O dia do poeta e o poço encantado da poesia, por Josué Sena*
31/10/2024 - Jornal O Poder
Do que com arte e engenho vê
E colhe lirismo numa cacimba,
De água com gosto de massapê.
Isso ocorreu em Goiana, do Litoral Norte,
Há muito tempo, Quando moço,
No devaneio, fora sorver dum antigo poço
E ali batizei a minha sorte.
Era um reservatório de água pura,
Puxada a corda numa lata,
Onde me surgiu a fada da Literatura,
De vestes bordadas de ouro e prata
E disse que por beber ali naquele dia (do poeta) o mister do verso me concedia
*Josué Sena é desembargador e poeta.
Do que com arte e engenho vê
E colhe lirismo numa cacimba,
De água com gosto de massapê.
Isso ocorreu em Goiana, do Litoral Norte,
Há muito tempo, Quando moço,
No devaneio, fora sorver dum antigo poço
E ali batizei a minha sorte.
Era um reservatório de água pura,
Puxada a corda numa lata,
Onde me surgiu a fada da Literatura,
De vestes bordadas de ouro e prata
E disse que por beber ali naquele dia (do poeta) o mister do verso me concedia
*Josué Sena é desembargador e poeta.

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É Findi - Intocável, poema, por Felipe Bezerra*
24/04/2026
quiçá, talvez, de amor.
Que a vida exige coragem,
para vencer e suportar a dor.
Só que na terra da impunidade,
onde o Supremo se degenerou,
o poeta não perde a vontade
de versar a denunciar o horror.
Quando vivem na ilegalidade
os intocáveis, sem qualquer destemor,
já não há Constituição de verdade,
só simulacro do que Congresso aprovou.
Imagem feita com IA
*Felipe Bezerra, advogado e poeta.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Eu devia falar de saudade,
quiçá, talvez, de amor.
Que a vida exige coragem,
para vencer e suportar a dor.
Só que na terra da impunidade,
onde o Supremo se degenerou,
o poeta não perde a vontade
de versar a denunciar o horror.
Quando vivem na ilegalidade
os intocáveis, sem qualquer destemor,
já não há Constituição de verdade,
só simulacro do que Congresso aprovou.
Imagem feita com IA
*Felipe Bezerra, advogado e poeta.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Adeus, Oscar Schmidt! - Poema em Homenagem ao Nosso 'Mão Santa' - Por, Eduardo Albuquerque*
24/04/2026
como o mundo, chora sua morte,
sua potiguar terra, Natal:
perdemos o ídolo icônico, global.
Quanta alegria doou à sua gente:
sua magia, as jogadas inteligentes.
Lenda do basquete, fama mundial;
da seleção brasileira, defensor inigual.
Quisera descrevê-lo completo, a odisseia:
seus míticos lances, à perfeição,
o ser humano, transbordo imenso.
Recusa o “Mão Santa”, a modéstia:
dizia ser unicamente plena dedicação,
trabalho árduo, esforço intenso.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Chora o Rio Grande do Norte,
como o mundo, chora sua morte,
sua potiguar terra, Natal:
perdemos o ídolo icônico, global.

Quanta alegria doou à sua gente:
sua magia, as jogadas inteligentes.
Lenda do basquete, fama mundial;
da seleção brasileira, defensor inigual.

Quisera descrevê-lo completo, a odisseia:
seus míticos lances, à perfeição,
o ser humano, transbordo imenso.

Recusa o “Mão Santa”, a modéstia:
dizia ser unicamente plena dedicação,
trabalho árduo, esforço intenso.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Além do Som: O Poder das Libras - Conto em Homenagem ao Dia Nacional da Libras, por Maria Inês Machado*
24/04/2026
O professor Antônio aprendeu isso.
Joaquim, seu filho mais velho, nascera surdo. No início, o silêncio pareceu um abismo. Vieram perguntas sem resposta, noites inquietas e uma sensação de estar diante de um mundo desconhecido. Mas, pouco a pouco, Ele percebeu que o silêncio de Joaquim não era vazio. Era apenas outra forma de linguagem, ainda não decifrada por ele.
Na Escola Florescer, onde gerações haviam sido formadas sob métodos tradicionais, o professor Antônio decidiu inovar. Tornar a instituição inclusiva.
