Entrevista com Maurício Rands* - Elon Musk e o STF
03/09/2024
Rands - No Inquérito 4957, a PF investiga milícias digitais e a tentativa de golpe de 08 de janeiro. A investigação constatou que várias pessoas instrumentalizaram redes sociais, em especial a X, para ameçar e coagir delegados federais que atuam na investigação. A rede social X foi intimada em 07/08, em 12/8 e em 16/8, a bloquear os perfis desses investigados. Nunca cumpriu essas ordens judiciais. Dobrando a aposta, a X culminou por evadir seus representantes legais da X Brasil para evitar ser intimada.
O Poder - A reação de Alexandre de Morais é legítima?
Rands - Reagindo à desobidiência da X, o ministro Alexandre Morais prolatou decisão, em 28/8, instando-a a designar em 24h o novo representante legal e a cumprir as decisões anteriores. Dessa decisão, mandou intimar as partes por meios eletrônicos. E mandou postar a intimação no perfil do STF...
Rands - No Inquérito 4957, a PF investiga milícias digitais e a tentativa de golpe de 08 de janeiro. A investigação constatou que várias pessoas instrumentalizaram redes sociais, em especial a X, para ameçar e coagir delegados federais que atuam na investigação. A rede social X foi intimada em 07/08, em 12/8 e em 16/8, a bloquear os perfis desses investigados. Nunca cumpriu essas ordens judiciais. Dobrando a aposta, a X culminou por evadir seus representantes legais da X Brasil para evitar ser intimada.
O Poder - A reação de Alexandre de Morais é legítima?
Rands - Reagindo à desobidiência da X, o ministro Alexandre Morais prolatou decisão, em 28/8, instando-a a designar em 24h o novo representante legal e a cumprir as decisões anteriores. Dessa decisão, mandou intimar as partes por meios eletrônicos. E mandou postar a intimação no perfil do STF na própria rede social. A platforma continuou a descumprir todas essas ordens. Aí, em 30/8, ele prolatou nova decisão, na Petição 12.404-DF, determinando: "a suspensão imediata, completa e integral do funcionamento da “X Brasil Internet Ltda” em território nacional, até que todas as ordens judiciais proferidas nos presentes autos sejam cumpridas, as multas devidamente pagas e seja indicado, em juízo, a pessoa física ou jurídica representante em território nacional".

O Poder - E do ponto de vista técnico-processual?
Rands - O ministro relator Alexandre Moraes cometeu pelo menos um acerto e um erro em suas últimas decisões no Inquérito 4957. As críticas processuais foram basicamente duas. A primeira foi quanto à opção do ministro pela intimação de Elon Musk, “Twitter International Unlimited company”, “T. I. Brazil Holdings LLC”, “X Brasil Internet ltda.”, “Starlink Brazil Holding Ltda." e “Starlink Brazil Serviços de Internet Ltda”, "inclusive por meios eletrônicos", em sua expressão. Trata-se de intimação de pessoas jurídicas, além da pessoa física Elon Musk, sobre uma decisão que pode ser feita por meios combinados. Pela ciência tomada pelos advogados constituídos nos autos. E também pelos meios eletrônicos, que incluíram a postagem da intimação na própria plataforma X. Quando um réu manobra para evitar ser citado, o direito processual prevê a citação por hora certa e, sucessivammente, por edital. No caso desse Inquérito 4957, a tentativa de evadir-se das decisões judiciais está documentada. Logo, o ministro poderia intimar as partes por edital, do qual a postagem pode ser um sucedâneo. Note-se que todas as PJs envolvidas estão incorporadas no Brasil, têm CNPJ indicado nos autos e, portanto, representantes e endereços no Brasil. Podem ser intimadas por todos os meios admitidos em direito. Entre os quais os meios eletrônicos. Como dispõe a Resolução 693/2020, do STF, que altera a Resolução 661/ 2020.

O Poder - Alem de legalidade, há legítima efetividade nisso?
Rands - Como se vê no acórdão do STJ, de 12/9/23, "a citação por meio eletrônico, quando atinge a sua finalidade e demonstra a ciência inequívoca pelo réu da ação penal (...) não pode ser simplesmente rechaçada, de plano, por mera inobservância da instrumentalidade das formas" (STJ - AgRg no HC: 764835). Ou na decisão do STF no Inq: 4923 DF, publicada em 27/01/2023. Vê-se, pois, que a intimação das PJs pelas redes sociais nesse caso do inquéirto 4957 já vinha sendo admitida pelo STF e pelo STJ. Ademais, por força do art. 239 do CPC, "o comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação". Depois que o STF postou a intimação da decisão de Alexandre Morais no perfil do STF mantido na rede X, o próprio Elon Musk e as PJs deram declarações e postaram "memes" reagindo ao conteúdo da intimação. Atraíram, assim, a aplicação do art. 239 do CPC por terem agido como se espontanemanete tivessem se informado da decisão judicial.
Não se pode tecnicamente, por tais motivos, considerar ilegais as intimações determinadas por Alexandre Morais na própria rede X.
O Poder - E o bloqueio da Starlink?
Rands - O mesmo não se pode dizer quanto à ordem de bloqueio das contas de uma das empresas do grupo, a Starlink. A segunda decisão controversa. Para tanto, o ministro precisaria ter aberto o incidente de desconsideração da personalidade jurídica previsto no art.133 do CPC, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Como isso não foi observado, a decisão é falha neste ponto. Como é falha do Inquérito 4957 ter vício de origem, não ter objeto preciso e já ter se arrastado por tempo excessivo.

