Especial — Confederação do Equador: A Angústia de Frei Caneca numa Goiana deserta
14/09/2024
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 182...
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 1824) à meia-noite, e não foi pequeno o nosso espanto, quando sem esperarmos a achamos deserta inteiramente. O escuro da noite e o medonho silêncio em que estava sepultada a vila, os uivos dos cães, tudo cooperou para nos encher de terror, e nos julgarmos nos maiores perigos. Corremos várias ruas em busca das pessoas do nosso conhecimento, mas tudo foi baldado; porque a ninguém achamos”.
Duas casas
“Nesta circunstância deparamos com duas casas, em que por estarem com luz acesa nos falaram; mas foi para maior embaraço nosso. Em uma, um soldado cheio de maior terror por ver-nos, e talvez supor-nos inimigos, balbuciava, e nada dizia que fosse coerente; e ainda assim nos informou que toda a tropa já se havia retirado pela estrada da Conceição. Mas outro, que em outra rua nos falou, traiu-nos dizendo-nos que a tropa tomara a estrada de Goiana Grande: era o mesmo que entregar-nos aos ceroulas [provavelmente, ironia popular que queria dizer gente de Milícias e Ordenanças, que lutavam sem farda] de João Baptista Rego, que já haviam tomado o ponto de Pitimbu, e era natural estarem naquelas fronteiras”.
Topografia ignorada
“Os nossos companheiros, que ignoravam a topografia da vila e não sabiam e nem podiam conhecer o laço que nos armava o segundo informante, desconfiados do modo trepidante do primeiro, fiaram-se na segurança com que falou o segundo; e assim assentaram que tomássemos o caminho de Goiana Grande (devia ser a estrada para a Paraíba). Ponderamos-lhes o que sabíamos, dirigindo-nos a mostrar-lhes que jamais podia a força de Goiana seguir aquele destino; mas foi em vão: teimaram os nossos amigos no seu entendimento, e nós por contemporizar seguimo-los; e, ao passar pela frente do Convento do Carmo, nos dirigimos a ele, para que lá tomássemos informação do estado das coisas; mas tudo foi sem fruto”.

Ilusão
“O convento estava aberto e às escuras, ainda assim pelo tino, que nos fazia lembrar dos seus arranjos, por termos por anos habitado aquela casa, nos arriscamos a entrar e subir até o seu antecoro; e por mais que gritamos a chamar quem lá estivesse, ninguém nos respondeu”.
Caráter contemporizador
“Aqui os nossos amigos, que haviam ficado fora, nos chamaram e fizeram-nos acompanhá-los pra Goiana Grande. Sempre tivemos um caráter de contemporizador com os nossos amigos; e, fazendo reflexão sobre os trabalhos porque havíamos passado em nossos dias, conhecemos que tudo devíamos a conselhos alheios; e por este motivo, depois de haverem chegado aos lameirões de Goiana Grande, tomamos a resolução de não nos sacrificar a conselhos sem fundamento algum e inteiramente opostos à nossa salvação. Por isso, fazendo notar aos amigos que eles por não saberem as direções das estradas se iludiram com a aparente segurança do segundo soldado, e que até aquele momento mesmo nós sempre havíamos padecido por sermos escravos da vontade dos nossos amigos, declaramos que fazíamos ponto ali, e começávamos a usar do nosso entendimento; pelo que os não acompanhávamos”.
Retaguarda da força
“Esta nossa resolução salvou a todos, porque eles, dando peso ao nosso juízo, voltaram conosco pela estrada da Soledade; e depois de havermos andado o resto da noite, fomos encontrar com a retaguarda da força duas léguas acima da vila. Aqui já cansados dos trabalhos antecedentes e fatigados do espírito, descansamos em uma casa muito velha; pelo que havia dentro supusemos ser de ladrões; por este fundamento não houve maneira de conciliarmos sono, e passamos no campo, ora assentados, ora deitados, ora passeando até o romper da aurora. Raiando esta, nos pusemos em marcha para chegarmos a Goianinha, onde havia dormido o presidente temporário da Paraíba. A poucos passos fomos encontrando por toda a estrada muitas pessoas do nosso conhecimento, entre as quais foi o tenente-coronel Manuel Inácio de Melo, que no dia antecedente fora aclamado em Goiana comandante-geral daquela força. Da prática que tivemos com ele, não fizemos bom conceito daquela força, e não julgamos segurança alguma no meio dela, por nos ser descrita com uma multidão confusa, sem ordem, sem subordinação e inteiramente anárquica”.

Dia seguinte
“Chegamos afinal a Goianinha, e ali achamos o grosso da divisão e um povo numeroso com algumas famílias honestas; cumprimentamos o presidente (temporário da Paraíba, Felix Antônio Ferreira de Albuquerque, aclamado por cinco das nove vilas paraibanas): desde logo fomos agregados à sua família, e tomamos quartel na mesma morada”. Caneca termina o relato desta noite de medo, narrando o dia seguinte, quando chegou à povoação de Goianinha “que é uma povoação não pequena, e representa ter algum comércio dos gêneros de lavoura. Tem uma igreja pequena; ela e as casas da povoação são de má ou de nenhuma arquitetura; à exceção de mui poucas, as outras são de palhas”.
