Eleições 2024 - Carreata ocupa as ruas de Caruaru em apoio à eleição de Zé Queiroz
30/09/2024 - Jornal O Poder
Se emocionou
Logo na concentração, ao lado do Grande Hotel, Zé Queiroz se emocionou com a multidão de pessoas gritando "Volta, Zé". A quantidade de carros era tanta que, uma hora e meia depois, a carreata ainda estava passando no Riachão, um dos trechos iniciais do roteiro.
Momento
Um dos momentos mais emocionantes foi a passagem pela ponte Irmã Jerônima, um marco da gestão de Zé Queiroz. Antes disso, no trajeto pelo Salgado, um belo pôr do sol coloriu de um laranja natural o céu da cidade. Por volta das 20h30, na Rua Macaparana, no bairro Boa Vista, aconteceu o ponto alto da carreata, com a via lotada de moradores, em festa pela passagem de Zé Queiroz.
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Se emocionou
Logo na concentração, ao lado do Grande Hotel, Zé Queiroz se emocionou com a multidão de pessoas gritando "Volta, Zé". A quantidade de carros era tanta que, uma hora e meia depois, a carreata ainda estava passando no Riachão, um dos trechos iniciais do roteiro.
Momento
Um dos momentos mais emocionantes foi a passagem pela ponte Irmã Jerônima, um marco da gestão de Zé Queiroz. Antes disso, no trajeto pelo Salgado, um belo pôr do sol coloriu de um laranja natural o céu da cidade. Por volta das 20h30, na Rua Macaparana, no bairro Boa Vista, aconteceu o ponto alto da carreata, com a via lotada de moradores, em festa pela passagem de Zé Queiroz.
O ministro
Acompanhado do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, do secretário executivo do ministério da Previdência Social, Wolney Queiroz, da deputada estadual Rosa Amorim, do superintendente da Sudene, Danilo Cabral, do ex-prefeito Tony Gel e do exército de candidatos e candidatas à Câmara de Vereadores, Zé Queiroz recebeu vários apoios.
Afirmou
O ministro Silvio Costa Filho afirmou não ter dúvida de que, no próximo domingo, Caruaru vai votar 12. “O sentimento de mudança tomou as ruas de Caruaru hoje. Zé Queiroz foi um grande prefeito e vai voltar a governar esta cidade junto com Tonynho. Ao lado do presidente Lula, vamos trazer muitos investimentos para gerar emprego e renda, transformando a vida do caruaruense”, declarou
Leia outras informações
Resolvido. Flávio é do PL. Nunes Marques usou a caneta e o bom senso
13/08/2026
E
Caso especial encerrado antes que virasse novela. .as ainda rende. PGE entra no caso e o Missao agora diz que fez credenciamento do senador. Só que errado. Que trapalhada.
A inteligência humana não pode ficar submissa a procedimentos ditados por sistemas e plataformas digitais. Flávio Bolsonaro é do PL e pode registrar a candidatura. A decisão do presidente do TSE, ministro Nunes Marques, acabou com o alvoroço e restabeleceu o bom senso e a normalidade. Agora, resta à Polícia Federal identificar o sabotador. Que usou informações restritas e de confiança. E fez, sem autorização claro, a migração do PL para outro partido. O Missão, que até já tem candidato à Presidência.
E
Caso especial encerrado antes que virasse novela. .as ainda rende. PGE entra no caso e o Missao agora diz que fez credenciamento do senador. Só que errado. Que trapalhada.
Se não há divisão na chapa do governo, não sei mais o que divisão é, por Flávio Lúcio*
13/08/2026
O único argumento, muito mal construído, está centrado na indecisão do prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra, que ainda não anunciou quem apoiará para a segunda vaga ao Senado, já que o primeira é de Veneziano Vital.
Ora, essa turma esquece que a chapa de Cícero Lucena está fechada há alguns meses e que, entre as lideranças que o apoiam, nenhuma divergência foi manifestada. Pelo contrário.
A aliança de Cícero não é personalista. Diego Cunha Lima, seu candidato a vice, representa uma unidade incomum na Rainha da Borborema. Ele próprio pertence a um grupo de tradição e força política amplamente reconhecidas na Paraíba do qual faz parte Romero Rodrigues, Pedro Cunha Lima, em aliança com Veneziano Vital e Johnny Bezerra....
Hoje, a mídia governista resolveu criar uma equivalência com o intuito de nivelar a divisão na base governista, revelada no impasse que durou dez dias nas negociações para a escolha da candidata a vice na chapa de Lucas Ribeiro.
O único argumento, muito mal construído, está centrado na indecisão do prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra, que ainda não anunciou quem apoiará para a segunda vaga ao Senado, já que o primeira é de Veneziano Vital.
Ora, essa turma esquece que a chapa de Cícero Lucena está fechada há alguns meses e que, entre as lideranças que o apoiam, nenhuma divergência foi manifestada. Pelo contrário.
A aliança de Cícero não é personalista. Diego Cunha Lima, seu candidato a vice, representa uma unidade incomum na Rainha da Borborema. Ele próprio pertence a um grupo de tradição e força política amplamente reconhecidas na Paraíba do qual faz parte Romero Rodrigues, Pedro Cunha Lima, em aliança com Veneziano Vital e Johnny Bezerra. Mesmo assim, não se observa qualquer ruído entre essas lideranças.
No caso do prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra, não há a menor dúvida a respeito de seu apoio a Cícero Lucena e a Veneziano Vital para o Senado, manifestação que vem sendo feita em todas as ocasiões desde que assumiu a Prefeitura de João Pessoa. A única dúvida que resta diz respeito à segunda vaga para o Senado.
E a torcida de jornalistas ligados ao governo é para que Bezerra anuncie seu apoio a Nabor Wanderley, embora Cícero e Mersinho Lucena trabalhem para que o prefeito não dê esse passo — movimento que já vem sendo explorado pelos opositores do candidato da oposição, mesmo antes de acontecer.
