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Eleições 2024 - Carreata ocupa as ruas de Caruaru em apoio à eleição de Zé Queiroz

30/09/2024 - Jornal O Poder

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Em apoio à eleição de Zé Queiroz (PDT), o povo ocupou as ruas de Caruaru numa carreata que circulou pela cidade neste domingo (29). Ao todo, o ato percorreu mais de 16 quilômetros de percurso, passando por mais de vinte bairros.


Se emocionou

Logo na concentração, ao lado do Grande Hotel, Zé Queiroz se emocionou com a multidão de pessoas gritando "Volta, Zé". A quantidade de carros era tanta que, uma hora e meia depois, a carreata ainda estava passando no Riachão, um dos trechos iniciais do roteiro.

Momento

Um dos momentos mais emocionantes foi a passagem pela ponte Irmã Jerônima, um marco da gestão de Zé Queiroz. Antes disso, no trajeto pelo Salgado, um belo pôr do sol coloriu de um laranja natural o céu da cidade. Por volta das 20h30, na Rua Macaparana, no bairro Boa Vista, aconteceu o ponto alto da carreata, com a via lotada de moradores, em festa pela passagem de Zé Queiroz.


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Em apoio à eleição de Zé Queiroz (PDT), o povo ocupou as ruas de Caruaru numa carreata que circulou pela cidade neste domingo (29). Ao todo, o ato percorreu mais de 16 quilômetros de percurso, passando por mais de vinte bairros.


Se emocionou

Logo na concentração, ao lado do Grande Hotel, Zé Queiroz se emocionou com a multidão de pessoas gritando "Volta, Zé". A quantidade de carros era tanta que, uma hora e meia depois, a carreata ainda estava passando no Riachão, um dos trechos iniciais do roteiro.

Momento

Um dos momentos mais emocionantes foi a passagem pela ponte Irmã Jerônima, um marco da gestão de Zé Queiroz. Antes disso, no trajeto pelo Salgado, um belo pôr do sol coloriu de um laranja natural o céu da cidade. Por volta das 20h30, na Rua Macaparana, no bairro Boa Vista, aconteceu o ponto alto da carreata, com a via lotada de moradores, em festa pela passagem de Zé Queiroz.


O ministro


Acompanhado do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, do secretário executivo do ministério da Previdência Social, Wolney Queiroz, da deputada estadual Rosa Amorim, do superintendente da Sudene, Danilo Cabral, do ex-prefeito Tony Gel e do exército de candidatos e candidatas à Câmara de Vereadores, Zé Queiroz recebeu vários apoios.


Afirmou

O ministro Silvio Costa Filho afirmou não ter dúvida de que, no próximo domingo, Caruaru vai votar 12. “O sentimento de mudança tomou as ruas de Caruaru hoje. Zé Queiroz foi um grande prefeito e vai voltar a governar esta cidade junto com Tonynho. Ao lado do presidente Lula, vamos trazer muitos investimentos para gerar emprego e renda, transformando a vida do caruaruense”, declarou

Leia outras informações

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As aventuras de Cacimba 55 — A festa, a feira e o trio de Cacimba, por Zé da Flauta*

22/08/2026

Carnaúba Seca acordou em clima de guerra declarada. Padre Severino, com a firmeza de quem se acha dono do céu e da terra, resolveu montar a grande quermesse da padroeira bem no meio da praça central. O problema é que o sábado era sagrado para outro altar: o da feira livre.




Se as barracas de quermesse ocupassem a praça, os feirantes não teriam onde arrumar as frutas, as rapaduras nem os panos. Ia ser prejuízo na certa para quem dependia daquele dia para botar comida na mesa, enquanto o cofre da paróquia saía estufado. A conversa corria solta e o clima estava quente, até que Cacimba chegou, amarrou seu jumento no pé de oiti e chamou Simão e Sebastião para o conselho.

— Mestre, pelas minhas contas na caderneta, a divisão do espaço tá gerando um déficit de diplomacia e um excesso de sermão, alertou Simão, ajeitando os óculos redondos.

— É o sagrado pisando na barriga do faminto! gritou Sebastião, saltando de um galho para...

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Carnaúba Seca acordou em clima de guerra declarada. Padre Severino, com a firmeza de quem se acha dono do céu e da terra, resolveu montar a grande quermesse da padroeira bem no meio da praça central. O problema é que o sábado era sagrado para outro altar: o da feira livre.



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Se as barracas de quermesse ocupassem a praça, os feirantes não teriam onde arrumar as frutas, as rapaduras nem os panos. Ia ser prejuízo na certa para quem dependia daquele dia para botar comida na mesa, enquanto o cofre da paróquia saía estufado. A conversa corria solta e o clima estava quente, até que Cacimba chegou, amarrou seu jumento no pé de oiti e chamou Simão e Sebastião para o conselho.

— Mestre, pelas minhas contas na caderneta, a divisão do espaço tá gerando um déficit de diplomacia e um excesso de sermão, alertou Simão, ajeitando os óculos redondos.

— É o sagrado pisando na barriga do faminto! gritou Sebastião, saltando de um galho para o outro.

Cacimba não disse uma palavra de cara. Tirou o pífano da sacola, soprou uma nota aguda que fez o Padre Severino interromper a medição das barracas e gritou para a praça toda:

— Na terra de Deus, a reza e o sustento comem na mesma mesa! Se a festa não vai até a feira, a feira vira a própria festa!

A solução foi de uma simplicidade genial: em vez de brigar pelo espaço da praça, Cacimba propôs transformar o corredor da feira no próprio caminho da procissão e dos festejos. Para selar a paz e animar o povo, montou ali mesmo o grupo mais inusitado do sertão.

Cacimba assumiu o pífano com suas melodias de encantar o vento. No ombro esquerdo, Simão levou a coisa a sério e assumiu a zabumba, batendo o ritmo com a precisão de um relógio e a caderneta ajeitada no cinto.

No ombro direito, Sebastião pegou o triângulo e meteu o sarrafo no metal, fazendo uma folia tão animada que não teve feirante compenetrado nem carola de terço na mão que resistisse.

