanga a comitiva seguiu para Diamante, onde foi recebida pelo prefeito Hermes Filho, pelo presidente da Câmara Municipal, Lucivânio de Luiz Chico, além de...
A chapa de pré-candidatos majoritários do MDB Cícero Lucena (Governo da Paraíba) Veneziano Vital do Rêgo (reeleição ao Senado) e André Gadelha Senado) participou de atividades durante todo o dia de ontem, sexta-feira (03/07), em cidades do sertão paraibano. Eles estiveram em Itaporanga, Diamante e Pombal.

Em Itaporanga
Cícero, Veneziano e o deputado estadual e também pré-candidato ao Senado André Gadelha fizeram uma visita ao comércio e ao Mercado Público da cidade, acompanhados do vereador Hélio do Bar, do suplente Márcio Rodão e de outras lideranças locais. Também participaram da visita o vereador de João Pessoa, João Corujinha; e o ex-prefeito de Monte Horebe e pré-candidato a deputado estadual, Marcos Eron.

Diamante
De Itaporanga a comitiva seguiu para Diamante, onde foi recebida pelo prefeito Hermes Filho, pelo presidente da Câmara Municipal, Lucivânio de Luiz Chico, além de outros vereadores, secretários municipais e demais lideranças, para a entrega da Praça Argemiro Abílio de Sousa, construída com recursos destinados por Veneziano.

Pombal
A programação terminou à noite, quando os pré-candidatos participaram das atividades que abriram as comemorações do aniversário de 328 anos de Pombal, ao lado do prefeito Galego da Gavel e de outras lideranças.

Fala André
O pré-candidato ao senado, André Gadelha, ex-prefeito de Sousa e que atualmente é deputado estadual, avaliou a jornada como muito positiva. "Nossa chapa está unida e tem objetivos claros. Somos os candidatos que representam o povo. Que têm experiência e sintonia com os problemas da população. Eleição é contraste e comparação. Na campanha, o povo vai poder comparar as chapas e ver quem, de fato, defende os seus interesses", afirmou.

Trios de forró mantém tradição e preservam cultura em cidades nordestinas Severino Lopes*
04/07/2026
Com três instrumentos que são o retrato da cultura nordestina, os trios de forró estão em toda parte de diversas cidades do Nordeste, formando o núcleo principal de um gênero que, mesmo diante de modismos e pressões comerciais, mantém viva sua identidade.
Mais de 100 trios
Em Campina Grande, eles são a alma das festividades juninas e da cultura pé de serra. A cidade conta com mai...
Entre uma nota da sanfona, o toque do triângulo e a batida do zabumba, uma tradição antiga se mantém no São João de Campina Grande, Caruaru e no Recife. Os toques dos instrumentos são inconfundíveis. E convidativos para o arrasta-pé. No centro do forró tradicional, também conhecido como ‘forró pé de serra’, está uma formação musical que sobrevive há décadas sem perder sua essência. Mesmo com o fim da temporada junina, esses trios de forró seguem firmes, tocando o genuíno forró deixado por Luiz Gonzaga, com apresentações ao longo de todo ano.
Com três instrumentos que são o retrato da cultura nordestina, os trios de forró estão em toda parte de diversas cidades do Nordeste, formando o núcleo principal de um gênero que, mesmo diante de modismos e pressões comerciais, mantém viva sua identidade.

Mais de 100 trios
Em Campina Grande, eles são a alma das festividades juninas e da cultura pé de serra. A cidade conta com mais de 100 trios tocando no São João. Vestidos a caráter, seus integrantes se apresentam em palcos culturais, no Parque do Povo e na Ilha Seu Vavá, na Pirâmide. Entre tantos trios, destaques para o Trio Forró de Boa, Trio Agrestino, Trio Forró do Léo, e o Trio Forró Nordestinado .
Essa tradição nordestina gera renda, atrai turistas e uma identidade cultural singular brasileira. É no tempo de São João que os trios de forró pé de serra se tornam protagonistas das festas populares. A tradição do gênero segue sendo passada entre gerações de músicos, muitas vezes dentro das próprias famílias. “É muito gratificante para quem faz forró pé-de-serra. São oportunidades que trazem uma alegria enorme pra gente”, celebrou Edenir dos Santos, do Trio Forrozeando.
Já o Trio de Forró existe há cinco anos, e se apresenta durante todo o ano, sendo que o período de mais trabalho é o junino. O produtor, Emanoel Carvalho de Lima, que também é músico, disse que junho é o melhor mês para divulgar a música nordestina. O foco do grupo, segundo ele, é defender a tradição, os costumes e as raízes da região.

35 anos de carreira
Outro personagem conhecido no meio é Rildo Oliveira. Com 35 anos de carreira, tocando o forró pé-de-serra, ele já comandou vários trios de forró como os Almirantes do Forró, os Agrestinos do Forró e Aventureiros do Forró. Os grupos, já se apresentaram várias vezes nas palhoças do Parque do Povo.
Rildo contou que o grupo mantém a autêntica formação clássica nordestina, executando clássicos do xote, baião e arrasta-pé. A temporada de 2026 para ele, foi uma das melhores com diversos shows realizados ao longo do mês.

