Especial — Confederação do Equador: A Angústia de Frei Caneca numa Goiana deserta
14/09/2024
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 182...
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 1824) à meia-noite, e não foi pequeno o nosso espanto, quando sem esperarmos a achamos deserta inteiramente. O escuro da noite e o medonho silêncio em que estava sepultada a vila, os uivos dos cães, tudo cooperou para nos encher de terror, e nos julgarmos nos maiores perigos. Corremos várias ruas em busca das pessoas do nosso conhecimento, mas tudo foi baldado; porque a ninguém achamos”.
Duas casas
“Nesta circunstância deparamos com duas casas, em que por estarem com luz acesa nos falaram; mas foi para maior embaraço nosso. Em uma, um soldado cheio de maior terror por ver-nos, e talvez supor-nos inimigos, balbuciava, e nada dizia que fosse coerente; e ainda assim nos informou que toda a tropa já se havia retirado pela estrada da Conceição. Mas outro, que em outra rua nos falou, traiu-nos dizendo-nos que a tropa tomara a estrada de Goiana Grande: era o mesmo que entregar-nos aos ceroulas [provavelmente, ironia popular que queria dizer gente de Milícias e Ordenanças, que lutavam sem farda] de João Baptista Rego, que já haviam tomado o ponto de Pitimbu, e era natural estarem naquelas fronteiras”.
Topografia ignorada
“Os nossos companheiros, que ignoravam a topografia da vila e não sabiam e nem podiam conhecer o laço que nos armava o segundo informante, desconfiados do modo trepidante do primeiro, fiaram-se na segurança com que falou o segundo; e assim assentaram que tomássemos o caminho de Goiana Grande (devia ser a estrada para a Paraíba). Ponderamos-lhes o que sabíamos, dirigindo-nos a mostrar-lhes que jamais podia a força de Goiana seguir aquele destino; mas foi em vão: teimaram os nossos amigos no seu entendimento, e nós por contemporizar seguimo-los; e, ao passar pela frente do Convento do Carmo, nos dirigimos a ele, para que lá tomássemos informação do estado das coisas; mas tudo foi sem fruto”.

Ilusão
“O convento estava aberto e às escuras, ainda assim pelo tino, que nos fazia lembrar dos seus arranjos, por termos por anos habitado aquela casa, nos arriscamos a entrar e subir até o seu antecoro; e por mais que gritamos a chamar quem lá estivesse, ninguém nos respondeu”.
Caráter contemporizador
“Aqui os nossos amigos, que haviam ficado fora, nos chamaram e fizeram-nos acompanhá-los pra Goiana Grande. Sempre tivemos um caráter de contemporizador com os nossos amigos; e, fazendo reflexão sobre os trabalhos porque havíamos passado em nossos dias, conhecemos que tudo devíamos a conselhos alheios; e por este motivo, depois de haverem chegado aos lameirões de Goiana Grande, tomamos a resolução de não nos sacrificar a conselhos sem fundamento algum e inteiramente opostos à nossa salvação. Por isso, fazendo notar aos amigos que eles por não saberem as direções das estradas se iludiram com a aparente segurança do segundo soldado, e que até aquele momento mesmo nós sempre havíamos padecido por sermos escravos da vontade dos nossos amigos, declaramos que fazíamos ponto ali, e começávamos a usar do nosso entendimento; pelo que os não acompanhávamos”.
Retaguarda da força
“Esta nossa resolução salvou a todos, porque eles, dando peso ao nosso juízo, voltaram conosco pela estrada da Soledade; e depois de havermos andado o resto da noite, fomos encontrar com a retaguarda da força duas léguas acima da vila. Aqui já cansados dos trabalhos antecedentes e fatigados do espírito, descansamos em uma casa muito velha; pelo que havia dentro supusemos ser de ladrões; por este fundamento não houve maneira de conciliarmos sono, e passamos no campo, ora assentados, ora deitados, ora passeando até o romper da aurora. Raiando esta, nos pusemos em marcha para chegarmos a Goianinha, onde havia dormido o presidente temporário da Paraíba. A poucos passos fomos encontrando por toda a estrada muitas pessoas do nosso conhecimento, entre as quais foi o tenente-coronel Manuel Inácio de Melo, que no dia antecedente fora aclamado em Goiana comandante-geral daquela força. Da prática que tivemos com ele, não fizemos bom conceito daquela força, e não julgamos segurança alguma no meio dela, por nos ser descrita com uma multidão confusa, sem ordem, sem subordinação e inteiramente anárquica”.

Dia seguinte
“Chegamos afinal a Goianinha, e ali achamos o grosso da divisão e um povo numeroso com algumas famílias honestas; cumprimentamos o presidente (temporário da Paraíba, Felix Antônio Ferreira de Albuquerque, aclamado por cinco das nove vilas paraibanas): desde logo fomos agregados à sua família, e tomamos quartel na mesma morada”. Caneca termina o relato desta noite de medo, narrando o dia seguinte, quando chegou à povoação de Goianinha “que é uma povoação não pequena, e representa ter algum comércio dos gêneros de lavoura. Tem uma igreja pequena; ela e as casas da povoação são de má ou de nenhuma arquitetura; à exceção de mui poucas, as outras são de palhas”.
Presos políticos
Ainda registraria o frade jornalista a sua passagem de volta, na caravana dos presos políticos da Confederação do Equador vindos do sertão do Ceará, em 15 de dezembro de 1824. A guarnição evitou a vila, pernoitando no engenho Bujari. Ia preso, para ser submetido a uma corte marcial, pois seu destino já estava traçado numa portaria imperial de julho daquele ano.
