Economia - Banco Central anuncia mudanças no Pix para celulares a partir de 1º de novembro
02/09/2024 - Jornal O Poder
Valor
Com a mudança, o BC irá limitar a R$ 200 o valor de transação via Pix para aparelhos de celular e computadores que não estão cadastrados na instituição. Em caso de troca de celular, o BC também passará colocar um limite diário no valor de R$ 1 mil.
Nova política
A nova política é uma tentativa de dificultar que golpistas realizem pagamentos via Pix, em aparelhos diferentes do já usado pelos clientes.
Mudanças
As mudanças dizem respeito a “Adotar solução de gerenciamento de risco de fraude que use informações de segurança armazenadas no Banco Central, capaz de identificar transações Pix atípicas”; “isponibilizar um canal eletrônico a...
Valor
Com a mudança, o BC irá limitar a R$ 200 o valor de transação via Pix para aparelhos de celular e computadores que não estão cadastrados na instituição. Em caso de troca de celular, o BC também passará colocar um limite diário no valor de R$ 1 mil.
Nova política
A nova política é uma tentativa de dificultar que golpistas realizem pagamentos via Pix, em aparelhos diferentes do já usado pelos clientes.
Mudanças
As mudanças dizem respeito a “Adotar solução de gerenciamento de risco de fraude que use informações de segurança armazenadas no Banco Central, capaz de identificar transações Pix atípicas”; “isponibilizar um canal eletrônico aos clientes com informações sobre os cuidados necessários para evitar fraudes” e “erificar, ao menos uma vez a cada seis meses, se os clientes têm marcações de fraude na base de dados do Banco Central”.
Segurança
De acordo com o Banco Central, essas mudanças vão impactar diretamente na segurança dos usuários devido à nova barreira criada, que aumenta a proteção dos clientes, mesmo que fraudadores tenham acesso aos seus dados bancários.
Barreiras
Apesar da nova barreira, isso não exime as instituições financeiras de educar os clientes a respeito de boas práticas de segurança, disponibilizando informações claras e acessíveis sobre como se proteger de golpes e fraudes.
Leia outras informações
Lula reitera meta de criar um Ministério de Segurança Pública, durante comício no Rio
22/08/2026
“A gente tirou o papel do Governo Federal na segurança pública, porque o regime militar estava há 23 anos mandando na segurança e a gente resolveu transferir para o Estado. A União hoje tem um papel muito fraco. Eu enviei uma PEC [Proposta de Emenda à Constituição] da Segurança Pública para o Senado e, quando for votada, criarei o ministério. Vou preparar mais a Polícia Federal, preparar mais a Polícia Rodoviária”, afirmou Lula.
Território “do povo”
Numa crítica velada aos confrontos observados de 2024 até este ano no Rio, em função de diversas operações policiais que levaram à morte de vários integrantes da comunidade que não tinham envolvimento com as facções, Lula frisou: “Vamos devol...
O presidente Lula reiterou neste sábado (22/08), a promessa de criar, caso seja eleito presidente pela quarta vez, o Ministério da Segurança Pública. A declaração foi feita no Estádio Moça Bonita, localizada em Bangu, Zona Oeste da capital fluminense.
“A gente tirou o papel do Governo Federal na segurança pública, porque o regime militar estava há 23 anos mandando na segurança e a gente resolveu transferir para o Estado. A União hoje tem um papel muito fraco. Eu enviei uma PEC [Proposta de Emenda à Constituição] da Segurança Pública para o Senado e, quando for votada, criarei o ministério. Vou preparar mais a Polícia Federal, preparar mais a Polícia Rodoviária”, afirmou Lula.
Território “do povo”
Numa crítica velada aos confrontos observados de 2024 até este ano no Rio, em função de diversas operações policiais que levaram à morte de vários integrantes da comunidade que não tinham envolvimento com as facções, Lula frisou: “Vamos devolver o território ao povo do Rio de Janeiro. Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar 1,2 mil. Vamos prender e dizer que a rua é do povo e não dos bandidos”.
O presidente também ressaltou o trabalho feito pelo governador interino do Estado, desembargador Ricardo Couto, desde março deste ano. “Ele está começando essa limpeza e você Paes, vai chegar e pegar o Estado já com uma limpeza boa para tocarmos nosso planejamento” disse, referindo-se a Eduardo Paes (PSD), ex-prefeito da cidade e candidato ao governo estadual. “Você vai encontrar o Estado mais limpo”, acrescentou o presidente virando-se para Paes. Essa foi a primeira agenda de campanha do presidente no Rio.
— Com Agências de Notícias
Flávio Bolsonaro defende anistia, castração química e continuidade do Bolsa Família
22/08/2026
Flávio destacou que pretende manter o programa, considerado uma marca do seu principal adversário, o presidente Lula. “Eu sei que muita gente precisa do Bolsa Família e nós vamos garantir que vocês recebam o programa. Mas vamos fazer muito mais”, frisou, ao dizer que o programa é um “direito adquirido que ninguém tem o direito de tocar ou acabar”. Ele, entretanto, reforçou a necessidade de serem feitas “manutenções” no programa.
Segurança pública
No tocante à segurança pública, o senador acentuou que se eleito pretende classificar o Primeiro Com...
