imagem noticia

PARA REBECA ANDRADE, PARA AS MENINAS OLÍMPICAS

30/07/2024

imagem noticia
Rebeca
esbelta
peteca no ar
potente Rebeca
luz negra a brilhar

Rebeca, astro menina
foge da sina
solo da exclusão
Rebeca, estrela "Severina"
Reluz ouro na mão

Rebeca
rebento
suor de pedra
Rebeca
semente do talento
flor negra que medra

Rebeca
escola
história de vida
Rebeca
és glória
orgulho
dessa gente ferida


Rebeca
és rosa mais bela
mistura da cor
Rebeca
singela aquarela
pintura de amor


Rebeca
supera
espera
espaço, esperança
Rebeca
esfera
pantera
doçura
fera criança

Rebeca
Diamante negro, não da bola
Rebeca
nascer da aurora
do alegre Brasil

Rebeca é ouro, bronze, é Jade
Flávia, Lorr...

imagem noticia
Rebeca
esbelta
peteca no ar
potente Rebeca
luz negra a brilhar

Rebeca, astro menina
foge da sina
solo da exclusão
Rebeca, estrela "Severina"
Reluz ouro na mão

Rebeca
rebento
suor de pedra
Rebeca
semente do talento
flor negra que medra

Rebeca
escola
história de vida
Rebeca
és glória
orgulho
dessa gente ferida


Rebeca
és rosa mais bela
mistura da cor
Rebeca
singela aquarela
pintura de amor


Rebeca
supera
espera
espaço, esperança
Rebeca
esfera
pantera
doçura
fera criança

Rebeca
Diamante negro, não da bola
Rebeca
nascer da aurora
do alegre Brasil

Rebeca é ouro, bronze, é Jade
Flávia, Lorrane e Júlia
Rebeca é horizonte
pra milhões de meninas


Romero Falcão

Leia outras informações

imagem noticia

Radar Ativaweb DataLab - O que o mundo digital discute nesta quarta-feira Por Alek Maracajá

24/08/2026

Segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Vamos lá - Segundou. mas o debate de domingo ainda não acabou



Brasília começou a semana discutindo quem falou, quem ganhou, quem faltou e, principalmente, quem conseguiu ser esquecido mesmo sendo candidato à Presidência. Lula e Flávio não foram à Band, mas dominaram boa parte do debate. Renan saiu com +118 mil seguidores. E Zema conseguiu uma proeza digital rara: não compareceu, foi esquecido e ainda terminou a noite perdendo público.

Na eleição de 2026, até o púlpito vazio tem estratégia. O problema é quando nem o vazio chama atenção.



Renan ganha o debate… pelo menos no algoritmo


O primeiro debate presidencial teve apenas Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury no palco. Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema não compareceram. A ausência dos dois líderes abriu espaço para ataques e fez Lula e Flávio continuarem pro...

imagem noticia

Segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Vamos lá - Segundou. mas o debate de domingo ainda não acabou



Brasília começou a semana discutindo quem falou, quem ganhou, quem faltou e, principalmente, quem conseguiu ser esquecido mesmo sendo candidato à Presidência. Lula e Flávio não foram à Band, mas dominaram boa parte do debate. Renan saiu com +118 mil seguidores. E Zema conseguiu uma proeza digital rara: não compareceu, foi esquecido e ainda terminou a noite perdendo público.

Na eleição de 2026, até o púlpito vazio tem estratégia. O problema é quando nem o vazio chama atenção.



Renan ganha o debate… pelo menos no algoritmo


O primeiro debate presidencial teve apenas Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury no palco. Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema não compareceram. A ausência dos dois líderes abriu espaço para ataques e fez Lula e Flávio continuarem protagonistas mesmo sem microfone.

Mas o dado que realmente chama atenção veio depois.

Saldo de seguidores contabilizado pela Ativaweb DataLab após o debate:

Renan Santos: +118.146
Flávio Bolsonaro: +14.256
Lula: +1.188
Augusto Cury: +900
Romeu Zema: -1.232

Renan transformou exposição televisiva em aquisição digital numa escala completamente diferente dos demais.

“Debate não termina quando a câmera desliga. Hoje, ele termina quando o algoritmo fecha a conta.”


Zema: o candidato que faltou e conseguiu ser mais ausente que os ausentes


Lula faltou. Flávio faltou. Zema também.

A diferença é que Lula e Flávio foram citados, atacados e permaneceram no centro da conversa. Zema praticamente desapareceu do debate político — e a própria CNN resumiu o fenômeno: “Zema falta a debate e é esquecido.”

O saldo digital ajuda a dimensionar o problema: -1.232 seguidores no período contabilizado pela Ativaweb.

Não comparecer pode ser estratégia para quem já domina a agenda. Para quem precisa crescer, pode virar invisibilidade.

“Na política tradicional, ausência evita risco. No digital, ausência também pode significar esquecimento.”


Lula e Flávio não foram à band. mesmo assim, debateram a noite inteira


Os púlpitos estavam vazios, mas os nomes estavam cheios de menções. Renan mirou Lula e Flávio, Caiado criticou os ausentes e boa parte do confronto acabou orbitando justamente quem decidiu não comparecer. A avaliação publicada após o debate é de que as ausências favoreceram um encontro sem um vencedor político inequívoco.

Essa é talvez a melhor fotografia da polarização de 2026: os adversários precisam falar dos dois líderes para conquistar atenção.

“Lula e Flávio descobriram ontem uma nova modalidade eleitoral: participar do debate sem precisar ir ao debate.”



BTG/nexus: Lula e Flávio chegam empatados à segunda-feira


Levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda coloca Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico tanto no primeiro quanto no segundo turno.

A fotografia ajuda a explicar as estratégias adotadas até aqui. Quem está na frente ou muito próximo da liderança tende a avaliar que o risco de um debate pode ser maior que o benefício.

