Especial — Confederação do Equador: A Angústia de Frei Caneca numa Goiana deserta
14/09/2024
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 182...
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 1824) à meia-noite, e não foi pequeno o nosso espanto, quando sem esperarmos a achamos deserta inteiramente. O escuro da noite e o medonho silêncio em que estava sepultada a vila, os uivos dos cães, tudo cooperou para nos encher de terror, e nos julgarmos nos maiores perigos. Corremos várias ruas em busca das pessoas do nosso conhecimento, mas tudo foi baldado; porque a ninguém achamos”.
Duas casas
“Nesta circunstância deparamos com duas casas, em que por estarem com luz acesa nos falaram; mas foi para maior embaraço nosso. Em uma, um soldado cheio de maior terror por ver-nos, e talvez supor-nos inimigos, balbuciava, e nada dizia que fosse coerente; e ainda assim nos informou que toda a tropa já se havia retirado pela estrada da Conceição. Mas outro, que em outra rua nos falou, traiu-nos dizendo-nos que a tropa tomara a estrada de Goiana Grande: era o mesmo que entregar-nos aos ceroulas [provavelmente, ironia popular que queria dizer gente de Milícias e Ordenanças, que lutavam sem farda] de João Baptista Rego, que já haviam tomado o ponto de Pitimbu, e era natural estarem naquelas fronteiras”.
Topografia ignorada
“Os nossos companheiros, que ignoravam a topografia da vila e não sabiam e nem podiam conhecer o laço que nos armava o segundo informante, desconfiados do modo trepidante do primeiro, fiaram-se na segurança com que falou o segundo; e assim assentaram que tomássemos o caminho de Goiana Grande (devia ser a estrada para a Paraíba). Ponderamos-lhes o que sabíamos, dirigindo-nos a mostrar-lhes que jamais podia a força de Goiana seguir aquele destino; mas foi em vão: teimaram os nossos amigos no seu entendimento, e nós por contemporizar seguimo-los; e, ao passar pela frente do Convento do Carmo, nos dirigimos a ele, para que lá tomássemos informação do estado das coisas; mas tudo foi sem fruto”.

Ilusão
“O convento estava aberto e às escuras, ainda assim pelo tino, que nos fazia lembrar dos seus arranjos, por termos por anos habitado aquela casa, nos arriscamos a entrar e subir até o seu antecoro; e por mais que gritamos a chamar quem lá estivesse, ninguém nos respondeu”.
Caráter contemporizador
“Aqui os nossos amigos, que haviam ficado fora, nos chamaram e fizeram-nos acompanhá-los pra Goiana Grande. Sempre tivemos um caráter de contemporizador com os nossos amigos; e, fazendo reflexão sobre os trabalhos porque havíamos passado em nossos dias, conhecemos que tudo devíamos a conselhos alheios; e por este motivo, depois de haverem chegado aos lameirões de Goiana Grande, tomamos a resolução de não nos sacrificar a conselhos sem fundamento algum e inteiramente opostos à nossa salvação. Por isso, fazendo notar aos amigos que eles por não saberem as direções das estradas se iludiram com a aparente segurança do segundo soldado, e que até aquele momento mesmo nós sempre havíamos padecido por sermos escravos da vontade dos nossos amigos, declaramos que fazíamos ponto ali, e começávamos a usar do nosso entendimento; pelo que os não acompanhávamos”.
Retaguarda da força
“Esta nossa resolução salvou a todos, porque eles, dando peso ao nosso juízo, voltaram conosco pela estrada da Soledade; e depois de havermos andado o resto da noite, fomos encontrar com a retaguarda da força duas léguas acima da vila. Aqui já cansados dos trabalhos antecedentes e fatigados do espírito, descansamos em uma casa muito velha; pelo que havia dentro supusemos ser de ladrões; por este fundamento não houve maneira de conciliarmos sono, e passamos no campo, ora assentados, ora deitados, ora passeando até o romper da aurora. Raiando esta, nos pusemos em marcha para chegarmos a Goianinha, onde havia dormido o presidente temporário da Paraíba. A poucos passos fomos encontrando por toda a estrada muitas pessoas do nosso conhecimento, entre as quais foi o tenente-coronel Manuel Inácio de Melo, que no dia antecedente fora aclamado em Goiana comandante-geral daquela força. Da prática que tivemos com ele, não fizemos bom conceito daquela força, e não julgamos segurança alguma no meio dela, por nos ser descrita com uma multidão confusa, sem ordem, sem subordinação e inteiramente anárquica”.