Fui convidado pela TV MDB a opinar sobre questões da campanha eleitoral em curso, entre elas a divisão na base do governo. Sobre essa questão, lembrei em um dos vídeos postados nas redes sociais, de acontecimentos que foram amplamente divulgados pela imprensa.
Portanto, não se tratou de uma mera opinião, mas da constatação de fatos que não podem ser desmentidos: a sucessão de candidatos e candidatas a vice-governador lançados ao debate público e que, um a um, foram retirados do caminho, seja pela família Ribeiro — como no caso de Adriano Galdino, presidente da Assembleia Legislativa —, seja por vetos de partidos e grupos políticos que compõem a aliança de Lucas Ribeiro.
Foi o que ocorreu com Rafaela Camaraense, apontada como a “preferida” do governador, e com os bolsonaristas Eduardo Carneiro e a tenente-coronel Viviane, ambos vetados pelo PT.
Aliás, o próprio PT também sofreu veto. Lembremos que o presidente nacional do partido afirmou, na última segunda-feira, que o acordo firmado com Aguinaldo Ribeiro, em Brasília, incluía para o PT a indicação de um nome para a vaga de vice. Por que o acordo não foi cumprido? Houve veto ao PT na chapa?
Depois dos vetos aos nomes de João Pessoa, a situação evoluiu para um grau de desarranjo tal que, sem outras opções capazes de produzir consenso, restou o nome de Lígia Feliciano, que passou a compor uma chapa pão com pão, já que Lucas Ribeiro também é de Campina Grande.
Essa composição representa um fato inédito na história das eleições para o Governo da Paraíba, pelo menos desde 1982.
Basta observar as chapas vencedoras nesse período. O vice de Wilson Braga foi de Campina Grande (José Carlos da Silva Júnior); o de Burity também (Raymundo Asfora); o de Ronaldo foi de João Pessoa (Cícero Lucena); o de Mariz, de Araruna (José Maranhão); o de Maranhão, de Guarabira (Roberto Paulino); os de Cássio Cunha Lima foram de João Pessoa (Lauremília Lucena) e da região de Cajazeiras (José Lacerda Neto); os de Ricardo Coutinho foram de Campina Grande (Rômulo Gouveia e Lígia Feliciano); e os de João Azevêdo também foram de Campina Grande (Lígia Feliciano e o próprio Lucas Ribeiro).
Ou seja, o impasse foi tão grande que a solução encontrada rompe, de maneira arriscada, uma trajetória histórica das chapas vencedoras na Paraíba. E isso não tem nada de meramente nominal: não faz sentido que uma chapa para o Governo do Estado represente essencialmente uma única cidade, seja ela qual for.
Mesmo que essa cidade tenha o peso e a tradição política de Campina Grande.
Se isso não pode ser chamado de divisão a expressão perdeu o sentido e eu não sabia.
*Flávio Lúcio é cientista político. Professor de História da UFPB. Doutor em Sociologia.
A quem Flávio Bolsonaro é filiado? Saiu nota do TSE
13/08/2026
A nota do TSE
Ipsis litteris:
O Tribunal Superior Eleitoral informa que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que poss...
A resposta à pergunta confirma o materia postada há pouco por O Poder: Flávio é do Missão, para todos os efeitos legais. O partido, que já tem candidato a presidente, Renan Santos, tirou o dele da reta. Alardeou que quando apareceu Flávio como filiado, avisou, no começo do mês ao PL. Segundo o Missão, que exibiu cópias de e-mails enviados e não respondidos, o PL não tomou providências em tempo hábil. Aliás, o maior partido do País só se mexeu hoje, quando a bronca estourou. Aliás, em nota, o TSE isentou os hackers da suspeita e afastou riscos de violação do sistema. Alguem, que tinha as senhas, agiu de má fé. O que nao resolve o embróglio. Confira o pronunciamento oficial do TSE.
A nota do TSE
Ipsis litteris:
O Tribunal Superior Eleitoral informa que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credencias da legenda para efetivar filiações.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria Geral Eleitoral para providências e determinou instauração de inquérito por parte da Polícia Judiciária.
O Partido Liberal protocolou pedido de desfiliação do Missão, que já está sob análise.
E assim
Aguardemos as cenas dos próximos capítulos dessa novela pastelão.
Situação do momento: Flávio Bolsonaro se desfilou do PL, entrou no Missão e não pode ser candidato. Confira
13/08/2026
A notícia
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não conseguiu registrar hoje quinta-feira (13/08) sua candidatura à Presidência da República após aparecer filiado ao partido Missão nos registros da Justiça Eleitoral. O caso é analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo o site Metrópoles
A advogada da campanha...
Quem decide os rumos partidarios de alguém? Além da própria pessoa, a resposta deveria ser ninguém. Mas, nos tempos estranhos que estão aí, a resposta pode ser diversificada. O fato é que o senador Flávio Bolsonaro não pode registrar sua candidatura hoje, como pretendia, porque simplesmente, no sistema do TSE, ele nao é filiado ao PL. O senador teria, segundo consta do órgão que cuida da segurança dos processos eleitorais, se desfilado do seu partido esses dias e entrado no Missão. Uma maluquice que só dá discurso para os adeptos das teorias da conspiração ou adversários das urnas eletrônicas.
A notícia
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não conseguiu registrar hoje quinta-feira (13/08) sua candidatura à Presidência da República após aparecer filiado ao partido Missão nos registros da Justiça Eleitoral. O caso é analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo o site Metrópoles
A advogada da campanha, Maria Claudia Bucchianeri, disse que é "inequívoco que foi fraudulento". Segundo ela, a alteração foi identificada quando a equipe começou a reunir os documentos necessários para protocolar o pedido de registro da candidatura.
