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Projeto polêmico - Após aprovada na Câmara, PEC que proíbe aborto legal no Brasil segue para o Senado

28/11/2024

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Sob protestos, Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (27/11), por 35 votos a 15, a proposta de emenda à Constituição (PEC) 164/2012, que proíbe o aborto no Brasil, mesmo em casos previstos na legislação brasileira.

O texto

O texto ainda terá que passar por uma comissão especial e depois pelos plenários da Câmara e do Senado.






A PEC

A PEC pode acabar com a permissão para se interromper a gravidez nos casos de risco de morte da gestante, de gravidez por estupro e de anencefalia fetal, ou seja, de má-formação do cérebro do feto.

Permitido

No país, o aborto é permitido em apenas três situações: risco de morte à gestante, gravidez resultante de estupro e anencefalia fetal má formação do cérebro. Os dois primeiros casos estão previstos em lei, enquanto a última permissão se deu após aná...

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Sob protestos, Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (27/11), por 35 votos a 15, a proposta de emenda à Constituição (PEC) 164/2012, que proíbe o aborto no Brasil, mesmo em casos previstos na legislação brasileira.

O texto

O texto ainda terá que passar por uma comissão especial e depois pelos plenários da Câmara e do Senado.


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A PEC

A PEC pode acabar com a permissão para se interromper a gravidez nos casos de risco de morte da gestante, de gravidez por estupro e de anencefalia fetal, ou seja, de má-formação do cérebro do feto.

Permitido

No país, o aborto é permitido em apenas três situações: risco de morte à gestante, gravidez resultante de estupro e anencefalia fetal má formação do cérebro. Os dois primeiros casos estão previstos em lei, enquanto a última permissão se deu após análise do Supremo Tribunal Federal (STF).


A proposta

A proposta foi apresentada em 2012 pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-RJ). O texto muda o artigo 5° da Constituição Federal para garantir a inviolabilidade do direito à vida, "desde a concepção". Isso significa que, se o Congresso aprovar a PEC, mesmo o aborto que hoje é permitido por lei em apenas três casos também ficaria proibido. (O Poder)

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Leia outras informações

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É Findi de Carnaval - E Claro que hoje Romero Falcão* viria em Dose Dupla

14/02/2026

Vamos Para o Amantes? - Crônica


Já brinquei muito carnaval, levado pelos hormônios da idade, pulando na festa da carne. Olinda — os melhores carnavais de rua que marcaram minha memória — início da década de 80.

Coice da Mula

Eu ia no embalo da fuzarca. Meu corpo, inflexível para a dança, até ensaiava uns passos de frevo. Depois da batida de limão — muito mais álcool que limão — o diabo dava o coice da mula.

Embora não houvesse o “Não é Não”, nunca fui adepto do beijo roubado, mediante forçação de barra ou grave cachaça. Apesar de terrivelmente feio, aprendi desde cedo a seduzir pelo sorriso, pela graça e ironia.

Nem Cara Nem Alma

Certa vez, um escritor me perguntou se eu gostava de carnaval. Respondi que sim. Ele devolveu: “Tem cara, não”.

Quem sabe, numa sessão de psicanálise, eu descobriria que não tenho cara nem alma de carnavalesco. Nem a fantasia esconderia o fol...

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Vamos Para o Amantes? - Crônica


Já brinquei muito carnaval, levado pelos hormônios da idade, pulando na festa da carne. Olinda — os melhores carnavais de rua que marcaram minha memória — início da década de 80.

Coice da Mula

Eu ia no embalo da fuzarca. Meu corpo, inflexível para a dança, até ensaiava uns passos de frevo. Depois da batida de limão — muito mais álcool que limão — o diabo dava o coice da mula.

Embora não houvesse o “Não é Não”, nunca fui adepto do beijo roubado, mediante forçação de barra ou grave cachaça. Apesar de terrivelmente feio, aprendi desde cedo a seduzir pelo sorriso, pela graça e ironia.

Nem Cara Nem Alma

Certa vez, um escritor me perguntou se eu gostava de carnaval. Respondi que sim. Ele devolveu: “Tem cara, não”.

Quem sabe, numa sessão de psicanálise, eu descobriria que não tenho cara nem alma de carnavalesco. Nem a fantasia esconderia o folião aguado, contido.

