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Entrevista do domingo - Este governo já começou velho, com Marcelo Tognozzi*

15/06/2024

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O Poder — No seu último artigo, para o Poder 360, o senhor afirma que o Governo Federal “queimou a embreagem” esta semana e que considera o período o pior destes 18 meses de Governo Lula. Por quais motivos?

MT — Embreagem permite a troca de marcha e de velocidades, reduzir nas curvas, acelerar nas retas. Lula teve de engolir a devolução da Medida Provisória do Pis-Cofins, contra a qual se rebelaram os que produzem, geram empregos e pagam impostos caríssimos com retorno pífio. No dia 28 de maio, o governo já sofrera derrotas com a derrubada do veto das saidinhas e a manutenção do veto de Bolsonaro à lei que criminalizou fake news. Isso, sem falar do marco temporal para demarcação de terras indígenas e da PEC das Drogas que avança no Congresso e irá endurecer a repressão ao porte e ao uso.

O Poder — Ao seu ver, isto pode ser perigoso ou também pode ter como ponto positivo o fato de ser um governo que ainda nem acabou o segundo ano do mandato?

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O Poder — No seu último artigo, para o Poder 360, o senhor afirma que o Governo Federal “queimou a embreagem” esta semana e que considera o período o pior destes 18 meses de Governo Lula. Por quais motivos?

MT — Embreagem permite a troca de marcha e de velocidades, reduzir nas curvas, acelerar nas retas. Lula teve de engolir a devolução da Medida Provisória do Pis-Cofins, contra a qual se rebelaram os que produzem, geram empregos e pagam impostos caríssimos com retorno pífio. No dia 28 de maio, o governo já sofrera derrotas com a derrubada do veto das saidinhas e a manutenção do veto de Bolsonaro à lei que criminalizou fake news. Isso, sem falar do marco temporal para demarcação de terras indígenas e da PEC das Drogas que avança no Congresso e irá endurecer a repressão ao porte e ao uso.

O Poder — Ao seu ver, isto pode ser perigoso ou também pode ter como ponto positivo o fato de ser um governo que ainda nem acabou o segundo ano do mandato?

MT — Este é um governo que já começou velho. Assumiu o protagonismo político antes de o anterior acabar e continua envelhecendo rapidamente, porque não oferece nada de novo, não tem plano econômico e fala mais de Bolsonaro do que de futuro. Enquanto isso, a inflação dá seus soluços. O ministro da Fazenda Fernando Haddad, desde a posse tratado a pão de ló pelo mercado, usou e abusou do velho truque indígena de mandar para o Congresso propostas indigestas e, depois, negociar para não sair de mãos abanando. Com a devolução da parte essencial da MP do Pis-Cofins, game over para Haddad. Vai ter de sacar outro truque da cartola. Se é que ainda existem truques e cartolas disponíveis.

O Poder — Em sua avaliação, quem foram os principais personagens que contribuíram para a devolução da MP?

MT — Rubens Ometo, da Cosan, já tinha dado o tom da orquestra, mas as figuras centrais da campanha pela devolução da MP foram dois baianos: Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e João Martins, presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Afinadíssimos, Alban assoprou e Martins mordeu. Depois deram entrevistas juntos e misturados. O escândalo do leilão do arroz foi a crônica da alopragem anunciada. O ex-secretário do Ministério da Agricultura Neri Gueller, um ex-titular da pasta, perdeu o cargo depois de confirmada a sociedade do seu filho e um ex-assessor numa das empresas vencedoras do leilão de arroz. Era tudo o que não precisava acontecer. Até porque não falta arroz e nem faltará, garantem produtores e comerciantes. Mas o que esperar de um sujeito que já foi ministro e aceitou voltar ao ministério como assessor do ministro Carlos Fávaro? Deve ser um lugar muito bom para trabalhar este Ministério da Agricultura.

O Poder — O presidente Lula precisa fazer mesmo a tão falada reforma ministerial?

MT — É questão de sobrevivência. Sua articulação política é irrisória, o ministro Alexandre Padilha não fala com o presidente da Câmara e está à margem das negociações para a sucessão na Casa. O presidente, defensor da isenção de impostos para as comprinhas nos sites chineses, acabou tendo de aceitar a taxação de 20% sobre as compras até US$ 50. Ou seja: o que antes custava US$ 50, agora custará US$ 60. A sorte do governo é contar com gente competente e sóbria como o líder no Senado São Jaques Wagner, cuja especialidade tem sido milagres dos mais variados tipos e tamanhos.