Dia seguinte
“Chegamos afinal a Goianinha, e ali achamos o grosso da divisão e um povo numeroso com algumas famílias honestas; cumprimentamos o presidente (temporário da Paraíba, Felix Antônio Ferreira de Albuquerque, aclamado por cinco das nove vilas paraibanas): desde logo fomos agregados à sua família, e tomamos quartel na mesma morada”. Caneca termina o relato desta noite de medo, narrando o dia seguinte, quando chegou à povoação de Goianinha “que é uma povoação não pequena, e representa ter algum comércio dos gêneros de lavoura. Tem uma igreja pequena; ela e as casas da povoação são de má ou de nenhuma arquitetura; à exceção de mui poucas, as outras são de palhas”.
Presos políticos
Ainda registraria o frade jornalista a sua passagem de volta, na caravana dos presos políticos da Confederação do Equador vindos do sertão do Ceará, em 15 de dezembro de 1824. A guarnição evitou a vila, pernoitando no engenho Bujari. Ia preso, para ser submetido a uma corte marcial, pois seu destino já estava traçado numa portaria imperial de julho daquele ano.
Itinerário
Frei Caneca relatou este momento em seu Itinerário: “(...) fomos chegar a Goiana pelas onze horas da manhã, onde querendo o major Pastorinha (da Paraíba) ficar, resolveu-se, afinal a irmos aquartelar no engenho de Bujari, a meia légua da vila, cuja propriedade pertence ao padre João Álvares de Souza, que nos acolheu muito bem. Aqui fomos visitados por muitos homens liberais de Goiana, que de propósito nos foram abraçar, e oferecer-nos os seus serviços, e nos presentearam com bom peixe e para cearmos, vinho, queijos, frutas e doces. Aí pernoitamos e, sobre a madrugada querendo-nos aprontar para seguirmos a viagem, demos por falta de alguns companheiros nossos. Ao depois de alguma diligência, não se podendo descobrir os fugitivos, saímos ao amanhecer do dia 16 (...)” (CANECA, 2001, p.602/3). Apesar de sua contundente defesa, seu destino já estava traçado pelo português D. Pedro I. Foi fuzilado, no Recife, em 13 de janeiro de 1825.
*Josemir Camilo de Melo é historiador
Leia outras informações
Inovação de alto impacto - Prefeitura do Recife realiza 1º Encontro Recifense de Deep Techs e fortalece Setor
11/05/2026
Inscrições abertas
A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia, está com inscrições abertas para o 1º Encontro Recifense de Deep Techs, iniciativa inédita que busca consolidar a cidade como referência nacional no desenvolvimento de tecnologias de fronteira e na transformação do conhecimento científico em soluções inovadoras para a sociedade. O evento será realizado no dia 21/05, das 9h às 18h, no Auditório do CESAR, no Moinho Recife. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link: bit.ly/encontrodeeptechrecife.
As deep techs
As chamadas deep techs, expressão em inglês que pode ser traduzida como “tecnologias profundas” ou “tecnologias de base científica”, são empresas e soluções desenvolvidas a p...
Evento gratuito, realizado no dia 21/05, reunirá startups de base científica, universidades, investidores e instituições estratégicas do ecossistema de inovação
Inscrições abertas
A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia, está com inscrições abertas para o 1º Encontro Recifense de Deep Techs, iniciativa inédita que busca consolidar a cidade como referência nacional no desenvolvimento de tecnologias de fronteira e na transformação do conhecimento científico em soluções inovadoras para a sociedade. O evento será realizado no dia 21/05, das 9h às 18h, no Auditório do CESAR, no Moinho Recife. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link: bit.ly/encontrodeeptechrecife.
As deep techs
As chamadas deep techs, expressão em inglês que pode ser traduzida como “tecnologias profundas” ou “tecnologias de base científica”, são empresas e soluções desenvolvidas a partir de pesquisa avançada e conhecimento altamente especializado. Elas atuam em áreas como inteligência artificial, biotecnologia, saúde, novos materiais, energia, clima e computação avançada, e têm potencial para enfrentar desafios complexos da sociedade com elevado impacto econômico e social.
Desenvolvimento científico e tecnológico
A Prefeitura do Recife reforça seu compromisso com uma agenda pública orientada ao futuro, aproximando universidades, centros de pesquisa, startups, investidores e instituições de fomento. “A iniciativa reconhece que o desenvolvimento científico e tecnológico é um dos principais motores para gerar empregos qualificados, atrair investimentos e impulsionar soluções capazes de melhorar a vida das pessoas. Nossa cidade reúne uma base acadêmica robusta, um ecossistema de inovação consolidado e uma trajetória reconhecida nacionalmente na construção de políticas públicas voltadas para o futuro. O Encontro Recifense de Deep Techs nasce para que a ciência produzida aqui se transforme em soluções concretas, novos negócios e benefícios para toda a sociedade”, afirma o secretário de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia, Rafael Cunha.