O Poder - No frigorífico dos ovos...
Rands - Estes erros técnicos não impedem a conclusão pelo acerto geral das medidas ordenadas para que a jurisdição brasileira seja observada pela rede X, que a vinha desobedecendo sistematicamente. As empresas de Elon Musk agem com dois pesos e duas medidas. Nos EUA, Europa e Índia têm cumprido ordens judiciais restritivas diante dos abusos que o X comete sob o manto da liberdade de expressão. Curvam-se naqueles países, ao tempo em que pretendem furtar-se ao cumprimento das decisões judiciais no Brasil. Como se esta fosse terra sem lei. E insistem no desafio ao criar na X o perfil "Alexandre Files" para vazar decisões sigilosas do STF. Enganou-se Elon Musk porque as instituições não se curvaram ao seu ataque à soberania nacional.
O Poder - A repercussão internacional das medidas é favoravel ou desfavorável ao Brasil?
Rands - As decisões atraíram matérias favoráveis em grandes jornais como The New York Times, Washington Post, The Guardian e Le Monde. Ganham redes sociais similares ao X, como Threads e BlueSky, que poderão recolher parte dos 21 milhões de usuários do X. Espera-se apenas que essas redes também não se tornem tóxicas como o ex-Twitter, que virou espaço privilegiado para a retórica de ódio da extrema-direita a que se filia Elon Musk. O episódio mostra que o Congresso Nacional precisa votar o PL 2630/20 para criar normas de transparência e bom funcionamento das plataformas.
*Maurício Rands é advogado, professor de Direito Constitucional da Unicap, PhD pela Universidade Oxford
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Radar Estratégico Ativaweb DataLab - O que se discute nas redes neste sábado
30/05/2026
O fim de semana começou com o Brasil vibrando nas ruas e nas redes mas nem toda vibração é a mesma. O governo Lula publicou ontem à noite nota dura chamando Flávio Bolsonaro de “traidor” e defendendo a soberania nacional após os EUA classificarem PCC e CV como terroristas. O Planalto convocou reunião de emergência com ministros da Fazenda, da Justiça e o Itamaraty. Enquanto isso, o “Vaza Flávio” — o áudio que mostra o senador pedindo R$ 134 milhões ao banqueiro preso do Banco Master para filmar a vida do pai — segue corroendo a candidatura presidencial da direita. E hoje, às 13h, o Brasil e o mundo assistem à final da Champions League entre Arsenal e PSG em Budapeste com Gabriel Magalhães brasileiro no gramado. Política, diplomacia, corrupção e futebol: o Brasil não descansa nem no sábado. Os comentários entre aspas são de Alek Maracajá, diretor da Ativaweb Datalab.
Lula chama Flávio de traidor
Brasília, sábado 30 de maio de 2026
O fim de semana começou com o Brasil vibrando nas ruas e nas redes mas nem toda vibração é a mesma. O governo Lula publicou ontem à noite nota dura chamando Flávio Bolsonaro de “traidor” e defendendo a soberania nacional após os EUA classificarem PCC e CV como terroristas. O Planalto convocou reunião de emergência com ministros da Fazenda, da Justiça e o Itamaraty. Enquanto isso, o “Vaza Flávio” — o áudio que mostra o senador pedindo R$ 134 milhões ao banqueiro preso do Banco Master para filmar a vida do pai — segue corroendo a candidatura presidencial da direita. E hoje, às 13h, o Brasil e o mundo assistem à final da Champions League entre Arsenal e PSG em Budapeste com Gabriel Magalhães brasileiro no gramado. Política, diplomacia, corrupção e futebol: o Brasil não descansa nem no sábado. Os comentários entre aspas são de Alek Maracajá, diretor da Ativaweb Datalab.
Lula chama Flávio de traidor
O governo brasileiro divulgou nota em resposta à decisão dos EUA de classificar PCC e CV como organizações terroristas e afirmou que “a soberania nacional é inegociável”. O Planalto disse que “não aceitará o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar” a soberania e a economia brasileiras. A nota critica integrantes da família Bolsonaro, chamados de “traidores” que foram aos EUA “defender intervenção estrangeira no Brasil”. O texto reconhece que as facções praticam terrorismo nos territórios onde vivem milhões de famílias, mas distingue a motivação econômica — tráfico de drogas e armas — do terrorismo ideológico do cenário internacional.
“Quando o governo chama um senador da República de traidor em nota oficial, a temperatura política não sobe … ela ferve.”
Planalto faz reunião de emergência
O Palácio do Planalto realizou reunião de emergência para discutir as consequências e estruturar a resposta oficial à decisão dos EUA. O encontro reuniu os ministros da Fazenda e da Justiça, a cúpula da PF, o Ministério das Relações Exteriores e a Assessoria Especial da Presidência. A prioridade foi avaliar a extensão jurídica e os impactos financeiros imediatos da medida americana. A reunião serviu para calibrar o tom da nota oficial que defende a soberania nacional e critica os parlamentares de oposição que articularam o pedido a Washington. O governo tem até 5 de junho data em que a classificação entra em vigor para articular resposta diplomática formal.
“Reunião de emergência em sexta à tarde com ministros da Fazenda e da Justiça. Quando isso acontece, não é burocracia… é crise.”
"Vaza Flávio" ainda desgasta candidatura
Mensagens obtidas pelo Intercept indicam conexão direta entre o senador Flávio Bolsonaro e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com documentos sugerindo que R$ 61 milhões teriam sido enviados aos EUA através de fundo de aliados de Eduardo Bolsonaro para bancar o filme “Dark Horse”. Pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou queda de 5,4 pontos nas intenções de voto de Flávio no primeiro turno após o vazamento. Para 45% dos entrevistados, a candidatura foi muito enfraquecida com a divulgação das conversas. O senador nega irregularidades, mas o caso segue ativo nos bastidores e nas pesquisas.
“Pedir R$ 134 milhões a um banqueiro preso para filmar o pai. Em ano eleitoral, isso não é detalhe é manchete permanente.”
Pesquisa mostra como se distribui eleitorado de centro
Nova pesquisa Datafolha mostra Lula atraindo 29% do eleitorado de centro, contra 20% de Flávio Bolsonaro. O eleitorado de centro é o fiel da balança nas eleições brasileiras — e ainda está em disputa. Os números chegam em semana de crise para Flávio, ainda pressionado pelo “Vaza Flávio” e pela nota do governo. Em simulações de segundo turno, Lula e Flávio seguem em empate técnico — o que indica que a eleição de outubro ainda está completamente em aberto.
“29% a 20% no eleitorado de centro. É pequeno o número, mas grande o que ele revela: a eleição não está decidida — e está longe disso.”
Hoje 13h tem final da Champions
Arsenal e PSG disputam hoje a final da Champions League 2025/26 na Puskás Aréna, em Budapeste, a partir das 13h (horário de Brasília). O Arsenal chega campeão da Premier League com campanha invicta na Champions. O PSG, atual campeão europeu, tenta conquistar seu segundo título continental consecutivo. Pela primeira vez em muitos anos, o jogo decisivo foi antecipado para as 13h no horário de Brasília — estratégia da UEFA para ampliar audiência global, especialmente no mercado asiático. O zagueiro brasileiro Gabriel Magalhães é titular e peça central da defesa do Arsenal. Transmissão ao vivo pelo SBT, TNT e HBO Max.
