É São João - Forró, comidas típicas e apresentações culturais transformam Nordeste em um grande arraial
20/06/2024 - Jornal O Poder
O Poder
Forró, tradição e alegria. “Ai que saudades que eu sinto. Das noites de São João. Das noites tão brasileiras nas fogueiras. Sob o luar do sertão”. Para o Nordestino não existe festa melhor. O sabor do milho, da canjica e da pamonha, quentura da fogueira, o colorido das quadrilhas juninas, e principalmente, o toque inconfundível da sanfona, do triângulo e do zabumba. Definitivamente o São João é a festa mais animada e esperada do nordestino, que encanta as noites brasileiras como cantou Luiz Gonzaga.
Os arraiais
Em algumas cidades do interior nordestino, mesmo com o advento da modernidade e a chegada do forró eletrônico e outros ritmos mais estilizados, ainda é possível ver, “meninos brincando de roda, velhos soltando balão, moços em volta à fogueira brincando com o coração”. E as cidades, preservando suas raízes, costumes e tradições, se transformam em grandes arraiais. A parte de hoje...
O Poder
Forró, tradição e alegria. “Ai que saudades que eu sinto. Das noites de São João. Das noites tão brasileiras nas fogueiras. Sob o luar do sertão”. Para o Nordestino não existe festa melhor. O sabor do milho, da canjica e da pamonha, quentura da fogueira, o colorido das quadrilhas juninas, e principalmente, o toque inconfundível da sanfona, do triângulo e do zabumba. Definitivamente o São João é a festa mais animada e esperada do nordestino, que encanta as noites brasileiras como cantou Luiz Gonzaga.
Os arraiais
Em algumas cidades do interior nordestino, mesmo com o advento da modernidade e a chegada do forró eletrônico e outros ritmos mais estilizados, ainda é possível ver, “meninos brincando de roda, velhos soltando balão, moços em volta à fogueira brincando com o coração”. E as cidades, preservando suas raízes, costumes e tradições, se transformam em grandes arraiais. A parte de hoje, O Poder traz uma série de matérias mostrando as principais festas juninas da região com suas características, atrações e shows.

São João em Campina Grande tem mais de 100 atrações
O fole já ronca solto no alto da serra. O clima de forró está em toda a parte. Cidade decorada, Parque do Povo lotado, shows com recordes de público e economia da cidade movimentada. Desde o último dia 29 de maio que Campina Grande realiza a sua tradicional festa junina. A cidade, localizada a 120 quilômetros da capital João Pessoa, orgulha -se da festa, e há 41 anos ostenta o título de realizar “O Maior São João do Mundo”, confrontando-se com a vizinha Caruaru que também promove uma grande festa junina.
O ápice
O São João de Campina Grande atinge o auge neste final de semana quando o maior número de turistas deve “invadir” a cidade que está toda decorada com bandeiras e balões. A principal atração desta sexta-feira (21), é o pernambucano Geraldo Azevedo. No sábado (22), quem sobe ao palco para levar a sua energia contagiante será o cantor Alceu Valença. O show mais aguardado da temporada e que há anos atrai uma multidão, é o da paraibana de Conceição de Piancó, Elba Ramalho.

O show
A artista que cresceu em Campina Grande, onde descobriu os seus dotes artísticos, sobe ao palco neste domingo (23), véspera de São João. Mais uma vez ela prometeu fazer um grande show e cantar músicas novas e antigas que fazem parte do cancioneiro popular.
Os artistas que já passaram
Já passaram pelo palco principal do Parque do Povo este ano, artistas como, Flávio José, Alcymar Monteiro, Santanna o cantador, Dorgival Dantas, Wesley Safadão, Xand Avião, Gusttavo Lima, padre Fábio de Melo, entre outros.