Objetivo da programação
A programação foi estruturada para estimular conexões estratégicas, fortalecer a transferência de conhecimento e ampliar oportunidades para negócios inovadores. O encontro reunirá startups de base científica, pesquisadores, universidades, Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs), Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), incubadoras, aceleradoras, investidores, empresas e representantes do poder público. Entre os palestrantes confirmados estão Sílvio Meira, da TDS Company, e Marcelo Carneiro Leão, do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE).
Parcerias
O evento conta com a parceria de instituições referências do ecossistema de inovação, como CESAR, Caos Focado, Valetec Capital, Triaxis Capital, Emerge Brasil, Porto Digital, ABDI, Finep e Sebrae.
Guerra no Irã - Trump convoca reunião de emergência com cúpula do governo, e considera voltar a atacar
11/05/2026
Negociações
Hoej, segunda-feira, 11/05, as negociações para o fim da guerra chegaram a um novo impasse, após o Irã voltar a defender a proposta que apresentou aos EUA no fim de semana. No domingo, 10/05, Trump chamou de "inaceitáveis" as condições impostas pelo Irã. Mas, Teerã voltou a defender sua proposta e disse que não recuará.
Reunião do governo Trump
Trump , segundo o Axios, colocará sobre a mesa propostas diante do impasse. Fontes ouvidas afirmam que o presidente considera retomar ataques ao território ir...
Diante do impasse nas negociações de paz no Oriente Médio, o presidente Trump, considera voltar a atacar o território iraniano, segundo uma reportagem publicada hoje, 11/05, no site de notícias Axios com base em fontes do governo dos EUA. Trump convocou a cúpula de seu governo para uma reunião de emergência ainda hoje para discutir os próximos passos na guerra contra o Irã.

Negociações
Hoej, segunda-feira, 11/05, as negociações para o fim da guerra chegaram a um novo impasse, após o Irã voltar a defender a proposta que apresentou aos EUA no fim de semana. No domingo, 10/05, Trump chamou de "inaceitáveis" as condições impostas pelo Irã. Mas, Teerã voltou a defender sua proposta e disse que não recuará.

Reunião do governo Trump
Trump , segundo o Axios, colocará sobre a mesa propostas diante do impasse. Fontes ouvidas afirmam que o presidente considera retomar ataques ao território iraniano, em pausa por um cessar-fogo que Trump disse mais cedo estar "por um fio". Estarão presentes na reuniãona Casa Branca: O vice-presidente, JD Vance; O enviado especial de Trump Steve Witkoff; O secretário de Estado, Marco Rubio; O secretário de Guerra, Pete Hegseth; O chefe das Forças Armadas, o general Dan Caine; E o diretor da CIA, John Ratcliffe.
Ministério da Saúde - Interdição na Ypê envolveu aliados de Bolsonaro na Anvisa
11/05/2026
Padilha: Aliados de Bolsonaro
Padilha afirmou que a interdição envolveu análises do setor de vigilância do estado de SP, que é governado por Tarcísio de Freitas, aliado de Bolsonaro. Ainda afirmou que o diretor da Anvisa Daniel Meirelles, responsável pelo setor que suspendeu os produtos, foi indicado à agência durante o governo Bolsonaro. "O diretor que é responsável por essa área na Anvisa foi indicado por Bolsonaro, foi assessor e secretário-executivo do ministro do governo Bolsonaro e está na Anvisa cumprindo o cargo e tendo a responsabilidade de cumprir papel técnico", disse à imprensa.
Ministro: "vídeos irresponsáveis"
"Tivemos no fim de semana...
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse hoje, 11/05, que vídeos irresponsáveis tentam transformar a suspensão de lotes de produtos de limpeza da Ypê em "disputa política". Ele disse que a Anvisa não tem "lado partidário" e que está ao lado da saúde das famílias.
Padilha: Aliados de Bolsonaro
Padilha afirmou que a interdição envolveu análises do setor de vigilância do estado de SP, que é governado por Tarcísio de Freitas, aliado de Bolsonaro. Ainda afirmou que o diretor da Anvisa Daniel Meirelles, responsável pelo setor que suspendeu os produtos, foi indicado à agência durante o governo Bolsonaro. "O diretor que é responsável por essa área na Anvisa foi indicado por Bolsonaro, foi assessor e secretário-executivo do ministro do governo Bolsonaro e está na Anvisa cumprindo o cargo e tendo a responsabilidade de cumprir papel técnico", disse à imprensa.
Ministro: "vídeos irresponsáveis"
"Tivemos no fim de semana uma enxurrada de vídeos irresponsáveis que desinformam a população, que tentam transformar algo técnico, a preocupação com a saúde das pessoas, em disputa política porque essa empresa financiou campanhas do ex-presidente da República e do seu time", disse Padilha.
Ministro: "colocando em risco a vida das pessoas."
