160 anos da Rainha da Borborema- Tradição, costumes e modernidade se misturam na Feira Central de Campina Grande
11/10/2024
O Poder
Campina Grande celebra nesta sexta-feira 11 de outubro, 160 anos de Emancipação Política. Como forma de prestar uma homenagem a Rainha da Borborema, O Poder mostra um pouco da história e da rotina da Feira Central da cidade, uma das mais importantes do Nordeste e que tem resistido ao tempo e a modernidade e se tornado fonte de renda para centenas de paraibanos.
A memória
Tradição, empreendedorismo, memória, resistência e ponto turístico. Ao redor da Feira Central de Campina Grande, a 120 quilômetros da capital João Pessoa, os negócios atravessam o tempo, sobrevivem.
Visita
Recentemente O Poder visitou o local e constatou como os fenômenos do passado resistem à modernidade. O vai e vem ainda é interminável. Aos sábados o movimento é maior. Gente para todo o lado, sendo que nos corredores de maior movimento as pess...
O Poder
Campina Grande celebra nesta sexta-feira 11 de outubro, 160 anos de Emancipação Política. Como forma de prestar uma homenagem a Rainha da Borborema, O Poder mostra um pouco da história e da rotina da Feira Central da cidade, uma das mais importantes do Nordeste e que tem resistido ao tempo e a modernidade e se tornado fonte de renda para centenas de paraibanos.
A memória
Tradição, empreendedorismo, memória, resistência e ponto turístico. Ao redor da Feira Central de Campina Grande, a 120 quilômetros da capital João Pessoa, os negócios atravessam o tempo, sobrevivem.

Visita
Recentemente O Poder visitou o local e constatou como os fenômenos do passado resistem à modernidade. O vai e vem ainda é interminável. Aos sábados o movimento é maior. Gente para todo o lado, sendo que nos corredores de maior movimento as pessoas desaparecem do alcance da vista em meio aos bancos de frutas e verduras.
O movimento
O movimento é intenso. E tem sido assim há mais de sete décadas. Conforme ressaltou o administrador da feira, Agnaldo Barbosa, aos sábados mais de 80 mil pessoas de Campina Grande e várias cidades do Compartimento da Borborema circulam pelo local.
A modernidade
A modernidade, que ganhou força com o advento da era digital, mudou alguns costumes, mas não tirou a essência e as características dos comerciantes. Muitos tiveram que se reinventar para manter os seus negócios que atravessam gerações.

Reconhecida
Reconhecida desde 2017 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural do Brasil, a Feira Central de Campina Grande tem as suas particularidades e ajudado a transformar vidas. Há décadas é fonte de renda para centenas de famílias. Muitos negócios surgiram dentro e no entorno dela, e sobreviveram ao tempo.
Pontos
Atualmente existem mais de 4.400 pontos comerciais gerando emprego e renda, em um território de 75 mil metros quadrados, dos quais 3.200 mil estão instalados apenas no mercado central.
A diversidade
A diversidade é uma das características do local e movimenta os 2.309 feirantes que tiram dali o sustento. Os bancos estão sendo carregados. E as ruas tomadas por mercadorias, muitas espalhadas no chão. Frutas, hortaliças, cereais, ervas, carnes, animais vivos ou já abatidos, roupas, flores, doces, artesanato, acessórios para pecuária, comida regional e um extenso leque de serviços que trazem consigo os personagens que dão vida ao lugar. Na feira tem de tudo e tantos outros personagens com seus saberes e ofícios tradicionais.

Variedade
Estes negócios, com uma variedade infinita de produtos, estão distribuídos em diversos pontos, como na feira de flores, feira de galinha, feira de peixe, frutas, feira de queijo e no mercado central. Um celeiro de cultura, variedade, diversidade e história.
O Administrador
O administrador da feira, Agnaldo Batista, contou ao O Poder que a Feira Central não pode ser compreendida como um espaço comum, uma vez que a estrutura mercadológica e os espaços que nela existem se configuram como um verdadeiro complexo mercantil, composto por um mercado varejista e um comércio atacadista.
