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Internacional - Lula defende formação de bloco forte na América Latina

10/07/2024

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Em sua primeira visita à Bolívia desde que assumiu o terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu a formação de um bloco forte na América Latina. Para o presidente brasileiro, “não existe saída individual na América do Sul”.


Um dia depois

Lula visitou a Bolívia um dia depois do país vizinho formalizar o ingresso como membro pleno do Mercado Comum do Sul (Mercosul). Lula esteve reunido com o presidente Luís Arce e sua equipe de ministros na cidade de Santa Cruz de La Sierra, principal centro econômico e financeiro boliviano.

Reunião

Ao final da reunião bilateral, os dois líderes fizeram uma declaração à imprensa. Lula disse que o encontro é a inauguração de uma "nova era" na relação Brasil-Bolívia e destacou a necessidade incontornável de integração regional entre os países do continente sul-americano.

"Não existe saída individual para nenhum país na América do...

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Em sua primeira visita à Bolívia desde que assumiu o terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu a formação de um bloco forte na América Latina. Para o presidente brasileiro, “não existe saída individual na América do Sul”.


Um dia depois

Lula visitou a Bolívia um dia depois do país vizinho formalizar o ingresso como membro pleno do Mercado Comum do Sul (Mercosul). Lula esteve reunido com o presidente Luís Arce e sua equipe de ministros na cidade de Santa Cruz de La Sierra, principal centro econômico e financeiro boliviano.

Reunião

Ao final da reunião bilateral, os dois líderes fizeram uma declaração à imprensa. Lula disse que o encontro é a inauguração de uma "nova era" na relação Brasil-Bolívia e destacou a necessidade incontornável de integração regional entre os países do continente sul-americano.

"Não existe saída individual para nenhum país na América do Sul. Ou nós nos juntamos, formamos um bloco, tomamos decisões conjuntas e executamos as decisões, ou vamos continuar mais um século sendo países em vias de desenvolvimento", afirmou Lula. O presidente também listou uma série de acordos assinados, incluindo os de acesso à saúde e combate ao crime organizado.

Primeira vez

Esta é a primeira vez que Lula visita o país vizinho em seu terceiro mandato. Já o presidente da Bolívia esteve no Brasil quatro vezes ao longo do último ano. Lula também citou os projetos de instalação de uma fábrica de fertilizantes na fronteira seca entre os dois países, entre Corumbá, Mato Grosso do Sul, e Porto Quijaro, e a construção de uma ponte binacional sobre o Rio Mamoré, entre Guajará-Mirim, em Rondônia, e Guayaramerín, na Bolívia.

O tema

Sobre o tema da integração, Luís Arce afirmou que é preciso avançar nas conexões rodoviárias e ferroviárias entre os países, para encurtar as distâncias entre as saídas para os oceanos Pacífico e Atlântico.

Leia outras informações

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Crise Diplomática - Milei faz novos ataques a Lula e o chama de ladrão e corrupto

03/08/2026

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Lula e o chamou de ladrão e corrupto. As declarações foram feitas em entrevista ao jornal argentino 'La Nación', no ontem, domingo, 02/08. O argentino afirmou que Lula "não é inocente" das condenações na Operação Lava Jato. "Ele foi solto por causa de uma falha processual. Ele não é inocente." As condenações de Lula foram anuladas em 2021 pelo STF, que entendeu que os processos não tramitaram na devida jurisdição e que o então juiz Sergio Moro foi parcial ao conduzir os casos.



Convenção do PL e as declarações

Ao 'La Nación', Milei defendeu suas declarações feitas na convenção de Flávio Bolsonaro e rejeitou as críticas de Brasília. "É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", argumentou ao rebater a reação do governo brasileiro aos seus ataques. Ele ainda acusou, sem provas, Lula de interferir politicamente nos países da América L...

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O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Lula e o chamou de ladrão e corrupto. As declarações foram feitas em entrevista ao jornal argentino 'La Nación', no ontem, domingo, 02/08. O argentino afirmou que Lula "não é inocente" das condenações na Operação Lava Jato. "Ele foi solto por causa de uma falha processual. Ele não é inocente." As condenações de Lula foram anuladas em 2021 pelo STF, que entendeu que os processos não tramitaram na devida jurisdição e que o então juiz Sergio Moro foi parcial ao conduzir os casos.