Maior da história
A edição 2024 do São João de Campina promete ser uma das maiores da história. Até 30 de junho, serão mais de 500 horas de forró e mais de 100 shows no palco principal, com artistas locais, regionais e nacionais. São quase mil atrações no total, incluindo 89 trios de forró que estão se apresentando nas ilhas espalhadas no Parque do Povo, na Pirâmide e no Parque Evaldo Cruz.
Edição especial
A 41ª edição d’O Maior São João do Mundo acontece dentro das comemorações dos 160 anos de emancipação política de Campina Grande.
3 milhões de pessoas
Ao longo dos 33 dias da festa, são esperadas mais de 3 milhões de pessoas no Parque do Povo, tendo em vista programação e investimento feito pela Arte Produções, organizadora da festa. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Campina Grande, os festejos juninos de 2024 devem gerar uma movimentação econômica superior a R$ 500 milhões. A expectativa é que este ano a movimentação econômica aumente cerca de 20%, em relação ao mesmo período do ano passado.
Novo layout
A edição 2024 da festa ganhou um novo layout. Este ano, o Parque do Povo, espaço que concentra o Maior São João do Mundo, foi ampliado para aumentar a capacidade de público. A ampliação foi possível após o aumento da área total do Parque do Povo e integração do Parque Evaldo Cruz (Açude Novo) – espaço que fica vizinho ao PP – à área da festa.
O Parque do Povo
Oficialmente, o Parque do Povo, epicentro dos festejos juninos em Campina Grande, foi inaugurado no dia 14 de maio de 1986, tendo sido construído pelo poeta e então prefeito, Ronaldo Cunha Lima. A famosa “Pirâmide” na verdade foi construída para representar uma fogueira e que o local seria chamado de “Forródromo”, em referência ao Sambódromo, em São Paulo.
Lugar de emoção
O São João de Campina Grande,, conforme definiu em entrevista ao O PODER, a professora Cléa Cordeiro, fundadora do Memorial do Maior São João do Mundo, “é um lugar de emoção”. Cléa Cordeiro é um lugar de emoção. Ela destacou que a festa ao longo de quatro décadas passou por inúmeras transformações.
O maior quadrilhão e bolo de milho do mundo
Pelo 10º ano consecutivo que Campina Grande, cidade conhecida por fazer o "Maior São João do Mundo", bateu o seu próprio recorde de realizar o maior quadrilhão do mundo e o maior bolo de milho do país -com 655 kg e quase 48 metros.
Quadrilheiros
Desta vez, 2.560 quadrilheiros participaram do evento, que aconteceu no Parque do Povo, local que concentra a maior parte dos festejos juninos da cidade paraibana. No ano passado, 2.142 pessoas participaram do “quadrilhão”. A contagem é feita pela empresa Rankbrasil.
Os pares
O "quadrilhão", como o movimento é chamado, reúne dançarinos de todas as idades e gêneros. O principal critério de avaliação é a quantidade de pares. Neste ano, foram 1.280 casais, que não precisam ser formados necessariamente por um homem e uma mulher. O que importa é só ter uma companhia para dançar e participar dessa grande brincadeira. O título foi embalado ao som do ritmo mais querido nas festas juninas nordestinas, o forró.
Galante
A festa também acontece no Distrito de Galante. As 48 atrações se apresentarão nos sábados e domingos em Galante, sendo três por noite, com uma programação completa de forró.
