Especial — Confederação do Equador: A Angústia de Frei Caneca numa Goiana deserta
14/09/2024
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 182...
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 1824) à meia-noite, e não foi pequeno o nosso espanto, quando sem esperarmos a achamos deserta inteiramente. O escuro da noite e o medonho silêncio em que estava sepultada a vila, os uivos dos cães, tudo cooperou para nos encher de terror, e nos julgarmos nos maiores perigos. Corremos várias ruas em busca das pessoas do nosso conhecimento, mas tudo foi baldado; porque a ninguém achamos”.
Duas casas
“Nesta circunstância deparamos com duas casas, em que por estarem com luz acesa nos falaram; mas foi para maior embaraço nosso. Em uma, um soldado cheio de maior terror por ver-nos, e talvez supor-nos inimigos, balbuciava, e nada dizia que fosse coerente; e ainda assim nos informou que toda a tropa já se havia retirado pela estrada da Conceição. Mas outro, que em outra rua nos falou, traiu-nos dizendo-nos que a tropa tomara a estrada de Goiana Grande: era o mesmo que entregar-nos aos ceroulas [provavelmente, ironia popular que queria dizer gente de Milícias e Ordenanças, que lutavam sem farda] de João Baptista Rego, que já haviam tomado o ponto de Pitimbu, e era natural estarem naquelas fronteiras”.
Topografia ignorada
“Os nossos companheiros, que ignoravam a topografia da vila e não sabiam e nem podiam conhecer o laço que nos armava o segundo informante, desconfiados do modo trepidante do primeiro, fiaram-se na segurança com que falou o segundo; e assim assentaram que tomássemos o caminho de Goiana Grande (devia ser a estrada para a Paraíba). Ponderamos-lhes o que sabíamos, dirigindo-nos a mostrar-lhes que jamais podia a força de Goiana seguir aquele destino; mas foi em vão: teimaram os nossos amigos no seu entendimento, e nós por contemporizar seguimo-los; e, ao passar pela frente do Convento do Carmo, nos dirigimos a ele, para que lá tomássemos informação do estado das coisas; mas tudo foi sem fruto”.

Ilusão
“O convento estava aberto e às escuras, ainda assim pelo tino, que nos fazia lembrar dos seus arranjos, por termos por anos habitado aquela casa, nos arriscamos a entrar e subir até o seu antecoro; e por mais que gritamos a chamar quem lá estivesse, ninguém nos respondeu”.
Caráter contemporizador
“Aqui os nossos amigos, que haviam ficado fora, nos chamaram e fizeram-nos acompanhá-los pra Goiana Grande. Sempre tivemos um caráter de contemporizador com os nossos amigos; e, fazendo reflexão sobre os trabalhos porque havíamos passado em nossos dias, conhecemos que tudo devíamos a conselhos alheios; e por este motivo, depois de haverem chegado aos lameirões de Goiana Grande, tomamos a resolução de não nos sacrificar a conselhos sem fundamento algum e inteiramente opostos à nossa salvação. Por isso, fazendo notar aos amigos que eles por não saberem as direções das estradas se iludiram com a aparente segurança do segundo soldado, e que até aquele momento mesmo nós sempre havíamos padecido por sermos escravos da vontade dos nossos amigos, declaramos que fazíamos ponto ali, e começávamos a usar do nosso entendimento; pelo que os não acompanhávamos”.
Retaguarda da força
“Esta nossa resolução salvou a todos, porque eles, dando peso ao nosso juízo, voltaram conosco pela estrada da Soledade; e depois de havermos andado o resto da noite, fomos encontrar com a retaguarda da força duas léguas acima da vila. Aqui já cansados dos trabalhos antecedentes e fatigados do espírito, descansamos em uma casa muito velha; pelo que havia dentro supusemos ser de ladrões; por este fundamento não houve maneira de conciliarmos sono, e passamos no campo, ora assentados, ora deitados, ora passeando até o romper da aurora. Raiando esta, nos pusemos em marcha para chegarmos a Goianinha, onde havia dormido o presidente temporário da Paraíba. A poucos passos fomos encontrando por toda a estrada muitas pessoas do nosso conhecimento, entre as quais foi o tenente-coronel Manuel Inácio de Melo, que no dia antecedente fora aclamado em Goiana comandante-geral daquela força. Da prática que tivemos com ele, não fizemos bom conceito daquela força, e não julgamos segurança alguma no meio dela, por nos ser descrita com uma multidão confusa, sem ordem, sem subordinação e inteiramente anárquica”.

Dia seguinte
“Chegamos afinal a Goianinha, e ali achamos o grosso da divisão e um povo numeroso com algumas famílias honestas; cumprimentamos o presidente (temporário da Paraíba, Felix Antônio Ferreira de Albuquerque, aclamado por cinco das nove vilas paraibanas): desde logo fomos agregados à sua família, e tomamos quartel na mesma morada”. Caneca termina o relato desta noite de medo, narrando o dia seguinte, quando chegou à povoação de Goianinha “que é uma povoação não pequena, e representa ter algum comércio dos gêneros de lavoura. Tem uma igreja pequena; ela e as casas da povoação são de má ou de nenhuma arquitetura; à exceção de mui poucas, as outras são de palhas”.
Presos políticos
Ainda registraria o frade jornalista a sua passagem de volta, na caravana dos presos políticos da Confederação do Equador vindos do sertão do Ceará, em 15 de dezembro de 1824. A guarnição evitou a vila, pernoitando no engenho Bujari. Ia preso, para ser submetido a uma corte marcial, pois seu destino já estava traçado numa portaria imperial de julho daquele ano.
