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O dia do poeta e o poço encantado da poesia, por Josué Sena*

31/10/2024 - Jornal O Poder

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Sonhei-me poeta de boa tarimba,
Do que com arte e engenho vê
E colhe lirismo numa cacimba,
De água com gosto de massapê.

Isso ocorreu em Goiana, do Litoral Norte,
Há muito tempo, Quando moço,
No devaneio, fora sorver dum antigo poço
E ali batizei a minha sorte.

Era um reservatório de água pura,
Puxada a corda numa lata,
Onde me surgiu a fada da Literatura,

De vestes bordadas de ouro e prata
E disse que por beber ali naquele dia (do poeta) o mister do verso me concedia

*Josué Sena é desembargador e poeta.


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Sonhei-me poeta de boa tarimba,
Do que com arte e engenho vê
E colhe lirismo numa cacimba,
De água com gosto de massapê.

Isso ocorreu em Goiana, do Litoral Norte,
Há muito tempo, Quando moço,
No devaneio, fora sorver dum antigo poço
E ali batizei a minha sorte.

Era um reservatório de água pura,
Puxada a corda numa lata,
Onde me surgiu a fada da Literatura,

De vestes bordadas de ouro e prata
E disse que por beber ali naquele dia (do poeta) o mister do verso me concedia

*Josué Sena é desembargador e poeta.

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Leia outras informações

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Raquel Teixeira Lyra Confessa Crime - No caso foi uma ordem de uma Governadora em pleno exercício da sua função

20/09/2026

Realizar ou induzir uma laqueadura sem o consentimento livre e esclarecido da mulher é crime no Brasil. A autonomia reprodutiva é protegida por leis rígidas. Caso uma terceira pessoa dê uma "opinião" ou oriente o médico a fazer a cirurgia sem que a paciente saiba, ela pode ser considerada cúmplice de uma ilegalidade grave. Se o médico realizar o procedimento nessas condições, ambos respondem perante a justiça.

A Lei 9.263/1996 diz no art. 12:

“É vedada a indução ou instigamento individual ou coletivo à prática da esterilização cirúrgica.”

O mais importante

E, mais importante, o art. 17 transforma isso em crime: “induzir ou instigar dolosamente a prática de esterilização cirúrgica”, com pena de reclusão de 1 a 2 anos.

No caso

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Realizar ou induzir uma laqueadura sem o consentimento livre e esclarecido da mulher é crime no Brasil. A autonomia reprodutiva é protegida por leis rígidas. Caso uma terceira pessoa dê uma "opinião" ou oriente o médico a fazer a cirurgia sem que a paciente saiba, ela pode ser considerada cúmplice de uma ilegalidade grave. Se o médico realizar o procedimento nessas condições, ambos respondem perante a justiça.

A Lei 9.263/1996 diz no art. 12:

“É vedada a indução ou instigamento individual ou coletivo à prática da esterilização cirúrgica.”

O mais importante

E, mais importante, o art. 17 transforma isso em crime: “induzir ou instigar dolosamente a prática de esterilização cirúrgica”, com pena de reclusão de 1 a 2 anos.

No caso




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O maior escândalo de todos os tempos - Raquel Teixeira Lyra manda fazer laqueadura sem a paciente saber: “Faz sem ela saber”.

20/09/2026

Um vídeo gravado em 2025 durante a inauguração da ala pediátrica do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, Pernambuco, mostra a governadora e candidata à reeleição Raquel Teixeira Lyra, PSD, sugerindo que uma paciente seja submetida a uma laqueadura sem saber do procedimento. A coluna Metrópoles.



Raquel Teixeira Lyra: “Mas faz sem ela saber! Vai!”

“Mas faz sem ela saber! Vai!”, diz Raquel Teixeira Lyra, após ouvir de uma mulher que aparenta ser funcionária do hospital o relato sobre uma paciente que estaria novamente grávida e já teria 07 (sete) filhos. A gravação, de cerca de 13 segundos, foi feita durante a inauguração da ala pediátrica do Dom Moura, em maio de 2025. Raquel aparece em pé dentro de uma sala do hospital, de blusa verde-clara, conversando com funcionários e integrantes de sua comitiva pouco antes de posar para uma foto. Ao redor da governadora estão pelo menos 03 (três) pessoas: duas mulheres e um homem de óculos. Uma da...

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Um vídeo gravado em 2025 durante a inauguração da ala pediátrica do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, Pernambuco, mostra a governadora e candidata à reeleição Raquel Teixeira Lyra, PSD, sugerindo que uma paciente seja submetida a uma laqueadura sem saber do procedimento. A coluna Metrópoles.



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Raquel Teixeira Lyra: “Mas faz sem ela saber! Vai!”

“Mas faz sem ela saber! Vai!”, diz Raquel Teixeira Lyra, após ouvir de uma mulher que aparenta ser funcionária do hospital o relato sobre uma paciente que estaria novamente grávida e já teria 07 (sete) filhos. A gravação, de cerca de 13 segundos, foi feita durante a inauguração da ala pediátrica do Dom Moura, em maio de 2025. Raquel aparece em pé dentro de uma sala do hospital, de blusa verde-clara, conversando com funcionários e integrantes de sua comitiva pouco antes de posar para uma foto. Ao redor da governadora estão pelo menos 03 (três) pessoas: duas mulheres e um homem de óculos. Uma das mulheres gesticula com as mãos ao falar sobre o tamanho da barriga da paciente. A gestante mencionada na conversa não aparece nas imagens. Procurada, Raquel Teixeira Lyra admite ter feito o comentário.

— Chega assim, ó, gestante, desse tamanho, com 7 “menino” na barriga.