Itinerário
Frei Caneca relatou este momento em seu Itinerário: “(...) fomos chegar a Goiana pelas onze horas da manhã, onde querendo o major Pastorinha (da Paraíba) ficar, resolveu-se, afinal a irmos aquartelar no engenho de Bujari, a meia légua da vila, cuja propriedade pertence ao padre João Álvares de Souza, que nos acolheu muito bem. Aqui fomos visitados por muitos homens liberais de Goiana, que de propósito nos foram abraçar, e oferecer-nos os seus serviços, e nos presentearam com bom peixe e para cearmos, vinho, queijos, frutas e doces. Aí pernoitamos e, sobre a madrugada querendo-nos aprontar para seguirmos a viagem, demos por falta de alguns companheiros nossos. Ao depois de alguma diligência, não se podendo descobrir os fugitivos, saímos ao amanhecer do dia 16 (...)” (CANECA, 2001, p.602/3). Apesar de sua contundente defesa, seu destino já estava traçado pelo português D. Pedro I. Foi fuzilado, no Recife, em 13 de janeiro de 1825.
*Josemir Camilo de Melo é historiador
Leia outras informações
Balanço aponta que mais de R$ 1 bilhão de saldos em bets foram devolvidos a apostadores
10/10/2026
Os dados foram compilados a partir do envio de informações pelas empresas ao Governo Federal. Os R$ 159 milhões restantes pertencem a apostadores que não retiraram os valores até o fim do prazo para saque voluntário, encerrado em 5 de outubro. Os dados abrangem 22,5 milhões de apostadores, distribuídos em 70,5 milhões de contas.
Bloqueio de 16,6 mil bets ilegais
Conforme as informações desse mesmo balanço, a maior parte dos saldos remanescentes é de pequeno valor. Segundo as empresas, 90% das contas têm menos de R$ 1 a receber e 97% possuem saldo inferior a R$ 10.
Tais devoluções es...
Balanço divulgado por órgãos do Poder Executivo informou que, depois da Medida Provisória que proibiu o uso de bets no país, mais de R$ 1 bilhão em saldos de apostadores foram devolvidos aos usuários dessas plataformas. Com isso, o saldo atual, que ainda precisa ser transferido até o próximo dia 14, caiu de R$ 1,2 bilhão para R$ 159 milhões.
Os dados foram compilados a partir do envio de informações pelas empresas ao Governo Federal. Os R$ 159 milhões restantes pertencem a apostadores que não retiraram os valores até o fim do prazo para saque voluntário, encerrado em 5 de outubro. Os dados abrangem 22,5 milhões de apostadores, distribuídos em 70,5 milhões de contas.
Bloqueio de 16,6 mil bets ilegais
Conforme as informações desse mesmo balanço, a maior parte dos saldos remanescentes é de pequeno valor. Segundo as empresas, 90% das contas têm menos de R$ 1 a receber e 97% possuem saldo inferior a R$ 10.
Tais devoluções estão sendo feitas porque entre 25 de setembro e 9 de outubro, o governo encaminhou para bloqueio 16.627 sites ilegais de apostas. Também foi solicitada a remoção de 3.691 páginas, perfis, canais, grupos e servidores em plataformas digitais.
18,9 milhões de usuários alcançados
Só no Telegram foram identificados 1.027 grupos com cerca de 18,5 milhões de membros. No TikTok, 115 perfis somavam aproximadamente 459 mil seguidores.
No total, os conteúdos ligados a apostas ilegais alcançavam 18,9 milhões de usuários, membros e seguidores. Já em vigor, como é de praxe, a MP terá, entretanto, de ser chancelada pelo Congresso Nacional.
— Com Agências de Notícias
O espírito da alternância de poder veio forte e não parou, diz o analista político Marcelo S. Tognozzi*
10/10/2026
O espírito da alternância de poder veio forte e não parou no 2º turno. Alguns institutos de pesquisa, especialmente o popular Datafolha, saíram mais uma vez com a credibilidade aos pandarecos. No dia 3 de outubro, cravou Lula com 45% e Flávio com 42%. O resultado foi inverso. Flávio terminando com 47,3% e Lula 45,16%. O Datafolha acertou o percentual de Lula, mas passou longe do de Flávio.
Lula pode virar o jogo?
Lula pode virar o jogo? Pode, mas será difícil. A pesquisa Atlas Intel indicou o tamanho da dificuldade ao mostrar Flávio e Lula empatados no quesito mais preparado para administrar o país. O eleitor considera Flávio mais competente...
A grande novidade desta eleição foi a renovação. Gente jovem governando estados, outros chegando ao Parlamento, alguns voltando ou mudando de casa, como Marcel van Haten, que trocou a Câmara pelo Senado. Teremos a esquerda mínima, com 123 deputados, e a direita máxima a mandar em ambas as casas.
O espírito da alternância de poder veio forte e não parou no 2º turno. Alguns institutos de pesquisa, especialmente o popular Datafolha, saíram mais uma vez com a credibilidade aos pandarecos. No dia 3 de outubro, cravou Lula com 45% e Flávio com 42%. O resultado foi inverso. Flávio terminando com 47,3% e Lula 45,16%. O Datafolha acertou o percentual de Lula, mas passou longe do de Flávio.
Lula pode virar o jogo?
Lula pode virar o jogo? Pode, mas será difícil. A pesquisa Atlas Intel indicou o tamanho da dificuldade ao mostrar Flávio e Lula empatados no quesito mais preparado para administrar o país. O eleitor considera Flávio mais competente para lidar com a criminalidade, a economia e a geração de empregos. Resumo da ópera: a maioria confia mais no desafiante que no incumbente.
Flávio tem conversado com as pessoas com proximidade, aparece no supermercado, mostra os preços subindo, a vida ficando mais cara. Fala da realidade com firmeza e simplicidade. Não tem gritaria do Bolsonarismo raiz, muito menos a truculência.
Lula usa a caneta e o poder de interferir na economia. Tirou os impostos da gasolina, aumentou o Bolsa Família e faz pressão gigante pela aprovação do fim da escala 6 x 1, num país com cada vez menos jovens querendo carteira assinada e CLT. A gastança será sua herança maldita, seja para ele mesmo ou seu sucessor. A vida ficará ainda mais difícil para quem paga imposto.
