Eleições 2024 - Carreata ocupa as ruas de Caruaru em apoio à eleição de Zé Queiroz
30/09/2024 - Jornal O Poder
Se emocionou
Logo na concentração, ao lado do Grande Hotel, Zé Queiroz se emocionou com a multidão de pessoas gritando "Volta, Zé". A quantidade de carros era tanta que, uma hora e meia depois, a carreata ainda estava passando no Riachão, um dos trechos iniciais do roteiro.
Momento
Um dos momentos mais emocionantes foi a passagem pela ponte Irmã Jerônima, um marco da gestão de Zé Queiroz. Antes disso, no trajeto pelo Salgado, um belo pôr do sol coloriu de um laranja natural o céu da cidade. Por volta das 20h30, na Rua Macaparana, no bairro Boa Vista, aconteceu o ponto alto da carreata, com a via lotada de moradores, em festa pela passagem de Zé Queiroz.
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Se emocionou
Logo na concentração, ao lado do Grande Hotel, Zé Queiroz se emocionou com a multidão de pessoas gritando "Volta, Zé". A quantidade de carros era tanta que, uma hora e meia depois, a carreata ainda estava passando no Riachão, um dos trechos iniciais do roteiro.
Momento
Um dos momentos mais emocionantes foi a passagem pela ponte Irmã Jerônima, um marco da gestão de Zé Queiroz. Antes disso, no trajeto pelo Salgado, um belo pôr do sol coloriu de um laranja natural o céu da cidade. Por volta das 20h30, na Rua Macaparana, no bairro Boa Vista, aconteceu o ponto alto da carreata, com a via lotada de moradores, em festa pela passagem de Zé Queiroz.
O ministro
Acompanhado do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, do secretário executivo do ministério da Previdência Social, Wolney Queiroz, da deputada estadual Rosa Amorim, do superintendente da Sudene, Danilo Cabral, do ex-prefeito Tony Gel e do exército de candidatos e candidatas à Câmara de Vereadores, Zé Queiroz recebeu vários apoios.
Afirmou
O ministro Silvio Costa Filho afirmou não ter dúvida de que, no próximo domingo, Caruaru vai votar 12. “O sentimento de mudança tomou as ruas de Caruaru hoje. Zé Queiroz foi um grande prefeito e vai voltar a governar esta cidade junto com Tonynho. Ao lado do presidente Lula, vamos trazer muitos investimentos para gerar emprego e renda, transformando a vida do caruaruense”, declarou
Leia outras informações
Eleições 2026 - MPT registra 674 denúncias de assédio eleitoral em outubro
20/10/2026
De janeiro a outubro
No balanço de janeiro a outubro de 2026 até a publicação desta reportagem, foram registradas 1.492 denúncias. O estado com maior número de casos é São Paulo, com 252, seguido por Minas Gerais, com 165, Rio de Janeiro, com 129, e Paraná, com 119 denúncias.
Eleições anteriores
Os números mostram uma alta em relação às eleições anteriores. Em sete...
O MPT, Ministério Público do Trabalho, registrou 674 denúncias de assédio eleitoral em outubro, uma média de 34 casos por dia. O levantamento inclui os dados registrados até às 12h24 de hoje, 20/10. Segundo o MPT, é considerado assédio eleitoral no trabalho a prática de coação, intimidação, ameaça, humilhação ou constrangimento associados a determinado pleito eleitoral, no intuito de influenciar ou manipular o voto, apoio, orientação ou manifestação política de trabalhadores e trabalhadoras no local de trabalho ou em situações relacionadas ao trabalho.
De janeiro a outubro
No balanço de janeiro a outubro de 2026 até a publicação desta reportagem, foram registradas 1.492 denúncias. O estado com maior número de casos é São Paulo, com 252, seguido por Minas Gerais, com 165, Rio de Janeiro, com 129, e Paraná, com 119 denúncias.
Eleições anteriores
Os números mostram uma alta em relação às eleições anteriores. Em setembro, foram contabilizadas 552 denúncias, contra 68 no mesmo período de 2022, quando houve as últimas eleições gerais. O resultado representa um crescimento de 713%. No total de 2022, foram registradas 3.373 denúncias de assédio eleitoral, sendo 2.641 em outubro, mês da votação.

Assédio eleitoral
O assédio eleitoral pode ocorrer no local de trabalho ou em situações relacionadas ao trabalho, tais como: publicações em redes sociais, sites, grupos de mensagem automática, deslocamentos, locais de treinamentos ou capacitações, eventos sociais, enfim, em qualquer circunstância ou ambiente presencial ou virtual que se relacionem com o trabalho das pessoas envolvidas na prática do assédio. Ele pode ocorrer em espaços públicos ou privados, bem como no trabalho formal ou informal. Abrange pessoas com contrato de trabalho formal direto com o assediador, independente da modalidade, a saber, empregadas, servidoras públicas, estagiárias, aprendizes, bem como as pessoas que prestam serviços por meio de empresa interposta (terceirizadas e fornecedoras), ou mesmo na qualidade de autônomas ou voluntárias, bem ainda aquelas que buscam trabalho. (Com a CNN)
Após pesquisa divulgada hoje, Ibovespa alcança 208 mil pontos, próximo a máxima histórica de 209.066
20/10/2026
Motivos
A alta do petróleo, provocada pelo tensionamento de conflitos internacionais, e a divulgação de pesquisas eleitorais são listadas como os principais motivos para o novo impulso da Bolsa.
Pesquisa Real Time Big Data
Hoje, a Pesquisa Real Time Big Data mostra o senador Flávio Bolsonaro, PL, com 52% dos votos válidos na disputa pelo segundo turno da Presidência da República. O presidente Lula, PT, candidato à reeleição, aparece com 48%. Ambos estão empatado...
A cinco dias do segundo turno das eleições presidenciais, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, B3, abriu o dia em alta e não para de subir. Às 15h00 de hoje, terça-feira, 20/10, a B3 alcançou 208.122 pontos, bem próximo ao recorde de 209.066 pontos registrado em 09/10 deste ano. Após o primeiro turno das eleições, o Ibovespa alcançou os 206.911 pontos, no dia 05/10. Nessa segunda-feira, 19/10, o índice encerrou o pregão com 205.079,25 pontos.
Motivos
A alta do petróleo, provocada pelo tensionamento de conflitos internacionais, e a divulgação de pesquisas eleitorais são listadas como os principais motivos para o novo impulso da Bolsa.
Pesquisa Real Time Big Data
Hoje, a Pesquisa Real Time Big Data mostra o senador Flávio Bolsonaro, PL, com 52% dos votos válidos na disputa pelo segundo turno da Presidência da República. O presidente Lula, PT, candidato à reeleição, aparece com 48%. Ambos estão empatados tecnicamente no limite da margem de erro.
Eleições 2026 - PL pretende ignorar proposta de Lula sobre quebra de sigilos
20/10/2026
Flávio e Lula
A campanha de Flávio pretende focar a reta final no discurso de que o PT representa um modelo falido e evita cair em provocações. Já o time de Lula tem adotado o tom de "desafio de honestidade" contra Flávio ao propor que o senador apresente a abertura de sigilos. Em agenda de campanha em Porto Alegre hoje, Lula cobrou que Flávio apresente as informações sobre contas bancárias próprias, de empresas e de familiares. "E por que que eu estou fazendo isso? Porque é preciso de uma vez por toda acabar com a história de ladrão ficar chamando gen...
