Bairro do Cordeiro – por Carlos Bezerra Cavalcanti *
03/09/2024
Na área existiu o Forte do Arraial Novo do Bom Jesus, símbolo da resistência e epicentro das tropas vitoriosas nas memoráveis Batalhas de 1648 e 1649, nos Montes dos Guararapes, Por ocasião da Insurreição Pernambucana, que culminou com a rendição dos invasores, em 27 de Janeiro de 1654.
No local do Forte o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) mandou erguer um monumento com uma cruz, em homenagem a esse reduto e seus heróis, ficando o local conhecido como Cruzeiro do Forte.
“Arredores do Recife”
Segundo Pereira da Costa no seu “Arredores do Recife”, em 20 de Agosto de 1616 houve a nomeação régia do Coronel Ambrósio Machado possuidor de um grande trato de terra situado no extremo sul da ilha de Antônio Vaz, ou Santo Antônio, nas vizinhanças da Campina do Taborda, em frente ao Forte das Cinco Pontas e onde havia uns poços de que se...
Na área existiu o Forte do Arraial Novo do Bom Jesus, símbolo da resistência e epicentro das tropas vitoriosas nas memoráveis Batalhas de 1648 e 1649, nos Montes dos Guararapes, Por ocasião da Insurreição Pernambucana, que culminou com a rendição dos invasores, em 27 de Janeiro de 1654.
No local do Forte o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) mandou erguer um monumento com uma cruz, em homenagem a esse reduto e seus heróis, ficando o local conhecido como Cruzeiro do Forte.

“Arredores do Recife”
Segundo Pereira da Costa no seu “Arredores do Recife”, em 20 de Agosto de 1616 houve a nomeação régia do Coronel Ambrósio Machado possuidor de um grande trato de terra situado no extremo sul da ilha de Antônio Vaz, ou Santo Antônio, nas vizinhanças da Campina do Taborda, em frente ao Forte das Cinco Pontas e onde havia uns poços de que se proviam d’água moradores do povoado, chamados cacimbas do Ambrósio e que existiram até nossos dias, no sítio chamado de Bairro Baixo e que desapareceram com a construção do grande prédio da antiga Fábrica Caxias, fronteira ao citado forte. Se fazia a travessia do rio de um lado, sendo por passagem de Ambrósio Machado.
Confiscado o engenho de Ambrósio Machado pelos holandeses e vendido a um particular da sua gente; dada a restauração de Pernambuco, em 1654, foi incorporado aos bens da Coroa, pela Fazenda Real e de fogo morto como ficou o Engenho, foi uma parte de suas terras adquirida pelo Capitão João Cordeiro Mendanha, que militou na Guerra da Restauração, desde seu início, como ajudante de ordens do Chefe João Fernandes Vieira e no qual fundou ele um grande partido de cana.
Tempos depois, foi a propriedade arrematada em hasta pública pelo Capitão José Camelo Pessoa, Senhor do Engenho Monteiro e a qual constava então, não só do aludido partido de cana, como de mais dois sítios, que em outros tempos pertenceram a Dona Isabel Cardoso e ao Capitão João Nunes Vitória, que militava na Guerra contra os holandeses o que tudo consta da respectiva escritura lavrada a 16 de Novembro de 1707, ficando assim essas terras do extinto Engenho Ambrósio Machado incorporadas às do Monteiro, até que em fins do século XVII, obtendo-as Sotero de Castro, por compra feita aos proprietários do referido engenho, fundou um outro a que deu o nome de Cordeiro em homenagem ao citado Capitão e também agricultor João Cordeiro Mendanha , e como já então era conhecida a localidade. Decorre também daí o nome de passagem do Cordeiro, a que primitivamente tinha o do originário proprietário “Ambrósio Machado”. A localidade, que constitui hoje um Bairro bastante aprazível, mantém o tradicional nome de “Cordeiro’. Possuindo os limites que se vê na planta:
A Igreja da paróquia atualmente Matriz do Cordeiro, invoca São Sebastião e foi fundada em 1900. Está localizada próxima ao início da Av. General San Martin, às margens da Av. Caxangá (maior reta urbana do Brasil), onde também encontramos a: Exposição de Animais. Toda a área desse parque e adjacências pertenceu ao empresário Cláudio Brotherwood, homenageado com o nome da rua que liga o Cordeiro aos Torrões. O nome oficial do Parque é Professor Antônio Coelho, ficou conhecido como Parque de Exposição de Animais, Por sediar, durante mais de 50 anos, a tradicional Festa de Exposição de Animais e Produtos Derivados, conhecida, popularmente, como Exposição do Cordeiro. Nela são expostos os melhores exemplares de gado da região nordestina, além de máquinas e implementos agrícolas.

