Especial — Confederação do Equador: A Angústia de Frei Caneca numa Goiana deserta
14/09/2024
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 182...
Há 200 anos, a vila de Goiana vivenciou uma cena inédita e angustiante. Ninguém saberia disto se não houvesse um relato escrito (CANECA, 2001, p.573-575). Frei Caneca e alguns confederados, fugindo dos ataques da tropa imperial, que bombardeava com canhoneios a partir da frota no porto, chegou a Goiana, depois de atravessar de Olinda a Igaraçu. Vinha camuflado, se escondendo pelo mato com três ou quatro companheiros paisanos e alguns soldados. Chegou tarde da noite e a vila dormia no seu remanso ainda colonial, pois não havia nenhum sinal físico da Independência no arruado urbano. Apenas o novo era a igreja da Conceição, consagrada por volta do começo daquele século. Por onde teria vindo o frade, como atravessara o Tracunhaém, principalmente à noite? Falta ainda um mapa físico e mental de Goiana destes dias. Vamos ao que o frade relatou.
Deserta
“Chegamos a esta vila (Goiana, em 18 de setembro de 1824) à meia-noite, e não foi pequeno o nosso espanto, quando sem esperarmos a achamos deserta inteiramente. O escuro da noite e o medonho silêncio em que estava sepultada a vila, os uivos dos cães, tudo cooperou para nos encher de terror, e nos julgarmos nos maiores perigos. Corremos várias ruas em busca das pessoas do nosso conhecimento, mas tudo foi baldado; porque a ninguém achamos”.
Duas casas
“Nesta circunstância deparamos com duas casas, em que por estarem com luz acesa nos falaram; mas foi para maior embaraço nosso. Em uma, um soldado cheio de maior terror por ver-nos, e talvez supor-nos inimigos, balbuciava, e nada dizia que fosse coerente; e ainda assim nos informou que toda a tropa já se havia retirado pela estrada da Conceição. Mas outro, que em outra rua nos falou, traiu-nos dizendo-nos que a tropa tomara a estrada de Goiana Grande: era o mesmo que entregar-nos aos ceroulas [provavelmente, ironia popular que queria dizer gente de Milícias e Ordenanças, que lutavam sem farda] de João Baptista Rego, que já haviam tomado o ponto de Pitimbu, e era natural estarem naquelas fronteiras”.
Topografia ignorada
“Os nossos companheiros, que ignoravam a topografia da vila e não sabiam e nem podiam conhecer o laço que nos armava o segundo informante, desconfiados do modo trepidante do primeiro, fiaram-se na segurança com que falou o segundo; e assim assentaram que tomássemos o caminho de Goiana Grande (devia ser a estrada para a Paraíba). Ponderamos-lhes o que sabíamos, dirigindo-nos a mostrar-lhes que jamais podia a força de Goiana seguir aquele destino; mas foi em vão: teimaram os nossos amigos no seu entendimento, e nós por contemporizar seguimo-los; e, ao passar pela frente do Convento do Carmo, nos dirigimos a ele, para que lá tomássemos informação do estado das coisas; mas tudo foi sem fruto”.

Ilusão
“O convento estava aberto e às escuras, ainda assim pelo tino, que nos fazia lembrar dos seus arranjos, por termos por anos habitado aquela casa, nos arriscamos a entrar e subir até o seu antecoro; e por mais que gritamos a chamar quem lá estivesse, ninguém nos respondeu”.
Caráter contemporizador
“Aqui os nossos amigos, que haviam ficado fora, nos chamaram e fizeram-nos acompanhá-los pra Goiana Grande. Sempre tivemos um caráter de contemporizador com os nossos amigos; e, fazendo reflexão sobre os trabalhos porque havíamos passado em nossos dias, conhecemos que tudo devíamos a conselhos alheios; e por este motivo, depois de haverem chegado aos lameirões de Goiana Grande, tomamos a resolução de não nos sacrificar a conselhos sem fundamento algum e inteiramente opostos à nossa salvação. Por isso, fazendo notar aos amigos que eles por não saberem as direções das estradas se iludiram com a aparente segurança do segundo soldado, e que até aquele momento mesmo nós sempre havíamos padecido por sermos escravos da vontade dos nossos amigos, declaramos que fazíamos ponto ali, e começávamos a usar do nosso entendimento; pelo que os não acompanhávamos”.
Retaguarda da força
“Esta nossa resolução salvou a todos, porque eles, dando peso ao nosso juízo, voltaram conosco pela estrada da Soledade; e depois de havermos andado o resto da noite, fomos encontrar com a retaguarda da força duas léguas acima da vila. Aqui já cansados dos trabalhos antecedentes e fatigados do espírito, descansamos em uma casa muito velha; pelo que havia dentro supusemos ser de ladrões; por este fundamento não houve maneira de conciliarmos sono, e passamos no campo, ora assentados, ora deitados, ora passeando até o romper da aurora. Raiando esta, nos pusemos em marcha para chegarmos a Goianinha, onde havia dormido o presidente temporário da Paraíba. A poucos passos fomos encontrando por toda a estrada muitas pessoas do nosso conhecimento, entre as quais foi o tenente-coronel Manuel Inácio de Melo, que no dia antecedente fora aclamado em Goiana comandante-geral daquela força. Da prática que tivemos com ele, não fizemos bom conceito daquela força, e não julgamos segurança alguma no meio dela, por nos ser descrita com uma multidão confusa, sem ordem, sem subordinação e inteiramente anárquica”.