O Poder — Quem são, na sua avaliação, o melhor e o pior ministro do Governo Lula?

MT — O melhor ministro do governo é José Múcio Monteiro, da Defesa. Leal, sério e competente, debelou a crise nas Forças Armadas. A ponto de ninguém mais lembrar os nomes dos comandantes militares. Ministro bom é ministro que não traz problema; traz solução. O ministro-problema é Juscelino Filho, das Comunicações. Foi indiciado num inquérito da Polícia Federal e é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Lula sabe que mais dia menos dia o pior vai acabar acontecendo. A ministra Nísia Trindade não soube lidar com a dengue, a doença desembestou e, registra a Agência Brasil, agora temos mais de 4 milhões de casos e 2 mil mortes. Nunca o time dos mosquitos tinha dado um baile assim no Ministério da Saúde, comandado por alguém que veio da Fiocruz, cujo fundador, Oswaldo Cruz, ficou famoso combatendo mosquitos há mais de 100 anos. Cento e tantos anos de experiência que de nada serviram.

O Poder — Pode-se considerar que esses fatos vão repercutir na popularidade do presidente?

MT — Uma hora a conta chega, como aconteceu esta semana. Nos últimos 18 meses, o que temos visto são impostos demais e governo de menos. Lula tem dito que equilibrará as contas arrecadando mais, baixando as taxas de juros e aumentando investimentos. Nem um pio sobre corte de despesas e desperdícios. O mercado entendeu que Lula tirou o urso para dançar, o dólar assanhou, a Bolsa amuou e o Real desvalorizou. A última rodada do PoderData mostrou Lula com uma desaprovação (47%) maior que a aprovação (45%) e não vai parar por aí. O presidente governa neste 3º mandato como se vivesse nos tempos dos seus dois anteriores. A situação era muito diferente, o mundo era diferente.

O Poder — O mundo era diferente, mas quais diferenças o senhor considera mais desgastantes para o Governo?

MT — Lula podia acordar e decidir - como fez - que era preciso tolerância zero na combinação álcool e direção e o teste de bafômetro veio para ficar. Não havia um Supremo sócio do governo e o PT e seus aliados tinham maioria. Agora é bem diferente. Este é um governo de minoria parlamentar. Governos deste tipo ou ganham no grito, ou ganham negociando. A realidade desta semana mostrou que no grito não vai e a negociação precisa de um up grade urgente. A necessidade de uma reforma ministerial tem sido tema de conversas entre petistas históricos, incomodados com a perspectiva de uma derrota acachapante nas eleições deste ano. Pensam na sobrevivência, mas o partido não tem candidatos fortes nas principais cidades.

O Poder — E como fica a situação do presidente da Câmara, Arthur Lira, nesse contexto?

MT — Não há sinais indicando uma possível derrota de Arthur Lira na disputa pela presidência da Câmara. Ele teve 302 votos na sua primeira eleição e 464 na segunda. Tenho 40 anos de Congresso e nunca tinha visto proeza parecida. A competência de Lira tem sido vencer e ocupar e nesta toada que ele deve eleger seu sucessor. A derrota do PT nas grandes cidades significa menos máquina para eleger deputados federais. Arthur Lira sabe disso. E há um detalhe, sempre lembrado por deputados veteranos e novatos: ele cumpre os acordos. Na hora de votar num candidato a presidente da Câmara isso vale muito. A embreagem do governo bichou e o cheiro de queimado só faz aumentar. Ao perceber que Lula tirou o urso para dançar, a oposição segue à risca o ensinamento de Napoleão: “Nunca interrompa seu adversário quando ele estiver cometendo um erro”. E segue o baile porque 2026 é logo ali.

*Marcelo S. Tognozzi é uma referência na imprensa brasileira contemporânea. Jornalista, consultor e profissional de Relações Inter-Governamentais - RIG. A partir de texto publicado no Poder 360.

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É Findi - Sintonia de Valores - Conto - Por Maria Inês Machado*

29/05/2026

Ainda jovem, Laura deixou o sertão.
Na manhã da partida, a terra rachada parecia prolongar a dor dos que ficavam. O açude reduzira-se a espelho de lama, os mandacarus resistiam em silêncio, e o vento quente carregava a poeira das estradas. Antes de subir no caminhão que a levaria para longe, Laura voltou os olhos para a casa simples onde crescera. Viu a mãe à porta, contendo as lágrima, e o pai com o olhar perdido no horizonte. Não houve promessas grandiosas. Apenas aceno demorado, desses que permanecem na memória por toda a vida.

