Bancada do PSB deverá votar em nova candidatura de Álvaro Porto
30/10/2024
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, deu a palavra final, na na última semana, em torno da polêmica sobre a possível anulação da eleição antecipada da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), referente ao biênio 2025/2026. Dino decidiu anular a eleição e determinou que o órgão realize novo pleito entre 1º de dezembro de 2024 e 1º de fevereiro de 2025.
Movimento
O assunto tem movimentado os bastidores da política pernambucana e alguns dos principais nomes já se posicionam sobre o tema. O presidente estadual do PSB, Sileno Guedes disse que observa a situação com cautela. “O que vejo é que não houve uma simples antecipação de eleição, o que houve foi o entendimento de que o trabalho que ele vinha desempenhando deveria continuar”, disse Sileno, se referindo ao presidente da Alepe, Álvaro Porto.
Consenso
Sileno, que não poupa elogios...
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, deu a palavra final, na na última semana, em torno da polêmica sobre a possível anulação da eleição antecipada da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), referente ao biênio 2025/2026. Dino decidiu anular a eleição e determinou que o órgão realize novo pleito entre 1º de dezembro de 2024 e 1º de fevereiro de 2025.
Movimento
O assunto tem movimentado os bastidores da política pernambucana e alguns dos principais nomes já se posicionam sobre o tema. O presidente estadual do PSB, Sileno Guedes disse que observa a situação com cautela. “O que vejo é que não houve uma simples antecipação de eleição, o que houve foi o entendimento de que o trabalho que ele vinha desempenhando deveria continuar”, disse Sileno, se referindo ao presidente da Alepe, Álvaro Porto.
Consenso
Sileno, que não poupa elogios à postura austera do atual presidente a frente da Alepe, disse que acredita no consenso da bancada do PSB em torno de apoio a uma possível nova candidatura sua, em uma nova eleição, e mais, cravou que acredita que “quantas eleições aconteçam, Álvaro Porto sairá vencedor”.

Leia outras informações
A Avenida Guararapes recebe domingo o primeiro 'Viva o Centro' em clima de Carnaval
29/01/2026
Visa aproximar os serviços da Prefeitura da população
“O Viva o Centro está na sua 12ª edição e esta primeira do ano tem as cores e o ritmo do nosso Carnaval. A função do Viva o Centro, além de reconectar as pessoas com o Centro da cidade com a promoção de eventos e valorização do comércio, também visa aproximar os serviços da Prefeitura da populaç...
A Prefeitura do Recife promove no primeiro domingo de fevereiro, 01/02, das 8h às 12h, a primeira edição do ano do 'Viva o Centro', na Avenida Guararapes. A ação oferece diversos serviços à população nas áreas de saúde, esportes, lazer, cultura e cidadania. No local, haverá apresentações artísticas e a 3ª corrida do Galo da Madrugada, cuja largada será às 5h30, já no clima do Carnaval. A expectativa é que 20 mil pessoas participem do evento esportivo como uma prévia do trajeto que farão no maior bloco do mundo. O Bloco das Ilusões vai se apresentar das 10h às 12h. (Foto: Izabele Brito/PCR)

Visa aproximar os serviços da Prefeitura da população
“O Viva o Centro está na sua 12ª edição e esta primeira do ano tem as cores e o ritmo do nosso Carnaval. A função do Viva o Centro, além de reconectar as pessoas com o Centro da cidade com a promoção de eventos e valorização do comércio, também visa aproximar os serviços da Prefeitura da população, como por exemplo testes de HIV, sífilis e hepatite C, além de vacinação, feira de artesanato e agricultura e um polo infantil com muita brincadeira”, comentou a chefe do Gabinete do Centro.
Quem for conferir o Viva o Centro, vai receber orientação na prevenção à saúde bucal e aplicação de flúor, contra arboviroses e controle de pragas, poderá fazer uma sessão de auriculoterapia, além de, a partir da CDL Recife, fazer a consulta no Serasa e SPC. O polo infantil concentra brinquedos e várias atividades lúdicas acompanhadas por recreadores.

'Viva o Centro'
O projeto Viva o Centro teve início no dia 4 de maio de 2024, e além da avenida Guararapes passou por ruas importantes do centro, como a Rua da Imperatriz, Rua Nova, Ponte da Boa Vista, Praça do Diário, Rua Duque de Caxias e Praça Dom Vital.
Em Nota, Dias Toffoli diz que decidirá se caso Master fica no STF ou na 1ª Instância
29/01/2026
Em nota, Toffoli declara
“Encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem a possibilidade de que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal”, declarou o gabinete do ministro. Em nota, Toffoli declara que as investigações continuam a ser realizadas de forma regular “sem prejuízo da apuração dos fatos, mantidos os sigilos necessários em razão das diligências ainda em andament...
O ministro Dias Toffoli, do STF, afirmou hoje, quinta-feira, 29/01, que só vai avaliar a transferência do caso Master para a Justiça Federal quando for encerrada a investigação da Polícia Federal. Segundo o ministro, é necessária uma análise prévia pelo STF, sem o prejuízo de nulidades processuais “em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal”.
Em nota, Toffoli declara
“Encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem a possibilidade de que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal”, declarou o gabinete do ministro. Em nota, Toffoli declara que as investigações continuam a ser realizadas de forma regular “sem prejuízo da apuração dos fatos, mantidos os sigilos necessários em razão das diligências ainda em andamento”.
Diligências urgentes
O gabinete afirma que a ordem para acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, realizada em 30 de dezembro de 2025, mostrou-se “necessária”. Toffoli considera que, com a análise do processo, determinou a realização de diligências urgentes, para proteger o Sistema Financeiro.