Dia seguinte
“Chegamos afinal a Goianinha, e ali achamos o grosso da divisão e um povo numeroso com algumas famílias honestas; cumprimentamos o presidente (temporário da Paraíba, Felix Antônio Ferreira de Albuquerque, aclamado por cinco das nove vilas paraibanas): desde logo fomos agregados à sua família, e tomamos quartel na mesma morada”. Caneca termina o relato desta noite de medo, narrando o dia seguinte, quando chegou à povoação de Goianinha “que é uma povoação não pequena, e representa ter algum comércio dos gêneros de lavoura. Tem uma igreja pequena; ela e as casas da povoação são de má ou de nenhuma arquitetura; à exceção de mui poucas, as outras são de palhas”.
Presos políticos
Ainda registraria o frade jornalista a sua passagem de volta, na caravana dos presos políticos da Confederação do Equador vindos do sertão do Ceará, em 15 de dezembro de 1824. A guarnição evitou a vila, pernoitando no engenho Bujari. Ia preso, para ser submetido a uma corte marcial, pois seu destino já estava traçado numa portaria imperial de julho daquele ano.
Itinerário
Frei Caneca relatou este momento em seu Itinerário: “(...) fomos chegar a Goiana pelas onze horas da manhã, onde querendo o major Pastorinha (da Paraíba) ficar, resolveu-se, afinal a irmos aquartelar no engenho de Bujari, a meia légua da vila, cuja propriedade pertence ao padre João Álvares de Souza, que nos acolheu muito bem. Aqui fomos visitados por muitos homens liberais de Goiana, que de propósito nos foram abraçar, e oferecer-nos os seus serviços, e nos presentearam com bom peixe e para cearmos, vinho, queijos, frutas e doces. Aí pernoitamos e, sobre a madrugada querendo-nos aprontar para seguirmos a viagem, demos por falta de alguns companheiros nossos. Ao depois de alguma diligência, não se podendo descobrir os fugitivos, saímos ao amanhecer do dia 16 (...)” (CANECA, 2001, p.602/3). Apesar de sua contundente defesa, seu destino já estava traçado pelo português D. Pedro I. Foi fuzilado, no Recife, em 13 de janeiro de 1825.
*Josemir Camilo de Melo é historiador
Leia outras informações
Lula pede, durante ato em Belo Horizonte, maior presença de mulheres na Câmara e no Senado
29/08/2026
presidente Lula, candidato à reeleição, defendeu que as mulheres apoiem cada vez mais as candidaturas femininas para vagas no Senado Federal e na Câmara dos Deputados.
Em palanque formado quase exclusivamente por mulheres, com as candidatas ao Senado Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL), além de ministras do governo federal e aliadas, Lula citou ações do governo para combater a desigualdade de gênero no país.
As exceções masculinas no palanque foram Patrus Ananias (PT), candidato a governador, e Jarbas Soares (PSB), candidato a vice na chapa petista.
“Maioria da população”
“Nunca participei de um evento em que estivesse praticamente só mulheres e que só dois homens falaram: o Patrus e eu. Há uma profunda satisfação de estar aqui hoje discutindo com as pessoas que representam a maioria da população brasileira, com as pessoas que...
Durante ato realizado na manhã deste sábado (29/08) em Belo Horizonte (MG), o
presidente Lula, candidato à reeleição, defendeu que as mulheres apoiem cada vez mais as candidaturas femininas para vagas no Senado Federal e na Câmara dos Deputados.
Em palanque formado quase exclusivamente por mulheres, com as candidatas ao Senado Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL), além de ministras do governo federal e aliadas, Lula citou ações do governo para combater a desigualdade de gênero no país.
As exceções masculinas no palanque foram Patrus Ananias (PT), candidato a governador, e Jarbas Soares (PSB), candidato a vice na chapa petista.
“Maioria da população”
“Nunca participei de um evento em que estivesse praticamente só mulheres e que só dois homens falaram: o Patrus e eu. Há uma profunda satisfação de estar aqui hoje discutindo com as pessoas que representam a maioria da população brasileira, com as pessoas que cuidam das famílias, que cuidam de até três atividades por dia, sem ter com quem se queixar”, afirmou o candidato.
De acordo com Lula, “nunca na história deste país se fez tanto do ponto de vista da participação das mulheres”. O presidente candidato, porém, acrescentou que considera necessário que o Brasil cuide bem “para que todas as mulheres saibam dos direitos que elas têm”.
“Por isso precisamos ter muito cuidado, senão vocês vão sair daqui e esquecer o que eu falei. Temos de assegurar ainda mais políticas para que meninas e mulheres brasileiras tenham uma vida livre de violência e saudáveis, garantir que as mulheres possam escolher a vida e a profissão que elas quiserem”, enfatizou.
— Com Agências de Notícias
Flávio Bolsonaro busca novos apoios para sua campanha na chamada “Costa Verde do Rio de Janeiro”
29/08/2026
Ao lado de apoiadores, o candidato disse que os dois atos foram programados em sequência pelo fato de o Rio de Janeiro ser o berço político da sua família. Flávio pediu apoio para si e para a campanha de Douglas Ruas (PL), que disputa o governo do Rio de Janeiro. Além dos candidatos a parlamentares pelo PL, como foi o caso Renato Araújo (PL), aliado que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Segurança pública
O candidato voltou a citar El Salvador como referência para suas propostas de segurança pública. Disse que pretende conversar com o atual Ministro da Justiça e Segurança Pública de...
