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Especial — Confederação do Equador: A Angústia de Frei Caneca numa Goiana deserta

14/09/2024

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Por Josemir Camilo de Melo*

Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.

Deserta

“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 182...

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Por Josemir Camilo de Melo*

Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.

Deserta

“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 1824) à meia-noite, e não foi pequeno o nosso espanto, quando sem esperarmos a achamos deserta inteiramente. O escuro da noite e o medonho silêncio em que estava sepultada a vila, os uivos dos cães, tudo cooperou para nos encher de terror, e nos julgarmos nos maiores perigos. Corremos várias ruas em busca das pessoas do nosso conhecimento, mas tudo foi baldado; porque a ninguém achamos”.

Duas casas

“Nesta circunstância deparamos com duas casas, em que por estarem com luz acesa nos falaram; mas foi para maior embaraço nosso. Em uma, um soldado cheio de maior terror por ver-nos, e talvez supor-nos inimigos, balbuciava, e nada dizia que fosse coerente; e ainda assim nos informou que toda a tropa já se havia retirado pela estrada da Conceição. Mas outro, que em outra rua nos falou, traiu-nos dizendo-nos que a tropa tomara a estrada de Goiana Grande: era o mesmo que entregar-nos aos ceroulas [provavelmente, ironia popular que queria dizer gente de Milícias e Ordenanças, que lutavam sem farda] de João Baptista Rego, que já haviam tomado o ponto de Pitimbu, e era natural estarem naquelas fronteiras”.

Topografia ignorada

“Os nossos companheiros, que ignoravam a topografia da vila e não sabiam e nem podiam conhecer o laço que nos armava o segundo informante, desconfiados do modo trepidante do primeiro, fiaram-se na segurança com que falou o segundo; e assim assentaram que tomássemos o caminho de Goiana Grande (devia ser a estrada para a Paraíba). Ponderamos-lhes o que sabíamos, dirigindo-nos a mostrar-lhes que jamais podia a força de Goiana seguir aquele destino; mas foi em vão: teimaram os nossos amigos no seu entendimento, e nós por contemporizar seguimo-los; e, ao passar pela frente do Convento do Carmo, nos dirigimos a ele, para que lá tomássemos informação do estado das coisas; mas tudo foi sem fruto”.

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Ilusão

“O convento estava aberto e às escuras, ainda assim pelo tino, que nos fazia lembrar dos seus arranjos, por termos por anos habitado aquela casa, nos arriscamos a entrar e subir até o seu antecoro; e por mais que gritamos a chamar quem lá estivesse, ninguém nos respondeu”.

Caráter contemporizador

“Aqui os nossos amigos, que haviam ficado fora, nos chamaram e fizeram-nos acompanhá-los pra Goiana Grande. Sempre tivemos um caráter de contemporizador com os nossos amigos; e, fazendo reflexão sobre os trabalhos porque havíamos passado em nossos dias, conhecemos que tudo devíamos a conselhos alheios; e por este motivo, depois de haverem chegado aos lameirões de Goiana Grande, tomamos a resolução de não nos sacrificar a conselhos sem fundamento algum e inteiramente opostos à nossa salvação. Por isso, fazendo notar aos amigos que eles por não saberem as direções das estradas se iludiram com a aparente segurança do segundo soldado, e que até aquele momento mesmo nós sempre havíamos padecido por sermos escravos da vontade dos nossos amigos, declaramos que fazíamos ponto ali, e começávamos a usar do nosso entendimento; pelo que os não acompanhávamos”.

