Bairro do Cordeiro – por Carlos Bezerra Cavalcanti *
03/09/2024
Na área existiu o Forte do Arraial Novo do Bom Jesus, símbolo da resistência e epicentro das tropas vitoriosas nas memoráveis Batalhas de 1648 e 1649, nos Montes dos Guararapes, Por ocasião da Insurreição Pernambucana, que culminou com a rendição dos invasores, em 27 de Janeiro de 1654.
No local do Forte o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) mandou erguer um monumento com uma cruz, em homenagem a esse reduto e seus heróis, ficando o local conhecido como Cruzeiro do Forte.
“Arredores do Recife”
Segundo Pereira da Costa no seu “Arredores do Recife”, em 20 de Agosto de 1616 houve a nomeação régia do Coronel Ambrósio Machado possuidor de um grande trato de terra situado no extremo sul da ilha de Antônio Vaz, ou Santo Antônio, nas vizinhanças da Campina do Taborda, em frente ao Forte das Cinco Pontas e onde havia uns poços de que se...
Na área existiu o Forte do Arraial Novo do Bom Jesus, símbolo da resistência e epicentro das tropas vitoriosas nas memoráveis Batalhas de 1648 e 1649, nos Montes dos Guararapes, Por ocasião da Insurreição Pernambucana, que culminou com a rendição dos invasores, em 27 de Janeiro de 1654.
No local do Forte o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) mandou erguer um monumento com uma cruz, em homenagem a esse reduto e seus heróis, ficando o local conhecido como Cruzeiro do Forte.

“Arredores do Recife”
Segundo Pereira da Costa no seu “Arredores do Recife”, em 20 de Agosto de 1616 houve a nomeação régia do Coronel Ambrósio Machado possuidor de um grande trato de terra situado no extremo sul da ilha de Antônio Vaz, ou Santo Antônio, nas vizinhanças da Campina do Taborda, em frente ao Forte das Cinco Pontas e onde havia uns poços de que se proviam d’água moradores do povoado, chamados cacimbas do Ambrósio e que existiram até nossos dias, no sítio chamado de Bairro Baixo e que desapareceram com a construção do grande prédio da antiga Fábrica Caxias, fronteira ao citado forte. Se fazia a travessia do rio de um lado, sendo por passagem de Ambrósio Machado.
Confiscado o engenho de Ambrósio Machado pelos holandeses e vendido a um particular da sua gente; dada a restauração de Pernambuco, em 1654, foi incorporado aos bens da Coroa, pela Fazenda Real e de fogo morto como ficou o Engenho, foi uma parte de suas terras adquirida pelo Capitão João Cordeiro Mendanha, que militou na Guerra da Restauração, desde seu início, como ajudante de ordens do Chefe João Fernandes Vieira e no qual fundou ele um grande partido de cana.
Tempos depois, foi a propriedade arrematada em hasta pública pelo Capitão José Camelo Pessoa, Senhor do Engenho Monteiro e a qual constava então, não só do aludido partido de cana, como de mais dois sítios, que em outros tempos pertenceram a Dona Isabel Cardoso e ao Capitão João Nunes Vitória, que militava na Guerra contra os holandeses o que tudo consta da respectiva escritura lavrada a 16 de Novembro de 1707, ficando assim essas terras do extinto Engenho Ambrósio Machado incorporadas às do Monteiro, até que em fins do século XVII, obtendo-as Sotero de Castro, por compra feita aos proprietários do referido engenho, fundou um outro a que deu o nome de Cordeiro em homenagem ao citado Capitão e também agricultor João Cordeiro Mendanha , e como já então era conhecida a localidade. Decorre também daí o nome de passagem do Cordeiro, a que primitivamente tinha o do originário proprietário “Ambrósio Machado”. A localidade, que constitui hoje um Bairro bastante aprazível, mantém o tradicional nome de “Cordeiro’. Possuindo os limites que se vê na planta:
A Igreja da paróquia atualmente Matriz do Cordeiro, invoca São Sebastião e foi fundada em 1900. Está localizada próxima ao início da Av. General San Martin, às margens da Av. Caxangá (maior reta urbana do Brasil), onde também encontramos a: Exposição de Animais. Toda a área desse parque e adjacências pertenceu ao empresário Cláudio Brotherwood, homenageado com o nome da rua que liga o Cordeiro aos Torrões. O nome oficial do Parque é Professor Antônio Coelho, ficou conhecido como Parque de Exposição de Animais, Por sediar, durante mais de 50 anos, a tradicional Festa de Exposição de Animais e Produtos Derivados, conhecida, popularmente, como Exposição do Cordeiro. Nela são expostos os melhores exemplares de gado da região nordestina, além de máquinas e implementos agrícolas.

Exposição de Animais
A festa se prolonga por quase 10 dias no final de Novembro, dispondo de shows artísticos, com músicas regionais, comidas típicas, bebidas, vaquejada e outras atrações do folclore da Região. Na imensa área ocupada pelo Parque com aproximadamente 12 hectares, funciona a sede da Secretaria de Agricultura. Durante os meses do ano são realizadas outras festas no recinto, como a Feira dos Municípios, Exposições de Cavalos Manga Larga e Campolina, além de outros eventos invariavelmente ligados à bucólica vida sertaneja.
Os Bovinos e os Eqüinos são lembrados, através de esculturas em alguns pontos do Parque, um belo monumento ao Zebu e outro ao cavalo “Mossoró” (o primeiro campeão do Grande Prêmio Brasil, oriundo do Haras Maranguape, em Paulista.)

No Bairro do Cordeiro, em frente ao Pátio do Mercado (feira livre), foi edificado o: Hospital Getúlio Vargas
Conhecido inicialmente como hospital do IAPTEC, está localizado no início da Av. General San Martín. Funciona atualmente como um dos Hospitais de Emergência do Recife. Sua construção foi iniciada no Governo do Presidente Eurico Gaspar Dutra e concluída no seguinte, ou seja, na segunda gestão de Getulio Vargas de quem herdou o nome.
Vivenciamos, nesse Bairro, boa parte da nossa inesquecível juventude, motivos pelo qual, os tempos pretéritos nos deixam muitas saudades. Os cinemas “Cordeiro”, próximo ao antigo Beco do Correio e o “Brasil”, quase defronte à Exposição de Animais, ambos na Av. Caxangá.