Presos políticos
Ainda registraria o frade jornalista a sua passagem de volta, na caravana dos presos políticos da Confederação do Equador vindos do sertão do Ceará, em 15 de dezembro de 1824. A guarnição evitou a vila, pernoitando no engenho Bujari. Ia preso, para ser submetido a uma corte marcial, pois seu destino já estava traçado numa portaria imperial de julho daquele ano.
Itinerário
Frei Caneca relatou este momento em seu Itinerário: “(...) fomos chegar a Goiana pelas onze horas da manhã, onde querendo o major Pastorinha (da Paraíba) ficar, resolveu-se, afinal a irmos aquartelar no engenho de Bujari, a meia légua da vila, cuja propriedade pertence ao padre João Álvares de Souza, que nos acolheu muito bem. Aqui fomos visitados por muitos homens liberais de Goiana, que de propósito nos foram abraçar, e oferecer-nos os seus serviços, e nos presentearam com bom peixe e para cearmos, vinho, queijos, frutas e doces. Aí pernoitamos e, sobre a madrugada querendo-nos aprontar para seguirmos a viagem, demos por falta de alguns companheiros nossos. Ao depois de alguma diligência, não se podendo descobrir os fugitivos, saímos ao amanhecer do dia 16 (...)” (CANECA, 2001, p.602/3). Apesar de sua contundente defesa, seu destino já estava traçado pelo português D. Pedro I. Foi fuzilado, no Recife, em 13 de janeiro de 1825.
*Josemir Camilo de Melo é historiador
Leia outras informações
Oriente médio: Menos de dez dias após cessar-fogo, EUA volta a bombardear Estreito de Ormuz e Irã ataca bases norte-americanas
27/06/2026
De acordo com o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, o bombardeio atingiu “locais de armazenamento de mísseis e drones iranianos, além de estações de radar costeiras”. De acordo com a rede de notícias Al Jazeera, explosões foram ouvidas na cidade de Sirik, no sul do Irã, e a torre de comunicações de uma emissora local teria sido atingida.
Posições militares dos EUA
Em resposta aos ataques americanos, a IRGC anunciou que atingiu posições militares dos EUA na região, sem dar maiores detalhes. Em comunicado, as forças iranianas condenaram os bomba...
Menos de dez dias após o fim da guerra, o cessar-fogo negociado no Oriente Médio ganhou um novo capítulo, nesta sexta-feira (26/06), com os Estados Unidos voltando a bombardear o Estreito de Ormuz. O argumento do governo norte-americano foi de represália ao ataque de drones iranianos a um navio cargueiro na quinta (25/06). A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou novos ataques.
De acordo com o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, o bombardeio atingiu “locais de armazenamento de mísseis e drones iranianos, além de estações de radar costeiras”. De acordo com a rede de notícias Al Jazeera, explosões foram ouvidas na cidade de Sirik, no sul do Irã, e a torre de comunicações de uma emissora local teria sido atingida.
Posições militares dos EUA
Em resposta aos ataques americanos, a IRGC anunciou que atingiu posições militares dos EUA na região, sem dar maiores detalhes. Em comunicado, as forças iranianas condenaram os bombardeios norte-americanos e afirmaram que, em caso de novas agressões, “os ataques serão mais abrangentes”.
Nas redes sociais, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, acusou o Irã de violar o acordo firmado em 17 de junho. “O Irã assinou um acordo de cessar-fogo. Nós o cumprimos. Se eles tiverem desacordos sobre como o Memorando de Entendimento está sendo aplicado, podem pegar o telefone. Mas a violência será respondida com violência”, publicou.
Bombardeios por drones
Ainda não se sabe se o ataque de drones que motivou os bombardeios foi realmente feito por forças iranianas. As operações de evacuação de navios que ficaram retidos no Estreito de Ormuz durante a guerra entre EUA/Israel e Irã tiveram de ser interrompidas.
O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI) das Nações Unidas, Arsenio Dominguez, afirmou que as operações foram temporariamente suspensas para reafirmar se as garantias de segurança continuam em vigor para os navios e marinheiros na região.
— Com Agências de Notícias
Dados da ONU apontam que cerca de 50 mil pessoas estão desaparecidas após terremoto na Venezuela
27/06/2026
De acordo com o chefe de ajuda humanitária da entidade, Tom Fletcher, a catástrofe ganhou “proporções históricas” e a operação de resgate é “extremamente complexa”. Socorristas de vários países, incluindo o Brasil, acompanhados de cães farejadores e equipamentos, começaram a chegar a Caracas.
Missão brasileira
O Brasil enviou um avião KC-390 com 12 toneladas de equipamento, bombeiros, equipes da Defesa Civil e técnicos em telecomunicações. As autoridades decidiram militarizar o estado de La Guaira, localizado a 40km de Caracas (capital venezuelana) e considerado a área mais atingida pelo te...
A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou oficialmente que a estimativa técnica feita por suas equipes que estão na Venezuela, ajudando o governo a socorrer a população após a ocorrência de dois terremotos nessa última semana, aponta que cerca de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas entre os escombros dos prédios e casas.