Retaguarda da força

“Esta nossa resolução salvou a todos, porque eles, dando peso ao nosso juízo, voltaram conosco pela estrada da Soledade; e depois de havermos andado o resto da noite, fomos encontrar com a retaguarda da força duas léguas acima da vila. Aqui já cansados dos trabalhos antecedentes e fatigados do espírito, descansamos em uma casa muito velha; pelo que havia dentro supusemos ser de ladrões; por este fundamento não houve maneira de conciliarmos sono, e passamos no campo, ora assentados, ora deitados, ora passeando até o romper da aurora. Raiando esta, nos pusemos em marcha para chegarmos a Goianinha, onde havia dormido o presidente temporário da Paraíba. A poucos passos fomos encontrando por toda a estrada muitas pessoas do nosso conhecimento, entre as quais foi o tenente-coronel Manuel Inácio de Melo, que no dia antecedente fora aclamado em Goiana comandante-geral daquela força. Da prática que tivemos com ele, não fizemos bom conceito daquela força, e não julgamos segurança alguma no meio dela, por nos ser descrita com uma multidão confusa, sem ordem, sem subordinação e inteiramente anárquica”.

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Dia seguinte

“Chegamos afinal a Goianinha, e ali achamos o grosso da divisão e um povo numeroso com algumas famílias honestas; cumprimentamos o presidente (temporário da Paraíba, Felix Antônio Ferreira de Albuquerque, aclamado por cinco das nove vilas paraibanas): desde logo fomos agregados à sua família, e tomamos quartel na mesma morada”. Caneca termina o relato desta noite de medo, narrando o dia seguinte, quando chegou à povoação de Goianinha “que é uma povoação não pequena, e representa ter algum comércio dos gêneros de lavoura. Tem uma igreja pequena; ela e as casas da povoação são de má ou de nenhuma arquitetura; à exceção de mui poucas, as outras são de palhas”.

Presos políticos

Ainda registraria o frade jornalista a sua passagem de volta, na caravana dos presos políticos da Confederação do Equador vindos do sertão do Ceará, em 15 de dezembro de 1824. A guarnição evitou a vila, pernoitando no engenho Bujari. Ia preso, para ser submetido a uma corte marcial, pois seu destino já estava traçado numa portaria imperial de julho daquele ano.

Itinerário

Frei Caneca relatou este momento em seu Itinerário: “(...) fomos chegar a Goiana pelas onze horas da manhã, onde querendo o major Pastorinha (da Paraíba) ficar, resolveu-se, afinal a irmos aquartelar no engenho de Bujari, a meia légua da vila, cuja propriedade pertence ao padre João Álvares de Souza, que nos acolheu muito bem. Aqui fomos visitados por muitos homens liberais de Goiana, que de propósito nos foram abraçar, e oferecer-nos os seus serviços, e nos presentearam com bom peixe e para cearmos, vinho, queijos, frutas e doces. Aí pernoitamos e, sobre a madrugada querendo-nos aprontar para seguirmos a viagem, demos por falta de alguns companheiros nossos. Ao depois de alguma diligência, não se podendo descobrir os fugitivos, saímos ao amanhecer do dia 16 (...)” (CANECA, 2001, p.602/3). Apesar de sua contundente defesa, seu destino já estava traçado pelo português D. Pedro I. Foi fuzilado, no Recife, em 13 de janeiro de 1825.

*Josemir Camilo de Melo é historiador

Leia outras informações

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Radar Ativaweb DataLab - O que o mundo digital discute nesta segunda-feira Por Alek Maracajá

26/10/2026

Brasília, segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Cheguei … e pela primeira vez neste 2º turno não tem contagem regressiva: a urna já falou. Brasília acordou com café amargo de um lado, rouco de comemoração do outro, e os institutos de pesquisa procurando o manual de instruções

Lula foi reeleito com 64.239.788 votos, 51,78% dos válidos, contra 59.818.160 de Flávio Bolsonaro, 48,22%. Na véspera, sete de oito institutos davam Flávio na frente.

A Ativaweb DataLab mostrava o contrário há semanas: Lula crescendo em curtidas, compartilhamentos e seguidores, turbinado depois do 1º turno pelo trabalho voluntário da sua base. No sábado à noite, o IPDE fechou com Lula em 55,6 × 44,4. Big Data bem lido não é palpite: é tendência com método.