Velhote 'Nutella'

O que acontece é que, hoje, não tenho mais disposição para o sol escaldante, o calor do Saara, o empurra-empurra da massa. Camarote também não me apraz. Transporte é outra guerra. Acho que virei um velhote 'Nutella'.

Por Que Tenho Que Brilhar?

Pegar um carro de aplicativo nos dias de folia é troça desgastante. Nem vou falar de faca, bala e soco. Sim, eu sei, pode ser a velhice chegando. E por que não posso assumir isso? Por que tenho que brilhar, continuar brilhando?



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Fernando Pessoa

A estrela maior, Fernando Pessoa, escreveu num poema: “Tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo, tenho dó delas...”. E continua: “Não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas?”.

Música da Moda

Talvez seja isso. Tenho cansado das coisas: do brilho do carnaval, do cintilante e tedioso futebol, da música da moda iluminada pelo farol do mercado.

Uma amiga me chama no Zap: “Vamos para o Amantes?”. Deduzi tratar-se de um bloco. Quem já se viu um pernambucano não conhecer o Amantes da Glória?



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Ver o Povo Gostar de Carnaval

Em 2024, participei pela primeira vez do bloco “Nem Sempre Lili Toca Flauta”. Não toquei a tal flauta, mas escrevi uma crônica cheia de vigor, confete e serpentina.
Na sexta década de vida, percebo uma escrita que gosta de ver o povo gostar de carnaval.


Todos os anos é o mesmo bordão: o Galo da Madrugada está assim, assado...


A cabeça tá bonita, mas o corpo é de pinto. O bico tá bonito, mas os pés... Enfim, tirando os pets que agradam a todo mundo. Nem Jesus Cristo agradou. Imagina o Galo do sábado de Zé Pereira? Pela outra margem da discussão, pergunto aos meus sofríveis botões: por que não nos inspiramos na tecnologia usada no desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro? E o nosso Galo deixaria de ser uma estátua, ganharia movimento, abriria as asas, giraria sobre a ponte. E até soltaria o canto feito o galo de João Cabral, no belíssimo poema "Tecendo a Manhã" .



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Eu Vi o Galo, e Ele Voou no Recife - Poema


Vai passarinho
faz ninho no coração recifense
O caranguejo cerebral de Chico Since
Também poderia voar
feito o Boi voador sobre a ponte

Imagina bicho de asa
na manhã de carnaval
O Galo da Madrugada tal qual
o galo de João Cabral
Levanta alegria
rasga o frevo nas alturas
Tece o sábado de Zé Pereira


*Romero Falcão é um cronista que se arrisca a fazer poema torto.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi de Carnaval - O Carnaval Bonito que Resiste, no Recife Antigo - Por, Francisco Dacal*

14/02/2026

O Carnaval é uma ancestralidade viva que não se limita a uma simples manifestação
popular. Em verdade, cumulativamente, ele carrega história, cultura, alegria, estética,
musicalidade, comicidade e a criação de personagens tiradas da realidade.

Com o passar do tempo, a cidade do Recife tornou-se um excepcional palco ao ar livre para
o Carnaval, com características próprias, tendo o seu centenário Frevo, aqui nascido, eclético
e contagiante ritmo musical, como base e referência, ao lado da cidade-irmã, Olinda.

Entre o final dos anos de 1990 e o início do século XXI, com a revitalização do portuário
Bairro do Recife, berço colonial, os clubes de Blocos Líricos encontraram nele o espaço ideal
para fazerem uma festa adequada, capaz de exaltar as belezas que possuem. Deu certo. Na
época, acompanhamos essa transformação com a presença da turma do Bairro do Espinheiro,
admiradora da Festa de Momo e da modali...

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O Carnaval é uma ancestralidade viva que não se limita a uma simples manifestação
popular. Em verdade, cumulativamente, ele carrega história, cultura, alegria, estética,
musicalidade, comicidade e a criação de personagens tiradas da realidade.

Com o passar do tempo, a cidade do Recife tornou-se um excepcional palco ao ar livre para
o Carnaval, com características próprias, tendo o seu centenário Frevo, aqui nascido, eclético
e contagiante ritmo musical, como base e referência, ao lado da cidade-irmã, Olinda.