Olha a bronca
O prazo para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral termina às 19h de sábado (15/08). Todos os procedimentos seguem os protocolos do sistema. Como esse nó vai ser desatado, com a palavra o cabeça do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. Indicado para o STF pelo então presidente Bolsonaro, pai de Flávio.
Oficial mas ainda não legal
O PL oficializou em convenção nacional no dia 25 de julho a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República O prazo para a realização de convenções terminou em 05 de agosto.
PL tonto
Ainda de acordo com a advogada, o partido já acionou o TSE e aguarda os trâmites que, a estas alturas, estão nas mãos do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, já qualificado acima.
Além disso
O PL já acionou a Polícia Federal. Como tudo na atual cúpula da justiça brasileira, tudo pode ser resolvido em dois minutos ou nunca.
Aguardar para ver.
Agora imagine
O tamanho da confusão se o prazo fatal chegar e Flávio Bolsonaro não conseguir registrar a candidatura. Como se já não bastassem as emoções e tensões do processo, aparece mais esta. Realmente, como se diz, o Brasil não é para amadores. E como se vê, nem para profissionais.
Centenário do Nascimento de Fidel Castro - Por José Ricardo de Souza*
13/08/2026
Fidel Castro era filho de um imigrante espanhol que fez fortuna construindo sistemas ferroviários para transportar cana-de-açúcar. Castro frequentou internatos católicos romanos em Santiago de Cuba. Ele se envolveu na política revolucionária enquanto era estudante e em 1947 participou de uma tentativa abortada por exilados dominicanos e cubanos de derrubar o ditador dominicano Rafael Trujillo. No ano seguinte, ele participou de distúrbios urbanos em Bogotá, Colômbia. A característica mais marcante de sua política durante o período foram suas crenças antiamericanas; ele ainda não era...
Num dia como hoje, 13 de agosto, há exatamente um século, na província de Oriente, no leste de Cuba, nascia um dos principais líderes revolucionários do século XX. Amado por uns, odiado por outros, mas de uma relevância ímpar no panteão das grandes personagens latino-americanas. Estamos falando de FIDEL CASTRO, revolucionário cubano, líder da primeira grande revolução socialista nas Américas.
Fidel Castro era filho de um imigrante espanhol que fez fortuna construindo sistemas ferroviários para transportar cana-de-açúcar. Castro frequentou internatos católicos romanos em Santiago de Cuba. Ele se envolveu na política revolucionária enquanto era estudante e em 1947 participou de uma tentativa abortada por exilados dominicanos e cubanos de derrubar o ditador dominicano Rafael Trujillo. No ano seguinte, ele participou de distúrbios urbanos em Bogotá, Colômbia. A característica mais marcante de sua política durante o período foram suas crenças antiamericanas; ele ainda não era um marxista declarado.
Em 1951, ele concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados de Cuba como membro do reformista Partido Ortodoxo, mas o general Fulgencio Batista tomou o poder em um golpe de Estado sem derramamento de sangue antes que a eleição pudesse ser realizada. Vários grupos se formaram para se opor à ditadura de Batista e, em 26 de julho de 1953, Castro liderou cerca de 160 rebeldes em um ataque ao quartel Moncada em Santiago de Cuba, a segunda maior base militar de Cuba. Castro esperava apreender as armas e anunciar sua revolução da estação de rádio base, mas o quartel estava fortemente defendido e mais da metade de seus homens foram capturados ou mortos na tentativa. O próprio Castro foi preso e levado a julgamento por conspirar para derrubar o governo cubano. Durante seu julgamento, ele argumentou que ele e seus rebeldes estavam lutando para restaurar a democracia em Cuba, mas mesmo assim foi considerado culpado e condenado a 15 anos de prisão.
Dois anos depois, Batista sentiu-se suficientemente confiante em seu poder para conceder anistia geral a todos os presos políticos, inclusive Castro. Fidel, então, foi com seu irmão Raúl ao México, onde organizou o revolucionário Movimento 26 de Julho, recrutando recrutas e juntando-se a Ernesto “Che” Guevara, um idealista marxista argentino.
Em 2 de dezembro de 1956, Castro e 81 homens armados desembarcaram na costa cubana. Todos eles foram mortos ou capturados, exceto Castro, Raul, Che e outros nove, que se retiraram para a cordilheira da Sierra Maestra para travar uma guerra de guerrilha contra o governo Batista. Eles se juntaram a voluntários revolucionários de toda Cuba e conquistaram uma série de vitórias sobre o desmoralizado exército de Batista. Castro foi apoiado pelo campesinato, a quem prometeu reforma agrária, enquanto Batista recebeu ajuda dos Estados Unidos, que bombardearam posições revolucionárias suspeitas.
Em meados de 1958, vários outros grupos cubanos também se opunham a Batista, e os Estados Unidos encerraram a ajuda militar ao seu regime. Em dezembro, as forças de 26 de julho sob o comando de Che Guevara atacaram a cidade de Santa Clara e as forças de Batista desmoronaram. Batista fugiu para a República Dominicana em 1º de janeiro de 1959. Castro, que tinha menos de 1.000 homens restantes na época, assumiu o controle do exército de 30.000 homens do governo cubano. Os outros líderes rebeldes careciam do apoio popular de que o jovem e carismático Fidel desfrutava, e em 16 de fevereiro ele foi empossado como primeiro-ministro do novo governo provisório do país.
Os Estados Unidos inicialmente reconheceram o novo ditador cubano, mas retiraram seu apoio depois que Castro lançou um programa de reforma agrária, nacionalizou ativos dos EUA na ilha e declarou um governo marxista. Muitos dos cidadãos mais ricos de Cuba fugiram para os Estados Unidos, onde se juntaram à CIA em seus esforços para derrubar o regime de Castro. Em abril de 1961, com algum treinamento e apoio da CIA, os exilados cubanos lançaram uma invasão desastrosamente malsucedida de Cuba conhecida como “Baía dos Porcos”. A União Soviética reagiu ao ataque aumentando seu apoio ao governo comunista de Castro e, em 1962, colocou mísseis nucleares ofensivos em Cuba. A descoberta dos mísseis pela inteligência dos EUA levou à tensa “Crise dos Mísseis Cubanos”, que terminou depois que os soviéticos concordaram em remover as armas em troca da promessa dos EUA de não invadir Cuba.
