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Mobilidade - Governo quer retomar ferrovia abandonada que cruza todo o Ceará

30/10/2024

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O governo federal anunciou que pretende retomar as negociações para reconstrução dos trilhos abandonados da malha ferroviária nacional que cruza todo o Ceará no Nordeste brasileiro. Segundo a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), no Estado, as linhas que são objeto do pedido de devolução da concessionária Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) para a União coincidem com o eixo da nova ferrovia que está sendo construída pela TLSA, a nova Transnordestina.

A retomada

A retomada dos trechos, conforme a Agência Nacional de Transportes Terrestres, geraria também uma indenização. Porém, o valor, ainda conforme a ANTT, está sendo apurado pelo DNIT, "responsável pelo cálculo, visto que é o proprietário dos bens herdados da antiga Rede Ferroviária Federal S/A".


A malha

Uma das formas de reutilização dessa malha que estaria subaproveitada ou completamente abandonada seria para o transporte de passageiro...

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O governo federal anunciou que pretende retomar as negociações para reconstrução dos trilhos abandonados da malha ferroviária nacional que cruza todo o Ceará no Nordeste brasileiro. Segundo a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), no Estado, as linhas que são objeto do pedido de devolução da concessionária Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) para a União coincidem com o eixo da nova ferrovia que está sendo construída pela TLSA, a nova Transnordestina.

A retomada

A retomada dos trechos, conforme a Agência Nacional de Transportes Terrestres, geraria também uma indenização. Porém, o valor, ainda conforme a ANTT, está sendo apurado pelo DNIT, "responsável pelo cálculo, visto que é o proprietário dos bens herdados da antiga Rede Ferroviária Federal S/A".


A malha

Uma das formas de reutilização dessa malha que estaria subaproveitada ou completamente abandonada seria para o transporte de passageiros. A ANTT afirmou que "a destinação final das linhas que vierem a ser devolvidas é uma definição de política pública a cargo do Ministério dos Transportes".


Grupo

O Ministério dos Transportes criou um grupo de trabalho, por meio da Portaria nº 386/2024, para buscar uma solução consensual para a otimização da malha outorgada à FTL e, entre as possibilidades em análise, está a devolução de parte desta infraestrutura à União.


Empresa

Paralelamente, de acordo com o ministério, o Governo Federal, via Infra S.A. (empresa pública, sob a forma de sociedade por ações, controlada pela União através do Ministério da Infraestrutura, com foco na prestação de serviços de planejamento, estruturação de projetos, engenharia e inovação para o setor de transportes) conduz uma série de estudos para avaliar o potencial da malha ferroviária existente e as novas vocações das áreas de operação. 


São Francisco

Em outra frente de trabalho, o Governo Federal deu início recentemente aos testes do primeiro trecho do Ramal do Apodi, uma obra hídrica do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).


A fase

A fase de testes começou na Paraíba, com a água saindo da Barragem de Caiçara e percorrendo até o Rápido Arruído, para verificar o funcionamento das estruturas recém-construídas.

O Ramal

O Ramal do Apodi é uma obra estratégica para garantir a segurança hídrica nas regiões do semiárido, beneficiando diretamente os estados da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.

Extensão

Com uma extensão de 115,5 km, a obra começa na Barragem Caiçara, na Paraíba, e se estende até o reservatório da Barragem Angicos, em José da Penha, no Rio Grande do Norte. Ao todo, 54 cidades serão atendidas, beneficiando aproximadamente 750 mil pessoas.

Eixo Norte

O projeto faz parte da expansão do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco, com o primeiro trecho do ramal 100% concluído, entrando agora na fase de testes e com previsão de entrega para novembro. (O Poder)

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Leia outras informações

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Veneziano: “Caminhos para a Paraíba”, constrói proposta para o MDB nas eleições 2026

05/06/2026

A Fundação Ulysses Guimarães (FUG) da Paraíba realizou hoje sexta-feira (05/06), em João Pessoa , o evento “Caminhos para a Paraíba”, iniciativa voltada à construção coletiva de ideias, propostas e soluções para contribuir com o desenvolvimento do Estado. O evento representa mais uma etapa de um amplo processo de diálogo com diversos segmentos da sociedade paraibana, reunindo lideranças políticas, representantes da sociedade civil, especialistas e cidadãos interessados em contribuir com a formulação de propostas para o futuro do Estado.



A iniciativa

Tem como inspiração a publicação “Caminhos para o Brasil”, obra desenvolvida pela Fundação Ulysses Guimarães que reúne contribuições voltadas ao fortalecimento da democracia, da cidadania e das políticas públicas em âmbito nacional. Agora, a proposta ganha uma versão estadual, adaptada à realidade e aos desafios da Paraíba.