Exposição de Animais
A festa se prolonga por quase 10 dias no final de Novembro, dispondo de shows artísticos, com músicas regionais, comidas típicas, bebidas, vaquejada e outras atrações do folclore da Região. Na imensa área ocupada pelo Parque com aproximadamente 12 hectares, funciona a sede da Secretaria de Agricultura. Durante os meses do ano são realizadas outras festas no recinto, como a Feira dos Municípios, Exposições de Cavalos Manga Larga e Campolina, além de outros eventos invariavelmente ligados à bucólica vida sertaneja.
Os Bovinos e os Eqüinos são lembrados, através de esculturas em alguns pontos do Parque, um belo monumento ao Zebu e outro ao cavalo “Mossoró” (o primeiro campeão do Grande Prêmio Brasil, oriundo do Haras Maranguape, em Paulista.)

No Bairro do Cordeiro, em frente ao Pátio do Mercado (feira livre), foi edificado o: Hospital Getúlio Vargas
Conhecido inicialmente como hospital do IAPTEC, está localizado no início da Av. General San Martín. Funciona atualmente como um dos Hospitais de Emergência do Recife. Sua construção foi iniciada no Governo do Presidente Eurico Gaspar Dutra e concluída no seguinte, ou seja, na segunda gestão de Getulio Vargas de quem herdou o nome.
Vivenciamos, nesse Bairro, boa parte da nossa inesquecível juventude, motivos pelo qual, os tempos pretéritos nos deixam muitas saudades. Os cinemas “Cordeiro”, próximo ao antigo Beco do Correio e o “Brasil”, quase defronte à Exposição de Animais, ambos na Av. Caxangá.
No calçamento da Rua D. José Pereira Alves, “Rua da Pracinha” (a única calçada do Bairro, nos idos de 1962), Por isso mesmo apelidada de “Rua Calçada” existiam as peladas de futebol com bolas de borracha “arranca unha”, no trecho entre as casas de dois Lucianos, Gaguinho e Tarzan coincidentemente, residências de dois Desembargadores, Drs. Artur e Adauto. Nessas partidas de futebol sobre os paralelepípedos da rua, os carros, ao transitarem naquele trecho, tinham o efeito de uma máquina fotográfica, pois nas suas passagens, os peladeiros, como eram de praxe, tinham que ficar imóveis, nas mesmas posições em que se encontravam, como nas brincadeiras de “Mandrack”, pois, não sendo assim, alguns se beneficiavam com a situação, avançando, matreiramente, para o gol, (pena esses tempos também não terem parado).
Na Pracinha da Rua “Calçada”, também se jogava futebol, com um detalhe, que a barra não ficava de frente para o goleiro, que nesse caso nem existia, porém de lado, entre o poste e uma árvore, já na beira da rua. No centro do improvisado campo, existe ainda hoje, como testemunha tangível, uma palmeira, muitas vezes, involuntariamente, trombada pelos peladeiros menos atentos.
Nessa rua e na sua paralela, (Francisco Vita) moravam conhecidos jornalistas e célebres intelectuais como: Cláudio Tavares, Mauro Mota, Reinaldo Câmara pai de dois desses peladeiros (Ricardo e Roberto); Paulo França Pereira, (genitor de Sílvio e Saulo); Vanildo Bezerra Cavalcanti, do qual descendo, juntamente com meus irmãos Antônio, Alice, Marilda, Aroldo e Vanildinho, os dois últimos, também. peladeiros. Na Travessa Firmino de Barros, onde, naquele tempo, terminava a Rua Pais Cabral, residia o seu “Xando”, funcionário do Departamento de Produção Animal, pai do Dr. José Muniz Tavares, atual Procurador Geral da Justiça e de Ednaldo Tavares o (moçada dos bastidores da Rede Globo).
Em Dezembro, anualmente, no Bar de Vado, na Av. Caxangá, esses cordeirenses promovem uma reunião de confraternização com outros companheiros daquela época como: Hélio Coutinho (bolinha), os irmãos Júnior, Marcelo (banana) e Carlos Lago, Canhoto, ex-craque do Santa Cruz, Zé Batista, (Peru) , Chico Negromonte (palavrada) e seus irmãos João e Mário (chorão), Deputado Federal pela Bahia, Enilson, Carlos (oncinha), João do Osso, Jayme, Anderson, Wilhams, Balila, Catedrático da UFPe e Edinilton Vasconcelos , consagrado técnico de voleibol feminino e muitos outros, jovens cinquentões. O grupo é chamado de “Turma da Pracinha”, cujo lema é: eu era feliz e sabia.
* Carlos Bezerra Cavalcanti, sócio efetivo e benemérito do IAHGP
Leia outras informações
Denúncia na educação de Raquel - Sintepe denuncia irregularidades em contrato de R$ 183 milhões
22/05/2026
Coletiva denuncia
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) realizou nesta sexta-feira (22/05) uma coletiva de imprensa, onde apresentou denúncias de suspeita de mau uso de dinheiro público nas escolas da rede estadual de ensino. Na ocasião, o sindicato lançou a campanha: “Cadê a Reforma da Minha Escola?”. Representaram o Sindicato na mesa os diretores de comunicação Magna Katariny, Alceu Domingues e Dilson Marques.