Observou
Agnaldo observou que as práticas de vendas extrapolam as ruas adjacentes ao mercado central, e engloba várias ruas. Filho de feirante, o administrador, que chegou no mercado central ainda criança, ressaltou que hoje vive de memórias e sentimentos.
“Ainda tem muita gente que não abre mão de visitar a feira. Uma tradição que dura anos. As pessoas preferem fazer as suas compras na feira central, mesmo com o surgimento dos atacadões e outras formas de comércio “, frisou o administrador.
Associação Comercial
O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Campina Grande, o empresário Sidney Toledo, destacou em entrevista ao O Poder, que a Feira Central é um dos mais importantes equipamentos sociais e econômicos da cidade, visto que há décadas tem incentivado o surgimento de negócios e consequentemente gerando emprego e renda.
“O mercado central é um equipamento altamente importante para a cidade de Campina Grande que tem na sua essência o comércio, sobretudo com os mercadores que vieram para cá e que fizeram com que Campina crescesse” destacou.
A modernidade na vida dos feirantes
O colorido das frutas e verduras espalhados em cima dos bancos até hoje chamam atenção dos consumidores. Os gritos de convite e de ofertas se multiplicam nos horários de maior movimento. É difícil resistir e não se render ao apelo mercadológico que surge dos bancos de madeira, alguns velhos e gastos pelo tempo. Os corredores, cercados por bancos e produtos retratam histórias de vida.
Qualidade
Sinônimo de qualidade e diversidade, as feiras livres oferecem produtos muitas vezes colhidos no próprio dia, diretamente dos produtores para os consumidores. Nos últimos anos a modernidade chegou à Feira Central de Campina Grande. E inevitavelmente mexeu com a vida de muitos comerciantes que tiveram que se reinventar para não serem “engolidos” pelo fenômeno dos novos tempos. Para não perder os clientes, eles precisaram aderir a era tecnológica e recorrer a práticas até então desconhecidas.
A era do pix
Nascida no coração da cidade, a Feira Central passou por diversas mudanças, e, inevitavelmente, foi afetada pelos novos atrativos da era pós-moderna. A era do pix, meio de pagamento instantâneo por transferência, já faz parte da vida de praticamente todos os feirantes.
A máquina do cartão
A maquineta do cartão de crédito virou um acessório indispensável. E as placas indicando os preços dos produtos ganharam a companhia de um cartaz com o QRCode PIX. Comprou e pagou na hora, sem a necessidade do dinheiro vivo. A cédula caminha para virar moeda rara na era digital.
“Estamos vivendo outros tempos. Agora além de dinheiro em espécie, os pagamentos podem ser feitos com cartão de crédito ou débito. Há algum tempo passamos a usar o PIX, que evita o manuseio das maquininhas por nós e pelos clientes”, contou ao PB Agora o comerciante Marinaldo Pereira Santos, que há anos tem um açougue bem no coração do mercado central.
Espaço para o turismo
Poesia popular, repente e cordel. Um dos maiores desafios do momento é alavancar a Feira Central de Campina Grande ao patamar de um espaço atrativo ao turismo. Isso porque a riqueza cultural que faz parte das entranhas do espaço tem ficado esquecida.
Tradição, costumes e empreendedorismo
“Fumo de rolo arreio de cangalha. Eu tenho pra vender, quem quer comprar. Bolo de milho broa e cocada. Eu tenho pra vender, quem quer comprar”. O trecho da música “Feira de Mangaio” composta por Severino Dias de Oliveira, conhecido popularmente com Sivuca, um renomado músico, acordeonista e compositor brasileiro, em parceria com Glorinha Gadelha, retrata bem a Feira Central de Campina Grande.
Banco de fumo
O banco de fumo de dona Maria das Dores da Silva, de 65 anos, existe há décadas. Ela herdou o comércio de seus pais, Sebastião e Emarina Gomes. Há 50 anos vende fumo de rolo no mesmo lugar. Tem os clientes certos, mas confessa que antes ganhava mais dinheiro.