Campanha diferente das outras
Às vezes é difícil entender mudanças. A campanha de Lula tem sido muito diferente das outras. Primeiro, porque será a última. Segundo, porque ele, sempre muito centralizador, perdeu o controle. E, terceiro, porque achou que seria imbatível para sempre. No início do ano passado, escrevi um artigo mostrando que Lula estava perdendo seu principal ativo: o encanto. Foi descendo a ladeira e, do alto da sua soberba, talvez não tenha se dado conta.
Perdeu a retórica inteligente e eficiente, o silêncio calculado e a malícia do jogador de poker. Quis ser o que não é: vigoroso, atleta, imbroxável como diria o velho Jair de guerra. Conseguiu fazer sua campanha ser a pior de todas. Não adianta culpar o marqueteiro, os aliados, os Estados Unidos, o Congresso, a abstenção. A campanha, como sempre aconteceu, foi uma escolha de Lula.
Ele escolheu disputar o 4º mandato imaginando ser eterno e que o país não se cansaria dele. Mas ninguém é eterno e o país está cansado de Lula. Isso ficou claro no dia 4 de outubro, não apenas com a vitória de Flávio no 1º turno, mas com a maioria esmagadora da direita e centro-direita no parlamento.
Muito a ser lido nas pesquisas
Havia muita coisa a ser lida nas pesquisas que chegaram mais perto do resultado do 1º turno. Como, por exemplo, o fato de as mulheres serem maioria entre os indecisos. Mas se a maioria das mulheres estava com Lula, como poderia haver maioria de mulheres entre os 17% ou 18% de indecisos? Simples: elas não queriam dizer que votariam em Flávio. Seja por medo ou vergonha, preferiram o voto silencioso. Agora, há o risco de Lula ter menos votos no 2º turno do que no 1º, como Alckmin em 2006.
O PT acabou naquela situação do ditado: “em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão”. Faltou voto e sobrou desavença. A ex-senadora Kátia Abreu (PT) foi a única com coragem de dar um freio de arrumação e dizer com todas as letras o que ninguém teve coragem: “menos Janja e mais Alckmin”.
A primeira-dama tropeçou no bom sendo inúmeras vezes, especialmente quando xingou o deputado Nikolas Ferreira (PL) de piá de bosta. Com 3,1 milhões de votos, o deputado e o governador eleito Cleitinho (Republicanos) ajudaram a derrotar Lula em Minas. Janja foi uma espécie de Carla Zambelli de Lula, a aloprada deputada bolsonarista que perseguiu de arma na mão o eleitor que a provocou.
Supremo ajudou a desidratar Lula
O Supremo também ajudou a desidratar Lula com aquela sessão histórica de 15 de setembro, os ministros se digladiando num barraco jurídico. O eleitor, mostraram as urnas, acha que Lula e o STF andam abraçados. Agora, o ministro Alexandre de Moraes piorou as coisas mandando prender o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e a porteira Nailze Aparecida Ribeiro da Silva, 54 anos, condenada a 14 anos por participar do 8 de janeiro. Se esperasse o fim do 2º turno, não daria combustível à oposição. Lembrei do ex-deputado Roberto Jefferson enfrentando a polícia no melhor estilo sangue, tiro e porrada.
Flávio deve estar olhando toda esta movimentação e lembrando daquela máxima de Napoleão: nunca atrapalhe seu inimigo quando ele estiver cometendo um erro.
O tempo corre contra Lula. E está a favor de Flávio neste momento. A ansiedade aumenta, a adrenalina também. Uma derrota para Flávio vai doer fundo em Lula, porque ele sempre desprezou o adversário e não imaginava perder no 1º turno.Poderia sair do governo como o presidente defensor da democracia, sua narrativa preferida nestes últimos 4 anos. Se quisesse, viraria orixá, se transformaria num oráculo com poder e influência, a exemplo dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e José Sarney. Souberam sair da política sem uma derrota final.
Na Roma de 2 mil anos atrás, o escravo público (sim, o poder público tinha escravos) caminhava atrás do imperador, ou dos generais triunfantes, repetindo memento mori (lembre da morte). Era a forma de manter a conexão dos poderosos com a realidade, porque muitos se achavam semideuses e até imortais. Nesta campanha faltou a Lula alguém que cumprisse este papel.
*Marcelo Tognozzi é jornalista e consultor. Uma das principais referências da imprensa brasileira contemporânea.
NR - Autorizada a postagem do artigo, originalmente publicado no Poder 360. O título foi mudado e os intertítulos inseridos à revelia do autor.
Por que a pressa?, por Josué Sena*
10/10/2026
Meditem com prazer o passo.
Pois o mundo sempre recomeça
E o porvir nunca é escasso.
Devagar com a louça e o andor.
Devagar com o trem ou a caleça.
Conforme nosso segundo imperador,
Devagar é que se chega depressa.
No seguir, há viagens externas.
Viagem ao interior de si.
Assim, exercitemos a mente e as pernas,
Da vida, pelos diferentes caminhos.
Depois, degustando de chegada os vinhos,
Digamos: amigos, o mundo eu conheci.
*Josué Sena é poeta e desembargador do TJPE.
NR - A palavra caleça, que significa um tipo de carruagem puxada por cavalos, pronuncia-se com o “ê” aberto. Na verdade, o som é parecido com ca-LÉ-ça, com a sílaba LÉ mais forte.
Por que tanta pressa?
Meditem com prazer o passo.
Pois o mundo sempre recomeça
E o porvir nunca é escasso.
Devagar com a louça e o andor.
Devagar com o trem ou a caleça.
Conforme nosso segundo imperador,
Devagar é que se chega depressa.
No seguir, há viagens externas.
Viagem ao interior de si.
Assim, exercitemos a mente e as pernas,
Da vida, pelos diferentes caminhos.
Depois, degustando de chegada os vinhos,
Digamos: amigos, o mundo eu conheci.
*Josué Sena é poeta e desembargador do TJPE.
NR - A palavra caleça, que significa um tipo de carruagem puxada por cavalos, pronuncia-se com o “ê” aberto. Na verdade, o som é parecido com ca-LÉ-ça, com a sílaba LÉ mais forte.