Entre o final dos anos de 1990 e o início do século XXI, com a revitalização do portuário
Bairro do Recife, berço colonial, os clubes de Blocos Líricos encontraram nele o espaço ideal
para fazerem uma festa adequada, capaz de exaltar as belezas que possuem. Deu certo. Na
época, acompanhamos essa transformação com a presença da turma do Bairro do Espinheiro,
admiradora da Festa de Momo e da modalidade carnavalesca.

Com o protagonismo dos Blocos Líricos, a Ilha do Recife Antigo cultiva o carnaval dos
sonhos, autêntico, dos belos blocos e das belas canções, das fantasias, das brincadeiras e das
amizades. É o que vemos hoje, em conjunto com outras modalidades carnavalescas
tradicionais, em harmonia com as suas ruas históricas que, como escreveu Cervantes em uma
novela, [...] ”só com os nomes cobram autoridade sobre todos os nomes das de outras cidades
do mundo”: a do Apolo, a da Moeda, a do Bom Jesus, a da Alfândega, a da Guia, a do Brum,
a Madre de Deus e a do Moinho. Ao falar delas, não podemos deixar de citar as acessórias
praças: a do Arsenal, a do Marco Zero, a Tiradentes e a da Comunidade Luso-Brasileira;
pontos vitais das valiosas vias, reminiscências da grandeza da Cidade Lendária.

Este carnaval de 2026 tem algo de especial, por ser o primeiro do segundo quarto (2/4) do
Século XXI. Tal celebração crescerá em alegria, e o momento do país é bom, e nos faz pensar
no futuro, em estarmos preparados para outros carnavais, “que assim seja”... E nesse
momento, há dois fatos relevantes associados que intensificarão a aguardada festa de Baco.



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O primeiro é a comemoração do aniversário de 80 anos de Alceu Valença, já em linha,
prestes a acontecer (1º de julho). O músico, compositor e cantor Alceu Valença foi, pelo
desempenho individual, o principal impulsionador do Carnaval no Recife Antigo. Há vários
anos, o autor de Anunciação realiza, na costeira estação do Marco Zero, com o apoio de
primorosa equipe musical e artística, a apoteose do Carnaval, no último dia da festa,
subliminarmente na passagem para a quarta-feira de cinzas, com um magnífico espetáculo ao
vivo, em parceria com uma multidão de pessoas que não arredam o pé da folia em todos os
instantes da madrugada... são frevos magistrais, num estilo pessoal frenético, em cujo
repertório também não faltam o maracatu, o caboclinho e o Hino de Pernambuco.



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O segundo fato é o filme O Agente Secreto, do cineasta recifense Kleber Mendonça Filho,
lançado com sucesso em meados de 2025. A repercussão da qualidade da película foi
reconhecida com a conquista de diversos prêmios em festivais internacionais, em diversas
categorias, e ratificada com a indicação à láurea mais significativa, o Oscar, em quatro
categorias (Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e
Melhor Direção de Elenco (Escalação). O resultado final do Oscar será conhecido no dia 15
de março, no evento oficial em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Mas o que queremos destacar é a febre em torno do O Agente Secreto, nesse período momesco,
em razão de ele ter sido filmado, ambientado, na cidade do Recife, remetendo ao ano de 1972,
com cenas nas regiões centrais e históricas, algumas delas em lugares onde o nosso carnaval
acontece. Uma cena icônica é a de uma orquestra arrastando um bloco com o Frevo de Rua Cabelo de Fogo,
do Maestro Nunes, com foliões e folionas dançando. Em outra cena, o ator protagonista, Wagner Moura,
o “Marcelo” / “Armando”, aparece com uma camiseta amarela do Bloco Pitombeira dos Quatro Cantos,
de Olinda. Como consequência disso, o que estamos vendo no cotidiano recifense, aos milhares, é
o uso disseminado da camiseta da Pitombeira e a formação de irreverentes quadros cômicos com
personagens do filme em ação; situações que indicam serem as mais marcantes no meio desse carnaval,
sátiras não vão faltar.


*Agora é cair na folia, iniciando com bons Frevos de Rua:*

Último Dia (Levino Ferreira). Lágrimas de Folião (Levino Ferreira). Mordido (Alcides Leão).
Duas Épocas (Edson Rodrigues). Vassourinhas (Matias da Rocha e Joana Batista Ramos).
Cabelo de Fogo (Maestro Nunes). Freio a Óleo (José Menezes). Nino, o pernambuquinho (Maestro Duda).
Gostosão (Nelson Ferreira)...


