Especial — Confederação do Equador: A Angústia de Frei Caneca numa Goiana deserta
14/09/2024
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 182...
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 1824) à meia-noite, e não foi pequeno o nosso espanto, quando sem esperarmos a achamos deserta inteiramente. O escuro da noite e o medonho silêncio em que estava sepultada a vila, os uivos dos cães, tudo cooperou para nos encher de terror, e nos julgarmos nos maiores perigos. Corremos várias ruas em busca das pessoas do nosso conhecimento, mas tudo foi baldado; porque a ninguém achamos”.
Duas casas
“Nesta circunstância deparamos com duas casas, em que por estarem com luz acesa nos falaram; mas foi para maior embaraço nosso. Em uma, um soldado cheio de maior terror por ver-nos, e talvez supor-nos inimigos, balbuciava, e nada dizia que fosse coerente; e ainda assim nos informou que toda a tropa já se havia retirado pela estrada da Conceição. Mas outro, que em outra rua nos falou, traiu-nos dizendo-nos que a tropa tomara a estrada de Goiana Grande: era o mesmo que entregar-nos aos ceroulas [provavelmente, ironia popular que queria dizer gente de Milícias e Ordenanças, que lutavam sem farda] de João Baptista Rego, que já haviam tomado o ponto de Pitimbu, e era natural estarem naquelas fronteiras”.
Topografia ignorada
“Os nossos companheiros, que ignoravam a topografia da vila e não sabiam e nem podiam conhecer o laço que nos armava o segundo informante, desconfiados do modo trepidante do primeiro, fiaram-se na segurança com que falou o segundo; e assim assentaram que tomássemos o caminho de Goiana Grande (devia ser a estrada para a Paraíba). Ponderamos-lhes o que sabíamos, dirigindo-nos a mostrar-lhes que jamais podia a força de Goiana seguir aquele destino; mas foi em vão: teimaram os nossos amigos no seu entendimento, e nós por contemporizar seguimo-los; e, ao passar pela frente do Convento do Carmo, nos dirigimos a ele, para que lá tomássemos informação do estado das coisas; mas tudo foi sem fruto”.

Ilusão
“O convento estava aberto e às escuras, ainda assim pelo tino, que nos fazia lembrar dos seus arranjos, por termos por anos habitado aquela casa, nos arriscamos a entrar e subir até o seu antecoro; e por mais que gritamos a chamar quem lá estivesse, ninguém nos respondeu”.
Caráter contemporizador
“Aqui os nossos amigos, que haviam ficado fora, nos chamaram e fizeram-nos acompanhá-los pra Goiana Grande. Sempre tivemos um caráter de contemporizador com os nossos amigos; e, fazendo reflexão sobre os trabalhos porque havíamos passado em nossos dias, conhecemos que tudo devíamos a conselhos alheios; e por este motivo, depois de haverem chegado aos lameirões de Goiana Grande, tomamos a resolução de não nos sacrificar a conselhos sem fundamento algum e inteiramente opostos à nossa salvação. Por isso, fazendo notar aos amigos que eles por não saberem as direções das estradas se iludiram com a aparente segurança do segundo soldado, e que até aquele momento mesmo nós sempre havíamos padecido por sermos escravos da vontade dos nossos amigos, declaramos que fazíamos ponto ali, e começávamos a usar do nosso entendimento; pelo que os não acompanhávamos”.