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Convenção do PL e as declarações

Ao 'La Nación', Milei defendeu suas declarações feitas na convenção de Flávio Bolsonaro e rejeitou as críticas de Brasília. "É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", argumentou ao rebater a reação do governo brasileiro aos seus ataques. Ele ainda acusou, sem provas, Lula de interferir politicamente nos países da América Latina. Para o argentino, "se há alguém que interfere politicamente na região, é Lula, contaminando por completo com as ideias imundas do socialismo." Também houve queixas de uma suposta assimetria no tratamento dado às ofensas feitas por líderes de esquerda. "Ele fica bravo porque eu disse algo verdadeiro para o Lula. Mas eles omitem os insultos do Lula e dos ministros dele, do Petro, do Evo Morales, do Correa, do Pedro Sánchez e da turma dele. Quando me insultam, tudo bem", afirmou. Os ataques de Javier Milei a Lula começaram durante a convenção partidária no dia 25/07 em São Paulo. O evento lançou oficialmente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, PL. Na ocasião o argentino também afirmou que confia no filho de Jair Bolsonaro para "deter o lixo socialista". As ofensas também se estenderam ao ministro do STF Alexandre de Moraes, que proibiu uma visita do argentino ao ex-presidente brasileiro. Milei chamou o magistrado de "lixo careca".




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Trump diz que Irã deve escolher entre "acordo" ou "rendição total". Irã nega negociação

03/08/2026

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse hoje, segunda-feira, 03/08, que o Irã deve escolher entre um "acordo" ou a "rendição total" da guerra. Trump afirmou que as conversas entre os dois lados foram retomadas, mas que esta será "a última chance" do governo iraniano de conseguir um acordo. "A liderança iraniana é inacreditavelmente dúbia! Eles pedem uma reunião — alguns diriam que 'imploram'— as conversas começam, com outras já marcadas para o futuro imediato, e então dizem de forma aberta e orgulhosa que não estão tendo nenhuma discussão, que nada está sendo tratado, e que estão lidando apenas com 'Omã'", afirmou Trump em uma publicação na Truth Social. A fala de Trump hoje é uma mudança da retórica adotada nos últimos dias sobre a guerra no Irã. No final de semana, o líder norte-americano adotou um tom mais ameno ao afirmar que "os termos de um acordo [de paz] foram definidos" — o que motivou a cancelar ataques contra a infraestrutura elétrica iraniana — e que as negociações com Te...

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O presidente dos EUA, Donald Trump, disse hoje, segunda-feira, 03/08, que o Irã deve escolher entre um "acordo" ou a "rendição total" da guerra. Trump afirmou que as conversas entre os dois lados foram retomadas, mas que esta será "a última chance" do governo iraniano de conseguir um acordo. "A liderança iraniana é inacreditavelmente dúbia! Eles pedem uma reunião — alguns diriam que 'imploram'— as conversas começam, com outras já marcadas para o futuro imediato, e então dizem de forma aberta e orgulhosa que não estão tendo nenhuma discussão, que nada está sendo tratado, e que estão lidando apenas com 'Omã'", afirmou Trump em uma publicação na Truth Social. A fala de Trump hoje é uma mudança da retórica adotada nos últimos dias sobre a guerra no Irã. No final de semana, o líder norte-americano adotou um tom mais ameno ao afirmar que "os termos de um acordo [de paz] foram definidos" — o que motivou a cancelar ataques contra a infraestrutura elétrica iraniana — e que as negociações com Teerã seriam retomadas já nesta segunda.



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Estreito de Ormuz

Em seguida, Trump disse que o Estreito de Ormuz está "completamente" sob o controle da Marinha norte-americana e que "nada [em termos comerciais] chega ao Irã a menos que queiramos, e nada chegará, a menos que um acordo ou uma rendição total seja alcançado".



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Irã

O regime iraniano, no entanto, negou que haja tratativas em andamento com os EUA e afirmou que está se aproximando de um acordo com o Omã para uma nova rota de trânsito de navios comerciais em Ormuz. Enquanto o impasse segue, no final de semana a guerra entre EUA e Irã no Oriente Médio completou 5 meses sem perspectiva de terminar.




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STF volta do recesso hoje com Lei Maria da Penha e Reforma Tributária

03/08/2026

O STF, Supremo Tribunal Federal, retomou hoje, segunda-feira, 03/08, às 14h00, as sessões presenciais do plenário da Corte, após o recesso de julho. O principal processo em pauta trata do alcance das medidas protetivas da Lei Maria da Penha para casos de violência fora do contexto doméstico. O caso começou a ser analisado em maio último, quando foram ouvidas as sustentações orais das partes envolvidas no processo. Na sessão desta tarde, os ministros vão proferir os votos sobre a questão.