“Arsenal vs PSG em Budapeste. Dois times, duas histórias, um troféu. E um brasileiro no meio de tudo isso — como sempre.”
Começou julgamento das Big Techs no
STF
O STF começou ontem o julgamento dos recursos de Google e Facebook contra a decisão que ampliou a responsabilização das plataformas por conteúdo ilícito. O julgamento segue no plenário virtual até 9 de junho. As empresas pedem esclarecimentos sobre quando as novas regras entram em vigor e solicitam prazo mínimo de adaptação. A decisão final definirá como as plataformas precisarão moderar conteúdo no Brasil — impacto direto em como a campanha eleitoral de outubro circulará nas redes.
“O julgamento que vai definir o que você vê no Google e no Facebook está acontecendo agora em silêncio, no plenário virtual do STF.”
PEC 5 x 2 ficará para agosto
A PEC do fim da escala 6x1 deve ser votada no Senado apenas em agosto, após o recesso de julho — segundo articulações no Planalto. O intervalo dá mais tempo ao setor produtivo para aprofundar o lobby técnico junto aos senadores. CNI e Fiesp já definiram estratégia para incluir mecanismos de compensação por produtividade no texto. O governo quer votar antes das convenções partidárias para consolidar o capital político da vitória antes da campanha formal.
“A PEC aprovada com 461 votos vai ter de esperar o julho do Brasil para virar lei. E julho no Congresso pertence a quem tem lobista bem pago.”
Gilmar Mendes segura mudanças na 'Ficha Limpa'
Com o pedido de vista de Gilmar Mendes, o julgamento da Ficha Limpa pode chegar ao plenário físico do STF apenas em setembro com a campanha eleitoral já em andamento. O placar estava 2 a 0 contra as alterações que beneficiariam Eduardo Cunha, Garotinho e Arruda. Advogados eleitorais já orientam clientes a preparar candidaturas para dois cenários simultâneos: com a Ficha Limpa original e com a versão mais branda do Congresso.
“A Ficha Limpa está na gaveta de Gilmar. E a eleição está a quatro meses. Cada dia na gaveta tem preço.”
Doleiro preso com R$ 2 milhões no RJ
A Polícia Federal prendeu ontem (29/05) um doleiro no Rio de Janeiro com R$ 2 milhões em espécie durante operação contra lavagem de dinheiro, investigada como parte de rede de câmbio ilegal que opera entre o Rio e São Paulo. A operação acontece em contexto de ritmo acelerado da PF em 2026, com pelo menos oito operações relevantes concluídas só em maio. O caso alimenta o movimento no Senado pela CPI do crime organizado pauta que ganha força semana a semana.
“R$ 2 milhões em espécie numa mala. O crime organizado financeiro não tem um endereço tem uma rede. E a PF está mapeando essa rede em 2026.”
CPMI do Master ganha força
A Operação Compliance Zero expõe a rede política construída em torno do Banco Master e leva o rastro do dinheiro até a negociação milionária entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro para financiar o filme “Dark Horse”. Em ano eleitoral, o caso já pressiona o Congresso por uma CPMI e envolve suspeitas de fraude financeira, emendas parlamentares e risco ao Fundo Garantidor de Créditos. Uma CPMI com Flávio como pré-candidato é o tipo de instrumento que a oposição ao PL pode usar para manter o caso vivo durante toda a campanha.
“A CPMI do Master seria um tribunal político em ano eleitoral. É por isso que ela tanto avança quanto é freada dependendo de quem fala.”
Acordo Trump e Irã deve aliviar pressão no petróleo
Trump diz que acordo com o Irã está amplamente negociado e deve resultar na reabertura do Estreito de Ormuz. A notícia provocou queda nos preços do petróleo ao longo da semana e pode aliviar pressão sobre o dólar e a inflação no Brasil nas próximas semanas. Para o governo Lula, um acordo bem-sucedido seria alívio externo num momento de pressão inflacionária doméstica — mas a instabilidade da região permanece como risco de cauda para qualquer projeção econômica.
“Trump negociando com o Irã enquanto classifica PCC como terrorista. A política externa americana de 2026 não é linear é improvisação estratégica.”
Reta final para inscrição no Enem
As inscrições para o Enem 2026 encerram na próxima sexta-feira, 5 de junho. O prazo final se aproxima sem campanha institucional robusta — penalizando especialmente candidatos com menor acesso à informação em regiões vulneráveis do Norte e Nordeste. Para gestores públicos, comunicadores e educadores, é o momento de amplificar o alerta. O Enem é o principal mecanismo de acesso ao ensino superior público e ao ProUni — cada candidato que perde o prazo perde uma oportunidade de mobilidade social que raramente se repete.
“O prazo do Enem fecha em 6 dias. Quem não sabe disso, não vai saber a tempo. Isso é falha de comunicação pública"
Em síntese
“No Brasil hiperconectado, os fatos importam. Mas a velocidade da narrativa costuma importar ainda mais.”
País passa a ter ‘Tela Brasil’, plataforma pública de streaming que está sendo chamada de “Netflix brasileira”
30/05/2026
O lançamento está marcado para 12h, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), e contará com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes.
‘Netflix brasileira’
Apelidado de “Netflix brasileira”, o Tela Brasil foi desenvolvido pelo Ministério da Cultura (MinC), com apoio da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), e utiliza tecnologia nacional.
A proposta é ampliar o acesso da população a filmes, documentários e outras obras brasileiras, com destaque para produções independentes que costumam circular em festivais e mostras, mas enfrentam dificuldades para alcançar grandes audiências.
A avaliação do governo é que uma plataform...
Será lançada neste sábado (30/05), às 12h, a ‘Tela Brasil’, uma plataforma pública de streaming voltada exclusivamente para produções audiovisuais nacionais. A iniciativa surge como alternativa gratuita para aproximar o público do cinema produzido no país.
O lançamento está marcado para 12h, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), e contará com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes.
‘Netflix brasileira’
Apelidado de “Netflix brasileira”, o Tela Brasil foi desenvolvido pelo Ministério da Cultura (MinC), com apoio da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), e utiliza tecnologia nacional.
A proposta é ampliar o acesso da população a filmes, documentários e outras obras brasileiras, com destaque para produções independentes que costumam circular em festivais e mostras, mas enfrentam dificuldades para alcançar grandes audiências.
A avaliação do governo é que uma plataforma pública pode aumentar a visibilidade do audiovisual nacional e contribuir para o fortalecimento do setor, especialmente entre produtores independentes.
Diferentes conteúdos
A plataforma reunirá conteúdos de diferentes gêneros, incluindo longas, documentários, curtas-metragens e séries, facilitando o acesso a títulos muitas vezes restritos a circuitos especializados. A expectativa é que o catálogo inicial apresente mais de 450 obras e seja ampliado gradualmente após o lançamento, com a inclusão de novos conteúdos ao longo do tempo.
Ao falar sobre a plataforma, o presidente Lula se referiu ao projeto como “nossa Netflix brasileira”. “Vamos disponibilizar 500 filmes brasileiros para que o povo possa assistir de graça na rede de TV brasileira. É a nossa Netflix, nossa Netflix brasileira”, disse o presidente.