Contribuição importante

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A Fundação Ulysses Guimarães (FUG) da Paraíba realizou hoje sexta-feira (05/06), em João Pessoa , o evento “Caminhos para a Paraíba”, iniciativa voltada à construção coletiva de ideias, propostas e soluções para contribuir com o desenvolvimento do Estado. O evento representa mais uma etapa de um amplo processo de diálogo com diversos segmentos da sociedade paraibana, reunindo lideranças políticas, representantes da sociedade civil, especialistas e cidadãos interessados em contribuir com a formulação de propostas para o futuro do Estado.



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A iniciativa

Tem como inspiração a publicação “Caminhos para o Brasil”, obra desenvolvida pela Fundação Ulysses Guimarães que reúne contribuições voltadas ao fortalecimento da democracia, da cidadania e das políticas públicas em âmbito nacional. Agora, a proposta ganha uma versão estadual, adaptada à realidade e aos desafios da Paraíba.



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Contribuição importante

De acordo com o Senador e Presidente do MDB na Paraíba, Veneziano Vital do Rêgo, trata-se de uma valiosa contribuição para a proposta de desenvolvimento que o partido apresentará nas eleições deste ano aos paraibanos. “Essa proposta tem sido formulada pelo MDB Nacional, junto com nossa instância estadual, dentro daquilo que nós temos dito, que a Paraíba pode mais, pode ganhar um ritmo de gestão mais célere, mais sério, mais amplo, no qual as pessoas, de todas as regiões, possam se sentir integradas. Nós somos muito agradecidos à Fundação Ulysses Guimarães por essa colaboração, que se soma ao que temos colhido, eu, Cícero e André, nas visitas, nos debates e oportunidades outras que temos tido por toda a Paraíba”, afirmou Veneziano.



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É Findi - Modos de Amor - Por Marcelo Mário de Melo*

05/06/2026

Há amor
de alto e baixo risco
estranhezas
e indumentárias várias.

Amor andando
em corda de equilibrista
beira de abismo
campo minado
guerra declarada
tratado de armistício
jogo de cartas marcadas
aposta em loteria
roldana de rotina.

Amor-cabra-cega
amor de portas abertas
amor caixa-forte
amor que dança
seguro por uma fita
cada ponta presa aos dentes
bastando abrir-se uma boca
para ser desfeito.

Melhor o amor
sem esses riscos e poréns.

Um amor que dispense
passaporte
carteira de habilitação
folha de antecedentes
declaração registrada em cartório
com duas testemunhas
certidão negativa do Serasa amoroso
previsão de indenização e fiança
certificado de garantia estendida
com prazo de validade.

Um amor que seja
simpl...

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Há amor
de alto e baixo risco
estranhezas
e indumentárias várias.

Amor andando
em corda de equilibrista
beira de abismo
campo minado
guerra declarada
tratado de armistício
jogo de cartas marcadas
aposta em loteria
roldana de rotina.

Amor-cabra-cega
amor de portas abertas
amor caixa-forte
amor que dança
seguro por uma fita
cada ponta presa aos dentes
bastando abrir-se uma boca
para ser desfeito.

Melhor o amor
sem esses riscos e poréns.

Um amor que dispense
passaporte
carteira de habilitação
folha de antecedentes
declaração registrada em cartório
com duas testemunhas
certidão negativa do Serasa amoroso
previsão de indenização e fiança
certificado de garantia estendida
com prazo de validade.

Um amor que seja
simplesmente
uma dança
de confiança.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



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É Findi - Chamas da Memória Junina - Crônica - Por Maria Inês Machado*

05/06/2026

São João, no meu sertão, era mais do que festa. Tempo de encontro, de esperança e de lembrar que a vida, mesmo dura, também sorria.

O arrasta-pé acontecia no alpendre da casa grande, enfeitado de bandeirinhas coloridas. As grandes mesas de madeira, espalhadas pelo terreiro, carregadas de quitutes faziam a fama da festa. Nos alguidares de barro fumegavam pamonhas, canjicas, munguzá, milho verde cozido, cocadas e puxa-puxa. O bolo de mandioca de dona Francisca era presença certa, mas havia quem jurasse que nada superava o pé de moleque de tia Corina. O bolo de batata-doce de dona Jovem também era disputado. Já o bolo de macaxeira trazia a marca de dona Zuleide.
— E a coalhada? Tem disso não no São João! — dizia alguém, arrancando risadas.

Foi então que Amélia, dona da casa e hospedeira de todos, perguntou:

— Ih! Tu não conheces seu Jacinto?

Quem não conhecia? Era homem de gosto apurado. Se chegasse e não encontrasse a t...

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São João, no meu sertão, era mais do que festa. Tempo de encontro, de esperança e de lembrar que a vida, mesmo dura, também sorria.