Julgamento

A Corte julga recurso do MPGM, Ministério Público de Minas Gerais, para derrubar decisão da Justiça estadual que negou a aplicação de medidas protetivas a uma mulher que recebeu ameaças por razões de gênero em contexto comunitário, local público. Os detalhes do processo não foram divulgados porque estão em segredo de Justiça. Para o MP, a Lei Maria da Penha pode ser aplicada de forma ampla, sempre quando ocorrer a violência de gênero contr...

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O STF, Supremo Tribunal Federal, retomou hoje, segunda-feira, 03/08, às 14h00, as sessões presenciais do plenário da Corte, após o recesso de julho. O principal processo em pauta trata do alcance das medidas protetivas da Lei Maria da Penha para casos de violência fora do contexto doméstico. O caso começou a ser analisado em maio último, quando foram ouvidas as sustentações orais das partes envolvidas no processo. Na sessão desta tarde, os ministros vão proferir os votos sobre a questão.



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Julgamento

A Corte julga recurso do MPGM, Ministério Público de Minas Gerais, para derrubar decisão da Justiça estadual que negou a aplicação de medidas protetivas a uma mulher que recebeu ameaças por razões de gênero em contexto comunitário, local público. Os detalhes do processo não foram divulgados porque estão em segredo de Justiça. Para o MP, a Lei Maria da Penha pode ser aplicada de forma ampla, sempre quando ocorrer a violência de gênero contra a mulher. A norma prevê diversas medidas protetivas, como afastamento do agressor do lar, proibição de aproximação da vítima, uso de tornozeleira eletrônica e decretação de prisão preventiva.

Hoje também

O plenário também deve julgar hoje as ações que contestam o trecho da reforma tributária - Lei Complementar nº 214/2025 - que restringiu o benefício da isenção fiscal para compra de automóveis por pessoas com deficiência ou com TEA, Transtorno do Espectro Autista. Para as entidades que entraram com as ações, a restrição é discriminatória e inconstitucional.




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WhatsApp Hoje - Usuários relatam bloqueio automático e sem motivo de contas

03/08/2026

Usuários afirmam que tiveram a conta do WhatsApp banida hoje, segunda-feira, 03/08, sem serem informados sobre o motivo, segundo mais de 200 relatos na plataforma ‘Downdetector’ e nas redes sociais. O bloqueio ocorreu por volta das 11h00. "Algumas atividades da sua conta podem não estar de acordo com os termos de serviço do WhatsApp Business", diz o aviso do aplicativo sobre um dos casos de banimento, sem detalhar os motivos.

Meta

A Meta, conglomerado por trás do WhatsApp, disse que trabalha na prevenção do uso indevido do serviço. "Banimos contas para ajudar a proteger os demais usuários." "Eventualmente, podemos cometer equívocos e, quando isso acontece, buscamos resolver a situação o mais rápido possível para que as pessoas possam voltar a se comunicar", completou a corporação.

‘Downdetector’ e ‘X’

No ‘Downdetector’, as pessoas afirmam que não sabem o motivo da restrição e negam uso incomum do aplicativo. Par...

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Usuários afirmam que tiveram a conta do WhatsApp banida hoje, segunda-feira, 03/08, sem serem informados sobre o motivo, segundo mais de 200 relatos na plataforma ‘Downdetector’ e nas redes sociais. O bloqueio ocorreu por volta das 11h00. "Algumas atividades da sua conta podem não estar de acordo com os termos de serviço do WhatsApp Business", diz o aviso do aplicativo sobre um dos casos de banimento, sem detalhar os motivos.

Meta

A Meta, conglomerado por trás do WhatsApp, disse que trabalha na prevenção do uso indevido do serviço. "Banimos contas para ajudar a proteger os demais usuários." "Eventualmente, podemos cometer equívocos e, quando isso acontece, buscamos resolver a situação o mais rápido possível para que as pessoas possam voltar a se comunicar", completou a corporação.

‘Downdetector’ e ‘X’

No ‘Downdetector’, as pessoas afirmam que não sabem o motivo da restrição e negam uso incomum do aplicativo. Parte delas diz ter recorrido ao pedido de análise, mecanismo disponível para recorrer contra a punição dentro da administração da própria Meta. Na rede social ‘X’, o advogado Arthur Estrela, também alvo da restrição, diz que a medida pode ser contestada na Justiça. "Caso [as contas] não voltem, teremos uma onda de processos." O bloqueio injustificado é uma violação ao direito do consumidor e a jurisprudência atual indica a reversão do veto, segundo advogados. Uma publicação de uma entidade peruana, chamada Elegir, indica que a falha ocorreu em outros países também. (Com a Folha de S.Paulo)




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Caso Master - PF adia depoimento de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro

03/08/2026

A Polícia Federal adiou o depoimento de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, que seria realizado hoje, segunda-feira, 03/08. A defesa que pediu o adiamento. As investigações da PF apontam Lima como um dos principais interlocutores de Jaques Wagner nas apurações sobre a relação do senador com o caso Master. Ele foi controlador do Banco Pleno e era sócio de Vorcaro, fundador do Banco Master, que está preso em Brasília.