Mais acesso para o público
Segundo o Ministério da Cultura, o Tela Brasil funcionará como uma plataforma de streaming gratuita voltada à exibição de conteúdos 100% brasileiros. A proposta é reunir em um único ambiente digital obras de diferentes gêneros, incluindo filmes, documentários, curtas-metragens e produções independentes, facilitando o acesso do público a títulos que muitas vezes ficam restritos a circuitos especializados.
Para viabilizar o projeto, o governo destinou R$ 4,2 milhões ao licenciamento de 447 obras audiovisuais. Inicialmente, a previsão era de que a plataforma estivesse disponível no segundo semestre de 2025, mas foi adiada.
Como acessar
A expectativa é que o catálogo seja ampliado gradualmente após o lançamento, permitindo a incorporação de novos conteúdos ao longo do tempo.
O acesso ao streaming será feito por meio de login com a conta gov.br, no site oficial da plataforma ou por aplicativo, disponível para Android e iOS. As duas opções estarão liberadas após o evento de lançamento. O aplicativo será compatível com Smart TVs e dispositivos de transmissão como Google Chromecast e Apple TV.
— Com Agência Brasil e Metrópoles

Demorou mas saiu - Prefeitura de Olinda interdita parte do Mercado da Ribeira
30/05/2026
Diversos veículos da Imprensa, a exemplo de O Poder, G1 e Diário de Pernambuco também denunciaram o descaso e cobraram providências. Depois de cerca de um mês da ordem judicial, que deu prazo de 48h para a Prefeitura adotar providências, a área ameaçada de desabamento foi interditada.
O fato
O Mercado da Ribeira enfrenta grave risco de desabamento devido a uma infestação de cupins que deteriorou suas vigas e cobertura. Para conter a crise estrutur...
Construído em 1693, o Mercado da Ribeira é um dos principais monumentos do Sítio Histórico da cidade Patrimônio da Humanidade. Antigo mercado de escravos, hoje funciona como centro de comercialização de artesanato. A Prefeitura de Olinda, embora precariamente, interditou parte do Mercado e colocou uma escora insuficiente, cumprindo parcialmente a decisão judicial movida a pedido do advogado Antônio Campos visando salvar esse importante marco da História.

