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Especial — Confederação do Equador: A Angústia de Frei Caneca numa Goiana deserta

14/09/2024

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Por Josemir Camilo de Melo*

Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.

Deserta

“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 182...

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Por Josemir Camilo de Melo*

Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.

Deserta

“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 1824) à meia-noite, e não foi pequeno o nosso espanto, quando sem esperarmos a achamos deserta inteiramente. O escuro da noite e o medonho silêncio em que estava sepultada a vila, os uivos dos cães, tudo cooperou para nos encher de terror, e nos julgarmos nos maiores perigos. Corremos várias ruas em busca das pessoas do nosso conhecimento, mas tudo foi baldado; porque a ninguém achamos”.

Duas casas

“Nesta circunstância deparamos com duas casas, em que por estarem com luz acesa nos falaram; mas foi para maior embaraço nosso. Em uma, um soldado cheio de maior terror por ver-nos, e talvez supor-nos inimigos, balbuciava, e nada dizia que fosse coerente; e ainda assim nos informou que toda a tropa já se havia retirado pela estrada da Conceição. Mas outro, que em outra rua nos falou, traiu-nos dizendo-nos que a tropa tomara a estrada de Goiana Grande: era o mesmo que entregar-nos aos ceroulas [provavelmente, ironia popular que queria dizer gente de Milícias e Ordenanças, que lutavam sem farda] de João Baptista Rego, que já haviam tomado o ponto de Pitimbu, e era natural estarem naquelas fronteiras”.

Topografia ignorada

“Os nossos companheiros, que ignoravam a topografia da vila e não sabiam e nem podiam conhecer o laço que nos armava o segundo informante, desconfiados do modo trepidante do primeiro, fiaram-se na segurança com que falou o segundo; e assim assentaram que tomássemos o caminho de Goiana Grande (devia ser a estrada para a Paraíba). Ponderamos-lhes o que sabíamos, dirigindo-nos a mostrar-lhes que jamais podia a força de Goiana seguir aquele destino; mas foi em vão: teimaram os nossos amigos no seu entendimento, e nós por contemporizar seguimo-los; e, ao passar pela frente do Convento do Carmo, nos dirigimos a ele, para que lá tomássemos informação do estado das coisas; mas tudo foi sem fruto”.

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Ilusão

“O convento estava aberto e às escuras, ainda assim pelo tino, que nos fazia lembrar dos seus arranjos, por termos por anos habitado aquela casa, nos arriscamos a entrar e subir até o seu antecoro; e por mais que gritamos a chamar quem lá estivesse, ninguém nos respondeu”.

Caráter contemporizador

“Aqui os nossos amigos, que haviam ficado fora, nos chamaram e fizeram-nos acompanhá-los pra Goiana Grande. Sempre tivemos um caráter de contemporizador com os nossos amigos; e, fazendo reflexão sobre os trabalhos porque havíamos passado em nossos dias, conhecemos que tudo devíamos a conselhos alheios; e por este motivo, depois de haverem chegado aos lameirões de Goiana Grande, tomamos a resolução de não nos sacrificar a conselhos sem fundamento algum e inteiramente opostos à nossa salvação. Por isso, fazendo notar aos amigos que eles por não saberem as direções das estradas se iludiram com a aparente segurança do segundo soldado, e que até aquele momento mesmo nós sempre havíamos padecido por sermos escravos da vontade dos nossos amigos, declaramos que fazíamos ponto ali, e começávamos a usar do nosso entendimento; pelo que os não acompanhávamos”.

Retaguarda da força

“Esta nossa resolução salvou a todos, porque eles, dando peso ao nosso juízo, voltaram conosco pela estrada da Soledade; e depois de havermos andado o resto da noite, fomos encontrar com a retaguarda da força duas léguas acima da vila. Aqui já cansados dos trabalhos antecedentes e fatigados do espírito, descansamos em uma casa muito velha; pelo que havia dentro supusemos ser de ladrões; por este fundamento não houve maneira de conciliarmos sono, e passamos no campo, ora assentados, ora deitados, ora passeando até o romper da aurora. Raiando esta, nos pusemos em marcha para chegarmos a Goianinha, onde havia dormido o presidente temporário da Paraíba. A poucos passos fomos encontrando por toda a estrada muitas pessoas do nosso conhecimento, entre as quais foi o tenente-coronel Manuel Inácio de Melo, que no dia antecedente fora aclamado em Goiana comandante-geral daquela força. Da prática que tivemos com ele, não fizemos bom conceito daquela força, e não julgamos segurança alguma no meio dela, por nos ser descrita com uma multidão confusa, sem ordem, sem subordinação e inteiramente anárquica”.