Entenda

Lima foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, realizada em 18/06. Em novembro de 2025, Lima já havia sido preso preventivamente em uma etapa anterior da investigação. O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno em fevereiro de 2026. Lima havia assumido o controle da instituição em julho de 2025. De acordo com a PF, Lima também participou de articulações para viabilizar a compra, pelo Banco de Brasília, de carteiras pertencentes ao Banco Master. A suspeita foi identificada a partir...

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A Polícia Federal adiou o depoimento de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, que seria realizado hoje, segunda-feira, 03/08. A defesa que pediu o adiamento. As investigações da PF apontam Lima como um dos principais interlocutores de Jaques Wagner nas apurações sobre a relação do senador com o caso Master. Ele foi controlador do Banco Pleno e era sócio de Vorcaro, fundador do Banco Master, que está preso em Brasília.

Entenda

Lima foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, realizada em 18/06. Em novembro de 2025, Lima já havia sido preso preventivamente em uma etapa anterior da investigação. O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno em fevereiro de 2026. Lima havia assumido o controle da instituição em julho de 2025. De acordo com a PF, Lima também participou de articulações para viabilizar a compra, pelo Banco de Brasília, de carteiras pertencentes ao Banco Master. A suspeita foi identificada a partir da análise dos celulares de Vorcaro feita pelos investigadores.




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PF pede ao STF a terceira abertura de investigação contra Lulinha

03/08/2026

A PF solicitou ao STF a abertura de um terceiro inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A nova apuração mira o suposto tráfico de influência praticado pelo empresário, que teria utilizado a estrutura do governo federal em favor de empresas parceiras. Na semana passada, o ministro André Mendonça autorizou a abertura de duas outras investigações contra Lulinha, sobre o mesmo tema.

“Pesca probatória”

Segundo a PF, o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa 3Structure It, teria pagado ao menos uma viagem para o filho do presidente em troca de supostos favores no governo. O empresário também ligado ao Careca do INSS, Antônio Carlos Camilo Antunes. Lulinha também já era investigado pelo eventual cometimento do mesmo crime em caso relacionado ao comércio de cannabis medicinal, com conexões com o Ministério da Saúde e o gabinete Presidencial. Investigação essa que, em um primeiro momento, a defesa do filho do presidente nega que F...

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A PF solicitou ao STF a abertura de um terceiro inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A nova apuração mira o suposto tráfico de influência praticado pelo empresário, que teria utilizado a estrutura do governo federal em favor de empresas parceiras. Na semana passada, o ministro André Mendonça autorizou a abertura de duas outras investigações contra Lulinha, sobre o mesmo tema.

“Pesca probatória”

Segundo a PF, o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa 3Structure It, teria pagado ao menos uma viagem para o filho do presidente em troca de supostos favores no governo. O empresário também ligado ao Careca do INSS, Antônio Carlos Camilo Antunes. Lulinha também já era investigado pelo eventual cometimento do mesmo crime em caso relacionado ao comércio de cannabis medicinal, com conexões com o Ministério da Saúde e o gabinete Presidencial. Investigação essa que, em um primeiro momento, a defesa do filho do presidente nega que Fábio tenha cometido qualquer crime. O advogado Marco Aurélio Carvalho classificou os pedidos da PF como “pirotecnia” e tentativa ilegal de fazer uma “pesca probatória”, quando há uma investigação genérica sem foco específico.




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A Disputa Silenciosa pelo Nordeste Brasileiro: Geoeconomia Chinesa, Soberania Nacional e os Novos Vetores do Poder Estratégico - Por Amadeu Robalinho*

03/08/2026

Já faz um tempo, que a Soberania deixou de ser medida exclusivamente pela capacidade militar ou pelo controle físico do território. As grandes potências compreenderam que dominar cadeias produtivas, infraestrutura crítica, energia, tecnologia, logística e comunicações produz efeitos estratégicos muito mais duradouros do que qualquer ocupação convencional.

É precisamente nesse contexto que o Nordeste brasileiro passou a ocupar posição central na estratégia global da República Popular da China.