A cidade que a recebeu não lhe ofereceu acolhimento. Os primeiros anos foram marcados por salários insuficientes, jornadas intermináveis e pela indiferença de quem enxergava no trabalhador apenas uma peça substituível. Muitas vezes retornava ao quarto alugado com os pés doloridos e as mãos marcadas pelo esforço. Ainda assim, recusava-se a alimentar ressentimentos. Aprendera cedo que a adversidade podia endurecer o coração ou fortalec...

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Ainda jovem, Laura deixou o sertão.
Na manhã da partida, a terra rachada parecia prolongar a dor dos que ficavam. O açude reduzira-se a espelho de lama, os mandacarus resistiam em silêncio, e o vento quente carregava a poeira das estradas. Antes de subir no caminhão que a levaria para longe, Laura voltou os olhos para a casa simples onde crescera. Viu a mãe à porta, contendo as lágrima, e o pai com o olhar perdido no horizonte. Não houve promessas grandiosas. Apenas aceno demorado, desses que permanecem na memória por toda a vida.

A cidade que a recebeu não lhe ofereceu acolhimento. Os primeiros anos foram marcados por salários insuficientes, jornadas intermináveis e pela indiferença de quem enxergava no trabalhador apenas uma peça substituível. Muitas vezes retornava ao quarto alugado com os pés doloridos e as mãos marcadas pelo esforço. Ainda assim, recusava-se a alimentar ressentimentos. Aprendera cedo que a adversidade podia endurecer o coração ou fortalecer o espírito. Escolheu o segundo caminho.

Nas horas roubadas ao descanso, estudava.

Enquanto a cidade adormecia sob o brilho dos postes, Laura permanecia inclinada sobre livros gastos, fazendo anotações à luz de uma luminária modesta. O cansaço era um adversário constante, mas havia dentro dela uma determinação silenciosa que não se deixava vencer. Cada página lida parecia aproximá-la de um futuro que, durante a infância, lhe parecera inalcançável.

Os anos passaram.

Vieram as renúncias, os sacrifícios e as incertezas. Chegaram também as pequenas conquistas, aquelas que quase ninguém percebe, mas que sustentam os grandes sonhos. Quando recebeu o diploma de Direito, recordou a paisagem seca que deixara para trás. Não enxergou naquele momento apenas vitória pessoal. Viu o rosto dos pais, o esforço acumulado de tantas madrugadas e a dignidade de quem jamais desistira.

Tornou-se advogada.

No exercício da profissão, adquiriu reputação pela firmeza e pela honestidade. Não cultivava discursos inflamados nem buscava aplausos fáceis. Preferia a discrição dos resultados. Em seu escritório chegavam homens e mulheres carregando histórias de injustiça, exaustão e desalento. Laura os recebia com atenção genuína, pois reconhecia em muitos deles fragmentos da própria trajetória.

Nas audiências, mantinha a serenidade mesmo diante de adversários influentes. Argumentava com firmeza, sem agressividade. Recusava atalhos, favores obscuros ou vantagens incompatíveis com sua consciência. Em tempos de convicções frágeis e interesses mutáveis, a integridade tornara-se sua marca mais valiosa.

Paralelamente à advocacia, escrevia.

Crônicas, artigos e reflexões encontravam espaço em jornais de diversas regiões do país. Seus textos não buscavam agradar grupos ou correntes ideológicas. Procuravam compreender a condição humana em suas contradições, virtudes e fragilidades. Acreditava que a verdadeira transformação social nascia menos dos slogans e mais da responsabilidade individual associada ao respeito mútuo.

Alguns anos depois, Mariana, sua irmã mais nova, percorreu caminho semelhante. Trabalhou durante o dia, estudou à noite e concluiu a graduação em Física. Tornou-se professora da rede particular de ensino. Encontrou na educação uma forma de contribuir para a construção de um futuro melhor.

Naquele ano, o ambiente escolar vivia dias de tensão.

Uma assembleia definiria a adesão a greve que prometia paralisar as atividades. Nos corredores, os debates multiplicavam-se. Alguns professores defendiam a paralisação como instrumento legítimo de reivindicação; outros manifestavam dúvidas quanto à sua eficácia. Mariana acompanhava as discussões com atenção e respeito.

Desde a infância, aprendera com os pais que a dignidade humana floresce onde existem responsabilidade e liberdade. Também observara, ao longo dos anos, a atuação da irmã, sempre pautada pela defesa dos direitos sem renunciar ao respeito pelas diferenças.