O arrasta-pé acontecia no alpendre da casa grande, enfeitado de bandeirinhas coloridas. As grandes mesas de madeira, espalhadas pelo terreiro, carregadas de quitutes faziam a fama da festa. Nos alguidares de barro fumegavam pamonhas, canjicas, munguzá, milho verde cozido, cocadas e puxa-puxa. O bolo de mandioca de dona Francisca era presença certa, mas havia quem jurasse que nada superava o pé de moleque de tia Corina. O bolo de batata-doce de dona Jovem também era disputado. Já o bolo de macaxeira trazia a marca de dona Zuleide.
— E a coalhada? Tem disso não no São João! — dizia alguém, arrancando risadas.

Foi então que Amélia, dona da casa e hospedeira de todos, perguntou:

— Ih! Tu não conheces seu Jacinto?

Quem não conhecia? Era homem de gosto apurado. Se chegasse e não encontrasse a tigela da comida de seu agrado, era capaz de virar a sela do cavalo e voltar para casa.

Enquanto o povo chegava, as moças se ocupavam das simpatias. Debaixo do pé de bananeira, enterravam os nomes dos pretendentes. No pequeno altar de dona Almira, erguido para pagar a promessa feita a Santo Antônio quando o enlace com seu Zacarias andava emperrado, reuniam-se as moças casamenteiras. E a fila era grande.

São João e São Pedro pareciam olhar com graça para Santo Antônio colocado de cabeça para baixo. Já devia estar com torcicolo.

Eita vexame bom.

São João de gente bonita, reunida para celebrar a colheita e fortalecer os laços de amizade. Nascer no sertão era rezar e fazer promessa no dia de São José, trazendo no coração a esperança das chuvas de junho. Percorrer os roçados simples e acompanhar o crescimento do milho, do feijão, da mandioca, do jerimum, da batata-doce, do maxixe e do quiabo.

As conversas voavam alto.

— O casamento vai ser marcado. Santo Antônio me prometeu.

Do outro lado, alguém implicava com Cacilda:

— Eita, Cacilda! Bota pó e tira pó. Moça velha não sai mais do caritó!

As gargalhadas corriam soltas.

— E tu, Margarida, ainda não saiu?
— E quem foi que me tirou?

Todo ano era a mesma promessa, a mesma fé depositada no santo casamenteiro.

As conversas cresciam noite adentro. As crianças faziam fila ao redor da fogueira. O milho assado de seu Onolino não tinha igual, e o cozinhado de tia Flora era disputado até a última espiga.

A noite parecia curta para tantos festejos. Entre um forró e outro, os olhos das moças encontravam os dos rapazes. Muitos casamentos já tinham começado assim, ao som de sanfona chorosa e de coração apaixonado.
Não era preciso riqueza para impressionar. Raimunda, por exemplo, tinha a casa sempre arrumada. O paneleiro brilhava com as panelas de alumínio bem areadas. Os panos de prato da semana eram bordados por dona Chica. As toalhas de mesa e as colchas de rechiliê, engomadas com esmero, levavam a marca das mãos talentosas de dona Ivete. No canto da cozinha, o ferro de passar chiava sobre as brasas.

Diziam até que o pote de aluá servido na festa tinha sido preparado por ela. Promessa paga por casamento alcançado.

Ah, sertão bom!

Sertão com cheiro de terra molhada. Do leite mungido , ainda quente da ordenha. Sertão das noites iluminadas por vaga-lumes, das histórias de Trancoso contadas por avó Belinda e pela ama de leite. Sertão dos candeeiros acesos clareando os serões. Da torra do café com rapadura.

Sertão da casa de farinha, dos quintais sombreados por árvores antigas que sustentavam o balanço feito por seu Inácio. Dos poleiros cheios de galinhas, do canto dos galos anunciando o dia, dos mugidos dos bois, dos berros dos bodes e das ovelhas.

— Peneira o xerém, Chicota!
— Vai no canteiro buscar cebolinha e coentro para o feijão-de-corda!
— Eita, Carmélia! Tu ainda não catou esse arroz? Cuidado para não deixar escolha. Joãozinho faz uma careta danada quando encontra uma casquinha.

Era assim a vida. Simples e inteira.

E a festa da padroeira? Essa nem se conta. Tem que ver com os próprios olhos.

Mas vá com respeito. Não fique atravessando o olhar para as moças dos outros.

Porque, em terra de sertanejo, desde os tempos antigos, honra era coisa séria. E certas pelejas, quando aconteciam, ainda se resolviam na ponta da faca.

Mesmo assim, quem conheceu aquele sertão guarda saudades até hoje. Saudades de um tempo em que a pobreza dividia a mesa com a fartura do coração. E que o São João não era apenas uma festa. Representava a força da amizade.

Eita São João danado de bom. Acende a fogueira da resistência cultural no coração dos nordestinos.


