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A briga ficção x realidade toma conta das telas das TVs, reflexão por Zé da Flauta*

31/10/2024 - Jornal O Poder

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Nos últimos anos, a audiência das novelas na TV aberta tem sofrido uma queda expressiva. Antes, elas eram a principal forma de entretenimento das famílias brasileiras, mas hoje em dia, a política assumiu esse espaço. As tramas elaboradas da ficção não conseguem mais prender o público, que prefere acompanhar o desenrolar dos acontecimentos reais que movimentam Brasília e outras esferas de poder. A imprevisibilidade dos fatos políticos, as reviravoltas e escândalos tornaram-se um novo “capítulo diário” que fascina e indigna ao mesmo tempo.

O inesperado

O envolvimento com a política se intensificou e a realidade superou a ficção. Nos dias atuais, acompanhar votações, investigações e declarações polêmicas tornou-se uma atividade muito mais interessante do que seguir histórias repetitivas da TV. As redes sociais potencializaram esse interesse, transformando cidadãos comuns em comentaristas ativos e críticos. A emoção de ver desfechos inesperados, aliança...

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Nos últimos anos, a audiência das novelas na TV aberta tem sofrido uma queda expressiva. Antes, elas eram a principal forma de entretenimento das famílias brasileiras, mas hoje em dia, a política assumiu esse espaço. As tramas elaboradas da ficção não conseguem mais prender o público, que prefere acompanhar o desenrolar dos acontecimentos reais que movimentam Brasília e outras esferas de poder. A imprevisibilidade dos fatos políticos, as reviravoltas e escândalos tornaram-se um novo “capítulo diário” que fascina e indigna ao mesmo tempo.

O inesperado

O envolvimento com a política se intensificou e a realidade superou a ficção. Nos dias atuais, acompanhar votações, investigações e declarações polêmicas tornou-se uma atividade muito mais interessante do que seguir histórias repetitivas da TV. As redes sociais potencializaram esse interesse, transformando cidadãos comuns em comentaristas ativos e críticos. A emoção de ver desfechos inesperados, alianças improváveis e personagens reais mudando de postura não encontra rival sequer nos roteiros das produções mais elaboradas.

Imprevisível

Além disso, a política brasileira oferece um espetáculo contínuo, com protagonistas e antagonistas bem definidos, diálogos tensos e tramas que se cruzam em tempo real. Diferente das séries da Netflix, que têm temporadas planejadas e finais previsíveis, o cenário político é dinâmico e imprevisível. Cada nova denúncia ou deliberação legislativa pode alterar drasticamente o rumo dos acontecimentos, mantendo o público na expectativa do próximo “capítulo”.

Epílogo

Por fim, a política desperta algo que a ficção dificilmente alcança: o senso de pertencimento e responsabilidade. O impacto das decisões políticas afeta diretamente a vida de todos, e isso torna o acompanhamento mais do que um passatempo, mas uma necessidade. Assim, o que antes era entretenimento virou envolvimento cívico, e as novelas perderam seu lugar para a emocionante realidade política, onde cada ato pode moldar o futuro do país.
Até a próxima!

*Zé da Flauta é músico, compositor, filósofo e escritor.

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Leia outras informações

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China aumenta pressão por reabertura de Ormuz em meio a impasse entre EUA e Irã

20/04/2026

O presidente da China, Xi Jinping, advertiu que o Estreito de Ormuz deve estar totalmente aberto à navegação, em seus comentários mais explícitos sobre a via, enquanto os Estados Unidos e o Irã permanecem em desacordo sobre a circulação de navios no Golfo.

O líder

O líder chinês reiterou o apelo de Pequim por um cessar-fogo para pôr fim às hostilidades e pediu “todos os esforços que contribuam para a restauração da paz”.

“O Estreito de Ormuz deve permanecer aberto à navegação normal, o que serve aos interesses comuns dos países da região e da comunidade internacional em geral”, declarou Xi durante uma ligação telefônica com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman nesta segunda-feira (20), segundo a emissora estatal chinesa CCTV.

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O presidente da China, Xi Jinping, advertiu que o Estreito de Ormuz deve estar totalmente aberto à navegação, em seus comentários mais explícitos sobre a via, enquanto os Estados Unidos e o Irã permanecem em desacordo sobre a circulação de navios no Golfo.

O líder

O líder chinês reiterou o apelo de Pequim por um cessar-fogo para pôr fim às hostilidades e pediu “todos os esforços que contribuam para a restauração da paz”.

“O Estreito de Ormuz deve permanecer aberto à navegação normal, o que serve aos interesses comuns dos países da região e da comunidade internacional em geral”, declarou Xi durante uma ligação telefônica com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman nesta segunda-feira (20), segundo a emissora estatal chinesa CCTV.




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Entre o grito e o sussurro: a coreografia invisível do poder na República brasileira contemporânea, por Jorge Henrique de Freitas Pinho*

20/04/2026

O poder raramente se revela no que grita; manifesta-se no que permite. Quando o permitido escapa ao controle, é a própria verdade que rompe o pacto do silêncio.

1. A superfície e a travessia: um vínculo que se constrói no tempo

Há fenômenos políticos que não se deixam apreender pela superfície dos fatos. Exigem uma travessia paciente, quase arqueológica, na qual cada camada revela não uma contradição, mas uma complementaridade.

