Especial — Confederação do Equador: A Angústia de Frei Caneca numa Goiana deserta
14/09/2024
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 182...
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 1824) à meia-noite, e não foi pequeno o nosso espanto, quando sem esperarmos a achamos deserta inteiramente. O escuro da noite e o medonho silêncio em que estava sepultada a vila, os uivos dos cães, tudo cooperou para nos encher de terror, e nos julgarmos nos maiores perigos. Corremos várias ruas em busca das pessoas do nosso conhecimento, mas tudo foi baldado; porque a ninguém achamos”.
Duas casas
“Nesta circunstância deparamos com duas casas, em que por estarem com luz acesa nos falaram; mas foi para maior embaraço nosso. Em uma, um soldado cheio de maior terror por ver-nos, e talvez supor-nos inimigos, balbuciava, e nada dizia que fosse coerente; e ainda assim nos informou que toda a tropa já se havia retirado pela estrada da Conceição. Mas outro, que em outra rua nos falou, traiu-nos dizendo-nos que a tropa tomara a estrada de Goiana Grande: era o mesmo que entregar-nos aos ceroulas [provavelmente, ironia popular que queria dizer gente de Milícias e Ordenanças, que lutavam sem farda] de João Baptista Rego, que já haviam tomado o ponto de Pitimbu, e era natural estarem naquelas fronteiras”.
Topografia ignorada
“Os nossos companheiros, que ignoravam a topografia da vila e não sabiam e nem podiam conhecer o laço que nos armava o segundo informante, desconfiados do modo trepidante do primeiro, fiaram-se na segurança com que falou o segundo; e assim assentaram que tomássemos o caminho de Goiana Grande (devia ser a estrada para a Paraíba). Ponderamos-lhes o que sabíamos, dirigindo-nos a mostrar-lhes que jamais podia a força de Goiana seguir aquele destino; mas foi em vão: teimaram os nossos amigos no seu entendimento, e nós por contemporizar seguimo-los; e, ao passar pela frente do Convento do Carmo, nos dirigimos a ele, para que lá tomássemos informação do estado das coisas; mas tudo foi sem fruto”.

Ilusão
“O convento estava aberto e às escuras, ainda assim pelo tino, que nos fazia lembrar dos seus arranjos, por termos por anos habitado aquela casa, nos arriscamos a entrar e subir até o seu antecoro; e por mais que gritamos a chamar quem lá estivesse, ninguém nos respondeu”.
Caráter contemporizador
“Aqui os nossos amigos, que haviam ficado fora, nos chamaram e fizeram-nos acompanhá-los pra Goiana Grande. Sempre tivemos um caráter de contemporizador com os nossos amigos; e, fazendo reflexão sobre os trabalhos porque havíamos passado em nossos dias, conhecemos que tudo devíamos a conselhos alheios; e por este motivo, depois de haverem chegado aos lameirões de Goiana Grande, tomamos a resolução de não nos sacrificar a conselhos sem fundamento algum e inteiramente opostos à nossa salvação. Por isso, fazendo notar aos amigos que eles por não saberem as direções das estradas se iludiram com a aparente segurança do segundo soldado, e que até aquele momento mesmo nós sempre havíamos padecido por sermos escravos da vontade dos nossos amigos, declaramos que fazíamos ponto ali, e começávamos a usar do nosso entendimento; pelo que os não acompanhávamos”.
Retaguarda da força
“Esta nossa resolução salvou a todos, porque eles, dando peso ao nosso juízo, voltaram conosco pela estrada da Soledade; e depois de havermos andado o resto da noite, fomos encontrar com a retaguarda da força duas léguas acima da vila. Aqui já cansados dos trabalhos antecedentes e fatigados do espírito, descansamos em uma casa muito velha; pelo que havia dentro supusemos ser de ladrões; por este fundamento não houve maneira de conciliarmos sono, e passamos no campo, ora assentados, ora deitados, ora passeando até o romper da aurora. Raiando esta, nos pusemos em marcha para chegarmos a Goianinha, onde havia dormido o presidente temporário da Paraíba. A poucos passos fomos encontrando por toda a estrada muitas pessoas do nosso conhecimento, entre as quais foi o tenente-coronel Manuel Inácio de Melo, que no dia antecedente fora aclamado em Goiana comandante-geral daquela força. Da prática que tivemos com ele, não fizemos bom conceito daquela força, e não julgamos segurança alguma no meio dela, por nos ser descrita com uma multidão confusa, sem ordem, sem subordinação e inteiramente anárquica”.

Dia seguinte
“Chegamos afinal a Goianinha, e ali achamos o grosso da divisão e um povo numeroso com algumas famílias honestas; cumprimentamos o presidente (temporário da Paraíba, Felix Antônio Ferreira de Albuquerque, aclamado por cinco das nove vilas paraibanas): desde logo fomos agregados à sua família, e tomamos quartel na mesma morada”. Caneca termina o relato desta noite de medo, narrando o dia seguinte, quando chegou à povoação de Goianinha “que é uma povoação não pequena, e representa ter algum comércio dos gêneros de lavoura. Tem uma igreja pequena; ela e as casas da povoação são de má ou de nenhuma arquitetura; à exceção de mui poucas, as outras são de palhas”.