Após longa reflexão, decidiu não aderir ao movimento.

A escolha, entretanto, não foi recebida com a mesma tolerância que ela dedicava aos colegas. Comentários irônicos surgiram nos corredores. Houve críticas, insinuações e palavras ditas com o propósito de constranger. Mariana ouviu tudo sem alterar o tom de voz ou o comportamento.

Não se considerava melhor nem pior do que aqueles que pensavam de forma diferente. Apenas compreendia que a consciência não pode ser terceirizada. Permanecer fiel às próprias convicções era, para ela, uma questão de coerência.

As duas irmãs seguiam caminhos distintos, mas guiados pelos mesmos princípios.

Sabiam que os direitos dos trabalhadores representam conquistas valiosas, construídas ao longo de gerações de esforço e sacrifício. Sabiam também que nenhuma causa se fortalece quando o respeito desaparece.

A convivência humana torna-se mais difícil quando as pessoas deixam de enxergar indivíduos e passam a enxergar rótulos. Quando isso acontece, o diálogo cede lugar à hostilidade, e a liberdade transforma-se em mera palavra.

Talvez o verdadeiro progresso não esteja apenas nas leis, nos discursos ou nas instituições.
É possível que comece no instante em que alguém reconhece, no pensamento divergente, não um inimigo a ser combatido, mas um ser humano digno de respeito.


*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'. @mariainesmachadopsi


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Dom e Tom - Por Marcelo Mário de Melo*

29/05/2026

A poesia não é dom de donos.
É tom de todos.

Em alguns tom alargado
em outros tom aflorado
no geral tom desmatado.

Serra de deseducação
ceifando a criação.

Mas no campo de batalha
com rebeldia e alegria
os tons da vida podem plantar
sementes de poesia.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm

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A poesia não é dom de donos.
É tom de todos.

Em alguns tom alargado
em outros tom aflorado
no geral tom desmatado.

Serra de deseducação
ceifando a criação.

Mas no campo de batalha
com rebeldia e alegria
os tons da vida podem plantar
sementes de poesia.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm




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É Findi - Mantra - Poema - Por Ana Pottes*

29/05/2026

Escuta.
Na pele, no pelo,
a história se mostra.
Liberta.
Não trava.

Respira.
Ajusta.
Anda sem pressa.
Se quiser...acelera.
Mas não esquece:
Destrava,
Respira.

Vê,
há poesia:
no olhar,
no suspiro.
Sorve e absorve o lirismo.
Arrepia.
Toma fôlego.
Vive.


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes



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Escuta.
Na pele, no pelo,
a história se mostra.
Liberta.
Não trava.

Respira.
Ajusta.
Anda sem pressa.
Se quiser...acelera.
Mas não esquece:
Destrava,
Respira.

Vê,
há poesia:
no olhar,
no suspiro.
Sorve e absorve o lirismo.
Arrepia.
Toma fôlego.
Vive.


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes



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É Findi - O Poeta, Universo - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

29/05/2026

Na boquinha da noite,
devagar o Sol declina;
sim, cumpriu sua sina,
e nos deseja boa-noite!

E a Lua, bem devagarinho,
vem cumprir seu destino:
traz-nos, suavemente,
sua doçura, adolescente.



E o poeta se faz presente,
olha o horizonte, contente:
sonha o sonho da gente;

E, se sofre, disfarça a dor,
transforma-a numa flor...
deveras, acredite, é ator!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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Na boquinha da noite,
devagar o Sol declina;
sim, cumpriu sua sina,
e nos deseja boa-noite!

E a Lua, bem devagarinho,
vem cumprir seu destino:
traz-nos, suavemente,
sua doçura, adolescente.



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E o poeta se faz presente,
olha o horizonte, contente:
sonha o sonho da gente;

E, se sofre, disfarça a dor,
transforma-a numa flor...
deveras, acredite, é ator!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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É Findi – Pra Complicar - Por Poeta Pica-Pau*

29/05/2026

Se o espírito não me engana
Escutei um zum zum zum
Que 22 deputados
Votaram para manter
A jornada 6 por 1
Isso todo o mundo viu
E quem tava lá assistiu
É muita coincidência
22 sem consciência
Que no voto insistiu
E o 22 tá aí
Pra complicar e destruir
As benesses pro Brasil


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Se o espírito não me engana
Escutei um zum zum zum
Que 22 deputados
Votaram para manter
A jornada 6 por 1
Isso todo o mundo viu
E quem tava lá assistiu
É muita coincidência
22 sem consciência
Que no voto insistiu
E o 22 tá aí
Pra complicar e destruir
As benesses pro Brasil


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Misteriosa Geometria - Crônica - Por Romero Falcão*

29/05/2026

O filósofo Arthur Schopenhauer — batizado de pessimista — tinha fascínio pelos cães: “Quanto mais conheço os homens, mais gosto dos cães”. Também os reverenciava pela companhia verdadeira e pela ausência de vaidade. Ausência de vaidade? É porque não conheceu o guarda-roupa de Antônio Lúcio, o pet da minha amiga. Com todo respeito ao demasiadamente humano animal.