Propôs ao professor Batista, seu sócio, a criação de um espaço para crianças e adolescentes surdos. Encontrou resistência.
A escola era tradicional, sólida, respeitada. Incluir alunos surdos parecia um risco desnecessário.
Mas Antônio não recuou.
Havia nos olhos...
Os olhos são o espelho da alma. Isso parece algo simples; todavia, há olhares que dizem mais do que palavras. Há olhos que escutam.
O professor Antônio aprendeu isso.
Joaquim, seu filho mais velho, nascera surdo. No início, o silêncio pareceu um abismo. Vieram perguntas sem resposta, noites inquietas e uma sensação de estar diante de um mundo desconhecido. Mas, pouco a pouco, Ele percebeu que o silêncio de Joaquim não era vazio. Era apenas outra forma de linguagem, ainda não decifrada por ele.
Na Escola Florescer, onde gerações haviam sido formadas sob métodos tradicionais, o professor Antônio decidiu inovar. Tornar a instituição inclusiva.
Propôs ao professor Batista, seu sócio, a criação de um espaço para crianças e adolescentes surdos. Encontrou resistência.
A escola era tradicional, sólida, respeitada. Incluir alunos surdos parecia um risco desnecessário.
Mas Antônio não recuou.
Havia nos olhos dele algo que já não cabia em palavras. Um propósito silencioso, firme. Ele desenhou projetos, buscou formação, mergulhou na Língua Brasileira de Sinais. E, com paciência, começou a ensinar à equipe de professores aquilo que estava aprendendo: que a linguagem não mora apenas na voz.
No início, tudo era estranho.
As mãos pareciam desajeitadas, os movimentos incertos. Os professores se sentiam como crianças reaprendendo a se comunicar. Sem a fala, restava o olhar. E foi no olhar que começaram a se encontrar.
As primeiras crianças e adolescentes chegaram com desconfiança. Carregavam nos gestos contidos a marca de quem sempre esteve à margem. Haviam aprendido cedo que o conhecimento passava pelos sons, e estes não lhes pertenciam.
Então, em um dia que parecia comum, algo aconteceu.

Durante uma atividade, uma menina ergueu as mãos. Seus movimentos eram firmes, delicados, carregados de intenção. Ela contava uma história. Não com voz, mas com o corpo inteiro. Seus olhos brilhavam. Suas mãos desenhavam no ar sentimentos que, até então, pareciam invisíveis.
E todos entenderam.
Naquele instante, o silêncio deixou de ser ausência. Tornou-se presença. Tornou-se linguagem.
Aos poucos, a escola se transformou. As mãos passaram a narrar alegrias, dores, sonhos. Os corredores ganharam novos sentidos. O que antes era dúvida tornou-se descoberta. O que era resistência tornou-se aprendizado.
Até o professor Batista, antes contrário, rendeu-se ao que via. Não foi convencido por discursos, mas pela evidência viva da mudança. Preparou salas, reorganizou espaços, abriu caminhos.
E a Escola Florescer fez jus ao nome.
Ali, o conhecimento deixou de ser apenas som. Tornou-se gesto, expressão, movimento. Tornou-se encontro.
O professor Antônio, agora, já não buscava respostas no silêncio. Ele as via. Estavam nos olhos atentos, nas mãos em movimento, na confiança que crescia onde antes havia medo.
Porque aprender não é apenas ouvir.
É, sobretudo, saber enxergar.
E há quem escute o mundo inteiro… apenas abrindo os olhos.
*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Faz de Conta que Caça - Crônica - Por, Romero Falcão*
24/04/2026
Certa vez ouvi de um veterinário a seguinte tragédia: uma mulher viu, na rede social, um gato de coleira, passeando feito cachorro, guiado por outra mulher. Ficou fascinada: quer dizer que eu posso fazer o mesmo com o meu?
Não Aceitava Virar Cachorro
No dia seguinte, comprou uma guia. Dentro do apartamento, fez de tudo para colocá-la no animal.O bicho pulava, se esquivava, recusava o pescoço. Não aceitava virar cachorro.
Preparou os Punhais
Mas ela tanto insistiu que conseguiu. O felino cedeu. Saíram, passearam, na maior curtição. O celular, certamente, entupido de fotos.
Na volta, veio o terrível anzol. Quando a madame tirou a coleira, já dentro do apartamento, o gato preparou os punhais — as garras.