Presos políticos
Ainda registraria o frade jornalista a sua passagem de volta, na caravana dos presos políticos da Confederação do Equador vindos do sertão do Ceará, em 15 de dezembro de 1824. A guarnição evitou a vila, pernoitando no engenho Bujari. Ia preso, para ser submetido a uma corte marcial, pois seu destino já estava traçado numa portaria imperial de julho daquele ano.
Itinerário
Frei Caneca relatou este momento em seu Itinerário: “(...) fomos chegar a Goiana pelas onze horas da manhã, onde querendo o major Pastorinha (da Paraíba) ficar, resolveu-se, afinal a irmos aquartelar no engenho de Bujari, a meia légua da vila, cuja propriedade pertence ao padre João Álvares de Souza, que nos acolheu muito bem. Aqui fomos visitados por muitos homens liberais de Goiana, que de propósito nos foram abraçar, e oferecer-nos os seus serviços, e nos presentearam com bom peixe e para cearmos, vinho, queijos, frutas e doces. Aí pernoitamos e, sobre a madrugada querendo-nos aprontar para seguirmos a viagem, demos por falta de alguns companheiros nossos. Ao depois de alguma diligência, não se podendo descobrir os fugitivos, saímos ao amanhecer do dia 16 (...)” (CANECA, 2001, p.602/3). Apesar de sua contundente defesa, seu destino já estava traçado pelo português D. Pedro I. Foi fuzilado, no Recife, em 13 de janeiro de 1825.
*Josemir Camilo de Melo é historiador
Leia outras informações
'Tarifaço' - Governo diz na OMC que EUA desrespeitam regras do comércio internacional
30/07/2026
O governo do presidente Lula disse na OMC, Organização Mundial do Comércio, que o novo tarifaço imposto por Donald Trump contra o Brasil desrespeita normas da entidade e anula princípios que devem ser aplicados a todos os países, segundo as regras internacionais do comércio. Dia 27/07, o Brasil voltou a acionar a OMC contra os Estados Unidos, desta vez por causa de sobretaxas de até 37,5% impostas com base em investigações comerciais conduzidas pelo USTR, Escritório do Representante de Comércio dos EUA. No ano passado, o país já havia apresentado as chamadas consultas na entidade contra um primeiro tarifaço de Trump — de até 50% —, que acabou sendo declarado ilegal pela Suprema Corte americana. Apesar da alta probabilidade de não produzir efeito prático, já que a consulta solicitada pelo Brasil precisa ser aceita pelos americanos e a última instância da OMC está paralisada, o movimento é visto no Palácio do Planalto como um gesto simbólico importante para marcar a posição do Brasil em defesa do sistema multilateral de solução de disputas comerciais.
Argumentação da reclamação
Por meio das consultas na OMC, quem apresenta uma reclamação solicita ao outro país informações sobre as práticas comerciais questionadas e requer a modificação das medidas. Os EUA, porém, precisam aceitar o pedido para o início das conversas. Na argumentação, tornada pública hoje, quinta-feira, 30/07, o governo Lula lista diferentes aspectos das novas sobretaxas que são incompatíveis com compromissos previstos no tratado constitutivo da OMC. Entre eles está o princípio da nação mais favorecida, pelo qual eventuais vantagens comerciais que um país confere a um sócio devem ser estendidas aos demais parceiros. O governo também afirma que, com o tarifaço, os EUA passam a aplicar aos produtos brasileiros medidas aduaneiras que ultrapassam as alíquotas que os americanos estão autorizados a praticar conforme as regras da organização. Em outro trecho, o Brasil diz que, ao aplicar sobretaxas de maneira unilateral, os EUA ignoram os mecanismos de solução de controvérsias da OMC, que estabelecem que eventuais desavenças devem ser resolvidas no âmbito da organização. "O Brasil considera que as medidas em questão, conforme descritas na Seção II deste pedido, anulam ou prejudicam, na acepção do artigo XXIII:1 do GATT 1994, os benefícios de que o Brasil usufrui ao amparo desse Acordo [da OMC]", conclui a manifestação brasileira.

OMC
Ainda pelas regras da OMC, se as consultas não resolverem a disputa em até 60 dias após o recebimento do pedido, o demandante pode requerer a instauração de uma segunda etapa: um painel. Os painéis são formados por três membros, escolhidos de comum acordo pelas partes. Os dois países apresentam petições escritas e participam de audiências. O painel emite um relatório sobre as medidas contestadas e sua compatibilidade com os acordos da OMC. O prazo teórico para a apresentação desse relatório é de até 6 meses, prorrogáveis por mais 3. Na prática, a fase de painel tem durado cerca de 12 meses — a não ser em casos de maior complexidade, que podem se arrastar por até 5 anos. O país derrotado no relatório do painel pode recorrer, dando início a uma 3a e última etapa: a apreciação do caso pelo Órgão de Apelação. O colegiado pode manter, modificar ou reverter as conclusões do painel, e sua decisão é de cumprimento obrigatório pelos países-membros, em razão dos compromissos assumidos com a OMC por meio de suas respectivas legislações. O problema é que essa última instância está paralisada desde 2019 por causa dos EUA.