Enquanto boa parte do debate nacional permanece restrita às disputas político-eleitorais, consolida-se silenciosamente uma profunda transformação geoeconômica. Não se trata apenas da instalação de fábricas ou da ampliação do comércio bilateral. Observa-se uma crescente presença chinesa em setores estruturantes da economia regional, muitos deles diretamente relacionados ao conceito moderno de Poder Nacional.

Os investimentos anunciados ou executados na r...

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Já faz um tempo, que a Soberania deixou de ser medida exclusivamente pela capacidade militar ou pelo controle físico do território. As grandes potências compreenderam que dominar cadeias produtivas, infraestrutura crítica, energia, tecnologia, logística e comunicações produz efeitos estratégicos muito mais duradouros do que qualquer ocupação convencional.

É precisamente nesse contexto que o Nordeste brasileiro passou a ocupar posição central na estratégia global da República Popular da China.

Enquanto boa parte do debate nacional permanece restrita às disputas político-eleitorais, consolida-se silenciosamente uma profunda transformação geoeconômica. Não se trata apenas da instalação de fábricas ou da ampliação do comércio bilateral. Observa-se uma crescente presença chinesa em setores estruturantes da economia regional, muitos deles diretamente relacionados ao conceito moderno de Poder Nacional.

Os investimentos anunciados ou executados na região já ultrapassam R$ 245 bilhões, distribuídos entre infraestrutura energética, indústria automobilística, mineração, tecnologia da informação, logística portuária, transmissão de energia, energias renováveis e economia digital.

Na Bahia, a BYD implantou aquele que tende a ser seu maior complexo industrial fora da Ásia, transformando Camaçari em um novo polo mundial de veículos elétricos, baterias e sistemas de armazenamento energético.
No Maranhão, a State Grid, maior empresa de transmissão de energia do planeta, expandiu significativamente sua presença na infraestrutura elétrica brasileira, participando de linhas estratégicas que integram a produção energética do Nordeste ao Sistema Interligado Nacional.

No Ceará, a ByteDance, controladora do TikTok, anunciou investimentos em infraestrutura digital e centros de dados, aproveitando uma das maiores concentrações de cabos submarinos do Atlântico Sul, que conectam diretamente o Brasil à Europa, à América do Norte e à África.

A presença chinesa também alcança Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte por meio de projetos relacionados à geração eólica, energia solar, hidrogênio verde, mineração, parques industriais, transmissão elétrica e infraestrutura logística.

Sob a ótica geopolítica, essa distribuição territorial não é aleatória.

O Nordeste reúne praticamente todos os ativos considerados estratégicos para as disputas econômicas do século XXI:

posição geográfica privilegiada entre os mercados europeu, africano e americano;
aproximadamente 57 milhões de habitantes;
alguns dos maiores índices mundiais de incidência solar;
regime de ventos excepcional para geração eólica;
principais projetos brasileiros de hidrogênio verde;
grandes reservas de minerais estratégicos;
importantes polos petroquímicos e industriais;
portos de águas profundas, como Suape, Pecém, Itaqui, Salvador e Aratu;
concentração dos principais cabos submarinos internacionais na costa cearense.

Na lógica contemporânea das Relações Internacionais, infraestrutura é poder.
Energia é poder.
Dados são poder.
Logística é poder.
Tecnologia é poder.
Quem participa da construção desses sistemas adquire influência econômica, política e estratégica sobre eles.

É justamente essa realidade que desperta preocupação em diversos centros internacionais de estudos estratégicos. Relatórios produzidos por instituições de defesa em diferentes países têm acompanhado a expansão global da infraestrutura chinesa, sobretudo em áreas ligadas à energia, telecomunicações, inteligência artificial, cadeias logísticas e tecnologias de dupla utilização, isto é, passíveis de emprego tanto civil quanto militar.

Não se afirma que exista uma perda automática de soberania. Entretanto, a concentração de ativos estratégicos sob influência predominante de um único parceiro internacional pode reduzir a margem de autonomia decisória do Estado ao longo do tempo.

Essa discussão ultrapassa a economia.
Trata-se de Defesa Nacional.

O conceito contemporâneo de Defesa compreende a proteção das infraestruturas críticas, da segurança energética, da autonomia tecnológica, da soberania digital, da capacidade industrial de defesa e da resiliência logística.

Um país pode preservar suas fronteiras militares e, ainda assim, tornar-se vulnerável caso setores essenciais passem a depender excessivamente de capitais, tecnologias, equipamentos e cadeias de suprimento controlados por interesses externos.

É nesse ponto que emerge um dos maiores desafios estratégicos brasileiros.