De acordo com o chefe de ajuda humanitária da entidade, Tom Fletcher, a catástrofe ganhou “proporções históricas” e a operação de resgate é “extremamente complexa”. Socorristas de vários países, incluindo o Brasil, acompanhados de cães farejadores e equipamentos, começaram a chegar a Caracas.

Missão brasileira
O Brasil enviou um avião KC-390 com 12 toneladas de equipamento, bombeiros, equipes da Defesa Civil e técnicos em telecomunicações. As autoridades decidiram militarizar o estado de La Guaira, localizado a 40km de Caracas (capital venezuelana) e considerado a área mais atingida pelo terremoto. As entradas e saídas da região, afetada por saques, passaram a ser controladas pelas forças de segurança.
Por parte do Brasil, a mobilização brasileira foi organizada pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE). Conta com uma equipe de Busca e Resgate Urbano e reúne profissionais da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec/MIDR), militares dos Corpos de Bombeiros Militares de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além de especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Ajuda humanitária
Segundo a presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, entre as delegações que já se encontram no país estão, juntamente com a equipe do Brasil, representantes do México; Chile; El Salvador; Estados Unidos; Catar; Espanha; e demais membros da ONU. O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, viaja para lá na próxima semana para coordenar a ajuda humanitária brasileira.
Neste sábado (27/06), outro avião vai partir com médicos e um hospital de campanha. A sociedade civil também se mobiliza. Brasileiros e venezuelanos que moram em Roraima estão recolhendo doações.

Susto: Tornozeleira de Bolsonaro parou de emitir sinais na noite desta sexta-feira (26) mas vistoria da PM constatou apenas falha no aparelho
27/06/2026
Enquanto aguarda uma decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre se continua ou não em prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo, na noite desta sexta-feira (26/06), de mais uma polêmica. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) notificou o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre uma falha na emissão do sinal GPS da tornozeleira dele.
A falha, conforme detectou a PMDF, aconteceu por volta das 18h57, passando uma impressão errônea de que a tornozeleira teria sido rompida ou quebrada. De acordo com os agentes responsáveis pela segurança de Bolsonaro, uma equipe de monitoramento foi de imediato até a residência dele, no bairro do Jardim Botânico, em Brasília, para ver o que havia ocorrido.
Sem violação do equipamento
Segundo o relatório, não houve violação do equipamento. A equipe chegou à casa de Bolsonaro por volta das 20h04. Quando ficou constatado que o problema foi de ordem...
Hylda Cavalcanti*
Enquanto aguarda uma decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre se continua ou não em prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo, na noite desta sexta-feira (26/06), de mais uma polêmica. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) notificou o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre uma falha na emissão do sinal GPS da tornozeleira dele.
A falha, conforme detectou a PMDF, aconteceu por volta das 18h57, passando uma impressão errônea de que a tornozeleira teria sido rompida ou quebrada. De acordo com os agentes responsáveis pela segurança de Bolsonaro, uma equipe de monitoramento foi de imediato até a residência dele, no bairro do Jardim Botânico, em Brasília, para ver o que havia ocorrido.
Sem violação do equipamento
Segundo o relatório, não houve violação do equipamento. A equipe chegou à casa de Bolsonaro por volta das 20h04. Quando ficou constatado que o problema foi de ordem técnica, ele foi orientado a ir até a área externa da casa para testar o sinal Wi-Fi. Logo após uma reconfiguração, a tornozoleira voltou a funcionar e não precisou ser trocada.
"Na análise restou constatado estrutura do dispositivo intacta, leds acesos e com sinalização em cadência normal. Solicitação de deslocamento para vista de satélites, prontamente atendida pelo monitorado", informou o documento encaminhado ao STF.

Defesa pede prorrogação de domiciliar
O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e outros crimes. Ele aguarda retorno do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sobre pedido feito pelos seus advogados de defesa para ter prorrogado o prazo de prisão domiciliar em função de não ter ficado totalmente recuperado do seu estado de saúde.
O prazo para término da prisão domiciliar e retorno de Bolsonaro à Papuda acabou na última quarta-feira (24), mas como foi feita essa nova solicitação, aguarda-se resposta por parte do magistrado quanto ao pedido dos advogados. Nesta sexta-feira (25/06), a Procuradoria-Geral da República deu parecer favorável a que o prazo para prisão domiciliar do ex-presidente seja prorrogado.
*Hylda Cavalcanti é jornalista, editora de O Poder aos sábados
Muito estranho - Advocacia da União corre para socorrer bets na ação movida em Brasília por Antônio Campos
27/06/2026
Estudos sobre o impacto
O autor juntou com a inicial estudos científicos e econômicos sobre o jogo abusivo e o impacto econômico e na saúde pública no Brasil, que é gigantesco.
O Juízo, inicialmente, mandou verificar se havia outra ação no mesmo sentido, na sede da União Federal, que é o Distrito Federal e não há. Com isso, a iniciativa passa a ser a ação pioneira para a matéria, em termos de ação popular ou ação civil pública. O que aumenta a importância da ação.
Pra onde vais com tanta pressa?
Antes de qualquer intimação, a Procuradoria Geral da União, 1a regiao, prot...