O presidente Lula, PT, apresentou, hoje, 20/10, ao TSE, a autorização para quebra de sigilos bancário e telefônico dele e de familiares. No PL, aliados de Flávio Bolsonaro tratam a medida como uma isca e defendem que ele ignore completamente o discurso do petista. A estratégia, anunciada por Lula durante o debate da Band no último domingo, 18/10, prevê pressionar Flávio Bolsonaro, PL, a fazer o mesmo.
Flávio e Lula
A campanha de Flávio pretende focar a reta final no discurso de que o PT representa um modelo falido e evita cair em provocações. Já o time de Lula tem adotado o tom de "desafio de honestidade" contra Flávio ao propor que o senador apresente a abertura de sigilos. Em agenda de campanha em Porto Alegre hoje, Lula cobrou que Flávio apresente as informações sobre contas bancárias próprias, de empresas e de familiares. "E por que que eu estou fazendo isso? Porque é preciso de uma vez por toda acabar com a história de ladrão ficar chamando gente honesta de ladrão”, disse. Interlocutores da campanha ainda definem como será a apresentação da disponibilização dos sigilos de Lula. Há uma discussão sobre atribuir uma procuração ao advogado-geral da União, Jorge Messias, mas o ministro negou que esteja tocando o assunto.
Eleições 2026 - TSE vê falha de TREs em mudança de seções eleitorais
20/10/2026
Falhas
O Painel apurou que para minimizar o estrago, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, pediu que todos os corregedores dos TREs fizessem um pente-fino nos dados. Foi quando o tribunal identificou falhas na alimentação do sistema e duplicidade dos dados, o que gerou um número fora da realidade, segundo fontes da corte. Houve casos de nome de escola errado e até de eleitor vinculado a uma seção diferente. Por ora, haverá mudanças em 448 seções eleitorais que estão distribuídas por 143 escolas. Os números serão atualizados quatro vezes ao dia após a determinação do corregedor.
TSE
A ordem dada pelo preside...
Integrantes do TSE apontam falhas dos Tribunais Regionais Eleitorais na crise gerada com a mudança de milhares de locais de votação entre o primeiro e o segundo turnos. No sábado, 17/10, o site da corte eleitoral apontou alterações em 4.289 seções, o que fez o PT pedir providências.
Falhas
O Painel apurou que para minimizar o estrago, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, pediu que todos os corregedores dos TREs fizessem um pente-fino nos dados. Foi quando o tribunal identificou falhas na alimentação do sistema e duplicidade dos dados, o que gerou um número fora da realidade, segundo fontes da corte. Houve casos de nome de escola errado e até de eleitor vinculado a uma seção diferente. Por ora, haverá mudanças em 448 seções eleitorais que estão distribuídas por 143 escolas. Os números serão atualizados quatro vezes ao dia após a determinação do corregedor.
TSE
A ordem dada pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, foi de mudar apenas as seções onde não houver outra possibilidade. O TSE não contava com a crise a uma semana do segundo turno das eleições e, após as falhas, tem acelerado o processo para revisar as mudanças o quanto antes. Fontes do tribunal dizem que a atuação do presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva, foi fundamental para atenuar a crise ao sugerir a divulgação de uma nota conjunta em que retirava a responsabilidade do TSE. "Os principais motivos que levam os TREs a realizar essas alterações estão relacionados à ocorrência de situações climáticas extremas, a problemas não identificados previamente na infraestrutura dos prédios utilizados como locais de votação e a questões de segurança pública", dizia a nota. (Com a Folha de S.Paulo)
Eleições 2026 - Votação no 2º turno pode servir como prova de vida para 13 milhões de beneficiários do INSS
20/10/2026
Voto como Comprovação
O voto no segundo turno das eleições, que acontece neste domingo, 25/10, é um dos instrumentos de comprovação de vida para aquele beneficiário que comparecer às urnas. O TSE compartilha os dados de comparecimento com o INSS, que utiliza essas informações para a comprovação de vida de aposentados, pensionistas e usuários do Benefício de Prestação Continuada, BPC. Caso o eleitor segurado não consiga votar, o instituto continuará buscando o...
A prova de vida dos beneficiários do INSS é uma verificação anual que confirma se o titular está vivo e apto a continuar a receber benefícios. Geralmente essa confirmação é feita de forma automática, mediante o cruzamento de dados públicos. Porém, cerca de 13 milhões ainda não fizeram a comprovação neste ano, segundo dados recentes da Associação Nacional dos Servidores Públicos, da Previdência e da Seguridade Social, Anasps. O número corresponde a 32,5% dos 40 milhões de segurados do instituto.
Voto como Comprovação
O voto no segundo turno das eleições, que acontece neste domingo, 25/10, é um dos instrumentos de comprovação de vida para aquele beneficiário que comparecer às urnas. O TSE compartilha os dados de comparecimento com o INSS, que utiliza essas informações para a comprovação de vida de aposentados, pensionistas e usuários do Benefício de Prestação Continuada, BPC. Caso o eleitor segurado não consiga votar, o instituto continuará buscando outras informações nos registros disponíveis para confirmar a prova de vida. “Quem não votou no primeiro turno, pode ter a presença no segundo turno considerada para esse processo”, informou o INSS.

Prova de vida
O INSS tenta por 10 meses, após a data da última atualização, cruzar dados automaticamente (como votação nas eleições, atendimento no SUS, emissão de documentos ou biometria). Se o sistema não encontrar os dados, o segurado é avisado pelo aplicativo ou extrato do banco pagador, pelo Meu INSS (se a situação estiver regularizada, a data da última prova de vida aparecerá), pela Central 135 (de segunda à sábado, das 7h às 22h) ou por mensagem oficial. Após ser notificado, o beneficiário tem 60 dias para realizar a prova de vida. Passado o prazo sem manifestação, o benefício pode ser suspenso, mas com possibilidade de posterior regularização.
Eleições 2026 - Lula protocola no STF e no TSE autorização para quebra de sigilo bancário e telefônico e desafia Flávio
20/10/2026
Lula
Hoje, durante entrevista em São Luís/MA, Lula comentou o envio do documento ao TSE. "Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto. Vamos ver se ele [Flávio] tem coragem de abrir a vida secreta dele", disse o c...
Lula, PT, protocolou hoje, terça-feira, 20/10, um documento no TSE em que afirma que autoriza a liberação de seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico relativos aos últimos 8 anos, e também os de seus parentes, desde que o seu adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro, PL, faça o mesmo. Lula tomou a medida após desafiar Flávio, no debate realizado pela Band no último domingo, 18/10, a divulgar os sigilos. O presidente reiterou o desafio durante entrevista concedida ontem, 19/10, em Porto Alegre/RS, onde cumpriu agenda de campanha. A defesa de Lula propõe a divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos de ambos os candidatos antes da próxima quarta-feira, 21/10.
Lula
Hoje, durante entrevista em São Luís/MA, Lula comentou o envio do documento ao TSE. "Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto. Vamos ver se ele [Flávio] tem coragem de abrir a vida secreta dele", disse o candidato do PT à reeleição. O presidente também apresentou uma manifestação com o mesmo teor ao STF.