A escritora Clarice Lispector ia fundo: “Eu não humanizo os bichos, acho que é uma ofensa, há de respeitar-lhes a natureza. Eu é que me animalizo”. Clarice subiu aos céus em 1977. Se estivesse viva na terceira década do século 21, talvez escrevesse: A Hora da Estrela de um Cão.

Chega de filosofia chinfrim. Irei seduzir meus cinco seguidores com esse blá-blá-blá?

Mas quero continuar nessa toada — sei que não é bom. E por acaso você escreve para agradar? Não, não, claro que não. Ah, sim.

Por esses dias, pintaram, perto do meu muquifo, uma faixa de pedestr...

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O filósofo Arthur Schopenhauer — batizado de pessimista — tinha fascínio pelos cães: “Quanto mais conheço os homens, mais gosto dos cães”. Também os reverenciava pela companhia verdadeira e pela ausência de vaidade. Ausência de vaidade? É porque não conheceu o guarda-roupa de Antônio Lúcio, o pet da minha amiga. Com todo respeito ao demasiadamente humano animal.



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A escritora Clarice Lispector ia fundo: “Eu não humanizo os bichos, acho que é uma ofensa, há de respeitar-lhes a natureza. Eu é que me animalizo”. Clarice subiu aos céus em 1977. Se estivesse viva na terceira década do século 21, talvez escrevesse: A Hora da Estrela de um Cão.

Chega de filosofia chinfrim. Irei seduzir meus cinco seguidores com esse blá-blá-blá?

Mas quero continuar nessa toada — sei que não é bom. E por acaso você escreve para agradar? Não, não, claro que não. Ah, sim.

Por esses dias, pintaram, perto do meu muquifo, uma faixa de pedestre. Até o capim que cobre a calçada sabe que quase ninguém respeita tal sinalização. Se o pedestre confiar naquelas tiras do chão para atravessar a avenida, acaba na pedra do necrotério.

Pois bem. Fiquei esperando na beira do caminho, com um pé na faixa. Carro pra lá, carro pra cá e nada. Ninguém parava. Eu apontava para as linhas brancas, erguia os braços, fazia mugangas. Os motoristas ignoravam a misteriosa geometria do asfalto. Todas as vezes que eu tentava atravessar era assim.



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Passeando com minha cadela vira-lata, Frida — da qual sou curador, já que é maior de idade —, bastou a cachorra tocar a faixa de pedestre para os carros frearem obedientemente. Foi incrível o súbito cumprimento da lei de trânsito quando se tratou de um pet.

Um amigo dará entrada na aposentadoria. Vou recomendar a companhia de Frida. Quem sabe o processo corra na velocidade de um galgo.

Viva os pets!


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Vaqueiro, Leão Do Norte - Poema - Por Poeta Tony Antunes de Palmares

29/05/2026

No terreiro da caatinga nasce o canto do trovão,
Vaqueiro risca o destino com a espora e o coração.
Sob o couro castigado pelo sol do meio-dia,
Leva a raça pernambucana como estrela e valentia.
Tem poeira nos seus passos, mas no peito há claridão,
É guerreiro das estradas, filho do sertão chão.

Quando a sanfona soluça nos alpendres do luar,
O baião chama o xaxado pra poeira levantar.
Tem maracatu na veia, frevo aceso no olhar,
Ciranda rodando o povo feito onda sobre o mar.
Caboclinho abre caminho com seu canto ancestral,
E o coco bate forte como um grito tribal.

Lampião virou legenda nas veredas do sertão,
Fez da luta um clarim vivo ecoando na amplidão.
Ascenso fez da palavra um aboio de emoção,
Manuel bordou estrelas nos cadernos da canção.
Capina trouxe a beleza das imagens do luar,
E Alceu fez o Nordeste pelo mundo caminhar.

O cavalo c...

