Especial — Confederação do Equador: A Angústia de Frei Caneca numa Goiana deserta
14/09/2024
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 182...
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 1824) à meia-noite, e não foi pequeno o nosso espanto, quando sem esperarmos a achamos deserta inteiramente. O escuro da noite e o medonho silêncio em que estava sepultada a vila, os uivos dos cães, tudo cooperou para nos encher de terror, e nos julgarmos nos maiores perigos. Corremos várias ruas em busca das pessoas do nosso conhecimento, mas tudo foi baldado; porque a ninguém achamos”.
Duas casas
“Nesta circunstância deparamos com duas casas, em que por estarem com luz acesa nos falaram; mas foi para maior embaraço nosso. Em uma, um soldado cheio de maior terror por ver-nos, e talvez supor-nos inimigos, balbuciava, e nada dizia que fosse coerente; e ainda assim nos informou que toda a tropa já se havia retirado pela estrada da Conceição. Mas outro, que em outra rua nos falou, traiu-nos dizendo-nos que a tropa tomara a estrada de Goiana Grande: era o mesmo que entregar-nos aos ceroulas [provavelmente, ironia popular que queria dizer gente de Milícias e Ordenanças, que lutavam sem farda] de João Baptista Rego, que já haviam tomado o ponto de Pitimbu, e era natural estarem naquelas fronteiras”.
Topografia ignorada
“Os nossos companheiros, que ignoravam a topografia da vila e não sabiam e nem podiam conhecer o laço que nos armava o segundo informante, desconfiados do modo trepidante do primeiro, fiaram-se na segurança com que falou o segundo; e assim assentaram que tomássemos o caminho de Goiana Grande (devia ser a estrada para a Paraíba). Ponderamos-lhes o que sabíamos, dirigindo-nos a mostrar-lhes que jamais podia a força de Goiana seguir aquele destino; mas foi em vão: teimaram os nossos amigos no seu entendimento, e nós por contemporizar seguimo-los; e, ao passar pela frente do Convento do Carmo, nos dirigimos a ele, para que lá tomássemos informação do estado das coisas; mas tudo foi sem fruto”.

Ilusão
“O convento estava aberto e às escuras, ainda assim pelo tino, que nos fazia lembrar dos seus arranjos, por termos por anos habitado aquela casa, nos arriscamos a entrar e subir até o seu antecoro; e por mais que gritamos a chamar quem lá estivesse, ninguém nos respondeu”.
Caráter contemporizador
“Aqui os nossos amigos, que haviam ficado fora, nos chamaram e fizeram-nos acompanhá-los pra Goiana Grande. Sempre tivemos um caráter de contemporizador com os nossos amigos; e, fazendo reflexão sobre os trabalhos porque havíamos passado em nossos dias, conhecemos que tudo devíamos a conselhos alheios; e por este motivo, depois de haverem chegado aos lameirões de Goiana Grande, tomamos a resolução de não nos sacrificar a conselhos sem fundamento algum e inteiramente opostos à nossa salvação. Por isso, fazendo notar aos amigos que eles por não saberem as direções das estradas se iludiram com a aparente segurança do segundo soldado, e que até aquele momento mesmo nós sempre havíamos padecido por sermos escravos da vontade dos nossos amigos, declaramos que fazíamos ponto ali, e começávamos a usar do nosso entendimento; pelo que os não acompanhávamos”.
Retaguarda da força
“Esta nossa resolução salvou a todos, porque eles, dando peso ao nosso juízo, voltaram conosco pela estrada da Soledade; e depois de havermos andado o resto da noite, fomos encontrar com a retaguarda da força duas léguas acima da vila. Aqui já cansados dos trabalhos antecedentes e fatigados do espírito, descansamos em uma casa muito velha; pelo que havia dentro supusemos ser de ladrões; por este fundamento não houve maneira de conciliarmos sono, e passamos no campo, ora assentados, ora deitados, ora passeando até o romper da aurora. Raiando esta, nos pusemos em marcha para chegarmos a Goianinha, onde havia dormido o presidente temporário da Paraíba. A poucos passos fomos encontrando por toda a estrada muitas pessoas do nosso conhecimento, entre as quais foi o tenente-coronel Manuel Inácio de Melo, que no dia antecedente fora aclamado em Goiana comandante-geral daquela força. Da prática que tivemos com ele, não fizemos bom conceito daquela força, e não julgamos segurança alguma no meio dela, por nos ser descrita com uma multidão confusa, sem ordem, sem subordinação e inteiramente anárquica”.