O advogado Antônio Campos ajuizou ação popular, que tramita na 5a Vara Federal do DF. Objetivo da ação: que a União faça uma maior fiscalização quanto as bets e 'tigrinhos', bem como que determine a restrição da publicidade das bets, similar a legislação anti fumo. O advogado utiliza o princípio da analogia e a teoria dos princípios.
Estudos sobre o impacto
O autor juntou com a inicial estudos científicos e econômicos sobre o jogo abusivo e o impacto econômico e na saúde pública no Brasil, que é gigantesco.
O Juízo, inicialmente, mandou verificar se havia outra ação no mesmo sentido, na sede da União Federal, que é o Distrito Federal e não há. Com isso, a iniciativa passa a ser a ação pioneira para a matéria, em termos de ação popular ou ação civil pública. O que aumenta a importância da ação.
Pra onde vais com tanta pressa?
Antes de qualquer intimação, a Procuradoria Geral da União, 1a regiao, protocolou petição no seguintes termos, o que demonstra a relevância da ação: "Requerer a regular intimação da Procuradoria-Regional da União da 1ª Região, a fim de que o ente público possa apresentar manifestação prévia acerca do pedido de tutela antecipatória da parte contrária, no prazo de 5 (cinco) dias, dada a relevância e potencial impacto jurídico da matéria; quando menos, pede-se a observância do art. 2º, da Lei nº 8.437/1992.” ou seja, tomando conhecimento pela imprensa da ação, a advocacia federal se antecipou e pediu para ser citada com urgência. As linhas e entrelinhas do texto dizem mais que qualquer proclamação sobre a oportunidade e a relevância do debate, na sociedade e nos tribunais. Confira o print abaixo.

Assunto relevante
Realmente a matéria tratada é importante. A reação, injustificavel em tempos normais, anuncia uma discussão jurídica de alta relevância.
“É preciso dar um freio de arrumação na publicidade e nos jogos de bets e 'tigrinhos', fazendo valer a lei, a Constituição Federal, para proteger mais de 12 milhões de jogadores ativos no Brasil.”, disse o advogado Antônio Campos.
E
Confira o vídeo. O assunto vai dar muito o que falar.
Mandato de resultados - Veneziano agiu e garantiu reconstrução de ponte entre Remígio e Barra de Santa Rosa
26/06/2026
O senador que resolve
O Superintendwnre do DNIT na Paraíba, Arnaldo Monteiro, destacou a importância da participação de Veneziano para que a obra fosse concretizada. “Tive a felicidade de, ao assumir o DNIT, ter ao meu lado um Senador como Veneziano, que canalizou os recursos necessários para concretizar essa obra. Ele é um Senador que tem nos proporcionado fazer grandes obras, como a duplicação da BR 230, em Campina Grande; a triplicação da BR 230, em João Pessoa; a ponte...
Foi liberada para tráfego de veículos na tarde de hoje, sexta-feira (26/06) a Ponte sobre o Rio Piaba, que liga os municípios de Remígio e Barra de Santa Rosa. A obra estava paralisada havia mais de 10 anos e foi concretizada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes- DNIT, com recursos garantidos pelo Senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). O investimento foi de aproximadamente R$ 2 milhões. O Deputado Estadual Anderson Monteiro também participou da entrega.
O senador que resolve
O Superintendwnre do DNIT na Paraíba, Arnaldo Monteiro, destacou a importância da participação de Veneziano para que a obra fosse concretizada. “Tive a felicidade de, ao assumir o DNIT, ter ao meu lado um Senador como Veneziano, que canalizou os recursos necessários para concretizar essa obra. Ele é um Senador que tem nos proporcionado fazer grandes obras, como a duplicação da BR 230, em Campina Grande; a triplicação da BR 230, em João Pessoa; a ponte de Piancó, dentre tantas outras”, destacou o Superintendente.
Veneziano
Afirmou que a construção da ponte foi resultado de uma ação conjunta, que contou com a participação de muitos atores. “Só temos a agradecer ao presidente Lula, ao companheiro Renan Filho, que quando estava no Ministério dos Transportes abraçou esta causa, e teve, também, a nossa modesta, mas decisiva participação, com a articulação necessária para que a ponte fosse reconstruída”.

É Findi - São João: Memórias Acesas - Crônica - Por Maria Inês Machado*
26/06/2026
Nasci no interior e conheci, desde cedo, o sabor da canjica, da pamonha, do milho cozido e do milho assado na fogueira. São lembranças que guardo com gratidão, aquecidas pela ternura da infância.
Uma das tradições mais bonitas do sertão era a escolha da madrinha da fogueira. Era coisa séria. Não tinha o aparato religioso do batizado, mas representava um compromisso firmado por escolha. Mandato do coração.
Ainda não tínhamos idade para os namoros quando deixamos a pequena cidade e fomos morar na cidade grande. O motivo era continuar os estudos, pois, naquela época, o interior não oferecia séries mais avançadas.
Todavia, as lembranças das moças casamenteiras permanecem viçosas na memória. Elas aguardavam, com ansiedade mal disfarçada, a chegada das festas juninas. Era tempo de quadrilhas, de olhares demorados e de corações acelerados. Muitas vezes, a dança...
A festa de São João ocupa um lugar especial na minha caminhada terrestre.