*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'. @mariainesmachadopsi



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É Findi - Recado - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

05/06/2026

Diz aí, Poetinha:
uma frase longa,
duas curtas, soma;
ensina o caminho.



Sê Graciliano,
o alagoano:
reto, sucinto,
perfeito, distinto.

Sem tretas,
frases curtas,
mui enxutas.



O leitor frisa:
Poeta preciso,
escritor conciso.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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Diz aí, Poetinha:
uma frase longa,
duas curtas, soma;
ensina o caminho.



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Sê Graciliano,
o alagoano:
reto, sucinto,
perfeito, distinto.

Sem tretas,
frases curtas,
mui enxutas.



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O leitor frisa:
Poeta preciso,
escritor conciso.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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É Findi - Festejos Juninos - Crônica Longa - Victória Moura*

05/06/2026

Chegou o mês de Junho, o melhor mês do ano para o pernambucano.

Historicamente o mês da colheita do milho passou a ser o mês mais produtivo de renda por suas festas e comércio.

Para o povo em geral é o mês da alegria, da cultura, das tradições, das férias escolares, do clima mais ameno e das reuniões familiares.

Como sou de uma geração "raiz" do interior, me atrevi a escrever um relato, sob minha ótica o que mudou nas últimas 5 décadas. Não se trata de estabelecer um julgamento pragmático, mas muitos acharão interessante a lembrança de fatos passados.

Era assim:

Nas noites de Junho: 12 São Antônio, 23 São João e 28 São Pedro, em frente a cada casa se fazia uma fogueira de mais de 1 metro de altura, que queimava do anoitecer até a manhã do outro dia... milho verde assando no braseiro, conversa solta ao calor proporcionado; ruas enfeitadas, palhoções pela cidade, forró autêntico pé de serra nas radiolas ou nos tr...

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Chegou o mês de Junho, o melhor mês do ano para o pernambucano.

Historicamente o mês da colheita do milho passou a ser o mês mais produtivo de renda por suas festas e comércio.

Para o povo em geral é o mês da alegria, da cultura, das tradições, das férias escolares, do clima mais ameno e das reuniões familiares.

Como sou de uma geração "raiz" do interior, me atrevi a escrever um relato, sob minha ótica o que mudou nas últimas 5 décadas. Não se trata de estabelecer um julgamento pragmático, mas muitos acharão interessante a lembrança de fatos passados.

Era assim:

Nas noites de Junho: 12 São Antônio, 23 São João e 28 São Pedro, em frente a cada casa se fazia uma fogueira de mais de 1 metro de altura, que queimava do anoitecer até a manhã do outro dia... milho verde assando no braseiro, conversa solta ao calor proporcionado; ruas enfeitadas, palhoções pela cidade, forró autêntico pé de serra nas radiolas ou nos trios (sanfona, zabumba e triângulo)que se multiplicavam como eco.



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Balões coloridos como tochas acesas no céu; na terra mesas cheias de delícias(canjica, pamonha, munguzá, bolos de milho, engorda marido, pé de moleque, milho assado e cozido, queijo assado, cocada, paçoca, tapioca doce, arroz doce entre outros). As moças faziam adivinhações em torno à fogueira( água na bacia, gotas de vela, faca na bananeira, anel no cordão) tudo pra ver se o sonho de casar aconteceria. Fogos na rua, de todos os tipos a qualquer hora, sem limites, com estalos, luzes e explosões ( foguetões, pistolas, guerra de busca-pés, estrelinhas, chuvinhas, vulcões, traques e rojões) faziam a brincadeira das crianças e dos jovens.

As roupas de xadrez e chita colorida, chapéu de palha, sandálias de couro, tranças e batom vermelho vestiam as matutas caprichadas e os matutos desastrados e divertidos.

As danças (forró, côco, xote e baião) além das quadrilhas ensaiadas ou improvisadas, enchendo as noites de Anavatuns E Anarriês/ Rosa linda e linda rosa/ Grande Roda e Passeio à Direita/ Damas e Cavalheiros Balancê, arrastavam as pessoas a dançar sabendo ou não, na ousadia e liberdade.

Não havia brigas, não havia drogas, não havia assaltos ou violência, nem medo. No máximo alguém queimava a mão ou a barra da roupa e continuava a brincadeira até o fogo apagar, a banda cansar ou o sono chegar. Difícil era ir pra cama cheirando à fumaça e o coração batendo que nem a zabumba.

Agora é assim no politicamente correto:

Fogueiras? Não é ecológico. No máximo uma fogueirinha no sítios ou nos bairros afastados ou das cidades do interior, onde aida moram matutos de verdade. Nos clubes ou arraiais criaram fogueiras cênicas que simulam queimar, mas são luzes em papel celofane. Balões? proibidos mesmo se pequenos e sem potencial risco inflamável.