Diversos veículos da Imprensa, a exemplo de O Poder, G1 e Diário de Pernambuco também denunciaram o descaso e cobraram providências. Depois de cerca de um mês da ordem judicial, que deu prazo de 48h para a Prefeitura adotar providências, a área ameaçada de desabamento foi interditada.

O fato
O Mercado da Ribeira enfrenta grave risco de desabamento devido a uma infestação de cupins que deteriorou suas vigas e cobertura. Para conter a crise estrutural e proteger pedestres, a Justiça determinou que a prefeitura realize o isolamento imediato de áreas e intervenções emergenciais. A situação crítica do espaço histórico movimentou órgãos de proteção e a Justiça. O telhado do mercado está comprometido por danos severos causados por cupins e pelo peso de uma caixa d'água de amianto.

A situação
Foi agravada com o período de chuvas na região. O juiz Marcos Antônio Tenório (6ª Vara Cível de Olinda) impôs um prazo judicial de 48 horas para a Prefeitura adotar ações de contenção emergencial, sob pena de multa diária. O local é objeto de inquérito civil do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para apurar omissões na preservação deste patrimônio.

Projeto de Restauração
O município publicou um edital para requalificação e restauro completo do prédio, com verba federal da ordem de R$ 353 mil para reparar a coberta, paredes, pintura e acessibilidade. Vamos torcer e fiscalizar.
Senador Veneziano prestigia 3ª edição do Festival do Leite e do Mel em São José da Lagoa Tapada (PB)
30/05/2026
Maior festival da região
O evento vem se consolidando como o maior festival da região e durante quatro dias (este ano em 29 e 30 de maio e 01 e 02 de junho) celebra a cultura, a tradição e economia local, com muita música, apresentações culturais, palestras, exposições, torneio leiteiro e muito mais.
Em São José da Lagoa Tapada, Veneziano foi recebido pelo Prefeito Neto de Coraci, vereadores, demais auxiliares do governo municipal e pela população em geral. Também estavam presentes os prefeitos Expedito Filho, de Triunfo; Laís Raquel, de Poço de José de Moura; e Alberto de Braz, da cidade de Santa Cruz. O Deputado Federal Murilo Galdino também participou do evento.
Divisa com importantes cid...
A terceira edição do Festival do Leite e do Mel, na cidade de São José da Lagoa Tapada (PB), foi aberta em grande estilo na noite desta sexta-feira (29/05), com a participação do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).
Maior festival da região
O evento vem se consolidando como o maior festival da região e durante quatro dias (este ano em 29 e 30 de maio e 01 e 02 de junho) celebra a cultura, a tradição e economia local, com muita música, apresentações culturais, palestras, exposições, torneio leiteiro e muito mais.
Em São José da Lagoa Tapada, Veneziano foi recebido pelo Prefeito Neto de Coraci, vereadores, demais auxiliares do governo municipal e pela população em geral. Também estavam presentes os prefeitos Expedito Filho, de Triunfo; Laís Raquel, de Poço de José de Moura; e Alberto de Braz, da cidade de Santa Cruz. O Deputado Federal Murilo Galdino também participou do evento.

Divisa com importantes cidades
Localizado a cerca de 460 km da capital paraibana, João Pessoa, o município faz divisa com importantes cidades da região, como Sousa e Pombal. Seu nome curioso vem do antigo Sítio Lagoa Tapada, onde foi feito um aterro em uma lagoa. A cidade foi emancipada politicamente em julho de 1959.
“Festa organizada e familiar”
“Gostaria de parabenizar o prefeito Neto pela grandiosa festa, muito organizada, um evento bem familiar, que enaltece a cultura e a economia da região. E reafirmar nossos compromissos com São José da Lagoa Tapada e com todos os municípios da região, cujos prefeitos participaram também do evento e têm recebido, do nosso mandato, atenções em forma de entregas, com ações importantes em benefício do nosso povo. Afinal de contas, nós exercemos um mandato de resultados”, afirmou Veneziano.

