Especial — Confederação do Equador: A Angústia de Frei Caneca numa Goiana deserta
14/09/2024
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 182...
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 1824) à meia-noite, e não foi pequeno o nosso espanto, quando sem esperarmos a achamos deserta inteiramente. O escuro da noite e o medonho silêncio em que estava sepultada a vila, os uivos dos cães, tudo cooperou para nos encher de terror, e nos julgarmos nos maiores perigos. Corremos várias ruas em busca das pessoas do nosso conhecimento, mas tudo foi baldado; porque a ninguém achamos”.
Duas casas
“Nesta circunstância deparamos com duas casas, em que por estarem com luz acesa nos falaram; mas foi para maior embaraço nosso. Em uma, um soldado cheio de maior terror por ver-nos, e talvez supor-nos inimigos, balbuciava, e nada dizia que fosse coerente; e ainda assim nos informou que toda a tropa já se havia retirado pela estrada da Conceição. Mas outro, que em outra rua nos falou, traiu-nos dizendo-nos que a tropa tomara a estrada de Goiana Grande: era o mesmo que entregar-nos aos ceroulas [provavelmente, ironia popular que queria dizer gente de Milícias e Ordenanças, que lutavam sem farda] de João Baptista Rego, que já haviam tomado o ponto de Pitimbu, e era natural estarem naquelas fronteiras”.
Topografia ignorada
“Os nossos companheiros, que ignoravam a topografia da vila e não sabiam e nem podiam conhecer o laço que nos armava o segundo informante, desconfiados do modo trepidante do primeiro, fiaram-se na segurança com que falou o segundo; e assim assentaram que tomássemos o caminho de Goiana Grande (devia ser a estrada para a Paraíba). Ponderamos-lhes o que sabíamos, dirigindo-nos a mostrar-lhes que jamais podia a força de Goiana seguir aquele destino; mas foi em vão: teimaram os nossos amigos no seu entendimento, e nós por contemporizar seguimo-los; e, ao passar pela frente do Convento do Carmo, nos dirigimos a ele, para que lá tomássemos informação do estado das coisas; mas tudo foi sem fruto”.

Ilusão
“O convento estava aberto e às escuras, ainda assim pelo tino, que nos fazia lembrar dos seus arranjos, por termos por anos habitado aquela casa, nos arriscamos a entrar e subir até o seu antecoro; e por mais que gritamos a chamar quem lá estivesse, ninguém nos respondeu”.
Caráter contemporizador
“Aqui os nossos amigos, que haviam ficado fora, nos chamaram e fizeram-nos acompanhá-los pra Goiana Grande. Sempre tivemos um caráter de contemporizador com os nossos amigos; e, fazendo reflexão sobre os trabalhos porque havíamos passado em nossos dias, conhecemos que tudo devíamos a conselhos alheios; e por este motivo, depois de haverem chegado aos lameirões de Goiana Grande, tomamos a resolução de não nos sacrificar a conselhos sem fundamento algum e inteiramente opostos à nossa salvação. Por isso, fazendo notar aos amigos que eles por não saberem as direções das estradas se iludiram com a aparente segurança do segundo soldado, e que até aquele momento mesmo nós sempre havíamos padecido por sermos escravos da vontade dos nossos amigos, declaramos que fazíamos ponto ali, e começávamos a usar do nosso entendimento; pelo que os não acompanhávamos”.
Retaguarda da força
“Esta nossa resolução salvou a todos, porque eles, dando peso ao nosso juízo, voltaram conosco pela estrada da Soledade; e depois de havermos andado o resto da noite, fomos encontrar com a retaguarda da força duas léguas acima da vila. Aqui já cansados dos trabalhos antecedentes e fatigados do espírito, descansamos em uma casa muito velha; pelo que havia dentro supusemos ser de ladrões; por este fundamento não houve maneira de conciliarmos sono, e passamos no campo, ora assentados, ora deitados, ora passeando até o romper da aurora. Raiando esta, nos pusemos em marcha para chegarmos a Goianinha, onde havia dormido o presidente temporário da Paraíba. A poucos passos fomos encontrando por toda a estrada muitas pessoas do nosso conhecimento, entre as quais foi o tenente-coronel Manuel Inácio de Melo, que no dia antecedente fora aclamado em Goiana comandante-geral daquela força. Da prática que tivemos com ele, não fizemos bom conceito daquela força, e não julgamos segurança alguma no meio dela, por nos ser descrita com uma multidão confusa, sem ordem, sem subordinação e inteiramente anárquica”.

Dia seguinte
“Chegamos afinal a Goianinha, e ali achamos o grosso da divisão e um povo numeroso com algumas famílias honestas; cumprimentamos o presidente (temporário da Paraíba, Felix Antônio Ferreira de Albuquerque, aclamado por cinco das nove vilas paraibanas): desde logo fomos agregados à sua família, e tomamos quartel na mesma morada”. Caneca termina o relato desta noite de medo, narrando o dia seguinte, quando chegou à povoação de Goianinha “que é uma povoação não pequena, e representa ter algum comércio dos gêneros de lavoura. Tem uma igreja pequena; ela e as casas da povoação são de má ou de nenhuma arquitetura; à exceção de mui poucas, as outras são de palhas”.
Presos políticos
Ainda registraria o frade jornalista a sua passagem de volta, na caravana dos presos políticos da Confederação do Equador vindos do sertão do Ceará, em 15 de dezembro de 1824. A guarnição evitou a vila, pernoitando no engenho Bujari. Ia preso, para ser submetido a uma corte marcial, pois seu destino já estava traçado numa portaria imperial de julho daquele ano.
Itinerário
Frei Caneca relatou este momento em seu Itinerário: “(...) fomos chegar a Goiana pelas onze horas da manhã, onde querendo o major Pastorinha (da Paraíba) ficar, resolveu-se, afinal a irmos aquartelar no engenho de Bujari, a meia légua da vila, cuja propriedade pertence ao padre João Álvares de Souza, que nos acolheu muito bem. Aqui fomos visitados por muitos homens liberais de Goiana, que de propósito nos foram abraçar, e oferecer-nos os seus serviços, e nos presentearam com bom peixe e para cearmos, vinho, queijos, frutas e doces. Aí pernoitamos e, sobre a madrugada querendo-nos aprontar para seguirmos a viagem, demos por falta de alguns companheiros nossos. Ao depois de alguma diligência, não se podendo descobrir os fugitivos, saímos ao amanhecer do dia 16 (...)” (CANECA, 2001, p.602/3). Apesar de sua contundente defesa, seu destino já estava traçado pelo português D. Pedro I. Foi fuzilado, no Recife, em 13 de janeiro de 1825.
*Josemir Camilo de Melo é historiador
Leia outras informações
"Disputa Eleitoral e Luta Ideológica (de Classes)" - Por Jarbas Beltrão*
03/11/2026
A campanha eleitoral para o 2° turno em 2026, concluída e apurada, revelou condutas que também marcaram pleitos anteriores e que se tornam comuns, principalmente ao longo do século 21 entre nos.