Dia das Crianças — Inspirado em ‘Alice no País das Maravilhas’ espetáculo une teatro, saúde e responsabilidade social
10/10/2026
A iniciativa é da Companhia Teatral Riso, com apoio do Centro Universitário Tiradentes (Unit) e do Conselho Regional de Odontologia do Estado de Pernambuco, em comemoração ao Dia das Crianças. A produção e direção é do bibliotecário Hoton Esteves.
Narrativa de Alice
A peça é inspirada na narrativa de Alice no País das Maravilhas, que traz, no conteúdo, vários cuidados diários sobre a higiene bucal. Com duração de uma hora, o espetáculo conta a história de uma criança que não gosta de escovar os dentes e é completamente apaixonada por doces.
Certa noite, ao adormecer, Pop entra em um misterioso Jardim Secreto, onde encontra fi...
Uma iniciativa cultural para a criançada, no final de semana, promete unir lazer, saúde e responsabilidade social. A diversão ficará por conta da peça “Pop e o Jardim Secreto”, que estará em cartaz, domingo (11/10), no Teatro Barreto Junior, no Pina. Serão duas sessões: uma às 14h e outra às 16h.
A iniciativa é da Companhia Teatral Riso, com apoio do Centro Universitário Tiradentes (Unit) e do Conselho Regional de Odontologia do Estado de Pernambuco, em comemoração ao Dia das Crianças. A produção e direção é do bibliotecário Hoton Esteves.
Narrativa de Alice
A peça é inspirada na narrativa de Alice no País das Maravilhas, que traz, no conteúdo, vários cuidados diários sobre a higiene bucal. Com duração de uma hora, o espetáculo conta a história de uma criança que não gosta de escovar os dentes e é completamente apaixonada por doces.
Certa noite, ao adormecer, Pop entra em um misterioso Jardim Secreto, onde encontra figuras cômicas e encantadoras que a conduzem por uma divertida aventura. O elenco é formado por Bruna de Lima, que faz Pop na peça, além das crianças Júlia Esteves, Heloísa de Lima, Lorena Esteves e outros atores.
Ao longo dessa jornada, Pop descobre, de forma lúdica e emocionante, as consequências de não cuidar adequadamente da higiene bucal e de consumir doces em excesso. Entre encontros, descobertas e muita diversão, a menina aprende que cuidar dos dentes também pode ser uma grande aventura.
Ferramenta de conscientização
Utilizando o teatro como ferramenta de educação e conscientização, o bibliotecário da Unit acredita que o projeto cria uma conexão entre o papel social da instituição de ensino, a cultura e a comunidade, transformando o espetáculo em um espaço de entretenimento, formação de plateia e educação em saúde.
“Enquanto se divertem, as crianças e também adultos vão aprendendo como cuidar melhor dos dentes na rotina, de maneira leve e simples”, adiantou Hoton. Segundo ele, as orientações foram repassadas pelo Conselho Regional de Odontologia com a Liga Acadêmica de Odontologia do centro universitário.
Ingressos
Os ingressos já estão disponíveis pelo Sympla. Toda a renda arrecadada com a venda dos ingressos sociais será destinada às ações e aos projetos do Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer - Pernambuco (GAC-PE).
#Serviço:
O que: peça “Pop e o Jardim Secreto”
Quando: domingo (11/10)
Onde: Teatro Barreto Junior
Horário: Serão duas sessões: uma às 14h e outra às 16h.
Quanto: Ingresso Inteira (adulto) R$ 70/ Ingressomeia-entrada (crianças até 12 anos, idosos, autistas, professores e militares) R$40 / Ingresso Social R$50.
Entrevista — “Algo saiu diferente das urnas este ano, o Brasil mudou”, avalia José Paulo Cavalcanti Filho
10/10/2026
A avaliação parte de um personagem com respaldo para tanto. José Paulo Cavalcanti Filho além de ser considerado um importante jurista do Brasil contemporâneo, é escritor e imortal das Academias Brasileira de Letras (ABL), Pernambucana de Letras e de Artes de Ciências de Lisboa, que tem alcance nacional em Portugal. Além disso, assina artigos polêmicos e corajosos e faz intervenções em programas de rádio e televisão.
Nesta entrevista, ele explica o motivo pelo qual acha que as coisas estão diferentes. Conforme contou, Ulysses Guimarães (o Senhor Diretas), quando perg...
Em avaliação objetiva sobre o resultado das urnas no último domingo (04/10), o ex-ministro da Justiça, jurista e acadêmico José Paulo Cavalcanti Filho afirmou que, apesar das muitas surpresas, o Brasil está mudando. Isto porque impediu a reeleição de nomes que, há anos, acumularam poder, se contradisseram em gestos e declarações políticas e migraram de lados e legendas sem maiores explicações.
A avaliação parte de um personagem com respaldo para tanto. José Paulo Cavalcanti Filho além de ser considerado um importante jurista do Brasil contemporâneo, é escritor e imortal das Academias Brasileira de Letras (ABL), Pernambucana de Letras e de Artes de Ciências de Lisboa, que tem alcance nacional em Portugal. Além disso, assina artigos polêmicos e corajosos e faz intervenções em programas de rádio e televisão.
Nesta entrevista, ele explica o motivo pelo qual acha que as coisas estão diferentes. Conforme contou, Ulysses Guimarães (o Senhor Diretas), quando perguntado sobre o Congresso brasileiro, chegou a dizer: “Está achando ruim? Então espere pelo próximo: será pior. E pior, e pior”. Hoje, ele acredita que Ulysses não diria mais isso.
O Poder — O senhor lembrou, recentemente, que apesar de Ulysses Guimarães ter dito, décadas atrás, que o Congresso seria sempre “pior e pior”, hoje ele não repetiria essa frase. Por qual motivo, já que tantos desconhecidos foram eleitos?
José Paulo Cavalcanti Filho — Acredito que por ser, o novo Congresso, bem melhor que o atual. A ver: um grupo grande formado por presos na Lava Jato, “inocentados” pelo Supremo, saíu da cadeia para tentar voltar ao Congresso. E o eleitor não permitiu. Entre esses estão André Vargas, Delúbio Soares, Eduardo Cunha e José Dirceu…
O Poder — Também tivemos surpresas inesperadas de nomes fortes no governo como as ex-ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente). O que o senhor acha que levou a tais derrotas?