A compreensão da relação entre Luiz Inácio Lula da Silva e o Supremo Tribunal Federal exige precisamente esse tipo de travessia.

Não se trata de um vínculo estático, mas de um processo histórico recente, marcado por inflexões decisivas que ajudam a iluminar o presente.

A prisão de Lula no contexto da Operação Lava Jato representou, à época, a afirmação de um ciclo institucional em que o sistema de Justiça parecia operar com alto grau de convergência interna.

A posterior rev...

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O poder raramente se revela no que grita; manifesta-se no que permite. Quando o permitido escapa ao controle, é a própria verdade que rompe o pacto do silêncio.

1. A superfície e a travessia: um vínculo que se constrói no tempo

Há fenômenos políticos que não se deixam apreender pela superfície dos fatos. Exigem uma travessia paciente, quase arqueológica, na qual cada camada revela não uma contradição, mas uma complementaridade.

A compreensão da relação entre Luiz Inácio Lula da Silva e o Supremo Tribunal Federal exige precisamente esse tipo de travessia.

Não se trata de um vínculo estático, mas de um processo histórico recente, marcado por inflexões decisivas que ajudam a iluminar o presente.

A prisão de Lula no contexto da Operação Lava Jato representou, à época, a afirmação de um ciclo institucional em que o sistema de Justiça parecia operar com alto grau de convergência interna.

A posterior revisão de entendimentos jurídicos, culminando na anulação de condenações e na recuperação de seus direitos políticos, não foi apenas um evento processual. Foi um ponto de inflexão estrutural.

A decisão que restituiu a elegibilidade de Lula abriu caminho para sua candidatura e posterior retorno à Presidência da República.

2. Quando o Judiciário reconfigura o jogo

Nesse contexto, declarações de ministros do STF — como as de Gilmar Mendes ao afirmar, em tom público, que Lula era presidente em razão de decisões da própria Corte — não podem ser tratadas como meras opiniões.

Elas sinalizam uma consciência interna do papel desempenhado pelo Judiciário na reconfiguração do cenário político nacional.

A partir desse momento, consolida-se uma relação que transcende o plano jurídico e ingressa no campo da dinâmica política.

O Executivo passa a recorrer de forma sistemática ao STF como instância de superação de derrotas no Parlamento, deslocando o centro de gravidade das decisões políticas para o âmbito judicial.

O Judiciário, por sua vez, amplia sua centralidade, assumindo papel cada vez mais ativo na arbitragem de conflitos que, em outros contextos, seriam resolvidos na arena política.

Esse histórico não conduz a uma conclusão simplista de fusão entre poderes, mas revela uma trajetória de aproximação funcional, na qual decisões jurídicas e consequências políticas passam a se entrelaçar de forma cada vez mais estreita.

É nesse ponto que o presente precisa ser lido.

3. O conflito aparente e sua encenação pública

A tensão pública entre o Executivo e o Judiciário brasileiro, frequentemente dramatizada nas declarações de Luiz Inácio Lula da Silva contra o Supremo Tribunal Federal, parece, à primeira vista, configurar um conflito institucional clássico.

No entanto, quando se desloca o olhar da retórica para a estrutura, o que emerge não é ruptura, mas uma forma mais sofisticada de convivência: a coreografia do poder.

4. A lógica do grito e do sussurro

A política, em seu estágio mais refinado, não elimina o conflito. Ela o administra. O embate público cumpre funções simbólicas, enquanto a ação subterrânea preserva aquilo que não pode ser exposto sem risco sistêmico.

O grito organiza a percepção. O sussurro organiza a realidade. Essa duplicidade não é um desvio da política; é o seu método quando a estabilidade depende de equilíbrios delicados.

5. O alvo real da crítica

Quando o chefe do Executivo eleva o tom, o alvo não é a instituição em si, mas o comportamento concreto de determinados ministros. A distinção não é retórica; é estrutural.

Ao comentar episódios recentes, Luiz Inácio Lula da Silva não formula críticas técnicas a decisões judiciais, tampouco questiona formalmente a autoridade do Supremo Tribunal Federal como instituição.

Sua fala se dirige a condutas específicas, utilizando um repertório moral já conhecido. Reitera, por exemplo, a fórmula que empregou em outros contextos sensíveis — como no episódio envolvendo seu filho no escândalo do INSS — ao afirmar que, se alguém fez algo errado, deverá responder.

A mesma lógica reaparece quando menciona o enriquecimento de ministros ou quando adverte publicamente figuras como Alexandre de Moraes a não mancharem suas biografias.

Nesse movimento, a crítica desloca-se do plano institucional para o plano pessoal e ético.

6. A blindagem institucional

É precisamente aqui que se insere uma operação decisiva. Ao reagirem a esse tipo de crítica, setores do próprio STF tendem a dissolver essa distinção, apresentando questionamentos dirigidos a ministros como ataques à instituição.

Trata-se de uma estratégia eficaz: ao fundir pessoa e instituição, transforma-se a crítica concreta em ameaça abstrata, deslocando o debate do campo da responsabilidade individual para o da defesa institucional.

O resultado é duplo. De um lado, protege-se o agente específico sob o manto da Corte. De outro, reforça-se a narrativa de que qualquer contestação representa risco à ordem constitucional.