Itinerário
Frei Caneca relatou este momento em seu Itinerário: “(...) fomos chegar a Goiana pelas onze horas da manhã, onde querendo o major Pastorinha (da Paraíba) ficar, resolveu-se, afinal a irmos aquartelar no engenho de Bujari, a meia légua da vila, cuja propriedade pertence ao padre João Álvares de Souza, que nos acolheu muito bem. Aqui fomos visitados por muitos homens liberais de Goiana, que de propósito nos foram abraçar, e oferecer-nos os seus serviços, e nos presentearam com bom peixe e para cearmos, vinho, queijos, frutas e doces. Aí pernoitamos e, sobre a madrugada querendo-nos aprontar para seguirmos a viagem, demos por falta de alguns companheiros nossos. Ao depois de alguma diligência, não se podendo descobrir os fugitivos, saímos ao amanhecer do dia 16 (...)” (CANECA, 2001, p.602/3). Apesar de sua contundente defesa, seu destino já estava traçado pelo português D. Pedro I. Foi fuzilado, no Recife, em 13 de janeiro de 1825.
*Josemir Camilo de Melo é historiador
Leia outras informações
Eleições 2026 - Lula lidera 1º turno e empata com Flávio e Caiado no 2º, na nova pesquisa Nexus
10/08/2026
Levantamento anterior
O levantamento mostra estabilidade, dentro da margem de erro, entre os principais candidatos na comparação com a rodada anterior, divulgada em 03/08, quando estavam tecnicamente empatados. Quando, Lula tinha 41% das intenções de voto (oscilou 1 ponto percentual para baixo na pesquisa desta segunda), contra 37% de Flávio Bolsonaro (2 pontos percentuais para baixo).
Demais candidatos
Na sequênc...
Nova rodada da pesquisa Nexus divulgada hoje, segunda-feira, 10/08, aponta vantagem do presidente Lula, PT, sobre o senador Flávio Bolsonaro, PL, nas intenções de voto no primeiro turno e empate técnico entre ambos os candidatos no segundo turno, na disputa pela Presidência da República. No primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio tem 35%. A diferença entre os dois está fora da margem de erro da pesquisa, de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Levantamento anterior
O levantamento mostra estabilidade, dentro da margem de erro, entre os principais candidatos na comparação com a rodada anterior, divulgada em 03/08, quando estavam tecnicamente empatados. Quando, Lula tinha 41% das intenções de voto (oscilou 1 ponto percentual para baixo na pesquisa desta segunda), contra 37% de Flávio Bolsonaro (2 pontos percentuais para baixo).

Demais candidatos
Na sequência da sondagem atual, aparecem Ronaldo Caiado, PSD, com 5%; Renan Santos, Missão, com 4%; e Romeu Zema, Novo, com 3%. Brancos e nulos somam 5%, enquanto 3% não souberam ou não responderam.
2º turno
Em eventual disputa de segundo turno, o petista registra 47% das intenções de voto, contra 44% do candidato do PL, empate técnico. Lula também empata tecnicamente com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado: 46% x 42%. Na rodada anterior, divulgada na semana passada, Lula aparecia com 46%, Flávio com 45% e Caiado com os mesmos 42% da amostra atual. O levantamento testou ainda outros dois cenários de segundo turno, com Lula enfrentando Romeu Zema e Renan Santos. O petista aparece à frente nos confrontos. Lula x Zema: 47% a 40% (era 46% x 40%); e Lula x Renan Santos: 46% a 37% (era 47% x37%).
A pesquisa ouviu 2.001 eleitores, por telefone, entre os dias 07 e 09/08. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-08428/2026.
Campanha Eleitoral 2026 - TSE avalia ampliar proibição de ‘deepfake’
10/08/2026
Ministros do TSE veem abuso em vídeo de Bolsonaro feito com IA e exibido na convenção do PL.
Resoluções
As resoluções para o pleito de 2026 aprovadas em março pela Corte proíbem o uso de ‘deepfake’ para prejudicar ou favorecer candidatura, sob pena de cassação. A leitura de uma parte d...
O TSE avalia a possibilidade de banir, de forma definitiva, o uso de ‘deepfake’ na campanha eleitoral. Os ministros devem se reunir quarta-feira, 12/08, para discutir o tema antes de julgar no plenário a ação do PT que questiona a apresentação de um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro criado por inteligência artificial, IA, na convenção do PL. A intenção do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, é pautar o tema para a sessão desta quinta-feira, 13/08, ou para a próxima semana. Ele é relator do caso. O julgamento deve servir de jurisprudência sobre o uso de IA pelas campanhas para orientar a atuação de todos os Tribunais Regionais Eleitorais, TREs.
Ministros do TSE veem abuso em vídeo de Bolsonaro feito com IA e exibido na convenção do PL.
Resoluções
As resoluções para o pleito de 2026 aprovadas em março pela Corte proíbem o uso de ‘deepfake’ para prejudicar ou favorecer candidatura, sob pena de cassação. A leitura de uma parte dos ministros do TSE é que a manipulação de imagens e vídeos para correções pontuais na imagem e voz de candidatos também deve ser proibida. A avaliação é a de que, se o TSE optar por uma proibição ampla, também se protege de uma judicialização excessiva. Uma norma com mais nuances poderia obrigar o Tribunal a decidir sobre centenas de conteúdos, caso a caso. (Com O Estadão)
"O massacre na Floresta de Kaitin" - Por Jarbas Beltrão*
10/08/2026
Em setembro de 1939, Alemanha e União Soviética, revelam o que estava escondido no Acordo Ribentrop (Alemanha) e Molotov (União Soviética), ou seja, o caráter traiçoeiro terrorista, cruel e belicoso daquele Tratado.