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) voltou a falar, durante o comício que realizou no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, neste sábado (22/08), em temas como castração química para estupradores, anistia para os condenados dos atos de depredação em 8 de janeiro de 2023 e continuação do programa Bolsa Família como algumas das suas prioridades, caso seja eleito.
Flávio destacou que pretende manter o programa, considerado uma marca do seu principal adversário, o presidente Lula. “Eu sei que muita gente precisa do Bolsa Família e nós vamos garantir que vocês recebam o programa. Mas vamos fazer muito mais”, frisou, ao dizer que o programa é um “direito adquirido que ninguém tem o direito de tocar ou acabar”. Ele, entretanto, reforçou a necessidade de serem feitas “manutenções” no programa.
Segurança pública
No tocante à segurança pública, o senador acentuou que se eleito pretende classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as milícias como organizações terroristas. “Esses caras vão mofar na cadeia ou vão ser neutralizados pela nossa polícia“, afirmou.
O combate às organizações criminosas tem sido amplamente explorado pela campanha do senador, que aposta em um discurso radical de combate à criminalidade. Estiveram ao lado de flávio o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, além de aliados políticos do bolsonarismo no estado, como o ex-ministro da Saúde e candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, Eduardo Pazuello (PL).
— Com Agências de Notícias
Silvio Costa Filho defende, em Brejo da Madre de Deus, ampliação de infraestrutura logística para impulsionar indústria da moda
22/08/2026
A defesa foi feita durante entrevista concedida por ele à Rádio Colinas, no município, ao lado do ex-candidato a prefeito Josevaldo Cowboy, seu aliado político e parceiro de longa data. Os dois discutiram alternativas para ampliar a estrutura necessária ao desenvolvimento econômico local, com destaque para a melhoria da infraestrutura aeroportuária.
Fortalecimento do aeroporto
Segundo Silvio, o fortalecimento do aeroporto é uma medida importante para ampliar a conectividade de Brejo Madre de Deus, facilitar a chegada de investimentos e criar melhores con...
O ex-ministro de Portos e Aeroportos de Lula e candidato à reeleição como deputado federal Silvio Costa Filho (Republicanos) defendeu, neste sábado (22/08), a ampliação da infraestrutura logística de Brejo da Madre de Deus como estratégia para fortalecer a economia e impulsionar ainda mais a indústria da moda — tanto no município, como na região onde está localizado, no agreste pernambucano.
A defesa foi feita durante entrevista concedida por ele à Rádio Colinas, no município, ao lado do ex-candidato a prefeito Josevaldo Cowboy, seu aliado político e parceiro de longa data. Os dois discutiram alternativas para ampliar a estrutura necessária ao desenvolvimento econômico local, com destaque para a melhoria da infraestrutura aeroportuária.
Fortalecimento do aeroporto
Segundo Silvio, o fortalecimento do aeroporto é uma medida importante para ampliar a conectividade de Brejo Madre de Deus, facilitar a chegada de investimentos e criar melhores condições para o crescimento da cadeia produtiva da moda no município e no estado como um todo.
“Brejo Madre de Deus tem uma economia forte, com uma indústria da moda que gera emprego, renda e oportunidades. Precisamos ampliar a infraestrutura logística para que essa produção possa crescer ainda mais. A melhoria do aeroporto é uma prioridade e, junto com Cowboy, vamos trabalhar para transformar essa estrutura em um instrumento de desenvolvimento para o município e toda a região”, afirmou o ex-ministro e candidato.
Luta pela Transnordestina
O deputado também destacou que a melhoria da logística precisa estar integrada a grandes projetos que ampliem as alternativas de escoamento da produção. Nesse sentido, afirmou que continuará trabalhando para garantir o avanço das obras da Ferrovia Transnordestina, considerada estratégica para a integração logística do Nordeste.
A ferrovia é apontada pelo Governo Federal como um importante corredor para reduzir custos e ampliar a competitividade da produção regional.
Melhorias estruturais
A parceria entre Silvio Costa Filho e Josevaldo Comboy, construída ao longo dos anos, reforça a articulação política em torno de uma agenda voltada para o desenvolvimento de Brejo Madre de Deus. A proposta tem como objetivo unir esforços para buscar investimentos e melhorias estruturais que acompanhem o crescimento da atividade econômica do município.
Cowboy ressaltou a atuação do deputado em defesa de Pernambuco e da cidade. “Silvio tem feito muito pelo nosso Estado e também por Brejo da Madre de Deus. É um parceiro de longa data, que conhece as necessidades da região e tem disposição para trabalhar por investimentos que possam gerar mais emprego, renda e desenvolvimento. Vamos continuar juntos nessa luta”, destacou.
As aventuras de Cacimba 55 — A festa, a feira e o trio de Cacimba, por Zé da Flauta*
22/08/2026
Se as barracas de quermesse ocupassem a praça, os feirantes não teriam onde arrumar as frutas, as rapaduras nem os panos. Ia ser prejuízo na certa para quem dependia daquele dia para botar comida na mesa, enquanto o cofre da paróquia saía estufado. A conversa corria solta e o clima estava quente, até que Cacimba chegou, amarrou seu jumento no pé de oiti e chamou Simão e Sebastião para o conselho.