Petistas Rabo de Cabra! - Por Marcelo Mário de Melo*
30/07/2026
Ora, o apoio à candidatura de João Campos, declaradamente de centro-esquerda, está vinculado a um acordo nacional com o PSB em torno da candidatura de Lula à presidência da república. Este é o ponto fundamental. E sempre que um petista pernambucano com projeção - como um deputado e um vereador - se declara a favor da candidatura governista, está também minando a mobilização pela reeleição de Lula.
Os representantes dessa banda podre...
Nestas disputas eleitorais de 2026, o PT pernambucano apresenta uma parcela podre nas suas fileiras, representada na câmara municipal e na assembleia legislativa por parlamentares que apoiam publicamente a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra, que tem no seu palanque o que existe de pior na extrema direita, que são os bolsonaristas, alinhados à candidatura de Flávio Bolsonaro. Segmento neofascista que já foi agraciado com dezenas de cargos comissionados no governo do estado, segundo publicações no Diário Oficial.
Ora, o apoio à candidatura de João Campos, declaradamente de centro-esquerda, está vinculado a um acordo nacional com o PSB em torno da candidatura de Lula à presidência da república. Este é o ponto fundamental. E sempre que um petista pernambucano com projeção - como um deputado e um vereador - se declara a favor da candidatura governista, está também minando a mobilização pela reeleição de Lula.
Os representantes dessa banda podre do PT pernambucano devem ser rejeitados nas urnas, quando se candidatarem, e expulsos do PT, se não possuírem a coerência de se desfiliarem e se alinharem noutras legendas que abriguem o seu oportunismo. A esquerda pernambucana dá as costas e revela o seu nojo ante esses petistas rabo de cabra.
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
A Economia Espacial como Pilar da Soberania Estratégica das Nações - Por Amadeu Robalinho*
30/07/2026
Sob a perspectiva dos Estudos Estratégicos, os sistemas espaciais configuram infraestruturas críticas indispensáveis ao funcionamento das sociedades modernas. Satélites de comunicação, navegação, sensoriamento remoto, inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) sustentam operações militares, monitoramento de fronteiras, gestão de recursos naturais, proteção de infraestruturas estratégicas, resposta a desastres e o funcionamento dos mercados globais. Em consequência, o acesso autônomo ao espaço passou a integrar o conceito contemporâneo de soberania estr...
A Consolidação da Economia espacial representa uma das mais significativas transformações geopolíticas do presente século. O Domínio do ambiente orbital deixou de constituir exclusivamente um indicador de desenvolvimento científico para tornar-se elemento estruturante do Poder Nacional, influenciando diretamente a soberania dos Estados, a capacidade de defesa, a superioridade tecnológica e a competitividade econômica.
Sob a perspectiva dos Estudos Estratégicos, os sistemas espaciais configuram infraestruturas críticas indispensáveis ao funcionamento das sociedades modernas. Satélites de comunicação, navegação, sensoriamento remoto, inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) sustentam operações militares, monitoramento de fronteiras, gestão de recursos naturais, proteção de infraestruturas estratégicas, resposta a desastres e o funcionamento dos mercados globais. Em consequência, o acesso autônomo ao espaço passou a integrar o conceito contemporâneo de soberania estratégica.
Os Estados Unidos mantêm posição de liderança nesse domínio em razão da elevada integração entre pesquisa científica, inovação tecnológica, indústria aeroespacial, capacidade de lançamentos e investimentos privados. Em 2025, aproximadamente 60% dos investimentos privados destinados à indústria espacial concentraram-se no mercado norte-americano, enquanto o investimento global no setor alcançou o recorde de US$ 12,4 bilhões, representando crescimento de 48% em relação ao ano anterior. Esses indicadores demonstram que a economia espacial consolidou-se como instrumento de projeção de poder, fortalecimento da Base Industrial de Defesa e preservação da superioridade estratégica.
A República Popular da China adota uma abordagem distinta, baseada no planejamento estatal de longo prazo e na integração entre desenvolvimento tecnológico, segurança nacional e política industrial. A meta de colocar em operação aproximadamente 30 mil satélites de baixa órbita até 2030, correspondendo a cerca de 40% da capacidade global projetada, evidencia uma estratégia orientada para ampliar sua autonomia tecnológica, reduzir vulnerabilidades externas e expandir sua capacidade de comando, controle, comunicações, computação, inteligência, vigilância e reconhecimento, elementos essenciais à guerra contemporânea.
A Europa, por sua vez, desenvolve uma estratégia baseada na especialização tecnológica. Em vez de disputar exclusivamente a quantidade de ativos orbitais, concentra esforços no fortalecimento de sua capacidade de lançamentos, na produção de tecnologias críticas e na consolidação de segmentos de elevado valor agregado, preservando autonomia estratégica em setores considerados essenciais para sua segurança coletiva.
Esse cenário revela uma crescente concentração do poder espacial nas mãos de um número reduzido de atores estatais e corporativos, ampliando o risco de dependência tecnológica para países que não dominam capacidades próprias de acesso ao espaço. Tal dependência transcende o campo econômico, produzindo vulnerabilidades estratégicas capazes de comprometer a autonomia decisória, a segurança nacional e a liberdade de ação dos Estados em situações de crise.