Com isso, o conflito real — que diz respeito a comportamentos e limites — é recodificado como conflito institucional, elevando seu custo político e restringindo o espaço de crítica legítima.

Sob o crivo de uma análise filosófica rigorosa, essa estratégia não se sustenta como legítima.

Ao confundir deliberadamente a instituição com seus membros, ela compromete um dos fundamentos do próprio constitucionalismo moderno, que é precisamente a limitação do poder por meio da distinção entre função pública e pessoa que a exerce.

Blindar o indivíduo por meio da instituição não fortalece a Corte; enfraquece-a, pois converte autoridade em escudo e responsabilidade em retórica.

E onde a responsabilidade se dissolve, a própria ideia de justiça começa a perder substância.

7. Entre a percepção e a estrutura

Em uma sociedade onde cresce a percepção de hipertrofia do Judiciário, a crítica funciona como válvula de escape e como instrumento de reposicionamento político, mas a análise rigorosa não se satisfaz com a superfície.

A pergunta decisiva permanece: essa tensão altera a estrutura ou apenas a representa?

Quando o conflito não produz consequência institucional relevante, ele deixa de ser conflito para se tornar linguagem.

8. O subsolo do poder

É no subsolo que a verdade começa a se delinear com maior nitidez. A atuação nos bastidores — como a articulação para influenciar a composição de instâncias parlamentares sensíveis, a exemplo da CPI do Crime Organizado — revela uma camada onde o poder já não fala, apenas decide.

A preocupação em evitar que ministros do STF como Alexandre de Moraes ou Dias Toffoli sejam diretamente constrangidos por mecanismos de investigação parlamentar não é um detalhe periférico. É um dado estrutural.

Nesse ambiente, as manifestações de figuras centrais do Judiciário, como Gilmar Mendes e o próprio Dias Toffoli, ao sinalizarem limites e riscos à atuação de membros da comissão, deixam de ser meras opiniões e passam a integrar o jogo de forças.

A eventual mobilização de Paulo Gonet para avaliar medidas contra o senador Alessandro Vieira insere mais uma variável nessa equação já tensionada.

Já não se trata apenas de interação entre instituições, mas de circulação de poder entre indivíduos concretos, com histórias, vínculos e interesses próprios.

9. Quando a encenação escapa ao controle

É aqui, contudo, que a análise precisa dar um passo além do estrutural e reencontrar o humano. Porque toda coreografia política carrega um risco silencioso: o de perder o controle da própria encenação.

Já se viu, não raras vezes, aliados simularem rupturas estratégicas — embates calculados, destinados a produzir efeitos públicos — e, no curso desse jogo, ultrapassarem o ponto de retorno. O que era para ser atrito controlado converte-se em fratura real.

O gesto performático ganha vida própria. É nesse ponto que o chamado “fogo amigo” revela sua verdadeira natureza. O tiro que deveria ser de advertência, ou no máximo de raspão, pode atingir o centro do corpo.

Não por cálculo, mas por erro de medida, excesso de intensidade ou, simplesmente, pela intervenção de variáveis não previstas.

10. O limite humano do poder

A política não é um tabuleiro de peças inertes. É um campo habitado por homens — e homens carregam ego, ressentimento, ambição e limites psicológicos.

A resistência ao embate não é infinita. Cada ator possui um limiar. Há um ponto em que a pressão deixa de ser estratégica e passa a ser pessoal.

Nesse momento, a lógica do sistema cede espaço à lógica do indivíduo. O que antes era administrado como tensão converte-se em conflito genuíno.

E quando isso ocorre, o sistema revela sua fragilidade: ele depende mais da contenção dos homens do que da solidez das instituições.

11. A reversibilidade do poder

A trajetória recente do senador Alessandro Vieira oferece uma ilustração particularmente expressiva dessa ambiguidade.

Ao longo do tempo, apoiou e legitimou práticas duras do Judiciário contra determinados adversários, muitas vezes sob o argumento de defesa institucional.

Hoje, vê-se inserido em um contexto no qual essas mesmas práticas podem ser reinterpretadas como instrumento de oportunismo político.

Independentemente da validade jurídica dessas acusações, o episódio expõe uma verdade incômoda: o poder que se legitima em um contexto pode se voltar contra quem o legitimou em outro.

12. Quando o conflito revela a verdade

Nesse ponto, a sabedoria popular portuguesa emerge com precisão quase filosófica: brigam-se as comadres, sabem-se as verdades.

O ditado captura o instante em que a aparência cede e o conteúdo se revela.

Enquanto há convergência, há silêncio. Quando o vínculo se tensiona, surgem as revelações. Não porque a verdade tenha nascido naquele momento, mas porque deixou de ser contida.

13. Nem ingenuidade, nem conspiração

Essa dimensão trágica impede que se absolutize qualquer leitura. O poder não é plenamente racional. Não é totalmente controlado. Ele oscila entre cálculo e contingência, entre estratégia e erro. Permite, administra e, por vezes, perde o domínio do que permitiu.

A análise rigorosa exige, portanto, resistir a dois erros simétricos. De um lado, a ingenuidade que toma as instituições como plenamente autônomas e guiadas apenas por princípios formais. De outro, o reducionismo que transforma toda complexidade em um plano perfeitamente coordenado.