Notamos ações e discursos que vão se tornando perigosíssimos, na medida que se repetem. Comprometem a normalidade, governabilidade, estabilidade necessárias nas relações sociais, que devem ter como preocupações a harmonia, a integridade nacional, e uma ordem social de caráter democrática, ou seja, aquele "pacto social" amplo, que venha gerar um entendimento entre os diferentes e desiguals em todas as suas formas na sociedade.
"Incitações para a violência social"
Quando notamos, que existe entre os atores sociais, relações marcadas por desentendimentos radicalizados e que julgamos "perigosíssimos", isto acontece, porque tem presença dentro das campanhas, e não foi direferente neste se...
'Campanha eleitoral concluida'
A campanha eleitoral para o 2° turno em 2026, concluída e apurada, revelou condutas que também marcaram pleitos anteriores e que se tornam comuns, principalmente ao longo do século 21 entre nos.
Notamos ações e discursos que vão se tornando perigosíssimos, na medida que se repetem. Comprometem a normalidade, governabilidade, estabilidade necessárias nas relações sociais, que devem ter como preocupações a harmonia, a integridade nacional, e uma ordem social de caráter democrática, ou seja, aquele "pacto social" amplo, que venha gerar um entendimento entre os diferentes e desiguals em todas as suas formas na sociedade.
"Incitações para a violência social"
Quando notamos, que existe entre os atores sociais, relações marcadas por desentendimentos radicalizados e que julgamos "perigosíssimos", isto acontece, porque tem presença dentro das campanhas, e não foi direferente neste segundo turno (2026), de incitamentos à violência.
A postura de alguns grupos de apoiadores e candidatos são/foram, sim de incitamentos para um conflito social, o que fica distante de projetos de governo, então entendido como fundamento de uma luta eleitoral democrática.
Espalhou-se discursos direcionados à uma verdadeira "desordem social". Não estamos fazendo acusações gratuitas, mas, reconhecemos em muitos participantes - apoiadores e candidatos, discursos envenenados da "teoria da luta de classes", com todas as vestimentas de "ódio de classes" "violência de classes", com as justificativas apoiadas numa chamada "consciência de classe".
'Campanha eleitoral e luta de classes'
A partir de certas posturas, fica parecendo que a luta eleitoral é apenas meio para divulgação da "revolução", segundo alguns postulantes dirigidas para o "reset" e posterior reconstrução (radical) de um Estado diferente deste que se tem.
Fica o entendimento, a partir desses grupos que, a Democracia não é um fim, e que deve, está em permanente aperfeiçoamento, mas um meio de destruição da própria Democracia.

Alguns discursos, afirmavam que "há uma Democracia burguesa", que precisa ser substituída por uma "Democracia do proletariado (?)"
Ora, a luta eleitoral, entendemos como aquele confronto de "projetos de governo", o mesmo que: prioridades a serem implementadas; reformas de estruturas governamentais, criação de novos caminhos de aprimoramentos que trazem benefícios para o grande alvo da política, ou seja a sociedade, o povo.
Todavia quando vem a luta ideológica (de classes, para alguns), é dado início a promoção do discurso de ódio, que não fica só no discurso; daí vem aquele clima, próximo do ambiente revolucionário francês (1782) ou sovietico (1917). Eles, verdadeiros reinados de guilhotina e fuzilamento. E a História já tem em seus arquivos, os resultados dessas "revoluções de justiça social".
'Revoluções sociais'
Revolucionários modernos desde o sanguinário episódio francês, acompanhado das revoluções do século 20, são/foram grupos radicalizados que tratam a sociedade, como um universo de indivíduos divididos entre, "reacionários e revolucionários".
Neste cenário a sociedade é simploriamente dividida em: uma "minoria exploradora" e uma "maioria explorada". "Fascistas e revolucionários".
Separados por um delírio que chamam "consciência de classe", ou seja, a individualidade é substituída por uma bimposição de uma, "consciência de seu coletivo" (classe social).
'Trabalhador e empresários separados'
Palavras de ordem radicalizadas que extraímos do cenário da campanha eleitoral 2026, foram expostas desta forma: "trabalhador, preste atenção, fulano de tal só defende o patrão" ou uma fala de um certo candidato à Câmara Federal, afirmou "trabalhador já cansou da conciliação de classe, agora é guerra", o fulano, como candidato, teve uma expressiva votação, elegeu-se.
Ora, então o Plano de Governo, foi substituído, pelos projetos radicalizados, ou seja, Plano de destruição do "Estado... burguês" segundo os radicalizados.
Portanto, estamos diante de uma situação, em que para o grupo radicalizado, a luta eleitoral é a oportunidade de propagação da "luta revolucionária".
Essa situação traz fissuras insolúveis para o tecido social, mas para aqueles grupos, as fissuras sociais faz parte do cenário a ser explorado em benefício da "revolução redentora" dos oprimidos.
Como produto dessas incitações inspiradas nas fissuras sociais, tem se avolumado movimentos perigosíssimos, tanto do lado dos empregadores como dos empregados vindos após os resultados da apuração eleitoral; embora o clima ja esteja implantado há mais tempo.
'Cenário pós eleitoral'
No cenário pós eleições assistimos à promoção de campanhas, tanto do lado do empregador, como do empregado.
Do lado dos "patrões" ao se sentirem ameaçados na sua segurança pessoal e de sua empresa, estimulam a exclusão dos trabalhadores radicais de seu quadro funcional, e não mais contratar os identificados como tais (radicais). "Votou no candidato à "esquerda" este não se cria", em resposta à palavra de ordem "direita não se cria".
Grave, nusso tudo é que, o entendimento se resume ao absurdo: "empresário é sempre 'direita' , trabalhador é sempre esquerda'. É a vitória da mediocridade.
Do lado do trabalhadores aparecem sugestões de quebrar equipamentos de trabalho, provocar outros prejuízos às empresas, isso atenta contra uma relação social que traz prejuízos para todos e se abandona as condições favoráveis ao contrato que gera empregabilidade. Uma verdadeira armadilha.

'Partido de esquerda , desigualdade e democracia'
No programa de um Partido classificado de "esquerda" há um propósito bem claro, "eliminação da desigualdade" (?). Mais adiante o mesmo partido fala na construção do "socialismo democrático" (?).
Um sistema econômico complexo, não funciona sem desigualdades, ela é expressão da divisão do trabalho.
Fala de Democracia e socialismo já comprovou-se que é um encontro impossível. Socialismo, elimina liberdade de empreender, liberdade de consumo, liberdade de propriedade.
'Socialismo e esquerda'
Setenta anos da Revolução Bolchevique e quarenta do avanço do Exército Vermelho na Europa leste, só trouxe perseguições, mortes, deportações, fome, miséria, criação de uma elite autocrática controladora do Estado e da Sociedade civil.
O debate de socialismo democrático, cabe como debate ideológico.
O ideológico, que não é científico, tem lugar no plano das emoções, das fantasias, dos delírios. A República Popular da China que o diga; trouxe as fórmulas do "mercado ocidental" e superou os tempos do Pensamento Mao Tse Tung, mas vai perder-se com seu modelo político que fez uns ajustes na contabilidade, introduzido fórmulas capitalistas; daí a burocracia chinesa sobreviveu/ sobreviverá por mais tempo que União Sivietica e Leste Europeu.