No calçamento da Rua D. José Pereira Alves, “Rua da Pracinha” (a única calçada do Bairro, nos idos de 1962), Por isso mesmo apelidada de “Rua Calçada” existiam as peladas de futebol com bolas de borracha “arranca unha”, no trecho entre as casas de dois Lucianos, Gaguinho e Tarzan coincidentemente, residências de dois Desembargadores, Drs. Artur e Adauto. Nessas partidas de futebol sobre os paralelepípedos da rua, os carros, ao transitarem naquele trecho, tinham o efeito de uma máquina fotográfica, pois nas suas passagens, os peladeiros, como eram de praxe, tinham que ficar imóveis, nas mesmas posições em que se encontravam, como nas brincadeiras de “Mandrack”, pois, não sendo assim, alguns se beneficiavam com a situação, avançando, matreiramente, para o gol, (pena esses tempos também não terem parado).
Na Pracinha da Rua “Calçada”, também se jogava futebol, com um detalhe, que a barra não ficava de frente para o goleiro, que nesse caso nem existia, porém de lado, entre o poste e uma árvore, já na beira da rua. No centro do improvisado campo, existe ainda hoje, como testemunha tangível, uma palmeira, muitas vezes, involuntariamente, trombada pelos peladeiros menos atentos.
Nessa rua e na sua paralela, (Francisco Vita) moravam conhecidos jornalistas e célebres intelectuais como: Cláudio Tavares, Mauro Mota, Reinaldo Câmara pai de dois desses peladeiros (Ricardo e Roberto); Paulo França Pereira, (genitor de Sílvio e Saulo); Vanildo Bezerra Cavalcanti, do qual descendo, juntamente com meus irmãos Antônio, Alice, Marilda, Aroldo e Vanildinho, os dois últimos, também. peladeiros. Na Travessa Firmino de Barros, onde, naquele tempo, terminava a Rua Pais Cabral, residia o seu “Xando”, funcionário do Departamento de Produção Animal, pai do Dr. José Muniz Tavares, atual Procurador Geral da Justiça e de Ednaldo Tavares o (moçada dos bastidores da Rede Globo).
Em Dezembro, anualmente, no Bar de Vado, na Av. Caxangá, esses cordeirenses promovem uma reunião de confraternização com outros companheiros daquela época como: Hélio Coutinho (bolinha), os irmãos Júnior, Marcelo (banana) e Carlos Lago, Canhoto, ex-craque do Santa Cruz, Zé Batista, (Peru) , Chico Negromonte (palavrada) e seus irmãos João e Mário (chorão), Deputado Federal pela Bahia, Enilson, Carlos (oncinha), João do Osso, Jayme, Anderson, Wilhams, Balila, Catedrático da UFPe e Edinilton Vasconcelos , consagrado técnico de voleibol feminino e muitos outros, jovens cinquentões. O grupo é chamado de “Turma da Pracinha”, cujo lema é: eu era feliz e sabia.
* Carlos Bezerra Cavalcanti, sócio efetivo e benemérito do IAHGP
Leia outras informações
'Caiu na Rede' - Forro de teto desaba e fere paciente recém-operada no HR
29/07/2026
Paciente atingida
A paciente ficou ferida e precisou fazer uma nova cirurgia de emergência. A mulher que foi atingida estava se recuperando de uma operação no braço. Ela é paciente renal e havia sido submetida a uma cirurgia de fístula, que é a ligação de uma artéria a uma veia para criar um acesso seguro para a hemodiálise. Ela estava na sala recuperação mesmo após 4 dias de operada, pois não havia vagas em outros setores para que ela fosse transferida. Ao desabar, o forro do teto atingiu o braço reabriu o local da operação...
Em mais um episódio do descaso nos hospitais em Pernambuco, hoje, parte do forro do teto caiu na sala de recuperação de cirurgias do Hospital da Restauração, HR, no Centro do Recife. A estrutura de gesso atingiu uma paciente de 61 anos recém-operada, que estava na maca se recuperando de um procedimento cirúrgico. Imagens mostram entulhos e terra no chão, além de um buraco no teto, bem ao lado de pacientes que estavam intubados.
Paciente atingida
A paciente ficou ferida e precisou fazer uma nova cirurgia de emergência. A mulher que foi atingida estava se recuperando de uma operação no braço. Ela é paciente renal e havia sido submetida a uma cirurgia de fístula, que é a ligação de uma artéria a uma veia para criar um acesso seguro para a hemodiálise. Ela estava na sala recuperação mesmo após 4 dias de operada, pois não havia vagas em outros setores para que ela fosse transferida. Ao desabar, o forro do teto atingiu o braço reabriu o local da operação. Ela teve um sangramento significativo e precisou ser encaminhada para uma cirurgia de urgência. Por causa do sangramento, a paciente precisou receber transfusão de sangue. Após a cirurgia, a mulher foi transferida para uma sala na UTI.

Esta não foi a 1a vez de desabamento do forro do teto em hospitais públicos em Pernambuco. Saiba:
Em 27/06, o forro do teto do alojamento médico do Hospital Agamenon Magalhães, HAM, no bairro de Casa Amarela, desabou sem deixar feridos. Imagens que circularam nas redes sociais mostram parte do gesso sobre o chão e os colchões utilizados pelos profissionais de saúde para descansar durante os plantões.
Em 07/06, parte do forro de gesso do teto do setor de pediatria do Hospital Getúlio Vargas, HGV, no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, também desabou na madrugada. O acidente aconteceu quando não havia pessoas no local. Imagens mostram destroços de gesso espalhados pelo chão e um buraco no teto, por onde é possível ver vigas e encanações. (Imagem acima)
Em 12/05, parte do forro do teto do 7º andar do Hospital da Restauração, HR, no bairro do Derby, na área central do Recife, também desabou. O acidente ocorreu durante um dia de fortes chuvas na RMR. Ninguém ficou ferido. (Imagem acima)
Em 27/10/2025, o teto de gesso de uma das UTIs neonatais do Hospital Maternidade Barão de Lucena, no bairro da Iputinga, na Zona Oeste do Recife, caiu. Imagens mostraram destroços do forro entre as incubadoras e uma placa de gesso sobre uma delas, onde havia um bebê. (Imagem abaixo)
Em 13/06 um timbu caiu do teto do refeitório do Hospital da Restauração, HR, e ficou "passeando" sobre uma das mesas. Nas imagens, é possível ver alguns funcionários, mais afastados, olhando o animal, que pode transmitir o vírus da raiva para os humanos, perambulando no local.