Início com Gonzagão
O trio de forró tradicional é um formato consagrado por Luiz Gonzaga, que popularizou o gênero pelo Brasil, contando histórias do nortista, como era conhecida parte da atual Região Nordeste. Para muitos músicos, integrar um trio de forró não é apenas uma escolha artística, mas uma profissão que garante o sustento de diversas famílias, além da identidade que integra gerações de pessoas pela luta e reconhecimento da sua identidade.
A história dos trios começou com o rei do baião, Luiz Gonzaga. Exímio tocador de sanfona, Gonzaga sentiu a necessidade de um acompanhamento que marcasse o ritmo da música em suas apresentações, inspirado pelas bandas de pífano que havia no sertão e nos instrumentos de couro utilizados no Rio de Janeiro.
Resiste ao tempo
Tradições nordestinas mantidas através do forró, os trios são a alma e a base da autêntica tradição junina no São João do Recife. Conhecidos pelo formato clássico de sanfona, zabumba e triângulo, durante os festejos da cidade, eles se apresentam não apenas nos grandes palcos, mas especialmente nos polos dedicados à cultura popular, como a Sala de Reboco e os pavilhões de dança do Sítio Trindade.
Entre tantos trios que existem na cidade e este ano tocaram em Polos Tradicionais como no Sítio Trindade e no Pátio de São Pedro, destaques para o Trio Forró Xodó e mestres da sanfona, Trio Magia do Sol, rio Pérola Negra (Itinerante), Trio Arranca Rabo, Trio Mexe Mexe, Trio Palha de Milho (Itinerante), Trio Culé de Xá, Trio Nordeste Show (Itinerante), Trio Sanfona do Povo, Trio Xodó Maior e Trio 100% Mulher.
O berço de vários trios de forró
Em Caruaru, berço de diversos trios de forró pé de serra, responsáveis por manter viva a tradição da sanfona, zabumba e triângulo, estão entre os seus principais representantes o Trio Nordestino, Trio Caruru, Trio Namorados da Lua, Trio Asas da América e Trio Bau dos Oito Baixos. Trio Santa Rosa, Forró Chicote, Forró Chacal, entre outros.
Assim, entre uma nota de sanfona e outra apresentação, o forró segue firme, enchendo as ruas de som, suor e memória. E os trios, mesmo sob sol forte ou ao cair da noite, seguem tocando e valorizando não apenas uma sonoridade, mas todo um modo de vida típico do povo nordestino.
*Severino Lopes é editor regional de O Poder

As aventuras de Cacimba 48 — O cinema de retalho, por Zé da Flauta*
04/07/2026
Os rolos de filme que o velho trouxe estavam tão velhos e despedaçados que pareciam uma colcha de retalhos de celuloide. Simão, com seus óculos redondos na ponta do nariz e uma paciência de monge, usava uma gilete e goma arábica para emendar um pedaço de filme mudo de Charles Chaplin com uma cena de navio cruzando o porto do Recife.
Enquanto isso, Sebastião já chorava de soluçar só de ver o drama da fita gasta, distribuindo lenços de algodão para os primeiros da fila e quase engolindo o rolo de filme na empolgação.
Quando a luz do projetor finalmente rasgou a escuridão do sertão, o que se viu na parede foi uma confusão bendita. Um...
A novidade chegou a Carnaúba Seca no lombo de um jumento: um projetor de cinema do ano do ronco, manco das engrenagens e remendado com arame de cerca. Cacimba anunciou que a parede branca da igreja seria a tela do maior espetáculo da terra, mas o rebuliço de verdade acontecia nos bastidores da cabine improvisada.
Os rolos de filme que o velho trouxe estavam tão velhos e despedaçados que pareciam uma colcha de retalhos de celuloide. Simão, com seus óculos redondos na ponta do nariz e uma paciência de monge, usava uma gilete e goma arábica para emendar um pedaço de filme mudo de Charles Chaplin com uma cena de navio cruzando o porto do Recife.
Enquanto isso, Sebastião já chorava de soluçar só de ver o drama da fita gasta, distribuindo lenços de algodão para os primeiros da fila e quase engolindo o rolo de filme na empolgação.
Quando a luz do projetor finalmente rasgou a escuridão do sertão, o que se viu na parede foi uma confusão bendita. Um caubói americano começava um duelo no Velho Oeste e, no frame seguinte, caía de repente num plano aberto das pontes do Recife sob o sol de Pernambuco.
Como as fitas não tinham som e a lógica tinha tirado férias, Cacimba pegou o microfone e assumiu o papel de narrador oficial daquela colagem maluca. O povo assistia de boca aberta enquanto o velho transformava o caos em pura filosofia:
"Estão vendo esse trem que corre sem saber o destino? É o tempo, minha gente. A vida da gente é igualzinha a esse filme de retalho que Simão colou: um pedaço de riso ali, uma saudade acolá, tudo misturado num rolo só, e a gente passando o dia tentando adivinhar qual vai ser a próxima cena.”