As músicas sempre em locais fechados, quase sempre pagos e bem vigiados, são tocadas por bandas estilizadas, sertanejas de outros sertões, com vozes e melodias sempre iguais. Só mudam os nomes e os rostos. Caixas de som que arrebentam os tímpanos e ninguém pode conversar. As danças tb mudaram: as quadrilhas são apresentações de grupos com nomes, roupas padronizadas coreografia e enredo, como das escolas de samba cariocas. Ninguém sabe se são damas ou cavalheiros, são personagens. Não se divertem, se apresentam, concorrem a prêmios e o público assiste, não participa. Os pátios de festas ocuparam os palhoções e ruas enfeitadas. Os casais se exibem com passos treinados e programados, não usam tanto os pés, como os braços e o tronco e rodopiam quase como num tango. Quem não frequentou as aulas da escola de dança se limita a olhar a performance.

As roupas das jovens que vão aos pátios, não são mais as coloridas e floridas, nem rodadas as saias. Agora predominam os jeans e os sintéticos, muito justos, curtos e transparentes, mesmo se não se adequam ao clima frio e chuvoso da região nessa época. Aquilo que era regional e tradição mudou para importado e sensual.
Os fogos não podem mais ter estampidos porque afetam os pets e também com os preços x salários não é inteligente " queimar dinheiro".

As mesas também seguem outras regras:

Nada feito com açúcar, leite, trigo e côco porque elevariam o colesterol e a glicose pelo ano todo. Então o cardápio fica por conta das castanhas, pipocas, amendoim, milho cozido, bolo, churrasco, queijos e bebidas alcoólicas. Essas ganharam força. Não é possível festa sem cerveja ou vinho. As latinhas fazem parte do visual, do look.

Conclusão: nem só elogios a um modelo, nem só críticas ao outro. Mas é impossível não comparar e não observar as mudanças, algumas foram perdas de fato.



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Talvez em algum reduto afastado, bem no interior, os costumes ainda persistam, mas onde chegarem as redes sociais eles tenderão a mudar.

Os festejos eram feitos pelas famílias, cada membro fazia algo, na cozinha, som, decoração ou fogueira e fogos. As famílias curtiam juntas e vom os vizinhos. Agora os jovens vão para os pátios, os adultos e idosos para a TV e as crianças para os games.



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Curioso é que quando proporcionamos a festa junina no modelo antigo todas as gerações curtem e se divertem.
Não tenho saudades das festas de São João nos grandes pátios ou casas de show com grandes artistas, mas daqueles folguedos simples que vivi na inocência, criatividade e alegria genuína...

Ah! Desses tenho uma saudade danada de boa


*Victória Moura, médica pediatra.



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É Findi - Veneno da Saudade, por Adeildo Nunes*

05/06/2026

O cansaço da vida me atormenta
O silêncio da noite me apavora
A zoada do vento me acalenta
No milagre do sonho que demora

A saudade que nunca foi embora
Me desperta no passado que alimenta
Sua imagem me aconchega brusca e lenta
Nos instantes de soluço que me aflora

O tempo, inimigo da bondade
Faz um antro de refúgio no meu peito
Sufocando minha antiga mocidade

O veneno que bem vive satisfeito
Se debruça na penumbra do meu leito
Sem saber que tou morrendo de saudade


*Adeildo Nunes, juiz de direito aposentado, articulista e poeta, professor e autor de livros jurídicos. @adeildonunesadv



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O cansaço da vida me atormenta
O silêncio da noite me apavora
A zoada do vento me acalenta
No milagre do sonho que demora

A saudade que nunca foi embora
Me desperta no passado que alimenta
Sua imagem me aconchega brusca e lenta
Nos instantes de soluço que me aflora

O tempo, inimigo da bondade
Faz um antro de refúgio no meu peito
Sufocando minha antiga mocidade

O veneno que bem vive satisfeito
Se debruça na penumbra do meu leito
Sem saber que tou morrendo de saudade


*Adeildo Nunes, juiz de direito aposentado, articulista e poeta, professor e autor de livros jurídicos. @adeildonunesadv



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É Findi - O Luxo do Lixo - Crônica - Por AJ Fontes*

05/06/2026

Já se foram trinta anos, eu me interessava por questões de resíduos sólidos urbanos: coleta seletiva, reciclagem, destinação final e coisas do gênero.

Busquei informações onde me fosse possível e, das poucas conseguidas, surgiu uma palestra promovida pelo professor João Paulo, já aposentado. Foi meu professor de química analítica no curso de Engenharia Química da UFPE.

Um estudioso estadunidense explicou a utilização dos resíduos sólidos de uma determinada cidade do seu país na geração de energia a partir da queima de papelão, plásticos e outros materiais combustíveis provenientes do lixo.

Mostrou fotos das usinas e planilhas indicavam a composição do material e mais de sessenta por cento eram papeis e plásticos.