Dia seguinte
“Chegamos afinal a Goianinha, e ali achamos o grosso da divisão e um povo numeroso com algumas famílias honestas; cumprimentamos o presidente (temporário da Paraíba, Felix Antônio Ferreira de Albuquerque, aclamado por cinco das nove vilas paraibanas): desde logo fomos agregados à sua família, e tomamos quartel na mesma morada”. Caneca termina o relato desta noite de medo, narrando o dia seguinte, quando chegou à povoação de Goianinha “que é uma povoação não pequena, e representa ter algum comércio dos gêneros de lavoura. Tem uma igreja pequena; ela e as casas da povoação são de má ou de nenhuma arquitetura; à exceção de mui poucas, as outras são de palhas”.
Presos políticos
Ainda registraria o frade jornalista a sua passagem de volta, na caravana dos presos políticos da Confederação do Equador vindos do sertão do Ceará, em 15 de dezembro de 1824. A guarnição evitou a vila, pernoitando no engenho Bujari. Ia preso, para ser submetido a uma corte marcial, pois seu destino já estava traçado numa portaria imperial de julho daquele ano.
Itinerário
Frei Caneca relatou este momento em seu Itinerário: “(...) fomos chegar a Goiana pelas onze horas da manhã, onde querendo o major Pastorinha (da Paraíba) ficar, resolveu-se, afinal a irmos aquartelar no engenho de Bujari, a meia légua da vila, cuja propriedade pertence ao padre João Álvares de Souza, que nos acolheu muito bem. Aqui fomos visitados por muitos homens liberais de Goiana, que de propósito nos foram abraçar, e oferecer-nos os seus serviços, e nos presentearam com bom peixe e para cearmos, vinho, queijos, frutas e doces. Aí pernoitamos e, sobre a madrugada querendo-nos aprontar para seguirmos a viagem, demos por falta de alguns companheiros nossos. Ao depois de alguma diligência, não se podendo descobrir os fugitivos, saímos ao amanhecer do dia 16 (...)” (CANECA, 2001, p.602/3). Apesar de sua contundente defesa, seu destino já estava traçado pelo português D. Pedro I. Foi fuzilado, no Recife, em 13 de janeiro de 1825.
*Josemir Camilo de Melo é historiador
Leia outras informações
No Senado, Veneziano anuncia voto favorável à redução da escala de trabalho 6x1 sem redução de salários
02/09/2026
Reunião
Foi durante reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Redação – CCJ do Senado Federal que analisa esta e outras propostas de interesse direto da população.
Líder
Como Líder da Maioria no Senado e membro titular da CCJ, Veneziano está em Brasília desde ontem (01) para articular a votação.
“As relações trabalhistas devem alcançar o desejável, que é garantir a lucratividade para quem emprega, mas evidentemente garantindo humanidade, respeito e dignidade a quem trabalha. Nós encontramos milhares de senhores e senhoras empreendedores que tem essa compreensão, que tem esse sentimento humanista, de respeitar o outro, de identificar que uma medida como essa não levará a quebradeiras”, dis...
O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) anunciou hoje, quarta-feira (02/09), o seu voto a favor da Proposta de Emenda à Constituição que reduz a escala de trabalho 6x1, sem redução de salários.
Reunião
Foi durante reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Redação – CCJ do Senado Federal que analisa esta e outras propostas de interesse direto da população.
Líder
Como Líder da Maioria no Senado e membro titular da CCJ, Veneziano está em Brasília desde ontem (01) para articular a votação.
“As relações trabalhistas devem alcançar o desejável, que é garantir a lucratividade para quem emprega, mas evidentemente garantindo humanidade, respeito e dignidade a quem trabalha. Nós encontramos milhares de senhores e senhoras empreendedores que tem essa compreensão, que tem esse sentimento humanista, de respeitar o outro, de identificar que uma medida como essa não levará a quebradeiras”, disse Veneziano, ao anunciar seu voto favorável ao fim da escala 6x1 no Brasil.