A Cuba de Castro foi o primeiro estado socialista no hemisfério ocidental, e ele manteria o controle até o século XXI, superando nove presidentes dos EUA que se opuseram a ele com embargos econômicos e retórica política. Após o colapso da União Soviética em 1991, Castro perdeu uma valiosa fonte de ajuda, mas compensou cortejando o turismo e o investimento europeu e canadense. No final de julho de 2006, o doente Fidel Castro cedeu temporariamente o poder a seu irmão mais novo, Raúl, após uma delicada cirurgia em 2006. Ele renunciou oficialmente em 18 de fevereiro de 2008. Castro morreu em 25 de novembro de 2016, aos 90 anos. Em abril de 2021, Raúl Castro renunciou; Miguel Dias-Canel foi eleito seu sucessor.
Famoso por seus longos discursos nas Assembleias Gerais da ONU, o líder cubano deixou uma frase que até hoje instiga admiradores e opositores: "Condenem-me, não importa. A História me absolverá". 100 depois de seu nascimento é impossível falar de Cuba e da política latino-americana, especialmente dos países caribenhos, sem citar o "El Comandante de La Revolucion".
*José Ricardo de Souza, é Professor da rede pública estadual de ensino, historiador, escritor e criador do projeto Muita História pra Contar. @josericardope01

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Os evangélicos e a sucessão em Pernambuco e no Brasil - Por Antônio Campos*
13/08/2026
Em Pernambuco, esse fenômeno ganha uma dimensão especial. São cerca de 2 milhões de evangélicos, um contingente expressivo distribuído pela Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata, Agreste e Sertão.
Em uma eleição apertada, poucos pontos percentuais podem fazer toda a diferença. E é justamente por isso que o eleitor evangélico passou a ocupar espaço importante nas estratégias de quem pretende disputar o Governo de Pernambuco.
A sucessão estadual terá, inevitavelmente, essa discussão.
Os diferentes grupos políticos que se preparam para a disputa sabem que será necessário ampliar suas respectivas bases eleitorais. Nenhum projeto majoritário pode se dar ao luxo de tratar o eleitor...
A força dos evangélicos na política brasileira é uma realidade consolidada. O crescimento desse segmento da população modificou o mapa eleitoral do país e colocou as comunidades evangélicas no centro das estratégias dos principais grupos políticos.
Em Pernambuco, esse fenômeno ganha uma dimensão especial. São cerca de 2 milhões de evangélicos, um contingente expressivo distribuído pela Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata, Agreste e Sertão.
Em uma eleição apertada, poucos pontos percentuais podem fazer toda a diferença. E é justamente por isso que o eleitor evangélico passou a ocupar espaço importante nas estratégias de quem pretende disputar o Governo de Pernambuco.
A sucessão estadual terá, inevitavelmente, essa discussão.
Os diferentes grupos políticos que se preparam para a disputa sabem que será necessário ampliar suas respectivas bases eleitorais. Nenhum projeto majoritário pode se dar ao luxo de tratar o eleitorado evangélico como um segmento secundário.
A movimentação em direção às comunidades religiosas já faz parte do calendário político. Eventos, encontros, agendas sociais e conversas com lideranças passaram a integrar a rotina de quem pretende construir uma candidatura competitiva.
Mas existe uma questão importante: o eleitor evangélico não é um bloco único.
Essa talvez seja uma das maiores mudanças da política brasileira.
Há uma tendência de identificar o eleitor evangélico exclusivamente com a direita e, principalmente, com o bolsonarismo. A história recente explica essa associação. O campo conservador construiu uma relação política muito próxima com importantes setores evangélicos e encontrou nesse segmento uma de suas principais bases eleitorais.
Mas uma religião não determina automaticamente o voto de seus seguidores.
O eleitor evangélico também é influenciado por sua condição econômica, pelo lugar onde mora, pela avaliação dos governos, pelas políticas públicas que recebe e pelas expectativas que possui para sua família.
Um trabalhador evangélico que enfrenta dificuldades para conseguir emprego pode avaliar a economia de maneira diferente de um empresário evangélico. Um jovem pode ter prioridades diferentes das de uma família mais tradicional. Um morador da periferia pode colocar a segurança pública no topo da lista, enquanto um agricultor do interior pode estar mais preocupado com crédito, estradas, água e produção.
A identidade religiosa é importante, mas não é a única identidade que esse eleitor carrega.
É justamente essa diversidade que torna o voto evangélico tão disputado.
Em Pernambuco, a questão poderá ser ainda mais relevante porque a eleição para o Governo do Estado tende a ser decidida pela capacidade de formar coalizões amplas. Não basta consolidar o eleitorado tradicional. Será necessário avançar sobre segmentos que ainda não possuem uma preferência definitiva.
E os evangélicos estarão nesse território.
A disputa presidencial reproduzirá parte dessa lógica.
O campo progressista terá o desafio de ampliar sua relação com um segmento no qual historicamente encontra mais resistência. O campo conservador, por sua vez, tentará preservar uma conexão construída ao longo dos últimos anos.
A sucessão presidencial também acrescenta uma variável importante: até que ponto a identificação política construída nos últimos anos será transferida para novas lideranças?
O campo conservador possui uma marca forte entre os evangélicos, mas nenhuma transferência eleitoral é automática. É preciso reconstruir confiança, manter proximidade e apresentar um projeto capaz de dialogar com as novas demandas desse eleitorado.