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Dia seguinte

“Chegamos afinal a Goianinha, e ali achamos o grosso da divisão e um povo numeroso com algumas famílias honestas; cumprimentamos o presidente (temporário da Paraíba, Felix Antônio Ferreira de Albuquerque, aclamado por cinco das nove vilas paraibanas): desde logo fomos agregados à sua família, e tomamos quartel na mesma morada”. Caneca termina o relato desta noite de medo, narrando o dia seguinte, quando chegou à povoação de Goianinha “que é uma povoação não pequena, e representa ter algum comércio dos gêneros de lavoura. Tem uma igreja pequena; ela e as casas da povoação são de má ou de nenhuma arquitetura; à exceção de mui poucas, as outras são de palhas”.

Presos políticos

Ainda registraria o frade jornalista a sua passagem de volta, na caravana dos presos políticos da Confederação do Equador vindos do sertão do Ceará, em 15 de dezembro de 1824. A guarnição evitou a vila, pernoitando no engenho Bujari. Ia preso, para ser submetido a uma corte marcial, pois seu destino já estava traçado numa portaria imperial de julho daquele ano.

Itinerário

Frei Caneca relatou este momento em seu Itinerário: “(...) fomos chegar a Goiana pelas onze horas da manhã, onde querendo o major Pastorinha (da Paraíba) ficar, resolveu-se, afinal a irmos aquartelar no engenho de Bujari, a meia légua da vila, cuja propriedade pertence ao padre João Álvares de Souza, que nos acolheu muito bem. Aqui fomos visitados por muitos homens liberais de Goiana, que de propósito nos foram abraçar, e oferecer-nos os seus serviços, e nos presentearam com bom peixe e para cearmos, vinho, queijos, frutas e doces. Aí pernoitamos e, sobre a madrugada querendo-nos aprontar para seguirmos a viagem, demos por falta de alguns companheiros nossos. Ao depois de alguma diligência, não se podendo descobrir os fugitivos, saímos ao amanhecer do dia 16 (...)” (CANECA, 2001, p.602/3). Apesar de sua contundente defesa, seu destino já estava traçado pelo português D. Pedro I. Foi fuzilado, no Recife, em 13 de janeiro de 1825.

*Josemir Camilo de Melo é historiador

Leia outras informações

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É Findi - O Suor que Constrói a Nação - Poema Feito por IA em Homenagem ao Dia do Trabalhador - Por Vida Hare, editoria de O Poder*

30/04/2026

Nas mãos que calam o calo,
E na mente que inventa o amanhã,
Ouvi-se o primeiro estalo
Do sol que desponta na manhã.

Do operário no andaime ao céu,
Ao mestre que ensina o saber,
Cada um cumpre o seu papel,
Fazendo a esperança crescer.

É o campo que brota o sustento,
A fábrica que molda o metal,
O serviço que vence o momento,
No esforço que é universal.

Primeiro de Maio, memória,
De lutas, conquistas e união,
Pois quem faz a nossa história
É quem trabalha de coração.

Que o descanso seja merecido,
Que o direito seja o norte e a luz,
Pois todo valor é erguido
Pelo braço que a vida conduz.

Viva aquele que planta a semente,
E aquele que a engrenagem faz girar,
Pois o progresso da gente
Vem do brio de quem sabe lutar.


*Vida Hare, editoria de O Poder, e a IA prepararam um p...

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Nas mãos que calam o calo,
E na mente que inventa o amanhã,
Ouvi-se o primeiro estalo
Do sol que desponta na manhã.

Do operário no andaime ao céu,
Ao mestre que ensina o saber,
Cada um cumpre o seu papel,
Fazendo a esperança crescer.

É o campo que brota o sustento,
A fábrica que molda o metal,
O serviço que vence o momento,
No esforço que é universal.