Pacheco abre o jogo sobre o futuro, desfaz especulações e avisa: “estou encerrando minha trajetória política”
30/05/2026
A declaração foi feita durante um encontro em São Paulo em que o senador esclareceu seus planos. “Eu vou deixar o ciclo da política”, afirmou., acrescentando que considera concluído o período da sua vida iniciado há 12 anos, em que exerceu os cargos de deputado federal, senador e presidente do Senado e do Congresso Nacional.
Retorno à advocacia
Pacheco é advogado renomado e nunca escondeu que entre suas ambições, está a de voltar a advogar, ampliar a atuação do seu escritório e, quem sabe, ser indicado um dia para o colegiado de algum tribunal superior, sobr...
Depois de muitas especulações e lembranças do seu nome em articulações políticas diversas para as eleições de outubro, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) finalmente abriu o jogo para colegas, adversários e eleitores. Ele anunciou nesta sexta-feira (29/5) que não disputará o governo de Minas Gerais e que pretende encerrar sua trajetória política ao término do mandato, em dezembro.
A declaração foi feita durante um encontro em São Paulo em que o senador esclareceu seus planos. “Eu vou deixar o ciclo da política”, afirmou., acrescentando que considera concluído o período da sua vida iniciado há 12 anos, em que exerceu os cargos de deputado federal, senador e presidente do Senado e do Congresso Nacional.
Retorno à advocacia
Pacheco é advogado renomado e nunca escondeu que entre suas ambições, está a de voltar a advogar, ampliar a atuação do seu escritório e, quem sabe, ser indicado um dia para o colegiado de algum tribunal superior, sobretudo o Supremo Tribunal Federal (STF). Ressaltou que a escolha foi amadurecida após deixar o comando da Casa Legislativa, em fevereiro passado. E enfatizou estar tranquilo com a decisão.
Sem declarar apoio formal a qualquer pré-candidato ao governo de Minas Gerais, o parlamentar citou o empresário Josué Gomes e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares como bons nomes. Afirmou que “Minas Gerais terá pessoas qualificadas para disputar o governo estadual e para representar o estado no Congresso”.
Vida realizada
“Tenho uma vida plenamente realizada, acho que cumpri minha missão na política e é sempre o momento de avaliar ciclos”, frisou.
O nome de Pacheco chegou a constar na mesa de Lula como sugestão para ser indicado como novo ministro do STF, na vaga deixada pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, mas Lula preferiu indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, que foi rejeitado pelo Senado Federal.
— Com Agências de Notícias
Novo relatório que fala em assassinato de JK pode mudar o atestado de óbito do ex-presidente e ampliar investigações sobre outros casos
30/05/2026
O relatório foi aprovado por seis votos favoráveis e uma abstenção. JK faleceu em agosto de 1976, aos 73 anos, num acidente na Via Dutra, Rio de Janeiro, em um opala dirigido por seu motorista, Geraldo Ribeiro. A versão mais conhecida é de que, ao ter sido atingido por um ônibus, Geraldo aparentemente perdeu o controle do carro e colidiu com um caminhão. O opala ficou totalmente destruído e os dois faleceram no local.
Muitas investigações
Vários especialistas já tinham...
Uma dúvida de quase 50 anos, com muitas versões, parece que finalmente vai ter um ponto final, embora sempre aparente que pode surgir outro fato novo que a conteste. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, aprovou na tarde desta sexta-feira (29/05) relatório que concluiu que o presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado por agentes da ditadura militar, em 1973.
O relatório foi aprovado por seis votos favoráveis e uma abstenção. JK faleceu em agosto de 1976, aos 73 anos, num acidente na Via Dutra, Rio de Janeiro, em um opala dirigido por seu motorista, Geraldo Ribeiro. A versão mais conhecida é de que, ao ter sido atingido por um ônibus, Geraldo aparentemente perdeu o controle do carro e colidiu com um caminhão. O opala ficou totalmente destruído e os dois faleceram no local.

Muitas investigações
Vários especialistas já tinham investigado por, pelo menos, três vezes os fatos e produziram relatórios considerados contraditórios.Mas o atual, apresenta avaliações com novas informações que não existiam na época das perícias anteriores. A conclusão deste relatório mais recente é de que o carro onde estava o ex-presidente foi preparado e o motorista dopado.
O novo parecer, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, tomou como base um vasto conjunto documental, incluindo inquéritos do Ministério Público Federal (MPF), laudos periciais e estudos produzidos por diferentes comissões da verdade.
A nova investigação, porém, questionou alguns dos elementos encontrados em tais documentos e uniu os pontos de outras informações. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a principal premissa utilizada para explicar a tragédia — a suposta colisão de um ônibus na traseira do carro — nunca teria ocorrido.
Encontro com emissários de Geisel
De acordo com a relatora do parecer, um encontro com emissários do então presidente Ernesto Geisel em um hotel teria sido o motivo para JK viajar ao Rio de Janeiro de carro. Essa reunião teria sido a isca para atrair o ex-presidente. Além disso, Geraldo pode ter sido sedado, sem contar que o Opala em que viajavam também teria sido sabotado nesse hotel.
Há ainda o testemunho de um caminhoneiro que estava atrás do caminhão no qual o carro de JK colidiu. Ele disse ter visto Geraldo debruçado, parecendo desacordado, antes da batida. "O acidente não ocorreu como foi relatado. Se consideramos a situação política, as falhas, a notícia da morte dias antes, ocultação e destruição de provas, podemos dizer que o assassinato foi ocultado", relatou ele a Maria Cecília.