Petição Lula
De acordo com a petição apresentada pela defesa de Lula ao TSE, a liberação e a ampla divulgação dos dados, seja por meio do sistema Divulga CandContas da Corte Eleitoral, ou de outro site de acesso público, vão abranger os seguintes familiares de Lula: Rosângela Lula da Silva, a Janja, esposa do presidente; Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha; Marcos Cláudio Lula da Silva, filho; Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho que é alvo de investigações da PF; Sandro Luís Lula da Silva, filho; Luís Claudio Lula da Silva, filho. Os filhos de Lula já manifestaram que estão de acordo com a liberação dos dados. O texto também estende a liberação de sigilos de empresas das quais os candidatos sejam sócios, administradores ou em cujas contas bancárias figurem como responsáveis financeiros ou "usuários master". No caso de Lula, foi citada a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual é sócio não administrador.

Flávio
No debate da Band, Flávio afirmou não ter "absolutamente nada a esconder", mas não afirmou se vai autorizar a quebra do sigilo. Lula condiciona a liberação dos seus sigilos e os de parentes à autorização, por Flávio Bolsonaro, da divulgação dos sigilos dele e dos seguintes familiares: Jair Bolsonaro, pai; Rogéria Bolsonaro, mãe; Carlos Bolsonaro, irmão; Eduardo Bolsonaro, irmão; Jair Renan Bolsonaro, irmão; Fernanda Bolsonaro, esposa. E também das seguintes empresas ligadas ao candidato do PL: Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia; All In One Corretora de Seguros Ltda; Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda; Bolsonaro Digital Ltda; Alcazar Holdings, empresa de propriedade de Willer Tomaz, que tem uma conta em que Flávio foi cadastrado como "usuário master". Flávio Bolsonaro é alvo de 2 inquéritos em tramitação no STF. Um deles, sobre lavagem de dinheiro, investiga a relação do candidato do PL com o advogado Willer Tomaz. O outro inquérito trata do financiamento de "Dark Horse", uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Essa investigação apura negociações envolvendo recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme.

Mendonça Relator
A petição apresentada ao TSE foi distribuída, por sorteio, ao ministro André Mendonça, que será o relator desse caso.
Entrevista - Antonio Lavareda diz que a abstenção vai definir domingo
20/10/2026
Vênus.” O senhor é de qual pleneta?(Risos)
Lavareda - A frase do estrategista Dan Schnur distingue não apenas duas categorias, mas
dois olhares sobre as eleições. Devo ser de Mercúrio, pois pertenço a um grupo
minoritário de “híbridos”. Talvez eu seja hoje, quem estude eleições e partidos há mais tempo, tendo publicado meu primeiro artigo em 1979. Nessa área escrevi dissertação de mestrado, tese de doutorado e 12 livros, sozinho ou em parceria. De outro lado, antes de me dedicar aos comentários na TV, participei de pelo menos 91 campanhas majoritárias, dentro e fora do país, sendo cinco presidenciais. Atuei como coordenador de pesquisas,
consultor de estratégia e, em mais de uma dezena, coordenador do marketing. Tive a honra
de trabalhar para muitos dos melhores políticos da Nova República...
O Poder - O senhor cita o estrategista Dan Schrn: "No sistema solar das campanhas, os profissionais são de Marte, os acadêmicos de
Vênus.” O senhor é de qual pleneta?(Risos)
Lavareda - A frase do estrategista Dan Schnur distingue não apenas duas categorias, mas
dois olhares sobre as eleições. Devo ser de Mercúrio, pois pertenço a um grupo
minoritário de “híbridos”. Talvez eu seja hoje, quem estude eleições e partidos há mais tempo, tendo publicado meu primeiro artigo em 1979. Nessa área escrevi dissertação de mestrado, tese de doutorado e 12 livros, sozinho ou em parceria. De outro lado, antes de me dedicar aos comentários na TV, participei de pelo menos 91 campanhas majoritárias, dentro e fora do país, sendo cinco presidenciais. Atuei como coordenador de pesquisas,
consultor de estratégia e, em mais de uma dezena, coordenador do marketing. Tive a honra
de trabalhar para muitos dos melhores políticos da Nova República. Nesse número não
estão computadas as centenas de campanhas em que o Ipespe forneceu pesquisas.
O Poder - Realmente, sua fama e seu conceito têm um lastro factual impressionante...
Lavareda - Faço esse disclaimer apenas para dizer que, desde as primeiras eleições pósredemocratização, acompanho o problema do diferencial de comparecimento. Quando os
clientes tinham condições de vencer no primeiro turno preocupava-me assegurar uma margem de alguns pontos acima dos 50%, pois a experiência mostrava que parte dessa vantagem não se concretizaria. Na quinta-feira anterior ao primeiro turno antecipei em entrevista ao NeoFeed que “Lula perderia milhões de votos para a abstenção” e que “não ficaria surpreso se ele nas urnas fosse ultrapassado por Flávio”.
O Poder - A abstenção é seletiva ou democrática?
Lavareda - A princípio, todos os candidatos perdem votos para a ausência às urnas. Quem não conhece amigos ou parentes que deixaram de votar pelos mais variados motivos? O voto
obrigatório certamente impede que o comparecimento seja menor, mas não evitou que os ausentes superassem um quinto do eleitorado. A questão com repercussão concreta é
outra: quem perde mais? Ou o prejuízo é simétrico?
O Poder - Historicamente...
Lavareda - FHC perdeu votos. Lula e Dilma também. Perdem mais os candidatos, de esquerda ou
direita, com grande penetração na base da pirâmide social. Em 1989, nenhum dos
principais concorrentes tinha essa característica e, com abstenção baixa, as urnas
praticamente reproduziram as pesquisas para os três líderes. De 2002 para cá, em média, os candidatos do PT recuaram oito pontos em relação aos levantamentos da véspera. Os principais adversários declinaram quatro vezes menos: apenas dois pontos. Os terceiros colocados perderam três, mesma redução média do agregado das demais candidaturas.
O Poder - Como o senhor conseguiu inferir isso?
Lavareda - Pelo menos desde a eleição passada, estabeleceu-se relativo
consenso entre os participantes do COP/Abep e da Abrapel em torno de duas premissas.
A primeira: pesquisas não são prognósticos (o que tenho afirmado publicamente desde
2014). Medem “atitudes” ex ante, dentro de margens de erro conhecidas, sem pretender
prever o “comportamento” na urna. Diferentemente de quem tenta fazê-lo recorrendo aos
modelos de likely voter inspirados em George Gallup ou a outras técnicas projetivas.
Somente no caso de previsões cabe falar em “acerto ou erro”. A segunda: a comparação
correta entre levantamentos e resultados exige cotejar os respectivos totais. Como
sintetiza o veterano pesquisador João Francisco Meira: “Amostras são desenhadas para
representar o total do eleitorado. Estimar comparecimento é apenas uma adivinhação
educada”.
O Poder - Professor, as pesquisas erraram feio inclusive na eleição passada...
Lavareda - Em artigo publicada na Folha de São Paulo, em 15/10/2022, rebati críticas às pesquisas na
eleição passada explicando as discrepâncias com base nos totais divulgados por DataFolha, Ipespe, MDA, Ipec e Quaest.
Mostreu as últimas pesquisas anteriores ao primeiro turno das dez eleições
presidenciais da Sexta República, ao lado dos resultados do TSE, ambos calculados sobre o eleitorado total. Os levantamentos são do Datafolha, único instituto presente em todo o período, permitindo acompanhar uma série metodologicamente consistente.
