Em Primeira Mão – Coluna Diária - Saiba agora o que os outros vão dar amanhã
30/07/2024
O presidente Lula se manifestou hoje sobre a eleição de Nicolás Maduro na Venezuela, para dizer que se trata de um “processo normal”. Durante o processo normal a que o petista se refere, a oposição foi impedida de acompanhar a apuração dos votos e opositores do regime foram presos após as primeiras contestações da eleição. “Tem uma briga, como é que vai resolver essa briga? Apresenta a ata. Se a ata tiver dúvida entre a oposição e a situação, a oposição entra com recurso. Sabe?”, disse Lula em entrevista transmitida pela GloboNews.
Esperar pronunciamento da Justiça
“E vai esperar na Justiça, tomar o processo. E aí, vai ter uma decisão que a gente tem que acatar. Eu estou convencido de que é um processo normal, tranquilo. O que precisa é que as pessoas que não concordam tenham o direito de provar que não concordam e o governo tenha o d...
O presidente Lula se manifestou hoje sobre a eleição de Nicolás Maduro na Venezuela, para dizer que se trata de um “processo normal”. Durante o processo normal a que o petista se refere, a oposição foi impedida de acompanhar a apuração dos votos e opositores do regime foram presos após as primeiras contestações da eleição. “Tem uma briga, como é que vai resolver essa briga? Apresenta a ata. Se a ata tiver dúvida entre a oposição e a situação, a oposição entra com recurso. Sabe?”, disse Lula em entrevista transmitida pela GloboNews.

Esperar pronunciamento da Justiça
“E vai esperar na Justiça, tomar o processo. E aí, vai ter uma decisão que a gente tem que acatar. Eu estou convencido de que é um processo normal, tranquilo. O que precisa é que as pessoas que não concordam tenham o direito de provar que não concordam e o governo tenha o direito de provar que está certo”, seguiu o presidente brasileiro, cujo governo ainda não reconheceu a eleição de Maduro oficialmente.

Oposicionistas presos e mortos na Venezuela
Ao menos 749 pessoas foram presas devido aos protestos na Venezuela, segundo informou hoje o procurador-geral do país, Tarek William Saab. Além disso, seis pessoas morreram, de acordo com a ONG Fórum Penal. Os protestos acontecem pelo segundo dia seguido. Hoje, o governo do Peru reconheceu a vitória de Edmundo Gonzáles para a Presidência da Venezuela.

Eleição no Cabo de Santo Agostinho - Nesta quarta-feira, pesquisa exclusiva mostra quem lidera disputa para prefeito
Com exclusividade, o Jornal O Poder publica nesta quarta-feira (31/07) uma nova rodada de pesquisa de intenções de votos para prefeito do Cabo de Santo Agostinho, uma das mais importantes cidades de Pernambuco. A disputa entre o prefeito Keko do Armazém, candidato à reeleição, e o deputado o ex-prefeito Lula Cabral e o delegado Resende promete. Nesta quarta, ao meio dia, publicamos os resultados. O Cabo vai tremer. Aguardem.
Leia mais em O Poder:
- Jogos de Paris – Equipe de ginástica artística feminina conquista medalha de bronze.
- Venezuela - Líder da oposição é sequestrado por milícia governista.
- Eleição venezuelana – EUA estudam sanções se Maduro não der mais transparência na apuração dos votos.
Leia outras informações
Exclusivo - Governo Federal concede rodovia e fortalece eixo Feira/ Salgueiro como rota do Sertão
28/05/2026
O Consórcio 116 Sertões
Foi o vencedor do certame, após apresentar desconto de 19,6% sobre a tarifa básica de pedágio. O grupo é formado pela Mota Engil, Galapagos Capital e Neo Invest, ligada ao grupo Novonor. A definição ocorreu após disputa em viva-voz entre os concorrentes participantes.
A concessão
Abrange aproximadamente 502 quilômetros de rodovias e prevê investimentos superiores a R$ 4,3 bilhões ao longo de 30 anos de contrato, destinados à recuperação, ampliação de capacidade, modernização operacional e melhorias na segurança viária. Entre as principais intervenções previstas estão duplicações de trechos estratégicos, imp...
Hoje, na B3 (Bolsa de Valores do Brasil) foi realizado o leilão da concessão da 'Rota dos Sertões', projeto estratégico do Ministério dos Transportes e da ANTT que contempla trechos das BR-116/BA/PE e BR-324/BA, conectando importantes corredores logísticos entre Bahia e Pernambuco.
O Consórcio 116 Sertões
Foi o vencedor do certame, após apresentar desconto de 19,6% sobre a tarifa básica de pedágio. O grupo é formado pela Mota Engil, Galapagos Capital e Neo Invest, ligada ao grupo Novonor. A definição ocorreu após disputa em viva-voz entre os concorrentes participantes.
A concessão
Abrange aproximadamente 502 quilômetros de rodovias e prevê investimentos superiores a R$ 4,3 bilhões ao longo de 30 anos de contrato, destinados à recuperação, ampliação de capacidade, modernização operacional e melhorias na segurança viária. Entre as principais intervenções previstas estão duplicações de trechos estratégicos, implantação de faixas adicionais, passarelas, pontos de parada e descanso, além da construção do contorno viário de Serrinha (BA).