Na minha cabeça ficou uma ideia: lá não se descasca e sim se desenlata, desempacota e desenvidra a fruta. Claro, a tecnologia da produção de alimentos por aquelas bandas já era mais sofisticada que do lado de baixo do...

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Já se foram trinta anos, eu me interessava por questões de resíduos sólidos urbanos: coleta seletiva, reciclagem, destinação final e coisas do gênero.

Busquei informações onde me fosse possível e, das poucas conseguidas, surgiu uma palestra promovida pelo professor João Paulo, já aposentado. Foi meu professor de química analítica no curso de Engenharia Química da UFPE.

Um estudioso estadunidense explicou a utilização dos resíduos sólidos de uma determinada cidade do seu país na geração de energia a partir da queima de papelão, plásticos e outros materiais combustíveis provenientes do lixo.

Mostrou fotos das usinas e planilhas indicavam a composição do material e mais de sessenta por cento eram papeis e plásticos.

Na minha cabeça ficou uma ideia: lá não se descasca e sim se desenlata, desempacota e desenvidra a fruta. Claro, a tecnologia da produção de alimentos por aquelas bandas já era mais sofisticada que do lado de baixo do equador.

Assisti as folhinhas do calendário virando, enquanto os jornais da TV mostravam os corpos se avolumando nas ruas de Manhattan e se transformando em números nas estatísticas de indivíduos com sobrepeso. Nas tabelas seguintes surgiram novas colunas com a expressão obesidade, depois obesidade mórbida.

A culpa é dos alimentos superprocessados, dizem as autoridades. Os produtores retrucam e, com outras tabelas, demonstram a necessidade de vender mais para gerar mais empregos, tão necessários a nação. A saúde deve ser tratada pelos remédios comprados com o salário. O importante é o dinheiro girar, repetem os empresários deitados em lençóis de seda.

Não é que esse abjeto costume chegou ao lado de cá?

É uma infame afirmação: o que é bom para países poderosos é bom para os de menor força, e a gente reverbera a isso como a síndrome do vira-lata. Danado é que terminam empurrando para nós inclusive o imprestável.
Nessa cadência de fazer aqui o que se faz lá, seguimos nas filas dos supermercados. Dia desses entrei em um substituto daquele que dizia ter orgulho de ser nordestino. Na fila do caixa, esperei o atendimento de uma família de pais gordos e filhos gordinhos empurrando o carro abarrotado de sacos onde lemos nomes de frutas, de carnes, peixes, farináceos, sucos e petiscos produzidos não nos pomares, fazendas, rios ou mares, mas em galpões.

Ainda não conseguimos regular a destinação dos resíduos, frutos do consumo desregrado em qualidade e quantidade. Os lixões continuam e poucos recebem o pomposo nome de aterros controlados, de onde conseguimos extrair algo de bom, como o gás metano utilizado para gerar energia, adubo orgânico e o húmus.

Geralmente o prefeito mantem um programa para atender meia dúzia de veículos e uma pequena horta no Colégio Municipal.

Enquanto isso, nos mares do planeta água, nossa casa, ilhas de plásticos que um dia foram embalagens de amburgueres, cremes faciais e coisas tais, se formam e servem de pouso aos pássaros migrantes e alimento aos peixes. Aqueles mesmos que nos enchem os olhos no almoço.

É verdade, o papel passa, mas o plástico fica. Eu me pergunto:

De que somos feitos: de luxo ou de lixo?


*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes



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É Findi - Tubarão e Pitbull - Crônica - Por Romero Falcão*

05/06/2026

Junho se inicia com mais dois ataques de tubarão na capital pernambucana. As mordidas do predador e as vítimas amputadas — inclusive uma criança — espalham-se pelos canais de televisão e pela forte correnteza das redes sociais. Uma moça de 19 anos e uma criança de 11. Meu corpo se encolheu de horror só de pensar na agonia dos dois - o bote brutal, o sangue na água, o choque da hemorragia. Depois de sedados num sono profundo, acordar sem a perna. Oh, Deus!

O Padre Perdeu a Perna

O local do incidente com o menino — próximo à Igreja de Piedade — trouxe-me à memória uma história que mamãe contava: por volta das décadas de 40 e 50, um padre teria perdido a perna banhando-se no mesmo trecho de mar, diante da igreja. Não sei se o fato é verídico, já que tais ocorrências passaram a ser registradas oficialmente apenas a partir de 1992.



Investidas do Bicho

Não sou biólogo, muito menos estudioso de tubarões...