— Mestre, pelas minhas contas na caderneta, a divisão do espaço tá gerando um déficit de diplomacia e um excesso de sermão, alertou Simão, ajeitando os óculos redondos.
— É o sagrado pisando na barriga do faminto! gritou Sebastião, saltando de um galho para...
Carnaúba Seca acordou em clima de guerra declarada. Padre Severino, com a firmeza de quem se acha dono do céu e da terra, resolveu montar a grande quermesse da padroeira bem no meio da praça central. O problema é que o sábado era sagrado para outro altar: o da feira livre.

Se as barracas de quermesse ocupassem a praça, os feirantes não teriam onde arrumar as frutas, as rapaduras nem os panos. Ia ser prejuízo na certa para quem dependia daquele dia para botar comida na mesa, enquanto o cofre da paróquia saía estufado. A conversa corria solta e o clima estava quente, até que Cacimba chegou, amarrou seu jumento no pé de oiti e chamou Simão e Sebastião para o conselho.
— Mestre, pelas minhas contas na caderneta, a divisão do espaço tá gerando um déficit de diplomacia e um excesso de sermão, alertou Simão, ajeitando os óculos redondos.
— É o sagrado pisando na barriga do faminto! gritou Sebastião, saltando de um galho para o outro.
Cacimba não disse uma palavra de cara. Tirou o pífano da sacola, soprou uma nota aguda que fez o Padre Severino interromper a medição das barracas e gritou para a praça toda:
— Na terra de Deus, a reza e o sustento comem na mesma mesa! Se a festa não vai até a feira, a feira vira a própria festa!
A solução foi de uma simplicidade genial: em vez de brigar pelo espaço da praça, Cacimba propôs transformar o corredor da feira no próprio caminho da procissão e dos festejos. Para selar a paz e animar o povo, montou ali mesmo o grupo mais inusitado do sertão.
Cacimba assumiu o pífano com suas melodias de encantar o vento. No ombro esquerdo, Simão levou a coisa a sério e assumiu a zabumba, batendo o ritmo com a precisão de um relógio e a caderneta ajeitada no cinto.
No ombro direito, Sebastião pegou o triângulo e meteu o sarrafo no metal, fazendo uma folia tão animada que não teve feirante compenetrado nem carola de terço na mão que resistisse.
Quando o primeiro baião ecoou entre as barracas de jerimum e os balcões de quermesse, o Padre Severino viu o povo dançando junto, comprando farinha e doando para a igreja no mesmo passo. Não teve prejuízo, não teve briga e a praça inteira virou um salão só.
No fim da tarde, com o bolso dos feirantes cheio e as doações do altar garantidas, o padre teve que tirar o chapéu para o trio. E Cacimba, guardando o pífano, piscou para os dois companheiros nos ombros: a razão da zabumba e a emoção do triângulo tinham salvo o sábado mais uma vez.
*Zé da Flauta é músico, compositor, filósofo e escritor.

Com visitas e reuniões, Zé Queiroz e Iza Arruda cumprem agenda de campanha pelas ruas de Caruaru
22/08/2026
Durante a passagem pela feira, os candidatos ouviram reclamações sobre as condições do espaço e também manifestações contrárias à transferência da Feira do Paraguai para outro local, anunciada recentemente pela Prefeitura de Caruaru. De lá, Queiroz e Iza seguiram para o centro da cidade, onde deram continuidade à agenda, sempre fazendo paradas e conversando com comerciantes, trabalhadores e eleitores.
Defesa dos interesses de PE
“Tenho feito um apelo ao povo de Caruaru para que poss...
Candidato a deputado estadual nas eleições de 2026, o ex-parlamentar e ex-prefeito de Caruaru por vários mandatos José Queiroz (MDB) cumpriu, neste sábado (22/08), agenda de campanha ao lado de Iza Arruda (MDB), com quem forma dobradinha na disputa para a Câmara Federal. Queiroz e Iza iniciaram a manhã na Feira de Caruaru, no Parque 18 de Maio, onde percorreram corredores, cumprimentaram feirantes e visitantes e conversaram com a população.
Durante a passagem pela feira, os candidatos ouviram reclamações sobre as condições do espaço e também manifestações contrárias à transferência da Feira do Paraguai para outro local, anunciada recentemente pela Prefeitura de Caruaru. De lá, Queiroz e Iza seguiram para o centro da cidade, onde deram continuidade à agenda, sempre fazendo paradas e conversando com comerciantes, trabalhadores e eleitores.

Defesa dos interesses de PE
“Tenho feito um apelo ao povo de Caruaru para que possamos ampliar os votos. Em cada cidade que vou, escuto as demandas da população e vou anotando. Na Alepe [Assembleia Legislativa de Pernambuco], quero defender os interesses de Pernambuco, mas com uma atenção especial para Caruaru, que é a minha cidade, a terra que eu amo. Sou um cara vital, tenho energia, faço musculação, cuido da minha saúde. Estou pronto para a luta”, destacou Zé Queiroz.
Entusiasmada com a receptividade da população nas ruas, Iza Arruda afirmou que, já em seu primeiro mandato, destinou recursos para Caruaru e ressaltou a parceria com Queiroz.