JK continuava sendo um nome forte
As dúvidas sobre as circunstâncias da morte de JK não são recentes. Cassado pelo regime militar e impedido de disputar eleições, o ex-presidente permanecia como uma das figuras políticas mais influentes do país. Ao lado de João Goulart e Carlos Lacerda — ambos adversários políticos e ideológicos, mas igualmente perseguidos pela ditadura — integrou a Frente Ampla, movimento que defendia a restauração da democracia. Tornou-se, então, um dos principais alvos da repressão do regime dos generais.
Desde os anos 1970, parentes, pesquisadores e setores da sociedade civil levantam a hipótese de que a morte teria sido resultado de uma trama política. As suspeitas levantaram, ao longo de cinco décadas, teorias sobre sabotagem do veículo e possíveis ações coordenadas de órgãos de segurança ligados à ditadura.
Avaliação da CNV em 2014
Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) analisou o episódio e concluiu que não havia elementos suficientes para caracterizar assassinato, mantendo a tese de acidente. O entendimento, entretanto, passou a ser contestado por comissões estaduais e municipais da verdade, especialmente em São Paulo e Minas Gerais, que apontaram indícios compatíveis com uma ação deliberada contra o ex-presidente.
O relatório agora aprovado pela Comissão sobre Mortos e Desaparecidos (CEMDP) reúne mais de 5 mil páginas e aponta inconsistências em laudos produzidos na época, divergências em registros oficiais e falhas em documentos que sustentaram a investigação original. A análise também questiona a dinâmica do acidente e sustenta a existência de interferência externa que teria provocado a saída do automóvel da pista.
Com isso, o colegiado deverá adotar medidas para alterar a certidão de óbito de JK, adequando-o às conclusões do documento, conforme prevê a Resolução nº 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