Confira programação
20 de junho (quinta-feira)
Alok
Dennis DJ
Matheus Fernandes
21 de junho (sexta-feira)
Geraldo Azevedo
Ton Oliveira
Os 3 do Nordeste
Deanzinho
22 de junho (sábado)
Alceu Valença
Bruno e Denner
Sirano e Sirino
Biliu de Campina
23 de junho (domingo)
Elba Ramalho
Amazan
Capilé
Meu Vício
24 de junho (segunda-feira)
Magníficos
Eliane
Waldonys
Fabrício Rodrigues
25 de junho (terça-feira)
Isadora Pompeo
Marcos Freire
26 de junho (quarta-feira)
Zezé Di Camargo e Luciano
Belo
Forró Real
27 de junho (quinta-feira)
Menos é Mais
Mara Pavanelly
Bob Léo
28 de junho (sexta-feira)
Victor e Léo
Taty Girl
Jonas Esticado
Caninana
29 de junho (sábado)
Bruno e Marrone
Zé Cantor
Walkyria Santos
Amanda e Ruama
30 de junho (domingo)
Simone Mendes
Mari Fernandez
Japãozin
Manim Vaqueiro
Programação do São João 2024 do Distrito de Galante
22 de junho (Sábado)
Garotinho
Rey Vaqueiro
Sirano e Sirino
23 de junho (Domingo)
Saia Justa
Capilé
Fabiano Guimarães
29 de junho (Sábado)
Clarisse e Mikaela
Zé Cantor
Ramon Schnayder
30 de junho (Domingo)
Forró 3×4
Manin Vaqueiro
Eliane
6 de julho (Sábado)
Tony Dummont
Duquinha
Mexeville
7 de julho (Domingo)
Forró Campina
Os 3 do Nordeste
Luan Estilizado
13 de julho (Sábado)
Edra Veras
Gege Bismark
Banda Encantus
14 de julho (Domingo)
Giullian Monte
Japãozinho
Matheus Felipe
Leia outras informações
É Findi - Recordes do País de Caruaru - Artigo, por Valéria Barbalho*
03/04/2026
Procurei me informar, com o meu conterrâneo Walmiré Dimeron, sobre esses e descobri que a tal cuscuzeira tem quatro metros de altura e capacidade para fazer um cuscuz com 600 quilos, só de flocos de milho. E que existe a variação: o maior “quarenta” do mundo (cuscuz nordestino que mistura fubá com charque, linguiça e outros ingredientes). Nosso recordista leva 300 quilos só de carne. Existem outros exageros culinários: canjica gigante (feita com três mil espigas de milho), maior pamonha (300kg), maior xerém (200kg), maior pé de mol...
Dia desses fui a Caruaru e peguei um engarrafamento danado. Levei trinta minutos para percorrer menos de cem metros, até conseguir fazer um retorno e me livrar daquele trânsito. Motivo do transtorno: uma carreta transportando uma cuscuzeira gigante, seguida por um trio elétrico, cheio de forrozeiros, e um carro de som anunciando a festa do maior cuscuz do mundo. Ocorreu-me, então, relacionar os inúmeros recordes da minha terra.

Procurei me informar, com o meu conterrâneo Walmiré Dimeron, sobre esses e descobri que a tal cuscuzeira tem quatro metros de altura e capacidade para fazer um cuscuz com 600 quilos, só de flocos de milho. E que existe a variação: o maior “quarenta” do mundo (cuscuz nordestino que mistura fubá com charque, linguiça e outros ingredientes). Nosso recordista leva 300 quilos só de carne. Existem outros exageros culinários: canjica gigante (feita com três mil espigas de milho), maior pamonha (300kg), maior xerém (200kg), maior pé de moleque (15 metros), maior bolo de milho (250kg), maior bolo de macaxeira (160kg), maior cozido de espigas de milho (2.200 unidades), maior quentão (300 litros), maior chocolate quente (450 litros de leite e 100 quilos de chocolate), maior pipoca (12.300 saquinhos), maior festival de tareco e mariola (100kg de biscoito e 2.000 docinhos), maior arroz doce (360kg) e a maior tapioca doce (100kg). Fora essas calorias, temos a maior fogueira do Nordeste (madeira de reflorestamento) e as maiores “drilhas” (grupos de danças juninas modernas), que, juntas, somam 20 mil componentes.