O dia traz Flávio dizendo que não reconhece o resultado e vai pedir anulação, o TSE desmentindo a história dos fiscais, Lula virando em 2.875 cidades e a direita latino-americana dando parabéns,...

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Brasília, segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Cheguei … e pela primeira vez neste 2º turno não tem contagem regressiva: a urna já falou. Brasília acordou com café amargo de um lado, rouco de comemoração do outro, e os institutos de pesquisa procurando o manual de instruções

Lula foi reeleito com 64.239.788 votos, 51,78% dos válidos, contra 59.818.160 de Flávio Bolsonaro, 48,22%. Na véspera, sete de oito institutos davam Flávio na frente.

A Ativaweb DataLab mostrava o contrário há semanas: Lula crescendo em curtidas, compartilhamentos e seguidores, turbinado depois do 1º turno pelo trabalho voluntário da sua base. No sábado à noite, o IPDE fechou com Lula em 55,6 × 44,4. Big Data bem lido não é palpite: é tendência com método.

O dia traz Flávio dizendo que não reconhece o resultado e vai pedir anulação, o TSE desmentindo a história dos fiscais, Lula virando em 2.875 cidades e a direita latino-americana dando parabéns, com duas ausências notáveis.

Resumo da manhã: as pesquisas apontavam Flávio, o digital apontava Lula, e a urna confirmou o digital

Termômetro eleitoral: urna × pesquisas × digital

Urna: Lula 51,78% × Flávio 48,22%. diferença de 4.421.628 votos

Na última rodada, a média dos oito institutos dava Flávio 50,6% × Lula 49,4%. A urna entregou o contrário.
Datafolha e Quaest: Flávio 51%, margem de 2 pontos. Resultado: 48,22%, erro de 2,78 pontos.
AtlasIntel: 50,8%, margem de 1 ponto, erro de 2,58. CNT/MDA (50,7%) e BTG/Nexus (50,5%), margem de 2,2, erros de 2,48 e 2,28.
Todos fora da margem declarada. A exceção foi a Vox Brasil, que dava Lula 50,6%, com margem de 2,15 pontos.

Leitura: não foi oscilação, foi direção errada. Pela segunda vez nesta eleição, o resultado saiu do intervalo prometido pelos principais institutos.

A margem de erro era de 2 pontos. Faltou avisar que o erro também tinha margem

Termômetro Digital — Ativaweb Datalab

IPDE e monitoramento da reta final, até sábado (24/10)

Lula: 55,6 pontos no IPDE, 206.585 novos seguidores no sábado, engajamento +17,17% em sete dias
Flávio: 44,4 pontos no IPDE, 176.903 novos seguidores no sábado, engajamento -27,24% em sete dias

383.488 novos seguidores somados no último dia de campanha.

224,9 milhões × 118,9 milhões de visualizações nas últimas 24 horas

O último debate da Globo gerou 33,7 milhões de menções, 56,4% favoráveis a Lula. Em sete dias, Lula ganhou mais de 1 milhão de seguidores e entrou no domingo com 3,29 milhões de vantagem.

Leitura: Lula tinha mais audiência, mais alcance e engajamento em alta; Flávio manteve a base mais engajada, mas perdeu tração na semana final. O IPDE marcou 55,6 e a urna, 51,78%: o digital acertou a direção, não o tamanho.

"A pesquisa pergunta ao eleitor o que ele pretende fazer. O digital mostra o que ele já está fazendo. Na reta final, o comportamento falou mais alto do que a declaração."

Sete institutos olharam a fotografia. O algoritmo estava vendo o filme

Principais movimentos

A Ativaweb cravou a tendência. os institutos erraram a direção

Os sinais vinham de longe. Em 9/10, o Radar registrou Lula com +410.633 seguidores desde 7/10, contra +163.625 de Flávio, e engajamento em alta de 394,37%. Em 16/10, desde o dia 8, Lula ganhava 43,30% de engajamento e Flávio perdia 38,99%. Em 22/10, o canal voluntário Exército do Lula já somava 7,28 milhões de participantes, praticamente o dobro de dez dias antes.