Uma Papa de Sangue
Parti...
Embora o gato tenha sete vidas, preciso escrever com cuidado para não magoar a pele sensível dos gateiros.
Certa vez ouvi de um veterinário a seguinte tragédia: uma mulher viu, na rede social, um gato de coleira, passeando feito cachorro, guiado por outra mulher. Ficou fascinada: quer dizer que eu posso fazer o mesmo com o meu?

Não Aceitava Virar Cachorro
No dia seguinte, comprou uma guia. Dentro do apartamento, fez de tudo para colocá-la no animal.O bicho pulava, se esquivava, recusava o pescoço. Não aceitava virar cachorro.
Preparou os Punhais
Mas ela tanto insistiu que conseguiu. O felino cedeu. Saíram, passearam, na maior curtição. O celular, certamente, entupido de fotos.
Na volta, veio o terrível anzol. Quando a madame tirou a coleira, já dentro do apartamento, o gato preparou os punhais — as garras.
Uma Papa de Sangue
Partiu para cima. Rasgou-lhe o corpo todo. O rosto uma papa de sangue. A mulher gritava, pedia socorro. Os vizinhos conseguiram salvá-la. Levaram-na ao hospital.
Linguagem do Corpo
Não crie gato com a lógica de criar cachorro. São naturezas distintas.
Nunca criei gato, não entendo sua psicologia. Ainda assim, admiro quem convive com esse animal misterioso, hermético, que fala pela linguagem do corpo.
Não é para qualquer um compreender a natureza de um gato: aceitar sua independência, sua vontade própria, inegociável.
Não Adianta Insistir
Quando o gato não quer, não quer — e ponto. Mas avisa: no rabo que balança, na orelha que se inclina, no miado curto ou longo. Não adianta insistir. Melhor estudá-lo do que desafiá-lo.
Sacrifica o Lobo Interior
O cão se submete a todo tipo de arranjo. Calçar sapato, vestir roupa, usar joia, perfume. Ser conduzido num carrinho de bebê. O capitalismo festeja. E o cão, pelo homem, sacrifica o lobo interior. O gato, não.
O grande escritor e cronista Artur da Távola, que não conheceu o mundo pet como hoje, ainda assim o antecipou. Escreveu uma crônica genial: "Ode ao Gato". Num trecho, diz:
"Relação de Independência"
"O homem quer o bicho submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias de amor. Só as saudáveis. Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não. Até o elefante dança no circo. O cachorro compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. Leões e tigres se apequenam na jaula. Gato, não. Só aceita relação de independência e afeto. E, como não cede ao homem — mesmo dependente dele —, recebe rótulos: traiçoeiro, egoísta, falso. 'Falso', porque não aceita a nossa falsidade. Só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta por necessidade. Gosta por escolha."

Surgiu Uma Lagartixa
Hoje, parei diante de uma cena: uma moça desceu do apartamento com o gato no colo. De repente, soltou o bicho numa área de terra.
Surgiu uma lagartixa.
Irreconhecível no Reino Animal
Fiquei esperando o sagrado instinto de caça. Para minha decepção, o gato se atrapalhou. Tentava, sem jeito, tocar a presa com uma pata apática. A lagartixa parecia se divertir com aquele felino bobo, irreconhecível no reino animal.
Passarinho de Borracha
Meu Deus — perdeu a prática? Ou arrancaram dele?

O que escreveria Artur da Távola de um gato que virou pet de apartamento, que escala pedacinhos de madeira no décimo andar e faz de conta que caça um passarinho de borracha?
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – Pés no Chão - Por, Poeta Pica-Pau*
24/04/2026
Caboclo da roça
Na minha palhoça
Sou muito feliz
Da terra eu tiro
O sustento diário
E no meu calendário
Sou matuto raiz
Não troco o sossego
Por prata nem ouro
Porque meu tesouro
É disso pra lá
É o ar que respiro
Sem poluição
E o cheiro do chão
Quando quer trovoar
Do romper do dia
Ao sol se acalmar
Eu planto semente
Pra vê-la brotar
Não tenho ambição
Me contento com pouco
E assim o caboclo
Vive a gargalhar
O mundo da roça
É bem diferente
De toda essa gente
Que quer ser feliz
E não parou pra pensar
Que a felicidade está
No seu consciente
Caboclo não sente
Falta de riqueza
Que a natureza
Lhe dá a semente
E a colheita sadia
Assim todo dia
O caboclo é con...