Lembra
Sentada em um tamborete, com expressão séria, ela lembra dos bons tempos, mas também observa que ainda é possível explorar uma das maiores e antigas feiras da Paraíba.
O tempo
No cerne da feira, a impressão que se tem é que alguns feirantes ficaram congelados no tempo. Muitas chegaram ao local ainda crianças. E não saíram mais como é foi o caso de Marinaldo Pereira Santos, Gilberto Florentino da Silva, José Adilson Martins, Rosalvo Leal e tantos outros.
Entroncamento
O sociólogo Luciano Albino ressaltou que Campina Grande surgiu do entroncamento comercial de duas culturas, sendo elas: a cultura da cana de açúcar do litoral e a cultura do gado que era do interior, tendo a Feira Central, um papel importante para consolidar essas culturas. Na visão dele, a feira é um lugar de encontro, de troca de experiência e de uma economia solidária.
No coração de Campina
Entre tantas histórias de superação, criatividade e resistência, a Feira Central ainda é uma das maiores existentes no país. Atravessando décadas, ela segue como um dos mais importantes espaços de Campina Grande, responsável por manter negócios e contribuir para o aquecimento da economia local, seja com vendas e agora com o turismo em suas diversas nuances, desde cultural, experiência, gastronômico, de consumo, sustentável e até mesmo de adrenalina, com passeios por locais de difícil acesso.
Leia outras informações
PERNAMBUCANO JOSÉ DELANO PRONTO PARA ESTREAR NO UFC NESTE SÁBADO
03/04/2026
O COMEÇO
Delano inicou sua carreira com objetivo de perder peso, pegou gosto pelo esporte de combate e começou a lutar MMA em 2014, no Estadl de Pernambuco. Com 16 vitórias e 3 derrotas na carreira, vem de grandes eventos como o brasileiro Shooto e o americano LFA. Treina a alguns anos no Rio de Janeiro sob orientação do ex-campeão do UFC Murilo Bustamente, na Brazilian Top Team.
O ADVERSÁRIO
O polonês Robert Ruchala , de 27 anos tem 11 vitórias de 2 derrotas e construiu sua carreira no grande evento KSW. Estreou no UFC em 2025 com derrota por pontos e está na pressão de mostrar resultado na organização americana.
PERNAMBUCANA TAMBÉM LUTA NO CARD
A judoca Dione Barbosa,...
O prospecto José Delano, de 29 anos, bateu o peso de 66kg hoje e está totalmente preparado para entrar em combate amanhã no UFC Fight Night: Moicano vs. Duncan, transmitido pelo streaming da Paramount a partir das 18:00 no Brasil.
O COMEÇO
Delano inicou sua carreira com objetivo de perder peso, pegou gosto pelo esporte de combate e começou a lutar MMA em 2014, no Estadl de Pernambuco. Com 16 vitórias e 3 derrotas na carreira, vem de grandes eventos como o brasileiro Shooto e o americano LFA. Treina a alguns anos no Rio de Janeiro sob orientação do ex-campeão do UFC Murilo Bustamente, na Brazilian Top Team.
O ADVERSÁRIO
O polonês Robert Ruchala , de 27 anos tem 11 vitórias de 2 derrotas e construiu sua carreira no grande evento KSW. Estreou no UFC em 2025 com derrota por pontos e está na pressão de mostrar resultado na organização americana.
PERNAMBUCANA TAMBÉM LUTA NO CARD
A judoca Dione Barbosa, radicada nos EUA, fará a segunda luta do evento contra a brasileira Melissa Gatto, 29 anos, com cartel de 9 vitórias, 2 derrotas e 2 empates.
TRANSMISSÃO
O evento será transmitido no Brasil pelo aplicativo da Paramout a partir das 18:00.