Caso Master - Mendonça autoriza rastreamento de bens de Vorcaro no exterior
29/07/2026
Cooperação internacional
Com a decisão do ministro, o governo brasileiro vai acionar mecanismos de cooperação internacional para tentar obter informações sobre os bens e recursos ilegais que podem ter sido transferidos para o exterior.
Vorcaro
Daniel Vorcaro está preso preventivamente no 19° Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como Papudinha. O ex-banqueiro é alvo da 'Operação Compliance Zero', da PF, que investiga fraudes financeiras no Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília, BRB, banco público ligado ao Governo do Distrito Federal, GDF. Até o momento, a PF já rejeitou 2 propostas de d...
O ministro André Mendonça, do STF, autorizou a PF a iniciar o rastreamento de bens e recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que estão exterior. A medida foi tomada no âmbito das investigações sobre as fraudes no Banco Master e também vai alcançar outros investigados.
Cooperação internacional
Com a decisão do ministro, o governo brasileiro vai acionar mecanismos de cooperação internacional para tentar obter informações sobre os bens e recursos ilegais que podem ter sido transferidos para o exterior.

Vorcaro
Daniel Vorcaro está preso preventivamente no 19° Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como Papudinha. O ex-banqueiro é alvo da 'Operação Compliance Zero', da PF, que investiga fraudes financeiras no Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília, BRB, banco público ligado ao Governo do Distrito Federal, GDF. Até o momento, a PF já rejeitou 2 propostas de delação sugeridas pela defesa de Vorcaro. Os investigadores concluíram que ele não apresentou novidades em relação ao material que já foi apreendido e não assumiu que cometeu crimes.
Chanceler argentino nega romper relação com Brasil e reforça apoio a Flávio Bolsonaro
29/07/2026
"Não há chance" de rompimento
"Nós acreditamos que o que Lula está fazendo no Brasil não é o caminho certo, enquanto eles consideram que é apropriado", comentou. Em seguida, pontuou que "não há chance" de rompimento de relações entre os países por parte da Argentina. "Quanto ao fato de o chanceler brasileiro ter convocado o embaixador argentino... bem, isso é algo que nós não fa...
Pablo Quirno, ministro das Relações Exteriores da Argentina, afirmou hoje, quarta-feira, 29/07, que o país não romperá relações com o Brasil em meio à crise diplomática. Em entrevista, o chanceler ressaltou que Javier Milei apoia a família Bolsonaro, destacando que ele participou da convenção nacional do PL, que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Questionado sobre a fala do vice-presidente Geraldo Alckmin de que os xingamentos do líder argentino ao presidente Lula são um desserviço ao povo argentino, Quirno respondeu que trata-se de "juízos de valor".
"Não há chance" de rompimento
"Nós acreditamos que o que Lula está fazendo no Brasil não é o caminho certo, enquanto eles consideram que é apropriado", comentou. Em seguida, pontuou que "não há chance" de rompimento de relações entre os países por parte da Argentina. "Quanto ao fato de o chanceler brasileiro ter convocado o embaixador argentino... bem, isso é algo que nós não fazemos; não elevamos questões ao nível institucional. Mantemos as disputas eleitorais, bem como as diferenças políticas e ideológicas, dentro desse âmbito específico", adicionou o ministro.
Emendas Parlamentares - Dino intima Lula, Motta e Alcolumbre sobre destinação de emendas
29/07/2026
Flávio Dino
Na fundamentação, Dino criticou o modelo atual e apontou a explosão orçamentária do mecanismo: entre 2014 e 2025, o montante destinado às emendas saltou 318%, passando de R$ 11,3 bilhões para R$ 47,1 bilhões. Somente em 2026, as emendas individuais somam cerca de R$ 26,6 bilhões. Para o ministro, a estrutura vigente gera um desequilíbrio: amplia o poder de alocação de verbas pelos congressistas, mas facilita a esquiva quanto aos deveres constitucionai...
O ministro do STF, Flávio Dino, deu prazo de 10 dias para que a Presidência da República, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal apresentem um plano de controle sobre as emendas parlamentares. A determinação foi proferida no âmbito da ADI 7995. Nela, o magistrado exige que o Executivo e o Legislativo elaborem uma “matriz de responsabilidades” para delimitar com precisão o papel e a responsabilização de cada parlamentar em todas as fases da aplicação dos recursos públicos.

Flávio Dino
Na fundamentação, Dino criticou o modelo atual e apontou a explosão orçamentária do mecanismo: entre 2014 e 2025, o montante destinado às emendas saltou 318%, passando de R$ 11,3 bilhões para R$ 47,1 bilhões. Somente em 2026, as emendas individuais somam cerca de R$ 26,6 bilhões. Para o ministro, a estrutura vigente gera um desequilíbrio: amplia o poder de alocação de verbas pelos congressistas, mas facilita a esquiva quanto aos deveres constitucionais de transparência e prestação de contas. “Parece que há a visão de que poderes dos parlamentares foram ampliados sem a simétrica ampliação de responsabilidade. Isso se reflete, inclusive, na dificuldade (...) de fixação da competência na seara criminal, gerando um interminável ‘sobe-e-desce’ de inquéritos”, destacou Dino na decisão. Ao citar auditorias da CGU e do TCU que apontam obras paralisadas e ineficiência no uso do dinheiro público, o relator defendeu o rigor com o orçamento público. “Dizendo de modo mais óbvio: indicar uma ‘emenda PIX’ não é o mesmo que ‘passar um PIX’ para uma pessoa da família ou um comércio da esquina”, resumiu o magistrado. A decisão também estabeleceu que, após o prazo de 10 dias para governo e Congresso, a AGU e a PGR terão 5 dias cada para se manifestarem.