Retaguarda da força
“Esta nossa resolução salvou a todos, porque eles, dando peso ao nosso juízo, voltaram conosco pela estrada da Soledade; e depois de havermos andado o resto da noite, fomos encontrar com a retaguarda da força duas léguas acima da vila. Aqui já cansados dos trabalhos antecedentes e fatigados do espírito, descansamos em uma casa muito velha; pelo que havia dentro supusemos ser de ladrões; por este fundamento não houve maneira de conciliarmos sono, e passamos no campo, ora assentados, ora deitados, ora passeando até o romper da aurora. Raiando esta, nos pusemos em marcha para chegarmos a Goianinha, onde havia dormido o presidente temporário da Paraíba. A poucos passos fomos encontrando por toda a estrada muitas pessoas do nosso conhecimento, entre as quais foi o tenente-coronel Manuel Inácio de Melo, que no dia antecedente fora aclamado em Goiana comandante-geral daquela força. Da prática que tivemos com ele, não fizemos bom conceito daquela força, e não julgamos segurança alguma no meio dela, por nos ser descrita com uma multidão confusa, sem ordem, sem subordinação e inteiramente anárquica”.

Dia seguinte
“Chegamos afinal a Goianinha, e ali achamos o grosso da divisão e um povo numeroso com algumas famílias honestas; cumprimentamos o presidente (temporário da Paraíba, Felix Antônio Ferreira de Albuquerque, aclamado por cinco das nove vilas paraibanas): desde logo fomos agregados à sua família, e tomamos quartel na mesma morada”. Caneca termina o relato desta noite de medo, narrando o dia seguinte, quando chegou à povoação de Goianinha “que é uma povoação não pequena, e representa ter algum comércio dos gêneros de lavoura. Tem uma igreja pequena; ela e as casas da povoação são de má ou de nenhuma arquitetura; à exceção de mui poucas, as outras são de palhas”.
Presos políticos
Ainda registraria o frade jornalista a sua passagem de volta, na caravana dos presos políticos da Confederação do Equador vindos do sertão do Ceará, em 15 de dezembro de 1824. A guarnição evitou a vila, pernoitando no engenho Bujari. Ia preso, para ser submetido a uma corte marcial, pois seu destino já estava traçado numa portaria imperial de julho daquele ano.
Itinerário
Frei Caneca relatou este momento em seu Itinerário: “(...) fomos chegar a Goiana pelas onze horas da manhã, onde querendo o major Pastorinha (da Paraíba) ficar, resolveu-se, afinal a irmos aquartelar no engenho de Bujari, a meia légua da vila, cuja propriedade pertence ao padre João Álvares de Souza, que nos acolheu muito bem. Aqui fomos visitados por muitos homens liberais de Goiana, que de propósito nos foram abraçar, e oferecer-nos os seus serviços, e nos presentearam com bom peixe e para cearmos, vinho, queijos, frutas e doces. Aí pernoitamos e, sobre a madrugada querendo-nos aprontar para seguirmos a viagem, demos por falta de alguns companheiros nossos. Ao depois de alguma diligência, não se podendo descobrir os fugitivos, saímos ao amanhecer do dia 16 (...)” (CANECA, 2001, p.602/3). Apesar de sua contundente defesa, seu destino já estava traçado pelo português D. Pedro I. Foi fuzilado, no Recife, em 13 de janeiro de 1825.
*Josemir Camilo de Melo é historiador
Leia outras informações
É Findi - A Raia - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
03/07/2026
tem seu mar,
o rio que ali,
se diz ‘do lugar’;
dos sonhos,
acalentados ao luar.
Mesmo se sabendo,
que não é o ‘Mar’;
mas, deveras,
há-de se enamorar:
Guadiana, Minho,
Douro, Tejo,
“A Raia”...
La vieja España,
Cervantes!
A Terrinha,
Camões!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
Cada doce lar,
tem seu mar,
o rio que ali,
se diz ‘do lugar’;
dos sonhos,
acalentados ao luar.
Mesmo se sabendo,
que não é o ‘Mar’;
mas, deveras,
há-de se enamorar:
Guadiana, Minho,
Douro, Tejo,
“A Raia”...

La vieja España,
Cervantes!
A Terrinha,
Camões!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99

É Findi - Amigo - Crônica - Por AJ Fontes*
03/07/2026
Desde os tempos aristotélicos, chegando aos momentos sartreanos, segundo páginas de um atlas virtual, o qual passei uma vista rápida, amizade coexiste no espaço onde uma palavra é dita em momentos distintos e distantes ou em longas conversas que tomam parte de dias seguidos.