Raquel Teixeira Lyra reage:

— Ai, meu Deus…

Em seguida, Raquel Teixeira Lyra, a governadora de PE, diz:

— Aí, a gente tem que fazer laqueadura, visse? Aí, a gente bota na fila da laqueadura.

A mulher responde algo que não é possível compreender na gravação. Raquel, então, afirma:

— Mas faz sem ela saber! Vai!

Raquel Teixeira Lyra admite fala em Garanhuns

“A governadora Raquel Lyra reconhece que a fala feita em Garanhuns foi infeliz e reafirma seu respeito às mulheres. Raquel defende que toda mulher tenha acesso, pela rede pública, a planejamento familiar com informação e escolha, compromisso que orientou sua gestão em Pernambuco. Raquel Lyra segue focada no que interessa aos pernambucanos: saúde, escola e emprego na vida de quem mais precisa. A eleição deve ser decidida na apresentação de propostas, não na fabricação de ataques. Trata-se de mais uma tentativa de desviar o foco do que realmente importa, que é Pernambuco”.

A Laqueadura

A legislação brasileira estabelece que a esterilização deve ser voluntária. A Lei nº 9.263/1996, que trata do planejamento familiar, determina que a realização da laqueadura depende da manifestação expressa da vontade da paciente, registrada em documento escrito e assinado. A mulher também deve ser informada previamente sobre os riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de reversão e métodos contraceptivos reversíveis disponíveis. O artigo 15 da mesma lei estabelece como crime realizar esterilização cirúrgica em desacordo com essas exigências. A pena prevista é de 2 a 8 anos de reclusão e multa, caso a conduta não constitua crime mais grave. A laqueadura é um método contraceptivo de esterilização feminina considerado definitivo e de difícil reversão. E realizá-la sem o consentimento da mulher é crime, de acordo com a Lei 9.263/1996 (Lei do Planejamento Familiar).








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Veneziano: Voto não tem preço. Mas tem consequências.

20/09/2026

A compra de votos é uma das práticas mais perversas de uma eleição. Quando alguém oferece dinheiro, emprego, favor, combustível, material de construção ou qualquer vantagem em troca do voto, não está ajudando o eleitor: está tentando transformar um direito de cidadania em mercadoria.

Segundo Veneziano

Quem compra o voto hoje não conquista confiança — compra silêncio e dependência. E quem chega ao poder dessa forma pode começar o mandato devendo explicações não à população, mas aos interesses que financiaram essa velha prática.

O poder do voto livre

"O voto deve ser livre, consciente e secreto. Ninguém deveria precisar vender sua escolha para ter acesso a algo que muitas vezes já deveria ser garantido como direito", afirma Veneziano.

E prossegue:

"Além de ferir a liberdade do eleitor, a compra de votos é tratada pela legislação brasileira como ilícito eleitoral e pode também co...

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A compra de votos é uma das práticas mais perversas de uma eleição. Quando alguém oferece dinheiro, emprego, favor, combustível, material de construção ou qualquer vantagem em troca do voto, não está ajudando o eleitor: está tentando transformar um direito de cidadania em mercadoria.

Segundo Veneziano

Quem compra o voto hoje não conquista confiança — compra silêncio e dependência. E quem chega ao poder dessa forma pode começar o mandato devendo explicações não à população, mas aos interesses que financiaram essa velha prática.

O poder do voto livre

"O voto deve ser livre, consciente e secreto. Ninguém deveria precisar vender sua escolha para ter acesso a algo que muitas vezes já deveria ser garantido como direito", afirma Veneziano.

E prossegue:

"Além de ferir a liberdade do eleitor, a compra de votos é tratada pela legislação brasileira como ilícito eleitoral e pode também configurar crime de corrupção eleitoral".



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A boa política

Segundo Veneziano, que disputa a reeleição para o Senado, com o número 155, política se faz com propostas, trabalho, respeito e confiança.

Voto se conquista. Voto não se compra.

A chapa

Vené, 155, disputa o Senado na chapa de Cícero, 15, governador e André Gadelha, 151, na outra vaga para o Senado. Este ano, o eleitor pode votar em dois senadores.




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O Submarino Alemão UC-30 - Por Amadeu Robalinho*

20/09/2026

Explosivos que atravessaram um século: Um caso prático para ser estudado através da Engenharia de Soberania e Estratégia.


Em algum momento as Guerras findam nos campos de batalha, mas deixam seus efeitos tecnológicos, ambientais e estratégicos por gerações.

O caso do submarino alemão UC-30, localizado no Mar do Norte, nas proximidades de Rømø, na Dinamarca, é uma demonstração concreta dessa realidade.

Afundado em 19 de abril de 1917 após atingir uma mina britânica, o UC-30 carregava 18 minas e seis torpedos. Os 27 tripulantes morreram e o submarino permaneceu no fundo do mar durante quase um século, até ser localizado em 2016. Mais de cem anos depois, aquilo que era originalmente uma plataforma militar transformou-se em uma fonte potencial de contaminação ambiental e em um problema de engenharia, segurança e gestão estratégica.

O ponto central dessa questão não está apenas na existência de explosivos antigos no fundo...

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Explosivos que atravessaram um século: Um caso prático para ser estudado através da Engenharia de Soberania e Estratégia.


Em algum momento as Guerras findam nos campos de batalha, mas deixam seus efeitos tecnológicos, ambientais e estratégicos por gerações.

O caso do submarino alemão UC-30, localizado no Mar do Norte, nas proximidades de Rømø, na Dinamarca, é uma demonstração concreta dessa realidade.