Entre esses extremos, há um campo mais exigente, onde o poder se revela como ele é: tensionado, imperfeito, por vezes contraditório, mas ainda assim orientado.

14. A geometria instável do poder

Ao final, o que se impõe não é uma narrativa de harmonia nem de caos. É a percepção de uma geometria instável. O grito e o sussurro se complementam, mas não são infalíveis. A crítica pública e a proteção silenciosa coexistem, mas podem se romper.

E é precisamente nessa possibilidade de ruptura — nesse risco permanente de que o cálculo se transforme em erro — que reside não apenas a limitação, mas a própria verdade mais profunda do poder.

15. O limite da lucidez sem ação

Há, no entanto, uma reação recorrente que precisa ser enfrentada com cuidado.

Diante desse tipo de análise, muitos afirmam que nada disso é novidade, que a política sempre operou assim e que, portanto, apenas se descreve o óbvio.

Essa leitura contém um elemento de verdade, mas falha no ponto decisivo.

Reconhecer um padrão não é o mesmo que aceitá-lo como destino. Tomar o desvio como dado da realidade pode ser sinal de lucidez; tomá-lo como limite intransponível é o início da resignação.

16. A virada de consciência

Durante muito tempo, eu próprio me movi dentro desse horizonte. Não por convicção, mas por uma forma de adaptação silenciosa ao que parecia ser o funcionamento inevitável das coisas.

Havia ali um tipo de prudência — ou assim se acreditava — que consistia em compreender o jogo sem necessariamente se opor a ele.

Mas a filosofia, quando levada a sério, retira esse conforto. Ela desloca o olhar, exige coerência e, sobretudo, impõe uma pergunta incômoda: até que ponto a compreensão do desvio não se converte, pouco a pouco, em aceitação?

17. A coragem socrática

A resposta adequada a esse quadro não é a indignação passageira, mas algo mais exigente: a coragem socrática.

Não a coragem do confronto vazio, mas a disposição de sustentar a verdade mesmo quando ela se torna desconfortável, mesmo quando seu custo se eleva.

É a coragem de não confundir o que é com o que deve ser, e de não permitir que a repetição do desvio o converta em norma silenciosa.

18. O silêncio que corrompe

Há ainda um elemento mais sutil, e talvez mais perigoso, que se insinua nesse processo: o silêncio.

Não o silêncio da reflexão, que é fértil, mas o silêncio da contenção, motivado pelo receio de exposição, de isolamento ou mesmo de retaliação.

Em muitos casos, não se trata de concordância, mas de cálculo. Evita-se falar para não se tornar alvo. Evita-se reagir para preservar-se.

No plano individual, esse comportamento pode parecer prudente. No plano coletivo, no entanto, ele produz um efeito corrosivo.


Porque o silêncio, quando se torna regra, não neutraliza o poder — ele o desonera.

Ao retirar do espaço público a resistência visível, reduz-se o custo do desvio e amplia-se sua margem de expansão.

O que se imagina evitar no presente, muitas vezes apenas se desloca para um futuro mais grave.

A história demonstra que a contenção do mal raramente falha por excesso de reação; ela falha, quase sempre, por insuficiência dela.

19. A erosão invisível e o último limite

A história recente oferece exemplos suficientes de como a erosão não começa com grandes rupturas, mas com pequenas aceitações.

Não é o excesso que primeiro destrói a liberdade, mas a tolerância gradual ao que deveria ser contido.

Quando a sociedade passa a esperar o desvio como regra, o espaço da reação se estreita. E quando a reação desaparece, o poder já não precisa se justificar.

A liberdade não se perde quando o erro se impõe, mas quando a verdade deixa de ser dita — sobretudo por aqueles que já a compreenderam.

(*) O autor é advogado, Procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas.



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Tiradentes na República dos Vorcaros, por Roberto Vieira

20/04/2026

Amanhã, 21 de abril, o Brasil não está nem aí para recordar o sacrifício de Joaquim José da Silva Xavier. O alferes, que ousou sonhar com uma nação livre do jugo tributário e da opressão da Coroa, foi o único a não ser poupado pela "Real Clemência". Enquanto seus companheiros de Inconfidência, muitos de linhagem nobre ou clero, tiveram suas penas comutadas para o exílio, Tiradentes foi o bode expiatório escolhido para o patíbulo, o esquartejamento e o sal nas terras.

Master

A tragédia moderna ganha contornos de escândalo com o chamado "Caso Master". A reconstrução do colapso do Banco Master revela um terremoto na República, enredando políticos, ministros e empresários em uma teia de fraudes que capturou as instituições. O rombo bilionário no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), estimado em cerca de R$ 50 bilhões, expõe as vísceras de um sistema onde a corrupção e o tráfico de influência substituíram os ideais de independência e justiça.

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Amanhã, 21 de abril, o Brasil não está nem aí para recordar o sacrifício de Joaquim José da Silva Xavier. O alferes, que ousou sonhar com uma nação livre do jugo tributário e da opressão da Coroa, foi o único a não ser poupado pela "Real Clemência". Enquanto seus companheiros de Inconfidência, muitos de linhagem nobre ou clero, tiveram suas penas comutadas para o exílio, Tiradentes foi o bode expiatório escolhido para o patíbulo, o esquartejamento e o sal nas terras.