Presença nas ruas
“Hoje, temos a oportunidade de estar aqui com ele, que foi um grande prefeito e fez tanto pelo município. Ao lado de Zé Queiroz e com Wolney (filho de Zé Queiroz) ministro da Previdência, vamos trabalhar muito. Se já fizemos em nosso primeiro mandato, em pouco menos de quatro anos, imagine agora com essa grande dobradinha”, enfatizou a candidata a deputada federal.
Desde o último domingo (16/08), quando teve início oficialmente a campanha eleitoral, Zé Queiroz tem ampliado sua presença nas ruas, dialogando com as pessoas e ouvindo reivindicações e sugestões da população. O candidato também vem cumprindo agendas em outros municípios de Pernambuco, onde conta com apoios políticos e lideranças que integram o projeto de seu retorno à Assembleia Legislativa em 2027.
Ivan Moraes cobra de Raquel Teixeira Lyra câmeras corporais prometidas para a PM de Pernambuco
22/08/2026
“Eu digo que a transparência é o escudo do bom gestor. A política tem que ser um aquário, todo mundo tem que ver o que é que o político está fazendo para poder saber se ele está fazendo direito ou errado. Se o cara está fazendo direito, é de boa que haja transparência. A polícia, a mesma coisa. Raquel, se o dinheiro está no cofre, bota a câmera! Que medo é esse?”, questionou Moraes.
Policiais na linha de frente
Em sua colocação, o candidato enfatizou que são os policiais — e não os governadores e as governadoras — que estão na linha de frente, correndo risco de vida e necessitando...
O candidato da Coligação Frente Pernambuco de Luta (Federação PSOL/REDE e PCB), Ivan Moraes, criticou nesta sexta-feira (21/08) a atual governadora, Raquel Teixeira Lyra (PSD), por não ter comprado câmeras corporais para os policiais militares de Pernambuco, quando ela argumentou que que o Governo Federal já destinou verba para a aquisição dos equipamentos.
“Eu digo que a transparência é o escudo do bom gestor. A política tem que ser um aquário, todo mundo tem que ver o que é que o político está fazendo para poder saber se ele está fazendo direito ou errado. Se o cara está fazendo direito, é de boa que haja transparência. A polícia, a mesma coisa. Raquel, se o dinheiro está no cofre, bota a câmera! Que medo é esse?”, questionou Moraes.
Policiais na linha de frente
Em sua colocação, o candidato enfatizou que são os policiais — e não os governadores e as governadoras — que estão na linha de frente, correndo risco de vida e necessitando da proteção conferida pelas câmeras corporais, que asseguram meios de provar a conduta adequada dos bons policiais.
“Policial não tem vida de videogame, não. O policial merece todo o respeito. A câmera protege, sim, e sempre protegerá o bom policial. Agora, não vai proteger o cara que trabalha errado”, afirmou o candidato.
De acordo com ele, sete meses após após a confirmação do repasse federal de R$ 24 milhões para a adesão de câmeras corporais para a Polícia Militar de Pernambuco, a Secretaria de Defesa Social (SDS-PE) ainda não abriu licitação para comprar os equipamentos.
R$ 23,9 milhões já destinados
Em fevereiro, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) destinou R$ 23,9 milhões ao estado de Pernambuco para a compra de 1.463 câmeras corporais para a Polícia Militar. À época, a SDS prometeu que 1.064 câmeras corporais seriam utilizadas pela PM na Região Metropolitana do Recife (RMR), e outras 399 iriam para municípios do interior pernambucano.
“Em setembro do ano passado, o secretário Alessandro Carvalho, que comanda a pasta da Defesa Social, prometeu que a PM de Pernambuco receberia as primeiras câmeras corporais em até seis meses, prazo que se esgotou em março deste ano. Estamos no final de agosto, chegou o período eleitoral e a governadora não deu ordem para a abertura da licitação para a compra das câmeras”, enfatizou Moraes.
Odisseia, de Nolan: um filme sem deuses, por Flávio Lúcio Vieira*
22/08/2026
Comecemos assim. Quando entramos no cinema, ou mesmo antes disso, o que esperamos quando o filme que escolhemos assistir é uma adaptação de uma obra literária? Mais ainda, quando se trata de uma epopeia milenar, que não apenas estabelece os fundamentos da narrativa da literatura ocidental, mas é, ainda hoje, lido com grande interesse? De minha parte, espero que as adaptações à linguagem cinematográfica corrompam minimamente a obra e esta seja, nos trechos principais, uma manifestação visual do que construímos mentalmente durante a leitura.
Não são presentes assim que, normalmente, o cinema nos entrega. Há uma arbitrariedade q...
Como grande interessado em mitologia grega e tendo escrito um livro inspirado na obra de Homero, cujo principal personagem se chama Ulisses, minha expectativa era imensa desde que as filmagens de Odisseia, de Christopher Nolan, foram anunciadas. Há 15 dias, assisti ao filme e só agora tive tempo de escrever a resenha que segue abaixo.