Em 2011, durante o Festival de Fogueteiros, os participantes, mostrando seus trabalhos, pipocaram, durante duas horas, a maior girândola do mundo. No dia 24 de junho, a maior concentração de bacamarteiros do mundo desfila pela cidade. Cerca de 700 homens, vestidos a caráter, portando seus bacamartes, festejam o seu dia. Dispomos, ainda, do maior número de bandas de pífanos, sendo, atualmente, a de maior evidência a do Mestre João do Pife, que já se apresentou em mais de 30 países.

Todos esses recordes, junto com a multidão que lota nosso mega pátio de forró Luiz Gonzaga, fazem o maior São João do mundo. Além desses inusitados e divertidos recordes, lembrei de outros não juninos: a maior feira ao ar livre do mundo, a Feira de Caruaru, patrimônio imaterial do Brasil, famosa também pela música do compositor caruaruense Onildo Almeida, gravada pelo Rei do Baião. Somos a cidade do interior mais cantada do país, segundo pesquisa feita, em 2010, pelo Dr. Emanuel Leite, que identificou 1.020 músicas que citam Caruaru em suas letras. O Alto do Moura, lugar de Vitalino, o Mestre do Barro, é considerado o mais importante centro de arte figurativa do Brasil. Temos o jornal mais antigo do interior do Brasil, que circula, sem interrupção, desde 1º de maio de 1932: Vanguarda, fundado pelo jornalista caruaruense José Carlos Florêncio.

Sem bairrismos, mas lembrando dos inúmeros filhos talentosos da Capital do Forró, conhecidos nacional e internacionalmente, acho que, como cidade do interior, também somos recorde. Mas, isso é assunto para outro artigo. Vixe! Em se tratando de bater recordes, o País de Caruaru parece até uma Olimpíada. Inté!
*Valéria Barbalho é filha do escritor e historiador Nelson Barbalho. É médica pediatra, cronista.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Viva O Meu País - Crônica, por AJ Fontes*
03/04/2026
Cá entre nós, pernambucanos, o calor sentido no peito nesse instante tem um cheirinho de coentro fresco no feijão e cuscuz com ovo no café da manhã.
Junto ao gosto de usar a bandeira estampada em tudo quanto é lugar, o de cantar nosso hino foi elevado aos pícaros lá pelos anos de 1970, com publicidades televisivas. Desde então, é bastante ouvir o primeiro verso que o segundo, o terceiro e o restante saltarão nas vozes dos tantos de nós presentes; independente do lugar onde estejamos. Os assuntos e atenções serão desviados, nesse momento, pelo hino de Pernambuco.
É gostoso pertencer a um grupo nacional fortalecido por seus símbolos. Os nossos estão presentes desde 1817. Chegou e ficou cravado no coração de cada pernambucano e transborda para os quatrocentos cantos do mundo cantado e explicado na pint...
Não foi a primeira vez, o povo brasileiro completou o hino depois do som ser cortado. Quem assistiu Brasil X Croácia na última terça-feira sabe.
Cá entre nós, pernambucanos, o calor sentido no peito nesse instante tem um cheirinho de coentro fresco no feijão e cuscuz com ovo no café da manhã.
Junto ao gosto de usar a bandeira estampada em tudo quanto é lugar, o de cantar nosso hino foi elevado aos pícaros lá pelos anos de 1970, com publicidades televisivas. Desde então, é bastante ouvir o primeiro verso que o segundo, o terceiro e o restante saltarão nas vozes dos tantos de nós presentes; independente do lugar onde estejamos. Os assuntos e atenções serão desviados, nesse momento, pelo hino de Pernambuco.
É gostoso pertencer a um grupo nacional fortalecido por seus símbolos. Os nossos estão presentes desde 1817. Chegou e ficou cravado no coração de cada pernambucano e transborda para os quatrocentos cantos do mundo cantado e explicado na pintura que representa o meu Estado e foi a bandeira cravada no chão de uma nação.
Trouxemos o sentimento de pátria para todos, responsáveis pela formação desse povo: originários e europeus, africanos, asiáticos chegados nesse canto do novo mundo, nas mais distintas condições. Construímos uma gente nova, diferente, capaz de inventar palavras, habitações, comidas, músicas, danças e sentimentos. Há quem chame de brasilidade.