Um Conto Sobre o Cão Assassinado, por Romero Falcão*
29/01/2026
Sim, eu sei: o olhar da sociedade mudou. Hoje, somos vistos como parte da família. Somos respeitados e até paparicados. Os humanos sabem — a ciência sabe — o quanto sentimos alegria e tristeza. Pedimos atenção, carinho,comida, água, passeio. Sofremos com o luto, a perda do nosso melhor amigo: o homem.
Mas nem sempre foi assim.
Nos anos 70 do século passado, não era incomum o melhor amigo nos botar dentro do carro, acelerar para um lugar distante e nos abandonar na beira da estrada.
Corríamos, cansados, desesperados, atrás do carro — até ele sumir da vista, mas não do faro. O poderoso faro mostrava o caminho. Depois de dias, semanas, um palmo de língua para fora, latíamos na porta do melhor amigo.
Por favor, abra.
Não guardávamos rancor. Sacudíamos o rabo, alegres, risonhos.
Eram tempos difíceis
Também era co...
O nosso melhor amigo: o Homem
Sim, eu sei: o olhar da sociedade mudou. Hoje, somos vistos como parte da família. Somos respeitados e até paparicados. Os humanos sabem — a ciência sabe — o quanto sentimos alegria e tristeza. Pedimos atenção, carinho,comida, água, passeio. Sofremos com o luto, a perda do nosso melhor amigo: o homem.
Mas nem sempre foi assim.
Nos anos 70 do século passado, não era incomum o melhor amigo nos botar dentro do carro, acelerar para um lugar distante e nos abandonar na beira da estrada.

Corríamos, cansados, desesperados, atrás do carro — até ele sumir da vista, mas não do faro. O poderoso faro mostrava o caminho. Depois de dias, semanas, um palmo de língua para fora, latíamos na porta do melhor amigo.
Por favor, abra.
Não guardávamos rancor. Sacudíamos o rabo, alegres, risonhos.

Eram tempos difíceis
Também era comum levarmos pesada: chute, pontapé. Não escapamos nem de um conto de Machado de Assis, "A causa secreta", no qual um cachorro de rua leva a pancada da bengala do personagem Fortunato. Eram tempos difíceis. Roíamos o osso que o Diabo endureceu.
Viramos receita médica
No entanto, como dito no início, alguma coisa tocou o coração do nosso melhor amigo. De uma maneira tão profunda que viramos receita médica no tratamento da solidão e da depressão. Quando a família esquece da vovó, nós cuidamos, fazemos companhia, nos viramos nos trinta para trazê-la de volta à vida — cheia de sentido e sonho.

No meu caso, eu não tinha um lar definido. Não por falta de oportunidade, mas por personalidade, caráter. A liberdade da rua me conquistou de tal forma que declinei de residências luxuosas, com cama, quarto, ar refrigerado e piscina.
Identifiquei-me com a feira, a praça, a mercearia de seu Pedro, a merendeira da escola, o sapateiro do Beco da Cobra, o entregador de água. O bairro até me deu um posto: cachorro comunitário. Cada qual ajudava como podia — vacina, saquinho de ração, tigela de água fresca, banho de mangueira. Um bife suculento quando seu Inácio, do açougue, estava de bom humor.
Nos últimos dias, tudo ia bem — até eu ser atacado pelo melhor amigo. Não foi a bengalada de Machado. Foi agressão grave, brutal, feito o melhor amigo faz com os melhores amigos. O ódio me bateu sem piedade, como batem nas mulheres.
Fui socorrido. Não lembro bem depois. Só sei que adormeci.

E acordei com a lambida do casal: o cachorro de Clarice Lispector, Ulisses, e a cadela de Vidas Secas, Baleia.
— Ulisses, meus quartos doem.
— Eu sei. Foi o melhor amigo.
— Eles são assim: amáveis e raivosos, cruéis… E ...
Baleia pisca o olho para Ulisses:
— Orelha, vem. Vou te apresentar aos preás.
*Romero Falcão é um cronista que se arrisca a fazer poema torto.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Geisel, as Contradições da 'Abertura' - Por Natanael Sarmento*
29/01/2026
Ernesto Geisel Beckmann nasceu em 1907, Bento Gonçalves (RS), numa família luterana de imigrantes alemães. Começa carreira na Escola Militar do Realengo em 1925, aspirante a oficial. Em 1930, o “tenente” Geisel participa da deposição de Washington Luís. Em 1932 combateu a insurreição Paulista, afinado com os tenentes no poder com a “revolução de 1930”. Foi secretário da Fazenda na interventoria da Paraíba. Acompanhou os militares golpistas do Estado Novo getulista em 1937. Apoiou a deposição de Getúlio no fim do Estado Novo em 1945. Entre 1950/60 exerceu cargos intermediários. Do “grupo da Sorbonne” como se chamavam os egressos da Esg, juntamente o General Orlando Geisel, irmão, participam ativamente do golpe de 1964. No governo Castelo Branco é promovido a General e nomeado Chefe da Casa Civil e Ministro do STM. No governo Médici, foi presidente da Petrobrás. Foi o escolhido pelo Emfa para a sucessão de Médici e exerceu a presidência com poderes ditatoriais de período 1974 a 1979.

“Eleição”
A “disputa” da presidência era formalidade, jogo de cartas marcadas, na chamada eleição indireta do “Colégio Eleitoral”. Geisel recebeu 400 votos contra os 76 do opositor, Ulisses Guimarães, o “anticandidato.”

Crise do petróleo?
A recessão econômica mundial dos anos 70 chamada de “crise do petróleo” aguçou disputas imperialistas. A potências capitalistas procuraram diluir os efeitos da recessão nas costas dos trabalhadores e dos povos subdesenvolvidas.

Imperialismo
As potências ocidentais e os megaempresas petrolíferas das chamadas “sete irmãs” – Exxon, Shell, Texaco, Mobil, Bp, Chevron, Gulf - determinavam o preço do barril e o valor do royalties do petróleo do Golfo pérsico e da Venezuela. Tais relações desiguais, típicas do neocolonialismo, causavam recorrentes tensões. Com as “revoluções islâmicas” dispara-se o gatilho. As potências ocidentais apoiaram Israel, na guerra do Yon Kippur. Os países da Opepe retaliaram e aumentam quatro vezes o valor do barril. Reduzem a oferta às corporações petrolíferas e governos alinhados à aliança Eua-Israel. A “era de ouro” de crescimento econômico do pós Guerra, chegava ao fim. Seguem-se sucessivas crises, depressão econômica em escala global.
Governança
Na periferia do capitalismo, o governo Geisel pagava o preço da crise. Tentou manter o “desenvolvimentismo” dos altos investimentos – empréstimos externos – nos setores estratégicos – do Plano Nacional de Desenvolvimento, II PND, Itaipu, Tucuruí, etc. A crise mundial acelerou a bancarrota do “milagre econômico” brasileiro. Hiperinflação salta de 4,35% anuais para 54,37% em 1979. A dívida-externa eleva-se de U$ 14,9 bilhões para 55,8. A política de arrocho salarial traz queda de 50% do valor real e o poder aquisitivo do trabalhador desaba.