Os dois representantes do totalitarismo da primeira metade do século 20, selaram em definitivo o "mergulho" da humanidade no maior conflito mundial de todos os tempos, até então - ou seja, a segunda guerra mundial.
O Acordo preparava o cenário para a invasão ao território da Polônia.
Alguns dias depois da assinatura, a Alemanha nazista invadiu o território ocidental polonês. Mais adiante, foi a vez da União Soviética fazer o mesmo na parte leste polonesa.
Foi dado início oficial a segunda guerra mundial.
'A segunda guerra mundial'
A segunda guerra mundial teve duração de 1939 a 1945. No início com dois bloc...
'Acordo Ribentrop x Molotov - revelações'
Em setembro de 1939, Alemanha e União Soviética, revelam o que estava escondido no Acordo Ribentrop (Alemanha) e Molotov (União Soviética), ou seja, o caráter traiçoeiro terrorista, cruel e belicoso daquele Tratado.
Os dois representantes do totalitarismo da primeira metade do século 20, selaram em definitivo o "mergulho" da humanidade no maior conflito mundial de todos os tempos, até então - ou seja, a segunda guerra mundial.
O Acordo preparava o cenário para a invasão ao território da Polônia.
Alguns dias depois da assinatura, a Alemanha nazista invadiu o território ocidental polonês. Mais adiante, foi a vez da União Soviética fazer o mesmo na parte leste polonesa.
Foi dado início oficial a segunda guerra mundial.
'A segunda guerra mundial'
A segunda guerra mundial teve duração de 1939 a 1945. No início com dois blocos formados, mas alterados por acontecimentos, que chamaríamos de acidentes de percurso.
Os acidentes de percurso foram :
1. "Operação Barbarosssa". As tropas nazistas invadem o aliado soviético, daí rompe-se a Aliança acertada no Acordo Ribentrop x Molotov.
2. "Ataque japonês a Pearl Harbor". A base americana no Oceano Pacífico, foi bombardeada. Com este evento, Estados Unidos, sai da condição de expectador e torna-se ator ao lado da Inglaterra.
'Política terrorista soviética'
Soviéticos ao invadirem o território polonês, na parte leste, em 1939, aplicam sua política terrorista.

O Exército Vermelho capturou 250 mil soldados poloneses, em março de 1940, e seguindo ordem de Stalin e seu Politiburo executa 15 mil oficiais se guerra e 11 mil presos civis .
Eliminou-se a elite militar polonesa, médicos, professores, engenheiros, padres. A finalidade era o que a cúpula soviética entendia como obstáculo a desejada "sovietização polonesa".
O ato covarde de fuzilamento visava decapitar a liderança da Polônia, e o tiro na nuca foi o "modus operandis".
Os corpos foram enterrados em várias florestas, a principal delas Kaitin, nas proximidades da Rússia.
A contabilidade mortal oficial foi 21. 857 vitimas identificadas. Cerca de 4.400 só na Floresta de Kaitin.

Foi um dos maiores crimes de guerra dos soviéticos, que escondeu o quanto pôde do conhecimento da humanidade.
'Descoberta do crime'
Em 1943, os nazistas ocupando a região fazem descobertas
das valas na Floresta de Kaitin.
O ministro da propaganda nazista Gorbbeles passou a fazer uso do caso, para propaganda do regime hitlerista contra as forças aliadas.
Durante muito tempo, A União Soviética manteve a acusação do crime em cima dos nazistas.
Entretanto, com a "perestroika" em 1992.
Gorbachev admitiu a culpa soviética.
'O genocídio da Floresta de Kaitin, e as relações russo-polonesas'
O acontecimento de Kaitin, abriu - até hoje continua - uma fenda nas relações da Polônia, com a hoje, Federação Russa.
Inicialmente a ditadura soviética, tratou como um crime comum. Imaginem !

'O desastre "simbólico" de 2010'
(Professor Jarbas em Varsóvia - 2025. Na frente do Monumento às vitimas do Massacre da Floresta de Kaitin.)
Fato polêmico, com muito simbolismo e brutal, ocorreu em 2010.
O avião do presidente polonês caiu em Smolensk quando iria participar de uma cerimônia dos 70 anos do massacre na Floresta de Kaitin. O avião conduzia o presidente e mais 96 membros da cúpula polonesa, todos morreram.
'A desconfiança polonesa'
A Polônia, tem hoje o mais numeroso Exército europeu, é país que mais cresce na Europa, membro da Otan, está em alerta contínuo em relação aos movimentos do ditador russo Vadimir Putin.
O ditador neobolchevista, eurasianista, com sua FSB e seus grupos mercenários pretende a reconstituição da "União Soviética" e do "Império Soviético" na Europa Oriental.
Ameaças à Polônia e as movimentações de Putin, com acusações à Ucrânia de ter no governo grupos neo-nazistas, são argumentos usados para invasão ao território da ex- república soviética da Ucrânia.
A Ucrânia, foi acusada de neonazista. Recordemos que aquela ex-república soviética, festejou em 1940 a chegada de tropas alemãs, que ajudariam a resistência contra a agressão do exército vermelho. A Ucrânia sabe muito bem o que se passou na sua história.
A Ucrânia resiste a invasão recente do exército de Putin, instrumentalizada para o restauração do Império Soviético, pelo ditador Vladimir Putin.
