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Especial — Confederação do Equador: A Angústia de Frei Caneca numa Goiana deserta

14/09/2024

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Por Josemir Camilo de Melo*

Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.

Deserta

“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 182...

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Por Josemir Camilo de Melo*

Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.

Deserta

“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 1824) à meia-noite, e não foi pequeno o nosso espanto, quando sem esperarmos a achamos deserta inteiramente. O escuro da noite e o medonho silêncio em que estava sepultada a vila, os uivos dos cães, tudo cooperou para nos encher de terror, e nos julgarmos nos maiores perigos. Corremos várias ruas em busca das pessoas do nosso conhecimento, mas tudo foi baldado; porque a ninguém achamos”.

Duas casas

“Nesta circunstância deparamos com duas casas, em que por estarem com luz acesa nos falaram; mas foi para maior embaraço nosso. Em uma, um soldado cheio de maior terror por ver-nos, e talvez supor-nos inimigos, balbuciava, e nada dizia que fosse coerente; e ainda assim nos informou que toda a tropa já se havia retirado pela estrada da Conceição. Mas outro, que em outra rua nos falou, traiu-nos dizendo-nos que a tropa tomara a estrada de Goiana Grande: era o mesmo que entregar-nos aos ceroulas [provavelmente, ironia popular que queria dizer gente de Milícias e Ordenanças, que lutavam sem farda] de João Baptista Rego, que já haviam tomado o ponto de Pitimbu, e era natural estarem naquelas fronteiras”.

Topografia ignorada

“Os nossos companheiros, que ignoravam a topografia da vila e não sabiam e nem podiam conhecer o laço que nos armava o segundo informante, desconfiados do modo trepidante do primeiro, fiaram-se na segurança com que falou o segundo; e assim assentaram que tomássemos o caminho de Goiana Grande (devia ser a estrada para a Paraíba). Ponderamos-lhes o que sabíamos, dirigindo-nos a mostrar-lhes que jamais podia a força de Goiana seguir aquele destino; mas foi em vão: teimaram os nossos amigos no seu entendimento, e nós por contemporizar seguimo-los; e, ao passar pela frente do Convento do Carmo, nos dirigimos a ele, para que lá tomássemos informação do estado das coisas; mas tudo foi sem fruto”.

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Ilusão

“O convento estava aberto e às escuras, ainda assim pelo tino, que nos fazia lembrar dos seus arranjos, por termos por anos habitado aquela casa, nos arriscamos a entrar e subir até o seu antecoro; e por mais que gritamos a chamar quem lá estivesse, ninguém nos respondeu”.

Caráter contemporizador

“Aqui os nossos amigos, que haviam ficado fora, nos chamaram e fizeram-nos acompanhá-los pra Goiana Grande. Sempre tivemos um caráter de contemporizador com os nossos amigos; e, fazendo reflexão sobre os trabalhos porque havíamos passado em nossos dias, conhecemos que tudo devíamos a conselhos alheios; e por este motivo, depois de haverem chegado aos lameirões de Goiana Grande, tomamos a resolução de não nos sacrificar a conselhos sem fundamento algum e inteiramente opostos à nossa salvação. Por isso, fazendo notar aos amigos que eles por não saberem as direções das estradas se iludiram com a aparente segurança do segundo soldado, e que até aquele momento mesmo nós sempre havíamos padecido por sermos escravos da vontade dos nossos amigos, declaramos que fazíamos ponto ali, e começávamos a usar do nosso entendimento; pelo que os não acompanhávamos”.

Retaguarda da força

“Esta nossa resolução salvou a todos, porque eles, dando peso ao nosso juízo, voltaram conosco pela estrada da Soledade; e depois de havermos andado o resto da noite, fomos encontrar com a retaguarda da força duas léguas acima da vila. Aqui já cansados dos trabalhos antecedentes e fatigados do espírito, descansamos em uma casa muito velha; pelo que havia dentro supusemos ser de ladrões; por este fundamento não houve maneira de conciliarmos sono, e passamos no campo, ora assentados, ora deitados, ora passeando até o romper da aurora. Raiando esta, nos pusemos em marcha para chegarmos a Goianinha, onde havia dormido o presidente temporário da Paraíba. A poucos passos fomos encontrando por toda a estrada muitas pessoas do nosso conhecimento, entre as quais foi o tenente-coronel Manuel Inácio de Melo, que no dia antecedente fora aclamado em Goiana comandante-geral daquela força. Da prática que tivemos com ele, não fizemos bom conceito daquela força, e não julgamos segurança alguma no meio dela, por nos ser descrita com uma multidão confusa, sem ordem, sem subordinação e inteiramente anárquica”.