O sistema econômico, e por consequência social, poderá sofrer um "engasgo", com essa armadilha social, o que significa paralisia, todos perdem.
De repente os lados estão preparando armadilha que os mesmos serão vítimas da "engenhoca" que acreditaram surpreenderia o lado oposto.
Por outro lado a situação nos leva ao reconnhecimento de que a "História" é uma mestra desprezada por discípulos infiéis.
Portanto, suas boas lições não encontram seguidores suficientes para se evitar loucuras, o século 20 foi cenário pródigo de exemplos.
Fica dito
*Jarbas Beltrão é historiador e professor de História da Universidade de Pernambuco - UPE. Mestre em Educação pela UFPB. Especialista (MBA) em Política Estratégia Defesa e Segurança Nacional. (Adesg Famesc).Especialista (MBA) em Geopolítica/Novas Fronteiras/Cibernética e IA. (Adesg/Instituto Venturo)

NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
PEC da Segurança Pública - Oposição apoiará PEC e manterá emenda sobre maioridade
03/11/2026
Oposição e Alcolumbre
A pauta foi debatida nesta manhã, 03/11, em reunião de líderes com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Marinho disse não saber se terá votos para aprovar a alteração no texto. Por se tratar de mudança constitucional, são necessários 49 votos favoráveis, três quintos do Senado, em dois turnos para a aprovação. Marinho rejeitou a possibilidade de tratar o tema em outro projeto. "Ao longo desse tempo, nós fomos enganados [pelo governo] várias vezes", disse. Para ele, a proposta tem respaldo popular. "É interesse de quase 80% da população brasileira." Mesmo com o impasse, a oposição disse que votará favoravelmente à PEC como um todo....
O líderes da oposição e do PL no Senado, Rogério Marinho, PL, e Carlos Portinho, PL, respectivamente, afirmaram hoje, terça-feira, 03/11, que o grupo vai manter a emenda que reduz a maioridade penal na PEC, Proposta de Emenda à Constituição, da Segurança. A proposta está na pauta do Senado de hoje.
Oposição e Alcolumbre
A pauta foi debatida nesta manhã, 03/11, em reunião de líderes com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Marinho disse não saber se terá votos para aprovar a alteração no texto. Por se tratar de mudança constitucional, são necessários 49 votos favoráveis, três quintos do Senado, em dois turnos para a aprovação. Marinho rejeitou a possibilidade de tratar o tema em outro projeto. "Ao longo desse tempo, nós fomos enganados [pelo governo] várias vezes", disse. Para ele, a proposta tem respaldo popular. "É interesse de quase 80% da população brasileira." Mesmo com o impasse, a oposição disse que votará favoravelmente à PEC como um todo. "Lógico, a gente vai votar a favor da PEC do texto-base [...] E vamos votar a minha emenda, a nossa emenda, o meu destaque como líder do PL para redução da maioridade em casos de crimes hediondos, contra a vida, que é um bem irrecuperável, para 14 anos e a regra geral para 16 [anos]", disse Portinho.
Maioridade e governo
O governo defende tratar a redução da maioridade em uma proposta separada, já que mudanças de mérito obrigariam o texto a voltar à Câmara e atrasariam a possível criação do Ministério da Segurança Pública.

Pesquisa sobre maioridade
Pesquisa Datafolha de junho de 2026 mostra que 79% dos brasileiros são favoráveis à redução da maioridade penal. Segundo os senadores, o governo "certamente acredita que tem votos" para derrubar a emenda e disse que não houve negociação sobre o tema. "Apenas foi perguntado e a gente manteve a nossa posição."
A Nova / Velha Democracia - Por Ricardo Andrade*
03/11/2026
Na Argentina, os estudantes também foram às ruas pedindo melhorias nos investimentos e protestando contra os cortes no ensino superior. Em muitos países europeus (Itália, França, Espanha, Alemanha, Portugal e Bélgica), a juventude tem lotado as ruas com pautas idênticas ou similares, incluindo a alta dos preços dos aluguéis.
A eleição de Lula no segundo turno, com uma virada "nunca vista antes na história deste país" (como fala o presidente), não foi provocada apenas pelas redes e pelas ruas. Não foi um grito isolado contra o neofascismo e a extrema direita mundial, mas está despertando um debate e uma agenda n...
As eleições parlamentares de outubro de 2026, na Sérvia, ficaram marcadas pela participação dos estudantes, que organizaram uma lista horizontal (sem lideranças definidas) de candidatos, numa coalizão cívica conhecida como Lista dos Estudantes (Studentska lista). Eles tiveram uma vitória com mais de 52% dos votos, garantindo a maioria no Parlamento.
Na Argentina, os estudantes também foram às ruas pedindo melhorias nos investimentos e protestando contra os cortes no ensino superior. Em muitos países europeus (Itália, França, Espanha, Alemanha, Portugal e Bélgica), a juventude tem lotado as ruas com pautas idênticas ou similares, incluindo a alta dos preços dos aluguéis.
A eleição de Lula no segundo turno, com uma virada "nunca vista antes na história deste país" (como fala o presidente), não foi provocada apenas pelas redes e pelas ruas. Não foi um grito isolado contra o neofascismo e a extrema direita mundial, mas está despertando um debate e uma agenda no campo progressista: que tipo de democracia estamos construindo no século XXI, diante da crise de representatividade, da insurgência dos movimentos populares e dos direitos difusos, que colocam o neoliberalismo e o modelo do ajuste fiscal contra a parede?
A campanha de Lula no segundo turno não esperou pela estratégia dos partidos tradicionais. Foi construída "de baixo para cima", demonstrando que mecanismos da chamada democracia direta e participativa podem contribuir para equilibrar a atual correlação de forças. Esse debate ganha ainda mais relevância diante dos desafios da governança mundial, do papel da ONU e do G7, da crescente concentração de renda e das desigualdades, além da influência das big techs e dos impactos das tecnologias da informação, da inovação e da inteligência artificial (IA).
Certamente, ao menos no caso brasileiro, não será a adoção do voto distrital misto que irá democratizar mais nossa sociedade e nosso sistema político-eleitoral. Ele apenas reforçará as burocracias partidárias (da direita à esquerda), coronelescas e arcaicas.
Quando o planeta assiste, atônito, a mais uma primavera estudantil, repensemos novos conceitos e caminhos que nos apontem outro marco civilizatório e que também permitam debater a questão da soberania e da territorialidade, em vez da retirada de direitos. Isso perpassa a velha dicotomia entre o tamanho e o papel do Estado e ganha contornos sobre a gestão e sua capacidade de resolução, mas está longe de entrar na seara da neutralidade, que nunca existiu e nunca existirá.
*Ricardo Andrade, é Historiador, Mestre em Gestão Pública (Fundaj) e Presidente do IHGAAP (Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico, Antropológico do Paulista). @ricardo060370
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A Filosofia da Finitude e o Sentido da Morte - Por José Ricardo de Souza*
03/11/2026
Os deuses são imortais, suas crias, não. No panteão das divindades não existe espaço para a morte, quando muito há consolo e acolhida para os mortais que deixaram de ter seu ínfimo sopro de vida. O repouso eterno, ou as sucessivas reencarnações, de acordo com o credo, são os destinos dos mortais.