Somos brasileiros de várias estaturas, cores e sotaques. Amamos, sentimos e arengamos, cada qual com seu jeito. Somos pernambucanos: brancos, galegos, negros ou de olhos puxados, mas inseridos em nossa pátria e dispomos, aos irmãos, nossos altos coqueiros para defesa que se faça necessária ou para, tomando as palavras de um baiano famoso, o refrigério de nossas praias.
Isso tudo é nada, apenas alguns ditos de um sujeito do povo mais bairrista em linha reta do mundo.
*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Chuvas no Sertão! - Poema - Por, Eduardo Albuquerque*
03/04/2026
Bençãos que caem no chão
Ardente, ressequido do verão,
Aplacando a vil sede malsã
Do sertanejo, a sós, em seu afã.
A esperança se faz presente.
Agora tudo será diferente:
De manhã, já se vê toda gente
Que, talvez, se pense indolente,
Numa animação fremente!
Pouco antes do Sol nascente,
Se dirige qual inusitada corrente:
Filhos, noras, mãe e o pai à frente;
No caminho da roça, seu oásis,
Aquela que lhes trará a doce paz!
A comida no prato será abundante,
Roupa no corpo, sorriso exultante.
Antes de tudo um forte ... que gente!
Não importam eventuais senões:
Esquecem-nos ... chova no sertão!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Chuvas torrenciais no sertão!
Bençãos que caem no chão
Ardente, ressequido do verão,
Aplacando a vil sede malsã
Do sertanejo, a sós, em seu afã.

A esperança se faz presente.
Agora tudo será diferente:
De manhã, já se vê toda gente
Que, talvez, se pense indolente,
Numa animação fremente!

Pouco antes do Sol nascente,
Se dirige qual inusitada corrente:
Filhos, noras, mãe e o pai à frente;
No caminho da roça, seu oásis,
Aquela que lhes trará a doce paz!

A comida no prato será abundante,
Roupa no corpo, sorriso exultante.
Antes de tudo um forte ... que gente!
Não importam eventuais senões:
Esquecem-nos ... chova no sertão!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Florescer - Poema, por Maria Inês Machado*
03/04/2026
o clarão da noite envolve o aposento.
As lágrimas percorrem caminho
silencioso.
Saudade de um tempo pulsante,
quase tangível, que respira na alma.
Os pensamentos sussurram, ecoam,
mas algo dentro os silencia.
Uma voz firme, ergue alegria entre ruínas.
Não há cárcere.
Nem angústia.
Só alça voo
quem prepara as próprias asas.
O passado, às vezes, pesa.
Mas o presente chama.
Desperto. A vida acelera.
Conforme afirmação do poeta/cantor Gonzaguinha,
Fé na vida.
E no que virá.
*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.
...
A janela da sala entreaberta,
o clarão da noite envolve o aposento.
As lágrimas percorrem caminho
silencioso.
Saudade de um tempo pulsante,
quase tangível, que respira na alma.
Os pensamentos sussurram, ecoam,
mas algo dentro os silencia.
Uma voz firme, ergue alegria entre ruínas.
Não há cárcere.
Nem angústia.
Só alça voo
quem prepara as próprias asas.
O passado, às vezes, pesa.
Mas o presente chama.
Desperto. A vida acelera.
Conforme afirmação do poeta/cantor Gonzaguinha,
Fé na vida.
E no que virá.
*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Ocaso - Crônica em Prosa Poética - Por, Ana Pottes*
03/04/2026
Um fogaréu se deita por entre portas, janelas, prédios e árvores, refletido nas vidraças dos edifícios mais altos e se adensa, despretensioso, por entre as nuvens.
Ainda é possível ver roupas brancas e multicoloridas, finas e esvoaçantes, dançando nos varais.