Ao mesmo tempo, esse cenário produz oportunidade para os candidatos intermediários: precisam transformar cada debate numa operação de quebra da polarização.

“Quando os líderes empatam, todos os outros precisam correr duas vezes mais rápido.”


Renan encontrou o que procurava: atenção fora da própria bolha


A estratégia da campanha de Renan já vinha sendo desenhada para usar os debates como mecanismo de conhecimento nacional e aproximação com os eleitores anti-Lula e anti-Flávio.

Ontem aconteceu exatamente isso.

Ao atacar Lula e dialogar com temas de forte apelo político, Renan conseguiu entrar em públicos que ainda não necessariamente conheciam seu nome. O ganho de 118.146 seguidores é um sinal importante de conversão de exposição em audiência.

Isso ainda não significa voto. Mas significa uma coisa fundamental em campanha: curiosidade.

“Antes de conquistar o voto, um candidato precisa conquistar alguns segundos de atenção.”


Lula acena às mulheres — e a disputa começa a ficar segmentada



Com Lula e Flávio tecnicamente próximos, a campanha presidencial começa a sair apenas da disputa nacional e entrar na batalha por segmentos específicos.

Segundo o noticiário desta manhã, Lula intensifica o discurso direcionado ao eleitorado feminino em contraponto a Flávio.

Isso merece acompanhamento especial porque, numa disputa polarizada, pequenas diferenças em grandes grupos eleitorais podem ser mais importantes do que movimentos nacionais aparentemente espetaculares.

“Eleição apertada não se vence apenas conquistando multidões. Às vezes, vence-se entendendo segmentos.”



Lulinha não sai da pauta e lula muda o tom


Em entrevista, Lula afirmou que o filho terá de responder caso tenha cometido irregularidades e disse que ninguém estaria imune se tiver errado. Também afirmou não tentar impedir investigações.

Politicamente, é uma tentativa de separar governo, família e investigação.

Digitalmente, porém, o sobrenome mantém o assunto colado ao presidente. E temas envolvendo família, poder e investigação possuem três ingredientes que os algoritmos adoram: emoção, conflito e polarização.

“Na política digital, separar juridicamente duas histórias é mais fácil do que separar narrativamente dois sobrenomes.”


Flávio dino volta às emendas: o stf aperta a torneira


Flávio Dino afirmou que a indicação de emendas por dirigentes partidários sem mandato parlamentar é nula e alertou para consequências caso as determinações sejam descumpridas.

O assunto parece técnico, mas toca diretamente em uma das zonas mais sensíveis da relação entre Congresso e Supremo: dinheiro, orçamento e poder político.

Quando STF e Congresso discutem emendas, Brasília costuma abandonar rapidamente o modo silencioso.

“Em Brasília, poucas coisas provocam mais consenso do que defender orçamento principalmente o próprio.”

Lula, o chapéu e a urna: até o figurino entrou na eleição


O Ministério Público Eleitoral não identificou irregularidade no uso de uma fotografia de Lula de chapéu na urna e também não apontou impedimento à candidatura, segundo a informação divulgada nesta manhã.

Pode parecer assunto periférico, mas eleição digital transforma símbolo em narrativa muito rapidamente.

Em 2026, foto, roupa, frase, meme e gesto também disputam espaço eleitoral.

“Antigamente discutíamos o número do candidato. Agora até o chapéu precisa passar pelo debate político.”



404 candidatos levam a religião para o nome da urna


Levantamento divulgado nesta segunda aponta 404 candidatos utilizando títulos religiosos no nome eleitoral. Entre eles, pastor ou pastora representam 73% das identificações religiosas citadas.

O dado mostra como identidade continua sendo uma ferramenta importante de comunicação eleitoral. O nome na urna deixa de ser apenas identificação e passa também a comunicar pertencimento.

No digital, isso tende a ser ainda mais importante porque comunidades religiosas possuem redes de confiança e circulação próprias.

“Na eleição hipersegmentada, o nome do candidato também virou posicionamento.”


Leitura estratégica Ativaweb Datalab

Hoje há três movimentos importantes acontecendo ao mesmo tempo.

Primeiro: Lula e Flávio continuam controlando a polarização mesmo quando escolhem não participar.

Segundo: Renan mostrou capacidade real de transformar televisão em crescimento digital. +118 mil seguidores em uma noite não podem ser tratados como detalhe.

Terceiro: Zema acende o alerta mais perigoso para um candidato presidencial: não é rejeição. É irrelevância.

Caiado teve presença, discurso e ataques. Cury ganhou exposição. Renan ganhou audiência. Lula e Flávio mantiveram centralidade.

Zema perdeu espaço e seguidores.

Alek Maracajá é Ceo da Ativaweb DataLab. Cientista de dados. Professor ESPM-SP. Pesquisador UFPB




imagem noticia

Agenda intensa: Veneziano, André e Cícero percorrem 10 cidades e garantem compromisso em favor da Paraíba

24/08/2026

Foi um final de semana de intensa atividade política. O senador e candidato à reeleição ao Senado Federal Veneziano Vital do Rêgo (MDB), percorreu 10 cidades na Grande João Pessoa, e reafirmou o seu compromisso em continuar trabalhando forte pelo desenvolvimento da Paraíba.

O começo

A movimentação da chamada “Caravana 15” começou no sábado (22/08), na região metropolitana de João Pessoa, e reuniu uma multidão.

Percorreu

Ao lado do candidato a Senador pelo MDB, André Gadelha, do candidato a governador Cícero Lucena, e do candidato a vice-governador Diego Cunha Lima, Veneziano percorreu as ruas de Cabedelo, Santa Rita e Bayeux, acompanhados por veículos e apoiadores. Uma imensa “onda vermelha” tomou conta da região.