JPCF — Simone Tebet (tenho a gravação) declarou “Lula foi o grande orquestrador do maior escândalo da história da República, que foi o Petrolão”. Mas, apesar de um evidente impedimento ético, aceitou ser sua ministra. Levou vaia grande esta semana quando voltou a sua terra, Mato Grosso do Sul, para passear. E outra vaia, em São Paulo, agora das urnas.
Com Marina Silva deu-se o mesmo. Disse (tenho a gravação) “É corrupção, claro que é corrupção. Lula cometeu crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. É crime de corrupção”. E também aceitou ser sua ministra (como pode?). Também levou grande vaia das urnas, em São Paulo.
O Poder — Tivemos outros nomes de candidatos que trocaram de estado, como foi o caso de Simone e Marina, para tentar se eleger e não conseguiram. Que exemplos o senhor poderia dar a respeito disso?
JPCF — Dois exemplos típicos foram Tiririca e Sikêra Júnior. Tiririca largou São Paulo, onde não mais se elegeria, mudou-se para o Ceará e recebeu cacetada histórica por lá. Perdeu a graça, parece. Já Sikêra Júnior saiu de Belém para ser candidato em São Paulo e também levou bomba.
O Poder — Ao seu ver, então, o Brasil está mesmo mudando?
JPCF — Parece que sim. Veja bem: Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, não elegeu seu pai. Aécio Neves ficou em sétimo, coitado. Os Renans, pai e filho, dançaram e fazem, hoje, parte do passado. Ciro Nogueira, símbolo máximo do Centrão e íntimo de Vorcaro, perdeu no Piauí. Ele e boa parte do seu grupo, no Brasil todo.
O Poder — Tivemos também surpresas no Amapá, não é? Poderia falar sobre elas?
JPCF — Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso Nacional, quebrou a cara no Amapá. E volta para a planície. E Davi Alcolumbre, capataz do governo Lula no Senado, viu ser eleito um inimigo, Dr. Furlan, que ainda fez a mulher senadora. Está pensando, talvez, em pedir ao amigo Dino para cassar os dois.
O Poder — Outra derrota que abalou o PT foi a da deputada federal e ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann. O que o senhor achou da posição dela?
JPCF — A poderosa Gleisi Hoffmann, presidente do PT até o ano passado e ex-ministra, dançou no Paraná. Sabendo que perderia para Deltan Dallagnol recomendou ao TSE que o cassasse. Querendo ficar com sua vaga. “Pra que? Pra nada!”, como diria Ascenso (Gaúcho), que acabou em quarto…
O Poder — E a situação no Rio de Janeiro, que também chamou a atenção de todo o país? Como o senhor a avalia?
JPCF — No Rio, Eduardo Paes requereu a nulidade da candidatura Garotinho esperando, com isso, ganhar no primeiro turno. Deu Ruas, que nem aparecia nas pesquisas. E que agora, Ruas e não Paes, vai levar no primeiro turno com a anulação daqueles votos. Pior para ele é que Garotinho, depois de eleger seu filho Wladimir Deputado Federal, por pirraça desistiu do recurso.
O Poder — O senhor acha que a próxima legislatura no Congresso Nacional poderá dar início a processos de impeachments de ministros do Supremo?
JPCF — Com a nova composição do Senado, parece inevitável que isso aconteça. A começar pelo todo-poderoso Alexandre de Moraes [ministro do STF]. Que não deve estar achando isso muito salutar, imagino. Resumindo, e por tudo, acho que a frase de Ulysses não vale para a eleição deste ano.
Pesquisa Ipespe/Abrapel aponta Flávio com 52,7% dos votos válidos ante 47,3% de Lula, mas analistas alertam: é cedo para conclusões
10/10/2026
Quando são considerados apenas os votos válidos — cálculo que exclui brancos, nulos e indecisos —, Flávio tem 52,7% e Lula 47,3%, uma diferença de 5,4 pontos percentuais. Apesar de na prática Flávio ter ampliado a vantagem de votos no 1º turno em relação a Lula, os organizadores do trabalho alertaram que a pesquisa foi concluída na véspera do início da campanha, nessa sexta-feira (09/10).
Por isso, conforme a análise feita por eles, “a chance de Lula dependerá em grande medida da recuperação da sua comunicação”. “Serão duas semanas intensas, onde a propag...
O resultado da mais recente pesquisa Ipespe/Abrapel, realizada no período entre a última segunda-feira (06/10) e quinta-feira (08/10), aponta que o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 49% das intenções de voto no segundo turno da eleição presidencial, contra 44% do presidente Lula (PT). Outros 5% entrevistados dizem que votariam em branco ou nulo, enquanto 3% não sabem ou não responderam.
Quando são considerados apenas os votos válidos — cálculo que exclui brancos, nulos e indecisos —, Flávio tem 52,7% e Lula 47,3%, uma diferença de 5,4 pontos percentuais. Apesar de na prática Flávio ter ampliado a vantagem de votos no 1º turno em relação a Lula, os organizadores do trabalho alertaram que a pesquisa foi concluída na véspera do início da campanha, nessa sexta-feira (09/10).
Por isso, conforme a análise feita por eles, “a chance de Lula dependerá em grande medida da recuperação da sua comunicação”. “Serão duas semanas intensas, onde a propaganda, as entrevistas, a mobilização nas ruas e os debates poderão mexer, ou não, no ponteiro das intenções de voto”, destacou o relatório Ipespe/Abrapel com análise desses resultados.
Os que não sabem em quem votar
Na probabilidade de voto do total dessas pessoas que não sabem se votarão, Flávio reúne 47% de apoios e 5% de pessoas que dizem que “poderiam votar” nele, ao passo que 46% dizem que não votariam nele de jeito nenhum.