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Junho se inicia com mais dois ataques de tubarão na capital pernambucana. As mordidas do predador e as vítimas amputadas — inclusive uma criança — espalham-se pelos canais de televisão e pela forte correnteza das redes sociais. Uma moça de 19 anos e uma criança de 11. Meu corpo se encolheu de horror só de pensar na agonia dos dois - o bote brutal, o sangue na água, o choque da hemorragia. Depois de sedados num sono profundo, acordar sem a perna. Oh, Deus!

O Padre Perdeu a Perna

O local do incidente com o menino — próximo à Igreja de Piedade — trouxe-me à memória uma história que mamãe contava: por volta das décadas de 40 e 50, um padre teria perdido a perna banhando-se no mesmo trecho de mar, diante da igreja. Não sei se o fato é verídico, já que tais ocorrências passaram a ser registradas oficialmente apenas a partir de 1992.



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Investidas do Bicho

Não sou biólogo, muito menos estudioso de tubarões — as redes sociais já estão cheias de especialistas. Mas não seria razoável adotar medidas mais duras, pelo menos no inverno, quando se tornam mais propícias as investidas do bicho?

Radical Nessas Horas

Por exemplo: proibir o banho nas áreas mais críticas. Ser radical nessas horas vale mais do que deixar o banhista entregue à interpretação de uma placa: “Cuidado, tubarão”. E às subentendidas variáveis: água turva, maré alta, noite de lua cheia.



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Perda Irreparável

Lembro que certa vez foi ventilado o uso de redes de proteção. Salvo engano, o custo seria alto demais para a extensão das praias. Li também que essas redes acabam ferindo golfinhos e tartarugas — contraindicação importante.

Recordo ainda a perda irreparável, na covid, do especialista da Universidade Rural de Pernambuco, Fábio Hazin, pesquisador e professor dedicado ao estudo e monitoramento dos tubarões com o barco Sinuelo. Faz muita falta numa hora dessas.

Poderosa Mandíbula

No lado oposto ao mar, também há uma fera. É tubarão no mar e pitbull na terra.

Já escrevi neste jornal sobre um desses animais soltos na rua que avançou contra mim durante uma caminhada. Escapei por pouco; as criaturas lá de cima botaram a mão.

Quase toda semana o noticiário se repete pelo país: alguém mordido pela poderosa mandíbula do cão.

Cara de Massaranduba

Alguns ficam com sequelas severas, como a escritora Roseana Murray, que perdeu um braço. Em determinadas regiões, é obrigatório o uso de focinheira nessa raça. Mas quem cumpre? Quem fiscaliza o brasileiro? Autêntico infrator cara de Massaranduba.

Semana passada vi um senhor de mais de setenta anos — físico frágil — conduzindo o animal de cara limpa, preso a uma guia precária.

Lei da Selva

O mundo está ficando mais difícil. A lei da selva cada vez mais selva no dia a dia.

Antes de sair de casa, peço aos céus: livrai-me dos maus motoqueiros, dos carros, dos golpistas, da bala perdida, dos pitbulls e das caixinhas de “música” dentro dos ônibus, cuja delicadeza sonora faz inveja a Villa-Lobos.

No mais, é rezar para que o tigre e o cabeça-chata convençam o cabeça-dura de que a melhor prevenção continua sendo não entrar no mar.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda



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É Findi – Um Quase Poeta – Croni-poema, por Xico Bizerra*

05/06/2026

No álbum que estou gravando - MEU SAMBA É ASSIM, sob a regência e direção musical do mestre Jorge Simas (já gravou com Chico Buarque, Beth Carvalho, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Agepê, Clara Nunes, dentre outros menos votados) uma das letras que mais gosto é esta, quando me reconheço na posição de mero aprendiz, um pretenso Poeta e exalto a excelência dos grandes vates. Poderia falar de muitos outros, tão geniais e imensos quanto: MANOEL DE BARROS, PINTO DE MONTEIRO, LOURO DO PAJEÚ e outros tantos ... São do mesmo quilate. Sintam-se homenageados, pois, todos os Poetas.
Digo assim:

o olhar dela, tão singelo,
puro e belo, é tudo de bom,
eu, vate inventado,
tudo a dizer, nada a falar,
calo e foge-me o som:
sou muito menor que qualquer DRUMOND ...

atrevo-me a fazer verso,
é a inspiração passageira ...
tão ambicioso,
tudo a dizer, nada a falar,
e só bobageio asneira:
dista...