Alexandre de Moraes pede explicação, e deixa os 'Bolsonaros' sem saída
29/07/2026
Despacho
Em despacho publicado hoje, terça-feira, 28/07, Moraes deu 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro esclareça se ele autorizou o uso de sua imagem e de sua voz em um vídeo produzido por inteligência artificial e exibido durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O ministro ressaltou que Bolsonaro está proibido de divulgar manifestações político-eleitorais, inclusive por meio de terceiros. “A eventual concordância de JAIR MESSIAS BOLSONARO com a divulgação de um vídeo produzido por IA, e amplamente divulgado nas redes sociais, contendo sua imagem e declarações ostensivamente político-eleitorais constituiria nova e grave transgressão à...
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, STF, colocou Jair e Flávio Bolsonaro diante de um impasse jurídico que pode atingir tanto a liberdade do ex-presidente quanto a candidatura do senador ao Palácio do Planalto.

Despacho
Em despacho publicado hoje, terça-feira, 28/07, Moraes deu 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro esclareça se ele autorizou o uso de sua imagem e de sua voz em um vídeo produzido por inteligência artificial e exibido durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O ministro ressaltou que Bolsonaro está proibido de divulgar manifestações político-eleitorais, inclusive por meio de terceiros. “A eventual concordância de JAIR MESSIAS BOLSONARO com a divulgação de um vídeo produzido por IA, e amplamente divulgado nas redes sociais, contendo sua imagem e declarações ostensivamente político-eleitorais constituiria nova e grave transgressão à decisão judicial, poucos dias após ser sancionado, e passível de reversão da prisão domiciliar humanitária para o regime fechado”, declarou Alexandre de Moraes.

“Deep fake”
Na decisão, Moraes ressaltou ainda que, caso o conteúdo tenha sido produzido sem a autorização do ex-presidente, é possível que a campanha de Flávio Bolsonaro tenha cometido irregularidade eleitoral. Ou seja, o ministro entende que, se a defesa alegar desconhecimento do vídeo, é possível que a campanha da Flávio seja punida por uso de “deep fake”. “Há, portanto, necessidade de efetiva definição sobre o consentimento ou não do sentenciado JAIR MESSIAS BOLSONARO na utilização de sua imagem e voz em vídeo produzido por IA (inteligência artificial) com finalidade político-eleitoral, exposto em evento de lançamento de campanha e divulgado largamente nas redes sociais, para verificação se houve novo e grave descumprimento de decisão judicial pelo custodiado JAIR MESSIAS BOLSONARO ou flagrante desrespeito à legislação eleitoral por Flávio Nantes Bolsonaro e pelo Partido Liberal (PL)”, escreveu Moraes.
Lula faz reunião ministerial e anuncia R$ 1,3 bi para enfrentar possíveis efeitos do El Niño
29/07/2026
Eventos climáticos extremos
A reunião integra a estratégia do governo para enfrentar eventos climáticos extremos esperados no 2º semestre. Entre as medidas em discussão estão o funcionamento da Sala de Situação Interministerial, coordenada pela Casa Civil, o reforço das ações de Defesa Civil, investimentos em obras de drenagem e contenção, o combate às queimadas e o monitoramento da logística na região Norte, especialmente do nível dos rios amazônicos para o escoamento da produção agrícola.
Reforço orçamentário de R$ 1,33 bilhões
O governo Lula anunciou um reforço orça...
O presidente Lula realiza hoje, quarta-feira, 29/07, uma reunião ministerial para alinhar as ações do governo federal diante dos impactos previstos do fenômeno climático conhecido como Super El Niño. O encontro reúne ministros no Palácio do Planalto para discutir medidas de prevenção, resposta e coordenação entre os órgãos federais.
Eventos climáticos extremos
A reunião integra a estratégia do governo para enfrentar eventos climáticos extremos esperados no 2º semestre. Entre as medidas em discussão estão o funcionamento da Sala de Situação Interministerial, coordenada pela Casa Civil, o reforço das ações de Defesa Civil, investimentos em obras de drenagem e contenção, o combate às queimadas e o monitoramento da logística na região Norte, especialmente do nível dos rios amazônicos para o escoamento da produção agrícola.

Reforço orçamentário de R$ 1,33 bilhões
O governo Lula anunciou um reforço orçamentário de R$ 1,33 bilhões para o enfrentamento aos possíveis impactos do El Niño no Brasil. O pacote inclui compra de milho e arroz, distribuição de cestas básicas, apoio a agricultores, ações de prevenção a incêndios e monitoramento do nível dos rios. Para além do investimento, o governo também criou uma sala de situação com 24 ministérios. Outras 9 salas temáticas serão instaladas: incêndio, saúde, estiagem, prevenção e respostas a desastres, energia, combustível, agricultura, segurança alimentar e assistência social. Durante a reunião, Lula disse que o Brasil nunca esteve tão preparado para combater uma crise climática.
A Irresponsabilidade do Velho Político que Quebrou a Todos, mas Enriqueceu Alguns - Por Emanuel Silva*
29/07/2026
Em 2025, as instituições financeiras registraram lucro recorde de US$ 45,8 bilhões, que representa mais do que a soma dos lucros de 15 países latino-americanos.
Mas, de outro lado, no mesmo período, a Serasa apontou 83,7 milhões de inadimplentes em junho de 2026, atingindo 51% da população adulta.
Não foi azar. Foi escolha.
O Governo Lula faz gastos descontrolados, promove rombo fiscal e juros altos para financiar a farra e criaram o ambiente perfeito: bancos felizes, povo quebrado. Afinal, falência e caos econômico não interfere na democracia (contém alta dose de ironia – coisa que está ficando perigosa no Brasil atual).
Os Números da Devastação Deliberada
De 2016 para cá, a inadimplência explodiu. Em 2016 tínhamos 59 milhões de inadimplentes e foi subindo com mai...
A irresponsabilidade fiscal do governo atual quebrou milhões de brasileiros, mas enriqueceu generosamente os bancos.
Em 2025, as instituições financeiras registraram lucro recorde de US$ 45,8 bilhões, que representa mais do que a soma dos lucros de 15 países latino-americanos.