O Sintepe
Coletou informações no Portal da Transparência do Governo do Estado de um contrato de manutenção das escolas, no valor total de R$ 182.784.905,05. Após coletados centenas de Boletins de Medição de Obra, o Sindicato analisou parte destes documentos e constatou 'in loco' a situação de uma pequena amostragem de 10 escolas, na última segunda-feira (18/05). O contrato abarcou reforma...
O valor, pago pelo Governo do Estado, foi destinado para reformas em escolas. Só que...
Coletiva denuncia
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) realizou nesta sexta-feira (22/05) uma coletiva de imprensa, onde apresentou denúncias de suspeita de mau uso de dinheiro público nas escolas da rede estadual de ensino. Na ocasião, o sindicato lançou a campanha: “Cadê a Reforma da Minha Escola?”. Representaram o Sindicato na mesa os diretores de comunicação Magna Katariny, Alceu Domingues e Dilson Marques.
O Sintepe
Coletou informações no Portal da Transparência do Governo do Estado de um contrato de manutenção das escolas, no valor total de R$ 182.784.905,05. Após coletados centenas de Boletins de Medição de Obra, o Sindicato analisou parte destes documentos e constatou 'in loco' a situação de uma pequena amostragem de 10 escolas, na última segunda-feira (18/05). O contrato abarcou reformas em 798 unidades de ensino em todo o Estado. Estes dados estão disponíveis no site do Sintepe.
Problemas não sanados
Nas 10 escolas, todas localizadas na Região Metropolitana do Recife, o Sindicato constatou diversos problemas que deveriam ter sido sanados pelas reformas milionárias. Entre os principais problemas estão: estruturas comprometidas com infiltrações, rachaduras, salas inadequadas para atividades pedagógicas, problemas elétricos com fiações expostas e risco de choque elétrico, banheiros sem condições adequadas de uso, mato alto na área externa das unidades, quadras em situações degradantes, além de ambientes quentes e sem climatização adequada.
Precariedade
A Escola de Referência em Ensino Fundamental Creusa Barreto Dornelas Câmara, localizada no bairro da Torre, foi uma das unidades com a pior situação encontrada. Um cenário de precariedade que contrasta com o volume de intervenções e recursos empregados na escola do montante de R$ 1.717.583,22 - um valor que, em tese, deveria garantir condições adequadas de funcionamento e resolver os principais problemas estruturais da escola por um longo período.
Diante desses diversos problemas encontrados, o Sintepe elaborou um hotsite (anexado no final desta matéria) denunciando esse provavel "escândalo da educação". Nele, é possível conferir os boletins de medição de obras nas 798 escolas abarcadas por este contrato de quase R$ 183 milhões.
O Sintepe
Denunciou estas possíveis irregularidades encontradas ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e ao Tribunal de Contas da União (TCU), para que estas cortes de fiscalização possam tomar as providências cabíveis e o governo estadual explique: “Cadê a Reforma das Escolas?” e onde foram investidos os quase R$ 183 milhões.
Confira no site
https://bit.ly/denuncia_escola
É Findi – Poesia Pura - Por Poeta Pica-Pau*
22/05/2026
filho da literatura
Sou quarteto sou sextilha
Sou bisneto da cultura
Sou o verso e a leitura
Sou decassílabo entoado
Sou martelo agalopado
sou a poesia pura
Sou repente e embolada
Sou lírica e absoluta
Abstrata e inspiração
Da poesia matuta
Quando a áurea se mistura
Um fenômeno acontece
Inspiração aparece
sou a poesia pura
Sou o forró e xaxado
Maracatu e baião
O xote do rei Gonzaga
Nas noites de são João
Sou foguetão nas alturas
Sou barro de Vitalino
Sou um luar nordestino
Sou a poesia pura
Sou o eco numa gruta
Sou o sonoro da mata
Sinfonias de pardais
Sou barulho da cascata
Sou vento em embocadura
Sou crepúsculo vespertino
Sou oxente nordestino
Sou a poesia pura
Sou vento rodopiando
F...
Sou cria da rima viva
filho da literatura
Sou quarteto sou sextilha
Sou bisneto da cultura
Sou o verso e a leitura
Sou decassílabo entoado
Sou martelo agalopado
sou a poesia pura
Sou repente e embolada
Sou lírica e absoluta
Abstrata e inspiração
Da poesia matuta
Quando a áurea se mistura
Um fenômeno acontece
Inspiração aparece
sou a poesia pura
Sou o forró e xaxado
Maracatu e baião
O xote do rei Gonzaga
Nas noites de são João
Sou foguetão nas alturas
Sou barro de Vitalino
Sou um luar nordestino
Sou a poesia pura
Sou o eco numa gruta
Sou o sonoro da mata
Sinfonias de pardais
Sou barulho da cascata
Sou vento em embocadura
Sou crepúsculo vespertino
Sou oxente nordestino
Sou a poesia pura
Sou vento rodopiando
Folha seca pelo ar
Sou sol, estrela e lua
Sou terra e sol e o mar
Com fortaleza e candura
Sou um casal se amando
E o cupido flechando
Sou a poesia pura
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - A Casa da Minha Avó - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
22/05/2026
não se sabia o maior xodó,
os lindos móveis de jacarandá,
as cadeiras de palhinhas, o sofá.