Afundado em 19 de abril de 1917 após atingir uma mina britânica, o UC-30 carregava 18 minas e seis torpedos. Os 27 tripulantes morreram e o submarino permaneceu no fundo do mar durante quase um século, até ser localizado em 2016. Mais de cem anos depois, aquilo que era originalmente uma plataforma militar transformou-se em uma fonte potencial de contaminação ambiental e em um problema de engenharia, segurança e gestão estratégica.

O ponto central dessa questão não está apenas na existência de explosivos antigos no fundo do mar. Está na necessidade de decidir, com base científica e tecnológica, o que fazer com eles.

A corrosão progressiva do casco e dos invólucros das munições permite que compostos químicos associados aos explosivos sejam liberados no ambiente marinho. Pesquisas recentes identificaram TNT - Trinitrotolueno na água e sedimentos e observaram respostas biológicas em organismos expostos próximos a naufrágios de guerra. Isso significa que a ameaça não precisa necessariamente assumir a forma de uma explosão para produzir consequências. A degradação química silenciosa pode transformar uma antiga capacidade militar em um problema ambiental de longa duração.

É precisamente nesse ponto que Defesa, Engenharia e Estratégia passam a convergir.

A retirada de munições e explosivos submersos não pode ser tratada como uma simples operação de salvamento de um objeto histórico. Trata-se de uma operação complexa de engenharia submarina e oceânica, gerenciamento de risco, identificação de artefatos explosivos, proteção ambiental, arqueologia marítima e segurança operacional.

Retirar o explosivo pode representar uma solução para o problema de longo prazo, mas a própria operação de remoção cria riscos que precisam ser previamente dimensionados. Uma intervenção inadequada pode provocar movimentação do artefato, ruptura de estruturas corroídas, dispersão de contaminantes ou, em determinadas circunstâncias, uma explosão não controlada.

Por outro lado, simplesmente deixar a munição no fundo do mar também não constitui necessariamente uma solução definitiva. O processo de corrosão continuará submetido à ação da água salgada, das correntes, dos sedimentos e das condições ambientais. O que hoje está parcialmente confinado poderá, no futuro, tornar-se mais exposto.

Surge, portanto, um problema clássico de decisão estratégica: intervir ou monitorar, remover ou estabilizar, neutralizar ou manter sob controle?

A resposta não pode ser padronizada para todos os naufrágios.

Cada caso possui características próprias. Profundidade, integridade estrutural, tipo de munição, quantidade de explosivos, composição dos sedimentos, correntes marítimas, proximidade de áreas de pesca, rotas marítimas, infraestrutura submarina e sensibilidade ambiental precisam integrar uma matriz de risco.

Essa lógica já está presente no projeto europeu REMARCO, dedicado ao monitoramento, avaliação de riscos e desenvolvimento de estratégias de remediação para munições submersas no Mar do Norte.

O projeto trabalha justamente com a combinação entre ciência, indústria, autoridades públicas, tecnologias remotas e cooperação internacional.

A tecnologia passa a ocupar posição central.

Veículos submarinos operados remotamente, sensores, sonares de alta resolução, sistemas de mapeamento tridimensional, coleta automatizada de amostras, inteligência artificial, plataformas autônomas e robôs submarinos podem permitir que grande parte da avaliação seja realizada sem exposição direta de operadores humanos.

Experimentos do próprio REMARCO já empregaram sistemas subaquáticos capazes de realizar amostragem de água, sedimentos e organismos, além de testar técnicas de monitoramento remoto e semiautônomo.

Isso representa uma mudança importante na concepção de segurança marítima.

O princípio deixa de ser simplesmente localizar o artefato e destruí-lo. Passa a ser necessário conhecer o sistema inteiro: o naufrágio, a munição, o ambiente, a dinâmica de dispersão, a cadeia alimentar, as atividades econômicas existentes na região e os riscos associados a cada alternativa de intervenção.

É Engenharia aplicada em conjunto com a estratégia mantendo a segurança e gerindo atividades sensíveis e críticas. Para sanar os riscos e minimizar os efeitos colaterais.

Soberania não significa apenas possuir território, águas jurisdicionais ou capacidade militar. Significa possuir conhecimento, tecnologia, capacidade institucional e autonomia para identificar ameaças, compreender seus efeitos e decidir como enfrentá-las.

Nesse sentido, um naufrágio militar centenário pode constituir um problema contemporâneo de soberania tecnológica.

Quem possui capacidade de localizar, identificar, monitorar, modelar, remover ou neutralizar uma ameaça submersa possui uma capacidade estratégica. Quem depende integralmente de tecnologias externas para realizar essas tarefas possui menor autonomia operacional.

A questão ganha ainda maior importância quando observamos que o problema não está restrito ao UC-30.

O REMARCO destaca que munições provenientes das guerras mundiais continuam presentes em diferentes estágios de degradação no fundo do Mar do Norte e que seus efeitos podem ultrapassar fronteiras nacionais. O próprio projeto trabalha com a necessidade de uma abordagem transnacional, justamente porque contaminantes e riscos marítimos não respeitam os limites políticos estabelecidos no mapa.

Essa característica transforma a questão ambiental em questão estratégica.

O mar é um espaço de circulação de energia, alimentos, dados, comércio, recursos minerais e infraestrutura crítica. Um ambiente marinho contaminado ou uma área com munições instáveis pode afetar pesca, navegação, exploração econômica, obras de infraestrutura e segurança de comunidades costeiras.

Consequentemente, a gestão de munições submersas deve ser incorporada à arquitetura contemporânea de segurança marítima.

Para países com extensa costa e elevada dependência econômica do oceano, essa realidade merece atenção especial.

O Brasil possui uma das maiores áreas marítimas sob sua jurisdição e uma infraestrutura econômica cada vez mais dependente do ambiente oceânico. Plataformas offshore, cabos submarinos, portos, terminais, rotas comerciais, recursos pesqueiros e projetos de exploração energética formam uma complexa infraestrutura marítima nacional.