Quatro anos de resistência ucraniana, com a "máquina de moer carne", desfazendo famílias e destruindo vidas russas.
O custo da guerra (Operação militar especial) de Putin tá chegando a níveis insuportáveis.
A Rússia tá quebrando, pior pode acontecer. Se quebrar pode ser fracionada em vários países, assim como a queda da União Soviética, caiu como "jaca mole", bago prá todo lado - 15 Repúblicas surgiram.
Fica dito.
Aviso aos que me prestigiam (ou mesmo, os que não). Até final de setembro terei meu livro publicado - "A desconstrução de narrativas - (textos de história contemporânea). Editora Amanhecer.
*Jarbas Beltrão é historiador e professor de História da Universidade de Pernambuco - UPE. Mestre em Educação pela UFPB. Especialista (MBA) em Política Estratégia Defesa e Segurança Nacional. (Adesg Famesc).Especialista (MBA) em Geopolítica/Novas Fronteiras/Cibernética e IA. (Adesg/Instituto Venturo)

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
A Diplomacia Nuclear Russa e o Brasil - Por Amadeu Robalinho*
10/08/2026
Em um cenário internacional marcado pela intensificação da competição geopolítica, pela fragmentação das cadeias globais de suprimentos e pela crescente disputa por recursos estratégicos, a recente visita ao Brasil de Nikolay Patrushev, assessor do presidente da Rússia e chefe do Colegiado Marítimo russo, transcende o protocolo diplomático. O encontro representa um movimento de elevada relevância estratégica, inserindo a cooperação nuclear e marítima no centro das discussões sobre o futuro da soberania energética, tecnológica e da capacidade de defesa brasileira.
Muito além de uma simples oferta comercial, a proposta russa para compartilhamento de tecnologias envolvendo pequenos reatores nucleares insere-se na lógica contemporânea da projeção de poder por meio da ciência, da engenharia e da inovação. No século XXI, a influência internacional não se estabelece apenas pelo...
Pequenos Reatores, Grande Estratégia e os Novos Desafios da Soberania Nacional
Em um cenário internacional marcado pela intensificação da competição geopolítica, pela fragmentação das cadeias globais de suprimentos e pela crescente disputa por recursos estratégicos, a recente visita ao Brasil de Nikolay Patrushev, assessor do presidente da Rússia e chefe do Colegiado Marítimo russo, transcende o protocolo diplomático. O encontro representa um movimento de elevada relevância estratégica, inserindo a cooperação nuclear e marítima no centro das discussões sobre o futuro da soberania energética, tecnológica e da capacidade de defesa brasileira.
Muito além de uma simples oferta comercial, a proposta russa para compartilhamento de tecnologias envolvendo pequenos reatores nucleares insere-se na lógica contemporânea da projeção de poder por meio da ciência, da engenharia e da inovação. No século XXI, a influência internacional não se estabelece apenas pelo poder militar convencional, mas também pela capacidade de dominar tecnologias críticas capazes de redefinir a infraestrutura energética, industrial e estratégica de uma nação.
Durante as reuniões realizadas em Brasília, Patrushev apresentou possibilidades concretas de cooperação nas áreas de energia nuclear, pesquisa científica, monitoramento marítimo e segurança internacional. Entre os temas discutidos destacou-se o desenvolvimento de reatores nucleares de pequena potência, conhecidos internacionalmente como Small Modular Reactors (SMRs) tecnologia considerada uma das maiores transformações do setor energético mundial.
A Rússia, por meio da Rosatom e do Instituto Kurchatov, figura entre os países mais avançados no desenvolvimento desses sistemas, acumulando décadas de experiência tanto em aplicações civis quanto militares. O domínio dessa tecnologia constitui hoje um importante instrumento de projeção geopolítica, permitindo levar energia de forma contínua e segura a regiões isoladas, bases estratégicas, polos industriais e instalações críticas.
Para o Brasil, a discussão possui implicações que ultrapassam a matriz energética. Trata-se de um tema diretamente relacionado à integração territorial, à presença do Estado em áreas remotas e ao fortalecimento da infraestrutura nacional de Defesa.
Regiões como a Amazônia Legal, extensas áreas do Centro-Oeste e localidades afastadas dos grandes centros ainda enfrentam limitações estruturais no fornecimento de energia elétrica. Pequenos reatores nucleares poderiam representar uma alternativa tecnológica capaz de reduzir a dependência de sistemas baseados em combustíveis fósseis, diminuir custos logísticos e ampliar a capacidade operacional do Estado brasileiro em regiões de elevado interesse estratégico.
Sob a ótica da Defesa Nacional, a proposta assume dimensão ainda mais significativa.
O Brasil desenvolve há décadas um dos mais sofisticados programas tecnológicos do hemisfério sul: o Programa Nuclear da Marinha, cuja principal finalidade é garantir a autonomia necessária para a construção do futuro submarino de propulsão nuclear brasileiro. Esse projeto constitui um dos pilares da capacidade dissuasória nacional e representa um patrimônio científico acumulado ao longo de gerações.
Nesse contexto, qualquer cooperação internacional deve ser analisada à luz dos interesses permanentes do Estado brasileiro. A transferência de conhecimento pode acelerar processos tecnológicos, reduzir riscos e ampliar competências nacionais. Contudo, soberania tecnológica não se constrói por meio da dependência externa, mas pela absorção efetiva do conhecimento, pela nacionalização das tecnologias críticas e pelo fortalecimento da Base Industrial de Defesa.
A engenharia da soberania exige que parcerias internacionais sejam instrumentos para ampliar capacidades nacionais, jamais para substituí-las.