*E deliciar-se com os Frevos de Blocos Líricos:*

- Batutas de São José… Deixe o frevo rolar / Que eu só quero saber / Se você vai ficar / Ai,
meu bem, sem você / Ah não há carnaval / Vamos cair no passo / E a vida gozar. (João Santiago).

- Serpentina Partida… Você, vestida de alegria / E eu da tristeza no salão / Mas ainda vai
chegar um dia / Em que vou reinar no seu cordão. (Maximiano Campos - Arthur Lima Cavalcanti).

- Flabelo das Ilusões… Vê! O meu Recife se enfeitou demais / Olha! Até o rio parou de
correr / Só pra ver meu bloco de recordações / Com um flabelo feito de ilusões / Me
levando de volta pra você. (Heleno Ramalho).

- Recife Manhã de Sol… Vejo o Recife prateado / À luz da lua que surgiu / Há um poema
aos namorados / No céu e nas águas dos rios. (J. Michiles).

- Panorama de Folião… Vem, meu bem / Alegria que o frevo contém / É a do meu coração /
Vem pegar no meu braço / Vamos cair no passo sem alteração. (Luiz de França).

- Último Regresso… É lindo ver o dia amanhecer / Ouvir ao longe pastorinhas mil /
Dizendo bem, que o Recife tem / O carnaval melhor do meu Brasil. (Getúlio Cavalcanti).



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Evoé!


*Francisco Dacal, é Administrador De Empresas (UFPE), Da Asociación De Cervantistas (ES), Da
Asociación Internacional De Lectores Y Coleccionistas De Don Quijote (MX), Autor do Livro “Sonho Impossível – O Recife E Cervantes”. f.dacal@hotmail.com



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É Findi de Carnaval - Eduardo Albuquerque* também vem em Dose Dupla comemorar a Folia

14/02/2026

Carnaval 26 - Poema


Alô, alô! ei meu povo!
Olha eu aqui de novo!
No “Bicho Maluco Beleza”
Agarradinho nela, a minha tigresa

Nas ladeiras, ondas de Olinda
Sempre alegre, sempre sorrindo
Dessa vez não estou sozinho
Frevo eu e minha moreninha



Vamos p’ra todos os cantos
Nos embriagar nos encantos
Na minha “Olinda sem igual”



Desfilar nos “Quatro Cantos”
Só namorando, namorando
Na linda Rainha dos Carnavais!



Galo da Madrugada - Poema


As águas serenas do Capibaribe
Altivas deslizam pelo Recife
Ei-las, testemunhas sazonais
Dos Zé Pereira, dos carnavais

Dos milhares de alegres foliões a frevar
Vêm da Sérgio Loreto, do Cinco Pontas
Do São José, Rua do Sol, Guararapes
Até a vetusta Duarte Coelho alcançar

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Carnaval 26 - Poema


Alô, alô! ei meu povo!
Olha eu aqui de novo!
No “Bicho Maluco Beleza”
Agarradinho nela, a minha tigresa

Nas ladeiras, ondas de Olinda
Sempre alegre, sempre sorrindo
Dessa vez não estou sozinho
Frevo eu e minha moreninha



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Vamos p’ra todos os cantos
Nos embriagar nos encantos
Na minha “Olinda sem igual”



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Desfilar nos “Quatro Cantos”
Só namorando, namorando
Na linda Rainha dos Carnavais!



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Galo da Madrugada - Poema


As águas serenas do Capibaribe
Altivas deslizam pelo Recife
Ei-las, testemunhas sazonais
Dos Zé Pereira, dos carnavais

Dos milhares de alegres foliões a frevar
Vêm da Sérgio Loreto, do Cinco Pontas
Do São José, Rua do Sol, Guararapes
Até a vetusta Duarte Coelho alcançar



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No Recife tudo houve, há, haverá
Outrora já viu até boi sobre si voar
Agora chegou a vez do galo voo alçar
Da sua empertigada postura abdicar

Do Pernambuco para todo o Mundo
Ao Brasil oficial e ao real, profundo
O Galo da Madrugada ao povo traz
Esperanças, sonhos, e muita Paz!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.