No sábado à noite, o IPDE (Índice de Presença Digital Eleitoral) apontou Lula em 55,6 pontos, na faixa de domínio digital, no mesmo dia em que sete de oito institutos colocavam Flávio à frente. O Metrópoles resumiu: "Após vexame no 1º turno, institutos de pesquisa voltam a passar vergonha". Nas reportagens consultadas, os institutos não comentaram.

Dados bem coletados e bem interpretados mostraram a direção antes da urna, e o digital entra de vez na mesa de quem lê eleição.
Os institutos tinham questionário. A Ativaweb tinha o comportamento. E comportamento não marca "não sei/não respondeu"

O "não reconheço" que as redes não engoliram

Por volta das 22h40, Flávio disse que é "impossível reconhecer o resultado" e que pedirá a anulação, alegando que a decisão do ministro Cristiano Zanin, às 17h01, de prorrogar a votação por duas horas quebrou a igualdade entre cidades. Nikolas Ferreira repetiu o "impossível reconhecer" em vídeo, e Flávio, Nikolas e aliados viraram alvo de críticas nas redes.
O outro lado: o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse que a liminar trouxe dificuldades operacionais, mas não alterou o resultado. O TSE negou a retirada de fiscais do PL da sala-cofre, que "não é um espaço aberto à visitação". E a própria campanha de Flávio havia pedido mais horas em municípios de cinco estados.
A internet tem memória: em 16 de outubro, na sabatina da Globo, Flávio disse que respeitaria o resultado "independentemente de qual for".
Pedir prorrogação de manhã e anulação à noite é a primeira tese jurídica com fuso horário próprio

A virada tem mapa: 2.875 × 2.695 cidades

Lula venceu em 2.875 municípios e Flávio em 2.695. Do 1º para o 2º turno, Lula somou 10,3 milhões de votos, contra 3,7 milhões de Flávio, e a abstenção caiu de 21,08% para 19,21%. Na Grande SP, Lula virou em Osasco, Cotia e mais cinco cidades, vencendo em 21 dos 39 municípios.
É a primeira vez desde a redemocratização que quem perdeu o 1º turno vence o 2º, e a virada veio de mobilização, não de transferência estática.
Flávio liderou o 1º turno e perdeu a eleição. Lula perdeu o 1º turno e ganhou de presente de aniversário antecipado: amanhã ele faz 81


A onda azul mandou parabéns, menos dois

Kast (Chile), Noboa (Equador), Peña (Paraguai), Mulino (Panamá), Abinader (República Dominicana), Keiko Fujimori (Peru) e Rodrigo Paz (Bolívia) cumprimentaram Lula. Até a publicação, Javier Milei e Abelardo de la Espriella, aliados de Flávio na campanha, não haviam se manifestado.
No Congresso, Hugo Motta falou em "dia de alegria para nós, democratas", e Davi Alcolumbre cobrou: "Cabe ao presidente da República unir o Brasil".
A direita da região reconheceu o resultado antes de parte da direita brasileira, o que esvazia a tese da anulação no plano externo.
Na diplomacia, o silêncio também é recado. Só que vem sem emoji

Leitura estratégica Ativaweb Datalab

Eleitoral: Lula 51,78% × Flávio 48,22%, diferença de 4.421.628 votos, com virada inédita e abstenção menor.
Digital: IPDE 55,6 × 44,4 e 224,9 milhões de visualizações contra 118,9 milhões anteciparam a direção da urna.
Narrativo: a oposição tenta trocar "perdemos" por "fomos prejudicados", mas a contradição do pedido de prorrogação pesa contra.
Institucional: TSE desmente os fiscais, Nunes Marques diz que o resultado não mudou e Motta e Alcolumbre falam em democracia e pacificação.
Pesquisas: dois erros de direção na mesma eleição colocam os institutos sob pressão para rever método, amostra e peso do digital.