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No terreiro da caatinga nasce o canto do trovão,
Vaqueiro risca o destino com a espora e o coração.
Sob o couro castigado pelo sol do meio-dia,
Leva a raça pernambucana como estrela e valentia.
Tem poeira nos seus passos, mas no peito há claridão,
É guerreiro das estradas, filho do sertão chão.

Quando a sanfona soluça nos alpendres do luar,
O baião chama o xaxado pra poeira levantar.
Tem maracatu na veia, frevo aceso no olhar,
Ciranda rodando o povo feito onda sobre o mar.
Caboclinho abre caminho com seu canto ancestral,
E o coco bate forte como um grito tribal.

Lampião virou legenda nas veredas do sertão,
Fez da luta um clarim vivo ecoando na amplidão.
Ascenso fez da palavra um aboio de emoção,
Manuel bordou estrelas nos cadernos da canção.
Capina trouxe a beleza das imagens do luar,
E Alceu fez o Nordeste pelo mundo caminhar.

O cavalo corta a mata como flecha do destino,
Cada vaqueiro carrega Deus no peito nordestino.
Tem suor virando rio sobre a pele castigada,
Mas jamais se curva o homem dessa terra abençoada.
Porque o povo de Pernambuco nasce forte por raiz,
Feito pedra no caminho que o tempo nunca desfiz.

Quando a festa da vaquejada ilumina o tabuleiro,
A sanfona vira chama no compasso do pandeiro.
O sertão inteiro canta numa voz de resistência,
Misturando fé e luta, tradição e permanência.
E o Brasil escuta ao longe esse brado varonil:
— Pernambuco é poesia galopando no Brasil!

Ôôô… Pernambuco é chão valente!
Leão do Norte ruge forte no coração da gente!
Êêê… segura o boi ligeiro!
Que o povo canta a glória do vaqueiro brasileiro!
Ôôô… bate o couro e a zabumba!
No galope da coragem ninguém nunca nos derruba!


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.


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É Findi – O Pet e Seu Tutor – Croniqueta, por Xico Bizerra*

29/05/2026

O 'tutor' do Pet que mora no 23° Andar do meu prédio se indispôs comigo apenas por que reclamei que o seu animalzinho - um Pitbull de corpanzil aproximado ao de um jumento, fez seu 'cocozinho' bem na calçada em frente à entrada do Edifício e ele, seu guardião, o tal vizinho, deixou lá a titica produzida por seu tutorado, grave ameaça aos sapatos de algum desprevenido.

A propósito, me disseram - e só soube porque me contaram, não vou atrás dessa praga hoje existente - que um 'influencer' publicou em suas redes que ações como a minha, interpretada como desrespeito aos animais, pode vir a se constituir crime se delatadas ao Gabinete de Defesa e Proteção dos Animais. Ser processado por desrespeito a um inofensivo cachorro é minha última aspiração. Ante o risco, pedi desculpas ao vizinho, alisei carinhosamente a ‘cabecinha’ de seu dog e passei a ter mais cuidado com as calçadas em que piso.

Por falar em 'influencers', são tantos hoje em dia, tratando de banalid...

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O 'tutor' do Pet que mora no 23° Andar do meu prédio se indispôs comigo apenas por que reclamei que o seu animalzinho - um Pitbull de corpanzil aproximado ao de um jumento, fez seu 'cocozinho' bem na calçada em frente à entrada do Edifício e ele, seu guardião, o tal vizinho, deixou lá a titica produzida por seu tutorado, grave ameaça aos sapatos de algum desprevenido.

A propósito, me disseram - e só soube porque me contaram, não vou atrás dessa praga hoje existente - que um 'influencer' publicou em suas redes que ações como a minha, interpretada como desrespeito aos animais, pode vir a se constituir crime se delatadas ao Gabinete de Defesa e Proteção dos Animais. Ser processado por desrespeito a um inofensivo cachorro é minha última aspiração. Ante o risco, pedi desculpas ao vizinho, alisei carinhosamente a ‘cabecinha’ de seu dog e passei a ter mais cuidado com as calçadas em que piso.

Por falar em 'influencers', são tantos hoje em dia, tratando de banalidades diversas e com milhões de seguidores, que fico tonto. Eles influenciam o quê? No meu tempo, meu pai e meu avô eram meus fiéis influenciadores, estes sim, me ensinando o caminho do bem, de ser bom, do respeito e outras virtudes que guardo até hoje. Os atuais vão de propaganda de cosméticos à venda de imóveis ou automóveis. Alguns até ‘trabalham’ em lavanderias financeiras para ‘masterizar’ suas riquezas.