Quando o primeiro baião ecoou entre as barracas de jerimum e os balcões de quermesse, o Padre Severino viu o povo dançando junto, comprando farinha e doando para a igreja no mesmo passo. Não teve prejuízo, não teve briga e a praça inteira virou um salão só.


No fim da tarde, com o bolso dos feirantes cheio e as doações do altar garantidas, o padre teve que tirar o chapéu para o trio. E Cacimba, guardando o pífano, piscou para os dois companheiros nos ombros: a razão da zabumba e a emoção do triângulo tinham salvo o sábado mais uma vez.

*Zé da Flauta é músico, compositor, filósofo e escritor.



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Com visitas e reuniões, Zé Queiroz e Iza Arruda cumprem agenda de campanha pelas ruas de Caruaru

22/08/2026

Candidato a deputado estadual nas eleições de 2026, o ex-parlamentar e ex-prefeito de Caruaru por vários mandatos José Queiroz (MDB) cumpriu, neste sábado (22/08), agenda de campanha ao lado de Iza Arruda (MDB), com quem forma dobradinha na disputa para a Câmara Federal. Queiroz e Iza iniciaram a manhã na Feira de Caruaru, no Parque 18 de Maio, onde percorreram corredores, cumprimentaram feirantes e visitantes e conversaram com a população.

Durante a passagem pela feira, os candidatos ouviram reclamações sobre as condições do espaço e também manifestações contrárias à transferência da Feira do Paraguai para outro local, anunciada recentemente pela Prefeitura de Caruaru. De lá, Queiroz e Iza seguiram para o centro da cidade, onde deram continuidade à agenda, sempre fazendo paradas e conversando com comerciantes, trabalhadores e eleitores.



Defesa dos interesses de PE

“Tenho feito um apelo ao povo de Caruaru para que poss...

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Candidato a deputado estadual nas eleições de 2026, o ex-parlamentar e ex-prefeito de Caruaru por vários mandatos José Queiroz (MDB) cumpriu, neste sábado (22/08), agenda de campanha ao lado de Iza Arruda (MDB), com quem forma dobradinha na disputa para a Câmara Federal. Queiroz e Iza iniciaram a manhã na Feira de Caruaru, no Parque 18 de Maio, onde percorreram corredores, cumprimentaram feirantes e visitantes e conversaram com a população.

Durante a passagem pela feira, os candidatos ouviram reclamações sobre as condições do espaço e também manifestações contrárias à transferência da Feira do Paraguai para outro local, anunciada recentemente pela Prefeitura de Caruaru. De lá, Queiroz e Iza seguiram para o centro da cidade, onde deram continuidade à agenda, sempre fazendo paradas e conversando com comerciantes, trabalhadores e eleitores.



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Defesa dos interesses de PE

“Tenho feito um apelo ao povo de Caruaru para que possamos ampliar os votos. Em cada cidade que vou, escuto as demandas da população e vou anotando. Na Alepe [Assembleia Legislativa de Pernambuco], quero defender os interesses de Pernambuco, mas com uma atenção especial para Caruaru, que é a minha cidade, a terra que eu amo. Sou um cara vital, tenho energia, faço musculação, cuido da minha saúde. Estou pronto para a luta”, destacou Zé Queiroz.

Entusiasmada com a receptividade da população nas ruas, Iza Arruda afirmou que, já em seu primeiro mandato, destinou recursos para Caruaru e ressaltou a parceria com Queiroz.



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Presença nas ruas

“Hoje, temos a oportunidade de estar aqui com ele, que foi um grande prefeito e fez tanto pelo município. Ao lado de Zé Queiroz e com Wolney (filho de Zé Queiroz) ministro da Previdência, vamos trabalhar muito. Se já fizemos em nosso primeiro mandato, em pouco menos de quatro anos, imagine agora com essa grande dobradinha”, enfatizou a candidata a deputada federal.

Desde o último domingo (16/08), quando teve início oficialmente a campanha eleitoral, Zé Queiroz tem ampliado sua presença nas ruas, dialogando com as pessoas e ouvindo reivindicações e sugestões da população. O candidato também vem cumprindo agendas em outros municípios de Pernambuco, onde conta com apoios políticos e lideranças que integram o projeto de seu retorno à Assembleia Legislativa em 2027.




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Ivan Moraes cobra de Raquel Teixeira Lyra câmeras corporais prometidas para a PM de Pernambuco

22/08/2026

O candidato da Coligação Frente Pernambuco de Luta (Federação PSOL/REDE e PCB), Ivan Moraes, criticou nesta sexta-feira (21/08) a atual governadora, Raquel Teixeira Lyra (PSD), por não ter comprado câmeras corporais para os policiais militares de Pernambuco, quando ela argumentou que que o Governo Federal já destinou verba para a aquisição dos equipamentos.

“Eu digo que a transparência é o escudo do bom gestor. A política tem que ser um aquário, todo mundo tem que ver o que é que o político está fazendo para poder saber se ele está fazendo direito ou errado. Se o cara está fazendo direito, é de boa que haja transparência. A polícia, a mesma coisa. Raquel, se o dinheiro está no cofre, bota a câmera! Que medo é esse?”, questionou Moraes.

Policiais na linha de frente

Em sua colocação, o candidato enfatizou que são os policiais — e não os governadores e as governadoras — que estão na linha de frente, correndo risco de vida e necessitando...

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O candidato da Coligação Frente Pernambuco de Luta (Federação PSOL/REDE e PCB), Ivan Moraes, criticou nesta sexta-feira (21/08) a atual governadora, Raquel Teixeira Lyra (PSD), por não ter comprado câmeras corporais para os policiais militares de Pernambuco, quando ela argumentou que que o Governo Federal já destinou verba para a aquisição dos equipamentos.