Por sua vez, o presidente Lula registra 43% de certeza de voto nessas pessoas que ainda não sabem se votarão. Dentre as quais, 5% apontam pela possibilidade de votação nele e 49% dizem que não votarão.
Preferências por cada segmento
A leitura segmentada mostra situações relevantes às de pesquisas anteriores. Flávio lidera na intenção de voto estimulada entre homens (53% a 38%), eleitores de ensino médio (53% a 39%), renda de 2 a 5 salários mínimos (55% a 37%) e evangélicos (61% a 30%).
Lula aparece à frente entre mulheres (49% a 44%), pessoas com ensino fundamental (51% a 41%) e famílias com renda de até 2 salários mínimos (51% a 40%).
Regionalmente, Lula mantém ampla vantagem no Nordeste (63% a 29%), enquanto Flávio lidera no Sul (63% a 30%), Norte/Centro-Oeste (59% a 33%) e Sudeste (52% a 40%).
Composição ideológica
A composição ideológica do eleitorado está alinhada à vantagem de Flávio Bolsonaro. Os que se declaram de direita somam 33% — 23% de direita não bolsonarista e 10% bolsonaristas —, superando os 25% identificados com a esquerda, dos quais 12% são lulistas e 13% de esquerda não lulista. A maior parcela, porém, se define como independente (37%).
É justamente nesse grupo, numericamente decisivo, que a disputa aparece empatada: 44% declaram voto em Flávio e outros 44% em Lula. Entre os que afirmam ter votado em Flávio no 1º turno, 97% pretendem repetir o voto, percentual idêntico ao observado entre os eleitores de Lula.
Já entre os que declaram voto anterior em Augusto Cury, 50% indicam Flávio e 29% Lula; entre os de Ronaldo Caiado, os percentuais são 56% e 15%, respectivamente. Como se trata de grupos pequenos na amostra, os coordenadores da pesquisa ressaltaram que essas diferenças devem ser interpretadas com cautela.
Capacidade de conquistar votos
Com os principais eleitorados consolidados, a disputa dependerá, sobretudo para o segundo colocado, da capacidade de conquistar votos dos demais candidatos, persuadir os indecisos e mobilizar eleitores para as urnas.
Na escala de chance de comparecimento, 88% assinalam máxima possibilidade de comparecimento para votar em 25 de outubro. Nesse segmento específico menos propenso à abstenção, Flávio Bolsonaro tem 51% das intenções de voto, contra 45% de Lula. O recorte não constitui uma projeção de comparecimento efetivo, mas permite observar a preferência entre os eleitores que declaram maior disposição de participar.
Outra variável relevante é o interesse declarado na eleição: 66% dizem ter muito interesse e 16% algum interesse, enquanto 9% manifestam pouco interesse e 7% nenhum interesse.
Esperança x Medo
No tocante aos sentimentos, a esperança predomina, mas o medo distingue os eleitorados A esperança é o sentimento mais citado em relação à eleição (45%), seguida de longe pelo medo (14%). A leitura sugere disposições emocionais diferentes entre os eleitores. Entre os simpatizantes de Flávio, 61% mencionam esperança, contra 33% entre os de Lula.
O medo, por sua vez, aparece em 23% dos eleitores de Lula e 6% dos de Flávio. A hipótese de que a eleição estaria dominada por um sentimento amplo de cansaço ou desânimo não encontra respaldo nesta rodada: apenas 7% citam tais sentimentos como principais.
Desejo de mudança
A eleição também é sobre mudança. O resultado da pesquisa constatou que o desejo de mudança é expressivo: 79% querem alterar total ou parcialmente o rumo do país: 37% querem mudar totalmente e 42% mudar apenas o que não está bom. Enquanto menos de um quinto (18%) desejam que continue o trabalho que vem sendo feito no país.
A grande maioria que espera mudança total vota em Flávio Bolsonaro (81%); já aqueles que optam por mudar apenas o que não está bom se dividem entre Lula (49%) e Flávio (42%). Quando se pergunta quem tem mais condições de fazer as mudanças necessárias, Flávio alcança 50% e Lula 42%, abrindo diferença de oito pontos.
Economia, corrupção e STF
Dentre os temas decisivos no 1º turno constam a agenda econômica agregada, que supera a corrupção e a situação do STF Quando reunidos os itens de conteúdo econômico — questões como economia, emprego e preços estão entre as prioridades de somente 17% do eleitorado. O fim da escala 6×1 em 5%. O fim das bets, em outros 5%. E o aumento do Bolsa Família em 3%. O total desses percentuais sobre tais temas soma 30%, superando os 24% de pessoas preocupadas com corrupção e crise no STF.
A questão da “violência e segurança” aparece num distante 4º lugar — o que, conforme a análise dos pesquisadores, “revela a importância da agenda do cotidiano na escolha do voto, mesmo num ambiente de forte crise institucional”.
A agenda difere significativamente entre os eleitores de ambos os candidatos. Os que pretendem votar em Flávio priorizam o tema da corrupção/crise no STF; enquanto os simpatizantes de Lula se mostram mais preocupados com temas econômicos, saúde e educação.
Situação econômica do país
A pesquisa ainda constatou que a expectativa de melhora da economia é elevada. A situação econômica do país é considerada ruim ou péssima por 53%, ante 18% que a classificam como ótima ou boa, e 28% que a identificam como regular. Os eleitores se mostram mais otimistas na esfera pessoal: 40% avaliam positivamente a sua própria situação econômica e da família, 45% a consideram regular, ante apenas 13% de avaliação negativa.
Quase sete em cada 10 entrevistados (68%) apostam na melhoria da economia brasileira no próximo ano, sobretudo os eleitores de Flávio. O governo Lula é desaprovado por 50%, enquanto 43% o aprovam. Esses resultados são muito semelhantes aos da avaliação retrospectiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo governo é desaprovado por 50% e aprovado por 44%.
No primeiro turno, a avaliação comparativa do desempenho dos candidatos na campanha favorece em todos os meios pesquisados Flávio, com vantagem que vai de 8 a 15 pontos. Sendo destes: TV e rádio (43% a 34%), redes sociais (47% a 32%), conversas de WhatsApp (44% a 30%) e entrevistas na TV (45% a 37%).