O Poder - Conhecemos o seu estudo. Por que o senhor tratou seus números como referentes ao universo dos eleitores, e não apenas aos
votantes?
Lavareda - O Datafolha aplicou um filtro, excluindo quem declarava não
pretender votar. Primeiro, porque sua metodologia define o universo
como “eleitores com 16 anos ou mais”. Segundo, porque a pergunta sobre
comparecimento é em grande medida inócua. A ausência, embora sujeita a multa baixa, é
socialmente ilegítima e pouco confessada, enquanto o TSE promove intensas campanhas
de estímulo ao voto, inclusive dos desobrigados. Na última pesquisa Nexus, próxima à
do Datafolha, nada menos que 96% declaravam intenção de comparecer. Terceiro, pela
evidência empírica: os percentuais da pesquisa da véspera praticamente repetiram os de
três dias antes, sem filtro.
O Poder - E no primeiro turno de 2026, como se explica o erro?
Lavareda - Lula permaneceu estável. Flávio avançou dois pontos, dentro
da margem de erro, possivelmente pelo voto útil. E os demais oscilaram de onze para dez
pontos.
No primeiro turno de 2026, todos os candidatos tiveram eleitores que não compareceram.
Lula perdeu oito pontos, Flávio cinco, Cury apenas um, e os demais,
somados, quatro. Brancos e nulos representaram 4% do eleitorado, enquanto a abstenção
superou ligeiramente 21%. Foi isso que mudou a ordem de colocação.
O Poder - Por que Lula perdeu mais?
Lavareda - Em razão do peso da baixa renda, menor escolaridade e idosos na
composição de sua base. Na véspera, alcançava 56% entre os de ensino fundamental, 51%
entre os não economicamente ativos e 50% na faixa de até dois salários mínimos. Nesta última estavam cerca de seis em cada dez eleitores dele, contra pouco mais de um terço dos de Flávio. Como mostra a tabela, FHC também sofreu perdas expressivas em 1994 e 1998, quando tinha grande força entre os mais pobres.
Há quem discorde, argumentando que a ausência não prejudicou Lula porque permaneceu relativamente estável no país e até diminuiu no Nordeste, sua principal base eleitoral.
O Poder - Que interpretação estranha, com todo o respeito...
Lavareda - Realmente. Essa interpretação ignora, primeiro, que o fenômeno já havia subtraído votos potenciais
do presidente em 2022, como demonstrei no artigo mencionado. Naquela ocasião, o
prejuízo pode ter sido ainda maior, pois sua intenção de voto era seis pontos superior, com
concentração mais acentuada na base da pirâmide. Segundo, mesmo que tenha perdido proporcionalmente menos no Nordeste, isso não exclui a possibilidade de muitos de seus apoiadores terem ficado em casa nas demais regiões, especialmente no Sudeste. Nas cinco maiores cidades — São Paulo, Rio de Janeiro,
Belo Horizonte, Guarulhos e Campinas —, a abstenção superou a média nacional.
Ressalvando possíveis problemas cadastrais, quase 30% dos ausentes não
tinham obrigação de votar. Nesse contingente estavam nada menos que 4,5 milhões de mulheres idosas de baixa escolaridade que não compareceram.
O Poder- Da para comparar com 2022?
Lavareda - A taxa geral de
abstenção de 2022, no primeiro turno, diferiu da registrada nesta eleição em apenas 0,13 ponto percentual. O que revela
uma relação ordinal quase perfeitamente inversa entre escolaridade e abstenção nas oito categorias analisadas . A taxa alcança 52,1% entre os eleitores analfabetos, contra 12,4% entre aqueles com ensino superior completo: no primeiro
grupo, portanto, a abstenção é 4,2 vezes maior. Como o número de categorias é pequeno,
o coeficiente deve ser entendido como estritamente descritivo. Além disso, por se basear em dados agregados, não autoriza inferências sobre comportamentos individuais, o que
incorreria em “falácia ecológica”.
O Poder - O perfil de comparecimento dos mais pobres no Brasil diferente de outros países?
Lavareda - A maior ausência dos mais pobres não é singularidade brasileira. Há décadas sabe-se que
a participação eleitoral é socialmente seletiva, favorecendo grupos com maiores recursos
econômicos, educacionais e políticos. A ausência atinge especialmente pessoas de baixa
renda, trabalhadores em ocupações precárias e mulheres pobres chefes de família, que no
Brasil enfrentam dificuldades adicionais com o fechamento das creches públicas aos
domingos eleitorais. A tese clássica de Lijphart sobre a desigualdade
socioeconômica refletida na presença às urnas, confirma-se a cada ciclo.
Embora a abstenção varie entre países por múltiplos fatores , a maioria
dos estudos encontra associação positiva entre renda, escolaridade e participação. Os mais
educados, além de disporem de mais informação e recursos, têm maior familiaridade com
temas políticos e atribuem maior importância ao voto. A educação reduz, portanto, os
custos cognitivos da participação e aumenta a probabilidade de comparecimento.
O Poder - E quanto à renda?
Lavareda - Essa
exerce efeito menos direto e não linear. Votar, em princípio, não exige grandes
despesas, mas custos aparentemente modestos, como transporte até a seção eleitoral, podem representar obstáculos relevantes para cidadãos pobres, sobretudo quando residem longe do local de votação.
A idade também constitui recurso político importante. Em geral, os mais velhos
comparecem mais que os jovens, tanto nas democracias desenvolvidas quanto nos países em desenvolvimento. Exemplo clássico foi o Brexit. A maioria da opinião pública optava pelo remain. Mas os jovens votaram menos e os mais velhos deram vitória ao leave.
O Poder - Mas lá o comparecimento nao é obrigatório...
Lavareda - Claro. Porém no Brasil, há uma particularidade decisiva: a desobrigação do voto a partir dos 70 anos altera essa trajetória.
Consideradas 22 faixas etárias, a correlação entre idade e abstenção é positiva, mas a relação é não linear. A taxa começa relativamente baixa aos 16 anos 3
(16,22%), cresce até os 21–24 (23,50%) e depois declina até atingir o mínimo entre 55 e 59 anos (11,93%). A partir daí volta a subir, alcançando 38,98% entre 70 e 74 anos e ultrapassando amplamente 50% nas idades seguintes.
O Poder - Esse é um padrão latino-americano?
Lavareda - Aqui na América Latina, Carreras e Castañeda-Angarita analisaram o comparecimento em 18 países a partir de três perspectivas: recursos individuais,
motivações políticas e redes de mobilização. Concluíram que, embora votar demande menos tempo e dinheiro do que outras modalidades de participação, exige habilidades e recursos mínimos para compreender o que está em disputa e desenvolver interesse pelo resultado.
Para os autores, a idade aproxima a experiência política acumulada pelo contato com questões concretas — emprego, habitação, impostos, saúde e benefícios sociais —, além das conversas e do aprendizado sobre política. Seus resultados não atribuem a nenhuma das três perspectivas capacidade isolada de explicar o comparecimento. Identificam,
porém, dois preditores particularmente fortes: escolaridade e idade, esta última como indicador de experiência.