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Dia seguinte

“Chegamos afinal a Goianinha, e ali achamos o grosso da divisão e um povo numeroso com algumas famílias honestas; cumprimentamos o presidente (temporário da Paraíba, Felix Antônio Ferreira de Albuquerque, aclamado por cinco das nove vilas paraibanas): desde logo fomos agregados à sua família, e tomamos quartel na mesma morada”. Caneca termina o relato desta noite de medo, narrando o dia seguinte, quando chegou à povoação de Goianinha “que é uma povoação não pequena, e representa ter algum comércio dos gêneros de lavoura. Tem uma igreja pequena; ela e as casas da povoação são de má ou de nenhuma arquitetura; à exceção de mui poucas, as outras são de palhas”.

Presos políticos

Ainda registraria o frade jornalista a sua passagem de volta, na caravana dos presos políticos da Confederação do Equador vindos do sertão do Ceará, em 15 de dezembro de 1824. A guarnição evitou a vila, pernoitando no engenho Bujari. Ia preso, para ser submetido a uma corte marcial, pois seu destino já estava traçado numa portaria imperial de julho daquele ano.

Itinerário

Frei Caneca relatou este momento em seu Itinerário: “(...) fomos chegar a Goiana pelas onze horas da manhã, onde querendo o major Pastorinha (da Paraíba) ficar, resolveu-se, afinal a irmos aquartelar no engenho de Bujari, a meia légua da vila, cuja propriedade pertence ao padre João Álvares de Souza, que nos acolheu muito bem. Aqui fomos visitados por muitos homens liberais de Goiana, que de propósito nos foram abraçar, e oferecer-nos os seus serviços, e nos presentearam com bom peixe e para cearmos, vinho, queijos, frutas e doces. Aí pernoitamos e, sobre a madrugada querendo-nos aprontar para seguirmos a viagem, demos por falta de alguns companheiros nossos. Ao depois de alguma diligência, não se podendo descobrir os fugitivos, saímos ao amanhecer do dia 16 (...)” (CANECA, 2001, p.602/3). Apesar de sua contundente defesa, seu destino já estava traçado pelo português D. Pedro I. Foi fuzilado, no Recife, em 13 de janeiro de 1825.

*Josemir Camilo de Melo é historiador

Leia outras informações

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É Findi - Amor de Mãe - Poema Feito por IA em Homenagem ao Dia das Mães - Por Vida Hare, editoria de O Poder*

08/05/2026

É laço que não aperta, mas sustenta,

Um abraço que o mundo inteiro acalma.

No silêncio, sua voz me alimenta,

E o seu olhar lê os versos da minha alma.

Não há distância que o tempo desfaça,

Nem labirinto onde ela não seja o guia.

O amor de mãe é a mais pura graça:

Um sol que nasce dentro da gente todo dia.


*Vida Hare, editoria de O Poder, e a IA prepararam um poema que celebra o Dia das Mães.

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É laço que não aperta, mas sustenta,

Um abraço que o mundo inteiro acalma.

No silêncio, sua voz me alimenta,

E o seu olhar lê os versos da minha alma.

Não há distância que o tempo desfaça,

Nem labirinto onde ela não seja o guia.

O amor de mãe é a mais pura graça:

Um sol que nasce dentro da gente todo dia.


*Vida Hare, editoria de O Poder, e a IA prepararam um poema que celebra o Dia das Mães.




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É Findi - Questão de Gosto, por Marcelo Mário de Melo*

08/05/2026

O que se repete
não é minha especialidade.
Gosto de janela nova
abrir estrada
escalar mistério
descobrir tesouros escondidos
debaixo das saias da vida.

Gosto de procurar
chave de segredo
beleza na penumbra
verdade no escuro.

Gosto de escalar novidade
pular o muro
abrir a porteira
soltar os bichos
dar entrada às pessoas
distribuir
comida
bebida
armas e flores
para o amor
a batalha
e a festa.

É disso que eu gosto!


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



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O que se repete
não é minha especialidade.
Gosto de janela nova
abrir estrada
escalar mistério
descobrir tesouros escondidos
debaixo das saias da vida.

Gosto de procurar
chave de segredo
beleza na penumbra
verdade no escuro.

Gosto de escalar novidade
pular o muro
abrir a porteira
soltar os bichos
dar entrada às pessoas
distribuir
comida
bebida
armas e flores
para o amor
a batalha
e a festa.

É disso que eu gosto!


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



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É Findi - Adeus Morena do Cabelo Cacheado - Conto, por AJ Fontes*

08/05/2026

A cidade abarcou o rio que já não se incomoda com o alarido dos carros, ambulantes, o sapateado nas pedras engastadas no chão roubado dos manguezais.

Na margem direita, deixando os caranguejos na lama sob a ponte da Boa Vista, nasce uma via estreita. Primeiro, chamaram de Nova da Casa de Pólvora, tentaram outros nomes, mas vingou Nova. O sol das três alonga as sombras que apontam para o início da rua, para o lado da matriz de Santo Antônio.