Sou cria do mato
Caboclo da roça
Na minha palhoça
Sou muito feliz
Da terra eu tiro
O sustento diário
E no meu calendário
Sou matuto raiz
Não troco o sossego
Por prata nem ouro
Porque meu tesouro
É disso pra lá
É o ar que respiro
Sem poluição
E o cheiro do chão
Quando quer trovoar
Do romper do dia
Ao sol se acalmar
Eu planto semente
Pra vê-la brotar
Não tenho ambição
Me contento com pouco
E assim o caboclo
Vive a gargalhar
O mundo da roça
É bem diferente
De toda essa gente
Que quer ser feliz
E não parou pra pensar
Que a felicidade está
No seu consciente
Caboclo não sente
Falta de riqueza
Que a natureza
Lhe dá a semente
E a colheita sadia
Assim todo dia
O caboclo é contente
Vou dá um conselho
Pra quem é apressado
E está afastado
Do seu bom viver
Venha conlhecer
A beleza da roça
E um sossego que possa
Lhe dá mais prazer
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.
Imagem feita por IA
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – O Bichinho Sorridente e o Político Indecente – Croniqueta, por Xico Bizerra*
24/04/2026
Que diabo é Quokka e de que ele ri?
Calma! Não enfiem o dedo e rasguem a boca em X se classificando ignorantes antes que lhes esclareça: trata-se de um pequeno marsupial que vive na Austrália, primo legítimo dos cangurus, de tamanho similar a um gato doméstico e que vive permanentemente a sorrir. E eu que pensava que no reino dos bichos, além dos humanos, apenas a hiena era um animal que sabia rir. Ledo engano! Achei tão interessante a existência desse tal de 'Quokka' que, deliberadamente, assumi correr o risco de ser acusado de ter plagiado Teles ao abordar o simpático animalzinho nesta croniqueta. Não foi minha intenção. Resta a primária questão: ele ri de felicidade ou por outro qua...
Que me perdoe Pitágoras, mas mais um dia que se vai e eu não precisei usar o cateto da hipotenusa para absolutamente nada. Em contrapartida, tive a grata satisfação de, através do excelente 'Crônicas Pandêmicas', de Zé Teles, tomar conhecimento do sorridente Quokka'.
Que diabo é Quokka e de que ele ri?
Calma! Não enfiem o dedo e rasguem a boca em X se classificando ignorantes antes que lhes esclareça: trata-se de um pequeno marsupial que vive na Austrália, primo legítimo dos cangurus, de tamanho similar a um gato doméstico e que vive permanentemente a sorrir. E eu que pensava que no reino dos bichos, além dos humanos, apenas a hiena era um animal que sabia rir. Ledo engano! Achei tão interessante a existência desse tal de 'Quokka' que, deliberadamente, assumi correr o risco de ser acusado de ter plagiado Teles ao abordar o simpático animalzinho nesta croniqueta. Não foi minha intenção. Resta a primária questão: ele ri de felicidade ou por outro qualquer motivo? Não creio que nele resida o riso do cinismo e desfaçatez tão comuns a alguns políticos em período eleitoral, época de caça aos votos.
Para não deixar pela metade o compêndio de cultura inútil, informo que os 'Quokka' são herbívoros, de hábitos noturnos e possuem uma bolsa na barriga onde as fêmeas carregam e amamentam seus filhotes. Se quiserem conhecê-los melhor e tiverem preguiça de consultar o Google é só comprar uma passagem para a Ilha Rottnest, lá pras bandas da Oceania, mas já sabendo que o bichinho é considerado uma espécie vulnerável, protegida pelas leis australianas, sendo proibido tocá-lo ou alimentá-lo. Distância deles, pois. Dos homens que riem por cinismo, também. Estes, ao contrário daqueles, são nocivos à boa alma.
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Soneto Biocadaveral, Mais um Poema do Poeta Tony Antunes de Palmares* na linha de Augusto dos Anjos. Lê quem gosta de Escatologia
24/04/2026
No abismo necroideante da alma vã, Fermentam vermes — átomos da dor — Que em pútrida e infinita decomposição Devastam mil universos num só horror.