Nesse contexto, a experiência europeia oferece uma importante oportunidade de reflexão: não esperar que o problema se manifeste para então desenvolver a capacidade de resposta.

É necessário construir conhecimento antes da crise.

Mapear. Classificar. Monitorar. Modelar. Priorizar. Desenvolver tecnologia. Treinar pessoal. Estabelecer protocolos. E somente então decidir pela intervenção.

Essa sequência representa uma mudança de paradigma.

A Defesa do século XXI não pode limitar-se à capacidade de destruir uma ameaça. Precisa também desenvolver capacidade para compreender, controlar e remover riscos que permanecerão no ambiente por décadas.

O UC-30 é, nesse sentido, muito mais que um submarino alemão afundado em 1917.

É um laboratório histórico de engenharia, segurança marítima e estratégia.

Um artefato criado para a guerra transformou-se, cem anos depois, em desafio para a ciência e para a proteção ambiental. A munição concebida para produzir efeito imediato no campo de batalha pode continuar produzindo efeitos indiretos muito depois do desaparecimento daqueles que a empregaram.

A grande lição estratégica talvez esteja justamente aí.

A soberania tecnológica não se demonstra apenas quando uma nação consegue construir um submarino, uma aeronave ou um sistema de armas. Ela também se demonstra quando possui conhecimento e capacidade para administrar o legado tecnológico de seus próprios conflitos, proteger seu território, preservar seus recursos naturais e controlar riscos que atravessam gerações.

No século XXI, Defesa, Engenharia e Meio Ambiente deixaram definitivamente de ser compartimentos isolados.

O fundo do mar também é território estratégico.

E aquilo que permanece oculto sob suas águas pode, décadas ou séculos depois, voltar a exigir conhecimento, tecnologia, decisão e capacidade nacional.

O explosivo pode permanecer no fundo do oceano por cem anos.

A responsabilidade estratégica e a negligência, não.


*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




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Banco Master: rombo à sombra do FGC - Por Emilio Carazzai*

20/09/2026

Quando o Banco Central decretou, em 18 de novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master, a operação expôs mais do que a insolvência de uma instituição. Expôs uma falha de desenho na arquitetura regulatória do sistema financeiro que, por anos, permitiu que um mecanismo criado para conter corridas bancárias funcionasse também como subsídio implícito à captação de um banco de risco crescente.

Os ativos do conglomerado saltaram de cerca de R$ 3,7 bilhões em 2019 para aproximadamente R$ 82 bilhões em 2024, um crescimento que nenhuma instituição de médio porte costuma sustentar organicamente em cinco anos. O motor desse salto foi a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas muito acima da média de mercado, chegando a 140% do CDI, um tipo de retorno que, em condições normais, deveria soar como um alerta de risco para qualquer investidor.

Só que não soou. Os CDBs eram cobertos pela garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) at...

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Quando o Banco Central decretou, em 18 de novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master, a operação expôs mais do que a insolvência de uma instituição. Expôs uma falha de desenho na arquitetura regulatória do sistema financeiro que, por anos, permitiu que um mecanismo criado para conter corridas bancárias funcionasse também como subsídio implícito à captação de um banco de risco crescente.

Os ativos do conglomerado saltaram de cerca de R$ 3,7 bilhões em 2019 para aproximadamente R$ 82 bilhões em 2024, um crescimento que nenhuma instituição de médio porte costuma sustentar organicamente em cinco anos. O motor desse salto foi a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas muito acima da média de mercado, chegando a 140% do CDI, um tipo de retorno que, em condições normais, deveria soar como um alerta de risco para qualquer investidor.

Só que não soou. Os CDBs eram cobertos pela garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250 mil por CPF. O FGC é uma associação civil de natureza privada, e seu próprio estatuto afirma que não exerce função pública, nem por delegação, mas sua garantia está institucionalizada na arquitetura regulatória do Sistema Financeiro Nacional, sob regras aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional. Na prática, para o investidor comum, isso produzia um efeito econômico equivalente à neutralização de boa parte do risco de crédito até aquele teto, dispensando qualquer análise mais cuidadosa da saúde financeira do emissor. O próprio controlador, em depoimento à Polícia Federal, resumiu o modelo de negócio sem meias palavras: o plano do Banco Master era "100% baseado no FGC".

Essa frase, mais do que uma confissão, é um diagnóstico. Ela descreve o fenômeno que a literatura de regulação bancária chama de risco moral (moral hazard): uma instituição assume riscos crescentes porque sabe que parte relevante das consequências de um fracasso será absorvida por um mecanismo coletivo de garantia, e não integralmente pelos próprios credores. Essa garantia reduz a disciplina de mercado justamente no momento em que uma remuneração muito acima da média deveria fazê-la aumentar.

A engenharia por trás do esquema aprofunda o problema. Os recursos captados via CDB eram direcionados a ativos de baixíssima liquidez, tais como precatórios, direitos creditórios, participações em empresas em recuperação judicial e, segundo apurações e documentos ainda sujeitos a contraditório no processo em curso, teriam sido recirculados por meio de fundos e estruturas societárias que inflavam artificialmente a liquidez aparente do banco.

Uma falha mais específica do que "ausência de limites"

Seria impreciso afirmar que não havia nenhum mecanismo de contenção. Já existiam instrumentos voltados a mitigar o risco moral: uma contribuição adicional ao FGC incidia sobre instituições excessivamente dependentes de captação garantida, e a Resolução CMN nº 5.114, de dezembro de 2023, passou a exigir, a partir de julho de 2024, alocação em títulos públicos quando a exposição de uma instituição ao FGC ultrapassasse determinados limites em relação ao patrimônio e às captações.