Comecemos assim. Quando entramos no cinema, ou mesmo antes disso, o que esperamos quando o filme que escolhemos assistir é uma adaptação de uma obra literária? Mais ainda, quando se trata de uma epopeia milenar, que não apenas estabelece os fundamentos da narrativa da literatura ocidental, mas é, ainda hoje, lido com grande interesse? De minha parte, espero que as adaptações à linguagem cinematográfica corrompam minimamente a obra e esta seja, nos trechos principais, uma manifestação visual do que construímos mentalmente durante a leitura.
Não são presentes assim que, normalmente, o cinema nos entrega. Há uma arbitrariedade que é comum nos roteiros baseados em obras escritas, cujos direitos são vendidos pelos autores aos estúdios de cinema, que passam a dispor de enorme liberdade para fazer o que desejarem com elas. Lembro de uma manifestação de Rick Riordan sobre o roteiro de Percy Jackson e o ladrão de raios: "O trabalho de uma vida passando por um moedor de carne". Em pontos cruciais, o filme passa longe da história contada no livro.
Obviamente, não é esse o caso da Odisseia, o que, a meu ver, torna a situação ainda mais grave, já que a epopeia de Homero pertence há séculos à humanidade. Talvez seja esse o motivo para que a "adaptação" do diretor e roteirista Christopher Nolan tenha causado tanto desconforto aos estudiosos e apreciadores da obra de Homero. São tantas as "adaptações" que fica impossível abordá-las aqui uma a uma. Portanto, vou me deter nas que considero as mais relevantes.
Um homem freudiano
Vamos começar pela caracterização do guerreiro Odisseu (Ulisses), que Nolan transforma num homem freudiano, cheio de culpas, portanto, num típico homem moderno. Não que o Odisseu de Homero seja imune ao sofrimento, mas a noção de culpa moral moderna não bate bem com o protagonista da Odisseia, que se derrama em saudades ao longo de toda a obra, sobretudo quando o aedo cego Demódoco canta para a corte do rei feácio Alcínoo, que se reúne em homenagem ao até então desconhecido estrangeiro.
Odisseu quase havia se afogado depois que Poseidon lançou uma tempestade que destruiu a jangada na qual o rei de Ítaca saiu da ilha de Calipso, indo parar na praia onde Nausica, a filha de Alcínoo, o achou desacordado e nu. Depois de exibir suas habilidades atléticas, Odisseu chora ao ouvir sobre a Guerra de Troia e seu nome ser citado ao lado do de Aquiles. Assim como esse, tantos outros episódios foram cortados da Odisseia de Nolan.
A imagem que construímos de Odisseu depois de lermos a Odisseia pouco tem a ver com esse homem introspectivo e carregado de culpa, sentimento que, no filme, é onipresente e parece ter mais importância que seu desejo de voltar a Ítaca para reencontrar a esposa Penélope, o filho Telêmaco e recuperar seu reino. Vale lembrar o óbvio: o título do poema épico de Homero homenageia seu protagonista, sendo a narrativa clássica da jornada do herói Odisseu.
Cavalo de Troia
Nolan insere ao longo do filme inúmeros flashbacks das lembranças das mortes causadas por decisões de Odisseu, sobretudo nos minutos finais. Em vez de Penélope e Telêmaco, o Odisseu de Nolan parece não conseguir esquecer seus soldados e companheiros de viagem que morreram, sobretudo, seu papel central no massacre da população de Troia, que vivia no interior das muralhas — e que continuaria protegida por elas não fosse o ardil sugerido pelo rei de Ítaca depois de dez anos de guerra: a construção do célebre cavalo de madeira, deixado nas praias de Troia, sugerindo o reconhecimento da derrota e uma oferenda a Atena.
O ardil é uma síntese do personagem e de como Odisseu ficou imortalizado. Conseguir voltar para casa é a verdadeira glória de Odisseu. Por isso, Atena ser sua deusa de devoção não foi uma escolha aleatória: em contraponto à força e à violência da guerra, representadas por Ares, que atuou ao lado dos troianos, Atena é a deusa da sabedoria e da estratégia de guerra.
Portanto, sob outra perspectiva, a guerra é inseparável da personalidade de Odisseu, tanto na Ilíada quanto na Odisseia. O que o distingue dos outros heróis da Ilíada é a inteligência e a astúcia para alcançar suas vitórias. Porém, antes de tudo, Odisseu é um guerreiro. E ele não foi a Troia apenas para resgatar Helena — nem ele nem a coligação de reinos aqueus liderada por Agamêmnon.
Posição estratégica
Troia era uma cidade-estado rica e poderosa que ocupava uma posição geográfica estratégica na entrada do estreito de Dardanelos, na Turquia atual. Conquistá-la representava mais que um ato heroico a ser imortalizado, como foi por Homero e por outras obras que não chegaram até nós. Sua conquista rendeu riquezas aos vencedores — na Odisseia, as referências ao espólio trazido da guerra deixam evidente a importância material da conquista.
Outro epíteto pelo qual Odisseu ficou conhecido — o saqueador de cidades — demonstra o quanto foi arbitrária e anacrônica a escolha de Nolan para descrever a personalidade de Odisseu, uma espécie de soldado americano corroído pelas más lembranças de guerras como a do Vietnã. Essa escolha de Nolan não foi banal. Ela é o fio condutor da narrativa.