Outro aspecto relevante das conversas diz respeito à proposta russa de desenvolvimento de sistemas destinados ao monitoramento das águas jurisdicionais brasileiras. Considerando que a chamada Amazônia Azul abriga vastas reservas energéticas, biodiversidade marinha, rotas comerciais e ativos estratégicos, o fortalecimento das capacidades de vigilância marítima constitui prioridade permanente da Política Nacional de Defesa.
Nesse sentido, tecnologias voltadas ao monitoramento oceânico, sensoriamento remoto e integração de informações podem contribuir significativamente para ampliar a consciência situacional marítima, elemento indispensável para proteger infraestruturas críticas, combater ilícitos transnacionais e garantir a presença soberana do Estado em seu espaço marítimo.
As propostas russas também contemplam cooperação científica nas regiões do Ártico e da Antártida. Embora geograficamente distantes, esses ambientes ocupam posição central na disputa internacional por recursos naturais, rotas marítimas e pesquisas climáticas. Para o Brasil, cuja presença na Antártida integra sua estratégia de projeção científica internacional, iniciativas dessa natureza podem ampliar o intercâmbio tecnológico e fortalecer capacidades de pesquisa em ambientes extremos.
A visita ocorre em um momento particularmente sensível do sistema internacional, caracterizado pela reorganização das alianças estratégicas, pela competição tecnológica entre grandes potências e pelo crescente uso da energia como instrumento de influência geopolítica. Nesse contexto, o Brasil precisa atuar com equilíbrio, autonomia decisória e visão estratégica de longo prazo, preservando sua tradição diplomática e evitando alinhamentos automáticos que possam comprometer sua liberdade de ação.
A política externa brasileira deve continuar orientada pelo princípio da multipolaridade cooperativa, diversificando parcerias sem abrir mão da defesa intransigente dos interesses nacionais.
O verdadeiro desafio não consiste em escolher entre Oriente e Ocidente, mas em transformar oportunidades internacionais em instrumentos de fortalecimento da capacidade nacional de produzir conhecimento, desenvolver tecnologia e consolidar autonomia estratégica.
A soberania não se mede apenas pela extensão do território ou pelo tamanho das Forças Armadas. Ela é construída diariamente por meio da educação, da ciência, da engenharia, da indústria, da inovação e da capacidade do Estado de dominar tecnologias essenciais ao desenvolvimento nacional.
Se conduzida com planejamento estratégico, segurança institucional e rigor técnico, a cooperação com a Rússia poderá representar mais um capítulo na consolidação da autonomia tecnológica brasileira. Entretanto, qualquer acordo deverá preservar integralmente os interesses nacionais, fortalecer a Base Industrial de Defesa e ampliar a independência científica do País.
Hoje, as nações verdadeiramente soberanas não são aquelas que apenas consomem tecnologia, mas aquelas capazes de concebê-la, produzi-la e empregá-la em favor de seus próprios objetivos estratégicos. É nesse ponto que reside o verdadeiro significado da soberania nacional.
*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho
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Da Série Mistérios do Aquém: A festa privada da democracia burguesa e a censura da UP – Por Natanael Sarmento*
10/08/2026
Eleições 2026
Os estúdios da Rede Bandeirantes batem o cento das “eleições democráticas” de 2026 e inauguram a temporada de debates. Assistimos ao triunfo da "liberdade seletiva": No banquete cívico onde o cardápio de ideias é rigidamente harmonizado com o interesse dos patrocinadores e o peso das bancadas dominantes.
Seletivo
O formato dos debates é uma verdadeira aula de elasticidade estatística e seletividade. A depender do estado, o telespectador testemunha palanques com dois, três, quatro ou até seis candidatos.
Pluralista, nem tanto
Muda a matemática conforme o estado, ajusta-se o tempo de cronômetro, rearranjam-se os púlpitos para acomod...
A democracia burguesa é uma obra-prima da engenharia de mercado. Nas comunicações sociais, o sublime ideal da liberdade de expressão com tabela de preços, espaço publicitário e contrato de exclusividade tão sólidos se desmancham no ar.
Eleições 2026
Os estúdios da Rede Bandeirantes batem o cento das “eleições democráticas” de 2026 e inauguram a temporada de debates. Assistimos ao triunfo da "liberdade seletiva": No banquete cívico onde o cardápio de ideias é rigidamente harmonizado com o interesse dos patrocinadores e o peso das bancadas dominantes.
Seletivo
O formato dos debates é uma verdadeira aula de elasticidade estatística e seletividade. A depender do estado, o telespectador testemunha palanques com dois, três, quatro ou até seis candidatos.
Pluralista, nem tanto
Muda a matemática conforme o estado, ajusta-se o tempo de cronômetro, rearranjam-se os púlpitos para acomodar a pluralidade que o mercado tolera e aprova.
Invariável
Nessa aparente variedade metodológica, existe uma constante universal, uma lei da física editorial que se aplica inflexivelmente de Roraima ao Rio Grande do Sul: a exclusão sistemática da Unidade Popular (UP).
UP
Nessa censura mascarada, a UP partido com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), legalmente constituído e cujos nomes figuram e pontuam nas pesquisas oficiais de intenção de voto, para presidente da República, governos estaduais, não são “convidados” aos debates da TV Bandeirante (que presta relevante serviços da informação seletiva). A censura da ditadura era mais honesta que essa marmelada da conveniência empresarial da Band.