A aprovação
A aprovação da PEC é de interesse direto do governo e da esmagadora maioria da população brasileira. Pesquisas recentes apontaram que mais de 80% dos brasileiros apoiam a proposta. A PEC 221/2019 reduz de 44 para 40 horas a jornada máxima semanal e garante dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução de salário. As mudanças serão implementadas de forma gradual. Aprovada na CCJ, a intenção de Veneziano e dos demais membros da CCJ é encaminhar a PEC imediatamente ao Plenário e buscar um calendário especial para acelerar a votação.
Crise no STF - Lula conversou com ministros do Supremo sobre caso Alexandre de Moraes
02/09/2026
Distância da crise do STF
Um dos alvos dos ministros foi o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias. A AGU não avançou com um pedido da PF para contestar André Mendonça sobre o que consideram restrições à PF em relação às investigações do Master e do INSS. Por exemplo, a obrigação de compartilhar com o gabinete do ministro dados brutos das investigações e de comunicar previame...
O presidente Lula procurou ministros do STF diante de mais um desdobramento de uma crise interna, após a divulgação de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A ala mais próxima a Moraes, que conversou com o presidente, acusa André Mendonça, relator do Master, de agir alinhado ao adversário de Lula nas eleições, o senador Flávio Bolsonaro, PL, o que é rechaçado pelo entorno do ministro. Integrantes da Corte reclamaram a Lula sobre o que consideram a falta de uma reação institucional mais contundente do governo diante da crise.
Distância da crise do STF
Um dos alvos dos ministros foi o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias. A AGU não avançou com um pedido da PF para contestar André Mendonça sobre o que consideram restrições à PF em relação às investigações do Master e do INSS. Por exemplo, a obrigação de compartilhar com o gabinete do ministro dados brutos das investigações e de comunicar previamente alterações nas equipes responsáveis pelos inquéritos. O presidente Lula tem sido aconselhado por aliados próximos a evitar defender o ministro Alexandre de Moraes e a manter distância da crise no Supremo.
Congresso Nacional - Comissão aprova fim da 'taxa das blusinhas'
02/09/2026
Fazenda e flexibilidade
A proposta permite que o Ministério da Fazenda zere o imposto nas remessas de até US$ 50 e para até 30% nas remessas de até US$ 3.000. Isso s...
A comissão mista do Congresso Nacional aprovou hoje relatório sobre o fim da chamada 'taxa das blusinhas' (MP 1.357/2026). O texto dá maiores competências ao Ministério da Fazenda sobre esse tipo de tributação. Agora, a proposta precisa passar pelos plenários da Câmara e do Senado. Comissão mista, formada por deputados e senadores, aprovou relatório da senadora Leila Barros de forma simbólica. Quando isso acontece, não há registro nominal dos votos dos parlamentares. A MP acaba com o imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A MP precisa ser convertida em lei até 08/09 para não caducar e imposto voltar a ser cobrado. Reunião realizada hoje ocorre após 2 dias de adiamento. Inicialmente, a análise sobre a medida estava prevista para hoje, 01/09 e ocorreu na manhã de hoje.
Fazenda e flexibilidade
A proposta permite que o Ministério da Fazenda zere o imposto nas remessas de até US$ 50 e para até 30% nas remessas de até US$ 3.000. Isso substitui a regra anterior, que estabelecia alíquotas mínimas de 20% para até US$ 50 e de 60% para até US$ 3.000. O texto dá ao ministro da Fazenda o poder de definir ou modular as alíquotas. A proposta concede maior flexibilidade ao Executivo para alterar as alíquotas, levando em conta fatores como arrecadação, concorrência, comportamento do mercado e impacto para os consumidores. Segundo a relatora, isso é mais adequado do que o Congresso precisar aprovar uma nova lei toda vez que a tributação precisar ser ajustada. O Executivo poderá estabelecer limites de quantidade e frequência para pessoas físicas utilizarem a redução de imposto. A ideia é impedir que alguém fragmente várias compras para tentar se beneficiar indevidamente do regime ou utilize o sistema para fins comerciais. O Ministério da Fazenda terá de fazer uma avaliação periódica dos efeitos da tributação, inicialmente em três meses e depois em intervalos de no máximo seis meses.