O projeto da Rota dos Sertões
Representa um avanço importante para a infraestrutura logística do Nordeste, fortalecendo a integração regional, ampliando a eficiência do transporte de cargas e promovendo desenvolvimento econômico e geração de empregos nos estados da Bahia e Pernambuco.
Governo costura proposta para reajustar MEI. Câmara quer votar projeto antes do recesso
28/05/2026
Texto Final
O texto final da PEC prevê que uma lei complementar "poderá estabelecer medidas transitórias, condicionadas à manutenção de níveis de emprego, de mitigação dos impactos decorrentes desta emenda constitucional, para os microempreendedores individuais, as microempresas e as empresas de pequeno porte”. Um projeto já aprovado pelo Senado aumenta o limite anual dos MEIs de R$ 81 mil para R$ 130 mil por ano e permite que os microempreendedores tenham até 2 empregados, hoje o limite é de apenas 1. Ag...
O presidente Lula orientou seus ministros a costurarem uma proposta alternativa para elevar o limite de faturamento dos MEIs, microempreendedores, que está fixado em R$ 81 mil por ano desde 2018. Os ministérios da Fazenda, do Planejamento e do Empreendedorismo devem elaborar até o início da próxima semana um texto com menor impacto fiscal do que o projeto em tramitação na Câmara dos Deputados. A tendência é deixar de fora micro e pequenas empresas.
Texto Final
O texto final da PEC prevê que uma lei complementar "poderá estabelecer medidas transitórias, condicionadas à manutenção de níveis de emprego, de mitigação dos impactos decorrentes desta emenda constitucional, para os microempreendedores individuais, as microempresas e as empresas de pequeno porte”. Um projeto já aprovado pelo Senado aumenta o limite anual dos MEIs de R$ 81 mil para R$ 130 mil por ano e permite que os microempreendedores tenham até 2 empregados, hoje o limite é de apenas 1. Agora, a Câmara quer expandir essa proposta para micro e pequenas empresas, além da atualização nos valores anualmente pelo IPCA. A presidente da comissão especial que analisa o projeto, deputada Any Ortiz, disse que pretende concluir a tramitação ainda antes do recesso parlamentar, que começa em meados de julho.

Fazenda
Nos cálculos da Fazenda, isso poderia gerar um impacto fiscal de quase R$ 50 bilhões por ano. A equipe econômica trabalha em alternativas mais "econômicas", incluindo uma com impacto em torno de R$ 2 bilhões por ano, que prevê uma espécie de "rampa de saída" do MEI, o microempreendedor vai perdendo benefícios do regime especial de tributação à medida que se afasta do teto atual. A equipe econômica pretende evitar mudanças mais amplas no Simples Nacional. Hoje o limite anual é de R$ 360 mil para microempresas e de R$ 4,8 milhões para companhias de pequeno porte.
Lula abordou esse ponto na conversa que teve com o presidente da Câmara, Hugo Motta, segundo relatos. (Com a CNN)
Hoje - Câmara aprova isenção de impostos a igrejas para construção de templos e aquisição de bens
28/05/2026
Versão do texto genérica
Os parlamentares acataram uma versão do texto que estende ainda mais esse benefício para uma série de outras atividades, de forma genérica, incluindo creches, assistência social, comunidades terapêuticas e conventos, por exemplo. Na prática, o texto abre brecha para impedir qualquer tributação (federal, estadual ou municipal) sobre bens, serviços e consumo, por exemplo a compra de helicópteros, veículos, alimentos, microfones ou serviços...
A Câmara dos Deputados aprovou hoje, quinta-feira, 28/05, em primeiro turno o texto-base da PEC das igrejas, que amplia a imunidade tributária para entidades religiosas. O projeto contou com apoio massivo da bancada evangélica. A PEC foi aprovada com plenário vazio, em sessão semipresencial, com 385 votos favoráveis e 93 contrários. A deliberação contou com impulso do presidente da Câmara, Hugo Motta, que determinou desconto no pagamento do parlamentar que faltasse à sessão.

Versão do texto genérica
Os parlamentares acataram uma versão do texto que estende ainda mais esse benefício para uma série de outras atividades, de forma genérica, incluindo creches, assistência social, comunidades terapêuticas e conventos, por exemplo. Na prática, o texto abre brecha para impedir qualquer tributação (federal, estadual ou municipal) sobre bens, serviços e consumo, por exemplo a compra de helicópteros, veículos, alimentos, microfones ou serviços de limpeza. Pela proposta, por exemplo, a construção de um templo, inclusive a aquisição do tijolo, da lâmpada, a contratação do arquiteto e do pedreiro, também pode receber imunidade tributária. Pela redação aprovada, os detalhes desta imunidade serão definidos por regulamentação.
Texto avançou em sessão com pautas evangélicas e no dia seguinte à votação da proposta que acaba com a escala 6x1.
Guerra no Irã - EUA e Irã concordam em prolongar cessar-fogo por 60 dias
28/05/2026
Trump
Trump tem dado declarações contraditórias nos últimos dias, ora insinuando que um acordo está próximo, ora dizendo que a guerra, que já dura 3 meses, vai continuar por "mais um tempo", quando iniciou o conflito contra o Irã ao lado de Israel, Trump prometeu que ele duraria, no má...