Ministro Nunes Marques, do TSE, publica regras para acelerar julgamento de ações sobre propaganda eleitoral e direito de resposta
10/10/2026
As medidas foram adotadas após questionamentos entre ministros do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre um possível represamento de decisões individuais que não estariam sendo imediatamente submetidas a referendo em plenário, além de críticas a respeito de uma suposta concentração de poder nas figuras do presidente e do vice-presidente da Corte (o vice-presidente é o ministro André Mendonça).
Julgamentos de mérito
Em um memorando circular enviado ao colegiado do TSE nesta sexta-feira (09/10), Nunes Marques estabeleceu que o julgamento do mérito de ações sobre direito de resposta deve ser iniciado, no máximo, um dia depois da conclusão dos autos ao gabinete do relator.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Kássio Nunes Marques publicou uma série de regras para acelerar o julgamento de ações sobre propaganda eleitoral e direito de resposta nas semanas que antecedem o segundo turno da eleição, que ocorre dia 25.
As medidas foram adotadas após questionamentos entre ministros do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre um possível represamento de decisões individuais que não estariam sendo imediatamente submetidas a referendo em plenário, além de críticas a respeito de uma suposta concentração de poder nas figuras do presidente e do vice-presidente da Corte (o vice-presidente é o ministro André Mendonça).
Julgamentos de mérito
Em um memorando circular enviado ao colegiado do TSE nesta sexta-feira (09/10), Nunes Marques estabeleceu que o julgamento do mérito de ações sobre direito de resposta deve ser iniciado, no máximo, um dia depois da conclusão dos autos ao gabinete do relator.
Afirmou, também, que pode convocar sessões extraordinárias para dar conta do volume de processos. E destacou que os relatores podem levar seus casos "em mesa" para julgamento em plenário — ou seja, sem necessidade de que o presidente do TSE marque a data previamente.
Submetidos de imediato ao plenário
Nos ofícios encaminhados aos ministros, Kassio Nunes Marques também reforçou que "todas as decisões (concessivas ou não) relativas a pedidos de liminar em matéria de propaganda eleitoral e direito de resposta devem ser submetidas imediatamente ao plenário, inclusive por sessão virtual".
Ele decidiu, ainda, nomear mais um magistrado para integrar o fluxo de distribuição das ações sobre propaganda eleitoral. Para isso, foi indicado o ministro Marco Bellizze, do Superior Tribunal de Justiça (STK) que atuará juntamente com ele [ Kassio], o vice-presidente [ministro Mendonça] e a ministra Estela Aranha nesses processos.
“Razoável duração do processo”
No documento, o presidente da Corte eleitoral ainda afirmou que “as normas traduzem um conjunto de medidas integradas com o propósito de assegurar a razoável duração do processo, a eficiência administrativa e a prioridade absoluta na prestação jurisdicional para o segundo turno das eleições de 2026 ".
Nunes Marques ressaltou que o TSE tem "enfrentado um volume muito expressivo de demandas", mas os ministros têm se empenhado para “agilizar os trabalhos, dar respostas rápidas a questões urgentes e, ao mesmo tempo, assegurar a apreciação colegiada desta corte".
— Com Agências de Notícias
Após passar por cirurgia de urgência, ex-presidente José Sarney está hospitalizado em São Luís (MA)
10/10/2026
José Sarney foi admitido na unidade hospitalar à tarde, após apresentar dores abdominais. Ele passou por avaliação clínica e exames de imagem antes da cirurgia. De acordo com o boletim médico, o ex-presidente permanece sob os cuidados de uma equipe multidisciplinar na UTI. Até o momento, não há previsão de alta hospitalar.
Pneumonia bacteriana
Desde a última quinzena de setembro, Sarney tem apresentado problemas de saúde. No último dia 24, ele se internou no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para dar continuidade ao tratamento de um quadro de pneumonia bacteriana. Ele recebeu alta hospitalar no dia 30.
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O ex-presidente José Sarney, de 96 anos, passou por uma cirurgia abdominal nesta sexta-feira (09/10) logo após ser internado com fortes dores em São Luís (MA). Segundo boletim médico, o procedimento ocorreu sem intercorrências e ele está estável, em acompanhamento pós-operatório na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
José Sarney foi admitido na unidade hospitalar à tarde, após apresentar dores abdominais. Ele passou por avaliação clínica e exames de imagem antes da cirurgia. De acordo com o boletim médico, o ex-presidente permanece sob os cuidados de uma equipe multidisciplinar na UTI. Até o momento, não há previsão de alta hospitalar.
Pneumonia bacteriana
Desde a última quinzena de setembro, Sarney tem apresentado problemas de saúde. No último dia 24, ele se internou no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para dar continuidade ao tratamento de um quadro de pneumonia bacteriana. Ele recebeu alta hospitalar no dia 30.
No último domingo (04/10), ele votou em São Luís, acompanhado do neto Adriano Sarney e de integrantes de sua equipe. Na ocasião, cumprimentou os mesários e, após votar, falou sobre a participação dos eleitores no processo democrático. “Fico muito comovido e, ao mesmo tempo, muito satisfeito quando vejo a festa democrática que o Brasil vive”, afirmou.
— Com Agências de Notícias
TSE aciona Polícia Federal e MP para apurar mais de 30 mil ameaças feitas a servidores da Corte
10/10/2026
Pouco tempo depois de terem sido observadas, a Justiça Eleitoral acionou as plataformas X (antigo Twitter) e Meta para a remoção das postagens. Além disso, tanto os servidores quanto os familiares dessas pessoas passaram a contar com efetivo de segurança reforçado até o segundo turno das eleições.
Responsabilização dos autores
Em nota à imprensa o Tribunal informou que acionou a PF e o Ministério Público (MP) para apurar e responsabilizar os autores desses ataques.
Segundo o comunicado, o Núcleo Institucional de Garantia dos Direitos Eleitorais...