O ministro ainda recomendou que as pessoas não bebam detergente de qualquer marca. "Muito menos sair fazendo 'videozinho' sobre isso. É uma desinformação, colocando em risco a vida das pessoas." "Não sejam irresponsáveis com a saúde das pessoas, como vários de vocês foram durante a pandemia", disse o ministro. Ele ainda recomendou que a população guarde em local seguro os produtos interditados enquanto a empresa não fizer o recolhimento.

Campanha de apoiadores de Bolsonaro
Apoiadores de Jair Bolsonaro iniciaram uma campanha a favor da empresa nas redes sociais e acusaram a Anvisa de perseguição política. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou uma foto com detergente da marca no sábado, 09/05, enquanto o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, PL, defendeu a marca.

Anvisa
No último dia 07/05, a Anvisa determinou o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante de todos os lotes da Ypê com a numeração final 1 fabricados em Amparo, no interior de SP. A agência também suspendeu a produção dos produtos. Imagens da inspeção sanitária realizada no final de abril na fábrica da Ypê em Amparo, no interior de São Paulo, mostram os equipamentos usados na fabricação de detergente e lava-roupas com marcas de corrosão. Detalhes do relatório foram revelados na noite deste domingo (10) pelo Fantástico.

Ypê
Em nota, a Ypê afirma que a inspeção não encontrou contaminação nos produtos. Informou também que possui controle de qualidade capaz de identificar e descartar itens que não seguem o padrão de qualidade exigido pela empresa. Segundo a nota, as fotos que aparecem no relatório mostram áreas em que não há nenhum tipo de contato com os produtos e fazem parte de "um plano robusto de melhorias na fábrica", com mais da metade das ações já realizadas. (Com a Folha de S.Paulo)
Para destravar visita, Lula falou com Trump pelo celular de Joesley Batista, dono da JBS
11/05/2026
Telefonema
A promessa de uma visita de Lula à Casa Branca para discutir tarifas, questões comerciais e uma parceria no combate ao crime organizado foi tratada em um telefonema entre o petista e o presidente americano em dezembro de 2025. Ao ouvir Lula relatar a dificuldade de acertar o compromisso, Joesley perguntou se poderia naquele momento ligar para Trump. O presidente não tem um telefone próprio, ele é avesso a celular. Diante da autorização, o...
O presidente Lula conversou Trump, antes da viagem aos EUA, pelo telefone celular do empresário Joesley Batista, dono da JBS. Durante a visita de Joesley ao Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, Lula relatou a dificuldade que o governo brasileiro estava tendo para marcar uma agenda com Trump. Lula chegou a dizer que o encontro deveria ocorrer em março, mas a agenda não se concretizou em meio à eclosão da guerra do Irã, embora as equipes dos dois governos mantivessem contato permanente.
Telefonema
A promessa de uma visita de Lula à Casa Branca para discutir tarifas, questões comerciais e uma parceria no combate ao crime organizado foi tratada em um telefonema entre o petista e o presidente americano em dezembro de 2025. Ao ouvir Lula relatar a dificuldade de acertar o compromisso, Joesley perguntou se poderia naquele momento ligar para Trump. O presidente não tem um telefone próprio, ele é avesso a celular. Diante da autorização, o empresário mandou buscar o próprio celular, que estava em outro ambiente, e, na frente de Lula, ligou para Trump. De acordo com relatos de Joesley a interlocutores, Trump atendeu à chamada no 3o toque. Foi nessa ligação, longe das formalidades da diplomacia tradicional, que Trump desbloqueou sua agenda para a visita de Lula, que ocorreu na quinta-feira, 07/05, na Casa Branca.

Trump: "I love you"
Em um clima de informalidade, Trump encerrou a conversa dizendo a Lula: "I love you".
Telefonema não foi registrado pelo governo
O contato telefônico entre Lula e Trump não foi registrado nas agendas dos dois chefes de Estado. Procurados, o Palácio do Planalto e o Itamaraty não se pronunciaram. (Com a CNN)
A reforma do judiciário e a Democracia no Brasil
11/05/2026
O debate sobre a reforma do Judiciário no Brasil voltou ao centro das discussões nacionais. Trata-se de um tema essencial para o fortalecimento das instituições democráticas e para a consolidação do Estado de Direito. Não se deve fulanizar o debate, transformando-o em disputas pessoais ou políticas, mas tratá-lo de forma técnica, equilibrada e imparcial, buscando um Judiciário mais célere, eficiente e harmônico.
O Poder Judiciário brasileiro
Exerce papel fundamental na garantia da Constituição, na proteção dos direitos fundamentais e na estabilidade institucional do país. Entretanto, a morosidade processual, a excessiva judicialização e a concentração de decisões relevantes em poucos atores têm provocado críticas de diversos setores da sociedade.