Nasci no interior e conheci, desde cedo, o sabor da canjica, da pamonha, do milho cozido e do milho assado na fogueira. São lembranças que guardo com gratidão, aquecidas pela ternura da infância.
Uma das tradições mais bonitas do sertão era a escolha da madrinha da fogueira. Era coisa séria. Não tinha o aparato religioso do batizado, mas representava um compromisso firmado por escolha. Mandato do coração.
Ainda não tínhamos idade para os namoros quando deixamos a pequena cidade e fomos morar na cidade grande. O motivo era continuar os estudos, pois, naquela época, o interior não oferecia séries mais avançadas.
Todavia, as lembranças das moças casamenteiras permanecem viçosas na memória. Elas aguardavam, com ansiedade mal disfarçada, a chegada das festas juninas. Era tempo de quadrilhas, de olhares demorados e de corações acelerados. Muitas vezes, a dança terminava em namoro e, não raro, em casamento.
As escolhas dos pares tinham suas regras. Quando as famílias eram afins e aprovavam o romance, a festa do casório acabava acontecendo. Outros pares ficavam apenas na paquera, palavra muito usada naquele tempo para nomear o intervalo entre a amizade e o namoro.
Sempre imaginei que, no mês de junho, Santo Antônio precisasse pedir ajuda aos outros santos. Eram tantas promessas, tantas simpatias e tantos pedidos dirigidos ao santo casamenteiro, que talvez necessitasse de alguns assessores para dar conta de tantos corações esperançosos.
Hoje recordo aquele tempo com as marcas da alegria. As brincadeiras ficaram gravadas no coração e na memória. Era dia de adivinhações, de quadrilhas, de vestidos rodados e de cabelos enfeitados com fitas coloridas. Minha irmã e eu usávamos vestidos parecidos, quase iguais. Costumes daquele tempo.
As quermesses eram animadas. A radiadora local, bem-posta no Círculo Operário, era instrumento precioso. Por meio dela, o locutor atendia aos rapazes que ofereciam músicas às moças. Era delicadeza que dispensava declarações grandiosas. Bastava a canção para dizer o que o coração ainda não tinha coragem de confessar.
À noite, a praça parecia um desfile. As meninas vestiam chita, mas também havia quem surgisse com golas de organdi, tecido áspero que machucava o pescoço.
O forró pé de serra embalava a festa. Seu Francisco comandava a sanfona, o senhor Joaquim fazia o pandeiro vibrar e Zeca Matuto arrancava do triângulo um som que parecia um diálogo com as estrelas.
As comidas típicas eram capítulos representativos da festa. O aluá de Dona Maria era famoso, e ninguém conseguia reproduzir seu sabor. As canjicas e as pamonhas de Dona Marieta pareciam abençoadas pelos céus. Qualquer tentativa de imitá-las era perda de tempo. Já o bolo de batata-doce de Dona Filomena disputava, em maciez e sabor, com o de Dona Jovem. Escolher entre os dois era tarefa impossível.
E assim a cidadezinha se vestia das cores da alegria.
Até os corações machucados encontravam consolo no esplendor da noite de São João. O céu, iluminado e repleto de estrelas, parecia pintado de balões.
Momentos de simplicidade revelavam o verdadeiro sabor adocicado do São João nordestino, feito de cores, de música e de afeto.
Era o tempo em que as moças faziam os mais curiosos pedidos a Santo Antônio. Algumas diziam, anos depois, que o tempo passara, a juventude se fora e o marido não aparecera. Ainda assim, a fé no santo casamenteiro não esmorecia. Os pedidos continuavam, agora pelas sobrinhas, pelas afilhadas e por todas aquelas que ainda sonhavam.
Assim era, e continua sendo, dentro de mim, a legítima festa junina nordestina. Celebração que chega ao coração do sertão sem precisar de disfarces, porque sua grandeza mora justamente na simplicidade.
Semelhante à brasa escondida sob as cinzas da fogueira, basta um sopro da memória para que tudo volte a se acender.
*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'. @mariainesmachadopsi

É Findi - Recife, O Outro - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
26/06/2026
andar pelo Recife,
no centro do Recife,
na periferia do Recife.
Ruas esburacadas,
calçadas descuidadas,
o centro desabitado,
bairros abandonados.
Praças mal preservadas,
sem brinquedos pra criançada,
são abrigos dos desafortunados
João Cabral, Manuel Bandeira,
Carlos Pena, Ascenso Ferreira...
Onde a Veneza brasileira ...
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
Como está triste,
andar pelo Recife,
no centro do Recife,
na periferia do Recife.
Ruas esburacadas,
calçadas descuidadas,
o centro desabitado,
bairros abandonados.

Praças mal preservadas,
sem brinquedos pra criançada,
são abrigos dos desafortunados
João Cabral, Manuel Bandeira,
Carlos Pena, Ascenso Ferreira...
Onde a Veneza brasileira ...
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99

É Findi - Mais uma Copa do Mundo - Crônica - Por Malude Maciel*
26/06/2026
Copas do mundo
Os períodos das competições quadrienais das Copas do Mundo sempre foram muito participativos e vibrantes durante toda a minha vida, reunindo a família e amigos e torcendo fielmente pelo nosso amado Brasil, onde nascemos e vivemos e tendo o mesmo já conquistado cinco vezes o Campeonato Mundial, com galhardia.