O candidato do PL à presidência da República, Flávio Bolsonaro, está percorrendo desde o início deste sábado (29/08) toda a região de Angra dos Reis (RJ) por meio de uma motocarreata e uma "barqueata". O percurso, conforme informaram organizadores da sua campanha, engloba todos os municípios que formam a chamada “Costa Verde” do Rio de Janeiro.
Ao lado de apoiadores, o candidato disse que os dois atos foram programados em sequência pelo fato de o Rio de Janeiro ser o berço político da sua família. Flávio pediu apoio para si e para a campanha de Douglas Ruas (PL), que disputa o governo do Rio de Janeiro. Além dos candidatos a parlamentares pelo PL, como foi o caso Renato Araújo (PL), aliado que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Segurança pública
O candidato voltou a citar El Salvador como referência para suas propostas de segurança pública. Disse que pretende conversar com o atual Ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, sobre as políticas adotadas naquele país relacionadas ao combate às organizações criminosas.
Ele também defendeu a classificação de facções como o PCC [Primeiro Comando da Capital] e o CV [Comando Vermelho] como organizações “narcoterroristas”. Criticou a reforma tributária e disse que tentará implantar medidas que reduzem impostos, caso seja eleito.
— Com Agências de Notícias
Quem não começou a trabalhar cedo para essas eleições vai comer poeira, afirma o analista político Marcelo S.Tognozzi*
29/08/2026
Tinha 73 anos, menos que os atuais 80 anos de Lula ou os 76 de Ronaldo Caiado. Era muito conhecido Brasil afora, mas a sociedade queria mudança de rumo radical, algo novo. Foi assim que Fernando Collor, então governador de Alagoas, começou a se tornar o queridinho daquele momento histórico, as primeiras eleições desde 1960.
Collor foi um deputado do baixo clero, um playboy de Brasília, rico e dono de jornal e emissora de TV em Alagoas. Antes de chegar à Câmara foi prefeito de Maceió. Em 1986, se elegeu governador, investiu numa campanha nacional e logo ficou conhecido c...
Em 1989 o deputado Ulysses Guimarães disputou a presidência da República depois de ter sido maestro da redemocratização, presidido seu partido, o PMDB, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Nacional Constituinte. Ele vinha da resistência à ditadura, da campanha pela anistia e as Diretas-Já. Mas naquela eleição o velho timoneiro acabou com 4,43% dos votos, amargando um 5º lugar no 1º turno.
Tinha 73 anos, menos que os atuais 80 anos de Lula ou os 76 de Ronaldo Caiado. Era muito conhecido Brasil afora, mas a sociedade queria mudança de rumo radical, algo novo. Foi assim que Fernando Collor, então governador de Alagoas, começou a se tornar o queridinho daquele momento histórico, as primeiras eleições desde 1960.
Collor foi um deputado do baixo clero, um playboy de Brasília, rico e dono de jornal e emissora de TV em Alagoas. Antes de chegar à Câmara foi prefeito de Maceió. Em 1986, se elegeu governador, investiu numa campanha nacional e logo ficou conhecido como o Caçador de Marajás batendo nos supersalários de funcionários públicos. Com 40 anos, foi eleito presidente da República. O resto da história conhecemos bem.
Início deveria ter sido 2023
Collor mostrou ser possível sair de um estado pequeno para o Palácio do Planalto investindo em comunicação, se fazendo conhecido na mídia e caindo na boca do povo. Esta eleição de 2026 polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro poderia ter sido diferente se Ronaldo Caiado e Romeu Zema tivessem saído da toca já em 2023, investindo pesado em comunicação e viagens Brasil afora.
Ambos tinham sido reeleitos no 1º turno e estavam super bem na foto. O eleitor deu a eles régua e compasso e muito o que mostrar. Tanto Caiado quanto Zema já haviam decidido concorrer a presidente depois de reeleitos. Só não tratavam disso publicamente para não queimar o filme. Poderiam ter usado aqueles três anos para percorrer sistematicamente o Brasil, construir relações políticas e empresariais, aproximarem-se de lideranças regionais e, principalmente, apresentarem seus modelos de governo a eleitores que pouco sabiam sobre Goiás ou Minas Gerais. Mas preferiram não apostar numa estratégia viável mirando o eleitorado nacional.
Deveriam ter rodado o Brasil como fez Bolsonaro a partir de 2015, trabalhando o interior onde estão concentrados 75% dos votos, contra 25% nas capitais, de acordo com o TSE. Ficaram em casa, perderam o timing e estão pagando caro por isso, encalhados em 5%, 4% ou qualquer coisa abaixo de 10% conforme a pesquisa. Se engana quem imagina que eleição se vence com rede social. O efeito de uma agenda presencial é enorme, porque o eleitor passa a ver o candidato como ele é, pode apertar sua mão, notar quem está ao seu lado, ouvir sua voz. É o político real.