Elias aparece na esquina. Esguio, vestido com um terno de cor bege, tecido leve que balança no caminhar sem pressa; rosto quase sem traços dos quarenta e tantos. Os brancos se misturam aos castanhos fartos, sob o chapéu de aba quebrada. Os olhos escuros brilham e o cigarro esconde o sorriso. Traz o perfume de Alzira nas roupas. Pena que não possa ficar o resto do dia. Afinal, ela precisa ensaiar para o show. A estreia no Marrocos é amanhã. Que voz! Não gosto dos marmanjos que arrastam asas para ela. Franze a testa.

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A cidade abarcou o rio que já não se incomoda com o alarido dos carros, ambulantes, o sapateado nas pedras engastadas no chão roubado dos manguezais.

Na margem direita, deixando os caranguejos na lama sob a ponte da Boa Vista, nasce uma via estreita. Primeiro, chamaram de Nova da Casa de Pólvora, tentaram outros nomes, mas vingou Nova. O sol das três alonga as sombras que apontam para o início da rua, para o lado da matriz de Santo Antônio.

Elias aparece na esquina. Esguio, vestido com um terno de cor bege, tecido leve que balança no caminhar sem pressa; rosto quase sem traços dos quarenta e tantos. Os brancos se misturam aos castanhos fartos, sob o chapéu de aba quebrada. Os olhos escuros brilham e o cigarro esconde o sorriso. Traz o perfume de Alzira nas roupas. Pena que não possa ficar o resto do dia. Afinal, ela precisa ensaiar para o show. A estreia no Marrocos é amanhã. Que voz! Não gosto dos marmanjos que arrastam asas para ela. Franze a testa.

Na vitrine da joalharia, vê o anel com brilhante que ela gosta. Suspira. Hoje, acerto com Aberlado o aluguel de uma casa no Pina. Perto do Bode é mais barato. Quero estar lá na próxima semana.

Entre passos descuidados, perambula o olhar pelos sobrados de paredes grossas. Guardiãs de ossos antigos. Encravadas nas fachadas, aqui e ali, caras de anjos e leões observam as gerações que atravessam a rua.
Desvia do grupo de jovens que sai da sapataria Inglesa. Luvas nas mãos, elas seguram pacotes e desfilam seus vestidos amplos, cintura fina e pouco abaixo dos joelhos. Sorriso róseos contornado por cabelos curtos e pequenos chapéus. Atravessa a rua atento aos automóveis no trânsito nervoso.

Procura os amigos na esquina da Sloper. Não chegaram. Encosta na coluna de mármore cinza, ao lado da vitrine. Uma moça se encanta com o brilho dourado do frasco de perfume francês. É surpreendida pela vendedora que apanha o pequeno vaso no outro lado da vitrine e sorri com lábios carmim que compõe a maquiagem. Afasta-se desfilando a farda justa no corpo jovem e sapatos de salto alto. Um senhor examina um relógio feminino de ouro encostado em um balcão, a colega mostra os talheres de prata dispostos em uma caixa de madeira trabalhada a um jovem casal. Ela põe o produto sobre uma bandeja. A senhora de rosto sisudo levanta as sobrancelhas e lê o rótulo em francês.

Um ônibus freia e desvia de uma menina que apanha uma boneca caída no calçamento, atravessa a rua, sobe a calçada. A moça corre para o lado, o coletivo arrasta Elias até a parede e invade a vitrine. O choque deixa o homem preso, o motorista desmaiado sobre o volante. Os passageiros, lançados contra bancos, janelas e piso, sangram e gemem sem entender o que aconteceu.

Na loja, vidros explodem e são lançados no salão. A copeira joga para o alto a bandeja com xícaras, corre junto com vendedoras e clientes. Escondem-se por trás dos balcões.

Na calçada, um homem se destaca da multidão formada e se aproxima.

— Chamem a ambulância! Ajudem!

Outros chegam, empurram o veículo. Dois entram e ajudam motorista e passageiros a descer. Sentam Elias e o encostam na parede. Na cabeça pendente, filetes de sangue escorrem pela testa, rosto e encharcam a camisa branca. Um jorro passa pelo rasgo da calça na coxa esquerda e empoça na calçada. O líquido vermelho escorre pelo meio-fio e desaparece na boca-de-lobo.

Verificam o pulso.

— Está vivo! A ambulância! Alguém conhece este homem?
— Acho que um parente dele trabalha no Largo do Livramento.
— Então, corre!

Elias entreabre os olhos, parece balbuciar. Mira o vazio. Vê-se menino brincando com um carrinho de madeira ao lado das irmãs que arrumam as bonecas no chão. A mãe sorri na cadeira de balanço olha para cada um e para o tecido que costura. O pai entra pela porta gritando com outro homem. As botas estrondam e lambuzam a madeira do assoalho com o excremento fresco de cavalo. O cheiro se mistura ao azedo da cana impregnado na calça branca e tudo fica preto.