A deficiência revelada pelo caso Master é mais específica, e por isso mais grave: esses mecanismos incidiam essencialmente sobre o passivo‚ volume de captação, alavancagem, dependência da garantia‚ sem incorporar de forma adequada a qualidade, a liquidez, a diversificação e a transparência dos ativos financiados por aquela captação. Um banco podia, na prática, ampliar continuamente sua captação garantida sem que isso acionasse, na mesma velocidade, uma exigência proporcional quanto à qualidade do que o dinheiro captado estava sendo aplicado.

Não por acaso, foi exatamente essa lacuna que a reforma regulatória de abril de 2026 tentou corrigir, ao criar o chamado Ativo de Referência (AR), um indicador que passa a considerar a composição e a qualidade dos ativos do banco, e não apenas o volume de captação garantida, como parâmetro para conter o risco moral. O próprio Banco Central reconhece essa finalidade ao apresentar a mudança. Trata-se de evidência forte de que havia uma deficiência de desenho‚ embora não por si só prova de culpa individual de nenhum agente específico.

O que o FGC sabia, e o que fez a respeito

É preciso também evitar uma simplificação na direção oposta: colocar o FGC, institucionalmente, no banco dos réus ao lado do Banco Central. O quadro é mais sofisticado. Há evidências de que o FGC vinha alertando o Banco Central sobre os riscos associados ao crescimento e ao perfil do Master ao longo dos anos anteriores à liquidação; o Banco Central, contudo, ao ser formalmente questionado, invocou sigilo para não revelar publicamente o número e o teor dessas comunicações, fato que impede de precisar, hoje, a extensão exata desses alertas.

Mais revelador ainda é um episódio pouco lembrado: em maio de 2025, o próprio FGC realizou uma operação de suporte financeiro ao conglomerado Master para viabilizar o pagamento de passivos elegíveis à garantia, enquanto o Banco Central analisava a operação de venda de participação ao BRB. Ao final de 2025, havia cerca de R$ 5,7 bilhões em letras financeiras dessa operação em poder do FGC, e o contrato impôs, como condição, que novos produtos elegíveis à garantia não pagassem mais de 100% do CDI. Ou seja: o FGC já demonstrava, naquele momento, consciência do risco represado e tentava conter exatamente o mecanismo dos CDBs superremunerados. A liquidação, seis meses depois, sugere que a medida chegou tarde, mas não que o Fundo tenha sido conivente ou omisso.

O custo da crise, de todo modo, foi extraordinário. O FGC provisionou R$ 40,6 bilhões em garantias estimadas para cerca de 800 mil credores do Banco Master, do Master de Investimentos e do Letsbank; em abril de 2026, o Fundo já havia efetivamente pago cerca de R$ 39,3 bilhões a aproximadamente 669 mil beneficiários, o maior pagamento de sua história. Vale registrar que o pagamento de garantia não equivale, necessariamente, à perda econômica definitiva do mesmo valor: ao pagar, o FGC se sub-roga nos direitos dos credores contra a massa em liquidação e pode recuperar parte dos recursos ao longo do processo. Ainda assim, a dimensão do episódio levou o Fundo a antecipar, em março de 2026, cerca de R$ 32 bilhões em contribuições das instituições associadas para recompor sua liquidez, fechando 2025 com patrimônio líquido de R$ 123,2 bilhões. Não houve, até onde se sabe, qualquer transferência automática de prejuízo ao Tesouro ou ao contribuinte; o que houve foi a externalização do custo de uma estratégia individual para o mecanismo coletivo de garantia do sistema bancário‚e, por essa via, para as demais instituições associadas, que jamais adotaram práticas semelhantes às do Master.

A pergunta que realmente importa

É tentador, passado o choque inicial, tratar o caso Master como uma anomalia pessoal: a história de um controlador especialmente arrojado, cercado por conexões políticas e jurídicas exploradas à exaustão pela imprensa. Mas reduzir o episódio a uma questão de caráter individual é subestimar o problema estrutural que o tornou possível.

A pergunta contrafactual mais interessante não é se algum banco teria existido sem o FGC, pois, naturalmente, existiria. A pergunta é outra: o Banco Master teria alcançado R$ 82 bilhões em ativos e dezenas de bilhões de reais em captação, pagando prêmios tão acima do mercado, se seus depositantes tivessem de assumir integralmente o risco de crédito da instituição? A evidência disponível permite responder com razoável segurança que, provavelmente, não naquela escala e naquela velocidade. Os ativos multiplicaram-se por mais de vinte vezes em cinco anos; os CDBs remuneravam até 140% do CDI; e o próprio controlador declarou publicamente que seu plano de negócios era "100% baseado no FGC".

Não se trata de afirmar que o FGC "causou" o Master. Trata-se de reconhecer que uma garantia concebida para impedir corridas bancárias e proteger pequenos poupadores acabou funcionando, nesse caso específico, como subsídio implícito à captação de uma instituição de risco crescente‚ e que os mecanismos de contenção existentes, concentrados no passivo e não na qualidade dos ativos, não foram suficientes para impedir que isso acontecesse em escala tão grande antes de o modelo se tornar insustentável. O fato do próprio regulador ter, na sequência, alterado a regra para incorporar a qualidade dos ativos ao mecanismo de contenção é evidência bastante poderosa de que havia, sim, uma deficiência de desenho a ser corrigida. Enquanto o processo em curso no Judiciário, no Banco Central e no Tribunal de Contas da União não esclarecer integralmente quem teve acesso a quais informações e em que momento, o caso Master permanecerá menos como uma anomalia e mais como um aviso sobre os limites de um sistema de garantias que, para funcionar bem, precisa impedir que seja usado como argumento de venda.