Os EUA e o Irã chegaram a um acordo para prolongar o cessar-fogo entre os dois países por mais 60 dias, de acordo com relatos da imprensa americana publicados hoje, quinta-feira, 28/05. Autoridades dos EUA falaram sob condição de anonimato ao portal Axios em meio a nova troca de fogo na região e a investidas de Israel contra o Líbano. Segundo essas autoridades, os dois lados do conflito no Oriente Médio finalizaram um documento se comprometendo com a trégua e estabelecendo um ponto de partida para mais negociações, em especial sobre o destino do urânio altamente enriquecido em posse do Irã. O texto, entretanto, ainda precisaria da aprovação do presidente Donald Trump.
Trump
Trump tem dado declarações contraditórias nos últimos dias, ora insinuando que um acordo está próximo, ora dizendo que a guerra, que já dura 3 meses, vai continuar por "mais um tempo", quando iniciou o conflito contra o Irã ao lado de Israel, Trump prometeu que ele duraria, no máximo, 6 semanas. Ao mesmo tempo, o presidente está sob pressão de aliados no Partido Republicano que são contrários a qualquer acordo de paz que não inclua, de forma decisiva, a retirada ou destruição do urânio enriquecido do Irã.

Ofensivas
Ontem, 27/05, os EUA fizeram novos ataques ao Irã, tendo como alvo um local militar que, segundo autoridades, representava uma ameaça às forças americanas e ao tráfego marítimo comercial no estreito de Hormuz. Horas depois, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado uma base aérea dos EUA, que teria sido de onde partiu a ofensiva contra seu território. O Kuwait afirmou durante a madrugada ter respondido a ataques com mísseis e drones e posteriormente condenou as ações iranianas, classificando-as de uma "perigosa escalada". O Ministério das Relações Exteriores do país ainda exigiu que Irã interrompa os ataques e afirmou que mantém direitos de tomar medidas para preservar sua segurança. (Com a Folha de S.Paulo)
Relatório de Marussa Boldrin sobre PLP dos Combustíveis reforça segurança energética e proteção aos biocombustíveis
28/05/2026
Equilíbrio
Integrante da Frente Parlamentar de Recursos Naturais e Energia, a parlamentar apresentou substitutivo ao texto original com dispositivos considerados estratégicos para garantir equilíbrio entre mitigação dos preços dos combustíveis, responsabilidade fiscal e preservação da competitividade energética nacional.
O texto
Cria mecanismos extraordinários para permitir que a União utilize receitas adicionais geradas pelo aumento da arrecadação do setor de óleo e gás para compensar medidas emergenciais de redução tributária sobre combustíveis.
Ações temporárias
O parecer apresentado, nesta semana, pela deputada federal Marussa Boldrin ao Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, conhecido como “PLP dos Combustíveis”, garante medidas voltadas à estabilidade do mercado, à proteção dos biocombustíveis e à segurança regulatória em meio aos impactos da crise internacional do petróleo.
Equilíbrio
Integrante da Frente Parlamentar de Recursos Naturais e Energia, a parlamentar apresentou substitutivo ao texto original com dispositivos considerados estratégicos para garantir equilíbrio entre mitigação dos preços dos combustíveis, responsabilidade fiscal e preservação da competitividade energética nacional.
O texto
Cria mecanismos extraordinários para permitir que a União utilize receitas adicionais geradas pelo aumento da arrecadação do setor de óleo e gás para compensar medidas emergenciais de redução tributária sobre combustíveis.
Ações temporárias
No parecer, Marussa Boldrin destaca que o choque internacional provocado pelo conflito no Oriente Médio elevou significativamente a arrecadação da União proveniente do setor de petróleo e gás, abrindo espaço para ações temporárias de alívio econômico sem comprometer o equilíbrio fiscal.
Redução paritária
Entre os principais avanços do relatório está a inclusão do salvaguarda que determina que “toda redução de tributação do combustível fóssil, ainda que indireta, deverá ser acompanhada de alteração na tributação do respectivo biocombustível, preservando-se, no mínimo, o diferencial competitivo verificado antes da guerra".
Segurança jurídica
Outro ponto de destaque do parecer é a criação de garantias para agentes econômicos do setor de combustíveis que aderirem às políticas de subvenção e ressarcimento previstas pelo governo federal. A proposta assegura prazo máximo de 30 dias para pagamento dos valores devidos, oferecendo maior previsibilidade e segurança jurídica ao setor.
A relatora
Também incorporou medidas voltadas ao setor de etanol, permitindo a utilização de créditos acumulados de PIS/Pasep e Cofins para compensação tributária, além de ajustes relacionados à futura aplicação da CBS no contexto da Reforma Tributária.
Soluções eficazes
Para a Frente Parlamentar de Recursos Naturais e Energia, a atuação de Marussa Boldrin no relatório reforça a importância de soluções que conciliem estabilidade econômica, proteção ao mercado de combustíveis, ao consumidor e segurança para investimentos no setor energético brasileiro.

Alvo de Operações da PF - Cláudio Castro desiste de pré-candidatura ao Senado
28/05/2026
Castro e Vorcaro
As mensagens de Castro agradecendo a Daniel Vorcaro, do Banco Master, por jantares em restaurantes de luxo tornaram inviável qualquer reabilitação do ex-governador. Aliados avaliam que os diálogos poderiam ser associados aos áudios já divulgados de Flávio para o ex-banqueiro, agravando o desgaste sobre pré-candidatura do senador à...