Presença

Em Cabedelo, o evento contou com a presença do ex-prefeito e candidato a deputado estadual Victor Hugo. Depois a comitiva seguiu para Santa Rita, onde mo...

imagem noticia

Foi um final de semana de intensa atividade política. O senador e candidato à reeleição ao Senado Federal Veneziano Vital do Rêgo (MDB), percorreu 10 cidades na Grande João Pessoa, e reafirmou o seu compromisso em continuar trabalhando forte pelo desenvolvimento da Paraíba.

O começo

A movimentação da chamada “Caravana 15” começou no sábado (22/08), na região metropolitana de João Pessoa, e reuniu uma multidão.

Percorreu

Ao lado do candidato a Senador pelo MDB, André Gadelha, do candidato a governador Cícero Lucena, e do candidato a vice-governador Diego Cunha Lima, Veneziano percorreu as ruas de Cabedelo, Santa Rita e Bayeux, acompanhados por veículos e apoiadores. Uma imensa “onda vermelha” tomou conta da região.

Presença

Em Cabedelo, o evento contou com a presença do ex-prefeito e candidato a deputado estadual Victor Hugo. Depois a comitiva seguiu para Santa Rita, onde moradores de Tibiri e de bairros adjacentes foram às ruas para acompanhar a passagem da caravana.

O circuito terminou em Bayeux, onde a prefeita Tacyana Leitão e o candidato a deputado Felipe Leitão organizaram uma mobilização, reunindo milhares de moradores.

O destaque

Um dos momentos de destaque ocorreu durante a dispersão, com a entrega de uma carta-compromisso a Cícero por jovens do município.

O documento apresenta um manifesto em que a juventude de Bayeux reivindica maior inclusão e participação nas decisões e na formulação de políticas públicas estaduais.

Continuou

A “Caravana dos Líderes”, continuou neste domingo (23), quando Veneziano, André, Cícero e Diego, percorreram mais cidades do Litoral Sul paraibano, atraindo outra multidão em Pedras de Fogo, Caaporã, Conde, Pitimbu, Alhandra, Juripiranga, Itabaiana e Mogeiro.

“Foram momentos emocionantes, deixando registros lindos, abraços apertados e a certeza que a Paraíba está com a agente nessa caminhada. É energia, carinho e muita gente acreditando no trabalho que transforma. Só muito grato por cada encontro. E essa caminhada está só começando” comemorou Veneziano.

Domingo de sol

Em um domingo de sol, o senador que destinou em 8 anos de mandato mais de R$3 bilhões em emendas para os 223 municípios paraibanos, celebrou o reencontro com os amigos e amigas do Litoral Sul. Prometeu retribuir o carinho com mais trabalho.

O Poder




imagem noticia

1º debate presidencial é marcado por ataques aos ausentes Lula e Flávio

24/08/2026

Com apenas três candidatos, o primeiro debate presidencial de 2026 aconteceu na noite de ontem, domingo (23/08), às 20h em São Paulo. Convidados ao evento da TV Bandeirantes, os candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Romeu Zema (Novo) decidiram não comparecer.

Os postulantes

Os postulantes à Presidência da República que participarão do debate são: Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).
Mais cedo, Cury compareceu foi à sede da Band e afirmou ter desistido da participação de última hora. No entanto, voltou atrás após conversa com organizadores do evento.

Nota

Do lado da campanha de Flávio, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu que o candidato só vá a debates em que tiverem a presença de Lula. Em nota, a campanha de Zema também atribuiu a ausência ao não comparecimento do presidente.

Críticas

O...

imagem noticia

Com apenas três candidatos, o primeiro debate presidencial de 2026 aconteceu na noite de ontem, domingo (23/08), às 20h em São Paulo. Convidados ao evento da TV Bandeirantes, os candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Romeu Zema (Novo) decidiram não comparecer.

Os postulantes

Os postulantes à Presidência da República que participarão do debate são: Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).
Mais cedo, Cury compareceu foi à sede da Band e afirmou ter desistido da participação de última hora. No entanto, voltou atrás após conversa com organizadores do evento.

Nota

Do lado da campanha de Flávio, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu que o candidato só vá a debates em que tiverem a presença de Lula. Em nota, a campanha de Zema também atribuiu a ausência ao não comparecimento do presidente.

Críticas

O debate foi marcado por críticas aos ausentes e ao atual governo. No campo das propostas, os temas de segurança pública e educação dominaram o encontro.

Primeiro bloco

Durante o primeiro bloco do debate presidencial, os candidatos mantiveram o foco em propostas na segurança pública e críticas à situação da educação no Brasil.
Na primeira etapa do debate, Renan Santos afirmou que vai intervir nos estados que não "atuarem na destruição" do crime organizado, caso seja eleito. O candidato citou Ceará e Bahia, comandados por Elmano de Freitas (PT) e Jerônimo Rodrigues (PT), respectivamente, como exemplo dos estados que podem ser alvo de intervenção federal em seu governo.
Já o candidato Ronaldo Caiado propôs confiscar os bens de agressores de mulheres e repassá-los às famílias das vítimas de feminicídio. Na avaliação do ex-governador de Goiás, a medida é uma maneira de "penalização educativa".

Segundo bloco

O segundo bloco contou com perguntas feitas por jornalistas aos candidatos à presidência da República. Ronaldo Caiado criticou a postura do Itamaraty, Renan Santos se posicionou contra o fim da escala 6x1 e Augusto Cury saiu em defesa do agronegócio nacional.

Questionado

O ex-governador de Goiás foi questionado sobre sua postura de defesa de que a gestão da segurança pública deveria ser executada pelas unidades federativas e sobre sua opinião a respeito do uso de câmeras corporais em policiais militares.
Por sua vez, Renan Santos foi o escolhido para comentar a resposta de Caiado e acusou o governo Lula de concentrar o poder na gestão da segurança pública.