Mas, ao fim e ao cabo, ainda resta outra pergunta incômoda: quem, dentro do FGC, do Banco Central e da CMN, acompanhava a concentração crescente da exposição do Fundo a um único conglomerado — e em que momento essa exposição se tornou suficientemente grande para representar risco material ao próprio mecanismo de garantia?


*Emilio Carazzai, é Administrador e Conselheiro de empresas. Foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo Fernando Henrique Cardoso (de 1999 a 2002).



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Labanca desmoraliza mentiras do discurso de Raquel

20/09/2026

A governadora Raquel Teixeira Lyra é useira e vezeira em "prestar contas" de obras que só existem na imaginação dela ou em mentiras de assessores. Os discursos, entrevistas, debates, declarações da governadora, já dissemos aqui muitas vezes, não têm compromisso com a verdade.



Ontem

Em São Lourenço da Mata, ontem, sábado 19/09, como costuma fazer em todo lugar, a governadora tratou de, com toda a convicção do mundo, despejar mentiras em série para a multidão.



Labanca

O prefeito Vinicius Labanca, um dos políticos jovens com maior credibilidade no Estado, tranquilamente, educadamente, sem sequer chamar a governadora de mentirosa, mostrou a fieira de inverdades ditas por ela.

Confira a seguir

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A governadora Raquel Teixeira Lyra é useira e vezeira em "prestar contas" de obras que só existem na imaginação dela ou em mentiras de assessores. Os discursos, entrevistas, debates, declarações da governadora, já dissemos aqui muitas vezes, não têm compromisso com a verdade.



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Ontem

Em São Lourenço da Mata, ontem, sábado 19/09, como costuma fazer em todo lugar, a governadora tratou de, com toda a convicção do mundo, despejar mentiras em série para a multidão.



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Labanca

O prefeito Vinicius Labanca, um dos políticos jovens com maior credibilidade no Estado, tranquilamente, educadamente, sem sequer chamar a governadora de mentirosa, mostrou a fieira de inverdades ditas por ela.

Confira a seguir








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Em SC, Lula fala a apoiadores, elogia candidato a governador e diz que se reeleito estudará medidas para acabar com bets no país

19/09/2026

Em Florianópolis, capital de Santa Catarina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu, neste sábado (19/09), lideranças políticas e apoiadores, com destaque para o candidato ao Governo do Estado, Gelson Merisio (PSB). No palco, além de Lula, estiveram presentes a primeira-dama Janja da Silva; Merisio, acompanhado da esposa, Márcia; a candidata a vice-governadora, Ângela Albino (PDT); e os candidatos ao Senado, Afrânio Boppré (PSOL) e Décio Lima (PT).

Lula chamou Merísio para perto e fez uma comparação com a relação histórica entre Karl Marx e Friedrich Engels. “Vocês sabem que eu não sou marxista, não sou comunista, eu sou um torneiro mecânico que adquiriu consciência política. Agora, esse cara… Vocês sabem que o Marx tinha um cara rico que acompanhava o Marx, que se chamava Engels? Esse cara era é o meu Engels”, afirmou, apontando para ele.

Construção da candidatura

Lula disse que participou diretamente da construção da candidat...

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Em Florianópolis, capital de Santa Catarina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu, neste sábado (19/09), lideranças políticas e apoiadores, com destaque para o candidato ao Governo do Estado, Gelson Merisio (PSB). No palco, além de Lula, estiveram presentes a primeira-dama Janja da Silva; Merisio, acompanhado da esposa, Márcia; a candidata a vice-governadora, Ângela Albino (PDT); e os candidatos ao Senado, Afrânio Boppré (PSOL) e Décio Lima (PT).

Lula chamou Merísio para perto e fez uma comparação com a relação histórica entre Karl Marx e Friedrich Engels. “Vocês sabem que eu não sou marxista, não sou comunista, eu sou um torneiro mecânico que adquiriu consciência política. Agora, esse cara… Vocês sabem que o Marx tinha um cara rico que acompanhava o Marx, que se chamava Engels? Esse cara era é o meu Engels”, afirmou, apontando para ele.

Construção da candidatura

Lula disse que participou diretamente da construção da candidatura do ex-deputado e apontou a importância de diálogo com setores que oferecem resistência ao seu grupo político como uma das tarefas do candidato em Santa Catarina. Entre eles, citou o agronegócio.

“Eu acho que você deveria fazer uma reunião com o pessoal do agronegócio aqui”, disse, sugerindo que Merisio questione diretamente os produtores sobre os motivos das críticas ao Governo Federal. “Qual é o problema contra nós? Acho que é uma questão de pele. É porque eu sou nordestino ou porque eu sou pobre? Porque, se dependesse de dinheiro do governo, nunca houve tanto dinheiro para a agricultura como agora”, declarou.

Defesa de maior aproximação institucional

Merisio aproveitou o discurso para explicar sua aproximação com Lula e os motivos que o levaram a voltar à disputa eleitoral. Segundo ele, estava afastado do processo político desde 2018 e conheceu pessoalmente o presidente em março de 2022. Desde então, passou a acompanhar o trabalho do Governo Federal e as ações destinadas a Santa Catarina.

Merisio também defendeu maior aproximação institucional entre os governos estadual e federal. Ao abordar investimentos e infraestrutura, afirmou que divergências políticas prejudicaram o Estado. Ele também contestou a imagem de Santa Catarina como um Estado marcado pela intolerância. “Não somos um povo violento, não somos um povo racista. Nós acolhemos os imigrantes”, disse.