Oratório de nobre madeira,
santos de todos os jeitos.
Resta ainda a linda compoteira,
guardo-a como relíquia, afeito.
Vivíamos em pleno encanto,
por dez anos sob o manto,
da “Mãezinha”, nosso anjo.
Oh! saudoso, ainda me relembro!
Por que se desfez o quebranto?
O que sei: resta o desencanto!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
No ancestral lar da minha avó,
não se sabia o maior xodó,
os lindos móveis de jacarandá,
as cadeiras de palhinhas, o sofá.

Oratório de nobre madeira,
santos de todos os jeitos.
Resta ainda a linda compoteira,
guardo-a como relíquia, afeito.
Vivíamos em pleno encanto,
por dez anos sob o manto,
da “Mãezinha”, nosso anjo.

Oh! saudoso, ainda me relembro!
Por que se desfez o quebranto?
O que sei: resta o desencanto!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99

É Findi - Havemos Pão - Crônica - Por AJ Fontes*
22/05/2026
Enquanto o féretro não me cabe, vou gerundiando meus tempos. Acerto umas palavras em pedaços de papel; o sal no ovo do café de algumas manhãs. Claro, errei muito antes.
Assim também no aprendizado, sendo o primeiro a escuta, sem o que nada seria. Iniciei no instante em que percebi algo novo. Digo isso por me reconhecer nos modos iniciáticos dos filhos. Nesse adiantado, continuo, embora em menor monta, pois já não há tantas mais coisas a descobrir.
Sorte, eu ter sido lançado em meio a novos e diferentes inventos, sem esquecer as situações adversas que, embora tenham sido repetições, trouxeram outras necessidades. O mais importante: foram, ambos, responsáveis por questionamento...
Vim, vi e venço, cada instante vivido. Diferente de Júlio, o César, estou na batalha que findará um dia. Findar não é coisa certa visto ser possível manter os acumulados no célebre cérebro, chamados de consciência, para além do finado conjunto biológico por ora metida.
Enquanto o féretro não me cabe, vou gerundiando meus tempos. Acerto umas palavras em pedaços de papel; o sal no ovo do café de algumas manhãs. Claro, errei muito antes.
Assim também no aprendizado, sendo o primeiro a escuta, sem o que nada seria. Iniciei no instante em que percebi algo novo. Digo isso por me reconhecer nos modos iniciáticos dos filhos. Nesse adiantado, continuo, embora em menor monta, pois já não há tantas mais coisas a descobrir.
Sorte, eu ter sido lançado em meio a novos e diferentes inventos, sem esquecer as situações adversas que, embora tenham sido repetições, trouxeram outras necessidades. O mais importante: foram, ambos, responsáveis por questionamentos excepcionais, até então. Esses fatores levaram à busca de novos caminhos neuronais na continuidade da pretensa celebridade do cérebro.
Viva! Ganhei mais vida.
Refiro-me à vitalidade e não a um joguinho do smartphone.
Persistiram questões cujas respostas perambulavam ora para um, ora para outro lado e me faziam montar em perguntas derivadas e galopar tais cavalos bravios, impossíveis da doma, trazendo desassossego. Por cansaço ou compreensão, hoje eu ando devagar e trago esse sorriso.
A bem da verdade, chego a esse tempo vindo nem sei de onde, tampouco de quando, pelejando comigo, com a boca escancarada, cheia de dentes, em nome da sanidade. Isso me guarda entre pares e díspares a comungar dias, seguindo o regrado por uns, acolhido no espaço que me cabe no infinito. Tão infinito quanto o cérebro, não tão célebre, a expor o não limite do pensar aos convivas que se alimentam de pão e graça, por aceite às regras dos eternos vencedores.
*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – Meu Sol Continua Rei – Croniqueta, por Xico Bizerra*
22/05/2026
Agora vem um fela-da-puta de um cientista maluco, por falta de coisa melhor a fazer, dizer que não, que o Sol nosso de cada dia é apenas uma estrelinha qualquer, menor que a maioria delas e que em algumas das quais caberia até duzentos sóis. Que mania mais besta a desse estudioso de bobagem de querer destruir sonhos infantis. Para mim, ele continua a reinar absoluto no meu céu de criança. Fosse assim tão inexpressivo, como justificar a luz e o calor que dele emana ...