Da minha parte conto com Antônios, Joãos, e mais letras do alfabeto. Daqueles, um tal João arribou para o Sul Maravilha faz uns anos. Lembro de noitadas caruaruenses quando nos sentávamos em uma mesa do – Brasileirinho - bar de nossa pref...
No sítio, o fim do dia invernoso, quando até os passarinhos se recolhem, deixando aos sapos e grilos o trabalho prazeroso de pontilhar os sons da escuridão, os pensamentos se clareiam; as lembranças se abrem feito uma flor noturna. Nisso desabrocham coisas passadas, escondidas nas dobras da mente e surgem os amigos das brincadeiras nos quintais, nos colégios; aqueles das primeiras confidências; das farras; dos bem e mal feitos, no início da juventude.
Desde os tempos aristotélicos, chegando aos momentos sartreanos, segundo páginas de um atlas virtual, o qual passei uma vista rápida, amizade coexiste no espaço onde uma palavra é dita em momentos distintos e distantes ou em longas conversas que tomam parte de dias seguidos.
Da minha parte conto com Antônios, Joãos, e mais letras do alfabeto. Daqueles, um tal João arribou para o Sul Maravilha faz uns anos. Lembro de noitadas caruaruenses quando nos sentávamos em uma mesa do – Brasileirinho - bar de nossa preferência. O garçom, nosso amigo, dispunha uma grade, de madeira, sob a mesa para colecionar as garrafas vazias de cerveja.
Raro não preenchermos os vinte e quatro cubículos com Brahmas da Antártica, ou o contrário.
Dias de muita conversa. Recém chegados das casas das respectivas namoradas da vez, havia sempre comentários sobre as nossas queridas para depois iniciarmos a levantar as questões caseiras e suas possíveis soluções. Não eram as melhores, visto que revisitávamos os subitens na busca de novas soluções ou só para reclamar de pai, mãe, irmão, irmã. Não estávamos certos se eles deveriam existir.
Antes de chegar na décima garrafa já o colégio e a cidade eram assunto. Era comum, nessa hora, aparecer outro amigo que tomava um ou dois copos e trazia uma novidade.
Entre uma tragada no cigarro, uma gargalhada e um gole, eclodia o trecho de uma nova música de Chico e a questão política não entendida pela censura burra que deixou passar; os caracóis dos cabelos de Caetano, resultado de uma visita do Rei ao amigo na London Town, se derramavam, desafinados na mesa.
Falando da arte dos menestréis, lembro que nos apropriamos de uma música de Roberto Carlos, cuja letra esquecemos de propósito e compusemos outra. De verdade, eu só dei uns palpites. Peço desculpas por nosso arroubo infanto-juvenil, embora não creia que o Rei tenha percebido o feito. Além da dupla, nem a namorada-musa da vez ouviu a versão.
Perdi a conta. Talvez seja o efeito retardado do álcool, mas a conversa seguia até a enésima garrafa, quando, guiados por algum anjo de plantão, ziguezaguiávamos pelas calçadas orvalhadas para, na manhã seguinte, ao despertar, confirmar que estávamos, cada um na respectiva casa.
São coisas de meninos do interior, nos fins dos anos 1960, que mostram o valor guardado desde então e que fez parte da demorada construção do indivíduo que escreve. O mesmo que compôs com outros, em encontros mais ou menos frequentes uma ligação de amizade. Peças da mesma construção que, bem ou mal, permite meu caminhar, com alegrias e tristezas, por calçadas e veredas.
Bem dito que é coisa que a gente guarda, cuida e se alegra ao reconhecer um novo.
*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes

É Findi - Vermelho e Verde - Por Marcelo Mário de Melo*
03/07/2026
em festa espera e clamor
semáforo e bandeira
ante os sinais do opressor
na travessia da trilha
ao verde libertador.