Esses recursos objetivos explicam a participação bem mais que motivações subjetivas, como confiança nas eleições, sentimento de eficácia e até interesse pela política, que frequentemente pressupõe algum patamar educacional. Os autores contestam, assim,
interpretações segundo as quais variáveis socioeconômicas, decisivas em outras democracias ocidentais, teriam pouca relevância na região. Ao contrário, demonstram que escolaridade, idade e situação ocupacional são preditores fundamentais do ato de votar.
O Poder - Concluindo que a conversa tá boa mas tá comprida (risos), e domingo?
Lavareda -O que eu já havia constatado empiricamente muito tempo atrás no marketing eleitoral deve se repetir.
Quando apuradas as urnas vão faltar votos que as pesquisas nos tinham feito aguardar. Para que lado, a abstenção vai dizer.
NR - Lavareda será o entrevistado de hoje do Poadcast Direto de Brasília, com Magno Martins em parceria com a Folha de Pernambuco. Rede Nordeste de Rádio, 18h.
Energia, Soberania Estratégica e Defesa Nacional - Artigo de Opinião - Por Amadeu Robalinho*
20/10/2026
A história da energia é, em essência, a história da expansão do poder humano, da transformação econômica e da capacidade de organização dos Estados. Desde a utilização da biomassa nas sociedades pré-industriais até a atual expansão da inteligência artificial, dos centros de processamento de dados e das infraestruturas digitais, cada salto tecnológico ampliou a necessidade de energia e modificou as relações de poder entre as nações. A energia nunca foi apenas um insumo econômico. É um elemento estruturante da soberania, da defesa nacional, da autonomia industrial e da capacidade de um país determinar o próprio futuro.
A evolução histórica do consumo energético dos Estados Unidos, representada no gráfico dos 250 anos de transição energética entre 1775 e 2025, ilustra uma realidade frequentemente negligenciada nos debates contemporâneos: a diversificação das f...
Diversificação energética: quando a demanda cresce, a soberania exige todas as fontes
A história da energia é, em essência, a história da expansão do poder humano, da transformação econômica e da capacidade de organização dos Estados. Desde a utilização da biomassa nas sociedades pré-industriais até a atual expansão da inteligência artificial, dos centros de processamento de dados e das infraestruturas digitais, cada salto tecnológico ampliou a necessidade de energia e modificou as relações de poder entre as nações. A energia nunca foi apenas um insumo econômico. É um elemento estruturante da soberania, da defesa nacional, da autonomia industrial e da capacidade de um país determinar o próprio futuro.
A evolução histórica do consumo energético dos Estados Unidos, representada no gráfico dos 250 anos de transição energética entre 1775 e 2025, ilustra uma realidade frequentemente negligenciada nos debates contemporâneos: a diversificação das fontes de energia não significa, necessariamente, a substituição absoluta de uma fonte por outra. Em períodos de expansão econômica e tecnológica, diferentes fontes podem crescer simultaneamente, porque a demanda total aumenta e as necessidades dos sistemas produtivos se tornam mais complexas.
Da biomassa ao carvão, do carvão ao petróleo, da eletricidade à energia nuclear, do gás natural às fontes renováveis, a trajetória energética moderna foi marcada pela incorporação de novas capacidades, pela transformação das tecnologias de conversão e pela ampliação da infraestrutura. Em diferentes momentos, determinadas fontes perderam participação relativa, enquanto outras ganharam importância. Isso, entretanto, não significa que todas tenham desaparecido ou que a transição tenha ocorrido de maneira linear.
A interpretação estratégica desse processo exige distinguir duas variáveis: o crescimento absoluto do consumo de uma fonte e sua participação percentual na matriz energética. Uma fonte pode perder participação relativa e, ainda assim, continuar fornecendo grandes volumes de energia. Da mesma forma, uma fonte emergente pode crescer rapidamente sem conseguir, isoladamente, atender ao incremento da demanda nacional.
Essa distinção é fundamental para compreender a realidade energética do século XXI. A questão não consiste em escolher uma fonte considerada ideal para todas as circunstâncias, mas em construir uma matriz diversificada, resiliente, economicamente competitiva e tecnologicamente segura, capaz de sustentar o desenvolvimento nacional mesmo diante de crises internacionais, conflitos, interrupções logísticas ou mudanças abruptas no mercado de energia.
Da Revolução Industrial à inteligência artificial: a energia como infraestrutura do poder
A Revolução Industrial consolidou o carvão como um dos principais fundamentos da capacidade produtiva das economias modernas. A expansão das ferrovias, da siderurgia, da mineração e da indústria pesada exigiu volumes crescentes de energia, transformando a disponibilidade de recursos minerais em vantagem econômica e estratégica.
Posteriormente, o petróleo adquiriu posição central na mobilidade, na mecanização agrícola, na indústria química e, sobretudo, na capacidade militar. O desenvolvimento dos motores de combustão interna transformou a logística terrestre, a aviação e o poder naval. No século XX, a disponibilidade de combustíveis líquidos passou a influenciar diretamente a autonomia operacional das Forças Armadas, a segurança das rotas marítimas e a capacidade de sustentação de operações prolongadas.
O gás natural ampliou as possibilidades de geração elétrica, aquecimento e utilização industrial, enquanto a energia nuclear introduziu uma forma de produção de eletricidade de elevada densidade energética, com capacidade de operação contínua e baixa emissão operacional de carbono. Paralelamente, a energia hidrelétrica consolidou-se como componente relevante dos sistemas elétricos, e as tecnologias eólica e solar expandiram as alternativas de geração.
O desenvolvimento dessas fontes não ocorreu em um ambiente de demanda estática. Ao contrário, cada nova tecnologia ampliou atividades econômicas, criou mercados e estimulou a construção de infraestruturas adicionais. A eletrificação permitiu o surgimento de novas cadeias industriais; a expansão do transporte motorizado elevou o consumo de combustíveis; e a digitalização criou uma infraestrutura de processamento e transmissão de informações que depende continuamente de energia elétrica.
O princípio histórico permanece válido: quando a população cresce, a renda aumenta, a indústria se expande e novas tecnologias são incorporadas à economia, a demanda energética pode crescer em ritmo suficiente para justificar a expansão simultânea de diferentes fontes.
Isso não significa que toda fonte necessariamente aumentará em todos os países ou em todos os períodos. Políticas públicas, eficiência energética, preços, disponibilidade de recursos, condições ambientais e características dos sistemas elétricos determinam os resultados concretos. O ponto central é que a transição energética precisa responder à evolução da demanda real, e não apenas a objetivos isolados de substituição tecnológica.
A nova fronteira energética: inteligência artificial, data centers e competitividade nacional
A expansão dos centros de processamento de dados representa uma mudança estrutural na relação entre energia e tecnologia. A inteligência artificial, a computação em nuvem, os sistemas de defesa digital, as telecomunicações e as plataformas de análise de grandes volumes de dados dependem de infraestrutura elétrica confiável, sistemas de refrigeração, redes de transmissão e capacidade computacional disponível continuamente.
Os data centers deixaram de ser apenas instalações de tecnologia da informação. São infraestruturas estratégicas que sustentam serviços financeiros, cadeias industriais, pesquisas científicas, sistemas governamentais, operações militares e atividades essenciais à sociedade contemporânea.
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o consumo mundial de eletricidade dos data centers deverá aproximadamente dobrar entre 2025 e 2030, passando de 485 TWh para cerca de 950 TWh, conforme sua projeção central mais recente. A organização também destaca que os centros de dados dedicados à inteligência artificial apresentam crescimento particularmente acelerado.