É Findi - Recordes do País de Caruaru - Artigo, por Valéria Barbalho*
03/04/2026
Procurei me informar, com o meu conterrâneo Walmiré Dimeron, sobre esses e descobri que a tal cuscuzeira tem quatro metros de altura e capacidade para fazer um cuscuz com 600 quilos, só de flocos de milho. E que existe a variação: o maior “quarenta” do mundo (cuscuz nordestino que mistura fubá com charque, linguiça e outros ingredientes). Nosso recordista leva 300 quilos só de carne. Existem outros exageros culinários: canjica gigante (feita com três mil espigas de milho), maior pamonha (300kg), maior xerém (200kg), maior pé de mol...
Dia desses fui a Caruaru e peguei um engarrafamento danado. Levei trinta minutos para percorrer menos de cem metros, até conseguir fazer um retorno e me livrar daquele trânsito. Motivo do transtorno: uma carreta transportando uma cuscuzeira gigante, seguida por um trio elétrico, cheio de forrozeiros, e um carro de som anunciando a festa do maior cuscuz do mundo. Ocorreu-me, então, relacionar os inúmeros recordes da minha terra.

Procurei me informar, com o meu conterrâneo Walmiré Dimeron, sobre esses e descobri que a tal cuscuzeira tem quatro metros de altura e capacidade para fazer um cuscuz com 600 quilos, só de flocos de milho. E que existe a variação: o maior “quarenta” do mundo (cuscuz nordestino que mistura fubá com charque, linguiça e outros ingredientes). Nosso recordista leva 300 quilos só de carne. Existem outros exageros culinários: canjica gigante (feita com três mil espigas de milho), maior pamonha (300kg), maior xerém (200kg), maior pé de moleque (15 metros), maior bolo de milho (250kg), maior bolo de macaxeira (160kg), maior cozido de espigas de milho (2.200 unidades), maior quentão (300 litros), maior chocolate quente (450 litros de leite e 100 quilos de chocolate), maior pipoca (12.300 saquinhos), maior festival de tareco e mariola (100kg de biscoito e 2.000 docinhos), maior arroz doce (360kg) e a maior tapioca doce (100kg). Fora essas calorias, temos a maior fogueira do Nordeste (madeira de reflorestamento) e as maiores “drilhas” (grupos de danças juninas modernas), que, juntas, somam 20 mil componentes.
Em 2011, durante o Festival de Fogueteiros, os participantes, mostrando seus trabalhos, pipocaram, durante duas horas, a maior girândola do mundo. No dia 24 de junho, a maior concentração de bacamarteiros do mundo desfila pela cidade. Cerca de 700 homens, vestidos a caráter, portando seus bacamartes, festejam o seu dia. Dispomos, ainda, do maior número de bandas de pífanos, sendo, atualmente, a de maior evidência a do Mestre João do Pife, que já se apresentou em mais de 30 países.

Todos esses recordes, junto com a multidão que lota nosso mega pátio de forró Luiz Gonzaga, fazem o maior São João do mundo. Além desses inusitados e divertidos recordes, lembrei de outros não juninos: a maior feira ao ar livre do mundo, a Feira de Caruaru, patrimônio imaterial do Brasil, famosa também pela música do compositor caruaruense Onildo Almeida, gravada pelo Rei do Baião. Somos a cidade do interior mais cantada do país, segundo pesquisa feita, em 2010, pelo Dr. Emanuel Leite, que identificou 1.020 músicas que citam Caruaru em suas letras. O Alto do Moura, lugar de Vitalino, o Mestre do Barro, é considerado o mais importante centro de arte figurativa do Brasil. Temos o jornal mais antigo do interior do Brasil, que circula, sem interrupção, desde 1º de maio de 1932: Vanguarda, fundado pelo jornalista caruaruense José Carlos Florêncio.

Sem bairrismos, mas lembrando dos inúmeros filhos talentosos da Capital do Forró, conhecidos nacional e internacionalmente, acho que, como cidade do interior, também somos recorde. Mas, isso é assunto para outro artigo. Vixe! Em se tratando de bater recordes, o País de Caruaru parece até uma Olimpíada. Inté!