Não entendi a razão de querer tornar república besta a monarquia sol...
Desde pequeno, tempos do Externato Santa Izabel, dona Silvina Diretora e Dona Luíza professora (naquele tempo não chamávamos de tia) me ensinaram que o sol era uma bola enorme de fogo a brilhar no céu e a iluminar nossos dias. E assim eu o desenhava, soberano, pairando sobre a paisagem, com traços amarelos que nem labaredas arrodeando-o. Igual fazia um cronista que admiro e que andou abordando o tema, recentemente.
Agora vem um fela-da-puta de um cientista maluco, por falta de coisa melhor a fazer, dizer que não, que o Sol nosso de cada dia é apenas uma estrelinha qualquer, menor que a maioria delas e que em algumas das quais caberia até duzentos sóis. Que mania mais besta a desse estudioso de bobagem de querer destruir sonhos infantis. Para mim, ele continua a reinar absoluto no meu céu de criança. Fosse assim tão inexpressivo, como justificar a luz e o calor que dele emana ...
Não entendi a razão de querer tornar república besta a monarquia solar tão decantada. Ou não seria o sol o rei do firmamento, como tão bem decantou Wilson Batista, para Nelson cantar: ‘ô, Sol, tu que és o rei dos astros’? Não vou ligar pras baboseiras desse cientista desocupado. Vai ver ele descobre, qualquer dia desses, que o céu é vermelho e que as nuvens são verde cor de capim, antes de querer comê-las. E se ele achar que a lua não é dos namorados?
Apenas por ferir meus princípios morais mais elementares não vou desejar que esse doido e sua absurda tese apodreçam sob o sol quente e cáustico de um deserto árido e inclemente. Mas que ele não invente nada contra dona lua ... Aí ele vai ter que se ver comigo!
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico

É Findi - A Pena do Galináceo - Crônica - Por Romero Falcão*
22/05/2026
Um Processo pela Proa
Cuidado com as palavras — não tem medo de tomar um processo pela proa? Zoofobia, bullying contra os animais? Sim, eu sei, eu sei.
Escrever, hoje em dia, é pisar em ovos dentro da galinha. Ô, elemento, se orienta: é melhor no sapatinho do que na fricção.
Ideias raras e Frases Fortes
Por falar em atrito, o ônibus é minha salvação. Bote fé, leitor, é lá que encontro um manancial de ideias raras e frases fortes. Nunca entendi o mistério: arejar os miolos dentro de um troço apertado e quente. Na prime...
Ah! Semana ingrata, não arranjo nada. Nem sequer uma linha para amarrar o primeiro parágrafo. Pelo menos uma ponta de inspiração obscura... nada. Ué, e se diz escritor? Escritor com bloqueio criativo para escrever mamão com açúcar — crônica — ? Não, não, não acredito. Pois é, acredite. É a idade. É a idade. Mas tem dias que é assim, assim, cabeça de jumento. Cabeça de jumento?
Um Processo pela Proa
Cuidado com as palavras — não tem medo de tomar um processo pela proa? Zoofobia, bullying contra os animais? Sim, eu sei, eu sei.
Escrever, hoje em dia, é pisar em ovos dentro da galinha. Ô, elemento, se orienta: é melhor no sapatinho do que na fricção.

Ideias raras e Frases Fortes
Por falar em atrito, o ônibus é minha salvação. Bote fé, leitor, é lá que encontro um manancial de ideias raras e frases fortes. Nunca entendi o mistério: arejar os miolos dentro de um troço apertado e quente. Na primeira oportunidade, pego um.
Escrevo sobre esse Homem?
Um homem cochila no banco ao meu lado. A cada freio, a cada solavanco, a barba trisca o meu ombro. Escrevo sobre esse homem? Ora, ora — isso não dá em nada. E ainda por cima, alguém pode te acusar de apropriação indébita de sonho. Tem calma, aguarda, vai aparecer coisa melhor.
Santa Crônica
Pronto: entra um passageiro, livro preto na mão, prega alto. Grita, gesticula, ameaça com fogo do inferno. Daria uma santa crônica. Daria? Cuidado — o tema é espinhoso. Já bastam as encrencas com os pais dos pets. Quer arrumar mais?
Diga seu CPF
Desço de mãos vazias, nada na tela. Ando a esmo pela rua — pelo menos aqui tem remédio: é farmácia pra tudo que é lado. Olha aí, aproveita — cibalena, nostalgia... dá crônica. Não, não, sem chance. O povo não aguenta mais: diga seu CPF, vou te dar um desconto. Chega!
Costurada na Carne
Quando menos espero, uma moça me olhando. Ela me fita com olho comprido, daquele jeito, leitor. Aparenta uns cinquenta, o rosto ainda jovem, corpo bem talhado, colado na calça. Tão colada, costurada na carne duríssima. E o sorriso, os dentes, a barra branca quase fluorescente? E as unhas? Punhais a atravessar meu pescoço numa noite de fúria? Basta de especulação, babaca. No duro, no duro, ela é Galega, cabelo esvoaçante. É de farmácia, né? Sim, e daí?