Pois é: eu sou do tempo em que professoras eram mestras e não simplesmente 'tias'; do tempo em que treinadores de futebol eram técnicos e não 'professores' ou, vejam só, 'mister'. Do tempo em que cachorros e gatos eram apenas cachorros e gatos. Triste ter que reconhecer que meu tempo passou... Melhor cuidar da publicação do livro que estou pensando. Acho que um e-book. Os influenciadores, certamente, não o lerão. E não me farão nenhuma falta.


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico



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É Findi - Vida de Cão - Crônica - Por Malude Maciel*

29/05/2026

Como resultado de muitas pesquisas realizadas e mesmo pela simples observação do que vem se processando nas últimas décadas, constatamos o crescimento do costume de adoção de animais de criação, os atualmente chamados de "pets". Cachorros e gatos são os favoritos para serem o xodó de muita gente, especialmente: idosos, madames, crianças, pessoas carentes de companhia, etc. embora outras espécies também constem na lista dos mais aceitos e quase toda casa e até mesmo apartamento tem seu bichinho de estimação: canários, papagaios, coelhos, galinhas, no entanto, cachorros e gatos ganham em disparada na preferência geral. Com o perdão do IBAMA, todo mundo está fazendo seu zoológico particular.

Uma moda que pegou

Em minha cidade tem aumentado, a olho nu, esse costume de se ter um animal querido para o passeio matinal, ao qual se dá o máximo de atenção e conforto, excelente tratamento, afeição invejável, cuidados veterinários, boa alimentação e bastante ba...

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Como resultado de muitas pesquisas realizadas e mesmo pela simples observação do que vem se processando nas últimas décadas, constatamos o crescimento do costume de adoção de animais de criação, os atualmente chamados de "pets". Cachorros e gatos são os favoritos para serem o xodó de muita gente, especialmente: idosos, madames, crianças, pessoas carentes de companhia, etc. embora outras espécies também constem na lista dos mais aceitos e quase toda casa e até mesmo apartamento tem seu bichinho de estimação: canários, papagaios, coelhos, galinhas, no entanto, cachorros e gatos ganham em disparada na preferência geral. Com o perdão do IBAMA, todo mundo está fazendo seu zoológico particular.

Uma moda que pegou

Em minha cidade tem aumentado, a olho nu, esse costume de se ter um animal querido para o passeio matinal, ao qual se dá o máximo de atenção e conforto, excelente tratamento, afeição invejável, cuidados veterinários, boa alimentação e bastante banha; nunca se viu igual. Resumindo, esses privilegiados têm, de graça, casa, comida e tudo o necessário, do bom e do melhor, pra não dizer, roupa lavada também. As vezes até mesmo festas de aniversário estão na programação dos fofos.

Antes

Até bem pouco tempo, sabia-se que ao mudar de casa para apartamento não se podia levar nenhum animal. Foi o nosso caso. Era uma norma estabelecida e respeitada, uma regra de todos os condomínios e, estamos conversados. Por isso, muita gente deixou pra trás seus bichos quando optou em residir em prédios, a fim de cumprir o regulamento e não atrapalhar a vida dos outros que não gostam desse tipo de companhia, mesmo porque viver em comunidade é sempre um exercício de cidadania, quando se deve respeitar, renunciando a umas tantas coisas pelo bem comum. Afinal é necessário abrir mão de alguns caprichos justamente pra não incomodar a vizinhança e se inserir no contexto, ou seja, fazer parte de um grupo seleto é ajustar-se às regras do jogo. Porém, ultimamente, não se observa essas determinações e, cada um de acha no direito de fazer o que lhe dá na telha, mesmo indo de encontro à grande maioria. Assim, temos visto as calçadas sujas de excrementos e os donos, humildemente limpando merda de cachorro ou então, não estão nem aí, fazendo caras de pau.