“Eu digo que a transparência é o escudo do bom gestor. A política tem que ser um aquário, todo mundo tem que ver o que é que o político está fazendo para poder saber se ele está fazendo direito ou errado. Se o cara está fazendo direito, é de boa que haja transparência. A polícia, a mesma coisa. Raquel, se o dinheiro está no cofre, bota a câmera! Que medo é esse?”, questionou Moraes.

Policiais na linha de frente

Em sua colocação, o candidato enfatizou que são os policiais — e não os governadores e as governadoras — que estão na linha de frente, correndo risco de vida e necessitando da proteção conferida pelas câmeras corporais, que asseguram meios de provar a conduta adequada dos bons policiais.

“Policial não tem vida de videogame, não. O policial merece todo o respeito. A câmera protege, sim, e sempre protegerá o bom policial. Agora, não vai proteger o cara que trabalha errado”, afirmou o candidato.

De acordo com ele, sete meses após após a confirmação do repasse federal de R$ 24 milhões para a adesão de câmeras corporais para a Polícia Militar de Pernambuco, a Secretaria de Defesa Social (SDS-PE) ainda não abriu licitação para comprar os equipamentos.

R$ 23,9 milhões já destinados

Em fevereiro, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) destinou R$ 23,9 milhões ao estado de Pernambuco para a compra de 1.463 câmeras corporais para a Polícia Militar. À época, a SDS prometeu que 1.064 câmeras corporais seriam utilizadas pela PM na Região Metropolitana do Recife (RMR), e outras 399 iriam para municípios do interior pernambucano.

“Em setembro do ano passado, o secretário Alessandro Carvalho, que comanda a pasta da Defesa Social, prometeu que a PM de Pernambuco receberia as primeiras câmeras corporais em até seis meses, prazo que se esgotou em março deste ano. Estamos no final de agosto, chegou o período eleitoral e a governadora não deu ordem para a abertura da licitação para a compra das câmeras”, enfatizou Moraes.




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Odisseia, de Nolan: um filme sem deuses, por Flávio Lúcio Vieira*

22/08/2026

Como grande interessado em mitologia grega e tendo escrito um livro inspirado na obra de Homero, cujo principal personagem se chama Ulisses, minha expectativa era imensa desde que as filmagens de Odisseia, de Christopher Nolan, foram anunciadas. Há 15 dias, assisti ao filme e só agora tive tempo de escrever a resenha que segue abaixo.

Comecemos assim. Quando entramos no cinema, ou mesmo antes disso, o que esperamos quando o filme que escolhemos assistir é uma adaptação de uma obra literária? Mais ainda, quando se trata de uma epopeia milenar, que não apenas estabelece os fundamentos da narrativa da literatura ocidental, mas é, ainda hoje, lido com grande interesse? De minha parte, espero que as adaptações à linguagem cinematográfica corrompam minimamente a obra e esta seja, nos trechos principais, uma manifestação visual do que construímos mentalmente durante a leitura.

Não são presentes assim que, normalmente, o cinema nos entrega. Há uma arbitrariedade q...

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Como grande interessado em mitologia grega e tendo escrito um livro inspirado na obra de Homero, cujo principal personagem se chama Ulisses, minha expectativa era imensa desde que as filmagens de Odisseia, de Christopher Nolan, foram anunciadas. Há 15 dias, assisti ao filme e só agora tive tempo de escrever a resenha que segue abaixo.

Comecemos assim. Quando entramos no cinema, ou mesmo antes disso, o que esperamos quando o filme que escolhemos assistir é uma adaptação de uma obra literária? Mais ainda, quando se trata de uma epopeia milenar, que não apenas estabelece os fundamentos da narrativa da literatura ocidental, mas é, ainda hoje, lido com grande interesse? De minha parte, espero que as adaptações à linguagem cinematográfica corrompam minimamente a obra e esta seja, nos trechos principais, uma manifestação visual do que construímos mentalmente durante a leitura.

Não são presentes assim que, normalmente, o cinema nos entrega. Há uma arbitrariedade que é comum nos roteiros baseados em obras escritas, cujos direitos são vendidos pelos autores aos estúdios de cinema, que passam a dispor de enorme liberdade para fazer o que desejarem com elas. Lembro de uma manifestação de Rick Riordan sobre o roteiro de Percy Jackson e o ladrão de raios: "O trabalho de uma vida passando por um moedor de carne". Em pontos cruciais, o filme passa longe da história contada no livro.

Obviamente, não é esse o caso da Odisseia, o que, a meu ver, torna a situação ainda mais grave, já que a epopeia de Homero pertence há séculos à humanidade. Talvez seja esse o motivo para que a "adaptação" do diretor e roteirista Christopher Nolan tenha causado tanto desconforto aos estudiosos e apreciadores da obra de Homero. São tantas as "adaptações" que fica impossível abordá-las aqui uma a uma. Portanto, vou me deter nas que considero as mais relevantes.

Um homem freudiano

Vamos começar pela caracterização do guerreiro Odisseu (Ulisses), que Nolan transforma num homem freudiano, cheio de culpas, portanto, num típico homem moderno. Não que o Odisseu de Homero seja imune ao sofrimento, mas a noção de culpa moral moderna não bate bem com o protagonista da Odisseia, que se derrama em saudades ao longo de toda a obra, sobretudo quando o aedo cego Demódoco canta para a corte do rei feácio Alcínoo, que se reúne em homenagem ao até então desconhecido estrangeiro.

Odisseu quase havia se afogado depois que Poseidon lançou uma tempestade que destruiu a jangada na qual o rei de Ítaca saiu da ilha de Calipso, indo parar na praia onde Nausica, a filha de Alcínoo, o achou desacordado e nu. Depois de exibir suas habilidades atléticas, Odisseu chora ao ouvir sobre a Guerra de Troia e seu nome ser citado ao lado do de Aquiles. Assim como esse, tantos outros episódios foram cortados da Odisseia de Nolan.

A imagem que construímos de Odisseu depois de lermos a Odisseia pouco tem a ver com esse homem introspectivo e carregado de culpa, sentimento que, no filme, é onipresente e parece ter mais importância que seu desejo de voltar a Ítaca para reencontrar a esposa Penélope, o filho Telêmaco e recuperar seu reino. Vale lembrar o óbvio: o título do poema épico de Homero homenageia seu protagonista, sendo a narrativa clássica da jornada do herói Odisseu.