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É Findi - Sempre Ele - Crônica, por Ana Pottes*

14/02/2026

Em uma crôniqueta de beleza singular, no Findi da semana passada, Xico Bizerra indaga se ainda existem relógios de corda, aqueles com mecanismos de complexas roldanas que giram em sentidos opostos. Recordei, então, o meu prazer em usar um relógio automático pela primeira vez; era só balançar o braço e, no movimento das horas, as horas eram alimentadas.

O progresso, correndo mais do que o tempo, em corrida insana, sendo as cordas e o automatismo jogados na poeira do esquecimento e substituídos por tecnologias de ponta.

Isso me faz lembrar os rádios que acompanharam a minha infância, inundando as horas com músicas da estação Tamandaré ou aquela novela: Jerônimo, o herói do Sertão. Eram alimentados por válvulas de múltiplos tamanhos, que, acesas, pareciam as luzes de um palco. Era só fechar os olhos e imaginar.

Lembro de um, acho que da marca ABC, já cansado de guerra, resolveu queimar a válvula em uma parte da trama envolvendo grande tensão, i...

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Em uma crôniqueta de beleza singular, no Findi da semana passada, Xico Bizerra indaga se ainda existem relógios de corda, aqueles com mecanismos de complexas roldanas que giram em sentidos opostos. Recordei, então, o meu prazer em usar um relógio automático pela primeira vez; era só balançar o braço e, no movimento das horas, as horas eram alimentadas.

O progresso, correndo mais do que o tempo, em corrida insana, sendo as cordas e o automatismo jogados na poeira do esquecimento e substituídos por tecnologias de ponta.

Isso me faz lembrar os rádios que acompanharam a minha infância, inundando as horas com músicas da estação Tamandaré ou aquela novela: Jerônimo, o herói do Sertão. Eram alimentados por válvulas de múltiplos tamanhos, que, acesas, pareciam as luzes de um palco. Era só fechar os olhos e imaginar.

Lembro de um, acho que da marca ABC, já cansado de guerra, resolveu queimar a válvula em uma parte da trama envolvendo grande tensão, imaginem só! Levou tantos safanões para voltar a funcionar... Sem sucesso.

Acreditávamos que eram válvulas frouxas mas, era o fim do tempo de vida daquele ABC.

Sempre o tempo: a fechar ciclos, marcar recomeços, apontar saídas, descortinar verdades, aplacar dores e despertar desejos. Ele, marcado por relógios, fatiado em pequenas porções e somado em pedaços que medimos a cada ano, para no final reconhecer que, efêmero, plantou saudade.


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem!


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Gibis e Figurinhas - Soneto de Homenagem, por Josué Sena*

14/02/2026

Goiana. Ah! Os prazerosos gibis,
As revistas em quadrinhos.
Da leitura, incentivavam os caminhos,
No tempo jovem que vivi,

As usadas, já referi num poema,
O ponto de venda e trocas das revistas,
Junto ao Nácar, o saudoso cinema,
Bazar dessas mercadorias tão benquistas.

Assim a nossa riqueza,
Contava-se em revistas e figurinhas,
Elas punham a boa mesa

Do imaginário. Quanto mais se tinha,
Mais se aproximava da proeza
De ser um magnata, como Tio Patinhas.


*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.



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Goiana. Ah! Os prazerosos gibis,
As revistas em quadrinhos.
Da leitura, incentivavam os caminhos,
No tempo jovem que vivi,

As usadas, já referi num poema,
O ponto de venda e trocas das revistas,
Junto ao Nácar, o saudoso cinema,
Bazar dessas mercadorias tão benquistas.

Assim a nossa riqueza,
Contava-se em revistas e figurinhas,
Elas punham a boa mesa

Do imaginário. Quanto mais se tinha,
Mais se aproximava da proeza
De ser um magnata, como Tio Patinhas.


*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.



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É Findi de Carnaval - Abafo no Carnaval do País de Caruaru - Crônica, por Valéria Barbalho*

14/02/2026

Fui ao Recife Antigo conhecer o Paço do Frevo. Entre várias informações sobre esse ritmo, li, num criativo painel, o significado de "abafo": modalidade de frevo de rua, também conhecido como "frevo de encontro", caracterizado pelo predomínio dos metais. Chama-se "abafo" quando, na rua, um bloco tem o propósito de abafar o som que vem da orquestra de outro.