O vermelho da bandeira
o verde da esperança
enleados em um fio
como um casal numa dança
alavanca envolvente
por onde a vida avança.
Vamos entrar nessa onda
encher o nosso salão
divulgar a nossa festa
do grupo à multidão
porta a porta um a um
poesia humor atração.
O poeta está inscrito
antes durante e depois
poemAndando nas trilhas
que a história compôs
por livre escolha vibrante
pois isto ninguém lhe impôs.
É opção militante
contra a dor e o capital
tudo que amesquinha a vida
nega o bem promove o mal
Ego Id Superego
em assembleia geral.
Sons dos anseios gerais
e pulsaçõe...
Vestir o manto vermelho
em festa espera e clamor
semáforo e bandeira
ante os sinais do opressor
na travessia da trilha
ao verde libertador.
O vermelho da bandeira
o verde da esperança
enleados em um fio
como um casal numa dança
alavanca envolvente
por onde a vida avança.
Vamos entrar nessa onda
encher o nosso salão
divulgar a nossa festa
do grupo à multidão
porta a porta um a um
poesia humor atração.
O poeta está inscrito
antes durante e depois
poemAndando nas trilhas
que a história compôs
por livre escolha vibrante
pois isto ninguém lhe impôs.
É opção militante
contra a dor e o capital
tudo que amesquinha a vida
nega o bem promove o mal
Ego Id Superego
em assembleia geral.
Sons dos anseios gerais
e pulsações do umbigo
sintonia e mixagem
na consciência em abrigo
por tristezas e alegrias
em vermelho e verde eu sigo
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm
É Findi - Domingo Iluminado - Crônica - Por Malude Maciel*
03/07/2026
Realmente um lindo dia
Quando duas Academias locais e distintas entre si mas, com objetivos comuns, uniram-se numa solenidade importante, acrescendo ao quadro de associados dois novos acadêmicos, demonstrando o amor, o respeito e os cuidados que ambas nutrem pela terra que as acolheu e mantém seus nomes na História Contemporânea.
Local
O evento ocorreu na sede da ACACCIL-Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, à rua XV de Novembro, 215 no c...
Após mais de uma semana inteira de chuvas e muito frio, nessa época junina na Capital do Agreste, o domingo 28/6/26, chegou cheio de brilho e luz do astro Rei. Algo bonito estava para acontecer pois, havia um convite para a cerimônia de posse de dois novos acadêmicos na Academia Caruaruense de Artes e Filosofia - ACAFIL, promovendo a Cultura, a Literatura, as Artes e o pensamento filosófico, fortalecendo o patrimônio intelectual de Caruaru, Pernambuco e do Brasil.
Realmente um lindo dia
Quando duas Academias locais e distintas entre si mas, com objetivos comuns, uniram-se numa solenidade importante, acrescendo ao quadro de associados dois novos acadêmicos, demonstrando o amor, o respeito e os cuidados que ambas nutrem pela terra que as acolheu e mantém seus nomes na História Contemporânea.
Local
O evento ocorreu na sede da ACACCIL-Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, à rua XV de Novembro, 215 no centro de nossa cidade, no qual a acadêmica Edivalda Miranda atuou como presidente da Casa, desde que o Prof. Paulo Muniz Lopes não se fez presente, por motivo de viagem. A presidente da ACAFIL, Profa. Amélia Campello, fez a abertura dos trabalhos tendo o acadêmico Robson Santos como mestre de cerimônias, anunciando e agradecendo as presenças.
Oficialmente
Foi chamado à frente, para sua posse oficial, o novo acadêmico, Fábio Mirom, que recebeu seu colar (distintivo da instituição) e também diploma, das mãos da acadêmica Cláudia Pinto que também representou o Instituto Histórico de Caruaru; da mesma forma aconteceucom a nova acadêmica, Mabel Cavalcanti, que foi contemplada com seu colar e o diploma, entregues pela Presidente Amélia Campello. Ambos fizeram seus discursos de posse com muita galhardia, sob muitos aplausos, sendo que que a cordelista Mabel, teve sua fala em forma de cordel e foi muito interessante.