*Valéria Barbalho é filha do escritor e historiador Nelson Barbalho. É médica pediatra, cronista.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Viva O Meu País - Crônica, por AJ Fontes*
03/04/2026
Cá entre nós, pernambucanos, o calor sentido no peito nesse instante tem um cheirinho de coentro fresco no feijão e cuscuz com ovo no café da manhã.
Junto ao gosto de usar a bandeira estampada em tudo quanto é lugar, o de cantar nosso hino foi elevado aos pícaros lá pelos anos de 1970, com publicidades televisivas. Desde então, é bastante ouvir o primeiro verso que o segundo, o terceiro e o restante saltarão nas vozes dos tantos de nós presentes; independente do lugar onde estejamos. Os assuntos e atenções serão desviados, nesse momento, pelo hino de Pernambuco.
É gostoso pertencer a um grupo nacional fortalecido por seus símbolos. Os nossos estão presentes desde 1817. Chegou e ficou cravado no coração de cada pernambucano e transborda para os quatrocentos cantos do mundo cantado e explicado na pint...
Não foi a primeira vez, o povo brasileiro completou o hino depois do som ser cortado. Quem assistiu Brasil X Croácia na última terça-feira sabe.
Cá entre nós, pernambucanos, o calor sentido no peito nesse instante tem um cheirinho de coentro fresco no feijão e cuscuz com ovo no café da manhã.
Junto ao gosto de usar a bandeira estampada em tudo quanto é lugar, o de cantar nosso hino foi elevado aos pícaros lá pelos anos de 1970, com publicidades televisivas. Desde então, é bastante ouvir o primeiro verso que o segundo, o terceiro e o restante saltarão nas vozes dos tantos de nós presentes; independente do lugar onde estejamos. Os assuntos e atenções serão desviados, nesse momento, pelo hino de Pernambuco.
É gostoso pertencer a um grupo nacional fortalecido por seus símbolos. Os nossos estão presentes desde 1817. Chegou e ficou cravado no coração de cada pernambucano e transborda para os quatrocentos cantos do mundo cantado e explicado na pintura que representa o meu Estado e foi a bandeira cravada no chão de uma nação.
Trouxemos o sentimento de pátria para todos, responsáveis pela formação desse povo: originários e europeus, africanos, asiáticos chegados nesse canto do novo mundo, nas mais distintas condições. Construímos uma gente nova, diferente, capaz de inventar palavras, habitações, comidas, músicas, danças e sentimentos. Há quem chame de brasilidade.
Somos brasileiros de várias estaturas, cores e sotaques. Amamos, sentimos e arengamos, cada qual com seu jeito. Somos pernambucanos: brancos, galegos, negros ou de olhos puxados, mas inseridos em nossa pátria e dispomos, aos irmãos, nossos altos coqueiros para defesa que se faça necessária ou para, tomando as palavras de um baiano famoso, o refrigério de nossas praias.
Isso tudo é nada, apenas alguns ditos de um sujeito do povo mais bairrista em linha reta do mundo.
*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Chuvas no Sertão! - Poema - Por, Eduardo Albuquerque*
03/04/2026
Bençãos que caem no chão
Ardente, ressequido do verão,
Aplacando a vil sede malsã
Do sertanejo, a sós, em seu afã.
A esperança se faz presente.
Agora tudo será diferente:
De manhã, já se vê toda gente
Que, talvez, se pense indolente,
Numa animação fremente!
Pouco antes do Sol nascente,
Se dirige qual inusitada corrente:
Filhos, noras, mãe e o pai à frente;
No caminho da roça, seu oásis,
Aquela que lhes trará a doce paz!
A comida no prato será abundante,
Roupa no corpo, sorriso exultante.
Antes de tudo um forte ... que gente!
Não importam eventuais senões:
Esquecem-nos ... chova no sertão!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Chuvas torrenciais no sertão!
Bençãos que caem no chão
Ardente, ressequido do verão,
Aplacando a vil sede malsã
Do sertanejo, a sós, em seu afã.

A esperança se faz presente.
Agora tudo será diferente:
De manhã, já se vê toda gente
Que, talvez, se pense indolente,
Numa animação fremente!