Nesse contexto, o Brasil ocupa posição singular. A localização geográfica do Centro Espacial de Alcântara constitui uma vantagem geoestratégica de elevada relevância, reconhecida internacionalmente pela eficiência energética proporcionada por sua proximidade com a Linha do Equador. Entretanto, essa vantagem somente produzirá efeitos estruturantes caso seja integrada a uma política nacional de Estado voltada ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa, ao desenvolvimento científico, à inovação tecnológica e à formação de capacidades nacionais no setor aeroespacial.
A Experiência histórica demonstra que as grandes potências não alcançaram protagonismo espacial apenas por investimentos financeiros, mas pela articulação entre política industrial, ciência, tecnologia, defesa e planejamento estratégico de longo prazo. A capacidade espacial tornou-se componente indissociável da soberania nacional e da projeção internacional de poder.
Mais do que uma nova fronteira tecnológica, o espaço configura-se como um domínio estratégico de competição entre Estados. As nações que dominarem sua infraestrutura orbital controlarão fluxos globais de informação, comunicações, navegação, inteligência e comando, exercendo influência decisiva sobre os ambientes militar, econômico e diplomático. No século XXI, investir em capacidades espaciais deixou de representar uma opção de desenvolvimento para tornar-se um imperativo de soberania, defesa e estratégia nacional.
*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
A glória e o peso de ser humano - O grande teatro da inversão, por Zé da Flauta*
30/07/2026
Enquanto a mangueira do quintal vive em paz sendo apenas mangueira e o vira-lata da esquina cumpre sua nobre missão de latir para o vento sem desejar ser um leão, o ser humano entrou numa crise de identidade tão profunda que virou o mundo do avesso. Numa inversão de valores de fazer inveja a qualquer comédia de costumes, tem gente hoje que olha para a própria humanidade com desdém e resolve latir, miar ou pastar, garantindo com toda a convicção do mundo que nasceu na espécie errada.]
Fuga
O espetáculo seria até engraçado se não revelasse uma dor psicológica e social das mais profundas. Fomos educados pela cultura da performance e pela vitrine...
Se Albert Camus estivesse vivo para dar um passeio nas redes sociais hoje em dia, rasgaria seus livros e pediria desculpas por ter sido econômico. O homem sempre foi a única criatura do planeta a se recusar a ser o que é, mas o século XXI resolveu elevar essa recusa ao nível do delírio coletivo.
Enquanto a mangueira do quintal vive em paz sendo apenas mangueira e o vira-lata da esquina cumpre sua nobre missão de latir para o vento sem desejar ser um leão, o ser humano entrou numa crise de identidade tão profunda que virou o mundo do avesso. Numa inversão de valores de fazer inveja a qualquer comédia de costumes, tem gente hoje que olha para a própria humanidade com desdém e resolve latir, miar ou pastar, garantindo com toda a convicção do mundo que nasceu na espécie errada.]
Fuga
O espetáculo seria até engraçado se não revelasse uma dor psicológica e social das mais profundas. Fomos educados pela cultura da performance e pela vitrine das redes a odiar o "Eu Real", aquele sujeito comum, que acorda com a cara amassada, tem contas para pagar e fraquezas para carregar. Para fugir da angústia da liberdade e da responsabilidade de construir uma vida com propósito, o indivíduo moderno prefere vestir a fantasia de bicho, buscar a aprovação do algoritmo e fingir que não tem deveres.
Criamos uma sociedade que premia o absurdo e pune o bom senso, onde a busca pela autenticidade virou uma corrida maluca para ver quem inventa o personagem mais exótico para ganhar cinco minutos de aplauso de uma plateia de estranhos.
Sentido
Há uma ironia trágica e poética no meio de toda essa fantasia. O sujeito que finge ser animal para escapar das dores humanas esquece que a única coisa que realmente o separa dos bichos é justamente a sua capacidade de pensar, de criar e de dar sentido ao próprio sofrimento. Um cachorro é perfeito em sua simplicidade porque não tem escolha; o homem é grandioso justamente porque pode escolher ser melhor a cada dia.
Ao renegar a própria essência para virar bicho de imitação, o ser humano não está voltando à natureza ou encontrando sua liberdade: está apenas fugindo de si mesmo, abrindo mão do dom sagrado da consciência para virar mascote da própria solidão.
Coragem
É preciso ter um pouco de lucidez para entender essa comédia humana para não enlouquecer junto com a plateia. Quando você rolar a tela do celular hoje e cruzar com mais uma bizarrice da vida moderna na conversa do WhatsApp, vale a pena respirar fundo e lembrar da beleza que é carregar o peso e a glória de ser gente.
Não precisamos latir para o mundo para ser notados, nem mimetizar o pasto para ter paz. Basta a coragem de olhar no espelho sem máscara, aceitar as nossas imperfeições e entender que a aventura mais ousada que existe neste planeta ainda é a arte de ser, simplesmente, humano.
Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista

Políticos caruaruenses foram cassados, presos e perseguidos durante a Ditadura Militar, por Tavares Neto*
30/07/2026
Primeiros nomes
Entre os primeiros nomes atingidos estava o deputado federal Lamartine Távora (PTB), que representava Caruaru no Congresso Nacional em 1964 e teve seu mandato cassado. Também foram punidos o vereador e vice-prefeito Severino Rodrigues Sobrinho, conhecido como Chico do Leite, além dos suplentes de vereador Manoel Messias e do jornalista Sousa Pepeu. Este último, que atuava na imprensa e na Rádio Cultura do Nordeste, deixou Caruaru e seguiu para o Rio de Janeiro para evitar a prisão.