Lembrei, então, de um causo que aconteceu durante o Carnaval de 1934, na Capital do Forró. Naquela época, o foco da animação era na Rua da Matriz, onde os blocos se esmeravam nos seus desfiles. Havia disputas acirradas entre as agremiações e algumas eram inimigas ferrenhas. Entre estas, os clubes Vassouras e Toureiros eram os rivais mais famosos. Nesse ano, Seu Júlio, pai de Pedro e Emiliano do Trombone, compôs um frevo sensacional chamado "Edialeda", em homenagem à filha de Mané d'Ana Branca, conhecido valentão da turma.



Quando o Maestro Samuel, da banda Nova Euterpe e, também, da orques...

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Fui ao Recife Antigo conhecer o Paço do Frevo. Entre várias informações sobre esse ritmo, li, num criativo painel, o significado de "abafo": modalidade de frevo de rua, também conhecido como "frevo de encontro", caracterizado pelo predomínio dos metais. Chama-se "abafo" quando, na rua, um bloco tem o propósito de abafar o som que vem da orquestra de outro.

Lembrei, então, de um causo que aconteceu durante o Carnaval de 1934, na Capital do Forró. Naquela época, o foco da animação era na Rua da Matriz, onde os blocos se esmeravam nos seus desfiles. Havia disputas acirradas entre as agremiações e algumas eram inimigas ferrenhas. Entre estas, os clubes Vassouras e Toureiros eram os rivais mais famosos. Nesse ano, Seu Júlio, pai de Pedro e Emiliano do Trombone, compôs um frevo sensacional chamado "Edialeda", em homenagem à filha de Mané d'Ana Branca, conhecido valentão da turma.



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Quando o Maestro Samuel, da banda Nova Euterpe e, também, da orquestra do Vassouras, ouviu esse frevo, ficou encantado. Quis transformá-lo em hino do clube, desde que ele fizesse algumas modificações na melodia. Pediu autorização ao seu autor e fez as mudanças. O frevo ficou tão agressivo que, ao ouvi-lo, o barbeiro Noé Caetano exclamou: ‘Isso é coivara!'

O apelido pegou e Edialeda trocou de nome. Assim, ao som de "Coivara", Vassouras arrastou os foliões pela Rua da Matriz. Depois do desfile oficial, era costume o clube sair, frevando, para visitar algum dos seus benfeitores. Nesse dia, foram homenagear um sócio que morava na Rua Amarela. Dirigiram-se à Vigário Freire e, de lá, seguiriam para o local escolhido, quando alguém avisou que o programa deveria ser suspenso para evitar conflito, pois Toureiros estava por aquela região. Diógenes Vasconcelos, presidente do Vassouras, quis suspender a visita, visto que, seu irmão, o delegado Diomedes, tinha pedido para que todas as agremiações da cidade desfilassem em paz. Porém, Mané d'Ana Branca, vassoureiro roxo, que adorava confusão, ficou atiçando os colegas para que o encontro acontecesse.

O diretor, que também estava doido para provocar o inimigo com seu novo frevo, acabou concordando. Seguiram, então, pela Baixinha de Capitão Ioiô e logo se confrontaram com Toureiros, que estava tinindo, com a orquestra afinadíssima, tocando Fogão, conhecido como o maior "abafo". Os músicos do Vassouras não se intimidaram. Danaram-se a tocar Coivara com todo gás. Eita zoadeira! Fogão versus Coivara, guerra de barulhos: músicos se encarando, instrumentos duelando, passistas e estandartes se batendo. O povo se acabando de dançar e os músicos de tocar. Haja pernas e pulmões! O Carnaval era ali, naquele instante.

O boato do fuzuê chegou à Rua da Matriz e todo mundo correu para a Baixinha querendo ver essa peleja. As horas passavam e ninguém se rendia. Chamaram o delegado. Este, diplomaticamente, para não prejudicar nem proteger o clube do seu irmão, tentou argumentar com os grupos, sugerindo que cada um seguisse em direções opostas. Sem acordo! Fez outras propostas. Nada! Lá para as tantas, depois de muita conversa, ele convenceu Mané d'Ana, representante do Vassouras, e Zé Tranca Ruas, junto com Modesto Guarda, ambos provocadores do Toureiros, a "desarmar" os músicos de cada clube, um a um e simultaneamente. E foi o que aconteceu. Tiraram, ao mesmo tempo, um instrumento do Vassouras e um do Toureiros, depois outro de cada banda, até os últimos, os trombones. Assim, os dois clubes pararam, na mesma hora e ninguém foi "abafado" naquele memorável Carnaval do País de Caruaru. Evoé!