Anedota histórica
É a versão atualizada e sofisticada da célebre anedota atribuída ao magnata das comunicações Assis Chateaubriand. Diante da reclamação de um jornalista que protestava contra matérias alteradas e cortes arbitrários na redação, Chatô respondeu com o pragmatismo brutal do capital: "Se você quiser publicar o que pensa, compre um jornal."
Quebra da isonomia
O riso satírico, porém, esbarra na gravidade da trágica posição reacionária e lesiva ao interesse republicano da emissora. Sob a maquiagem da "legalidade" — amparada na cláusula da Lei das Eleições que obriga o convite apenas aos partidos com representação mínima no Congresso, viola princípios constitucionais pétreos da pluralidade política e da isonomia.
Esse mundo público é meu?
Emissoras de rádio e televisão não são propriedades privadas isoladas no espaço sideral. Operam como concessões públicas outorgadas pelo Estado brasileiro. O ar por onde trafega o sinal pertence à sociedade. Transformar o debate eleitoral em feudo privado onde o poder econômico e os arranjos partidários tradicionais dão as cartas é desvio de função. A imprensa corporativa descumpre a própria função social do jornalismo e usurpa o direito do eleitor de conhecer a totalidade do espectro político registrável.
Silêncio dos indecentes
O silêncio obsequioso de instituições de controle e garantidoras de “democracia” espanta. O Ministério Público Eleitoral deveria atuar como guardião da higidez democrática e do equilíbrio da disputa, mas se comporta como espectador passivo. Mais que conivente, chancela a tese estapafúrdia e injusta da participação ser facultativa a critérios e "acordos" prévios entre emissoras e partidos da campanha (alguns, é claro).
Veto e Censura da UP
Veto e censura cabem às ditaduras. Enquanto a liberdade de imprensa for tratada como mero direito de propriedade do concessionário, e a informação for filtrada pelo crivo do patrocínio, o debate eleitoral continuará a ser o que é: uma peça publicitária de duas horas, interrompida por comerciais, onde a verdadeira diversidade política é barrada na portaria. Contra vetos e censuras, pela isonomia dos concorrentes na disputa eleitoral. Ditadura, nunca mais!
*Natanael Sarmento é professor e escritor, e integrante do Diretório Nacional da UP. @sarmentonatanael

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos autores.
CEHM – Condepe/FIDEM: 50 anos dedicados à preservação das histórias dos municípios de Pernambuco - Por Bruno Melo*
10/08/2026
CEHM
Criado em 1976, por um grupo de intelectuais preocupados na preservação das memórias dos municípios, desde então o CEHM vem reunindo pesquisadores das mais diversas áreas, que possuem o interesse e a paixão comum pelo estudo dos aspectos históricos e culturais dos municípios pernambucanos. Assim, as pesquisas e estudos desenvolvidos pelos associados do CEHM acabam promovendo o resgate e a preservação das memórias dos municípios, que não só servirão de fonte para outros pesquisadores, como também servirão para que os habitantes daqueles municípios possam ter acesso ao conhecimento de suas origens, despertando, deste modo, um sentime...
Uma ocasião especial marcará o mês de agosto de 2026: são comemorados os cinquenta anos da fundação de uma das mais respeitadas instituições de pesquisa, produção e divulgação de conhecimentos sobre as histórias dos municípios de Pernambuco – o Centro de Estudos de História Municipal (CEHM), da Agência Condepe/FIDEM.
CEHM
Criado em 1976, por um grupo de intelectuais preocupados na preservação das memórias dos municípios, desde então o CEHM vem reunindo pesquisadores das mais diversas áreas, que possuem o interesse e a paixão comum pelo estudo dos aspectos históricos e culturais dos municípios pernambucanos. Assim, as pesquisas e estudos desenvolvidos pelos associados do CEHM acabam promovendo o resgate e a preservação das memórias dos municípios, que não só servirão de fonte para outros pesquisadores, como também servirão para que os habitantes daqueles municípios possam ter acesso ao conhecimento de suas origens, despertando, deste modo, um sentimento de pertencimento àquele lugar.
Publicações editadas pelo CEHM
Todo o conhecimento produzido ao longo desse meio século de vida, encontra-se disponibilizado para a sociedade através das publicações editadas pelo CEHM. As primeiras foram lançadas logo em junho de 1977, pouco antes do primeiro aniversário de fundação do Centro: a Revista de História Municipal, e o primeiro volume da História da Vitória de Santo Antão (1626-1843), escrito por José Aragão, que fazia parte da Coleção Biblioteca Pernambucana de História Municipal.
Seis coleções
Atualmente são seis as coleções editadas pelo CEHM, cada uma com sua especificidade nos temas que abrangem: Coleção Biblioteca Pernambucana de História Municipal - história sistemática dos municípios pernambucanos (43 volumes); Coleção Tempo Municipal (45 volumes); Coleção Documentos Históricos Municipais (13 volumes); Coleção Cronologia Pernambucana – subsídios para a história do Agreste e do Sertão (até agora foram publicados 22 volumes da monumental obra de Nelson Barbalho); Coleção História da Imprensa de Pernambuco (outra obra monumental de pesquisa, em 15 volumes, dedicada à história dos jornais e revistas de Pernambuco, de autoria de Luiz do Nascimento); e a Revista de História Municipal (13 volumes).
Total de 151 volumes
Somadas as coleções, temos um total de 151 volumes, o que corresponde a uma média de 3 obras publicadas por ano, ao longo da existência do CEHM. Esses números poderiam ser maiores, considerando que a última obra editada foi lançada em 2022 – o 45° volume da Coleção Tempo Municipal, que teve como título Álvaro Lins, o gênio de Caruaru, de autoria de Nelson Barbalho.