Fusões de divisões
Criou a Codevasf, Dataprev e núcleos de tecnologias. Promoveu a fusão da Guanabara e Rio de Janeiro em 1975. Promoveu a divisão de Mato Grosso.
Educação
Sem priorizar a educação pública, incentivou ensino técnico e o financiamento do curso superior privado do “crédito educativo”. A educação pública definhava. Jovens recém-formados começam a vida profissional como devedores. A inadimplência do crédito educativo passava dos 80%.
Política externa
Procurou aproximação com os países da África e os vizinhos da América Latina. Reconheceu a independência das ex-colônias portuguesas e reatou relações diplomáticas com a China Popular; promoveu o acordo de energia nuclear com Alemanha que criou “mal estar” com os Eua. Para acalmar os Eua promove a abertura para exploração e contratos com a Petrobrás.

Ruídos
Os Eua condicionam o acordo da ajuda militar bilateral Eua/Brasil de 1952 à inspeção sobre violação de direitos humanos, no Brasil. O Acordo importava troca de material militar americano para o Exército brasileiro por minerais estratégicos do Brasil. Geisel resolve o acordo. Mas no auge da “crise da questão da energia nuclear” Brasil/Eua terminam no “ajuste programático”. Carter garantindo o controle e a “estabilidade” nuclear da região, pelos Eua.
Política Interna
A “abertura, lenta, gradual e segura” de Geisel teve avanços e retrocessos. Projeto político ambíguo: abertura com concepção de Estado autoritário e anticomunista. Modernizante, mas centralizador, seguindo a doutrina da “Sorbone” das Forças Armadas. Não havia consenso sobre medidas liberalizantes. O ex-presidente Médici e generais influentes quais Sylvio Frota, Ednaldo D’Ávila faziam oposição aberta. Golbery, Geisel e outros pressentiam os riscos da panela de pressão social. Projetavam distender o galo em fogo brando. Nos bastidores e terminais do poder as cadelas fascistas da extrema direita tentavam a mantença do regime.
Avalista
Documentos da Cia (2018) revelam que Geisel avalizou a execução sumária de opositores da ditadura. O recém-empossado Geisel se reuniu com generais João Figueiredo (Sni), Milton Tavares e Confúcio Danton Avelino (Cie) informando-se das 104 execuções sumárias de “subversivos perigosos” no Cie, em 1973. Comunicou ao General Figueiredo então na chefia do Sni que a política de execuções devia ser autorizada pessoalmente pelo responsável da segurança estatal e que este levasse em conta a “periculosidade dos subversivos”. 89 pessoas foram assassinados nos porões da ditadura, sem julgamento legal, em seu governo.

Herzog
1975. O jornalista Vladimir Herzog é sequestrado e assassinado. O mesmo ocorre com o operário Manoel Fiel Filho. Mas a falsificação grosseira do suicídio de Herzog repercutiu nacionalmente. Levou Geisel a demitir o General Ednardo D’ Ávila Mello, comandante do II Exército.
Oposição
A oposição democrática crescia, apesar dos sucessivos casuísmos para brecar o crescimento do Mdb. Nas eleições de 1976, Geisel baixou o “Pacote” de medidas autoritárias para favorecer a Arena governista. Fechou o Congresso. Criou os senadores “biônicos” correspondentes a 1/3 das vagas, nomeados pelo Presidente. Mudou o sistema eleitoral, criou a sublegenda. Aumentou o quórum para emendas à Constituição. Aumentou um ano no mandato Presidencial.
Chacina da Lapa
1976. Numa operação do Exército ocorre o fuzilamento de dirigentes do PC do B. Pedro Pomar e Ângelo Arroyo estavam reunidos numa casa, no bairro da Lapa em São Paulo. João Franco Drummond, foi preso nessa operação e assassinado, nas dependências militares. A chacina teve repercussão e colocava em cheque a retórica da “abertura”.
“Golpe dentro do golpe”
1977. A pretexto da demissão do General Ednardo D’Avila do comando do II Exército, o General Sylvio Frota escreveu manuscrito com críticas ao governo e a abertura. Tenta reunir o Alto Comando com finalidade de desencadear um “golpe”. A reação de Geisel foi rápida: demitiu Sylvio Frota e removeu os golpistas. O Sylvio Frota era nome cotado pela extrema direita para Presidente.
Sucessão
1978. O “Colégio Eleitoral” elegeu o sucessor de Geisel General João Baptista Figueiredo da Arena com 355 contra os 226 votos dados ao General Euler Bentes Monteiro do Mdb.

Na área
Geisel transmite a faixa presidencial ao quinto e último ditador militar. Mas não saiu da sombra do Paço. Exerceu cargos relevantes em empresas privadas, foi Presidente da Norquisa, cartel de empresas com atuação no Polo de Camaçari.
Morte
1996. Internado numa clínica do Rio de Janeiro, morreu de câncer, aos 89 anos. No dizer do outro: “quando é de morte o mal, não há médico para curar tal”.
*Natanael Sarmento é professor e escritor. Do Diretório Nacional do Partido Unidade Popular Pelo Socialismo – UP.
NR - Os artigos assinados refletem a opinião dos seus autores.