O Poder Legislativo, por sua vez, frequentemente critica o Judiciário, sobretudo o Supremo Tribunal Federal. Contudo, muitas dessas críticas não têm sido aco...
Por Antônio Campos*
O debate sobre a reforma do Judiciário no Brasil voltou ao centro das discussões nacionais. Trata-se de um tema essencial para o fortalecimento das instituições democráticas e para a consolidação do Estado de Direito. Não se deve fulanizar o debate, transformando-o em disputas pessoais ou políticas, mas tratá-lo de forma técnica, equilibrada e imparcial, buscando um Judiciário mais célere, eficiente e harmônico.
O Poder Judiciário brasileiro
Exerce papel fundamental na garantia da Constituição, na proteção dos direitos fundamentais e na estabilidade institucional do país. Entretanto, a morosidade processual, a excessiva judicialização e a concentração de decisões relevantes em poucos atores têm provocado críticas de diversos setores da sociedade.
O Poder Legislativo, por sua vez, frequentemente critica o Judiciário, sobretudo o Supremo Tribunal Federal. Contudo, muitas dessas críticas não têm sido acompanhadas de iniciativas legislativas consistentes voltadas à modernização estrutural do sistema judicial brasileiro.
Reformar o Judiciário
Exige responsabilidade institucional, estudo técnico e amplo debate democrático.
Historicamente, importantes mudanças ocorreram por meio de Propostas de Emenda Constitucional. A PEC 45, que resultou na Reforma do Judiciário de 2004, teve como uma de suas principais inspirações o jurista e parlamentar Hélio Bicudo. Essa reforma criou o Conselho Nacional de Justiça, ampliou mecanismos de controle e fortaleceu instrumentos de eficiência administrativa.
Outro exemplo relevante
Foi a chamada PEC da Bengala, iniciativa associada ao senador Pedro Simon, que ampliou a idade da aposentadoria compulsória dos ministros dos Tribunais Superiores. A medida alterou significativamente a dinâmica institucional do Judiciário brasileiro.
Esses exemplos demonstram que a iniciativa de reformas estruturais no Judiciário brasileiro geralmente nasce no Poder Legislativo, por meio de Propostas de Emenda Constitucional. O processo exige discussão em comissões temáticas, votação em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, além da promulgação pelo Congresso Nacional.
STF
Qualquer mudança estrutural relacionada ao Supremo Tribunal Federal também depende de emenda constitucional. Por isso, o debate deve ser conduzido com serenidade, equilíbrio e respeito às instituições republicanas.
Uma das propostas atualmente discutidas é a limitação temporal das decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal. Pela sugestão, decisões individuais dos ministros teriam validade de apenas quinze dias, devendo ser apreciadas pelo colegiado nesse prazo, sob pena de perderem eficácia. A medida busca fortalecer a colegialidade, evitar insegurança jurídica e promover maior harmonia nas decisões da Suprema Corte.
O objetivo não seria enfraquecer o STF, mas aperfeiçoar seus mecanismos internos, garantindo maior previsibilidade institucional e reduzindo a excessiva concentração decisória em medidas individuais.
Experiências internacionais
Podem servir como referência para o Brasil. O Tribunal Constitucional Alemão é frequentemente citado como modelo de independência, equilíbrio e respeito institucional. A Corte atua como verdadeira guardiã da Constituição alemã, julgando a compatibilidade das leis e protegendo direitos fundamentais.
Na Alemanha, cidadãos, partidos políticos e instituições podem apresentar petições diretas ao Tribunal Constitucional. Suas decisões possuem força normativa relevante e exercem forte influência sobre a organização do Estado e da sociedade. A credibilidade da Corte decorre da estabilidade institucional, da previsibilidade jurídica e do elevado respeito ao colegiado.
Objetivo: aperfeiçoar
O Brasil precisa amadurecer esse debate de forma democrática. Reformar o Judiciário não significa atacar instituições, mas aperfeiçoá-las. A construção de um sistema judicial mais eficiente, técnico e equilibrado interessa a toda a sociedade brasileira.
É necessário um projeto consistente, baseado no diálogo entre os Poderes, na participação da sociedade civil, da academia, da advocacia e das entidades representativas do sistema de Justiça. O fortalecimento institucional do país depende de reformas sérias, responsáveis e comprometidas com a Constituição.
O desafio brasileiro não está em enfraquecer o Judiciário, mas em torná-lo mais rápido, transparente, previsível e harmonioso, preservando sempre sua independência e sua função essencial na democracia, ou seja, fortalecer o seu poder institucional.
*Antônio Campos.
Advogado e escritor.