Se a intenção foi dar ao personagem mais profundidade e complexidade, considero que o efeito final foi o oposto. Dela emergiu um Odisseu insosso, triste, a não ser no episódio final em que nosso herói finalmente chega a Ítaca e, disfarçado de mendigo, mata as dezenas de pretendentes de Penélope — o melhor momento do filme, exatamente por ter sido o mais fiel à narrativa de Homero.
Mera projeção de Atena
O filme de Nolan é um filme sem deuses. Atena tem um papel central na Odisseia de Homero. Na de Nolan, é uma mera projeção, o alter ego de Odisseu que, quando surge na tela, o faz apenas para manifestar, com um olhar severo, sua reprovação aos atos de violência cometidos por seu mais dileto devoto. Até a ardente deusa Calipso foi transformada em psicanalista, e as areias das praias de Ogígia, em seu divã.
É a Calipso que Odisseu narra os episódios que o levaram até a ilha, e é de lá que o rei de Ítaca parte direto para seu reino, ficando assim suprimidos os belos episódios que transcorrem na corte do rei Alcínoo. Não há paixão entre Odisseu e Calipso, não há sexo, embora ele tenha passado sete anos, dos vinte que ficou longe de casa, ao lado da estonteante ninfa — certamente, os dois não passaram esse tempo apenas conversando.
Isso é relevante porque Nolan parece desejar que o público veja Odisseu como um castiço guerreiro. Odisseu desejava voltar para os braços da esposa, é certo, porém manteve durante sua permanência em Ogígia uma relação amorosa e sexual com Calipso. E nada desse tórrido romance é apresentado no filme. A relação entre Calipso e Odisseu se resume às narrações que servirão para quebrar a resistência da ninfa, que tentava manter o amado por perto, chegando mesmo a oferecer-lhe a imortalidade em troca.
A Calipso de Nolan é, ao mesmo tempo, capaz de usar a flor de lótus para ludibriar Odisseu — artimanha inventada por Nolan, provavelmente para justificar por que cargas-d'água nosso herói passou tanto tempo numa ilha paradisíaca com uma ninfa. Com isso, ele desejou justificar a não resistência de Odisseu às investidas de Calipso?
Sem Poseidon nem Hermes
Por outro lado, Calipso mostra generosidade e compreensão diante da tristeza do amado e libera-o para ele partir de volta para casa sem mais artifícios. Nada mais distante da atitude da Calipso de Homero, que só permitiu que Odisseu voltasse finalmente para casa depois que uma assembleia dos deuses, da qual não participou Poseidon, inimigo mortal do nosso herói e personagem central da Odisseia, determinou seu retorno — Poseidon também não tem lugar no filme. Hermes também. Foi o mensageiro de Zeus e de todo o Olimpo que voou à Ogígia para comunicar a decisão dos deuses, e Calipso, mesmo contrariada, teve de obedecer, o que também foi suprimido do filme. Hermes tem papel decisivo em outro episódio.
Sem sua advertência a Odisseu sobre o perigo de se encontrar com Circe sem consumir uma erva capaz de neutralizar o efeito da poção que ela ofereceu aos companheiros de Odisseu, transformando-os em porcos, nosso herói jamais teria retornado a Ítaca e estaria ainda hoje preso em alguma pocilga.
No episódio no qual atua Circe, a deusa de belas tranças, ressoa uma estética medieval, fazendo, a meu ver, uma referência ao arquétipo da bruxa, da mulher que vive sozinha na natureza e domina o uso das ervas para fazer poções e feitiços em caldeirões fumegantes. A Circe de Nolan não tem nada de sensual. É válido lembrar que, depois que Odisseu a ameaçou com sua espada, a Circe de Homero tentou levá-lo para a cama e fez suas servas banhá-lo. A Circe de Nolan mostra até certo desprezo pelos homens, que comem feito porcos até se transformarem neles.
Bom como entretenimento, decepcionante como adaptação
Enfim, com exceção de Calipso e Circe, deusas inferiores na escala que termina no panteão olímpico, os deuses não têm lugar na Odisseia de Nolan. Atena, por exemplo, tem importância decisiva na epopeia de Homero, intervindo em momentos-chave: atua para libertar Odisseu da ilha de Calipso e, nos corpos de Mentes e Mentor, convence Telêmaco a sair de Ítaca em busca de informações sobre o pai.
Enfim, como repeti em várias ocasiões ao longo deste texto, o que vi no cinema foi a Odisseia de Christopher Nolan, tais foram as "releituras", algumas anacrônicas — não fosse assim, não seria Hollywood, não é mesmo? — feitas pelo diretor, que é também roteirista do filme. Enfim, como entretenimento, Odisseia de Nolan é um bom filme. Como adaptação da obra mais importante da literatura ocidental, é decepcionante.
*Flávio Lúcio Vieira é doutor em Sociologia e professor do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
NR - O texto recebeu intertítulos para se adaptar ao formato editorial de O Poder, sem interferência no seu conteúdo

Representantes de setores diversos debaterão, no Recife, caminhos e desafios da transição energética do país
22/08/2026
O evento está previsto para acontecer a partir das 8h30, no Mar Hotel Conventions, no Recife. Será realizado pela Folha de Pernambuco e pelo Grupo EQM e marcará a quarta edição da Revista Folha Energia.