Teve vencedor, teve contestação, teve instituto pedindo desculpa ao espelho. O Brasil não sabe fazer eleição curta

Alerta Ativaweb

Direção não é tamanho. O IPDE marcou 55,6 pontos para Lula e a urna deu 51,78%. Os 3,82 pontos de distância mostram que ocupar as redes não vira voto na mesma proporção, em parte porque o digital inclui mobilização organizada de militância.

O que os dados mostraram foi para onde a disputa andava, não o placar final. Acertar o sentido não autoriza tratar o índice como pesquisa. Correlação não é conclusão.

Pesquisa mede intenção.
Digital mede atenção e interação.
Urna mede voto.

Fechamento

A história desta segunda é virada, contestação e lição.

Lula conquistou o quarto mandato com 51,78%, depois de perder o 1º turno, enquanto as pesquisas apontavam o contrário e o digital apontava para ele.

Flávio não reconhece e promete pedir anulação; o TSE desmente, Nunes Marques diz que o resultado não mudou e a direita latino-americana, quase toda, já mandou parabéns.

Faltam 71 dias para a posse, em 5 de janeiro de 2027.

A pesquisa fotografou. O digital acelerou. A urna decidiu

Alek Maracajá
Cientista de Dados | Ativaweb DataLab




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Lula terá maioria no STF e tribunal como aliado em embates com Congresso

26/10/2026

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consolidará uma maioria alinhada ao governo no Supremo Tribunal Federal (STF) e deverá ter a ajuda da corte em embates com o Congresso em seu quarto mandato à frente do Executivo.


Indicará

O petista indicará pelo menos mais três ministros, que se somarão à ala do tribunal que já costuma dar sustentação aos movimentos do Palácio do Planalto.
Há a expectativa no entorno de Lula, inclusive, que ganhe força o nome de Rodrigo Pacheco, ex-senador e atual integrante do Tribunal de Contas da União, para uma indicação ao Supremo ainda neste ano a fim de aproveitar a atual composição do Senado, menos à direita que a eleita no primeiro turno de 2026.

Previsão

A previsão da base do governo é que se mantenha a pressão pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, mas mesmo o cenário adverso ao magistrado não é visto como tão ruim, uma vez que abriria outr...

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O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consolidará uma maioria alinhada ao governo no Supremo Tribunal Federal (STF) e deverá ter a ajuda da corte em embates com o Congresso em seu quarto mandato à frente do Executivo.


Indicará

O petista indicará pelo menos mais três ministros, que se somarão à ala do tribunal que já costuma dar sustentação aos movimentos do Palácio do Planalto.
Há a expectativa no entorno de Lula, inclusive, que ganhe força o nome de Rodrigo Pacheco, ex-senador e atual integrante do Tribunal de Contas da União, para uma indicação ao Supremo ainda neste ano a fim de aproveitar a atual composição do Senado, menos à direita que a eleita no primeiro turno de 2026.

Previsão

A previsão da base do governo é que se mantenha a pressão pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, mas mesmo o cenário adverso ao magistrado não é visto como tão ruim, uma vez que abriria outra vaga para o tribunal a ser escolhida por Lula.

Uma ala

No entanto, deve se manter uma ala do tribunal mais refratária ao Executivo devido às críticas públicas que o presidente fez durante a campanha aos ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli.

Avaliação

Mesmo assim, a avaliação dentro do próprio STF é que haja uma maioria folgada alinhada ao governo e que o tribunal tenha um papel central para dar sustentação ao Planalto nas disputas com o Congresso.

A leitura é reforçada pela possibilidade de Lula fazer uma articulação para conseguir emplacar uma quarta indicação à Corte.

Gilmar Mendes

Para isso, seria necessário o ministro Gilmar Mendes antecipar a aposentadoria, uma vez que ele chega à idade limite em 30 de dezembro de 2030 e seria difícil a aprovação de um nome até 5 de janeiro de 2031, último dia do atual mandato.