A casca da banana: corrupção, gênese e o erro de foco da modernidade, por Jorge Henrique de Freitas Pinho*
29/01/2026
1. Prólogo — A imagem e o deslocamento do olhar
Este ensaio nasceu antes, mas foi reativado por uma imagem. A frase que a acompanha — sobre homens que odeiam a corrupção independentemente do partido e homens que defendem o partido independentemente da corrupção — funciona como epigrama moral de nosso tempo. Ela diz algo verdadeiro, mas insuficiente. Verdadeiro, porque aponta o caráter como critério último; insuficiente, porque ainda permanece no plano da casca.
A modernidade habituou-se a pensar a corrupção como falha moral de indivíduos, e não como linguagem estrutural do poder. Indigna-se com o escândalo, mas raramente interroga o propósito; denuncia o desvio, mas hesita em investigar a finalidade. O debate público permanece no nível da superfície, enquanto a arquitetura ontológic...
O moralista descasca a banana da história e joga fora o fruto para examinar a casca. O filósofo, ao contrário, interroga a árvore, o solo e o propósito do fruto.
1. Prólogo — A imagem e o deslocamento do olhar
Este ensaio nasceu antes, mas foi reativado por uma imagem. A frase que a acompanha — sobre homens que odeiam a corrupção independentemente do partido e homens que defendem o partido independentemente da corrupção — funciona como epigrama moral de nosso tempo. Ela diz algo verdadeiro, mas insuficiente. Verdadeiro, porque aponta o caráter como critério último; insuficiente, porque ainda permanece no plano da casca.
A modernidade habituou-se a pensar a corrupção como falha moral de indivíduos, e não como linguagem estrutural do poder. Indigna-se com o escândalo, mas raramente interroga o propósito; denuncia o desvio, mas hesita em investigar a finalidade. O debate público permanece no nível da superfície, enquanto a arquitetura ontológica que torna a corrupção funcional segue intacta.
A imagem
A imagem, portanto, não foi apenas gatilho emocional, mas deslocamento de olhar. Ela sugere uma escolha entre caráter e partidarismo; este ensaio propõe uma pergunta mais radical: e se o problema não for apenas quem pratica a corrupção, mas para que ela serve? E se a corrupção não for apenas vício moral, mas técnica de poder, instrumento de hegemonia e gramática de uma ontologia política?
É a partir desse deslocamento que se propõe a metáfora central: o moralista descasca a banana da história e examina a casca; o filósofo interroga a essência do fruto. O que segue não é um juízo partidário, mas uma investigação ontológica: da superfície do escândalo à finalidade do poder que o torna funcional.
2. A obsessão contemporânea pela casca
A corrupção tornou-se, na modernidade tardia, o pecado político supremo, o grande totem moral em torno do qual se organizam discursos, indignações e cruzadas cívicas.
Escândalos sucedem-se como liturgias públicas, operações policiais assumem contornos de épicos morais, e o debate público converte-se em tribunal permanente, no qual a sociedade se contempla como juíza virtuosa de seus próprios pecados.
Há, porém, um equívoco metodológico profundo nessa obsessão. Denunciar a corrupção é necessário; transformá-la em causa primeira é um erro de diagnóstico ontológico.
A corrupção é fenômeno, não fundamento; sintoma, não essência; superfície, não raiz. A modernidade, entretanto, prefere a superfície, porque ela oferece espetáculo, indignação instantânea e a confortável ilusão de compreensão sem pensamento.
A metáfora é simples, quase infantil, mas epistemologicamente rigorosa: a sociedade contemporânea descasca a banana da história, descarta o fruto — a análise da gênese e do propósito — e dedica-se a examinar a casca, discutindo sua textura, sua cor e seu odor, como se nisso residisse o segredo da árvore que a produziu.
3. O erro de moralizar o que é ontológico
O primeiro equívoco reside na confusão entre ética individual e ontologia institucional. Aristóteles já distinguira entre o caráter do cidadão e a arquitetura da pólis; Hegel compreendera que a eticidade se cristaliza em instituições; Voegelin advertira que a desordem espiritual precede a desordem política.
Ainda assim, o discurso contemporâneo insiste em reduzir a corrupção a uma falha moral de indivíduos, como se a repetição sistemática do fenômeno não denunciasse algo mais profundo na estrutura do ser político.
Moralizar o problema é confortável, porque permite heróis, vilões e catarse pública. Compreender ontologicamente é desconfortável, porque exige interrogar a própria arquitetura do poder, os incentivos estruturais, as premissas metafísicas implícitas na organização do Estado, da economia e da cultura.
A moralização oferece narrativa; a ontologia exige silêncio, estudo e coragem intelectual.
Quando uma civilização transforma o combate à corrupção em eixo simbólico de sua política, ela revela menos virtude do que superficialidade filosófica.
A corrupção, nesse contexto, torna-se a casca visível de uma fruta cujo interior permanece intocado e, portanto, eternamente reproduzido.
4. A gênese da corrupção: onde ela realmente nasce
A corrupção não nasce no cofre; nasce na consciência. Não surge na licitação; surge na linguagem. Não começa no desvio de verba; começa no desvio do logos.
Primeiro corrompe-se a verdade, substituindo o real por narrativas convenientes. Depois corrompe-se a lei, transformando a normatividade em exceção discricionária.
Em seguida corrompe-se a hierarquia, dissolvendo o mérito em pertencimento tribal, ideológico ou clientelar.
Por fim, corrompe-se a consciência, relativizando o bem, a ordem e a responsabilidade individual.
Quando a consciência se dissolve, o dinheiro apenas segue o mesmo caminho. A corrupção financeira é a tradução econômica de uma corrupção espiritual anterior.
Uma sociedade que perde a noção de verdade, de bem e de ordem não produz apenas maus filósofos; produz maus juízes, maus políticos, maus empresários e maus cidadãos. A corrupção material é o epifenômeno de uma ontologia já degradada.
5. O propósito da corrupção sistêmica: para que ela serve
A ingenuidade moderna imagina a corrupção como caos, falha ou desordem. A análise mais profunda revela outra hipótese: a corrupção sistêmica pode ser instrumento de poder.
Um sistema universalmente corruptível é perfeitamente governável. Quando todos são culpáveis, todos são chantageáveis; quando a moral pública é dissolvida, a dependência substitui a virtude; quando a hierarquia legítima é destruída, restam apenas hierarquias informais de poder oculto. A corrupção total não é anarquia; é técnica de dominação suave.
Nesse sentido, a corrupção não é apenas tolerada por certos sistemas; ela é funcional. Ela destrói resistências morais, dilui responsabilidades e cria uma elite de gestores do escândalo permanente, capazes de negociar, silenciar e instrumentalizar a culpa difusa. A corrupção deixa de ser vício e torna-se gramática do poder.
6. O moralismo anticorrupção como religião civil
Paradoxalmente, o combate moralista à corrupção pode converter-se em ideologia substitutiva. O anticorrupcionismo transforma-se em religião civil, com seus rituais, seus sacerdotes, seus excomungados e sua escatologia política. Em nome da virtude, legitima-se a exceção; em nome da justiça, concentra-se poder; em nome da moral, relativizam-se garantias.
A história recente demonstra que cruzadas morais tendem a gerar novas formas de corrupção invisível, porque concentram autoridade em instituições que, por definição humana, não estão imunes ao mesmo vício que combatem. Quem vigia os vigilantes? A pergunta de Platão permanece sem resposta na modernidade jurídica.
7. A metáfora da banana e a cegueira civilizacional
A sociedade contemporânea dedica-se a examinar a casca: o escândalo, o nome, a cifra, o julgamento midiático. Enquanto isso, a árvore que produz os frutos permanece intocada. Jornalistas analisam a casca, promotores perseguem a casca, cidadãos discutem a casca, e a academia teoriza a casca. Poucos interrogam o solo, as raízes, a botânica política da árvore.
Descascamos a banana da história e jogamos fora o fruto explicativo. Em seguida, perplexos com a repetição do fenômeno, atribuímos a corrupção ao destino, à cultura, ao caráter nacional, como se a própria arquitetura institucional e metafísica não tivesse qualquer responsabilidade.
8. Para além da casca: julgar a corrupção pelo seu telos histórico
Se a corrupção é sintoma de uma ontologia degradada, combatê-la apenas como desvio administrativo é confundir sintoma com causa. Um combate ontologicamente honesto exige julgá-la também pelo seu telos histórico: o tipo de ordem política que ela pretende instaurar. A corrupção não é apenas roubo; é técnica de poder, engenharia institucional e linguagem prática de projetos hegemônicos.
Em certos projetos políticos, o desvio sistemático de recursos e a captura de instituições não são falhas episódicas, mas etapas funcionais de uma estratégia de dominação. A corrupção opera como alquimia inversa: transforma dinheiro em poder, poder em silêncio, silêncio em hegemonia.
Julgar a corrupção apenas pelo prejuízo material é cegueira moral. Seu telos pode ser a transformação do Estado em aparelho de hegemonia, no qual a normatividade jurídica se torna retórica e a política, técnica de controle. Quando a corrupção se alia a visões totalizantes de poder, deixa de ser patologia e torna-se método.
Um combate ontologicamente honesto deve denunciá-la como crime contra o erário e como prelúdio de tiranias. Para além da casca, é preciso julgar o fruto pelo que pretende ser: não apenas desvio, mas projeto; não apenas escândalo, mas ontologia política em gestação.
9. A corrupção como pacto antropológico implícito
Em conversa nos anos 2000, meu amigo e especialista em marketing político Durango Duarte chamou-me a atenção para estudos empíricos que revelavam uma contradição recorrente nas democracias: condena-se a corrupção em abstrato, mas tolera-se quando praticada por representantes “nossos”, sobretudo quando gera benefícios diretos. O que parecia anedota revelou-se chave interpretativa para o caso brasileiro.
A tese pode ser formulada em termos aristotélicos: o povo condena a corrupção porque não está no poder para praticá-la em grande escala. Quando o demos se identifica integralmente com o poder, a instrumentalização deixa de ser desvio e torna-se possibilidade estrutural. A corrupção passa a ser projeção ampliada de disposições antropológicas já presentes no cotidiano: favores, compadrio, lealdades tribais.
O caso brasileiro oferece demonstração quase didática dessa lógica. Nenhuma liderança incorporou com tanta intensidade a imagem simbólica do povo quanto Lula e o projeto lulopetista. A fusão entre líder, partido e identidade popular produziu confusão ontológica entre interesse público e interesse do grupo que se apresenta como encarnação do povo: criticar o líder passou a soar como hostilidade ao povo.
Essa identificação conviveu desde cedo com uma tensão estrutural: a passagem do discurso de representação popular para práticas de apropriação privada do poder. Episódios trágicos e controversos, como o caso Celso Daniel, sugeriram fissuras internas e a degeneração da instrumentalização política em lógica de autopreservação e enriquecimento partidário. Quando o poder se organiza como rede de lealdades e silêncios, a dissidência torna-se ameaça existencial.
O populismo
O populismo que proclama encarnar o povo termina por privatizar o povo, convertendo-o em linguagem legitimadora de interesses particulares. Os esquemas revelados nos governos do Partido dos Trabalhadores evidenciaram essa dinâmica em escala sistêmica: instrumentalizar o Estado, capturar instituições e confundir partido, governo e povo.
A tragédia aristotélica reaparece em forma moderna: o governo do povo, sem educação moral e limites institucionais sólidos, converte-se em governo de facções que falam em nome do povo. A corrupção torna-se linguagem tácita da hegemonia.
Em seu nível mais profundo, essa lógica assume feição gnóstica: a crença de que uma elite identificada com o povo pode suspender normas e instrumentalizar instituições em nome de uma redenção histórica. A corrupção deixa de ser patologia e converte-se em método de governo.
A consequência é ontológica: enquanto a sociedade condenar a corrupção apenas quando praticada pelos outros e tolerá-la quando praticada por seus representantes simbólicos, permanecerá predisposta à sua reprodução. A corrupção é, assim, pacto antropológico implícito, assentado na aceitação cotidiana do desvio como extensão do favor e da lealdade identitária.
10. Conclusão: corrupção como espelho da ontologia de uma civilização
A corrupção é um espelho. Ela reflete, no plano econômico e jurídico, a ontologia de uma civilização que perdeu noções fundamentais de verdade, hierarquia e responsabilidade. Onde o ser se fragmenta, o poder se fragmenta; onde a verdade se relativiza, a lei se relativiza; onde a consciência se dissolve, dinheiro e política seguem a mesma queda. A corrupção é, assim, menos um vício isolado e mais a tradução institucional de uma desordem metafísica.
A obsessão contemporânea pela casca revela uma civilização que prefere indignar-se a compreender. Ao fixar-se nos escândalos visíveis, preserva as premissas invisíveis que os tornam recorrentes: renova a catarse, mas evita a gênese. Indignar-se sem interrogar as condições ontológicas de possibilidade da corrupção é uma forma sofisticada de cumplicidade epistemológica.
Reforma
Por isso, uma reforma genuína não pode ser apenas jurídica, política ou moral. Precisa ser ontológica — e, portanto, antropológica. Restaurar o logos como princípio ordenador, a lei como expressão estável da justiça, a hierarquia como reconhecimento da excelência e a responsabilidade como eixo da liberdade. Sobretudo: romper o pacto antropológico implícito que tolera o desvio quando ele é praticado em nome de identidades simbólicas.
Enquanto continuarmos a descascar a banana da história e a jogar fora o fruto do entendimento, a árvore permanecerá intacta, produzindo indefinidamente os mesmos frutos deteriorados — e chamaremos isso de fatalidade, quando é apenas o resultado lógico de uma ontologia mal plantada.
11. Epílogo: a corrupção como prenúncio da violência política
O escândalo do Banco Master ilustra o argumento central deste ensaio: a corrupção não é apenas desvio moral, mas sintoma de uma arquitetura profunda de poder. Quando dinheiro, Estado e soberania decisória se fundem, o capital compra silêncio, influência e imunidade.
O Brasil já conheceu esse modelo em larga escala. Nos governos do Partido dos Trabalhadores, vieram à tona esquemas sistêmicos de financiamento político e cooptação institucional: o Mensalão como compra de apoio parlamentar; a Lava Jato como cartelização, corrupção em estatais e financiamento partidário via contratos inflados; e outros episódios que revelaram a transformação do desvio em método. Esses fatos foram investigados, julgados e incorporados à história institucional.
Esses esquemas integraram-se a uma constelação ideológica mais ampla, articulada no âmbito do Foro de São Paulo, com solidariedades estratégicas a regimes que converteram política em coerção social. No presente, novas investigações sobre fraudes bilionárias, tráfico de influência e conexões opacas entre atores políticos e setores regulados recolocam a mesma questão estrutural: a corrupção como técnica de organização do poder.
A cadeia ontológica é clara: a corrupção corrompe a lei; a lei corrompida legitima a arbitrariedade; a arbitrariedade abre caminho para a violência política sistemática. Onde a corrupção vira método, a justiça vira retórica; onde a justiça vira retórica, o poder tende ao absoluto; e onde o poder tende ao absoluto, a vida humana torna-se variável.
12. Pós-escrito — sinais de inflexão e a possibilidade do despertar
A imagem clássica de Diógenes mostra o filósofo caminhando em plena luz do dia, com uma lanterna, declarando procurar um homem — isto é, procurar verdade, caráter, virtude, onde tudo parecia visível. A nossa adaptação é inverter a cena: no Brasil contemporâneo, a pólis parece mergulhada em penumbra, e a lanterna torna-se necessária não para expor indivíduos, mas para iluminar os fins do poder.
A tese deste ensaio é simples e incômoda: o problema decisivo não é apenas a corrupção, mas a finalidade que ela serve quando se torna método. O escândalo é a casca; o telos é a árvore. Desvios podem financiar hegemonias, comprar silêncio, capturar instituições, neutralizar dissensos. A sociedade, porém, detém-se no espetáculo moral e raramente pergunta: para que serve essa corrupção?
Sinais recentes sugerem uma inflexão. Setores do mercado, da imprensa e da opinião pública começam a perceber que a corrupção não é apenas patologia administrativa, mas técnica de poder. O horizonte eleitoral de 2026 reintroduz a questão institucional — em regimes complexos, a arquitetura decide mais do que os nomes — e a geopolítica, sobretudo a inflexão da política norte-americana, tende a alterar os custos externos de projetos populistas e de ecossistemas ambíguos de poder.
A esperança
A esperança não está na troca de atores, mas na ruptura de um ciclo teleológico: deixar de examinar apenas a casca e voltar a interrogar a árvore. Quando uma sociedade passa a perguntar não apenas quem desviou, mas para que o desvio serviu, a lanterna deixa de ser moralista e volta a ser filosófica.
Talvez o despertar ainda seja hesitante. Mas quando um povo começa a dizer “acorda” e, sobretudo, começa a perguntar pelos fins, já não dorme no mesmo grau de inconsciência ontológica. E quando a consciência retorna, a história deixa de ser fatalidade e volta a ser tarefa.
Como última palavra, digo que este ensaio é, por si mesmo, uma casca de banana filosófica. Quem o ler apenas como crítica política escorregará. Já aquele que o atravessar como investigação ontológica talvez descubra que a verdadeira corrupção não está no cofre, mas na gramática do poder.
(*) O autor é advogado, Procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Morre em João Alfredo o médico Antônio Carlos Leal Heliodoro
29/01/2026
Faleceu às 3h30 desta quinta-feira (29/01) na Unidade Mista de Saúde Joana Amélia Cavalcanti, nesta cidade, o médico e ex-vereador Antônio Carlos Leal Heliodoro, conhecido por Dr. Antônio Carlos, aos 79 anos. Deixou esposa, filhos e netos. O corpo está sendo velado na sede da Câmara Municipal de João Alfredo até às 17h30 de hoje, quando seguirá em cortejo para o Cemitério de São José de João Alfredo, onde será sepultado.
Natural de Surubim-PE, o Dr. Antônio Carlos radicou-se em João Alfredo no início dos anos 70, ainda estudante de Medicina em Recife. Em 1974 casou-se com a professora e ex-vice-prefeita Vânia de Moura Arruda, de tradicional família joãoalfredense. Foi vereador de João Alfredo por dois mandatos, ocupando a presidência da Câmara Municipal por um biênio. Nesta cidade também exerceu a função de Secretário Municipal de Saúde. Residiu um período na vizinha cidade do Bom Jardim, onde também prestou relevantes ser...
Com o blog Dimas Santos
Faleceu às 3h30 desta quinta-feira (29/01) na Unidade Mista de Saúde Joana Amélia Cavalcanti, nesta cidade, o médico e ex-vereador Antônio Carlos Leal Heliodoro, conhecido por Dr. Antônio Carlos, aos 79 anos. Deixou esposa, filhos e netos. O corpo está sendo velado na sede da Câmara Municipal de João Alfredo até às 17h30 de hoje, quando seguirá em cortejo para o Cemitério de São José de João Alfredo, onde será sepultado.
Natural de Surubim-PE, o Dr. Antônio Carlos radicou-se em João Alfredo no início dos anos 70, ainda estudante de Medicina em Recife. Em 1974 casou-se com a professora e ex-vice-prefeita Vânia de Moura Arruda, de tradicional família joãoalfredense. Foi vereador de João Alfredo por dois mandatos, ocupando a presidência da Câmara Municipal por um biênio. Nesta cidade também exerceu a função de Secretário Municipal de Saúde. Residiu um período na vizinha cidade do Bom Jardim, onde também prestou relevantes serviços. Ultimamente estava aposentado e convalescendo de enfermidade, vindo a óbito nesta data.