Tem como um dos destaques discutir o futuro da matriz energética brasileira, bem como os desafios e oportunidades que se abrem a partir da energia limpa e dos biocombustíveis.
Etanol e biocombustíveis
A programação contará com três painéis temáticos, que terão o etanol e os biocombustíveis como elementos centrais das discussões. E abordarão desde o uso do etanol no processo de transição energética da navegação até as possibilid...
Representantes do setor público e segmentos importantes da economia como indústria, agronegócio, bioenergia, navegação e setor portuário se reúnem na próxima segunda-feira (24/08), no Recife, para participar de debate sobre os caminhos e desafios da transição energética no país.
O evento está previsto para acontecer a partir das 8h30, no Mar Hotel Conventions, no Recife. Será realizado pela Folha de Pernambuco e pelo Grupo EQM e marcará a quarta edição da Revista Folha Energia.
Tem como um dos destaques discutir o futuro da matriz energética brasileira, bem como os desafios e oportunidades que se abrem a partir da energia limpa e dos biocombustíveis.

Etanol e biocombustíveis
A programação contará com três painéis temáticos, que terão o etanol e os biocombustíveis como elementos centrais das discussões. E abordarão desde o uso do etanol no processo de transição energética da navegação até as possibilidades de expansão do combustível e do biometano, além do mercado de motores estacionários movidos a etanol.
Para a vice-presidente da Folha de Pernambuco, Mariana Costa, a iniciativa está alinhada ao papel deste veículo de comunicação no sentido de colocar em discussão temas estratégicos para o desenvolvimento de Pernambuco, do Nordeste e do Brasil.
“Quando a gente fala em energia, está falando de futuro, de sustentabilidade e de impacto direto para as próximas gerações. A Folha entende que tem um papel importante em ampliar essa discussão, reunindo o setor produtivo, empresarial, o poder público e especialistas para entender quais são os desafios e, principalmente, quais são as oportunidades”, afirma.
Informação e debate
Segundo Mariana, a proposta do evento também é transformar informação e debate em conexões capazes de produzir resultados para a sociedade.
“A Folha, como veículo de comunicação, contribui por meio do jornalismo e dos eventos que promove, ouvindo especialistas, o setor público e o setor produtivo e traduzindo essas discussões para que a sociedade conheça e para que elas possam gerar impacto efetivo na vida das pessoas”, acrescenta.

Painéis previstos
O primeiro painel, intitulado “Transição energética da navegação: desafios e oportunidades para o etanol brasileiro”, será mediado pelo presidente e CEO da Datagro Consultoria, Plínio Nastari, e reunirá representantes da Maersk, Unica, Bioenergia Brasil, Sindaçúcar-AL e Sindaçúcar-PE.
Na sequência, o painel “Versatilidade do etanol e biometano” terá mediação do presidente do Sifaeg-GO, André Rocha, e participação de representantes da Marinha do Brasil, Grupo EQM, Ministério de Minas e Energia, Wartsila e Copersucar.
Motores estacionários
O terceiro debate, sobre o “Mercado de motores estacionários com uso de etanol”, será mediado pelo vice-presidente do Conselho Superior do Agronegócio do COSAG/FIESP, Jacyr Costa Filho, e reunirá representantes de Suape, UDOP, Unica, Porto do Recife e Energética Suape II.
A quarta edição da Revista Folha Energia tem o patrocínio de Banco do Nordeste, Copersucar, Copergás, Fertine, Maersk e Suape Energia. O evento conta com apoio da Prefeitura do Recife e da NovaBio.
— Com Folha de Pernambuco
Neste sábado (21) Lula e Flávio participam pela primeira vez de atos simultâneos numa mesma cidade: o Rio de Janeiro
22/08/2026
Enquanto Lula participa de ato ao lado do ex-prefeito da cidade Eduardo Paes (PSD) e candidato ao governo estadual, no Estádio da Moça Bonita em Bangu, Zona Oeste do Rio, Flávio está em evento no Maracanãzinho, na Zona Norte da cidade, ao lado do seu candidato a governador, Douglas Ruas (PL).
Questionamento de petistas
Tanto Flávio como Lula ainda lidam com dificuldades nos palanques nesse Estado. O Rio de Janeiro é considerado o terceiro maior colégio eleitoral no Brasil e responsável por cerca de 8% de todos os votos no país.
Do lado de Lula, partidários do presidente questionam a chapa petista para o...
Principais candidatos na disputa pelo Palácio do Planalto, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) cumprem agendas pela primeira vez na mesma cidade simultaneamente. Os dois estão desde o início da manhã deste sábado (21/08) no Rio de Janeiro, em eventos distantes cerca de 30 quilômetros um do outro.
Enquanto Lula participa de ato ao lado do ex-prefeito da cidade Eduardo Paes (PSD) e candidato ao governo estadual, no Estádio da Moça Bonita em Bangu, Zona Oeste do Rio, Flávio está em evento no Maracanãzinho, na Zona Norte da cidade, ao lado do seu candidato a governador, Douglas Ruas (PL).
Questionamento de petistas
Tanto Flávio como Lula ainda lidam com dificuldades nos palanques nesse Estado. O Rio de Janeiro é considerado o terceiro maior colégio eleitoral no Brasil e responsável por cerca de 8% de todos os votos no país.