O cenário

O cenário adverso no Congresso, porém, não será novidade. Neste mandato, o petista já enfrentou dificuldades para emplacar sua agenda no Legislativo nos últimos quatro anos, a exemplo do veto à indicação de Jorge Messias para o Supremo, o que não ocorria há mais de 120 anos.

O Congresso

Agora, a composição do parlamento tem perfil ainda mais à direita, o que deve ampliar a resistência aos projetos petistas.

Com CNN




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As pesquisas apontavam Flávio. O digital apontava Lula. A urna confirmou o digital, por Alek Maracajá*

26/10/2026

Na véspera do pleito, o índice de Presença Digital Eleitoral - IPDE, da Ativaweb DataLab, registrou domínio de Lula nas redes enquanto sete dos oito institutos mostravam Flávio Bolsonaro à frente. Lula venceu com 51,78% dos votos válidos. Quem acompanhou a evolução eleitoral através da leitura do Radar, que O Poder publica diariamente pela manhã, não se surpreendeu com o resultado das urnas. Vamos à análise mais que qualificada, diferenciada e vanguardista de um dos maiores cientistas de dados do planeta.

O artigo

Brasília, 25 de outubro de 2026. Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República com 64.239.788 votos, ou 51,78% dos votos válidos, contra 59.818.160 de Flávio Bolsonaro, ou 48,22%. A diferença final foi de 4.421.628 votos. Na véspera da eleição, os dados da Ativaweb DataLab e as pesquisas de intenção de voto apontavam em direções opostas, e o resultado das urnas confirmou a direção indicada pelo ambiente digital.
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Na véspera do pleito, o índice de Presença Digital Eleitoral - IPDE, da Ativaweb DataLab, registrou domínio de Lula nas redes enquanto sete dos oito institutos mostravam Flávio Bolsonaro à frente. Lula venceu com 51,78% dos votos válidos. Quem acompanhou a evolução eleitoral através da leitura do Radar, que O Poder publica diariamente pela manhã, não se surpreendeu com o resultado das urnas. Vamos à análise mais que qualificada, diferenciada e vanguardista de um dos maiores cientistas de dados do planeta.

O artigo

Brasília, 25 de outubro de 2026. Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República com 64.239.788 votos, ou 51,78% dos votos válidos, contra 59.818.160 de Flávio Bolsonaro, ou 48,22%. A diferença final foi de 4.421.628 votos. Na véspera da eleição, os dados da Ativaweb DataLab e as pesquisas de intenção de voto apontavam em direções opostas, e o resultado das urnas confirmou a direção indicada pelo ambiente digital.

No sábado

Dia 24 de outubro, véspera da eleição. Oito institutos divulgaram suas rodadas finais. Sete deles colocavam Flávio numericamente à frente, e a média dos levantamentos dava 50,6% para Flávio e 49,4% para Lula. Na mesma noite, a Ativaweb DataLab publicou o IPDE, Índice de Presença Digital Eleitoral, com Lula em 55,6 pontos e Flávio em 44,4, na faixa de domínio digital. A manchete do estudo foi: “Lula fecha a véspera dominando as redes; Flávio tem a base mais engajada”.

Quem prevaleceu

“As pesquisas mostravam um caminho. O digital mostrava força. Quando os dois sinais divergiram, foi o digital que apontou para o lado certo”.

O resultado

Ficou fora da margem de erro de todos os institutos que a informaram. Datafolha e Quaest davam 51% para Flávio, com margem de dois pontos, e ele terminou com 48,22%. A AtlasIntel, com margem de um ponto, registrava 50,8%. CNT/MDA e BTG/Nexus, com margem de 2,2 pontos, apontavam 50,7% e 50,5%. Em todos esses casos, a distância entre a estimativa e o resultado superou a margem declarada.

Os sinais digitais

Vinham se acumulando ao longo da semana. O último debate da TV Globo gerou 33,7 milhões de menções, com 56,4% favoráveis a Lula. Os vídeos do presidente somaram 224,9 milhões de visualizações nas últimas 24 horas de campanha, contra 118,9 milhões de Flávio. Em sete dias, Lula ganhou mais de um milhão de seguidores e teve alta de 17,17% no engajamento, enquanto o engajamento de Flávio caiu 27,24%. No fechamento completo de sábado, o presidente somou 206.585 novos seguidores, contra 176.903 do senador, e entrou no domingo com 3,29 milhões de seguidores de vantagem.