Palestra magnífica
O palestrante, escritor Melchiades Montenegro, ex-presidente da Academia Recifense de Letras, foi apresentado pelo acadêmico emérito e ex-presidente da ACAFIL, Caesar Sobreira e proferiu excelente aula sobre o tema: A Origem das Academias e Sua Proliferação no Brasil, tendo distribuído cópias da mesma com a plateia ávida por acrescer conhecimentos a respeito. Foi algo realmente gratificante saborear as informações e presenciar a maneira peculiar e elegante como o professor desempenhou sua função na mais alta competência e simplicidade.
Confraternização
No mais, houve muita interação, abraços, fotografias registrando o grande momento, seguindo-se dos comes e bebes, costumeiros nessas ocasiões de entrelaçamentos culturais, artísticos e literários, quando se tem oportunidade de conversar mais aproximadamente, trocar endereços e ideias, enfim, ficar mais próximo de figuras admiráveis. Coisa bem salutar.
Lisonjas
Tanto Caruaru como a ACACCIL ficaram lisonjeados em sediar tamanho acontecimento pois, é raro reunir tantas cabeças pensantes, num convívio harmonioso e feliz como o que ora tivemos o privilégio de participar.
Parabéns
Congratulações aos organizadores e protagonistas e, muitos votos de prosseguimento nesse afã de desenvolver essa gama de novos estudiosos e precursores do progresso cívico, cultural, intelectual e histórico que tanto precisamos no mundo atual e deixando um legado às gerações do futuro.
Presenças
Foram inúmeras as lustres presenças, porém anotamos os seguintes acadêmicos da ACACCIL: Edivalda Leite Miranda; Maria de Lourdes Sousa Maciel (Malude); Araray Marrocos Pascoal; Robson Santos Oliveira; Maria Alves; Francisco de Assis Claudino; Maria do Socorro Maciel; Caesar Sobreira; Valéria Barbalho e Lucimary Passos.
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel
É Findi – Neblinas e Tempestades – Croniqueta - Por Xico Bizerra*
03/07/2026
Já quase tempestade, deixei-me envolver no lençol das lembranças boas e dormi o sono dos que acreditam que pode haver um mundo feliz. E sonhei. E ainda sonho. E sonharei até quando for possível sonhar. Até onde a Poesia permita e os versos embalem. Ainda que venham tempestades, permanecerei neblina. No máximo, chuva fina a molhar o chão de minh’alma. Ver menos
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico
Antes de tornar-me chuva, lentamente neblinei-me em meio às nuvens cinzentas que flutuavam acima do meu chapéu. Ao primeiro pingo mais grosso, pressenti o brotar de um pé de verso, carregado de poesia, rimas e amor, no jardim de minha casa, bem ao lado do meu pé de manacá. Tratei de regar. A semente do bem-querer virou flor.
Já quase tempestade, deixei-me envolver no lençol das lembranças boas e dormi o sono dos que acreditam que pode haver um mundo feliz. E sonhei. E ainda sonho. E sonharei até quando for possível sonhar. Até onde a Poesia permita e os versos embalem. Ainda que venham tempestades, permanecerei neblina. No máximo, chuva fina a molhar o chão de minh’alma. Ver menos
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico

É Findi – Projeto, No Resgate da Criança - Por Poeta Pica-Pau*
03/07/2026
Pra garantir ao aluno
Estudo e educação,
Pois a escola é o caminho
Para boa formação.
A criança tem direito
De brincar e aprender,
De sonhar com o futuro,
De crescer para vencer;
na escola ela descobre
O que pode vir a ser.
E o lugar da criança
É na escola estudando,
Descobrindo novos mundos,
Com a mente trabalhando;
E vai se desenvolvendo,
a família incentivando.
Não bote sua criança
Para o mundo do trabalho,
Nem permita que ela seja
Vista como um quebra-galho;
Se tirá-la da escola,
Só lhe virá atrapalho.