Outro caruaruense
Em 1969, outro caruaruense foi alcançado pela repressão política. O advogado João Bosco Tenório, então vereador do Recife, teve o mandato cassado pel...
Com a implantação do regime militar após o golpe de 1964, diversos políticos, intelectuais, sindicalistas e lideranças de Caruaru sofreram perseguições políticas, prisões e cassações de mandatos por meio dos Atos Institucionais editados pelo novo governo.
Primeiros nomes
Entre os primeiros nomes atingidos estava o deputado federal Lamartine Távora (PTB), que representava Caruaru no Congresso Nacional em 1964 e teve seu mandato cassado. Também foram punidos o vereador e vice-prefeito Severino Rodrigues Sobrinho, conhecido como Chico do Leite, além dos suplentes de vereador Manoel Messias e do jornalista Sousa Pepeu. Este último, que atuava na imprensa e na Rádio Cultura do Nordeste, deixou Caruaru e seguiu para o Rio de Janeiro para evitar a prisão.
Outro caruaruense
Em 1969, outro caruaruense foi alcançado pela repressão política. O advogado João Bosco Tenório, então vereador do Recife, teve o mandato cassado pelos militares. Ele entrou para a história como o primeiro caruaruense eleito vereador da capital pernambucana.
As cassações
Além das cassações, dezenas de pessoas ligadas à vida política, cultural e intelectual de Caruaru foram presas ou obrigadas a deixar a cidade. Entre elas estavam Abdias Bastos Lé, presidente do Partido Comunista em Caruaru; os irmãos Manoel Messias e o compositor Carlos Fernando; o vendedor de livros Biu Moscozinho; o advogado Arsênio Martins Gomes; o cirurgião-dentista Fernando Soares, que também foi vereador de Caruaru e integrou o Movimento de Cultura Popular do governador Miguel Arraes; e o intelectual Francisco de Assis Claudino.
Repressão
A repressão também atingiu profissionais da comunicação e das artes. O locutor Aluízio Falcão, que trabalhou nas rádios Difusora de Caruaru e Tamandaré, deixou a cidade, seguindo inicialmente para o Rio de Janeiro e, posteriormente, para São Paulo. O pintor Romero Figueiredo também precisou fugir para a Região Sudeste, assim como o comerciante Ernesto do Colchão, que se estabeleceu em São Paulo.
Jornalista
Outro nome de destaque foi o jornalista, vereador e ex-candidato à Prefeitura de Caruaru Celso Rodrigues, derrotado por Drayton Nejaim nas eleições de 1963. Celso Rodrigues foi preso e submetido à tortura. Após o atentado a bomba no Aeroporto Internacional dos Guararapes, ocorrido em 25 de julho de 1966, que tinha como alvo o então ministro do Exército e candidato à Presidência da República, marechal Arthur da Costa e Silva, que acabou alterando sua rota de desembarque vindo de João Pessoa, e não foi atingido pela explosão, Celso Rodrigues voltou a ser preso pelos órgãos de repressão, mas acabou libertado por falta de provas.
*Tavares Neto é jornalista e radialista em Caruaru.

Desemprego no 2º trimestre é 5,4%, o menor já registrado no período; aponta IBGE
30/07/2026
O resultado
O resultado representa queda em relação ao primeiro trimestre do ano (6,1%) e na comparação com o mesmo período de 2025, quando estava em 5,8%. Os dados foram divulgados hoje, quinta-feira (30/07) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo trimestre
No segundo trimestre, o Brasil atingiu o número de 103,1 milhões de pessoas ocupadas, cerca de 1,081 milhão a mais que no primeiro trimestre.
Já o número de desocupados era de 5,9 milhões, o que representa 10% (718 mil pessoas) a menos que no primeiro trimestre.
Comparação
Na comparação entre o primeiro e o segundo trimestres, os grupamentos que se destacaram na criação de vagas foram:
A taxa de desemprego no segundo trimestre ficou em 5,4%, atingindo o menor nível já registrado desde 2012, quando começa a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.
O resultado
O resultado representa queda em relação ao primeiro trimestre do ano (6,1%) e na comparação com o mesmo período de 2025, quando estava em 5,8%. Os dados foram divulgados hoje, quinta-feira (30/07) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo trimestre
No segundo trimestre, o Brasil atingiu o número de 103,1 milhões de pessoas ocupadas, cerca de 1,081 milhão a mais que no primeiro trimestre.
Já o número de desocupados era de 5,9 milhões, o que representa 10% (718 mil pessoas) a menos que no primeiro trimestre.
Comparação
Na comparação entre o primeiro e o segundo trimestres, os grupamentos que se destacaram na criação de vagas foram:
- Transporte, armazenagem e correio: +3,9% (mais 235 mil pessoas)
- Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: +2,6% (mais 489 mil pessoas)
Mostra
A Pnad mostra que no período de três meses de abril a junho, o país tinha 39,4 milhões de trabalhadores com carteira assinada e 13,6 milhões sem carteira.