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No álbum que estou gravando - MEU SAMBA É ASSIM, sob a regência e direção musical do mestre Jorge Simas (já gravou com Chico Buarque, Beth Carvalho, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Agepê, Clara Nunes, dentre outros menos votados) uma das letras que mais gosto é esta, quando me reconheço na posição de mero aprendiz, um pretenso Poeta e exalto a excelência dos grandes vates. Poderia falar de muitos outros, tão geniais e imensos quanto: MANOEL DE BARROS, PINTO DE MONTEIRO, LOURO DO PAJEÚ e outros tantos ... São do mesmo quilate. Sintam-se homenageados, pois, todos os Poetas.
Digo assim:

o olhar dela, tão singelo,
puro e belo, é tudo de bom,
eu, vate inventado,
tudo a dizer, nada a falar,
calo e foge-me o som:
sou muito menor que qualquer DRUMOND ...

atrevo-me a fazer verso,
é a inspiração passageira ...
tão ambicioso,
tudo a dizer, nada a falar,
e só bobageio asneira:
distante de todo e qualquer BANDEIRA ...

tento juntar as palavras
transformá-las em canções
é só um desejo!
tudo a dizer, nada a falar,
muitos e tantos senões
e longe de todo e qualquer CAMÕES

e há tão pouca rima em minha não-poesia
que ao pretenso esteta que há em mim
resta a certeza, aí sim, de ser nenhum poeta,
tudo a dizer, nada a falar.
meu grito preso não ecoa,
é voz calada em cena muda
muito apartado de qualquer NERUDA,
sou falso bardo, um nunca PESSOA,
fingidor poeta de versos à toa ...


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico



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É Findi – Bairro da Boa Vista - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

05/06/2026

O panorama visto das janelas do segundo palácio de Nassau, no Recife, era, dizem os contemporâneos, maravilhoso, ao se vislumbrar as terras continentais de Pernambuco, proporcionando uma bela visão, ou seja, uma “Boa Vista”.

Em 1806, a Câmara de Olinda cedeu ao senhor Casimiro Antônio de Medeiros: “ 140 palmos correntes de um termo ala-gado da Boa Vista, junto à ponte e na direção norte,... “ Ele aterrou a área, construindo, no local, as primeiras casas da futura Rua da Aurora emprestando o nome ao lugar Casimiro”.

Foi essa área, a quarta localidade do centro do Recife a ter iniciada o seu povoamento, principalmente depois do citado aterro, quando recebeu três importantes logradouros: Rua do Aterro, atual da Imperatriz, Rua da Aurora, que é assim chamada por só dispor de casas voltadas para o nascente, recebendo, assim, os primeiros raios do sol nascente, e Rua Formosa, depois do alargamento, chamada de Conde da Boa Vista, em homenagem ao grande Perna...

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O panorama visto das janelas do segundo palácio de Nassau, no Recife, era, dizem os contemporâneos, maravilhoso, ao se vislumbrar as terras continentais de Pernambuco, proporcionando uma bela visão, ou seja, uma “Boa Vista”.

Em 1806, a Câmara de Olinda cedeu ao senhor Casimiro Antônio de Medeiros: “ 140 palmos correntes de um termo ala-gado da Boa Vista, junto à ponte e na direção norte,... “ Ele aterrou a área, construindo, no local, as primeiras casas da futura Rua da Aurora emprestando o nome ao lugar Casimiro”.

Foi essa área, a quarta localidade do centro do Recife a ter iniciada o seu povoamento, principalmente depois do citado aterro, quando recebeu três importantes logradouros: Rua do Aterro, atual da Imperatriz, Rua da Aurora, que é assim chamada por só dispor de casas voltadas para o nascente, recebendo, assim, os primeiros raios do sol nascente, e Rua Formosa, depois do alargamento, chamada de Conde da Boa Vista, em homenagem ao grande Pernambucano, nascido no Cabo, em 1802, um dos principais Governantes de nossa Província, Francisco do Rego Barros, o “Chico Macho”.

Segundo Flávio Guerra in “O Conde da Boa Vista e o Recife”, comentando a situação da localidade, nos idos de 1837: “as ruas eram intransitáveis nos dias de chuva precisando os mora-dores usar pernas de pau para atravessá-las. O Beco do Tambiá, partindo do antigo Largo da B. Vista, era um aglomerado de casas infectas, servindo ai de baixo meretrício. Depois é que se alargou, transformou-se na Rua da Intendência e depois, na Avenida Manoel Borba.

“Esse Bairro da Boa Vista, (continua Flávio Guerra), embora oferecendo as faladas boas casas de residências, ainda era quase um conjunto de arruados não indo além do Pátio de Santa Cruz, havendo apenas no segmento desse, um caminho que chegava à chamada Trempe, onde se unia com o descampado que iria ser o beco do cotovelo, dando motivo a denominação tão familiar na boca de nossos avós. Essa Trempe correspondia à zona onde atualmente se situa a confluência da antiga Rua do Sebo, (Barão de São Borja) com O Beco do Cotovelo (atual Visconde de Goiana). Outro caminho dava início a futura Rua Gervásio Pires, seguindo pela Corredor do Bispo, até atingir o Palácio Episcopal, ainda em construção. No mais, outros logradouros, surgindo sem edificações de monta, terrenos baldios, imensos sítios, e, para diante, o mato.”


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras.



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