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acionou a Polícia Federal para investigar ameaças de diversas formas feitas na internet contra servidores da Corte. Conforme informações da área de Tecnologia da Informação (TI) do TSE as ameaças começaram a ser observadas na última terça-feira (06/10) e até a tarde de ontem (09/10) correspondiam a mais de 30 mil publicações nas redes sociais.
Pouco tempo depois de terem sido observadas, a Justiça Eleitoral acionou as plataformas X (antigo Twitter) e Meta para a remoção das postagens. Além disso, tanto os servidores quanto os familiares dessas pessoas passaram a contar com efetivo de segurança reforçado até o segundo turno das eleições.
Responsabilização dos autores
Em nota à imprensa o Tribunal informou que acionou a PF e o Ministério Público (MP) para apurar e responsabilizar os autores desses ataques.
Segundo o comunicado, o Núcleo Institucional de Garantia dos Direitos Eleitorais (NIGDE) e o Núcleo de Inteligência do Grupo de Enfrentamento à Desinformação (NIGED) têm acompanhado a escalada de hostilidades contra integrantes da Justiça Eleitoral.
Exposição de dados pessoais e ódio
Na nota, a Corte ressaltou também que as investidas contém, além de ameaças, desinformação, exposição indevida de dados pessoais de servidores, discurso de ódio e ameaças veladas, inclusive direcionadas a familiares de tais trabalhadores.
“Ataques indevidos e sem fundamento, de qualquer natureza, contra o sistema eletrônico de votação e ameaças a servidores públicos federais constituem crimes previstos no Código Penal e na legislação penal especial”, enfatizou o documento.
Próximos dias de campanha de Lula e Flávio terão como marca disputas no campo digital
10/10/2026
As duas campanhas montaram verdadeiras tropas para conseguir maior número de seguidores, mudar votos e conquistar a vitória nas urnas.
“Exército de Lula”
Por parte do PT, a principal aposta da campanha é o grupo criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) intitulado “Exército de Lula".
Trata-se de grupo via WhatsApp que recebe todos os dias orientações para uma mobilização massiva via redes sociais. Para se ter ideia, até essa sexta-feira (09/10), o canal registrava 3 milhões de seguidores.
“Tropa de Flávio”
Do outro lado, a campanha do senador Flávio Bolsonaro anun...
Por mais que o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno das eleições presidenciais no próximo dia 25, cumpram agendas que passam por passeatas, atos públicos, encontros com apoiadores e eventos diversos, a guerra desta etapa da campanha se dá mesmo, no campo digital.
As duas campanhas montaram verdadeiras tropas para conseguir maior número de seguidores, mudar votos e conquistar a vitória nas urnas.
“Exército de Lula”
Por parte do PT, a principal aposta da campanha é o grupo criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) intitulado “Exército de Lula".
Trata-se de grupo via WhatsApp que recebe todos os dias orientações para uma mobilização massiva via redes sociais. Para se ter ideia, até essa sexta-feira (09/10), o canal registrava 3 milhões de seguidores.
“Tropa de Flávio”
Do outro lado, a campanha do senador Flávio Bolsonaro anunciou a criação da chamada "Tropa do Flávio", também no WhatsApp, que contava, até o fechamento desta edição, com pouco mais de um milhão de pessoas.
Durante uma live para a militância, Janones — coordenador da tropa pró-Lula — orientou os apoiadores sobre publicações coordenadas e distribuição de conteúdos para alcançar eleitores indecisos. A estratégia prevê chegar a cinco milhões de apoiadores mobilizados nas plataformas.
“Estamos em 2026”, diz Janones
"Não estamos nos anos 80 mais, estamos em 2026. É aqui que a coisa é decidida. A gente perdeu o primeiro turno só na rede social", afirmou ele . A mudança de estratégia também passa pela linguagem utilizada pela militância.
O deputado pediu que os apoiadores deixem de lado termos técnicos e abordagens que considera distantes do cotidiano popular. Em vez disso, defendeu a divulgação de temas como o Prouni, o Bolsa Família e o fim da escala de trabalho 6 x 1, com mensagens diretas e de fácil compreensão.
Na orientação sobre engajamento, Janones recomendou uma sequência de ações para ampliar a circulação de conteúdos: curtir, comentar, compartilhar rapidamente, publicar nos Stories, enviar por mensagem direta, divulgar links em grupos do WhatsApp e assistir aos vídeos até o fim, mesmo sem áudio. Ele também orientou os apoiadores a concentrar esforços nos eleitores indecisos, nos que podem mudar de voto e nas pessoas que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Orientações à “Tropa do Flávio”
Como resposta à mobilização digital petista, o presidenciável do PL anunciou, na criação da "Tropa do Flávio", que o objetivo do grupo é a distribuição de mensagens e materiais de campanha. Durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o senador criticou a estratégia digital atribuída ao PT.
"Vocês estão vendo aí a grande organização, a grande facção digital que o PT criou para inventar um monte de fake news e espalhar”, acusou, pedindo que os apoiadores também divulguem o seu grupo.
Representações com denúncias
Tanto a Coligação ‘Brasil Pronto Pra Mais’, do candidato petista, quanto a campanha de Flávio Bolsonaro acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma série de representações que apontam desde uma suposta manipulação do alcance de publicações favoráveis até esquemas para impulsionar conteúdos ligados aos adversários.
Ambas as partes ressaltam que relatos levantam suspeitas sobre o tratamento diferente dado pelas plataformas aos conteúdos políticos e pede que o TSE determine critérios isonômicos na distribuição das publicações, sob o argumento de que uma eventual restrição injustificada poderia comprometer o equilíbrio da disputa presidencial.
Encaminhamentos à PF e à PGE
Os fatos também foram encaminhados à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para apuração de possíveis crimes eleitorais.
A empresa Meta, dona do Facebook e do Instagram, alegou falhas técnicas afetando métricas de vídeos e afirmou que sua equipe está trabalhando para resolver a questão o mais rápido possível", informou. A manifestação, porém, não esclarece quais vídeos foram afetados, a dimensão do problema ou se houve impacto na distribuição das publicações.
— Com Agências de Notícias