Os investimentos estrangeiros são fundamentais para o crescimento econômico e para a modernização da infraestrutura. Contudo, sua recepção deve estar inserida em uma política nacional de desenvolvimento que preserve o controle sobre ativos críticos, estimule a transferência de tecnologia, fortaleça a indústria nacional e diversifique parcerias internacionais.

A verdadeira questão não é escolher entre receber ou rejeitar investimentos chineses. A questão estratégica consiste em definir se o Brasil continuará sendo apenas receptor de capitais ou se construirá uma política de Estado capaz de converter esses investimentos em fortalecimento permanente de sua capacidade industrial, científica, tecnológica e militar.

A história demonstra que grandes potências não constroem sua influência apenas por meios militares. Elas consolidam sua presença controlando infraestrutura, financiando cadeias produtivas, dominando tecnologias críticas e tornando-se indispensáveis ao funcionamento cotidiano de outras economias.

O Nordeste brasileiro, por sua posição geográfica singular, abundância energética, importância logística e potencial industrial, tornou-se um dos principais tabuleiros da competição geopolítica do século XXI. A resposta brasileira a esse processo determinará não apenas o futuro econômico da região, mas também o grau de soberania estratégica que o país será capaz de preservar nas próximas décadas.


*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




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Na falta do Data Liba... - Crônica - Por Emanuel Silva*

03/08/2026

Antes dessa multidão de institutos que, quase diariamente, tasca um novo diagnóstico eleitoral, o Recife já tinha o seu mais respeitado instituto de pesquisas: o Data Liba.

Liberato Costa Júnior não precisava de computadores poderosos, painéis coloridos ou contratos milionários. Calculava a força das chapas, estimava o número de vagas e indicava quem estava verdadeiramente na disputa.

Alguns o chamavam de bruxo, mago ou vidente.
Nada disso.

Era pesquisa qualitativa e quantitativa em ação: números, memória, conversas, circulação pelos bairros e uma extraordinária capacidade de compreender as pessoas. O Data Liba tornou-se conhecido especialmente por suas previsões para as eleições proporcionais, terreno muito mais complexo do que simplesmente apontar o favorito para prefeito ou governador.

Experiência política vinda de longe

A capacidade de leitura de Liberato não nasceu por acaso. A sua experiência políti...

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Antes dessa multidão de institutos que, quase diariamente, tasca um novo diagnóstico eleitoral, o Recife já tinha o seu mais respeitado instituto de pesquisas: o Data Liba.

Liberato Costa Júnior não precisava de computadores poderosos, painéis coloridos ou contratos milionários. Calculava a força das chapas, estimava o número de vagas e indicava quem estava verdadeiramente na disputa.

Alguns o chamavam de bruxo, mago ou vidente.
Nada disso.

Era pesquisa qualitativa e quantitativa em ação: números, memória, conversas, circulação pelos bairros e uma extraordinária capacidade de compreender as pessoas. O Data Liba tornou-se conhecido especialmente por suas previsões para as eleições proporcionais, terreno muito mais complexo do que simplesmente apontar o favorito para prefeito ou governador.

Experiência política vinda de longe

A capacidade de leitura de Liberato não nasceu por acaso. A sua experiência política vinha de muito longe. Sua trajetória cruzou com a de grandes nomes como Pelópidas da Silveira, Egídio Ferreira Lima e Andrade Lima Filho, entre tantos outros que marcaram a história política pernambucana.

Liberato era simples, mas nunca submisso. Era inteligente, sagaz, direto e permanentemente combativo. Dizia o que pensava, inclusive aos próprios aliados, mas costumava explicar suas razões e apontar caminhos. Virtudes raras no mundo atual. Liberato foi vereador por dez mandatos, deputado estadual, presidente da Câmara e prefeito interino do Recife.

Em 29 de abril de 1969, teve o mandato de deputado estadual cassado pela ditadura, sem processo regular ou direito de defesa. Ficou dez anos impedido de disputar eleições e chegou a permanecer preso por três dias. Mesmo cassado, não abandonou a política: continuou acompanhando comícios e atuando nos bastidores da oposição, algumas vezes disfarçado para escapar da repressão.

Alô, Recife!

Liberato era o primeiro a chegar e o último a sair da Câmara. Um abnegado e altruísta. Qualidades também raras no mundo político atual. Políticos de diversos partidos frequentavam sua casa simples em Campo Grande (recife) para ouvir conselhos, conhecer tendências e tentar enxergar aquilo que Liberato já havia percebido.