Do outro lado, as forças progressistas terão que demonstrar que suas propostas também conversam com os valores, as necessidades e as preocupações dos evangélicos.
Não será suficiente falar apenas com aqueles que já apoiam determinado projeto.
Será necessário chegar a quem ainda possui resistência.
Esse movimento explica a crescente presença de políticos de diferentes correntes em eventos religiosos. Também explica o esforço de governos e parlamentares para estabelecer canais permanentes de diálogo com lideranças de diferentes denominações.
A política brasileira está percebendo que religião e cidadania fazem parte da vida cotidiana.
As igrejas estão presentes nos bairros, nas comunidades, nas cidades pequenas e nas periferias das grandes cidades. Desenvolvem atividades sociais, acolhem famílias, promovem ações comunitárias e possuem uma presença territorial que poucos partidos conseguem reproduzir.
Essa capilaridade também possui importância política.
Não necessariamente porque uma liderança determine o voto de seus fiéis, mas porque as igrejas fazem parte da vida de milhões de brasileiros.
Em Pernambuco, essa presença é particularmente significativa.
Do Recife ao Sertão, o crescimento das comunidades evangélicas acompanha as transformações sociais do Estado. E o eleitor que participa dessas comunidades também participa da vida política, acompanha governos, avalia candidatos e decide seu voto.
Por isso, a relação entre os evangélicos e a sucessão estadual não deve ser observada apenas pela quantidade de votos que esse segmento representa.
É preciso observar também sua capacidade de organização, mobilização e formação de opinião.
Em uma eleição majoritária, esses fatores podem ser decisivos.
Uma candidatura que consiga estabelecer uma relação de confiança com esse eleitorado não necessariamente ganhará todos os votos evangélicos. Mas poderá reduzir rejeições, ampliar sua presença em determinadas regiões e conquistar votos que antes estavam fora de seu alcance.
É assim que uma eleição é vencida.
Não apenas conquistando os eleitores que já estão convencidos, mas ampliando permanentemente a base.
O cenário de 2026 torna essa disputa ainda mais interessante porque Pernambuco poderá funcionar como um retrato da transformação do eleitorado brasileiro.
De um lado, um campo político que possui uma relação histórica recente com os evangélicos e pretende preservar essa vantagem.
De outro, forças que perceberam que não podem abrir mão de uma parcela tão significativa da população.
E entre os dois campos está um eleitorado cada vez maior, mais diverso e com demandas próprias.
A pergunta, portanto, não é se os evangélicos terão influência na sucessão.
Isso já está respondido.
Terão.
A verdadeira disputa será para saber quem conseguirá compreender melhor esse eleitorado e apresentar uma proposta capaz de dialogar com suas prioridades.
Em Pernambuco, isso pode fazer diferença entre vencer e perder uma eleição.
No Brasil, pode representar a diferença entre chegar ao segundo turno em vantagem ou ter que correr atrás de votos nas últimas semanas de campanha.
O eleitor evangélico entrou definitivamente no centro do tabuleiro político brasileiro.
E, em 2026, Pernambuco estará entre os Estados onde esse movimento poderá ser observado com mais atenção.
A fé continuará sendo uma dimensão importante da vida de milhões de pernambucanos e brasileiros. A política também.
E os grupos que compreenderem que essas duas dimensões fazem parte da realidade de uma parcela cada vez maior da sociedade estarão um passo à frente na disputa pelo futuro de Pernambuco e do Brasil.
*Antônio Campos, Curador Geral da Fliporto, advogado, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras e da ABI - Associação Brasileira de Imprensa. @antoniocampos.adv

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Autor do Hino do Paulista-PE é o aniversariante de hoje, 13 de agosto - Por Ricardo Andrade*
13/08/2026
Filho do ex-vereador Paulino Luiz e da ex-operária, Edivirges Andrade (ambos In memórias), viúvo de D. Albertina Andrade, pai de 3 filhos (Ricardo, Ronnie e Waleska), avô de 3 meninas (Anellise, Ana Clara e Amanda), tendo como irmãos, Josias, Judite, Josete e Jurandir, que também é compositor e cantor. Joel Andrade está de parabéns, nesse dia 13 de agosto. Compôs o Hino do Paulista em 1973, oficializado por um concurso municipal, que virou lei. Em sua trajetória foi Maestro de Corais(Colégio Marista e Coral da Tecanor) e compositor, participando de vários Festivais de Música (Shell, Recifrevo, Festival de Música Nordestina), sendo vencedor em alguns deles. montou o conjunto "O Canto do Sol" e a Banda "Ejakulação Precoce". Lançou e produziu o CD, "Paulista entre sustenidos e bemóis", com músicas de sua autoria, descrevendo acerca da memória e da identidade de Paulista. O saudoso cantor Augusto César, gravou uma faixa, intitulada, "Catita de Ferro". Suas canções influenciaram vários artistas da cidade e da região. Alguns de seus Frevos de Bloco, foram cantados pelo Bloco da Magnólia, Menestréis do Paulista e Flabelo Encantado. O Hino declama as belezas do Paulista em seu refrão:
"Em cima o céu é mais azul, é mais bonito, embaixo a brisa tem aroma de Eucalípto, teu povo é mais ordeiro e mais gentil, Paulista fração linda do Brasil".
*Ricardo Andrade, é Historiador, Mestre em Gestão Pública (Fundaj) e Presidente do IHGAAP (Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico, Antropológico do Paulista). @ricardo060370
Da Série Mistérios do Aquém: pedagogia do coturno e do "sim, senhor!" – Por Natanael Sarmento*
13/08/2026
Figurino da "ordem"
Para moldar a juventude, mormente da classe trabalhadora, acatando as ordens de autoridades superiores e dos patrões, sem questionar por quê, ou para quem, porque ordens são ordens, e por que superiores devem ser obedecidas, questionamentos, sem reclamações e batendo continência. Na exclusão educativa dos de baixo dos de baixo adestrados sem raciocínio crítico, científico, filosófico - virtudes reservadas aos bem nascidos nas elites burguesas -, sem atrapalhar a marcha “natural” da sociedade capitalista hierarquizada com “ideias exóticas”, reflexão crítica transformadora do mundo, por reformas ou revoluções, cruz credo,...