Pouco antes do Sol nascente,
Se dirige qual inusitada corrente:
Filhos, noras, mãe e o pai à frente;
No caminho da roça, seu oásis,
Aquela que lhes trará a doce paz!

A comida no prato será abundante,
Roupa no corpo, sorriso exultante.
Antes de tudo um forte ... que gente!
Não importam eventuais senões:
Esquecem-nos ... chova no sertão!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Florescer - Poema, por Maria Inês Machado*
03/04/2026
o clarão da noite envolve o aposento.
As lágrimas percorrem caminho
silencioso.
Saudade de um tempo pulsante,
quase tangível, que respira na alma.
Os pensamentos sussurram, ecoam,
mas algo dentro os silencia.
Uma voz firme, ergue alegria entre ruínas.
Não há cárcere.
Nem angústia.
Só alça voo
quem prepara as próprias asas.
O passado, às vezes, pesa.
Mas o presente chama.
Desperto. A vida acelera.
Conforme afirmação do poeta/cantor Gonzaguinha,
Fé na vida.
E no que virá.
*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.
...
A janela da sala entreaberta,
o clarão da noite envolve o aposento.
As lágrimas percorrem caminho
silencioso.
Saudade de um tempo pulsante,
quase tangível, que respira na alma.
Os pensamentos sussurram, ecoam,
mas algo dentro os silencia.
Uma voz firme, ergue alegria entre ruínas.
Não há cárcere.
Nem angústia.
Só alça voo
quem prepara as próprias asas.
O passado, às vezes, pesa.
Mas o presente chama.
Desperto. A vida acelera.
Conforme afirmação do poeta/cantor Gonzaguinha,
Fé na vida.
E no que virá.
*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Ocaso - Crônica em Prosa Poética - Por, Ana Pottes*
03/04/2026
Um fogaréu se deita por entre portas, janelas, prédios e árvores, refletido nas vidraças dos edifícios mais altos e se adensa, despretensioso, por entre as nuvens.
Ainda é possível ver roupas brancas e multicoloridas, finas e esvoaçantes, dançando nos varais.
Lá de cima, um mundo em observação: ruas por onde vidas passam alheias, regressam rápidas, buzinas cantam ansiedades, correrias. Nos parques, por entre galhos frondosos, trinam canções; favelas, concretos, palafitas – concretude da existência esbarrando em tortas antenas das aldeias globais.
Há um inspirar e expirar ofegante em vidas condensadas. Os verdes teimam em se mostrar por entre os cinzas que, a cada segundo, crescem, e as chamas segu...
Há momentos em que o espírito se desliga e se deixa conduzir por entre poeiras do pensamento. O corpo fica estático, os olhos em pesquisa, enquanto um novo mundo explode. São cores, sons, texturas, sabores, tudo em sinestésicas percepções.
Um fogaréu se deita por entre portas, janelas, prédios e árvores, refletido nas vidraças dos edifícios mais altos e se adensa, despretensioso, por entre as nuvens.
Ainda é possível ver roupas brancas e multicoloridas, finas e esvoaçantes, dançando nos varais.
Lá de cima, um mundo em observação: ruas por onde vidas passam alheias, regressam rápidas, buzinas cantam ansiedades, correrias. Nos parques, por entre galhos frondosos, trinam canções; favelas, concretos, palafitas – concretude da existência esbarrando em tortas antenas das aldeias globais.
Há um inspirar e expirar ofegante em vidas condensadas. Os verdes teimam em se mostrar por entre os cinzas que, a cada segundo, crescem, e as chamas seguem amainando: sombras despertam, se espreguiçam, resmungam em outros passos; aromas e essências envolventes emanam das janelas das casas. O belo e o encantado ocupam espaços comuns em lusco-fusco.
Um segue se esvaindo e o outro renasce em brilhos suaves, iluminando o ocaso.
*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem!
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – Casamento Matuto – Contículo, por Xico Bizerra*
03/04/2026
O cabra do Cartório, já meio invocado com o lero-lero do vigário, falando da riqueza e da pobreza, da doença e da saúde, aquele papo que rola em todo casório, a tudo assistia por dever de ofício. Foi quando Padr...