Na época da campanha eleitoral aparecia na televisão, com um sorriso sem dentes, repleto de felicidade, simplicidade e sabedoria, dizendo:

— Alô, Recife!

Era o suficiente para saber que Liberato estava "ligado" e "antenado", na gíria atual.
Seu verdadeiro banco de dados estava nas ruas, nos bairros, nas conversas e em décadas de observação da cidade.
E na falta dele...restou quem?

Bom, na falta do Data Liba, resolvi perguntar ao Grok, ao ChatGPT, ao Claude e outro punhado de inteligência artificial quais seriam os deputados eleitos. Bastou escrever um prompt e logo aparecem previsões para governador, senador, deputado federal, estadual e até o síndico do prédio.

Mas, quando se espreme a resposta vem um apanhado das pesquisas efetuadas (cuja metodologia está mais furada que queijo de coalho não pasteurizado) com um "enrolando o lero": Pode ser, Pode não ser. Neste quesito, tanto as análises da IA como dos palpiteiros de plantão (que por sinal tem demais) falta o essencial: a caminhada pausada pelas ruas, a leitura dos silêncios, a percepção de que uma chapa que tem números, mas não tem liga, e a capacidade de distinguir simpatia, entusiasmo e voto.

A máquina calcula probabilidades. Liberato compreendia pessoas.
E gostava de repetir, não como slogan comprovado de uma campanha específica, mas como princípio de vida:

“Gratidão é dívida que não prescreve.”


*Emanuel Silva, é Professor e Cronista.



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Da Série, Mistérios do Aquém: a revogação da lei da gravidade no “suicídio” de Herzog - Por Natanael Sarmento*

03/08/2026

Nos anais dos mistérios do aquém da ditadura militar do Brasil, a arte cênica de forjar mortes dos dramaturgos do verde-oliva se superava nos bastidores do DOI-CODI. Em São Paulo o teatro dos horrores daqueles porões ficava longe dos refletores e do público.

A cena da física dobrada

Obra-prima dessa pantomima trágica entra em cartaz em outubro de 1975, sob o título “Suicídio do Jornalista Vladimir Herzog" divulgado na imprensa.". A ditadura que revogou diversas leis, suprimiu liberdade de– imprensa, de greve, pluripartidarismo, censurou. Mas a porca torceu o rabo na revogação da lei da gravidade e da anatomia humana na pantomima do suicídio de Herzog.

Desafio

A versão oficial sustentava que o respeitado diretor de jornalismo da TV Cultura Vladmir Herzog havia dado fim à própria vida utilizando um cinto de pano pendurado numa grade de janela a metro e meio do chão.

A mente esmaga


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Nos anais dos mistérios do aquém da ditadura militar do Brasil, a arte cênica de forjar mortes dos dramaturgos do verde-oliva se superava nos bastidores do DOI-CODI. Em São Paulo o teatro dos horrores daqueles porões ficava longe dos refletores e do público.

A cena da física dobrada

Obra-prima dessa pantomima trágica entra em cartaz em outubro de 1975, sob o título “Suicídio do Jornalista Vladimir Herzog" divulgado na imprensa.". A ditadura que revogou diversas leis, suprimiu liberdade de– imprensa, de greve, pluripartidarismo, censurou. Mas a porca torceu o rabo na revogação da lei da gravidade e da anatomia humana na pantomima do suicídio de Herzog.

Desafio

A versão oficial sustentava que o respeitado diretor de jornalismo da TV Cultura Vladmir Herzog havia dado fim à própria vida utilizando um cinto de pano pendurado numa grade de janela a metro e meio do chão.

A mente esmaga

Na genialidade da armação, o "enforcado" aparecia com os dois pés firmemente apoiados no chão, joelhos dobrados, numa postura de quase contrição involuntária. A física é uma ciência chata: insiste em nos manter vivos. Na física do DOI-CODI e da Nota Oficial o jornalista teria vencido e revogado a gravidade, mantendo-se, voluntariamente, "dobrado" até morrer por “asfixia”.

A Arte de forjar

No figurino da farsa montada os pés no chão. Nada de corpos suspensos no ar. Corda ajustável: o cinto aparece miraculosamente amarrado depois de o detido ter sido submetido ao ritual padrão de "boas-vindas", ritual este que o mais pateta da Terra Plana sabe que retira até os cadarços dos sapatos para evitar acidentes. Maquiagem merecia o Oscar tão visíveis as marcas do corpo que o Cego Aderaldo podia notar das últimas cadeiras.

Não convenceu

A peça grotesca não agradou, nem convenceu o grande público, a sociedade brasileira, jornalistas e juristas, gente acostumada com os dissabores desses teatros montados de fantoches da ditadura.