Alta da Cesta Básica - O Salário Mínimo ideal para as famílias seria de R$ 7.612,49, diz Dieese
11/05/2026
Hoje nas capitais
Hoje, segunda-feira, 11/05, o Dieese apontou que mais uma vez o custo dos alimentos básicos aumentou em todas as 27 capitais brasileiras no período entre março e abril. Segundo o levantamento, esta é a 2a alta consecutiva registrada pela pesquisa. As elevações mais expressivas no último mês foram observadas em Porto Velho (5,60%), Fortaleza (5,46%) e Cuiabá (4,97%). No topo do ranking das cestas mais caras, São Paulo lidera com um custo médio de R$ 906,14, seguida por Cuiabá (R$ 880,06) e Rio...
O preço da cesta básica aumentou em todas as capitais brasileiras em abril e, com base neste aumento, o Dieese apontou que o salário mínimo ideal para uma família brasileira deveria ser de R$ 7.612,49. Este valor é 4,7 vezes superior ao salário mínimo atual de R$ 1.621,00. No acumulado de 12 meses, pelo menos 18 capitais apresentam alta no custo de vida, Cuiabá foi a cidade com a maior variação anual (9,99%), o que impacta a vida das famílias.
Hoje nas capitais
Hoje, segunda-feira, 11/05, o Dieese apontou que mais uma vez o custo dos alimentos básicos aumentou em todas as 27 capitais brasileiras no período entre março e abril. Segundo o levantamento, esta é a 2a alta consecutiva registrada pela pesquisa. As elevações mais expressivas no último mês foram observadas em Porto Velho (5,60%), Fortaleza (5,46%) e Cuiabá (4,97%). No topo do ranking das cestas mais caras, São Paulo lidera com um custo médio de R$ 906,14, seguida por Cuiabá (R$ 880,06) e Rio de Janeiro (R$ 879,03). Na outra ponta, os menores valores foram encontrados em Aracaju (R$ 619,32) e São Luís (R$ 639,24).

Quem são os 'vilões'
Leite Integral: Foi o único produto a registrar alta em todas as 27 capitais. Em Teresina, o aumento chegou a 15,70%. O motivo, segundo o Dieese, é o período de entressafra que reduziu a oferta no campo; Feijão: O grão subiu em 26 cidades. O tipo carioca disparou 17,86% em Palmas, enquanto o feijão preto subiu 6,87% em Florianópolis. A alta demanda sustentou os preços elevados; Tomate: Com a transição entre as safras de verão e inverno, o fruto subiu em 25 capitais, com destaque para Fortaleza, onde a alta foi de 25,58%; Carne Bovina: O preço do quilo aumentou em 22 cidades, impulsionado pela oferta restrita de animais para abate e pelo aquecimento das exportações; Pão Francês: Também ficou mais caro em 22 capitais, reflexo da valorização do trigo no mercado internacional; Por outro lado, o café em pó trouxe um leve alívio, com queda de preço em 22 das 27 cidades pesquisadas, devido à proximidade da nova safra.
Solidariedade à Colunista - Crônica - Por Romero Falcão*
11/05/2026
Selva Digital
Há poucos dias, uma mulher meteu a faca no cabeleireiro, por não gostar do corte. Uma passageira de carro de aplicativo leva uma bala mortal de outro motorista, após a manobra numa rua da cidade maravilhosa. O sangue derramado alimenta a mídia, os olhos fixos na telona e os leões da selva digital. Pronto, chegaram ao ponto, essas feras.
"Leitor Tóxico"
Futucando os jornais, bati com a vista no desabafo da colunista Mariliz Pereira Jorge, da Folha de São Paulo. Segue um trecho do artigo "Leitor Tóxico":
"Escrever uma coluna num jornal de grande circulação é um exercício diário de paciência e, acima de tudo, de antropologia reversa. Não importa se o tema é a geopolítica complexa da Venezuela, a tragédia da violência doméstica, o al...
Não precisa folhear Freud, Lacan, nem consultar o manual de psicologia feito nas coxas das redes sociais, para constatar o quanto a sociedade anda adoecida.
Selva Digital
Há poucos dias, uma mulher meteu a faca no cabeleireiro, por não gostar do corte. Uma passageira de carro de aplicativo leva uma bala mortal de outro motorista, após a manobra numa rua da cidade maravilhosa. O sangue derramado alimenta a mídia, os olhos fixos na telona e os leões da selva digital. Pronto, chegaram ao ponto, essas feras.
"Leitor Tóxico"
Futucando os jornais, bati com a vista no desabafo da colunista Mariliz Pereira Jorge, da Folha de São Paulo. Segue um trecho do artigo "Leitor Tóxico":
"Escrever uma coluna num jornal de grande circulação é um exercício diário de paciência e, acima de tudo, de antropologia reversa. Não importa se o tema é a geopolítica complexa da Venezuela, a tragédia da violência doméstica, o alcoolismo, o mercado imobiliário ou uma receita de pudim.