Terceiro bloco

O terceiro bloco do debate foi marcado por críticas de Renan Santos e Ronaldo Caiado a Lula e Flávio. Na etapa, Augusto Cury propôs a criação de uma nova força de combate e o fortalecimento da Polícia Federal.

Ausências

As críticas giraram ao redor da ausência do presidenciáveis, com Santos descrevendo o ocorrido como "jogo de cartas marcadas."

O Poder




imagem noticia

Homero Fonseca, Crônica de Despedida, por Ricardo Braga

24/08/2026

Ele chegou esbaforido, a transpiração atravessava a camisa. Sentou-se, colocou a pequena bolsa de couro na cadeira ao lado e pediu água, que, aliás, já estava chegando em uma bandeja. Era de praxe ao receber visita naquela sala. Bebeu como quem toma um calmante. Dispensou o café.

Logo colocou as duas mãos sobre a mesa e sorriu, como se nada tivesse acontecido até a chegada ali. Nem arrisquei lhe perguntar se estava tudo bem. Parecia estar.

— Braga, me conta teus planos e como pretendes administrar isso aqui.

Desatei a falar sobre como encarava a presidência do órgão ambiental do estado, discurso que já havia quase decorado, de tanto reprisar nos últimos dias. Ele, atento; eu, falando.

— Arretado! – Disse, satisfeito, sem anotar uma palavra.

Foi a entrevista mais curta que dei na vida: uma só pergunta, uma só resposta e uma interjeição.

Provoquei:
— Tá lembrado das duas ou três vezes que nos...

imagem noticia

Ele chegou esbaforido, a transpiração atravessava a camisa. Sentou-se, colocou a pequena bolsa de couro na cadeira ao lado e pediu água, que, aliás, já estava chegando em uma bandeja. Era de praxe ao receber visita naquela sala. Bebeu como quem toma um calmante. Dispensou o café.

Logo colocou as duas mãos sobre a mesa e sorriu, como se nada tivesse acontecido até a chegada ali. Nem arrisquei lhe perguntar se estava tudo bem. Parecia estar.

— Braga, me conta teus planos e como pretendes administrar isso aqui.

Desatei a falar sobre como encarava a presidência do órgão ambiental do estado, discurso que já havia quase decorado, de tanto reprisar nos últimos dias. Ele, atento; eu, falando.

— Arretado! – Disse, satisfeito, sem anotar uma palavra.

Foi a entrevista mais curta que dei na vida: uma só pergunta, uma só resposta e uma interjeição.

Provoquei:
— Tá lembrado das duas ou três vezes que nos encontramos na Livro 7?
— Aquilo é o centro cultural do Recife. Tarcísio é um caboclo bom, veio do interior pra ativar a cena literária de Pernambuco.

Desatamos a conversar sobre esses assuntos gerais, que de certa forma tinham sido vividos por um ou por outro.

No dia seguinte, o Jornal do Commercio trazia uma reportagem de meia página, fiel ao que eu dissera, até na empolgação.

Descobri ali o jornalista e escritor de ouvido apurado e bom entendedor de contexto.

Trinta anos depois — há alguns dias — vou ao lançamento do seu último livro: Jornais em guerra. Um catatau de 340 páginas de pesquisa sistemática e minuciosa sobre a imprensa no período da Confederação do Equador. Coisa tão séria e profunda, daquele mesmo autor que há alguns anos narrou a vida de Tarcísio em livro e que escreveu coisas tão leves, como o pitoresco Roliúde e o curioso Viagem ao planeta dos boatos.

O companheiro Homero Fonseca não estava lá, só os editores e amigos. O câncer já avançara ao nível terminal.

Hoje, domingo 24/08/26, enquanto concluo a escrita, o homem dos jornais, das livrarias, da cena cultural e das conversas inteligentes, se despede no Morada da Paz.

Recife 23 de agosto de 2026.




imagem noticia

Trinta Pauladas - Crônica - Por Romero Falcão*

23/08/2026

Minha faxineira comenta a tragédia:

— O senhor viu? Bateram num rapaz até matar, por causa de uma bicicleta que ele não roubou.

De início — com tanta força bruta banhando os noticiários — tentei me anestesiar. Mas o troço ficou moendo dentro de mim. Fui checar. Podia ser fake, alguma astúcia da IA.

Foi na Princesinha do Mar — Copacabana —, na Rua Barata Ribeiro, onde morou o gênio Nelson Rodrigues, que o Sapiens se apresentou de modo mais primitivo.

Um suposto ladrão de bicicleta foi escolhido como saco de pancada. Segundo li na imprensa, o rapaz era inocente. Nem sequer reagiu. Permaneceu parado enquanto os agressores o espancavam.

Os leões da cidade — que os leões me perdoem — juntaram-se a outras feras para acabar com a vítima caída, indefesa. Bastava uma paulada. Duas, talvez. Mas li que um deles desferiu trinta golpes de pau.

Sentado no sofá, vendo na televisão as imagens, senti uma angústia...

imagem noticia

Minha faxineira comenta a tragédia:

— O senhor viu? Bateram num rapaz até matar, por causa de uma bicicleta que ele não roubou.

De início — com tanta força bruta banhando os noticiários — tentei me anestesiar. Mas o troço ficou moendo dentro de mim. Fui checar. Podia ser fake, alguma astúcia da IA.

Foi na Princesinha do Mar — Copacabana —, na Rua Barata Ribeiro, onde morou o gênio Nelson Rodrigues, que o Sapiens se apresentou de modo mais primitivo.

Um suposto ladrão de bicicleta foi escolhido como saco de pancada. Segundo li na imprensa, o rapaz era inocente. Nem sequer reagiu. Permaneceu parado enquanto os agressores o espancavam.