Primeiro de Maio, memória,
De lutas, conquistas e união,
Pois quem faz a nossa história
É quem trabalha de coração.

Que o descanso seja merecido,
Que o direito seja o norte e a luz,
Pois todo valor é erguido
Pelo braço que a vida conduz.

Viva aquele que planta a semente,
E aquele que a engrenagem faz girar,
Pois o progresso da gente
Vem do brio de quem sabe lutar.


*Vida Hare, editoria de O Poder, e a IA prepararam um poema que celebra a força, a história e a dignidade de quem constrói o Brasil todos os dias, desde o campo até a cidade.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o livre confronto de ideias e acolhe o contraditório. Todas as pessoas e instituições citadas têm assegurado espaço para suas manifestações.



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É Findi - Herança - Poema - Por Ana Pottes*

30/04/2026

Sei não pra que isso,
se o ar continua ferindo
narizes de perdigueiros.

Pra que tanta vontade,
se nas filas ninguém vê
dias iguais, repetidos?

Indago se é pra ir
buscar o quê?
A carroça me serve —
foi de pai, que se foi.
Faz tempo, nem lembro.

Puxo.
Empurro.

Pobre.
Preto.
Analfabeto.
Burro sem rabo.

Sigo...


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem!


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Sei não pra que isso,
se o ar continua ferindo
narizes de perdigueiros.

Pra que tanta vontade,
se nas filas ninguém vê
dias iguais, repetidos?

Indago se é pra ir
buscar o quê?
A carroça me serve —
foi de pai, que se foi.
Faz tempo, nem lembro.

Puxo.
Empurro.

Pobre.
Preto.
Analfabeto.
Burro sem rabo.

Sigo...


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem!


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É Findi - Trabalhador versus Empregador - Poema em Homenagem ao Dia do Trabalho - Por Eduardo Albuquerque*

30/04/2026

Do trabalhador, se cobra em excesso:
muito, muito menos, se lhe oferece
por quaisquer tarefas, em contraparte;
nessas relações, elo fraco, só se parte.

É cambalacho, puro melaço, um feio trato
se faz, às vezes, com o desditoso empregado
quase sempre pelas necessidades encurralado:
ele acuado, sem opções, cede ao patronato.



Esse, por seu lado, tem a riqueza como missão.
Faz-se necessária uma estratégia equilibrada,
que permeie um acordo, digno de louvor.

Essa fricção, tal embate, entre trabalhador
versus patrão, deve, pois, ser mediada
salomonicamente, eis a melhor solução!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


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Do trabalhador, se cobra em excesso:
muito, muito menos, se lhe oferece
por quaisquer tarefas, em contraparte;
nessas relações, elo fraco, só se parte.

É cambalacho, puro melaço, um feio trato
se faz, às vezes, com o desditoso empregado
quase sempre pelas necessidades encurralado:
ele acuado, sem opções, cede ao patronato.



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Esse, por seu lado, tem a riqueza como missão.
Faz-se necessária uma estratégia equilibrada,
que permeie um acordo, digno de louvor.

Essa fricção, tal embate, entre trabalhador
versus patrão, deve, pois, ser mediada
salomonicamente, eis a melhor solução!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


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É Findi – Jornais de Ontem – Croniqueta, por Xico Bizerra*

30/04/2026

Esta semana bateu uma saudade danada dos jornais de antigamente. Daqueles que às vezes até sujava as nossas mãos com a mistura de tinta e cola, mas que emanava um odor que agradava meu olfato. Jornal, eu amava pelo cheiro, acho. Como faz falta aquele emaranhado de letras a nos encantar com as notícias do dia anterior, sem a velocidade da internet dos dias de hoje. Era grande o prazer de folhear, uma a uma, as páginas e colunas de um tablóide, isso desde os tempos de O PASQUIM e do OPINIÃO, sem falar da Folha de São Paulo, da qual fui assinante e do JORNAL DOS SPORTS, com suas folhas cor-de-rosa (nunca consegui entender o porquê daquela cor). Hoje, não mais existem jornais de papel.

Teimoso que sou, comprei até um minicomputador exclusivamente para exercitar meu vício diário, minha leitura matutina antes de abandonar a rede rumo ao café da manhã. Não é a mesma coisa, definitivamente. Livros, também, com seus cheiros peculiares, estão por desaparecer. Quem nunca sentiu o...