Na carne bacteriófaga do existir,
Pululam vírus — espectros da agonia — Num caos que excede o próprio ruir,
E explode em dor maior que a eternidade fria.
Ó mente cadaverizante, abismo em febre, Onde a morte é química em combustão, Mais vasta que o cosmo em sua treva lúgubre.
E em tua orgânica e eterna putrefação, Há um grito — hipermorbígeno — que verte Mil sóis de dor na mínima fração da morte.
*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
(Ao Poeta Augusto dos Anjos)
No abismo necroideante da alma vã, Fermentam vermes — átomos da dor — Que em pútrida e infinita decomposição Devastam mil universos num só horror.
Na carne bacteriófaga do existir,
Pululam vírus — espectros da agonia — Num caos que excede o próprio ruir,
E explode em dor maior que a eternidade fria.
Ó mente cadaverizante, abismo em febre, Onde a morte é química em combustão, Mais vasta que o cosmo em sua treva lúgubre.
E em tua orgânica e eterna putrefação, Há um grito — hipermorbígeno — que verte Mil sóis de dor na mínima fração da morte.
*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – Basílica da Penha - Por, Carlos Bezerra Cavalcanti*
24/04/2026
Sua configuração é de uma cruz latina, contendo três na-ves, com um suntuoso zimbório, tendo no alto uma elegante clarabóia, bonitos altares e painéis pontificais muito antigos em edição de luxo de Viseu.
Segundo o Pe. Antônio Barbosa, “ Relíquias de Pernambuco”, págs. 55 e 56: “...Questões políticas entre Portugal e França provocaram a expulsão dos frades franceses, nos primórdios do século XVIII, o que implicou nos abandono da igreja e de sua obra. Nos idos de 1709, a coroa portuguesa autorizou a volta dos c...
Construída num terreno doado, em 1656, por Melchior Álvares e sua esposa Joana Bezerra, graças ao esforço e dedicação dos frades capuchinhos franceses e à generosidade da população do Recife, através de donativos, o que proporcionou a construção, não apenas da igreja como do convento dos frades, anexo. Suas linhas arquitetônicas fogem totalmente, aos demais templos católicos do Recife, justamente por seguir, em parte, o estilo da ordem artística coríntia.
Sua configuração é de uma cruz latina, contendo três na-ves, com um suntuoso zimbório, tendo no alto uma elegante clarabóia, bonitos altares e painéis pontificais muito antigos em edição de luxo de Viseu.
Segundo o Pe. Antônio Barbosa, “ Relíquias de Pernambuco”, págs. 55 e 56: “...Questões políticas entre Portugal e França provocaram a expulsão dos frades franceses, nos primórdios do século XVIII, o que implicou nos abandono da igreja e de sua obra. Nos idos de 1709, a coroa portuguesa autorizou a volta dos capuchinhos, desta feita, oriundos da Itália, para reassumirem as suas obras.
A igreja era dotada de grande simplicidade, portanto, destituída dos requintes barrocos.
A primeira imagem, sendo de pequenas dimensões, foi substituída por outra de tamanho natural, que ainda hoje se encontra no altar-mor.

Com o fortalecimento da devoção da virgem da Penha, os frades sentiram a necessidade de aumentar o templo, e o fizeram com ares basílicas, à semelhança da basílica de Santa Maria Maior de Roma, e em estilo coríntio, único exemplar no Recife. O arquiteto foi frei Vicente de Vienzio, e a conclusão das obras se deu aos 22 de janeiro de 1882, quando foi solenemente inaugurada.
Seu interior, imponente, é de grande esplendor, encimado por uma grande cúpula. Entre as arcadas que a rodeiam, estão as pinturas dos quatro evangelistas, de autoria de Murilo La Greca. Há vários altares de grande valor estético, destacando-se aquele onde se acha o mausoléu de Dom. Vital, o qual soube defender a fé e a sagrada doutrina em obediência ao Papa Pio IX, na famosa “Questão Religiosa” da Igreja contra a maçonaria. A construção de seu túmulo contou com desenho artístico do arquiteto Giacomo Palumbo e execução de João Barete de Carrara, e a sua inauguração ocorreu aos 4 de julho de 1887...”