A Mulher Nua no Asfalto
O importante é a simplicidade dela — aquela simplicidade de interior. Sim, tô entendendo, tenha vergonha, me engana que eu gosto. Será que faço seu tipo? Estou desacostumado. Perdi o faro. Faz tempo, muito tempo, que as mulheres não me fitam desse jeito. Sou um sessentão sensual invisível. Penso em pintar o cabelo, comprar umas roupas de boy. Jovem, jovem, jovem. Que ridículo. E me vem a cena rodriguiana: a mulher nua no asfalto. Seria o título da crônica?
Pouso Por Aproximação
Mas ela é diferente: continua andando sem perder o foco e o rebolado. Virou o pescoço duas vezes. É pra mim? É claro que é, boca aberta. Me senti grande, poderoso, um pinto na... aumentei o passo, tento um pouso por aproximação. Hesito...
Obsessão Por Academia e Proteína
Vai, chega junto, faz alguma coisa, mané. Ao menos o cadastro. Cadastro? É, seu idiota. Nome, celular, quantos remédios toma por dia, obsessão por academia e proteína, número de gatos no apartamento, o pet dorme na cama?
E se tudo acabar no "Não é Não"?
Fica peixe — você tem uma carta na manga: o cadastro de boas cuidadoras.
Ah, que alegria. A pena do galináceo volta a cantar.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Felipe Bezerra* Hoje Chega em Duas Doses
22/05/2026
A alma inquieta,
ciente do absurdo,
sabe que nada no mundo
acalma ou conforta.
Apenas o confronto,
com o irremediável, inútil,
cada dia mais próximo,
faz vibrar a aorta.
Nem toda pedra
no meio do caminho
configura infortúnio.
Somos Sísifos sem volta.
ANALfaBETos - Poema
O país dominado
pelo crime organizado.
O pasto bem tratado,
nos dois extremos lados.
A ilusão alimenta o gado,
que se acha puro e iluminado.
Das tesouras novo teatro,
mulas e otários mirando o palco.
Eterno futuro no passado,
do povo que segue fadado
a ser novamente enganado,
pelo velho Lula ou Bolsonaros".
*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza
NR - Os textos assinados expres...
Aberto Caminho - Poema
A alma inquieta,
ciente do absurdo,
sabe que nada no mundo
acalma ou conforta.
Apenas o confronto,
com o irremediável, inútil,
cada dia mais próximo,
faz vibrar a aorta.
Nem toda pedra
no meio do caminho
configura infortúnio.
Somos Sísifos sem volta.
ANALfaBETos - Poema
O país dominado
pelo crime organizado.
O pasto bem tratado,
nos dois extremos lados.
A ilusão alimenta o gado,
que se acha puro e iluminado.
Das tesouras novo teatro,
mulas e otários mirando o palco.
Eterno futuro no passado,
do povo que segue fadado
a ser novamente enganado,
pelo velho Lula ou Bolsonaros".
*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – O Palácio de Friburgo - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*
22/05/2026
Muitos Pioneirismos
Esse palácio nassoviano foi palco de grandes pioneirismos ocorridos em Pernambuco, tanto no Brasil, como em todo o continente americano, assim tivemos: A Primeira Assembleia Legislativa da América Latina, O Primeiro Farol (em uma de suas torres), O Primeiro Jardim Zoobotânico, e O Primeiro Observatório Astronômico. Foi nele que aconteceu o episódio do Boi Voador.
Continuou mesmo depois do Período Holandês
Quando Nassau foi embora, em 1644, ele continuou servindo aos Governos da Companhia, e serviu, também, a alguns Governadores Pernambucanos, até que, um século depois, já em ruínas e total abandono, foi demolido. O Palácio dos Governadores, então, passou para o antigo Colégio dos Jesuítas, onde, em 1939, se edificou...
Chamado pelo povo de Palácio das Torres, construído a mando de Nassau e ocupado, partir de 1640, ficava no local da atual Praça da República, com a frente voltada para o nascente.
Muitos Pioneirismos
Esse palácio nassoviano foi palco de grandes pioneirismos ocorridos em Pernambuco, tanto no Brasil, como em todo o continente americano, assim tivemos: A Primeira Assembleia Legislativa da América Latina, O Primeiro Farol (em uma de suas torres), O Primeiro Jardim Zoobotânico, e O Primeiro Observatório Astronômico. Foi nele que aconteceu o episódio do Boi Voador.