Efeito contrário

A farsa do enforcamento de joelhos foi tão descarada que a opinião pública repudiou a versão oficial e escancarou a tramoia dos porões do regime. O "caso encerrado" com a divulgação da foto no jornal foi tiro pela culatra. Escancarava a brutalidade e a inacreditável estupidez burocrática dos agentes do terror do Estado brasileiro.

Finalmente

Anos mais tarde, a Justiça reconhece o que todos já sabiam. Em 1975: Herzog foi assassinado sob tortura. A tese do suicídio era mais um lixo da história sanguinária da ditadura militar. A fotografia é eterna. A ditadura, não. Ditadura nunca mais!


*Natanael Sarmento é professor e escritor, e integrante do Diretório Nacional da UP. @sarmentonatanael



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O figurante de luxo da república - O aluguel da nossa soberania, por Zé da Flauta*

03/08/2026

A sabedoria popular garante, com pompa e carimbo no parágrafo único do Artigo 1º da Constituição, que "todo o poder emana do povo". O sujeito, na sua santa ingenuidade, lê aquilo e estufa o peito no ônibus lotado. Imagina-se uma espécie de acionista majoritário da Nação. Afinal, se o poder emana dele, a lógica diz que ele manda no pedaço. Pura comédia de costumes.

O poder até pode emanar do povo, mas faz isso com tanta pressa de ir embora que, quando a frase termina de ser lida, ele já subiu a rampa, vestiu terno sob medida, contratou motorista e trancou a porta pelo lado de dentro.

Algoritmos

A verdade é que o poder real não mora no voto que a gente deposita na urna a cada dois anos, mas nas engrenagens invisíveis que giram nos bastidores. Ele está nos algoritmos que decidem o que você vai desejar no almoço, nas canetadas do mercado financeiro que definem se o quilo do feijão vai subir na segunda-feira e nos acordos de gabinete cost...

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A sabedoria popular garante, com pompa e carimbo no parágrafo único do Artigo 1º da Constituição, que "todo o poder emana do povo". O sujeito, na sua santa ingenuidade, lê aquilo e estufa o peito no ônibus lotado. Imagina-se uma espécie de acionista majoritário da Nação. Afinal, se o poder emana dele, a lógica diz que ele manda no pedaço. Pura comédia de costumes.

O poder até pode emanar do povo, mas faz isso com tanta pressa de ir embora que, quando a frase termina de ser lida, ele já subiu a rampa, vestiu terno sob medida, contratou motorista e trancou a porta pelo lado de dentro.

Algoritmos

A verdade é que o poder real não mora no voto que a gente deposita na urna a cada dois anos, mas nas engrenagens invisíveis que giram nos bastidores. Ele está nos algoritmos que decidem o que você vai desejar no almoço, nas canetadas do mercado financeiro que definem se o quilo do feijão vai subir na segunda-feira e nos acordos de gabinete costurados onde o povo não entra nem para passar o pano no chão.

A gente passa a vida acreditando que tem o rédea da carroça, mas quando olha para trás, percebe que até a direção do vento foi contratada por uma multinacional. O cidadão comum é esse figurante de luxo do grande teatro: paga o ingresso caro, assiste à peça da primeira fila e ainda é obrigado a bater palma quando o vilão entra em cena.

Nó cego

Existe, porém, um nó cego nessa história que emociona e desconcerta. Esse mesmo poder, tão pesado, distante e arrogante, só existe porque a gente concorda em sustentar a ilusão. O império do homem sobre o homem só dura até o momento em que a multidão percebe a própria força. O dia em que o povo resolve não aceitar o cabresto, a estrutura balança de alto a baixo.

É na marmita dividida na obra, no abraço que apoia o vizinho que desempregou, na resistência silenciosa de quem acorda às quatro da manhã com a dignidade intacta que mora a verdadeira semente da soberania. O sistema faz de tudo para a gente esquecer que tem força, porque sabe que o dia em que o povo se lembrar disso, o trono vira poeira.

Audácia

Da próxima vez que você der de cara com os mandões do momento decidindo a sua vida, não se diminua. O poder que hoje nos amassa e nos molda é o mesmo que um dia inventamos para nos proteger.

Ele pode até ter trocado de mãos e virado as costas para a sua origem, mas a raiz continua fincada no nosso chão. Entender quem manda de verdade não é para alimentar o desânimo, mas para lembrar que a história não é um roteiro pronto gravado em pedra, é uma folha em branco esperando pela coragem de quem tem a audácia de não se curvar.

Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista



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