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Esta semana bateu uma saudade danada dos jornais de antigamente. Daqueles que às vezes até sujava as nossas mãos com a mistura de tinta e cola, mas que emanava um odor que agradava meu olfato. Jornal, eu amava pelo cheiro, acho. Como faz falta aquele emaranhado de letras a nos encantar com as notícias do dia anterior, sem a velocidade da internet dos dias de hoje. Era grande o prazer de folhear, uma a uma, as páginas e colunas de um tablóide, isso desde os tempos de O PASQUIM e do OPINIÃO, sem falar da Folha de São Paulo, da qual fui assinante e do JORNAL DOS SPORTS, com suas folhas cor-de-rosa (nunca consegui entender o porquê daquela cor). Hoje, não mais existem jornais de papel.

Teimoso que sou, comprei até um minicomputador exclusivamente para exercitar meu vício diário, minha leitura matutina antes de abandonar a rede rumo ao café da manhã. Não é a mesma coisa, definitivamente. Livros, também, com seus cheiros peculiares, estão por desaparecer. Quem nunca sentiu o cheiro de um livro, que atire a primeira página. Até as livrarias estão sumindo, já não as vemos como antigamente. Em seu lugar, igrejas evangélicas e farmácias, experts em explorar nossas parcas economias. Acho que estou ficando velho com essa saudade besta que sinto dos livros e jornais.

Também sinto saudades dos CDs, das capas, dos seus encartes, das letras ali inseridas, do nome de quem fez as músicas e de quem as tocou. Aliás, para ser sincero, detesto essas tais de plataformas virtuais. Estou ultrapassado, tanto quanto os jornais de antigamente. Espero a manchete estampada na primeira página do jornal que leio no tablete: estarão de volta os jornais impressos, a partir de amanhã. Quando será o amanhã? Quero lê-los ouvindo o último CD do meu cantor preferido.


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.


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É Findi - Duv(Idoso), poema, por Felipe Bezerra*

30/04/2026

Realidade atroz.
Quem de nós,
nos dias atuais,
ainda se importa
com regras gramaticais,
esse luxo extremo,
se a Constituição foi morta
pelas mãos do Supremo?


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


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Realidade atroz.
Quem de nós,
nos dias atuais,
ainda se importa
com regras gramaticais,
esse luxo extremo,
se a Constituição foi morta
pelas mãos do Supremo?


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


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É Findi - A Escala do Sol - Conto para o Dia do Trabalho - Por Romero Falcão*

30/04/2026

Mara pulou da cama, jogou água no rosto. Nem deu chuveiro. Engoliu um pão com ovo e meia xícara de café da noite passada. É preciso correr para o ponto de ônibus. Quem sabe tem sorte: um banco vazio às cinco da manhã. Que nada — ela se espreme no meio de corpos que também saíram sem banho.



Durante o longo percurso, pensa na vida... que vida?

— É isso, vou passar o resto dos meus dias naquela linha de montagem, vestindo, aprontando carro, enquanto não tenho tempo nem para o batom. Até para mijar é sufoco. O luxo suga a última gota. Quanto tempo sem abrir um livro, sem um copo de cultura. Qual o propósito, significado de apertar botão, calibrar braço de robô?

Mas você tem emprego, sua idiota, agradeça aos céus. E, além do mais, livro não bota feijão na mesa. Cultura não cultiva arroz.

Desce do ônibus carregando o fantasma do desemprego. Trabalhar é preciso, viver não é preciso.

Palé está de...

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Mara pulou da cama, jogou água no rosto. Nem deu chuveiro. Engoliu um pão com ovo e meia xícara de café da noite passada. É preciso correr para o ponto de ônibus. Quem sabe tem sorte: um banco vazio às cinco da manhã. Que nada — ela se espreme no meio de corpos que também saíram sem banho.



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Durante o longo percurso, pensa na vida... que vida?

— É isso, vou passar o resto dos meus dias naquela linha de montagem, vestindo, aprontando carro, enquanto não tenho tempo nem para o batom. Até para mijar é sufoco. O luxo suga a última gota. Quanto tempo sem abrir um livro, sem um copo de cultura. Qual o propósito, significado de apertar botão, calibrar braço de robô?