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, PL, comunicou ao presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, hoje, quinta-feira, 28/05, sua desistência de concorrer a uma cadeira no Senado. A retirada da pré-candidatura ocorre após ele ser alvo de duas operações da Polícia Federal num intervalo de 11 dias. Ele deve divulgar um comunicado em suas redes sociais sobre a decisão. Castro foi alvo de operação terça-feira, 26/05, que apura as transferências de R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores do Rio de Janeiro, para o Master e fundos ligados à instituição.

Castro e Vorcaro
As mensagens de Castro agradecendo a Daniel Vorcaro, do Banco Master, por jantares em restaurantes de luxo tornaram inviável qualquer reabilitação do ex-governador. Aliados avaliam que os diálogos poderiam ser associados aos áudios já divulgados de Flávio para o ex-banqueiro, agravando o desgaste sobre pré-candidatura do senador à Presidência. Os diálogos sobre jantares com whisky, charutos e até carne folheada a ouro tornaram o cenário distinto do da semana passada, quando uma ala do PL defendia calma e evitava abandonar abruptamente o ex-governador após a operação sobre as relações com Ricardo Magro. Esse grupo apostava na proximidade de Castro com prefeitos do RJ e a alta na popularidade de Castro após a Operação Contenção, em que 117 pessoas foram mortas pela polícia no Complexo do Alemão em supostos confrontos, 5 policiais também morreram.
Aliados
O fim da pré-candidatura atende aos desejos de aliados do PL. O temor era que as suspeitas contra Castro contaminassem a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e de seu palanque no estado, o deputado Douglas Ruas, presidente da Alerj.
Empecilhos jurídicos
O ex-governador tinha também empecilhos jurídicos para se candidatar, após o TSE condená-lo à inelegibilidade pelo uso de funcionários contratados em campanhas eleitorais.
Acontece Domingo - 9ª Edição da 'Feira Maré Cultural' no Parque da Tamarineira
28/05/2026
Programação
A programação contará com representantes de municípios como Recife, Olinda, Tracunhaém, Buíque, Gravatá, Pesqueira, Carpina, Igarassu, Camaragibe, Tacaratu, Poção, Sertânia, Itamaracá, Serinhaém e Jab...
O Parque da Tamarineira recebe no próximo domingo, 31/05, a 9ª edição da Feira Maré Cultural. O evento acontece das 9h às 19h e vai reunir artesãos, artistas, empreendedores da economia criativa e expositores gastronômicos de diversas cidades pernambucanas. Entre os participantes confirmados estão nomes ligados ao artesanato pernambucano, à arte popular e à produção manual regional, além de expositores da gastronomia artesanal, com opções de doces, comidas típicas e culinária regional. A Feira Maré Cultural integra as ações de valorização da cultura popular pernambucana e incentivo à economia criativa, contribuindo para a geração de renda de artesãos e pequenos empreendedores, além de ampliar as opções de lazer e turismo cultural na cidade.
Programação
A programação contará com representantes de municípios como Recife, Olinda, Tracunhaém, Buíque, Gravatá, Pesqueira, Carpina, Igarassu, Camaragibe, Tacaratu, Poção, Sertânia, Itamaracá, Serinhaém e Jaboatão dos Guararapes, fortalecendo o intercâmbio cultural e a valorização da produção artesanal e artística do estado. A feira também contará com apresentações culturais ao longo do dia, incluindo shows de DJ Moving Sax, Flávia Reis e Banda Feiticeiros. O evento terá ainda polo infantil com atividades da Cia Brincantes de Circo. Além da programação cultural e gastronômica, o evento contará com ações institucionais e serviços gratuitos para o público. O COMPAZ participará com atividades de arte-educação, ações da Bebeteca e o serviço “Pegue e Leve” da Biblioteca pela Paz. Já a UNINASSAU promoverá o projeto Bike sem Barreiras.

Pavilhão Maré Cultural
Para receber os expositores e visitantes, será montado o Pavilhão Maré Cultural, com estrutura de 300 metros quadrados destinada à circulação do público, instalação dos estandes e realização das atividades da feira. (Com PCR)
"Dia Livre de Impostos" - Iniciativa de lojistas que ocorre hoje
28/05/2026
CDL Jovem e CNDL
"O DLI torna esse peso visível. Queremos que a população entenda que o preço alto não é culpa do lojista, mas de um sistema complexo e oneroso", destaca Raphael Paganini, coordenador nacional da CDL Jovem. Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o movimento é um grito de alerta. "O varejo quer crescer e gerar empregos, mas o Estado precisa ser um facilitador e não um entrave", afirma. A CNDL diz que a iniciativa visa "conscientizar a população, o poder público e o...
Lojistas pelo Brasil realizam hoje, quinta-feira, 28/05, a 20ª edição do "Dia Livre de Impostos". Nesta data, os participantes irão vender seus produtos e serviços sem repassar o valor de tributos aos clientes, com descontos que podem chegar a até 70%. A ação ocorre em mais de 1.500 cidades e oferece desde gasolina a chope sem impostos. A ação é idealizada pela CNDL, Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, e a CDL Jovem, Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem.