Master

A tragédia moderna ganha contornos de escândalo com o chamado "Caso Master". A reconstrução do colapso do Banco Master revela um terremoto na República, enredando políticos, ministros e empresários em uma teia de fraudes que capturou as instituições. O rombo bilionário no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), estimado em cerca de R$ 50 bilhões, expõe as vísceras de um sistema onde a corrupção e o tráfico de influência substituíram os ideais de independência e justiça.

Sonho

O alferes pagou com a vida por um crime de "lesa-majestade" que, na verdade, era o desejo de dignidade para um povo esmagado pelo Quinto e pelo descaso. Ele vislumbrou uma terra onde a riqueza produzida não fosse drenada para sustentar o luxo de cortes distantes, mas sim utilizada para o desenvolvimento de uma nação soberana. Sonhou com um país onde a lei fosse igual para todos e a liberdade não fosse apenas um conceito abstrato, mas uma realidade econômica e social.

Viagens

O Brasil de 2026 apresenta números que fariam a Derrama colonial parecer uma modesta taxa de condomínio. Enquanto o cidadão comum luta para equilibrar o orçamento, o governo federal já destinou, desde o início de 2023, quase R$ 1 bilhão apenas para viagens internacionais do presidente e sua comitiva. No plano interno, os deslocamentos nacionais ultrapassam a marca dos R$ 6,2 bilhões. É um banquete de diárias e passagens aéreas financiado pelo suor de um povo que ainda sonha com a liberdade econômica.

Preso

Diante de apartamentos de luxo usados como propina e da blindagem institucional de poderosos, a conclusão é amarga: no Brasil de 2026, Tiradentes não seria um herói nacional. Com sua retórica contra o excesso de impostos e sua indignação frente aos gastos nababescos do Estado, ele seria, provavelmente, preso novamente sob a acusação de atentar contra a "ordem" estabelecida por aqueles que devoram o Tesouro sob o manto da legalidade. O mártir de 1792 continuaria sendo um perigo para os que governam para si.

Roberto Vieira é médico e cronista



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O mito do saque justo: Robin Hood, Lampião e o fracasso do manifesto, por Zé da Flauta

20/04/2026

Existe uma armadilha intelectual que seduz a humanidade há séculos: a ideia de que o roubo, quando praticado contra "quem tem mais", é um ato de virtude. Essa narrativa criou heróis de papel, romantizou criminosos e serviu de base para a doutrina mais catastrófica da história moderna: o comunismo.

Em Sherwood

Comecemos pelo mito. Robin Hood, o arqueiro de Sherwood, é a face bonitinha do saque. A lenda nos vende a caridade com o dinheiro alheio. Mas, na prática, o que ele pregava era a desordem como solução. Ao transformar o roubo em "justiça", ele apenas pavimentou o caminho para que a força bruta substituísse a lei e o direito à propriedade.

No Sertão

No nosso sertão, a figura de Lampião sofre do mesmo mal de interpretação. Há quem queira enxergar em Virgulino um revolucionário social, um "Robin Hood da Caatinga". Pura fantasia. Lampião foi um senhor da guerra que operava por vingança, vaidade e poder. Ele não q...

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Existe uma armadilha intelectual que seduz a humanidade há séculos: a ideia de que o roubo, quando praticado contra "quem tem mais", é um ato de virtude. Essa narrativa criou heróis de papel, romantizou criminosos e serviu de base para a doutrina mais catastrófica da história moderna: o comunismo.

Em Sherwood

Comecemos pelo mito. Robin Hood, o arqueiro de Sherwood, é a face bonitinha do saque. A lenda nos vende a caridade com o dinheiro alheio. Mas, na prática, o que ele pregava era a desordem como solução. Ao transformar o roubo em "justiça", ele apenas pavimentou o caminho para que a força bruta substituísse a lei e o direito à propriedade.

No Sertão

No nosso sertão, a figura de Lampião sofre do mesmo mal de interpretação. Há quem queira enxergar em Virgulino um revolucionário social, um "Robin Hood da Caatinga". Pura fantasia. Lampião foi um senhor da guerra que operava por vingança, vaidade e poder. Ele não queria igualdade; ele queria ser o dono do jogo, negociando com coronéis e espalhando o terror por onde passava. O bando não era um projeto de governo, era um empreendimento de violência.

No mundo

O problema é quando esse instinto de "saque justiceiro" deixa as florestas e o cangaço para se tornar uma cartilha política. O Comunismo levou essa lógica ao extremo sistêmico, e o resultado foi o mesmo em todos os lugares onde foi tentado: miséria, fome e tirania. Ao contrário do que diz a propaganda, o comunismo não tira do rico para dar ao pobre; ele tira de todos para entregar ao Estado. É uma doutrina que nega a natureza humana e a liberdade individual. Onde se tentou nivelar a sociedade à força, o que se conseguiu foi nivelar todos na pobreza, enquanto uma pequena elite partidária desfruta do que confiscou.