Esse cenário demonstra que a transformação digital possui uma dimensão física incontornável. Por trás de cada modelo de inteligência artificial, de cada operação de computação em nuvem e de cada sistema de comando e controle existe uma cadeia de equipamentos, instalações, cabos, redes elétricas e fontes de energia.
Não existe soberania digital sem infraestrutura material. E não existe infraestrutura computacional de grande escala sem energia disponível em quantidade, qualidade, estabilidade e custo compatível com a atividade econômica.
O crescimento populacional também amplia a demanda por eletricidade, mobilidade, abastecimento de água, climatização, saneamento, produção de alimentos e serviços públicos. Quando acompanhado pelo aumento da renda, da industrialização e do produto interno bruto (PIB), esse processo tende a intensificar a necessidade de energia. A eletrificação de transportes e processos industriais acrescenta outra dimensão: atividades antes dependentes diretamente de combustíveis passam a exigir mais capacidade de geração e distribuição elétrica.
É nesse contexto que a diversificação energética adquire importância estratégica. A energia solar pode ampliar rapidamente a capacidade de geração em determinadas condições; a energia eólica oferece potencial relevante em regiões de bons recursos naturais; a hidreletricidade contribui para a geração e, conforme as características dos reservatórios e do sistema, para a flexibilidade operacional; a energia nuclear pode fornecer eletricidade firme de baixa emissão de carbono; e o gás natural pode desempenhar funções de geração controlável e suporte ao sistema, embora envolva emissões e riscos de dependência de combustível.
Essas fontes apresentam características técnicas distintas. Não são perfeitamente intercambiáveis, nem possuem os mesmos custos, prazos de implantação, necessidades de armazenamento, impactos ambientais ou requisitos de infraestrutura. A política energética precisa reconhecer essas diferenças e combiná-las segundo as necessidades efetivas do país.
O relatório Electricity 2025, da IEA, identificou o crescimento da indústria, da climatização, da eletrificação e dos data centers como fatores relevantes para a expansão mundial da demanda elétrica. Suas projeções também apontaram contribuições importantes das fontes renováveis, do gás natural e da energia nuclear para atender ao consumo adicional.
O desafio não é apenas produzir mais energia. É assegurar que a oferta acompanhe a demanda com confiabilidade, que as redes suportem novos grandes consumidores, que os investimentos sejam economicamente sustentáveis e que o sistema resista a falhas técnicas, eventos climáticos extremos e ameaças deliberadas.
Diversificação energética como instrumento de soberania nacional
Sob a perspectiva da Engenharia de Soberania e Estratégia, a energia deve ser compreendida como uma capacidade estruturante do Estado. A autonomia nacional não decorre simplesmente da existência de recursos naturais, mas da capacidade de transformá-los em energia útil, infraestrutura operacional, conhecimento científico, produtos industriais e poder de decisão.
Um país pode possuir grandes reservas de petróleo, potencial hidrelétrico, excelentes condições para geração eólica e solar e, ainda assim, apresentar vulnerabilidades se depender excessivamente de equipamentos importados, tecnologias críticas estrangeiras, cadeias logísticas concentradas ou combustíveis sujeitos a interrupções externas.
A soberania energética, portanto, exige uma abordagem sistêmica, que considere pelo menos cinco dimensões.
A primeira é a segurança do abastecimento. O Estado precisa reduzir a exposição a choques internacionais, restrições comerciais, conflitos geopolíticos e interrupções de infraestrutura. A diversificação de fontes, fornecedores, rotas de transporte e tecnologias pode reduzir vulnerabilidades, desde que acompanhada de planejamento e capacidade operacional.
A segunda é a autonomia tecnológica. Não basta instalar equipamentos. É necessário desenvolver competências em engenharia, fabricação, manutenção, automação, materiais, armazenamento, sistemas de potência e gestão de redes. A dependência externa de componentes essenciais pode comprometer a continuidade de serviços estratégicos mesmo quando existe energia primária disponível no território nacional.
A terceira é a resiliência da infraestrutura crítica. Usinas, subestações, linhas de transmissão, sistemas de controle, instalações de armazenamento, terminais de combustíveis e redes de comunicação precisam ser projetados e operados para suportar falhas, ataques cibernéticos e perturbações físicas. A redundância, a segmentação de redes, a proteção de instalações e a capacidade de recuperação são tão relevantes quanto a expansão da geração.
A quarta é a competitividade industrial. Energia confiável e economicamente acessível influencia a instalação de fábricas, centros de pesquisa, data centers, unidades de processamento mineral e empreendimentos de alta tecnologia. A disponibilidade energética pode converter recursos naturais em valor agregado, empregos qualificados e capacidade de exportação.
A quinta é a liberdade de decisão estratégica. Um Estado com alternativas energéticas, domínio técnico e infraestrutura resiliente dispõe de maior margem de manobra diante de crises externas. A dependência excessiva de uma única fonte, de uma única rota logística ou de um fornecedor dominante pode transformar uma vulnerabilidade econômica em instrumento de pressão geopolítica.
Diversificar, nesse sentido, não significa multiplicar indiscriminadamente empreendimentos energéticos. Significa organizar um portfólio de capacidades que reduza riscos sistêmicos e responda às características territoriais, industriais, ambientais e estratégicas da nação.
Energia e Defesa Nacional: a sustentação material do poder militar
A relação entre energia e defesa ultrapassa o abastecimento convencional de viaturas, aeronaves e embarcações. As Forças Armadas modernas dependem de eletricidade e combustíveis para operar radares, centros de comando, sistemas de vigilância, comunicações seguras, sensores, instalações de manutenção, bases militares e estruturas logísticas.
A crescente digitalização dos conflitos amplia essa dependência. A inteligência artificial aplicada à análise de informações, à manutenção preditiva, ao planejamento operacional e à fusão de dados exige capacidade computacional. Sistemas de vigilância espacial, operações cibernéticas e redes de comando e controle também dependem de infraestrutura energética e digital disponível mesmo em condições adversas.
A energia constitui, assim, um componente da capacidade de combate e da continuidade operacional do Estado.
Uma interrupção prolongada no fornecimento elétrico de uma instalação crítica pode afetar simultaneamente comunicações, logística, processamento de informações e serviços essenciais. Por isso, instalações de defesa e outras infraestruturas estratégicas devem considerar redundância de alimentação, geração de emergência, armazenamento, micro-redes quando tecnicamente justificadas, proteção cibernética e planos de recuperação.
A diversificação também tem implicações para o poder marítimo. A segurança energética depende de portos, terminais, rotas de navegação, refinarias, instalações offshore e sistemas de comunicação submarina. Em um país de dimensões continentais e extensa costa como o Brasil, a proteção dessas estruturas demanda integração entre engenharia, inteligência, planejamento logístico e capacidades de defesa.
A discussão energética não pode, portanto, ficar restrita à geração de eletricidade ou às metas ambientais. Deve integrar a política industrial, a proteção de infraestruturas críticas, a segurança marítima, a pesquisa científica e o planejamento de defesa.
O Brasil diante de uma oportunidade estratégica
O Brasil reúne condições relevantes para construir uma matriz energética diversificada. Sua base hidrelétrica, o potencial eólico, a expansão da energia solar, a cadeia de petróleo e gás, a produção de biocombustíveis e a experiência acumulada na área nuclear oferecem possibilidades complementares.