Os leões da cidade — que os leões me perdoem — juntaram-se a outras feras para acabar com a vítima caída, indefesa. Bastava uma paulada. Duas, talvez. Mas li que um deles desferiu trinta golpes de pau.

Sentado no sofá, vendo na televisão as imagens, senti uma angústia terrível, uma espécie de falta de esperança na humanidade. Por alguns instantes, me coloquei no lugar daquele rapaz.

Trinta pauladas.

Trinta pauladas, meu Deus!

O que explica tamanha ferocidade, capaz de impressionar até os policiais, cujo ofício lhes dá couro grosso para enfrentar o crime? Mas, nessas horas, o humano, profundamente humano, rompe a armadura.

Trinta pauladas.

O pelourinho, a roda, a tortura a céu aberto em Copacabana.

Por que a tortura dá tanto tesão? O que acende o monstro dentro de nós?

Seja esmurrando a esposa dentro do elevador, o filho pequeno no quarto ou o suposto bandido que furtou um celular.

Michel Foucault, em Vigiar e Punir, escreve sobre o suplício e a satisfação do carrasco diante dos gritos e do sofrimento da vítima. O gozo que jorra do castigo.

Mas Cláudio Rafael Landeiro, a vítima da Barata Ribeiro, permaneceu calado enquanto os ossos se partiam.

Recluso no próprio mundo, talvez sem compreender por que a criatura de Deus ora é anjo, ora é demônio.

Trinta pauladas.

Estamos condenados ao ciclo infinito da violência?


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda



imagem 2




NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




imagem noticia

Uma Despedida a Homero Fonseca - Crônica - Por Ricardo Braga*

23/08/2026

Ele chegou esbaforido, a transpiração atravessava a camisa. Sentou-se, colocou a pequena bolsa de couro na cadeira ao lado e pediu água, que, aliás, já estava chegando em uma bandeja. Era de praxe ao receber visita naquela sala. Bebeu como quem toma um calmante. Dispensou o café.

Logo colocou as duas mãos sobre a mesa e sorriu, como se nada tivesse acontecido até a chegada ali. Nem arrisquei lhe perguntar se estava tudo bem. Parecia estar.

— Braga, me conta teus planos e como pretendes administrar isso aqui.

Desatei a falar sobre como encarava a presidência do órgão ambiental do estado, discurso que já havia quase decorado, de tanto reprisar nos últimos dias. Ele, atento; eu, falando.

— Arretado! – Disse, satisfeito, sem anotar uma palavra.

Foi a entrevista mais curta que dei na vida: uma só pergunta, uma só resposta e uma interjeição.

Provoquei:

— Tá lembrado das duas ou três vezes...

imagem noticia

Ele chegou esbaforido, a transpiração atravessava a camisa. Sentou-se, colocou a pequena bolsa de couro na cadeira ao lado e pediu água, que, aliás, já estava chegando em uma bandeja. Era de praxe ao receber visita naquela sala. Bebeu como quem toma um calmante. Dispensou o café.

Logo colocou as duas mãos sobre a mesa e sorriu, como se nada tivesse acontecido até a chegada ali. Nem arrisquei lhe perguntar se estava tudo bem. Parecia estar.

— Braga, me conta teus planos e como pretendes administrar isso aqui.

Desatei a falar sobre como encarava a presidência do órgão ambiental do estado, discurso que já havia quase decorado, de tanto reprisar nos últimos dias. Ele, atento; eu, falando.

— Arretado! – Disse, satisfeito, sem anotar uma palavra.

Foi a entrevista mais curta que dei na vida: uma só pergunta, uma só resposta e uma interjeição.

Provoquei:

— Tá lembrado das duas ou três vezes que nos encontramos na Livro 7?

— Aquilo é o centro cultural do Recife. Tarcísio é um caboclo bom, veio do interior pra ativar a cena literária de Pernambuco.

Desatamos a conversar sobre esses assuntos gerais, que de certa forma tinham sido vividos por um ou por outro.

No dia seguinte, o Jornal do Commercio trazia uma reportagem de meia página, fiel ao que eu dissera, até na empolgação.

Descobri ali o jornalista e escritor de ouvido apurado e bom entendedor de contexto.

Trinta anos depois — há alguns dias — vou ao lançamento do seu último livro: Jornais em guerra. Um catatau de 340 páginas de pesquisa sistemática e minuciosa sobre a imprensa no período da Confederação do Equador. Coisa tão séria e profunda, daquele mesmo autor que há alguns anos narrou a vida de Tarcísio em livro e que escreveu coisas tão leves, como o pitoresco Roliúde e o curioso Viagem ao planeta dos boatos.

O companheiro Homero Fonseca não estava lá, só os editores e amigos. O câncer já avançara ao nível terminal.

Hoje, enquanto concluo a escrita, o homem dos jornais, das livrarias, da cena cultural e das conversas inteligentes, se despede no Morada da Paz.