Mas, de outro lado, no mesmo período, a Serasa apontou 83,7 milhões de inadimplentes em junho de 2026, atingindo 51% da população adulta.
Não foi azar. Foi escolha.
O Governo Lula faz gastos descontrolados, promove rombo fiscal e juros altos para financiar a farra e criaram o ambiente perfeito: bancos felizes, povo quebrado. Afinal, falência e caos econômico não interfere na democracia (contém alta dose de ironia – coisa que está ficando perigosa no Brasil atual).
Os Números da Devastação Deliberada
De 2016 para cá, a inadimplência explodiu. Em 2016 tínhamos 59 milhões de inadimplentes e foi subindo com maior velocidade a partir de 2022, chegando a 83,7 milhões de negativados (+38,1%) em 2025. Sim. O Brasil conta com 51 % da população adulta INADIMPLENTE.
O valor da dívida saltou de 348 bilhões em 2016 para 539 bilhões em 2025, sendo que a dívida por média por pessoa passou de R$ 5.880 em 2016 para R$ 6.598 em 2025.
Ou seja, o volume de dívidas cresceu 43,6%, o valor total (real) subiu 54,9% e a dívida média por pessoa aumentou 12,2%. Mulheres lideram o ranking. Idosos acima de 60 anos dobraram a participação. Quase metade dos devedores vive com até um salário-mínimo.
Essa tragédia tem autor, nome e sobrenome. A política fiscal irresponsável promovida pelo atual governo com despesas elevadas, dívida pública crescente e manutenção de juros altos transferiu riqueza dos trabalhadores para o sistema financeiro. Sim, o outrora pai dos pobres, se tornou a fada madrinha dos sonhos dos banqueiros.
A Escolha Criminosa
O velho político e sua troupe escolheram deliberadamente o lado dos bancos. Priorizaram gastos eleitoreiros e alianças com o mercado financeiro em vez de conter o descontrole das contas públicas.
O resultado é previsível: spreads bancários gordos, lucros históricos e uma população afogada em rotativo, cheque especial e nome sujo no Serasa.
Programas como Desenrola I, II ...e em breve V servem apenas de cortina de fumaça. A inadimplência volta a bater recordes porque a causa raiz, o desequilíbrio fiscal — nunca foi enfrentada. É crueldade institucionalizada.
O Drama Final
Enquanto acionista e executivos de bancos, inclusive alguns que se dizem socialistas e promovem bondades, brindam com champagne aos US$ 45,8 bilhões de lucro, milhões de brasileiros choram em silêncio: contas atrasadas, crédito negado, sono perdido e futuro roubado. São pais, mães e avós transformados em estatísticas de inadimplência pela irresponsabilidade de quem prometeu ser “pai dos pobres”.
O velho político quebrou a todos, mas enriqueceu alguns.
Essa é a verdadeira face do Brasil atual: um banquete para banqueiros e migalhas de sofrimento para o povo.
A história cobrará esse crime econômico com juros compostos, e as vítimas já estão pagando.
Há alguma possibilidade de retorno?
Com a irresponsabilidade reinando...nunca !
*Emanuel Silva, é Professor e Cronista.

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder respeita a diversidade de ideias e a liberdade de pensamento e publica textos mesmo discordando do seu conteúdo e da sua forma.
Guardiões de Ilusões: das virtudes da farda às farsas – Por Natanael Sarmento*
29/07/2026
Amigo da Onça
A narrativa oficial gosta de pintar o nascimento da República como um ato heroico de refundação nacional. Esquece-se, porém, de mencionar que o grande parteiro do novo regime foi um General do Exército Imperial — elevado, prestigiado e amigo íntimo do próprio Imperador Dom Pedro II....
Se a história do Brasil fosse uma peça de teatro, os militares estariam no centro da ribalta a declamar versos sobre honra, lealdade e sacrifício. Mas no enredo da história os atores tropeçam e agem de forma burlesca, diametralmente, opostos à narrativa. Vende-se à sociedade imagem de garbosos oficiais ilibados, sentinelas inabaláveis da legalidade e protetores da família. Mas a tinta dessa opereta se borra na aquarela de ironias na qual é cor recorrente a da traição em vez da lealdade, a quebra da hierarquia em vez do respeito à normalidade constitucional. O galante guardião da farda engomada tem histórico de esporear a Constituição e trotar sobre a Nação.
Amigo da Onça
A narrativa oficial gosta de pintar o nascimento da República como um ato heroico de refundação nacional. Esquece-se, porém, de mencionar que o grande parteiro do novo regime foi um General do Exército Imperial — elevado, prestigiado e amigo íntimo do próprio Imperador Dom Pedro II. O clássico "amigo da onça" provou respeito a hierarquia e sua lealdade sacrossantos, quando os humores do quartel falaram mais alto e despachou o amigo Imperador deposto no primeiro navio rumo ao exílio.
Pacificação do fuzil
O mito dos defensores da ordem, pacificadores e garantidores da paz social é tão autêntico quanto whisky paraguaio. Sob as ordens do "Marechal de Ferro", Floriano Peixoto, a resposta aos conflitos sociais como Canudos e a Guerra do Contestado não foi a mediação, mas o fuzilamento de famílias inteiras, sertanejos e camponeses desarmados varridos do mapa, na paz dos cemitérios.
Honra
Do compromisso inviolável de respeitar a Constituição e a palavra dada. Só que não. Na Revolta da Chibata e os levantes da Armada, a retórica do diálogo serviu apenas como anestésico. O Governo do Marechal Hermes da Fonseca assinou acordo, dar anistia e a suspender os castigos corporais dos marujos, mas tão logo os insurgentes entregaram as armas a "palavra dada" evaporou, a anistia foi a prisão, banimento e o confinamento de marinheiros nas masmorras da Ilha das Cobras. Para subalternos o rigor da lei; para coturnos altos o direito de esquecer as promessas e palavras.
Alquimistas
No mito são guardiões da Constituição e da vontade popular, na prática engenheiros de conspirações.
Anos trinta
Na missão de "salvadores do país" amarraram os cavalos no obelisco do Catete, depuseram o Presidente Washington Luís, impediram a posse do presidente eleito, Júlio Prestes.