O fato aconteceu no Cartório de Registro Civil de uma cidadezinha chamada Crato, lá pras bandas do sul do Ceará, na beira da Serra do Araripe. Era semana pré-carnavalesca e o Anjo da Guarda de Bastião, ainda que de ressaca, nesse dia ‘tava' de prontidão vigiando os foliões retardatários. Foi ele quem segurou a mão de seu Bené de Dora, já se coçando em procura da lambe-suvaco amolada, um monte de polegadas nos cós, deixando à mostra só o cabo da bendita. O ‘bigodim de beiço de gato mijado' do caba fazedor da mal à filha de Seu Bené chega arrepiou-se todinho, imaginando aquela peixeira fina nas brenhas de seu intestino grosso. E Francisquim, ali quieto no útero de Ceiça, embuchado que fora já há cinco meses, só assistindo, de camarote, à solenidade.

O cabra do Cartório, já meio invocado com o lero-lero do vigário, falando da riqueza e da pobreza, da doença e da saúde, aquele papo que rola em todo casório, a tudo assistia por dever de ofício. Foi quando Padre Luiz, afinal, perguntou se tinha alguém contra aquele casamento. Francisquim arretou-se, levantou a venta, e de dedo em riste dentro do bucho da buchuda, cutucou o umbigo de Ceiça, a mãe menininha do Crato, e gritou em alto e bom som pra todo o sertão do Araripe escutar: 'tem não, seu Pade, e se avexe, acabe logo esse babado' que eu ‘tô querendo descansar um tiquim'. Descansou por mais quatro meses, e, sonolento e preguiçoso, desembuchou. Faz quase 20 anos e hoje está aí, contando história, fazendo poesia bonita que só a gota serena e aumentando a prole. Benedito Neto que o diga. E até hoje Bigodim e Ceiça são felizes que só a mulesta! Seu Bené, bisavô igual nunca se viu!
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – Lolita - Por, Carlos Bezerra Cavalcanti*
03/04/2026
Seu apelido vem do clássico “Lolita”, que fez sucesso com a exibição cinematográfica, aqui no Recife
Na realidade, tratava-se de — Ivo Alves da Silva, de quem, através de reportagem do Jornal da Cidade, publicada em 6 de julho de 1975, tem...
Figura pitoresca da chamada Z B M - Zona do Baixo Meretrício, que costumava dizer – quem não conhece Lolita, não conhece o Recife! Fazia, rotineiramente, imitações bem humoradas de cantoras como Ângela Maria, na frente, principalmente, da estudantada - será que sou feia? - não é não senhor. - então eu sou linda? - você é um amor... Para o deleite dos estudantes. No entanto, quando estava “zangada”, costumava desafiar e brigar com uma guarnição inteira da Rádio Patrulha, sendo, logicamente massacrado. Conta-se que em determinada ocasião, nas costumeiras arruaças que provocava, principalmente depois de bêbado e drogado, gritou para o policial que o surrava: Bate! Bate neste corpo que já foi teu... Para o delírio dos transeuntes...
Seu apelido vem do clássico “Lolita”, que fez sucesso com a exibição cinematográfica, aqui no Recife
Na realidade, tratava-se de — Ivo Alves da Silva, de quem, através de reportagem do Jornal da Cidade, publicada em 6 de julho de 1975, temos as seguintes informações:
Veio ainda adolescente para o Recife, onde passou a trabalhar como servente e cozinheiro. Por sua irreverência, e dotes, passou a participar de alguns programas de calouro na Rádio local, porém, adquiriu sua verdadeira popularidade quando caiu nas graças da estudantada.