A taxa de informalidade - proporção de trabalhadores informais na população ocupada - foi de 37,4% no segundo trimestre.
Rendimento médio
O rendimento médio do trabalhador brasileiro ficou em R$ 3.738, o maior já registrado para um segundo trimestre. No entanto, fica abaixo do apurado no primeiro trimestre de 2026. (R$ 3.765).
Pnad
A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.
Critérios
Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.
Considera
O IBGE considera informais os empregados sem carteira assinada e autônomos sem CNPJ, por exemplo. Essas pessoas não têm garantidas coberturas como seguro-desemprego, férias e 13º salário.
Menor desemprego
O menor desemprego já registrado pela Pnad foi 5,1%, no último trimestre de 2025. A maior taxa já constatada foi 14,9%, atingida em dois períodos: nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e em março de 2021, ambos durante a pandemia de covid-19.
Mercado formal
A Pnad é divulgada no dia seguinte a outro indicador de comportamento do mercado de trabalho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e que acompanha apenas o cenário de empregados com carteira assinada.
Saldo positivo
De acordo com o Caged, junho apresentou saldo positivo de quase 145,2 mil vagas formais. No acumulado de 2026, o balanço é de 921,7 mil de postos com carteira assinada criados.
André Gadelha em coletiva: com Ivonete, candidatura sai de 8 para 80
30/07/2026
Na entrevista, André posicionou sua candidatura diante dos concorrentes e defendeu o voto fechado na chapa do MDB.
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O ainda pré-candidato ao Senado, André Gadelha, na chapa com Cícero Lucena e Veneziano, concedeu entrevista coletiva em Campina Grande, comentando a sua candidatura após a escolha da vereadora Ivonete Ludgério como sua primeira- suplente. Ivonete era até ontem pré-candidata a deputada federal, pelo PSB.
Na entrevista, André posicionou sua candidatura diante dos concorrentes e defendeu o voto fechado na chapa do MDB.
Com Ivonete Ludugério como suplente André Gadelha entra de vez na disputa para o Senado
30/07/2026
Quando resolveu concorrer a uma das duas vagas para o Senado, o ex-prefeito de Sousa e deputado estadual André Gadelha sabia que não teria vida fácil. Embora tenha sido um dos últimos candidatos a entrar na disputa, André tinha vantagens a explorar.
A primeira era o partido, cuja memória dos grandes nomes que lideraram o MDB no estado — Humberto Lucena, Antônio Mariz, Ronaldo Cunha Lima, José Maranhão, Vitalzinho — ainda se mantém viva, tradição hoje reanimada pelos nomes de Cícero Lucena e Veneziano Vital, que são, descontado o peso das máquinas, as duas maiores lideranças políticas da Paraíba.
A segunda é a linhagem política e intelectual de Marcondes Gadelha, que André mantém viva e deixa isso claro a cada entrevista que concede, a cada pronunciamento que faz na Assembleia, onde é a voz da região de Sousa, cidade que governou, deixando um legado de obras e melhorias.
Ao lado de Veneziano e Cícero Lucena, An...
Por Flávio Lúcio*
Quando resolveu concorrer a uma das duas vagas para o Senado, o ex-prefeito de Sousa e deputado estadual André Gadelha sabia que não teria vida fácil. Embora tenha sido um dos últimos candidatos a entrar na disputa, André tinha vantagens a explorar.
A primeira era o partido, cuja memória dos grandes nomes que lideraram o MDB no estado — Humberto Lucena, Antônio Mariz, Ronaldo Cunha Lima, José Maranhão, Vitalzinho — ainda se mantém viva, tradição hoje reanimada pelos nomes de Cícero Lucena e Veneziano Vital, que são, descontado o peso das máquinas, as duas maiores lideranças políticas da Paraíba.
A segunda é a linhagem política e intelectual de Marcondes Gadelha, que André mantém viva e deixa isso claro a cada entrevista que concede, a cada pronunciamento que faz na Assembleia, onde é a voz da região de Sousa, cidade que governou, deixando um legado de obras e melhorias.
Ao lado de Veneziano e Cícero Lucena, André Gadelha compõe a chapa majoritária de oposição na eleição de 2026. Embora tenha partido com atraso, André já surpreendeu na primeira pesquisa em que seu nome foi testado, aparecendo com 8,6%, tecnicamente empatado com Nabor Wanderley (12,5%), pai de Hugo Motta, e Marcelo Queiroga (10,5%). O desempenho surpreendente de André Gadelha fez soar o alarme no governismo, que passou a trabalhar em dobro para impedir novos apoios ao ex-prefeito de Sousa, a ponto de um obscuro instituto de pesquisa, o Opindata, excluir seu nome da lista de candidatos ao Senado em um levantamento feito no início de julho.
A decisão da vereadora de Campina Grande, Ivonete Ludgério (PSD) de aceitar ser candidata à primeira suplência de André Gadelha é outro passo gigantesco para a consolidação de sua candidatura ao Senado. Importante liderança campinense, Ivonete — ao lado do marido, o deputado estadual Manuel Ludgério — era candidata à Câmara Federal. Com essa decisão, André Gadelha, que já contava com o apoio do grupo Cunha Lima, consolida sua entrada definitiva na disputa por uma das vagas ao Senado.