Se o aluno está faltando
Sem motivo ou explicação,
O projeto fica atento
E entra logo em ação;
Vai à casa da família
Levando orientação.
Não é para castigar,
Nem levar preocupação;
É um gesto de cuidado,
Tem cuidado e proteção,
Pra garantir ao aluno
Estudo e educação,
Pois a escola é o caminho
Para boa formação.
A criança tem direito
De brincar e aprender,
De sonhar com o futuro,
De crescer para vencer;
na escola ela descobre
O que pode vir a ser.
E o lugar da criança
É na escola estudando,
Descobrindo novos mundos,
Com a mente trabalhando;
E vai se desenvolvendo,
a família incentivando.
Não bote sua criança
Para o mundo do trabalho,
Nem permita que ela seja
Vista como um quebra-galho;
Se tirá-la da escola,
Só lhe virá atrapalho.
Se o aluno está faltando
Sem motivo ou explicação,
O projeto fica atento
E entra logo em ação;
Vai à casa da família
Levando orientação.
Não é para castigar,
Nem levar preocupação;
É um gesto de cuidado,
De carinho e proteção.
A criança na escola
É o futuro da nação.
Pois aí fica o recado
Que surgi do coração
Toda criança merece
Respeito e proteção,
Para vê-la florescer
Com direito à inclusão.
E Se você tem criança
Que está sem estudar
Tome a iniciativa
De bom estudo lhe dá
Tome esse direção
Pegue a documentação
corra pra matricular.
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau

É Findi – Série: Boêmios que Marcaram Época no Recife Noturno - Valdemar Marinheiro - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*
03/07/2026
Outra figura típica da boemia recifense é Valdemar Tavares de Araújo, o Valdemar Marinheiro, nascido no município de Nazaré da Mata, em 4 de Setembro de 1919. Torcedor fanático do Sport, ingeria, aos 70 anos de idade, cerca de 22 doses de uísque legítimo num dia e tem traços sintomáticos de um genuíno boêmio: contador de história, brigão, alegre, mulherengo, explosivo, freqüentador de bares e extremamente honesto com os amigos, conhece alguns países da Europa, graças ao longo período servindo na Marinha, dos 13 aos 25 anos.
Desse tempo vem o folclórico de que, ao contrário do objetivo inicial de se corrigir, ele ficou mais rebelde ainda a ponto de fugir do navio a nado para farrear, quando estava em algum porto.
...
Nos próximos É FINDIs pretendo publicar considerações sobre cinco boêmios que marcaram época no Recife noturno: Ascenso Ferreira, Antônio Maria, Hugo da Peixa, Valdemar Marinheiro e Eugênio Coimbra. Hoje falaremos sobre Valdemar Marinheiro.
Outra figura típica da boemia recifense é Valdemar Tavares de Araújo, o Valdemar Marinheiro, nascido no município de Nazaré da Mata, em 4 de Setembro de 1919. Torcedor fanático do Sport, ingeria, aos 70 anos de idade, cerca de 22 doses de uísque legítimo num dia e tem traços sintomáticos de um genuíno boêmio: contador de história, brigão, alegre, mulherengo, explosivo, freqüentador de bares e extremamente honesto com os amigos, conhece alguns países da Europa, graças ao longo período servindo na Marinha, dos 13 aos 25 anos.
Desse tempo vem o folclórico de que, ao contrário do objetivo inicial de se corrigir, ele ficou mais rebelde ainda a ponto de fugir do navio a nado para farrear, quando estava em algum porto.
Como esta, várias outras histórias são contadas sobre o velho Valdemar, umas publicáveis, outras não, umas com brigas outras, com sorrisos, a maioria, porém, com espírito boêmio.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras.