Acordo entre Lula, Motta e Alcolumbre
Congresso destravou a votação da pauta após acordo entre Lula e os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. Os três alinharam que as casas dariam prioridade, nesta semana, à tramitação da MP da "taxa das blusinhas", à PEC contra a escala 6x1, ao PL, Projeto de Lei, do Marco Legal dos Minerais Críticos, ao PL da regulação do mercado de minerais críticos e à PEC da Segurança Pública. O período será o último em que o Congresso votará projetos antes da reta final para as disputas nas urnas, que ocorrem em 04/10, para o primeiro, e em 25/10, se houver segundo turno.
Escala 6x1 - CCJ aprova fim da '6x1' e votação vai ao plenário do Senado, último estágio
02/09/2026
Vai ao plenário do Senado
A aprovação na comissão é a penúltima etapa na tramitação. O texto ainda precisa ser analisado no plenário do Senad...
A CCJ, Comissão de Constituição e Justiça, do Senado aprovou hoje, quarta-feira, 02/09, o relatório da PEC, Proposta de Emenda à Constituição, que acaba com a escala 6x1, em que o trabalhador tem apenas 1 dia de folga semanal. A proposta foi aprovada em votação simbólica, quando não há declaração ou contagem de votos. Agora, a comissão analisa um destaque, como é chamada a tentativa de suprimir trechos do texto, do líder da oposição, senador Rogério Marinho, PL, para tirar da Constituição o descanso semanal remunerado preferencialmente aos domingos. O relatório do senador Omar Aziz reproduziu integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em maio. Até o início da votação na CCJ, 36 emendas haviam sido apresentadas, e todas foram rejeitadas pelo relator. A maioria delas foi apresentada pela oposição.
Vai ao plenário do Senado
A aprovação na comissão é a penúltima etapa na tramitação. O texto ainda precisa ser analisado no plenário do Senado, onde são necessários votos de 49 dos 81 senadores. A base do governo Lula, PT, trabalha para que isso aconteça pelo menos antes do segundo turno das eleições.

Oposição e ausência de Flávio
Bolsonaristas já admitiam ontem, 01/09, que o assunto gerava desgaste eleitoral para senadores que são candidatos. Por isso, o enfrentamento ao andamento da proposta foi deixado a senadores que não disputam as eleições deste ano, como é o caso de Rogério Marinho, PL, líder da oposição no Senado e coordenador da campanha do senador Flávio Bolsonaro, PL, a presidente. O candidato não participou da votação na comissão e evitou falar sobre o projeto.
Eleições 2026 - Presidente do TSE mantém peça de campanha de Lula que associa Flávio Bolsonaro ao Master
02/09/2026
Nunes Marques
Segundo o presidente do TSE, parte do diálogo tem autenticidade e cuja finalidade de obtenção de patrocínio para a produção do filme Dark Horse, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, são reconhecidas pela campanha do PL. "É certo que a edição do...
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, rejeitou um pedido do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, contra uma propaganda do adversário do PT, Lula, que o associa ao escândalo do caso Master. Nunes Marques entendeu que a ligação é própria da crítica política e ressaltou que não houve tentativa de implicar autoria ou de participação nas fraudes investigadas. A propaganda do candidato do PT questionada apresenta Flávio Bolsonaro com cortes de entrevista e áudio sobre o Master. A peça afirma ainda que "quem mentiu foi Flávio Bolsonaro, flagrado pela Polícia Federal pedindo 134 milhões” e “Flávio Bolsonaro, não dá para confiar. O pior dos Bolsonaros”.

Nunes Marques
Segundo o presidente do TSE, parte do diálogo tem autenticidade e cuja finalidade de obtenção de patrocínio para a produção do filme Dark Horse, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, são reconhecidas pela campanha do PL. "É certo que a edição do trecho impugnado procura aproximar a imagem do requerente do escândalo envolvendo a instituição financeira e produzir percepção eleitoral desfavorável. Essa finalidade, entretanto, é própria da propaganda crítica dirigida a candidato adversário e somente autoriza a intervenção judicial quando fundada em premissa objetivamente falsa ou em manipulação grave do contexto, circunstâncias que não se evidenciam de plano", escreveu Nunes Marques.
Mendonça diz que recebeu Vorcaro 'uma vez' para tratar sobre precatórios, antes de se tornar relator do caso Master
02/09/2026
Nota de Mendonça
"O ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo", diz a nota. "No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro". Segundo a nota do gabinete de Mendonç...