Conta passou a incomodar
Zema fez algumas poucas viagens para além das alterosas, todas insuficientes para torná-lo conhecido e desejado como candidato para os milhões de brasileiros que vivem fora de Minas. No caso de Caiado, reportagem de janeiro de 2025 do jornal Opção, de Goiás, informou que o então governador preparava uma agenda de viagens pelo país. Ou seja: menos de dois anos da eleição a imprensa goiana mostrava que a agenda nacional ainda não tinha saído do papel para um candidato com o diferencial da capilaridade do agro.
Aí a conta começou a chegar e a incomodar. Em novembro de 2025, levantamento da Quaest indicava que 49% dos brasileiros não conheciam Romeu Zema, que na mesma pesquisa registrava apenas 6% das intenções de voto. Caiado enfrentava problema semelhante: era desconhecido por 51% e tinha 5% das preferências. Meses depois, piorou. O Datafolha de abril de 2026 mostrava 56% dizendo não conhecer Zema e 54% desconheciam Caiado. Estavam estacionados na casa dos 5% a 7% das intenções de voto. E lá ficaram.
Ou seja: em 2025, a menos de um ano da eleição, continuavam sendo políticos regionais. Caiado e Zema precisavam, portanto, realizar duas operações simultâneas: ter identidade própria e candidatura conhecida nos quatro cantos do Brasil. Não bastava dizer que Goiás tinha melhorado ou que Minas colocara salários em dia. Era necessário explicar que Brasil pretendiam governar e conquistar o maior número possível de corações e mentes.
Falta de boa estratégia
O problema é que nenhum deles deu solução para isso. Caiado ensaiou um discurso de gestão técnica e segurança pública, flertando com uma direita pragmática, mas sem romper claramente com o bolsonarismo. Zema, por sua vez, tentou se posicionar como alternativa liberal e modernizadora, mas oscilou entre críticas veladas ao ex-presidente e gestos de aproximação ao seu eleitorado.
A falta de uma boa estratégia custou caro, porque não conquistaram e muito menos ocuparam territórios políticos além das suas fronteiras. Viajar pelo Brasil não garante votos, mas ajuda muito a construir empatia e familiaridade. O candidato passa a fazer parte da vida das pessoas, mesmo aquelas que poderiam não votar nele.
Os mais velhos lembram das famosas caravanas de Lula pelo Brasil nas eleições de 1994, 1998 e 2002. Ele chegou a cruzar o rio São Francisco de barco, perambulou pelo sertão, foi à Amazônia, ao Vale do Jequitinhonha, debateu com as comunidades do Rio, com os gaúchos, rodou tudo o que poderia rodar. Quando ganhou em 2002, sem rede social, sem caneta e diário oficial, era personagem do imaginário popular.
Começo tem de ser cedo
Boas intenções e trajetória de vida limpa não ganham eleição. Doutor Ulysses é o maior exemplo, como já vimos. O Brasil tem calendário eleitoral curto. Portanto, quem não começa a trabalhar cedo vai comer poeira. Especialmente num pleito onde os dois principais concorrentes são um presidente sentado na cadeira e o herdeiro político de um ex-presidente vitimizado pela prisão, o isolamento e a saúde precária.
Faltando 36 dias para a eleição, Zema e Caiado continuam mais desconhecidos que conhecidos. Perderam a oportunidade. Deixaram Kairós passar, como diziam os gregos. Era o deus da oportunidade. Tinha longos cabelos escorrendo pela testa e uma reluzente careca atrás da cabeça. Caiado e Zema não agarraram Kairós pelos cabelos e ele se foi.
*Marcelo S. Tognozzi é jornalista e consultor. Uma das principais referências da imprensa brasileira contemporânea.
NR - Autorizada a postagem do artigo, originalmente publicado no Poder360. O título foi mudado e os intertítulos inseridos à revelia do autor.
Com eleição a todo vapor, Câmara estabelece próxima semana de esforço concentrado para votações
29/08/2026
Dentre os itens, cujos prazos de votação preocupam as bancadas estão três Medidas Provisórias (MPs) e dois Projetos de Lei (PLs). Uma das MPs a ser votada é a que acaba com a famosa “taxa das blusinhas” (o imposto de Importação para compras de até 50 dólares).
Mototaxistas e entregadores por apps
As outras duas são a que simplifica regras para atividade de mototaxistas e a que cria linha de financiamento para entregadores de aplicativo comprarem motos e bicicletas elétricas.
A pauta da semana também inclui outros 16 projetos, que poderão ser votados em sessões de votação na segunda, na terça-feira (1º/09), na quarta (02/09) e na quinta-feir...
Com a campanha eleitoral a todo vapor e pautas pendentes de votação, a Câmara dos Deputados estabeleceu para a semana que se inicia um período de esforço concentrado já a partir de segunda-feira (31/08), a partir das 18h. E solicitou aos deputados federais que compareçam a Brasília.
Dentre os itens, cujos prazos de votação preocupam as bancadas estão três Medidas Provisórias (MPs) e dois Projetos de Lei (PLs). Uma das MPs a ser votada é a que acaba com a famosa “taxa das blusinhas” (o imposto de Importação para compras de até 50 dólares).
Mototaxistas e entregadores por apps
As outras duas são a que simplifica regras para atividade de mototaxistas e a que cria linha de financiamento para entregadores de aplicativo comprarem motos e bicicletas elétricas.