Geraldo Ferraz: o homem que veste a memória do sertão, por Gilmar Teixeira*
29/01/2026
Quando Geraldo começa a falar, o sertão se ajeita para ouvir. Sua voz não traz bravatas nem romantizações fáceis. Vem carregada de estudo, de memória e de responsabilidade histórica. Fala do cangaço, sim, mas sobretudo do outro lado da história: das forças policiais, das volantes, dos homens fardados que enfrentaram um tempo em que a violência era lei nos ermos nordestinos. E fala com autoridade singular, porque sua história pessoal caminha de mãos dadas com a história que pesquisa.
Bisneto do l...
Em todo encontro do Cariri Cangaço há figuras que se tornam paisagem afetiva. Não pelo silêncio, mas pela presença. Geraldo Ferraz é assim. Surge sempre com o chapéu elegante de lord pernambucano, o sorriso aberto e o passo tranquilo de quem sabe exatamente onde pisa. Ao lado da esposa Rosane Ferraz, companheira constante, ele não ocupa espaço — ele cria convivência. E logo se percebe: ali está alguém profundamente querido, não apenas pelo que sabe, mas pelo que é.
Quando Geraldo começa a falar, o sertão se ajeita para ouvir. Sua voz não traz bravatas nem romantizações fáceis. Vem carregada de estudo, de memória e de responsabilidade histórica. Fala do cangaço, sim, mas sobretudo do outro lado da história: das forças policiais, das volantes, dos homens fardados que enfrentaram um tempo em que a violência era lei nos ermos nordestinos. E fala com autoridade singular, porque sua história pessoal caminha de mãos dadas com a história que pesquisa.
Bisneto do lendário Teófanes Ferraz, destacado policial pernambucano que combateu desde Antônio Silvino até Lampião nos sertões do Pajeú, Geraldo assumiu para si uma missão que poucos encaram com tamanha dignidade: defender a honra, a memória e a verdade histórica desse personagem. Sua literatura não é vingança nem exaltação cega; é justiça histórica. É o esforço paciente de recolocar os fatos em seu lugar, longe das sombras da simplificação.
Nascido no Recife, em 30 de dezembro de 1955, e moldado por várias cidades pernambucanas — Triunfo, Taquaritinga, Gravatá —, Geraldo traz em si a pluralidade do Estado. Formado em Administração, servidor público exemplar, artista plástico por paixão, escritor por vocação e historiador por compromisso, ele construiu uma trajetória que impressiona não pela quantidade de títulos, mas pela coerência do caminho.
Nos livros, nas palestras, nos congressos, nas academias de letras e nos saraus, especialmente no emblemático Quartas às Quatro, Geraldo Ferraz sempre fez da cultura um território de encontro. Nunca se colocou acima, mas sempre à frente, abrindo caminhos, mediando debates, estimulando novas vozes. Seu trabalho atravessou fronteiras, chegou a Portugal, ecoou em academias, universidades e eventos que discutem o Nordeste não como folclore, mas como território histórico complexo.
É impossível falar de Geraldo sem falar de perseverança. Foram décadas de dedicação à pesquisa, à escrita e à articulação cultural, sempre com elegância, generosidade e firmeza de princípios. Recebeu homenagens, comendas, medalhas, prêmios — mas talvez seu maior reconhecimento esteja no respeito silencioso que se instala quando ele se aproxima. Todos sabem: ali está alguém que não brinca com a história.
Geraldo Ferraz não apenas estuda o cangaço. Ele humaniza o debate, amplia o olhar e devolve ao sertão suas múltiplas vozes. Entre cangaceiros e volantes, entre o mito e o fato, ele caminha com equilíbrio raro. E assim segue, chapéu à cabeça, sorriso no rosto, carregando consigo a certeza de que preservar a memória é, antes de tudo, um ato de amor ao Nordeste.
*Gilmar Teixeira integra a Academia de Letras de Paulo Afonso, ALPA.