É Findi - A Copa do Mundo e a Rua - Crônica - Por Romero Falcão*
03/07/2026
Brinquedo Prazeroso
Ninguém pagava para aprender a jogar futebol. Bastavam a rua, quatro bandas de tijolos, um terreno baldio, a beira da praia ou uma rua cercada de mato e uma bola de plástico. O capitalismo ainda não havia introjetado nos pequenos a ambição pelas marcas. Para mim e para tantos do bairro, jogar bola era o brinquedo mais prazeroso.
Havia um Muro
Em tempo de Copa do Mundo, eu era Cruyff, Beckenbauer, Passarella, Antognoni, Rivelino e Marinho Chagas...
Na minha meninice e adolescência não havia campo society, muito menos escolinha de futebol. O futebol nascia na rua enladeirada, pedregosa, esburacada. Era intuitivo — mal deixava de mijar na cama e a bola já não largava mais os pés. Uns meninos levavam jeito no domínio e no controle; outros, bastava o chute, o jeito de bater na bola, para denunciar a falta de intimidade com a redonda. Modéstia à parte, entre mim e a pelota surgiu uma química imediata.
Brinquedo Prazeroso
Ninguém pagava para aprender a jogar futebol. Bastavam a rua, quatro bandas de tijolos, um terreno baldio, a beira da praia ou uma rua cercada de mato e uma bola de plástico. O capitalismo ainda não havia introjetado nos pequenos a ambição pelas marcas. Para mim e para tantos do bairro, jogar bola era o brinquedo mais prazeroso.
Havia um Muro
Em tempo de Copa do Mundo, eu era Cruyff, Beckenbauer, Passarella, Antognoni, Rivelino e Marinho Chagas — a Bruxa. Passava horas treinando o famoso elástico de Rivelino. Havia um muro na rua — o muro da casa de seu Ari, pai de um amigo que também jogava. O muro fazia parte das jogadas, das tabelas. À noite, emprestava sua cara de cimento para a contagem do esconde-esconde e recebia as palmadas da "Batida Salve Todos".
A Bola Cansou
Quando fizemos quatorze anos, a bola cansou da rua e pediu um campo. Fizemos tudo com as próprias mãos: capinamos um terreno baldio tomado pelo mato alto. Foram semanas de trabalho, calos, ferpas nas mãos. Depois, demarcamos com cal as linhas do campo.
Forjada em Fogo Alto
Não faltou nada, nem a marca do pênalti. As traves brotaram de restos de madeira das construções que se levantavam. Compramos nylon e confeccionamos as redes. Tudo dava muito , muito trabalho: construir o campo, a fogueira de São João, a árvore de Natal. Não se comprava pronto. Quer? Então vá lá e faça. Éramos uma geração forjada em fogo alto.
O Progresso Engolindo a Infância
Mas a base — o dente de leite — foi a rua. Ela nos viu crescer, viu a terra ceder lugar ao asfalto e a inocência dar lugar ao adulto. O matagal desapareceu junto com as cobras e os sapos, que também assistiam às nossas peladas. A cobra engolindo a jia, a gente engolindo a bola. O progresso engolindo a infância.
Chão de Terra Batida
O capitão da seleção, Cafu, ao levantar a taça do Mundial de 2002, vestia uma camisa com a frase: "100% Jardim Irene" — a comunidade da periferia onde floresceu seu futebol, nos campos de várzea.
Nunca levantei uma taça, mas reverencio minha saudosa rua e todas as ruas deste país onde as crianças tiveram espaço para viver a infância. Um chão de terra batida, amigo, mítico e mágico.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

Lula liga para João Campos durante evento e pede foto com D. Lindu
03/07/2026
Hoje, 03/07/26
Ocorreu em Garanhuns a inauguração do Instituto de Prevenção Eurídice Ferreira de Mello, unidade de prevenção e diagnóstico de câncer vinculada ao Hospital de Amor. O evento contou com a presença de autoridades políticas. Convidado especial, João Campos estava lá. Durante o evento, João recebeu uma ligação do presidente. Lula pediu que ele tirasse uma foto com a imagem de sua mãe, D. Lindu, antiga moradora do município onde, aliás, Lula nasceu. João interrompeu brevemente a cerimônia, atendeu ao pedido do presidente, que fez colab do vídeo em suas redes sociais. E apresentou no evento do qual participava no mesmo momento.