Mas você tem emprego, sua idiota, agradeça aos céus. E, além do mais, livro não bota feijão na mesa. Cultura não cultiva arroz.

Desce do ônibus carregando o fantasma do desemprego. Trabalhar é preciso, viver não é preciso.

Palé está desempregado, se vira fazendo bicos. Há duas semanas não arruma nada. Então botou a enxada no ombro, na esperança de levar pão para três filhos no barraco e o quarto na barriga da companheira. De repente, Deus ajuda a quem trabalha. Um senhor num carrão, fita Palé e a enxada.

— Ô, moreno, tenho dois terrenos cheios de mato, quer limpar?

— Agora mesmo, doutor.
— Entra aí. Tá vendo? É moleza. Numa manhã você dá conta. Pago cinquenta reais.

— Doutor, é muito pouco. O mato está alto e os terrenos são grandes, vou levar uns três dias.

— Tá maluco, é? Nem parece que precisa de dinheiro.
Palé bate em retirada, com o sol no espinhaço e a barriga chorando.



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Enquanto enrola o volante, fazendo a volta, o senhor pensa, indignado: vai, vai, vai ganhar a tua Mesada Social, vagabundo.

Mas eis que surge um paletó chique, microfone na mão, preparando-se para subir no palanque:

— Senhoras e senhores, atenção, tenho um projeto para a nação. Vou revolucionar a CLT, que se chamará FFF. Força, Fé e Foco. A escala do sol. Só os fortes entenderão.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.


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É Findi – A Lancha da C.T.U. - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

30/04/2026

A vinda dessa embarcação para a “Veneza Americana” foi uma das poucas tentativas do Governo de valorizar o potencial aquático do Recife e que, por falta de maior empenho ou até de cultura, não deu certo.

Sobre ela temos importantes dados colhidos em “Recife do Corpo Santo”, pág. 303, baseados em informações fornecidas aos jornalistas pelo então presidente daquela companhia, General Viriato de Medeiros:

“A CTU (Companhia de Transportes Urbanos) acabara de adquirir na Holanda uma embarcação a motor com capacidade para oitenta e seis pessoas, destinada ao transporte de passageiros no Capibaribe. A lancha será embarcada em dois de outubro (ou seja embarcou anteontem), devendo chagar a Pernambuco dentro de dez dias. A embarcação tipo “Amsterdã”, fabricada nos estaleiros J. H. Bergman tem dezesseis metros de comprimento por quatro de largura. Seu calado é de cinquenta e oito centímetros, linha d’águas de um metro e setenta centímetros, pesa vinte toneladas e...

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A vinda dessa embarcação para a “Veneza Americana” foi uma das poucas tentativas do Governo de valorizar o potencial aquático do Recife e que, por falta de maior empenho ou até de cultura, não deu certo.

Sobre ela temos importantes dados colhidos em “Recife do Corpo Santo”, pág. 303, baseados em informações fornecidas aos jornalistas pelo então presidente daquela companhia, General Viriato de Medeiros:

“A CTU (Companhia de Transportes Urbanos) acabara de adquirir na Holanda uma embarcação a motor com capacidade para oitenta e seis pessoas, destinada ao transporte de passageiros no Capibaribe. A lancha será embarcada em dois de outubro (ou seja embarcou anteontem), devendo chagar a Pernambuco dentro de dez dias. A embarcação tipo “Amsterdã”, fabricada nos estaleiros J. H. Bergman tem dezesseis metros de comprimento por quatro de largura. Seu calado é de cinquenta e oito centímetros, linha d’águas de um metro e setenta centímetros, pesa vinte toneladas e desenvolve uma velocidade de dezoito nós horários” — o barco seria o primeiro de uma série de outros a serem adquiridos pela CTU no referido país, dentro do programa destinado a facilitar o transporte de passageiros aos diferentes pontos da cidade. “As informações prestadas pelo general Viriato de Medeiros adiantam ainda que o primeiro barco vai fazer o transporte de Brasília Teimosa para a Praça 17, e que o seu custo foi de 25.000,00 dólares, mas que com as despesas de fretes e impostos, subirá a 30.000,00 dólares. Como uma defesa prévia contra os pensamentos de alguns derrotistas, as informações explicam porque o barco ou barcos foram comprados na Holanda, em vez de fabricados no Brasil, explicações justas e convincentes visto que nossos estaleiros, preocupados com o programa de construção naval, não puderam atender às solicitações da CTU. Adianta, ainda a informação que “ a lancha adquirida poderá ser empregada também, como turismo e servirá para passeios aos domingos e feriados”, pois se trata de uma embarcação das mais modernas que se conhece no gênero, com visão panorâmica e foi adquirida através de facilidades proporcionadas pelo City Bank do Recife.”