— Acorda!

Ouviu e sentiu um tapa no rosto. Vê o rosto conhecido de José, seu cunhado.

— Vamos para o pronto-socorro.

A cabeça vagueia. Uma nesga de tecido preto na lapela, coração aos pulos, senta-se, observa as irmãs e o irmão. A mãe acomoda as malas acima das cabeças senta e aconchega a caçula no colo. Estica a cabeça pela janela quando ouve um sino. O condutor apita. Os ferros gritam e o trem caminha.

— Chegou o carro de aluguel!

Acomodam o corpo ensanguentado no banco de trás.

Elias balança e envereda na viagem entre as ondas verdes de caianas, roxas e fita. O gosto doce escorre da boca e surge o rosto da morena dos cabelos cacheados. O coração acelera, puxa um bocado de ar, arregala os olhos.

— Alzira!

José segura as mãos que alisam os cabelos invisíveis no ar.

— Calma, homem! Assim o sangue vai embora mais rápido.

Ele absorto no devaneio quer saber: Alzira, me diga se é verdade. Ela nega o que amigos e familiares dizem. Como se não bastasse, é negra! Ouviu de uma das irmãs.

Alheio aos movimentos da maca que o leva a sala de cirurgia, ouve eco de vozes em um túnel cuja escuridão mostra estrelas. Espiam homens que bebem sentados em tamboretes de um cabaré; cambaleiam por ruas, vielas e beiras do rio, comandados pelo corpanzil de terno branco esvoaçante, encimado por um Panamá de abas largas que solta a fumaça do charuto e espalha contra a barra do dia.

A voz retumba: Adeus morena do cabelo cacheado!

Puxa mais um bocado de ar pela boca, o peito aumenta, abre os olhos. Tudo está branco, muito branco. O sangue na perna não escorre mais. A enfermeira instala o tensiômetro. O médico se aproxima.

— O pulso não responde.

Adeus morena.


*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - A Grandeza da Maternidade - Crônica em Homenagem às Mães - Por Maria Inês Machado*

08/05/2026

Olhos de ver, ouvidos de ouvir.

O universo canta e encanta com as belezas que transbordam na suavidade da vida.

Orvalhos banham as folhas na nudez silenciosa da noite. Os ventos colocam-se à disposição dos corpos cansados. A natureza inteira entoa sua canção: no murmúrio das águas, no gorjeio dos pássaros, na delicadeza da brisa, no verde inconfundível das matas, no colorido das flores, no perfume das rosas, no azul do céu, nas cores do arco-íris, na sonoridade dos mares e no mistério encantador das florestas.

Entre tantas belezas da criação, destaca-se a beleza da mãe.

Ser extraordinário, capaz de compreender as profundezas da natureza humana. Tesouro do rico e do pobre. Presença indispensável que ilumina os caminhos da existência.

Mãe é mulher de múltiplos papéis, moldada pelas circunstâncias e guiada pelo amor. Para ela, o dia parece perder-se na infinidade do tempo. São incontáveis as situações que lhe exige...

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Olhos de ver, ouvidos de ouvir.

O universo canta e encanta com as belezas que transbordam na suavidade da vida.

Orvalhos banham as folhas na nudez silenciosa da noite. Os ventos colocam-se à disposição dos corpos cansados. A natureza inteira entoa sua canção: no murmúrio das águas, no gorjeio dos pássaros, na delicadeza da brisa, no verde inconfundível das matas, no colorido das flores, no perfume das rosas, no azul do céu, nas cores do arco-íris, na sonoridade dos mares e no mistério encantador das florestas.

Entre tantas belezas da criação, destaca-se a beleza da mãe.

Ser extraordinário, capaz de compreender as profundezas da natureza humana. Tesouro do rico e do pobre. Presença indispensável que ilumina os caminhos da existência.

Mãe é mulher de múltiplos papéis, moldada pelas circunstâncias e guiada pelo amor. Para ela, o dia parece perder-se na infinidade do tempo. São incontáveis as situações que lhe exigem o gesto amigo, a palavra certa, o amparo silencioso.

Dotada de qualidades incontáveis, vivifica a caminhada daqueles que nasceram de sua alma.

É ela quem enxuga as lágrimas do filho que, mesmo adulto, ainda busca abrigo em seu coração. Na suavidade de suas palavras, com ternura quase musical, adormece o ser amado após um dia árduo de trabalho. E, com passos leves, vai ao encontro do outro filho que arde em febre e clama por cuidado e atenção.

Sem formação em psicologia, conhece a ciência da escuta. Acolhe confidências, ameniza conflitos e costura, com sabedoria e afeto, os delicados fios das relações familiares.

Nos lares marcados pela escassez, transforma-se em mãos que se multiplicam. Trabalha, luta, retorna com o pão e o reparte quase milagrosamente, fazendo com que nada falte.