Ou seja
Afinidade total. Confira o vídeo a seguir.
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Para quem ainda duvidava da sintonia que existe entre o presidente Lula e o pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos, não resta mais espaço para indagações.
Hoje, 03/07/26
Ocorreu em Garanhuns a inauguração do Instituto de Prevenção Eurídice Ferreira de Mello, unidade de prevenção e diagnóstico de câncer vinculada ao Hospital de Amor. O evento contou com a presença de autoridades políticas. Convidado especial, João Campos estava lá. Durante o evento, João recebeu uma ligação do presidente. Lula pediu que ele tirasse uma foto com a imagem de sua mãe, D. Lindu, antiga moradora do município onde, aliás, Lula nasceu. João interrompeu brevemente a cerimônia, atendeu ao pedido do presidente, que fez colab do vídeo em suas redes sociais. E apresentou no evento do qual participava no mesmo momento.

Ou seja
Afinidade total. Confira o vídeo a seguir.
Prefeito de Camaragibe ganha o troféu " Traíra do Ano"
03/07/2026
A grita de políticos e da imprensa, inclusive nós de O Poder, impediu a insanidade.
Agora, o "traíra", expressão que designa quem trai aqueles que lhe deram a mão, completou sua obra. Abandonou Silvio Costa Filho, aliado de todas as horas, por uma aliada, indicada pela governadora.
É o maior traidor do milênio.
Deu no blog do Magno
"Para elegê-lo, fez de tudo, inclusive convenceu o PSB a retirar a pré-candidatura de um aliado no município. A prova disso está no santinho acima da época da convenção, no qual são destacados, ao lado do então ministro, o presidente Lula e o...
O Poder já alertava desde os primeiros meses da gestão. O prefeito de Camaragibe/PE, Diego Cabral não merecia confiança. Logo, abandonou quem lhe elegeu e trocou de lado, aderindo ao governo em troca de algumas obras. Raquel Teixeira Lyra chegou a tentar tirar o batalhão da PM de São Lourenço, cujo prefeito é do PSB, para Camaragibe , do seu novo aliado.
A grita de políticos e da imprensa, inclusive nós de O Poder, impediu a insanidade.
Agora, o "traíra", expressão que designa quem trai aqueles que lhe deram a mão, completou sua obra. Abandonou Silvio Costa Filho, aliado de todas as horas, por uma aliada, indicada pela governadora.
É o maior traidor do milênio.
Deu no blog do Magno
"Para elegê-lo, fez de tudo, inclusive convenceu o PSB a retirar a pré-candidatura de um aliado no município. A prova disso está no santinho acima da época da convenção, no qual são destacados, ao lado do então ministro, o presidente Lula e o presidente nacional do PSB, João Campos.
Como deputado inicialmente e depois ministro, Sílvio alavancou recursos federais para a gestão de Diego em Camaragibe. Mas o prefeito logo revelou o seu perfil de traidor ao se bandear de imediato para a governadora Raquel Lyra, a troco de migalhas.
Silvio ainda acreditou que o prefeito, mesmo aliado a Raquel, enquanto o ministro tem compromisso com o projeto estadual de João Campos, não farrapasse no acordo firmado lá atrás, de apoiá-lo para federal.
Estava completamente iludido e, ontem, o tempo, que é o senhor da razão, comprovou: foi terrivelmente apunhalado pelas costas. O prefeito sem palavra, fraco e desrespeitoso, se rendeu às pressões da governadora para apoiar outro federal.
Diego, segundo Sílvio Costa acaba de constatar, puxa a fila de políticos cuja palavra é como dinheiro falso: circula bastante, mas não tem valor real na hora de pagar a dívida".
Ratificou quem realmente é.