Criação
A criação do CEHM foi uma iniciativa pioneira, e a sua longevidade – apesar de todos os percalços decorrentes por estar inserido na estrutura governamental, o que significa estar sujeito às “variações de humor” dos gestores, que ora simpatizam com o CEHM, ora simplesmente o ignoram – merece ser muito comemorada, diante do tanto o que foi produzido nos últimos cinquenta anos, em prol da nossa história municipal.
Viva o CEHM! Longa vida ao CEHM!
*Bruno Melo é membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Centro de Estudos de História Municipal (CEHM). Para a Cepe Editora, organizou a edição e reedição de obras de Francisco Augusto Pereira da Costa, e é autor do livro Do Arrabalde à freguesia. A história da Paróquia de Nossa Senhora das Graças.

O Marechal, o Imperador e o Banqueiro - A República Hipotecada, por Zé da Flauta
10/08/2026
Ledo engano. Enquanto os generais positivistas marchavam cheios de pose no Campo de Santana e a fidalguia agrária espumava de raiva por ter perdido a mão de obra escravizada, a verdadeira chave do cofre brasileiro ficava do outro lado do Atlântico, num escritório discreto em Londres, sob o olhar atento e gélido da família Rothschild. O verdadeiro trono do Império não era de pau-brasil; era lastreado em libra esterlina.
O silêncio
O espetáculo do 15 de Novembro beirou o vaudeville. Um marechal idoso e doente, alimentado por intrigas de bastidor e boatos de pé de ouvido, montou a cavalo para derrubar um gabinete, sem sequer saber que estava fundando um n...
Há um charme perigoso na ilusão do poder absoluto. No Brasil de fins do século XIX, a política nacional parecia um grande teatro de gabinete, onde homens de casaca e cartola acreditavam piamente que o destino da nação era decidido no gogó, na ponta da pena ou no estalo de uma baioneta.
Ledo engano. Enquanto os generais positivistas marchavam cheios de pose no Campo de Santana e a fidalguia agrária espumava de raiva por ter perdido a mão de obra escravizada, a verdadeira chave do cofre brasileiro ficava do outro lado do Atlântico, num escritório discreto em Londres, sob o olhar atento e gélido da família Rothschild. O verdadeiro trono do Império não era de pau-brasil; era lastreado em libra esterlina.
O silêncio
O espetáculo do 15 de Novembro beirou o vaudeville. Um marechal idoso e doente, alimentado por intrigas de bastidor e boatos de pé de ouvido, montou a cavalo para derrubar um gabinete, sem sequer saber que estava fundando um novo regime. Do outro lado, um imperador calejado, cansado de quase meio século de coroa e amargando as dores da diabetes, olhou para a baioneta do amigo e preferiu o silêncio.
Pedro II, que lia os filósofos iluministas e admirava o modelo americano, deu um suspiro de resignação. Recusou os canhões do Almirante Tamandaré e evitou a guerra civil, preferindo botar o chapéu, juntar um bocado de terra do país num saquinho de veludo e sair de cena pela porta dos fundos.
Pires na mão
A fragilidade dessa "revolução de gabinete" ficou escancarada logo na primeira segunda-feira de trabalho do novo regime. Os republicanos, eufóricos com a vitória sem sangue, descobriram que a independência de fachada cobrava juros altos. A euforia do poder durou até a primeira fatura chegar do banco inglês.
Os mesmos banqueiros que viam no velho imperador a única garantia de juízo e pagamento pontual olharam para a farda dos marechais e fecharam a torneira do crédito. A piada histórica é inevitável: para não ver o país ir a leilão, a jovem e orgulhosa República teve que correr de pires na mão até Londres para hipotecar as próprias alfândegas e pedir bênção aos banqueiros de Pedro II.
A coroa pelo quepe
O fim dessa história nos deixa uma lição amarga e irônica sobre a maturidade dos povos. Mudar a cor da bandeira, trocar o brasão da farda ou rasgar a constituição em um golpe de madrugada é fácil; o difícil é pagar a conta da própria soberania. A história do Brasil costuma ser contada pelo heroísmo das estátuas e pelos grandes manifestos de papel, mas a vida real acontece no livro de caixa. Quando trocamos a coroa pelo quepe sem consultar o dono da casa, o próprio povo, descobrimos que o verdadeiro dono do espetáculo não estava no Paço Imperial e nem no quartel, mas cobrando os juros da nossa ingenuidade lá fora.
Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista

O Futebol dos Governadores (1905/1926) • Série Especial • Jornal O Poder, por Roberto Vieira*
10/08/2026
José Rufino Bezerra Cavalcanti governou Pernambuco entre 1919 e 1922, enfrentando uma severa crise econômica pós-Primeira Guerra Mundial devido à desvalorização do açúcar e do algodão. Apoiado pelas oligarquias tradicionais da época, sua gestão buscou modernizar o setor agrícola com a transição de engenhos antigos para usinas centralizadas, além de dar continuidade às obras de saneamento básico e reforma urbana na capital, Recife.
Sport
O primeiro campeão do governo José Rufino foi o Sport. O clube se aproveitou da saída do América da Liga após confusão no jogo contra o Santa Cruz deixando caminho livre para o título rubro-negro.
Ingleses
O esquadrão do Sport era metade brasileiro e metade inglês. Como nos primeiros anos do nosso futebol, nomes como Chalmers, Jack, Griffith, Hardy e Backer davam um requinte bretão ao clube.<...