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Em tempos não muito distantes, quase em frente ao pequeno cais, onde atracava aquela lancha e onde hoje temos o prédio da Procuradoria Geral do Estado


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras


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É Findi – 1º de Maio — Mãos que Constroem o Mundo - Por Poeta Pica-Pau*

30/04/2026

No nascer do sol, já há passos na estrada,
Mãos calejadas, de luta marcada.
O suor que escorre jamais é em vão,
É semente viva brotando no chão.

Cada ofício carrega um valor,
Do simples gesto ao grande labor.
Há dignidade em todo fazer,
Há força imensa em não desistir e viver.

O trabalhador ergue cidades inteiras,
Constrói pontes, caminhos e beiras.
No campo, na fábrica, no lar ou na rua,
Há sempre uma história que o tempo perpetua.

Que neste dia se faça memória
De quem transforma a vida em vitória.
Que nunca falte respeito e pão
A quem move o mundo com o coração.

Pois todo trabalho, grande ou pequeno,
É fio que tece o futuro sereno.
E em cada jornada, com fé e valor,
Nasce um amanhã cheio de esplendor

Feliz Dia , dia do Trabalhador!


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.


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No nascer do sol, já há passos na estrada,
Mãos calejadas, de luta marcada.
O suor que escorre jamais é em vão,
É semente viva brotando no chão.

Cada ofício carrega um valor,
Do simples gesto ao grande labor.
Há dignidade em todo fazer,
Há força imensa em não desistir e viver.

O trabalhador ergue cidades inteiras,
Constrói pontes, caminhos e beiras.
No campo, na fábrica, no lar ou na rua,
Há sempre uma história que o tempo perpetua.

Que neste dia se faça memória
De quem transforma a vida em vitória.
Que nunca falte respeito e pão
A quem move o mundo com o coração.

Pois todo trabalho, grande ou pequeno,
É fio que tece o futuro sereno.
E em cada jornada, com fé e valor,
Nasce um amanhã cheio de esplendor

Feliz Dia , dia do Trabalhador!


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.

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Entenda por que Raquel Teixeira Lyra não consegue passar segurança

30/04/2026

A segurança pública em Pernambuco tornou-se, na gestão de Raquel Teixeira Lyra, um exercício de estética política. As cerimônias grandiosas na Arena Pernambuco, repletas de fardas novas, drones e discursos entusiastas, tentam vender a imagem de um estado sob controle. No entanto, ao retirar a maquiagem do marketing oficial, o que se revela é uma estrutura que ainda luta contra um déficit histórico e uma violência que não se resolve apenas com fotos em eventos de formatura. Para o cidadão que espera o ônibus no subúrbio do Recife ou para o agricultor no Sertão, o espetáculo de armamentos na capital não se traduz em tranquilidade.

Novo espetáculo hoje na Arena Pernambuco

A governadora tem feito das posses de novos policiais militares (como os mais de 2 mil recém-formados em abril de 2026) verdadeiros eventos de campanha. Mas a matemática da segurança é cruel e não aceita apenas "novas tropas":
Apesar das sucessivas formaturas, Pernambuco ainda...

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A segurança pública em Pernambuco tornou-se, na gestão de Raquel Teixeira Lyra, um exercício de estética política. As cerimônias grandiosas na Arena Pernambuco, repletas de fardas novas, drones e discursos entusiastas, tentam vender a imagem de um estado sob controle. No entanto, ao retirar a maquiagem do marketing oficial, o que se revela é uma estrutura que ainda luta contra um déficit histórico e uma violência que não se resolve apenas com fotos em eventos de formatura. Para o cidadão que espera o ônibus no subúrbio do Recife ou para o agricultor no Sertão, o espetáculo de armamentos na capital não se traduz em tranquilidade.