Nesta basílica foi velado, em 1997, o corpo do Frei Damião de Bozzano, um dos religiosos mais adorados da Região Nordestina, juntamente com o Padre Cícero. Nela foi sepultado o corpo do irreverente poeta baiano Gregório de Matos. Numa sala ao lado direito do templo, funciona o Museu D. Vital, com várias peças de vestimentas e de uso generalizado do religioso.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Malude Maciel* Em Dose Dupla
24/04/2026
O nome de Luísa Cavalcanti Maciel dispensa adjetivos pela grandiosidade de uma vida totalmente voltada à Arte e à Cultura no Agreste pernambucano.
Compulsando os anais da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras e Letras - ACACCIL, verificamos que cinco baluartes da intelectualidade local projetaram, nesta cidade, em 18 de maio de 1982, a existência e funcionamento da instituição que constitui um marco na vida cultural, literária e artística de Caruaru. Contemplando as fotografias da época, salientamos que no grupo de fundadores desta entidade, estão quatro homens e uma única mulher, que são: Emmanuel de Souza Leite (odontólogo), Walter Augusto de Andrade (advogado), Amaro Matias (professor), Mário Menezes (advogado) e Luísa Maciel (artista plástica).
Infelizmente, na data de 27 de dezembro de 2012, a única representante feminina da cúpula de sócios fundadores da ACACCIL, nos deixou cheios d...
Única Fundadora - Crônica
O nome de Luísa Cavalcanti Maciel dispensa adjetivos pela grandiosidade de uma vida totalmente voltada à Arte e à Cultura no Agreste pernambucano.
Compulsando os anais da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras e Letras - ACACCIL, verificamos que cinco baluartes da intelectualidade local projetaram, nesta cidade, em 18 de maio de 1982, a existência e funcionamento da instituição que constitui um marco na vida cultural, literária e artística de Caruaru. Contemplando as fotografias da época, salientamos que no grupo de fundadores desta entidade, estão quatro homens e uma única mulher, que são: Emmanuel de Souza Leite (odontólogo), Walter Augusto de Andrade (advogado), Amaro Matias (professor), Mário Menezes (advogado) e Luísa Maciel (artista plástica).
Infelizmente, na data de 27 de dezembro de 2012, a única representante feminina da cúpula de sócios fundadores da ACACCIL, nos deixou cheios de saudades e de recordações. Faleceu, aos 86 anos de idade, entre seus familiares, amigos e admiradores, nossa querida companheira, Luísa Cavalcanti Maciel.
Desde 1999 fazemos parte da seleta lista de acadêmicos titulares desta Casa e, mesmo já tendo o maior apreço pela referida pintora, escultora, artista plástica, Delegada oficial da CIOFF e fundadora da ACACCIL, pudemos constatar a figura humana da Sra. Dra. em Belas Artes: Luísa Maciel; um exemplo de fidalguia, elegância, coragem e empenho futurista em coisas importantes ao desenvolvimento da nossa cidade. Nasceu em Pesqueira, mas desde criança apaixonou-se pela "Terra dos Avelozes Esmeraldinos" e viveu intensa e produtivamente no "País de Caruaru", levando e elevando o nome da "Capital do Agreste" aos mais longínquos países de um mundo globalizado, valorizando a arte, o folclore, a cultura, a literatura e a vida dos seus conterrâneos, como também trouxe para nossa sociedade, espetáculos belíssimos evocando outras culturas e dando conhecimento ao nosso povo das belezas de outras plagas.
Lembramos dos famosos "Festivais do Folclore" proporcionados pela dinâmica acadêmica: apresentações gratuitas de danças e músicas de variados recantos mundiais, mostrados no campo do Central Sport Club ou na própria residência de D. Luísa, no período da semana santa.
Para mim, era um prazer renovado, encontrar com D. Luísa, acadêmica titular da Cadeira número 10, cujo patrono é o também famoso escritor caruaruense, José Condé. Estava sempre presente na ACACCIL, acompanhada pelo seu esposo, Sr. Rafael e da sua filha Socorro, que atualmente ocupa a mesma Cadeira na ACADEMIA.
D.Luísa recebeu em vida muitas homenagens, merecidamente, pois não há quem não reconheça seu imenso valor, e outras tantas após sua partida, porque sua memória será preservada aqui e alhures pelos seus feitos grandiosos e pela herança que nos deixou.