Continuou mesmo depois do Período Holandês
Quando Nassau foi embora, em 1644, ele continuou servindo aos Governos da Companhia, e serviu, também, a alguns Governadores Pernambucanos, até que, um século depois, já em ruínas e total abandono, foi demolido. O Palácio dos Governadores, então, passou para o antigo Colégio dos Jesuítas, onde, em 1939, se edificou o Grande Hotel. Só em 1822 é que se construiu o atual Palácio do Campo das Princesas.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras.

É Findi - Malude Maciel* em Dose Dupla
22/05/2026
No ano de 2016, ainda não minha gestão como presidente da ACACCIL, o jovem e dinâmico acadêmico, Alexandre Henrique Nunes, levou à apreciação da Diretoria, sua brilhante ideia de realizar uma caminhada durante as comemorações do aniversário da cidade de Caruaru, como também data da fundação da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras. O que foi aceita pelos pares, ampliando a sugestão e contando com o apoio geral e assim, começou uma atividade cultural das mais louváveis da nossa Casa: Caminhada Histórica Cultural que este ano completou fez anos de realização ininterrupta, cada vez com novos roteiros e apetrechos coadjuvantes, valorizando ainda mais o maravilhoso evento, que em si já é um marco na programação anual das festividades das aniversariantes.
No período
Com o passar do tempo em pleno êxito, o Instituto Histórico de Caruaru, que tem também o objetivo de preservar a His...
Exatamente uma década - Crônica
No ano de 2016, ainda não minha gestão como presidente da ACACCIL, o jovem e dinâmico acadêmico, Alexandre Henrique Nunes, levou à apreciação da Diretoria, sua brilhante ideia de realizar uma caminhada durante as comemorações do aniversário da cidade de Caruaru, como também data da fundação da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras. O que foi aceita pelos pares, ampliando a sugestão e contando com o apoio geral e assim, começou uma atividade cultural das mais louváveis da nossa Casa: Caminhada Histórica Cultural que este ano completou fez anos de realização ininterrupta, cada vez com novos roteiros e apetrechos coadjuvantes, valorizando ainda mais o maravilhoso evento, que em si já é um marco na programação anual das festividades das aniversariantes.
No período
Com o passar do tempo em pleno êxito, o Instituto Histórico de Caruaru, que tem também o objetivo de preservar a História local, foi convidado a participar em parceria do empreendimento, engrossando as fileiras dos que fazem questão de acompanhar os caminhantes.
Vários roteiros
Os roteiros têm variado a cada edição e acontecem paradas obrigatórias nos pontos principais onde algum componente da ACACCIL ou do IHC faz uma breve palestra sobre o que representa tal prédio ou instituição, de acordo com sua biografia. Como de praxe, às sete horas da manhã, é servido um café na sede da ACACCIL, enquanto tudo de formaliza pra mais uma etapa do projeto.
Trenzinho
Foi inserido ao acompanhamento, um carro de apoio, o chamado de: " trenzinho", que faz o percurso levando uma porção de gente que não pode ou não quer ir caminhando pois há paradas que ficam distantes. Interessante é que, da última vez tivemos ainda um trio musical, tocando melodias que se referem a Caruaru e animando a turma que demore se beneficia com as aulas de História, proferidas pelos acadêmicos escalados para tal ofício.

Coordenação
Apesar desse evento contar com a colaboração do presidente da ACACCIL e demais confrades e confreiras, o biólogo, acadêmico e professor Alexandre Nunes permanece como coordenador, à frente de todas as "Caminhadas" idealizadas por ele, não medindo esforços, em toda essa década, desta feita, em comemoração aos 169 anos da elevação da Vila de Caruaru à cidade e, os 44 anos da ACADEMIA, constando a seguinte trajetória:
- primeira parada: Av. Rio Branco (rua da Matriz) , na Confraria do Café - fala do prof. Veridiano; Busto do Vigário Freire - fala de Fábio Mirom; estátua do ex-prefeito Henrique Pinto - fala de Maria Elizabeth.
- segunda parada: rua João Condé - Sucata - fala do prof. Veridiano.
- terceira parada: Fundação de Cultura - Biblioteca
Álvaro Lins e antiga Coletoria - fala da professora Edivalda Miranda.
- quarta parada: hospital São Sebastião - fala da acadêmica Socorro Maciel.
- quinta parada: Av. Agamenon Magalhães - Estádio Lacerdão (campo do Central) fala de Paulo Roberto.
- sétima parada: Associação Comercial e Industrial de Caruaru - ACIC - fala da acadêmica Edivalda Miranda.
O término do evento acontece com a volta da caravana à Sede da instituição, localizada à rua XV de Novembro, 215 - no centro da cidade.
É um evento aberto ao público ao qual tem comparecido grande número de pessoas.