Os cemitérios, ou igrejas e seus ossuários, não guardam apenas ossos e caveiras de quem um dia teve vida, história e memória. Ali repousam também o que sobrou de anos vividos, de vitórias conquistadas, de dores e lágrimas choradas também.
A única verdade da vida terrena é que é...
Na Filosofia da Finitude aprendemos a lidar com os sentidos e significados da morte em todos os seus aspectos, sejam eles racionais ou transcendentais. Não se trata de uma resposta para a pergunta que nos provoca desde o dia em que nascemos: para onde vamos quando a vida acaba? Mas sim de uma reflexão a cerca daquilo que não nos foi dado gozar: a imortalidade.
Os deuses são imortais, suas crias, não. No panteão das divindades não existe espaço para a morte, quando muito há consolo e acolhida para os mortais que deixaram de ter seu ínfimo sopro de vida. O repouso eterno, ou as sucessivas reencarnações, de acordo com o credo, são os destinos dos mortais.

Os cemitérios, ou igrejas e seus ossuários, não guardam apenas ossos e caveiras de quem um dia teve vida, história e memória. Ali repousam também o que sobrou de anos vividos, de vitórias conquistadas, de dores e lágrimas choradas também.
A única verdade da vida terrena é que é um ciclo que tem início e fim. O que vem depois? É mistério, é segredo, é silêncio. Sem a crença na vida pós-morte nenhuma crença, religião ou religiosidade se sustenta. Mas também ninguém pode afirmar com absoluta certeza como é o outro lado, até porque mortos não falam, não escrevem, não sorriem, não mandam lembranças.
Dilema da finitude
Ficam apenas, nós aqui, convivendo com o dilema da finitude. Dos que já foram e de nós que um dia vamos ir. Dos que ficaram para chorar e dos que deixaram de chorar para sempre. Não é uma condição fácil, mas faz parte da fragilidade humana. Aos mortos devemos laços que inegavelmente estarão ligados às nossas gerações. A ancestralidade não é um mero acaso, são raízes que sustentam o presente gestado do passado.
Medo de morrer?
Jamais! Temo sim é ser esquecido. E mais ainda: temo sim morrer antes da morte e esquecer de viver enquanto podia respirar, pulsar e gritar. A vida é uma dádiva. A morte é uma certeza. E o que fica então senão a tristeza de que saber que a cada dia vivido a morte está mais próxima? Se for assim, que eu morra de viver e viva a morrer de tudo o que não agrega, não eleva, e não acrescenta ao meu passo sereno e firme de quem entende a morte como um ponto final na linha tangente da existência.
*José Ricardo de Souza, é professor da rede pública estadual de ensino, historiador e escritor. Membro da ALAP, IAHGP, IHGAAP e UBE-Paulista. Criador do Projeto Muita História pra Contar. Criador do projeto Muita História pra Contar. @josericardope01

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Brasil registrou de janeiro a setembro mais de 818 mil casos de violência doméstica; segundo o CNJ número é recorde
03/11/2026
Balanço recente divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) constatou que de janeiro até o dia 30 de setembro foram ajuizados, no total, 818.229 novos processos sobre casos de violência doméstica no Brasil.
O número é recorde para os nove primeiros meses do ano e já supera os totais anuais registrados entre 2020 e 2023. As informações são do painel de violência contra a mulher do DataJud.
O levantamento apontou que os registros vêm crescendo nos últimos anos. Em 2020, foram 597.824 casos. O número subiu para 692.620 em 2021 e chegou a 916.790 em 2023. Em 2024, foram 1.014.792 ocorrências, enquanto 2025 terminou com 1.133.894.
Aumento de 12,1%
Na comparação com os nove primeiros meses do ano passado, quando foram registrados 842.927 casos, houve aumento de aproximadamente 12,1% em 2026.
Conforme o levantamento, o estado de São Paulo lidera o ranking no país, com 158.178 re...
Da Redação
Balanço recente divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) constatou que de janeiro até o dia 30 de setembro foram ajuizados, no total, 818.229 novos processos sobre casos de violência doméstica no Brasil.
O número é recorde para os nove primeiros meses do ano e já supera os totais anuais registrados entre 2020 e 2023. As informações são do painel de violência contra a mulher do DataJud.
O levantamento apontou que os registros vêm crescendo nos últimos anos. Em 2020, foram 597.824 casos. O número subiu para 692.620 em 2021 e chegou a 916.790 em 2023. Em 2024, foram 1.014.792 ocorrências, enquanto 2025 terminou com 1.133.894.
Aumento de 12,1%
Na comparação com os nove primeiros meses do ano passado, quando foram registrados 842.927 casos, houve aumento de aproximadamente 12,1% em 2026.
Conforme o levantamento, o estado de São Paulo lidera o ranking no país, com 158.178 registros. Em seguida aparecem Paraná, com 94.690 casos, e Minas Gerais, com 83.762. O painel também contabiliza 837.330 movimentações relacionadas a medidas protetivas neste ano.
Desse total, 521.404 foram concedidas e 70.384 negadas. O tempo médio entre o início do processo e a primeira medida protetiva foi de dois dias.
Diferentes formas de violência
Os dados do CNJ consideram processos relacionados a diferentes formas de violência contra a mulher, como lesão corporal, violência psicológica e crimes previstos na Lei Maria da Penha. Os feminicídios não entram nessa contabilização, pois são classificados separadamente.
Um alerta feito pelo Conselho é de que os registros do DataJud representam processos que chegaram ao sistema de Justiça e não necessariamente todas as agressões ocorridas no país, já que muitas vítimas não denunciam ou não conseguem buscar atendimento.
As medidas protetivas são uma das principais ferramentas para afastar agressores e evitar novas situações de violência, mas dependem do cumprimento das decisões e de uma rede de proteção que acompanhe as vítimas.
— Com informações do CNJ e Agências de Notícias
Dia de Halloween e a Bruxaria do Mau Perdedor - Crônica - Por Romero Falcão*
03/11/2026
No rádio do carro, Tom Jobim, Bossa Nova. Mas eis que mexo na tela, procuro notícias. Ainda intoxicado pelo pós-eleição, lembro que um amigo recomendou: "Dê um tempo, vá ler um livro".
Jogo o conselho fora.
De volta ao rádio, um cientista político fala da vergonhosa lista de boicote que se espalhou pelas redes sociais depois do resultado das eleições.
As tais listas — "Demita um petista" — têm me aterrorizado. Como classificar um comércio, uma empresa, um funcionário, um amigo, uma família, um amor, pelo voto?
Numa conversa pelo WhatsApp, um amigo religioso sentenciou: "O boicote é libertário, pacífico e moral".
Jesus! Meus dedos paralisaram. Não consegui teclar.
Outrora, havia o voto envergonhado. Agora, temos a vingança do voto, sem constrangimento, sem piedade. Demita! Tire o pão da m...
Escrever para jornal é de bate-pronto. Às vezes, nem dá tempo de matar a bola no peito.