A Gestão de José Rufino Bezerra Cavalcanti e a Montanha Mágica (1919–1922)
José Rufino Bezerra Cavalcanti governou Pernambuco entre 1919 e 1922, enfrentando uma severa crise econômica pós-Primeira Guerra Mundial devido à desvalorização do açúcar e do algodão. Apoiado pelas oligarquias tradicionais da época, sua gestão buscou modernizar o setor agrícola com a transição de engenhos antigos para usinas centralizadas, além de dar continuidade às obras de saneamento básico e reforma urbana na capital, Recife.
Sport
O primeiro campeão do governo José Rufino foi o Sport. O clube se aproveitou da saída do América da Liga após confusão no jogo contra o Santa Cruz deixando caminho livre para o título rubro-negro.
Ingleses
O esquadrão do Sport era metade brasileiro e metade inglês. Como nos primeiros anos do nosso futebol, nomes como Chalmers, Jack, Griffith, Hardy e Backer davam um requinte bretão ao clube.
América
O América do genial Zetasso voltou em 1921 e provou ser imbatível naquele pós-guerra. A campanha foi difícil, mas o ataque de Juju, Zetasso e Lapa era melhor do que qualquer inglês em Pernambuco.
Doença
O governo de Rufino foi marcado por fortes tensões urbanas, como greves operárias e protestos motivados pela alta inflação e pelo custo de vida elevado, no meio do caminho ocorreu a enfermidade do governador que viajou para tratamento na Europa no final de 1920. Naqueles tempos de montanha mágica, o diagnóstico mais provável era tuberculose. Menos para os jornais.
Morte
Enquanto Arthur Bernardes bate Nilo Peçanha nas eleições presidenciais, Estácio Coimbra fustiga a Paz e Concórdia, lema histórico do desafortunado José Rufino em sua casa de Tejipió. Rufino volta da Europa nas últimas e a política do estado o mata de vez no dia 27 de março de 1922.
Igreja
Rufino morre após os últimos sacramentos ministrados pelo monsenhor Pereira Alves. Deu a Extrema Unção ao moribundo o revmo. vigário de Afogados, padre Euclides Landim. Pelas 20 horas, ele abençoa os filhos. Os médicos lhe deram uma injeção de óleo canforado. O futebol pernambucano estava de férias. 1922 seria o ano do Título do Centenário da Independência.
*Roberto Viera é médico e cronista

Terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia causa desabamentos e deixa feridos
10/08/2026
O tremor
Segundo a agência, o tremor ocorreu a uma profundidade de 107 quilômetros.
O terremoto deixou feridos e causou danos na província de Chocó, no Pacífico, segundo uma publicação da A IDIGER (Instituto Distrital de Gestão de Riscos e Mudança Climática) afirmou em publicação na rede social X que após o tremor, foram ativados protocolos de verificação nas 20 localidades de Bogotá, e que mantém o monitoramento da situação.
Orientam
Segundo a IDIGER, as autoridades orientam a população a manter-se informada pelos canais oficiais e caso tenha sentido o terremoto, relatar a localidade que o percebeu.
Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia 5 km ao leste de San José del Palmar, a aproximadamente 284 km de Bogotá, capital do país, hoje, segunda-feira (10/08), segundo a USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos).
O tremor
Segundo a agência, o tremor ocorreu a uma profundidade de 107 quilômetros.
O terremoto deixou feridos e causou danos na província de Chocó, no Pacífico, segundo uma publicação da A IDIGER (Instituto Distrital de Gestão de Riscos e Mudança Climática) afirmou em publicação na rede social X que após o tremor, foram ativados protocolos de verificação nas 20 localidades de Bogotá, e que mantém o monitoramento da situação.
Orientam
Segundo a IDIGER, as autoridades orientam a população a manter-se informada pelos canais oficiais e caso tenha sentido o terremoto, relatar a localidade que o percebeu.
Na disputa ao Senado, André Gadelha garante que ele e Veneziano seguem recebendo apoio à candidatura 'todo dia' na Paraíba
10/08/2026
Ampliando apoio
O emedebista afirmou que vem ampliando o apoio ao seu projeto e disse receber novas adesões diariamente durante a pré-campanha.
Percorrendo
Segundo André, o MDB seguirá percorrendo todas as regiões da Paraíba apresentando suas propostas e destacando a experiência do grupo para administrar o estado.
A candidatura
André Gadelha teve a candidatura ao Senado Federal homologada pelo MDB durante a convenção realizada na semana passada , em João Pessoa.
Veneziano
A chapa do MDB conta com o senador e pré-candidato à reeleição, Veneziano Vital do Rêgo, que também segue percorrendo toda Paraíba e a cada dia recebendo novos apoios de...
Pré-candidato ao Senado da Paraíba na chapa encabeçada por Cícero Lucena, André Gadelha, garantiu em entrevista, que segue recebendo apoio à sua candidatura todos os dias.
Ampliando apoio
O emedebista afirmou que vem ampliando o apoio ao seu projeto e disse receber novas adesões diariamente durante a pré-campanha.
Percorrendo
Segundo André, o MDB seguirá percorrendo todas as regiões da Paraíba apresentando suas propostas e destacando a experiência do grupo para administrar o estado.
A candidatura
André Gadelha teve a candidatura ao Senado Federal homologada pelo MDB durante a convenção realizada na semana passada , em João Pessoa.
Veneziano
A chapa do MDB conta com o senador e pré-candidato à reeleição, Veneziano Vital do Rêgo, que também segue percorrendo toda Paraíba e a cada dia recebendo novos apoios de lideranças políticas de todo Estado.
O Poder