Tragédia

O fato é um só: a conta não fecha. A economia não aceita desaforo e a liberdade não sobrevive ao controle total. Robin Hood e Lampião podem até render boas histórias de ficção, mas o comunismo na vida real é uma tragédia documentada em milhões de vítimas e na falência de nações inteiras. A verdadeira justiça não nasce do confisco, mas do trabalho, da liberdade de iniciativa e do respeito ao que cada homem conquista com o seu próprio esforço. Fora disso, o que sobra é apenas o bando, seja ele de arqueiros, cangaceiros ou comissários.

Até a próxima!
Zé da Flauta é compositor e cronista



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Exclusivo - Powell e Bessent alertam bancos sobre IA da Anthropic

20/04/2026

E o Brasil também está na mira dos superataques cibernéticas. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, convocaram os principais CEOs de bancos de Wall Street para uma reunião urgente em Washington no dia 7 de abril. O fato foi pouco repercutido no Brasil. O objetivo era claro: discutir os riscos cibernéticos representados pelo novo modelo de inteligência artificial da Anthropic, o Claude Mythos Preview.

Ser humano ultrapassado?

Em testes internos, o modelo demonstrou capacidade muito superior à humana para identificar e explorar, de forma autônoma, milhares de vulnerabilidades zero-day em sistemas operacionais e navegadores, incluindo falhas antigas de até 27 anos. Diante do potencial ofensivo, a Anthropic decidiu não liberar o modelo publicamente e lançou o Projeto Glasswing, concedendo acesso controlado a gigantes como Apple, Microsoft, Google, AWS e JPMo...

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E o Brasil também está na mira dos superataques cibernéticas. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, convocaram os principais CEOs de bancos de Wall Street para uma reunião urgente em Washington no dia 7 de abril. O fato foi pouco repercutido no Brasil. O objetivo era claro: discutir os riscos cibernéticos representados pelo novo modelo de inteligência artificial da Anthropic, o Claude Mythos Preview.

Ser humano ultrapassado?

Em testes internos, o modelo demonstrou capacidade muito superior à humana para identificar e explorar, de forma autônoma, milhares de vulnerabilidades zero-day em sistemas operacionais e navegadores, incluindo falhas antigas de até 27 anos. Diante do potencial ofensivo, a Anthropic decidiu não liberar o modelo publicamente e lançou o Projeto Glasswing, concedendo acesso controlado a gigantes como Apple, Microsoft, Google, AWS e JPMorgan para caçar e corrigir brechas antes que atores maliciosos consigam versões semelhantes.

Vazamento

Dias antes, a própria Anthropic sofreu vazamentos por erro humano: milhares de arquivos internos e mais de 500 mil linhas de código da ferramenta Claude Code foram expostos. No Brasil, o alerta chega direto ao coração do sistema de pagamentos e das instituições públicas. Embora não haja evidência pública de que o Mythos tenha comprometido o PIX ou plataformas do Banco Central, o risco é concreto e indireto. O Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) processa bilhões de transações por mês e depende de camadas complexas de software, muitas vezes através de componentes open-source e sistemas legados. Aqui está a diferença. Os Modelos agentic como o Mythos aceleram drasticamente a descoberta e exploração de falhas, invertendo o equilíbrio entre ataque e defesa. Os especialistas em cibersegurança alertam que qualquer vulnerabilidade não corrigida pode ser explorada em velocidade inédita por grupos criminosos, nacionais ou estrangeiros.

Risco geral

O Banco Central e os grandes bancos brasileiros já intensificam auditorias e investimentos em defesa. A mesma preocupação deve se estender aos sistemas do governo, da receita federal ao eleitoral. O sistema de recepção de declaração de imposto de renda, pode sofrer ataques em nível sem precedentes. Assim, como a rede e todo o ecossistema do TRE também podem ser alvo de ataques cibernéticos facilitados por avanços em IA como o Claude Mythos.

Tem que encarar

Essa é uma pergunta que as autoridades brasileiras, sem histerismo ou mania de perfeição, precisam responder com transparência e muito equilíbrio. Por enquanto, não há registro de que sistemas oficiais brasileiro tenha sido “quebrado” pelo modelo. Ignorar o sinal que vem do sistema financeiro americano e de Washington é por demais arriscado. A conta pode chegar ao bolso do brasileiro em forma de fraudes, custos extras de proteção ou instabilidade nos pagamentos e processos institucionais. A IA chegou, com benefícios e também muitos desafios.




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Análise - O STF é o novo vilão da democracia?

20/04/2026

No último fim de semana, editorial de o Globo, bem como artigo de Merval Pereira, além da Folha, Estadão e Valor publicaram reportagens sobre a crise do Supremo: ministros em atrito, mal-estar com a reação “tímida” de Edson Fachin ao relatório da CPI do Crime Organizado que pedia indiciamento de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, e o Datafolha mostrando que 75% dos brasileiros consideram que os ministros têm “poder demais”. A resposta da Corte veio em coro: a imprensa agora está “atacando à democracia”.

Sentença do presidente

Edson Fachin, atual presidente do STF, foi mais cirúrgico: magistrado que age como agente político “perde a confiança e desperta suspeita”. A frase, dita em tom elegante, carrega recado interno. Quando é a própria grande imprensa - e não apenas a oposição - que levanta o questionamento, o bordão do “ataque à democracia” perde força. Liberdade de imprensa existe, entre outras coisas, para fiscalizar o Executivo...