“Plano Cohen”
A pirotecnia política atingia o ápice da criatividade em 1937 com a confecção do famoso Plano Cohen. Os generais Pedro Aurélio de Góis e Olímpio Mourão Filho da que falsificam documento atribuindo aos comunistas um plano macabro de assassinatos e saques. Conspiração de gabinete para servir de pretexto perfeito ao golpe de Estado de Getúlio Vargas e instauração do Estado Novo em 1937, com o aval dessa cúpula militar de lobos travestidos de cordeiros.
Anos quarenta
O mito dos defensores da democracia e da soberania do barco levado na correnteza dos ventos da Casa Branca volta a ruir sob os pés- de –barro. Em 1945, os mesmos generais que sustentaram a ditadura do Estado Novo subitamente despertaram para os encantos da redemocratização. O motivo? O alinhamento geopolítico com os Estados Unidos pós-Segunda Guerra. Em um estalar de dedos, a farda despejou Vargas do poder em nome da "liberdade". O legalismo militar revelou-se, assim, uma camaleônica ferramenta: se o vento sopra do Norte, troca-se a casaca autoritária pelo figurino democrático, sem o menor rubor facial. O se troca a democracia pela ditadura, ditadura conforme os tufões do Norte.
Legalistas, mas nem tanto...
No “respeito” às urnas e à cadeia de comando sucederam-se motins e conspirações voadoras, não era Céu de brigadeiro, nem o Mar de águas claras. A legalidade constitucional costurada com linha fina.
Anos cinquenta
Nos anos 1950, a FAB setores das Forças Armadas decidiram que a democracia só valia quando o resultado agradava aos quartéis. Contra o governo eleito de Juscelino Kubitschek, deflagraram-se os motins de Jacareacanga (1956) e Aragarças (1959). JK precisou esmerilar a Fazenda na compra do Porta-Aviões Minas Gerais para pacificar a caserna e terminar o seu mandato em paz, no brasileiríssimo suborno da legalidade.
Anos sessenta
A sanha golpista desceu ao subsolo na tentativa de impedir a posse de João Goulart em 1961 e na formulação da famigerada "Operação Mosquito", que visava derrubar o avião presidencial. A ordem e a disciplina deveras flexíveis contra a vontade do eleitor nos manuais militares.
1964 e a mala de Dólares
O golpe antinacional e antipopular de 1964 deixou lições para história, retirou máscaras de lealdade. O lendário "dispositivo militar legalista" virou pó em poucas horas. Revelou a teia de traições pessoais e políticas. O caso do General Amauri Kruel é emblemático: legalista até a véspera e padrinho de casamento de Jango, mudou de lado sem piscar. Relato de Coronel presente na Comissão da Verdade em São Paulo explica esse mistério do aquém da mudança da noite para o dia: uma mala de dinheiro repassada por empresários ao General que decidiu mudar de lado e comandar o 2º Exército na marcha para o Rio.
A imoralidade das torturas e assassinatos políticos
O mito da proteção da família brasileira e elevados valores cristãos não resiste a foto do assassinato de Wladimir Herzog enforcado na prisão. No abismo entre a propaganda e a realidade. Nas salas de tortura do regime de "proteção da família brasileira". Das centenas de opositores “desaparecidos”, nos tribunais do terrorismo de Estado. Crueldade que não poupou gestantes e crianças. Do silêncio dos cemitérios clandestinos.
“Milagre Econômico”
No mito de gestores austeros, técnicos, de reputação ilibada que tanto falta na corrupção da vida dos paisanos como se referem aos civis, daria um longa-metragem.
As obras megalomaníacas dos rombos e roubos bilionários em proporções faraônicas de estradas e pontes nunca dantes navegadas desabam no peso do endividamento externo e dos grandes escândalos acobertados pela censura do regime ditatorial: — Transamazônica, Ponte Rio-Niterói, Itaipu, dos contratos superfaturados que os pescadores de águas turvas das grandes empreiteiras e das altas esferas do regime agradecem. Sucessão de escândalos, Light, Coroa-Brastel, muita fritura e pouca carne nesse pastel que termina em pizza.
Nada de bom?
De bom foi o fim do ciclo militar. Mas deixou o legado: centenas de mortos e desaparecidos, inflação galopante, submissão ao FMI, s depósitos “secretos” nas contas suíças, soberania alienada aos banqueiros internacionais e conta alta para o cidadão pagar. Calha o ditado popular: "falam como anjos, se comportam como diabos". Já passou da hora de o Brasil revisar a sua história e não aceitar ameaças e retaliações dos EUA ou viúvas das casernas, se grito adiantasse porco não morria.
*Natanael Sarmento é professor e escritor, e integrante do Diretório Nacional da UP. @sarmentonatanael

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos autores.
A Arquitetura Oculta da Defesa: Como a Guerra Invisível entre Israel e Irã Redefine a Soberania no Oriente Médio - Por Amadeu Robalinho*
29/07/2026
A Concepção clássica de Soberania Nacional, historicamente fundamentada na integridade territorial e na inviolabilidade das fronteiras, encontra-se em profunda transformação. A capacidade de um Estado preservar sua autonomia estratégica passou a depender, em igual ou maior medida, do domínio da informação, da inteligência, da tecnologia, da resiliência cibernética e da proteção de suas infraestruturas críticas.
O Oriente Médio representa hoje o principal laboratório dessa nova realidade. O confronto entre Israel e Irã deixou de ser apenas uma disputa regional para tornar-se um dos mais sofisticados exemplos contemporâneos de guerra híbrida, caracterizada pela integração entre operações militares convencionais, inteligência estratégica, ataques cibernéticos, sabotagem econômica, campanhas de influência, guerra eletrônica e operações clandestinas conduzidas além das fronteiras nacionais.
Nesse ambiente operacional, a defesa deixa de...
Jerusalém
A Concepção clássica de Soberania Nacional, historicamente fundamentada na integridade territorial e na inviolabilidade das fronteiras, encontra-se em profunda transformação. A capacidade de um Estado preservar sua autonomia estratégica passou a depender, em igual ou maior medida, do domínio da informação, da inteligência, da tecnologia, da resiliência cibernética e da proteção de suas infraestruturas críticas.