Recife 23 de agosto de 2026


*Ricardo Braga, é biólogo, ambientalista e escritor. Autor dos livros de literatura Ecologia do Cotidiano, A Flor Lilás e outros Contos (prêmio Cepe Nacional de Literatura), Sangue Doce e Como as Águas do Rio. @ricardobragaescritor



imagem 2





imagem noticia

Cabo Eleitoral - Por Pica-Pau*

23/08/2026

Resolvi fazer campanha
Pra governo federal
Me deram as credenciais
Pra ser cabo eleitoral
Peguei um par de espora
Saí por aí a fora
Montado num animal

Todo canto q'eu chegasse
Antes de me apresentar
O caboclo dava um grito
É de Lula? Pode entrar
Se não for pode ir a bosta
Pique a mula dê meia volta
Nem pense em se aproximar

Pra todo lugar q'eu fosse
Era esse o palavreado
Eu só fiz passar vergonha
Uma tristeza medonha
Sem obter resultado
E daquele dia pra cá
Li da receita a bula
E também pergunto
É de Lula?
Porque se for pode entrar


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau



NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

imagem noticia

Resolvi fazer campanha
Pra governo federal
Me deram as credenciais
Pra ser cabo eleitoral
Peguei um par de espora
Saí por aí a fora
Montado num animal

Todo canto q'eu chegasse
Antes de me apresentar
O caboclo dava um grito
É de Lula? Pode entrar
Se não for pode ir a bosta
Pique a mula dê meia volta
Nem pense em se aproximar

Pra todo lugar q'eu fosse
Era esse o palavreado
Eu só fiz passar vergonha
Uma tristeza medonha
Sem obter resultado
E daquele dia pra cá
Li da receita a bula
E também pergunto
É de Lula?
Porque se for pode entrar


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau



imagem 2




NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




imagem noticia

Eleições 2026 - Flávio cancela presença na inauguração da Casa Bolsonaro

23/08/2026

O candidato Flávio Bolsonaro cancelou a agenda que iria cumprir em Ribeirão Preto, SP, na manhã de hoje, domingo, 23/08. Flávio esteve em Barretos ontem, sábado, participando da Festa do Peão, e compareceria em Ribeirão para a inauguração da Casa Bolsonaro.

Sem justificativa

Localizada na Avenida Presidente Vargas, no Jardim América, a Casa Bolsonaro é um comitê político de apoio aos aliados e candidatos do PL. O evento estava agendado para às 9h30. O partido não justificou o cancelamento de sua presença. Sem Flávio, a inauguração contou com a presença do vereador Camilo Calandreli. De acordo com o site oficial do candidato, após o cancelamento da agenda em Ribeirão Preto, ele não tem compromissos marcados para este domingo.

imagem noticia

O candidato Flávio Bolsonaro cancelou a agenda que iria cumprir em Ribeirão Preto, SP, na manhã de hoje, domingo, 23/08. Flávio esteve em Barretos ontem, sábado, participando da Festa do Peão, e compareceria em Ribeirão para a inauguração da Casa Bolsonaro.

Sem justificativa

Localizada na Avenida Presidente Vargas, no Jardim América, a Casa Bolsonaro é um comitê político de apoio aos aliados e candidatos do PL. O evento estava agendado para às 9h30. O partido não justificou o cancelamento de sua presença. Sem Flávio, a inauguração contou com a presença do vereador Camilo Calandreli. De acordo com o site oficial do candidato, após o cancelamento da agenda em Ribeirão Preto, ele não tem compromissos marcados para este domingo.




imagem noticia

Flopou pra valer - Raquel cancela agenda em Terezinha por falta de público

23/08/2026

A governadora Raquel Teixeira Lyra, PSD, era esperada em uma caminhada em Terezinha, no Agreste Meridional, na manhã de hoje, domingo, 23/08. A baixa adesão do público, porém, levou o estafe da candidata à reeleição a reavaliar a participação dela, cancelando a agenda.

Tava anunciado

Conforme divulgado nas redes sociais, Raquel faria uma caminhada na feira, em contato direto com um público não controlado. Temendo ser recebida com protestos, como já vem ocorrendo em algumas agendas, a governadora preferiu fazer um ato em Nova Descoberta, na Zona Norte do Recife, cercada apenas pela militância de vereadores, que não podem ser hostis com os candidatos defendidos por seus grupos.

<'video'>

imagem noticia

A governadora Raquel Teixeira Lyra, PSD, era esperada em uma caminhada em Terezinha, no Agreste Meridional, na manhã de hoje, domingo, 23/08. A baixa adesão do público, porém, levou o estafe da candidata à reeleição a reavaliar a participação dela, cancelando a agenda.

Tava anunciado

Conforme divulgado nas redes sociais, Raquel faria uma caminhada na feira, em contato direto com um público não controlado. Temendo ser recebida com protestos, como já vem ocorrendo em algumas agendas, a governadora preferiu fazer um ato em Nova Descoberta, na Zona Norte do Recife, cercada apenas pela militância de vereadores, que não podem ser hostis com os candidatos defendidos por seus grupos.








imagem noticia

Transportes Urbanos (Recife) - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

23/08/2026

Um passeio no Tempo de nossos avós


O meio de transporte mais comum nos primórdios da vida urbana no Recife, tendo em vista, principalmente, suas características hidrográficas, foi o transporte fluvial.

A própria água potável, como vimos, durante muito tempo foi conduzida em canoas.
Se verificarmos, ainda hoje, a localização dos antigos casarões ribeirinhos vemos que suas fachadas são voltadas para o rio.

Nas gravuras do Recife do século XIX, podem os vislumbrar naquelas que retratos cenas dos caminhos fluviais, uma grande quantidade e diversidade de meios de locomoção aquáticos, que transportavam não apenas passageiros, mas também animais e coisas inclusive móveis e utensílios.

Antigamente

Segundo Pereira da Costa (Anais Pernambucanos, vol. VI, pág. 448): “ Foi no ano de 1785 que apareceu em Pernambuco a primeira carruagem, embora esse meio de locomoção tenha sido idealizado na Fran...

imagem noticia

Um passeio no Tempo de nossos avós


O meio de transporte mais comum nos primórdios da vida urbana no Recife, tendo em vista, principalmente, suas características hidrográficas, foi o transporte fluvial.

A própria água potável, como vimos, durante muito tempo foi conduzida em canoas.
Se verificarmos, ainda hoje, a localização dos antigos casarões ribeirinhos vemos que suas fachadas são voltadas para o rio.