Cavalo de Troia

Nolan insere ao longo do filme inúmeros flashbacks das lembranças das mortes causadas por decisões de Odisseu, sobretudo nos minutos finais. Em vez de Penélope e Telêmaco, o Odisseu de Nolan parece não conseguir esquecer seus soldados e companheiros de viagem que morreram, sobretudo, seu papel central no massacre da população de Troia, que vivia no interior das muralhas — e que continuaria protegida por elas não fosse o ardil sugerido pelo rei de Ítaca depois de dez anos de guerra: a construção do célebre cavalo de madeira, deixado nas praias de Troia, sugerindo o reconhecimento da derrota e uma oferenda a Atena.

O ardil é uma síntese do personagem e de como Odisseu ficou imortalizado. Conseguir voltar para casa é a verdadeira glória de Odisseu. Por isso, Atena ser sua deusa de devoção não foi uma escolha aleatória: em contraponto à força e à violência da guerra, representadas por Ares, que atuou ao lado dos troianos, Atena é a deusa da sabedoria e da estratégia de guerra.

Portanto, sob outra perspectiva, a guerra é inseparável da personalidade de Odisseu, tanto na Ilíada quanto na Odisseia. O que o distingue dos outros heróis da Ilíada é a inteligência e a astúcia para alcançar suas vitórias. Porém, antes de tudo, Odisseu é um guerreiro. E ele não foi a Troia apenas para resgatar Helena — nem ele nem a coligação de reinos aqueus liderada por Agamêmnon.

Posição estratégica

Troia era uma cidade-estado rica e poderosa que ocupava uma posição geográfica estratégica na entrada do estreito de Dardanelos, na Turquia atual. Conquistá-la representava mais que um ato heroico a ser imortalizado, como foi por Homero e por outras obras que não chegaram até nós. Sua conquista rendeu riquezas aos vencedores — na Odisseia, as referências ao espólio trazido da guerra deixam evidente a importância material da conquista.

Outro epíteto pelo qual Odisseu ficou conhecido — o saqueador de cidades — demonstra o quanto foi arbitrária e anacrônica a escolha de Nolan para descrever a personalidade de Odisseu, uma espécie de soldado americano corroído pelas más lembranças de guerras como a do Vietnã. Essa escolha de Nolan não foi banal. Ela é o fio condutor da narrativa.

Se a intenção foi dar ao personagem mais profundidade e complexidade, considero que o efeito final foi o oposto. Dela emergiu um Odisseu insosso, triste, a não ser no episódio final em que nosso herói finalmente chega a Ítaca e, disfarçado de mendigo, mata as dezenas de pretendentes de Penélope — o melhor momento do filme, exatamente por ter sido o mais fiel à narrativa de Homero.

Mera projeção de Atena

O filme de Nolan é um filme sem deuses. Atena tem um papel central na Odisseia de Homero. Na de Nolan, é uma mera projeção, o alter ego de Odisseu que, quando surge na tela, o faz apenas para manifestar, com um olhar severo, sua reprovação aos atos de violência cometidos por seu mais dileto devoto. Até a ardente deusa Calipso foi transformada em psicanalista, e as areias das praias de Ogígia, em seu divã.

É a Calipso que Odisseu narra os episódios que o levaram até a ilha, e é de lá que o rei de Ítaca parte direto para seu reino, ficando assim suprimidos os belos episódios que transcorrem na corte do rei Alcínoo. Não há paixão entre Odisseu e Calipso, não há sexo, embora ele tenha passado sete anos, dos vinte que ficou longe de casa, ao lado da estonteante ninfa — certamente, os dois não passaram esse tempo apenas conversando.

Isso é relevante porque Nolan parece desejar que o público veja Odisseu como um castiço guerreiro. Odisseu desejava voltar para os braços da esposa, é certo, porém manteve durante sua permanência em Ogígia uma relação amorosa e sexual com Calipso. E nada desse tórrido romance é apresentado no filme. A relação entre Calipso e Odisseu se resume às narrações que servirão para quebrar a resistência da ninfa, que tentava manter o amado por perto, chegando mesmo a oferecer-lhe a imortalidade em troca.

A Calipso de Nolan é, ao mesmo tempo, capaz de usar a flor de lótus para ludibriar Odisseu — artimanha inventada por Nolan, provavelmente para justificar por que cargas-d'água nosso herói passou tanto tempo numa ilha paradisíaca com uma ninfa. Com isso, ele desejou justificar a não resistência de Odisseu às investidas de Calipso?

Sem Poseidon nem Hermes

Por outro lado, Calipso mostra generosidade e compreensão diante da tristeza do amado e libera-o para ele partir de volta para casa sem mais artifícios. Nada mais distante da atitude da Calipso de Homero, que só permitiu que Odisseu voltasse finalmente para casa depois que uma assembleia dos deuses, da qual não participou Poseidon, inimigo mortal do nosso herói e personagem central da Odisseia, determinou seu retorno — Poseidon também não tem lugar no filme. Hermes também. Foi o mensageiro de Zeus e de todo o Olimpo que voou à Ogígia para comunicar a decisão dos deuses, e Calipso, mesmo contrariada, teve de obedecer, o que também foi suprimido do filme. Hermes tem papel decisivo em outro episódio.

Sem sua advertência a Odisseu sobre o perigo de se encontrar com Circe sem consumir uma erva capaz de neutralizar o efeito da poção que ela ofereceu aos companheiros de Odisseu, transformando-os em porcos, nosso herói jamais teria retornado a Ítaca e estaria ainda hoje preso em alguma pocilga.