A pauta da semana também inclui outros 16 projetos, que poderão ser votados em sessões de votação na segunda, na terça-feira (1º/09), na quarta (02/09) e na quinta-feira (03/09).
Tudo normal no Senado
Destacam-se também, entre as propostas, a que amplia o prazo para dedução no Imposto de Renda de doações aos programas de apoio à atenção oncológica e de atenção da saúde da pessoa com deficiência e a que institui a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica.
Ferramenta amplia detecção de deepfakes: imagens falsas de candidatos e candidatas nestas eleições
29/08/2026
A iniciativa atua de forma a ampliar a capacidade de rastreio, no YouTube, de materiais sintéticos e deepfakes que explorem indevidamente a identidade de postulantes aos cargos públicos durante o período eleitoral, reduzindo os riscos associados ao uso inadequado da tecnologia no pleito.
Direitos fundamentais
Segundo o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, a iniciativa representa um esforço conjunto para preservar direitos fundamentais no ambiente digital e fortalecer a con...
Está no ar uma nova campanha do Google do Brasil e da Justiça Eleitoral para estimular candidatas e candidatos das Eleições Gerais de 2026 a utilizarem a ferramenta de Detecção por Semelhanças do YouTube (Likeness ID). Desenvolvida pela plataforma, a tecnologia está disponível para usuários maiores de 18 anos e é capaz de identificar conteúdos gerados por inteligência artificial (IA) que reproduzem a imagem de uma pessoa.
A iniciativa atua de forma a ampliar a capacidade de rastreio, no YouTube, de materiais sintéticos e deepfakes que explorem indevidamente a identidade de postulantes aos cargos públicos durante o período eleitoral, reduzindo os riscos associados ao uso inadequado da tecnologia no pleito.
Direitos fundamentais
Segundo o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, a iniciativa representa um esforço conjunto para preservar direitos fundamentais no ambiente digital e fortalecer a confiança no processo eleitoral.
“Tenho certeza de que a união dos setores público e privado, em prol dos valores democráticos, é uma das mais significativas expressões do texto constitucional”, destacou.
De acordo com o ministro, a parceria tem especial relevância diante do potencial de dano decorrente do uso inadequado da inteligência artificial generativa em períodos eleitorais.
Isto porque permitirá que os próprios candidatos acompanhem a utilização de sua imagem no ambiente digital e adotem as medidas cabíveis ao identificarem conteúdos potencialmente irregulares.
Segurança e confiabilidade
O presidente do Google Brasil e vice-presidente da Google Inc., Fábio Coelho, por sua vez, destacou que a colaboração entre instituições públicas e empresas de tecnologia é fundamental para garantir um processo eleitoral seguro e confiável.
Ele acentuou que ferramentas de proteção como a ‘Detecção por Semelhanças do YouTube’ ajudam a proteger usuários em relação ao uso indevido da tecnologia para difamar pessoas ou produzir conteúdos enganosos.
“Nós avaliamos cada denúncia com base nas políticas de privacidade do YouTube e, em caso de qualquer violação, o conteúdo é removido. Essa proteção vale para todo mundo, mas é ainda mais essencial para as mulheres, que costumam ser as maiores vítimas de ataques à imagem durante as eleições”, explicou.
Como ser usada
Para utilizar a ferramenta, a candidata ou o candidato deve ter uma conta no YouTube e acessar o YouTube Studio, na área de detecção de conteúdo por semelhança. Caso não tenha, é possível criar um registro apenas para essa finalidade.
Após aceitar os termos de uso, o usuário é direcionado para um processo de verificação de identidade, que inclui o envio de documento oficial e a realização de uma selfie por foto e vídeo. A partir desse cadastro biométrico, a plataforma cria um registro da aparência da pessoa para identificar possíveis ocorrências de uso de sua imagem no YouTube.
Ao assinar oficialmente a parceria, o ministro Kassio Nunes Marques, enfatizou que a ferramenta não substitui a análise humana nem os mecanismos de fiscalização já existentes, mas amplia a capacidade de identificação de conteúdos potencialmente prejudiciais à imagem e à honra dos participantes do processo eleitoral.
“Proteger a identidade no ambiente digital também significa preservar a autenticidade do debate público e a liberdade de escolha do eleitor. Estamos, com iniciativas desse tipo, tentando antecipar riscos e fortalecer a confiança nas eleições”, acentuou ele.
Bruno Dantas, do TCU, confirma que renunciará ao cargo mas não decidiu a data; ele pretende atuar como advogado para a iniciativa privada
29/08/2026
Com 48 anos de idade, bem quisto entre os pares, conhecido por notável conhecimento jurídico e passagem por cargos estratégicos do Senado Federal, além de já ter atuado como conselheiro dos Conselhos Nacionais de Justiça (CNJ) e do Ministério Público (CNMP), Dantas anunciou que pretende passar a atuar na iniciativa privada.
Segundo interlocutores, já conversa com algumas empresas que o convidaram, mas ainda não bateu o martelo a respeito de qual delas escolherá.
Parlamentares e ex-parlamentares
Em geral, para o cargo de ministro do TCU costumam ser indicados pa...