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No último fim de semana, editorial de o Globo, bem como artigo de Merval Pereira, além da Folha, Estadão e Valor publicaram reportagens sobre a crise do Supremo: ministros em atrito, mal-estar com a reação “tímida” de Edson Fachin ao relatório da CPI do Crime Organizado que pedia indiciamento de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, e o Datafolha mostrando que 75% dos brasileiros consideram que os ministros têm “poder demais”. A resposta da Corte veio em coro: a imprensa agora está “atacando à democracia”.

Sentença do presidente

Edson Fachin, atual presidente do STF, foi mais cirúrgico: magistrado que age como agente político “perde a confiança e desperta suspeita”. A frase, dita em tom elegante, carrega recado interno. Quando é a própria grande imprensa - e não apenas a oposição - que levanta o questionamento, o bordão do “ataque à democracia” perde força. Liberdade de imprensa existe, entre outras coisas, para fiscalizar o Executivo, Legislativo e Judiciário. Mas ao que parece os membros do Judiciário, especialmente do Supremo, parecem não gostar de serem fiscalizados. Parece que o brasileiro vai pagar mais que o aumento do óleo diesel — em dólar, em centavos. Está pagando um preço de ameaça quando se questiona ou denuncia os membros do Supremo.

(Professor Emanuel Silva, especial para O Poder).




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Tráfego marítimo permanece praticamente parado em Ormuz

20/04/2026

O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz permanece praticamente parado hoje, segunda-feira (20/04), com apenas três travessias nas últimas 12 horas, de acordo com dados de navegação.

O petroleiro


O petroleiro Nero, que está sob sanções do Reino Unido, deixou o Golfo e estava navegando pelo Estreito na segunda-feira, segundo análise de satélite dos especialistas em análise de dados SynMax e dados de rastreamento da plataforma Kpler.

Navios

Dois navios separados — um navio-tanque de produtos químicos e um navio-tanque de gás liquefeito de petróleo, navegaram para o Golfo através da hidrovia vital separadamente na segunda-feira, mostraram os dados.

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O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz permanece praticamente parado hoje, segunda-feira (20/04), com apenas três travessias nas últimas 12 horas, de acordo com dados de navegação.

O petroleiro


O petroleiro Nero, que está sob sanções do Reino Unido, deixou o Golfo e estava navegando pelo Estreito na segunda-feira, segundo análise de satélite dos especialistas em análise de dados SynMax e dados de rastreamento da plataforma Kpler.

Navios

Dois navios separados — um navio-tanque de produtos químicos e um navio-tanque de gás liquefeito de petróleo, navegaram para o Golfo através da hidrovia vital separadamente na segunda-feira, mostraram os dados.




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A bomba silenciosa: PCC e CV na mira dos EUA

20/04/2026

Na semana passada, autoridades americanas comunicaram diretamente ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que Washington está prestes a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations — FTO). O governo brasileiro resiste, mas a Câmara dos Deputados já aprovou, em 10 de abril, projeto que inclui as duas facções e mais onze cartéis latino-americanos na lista de grupos terroristas.

Consequências

Os efeitos são técnicos e imediatos: congelamento de ativos no sistema financeiro internacional, bloqueio de contas, rastreamento reforçado pela rede de compliance americana e, sobretudo, sanções secundárias a bancos que mantenham relações com pessoas ou empresas ligadas às facções. Não se trata apenas de “crime de favela”. PCC e CV operam com laranjas, empresas de fachada e contas em paraísos fiscais que usam terno e gravata. Quando o Office of Fore...

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Na semana passada, autoridades americanas comunicaram diretamente ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que Washington está prestes a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations — FTO). O governo brasileiro resiste, mas a Câmara dos Deputados já aprovou, em 10 de abril, projeto que inclui as duas facções e mais onze cartéis latino-americanos na lista de grupos terroristas.

Consequências

Os efeitos são técnicos e imediatos: congelamento de ativos no sistema financeiro internacional, bloqueio de contas, rastreamento reforçado pela rede de compliance americana e, sobretudo, sanções secundárias a bancos que mantenham relações com pessoas ou empresas ligadas às facções. Não se trata apenas de “crime de favela”. PCC e CV operam com laranjas, empresas de fachada e contas em paraísos fiscais que usam terno e gravata. Quando o Office of Foreign Assets Control (OFAC) do Tesouro americano aciona a lupa, o problema deixa a periferia e chega aos gabinetes de luxo.

Colarinho branco

Membros do executivo, legislativo e judiciário da Venezuela e de outros países já foram alvos. E não adianta pressão de autoridade brasileira. Resistir à pressão de Washington enquanto o crime organizado financia sua expansão dentro do país e no exterior tem prazo de validade curto. E isso se comenta deve vir em breve. Basta ler os comentários dos principais assessores de Trump para América Latina, alguns deles que já foram alvos do STF.

(Professor Emanuel Silva, especial para O Poder)




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Análise - Lula em Barcelona: palanque com cheiro de 2026

20/04/2026

No sábado, ao lado de Pedro Sánchez e de líderes progressistas europeus, na 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global, em Barcelona, Lula usou o microfone para mirar os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. “Eles se transformaram em cinco senhores de guerra”, disse o presidente, pedindo, literalmente, “pelo amor de Deus” que cumprissem o mandato de paz para o qual foram criados. Comprou briga com as cinco potências globais. No domingo, em Hannover, na abertura da feira industrial, foi mais direto: “Nós não podemos permitir que o mundo se curve ao comportamento de um presidente que acha que, por e-mail ou por tweet, pode taxar produtos, punir países e fazer guerra”. Pareceu estar querendo cavar um "penalti".