Vejo essa competição futebolística como salutar torneio entre os países, onde cada um tem a chance de mostrar seu jogo e sair vitorioso, honradamente. Prefiro acreditar que tudo seja feito com lisura, constituindo uma maneira elegante de unir os povos no bom sentido de que: Vença o melhor! E o patriotism...
Nos meus tempos de solteira, na casa dos meus pais, o assunto sobre futebol era uma constante pois, meu pai apreciava muito essa modalidade esportiva, chegando a ser, por vários anos, presidente da Liga Desportista Caruaruense, a LDC e, torcia fervorosamente, pelo glorioso time: Patativa do Agreste, o Central Esporte Clube.
Copas do mundo
Os períodos das competições quadrienais das Copas do Mundo sempre foram muito participativos e vibrantes durante toda a minha vida, reunindo a família e amigos e torcendo fielmente pelo nosso amado Brasil, onde nascemos e vivemos e tendo o mesmo já conquistado cinco vezes o Campeonato Mundial, com galhardia.
Vejo essa competição futebolística como salutar torneio entre os países, onde cada um tem a chance de mostrar seu jogo e sair vitorioso, honradamente. Prefiro acreditar que tudo seja feito com lisura, constituindo uma maneira elegante de unir os povos no bom sentido de que: Vença o melhor! E o patriotismo é imprescindível para os verdadeiros torcedores que vibram em cada partida, com toda alma, exaltando sua Bandeira e suas cores pois, o objetivo é ampliar e desenvolver o futebol em si a nível mundial, além de interagir de várias maneiras entre os participantes.
Muita emoção
A parte mais emocionante é a execução dos respectivos Hinos, no início das partidas e na entrega dos troféus e, como se sabe, o Brasil tem o Hino Nacional mais lindo do mundo, com letra de: Joaquim Osório Duque Estrada e música de: Francisco Manoel da Silva. Esse ano, inclusive, conquistou reconhecimento internacional, ficando em primeiro lugar, competindo com os outros, de quarenta e oito seleções dessa Copa do Mundo em 2026, com destaque para a emocionante melodia, a força da letra e a marcante introdução instrumental, sendo admirado entre todas as Nações. Assim, o Hino Nacional Brasileiro foi eleito o mais bonito, pelo Jornal NY Times. É um privilégio!
História
Acompanho desde 1958, ainda criança e acho muito bom e interessante recordar as músicas que foram produzidas e cantadas, marcando individualmente cada Copa. Em 1858 foi: A taça do mundo é nossa. Em 1962: Frevo do Bi. Em 1970: Pra Frente, Brasil. Em 1974: Cem Milhões de Corações. Em 1978: Corrente 78. Em 1982: Povo Feliz. Em 1990: Papa Essa, Brasil. Em 1994: Coração Verde Amarelo. Em 2002: Festa. Em 2014: País do Futebol. Em 2018: Mostra Tua Força, Brasil. Em 2022: Faz Mais, Brasil. E agora, em 2026: Brasil com S .
Excelentes profissionais
Desnecessário mencionar todos os nossos jogadores destaques ao longo dos anos, porque alguns nomes serão eternamente lembrados na sua genialidade de craques,mesmo por quem nem os viu atuar, principalmente o fabuloso Pelé, melhor do mundo em todos os tempos e recebeu a alcunha de Rei do Futebol, com todos os méritos, sendo referenciado em todos os lugares.
Administrações oficiais
Duas grandes instituições fazem as normas e regem todos os acontecimentos dos grandiosos eventos entre nós, com as siglas: FIFA - Federation Internacional do Football Association (Federação Internacional e Futebol Associado) e a CBF - Confederação Brasileira de Futebol, nacional, com sede no Rio de Janeiro, entidade máxima que rege o esporte no país, organizando campeonatos e administrando as Seleções Brasileiras, tanto masculina como feminina, que é vice-campeã mundial. A FIFA organiza tanto futebol como futsal e futebol de areia e tem sua sede em Zurique, na Suíça, e seu atual presidente é o suíço-italiano : Gianni Infantino.
Equipe de apoio
Temos visto pela televisão que alguns dos nossos ex-atletas (Roberto Carlos, Kaká, Cafú, Bebeto, Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho, Romário, Taffarel, etc.), sempre famosos pelos seus desempenhos exitosos em outras Copas, estão comparecendo, dando força e apoio aos novos. Um gesto fraterno de mostrar unidade e companheirismo que devem ser outro ponto a ser desenvolvido num certame dessa categoria.
Dessa vez
Nos jogos que já aconteceram, temos visto o Brasil lutando e lembrando do que é torcer com esperança, amor e vontade de ver seu país cada vez mais enaltecido diante das confederações estrangeiras. Vale muito a pena essa união, esse desejo de vencer, sendo interessante que essa coesão não seja apenas no campo futebolístico, mas também no geral.
Penta campeão
A Seleção Brasileira já foi cinco vezes campeã do mundo: em 1958; 1962; 1970; 1994 e 2002, esperando este ano completar o hexa mas, uma pergunta não quer calar: Qual foi a melhor seleção brasileira?