Se lembrarmos que as eleições na Paraíba, sobretudo de senador, são marcadas por surpresas, André está no páreo.
*Flávio Lúcio é cientista político. Professor de História da UFPB e doutor em Sociologia.
Radar Ativaweb DataLab - O que o mundo digital discute nesta quinta-feira
30/07/2026
Preparado? … Vamos lá
Brasília acordou acelerada. Pesquisa eleitoral, inteligência artificial, Caixa Econômica, Banco Master, acordos internacionais e novas regras do TSE disputam espaço na agenda antes mesmo do primeiro café. Enquanto o governo tenta consolidar uma narrativa de entregas, a oposição intensifica sua mobilização digital e as redes sociais seguem transformando qualquer fato em batalha política em poucos minutos. No Brasil hiperconectado, quem domina a narrativa costuma chegar primeiro.
“Só vou se ele for”: Flávio transforma debate em duelo presidencial
Flávio Bolsonaro sinalizou que deverá participar dos debates televisivos apenas quando Lula estiver presente. A estratégia reforça a polarização como eixo central da campanha e reduz espaço para outros presidenciáveis. O movimento também pressiona emissoras e organizadores dos debates, aumentando a expecta...
Brasília, 30 de julho de 2026
Preparado? … Vamos lá
Brasília acordou acelerada. Pesquisa eleitoral, inteligência artificial, Caixa Econômica, Banco Master, acordos internacionais e novas regras do TSE disputam espaço na agenda antes mesmo do primeiro café. Enquanto o governo tenta consolidar uma narrativa de entregas, a oposição intensifica sua mobilização digital e as redes sociais seguem transformando qualquer fato em batalha política em poucos minutos. No Brasil hiperconectado, quem domina a narrativa costuma chegar primeiro.
“Só vou se ele for”: Flávio transforma debate em duelo presidencial
Flávio Bolsonaro sinalizou que deverá participar dos debates televisivos apenas quando Lula estiver presente. A estratégia reforça a polarização como eixo central da campanha e reduz espaço para outros presidenciáveis. O movimento também pressiona emissoras e organizadores dos debates, aumentando a expectativa sobre os primeiros confrontos da campanha oficial.
Quando o debate vira duelo, todo o resto vira plateia.
Caixa entra no centro da crise digital: patrocínio esportivo vira debate político
A Caixa Econômica Federal passou a enfrentar forte desgaste nas redes sociais após reportagens questionarem manifestações políticas realizadas por atletas patrocinados pela instituição. Embora a Caixa tenha informado que seus contratos não possuem finalidade político-partidária, o tema rapidamente ganhou grande repercussão ao envolver recursos públicos, patrocínio estatal e apoio público a Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.
A Ativaweb DataLab acompanha a evolução do tema e identificou um crescimento expressivo das críticas direcionadas à instituição financeira. O debate deixou de ser esportivo e passou a envolver reputação institucional, impessoalidade administrativa e uso de dinheiro público. O potencial de crescimento permanece elevado, especialmente caso haja novos posicionamentos da Caixa, da CBAt ou dos atletas envolvidos.
Quando uma marca pública entra na disputa política, a reputação passa a disputar espaço com a narrativa.
Empate continua liderando a eleição
As novas pesquisas nacionais mostram
Lula mantendo vantagem no primeiro turno, enquanto os cenários de segundo turno seguem extremamente equilibrados contra Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. O cenário confirma uma disputa aberta e reforça que mobilização digital poderá ser decisiva nos próximos meses.
Hoje, um ponto de narrativa pode valer mais do que um ponto na pesquisa.
Banco Master segue produzindo capítulos em Brasília
As investigações envolvendo o Banco Master continuam alimentando o noticiário político. Novas informações sobre interlocuções e projetos legislativos mantêm o tema vivo e aumentam a expectativa sobre possíveis novos desdobramentos. O caso permanece como um dos principais riscos políticos da semana.
Em Brasília, algumas investigações demoram anos. As manchetes, nem 24 horas.
A Inteligência Artificial vira protagonista da eleição
A discussão sobre conteúdos produzidos por Inteligência Artificial ganhou definitivamente espaço na campanha presidencial. O debate passa a envolver autenticidade, responsabilidade das campanhas, regulação eleitoral e capacidade das plataformas em identificar conteúdos sintéticos.
Na eleição de 2026, provar que um vídeo é verdadeiro pode ser tão importante quanto publicá-lo.
TSE coloca as plataformas na sala de reunião
As grandes plataformas digitais terão até 16 de agosto para apresentar seus planos de conformidade ao Tribunal Superior Eleitoral. A medida busca ampliar a transparência e preparar mecanismos de combate à desinformação durante a campanha.
A eleição acontece nas redes. As regras começam a ser escritas fora delas.
Lula aposta em entregas enquanto a campanha esquenta
O presidente sancionou a lei que cria mecanismos automáticos para pagamento de pensão alimentícia via PIX e reforçou medidas voltadas à proteção das mulheres. A estratégia busca fortalecer uma agenda positiva paralelamente ao aumento da polarização eleitoral.
Enquanto uns disputam narrativas, outros tentam disputar resultados.