Limites

Não sou contra animais, até gosto de cãezinhos limpinhos, ponho no colo e brinco com eles. Também reconheço que eles são úteis e amigos, sendo companhia e terapia a quem se sente solitário e precisa de ocupação, mas há algumas considerações a fazer. É muito estranho quando pessoas se preocupam e se compadecem mais de cachorros, dando nomes, roupas, perfumes e tudo o mais, dizendo que são da família, e não ajudam e fecham os olhos às crianças carentes, sujas, pobres, doentes e esfomeadas que perambulam por toda parte em nosso país. Sempre nos separamos com elas, todos os dias. Seus olhos pedintes, sua pele mal tratada, seus dentes cariados, uma magreza de fazer dó, e a fome, muita fome e falta de toda e qualquer assistência...por isso vemos uma inversão de valores. Verificamos que aqueles cuidados poderiam ser extensivos ao ser humano e estão sendo transferidos aos animais, com os quais se gasta uma nota que seria bem melhor empregada saciando as carências de nossas crianças que continuam nas ruas (apesar dos Conselhos Tutelares), sem rumo, caminhando apenas para a marginalidade, talvez por omissão daqueles que choram por um animalzinho manhoso, levando-o a passear de carro, pagando mordomias, mas virando o rosto aos órfãos de pais vivos ou não, valorizando mais os irracionais e tendo nojo das inocentes crianças às quais já foi dito: "delas é o reino dos céus".

Que tipo de sensibilidade é essa que prefere não se envolver com os semelhantes (adotando um filho) por mera covardia e conveniência?

Como se pode dormir tranquilamente quando animais têm melhor qualidade de vida do que meninos(as) sem lar e sem pão? Urge pensar nisso.


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi – Origem da Polícia Militar de Pernambuco - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

29/05/2026

A existência de um serviço de policiamento ostensivo fardado em Pernambuco é bem remota, ocorreu antes mesmo do decreto de D. Pedro I que criou um corpo de polícia no Recife, em 11 de junho de 1825, tido como a origem da atual Polícia Militar de Pernambuco, assim chamada a partir de 1947.

Já em 1634, era criada, no Recife, uma companhia de “vrijluiden”, cidadãos livres que haviam cumprido o compromisso com a Companhia das Índias Ocidentais e que queriam permanecer no Brasil. Essa companhia tinha a missão de executar o policiamento ostensivo e ajudar na defesa territorial.

Na primeira Assembleia Legislativa da América Latina, ocorrida no Recife em 1640 e presidida pelo próprio Maurício de Nassau, tratou-se de artigos sobre a POLÍCIA.

Por volta do século XVIII, os capitães e sargentos-mores se encarregavam do serviço de polícia, como podemos ver no caso da prisão do cangaceiro “Cabeleira”, pelo capitão-mor de Goiana.

Posteriorme...

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A existência de um serviço de policiamento ostensivo fardado em Pernambuco é bem remota, ocorreu antes mesmo do decreto de D. Pedro I que criou um corpo de polícia no Recife, em 11 de junho de 1825, tido como a origem da atual Polícia Militar de Pernambuco, assim chamada a partir de 1947.

Já em 1634, era criada, no Recife, uma companhia de “vrijluiden”, cidadãos livres que haviam cumprido o compromisso com a Companhia das Índias Ocidentais e que queriam permanecer no Brasil. Essa companhia tinha a missão de executar o policiamento ostensivo e ajudar na defesa territorial.

Na primeira Assembleia Legislativa da América Latina, ocorrida no Recife em 1640 e presidida pelo próprio Maurício de Nassau, tratou-se de artigos sobre a POLÍCIA.

Por volta do século XVIII, os capitães e sargentos-mores se encarregavam do serviço de polícia, como podemos ver no caso da prisão do cangaceiro “Cabeleira”, pelo capitão-mor de Goiana.

Posteriormente, ou seja, em 1787, foi criado pelo capitão-mor de Pernambuco José Cesar de Menezes o cargo de Encarregado de Polícia da Vila e Termo do Recife, confiando o serviço a um enérgico e competente militar, o capitão de linha José Correia da Silva a quem o povo apelidara de “onça”. Fazia ele próprio as rondas usando um capote e um “arcabuz”. Podia-se dormir de portas abertas, dizem os cronistas da época.

Em 1817, com a vinda de Luiz do Rego Barreto, logo depois da Revolução Republicana, trouxe ele o major João Merme, com o cargo de sargento-mor de polícia.

A partir de 1820, vemos nos documentos da época, várias referências ao Comandante Geral de Polícia da Polícia.



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Assim, temos num documento existente no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, datado de 24 de agosto de 1822, em que consta a passagem do Comando Geral da Polícia da Província do Capitão José de Barros Falcão de Lacerda, futuro “Herói de Pirajá” e comandante das tropas pernambucanas na Confederação do Equador, ao também capitão Manoel José Martins.

Só em 11 de junho de 1825, é que surge o decreto Imperial que criou um Corpo de Polícia na cidade do Recife, tido como a gênese da nossa corporação.


CEL. RR/PM Carlos Bezerra Cavalcanti


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras.



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