A nostalgia da ditadura encontra na pedagogia autoritária da escola cívico-militar sua panaceia. É a droga do laboratório do fascismo para curar os defeitos da educação crítica e pedagogia do oprimido dessa laia de comunistas que não aceitam o argumento da autoridade tipo “faça o que digo e não faça o que faço”.
Figurino da "ordem"
Para moldar a juventude, mormente da classe trabalhadora, acatando as ordens de autoridades superiores e dos patrões, sem questionar por quê, ou para quem, porque ordens são ordens, e por que superiores devem ser obedecidas, questionamentos, sem reclamações e batendo continência. Na exclusão educativa dos de baixo dos de baixo adestrados sem raciocínio crítico, científico, filosófico - virtudes reservadas aos bem nascidos nas elites burguesas -, sem atrapalhar a marcha “natural” da sociedade capitalista hierarquizada com “ideias exóticas”, reflexão crítica transformadora do mundo, por reformas ou revoluções, cruz credo, vade retro Satã!
Hipocrisia classista
Nesse mistério do aquém sociológico, filhotinhos da burguesia não são visto nas filas das escolas militarizadas. A burguesia matricula os seus em colégios bilíngues, recebem formação universal em história, arte, filosofia, literatura clássica, matemática, física, biologia, química. São preparados para liderar corporações e o poder estatal burguês, gerir patrimônios e ocupar cargos de decisão, por “meritocracia”.
Para a massa
Os apologistas do autoritarismo, históricos exploradores e opressores do povo reservam o ensino (adestramento) da escolaridade “cívico-militar”. Para formar a mão de obra ideal para o mercado: idiotizada, dócil, acostumada a cumprir ordens sem questionar a origem do comando, pronta para aceitar a precarização, agradecer pelos salários pífio, ou servir de bucha de canhão nas guerras, morrendo pelo rei que desconhece e se refastela nos banquetes palaciano. Submetidos a lavagem cerebral da direita fascista geradoras de esquizofrenias tipos “pobres de direita” , negros racistas, gays homofóbicos, mulheres machistas... essa vanguarda do reacionarismo e do atraso.
A “sublime” arte de não pensar
Nas pedagogias fardadas, o aluno ideal não é aquele que formula perguntas incômodas, mas o que mantém o corte de cabelo dentro do padrão e bate o pé no tempo certo. O pensamento crítico é visto como uma anomalia disciplinar; a dúvida, uma insubordinação. A pedagogia do quartel aplicada à escola pública transforma a sala de aula em um pátio de treinamento, em que a capacidade de contestar injustiças é substituída pela virtude da obediência cega.
Nada de novo
Os golpistas de 1964 usaram a pedagogia da tortura com choque elétrico não apenas nos porões da ditadura como também nos hospitais psiquiátricos.
O crime de alfabetizar camponeses
A jovem pernambucana Sylvia de Montarroyos com apenas 17 anos sofreu as piores torturas, em meados da década de 1960, pelo "grave crime" ou insanidade de alfabetizar camponeses, é coisa de maluco ensinar trabalhadores rurais a ler, escrever exigir direitos.
Tamarineira
O antigo manicômio Ulisses Pernambucano, popular Tamarineira do Recife, foi a casa pedagógica do sistema de segurança do Estado: internou a jovem alfabetizadora e a submeteu a sessões de choques elétricos e medicamentos de sedação e dopagem, “rolou a química” como diria o mito dos fascistas atuais.
Sobrevivente
A psicanalista Sylvia sobreviveu a torturas e exílios, perpetuou suas memórias do terrorismo de Estado no alentado livro “Réquiem por Tatiana: memórias de um tempo de guerra e de uma descida aos infernos. (Editora: CEPE, 2013). Importante registro. É preciso lembrar para não esquecer. Sem anistia para golpistas. Fim das escolas de adestramento militar. Ditadura nunca mais!
*Natanael Sarmento é professor e escritor, e integrante do Diretório Nacional da UP. @sarmentonatanael

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos autores.
Soberania não se adia - Por Amadeu Robalinho*
13/08/2026
O Brasil possui uma das mais extraordinárias combinações de vantagens geográficas, ambientais, territoriais e econômicas do planeta. Extensão territorial continental, abundância hídrica, terras agricultáveis, diversidade mineral, reservas energéticas, vasto litoral, clima relativamente favorável à produção e uma posição geopolítica privilegiada compõem um patrimônio nacional que, em qualquer análise estratégica séria, deveria ser tratado como ativo de poder.
Entretanto, há uma contradição histórica que precisa ser enfrentada sem complexos ideológicos e sem simplificações: o Brasil possui dimensões e recursos de potência, mas ainda não desenvolveu, na mesma proporção, uma cultura estratégica de potência.
Essa diferença é fundamental.
A formação histórica brasileira produziu uma sociedade fortemente marcada pela ideia de que a paz territorial seria uma condição permane...
A Riqueza e a Cultura Estratégica da Defesa Nacional
O Brasil possui uma das mais extraordinárias combinações de vantagens geográficas, ambientais, territoriais e econômicas do planeta. Extensão territorial continental, abundância hídrica, terras agricultáveis, diversidade mineral, reservas energéticas, vasto litoral, clima relativamente favorável à produção e uma posição geopolítica privilegiada compõem um patrimônio nacional que, em qualquer análise estratégica séria, deveria ser tratado como ativo de poder.