Pesquisa X digital

“A pesquisa pergunta ao eleitor o que ele pretende fazer. O digital mostra o que ele já está fazendo. Na reta final, o comportamento falou mais alto do que a declaração”.

A Ativaweb DataLab

Mantém a mesma cautela metodológica que adotou antes da votação. O IPDE mede presença digital, e não intenção de voto. A diferença entre os 55,6 pontos do índice e os 51,78% das urnas mostra que a ocupação das redes não se converte em votos na mesma proporção, em parte porque inclui mobilização organizada da militância. O que os dados mostraram foi a direção da disputa, não o tamanho exato da vitória.

O algoritmo e a urna

“O algoritmo amplifica, a urna decide. Desta vez, quem soube ler o algoritmo enxergou antes o que a urna ia decidir”.


A Ativaweb DataLab

É uma empresa de inteligência digital e análise estratégica. Coleta dados públicos por API diretamente com as plataformas e usa metodologia própria de análise de sentimento, com monitoramento de Facebook, Instagram, X, TikTok, YouTube e Kwai.

*Alek Maracajá é cientista de dados e pesquisador.
CEO da Ativaweb DataLab.




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Lula é tetra

25/10/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 99% das urnas apuradas, conseguiu 64.162245 votos, 51,77% do total. Flávio Bolsonaro estava com 59.784.442 votos, 48,23% dos votos.

Nulos e brancos

4.149.247 eleitores foram às urnas e não escolheram nenhum candidato. Somado com a abstenção, esse total definiu a eleição.

Momento histórico

Queiram ou não queiram os juízes, Lula emplacou o quarto mandato, resultado único na história. Foi a mais disputada e surpreendente eleição de todos os tempos.

Virada inacreditável

Lula ficou atrás no primeiro turno e em quase todas as pesquisas divulgadas, até ontem. O último Datafolha previa 4 pontos de vantagem para Flávio.

Volta

Lula obteve cerca de 10 milhões a mais de votos no segundo turno com relação ao primeiro. A mudanca no marketing foi fundamental. Saíram os burocratas, entraram os profissionais. S...

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 99% das urnas apuradas, conseguiu 64.162245 votos, 51,77% do total. Flávio Bolsonaro estava com 59.784.442 votos, 48,23% dos votos.

Nulos e brancos

4.149.247 eleitores foram às urnas e não escolheram nenhum candidato. Somado com a abstenção, esse total definiu a eleição.

Momento histórico

Queiram ou não queiram os juízes, Lula emplacou o quarto mandato, resultado único na história. Foi a mais disputada e surpreendente eleição de todos os tempos.

Virada inacreditável

Lula ficou atrás no primeiro turno e em quase todas as pesquisas divulgadas, até ontem. O último Datafolha previa 4 pontos de vantagem para Flávio.

Volta

Lula obteve cerca de 10 milhões a mais de votos no segundo turno com relação ao primeiro. A mudanca no marketing foi fundamental. Saíram os burocratas, entraram os profissionais. Simples assim.




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Lula é tetra

25/10/2026

Uma vitória histórica. Em uma eleição disputada, com virada e revirada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), venceu as eleições presidenciais e vai governar o Brasil pela quarta vez. Foi uma vitória épica. Desde a redemocratização, em 10 eleições, este foi a primeira vez que um presidente conseguiu uma virada no segundo turno.



Lula obteve 51,75%64.066.539 votos, 51,75% dos votos válidos. No total Lula obteve uma diferença de mais de 4 milhões de votos.

Severino Lopes
O Poder

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Uma vitória histórica. Em uma eleição disputada, com virada e revirada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), venceu as eleições presidenciais e vai governar o Brasil pela quarta vez. Foi uma vitória épica. Desde a redemocratização, em 10 eleições, este foi a primeira vez que um presidente conseguiu uma virada no segundo turno.