Nós, as mulheres, sentimo-nos orgulhosas pela magnífica representatividade que Dona Luísa nos deu por onde passou. Uma grande mulher!
Agradeço a Deus pela felicidade de ter convivido com uma personagem tão maravilhosa.
Seu nome não será esquecido.

Festas Infantis - Crônica
Nesta fase da vida, procuro atender aos convites que me são destinados, comparecendo aos eventos, para não perder nenhum momento especial. Desta feita, fui à festa de aniversário de uma das netas e acho interessante transcrever alguma consideração sobre o assunto.
Alegria
Primeiramente as comemorações ou encontros realizados entre uma faixa etária continuam tendo a mesma alegria, porém os estilos diferem muitíssimo de como aconteciam há anos passados. O modo como eram feitas as nossas festinhas e também as dos nossos filhos, não são mais iguais à programação que atualmente vemos entre os novos protagonistas.
Antes, toda a família se sentia convidada, pelo menos os pais e irmãos; hoje em dia, talvez para dar liberdade à turminha ou mesmo pela contenção de despesas, apenas a criança denominada é deixada no local da festa e somente no final resgatada pelos responsáveis, ficando aos cuidados dos anfitriões. Isso não acontecia em outras épocas, agora é de praxe.
A grande mudança
As brincadeiras, passaram para a era digital e os jogos são feitos pelo computador, apresentados num telão, enquanto cada participante tem seu celular e sabe manusear tudo com facilidade.
Músicas, danças e desenhos também nos são desconhecidos e, até mesmo os temas escolhidos nos parecem estranhos, com figuras da nova geração.
Sobreviventes
Um ou outro entretenimento ainda segue o padrão, como o conhecido "quebra-panela", sendo que uma bola de sopro faz o papel da antiga panela, contendo as guloseimas, ficando mais fácil de estourar pela criança de olhos vendados, enquanto as demais apanham os doces espalhados pelo chão.
A "roda das cadeiras" ainda mantém seu status porque agrada bastante e pode ser inserida em qualquer ambiente, desde que não se tem grandes espaços disponíveis e algumas atividades são substituídas por outras mais cômodas.
Casas de festas
Outra modalidade utilizada nas festas infantis atuais é a contratação de lugares já destinados a tais eventos, nós shoppings centers ou casas de festas, sendo uma opção onerosa, porém reduz a trabalheira dos pais que não dispõem de tempo para organizar tantos detalhes. Também a figura do recreador faz parte dos padrões modernos.
Tradição
Os presentes e o bolo continuam em pleno uso, sem dispensar uma decoração primorosa e as prendas que todos recebem ao ir embora, mas as velinhas acesas, indicando o número de anos completados e a pose ao apagá-las, são plenamente dispensáveis.

Parabéns
Sem dúvida, não pode faltar o canto do tradicional: "parabéns pra você" com os aplausos dos presentes e as fotos registrando aquele instante único de descontração.
Nem preciso salientar que o pet da família marcou presença, eufórico, junto à meninada.
Considerações
Prezo muito por essa tradição que reúne as famílias e vejo muita satisfação na criançada, tanto na aniversariante como nos amigos comuns.
Que esse costume perdure por muitas gerações, pois apesar das diferenças tem um sentido importantíssimo para os laços de amizade.
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Para a Língua de Sinais - Poema em Homenagem ao Dia Nacional da Libras - Por, Romero Falcão*
24/04/2026
Polegar, indicador e mindinho
no passo exato
Médio e anular se erguem,
marcam o ritmo.
Dez dedos,
dez criaturas constroem
milhares de frases.
A mudez se faz grito.
Verbos brotam dos sinais.
Língua na boca das mãos.
A linguagem — e seus ais —
em gesto de amor infinito
O mundo pede ruído
Mas o balé dos dedos
faz solo dentro dos olhos
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Mãos dançam um tango alfabeto.
Polegar, indicador e mindinho
no passo exato
Médio e anular se erguem,
marcam o ritmo.
Dez dedos,
dez criaturas constroem
milhares de frases.
A mudez se faz grito.
Verbos brotam dos sinais.
Língua na boca das mãos.
A linguagem — e seus ais —
em gesto de amor infinito
O mundo pede ruído
Mas o balé dos dedos
faz solo dentro dos olhos
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.
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