Ah, as mães!

Negras, brancas, amarelas, indígenas, mestiças… estão por toda parte. Mudam de nome conforme a língua e o país, mas, em qualquer idioma, a sonoridade da palavra “mãe” ecoa sempre envolta em amor.

Existe um dia especial dedicado a elas: o segundo domingo de maio.

Dia em que somos convidados à comunhão dos pensamentos e dos sentimentos; dia de recordar aquelas que sofrem em silêncio a perda física do filho amado; as que suportam a ausência do filho encarcerado, pagando pelos erros cometidos; as que velam noites intermináveis junto ao leito dos hospitais, esperando pela cura que tarda a chegar; as que assistem, impotentes, seus filhos mergulharem nas substâncias que entorpecem os sentidos e os conduzem à decadência física, social e espiritual.

Recordemos também as mães que lutam diariamente para preservar sua dignidade diante de relações difíceis, não consentindo o engessamento imposto pela torpeza do machismo, da violência e de tudo aquilo que exala o odor da covardia.

Não se entregam à superficialidade. O engodo não lhes pertence. No mundo desigual, lutam, perseveram e vencem.

E talvez seja justamente aí que resida a grandeza da maternidade: na capacidade de permanecer de pé quando tudo parece ruir; de semear esperança em terrenos áridos; de fazer do amor força silenciosa, porém invencível.

As mães não sustentam apenas os lares. Sustentam a própria humanidade


*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - 'Caruaru Antiga' e o 'Memorial da Saudade' - Artigo, por Valéria Barbalho*

08/05/2026

No próximo dia 18 de maio será o aniversário de Caruaru e da Academia Caruaruense de Cultura Ciências e Letras, ACACCIL. Como acontece há alguns anos, a ACACCIL, junto com o Instituto Histórico de Caruaru, IHC, comemoram as duas importantes datas fazendo uma Caminhada Cultural. Cada ano, escolhem um roteiro diferente pelos principais pontos históricos da Capital do Agreste. Este ano ainda não sei qual será o itinerário, mas, enxerida, quero sugerir para a turma que organiza a caminhada pesquisar alguns lugares de memória registrados pelo meu pai numa das das suas colunas, que ele manteve no jornal Vanguarda durante anos, chamada Memorial da Saudade. Essas colunas foram catalogadas e guardadas por ele, que pretendia lançá-las como livro, mas, infelizmente, ele partiu para o céu antes, deixando o rascunho organizado. Mais um inédito de Seu Nelson que pretendo publicar em breve.

Lembrei, então, de avisar aos organizadores da caminhada, que eles podem pesquisar as sugestões...

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No próximo dia 18 de maio será o aniversário de Caruaru e da Academia Caruaruense de Cultura Ciências e Letras, ACACCIL. Como acontece há alguns anos, a ACACCIL, junto com o Instituto Histórico de Caruaru, IHC, comemoram as duas importantes datas fazendo uma Caminhada Cultural. Cada ano, escolhem um roteiro diferente pelos principais pontos históricos da Capital do Agreste. Este ano ainda não sei qual será o itinerário, mas, enxerida, quero sugerir para a turma que organiza a caminhada pesquisar alguns lugares de memória registrados pelo meu pai numa das das suas colunas, que ele manteve no jornal Vanguarda durante anos, chamada Memorial da Saudade. Essas colunas foram catalogadas e guardadas por ele, que pretendia lançá-las como livro, mas, infelizmente, ele partiu para o céu antes, deixando o rascunho organizado. Mais um inédito de Seu Nelson que pretendo publicar em breve.

Lembrei, então, de avisar aos organizadores da caminhada, que eles podem pesquisar as sugestões de roteiros nas cópias que existem, em Caruaru, no acervo do IHC, com o confrade Hélio Florêncio e com o amigo da Confraria do Café, Luiz Teófilo (Lula). Além, claro, dos arquivos do Jornal Vanguarda



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Eu mesma entreguei as três cópias do livreto, para eles. São cerca de cem recortes dessas publicações. Para os que não conheceram a coluna Memorial, seguem alguns texto de “Sêo” Nelson sobre o porquê escreveu as referidas mini crônicas: “Saudade é a vontade de ver de novo. Como rever o que não mais existe, a não ser em nossa memória? Solução parcial para a questão vem fornecendo magnanimamente o Professor Mário Menezes (FAFICA), através dos álbuns fotográficos publicados sob o título “Caruaru Antiga”. Oxalá o empreendimento não fique apenas nos dois volumes já entregues ao público. A série “Caruaru Antiga”, merece vida longa, principalmente porque o material para fazê-la é abundante e de primeira ordem. O que há nos arquivos públicos e particulares é coisa para fábula, fotos raríssimas de uma Caruaru, já desaparecida na voragem do tempo. Não é possível que tudo isso fique eternamente sepultado no arquivo do esquecimento. Uma boa fotografia vale mais do que mil palavras, disse Mário. É isso mesmo: nenhum escritor, por melhor que saiba exercer o seu ofício, tem o poder de convencimento de uma foto bem revelada. A fotografia diz muito mais do que o escrito. Conjugados, fotos e texto tornam a coisa perfeita, se é que existe perfeição nesse velho mundo de Deus. Daí a necessidade de um texto explicativo. Fotos antigas, somente, não fazem história” Com essa introdução, semanalmente durante quase três anos, a coluna foi publicada.