Imaginação - Poema
Há momentos
Que as nuvens no céu
Assemelham-se
A colchões macios
Travesseiros brancos
Fofos e bonitos
Parecem algodão-doce flutuante
Sua beleza é tremenda
Porém, efêmera
Vai mudando de figura
Excitando a imaginação
Tomando outras formas
Até o límpido infinito
Cada sonhador
Olhando para o alto
Pode dar asas à imaginação
Vendo coisas
Quase abstratas
Que se tem satisfação
Em contemplar
Na grandeza do universo
De tantas nuances
Com o vento
As nuvens vão passando
Se extinguindo
Como o tempo
Elas voam suaves
Sem limites
Quão belo é o firmamento!
Quão bela é a vida!
Cheia de interpretações salutares
Quão esplendorosa é a Natureza!
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Justiça de Olinda concede a tutela de urgência para preservação do Mercado da Ribeira
22/05/2026
O processo
Trata-se de Ação Popular Ambiental e Cultural ajuizada por Antônio Campos contra o Município de Olinda, o ex-prefeito Lupércio Carlos do Nascimento e a prefeita Mirella Fernanda Bezerra de Almeida, visando a proteção do Mercado da Ribeira, localizado no Sítio Histórico de Olinda, diante do grave estado de deterioração estrutural do imóvel e do risco iminente de desabamento. O feito tramita perante a 6ª Vara Cível de Olinda.
Graves problemas
Na petição inicial, o autor sustentou que o Mercado da Ribeira apresenta problemas estruturais graves desde 2021, incluindo vigas comprometidas por cupins, infiltrações, telhado deteriorad...
Atendendo Ação Popular interposta por Antônio Campos, a 6a Vara Cível da justiça de Olinda, concedeu tutela de urgência visando a preservação do Mercado da Ribeira, ameaçado pelo descaso de quem devia cuidar da preservação deste patrimônio histórico de Olinda. E da humanidade.
O processo
Trata-se de Ação Popular Ambiental e Cultural ajuizada por Antônio Campos contra o Município de Olinda, o ex-prefeito Lupércio Carlos do Nascimento e a prefeita Mirella Fernanda Bezerra de Almeida, visando a proteção do Mercado da Ribeira, localizado no Sítio Histórico de Olinda, diante do grave estado de deterioração estrutural do imóvel e do risco iminente de desabamento. O feito tramita perante a 6ª Vara Cível de Olinda.
Graves problemas
Na petição inicial, o autor sustentou que o Mercado da Ribeira apresenta problemas estruturais graves desde 2021, incluindo vigas comprometidas por cupins, infiltrações, telhado deteriorado e risco concreto à integridade física de comerciantes, turistas e frequentadores. Alegou omissão continuada do Poder Público Municipal e também do Iphan quanto à adoção de medidas emergenciais de preservação do patrimônio histórico-cultural. A inicial destacou ainda a existência de inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Federal, reportagens jornalísticas sobre o risco de desabamento e a existência de recursos oriundos de emenda parlamentar no valor de R$ 350 mil destinados à reforma do imóvel.
Prazo e Obras
O autor requereu, em tutela de urgência, a determinação para que o Município realizasse imediatamente medidas emergenciais de escoramento e segurança, apresentasse cronograma detalhado das obras, juntasse documentos sobre os recursos públicos destinados à reforma e promovesse medidas efetivas de recuperação do imóvel.
4. Ao analisar o caso, o Juízo da 6ª Vara Cível de Olinda reconheceu a competência da Justiça Estadual e deferiu a tutela de urgência requerida pelo autor, nos autos da ação sob o n°0008742-12.2026.8.17.2990. O magistrado entendeu presentes os requisitos do art. 300 do CPC, destacando a probabilidade do direito diante do dever constitucional de preservação do patrimônio cultural e da documentação acostada aos autos, bem como o perigo de dano decorrente do risco de colapso estrutural agravado pelas chuvas intensas.
48 horas
Na decisão, o juiz determinou que o Município de Olinda, no prazo de 48 horas, promovesse o isolamento físico das áreas de risco do Mercado da Ribeira, com sinalização e barreiras adequadas. Também que
executasse medidas emergenciais de escoramento e proteção estrutural, inclusive mediante contratação de perícia técnica de engenharia e implementasse medidas de proteção contra intempéries, especialmente cobertura provisória e drenagem das áreas mais comprometidas.

Mais providências
Além disso, determinou que o Município apresentasse, no prazo de 30 dias, cronograma técnico completo para recuperação integral do imóvel, contendo laudo estrutural, projeto executivo de restauração, cronograma físico-financeiro e indicação da dotação orçamentária, inclusive com utilização da emenda parlamentar mencionada nos autos, de autoria do Deputado Augusto Coutinho.
Multa diária
O magistrado também fixou multa diária de R$ 5.000,00, limitada a R$ 500.000,00, em caso de descumprimento das medidas emergenciais determinadas. Por fim, foram determinadas as citações do Município de Olinda, de Lupércio e de Mirella para apresentação de defesa, além da intimação do Ministério Público Estadual para acompanhamento da ação.
Citações
O advogado Antônio Campos já diligenciou a expedição da citação do Município de Olinda e das outras partes.