Crítica às Bets

Um dos temas reiterados pelo presidente durante seu discurso foi a crítica às bets (apostas online). De acordo com Lula, se depender dele, as bets serão proibidas de operar no Brasil. O presidente já comparou ontem (18/09), em Guarulhos (SP), o vício em apostas esportivas com o de drogas e listou casos de pessoas que venderam terrenos e fizeram dívidas escondidas em função de tais apostas.

“O jogo está dentro da cozinha, na nossa cama, no nosso banheiro, dentro do celular e a gente joga de forma desesperada. A pessoa vai jogando compulsivamente, pensando que vai ganhar e só perde”, afirmou, ao ressaltar que as apostas foram feitas para as empresas lucrarem. “Fiquei estarrecido conversando com as pessoas que estão devendo”, explicou.

Conversa com clubes de futebol

Lula citou que clubes de futebol se manifestaram publicamente contra sua posição, mas recordou que diversos clubes e a seleção brasileira foram campeões mundiais antes de existirem apostas online. “O Brasil foi campeão do mundo em 1958 e não tinha bets. Foi campeão em 1962 e não tinha bets. Foi campeão em 1970, 1994, 2002 e não tinha bets”. frisou.

Mesmo assim, ele reforçou que antes de adotar alguma medida vai procurar conversar com os clubes de futebol a respeito, mesmo garantindo: “Se preparem que eu comprei essa briga.”




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Flávio diz que Lula “representa ideias velhas” e que ele, se eleito, quer potencializar “tudo o que o Brasil tem de melhor”

19/09/2026

Em Santa Catarina, no município de Joinville — estado onde também se encontra neste sábado (19/09) seu principal adversário político, o presidente Lula — o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República, afirmou durante evento que Santa Catarina não é um estado de fascistas, como muitos adversários dizem”, mas sim “um estado que prospera e onde tem leis que funcionam”.

Flávio aproveitou para falar sobre a crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF), motivada pelo suposto envolvimento entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e ministros da Corte.

Críticas a Moraes

Ao ser questionado sobre dois dos ministros terem sido indicados pelo seu pai quando presidente, Flávio afirmou que a culpa pelo escândalo do Master não foi do governo do seu pai e criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

O parlamentar e presidenciável, porém, evitou falar no financiamento que vinha sendo feito...

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Em Santa Catarina, no município de Joinville — estado onde também se encontra neste sábado (19/09) seu principal adversário político, o presidente Lula — o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República, afirmou durante evento que Santa Catarina não é um estado de fascistas, como muitos adversários dizem”, mas sim “um estado que prospera e onde tem leis que funcionam”.

Flávio aproveitou para falar sobre a crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF), motivada pelo suposto envolvimento entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e ministros da Corte.

Críticas a Moraes

Ao ser questionado sobre dois dos ministros terem sido indicados pelo seu pai quando presidente, Flávio afirmou que a culpa pelo escândalo do Master não foi do governo do seu pai e criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

O parlamentar e presidenciável, porém, evitou falar no financiamento que vinha sendo feito por Vorcaro à produção do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro.

“Cuidar de quem precisa”

O senador também afirmou que Lula “representa o passado e ideias velhas” e que ele pretende potencializar o seu governo, se eleito, “tudo aquilo que o Brasil tem de melhor, que são os brasileiros”.

“O presidente da República, ele representa o passado, representa ideias velhas, representa um governo pesado, governo de pessoas incompetentes, em vários casos de corrupção. Então, o Brasil merece muito mais do que isso, eu quero cuidar de quem precisa”, destacou Flávio Bolsonaro.




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Relatório da Abin faz alerta sobre risco de interferência norte-americana nas eleições

19/09/2026

Relatório elaborado no final de agosto pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e enviado para a Presidência da República e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgado neste sábado (19/09), classificou como elevado o risco de influência e interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026 e apontou uma escalada de pressão sobre o país.

As informações, divulgadas inicialmente pelo jornal Folha de São Paulo, foram confirmadas por assessores do TSE e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Intitulado “Ameaças ao processo eleitoral de 2026”, o documento afirma que há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”.

Pressão reconfigurada no país

Segundo a Abin, “observa-se intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA” sobre o país, “sem ruptura de um padrão estrutural de influência já existente”. Conforme avaliação da agência, “a reafirmação da hegemonia dos EUA na América La...

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Relatório elaborado no final de agosto pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e enviado para a Presidência da República e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgado neste sábado (19/09), classificou como elevado o risco de influência e interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026 e apontou uma escalada de pressão sobre o país.

As informações, divulgadas inicialmente pelo jornal Folha de São Paulo, foram confirmadas por assessores do TSE e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Intitulado “Ameaças ao processo eleitoral de 2026”, o documento afirma que há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”.

Pressão reconfigurada no país

Segundo a Abin, “observa-se intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA” sobre o país, “sem ruptura de um padrão estrutural de influência já existente”. Conforme avaliação da agência, “a reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina é prioridade do segundo governo [de Donald] Trump”.

O relatório cita documentos estratégicos do governo norte-americano e aponta como objetivo reduzir a influência de países rivais, especialmente sobre ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestrutura da região.

Relações financeiras, empresas e operações

A Abin também relaciona o alerta a sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra brasileiros e empresas suspeitos de vínculos com redes de lavagem de dinheiro associadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Para a agência, a medida “representa mudança de fase na escalada de sanções e interferência estadunidense”, com efeitos sobre relações financeiras, empresas e operações internacionais.

O estudo dedica atenção ao secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional dos EUA, Marco Rubio. Segundo a Abin, ele “atribuiu ao presidente brasileiro [Lula] a responsabilidade pela imposição de tarifas” sobre produtos brasileiros, afirmando que o país não teria “negociado de boa fé”.