Pré-candidata a deputada estadual, Ana Cláudia apresenta propostas a lideranças da Paraíba
29/01/2026
A pré-candidata a deputada estadual Ana Cláudia Vital do Rêgo (MDB) realizou na tarde e noite de ontem, quarta-feira (28/01) uma reunião com apoiadores de diversos municípios paraibanos. O encontro foi na sede do MDB, em João Pessoa, e teve o objetivo de integrar os apoiadores e começar a definir ideias que irão compor as propostas que Ana Cláudia irá defender durante a campanha eleitoral deste ano.
O encontro
Participaram do encontro lideranças políticas, membros de entidades e associações, pessoas que defendem causas diversas e membros da sociedade civil de várias cidades, a exemplo de João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Bayeux, Cabedelo, Conde, Juripiranga, Jacaraú, Lucena, Casserengue, Sumé, Prata, Pilões, Livramento, Serraria, dentre outras.
Mais lideranças
Também estiveram presentes a ex-Senadora Nilda Gondim, o ex-deputado estadual Neto Franca, os vereadores de Campina Gra...
A pré-candidata a deputada estadual Ana Cláudia Vital do Rêgo (MDB) realizou na tarde e noite de ontem, quarta-feira (28/01) uma reunião com apoiadores de diversos municípios paraibanos. O encontro foi na sede do MDB, em João Pessoa, e teve o objetivo de integrar os apoiadores e começar a definir ideias que irão compor as propostas que Ana Cláudia irá defender durante a campanha eleitoral deste ano.