O ministro André Mendonça, do STF, divulgou uma nota hoje, quarta-feira, 02/09, na qual confirma que se reuniu com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no início do ano passado, para tratar de um caso sobre precatórios em julgamento no Supremo. A manifestação do ministro foi divulgada após publicação do "ICL Notícias" revelar que o advogado Ciro Rocha Soares, próximo de Vorcaro, enviou uma mensagem ao banqueiro discutindo um suposto encontro com Mendonça. A reunião ocorreu antes de o ministro virar relator do caso Master na Corte, em fevereiro de 2026.
Nota de Mendonça
"O ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo", diz a nota. "No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro". Segundo a nota do gabinete de Mendonça, a reunião aconteceu em março e o assunto tratado foi a Suspensão de Tutela Provisória, STP, 976, que estava sob julgamento do STF. O caso discutia créditos de precatórios de interesse do Master, mas se encontrava, na data da reunião, sob pedido de vista. Segundo Mendonça, "o empresário buscou interlocução semelhante com outros integrantes do STF para tratar do mesmo assunto", de interesse do Master.

Nota do advogado e mensagem para Vorcaro
Em nota, o advogado afirmou que "tentar marcar conversas com magistrados é uma prática natural", e que não há "irregularidade nos relatos. Também afirmou que no período da conversa Daniel Vorcaro não era investigado e Mendonça não era relator do caso. As conversas foram retiradas do celular de Daniel Vorcaro, apreendido pela PF durante a Operação Compliance Zero. “Opa, Dani!!! Preciso muito falar com você. O A.M. quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes”, escreveu o advogado a Vorcaro. Em outra mensagem, enviada em 7 de fevereiro de 2025, acrescentou: “Muito importante sua ida nele junto comigo”. "Marca quarta", respondeu Vorcaro. O advogado retomou o assunto no dia seguinte com o banqueiro, e enviou uma foto ao lado de Mendonça. "O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele", disse o advogado a Vorcaro, fazendo uma referência provável ao deputado Cezinha de Madureira, PL. Nos registros, o advogado teria dito a Vorcaro que foi com Mendonça em uma alfaiataria. "Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”, escreveu Ciro Rocha Soares.
Caso Master - PGR assina acordo de delação com fundador da Reag, segue para Mendonça homologar
02/09/2026
André Mendonça
O acordo de delação já foi enviado pela PGR ao gabinete do ministro do STF, André Mendonça. Nos próximos dias, Mendonça deve marcar uma audiência para ouvir o colaborador sobre a espontaneidade de sua colaboração e analisar se o acordo atende aos critérios legais. Depois d...
A PGR assinou um acordo de delação premiada com o fundador da gestora Reag, João Carlos Mansur. Nos depoimentos já prestados e nas informações entregues aos investigadores, Mansur deu novos detalhes sobre os crimes financeiros de Daniel Vorcaro e do Banco Master, além de ter delatado outros personagens envolvidos no esquema. Trata-se da primeira delação firmada pela PGR dentro das investigações da Operação Compliance Zero. Procurada, a defesa de Mansur não se manifestou. A gestora Reag operou diversos fundos de investimentos usados por Vorcaro para a retirada de recursos do sistema financeiro para seu patrimônio pessoal ou para pagamentos de propina.

André Mendonça
O acordo de delação já foi enviado pela PGR ao gabinete do ministro do STF, André Mendonça. Nos próximos dias, Mendonça deve marcar uma audiência para ouvir o colaborador sobre a espontaneidade de sua colaboração e analisar se o acordo atende aos critérios legais. Depois disso, o ministro decide se homologa a delação, o que significa um aval jurídico para que o acordo possa ser utilizado como meio de prova. Com isso, Mansur se tornaria efetivamente um colaborador. A proposta de delação apresentada por Mansur contemplava ao menos 17 temas diferentes e uma multa de R$ 40 milhões. O acordo de Mansur torna ainda mais difícil a perspectiva de avançar uma 3a proposta de delação premiada do próprio Vorcaro. O banqueiro mudou sua equipe de defesa para tentar retomar as conversas, mas os investigadores não têm demonstrado interesse no assunto. Os investigadores consideraram que Mansur entregou detalhes mais inéditos e mais relevantes sobre o caminho dos recursos desviados no esquema do Banco Master.