Para a agência, a declaração pode influenciar o debate público brasileiro. A Abin também afirmou, no relatório, que a atuação de Rubio tem como objetivo “influenciar e reorientar a política externa dos países da região [América Latina]”.

— Com Agências de Notícias




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As aventuras de Cacimba 59 —A feira da precisão e a caderneta do mestre, por Zé da Flauta*

19/09/2026

A feira livre de Carnaúba Seca fervia no calor das dez da manhã. Era um falatório danado, cheiro de coentro fresco, charque pendurado e poeira levantando no passo dos matutos. No meio daquela agitação, Mestre Cacimba, encostado num mourão de madeira, percebeu um movimento estranho.

Um garoto de pés descalços, calça rasgada no joelho e olhar arisco de calango assustado circulava pelas bancas. Ele não olhava para as bugigangas; olhava para a comida. Com uma agilidade invisível, o menino esticou a mão: três cebolas sumiram da banca de Dona Conceição e foram para dentro do saco de pão velho.

Mais adiante, dois tomates bem maduros saíram do monte de Seu João. E assim foi: meio quilo de farinha de Zé do Moinho, um pedaço de charque de Seu Messias e até uma rapadura da banca de Tião.

No shoulder de Cacimba, Simão não perdeu um detalhe. Ajeitou os óculos na ponta do nariz e, com o lápis de carvão, foi anotando tudo na caderneta com precisão de cont...

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A feira livre de Carnaúba Seca fervia no calor das dez da manhã. Era um falatório danado, cheiro de coentro fresco, charque pendurado e poeira levantando no passo dos matutos. No meio daquela agitação, Mestre Cacimba, encostado num mourão de madeira, percebeu um movimento estranho.

Um garoto de pés descalços, calça rasgada no joelho e olhar arisco de calango assustado circulava pelas bancas. Ele não olhava para as bugigangas; olhava para a comida. Com uma agilidade invisível, o menino esticou a mão: três cebolas sumiram da banca de Dona Conceição e foram para dentro do saco de pão velho.

Mais adiante, dois tomates bem maduros saíram do monte de Seu João. E assim foi: meio quilo de farinha de Zé do Moinho, um pedaço de charque de Seu Messias e até uma rapadura da banca de Tião.

No shoulder de Cacimba, Simão não perdeu um detalhe. Ajeitou os óculos na ponta do nariz e, com o lápis de carvão, foi anotando tudo na caderneta com precisão de contabilista. Sebastião ensaiou dar uma batida no triângulo para alertar os feirantes, mas Mestre Cacimba segurou a mão do macaquinho com ternura e balançou a cabeça em sinal de silêncio.

— Vamos atrás, meus bichos. Quem rouba com pressa e leva comida não tá buscando riqueza, tá fugindo da fome — murmurou o velho.

Acompanharam o rastro do garoto pela estrada de terra até as faldas do serrote, onde a cidade virava poeira e isolamento. O menino entrou numa casinha de taipa trançada, com o telhado caindo pelas pontas. Olhando pela fresta da janela de madeira, Cacimba viu a cena que apertou seu peito: o garoto acendeu o fogo de lenha com gravetos secos e começou a cortar os legumes para fazer um caldo rápido. No canto da sala, numa cama de vara, estava uma mulher magra, pálida, acamada pela febre.

— Come um tiquinho, mãe... Hoje eu arranjei o sustento — dizia o menino, enxugando uma lágrima no dorso da mão suja.

Cacimba empurrou a porta de madeira devagarzinho. O garoto deu um pulo, assustado, cobrindo a panela com o próprio corpo: — Não me bata, moço! Eu pago quando puder! Não chama a polícia não!



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Mestre Cacimba tirou o chapéu de couro, sentou-se num banco de carnaúba e olhou nos olhos do menino com a brandura de um pai:

— A fome é um bicho brabo, meu filho, e o amor por uma mãe faz a gente mover montanha. Mas o pão que alimenta a sua mãe não pode vir do suor do feirante que também tem filho pequeno para dar de comer. A honestidade é a única veste que o pobre não pode deixar rasgar.

O garoto desabou em choro, contando que tinha batido na porta da prefeitura e do banco pedindo socorro, mas só recebeu porta na cara.

Cacimba ajeitou a gola, olhou para Simão, que trazia a caderneta aberta, e selou um pacto:

— Você não é bandido, é um homem em formação que precisa de rumo. Amanhã a gente resolve essa conta.

No sábado seguinte, Cacimba reuniu os feirantes lesados no centro da praça. Simão abriu a caderneta e leu item por item, centavo por centavo. Os comerciantes olhavam cabreiros, achando que iam ficar no prejuízo. Foi quando Cacimba fez a proposta:

— O menino não tem dinheiro, mas tem dois braços fortes e vontade de honrar o nome. Ele vai trabalhar um dia por semana na banca de cada um de vocês: carregando caixa, varrendo o chão e ajudando na arrumação até pagar o último tostão dessa lista. E eu garanto o trabalho dele.

O povo da feira, que tem o coração duro por fora mas mole por dentro, não só aceitou o trato como fez uma vaquinha de mantimentos e remédios para a mãe do garoto.

Semanas depois, o menino trabalhava feliz na banca de Dona Conceição, de cabeça erguida, recebendo seu primeiro trocado honesto. De longe, Mestre Cacimba soprava uma toada serena no seu pífano, enquanto o macaquinho Simão risca com o lápis a última linha da caderneta, dando a dívida por quitada perante Deus e os homens.

*Zé da Flauta é músico, compositor, filósofo e escritor.



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