No episódio no qual atua Circe, a deusa de belas tranças, ressoa uma estética medieval, fazendo, a meu ver, uma referência ao arquétipo da bruxa, da mulher que vive sozinha na natureza e domina o uso das ervas para fazer poções e feitiços em caldeirões fumegantes. A Circe de Nolan não tem nada de sensual. É válido lembrar que, depois que Odisseu a ameaçou com sua espada, a Circe de Homero tentou levá-lo para a cama e fez suas servas banhá-lo. A Circe de Nolan mostra até certo desprezo pelos homens, que comem feito porcos até se transformarem neles.

Bom como entretenimento, decepcionante como adaptação

Enfim, com exceção de Calipso e Circe, deusas inferiores na escala que termina no panteão olímpico, os deuses não têm lugar na Odisseia de Nolan. Atena, por exemplo, tem importância decisiva na epopeia de Homero, intervindo em momentos-chave: atua para libertar Odisseu da ilha de Calipso e, nos corpos de Mentes e Mentor, convence Telêmaco a sair de Ítaca em busca de informações sobre o pai.

Enfim, como repeti em várias ocasiões ao longo deste texto, o que vi no cinema foi a Odisseia de Christopher Nolan, tais foram as "releituras", algumas anacrônicas — não fosse assim, não seria Hollywood, não é mesmo? — feitas pelo diretor, que é também roteirista do filme. Enfim, como entretenimento, Odisseia de Nolan é um bom filme. Como adaptação da obra mais importante da literatura ocidental, é decepcionante.

*Flávio Lúcio Vieira é doutor em Sociologia e professor do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

NR - O texto recebeu intertítulos para se adaptar ao formato editorial de O Poder, sem interferência no seu conteúdo



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Representantes de setores diversos debaterão, no Recife, caminhos e desafios da transição energética do país

22/08/2026

Representantes do setor público e segmentos importantes da economia como indústria, agronegócio, bioenergia, navegação e setor portuário se reúnem na próxima segunda-feira (24/08), no Recife, para participar de debate sobre os caminhos e desafios da transição energética no país.

O evento está previsto para acontecer a partir das 8h30, no Mar Hotel Conventions, no Recife. Será realizado pela Folha de Pernambuco e pelo Grupo EQM e marcará a quarta edição da Revista Folha Energia.

Tem como um dos destaques discutir o futuro da matriz energética brasileira, bem como os desafios e oportunidades que se abrem a partir da energia limpa e dos biocombustíveis.



Etanol e biocombustíveis

A programação contará com três painéis temáticos, que terão o etanol e os biocombustíveis como elementos centrais das discussões. E abordarão desde o uso do etanol no processo de transição energética da navegação até as possibilid...

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Representantes do setor público e segmentos importantes da economia como indústria, agronegócio, bioenergia, navegação e setor portuário se reúnem na próxima segunda-feira (24/08), no Recife, para participar de debate sobre os caminhos e desafios da transição energética no país.

O evento está previsto para acontecer a partir das 8h30, no Mar Hotel Conventions, no Recife. Será realizado pela Folha de Pernambuco e pelo Grupo EQM e marcará a quarta edição da Revista Folha Energia.

Tem como um dos destaques discutir o futuro da matriz energética brasileira, bem como os desafios e oportunidades que se abrem a partir da energia limpa e dos biocombustíveis.



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Etanol e biocombustíveis

A programação contará com três painéis temáticos, que terão o etanol e os biocombustíveis como elementos centrais das discussões. E abordarão desde o uso do etanol no processo de transição energética da navegação até as possibilidades de expansão do combustível e do biometano, além do mercado de motores estacionários movidos a etanol.

Para a vice-presidente da Folha de Pernambuco, Mariana Costa, a iniciativa está alinhada ao papel deste veículo de comunicação no sentido de colocar em discussão temas estratégicos para o desenvolvimento de Pernambuco, do Nordeste e do Brasil.

“Quando a gente fala em energia, está falando de futuro, de sustentabilidade e de impacto direto para as próximas gerações. A Folha entende que tem um papel importante em ampliar essa discussão, reunindo o setor produtivo, empresarial, o poder público e especialistas para entender quais são os desafios e, principalmente, quais são as oportunidades”, afirma.

Informação e debate

Segundo Mariana, a proposta do evento também é transformar informação e debate em conexões capazes de produzir resultados para a sociedade.

“A Folha, como veículo de comunicação, contribui por meio do jornalismo e dos eventos que promove, ouvindo especialistas, o setor público e o setor produtivo e traduzindo essas discussões para que a sociedade conheça e para que elas possam gerar impacto efetivo na vida das pessoas”, acrescenta.



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Painéis previstos

O primeiro painel, intitulado “Transição energética da navegação: desafios e oportunidades para o etanol brasileiro”, será mediado pelo presidente e CEO da Datagro Consultoria, Plínio Nastari, e reunirá representantes da Maersk, Unica, Bioenergia Brasil, Sindaçúcar-AL e Sindaçúcar-PE.

Na sequência, o painel “Versatilidade do etanol e biometano” terá mediação do presidente do Sifaeg-GO, André Rocha, e participação de representantes da Marinha do Brasil, Grupo EQM, Ministério de Minas e Energia, Wartsila e Copersucar.

Motores estacionários

O terceiro debate, sobre o “Mercado de motores estacionários com uso de etanol”, será mediado pelo vice-presidente do Conselho Superior do Agronegócio do COSAG/FIESP, Jacyr Costa Filho, e reunirá representantes de Suape, UDOP, Unica, Porto do Recife e Energética Suape II.

A quarta edição da Revista Folha Energia tem o patrocínio de Banco do Nordeste, Copersucar, Copergás, Fertine, Maersk e Suape Energia. O evento conta com apoio da Prefeitura do Recife e da NovaBio.

— Com Folha de Pernambuco




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Neste sábado (21) Lula e Flávio participam pela primeira vez de atos simultâneos numa mesma cidade: o Rio de Janeiro

22/08/2026

Principais candidatos na disputa pelo Palácio do Planalto, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) cumprem agendas pela primeira vez na mesma cidade simultaneamente. Os dois estão desde o início da manhã deste sábado (21/08) no Rio de Janeiro, em eventos distantes cerca de 30 quilômetros um do outro.