Nas gravuras do Recife do século XIX, podem os vislumbrar naquelas que retratos cenas dos caminhos fluviais, uma grande quantidade e diversidade de meios de locomoção aquáticos, que transportavam não apenas passageiros, mas também animais e coisas inclusive móveis e utensílios.

Antigamente

Segundo Pereira da Costa (Anais Pernambucanos, vol. VI, pág. 448): “ Foi no ano de 1785 que apareceu em Pernambuco a primeira carruagem, embora esse meio de locomoção tenha sido idealizado na França, já no século XVII.

Primitivamente, porém, como informa o autor do Diálogo das grandezas do Brasil: “pelos anos de 1616, as mulheres de classe social elevada quando iam fora caminhavam em ombros dos escravos metidas dentro de uma rede, não usando cadeira ou palanquim, como na Índia, porque a rede é excelente para se andar nela por caminhos”.

Os homens, por sua, como disse Varnhagen, trajavam veludos, damascos e sedas, e despendiam briosamente em cavalos de alto preço, com selas e gibões das mesmas sedas das roupas, e ricamente ajaezados, só faltando para o completo luxo de hoje as carruagens, que em Olinda e outras terras do Brasil não tinham ainda entrado.
Já em meados do século XVII eram muitas as berlindas e palanquins, chamadas depois de cadeirinhas de arruar, assim tratada por Mário Sette:



imagem 2




Cadeirinhas de arruar

“Cadeirinha de arruar misto de recato e ostentação, transitando às vezes pela Conde da Boa Vista, ou indo até Fora de Portas tão raras a princípio! Não era para quem queria, mas para quem podia. Um pouco de mistério e muito de vaidade. Distinguiam na cidade os seus donos. As senhoras de relevo social, moradoras, dos sobrados de azulejos, por cima dos trapiches ou das lojas dos maridos, ou já nos sítios de casas apalacetadas dos arrabaldes, possuíam as suas com ornatos de talha, com estojos de gorgorão, com portinholas desenhadas, conduzidas por escravos em parelhas de igual altura, negros bonitões e robustos, trajando libres de cores berrantes e bonés de oleado que o jornal anunciava como “novidade de Paris”.

Apareciam novos modelos: de cúpula dourada, com pontinhas de alto-relevo, grades, arreias de marroquim, e que se tornou um auge de bom gosto, provida de vidros. Vidraças! Que luxo! Não se temia mais a poeira das varreduras nem os chuviscos imprevistos. Sobre tudo ia-se ali dentro, à vontade, vendo-se tudo, sem recear a indiscrição de uma mão afoita ousando atirar uma flor, ou um escritinho, se não mesmo o furtar de um beijo. Cadeirinhas douradas, “de caisão”, das mais suntuosas e pouco vistas, evocando as em que passeavam as fidalgas parisienses, de cadeiras empoadas. Bom mesmo era atravessar a cidade numa delas, protegida por vidros, apreciando o movimento, olhando as lojas, descendo na igreja ou na costureira.”

As carruagens

A primeira carruagem chegada em Pernambuco, tudo indica, foi a que pertenceu ao bispo diocesano Dom Frei Diogo de Jesus Jardim que a trouxe de Lisboa para seu uso.
Em 1817, segundo Pereira da Costa (ob.. cit.), havia no Recife seis carruagem sendo os seus respectivos donos: o Governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, o Bispo Diocesano D. Frei Antonio de São José Bastos, o Intendente da Marinha Cândido José de Siqueira, o Marechal José Roberto Pereira da Silva, o Advogado José Luís de Mendonça e o nosso cronista Dr. Francisco de Soares Meriz Procurador da Fazenda Real em Olinda, que de todos aqueles foi o primeiro na época, que usou carruagem no Recife. É desse tempo, portanto, que vem a vulgarização do seu uso em Pernambuco.”

Os Primeiros ônibus

Em 1841, sugiram os primeiros ônibus, não os modernos coletivos de hoje; dava-se esse nome às diligências, as grandes carruagens. Podia-se chegar, partindo do largo da antiga Matriz de Santo Antonio, a Manguinho, Casa Forte, Monteiro e Apipucos. Várias pessoas exploraram e muitos lucraram com esse rendoso negócio, destacando-se entre eles Thomas Soyle, daí o nome “Ônibus de Soyle”. Esses veículos tiveram sua utilidade e foram muito usados até a chegada dos chamados “bondes de burros” que posteriormente, ao receberem iluminação interna fora chamados de “eletroburros”.

Esse meio de transporte marcou época no Recife. O Escritório da empresa que explorava o serviço, assim como as baias dos muares se localizavam na Travessa do Brum, próximo a Casa Agra, e o povo então chamava, jocosamente, o local de Academia do Agra.

As Maxambombas

Mediante contrato assinado em 19 de março de 1870, entre o Presidente da Província e o Sr. José Henrique, concessionário, obrigando-se esse ao “estabelecimento de um sistema de carris de ferro que nos termos da lei provincial nº 879, de 26 de junho de 1866, ligue a Capital desta Província com seus subúrbios, para os quais não estejam já estabelecidos os trilhos urbanos, chamados “maxambombas.
Segundo o contrato assinado, “o assentamento da linha de carris deveria ter começado no Largo do arsenal de Marinha e atravessado as pontes Sete de Setembro (Maurício de Nassau) e da Boa Vista terminava na passagem da Madalena, ramificando-se nos pontos que mais convinham para os Afogados, Fernandes Vieira e Santo Amaro, passando este último para a Ponte Santa Isabel. Os detalhes das ruas e estradas por onde a linha deveria passar, era escolhido pelo presidente da Província, ouvida a Câmara Municipal e mais repartições competentes.

Já em 1871, era inaugurada aos 14 de maio a linha de via férrea que ligava o Recife a Olinda. Da Encruzilhada partia um ramal que chegava a Beberibe, depois estas linhas se multiplicaram.