Uma situação rara começa a ser observada no Tribunal de Contas da União (TCU): a renúncia de um dos integrantes do seu colegiado. Isto porque o ministro Bruno Dantas, ex-presidente da Corte, confirmou que quer deixar o Tribunal e que já comunicou sua decisão ao atual presidente, ministro Vital do Rêgo Filho, embora não tenha definido a data da renúncia ao cargo.
Com 48 anos de idade, bem quisto entre os pares, conhecido por notável conhecimento jurídico e passagem por cargos estratégicos do Senado Federal, além de já ter atuado como conselheiro dos Conselhos Nacionais de Justiça (CNJ) e do Ministério Público (CNMP), Dantas anunciou que pretende passar a atuar na iniciativa privada.
Segundo interlocutores, já conversa com algumas empresas que o convidaram, mas ainda não bateu o martelo a respeito de qual delas escolherá.
Parlamentares e ex-parlamentares
Em geral, para o cargo de ministro do TCU costumam ser indicados parlamentares e ex-parlamentares com expertise em controle fiscal e acompanhamento das contas públicas. E é comum os ministros permanecerem em tais cargos até o período máximo, ou seja, até completarem 75 anos, idade da aposentadoria compulsória.
Mas o ministro Dantas, que surpreendeu ao entrar na Corte pela pouca idade, agora surpreende com o seu pedido para deixar as atividades mais cedo.
12 anos de TCU
Ninguém poderá afirmar, entretanto, que ele teve uma passagem curta pelo Tribunal. Bruno Dantas entrou na Corte em 2014, ou seja, está há 12 anos. E presidiu a Casa entre 2023 e 2024.
A saída antecipada abrirá uma vaga a ser preenchida por indicação do Senado e pode pavimentar o caminho para a escolha do senador e ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que está em fim de mandato. Até agora não houve manifestação por parte de políticos a respeito, apenas a confirmação do ministro de que está resoluto em sua decisão.
Plataforma da Câmara e do TSE aponta gastos de campanha de candidatos a cada cargo nestas eleições; confira aqui todos eles
29/08/2026
Conforme o levantamento, desses recursos, R$ 932 milhões ou 95% vêm de financiamento público, como o Fundo Partidário e o fundo eleitoral. Outros R$ 50,6 milhões são recursos privados, dividindo-se entre doações de pessoas físicas (R$ 27,8 milhões), recursos próprios (R$ 13,2 milhões) e financiamento coletivo (R$ 3,9 milhões).
Por sua vez, os candidatos às assembleias legislativas têm previsão de custos de R$ 406,7 milhões no pleito deste ano. O mesmo levantamento aponta que, os candidato...
Dados divulgados pela Câmara dos Deputados no final do desta sexta-feira (28/08) constataram que as receitas dos candidatos a deputado federal para gastos de campanha já chegam a R$ 982,8 milhões nas eleições deste ano, superando os valores de todos os outros cargos em disputa. A constatação é resultado de levantamento feito pela plataforma de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com a ressalva de que os números ainda podem mudar ao longo da campanha.
Conforme o levantamento, desses recursos, R$ 932 milhões ou 95% vêm de financiamento público, como o Fundo Partidário e o fundo eleitoral. Outros R$ 50,6 milhões são recursos privados, dividindo-se entre doações de pessoas físicas (R$ 27,8 milhões), recursos próprios (R$ 13,2 milhões) e financiamento coletivo (R$ 3,9 milhões).
Por sua vez, os candidatos às assembleias legislativas têm previsão de custos de R$ 406,7 milhões no pleito deste ano. O mesmo levantamento aponta que, os candidatos ao Senado, devem gastar cerca de R$ 174,9 milhões. Enquanto as campanhas para os governos estaduais terão custo médio previsto de R$ 196,6 milhões e para presidente da República, custo médio de R$ 83 milhões.

Gastos por regiões
Conforme o trabalho, que consta nos portais da Câmara dos Deputados e também do TSE, o Sudeste é a região com mais recursos para campanha de deputado federal: R$ 397 milhões. Deste valor, R$ 188 milhões se destinam a São Paulo, o estado que elege o maior número de deputados — 70 deles.
Depois vêm os gastos com o Nordeste, de R$ 264 milhões. O Sul tem R$ 151 milhões; o Norte, R$ 100 milhões; e o Centro-Oeste R$ 71 milhões.
Já no tocante aos partidos, os que possuem maiores recursos para campanha de deputado federal são o PL, com R$ 253,8 milhões, e o PT, com R$ 172,1 milhões. Em seguida vêm o PP (R$ 98,2 milhões), o PSD (R$ 76 milhões) e o União Brasil (R$ 64,2 milhões). As legendas que mais receberam recursos privados são o PL (R$ 8 milhões), o Novo (R$ 7 milhões), o PT (R$ 5,7 milhões) e o PSD (R$ 5,1 milhões).
Limites legais previstos
O limite de gastos de campanha e de contratação de pessoal para cada candidato a deputado federal é de R$ 3.176.572,53, mesmo valor das eleições de 2022. Em 2018, esse limite era de R$ 2,5 milhões.
Já o cargo de senador tem limites diferentes, variando de R$ 3.176.572,53, nos estados menos populosos, até R$ 7.115.522,46, em São Paulo. Cada candidato a deputado estadual ou distrital pode gastar até R$ 1.270.629,01.