Enquanto Lula participa de ato ao lado do ex-prefeito da cidade Eduardo Paes (PSD) e candidato ao governo estadual, no Estádio da Moça Bonita em Bangu, Zona Oeste do Rio, Flávio está em evento no Maracanãzinho, na Zona Norte da cidade, ao lado do seu candidato a governador, Douglas Ruas (PL).

Questionamento de petistas

Tanto Flávio como Lula ainda lidam com dificuldades nos palanques nesse Estado. O Rio de Janeiro é considerado o terceiro maior colégio eleitoral no Brasil e responsável por cerca de 8% de todos os votos no país.

Do lado de Lula, partidários do presidente questionam a chapa petista para o...

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Principais candidatos na disputa pelo Palácio do Planalto, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) cumprem agendas pela primeira vez na mesma cidade simultaneamente. Os dois estão desde o início da manhã deste sábado (21/08) no Rio de Janeiro, em eventos distantes cerca de 30 quilômetros um do outro.

Enquanto Lula participa de ato ao lado do ex-prefeito da cidade Eduardo Paes (PSD) e candidato ao governo estadual, no Estádio da Moça Bonita em Bangu, Zona Oeste do Rio, Flávio está em evento no Maracanãzinho, na Zona Norte da cidade, ao lado do seu candidato a governador, Douglas Ruas (PL).

Questionamento de petistas

Tanto Flávio como Lula ainda lidam com dificuldades nos palanques nesse Estado. O Rio de Janeiro é considerado o terceiro maior colégio eleitoral no Brasil e responsável por cerca de 8% de todos os votos no país.

Do lado de Lula, partidários do presidente questionam a chapa petista para o Senado formada pela deputada, ex-governadora e ex-senadora Benedita da Silva e pelo deputado federal Pedro Paulo (PSD) para a segunda vaga (ligado a Eduardo Paes) — considerado um nome polêmico.

Frustração para o PL

Por outro lado, apesar de ser considerado “berço do bolsonarismo”, o Rio é visto hoje como uma das grandes frustrações do PL. Isso porque toda a articulação política que havia sido construída para as eleições deste ano foram implodidas por decisões da Justiça e operações policiais.

Sobretudo, a decisão que considerou inelegível o então governador Cláudio Castro (PL). Ele só não teve o mandato cassado porque deixou o Palácio Guanabara em março. Em meio ao imbróglio, como o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Rodrigo Bacelar foi preso e perdeu seus direitos políticos, o governo passou a ser comandado pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJRJ), o desembargador Ricardo Couto — terceiro na linha de sucessão.

— Com Agências de Notícias




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Julgamento que será retomado pelo STF em setembro pode mudar cenário das eleições 2026; saiba o motivo

22/08/2026

Um julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) aguardado para as próximas três semanas pode mudar, de forma radical, o cenário eleitoral em muitos estados brasileiros. Isto porque, na noite desta sexta-feira (21/08) o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, liberou os autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7881 que discute as mudanças promovidas pelo Congresso Nacional na Lei da Ficha Limpa em 2022.

A retomada do julgamento no plenário virtual está marcada para o período entre os dias 11 e 18 de setembro de 2026, mas os ministros podem até formar maioria nos primeiros dias.



Entenda o caso

O que acontece é o seguinte: em setembro do ano passado, o Congresso Nacional aprovou, e o presidente Lula sancionou, com vetos, uma norma que altera a legislação que impede candidatos condenados de concorrerem a cargos públicos — a chamada Lei da Ficha Limpa.

As novas regras passaram a permitir que o p...

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Um julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) aguardado para as próximas três semanas pode mudar, de forma radical, o cenário eleitoral em muitos estados brasileiros. Isto porque, na noite desta sexta-feira (21/08) o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, liberou os autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7881 que discute as mudanças promovidas pelo Congresso Nacional na Lei da Ficha Limpa em 2022.

A retomada do julgamento no plenário virtual está marcada para o período entre os dias 11 e 18 de setembro de 2026, mas os ministros podem até formar maioria nos primeiros dias.



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Entenda o caso

O que acontece é o seguinte: em setembro do ano passado, o Congresso Nacional aprovou, e o presidente Lula sancionou, com vetos, uma norma que altera a legislação que impede candidatos condenados de concorrerem a cargos públicos — a chamada Lei da Ficha Limpa.

As novas regras passaram a permitir que o prazo para que políticos condenados ficassem inelegíveis começaria a ser contado a partir da decisão que determina a renúncia desse político, e não mais a partir do fim do mandato para o qual ele foi eleito, como ocorria anteriormente.

Na prática, a mudança reduziu o tempo de punição para políticos cassados, já que o período de inelegibilidade deixa de se estender até o fim do mandato original. A medida se aplica a parlamentares — deputados, senadores e vereadores —, além de governadores, prefeitos e seus respectivos vices.

Válidas ou inconstitucionais?

Por isso que o resultado dessa análise pode impactar diretamente campanhas de candidatos que já estão sendo questionadas na Justiça Eleitoral, uma vez que o STF definirá se as novas regras de inelegibilidade, aprovadas pelo Congresso em 2025, permanecem válidas ou se são inconstitucionais e, por isso, devem ser retomadas as regras anteriores.

O julgamento desse tema foi iniciado pelo Supremo em maio deste ano. E foi suspenso por um pedido de vistas feito por Gilmar Mendes. Pois bem: na noite de ontem, Mendes devolveu o processo. Com a liberação dos autos, o julgamento poderá seguir seu curso no plenário virtual da Corte, ambiente em que os ministros registram seus votos de forma eletrônica, sem necessidade de sessão presencial.

A ação já conta com dois votos contrários ao afrouxamento das regras. São do ministro Luiz Fux e da ministra Cármen Lúcia (aliás, a relatora da matéria). Faltam agora os votos dos demais ministros.