CDL Jovem e CNDL
"O DLI torna esse peso visível. Queremos que a população entenda que o preço alto não é culpa do lojista, mas de um sistema complexo e oneroso", destaca Raphael Paganini, coordenador nacional da CDL Jovem. Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o movimento é um grito de alerta. "O varejo quer crescer e gerar empregos, mas o Estado precisa ser um facilitador e não um entrave", afirma. A CNDL diz que a iniciativa visa "conscientizar a população, o poder público e o varejo a respeito da alta carga tributária paga no Brasil".
O "Dia Livre de Impostos" adotou um mascote para representar o objetivo do movimento, o "impostossauro". A iniciativa destaca que o brasileiro precisa trabalhar, em média, 5 meses por ano apenas para pagar impostos.
Entre a Oração e a Fumaça; por Jorge Henrique de Freitas Pinho*
28/05/2026
“Há vícios que escravizam o corpo. Outros escravizam a própria consciência moral da sociedade diante do vício.”
Uma de minhas lembranças mais antigas acontece por volta das dez da noite. Minha mãe me acordava para caminhar duas quadras até um pequeno bar que fechava às onze. Precisava de cigarros.
Hoje percebo que aquela cena dizia muito não apenas sobre minha infância, mas sobre um mundo que lentamente deixou de existir.
Manaus ainda era profundamente segura. Crianças circulavam pelos bairros com naturalidade. O medo ainda não havia reorganizado inteiramente a vida urbana. As ruas silenciosas da noite não carregavam a sensação permanente de ameaça que hoje atravessa tantas cidades brasileiras.
Minha preocupação, porém, estava longe de qualquer reflexão moral sobre o cigarro. Eu era apenas um menino com sono tentando escapar da obri...
A normalização silenciosa das drogas e a anestesia espiritual de uma civilização
“Há vícios que escravizam o corpo. Outros escravizam a própria consciência moral da sociedade diante do vício.”
Uma de minhas lembranças mais antigas acontece por volta das dez da noite. Minha mãe me acordava para caminhar duas quadras até um pequeno bar que fechava às onze. Precisava de cigarros.
Hoje percebo que aquela cena dizia muito não apenas sobre minha infância, mas sobre um mundo que lentamente deixou de existir.
Manaus ainda era profundamente segura. Crianças circulavam pelos bairros com naturalidade. O medo ainda não havia reorganizado inteiramente a vida urbana. As ruas silenciosas da noite não carregavam a sensação permanente de ameaça que hoje atravessa tantas cidades brasileiras.
Minha preocupação, porém, estava longe de qualquer reflexão moral sobre o cigarro. Eu era apenas um menino com sono tentando escapar da obrigação de sair da cama.
Perguntava então à minha mãe se ela não tinha medo de que algo me acontecesse na rua escura. Ela me conhecia profundamente. Sabia que havia mais preguiça do que temor verdadeiro naquela pergunta.
Mesmo assim, respondia serenamente:
“Estarei rezando por você.”
Hoje percebo a profundidade silenciosa daquela resposta.
Minha mãe fumava muito. Quatro carteiras por dia. Mas existe algo importante que precisa ser compreendido para que essa memória não seja reduzida a caricatura moral simplista.
Ela jamais romantizou o cigarro. Não fumava em ambientes fechados. Evitava que a fumaça atingisse outras pessoas. Quando fumava em áreas abertas, posicionava-se de modo que o vento carregasse a fumaça para longe dela própria e dos demais. Mantinha extremo cuidado pessoal e plena consciência dos riscos do hábito que carregava havia décadas.
Dizia com serenidade que provavelmente partiria cedo por causa do cigarro.
E partiu relativamente cedo, aos setenta e seis anos, vítima de um aneurisma de aorta abdominal.
Existe algo profundamente revelador nisso.
Mesmo aprisionada por um hábito destrutivo, minha mãe ainda pertencia a uma geração que preservava consciência moral sobre o próprio vício. O cigarro não era tratado como conquista existencial, símbolo sofisticado de liberdade ou identidade estética. Era visto como fragilidade humana.
Essa distinção começa lentamente a se dissolver diante de nossos olhos.
Quando eu era adolescente, o Brasil viveu uma das maiores campanhas de transformação cultural de sua história recente. As escolas exibiam documentários mostrando pulmões destruídos pelo tabagismo. Vídeos educativos explicavam os efeitos do álcool sobre os neurônios.
O cigarro deixou gradualmente de ser associado ao charme cinematográfico para começar a carregar imagens de doença, dependência, limitação física e envelhecimento precoce.
Milhões de pessoas abandonaram o cigarro. Muitos sequer começaram a fumar.
A transformação não ocorreu apenas por leis ou campanhas sanitárias. Praticamente toda a estrutura cultural do país entrou naquele movimento. Escolas, campanhas governamentais, jornais, revistas, programas de auditório e grandes emissoras de televisão passaram lentamente a desmontar o glamour simbólico do tabagismo.
A própria televisão brasileira — inclusive novelas, séries e programas populares — começou gradualmente a reduzir a estetização do cigarro e a associá-lo cada vez mais à dependência e à limitação humana.
Foi uma mudança profunda do imaginário coletivo.
Durante os anos 80 e 90, Estado, medicina, escolas, imprensa, televisão e indústria cultural atuaram quase simultaneamente na desconstrução simbólica do cigarro. O Brasil viveu uma rara convergência pedagógica civilizacional.
E aquilo demonstrou algo profundo sobre o funcionamento das sociedades modernas: meios de comunicação de massa, campanhas públicas e narrativas culturais possuem enorme capacidade de reorganizar comportamento humano quando operam de forma coordenada.