Os candidatos a deputado federal também têm limites para contratar pessoal na campanha. Os números variam de acordo com o estado - sendo o menor, de 342 funcionários, em Tocantins, até o maior, de 6.584 pessoas, em São Paulo.
— Com Agência Câmara de Notícias
Fim de semana tem atos com mulheres, presenças em exposições, carreatas e barqueatas nas agendas dos presidenciáveis
29/08/2026
No caso do presidente Lula (PT), ele participa neste sábado (29/08) de um ato intitulado “Mulheres com Lula”. A atividade é voltada à mobilização de lideranças femininas e militantes.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, concentra os compromissos de sábado (29/08) em Angra dos Reis (RJ). Às 13h, ele participa da concentração de uma motocarreata na Rodovia Governador Mário Covas, nº 493, no bairro Pontal. Às 15h, estará em uma barqueata com saída do Cais Santa Luzia, no Centro. O ato deve terminar às 16h30, com retorno ao Pontal. A campanha não divulgou a agenda de Flávio para este domingo (30/8).
Ponte da FelizCidade
Romeu Zema (Novo) estará no...
O fim de semana é de movimentação para os candidatos à presidência da República em todo o país, cada um com um foco diferente de atuação e mobilizações que passam desde por atos públicos, a motocarreatas, barqueatas visitas a municípios diversos e abertura de eventos.
No caso do presidente Lula (PT), ele participa neste sábado (29/08) de um ato intitulado “Mulheres com Lula”. A atividade é voltada à mobilização de lideranças femininas e militantes.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, concentra os compromissos de sábado (29/08) em Angra dos Reis (RJ). Às 13h, ele participa da concentração de uma motocarreata na Rodovia Governador Mário Covas, nº 493, no bairro Pontal. Às 15h, estará em uma barqueata com saída do Cais Santa Luzia, no Centro. O ato deve terminar às 16h30, com retorno ao Pontal. A campanha não divulgou a agenda de Flávio para este domingo (30/8).
Ponte da FelizCidade
Romeu Zema (Novo) estará no Rio Grande do Sul hoje e amanhã. Neste sábado, ele visita, no município de Feliz, a Ponte da FelizCidade. Segundo a agenda divulgada pela campanha, o candidato apresentará propostas para infraestrutura e para a contenção de danos causados por eventos climáticos relacionados ao El Niño.
No período da tarde, Zema parte para Canoas, onde ocorrerá um encontro, previsto para às 16h, com mulheres, na Câmara de Indústria e Comércio e Serviços. No domingo, ele vai a Esteio, onde participará da abertura e de atividades da Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil.
Festa do Peão
Ronaldo Caiado (PSD) cumprirá agenda no interior de São Paulo. O ex-governador de Goiás fará uma visita no sábado à 71ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, onde se encontra desde ontem. Não foi divulgada sua agenda de campanha do candidato para domingo.
Está previsto na agenda de Renan Santos (Missão) um encontro, neste sábado, com apoiadores e uma carreata na praça Charles Miller, em São Paulo, a partir de 13h. Não foram divulgados compromissos da agenda de domingo.
— Com Agências de Notícias
Para PF e Receita, irregularidades na exploração de bets podem ter levado a evasão de recursos bem maior que o esperado
29/08/2026
Dentre uma breve análise dos dados apurados por meio de mandados de busca e apreensão cumpridos ontem no Recife (PE) e João Pessoa (PB), esses agentes públicos relataram que os elementos arrecadados já levaram órgãos de persecução penal e fiscalização tributária a acreditarem que são bem mais profundos os fluxos financeiros nacionais e internacionais, da origem dos recursos.
A equipe pretende focar, na próxima semana, no detalhamento sobre omissão de re...
A operação que investiga crimes de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, entre outros, por parte das empresas de apostas, as bets — que tem como alvo os estados de Pernambuco, Paraíba, São Paulo, Espírito Santo e Paraná — está bem distantes de acabar. Isto porque, conforme confirmaram em reservado neste sábado (29/08) agentes da Polícia Federal e técnicos da Receita Federal que apuram o caso, o material apreendido até agora aponta para que o valor movimentado pode ser bem maior do que o que se suspeitava.
Dentre uma breve análise dos dados apurados por meio de mandados de busca e apreensão cumpridos ontem no Recife (PE) e João Pessoa (PB), esses agentes públicos relataram que os elementos arrecadados já levaram órgãos de persecução penal e fiscalização tributária a acreditarem que são bem mais profundos os fluxos financeiros nacionais e internacionais, da origem dos recursos.
A equipe pretende focar, na próxima semana, no detalhamento sobre omissão de receitas e a identificação dos beneficiários efetivos das operações investigadas, visando à adoção das medidas tributárias e penais cabíveis.

‘Jogo de sombras’
Na prática, a operação de ontem, intitulada ‘Jogo de Sombras’, consistiu em um desdobramento da Operação ‘Arena’, deflagrada no último dia 13 de agosto, que também teve como alvos vários estados, incluindo Pernambuco e Paraíba.
Ambas investigam crimes e modus operandi parecidos, embora não relacionados entre si. E despertaram forte preocupação no mercado de bets legais, uma vez que quase todas as 85 empresas de apostas autorizadas no país, com autorização para ofertar mais de 180 sites, já funcionaram de forma similar, com parte das operações no Brasil e parte fora.