Homossexual assumido, era a estrela das meretrizes
Viveu vários anos cantando e dando pequenos shows pelas ruas do Recife, aglomerando curiosos e fãs, motivo normalmente da presença de truculentos policiais que subiam as escadas das pensões que funcionavam, geralmente, nos andares superiores aos bares, chamados para contê-lo.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Fui Condenado a Comprar um Terno - Crônica - Por, Romero Falcão*
03/04/2026
Subiu de Paletó
Nunca tive um terno, nunca me interessou a vestimenta dos homens da lei. Dizem que dá um ar de respeito, probidade, retidão. Nas poucas ocasiões em que meu pescoço foi laçado por uma gravata, contei com o auxílio de um amigo gentil, que me emprestava o casacudo vestuário. No entanto, um facínora mandou meu amigo para o céu. Certamente subiu de paletó.
Cheio de Pompa
Agora estou desamparado: sem amigo, sem terno. Resta partir para o aluguel ou juntar minhas economias e comprar um daqueles estilosos, com flor na lapela, cheio de pompa —...
Nunca me vi metido dentro de um terno, meu corpo reage como se estivesse preso a uma armadura de luxo. Peço encarecidamente a quem me jogar no buraco, por favor, não me vista com a mortalha de paletó e gravata que me apertará por toda a eternidade. Facilitem o apetite dos vermes: ponham-me uma calça jeans surrada e uma camisa de pano simples.
Subiu de Paletó
Nunca tive um terno, nunca me interessou a vestimenta dos homens da lei. Dizem que dá um ar de respeito, probidade, retidão. Nas poucas ocasiões em que meu pescoço foi laçado por uma gravata, contei com o auxílio de um amigo gentil, que me emprestava o casacudo vestuário. No entanto, um facínora mandou meu amigo para o céu. Certamente subiu de paletó.

Cheio de Pompa
Agora estou desamparado: sem amigo, sem terno. Resta partir para o aluguel ou juntar minhas economias e comprar um daqueles estilosos, com flor na lapela, cheio de pompa — como se fôssemos alguma coisa importante. “Uma gravata bem atada é o primeiro passo sério na vida”, disse Oscar Wilde.
High Society
Fui condenado a comprar um terno e entrar numa igreja para um casamento de família high society. Não posso recusar a solene encomenda. A noiva, grande amiga, contou-me a história dos pombinhos — como se conheceram, os altos e baixos do relacionamento e, por fim, as alturas, decidiram voar juntos, felizes.

Sem Paletó
Daí me pediu que colocasse no papel uma síntese com doses de lirismo, romantismo e pitadas de irreverência — é aí que mora o perigo. Que Deus me ajude na empreitada e, um dia, me receba sem paletó.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – Colheita de Esperança - Por, Poeta Pica-Pau*
03/04/2026
A semente que plantei
O tempo que esperei
Fez o amor renascer
Se a chuva aparecer
Pra chover nosso roçado
O mundo é transformado
E entre lágrimas e sorriso
Forma-se um jardim de riso
Ao relembrar o passado
Quem planta com esperança
Sabe colher com amor
Se no peito tinha dor
Hoje só resta lembrança
Dentro da perseverança
A fé é quem ganha espaço
No viver não há fracasso
Pra quem vive pra amar
É só pra comemorar
E correr para o abraço
Delegando minha história
Seguindo a passo lento
Reguei com o pensamento
Para florir na memória
Festejando uma vitória
Que o coração conquistou
Pois a dor que já passou
Virou perfume pra vida
E a esperança florida
Foi o amor que ficou
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.
Quando eu vi florescer
A semente que plantei
O tempo que esperei
Fez o amor renascer
Se a chuva aparecer
Pra chover nosso roçado
O mundo é transformado
E entre lágrimas e sorriso
Forma-se um jardim de riso
Ao relembrar o passado
Quem planta com esperança
Sabe colher com amor
Se no peito tinha dor
Hoje só resta lembrança
Dentro da perseverança
A fé é quem ganha espaço
No viver não há fracasso
Pra quem vive pra amar
É só pra comemorar
E correr para o abraço
Delegando minha história
Seguindo a passo lento
Reguei com o pensamento
Para florir na memória
Festejando uma vitória
Que o coração conquistou
Pois a dor que já passou
Virou perfume pra vida
E a esperança florida
Foi o amor que ficou
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.