No rádio do carro, Tom Jobim, Bossa Nova. Mas eis que mexo na tela, procuro notícias. Ainda intoxicado pelo pós-eleição, lembro que um amigo recomendou: "Dê um tempo, vá ler um livro".
Jogo o conselho fora.
De volta ao rádio, um cientista político fala da vergonhosa lista de boicote que se espalhou pelas redes sociais depois do resultado das eleições.
As tais listas — "Demita um petista" — têm me aterrorizado. Como classificar um comércio, uma empresa, um funcionário, um amigo, uma família, um amor, pelo voto?
Numa conversa pelo WhatsApp, um amigo religioso sentenciou: "O boicote é libertário, pacífico e moral".
Jesus! Meus dedos paralisaram. Não consegui teclar.
Outrora, havia o voto envergonhado. Agora, temos a vingança do voto, sem constrangimento, sem piedade. Demita! Tire o pão da mesa dele! Não lhe dê um copo d'água! Mande ligar para o Lula!
31 de outubro de 2026, foi dia de Halloween. Bruxas são fichinhas diante da vassoura que voa na ventania do ódio.
Não basta ser adversário político, é imperativo eleger inimigo o português da padaria.
Eis a bruxaria do mau perdedor.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

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Reforma Tributária e Advocacia: Redução de 30% no IBS e na CBC, Regime Tributário e Nova Tributação dos Lucros e Dividendos - Por Rosa Freitas*
03/11/2026
Apresentação do Tema
A Reforma Tributária, instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada, entre outras normas, pela Lei Complementar nº 214/2025, promove mudanças significativas na tributação sobre o consumo no Brasil.
Entre as medidas de tratamento tributário diferenciado está a redução de 30% das alíquotas do IBS e da CBS para os serviços prestados por profissionais intelectuais submetidos à fiscalização de conselhos profissionais, categoria na qual se insere a advocacia.
O benefício, previsto no art. 127 da LC 214/2025, merece atenção especial dos advogados, tanto no exercício individual da profissão quanto na organização das sociedades de advocacia.
Entretanto, compreender essa redução exige ir além do percentual anunciado. É necessário examinar os requisitos para o enquadramento, a composição societá...
O que os escritórios de advocacia precisam saber sobre a LC 214/2025 e a Lei 15.270/2025?
Apresentação do Tema
A Reforma Tributária, instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada, entre outras normas, pela Lei Complementar nº 214/2025, promove mudanças significativas na tributação sobre o consumo no Brasil.
Entre as medidas de tratamento tributário diferenciado está a redução de 30% das alíquotas do IBS e da CBS para os serviços prestados por profissionais intelectuais submetidos à fiscalização de conselhos profissionais, categoria na qual se insere a advocacia.
O benefício, previsto no art. 127 da LC 214/2025, merece atenção especial dos advogados, tanto no exercício individual da profissão quanto na organização das sociedades de advocacia.
Entretanto, compreender essa redução exige ir além do percentual anunciado. É necessário examinar os requisitos para o enquadramento, a composição societária, a natureza dos serviços prestados e, principalmente, a relação entre o regime diferenciado e as regras de apuração do IBS e da CBS.
Nesse contexto, ganha especial relevância o art. 41 da LC 214/2025, que disciplina o regime regular dos novos tributos e estabelece regras para os contribuintes optantes pelo Simples Nacional.
A leitura conjunta dos arts. 127 e 41 permite compreender que o planejamento tributário dos escritórios de advocacia deverá considerar não apenas a redução das alíquotas, mas também a possibilidade de opção pelo regime regular, a apropriação de créditos e os efeitos econômicos de cada modelo de tributação. Mas as mudanças não se encerram na tributação sobre o consumo.
A Lei nº 15.270/2025 introduziu novas regras para a tributação da renda das pessoas físicas, especialmente em relação à distribuição de lucros e dividendos e à tributação mínima das altas rendas.
Dessa forma, os escritórios de advocacia passam a enfrentar um duplo desafio: reorganizar a tributação de suas atividades profissionais e revisar a estrutura de remuneração e distribuição de resultados entre os sócios.
O planejamento tributário deverá integrar IBS, CBS, IRPJ, CSLL, IRPF e contribuições previdenciárias, observando as particularidades de cada regime.
1. Quem Tem Direito à Redução de 30%?
O art. 127, inciso II, da LC 214/2025 inclui expressamente os advogados entre os profissionais beneficiados pela redução de 30% nas alíquotas do IBS e da CBS.
A redução alcança também outras categorias profissionais submetidas à fiscalização de conselhos profissionais, como contadores, administradores, arquitetos, engenheiros e economistas.
O benefício contempla os serviços profissionais previstos na legislação, desde que observadas as condições legais de enquadramento.
2. Como Funciona o Benefício?
A redução de 30% incide sobre as alíquotas do:
• IBS – Imposto sobre Bens e Serviços;
• CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços.
É importante compreender que não se trata de uma redução de 30% sobre o faturamento ou sobre toda a carga tributária do escritório.
O benefício representa uma redução das alíquotas aplicáveis aos novos tributos.
Portanto, o impacto financeiro deverá ser calculado considerando o regime de tributação, a receita, os créditos permitidos e as demais características da atividade profissional.
3. Quais são os Requisitos para Advogados?
A legislação estabelece condições para o aproveitamento do benefício.
A) Advogado pessoa física
Deve prestar serviços vinculados à sua habilitação profissional, conforme as disposições legais.
B) Sociedade de advocacia
Deve cumprir cumulativamente os seguintes requisitos:
• Os sócios devem possuir habilitação profissional relacionada aos objetivos da sociedade e estar submetidos à fiscalização do conselho profissional.
• Não pode ter pessoa jurídica como sócia.
• Não pode participar como sócia de outra pessoa jurídica.
• Não pode exercer atividades estranhas às habilitações profissionais dos sócios.
• Os serviços relacionados à atividade-fim devem ser prestados diretamente pelos sócios, sendo permitido o auxílio de colaboradores.
Fundamento: art. 127, § 1º, da LC 214/2025.
4. A NATUREZA JURÍDICA DA SOCIEDADE IMPEDE O BENEFÍCIO?
Não.
O § 2º do art. 127 esclarece que não impedem a redução:
• A natureza jurídica da sociedade;
• A reunião de profissionais de diferentes categorias contempladas no artigo, respeitada a habilitação de cada sócio;
• A forma de distribuição dos lucros.
Assim, a análise deve considerar os requisitos legais, e não apenas a denominação ou o formato societário.
5. E OS ESCRITÓRIOS OPTANTES PELO SIMPLES NACIONAL?
É necessário distinguir os regimes de tributação.
A redução prevista no art. 127 está relacionada às alíquotas do IBS e da CBS. Os escritórios que permanecem recolhendo esses tributos dentro do DAS do Simples Nacional não aplicam automaticamente a redução de 30% de forma destacada.
Entretanto, a legislação permite avaliar a opção pelo recolhimento do IBS e da CBS pelo regime regular, separadamente do Simples Nacional. Essa decisão exige simulação tributária, especialmente para verificar:
• A carga tributária efetiva;
• O volume de despesas e aquisições que podem gerar créditos;
• O perfil dos clientes;
• O impacto da redução de 30%;
• Os custos administrativos e contábeis.