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Arruda, Garotinho e outros

A ministra Cármen Lúcia, no seu voto, se posicionou no sentido de derrubar as alterações que anteciparam o início da contagem da inelegibilidade e também o teto de 12 anos. E considerou que as novas regras “poderiam fazer com que o impedimento eleitoral terminasse antes das consequências jurídicas de uma condenação e permitir que novas decisões deixassem de produzir efeitos eleitorais depois de atingido o limite máximo”. Luiz Fux acompanhou a relatora, deixando o placar em 2 a 0.

Se as regras forem alteradas, isto poderá permitir, por exemplo, o retorno às urnas, nas eleições deste ano, de políticos condenados como José Roberto Arruda (PSD), que tenta ser candidato a governador do Distrito Federal mas aguarda a decisão para saber se pode ou não entrar no pleito. E, da mesma forma, Anthony Garotinho (Republicanos), candidato a governador do Rio de Janeiro. Além deles, muitos outros políticos brasileiros.

A situação de cada candidato, porém, dependerá da análise individual de seu registro, considerando condenações, datas das decisões, recursos e eventuais outras causas de inelegibilidade, conforme já deixaram claro tanto o STF como a Justiça Eleitoral.




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Arte Na Política, Tempos Bons - Por Walmir Chagas*

21/08/2026

Havia um tempo em que política vinha com trombone, confete e promessa de cotidiano. O comício não era só discurso; era espetáculo, e aquele espetáculo tinha elenco. Tinha o Véio Mangaba, com seu andar de quem conhecia a cidade inteira pelo som da sandália; tinha o Mané da China, figura torta e direta, capaz de desmontar vernáculos eleitorais com uma só careta; e tinha o tal do Reginaldo Rossi — que, quando pegava o microfone, transformava debate em refrão e prometia até eleição no ritmo do brega. A praça virava novela com intervalo comercial de saudade.



Agora tudo virou folder. A propaganda oficial entrou no ar como se fosse receita de bolo: foto do candidato, logo, slogan pronto pra mastigar. Nas ruas, santinhos: montanhas de papel que mais lembram lixo do que lembrança. Bandeira? Só se for de algum time de amigo invisível. O que antes era conversa acesa, cheia de riso e puxão de orelha, hoje é mensagem engessada — igual a remédio sem bula que ninguém to...

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Havia um tempo em que política vinha com trombone, confete e promessa de cotidiano. O comício não era só discurso; era espetáculo, e aquele espetáculo tinha elenco. Tinha o Véio Mangaba, com seu andar de quem conhecia a cidade inteira pelo som da sandália; tinha o Mané da China, figura torta e direta, capaz de desmontar vernáculos eleitorais com uma só careta; e tinha o tal do Reginaldo Rossi — que, quando pegava o microfone, transformava debate em refrão e prometia até eleição no ritmo do brega. A praça virava novela com intervalo comercial de saudade.



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Agora tudo virou folder. A propaganda oficial entrou no ar como se fosse receita de bolo: foto do candidato, logo, slogan pronto pra mastigar. Nas ruas, santinhos: montanhas de papel que mais lembram lixo do que lembrança. Bandeira? Só se for de algum time de amigo invisível. O que antes era conversa acesa, cheia de riso e puxão de orelha, hoje é mensagem engessada — igual a remédio sem bula que ninguém toma.

O engraçado é que a proibição de artista em palanque, ou a burocracia que transforma criatividade em papel timbrado, não resolveu nada; só tirou do povo o remédio que ele sabia melhor digerir. Quando o Véio Mangaba subia na caixa d’água improvisada e começava a falar, o candidato não podia escapar: as verdades vinham com piada, e a piada vinha com memória. Mané da China, com seu "ôxe" torto e olhar de quem já tinha comido muita lorota, fazia o cidadão rir e, no riso, entender. Reginaldo? Ah, o cara fazia até promessa virar samba-enredo — e quando a gente cantava, começava a acreditar, ou pelo menos a discutir entre os vizinhos sobre qual verso era mais furado.

Dizem que showmício era teatro demais. Dizem que o artista vendia a palavra. Mentira. O que se vendia era atenção. O artista dava corpo à ideia; transformava abstrato em cena. Enquanto o candidato falava "programa de governo", o Véio Mangaba mostrava uma fila no posto de saúde, com uma avó segurando receita rasgada. A política deixava de ser estatística e virava assunto de mesa-de-bar. E nisso havia cuidado: a sátira ensinava, a caricatura denunciava, a canção punha no ouvido. Não era mercadoria — era pedagogia de rua.

Hoje, em vez de personagem, tem bandeira sem sentido. Bandeiras com letras que parecem ter sido feitas por quem nunca viu uma tipografia decente, cores que brigam entre si, imagens que não dizem nada. A cidade vira tapete de papel, as calçadas se entopem, e o eleitor passa batido, pé no chão, pensando em outra coisa: "Quem é esse mesmo?" Ninguém lê; ninguém retém; só se faz limpa na praça depois, quando o caminhão de lixo coleta a vergonha impressa.

E o que dizer da proibição de atores? Um absurdo típico de quem pensa política como controle de catálogo.



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Trancam o artista fora do palanque e chamam isso de ordem. Só que, na prática, o que se perde é linguagem. A arte dialoga com as falhas do poder com linguagem popular: trocadilho, graça, exagero. Tirar o palco é tirar o manual de instruções que o povo entende. Resultado: sobram boletins frios e faltam rostos que expliquem como as coisas batem no bolso.

Não estou pedindo que voltem os palhaços com patacoadas. Nem quero bandeira em cada poste. O recado é outro: a política precisa de personagens. Um personagem bem feito — não atorismo barato, mas construção de sentido — põe uma política na boca do povo. A sátira desmonta promessa vazia; a farsa aponta contradição; a conversa dramática mostra o problema sem precisar de jargões. E quando a cidade canta junto, quando a praça ri junto, a memória se forma; e memória é o que faz a gente lembrar na hora de votar.