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Quando entreguei a cópia do IHC, todos os presentes à reunião folhearam esse “livreto nelseano”. Agradou em cheio! Resultado, a turma me estimulou a publicar os textos e as fotos. Tenho ainda mais de quarenta livros inéditos do meu pai. Já publiquei alguns por conta própria e uns volumes da Cronologia Pernambucana pelo Centro de Estudos de História Municipal (CEHM). O Memorial está na fila, assim como um livro com as fotografias do “Caruaru Antiga”, de Mário Menezes, comentadas por meu pai no seu ”Memorial da Saudade”. Isso vai dar o que falar! Tomara que as autoridades da Capital do Agreste, leiam esse artigo, se sensibilizem e patrocinem a publicação dessa relíquia.


*Valéria Barbalho é filha do escritor e historiador Nelson Barbalho. É médica pediatra, cronista. @valeria.barbalho.5


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi – Desencontro de Solidões – Croniqueta, por Xico Bizerra*

08/05/2026

Na encruzilhada de uma cidade grande todos os vícios que as grandes cidades têm marcam encontro no mesmo horário: stress, engarrafamento e uma neblina chata e incessante às 6 da tarde, sol já escondido. Na rua estreita, cruzamento com uma outra rua qualquer, destinos embaçados imiscuem-se num sinal vermelho. Entre os dois carros, lado a lado, além dos pingos da chuva miúda sentimentos parecidos, solidões semelhantes.

Não fosse o verde do sinal, ali ficariam naquela esquina debulhando sonhos e vontades iguais, um a pastorear o outro e sendo pastoreado numa reciprocidade necessária, repleta de cumplicidade. As buzinas não permitem que o arrepio evolua para um carinho ou um mero aceno, um alô, uma troca de números, quem sabe? Obedientes à lei e sem ter como competir com a impaciência dos outros motoristas que faziam fila na rua estreita, fizeram a curva para lados opostos, os dois carros, as duas vidas, as duas solidões.

Que bom se houvesse espaço no asfalt...

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Na encruzilhada de uma cidade grande todos os vícios que as grandes cidades têm marcam encontro no mesmo horário: stress, engarrafamento e uma neblina chata e incessante às 6 da tarde, sol já escondido. Na rua estreita, cruzamento com uma outra rua qualquer, destinos embaçados imiscuem-se num sinal vermelho. Entre os dois carros, lado a lado, além dos pingos da chuva miúda sentimentos parecidos, solidões semelhantes.

Não fosse o verde do sinal, ali ficariam naquela esquina debulhando sonhos e vontades iguais, um a pastorear o outro e sendo pastoreado numa reciprocidade necessária, repleta de cumplicidade. As buzinas não permitem que o arrepio evolua para um carinho ou um mero aceno, um alô, uma troca de números, quem sabe? Obedientes à lei e sem ter como competir com a impaciência dos outros motoristas que faziam fila na rua estreita, fizeram a curva para lados opostos, os dois carros, as duas vidas, as duas solidões.

Que bom se houvesse espaço no asfalto para se plantar uma flor, para que cada avenida se transforme num canteiro e para que cada viaduto fosse um jardim suspenso. Assim, todos os homens seriam jardineiros, andariam a pé, permitindo ao destino um esbarrão carinhoso, um sorriso, uma palavra, aprendendo, desde cedo, a plantar o amor. Que pena que o sinal esverdeou ...


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico



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É Findi - Malude Maciel* em Duas Doses para o Dia das Mães

08/05/2026

Mãe é Mãe - Poema


A palavra "mãe"
Está tão intrínseca à mulher
Que mesmo sem engravidar
Ela tem a semente materna
No seu coração
E, quando engravida
Terá o resto da vida
Pra lamber a cria,
Nunca cortará o cordão umbilical
Dizem que mãe nunca tem razão
Por mais que faça
Parece que não acerta
Faz o possível e o impossível
Pelo bem do filho (a)
Porém, fica algo a desejar
Se é permissiva, não sabe educar
Se é exigente, é tida por carrasca
Se deixa o emprego, não tem perspectiva
Se trabalha fora, é desnaturada
Se optar por um só filho (a), faltam irmãos
Se tem muitos filhos, não dá conta de tudo
Se o filho (a) for bem-sucedido, é inteligente,
puxou ao pai
Se o filho (a) tiver algum problema, a culpa é da mãe
Afinal, não há palavra igual,
Mãe, sintetiza um mundo todo