Continua a Jornalista
A criatividade desse povo é fascinante. Num dia sou acusada de 'apoiar' um genocídio e de 'desejar' a morte de mulheres e crianças. Sério, as pessoas enlouqueceram. No outro, sou uma 'feminista radical' ou, dependendo da conveniência do parágrafo, 'não sou feminista o suficiente'. Já fui chamada de 'velha', criticada por não ter filhos e, o meu favorito, acusada de ter 'inveja do pênis' porque eu 'defendo mulheres'. Sim, leram bem. Freud explicaria, mas o meu psicanalista prefere rir comigo a analisar a loucura alheia."

Vômito Ressentido
Passei a vista por duzentas crônicas do mestre Rubem Braga, tem de tudo, menos uma linha sequer sobre ataques dos leitores. Nem para remédio um texto do velho Braga se queixando de comentários furiosos. Será que a tal liberdade de expressão da era das avançadas tecnologias deu vazão ao vômito ressentido, bile brilhando de ódio?
Mínimo Critério Ético
Além da loucura a qual se refere a escritora, há também a diarreia cognitiva que não sustenta dois parágrafos sem soltar gases podres. Claro que é saudável ir à caixa de comentários de um jornal, criticar o tema, discordar do autor, porém, com civilidade e um mínimo critério ético, e não com golpes abaixo da linha de cintura.

Espelho Trincado
Como um povo pode discutir, debater suas chagas, se nem num rodapé de jornal é possível se expressar com urbanidade, decência, humanidade. As redes refletem bem o espelho trincado da sociedade que não consegue trocar meia dúzia de palavras sem dar coices. Sim, somos bestas boçais.
O Melhor é dar Risada
Toda minha solidariedade à colunista da Folha. E, pegando carona no conselho do psicanalista dela: o melhor é dar risada.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Lula Arraes lança dois novos livros na quinta-feira
11/05/2026
A dose (de livros) é dupla. 'A minúscula morada do espírito humano' reúne 25 contos curtos. Notas, citações, memória e esquecimento compõem o outro livro: 'Bloco de notas - Escrita, a de dentro e a de fora'.
Agora é você quem anota
Data: Quinta-feira, 14 de maio
Horário: 18h
Local: Mocó Bistrô - Rua das Graças, 178 - Graças. Recife - PE.
Reserve a noite da próxima quinta-feira para um encontro com Luiz Arraes - médico, professor, pesquisador e escritor refinado.
A dose (de livros) é dupla. 'A minúscula morada do espírito humano' reúne 25 contos curtos. Notas, citações, memória e esquecimento compõem o outro livro: 'Bloco de notas - Escrita, a de dentro e a de fora'.
Agora é você quem anota
Data: Quinta-feira, 14 de maio
Horário: 18h
Local: Mocó Bistrô - Rua das Graças, 178 - Graças. Recife - PE.

A revolução orgânica contra a doutrinação de luxo, por Zé da Flauta
11/05/2026
Cartilhas e manuais
A diferença reside na origem da força, o peso que empurra contra o desejo que puxa. A estratégia que vem de cima chega com a pressão de quem se acha guardião de uma verdade superior. Já o movimento que brota do chão, sem pedir licença aos doutores, possui a leveza do imprevisível. É o Brasil real recusando-se a ser domesticado por cartilhas e manuais.
Susto
É emocionante ver a mordaça da doutrinação cair, revelando que a conexão humana não se faz com ordem unida, mas com autenticidade. Enquanto burocratas tentam conter a água c...
É quase uma comédia de costumes ver antigos "donos das ruas" agora encastelados em gabinetes, tentando decifrar o povo por planilhas de Excel. Enquanto um lado gasta fortunas para fabricar uma espontaneidade com cheiro de estúdio fechado, o outro borbulha de forma orgânica. O celular no bolso virou uma usina de comunicação mais potente que qualquer diretório partidário.
Cartilhas e manuais
A diferença reside na origem da força, o peso que empurra contra o desejo que puxa. A estratégia que vem de cima chega com a pressão de quem se acha guardião de uma verdade superior. Já o movimento que brota do chão, sem pedir licença aos doutores, possui a leveza do imprevisível. É o Brasil real recusando-se a ser domesticado por cartilhas e manuais.
Susto
É emocionante ver a mordaça da doutrinação cair, revelando que a conexão humana não se faz com ordem unida, mas com autenticidade. Enquanto burocratas tentam conter a água com as mãos, as redes e esquinas tornam-se trincheiras de uma identidade que se reconhece no vizinho. Essa espontaneidade assusta quem sempre viveu de controlar o fluxo das ideias alheias.