Por enquanto, os alvos são empresas destes cinco estados e o objetivo é apurar evidências de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionados à exploração de bets. A iniciativa é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF.
Grupo empresarial
A investigação tem como foco um grupo empresarial responsável pela exploração de plataforma de apostas esportivas que teria movimentado mais de R$ 5 bilhões apenas no ano de 2025.
As diligências contam com a participação de 10 procuradores da República, acompanhados por policiais do MPF e peritos da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea), além de 28 servidores da Receita Federal, entre auditores-fiscais e analistas-tributários. As apurações apontam que as supostas irregularidades tributárias e financeiras teriam ocorrido tanto antes quanto após a regulamentação do setor de apostas de quota fixa no Brasil.
De acordo com os elementos reunidos até o momento, os investigados teriam constituído uma empresa de fachada em Curaçao com o objetivo de simular que a operação da plataforma ocorria fora do país em período anterior à regulamentação do segmento. As investigações indicam, contudo, que empresas nacionais vinculadas ao grupo seriam as verdadeiras responsáveis pela operacionalização das atividades no Brasil.

Operações financeiras estruturadas
Também foram identificados indícios da utilização de instituições de pagamento e de operações financeiras estruturadas para movimentar recursos entre o Brasil e o exterior. Parte desses valores teria retornado posteriormente ao país sob a forma de pagamentos por prestação de serviços, em possível mecanismo destinado a justificar a repatriação de recursos anteriormente enviados ao exterior.
As apurações iniciais revelaram ainda a possível utilização de contas bolsão mantidas em fintechs para dificultar o rastreamento da circulação dos recursos e a identificação. Durante entrevista concedida nesta sexta-feira (28/08), o secretário da Receita Federal, Robson Barreirinhas, apontou como causa o fato de as bets terem sido legalizadas em 2018 e ficado muitos anos sem regulamentação, o que permitiu que elas se expandissem.
“As bets se apresentavam, como regra, domiciliadas no exterior, mas com fortes elementos de que estavam de fato presentes no Brasil. Isso era feito, na compreensão da Receita, para não pagar tributos no Brasil”, afirmou.
— Com informações da PF, da Receita Federal e do MPF
Exclusivo - Nas cordas após revelações de Amisadai, Raquel tenta acionar Polícia Civil para criar fato novo político
28/08/2026
A notícia exclusiva
Pressionada pelas sucessivas revelações atribuídas a Amisadai Andrade sobre a existência e o funcionamento de uma suposta estrutura de ataques a adversários políticos, a governadora Raquel Lyra estaria buscando uma reação capaz de mudar o centro do debate público. A informação que circula nos bastidores é de que setores da Polícia Civil de Pernambuco estariam se movimentando para realizar buscas e...
O Poder é sempre bem informado, nessa área. Nossas fontes principais, as paredes do Palácio das Princesas, não falham. Informações apontam para possível ofensiva da Polícia Civil, que estariam sendo organizadas na correria contra páginas e influenciadores críticos à governadora. A operação esta encontrando fortes resistências no interior da própria corporação. E eventual investigação de crimes eleitorais está sujeita às competências definidas pela legislação e à atuação da Polícia Federal. Nenhuma policia estadual pode se meter nisso.
A notícia exclusiva
Pressionada pelas sucessivas revelações atribuídas a Amisadai Andrade sobre a existência e o funcionamento de uma suposta estrutura de ataques a adversários políticos, a governadora Raquel Lyra estaria buscando uma reação capaz de mudar o centro do debate público. A informação que circula nos bastidores é de que setores da Polícia Civil de Pernambuco estariam se movimentando para realizar buscas e apreensões envolvendo páginas e influenciadores conhecidos por fazer críticas à gestão estadual.
A eventual ofensiva
Chama atenção não apenas pelo momento político em que ocorreria, mas principalmente pela necessidade de observar os limites legais de competência de cada instituição. Caso as diligências estejam relacionadas diretamente à disputa eleitoral ou à apuração de crimes eleitorais, a atuação investigativa deve respeitar as atribuições da Polícia Federal e o controle da Justiça Eleitoral. Qualquer medida de busca e apreensão, além disso, depende de fundamentação e autorização judicial.
O movimento
Caso confirmado, ocorreria justamente quando Raquel enfrenta uma das situações politicamente mais delicadas de sua campanha. As declarações atribuídas a Amisadai passaram a alimentar questionamentos sobre sua relação com uma suposta rede digital dedicada a atacar adversários. Reportagens recentes também trouxeram novos elementos sobre encontros e circulação do personagem em ambientes ligados ao Governo do Estado.
Nesse contexto
Uma operação contra vozes críticas ao governo inevitavelmente seria submetida a forte escrutínio público. Mais do que o conteúdo das investigações, entrariam em discussão a origem das apurações, sua fundamentação jurídica, a autoridade responsável e, sobretudo, se existe alguma interferência política sobre a atuação da Polícia Civil.
A questão central
É simples: investigação policial não pode funcionar como instrumento de reação a uma crise política nem como mecanismo para produzir uma nova agenda eleitoral. Se houver indícios concretos de crimes, eles devem ser apurados pelas autoridades competentes, dentro da lei, com independência e controle judicial. Se não houver, qualquer tentativa de mobilizar a estrutura estatal contra críticos da governadora poderá abrir uma crise ainda maior do que aquela que se pretendia superar.