Lá de cima, um mundo em observação: ruas por onde vidas passam alheias, regressam rápidas, buzinas cantam ansiedades, correrias. Nos parques, por entre galhos frondosos, trinam canções; favelas, concretos, palafitas – concretude da existência esbarrando em tortas antenas das aldeias globais.
Há um inspirar e expirar ofegante em vidas condensadas. Os verdes teimam em se mostrar por entre os cinzas que, a cada segundo, crescem, e as chamas segu...
Há momentos em que o espírito se desliga e se deixa conduzir por entre poeiras do pensamento. O corpo fica estático, os olhos em pesquisa, enquanto um novo mundo explode. São cores, sons, texturas, sabores, tudo em sinestésicas percepções.
Um fogaréu se deita por entre portas, janelas, prédios e árvores, refletido nas vidraças dos edifícios mais altos e se adensa, despretensioso, por entre as nuvens.
Ainda é possível ver roupas brancas e multicoloridas, finas e esvoaçantes, dançando nos varais.
Lá de cima, um mundo em observação: ruas por onde vidas passam alheias, regressam rápidas, buzinas cantam ansiedades, correrias. Nos parques, por entre galhos frondosos, trinam canções; favelas, concretos, palafitas – concretude da existência esbarrando em tortas antenas das aldeias globais.
Há um inspirar e expirar ofegante em vidas condensadas. Os verdes teimam em se mostrar por entre os cinzas que, a cada segundo, crescem, e as chamas seguem amainando: sombras despertam, se espreguiçam, resmungam em outros passos; aromas e essências envolventes emanam das janelas das casas. O belo e o encantado ocupam espaços comuns em lusco-fusco.
Um segue se esvaindo e o outro renasce em brilhos suaves, iluminando o ocaso.
*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem!
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – Casamento Matuto – Contículo, por Xico Bizerra*
03/04/2026
O cabra do Cartório, já meio invocado com o lero-lero do vigário, falando da riqueza e da pobreza, da doença e da saúde, aquele papo que rola em todo casório, a tudo assistia por dever de ofício. Foi quando Padr...
O fato aconteceu no Cartório de Registro Civil de uma cidadezinha chamada Crato, lá pras bandas do sul do Ceará, na beira da Serra do Araripe. Era semana pré-carnavalesca e o Anjo da Guarda de Bastião, ainda que de ressaca, nesse dia ‘tava' de prontidão vigiando os foliões retardatários. Foi ele quem segurou a mão de seu Bené de Dora, já se coçando em procura da lambe-suvaco amolada, um monte de polegadas nos cós, deixando à mostra só o cabo da bendita. O ‘bigodim de beiço de gato mijado' do caba fazedor da mal à filha de Seu Bené chega arrepiou-se todinho, imaginando aquela peixeira fina nas brenhas de seu intestino grosso. E Francisquim, ali quieto no útero de Ceiça, embuchado que fora já há cinco meses, só assistindo, de camarote, à solenidade.

O cabra do Cartório, já meio invocado com o lero-lero do vigário, falando da riqueza e da pobreza, da doença e da saúde, aquele papo que rola em todo casório, a tudo assistia por dever de ofício. Foi quando Padre Luiz, afinal, perguntou se tinha alguém contra aquele casamento. Francisquim arretou-se, levantou a venta, e de dedo em riste dentro do bucho da buchuda, cutucou o umbigo de Ceiça, a mãe menininha do Crato, e gritou em alto e bom som pra todo o sertão do Araripe escutar: 'tem não, seu Pade, e se avexe, acabe logo esse babado' que eu ‘tô querendo descansar um tiquim'. Descansou por mais quatro meses, e, sonolento e preguiçoso, desembuchou. Faz quase 20 anos e hoje está aí, contando história, fazendo poesia bonita que só a gota serena e aumentando a prole. Benedito Neto que o diga. E até hoje Bigodim e Ceiça são felizes que só a mulesta! Seu Bené, bisavô igual nunca se viu!