O Oriente Médio representa hoje o principal laboratório dessa nova realidade. O confronto entre Israel e Irã deixou de ser apenas uma disputa regional para tornar-se um dos mais sofisticados exemplos contemporâneos de guerra híbrida, caracterizada pela integração entre operações militares convencionais, inteligência estratégica, ataques cibernéticos, sabotagem econômica, campanhas de influência, guerra eletrônica e operações clandestinas conduzidas além das fronteiras nacionais.
Nesse ambiente operacional, a defesa deixa de ser exclusivamente reativa. Ela passa a ser construída sobre a capacidade permanente de antecipar ameaças antes que estas adquiram capacidade efetiva de produzir danos estratégicos.
Sob essa perspectiva, a doutrina israelense de segurança nacional consolidou uma arquitetura baseada na prevenção, na superioridade informacional e na ação cirúrgica. O Mossad, em estreita coordenação com a Inteligência Militar (Aman), o Shin Bet e as Forças de Defesa de Israel (IDF), tornou-se um dos principais instrumentos dessa estratégia, cuja finalidade central consiste em retardar ou neutralizar capacidades consideradas existenciais para a segurança israelense, particularmente aquelas relacionadas ao desenvolvimento nuclear, aos programas de mísseis balísticos e ao emprego crescente de veículos aéreos não tripulados pelo Irã.
Entretanto, compreender esse conflito exclusivamente pela ótica bilateral constitui um erro analítico. A rivalidade entre Israel e Irã insere-se em um contexto mais amplo de reorganização da ordem internacional.
Os Estados Unidos permanecem como o principal sustentáculo militar, tecnológico e diplomático de Israel, ao mesmo tempo em que Rússia e China ampliam gradativamente seus vínculos estratégicos com Teerã. Moscou identifica no Irã um parceiro relevante para limitar a influência ocidental no Oriente Médio, enquanto Pequim enxerga na estabilidade energética da região um componente essencial de sua estratégia econômica global e da Iniciativa Cinturão e Rota.
Essa convergência transforma o Oriente Médio em um espaço onde interesses regionais e disputas entre grandes potências passam a coexistir, elevando significativamente a complexidade do ambiente estratégico.
No campo operacional, o Irã estruturou, ao longo das últimas décadas, uma estratégia de defesa indireta baseada na projeção de poder por intermédio de organizações aliadas. Hezbollah, grupos armados iraquianos, Houthis e outras forças alinhadas compõem aquilo que diversos centros internacionais de estudos estratégicos descrevem como uma arquitetura descentralizada de dissuasão, concebida para ampliar o custo político e militar de qualquer ofensiva direta contra o território iraniano.
Essa configuração obrigou Israel a adaptar profundamente seus métodos de inteligência.
Se anteriormente o foco recaía predominantemente sobre capacidades militares convencionais, atualmente a prioridade deslocou-se para a identificação e interrupção das cadeias financeiras, tecnológicas, logísticas e informacionais que sustentam essas organizações.
Nesse contexto, operações de Inteligência Humana (HUMINT), Inteligência de Sinais (SIGINT), Inteligência por Imagens (IMINT), Inteligência de Fontes Abertas (OSINT) e Inteligência de Medições e Assinaturas (MASINT) passaram a operar de forma integrada por meio de sistemas de inteligência artificial capazes de realizar fusão de dados em tempo quase real.
Essa arquitetura tecnológica permite identificar padrões de comportamento, antecipar movimentações logísticas, localizar instalações estratégicas, rastrear fluxos financeiros e monitorar cadeias de suprimentos com níveis de precisão anteriormente inalcançáveis.
A consequência é uma transformação profunda da própria natureza da guerra.
As operações militares deixam de buscar exclusivamente a destruição física do adversário para concentrar-se na degradação progressiva de sua capacidade decisória. A informação converte-se em arma estratégica; o sigilo, em ativo operacional; e a superioridade cognitiva, em fator determinante de vitória.
Paralelamente, desenvolve-se uma intensa disputa pela preservação das principais rotas energéticas do planeta.
O Estreito de Ormuz permanece como um dos corredores marítimos mais sensíveis da economia internacional. Qualquer ameaça à sua navegabilidade repercute imediatamente sobre mercados financeiros, cadeias globais de suprimentos, preços da energia e planejamento estratégico das grandes economias industriais.
Por essa razão, a estabilidade do Golfo Pérsico transcende os interesses regionais e passa a integrar diretamente a agenda de segurança internacional.
No plano diplomático, a percepção do Irã como ameaça comum estimulou uma aproximação gradual entre Israel e diversos países árabes, movimento intensificado após os Acordos de Abraão. Embora persistam divergências históricas e políticas, observa-se o desenvolvimento de mecanismos discretos de cooperação em inteligência, defesa aérea, segurança marítima e combate ao terrorismo.
Essa arquitetura regional demonstra que as alianças contemporâneas são cada vez menos determinadas por afinidades ideológicas e cada vez mais orientadas por interesses estratégicos convergentes.
Todavia, reduzir o confronto à dimensão militar seria insuficiente.
O verdadeiro centro de gravidade dessa disputa reside na capacidade dos Estados de integrar ciência, tecnologia, indústria, inteligência e poder político em uma única arquitetura nacional de defesa.
É nesse ponto que emerge um dos principais desafios estratégicos do século XXI.
A soberania nacional deixa de representar apenas o exercício da autoridade sobre determinado território. Ela passa a expressar a capacidade permanente de produzir conhecimento estratégico, desenvolver autonomia tecnológica, proteger infraestruturas críticas, assegurar independência industrial e preservar superioridade decisória diante de ameaças cada vez mais difusas e invisíveis.
A guerra contemporânea já não começa quando o primeiro míssil é lançado.
Ela tem início muito antes, nos laboratórios de pesquisa, nos centros de inteligência, nas redes digitais, nos sistemas financeiros, nos satélites, nas cadeias globais de suprimentos e na disputa silenciosa pelo controle da informação.
Nesse novo paradigma, a soberania nacional transforma-se, acima de tudo, em uma engenharia integrada do conhecimento, da tecnologia e da antecipação estratégica.