É Findi - Sintonia de Valores - Conto - Por Maria Inês Machado*
29/05/2026
Na manhã da partida, a terra rachada parecia prolongar a dor dos que ficavam. O açude reduzira-se a espelho de lama, os mandacarus resistiam em silêncio, e o vento quente carregava a poeira das estradas. Antes de subir no caminhão que a levaria para longe, Laura voltou os olhos para a casa simples onde crescera. Viu a mãe à porta, contendo as lágrima, e o pai com o olhar perdido no horizonte. Não houve promessas grandiosas. Apenas aceno demorado, desses que permanecem na memória por toda a vida.
A cidade que a recebeu não lhe ofereceu acolhimento. Os primeiros anos foram marcados por salários insuficientes, jornadas intermináveis e pela indiferença de quem enxergava no trabalhador apenas uma peça substituível. Muitas vezes retornava ao quarto alugado com os pés doloridos e as mãos marcadas pelo esforço. Ainda assim, recusava-se a alimentar ressentimentos. Aprendera cedo que a adversidade podia endurecer o coração ou fortalec...
Ainda jovem, Laura deixou o sertão.
Na manhã da partida, a terra rachada parecia prolongar a dor dos que ficavam. O açude reduzira-se a espelho de lama, os mandacarus resistiam em silêncio, e o vento quente carregava a poeira das estradas. Antes de subir no caminhão que a levaria para longe, Laura voltou os olhos para a casa simples onde crescera. Viu a mãe à porta, contendo as lágrima, e o pai com o olhar perdido no horizonte. Não houve promessas grandiosas. Apenas aceno demorado, desses que permanecem na memória por toda a vida.
A cidade que a recebeu não lhe ofereceu acolhimento. Os primeiros anos foram marcados por salários insuficientes, jornadas intermináveis e pela indiferença de quem enxergava no trabalhador apenas uma peça substituível. Muitas vezes retornava ao quarto alugado com os pés doloridos e as mãos marcadas pelo esforço. Ainda assim, recusava-se a alimentar ressentimentos. Aprendera cedo que a adversidade podia endurecer o coração ou fortalecer o espírito. Escolheu o segundo caminho.
Nas horas roubadas ao descanso, estudava.
Enquanto a cidade adormecia sob o brilho dos postes, Laura permanecia inclinada sobre livros gastos, fazendo anotações à luz de uma luminária modesta. O cansaço era um adversário constante, mas havia dentro dela uma determinação silenciosa que não se deixava vencer. Cada página lida parecia aproximá-la de um futuro que, durante a infância, lhe parecera inalcançável.
Os anos passaram.
Vieram as renúncias, os sacrifícios e as incertezas. Chegaram também as pequenas conquistas, aquelas que quase ninguém percebe, mas que sustentam os grandes sonhos. Quando recebeu o diploma de Direito, recordou a paisagem seca que deixara para trás. Não enxergou naquele momento apenas vitória pessoal. Viu o rosto dos pais, o esforço acumulado de tantas madrugadas e a dignidade de quem jamais desistira.
Tornou-se advogada.
No exercício da profissão, adquiriu reputação pela firmeza e pela honestidade. Não cultivava discursos inflamados nem buscava aplausos fáceis. Preferia a discrição dos resultados. Em seu escritório chegavam homens e mulheres carregando histórias de injustiça, exaustão e desalento. Laura os recebia com atenção genuína, pois reconhecia em muitos deles fragmentos da própria trajetória.
Nas audiências, mantinha a serenidade mesmo diante de adversários influentes. Argumentava com firmeza, sem agressividade. Recusava atalhos, favores obscuros ou vantagens incompatíveis com sua consciência. Em tempos de convicções frágeis e interesses mutáveis, a integridade tornara-se sua marca mais valiosa.
Paralelamente à advocacia, escrevia.
Crônicas, artigos e reflexões encontravam espaço em jornais de diversas regiões do país. Seus textos não buscavam agradar grupos ou correntes ideológicas. Procuravam compreender a condição humana em suas contradições, virtudes e fragilidades. Acreditava que a verdadeira transformação social nascia menos dos slogans e mais da responsabilidade individual associada ao respeito mútuo.
Alguns anos depois, Mariana, sua irmã mais nova, percorreu caminho semelhante. Trabalhou durante o dia, estudou à noite e concluiu a graduação em Física. Tornou-se professora da rede particular de ensino. Encontrou na educação uma forma de contribuir para a construção de um futuro melhor.
Naquele ano, o ambiente escolar vivia dias de tensão.
Uma assembleia definiria a adesão a greve que prometia paralisar as atividades. Nos corredores, os debates multiplicavam-se. Alguns professores defendiam a paralisação como instrumento legítimo de reivindicação; outros manifestavam dúvidas quanto à sua eficácia. Mariana acompanhava as discussões com atenção e respeito.
Desde a infância, aprendera com os pais que a dignidade humana floresce onde existem responsabilidade e liberdade. Também observara, ao longo dos anos, a atuação da irmã, sempre pautada pela defesa dos direitos sem renunciar ao respeito pelas diferenças.
Após longa reflexão, decidiu não aderir ao movimento.
A escolha, entretanto, não foi recebida com a mesma tolerância que ela dedicava aos colegas. Comentários irônicos surgiram nos corredores. Houve críticas, insinuações e palavras ditas com o propósito de constranger. Mariana ouviu tudo sem alterar o tom de voz ou o comportamento.
Não se considerava melhor nem pior do que aqueles que pensavam de forma diferente. Apenas compreendia que a consciência não pode ser terceirizada. Permanecer fiel às próprias convicções era, para ela, uma questão de coerência.
As duas irmãs seguiam caminhos distintos, mas guiados pelos mesmos princípios.
Sabiam que os direitos dos trabalhadores representam conquistas valiosas, construídas ao longo de gerações de esforço e sacrifício. Sabiam também que nenhuma causa se fortalece quando o respeito desaparece.
A convivência humana torna-se mais difícil quando as pessoas deixam de enxergar indivíduos e passam a enxergar rótulos. Quando isso acontece, o diálogo cede lugar à hostilidade, e a liberdade transforma-se em mera palavra.
Talvez o verdadeiro progresso não esteja apenas nas leis, nos discursos ou nas instituições.
É possível que comece no instante em que alguém reconhece, no pensamento divergente, não um inimigo a ser combatido, mas um ser humano digno de respeito.
*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'. @mariainesmachadopsi
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Dom e Tom - Por Marcelo Mário de Melo*
29/05/2026
É tom de todos.
Em alguns tom alargado
em outros tom aflorado
no geral tom desmatado.
Serra de deseducação
ceifando a criação.
Mas no campo de batalha
com rebeldia e alegria
os tons da vida podem plantar
sementes de poesia.
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm
A poesia não é dom de donos.
É tom de todos.
Em alguns tom alargado
em outros tom aflorado
no geral tom desmatado.
Serra de deseducação
ceifando a criação.
Mas no campo de batalha
com rebeldia e alegria
os tons da vida podem plantar
sementes de poesia.
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm
É Findi - Mantra - Poema - Por Ana Pottes*
29/05/2026
Na pele, no pelo,
a história se mostra.
Liberta.
Não trava.
Respira.
Ajusta.
Anda sem pressa.
Se quiser...acelera.
Mas não esquece:
Destrava,
Respira.
Vê,
há poesia:
no olhar,
no suspiro.
Sorve e absorve o lirismo.
Arrepia.
Toma fôlego.
Vive.
*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes
Escuta.
Na pele, no pelo,
a história se mostra.
Liberta.
Não trava.
Respira.
Ajusta.
Anda sem pressa.
Se quiser...acelera.
Mas não esquece:
Destrava,
Respira.
Vê,
há poesia:
no olhar,
no suspiro.
Sorve e absorve o lirismo.
Arrepia.
Toma fôlego.
Vive.
*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes

É Findi - O Poeta, Universo - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
29/05/2026
devagar o Sol declina;
sim, cumpriu sua sina,
e nos deseja boa-noite!
E a Lua, bem devagarinho,
vem cumprir seu destino:
traz-nos, suavemente,
sua doçura, adolescente.
E o poeta se faz presente,
olha o horizonte, contente:
sonha o sonho da gente;
E, se sofre, disfarça a dor,
transforma-a numa flor...
deveras, acredite, é ator!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
Na boquinha da noite,
devagar o Sol declina;
sim, cumpriu sua sina,
e nos deseja boa-noite!
E a Lua, bem devagarinho,
vem cumprir seu destino:
traz-nos, suavemente,
sua doçura, adolescente.

E o poeta se faz presente,
olha o horizonte, contente:
sonha o sonho da gente;
E, se sofre, disfarça a dor,
transforma-a numa flor...
deveras, acredite, é ator!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