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Lula obteve 51,75%64.066.539 votos, 51,75% dos votos válidos. No total Lula obteve uma diferença de mais de 4 milhões de votos.

Severino Lopes
O Poder




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Com mais de 50% das urnas apuradas, Lula retoma liderança na disputa pela Presidência da República

25/10/2026

Com mais de 50,15%% das urnas apuradas, o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), retomou a liderança na disputa pela Presidência da República.
Lula tem 50,8% dos votos válidos, contra 49.85% do senador Flávio Bolsonaro (PL).

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Com mais de 50,15%% das urnas apuradas, o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), retomou a liderança na disputa pela Presidência da República.
Lula tem 50,8% dos votos válidos, contra 49.85% do senador Flávio Bolsonaro (PL).




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Com mais de 10% das urnas apuradas, Flávio vira na disputa pela Presidência da República

25/10/2026

Com mais de 10%% das urnas apuradas, o senador Flávio Bolsonaro (PL), virou na disputa pela Presidência da República. Flávio tem 50,10% contra 49.90 do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Com mais de 10%% das urnas apuradas, o senador Flávio Bolsonaro (PL), virou na disputa pela Presidência da República. Flávio tem 50,10% contra 49.90 do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).




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Com 7% das urnas apuradas, Lula segue na frente na disputa pela Presidência da República, mas Flávio encosta

25/10/2026

Com 7% das urnas apuradas, o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segue frente na apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais. Lula tem 50,44% dos votos válidos, contra 49.16% de Flávio Bolsonaro (PL)

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Com 7% das urnas apuradas, o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segue frente na apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais. Lula tem 50,44% dos votos válidos, contra 49.16% de Flávio Bolsonaro (PL)




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Lula larga na frente na apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais

25/10/2026

O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), largou na frente na apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais. Com pouco mais de 1% das urnas apuradas, Lula tem 52,27% dos votos válidos, contra 47,73% de Flávio Bolsonaro (PL)

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O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), largou na frente na apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais. Com pouco mais de 1% das urnas apuradas, Lula tem 52,27% dos votos válidos, contra 47,73% de Flávio Bolsonaro (PL)




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Apuração dos votos: urnas fechadas não podem ser reabertas

25/10/2026

Após decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar a votação até as 19h, as urnas que já haviam sido fechadas não podem ser reabertas. Muitos eleitores chegaram as seções eleitorais mas como as urnas estavam fechadas, não puderam sufragar o voto.

Atendeu

O ministro atendeu a um pedido da coligação do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que protocolou uma petição com pedido de liminar de urgência, solicitando a prorrogação do horário de encerramento da votação até as 19h, em municípios atingidos por problemas no transporte público.

A decisão

A decisão de Zanin de prorrogar a votação foi anunciada às 17h01, um minuto após o horário de encerramento inicialmente previsto.
Após o anúncio, o ministro esclareceu que a prorrogação da votação por duas horas deveria ser aplicada apenas nos locais em que as urnas ainda estavam abertas no momento da decisão.

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Após decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar a votação até as 19h, as urnas que já haviam sido fechadas não podem ser reabertas. Muitos eleitores chegaram as seções eleitorais mas como as urnas estavam fechadas, não puderam sufragar o voto.

Atendeu

O ministro atendeu a um pedido da coligação do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que protocolou uma petição com pedido de liminar de urgência, solicitando a prorrogação do horário de encerramento da votação até as 19h, em municípios atingidos por problemas no transporte público.

A decisão

A decisão de Zanin de prorrogar a votação foi anunciada às 17h01, um minuto após o horário de encerramento inicialmente previsto.
Após o anúncio, o ministro esclareceu que a prorrogação da votação por duas horas deveria ser aplicada apenas nos locais em que as urnas ainda estavam abertas no momento da decisão.




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