O encontro
Participaram do encontro lideranças políticas, membros de entidades e associações, pessoas que defendem causas diversas e membros da sociedade civil de várias cidades, a exemplo de João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Bayeux, Cabedelo, Conde, Juripiranga, Jacaraú, Lucena, Casserengue, Sumé, Prata, Pilões, Livramento, Serraria, dentre outras.
Mais lideranças
Também estiveram presentes a ex-Senadora Nilda Gondim, o ex-deputado estadual Neto Franca, os vereadores de Campina Grande Pâmela Vital e Balduíno, os ex-vereadores Galego do Leite e Rodolfo Rodrigues, o Secretário de Assistência Social de Campina Grande Fábio Thoma, o líder político Carlinhos de Santa Rita, dentre outros. “Ana Cláudia é uma mulher decente, competente e sabe dialogar”, disse Galego do Leite.
Apresentação
Durante o encontro, todos tiveram a oportunidade de se apresentar e defender suas ideias, Ana Cláudia agradeceu as presenças e chegou a se emocionar, ao falar de sua trajetória de vida e de suas pretensões.
“Ouvimos relatos de cada um, as experiências nos seus municípios e os trabalhos que cada um desenvolve na sua comunidade. O importante é ver que cada um que está aqui acredita na boa política. Juntos poderemos fazer muito mais e melhor pela nossa Paraíba”, destacou Ana Cláudia.