Poema da Imoralidade Superior - Por Emanuel Silva*
02/09/2026
Enjoo.
Vontade de vomitar.
Capa suja, bolso fundo.
Palavra alta, mão suja.
Quem deveria dar exemplo
de seguir a máxima lei
atua nas escuras,
ergue a balança
e o prato pende pro lado
do amigo, do aliado,
do banqueiro encalacrado.
Nojo.
Enjoo.
Vontade de vomitar.
Escândalos pingam
como gordura fria no chão:
contratos que cheiram a privilégio,
inquéritos seletivos,
impunidade com nome e sobrenome.
Nojo.
Enjoo.
Vontade de vomitar.
O povo engole, passa fome
e o estômago revira.
Nas trevas se assinam
acordos e absolvições
enquanto a luz da moral
fica apagada de propósito.
Nojo.
Enjoo.
Vontade de vomitar.
E houvesse ainda dignidade…
restaria um resto de vergonha
no espelho rachado.
Mas só sobra o reflexo distorcido...
Nojo.
Enjoo.
Vontade de vomitar.
Capa suja, bolso fundo.
Palavra alta, mão suja.
Quem deveria dar exemplo
de seguir a máxima lei
atua nas escuras,
ergue a balança
e o prato pende pro lado
do amigo, do aliado,
do banqueiro encalacrado.
Nojo.
Enjoo.
Vontade de vomitar.
Escândalos pingam
como gordura fria no chão:
contratos que cheiram a privilégio,
inquéritos seletivos,
impunidade com nome e sobrenome.
Nojo.
Enjoo.
Vontade de vomitar.
O povo engole, passa fome
e o estômago revira.
Nas trevas se assinam
acordos e absolvições
enquanto a luz da moral
fica apagada de propósito.
Nojo.
Enjoo.
Vontade de vomitar.
E houvesse ainda dignidade…
restaria um resto de vergonha
no espelho rachado.
Mas só sobra o reflexo distorcido
de quem julga
e se absolve
nas escuras.
Nojo.
Enjoo.
Vontade de vomitar.
*Emanuel Silva, é Professor e Cronista.

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder respeita a diversidade de ideias e a liberdade de pensamento e publica textos mesmo discordando do seu conteúdo e da sua forma.
A crise do discurso analógico na era da velocidade, por Zé da Flauta*
02/09/2026
Nas redes sociais, esse ritmo ruiu. As plataformas funcionam na velocidade do real-time: um fato acontece e, em minutos, surgem checagens paralelas, vídeos desmentindo discursos oficiais, memes e interpretações alternativas. O discurso tradicional da esquerda frequentemente soa lento, formal, professoral ou desconectado da linguagem ágil e direta. Quando uma narrativa oficial tenta se impor, a comunidade digital descentralizada desmonta a versão a uma velocidade que a velha mídia simplesmente não consegue acompanhar.
Descentralização
A grande virada do século XXI foi a democratização dos meios de p...
Historicamente, o campo progressista construiu sua hegemonia discursiva apoiado em grandes veículos de comunicação, na academia, em sindicatos e no meio cultural, canais que dependem de um tempo longo de elaboração, validação e difusão de ideias. Esse modelo "analógico" funciona de forma top-down (de cima para baixo) e centralizada.
Nas redes sociais, esse ritmo ruiu. As plataformas funcionam na velocidade do real-time: um fato acontece e, em minutos, surgem checagens paralelas, vídeos desmentindo discursos oficiais, memes e interpretações alternativas. O discurso tradicional da esquerda frequentemente soa lento, formal, professoral ou desconectado da linguagem ágil e direta. Quando uma narrativa oficial tenta se impor, a comunidade digital descentralizada desmonta a versão a uma velocidade que a velha mídia simplesmente não consegue acompanhar.
Descentralização
A grande virada do século XXI foi a democratização dos meios de produção de conteúdo. Antigamente, contava-se a história a partir de poucos filtros editores. Hoje, qualquer cidadão com um smartphone, um perfil em rede social ou um canal de vídeo atua como um veículo de comunicação independente. Essa descentralização enfraqueceu drasticamente a capacidade de governos ou grupos políticos tradicionais controlarem a pauta pública.