Entretanto, a existência desses recursos não elimina desafios. A expansão de fontes variáveis exige investimentos em transmissão, flexibilidade operacional, armazenamento quando necessário, previsão meteorológica, gestão da demanda e integração entre regiões. A geração hidrelétrica está sujeita às condições hidrológicas, enquanto o petróleo e o gás envolvem questões de mercado, logística, emissões e segurança de abastecimento. A energia nuclear requer elevados padrões de segurança, qualificação profissional, planejamento de longo prazo e capacidade tecnológica especializada.
O planejamento nacional precisa considerar também a localização dos novos grandes consumidores. Um data center não demanda apenas eletricidade: exige conectividade, refrigeração, segurança física, disponibilidade hídrica conforme a tecnologia adotada e acesso a uma rede capaz de fornecer potência com elevado grau de confiabilidade.
Instalar infraestrutura computacional em território brasileiro pode ampliar a capacidade nacional de processamento de dados e reduzir determinadas dependências externas. Porém, o benefício estratégico depende de fatores como domínio tecnológico, formação de profissionais, segurança da informação, integração com a indústria nacional e sustentabilidade do fornecimento energético.
O País precisa evitar que uma eventual expansão da economia digital resulte em novas dependências estruturais, nas quais a energia seja produzida nacionalmente, mas os equipamentos essenciais, as plataformas tecnológicas e o conhecimento crítico permaneçam concentrados no exterior.
A mesma lógica se aplica à indústria de defesa. A disponibilidade de energia e o domínio de tecnologias associadas podem fortalecer a construção naval, a indústria aeronáutica, a fabricação de materiais avançados, a pesquisa nuclear, a automação industrial e os sistemas de comando e controle.
O objetivo estratégico deve ser transformar vantagens naturais em capacidades nacionais permanentes.
A transição energética exige engenharia, planejamento e pragmatismo
Um dos equívocos mais frequentes no debate energético consiste em apresentar a transição como uma disputa simplificada entre fontes antigas e novas. A história demonstra que a incorporação de novas tecnologias ocorre dentro de sistemas econômicos que continuam demandando energia de diferentes formas.
Isso não significa defender a expansão ilimitada de todas as fontes, nem ignorar a eficiência energética, os impactos ambientais ou a necessidade de reduzir emissões. Significa reconhecer que as decisões precisam considerar a demanda futura, a confiabilidade, o custo total do sistema, o tempo de implantação, a disponibilidade de recursos e as vulnerabilidades estratégicas.
A eficiência energética deve ser tratada como capacidade adicional: reduzir desperdícios permite atender a uma parcela da demanda com menor necessidade de geração. A gestão inteligente do consumo pode deslocar cargas para períodos mais favoráveis, enquanto o armazenamento e a modernização das redes podem contribuir para a integração de fontes variáveis.
Da mesma forma, a pesquisa e o desenvolvimento em reatores avançados, combustíveis sustentáveis, redes inteligentes, baterias, hidrogênio de baixa emissão e sistemas de controle podem ampliar as opções disponíveis no futuro. Essas tecnologias, entretanto, devem ser avaliadas conforme seu estágio de maturidade, seus custos e suas aplicações reais, sem confundir potencial científico com capacidade comercial já consolidada.
A engenharia tem papel central nesse processo porque transforma objetivos políticos em sistemas concretos. É ela que dimensiona a geração, projeta redes, estabelece critérios de confiabilidade, integra equipamentos, avalia riscos e determina se uma solução é tecnicamente viável e economicamente sustentável.
A estratégia nacional precisa, por sua vez, estabelecer prioridades, articular instituições, fomentar a indústria, garantir estabilidade regulatória e proteger os interesses permanentes do Estado.
Conclusão: energia é capacidade de decidir o próprio destino
Os 250 anos da evolução energética norte-americana ilustram uma lição de alcance universal: as sociedades modificam suas matrizes à medida que mudam suas necessidades, suas tecnologias e suas estruturas produtivas. A expansão de novas fontes não elimina automaticamente as anteriores, e o crescimento econômico pode ampliar simultaneamente diferentes demandas energéticas.
No século XXI, essa dinâmica assume uma nova dimensão. Além da população, da indústria, dos transportes e da urbanização, a inteligência artificial, os data centers e a digitalização de serviços estratégicos acrescentam pressões sobre os sistemas elétricos e sobre as cadeias globais de tecnologia.
Para o Brasil, a resposta não deve ser a adesão irrefletida a uma fonte específica, tampouco a manutenção passiva de estruturas existentes. Deve ser a construção de uma política energética de Estado, sustentada por ciência, engenharia, diversificação, autonomia tecnológica, proteção de infraestruturas críticas e planejamento de longo prazo.
Na perspectiva da Engenharia de Soberania e Estratégia, a energia ocupa uma posição fundamental porque sustenta os demais instrumentos do poder nacional. Sem abastecimento confiável, a indústria perde competitividade; sem infraestrutura resiliente, a tecnologia fica vulnerável; sem capacidade industrial e científica, a defesa amplia sua dependência externa; e sem autonomia decisória, os recursos naturais não se convertem plenamente em soberania.
A questão estratégica não é escolher entre desenvolver novas fontes e preservar as capacidades existentes. É construir um sistema energético capaz de sustentar o crescimento, absorver novas tecnologias e resistir às incertezas de um mundo marcado pela competição econômica e geopolítica.
Uma nação que pretende ocupar posição relevante no sistema internacional precisa planejar sua energia com a mesma seriedade com que planeja sua defesa, sua infraestrutura e sua base industrial. Afinal, a soberania não se limita ao controle territorial ou à posse de recursos naturais. Ela se materializa na capacidade de produzir, transformar, proteger e utilizar esses recursos em benefício dos interesses nacionais.
Referências para fundamentação
* U.S. ENERGY INFORMATION ADMINISTRATION (EIA). The 250-year history of U.S. energy consumption. 30 jun. 2026. [Consultar a análise histórica da EIA](https://www.eia.gov/todayinenergy/detail.php?id=67824&utm_source=chatgpt.com).
* INTERNATIONAL ENERGY AGENCY (IEA). Energy and AI. Paris: IEA, 2025. [Consultar o relatório sobre energia e inteligência artificial](https://www.iea.org/reports/energy-and-ai?utm_source=chatgpt.com).
* INTERNATIONAL ENERGY AGENCY (IEA). Electricity 2025: Executive Summary. Paris: IEA, 2025. [Consultar as projeções de demanda elétrica](https://www.iea.org/reports/electricity-2025/executive-summary?utm_source=chatgpt.com).
* INTERNATIONAL ENERGY AGENCY (IEA). Key Questions on Energy and AI: Executive Summary.
*Amadeu Robalinho, é Pesquisador independente e autor interdisciplinar, associado à Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN), Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
A Bandeira dos EUA Enfiada na Nossa Terra - Crônica - Por Walmir Chagas*
20/10/2026
O bolsonarismo, quando se apresenta como dono dos destinos do Brasil, não é só conservadorismo. Conservador existe em todo lugar, discute, negocia, às vezes até aprende. O perigo maior é o entreguismo disfarçado de patriotismo: aquele que bate no peito com a bandeira numa mão e, na outra, entrega o mapa, a mina, o porto, a floresta e a palavra final ao estrangeiro. Chama isso de alinhamento. O povo chama pelo nome: rendição.