Aplausos na Europa

Muitas imagens e fotos para as redes sociais e a imprensa. Mas, no Brasil, o diesel ronda os R$ 7,00 o litro em várias regiões e o repasse para o transporte de cargas já começa a aparec...

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No sábado, ao lado de Pedro Sánchez e de líderes progressistas europeus, na 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global, em Barcelona, Lula usou o microfone para mirar os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. “Eles se transformaram em cinco senhores de guerra”, disse o presidente, pedindo, literalmente, “pelo amor de Deus” que cumprissem o mandato de paz para o qual foram criados. Comprou briga com as cinco potências globais. No domingo, em Hannover, na abertura da feira industrial, foi mais direto: “Nós não podemos permitir que o mundo se curve ao comportamento de um presidente que acha que, por e-mail ou por tweet, pode taxar produtos, punir países e fazer guerra”. Pareceu estar querendo cavar um "penalti".



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Aplausos na Europa

Muitas imagens e fotos para as redes sociais e a imprensa. Mas, no Brasil, o diesel ronda os R$ 7,00 o litro em várias regiões e o repasse para o transporte de cargas já começa a aparecer nos custos finais. A imagem que a esquerda latino-americana se esforçara para construir - Trump como vilão universal - não ameniza a conta que chega ao bolso justamente da classe onde Lula tem mais apoio. Mas bolsonaristas em Washington afirmam que a taxação adicional não virá por capricho, mas por enquadramento no combate ao terrorismo.

Articulação perigosa

É exatamente nesse terreno que o governo Lula, com suas ligações históricas com Maduro e outros líderes da região, pode ser colocado na defensiva. Pelo menos é o que se cogita na América do Norte. Talvez Lula não tenha se convencido, mas a equipe de Trump já aprendeu muito com a Venezuela e Cuba e não pretende enfrentar situações semelhantes. Como a ruptura institucional parece, felizmente, fora de questão, o rótulo de apoio ao narco-estado pode servir como uma luva para os estrategistas de Trump.

(Professor Emanuel Silva, especial para O Poder).



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Análise - Hormuz e o preço que o brasileiro vai pagar

20/04/2026

Cinquenta e quatro quilômetros de largura no ponto mais estreito. É por ali que passa um quinto do petróleo que alimenta o planeta — e que define, na prática, o custo do diesel, da gasolina e do pão que chega à mesa do brasileiro. O Estreito de Ormuz reabriu e fechou em menos de 24 horas neste fim de semana, não por acidente ou loucura isolada, mas como reflexo de uma disputa que ainda não tem data para acabar.

Na noite de sábado

A Marinha dos EUA interceptou um navio iraniano que tentava furar o bloqueio imposto por Washington a embarcações ligadas a portos iranianos. Teerã classificou a ação como “roubo armado”. Vídeos do incidente, gravados por drones e analisados por fontes militares abertas, já circulavam em grupos de especialistas antes mesmo que a grande mídia brasileira despertasse. Enquanto isso, o Kuwait, os Emirados Árabes, a Arábia Saudita e o Qatar registravam intercepções de drones e alertas de possíveis ataques a refinarias no Golfo....

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Cinquenta e quatro quilômetros de largura no ponto mais estreito. É por ali que passa um quinto do petróleo que alimenta o planeta — e que define, na prática, o custo do diesel, da gasolina e do pão que chega à mesa do brasileiro. O Estreito de Ormuz reabriu e fechou em menos de 24 horas neste fim de semana, não por acidente ou loucura isolada, mas como reflexo de uma disputa que ainda não tem data para acabar.

Na noite de sábado

A Marinha dos EUA interceptou um navio iraniano que tentava furar o bloqueio imposto por Washington a embarcações ligadas a portos iranianos. Teerã classificou a ação como “roubo armado”. Vídeos do incidente, gravados por drones e analisados por fontes militares abertas, já circulavam em grupos de especialistas antes mesmo que a grande mídia brasileira despertasse. Enquanto isso, o Kuwait, os Emirados Árabes, a Arábia Saudita e o Qatar registravam intercepções de drones e alertas de possíveis ataques a refinarias no Golfo. A mídia convencional, nesse meio-tempo, ainda repercutia o cessar-fogo que, na prática, nunca se sustentou.

O barril do Brent

Valia menos de US$ 20 em 2020. Saltou para US$ 107 nos últimos dias. O motivo é simples e brutal: o estreito é uma garganta marítima. Qualquer interrupção - real ou ameaçada - dispara prêmios de risco nos contratos futuros, eleva o custo do frete e, por tabela, pressiona as cotações do diesel e da gasolina no Brasil. Aqui, onde o combustível responde por cerca de 30% do custo do transporte rodoviário, o repasse chega direto ao frete de soja, milho e carne - e, portanto, ao preço dos alimentos no supermercado.

(Professor Emanuel Silva, especial para O Poder).




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