6. A Importância do Art. 41 da LC 214/2025
O art. 41 merece atenção especial porque disciplina o regime regular do IBS e da CBS e estabelece as regras aplicáveis aos contribuintes optantes pelo Simples Nacional.
A possibilidade de recolher IBS e CBS pelo regime regular, separadamente do DAS, abre uma discussão estratégica para as sociedades de advocacia..A decisão não deve ser tomada apenas com base na alíquota reduzida.
É necessário avaliar se a possibilidade de apropriação de créditos tributários e a redução de 30% nas alíquotas compensam os custos e os efeitos da opção.
O planejamento deverá comparar o Simples Nacional com a possibilidade de recolhimento do IBS e da CBS pelo regime regular.
7. IRPJ, Lucros e Dividendos: A Nova Tributação da Renda
A análise tributária das sociedades de advocacia também deverá considerar as alterações promovidas pela Lei nº 15.270/2025.
A legislação instituiu novas regras de retenção sobre lucros e dividendos distribuídos às pessoas físicas e criou a tributação mínima para pessoas físicas de altas rendas.
É importante destacar que os limites de R 600 mil anuais não representam novos limites de faturamento da sociedade, mas parâmetros relacionados à tributação dos rendimentos recebidos pela pessoa física.
A) Distribuição mensal de lucros e dividendos — R$ 50 mil
A partir de janeiro de 2026, quando uma mesma pessoa jurídica pagar, creditar, empregar ou entregar lucros e dividendos a uma mesma pessoa física residente no Brasil em valor superior a R`$ 50.000,00 no mesmo mês, haverá retenção de IRRF à alíquota de 10% sobre o valor total distribuído.
Exemplos de distribuição mensal de lucros e dividendos:
• Distribuição de R$` 40.000,00: não haverá retenção de IRRF pela regra dos 10%.
• Distribuição de R`$ 50.000,00: não haverá retenção de IRRF pela regra dos 10%.
• Distribuição de R 6.000,00, correspondente a 10% do valor total distribuído.
Portanto, ultrapassado o limite, a retenção incide sobre o valor total, e não apenas sobre o excedente de R$ 50 mil.
B) Tributação anual de altas rendas — R$ 600 mil
A partir do exercício de 2027, referente ao ano-calendário de 2026, a pessoa física que receber rendimentos anuais superiores a R$` 600.000,00 estará sujeita à tributação mínima do Imposto de Renda.
A alíquota aumenta progressivamente de zero a 10% para rendimentos entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão, alcançando 10% para rendimentos iguais ou superiores a R`$ 1,2 milhão.
A apuração considera as regras legais de inclusão, exclusão e dedução dos rendimentos e dos impostos já recolhidos.
Portanto, não se deve confundir a retenção mensal sobre dividendos com a tributação mínima anual. São mecanismos diferentes e devem ser analisados conjuntamente.
8. A Necessidade de Revisão do Pró-Labore
Uma das consequências práticas dessas mudanças é a necessidade de revisão da política de remuneração dos sócios.
O pró-labore constitui remuneração pelo trabalho desempenhado pelo sócio e está sujeito à tributação previdenciária e ao Imposto de Renda conforme as regras aplicáveis.
Já a distribuição de lucros decorre dos resultados efetivamente apurados pela sociedade e deve estar devidamente demonstrada na escrituração contábil e fiscal.
Assim, torna-se necessário avaliar:
• O valor do pró-labore de cada sócio
• A remuneração efetiva pelo trabalho desenvolvido;
• A distribuição periódica de lucros;
• A escrituração contábil e a demonstração dos resultados;
• A incidência de IRPF, IRRF e contribuições previdenciárias;
• O impacto da tributação mínima anual sobre os rendimentos dos sócios
Atenção: a revisão do pró-labore não significa simplesmente reduzi-lo para evitar imposto. É necessário preservar a natureza jurídica de cada retirada, a realidade do trabalho desenvolvido e a adequada separação entre remuneração e distribuição de resultados.
O objetivo é estruturar uma política de remuneração e distribuição de lucros juridicamente adequada e economicamente eficiente.
9. Conclusão — 7 Pontos Que Todo Advogado Precisa Lembrar
Os 7 pilares do planejamento tributário da advocacia
01 Redução de 30% no IBS e na CBS
A advocacia está expressamente contemplada no art. 127 da LC 214/2025. A redução incide sobre as alíquotas dos novos tributos, observados os requisitos legais.
02 Requisitos para o enquadramento
A sociedade precisa observar as condições relativas à habilitação dos sócios, composição societária, objeto social e prestação dos serviços.
03 Simples Nacional ou regime regular?
O art. 41 da LC 214/2025 exige atenção à possibilidade de recolher IBS e CBS pelo regime regular, separadamente do DAS, mediante opção legal.
04 Aproveitamento de créditos tributários
É necessário avaliar despesas, aquisições, créditos permitidos e os efeitos financeiros de cada regime de tributação.
05 Distribuição de lucros acima de R$ 50 mil mensais
A Lei 15.270/2025 estabelece retenção de 10% sobre o valor total distribuído por uma mesma pessoa jurídica a uma mesma pessoa física residente no Brasil, quando ultrapassado o limite mensal.
06 Rendimentos anuais acima de R$ 600 mil
A tributação mínima de altas rendas exige avaliar a totalidade dos rendimentos considerados pela legislação, inclusive pró-labore e lucros e dividendos, observadas as exclusões legais.
07 Revisão do pró-labore e planejamento da remuneração
Os escritórios precisam revisar o pró-labore, a distribuição de lucros, a escrituração contábil e a estrutura de remuneração. O objetivo é evitar recolhimentos indevidos, prevenir riscos fiscais e organizar a carga tributária dentro dos limites legais.
10. O Planejamento Tributário Deverá Integrar Consumo e Renda
Um aspecto que merece destaque é que a redução de 30% do IBS e da CBS não elimina a necessidade de avaliar a tributação da pessoa jurídica.
O escritório deverá considerar separadamente:
• IRPJ: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica;
• CSLL: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
• IBS e CBS: tributação sobre o consumo;
• IRPF: tributação dos rendimentos recebidos pelos sócios;
• INSS: contribuições previdenciárias incidentes sobre o pró-labore.
A revisão do pró-labore e da distribuição de lucros deve ser realizada mediante simulação, considerando o regime tributário da sociedade e a situação de cada sócio. O propósito não é simplesmente deixar de pagar imposto, mas evitar tributação indevida e identificar a estrutura legalmente mais eficiente.
Considerações Finais
A Reforma Tributária exige uma nova visão sobre a gestão dos escritórios de advocacia.
Não basta analisar isoladamente a redução de 30% do IBS e da CBS. É necessário compreender os efeitos combinados da tributação sobre o consumo e sobre a renda. O planejamento tributário da advocacia deverá ser preventivo, integrado e estratégico.