O que antes levava dias para ser contestado na imprensa tradicional agora é desmentido em segundos por usuários comuns que cruzam dados, resgatam vídeos antigos e apontam contradições em tempo real. A narrativa dominada por intelectuais e especialistas perdeu apelo frente à comunicação direta, muitas vezes visceral e humorística, produzida por criadores de conteúdo independentes, sem depender de verbas publicitárias estatais ou de grandes corporações.
O Debate
A reação institucional a esse novo cenário é o ponto de maior tensão política no mundo hoje. À medida que o ambiente digital se tornou o principal campo de batalha eleitoral, intensificaram-se as iniciativas judiciais e governamentais para conter o fluxo de informações não checadas ou classificadas como desinformação. Por um lado, o ecossistema digital foi tomado por fake news, discurso de ódio e campanhas coordenadas de desestabilização democrática, o que justificaria a intervenção estatal, a desmonetização de canais e a remoção de perfis.
Por outro lado, críticos libertários, enxergam nessas ações uma clara tentativa de censura prévia, perseguição política e estrangulamento financeiro de opositores. Vencer o debate de ideias no campo aberto da internet leva grupos no poder a usarem a força do Estado (via Judiciário e regulação de plataformas) para silenciar vozes opositoras e reter o controle sobre o fluxo informativo.
A Realidade
A transformação é irreversível: o modelo de comunicação monopolizado e analógico perdeu a batalha da eficiência contra a rede descentralizada. Tentar conter a circulação de informação na internet apenas com ferramentas punitivas costuma gerar o chamado "Efeito Streisand", onde a tentativa de suprimir um dado ou opinião aumenta ainda mais a sua visibilidade e gera maior desconfiança do público em relação às instituições. O futuro da disputa política passa, inevitavelmente, pela capacidade de convencer em um ambiente onde a verdade e a mentira disputam espaço em tempo real, sob o olhar atento de milhões de telas conectadas.
Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista

Candidato ao Senado pela Paraíba, André Gadelha defende que mandatos de ministros do STF tenham prazo de validade
02/09/2026
É favorável
André Gadelha garantiu que é a favor do afastamento de ministros envolvidos em casos de corrupção.
“A favor do afastamento e, mais ainda, eu sou a favor de que o mandato do ministro do STF tenha prazo de finalidade. Eu já acho o mandato de senador já extenso: eu tenho duas filhas, tenho gêmeas de 10 anos. Se eu ganhar a eleição, com as graças de Deus, para o Senado, quando terminar o meu mandato, elas já serão maiores de idade. Imagine um mandato de um ministro do Supremo vitalício, se aposentar aos 75 anos, então, tem que ter prazo”, indagou.
Posicionamento firme
Ainda sobre as suspeitas de corrupção envolvendo ministros do...
Ao ser entrevistado pela TV Cabo Branco em João Pessoa, hoje, quarta-feira (02/09), o candidato ao Senado Federal pela Paraíba, André Gadelha (MDB), defendeu que os mandatos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham prazo de validade.
É favorável
André Gadelha garantiu que é a favor do afastamento de ministros envolvidos em casos de corrupção.
“A favor do afastamento e, mais ainda, eu sou a favor de que o mandato do ministro do STF tenha prazo de finalidade. Eu já acho o mandato de senador já extenso: eu tenho duas filhas, tenho gêmeas de 10 anos. Se eu ganhar a eleição, com as graças de Deus, para o Senado, quando terminar o meu mandato, elas já serão maiores de idade. Imagine um mandato de um ministro do Supremo vitalício, se aposentar aos 75 anos, então, tem que ter prazo”, indagou.
Posicionamento firme
Ainda sobre as suspeitas de corrupção envolvendo ministros do STF, André Gadelha afirmou que, caso eleito senador, terá um posicionamento firme sobre o tema. Segundo ele, autoridades devem ser responsabilizadas quando houver irregularidades.
“Por bem menos, deputados federais são afastados. Por bem menos, as pessoas são presas. Então, nós não podemos admitir isso. Vou ter um posicionamento muito forte em relação a isso. Quem deve tem que pagar. Isso eu não vou tirar da minha cabeça. Sou sertanejo, cara, gosto de ser justo. Gosto de ser justo”, afirmou.
O Poder