O papel dos Estados Unidos na nova arquitetura estratégica
Os Estados Unidos permanecem como o principal garantidor do equilíbrio estratégico no Oriente Médio. Muito além do apoio histórico a Israel, Washington estrutura sua presença regional como parte de uma estratégia global destinada a preservar a liberdade de navegação, assegurar o fluxo energético internacional, conter a proliferação nuclear e impedir que potências revisionistas ampliem sua influência sobre uma das regiões mais sensíveis do planeta.
A política norte-americana para o Oriente Médio deixou de ser orientada exclusivamente pelo combate ao terrorismo para incorporar uma lógica de competição sistêmica entre grandes potências. Nesse contexto, a contenção do Irã tornou-se apenas um dos componentes de uma estratégia mais abrangente, voltada também para limitar a crescente projeção geopolítica da China e da Rússia na região.
Pequim consolidou-se como o maior comprador do petróleo iraniano, ampliou investimentos em infraestrutura por meio da Iniciativa Cinturão e Rota e fortaleceu sua presença diplomática ao intermediar a reaproximação entre Arábia Saudita e Irã. Moscou, por sua vez, aprofundou sua cooperação militar com Teerã, especialmente após o início da guerra na Ucrânia, intensificando intercâmbios tecnológicos, logísticos e industriais que reforçam a capacidade estratégica de ambos os países.
Diante desse cenário, os Estados Unidos vêm reforçando sua postura de dissuasão integrada. A manutenção de grupos de ataque centrados em porta-aviões, sistemas de defesa antimísseis, bases militares distribuídas pelo Golfo e uma extensa rede de cooperação em inteligência com Israel e parceiros árabes demonstra que Washington busca impedir qualquer alteração significativa no equilíbrio regional que possa comprometer seus interesses estratégicos globais.
Essa arquitetura de segurança ultrapassa a defesa do território israelense. Ela representa um mecanismo de preservação da credibilidade internacional dos Estados Unidos perante seus aliados, sinalizando que ataques contra parceiros estratégicos produzem consequências políticas, econômicas e militares capazes de transcender o próprio Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, Washington procura administrar um delicado equilíbrio entre firmeza estratégica e contenção da escalada militar. O objetivo consiste em impedir que confrontos regionais evoluam para um conflito direto envolvendo grandes potências, cenário que poderia comprometer cadeias globais de suprimentos, ampliar a instabilidade nos mercados energéticos e gerar impactos econômicos de alcance mundial.
*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
O grito de alerta que ninguém entendeu, por Claudemir Gomes*
29/07/2026
Por que o Recife teria 3 num grupo de 20?
Segunda-feira, logo após o empate (1x1) do Sport com o Cuiabá, na Ilha do Retiro, o sétimo contabilizado pelo time rubro-negro em onze partidas disputadas como mandante, o leonino Fred Borba, em postagem feita no X, sintetizou toda a sua angústia com a frase: “Cada dia mais quero fazer logo 45 pontos”. A pontuação a qual ele se refere é a margem que livra os clubes do rebaixamento na S...
O acadêmico, José Nivaldo Jr., tricolor de corpo e alma, surpreendeu a todos quando declarou que, “Pernambuco não tem condições de manter três clubes na Série A do Brasileiro”. A declaração foi dada na época em que o Campeonato Nacional ganhou a configuração de 20 times. Ninguém lhe poupou críticas. Afinal, o Estado tinha três representantes na Primeira Divisão: Sport, Náutico e Santa Cruz. O raciocínio lógico do publicitário e cientista político se baseia no modelo europeu “onde raríssimas cidades têm mais de um time grande”.
Por que o Recife teria 3 num grupo de 20?
Segunda-feira, logo após o empate (1x1) do Sport com o Cuiabá, na Ilha do Retiro, o sétimo contabilizado pelo time rubro-negro em onze partidas disputadas como mandante, o leonino Fred Borba, em postagem feita no X, sintetizou toda a sua angústia com a frase: “Cada dia mais quero fazer logo 45 pontos”. A pontuação a qual ele se refere é a margem que livra os clubes do rebaixamento na Série B do Brasileiro.
O destino se mostra mais cruel do que o previsto, anos atrás, pelo mestre José Nivaldo Jr. O futebol pernambucano não tem nenhum representante na Série A. Nos últimos 20 anos, o Sport, clube mais estruturado do Recife, disputou 12 edições da Primeira Divisão Nacional, e 8 edições da Segunda Divisão. Há 13 anos o Náutico não disputa uma edição da Série A. Sua última passagem pela elite do futebol brasileiro foi em 2013. Em duas décadas – 2007 a 2026 – os alvirrubros estiveram presentes em cinco edições da Série A; dez edições da Série B e cinco da Série C. O Santa Cruz perdeu toda a musculatura e status de clube grande. O Tricolor do Arruda, que em 2024 não disputou nenhuma competição nacional, passou pela Série A apenas uma vez (2016), nos últimos 20 anos, período em que habitou a Série B quatro vezes; disputou oito edições da Série C e seis edições da Série D. Os números atestam a desidratação catastrófica do futebol da Nova Roma.
De repente, me pergunto: 20 anos é muito tempo? Talvez! Para os clubes pernambucanos, que foram transformados em centros de treinamentos de gestores, o tempo não urge tanto quanto deveria. Entra o seis, sai meia dúzia. Nada se transforma. Pede-se ajuda aos “universitários” de outras regiões. Na cartilha que eles rezam, a frase: “Só sei que nada sei!”. Mudança de tropa. O tempo acabou. Chegou a vez da turma da internet. Vamos investir em IA para enganar a torcida. Entreguem as chaves para os técnicos! Não, coloque o comando nas mãos dos executivos. Os clubes precisam de uma estrutura profissional.
Socorro! Chamem o SAMU. Não! Eu disse: chamem a SAF!
Os impactos negativos de 20 anos sem norte apequenaram os clubes, mas não acordaram os sócios e torcedores. Poucos entenderam o grito de alerta dado pelo sábio José Nivaldo Jr. E a Série A ficou difícil para um; pouco provável para dois é impossível para três.
*Claudemir Gomes é um dos mais respeitados cronistas esportivos do Brasil. Colunista da Folha de Pernambuco, onde este artigo foi originalmente publicado na edição de hoje, 29/07/26.