Entretanto, há uma contradição histórica que precisa ser enfrentada sem complexos ideológicos e sem simplificações: o Brasil possui dimensões e recursos de potência, mas ainda não desenvolveu, na mesma proporção, uma cultura estratégica de potência.
Essa diferença é fundamental.
A formação histórica brasileira produziu uma sociedade fortemente marcada pela ideia de que a paz territorial seria uma condição permanente e que as ameaças à soberania estariam sempre distantes. Durante grande parte de nossa história, a guerra foi percebida como fenômeno externo, enquanto a defesa nacional permaneceu, muitas vezes, restrita aos círculos militares e diplomáticos.
O problema é que soberania não é uma condição permanente concedida pela geografia. É uma capacidade que precisa ser construída, preservada e demonstrada.
A geografia brasileira: vantagem ou falsa sensação de segurança?
O território brasileiro oferece importantes vantagens defensivas. A distância dos principais centros de conflito do planeta, a ausência de vulcanismo significativo em grande escala, a inexistência de terremotos de magnitude comparável aos grandes cinturões sísmicos mundiais e uma relativa regularidade climática em amplas áreas do território contribuíram historicamente para a percepção de segurança geográfica.
Mas a geografia, sozinha, não produz soberania.
Ela apenas oferece condições iniciais de poder.
O Brasil possui aproximadamente 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território, uma extensa fronteira terrestre, mais de 7 mil quilômetros de litoral e uma das maiores zonas econômicas exclusivas do planeta. Possui ainda recursos minerais estratégicos, produção agrícola de escala mundial, petróleo offshore, biodiversidade e enorme potencial energético.
Essa combinação deveria produzir uma cultura nacional baseada em uma pergunta simples:
Como transformar patrimônio territorial em poder nacional?
É justamente nesse ponto que a discussão sobre defesa deixa de ser exclusivamente militar e passa a ser econômica, tecnológica, industrial e geopolítica.
O mito perigoso de que “ninguém quer o que é nosso”
Existe uma percepção profundamente arraigada na sociedade brasileira de que o país não possui inimigos relevantes porque historicamente não sofreu uma guerra de conquista territorial nos moldes experimentados por outras nações.
Essa percepção precisa ser corrigida.
O fato de determinado território não ter sido recentemente invadido não significa que ele esteja livre de disputas estratégicas.
No século XXI, a conquista pode assumir formas diferentes.
Pode ocorrer pela dependência tecnológica.
Pode ocorrer pela dependência energética.
Pode ocorrer pelo controle de cadeias produtivas.
Pode ocorrer pela aquisição estratégica de ativos.
Pode ocorrer pela vulnerabilidade de infraestruturas críticas.
Pode ocorrer pelo domínio de dados, sistemas digitais e comunicações.
Pode ocorrer pela dependência de componentes militares produzidos no exterior.
Em outras palavras, a guerra contemporânea não começa necessariamente com um desembarque de tropas.
Ela pode começar quando uma nação descobre que não consegue produzir aquilo de que necessita para defender sua própria economia, seu território e sua população.
Por isso, a soberania moderna deve ser compreendida como uma arquitetura multidimensional.
Defesa nacional não é despesa: é seguro estratégico
Um dos maiores equívocos do debate brasileiro consiste em apresentar os investimentos em defesa como concorrentes dos investimentos sociais.
Essa dicotomia é artificial.
Uma indústria nacional de defesa desenvolve engenharia, materiais avançados, eletrônica, sistemas embarcados, inteligência artificial, cibernética, metalurgia, propulsão, telecomunicações, construção naval e tecnologias aeroespaciais.
Portanto, investir em defesa também significa investir em ciência, indústria e empregos de alta qualificação.
Uma nação que abandona sua capacidade industrial estratégica torna-se compradora de tecnologias desenvolvidas por outras nações.
E quem depende tecnologicamente de terceiros para defender sua própria soberania possui uma soberania limitada.
O petróleo deveria financiar o futuro e não apenas o presente
A discussão sobre os royalties do petróleo merece especial atenção.
Recursos naturais são finitos. Estados estratégicos não deveriam utilizar receitas provenientes de recursos exauríveis apenas para financiar despesas correntes.
O petróleo deveria ser tratado como capital de transição para uma economia tecnologicamente mais sofisticada.
Nesse sentido, duas prioridades estratégicas deveriam estar permanentemente associadas:
primeiro, fortalecer a capacidade nacional de defesa;
segundo, transformar a riqueza temporária dos recursos naturais em capacidade permanente de geração de riqueza.
Isso significa investir em educação tecnológica, engenharia, infraestrutura, indústria, pesquisa científica, energia, construção naval, materiais estratégicos, defesa cibernética, sistemas espaciais e tecnologias de uso dual.
O objetivo não deveria ser simplesmente gastar a renda do petróleo.
Deveria ser converter petróleo em conhecimento, conhecimento em indústria e indústria em soberania.
A verdadeira riqueza de uma nação é aquilo que ela consegue produzir
O conceito de soberania econômica precisa ser ampliado.
Não basta possuir minério de ferro se a tecnologia de transformação está fora do país.
Não basta produzir petróleo se os equipamentos críticos dependem de fornecedores externos.
Não basta possuir uma costa gigantesca se não existe capacidade industrial naval proporcional à dimensão marítima nacional.
Não basta possuir território se não há infraestrutura, sensores, comunicações, logística e presença estatal suficientes para conhecê-lo, protegê-lo e integrá-lo.
Território sem capacidade é apenas extensão geográfica.
Soberania começa quando o Estado possui meios materiais para defender aquilo que afirma ser seu.
A Amazônia, o Atlântico Sul e as fronteiras do século XXI
A Amazônia e o Atlântico Sul constituem dois exemplos emblemáticos.
A Amazônia não deve ser analisada apenas como floresta. É território, biodiversidade, água, recursos minerais, posição geográfica, conhecimento científico e patrimônio nacional.