Humildade
A lição de 2026 é que a tirania da estrutura sempre perde para a fluidez da vida quando esta decide despertar. Se a estratégia é pressão, ela gera resistência; se é espontânea, gera revolução. A política que sobrevive não é a que planeja a "massa" entre quatro paredes, mas a que tem o cheiro da rua e a humildade de entender que o poder real sobe o degrau.
Até a próxima!
Zé da Flauta é compositor e cronista

A Segunda Morte de JK, por Roberto Vieira
11/05/2026
Relatório
O relatório final consumiu cerca de 5 mil páginas de investigação técnica e histórica. O documento apresenta 90 pontos de evidência que sustentam a tese de assassinato, refutando a perícia da época e todas as biografias já escritas sobre JK.
Geisel
No dia 21 de agosto de 1976, véspera da morte de JK, o presidente Geisel começou o dia em Carpina ao lado do governador Moura C...
A morte de Juscelino Kubitschek, ocorrida em um trágico acidente na Rodovia Presidente Dutra em 1976, sempre foi envolta em desconfiança. Durante décadas, a versão oficial de acidente automobilístico foi contestada por amigos, familiares e historiadores que viam no episódio uma peça do tabuleiro da Operação Condor. Após quase 50 anos, a Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, presidida pelo vereador Gilberto Natalini, mergulhou em um oceano de documentos e testemunhos para confrontar a narrativa estabelecida pelo regime militar.
Relatório
O relatório final consumiu cerca de 5 mil páginas de investigação técnica e histórica. O documento apresenta 90 pontos de evidência que sustentam a tese de assassinato, refutando a perícia da época e todas as biografias já escritas sobre JK.
Geisel
No dia 21 de agosto de 1976, véspera da morte de JK, o presidente Geisel começou o dia em Carpina ao lado do governador Moura Cavalcante. Geisel estava inspecionando as barragens que cumpririam sua promessa de controlar de uma vez por todas as enchentes do Rio Capibaribe. Na volta ao Recife, Geisel foi saudado por uma multidão defronte ao Palácio do Campo das Princesas confraternizando com o povo tal qual Miguel Arraes.
Maria
No domingo, JK estava na estrada indo ao encontro do grande amor de sua vida: Maria Lúcia Pedroso. Ela era uma figura constante na vida do ex-presidente, sendo considerada sua companheira de verdade de longa data. Maria Lúcia, inclusive, foi uma das vozes mais contundentes ao longo das décadas a sustentar que o desastre na Via Dutra não havia sido um simples acidente, mas sim um atentado planejado para eliminar JK.
Luto
A decisão pelos três dias de luto oficial após a morte de Juscelino Kubitschek foi tomada sob forte hesitação política no Palácio do Planalto. O presidente Ernesto Geisel se reuniu com figuras centrais do regime, como os generais Golbery do Couto e Silva, João Batista Figueiredo e Hugo Abreu, além do ministro Armando Falcão. Apenas após horas de deliberação estratégica e pressão popular, o assessor Humberto Barreto anunciou o decreto oficial. Antes da decisão, eles cantaram parabéns pra você pro Golbery.
Coincidência
A morte de Juscelino Kubitschek em 1976 inaugurou um ciclo trágico para a oposição. JK teve como causa oficial um acidente automobilístico na Dutra. João Goulart faleceu por suposto ataque cardíaco no exílio. Já Carlos Lacerda sucumbiu a uma parada cardiorrespiratória em uma clínica carioca, após internação breve por suposta gripe, gerando suspeitas de eliminação clínica. Sob a Operação Condor, essas perdas facilitaram a transição controlada por Geisel.
Confissão
A confirmação de uma política de "execuções sumárias" de oponentes políticos veio à tona com a publicação do livro "A Ditadura Acabada" (2016), do jornalista Elio Gaspari. O autor teve acesso a gravações e anotações de conversas de Ernesto Geisel com o general Dale Coutinho, seu então ministro do Exército, ocorridas em 1974. Além disso, em uma entrevista concedida em 1993 aos pesquisadores Maria Celina D'Araujo e Celso Castro (publicada no livro "Ernesto Geisel"), o ex-presidente tratou a questão com um pragmatismo frio. Ele afirmou que, em certos momentos da história, a "violência" e a "eliminação" eram consideradas necessárias pelo Estado para combater o que classificava como terrorismo.
JK
Infelizmente, para a ditadura militar, a memória do sorriso democrático de JK fez o feitiço virar contra o feiticeiro. O Brasil inteiro chorou a morte do mais querido dos presidentes brasileiros. Justamente aquele médico mineiro que sonhou um Brasil grande, justo e de bom humor. O povo passou por cima da ditadura e cantou nas ruas seu presidente Bossa Nova.
Roberto Vieira é médico e cronista