Nota técnica: a retenção mensal de 10% sobre dividendos e a tributação mínima anual são regras distintas. Existem regras de transição para lucros apurados até 2025 e distribuições aprovadas até 31/12/2025, que devem ser examinadas individualmente.
Referências normativas principais:
• EC 132/2023.
• LC 214/2025, arts. 41 e 127.
• Lei 15.270/2025, arts. 6º-A e 16-A da Lei 9.250/1995.
• Lei 9.249/1995, art. 10, com alterações da Lei 15.270/2025.
• Lei 8.212/1991.
Fontes oficiais:
• LC 214/2025 – texto compilado.
• Lei 9.250/1995 – tributação mensal e anual de altas rendas.
• Lei 9.249/1995 – lucros e dividendos.
*Profa. Rosa Freitas, é Doutora em Direito e pelo PPGD/UFPE, servidora pública, com 20 anos de experiência nas áreas pública e privada, Pós-Graduada em Transição Energética e novos Negócios pela PUC-PR, autora de livros e artigos jurídicos, dentre "A nova dogmáticada da tributação de serviçosno Brasil" pela Editora Ponto a Ponto. @profa.dra.rosafreitas e Advrosafreitas@gmail.com
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O Sapo e a Escapada - Por Marcelo Tognozzi*
03/11/2026
Jornais importantes, como Wall Street Journal e Washington Post, se posicionaram a favor de Flávio Bolsonaro e criticaram o ministro Alexandre de Moraes, anotando sua pressa em autorizar o recolhimento do passaporte do candidato derrotado minutos depois de confirmada a vitória de Lula. O que fica claro, seja na leitura dos periódicos ou na atitude do presidente Trump, é clara má vontade com o a reeleição do presidente Lula, não por meras picuinhas ideológicas ou pessoais, mas por questões de estado.
Tudo indica que o inédito resgate de Flávio foi o 1º passo de algo maior prestes a acontecer....
A escapada de Flávio Bolsonaro, operada pela CIA, Mossad e SIDE, serviço secreto argentino, está muito além de mais um capítulo do espetáculo da eleição. Os americanos e seus aliados comandaram minucioso plano de resgate do ex-candidato do PL com apoio dos argentinos e equatorianos, num momento em que todo o Cone Sul, exceto o Brasil, está sob a batuta de Washington.
Jornais importantes, como Wall Street Journal e Washington Post, se posicionaram a favor de Flávio Bolsonaro e criticaram o ministro Alexandre de Moraes, anotando sua pressa em autorizar o recolhimento do passaporte do candidato derrotado minutos depois de confirmada a vitória de Lula. O que fica claro, seja na leitura dos periódicos ou na atitude do presidente Trump, é clara má vontade com o a reeleição do presidente Lula, não por meras picuinhas ideológicas ou pessoais, mas por questões de estado.
Tudo indica que o inédito resgate de Flávio foi o 1º passo de algo maior prestes a acontecer. Não é teoria da conspiração, mas geopolítica pura. O Brasil está literalmente cercado por aliados dos Estados Unidos. A Venezuela é agora espécie de 51º estado americano com as grandes petroleiras mandando no jogo, além do controle da Guiana, ou seja, de todo o Essequibo, região riquíssima em petróleo, capaz de rivalizar com o Oriente. Não foi por mero acaso alvo da ambição de Nicolás Maduro, que tentou, sem sucesso, anexar a região.
A eleição brasileira aconteceu num contexto de mudanças do equilíbrio de forças do planeta. Está sendo construída a versão do século 21 do Tratado de Tordesilhas, com a Terra dividida entre os Estados Unidos e a China. Por mais barulho que façam a mídia e as redes sociais sobre a eleição de meio de mandato, marcada para o próximo dia 3, Donald Trump seguirá olímpico, com aquela empáfia de quem sabe que não poderá ser reeleito e quer entregar seu país reindustrizado, dólar forte, influencia no continente, controle de rotas comerciais importantes como Ormuz, e capacidade de atuar militarmente onde for preciso.
Passada esta eleição, Trump irá escalar a guerra contra o Irã. Isso dará a ele pretexto para criar caso com o Brasil, maior aliado dos iranianos deste lado do mundo. Aliás, como pontuou um diplomata, o Brasil hoje é aliado do Irã, Coréia do Norte, África do Sul, Rússia, China e mais uma dúzia de cacarecos xiitas, vistos como terroristas por boa parte do mundo. O problema é que a Rússia está em guerra com a Ucrânia e a China tem por princípio não fazer guerra quente. A guerra dela é comercial.
A escalada do conflito no Irã pressionará ainda mais os preços dos combustíveis. O diesel caro, seguirá subindo. O Brasil depende do diesel russo, que agora é vendido também para os Estados Unidos. Trump está comprando de Putin o que pode, porque acredita ser este instrumento de controle da inflação.
O Escudo das Américas não servirá apenas para combater o terrorismo e o narcotráfico. Ele também será instrumento de pressão contra os 3 últimos focos de resistência à hegemonia americana no continente: Brasil, Nicarágua e Cuba. El Salvador mandou tropas para o Haiti para combater as gangues que tomaram conta do país. São mais de 2 mil homens em armas. Não aconteceu por acaso. Farão do Haiti um campo de batalha experimental. Um front muito parecido com o do Rio de Janeiro.
E o resgate de Flávio confirmou isso numa operação conjunta entre a CIA e o SIDE. A inteligência argentina ganhou um upgrade desde que Milei se converteu ao judaísmo e enviou seu rabino, Shimon Axel Wahnish, 46 anos, para ser embaixador em Israel. Na posse de Milei, em 10 de dezembro de 2023, Axel Wahnish participou da cerimônia ecumênica na Catedral Metropolitana de Buenos Aires. Ali, diante das câmeras, o rabino perguntou ao presidente se lembrava o que pedia a Deus havia tanto tempo. Milei respondeu: “sabedoria, temperança e coragem”. Em fevereiro de 2024 ele acompanhou Milei na 1ª viagem oficial a Israel.
Por isso, o fato de Flávio ter saído do país pela tríplice fronteira, mostra que a região, conhecido furdúncio coabitado por membros do Hammas, Hezbolah, agentes iranianos, traficantes de drogas, vendedores de armas, guerrilheiros e pequenos bandidos, está dominado pelas forças de segurança. Argentinos e israelenses trabalham juntos e intensamente desde que Milei chegou à Casa Rosada. Com a volta de Trump ao poder os laços se estreitaram.
Enquanto cuida do seu quintal latino-americano Trump negocia com os chineses e russos. É uma ilusão imaginar que os chineses, com uma história de 5 mil anos de comércio, deixarão de comprar e vender para os Estados Unidos por causa do Brasil, lugar que, chova ou faça sol, continuará dependente deles, simplesmente porque são nosso maior parceiro comercial. O governo de Xi Jinping convive bem com Trump, assim como europeus, africanos e árabes. Os chineses em geral são conservadores, além de pragmáticos, têm profundo desprezo pela esquerda brasileira, por eles considerada atrasada e permissiva por defender abertamente pautas como a liberação das drogas e o homossexualismo. Não há essa afinidade toda. No fundo eles nos enxergam como clientes e fornecedores.