Da mesma forma, o Atlântico Sul não deve ser compreendido apenas como uma faixa de oceano diante da costa brasileira.
É uma dimensão estratégica que envolve petróleo, gás, pesca, rotas comerciais, infraestrutura portuária, cabos submarinos, biodiversidade, comunicação e segurança energética.
Nesse contexto, a Amazônia Azul não é uma expressão retórica. É um conceito estratégico.
Quem controla, conhece e protege seus espaços marítimos possui maior capacidade de decidir sobre seu próprio futuro.
O Brasil precisa construir uma cultura estratégica
Talvez a maior deficiência brasileira não esteja na falta de recursos.
Este país possui recursos.
Também não está necessariamente na falta de inteligência técnica.
Possuímos universidades, centros de pesquisa, engenheiros, cientistas, militares e profissionais capazes de desenvolver soluções sofisticadas.
O problema está na dificuldade histórica de transformar conhecimento disperso em política de Estado de longo prazo.
Defesa não pode ser planejada apenas para o próximo orçamento.
Indústria não pode ser pensada apenas para o próximo ciclo econômico.
Energia não pode ser planejada apenas para a próxima década.
E soberania não pode ser subordinada à lógica eleitoral.
Uma potência continental precisa pensar em horizontes de 20, 30 ou 50 anos.
A soberania exige memória, estratégia e capacidade
Não precisamos desejar guerras para compreender a necessidade da defesa.
Ao contrário.
A melhor defesa é aquela que torna a agressão excessivamente custosa, improvável e irracional.
O objetivo de uma política nacional de defesa não é preparar o país para guerrear.
É preparar o país para não precisar aceitar condições impostas por terceiros.
Essa é a diferença entre militarismo e estratégia.
Militarismo busca a guerra.
Estratégia busca preservar a paz mediante capacidade.
O Brasil precisa compreender essa diferença.
Nossa geografia é uma bênção, mas não é um escudo absoluto.
Nossos recursos naturais são uma riqueza, mas não constituem soberania por si mesmos.
Nossa dimensão territorial é uma vantagem, mas também impõe responsabilidades.
E nossas riquezas energéticas não deveriam financiar apenas o presente: deveriam financiar a capacidade nacional de existir soberanamente depois que essas riquezas diminuírem.
Conclusão
O Brasil não precisa esperar uma guerra para descobrir o valor da defesa.
Não precisa perder ativos estratégicos para compreender o valor da indústria.
Não precisa enfrentar uma crise energética para perceber a importância da autonomia.
E não precisa ser pressionado internacionalmente para descobrir que soberania não é uma palavra constitucional: é uma capacidade concreta de decisão.
O verdadeiro desafio brasileiro é transformar território em poder, recursos em tecnologia, tecnologia em indústria, indústria em capacidade militar e capacidade militar em dissuasão.
Essa é a equação da soberania no século XXI.
Uma nação verdadeiramente soberana não é aquela que afirma que ninguém pretende tomar aquilo que possui.
É aquela que possui capacidade suficiente para que ninguém sequer considere essa possibilidade.
Soberania não se presume.
Soberania se constrói.
Defesa não se improvisa.
Estratégia não se adia.
*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
A poucos dias da campanha eleitoral, confira o que pode e o que não pode ser feito
13/08/2026
Conteúdos políticos
Com convenções partidárias finalizadas e nomes oficializados para a disputa de deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República, as mídias e as redes sociais foram tomadas por conteúdos políticos.
O que pode e o que não pode:
As diretrizes sobre o que os pré-candidatos podem fazer estão fixadas na Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O que é permitido
Conforme estabelece a legislação eleitoral, é permitido no momento, participação em entrevistas, debates, seminários e encontros públicos; divulgação do nome, trajetória, ideias, propostas e projetos políticos e pedido de apoio político e declaraç...
Contagem regressiva para a busca pelo eleitor, e consequentemente, a caça ao voto. Falta menos de uma semana para o início oficial da propaganda eleitoral e a movimentação política atinge seu ponto máximo.
Conteúdos políticos
Com convenções partidárias finalizadas e nomes oficializados para a disputa de deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República, as mídias e as redes sociais foram tomadas por conteúdos políticos.
O que pode e o que não pode:
As diretrizes sobre o que os pré-candidatos podem fazer estão fixadas na Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O que é permitido
Conforme estabelece a legislação eleitoral, é permitido no momento, participação em entrevistas, debates, seminários e encontros públicos; divulgação do nome, trajetória, ideias, propostas e projetos políticos e pedido de apoio político e declarações públicas de posicionamento.
O que é vedado:
É vedado pedido explícito de voto (uso de bordões diretos como “vote em mim”, “vote no número X”); gastos que configurem abuso de poder econômico ou uso indevido da máquina pública e uso das Redes Sociais, Inteligência Artificial e o Perigo das Deepfakes
Devem cadastrar
Para veicular material na internet a partir do dia 16, partidos, coligações e candidatos devem cadastrar formalmente suas contas oficiais no Tribunal Regional Eleitoral do seu Estado.
Regramentos
Com o avanço das tecnologias digitais, o TSE editou regramentos (como as Resoluções nº 23.732/2024 e nº 23.755/2026) focados no combate à desinformação e na regulamentação da Inteligência Artificial (IA). O maior alerta para o pleito deste ano envolve o uso ilícito de deepfakes — conteúdos audiovisuais sintéticos que simulam voz e imagem de personalidades públicas com realismo extremo.
Horário eleitoral no Rádio e Televisão
O horário eleitoral gratuito, exibido no rádio e na televisão durante as eleições, já tem data para começar em 2026. Os programas dos candidatos entram no ar em 28 de agosto. No 1º Turno, a veiculação está liberada entre 28 de agosto e 1º de outubro. Já no 2º Turno (se houver para Governador ou Presidente), a exibição será entre 9 e 23 de outubro.
O Poder