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – Lolita - Por, Carlos Bezerra Cavalcanti*
03/04/2026
Seu apelido vem do clássico “Lolita”, que fez sucesso com a exibição cinematográfica, aqui no Recife
Na realidade, tratava-se de — Ivo Alves da Silva, de quem, através de reportagem do Jornal da Cidade, publicada em 6 de julho de 1975, tem...
Figura pitoresca da chamada Z B M - Zona do Baixo Meretrício, que costumava dizer – quem não conhece Lolita, não conhece o Recife! Fazia, rotineiramente, imitações bem humoradas de cantoras como Ângela Maria, na frente, principalmente, da estudantada - será que sou feia? - não é não senhor. - então eu sou linda? - você é um amor... Para o deleite dos estudantes. No entanto, quando estava “zangada”, costumava desafiar e brigar com uma guarnição inteira da Rádio Patrulha, sendo, logicamente massacrado. Conta-se que em determinada ocasião, nas costumeiras arruaças que provocava, principalmente depois de bêbado e drogado, gritou para o policial que o surrava: Bate! Bate neste corpo que já foi teu... Para o delírio dos transeuntes...
Seu apelido vem do clássico “Lolita”, que fez sucesso com a exibição cinematográfica, aqui no Recife
Na realidade, tratava-se de — Ivo Alves da Silva, de quem, através de reportagem do Jornal da Cidade, publicada em 6 de julho de 1975, temos as seguintes informações:
Veio ainda adolescente para o Recife, onde passou a trabalhar como servente e cozinheiro. Por sua irreverência, e dotes, passou a participar de alguns programas de calouro na Rádio local, porém, adquiriu sua verdadeira popularidade quando caiu nas graças da estudantada.

Homossexual assumido, era a estrela das meretrizes
Viveu vários anos cantando e dando pequenos shows pelas ruas do Recife, aglomerando curiosos e fãs, motivo normalmente da presença de truculentos policiais que subiam as escadas das pensões que funcionavam, geralmente, nos andares superiores aos bares, chamados para contê-lo.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Fui Condenado a Comprar um Terno - Crônica - Por, Romero Falcão*
03/04/2026
Subiu de Paletó
Nunca tive um terno, nunca me interessou a vestimenta dos homens da lei. Dizem que dá um ar de respeito, probidade, retidão. Nas poucas ocasiões em que meu pescoço foi laçado por uma gravata, contei com o auxílio de um amigo gentil, que me emprestava o casacudo vestuário. No entanto, um facínora mandou meu amigo para o céu. Certamente subiu de paletó.
Cheio de Pompa
Agora estou desamparado: sem amigo, sem terno. Resta partir para o aluguel ou juntar minhas economias e comprar um daqueles estilosos, com flor na lapela, cheio de pompa —...
Nunca me vi metido dentro de um terno, meu corpo reage como se estivesse preso a uma armadura de luxo. Peço encarecidamente a quem me jogar no buraco, por favor, não me vista com a mortalha de paletó e gravata que me apertará por toda a eternidade. Facilitem o apetite dos vermes: ponham-me uma calça jeans surrada e uma camisa de pano simples.
Subiu de Paletó
Nunca tive um terno, nunca me interessou a vestimenta dos homens da lei. Dizem que dá um ar de respeito, probidade, retidão. Nas poucas ocasiões em que meu pescoço foi laçado por uma gravata, contei com o auxílio de um amigo gentil, que me emprestava o casacudo vestuário. No entanto, um facínora mandou meu amigo para o céu. Certamente subiu de paletó.

Cheio de Pompa
Agora estou desamparado: sem amigo, sem terno. Resta partir para o aluguel ou juntar minhas economias e comprar um daqueles estilosos, com flor na lapela, cheio de pompa — como se fôssemos alguma coisa importante. “Uma gravata bem atada é o primeiro passo sério na vida”, disse Oscar Wilde.