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Toureiros em Folia - 1932 - Acervo do Instituto Histórico de Caruaru.


*Valéria Barbalho é médica pediatra, cronista e filha do escritor e historiador caruaruense Nelson Barbalho.



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É Findi de Carnaval – O Galo da Madrugada - por Carlos Bezerra Cavalcanti*

14/02/2026

Começou, despretensiosamente, com um grupo de amantes do Carnaval, na sua maioria de moradores do bairro de São José, assim como batutas e outros grupos carnavalescos daquele tradicional bairro Recifense.

Uma Turma de Foliões

O grupo, tendo à Frente o baluarte Enéas Freire, surgiu, no dia 24 de Janeiro de 1978,assim, estava criado o Clube de Máscaras Galo da Madrugada.

No Carnaval

Naquele mesmo ano, o Galo saiu às ruas pela primeira vez: com cerca de 75 “almas penadas” - era a fantasia do Clube – percorreu as ruas do Bairro, com seus sacos de confetes e serpentinas, acompanhadas por uma orquestra de frevo composta por 22 músicos.

A Noite dos Estandartes

No Carnaval do ano seguinte o Galo realizou a 1ª Noite dos Estandartes, Para oficializar o seu Estandarte criado por Mauro Freire, um de seus fundadores, foi promovido um baile no Clube Português, na mesma ocasião era apresen...

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Começou, despretensiosamente, com um grupo de amantes do Carnaval, na sua maioria de moradores do bairro de São José, assim como batutas e outros grupos carnavalescos daquele tradicional bairro Recifense.

Uma Turma de Foliões

O grupo, tendo à Frente o baluarte Enéas Freire, surgiu, no dia 24 de Janeiro de 1978,assim, estava criado o Clube de Máscaras Galo da Madrugada.

No Carnaval

Naquele mesmo ano, o Galo saiu às ruas pela primeira vez: com cerca de 75 “almas penadas” - era a fantasia do Clube – percorreu as ruas do Bairro, com seus sacos de confetes e serpentinas, acompanhadas por uma orquestra de frevo composta por 22 músicos.

A Noite dos Estandartes

No Carnaval do ano seguinte o Galo realizou a 1ª Noite dos Estandartes, Para oficializar o seu Estandarte criado por Mauro Freire, um de seus fundadores, foi promovido um baile no Clube Português, na mesma ocasião era apresentado o seu hino, criado por José Mário Chaves.

A Turma Aumentou, em 1981, a multidão passou para mais de 1.500 pessoas. Nesse mesmo ano, o Galo cria o desfile de fantasia de papel na Praia de Boa Viagem, daí para ser o recordista mundial de adeptos, mais de um milhão, foi só uma questão de tempo. (com base em informações do Clube).


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras



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É Findi – Os Pica Paus - Por Poeta Pica-Pau*

14/02/2026

Assim como os pica paus
Eu também não sei cantar
Mas o Dom me ajudou
E a natureza mandou
Eu nos versos gorjeiar

Porque sou um pica pau
Dos outros bem diferente
Eles são bons na madeira
Eu não tenho bicadeira
Me arrisco no repente

Pica pau bica a madeira
Com a maior garantia
Porque tem bico afiado
Já o meu é aparado
Só sei bicar poesia

Pica paus voam bem alto
Já que não sei voar
Pego o lápis o papel
E voou que chego no céu
No modo de improvisar


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.



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Assim como os pica paus
Eu também não sei cantar
Mas o Dom me ajudou
E a natureza mandou
Eu nos versos gorjeiar

Porque sou um pica pau
Dos outros bem diferente
Eles são bons na madeira
Eu não tenho bicadeira
Me arrisco no repente

Pica pau bica a madeira
Com a maior garantia
Porque tem bico afiado
Já o meu é aparado
Só sei bicar poesia

Pica paus voam bem alto
Já que não sei voar
Pego o lápis o papel
E voou que chego no céu
No modo de improvisar


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.