Prefeitura do Jaboatão abre novas 80 vagas para cursos na área de logística
29/01/2026
A Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes, por meio da Secretaria Executiva de Trabalho, Qualificação, Empreendedorismo e Juventude, abre novas 80 vagas para dois cursos na área de logística. As turmas de qualificação profissional, realizadas em parceria com o Senai Pernambuco, são para as atividades de Logística de Expedição e Indústria e Técnicas para Operadores de Linha de Produção.
As aulas
As aulas serão realizadas na Faculdade dos Guararapes (UNIFG), em Piedade, e iniciam na próxima segunda-feira (02/02), até o dia 25 de fevereiro. Ambos os cursos terão 60 horas/aulas, já pensando nos dias descontados do período do Carnaval. Para se inscrever, o candidato precisa ter a partir de 16 anos de idade e Ensino Fundamental completo. A pré-inscrição deve ser feita pelo seguinte link: Vagas cursos de logística - Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes e SENAI
Atende uma demanda
Para o prefeito Mano...
A Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes, por meio da Secretaria Executiva de Trabalho, Qualificação, Empreendedorismo e Juventude, abre novas 80 vagas para dois cursos na área de logística. As turmas de qualificação profissional, realizadas em parceria com o Senai Pernambuco, são para as atividades de Logística de Expedição e Indústria e Técnicas para Operadores de Linha de Produção.
As aulas
As aulas serão realizadas na Faculdade dos Guararapes (UNIFG), em Piedade, e iniciam na próxima segunda-feira (02/02), até o dia 25 de fevereiro. Ambos os cursos terão 60 horas/aulas, já pensando nos dias descontados do período do Carnaval. Para se inscrever, o candidato precisa ter a partir de 16 anos de idade e Ensino Fundamental completo. A pré-inscrição deve ser feita pelo seguinte link: Vagas cursos de logística - Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes e SENAI
Atende uma demanda
Para o prefeito Mano Medeiros, a promoção de cursos profissionalizantes na área da logística atende a uma demanda constante por profissionais capacitados. “Jaboatão tem um mercado logístico em constante crescimento, com novos investimentos realizados por grandes empresas do setor, então, enquanto poder público, com parceiros como o Sistema S, buscamos preparar os candidatos do município para que eles estejam aptos às vagas que surjam através das nossas Agências do Trabalhador”, afirmou o gestor.
O profissional
O profissional que atua na área de Logística de Expedição e Indústria trabalha com apoio às áreas administrativas ligadas ao departamento de logística na parte de gestão de almoxarifado, recebimento de notas fiscais, controles de entradas/saídas de materiais, transferências/devoluções/retornos de mercadorias entre estabelecimentos próprios e de terceiros.
Função
Já a função Operadores de Linha de Produção responde pela realização de trabalhos manuais em linhas de produção industrial, sob supervisão constante e atuando de acordo com procedimentos técnicos e normas de segurança, qualidade e meio ambiente.
Roupa do Homem da Meia-Noite de 2026 será entregue no aniversário de 94 anos
29/01/2026
Cortejo
O momento simbólico contará com um cortejo com tambores de nações de maracatu e integra a programação da festa de aniversário do clube, divulgada em coletiva de imprensa, nesta quarta-feira (28), na sede do clube.
Aberta ao público
A celebração é aberta ao público e começa a partir das 19h, com a saída das nações de maracatu da Rua Treze de Maio, em frente à casa da estilista Haia Marak, responsável por confeccionar o fraque do Homem da Meia-Noite em 2026. O cortejo segue pela Cidade Alta até o Largo do Bonsucesso, em direção à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
O Homem da Meia-Noite
No local, as nações encontram o Homem...
Um dos maiores símbolos do Carnaval de Pernambuco de roupa nova. A roupa que o Homem da Meia-Noite usará no carnaval de 2026 será entregue na celebração dos 94 anos do calunga, na segunda-feira (02/02), no Sítio Histórico de Olinda.
Cortejo
O momento simbólico contará com um cortejo com tambores de nações de maracatu e integra a programação da festa de aniversário do clube, divulgada em coletiva de imprensa, nesta quarta-feira (28), na sede do clube.
Aberta ao público
A celebração é aberta ao público e começa a partir das 19h, com a saída das nações de maracatu da Rua Treze de Maio, em frente à casa da estilista Haia Marak, responsável por confeccionar o fraque do Homem da Meia-Noite em 2026. O cortejo segue pela Cidade Alta até o Largo do Bonsucesso, em direção à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
O Homem da Meia-Noite
No local, as nações encontram o Homem da Meia-Noite, que sai da igreja e acompanha o cortejo até a sede do clube, onde vai acontecer o corte do bolo gigante em comemoração aos 94 anos do calunga. A festa vai contar com a Orquestra do Maestro Carlos tocando o tradicional parabéns e a participação de passistas da Cia Brasil por Dança.
Homenagem
No carnaval deste ano, o Homem da Meia-Noite também presta homenagens a figuras ligadas à cultura popular e à ancestralidade afro-brasileira, como o Maracatu Nação Pernambuco, o Grupo Bongar, Mãe Beth de Oxum, o músico Siba e o Mestre Salú, reunindo frevo, maracatu e rabeca em uma noite de celebração pelas ladeiras de Olinda.
94 anos
O Homem da Meia-Noite, um dos maiores símbolos do Carnaval de Pernambuco, completa 94 anos e prepara uma celebração especial no Sítio Histórico da cidade. A festa reúne cortejo de maracatu, entrega da nova roupa do gigante e uma noite marcada por tradição, ancestralidade e emoção para foliões e admiradores do 'Calunga mais famoso do Brasil'.
O Poder
Foto: Iris Costa