Essa força pode servir tanto à degradação quanto à proteção civilizacional.
No caso do tabagismo, serviu majoritariamente à redução de um hábito destrutivo que durante décadas havia sido associado ao charme, à sofisticação e à liberdade.
E aquilo funcionou porque atingiu algo mais forte que a simples obediência jurídica: atingiu a percepção emocional da sociedade.
O fenômeno contemporâneo do vape revela precisamente a força desse mecanismo simbólico.
Em muitos aspectos, ele representa o retorno da antiga dependência química sob nova embalagem estética: tecnológica, jovem, limpa, colorida e aparentemente inofensiva.
Boa parte do imaginário negativo construído durante décadas contra a nicotina foi neutralizada pela reestetização digital do consumo através das redes sociais, dos influenciadores e da cultura algorítmica contemporânea.
As civilizações raramente repetem seus vícios sob a mesma aparência. Frequentemente os reinventam simbolicamente para que voltem a parecer aceitáveis às novas gerações.
Isso revela uma urgência pedagógica importante. Assim como ocorreu no passado com o cigarro tradicional, as sociedades contemporâneas precisarão reconstruir campanhas culturais massivas de conscientização adaptadas à linguagem das redes sociais, do streaming e da comunicação digital.
Hoje, porém, aquela antiga sincronicidade praticamente desapareceu.
Enquanto o cigarro tradicional permanece limitado por embalagens impactantes, restrições publicitárias e forte estigma cultural, abriu-se espaço para novas formas de dependência apresentadas sob aparência tecnológica, limpa, jovem e emocionalmente inofensiva.
O vape e os pods são os exemplos mais evidentes desse deslocamento simbólico.
Paralelamente, drogas que vão da maconha às substâncias sintéticas continuam ampliando mercados bilionários controlados por organizações criminosas transnacionais, alimentando violência, dependência, fragmentação familiar e corrosão social em larga escala.
E justamente num momento em que os riscos se tornam mais sofisticados, o Ocidente parece progressivamente menos disposto a organizar grandes campanhas culturais de conscientização voltadas às novas gerações.
Campanhas dessa natureza não deveriam nascer do ódio nem da humilhação moral, mas da combinação entre informação séria, responsabilidade afetiva e coragem civilizacional de advertir.
O ser humano não aprende apenas por leis. Aprende por imagens, emoções repetidas e narrativas culturais permanentes.
Por isso a banalização estética das drogas merece reflexão muito mais séria do que normalmente recebe.
Hoje, em inúmeras séries e conteúdos digitais, a maconha aparece associada à leveza, criatividade, relaxamento e convivência afetiva. Raramente aparecem a erosão da disciplina interior, a dependência psicológica, a anestesia da vontade e o enfraquecimento gradual da capacidade de suportar frustração, silêncio e vazio interior sem recorrer continuamente à fuga química.
Não se trata de defender moralismo histérico nem repressão irracional. A questão é mais profunda.
Toda civilização revela seus valores pelo que escolhe normalizar emocionalmente.
Estamos atravessando um deslocamento simbólico perigoso: deixamos de combater culturalmente certas formas de autodestruição para começar a administrá-las como parte natural da vida contemporânea.
Isso aparece inclusive em determinadas políticas de redução de danos. Existe lógica sanitária legítima em reduzir overdoses e contaminações. O problema surge quando o cuidado técnico abandona qualquer horizonte moral ou civilizacional e passa apenas à pedagogia operacional do uso seguro.
A mensagem deixa então de ser:
“o ideal humano continua sendo não usar”
e começa lentamente a soar como:
“já que você vai usar, aqui está a forma correta.”
A diferença parece pequena. No plano simbólico, é imensa.
Porque culturas são moldadas pelas mensagens repetidas diariamente até se tornarem emocionalmente invisíveis.
O problema mais profundo raramente está apenas na substância em si.
Frequentemente está no vazio contemporâneo que transforma a substância em refúgio.
Existe uma distinção importante que sociedades contemporâneas frequentemente perderam capacidade de formular com clareza.
Ao longo da história humana, inúmeras substâncias capazes de alterar estados de consciência foram utilizadas dentro de estruturas rigorosamente delimitadas: medicina, espiritualidade, contemplação, ritual e práticas tradicionais de cura.
Nesses contextos, existiam finalidade, limite, responsabilidade, acompanhamento e consciência dos riscos envolvidos.
O problema contemporâneo começa precisamente quando aquilo que antes exigia discernimento passa a ser absorvido pela lógica do entretenimento contínuo, da hiperestimulação e do consumo emocional de massa.
Existe diferença profunda entre prescrição e propaganda. Entre cuidado e estímulo. Entre ritual e compulsão.
Viktor Frankl percebeu isso com enorme lucidez. Quando o ser humano perde sentido, transcendência e propósito, tende a buscar compensações imediatas: prazer, hiperestimulação, dopamina e anestesia emocional.
A droga deixa então de ser mera recreação ocasional. Passa a funcionar como tentativa química de preenchimento existencial.
Uma das tragédias silenciosas do nosso tempo está exatamente aí: uma civilização inteira começa a perder a capacidade de distinguir liberdade de dissolução.