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É Findi de Carnaval – E Agora, Carlos? - Crônica - Por Xico Bizerra*

14/02/2026

No carnaval, Carlos esqueceu a verdade e rendeu-se à ilusão do carnaval, no que fez muito bem. Escondeu num lugar bem secreto a chave que nenhuma porta abre e engoliu em seco a palavra doce que nunca pronuncia. Apenas sentou-se na esquina do mundo esperando a utopia. A vida de fantasia, embora fugaz, é bem menos doída, sabia Carlos. Dói menos ver quase nada no bolso se há uma colombina a lhe alegrar o coração; é menos dolorida a barriga vazia se há uma esperançazinha qualquer a azular-lhe a alma. Fez muito bem Carlos em não ter ido para Minas em busca de sua lavra de ouro, de seu terno de vidro. Ficou por aqui, ladeiras e pontes a receber seus pés e suor porque a vida tem todo dia e aquela alegria só acontece três ou quatro dias por ano e vale a pena pensar que o riso seja a verdade, ainda que não. Aquilo tudo era festa, era carnaval, era folia. Isto, apenas a vida. A fantasia, qualquer que fosse, para Carlos sempre foi muito melhor que a realidade. Assim era feliz Carlos, por três ou...

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No carnaval, Carlos esqueceu a verdade e rendeu-se à ilusão do carnaval, no que fez muito bem. Escondeu num lugar bem secreto a chave que nenhuma porta abre e engoliu em seco a palavra doce que nunca pronuncia. Apenas sentou-se na esquina do mundo esperando a utopia. A vida de fantasia, embora fugaz, é bem menos doída, sabia Carlos. Dói menos ver quase nada no bolso se há uma colombina a lhe alegrar o coração; é menos dolorida a barriga vazia se há uma esperançazinha qualquer a azular-lhe a alma. Fez muito bem Carlos em não ter ido para Minas em busca de sua lavra de ouro, de seu terno de vidro. Ficou por aqui, ladeiras e pontes a receber seus pés e suor porque a vida tem todo dia e aquela alegria só acontece três ou quatro dias por ano e vale a pena pensar que o riso seja a verdade, ainda que não. Aquilo tudo era festa, era carnaval, era folia. Isto, apenas a vida. A fantasia, qualquer que fosse, para Carlos sempre foi muito melhor que a realidade. Assim era feliz Carlos, por três ou quatro dias até a vida quarta-feirar-se e Carlos voltar a ser Carlos. Num é não, seu Drummond? Evoé!.


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Malude Maciel* em Dose Dupla Esta Semana

14/02/2026

Fiel espelho meu - Poema


Não gosto mais de espelhos
estão todos contra mim
as imagens que eles mostram
creio que não sou assim.

Espero que estejam mentindo
mas, fiéis eles sempre são
refletem exatamente
o que somos externamente
e esse é o X da questão

Pois, a velhice chega amargamente
alterando nossos traços joviais
sem dó, vai mostrando cicatrizes
nos espelhos dos dias atuais

E, ficamos sem razão,
não há enganos
A queríamos ter o vigor dos anos
a beleza e os sorrisos triviais
que a tantos cativou

Mas, infelizmente o tempo passou
e agora os espelhos
não têm mais serventia
porque a vida ensinou
que nossa maior beleza
se encontra no interior.


Seja feita sua vontade - Poema livre


O ser humano <...

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Fiel espelho meu - Poema


Não gosto mais de espelhos
estão todos contra mim
as imagens que eles mostram
creio que não sou assim.

Espero que estejam mentindo
mas, fiéis eles sempre são
refletem exatamente
o que somos externamente
e esse é o X da questão

Pois, a velhice chega amargamente
alterando nossos traços joviais
sem dó, vai mostrando cicatrizes
nos espelhos dos dias atuais

E, ficamos sem razão,
não há enganos
A queríamos ter o vigor dos anos
a beleza e os sorrisos triviais
que a tantos cativou

Mas, infelizmente o tempo passou
e agora os espelhos
não têm mais serventia
porque a vida ensinou
que nossa maior beleza
se encontra no interior.


Seja feita sua vontade - Poema livre


O ser humano
gosta de que tudo na vida
seja como ele quer

Tem imaginação fértil
acha que as coisas sigam
segundo sua idealização

Cria um padrão,
uma meta
e pensa que nada
deve fugir ao seu controle

Fica frustrado,
impaciente,
quando algo sai
dos seus planos

Mera ilusão
porque somos todos
apenas coadjuvantes
o roteiro já está estabelecido

O mundo continuará
girando
apesar de nós


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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