Do lado de Lula, partidários do presidente questionam a chapa petista para o Senado formada pela deputada, ex-governadora e ex-senadora Benedita da Silva e pelo deputado federal Pedro Paulo (PSD) para a segunda vaga (ligado a Eduardo Paes) — considerado um nome polêmico.
Frustração para o PL
Por outro lado, apesar de ser considerado “berço do bolsonarismo”, o Rio é visto hoje como uma das grandes frustrações do PL. Isso porque toda a articulação política que havia sido construída para as eleições deste ano foram implodidas por decisões da Justiça e operações policiais.
Sobretudo, a decisão que considerou inelegível o então governador Cláudio Castro (PL). Ele só não teve o mandato cassado porque deixou o Palácio Guanabara em março. Em meio ao imbróglio, como o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Rodrigo Bacelar foi preso e perdeu seus direitos políticos, o governo passou a ser comandado pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJRJ), o desembargador Ricardo Couto — terceiro na linha de sucessão.
— Com Agências de Notícias
Julgamento que será retomado pelo STF em setembro pode mudar cenário das eleições 2026; saiba o motivo
22/08/2026
A retomada do julgamento no plenário virtual está marcada para o período entre os dias 11 e 18 de setembro de 2026, mas os ministros podem até formar maioria nos primeiros dias.
Entenda o caso
O que acontece é o seguinte: em setembro do ano passado, o Congresso Nacional aprovou, e o presidente Lula sancionou, com vetos, uma norma que altera a legislação que impede candidatos condenados de concorrerem a cargos públicos — a chamada Lei da Ficha Limpa.
As novas regras passaram a permitir que o p...
Um julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) aguardado para as próximas três semanas pode mudar, de forma radical, o cenário eleitoral em muitos estados brasileiros. Isto porque, na noite desta sexta-feira (21/08) o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, liberou os autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7881 que discute as mudanças promovidas pelo Congresso Nacional na Lei da Ficha Limpa em 2022.
A retomada do julgamento no plenário virtual está marcada para o período entre os dias 11 e 18 de setembro de 2026, mas os ministros podem até formar maioria nos primeiros dias.

Entenda o caso
O que acontece é o seguinte: em setembro do ano passado, o Congresso Nacional aprovou, e o presidente Lula sancionou, com vetos, uma norma que altera a legislação que impede candidatos condenados de concorrerem a cargos públicos — a chamada Lei da Ficha Limpa.
As novas regras passaram a permitir que o prazo para que políticos condenados ficassem inelegíveis começaria a ser contado a partir da decisão que determina a renúncia desse político, e não mais a partir do fim do mandato para o qual ele foi eleito, como ocorria anteriormente.
Na prática, a mudança reduziu o tempo de punição para políticos cassados, já que o período de inelegibilidade deixa de se estender até o fim do mandato original. A medida se aplica a parlamentares — deputados, senadores e vereadores —, além de governadores, prefeitos e seus respectivos vices.
Válidas ou inconstitucionais?
Por isso que o resultado dessa análise pode impactar diretamente campanhas de candidatos que já estão sendo questionadas na Justiça Eleitoral, uma vez que o STF definirá se as novas regras de inelegibilidade, aprovadas pelo Congresso em 2025, permanecem válidas ou se são inconstitucionais e, por isso, devem ser retomadas as regras anteriores.
O julgamento desse tema foi iniciado pelo Supremo em maio deste ano. E foi suspenso por um pedido de vistas feito por Gilmar Mendes. Pois bem: na noite de ontem, Mendes devolveu o processo. Com a liberação dos autos, o julgamento poderá seguir seu curso no plenário virtual da Corte, ambiente em que os ministros registram seus votos de forma eletrônica, sem necessidade de sessão presencial.
A ação já conta com dois votos contrários ao afrouxamento das regras. São do ministro Luiz Fux e da ministra Cármen Lúcia (aliás, a relatora da matéria). Faltam agora os votos dos demais ministros.

Arruda, Garotinho e outros
A ministra Cármen Lúcia, no seu voto, se posicionou no sentido de derrubar as alterações que anteciparam o início da contagem da inelegibilidade e também o teto de 12 anos. E considerou que as novas regras “poderiam fazer com que o impedimento eleitoral terminasse antes das consequências jurídicas de uma condenação e permitir que novas decisões deixassem de produzir efeitos eleitorais depois de atingido o limite máximo”. Luiz Fux acompanhou a relatora, deixando o placar em 2 a 0.
Se as regras forem alteradas, isto poderá permitir, por exemplo, o retorno às urnas, nas eleições deste ano, de políticos condenados como José Roberto Arruda (PSD), que tenta ser candidato a governador do Distrito Federal mas aguarda a decisão para saber se pode ou não entrar no pleito. E, da mesma forma, Anthony Garotinho (Republicanos), candidato a governador do Rio de Janeiro. Além deles, muitos outros políticos brasileiros.
A situação de cada candidato, porém, dependerá da análise individual de seu registro, considerando condenações, datas das decisões, recursos e eventuais outras causas de inelegibilidade, conforme já deixaram claro tanto o STF como a Justiça Eleitoral.