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Mãe é Mãe - Poema


A palavra "mãe"
Está tão intrínseca à mulher
Que mesmo sem engravidar
Ela tem a semente materna
No seu coração
E, quando engravida
Terá o resto da vida
Pra lamber a cria,
Nunca cortará o cordão umbilical
Dizem que mãe nunca tem razão
Por mais que faça
Parece que não acerta
Faz o possível e o impossível
Pelo bem do filho (a)
Porém, fica algo a desejar
Se é permissiva, não sabe educar
Se é exigente, é tida por carrasca
Se deixa o emprego, não tem perspectiva
Se trabalha fora, é desnaturada
Se optar por um só filho (a), faltam irmãos
Se tem muitos filhos, não dá conta de tudo
Se o filho (a) for bem-sucedido, é inteligente,
puxou ao pai
Se o filho (a) tiver algum problema, a culpa é da mãe
Afinal, não há palavra igual,
Mãe, sintetiza um mundo todo
De argumentos e controvérsias
Porque
Mãe é uma criatura
Simplesmente
Surreal.


Objetividade - Poema


A vida guarda em si
Mais perguntas que respostas
O futuro já chegou
Mas, o passado
Quer sempre estar presente
Não existe pessoa perfeita
Ninguém precisa provar nada
Nem agradar sempre
Como a vida é provisória
Que seja linda
Porque
Quanto a gente
Achar que aprendeu
A viver
Será realmente
O momento de partir.


Naqueles tempos ditosos
Que eu andar não sabia
Doces braços carinhosos
Me embalavam noite e dia

Dorme filhinha do meu coração...


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.



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É Findi - Branquinha - Poema em Homenagem ao Dia das Mães - Por Eduardo Albuquerque*

08/05/2026

(Minha Mãe)


Quão doces minhas lembranças
As guardo desde tenra infância
As preservei na adolescência
Acalentava a vã esperança



Ainda que fosse ganância
Só para mim, sua fragrância
Ela, transpirava elegância
Mas se desfez, transumância:

O som da voz maternal
O belo sorriso facial
A doçura no olhar
A calma no andar

A amizade a espelhar
O prazer no acalentar
O amor conjugal
O vínculo filial...



Ei-las colimadas em cadernos
Porquanto sempre eternas
Não as espalham os ventos
Esses seus tantos encantos



E o poeta, eu, em prantos ...
Hoje as verseja em cantos
As registra na indelével memória
Tão concreta, tão rica história!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99

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(Minha Mãe)


Quão doces minhas lembranças
As guardo desde tenra infância
As preservei na adolescência
Acalentava a vã esperança



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Ainda que fosse ganância
Só para mim, sua fragrância
Ela, transpirava elegância
Mas se desfez, transumância:

O som da voz maternal
O belo sorriso facial
A doçura no olhar
A calma no andar

A amizade a espelhar
O prazer no acalentar
O amor conjugal
O vínculo filial...



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Ei-las colimadas em cadernos
Porquanto sempre eternas
Não as espalham os ventos
Esses seus tantos encantos



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E o poeta, eu, em prantos ...
Hoje as verseja em cantos
As registra na indelével memória
Tão concreta, tão rica história!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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É Findi - Quando a Prevenção Vira Crônica - Por Romero Falcão*

08/05/2026

Leitor, antes de tudo, este texto é um serviço de saúde pública.

Cerca de 21 mil pessoas morrem por ano de câncer de intestino no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer. Enquanto escrevo esta crônica, alguém é internado e recebe a pancada — o diagnóstico.



Salva Uma Vida

A doença, na maioria das vezes, segue o mesmo modus operandi: silenciosa, traiçoeira, avança devagar. Apaga pistas. Prepara o cerco, dá o bote. Mas há um exame que pega o bicho ainda na fase preparatória — quando ele ainda ensaia ser benigno ou maligno. É aí que a colonoscopia entra, descobre a parada e salva uma vida. Por favor: façam a colonoscopia.

Dessa Vez, Saiu da Risca

Sou um colonoscopeiro de carteirinha. Comecei em 2011: na minha família há um cardápio variado de tumores. Tem de todo tipo — uns pacatos, outros terrivelmente agressivos. Assassinos, sim, assassinos cruéis.
Além da prevenção bási...

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Leitor, antes de tudo, este texto é um serviço de saúde pública.

Cerca de 21 mil pessoas morrem por ano de câncer de intestino no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer. Enquanto escrevo esta crônica, alguém é internado e recebe a pancada — o diagnóstico.



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Salva Uma Vida

A doença, na maioria das vezes, segue o mesmo modus operandi: silenciosa, traiçoeira, avança devagar. Apaga pistas. Prepara o cerco, dá o bote. Mas há um exame que pega o bicho ainda na fase preparatória — quando ele ainda ensaia ser benigno ou maligno. É aí que a colonoscopia entra, descobre a parada e salva uma vida. Por favor: façam a colonoscopia.