Nos próximos quatro anos, se essa turma assumir o comando, o Brasil pode voltar a ser tratado como quintal. N...
Há uma velha doença brasileira que não mora no atraso, mora no orgulho do atraso. É aquela mentalidade que olha para o passado e chama de “ordem”; que olha para o preconceito e chama de “tradição”; que olha para a democracia e chama de “bagunça”. É a gente que quer país grande, mas odeia povo grande. Quer bandeira, mas não quer pão. Quer nação, mas tem medo de nação quando a nação começa a falar alto, votar, reclamar e existir.
O bolsonarismo, quando se apresenta como dono dos destinos do Brasil, não é só conservadorismo. Conservador existe em todo lugar, discute, negocia, às vezes até aprende. O perigo maior é o entreguismo disfarçado de patriotismo: aquele que bate no peito com a bandeira numa mão e, na outra, entrega o mapa, a mina, o porto, a floresta e a palavra final ao estrangeiro. Chama isso de alinhamento. O povo chama pelo nome: rendição.
Nos próximos quatro anos, se essa turma assumir o comando, o Brasil pode voltar a ser tratado como quintal. Não como país, mas como fornecedor. Entregam minerais críticos como se fosse troco; aceitam tarifas, ameaças e chantagens como se fosse bênção; transformam a Amazônia em vitrine para interesses alheios e a política externa de Washington. Não é soberania: é servidão com discurso de festa.
E os Estados Unidos de Trump não precisam invadir ninguém para fazer miséria na soberania de um país. Basta apertar o comércio, impor tarifas, condicionar acordos, pressionar por recursos estratégicos e esperar que algum governo local se curve e diga “sim, senhor”. Já houve tarifaço contra produtos brasileiros, com motivações políticas declaradas, e a disputa envolveu acesso a minerais, comércio e segurança regional. Quando o país tem autonomia, negocia; quando tem covardia no comando, assina embaixo.
A soberania não é ufanismo de estádio. É poder decidir o que fazer com o próprio café, o próprio petróleo, as próprias terras raras, a própria saúde, a própria escola e a própria democracia. É não aceitar que uma potência estrangeira determine com quem o Brasil conversa, o que o Brasil exporta e até quem o Brasil julga. O tarifaço imposto por Trump foi acompanhado de ameaças e pressões políticas, e o Brasil precisou reagir com crédito, proteção ao exportador e busca de novos mercados. Isso é o mínimo: um país que se defende.
O retrógrado diz que o Brasil nunca foi respeitado. Mentira. O Brasil foi respeitado quando teve projeto, Lula quando negociou de igual para igual, quando não confundiu humildade com joelho no chão. O preconceituoso diz que povo pobre não sabe votar. Mentira. Povo pobre sabe muito bem quem lhe tirou o emprego, encareceu o arroz, fechou a escola e colocou a pátria em leilão.
E o entreguista é o pior de todos, porque não admite que entrega. Diz que é pragmático. Diz que é realista. Mas realismo de gente grande é saber que não se constrói país beijando a mão de quem cobra pedágio na nossa porta. O Brasil não precisa de dono. Precisa de governo com espinha dorsal, povo organizado, instituições firmes e a coragem de dizer não quando o “não” é necessário.
Que venham os quatro anos — mas que não venham de joelhos. Porque país que se entrega não perde só território ou riqueza: perde a língua, a dignidade e a capacidade de sonhar com o próprio futuro. E uma nação que deixa outro decidir por ela acaba, mais cedo ou mais tarde, tendo de reaprender a coisa mais simples e mais difícil do mundo: ser dona de si.
Neste momento só temos uma saída, e ela é digitar 13 Lula Presidente.
*Walmir Chagas, é multiartista e livre pensador.
NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.

Análise - a cinco dias do voto as chances de Flávio e Lula
20/10/2026
A cinco dias do 2º turno, circulam dois números que não conversam entre si. Em vídeo que corre as redes sociais, um "simulador eleitoral" dá a Flávio Bolsonaro 99,2% de chance de vencer. Do outro lado, supostos estudos internos projetam Lula vencendo por dois a quatro pontos. Tudo isso é propaganda. O que existe de real, hoje, é outra coisa: Flávio tem perto de três chances em quatro. Pelas pesquisas e pelas bolsas de aposta, mundo afora.
O simulador X o apostador
O Global Election Simulator é um site de simulação eleitoral. A Agência Lupa testou a ferramenta e mostrou que o próprio usuário consegue alterar os percentuais. o site avisa que seus números não são previsão. Na segunda-feira, ele projetou Flávio com 53,5% dos válidos. Dois pontos e meio acima da média das pesquisas, primeiro erro. Para transformar isso em 99%, é preciso supor que a urna não se afaste mais de três pontos da p...
Os dois lados fazem propaganda de suas possibilidades.
A cinco dias do 2º turno, circulam dois números que não conversam entre si. Em vídeo que corre as redes sociais, um "simulador eleitoral" dá a Flávio Bolsonaro 99,2% de chance de vencer. Do outro lado, supostos estudos internos projetam Lula vencendo por dois a quatro pontos. Tudo isso é propaganda. O que existe de real, hoje, é outra coisa: Flávio tem perto de três chances em quatro. Pelas pesquisas e pelas bolsas de aposta, mundo afora.
O simulador X o apostador
O Global Election Simulator é um site de simulação eleitoral. A Agência Lupa testou a ferramenta e mostrou que o próprio usuário consegue alterar os percentuais. o site avisa que seus números não são previsão. Na segunda-feira, ele projetou Flávio com 53,5% dos válidos. Dois pontos e meio acima da média das pesquisas, primeiro erro. Para transformar isso em 99%, é preciso supor que a urna não se afaste mais de três pontos da projeção. As pesquisas brasileiras já erraram mais do que isso. Segundo erro.
O mercado não compra o 99%.
Na bolsa de apostas
Na Polymarket, onde quase 190 milhões de dólares já foram apostados, Lula tem uma em quatro chances de vencer.
O que significa uma em quatro
Dadas as condições atuais, repetindo-se teoricamente o quadro, Lula venceria 26 a cada 100 eleiçoes, com a reta final em condicoes semelhantes. Ou seja, uma a cada quatro eleições. A de Lula pode ser esta. Ou não. Flávio, venceria três em quatro. Pode não ser dessa vez.
Cada qual com sua certeza
Um lado vende a certeza da vitória; o outro, a certeza da virada. A matemática não vende certeza. Ela diz que Flávio é o favorito, com perto de 75% de chance, e que Lula é o azarão, com perto de 25%.
Quem vai ganhar?
A pergunta do momento tem duas respostas que não se confundem. Uma é a resposta da intenção de voto: quantos por cento cada um tem. Flávio tem, em média, dois a três pontos de vantagem. A outra é a resposta da chance: qual a probabilidade de cada um vencer. Flávio tem três em quatro.
Ninguém desiste
Favorito não é vencedor. Quem tem 75% não conquistou o direito de dormir tranquilo. Para quem tem 25% de chances, inexistem razões para jogar a toalha. Nas urnas, como na vida, a probabilidade é um indicativo, não uma sentença. Eleição, como o 1o turno mostrou mais uma vez, se decide no dia. Os cem por cento só vão existir no domingo à noite.
Equipe O Poder, com assessoria de Claude de Tal e Qual, pseudônimo de leitor que trabalha com dados e IA e não quer se identificar