Tem também o lado comercial — óbvio — de quem transformou showmício em mercadão de votos. Bandas que vinham por cachê, fogueira de brindes, candidato em cima do trio com o dedo em riste. Isso tinha excesso, claro; a linha que separa ato cultural de mercado é fina. Mas trocar o palco pelo panfleto é pior: o panfleto não discute, só exige. Nenhuma anedota, nenhum refrão, nenhuma pergunta que faça o sujeito voltar pra casa e contar a história pro vizinho. O panfleto se joga no chão e vira lixeira que nomeia a própria política: descartável.

Lembro de uma eleição que eu acompanhei — eu, atento como se fosse público de teatro — em que o Véio Mangaba, com um lenço no bolso e uma denúncia na ponta da língua, conseguiu desarmar um candidato que vinha com discurso pronto. O homem riu, o candidato se atrapalhou, e a promessa foi revista. No outro dia, a feira inteira falava nisso. Isso é educação política: a arte vira pergunta pública. Não é espetáculo vazio; é escola de rua.

Por isso proponho um pouco de insolência criativa: que se abra espaço, com regras claras, para quadros que ensinem e provoquem. Que se pague direito aos artistas locais, que se financiem roteiros curtos que expliquem propostas com humor e com peito. Que se troque parte do santinho por rádio de bairro, por microprograma que conte caso. E, por favor, menos bandeira, mais personagem. Menos lixo na calçada, mais história na cabeça.

No fim das contas, pode ser que a política precise mesmo de artista. Não para embelezar mentira, nem para fazer espetáculo vazio. Mas porque o artista tem o dom de transformar promessa em história — e história, meu amigo, é o que gruda na memória. A cidade precisa disso. Ou queremos que nossos filhos aprendam democracia lendo santinho no chão?



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Se os velhos palcos voltarem, que voltem com sabedoria. E se o Véio Mangaba aparecer, que ochemos primeiro, porque o velho não conta história à toa. Ele conta voto, e às vezes, com um punhado de risada e um refrão do Reginaldo, a gente aprende o preço do que promete.


*Walmir Chagas, é multiartista e livre pensador.



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NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




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É Findi - O Fauno Dançante! - Por Ina Melo*

21/08/2026

É sempre nesse Jardim, entre flores e Deuses do Olimpo, que eu gosto de descansar das longas caminhadas que faço nesse cidade da minha paixão! Em todas as épocas que por aqui passei o encantamento continua. A primeira vez, foi numa manhã de Primavera quando a vida me sorria. Embriagada de Paris, deixei o pequeno Hotel da Rue des Ecoles e, leve como uma pluma levada pelo vento, fui parar nos Jardins de Luxemburgo. Indiferente aos passantes nas suas caminhadas matinais, flanava sem rumo e a sensação que tive foi de estar no Olimpo, pois a minha volta, moldados no frio mármore, estavam vários deuses meus conhecidos. Mas, um em especial, despertou a minha atenção naquela manhã primaveril. Era um jovem magro empunhando uma flauta e, não sei se alucinação ou não, ouvi uma música suave e fui ao seu encontro naquele pedestal! Logo estávamos dançando ao som de Vivaldi, numa consagração a Primavera! Desde então, costumo ir visita-lo, pois só assim retorno a um tempo perdido chamado juventude....

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É sempre nesse Jardim, entre flores e Deuses do Olimpo, que eu gosto de descansar das longas caminhadas que faço nesse cidade da minha paixão! Em todas as épocas que por aqui passei o encantamento continua. A primeira vez, foi numa manhã de Primavera quando a vida me sorria. Embriagada de Paris, deixei o pequeno Hotel da Rue des Ecoles e, leve como uma pluma levada pelo vento, fui parar nos Jardins de Luxemburgo. Indiferente aos passantes nas suas caminhadas matinais, flanava sem rumo e a sensação que tive foi de estar no Olimpo, pois a minha volta, moldados no frio mármore, estavam vários deuses meus conhecidos. Mas, um em especial, despertou a minha atenção naquela manhã primaveril. Era um jovem magro empunhando uma flauta e, não sei se alucinação ou não, ouvi uma música suave e fui ao seu encontro naquele pedestal! Logo estávamos dançando ao som de Vivaldi, numa consagração a Primavera! Desde então, costumo ir visita-lo, pois só assim retorno a um tempo perdido chamado juventude. Hoje, atravessando o outono invernoso da vida, entre folhas mortas e brumas, vejo-me saindo de uma tela de Monet, para ir ao encontro do Fauno Dançante!


*Ina Melo, é jornalista. Publicou poemas, contos e crônicas na Revista de Cultura do Estado do Ceará e em diversas antologias como "Crônicas e contos inesquecíveis" e "Contistas do Terceiro Milênio". Graduada pela UFPE, com especialização em Antropologia Cultural, faz parte da Academia Internacional de Literatura e Artes. É autora dos livros: "Simone de Beauvoir - Mulher lúcida e livre", "Sonhos em dueto" e, pela Confraria do Vento, "Cartas de Paris". @inamelo2016



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O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.




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É Findi - Foice e Martelo - Por Marcelo Mário de Melo*

21/08/2026

Faço da foice e martelo
interrogações que exclamam
exclamações que interrogam
cicatrizes que declamam.

Queimo cartilhas mofadas
clareio temor e espanto
recolho frutos saudáveis
e os envolvo num manto.

Ponho no arquivo morto
todo o caldo transitório
datado e localizado
repelente e inglório.

Passando o pente fino
que predomine o presente
em ciranda e mutirão
numa espiral crescente.

Que a foice e o martelo
exclamando e interrogando
lavrem em novas colheitas
semeando agora o quando.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



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Faço da foice e martelo
interrogações que exclamam
exclamações que interrogam
cicatrizes que declamam.

Queimo cartilhas mofadas
clareio temor e espanto
recolho frutos saudáveis
e os envolvo num manto.

Ponho no arquivo morto
todo o caldo transitório
datado e localizado
repelente e inglório.

Passando o pente fino
que predomine o presente
em ciranda e mutirão
numa espiral crescente.

Que a foice e o martelo
exclamando e interrogando
lavrem em novas colheitas
semeando agora o quando.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



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