Aristóteles já compreendia que liberdade verdadeira não significa ausência absoluta de limites, mas capacidade de governar a si mesmo sem tornar-se escravo dos próprios impulsos.
Hoje, porém, parte significativa da cultura passou a tratar qualquer contenção como opressão automática e qualquer impulso como expressão legítima da autenticidade pessoal.
Mas civilizações não sobrevivem por muito tempo quando perdem completamente a capacidade de formular distinções morais.
Meus pais jamais educaram através do terror moral. Existia algo mais profundo na maneira como conduziam certas experiências humanas: presença, consequência, amor e responsabilidade.
Lembro-me claramente do primeiro porre que tomei aos treze anos. Passei mal. Vomitei. Meus pais praticamente não me repreenderam. Compreenderam silenciosamente que a própria realidade havia ensinado aquilo que nenhum sermão conseguiria transmitir com a mesma força.
E funcionou.
Anos depois, já pai, vivi experiência semelhante quando meu filho experimentou maconha pela primeira e única vez e enfrentou o famoso “teto preto”, seguido de sucessivos desmaios.
Também ali houve aprendizado.
Hoje percebo algo ainda maior atravessando essas memórias: existe uma ponte invisível ligando meus pais aos meus filhos. Uma ponte construída não sobre perfeições inexistentes, mas sobre amor verdadeiro entre gerações. Amor que orienta sem esmagar. Que protege sem infantilizar. Que adverte sem destruir.
Essa ponte silenciosa é precisamente uma das coisas que muitas sociedades contemporâneas começam a perder.
Parte significativa da cultura atual passou a confundir acolhimento com banalização, compaixão com permissividade e compreensão humana com normalização da autodestruição.
O problema contemporâneo não está apenas no aumento das formas de anestesia emocional. Está na incapacidade crescente de reconhecer determinadas formas de autodestruição como autodestruição.
A sociedade moderna tornou-se extremamente sofisticada para administrar riscos materiais imediatos, mas progressivamente menos capaz de perceber processos lentos de erosão psicológica, moral e espiritual.
O ser humano aprendeu a identificar rapidamente aquilo que ameaça o corpo, mas tornou-se menos capaz de reconhecer aquilo que corrói lentamente a vontade, o sentido, a disciplina interior e a capacidade de suportar dor, silêncio e frustração sem recorrer continuamente à anestesia.
Porque o problema nunca foi apenas químico.
Grande parte das tragédias humanas não começa em explosões repentinas, mas em pequenas anestesias emocionais que lentamente se transformam em hábitos invisíveis.
Por isso considero importante falar dessas experiências sem caricaturas morais nem glamourização da autodestruição.
Civilizações maduras não são aquelas que negam as fragilidades humanas. São aquelas capazes de reconhecê-las com lucidez, responsabilidade e prudência.
A saída para esse problema não parece residir nem na histeria repressiva nem na permissividade travestida de compaixão.
Sociedades maduras precisam reaprender a unir liberdade e responsabilidade, acolhimento e prudência, amor e formação interior.
Precisamos recuperar uma pedagogia civilizacional do limite. Não o limite como humilhação, mas como forma superior de cuidado humano.
Pais, mães, professores e adultos responsáveis não podem abdicar da tarefa de formar consciências.
Amar não significa apenas validar. Significa também orientar, advertir, acompanhar e permanecer presente quando a vida apresenta suas primeiras vertigens.
A cultura, a escola, as redes sociais e as próprias instituições públicas também precisarão decidir se continuarão apenas administrando os efeitos da fragmentação contemporânea ou se voltarão a participar conscientemente da formação simbólica das novas gerações.
Porque toda sociedade educa, mesmo quando finge neutralidade.
E o vazio pedagógico jamais permanece vazio por muito tempo.
Hoje compreendo que aquela oração de minha mãe carregava dimensão muito maior do que eu podia perceber.
Ela tinha fragilidades, vícios e limitações reais. Mas ainda pertencia a uma geração que preservava alguma lucidez moral diante das próprias fraquezas.
Não transformava seus erros em bandeiras culturais nem suas limitações em filosofia pública.
E a verdadeira tragédia contemporânea começa exatamente quando a sociedade deixa de enxergar o abismo como abismo.
(*) O autor é advogado, Procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas.

As mãos dos príncipes são longilíneas, finas e alvas como seus colarinhos
28/05/2026
Otto von Bismarck (1815-1898) unificou a Alemanha no séc. XIX, agindo com pragmatismo e uma visão realista e cínica da política. O "Chanceler de Ferro" é frequentemente citado por classificar os povos em três categorias, destacando-se a sabedoria de aprender com erros alheios versus a necessidade de cometer os próprios erros. Essa classificação é amplamente usada em contextos de liderança, política e gestão para diferenciar a capacidade de aprendizado e adaptação de nações ou indivíduos: Os Inteligentes aprendem com as experiências alheias. Os Medíocres, com suas próprias experiências. Os Idiotas nunca aprendem.
O trato da coisa publica
José Casado, na Revista Veja 2982, traz uma compilação da inacreditável astucia de alguns príncipes no trato da coisa publica: “O emprego é estável, com remuneração a partir de 55.000 reais. Há folga de 180 dias por ano - um de descanso para cada 3 d...
Por Edson Mendes*, da série Nós, o Povo (7).