Outro momento
É lógico que o momento político de eleições presidenciais no Brasil, em outubro próximo, tem outra conotação, uma dimensão maior para a qualidade de vida de todos os brasileiros, que inclusive, terão a chance de marcar seu gol de placa, com seu voto consciente depositado nas urnas porém, se tivermos à época o título de hexa campeões nessa Copa, estaremos bem mais felizes.
De uma forma ou de outra, precisamos almejar nosso melhor em todos os sentidos, porque somos um povo, uma Nação, abençoada por Deus e bonita por natureza.
Que venha o Japão!
Viva o Brasil!
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Soltas Memórias de Afetos Juninos - Crônica - Por Ana Pottes*
26/06/2026
Sou cria da capital, de uma pequena família com parcos recursos, condição que colocava entraves a passeios para qualquer local que exigisse mais das nossas contadas finanças, sempre comprometidas com o básico dos básicos. Assim, durante anos fiquei sem acesso a essa riqueza cultural. As nossas festas dos ciclos natalino e junino eram contidas por esses controles.
Desconheço, na minha infância e adolescência, qualquer movimento festivo que envolvesse os três santos juninos.
Minto. A festa era na cozinha, com as poucas espigas de milho compradas na feira se transformando em canjica, pamonha e milho cozido. Gostava de ficar por perto, ouvindo o som do ralador nas quengas de coco e de beber um pouco daquela água, meio doce, meio salgada. Criança não podia fazer a mágica do coco ralado acontecer, por conta do risco de se fer...
As cidades e lugares do interior, com seus festejos ricos de tradições e de oralidade não fizeram parte da minha infância.
Sou cria da capital, de uma pequena família com parcos recursos, condição que colocava entraves a passeios para qualquer local que exigisse mais das nossas contadas finanças, sempre comprometidas com o básico dos básicos. Assim, durante anos fiquei sem acesso a essa riqueza cultural. As nossas festas dos ciclos natalino e junino eram contidas por esses controles.
Desconheço, na minha infância e adolescência, qualquer movimento festivo que envolvesse os três santos juninos.
Minto. A festa era na cozinha, com as poucas espigas de milho compradas na feira se transformando em canjica, pamonha e milho cozido. Gostava de ficar por perto, ouvindo o som do ralador nas quengas de coco e de beber um pouco daquela água, meio doce, meio salgada. Criança não podia fazer a mágica do coco ralado acontecer, por conta do risco de se ferir no ralador. Lembro da máquina de moer, instalada na ponta da mesa, por onde via os grãos de milho se transformando num caldo amarelo cremoso, de aroma a atiçar o apetite. O que me cabia era brincar com as bonecas de milho e esperar, vestida em um vestido novo costurado por minha mãe, a chegada das 18h para acender a pequena fogueira, construída com poucas lascas de madeira e gravetos, apanhados e juntados para o Santo João. Era a hora de soltar estrelinhas, cobrinhas, traques de massa e, quando muito, bombinhas, presentes da minha tia Nicinha.
Mais uns anos à frente, os festejos desse período envolviam as adivinhas e ritos para descobrir o futuro marido que, segundo contavam, os santos ajudavam a conhecer. Enfiar a faca na bananeira para descobrir a primeira letra do nome dele; colocar pedaços de papel dobradinhos dentro de uma bacia d’água com nomes de meninos. Aquele que abrisse primeiro seria o pretendido príncipe; amarrar uma aliança na ponta de um fio de cabelo, como um pêndulo, contar quantas vezes ela batia nas bordas de um copo, que era a idade de casar com o adorável dono daquele nome. Essas brincadeiras eram ensinadas e capitaneadas por minha Vó Yayá, sua diversão com as quase crianças-adolescentes.
E as quadrilhas? As danças brincantes do período? Conheci quadrilhas diferentes das atuais. As meninas se produziam, cada uma do seu jeito, com laços de fita na cabeça, rendas e fitinhas coloridas nos vestidos de chitão e lindamente maquiadas; os meninos vestiam camisas de xadrez, calças com remendos e chapéus de palha nas cabeças. Em roupagens diferentes tínhamos o padre, o soldado e o casal de noivos no capricho, para encenar a cerimônia do casamento de um noivo fujão. A quadrilha tinha início, sendo marcada por chamadas dos passos que os pares deviam dar: olha a chuva, choveu, passou; olha a cobra, hora do galope, balancê, alavantu, anarriê, desfile das damas, desfile dos cavalheiros, tudo ao som dos forrós tocados numa vitrola, quase sempre na voz do Rei do Baião.
Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha praquele balão multicor
Que lá no céu vai sumindo
Se o grupo de jovens conseguisse se cotizar, contratava um sanfoneiro, um tocador de triângulo e um zabumbeiro. Aí a festa era boa demais. Essas aconteciam quase sempre nos colégios onde se estudava ou na rua, a depender de quantos jovens morassem por lá.