Dessa Vez, Saiu da Risca

Sou um colonoscopeiro de carteirinha. Comecei em 2011: na minha família há um cardápio variado de tumores. Tem de todo tipo — uns pacatos, outros terrivelmente agressivos. Assassinos, sim, assassinos cruéis.
Além da prevenção básica — alimentação, exercício, evitar álcool —, a colonoscopia é rápida, indolor, dá um sono gostoso, de pedra. O pequeno desconforto é a véspera, o preparo. Dessa vez, saiu da risca. Logo eu, macaco velho.

As Tripas em Silêncio

Segui o protocolo: jejum absoluto para sólidos, só líquido. Tomei os quatro comprimidos laxantes — e nada. O intestino não respondia. Andava de um lado para o outro, e as tripas, em silêncio.

Saía Orgulhoso

Nos exames anteriores, a medicação era tiro e queda — ou melhor, tiro e jato. No dia seguinte, o manitol dava o golpe final. Eu me acabava, pelos fundos, mas saía orgulhoso ao ler no resultado: “preparo excelente”. Como já sou idoso, posso fazer a segunda parte do preparo, no dia do exame, no hospital. Assim preferi.

Conferi o Pijama

Mas dessa vez deu ruim, caro leitor, estimada leitora. Nem de madrugada um mísero sinal. As vísceras não estavam para conversa. Amanheci, conferi o pijama: nada. E agora? E se o troço estoura dentro do carro de aplicativo?

As Tripas Ameaçavam

Preveni-me: duas fraldas, cueca, e fui. Pedi o transporte. Chegou rápido. Dia de chuva, trânsito pesado.
Foi quando começaram as cólicas.
Ai, meu Deus.
O carro se arrastava. As cólicas aumentavam. As tripas ameaçavam. É hoje.

Trinquei os Dentes

Comecei a suar. O motorista me olhava pelo retrovisor. Eu já pensando onde lavaria o carro do homem. Os bancos cheirando a novo. Meu Deus.
Trinquei os dentes, fechei os punhos.

- Eu aguento.
-Eu aguento

O hospital se aproximava.

-Eu aguento?

Fiz o Pix. Desci quase fazendo merda. Corri, adentrei desesperado:

Um Senhor se Levantou Assustado

— Onde fica o banheiro, o banheiro?(gritos)

Um senhor se levantou assustado. Uma mulher apontou:

— No final, no final do corredor.

Ainda havia um eterno corredor.

Nem vi se era masculino ou feminino. Emburaquei com tudo, bermuda no joelho... O estampido

E a fossa estourou.



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Antigamente, evitava-se até dizer a palavra “câncer”.

Hoje, a prevenção vira crônica.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi – Teatro do Parque - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

08/05/2026

Idealizado e construído pelo Comendador Bento de Aguiar, foi inaugurado na noite de 24 de agosto de 1915 pela Companhia Portuguesa de Operetas e Revistas, do Teatro Avenida de Lisboa.

Seis anos depois (1921) passou a funcionar no mesmo local o Cinema do Parque. A sua festa de inauguração angariou fundos para a construção de uma Maternidade.

Ao lado do Cine-Teatro do Parque funcionou nas primeiras décadas do século passado, o “Hotel do Parque”, com sua fachada de azulejos e balaustrada.

Na Rua do Hospício tivemos ainda o Cinema Veneza, inaugurado em 15 de Dezembro de 1970 com o filme “Aeroporto”. Constituía-se num dos mais luxuosos e bem aparelhados do Recife, com suas 800 poltronas.

Posteriormente foram inaugurados mais dois Cinemas, já no bairro de Santo Amaro, ambos desativados, o “Ritz” e o “Astor”.


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras



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Idealizado e construído pelo Comendador Bento de Aguiar, foi inaugurado na noite de 24 de agosto de 1915 pela Companhia Portuguesa de Operetas e Revistas, do Teatro Avenida de Lisboa.

Seis anos depois (1921) passou a funcionar no mesmo local o Cinema do Parque. A sua festa de inauguração angariou fundos para a construção de uma Maternidade.

Ao lado do Cine-Teatro do Parque funcionou nas primeiras décadas do século passado, o “Hotel do Parque”, com sua fachada de azulejos e balaustrada.

Na Rua do Hospício tivemos ainda o Cinema Veneza, inaugurado em 15 de Dezembro de 1970 com o filme “Aeroporto”. Constituía-se num dos mais luxuosos e bem aparelhados do Recife, com suas 800 poltronas.

Posteriormente foram inaugurados mais dois Cinemas, já no bairro de Santo Amaro, ambos desativados, o “Ritz” e o “Astor”.


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras



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