High Society
Fui condenado a comprar um terno e entrar numa igreja para um casamento de família high society. Não posso recusar a solene encomenda. A noiva, grande amiga, contou-me a história dos pombinhos — como se conheceram, os altos e baixos do relacionamento e, por fim, as alturas, decidiram voar juntos, felizes.

Sem Paletó
Daí me pediu que colocasse no papel uma síntese com doses de lirismo, romantismo e pitadas de irreverência — é aí que mora o perigo. Que Deus me ajude na empreitada e, um dia, me receba sem paletó.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – Colheita de Esperança - Por, Poeta Pica-Pau*
03/04/2026
A semente que plantei
O tempo que esperei
Fez o amor renascer
Se a chuva aparecer
Pra chover nosso roçado
O mundo é transformado
E entre lágrimas e sorriso
Forma-se um jardim de riso
Ao relembrar o passado
Quem planta com esperança
Sabe colher com amor
Se no peito tinha dor
Hoje só resta lembrança
Dentro da perseverança
A fé é quem ganha espaço
No viver não há fracasso
Pra quem vive pra amar
É só pra comemorar
E correr para o abraço
Delegando minha história
Seguindo a passo lento
Reguei com o pensamento
Para florir na memória
Festejando uma vitória
Que o coração conquistou
Pois a dor que já passou
Virou perfume pra vida
E a esperança florida
Foi o amor que ficou
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.
Quando eu vi florescer
A semente que plantei
O tempo que esperei
Fez o amor renascer
Se a chuva aparecer
Pra chover nosso roçado
O mundo é transformado
E entre lágrimas e sorriso
Forma-se um jardim de riso
Ao relembrar o passado
Quem planta com esperança
Sabe colher com amor
Se no peito tinha dor
Hoje só resta lembrança
Dentro da perseverança
A fé é quem ganha espaço
No viver não há fracasso
Pra quem vive pra amar
É só pra comemorar
E correr para o abraço
Delegando minha história
Seguindo a passo lento
Reguei com o pensamento
Para florir na memória
Festejando uma vitória
Que o coração conquistou
Pois a dor que já passou
Virou perfume pra vida
E a esperança florida
Foi o amor que ficou
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.

É Findi - Malude Maciel* Em Dose Dupla
03/04/2026
Cada um tem seu apego
Cada um tem seu xodó
Todos gostam de carinho
Ninguém pretende ser só
Não se sabe porque gosta
Nem de onde vem a atração
O sentimento existe
Preenchendo o coração
Alguém que traz alegria
Alguém que nos dá prazer
Sempre boa energia
Ajudando a viver
"Alma gêmea", como diz
O ditado popular
Sempre um encontro feliz
Quando junto se estar
De repente,
Seja como for,
Surge mútua simpatia
Nasce grande amizade,
Também cresce o amor.
Virar a página - Poemeto
Diante dos percalços
Da vida
Da injustiça
Sofrida
A gente chora
Mas, para recomeçar
A gente ri
Faz o sorriso acordar
Pois, o coração diz
Fundamental
É...
Afinidades - Poema
Cada um tem seu apego
Cada um tem seu xodó
Todos gostam de carinho
Ninguém pretende ser só
Não se sabe porque gosta
Nem de onde vem a atração
O sentimento existe
Preenchendo o coração
Alguém que traz alegria
Alguém que nos dá prazer
Sempre boa energia
Ajudando a viver
"Alma gêmea", como diz
O ditado popular
Sempre um encontro feliz
Quando junto se estar
De repente,
Seja como for,
Surge mútua simpatia
Nasce grande amizade,
Também cresce o amor.

Virar a página - Poemeto
Diante dos percalços
Da vida
Da injustiça
Sofrida
A gente chora
Mas, para recomeçar
A gente ri
Faz o sorriso acordar
Pois, o coração diz
Fundamental
É ser feliz.
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