Otto von Bismarck (1815-1898) unificou a Alemanha no séc. XIX, agindo com pragmatismo e uma visão realista e cínica da política. O "Chanceler de Ferro" é frequentemente citado por classificar os povos em três categorias, destacando-se a sabedoria de aprender com erros alheios versus a necessidade de cometer os próprios erros. Essa classificação é amplamente usada em contextos de liderança, política e gestão para diferenciar a capacidade de aprendizado e adaptação de nações ou indivíduos: Os Inteligentes aprendem com as experiências alheias. Os Medíocres, com suas próprias experiências. Os Idiotas nunca aprendem.
O trato da coisa publica
José Casado, na Revista Veja 2982, traz uma compilação da inacreditável astucia de alguns príncipes no trato da coisa publica: “O emprego é estável, com remuneração a partir de 55.000 reais. Há folga de 180 dias por ano - um de descanso para cada 3 do calendário, além dos 60 dias de férias anuais. É possível “vender” parte ou todos os dias de repouso. 80 pessoas fizeram isso em 2024. Cada uma embolsou meio milhão de reais.
Há inúmeras outras vantagens
“Pagamentos retroativos. Ninguém sabe exatamente o que é, mas a rubrica inflou ganhos em 17.695 casos, com muitos recebendo mais de R$500 mil. Em São Paulo e Minas Gerais uma dúzia de afortunados levou 1 milhão de reais cada; Licença-compensatória - “gratificação por exercício cumulativo” ou “gratificação de acervo”. Os 10.700 que a receberam nos últimos dois anos dividiram 1 bilhão de reais; Licença-prêmio de três meses de descanso a cada cinco anos. O recorde dos últimos 24 meses é de um morador do Rio, que recebeu 642.500 reais; Serviço extraordinário (plantão). Em Minas, mais de 100mil reais foram pagos a 944 pessoas num único ano, e 94 ganharam mais de 500mil reais; Abono permanência: 340 pessoas receberam mais de 100mil reais em 2024, outras 4 800 dividiram um total de 334 milhões de reais durante o ano; Auxílio-transporte. Supostamente ocasional, é aplicável em qualquer circunstância. No Mato Grosso foi estabelecido como “indenização” em caráter permanente: 6.600 reais por mês; Ressarcimento de mensalidade de planos de saúde até o valor de 5.900 reais; Auxílio-alimentação de 4.000 reais se residir em Rondônia, Amazonas, Acre, Amapá.”
Um sistema de benefícios em causa própria
“São apenas alguns dos privilégios de quase 50.000 servidores das cúpulas do Judiciário e do Ministério Público. Um sistema de benefícios em causa própria, imune a crises e controles. Nesse grupo estão 93% dos juízes e 91% dos advogados públicos na ativa ou aposentados da União, dos estados e dos municípios. Constituem a casta, a elite do funcionalismo. Eles têm remuneração básica dez vezes maior que a de dois terços do funcionalismo, remunerados com R$5.000 na média mensal. A multiplicação constante de regalias, anabolizadas com o dinheiro dos impostos, é que lhes garante supersalários - boa parte sem desconto de Imposto de Renda.”
Veredas para o topo da pirâmide
“Isso abriu uma vereda para alcançarem posição singular no mapa de riqueza nacional: com renda média de 685.000 reais por ano, a maioria dos juízes (75%) e dos advogados públicos (57%) agora integra o topo da pirâmide de renda, segmento mais restrito (1%) e próspero da sociedade brasileira. O problema está se agravando, adverte o deputado Pedro Paulo Carvalho Teixeira, do PSD do Rio. Em relatório, ele demonstra como as mordomias financeiras da casta do funcionalismo estão aumentando em velocidade extraordinária”.
Nomenclatura do Judiciário
No Judiciário, por exemplo, diz Casado, “os supersalários cresceram 49% em 2024. Custavam 7 bilhões de reais em 2023, passaram a custar 10,5 bilhões. O aumento na folha de pagamentos da Justiça foi quase dez vezes maior que a inflação (4,83% na média do IPCA/FGV). São estimativas preliminares, com base no que foi possível desvendar. Nelas prevalece a opacidade. Para conseguir informações de como 92 órgãos do Judiciário pagaram 50 bilhões de reais a juízes, três organizações não governamentais precisaram agrupar 3.300 nomenclaturas distintas das rubricas de regalias financeiras e resumidas em sessenta categorias.”
Sobre essa montanha de penduricalhos, o juiz Flávio Dino, do STF, acha que está ocorrendo “violação massiva” à Constituição, e diz que ao Legislativo cabe a decisão sobre quando, quanto e como será o corte “na carne”. Você acha que os príncipes do Poder Público cumprirão seu dever público - ou seguirão incólumes e indiferentes à opinião do povo? Se acha ou se não acha, pergunto em qual categoria você gostaria de ser incluído por Otto von Bismarck...
Quem paga a conta?
Nós, os idiotas, que pagamos a conta, precisamos nos unir contra esse descalabro, porque a casa está caindo, desmoronando... Sim, leitor, você é um idiota. Trabalhamos duramente para sustentar esses privilégios. Por que fazemos isso? Vieira já nos alertava em 1662: O edifício sem união é ruína: o navio sem união é naufrágio. E Jorge Okubaro, no Estadão de 10.3.2026, acredita que, mesmo idiotas, temos condições de aprender e mudar. E vencer.
*Edson Mendes é professor e articulista.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.