Tanto os americanos quanto os chineses já precificaram o tamanho da crise econômica em que o Brasil está mergulhado e na qual deve afundar ainda mais nos próximos meses. Os sinais de mais inflação e maior instabilidade são claríssimos. A dívida pública não para de crescer. Até a dívida externa, problema superado em 2006, quando país quitou o que devia ao FMI, voltou. Hoje temos reservas de US$ 402 bilhões e dívida de US$ 407 bilhões.
É muita miopia analisar o resgate de Flávio apenas pelo lado da nossa política interna. Tem muito caroço debaixo deste angu. Entender o momento geopolítico é mais do que necessário. Do contrário, cairemos na armadilha daquele provérbio chinês do sapo no fundo do poço. Ele olha para cima, vê o círculo de céu e acha que aquilo é o céu inteiro.
*Marcelo S. Tognozzi é jornalista e consultor. Uma das principais referências da imprensa brasileira contemporânea.
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A China do Jeito que Eu Percebo - Crônica - Por Walmir Chagas*
03/11/2026
No Ocidente, a gente aprende desde criança que votar é a maior liberdade que existe. Só que, na prática, muitas vezes a gente vota entre candidatos que dependem de dinheiro de grandes empresas, de bancos, de donos de mídia e de gente muito rica. Então a pergunta que fica é: será que a gente escolhe mesmo, ou só escolhe quem o dinheiro deixou chegar até nós?
Pra mim, isso não é liberdade completa. É liberdade de escolher o sabor da coisa, mas não de mudar a receita. A pessoa pode votar, pode reclamar, pode fazer campanha — mas no fim, quem tem mais grana, mais propaganda e mais contato com o poder costuma levar vantagem.
A China me parece diferente nesse ponto. Lá o Estado não deixou o mercado mand...
Eu vejo a China de um jeito que muita gente não está acostumada a ver. Não acho que ela seja perfeita, longe disso. Mas acho que ela provou uma coisa importante: um país pode crescer sem entregar o povo de bandeja para meia dúzia de famílias ricas.
No Ocidente, a gente aprende desde criança que votar é a maior liberdade que existe. Só que, na prática, muitas vezes a gente vota entre candidatos que dependem de dinheiro de grandes empresas, de bancos, de donos de mídia e de gente muito rica. Então a pergunta que fica é: será que a gente escolhe mesmo, ou só escolhe quem o dinheiro deixou chegar até nós?
Pra mim, isso não é liberdade completa. É liberdade de escolher o sabor da coisa, mas não de mudar a receita. A pessoa pode votar, pode reclamar, pode fazer campanha — mas no fim, quem tem mais grana, mais propaganda e mais contato com o poder costuma levar vantagem.
A China me parece diferente nesse ponto. Lá o Estado não deixou o mercado mandar em tudo. O país investiu pesado em estrada, trem, energia, escola, hospital, água, internet e indústria. E o resultado foi algo enorme: centenas de milhões de pessoas saíram da pobreza extrema. Isso não é detalhe. Isso muda a vida de gente de verdade: mãe, pai, filho, trabalhador, agricultor.
Eu acho isso muito mais concreto do que discurso bonito de campanha. Porque liberdade também é ter onde morar, ter saúde, ter estudo, ter emprego, ter comida na mesa e ter um futuro pela frente. Não adianta falar tanto em “voto livre” se a pessoa vive presa em dívida, aluguel caro, plano de saúde caro e emprego precário.
Outra coisa que me chama atenção é a forma como a China lida com o capitalismo. Ela não acabou com ele. Tem empresa privada, tem lucro, tem mercado. Mas o Estado continua forte e participa das decisões. Ele direciona investimento, cuida de setores estratégicos e tenta impedir que a economia fique totalmente nas mãos de poucos.
É como se a China dissesse: “O mercado pode existir, mas não vai mandar no país inteiro.” Já no Ocidente, muitas vezes parece o contrário: quem manda é o dinheiro, e o governo fica ali para administrar os problemas que esse mesmo dinheiro cria.
Também gosto da ideia de que, na China, quem quer chegar a cargos altos geralmente precisa passar por uma trajetória longa. A pessoa começa em cargos menores, administra cidades, resolve problemas, cumpre metas e vai sendo testada ao longo do caminho. Não é como no Ocidente, onde às vezes alguém vira presidente basicamente por causa de discurso bonito, popularidade na TV e dinheiro de campanha.
Claro que eu não vou fingir que a China não tem problemas. Tem censura, tem controle político, tem limites na liberdade de expressão e na imprensa. Eu não acho que isso deva ser escondido. Mas também não acho justo usar só esses pontos para apagar tudo o que a China conseguiu fazer pela vida material do povo.
Pra mim, o Ocidente gosta muito de falar em liberdade, mas muitas vezes esquece que liberdade sem condições de viver é meio vazia. E a China mostra que dá para investir no povo, planejar o futuro e usar o crescimento para melhorar a vida de muita gente.
No fim, é isso que eu penso: a economia deveria existir para servir as pessoas, não as pessoas para servir a economia. A China não é o paraíso. Mas ela me faz pensar que existe outro caminho — um caminho em que o povo não é só consumidor, nem só eleitor, nem só mão de obra barata, mas sim a razão principal de um país existir.
*Walmir Chagas, é multiartista e livre pensador.

NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
Em meio às articulações para nova equipe, Lula chama cotados para reuniões em Brasília
03/11/2026
Casa Civil
O ex-ministro da Educação e senador Camilo Santana, um dos nomes cotados para assumir a Casa Civil, deve se reunir com o presidente ao longo dos próximos dias.
Articulação política
Lula também chamou o atual ministro do Desenvolvimento Regional, Wellington Dias, para uma conversa. O ministro, no entanto, não está cotado para assumir nenhuma pasta. Segundo fontes, Dias tem dito que está à disposição do presidente, mas que também ficaria confortável em retornar ao Senado Federal. A avaliação, nos bastidores, é de que, fora do ministério, Wellington Dias teria mais disponibilidade para atuar na articulação política e no trabalho de base.
Ministério da Fazenda
Em meio às articulações para a formação dos novos ministérios, o presidente Lula convocou, para esta semana, reuniões com ex-ministros e atuais integrantes do governo cotados para assumir o comando de pastas no quarto mandato.
Casa Civil
O ex-ministro da Educação e senador Camilo Santana, um dos nomes cotados para assumir a Casa Civil, deve se reunir com o presidente ao longo dos próximos dias.
Articulação política
Lula também chamou o atual ministro do Desenvolvimento Regional, Wellington Dias, para uma conversa. O ministro, no entanto, não está cotado para assumir nenhuma pasta. Segundo fontes, Dias tem dito que está à disposição do presidente, mas que também ficaria confortável em retornar ao Senado Federal. A avaliação, nos bastidores, é de que, fora do ministério, Wellington Dias teria mais disponibilidade para atuar na articulação política e no trabalho de base.
Ministério da Fazenda
Já o governador do Piauí, Rafael Fonteles, cotado para assumir o Ministério da Fazenda, também deve estar em Brasília nesta semana. No entanto, ainda não confirmou se ele terá uma reunião com o presidente.