Os Bondes

Em 1914 foi implantado o serviço de bondes elétricos no Recife sob a responsabilidade da firma inglesa PernambucoTramways Power Cmpany. Eram, pelo menos no início, exemplo de eficiência e pontualidade levando essa competência às populações mais afastadas do centro urbano do Recife.

Mas como se dizia antigamente: “tudo é passageiro – menos o cobrador e o motorneiro”, os bondes também passaram, seus tempos áureos se foram. Chegaram mesmo a ser grandes “veículos” também de propaganda, concorrendo com o rádio e os jornais, afinal, transitavam por toda a parte e levavam vistosos anúncios, destacando-se entre eles os de remédios, fortificantes, pastas de dente, brilhantinas, salões de beleza, confecções. Além de avisos de festas e outros eventos.

Entre os produtos anunciados tínhamos: Guaraná Fratelli Vita, Água Iglesa Granada, Água Rabelo, Bromil, Elixir de Nogueira, Elixir Sanativo, Emulsão de Scott, Mitigal, Pílulas de Reuuter, Elixir 914, Óleo de Fígado de Bacalhau, Phimatosan, Pílulas de Vida do Dr. Ross, entre outros. Sem esquecer a Brilhantina Coty, Sabonete Dorly, os Cigarros das Fábricas Lafayete e Caxias, os mais baratos, principalmente: “Pirilau”, “Está na Hora”, “Flores de Caxias” e “Boa Idéia”.

Muitos desses produtos, como informa Alves da Mota no céu No Tempo do bonde elétrico - “eram oferecidos em forma de versos e quadrinhas como esta:

Veja ilustre passageiro,
o belo tipo faceiro
que o Sr. tem do seu lado.

Mas, no entanto, acredite,
quase morreu de bronquite
- Salvou-o o Rhum Creosotado”.



imagem 3




Enfim os ônibus

Até o início dos anos de 1940, o Recife tinha um invejável serviço de transportes urbanos, figurando, juntamente com a cidade de Porto alegre, como uma das mais bem servidas do Brasil.
No entanto, após a Segunda Guerra Mundial, com o declínio dos serviços ingleses, destronados pelos americanos no contexto mundial, o bonde perdeu sua hegemonia para o transporte coletivo rodoviário, a nova cultura de transportes coletivos que oferecia como solução ao crescimento das cidades às flexibilidades do sistema de ônibus; faz com que o Governo Estadual resolva estimular a criação de uma empresa deste gênero e conceder-lhe a exploração de todas as linhas não servidas pelos bondes, constituía-se então a “Pernambuco Autoviária Ltda”, dotada de uma frota de veículos de excelente qualidade e equipada até com radiofonia, para controle operacional.

Os elogios antes afeitos aos bondes eram prioridades hoje dos ônibus – os que servem os arrabaldes somente agora têm uma organização regular e prestimosa; os da Autoviária Pernambucana (...) Da Autoviária até agora só há elogios a favor, até por haver vulgarizado no Recife o hábito polido e inteligente das filas”.
No entanto, assim como o sistema de bondes elétricos a Autoviária, de forma muito mais efêmera, também decaiu.

Em 1953, foi feita uma grande reforma administrativa na estrutura administrativa municipal, surgido com ela a Inspetoria de Serviços Públicos.

Por essa época começaram a aparecer os exploradores das chamadas lotações, logo apelidadas de “sputiniks”, pois fazia das ruas da cidade verdadeiro “espaço sideral”, trafegando literalmente “lotadas”.
Em 1957, era criada, através da lei municipal, a Companhia de Transportes Urbanos (CTU) que passou a operar com o sistema de “Trólebus”, em 1960, e que logo ficaram famosos como “Ônibus Elétricos”.

O transporte rodoviário é cada vez mais explorado no Recife, na contramão do ontem e da coerência, o transporte fluvial é sempre tergiversado, os rios só servem para receber dejetos e esquecimento por parte das autoridades municipais e estadual. Exemplos como os de Veneza, Paris e Amsterdã, passam despercebidos pelas autoridades que teima em dar, literalmente, as costas ao nosso potencial aquático e “engarrafam”, cada vez mais, as ruas e avenidas, deixando para as “garrafas” e outros entulhos, o aprazível trânsito fluvial.


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras.



imagem 4




NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




Confira mais

a

Telefone/Whatsapp

Brasília

(61) 99667-4410

Recife

(81) 99967-9957

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nosso site.
Ao utilizar nosso site e suas ferramentas, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Jornal O Poder - Política de Privacidade

Esta política estabelece como ocorre o tratamento dos dados pessoais dos visitantes dos sites dos projetos gerenciados pela Jornal O Poder.

As informações coletadas de usuários ao preencher formulários inclusos neste site serão utilizadas apenas para fins de comunicação de nossas ações.

O presente site utiliza a tecnologia de cookies, através dos quais não é possível identificar diretamente o usuário. Entretanto, a partir deles é possível saber informações mais generalizadas, como geolocalização, navegador utilizado e se o acesso é por desktop ou mobile, além de identificar outras informações sobre hábitos de navegação.

O usuário tem direito a obter, em relação aos dados tratados pelo nosso site, a qualquer momento, a confirmação do armazenamento desses dados.

O consentimento do usuário titular dos dados será fornecido através do próprio site e seus formulários preenchidos.

De acordo com os termos estabelecidos nesta política, a Jornal O Poder não divulgará dados pessoais.

Com o objetivo de garantir maior proteção das informações pessoais que estão no banco de dados, a Jornal O Poder implementa medidas contra ameaças físicas e técnicas, a fim de proteger todas as informações pessoais para evitar uso e divulgação não autorizados.

fechar