O tom da noite mudou quando o projetor mostrou a imagem em preto e branco de uma mulher chorando na beira de um cais. Cacimba, com a sensibilidade que Deus lhe deu, esqueceu o roteiro original e começou a narrar a história de Dona Lurdes, lembrando o dia em que o filho dela partiu para o Sul e nunca mais mandou notícias.
A voz do velho, mansa e carregada de afeto, ecoava na praça enquanto a luz da fita gasta iluminava os rostos da multidão. Sebastião, abraçado ao pescoço de Cacimba, derramava lágrimas grossas que molhavam a camisa do mestre.
No barranco, o choro virou um coro baixinho; os homens mais duros da cidade limpavam os olhos disfarçadamente com a manga da camisa, vendo suas próprias dores, perdas e esperanças projetadas e validadas naquela parede de cal.
De repente, num estalo seco, a fita partiu e a parede da igreja voltou a ser apenas uma parede branca sob o céu estrelado do sertão…
O silêncio que se seguiu não era de decepção, mas de comunhão.
Cacimba desligou o motor do projetor, olhou para o povo que ainda guardava o brilho da tela nos olhos e deixou a última reflexão da noite:
"O cinema de verdade não precisa de fita inteira e nem de eletricidade, meus amigos. Ele acontece no escuro do peito de cada um de vocês, onde as memórias não quebram e os amores da gente nunca saem de cartaz."
A cidade voltou para casa a passos lentos, olhando para as estrelas e sentindo que a vida em Carnaúba Seca, com todos os seus remendos e dificuldades, tinha a grandeza e a dignidade dos maiores clássicos da tela de cinema.
*Zé da Flauta é músico, compositor, filósofo e escritor.

ONS redobra cuidados para evitar faltas localizadas de energia, por conta de alta demanda no jogo do Brasil deste domingo (5)
04/07/2026
Para o confronto das oitavas de final da seleção do Brasil contra a da Noruega, marcado para este domingo (05/07), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já trabalha com um cenário de atenção redobrada.
Risco de excedente de geração
A expectativa do operador é de que a combinação entre o jogo e o domingo — quando a atividade econômica já é naturalmente menor — reduza ainda mais a demanda por energia ao longo da partida. O cenário pode ampliar o risco de excedentes de geração, principalmente de fontes solar e eólica, exigindo novos cortes para preservar o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN).
"O desafio operacional é diferente do observado em dias ú...
Os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo têm imposto um desafio adicional ao sistema elétrico do país, ao combinar picos de geração renovável com quedas bruscas de consumo provocadas pela mobilização da população durante as partidas.
Para o confronto das oitavas de final da seleção do Brasil contra a da Noruega, marcado para este domingo (05/07), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já trabalha com um cenário de atenção redobrada.

Risco de excedente de geração
A expectativa do operador é de que a combinação entre o jogo e o domingo — quando a atividade econômica já é naturalmente menor — reduza ainda mais a demanda por energia ao longo da partida. O cenário pode ampliar o risco de excedentes de geração, principalmente de fontes solar e eólica, exigindo novos cortes para preservar o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN).
"O desafio operacional é diferente do observado em dias úteis, mas seguimos monitorando continuamente o comportamento da carga e da geração", afirmaram, em nota, representantes do ONS. O órgão também avalia a necessidade de medidas adicionais para controlar a oferta, incluindo a redução da produção de usinas a biomassa e pequenas centrais hidrelétricas conectadas à rede de distribuição, mecanismo já utilizado em situações pontuais neste ano.

Corte de 20 gigawatts
O alerta ocorre poucos dias após o operador determinar um corte de aproximadamente 20 gigawatts (GW) na geração eólica e solar durante a partida entre Brasil e Japão, na segunda-feira (1º). O jogo, disputado às 14h, foi o primeiro da Seleção em horário de expediente, quando a geração solar atinge níveis elevados e parte da atividade industrial e de serviços permanece em funcionamento.

Normal em grandes eventos
Segundo o ONS, o corte foi provocado pela combinação entre elevada geração distribuída e uma redução acentuada da carga. Em nota, o órgão informou que a medida "se deve à elevada geração distribuída e carga muito reduzida".
Durante a partida, a carga do SIN caiu cerca de 21%, atingindo 66.515 megawatts médios por volta do intervalo. Logo após o apito final, às 16h02, o movimento se inverteu rapidamente, em apenas uma hora, a demanda aumentou 12.783 MW, volume equivalente ao consumo médio somado de Minas Gerais e Paraná, refletindo a retomada simultânea das atividades econômicas e domésticas.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, afirmou que grandes eventos esportivos aumentam a complexidade da operação do sistema. "Avaliamos que mais pessoas estarão ligadas na Copa, o que poderá aumentar ainda mais a complexidade da operação. De qualquer maneira, estamos preparados para continuar garantindo o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN) e o atendimento às demandas da nossa torcida e de toda a sociedade brasileira", disse.
— Com Correio Braziliense