Nunca dancei quadrilha. Na rua onde morava, esse reboliço não se fazia, e no colégio, também não me recordo dessas organizações. Minto novamente. Lembro de uma vez, acho que aos meus cinco anos, no grupo escolar, a professora estava organizando os pares de crianças para a dança. Recordo que o meu par, um menininho louro da minha idade, estava com umas feridas nas pernas, alergia ou sei lá o que era, só sei que eu morria de nojo daquele menino perebento perto de mim. Menininha tímida, só consegui dizer à professora que não queria dançar. Penso que a mestra atribuiu a decisão ao meu baixo nível de integração com os coleguinhas. Sem aceitar a negativa, passou a mostrar vantagens e alegrias que a brincadeira trazia e continuou investindo em minha socialização. Em um dos ensaios, creio que o último, o meu segundo cérebro resolveu se fazer ouvir e converti todo o mal-estar da proximidade com aquele garoto, centro do meu sofrimento, em desarranjo intestinal. A professora, mestra da minha socialização, se viu obrigada a suspender o ensaio para dar banho na criança, não sem antes acionar minha mãe para me trazer roupas limpas. Depois desse episódio destravei a coragem e, finalmente, verbalizei a causa de todo aquele desmantelo.
Resultado: no dia da apresentação, o meu par ficou sem par.
*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Robôs me Abraçando - Crônica - Por Romero Falcão*
26/06/2026
O Franzino que Satisfaz
Continuei magricela, mas não fazia feio no meio da mulherada. Gordas e magras diziam que eu era o franzino que satisfaz.
A Geriatra Receitou Academia
Mas a idade chegou. Chegou com as carnes moles e trêmulas. Tudo despencando — que horror! A geriatra me receitou academia. Aquela história de saúde mental e física. Quem sabe puxando ferro não melhore também minha saúde literária?
Encarando o Troço
Olhei-me no espelho: até que o estrago não é tão grand...
Não havia academia nos meus dezoito anos. O muque avantajado era obra das marombas de lata e cimento feitas nos quintais e no primeiro andar de um sobrado centenário do Cais José Mariano, no centro do Recife, onde reinava o lendário fisioculturista Carmelo de Castro. Mas nunca me interessei por um chassi robusto. Levantar ferro não era minha praia, mesmo quando o culto ao corpo se impôs como peça de sedução.
O Franzino que Satisfaz
Continuei magricela, mas não fazia feio no meio da mulherada. Gordas e magras diziam que eu era o franzino que satisfaz.
A Geriatra Receitou Academia
Mas a idade chegou. Chegou com as carnes moles e trêmulas. Tudo despencando — que horror! A geriatra me receitou academia. Aquela história de saúde mental e física. Quem sabe puxando ferro não melhore também minha saúde literária?
Encarando o Troço
Olhei-me no espelho: até que o estrago não é tão grande. O buxo ainda não virou bola de basquete; consigo mijar encarando o troço — pelo menos isso.
Refletido nos Espelhos
Aula experimental. Atravesso a porta da academia, que parece entrada de shopping. Luzes, som alto, máquinas, suor. Músculos estourando camisetas apertadas. Os rapazes se olham enquanto erguem discos pesados. O afã de virar o incrível Hulk refletido nos espelhos. Pela careta, um homem parece aguentar toneladas.
Pernas Confiantes
No universo fitness, me sinto um cisne fora da lagoa. Aviso ao educador físico que não quero ficar parrudo. Meu negócio é deixar a carcaça mais firme, as pernas confiantes, o oxigênio mais solto e, quem sabe, diminuir o diabo do cortisol. Já a musculatura emocional o treino não pode fortalecer.

Atmosfera da Academia
O maquinário é variado. Pela primeira vez me vejo cercado de aparelhos: roldanas, barras, cadeira extensora e pequenos elevadores que sobem e descem meus braços e pernas. Robôs me abraçando. A batida das caixas de som é um tapa na preguiça do músculo. É a atmosfera da academia.
Paixão Nacional
Corpos femininos feitos a ferro e fogo. A perfeita escultura do bumbum- paixão nacional-virou o éden. Há máquinas específicas para cada palmo de saúde e vaidade. Os olhos não largam o celular nem nos exercícios. E um desfile de garrafas d’água — cada uma mais classuda — tempera o molho do cronista. Cartazes suplicam ao bom e cordial brasileiro: "por favor mantenha o ambiente organizado, coloque os pesos nos lugares". Costume de casa vai à academia.
Padrões de Beleza
Há também vitrines cujas prateleiras sustentam enormes potes de suplemento. A propósito, o Brasil é o quarto país em consumo dessas substâncias. Existe uma obsessão por proteína e por tudo aquilo que faça o corpo entrar mais rápido nos padrões de beleza e da indústria. Procedimento estético, malhação, fórmulas, a corrida pela única volta. A volta da juventude.
Tenho Atenuantes
Começo levantando placas de quinze quilos — uma humilhação comparada à moça ao meu lado, que exibe trinta e cinco. Mas tenho atenuantes: idoso e neófito.
Feito de Aço
Uma hora de reclusão nas ferragens. Depois, trinta minutos de esteira. Outra vergonha diante do vizinho, que parece feito de aço. A esteira dele dispara; a minha continua tartaruga.

Um Pacto
Dizem que o excepcional cronista Antônio Maria e o poetinha Vinicius de Moraes, ao verem um homem se exercitando no calçadão de Copacabana, fizeram um pacto:
— Nunca fazer nenhum exercício físico que não fosse absolutamente necessário.
Talvez levantar um copo de uísque fosse absolutamente necessário.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