Brasil amplia ponte econômica com a Coreia do Sul
Empresários brasileiros e sul-coreanos realizaram reuniões estratégicas envolvendo tecnologia, inteligência artificial, proteínas animais e novos investimentos. Em meio às tensões comerciais internacionais, ampliar mercados torna-se prioridade para o setor produtivo.
Diversificar parceiros hoje é investir em estabilidade amanhã.
Lula responde Milei e o embate atravessa fronteiras
As declarações do presidente argentino Javier Milei durante evento do PL continuam repercutindo no Brasil. Lula respondeu classificando as falas como uma “patacoada”, mantendo o confronto internacional vivo nas redes sociais e entre lideranças políticas.
Na política moderna, uma fala em Buenos Aires viraliza antes do almoço em Brasília.
Alckmin consolida protagonismo dentro do governo
Antes visto com desconfiança por parte do PT, Geraldo Alckmin consolidou seu espaço como articulador político e econômico do governo. Seu protagonismo cresceu especialmente nas negociações envolvendo o tarifaço americano e na interlocução com o setor produtivo.
Na política, confiança costuma render mais do que holofotes.
O mundo continua olhando para o Leste Europeu
A possível entrada de um míssil russo no espaço aéreo polonês elevou novamente a tensão internacional. Mesmo sob investigação, qualquer escalada no conflito pode produzir impactos econômicos e diplomáticos relevantes.
Conflitos locais continuam produzindo efeitos globais.
Brasil rejeita prorrogação de emergência nacional dos EUA
30/07/2026
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o Executivo classificou como infundadas as justificativas apresentadas pela Casa Branca e reafirmou a soberania nacional e a independência entre os Poderes.
A decisão
Segundo a manifestação oficial, a decisão estadunidense repete acusações sem respaldo nos fatos ao sustentar que o Brasil representa uma ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.
Afirma
Na nota, o governo brasileiro afirma que a declaração "reitera argumentos infundados e inverídicos" ao mencionar supostas violações à liberdade de expressão, aos direitos humanos e alegações de perseguição política a um ex-presidente brasileiro, sua família e apoiadores.
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O governo brasileiro repudiou a decisão dos Estados Unidos de prorrogar por mais um ano a declaração de emergência nacional em relação ao Brasil.
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o Executivo classificou como infundadas as justificativas apresentadas pela Casa Branca e reafirmou a soberania nacional e a independência entre os Poderes.
A decisão
Segundo a manifestação oficial, a decisão estadunidense repete acusações sem respaldo nos fatos ao sustentar que o Brasil representa uma ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.
Afirma
Na nota, o governo brasileiro afirma que a declaração "reitera argumentos infundados e inverídicos" ao mencionar supostas violações à liberdade de expressão, aos direitos humanos e alegações de perseguição política a um ex-presidente brasileiro, sua família e apoiadores.
Declarou
O Executivo também declarou que "é inteiramente descabido caracterizar o Brasil como ameaça aos Estados Unidos, especialmente à luz dos históricos laços diplomáticos e da amizade que une os dois povos".
Ainda de acordo com a Secom, as acusações já foram amplamente rebatidas em reuniões entre autoridades dos dois países. O governo ressaltou que o Poder Judiciário brasileiro atua de forma independente e em conformidade com a Constituição Federal.
Medida renovada
Na terça-feira (29/07), a Casa Branca anunciou a prorrogação, por mais um ano, da emergência nacional em relação ao Brasil, mantendo em vigor a ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em 30 de julho de 2025.
Em vigor
Após a publicação no Federal Register, o diário oficial do governo estadunidense, e o encaminhamento ao Congresso dos Estados Unidos, a medida permanecerá em vigor pelo menos até 30 de julho de 2027.
Justificativa
Na justificativa, o governo estadunidense afirma que continuam existindo as condições que motivaram a edição da Ordem Executiva 14323. Segundo essa ordem, políticas e ações adotadas pelo governo brasileiro representam uma ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.
A Casa Branca também voltou a acusar autoridades brasileiras de restringirem a liberdade de expressão de cidadãos e empresas estadunidenses, de promoverem violações de direitos humanos e de adotarem medidas que afetariam interesses dos Estados Unidos.
Escalada diplomática
A renovação da emergência nacional ocorre após um ano de agravamento das tensões entre Brasília e Washington. Desde a edição da ordem executiva, em julho de 2025, a administração Trump adotou uma série de medidas contra o Brasil, incluindo a abertura de investigações comerciais, a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e críticas às decisões do STF sobre moderação de conteúdo em plataformas digitais e o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Negociações
Em resposta, o governo brasileiro intensificou as negociações diplomáticas com autoridades estadunidenses e contestou as medidas na Organização Mundial do Comércio (OMC), sob o argumento de que as tarifas violam regras do comércio internacional. Integrantes do Executivo também têm reiterado que o Judiciário atua de forma independente, enquanto o STF sustenta que suas decisões seguem a Constituição e a legislação brasileira.
Mantidas
Apesar das tratativas diplomáticas, as medidas adotadas pela administração estadunidense foram mantidas e ampliadas ao longo do último ano. A nota divulgada pela Secom representa a primeira manifestação oficial do governo brasileiro após o anúncio da prorrogação da emergência nacional.
O Poder com Agência Brasil