Novo espetáculo hoje na Arena Pernambuco

A governadora tem feito das posses de novos policiais militares (como os mais de 2 mil recém-formados em abril de 2026) verdadeiros eventos de campanha. Mas a matemática da segurança é cruel e não aceita apenas "novas tropas":
Apesar das sucessivas formaturas, Pernambuco ainda convive com um déficit de efetivo que ultrapassa os 35%. O que a propaganda chama de "reforço histórico" é, na verdade, uma tentativa tardia de estancar a sangria de anos de aposentadorias e saídas sem reposição.

Cobertor Curto

Como apontado por parlamentares e especialistas, muitas vezes o novo efetivo serve apenas para preencher lacunas de unidades que já operavam no limite. Inaugurar batalhões ou patrulhas sem um aumento real e líquido do número de agentes é "trocar seis por meia dúzia", desguarnecendo uma área para fingir presença em outra.
Armamentos modernos em estruturas sucateadas. O anúncio de compras de helicópteros, fuzis e drones gera imagens impactantes para as redes sociais, mas ignora a base do sistema.

Delegacias Fantasmas

Enquanto se gasta milhões em equipamentos de ponta, há denúncias, inclusive na Assembleia Legislativa, de licitações milionárias para mobiliar unidades que sequer foram concluídas ou que funcionam em condições precárias.
A segurança moderna exige investigação e inteligência. O foco excessivo na "exposição da tropa" remete a um modelo de policiamento ostensivo que, embora necessário para a sensação de segurança, pouco faz para desmantelar as facções que controlam o tráfico de drogas e elevam os índices de homicídios no estado.




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Daniela prometeu ao PT/PB fidelidade eterna a Lula e traiu na primeira oportunidade

30/04/2026

O PT, todos sabem, é um partido complexo, com alas, grupos e respeito a instâncias internas. Dentro dessa perspectiva, a senadora Daniela Ribeiro, com DNA direitista que remonta ao antigo e super reacionário "grupo Ribeiro da Varzea", seduziu a presidente do PT /PB para apoiar o filho, Lucas Ribeiro(PP) ao governo da PB. Com juras de fidelidade eterna ao projeto de Lula e, claro, gordas benesses através de cargos no governo estadual e outros penduricalhos. E assim se desenhou a estranha aliança no Estado, casamento de Jacaré e cobra d'água.

Porém

No primeiro teste de fogo, que foi a votação, ontem, 29/04, do indicado de Lula, Jorge Messias, para uma vaga no STF, a senadora mostrou a sua verdadeira natureza. Não apenas traiu a indicação de Lula, votando contra. Se agarrou aos abraços e beijos (literalmente) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Naquele momento, o inimigo número 1 do presidente.

Situação constrangedora...

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O PT, todos sabem, é um partido complexo, com alas, grupos e respeito a instâncias internas. Dentro dessa perspectiva, a senadora Daniela Ribeiro, com DNA direitista que remonta ao antigo e super reacionário "grupo Ribeiro da Varzea", seduziu a presidente do PT /PB para apoiar o filho, Lucas Ribeiro(PP) ao governo da PB. Com juras de fidelidade eterna ao projeto de Lula e, claro, gordas benesses através de cargos no governo estadual e outros penduricalhos. E assim se desenhou a estranha aliança no Estado, casamento de Jacaré e cobra d'água.

Porém

No primeiro teste de fogo, que foi a votação, ontem, 29/04, do indicado de Lula, Jorge Messias, para uma vaga no STF, a senadora mostrou a sua verdadeira natureza. Não apenas traiu a indicação de Lula, votando contra. Se agarrou aos abraços e beijos (literalmente) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Naquele momento, o inimigo número 1 do presidente.

Situação constrangedora

A reação no partido local foi durissima. A presidente teve que enfrentar o descontentamento da base, um manifesto de figuras importantes e até desistência de candidatura a deputado. A expectativa é se tudo vai ficar por isso mesmo ou se o constrangimento monumental vai provocar uma mudança na decisão de apoio a Lucas. Que no primeiro teste se mostrou totalmente equivocada.




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